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Plantas Que Curam

Plantas Que Curam

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Excelente livro sobre plantas, com muita informação técnica e científica.

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Aprendam e ensinem! Espalhem a palavra, a sabedoria...
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08/07/2014

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PLANTAS

QUE CURAM
Enciclopédia das Plantas Medicinais

AO LEITOR

J
Após uma época de bilhantes progressos científicos, em que a terapêutica —ciência da cura—, d e p o s i t o u t o d a s as suas esperanças exclusivamente em sofisticados laboratórios e em dispositivos de alta tecnologia, volta a r e s s u r g i r o interesse pelos remédios simples que a Natureza oferece: n ã o só as plantas, mas também a água (hidroterapia), o sol (helioterapia) ou as terras m e d i c i n a i s (geoterapia), entre outros. A. ajuda de que o ser humano necessita para as suas muitas doenças c padecimentos, vem agora da terra, das simples ervas do c a m p o . Nesses humildes restolhos, nessa árvore bravia esquecida, nos "simples" —como antig a m e n t e se c h a m a v a m as plantas medicinais—, é aí que a Natureza esconde os seus melhores

I

gnoradas n u m a s épocas da história, e até desprezadas noutras, as plantas medicinais têm esperado vários milénios, calada e pacientemente, que nós, os seres humanos, dirijamos para elas a nossa atenção, a fim de conhecê-las, estudá-las, aplicálas —e porque não?—amá-las.

remédios para a s a ú d e dos humanos.

Quando sair para o c a m p o , caro leitor, não m e n o s p r e z e aquilo que parece simples, essas humildes plantas. Antes observeas com consideração c respeito, pois é delas que procede a maior parte dos medicamentos. E se for crente e acreditar num Deus de amor que criou a vida, eleve o olhar para o céu em sinal de gratidão, por Ele nos ter provido de tantos vegetais benéficos, capazes de curar as doenças e de aliviar os nossos sofrimentos, tornando assim mais suportável a nossa passagem por esta vida.

espécies de vegetais que povoam o planeta Terra q u e , com esta obra, não fazemos mais do q u e a s s o m a r t i m i d a m e n t e a o vasto oceano do conhecimento da botânica e da fitoterapia.

A Publicadora Atlântico facilita e n o r m e m e n t e esta tarefa do c o n h e c i m e n t o , a o utilizar n a presente obra, que faz parte da a m p l a E n c i c l o p é d i a de Educ a ç ã o e S a ú d e , a tecnologia mais a v a n ç a d a no c a m p o da edição, j u n t a m e n t e com u m a realização editorial de nível internacional.

É tão amplo e variado o mundo das plantas, há tanto descoberto e tanto mais ainda p o r descobrir nas cerca de 400.000

Caro leitor, conheça as plantas, e amá-las-á. É este o sincero desejo do autor,

Dr. Jorge D. Pamplona Roger.

Plan geral
Volume 1
Ao leitor Plano geral da obra índice de doenças índice de plantas Prólogo Apresentação Prefácio 5 6 8 12 16 17 18

Primeira parte: Generalidades
1. O m u n d o vegetal • Classificação dos vegetais • Tipos de folhas • Anatomia das folhas • Tipos de raízes • Tipos de caules • Tipos de inlloresccncias • Anatomia de uma flor
El mundo vegetal, cap

22

Colheitaeconservação,
cap. 2

2. C o l h e i t a e c o n s e r v a ç ã o • Guardiães ou destruidores? 3. F o r m a s de p r e p a r a ç ã o e e m p r e g o • A ai te de prepai ar tisanas • Vantagens e inconvenientes dos extractos • Técnica de aplicação das lomenlações • O uso seguro das plantas medicinais 4. Princípios activos
.. * r • • .

44

54

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Formas de preparación y ernpleo, cap. 3

j**} ^* * « ^ ^ ^ ^ ^ '^^ ^ V\ &_/jj nl
V 5

76

m

Precauções e toxicidade

Princípios activos, cap. 4

• A lotossintese • Procedimentos para a obtenção das essências • A aromaterapia 5. Precauções e toxicidade das plantas. . . . 98 6. Da planta ao m e d i c a m e n t o • Como obter os melhores resultados das plantas • Uma pioneira da moderna iitoterapia • As plantas medicinais na América • Como se descobriram as propriedades , i , das plantas 110

*

Da planta ao medicamento, ^

da obra Segunda parte: Descriç
Significado dos ícones 124 - 125 Explicação das páginas 126-127 7. Plantas para os olhos 8. Plantas para o sistema nervoso 9. Plantas excitantes 10. Plantas para a boca 11. Plantas para a garganta, nariz e ouvidos. . 12. Plantas para o coração 13. Plantas para as artérias 14. Plantas para as veias 15. Plantas para o sangue 16. Plantas para o aparelho respiratório 17. Plantas para o aparelho digestivo 18. Plantas para o fígado e a vesícula biliar .. 128 138 176 186 . 200 212 226 248 262 280 346 . 378

Plantas para os olhos, cap. 7

Plantas para a garganta, cap. 11

Volume 2
Plantas para as veias, cap. 14

Testemunho Plano geral da obra índice de doenças índice de plantas

400 402 404 410 416 476 538 548 602 614 644 654 680 736 774
Plantas para o aparelho respiratório, cap. 16

l
Plantas para o aparelho genital masculino, cap. 23

19. Plantas para o estômago 20. Plantas para o intestino 21. Plantas para o ânus e o recto 22. Plantas para o aparelho urinário 23. Plantas para o aparelho genital masculino. 24. Plantas para o aparelho genital feminino .. 25. Plantas para o metabolismo 26. Plantas para o aparelho locomotor 27. Plantas para a pele 28. Plantas para as infecções 29. Plantas para outras doenças Glossário Unidades de medida Procedência das ilustrações Bibliografia índices alfabéticos índice geral alfabético 778 782 783 784 786 794

*

;
Plantas para a pele, cap. 27

7

índice de doenças
Abcesso dentário, ver Fleimão dentário Abcessos Acidez do estômago Ácido úrico, excesso de, ver Gota Acne Açúcar no sangue, excesso, ver Diabetes Afecções do coração Afonia Afrodisíacas, plantas Aftas Alcalinizantes, plantas Alcoolismo Alergias Alimentar, infecção tóxica, ver Salmonelose Alopecia, ver Cavície Alternativas ao café Alternativas ao chá Amcbíasc Amigdalite e faringite Analgésicas, plantas, ver Dor e nevralgia Anemia Angina de peito Anginas, ver Amigaclalite e faringite Angor pectoris, ver Angina de peito Anorexia, ver Apetite, falta de Ansiedade Ansiolíticas, plantas, ver Nervosismo e ansiedade . . . . Antidiarreicas, plantas Antiescorbúlicas, plantas Anliespasmódicas, plantas Anliespasmódicas uterinas, plantas Anti-inflamalórias urinárias, plantas Antilactagogas, plantas Anti-reumálicas, plantas Antitússicas, plantas 188 689 418 647 687 648 213 203 602 187 645 776 777 740 688 177 177 740 201 142 263 214 201 214 347 141 141 480 645 147 621 549 615 655 288 Antocianinas, plantas com Ânus, eczema Ânus. fissura Apetite, excesso de, ver Bulimia Apetite, falta de Ardor de garganta, ver Garganta, irritação Ardor dos olhos (legenda de foto) Areias na urina, ver Litíase urinária Arritmia Arrotos, ver Gases no estômago Arteriosclerose Articulação, entorce, ver Entorse Artrite úrica Artritismo, ver Atrite úrica Artrose Ascite, ver Barriga de Água Asma Astenia Atonia intestinal Balsâmicas, plantas Barriga de água Beleza da pele Béquicas, plantas, ver Garganta, irritação Bexiga, infecção, ver Cistite Blefarite Boca, aftas, ver Aftas Boca, inflamação, ver Eslomatite, plantas Boca, mau hálito Boca, mau sabor Bolhas nos pés, ver Pés, transtornos Broncodilatadoras, plantas Bronquite Brucelose Bulimia Cabeça, dor de Café, alternativas ao Cálculos biliares, ver Vesícula biliar, transtornos Cálculos urinários, ver Litíase urinária Calos, ver Calosidades Calosidades Calvície Cancro Cansaço ocular (legenda de foto) Cardiopatias, ver Afecções do coração Cardiotónieas, plantas Caspa Cefalcia. ver Dor de cabeça Celulite Cervicite 128 539 539 648 347 201 130 550 214 421 228 657 659 659 659 380 283 140 485 289 380 686 201 554 129 187 189 187 187 660 288 282 740 648 143 177 380 550 683 683 688 777 130 213 212 688 143 686 620

Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem como títulos nas tabelas de doenças.

Chá, alternativas ao 177 Ciática 658 Circulação sanguínea insuficiente, ver Falta de irrigação sanguínea 228 Cirrose, ver Hepatite 379 Cistite 554 Climaclério, ver Menopausa 619 Colelitíase, ver Vesícula biliar, transtornos 380 Cólera 740 Coleréticas e colagogas, plantas 382 Colesterol, plantas contra o 229 Cólica biliar 381 Cólica hepática, ver Cólica biliar 381 Cólica intestinal 483 Cólica renal 551 Colite 482 Colo do útero, infecção, ver Cervicite 620 Cólon irritável 483 Comichão, ver Prurido cutâneo 684 Condilomas e papilomas 683 Conjuntivite e blefarite 129 Contusão 656 Convalescença 739 Coração, alteração do ritmo, ver Arritmia 214 Coração, doenças, ver Afecções do coração 213 Coração, infarto 214 Coração, insuficiência, ver Cardiotónicas, plantas . . . . 212 Córnea, inflamação, ver Qucratite 130 Coronáiias, doenças arteriais, ver Angina de peito . . . . 214 Crianças, plantas sedativas 146 Cura depurativa 647

D efesas diminuídas 738 Dentes, dor 188 Dentes, erupção 187 Dentes, fleimão 188 Depressão imunitária, ver Diminuição das defesas .. . 738 Depressão nervosa 140 Depurativa, cura 647 Desmaio 228 Desnutrição 646 Desporto 660 Diabetes 648 Diarreia, ver Gastrenteritc 481 Difteria 740 Digestão, transtornos, ver Dispepsia 419 Digestivas, plantas 348 Diminuição das defesas 738 Disbacteriosc intestinal 479 Disenteria 482 Dismenorreia 617 Dispepsia 419 Diuréticas, plantas 556 Doença de Parkinson, ver Doenças orgânicas do sistema nervoso 144 Doenças do coração 213 Doenças febris 738 Doenças orgânicas do sistema nervoso . 144 Doenças psicossomáticas 142 Dor de cabeça 143 Dor de costas, ver Lumbago 658 Dor de dentes 188 Dor de estômago 420 Dor do ouvido (legenda de foto) 204 Dor dos rins, ver Lumbago 658 Dor e nevralgia 142 Dor reumática 657 Jb>czema Eczema anal Edemas Ejaculação precoce Emenagogas, plantas Eméticas, plantas Enfisema pulmonar Entorse Enurese Enxaqueca Epilepsia Epistaxe, ver Nariz, hemon-agia Equimose, ver Hematoma Eritema pernio, ver Frieiras Erupção dentária 685 539 552 604 621 417 284 657 555 143 144 203 263 229 187

Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem
como títulos nas tabelas de doenças.

Hipertensão arterial Hipertensão portal, ver Barriga de água Hipcrtiroidismo Hipertrofia da próstata, ver Próstata, afecções Hipcmricemia, ver Gota Hipocloridria, ver Falta de sucos gástricos Hipolipemiantes, plantas, ver Colesterol, plantas contra o Hipotensão arterial Hipotiroidismo Hipotonia gástrica, ver Estômago descaído Impotência sexual Imunitária, depressão, ver Diminuição das defesas .. . Inapetência, ver Apetite, falta de . . .: Inchaço antes das regras, ver Regras, retenção de líquidos Incontinência urinária Infarto do miocárdio Infecção da mama, ver Mastite Infecção tóxica alimentar, ver Salmonelose Infecção urinária Insecto, picada, ver Insónia Insuficiência cardíaca, ver Cardiotónicas, plantas . . . . Insuficiência circulatória cerebral, ver Falta de irrigação sanguínea Insuficiência hepática, ver Fígado, mau funcionamento Insuficiência pancreática, ver Pâncreas, insuficiência . Insuficiência renal, ver Nefrite e nefrose Intelectual, rendimento insuficiente Intestino, alterações cia Hora, ver Disbacteriose intestinal Intestino, atonia Intestino, cólica Intestino, espasmo, ver Cólica intestinal Intestino, fermentações Intestino, gases Intestino, lombrigas, ver Parasitas intestinais Intestino, parasitas Intestino, vermes, ver Parasitas intestinais Intoxicação Intoxicação alimentar, ver Salmonelose Irrigação sanguínea, falta de Irritação da garganta Irritação da pele Lábios, gretas Lactação, infecção das mamas, ver Mastite Laringite

227 380 648 603 647 418 229 227 648 420 604 738 347 618 555 214 616 740 554 776 142 212 228 379 381 553 143 479 485 483 483 479 478 486 486 486 775 740 228 201 684 187 616 202

Laxantes, plantas Lcucorreia Lipotimia, ver Desmaio Líquidos, retenção, ver Edemas Litíase urinária Lombrigas, ver Parasitas intestinais Lumbago Má digestão, ver Dispepsia Magreza , Malária, ver Paludismo Malta, febre de, ver Brucelose Mama, infecção, ver Mastite Mamilo, gretas Mastite Mau hálito Mau sabor de boca Memória, perda de Menopausa Menstruação, dor, ver Dismenorreia

484 620 228 552 550 486 658 419 646 743 740 616 616 616 347 187 144 619 617

Menstruação excessiva, ver Regras excessivas Menstruação irregular, ver Regras irregulares Micose da pele Mordedura de répteis Mucolílicas, plantas Na rcóticas, plantas Nariz, hemorragia Nariz, inflamação, ver Rinite Nefrite e nefrose Nefrose Nervos no estômago Nervosismo e ansiedade Neurastenia, ver Nervosismo e ansiedade Nevralgia

618 618 689 776 289 146 203 203 553 55^ 421 141 141 142

índice de doenças (continuação)

Esclerose em placas, ver Doenças orgânicas do sistema nervoso Escorbuto, plantas contra o Esfbladelas dos pés, ver Pés, transtornos Esgotamento e astenia Espasmo intestinal, ver Cólica intestinal Esterilidade feminina Esterilidade masculina Estômago, acidez Estômago descaído
Estômago, dor •

144 645 660 140 483 616 603 418 420
420

Estômago, falia de sucos 418 Estômago, gases 421 Estômago, hemorragia 421 Estômago, nei*vos 421 Estômago, úlcera 423 Estomatite, plantas 189 Estrias da pele 688 Estudantes, ver Rendimento intelectual insuficiente .. 143 Excesso de apetite, ver Bulimia 648 Excitação sexual excessiva 604 Expectoração, sangue na, ver Hemoptise 284 Expectorantes, plantas 286 F a l t a de apetite Falta de irrigação sanguínea Falta de sucos gástricos Faringite Febre, ver Doenças febiis Febre de Malta, ver Brucelose Febre tifóide Febris, doenças Feridas e úlceras Fermentações intestinais Fígado, intoxicação Fígado, mau funcionamento Fissura anal Flebite Fleimão dentário Flora intestinal, alterações. ver Disbactcriose intestinal Fluidificanles do sangue, plantas Fluxo vaginal, ver Leucorreia Frieiras Frio, frieiras Fungos da pele, ver Micose da pele Furúnculos e abcessos Cjralactagogas, plantas Garganta, ardor, ver Garganta, irritação Garganta, infecção, ver Amigdalite e faringite 347 228 418 201 738 740 741 738 682 479 380 379 539 249 188 479 263 620 229 229 689 689 615 201 201

Garganta, irritação Gargarejos, plantas para Gases intestinais Gases no estômago Gastrentcrite Gastrite Gastrite crónica Gengivas, transtornos, ver Piorreia, gengivite e parodontose Gengivite Gesíação, ver Gravidez
Gota

201 204 478 421 481 422 423 188 188 616
647

Gravidez Gretas da pele Gretas do lábio Gretas do mamilo Gripe

616 683 187 616 742

Jtlálito fétido, ver Mau hálito 347 Halitose, ver Mau hálito 347 Hematoma 263 Hematúria 552 Hemicrania, ver Enxaqueca 143 Hemoptise 284 Hemorragia 264 Hemorragia gástrica 421 Hemorragia nasal, ver Nariz, hemorragia 203 Hemorróidas 540 Hemostáticas, plantas 262 Hepatite 379 Herpes 690 Hidropisia 552 Hiperexcitação sexual, ver Excitação sexual excessiva . 604 Hipermenorreia, ver Regras excessivas 618

10

índice de doenças (continuação)

Obesidade Ocitócicas, plantas Olhos, ardor (legenda de foto) Olhos, irritação (legenda de foto) Ossos, debilidade, ver Osteoporose Osteoporose Ouvido, dor (legenda de foto) Ovário, insuficiência

646 621 130 130 659 659 204 619

Pálpebras! inflamação, ver Conjuntivile e blefarite . . 130 Palpitações 213 Paludismo 743 Pancadas, ver Contusão 656 Pâncreas, insuficiência 381
Papilomas 683

Parasitas intestinais 486 Parkinson, ver Doenças orgânicas do sistema nervoso 144 Parodontose 188 Pediculose 777 Pedras na urina, ver Lilíase urinária 550 Pedras na vesícula, ver Vesícula biliar, transtornos . .. 380 Peito, infecção, ver Mastite 616 Peitorais, plantas 285 Pele, beleza 686 Pele, comichão, ver Prurido cutâneo 684 Pele, estrias 688 Pele, fungos, ver Micose da pele 689 Pele, gretas 683

Pele, irritação
Pele. micose Pele seca Perda de memória Perda de visão, ver Visão, diminuição Pés, transtornos Picada de insecto Pielonefrite Piolhos, picada, ver Pediculose Piorreia, gengivite e parodontose Pirose, ver Acidez d« estômago Plantas afrodisíacas Plantas alcalinizantes Plantas antidiarreicas Plantas antiespasmódicas Plantas antiespasniódicas uterinas Plantas anti-inflamatórias urinárias Plantas antilactagogas Plantas anti-reumáticas Plantas antitússicas Plantas balsâmicas Plantas broncodilatadoras Plantas cardiotónicas Plantas coleréticas e colagogas

684
689 687 144 130 660 776 553 777 188 418 602 645 480 147 621 549 615 655 288 289 288 212 382

Plantas com acção protectora capilar Plantas com antocianinas Plantas contra o colesterol Plantas contra o escorbuto Plantas digestivas Plantas diuréticas Plantas emenagogas Plantas eméticas Plantas expectorantes Plantas fluidificantes do sangue Plantas galactagogas Plantas hemostáticas Plantas laxantes Plantas mucolíticas Plantas narcóticas Plantas ocitócicas Plantas para a estomatite Plantas para gargarejos Plantas peitorais Plantas purgativas Plantas remineralizantes Plantas revulsivas Plantas sedativas Plantas sedativas para crianças Plantas sudoríficas Plantas vasoconstritoras Plantas vasodilatadoras Pneumonia Prisão de ventre Proctite Próstata, afecções Prostatite, ver Próstata, afecções Protectoras capilares, plantas Prurido cutâneo Psicossomáticas, doenças Psoríase Ptose gástrica, ver Estômago descaído Pulmonia, ver Pneumonia Purgativas, plantas (Jueimaduras Queratite IVaquitismo Recto, inflamação, ver Proctite Regras excessivas Regras irregulares Regras, dor, ver Dismcnorreia Regras, retenção de líquidos Remineralizantes, plantas Renal, litíase, ver Litíase urinária Rendimento intelectual insuficiente

248 128 229 645 348 556 621 417 286 263 615 262 484 289 146 621 189 204 285 477 645 658 145 146 737 229 229 283 485 539 603 603 248 684 142 686 420 283 477 775 130 660 539 618 618 617 618 645 550 143

Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem como títulos nas tabelas de doenças.

Répteis, mordedura, ver Mordedura de répteis Retenção de líquidos, ver Edemas Retenção de líquidos antes das regras, ver Regras, retenção de líquidos Reumática, dor Reumatismo, plantas contra o Revulsivas, plantas Rim, cólica, ver Cólica renal Rim, infecção, ver Pielonefritc Rim, Insuficiência, ver Nefrite e nefrose Rinite Rins. dor de. ver Lumbago Ritmo cardíaco, alteração, ver Arritmia Rouquidão, ver Afonia

776 552 618 657 655 658 551 553 553 203 658 214 203

oahnonelose Sangue na expectoração, ver Hemoptise Sangue na urina, ver Hematúria Sarna Secura da pele Sedativas, plantas Sedativas para as crianças, plantas Seio, infecção, ver Maslile Serpentes, mordedura, ver Mordedura de répteis Sexual, excitação excessiva, ver Excitação sexual excessiva Sida Sífiles Sinusite Sistema nervoso, doenças orgânicas Sono, falta de, ver Insónia Sopoiiferas, plantas, ver Insónia Stress Substitutos do café Substitutos do chá Sucos gástricos, falta de Sudação excessiva Sudação excessiva dos pés, ver Pés, transtornos Sudoríficas, plantas

740 284 552 690 687 145 146 616 776 604 742 740 202 144 142 142 141 177 177 418 687 660 737

Tonificantes, plantas, ver Esgotamento e astenia Torcedura, ver Entorse Tosse Tosse convulsa Trombose Tuberculose cera do estômago Úlcera varicosa Úlceras da pele Unhas frágeis Uretrite Úrica, artrite, ver Artrite úrica Úrico, ácido, excesso de, ver Gota Urina, cálculos, ver Litíase urinária Urina, infecção, ver infecção urinária Urina, sangue na, ver Hematúria Urinária, incontinência Urinária, infecção Urinária, litíase Urinários, cálculos, ver Litíase urinária Vaginite, ver Leucorreia Varizes Vasoconstritoras, plantas Vasodilatadoras, plantas Veias, inflamação, ver Flebite Vermes intestinais, ver Parasitas intestinais Verrugas Vesícula biliar, transtornos Visão, diminuição Vitamina C, plantas contra a sua carência, ver Plantas contra o escorbuto Vómitos

140 657 285 74\ 264 743 423 250 682 688 555 659 647 550 554 552 555 554 550 550 620 249 229 229 249 486 683 380 130 645 420

1 abagismo Taquicardia Tensão alta, ver Hipertensão arterial Tensão baixa, ver Hipotensão arterial Tensão nervosa, ver Stress Terçol Tifóide, febre Tinha Tiróide, hiperfunção. ver Hipertiroidismo Tiróide, hipofunção, ver Hipotiroidismo

776 213 227 227 141 130 741 690 648 648

índice de plantas
Abacateiro (Persea americana), 719 Abelmosco (Hibiscus abelmoschus), 362 Abeto-branco (Abies alba), 290 Abeto-do-canadá, cm Abeto-branco, 291 Abóbora (Cucurbita pepo), 605 Abrótano, em Absinto, 429 Abrótano-fêmea (Santolina cha ma ecypa rissi is), 470 Abrunheiro-bravo (Prunus spinosa), 372 Absinto (Ariemisia absinthium), 428 Acácia-bastarda (Robitiia pseudoacacia), 469 Açafrão (Crocus sativus), 448 Açafrão-bastardo = Cólquico, 666 Açafrão-da-índia = Cúrcuma, 450 Açafroa (Carthamus tinctorins), 751

Acónito (Aconitum napeUus), 148
Acoro-cheiroso = Cálamo-aromático, 424 Açucena (Lilium candidum), 716 Adónis-da-itália (Adónis venudis), 215 Agave = Piteira, 558 Agrião (Nasturtium officinalis), 270 Agrimónia (Agiimonia eupatoria), 205 Agripalma (teouorus cardíaca), 224 Aipo (Apium graveolens), 562 Álamo-negro = Choupo-negro, 760 Alcachofra (Cynara scolymus), 387 Alcaçus (Glycyrrhiza glabra), 308 Alcaravia (Camm can>i), 355 Alecrim (Rosmarinns officinalis), 674 Aleluia, em Azedas, 275 Alface-brava-maior (Lactuca virosa), 160 Alfalfa = Luzerna, 269 Alfarrobeira (Ceratonia siliqua), 497 Alfarrobeira-das-antilhas, em Alfarrobeira, 497 Alfairobcira-negra, em Alfarrobeira, 497 Alfazema (Lavandula anguslifolia), 161 Alfazema-brava, em Alfazema, 162 Alforva (Trigonella foennm-graecitm), ATA Alga-perlada (Cliondrns crispus), 301 Alga-vcsiculosa = Bodelha, 650

Algodoeiro (Gossypium herbaceum), 710 Alho (Allium sativum), 230 Alho-de-urso, em Alho, 233 Aliaria (Alliaria officinalis), 560 Aljôfar (Lithospermum officbiale), 579 Almeirão = Chicória, 440 Aloés (Aloé vera), 694 Alquemila = Pé-de-leão, 622 Alquequenje (Physalis alkekengi), 585 Alteia (Althaea officinalis), 190 Amieiro (Alnus glutinosa), 487 Amieiro-negro (Rliamnus frangida), 526 Amieiro-rubro, em Amieiro, 488 Amor-de-hortelão, em Erva-coalheira, 361 Amor-perfeito-bravo (Viola tricolor), 735 Ananás (Ananás sativus), 425 Anémona-hepática (Anemone hepática), 383 Ancto = Endro, 349 Angélica (Angélica archangelica), 426 Anis-estrelado (Illicium verum), 455 Anis-verde (Pimpinela anisum), 465 Anona (Anno)ia mnricata), 489 Ansarinha - Argentina, 371 Antenária (Antennaria dioica), 297 Aquileia = Milefólio, 691 Arando (Vaccinium myrtillus), 260 Arando-vermelho, em Arando, 261 Arenária (Spergularia rubra), 596

Argentina (Potentilla anserina), 371 Aristolóquia (Aristolochia clematitis), 699 Arnica (Arnica montaria), 662 Arruda (Ruía graveolens), 637 Artemísia (Artemísia vulgaris), 624 Artemísia-mexicana, em Sanlónico, 431 Árvore-da-goma-arábica, em Acácia-bastarda, 469 Árvore-das-gotas-de-neve, em Freixo, 669 Asaro (Asarum europaeum), 432 Asclépia (Asclepias tuberosa), 298 Aspérula-odorífera (Aspenda odorata), 351 Assa-fétida (Ferida assafoetida), 359 Aveia (Avena saliva), 150 Aveleira (Coiylus avellana), 253 Avenca (Adiantum capillus-veneris), 292 Azedas (Rumex acetosa), 275 Azevinho (Ilex aquifolium), 672 Azinheira, em Carvalho, 210 B a d i a n a = Anis-estrelado, 455 Balsamita, em Tanaceto, 537 Bardana (Arctium lappa), 697 Barosma (Barosma betulina), 567 Barrele-de-padre = Evónimo, 707 Basílico = Manjericão-grande, 368 Baunilha (Vanilla planifolia), 376

Em letra negrita figuram os nomes das plantas principais, que servem de título nas páginas de descrição. Baunilha-dos-jardins, em Tomassol, 713 Bccabunga, em Verónica, 475 Bela-sombra, em Fitolaca, 722 Beladona (Atropa belladonna), 352 Beldroega (Portulaca oleracea), 518 Bérberis (Berberis vulgatis), 384 Betónica (Stachys officinalis), 730 Belónica-dos-pânlanos, em Estaque, 641 Bétula (Beiula alba), 568 Bico-de-cegonha (Erodium cicutariutn), 631 Bico-dc-ccgonha-moscada, em Bico-de-cegonha, 631 Bico-de-grou = Erva-de-são-roberto, 137 Bisnaga (Aimni visnaga), 561 Bistorta (Pofygonum bistortum), 198 Bodclha (Facas vesicalasas), 650 Bola-de-neve = Noveleiro, 642 Boldo (Peumus boklus). 390 Bolsa-de-pastor (Capsdla bursa-pastoris), 628 Bonina (Bellis perenais), 744 Bons-dias (Calysiegia sepium), 491 Borragem (Borago officinalis), 746 Bonagem-bastarda = Buglossa, 696 Borragem-brava, em Borragem, 747 Briónia (Bryonia àioica), 490 Briónia-branca, em Briónia, 490 Buglossa (Anchasa azurea), 696 Buglossa-oficinal, em Buglossa, 696 Buxo (Buxus sempervirens), 748 Cacaueiro (Theobroma cacao), 597 Cacto-grandifloro (Cerens grandi floras), 216 Cafeeiro (Cofjea arábica), 178 Cainito (Chrysophyllutn caimito), 302 Calaguala (Palypodiam calaguala), 724 Cálamo-aromático (Acorns calamus), 424 Calêndula • Maravilha, 626 Calumba (Cacadas pahnatus), 446 Camomila (Matricaría chamomitta), 364 Camomila-romana = Macela, 350 Cana (Arando dottax), 566 Cana-amarga, em Cana, 566 Cana-de-açúcar (Saccharun officinarum), 332 Canafístula (Cássia fistula), 494

Canela-da-china, em Caneleira, 443 Caneleira (Cinnamomum zeylanicum), 442 Canforeira (Cinnamomum camphora), 217 C â n h a m o (Camiabis saliva), 152 Capilária = Avenca, 292 Capsela = Bolsa-de-pastor, 628 Capucha, em Fisale, 721 Cardo-corredor (Eryngium campestre), 573 Cardo-de-santa-maria (Silybum marianum), 395 Cardo-leilciro = Cardo de-santa-maria, 395 Cardo-marítimo, em Cardo-corredor, 574 Cardo-morto = Tasneirinha, 640 Cardo-penteador (Dipsacus salivas), 572 Cardo-santo (Cnicas benedictas), 444 Cardo-santo-mexicano, em Cardo-santo, 445 Carlina (Cadina acatais), 749 Carlina-ornamental, em Carlina, 750 Carriço, em Grama-francesa, 559 Cártamo = Açafroa, 751 Carvalhinha (Teacriam chaniaediys), 473 Carvalho (Quercus robur), 208 Caivalho-branco, em Carvalho, 210 Cáscara-sagrada (Rhamnus purshiana), 528 Castanheiro (Castanea saúva), 495

Castanheiro-da-índia (Aescalas hippocastanum), 251 Cavalinha (Equisetum arvense), 704 Ceanoto = Chá-de-nova-jersey. 191 Cebola (Allium cepa), 294 Cebola-albairã, em Cebola, 296 Celidónia (Chelidoniion majas), 701 Cenoura (Daucus carola), 133 Centáurea-áspera, em Fel-da-terra, 437 Cerejeira (Prunus aviam), 586 Cerejeira-da-virgínia (Primas serotina), 330 Cersefi-bastardo (Tmgopogon pratensis), 243 Chá (Tliea sinensis), 185 Chá-apalache, em Azevinho, 673 Chá-de-java = Ortossifão, 653 Chá-de-nova-jersey (Ceanothus americanas), 191 Chagas (Tropaeolam majas), 772 Chicória (Cichorium iulybas), 440 Choupo-branco, em Choupo-negro, 761 C h o u p o - n e g r o (Papaias nigra), 760 Choupo-tremedor, ^ em Choupo-negro, 761 Cicuta (Conium muculalam), 155 Cicuta-menor, em Cicuta, 155 Cidra, em Limoeiro, 267 Cinco-em-rama (Potentilla reptans), 520 Cinco-em-rama americana, em Cinco-em-rama, 520

índice de plantas (continuação)

Cinoglossa (Cynoglossum officinale), 703 Cipreste (Cupressus sempeivirens), 255 Coca (Erytiiroxylon coca), 180 Cocleáría (Cochlearia officinalis), 356 Coentro (Coriandrum sativum), 447 Cólquico (Colchicum autumnale), 666 Colútea (Colulea arborescens), 498 Cominho (Cuminum cyminum), 449 Condurango (Gonolobus condurango), 454 Consolda-maior (Symphytum officinalis), 732

Consolda-menor,
em Consolda-maior, 733 Convalária = Lírio-dos-vales, 218 Copaíba (Copaifera officinalis), 571 Coriandro = Coentro, 447 Coronilha-de-frade, em Globulária, 503 Corriola, em Bons-dias, 491 Couve (Brassica oleracea), 433 Cravinho (Eugenia catyophyllata), 192 Cúrcuma (Curcuma longa), 450 Cuscuta (Cuscuta epithymum), 386 D a m i a n a (Tunwra diffusa), 613 Dedaleira (Digitalis purpúrea), 221 Dedaleira-amarela, em Dedaleira, 222 Dedaleira-de-flores-grandes, em Dedaleira, 222 Dedaleira-lanosa, em Dedaleira, 222 Dente-de-leão (Taraxacum officinale), 397 Dictamno (Dictamnus albus), 358 Dictamno-real, em Dictamno, 358 Digilal = Dedaleira, 221 Doce-amarga (Solanum dulcamara), 728 Dormideira (Papaver somnijerum), 164 Dormideira-brava, em Dormideira, 166 Douradinha (Ceterach officinarum), 299 Drias (Dryas ociopetala), 451 E b u l o (Sambucus ebulus), 590 Éfedra (Ephedra distachya), 303

Énula (Irada helenium), 313 Epilóbio (Epilobium angusiifolium), 501 Epilóbio-peludo, em Epilóbio, 501 Equinácea (Echinacea angustifolia), 755 Equiseto-dos-campos = Cavalinha, 704 Erigerão (Erigeron canadensis), 268 Erva-benta = Sanamunda, 194 Erva-cidreira (Melissa officinalis), 163 Erva-coalheira (Galium verum), 361 Erva-da-trindade = Amor-perfeito-bravo, 735 Erva-das-azeitonas, em Segurelha, 375 Erva-de -são-ro bert o (Ceranium robertianum), 137 Erva-doce = Anis-verde, 465 Erva-dos-burros = Onagra, 237 Erva-dos-cachos-da-índia = Fitolaca, 722 Erva-dos-calos = Favária, 726 Erva-dos-gatos = Valeriana, 172 Erva-dos-muros = Parietária. 582 Erva-dos-vasculhos = Gilbarbeira, 259 Erva-dos-vermes = Tanaceto, 537 Erva-formigueira (Chenopodium ambrosioides), 439 Erva-luísa = Lúcia-lima, 459 Erva-moura (Solanum nigrum), 729 Escabiosa-mordida (Succisa pratensis), 731 Escarola, em Chicória, 441

Escrofulária (Scroplutlaria nodosa), 543 Espargo (Asparagus officinalis), 649 Espinheiro-alvar = Pilrileiro, 219 Espinheiro-cerval (Rhamnus cathartica), 525 Espirulina (Spirulina máxima), 276 Estaque (Stacltys silvatica), 641 Estragão (Artemísia dracunculus), 430 Estramónio (Datura stramonium), 157 Eucalipto (Eucalyptus globulus), 304 Eufrásia (Euphrasia officinalis), 136 Eupatória = Agrimónia, 205 Evónimo (Evonymus europaeus), 707 r a i a (Fagus silvatica), 502 Favária (Sedum telephium), 726 Fedegoso (Cássia occidentalis), 630 Feijoeiro (Phaseolus vulgaris), 584 Fel-da-terra (Centaurium umbellatum), 436 Feno-grego = Alforva, 474 Feto-macho (Dryopleris filix-mas), 500 Fidalguinhos (Centáurea cyanus), 131 Figueira (Ficus carica), 708 Figueira-da-índia (Opunlia ficus-indica), 718 Fisale (Physalis viscosa), 721 Fitolaca (Phytolacca americana), 722 Flor-da-noite, em Cacto-grandifloro, 216 Flor-da-paixão = Passiflora, 167 Flor-do-paraíso = Chagas, 772

Eleuterococo, em Ginseng, 609 Endívia, em Chicória, 441
Endro (Aneíhum graveolens), 349 Engos = Ébulo, 590

Ver mais sinónimos de nomes de plantas nos índices alfabéticos que figuram no fim do segundo volume.

Folhado, em Noveleiro, 643 Framboeseiro (Rubus idaeus), 765 Frângula = Amieiro-negro, 526 Freixo (Fraxinus exeelsior), 669 Fumaria (Fumaria officinalis), 389 Funcho (Foeniculutn vulgare), 360 Galega (Galega officinalis), 632 Galcopse (Galeopsis dúbia), 306 Gatunha (Ononis spinosa), 581 Genciana (Gentiana lutea), 452 Gengibre (Zingiber officinale), 377 Gengibre-silvcslrc, em Ásaro, 432 Gerbão = Verbena, 174 Gergelim (Sesamutn indicum), 611 Giesta (Sarothamnus scoparius), 225 Gilbarbeira (Ruscus aculeatus), 259 Ginjeira, em Cerejeira, 587 Ginkgo (Ginkgo biloba), 234 Ginseng (Panax ginseng), 608 Ginseng-americano, em Ginseng, 609 Ginscng-chinês, em Ginseng, 609 Girassol (Helianthus annutis), 236 Globulária (Globidaria vulgaris), 503 Goiabeira (Psidium guajaba), 522 Golfão (Nymphaea alba), 607 Gracíola (Graliola officinalis), 223 Grama, em Grama-francesa, 559 Grama-francesa (Agropyrum repetis), 559 Granza (Rubia tinctorum), 589 Grindélia (Grindelia robusta), 310 Grindélia-áspera, em Grindélia, 310 Groselheira (Ribes rubrion), 468

Groselheira-espim (Ribes uva-aispa), 588 Groselheira-negra, em Groselheira, 468 Guaiaco (Guaiacum officinale), 311 tiamamélia (Hamamelis virginiana), 257 Harpagófito (Harpagophytum procumbens), 670 Hera (Hedera helix), 712 Hera-terrestre (Glechoma hederacea), 307 Hibisco (Hibiscus sabdariffa), 363 Hidraste (Hydrastis canadensis), 207 Hipericão (Hypericwn peiforatum), 714 Hipericão-do-gerês, em Hipericão, 714 Hipofaé (Hippophae rhamnoides), 758 Hissopo (Hyssopus officinalis), 312 Hortelã-pimenta (Mentha piperita), 366 I n u l a - c a m p a n a = Énula, 313 Ipecacuanha (Cephaelis ipecacitana), 438 Jaborandi (Pilocarpus pennalifolius), 759 Jalapa (Convohndus jalapa), 499 Jalapa-falsa, em Jalapa, 499 Jasónia (Jasonia glutinosa), 456

.Labaça (Rumex patientia), 532 Laminaria (Laminaria saecharina), 652 Laranjeira (Citrus aurantium), 153 Lavanda = Alfazema, 161 Levístico (Levislicum officinale), 578 Lilás (Syringa vulgaris), 472 Lima, em Limoeiro, 267 Limoeiro (Citrus limon), 265 Língua-cervina (Phyllitis scolopendrium), 321 Língua-de-cão = Cinoglossa, 703 Língua-de-vaca = Buglossa, 696 Linho (Linum itsitatissimum), 508 Linho-bravo, em Linho, 509 Linho-das-pradarias, em Linho, 509 Linho-purgante, em Linho, 509 Líquen-da-islândia (Cetraria islandica), 300 Lírio (íris germânica), 315 Lírio-de-maio = Lírio-dos-vales, 218

Lírio-dos-vales
(Convallaria majalis), 218 Lírio-florentino, em Lírio, 315 Lírio-pálido, em Lírio, 315 Litospermo-americano, em Aljôfar, 579 Lobélia, em Tabaco, 183 Loendro (Nerium oleander), 717 Lóios = Fidalguinhos, 131 Lombrigueira = Erva-formigueira, 439 Loureiro (Lanrus nobilis), 457 Louro-cerejo, em Loureiro, 458 Lúcia-lima (Lippia triphylla), 459 Lúpulo (Humulus lupulus), 158 Luzerna (Medicago sativa), 269 JVlacela (Anthemis nobilis), 350 Macieira (Pirus malus), 513 Malmequer-dos-brejos (Caltha palustris), 665 Malva (Malva silvestris), 511 Malvaísco = Alteia, 190 Mamoeiro = Papaieira, 435 Mandioca (Manhioí esculenía), 460 Manduba = Mandioca, 460 Manjericão-grande (Ocitnwn basilicum), 368 Manjerona (Origanum majoraria), 369 Maracujá = Passiflora, 167 Maracujá-roxo, em Passiflora, 168

índice de plantas (continuação)
Maravilha (Calendula officinalis), 626 Margaça-das-bolicas = Camomila, 364 Margarida = Bonina, 744 Maro, cm Carvalhinha, 473 Marroio (Mairubiitm vidgare), 316 Mate (Ilex paraguayensis), 182 Mático, em Pimenteira, 370 Medronheiro (Arbutus unedo), 563 Mcimendro-ncgro (llyoscyamus niger), 159 Meliloto (Melilottts officinalis), 258 Melissa = Erva-cidreira, 163 Melissa-bastarda (Melittis melissophyllum), 580 Menta-de-cavalo, em Monarda, 634 Milcfólio (AchiUea millefolium), 691 Millurada = Hipericão, 714 Pimpinela-menor (Sangnisorba nnnor), 533 Pimpinela-oficinal (Sangnisorba officinalis), 534 Pinheiro (Pinus pinasíer), 323 Pinheiro-alvar = Abeto-branco, 290 Piripiri = Pimentão, 354 Pistácia (Pistacia lenliscns), 197 Piteira (Agave americana), 558

Podofilo (Podophyllum peltatum), 517 Poejo (Mentha pulegium), 461
Poejo-americano, em Poejo, 462 Polígala-da-virgínia (Polygala senega), 327 Poligonato-da-américa, em Selo-de-salomão, 723 Polipódio (Polypodium vidgare), 392 Primavera (Prinuda veris), 328 Prímula = Primavera. 328 Pulmonária

Milho (Zea mays), 599
Milola, em Hibisco, 363 Mirtilo = Arando, 260 Miito = Murta. 317 M o n a r d a (Moinada didyma), 634 Morangueiro (Tragaria vesca), 575 Morugem (Slellaria media), 334 Moslarcla-branca, em Moslarda-negra. 664 Mostarda-dos-campos, em Moslarda-negra, 664 Mostarda-negra (Brassica nigra), 663 Murta (Myrtus communis), 317 Murta-lolhuda, em Murta, 317 Musgo-amargo = Líqucn-da-islândia, 300 Musgo-da-irlanda = Alga-perlada, 301 Nêveda-dos-gatos (Nepeia calaria), 367 Nogueira (Jrtglans regia), 505 Nogueira-preta, em Nogueira, 506 Nopal = Figueira-da-índia, 718 Norça-branca = Briónia, 490 Norça-preta (Tatnus communis), 679 Noveleiro (Vibitnntni opidus), 642 Oliveira (Olea enropaea), 239 Onagra (Oenoiiíera biennis), 237 O r é g ã o (Origaiuini xndgare), 464 Oi elha-de-lebre = Pilosela, 504 Ortossifão (Ortosiphon stamineus), 653 Jr aciêneia-dos-jardins = Labaça, 532 Palheira = Bisnaga, 561

(Pulmonaria officinalis), 331
Pulsatila (Anemone pnlsaiilla), 623 (Quaresmas (Saxífraga granulara), 591 Quássia (Quássia amara), 467 Quássia-da-jamaica, em Quássia, 467 Quenopódio-bom-henrique (Chenopodium bonns-Henricns, 702 Quina (Cinchona officinalis), 752 Quina-amarela, em Quina, 753 Quina-vermelha, em Quina, 753 Papaieira (Carica papava), 435 Papoila (Papaver rhoeas), 318 Papoila-branca = Dormideira, 164 Parietária (Parietaria officinalis), 582 Passiflora (Passiflora incarnaia), 167 Pau-rosa-das-canárias, em Bons-dias, 491 Pé-de-gato = Antenária, 297 Pé-de-leão (Alchemilla vulgaris), 622 Pegamassa = Bardana, 697 Pereiro = Macieira, 513 Pervinca (Vinca minor), 244 Petasite (Peiasiies hybridus), 320 Pilosela (Hieracium pilosella), 504 Pilriteiro (Craiaegns monogyna), 219 Pimenta-d'água (Polygonttin bydropiper), 21A Pimenta-malagueta = Pimentão, 354 Pimentão (Capsicnm frmescens), 354 Pimenteira (Piper nigrum), 370 Pimpinela-magna, em Saxífraga, 322 Jvabanete e Rábano (Raplianus salivas), 393 Rábão-rústico, em Rabanete e Rábano, 394 Rabárbaro, em Ruibarbo. 530 Rainha-dos-prados = Ulmeira, 667 Ratânia (Krameria iriandra), 196 Rauvólíia (Rauwolfia serpentina), 242 Regaliz = Alcaçus, 308 Rícino (Ricinns communis), 531 Rinchão (Sisymbrium officinale), 211 Robínia = Acácia-bastarda, 469 Romãzeira (Púnica granaium), 523 Rorela (Drosera roltuidifolia), 754 Rosa-canina (Rosa canina), 762 Rosa-de-damasco, em Roseira, 635 Rosa-do-japão, em Abelmosco, 362 Rosa-pálida, em Roseira, 635 Roseira (Rosa gallica), 635 Rosmaninho, em Alfazema, 162 Ruibarbo (Rlieum officinale), 529

Ruibarbo-das-hortas, em Ruibarbo, 530 Ruibarbo-palmado, em Ruibarbo, 530 Sabal = Serenoa, 610 Saboeira • Saponária, 333 Sabugueiro (Sambucus nigra), 767 Saião-curto (Sentpeivivum tectorum), 727 Salepeira-maior = Satirião-maeho, 512 Salgueirinha (Lythrum saltearia), 510 Salgueiro-branco (Sãlix alba), 676 Salgueiro-da-babilónia, em Salgueiro-branco. 677 Salgueiro-de-casca-roxa, em Salgueiro-branco, 677 Salgueiro-frágil, em Salgueiro-branco, 677 Salicária = Salgueirinha, 510 Salsa (Petroselinum sativum), 583 Salsaparrilha-bastarda (Smila.x aspem), 592 Salsaparrilba-da-jamaica, em Salsaparrilha-bastarda, 593 Salsapanilha-das-honduras, em Salsaparrilha-bastarda, 593 Salsaparrilha-de-lisboa, em Salsaparrilha-bastarda, 593 Salsaparrilha-filipina, em Salsaparrilha-bastarda, 593 Salsaparrilha-mexicana, em Salsaparrilha-bastarda, 593 Salva (Solvia officinalis), 638 Salva-dos-prados, em Salva, 638 Salva-esclareia (Solvia sclarea), 766 Sanamunda (Geum urbanum), 194 Sanguissorba-oficinal = Pimpinela-oficinal, 534 Sanícula (Sanicula europaea), 725 Sanícula americana, em Sanícula, 725 Santánfco (Artemi&ia matitima), 431 Saponária (Saponária officinalis), 333 Saramago, em Rabanete e Rábano, 393 Sassafrás (Sassafrás officinalis), 678 Satirião-macho (Orchis máscula), 512 Saxífraga (Pimpinella saxifraga), 322 Segurelha (Satureja montana), 374

Segurelha-dos-jardins, em Segurelha, 375 Selenicéreo, em Cacto-grandifloro, 216 Selo-de-salomão (Pofygonaium odoratum), 723 Sempre-noiva (Polygotium aviculare), 272 Sene-americano, cm Scne-da-índia, 493 Sene-da-índia (Cássia angtislifolia), 492 Senc-dc-alexandria, em Sene-da-índia, 493 Sene-de-espanha, em Sene-da-índia, 493 Senécio-viscoso, em Tasneirinha, 640 Serenoa (Serenoa repens), 610 Serpão (Thyniits serpyllwn), 338 Sésamo = Gergelim, 611 Siderita (Siderilis angnstifolia), 471 Silva (Rubus fmtlcosus), 541 Sincciro = Salgueiro-branco, 676 Sobreiro, em Carvalho, 210 Sorveira, em Tramazeira, 535 T a b a c o (Nicotianu labacum), 183 Tamarindeiro (Tamarindus indica), 536 Tanaceto (Tanacetutn vulgare), 537 Tanchagem (Plantago major), 325 Taraxaco = Dcnte-de-leão, 397 Tasna, em Tasneirinha, 640 Tasneirinha (Senecio vulgaris), 640 Teixo (Taxus baccata), 336 Tepezcohuite, em Calaguala, 724 Tília (Tília europaea), 169 Tomilho (Tliynuis vulgaris), 769 Toranja, em Limoeiro, 267 Tormentila (Poientilla erecta), 519 Tornassol (Helioiropimn europaeuni), 713 Tramazeira (Sorbus aacuparia), 535

Trevo-branco, em Trevo-dos-prados, 340 Trevo-cervino (Eupaloriunt caimabinum), 388 Trevo-d'água (Menyanrhes irifotiata), 463 Trevo-dos-prados (Trifolittni praiense), 340 Tróculos-brancos = Verbasco, 343 Tussilagem (Tussilago farfara), 341 U l m e i r a (Filipendida ubnaria). 667 Ulmeiro (Ulmus campestris), 734 Ulmeiro-americano, em Ulmeiro, 734 Unho-de-cavalo = Tussilagem, 341 Urtiga-branca (Laniiitm álbum), 633 Urtiga-maior (ílrtica dioica), 278 Urucu (Bixa orellana), 700 Urze (Calluna vulgaris), 570 Uva-de-cão = Norça-preta, 679 Uva-ursina (Arctostaphylos uva-ursi), 564 Valeriana (Valeríana officinalis), 172 Vara-de-ouro (Solidago virga-aurea), 594 Verbasco (Verbascum tbapsus), 343 Verbena (Verbena officinalis), 174 Verbena-azul, em Verbena, 174 Vermiculária, em Favária, 726 Verónica (Verónica officinalis), 475 Verrucária = Tornassol, 713 Viburno (Viburnum lantana), 199 Viburno, em Noveleiro, 643 Viburno-americano, em Noveleiro, 643 Vicária, em Pervinca, 245 Videira (Vilis vinifera), 544 Vidoeiro = Bctula, 568 Vinagreira = Azedas, 275 Vinca a Pervinca, 244 Violeta (Viola odorara), 344 Visco-americano, em Visco-bvanco, 247 Visco-branco (Viscum álbum), 246 Vulnerária (Anihxllis vulneraria), 661 Zaragatoa (Plantago psylluim), 515 Zaragatoa-arenária, em Zaragatoa, 515 Zimbro (Juuiperus commuuis), 577

PRÓLOGO

A

obra que, em boa hora, a Publicadora Atlântico, em colaboração com a Editorial Safeliz, de Madrid, acaba de editar, marca uma viragem na forma como o público em geral e a comunidade médica em particular podem, de aqui em diante, encarar o

uso das plantas como importante agente curativo e preventivo. É sabido que muitos dos medicamentos usados pela Medicina oficial têm a sua origem nas plantas ou são inspirados nelas. No entanto a forma empírica, muitas vezes sem base científica e tocando mesmo as raias do charlatanismo, com que estas, muitas vezes, são usadas tem causado uma marcada oposição entre as tradicionais crenças populares e o rigor científico da Medicina. Por isso esta notável obra vem, oportunamente, reafirmai- o valor da cura pelas plantas, ancestralmente conhecido, mas agora assente em bases científicas e expurgado de toda a especulação e crendice popular. Quem a escreve tem autoridade para o fazer. 0 Dr. J. Pamplona Roger, eminente médico espanhol, especialista em ciiurgia geral e do aparelho digestivo, que exerceu durante

quinze anos, aprendeu na sua prática clínica, a nível particular e hospitalar, as propriedades cicatrizantes de certas plantas, quando aplicadas localmente nas feridas de difícil cicatrização. Animado com os bons resultados obtidos, continuou a investigar o valor curativo das plantas, tendo dividido o seu tempo, durante dez anos, entre o trabalho como cirurgião e a investigação fitoterápica. Durante esse período visitou os principais laboratórios científicos dedicados ao estudo medicinal das plantas na Espanha, Alemanha e Estados Unidos da América. Neste último país fez estudos na Secção de Produtos laboratoriais do Instituto Nacional do Cancro, em Washington D.C., onde se está desenvolvendo um vasto programa de investigação sobre as propriedades anticancerígenas de algumas plantas medicinais. Como resultado das suas investigações, o Dr. Pamplona

Rogci" tem utilizado, com êxito, as plantas medicinais não só no tratamento das feridas como também na cura de outras doenças de diversas áreas da patologia humana. É por isso que, com toda a convicção, vos recomendo esta indispensável obra de consulta para todos, em que o autor soube explanar, com seriedade e proficiência, os seus conhecimentos e a sua experiência clínica com as plantas medicinais. Ela será, de ora em diante, um elemento de referência para todos os profissionais de saúde e um apoio imprescindível para a saúde e bem-estar dos lares que a possuírem.

Dr. Samuel Ribeiro Médico pediatra Director da revista Saúde e Lar

A

s mentes mais abertas da medicina oficial interrogamse a respeito dos motivos por q u e os doentes recorrem, cada vez com maior frequência, aos profissionais que, mesmo não sendo médicos, praticam diferentes formas de medicina natural, como a fitoterapia; ou que, pelo menos, se servem de alguns do seus métodos. Assim, o professor Léon Schwartzenberg, distinto oncologista, que foi ministro da Saúde em França, assinalava recentemente: «Apesar de todos os progressos actuais, a nossa medicina tecnológica tem muito a aprender destas medicinas mais "tranquilizadoras". Isto não é forçosamente voltar para trás. O progresso nunca deve ser sectário.» Entre essas mentes abertas às novas tendências da terapêutica, ocupa lugar de destaque o doutor Jorge D. Pamplona Roger. Especialista em cirurgia geral e digestiva, tem vindo a interessar-se cada vez mais, no exercício da sua disciplina, pela medicina preventiva e pela educação para a saúde, após haver observado que boa parte das patologias que apareciam na sua consulta, ou no serviço de

urgências, tinham u m a relação directa com hábitos malsãos de vida. Segue pois o doutor Pampiona Roger u m a corrente iniciada fundam e n t a l m e n t e pela OMS (Organização Mundial de Saúde) nos últimos anos da década de 1970-80, ao promover uma maior atenção às formas terapêuticas da medicina tradicional, criando inclusivamente um serviço especializado na Secretaria da OMS, na sede de Genebra. Em 1991, a 44.;' Assembleia Mundial da Saúde adoptou a resolução 44.34, na qual insta com os estados membros da Organização para que promovam o emprego de «remédios tradicionais inócuos, eficazes e cientificamente válidos». O autor do presente livro dedicase em pleno, desde há alguns anos, a investigar e promover um modo de vida são, baseado no uso racional e científico dos remédios que a natureza oferece. Que um médico, com a bagagem científica do doutor Pamplona, tenha dado esta volta coperniciana à sua carreira, é um claro indício de que alguma coisa importante está a acontecer na ciência e arte de curar. Merece pois este livro a mais atenta consideração tanto dos doentes como dos sãos (situação transitória, como muito bem sabemos, já que um são é muitas vezes um doente que ignora sê-lo), pois para todos eles acabará por ser enormemente proveitoso.

Dr. José A. Valluena Presidente do Centro Internacional de Educação paia a Saúde (Genebra) Colaborador externo da OMS (Organização Mundial de Saúde).

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T

em-se produzido nas últimas décadas um desenvolvimento tão espectacular da indústria farmacêutica, assim como da produção de medicamentos sintéticos, que se torna razoável perguntar se um livro sobre plantas medicinais pode ter ainda algum valor prático. Acaso não existem já medicamentos específicos para cada doença?

visíveis e importantes. Harold Burn, catedrático de farmacologia da Universidade de Oxford, afirma: «Toda a substância elaborada num laboratório, e portanto e s t r a n h a aos organismos vivos, tem de ser aceita com a máxima precaução por médicos e doentes, e não deve considerar-se inofensiva sem provas válidas.»

Os medicamentos de síntese química proporcionados pela moderna indústria farmacêutica têm provado a sua eficácia em caso de processos agudos e de afecções graves, devido em parte ao carácter imediato dos seus efeitos. Ora bem, nenhum produto químico é isento de efeitos secundários mais ou menos impre-

E m b o r a seja certo que os controlos a que tem de ser submetid o q u a l q u e r m e d i c a m e n t o são agora m a i s rigorosos do q u e nunca antes foram, e que os fárm a c o s a c t u a i s são, em geral, b a s t a n t e seguros, os efeitos secundários continuam a aparecer. O n ú m e r o de doentes alérgicos aos antibióticos e a outros medicamentos aumenta continuam e n t e ; os f e n ó m e n o s de intolerância digestiva aos medicamentos, especialmente aos antiinflamatórios, são motivo de num e r o s a s c o n s u l t a s médicas; cada vez há mais pessoas "presas" a d e t e r m i n a d o s sedativos, t r a n q u i l i z a n t e s e o u t r o s psicofármacos. Calcula-se q u e u m a em cada dez consultas médicas tem a ver com efeitos indesejáveis de algum medicamento.

Estes fenómenos, cada vez mais frequentes, têm s u s c i t a d o -

um renovado interesse pelos med i c a m e n t o s n a t u r a i s de origem vegetal, tanto por parte dos médicos como dos doentes. A antiga fitoterapia, renovada pela ciência moderna, conserva, hoje como ontem, o seu poder curativo, sobretudo nas afecções crónicas, n a s d o e n ç a s degenerativas, nos estados de c a n s a ç o injustificados, assim como nas numerosas doenças metabólicas de que sofremos como consequência do inadequado estilo de vida predominante na actualidade.

A partir das substâncias activas de uma planta, e dos resultados p r o p o r c i o n a d o s pela investigação Farmacêutica e clínica, deduzem-se as suas propriedades e aplicações medicinais.

Na primeira parte desta obra apresentam-se todos os aspectos técnicos e práticos da fitoterapia: fundamentos de botânica, colheita, formas de emprego das plantas, princípios activos e propriedades, sem esquecer as possíveis contra-indicações e efeitos tóxicos de algumas plantas medicinais.

As plantas têm sido utilizadas como r e m é d i o p a r a as doenças dos seres h u m a n o s —e também dos a n i m a i s — desde t e m p o s m u i t o antigos. Todas as civilizações se têm valido delas para aliviar o sofrimento e, em muitos casos, até p a r a c u r a r a doe n ç a . O Criador terá possivelmente dado aos seres h u m a n o s os vegetais, com todo o seu poder curativo, p a r a lhes t o r n a r mais suportável o fardo da vida.

Conhecemos hoje qual é exact a m e n t e a c o m p o s i ç ã o de muitíssimas plantas medicinais, de modo a podê-las aplicar de forma racional quando melhor convenha. Isto é precisamente o que o autor procura fazer neste livro:

Na segunda parte enumeramse as plantas medicinais mais úteis para cada uma das doenças e p a d e c i m e n t o s mais c o m u n s . Descrevem-se mais de 500 plantas, o r d e n a d a s segundo as suas aplicações medicinais. Ao analisar as substâncias activas vegetais e o m o d o c o m o a c t u a m , o autor não se limita a reproduzir os c o n h e c i m e n t o s tradicionais de tipo empírico, mas esforça-se p o r oferecer, n u m a linguagem acessível a todos, os últimos res u l t a d o s da m o d e r n a investigação fitoterápica.

O leitor tem, pois, nas suas m ã o s , mais do que um simples

guia de plantas medicinais. A peculiaridade e o valor deste livro residem, precisamente, no modo racional, e ao mesmo tempo sumamente prático para o grande público, como o autor apresenta os tratamentos à base de plantas medicinais. Obras c o m o esta contribuem para superar a falta de credibilidade que o uso d a s plantas havia suscitado em certos meios científicos e t a m b é m entre os médicos. À medida que as plantas medicinais se forem conhecendo melhor, serão cada vez mais utilizadas e apreciadas por médicos e doentes. Os laboratórios farmacêuticos estão a dirigir os seus esforços de investigação para o m u n d o vegetal, que ainda conserva grandes segredos por revelar, de tal forma que cada vez há mais medicamentos à base de plantas medicinais.

As plantas medicinais n ã o se deveriam usar unicamente para p r o c u r a r nelas u m a acção curativa —como se faz com um fármaco— depois de já se ter manifestado a doença. Precisamente, uma das suas grandes virtudes é a capacidade que têm de regular os processos vitais e de prevenir a d o e n ç a . O uso a d e q u a d o das p l a n t a s medicinais, d e n t r o d e um conjunto de hábitos de vida sã, pode evitar que as debilidades do nosso organismo, e a sua predisposição para sofrer de certas e n f e r m i d a d e s , evoluam até se converter em doenças declaradas.

O m u n d o das plantas medicinais tem m u i t a s coisas a oferecer para o nosso próprio bem-estar. Este livro ajudá-lo-á a conhecer melhor as plantas e a usálas a d e q u a d a m e n t e p a r a o cuidado da sua saúde.

Como produto que são da natureza, as plantas medicinais exercem o seu poder curativo e também preventivo q u a n d o se usam em c o m b i n a ç ã o com outros elementos naturais que favorecem a saúde, como o sol, a água, o ar puro, uma alimentação sã, e o equilíbrio mental. Esta tem sido a minha p r ó p r i a experiência d u r a n t e os longos anos de exercício profissional como médico.

E n t r á m o s já na era da "medicina verde".

Dr. Ernst Schneider Doutor em Medicina pela Universidade de Diisseldorf (Alemanha). Autor da Enciclopédia Científica de Medicina Natural "Naturama".

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índice dos capítulos
1. 0 mundo vegetal 2. Colheita e conservação 3. Formas de preparação e emprego 4. Princípios activos 5. Precauções e toxicidade das plantas 6. Da planta ao medicamento . 22 44 54 76 98 110

PLANTAS
QUE CURAM
Enciclopédia das P l a n t a s Medicinais
* PRIMEIRA PARTE O

rENERALIDADEO

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«Os prados e as colinas são as melhores farmácias.»
PARACELSO Médico e naturalista do século XVI

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O MUNDO VEGETAL

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UE SURPRESA! Este pedacinho de cortiça é formado por milhares de minúsculos alvéolos, unidos uns aos outros. Parece um favo fabricado pelas abelhas...!-, exclama Robert Hooke, célebre físico inglês do século XVII, surpreendido por aquilo que contempla através do microscópio.

sa uniforme e contínua, como acontece com uma pedra ou um mineral, mas pela união de muitas pequenas unidades independentes. -Vou chamar células -disse Hooke- a estes pequenos alvéolos que formam a cortiça. Porque, em latim, cellula significa pequena cavidade.

O seu espírito científico fá-lo assombrar-se diante do que a outros passaria despercebido. Hooke acaba de descobrir que a matéria viva não é formada por uma mas-

A célula: unidade de vida
Estudando os vegetais com o microscópio, os cientistas notaram que não era só a casca do sobreiro que era constituída por células. Todos os seres vivos, quer sejam vegetais quer animais, são formados por uma ou por muitas células agrupadas. Cada célula é uma unidade de vida. É a porção mais pequena de um ser vivo que tem vida própria; ou seja, que nasce, se alimenta, cresce, se reproduz e morre. O tamanho das células oscila geralmente entre 5 e 50 míerones (milésimas de milímetro). Isto quer dizer que, num milímetro, caberiam de 20 a 200 células, segundo o seu tamanho. Algumas células são predestinadas a viver apenas durante alguns minutos, renovando-se continuamente, enquanto outras vivem tanto tempo como o ser vivo de que fazem parte. Constituição celular

A célula vegetal

Núcleo

Vacúolo

Membrana de celulose

Cloroplastos

Cada célula é formada por: • O núcleo, que contém a informação genética que recebeu da sua antecessora, em que se encontram impressas todas as suas características sob a forma de cromossomas e genes, as quais, por sua vez, transmitirá às suas descendentes.

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A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D l C l N A i S
1 * Parte: G e n e r a l i d a d e s

I

• O citoplasma, de consistência viscosa semelhante à clara de ovo, o n d e se produzem todos os processos bioquímicos. • A membrana riloplásmica, q u e r o d e i a completamente a célula e filtra selectivamente as substâncias q u e elevem p e n e trar no seu interior. Características d a c é l u l a v e g e t a l As células q u e c o n s t i t u e m os vegetais apresentam duas características fundamentais, que as células animais n ã o possuem: /. A membrana de celulose Trata-se de uma espessa m e m b r a n a celular, situada por fora da m e m b r a n a citoplásmica e formada por celulose. É c o m o um estojo poroso (pie a isola e protege, e que persiste quando a célula m o r r e , lianslormando-se no seu sarcófago. As células animais não têm esta espessa m e m b r a n a celulósica, pelo que, q u a n d o m o r r e m , se decompõem completamente, não deixando rasto. A membrana das células adultas p o d e conter outras substâncias além da celulose: • a lenhina, nas células da madeira: • a suberina, nas da casca do sobreiro ou cortiça; • a pectina ou a cutina, na cutícula q u e cobre os ramos jovens e as folhas. Portanto, o que Hooke viu realmente ao microscópio-a cortiça- não (oram as células da casca do sobreiro, mas os seus estojos ou membranas celulares, q u e persistem depois da morte das células. Igualmente, a madeira é constituída pelas espessas membranas de celulose e lenhiua (pie cobriam as células do tronco da árvore, q u e já morreram. 2. Osplastas

Observando ao microscópio a cortiça, proveniente da casca do sobreiro, Robert Hooke descobriu, no século XVII, que a matéria viva é formada por pequenas unidades chamadas células.

As células vegetais diferenciam-se das animais por se encontrarem rodeadas de uma espessa membrana de celulose que as envolve, e por conterem cloroplastos cheios de clorofila. Assim, a celulose (também chamada fibra vegetal) e a clorofila são as substâncias mais representativas do reino vegetal.

Esta é outra peculiaridade das células vegetais. Os plastas são uns c o r p ú s c u l o s si-

23

Cap. 1: O M N O VEGETAL UD

Á esquerda: As colossais sequóias dos bosques da Califórnia contam-se entre as árvores mais aftas do planeta.

À direita: A ilha de Tenerife, nas Canárias, alberga vários exemplares de dragoeiros como este, árvores rnilenárias que chegam a ter 5000 anos de idade.

tuados no citoplasma, que contêm diversas substâncias corantes. Os mais comuns são os cloroplastas, de cor verde devida ao seu conteúdo em clorofila. K nos cloroplastas que tem lugar a fotossíntese, extraordinária reacção química pela qual as substâncias minerais inorgânicas do solo e do ar se transformam em amido e em outras substâncias orgânicas, graças à energia da luz solar. As células são uns prodigiosos laboratórios químicos. Em cada uma delas, apesar do seu diminuto tamanho, se produzem milhares de reacções químicas que diio como resultado a síntese de glícidos (hidratos de carbono), lípidos (gorduras) e prótidos (proteínas), que, ou se vão acumulando no seu interior, ou passam para o exterior. Os alcalóides, essências e outros princípios activos, também produzidos nas células vegetais, são armazenados numas cavidades situadas no citoplasma, chamadas vacúolos. Quando estes vacúolos se rompem pela pressão exercida sobre alguma das partes da planta, libertam-sc os princípios activos contidos no seu interior.

Diversidade do reino vegetal
—Estes tijolos são para cobrir a parede exterior, aqueles paia as divisões interiores, e

os outros para o pavimento da cozinha...
O arquitecto dá as ordens necessárias para que cada um, das centenas, ou talvez milhares de diferentes elementos que constituem a casa, seja colocado no seu devido lugar. Quando o edifício estiver terminado, todos reconhecerão o trabalho de quem projectou a obra e dirigiu a sua execução. No entanto, poucos têm consciência da maravilha que é o (acto de os milhares de milhões de "tijolos", isto é, de células que Formam uma planta ou outro ser vivo, se acharem tão bem colocados no seu lugar, e

funcionando adequadamente. Que arquitecto ou engenheiro fez. o desenho? Quem
o realizou? Porque se agrupam sempre as células epidérmicas para cobrir as folhas e os caules? Porque se unem entre si as células alongadas e ocas para formar os vasos pelos quais corre a seiva?

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Os vegetais são os seres vivos f o r m a d o s por células vegetais. Alguns consistem numa única célula (unicelulares), c o m o as bactérias e certos tipos cie algas ou cie fungos. Outros são formados por n u m e r o s a s células (pluricelulares), c o m o as algas e fungos comuns, e todos os vegetais superiores ou plantas. O mundo vegetal oferece u m a surpreendente diversidade de "construções," pois são praticamente infinitas as possibilidades de combinar os diferentes tipos e o n ú m e ro cie elementos ou células. Variedade d e t a m a n h o O tamanho dos vegetais p o d e oscilar desde algumas milésimas de milímetro, c o m o os micróbios, até mais de 80 melros, c o m o as colossais sequóias da Califórnia, ou mesmo lf)0 melros, c o m o os eucaliptos gigantes da Austrália, c o n s i d e r a d o s as árvores mais altas do m u n d o . Mas liá a i n d a um vegetal que os ultrapassa em t a m a n h o : o sargaço gigante, uma alga marinha q u e p o d e atingir 300 metros de c o m p r i m e n t o . Variedade d e v o l u m e Quanto ao volume, a m a i o r árvore do mundo, e também uma das mais longevas (calcula-se q u e l e n h a e n t r e -1000 a 5000 anos), é possivelmente o cipreste de Moctezuma, que existe no cemitério de Santa Maria de Tule, no estado mexicano de Oaxaca. Debaixo da sua imensa copa de 132 metros d e d i â m e t r o , única n o m u n d o , acampou o conquistador espanhol 1 lernán Cortês com todas as suas tropas, no a n o de 1519. Variedade de habitat Umas plantas vivem na á g u a , c o m o os agriões ou os nenúfares, outras em regiões secas ou desérticas, c o m o a piteira ou o aloés; umas em terrenos Frios, c o m o a framboesa ou o a r a n d o , o u t r a s em lugares quentes, c o m o a figueira ou a alfazema;

O famoso cipreste de Moctezuma". t a m b é m conhecido como "árvore de Tule", encontra-se no belo estado mexicano de Oaxaca. Segundo a informação que é dada ao visitante, mede 41,8 metros de altura e o seu gigantesco tronco atinge 14 metros de diâmetro. Calcula-se que tenha um volume de 816,8 metros cúbicos, e um peso de 636,1 toneladas, o que o torna a árvore mais volumosa do m u n d o (embora não seja a mais alta) e, possivelmente, a criatura viva de maior peso e volume que existe sobre o planeta Terra |as baleias maiores não ultrapassam as 150 toneladas de peso}. Botanicamente, trata-se de um ahuehuete ou sabino (Taxodium m u c r o n a t u m ) , da família das Taxodiáceas.

2b

c o n h e c e n e n h u m a o u t r a árvore q u e tenha ultrapassado esta idade.

Variedade de estrutura: de uma a milhões de células
• Os vegetais mais simples, ou protófitos, são formados por uma única célula de dim e n s ã o microscópica. È por e x e m p l o o caso da alga espirulina, q u e se evidencia pelas suas extraordinárias propriedades medicinais. Q u a n d o a ingerimos, engolimos milhões de indivíduos, todos eles

formados por células idênticas. Como é
lógico, nestes seres vivos não faz sentido identificar q u a l q u e r parte diferenciada. • Os talófitos são vegetais cujo c o r p o ou lalo é formado geralmente por uma massa de múltiplas células p o u c o diferenciadas, ou seja, m u i t o semelhantes e n t r e si.

Toda a terra é um imenso jardim ou, peio menos, esse foi o desejo do Criador. Mas além de servirem de adorno, as flores e as plantas, muitas das quais possuem propriedades medicinais, contribuem grandemente para o bem-estar e para a saúde.

umas em regiões polares como os musgos ou líquenes, outras em regiões tropicais.
c o m o o guaiaco ou o abacateiro.

Não possuem verdadeiros tecidos e
órgãos; n ã o têm raízes n e m caules, nem folhas nem ílores. K o t aso das algas, dos fungos e dos líquenes. Usam-se os talos da alga-perlada. da laminaria, do líquen-da-islándia. do sargac<»-\ esiculoso ou bo-

Variedade de duração A vida dos vegetais tem uma duração
m u i t o variável: a l g u m a s bactérias vivem apenas d u r a n t e uns minutos; a grama e outras ervas p o d e m ler u m a existência limitada a alguns dias. em caso de seca. Todavia o abeto chega até aos (SOO anos, e o castanheiro e a oliveira p o d e m passar do milénio.

delha, também chamado fuco.
• As corinófítas são os vegetais superiores, vulgarmente c h a m a d o s plantas. São form a d a s por m i l h õ e s de células, e n t r e as quais há s e t e n t a ou o i t e n t a tipos diferentes. Cada um destes tipos de células é especializado em realizar d e t e r m i n a d a s funções, f o r m a n d o assim os diferentes órgãos ou partes da planta: a raiz, o caule, as folhas, as Ílores, etc.

No cemitério de Yorkshire, na Inglaterra, existe um teixo que se calcula ter cerca de 3000 anos. I lá sequóias na Califórnia, e baobás em Africa, que têm mais de 1000 anos de existência. Estas veneráveis árvores continuam vivas, impassíveis, depois de terem visto surgir e desaparecer grandes impérios, civilizações e outras criações humanas. Porém o recorde da longevidade é ostentado por um dragoeiro do vale da Orotava, na ilha e s p a n h o l a de Tenerife, q u e em l«S(')H loi a r r a n c a d o por um furacão. No seu tronco foi possível contar mais de 5000 anéis (que equivalem a 5000 anos)! Não se

Variedade de forma A forma dos vegetais também apresenta
e n o r m e s contrastes: desde a delicadeza de u m a violeta até à agressividade de um cacto, desde a simplicidade do tomilho até á sofisticação de u m a orquídea. E q u e dizer da sua cor, dos diversos tons de verde das folhas, todos eles parecidos, mas n e n h u m e x a c t a m e n t e igual; ou da g r a n d e diversi-

2b

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1* P a r t e : G e n e r a d a d e s

I

todo o espectro luminoso? Conhece o prezado leitor alguma planta feia? Dentro da imensa riqueza de formas, gamas e matizes, cada vegetal conserva o seu equilíbrio, a sua h a r m o n i a e e n c a n t o . Além disso, muitos deles scrvem-nos de alimento e curam as nossas doenças.

Partes das plantas
Os p r i n c í p i o s activos distribuem-se de forma desigual pelas diferentes partes ou órgãos da planta, devido à especialização das suas células. Não basta saber q u e a valeriana é um b o m sedativo; é preciso sabei' q u e p a r t e da planta se deve utilizar. Nalg u n s casos, todas as p a r t e s da p l a n t a c o n t ê m os mesmos princípios activos, sendo indiferente utilizar unias ou outras. Mas t a m b é m se d ã o os seguintes casos: • Q u e os princípios activos medicinais se c o n c e n t r e m n u m a única p a r t e da planta. P o r e x e m p l o , só a raiz do g i n s e n g contém substâncias tonificantes. • Q u e cada p a r t e da planta produza substâncias diferentes, e t e n h a p o r t a n t o prop r i e d a d e s diferentes. As flores da laranA OMS (Organização Mundial de Saúde) considera como planta medicinal' todo o vegetal que contenha, em um ou mais dos seus órgãos, substâncias que possam ser usadas com finalidades terapêuticas ou que sejam precursoras na semi-s/ntese quimico-farmacèutica.

Variedade d e p r o p r i e d a d e s medicinais A grande riqueza do m u n d o vegetal também se manifesta nos múltiplos princípios medicinais que as plantas sintetizam: Desde antibióticos, c o m o os do alho e das chagas; até cardiotónicos, c o m o os da dedaleira e do cacto; passando p o r sedativos, como os da papoila e da valeriana; ou então anti-reumálicos, c o m o os do harpagófito; ou tonificantes, c o m o os do ginseng e do alecrim. A sua gama de p r o p r i e d a d e s cobre praticamente todas as necessidades da terapêutica. «Os p i a d o s e as colinas são as melhores farmácias», c o m o disse Paracelso. o famoso médico e naturalista suíço do século XVI.

Unidade de o r i g e m Temos consciência do mérito do arquitecto que construiu a nossa casa? A o r d e m nunca surge do acaso, por muitos milhões de anos que queiramos conceder-lhe. Do acaso só pode surgir uma crescente desordem. Para que apareça a o r d e m c se m a n t e nha, é indispensável a acção d i r e c t a de uma inteligência superior. Q u a n d o aprofundamos o estudo do m u n d o vegetal, n ã o podemos deixar de r e c o n h e c e r a actuação do grande Criador do Universo, q u e projectou os "edifícios" (seres vivos), dispondo tão acertadamente os seus "tijolos" (células) .

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Tubórcufo Raiz

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28

A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
I
o

Parte:

G e n e r a l i d a d e s

jeira são sedativas; os seus frutos, as laranjas, são tonificantes; e a casca das mesmas é digestiva e aperitiva. • Que umas p a r t e s p r o d u z a m princípios medicinais, e n q u a n t o o u t r a s p a r t e s d a mesma planta elaborem substâncias tóxicas. E este o caso da rai/ da consolda, que é um g r a n d e cicatrizante, devido à alantoína que contém; e n q u a n t o no seu caule e folhas se e n c o n t r a um alcalóide que os torna muito tóxicos. Por tudo q u a n t o Uca d i t o , c o n v é m conhecer e saber identificar c a d a u m a das parles ou órgãos c o n s t i t u i n t e s de u m a

planta. Raiz A raiz é o órgão encarregado de extrair
do solo os sais minerais e a á g u a . e de bombeá-los para as folhas, com o fim de alimentar toda a planta. Km geral, todas as plantas produzem e armazenam na sua raiz. amido, inulina e outros glícidos (a q u e geralmente se dá o n o m e de hidratos de carbono) como por e x e m p l o a alcachofra, a bardana, a rarlina, o cersefi-bastardo, a chicória, o dente-de-leão, a equinácea, a jala|),i c ,i ratânía. No e n t a n t o , na raiz de o u t r a s p l a n t a s também se p r o d u z e m alcalóides ( p o r exemplo: ipecacuanha, rauvólfia). glicósiassim c o m o o u t r o s princípios activos. F.m m u i t o s casos é p r e f e r i d o à raiz. p r o p r i a m e n t e dita (historia, c á l a i n o - a r o m á t i c o .

dos (por exemplo: acónito, cinoglossa,
equinácea, saxífraga) ou vitaminas ( p o r exemplo: a c e n o u r a ) . Nalguns casos, apenas se aproveita a casca da raiz, por se acumularem nela os princípios activos, c o m o no caso da bérberis, do buxo, do chá-dc-nova-jcrsey ou da goiabeira. Rizoma O rizoma é um caule s u b t e r r â n e o , q u e tem aparência de raiz, p o r é m na realidade não cresce para baixo mas sim horizontalmente. Também acumula glícidos (hidratos de carbono) e substâncias de reserva.

cúrcuma, polipódio, ruibarbo). Bolbo
Chamasse b o l b o a um e n g r o s s a m e n t o s u b t e r r â n e o d o caule, formado por n u m e rosas c a m a d a s sobrepostas. No b o l b o encontram-se essências enxofradas (alho, ceb o l a ) , substâncias a r o m á t i c a s ( a ç u c e n a ) , ou alcalóides (o c ó l q u i c o ou a ç a l í ã o -bastardo).

A bardana (Arctium lappa L.') é uma das plantas cuja raiz é mais rica em princípios activos: contém substâncias antibióticas, diuréticas e hipogficemiantes (que fazem descer o nível de glicose no sangue).

Tubérculo
Um t u b é r c u l o é um caule s u b t e r r â n e o especializado em a r m a z e n a r substâncias de

C a p . 1 : O MUNDO V E G E T A L

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ceas)) ou lenhoso (com madeira), como nas árvores e arbustos. A madeira usa-se pela sua essência (canforeira, cipreste, guaiaco, quássia) ou então para queimar e preparar carvão vegetal (choupo-negro, faia). Gema Cada gema é o esboço de um futuro ramo. Contém resinas e essências. Km fitoterapia usam-se, por exemplo, as gemas de abeto-branco, hétula, choupo-negro e pinheiro. Folhas Podemos dizer que as folhas são o laboratório químico por excelência da planta. Nelas se realiza a fotossíntese, isto é, o conjunto de reacções químicas mediante as quais a planta produz substâncias complexas a partir das substâncias inorgânicas da terra e do ar. As células das folhas contêm clorofila, qtie capta a energia da luz solar e a transforma em energia química.
Além de beleza e aroma agradável, as flores oferecem numerosos princípios activos de acção medicinal: óleos essenciais, alcalóides, pigmentos, glicósidos e outros.

reserva. Assim, por exemplo, o do satirião-macho, uma orquídea de cujo tubérculo se extrai uma farinha medicinal. Córtex O córtex ou casca é a camada que cobre o caule e a raiz. Nela se acumulam abundantes princípios activos (amieiro, amieiro-negro, caneleira, carvalho, cáscara-sagrada, condurango, quina, tília, etc.) Caule O caule serve de comunicação entre a raiz e o resto da planta, e nalguns casos contém princípios activos (alcachofra, cana-de-açúcar, cavalinha, costo-espigado, éfedra, espargo). O caule pode ser herbáceo (no caso das plantas chamadas herbá-

As folhas produzem a maior parte dos princípios activos das plantas, especialmente os alcalóides, essências, glicósidos e taninos. Por isso são a parte mais usada das plantas medicinais. Algumas das folhas mais úteis em fitoterapia são as de: aloés, aveleira, boldo, damiana, dedaleira, uva-ursina, hamamélia, loureiro, nogueira, oliveira, silva, videira e visco-branco Flores As llores são o órgão reprodutor da planta. Contêm numerosos princípios activos: óleos essenciais (acácia-basiarda, açucena, chagas, tanaceto, tília), alcalóides (buglossa, papoila, passiflora), pigmentos (lidalguinhos, roseira), glicósidos (cacto, laranjeira, lúpulo, maravilha, sabugueiro), e muitos outros. • Estigmas: De algumas flores, como as do açafrão OU do milho, usam-se apenas os

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 * Parte: G e n e r a d a d e s

Os frutos fornecem sobretudo vitaminas, sais minerais, açúcares e ácidos orgânicos. Alguns, como os da tramazeira (Sorbus aucuparia' L.J, chamados sorvas, contêm ainda pectina, fibra vegetal solúvel de acção laxante, e taninos de acção adstringente. O resultado desta combinação de princípios activos é um efeito regulador e normalizador do trânsito intestinal.

estigmas (parte superior do pistilo ou órgão feminino da flor). • Àinentilhos: São cachos pendentes formados por flores quase sempre unisse* xuais. Usam-se, por exemplo, os da aveleira. Fruto O fruto é o órgão vegetal que procede da flor e que envolve as sementes. Os frutos carnudos contêm abundantes ácidos orgânicos, açúcares e vitaminas (arando, bérberis, caiuito, cerejeira, pilriteiro, sabugueiro, silva); outros são secos, tomo os das Umbelíleras. e contêm óleos essenciais (anis-verde, cominho, salsa); e alguns usam-sc pelo látex que produzem (dormideira). A baga é um fruto carnudo, mas sem caroço. Pedúnculos C) pedúnculo é a ramificação do caule que segura a flor, o fruto, OU a folha (neste caso chama-se peciolo). Por exemplo, usam-se os pedúnculos (ou pés) da cereja e os da avenca.

Sumidade Chama-se sumidade à parte superior de uma planta, em que se encontram pequenas folhas e flores que se usam conjuntamente (absinto, alecrim, orégão, tomilho, urze, vara-de-ouro e, em geral, todas as plantas da família das Labiadas). Quando contém muitas dores, dá-se-lhe o nome de sumidade florida. Semente Em cada semente encontra-se o gérmen da futura planta e um ou dois cotilédones com substâncias de reserva. As sementes proporcionam glícidos e lípidos (aveia, aveleira, cacau, milho, noz), mucilagens (alíorva. linho, zaragatoa) e óleo (dormideira, linho, onagra, rícino, videira). As sementes dos cereais chamam-se grãos. Secreções As secreções não se podem considerar propriamente partes de uma planta,já que se trata de substâncias líquidas mais ou menos viscosas produzidas pelo vegetal:

31

Cap. 1: O M N O VEGETAL UD

Os nomes científicos das plantas, em latim, baseiam-se no sistema binomial de

Papoila (Papaver
k

L.)
Espécie Botânico que a classificou (Lineu)

Lineu: primeiro o género e depois a espécie.
Ao contrário do nome vulgar, cujo âmbito de validade é local, o nome cientifico é utilizado em todo o mundo. Desta forma é muito facilitado o entendimento entre especialistas de diferentes países.

Nome comum

Género

o látex, esbranquiçado, diferente da seiva, (dormideira, celidónia, Figueira, alface-brava-maior, papai eira):
a resina, rica em essências balsâmicas, (abelo, assa-félida, copaíba, guaiaco, pin h e i r o , pistácia); e

Os nomes das plantas
Como dar ordenadamente nomes à g r a n d e variedade das plainas q u e formam 0 m u n d o vegetal? Com classificá-las? Pela c o r das suas flores? Pela forma rias suas folhas? Ou talvez pelas substâncias químicas

Somente uma parte das mais de 390 000 espécies vegetais que povoam o planeta Terra foram identificadas e classificadas. Quantos segredos por descobrir guarda ainda o m u n d o vegetal!

que produzem?
a seiva, líquido nutritivo da planta, (hérnia, piteira, videira). Na Grécia antiga. Aristóteles, Teofrasto e Dioscórides já idealizaram sistemas para d a r nomes ás plantas e classificá-las. Desde e n t ã o , o u t r o s investigadores e cientistas t a m b é m tentaram estabelecer um sistema universal, mas n e n h u m teve êxito. Deste m o d o o crescente n ú m e r o de n o m e s e de classificações q u e se usavam dificultava o i n t e r c â m b i o de c o n h e c i m e n t o s e experiências e n t r e os botânicos, farmacêuticos e médicos cie diversas regiões ou países. Para fazer frente a esta diversidade, o g r a n d e naturalista e b o t â n i c o sueco Cari von Linné (latinizado: L i n n a e u s ; aportug u e s a d o : Lineu) introduziu em 1753 um m é t o d o de nomenclatura e classificação de plantas q u e obteve aceitação universal. Denomina-se sistema binomial, pois atribui a cada espécie um p a i ' d e nomes: o primeiro c o r r e s p o n d e ao g é n e r o , e o s e g u n d o à espécie p r o p r i a m e n t e dita. Lineu teve, como A d ã o no j a r d i m do É d e n , o privilégio de pôr o n o m e a todas as plantas conhecidas. Utilizou o latim q u e , p o r ser u m a língua morta, n ã o dava lugar a q u e se produzissem deformações nos n o m e s . Os n o m e s vulgares das p l a n t a s variam muito e n t r e os diferentes idiomas do mundo. Inclusivamente n u m a mesma região ou área linguística, as m e s m a s plantas recebem nomes diferentes. Porém os nomes latinos q u e Lineu lhes atribuiu continuam fi-

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

I

xos e são de uso universal. Sirva de h o m e nagem a este g r a n d e observador da natureza o ele maiúsculo seguido cie um p o n t o [LI que figura a seguir ao n o m e científico da maior parte das plantas m e d i c i n a i s , aquelas a que I Jneu pôs o n o m e e q u e classificou.

A classificação das plantas
Lineu classificou as plantas s e g u n d o as particularidades dos respectivos órgãos reprodutores. No e n t a n t o , à m e d i d a q u e a botânica foi p r o g r e d i n d o , e s p e c i a l m e n t e graças ao microscópio, o sistema original de Lineu foi-sc modificando e aperfeiçoando até chegar ao esquema actual.
Dentro de cada espécie existem numerosas variedades. Por exemplo, da espécie Rosa gallica' L. (roseira) existem mais de t 0 000 variedades, cada qual produzindo rosas com características peculiares.

A e s p é c i e e as s u a s v a r i e d a d e s A unidade de classificação é a espécie: agrupa todos os indivíduos q u e têm a maior parte das suas características em comum. Assim, por exemplo, a papoila (Papaverrho&tsL.) é u m a espécie. Todas as papoilas de um c a m p o de trigo se parecem m u i t o e n t r e si. Mas q u a n d o comparamos as q u e crescem em Portugal, por exemplo, com as q u e crescem no Brasil, notaremos algumas diferenças. Todas são papoilas e pertencem à mesma espécie; mas constituem variedades diferentes. As variedades q u e u m a m e s m a espécie pode apresentar são c o n s e q u ê n c i a do tipo de terreno onde se cria, do clima e das possíveis hibridações ou c r u z a m e n t o s q u e tenha sofrido. A sua composição química é a mesma para todas as variedades, mas p o d e haver diferenças na concentração dos princípios activos. Assim, por e x e m p l o , a dormideira que se cria nos países do Médio Oriente e da Ásia produz mais morfina q u e a europeia.

O género As espécies parecidas e n t r e si a g r u p a m-se em g é n e r o s . P o r e x e m p l o , a p a p o i l a (PapaverrhoeasL.) e a d o r m i d e i r a {f^ijxiver somniferum L.) p e r t e n c e m ao m e s m o género Papava: Ambas as espécies produzem alcalóides similares, e m b o r a sejam mais activos os da d o r m i d e i r a .

A família
Vários g é n e r o s similares a g r u p a m - s e n u m a família. Por e x e m p l o , a papoila e a d o r m i d e i r a , j u n t a m e n t e c o m a celidónia (CheUdonium majusL..), f o r m a m a família das Papaveráceas. Todas elas produzem um látex rico em alcalóides mais ou m e n o s narcóticos.

A o r d e m e a divisão As famílias similares agrupam-se em ord e n s ; estas em classes, e estas, p o r sua vez, em divisões ou tipos.

Ca:

O MUNDO VEGETAL

Classificação dos
PROTOFITOS São os vegetais mais simples e pequenos que existem (microscópicos). São unicelulares, isto é, são formados por uma só célula e procariotas, em que o núcleo não se encontra definido. No entanto, apesar

São vegetais formados geralmente por múltiplas células, mas todas elas semelhantes. Se não houver diferenciação celular, ou se esta for muito escassa, também não existirão tecidos nem órgãos. O talo, ou corpo destes vegetais, é constituído por uma massa de células quase iguais, sem vasos nem fibras condutoras; e é destituído de raízes, caules ou folhas. Os talófitos compreendem as algas, os fungos e os líquenes como, por exemplo, o líquen-da-islândia (Cetraria islandica L, pág. 300).

CRIPTOGAMICAS

Plantas que se caracterizam por possuir células diferenciadas que formam tecidos e órgãos distintos. O cormo é o aparelho vegetativo destas plantas, que, ao contrário do talo dos talófitos, é formado por verdadeiras raízes, caules e folhas bem diferenciadas; todas elas são sulcadas por vasos e fibras condutoras. CORMOFITAS Todos os vegetais a que vulgarmente chamamos 'plantas', são cormofitos, quer dizer, pertencem ao reino das metafitas. Dentro deste reino incluem-se também as briófitas, constituídas pelos musgos, e que não figuram neste esquema por não se descrever nenhuma nesta Enciclopédia de Plantas Medicinais

A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

I vegetais
da sua simplicidade, têm uma grande importância biológica, pois sem eles seria impossível a vida na Terra. Os protófitos incluem as bactérias, que não têm clorofila, e as cianófitas ou algas azuis, que a têm. A espirulina (Spirula máxima, pág. 276) é um exemplo deprotófito (alga azul) com aplicação medicinal. Os seres vivos, em lugar dos dois reinos tradicionais, vegetal e animal, classificam-se actualmente em cinco reinos:
• MONERAS: incluem os protófitos e

os procariotas.
• PROTOCTISTAS: algas unicelulares e

ALGAS

protozoários. • FUNGOS: leveduras, mofos, fungos superiores (cogumelos).
• METAFITAS: vegetais pluricelulares

A
FUNGOS LÍQUENES

com tecidos definidos (cormo).
• METAZOÁRIOS: animais pluricelula-

res.

Criptogâmicas são todas as plantas sem flores. Criptogâmicas vasculares são as que não têm flores mas possuem cormo (raízes, caules e folhas sulcados por vasos condutores). A cavalinha (Equisetum arvense L., pág. 704) e os fetos como o feto-macho (Dryopteris filix-mas L, pág. 500), são exemplos de criptogâmicas vasculares. São plantas fanerogâmicas (com flores) cujas sementes se encontram descobertas, sem a protecção de um fruto (gimnospérmica: do grego gymnos, nu, e sperma, semente). Compreendem umas 800 espécies, entre as quais se destaca a ordem das Coníferas, como o abeto e o pinheiro.

GIMNOSPERMICAS São plantas cormófitas com tecidos e órgãos bem diferenciados (raízes, caules e folhas), que se reproduzem por sementes. A sua característica que mais se evidencia éade possuírem flores, ou seja, órgãos reprodutores visíveis e bem diferenciados (masculino e feminino). São as plantas mais numerosas da terra (umas 200 000 espécies). Segundo o tipo de sementes, classificam-se em gimnospérmicas e angiospérmicas. ANGIOSPÉRMICAS

São plantas fanerogâmicas (com flores) que produzem sementes encerradas no ovário, que posteriormente se transformam em fruto (angiospérmica: do grego ageion, vaso ou recipiente, e sperma, semente). São as plantas superiores dentro da escala vegetal, e formam o grupo mais numeroso das fanerogâmicas ou plantas com flores.

4

35

Tipos
Quanto à sua forma
Sagitada A sua forma lembra a de uma flecha (por exemplo a corriola, Pág. 491).

Cordiforme A sua forma lembra a de um coração (por exemplo a norça-preta. pág. 679].

Lanceolada Com a forma de uma lança [por exemplo a bistorta, pág. 198).

Bilobada É fendida em dois lóbulos (por exemplo o ginkgo. pág. 234).

Ovóide
Elíptica Tem a forma de uma elipse (por exemplo a beladona. pág. 352). Tem a forma de uma oval (por [ exemplo a escrofulária, pág. 543).

Palmada É uma folha composta, em que as suas divisões ou foliolos se dispõem como os dedos de uma mão (por exemplo o castanheiro-da-índia, pág. 251).

Quanto à sua nervacao
Paralelinérvea As nervuras correm paralelas ao l o n g o da folha (por exemplo o visco-branco, ág. 246).

Peninérvea As nervuras nascem ao longo de um eixo central (por exemplo a aveleira, pág. 253).

Curvinérvea As nervuras descrevem uma curva ao longo da folha (por exemplo a tanchagem, pág. 325).

Radial As nervuras saem como raios a partir de um centro comum (por exemplo o malmequer-dos-brejos, pág. 665).

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3b

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de folhas
Quanto ao contorno do bordo

Inteira

O bordo è liso
(por exemplo o loureiro. pág. 457).

Denteada O bordo tem pequenos recortes jpor exemplo a urtiga, pág. 278).

Lobulada O bordo tem recortes que formam lóbulos (por exemplo o carvalho. pág. 208)

V '
Partida Os recortes do bordo atingem a nervura central, por exemplo a chicória, pág. 440). Fendida Os recortes do bordo aproximam-se da nervura central (por exemplo o ca rd o-de-sa nta-ma ria, pág. 395).

Quanto à posição no caule
Peciolada As folhas estão unidas ao caule por meio de um peciolo ou pé). Alternas São folhas pecioladas que nascem uma a uma. ao longo do caule.

Opostas São folhas pecioladas que nascem duas a duas. uma em frente da outra.

Sésseis São folhas que não têm peciolo (pé). Quando formam um prolongamento ao longo do caule chamam-se decorrentes.

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Anatomia das folhas
Gema terminal É o órgão de crescimento do caule. A partir dela cresce o caule e se formam novas folhas. Limbo É a parte plana da folha. A sua face voltada para cima chamasse página superior ou ventral, e a voltada para baixo, página inferior ou dorsal.

Pecio/o Pequeno pé que une a folha ao caule. Página superiqr

Vértice

^» Nervuras São o prolongamento do pecfolo. È por elas que corre a seiva.

Página inferior

As folhas sáo os laboratórios químicos das plantas, nos quais substâncias inorgânicas simples como a água, o anidrido carbónico e certos minerais, se transformam em substâncias orgânicas: hidratos de carbono, gorduras, vitaminas e outros princípios activos. A síntese das proteínas começa na raiz. a partir do azoto existente no solo.

Gema axilar Órgão de crescimento que se situa entre o caule e o peciolo Na Primavera dá lugar a um novo caule com folhas, ou a uma flor.

Cutícula ou epiderme Revestimento que cobre as folhas para evitar que sequem.

Secção de uma folha vista ao microscópio

Parènquima É formado por células muito ricas , em clorofila, o que 1 dá a cor verde â ^.

ÉÉM
3

folha

Nervuras São na realidade vasos condutores de seiva.

Estornas Pequenos orifícios situados na página inferior da folha, através dos quais esta elimina vapor de água e oxigénio, e absorve anidrido carbónico. Os estornas sáo rodeados por uns lábios que actuam como válvulas, abrindo-se e fechando-sc para regular assim a passagem da água e dos gases segundo as necessidades da planta.

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38

S/,

Tipos de raízes
A raiz absorve minerais e água do solo por meio de uns finos peJinhos absorventes na extremidade das suas ramificações Além disso, fixa o vegetal ao terreno. Raiz típica Tuberosa Produz engrossamentos chamados tubérculos, nos quais se acumulam hidratos de carbono, proteínas e outras substâncias de reserva. Raiz principal

.
Raiz

secundária

Pêlos absorventes

Napiforme Tem uma forma cónica, e armazena substâncias de reserva (por exemplo a cenoura, pág. 133). Zona de crescimento

Fasciculada Formada por raízes secundárias da mesma grossura, que nascem juntas na base do caule (por exemplo a cçbofa. pág. 294).

Lenhosa As suas ramificações são duras e grossas (por exemplo o carvalho, pág. 208). / /

Bolbo Na realidade, o bolbo náo é uma raiz, mas uma gema subterrânea formada por folhas carnudas sobrepostas (por exemplo a cebola, pág. 294). Raízes adventícias São as que nascem directamente de um caule aéreo, ou então de um caule subterrâneo, chamado rizoma (por exemplo a verónica, pág. 475)

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//,-

Tipos de caules
O caule liga a raiz e as folhas. Contém vasos condutores pelos quais circula a seiva.

Lenhoso A celulose que cobre as células dos caules lenhosos (troncos) encontra-se impregnada de lenhina. Esta substância confere á celulose a dureza e consistência próprias da madeira.

Subterrâneo ou rizoma É um caule que se desenvolve e estende por debaixo do solo. Embora pareça uma raiz. na realidade não o é [por exemplo o ásaro, pág. 432).

Trepador
Não tem a consistência suficiente para se manter erguido por si mesmo, pelo que precisa de se apoiar noutras plantas por meio de gavinhas (por exemplo a norça-preta. pág 679).

Gordo ou suculento É grosso, esponjoso e sem folhas. Armazena uma grande quantidade de água no seu interior. Próprio do cacto [pág. 216) e de outras plantas típicas das regiões desérticas.

Herbáceo É um caule frágil, pois a celulose que cobre as suas células não está lenhificada. Renova-se cada ano (por exemplo a chicória, pág. 440)

Rastejante ou estolhoso Cresce horizontalmente, apoiando-se no solo (por exemplo o morangueiro. pág. 575).

Cana É um caule herbáceo, cilíndrico e oco, com nós bem marcados.

40


Em espiga Formada por grupos de flores que nascem directamente do caule fpor exemplo a gatunha, pág. 581).

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Tipos de inflorescências
As inflorescências são grupos de flores que têm um pedúnculo comum. (

\
Em capitulo Os capítulos florais são grupos de pequenas flores unidas por um mesmo pedúnculo. Os capítulos dão a impressão equivoca de serem uma única flor, quando na realidade são muitas (por exemplo a arnica, pág. 662).

Em amentilho É uma espiga que pende, formada por flores muito pequenas (por exemplo a aveleira, pág. 253).

Em corimbo Formada por flores cujos pedúnculos nascem de diversos pontos, mas que atingem a mesma altura {por exemplo o milefólio. pág. 691).

Em umbela Formada por flores cujo pedúnculo sai de um ponto c o m u m fpor exemplo, a primavera, pág. 328).

Em umbela composta Formada por várias umbelas simples |por exemplo o anis, pág. 465J.

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41

Anatomia
Estames

A flor é o órgão de reprodução das plantas fanerogãmicas, isto é, que têm flores. As fanerogãmicas dividem-se em dois grupos: plantas gimnospérmicas (com sementes nuas, ou seja. não envoltas num fruto, como por exemplo o pinheiro e outras coníferas), e plantas angiospérmicas (em que as sementes estão envoltas num fruto mais ou menos carnudo). As flores das angiospérmicas são as maiores e mais vistosas

Pétafas

Sépalas

Tipos de flores
Labiada As pétalas da corola formam dois lábios, um superior e outro inferior.

Campanulada A sua corola (conjunto das pétalas) tem a forma de um sino.

Rosácea É a flor típica da família das Rosáceas, cujas pétalas estão dispostas em forma radial.

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42

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de uma flor
f
Pistilo, carpelo ou ineceu o aparelho feminino da flor. Consiste em estigma (orifício pegajoso por onde entra o póienj, estilete (tubo por onde o pólen desce) e ovário com um ou vários óvulos (células germinais).

Estigma
Estames ou androceu São o aparelho masculino da flor Cada estame consiste num filete e numa antera, onde se formam os gráos de pólen.

Estilete

Grão de pólen
A fecundação das flores Para que se dé a fecundação e se forme a semente e o fruto depois da flor, é preciso que um gráo de pólen caia sobre o estigma da flor. Se o pólen e a flor forem da mesma espécie, o pólen emite um prolongamento que desce pelo estilete até chegar ao ovário. Ali os cromossomas masculinos do pólen unem-se com os femininos do óvulo, e forma-se a semente e o fruto. As plantas com flores reproduzem-se sexualmente. Isto significa que existem duas partes, a masculina e a feminina. Ambas devem unir-se para dar lugar a uma nova planta.

Centro vegetativo

| 4

Núcleo germinativo Contém os cromossomas com a informação genética da planta.

Cobertura exterior

43

COLHEITA E CONSERVAÇÃO

A

S FARMÁCIAS, as ervanárias e alguns estabelecimentos especializados em produtos naturais, dispõem de uma grande variedade de plantas medicinais em diversas apresentações. Quando adquirimos estas plantas devemos poder contai com a garantia dos profissionais que as comercializam e, portanto, é de supor que estejam bem identificadas e correctamente conservadas. Não obstante, talvez o leitor deseje aproveitar uma saída ao campo para colher as suas próprias plantas. Além de desfrutar o ar puro, a paisagem e o exercício, levará consigo paia casa algumas plantas que podem ser autênticos medicamentos para a sua saúde. Ora bem, neste caso deverá ter em conta alguns factores que influem na

riqueza de princípios activos das plantas, assim como a.s técnicas da sua colheita e conservação.

Concentração dos princípios activos
Nem todas a.s plantas da mesma espécie produzem sempre igual quantidade e concentração de princípios activos. Ksles podem variar muito de uma planta para outra, dependendo de diversos factores biológicos ou ambientais. Convém conhecer estes factores, para evitar surpresas quanto à intensidade das propriedades medicinais

Colher plantas medicinais, ao mesmo tempo que se dá um passeio pelo campo, é um prazer sumamente gratificante. Apresentam-se

neste capitulo diversas
indicações que é

conveniente ter em conta.

SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
l " Parle: G e n e r a l i d a d e s

das plantas colhidas, q u e r por excesso q u e r por deleito. Segundo a idade Os sucos das plantas jovens são aquosos e contêm poucos princípios activos em dissolução. A medida que crescem, a u m e n t a a sua produção e concentração, para voltar a diminuir com o envelhecimento, ato ao ponte de deixarem e n t ã o de servir p a r a aplicações medicinais. É pois c o n v e n i e n t e colher as plantas q u a n d o n ã o sejam n e m muito jovens nem velhas. No entanto, o m o m e n t o ó p t i m o para tolhê-las varia de umas plantas para outras, em virtude da respectiva d u r a ç ã o da vida. Assim, por e x e m p l o , nas p l a n t a s a n u a i s (que só vivem um a n o ) , costuma coincidir com o começo da floração, na Primavera. Para as plantas que vivem vários anos, porem, é preciso esperar p a c i e n t e m e n t e q u e cheguem ã sua maturidade. Por e x e m p l o , a genciana leva 10 anos para começar a dai" flores e produzir uma raiz rica em substâncias medicinais; a canforeira só c o m e ç a a produzir cânfora depOio dos 30 a n o s de idade; e o castanheiro n ã o c o m e ç a a d a r fruto antes dos 25 anos, e a n t e s dos 100 não atinge a maturidade. lixistem alguns princípios activos q u e só se produzem nas plantas maduras ou completamente desenvolvidas. É o caso dos alcalóides, que praticamente não se encontram nas plantas jovens. Por exemplo, a alface tenra quase não tem substâncias activas; no entanto, q u a n d o espiga e floresce, produz alcalóides de efeitos sedativos e hipnóticos. O mesmo acontece com o acónito, (pie e n q u a n t o jovem é inofensivo, mas quando amadurece c o n t é m alcalóides muito tóxicos q u e p o d e m p r o v o c a r a morte. Segundo o clima e o t e r r e n o As plantas produtoras de essências, c o m o as da família das I.abiadas (por e x e m p l o :

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segurelha, orégão, salva, tomilho) p r o d u zem mais princípios activos em climas e terrenos secos e exposlos ao sol. Mal se nota o c h e i r o do t o m i l h o q u e cresça em sítios h ú m i d o s . O m e s m o a c o n t e c e c o m as Uinbelííéras ( p o r exemplo: angélica, anis, com i n h o ) , q u e p e r d e m o seu aroma nos terrenos h ú m i d o s . E interessante verificar c o m o cada espécie vegetal p a r e c e ter e s c o l h i d o um amb i e n t e p a r a desenvolver m e l h o r o s seus princípios activos. As plantas q u e se criam nas m o n t a n h a s p o d e m tornar-se inactivas q u a n d o crescem nas terras baixas costeiras ( c o m o a c o n t e c e com a valeríana ou a clcdaleira), o vice-versa. Má p l a n t a s tropicais q u e , q u a n d o se transplantam para sítios t e m p e r a d o s , deixam de produzir substâncias medicinais. É o q u e a c o n t e c e c o m a á r v o r e da q u i n a , com o guaiaco e com diversas espécies próprias de climas q u e n t e s . A q u a l i d a d e do t e r r e n o t a m b é m influi no r e n d i m e n t o das plantas: umas precisam de solos calcários e outras de solos a r e n o sos ou siliciosos. É curioso c o m o as plantas p r o d u t o r a s de alcalóides r e n d e m mais em solos ácidos, pois desta forma são forçadas

O clima e o terreno influem muito na riqueza de princípios activos de uma planta.

Cap. 2: COLHEITA E CONSERVAÇÃO

da regularmente -ou seja, é cultivada-, produ/.em-se interessantes mudanças na sua fisiologia, que se repercutem nas respectivas propriedades medicinais. As plantas cultivadas: • Elaboram maior quantidade de hidratos de carbono que as silvestres. Oir-sc-ia que lhes acontece o mesmo cine às pessoas, que quando adquirem hábitos sedentários acumulam maior quantidade de substâncias de reserva. Assim, por exemplo, a cerejeira brava dá frutos menos doces e menos vistosos do que a cultivada; e, no entanto, as cerejas bravas são muito mais ricas em princípios activos medicinais. • Reduzem o seu sabor amargo ou acre, e tornam-se mais facilmente comestíveis. Acontece algo assim, por exemplo, com a chicória c o cardo bravo, que perdem o seu sabor amargo característico quando se cultivam; mas diminuem igualmente as suas propriedades medicinais, que em grande parte dependem das substâncias amargas que contêm.

Quando se sai para o campo com crianças, deve-se vigiá-las para evitar que sofram intoxicações acidentais com plantas venenosas. O melhor é ensinar-lhes as precauções que se devem ter q u a n d o se colhem plantas medicinais.

a produzir substancias alcalinas (alcalóides) para compensar a acidez. Por sua vez, as plantas destinadas a produzir Tolhas rendem mais em solos ricos cm nitratos, enquanto as que produzem sementes se desenvolvem melhorem solos ricos em fosfatos. S e g u n d o a cultura Quando unia planta silvestre é retirada fio seu ambiente natural e posta num terreno lavrado e adubado, e podada e rega-

Á beira dos caminhos costumam crescer numerosas plantas medicinais. Mas, cuidado! Caso se trate de caminhos ou estradas transitadas por automóveis, as plantas que ali crescem têm normalmente um elevado nível de contaminação por resíduos de carvão e chumbo provenientes dos gases de escape.

A SAÚDE PEIAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Sempre que possível, devem preferir-se as plantas silvestres, ou então aquelas que tenham sido cultivadas em condições tão parecidas quanto possível com as do seu estado natural. Tenha isto em conta quando decidir plantar no seu jardim uns canteiros de salva, de cavalinha ou de sabugueiro, para dar apenas alguns exemplos.

Colheita
Acaba de amanhecer, e o azul límpido do céu anuncia que irá estar um dia bom. O leitor prepara a sua mochila. Não se esqueceu de munir-se de um livro com boas ilustrações que lhe permitam identificai-as plantas. Sai bem de manhã, quando o ar ainda está fresco, disposto a colher as suas espécies preferidas. Quando chega ao lugar escolhido, o Sol já fez notar a sua presença, e o orvalho acaba de evapoiav-se. Este é justamente o momento! Aproveite essas primeiras horas da manhã de um dia seco c de sol, para proceder á colheita. Técnica da colheita Toda a gente é capaz de colher plantas. Mas, quando estas se vão usar para fins medicinais, terão de ser tomadas algumas precauções especiais, como as que a seguir se descrevem: 1. Evitar as plantas dos lugares contaminados Infelizmente, em pleno campo também pode haver contaminação química, li muita! Não colha as plantas que crescem em determinados lugares, se quiser que a sua tisana não se transforme num coquctel de substâncias químicas venenosas. Vejamos quais são os lugares mais contaminados que devem evitar-se: • As bermas das estradas: Aí abundam os resíduos de carvão mineral, chumbo e outros tóxicos provenientes dos gases de escape dos automóveis, que podem impregnai os vegetais.
Se encontrar uma planta no campo, e não souber de que espécie se trata, não fne toquei Primeiro identifique a planta, depois colha-a sem destruir nem devastar.

Rábano

Plantas que devem usar-se frescas
Em algumas plantas acontece que, logo após terem sido colhidas, se desencadeiam reacções químicas estatizadas por enzimas, que nalguns casos desactivam os seus princípios activos, e noutros os transformam em substâncias tóxicas, como acontece, por exemplo, com os agriões. Por isso tém de usar-se sempre frescas. São as seguintes:

Planta Agrião Aliaria Cinoglossa Cipreste Cocleária Hera Pilosela Saião-curto Tormentila Trevo-cervino Verbena

Pág. Partes utilizadas 270 560 703 255 356 Folhas, caules Toda a planta Folhas Frutos, madeira Toda a planta Folhas Toda a planta Raiz Folhas Rizoma Folhas, raiz Toda a planta

712 504 727 519 388 174

Rabanete e Rábano 393

47

C a p . 2: C O L H E I T A E C O N S E R V A Ç Ã O

Conforme a duração do ciclo biológico, as plantas herbáceas podem ser: • Anuais: São plantas que nascem, crescem, frutificam e morrem no prazo de um ano. Em geral, as plantas que se reproduzem por sementes são anuais. • Bienais: São plantas que precisam de dois anos para completar o seu ciclo biológico. No primeiro ano nascem e crescem, e no segundo frutificam e morrem. São plantas bienais: aipo, alcaravia, bardana, buglossa, cenoura, dedaleira, onagra e verbasco. • Vivazes: São plantas que vivem vários anos, florescendo em cada um deles. No entanto, as suas partes aéreas (caules, folhas, etc.) morrem todos os anos, sobrevivendo unicamente, de ano para ano, os rizomas ou as raízes. Quer dizer, os órgãos aéreos das plantas vivazes são anuais, enquanto que as suas raízes vivem vários anos. As plantas lenhosas (arbustos e árvores) costumam viver desde vários até centenas ou mesmo milhares de anos.

*

4. Identificar bem as plantas Diante de qualquer planta, se tiver dúvidas, aproxime-se calmamente da espécie em questão. Observe-ihe os pormenores. Aspire-lhc o aroma. Consulte OS desenhos e fotografias do seu livro. Se persistirem as dúvidas e não conseguir identificar com certeza a espécie, abstenha-se de usá-la. Os erros podem pagar-sc muito caros. 5. Colher sem destruir Não arranque a planta, sempre que isso seja possível, 'lenha em conta que existem espécies protegidas (como a genciana ou a arnica), e que nos parques nacionais é proibido colher plantas. 6. Não misturar espécies diferentes Não é correcto juntar num mesmo cesto ou saco espécies diferentes. K preferível utilizar um recipiente para cada espécie, de forma que as plantas se possam identificar com mais clareza. Partes q u e s e c o l h e m Dado que nem todas as partes de uma planta têm sempre interesse do ponto de vista médico, é necessário ler em conta uma série de indicações, segundo a parte da planta que vamos apanhai". Flores As flores colhem-se antes que a corola se encontre completamente aberta, que é quando as pétalas contêm mais substâncias activas. Durante o seu transporte, há que evitar o calor e os sacos de plástico. Folhas As lolhas colhem-se no começo da floração, mas antes que as flores se tenham desenvolvido, por ser esta a altura em que contêm uma maior quantidade de sucos. Não se devem cortar todas, porque assim a planta morreria. Deiíam-se fora as folhas manchadas (pode ser sinal de uma in-

• As orlas e sítios próximos dos campos de cultura: Se estes tiverem sido pulverizados com pesticidas e herbicidas, é praticamente certo que as plantas em volta também terão sido atingidas por salpicos dessas substâncias químicas. • Os lugares próximos de chaminés ou vazadouros de indústrias poluentes (mercúrio, cádmio, e t c ) . 2. Colher apenas as plantas saudáveis e limpas Devem-se colher apenas as plantas saudáveis e limpas. Rejeite portanto aquelas que apresentem sinais de terem sido atacadas por insectos ou parasitas, ou roídas por caracóis. Cuidado com as que possam ter excrementos de animais! 3. Procurar que as plantas estejam enxutas As plantas colhidas em dias húmidos ou chuvosos criam facilmente bolor, e são portanto mais difíceis de conservar. Há portanto que colhê-las quando se encontrem bem enxutas.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 " Parle: G e n e r a l i d a d e s

A conservação das plantas medicinais requer três processos: secagem, envasilhamento e armazenamento.

fecção por vírus). Não se devem a m o n t o a r nem enrugar, mas devem armazenai-se estendidas n u m lugar plano. Caules O momento ideal para c o l h e r os caules é depois de lerem b r o t a d o as folhas, mas antes de terem saído as flores.

Casca

da planta

C o m o r e g r a geral, colhe-se a casca no p r i n c í p i o da Primavera, s e m p r e antes da floração, q u e é q u a n d o circula mais seiva pelos caules e ramos, e t a m b é m q u a n d o se separa mais facilmente do tronco. Raízes e rizomas

Sumidades
As sumidades. Isto c, as extremidades floridas das plantas, rolhem-se e m p r e g a n d o uma tesoura apropriada, n ã o as p a r t i n d o com a mão. a fim de n ã o lesar ou o f e n d e r os caules. Deve-se cortar o caule n u m ponto onde ainda seja tenro e n ã o mais abaixo, onde se Icnhiilca e e n d u r e c e . Costuma ser suficiente um c o m p r i m e n t o de 20 a 30 cm.

As raízes e rizomas colhem-se no O u t o n o , depois de Lerem caído todas as folhas, ou na Primavera, q u a n d o c o m e ç a m a brotar. Nas plantas bienais, o m o m e n t o ideal é o O u t o n o do p r i m e i r o a n o . Nas plantas vivazes, é c o n v e n i e n t e esperar pelo segundo ou terceiro a n o de vida. Antes de p r o c e d e r à sua conservação, as raízes e os rizomas têm de ser b e m lavados, com o Ihn de eliminar a terra e OS insectos q u e possam ter a d e r e n t e s . Não convém esfregá-los com u m a escova, para não elimi-

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V

C a p . 2: C O L H E I T A E C O N S E R V A Ç Ã O

Amorperleito

Plantas que devem usar-se secas
Existem plantas que contêm enzimas (fermentos) que hidrolizam ou oxidam alguns dos seus próprios componentes químicos, quer sejam tóxicos quer inactivos, transformando-os noutros com acção medicinal. Este processo fermentativo é lento e tem lugar simultaneamente com a secagem. Portanto, estas plantas devem ser usadas secas para que tenham efeitos medicinais:

nar as camadas de células superficiais, que podem conter princípios activos, como acontece com a raiz da valeriana.

Conservação
Uma secagem correcta é a chave para uma boa conservação das plantas medicinais.

Como normalmente as plantas medicinais não irão ser utilizadas imediatamente após a sua colheita, é necessário saber quais são os melhores métodos tle conservar-lhes as propriedades curativas. A conservação das plantas medicinais requer três processos: secagem, envasilhamento e armazenamento. 1. S e c a g e m A secagem consiste em eliminar progressivamente a humidade. Uma planta húmida é fácil presa de bactérias e fungos, que a atacam, alterando-lhe os princípios activos. Além disso, estas bactérias e fungos podem produzir substâncias tóxicas. As bactérias precisam de mais de 40% de humidade para se poderem reproduzir; e os fungos, de 15% a 20%. Uma planta bem seca não costuma ter mais de 10% de humidade, o que impede a reprodução desses microrganismos. Conselhos práticos para secar correctamente as plantas • Tempo necessário: Com tempo quente, as flores secam cm 4 a 8 dias, e as folhas em 3 a 6 dias. Com tempo frio, podem demorar mais alguns dias. • A secagem nunca deve ser feita ao sol, porque se perderiam muitos dos princípios activos das plantas, especialmente as essências. Tem de fazer-se sempre à sombra, em locais bem arejados e isentos de pó. • Os produtos vegetais colhidos estendem-se sobre um papel ou cartão no solo, ou então em cima de prateleiras.

Partes utilizadas Amieiro-negro Anémona-hepática

526 Casca
Toda a planta Folhas Flores Folhas, flores, raiz Folhas, raiz Raiz Raiz Casca Raiz Botões das flores Flores, raiz Vagens Toda a planta Toda a planta Toda a planta Talo Rizoma Folhas, flores Casca Frutos Folhas, flores

Amor-perfeitobravo 735

383 Antenária 297 Aristolóquia 699 Asaro 432 Asclépia 298 Calumba 446 Cáscara-sagrada 528 Cinoglossa 703 Cravinho 192 Epilóbio 501 Feijoeiro 584 Galega 632 Galeopse 306 Gracíola 223 Líquen-da-islândia 300 Lírio 315 Malmequer-dos-brejoí 665 Noveleiro 642 Pimenteira 370 Tussilagem 341

Não se devem colocar directamente sobre cimento ou tijoleira. • Devem dispor-sc cm camadas finas, e ser remexidos uma ou duas vezes por dia. • Não se deve utilizar papel impresso, como o de jornal, pois os produtos quí-

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SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

micos das tintas p o d e m passar para a planta. • As sumidades e as flores q u e n ã o percam facilmente as suas pétalas penduram-se atadas em ramalhetes, de cabeça para baixo, ao l o n g o cie u m a c o r d a , num lugar à sombra e bem arejado (por exemplo, perto de u m a j a n e l a a b e r t a ) . Estes ramalhetes p o d e m envolver-se com um cone de papel, para evitara exposição directa ã luz. • Os frutos podem secar-se estendidos em tabuleiros ou enfiados n u m um cordel. A maior parle das plantas p o d e m tomaise tanto frescas c o m o secas. Má, no entanto, algumas que só têm eleitos medicinais quando estão frescas, e n q u a n t o outras só podem ser usadas depois de secas (ver as tabelas respectivas, págs. 47, 50). 2. E n v a s i l h a m e n t o Depois de secos, os p r o d u t o s vegetais colhidos têm de ser envasilhados de maneira que não sofram d e t c , ; oração pela acção do ar, do sol, da humidade, do calor, ou de outros factores exteriores. Conselhos práticos para o envasilhamento • E preferível envasilhar os p r o d u t o s vegetais sem os triturar, pois assim oferecem uma m e n o r superfície sobre a qual possam actuar as bactérias, os fungos c as enzimas q u e os a l t e r a m ou fazem rançar. É preferível triturá-los imediatamente antes da sua utilização. • Utilizar recipientes de vidro, cerâmica, lata, tecido ou cartão. Deve-se evitar o plástico. Não é preciso q u e a t a m p a seja hermética. • É necessário rotular os recipientes com o nome da planta c convém t a m b é m indicar o lugar da colheita e a data do envasilhamento 3. Armazenamento Os recipientes q u e c o n t ê m os p r o d u t o s das plantas devem conservar-se n u m lugar escuro, fresco e seco. A luz, o calor e a hum i d a d e são as principais causas de deterioração. F, necessário verificar periodicamente o estado das plantas armazenadas, para detectar a t e m p o insectos, fungos, moios ou putrefacçòes q u e possam alterar o seu valor medicinal. C o m o regra geral, as plantas medicinais n ã o se devem conservar d u r a n t e mais de dois anos.

Convém rotular os recipientes em que se armazenam as plantas, e guardá-los n u m lugar escuro, fresco e seco, para se conservarem bem os seus princípios activos.

Guardiães ou destruidores?
Plantas ameaçadas de extinção
As plantas são imprescindíveis para a manutenção da vida neste planeta. Todos os animais e os seres humanos dependem das plantas verdes para a obtenção de alimento, pois elas são os únicos seres vivos capazes de aproveitar a energia solar para produzir hidratos de carbono, proteínas, gorduras, vitaminas e outras substâncias orgânicas. Acresce que as plantas contribuem de modo decisivo para o equilíbrio ecológico e o mantimento do meio ambiente: evitam a erosão do solo, enriquecem a atmosfera com oxigénio, armazenam água e fertilizam o solo. Além de tudo isto, os vegetais são também uma fonte muito importante de substâncias medicinais. Cada uma das mais de 390 000 espécies vegetais que povoam o planeta Terra constitui uma forma diferente de vida, com genes próprios e únicos. Quando uma espécie desaparece ou se extingue, dá-se uma perda irreparável no património biológico da humanidade. Nós que, como seres humanos, deveríamos ser os guardiães deste legado de diversidade biológica que nos foi confiado pelo Criador, transformamo-nos às vezes em seus destruidores. Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza, 20% das 390 000 espécies que existem no mundo (cerca de 78 000) correm o risco de desaparecer. A Smithsonian Institution, dos Estados Unidos, calcula que, das 20 000 espécies diferentes de plantas fanerogâmicas existentes no território continental daquele país, 10%, isto é, umas 2000, estão ameaçadas ou em perigo de extinção, ou já desapareceram. Quais são as causas de semelhante extermínio de espécies vegetais? Segundo o Livro Vermelho de espécies vegetais ameaçadas, publicado pelo Ministério da Agricultura espanhol, algumas dessas causas são as seguintes: • fogos florestais; • desenvolvimento turístico dos litorais e das zonas montanhosas;

«Os bosques precedem as civilizações. Os desertos, seguem-nas.» François-René Chateaubriand [1768-1848), escritor e politico francês.

Iher sem devastar
• Colher unicamente nos lugares onde seja permitido; nunca nos parques nacionais ou naturais, nem nas reservas biológicas. 0 Respeitar as espécies protegidas, por estarem em perigo de extinção (convém obter informações previamente, junto das autoridades agrícolas da região). • Colher apenas pequenas quantidades de plantas, especialmente das que sejam pouco abundantes. * Colher sem destruir nem arrancar as plantas, sempre que seja possível. Ao guardar e proteger as plantas do nosso planeta, estamos a contribuir, entre outras coisas,

para curar e aliviar
uma multidão de doentes actuais e futuros.

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• contaminação da água, do ar e do solo (por herbicidas agrícolas); • colheita de espécies raras por entusiastas das plantas; • construção de barragens, auto-estradas e estradas de outro tipo. Poderemos imaginar a enorme perda que teria sido para a humanidade se as árvores do género Cinchona, das selvas sul-americanas, tivessem sido arrasadas pelos buldózeres antes de se descobrir nelas a quinina que serviu para curar tantos doentes de paludismo? Ou se as lindas flores da família da dedaleira tivessem sido colhidas maciçamente antes de se ter descoberto que produziam os glicósidos cardiotónicos que têm dado alívio a um tão grande número de doentes do coração? Contribuamos todos com a nossa pequena parte -ou talvez não tão pequena- para conservar, o melhor possível, as espécies vegetais. E se sairmos a colhê-las, tenhamos em conta as recomendações dadas na página contígua.

A foto da esquerda mostra as fantásticas cataratas do Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Na América do Sul encontram-se as maiores selvas do planeta, uma autêntica reserva vegetal que ainda encerra muitos segredos botânicos e medicinais por descobrir. Por isso a selva amazónica já foi definida como "a maior farmácia do mundo".

A genciana (Gentiana lutea L.) é uma das muitas plantas ameaçadas de extinção, pelo que, quando se encontra, nunca se deve colher.

O m u n d o vegetal poderia existir sem os animais e sem os seres humanos, ao que corresponde o facto de terem sido criados primeiro, tal como refere o relato bíblico. No entanto, os animais e os seres humanos náo poderiam sobreviver muitos dias sem as plantas. Respeitá-las e protegeras faz parte do nosso dever como habitantes do planeta Terra.

FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
Banhos Banhos de vapor com plantas Bochechos Cataplasmas Clisteres Colírios Compressas Decocção Extractos Fomentações Fricções Gargarejos Injvsâo Irrigações vaginais Lavagens oculares Linimentos Loções Maceração Oculares, lavagens Pós Sumos Tinturas Tisanas Unguentos Vaginais, irrigações Xaropes 65 70 72 68 72 72 68 57 63 70 70 71 56 73 72 61 70 57 72 60 60 63 54 64 73 61

As tinturas constituem uma forma clássica de preparação das plantas medicinais.

'• ^ XISTEM diversas formas de prepaIj i ar as plantas medicinais com vista • • à sua utilização. Com todas elas se JL^ pretende: • Tornar mais fácil e exequível a administração da planta. • Aumentar a concentração de alguns dos princípios activos da planta que, pelas suas propriedades físico-químicas particulares, se tornam mais facilmente solúveis utilizando um determinado método de preparação. Por exemplo, mediante a destilação por vapor conseguem-se extrair, e portanto concentrar, os óleos essenciais. • Favorecer a conservação da planta ou dos seus preparados. Por exemplo, as decocções conservam-se durante mais tempo do que os sumos frescos c inclusive do que as infusões, devido a que durante a decocção o líquido fica praticamente esterilizado. Para cada planta medicinal existem certas formas ideais de preparação e de emprego. E conveniente conhecê-las e saber aplicá-las adequadamente, com o fim de aproveitar melhor as propriedades das plantas ou da suas partes.

Tisanas
As tisanas ohtêm-se tratando os produtos vegetais com água. São a forma mais popular de preparar as plantas medicinais. A água é o veículo ideal para se extrair a maior parte dos produtos químicos produzidos pelas plantas, por se tratar de um dissolvente universal por excelência.

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A arte de preparar tisanas
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1. Colocação da parte da planta a usar num recipiente adequado. As plantas podem estar soltas no recipiente, ou então colocadas dentro de um coador para infusões ou n u m saquinho. O habitual é pôr primeiro as plantas e seguidamente deitar-Ihes a água por cima. Mas também se pode fazer o inverso.

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2. Escaldão das plantas com água a ferver.

3. Tomar a infusão depois de a ter deixado repousar e arrefecer em recipiente tapado, para evitar que as essências e outros componentes se volatilizem com o vapor.

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55

C a p . 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

Sai iquinhos para infusões
Existem no comércio numerosos preparados de plantas já prontos para ser usados em infusões. As partes da planta são fornecidas dentro de um saquinho que serve de filtro, já trituradas e convenientemente dosificadas. O modo de emprego é muito simples: 1. Colocar o saquinho numa chávena ou copo. 2. Deitar a água a ferver. 3. Deixar repousar durante uns 5 minutos, tapando o recipiente com um pires ou outro tipo de tampa. \

Técnica de preparação As infusões preparam-se seguindo os passos abaixo indicados: I. Colocação: Colocar as parles a usar (folhas, flores, etc.) num recipiente de porcelana, barro cozido, vidro ou matéria semelhante, que resista bem á acção súbita do calor. As parles das plantas a utilizar podem estar soltas dentro do recipiente, ou então juntas num coador para infusões, que se coloca dentro do recipiente. 2. Escaldão: Verter a água acabada de ferver sobre as plantas, na proporção adequada. 3. Extracção: Tapar o recipiente e esperar durante um certo tempo para dar lugar a que se produza a extracção e dissolução dos princípios activos. Normalmente, bastam 5 ou 10 minutos. Quanto mais espessas ou duras forem as partes das plainas utilizadas, tanto mais tempo será necessário para a sua extracção. 4. Filtração: Coaras plantas, passando o líquido por um coador. Caso se lenham colocado previamente as plantas num coador para infusões, dentro do recipiente, basta levantá-lo e deixar escorrer o líquido. Conservação das infusões Km geral, as infusões podem conservar-se durante cerca de doze horas. Preparam-se logo de manhã e vão-se tomando ao longo do dia. Se o ambiente íov muito quente, O mais aconselhável é guardá-las no frigorífico. Podem ser aquecidas novamente, mas sem chegar a ferver. Não se deveriam tomar infusões que lenham sido preparadas com mais de 21 horas de antecedência. Decocção A decocção utiliza-se paia preparar tisanas â base de partes duras das plantas (ial

As tisanas usam-se sobretudo paia tomar pela boca (via oral). Todavia lambem se podem utilizar em compressas, colírios, loções, etc, como mais adiante se indica na secção "Formas de emprego" (pág. 64). As tisanas são o resultado da acção da água sobre os produtos vegetais. Conforme se aplique essa água, são três os procedimentos pelos quais se pode obter uma tisana: infusão, decocção e maceração. Nos três casos, deve-se começar por: 1. Pesar ou medir a quantidade adequada de produto vegetal a utilizar. 2. Esmiuçar e triturar bem as partes da planta a utilizar. Tal como se indica no capítulo anterior "Colheita e conservação" (ver pág. 51), as plantas devem-se guardar tão inteiras quanto possível, e esmiuçar no momento em que vão ser utilizadas. Desta forma, conservam melhor as suas propriedades. Infusão A infusão é o procedimento ideal para obter tisanas das partes delicadas das plantas: folhas, flores, sumidades e caules tenros. Com a infusão cxirai-se uma grande quantidade de substâncias activas, com muito pouca alteração da sua estrutura química e, portanto, conservando-se o máximo das propriedades.

A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS 1* P a r t e : G e n e r a d a d e s

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iceração em azeite

Enche-se um frasco com as partes da planta a macerar, e cobrese com um óleo, de preferência o azeite. Deixa-se repousar durante vários dias ou semanas, conforme a planta. Com esta técnica obtêm-se óleos de hipericão, alfazema, maravilha, urucu, açucena, arnica e loureiro, entre outras plantas. Os óleos assim obtidos usam-se sobretudo em aplicação local sobre a pele. Desta forma se aproveitam as propriedades emolientes (suavizantes) do óleo sobre a pele, além da acção especifica da planta utilizada. Na página 627 ilustra-se a preparação do óleo de calêndula ou maravilha.

ízes, rizomas, casca, s e m e n t e s ) , q u e precisam de sor mantidas em ebulição para libertar os seus p r i n c í p i o s activos. A d e cocçao apresenta o inconveniente de q u e alguns dos p r i n c í p i o s activos p o d e m degradar-sc pela acção p r o l o n g a d a do calor. Técnica da decocçao Uma d e c o c ç a o deve preparar-se do seguinte m o d o : 1. Colocação: Colocar o p r o d u t o n u m recipiente a d e q u a d o , com a p r o p o r ç ã o de água requerida. 2. Cocção: Ferver d u r a n t e 3 a 15 minutos, em lume b r a n d o . 3. Deixar repousar d u r a n t e alguns minutos. •1. Filtrar com um coador.

Maceração
A m a c e r a ç ã o consiste na extracção dos princípios activos de u m a planta ou p a r t e dela, á t e m p e r a t u r a a m b i e n t e , utilizando a água c o m o dissolvente ( t a m b é m se p o d e fazer c o m álcool ou azeite). Trata-se simplesmente de "pôr de m o l h o " , tão b e m trituradas q u a n t o possível, as partes das plantas a utilizar. A m a c e r a ç ã o é o m é t o d o preferível para os seguintes casos: • Plantas cujos princípios activos se destruam com o calor. • Plantas muito ricas em taninos. Q u a n d o se t o m a m p o r via oral, um excesso de taninos dá à infusão um gosto a m a r g o ou áspero. A maceração tem a vantagem de extrair a maior parte dos princípios activos, d e i x a n d o os taninos na planta. Técnica da maceração
A infusão, a decocçao e a maceração têm em comum utilizar-se a água como agente extractor. Por isso se agrupam estes três métodos sob o nome genérico de tisanas. Os processos fisico-quimicos pelos quais a água extrai os princípios activos das plantas sáo diferentes em cada caso, mas o resultado final é muito semelhante. II •

Conservação das decocções
Dado terem sido fervidas, as d e c o c ç õ e s conservam-se d u r a n t e mais t e m p o do q u e as infusões, especialmente se forem guardadas no frigorífico. Podem ulili/ar-se durante vários dias, se bem q u e não convenha deixar passai mais de u m a semana.

Para fazer u m a m a c e r a ç ã o , procede-se d o seguinte m o d o : 1. Colocar as parles a utilizar, com a prop o r ç ã o de água r e q u e r i d a (à t e m p e r a tura a m b i e n t e ) , n u m recipiente o p a c o (que não deixe passar a luz).

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C a p . 3: FORMAS DE P R E P A R A Ç Ã O E EMPREGO

Dosagem das tisanas
Volume Uma colher de café = 5 ml Uma colher de sobremesa = 10 ml Uma colher de sopa = 15 ml Uma pitada (o que se apanha entre o indicador e o polegar) = 2 ml Um punhado = 20 ml Folhas ou flores secas* Raízes ou rizomas secos*

lg 2g 4g
0,5 g

3g 5g
10 g 1.5 g

D o s e a m e n t o das tisanas Em geral, as plantas medicinais não exigem um doseamento tão rigoroso como os medicamentos. Dada a ampla margem de tolerância da maior parte delas (ver pág. 102), na generalidade não é necessário medir com exactidão o peso de planta que se utiliza numa tisana nem o volume que se toma. Na análise particular de cada planta, pormenorizam-se as respectivas doses. No entanto, em geral, podemos dizer que, para um adulto, são as seguintes: • Infusões: de 20 a 80 g de planta seca por litro de água, o que equivale aproximadamente a uma colher de sobremesa (2 g) por chávena de água (150 ml). • Decocções e macerações: de 50 a 50 g por litro de água. O habitual, para um adulto, é tomar de 3 a 5 chávenas de tisana por dia (uma chávena = 150 ml).

5g

12 g 'Quantidades aproximadas

Uma medida de planta seca equivale a 3 ou 4 de planta fresca

2. Deixar repousar num lugar fresco, ao abrigo do sol. Remexer de vez em quando. 3. Se a maceração For de partes moles (folhas, flores, e t c ) , bastam 12 horas. Quando se trate de partes duras (raízes, casca, sementes, e t c ) , tem de se esperar 24 horas. Tempos mais longos podem dar origem a fermentação ou ao aparecimento de bolor. 4. Filtrar com um coador. 5. O líquido resultante da maceração pode ser aquecido suavemente antes de se tomai". Conservação das macerações As macerações podem conservar-se durante bastante tempo (até um mês), especialmente quando o líquido extractor utilizado como dissolvente for o azeite ou o álcool em Lugar íla água.

Em todo o texto desta obra, caso não se indique o contrário, as quantidades recomendadas referem-se sempre a plantas secas. Quando se utiliza a planta fresca, é necessário empregar uma quantidade 3 a 4 vezes maior para obter o mesmo efeito que com a planta seca. Doses infantis Para as crianças preparam-se tisanas mais diluídas (com menos quantidade de planta); ou então podem preparar-se com igual concentração, em cujo caso se administra uma quantidade menor de tisana em cada toma. A dose infantil reduz-se proporcionalmente segundo a idade: • Idade escolar ((> a 12 anos): a metade íla dose que para um adulto. • Idade pré-escolar (de 2 a 0 anos): um terço da dose dos adultos. • Crianças até 2 anos: fie um quarto a um oitavo da dose de adulto.

A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

As tisanas preparadas com a mistura de várias plantas podem dar um resultado positivo, mas é preciso ter-se a certeza de que as diversas plantas usadas combinam adequadamente umas com as outras. Na segunda parte desta obra, apresentam-se tabelas de plantas para diversas afecções, que se combinam favoraveJmente.

As crianças devem admín istrar-.se unicamente plantas isentas de qualquer tipo de efeitos tóxicos. Quando e c o m o adoçar as tisanas? O preferível é tomar as tisanas no seu estado natural, sem as adoçar. Contudo, nalguns casos pode ser conveniente adoçá-las: • Quando se trate de plantas de gosto muito desagradável. • Quando sejam tisanas para as crianças, excepto no caso de se pretender um eleito vermífugo (expulsão de parasitas intestinais). Neste caso concreto não é conveniente administrar açúcar ou mel, pois estes produtos favorecem o desenvolvimento dos vermes. • Quando se administrem a doentes convalescentes ou debilitados. Não convém adoçar as tisanas que, pelo seu efeito aperitivo, se ingerem antes das refeições, já que os açúcares podem diminuir a sensação de fome. Também deverão abster-se de adoçá-las os diabéticos, que em caso de necessidade podem usar edulcorantes químicos. Quando se decida adoçar uma tisana, o mel é o produto ideal E proveniente das flores e contém sais minerais e vitaminas de

grande valor nutritivo. Caso não se disponha de mel, pode-se usar em substituição açúcar escuro, melaço (mel de cana) ou xarope de bordo, que também são ricos em minerais e vitaminas, e superiores em propriedades ao açúcar branco. Umas gotas de sumo ou um pouco de casca de limão podem também melhorar o sabor de algumas tisanas. Porque não fazer tudo o que seja possível para converter a nossa medicina num prazer? Tisanas d e u m a o u d e várias plantas? A mistura de vários tipos de plantas numa mesma tisana pode ter efeitos positivos se essas plantas se combinarem adequadamente, tendo em conta a sua composição e as suas propriedades. Todas as plantas que se recomendam para cada doença nas tabelas da segunda parte desta obra (por exemplo págs. 129130, 140-144, etc.) podem ser combinadas entre si. A mistura de várias plantas tem a vantagem de que os possíveis efeitos indesejáveis de cada uma delas (mau sabor, intolerância digestiva), ficam atenuados. Mas nem sempre é necessário misturar as plantas.

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Os sumos frescos das plantas constituem a forma de preparação mais rica em vitaminas, enzimas e outros princípios activos. No entanto devem tomar-se acabados de fazer, para que conservem todas as suas propriedades.

Uma única planta, bem aplicada, pode exercer maiores efeitos que a mistura de várias, se não forem bem combinadas.

Sumos Devem-se preparar com a planta fresca recém-colhida, esmagando-a num almofariz e filtrando-a seguidamente. Também se podem obter por meio de uma liquidilicadora eléctrica. Os sumos, também chamados sucos, podem-se obter tanto das plantas herbáceas como dos frutos. O sumo das folhas do aloés é muito apreciado como aperitivo e digestivo. Os sumos têm a vantagem de conter todos os princípios activos sem degradar, especialmente, as vitaminas. Todavia muitos deles deverão tomar-se em doses reduzidas, a pequenas colheradas, pois podem tomar-se um tanto fortes para os estômagos delicados. Km certos casos pode ser conveniente diluí-los com água. Muitos deles são usados para fazer xaropes. Em nenhum caso se deve fazer sumo das plantas que apenas se devam consumir secas (ver pág. 50).

Outras formas de preparação
Além das simples tisanas, existem outras formas de preparar as plantas medicinais que requerem conhecimentos e instrumentos especializados, próprios da profissão farmacêutica. São as chamadas "preparações gaíénicas" em honra do médico grego do século II d.C, ou também "preparações oficinais", porque se fazem nas "oficinas" (laboratórios) de farmácia. No entanto, algumas destas formas de preparação, como os sumos ou os xaropes, também podem fa/.er-se em casa, com meios mais simples. Expomos seguidamente as formas de preparação mais utilizadas em fitoterapia.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 * Parte: G e n e r a l i d a d

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Pós
Para a obtenção de pó com fins medicinais, as partes da planta a utilizar deixam-se secar d u r a n t e mais t e m p o do q u e o habitual, e depois trituram-se reduzindo-as a pó. Pode-se o b t e r pó m e d i c i n a l de u m a plaina a partir das sua.s folhas (por exemplo, da dedaleira ou do sene-da-índia), das sumidades floridas (absinto, l ú p u l o ) , da casca (cascara-sagrada, salguei r o - b r a n c o ) , dos frutos (coentro), e s o b r e t u d o das raízes (ginseng, harpagófito, jalapa, polígala•da-virgínia, violeta, e t c , c t c ) . 0 pó oferece as seguintes vantagens: 1. Aprovcitam-sc ao máximo os princípios activos da planta, especialmente q u a n d o se trate de partes duras c o m o as raízes. 2. Permitem um d o s e a m e n t o mais exacto, como se exige, por e x e m p l o , no caso de plantas p o t e n c i a l m e n t e tóxicas ( d e d a leira, rauvólfia) q u e se e m p r e g a m em doses muito p e q u e n a s ( d e a l g u n s gramas, ou m e s m o de miligramas).

Formas de administração do pó
O pó medicinal pode-se administrar das seguintes formas: • Em infusão ( p o r e x e m p l o : c a n e l e i r a , ginseng, lúpulo, sene-da-índia), vertendo-se-lhe água q u e n t e p o r cima. • Aspirando-o pelo nariz c o m o estei tituatório (ásaro, betónica) ou c o m o hemostático contra as hemorragias nasais (folhas da videira). • Misturado com mel, c o n s t i t u i n d o u m a pasta (abrótauo-lêinea, absinto, coentro). • Misturado com azeite p a i a aplicação externa emoliente (sementes de u r u c u ) . Xaropes Os xaropes consistem em soluções concentradas de açúcares com s u m o s ou outras partes da planta. T ê m a vantagem de disfarçar o sabor desagradável de muitas plantas, facilitando p o r t a n t o a sua ingestão. Tornam-se de grande utilidade para administrar às crianças pequenas. S e m p r e q u e seja possível, os x a r o p e s devem preparar-sc c o m mel, pois desta maneira se acrescentam as suas p r o p r i e d a d e s peitorais e tonificantes às próprias da planta. Na falta de mel, pode-se usar açúcar escuro. Para a preparação, a mistura deve ser aquecida em lume b r a n d o . Facilita-se assim a dissolução dos açúcares. A maior parte dos xaropes utiliza-se em caso de afecções respiratórias ( p o r exemplo: p a p o i l a , c e b o l a , i p e c a c u a n h a , sabugueiro, violeta). Os q u e se- p r e p a r a m com frutos têm p r o p r i e d a d e s tonificantes, resfrescantes e vitamínicas ( p o r e x e m p l o os de bérberis, framboesa, groselha ou silva). Os diabéticos devem abster-se de ingerir xaropes, devido ao seu forte c o n t e ú d o de açúcar.

Os xaropes preparam-se adicionando mel ou açúcar (de preferência não refinado) a uma infusão ou decocção mais concentrada do que o normal, ou também a um sumo de frutos. Geralmente os xaropes preparam-se a 50%, isto é. acrescentando o mesmo peso de açúcar ou de mel que de infusão ou de frutos. Aquecer a mistura facilita a dissolução dos açúcares. Na página 295 explica-se a preparação do xarope de cebola, contra a tosse.

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Vantagens e inconvenientes dos extractos
Os extractos constituem uma forma artificial de preparar as plantas medicinais, com as suas vantagens e inconvenientes que convém conhecer.

Vantagens:
Maior concentração: Com o extracto consegue-se uma maior concentração de certos princípios activos da planta, precisamente os que são solúveis no dissolvente empregado para a extracção. Isto faz que o extracto tenha, em geral, uma acção mais potente que a da planta inteira. Maior disponibilidade: O extracto pode estar disponível em qualquer época do ano e em qualquer momento do dia, sendo o seu uso tão fácil como tomar umas gotas. Pelo contrário, preparar um sumo fresco ou uma infusão de plantas não está sempre ao nosso alcance.

Inconvenientes:
Maior risco de toxicidade: Desde o momento em que se altera o equilíbrio natural dos componentes de uma planta, extraindo ou purificando alguns dos seus princípios activos, aumenta o risco de se produzirem efeitos tóxicos. Portanto, as doses de extractos devem ser cuidadosamente respeitadas. Existem duas razões para isso: 1. Maior concentração de determinados componentes (os princípios activos). 2. A falta de outros componentes que acompanham os princípios activos da planta no seu estado natural, cuja função é precisamente a de compensar ou diminuir os possíveis efeitos tóxicos dos princípios activos. Isto explica, por exemplo, o facto de que as essências (extractos muito concentrados) tenham de ser usadas com grande precaução, especialmente quando são ingeridas, pois podem produzir facilmente intoxicações (ver pág. 97). Maior possibilidade de degradação dos princípios activos: Se o extracto não tiver sido obtido num laboratório especializado e pelos métodos correctos, corre-se o risco de destruir certos princípios activos da planta sensíveis ao calor ou aos dissolventes utilizados. Presença de dissolventes: O dissolvente que mais se emprega é o álcool etílico. Os restos dele que podem ficar no extracto representam um inconveniente para as crianças e para determinadas pessoas a quem o álcool se torna especialmente nocivo, mesmo em doses pequenas.

Os extractos de plantas medicinais devem ser considerados como fármacos para todos os efeitos, tanto q u a n t o às suas vantagens como quanto aos seus possíveis efeitos indesejáveis.

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A SAÚDE PELAS F L A U T A S M E D I C I N A I S
1 •" Porte: G e n e r a l i d a d e - .

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Linimentos Os linimentos são u m a mistura (emulsão) de extractos de plainas medicinais com a/.eite e / o u álcool, de fraca consistência, que se aplicam s o b r e a pele acompanhados de u m a massagem suave. ÂSsubstâncias activas peneiram nos tecidos profundos. Os linimentos usam-se sobreluclo nas afecções reumáticas e musculares. Extractos Os extractos obtêm-se pela acção de um dissolvente sobre as p a n e s activas da planta. No fim pode eliminar-se o dissolvente, ficando unicamente os princípios activos da planta. Como dissolventes utilizam-se o álcool etílico, o propilenglicol, o éter, a glicerina, diversos óleos e a água. Tipos de extractos O líquido extractivo resultante p o d e concentrar-se em diferentes graus, com o q u e se obtêm diferentes tipos de extractos: • Extractos líquidos: têm a consistência de um líquido ligeiramente espesso. • Extractos fluidos: têm a consistência do mel fresco. São os mais utilizados, devido à sua facilidade de uso e à sua boa conservação. Nos e x t r a c t o s fluidos, o peso do produto obtido é o m e s m o q u e o da planta seca utilizada para a sua obtenção. • Extractos moles: têm consistência pastosa, s e m e l h a n t e à do mel. ( ' o n t e m como máximo 2 0 % de água. • Extractos secos: p o d e m ser reduzidos a pó. Contém c o m o m á x i m o 5% de água. A sua vantagem é a g r a n d e c o n c e n tração de princípios activos q u e a p r e sentam (I g de extracto seco equivale a 5 g d a planta). • Ncbulizados: V. u m a das técnicas mais modernas para a o b t e n ç ã o de extractos. Consisto em atomizar ou vaporizar a solução extractiva e submetê-la e n t ã o a

u m a c o r r e n t e de ar a alta t e m p e r a t u r a . Deste m o d o se c o n s e g u e q u e o dissolvente se evapore de forma rápida e desapareça por c o m p l e t o . Tinturas As tinturas são soluções alcoólicas com q u e se consegue u m a concentração muito alta de certos princípios activos da planta, precisamente os q u e são solúveis em álcool. Preparam-se d e i x a n d o m a c e r a r a planta, bem seca e triturada, em álcool, à temperatura ambiente, d u r a n t e dois ou três dias, ou até 15 dias c o m o no caso da arnica. I lá dois motivos pelos quais as tinturas se devem usar com grande precaução: 1. A sua elevada concentração de determinados princípios activos. Por isso, não s<deve ultrapassar a dose prescrita, q u e n o r m a l m e n t e é de 15 a 25 gotas (de 3 a 7 para as crianças pequenas) dissolvidas em água, três vezes ao dia.
Os usos externos são a forma mais segura de aplicar as tinturas. Ingeridas por via oral, devem ser empregadas com muita precaução, dado o seu conteúdo alcoólico.

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Cap. 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

O unguento popúleo, que se prepara com os brotos tenros rio choupo-negro, tem um eleito muito benéfico contra as hemorróidas (ver pág. 760). Os unguentos de meimendro e de acónito, plantas tóxicas por via interna, usaram-se durante muito tempo como calmantes de nevralgias, ciáticas e dores rebeldes.

Formas de emprego
Chegado o momento de utilizar uma planta ou algum dos preparados elaborados com plantas, distinguimos: • Uso interno: Quando se ingere pela boca. passando ao estômago e ao resto do aparelho digestivo. Dali exerce a sua acção, quer deixando-se absorver e passando ao sangue, quer actuando directamente sobre a parede do tubo digestivo (como a libra ou as mucilagens de algumas plantas). Internamente empregam-se as tisanas (infusão, decocção ou maceração), e também os óleos, xaropes, sumos, pós, tinturas e outros preparados farmacêuticos galénicos. • Uso externo: Quando a planta ou os seus preparados se aplicam sobre a pele ou as cavidades do organismo (boca, ouvido, vagina, etc.) sem passar ao tubo digestivo. Para uso externo empregam-se as mesmas tisanas, sumos, óleos e outras preparações que paia o uso interno, embora convenha que sejam mais concentradas Má que terem conta que muitas substâncias activas das plantas podem absorver-se pela pele, quando se aplicam por via externa, passando assim ao sangue. Portanto, as plantas potencialmente tóxicas devem ser aplicadas com prudência, mesmo em uso externo. Assim acontece, por exemplo, com as pomadas e unguentos de acónito, meimendro. cânhamo OU cicuta, utilizados

Nos unguentos, pomadas e cremes, os princípios activos acham-se dissolvidos n u m excipiente gorduroso, o que facilita a sua absorção pela pele.

2. O seu conteúdo alcoólico: Mm hora a quantidade de álcool que se ingere ao tomar umas golas de tintura não seja muito elevada, pode ser suficiente paia produzir intolerância digestiva em pessoas sensíveis. As tinturas são contra-indicadas em caso de afecções hepáticas. Em geral, recomendamos que as tinturas se administrem unicamente em doentes com padecimentos muito concretos, e sempre sob indicação e vigilância médica. Em nenhum caso se devem administrar a crianças pequenas. O mais recomendável é utilizá-las unicamente por via externa, como por exemplo as de acónito, alecrim, arnica ou cânhamo. Unguentos Nos unguentos, os princípios activos cucou tram-se dissolvidos numa substância gorda. As gorduras mais usadas tradicionalmente têm sido a vaselina, o azeite, a lanolina e o sebo animal. Os unguentos são sólidos à temperatura ambiente, e amolecem quando se estendem sobre a pele com uma fricção suave. As pomadas e os cremes preparam-se com outros excipientes gordos elaborados pela indústria farmacêutica moderna.

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k SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 ° Parte: G e n e r a l i d a d e s

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desde a antiguidade para acalmar nevralgias e dores reumáticas. Os banhos, clisteres, f o m e n t a ç õ e s , banhos de vapor e o n d a s aplicações cie hidroterapia, já têm em si mesmos efeitos curativos, ainda q u e se laçam u n i c a m e n t e com água. Q u a n d o se fazem com unia tisana ou outra p r e p a r a ç ã o de p l a n t a s , os eleitos medicinais próprios destas plantas somain-se aos da água, com o q u e se ganha cm eficiência. Banhos Um banho consiste na imersão completa ou parcial do corpo em água, a q u e se podem acrescentar p r e p a r a d o s de p l a n t a s medicinais, c o m o por exemplo: • Infusões ou d e c o c ç õ e s c o n c e n t r a d a s : Como norma geral, uma infusão ou decocção para acrescentar posteriormente à água do b a n h o p o d e fa/er-se com 40-80 g da planta (dois ou três p u n h a d o s grandes) por cada litro de água. Para uma banheira de t a m a n h o normal, costuma ser suficiente preparar dois ou três litros de infusão ou decocção. U m a vez coada, acrescenta-se à água da banheira. • Essências: Costuma ser suficiente utilizar de "•> a 10 gotas de essência, dissolvidas na água da banheira. Os banhos usam-sc e s p e c i a l m e n t e pelo sen efeito anii-reumático, relaxante e sedativo (por exemplo, com abrótano-fêmea, alfazema, cálamo-aromático, manjerona, trevo). O banho com cálamo-aromático t o m a te especialmente útil contra a insónia. Banhos de assento Para tomar um b a n h o de assento c o m plantas medicinais, p r e p a r a m - s c um ou dois litros da decocção ou infusão a utilizar (que g e r a l m e n t e é mais c o n c e n t r a d a do que aquela q u e se utiliza para ingerir), e despejani-se n u m a banheira, acrescentando a água necessária até se atingir o nível do baixo ventre, por debaixo do u m b i g o .

Alecrim

Plantas para utilizar em banhos
Para um banho com plantas medicinais, preparam-se 2-3 litros de uma infusão ou decocção concentrada (40-80 g de planta por litro de água). Deita-se a dita infusão ou decocção na banheira ao mesmo tempo que se coa, misturando-a com a agua do banho. Em vez de infusão ou decocção, podem usar-se 5 a 10 gotas de essência da planta.

Planta Abrótano-fêmea Alecrim Alfazema Cálamo-aromático Camomila Manjerona Maravilha Salva Tomilho Trevo-dos-prados

Pág.

Parte utilizada

Acção Emoliente, relaxante e sedante Tonificante Relaxante e repousante Sedante em caso de insónia Relaxante Anti-reumática e tonilicante Suavizante da pele Embeleza a pele Tonificante e anti-reumática Suavizante da pele

470 Sumidades (infusão) 674 Sumidades floridas (infusão
161 424 Agua ou essência Rizoma (decocção) Capítulos florais (infusão) Essência Óleo Folhas (decocção) Sumidades floridas (infusão Flores e folhas (decocção)

364 369 626 638 769 340

As p e r n a s e a p a r t e s u p e r i o r do c o r p o n ã o devem estar em contacto com a água. O ideal é utilizar u m a b a n h e i r a especial para b a n h o s de assento, e m b o r a estes tamb é m se possam tomar n u m bidé, n u m a bacia larga, ou sentando-se n u m a b a n h e i r a com as pernas encolhidas E n q u a n t o se toma o b a n h o , deve-se friccionar suavem e n t e o baixo v e n t r e ( a n a t o m i c a m e n t e c h a m a d o hipogástrio) c o m u m a esponja ou um p a n o de algodão. Os b a n h o s de assento p r o d u z e m um estímulo circulatório na parle inferior do abd ó m e n , q u e tem efeitos favoráveis sobre as vísceras q u e ali se alojam: intestino grosso, bexiga e órgãos genitais internos. Além disso, actuam directamente sobre a pele e mucosas e x t e r n a s d o s ó r g ã o s genitais e do â n u s . T o r n a m - s e m u i t o eficazes nos seguintes casos: • Afecções do ânus e do r e c t o , c o m o as h e m o r r ó i d a s ou a fissura do ânus. • Cistites e infecções urinárias. • Afecções da próstata. • Transtornos ginecológicos em geral, mas em especial as regras dolorosas e as infecções genitais femininas.

Utensílios necessários para se preparar um banho de assento: banheira, infusão ou decocção da planta para ser adicionada ã água, coador e esponja ou luva de banho.

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C a p . 3: FORMAS DE P R E P A R A Ç Ã O E E M P R E G O

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Plantas para utilizar em banhos de assento
Os banhos de assento com plantas medicinais são muito recomendáveis para as afecções do ânus e do recto, dos órgãos urinários inferiores (bexiga e uretra), assim como dos órgãos genitais. Tomam-se tépidos ou frios, excepto quando baia espasmos abdominais ou fissura anal, casos em que devem tomar-se quentes. Planta Alforva Pág. 474 Preparação Decocção com 100 g de sementes trituradas (ou de farinha) por litro de água. Deixar ferver durante um quarto de hora Decocção com 30-40 g de folhas e casca de ramos jovens por litro de água Decocção com um punhado de folhas, caules e/ou flores de cardo-santo, por cada litro de água Decocção com 60-80 g de casca por litro de água Decocção de 50 g de casca de ramos jovens e/ou sementes por litro de água Infusão com 30-50 g de flores ou de frutos por cada litro de água Decocção com 50 g de gálbulos (frutos) por litro de água Decocção com 20 g de planta por litro de água Decocção com 100 g de folhas e/ou nogalina (cascas verdes) por litro de água Decocção com 30-40 g de casca da raiz por litro de água Decocção com 50-80 g de folhas e brotos de silva por litro de água Decocção com 50-100 g de planta por litro de água Indicações Hemorróidas Acção Desinflama-as e redu-las Sedante e anti-inflamatória Anti-séptica e cicatrizante Cicatriza e detém a pequena hemorragia que as acompanha Acalma a dor e reduz as hemorróidas Regula e normaliza as regas Reduz-lhes o tamanho e alivia a dor que produzem Acalma a dor e reduz-lhes o tamanho Cicatrizante e anti-inflamatória Também se aplica em forma de compressas sobre o ânus Recomendam-se duas ou três aplicações por dia 0 banho tem de ser quente 0 banho de assento deve ser quente, de uns 10 minutos de duração Observações Também se aplica em forma de cataplasma fria sobre o ânus Também se pode usar empapando compressas que se aplicam sobre o ânus

Aveleira

253

Hemorróidas

Cardo-santo

444

Hemorróidas Hemorróidas e fissuras anais

Carvalho

208

da-índia Chagas

251

Hemorróidas Transtornos menstruais Hemorróidas

772

Cipreste

255

Escrofulária

543

Hemorróidas

Nogueira

505

Hemorróidas

Ratània

196

Hemorróidas e Anti-inflamatória infecções genitais e adstringente Desinflama-as e evita que sangrem Desinflama os tecidos Aplica-se também em forma de compressas sobre o ânus Também se pode usar em clisteres

Silva

541

Hemorróidas

Tanchagem

325

Hemorróidas

N o r m a l m e n t e o s b a n h o s d e assento tonnam-se com água fria ou morna, a m e n o s que se Indique o c o n t r á r i o . Desta forma se o b t é m um m a i o r efeito tonificante. No ent a n t o , existem casos em q u e é preferível usar água quente: • Espasmos abdominais: c a u s a d o s , p o r e x e m p l o , p o r cólicas digestivas, cistites «ni d i s m e n o r r e i a (regias dolorosas).

Fissura anal: esta afecção caiai teri/.a-se pela d o r ao defecai, q u e nalguns casos é a c o m p a n h a d a da emissão de algumas gotas de s a n g u e . Não se deve confundir c o m as hemorróidas. Em caso de fissura convém aplicar banhos de assento

quentes, enquanto que. quando se trate de hemorróidas, se recomenda que a
água esteja fria.

66

A SAÚDE P E U S PLANTAS MEDICINAIS
I
a

Parte:

G e n e r a l i d a d e s

Os banhos de assento com plantas medicinais podem-se preparar facilmente em casa, como se expõe na página 65.

Os banhos quentes aos pés (pedilúvios) sáo muito eficazes para descongestionar a cabeça em caso de constipação ou gripe.

A duração de um b a n h o de assento deve ser curta (inferior a 3 minutos) caso se faça com água fria, e n q u a n t o p o d e c h e g a r aos 10 minutos se a água for m o r n a ou q u e n t e . Normalmente tomam-se u m o u dois p o r dia, ou mesmo três. E conveniente renovar todas as vezes a água. Banhos aos pés (pedilúvios)

Banhos às

mãos

(manilúvios)

Os banhos às mãos (manilúvios) dão resultados muito bons contra as frieiras.

Os pedilúvios, ou b a n h o s aos pés, quando se t o m a m q u e n t e s , t o r n a m - s e m u i t o úteis para aliviai - as d o r e s de cabeça, (especialmente se se juntar à água farinha de mostarda), e para m e l h o r a r a circulação nas pemas (com Tolhas de videira ou de urtiga-branca, por e x e m p l o ) . Fa/.em-se normalmente a c r e s c e n t a n d o aos 3 ou 5 litros necessários para o pedilúvio, um litro da mesma infusão ou d e c o c ç ã o q u e se recomenda tomar pela boca.

Ou manilúvios, ou banhos às mãos, aplicam-se c o m êxito p a r a m e l h o r a r a circulação s a n g u í n e a nas e x t r e m i d a d e s s u p e riores. Devem tomar-se tépidos ou p o u c o q u e n t e s . Para fazer d e s a p a r e c e r o eritema p é r n i o (frieiras) e as mãos frias e arroxeadas devidos a espasmos das artérias, recom e n d a m - s e os manilúvios de g i n k g o (ver pág.234). Cataplasmas A.s cataplasmas p o d e m preparar-se de diversas maneiras: • Com farinha de sementes (linho, mostarda, alforva): Amassa-se a farinha com água até formar u m a pasta uniforme e fluida. Seguidamente aquece-se num re-

67

Cap. 3: fORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

/

As cataplasmas de plantas medicinais exercem um grande efeito anti-inflamatório sobre a pele e os tecidos profundos.

tites, dores menstruais, ele. (grãos de milho, linho, tomilho). • Peitorais e anti-inflamatórias: O protótipo destas compressas é a que se prepara com farinha de linhaça (sementes de linho). Pode-se acresc cniar-lhes um pouco de mostarda para que tenham, além disso, eleito revulsivo. • Revulsivas: Atraem o sangue para a pele, descongestionando os órgãos internos. Prescrevem-se sobretudo em afecções reumáticas. Preparam-se, por exemplo, com malmequer-dos-brejos, urtigas, mostarda ou arruda. Técnica de aplicação das cataplasmas Na aplicação tias cataplasmas convém ler em conta <> seguinte: • Temperatura: As cataplasmas aplicam-se quentes, entre 40° e 50°C. Uma forma prática de conseguir isto é aquecê-las com um ferro de engomar, durante alguns minutos, envolvidas numa fronha ou num pano. • Protecção da pele: As cataplasmas com efeito revulsivo, especialmente as que contenham farinha de mostarda, chamadas sinapismos, podem provocar irritação na pele, pelo que devem envolver-se cuidadosamente num pano de flanela. Pata as restantes basta uma gaze. • Duração: de 5 a 10 minutos. É melhor fazer várias aplicações cúrias ao longo do dia, do que uma única prolongada. Compressas As compressas tornam-se mais fáceis de usar do que as cataplasmas, embora o seu efeito também se torne menos imenso. Técnica de aplicação das compressas As compressas fa/.em-se da seguinte maneira: 1. Impregnar um pedaço de gaze ou flanela numa tisana, sumo, (intuía ou outro preparado líquido.

cipiente, agitando-se sempre, até que adquira uma consistência pastosa. Aplica-se sobre a pele com uma espessura de um ou dois centímetros, protegida com um pano de algodão ou de flanela. • Com folhas ou raízes de plantas frescas esmagadas (agrião, bardaria, cebola, consolda, couve): Esmagam-se num almofariz até obter uma papa uniforme, que se estende sobre um pano e se aplica fria ou quente, conforme seja necessário. • Com frutos (morangos, figos), esmagados e envolvidos num pano. Utilidade das cataplasmas As cataplasmas, permanecendo durante longo tempo em contacto com a pele, reforçam diversas propriedades das plantas, como, por exemplo, as seguintes: • Cicatrizantes (a/.edas, bardaria, couve, consolda, figos, tanchagem). • Resolutivas, para amadurecer e provocar o esvaziamento de abcessos e forúnculos (abacate, alforva, borragem, linho, mandioca). • Analgésicas e sedativas, para cólicas, cis-

As compressas aplicam-se empapando um pano n u m liquido obtido a partir da planta medicinal (tisana, sumo, e t c ) .

68

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Fomentaçoes
Técnica de aplicação
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1. Preparar um ou dois litros de uma infusão ou decocçao da planta adequada. Normalmente convém que seja um pouco mais concentrada do que o habitual (de 50 a 100 g por litro de água). Também se podem acrescentar, a um ou dois litros de água quente, 5 a 10 gotas de essência da planta. 2.Quando o líquido descrito estiver bem quente, submerge-se nele um pano ou toalha de algodão. (Foto O) 3. Escorrer o pano e aplicá-lo sobre a zona a tratar, protegendo a pele com outro pano seco. (Foto ©)

4.Cobrir estes dois panos com um cobertor de lã, para conservar o calor. Está provado que a lã é o material que melhor conserva o calor, mesmo quando está húmida ou molhada. (Foto ©) 5. Passados 3 minutos, quando o pano húmido já começa a arrefecer, volta-se a empapar no líquido quente. 6. A aplicação das fomentaçoes deve durar de 15 a 20 minutos. Terminar com uma fricção de água fria sobre a zona tratada.

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C a p . 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

I
)

For tmentações

com plantas medicinais

As fomentações com plantas tornam-se especialmente eficazes, pois aos efeitos terapêuticos próprios da água e do calor adicionam-se os da planta medicinal utilizada. Aplicam-se sobre a zona afectada em cada caso. As suas indicações mais importantes são: 1. Dores de costas causadas por afecções reumáticas, por artrose, ou por tensão muscular. Recomenda-se especialmente em caso de lumbalgia (dor de rins) ou de ciática. Plantas recomendadas: harpagófito, alfazema, alecrim, carvalho. 2. Cólicas ou espasmos abdominais: biliares, intestinais ou renais. Plantas recomendadas: laranjeira (flores), camomila, alfazema, salva. 3. Infecções agudas da garganta e das vias respiratórias: laringite, traqueíte, bronquite. Plantas recomendadas: abeto, pinheiro, eucalipto, tomilho, tussilagem.

le que se empapa na infusão ou decocção medicinal: um seco por baixo, para proteger a pele, e ouiro por cima para conservar o calor. Usam-se sobretudo em afecções respiratórias (catarros e bronquite), inflamações da garganta e da traqueia, cólicas (renais, hepáticas ou intestinais) e dores ciáticas. Nestes casos fazem-se com a mesma tisana que se recomenda para o viso interno, com o qual se reforça a sua acção. Loções e fricções As loções e as fricções fazem-se com uma infusão, decocção, maceração ou sumo, que se estende com uma ligeira massagem sobre a pele. As fricções aplicam-se da mesma maneira, geralmente com óleos essenciais (ver pág. 96), e com uma massagem mais enérgica. Podem-se aplicar com a mão ou com um pano suave impregnado no líquido. Indicações das loções e fricções As loções têm as seguintes aplicações: • Afecções da pele em geral (por exemplo com amor-perfeito, arandos, equinácea, folhas de oliveira, maravilhas, sanamunda, saponária, tomilho, tussilagem ou urtiga). • Prurido, ou seja, comichão na pele (borragem, erva-moura, verónica). • Beleza: eliminação da celulite, embelezamento da pele ou emagrecimento (equinácea, gilbarbeira, morangueiro, roseira). • Reumatismo (alfazema, loureiro). • Afugentar os mosquitos (absinto).

2. Aplicá-lo sobre a zona de pele afectada, durante um tempo que depende de cada planta (de 5 a 10 minutos geralmente). 3. Se a ga/.e ou flanela se secar, voltar a impregná-la. É melhor renovar as compressas frequentemente e aplicá-las várias vezes ao dia, em vez de manter a mesma durante muito tempo. Algumas plantas podem tingir a pele quando se aplicam em compressas, especialmente as que contém taninos (amieiro, carvalho, nogueira). Uma fricção com sumo de limão pode ajudar a restabelecer a cor normal da pele. Indicações das compressas As compressas usam-se como cicatrizantes e anti-séplicas em feridas e úlceras da pele (agrimónia, alcaçuz, amieiro, aveleira, carvalho, cavalinha, cebola, chagas, couve, hera, maravilha, nogueira), para a beleza da pele (hamamélia, morangueiro, roseira, tília), para os olhos (camomila, fidalguinhos), ou como analgésicas e calmantes (lúpulo, visco-branco). Fomentações As fomentações aplicam-se como as compressas, mas com 0 líquido à temperatura máxima que a pele possa suportar. Colocam-se mais dois panos, além daque-

Os banhos de vapor com foJhas de tília limpam, suavizam e embelezam a pele do rosto.

B a n h o s d e vapor c o m plantas Os banhos de vapor com plantas aplicam-se sobre a cabeça, o tórax ou até sobre o corpo todo.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Y..

Técnica dos banhos de vapor com plantas Estes banhos de vapor ía/em-se da seguinte maneira: 1. Colocar uma panela de água a ferver com as plantas OU essências a utilizar, em cima de um banco. A panela deve estar tapada. Km vez de plantas, podem-se juntar à água 2 ou 3 gotas de um óleo essencial. 2. O doente senta-se numa cadeira c cobre-se com uma toalha grande ou um lençol, de forma que não se escape o vapor. 3. Destapar a panela progressivamente para deixar sair o vapor. 4. A aplicação dura de 10 a 15 minutos, até que deixe de sair vapor. 5. Convém terminar com uma fricção de água fria ou álcool sobre a zona que esteve exposta ao vapor. Indicações dos banhos de vapor com plantas Os banhos de vapor com plantas são de grande utilidade para combater as afecções respiratórias: sinusite, faringite, laringite, traqueíte, catarros bronquiais e bronquite. Também são indicados no caso de otite. Facilitam a eliminação do muco, germes e restos celulares depositados nas mucosas respiratórias, com o que se acelera o seu processo de regeneração e cura. Gargarejos Os gargarejos são uma forma fácil e simples de aplicar as plantas medicinais sobre o interior da garganta. Técnica dos gargarejos Os gargarejos fazem-se da seguinte maneira: 1. Tomar, sem engolir, um sorvo de tisana (geralmente infusão) morna. Não se devem usar líquidos muito quentes nem muito concentrados. 2. Inclinar a cabeça para trás. 3. Tentar pronunciar a letra 'a' de forma prolongada, durante meio ou um minuto. 4. Deitar fora o líquido da boca: Nunca se deve engolir, pois se supõe que esteja contaminado com as substâncias residuais. 5. Repete-se todo o processo durante 5 a 10 minutos. Indicações dos gargarejos Os gargarejos actuam sobre a mucosa que reveste o fundo da boca, a faringe (garganta) e as amígdalas (anginas). Limpam a imicosidade, os germes e os restos de células mortas e de toxinas que se depositam nessa zona em caso de irritação, de inflamação ou de infecção. Têm efeito emoliente (suavizante), anti-séptico e adstringente (secam, desinílamam e cicatrizam). As plantas que mais se usam para os garOs gargarejos e bochechos feitos com flores e cascas de romãs são muito úteis em caso de faringite, gengivite |inflamação das gengivas) e parodontose (afrouxamento e queda dos dentes).

71

Cap. 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

Colírios Os colírios são líquidos utilizados para tratar as afecções dos olhos ou das pálpebras. Devem ser pouco concentrados, não irritantes, e aplicados a uma temperatura morna. Recomenda-se fa/.ê-los com infusões preparadas com água previamente fervida, ou com decocções, para conseguir uma maior esterilidade. São muito utilizados os colírios de agripalma, camomila, eufrásia, lidalguinhos ou folhas de videira. Lavagens o c u l a r e s Ás lavagens oculares (aos olhos) fazem-se empapando uma compressa na decocção de uma planta, e deixando escorrer suavemente o líquido do lado da fonte para o do nariz (de fora para dentro). A semelhança do que acontece com os colírios, é preferível fazer as lavagens oculares com infusões para as quais se tenha fervido previamente a água, ou com decocções, para que o líquido que entra em contacto com o olho esteja estéril. Omco minutos de fervura é suficiente para conseguir uma esterilidade adequada
As lavagens ocufares devem fazer-se deixando escorrer o líquido a partir da fonte para o nariz, pois é este o trajecto seguido normalmente pelas lágrimas.

Clisteres garejos são: abrunheiro-bravo, alecrim, amieiro, historia, casca e folhas de castanheiro, cebola, cinco-em-rama, drias, epilóbio, gatunha, hidraste, moranguciro, nogueira, ratãnia, roniã/.eiía, sabugueiro, sanamunda, tanchagem, tormentila e verbena. Bochechos Os bochechos consistem em mover um sorvo de líquido (geralmente infusão ou decocção) em todos os sentidos, dentro da boca. São muito úteis em caso de estomatite, gengivite, piorreia e outras afecções da boca e dos dentes. Fa/cm-sc com as mesmas plantas que os gargarejos. Os clisteres, ou enemas, consistem na introdução de um líquido no intestino grosso através do ânus, por meio de um brigador com um tubo de borracha. O líquido a introduzir pode ser uma infusão ou decocção pouco concentrada, á temperatura do corpo (37°C). Precauções na aplicação cie clisteres Quando se aplica um distei-, devem tomar-se algumas precauções: 1. Colocar O paciente sobre o sevi lado direito, com as pernas encolhidas. 2. Introduzir a ponta do irrigado! com a ajuda de azeite ou vaselina.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Os cJisteres com infusões ou decocçoes de plantas medicinais conjugam a acção de limpeza da água com os efeitos medicinais das plantas.

3. Evitar que o líquido entre a unia pressão excessiva, não elevando o recipiente que o contém a mais de um metro acima do nível do doente. 4. É suficiente um volume de 300-500 ml de líquido. Nas crianças bastam 100-200 ml. 5. O paciente tem de reter o líquido durante 5-10 minutos. 6. Não aplicar mais de três dis teres num dia. Deverá evitar-se aplicá-los depois das refeições. 7. Em muitos casos, é necessária a prescrição e supervisão de um médico. Objectivos dos disteres Com os enemas, pretende-se: • Esvaziar o recto e o intestino grosso em caso de prisão de ventre, especialmente

espasmos digestivos (assa-íétida) ou diarreias dos lactentes (salgueirinha). • Eliminar os parasitas intestinais (alho,

quãssia, tanaceto). Irrigações vaginais
Uma irrigação vaginal consiste na introdução de infusões ou decocçoes pouco concentradas, e à temperatura do corpo (37°C), na vagina, por intermédio de uma cânula ou brigador especial. As plantas mais utilizadas para estas irrigações são: historia, cinco-em-rama, malva, pé-de-leão, pimpinela-oficinal, ratânia, romázeira, roseira, salgueirinha, salva e salguei ro-branco. Aplicam-se em caso de vaginite e leucorreia (corrimento excessivo). No caso de gravidez deve-se evitar todo o tipo de irrigações vaginais. Quando se faz uma irrigação vaginal é necessário aplicar pouca pressão, para evitar que o líquido suba para o útero, cuja cavidade está normalmente fechada pelo colo uterino. E recomendável que as irrigações vaginais se apliquem sob vigilância médica.

quando seja devida a uma afecção febril
ou infecciosa (por exemplo com folhas de oliveira, malva ou sene-da-índia). • Desinflamar o ânus e o recto em caso de fissuras, hemorróidas e inflamações anais (com carvalho, tanchagem ou zaragatoa). • Desinflamar o intestino grosso em caso de colite ou diarreia (erigerâo, malva),

Uso seguro das plantas medicinais
Primeiro que tudo adoptar um estilo de vida são
Antes de aplicar qualquer planta medicinal de forma regular ou continuada (aliás c o m o em qualquer outro tipo de tratamento), é necessário ter em conta o seguinte:

1. Procurar a causa dos transtornos, por pouco importantes que possam parecer. Tomar umas plantas (como qualquer outro medicamento) com o único objectivo de acalmar ou de neutralizar certos sintomas, pode produzir um alívio momentâneo. Contudo, se a causa desses sintomas persistir, a doença continuará a progredir até se manifestar com maior intensidade, e então pode ser demasiado tarde para se curar. Perante qualquer sintoma estranho, é necessário submetermo-nos a um diagnóstico médico, feito por profissionais competentes, com meios e procedimentos científicos. Só depois disso se poderão aplicar com segurança os tratamentos à base de plantas medicinais, ou quaisquer outros.

3. Usar unicamente plantas bem identificadas: O mais recomendável e seguro é que se encontrem envasilhadas, correctamente etiquetadas e sob a garantia de um laboratório ou profissional farmacêutico. As leis de muitos países, incluindo os da União Europeia, proíbem a venda ambulante de plantas medicinais.

4. Evitar a automedicação irreflectida: O ideal é que as plantas medicinais sejam receitadas ou recomendadas por um médico competente. Todavia, a legislação sanitária na maior parte dos países regista um certo número de espécies de plantas de uso habitual, que se podem usar livremente, sem receita médica. Neste caso, fala-se de automedicação responsável: A própria pessoa decide que plantas vai tomar, mas de forma responsável, isto é, informando-se previamente das propriedades das ditas plantas, assim como das possíveis precauções que o seu uso requeira.

2. Eliminar hábitos nocivos para a saúde: Se os sintomas ou transtornos se deverem a hábitos malsãos ou a um estilo de vida pouco saudável, o tratamento com plantas acabará por ter pouca utilidade; e até poderia chegar a ser contraproducente, ao disfarçar determinados sintomas enquanto persiste a sua causa. O primeiro passo para o restabelecimento da saúde deve ser a adopção de um estilo de vida são, eliminando os hábitos nocivos que possam existir. De bem pouco serviria tomar plantas mucolíticas ou expectorantes para tratar a bronquite, continuando a fumar ou a respirar ar contaminado, por exemplo. A maior parte das doenças crónicas nos países desenvolvidos estão directamente relacionadas com os hábitos alimentares inadequados e com o consumo de substâncias tóxicas como o tabaco, as bebidas alcoólicas e outras drogas.

5. Precaução ao usar uma planta durante longos períodos de tempo: Como norma geral, deve-se evitar o uso continuado de uma mesma planta durante mais de dois ou três meses. Quando isto possa parecer necessário, convém informar-se bem dos possíveis efeitos secundários indesejáveis da dita planta, além de obter o conselho de um médico.

6. Prudência com as grávidas e as crianças: É preciso ser-se especialmente prudente no momento de lhes administrar uma planta medicinal, como aliás qualquer outro medicamento (ver págs. 101-102).

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74

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Casos práticos
1. Procurar a causa dos transtornos João é um homem robusto de 55 anos, que nunca tinha sofrido de transtornos importantes. Desde há mais de um ano perdeu o apetite; e certos alimentos, como por exemplo a carne, provocam-lhe repulsa e até mesmo náuseas. Automedica-se com umas plantas que lhe recomendaram uns vizinhos da aldeia, muito eficazes -segundo garantem- para abrir o apetite. Nos primeiros meses conseguiu alguns resultados, mas ultimamente, embora não sinta dores, o apetite não melhora, emagreceu, e finalmente decide-se a ir ao médico. Um exame endoscópico ao estômago mostra que a causa da sua inapetência (fastio) é um cancro no estômago. O tumor já se encontra demasiado adiantado para se poder prognosticar um bom resultado cirúrgico Este é um caso típico de cancro do estômago. Se João tivesse procurado a causa do seu sintoma no principio, logo que este apareceu, o prognóstico da sua doença teria sido muito mais favorável.

O uso adequado das pjantas medicinais, j u n t a m e n t e com outros hábitos de vida sá, pode impedir que as debilidades do nosso organismo evoluam até se transformar em doenças declaradas.

2. Eliminar hábitos nocivos para a saúde Marcelo é camionista e passa muitas horas sentado ao volante. Sofre de hemorróidas que frequentemente se inflamam e sangram. Marcelo gosta de comida forte, muito condimentada com pimenta ou malagueta picante. Na fruta, quase nem toca. Ele próprio nota que, quando come comida muito picante, piora das hemorróidas. Mas descobriu umas plantas que lhe recomendaram numa farmácia, com as quais toma uns banhos de assento que o aliviam muito. Assim continua com as suas comidas picantes, e quando se vê em apuros, toma um banho de assento. Mas as hemorróidas foram piorando, até que um dia sentiu ) uma dor anal muito intensa, que não melhorava com as plantas nem com nada. O seu médico assistente mandou-o de urgência para o cirurgião de serviço, com o diagnóstico de trombose hemorroidal, uma complicação muito dolorosa das hemorróidas. Se Marcelo tivesse adoptado uma alimentação mais sã, as hemorróidas não teriam progredido. Nesse caso, os banhos de assento com plantas a que habitualmente recorria teriam sido suficientes para melhorar e até para curar a sua doença.

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PRINCÍPIOS ACTIVOS
UMÁRIO DO CAPÍTULO
Ácidos orgânicos 92 Açúcares 78 Alcalóides 84 Amido 78 Antibióticos 87 Cálcio 83 Celulose 79 Essências 90 Fécula, ver Amido 78 Ferro 83 Flavtnióidcs, ver Glkósidos Jlavonóides 88 Fósforo 83 Glícidos 78 Glkósidos 85 Gorduras 80 Hidratos de carbono 78 Inulina 80 lodo 84 Lípidos 80 Magnésio 83 Minerais 83 Mucilagens 79 Óleos 80 Óleos essenciais, ver Essências 90 Oligoelementos 84 Pectina 79 Potássio 84 Proteínas 81 Resinas 90 Rutina, ver Glkósidos Jlavonóides . , . 88 Saponinas ver Glkósidos saponínkos . 88 Silício 84 Taninos 93 Vitaminas 81

0 laboratório vegetal
As plantas são uns laboratórios bioquímicos extraordinários. A partir de substâncias tão simples como a água (I I.-O) da terra e 0 anidrido carbónico do ar (CO2), são capazes de produzir amido (hidrato de carbono ou glfcido), devolvendo além disso oxigénio (()-•) ao ar. Esta reacção química, conhecida como Fotossíntese, é processada graças à clorofila contida nas lollias das plantas, que (apta a energia do Sol e a transforma cm energia química. Fará sermos mais exactos, esla reacção química indica-nos que, com seis moléculas de água e outras tantas de anidrido carbónico, se produz uma de glicose e seis de oxigénio (ver quadro da página contígua). Numa segunda fase, as moléculas de glicose polimeri/.am-se (unem-se entre si) para formar amido e celulose, que são as substâncias mais abundantes do reino vegetal. Ambas têm a mesma fórmula química, e diferem unicamente pela forma como estão unidas as moléculas de glicose que as constituem. A partir da glicose e do amido produzidos nas lollias, combinando-os com os sais minerais que absorvem pela raiz, as plantas sintetizam lípidos (gorduras), essências, glicósidos, taninos, vitaminas e outros princípios activos. As proteínas e os alcalóides produ/em-se na raiz, a partir dos nitratos do solo, de onde são transportados para o resto da planta por meio dos vasos condutores do caule e das suas ramificações. Dista forma as plantas sintetizam uma grande variedade de substâncias químicas. Até agora já se identificaram cerca de 12 000 diferentes, e, com toda a certeza, ainda restam muitas por descobrir e anali-

As plantas são capazes de produzir uma ampla

variedade de princípios
activos, a partir de substâncias tão simples como o vapor de água e o anidrido carbónico do ar, e do azoto e outros elementos minerais.

76

Fotossíntese
A base química da vida na Terr
A fotossíntese processa-se em duas fases: Primeira fase: 6H2O + 6CO2 •C6H12O6 + 6O2 Água + Anidrido carbónico = Glicose + Oxigénio Segunda fase: n (C6H12O6) • n (CeHioOs) + n (H2O) Várias moléculas de glicose unidas = Amido + Várias moléculas de água A partir de duas substâncias inorgânicas, a água (que retiram do solo) e o anidrido carbónico (gás que faz parte do ar), as plantas produzem glicose e depois amido, duas substâncias orgânicas que fazem parte da matéria viva. A partir da glicose, do azoto mineral e de outros elementos do solo, os vegetais produzem todas as demais substâncias de que são formados, mediante uma complexa série de reacções químicas. Esta extraordinária reacção química que é a fotossíntese só é possível graças à clorofila, pigmento verde que se encontra exclusivamente nas plantas, e que actua como catalizador ou facilitador da reacção. A fotossíntese é a base química da vida sobre o nosso planeta. E, embora possa parecer-nos simples, nenhum laboratório foi capaz de reproduzir esta reacção bioquímica. Graças a ela, o simples torna-se complexo; a matéria inorgânica transforma-se em orgânica. Dito de outro modo: A matéria morta -do solo e do ar- transforma-se em matéria viva - o vegetal.

Funções das foIh

1. Elaboração da seiva a partir das substâncias absorvidas pela raiz.

2.

Produção de o x i g é n i o e de vapor de água, como resultado da fotossíntese.

3. Armazenamento de nutrientes como o amido, açúcares, vitaminas, etc.

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n

Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

tose (monossacáridos), e a sacarose (dissacárido). Encontram-se sobretudo nos Irutos. Os organismo» animais utili/ain-nos como fonte básica de energia, pelo que têm eleito tonificante. Os diabéticos têm de ingeri-los sob controlo, embora tendo sempre cm conta que a mesma quantidade de açúcar é muito mais bem tolerada se for tomada juntamente com as vitaminas, a libra vegetal, os

Os princípios activos contidos nas plantas medicinais, náo só aliviam os transtornos mas também regulam os processos vitais e previnem a doença.

ácidos orgânicos e os restantes componentes dos frutos, do que se for tomada como produto químico puro em forma de açúcar refinado (branco) de mesa. sar. Dentre iodas estas substâncias, dá-se o
nome de princípios activos àquelas que apresentam uma acção específica sobre o organismo. Segundo n siui natureza química, classilicam-se em vários grupos que convém conhecer: glícidos, lípidos, proteínas, vitaminas, minerais, alcalóides, glicósidos, essências e resinas, ácidos orgânicos, taninos. Vamos pois deler-nos um pouco a estudá-los. A frutose acha-se presente, em conjunto com a glicose, nos frutos maduros. Ao contrário desta última, a frutose não precisa da insulina para ser aproveitada pelo organismo, pelo que é muito mais bem tolerada por quem sofra de diabetes (falta de insulina) . O.s frutos descritos nesta obra, mais ricos em açúcares, são: bérberis, alfarrobas, arandos, cainito, cerejas, framboesas, morangos, groselha, anona, figos, medronhos, ananás, uvas e amoras de silva. Os caules da

Hidratos de carbono
Os hidratos de carbono, conhecidos também como glícidos, são substâncias compostas de hidrogénio, oxigénio e carbono. São muito abundantes nos vegetais, que os produzem por meio da fotossíntese. Para uma melhor compreensão descrevemos separadamente os tipos de glícidos ou hidratos de carbono mais importantes que se acham presentes nas plantas: açúcares, amido, celulose, mucilagens, pectina e inulina. Açúcares ()s açúcares são glícidos (hidratos de carbono) simples, solúveis cm água e de sabor doce. Os mais comuns são a glicose c a fru-

cana-de-açúcar são muito ricos em sacarose. Amido
O amido é o glícido (hidrato de carbono) mais representativo dos que são produzidos pelas plantas, A sua molécula é um polímero, formada pela união em cadeia de numerosas moléculas de glicose. As suas propriedades são: • Energética: As enzimas digestivas rompem as moléculas de amido, libertando a glicose, que é o combustível (energia) mais importante para as nossas células. • Emoliente: Tem acção suavi/anic e anti-inflamatória sobre a pele e as mucosas. A maior parte das plantas produz amido como substância de reserva nas raízes e nas sementes. As mais ricas em amido, dentre

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A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 1" P a r t e : G e n e r .1 I 1 cl B O e s

as tratadas neste livro, são: aveia, castanhas, lírio (raiz), mandioca (raiz), milho. Celulose A celulose 0 u m a fibra vegetal insolúvel. É o hidrato de c a r b o n o mais a b u n d a n t e nos vegetais. Kmbora o nosso o r g a n i s m o não seja capa/ de assimilá-lo (o dos ruminantes sim), d e s e m p e n h a uma i m p o r t a n t e função mecânica no intestino: a de facilitar o avanço das fezes e evitar a prisão de ventre. Mucilagens As mucilagens são derivados dos glícidos cie consistência gelatinosa, q u e têm a propriedade de reler água (efeito hidrófilo), pelo que incham e a u m e n t a m de volume. As mucilagens têm as seguintes acções: • Lubrificam e protegem a c a m a d a m u cosa de t o d o o t u b o digestivo, q u e reveste o seu interior desde a boca até ao ânus. Actuam l o c a l m e n t e , sem ser absorvidas para o s a n g u e . Protegem tanto da irritação m e c â n i c a p r o d u z i d a p e l o movimento do bolo alimentar, ou das fezes, como da irritação química produzida pelos sucos digestivos (especialmente os ácidos) e pelas fermentações intestinais. A isso se deve o seu efeito emoliente (suavizante), anti-infiamatoiio e ligeiramente laxante. Tornam-se úteis em todas as afecções inflamatórias do aparelho digestivo: esofagite, gastrite, úlcera gastroduodenal, gasti enterite, colite, proctite ( i n f l a m a ç ã o d o recto), fissuras anais e hemorróidas. • Obesidade: Se se t o m a r e m mucilagens com água, fazem a u m e n t a r o volume do bolo alimentar no estômago, produzindo sensação de s a c i e d a d e . Daí q u e se usem para combater a obesidade-. No intestino, a u m e n t a m o volume- das fezes, com o que facilitam o seu trânsito e expulsão em caso de prisão de- ventre- crónica. Isto explica o a p a r e n t e p a r a d o x o

de q u e se administrem tanto nas colites (efeito anti-inflamatório) c o m o na prisão de ventre. • Emolientes e anti-inflamatórias, aplicadas sobre a pele. • Antilússicas: Sobre o a p a r e l h o respiratório, suavizam as mucosas irritadas em caso de laringite ou traquefte, acalmando a tosse. Os vegetais com maior c o n t e ú d o em mucilagens são: allóiva. alga-peilada, alteia, amor-perfeito-bravo, b o r r a g e m , couve-, lin h o , líquen-da-islândia, malva, polipódio, salguei ri n h a . sul irião-n incho ( o r q u í d e a ) , t a n c h a g e m , tussilagem e zaragatou. Pectina A pectina é um glícido (hidrato de- carb o n o ) epie n ã o é absorvido no intestino mas actua localmente c o m o lubrificante e suavizante paia a passagem das fezes, â se-

O amor-perfeito-bravo (Viola tricolor L.) contém mucilagens e saponinas, que lhe conferem propriedades suavizantes, anti-inflamatórias e cicatrizantes. As loções e lavagens com a sua infusão combatem eficazmente a secura, as estrias e as rugas da pele, pelo que é muito apreciado como cosmético.

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Cap. 4:

ICIPIOS ACTIVOS

car tem a particularidade de não precisar da insulina para o seu metabolismo, pelo que os diabéticos o toleram muito melhor do que à glicose. Além disso, favorece a.s funções do ligado. A inulina (sem V) não se deve confundir com a insulina (com V ) , que é a hormona que o pâncreas segrega e que regula o nível da glicose (açúcar) no sangue. Um baixo nível de produção de insulina ou a falia dela -caso dos diabéticos-, provoca a subida do nível de glicose no sangue e na urina.

Os frutos da oliveira ('Olea europaea' L.) proporcionam o mais medicinal de todos os óJeos. O chamado azeite, da azeitona, actua como laxante, colagogo, emoliente e regulador do colesterol.

Lípidos ou gorduras
Os lípidos ou gorduras são substâncias cujas moléculas são formadas pela união da glicerina ou outros álcoois, com diferentes ácidos gordos. Contém hidrogénio, oxigénio, carbono e, nalguns casos, fósforo. As plantas produ/em-nos a partir dos hidratos de carbono, como substâncias de reserva energética. Os lípidos usam-se pelas suas propriedades nutritivas e energéticas, e pela sua acção suavizante e emoliente. São ricos em lípidos: o abacate, a alfarroba, a aveia, as avelãs, as azeitonas, o cacau, a alga espirulina, o gérmen de milho, as sementes de girassol, as nozes.

melhança do que fazem as mucilagens ou a fibra vegetal de celulose. Contêm-na sobretudo a.s maçãs, e também outros frutos, como por exemplo: os abrunhos, as alfarrobas, os arandos, as castanhas, as cerejas, a goiaba, a rosa-canina, as sorvas e o tamarindo. Inulina A inulina é um glícido formado por cadeias de moléculas de frutose, em vez de glicose como o amido. C.hama-se assim por ter sido descoberta na raiz da énula (Inala helenium L.). Encontra-se sobretudo nas raízes como material de reserva (alcachofra, bardana, carlina, chicória, consolda-maior, denlc-de-lcão. énula, equinácea e petasite). A inulina transfoi ina-se em frutose (açúcar da fruta) durante a digestão. Este açú-

Óleos
Os óleos são substâncias gordas líquidas â temperatura ambiente, que se extraem por pressão a frio e decantação (também por meio de dissolventes e outros processos industriais), dos frutos e das sementes das plantas. São compostos por esteies da glicerina com ácidos gordos mono ou polinsaturados e, ao contrário das gorduras animais, apresentam a propriedade de reduz-ir o colesterol no sangue.

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 •' Parte: G e n e r a l i d a d e s

Não se devem confundir com os óleos essenciais ou essências (ver "Essências", pág. 90). Os óleos usam-se pelas suas propriedades: • Laxantes (de azeitona, azeite) ou purgantes (de cártamo, de rícino). • Hipolipemiantes, isto é, redutores do colesterol no sangue (de sementes de algodoeiro, do azeitona, de dormideira, ou de girassol; de gérmen de milho, de onagra, ou de grainha de uva). • Emolientes (de sementes de algodoeiro, de linho, ou de oliveira). O azeite da oliveira, o rei dos óleos, também se usa como dissolvente dos princípios activos de outras plantas postas a macerai nele (por exemplo, sementes de urucu ou sumidades de hipericão). Desta forma se aplica externamente sobre queimaduras e diversas afecções da pele.

Proteínas
Todas as plantas produzem e contêm proteínas em maior ou menor proporção. São substâncias complexas, cujas moléculas são formadas por cadeias de aminoácidos. Contêm hidrogénio, oxigénio, carbono e nitrogénio (a/.olo). Algumas proteínas são de grande valor biológico, devido ao seu conteúdo em aminoácidos essenciais, islo é, aqueles que o organismo humano não pode produzir. Estas proteínas de grande valor biológico, imprescindíveis na dieta {los seres humanos, encontram-sc não só nos alimentos animais mas também em muitos dos vegetais. Assim, por exemplo, a alga espirulina, o gergelim, a luzerna e as nozes, são especialmente ricos em proteínas de grande valor nutritivo. Outras plantas, tratadas nesta obra, de elevado conteúdo proieínico são: o abacaA luzerna (Medicago sativa L.J é muito rica em proteínas de grande valor biológico, além de conter vitaminas, minerais e enzimas.

te (também rico em lípidos ou gorduras), as alfarrobas, a alforva, a aveia, as avelãs, a bodelha (alga), o cacau, as castanhas, o milho.

Vitaminas
As vitaminas são substâncias de natureza química muito variada que têm em comum o seguinte: • Actuam como biocatalizadores de numerosas reacções químicas, pelo que se tornam imprescindíveis para a vida. Um biocatalizador é um catalizador orgânico, li um catalizador, em química, é

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Cap 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

Vitamina Bi2 A vitamina B12 é produzida por certas bactérias, seres vivos que fazem parle do reino vegetal. Os mamíferos superiores, especialmente os herbívoros, obtêm a vitamina B12 das plantas que ingerem, que habitualmente se acham contaminadas por bactérias produtoras de Biv. Os animais armazenam esta vitamina nos seus tecidos, especialmente no ligado. O leite e os ovos também contêm vitamina B12. Portanto, a fonte primária da vitamina B12 são determinadas bactérias que a produzem, e que, apesar de serem microscópicas, também são vegetais.
Cada tipo de vitamina exerce uma função preventiva e benéfica sobre o nosso organismo. Os frutos das plantas constituem uma boa fonte de vitaminas. A goiaba (Psidium guajaba' L.J é muito rica em vitaminas A, B e sobretudo C, o que explica o seu efeito tonificante sobre o organismo.

todo o produto que, sem chegar a fazer parle dos produtos finais da reacção, torna possível que esta se produza, ou a acelera. • Não podem ser produzidas pelo nosso organismo, pelo que têm de ser ingeridas com regularidade. Os vegetais são a fonte mais importanlede vitaminas para o nosso organismo, excepto da D, que é sintetizada na nossa pele por acção dos raios solares. Damos seguidamente uma relação das principais vitaminas e das plantas analisadas nesta obra que são ricas em cada uma dessas vitaminas: Provitamina A (caroteno) Contêm provitamina A numa percentagem elevada: agriões, cacau, cenouras, cerejas, framboesas, sementes de girassol, goiabas, luzerna, maçãs, papaias. Vitaminas do grupo B Abacate, aipo, aveia, cacau, cerejas, dente-de-leão, espirulina, gergelim, ginseng, sementes de girassol, morangos, moi ugem, nozes, são plantas ricas em vitaminas do complexo B.

Os seres humanos não têm a mesma capacidade que têm os animais, de absorver a vitamina Br.» que se encontra nas bactérias que contaminara os vegetais; ou então, possivelmente, os vegetais que ingerimos, por estarem mais limpos, não contêm tantas bactérias como aqueles que os animais ingerem. O facto é que os humanos que seguem uma dieta estritamente vegetariana podem sofrer deficiências de vitamina B12, se bem que isto aconteça com menor frequência do que seria de esperar. A alimentação vegetariana complementada com ovos e leite proporciona as pessoas saudáveis uma quantidade suficiente de Bw. A alga espirulina (ver pág. 27(3) é uma das fontes mais ricas de vitamina Bi2 que se conhecem; mas não porque a dita alga a produza; antes porque habitualmente está contaminada por umas bactérias muito ricas na dita vitamina. Vitamina C Beldroegas, cocleária, couve, framboesas, goiabas, laranjas, limões, rosa-caniua, sorvas, são boas fontes naturais de vitamina c. Vitamina E Agriões, espirulina, girassol, milho, gergelim, são plantas ricas em vitamina K.

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A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

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Vitamina P Espargos, gilbarbeira, laranjas, lu/.erna, c a/guinas outras plainas q u e se analisam nesta obra, são boas fontes cie vitamina P. A vitamina P t a m b é m se c h a m a rutina (ver pág.88).

Minerais
Depois de se q u e i m a r u m a planta seca, toda a matéria orgânica Uca calcinada, e a suas cinzas são os minerais da planta. Normalmente, os á t o m o s dos minerais contidos nas p l a n t a s a c h a m - s e u n i d o s a moléculas de ácidos, f o r m a n d o desta maneira sais minerais. Vejamos os m i n e r a i s mais importantes para o ser h u m a n o , q u e se encontram nas plantas analisadas nesta obra:

Cálcio
O cálcio é indispensável para a formação dos ossos. Intervém nas funções do coração e do sistema n e r v o s o . Encontra-se especialmente nas s e g u i n t e s plantas: aljôfar, aveia, borragem, cebolas, gergelim, goiabas, luzerna, maçãs, nozes, pulmonária, urliga-maior. Fósforo O fósforo intervém t a m b é m na c o m p o sição dos ossos e no sistema n e r v o s o . Conlêm-no: alforva, aveia, cebolas, cenouras, gergelim, goiabas, luzerna, maçãs, nozes. Ferro Potássio O feiro é imprescindível para a produção de s a n g u e . A b u n d a e m : a b a c a t e , agrião, azedas, cerejas, espirulina, gergelim, goiabas, labaça, maçãs, q u e n o p ó d i o -bom-henrique, urtíga-maior, uvas. O potássio é um diurético muiio seguro, especialmente se aparece a c o m p a n h a d o de ílavonóides ou saponinas. Encontramo-lo e m : alcachofras, a r e n á r i a , bico-de-ceg o n h a , cardo-penteador, cavalinha, ceboMagnésio O m a g n é s i o c u m p r e i m p o r t a n t e s funções no s a n g u e e nos ossos. Encontra-se e m : cebolas, couves, gergelim, maçãs, m o r u g e m , tília.
«O vinho, tomo-o nos cachos», dizia o famoso cientista francês Luís Pasteur. As uvas sáo uma fonte muito apreciada de vitaminas e minerais, especialmente de ferro.

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V

/

Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

-penteador, na grama, na morugem, na sempre-noiva e na urtiga-maior.

Iodo
O iodo é imprescindível para o desenvolvimento do sistema nervoso e para o funcionamento da glândula tiróide. Encontra-se no agrião, na alga-perlada, na b<>delha e na laminaria.

Oligoelementos
A cavalinha ('Equisetum arvense' L.j é uma das plantas mais ricas em oligoelementos minerais, especialmente em silício. A

isto se deve o seu efeito
regenerador sobre os tecidos. O seu uso, t a n t o por via interna como externa, aumenta a pureza da pele e fortalece as unhas e o cabelo.

Os oligoelementos são minerais (enxofre, cobre, /.inço, manganésio, etc), que se encontram nas plantas, e também no nosso organismo, em pequeníssimas quantidades (oligo = pouco em grego). Contudo, cumprem importantes funções metabólicas. Geralmente actuam como biocatalizadores de determinadas reacções químicas nos seres vivos. Todas as plantas contêm quantidades mais ou menos importantes destes elementos, que retiram do solo. As plantas silvestres, que crescem em terrenos não cultivados, costumam ser mais ricas em oligoelementos do que as cultivadas. Os terrenos de cultura intensiva empobrecem com o tempo em tais elementos, especialmente quando se usam adubos minerais inorgânicos, que contem apenas determinados minerais e não toda a gama de oligoelementos.

Alcalóides
las, cenouras, cerejas, grama, limões, orlossilão, parielária, uvas. Os alcalóides são substâncias azotadas muito complexas, de reacção alcalina, e que mesmo em pequenas doses produzem grandes efeitos sobre todo o organismo. São substâncias muito activas, que podem resolver doenças graves, mas que também podem intoxicar se não se usarem correctamente. É o caso da colquicina do cólquico ou açafrão-bastardo (pág. 666),

Silício
O silício contribui para a elasticidade e beleza da pele, assim como para a força do cabelo e das unhas. Torna-se muito recomendável na artrose e na osteoporose. Encontra-se sobretudo na cavalinha, e também no aljôfar, na borragem, no cardo-

M

A SAUCE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

V..

Pervincd

Plantas com alcalóides

' \

que detém de Forma espectacular os sintonias de um ataque de gota; da reserpina da rauvólfia (pág. 242), q u e faz d e s c e r a pressão arterial e equilibra o sistema nervoso em caso de d o e n ç a s m e n t a i s ; ou da vincaniinada pervinca (pág. 214), q u e melhora notavelmente a circulação sanguínea no cérebro. Os alcalóides, tomados j u n t a m e n t e com o resto dos p r i n c í p i o s activos da planta muna tisana, iornam-.se m e n o s perigosos doque q u a n d o se tomam isoladamente em forma de extractos purificados ou fármacos (ver capítulo 6, "Da planta ao medicamento*, pág. 64). Assim, o ó p i o , q u e contém uma mistura de mais de 25 alcalóides. entre os quais a morfina, é mais seguro de administrai' do q u e a morfina pura. Acresce ainda q u e n e m todos os alcalóides são igualmente activos, n e m se encontram nas mesmas percentagens. Com t u d o isto queremos indicar q u e muitas plantas que tem alcalóides p o d e m ser usadas c o m o remédios caseiros com total segurança, respeitando as doses e indicações, c o m o é o raso da aveia, do boldo ou do alcaçuz. No entanto, o uso de certas p l a n t a s q u e contêm alcalóides r e q u e r u m a p r u d ê n c i a especial e, sendo possível, vigilância médica, como indicamos em cada caso.

Os alcalóides são substâncias muito activas produzidas por algumas plantas, como as que aparecem nesta tabela. Em geral, estas plantas devem usar-se com prudência, e algumas delas unicamente sob vigilância médica. Planta Acónito Agripalma Alcaçus Aveia Beladona
Beladona

Pág. Alcalóide 148 224 308 150 352 352 384 390 748 597 178 446 185 155 180 666 728 729 157 157 389 207 438 182 182 159 159 244 752 242 183 Aconitina Leonurina Atropina Avenina Atropina Hiosciamina Berberina Boldina Buxina Teobromina Cafeína Berberina Cafeína (teína) Coniina Cocaína Colquicina Solanina Solanina Atropina Hiosciamina Fumarina Berberina Emetina Cafeína Teobromina Atropina Hiosciamina Vincamina Quinina Reserpina Nicotina

Acção Anestésica e analgésica Emenagoga Parassimpaticolitica Tonficante Parassimpaticolitica Parassimpaticolitica. alucinogénia Colagoga e tonificante Colerética e colagoga Febrífuga Estimulante, diurética Estimulante, excitante Colagoga e tonificante Estimulante, excitante Sedante, analgésica Excitante Anti-inflamatória, analgésica Sedante, narcótica Sedante, narcótica Parassimpaticolitica Parassimpaticolitica, alucinogénia Anti-inflamatória.anti-nistamínica Colagoga e tonificante Emética, expectorante Estimulante, excitante Estimulante, diurética Parassimpaticolitica Parassimpaticolitica, alucinogénia Vasodilatadora Febrífuga, tonificante Hipotensora, sedante Estimulante, depressora

Bérberis Boldo Buxo Cacaueiro Cafeeiro Calumba Chá Cicuta Coca Cólquico Doce-amarga Erva-moura Estramónio Estramónio Fumaria Hidraste Ipecacuanha Mate Mate Meimendro-negro

Glicósidos
As moléculas dos glicósidos. t a m b é m chamados heterosidos, são constituídas do ponto de vista q u í m i c o pela u n i ã o de dois tipos de substâncias: • um glícido (açúcar), q u e p o d e ser a glicose, a pentose, ou outros. • uma substância n ã o açucarada, chamada genina ou aglicona. q u e p o d e ser um ácido, uni álcool, OU o u t r o c o m p o s t o orgânico. As p r o p r i e d a d e s d o s glicósidos d e p e n dem da natureza química da sua genina, e

Meimendro-negro Pervinca Quina Rauvólfia Tabaco

são m u i t o variadas. Para q u e os glicósidos libertem a sua parte activa, a genina, é preciso q u e se produza uma reacção química de hidrólise catalizada por uma enzima. Km geral, os glicósidos são substâncias muito activas, q u a n d o p e n e t r a m no organismo h u m a n o . Por isso as plantas q u e os

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Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

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Cebola j z a k

Plantas com substâncias antibióticas

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Mostram-se nesta tabela os antibióticos mais importantes presentes nas plantas descritas nesta obra. Do ponto de vista químico, a maior parte deles são glicósidos.

Planta Alcaçus Alho Bardana Carlina Cebola Chagas Enula As antocianinas, substâncias que dão a cor viva a certas flores como a rosa, têm acção medicina/. Equinácea Pilosela Pulsatila
Rabanete e Rábano

Pág.

Antibiótico Liquiritina Bissulfureto de alilo Arctiopicrina Carlinóxido Bissulfureto de alilpropilo Glicotropeolina Helenina Equinacósido Umbeliferona Anemonina Gluco-rafenina Naftoquinonas (plumbagona) Hidroquinona

308 230 697 749 294 772 313 755 504 623 393 754 564

Rorela Uva-ursina

r

Cor dos glicósidos antocianínicos (antocianinas)
Cor Azul Violeta Vermelho

Meio Alcalino (básico) Neutro Ácido

contêm devem ser doseadas e administradas com prudência. Segundo a sua composição química e a acção que têm, os glicósidos classificam-se em: antocianínicos, antraquinónicos, cardiotónicos, cianogenéticos, cumarínicos, fenólicos, ílavonóides, saponínicos e sulfurados. G l i c ó s i d o s antocianínicos Os glicósidos antocianínicos também são conhecidos como antocianinas. São os pig-

Decomposição dos glicósidos
Para que os glicósidos actuem dentro do organismo, é necessário que as suas moléculas sejam decompostas pela acção de uma enzima específica para cada glicósido, que se encontra também na planta. Desta forma se liberta a genina, que é a parte activa do glicósido. Vejamos dois exemplos:

mentos que comunicam a cor azul, violeta ou vermelha a certas flores, frutos e raízes. Um mesmo pigmento é capaz de apresentar diversas cores, dependendo da reacção do meio em que se encontra. As antocianinas actuam como anti-sépticas, anti-inflamatórias e protectoras capilares. Encontram-se especialmente nas seguintes plantas: arandos, fldalguinhos, malva, monarda, roseira, salgueirinha, videira e violetas. G l i c ó s i d o s antraquinónicos As geninas dos glicósidos antraquinónicos são formadas por diversos derivados do núcleo antraquinónico; e os açúcares que os compõem são a glicose, a ramnose ou a arabinose. Estes glicósidos são inactivos no seu estado natural. Por acção de umas enzimas produzidas pelas bactérias intestinais, liberta-se a genina, que é o princípio activo.

\

Planta
Alho Mostarda

glicósido + enzima
aliína + aliinase sinigrina + mironase

=
= =

genina + glícido
dissulfureto de alilo + açúcar essência sulfurada + açúcar

8G

A SAÚOE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 • Parte: G e n e r a l i d a d e s

Antibióticos nas PK plantas
• • "
Este processo tem lugar no intestino grosso, pelo que a sua acção laxante ou purgativa se manifesta a partir de seis horas após terem sido ingeridos. Têm as seguintes acções: • Laxante ou p u r g a n t e ( c o n f o r m e a dose). Efeito seguro e p o t e n t e . Actuam estimulando OS movimentos pcrisláhicos do intestino grosso e d i m i n u i n d o a absorção de água. C o m o resultado, as tezes passam mais r a p i d a m e n t e e são menos secas. • Digestiva, colcrética e colagoga. Km geral desaconselha-se o seu uso pelas grávidas, d u r a n t e a m e n s t r u a ç ã o , em caso de cólicas, ou q u a n d o se sofra de h e m o r róidas (ver pág. 99). As plantas mais ricas em glicósidos antraquinónicos são: aloés, amieiro-negro, canafísiula. cáscara-sagrada, espinheiro-cerval, granza, ruibarbo e sene-da-índia. Glicósidos cardiotónicos A genina dos glicósidos cardiotónicos é formada por um núcleo ciclopentano-perhidiofenanti e n o , q u i m i c a m e n t e s e m e lhante aos sais biliares, ao colesterol, às hormonas sexuais e a outras substâncias de grande actividade biológica. O a ç ú c a r constituinte é a glicose, a galactose ou diversas pen toses. A sua acção consiste em a u m e n t a r a força contráctil do coração, e em regular o seu ritmo. As suas substâncias são m u i t o potentes, com r e s u l t a d o s e s p e c t a c u l a r e s em muitas afecções do coração. Dcvcm-sc dosear e administrar com prudência, e sempre sob vigilância médica. A planta mais usada pelos seus glicósidos cardiotónicos é a dedaleira, insubstituível no tratamento de muitos d o e n t e s . O u t r a s são: adónis-da-itália, asclépia, cacto-grandifloro, ceboia-albarra, gracíola e lírio-dos-vales. Os antibióticos são substâncias químicas produzidas por seres vivos, geralmente vegetais, que são capazes de destruir ou de deter o crescimento de outros seres vivos como bactérias, vírus e outros microrganismo. Luís Pasteur, o grande biólogo francês do século XIX, já previu que «a vida pode destruirá vida», embora naquela época não se tivessem ainda descoberto os antibióticos. A maior parte dos antibióticos que se usam em terapêutica procedem de vegetais inferiores, como as bactérias ou os fungos. Não obstante, as plantas superiores também produzem antibióticos, ainda que em quantidades muito pequenas. Estes têm uma estrutura química mais complexa que a dos produzidos pelos vegetais inferiores, e nalguns casos é pouco conhecida. Tudo isto dificulta o seu isolamento, a sua dosagem e utilização clínica. Talvez por isso, os antibióticos produzidos pelas plantas superiores são pouco conhecidos e utilizados. A investigação química e farmacêutica está a desenvolver-se neste campo, e são de esperar interessantes progressos num futuro próximo.

Glicósidos cianogenéticos A genina dos glicósidos cianogenéticos é o ácido cianídrico, substância m u i t o tóxica, q u e p o d e libertar-se m e d i a n t e a mastigação, c o m o a c o n t e c e c o m a s a m ê n d o a s amargas, as s e m e n t e s das ameixas e de ou. T , - • i r» trás plantas da c família botânica das Rosaceas. Em doses altas p o d e provocar intOXlcações.

_ s ,..._, ° glicósidos contidos na d e d a f e i r a r D igitalis purpúrea' L.l exercem um notável efeito sobre o
coração, aumentando a força das suas contracções.

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C a p . 4 : P R I N C Í P I O S ACTIVOS

V

a arbutina, contida sobretudo na uva-iusina, e também na damiana, no medronheiro e na urze. Glicósidos flavonóides A genina dos glicósidos flavonóides é formada pela ílavona e seus derivados. Constituem um amplo grupo de substâncias químicas, cuja propriedade comum é a de reforçar a parede dos capilares, melhorando os intercâmbios de substâncias nutritivas e de oxigénio entre o sangue que por eles circula e os tecidos. São também diuréticas (por exemplo, a cavalinha), tonificantes do coração (pilriteiro), hemostáticas (como a bolsa-de-pas(or, devido ao flavonóide diosmina) e anti-infiamatórias. A rulina, também chamada rutósido ou vitamina P, é um dos glicósidos flavonóides mais activos. Encontra-se na arruda, no espargo, na gilbarbeira, na laranjeira e outras plantas cítricas, na pimenta-d'água, no sabugueiro e na tussilagem. Glicósidos saponínicos As geninas dos glicósidos saponínicos, chamadas sapogeninas ou saponinas, são geralmente derivados tcrpénicos. Têm a propriedade de diminuir a tensão superficial da água, provocando a formação de espuma como faz o sabão. In vitro produzem hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos). As suas acções mais importantes são: • Expectorantes: fluidificam as secreções mucosas, facilitando assim a sua expectoração (por exemplo: alcaçuz, polígala-da-virgínia, primavera, saponária, verbasco, violeta). • Diuréticas (como a salsapai rilha-baslarda). • Cicatrizantes e analgésicas (hera).

A hera (Hedera Helix' L.) é
mu/to rica em saponinas de acção cicatrizante e analgésica. Por isso se aplica localmente sobre a pele.

Os glicósidos cianogenéticos de interesse medicina! obtêm-se das folhas do louro-cerejo ou loureiro-real, assim como a casca da cerejeira-da-virgínia. Têm acção sedativa e aiitíespasmódica. Glicósidos cumarínicos A genina dos glicósidos cumarínicos, também denominados lactónicos, assim como os seus derivados, são as substâncias responsáveis pelo típico cheiro a feno que exalam certas plantas herbáceas. Estes glicósidos possuem propriedades anticoagulantes (a vitamina K ou dicumarol é um derivado da cumarina), antiespasmódicas (por exemplo, a bisnaga, útil na angina de peito), antibióticas (bardana, pilosela) e sobretudo venotónicas (castanheiro-da-índia). melilolo, gilbarbeira). A esculina é o derivado cumarínico mais activo sobre o sistema nervoso. Encontrase sobretudo no castanheiro-da-índia, e fez parte de vários preparados farmacêuticos contra as varizes, hemorróidas e edemas. Glicósidos fenólicos Os glicósidos fenólicos libertam a genina hidroquinona, de potente ac cão anti-séptica c anti-inflamatória sobre os órgãos urinários. O mais importante destes glicósidos é

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

1

Nas últimas décadas, a investigação químico-farmacêutica tem feito notáveis progressos, identificando a maior parte dos princípios activos presentes nas plantas medicinais. Agora sabemos como e porquê actuam a maior parte das plantas que antigamente eram usadas simplesmente por tradição ou intuição.

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//,

Procedimentos para a obtenção das essências
• Destilação: Faz-se por meio de um dispositivo chamado alambique. Aquece-se a água que existe no fundo do alambique até à ebulição. Os princípios voláteis das plantas colocadas sobre a água são arrastados pelo vapor. Estes vapores, que contêm os óleos essenciais da planta, passam a um círculo refrigerante, onde arrefecem e se condensam, formando o líquido destilado. Uma vez terminado o processo, deixando-se repousar o líquido destilado, ficam separadas por decantação duas fracções deste mesmo líquido: -o óleo essencial (essência), que fica por cima flutuando, por ser de menor densidade e insolúvel na água, e -a água floral (hidrossol), formada pelo vapor de água condensado juntamente com as substâncias hidrossolúveis da planta que foram arrastadas por ele. Na água floral também se encontram presentes pequenas quantidades de óleos essenciais em suspensão. As águas florais usam-se principalmente em perfumaria, embora na actualidade se comecem já a investigar as suas aplicações medicinais. • Pressão: Este método consiste na aplicação de pressão sobre as partes activas da planta, até se extrair a essência. Emprega-se especialmente para obter as essências contidas na casca dos citrinos (laranja, limão e mandarina). • Extracção com dissolventes: Consiste na dissolução dos princípios aromáticos das plantas num dissolvente volátil, que posteriormente se evapora deixando um resíduo seco muito aromático chamado essência absoluta.

Vapor arrastando a essência

Saída da água refrigerante

Saída da água floral (hidrossol)

Alambique para a destilação de óleos essenciais ou essências 'ss
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Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

r/

Ácidos orgânicos
Nas plantas encontra-se uma grande variedade de ácidos orgânicos, que se concentram especialmente nos frutos. São os seguintes: cítrico, málico e tartárico, salicílico, oxálico e ácidos gordos. Á c i d o s cítrico, m á l i c o e tartárico Qs ácidos cítrico, málico c tartárico são muito abundantes nos frutos e nas bagas, embora a sua concentração vá diminuindo á medida que amadurecem. Aumentam a produção de saliva e limpam a cavidade bucal, produzindo sensação de frescura (efeito refrescante) e diminuindo o número de bactérias causadoras das cáries e das infecções da boca. Aumentam também a produção de sucos gástricos, pelo que têm efeito aperitivo. Além disso, são ligeiramente laxantes e diuréticos.
Os sumos de fruta são muito ricos em ácidos orgânicos, além de conterem açúcares, sais minerais e vitaminas.

Á c i d o salicílico uma essência: o resíduo viscoso que fica, é a resina. A. composição química das resinas c uma mistura muito complexa de: glícidos, ácidos orgânicos, essências terpénicas, álcoois, ésteres, etc. São muitas as plantas que produzem resina, mas só algumas delas se usam para fins medicinais. As propriedades das resinas são muito variadas: • Purgantes, como a resina de podoíllo, que lambem se usa externamente contra as verrugas. • Anti-sépticas urinárias, como, por exemplo, a da copaíba. • Antiespasmóclicas, como a da assa-fétida. • Rubefacientes e anti-reumáticas: a do pinheiro (a sua resina chama-se colofónia), a do abeto e a do guaiaco. O ácido salicílico é um ácido de tipo fenólico que tem três acções principais: anti-inflamatória, analgésica (acalma a dor) e antipirética (faz baixar a febre). Usa-se com notável êxito em diversas afecções reumáticas. O ácido salicílico encontra-se em estado natural em valias plantas (ver tabela tia página seguinte). A partir dele obtem-se um derivado, o ácido acetilsalicílico (a popular aspirina), que. a indústria farmacêutica conseguiu produzir por processos de síntese química sem necessitar do ácido salicílico natural. A aspirina tem as mesmas propriedades que o ácido salicílico natural, mas mais intensas, pelo que podem produzir com mais facilidade efeitos secundários indesejáveis.

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A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
1"* P a r t e : G e n e r a l i d a d e s

V.,

Plantas que contêm ácido salicílico
O ácido salicilico é um precursor do acido acetilsalicílico, vulgarmente conhecido como aspirina. As plantas que contêm ácido salicilico constituem uma alternativa natural ã aspirina e a outros fármacos analgésicos ou antt•inftamatôrios.

tas ciladas neste livro, encontram-se no abacate, no girassol {semente), na espirulina e na nogueira (no/). Ácido oleico: É um ácido monoinsaturado, principal componente do azeite de oliveira, que também se encontra no abacate. Contribui para regular o nível do colesterol.

Planta Maravilha Morangueiro Macieira Amorperleito-bravo Pé-de-leão Primavera Pulmonária Salgueiro-branco Ulmeira

Pag. 626 575 513 735 622 328 331 676 667

Partes utiliz? Flores Frutos Frutos Toda a planta Toda a planta Rizoma , raiz Toda a planta Casca Sumidades

Taninos
Os taninos são compostos fenólicos que coagulam a gelatina e outras proteínas, formando uma camada seca e resistente à putivfacçáo sobre a pele e mucosas. Possuem propriedades adstringentes, hemostáticas, anti-sépticas e tonificantes. Secam e dão resistência à pele e às mucosas, favorecendo a resolução dos processos inflamatórios e a cicatrização. O seu sabor é muito amargo e áspero, e nalgumas plantas pode tornar-se excessivo ou indesejável. Chega a provocar intolerância em estômagos delicados. As tisanas obtidas por maceração têm a vantagem de extrair outros princípios activos da planta c apenas uma quantidade mínima de taninos. Ingeridos em doses elevadas, os taninos podem impedir a absorção de certos minerais como o cálcio e o ferro, assim como das vitaminas. Por isso, não .se recomenda tomar plantas ricas em tanino durante períodos prolongados de tempo (mais de um mês), de forma continuada. Os taninos encontram-se muito repartidos por todo o reino vegetal. As plantas mais ricas em taninos são: agrimónia, amieiro, avenca, historia, carvalho, castanheiro, chá, chias, faia, hamamélia, medronheiro, morangueiro (folhas), nogueira, pé-de-leão, ratânia, salgueirinha, silva, tormentila e ulmeiro.
As folhas e a casca do castanheiro são muito ricas em taninos, o que lhes confere propriedades adstringentes.

Ácido o x á l i c o O ácido oxálico é um dos mais abundantes no mundo vegetal, especialmente nas folhas verdes. A sua fórmula química é HOOC-COOií. Normalmente acha-se associado ao potássio e ao cálcio, com os quais Forma sais minerais. Nas pessoas propensas a isso, estes sais, que se eliminam pela urina, têm tendência a precipitar-se formando cálculos urinários. Por isso se desaconselha o uso das plantas ricas em ácido oxálico, como por exemplo as azedas, o ruibarbo e a aleluia, a quem sofra de litíase urinária (pedras nos rins). Ácidos g o r d o s Os ácidos gordos são, juntamente com a glicerina, o principal componente das gorduras. Entre os mais importantes figuram os seguintes: • Ácidos linoleico e linolénico: São ácidos gordos polinsaturados, chamados essenciais porque o nosso organismo necessita deles, mas não é capa/, de produzi-los por si mesmo. Cumprem importantes funções no organismo, especialmente no tecido nervoso. Entre as plan-

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Aromate
O emprego terapêutico dos óleos essenciais (essências
O poder dos aromas
Antes de chegarem aos pulmões e passarem ao sangue, as moléculas de essência estimulam as células olfactivas que se encontram no interior das fossas nasais [1]. Estas células são na realidade neurónios que, através do nervo olfactivo, enviam impulsos eléctricos com a mensagem olorosa codificada. O nervo olfactivo [2] conduz o estímulo até diversas partes do cérebro: à amígdala e ao hipocampo do lóbulo temporal [3], sede da memória; ao tálamo [4], sede das emoções; e, sobretudo, ao hipotálamo [5], e através dele, à hipófise [6], centro regulador da produção de hormonas de todo o organismo. A relação entre o nervo olfactivo, o tálamo, o hipotálamo e a hipófise, poderia explicar os conhecidos efeitos reguladores dos aromas sobre o sistema neuro-hormonal.

A aromaterapia, que literalmente quer dizer 'tratamento por meio dos aromas', constitui na realidade uma forma de fitoterapia ('tratamento por meio das plantas*). As propriedades curativas dos óleos essenciais já eram conhecidas desde tempos muito antigos, embora de forma meramente empírica. Hoje sabemos a razão por que os óleos essenciais produzem determinadas acções fisiológicas sobre o organismo. Não obstante, resta ainda muito por investigar acerca do mecanismo pelo qual certos aromas conseguem influir sobre o estado de espírito e inclusivamente sobre o comportamento. Para se obter um bom resultado, os tratamentos com óleos essenciais devem durar entre uma e três semanas, aplicados de qualquer das seguintes formas: 1. difusão atmosférica, 2. fricção sobre a pele, 3. banhos com essências, 4. via interna. '''/ '.)•!

//s<

1. Difusão atmosférica
É a forma mais importante de aproveitar as propriedades curativas dos óleos essenciais. Estes podem passar para o ar mediante vários procedimentos: • Por simples evaporação, colocando umas gotas sobre as costas da mão ou em cima de uma fonte de calor como, por exemplo, um radiador, e aspirando o aroma. Também se pode impregnar um lenço de assoar, ou mesmo a almofada da cama, com umas gotas de essência. • Por meio de um difusor eléctrico: pequeno aparelho que, mediante um mecanismo vibratório, produz uma vaporização do óleo essencial contido no seu interior. Tem a vantagem de funcionar a frio, pelo que a essência se vaporiza sem sofrer os efeitos indesejáveis do calor. Dez ou quinze minutos de funcionamento do difusor eléctrico são suficientes para encher o ar de um compartimento com micropartículas de essência vaporizada. Antes de passar aos pulmões, os óleos essenciais estimulam primeiramente o sentido do olfacto, de onde exercem a sua influência sobre todo o sistema nervoso. Provou-se que depois de se ter respirado durante alguns minutos num ambiente carregado de óleos essenciais, estes já se encontram no sangue e, pouco tempo depois, podem detectar-se também na urina. Embora as quantidades de essência absorvidas pelo organismo sejam muito pequenas, tomam-se suficientes para exercer notáveis efeitos fisiológicos e terapêuticos Em geral, recomenda-se aspirar a essência uma hora de manhã e outra à tarde.
(continua na página seguinte)

O simples facto de aspirar o aroma de uma fJor afecta o equilíbrio hormonal, o sistema nervoso, o aparelho respiratório e, inclusive, o nosso estado de espirito.

Os óleos essenciais obtêm-se principalmente por meio de alambiques destiladores como este que se vê na fotografia, pertencente ao Museu dos Aromas e do Perfume (La Chevèche de Graveson-enProvence, França). A produção de uma boa essência exige certa dose de arte e de paciência. De cem quilos de foJhas de eucalipto, por exemplo, obtêm-se uns dois litros de óleo essencial.

Aromaterapia 121

I

ie o seu próprio ambiente com as essências

É preferível usar um único óleo essencial de cada vez, em lugar de misturar vários deles. Segundo o efeito que se deseje obter, podem-se criar diversos ambientes com uma das essências que seguidamente se indicam: • Ambiente balsâmico para casos de sinusite, faringite e diversas afecções respiratórias: eucalipto, pinheiro, tomilho ou alecrim. • Ambiente relaxante e sedativo para casos de nervosismo ou insónia: alfazema ou laranjeira. Estas duas essências recomendam-se especialmente para as crianças muito inquietas, com dificuldade em conciliar o sono. • Ambiente tonificante: limão, alecrim, hortelã ou segurelha. • Ambiente anti-séptico para prevenir os contágios em caso de gripe ou constipações: tomilho, salva, eucalipto ou caneta. • Ambiente para afugentar os mosquitos e outros insectos: erva-cidreira ou lúcia-lima. • Ambiente antitabaco: lúcia-lima, gerânio, sassafrás ou alfazema.

icções com essências
Segundo o efeito que se queira obter, as fricções serão feitas com um dos óleos essenciais seguintes: • Fricção tonificante, que convém aplicar de manhã, a seguir a um duche frio: alecrim, gerânio, limão ou pinheiro. • Fricção relaxante a aplicar à noite, depois de um duche ou banho quente: alfazema, manjerona, camomila ou laranja. • Fricção digestiva sobre o estômago e o ventre, que se aplica depois de cada refeição, para evitar os gases e as digestões pesadas: alcaravia, manjerona ou alfazema. • Fricção respiratória sobre o peito e as costas, recomendada em caso de constipação, bronquite, asma e tosse catarral: pinheiro, eucalipto, alfazema, alecrim ou cipreste. • Fricção antidolorosa sobre as pernas ou as costas, para aliviar as dores musculares ou articulares: alecrim, zimbro, pinheiro ou manjerona. • Fricção circulatória para melhorar o retorno do sangue venoso em caso de varizes, pernas inchadas ou celulite: cipreste ou limão.

(continuação da página anterior)

2. Fricção sobre a pele
Uma fricção com óleo essencial faz que este penetre através da pele, infiltrando-se nos tecidos e passando finalmente para a linfa e o sangue. Ao efeito do óleo essencial sobre os tecidos, junta-se o efeito próprio da massagem que acompanha a fricção, pelo que os resultados costumam ser muito notáveis. Quando se aplicam óleos essenciais em fricções sobre a pele, convém ter em conta o seguinte: • Aplicar a fricção sobre o peito, o ventre, as costas, a nuca, os braços e as pernas. • Evitar o contacto do óleo essencial com as mucosas dos olhos, da boca e dos órgãos genitais. • Para uma aplicação normal são suficientes 20 ou 30 gotas de óleo essencial, que se colocam nas palmas das mãos de quem aplica a fricção. • Em caso de peles sensíveis, a essência pode diluir-se, misturando-a em partes iguais com azeite de oliveira, óleo de gérmen de trigo ou de amêndoas amargas.

'''S
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y*.
Além de proporcionar uma agradável sensação de bem-estar, a inalação de essências (aromaterapia) pode exercer notáveis acções medicinais: restabelecimento do sono em caso de insónia, equilíbrio do sistema nervoso quando haja esgotamento ou depressão, aumento da capacidade respiratória e normalização da tensão arterial, entre outras.

3. Banhos com essências
Os óleos essenciais mencionados nos tratamentos anteriores também podem juntar-se à água do banho (ver pág. 65). Usam-se de 3 a 10 gotas por banheira. As essências também se adicionam à água dos banhos de vapor {ver pág. 71). Neste caso bastam 2-3 gotas.

4. Via interna
Embora não seja esta a forma ideal de aplicá-los, os óleos essenciais também se podem ingerir por via oral, como complemento de qualquer dos tratamentos anteriores. A mesma essência que se aplica em difusão, em fricção ou em banhos, pode ingerir-se para reforçar o seu efeito, tendo em conta as seguintes precauções: • Os óleos essenciais são princípios activos muito concentrados, pelo que não se devem ultrapassar as doses indicadas, que em geral são de 1 -3 gotas, 3 ou 4 vezes por dia.

• Não ingerir um mesmo óleo essencial durante mais de 3 semanas consecutivas. • Não se recomenda administrá-los a crianças menores de 6 anos. Para estas são preferíveis os hidrossóis (ver pág. 91). • Recomenda-se ingerir os óleos essenciais colocando as gotas de uma das três formas seguintes: - Sobre as costas da mão. - Numa colher juntamente com mel. - Num copo com água morna (não quente, pois os princípios activos decompõem-se com o calor).

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PRECAUÇÕES E TOXICIDADE DAS PLANTAS
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
Bócio hipotiróide Cardiovasculares, afecções Colite Coração, doenças Debilidade Digestivas, afecções Estômago Fígado, afecções do Gastrite Gravidez Hemorróidas Hiperteiisào arterial Infância Intestinal, oclusão Lactação Menstruação Nefrite Nervosismo Oclusão intestinal Próstata, adenoma da Urinárias, afecções Urogenitais, afecções 100 99 99 100 100 98 98 99 98 102 99 99 102 99 102 101 100 100 99 100 100 100

J

~w ^ mbora a maior parce das plantas m J medicinais se possa usar sem È * qualquer risco, existem alguns ca-JL J sos muito concretos, em que certas plainas podem produzir eleitos indesejáveis. Falando em termos farmacológicos, poderíamos dizer rpie algumas plantas apresentam conli a-indi< ações; ou seja, que não se recomenda o seu uso em determinadas situações. Contudo, assinale-se que, ao contrário do que acontece com alguns fármacos, as contra-indicações do uso das plantas não são absolutas e formais, mas apenas relativas. O facto de não serem tomadas cm consideração não produz, geralmente, transtornos graves. Passamos a citar algumas situações ou doenças em que convém evitar o uso de certas plantas, ou pelo menos u.sá-las com precaução.

O café é uma das plantas tóxicas mais usadas no m u n d o . Contém cafeína, um alcalóide que gera dependência.

No seu estado natural, tal
como os mostra a fotografia, os grãos de café náo se tornam tão tóxicos como torrados. Durante o processo da torrefacção, produzem-se substâncias irritantes para o aparelho digestivo, as vias urinárias e o pâncreas.

Precauções nas afecções digestivas
Gastrite Em caso de gastrite, é necessário evitai as plantas que causem irritação sobre o esiómago, por terem sabor forte ou picante, especialmente: cravinho, felo-macho, gengibre, mostarda-negra, pimentão picante e pimenta. Ulcera g a s t r o d u o d e n a l E necessário evitar, especialmente na fase aguda da doença ulcerosa gastroduodenal, as plantas que provocam aumento da secreção de sucos gástricos (as especiarias em geral, as plantas amargas e as aperitivas). 1'". bem sabido que o ácido clorídrico

A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 * Porte: G e II e r o I i d o O

desempenha um importante papel no aparecimento da úlcera, especialmente na do duodeno. As plantas que mais fazem aumentar a secreção de sucos no estômago, e que portanto convém evitar em caso de úlcera gastroduodenal, são: absinto, café, canela, chá, cravo, cúrcuma, feto-macho, genciana, gengibre, mau-, milefólio, mostarda•negra, pimentão picante, poejo, quássia. Colite Sempre que haja inflamação do intestino grosso (cólon), manifestada por gases, fermentações e diarreias (entre outros sintomas), são contia-indicados: • Os purgantes em geral, e especialmente a jalapa, o rícino, <» ruibarbo e o sene-da-índia. • O café, pela acção irritante da sua essência. Oclusão intestinal Km caso de oclusão intestinal são formalmente conira-indicados todos os purgantes, tanto os elaborados ã base de plantas medicinais como os de síntese química. Hemorróidas Quando se sofre de hemorróidas não se
devem ingerir os purgantes com glicósidos tite, cirrose e hepaiopatias (doenças do ligado) em geral, devido à acção dos seus alcalóides.

As sementes do rícino sào muito venenosas, pois a ingestão de três delas pode provocar a morte a uma criança. No entanto, o óleo que se obtém das mesmas sementes é um purgante seguro e eficiente.

Precauções nas afecções cardiovasculares

antraquinónicos, que provocam congestão de sangue na pelve, e portanto fazem aumentaras hemorróidas. Especialmente aloés, cáscara-sagrada, amieiro-negro e ruibarbo. Os picantes como a pimenta ou a
mostarda também são contra-indicados, jã que irritam a mucosa anal, à saída com as

Hipertensão arterial
A bolsa-de-paslor, o caie. <» inale, a pim e n t a e o chã. p o d e m a u m e n t a r a tensão

fezes. Afecções do fígado A tasneirinha, usada como emenagogo,
mrna-se < onti.i-indic ada em «aso de hepa-

arterial. As avelãs também têm um ligeiro eleito hipertensor. O alcaçuz retém líquidos nos tecidos, se for tomado durante
muito t e m p o de forma continuada, e tamb é m p o d e a u m e n t a r a pressão arterial.

I .ogo, lodos os que sofram de hipertensão
devem abster-.se de consumir estas plantas

ou os seus derivados.

9'J

C a p . 5: P A E C A U C Ó E S E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S

V.

Plantas a evitar durante a gravidez
Durante a gravidez devem-se evitar todas as plantas tóxicas de aplicação medicinal descritas na tabela da página 103 e, além disso, aquelas que seguidamente mencionamos:

é muito intenso e podem até provocar hematúria.
Planta Absinto Açafrão Agrião Alcacus Aloés Amieiro-negro Artemísia Boldo Buxo Cafeeiro Cáscara-sagrada Dictamno Jalapa Romãzeira Ruibarbo Salsa Salva Sene-da-índia Tanaceto Pág. Motivo 428 448 270 308 694 526 624 390 748 178 528 358 499 523 529 583 638 492 537 Emenagogo, risco de aborto Risco de aborto em doses elevadas Risco de aborto Produz hipertensão e edemas, em uso continudado Ocitócico, provoca contracções uterinas Laxante/purgante, provoca contracções uterinas Emenagoga, risco de aborto Embora não haja provas, poderá afectar o feto Pode produzir vómitos e irritação nervosa Diminui o crescimento do feto Laxante/purgante, produz congestão da pelve Emenagogo, risco de aborto Purgante e emenagoga, risco de aborto Alcalóides tóxicos (a casca), possível afectação do feto Purgante, produz congestão da pelve Emenagoga, risco de aborto Ocitócica, contrai o útero Purgante, provoca contracções uterinas Emenagogo (tuiona), risco de aborto

A d e n o m a da próstata Quem sofra de um adenoma da próstata terá de evitar os diuréticos potentes (milho, cavalinha, cie.) especialmente à noite, que é quando a dificuldade paia urinar é mais acentuada.

Precauções em afecções diversas
Bócio hipotiróide Quem sofra de bócio hipotiróide deve evitar a couve, pois tem efeito antitiróide (diminui a função da liróide). Em geral, recomenda-se não usar a couve de forma diária ou continuada durante mais de dois ou três meses. Cálculos renais ou urinários Em caso de lilíase (cálculos ou pedras) renal ou urinária, é necessário evitai as plantas ricas em ácido oxálico ou oxalalos (formadores de cálculos), como a aleluia, as azedas e o ruibarbo. Debilidade

Doenças do coração Desde que se sofra de qualquer transtorno cardíaco, é necessário evitar o uso de café, chá, chocolate e mate, inclusive como plantas medicinais, pelo efeito excitante da cafeína e da teobromina sobre o coração.

Precauções em afecções urogenitais
N e frite As bagas do zimbro e OS caules do espargo são contra-indicados no caso de inflamação dos rins (nefrite, glomerulonefrite, pielonefrite), porque o seu efeito diurético

Nos casos de debilidade são contra-indicadas a casca da romãzeira e o rizoma do feto-macho. Nervosismo As plantas ricas em essências (especialmente eucalipto e salva) produzem irritabilidade nervosa quando se ultrapasse a dose terapêutica. Daí que se desaconselhe o seu uso por pessoas nervosas ou irritáveis.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I 1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

V

s/,.

Plantas abortivas
Atenção: Nenhuma das plantas que citamos como possuidoras de efeito abortivo são adequadas para provocar um aborto. Existe um velho aforismo atribuído a Hipócrates, que adverte: "Não existem abortivos, o que há são tóxicos para a mãe e para o feto." Para provocar um aborto com qualquer destas plantas é necessária uma dose tão elevada que, com toda a certeza, produzirá uma intoxicação da mãe, com graves efeitos indesejáveis: cólicas intestinais, vómitos, excitação nervosa, convulsões, etc. Tem havido casos de mulheres grávidas que morreram quando tentavam provocar em si mesmas um aborto com plantas. Quando indicamos "risco de aborto" na tabela das plantas (pág. 100), não queremos dizer que se trate de uma planta abortiva em termos absolutos, mas que aumenta o risco de sofrer um aborto em mulheres já predispostas a ele por alguma razão, seja ou não conhecida.

Tentar provocar um aborto ã base de plantas tóxicas

representa um risco de morte
para a mãe, ao mesmo tempo que para o feto.

W

'V

Precauções na menstruação e na gravidez
Menstruação A.s plantas que contêm glicósidos antraquinóniros, de acção purgativa, produzem unia congestão do sangue nos órgãos pél-

vicos, e alem disso contraem a musculatura do útero. Sc forem usadas durante as regras ou nos dias que as antecedem, podem provocar dolorosos espasmos merinos. São elas: aloés, amieiro-negro, cáscara-sagrada, quássia, ruibarbo e senc-da-índia. As doses elevadas de alho, cru ou em extractos, podem aumentar notavelmente as hemorragias menstruais, pela sua acção fluídificante do sangue (ver pág. 230).

101

C a p . 5: PRECAUÇÕES E TOXICIDADE DAS PLANTAS

Precauções relacionadas com a infância
Lactação Ilá certas plantas q u e as mulheres que a m a m e n t a m d e v e m evitar, ciado que <»s seus princípios activos:
As crianças, assim como as grávidas, devem ser muito

prudentes no uso de
qualquer planta ou

medicamento.

Gravidez

• Passam para o leite e p o d e m prejudicar o b e b é : absinto, buxo. café, mate, cascava-sagv«\d<\, amieivo-negro e, em geral, Iodas as plantas perigosas cm doses elevadas, ou seja q u e são potencialmente tóxicas (ver pág. 104). • Passam para o leite e. ainda que não sejam tóxicos, lhe c o m u n i c a m um sabor amargo: artemísia, genciana c. em geral, iodas as plantas amargas. • Diminuem a p r o d u ç ã o de leite: amieiro, cana c o m u m , salva e p e n u n c a .

D u r a n t e :i gestação são contra-indiçadas cm geral iodas as plantas medicinais tóxicas (ver pág. 103), pelo risco de provocarem malformações no feto ou um a b o r t o .

Mas. além das plainas c l a r a m e n t e tóxicas, na gravidez convém evitar as q u e figuram na tabela da página 100. As q u e aparecem nesta tabela são plantas cie uso habitual, q u e não apresentam efeitos tóxicos. No e n t a n t o , nas m u l h e r e s grávidas p o d e m ter eleitos indesejáveis.

Infância Em geral é preciso ter muita prudência q u a n d o se administram plantas medicinais às c r i a n ç a s . K necessário evitar todas as plantas tóxicas (ver pág. 103) e, por pre(fonliiiua na búgfnã 106)

A importância da dose
Nas plantas tóxicas (como por exemplo a dedaleira), a dose tóxica é muito próxima da dose terapêutica, pelo que a margem de manobra se toma muito estreita. Uma dose dupla da recomendada como terapêutica pode produzir efeitos tóxicos, e uma tripia pode ser mesmo mortal. No entanto, nas plantas não tóxicas {como por exemplo o tomilho), podem-se tomar doses dez vezes maiores do que as recomendadas sem que se produzam sintomas importantes: e a dose mortal não existe, ou seja, que por muita quantidade que se tome destas plantas, não há risco de se provocarem efeitos irreparáveis. Planta Digital (exemplo de planta tóxica) Tomilho (exemplo de planta não tóxica) Parte utilizada Pó das suas folhas secas Sumidades Dose terapêutica 1 g (para um dia) 20 g (para um dia) Dose tóxica 2 g (vómitos, braquicardia, diarreia) 200 g (sintomas leves: excitação, náuseas) Dose mortal 3 g (suores frios, convulsões, alterações do ritmo do coração e paragem cardíaca) Não existe

102

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 1 " F^.irle: G e n e r a l i d a d e s Deúaleira

I

Plantas tóxicas de aplicação medicinal
As plantas que a seguir se registam são de uso restrito a determinadas doenças, e de preferência sob vigilância médica. O uso indevido destas plantas pode produzir intoxicações graves; no entanto, a sua utilização correcta pode resolver graves transtornos e até salvar a vida de um doente. Planta Acónito Arnica Beladona Briónia Cânhamo Castanheiro•da-índia Cicuta Coca Cólquico Consolda-maior Dedaleira Doce•amarga Éfedra Erva-moura Pág. Parte utilizada 148 Raiz 662 Flores, raiz 352 490 Folhas, raiz Raiz, bagas Princípio activo Alcalóide: aconitina Óleo essencial Alcalóides: atropina, hiosciamina Alcalóide: brionma Canabmóis Escuhna, saponinas Alcalóide: coniina Alcalóide: cocaína kt**iuA*. colquic.na Wcalo.de.*,J,...IAI«» Alcalóide e glicósido Glicósidos Alcalóide: solanina Alcalóide: efedrina Alcalóide: solanina Saponinas, glicósidos Alcalóides: hiosciamina. atropina Glicósido: evonimina e™„„ „ . . baponinas Glicósido: folineriina Protoanemonina Alcalóides: atropina, escopolamina Alcalóide: diosgenina Glicósido Aplicação medicinal Anestésico, dores insuportáveis Vulnerária (só em uso externo) Asma, cólicas, dilatação da pupila (em preparados farmacêuticos) Antigamente usava-se como purgante (hoje não se usa nem interna nem externamente) Analgésico contra nevralgias e dores reumáticas (em uso externo) Emoliente, cosmético (só em uso externo) Analgésico, sedante: dores insuportáveis, cancro, nevralgias (uso interno e externo) Estimulante, mal da montanha
farmacèu,icos)

Efeitos tóxicos em uso interno Paralisia nervosa Vómitos, vertigens, convulsões Taquicardia, delírio, convulsões A raiz é muito irritante. As bagas são mortais Alucinações, loucura j Vómitos, diarreias, hemólise Vómitos, paralisia muscular, paragem respiratória Anestésico local Vómitos, diarreia, paralisia Paralisia nervosa Náuseas, vómitos, bradicardia, paragem cardíaca Vómitos, diarreia, transtornos nervosos Estimulante do sistema nervoso simpático Vómitos, diarreia, transtornos nervosos. Bagas doces mas tóxicas Vómitos e diarreias Alucinações, transtornos mentais Diarreias, transtornos cardíacos Folhas: reacções alérgicas. Bagas: muito tóxicas Transtornos cardíacos. Paragem cardíaca Irritante digestivo Alucinações, taquicardia, paragem cardíaca Vómitos, diarreia Vómitos, diarreia

152 Folhas 2511 Sementes 155 Frutos, (olhas 180 Folhas

666 Toda a planta 732 Toda a planta

Acalma as crises de gota (em preparados

Cicatrizante e emoliente (só em uso externo) Insuficiência cardíaca (em preparados farmacêuticos) Emoliente, cicatrizante (só em uso externo) Asma e alergias (em preparados farmacêuticos) Emoliente, alivia comichões (só em uso externo) UM contra as hemorróidas Asma, cólicas (uso interno e externo) Cardiotónico. Contra a sarna (uso externo) Cicatrizante, analgésica (as folhas, em uso
externQ)

221 Folhas 728 Caules, folhas 303 Caules
729 Folhas, caules Toda a planta Folhas Frutos Bagas, folhas
Flores

Escrolulária 543 Estramónio Evónimo Hera Loendro Malmequerdos-breps Meimendro•negro Norçapreta Viburno 157 707 712 717

Cardiotónico muito activo. Contra a sarna (em uso externo) Revulsivo, anti-reumático (só em uso externo) Anestésico, narcóticos (uso interno e externo): dores insuportáveis Vulnerária (só em uso externo) Desinflama a boca (só em bochechos)

665 Toda a planta 159 Folhas 679 Bagas, raiz 199 Folhas, bagas

103

C a p . 5: PRECAUÇÕES E I O X I C I 0 A O E DAS PLANTAS

Plantas perigosas somente em doses elevadas
O uso das plantas que a seguir se registam não apresenta riscos especiais, desde que se respeitem as doses indicadas na página correspondente.

P

Hortelã-pimenta

^M J^

Planta Abeto-branco Absinto Açafrão Adónis-da-itália Anémona-hepática Anis-estrelado

Pág. Propriedades 290 Balsâmica, revulsiva 428 Digestiva, vermífuga, emenagoga 448 Digestiva, emenagoga 215 Cardiotónica 383 Hepática, vulnerária 455 Digestiva, carminativa

Efeitos secundários Irritação do sistema nervoso pela terebintina Tremores, convulsões, delírio, vertigens: causados pela essência tuiona Transtornos nervosos e renais; abortivo Náuseas, vómitos, diarreia Intolerância digestiva Delírio, convulsões: causados pela essência anetol Irritação do estômago Irritação nervosa devida à essência Vómitos, diarreia Transtornos do sistema nervoso Gastrenterite Sonolência, sedação Vómitos, transtornos nervosos Gastrite, arritmias cardíacas, dependência Náuseas, vómitos Náuseas, vómitos, arritmia Intolerância gástrica Taquicardia, nervosismo, dependência Excitação nervosa pela essência Convulsões Erupções, nefrite Irritação do estômago Obnubilação mental, depressão respiratória, dependência Intolerância digestiva Cólica intestinal Gastrenterite, hematúria, transtornos nervosos devidos a essência Irritação gástrica Convulsões pela essência Excitação nervosa, hipertensão Nervosismo Vómitos, diarreia Vómitos, cólicas intestinais Alterações cardíacas Fotossensibilização Convulsões pela essência Irritante para a pele

Aristolóquia
Arruda Artemísia Ásaro Bérberis Betonica Boldo Buxo Cafeeiro Calumba Cebola-albarrã Celidónia Chá Coentro Condurango Copaiba Cravinho Dormideira Erva-formigueira Espinheiro-cerval Eucalipto Feto-macho Funcho Giesta Ginseng Globulária Gracíola Grindélia Hipericão Hissopo Hortelã-pimenta Ipecacuanha

699 Emenagoga, vulnerária, antkeumática
624 Emenagoga, aperitiva 432 Emética, purgante 384 Colagoga, cardiotónica 730 Adstringente, vulnerária 390 Colerética, digestiva 748 Sudorífica, febrífuga 178 Estimulante, cefaleias 446 Digestiva, antidiarreica 296 Cardiotónica 701 Antiespasmódica, colerética, sedativa 185 Estimulante 447 Digestiva, carminativa, tonificante 454 Aperitiva 571 Anti-séptica urinária 192 Estimulante, anti-séptica, analgésica 164 Analglésica, sedativa 439 Digestiva, anti-helmintica 525 Purgante 304 Balsâmica, anti-séptica 500 Vermífuga 360 Carminativa, digestiva 225 Cardiotónica, ocitocica, diurética 608 Tonificante 503 Purgante, colagoga 223 Cardiotónica 310 Antiespasmódica, expectorante 714 Vulnerária, balsâmica, digestiva 312 Expectorante, carminativa 438 Emética, expectorante

637 Ocitocica, emenagoga, antiespasmódica Risco de aborto, reacções alérgicas na pele

366 Digestiva, colerética, anti-séptica, tonificante Insónia, irritabilidade, espasmos da laringe em crianças (essência)

104

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 •' Parte: G e n e r a l i d a d e s

Planta Lírio-dos-vales Mostardanegra Pilriteiro Pimenta-dágua Pimenteira Pinheiro Podofilo Polígala da virginia Quássia Romãzeira Salsaparrilha-bastarda Salva Sanamunda Satitónico Saponãria Sassafrás Selo-de-salomão Tanaceto Tasneirinha Trevo-cervino Trevo-d'água Visco-branco

Pág. Propriedades 218 Cardiotónica 663 Rubefaciente. anti-reumática 219 Cardiotónica, sedativa 274 Hemostática, cicatrizante 370 Tónica digestiva 323 Balsâmica, anti-reumática 517 Purgante, antimitótica 327 Expectorante 467 Digestiva, febrífuga 523 Vermífuga 592 Diurética, depurativa 638 Anti séptica, tonificante, emenagoga 194 Adstringente, disgestiva 431 Vermífuga 333 Expectorante, diurética 678 Sudorífica, diurética, depurativa 723 Diurética, vulnerária, hipoglicemiante 537 Vermífuga, emenagoga 640 Emenagoga 388 Colerética, depurativa 463 Aperitiva, febrífuga 246 Hipotensora, vasodilatadora

Efeitos secundários Vómitos, diarreias Gastrite Bradicardia, depressão respiratória Irritação digestiva Irritação digestiva, sangue na urina, hipertensão Irritação do sistema nervoso pela essência Diarreia Náuseas e vómitos Vómitos Tremores musculares e paralisia (a casca) Náuseas, vómitos Convulsões, trantornos nervosos pela essência Intolerância gástrica Nervosismo Irritação digestiva Convulsões pela essência Transtornos nervosos Vómitos, convulsões Possível toxicidade sobre o fígado Vómitos Diarreia, vómitos Vómitos, hipotensão, transtornos nervosos

O loendro ('Nerium oleander' L.) é um exemplo de planta tóxica de aplicação medicinal. A ingestão de duas das suas folhas pode provocar a morte por paragem cardíaca. No entanto, as flores são muito apreciadas contra a sarna, aplicadas em cataplasmas sobre a pele.

O selo-de-salomáo (Polygonatum odoratum' Druce) é um exemplo de planta perigosa somente em doses altas. Se se respeitarem as doses indicadas da sua parte medicinal, o rizoma, não há perigo de intoxicação,

105

C a p . 5: PRECAUÇÕES E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S

Viscobranco jMo^^^' >

Plantas com alguma parte tóxica

'

As plantas que a seguir se registam tèm uma parte medicinal e outra parte venenosa. Convém saber distingui-la* para evitar intoxicações. Planta Abrunheiro-bravo Asclépia Cersefibastardo Colútea Fitolaca Lirio-dos-vales Noveleiro Rícino Selo -de-salomão Teixo Viscobranco Pãg. 372 298 243 498 722 218 642 531 723 336 246 Parte medicinal Frutos Raiz seca Casca Folhas, raiz Folhas Raiz Folhas, flores Casca seca Óleo (sementes) Rizoma Cúpula carnosa das sementes Folhas Parte tóxica

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'l W
Plantas tóxicas de aplicação medicinal
O q u e n e m todos sabem é q u e algumas

Sementes (o miolo) Folhas, caules Folhas Sementes, frutos Sementes Bagas Bagas Bagas Sementes inteiras Bagas, folhas 0 resto da planta Bagas

Cerejeira-da-vírgínia 330

desias plainas, qualificadas como tóxicas, também podem curar graves doenças e inclusivamente salvar a vida. A mesma planta pode malar ou pode < mar. Como pode uma planta ser tóxica e medicinal ao mesmo tempo? Para que uma destas plantas lenha efeitos medicinais, é preciso: 1. Que a dose seja correcta; 2. Que seja bem indicada para a doença daquele que a toma. A mesma dose que para um indivíduo doente é curativa, para um são poderia ler efeitos IÓXÍCOS. As plantas que citamos na tabela da página 103 constituem remédios drásticos que se devem usar unicamente em doenças graves que assim o exijam. Nestes casos concretos, são de um grande valor terapêutico. Como agradece o doente do coração, que se sente asfixiar, uma infusão de dedaleira ou um medicamento preparado com os seus glicósidos! O mesmo poderíamos dizer de quem sofre um ataque de artrite gotosa, no que respeita à colquicina do cólquico. No entanto, uma mesma dose destas plantas pode ter efeitos tóxicos indesejáveis numa pessoa saudável ou que não precise dirias. As doses têm de estar bem calculadas, para se manterem dentro da estreita margem terapêutica destas plantas, já que a sua dose tóxica é um pouco superior à respectiva dose terapêutica. K desejável que as plantas tóxicas de acção medicinal a que nos referimos sejam preparadas e administradas por profissionais. De facto, actualmente, muitas delas (arnica, beladona, coca, cólquico, dedaleira. êfedra) adminisiram-se unicamente em Forma de preparados Farmacêuticos, perfeitamente dosi ficados. Alguma destas plainas só se empregam em aplicações externas. Apesar disso, citamos os seus eleitos tóxicos por via interna

n imlhiiMção rlri página 1<>2>

caução, também as que são perigosas em doses alias (ver pág. 104). Por exemplo, não convém administrar às crianças: absinto, buxo. romã/.eira (casca), santónico e Feto-macho.

A toxicidade das plantas medicinais
A maior parle das plantas medicinais não são tóxicas e podem tomar-se com menor risco do qualquer fármaco de síntese química. Toda a gente sabe. no entanto, que existem plantas venenosas. Segundo os especialistas em toxicologia vegetal, calcula-se em 700 as espécies de plantas mortíferas que crescem no planeia Terra. A mais famosa de iodas talvez seja a cicuta, que causou a morte rio sábio grego Sócrates no século V a.C. Muitas ounas têm sido utilizadas ao longo da história por envenenadorcs profissionais «ai pelos Fabricantes dos outrora Famosos "pós de herdar."

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 ' P.irle: G e n e r a l i d a d e s

como informação. Aplicadas localmente", plainas como o acónito, o cânhamo, a cicuta e o meimendro-negro, por exemplo, têm um poderoso efeito anestésico em d<>res de difícil tratamento, causarias por cancro ou nevralgias, mas terão de ser usadas com muita prudência, inclusive quando se aplicam localmente, pois os seus princípios activos também se absorvem através da pele. Plantas perigosas u n i c a m e n t e em doses elevadas Há outro grupo de plantas cujo uso em doses alias pode produzir efeitos secundários indesejados. São plantas potencialmente tóxicas; mas desde que se respeitem as doses indicadas, e se u n h a m em conta as precauções assinaladas, podem-se usai sem perigo. Plantas c o m partes tóxicas Existem plantas que produzem princípios medicinais nalgumas das suas partes, c substâncias lóxicas sem nenhuma aplicação terapêutica, noutras. Convém conhecê-las. para evitar intoxicações acidentais por engano (ver tabela, pá»;. 10b) Plantas q u e frescas o u s e c a s são tóxicas Há plantas que se devem usai quer unicamente frescas, quer unicamente secas. paia evitar a presença ou a formação de substâncias tóxicas (ver págs. 47 e 50).

de- intoxicações, cujos resultados podem chegar a ser lalais. K muito importante saber como prevenir os envenenamentos por plainas, e o modo de actuar cm caso de se lerem produzido. Causas d a s i n t o x i c a ç õ e s As inioxicações por plantas costumam produzir-se na maior parle dos casos: • por se confundir uma planta venenosa com uma medicinal, ou • pela administração de uma dose excessiva de uma planta potencialmente tóxica. Prevenção Primeiro que ludo, o ideal ê evitar que se produza uma intoxicação. Para isso, ê necessário: 1. Identificar sem nenhuma dúvida qualquer planta, antes de a tomar. E preciso ser-se prudente com algumas plantas oferecidas ou indicadas por pessoas pretensamente "entendidas" em ervas. 2. Pesar as doses tia planta administrada. .'S. Vigiar as crianças nas saídas ao campo. A maior parte dos casos de intoxicação dáo-se com crianças (pie chupam ou mordiscam Mores e plantas.

A maior parte das intoxicações por p/antas produz-se em crianças de tenra idade que, por ocasião de uma saída ao campo, chupam ou mordiscam frutos, flores ou folhas venenosas, sem que os pais se dêem conta disso.

As intoxicações por plantas
Não c estranho que, por diversas causas. se produzam acidentes tóxicos relacionados com o uso das plantas em geral, c das plantas medicinais em particular. As crianças são as mais implicadas neste tipo

107

3

C a p . 5: P R E C A U Ç Õ E S E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S

Confusões frequentes entre plantas

Quando se colhem certas plantas, deve-se ter cuidado para não confundi-las com outras parecidas, mas tóxicas. Estas são algumas das plantas que se podem confundir por parecença com outras, causando intoxicações acidentais.

Planta Castanheiro Rabanete e Rábano Sabugueiro Sabugueiro Salsa Verbasco

Pág. 495 393 767 767 583 343

Parte usada Sementes Raiz Bagas Bagas Folhas Folhas

Confunde-se com Castanheiro-da-india Acónito Beladona Ébulo Cicuta Dedaleira

Pág. 251; 148 352 590 155 221

4. Não plantar espécies tóxicas em jardins ou em lugares ao alcance das crianças. S i n t o m a s gerais Uma vez ingerida a planta venenosa, os sintomas de intoxicação podem demorar a manifestar-se, desde alguns minutos até mesmo três dias (como no caso das sementes de rícino). Ainda que possam ser muito variados, os sintomas mais frequentes são: • sensação de irritação ou de ardência na garganta; • náuseas c vómitos; • dores de cabeça, visão confusa, dificuldade de movimentos e convulsões. C o m o agir em caso de intoxicação /. Guardar uma certa quantidade como amostra Dcvcm-se tomar amostras da planta ou das plantas de que se possa suspeitar terem sido a causa da intoxicação, paia que sejam identificadas por especialistas. 2. Provocar o vómito Normalmente, muitas plantas tóxicas já provocam vómitos. Mas se estes não surgirem ou não forem suficientes para expulsai o conteúdo do estômago, terão de ser provocados:

• estimulando a garganta com os dedos, com uma colher, ou com uma pluma embebida em Óleo ou azeite, ou então • dando a beber uma colher de xarope de ipecacuanha. O vómito não deve ser provocado mis seguintes casos: • quando já se tenham passado mais de três ou quatro horas depois da ingestão, • quando o doente já esteja a vomitar de forma eficiente, • quando esteja entorpecido ou inconsciente (poderia sufocar-se). 3. Praticar uma lavagem ao estômago Faz-se com a ajuda de uma sonda introduzida através da boca ou do nariz. Deve ser praticada por um profissional de saúde. 4. Administrar carvão vegetal É um antídoto de uso geral, muito útil no tratamento urgente das intoxicações por via digestiva. Obtém-se após a combustão da madeira de laia, eucalipto, choupo-negro ou de outras árvores (ver pág. 761). O carvão chama-se 'activado' (punido foi preparada num laboratório especializado pata aumentai o seu poder de absorção. Apiescnta-sc em forma de comprimidos ou cápsulas, de que se- podem tomar de 2 a 20, ou até mais. Também se vende em pó. O carvão vegetal não deveria faltar em nenhuma caixa de medicamentos. Km ca» i de urgência pode-se dar a mastigar ao intoxicado qualquer pedaço de carvão de madeira de uma árvore não tóxica, ou até mesmo um pedaço de pão queimado. O carvão vegetal tem uma extraordinária capacidade de- absorver (isto é. de reter na sua superfície) substâncias químicas que depois se eliminam com as fezes, que adquirem a cor negra. Também se administra, com excelentes resultados, em caso de diarreia ou de fermentação intestinal, para absorver as toxinas.

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A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E O I C I H A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Troncos de eucalipto prontos para serem queimados com o fim de obter carvão vegetai. Este náo deveria faltar em nenhuma caixa de medicamentos, por ser um antídoto e antidiarreico muito eficaz.

O carvão vegetal não substitui <> vómito nem a lavagem ao estômago. Na realidade, para se obter melhor resultado, recomenda-se esvaziar primeiro o estômago por meio de um destes dois métodos, e depois administrar o carvão vegetal. Quanto menos for a quantidade de planta venenosa que fique no estômago, tanto mais eficiente será O antídoto aplicado.
5. Administrar outros antídotos

Existem antídotos específicos para alguns tóxicos, que costumam ser também outros tóxicos de acção contraria. Por exemplo, o antídoto da cicuta é a estrienina. O seu uso correcto é muito difícil, e está reservado a médicos e farmacêuticos. 6. Como agir nos casos mais graves Colocar o paciente deitado com a cabeça voltada para um dos lados, para o caso de vomitar. Tapá-lo com um cobertor. Vigiar os movimentos respiratórios e aplicara respiração artificial se for necessário. 7. Assistência hospitalar Todas estas ou enquanto Em nenhum ferência para medidas são para casos leves, não se chega a um hospital. caso se deve atrasai a transum hospital.

Os sais de magnésio e a clara de ovo também se usam t o m o antídotos universais, embora a sua eficácia seja muito menor que a do caixão. Nenhum óleo se deve usar tomo antídoto, já que pode favorecer a dissolução, e portanto maior absorção de certas toxinas. O leite tem sido usado como antídoto, embora sem um suficiente fundamento químico, pelo que não podemos recomendar o seu uso.

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DA PLANTA AO MEDICAMENTO
Das plantas aos medicamentos de síntese química
No século I d . C , o médico e botânico grego Dioscórides escreveu uma obra que abrangia iodos os remédios que a natureza oferece, com particular insistência nas plantas medicinais (descrevem-se cerca de 600). Os seus discípulos loiam-na ampliando depois, ate atingir seis volumes. Esta extraordinária obra, conhecida como Matéria Médica de Dioscórides, ou simplesmente "o Dioscórides", foi o livro de texto básico para todos os médicos ocidentais durante mais de 1700 anos. Segundo Foni Quer, a sua difusão só foi ultrapassada pela da Bíblia. Servia como receituário ou vade-mécuin, no qual se consultavam as plantas e remédios úteis paia cada doença. Li/.cram-se diversas traduções para o latim e o italiano, que tiveram ampla divulgação em toda a Europa. A tradução mais importante para o castelhano
foi a (pie fez o Di. And rés de Laguna, no

Actualmente, segundo o "Boletim da Organização Mundial de Saúde" |vol 65, pág. 1 59). mais de 2 5 % dos medicamentos, nos laboratórios de farmácia de todo o mundo, procedem directamente das plantas.

século XVI. Km Portugal, e também no século XVI, o principal comentador das obras de Dioscórides foi o Dr. Amato Lusitano. Com o progresso da química e o surgimento da farmacologia, a partir do século XVIII, os médicos foram substituindo a pouco e pouco as suas receitas ã base de plantas, baseadas no "Dioscórides". por prescrições ã base de produtos químicos extraídos das plantas. • Lm 1803, um jovem farmacêutico alemão. Seriúrner, isolou um alcalóide a partir do ópio da dormideira, a que chamou morfina, recordando o nome de Morléu. deus grego do sono. • Lm 1817, isolou-se o princípio activo da ipecacuanha, a emetina. • O químico alemão Hoffmann obteve a aspirina a partir da casca do salgueiro, em meados do século XIX. • Lm 1920 os farmacêuticos franceses IVlletier e ('aventou isolaram a quinina a partir da árvore da quina. Descobertos e isolados os princípios activos ílas plantas, pensou-se que com eles se podiam substituir as velhas receitas ã

110

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

I

Diferenças entre plantas e medicamentos
Medicamentos à base de substâncias purificadas Plantas medicinais Os princípios activos das plantas absorvem-se em geral com maior facilidade que os seus equivalentes inorgânicos, obtidos por síntese química. Isto deve-se a que, por se tratar de moléculas orgânicas (ou seja, que já fazem parte de um organismo vivo: a planta), atravessam mais facilmente a mucosa intestinal do que as substâncias inorgânicas ou minerais. Apresenta diferenças segundo a variedade, terreno e época de colheita, o que pode dificultar o tratamento com plantas que contenham substâncias muito activas ou tóxicas (por exemplo: dedaleira, beladona, etc). Depende da combinação de todas as substâncias activas da planta, que se reforçam ou equilibram mutuamente. O conjunto da planta torna-se mais activo do que os seus componentes em separado. Acção mais lenta mas mais persistente, sem efeito de "ricochete" nem resistências. Na maior parte das plantas não existem ou são pouco importantes, por ser muito baixa a concentração de princípios activos. A planta em estado natural, mesmo no caso das estupefacientes, é menos perigosa do que o principio activo purificado. As plantas sedativas suaves (passiflora, valeriana, etc.) não criam dependência, ao contrário dos tranquilizantes químicos.

Absorção

Limitada em caso de substâncias químicas inorgânicas ou minerais.

Dose de Conhecida com exactidão. princípio activo

Acção Depende de uma substância quimicamente pura terapêutica Maior que a das plantas, mas com o risco do possível Rapidez de aparecimento de um efeito de "ricochete" (aumento dos acção sintomas depois de ter passado o efeito do medicamento administrado), ou de resistência a médio ou longo prazo. Efeitos Podem ser importantes, e não completamente conhecidos até secundários e que tenham sido usados durante vários anos. tóxicos Reacções alérgicas perigosas. É maior quanto mais purificada ou tratada quimicamente tiver
sido a substância activa. E o caso da morfina (principio activo

Risco de criar isolado), que se torna muito mais perigosa do que o ópio dependência (substância natural). A heroina (derivado químico da morfina) tem ainda uma maior toxicidade e uma maior capacidade de criar dependência do que a morfina.

Quanto mais se manipula e processa um produto vegetal, tanto mais se isolam e concentram os seus princípios activos. Deste modo se consegue uma maior eficácia para certos casos concretos, ainda que com a desvantagem de se perderem as propriedades globais da planta.

111

C a p . 6: O U U N D O V E G E T A L

mas mostrani-sr inadequados nos casos crónicos, como por exemplo as doenças reumáticas, pelos transtornos digestivos e outros efeitos secundários que provocam.

Retorno ao natural
Nos últimos anos redescobriu-se o valor dos remédios naturais, c a medicina volta a fazei* um uso cicia vez maior das plantas curativas. Foi possível comprovar que, embora O seu eleito possa parecer mais lento, os resultados são melhores a longo prazo, especialmente em doenças crónicas. A medicina e a botânica têm estado sempre intimamente unidas, ainda que, durante uma certa época, a química farmacêutica tenha gozado de maior protagonismo. Calcula-se que, actualmente. 25% dos medicamentos prescritos contêm pelo menos uma planta ou alguma substância derivada dos vegetais. Esta proporção vai aumentando, à medida que se investigam e si' conhecem melhoras plantas medicinais. base de plantas. As substâncias puras eram mais potentes, fáceis de dosificar, e a sua administração em forma de cápsula, comprimido ou outra, tornava-se mais cómoda. ()s êxitos fia química farmacêutica fizeram esquecer até há poucos anos os remédios naturais, ou seja as plantas medicinais tal como a natureza as oferece, e até os seus rxirácios e preparados. Mas a euforia cio êxito da química fat'macêuiica náo durou muito. Ao contrário do que a princípio parecia, por exemploi os cada vez mais potentes antibióticos sintéticos não foram capazes de acabar por completo com as doenças infecciosas. V. certo que, graças a eles, se têm salvado muitíssimas vidas, mas também c certo que aumentaram enormemente as resistências, alergias e outros eleitos indesejáveis. Os potentes corticóides e fármacos anti-inílamatóríos podem resolver um caso agudo. Certamente, a ciência médica actuai não pode- prescindir dos potentes fármacos de síntese química. Contudo devem-se usar com cautela, i eservando-os para os casos mais agudos ou difíceis; pois em certas ocasiões, embora proporcionem um alívio imediato, náo curam a doença, e além disso têm importantes efeitos indesejáveis. "Prímum mm nocere", isto é. em primeiro lugar não causes dano. sentencia o famoso aforismo médico. O leitor sofre de insónia? Então experimente a valeriana, a passillora ou o pi Inteiro; que, ao contrário do que acontece com os sedativos químicos, não diminuem os reflexos nem criam dependência. Sofre de dores reumáticas? Tente aliviálas com o harpagófíto, o salgueiro ou o alecrim, antes de se arriscai a sofrer uma gastrite ou uma úlcera de estômago com os fármacos anti-reuinálicos.

Quando, na primeira metade do sécuio XX, os
notáveis progressos na produção de medicamentos de síntese química tomaram o lugar dos remédios vegetais, pareceu que a fitoterapia chegava ao seu fim. Contudo, actualmente está-se a redescobrir o valor das plantas medicinais, que são

tanto ou mais eficientes
que os fármacos, e com menos contra-indicaçõeS-

112

A SAÚDE PELAS FLAUTAS UEO<C'»Al S
1"' P a r t e : G e n e r a l i d a d e

Primeiro a palavra; depois a planta; em último caso a faca!" Aforismo médico grego Muitos medicamentos actuam como autênticas facas químicas, cujo uso poderia evitar-se usando a palavra (psicoterapia) ou as plantas medicinais (fitoterapia).

Sofre de prisão de ventre crónica? Use o sene-da-índia, a malva ou as sementes de linho, em vez dos laxantes químicos, se quiser evitar unia colite crónica com perda de potássio. Os tratamentos aplicados para fazer frente à doença devem ser proporcionais à sua gravidade ou malignidade. Diz um aforismo grego: "Primeiro a palavra; depois a planta; em último ais», a /ara!" Alguns medicamentos de síntese química são "Facas" que poderiam evitar-se utilizando sabiamente a palavra (psicoterapia) ou as plantas medicinais (fitoterapia). E, logo à partida, o melhor de tudo é seguir um estilo de vida saudável e uma alimentação correcta; algo que nunca poderá sei substituído, nem pelas plantas medicinais nem pelos medicamentos.

Plantas medicinais e medicamentos de plantas
Os medicamentos normalmente apresentam certos inconvenientes. Claro que as plantas medicinais, colhidas e receitadas de forma empírica por "amadores", também podem tornai-se perigosas. E possível que o ideal sejam os preparados à base de plantas correctamente identificadas, ou os seus extractos, dosificados e preparados por um profissional farmacêutico, segundo prescrição de um médico conhecedor das suas propriedades. I.sia é a fitoterapia científica para que modernamente se tende, e que finalmente acabará com a divisão um tanto artificial entre plantas e medicamentos.

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Como obter os melhores resultados com as plantas
Os melhores resultados para a saúde obtêm-se usando as plantas em combinação com outros agentes naturais de acção medicinal, como por exemplo a água (hidroterapia), o mar (talassoterapia), o sol (helioterapia), as terras medicinais (geoterapia), o exercício físico e a alimentação saudável, baseada em produtos vegetais. Além disso, é necessário praticar hábitos de vida sadios, como a abstinência do tabaco, das bebidas alcoólicas e de outras drogas. A acção conjunta de todos estes factores exerce um notável estímulo sobre os mecanismos de defesa e de cura do próprio organismo, que acabarão por ser os que vencem a doença.

Nos remédios vegetais, os princípios activos têm a vantagem de estar acompanhados de muitas outras substâncias, aparentemente inactivas. No entanto, estes componentes que recheiam a planta conferem-lhe, no seu conjunto, uma eficácia e uma segurança superiores às dos princípios activos isolados e purificados. E além do mais, a eficácia das plantas medicinais é aumentada q u a n d o estas se utilizam no quadro de uma cura revitalizadora natural.

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Uma pioneira da moderna fitoterapia
Nos últimos anos do século XIX e nos primeiros do século XX, os médicos ainda receitavam medicamentos à base de substâncias químicas muito enérgicas, algumas então recém-descobertas, que hoje são consideradas venenosas: o calomelano ou cloreto mercuroso (de acção fortemente purgante), o tartarato de antimónio (vomitivo), a estricnina (excitante tóxico), ou os sais de arsénico (contra a sífilis e outras? infecções). Os progressos da incipiente indústria química e farmacêutica, tanto na Europa como nos Estados Unidos, tinham desencadeado um grande entusiasmo social. A contínua descoberta de novos medicamentos cada vez mais potentes, ainda que não menos tóxicos, parecia prometer um futuro próximo em que iria existir um fármaco específico para curar quase qualquer doença. No meio daquele ambiente de euforia farmacológica, quando o interesse de todos os cientistas se dirigia para os medicamentos de síntese química, Ellen G. White, notável autora norte-americana dotada de uma grande capacidade pedagógica e preventiva, escrevia o seguinte: «Há plantas simples que podem ser usadas para o restabelecimento dos doentes, cujo efeito sobre o organismo é muito diferente do efeito dos medicamentos que envenenam o sangue e põem a vida em perigo.»' Esta pioneira da moderna fitoterapia recomendou o uso popular de certas plantas medicinais, adiantando-se assim em mais de cem anos às leis actualmente vigentes na maioria dos países ocidentais, que permitem o livre uso de certas plantas sem necessidade de receita médica: por exemplo, a infusão de lúpulo (como sedativo), os banhos aos pés com mostarda (para descongestionar a cabeça), o carvão vegetal (pelo seu efeito desintoxicante), e o pinheiro, o cedro e o abeto (para as afecções respiratórias). Além de promover o uso racional das plantas medicinais como alternativa aos enérgicos remédios medicamentosos que se usavam naquela época, Ellen G. White fez finca-pé num facto que hoje é bem conhecido pela ciência médica, mas que há um século constituía uma autêntica novidade: A saúde não é fruto do acaso, mas antes a consequência dos hábitos de vida e, em especial, da alimentação. Nos nossos dias ganhou uma maior relevância, se assim se pode dizer, aquilo que foi o seu pensamento central acerca da saúde: Que o uso inteligente dos agentes naturais, como a água. o sol, o ar, as plantas medicinais, os alimentos sãos, assim como a adopção de hábitos saudáveis (exercício físico, repouso adequado, boa disposição mental e confiança em Deus), pode fazer muito mais pela saúde do que os potentes medicamentos de síntese química ou que os tratamentos agressivos.
'Selected Messages. vol. 2. pág. 288: Pacific Press Publishing Association, Mountain View (Califórnia. EUA.). 1969.

O uso adequado das plantas medicinais, j u n t a m e n t e com outros hábitos de vida saudável, podem impedir que as debilidades do nosso organismo evoluam até se transformar em doenças declaradas.

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115

O cacau, estimulante, diurético e cicatrizante (pág. 597).

As plantas medicinais

O aloés, um excelente cicatrizante de feridas (pág. 694).

O milho, alimentício e diurético (pág. 599).

As chagas, uma planta antibiótica

Uma das pirâmides maias de Palenque (Chiapas, México). As grandes culturas autóctones do continente americano, como a maia e a asteca no México, ou a inca no Peru, atingiram um grande desenvolvimento no conhecimento e aplicações das plantas medicinais. O m u n d o inteiro beneficiou das plantas medicinais americanas, como o cacau, o aloés, o milho e as chagas, além das alimentícias, como o tomate ou a batata.

«Rogo a Vossa Majestade que não deixe passar mais médicos para a Nova Espanha (México), pois com os curandeiros Índios já há suficientes.» Assim escrevia Hernán Cortês ao imperador Carlos I de Espanha e V da Alemanha, em 1522. depois de ter sido tratado com êxito pelos médicos astecas a uma ferida na cabeça, que os médicos espanhóis não tinham sido capazes de curar. Evidentemente, os médicos nativos sabiam como tirar bom proveito da rica flora medicinal mexicana, o que lhes dava

uma notável vantagem relativamente aos seus colegas espanhóis. A medicina em geral, e o uso das plantas medicinais em particular, encontravam-se muito desenvolvidos nas culturas asteca, maia e inca, assim como entre os índios povoadores da América do Norte. No México, capital da região do Anahuac, havia grandes jardins botânicos em volta dos palácios do imperador, onde se aclimatavam as plantas de todo o império.

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na América

A equinácea, estimulante natural das defesas (pág. 755).

O hidraste, eficaz contra os catarros (pág. 207).

Vista do Canyon Bryce fUtah, Estados Unidos) cuja espectacularidade se assemelha à do Grand Canyon do Co/orado. Os índios norte-americanos conheciam e respeitavam os recursos que a natureza oferece, especialmente as plantas medicinais. A moderna investigação cientifica pôde comprovar a eficiência de muitas das plantas usadas pelos índios, tais como a equinãcea, o hidraste e a hamamélia.

A hamamélia, tonifica as veias e embeleza a pele (pág. 257).

Refere o doutor José M.- Reverte Coma, professor de História da Medicina da Universidade Complutense de Madrid, que no México antigo existiam diversos profissionais de saúde: • os tlama-tepati-ticitl, médicos generalistas que curavam com plantas, banhos, dieta, laxantes ou purgantes; • os texoxo-tlacicitl, que se dedicavam à cirurgia; • os papiani-panamacani, que apenas tratavam com "ervas". Os exploradores espanhóis ficaram surpreendidos pela grande variedade de novas plantas medicinais -e também alimentares- que encontraram no Novo Mundo. Devemos ao doutor Diego Alvarez Chanca, médico espanhol que acompanhou Colombo na sua primeira viagem à América, a primeira descrição da batata, do cacau, do milho, da mandioca, da copaíba, do guaiaco e do pau-brasil. Outros descobriram a salsaparrilha, o aloés, o podofilo, a qui-

na, a ratânia, a quássia, as chagas e muitas outras plantas de grande interesse medicinal. Durante os séculos XVII e XVIII, partiram da Europa diversas expedições botânicas para estudar a flora medicinal americana, das quais talvez a mais importante tenha sido a dirigida por Jorge Celestino Mutis em 1760. A chegada destas novas plantas medicinais produziu toda uma revolução enriquecedora na terapêutica em uso no Velho Mundo. A quina foi para a medicina o mesmo que a pólvora tinha sido para a arte da guerra. Na actualidade continuam-se a investigar as propriedades curativas de muitas plantas do Novo Mundo, com base nos usos tradicionais que lhes dão os índios nativos. A selva amazónica é um imenso armazém farmacêutico para a humanidade, e muitos dos seus recursos continuam ainda por explorar. Este é mais um motivo, além dos ecológicos e meioambientais, para se zelar pela sua conservação.

117

Como se descobriram as

N o g u e i r a (pág. 505) O interior dos seus frutos mostra uma grande semelhança com a superfície do cérebro. As nozes contém abundante fósforo, elemento importante na bioquímica cerebral e do sistema nervoso. Laranjeira (pág. 153) As suas folhas apresentam um coraçãozinho na base, pelo que se recomendam contra as afecções cardíacas. Dado que sáo sedativas, têm uma acção favorável sobre muitas cardiopatias.

Os antigos acreditaram ser possível intuir as propriedades das plantas a partir das suas características. Esta ideia transformou-se já no tempo de Hipócrates (século V a.C.) na chamada "teoria dos sinais". O próprio Dioscórides foi um dos seus fervorosos defensores. Também Paracelso, ilustre médico e naturalista suíço do século XVI, dizia assim: «Todo o vegetal está assinalado pela natureza; e é bom para aquilo que nos é indicado peio seu sinal.»

sem o mínimo rigor científico. No entanto, é curioso observar como algumas das suas proposições se puderam comprovar cientificamente. Por exemplo: • as nozes são boas para o cérebro, pois contêm abundante fósforo e ácidos gordos insaturados; • a aristolóquia contém efectivamente um alcalóide de acção ocitócica, que contrai o útero; • a arenária é diurética e ajuda a expulsão de cálculos. • o meimendro tem acção analgésica; • e as folhas de laranjeira são sedativas e benéficas para os doentes cardíacos. É claro que também há muitos casos em que a teoria dos sinais falha, por mais atraente e sugestiva que possa parecer. Por exemplo: • as sementes da rosa-canina não servem para tratar os cálculos urinários, apesar da sua semelhança com eles;

A teoria dos sinais
À semelhança de muitos dos seus contemporâneos, o médico espanhol do século XVI Andrés de Laguna, tradutor da Matéria Médica de Dioscórides, acreditava que a tarefa do homem consistia em descobrir os sinais que o Criador tinha deixado nas plantas, como forma de decifrar as suas virtudes. Outros eminentes botânicos e médicos também aceitaram esta teoria dos sinais durante mais de dois mil anos. Actualmente parece-nos uma anedota histórica

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propriedades das plantas |i]

Rosa-canina (pág. 762] Como os seus ramos lembram as presas da queixada de um cão, usaram-se para curar as feridas causadas pelas mordeduras de cães e lobos. Nào se conseguiu demonstrar esta pretendida acção curativa.

Aristolóquia (pág. 699) As suas flores lembram os órgãos genitais femininos (externos e internos), pelo que se usou para facilitar o parto. Sabemos hoje que contém substâncias ocitócicas, que estimulam as contracções uterinas.

• as folhas do trevo-dos-prados não curam as cataratas, apesar da sua mancha branca que lembra o halo duma catarata ocular. Noutros casos, exageraram-se as pretendidas propriedades deduzidas dos sinais de uma planta. Por exemplo, as folhas da consolda nascem muito unidas ao caule, do que Dioscórides deduziu que a planta devia ser um poderoso cicatrizante. E não se enganou, pois pôde-se provar que contém alantoina, substância que nos nossos dias faz parte de numerosas pomadas. Mas no seu entusiasmo de mostrar o valor da teoria, o sábio grego chega ao extremo de dizer que as raízes da consolda «cozidas com carne despedaçada, a juntam e acabam por unir». Não teria sido nada difícil pôr em evidência o exagero de Dioscórides; mas a ciência da antiguidade preferia lucubrar a experimentar. E assim, durante muitos séculos, os médicos recomendavam um banho em água de consolda no dia

anterior à boda, às noivas que pretendiam aparentar uma virgindade perdida.

Da intuição para a experimentação
Actualmente, os enormes progressos da investigação química e farmacêutica tornam desnecessário recorrer à intuição ou à tradição, como acontecia antigamente com a teoria dos sinais. Mas muito mais desaconselhável e até perigoso é o emprego das plantas medicinais baseado na superstição ou na magia, que ainda persiste em determinados sectores sociais. O uso racional e científico das plantas, baseado na experimentação química e farmacológica, é realmente a única maneira segura de utilizar correctamente as plantas medicinais.

119

Como se descobriram as propriedades das plantas (2)
M e i m e n d r o - n e g r o (pág. 1 59) Desde tempos muito antigos tem sido usado para açaimar as dores de dentes, com base em que os seus frutos lembram uma peça dentária, em que o cálice seriam as raizes dentárias. Hoje sáo bem conhecidas as suas propriedades analgésicas e narcóticas.

Pulmonária (pág. 331J As folhas da pulmonária lembram a forma de um pulmão. Os antigos usaram-na. de forma empírica, para tratar as afecções respiratórias. Hoje sabemos que a pulmonária contém mucilagens e alantoina de acção emoliente suavizante) sobre as mucosas respiratórias, e além disso saponinas, que actuam como expectorantes.

Golfão fpág. 607) Dado que nasce em lugares frios, recomendava-se para "esfriar" os instintos sexuais (anafrodisiaco). Hoje continua a ter a mesma aplicação. Além disso, os partidários da teoria dos sinais viam nas suas flores brancas um símbolo da virgindade

Trevo-dos-prados

(pág. 340)
A mancha branca nas suas folhas fez pensar que serviria para curar as cataratas, o que não foi possível comprovar.

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índice dos capítulos
7. Plantas para os olhos 8. Plantas para o sistema nervoso 9. Plantas excitantes 10. Plantas para a boca 12. Plantas para o coração 13. Plantas para as artérias 14. Plantas para as veias 15. Plantas para o sangue 16. Plantas para o aparelho respiratório 17. Plantas para o aparelho digestivo 128 138 176 186 212 226 248 262 280 346 1 1 . Plantas para a garganta, nariz e ouvidos . . 200

18. Plantas para o figado e a vesícula b i l i a r . . . 378

Volume 2
19. Plantas para o estômago 20. Plantas para o intestino 2 1 . Plantas para o ânus e o recto 22. Plantas para o aparelho urinário 416 476 538 548

23.Plantas para o aparelho genital masculino. 602 24. Plantas para o aparelho genital feminino . . 614 25. Plantas para o metabolismo 26. Plantas para o aparelho locomotor 27. Plantas para a pele 28. Plantas para as infecções 29. Plantas para outras doenças 644 654 680 736 774

PLANTAS
QUE CURAM
Enciclopédia das Plantas Medicinais

DESCRIÇÃU
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SEGUNDA PARTE y ^ v

Alguém que desconheça as plantas nunca poderá formar juízo acertado acerca das suas virtudes.»
CARI. VON LINNÉ

Naturalista e médico sueco considerado o pai da
botânica m o d e r n a (1707-1788)

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Significado dos ícones de partes botânicas
usados nesta obra
Nesta enciclopédia usa-se um bom número de ícones, símbolos e tabelas para descrever plantas, órgãos do corpo e doenças. Nestas quatro páginas fazemos a apresentação de todos eles. de modo a que o leitor se familiarize com os mesmos e possa interpretá-los facilmente.

Ramos Sumidades (parte superior da planta) K^ Amentilhos (ramos pendentes de pequenas flores) Flores

Folhas> suculentas . J U L U I C M I O J (p. ex. as pás da figueira-da-índia) Folhas dos fetos (frondes) Folhas das plantas fanerogâmicas (as folhas típicas)

Pedúnculos (pés) Secreções (p. ex. resina, seiva, látex) Frutos

Caules e troncos

Casca dos frutos

Madeira, carvão Sementes Vagens (bolsas que envolvem as sementes)

Casca (córtex)

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Tubérculos

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Palha oU f a r e ,

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Rizoma (caules subterrâneos)

Bolbos

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Talo (parte vegetativa de algas e musgos)

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Toda a planta excepto a raiz

Toda a planta

124

Significado dos ícones de indicações médicas
usados nesta obra

Doenças dos olhos

Doenças do sistema nervoso

Doenças da boca e dos dentes

Acção excitante

Doenças do aparelho respiratório

Doenças da garganta, nariz e ouvidos

Esgotamento e astenia (acção tonificante)

Doenças do coração

Doenças das artérias Doenças do fígado e da vesícula biliar D 4T Doenças do metabolismo Doenças do sangue

Doenças do aparelho digestivo no seu conjunto

Doenças do aparelho urinário (rins e bexiga)

Doenças do estômago

Doenças infecciosas (acção antibiótica)

Doenças do intestino

Doenças do aparelho genital feminino Doenças do aparelho genital masculino

Doenças do ânus e do recto

Doenças do aparelho locomotor

Doenças das veias

Doenças da pele

125

Explicação das páginas descritivas das plantas
Uso livre: A planta nào tem efeitos secundários nem contra-indicacões. ícone da parte botânica utilizada [ver pág. 124)

ícone da forma de uso da planta:

Titulo do capitulo

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Uso com precauções: Trata-se de uma planta potencialmente tóxica [ver pág. 107). Pode-se usar sem riscos, desde que se tenham em conta as precauções indicadas. Uso perigoso: Trata-se de uma planta tóxica [ver pág. 106). de potente acção sobre o organismo, mas que também produz efeitos indesejados. Nalguns casos não se recomenda o seu uso e, em outros, apenas o uso dos seus extractos dosificados, sob vigilância médica.

ícone da indicação médica mais notável da planta (ver pág. 125)

ícones de outras indicações médicas da planta

(ver pág. I 25)

Nome cientifico da planta. Dentro de cada capitulo, as plantas ordenam-se .ill, ibeticamente segundo o seu nome cientifico.

Quadro de preparação e emprego

N o m e comum da planta

Subtítulo Indica as características mais notáveis da planta.

Número de referência: A cada uma das diferentes formas de preparação e emprego se atribui um número de referência. No texto principal alude-se ás formas de preparação e emprego com este mesmo número.

Texto principal

N ú m e r o de referência da forma de preparação «• i mprego

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Desenho da planta


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Q u a d r o de precauções para o uso da planta (quando existam)

Sinonímia e descrição botânica da planta

126

Quadro de informação Nele se dão informações destacadas, relacionadas com a planta que se está a descrever.

Quadro de espécies botânicas relacionadas Nele se descrevem outras espécies similares, relativamente á planta principal, quanto a morfologia e propriedades medicinais.

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Obtenção do óleo o da agua-de-allaiema

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Outras espécies de "Alfazema'

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Em cada capítulo aparecem as plantas mais importantes para o tratamento das doenças de um determinado órgão ou sistema. Quando uma mesma planta tem várias aplicações, o que acontece com frequência, inclui-se no capitulo correspondente à aplicação mais importante. Para compensar este facto e facilitar as procuras, nas tabelas de doenças dá-se a relação de todas as plantas úteis para cada doença, independentemente do capitulo onde se encontrem.

Planta Nome comum das plantas mais adequadas para a doença. Cada uma das plantas enumeradas se pode tomar ou aplicar sozinha, ou então em combinação com quaisquer outras das plantas recomendadas para essa doença.

Explicação das tabelas de doenças
Pág. (Página) Página do livro na qual se encontra a planta recomendada. As plantas estão ordenadas de acordo com o seu número de página, por ordem crescente.

Acção Acção mais notável da planta, em relação com a doença cujo tratamento se está a descrever.

Doença Referem-se algumas doenças ou transtornos próprios do órgão ou sistema descrito em cada capitulo Por razões óbvias de espaço, a lista de doenças e transtornos não é exaustiva. Escolheram-se unicamente as doenças mais representativas de cada órgão, e as que melhor respondem ao tratamento fitoterápico.

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Uso A forma de preparação e emprego de cada planta, para a doença que se descreve Quando não se especifica a forma de emprego, entende-se que é para uso interno Por exemplo: Infusão", quer dizer que deve ser ingerida por via oral. Lavagens com a decocçáo". refere-se a um uso externo.

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PLANTAS PARA OS OLHOS
UMÁRIO DO CAPÍTULO
Plantas com antocianinas
DOENÇAS E APLICAÇÕES
Antocianinas, plantas com 128 0 arando é a planta com maior concentração de antocianinas, e a que mais efeito exerce sobre a vista, mas há também outras que se podemusar como alternativa.

Ardor nos olhos (legenda de foto) .130 Blefarite 129 Cansaço ocular (legenda dê foto) .130 Conjuntivite e blefarite 129 Córnea, in fia mação, ver (hera tile 1 311 Olhos, ardor í legenda de foto) . . .130 Olhos, irritação (legenda de foto) . / 30 Pálpebras, infla mação, ver Conjuntiviteeblefarite ...130 Perda de visão. ver Visão, diminuição 130
Plantas com antocianinas 128

Planta Arando Fidalguinhos Malva Monarda Roseira Salgueirinha Videira Violeta

Página 260 131 511 634 635 510 544 344

Qjieratite Terçol Visão, diminuição PLANTAS Cenoura Erva-de-são-roberto Eufrásia Fidalguhdws

130 130 130

133 137 136 131

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128

S PLANTAS medicinais contrib u e m p o r m e i o d e dois mecanismos p a r a o b o m funcionam e n t o do sentido da vista: Aplicadas localmente sobre os olhos, possuem uma acção anti-séptica e anti-inflamatória, muito útil para a higiene ocular, e em caso de conjuntivite e de outras afecções infecciosas ou inflamatórias do pólo a n t e r i o r dos olhos. Ingeridas por via oral. há plantas medicinais q u e fornecem vitamina A e antocianinas, substâncias q u e m e l h o r a m a acuid a d e visual.

A vitamina A é necessária p a i a o bom f u n c i o n a m e n t o das células da retina, sensíveis aos estímulos luminosos. As antocianinas são substâncias de natureza giicosídica q u e c o m u n i c a m a sua típica cor azul a algumas Hores e frutos. São anii-sépticas, auti-inílamatói ias e, antes de t u d o , e x e r c e m unia acção p r o t e c t o r a sobre- os vasos capilares em geral, e sobre os cia retina em particular. Melhoram a irrigação s a n g u í n e a na retina. Além disso, as a n t o c i a n i n a s favorecem a p r o d u ç ã o de pigmentos sensíveis à luz nas células da retina. Por t u d o isto, em uso i n t e r n o , as plantas q u e c o n t ê m vitamina A e a n t o c i a n i n a s m e l h o r a m a acuidade visual e a visão nocturna.

A SAÚDE PELAS F L A M A S MEDICINAIS 2" P i í r t e : D e :-» e r i c <i o

I

Doença
CONJUNTIVITE E BLEFARITE A conjuntiva é uma delicada membrana que reveste a parte anterior do globo ocular, incluindo a parte interna das pálpebras. Normalmente é transparente, mas quando se irrita ou inflama (coiv juntivite) adquire uma cor vermelha de sangue. Na maior parte dos casos, a conjuntivite é produzida por microrganismos (vírus ou bactérias), e agrava-se pela exposição ao fumo, pó, água contaminada ou luz excessiva. 0 forcar a vista também pode produzir irritação ou congestão da conjuntiva. 0 tratamento fitoterápico baseia-se em aplicações locais de plantas anti-infiamatórias, emolientes e anti-sèpticas. Em geral, recomendam-se todas as plantas emolientes (ver cap. 27). Nos casos crónicos ou persistentes, a conjuntivite pode estar relacionada com uma deficiência de vitamina A, ou com um estado tóxico por mau funcionamento do fígado ou dos rins. A blefarite é a inflamação das pálpebras. Aplicam-se localmente as mesmas plantas que em caso de conjuntivite. Convém prestar atenção às carências nutritivas, especialmente de vitamina A, e de oligoelementos como o ferro.

Planta

Pág. Acção

Uso
Compressas sobre os olhos, banhos oculares e gotas sobre os olhos (colírio) com água de fídalguinhos (decoccão de flores de fídalguinhos)

FÍDALGUINHOS

131 Desinflamam o pólo anterior dos olhos

CENOURA

133
136

Fortalece e hidrata as mucosas oculares Anti-séptica e anti-inflamatória

Come-se crua ou em sumo Lavagens oculares e colírio com a sua infusão Lavagens oculares com a sua decoccão Lavagens oculares com a sua decoccão Lavagens oculares e colírio com a sua infusão Compressas e banhos oculares com a decoccão da casca Lavagens oculares com a infusão de folhas e/ou casca Lavagens oculares com a sua infusão Lavagens oculares com a sua decoccão Lavagens oculares com a infusão de folhas e/ou flores Lavagens oculares com a sua decoccão Lavagens oculares com a infusão de sementes Lavagens oculares com a sua infusão Cataplasmas com a planta fresca esmagada Lavagens oculares com a seiva dos sarmentos Infusão de pétalas de rosa Lavagens oculares com a decoccão de casca Lavagens oculares com a água de rosas Compressas e lavagens oculares com a infusão de flores

EUFRÁSIA

ERVA-DE-SÃO-ROBERTO

137

Adstringente (seca a mucosa conjuntival) Adstringente Desinflama e desinfecta Anti-inílamatório. Muito útil em conjuntivite por irritação ou alergia Acalma e suaviza os olhos. Alivia o ardor causado pelo pó, fumo ou cansaço ocular Emoliente (suavizante) Suavizante e anti-inflamatória Suavizante. Especialmente útil na blefarite Anti-inflamatória

CHÁ

185 194

SANAMUNDA

CARVALHO

208

HAMAMÉLIA

257

ME LI LOTO

258 325 344 351

TANCHAGEM

VIOLETA ASPÉRULA-ODORÍFERA

FUNCHO

360 364 518

Anti-inflamatório Cicatrizante, emoliente e anti-séptica Emoliente e anti-inflamatória Anti-inflamatória e cicatrizante. Muito útil para a higiene ocular Alivia o ardor, desinflama e desinfecta Desinflama e suaviza a mucosa conjuntival Anti-inflamatória e anti-séptica

CAMOMILA

BELDROEGA

VIDEIRA

544 635 734

ROSEIRA

ULMEIRO

ROSA-CANINA

762

Ervade-sãoroberto

SABUGUEIRO

767

Suavizante e anti-séptico

129

C a p . 7: P L A N T A S PARA OS O L H O S

Doença
QUERATITE
É a inflamação da córnea, que é um disco transparente de aproximadamente um milímetro de espessura, que cobre a porção anterior do globo ocular. A sua gravidade decorre do facto de que a córnea inflamada pode ficar opaca e dificultar a visão. Além do tratamento especializado, recomendam-se estas plantas e, em geral, todas as citadas para a conjuntivite.

Planta

Pág. Acção

Uso

«

133

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136

A*sép.,caea„«,arr,a.óna

S S f S . w f * ' " ^

VIDHRA

544

Antiinflamatòriae cicatrizante

!£?*!!££*"*"""**" dos sarmentos & « S L ^ ! ? r S ^ C t í , de fidalguinhos (decocção de flores) Compressas com a decocção ca casca ^ g ™ ^ * * C ° m * Se ' Vâ dos sarmentos Conae-se crua ou em sumo
a

TERÇOL
Pequeno furúnculo que se forma no bordo da pálpebra. Com o tratamento pretende-se que amadureça e que se abra. Também se podem aplicar as outras plantas recomendadas para a conjuntivite, se possivel em compressas sobre as pálpebras.

F.DALGU.NHOS CARVALHO VIDE.RA

131 208 544

Anti-inílamatórios Anti-inflamatório Ant,inflamatória e cicatrizante

VISÃO, DIMINUIÇÃO
As plantas que protegem os capilares da retina, como o arando, ou que fornecem a vitamina A necessária para as células sensíveis à luz, podem melhorar a acuidade visual.

C E NO U P,

133

5 g K S Í S * S L l l

ARANDO

260 Melhora a irrigação sanguínea da retina

Sumo fresco ou decocção de frutos

Eufrásia As plantas mais empregadas para lavar os olhos em caso de ardor, irritação ou cansaço ocular devido a ter de forçar muito a vista (por exemplo, quem trabalhe em frente de um ecrã de computador), são as seguintes: camomifa, eufrásia, fidalguinhos, hamamélia e roseira. As lavagens e as compressas com estas plantas fazem diminuir as olheiras e embelezam os olhos, dando-lhes um olhar límpido e brilhante.

130

Centáurea cyanus L

ai
Preparação e emprego
USO INTERNO

Fidalguinhos
Um b o m remédio para os olhos
O Infusão: 20-30 g de flores jovens por litro de água. Toma-se uma chávena antes de cada refeição. USO EXTERNO

O

S FIDALGUINHOS salpicam as douradas soaras a partir do fim da Primavera, com o gracioso azul das suas flores. Desde tempos muito antigos que a semente do cnval se tem misturado com sementes desta plaina, e assim viajaram juntas, cspalhando-se por lodo o inundo. Plínio, o Velho, naturalista romano do primeiro século da nossa era, descreve os fidalguinhos como -uma flor incómoda para os ceifeiros», que sem dúvida procuravam evitá-la com as suas foices ou gadanhas. Acerca desta delicada planta, pouco mais chegou até nós escrito pelos autores clássicos da antiguidade. As suas virtudes medicinais foram descobertas por Mattioli, botânico do século XVI. que afirma que «as flores azuis dos fidalguinhos desinllamam os olhos avermelhados». A esta combinação de cores opostas, axul contra vermelho, pensou Mattioli que se deviam as virtudes curativas desta planta, de acordo com a teoria dos sinais. Nos nossos dias. os herbicidas e OS processos de selecção das sementes de cereal eslão a acabar com os fidalguinhos, como se se tratasse de mais uma erva daninha.

Água de f i d a l g u i n h o s : Para obtê-la faz-se uma decocção com as flores, de preferência frescas, na proporção de uns 30 g (2 colheradas) por litro de água. Deixar-se ferver durante cinco minutos. Aplica-se sobre os olhos quando estiver tépida, de uma das seguintes maneiras: ©Compressas: Empapar uma gaze e mantê-la uns quinze minutos sobre os olhos, duas ou três vezes por dia. €) Banho ocular: Por meio de um recipiente adequado, ou simplesmente escorrendo sobre o olho afectado uma gaze impa embebida em água de fidalguinhos. A água deve cair do lado da fonte para o nariz. O C o l í r i o : Umas gotas de água de fidalguinhos no olho, três vezes por dia.

Outros nomes: lóios, lóios-dos-jardins. saudades, ambretas. Brasil: escovinha, centáurea, centáurea-azul, cineraria, sultana. Esp.: aciano, azulejo, ojeras. Fr.: bleuet. Ing.: corn-flower, blue-bottle. Habitat: Crescem sobretudo nos campos de cereais de toda a Europa, embora tenham sido exportados para outros continentes, como o americano. Em Portugal esta planta ainda aparece nalgumas searas, embora tenda a desaparecer com a utilização dos herbicidas. Descrição: Planta de caule fino. da (amilia das Compostas, que atinge até meio metro de altura. As flores são compostas, de um azul intenso. As folhas. muito finas, aparecem cobertas por um suave veludo. Partes utilizadas: as flores.

131

As flores dos fidalguinhos contêm antocianinas de acçáo anti-séptica e anti-inflamatória. Em tisana, por via oral. melhoram a circulação sanguínea nos capilares da retina, além de terem um efeito aperitivo e eupéptico.

isso em muitos sítios de Espanha seda a esta planta o nome de 'ojeras' (olheiras). As pessoas que lavam os olhos com água de fidalguinhos têm um olhar limpo e brilhante, que resplandece como as suas florezinhas azuis nos loiros trigais. São estas as indicações mais importantes da água de fidalguinhos: • Conjimlivitc (inflamação da membrana mucosa que cobre a parte anterior dos olhos) I00.O): Os banhos oculares com água de fidalguinhos, e também os colírios, ajudam a eliminar as secreções (remelas), c fazem desaparecer a congestão ocular. • Blefarites (inflamações das pálpebras), e terçóis (pequenos furúnculos que se formam no bordo da pálpebra) lô.ôl. Mesles casos vecomnula-se aplicar a água de fidalguinhos em forma de compressas ou de banho ocular. Antigamente pensava-se que os fidalguinhos eram capazes de aclarai e conservar a vista, ainda que unicamente àqueles que tinham olhos azuis. Por isso, cm francês, se chama a esta planta "cassc-luncites" (quebra-óculos). Hoje sabemos que se traia de uma lenda, mas. seja como for. recordemos que os fidalguinhos são "landes amisios dos olhos.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS FLORES contêm antocianinas e poliinos de acção anti-séptica e auti-infla-matória; princípios amargos, que acluani como aperitivos e eupépticos (faciliiam a digestão); e flavonóidcs com um suave efeito diurético. As flores tomam-seem infusão, antes das refeições IO). K preferível não adoçar.

A ÁGUA DE FIDALGUINHOS, obtida

por decocção das suas flores, usa-se sobretudo pelo seu notável efeito antí-inflamatório, aplicada sobre o pólo anterior dos olhos. As lavagens e banhos oculares com água de fidalguinhos aliviam eficazmente o ardor e a irritação dos olhos. Também devolvem um aspecto fresco e limpo às pálpebras carregadas. Por

As compressas com água de fidalguinhos, sobre os olhos, reduzem o aspecto carreg a d o das pálpebras e dáo um olhar límp i d o e brilhante a quem as aplica. 132

Daucus carota L

&

L. P.
Preparação e emprego

.

Cenoura
Essencial p a r a a vista e para a pele
USO INTERNO O Crua: A cenoura, em rodelas ou cortada em tiras, deveria ser c o m p o n e n t e indispensável do prato de salada que todas as pessoas saudáveis devem comer todos os dias. Em caso de estômago delicado, a cenoura crua pode comer-se bem ralada. © Sumo: Toma-se acabado de fazer, só ou misturado com sumo de limão e/ou de maçã, na quantidade de meio a um copo por dia. Para notar os seus efeitos benéficos, deve-se tomar durante longos períodos de tempo (no mínimo um mès). É importante notar que a provitamina A não se destrói durante a cozedura, mas que se degrada pela acção da luz. © Infusão de sementes: 20-30 g por litro de água. Ingerem-se 3 ou 4 chávenas diariamente.
Uso EXTERNO:

A

CENOURA pertence à mesma família botânica que a cicuta (pág. 155), (Ir que a cenoura-brava se distingue por ler uma mancha de cor púrpura no centro das umbelas florais. A cenoura-brava tem unia raiz lenhosa que a torna inadequada para a alimentação, mas que, aplicada nu cataplasma, tem as mesmas propriedades medicinais da enluvada.

O C a t a p l a s m a s de cenoura cozida e esmagada, como suavizante da pele.

À beira dos terrenos cultivados podem encontrar-se cenouras-bravas. Embora a sua raiz não seja comestível, em cataplasma tem um notável efeito suavizante sobre a pele.

Outros nomes: cenoura-brava. Esp.: zanahoria. acenona, sinoria, bufanaga, forrajera. Fr.: carotte Ing.: carrol. Habitat: A variedade silvestre, ou cenoura-brava. é frequente nos campos e lugares incultos de toda a Europa. A planta é hoje cultivada nos cinco continentes. Descrição: Planta bienal da família das Umbeliferas. de até 80 cm de altura. As folhas são finamente divididas e as flores são brancas, agrupadas em umbelas terminais. Partes utilizadas: as raízes e as sementes.

133

A cenoura é um alimento-remédio ideal para as crianças: estimula o seu crescimento, aumenta as defesas, evita as diarreias, desenvolve uma boa visão e dá beleza à pele e ao cabelo. Além disso, contribui para a formação de uma dentadura forte e bem desenvolvida, especialmente se for mastigada crua.

No Papiro de Ebers, escrito pelo ano 1500 a.C. no Egipto, já se recomendava a cenoura como cosmético, aplicada cm rodelas sobre o rosio. I loje sabemos que o seu efeito benéfico sobre a pele se deve especialmente à provitamina A que contém. K por isso que se diz que a vitamina A é a "vitamina da beleza".
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A RAIZ

O CAROTENO, ou provitamina A. é o princípio activo mais valioso da cenoura. No fígado transforma-se em vitamina A ou retinol. A VITAMINA A desempenha funções essenciais na fisiologia humana: / nos mecanismos da visão na retina; / no bom estado da pele e das mucosas; e / na produção de sangue e de anticorpos (de lesas). Pelo seu abundante conteúdo em provitamina A. a cenoura torna-se de grande utilidade quando se u n h a produzido uma carência desta importante vitamina, quer por insuficiente fornecimento ao organismo ou má assimilação, quer por aumento das necessidades. ()s sintomas ou sinais de falta de vitamina A, que a cenoura contribui para superar, são os seguintes: • Transtornos da visão IO.01: perda da acuidade visual, bemeralopia (dificuldade paia ver durante a noite ou com pouca In/), secura do pólo ante-

rior do olho, blefarite (inflamação das pálpebras) e queratíte (inflamação tia córnea), entre outros. Com <> consumo abundante de cenoura obtêm-se excelentes resultados. permitindo melhorar notavelmente a capacidade visual nos casos cm que a sua perda seja devida a uma carência de vitamina A. •Alterações da pele: secura, rugas, atrofia, acne. A cenoura contribui, de forma muito acentuada, paia a saúde e a beleza da pele. tanto se for aplicada externamente IOI como tomada por via oral IO.0I. Dá-lhe uma pureza e suavidade que dificilmente se pode conseguir com outros cosméticos. Existem casos rebeldes clc- acne que têm melhorado depois de um longo tratamento à base de cenoura. Também fortalece as unhas e o cabelo, ao qual dá mais brilho. • Alterações das mucosas: A vitamina A também intervém na estabilidade das mucosas, membranas que revestem o interior dos canais e cavidades orgânicas. Por isso se- toma liiil na

contém abundante pectina, substância glicídica de acção absorvente e an(idiarreica; sais minerais diversos, especialmente di- potássio e fósforo, assim como oligoelementos, que a tornam remineralizante e diurética; óleo essencial, que lhe confere o seu peculiar aroma e os seus eleitos vermífugos; e vitaminas do grupo li. um pouco da C. c, sobretudo, caioteno (4500 pg por cada 100 g.) A cenoura é uni dos vegetais mais ricos cm provitamina A, apenas excedida pela luzerna (5300 ug por 100 g). Outras fontes importantes de caroteno são os espinafres, a couve, os alperces, os tomates e os pimentos.
134

o

Hipervitaminose A

tiróide), dismenorreia, depressão nervosa, <• outros transtornos IO.61. Outras aplicações da CENOURA são as seguintes:

Os alimentos de origem animal, como o fígado dos mamíferos ou dos peixes, contêm abundante retinol (vitamina A animal). O refinol pode chegar a ter efeitos tóxicos se for ingerido em doses elevadas, ao contrário do caroteno (provitamina A vegetal), que não tem nenhum risco de toxicidade, pois o organismo só transforma em vitamina A (retinol) o caroteno de que necessita. 0 nosso organismo é incapaz de produzir a vitamina A se não se lhe fornecer o seu precursor, o caroteno. Necessidades diárias de vitamina A: • 400 pg para as crianças, • 750 pg para os adultos, ' 1200 pg para as mulheres grávidas ou que amamentam.
1 pg (micrograma) de vitamina A = 3,33 U.l. (unidades internacionais)

• Diarreia e colite: Especialmente nas crianças, devida à acção da pectina. Adminisira-se ralada ou fervida IO,61. • Parasitas intestinais: O óleo essencial que a cenoura contém é especialmente activo contra os oxiúros 10.61. Ibina-se crua e ralada: de meio a um quilo, durante 21 horas, como único alimento. Também dá bom resultado comer durante uma semana, todas as manhãs, duas cenouras em

jejum.
• Crescimento: A cenoura é um autêntico alimento-remédio fiara as crianças I0.6I.O seu sumo pode adminislrar-se desde os dois meses de idade, ou mesmo antes: aumenta as defesas, evita as diarreias, protege contra os parasitas, estimula o crescimento, favorece a erupção dentária c fortalece a dentadura se, na idade pré-escolar, as crianças, além de a tomarem líquida, também a mastigarem. K mui lo útil em caso de celiaquia (má assimilação por intolerância ao glúten). • Curas depurativas: A cenoura é alcalinizante do sangue, com o que compensa e elimina os resíduos ácidos do metabolismo (ácido úrico e outros) IO.61. • Curas de desintoxicação: Toi na-se muito apropriada para quem deseje deixar de fumar IO.61.pois acelera a eliminação da nicotina e. pelo seu conteúdo em vitamina A, regenera as mucosas do aparelho respiratório. • Suavizantc da pele: Aplicada externamente em cataplasmas, usa-se para curar feridas infectadas, queimaduras, eczemas, abcessos, acne. e, como cosmético, para embelezar a pele lOl. As SEMENTES de cenoura contêm um óleo essencial de acção carminativa (evita os gases intestinais), emenagoga (favorece as regias) e um tanto diurética» como a maioria das Umbelíferas 101.
135

prevenção da lilíase urinária c biliar, pois está provado que uma mucosa sã impede a formação de cálculos no inleríor dos (anais urinários ou biliares. A vitamina A tem também valor como preventivo de catarros nasais, sinnsats, faríngeos e bronquiais, pois. além de fortalecer as mucosas, aumenta as defesas. Também melhora a

função cia mucosa gástrica, normalizando a produção de sucos (útil nas gastrites) c colabora na cicatrização das úlceras. A cenoura acalma as dores do estômago e o excesso de acidez. • Transtornos metabólicos e endócrinos: anemia, atraso do crescimento, hipertiroidismo (regula a função da

—W^^

Am

I

Euphrasia officinalis L

/K^N

Eufrásia
Ideal para lavagens oculares

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a planta contém o glicósido aucubina, taninos, ácidos fenólicos, flavonóídes, vitaminas A e Ce vestígios de essência. Tem propriedades anti-sépticas, anti-inflamatórias e adstringentes, especialmente eficazes sobre a mucosa conjuntiva). Tem-se utilizado com êxito desde a Idade Média em easos de conjuiitivilo, blefarite (inflamação das pálpebras), queratile superficial (inflamação da córnea) e lacrimejo ocular 10.01 Dá muito bom resultado lavar com eufrasia os olhos remelosos, pois além de arrastar as secreções desinllama e seca a conjuntiva. Também se aplica em gargarejos e bochechos, em caso de estomathe (inflamação das mucosas bucais) e de faringite l©l, assim c o m o em irrigações nasais em caso de rinite IO! (inflam a ç ã o fio interior do nariz).

Outros nomes: consolo-da-vista. Esp.: eulrásia, eufrasia oficinal. Fr.: euphraise [olficinalej. Ing.: [red] eyebright. Habitat: Pradarias e bosques montanhosos de toda a Europa. Naturalizada no continente americano. Descrição: Planta anual, da família das Escrofulariáceas, que atinge de 10 a 30 cm de altura. As flores são brancas com riscas violeta, sendo a corola formada por dois lábios. Parasita as raízes de outras plantas. Partes utilizadas: a planta inteira. A eufrasia encontra-se nas regiões montanhosas da Europa e da América.

O
USO EXTERNO

Preparação e emprego
© Colírio: 5-10 gotas em cada olho, 4 vezes por dia. © Gargarejos e bochechos, em caso de afecções bucofaringeas. O Irrigações nasais em caso de rinite ou coriza.

Infusão com 40 g de planta por litro de água. Tem diversas aplicações: O Lavagens oculares: Deixar cair o líquido de fora para dentro, ou seja, da fonte para o nariz. As lavagens oculares fazem-se sobretudo de manhã.

136

Geranium robertianum L

O) t .


Preparação e emprego
U S O INTERNO

P

Erva-de-são -roberto
Limpa os olhos e desinflama a boca

O Decocção de 20 g de planta por litro de água, de que se tomam 3 ou 4 chávenas por dia. © Essência: A dose habitual é de 2-4 gotas, três vezes ao dia.
Uso EXTERNO:

© L a v a g e n s oculares e bochechos bucais, com uma decocção de 40 g de planta por litro de água. O C o m p r e s s a s , com esta mesma decocção (40 g por litro).

D

EVE-SE ter cuidado para não a confundir com a cicuta (pág. 155). Ambas deitam um cheiro desagradável e têm folhas muito parecidas. Ora a erva-de-são-roberto toma-se fácil de identificar pelas suas flores cor-de-rosa, e pelos Frutos que, .secos, sc assemelham a uma pequena candeia ou ao bico de um grou.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a planta contém uma substância amarga (geranina), um óleo essencial que lhe comunica o seu cheiro típico, e importantes quantidades de tanino, que determinam a sua acção adstringente. Km uso interno apresenta propriedades adstringentes, diuréticas, riuidificantes do s a n g u e e ligeiram e n t e hipoglk emiantes. 1'tili/a-se em casos d e d i a r r e i a , e d e m a s ( r e t e n ç ã o de líquidos), e c o m o c o m p l e m e n t o no regime dos diabéticos IO.01. A n u a l m e n t e entprega-se s o b r e t u d o em uso externo, pelas suas p r o p r i e d a des a d s t r i n g e n t e s c v u l n e r á r i a s , n o s seguintes casos: • Afecções d o s olhos: irritação ocular, remelas, eonjimiivitc 101. • Afecções bucais: estomatite, faringite, gengivite 101. • Erupções cutâneas: herpes, eczemas e infecções da pele lOl.

As lavagens aos o/hos podem fazer-se com a ajuda de um copinho próprio para o efeito.

Outros nomes: bico-de-grou, bico-de-grou-robertino. erva-roberta. Brasil: gerânio. Esp.: hierba de San Roberto, hierba de San Ruperto. Fr.: herbe à Robert. Ing.: herb Robert. Habitat: Encontra-se vulgarmente em lugares sombrios como muros, sebes e barrancos de toda a Europa e América do Norte. Descrição: Planta herbácea da família das Geraniáceas, que atinge de 20 a 60 cm de altura. Toda a planta tem um tom avermelhado e exala um cheiro desagradável típico. As (tares são rosadas, em grupos de duas. Partes utilizadas: a planta inteira.

137

PLANTAS PARA O SISTEMA NERVOSO
Bi IARIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Ansiedade /•// A nsioliticas, plantas, ver Nervosismo e ansiedade Ill Antiespasmâdicas, plantas 147 Astenia 140 Cabeça, dor de 143 Cefaieia, ver Dor de cabeça 113 Crianças. Plantas sedativas 146 Depressão nervosa 140 Doenças orgânicas do sistema nervoso 144 Doenças psicossomáticas 142 Dor de cabeça 143 Dor e nevralgia 142 Enxaqueca 143 Epilepsia 144 Esgotamento e astenia 140 Estudantes, ver Rendimento intelectual insuficiente 143 Hemicrania, ver Enxaipteca 143 Insónia 142 Inteirei uai, rendimento insuficiente .143 Memória, perda da 144 Narcóticas, plantas 146 Nervosismo e ansiedade 141 Neurastenia, ver Nervosismo e ansiedade 141 Nevralgia 142 Parkinson, ver Doenças orgânicas dõ sistema nervoso 144 Peida da memória 144 Plantas antiespasmâdicas 147 Plantas sedativas 145 Plantas sedativas para as crianças . . 146 Psicossomáticas, doenças 112 Rendimento intelectual insuficiente . . 143 Sedativas para as crianças, plantas . . 146 Sedativas, plantas, ver Nervosismo e ansiedade 145 Sistema nervoso, doenças orgânicas do Ill Sono, falta ile, ver Insónia 112 Soporiferas, plantas, ver Insónia . . . . 142 Stress /-// Tensão nervosa, ver Stress /•// Tonificantes, plantas, ver Esgotamento e astenia IH) PLANTAS Atónito Alfaccbrava-maior Alfazema Alfazema-brava Aveia Cânhamo Cicuta Cicuta-meuoi Dormideira Dormideira-brava Erva-cidreira Estramónio Elor-da-paixâo = Passijlora Laranjeira Lúpulo Maracujá = Passijlora Maracujá-roxo Martírio = Passijlora Meimendro-negro Melissa = Erva-cidreira Papoita-branca = Dormideira Passijlora Rosmaninho Tília Valeriana Verbena 148 160 161 162 150 152 155 155 164 166 163 157 167 153 158 161 168 161 159 163 164 167 162 169 172 174

A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
2-' P a r t e : D e r. c r i ç £ o

I

S PLANTAS medicinais exercem notáveis acções, tanto sobre o sistema nervoso central, sede das funções mentais, como sobre o sistema vegetativo autónomo, que regula e coordena as ("unções dos diversos órgãos do corpo. Ao contrário da maioria dos psicoíarmacos (medicamentos que actuam sobre as funções mentais), as plantas exercem os seus efeitos tonificantes c sedativos sobre o sistema nervoso de modo fisiológico, suave e seguro, Alem disso, é muito raio que se produ/a dependência de tipo psíquica ou físico com o uso das plainas medicinais que recomendamos, ao contrário do que acontece com os estimulantes, sedativos, soporíFeros, e outros medicamentos de síntese química. )L certo que os medicamentos químicos exercem uma acção muito mais potente que a das plantas medicinais, mas também com maiores efeitos secundários e riscos em geral. Perante um caso de excitação nervosa aguda, por exemplo, um psicofármaco de- acção sedativa ou ansiolíiica (que elimina a ansiedade) pode produzir um eleito rápido e mesmo espectacular, mas que muito provavelmente se- fará acompanhar de eleitos indesejáveis nas horas seguintes, tais como falta de coordenação motora e sonolência. Pelo contrário, as plantas actuam sobre o organismo regulando c equilibrando os processos vitais, mais que anulando ou opondo-se a determinados sintomas. Por isso exercem uma verdadeira acção equilibradora das complexas funções nervosas e mentais, assim tomo um eleito preventivo de transtornos e desequilíbrios. O esgotamento e a astenia O esgotamento e a astenia (cansaço excessivo) constituem dois dos sintomas mais frequentes na sociedade ocidental, fortemente condicionada nor conceitos tais

A

como o rendimento e a produtividade. O sistema nervoso, como "director" das funções do organismo, é encarregado cie manter a tonicidade vital (pie nos permite desenvolver as actividades diárias. Elevar essa tonicidade constitui uma das necessidades mais peremptórias de muitas pessoas que se queixam de esgotamento nervoso, astenia ou stress. 1". para isso, recorre-sc' frequentemente a substâncias estimulantes ou excitantes que, embora consigam produzir um eleito momentâneo. acabam por provocar um maior esgotamento depois de passado o eleito. Para o tratamento do esgotamento e da astenia, convém administrar dois tipos de plantas medicinais: • Plantas nutritivas, que fornecem os nutrientes básicos mas que costumam escassear na dieta, e de que as células nervosas necessitam para o seu bom funcionamento: vitaminas e oligoelemenios. • Plantas tonificantes, que fornecem um estímulo fisiológico, não irritante, sobre as funções do sistema nervoso e do resto do organismo. As plantas ou substâncias que somente conseguem excitar ou estimular o sistema nervoso (como o café ou o chá), mas sem nutrir nem favorecer as funções digestivas, não conseguem a reparação biológica dos sistemas ou órgãos afectados pelo esgotamento. Na realidade, o que conseguem os excitantes ou estimulantes é uma sensação subjectiva de vitalidade, mas sem a correspondente recuperação orgânica. Isto leva a um maior esgotamento, até chegar ao fracasso ou deterioração do organismo. manifestado pelo infarto do miocárdio, a úlcera gastroduodenal, a depressão imunitária (baixa das defesas) e, possivelmente, aié mesmo o cancro. Além do uso das plantas que nesta obra se recomendam, o tratamento do esgotamento físico ou nervoso requer imperativamente uma mudança no estilo de vida causador do esgotamento.

139

C a p . 8: P L A N T A S PARA O S I S T E M A H E 8 V O S I

V

Doença
ESGOTAMENTO E ASTENIA
Entendemos por esgotamento um estado de debilidade do organismo, em consequência de um esforço excessivo que não seja acompanhado da necessária recuperação dos órgãos ou sistemas afectados. O esgotamento fisico costuma ser precedido por um grande esforço muscular ou uma doença grave. O esgotamento nervoso pode aparecer a seguir a um período de grande actividade intelectual continua, ou de tensão nervosa prolongada. 0 esgotamento fisico e o nervoso estão relacionados entre si, pois um pode aparecer como consequência do outro, e vice versa. A astenia é um estado de falta ou de perda de forças que aparece espontaneamente, sem relação directa com um esforço prévio.

Planta
AVEIA ALHO AGRIÃO ESPIRULINA CEBOLA

Pág. Acção
150 Tonificante, nutritiva 230 270 276 Activa o metabolismo Abre o apetite e activa o metabolismo Nutre, tonifica e revitaliza Fornece enzimas e oligoelementos que activam o metabolismo Remineralizante e vitamínica Estimulante natural Tonificante e revitalizante Tonificante

Uso
Flocos com leite ou caldo Cru, em extractos ou em pasta de alho com azeite Cru ou em sumo Preparados farmacêuticos Crua, em sumo, cozida ou assada Crua, cozinhada ou em decocção Banhos quentes com a sua decocção Infusão, essência Infusão, essência Infusão, essência Frutos (sorvas) maduros Cru, sumo fresco Cura de morangos Decocção de sementes, cacau Preparados farmacêuticos Sementes Infusão, extractos Infusão, banhos, fricções Sumo Frutos (bagas) Frutos frescos ou em decocção Infusão, essência Flocos com leite ou caldo Infusão, extractos Infusão, maceração ou pó de raiz Banhos quentes com a sua decocção Infusão, decocção Sumo fresco Preparados farmacêuticos Sementes Infusão, essência Infusão Infusão, essência

294
334 338 366

MORUGEM SERPÃO HORTELÃ-PIMENTA MANJERICÂO-GRANDE SEGURELHA TRAMAZEIRA AIPO MORANGUEIRO

368 Tonificante, faz subir a tensão 374 535
562

Tonifica o sistema nervoso Fornece vitamina C e ácidos orgânicos Tonificante e remineralizante

575 Abre o apetite, estimula o metabolismo 597 Tonificante e ligeiramente estimulante
608 Aumenta o rendimento físico 611 Nutritivo, restaura a vitalidade 613 Tonificante do sistema nervoso 674 Tonificante geral

fruto lio cacau

CACAUEIRO GINSENG GERGELIM DAMIANA ALECRIM ALOÉS HIPOFAÉ ROSA-CANINA

694 Tonificante, estimula as defesas 758 762 769 Reconstituinte, aumenta o tono vital Tonificante e antiescorbútica Tonificante geral. Estimula as funções intelectuais Equilibrante do sistema nervoso

Hortetò-pimenta

TOMILHO AVEIA ERVA-CIDREIRA VALERIANA SERPÃO ANGÉLICA AIPO GINSENG GERGELIM SALVA

DEPRESSÃO NERVOSA
Estado psíquico de abatimento e profunda tristeza, com ou sem causa evidente, acompanhado de perda do apetite, insónia e tendência para a inactividade. Recomendam-se as plantas com acção tonificante e equilibradora sobre o sistema nervoso, assim como as que fornecem substâncias nutritivas como a vitamina B ou a lecitina. As plantas e substâncias esífmu/aníes ou excitantes não se devem usar no tratamento da depressão. Fiva cidreira

150 Tonificante, nutritiva

163

172 Sedante suave, diminui a ansiedade 338 Tonificante e revitalizante 426 562 611 638 714 769
Tonificante e equilibradora do sistema nervoso Tonificante geral

608 Antidepressivo e ansiolítico
Nutritivo. Restaura a vitalidade Estimula a função das glândulas supra-renais Tonificante e equilibrador do sistema nervoso Tonificante geral. Estimula as funções intelectuais

HIPERICÃO TOMILHO

140

SAÚDE P E L A S P L A N T A S MEC 2 " P.irtc:

I

D e s c r i ç ã o

I

Doença
NERVOSISMO E ANSIEDADE
0 nervosismo é um estado de excitação nervosa, seja por urna causa justificada ou não. A ansiedade é uma emoção indesejável e injustificada, cuja intensidade não é proporcional à possível ameaça que a provoca. A ansiedade é diferente do medo, pois este implica a presença de um perigo real conhecido. A ansiedade costuma manilestar-se exteriormente com um estado de hiperexcitacão nervosa. As plantas medicinais podem contribuir muito para aliviar o nervosismo e a ansiedade, proporcionando sedação e equilíbrio ao sistema nervoso.

Planta
AvEIA

Pág. Acção
150

Uso
Infusão de farelo (palha) por via oral e acrescentada à água do banho Infusão de folhas e/ou flores Infusão e extractos Decocção de folhas, lactucáno, sumo fresco Infusão, extractos, essência Infusão, extractos Infusão Infusão de flores, decocção de casca, extractos Infusão, maceração ou pó de raiz Infusão de flores, frutos frescos, extractos Cápsulas ou comprimidos do óleo das sementes Infusão de folhas Infusão ou xarope de pétalas, decocção de frutos Infusão e essência Infusão Infusão de flores Infusão, extracto Infusão Infusão, banhos quentes com infusão de flores Infusão de raiz Cura de uvas Extractos Infusão Infusão de pétalas

!_,

i cr, Sedante do sistema nervoso. Contém vitaminasAeB Sedante e soporífera suave

LARANJEIRA
LÚPULO ALFACE-BRAVA-MAIOR

153

158 Sedante e soporifero 160 Sedante, acalma a excitação nervosa ,,-, Sedante e equilibradora do sistema nervoso

ALFAZEMA

ERVA-CIDREIRA PASSIFLORA

163 Sedante suave e equilibradora 167 Diminui a ansiedade 169 Sedante e relaxante

172 Sedante suave, diminui a ansiedade Sedante do sistema nervoso vegetativo, ansiolitico 237 265
PAPOILA

Contribui para a estabilidade do sistema nervoso e para o equilíbrio hormonal Sedante e antiespasmódico Sedante e soporífera

318

MANJERONA LÚCIA-LIMA SALGUEIRO-BRANCO

369 Sedante, alivia a ansiedade 459 Alivia a ansiedade 676 Sedante, soporifero suave

STRESS
Para o tratamento íitoterápico do stress, recomenda-se combinar dois tipos de plantas: as tonificantes, para aumentar a energia vital necessária para se enfrentarem as situações que causam o stress, e as equilibrador as ou sedativas do sistema nervoso, com o fim de tornar mais suave a resposta orgânica perante essas mesmas situações. Além das plantas citadas, recomendam-se, como tonificantes, a segurelha (pág. 374), a hortelãpimenta (pág. 366) ou o alecrim; e como equilibrante, o pilriteiro (pág.

ERVA-CIDREIRA

163 Sedante suave e equilibradora 167 Diminui a ansiedade 169 Tranquilizante e relaxante 426 544 608 613 635 Tonificante Elimina toxinas e resíduos metabólicos Tonificante Tonificante e revitalizante Sedante do sistema neurovegetativo

PASSIFLORA

TÍLIA

ANGÉLICA

VIDEIRA

GINSENG

DAMIANA

,

219)

ROSEIRA

Passrflora

141

C a p . 8 : P L A N T A S PARA O S I S T E M A N E R V O S O

Doença
INSÓNIA
É a falta de sono, quer seia por dificuldade em conciliá-lo quer por um despertar precoce. Ao contrário de muitos soporiferos de síntese química, as plantas medicinais que recomendamos são capazes de induzir um sono natural e reparador, sem sonolência residual na manhã seguinte, e sem risco de criar dependência. Valeriana

Planta
LARANJEIRA LÚPULO ALFACE-BRAVA-MAIOR ALFAZEMA ERVA-CIDREIRA PASSIFLORA

Pág. Acção
153 Sedante e soporífera suave 158 Sedante e soporífero 160 Sedante, acalma a excitação nervosa 161 Sedante, acalma a excitação 163 Sedante suave e equilibradora 167 Sedante, induz um sono natural

Uso
Infusão de folhas e/ou flores Infusão e extractos Decoccão de folhas, lactucário, sumo fresco Inalações da essência Infusão, extracto Infusão Infusão de flores, decoccão de casca, extractos, banho quente com flores Infusão, banhos quentes com a decoccão de raiz Infusão ou xarope de pétalas, decoccão de frutos Infusão Banho com decoccão de rizoma Infusão de flores

TlUA V RIANA

169 sem sonolência na manhã seguinte
,j2 318 351 424 Sedante suave, diminui a ansiedade, soporífera Sedante e soporífera Sedante soporífera Relaxante muscular e sedante suave

Induz um sono natural,

PAPOtLA ASPERULA-ODORÍFERA CÁLAMO-AROMÁTICO

SALGUQRO-BRANCO

676 Sedante, soporífero suave

DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS
São as doenças cuja origem é psicológica, pelo menos parcialmente, mas que se manifestam com alterações funcionais de diversos órgãos. Algumas das mais frequentes são: úlcera gastroduodenal, cólon irritável, angina de peito, e certos eczemas cutâneos. Estas plantas equilibram e modificam o sistema nervoso vegetativo, verdadeiro substrato da relação entre a mente e o corpo.

ALFAZEMA

, c,

Sedante e equilibradora do sistema nervoso central e vegetativo

Infusão, extracto ou essência

VALERIANA

172 Sedante, diminui a ansiedade

Infusão, maceração ou pó de raiz

ROSEIRA

635

Sedante do sistema neurovegetativo

Infusão de pétalas Infusão de folhas e/ou flores Pó de frutos secos dissolvido em água, pomada Compressas quentes com a infusão de cones, cataplasmas quentes com os cones (inílorescèncias) Cataplasmas de folhas esmagadas, unguento Decoccão de cápsulas maduras Infusão de flores e folhas Infusão, maceração, compressas de decoccão de raiz Infusão ou decoccão, compressas e cataplasmas Infusão e compressas Compressas, banhos e cataplasmas com as folhas

DOR E NEVRALGIA
Estas plantas analgésicas actuam tanto por via interna, quando são ingeridas, como por via externa, quando s.c aplicam localmente sobre a pele. Em geral, a sua acção não é tão intensa e rápida como a dos analgésicos de síntese química ou à base de substâncias puras. No entanto, os efeitos das plantas são mais duradouros e, em geral, têm menos efeitos indesejáveis. A nevralgia é um tipo especial de dor, caracterizada por ser intensa, intermitente e localizada no trajecto de um nervo. O tratamento fitoterápico oferece especialmente uma acção preventiva.
Laranjeira

LARANJEIRA

, t-3 Antiespasmódica e sedante. Útil contra as enxaquecas JCC Analgésica e anestésica local para dores insuportáveis , cg Acalma a dor de estômago e as nevralgias

CICUTA

LÚPULO

MEIMENDRO-NEGRO DORMIDEIRA

159 Analgésico em caso de gota, ciática e nevralgias 164 Analgésica potente, narcótica 167 A *' P
n es asrT,

PASSIFLORA \z„. r D I „„„
VALERIANA
U,DD,M,

ódica, acalma cólicas

í 7o Analgésica em dores de ciática

enevralgja

VERBENA

, 1A

I/4

Analgésica em dores reumáticas
e nevralgias

ULMEIRA
HERA

667

Arrateésica e anti-inflamatória em dores osteomusculares e nevralgias •J, p Analgésica em nevralgias e dores reumáticas

142

S Ú E : : . - i PIAUÍ AD ?•' Parte: D e

«Et : '.- 5
Cl i n .1 n

Doença
DOR DE CABEÇA
A dor de cabeça, ou cefaleia, deve-se a numerosas causas. As mais comuns são: • Congestão, isto é, acumulação excessiva de sangue na cabeça. Para isso, usam-se as plantas revulsivas como a mostarda, que derivam o sangue para outro lugar. •Falta de irrigação sanguínea na cabeça, para o que se usam as plantas vasodilatadoras. • Má digestão ou mau funcionamento da vesícula biliar. Para isso se usam as plantas digestivas e colagogas.

Planta
ERVA-CIDREIRA

Pág.

Acção

Uso
Infusão e extractos

Antiespasmódica e sedante. 163 Acalma a dor de cabeça causada pela tensão nervosa 234 Vasodilatador, melhora a circulação cerebral

GINKGO

Infusão de folhas Decocção, preparados farmacêuticos Infusão de flores Infusão e essência Infusão ou extractos Infusão Banhos de pés. quentes, com farinha de mostarda Infusão de folhas e/ou flores Decocção da casca Infusão e decocção Infusão de folhas Infusão de folhas e/ou flores. compressas sobre a testa ui.„s« »«**«,:., lnfusao e s s e n c i a Infusão ou decocção de frutos Infusão ou decocção Infusão, sumo fresco Flocos (sementes prensadas) com leite ou caldo vegetal c„™„„t„„ /„„,„,-* Sementes (nozes) Preparados farmacêuticos

PERVINCA

244 Vasodilatadora, aumenta a irrigação sanguínea do cérebro 328 Antiespasmódica e sedante 366 Tonificante e digestiva

PRIMAVERA HORTELÃ-PIMENTA BOLDO

390 da vesícula biliar
4,-,

Normaliza o funcionamento

POEJO

Acalma as dores de cabeça de origem digestiva

MOSTARDA-NEGRA

663 R evu ' s ' va ' descongestiona a cabeça em caso de catarro nasal ou gripe 153 Antiespasmódica e sedante l AO Previne o aparecimento das crises de enxaqueca YJM Antiespasmódica, analgésica, diminui a intensidade da enxaqueca 265 044 oco Sedante e antiespasmódico Anti-inflamatória, acalma a dor de cabeça Antiespasmódico, acalma as enxaquecas associadas a má digestão

ENXAQUECA (HEMICRANIA)
É uma dor intensa, que geralmente afecta metade da cabeça, e que aparece com certa periodicidade, associada a perturbações nos olhos. Durante a crise de enxaqueca produz-se um espasmo das artérias que irrigam a cabeça, para o que são úteis as plantas antiespasmódicas. Em > 1^ muitas ocasiões, as crises de enxaqueca são desenffcadeadas por fermentações digestivas ou por certos alimentos.

LARANJEIRA TÍLIA

VERBENA

LIMOEIRO

VIOLETA

MANJERICÂO-GRANDE CARDO-DE-SANTA-MAWA

368

395 Regula a tonicidade dos vasos sanguíneos «pç Digestiva, alivia as enxaquecas de origem digestiva

ANGÉLICA

Maniertcâogrande VERÓNICA

475 Digestiva, tonificante, alivia as enxaquecas de origem digestiva 150 Tonifica e equilibra o sistema nervoso cnc 505 608 611 Fornece ácidos gordos essenciais,
B f o s f o r o e vltamin as B Ton nca aurnenta a ' ' capacidade de concentração e de memória

RENDIMENTO INTELECTUAL INSUFICIENTE
As plantas ricas em ácidos gordos essenciais, como o limoeiro, em lecitina, em vitaminas do grupo B, e em minerais como o fósforo, favorecem um bom rendimento intelectual. Também são úteis, embora de forma não continuada, os tonificantes não excitantes, como o ginseng ou o tomilho. Os estudantes, e todos aqueles que estejam sujeitos a um grande esforço intelectual, podem beneficiar do seu uso.

AVEIA

Mf , f ., l r, 0 .

NOGUEIRA GINSENG GERGELIM

Complemento nutritivo adequado ao sistema nervoso Estimula as faculdades intelectuais

Sementes (em diversas preparações)

TOMILHO

769 e a actividade mental

Infusão, essência

143

C a p . 8; P L A N T A S PARA O S I S T E M A N E R V O S !

Doença
MEMÓRIA, PERDA DE
Além destas duas plantas com acção vasodilatadora sobre as artérias cerebrais (que melhoram a irrigação sanguínea do cérebro), são convenientes todas as recomendadas para o "Rendimento intelectual insuficiente" (pág. 143).

Planta
Caíra*
WNKGO

Pág. Acção
IIA
<íá4

Uso
Infusão das folhas

Melhora a irrigação sanguínea
n Q c é r e b r o

Pcou.Nrn KERVINCA

-?AA Vasodilatadora cerebral, melhora cm a o x j g e n a çã 0 dos neurónios Sedante e antiespasmódica. 167 Permite diminuir a frequência e intensidade das crises epilépticas Sedante, antiespasmódica 172 e anticonvulsivante, previne o aparecimento dos ataques epilépticos

Decocção, preparados farmacêuticos

EPILEPSIA
Embora estas plantas não substituam PASSIFLORA o tratamento médico da epilepsia, po- i dem no entanto ajudar a reduzir a dose . de fármacos aintiepilépticos e estabilizar o paciente. VALERIANA

Infusão de flores e folhas

Infusão, maceração, pó de raiz

DOENÇAS ORGÂNICAS DO SISTEMA NERVOSO
0 óleo de onagra é muito rico em ácido linoleico, um factor essencial no desenvolvimento e no bom funcionamento dos neurónios. O seu uso é um bom compfemento do tratamento especifico das doenças orgânicas do sistema nervoso, tais como a esclerose em placas ou a doença de Parkinson. Contribui para a estabilidade do sistema nervoso e para o equilíbrio hormonal

ONAGRA

237

Cápsulas ou comprimidos do óleo das suas sementes

Ginkgo

O g i n k g o fpág. 234) é uma árvore de origem asiática dotada de extraordinárias propriedades medicinais. Trata-se de um vasodilatador cerebral, que aumenta a irrigação sanguínea no cérebro, com o que os neurónios recebem maior quantidade de oxigénio e de nutrientes. Por isso é útil a todos aqueles que sofram de perda de memória, ou que precisem de aumentar o seu rendimento intelectual, como os estudantes. Toma-se a infusão das suas folhas, se bem que existam também diversos preparados farmacêuticos que contêm extractos de ginkgo.

144

A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D l C I K A ! S 2 " Parte: D e s c r i ç ã o

Plantas sedativas

Acalmam a excitação do sistema nervoso. Estas plantas têm também uma acção equilibradora e reguladora sobre o sistema nervoso central e vegetativo.

Planta Abelmosco Agripalma Alface-brava-maior Alfazema Aspérula-odorifera Assafétida Aveia Cálamo-aromático Cinoglossa Dormideira Endro Erva-cidreira Estaque Laranjeira Limoeiro Lúpulo Melissa-bastarda Papoila Passiflora Pé-de-leão Pilriteiro Salgueiro-branco Saxifraga Tília Valeriana Verbena

Pág. 362 224 160 161 351 359 150 424 703 164 349 163 641 153 265 158 580 318 167 622 219 676 322 169 172 174 O sumo fresco de aipo (pág. 562) é um tonificante natural altamente recomendável em caso de esgotamento ou depressão nervosa. Tem afém disso acçáo diurética e depurativa. Pode misturar-se com sumo de limão. A dose habitual é de meio copo de manhã e igual quantidade ao meio-dia. antes ou depois da refeição.

Um sistema nervoso equilibrado repercute-se favoravelmente sobre a saúde do resto do organismo.

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. - ' . * - ; : ; < A O S $ ' : " : NERVOSO

A aromaterapia é uma forma segura e eficiente de aplicar as plantas sedativas ás crianças. Umas gotas de essência de alfazema, colocadas ao lado da almofada no momento de se deitarem, exercem uma suave acçáo sedativa e soporifera, muito recomendável para as crianças nervosas ou que durmam mal.

Plantas sedativas para as crianças
Nem todas as plantas sedativas são recomendáveis para as crianças. As seguintes apresentam uma acção suave e segura, pelo Que podem ser administradas com segurança mesmo às mais pequenas. Planta Alface-brava-maior Alfazema
Ti lia

Pág 160 161 169

A alface (pág. 160), especialmente a brava-maior, tem uma acçáo sedativa semelhante á do ópio, apesar de isenta dos seus efeitos secundários. O seu uso é tão seguro que se administra ás crianças como sedativo e soporifero. A dose habitual é de um quarto a meio copo de sumo de folhas frescas verdes |náo brancas) antes de deitar. Pode adoçar-se com mel. Também se pode administrar uma decocçáo de folhas verdes ou lactucário (látex que mana dos seus caules).

p lantas narcóticas
r

São plantas que, em doses elevadas, provocam um sono pesado Inarcose), diferente do sono natural. As plantas narcóticas possuem também acção estupefaciente (alteram as faculdades mentais) e afectam o sistema nervoso. Planta Meimendro-negro Dormideira Doce-amarga Erva-moura Pág 159 164 728 729

146

A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S ?•' P a r t e : D e s c r i ç ã o

I

Plantas antiespasmódicas

Impedem os espasmos dos órgãos ocos. £síes órgãos estão cobertos de músculos chamados lisos ou involuntários, controlados pelo sistema nervoso vegetativo. Quando estes músculos se contraem violentamente, quase sempre para vencer um obstáculo, produzem uma dor do tipo cólica. Um espasmo... Produz... • no estômago • no intestino • nos canais biliares • ÍJOS canais urinários • no útero uma dor de estômago com náuseas uma cólica intestinal uma cólica biliar (impropriamente chamada "hepática") uma cólica neíritica ou renal dismenorreia, espasmo uterino

As plantas antiespasmódicas actuam por intermédio do sistema nervoso vegetativo, relaxando o órgão ou canal contraído, com o que aliviam a dor ou cólica correspondente. Em farmacologia, conhece-se esta acção como antícolinêrgica.

A acácia-bastarda ou robinia (pág. 469) é outra planta antiespasmódica, que actua relaxando os espasmos nervosos do estômago. Toma-se uma infusão das suas flores depois de cada refeição.

Planta Abelmosco Acácia-bastarda Alcaravia Alfacebrava-maior Alfazema Angélica Anis-estrelado Arruda Artemísia Aspérula-odorífera Assa-fétida Avenca Camomila Cinco-em-rama Cominho Dictamno Endro Erva-cidreira Fumaria Funcho Grindélia Hortelá-pimenta Limoeiro Loureiro

Pág. 362 469 355 160 161 426 455

Planta lúcia-lima Macela Manjericão-grande Manjerona Milefólio Nêveda-dos-gatos Orégão Passiflora Petasite Pilriteiro Poejo Primavera Pulsatila Rorela Salgueiro-branco Salva Segurelha Serpão Tilia Tussilagem Valeriana Verbasco Verbena Verónica

Pág.

637 624 351 359 292 364 520 449 358 349 163 389 360 310 366 265 457

459 350 368 369 691 367 464 167 320 219 461 328 623 754 676 638 374 338 169 341 172 343 174 475

A fumaria (pág. 391) actua sobre o sistema nervoso vegetativo, relaxando os espasmos nervosos da vesícula e dos canais biliares (acção antiespasmódica). Tomase muito útil nas afecções hepatobilíares. Além disso é colerctica (aumenta a produção de bílis). Deste modo, facilita a função desintoxicante do sangue levada a cabo pelo fígado. O seu uso dá também excelentes resultados em caso de eczemas e erupções da pele, devidas em muitos casos á presença de toxinas na corrente sanguínea, o que vulgarmente se conhece como "sangue sujo".

147

Aconitum napellus L.

a *

:

.

Preparação e emprego

Acónito
USO INTERNO

Uma planta que cura. e que mata

0 acónito tem de ser usado sempre sob vigilância médica, e empregando produtos de laboratório devidamente avaliados quimicamente, para se saber com exactidão o seu conteúdo em aconitina. Existem os seguintes preparados farmacêuticos: O Pó de raiz: em dose máxima de 0,4 g diários, repartidos por várias vezes. ©Tintura alcoólica a 1/10: como máximo 6 gotas repartidas ao longo do dia. © Extracto hidralcoólico, que se apresenta em pílulas, cuja dose máxima não deve ser superior a 0,10 g por dia.
USO EXTERNO

O

ACÓNITO c ÍI planui com maior concentração de veneno, cie iodas as que crescem na Europa. Só a supera uma outra espécie do mesmo género, o Aconitum ffmx Wall., do Nepal, que se considera o veneno vegetal mais activo do mundo. Com apenas I g da sua raiz pode-se malar unia pessoa aduha.

O Loções com tintura alcoólica. © Pomada e unguento preparados ã base de extracto hidralcoólico. Aplicam-se friccionando sobre a zona dorida.

Precauções
Outros nomes: mata-cão. 0 acónito tenro (quando está a brotar) é pouco tóxico. Depois de a planta se ter desenvolvido, porém, é altamente venenoso. E cultiva-se nalguns jardins como planta ornamental! 0 contacto prolongado com esta planta pode tornar-se perigoso. Tem havido casos de intoxicação em crianças que tinham levado na mão. durante algum tempo, um ramalhete de acónito. Nas aplicações externas é preciso ter presente que a aconitina também se absorve pela pele, pelo que, mesmo por via externa, podem produzir-se intoxicações. Não se devem fazer mais de três aplicações diárias.
napelo, capuz, pistolete, carro-de-vénus. Brasil: capacete-de•júpiter. Esp.: acónito, anapelo. raiz dei diablo. Fr.: aconit (napel). Ing.: monkshood. Habitat: Terrenos montanhosos e húmidos de toda a Europa e da América, especialmente do Norte. Apesar da sua grande toxicidade, e cultivado como planta ornamental em todo o mundo Descrição: Planta herbácea, da família das Ranunculáceas, que atinge entre 50 e 150 cm de altura. As flores são muito belas, em forma de capacete, e podem ser de cor azul-escura, amarela ou branca. A raiz ê um tubérculo em forma de nabo. Partes utilizadas: a raiz

148

Desde tempos muita antigos que <> acónito é usado para envenenar flechas e para justiçar os réus. No século XVIII, o médico austríaco Stoerk começou a utilizá-lo no tratamento das dores nevrálgicas. Toda a planta, e especialmente a raiz, contém potentes alcalóides (aconitina e napelina), assim como glicósidos flavónicos, resinas, amido e manitol. O princípio activo mais importante é a aconitina, que é um potente anestésico dos terminais sensitivos; é lambem febrífugo e antitússico.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Convém saber identificar bem o acónito, uma das plantas mais venenosas que existem.

O acónito é uma planta altamente tóxica, mas que, correctamente empregada, p o d e aliviar dores rebeldes, como as das nevralgias faciais.

O acónilo usa-se com êxito, tanto por via interna IO.@.€M como externa 10,01, para acalmar as dores incuráveis das nevralgias, em especial a do nervo trigémeo, que afecta <> rosto, e a do nervo ciático. Também si- tem empregado como substituto da morfina, para desabituar os dependentes desta. ()s princípios activos do acónito são substâncias muito potentes que, correctamente utilizadas, surtem valiosos eleitos medicinais. O acónito é uma ílessas plantas (^w podem curai", masque também podem matar.

O

Intoxicação por acónito

Sintomas: De 10 a 20 minutos após a ingestão, produz-se uma sensação de irritação ou prurido na boca, nas mãos e nos pés, que a seguir se estende por todo o corpo; sudação abundante e calafrios. Aparecem depois náuseas, vómitos e diarreias. Se a intoxicação for grave, produzem-se alterações no ritmo respiratório e cardíaco, que acabam em paragem cardio-respiratória e morte. Primeiros socorros: Provocar imediatamente o vómito. É conveniente uma lavagem ao estômago; administrar carvão vegetal e laxantes enérgicos. Há que levar o doente com toda a urgência a um hospital, para ser internado numa unidade de cuidados intensivos.

N

Avena satíva L

P
Preparação e emprego
USO INTERNO

Aveia
Tonifica e equilibra os nervos

O Os flocos (sementes prensadas) cozinhados com leite ou caldo de hortaliça. © Infusão: Prepara-se com uma colherada de palha de aveia por chávena. Tomam-se 2 ou 3 chávenas por dia. USO EXTERNO © B a n h o relaxante: A inlusão serve também para acrescentar à água do banho na proporção de um litro por banheira de tamanho médio, com o que se obtém um agradável efeito relaxante.

S F L O C O S de aveia, q u e se preparam p r e n s a n d o os grãos trilhados, constituem um alim e n t o integral muito p o p u l a r nos países do C e n t r o e do Norte da Europa. A aveia tem, além disso, interessantes efeitos sobre o sistema nervoso.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

o

GRÃOS c o n t ê m 60%-70% de a m i d o e outros glícidos (hidratos de c a r b o n o ) ; 1-1% de proteínas; 7% de lípidos (gord u r a s ) , e n t r e OS quais se c o n t a u m a significativa p r o p o r ç ã o de lecitina; vitaminas do g r u p o li; ácido pantoténico; enzimas, minerais, s o b r e t u d o cálcio e fósforo; oligoelementos diversos; e um alcalóide (avenina), de efeitos tonificantes e equilibradores sobre o sistema nervoso. A aveia é por isso muito recomendada nos casos de d e p r e s s ã o , nervosismo, insónia e e s g o t a m e n t o físico ou mental l©l. Os q u e sofrem de stress ou de impotência sexual, os est u d a n t e s - s o b r e t u d o em é p o c a de exam e s - , os d e s p o r t i s t a s e as m ã e s lactantes, têm na aveia um alimento-remédio ideal. Pela sua excelente digestibilidade, convém t a m b é m aos convalescentes e aos q u e sofram de gastrite, de colite c de outras afecções digestivas.
150

Outros nomes: Esp.: avena, avena común, avena blanca. Fr.: avoine. Ing.: oat. Habitat: Originária do Sul da Europa. A sua cultura estendeu-se aos cinco continentes. Descrição: Planta anual da família das Gramíneas, que atinge um metro de altura. As suas flores, da mesma maneira que os grãos, agrupam-se duas a duas. em espigas. Partes utilizadas: A paíha e os grãos.

A palha ou farelo da aveia é sedativa e faz descer o co/esterof.

o

A aveia e o colesterol

0 doutor James Anderson, da Universidade de Kentucky, nos Estados Unidos, estava a trabalhar com doentes diabéticos, procurando determinar se havia algum cereal que fosse mais eficaz para controlar os níveis de açúcar no sangue. O doutor Anderson descobriu que, quando os doentes tomavam farinha de aveia, não só melhoravam os níveis de açúcar no sangue mas também diminuíam os números do colesterol. Estudando o assunto mais pormenorizadamente, chegou-se à conclusão de que este efeito era provocado pela porção de farelo que tinham os flocos de aveia. A fibra solúvel de que é formado o farelo da aveia actua absorvendo os ácidos biliares que existem no intestino, e arrastando-os juntamente com as fezes. Os ácidos biliares formam-se no fígado, a partir do colesterol do sangue, e passam para o intestino juntamente com a bílis. Normalmente, a maior parte deles é reabsorvida no íleo (terceira porção do intestino delgado), passando de novo para o sangue, e servindo de elemento base para a produção de colesterol.
Os flocos de aveia são um alimento-remédio muito recomendável para desportistas, estudantes e todos aqueles que desejem fortalecer e equilibrar o seu sistema nervoso.

O farelo de aveia é rico em silício e em vitaminas A e B. Tem efeito sedativo sobre o sistema nervoso, tanto ingerido por via oral em forma de infusão I© I, como aplicado externamente na água do banho 101. Investigações realizadas têm demonstrado que o farelo da aveia tem tim eleito redutor sobre o nível de colesterol no sangue. Esta diminuição afecta apenas o colesterol chamado

"nocivo" (I.DL), enquanto que não influi sobre o colesterol protector ou "bom" (HDL), que, como recentemente se descobriu, actua evitando a arteriosclerose. Este mecanismo de acção do farelo de aveia sobre o nível de colesterol é comum a todos os produtos que contêm fibra vegetal, especialmente quando é do tipo solúvel, como a maça, por exemplo (pág. 513).

O farelo da aveia, absorvendo os ácidos biliares e fazendo que se eliminem com as fezes, obriga o organismo a produzir mais ácidos biliares, necessários ao processo digestivo. Para isso, tem de utilizar o colesterol que existe no sangue, com o que o seu nível diminui. Portanto, o consumo de flocos de aveia integrais (com o seu farelo), é um bom método para reduzir o colesterol.

1

Cannabis sativa L.

v.
Preparação e emprego

.

Cânhamo
Produz euforia... e transtornos mentais

USO INTERNO O Infusão com uma colherada de frutos de cânhamo, que se deixam de infusão durante dez minutos. Bebem-se 2 ou 3 chávenas por dia.

O

CÂNHAMO cukiva-sc clesck tempos imemoriais, por proporcionar uma fibra lêxii com a qual se fabricam cordas e tecidos. São bem conhecidas as bebedeiras e os transtornos mentais que sofriam os operários que trabalhavam com libras de cânhamo. No século XIX descobri] am-sc os princípios responsáveis pelo sou efeito estupefaciente, os quais se apresentam cm maior percentagem na variedade- indica.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Das SUMIDADES FLORIDAS das plantas femi-

Outros nomes: cãnhamo-indiano, cânhamo-verdadeiro. linho•cânhamo, liamba, cãnamo. canabe, haxixe. Esp.: cahamo común. bangue (de la índia), henequén europeo. linabera. Fr.: chanvre. Ing.: hemp. Habitat: Originário da Ásia Central, estendeu-se a sua cultura pelas regiões temperadas e húmidas de todo o mundo. Descrição: Planta dióica (exemplares masculinos e femininos diferenciados) da família das Moráceas. que atinge até 1.5 m de altura. As folhas são espalmadas, divididas em 5 ou 7 segmentos de bordo dentado. As flores são de cor verdosa. e agrupam-se em cachos terminais. Partes utilizadas: ^0 as sumidades

ninas do cânhamo, especialmente da variedade hidicrt, obtém-se uma resina conhecida como haxixe ou marijuana, rica em canabinol. Km árabe, hashashin, que significa 'bebedores de hashish', deu origem à palavra "assassino*. Os has/iashineram os membros de uma seita que, quando entravam paia ela. faziam voto de malar a quem o seu chefe ordenasse. Os seus crimes eram habitualmente perpetrados sol) os eleitos narcóticos do haxixe. () haxixe costuma ser usado em forma de cigarro, feito com tabaco e cânhamo ou haxixe, que produz euforia. Km doses elevadas causa perda do juízo, alucinações c loucura. O seu consumo habitual faz perder a memória c a vontade, alem de atrofiar as glândulas sexuais, provocando esterilidade e impotência. () único emprego medicinal do haxi\c <• o de acalmar as dores nevrálgicas e reumáticas, aplicado externamente em forma de tintura alcoólica, por meio
152

m

M

floridas e os
frutos.

M L )

Os frutos do cânhamo usam-se contra o colesterol.

de fricções ou loções. Devido a poder ser absorvido mesmo através da pele, e ter efeitos estupefacientes, não se recomenda o seu uso, já que existem outros remédios isentos de loxit idade e igualmente eficientes. Km contrapartida, os FRUTOS do cânhamo, muito apreciados pelas aves e pelo gado, não contêm canabinol. Km infusão, usam-se para fazer descer o colesterol no saimue IOI.

Fórmula química do canabinol. princípio activo de acção estupefaciente que se encontra nas folhas e flores do cânhamo.

Citrus aumntíum L.

f\

9

L

A

Sinonímia cientifica: Citrus sinensis Pers., Citrus vulgaris Rísso

Laranjeira
A flor é sedativa e o fruto tonificante

Espécie afim: Citrus aurantium var. sinensis L. s Citrus sinensis (L.) Osbeck. Outros nomes: C. aurantium: laranjeira-azeda. laranjeira-amarga: C sinensis: la ra njeira • doce. la ranjeira • da • -china, laranja-de-umbigo, laranja-da-baia. laranja-camoesa. laranjeira-romã. Esp.: naranjo agrio, naranjo dulce. naranjo de la China.

D

ESDE que a laranjeira chegou, na Idade Média, às cosias mediterrâneas do Sul da Europa, vinda do Médio Oriente e da Ásia. o sen êxito não parou de aumentar. O seu porte elegante, o magnífico aroma das suas flores e, sobretudo, a excelência dos seus frutos, no caso fia laranjeira-doce, permiliram-lhe conquistar os campos e as mesas de uma boa parte do inundo. Poucos anos depois dos Descobrimentos, os Espanhóis levaram a laranjeira para a América, em particular para o México, a Florida e a Califórnia, onde actualmente se encontram os maiores laranjais do mundo. Toda a árvore é rica em essências aromáticas de eleitos medicinais, embora a maior concentração se encontre nas flores,
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Fr.: oranger. Ing.: orange tree. Habitat: Oriunda da Ásia Central. A sua cultura estendeu-se a toda a região mediterrânea e a todas as zonas quentes do continente americano. Descrição: Árvore de ramos espinhosos, da família das Rutáceas, que atinge de 2 a 5 m de altura. As folhas são perenes, têm um peciolo alado em forma de pequeno coração. As flores são brancas, dispostas nas axilas das folhas. Os frutos são as conhecidas laranjas. Partes utilizadas: as folhas, as flores e os frutos (especialmente os da laranjeira-doce: ver o quadro da página seguinte).

n

Precauções

J J?
USO INTERNO

Preparação e emprego

As pessoas que sofram da vesícula biliar devem evitar comer laranjas de manhã em jejum. Pela sua acção colagoga, provocam um esvaziamento brusco da vesícula biliar, que pode causar ligeiros incómodos abdominais, como peso no estômago ou sensação de distensão.

O Infusão de folhas e/ou flores, com 10-20 g por litro de água (3 folhas ou 6 flores são suficientes para preparar uma infusão sedativa). Ingerir 3 ou 4 chávenas por dia, especialmente antes de deitar. © Decocção: Ferver 30 g de casca de laranja, seca. cortada em pedacinhos, em meio litro de água, durante 15 minutos. Pode-se adoçar com mel. Toma-se uma chávena pequena depois de cada refeição.

15

A laranjeira-doce é a mais conhecida e cultivada; no entanto, a variedade de laranjeira que mais se emprega em fitoterapia é a amarga, pois embora ambos os tipos de laranjeira apresentem as mesmas qualidades, a amarga possui uma maior concentração de substâncias aromáticas e de princípios activos. As FOLHAS, e sobretudo as FLORES da laranjeira, contêm uma essência composta por limoneno e linalol, entre outras substâncias aromáticas. A

^•^

Laranja

1

A laranja-doce é uma das frutas mais apreciadas, sobretudo nos países frios, pois no Inverno é uma fonte muito valiosa de vitamina C. Come-se directamente a sua polpa, ou então espreme-se para se obter um dos sumos mais apreciados. O sumo de laranja tem de ser bebido acabado de fazer, para se poderem aproveitar as suas propriedades nutritivas e medicinais, pois a vitamina C destrói-se rapidamente em contacto com o oxigénio, e outros componentes também sofrem mudanças desfavoráveis que alteram notavelmente os seu aspecto e sabor. Por isso é costume acrescentar vitamina C ao sumo de

laranja industrial, embora com isso não se consiga recuperar todas as suas primitivas propriedades. As laranjas contêm vitaminas A, B, C e P, assim como ftavonóides, açúcares, ácidos orgânicos e sais minerais. Têm propriedades anti-escorbúticas, tonificantes, aperitivas e colagogas (provocam o esvaziamento da vesícula biliar). O seu consumo torna-se muito recomendado nos seguintes casos: • Doenças infecciosas ou febris. • Esgotamento, astenia (sensação de cansaço). • Desnutrição, anemia, raquitismo. • Trombose, arteriosclerose e transtornos circulatórios em geral. As laranjas diminuem a viscosidade do sangue e têm um efeito protector sobre os vasos sanguíneos, devido, entre outras coisas, à vitamina P. O fruto da laranjeira-amarga costuma ser utilizado somente na preparação de doces.

elas se deve a sua acção anti espasmódica, sedativa e ligeiramente soporífera (indutora do sono). O seu uso é indicado nos seguintes casos: • Insónia (O!: Provocam uma sedação suave que facilita a chegada do sono. • N e r v o s i s m o c i r r i t a b i l i d a d e 101: Dão bons resultados nestes casos, sem apresentar perigo de dependência n e m outros efeitos secundários nocivos. Podem-sc a d m i n i s t r a r m e s m o a crianças p e q u e n a s , a c a b n a n d o - a s para lhes facilitar um sono tranquilo.
Ambas as laranjeiras, a doce e a azeda ou amarga, têm as mesmas propriedades. No entanto, em fitoterapia preferem-se as flores, as folhas e a casca do fruto da laranjeira-amarga, pela sua maior concentração de princípios activos. Os doces de \aranja amarga sáo muito apreciados.

faz p a r t e , j u n t a m e n t e com a erva-cidreira, da famosa "água-dos-carmelitas" (pág. 163). • Dores das regras, provocadas por espasmos uterinos IOI. Das flores extrai-se a essência de flor de laranjeira ou néroli, e das folhas, a esse-ucia chamada petít-grain. A CASCA dos frutos 101. espe< ialtnente das laranjas amargas, é rica em glicósidos flavonóidcs (naringina, b e s p e r i d i n a e r u i i n a ) , de acção sem e l h a n t e à da vitamina P. Devido a isio é usada nos casos de fragilidade capilar e vascular ( e d e m a s , varizes, t r a n s t o r n o s da c o a g u l a ç ã o ) . E um bom tónico digestivo, q u e tem efeito aperitivo e ajuda a digestão. Possui também um suave efeito sedativo, do mesmo m o d o q u e as Mores e as folhas.

• Enxaquecas, d o r e s de cabeça causadas por espasmos arteriais IOI. • T r a n s t o r n o s digestivos: espasmos do estômago e dores gástricas de origem nervosa (nervos no e s t ô m a g o ) , assim c o m o aerofagia e arrotos IOI. • P a l p i t a ç õ e s cardíacas, d e s m a i o s e desfalecimentos. A flor de laranjeira

154

Conium maculatum L.

v
Preparação e emprego

Cicuta
Um potente tóxico que convém saber distinguir

USO INTERNO 0 Pó: Os frutos secos da cicuta trituram-se em forma de pó. que se dissolve em água. A dose máxima tolerável para os adultos é de 1 g diário de frutos, dividido por quatro tomas de 0.25 g cada uma. USO EXTERNO © Pomada: Prepara-se com 1 g de frutos triturados, por cada 9 g de dissolvente gordo. Usa-se como anestésico local em caso de nevralgias e dores intensas. Tenha-se sempre bem presente que a coniina se absorve pela pele.

A

l l! MAS então a cicuta cresce nos nossos campos? Muitos ficara surpreendidos quando ouvem dizer que a mesma planta, com que o grande Sócrates pôs fim à sua vida no ano 339 a.C... ainda se encontra à nossa volta. A cicuta acha-sc muito disseminada e convém saber distingui-la de outras plainas da mesma família botânica .is Umbclíferas-a que se assemelha: a angélica (pág. 426), a salsa (pág. 583),
o aipo (pág. 562), c ale a cenoura-brava (pág. 133).

&

Com a informação que oferecemos no quadro junto, e comparando as ilustrações de cada uma dessas plantas, que se encontram neste obra. tor-

Cicuta-menor

Sinonímia científica: Cicuta officinalis Crantz.. Cicuta major Lam. Outros nomes: cicuta-maior, cicuta - ordiná ria, cicuta -oficinal, cicuta-de-atenas. cicuta-terrestre, ceguda. cegude. abioto. ansarinha-malhada. Brasil: cicuta-da-europa. tuncho-selvagem, grande-cicuta. Esp.: cicuta mayor. barroco. zanahona de monte. Fr.: (grande] ciguê. Ing.: hemlock. poison parsley. Habitat: Cresce espontaneamente em toda a Europa e América. Abunda em lugares frescos e húmidos, nas margens dos rios e beiras dos caminhos. Descrição: Planta herbácea que atinge de 30 a 150 cm de altura, da família das Umbeliferas. Tem o caule oco e finamente estriado. Partes utilizadas: os frutos.

A cicuta-menor ou aquática {Cicuta virosa L.)* cresce em lugares húmidos do mesmo modo que a cicuta-maior, embora seja menos frequente do que esta. 0 aspecto da cicuta-menor è semelhante ao 6a maior. Os seus efeitos t ó x i c o s caracterizam-se por violentas convulsões e finalmente paragem respiratória. O tratamento a seguir é o mesmo que para a intoxicação por cicuta-maior. ' Esp.: cicuta menor, cicuta aquática.

155

na-se fácil identificá-la e evitar cortfundi-la com outras plainas completamente inócuas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Todas as partes da plaina, e em especial os frutos, contêm vários alcalóides (comina, coniceína, conidrína e pseudo-conidrina), além de um óleo essencial, e glicósidos flavónicos e cumarínicos. A comina é <> princípio activo mais importante da cicuta, que se encontra presente numa proporção de 2% nos Irmos, e de 0,5% nas folhas. Absorve-se tanto por via oral como através da pele. pela qual penetra com facilidade.

II

Como identificar a planta da cicuta

O aspecto da venenosa cicuta é bastante semelhante ao de outras plantas da mesma família, como por exemplo o aipo e a salsa. Os seguintes pormenores botânicos ajudarão a identificá-la: • O caule da cicuta distingue-se do de outras umbeiíferas por ter na sua parte inferior umas manchas de cor avermelhada ou púrpura. • As folhas são grandes e brilhantes, e estão muito divididas. • As flores são brancas, e estão agrupadas em umbelas desiguais de 10 a 20 raios. • O fruto é ovalado, com cerca de 3 mm, de cor parda verdosa, e muito sulcado por nervuras ondeadas. • Toda a planta deita um desagradável cheiro a urina.

()s alcalóides são substâncias vegetais de reacção alcalina. As suas moléculas são complexas e são formadas por carbono, hidrogénio, azoto e oxigénio. Os seus efeitos farmacológicos são muito acentuados, e com pequenas doses já se produzem eleitos tósicos. Km doses terapêuticas, a coniina e os restantes alcalóides da cicuta pro-

porcionam uma acentuada acção sedativa, analgésica e anestésica local. A cicuta tem sido utilizada com êxito para acalmar • dores insuportáveis, como as provocadas pelo cancro 19,01, e

• dores persistentes, como as nevralgias IO.0I. Nos nossos dias. embora disponliamos de outros analgésicos potentes e seguros, também se pode empregar, mas sempre sob o vigilância cio médico, e respeitando fielmente a dosagem. para evitar eleitos tóxicos.

Intoxicação por cicuta

A coniina é semelhante, na sua estrutura química e nos seus efeitos, a outro alcalóide: a nicotina, que se encontra no tabaco. Ambos os alcalóides actuam sobre o sistema nervoso vegetativo, excitando-o primeiro e deprimindo-o depois. De meia hora a duas horas depois de se ter ingerido uma dose tóxica de coniina, produz-se ardor na boca, dificuldade de engolir, náuseas, dilatação das pupilas e fraqueza nas pernas. Se a dose for maior, produz paralisia muscular (como a produzida pelo curare) e morte por paragem respiratória e asfixia. Apesar de tudo, não se perde a consciência e mantém-se a lucidez até ao último momento. Por isso os Gregos es-

colheram este método para tirar a vida aos condenados à pena capital.

Tratamento da intoxicação: Sempre que haja suspeita de que se tenha ingerido cicuta, deve-se provocar o vómito e, se possível, fazer uma lavagem ao estômago. Administrar purgantes e carvão vegetal. Praticara respiração artificial boca a boca, se o intoxicado tiver dificuldade para respirar. É necessário proceder à imediata transferência do doente para um centro hospitalar.

156

Datura stramonium L

»

4. A
Preparação e emprego
USO INTERNO

Estramónio
Antiespasmódíco, mas tóxico

O

ESTRAMÓNIO era desconhecido na Europa durante a antiguidade e a Idack- Média, até que, pelos fins do século XVI, foi trazido do México paia a Península. Distribuiu-se depois rapidamente por toda a Europa, devido às suas singulares propriedades sobre o sistema nervoso.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Ioda a

Por se tratar de uma planta tóxica, não se deve usar internamente, salvo por indicação do médico. O Pó de folhas: A dose máxima é de 0,2 g de pó, três vezes ao dia.
USO EXTERNO

©Cataplasma de lolhas esmagadas: aplica-se sobre a articulação afectada.

planta contém alcalóides activos sobre o sistema nervoso vegetativo (hiosciamina. atropina e escopolamina), além de ácidos cítrico e málico, taninos e óleo essencial. Tem uma a r ç ã o semelhante à do m e i m e n d r o (pág. Iõ9) e da bcladona (pág. 352), q u e consisie em inibir o sistema nervoso parassimpático. Possui as seguintes propriedades e aplicações: • Antiespasmódica: Relaxa a musculatura do tubo digestivo, dos brônquios, dos canais biliares e urinários (O). • Analgésica, sedativa e antitússica IOI. • Tcm-sc usado em todo o tipo de cólicas IOI.intestinais, biliares e renais; e também c o m o antiasmático. • Aplicado externamente, acalma as dores reumáticas l@l.
Outros nomes: figueira-do-inferno. figueirinha-do-inferno. pomo-espinhoso, erva-dos-bruxos, burladora, zabumba. Esp.: estramónio, chamico. vuélvete loco. Fr.: stramoine. pomme épineuse. Ing.: stramonium, Jimson weed, thorn-appie. Habitat: Originária das Américas Central e do Sul, embora se encontre espalhada por quase todo o mundo. Cresce à beira dos campos e dos caminhos, sempre próximo de lugares habitados Descrição: Planta anual robusta, da família das Solanàceas, que atinge de 30 a 90 cm de altura. Tem flores grandes, brancas e em forma de trombeta. O fruto é espinhoso, e toda a planta exala um cheiro desagradável Partes utilizadas: as folhas.

Precauções

Planta estupefaciente tóxica; produz alucinações e transtornos mentais, como sugerem alguns dos seus nomes populares, como o de erva-dos•bruxos, e o espanhol vuélvete loco (torna-te louco).

15

Humulus lupulus L

Lúpulo
Acalma os nervos e tonifica o estômago

Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 10-20 g de cones por litro de água, da qual se tomam 3 ou 4 chávenas diárias. Esta mesma infusão aplica-se quente, em compressas, sobre a zona que sofre a nevralgia. €> Extracto seco: Ingerem-se até 2 g diários, repartidos por 2-3 tomas. USO EXTERNO © Compressas quentes com a mesma infusão de cones de lúpulo que se descreve para o uso interno. Aplicam-se sobre a zona dorida. O Cataplasmas: Preparam-se colocando um punhado de cones de lúpulo num pano de algodão, de forma que fiquem envolvidos. Molhar com água quente o pano contendo os cones, e aplicá-lo sobre a zona dorida (em geral sobre o ventre).

O

NATURALISTA romano Plínio baptizou esta planta com o nome de lúpulo, porque se apodera das hortas onde cresce, como se fosse um lobo (hipus em latim). Desde a Idade Média, a lupulina é utilizada para aromatizar e conservar a cerveja, c têm-se vindo a descobrir as suas numerosas propriedades.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: o LU-

PU1.1NO, pó que se desprendi- quando se sacodem os cones, contém uma essência rica em hidrocarbonetos lerpénicos, que lhe confere acção sedativa e soporífera (indutora do sono), assim como uma resina com princípios amargos, que explicam a sua acção cónica digestiva e aperitiva. Nos CONES há também flavonóides, que são substâncias de acção estrogénica e anti-séptica. Vejamos as suas aplicações: • Nervosismo, insónia, enxaquecas 10,©I. • Hipcrexcitação sexual nos jovens do sexo masculino (acção annlrodisíaca). Na Inglaterra vitoriana, enchiain-se as almofadas com cones de lúpulo IO.0J. • Digestões difíceis e inapetência IOI. • Dores de estômago e dores de tipo nevrálgico IO.OI, aplicado externamente cm compressas ou cataplasma.

Outros nomes: engatadeira. húmulo. lúparo, lúpulo-trepador. pé-de-galo. vinha-do-norte. Esp.: lúpulo, lupulina. lúpio. oblón. Fr.: houblon [à la bièrej. Ing.: hops. [common] hop. European hop. Habitat: Comum em bosques húmidos e sebes da Europa e América do Norte. Cultivado em muitas regiões de Portugal. Descrição: Planta trepadeira vivaz, da família das Canabináceas. cujo caule pode crescer até aos 6 metros. É uma planta dióica. cujos exemplares femininos produzem umas inflorescèncias globulosas. que tomam a forma de um cone (pinha) quando o fruto amadurece. Partes utilizadas: os cones (inflorescèncias da planta do lúpulo) e o lupulino (pó amarelo que os cobre).

Precauções
Não ultrapassaras doses indicadas, dado que o lúpulo pode provocar náu seas.

158

Hyoscyamus nfgerL

»

Meimendro -negro
Narcótico e tóxico

Preparação e emprego

USO INTERNO

O Infusão: 10 a 15 g de folhas por litro de água. Tomar duas chávenas por dia. © Pó de folhas secas: 1 g é a dose máxima diária tolerável.
USO EXTERNO

O

MEIMENDRO já se empregava cm Babilónia (século XV a.C.) contra as dores de dentes, lai como o atesta o Papiro de Ebers. Dioscórides (século I d.C). pai da fitoterapia, já menciona as suas propriedades narcóticas. Durante a Idade Média, o meimendro começou a fazer parte dos apó/emas preparados por bruxas e feiticeiros. Dizia-se que os malfeitores o colocavam sobre as brasas com que se aqueciam os banhos públicos, para adormecer os banhistas com os seus fumos, e depois saqueá-los. Toda a planta contem alcalóides muito activos sobre o sistema nervoso (atropina. hiosciamina e escopolamina). E um potente antiespasmódico, analgésico e narcótico IO,€H. Em doses elevadas é estupefaciente e alucinogénio. Os seus fumos já foram utílizados nas crises de asma (acção broncodilatadora] e pai a acalmar a dor de dentes.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

©Cataplasma com folhas esmagadas, que se aplica sobre a zona dorida durante uns minutos. O Unguento preparado oficinalmente (em laboratório farmacêutico).

Aplicado localmente l©.OI. acalma a dor da gola, a dor reumática, a ciática e outras nevralgias.

O meimendro-negro é considerado uma planta tóxica. Outros nomes: meimendro. hiosciano. Brasil: meimendro•preto. erva-dos-cavalos. Esp.: beleno negro, jurcuario. tornalocos. Fr: jusquiame [noirej. Ing.: [blackj henbane. Habitat: Planta pouco frequente, que se pode encontrar à beira de alguns caminhos e em terrenos baldios da região mediterrânea e da Europa Central. Estendeu-se também ao continente americano. Descrição: Planta da família das Soianáceas. coberta de uma fina penugem. Pode atingir um metro de altura. As flores são de cor amarela pálida, raiadas de violeta. Toda a planta deita um cheiro nauseabundo. Partes utilizadas: as folhas

5

Precauções
Excederas doses indicadas produz náuseas e enjoos. Graças ao seu mau cheiro, não ê fácil haver intoxicações acidentais. Em doses elevadas torna-se estupefaciente e alucinogénio.

1

Lactuca virosa L

*

.

.

.

Alfacebrava-maior
Sedativa e indutora do sono

Preparação e emprego

USO INTERNO O Decocção durante 10 minutos, com 100 g de alface por litro de água, da qual se ingerem três chávenas adoçadas com mel durante o dia, e outra antes de deitar. Utilizar de preferência a alface-brava, ou a cultivada bem desenvolvida e florida. © Lactucário: Administram-se habitualmente de 0,1 a 1 g por dia. €) S u m o fresco: obtido por meio de uma liquidificadora. Toma-se meio copo 2-3 vezes por dia, e especialmente antes de deitar. Pode misturar-se com sumo de limão.

A

ALFACE das hortas, tenra e esbranquiçada, como se come normalmente em saladas, é praticamente destituída de propriedades medicinais. Ao contrário, a alface verde, completamente desenvolvida c madura, ou ainda melhor, a alface-brava. são um remédio muito apreciado desde a antiguidade.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS Fo-

lhas comem clorofila, sais minerais, vitaminas e uni princípio amargo. Os princípios activos sobre o sistema nervoso, no enianto. encontram-se no látex branco que mana dos caules quando são cortados, do qual se obtém por solidificação o lactucário. As folhas da alface, e especialmente o seu látex, possuem as seguintes propriedades: • Sedativas IO.0.01, semelhantes às do ópio, embora, ao contrário deste, > alface seja isenta de eleitos nocivos, de modo que se pode usar inclusivamente para as crianças pequenas, a quem acalma a excitação e ajuda a conciliar o sono. • Antíafrodisíacas IO.0.01: Ajuda a controlara excitação sexual. Dioscórides dizia que 'atalha os sonhos venéreos e reprime o desordenado apetite de fornicar». • Antitússicas IO.0.01: A alface é especialmente indicada nas tosses irrilalivas e na tosse convulsa.
160 Outros nomes: alface-brava, alface-maior. alface-virosa. Esp.: lechuga silvestre, lechuga virosa. Fr.: lailue suavage, laitue vireuse. Ing.: prickly lettuce, bitter lettuce. Habitat: Disseminada pelos terrenos secos e encostas pedregosas da Europa Central e Meridional. Descrição: Planta da família das Compostas, que atinge desde 0.4 m até 1.5 m de altura quando está espigada. O seu caule é vertical e robusto, de cor verdosa ou violácea, e dele emergem grandes folhas de bordo dentado. Partes utilizadas: as folhas e o látex.

As folhas brancas da alface cultivada sáo pobres em princípios activos sedantes do sistema nervoso. Nas folhas verdes, e sobretudo no látex da alface-brava, acham-se muito mais concentrados.

Lavandula angustifolia Miller

m

> t A A J
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 30-40 g cie sumidades floridas e folhas, por cada litro de água. Tomar três chávenas por dia, adoçadas com mel, depois das refeições. © Extracto fluído; Ingerem-se 30 gotas, 3 vezes ao dia. €) Essência: A dose habitual é de 3-5 gotas, duas ou três vezes por dia.

Alfazema
De perfume requintado, tonificante e muito medicinal

D

ESDE tempos muito antigos, a alfazema é utilizada tomo produto de beleza e de higiene. Durante o Império Romano, os patrícios e os cidadãos distintos acrescentavam alia/ema à água dos seus sumptuosos banhos, O seu outro nome "lavanda*1 deriva do latim Imune (lavar). As abelhas também gostam de desfrutar do requintado aroma da alfa/ema e, com o néctar das suas flores, fabricam um delicioso mel.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS su-

USO EXTERNO O Essência de alfazema: Não são precisas mais do que algumas gotas aspiradas ou esfregadas sobre a pele, para se conseguir o efeito. © Lavagens e compressas: Emprega-se a mesma infusão utilizada para uso interno, embora se possa preparar mais concentrada. Lavar directamente com ela as úlceras e feridas, e embeber depois uma compressa que se coloca sobre a zona afectada, durante 15 a 30 minutos. © Fomentações quentes, que se preparam com infusão de alfazema ou adicionando algumas gotas de essência à água. Aplicam-se sobre o pescoço, as costas e os joelhos. O Loções e fricções: Podem-se fazer com umas gotas de essência, com óleo ou com água-de-allazema (ver a forma de preparação na página seguinte). Sinonímia científica: Lavandula officinalis Chaix, Lavandula vera DC. Outros nomes: lavanda, lavandula. Esp.: lavanda, lavandula hembra, espliego. Fr.: lavande. Ing.: lavender. Habitat: Terrenos calcários, secos e soalheiros do Sul da Europa. Espontânea no Centro e Sul de Portugal. Cultiva-se na Europa e na América, pela sua essência. Descrição: Subarbusto de base lenhosa, da família das Labiadas, que mede de 15 a 60 cm de altura. As folhas são de cor verde acinzentada, estreitas e alongadas. As flores são de cor azul, pequenas e dispostas numa espiga terminal. Partes utilizadas: Sobretudo as suas sumidades floridas, e também as folhas.

midades floridas e as folhas da alfazema são muito ricas (l%-5%) num óleo essencial volátil, de composição muito complexa, formado p o r diversos álcoois t e r p é n i c o s e seus ésteres. O mais i m p o r t a n t e deles é o linalol. Esta essência é responsável pelas suas variadas propriedades, que são as seguintes: • Sedativa e equilibradora do sistema nervoso central e vegetativo IO,€>,©!: Recomenda-se nos casos de nervosis-

Precauções
A essência de alfazema em uso in terno deve-se usar com muita pre caução, devido a que, em doses ai tas, pode produzir nervosismo e, in clusive, convulsões.

1

o

Obtenção do óleo e da água-de-alfazema

ajuda a curar rapidamente. O óleo de alfazema alivia a dor nas queimaduras leves (de primeiro grau) e desinflama as picadas de insectos. • Relaxante e redutora da fadiga: Depois de marchas prolongadas, de intenso exercício físico, ou quando se sente esgotamento, um banho com água quente e água ou essência de alfazema ajuda a activar a circulação e a eliminar a sensação de fadiga. Obtém-se um maior efeito se o banho for seguido de fricções I©1 com um pano de lã embebido em água, óleo ou essência de alfazema. • Sedativa: O simples facto de aspirar o aroma da alfazema IOI exerce uma suave mas eficaz acção sedativa sobre o sistema nervoso central. É muito recomendável para a crianças que dormem mal. Neste caso, dá muito bom resultado colocar umas gotas de essência de alfazema na almofada da cama ou num lenço próximo da cara. • Balsâmica IOJ: A essência emprega-se em inalações ou banhos de vapor para acelerar a cura das laringites, traqueítes, bronquites, catarros bronquiais e constipações.

m"
• Óleo de alfazema: Dissolvem-se 10 g de essência em 100 g de azeite de oliveira e aplica-se como loção sobre a zona dorida. Também se pode

preparar deixando 250 g de planta seca em maceração durante duas semanas em um litro de azeite, filtrandoo depois.

• Agua-de-alfazema: Dissolvem-se 30 g de essência num litro de álcool a 90°. Depois de deixar repousar a mistura durante 24 horas, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados. Pode-se diluir com água, se se achar que está demasiado concentrada. Também se pode preparar deixando em maceração 250 g de sumidades floridas secas, num litro de álcool, durante duas semanas. Transcorrido este tempo, passa-se por um filtro de papel e guarda-se em frascos bem vedados.

mo, neurastenia, enjoos, tendência para a lipotimia (desmaio), palpitações do coração e, em geral, em todos os casos de doenças psicossomáticas. • Digestiva IO.O.Q): Tem uma acção antiespasmódica e algo carminativa (antiflatulenta) sobre o tubo digestivo, ao mesmo tempo que é aperitiva e ajuda a digestão. Devido a que a essência tem também efeito anti-séptico, dá muito bons resultados em caso de colite (inflamação do intestino grosso), especialmente quando há fermentação pútrida com decomposição das fezes e gases muito malcheirosos. * Anti iclimática c anti inflamatória IO.OI: Aplicada externamente, a água, o óleo, ou a essência de alfazema são muito eficazes para acalmar as dores reumáticas, quer sejam de origem articular quer muscular: dores artrósicas do pescoço ou das costas, artrite gotosa, torcicolos, lumbagos, ciáticas, etc. São também de grande utilidade
162

em luxações, entorses, contusões e distensões musculares. • Anti-séptica e cicatrizante 101: A infusão de alfazema emprega-se para lavar úlceras e feridas infectadas, que
•AI.

Outras espécies de 'Alfazema'
Existem várias espécies de plantas aromáticas pertencentes ao género Lavandula. Todas elas resistem igualmente ao sol e à aridez do terreno, e todas oferecem ao caminhante um dos perfumes mais apreciados do mundo vegetal. A composição destas espécies é muito semelhante, e as suas propriedades medicinais são as mesmas. Além da officinalis ou angustifolia, há que salientar duas que, como ela, também se cultivam: formas intermédias. Em Portugal é conhecida como alfazema-brava.

• Lavandula stoechas L** E o nosso rosmaninho. Caracteriza-se por as suas flores estarem agrupadas num ramalhete terminal de secção quadrangular. Também é conhecido pelos nomes de rosmarinho e rosmano.

• Lavandula latifolia (L f.) Medik. = Lavandula spica L var. latifolia L. f.*: Muito semelhante à alfazema, planta com a qual se híbrida e dá lugar a numerosas

Esp.: espilego, lavandula, alhucema, lavanda.

' Esp.: cantueso, cantuesca, azaya, estecados, tomillo borriquero.

Mellssa officínalis L

9.

M

S\

ti

Erva-cidreira
Equilibra o sistema nervoso

Preparação e emprego
USO INTERNO

O Infusão: 20-30 g de planta por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia. © Extracto seco: É costume administrar-se 0,5 g, 3 vezes por dia.
USO EXTERNO

J

A DIZIA Avicena, o grande médico árabe do século XI, que a metissa "tom a admirável proprieda de de alegrar e confortar o coração». Desde os começos do século

XVII, os monges carmelitas descalços preparam c o m esta planta a famosa "água-dos-carmelitas", q u e foi um remédio muito p o p u l a r c o n t r a OS desmaios, síncopes e crises de- nervos.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : AS To-

©Compressas: Aplicam-se com uma infusão preparada à razão de 30-50 g de planta por litro de água. O Banhos: Esta mesma infusão adicionada à água do banho (2 ou 3 litros por banheira). © Fricções: Aplicam-se com a essência diluída em álcool (álcool-de-melissa).

lhas e as Hores contêm cerca de 0,25% de óleo essencial, rico nos aldeídos citral e citronelal, aos quais deve a sua acção antiespasmódica, sedativa, carminativa, digestiva e anti-séptica. E útil nos seguintes casos: • P r o b l e m a s n e r v o s o s IO 0 1 : excitação, a n s i e d a d e , cefaleia devida a tensão ( d o r e s d e cabeça d e o r i g e m
nervosa).

Água-dos-carmelitas
A água-dos-carmelitas torna-se pouco recomendável devido ao seu importante conteúdo alcoólico. Conhecemos pessoalmente uma senhora idosa que, como os filhos tinham pedido a todos os comerciantes do bairro que não lhe vendessem nenhuma bebida alcoólica, conseguia a sua ração etílica nas farmácias, onde se fornecia diariamente de várias garrafinhas de água-dos-carmelitas, que bebia avidamente até se embriagar. Outros nomes: melissa. citronela-menor, limonete, chá-de-frança.
Esp: melisa, toronjil, cedrón. abejera. Fr.: mélisse. citronelle. Ing.: [sweetj balm, melissa. Habitat: Originária dos países mediterrâneos, mas cultivada em toda a Europa e regiões temperadas da América. Descrição: Planta vivaz da família das Labiadas, que atinge de 40 a 70 cm de altura. Tem folhas dentadas e muito rugosas, que exalam um forte cheiro a limão. Partes utilizadas: as folhas e as flores.

• Stress e depressão IO.0I: E muito indicada nos casos de stress e depressão nervosa, graças ao seu eleito sedativo suave e e q u i l i b r a d o r do sistema nervoso. • Insónia IO.0I: Tomada ã noite, ajuda a vencê-la. • Dores m e n s t r u a i s IO,01: Desde há séculos, é r e c o m e n d a d a para aliviar estas dores. • Também pode- ser de utilidade em caso de palpitações, espasmos e cólicas abdominais, flatulência, enjoos e vómitos IO,01. • Externamente, é anti-séptica, antifúngica (contra os fungos da pele), e antivírica I0.O.0I, de acção demonstrada contra os vírus do h e r p e s e os mi-

xovírus do grupo 2.
16

Papaver somniferum L

.

Preparação e emprego

Dormideira
USO INTERNO

Pode aliviar grandes dores... ou causar enormes sofrimentos

O Decocção com 2 a 4 cápsulas maduras de dormideira por litro de água, durante 5 minutos. Administram-se até 3 chávenas diárias, uma antes de deitar. © Óleo de sementes: Usam-se 1-2 colheradas (15-30 ml) em cru. 1-2 vezes por dia, para temperar a salada ou outro prato de verdura.
USO EXTERNO

O

s EFEITOS psicológicos desta planta já eram conhecidos pelos antigos Snmcrios, há cinco mil anos. Mas é de Teofrasto, filósofo, botânico c médico grego do século III a.C... discípulo de Aristóteles, que se conhece a primeira descrição do s u m o da d o r m i d e i r a , a q u e d e u o nome de of/ium (sumo, em grego). Dioscóridesjá o recomendava no primeiro século da nossa era. para mitigar a dor e provocar o sono.

© Para bochechos, podem-se adicionar até 6 ou 8 cápsulas por litro, na mesma decocção que para o uso interno.

Precauções
Não ultrapassar as doses indicadas. Não a ingerir juntamente com nenhum tipo de bebida alcoólica, pois isto faz aumentar os seus efeitos tóxicos.

Os médicos árabes, que durante a Idade Médica estenderam o seu uso pela Ásia e pela Europa, receiíavam-no frequentemente como aniidiaireico. No século XV1I1, aumentou muito o seu consumo como medicamento, e lambem como droga, pelos seus efeitos euforizantes. Esta situação agravou-se no fim do século XIX e princípio cio século XX. com a invenção da agulha hipodérmica. Km 1803, um jovem farmacêutico alemão isolou um alcalóide do ópio, a que chamou morfina, em memória de Morfeu, o deus grego cio sono. Depois obtiveram-se outros alcalóides c derivados semi-sintéticos como a diacetilmorfina ou heroína. A generalização do uso destes derivados do ópio com Uns não medicinais deu lugar a uma autêntica doença social: o hábito de ;is pessoas se drogarem por opiáceos. Km iodo o mundo, centenas de milhares eh- dependentes da he164

Outros nomes: papoila-branca, papoila-da•india. Brás. papoula. Esp.: dormidera, amapola, amapola blanca. Fr.: pavot. Ing.: opium poppy. Habitat: Originária dos paises do Médio Oriente. cultiva-se como planta medicinal na Turquia, no Irão. na China, no Sudeste Asiático e por todo o sul da Europa. Tem sido usada como planta ornamental em alguns jardins de paises quentes da Europa e da América. Pode-se encontrar como planta silvestre perto dos campos cultivados. Descrição: Planta anual da família das Papaveráceas. de aspecto variável, com caule rígido e oco de até um metro de altura. As folhas são grandes, dentadas. sem peciolo. abraçando o caule pela sua base. As flores são também grandes. com quatro pétalas de cor branca, púrpura ou lilás, com uma mancha escura na sua base. O fruto é uma cápsula parcialmente achatada que contém numerosas semenles. Partes utilizadas: as cápsulas, o seu látex, e as sementes.

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Fórmula química da m o r f i n a , o mais a b u n dante e importante dos 24 alcalóides q u e se encontram no ópio. Tem uma potente acção analgésica, estupefaciente e narcótica. O seu grande inconveniente é a grande capacidade que tem de gerar dependência física.

roína sofrem os graves efeitos tóxicos destas substâncias, depois de terem procurado nelas o que acreditavam que seria um prazer. Já o havia dito Andrés de Laguna, médico espanhol do século XVI: «O ópio é um veneno saboroso.» Tudo isto não impede que o ópio e os seus derivados, utilizados como medicamento sob vigilância médica, possam prestar um inigualável serviço à humanidade. Acalmam as dores incuráveis e tornam suportável a vida de muitos doentes de cancro, atacados por dores lancinantes. Além disso, são fármacos insubstituíveis na anestesia geral, sem os quais muitas intervenções cirúrgicas seriam impossíveis de realizar. Quando se pratica um fino corte na cápsula verde de uma dormideira, brota um sumo leitoso: o LÁTEX. Deixando-se secar ao ar, transforma-se numa massa gomosa de cor escura: o ópio. Cerca de 25% do peso do ópio é formado por alcalóides (24 diferentes), que se dividem em dois tipos segundo a sua estrutura química:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

O ópio é o látex q u e mana das cápsulas ou frutos desta bela flor, a dormideira. A morfina e outros alcalóides que se obtêm do ópio podem aliviar a dor, ou causar muito sofrimento (toxicodependência), conforme o uso que se lhes der.

antitússica, a tebaína, de acção relaxante; e outros. / Derivados da isoquinoleína: a papaverina e a noscapina, de acção antiespasmódica, entre outros. Os efeitos do ÓPIO são a soma dos que são próprios de cada um dos alcalóides que o compõem, embora

predominem os da morfina, por ser o mais abundante. São estes os mais importantes: • Analgesia: No paciente atormentado pela dor, mal-estar ou preocupação, produz um alívio completo da dor, seguido de sonolência e obnubilação mental (narcosc). Sydenham, famoso médico inglês do século XVII, disse
165

/ Derivados do fenantreno: morfina (o mais abundante), de acentuada acção analgésica; a codeína, de acção

«M.

V

Dormideira-brava

Na Península Ibérica cria-se como espécie autóctone a dormideira-brava' (Papaver setigerum D.C.), de propriedades semelhantes à Papaver somniferum L, embora apresente uma percentagem menor de princípios activos do que esta última. Ocasionalmente também tem sido cultivada, tanto em Espanha como em França, para aproveitar as suas propriedades medicinais.
' Esp.: dormidera silvestre.

Os derivados da morfina, obtida do ópio que se extrai da dormideira, desempenham um papel fundamental na prática cirúrgica. Graças a estes derivados consegue-se a anestesia geral, que permite levar a cabo numerosas intervenções.

que «entre os remédios mais valiosos que aprouve a Deus Todo-poderoso dar ao homem para aliviar os seus sofrimentos, nenhum é ião universal nem ião eficaz tomo o ópio». No entanto, na actualidade, a potência analgésica do ópio foi suplantada pela dos seus derivados semi-sintéticos. O grande inconveniente do ópio e dos seus alcalóides reside na sua grande capacidade de produzir dependência física. Depois de algumas doses, o doente precisa dele de forma imperiosa, e não encontra nenhuma outra substância ou calmante que o substitua. Daí que tenha de ser usado com extrema prudência e sempre por curtos períodos de tempo, excepto no caso de doenças terminais. Quando se administra ópio a uma pessoa sã, provoca uma sensação de euforia exagerada, que pode ser seguida por outra de dísforia (ansiedade, tristeza e temor), de náuseas ou de vómitos. Logo se manifestam também os sintomas de dependência física. Confessava um ex-toxicodependente: "Primeiro toma-se para se estar melhor. Depois tem de se tomar para não se estar mal.» • Depressão respiratória: O ópio produz, devido especialmente à morfina
166

que contém, uma respiração lenia e superficial, pela acção sobre os centros respiratórios do tronco cerebral. Doses elevadas produzem a morte por paragem respiratória. • Efeito antidiarreico: O ópio diminui as secreções digestivas e torna mais lentos os movimentos peristálticos do intestino. Por isso se tem usado amplamente contra diarreias e disenterias. Actualmente dispõe-sc de outros tratamentos menos tóxicos. As CÁPSULAS maduras da dormideira (as verdes apresentam uma maior proporção de alcalóides tóxicos) podem empregar-se: • (lomo analgésico em dores rebeldes IO). • Aplicada localmente em bochechos, a infusão de cápsulas de dormideira pode acalmar as dores de cientes IO). • domo sedativo, em casos de- insónia rebelde IO). K preciso recordar que a dormideira não cura a causa da dor nem da insónia, que deverá proc urar-se e traia r-se. A toxicidade e o perigo de dependência da dormideira aumentam ã medida que se purifica:

/ ( ) ópio é mais perigoso do que as cápsulas da plaina. / Os alcalóides extraídos do ópio (a morfina, por exemplo) são mais tóxicos cio que o ópio completo. / Os alcalóides semi-sintéticos (heroína ou diacetilmorfina, por exemplo), obtidos, por processos químicos, a partir dos alcalóides naturais do ópio, apresentam uma maior toxicidade e capacidade de criar dependência. Daí que o ópio, e naturalmente os seus alcalóides, só possam ser usados por prescrição médica c. segundo a legislação da maioria dos países, com uma receita especial. Das SEMENTES da dormideira, ol> lém-se um óleo 101 que contém uma boa percentagem de lecitina, substância muito rica em fósforo, útil para reduzir o nível de colesterol no sangue e fortalecer o sistema nervoso. O óleo de dormideira acha-se completamente isento de alcalóides estupefacientes, e portanto pode-se utilizai" como óleo culinário de grande valor dietético. As sementes também se empregam em pastelaria e no fabrico de

pão.

Passiflora IncamataL

Passiflora
Uma planta americana contra o stress

E

STA planta chamou a atenção
Outros nomes: martírio, flor-da-paixão, maracujazeiro, maracujá, maracujá-azul. Esp.: pasionaría, pasiflora, granadilla. Fr.: passiflore. fleurda la passion. Ing.: passion flower, maypop. Habitat: Originária do sui dos Estados Unidos e do México. Encontra-se amplamente difundida pelas regiões tropicais da América Central e do Sul, sobretudo pelas Antilhas e Brasil. Dáse em terrenos secos e abrigados. Naturalizada nos países mediterrâneos do sut da Europa. Descrição: Planta trepadeira de caules lenhosos, da família das Passifloráceas, cujas flores brancas ou avermelhadas se evidenciam pela sua grande beleza. As folhas estão divididas em três lóbulos. O fruto é ovóide, carnudo, de cor alaranjada e com sementes negras. Partes utilizadas: As flores, as folhas e os frutos.

dos e u r o p e u s q u e viajaram até ao Novo M u n d o , os quais julgaram ver, nos diversos órgãos das suas

lindas flores, os instrumentos utilizados na paixão de Cristo: o azorrague, os cravos e o martelo. A passiflora foi introduzida na Europa e cultivada
como planta o r n a m e n t a l , até q u e , nos fins do século XIX, se descobriu q u e tinha um a c e n t u a d o efeito sedativo sobre o sistema nervoso.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS FLO-

RES e as FOLHAS da passiflora c o n t ê m p e q u e n a s q u a n t i d a d e s d e alcalóides indólicos, ílavonóides, diversos esteróis e pectina. Não se sabe b e m a qual destas substâncias se deve a sua acção sedativa, antiespasmódica e soporífera, sendo mais provável q u e se deva à c o m b i n a ç ã o de todas elas. As suas principais indicações são: • Ansiedade, nervosismo, stress 101: a passiflora actua c o m o um ansiolítico suave, sem risco de d e p e n d ê n c i a ou viciação. É a planta ideal para os q u e se e n c o n t r a m s u b m e t i d o s a tensão nervosa. O Dicionário das plantas que curam, de I.arousse. diz: «Um presente q u e nos vem do antigo império dos

-O?
USO INTERNO

Preparação e emprego

Astecas, a passiflora parece ser a planta de que a nossa civilização mais necessita.»

O Infusão: A forma mais conveniente de tomar a passiflora é a infusão de flores e folhas. Prepara-se com 20-30 g por litro de água, e deixa-se infundir durante 2 ou 3 minutos. Convém ingerir 2 ou 3 chávenas diárias, podendo ser adoçadas com mel, e mais uma antes de deitar, no caso de insónia. €) Nas curas de desabituação do álcool ou das drogas, administram-se infusões mais concentradas (até 100 g por litro), adoçadas com mel. A dose é regulada segundo as necessidades do doente.

16

«Mj

• Insónia IOI: Causa uni s o n o natural, sem que se produza depressão ou sonolência ao despertar. Devido à sua falta de t o x i c i d a d e , p o d e ser a d m i nistrada às crianças. • D o r e s e e s p a s m o s d i v e r s o s IOI: A passiflora descontraí os órgãos abdominais ocos, cuja c o n t r a c ç ã o causa d o r de lipo e s p a s m ó d i c o , ou cólica: e s t ô m a g o , i n t e s t i n o (cólica intestinal), vesícula e vias biliares (cólica biliar), vias u r i n á r i a s (cólica r e n a l ) e ú t e r o ( d i s m e n o r r e i a ) . Na prática, o seu uso é indicado ein q u a l q u e r tipo de dor, incluindo as nevralgias. • Epilepsia IOI: C o m o tratamento complementar, a passiflora p e r m i t e diminuir a frequência e a intensidade das crises epilépticas. • Alcoolismo e dependência de drogas 101: Têm-sc Feito interessantes experiências, a d m i n i s t r a n d o passiflora (Imante os primeiros dias da cura de desabituação do álcool, da h e r o í n a e de outras drogas. Esta planta permite q u e o s í n d r o m a de abstinência seja mais b e m tolerado e c o m m e n o r repercussão física sobre o organismo. A sua acção sedativa faz q u e o alcoólico ou o t o x i c o d e p e n d e n t e s u p o r t e melhor o desejo de consumir a droga, e possa v e n c e r a a n s i e d a d e c a u s a d a pela falta da mesma. Nestes casos, é necessária a vigilância médica. Os FRUTOS da passiflora (os maracujás) são ricos em provitamina A. vitamina C e ácidos orgânicos. São refrescantes e tonificantes. R e c o m e n dam-se no caso de e s g o t a m e n t o físico e na convalescença de d o e n ç a s febris ou infecciosas.

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Maracujá-roxo

No Brasil e nas Antilhas existe esta espécie de Passiflora, o maracujá-roxo* {Passiflora eóulisSims. = Passiflora laurifoiia F. Vil'.), deflores avermelhadas, que também é conhecida como maracujá-mirim. Esta é a espécie do género Passiflora mais conhecida nas Américas. O maracujá-roxo dá um fruto doce e um pouco ácido, de sabor autenticamente "tropical", com cuja polpa gelatinosa se preparam deliciosos refrescos. 0 óleo das suas sementes é comestível. Esta espécie não se considera propriamente uma planta medicinal.
' Esp.: granadilla.

As pirâmides maias de Palenque, no estado mexicano de Chiapas, são um dos restos mais bem conservados desta civilização. Tanto os Maias como os Astecas conheciam e utilizavam as belas flores da passionária, cujos efeitos sedativos sobre o sistema nervoso não foram descobertos na Europa antes do século XIX.

168

Tilia europaea L

Ú

Tília
Acalma os nervos, protege o coração... e muito mais

Outros nomes: Esp.: tilo, tila, tilia, tillera. Fr.: lilleul, til, tillet. Ing.: linden. Habitat: Difundida, tanto em estado silvestre como cultivada, por zonas montanhosas da Europa continental, Córsega, e região do Cáucaso. Muito cultivada em Portugal. Na América também existem diversas espécies de tílias.

A

S TÍLIAS são árvores majestosas que vivem vários séculos, e que parecera convidar-nos a

uma vida sossegada e serena, como a que elas mesmas têm. Nos países do

centro e do noite da Europa, a tília
simboliza a unidade familiar e a paz doméstica. O emprego da popular tília (infusão de flores) como sedativo remonta ao Renascimento, e é hoje um dos remédios vegetais mais utilizados. flores da tília contêm uma essência a r o máttca rica em magnésio, com propriedades sedativas, antiespasmódicas e vasodilatadoras; mucilagens e pequenas quantidades de tanino, que as tornam emolientes e anli-inflamatórias; e glicósidos ílavonóides, que as tornam suavemente diuréticas e sudoríficas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

Descrição: Arvore grande, de até 20 m de altura, muito ramificada na copa, da família das Tiliáceas. De folhas caducas, dentadas, com forma de coração e assimétricas na base. As flores são esbranquiçadas ou amareladas e exalam um aroma agradável. Partes utilizadas: As inflorescências jovens e a casca da árvore.

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USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO O Banho de flores de tília: Prepara-se com 300-500 g de flores postas em infusão com 1-2 litros de água, que se acrescentam à água do banho quente, imediatamente antes de o tomar. ©Compressas: Quer seja para afecções da pele quer para beleza, embebem-se compressas numa infusão de 100 g de flores de tília por litro de água, que se mudam cada 5 minutos. Aplicam-se diariamente duas ou três vezes.

O CÓRTEX (casca) contém polifenóis e cumarinas, que lhe conferem propriedades coleréticas (aumentam a secreção de bílis), antiespasmódicas (especialmente activa sobre a vesícula biliar) hipotensoras e dilatadoras das artérias coronárias. As suas aplicações são muito variadas, mas todas elas giram em torno dos seus efeitos sedantes e relaxantes: • Afecções do sistema nervoso !©,©,©!: Pela essência que contém, a llor de tília é muito útil nos casos de

O Infusão de flores: 20-40 g por litro de água. Ingerem-se cada dia 3-4 chávenas bem quentes; uma delas sempre antes de deitar. A tilia pode-se adoçar com mel. © Decocção de casca: 30 g por litro de água durante 10 ou 15 minutos. Pode-se misturar com a infusão de flores, para obter um efeito mais completo. © Extracto fluido: A dose costuma ser de umas 20-40 gotas, três vezes ao dia, com uma quarta toma à noite antes de deitar.

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o

Banhos de vapor

Os banhos de vapor (foto da direita) são recomendados como tratamento de beleza facial. Para isso ferve-se uma caçarola de água e, logo que se tire do lume, junta-se-lhe um punhado de flores de tília. 0 vapor que sai aplica-se directamente sobre o rosto. Fazer dois banhos por dia.

excitação nervosa, angustia e ansiedade. • Insónia (O.0.01: A tília loina-se muito eficaz nos casos de insónia, pois provoca um sono natural. Ao contrário da maior parte dos hipnóticos e sedativos Sintéticos, a infusão de tília não produz sonolência ou entorpecimento na manhã seguinte, e não gera dependência. No entanto há que ler presente que, como tratamento suave e nada agressivo que é, a tília actua lentamente, e os seus efeitos podem tardar vários dias para se manifestar. Os banhos com água quente a que se junta infusão de flores de tília lOl, têm um notável efeito tranquilizante e relaxante, e reforçam a acção da planta tomada por via oral em tisanas. Dão resultados espectaculares em caso de insónia rebelde. • Crianças nervosas ou que têm dificuldade em dormir IO,0,01: Recomenda-se também o uso da tília em pediatria, por não ter efeitos secundários ou indesejáveis. Convém às crianças hiperactivas ou irritáveis. Deve administrar-se durante vários dias ou semanas para que a sua acção se desenvolva. • Afecções respiratórias 101: Pelo seu conteúdo em mucilagens de acção emoliente, e pelo seu efeito antiespasmódico, a flor de tília é indicada nos catarros brônquicos, bronquites, asma, gripe e tosse rebelde das crianças. Pode-sejuntar um pouco de casea para um eleito mais intenso.
170

Os banhos de vapor com flores de tília suavizam e embelezam a pele. Para obter um efeito relaxante, acrescenta-se essa mesma infusão a água do banho, e toma-se um banho completo antes de deitar. O banho de flores de tilia dá muito bom resultado em caso de insónia ou nervosismo.

<*M.

Diversas tílias

Conhecem-se várias espécies de tília em todo o mundo. Todas, excepto a última que mencionamos, têm as mesmas propriedades medicinais: • Til ia-vu Igar (Tília platyphyllos Scopoli)*, uma tília de folhas grandes, a que em Espanha também se chama tília da Holanda. • Tília-de-folha-pequena {Tília cordata Miller)", que floresce 2 a 3 semanas antes da tília vulgar. • Tília-híbrida (Tília europaea L)***, resultado de hibridação entre as duas espécies citadas anteriormente, e que é a mais usada em fitoterapia. • Tília-americana (Tília americana L)."" • Tília-prateada (Tília tomentosa Moench. = Tilia argêntea L),***** uma árvore ornamental, que tem as folhas brancas pela face inferior. Não se utiliza em fitoterapia.
• Esp.: tilo común, tilo blanco, tejo blanco, tilo de hoja grande. " Esp.: tilo de hoja pequena, teja, tillera, esquiya. *** Esp.: tilo, tillera. **** Esp.: tilo americano. ***** Esp.: tilo plateado.

As flores da tília agrupam-se em inflorescências, que são conjuntos de flores com um pedúnculo comum. Juntamente com a casca, são a parte medicinal mais apreciada da tília. A acção medicinal da tília abrange o sistema nervoso, os aparelhos respiratório, cardiovascular e digestivo, assim como a pele.

modo, actua favoravelmente na prevenção do infarto do miocárdio e da trombose. Os pletóricos, os cardíacos, os que sofrem de hipertensão arterial, os que têm predisposição para arteriosclerose, para o infarto e, em geral, para as afecções circulatórias, beneficiam especialmente do consumo da flor e da casca de tília. • Enxaquecas (€>): A tília (especialmente a casca) tem-se revelado muito útil no tratamento da enxaqueca (dor de cabeça lancinante devida a espasmos arteriais), tão difícil de tratar por meios químicos. A sua acção é mais preventiva, pelo que se deve tomar de forma sistemática, e não apenas quando se apresenta o ataque. • Afecções digestivas {01: Pela sua acção colerética e anti espasmódica sobre a vesícula biliar, a tília, especialmente a flor, convém aos que sofrem

de cálculos biliares ou de transtornos no funcionamento da vesícula biliar (disquinesias). Facilita a expulsão dos pequenos cálculos da vesícula biliar (areias na bílis). Ajuda a uma melhor digestão em caso de dispepsia biliar, intolerância às gorduras, flatulência ou distensão abdominal após as refeições. •Afecções da pele 10): Aplicada externamente, a tília apresenta uma notável acção emoliente (ami-inflamatória e suavizante) sobre a pele. E indicada em caso de queimaduras, eczemas, furúnculos e irritações de origem diversa. • Beleza e cosmética: Torna-se de grande utilidade para combater os efeitos do vento, do frio ou do sol sobre a pele (pele seca, queimaduras solares). Usa-se em cosmética para dar suavidade e beleza à pele. O banho de vapor com tília abre os poros e limpa

• Afecções cardíacas e circulatórias (0,0.01: Tanto a flor como a casca da tília têm um efeito vasodilatador e suavemente hipotensor. Actuam especialmente sobre as artérias coronárias. Estão muito indicadas no caso de angina de peito e de arritmias, que costumam afectar as pessoas com temperamento nervoso ou submetidas a stress, com o que obterão um duplo benefício. Ultimamente descobriu-se que a tília (flor e casca da árvore) diminui a viscosidade do sangue, com o que este circula com maior fluidez. Deste

a pele.

Valeriana offlcinalis L

a
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão: 15-20 g de raiz triturada por Mro de água, de que se tomam até 5 chávenas diárias, adoçadas com mel, se se desejar. No caso de insónia, tomar uma chávena, entre meia e uma hora antes de ir dormir. © M a c e r a ç ã o : 100 g de raiz num litro de água quente. Deixar repousar durante 12 horas. Ingerem-se 3-4 chávenas por dia. €) Pó de raiz: Administra-se um grama, 3-4 vezes ao dia. USO EXTERNO O Compressas de uma decocção de 50-100 g de raiz seca, fervida num litro de água durante 10 minutos. Aplicam-se quentes sobre a zona dorida. © Banhos de água quente, de acção sedativa, [untando um ou dois litros de uma decocção de valeriana igual àquela que se prepara para as compressas.

Valeriana
Acalma os nervos e faz baixar a tensão arterial

A

VALERIANA produz efeitos bastante diferentes, segundo actuo sobre os seres humanos ou sobre os animais. Aos primeiros proporciona um notável efeito sedativo, enquanto aos segundos estimula Fortemente. Assim, por exemplo, os gatos ficam eufóricos quando cheiram a planta, e esfregam-se contra ela com grande deleite. Por outro lado, o aroma da valeriana, que se intensifica com a secagem da planta, não tem para os humanos nenhum atractivo especial, pois lembra o cheiro do suor dos pés. Questão de gostos... A valeriana usa-se em terapêutica desde o Renascimento, quando se descobriu a sua propriedade de evitar os ataques epilépticos. A cepa e as raízes da valeriana contêm cerca de 1 % de um óleo essencial com numerosos componentes (terpeno.s, ésteres de bornilo, etc.) e de 1 % a 5% de valepotrialos, que são triésteres do ácido valei iânico. O óleo essencial tem acção anti espasmódica, e os valepotrialos, acção sedante. No entanto, o eleito terapêutico da valeriana deve-sc à acção combinada de todos os seus componentes, e não a algum em particular, como alvas acontece com muita frequência em fitoterapia.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: valeriana-menor, valeriana-silvestre, valeriana-selvagem, erva-dos-gatos. Esp.: valeriana, valeriana oficinal, hierba de los gatos. Fr.: valériane, herbe aux chats. Ing.: ffragrantj valerian, English valerian. Habitat: Cresce nas orlas dos bosques, prados húmidos e margens dos rios da Europa, para desaparecer na região mediterrânea. Naturalizada na América do Norte e na região mais meridional do continente americano. Descrição: Pianta herbácea da família das Valerianáceas, com caules erectos e estriados, que atingem de 0,5 a 2 m de altura. As flores são pequenas, de cor rosada, e agrupam-se em ramalhetes terminais. Partes utilizadas: a raiz e o rizoma.

A valeriana tem efeitos tranquilizantes, sedalivos, soporíferos (favorece o sono), analgésicos (acalma a dor), antiespasmódicos e anticonvulsivos. Produz uma sedação de todo 0
172

A valeriana tem um notável efeito equilibrador sobre o sistema nervoso vegetativo, quer seja ingerida em tisana quer usada em banhos medicinais. Torna-se muito útil em caso de doenças psicossomáticas, nervosismo ou stress.

sistema nervoso central e vegetativo, diminuindo a ansiedade. Também diminui a pressão arterial. A sua acção é semelhante à dos fármacos tranquilizantes maiores ou neurolépticos (fenotiazinas e derivados), mas não tem nenhum dos correspondentes efeitos tóxicos destes. As indicações da valeriana são as seguintes:

• Distonias neurovegetatívas IO,©,0I: ansiedade, neurose de angústia, neurastenia ou irritabilidade, dores de cabeça, palpitações, arritmias, hipertensão arterial essencial (que não tem causa orgânica), tremores, neurose gástrica (nervos no estômago), cólon irritável, e outras doenças psicossomáticas. • Depressão nervosa e esgotamento IO 0,01: • Insónia IO.©,©1: Pela sua acção soporífera, dá muito bons resultados se a infusão se combinar com um banho 101 da mesma planta antes de deitar. • Epilepsia IO.0.01: Tomada regularmente, previne o aparecimento dos ataques epilépticos. Não substitui a medicação antiepiléptica, se bem que

pode ajudar a reduzir a dose da mesma. • Asma IO.0.01: Do mesmo modo que no caso da epilepsia, é mais eficaz na prevenção do que no tratamento do ataque agudo. A sua acção antiespasmóclica e sedativa evita o espasmo dos brônquios que, juntamente com o edema da mucosa, é um dos factores causadores da asma. • Dores IO,©,©): Pelo seu efeito analgésico torna-se útil para aliviar as dores ciáticas e reumáticas. Além disso, também actua externamente (91. Daí que se aplique localmente para aliviar a dor em caso de contusões, lombalgias, ciática, distensões musculares e dores reumáticas.
173

Fórmula química do valepotriato mais i m p o r t a n t e da valeriana, responsável pela sua acção sedativa.

Verbena offtcinalis L.

<El _«.
Preparação e emprego

Verbena
Alivia as enxaquecas e as nevralgias

Usar a planta fresca, sempre que seja possível, pois o seu princípio activo, a verbenalina, vai-se degradando paulatinamente com a secagem. USO INTERNO

O

T E M P L O d e Júpiter, n o Olimp o , era purificado c o m água-de-verbena, pois esta planta era considerada u m a panaceia, capa/, de livrar de todos os males. D u r a n t e a Idade Média, foi usada pelos encantadores e adivinhos, c o m o erva mágica. Antigamente era r e c o m e n d a d a c o m o afrodisíaca ( « a c e n d e os a m o r e s apagados»), e é possível q u e o seja até certo p o n t o , / a c t u a l m e n t e já p o d e m o s c o n h e c e r as suas p r o p r i e d a d e s e verdadeiras aplicações.

O Infusão: 15-20 g por litro de água. Ingerem-se 2 ou 4 chávenas por dia. © Decocção: 20 g por litro, durante 10 minutos. Dose igual à da infusão. USO EXTERNO ©Gargarejos: a mesma infusão ou decocção, mas mais concentrada (40-50 g por litro). O Inalações: Executam-se respirando directamente os vapores de uma decocção de verbena quente. ©Compressas quentes: Fazem-se com a infusão ou decocção concentrada e aplicam-se sobre as correspondentes zonas doridas. O Cataplasmas: A planta cozida, ou passada pela frigideira (refogada), e envolvida num lenço de algodão.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Con-

tém verbenalina, um glicósido q u e actua sobre o sistema nervoso vegetativo, especialmente sobre o parassimpático, e x e r c e n d o u m a acção sedativa, antiespasmódica, analgésica, digestiva e anti-inflamatória. Contém também tanino e mucilagem, q u e a fazem adstringen-

Verbena-azul

No continente americano existe uma espécie similar à verbena oficinal, conhecida como verbena-azul ou americana {Verbena hastata)*. A composição e as propriedades de ambas são semelhantes. A verbena-azul é tradicionalmente usada como sedativa, como antigripal e como anticatarral, especialmente quando há afecção das vias respiratórias. * Esp.: verbena azul. verbena americana.

Outros nomes: gerbão, girbào. gervão, gerivão, algebão, algebrão. urgebão. ulgebrão, algebrado. erva-sagrada. Brasil: verbena-sagrada. erva-do-figado. Esp.: verbena, verbena macho, hierba de todos los males. Fr.: verveine [officinale], herbe sacrée. Ing.: [European] vervain. holyherb. Habitat: Bermas dos caminhos, terrenos incultos e ribanceiras de toda a Europa. Naturalizada no continente americano. Descrição: Planta vivaz da família das Verbenáceas. de até um metro de altura, com caules quadrangulares erectos e flores pequenas, cor de malva, que crescem em espigas terminais. Sabor amargo. Partes utilizadas: a planta dorida, quanto mais fresca melhor.

174

As inalações com os vapores de uma decocção de verbena sáo muito úteis em caso de sinusite.

te e emoliente. Por isso as suas aplicações são: • Enxaquecas IO.0I: A sua acção antiespasinódica sobre o sistema arterial evita que se produzam as crises cie dor de cabeça, ou pelo menos diminui a sua intensidade. O tratamento destas afecções é muito difícil e obiêm-se melhores resultados combinanclo-a com outras plantas. A verbena é isenta dos importantes eleitos secundários dos fármacos derivados da ergotamina. que habitualmente se empregam para tratar as crises de enxaqueca. • Dores reumáticas, nevralgias, ciática: Aplica-sc tanto em uso interno (infusão IOI ou decocção IOI), como externo (compressas l©l ou cataplasmas 101). • Transtornos digestivos: A sua acção eupéptica favorece a digestão. Pode-se usar contra as diarreias e cólicas intestinais, devido às suas propriedades adstringentes. • Descongestiona o fígado IO,91: Fa-

vorece a secreção da bílis (acção colerética), pelo que se recomenda para as hepatopatias (doenças do fígado). A sua acção antiespasmódica também se torna muito útil em caso de cálculos biliares. • Diurética IO,©l: Devido a ser ligeiramente diurética, administra-se em caso de cólica renal para acalmar a dor e ajudar a eliminar as pedras. Pela mesma razão se prescreve para o tratamento da obesidade e da celulite. • Afecções da garganta IOI: Muito recomendável em diversas afecções das vias respiratórias superiores, como faringite, amigdalite e laringite, e inflamações da garganta cm geral. Aplica-se em gargarejos e em cataplasmas 101. e também em infusão IOI. • Sinusite: Kmprcga-sc para o tratamento desta incómoda perturbação, graças à sua acção anti-inflamatória e adstringente. Aplica-se tanto por via oral IOI como em inalações IOI e em compressas quentes sobre o rosto 101

A verbena é m u i t o eficaz em t o d o o tipo de dores de cabeça, tanto ingerida por via oral, como nas suas diversas aplicações externas.

PLANTAS EXCITANTES
UIÁRIO DO CAPÍTULO
Alternativas no café Alternativas ao chá
177 777

l

E

POSSÍVEL que algumas pessoas se surpreendam tom o lado de se incluíram plantas de acção excilante sobre o sistema nervoso,

normalmente qualificadas como drogas,
numa obra sobre plantas medicinais.

PLANTAS
Cafeeiro Coca Lobelia Mate Tabaco Chá 178 180 183 182 183 185

Km primeira lugar, acreditamos que, por se tratar de plantas cujo uso e abuso se encontra, infelizmente, bastante espalhado na moderna cultura competitiva, convém conhecer bem a sua composição, as suas propriedades e os seus eleitos sobre o organismo. Além disso, de um ponto de vista estritamente farmacológico, não se pode negar que algumas destas plantas excitantes, ou os seus princípios activos, podem proporcionar uma certa acção terapêutica. E este o caso do chá e do mate, por exemplo» e em menor medida também do cale e das folhas de coca no sen estado natural, que podem aliviai" determinadas afecções, na falta cie outros remédios mais seguros e eficazes. Pelo contrário, no caso do tabaco, as muitas investigações realizadas em torno dele, procurando encontrar alguma virtude inquestionável de aplicação medicinal, não têm dado resultado. Convém, pois, que quem se interessa pela fitoterapia conheça os efeitos destas plantas, já que, apesar de na sua maioria serem nocivos, em determinados casos muito concretos podem contribuir para aliviai CHI resolver provisoriamente uma doença; tendo presente que o seu uso não se torna indispensável em nenhum caso. e que sempre será possível encontrar outro

A nicotina do tabaco produz uma estimulação ou excitação transitória, seguida de uma depressão, sobre as funções do sistema nervoso centrai e vegetativo. O resultado do seu uso traduz-se num desequilíbrio irritativo do sistema nervoso.

remédio alternativo com menos efeitos indesejáveis.

176

A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 2 " Parte: D e s c r i ç ã o

Doença
ALTERNATIVAS AO CAFÉ
As infusões destas plantas são isentas de cafeína e têm um aroma agradável, além de propriedades medicinais.

Planta
CARVALHO DENTE-DE-LEAO

Pág. Acção
208 Adstringente, nutritivo oq 7 Aperitivo.Melhora as funções da vesícula biliar e o fígado AAO Digestiva, melhora a digestão, <wu descongestiona o fígado Sucedâneo do café. 630 Desinflama a próstata 191 Útil em catarros bronquiais ?.. Fluidifica as secreções bronquiais e acalma a tosse. Aromática.

Uso
Infusão de bolotas torradas e moídas Infusão de raízes torradas Infusão de raízes secas, torradas e moídas Infusão de sementes torradas e moídas Decocçâo de casca e/ou folhas Infusão de flores Infusão de folhas Infusão Infusão concentrada

rnWK« fl omcomA
FEDEGOSO CHÁ-DE-NOVA-JERSEY VIOLETA DRIAS JASÓNIA TOMILHO

ALTERNATIVAS AO CHÁ
Estas plantas substituem com vantagem o clássico chá, pois, além de serem aromáticas e medicinais, são isentas de cafeína ou teina. Muitas outras infusões de plantas podem substituir o chá: por exemplo, as de hortelã-pimenta com orégãos, ou a de erva-cidreira com camomila.

451 Aperitiva e digestiva 456 Digestiva e tonificante 7fiQ Tonificante, estimula as faculdades /Dy intelectuais

Os problemas do uso continuado O uso continuado ou regular de qualquer destas plantas excitantes acarreia numerosos problemas para a saúde, perfeitamente identificados e demonstrados. Ne» caso das plainas que contêm cafeína, como o caro, o chá e o mate. produz-se o chamado síndroma da cafeína, ou também cafeísmo ou teísmo, caracterizado pelos seguintes sintomas: • alterações no ritmo normal vigília-sono, • irritabilidade nervosa, • aumento da frequência do pulso c arritmias (transtornos n<> ritmo normal do coração), • gastrite e colite crónicas. No caso das plainas que contêm os alcalóides nicotina ou cocaína, como o tabaco ou a coca, as consequências do seu uso habitual são mais graves e evidentes, especialmente no caso da coca. A deterioração de certas funções orgânicas, como as do sistema nervoso e cardiovascular, é progressiva, inevitável e. na maior parte dos casos, irreversível. A atrofia cerebral dos dependentes fia cocaína, ou a bronquite crónica dos fumadores, são um exemplo disso. Procurando alternativas saudáveis As plantas excitantes que descrevemos nas páginas seguintes têm iodas elas a capacidade di' produzir dependência, ou

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Com as raízes tostadas do dente-de-leão, misturadas com as da chicória se se desejar, pode preparar-se um substituto do café, de agradável aroma e muito saudável.

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seja, a necessidade dç continuar a tomá-las. Como acontece com outras drogas, a princípio a pessoa toma-as para se sentir melhor, e depois tem de as tomar para não se sentir mal. Por isso, cremos que é preferível substituir o seu consumo pelo de outras plainas que não gerem dependência, que proporcionem um estímulo suave e fisiológico, sem riscos tóxicos, e cujo consumo seja igualmente agradável. Além das alternativas ao cale e ao chá que se indicam nesta página, convém ter em conta as plantas tonificantes que se recomendam para o esgotamento e a astenia (pág. 1-10).

1/

Coffea arábica L

.

Cafeeiro
Preparação e emprego Excita, mas não alimenta
USO INTERNO

O Infusão dos grãos verdes ou torrados.

O SÉCULO XVI. os Árabes difundiram .i infusão do cair. Actualmente consoini-m-.se, só nos Estados Unidos, mais de um milhão de toneladas de grãos de café por ano. O café em verde, como é produzido pelo cafeeiro, é submetido a um processo de Fermentação e torrefacção antes de ser usado. O consumo habitual de café produz dependência física e psíquica (necessidade de continuara consumi-lo) e efeitos tóxicos, pelo que é considerado uma droga. A semelhança do que se passa com outras drogas, como por exemplo o ópio, o seu princípio activo (a cafeína) pode ser útil para o tratamento de certas doenças num dado momento. No entanto, o seu consumo habitual provoca dependência c, em muitos casos, diversos problemas de saúde. PROFRÍEDADES E INDICAÇÕES: O componente activo mais importante do café é o alcalóide trimedlxantina, ou cafeína, que constitui 1% a 2% do grão. Contém também um óleo essencial, que lhe dá o seu aroma típico, de acção irritante sobre o tubo digestivo; ácidos cafeico e clorogénico, de efeito diurético; e diversas substancias gordas e nilrogenadas, que se oxidam e perdem as suas qualidades naturais durante o processo de fermentação e torreíàcçáo do grão de café. A cafeína é um alcalóide do grupo das xanúnas, muito semelhante quimicamente à purína e ao ácido úrico, e responsável pela maior parte dos efeitos do café, que são os seguintes:
178

N

Outros nomes: cafeeiro-comum. cafezeiro, café.
Esp.: caíelo, café común. Fr.; cateter,

caie. Ing.: [common] coffee tree.

&

Precauções
O café não se deve usar de forma continuada, nem sequer como medicamento, pois, pelo seu conteúdo em cafeína, cria dependência (necessidade de continuara tomá-lo) e tolerância (necessidade de aumentar a dose), como acontece com qualquer outra droga. Usado como medicamento, não se deveriam tomar mais de duas ou três chávenas por dia. O uso do café está formalmente contra-indicado nos seguintes casos: úlcera gastroduodenal, gastrite, pirose (acidez do estômago), colite, nervosismo, hipertensão, cardiopatias, arritmias, gota, gravidez (diminui o crescimento do feto) e lactação (a cafeína passa para o leite materno).

Habitat: Originário da Etiópia e do Sudão, onde ainda cresce espontaneamente. Muito cultivado nas regiões tropicais e subtropicais da América e da África, onde se criam múltiplas espécies do género Coffea. Descrição: Arbusto ou árvore da família das Rubiáceas, que pode atingir até cinco metros de altura. As flores são brancas. Os frutos são drupas vermelhas com duas sementes: os grãos de café. Partes utilizadas: as sementes.

H3C - N 1

-c =o
C -N
II

1

o~c
H3C-N

1

- c -/v

Fórmula química da cafeína ou trimetilxantina, alcalóide principal do grão de café.

-N-C=0 H3C-N - C
1

o=c
H3C

1 -N

1 C II

-c

NH }CH N

Fórmula química da teofilina, outra metilxantina semelhante ã cafeína.

D u r a n t e o processo de torrefacção, as sementes do cafeeiro sofrem um processo de oxidação em que se produz, entre outras coisas, uma essência de acção irrit a n t e sobre o t u b o digestivo.

• Estimulante do sistema nervoso: Depois de ingerir cafeína, podem fazer-se maiores esforços intelectuais; no entanto, diminui a capacidade de reter e assimilar o que se aprende. Os mecanógrafos, se beberem café, trabalham com maior rapidez, mas cometem mais erros. A agilidade mental e dinamismo que se conseguem são seguidos por uma maior sensação de fadiga e abatimento algumas horas depois, o que induz a consumir outra dose. Isto deve-se a que o estímulo da cafeína sobre o sistema nervoso é excitante e supérfluo. Uma chávena de café não contém nenhuma das substâncias nutritivas de que o cérebro necessita para o seu funcionamento adequado, como por exemplo a glicose, as vitaminas do grupo B, a lecitina ou os sais minerais (fósforo, cálcio, e t c ) . O café excita, mas não alimenta; e, em doses elevadas, irrita e esgota o sistema nervoso. • Sobre o aparelho circulatório, o café produz um aumento da força contráctil do coração e um ligeiro aumento da pressão arterial. Ora, há que ter em conta que doses repetidas produzem irritabilidade no músculo cardíaco, que se manifesta por taquicardia e arritmias (alterações do ritmo). A cafeína, ao aumentar o nível de adrenalina no sangue, é um factor predisponente dos ataques cardíacos.

• Sobre o aparelho digestivo, o café produz um aumento na secreção de sucos gástricos, o que pode facilitar a digestão num dado momento; mas o seu uso continuado provoca acidez excessiva, gastrite, e favorece o aparecimento de úlcera gastroduodenal, assim como colite, devido também à acção irritante do óleo essencial contido no café. O fígado sofre do mesmo modo uma sobrecarga quando se ingere habitualmente café. • O uso habitual do café está muitas vezes relacionado com o cancro da bexiga, com o cancro do pâncreas e com o cancro do cólon, assim como com o aumento do colesterol no sangue. O emprego do café como medicamento pode justificar-se excepcionalmente, nos seguintes casos, desde que não disponhamos de outros tratamentos com menos efeitos secundários:

• Intoxicação alcoólica aguda (bebedeira): O café pode neutralizar, ainda que de modo incompleto, os efeitos depressivos do álcool sobre o sistema nervoso. Pode usar-se como remédio caseiro para "despertar" parcialmente alguém que se tenha intoxicado com bebidas alcoólicas. Um tratamento adequado da intoxicação etílica requer, entre outras coisas, grandes doses de vitaminas do complexo B, coisa que não existe no café. • Lipotimia (desmaio), desfalecimento por esgotamento físico e fadiga IO): O café pode proporcionar um estímulo provisório, embora em nenhum caso seja curativo. O que se deve fazer é aplicar o tratamento adequado para estes casos. • Cefaleia (dor de cabeça), enxaqueca, congestão cerebral por gripe ou afecções catarrais, febre (Ol: O café "descarrega" a cabeça e produz um alívio subjectivo dos incómodos da gripe. Nestes casos, o verdadeiro tratamento consiste em aplicar os agentes naturais, que estimulam as defesas orgânicas e têm uma acção preventiva.
179

Erythroxylon coca Lam.

VI

0

J
Preparação e emprego

.

Coca
Droga excitante... e fármaco insubstituível na anestesia

USO EXTERNO Os derivados da cocaína, que se usam para a anestesia local, infiltram-se sob a pele com a ajuda de uma agulha hipodérmica. Estes derivados semi-sintéticos estão isentos, nas doses utilizadas, dos efeitos excitantes da cocaína.

S

EGUNDO uma antiga lenda inca. foi Manco Capar, o Filho do Sol c fundador do império dos Incas, quem deu as folhas de coca aos humanos como um remédio divino paia consolai' os aflitos, dar forças ao cansado c saciar os famintos. Quando Francisco Pizarro chegou ao que é hoje o Peru, no começo do século XVI, encontrou estabelecido entre os Incas o costume de mascar Folhas de coca. Os colonizadores europeus descobriram logo que se tornava rendoso dar folhas de coca aos indígenas do Novo Mundo, porque lhes tirava a sensação de fadiga e, além disso, fazia desaparecer a fome. Curiosamente, ainda hoje a coca continua a ser objecto de enriquecimento económico para uns poucos, os traficantes de narcóticos, ao custo da saúde de alguns, os viciados na cocaína.

Outros nomes: Esp.: coca. Fr.: coca. Ing.: coca. Habitat: Cresce espontaneamente nas montanhas andinas do Peru e da Bolívia, entre os 500 e os 1800 m de altitude. Cultivada na América do Sul e no Sudeste Asiático. Descrição: Arbusto da família das Lináceas, que pode ter até 2mde altura. As folhas sâo perenes, lanceoladas ou ovaladas. com pectolo curto, sem pêlos. As fíores, pequenas, nascem nas axilas das folhas, e são de cor branca ou amarelada. O fruto é uma drupa vermelha com uma semente. Partes utilizadas: as folhas.

ÇOOCH,

Fórmula química da cocaína, alcalóide psicoactivo de notáveis efeitos tóxicos sobre t o d o o organismo. Os seus derivados de acção anestésica local não têm estes efeitos.

180

Mas a coca tem duas faces: A cocaína é um fármaco insubstituível nu medicina. Dela derivam os anestésicos locais, graças aos quais milhões de pessoas em todo o mundo recebem diariamente tratamento odontológico, ou se submetem a intervenções cirúrgicas, sem dor. Quanto bem podem fazer as plantas como a coca, quando se usam correctamente!
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Na fo-

lha de coca encontram-se diversos alcalóides, entre os quais predomina a cocaína; uma essência aromática; taninos; hetcrosidos; e diversas substâncias inactivas, como o oxalato de cálcio. A COCAÍNA é o princípio activo a que se devem os seus efeitos, entre os quais há a destacar: • Sobre o sistema nervoso: Produz uma acentuada excitação, com aumento da actividade intelectual, facilidade de palavra, euforia e aumento da força muscular. Se a dose for aumentada, produzem-se tremuras, nervosismo e até convulsões. Após a fase de excitação, quando desaparece o efeito, sobrevêm outra fase de depressão com esgotamento e abatimento, que induz a ingerir nova dose. Está provado que, a seguir ao consumo de cocaína, aumenta a eliminação de ureia, devido ao consumo e à degradação das próprias proteínas do organismo. O estímulo que produz é obtido à custa de um empobrecimento e esgotamento físico, não recebendo o corpo os nutrientes necessários para compensar o esforço realizado. • Sobre o aparelho circulatório produzem-se, com doses médias, taquicardia e hipertensão; com doses elevadas, arritmias, síncope, podendo-se inclusivamente chegar até à paragem cardíaca. • Sobre a parte sexual, produz alterações na libido e impotência (acção anafrodisíaca). As folhas de coca empregam-se como remédio popular nas regiões andinas da América do Sul, para combater o mal da montanha e a fadiga

Os anestésicos locais derivados da cocaína encontram-se isentos, nas doses terapêuticas, dos efeitos tóxicos da mesma. A odontologia e a cirurgia não seriam possíveis, tal como as conhecemos actualmente, sem a ajuda destes fármacos. A cocaína, pelo contrário, não possui nenhuma aplicação terapêutica e, j u n t a m e n t e com o álcool, o tabaco e a heroína, constitui o grupo de substâncias usuais mais nocivas para a saúde da humanidade.

que se produz quando se viaja por sítios de grande altitude. Também se empregam para acalmar as dores de garganta e de estômago, devido ao seu efeito anestésico local. Podem ser úteis num dado momento, se bem que seja melhor prescindir delas e usar outros remédios menos tóxicos. Como acontece com outras drogas, os efeitos tóxicos da coca são menores na substância natural, e vão-se intensificando à medida que se refina ou processa quimicamente. Apesar de tudo, os mascadores de folhas de coca também sofrem de esgotamento físico, alterações nervosas e velhice prematura, ainda que não sejam tão afectados como os dependentes da cocaína. A verdadeira e grande aplicação da cocaína é como anestésico local, embora hoje se usem mais os seus derivados como, por exemplo, a procaína. Injectada debaixo da pele ou das mucosas, insensibiliza-as, permitindo

a cirurgia sem dor. Também se usa para infiltrar articulações, tecidos e nervos afectados de processos dolorosos.

Precauções
A cocaína, o princípio activo das folhas da coca, é uma das plantas com maior capacidade de criar dependência que se conhecem. Além disso, o seu uso continuado causa uma rápida deterioração do organismo, e especialmente do sistema nervoso, com lesões permanentes e irreversíveis. O uso habitual das folhas de coca produz os mesmos efeitos, embora talvez não com tanta rapidez, pelo que são igualmente desaconselháveis.

181

uayensls St. Ilexpamgua] HW.

2J 0

3 •
Preparação e emprego
USO INTERNO

Mate
Excitante semelhante ao café

O

MATE é uma bebida muito popular na América do Sul, especialmente nas regiões onde a dieta é à base de carne. O seu aroma lembra O «lo chá, do mesmo modo que a sua composição química e os seus efeitos. Os sul-americanos tomam o mate tostando ligeiramente as suas folhas, colocando-as numa casca de cabaça OU de coco, e despejando sobre elas água quente. Acrescentam-lhe bastante actuar. Tradicionalmente soivem-no por meio de uma cânula terminada numa esfera com fulinhos, que serve de coador. Este utensílio tem o nome de "bombilba".
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As fo-

O Infusão com 20-40 g de folhas por litro de água. Não se devem ingerir mais de 3 chávenas por dia.
USO EXTERNO

@ Compressas: Na medicina popular, usam-se embebidas na infusão para lavar feridas infectadas e no tratamento de queimaduras.

Precauções
O mate não se deve usar de forma continuada, nem sequer como medicamento, pois que o seu conteúdo em cafeína cria dependência (necessidade de continuar a tomá-lo) e tolerância (necessidade de aumentar a dose), como acontece com qualquer outra droga que vicie. O uso do mate é contra-indicado nos seguintes casos: úlcera gastroduodenal, gastrite, pirose (acidez do estômago), nervosismo, hipertensão, cardiopatias, arritmias, gota, gravidez (diminui o crescimento do feto) e lactação (a cafeína passa para o leite).

lhas contêm cafeína (19o a 1,5%; o café contém até 2%), teobromina (outra xaniina excitante que também se encontra no cacau, pág. fj'.)7). taninos e ácido clorogénico. !•'. um excitante nervoso e muscitlar, ainda que de efeitos não tão assinalados como os do café (pág. 178). C) seu consumo habitual produz, dependência (necessidade de continuara consumi-lo), assim como efeitos lóxicos sobre o sistema nervoso (irritação). o coração (palpitações, taquicardias) e o aparelho digestivo (gastrite e predisposição para a úlcera gastroduodenal). Como planta medicinal pode administrar-se, no falto cie outros remedias menos tóxicos, em caso de cefaleia (dor de cabeça), congestão cerebral pelo calor (insolação), e lipotimia ou desmaio IOI. l")cve-se ter sempre em conta que o alívio que o mate oferece ê sintomático (não cura a causa), e que o seu consumo habitual produz efeitos tóxicos. Em uso exerno, o inale aplica-se em compressas l@) pela sua acção anti-septiea e cicatrizante.
182

Sinonímia científica: llex paraguensis D. Don. Outros nomes: erva-mate, chá-mate, caúna. Brasil: congonha, congonha-verdadeira. Esp.: mate, yerba mate, té dei Paraguay. Fr.: mate. Ing.: Paraguayan tea. Habitat: Cresce em estado silvestre na Argentina, Chile, Peru e Brasil, e cultlva-se sobretudo no Paraguai. Pouco conhecido fora da América do Sul. Descrição: Pequena árvore ou arbusto da família das Aquifolíáceas, que pode atingir 5 m de altura. As suas folhas são ovaladas, perenes, coriãceas e de cor verde pardacenta. Partes utilizadas: as folhas.

Nkxtiana tabacumL.

3

51 LI LI

Tabaco
Uma planta tão atraente... como tóxica

P

OR ENCARGO do rei Filipe II de Espanha (Filipe 1 de Portugal), foi <> espanhol Gouxalo Hernánde*/ de Toledo quem. no regressar da América em 1559, trouxe consigo as primeiras plantas de tabaco, l o ^ o se estabeleceram na Península Ibérica as primeiras plantações iL' tabaco da Europa. O embaixador de França cm Lisboa, |ean Nicot, acreditando que o tabaco linha um grande valor medicinal, difundiu as suas sementes pela França, e depois por toda a Europa. -O tabaco prejudica? Como, se me foi receitado contra a asma por um excelente médico!?

Outros
nomes: erva-do-tabaco, erva-santa. Esp.: tabaco, tabaquera. nicociana. Fr.: tabac. Ing.: tobacco. Habitat: Originário da América Central, onde ainda cresce espontaneamente. Muito cultivado em todo o mundo. Descrição: Planta herbácea anual da família das Solanáceas, cujo caule erecto atinge até 1,7 m de altura. As folhas são grandes, com as nervuras muito marcadas pela face interior e o peciolo muito curto. As flores têm a forma de uma trombeta e são cor-de-rosa ou salmão. Partes utilizadas: as folhas.

Lobélia
A lobélia (Lobelia inflata L)*, conhecida também como tabaco-indiano, é uma planta norte-americana da família das Lobeliáceas. que contém lobelina, um alcalóide de efeitos semelhantes ao da nicotina, embora menos intensos. Antigamente usava-se como emética (vomitiva), antiasmática e expectorante. Hoje já não se usa como remédio, dado que se dispõe de muitas outras plantas não tóxicas, com estas mesmas propriedades. Recentemente, a lobélia adquiriu um novo interesse no tratamento do tabagismo. Ao fumador inveterado que não consegue deixar de fumar, substitui-se o tabaco pela lobélia (em pastilhas), e desta forma desaparece o desejo imperativo de fumar. Na realidade, o que se consegue é trocar a dependência da nicotina pela dependência da lobelina, cujos efeitos são igualmente tóxicos, mas um pouco mais suaves, permitindo também uma mais fácil libertação. Terá então de se abandonar progressivamente o consumo da lobelina. Doses altas de lobélia produzem dificuldade respiratória, taquicardia e hipotensão. O tratamento substilutivo com lobelina não é o ideal, embora possa ser útil nos casos rebeldes de tabagismo, em que tenham fracassado todos os outros tratamentos. Na Europa existe uma espécie similar, conhecida na Madeira como cabreira {Lobelia urens L), igualmente tóxica.
' Esp.: lobelia, tabaco indio. hierba dei asma.

A infundada lama de plama medicinal contribuiu para que <> hábito << !• lumar e <\r aspirar o tabaco si- arreigasse ainda mais como costume social. Em meados do século XIX, ainda era receitado nor al&uns médicos como

Precauções

A nicotina usa-se como herbicida, pesticida e insecticida muito eficaz. Dado que se absorvem muito bem pela pele. os produtos que a contenham devem ser manejados com muito cuidado, pois já se produziram intoxicações mortais.

183

tratamento contra as doenças pulmonares. Muito poucos se davam conta, naquela época, chi toxicidade do tabaco. Uma das primeiras vozes que .se levantou para chamar a atenção sobre OS perigos do tabaco foi Ellcn G. White, prestigiada escritora e educadora, que disse em 1875: «O tabaco é um veneno lento e insidioso, e os seus efeitos são mais difíceis de eliminar do organismo do que os do álcool.» Hoje sabe-se bem como se torna difícil deixar de fumar, tanto pela dependência física que o tabaco produz, como pela dependência psicológica. Até meados do século XX, os cientistas não tinham mostrado plenamente os efeitos cancerígenos do tabaco, mas na segunda metade deste século multiplicaram-se as investigações sobre os eleitos nocivos desta planta. Todos os anos se publicam centenas de novos estudos mostrando a sua nocividade sobre o aparelho respiratório, o coração, as artérias, o esófago, o pâncreas e outros órgãos. O tabaco transformou-se na droga que mais gastos, mais doenças e mais mortes causa em lodo o mundo; muito mais, inclusivamente, que as drogas ilegais como a heroína e a cocaína. A União Europeia criou o programa preventivo "Europa contra o cancro", cujo primeiro ponto é: "Não fume". Calcula-se que, se os habitantes da Europa deixassem de fumar, se reduziria paia metade o número de mortes por eanero. O tabaco não leni nenhuma virtude medicinal. Citamo-lo aqui pela sua importância social e sanitária como droga tóxica. A composição das folhas de tabaco é muito complexa: lípidos, hidrocarbonetos, gomas, açúcares, dois heterosidos (labaciua e tabaciclina), quer» citina, ácidos nicotínicos e clorogénicos, uma essência e vários alcalóides, entre os quais se destaca a nicotina ( 1 % a 3%), cuja fórmula química é
CIOHMNS.

Fórmula química da nicotina, alcalóide responsável pelos efeitos do tabaco sobre os sistemas nervoso e cardiovascular. A maior parte dos efeitos irritantes do tabaco sobre o aparelho respiratório deve-se aos alcatrões do f u m o que se inala ao fumar.

O tabaco é uma planta m u i t o atraente, mas venenosa. O seu uso, seg u n d o a OMS, é a principal causa evitável de má saúde em todo o m u n d o .

pressão, sobre o sistema nervoso central e sobre todos os gânglios do sistema nervoso vegetativo. Estimula a descarga de adrenalina pela medula das glândulas supra-renais, o que se traduz por vasoconstrição, taquicardia, hipertensão e excitação. Doses elevadas pmchi/.vm suor frio, tremura, vómitos, palpitações e transtornos cardíacos. A nicotina é um veneno muito forte. Os índios americanos usavam o sumo das folhas de tabaco para envenenar a ponta das suas Mechas. Uma gota de nicotina colocada na língua de um cão grande causa-lhe a morte em breves instantes. A dose mortal para o ser humano é de 50-60 mg, que é a quantidade contida em dois charutos médios. Felizmente, quando se fuma, absorve-se unicamente 10% da nicotina, e o organismo "aprende" a eliminá-la, embora á custa de sofrer os seus efeitos tóxicos. O fumo do tabaco contém, além de nicotina, alcatrões de acção irritante e cancerígena, assim como al-

deídos, monóxido de carbono, e cerca de mais 30 substâncias (<>xicas; nenhuma substância medicinal, nenhuma vitamina, nenhum elemento nutriente. A intoxicação crónica pelo tabaco produz, estomattte (inflamação da boca), bronquite crónica, palpitações, angina de peito, hipertensão, falta de apetite e impotência sexual, entre muitos outros transtornos. Como qualquer outra droga, causa fundamentalmente: • Dependência física e psíquica: Necessidade de continuar a consumi-lo para não se sentir pior. • Tolerância: Necessidade de aumentar a dose progressivamente, para obter os mesmos efeitos. A desabituação do tabaco exige um tratamento amplo, tanto médico como psicológico, como o conhecido Plano de Cinco Dias paia Deixai de Fumar, organizado com o apoio da revista Saúde e Lar e da Associação Internacional de Temperança.

A nicotina produz uma estimulação transitória, e depois uma de184

Thea sinensls L

a*LW

Chá
Excita e causa prisão de ventre

O

S CHINESES já usavam o chá há 4000 anos, embora a sua difusão na Europa se tenha verificado só a partir do século XVII.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS fo-

lhas do chá contêm de 1 % a 4% de cafeína (chamada teína para diferençar a sua origem); taninos (15% a 20%) e uma essência. Os seus efeitos são muito semelhantes aos do café (pág. 178), ainda que menos intensos devido a que as infusões se preparam mais diluídas. Uma chávena de chá contém 40-60 mg de cafeína, e uma de café contém de 100 a 200 mg. O chá provoca excitação do sistema nervoso, do coração e do sistema circulatório. Aumenta a secreção de sucos ácidos no estômagoUsado como estimulante, no caso de fadiga ou cie esgotamento, é um remédio de emergência, que não deveria lornar-sc habitual. O chá, do mesmo modo que o café, estimula mas não fornece nenhuma substância nutritiva. Daí que o seu consumo regular provoque precisamente esgotamento. O consumo habitual produz, o chamado "teísmo" no países britânicos: prisão de ventre, acide/, do estômago, insónia e excitação nervosa. O consumo frequente de cliá gera dependência, como acontece com qualquer outra droga. Pelo seu conteúdo em taninos, usa-se em diarreias e colites, e como tónico digestivo em caso de digestão muito pesada ou indigestão MM. Nos capítulos 10 e 20 podem-se cucou liar diversas plantas para estas afecções, isentas dos inconvenientes do chá. Exteriormente, usa-se como colírio para lavagens oculares em caso de eonjuntivite (©I.

Sinonímia científica: Camellia sinensis (L.) Kuntze Outros nomes: chá-da-china, chá-da-índia, chá-preto, chá-verde. Esp.: té, té de la China, árbol dei té. Fr.: thé. Ing.: tea. Habitat: Originário do Sudeste Asiático, China e Índia, onde ainda aparece espontaneamente. É cultivado amplamente nestes dois países, e também no Brasil e na África Tropical. Descrição: Árvore ou arbusto da família das Teáceas ou Cameliáceas, que em estado silvestre atinge até 10 m de altura, e cultivado 1-2 m. As folhas são perenes, de cor verde escura. As flores sâo grandes, brancas e aromáticas. Partes utilizadas: as folhas.

Precauções

O

Preparação e emprego

USO INTERNO O Infusão com 30-50 g por litro de água, de que se podem tomar, como máximo, até 5 chávenas diárias. USO EXTERNO O Lavagens oculares: Em caso de eonjuntivite, usa-se uma decocção com 30-50 g da planta por litro de água. Deixa-se ferver durante 5 minutos, de forma que fique esterilizada antes de aplicada sobre os olhos.

O chá não se deve usar de forma continuada, nem sequer como medicamento, pois pelo conteúdo em cafeína cria dependência (necessidade de continuar a tomá-lo) e tolerância (necessidade de aumentar a dose). Ver o que se diz na pág. 178 a propósito do café. Desaconselha-se o uso do chá no caso de úlcera gastroduodenal, gastrite, acidez do estômago, nervosismo, hipertensão arterial ou afecções do coração. As mulheres grávidas e as que amamentam devem abster-se também do uso do chá, pelos efeitos tóxicos da cafeína sobre o feto e sobre o lactente (passa para o leite).

18£

PLANTAS PARA A BOCA
SI IARIO DO CAPITULO
D O E N Ç A S E APLICAÇÕES

J

As plantas medicinais podem contribuir de modo muito positivo para a

higiene bucal.

Abcesso dentário, ver Piei mão dentário 188 Aftas 187 Boca, inflamação, ver E&tomaliU . . . . 189 Boca, mau hálito 187 Boca. mau sabor de 187 Boca, ulcerações, ver Aftas 187 Dentes, fkimâo 188 Dentes, dor de 188 Dentes, erupção 187 Dor de dentes 188 Erupção dentária 187 Estomatite, plantas para a 189 Flehnão dentário 188 Gengivas, transtornos, ver Piorreia, gengivite e parodontose 188 Gengnrite 188 dietas do lábio 187 Lábios, gretas 187 Mau sabor de boca 187 Parodontose 188 Piorreia, gengivite e parodontose . , . 188 Plantas para a estomatite 189
PLANTAS

A

ÍMPORTANCIA da boca para a saúde deriva dos factos funda' mentalmente relacionados coin n sua anatomia c fisiologia:

l.Na boca realiza-sc a mastigação, primei* ia fase do processo digestivo. A função das peças dentárias é decisiva para uma boa mastigação e digestão. 2.A cavidade bucal contém uma grande quantidade e variedade de germes, ao ponto de ser unia das partes do corpo onde existem mais micróbios. Estes microrganismos podem causar infecções graves e estados tóxicos que se repercutem sobre iodo o organismo. A cavidade bucal, como todo o resto du tubo digestivo, está revestida em lodo o seu interior por uma camada de células chamada mucosa. A inflamação da boca. e especificamente dessa mucosa que a reveste, tem o nome de estomatite. Etimologicamente, este termo vem do grego sloma, que quer dizer boca' (e não 'estômago*). \lallifesta-se por um enrubescimento da mucosa bucal, acompanhado por vezes de ulcerações ou afias. Afecta sobretudo as gengivas, a ponta da língua e a face interior das bochechas. As causas mais frequentes da estomatite são: irritantes químicos como o tabaco e as bebidas alcoólicas, ingestão de alimentos demasiado quentes, certos medicamentos (especialmente os antibióticos), próteses dentais mal ajustadas, e uma higiene bucal deficiente. Os bochechos com plantas medicinais podem contribuir significativamente para o tratamento, C sobretudo para a prevenção da estomatite, da gengivite, da piorreia e outras afecções bucais.

AlíMcegueira = Pisuhia Alteia' Bistorta Ceanoto = Cká-de-nova-jersey Chá-cle-nova-jersey Cravinho Mahaisto = Alteia Pistácia Raíânia Sanammda Vibumo

197 190 198 I<>1 191 192 190 197 196 194 199

186

A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S P a r t e D e s c r i ç ã o

I

Planta
AFTAS
São umas pequenas ulcerações, muito dolorosas, que tendem a curar-se espontaneamente passados alguns dias. As suas causas podem ser muito variadas, embora não seja fácil determiná-las: infecções víricas, alergias alimentares, carências de vitaminas do grupo B ou de ferro, entre outras. Os bochechos com plantas adstringentes (secam as mucosas), anti-sépticas e cicatrizantes, podem ser de utilidade.
CHA-DE-NOVA-JERSEY AGRIMÒNIA

Pág. Acção
191 Suaviza a mucosa bucal

Uso
Bochechos com a decocçao
Bochechos com a decocçao Bochechos com a infusão concentrada Gargarejos ou bochechos com a infusão Bochechos com a decocçao Bochechos com a decocçao de folhas e brotos Bochechos com a decocçao Gargarejos ou bochechos com a infusão de folhas Bochechos com a decocçao Bochechos com a decocçao Cataplasmas com a decocçao de sementes trituradas Cataplasmas com a planta fresca esmagada Aplicações da manteiga ou gordura extraída das sementes Cataplasmas de folhas esmagadas ou compressas com o sumo fresco

205 Adstringente e anti-inflamatória 338 Anti-séptico (desinfectante)

SERPÃO

DRIAS

451

Desinflama a mucosa bucal

CINCO-EM-RAMA
SILVA

520 Adstringente, anti-séptica e cicatrizante 541 Adstringente e hemostática

SALVA

638 Adstringente e anti-séptica 700 Cicatrizante e suavizante 725 769 Cicatrizante Anti-séptico

URUCU

SANICULA Chãdenova-jersey TOMILHO

LÁBIOS, GRETAS
As gretas labiais costumam ser causadas pela sequidão ou o frio, e provo cam dor ao abrir ou mexer a boca. Quando aparecem na comissura labial (boqueiras) costumam estar relacionadas com a falta de certos minerais, especialmente o ferro. O tratamento local com compressas ou cataplasmas de plantas emolientes (suavizantes) e cicatrizantes pode acelerar a cura.

ALFORVA

474 Anti-inflamatória e cicatrizante

PARIETÁRIA

582 Anti-inflamatória e emoliente

CACAUEIRO

597 Poderoso emoliente e cicatrizante

ClNOGLOSSA

703 Emoliente e cicatrizante

MAU SABOR DE BOCA
Pode associar-se ou não ao mau hálito (halitose). Costuma estar relacionado com o mau funcionamento da vesícula biliar ou com fermentações intestinais. Recomendam-se as plantas colagogas e digestivas, especialmente estas quatro que citamos.

ritMÀom I-UMAHIA
BOLDO

-380. Combate a auto-intoxicação joy p o r pUtrefacção intestinal

Infusão, sumo ou extractos

390 e a digestão

Facilita o esvaziamento da vesícula

Infusão de folhas ou extractos

Mu»
M.LEFòL.0

426 e fermentações intestinais Van l'&2ãS£&£&'*
691 gggjgj diminui a s fermentações

«*.«*«:«#, d. «*
||lfusào d e sumJda(Jes f|orJdas

ERUPÇÃO DENTÁRIA
Quando saem os dentes aos lactentes, as gengivas sofrem um leve processo inflamatório, cujos transtornos podem aliviar-se com estas plantas.

ALTEIA

190

Amolece as gengivas e facilita a saída dos dentes

A raiz limpa dada a mastigar aos lactentes

AÇAFRÃO

448 Alivia os transtornos da dentição

Esfregar as gengivas com a infusão concentrada de filamentos de açafrão

187

C a p . 1 0 : P L A N T A S PARA A BOCA

Doença
DOR DE DENTES
A$ plantas medicinais podem exercer um efeito analgésico local, aplicadas em bochechos. Desta forma se evitam os efeitos indesejáveis dos analgésicos de uso interno (ingeridos, injectados, etc.}. Em nenhum caso se deve relegar o tratamento de fundo da infecção dentária, causadora da dor.

Planta
DORMIDEIRA

Pág. Acção
164 Analgésica e estupefaciente

Uso
Bochechos com a infusão de cápsulas

CRAVINHO

192 Anti-séptico bucal e analgésico

Aplicar um fragmento de cravinho ou uma gota de essência no dente dorido

SANAMUNDA

a mucosa 194 Desinflama e desinfectadentes bucal, acalma a dor de

Bochechos com a infusão

PAPOJLA

318 Sedante e analgésica

Bochechos com a infusão de pétalas

FLEIMÃO DENTÁRIO
Além do tratamento antibiótico, podem-se aplicar cataplasmas de figos ou de outras plantas (ver "Abcessos", cap. 27) para acelerar a maturação do fleimão ou abcesso.

FIGUEIRA

708

Favorece o amadurecimento dos abcessos e a cicatrização das feridas

Cataplasmas de figos frescos ou secos postos de molho

PIORREIA, GENGIVITE E PARODONTOSE
Do ponto de vista etimológico, piorreia quer dizer 'derrame de pus', embora se aplique especificamente à saída de pus das gengivas. Os dentes ficam soltos e caem. A gengivite é a inflamação das gengivas, frequentemente causada pela piorreia. A parodontose é um termo mais amplo, que inclui todas as afecções capazes de alterar a fixação dos dentes ao osso, das quais a mais frequente é a piorreia. Estas afecções requerem um tratamento odontológico especializado. Os bochechos com estas plantas servem como complemento higiénico deste tratamento.
flor da písíácia
/r.

SANAMUNDA

194 Anti-séptica e analgésica bucal IQC Adstringente (seca as mucosas)
196
e a n M a m a t o r i a

Bochechos com a infusão Bochechos com a decocção de casca

«„,„,.
RATANIA

„i/U1 PISTACIA
Dl

ia-, ia/

Anti-sépticaeanti-inflamatória.
p e r f u m a Q há|jt0

Almécega (resina) mastigada ou em dentffricos, bochechos com a decocção de folhas e caules tenros

Bisic RTA

19Ã Adstringente, fortalece as gengivas débeis e sangrantes oriR Adstringente e anti-inflamatório. im Li m p a as g e n g j v a s 502 P°deroso absorvente (retém partículas em dissolução), limpa as gengivas

Bochechos com a decocção de rizoma triturado Bochechos com a decocção

r«ow«, u« CARVALHO

FAIA

Carvão da madeira aplicado sobre as gengivas à maneira de dentífrico

ClNCO-EM-RAMA

520 523

Adstringente, ant.-séptica e cicatrizante P i n g e n t e , segura os dentes aos maxilares Cicatrizante e anti-séptica Absorvente, arrasta o tártaro e restos de alimentos em putrefacção de entre os dentes e as gengivas. Branqueia os dentes

5 4 ^ * 2

a deC CÇâ

°

°

ROMAZEIRA

Bochechos com a infusão de flores e casca Bochechos com a decocção

QUINA

752

flor da ctnco-em-rama

CHOUPO-NEGRO

760

Carvão da madeira aplicado sobre as gengivas à maneira de dentífrico

188

A SAÚOE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S D e s c r i ç ã o

I

'

-

1

Plantas para a estomatite
A estomatite é a inflamação da mucosa que reveste o interior da cavidade da boca. Os bochechos com qualquer destas plantas pode contribuir para minorar a estomatite. Para se conseguir a cura completa é preciso eliminar previamente as suas causas. ím aplicação local, todas estas plantas têm acção adstringente (secam as mucosas], anti-inflamatôria e anti-séptica.

Os bochechos com infusões ou decocções de p/antas ricas em tanino tornam-se muito úteis para a higiene bucal, como por exemplo a infusão de folhas e flores de framboesa (foto inferior), ou a decocção de folhas e casca de raiz de goiabeira (foto do centro).

\v
Planta Alcaçus Amieiro Bistorta Carvalho Castanheiro Chá-de-nova-jersey Consolda-maior Cravinho D ri as Epilóbio Erva-de-são-roberto Framboeseiro Goiabeira Hidraste Morangueiro Murta Nogueira Quina Ratânia Roseira Sabugueiro Sanamunda Silva

Cravinho

Página

Tanchagem
Tormentila Violeta

308 487 198 208 495 191 732 192 451 501 137 765 522 207 575 317 505 752 196 635 767 194 541 325
519 344 |

189

Aithaea offícinalis L.

Ol JL

P

A

u

Preparação e emprego

Alteia
USO INTERNO

Um grande emoliente

O Infusão de 30 g de folhas ou flores, ou decocção de 20-30 g de raiz por litro de água, de que se tomam diariamente 3 ou 4 chávenas adoçadas com mel.

Outros

nomes: malvaísco.

Esp.: maivavisco, altea, acalia. Fr.: guimauve [officinale}. Ing.: marshmaiíow, alínea. Habitat: Encontra-se em lugares húmidos, terrenos pantanosos e margens de riachos do Centro e do Sul da Europa. Cultivada como planta medicinai na Europa e América. Descrição: Plania vivaz, vilosa, da família das Malvâceas, que pode atingir até 2 m de altura. As folhas são grandes e aveludadas, e as flores são brancas com 5 pétalas. Partes utilizadas: a raiz, as flores e as folhas.

A

SEME1 ,1IANÇA da sua parente, a malva, a alicia, q u e lamb e m se c h a m a malvaísco, é ioda doçura e suavidade. Até as suas folhas são d e l i c a d a m e n t e aveludadas com uma fina p e n u g e m . Dioscórides já a recomendava no .século I d . C , e desde e n t ã o tem sido utilizada em todas as épocas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Todas

as partes cia plaina, e s p e c i a l m e n t e a raiz. contêm mucilagem, pectina, sais minerais e vitamina C. As suas p r o p r i e d a d e s são as m e s m a s q u e as da malva ípág. ãl 1), mas mais intensas, pelo seu maior c o n t e ú d o em mucilagem. E pois uma das plantas mais emolientes que se c o n h e c e m . A mucilagem deposita-se sobre a pele ou as mucosas, f o r m a n d o u m a c a m a d a protectora e anti-inflamatória. As suas i n d i c a ç õ e s são m u i t o .sem e l h a n t e s às da malva: laxante, no caso de prisão de ventre, e auti-inflamatóría, no caso de gastrite, gastrenterite ou colite; para c o m b a t e r as afecções respiratórias, assim c o m o as irritações da boca e de outras mucosas digestivas IQ1. A RAIZ limpa p o d e dar-se a mastigai ãs crianças d u r a n t e a é p o c a da dentição, pois amolece as gengivas e Facilita a saída dos dentes. 190
A alteia exerce a sua acção suavizante sobre todo o tubo digestivo, desde a boca até ao ânus.

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Ceanothus amerlcanus L

A
Preparação e emprego

Chá-denov a-jersey
Excelente para bochechar

USO INTERNO O Decocção com uma colherada de casca de raiz triturada, por chávena de água. Ingerem-se 2-4 chávenas por dia. USO EXTERNO €) Bochechos e gargarejos: Fazem-se com a mesma decocção que se emprega internamente, se bem que um pouco mais concentrada.

Outros nomes: châ-de-jersey, chá•de-nova-jérsia, ceanoto. Esp.: té de Nueva Jersey, ceanoto. Ing.: New Jersey tea, red root Habitat: Frequente nos bosques e campos óa América úo Norte. Na Europa cultiva-se como planta ornamental.

O

CHAMADO chá-de-nova-jersey, ou ceanoto, é um dos remédios vegetais usados pelos índios da América do Noite desde tempos imemoriais. Perfeitamente integrados no seu ambicnic. aqueles primitivos povoadores já tinham descoberto as virtudes desta planta, que hoje estão confirmadas pela moderna investigação científica. As suas folhas utilizaram-se em substituição do chá, durante a guerra da independência norte-americana.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A casca <la raiz contém um alcalóide (ceanotina), lanino, resina e indícios de um óleo essencial. Utiliza-se com exilo nos seguintes casos: • Afecções bucais c da garganta 101: faringite, amigdalite (anginas), aftas e outras irritações, aplicado localmente em fonna de gargarejos e bochechos. • Afecções broncopulmonares (Oh catarros bronquiais, tosse, bronquite asmática.

Descrição: Arbusto da família das Ramnáceas, de la 1,5 m de altura. Tem folhas ovais, terminadas em ponta e finamente dentadas. As flores são pequenas, brancas ou azuladas e nascem das axilas das folhas. Partes utilizadas: a casca da raiz.

Os bochechos e gargarejos com a decocção de casca de raiz do chá-de-nova-jersey tornam-se m u i t o eficazes em caso de aftas e faringite.

191

Eugenia caryophyllata Thunb.

m

Cravinho
Estimulante,

desinfectante e
analgésico

P

ODES dai-me um cravinho para eu pôr na boca?-diz um mensageiro chegado da ilha de Java, a um dos guardas do palácio do imperador chinês, no século III a.C. -Dói-tc algum dente, mensageiro?

-Nada disso. É que o novo imperador quer que mantenhamos um cravinho na hoca, para ter o hálito perfumado quando nos dirigimos a ele. Os veneráveis médicos chineses da dinastia Han (206 a.C. - 220d.C.)já mencionam nos seus escritos as propriedades do cravinho, e especialmente a sua capacidade de perfumar o hálito. Mas até à época das grandes viagens do século XVI, o cravinho, como muitas outras especiarias, chegava à Europa vindo da índia, em quantidades muito reduzidas. Isto tornava as especiarias ainda mais apreciadas. Por isso, um dos principais mo tivos que levou Cristóvão Colombo a

Sinonímia científica: Syzygium aromaticum (L.) Merr.-Perry., Caryophyllus aromaticus L. Outros nomes: cravo-da-india, cravo-aromático, cravo-de-cabecinha, girofeiro. Brasil: craveiro-da-índia. Esp.: clavero, clavo de especia, clavillo, giroflé. Fr.: giroflier, bois a clous. Ing.: clove tree. Habitat: Originário das ilhas Molucas e Filipinas, embora actualmente se cultive noutras zonas tropicais da Ásia e da América. Descrição: Árvore da família das Mirtáceas, que atinge de 10 a 20 m de altura. Os cravinhos são as gemas (botões das flores), que se colhem no momento em que ficam vermelhas. Depois de secas ao sol, ficam com uma cor parda. Partes utilizadas: os botões das flores, secos.


Precauções
USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO O Elixir bucal: Fazer bochechos com um copo de água a que se tenham acrescentado umas gotas de essência de cravinho. Refresca e desinfecta a cavidade oral. © Dor de dentes: Para acalmá-la, aplicar um fragmento de cravinho ou uma gota de essência no dente dorido.

Quem sofra de úlcera gastroduodenal e gastrite deverá abster-se do cravinho, como planta medicinal e como condimento. Em doses elevadas, tem efeitos irritantes sobre o aparelho digestivo, que se manifestam por náuseas, vómitos e dores de estômago.

O Infusão: 2 ou 3 cravinhos por chávena de água, para tomar uma a cada refeição. © Essência: de 1 a 3 gotas antes de cada refeição. ©Condimento: Usá-lo com moderação; um só cravinho pode ser suficiente para condimentar toda a comida.

192

realizar a sua viagem por mar foi a procura da rota mais curta para os países produtores de especiarias, entre elas o cravinho. As especiarias tropicais eram muito apreciadas na Europa; mas talvez, o cravinho se destacasse entre todas devido a que, segundo a teoria dos sinais (ver pág. 118), era considerado um poderoso afrodisíaco. Os ervanários c os boticários da baixa Idade Média e do Renascimento viam no cravinho a representação de um pénis em erecção, com os testículos na sua base. Portanto, supunha-se que actuava sobre os órgãos genitais. Saberia isto Colombo, antes de rumar a poente com as suas caravelas? E bem provável que sim. De qualquer modo, o descobridor não chegou a encontrar a terra onde se produziam os cravinhos. Foi a expedição de Fernão de Magalhães, navegador português, e do espanhol Juan Sebastião Elcano, a primeira a dar a volta ao mundo, que, em 1520, arribou às ilhas Molucas, nas proximidades da China. Ali embarcaram cravinho e trouxeram-no para a Península como um apreciado tesouro. A partir de então, a cultura do cravinho esten-

deu-se por todas as regiões tropicais conhecidas. flores do cravinho contêm 15%-20% de essência, constituída na sua maior parte por eugenol, juntamente com pequenas quantidades de acetileugenol, carioFileno e metilamilcetona. A esta essência se deve o seu aroma, assim como as suas propriedades:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

Um fragmento de cravinho, ou uma gota da sua essência, pode acalmar rapidamente a dor de dentes. Em aplicação local, a essência de cravinho é um excelente anti-séptico. Ingerido por via oral, em infusão, o cravinho é estimulante, aperitivo e carminativo.

• Anti-séptico e analgésico bucal: A essência de cravinho, que se usa em forma de óleo, entra na composição de pastas dentífricas, elixires de uso oral e perfumes. O seu poder anti-séptico é três vezes superior ao do lenol. Muito recomendável no caso de estomatite (inflamação das mucosas da boca) ou gengivite (inflamação das gengivas) IOI. Aplicada localmente, pode acalmar temporariamente a dor de um dente cariado 101. • Estimulante (0,0,01 geral do organismo, embora muito mais suave do que 0 café. • Aperitivo (0,0,01 (aumenta o apetite) e carminativo (elimina os gases intestinais).

CH2 -CH = CH2

0-CH3 OH
Fórmula química do eugenol, principal constituinte da essência de cravinho. 193

Geum urbanum L.

Preparação e emprego

Sanamunda
Cura as gengivas e tonifica a digestão
USO INTERNO

O Infusão com 40-60 g de rizoma, raiz ou folhas secas trituradas, por cada litro de água. Tomam-se até 4 chávenas diárias. Não convém adoçar, para aumentar assim o seu efeito.
USO EXTERNO

A

SANAMUNDA, também chamada erva-benta, é uma humilde planta, com aparência d»- fragilidade, que adorna as bermas dos caminhos e as estremas dos campos. Toda a planta, e particularmente o rizoma (caule subterrâneo), exala um aroma especial que lembra o da
essência de cravinho.

A mesma infusão que se usa internamente aplica-se em: O Bochechos e gargarejos. €) Compressas ou loções para o tratamento de feridas ou chagas da pele. O Lavagens oculares. © Colírio: 3 a 5 gotas, de 6 em 6 horas.

Foi utilizada por Dioscórides, o grande médico e botânico g'i'ego do primeiro século da nossa era. Santa Hildegarda, no século XII, chamava4he benedicta, por causa das suas grandes virtudes. No século XVII utili/ou-se como febrífugo, apesar de não ser esta a sua propriedade mais importante, e pretendeu-se substituir com ela a quina. I loje continua a ser apreciada em fitoterapia, embora o seu uso não seja generalizado.
PROPRIEDADES E INDICAC:ÕES: O ri-

zoma, sobretudo, e em menor proporção as (olhas, contêm abundantes matérias tânicas (até 30%). Os taninos dão-lhe propriedades adstringentes (seca as mucosas), anti-inflamatórias e vulnerárias (ajuda a sarar as feridas). Mas o seu princípio mais importante é um glicósido chamado geé>sido, que por acção da geasa. uma enzima comida na mesma planta, se decompõe, libertando eugenol. Este óleo essencial, o eugenol, é responsável pelo seu aroma peculiar e pelas suas propriedades anti-sépticas, analgésicas, bucais e digestivas. Por tudo
194

Outros nomes: cravoila, cariofilada, cariofilada-maiof, erva-benta. Esp.: cariofilada, hierba de San Benito, benedicta. Fr.: benoite (commune). Ing.: [herbj bennet, blessed herb. Habitat: Frequente nos bosques, sebes, muros e, em geral, lugares sombrios e húmidos da Europa e da América do Norte. Descrição: Planta herbácea da família das Rosáceas, de 30 a 60 cm de altura. Caule erecto e coberto por uma suave penugem. As folhas, dentadas, dividemse em vários lóbulos desiguais. Dá umas flores pequenas, solitárias, de cor amarela. Partes utilizadas: o rizoma e a raiz, e também as folhas.

Precauções

Recomenda-se não exceder a dose indicada, já que pode provocar intolerância gástrica devida ao seu elevado conteúdo em taninos.

r

á
'•1

Os bochechos e gargarejos com infusão de sanamunda constituem um bom dentifrico natural. Não só podem curar como também prevenir a piorreia, as aftas e o mau hálito.

t

isto, a sanamunda é indicada nos seguintes casos: • Diarreias estivais, gasti enterites e decomposição intestinal IOI. Actua como um poderoso adstringente e ao mesmo tempo como anti-inflamatório e anti-séptico das mucosas do aparelho digestivo. • Quando soja necessário tonificaras funções digestivas IOI. Recomenda-se o seu uso especialmente durante a convalescença de doenças febris ou debilitantes. Como todas as plantas que contêm substâncias amargas, activa a digestão nos casos de falta de apetite ou de dispepsia (digestão pesada, flatulência). Também se torna útil no tratamento da gastrite crónica. • Afecções bucais: paradontose e gengivite (inflamação das gengivas), piorreia e aftas 101. Aplicada localmente evft forma de gargarejos ou bochechos, contribui para desinflamar e curar a mucosa bucal. Faz desaparecer a halitose (mau háVito), quando seja devida a inflamação das gengivas. Também acalma a dor de dentes. • Feridas de difícil cicatrização c úlceras da pele 101. • Conjuntivite e blefarite 10,01: Aplica-se sol) a forma de lavagens oculares ou de colírio. Desinílama e desinfecta as delicadas mucosas oculares.
195

?

^

Outra sanamunda

Na Europa e na América do Norte, existe uma espécie similar à Geum urbanum L, a Geum rivaleL. Os seus componentes são muito semelhantes e, em consequência disso, também as suas propriedades. Caracteriza-se por ter folhas maiores e as flores purpúreas ou cor-de-rosa. Ambas as espécies se hibridam mutuamente, encontrando-se com frequência formas intermédias.

Kmmerta triandra Ruiz-Pav.

0 1

P

9

9

Preparação e emprego

Ratânia
Poderoso adstringente e anti-inflamatório
USO INTERNO O Pó de raiz: Uma colherzinha das cie café, 3 vezes ao dia. O Decocção de 20 g de casca por litro de água. Ingerem-se diariamente 3 chávenas. © Extracto fluido: Administram-se de 10 a 20 gotas, 3 vezes ao dia. USO EXTERNO O Decocção com 30-40 g de casca por litro de água, com a qual se fazem gargarejos, banhos de assento, irrigações vaginais e compressas.

A

RAIZ da ratânia é usada no Peru d e s d e t e m p o s i m e m o riais, para a l i m p e / a dos d e n tes e das gengivas. As d a m a s de Lima, sua capital, usavam-na no século XIX para b r a n q u e a r os dentes p o r ocasião de festas e celebrações.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : A raiz

Outros nomes: ratânhia. Brasil: ratânhia-do-peru. Esp.: ratânia, krameria, ratânia dei Peru. Fr.: ratânhia du Pérou. Ing.: rhatany. Habitat: Terrenos secos e descobertos das montanhas andinas do Peru, Bolívia e Chile. Descrição: Arbusto que pode atingir 50 cm de altura, da família das

contém taninos catéquicos, flobafcno, ácido kramérico ( u m alcalóide), amido, mucilagem, açúcares, goma e cera. O seu princípio activo mais imp o r t a n t e são os t a n i n o s , q u e têm a particularidade de n ã o amargai c o m o acontece, por exemplo, com os do carvalho (pág. 208). A sua forte acção adstringente e anti inflamatória torna-a muito r e c o m e n d á v e l nos casos de gastrenterite e colite IO.©,©), inclusive nas crianças. Externamente, dá b o n s r e s u l t a d o s nos seguintes casos: • Afecções b u c o f a r í n g e a s IO): estomatite (inflamação da boca), piorreia e gengivite, faringite, amigdalite, aplicada em gargarejos e bochechos. • H e m o r r ó i d a s e fissura anal IO): em b a n h o de assento. • Leucorreia (fluxo vaginal) e vaginite IO) em irrigações vaginais. • Frieiras IO), em compressas e m b e bidas n u m a decocção de casca. 196
Leguminosas, cujos ramos jovens se encontram revestidos de um pêlo muito suave. As flores são de cor vermelha, e a raiz, tortuosa ede 1 a 3 cm de diâmetro, é de cor parda ou avermelhada. Partes utilizadas: a raiz, especialmente a sua casca.

Raiz de ratânia, arbusto próprio das zonas andinas do continente sul-americano.

PlstadalentíscusL

Pistácia
Fixa os dentes e perfuma o hálito

A

ALMECEGA ou mástique é a resina que exsudam os caules da pistácia quando se lhes la/, uma incisão superficial. Dioscóridcs já a recomendava no primeiro século da nossa era, com o fim de «apertar as gengivas afrouxadas» e para combater o mau hálito. Actualmente faz parte de numerosos dentífricos e preparados farmacêuticos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A AL-

Outros nomes: almecegueira, aroeira, aroeiro. lentisco. Esp.: lentisco, almácigo, charneca. Fr.: [pistachier], lentisque. Ing.: mastic tree, lentisk [pistachej, lentiscus. Habitat: Originário das ilhas gregas, e espalhado por toda a região mediterrânea. Cria-se em terrenos secos, entre alfarrobeiras ou azinheiras. Descrição: Arbusto da família das Anacardiáceas, que pode atingir até um metro de altura. As folhas, que se conservam verdes durante todo o ano, são coriáceas e glabras (sem pêlos). O fruto è uma baga, vermelha ou negra, do tamanho de uma ervilha. Partes utilizadas: a resina e as folhas.

U> Preparação e emprego
USO EXTERNO O A almécega, mastigada ou em pastas dentífricas. © Bochechos com uma decocção de folhas e caules tenros (100 g por litro de água), até 5 vezes por dia.

MÉCEGA contém ácido mastíctico, masticina e essência rica em pineno. Quando se mastiga Eòrma uma massa mole como a cera, que adere aos dentes. Pela sua acção anti-inflamatória e anti-séptica, combate a piorreia e a gengivite (inflamação das gengivas) IO). Torna-se útil no tratamento da parodontose (inflamação e degenerescência dos tecidos de fixação do dente) MM, que é a primeira causa da perda de peças dentárias no mundo. Perfuma o hálito, produzindo uma sensação de frescura e limpeza. As FOLHAS e CAULES tenros contêm uma menor quantidade de princípios activos, mas em compensação possuem mais tanino. Utilizam-se do mesmo modo que a almécega, em bochechos feitos com a sua decocção l@l, para desinflamar e fortalecer a dentadura.

Tanto a resina da pistácia (almécega), como a decocção das suas folhas e caules, constituem um dentifrico natural m u i t o útil contra a piorreia e a inflamação das gengivas.

197

Polygonum blstortum L

ai r.

si 9.

J

a

Preparação e emprego

Bistorta
Um potente adstringente
USO INTERNO O Decocção com 20-30 g de rizoma triturado por litro de água, da qual se ingerem 3 ou 4 chávenas por dia. USO EXTERNO @ Bochechos: Fazem-se com o líquido resultante da maceração de 60-100 g de rizoma triturado, num litro de água durante 4 horas. © Irrigações vaginais: Fazem-se com uma decocção de rizoma com 40-50 g por litro de água.

O

RIZOMA desta plania, difícil de arrancar, forma dois ângulos, uil como d seu nome inche;!: bistorta, isto é. 'duas vezes torcida', 11 de cor avermelhada e apresen* ta uma elevada percentagem de fécula, pelo que tem sido usado como alimento ein épocas de escassez.

Outros nomes: colubrina. serpentâda-vermelha. Esp.: bistorta. serpentária, hierba sanguinária. Fr.: bistorte. Ing.: bistort. Habitat: Própria de terrenos montanhosos e húmidos. Encontra-se na Europa e por todo o continente americano. Descrição: Planta da família das Poligonáceas. que pode atingir até um metro de altura. Caule com bastantes nós, típico das plantas desta família botânica. As folhas são grandes e ovaladas, o as flores, cor-de-rosa, formam uma espiga terminal. Parte utilizada: o rizoma (caule subterrâneo).

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O ri-

zoma da bistorta comem abundantes taninos gálicos e catéquicos, que lhe conferem uma acção fortemente adstringente. V. possível que seja uma das
plantas mais adstringentes q u e se ( o-

nhecem. Actua localmente, secando, cicatrizando e enrijando a pele e as mucosas do organismo. Apresenta ainda uma acção anti-séptica (combate a infecção) e hemostátiea (detém as pequenas hemorragias). Por nulo isto, é
indicada nos seguintes casos: • Gcngivitee parodonlose l©l (gengivas débeis e sangrantes), aplicada em

bochechos com a maceração do rizoma. • Estomatite l©l (inflamação da mucosa bucal), em bochechos, e faringite, aplicada em gargarejos com a maceração do rizoma. • Diarreias e gastrenlerites IO), em especial quando acompanhadas de infecção e hemorragia (disenteria, salmonelose. Cólera). • Vaginites l©l (inflamações vaginais) a c o m p a n h a r i a s de Leucorreia (fluxo

O rizoma (caule subterrâneo) da bistorta ó muito rico em taninos de acção adstringente, que secam e cicatrizam a mucosa bucal e intestinal.

esbranquiçado e abundante).
198

Vibumum lantana L

í\

Viburno
Desinflama as gengivas

E

STE BELO arbusto europeu chama a atenção pelo curioso lacto cie as suas bagas não amadurecerem todas ao mesmo tempo, K frequente encontrar, no mesmo ramalhete, bagas vermelhas (que ainda não amadureceram) e azuladas ou pretas (maduras). Têm um sabor adocicado c áspero e, embora em algumas regiões montanhosas da Itália se comam fermentadas, tornam-se bastante irritantes para o aparelho digestivo.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS ba-

Outros nomes:
Esp.: lantana, morrionera, barbadejo, pierno. Fr.: viorne lantane, mancienne. Ing.: wayfaring tree.

Habitat: Bosques e sebes de toda a
Europa, sobretudo nas regiões montanhosas. Descrição: Arbusto da família das Caprifoiiáceas, que atinge até 3 m de altura. As folhas têm as nervuras salientes e são mais claras pela face inferior. As flores são brancas e crescem formando uma umbela. Os frutos são bagas negras quando estão maduros. Partes utilizadas: as folhas e os frutos

gas contêm uni glicósido ainda não bem identificado c tanino em abundância. São adstringentes e anti-sépticas. Desinflamam a mucosa buca) e limpam a cavidade oral. Usam-se em bochechos e gargarejos, em caso de gengivite (inflamação das gengivas), amigdalite (anginas) e faringite (Ol.

(bagas).

Preparação e emprego Precauções
USO EXTERNO

O viburno emprega-se exclusivamente em uso externo. As bagas não devem ser ingeridas, pois produzem vómitos e diarreias.

O Bochechos e gargarejos com uma decocção de 20 g de bagas bem maduras (pretas) e 2 ou 3 folhas de viburno por litro de água, 3-4 vezes ao dia.

199

PLANTAS PARA A GARGANTA. NARIZ E OUVIDOS
bUMARlO DO Cí
O

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J
203 201 201 201 204 203 201 201 201 201 204 203 201 202 203 203 204 204 203 203 202

DOENÇAS E APLICAÇÕES
Afonia Amigdalite e faringite Ardor na garganta, ver Garganta, irritação BêqtàttB, plantas, ver Garganta, irritação Dor do ouvido (legenda de foto) Epistaxe, ver Nariz, hemorragia Faringite Garganta, ardor, ver Garganta, irritação Garganta, infecção, ver Amigdalite e faringite Garganta, irritação Gargarejos, plantas para Hemorragia nasal, ver Nariz, hemorragia Irritação da garganta Laringite Nariz, hemorragia Nariz, inflamação, ver Rinite Ouvido, dor (legenda de foto) Plantas para gargarejos Rinite Rouquidão, ver Afonia Sinusite

GARGANTA, o nariz e os ouvidos constituem uma unidade anatómica e fisiológica, pois iodos estes órgãos comunicam entre si, e a camada mucosa que lhes reveste o interior é contínua, sem transição entre uns e outros. Ciada ouvido comunica com a laringe através de um fino canal chamado trompa de Eustáquio. Quando nos referimos ã garganta, incluímos também a laringe e as amígdalas (anginas), assim como a laringe, no interior da qual se produz a voz. Formando uma unidade funcional com as fossas nasais e em comunicação com elas, estão os seios paranasais, que são cavidades abertas na espessura dos ossos do rosto. A inflamação destas cavidades é conhecida como sinusite. As amígdalas e os seios paranasais são lugares especialmente propensos a ser colonizados por germes patogénicos, que neles se instalam, constituindo assim focos de infecção de onde se lançam toxinas para o sangue e também para outros órgãos. Muitas bronquites crónicas ou repetitivas, por exemplo, devem-se à presença de um loco infeccioso permanente nos seios paranasais ou nas amígdalas. As plantas medicinais, quer aplicadas localmente em forma de gargarejos, irrigações nasais ou inalações, quer ingeridas por via oral, têm uma acção anii-inilamatória, suavizante, antibiótica e facilitadora da expulsão da mucosidade, que contribui decisivamente para a cura e, sobretudo, paia a prevenção das afecções desta importante região anatómica.

A

PLANTAS
Agrimónia Aúnlieira Carvalho Cawalho-branco Erisimo = Rinchão Eupatória = Agrimónia Hidraste Rinchão Sobreiro 205 210 208 210 211 205 207 211 210

>E PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S P o r t e D e s c r i ç ã o

Doença
AMIGDALITE E FARINGITE
A amigdalite é uma inflamação das amígdalas, vulgarmente chamada anginas. É geralmente produzida por uma infecção, que pode ser bacteriana ou então vírica. Quando esta inflamação afecta o conjunto da mucosa da faringe (garganta), e não apenas as amígdalas, fala-se de faringite. 0 tratamento fitoterápico de ambas as afecções baseia-se nas aplicações locais, principalmente gargarejos, com as plantas indicadas no tabela "Plantas para gargarejos" (pág. 204). As infecções faríngeas repetitivas das crianças requerem a administração de plantas de acção antibiótica e estimulante das defesas, tais como o tomilho, as chagas e a equinácea.

Planta

Pág. Acção
174 Anti-inflamatória e emoliente

Uso
Gargarejos com a infusão ou decocção, cataplasmas com a planta fervida, infusão Gargarejos com a decocção Gargarejos com a infusão Bochechos e gargarejos Gargarejos com o sumo e toques nas amígdalas com uma compressa empapada no sumo Gargarejos com a decocção Gargarejos com a infusão de folhas Tomar a decocção de raiz ou preparados farmacêuticos Gargarejos com a infusão, banhos de vapor e inalações com a essência Infusão ou decocção Gargarejos com a decocção Gargarejos com a decocção Infusão, gargarejos Infusão, xarope, gargarejos com a infusão Infusão, gargarejos com a infusão Gargarejos com a decocção Decocção, gargarejos com a decocção Infusão, gargarejos com a infusão Gargarejos com a infusão Sumo do fruto Infusão, essência, inalações com vapor Gargarejos com a infusão Decocção com a casca e/ou folhas, gargarejos com esta decocção Decocção, gargarejos com a decocção Infusão, tintura

VERBENA

AGRIMÓNIA

205

S/ÍSEZT* * * *****
da garganta

**•
CARVALHO

™ â*S e g e n e r a a s c é l u l a s
2ç,a Anti-séptico e cicatrizante, alivia o ardor e a comichão 265 Anti-séptico e cicatrizante 505 Anti-séptica, cicatrizante, adstringente 700 Adstringente e cicatrizante 755 Aumenta as defesas contra as infecções

LIMOEIRO

NOGUEIRA URUCU EQUINÁCEA

TOMILHO CHAGAS

769 Anti-séptico, estimula as defesas 772 Antibiótica natural, limpa as mucosas 205 Suaviza a garganta e aclara a voz 208 Anti-séptico e cicatrizante, alivia a comichão e o ardor da garganta Acalma a tosse e a irritação

GARGANTA, IRRITAÇÃO
Pode ser originada por diversas causas, entre elas: infecciosas (faringite crónica), irritativas (fumo do tabaco, inalação de substâncias químicas), atróficas (debilidade das células mucosas que revestem a garganta), e até tumorais. Manifesta-se por ardor ou comichão na garganta, tosse seca, incómodo ao engolir e mucosidade. Todas estas plantas têm acção béquica, isto é, acalmam a tosse devida a ardor ou irritação da garganta. Usam-se tanto por via interna como localmente em gargarejos. Rinchão

AGRIMÓNIA CARVALHO

RINCHÃO AVENCA

211 da garganta

292 Alivia a secura e irritação da garganta 297 325 Expectorante, anti-inflamatória, amolece a mucosidade Suaviza e seca ao mesmo tempo, alivia a irritação da garganta Adstringente, expectorante Acalma a tosse, desinflama as mucosas respiratórias Suaviza a garganta e acalma a tosse Acalma a tosse, facilita a expectoração Expectorante, sedante, antitússico Emoliente, protege as mucosas Acalma a tosse rebelde por irritação das vias superiores Anti-inflamatório, sedante suave, alivia a irritação 754 Antitússica, antibiótica

ANTENÂRIA

TANCHAGEM

PULMONAR IA

331 e anti-inflamatória

TUSSILAGEM VIOLETA ANANÁS ORÉGÃO

201

C i p . I I : PLANTAS P i f/

GARGANTA, NARIZ E OUVIDOS

Doença
LARINGITE
Inflamação da mucosa que reveste a laringe,, que é o órgão onde se produz a voz. E acompanhada por um aumento da produção de mucosidade na garganta, tosse, afonia ou rouquidão e. nos casos graves, dificuldade em respirar por espasmo das cordas vocais, que fecham a passagem do ar.

Planta
VERBENA

Pág. Acção
174 Anti-inflamatória e emoliente Alivia a inflamação e a irritação da garganta

Uso
Gargarejos com a infusão ou decocção, cataplasmas com a planta fervida, infusão Gargarejos com a decocção Infusão, gargarejos com a infusão Infusão, xarope, gargarejos com a infusão Infusão, gargarejos com a infusão Decocção Infusão ou maceração da raiz Infusão Infusão de rizoma e folhas Gargarejos com a decocção Infusão, gargarejos com a infusão Infusão de flores Lágrimas (grãos de goma) Crus, sumo fresco Infusão, essência, inalações com vapor Infusão, tintura

AGRIMÓNIA

205

RlNCHÃO

211 Acalma a tosse e a irritação da garganta, expectorante 292 Alivia a secura e irritação da garganta, acalma a tosse 297 Expectorante, anti-inflamatória, amolece a mucosidade
300 Peitoral, expectorante e antitússico 308 Favorece a expectoração e desinflama as vias respiratórias Fluidifica e desinfecta as secreções

AVENCA

ANTENÁRIA LlQUEN-DA-ISLÃNDIA ALCAÇUS

MARROIO PETASITE TANCHAGEM

316 mucosas
320 325

Expectorante e emoliente Suaviza e seca ao mesmo tempo, alivia a irritação da garganta Acalma a tosse, desinflama

TUSSILAGEM VERBASCO

341 as mucosas respiratórias

343 Alivia a tosse e facilita a expectoração 359 Alivia os espasmos da laringe 393 Amolecem a mucosidade, antibióticos 464 Expectorante, sedante, antitússico 7K/I Combate a tosse, antibiótica,
/P4
a n t i e s p a s m o d i c a

AssA-FÉTiDA
RABANETE E RÁBANO ORÉGÃO

D«i»ri *
KORELA

SINUSITE
É a inflamação dos seios paranasais, que são pequenas cavidades abertas na espessura dos ossos do rosto e que comunicam com as fossas nasais através de pequenos orifícios. O interior destas cavidades ou seios é revestido por uma camada mucosa cuja inflamação, de cura lenta, produz dor de cabeça e outros transtornos. Além de irrigações nasais, recomendam-se compressas sobre o rosto, inalações de vapores ou essências, e a ingestão de plantas com acção antibiótica como o rabanete ou as chagas.

CENOURA

133

Pelo seu conteúdo em caroteno (provitamina A) fortalece as mucosas e aumenta as defesas

Crua ou em sumo Inalações dos vapores da decocção, compressas quentes com a infusão ou decocção sobre o rosto Inalação e ingestão da essência de terebintina Inalação e ingestão da essência de terebintina Crus ou em sumo fresco Lavagens nasais com a infusão de pétalas Decocção de raiz ou preparados farmacêuticos Infusão ou decocção

VERBENA

174 Anti-inflamatória e adstringente 290 Balsâmico e anti-séptico, regenera as mucosas 323 393 635 Balsâmico e anti-séptico Amoleces a mucosidade. antibióticos
Ad slr n f ' gente, anti-inflamatória, anti-séptica

ABETO-BRANCO
PINHEIRO RABANETE E RÁBANO

ROSEIRA

EQUINACEA

755

Aumenta as defesas contra as infecções

CHAGAS

772 Antibiótico natural, limpa as mucosas

202

SAÚDE PELAS P U M A S MEDICINAIS 2 ° P a r t e D e s c r i ç ã o

I

Doença
ATONIA
É a perda ou diminuição da voz. Geralmente, é consequência de uma inflamação ou infecção da laringe ou cordas vocais (laringite), embora também possa ser devida a causas tumorais, nervosas ou outras. A rouquidão é a mudança do timbre da voz, que fica áspera e pouco sonora. Tem geralmente as mesmas causas que a afonia. Estas plantas, usadas por via interna ou em aplicação local, desinflamam as cordas vocais e contribuem para eliminar a mucosidade, que com frequência causa a afonia ou rouquidão.

Planta
RiuruKn
HINCHAO

Pág. Acção
911 Acalma a tosse e irritação da garganta,
ÍIL expectorante
Favorece a expectoração e desinflama as vias respiratórias

Uso
Infusão e gargarejos com a infusão

ALCACUS

308

Infusão ou maceração da raiz

PETASITE

320 Expectorante e emoliente

Infusão de rizoma e folhas Decocção, gargarejos com a decocção Gargarejos com a infusão Infusão de pétalas, gargarejos com a infusão Tamponamentos nasais ou irrigações com a decocção Decocção de folhas e casca Tamponamentos nasais com o sumo Tamponamentos nasais com a decocção de frutos Tamponamentos nasais com a infusão Irrigações e tamponamentos nasais com a decocção Aspiração de pó das folhas secas, infusão de folhas Tamponamentos nasais com a infusão Tamponamentos nasais com a infusão Decocção, tamponamentos nasais com a decocção concentrada Infusão, irrigações nasais com a infusão Infusão, irrigações nasais com a infusão Inalação e ingestão da essência de terebintina Aspiração do pó de folhas ou de raiz secas Infusão ou decocção

PULMONÂRIA

331

Expectorante, anti-inflamatória

VIOLETA

344 Suaviza a garganta e acalma a tosse

ROSEIRA

635 Anti-inflamatória, anti-séptica 208 AdsWngente. anti-inflamatório e hemostatico Tónico venoso, vasoconstritora, hemostática

NARIZ, HEMORRAGIA (EPISTAXE)
É uma hemorragia que se produz nas fossas nasais. Deve-se, em muitos casos, à rotura de alguma pequena veia na fossa nasal, embora também possa estar relacionada com a hipertensão. As plantas medicinais de acção hemostátíca ou adstringente aplicam-se em tampões nasais, preparados com uma compressa de gaze, ou em irrigações nasais. Convém combinar o tratamento local com a ingestão de tisanas de algumas plantas de acção hemostáfica ou protectora dos capilares.

CARVALHO

AVELEIRA

253

URTIGA-MAIOR
ABRUNHEIRO-BRAVO

278 Vasoconstritora e hemostática 372 504 519 r.. Adstringente Adstringente Adstringente e hemostática Adstringente, protectora capilar, hemostática

PILOSELA

TORMENTILA
VIDEIRA

BOLSA-DE-PASTOR

g2g Aumenta a resistência dos capilares, hemostática 691 704 136 207 Cicatrizante e hemostatico Hemostática Anti-séptica, anti-inflamatória e adstringente AnteéPtte8» regenera as células mucosas Balsâmico e anti-séptico
Provoca

MILEFÓLIO

Carvalho

CAVALINHA

RINITE
É a inflamação da mucosa que reveste o interior do nariz. Usam-se plantas adstringentes eantí-séptícas para la vagens e irrigações nasais, antibióticas como as chagas e esternutatórias como o ásaro.

EUFRÁSIA HIDRASTE

PINHEIRO

323 432

ÁSARO

°

es

P'rro

e

descongestiona

o nariz
CHAGAS

772 Antibiótico natural, limpa as mucosas

203

C a p . 1 1 : P L A N T A S PARA A G A R G A N T A , NARIZ E OUVIDOS

Plantas para gargarejos

Aplicadas localmente em gargarejos, todas estas plantas exercem uma ou várias das seguintes acções: anti-séptica (desinfectante), emoliente (suavizante), cicatrizante e adstringente (seca as mucosas). Por isso se recomenda o seu uso nas afecções infecciosas ou inflamatórias da garganta, como a faringite e a amigdalite. Ver na página 71 a maneira de fazer os gargarejos.

Planta Erva-de-são-roberto Verbena Chá-de-nova-jersey Ratánia Bistorta Viburno Agrimónia Hidraste Carvalho Saramago Limoeiro Avenca Antenária Alcaçus Murta Tanchagem Serpão Tussilagem Verbasco Violeta Abrunheiro-bravo Drias Orégão

Pãg. 137 174 191 196 198 199 205 207 208 211 265 292 297 308 317 325 338 341 343 344 372 451 464

Planta Verónica Amieiro Epilóbio Nogueira Malva Tormentila Cinco-em-rama Goiabeira Romãzeira Pimpinela-oficinal Silva Morangueiro Roseira Salva Urucu Figueira Sanícula Consolda-maior Quina Rorela Framboeseiro Sabugueiro Tomilho

Pág. 475 487 501 505 511 519 520 522 523 534 541 575 635 638 700 708 725 732 752 754 765 767 769 I O sumo de limão é um grande anti-séptico. Aplicado sobre as amígdalas por meio de toques com uma compressa de algodão, pode destruir diversos tipos de germes patogénicos q u e se localizam nessa zona da garganta (pág. 267).

As delicadas flores da violeta (pág. 344J suavizam a garganta e aliviam a tosse, t a n t o tomadas em infusão como em xarope.

O óleo de açucena |pág. 716) tem acção emoliente (suavizante) e anti-séptica. A aplicação de umas gotas no canal auditivo dá bons resultados em caso de otite ou de dor do ouvido.

204

Agrímonla eupatoria L

«

Preparação e emprego

Agrimónia
USO INTERNO

Aclara a voz e suaviza a garganta

O Infusão ou decocção com 20 ou 30 g de flores e folhas por litro de água. Podem-se tomar 3 ou 4 chávenas por dia, adoçadas com mel no caso de se desejar. USO EXTERNO © B o c h e c h o s e gargarejos com uma decocção concentrada (100 g por litro). Deixa-se ferver até reduzir a um terço o volume da água. Pode-se acrescentar salva e tília. Adoçar com 50 g de mel.

A

AGRIMÓNIA pertence à família das Rosáceas, constituída por mais de duas mil espécies, entre as quais se encontram seguramente as plantas de maior beleza. No entanto, ao contrário de outras Rosáceas, a agrimónia é uma planta de aspecto bastante modesto, que não atrai particularmente a atenção. Claro que, como acontece com muitas outras coisas, a beleza e a eficácia nem sempre se conjugam. A agrimónia é conhecida e utilizada desde a antiguidade clássica. Mitrídates Eupator, médico e rei do Ponto (132-63 a.C), utilizou-a amplamente e deu-lhe o seu apelido: eupatoria.

© C o m p r e s s a s para aplicar sobre as feridas. Embebem-se nesta mesma decocção concentrada, sem a adoçar.

Dioscórides e outros médicos e botânicos gregos, aplicavam-na em compressas sobre as feridas de guerra. Avicena, o famoso médico árabe medieval, também a recomendava.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A plan-

Outros nomes: eupatoria, eupatório-dos-gregos, erva-dos-gregos, erva-hepática. Brasil: eupatório. Esp.: agrimónia común, eupatório, hierba de San Guillermo, cientoenrama. Fr.: aigremoine [eupatoirej, herbe de SaintGuillaume. Ing.: (commonj agrimony. Habitat: Prefere as sebes, margens de bosques e ribanceiras, em climas temperados. Encontra-se em toda a Europa e no Sul do continente americano. Descrição: Planta herbácea da família das Rosáceas, de 40 a 60 cm de altura, com caules erectos, no cimo dos quais se dispõem em ramalhete as suas flores amarelas. As sementes dos frutos estão cheias de ganchinhos que aderem à roupa de quem passa e ao pêlo dos animais. Partes utilizadas: as flores e as folhas.

la contém ílavonóides, óleos essenciais, e sobretudo taninos, a que se deve a maior parte dos seus efeitos medicinais. Os taninos actuam como adstringentes sobre a pele e as mucosas, formando sobre elas uma camada de proteínas coaguladas que impede a actuação dos micróbios. E neste pro-

205

Os gargarejos feitos com uma decocção de agrimónia aclaram a voz e suavizam a garganta.

cesso que se baseia precisamente o curtimento das peles. A agrimónia cm infusão exerce um interessante efeito antidiarreico. Também é vermífuga (expulsa os vermes intestinais) e ligeiramente diurética IOI. Acontece, porém, que a maior utilidade terapêutica desta planta é em aplicação externa. Pelo seu efeito adstringente e anti-inflamatório sobre as mucosas, torna-se de grande utilidade nos seguintes transtornos: • Ulceras da boca 101 (altas), aplicada em forma de bochechos.
206

• Afecções da garganta 101: faringites agudas e crónicas, amigdalites e laringites (afonia). Os gargarejos dão nalguns casos resultados espectaculares, fazendo desaparecer em poucos dias a inflamação e irritação das mucosas da garganta. Os cantores, locutores e conferencistas podem beneficiar muito com

esta planta medicinal, que aclara a voz e suaviza a garganta. • Como cicatrizante 101 em feridas renitentes ou que não cicatrizam, chagas, úlceras varico.sas das pernas. Aplica-se colocando sobre a zona afectada compressas empapadas numa decocção de agrimónia. As feridas secam, facilitando assim a sua cicatrização.

Hydrastis canadensls L

Preparação e emprego

Hidraste
Eficaz contra os catarros

USO INTERNO

O Infusão de uma colherada de rizoma triturada, por cada chávena de água. Deixar repousar até arrefecer. Tomam-se duas colheradas desta infusão de 4 em 4 horas.
USO EXTERNO

© Aplica-se esta mesma infusão externamente, em bochechos, gargarejos, irrigações e lavagens.

O

HIDRASTE é um remédio pop u l a r n o s Estados U n i d o s e no Canadá, q u e começa a empregar-se t a m b é m no resto do continente a m e r i c a n o , devido às suas interessantes p r o p r i e d a d e s .

P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : O ri-

zoma c o n t é m diversos alcalóides (hidrastina e b e r b e r i n a e n t r e o u t r o s ) , óleo essencial, resinas e glícidos, assim c o m o vitaminas A, B e C, e sais m i n e rais, em especial, fósforo. T u d o isto lhe confere p r o p r i e d a d e s anti-sépticas, adstringentes, h e m o s t ã t i c a s e antí-inflamatórias. Utiliza-se com êxito nos seguintes casos: • Catarros nasais, faríngeos e b r ô n quicos. O hidraste actua eficazmente r e g e n e r a n d o as células das m e m b r a nas mucosas, pelo q u e d i m i n u i a secreção de m u c o e a congestão e inflamação q u e a c o m p a n h a os estados catarrais. Aplica-se tanto p o r via interna 101, c o m o externa (gargarejos) 101. • Menstruação excessiva e metrorragias (hemorragias uterinas) 101, devido ao seu efeito constritor sobre o útero. Nestes casos o seu emprego exige a vigilância do médico. • Vaginite e leucorreia 101, aplicada em forma de irrigações e lavagens. • Piorreia e gengivite (inflamação das gengivas). • Conjuntivites (irritações oculares) 101, por meio de lavagens.

CH3

H3C
OCHi
Fórmula química da hidrastina, principal alcalóide do hidraste.

TV

Outros nomes: hidrastis. Esp.: hidraste, sello de oro. Fr.: hydrastis. Ing.: goldenseal. Habitat: Bosques montanhosos e húmidos da América do Norte. Não se cria no continente europeu. Descrição: Planta da família das Ranunculáceas, cujos caules nascem de um rizoma rasteiro, e atingem de 30-40 cm de altura. De folhas grandes e palmadas, de cor verde escura. Na ponta do caule forma-se um pequeno capitulo floral. Partes utilizadas: o rizoma.

207

H

Carvalho
Anti-infíamatório e adstringente

Outros nomes: carvalho-comum, carvalho-alvarinho, carvalheira, roble. Esp.: roble, carballo, roble aibar, roble común. roble europeo. Fr.: chêne. rouvre. Ing.: oak. Habitat: Árvore muito conhecida, que forma extensos bosques na Europa e na América. Descrição: Grande árvore da família das Fagáceas, de copa larga e de tronco grosso e maciço, que atinge até 20 m de altura. As (othas são (obuladas. de cor verde-escura na página superior e mais clara na inferior. As bolotas, os seus frutos, nascem de longos peciolos pendentes dos ramos. Partes utilizadas: a casca e as bolotas.

G
campo.

OSTARIA de provar uma bolota -roga o garoto aos pais, com quem vai passeando pelo

-Que estás IH a dizer, miúdo! As bolotas são para os porcos. Come este bocadinho de presunto que a tua mãe preparou paia ii. -Então, papá, se são boas para o porco, que nós depois vamos comer, porque c que não comemos logo as bolotas, sem terem de passar pelo animal? -Só pensas cm disparates, Ilibo!conclui a mãe. E a pergunta fica no ar... A lógica elementar do garoto contrasta com os hábitos alimentares de muitos dos que se autodenominam Homo sapiens (homem sábio). Se os habitantes dos países "desenvolvidos'" seguissem um regime alimentar mais rico em vegetais, e não tão abundante em produtos de origem animal, como é hábito, diminuiriam drasticamente muitas das doenças mais comuns, como a arteriosclerose, o ínfarto do miocárdio e a trombose.

O
USO EXTERNO

Preparação e emprego
- Banhos de assento e clisteres (para afecções do ânus ou do recto). - Banhos dos braços (para as frieiras). - Fomentações ou compressas quentes (sobre músculos ou articulações doridas). - Compressas, embebendo um pano de algodão ou uma gaze que se renova de 4 em 4 horas (para afecções da pele). - Lavagens oculares ou tampões nasais.

o

Eliminar a cor amarela

O Decocção com 60-80 g (umas 4 colheradas) de casca de carvalho ou azinheira, triturada, num litro de água. Deixar ferver durante 10 minutos em lume brando. Depois filtra-se e aplica-se localmente sobre a zona afectada, em qualquer das seguintes formas: - Bochechos e gargarejos (para as afecções da boca e da garganta). Irrigações vaginais.

A cor amarela que fica na pele depois dô se aplicar o carvalho é devida à acção dos taninos que contém. Para eliminá-la, esfrega-se a pele com sumo de limão.

208

Os banhos de mãos (manilúvios) e de braços, assim como os de pés e pernas fpedilúviosj, melhoram os transtornos circulatórios das extremidades, como, por exemplo, as frieiras.

2 0 % ) , e n t r e os quais se destaca o ácido quercitânico. Os taninos são adstringentes, islo é, secam as mucosas inflamadas e precipitam ou coagulam as p r o t e í n a s do.s tecidos animais. K p r e c i s a m e n t e nisto q u e se baseia o seu e m p r e g o c o m o a g e n t e s curtidores: secam a pele dos animais e translormam-na e m c o m o . Os taninos são os adstringentes mais enérgicos que se conhecem. Actuando sobre os tecidos inflamados, secam-nos e endurecem-nos transitoriamente, e n q u a n t o vão s e n d o s u b s t i t u í d o s a p o u c o e p o u c o p o r tecido são. T ê m l a m b e m um eleito anti-inflamatório e a n a l g é s i c o . Além disso, d e t ê m as p e q u e n a s h e m o r r a g i a s superficiais (acção hemostática). As BOLOTAS t a m b é m c o n t ê m tanino, além de glícidos (hidratos de carb o n o ) cr lípidos (gorduras) de alto valor biológico. São a d s t r i n g e n t e s e constituem um alimento a p r o p r i a d o nas diarreias por g a s t r e n l e n t e , especialmente nas crianças. A CASCA do carvalho e da azinheira aplica-se p o r via externa em forma de decocção IOI ( p o r via interna, embora n ã o seja tóxica, p o d e produzir n á u s e a s ) , e tem n u m e r o s a s indicações devido às suas e x c e l e n t e s propriedades curativas: • E s t o m a t i l e e faringite: Nas inflam a ç õ e s da m u c o s a bucal e da garganta, aplica-se em b o c h e c h o s ou em gargarejos, várias vezes por dia, com o q u e se c o n s e g u e aliviar a sensação de a r d o r e c o m i c h ã o , ao m e s m o tempo q u e se o b t é m um eíéilo anli-scpiico e cicatrizante. • Gengivite, p a r o d o n t o s e , p i o r r e i a : Em t o d o o tipo de inflamação das gengivas, ajuda a l i m p a r a sujidade a c u m u l a d a nos seus recônditos. Nos 209

A h u m i l d e bolota torna-se um alim e n t o muito agradável para aqueles q u e a i n d a n ã o têm o p a l a d a r deform a d o pelos artificiais e sofisticados sabores da cozinha m o d e r n a . Durante: séculos, as bolotas foram um alimento básico de povos de g r a n d e forca física, c o m o , aqui na Península, o povo vasco. T a n t o na E s t r e m a d u r a espa-

n h o l a c o m o n o p o r t u g u ê s Alentejo, existem u m a s bolotas d o c e s , a i n d a mais saborosas do q u e as c a s t a n h a s ( p á g . 4 9 5 ) , e q u e , c o m o eslas, lamb e m se p o d e m comei assadas.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : A CAS-

CA de todas as árvores do g é n e r o Quercus é muito rica em taninos (ale

•Al,

casos incipientes, pode firmar os dentes que começam a abanar como consequência da inflamação das gengivas e dos tecidos que fixam o dente ao osso alveolar. • Conjuntívite e blefarite (inflamação das pálpebras): Fa/em-se banhos oculares, ou então aplica-se uma compressa embebida no líquido da decocção, de 4 em 4 horas. Obtêm-se muito bons resultados no caso de conjuntivites irritativas ou alérgicas, assim como nos terçóis. • Hemorragias nasais: Aplica-se em forma de irrigação, ou então embebendo uma gaze que serve de tampão. Recomcnda-se combinar com a tormentilha (pág. 519). • Frieiras: Banho dos braços ou dos pés, três vezes ao dia, durante 15 minutos, com uma decocção de casca de carvalho ou azinheira, quente. Faz desaparecer a vermelhidão e a comichão da pele. • Hemorróidas e fissuras do ânus: Reduz a inflamação anal, detém a pequena hemorragia que costuma acompanhar estes incómodos, e favorece a cicatrização das dolorosas fissuras anais. Aplica-se em forma de banho de assento quente, de 15 minutos de duração, uma ou duas vezes diárias, e também em enema (clister). • Eczemas e gretas da pele: aplica-se em forma de compressa, embebendo um paninho de algodão. Seca, desinflama e cicatriza a pele. • Ulceras e chagas de difícil cicatrização, incluindo as de origem vascular, devidas a má circulação nos membros inferiores (úlceras varicosas). Aplicar uma compressa embebida no líquido da decocção, renovando-a de 4 em 4 horas. • Dores reumatismais: As fomentações ou compressas quentes com uma decocção de casca de castanheiro têm também efeito anti-inflamatório e anti-reumático. Usam-se para acalmar dores osteomusculares ou articulares na região cervical, dorsal ou lombar, assim como nas coxas e pernas. Os reumáticos e os artrósicos beneficiarão com as lómentações de carvalho.
210

Azinheira, sobreiro, carvalho-americano

Além do Quercus robur L, existem várias árvores do género Quercus, todas elas produtoras de bolotas e de propriedades medicinais bastante semelhantes, entre as quais há a destacar: • 0 Quercus ilexL, de tamanho mais pequeno, chamado azinheira, azinho ou carrasco-loureiro.* • O Quercus suberL, o sobreiro, ou sobro**, de cuja casca se obtém a cortiça. Por isso nalgumas regiões da América Latina lhe dão nome de pau-decortiça. • 0 Quercus alba L, carvalho-branco**", que forma grandes bosques no México, nos Estados Unidos e no Canadá. ' Esp.: encina, carrasca, chaparro. " Esp.: alcornoque, chaparreta. sobrero, tomadizo.
'" Esp.: roble blanco.

As bolotas são ricas em hidratos de carbono e gorduras de grande valor nutritivo. Pela sua acção adstringente const i t u e m um alimento a p r o p r i a d o em caso de diarreia.

Slsymbrium offlclnale Scopoll

*

Preparação e emprego

Rinchão
USO INTERNO

Desinflama a garganta e aclara a voz

O Infusão com 50 g de sumidades floridas por litro de água. Adoça-se com mel. Tomar até 5 ou 6 chávenas quentes por dia. USO EXTERNO €) Bochechos e gargarejos com a mesma infusão que se emprega para o uso interno. Pode-se adoçar, caso se prefira. Recorde-se que não se deve engolir o líquido usado para os bochechos e gargarejos.

V
XVII.

OU TER que desistir -lamenta-

-se um dos componentes do

coro de Notre-Dame ao seu médico-. listou afónico há dois meses, como consequência de um catarro, e sem poder cantar. -Não desesperes. Toma esta eiva e faz gargarejos com ela. Verás como voltas a ter a tua voz- responde Morín, famoso médico parisiense do século E o rinchão fez o seu efeito. Na época em que não existiam microfones, os cantores, oradores e actores de toda a Europa encontravam nesta planta o segredo para manter a voz clara e forte.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O

rinchão é semelhante à mostarda (pág. 663) no seu aspecto, sabor e composição. Contém um óleo essencial sulfurado que, quando entra em contacto com a mucosa da boca e da faringe, provoca, por um mecanismo reflexo, um maior afluxo de sangue à laringe e aos brônquios, o qual favorece a secreção mucosa e a expectoração. Tem propriedades béquicas (acalma a tosse e a irritação da garganta), anti-inflamatórias e expectorantes. Torna-se muito útil nos casos de faringite, rouquidão ou afonia por laringite (inflamação das cordas vocais), e bronquite IO 01. Os melhores resultados obtêm-se quando se combina o uso interno (infusão) com o externo (bochechos e gargarejos).

Outros nomes: erva-rinchão, erísimo, ertsimo-das-boticas, erva-dos-cantores. Brasil: agrião. Esp.: erisimo, sisimbrio, hierba de los cantores, jaramago. Fr.: érysimum, herbe aux chantres, Ing.: érysimum, hedge mustard. Habitat: Comum em terrenos baldios e perto dos lugares habitados de toda a Europa. Conhecido no continente americano. Descrição: Planta da família das Crucíferas, de 40 a 100 cm de altura, de caule rígido e erecto. As folhas são grandes e profundamente divididas em vários lóbulos. As flores são pequenas, de cor amarela pálida. Partes utilizadas: as sumidades floridas e as folhas.

211

PLANTAS PARA O CORAÇÃO
ri

SUMARIO DO CAPITULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Afecções do coração 213 Angina de peito 214 Arritmia 214
Cardiopatias,

J

Plantas cardiotónicas
São aquelas que aumentam a força de contracção do coração e melhoram o seu rendimento. 0 protótipo das plantas cardiotónicas é a dedaleira. Planta Erva-cidreira Adónis-da-itália Lírio-dos-vales Pilriteiro Dedaleira Graciola Agripalma Giesta Feijoeiro Ulmeira Azevinho Alecrim Evónimo Loendro Hipofaé Pág.

As plantas cardiotónicas classificam-se em dois grupos: De tipo digitáfico. São aquelas cujos princípios activos sáo gJicósidos semelhantes aos da dedal eira. Têm uma acção cardiotónica intensa, e devem-se administrar com grande precaução, pois a dose tóxica situa-se muito próximo da dose terapêutica. Não digitálicas: Sáo plantas que fortalecem o funcionamento do coração, mas que não contêm giicósidos digitálicos. Podem-se administrar sem as precauções dos remédios digitáJicos. As plantas cardiotónicas. juntamente com as diuréticas (cap. 22). constituem a base do tratamento fitoterápico da insuficiência cardíaca [incapacidade do coração para cumprir a sua função de impulsionar o sangue).

ver Afecções do coração 213 Coração, afecções, ver Afecções do coração 213 Coração, alteração do ritmo, verAmtmia 214 Coração, infarto, ver In farto do miocárdio 214 Coronárias, afecções arteriais, ver Angina de peito 214 Doenças do coração, ver Afecções do coração 213 Infarto do miocárdio 214 Insuficiência cardíaca, ver Plantas cardiotónicas 212 Palpitações 213 Plantas cardiotónicas 212 Ritmo cardíaco, alteração, verAmtmia 214 Taquicardia 213 PLANTAS Adónis-da-itália Agripahna Cacto-grandifloro Canforeira Convolaria = IJrio-dos-vales Dedaleira Digital = Dedaleira Kspinheiro-alvar = Pilriteiro Giesta Graáola Lirio-dos-vales Pilriteiro Seknkáw

163 215 218 219 221 223 224 225 584 667 672 674 707 717 758

215 224 216 217 218 221 221 219 225 223 218 219 2/6

A

S PLANTAS medicinais exercem notáveis acções sobre o coração. São especialmente apreciadas as plainas que aumentam a forca das contracções cardíacas (chamarias cardiotónicas), cujo protótipo é a dedaleira. Além de fortalecer o coração, as plantas medicinais c o n t r i b u e m de forma decisiva para a prevenção de d o e n ç a s graves tio coração, c o m o ÍV a n g i n a de peito e o infarto do miocárdio.

212

A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
2 " P a r l e : D e s c r i ç ã o

Doença
AFECÇÕES DO CORAÇÃO Estas plantas convêm a todos aqueles que sofram de alguma afecção cardíaca, devido ao seu efeito tonificante do coração, ao seu escasso conteúdo em sódio (que aumenta a tensão arterial), e ao seu efeito diurético isento de riscos.

Planta
jl Pu R(TFIRO ,„.„„

Pág. Acção
jgg Vasodilatadora e suavemente hipotensora, fluidifica o sangue

Uso
Infusão de flores, decocção de casca, extractos Infusão de flores, frutos frescos, extractos Sumo fresco, decocção de frutos, cura de arandos Frutos frescos ou em sumo Castanhas cruas ou assadas olfem decocção
SUm

21 9 Aumenta a irrigação sanguínea nas coronárias e combate o seu espasmo OCA Aumenta a resistência do músculo 260 cardíaco 489 Rica em fósforo e potássio 495elevado em potássio **&2SSÍ!£& e 513 Diurética, baixo conteúdo em sódio 584 Melhora o rendimento do coração W} Diurético bem tolerado, não altera 099 o equilíbrio electrolitico do sangue 758 ã J ^ ^
U T O , a c t i v a a , ú n ç í i o

ARANDO

ANONA CASTAKHHRO MACIEIRA FEIJOEIRO Mu im MILHO HIPOFAÉ TAQUICARDIA í um aumento da frequência do ritmo cardíaco. Quando se produz em repouso, sem uma causa fisiológica que a explique, pode precisar de ser tratada. Em geral, todas as plantas cardiotónicas, que aumentam a força das contracções cardíacas, e portanto a sua eficiência, reduzem também a sua frequência. Ás plantas sedativas e equilibradoras do sistema nervoso vegetativo (pág. 145) também podem travar a taquicardia. P.I DiTcion riLKiitiRo

°

Decocção de vagens, verdura ,, - . p . t i W p infusão de estiletes Bagas maduras, xarope de bagas Infusão de flores, frutos frescos, extractos

?i Q Aumenta a força contráctil do coração LY? e regulariza o seu ritmo

A ~

224

^ ^ S f o H g a n nervosa

« • * • * * •

25 ~ J ^ « - * | * . « ( I . 2
* " * » LARANJEIRA ALFAZEMA ERVA-CIDREIRA u„,-„..... VALERIANA LíRio-DGS-VALES Puorrciorv riLRmEiRo VISCO-BRANCO LIMOEIRO ASSA-FÉTIDA 310 K o S c a r d i a c o mais tento) """São, xarope Infusão de folhas e/ou flores infusão, extractos, essência Infusão, extractos

PALPITAÇÕES As palpitações definem-se como a percepção desagradável do próprio batimento do coração, devido a uma mudança brusca no ritmo ou na frequência da pulsação cardíaca. Podem ser causadas por estados de ansiedade, uso de certos fármacos, consumo de tóxicos como o café, tabaco ou álcool, e, mais raramente, por certas doenças do coração. No electrocardiograma mostram-se como extra-sistoles. Além das plantas antiespasmódicas, sedativas e tonificantes do coração que se indicam, é necessário um tratamento de fundo da ansiedade subjacente (ver pág. 141), e eliminar o consumo de café, tabaco, álcool ou outros tóxicos.

153 Antiespasmódica, sedante 161 Pedante e equilibradora do sistema nervoso 163 Antiespasmódica, sedante

i7o Antiespasmódica, sedante w - » . - . , « « , « pó t , B n i 172 nervos ^ 0 c e n t r a | e' v e g e t a t i v odo sistema Infusão, maceração, . J dei raiz , o O i1 8 ^ Tonificante do coração, antiespasmódico w.icãn ln,usao Infusão de flores, frutos frescos, extractos Infusão, maceração de folhas Infusão de folhas Lágrimas (grãos de goma)

9i Q Aumenta a forca contráctil do coração e regulariza o seu ritmo 246 Antiespasmódico, sedante 265 Antiespasmódico, sedante 359 Antiespasmódica, sedante

213

C a p . 1 2 : P L A N T A S PARA O CORAÇÃO

Doença
ARRITMIA
É a alteração no ritmo das pulsações cardíacas, quer por este ser irregular, quer demasiado lento (braquicardia) quer demasiado rápido (taquicardia). A arritmia pode ser secundária, devida a um estado de ansiedade, ao uso de tóxicos (especialmente o café ou o chá), ou a certos medicamentos. Nestes casos não costuma envolver gravidade e cede quando se corrige a causa. Mas noutros casos, a arritmia pode ser a manifestação de afecções cardíacas que requerem um diagnóstico preciso por parte do médico.

Planta
TlUA
VALERIANA

Pág. Acção 169 suavemente hipotensora 172 nervoso central e vegetativo
215 Cardiotónico, sedante Aumenta a força contráctil do coração Cardiotónica, Antiespasmódica, sedante do sistema Vasodilatadora,

Uso
Infusão de flores, decocção de casca, extractos Infusão, maceração, pó de raiz Infusão Infusão de flores, frutos frescos, extractos Extractos farmacêuticos, infusão de pó de folhas Infusão, extractos Preparados farmacêuticos, pó de raiz Infusão, xarope Infusão de flores, decocção de casca, extractos Infusão Infusão de flores, frutos frescos, extractos Infusão, extractos Cru, extractos, decocção de dentes de alho Infusão ou maceração de folhas

ADÓNIS-DA-

-rrÂUA
PlLRITEIRO

219 e regulariza o seu ritmo

DEDALEIRA

221 normaliza o ritmo cardíaco
225 e torna mais lento o seu ritmo 242 normaliza o ritmo cardíaco
Hipotensora, sedante, Tonifica o coração

GIESTA

RAUVÓLFIA

GRINDÉLIA

310 torna mais lento o ritmo cardíaco
Vasodilatadora, suavemente 169 hipotensora, sedante, fluidifica o sangue

Antiespasmódica,

ANGINA DE PEITO
É uma afecção caracterizada pelo aparecimento súbito de uma dor no peito, irradiando algumas vezes para o braço esquerdo, com uma sensação de morte iminente. É causada por um espasmo ou estreitamento nas artérias coronárias, que são aquelas que irrigam o próprio músculo do coração. 0 tratamento fitoterápico baseia-se em plantas antiespasmód/cas (aliviam o espasmo das artérias coronárias), vasodilatadoras coronárias (dilatam estas artérias) e sedativas. Quando o espasmo arterial é devido a arteriosclerose (endurecimento e estreitamento) das artérias coronárias, também são aplicáveis as plantas recomendadas contra esta afecção arterial (pág. 228).

TILIA

ADÔNIS-DA- ITÂLIA

215 cardiotónico

Vasodilatador das artérias coronárias,

PlLRITEIRO

219 coronárias e combate o seu espasmo
224 Cardiotónica, sedante

Aumenta a irrigação sanguínea nas

AGRIPALMA

ALHO

230 Vasodilatador, fluidificante do sangue ?46 zí4b
Vasodilatador melnora a sanguinea

VISCO-BRANCO visco BRANCO SENE-DA-IND«A

. do miocárdio irrigação

492defecar em 5 S ?def prisão fde K L ™ ^ 2 2 ? ! caso r í S l f c ventre 561 Antiespasmódica, vasodilatadora

Infusão, extractos Infusão

BISNAGA

INFARTO DO MIOCÁRDIO
É a obstrução completa das artérias coronárias, o que tem como consequência a necrose de uma parte do músculo cardíaco. Além das plantas recomendadas para a angina de peito, a fitoterapia oferece plantas para a prevenção e reabilitação do infarto e da arteriosclerose (pág. 228), causadora da obstrução das artérias coronárias. As plantas fluidificantes do sangue (pág. 263) também exercem uma função preventiva.
ONAGRA

237 e impede a formação de coágulos

Dilata as artérias

Óleo de sementes em cápsulas ou comprimidos

ESPIRULINA

276

Combate a arteriosclerose coronária, pela sua riqueza em ácidos gordos insaturados

Preparados farmacêuticos

GERGELIM

611 Previne a arteriosclerose e o infarto

Sementes em diferentes preparações

214

Adónis vemalis L

^K]

£
Preparação e emprego

Adónis-da-itália
Potente cardiotónico

USO INTERNO O Infusão com 8 g de sumidades floridas em 200 ml de água a 60°C, em que se deixam até arrefecer. A dose habitual é de 4 a 6 colheres de sopa por dia.

O

ADÓNIS-DA-ITALIA é um protótipo das plantas medicinais cuja dose terapêutica e.stá muito próxima da dose tóxica. Isto quer dizer que se deve manejar com precaução.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Todas as parles da planta contém dois tipos cie gticó&idos cardiotónicos, semelhantes aos da dedalcira (pág. 221): o adonidósido c o adonivei nósido. Possui propriedades cardiotónicas (aumenta a força das contracções cardíacas), dilatadoras das artérias coronárias (combate a angina de peito), diuréticas e ligeiramente sedativas. Por tudo isto, sob vigilância médica, torna-se um remédio altamente apreciado em diversas afecções do coração IOI.

O adónis-da-itália pode substituir a dedaleira como cardiotónico, mas deve ser usado sob vigilância médica.

Ao contrário dos glicósidos da dedaleira, tão amplamente utilizados como cardiotónicos, os do adónis-da-itália não se acumulam no organismo (eliminam-se rapidamente com a urina). Por isso, torna-se útil para substituir temporariamente a dedaleira, especialmente nos tratamentos prolongados.

Precauções
Em doses elevadas produz náuseas, vómitos e diarreias. Pela sua toxicidade e dificuldade de uma dosifícação correcta, unicamente o médico tem competência para prescrevê-lo e controlar os seus efeitos.

Outros nomes: casadinhos, lágrima-de-sangue. Esp.: adónis vernal, flor de adónis, ojo de perdiz. Fr.: adónis (du printempsj. Ing.: [yellow} adónis. Habitat: Europa central e meridional. É pouco frequente. Prefere os terrenos rochosos e calcários orientados para o sul. Descrição: Planta da família das Ranunculáceas, de 10 a 40 cm de altura. As folhas subdividem-se em segmentos muito estreitos. As flores são grandes (3-6 cm), de cor amarela, e abrem-se ao nascer do Sol. Partes utilizadas: as sumidades floridas.

215

Coreus gmndlflorusM\\\BT

Oi

Cactograndifforo
Um grande amigo do coração

A

S BELAS flores deste cacio da América Central têm uma vida muito curta: numa mesma noite nascem, exalam o seu aroma e murcham. Mas as suas interessantes propriedades medicinais persistem, e tornam-na uma planta muito apreciada.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS FLO-

RES contêm glicósidos cardíacos, fiavonóides e captina, um alcalóide muito activo sobre o coração. Têm propriedades cardiotónicas, antiarrítmicas (regularizam o pulso) e vasodilatadoras das artérias coronárias (OI. Podem complementar ou até substituir a dedaleíra (pág. 221). Sào indicadas no caso de insuficiência cardíaca, valvulopatias (alteração nas válvulas do coração), transtornos do ritmo (palpitações) e angina de peito (fazem desaparecer a sensação de opressão no peito). A. POLPA dos frutos contém mucilagens de acção laxativa 101, suave, e, as SEMENTES, um óleo purgante 101. 216

Jf

Sinonímia científica: Cactus grandillorus L. Outros nomes: cirio-do-méxico, flor-cheirosa, flor-da-noite, flor-de•baile, flor-de-seda, tocha-espinhosa. Brasil: cacto, rainha-da-noite. Esp.: cactus, reina de la noche. -AI. Fr.: cactine. Ing.: cactus. Habitat: Originário das Antilhas e espalhado Selenicéreo por toda a América Central. Não se dá na Europa. Descrição: Planta trepadora da família das Cactáceas, que se caracteriza pelos seus 0 selenicéreo (Selenicerus grancaules carnosos cobertos de espinhos, e raízes aéreas com que se agarra às rochas e diflorus Britt.-Rose)*, chamado em alguns países cacto-espinal, às árvores. As flores são muito grandes (até cardão, gigante e rainha-das-flo30 cm), esbranquiçadas e muito aromáticas. res, é uma das diversas espécies Os frutos são umas bagas ovóides de cerca de 8 cm de comprimento cada uma. da família botânica das CactácePartes utilizadas: as flores e os frutos. as, muito semelhante ao Cereus grandiflorus L. As suas propriedades são também multo semelhantes. O selenicéreo é, Preparação e emprego além disso, uma planta cultivada, pois os seus frutos são apreciados em muitos lugares, sobretudo no México e nas Antilhas. O Flores: O mais seguro é tomáOs géneros Cereus e Selenice-las em forma de preparados farrus de cactos têm em comum formacêuticos elaborados com elas. mar caules erectos e cilíndricos. As suas diversas espécies não © Polpa dos frutos: Podem inse distinguem facilmente, pelo gerir-se de 2 a 10 por dia. que têm com frequência os mes€> Óleo das sementes: De meia mos nomes vulgares. a uma colherada é suficiente para se obter o efeito purgante. ' Esp.: pitahaya.

Clnnamomum camphora (L) Steb.

Canforeira
Tonifica o coração e a respiração

A

CANFOREIRA é uma árvore

milenária, que começa a produzir cânfora a partir dos 30 anos. Na China conhecem-se exemplares com cerca de 2000 anos de idade.
P R O P R I E D A D E S E INDICAÇÕES: A cân-

•4J
FJor da canforeira Sinonímia científica: Laurus camphora L.

fora é u m a substância b r a n c a cristalina, q u e se o b t é m p o r c o n d e n s a ç ã o do óleo essencial q u e destila da madeira da canforeira. Do p o n t o de vista quím i c o , trata-se d e u m a c e t o n a d o hidrocarboneto aromático borneol. Exala um forte e típico a r o m a , e tem um s a b o r fresco e p i c a n t e . As suas p r o p r i e d a d e s são: • Estimulante cardio-respiratória IO): Estimula os c e n t r o s nervosos da respiração e da actividade cardíaca, aum e n t a n d o a frequência e a profundid a d e da respiração, e t o n i f i c a n d o o coração (acção analéptica). Usa-se em casos de congestão p u l m o n a r (bronquite, p n e u m o n i a , a s m a ) , desmaios, lipotimias, h i p o t e n s ã o e arritmias. • Anti-séptica e febrífuga IOI: Muito útil em gripes e constipações. • Anafrodisíaca IOI: Diminui a excitação sexual. • Anti-reumática e analgésica l@l: C) óleo ou o álcool de cânfora usam-se em aplicação externa p o r m e i o de fricções, para aliviar as d o r e s reumáticas e as nevralgias.

O

Preparação e emprego

Outros nomes: cânfora, canforeiro. Esp.: alcanforero, [árbo! dei] alcanfor, alcanfor dei Japón. Fr.: camphrier. Ing.: camphor tree. Habitat: Originária da costa oriental da Ásia (Japão. China), onde é muito cultivada, assim como nos Estados Unidos. Descrição: Árvore da família das Laureáceas, que pode atingir até 50 m de altura. As suas folhas são perenes e de consistência coriácea; as flores são pequenas e brancas. Partes utilizadas: a essência da sua madeira.

USO INTERNO O Pó de cânfora: até 0,5 g por dia, repartido em 3 ou 4 doses. USO EXTERNO © Loções e fricções com óleo ou álcool canforados, que se preparam dissolvendo a cânfora a 10%, em azeite ou então em álcool.

217

Convallaria majallsL

H

Lirio-dos -vales
Tónico cardíaco

A

S FOLHAS e as sumidades floridas do lírio-dos-vales, ou convalaria, são utilizadas pela indústria farmacêutica na produção de medicamentos tonificantes do coração. No entanto, também podem usar-se no seu estado natural, desde que se tenham em conta as precauções que aqui se indicam.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Toda a planta contém glicósidos cai diotónicos, semelhantes aos da dedaleira, e saponinas. Ao contrário destes, os glicósidos da convalaria não se acumulam no organismo, o que representa uma vantagem; mas em troca são mais difíceis de tolerar (produzem vómitos). Além da stia propriedade tonificante do coração, esta planta é antiespasmódica e diurética IOI. Emprega-se, sempre sob vigilância médica, nos casos de insuficiência cardíaca, hipotensão, lipotimia, palpitações, hiperuricemia (excesso de ácido úrico) e litíase urinária (cálculos renais).

Outros nomes: convalaria, lirio-de-maio, lirio-convale, campainhas-de-maio, funquifho. Brasil: flor-de-maio. Esp.: convalaria, lirio de los valles, muguete. Fr.: muguet. Ing.: lily of the valley. Habitat: Bosques frescos de toda a Europa. Metade norte da Península Ibérica. Naturalizada na América. Descrição: Planta vivaz da família das Liliáceas, que atinge de 10 a 30 cm. Tem duas grandes folhas elípticas e alongadas, e um raminho de flores brancas muito aromáticas. O fruto é uma baga vermelha. Partes utilizadas: as folhas e as sumidades floridas.

O

Preparação e emprego

Precauções

USO INTERNO O Infusão: A dose habitual é de 3 a 5 g de folhas e/ou sumidades floridas, por chávena efe água. Tomam-se uma ou duas chávenas por dia.

Não ingerir as bagas, que são tóxicas, nem ultrapassar a dose. A intoxicação manifesta-se por vómitos e violentas diarreias.

As folhas e as flores do lírio-dos-vales têm um potente efeito cardiotónico.

218

Cmtaegus monogynaóacq.

m

LI i .

Pilriteiro
Fortalece o coração e acalma os nervos

Outros nomes: escalheiro, pirliteiro, espinheiro-atvar, espinheiro-branco. Esp.: espino blanco, oxiacanio, nispero espinoso. Fr.: aubépinefà un style}, epinière. Ing.: [common] hawthorn, May bush.

C

OMO te arranjas para ter umas cabras tão fortes e ágeis? -pergunta uni camponês grego do primeiro século da nossa era, a um seu vizinho. O verão já está a acabar, e os campos secos e pedregosos do Mediterrâneo parecem não oferecei muito alimento a estes rudes mamíferos.

-Pois olha, vou dizer-te o segredo. Já viste aqueles arbustos cheios de espinhos, com uns frutos pequenos e vermelhos? Procura um desses arbustos e dá as bagas a comer às tuas cabras. Em poucos dias notarás os resultados. Efectivamente, as cabras do vizinho adquiriram uma vitalidade como nunca antes haviam tido. Pareciam infati-

Habitat: Comum nos bosques de toda a Europa. Naturalizado na América. Descrição: Arbusto espinhoso da família das Rosáceas, que atinge de 2 a 4 m de altura. As folhas são caducas, divididas em 3 ou 5 lóbulos. As flores são brancas, aromáticas. Os frutos são bagas de cor vermelha. Partes utilizadas: as flores e os frutos.

Precauções

-O?
USO INTERNO

Preparação e emprego
€) Frutos frescos: Embora apresentem uma menor concentração de princípios activos, também são eficazes, e pode tomar-se um punhado deles 3 vezes ao dia. €) Extracto seco: Recomenda-se de 0,5 a 1 g, 3 vezes ao dia.

Em doses muito elevadas (12 ou 15 vezes maiores que as recomendadas), pode apresentar-se bradicardia (diminuição da frequência do pulso) e depressão respiratória. Com as doses recomendadas não se produz nenhum efeito secundário indesejável.

O Infusão com 60 g de flores (umas 4 colheres de sopa) por litro de água. As flores frescas são mais eficazes do que as secas. Administram-se 3 ou 4 chávenas diárias.

21Í

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Outras espécies de pilriteiro

O Crataegus oxyacantha L. é uma espécie de pilriteiro que coexiste com o Crataegus monogyna L, ambos com propriedades praticamente idênticas. Diferenciam-se em que as bagas da espécie oxyacantha tem 2 ou 3 caroços, enquanto as da espécie monogyna apenas têm um.

As flores e os frutos do pilriteiro constituem um dos remédios vegetais mais eficazes no tratamento da taquicardia, da hipertensão e de outros transtornos cardiovasculares de origem nervosa.

gáveis, trepando pelos penhascos sob O escaldante sol do verão grego. Bem pode ter acontecido que aqueles cabreiros fossem contar a sua experiência a Dioscói ides, perspicaz observador, brilhante botânico e Iarnoso médico, que recomendou esta planta para fortalecer o organismo e para curai- diversas doenças. Também pode vir desse tempo o seu nome de Cratoegus, que em grego quer dizer 'cabras fortes'. O pilriteiro foi sempre muito apreciado como remédio. Mas o conhecimento empírico que se tinha dele, baseado nos seus eleitos sobre as cabias, não pôde ser comprovado cientificamente antes do século XIX. Foi só nesta época q u e j e n n i n g s e outros médicos noi le-amei icanos estudaram as propriedades cardiotónicas deste arbusto. Nos nossos dias, o pilriteiro goza de um grande prestígio como planta medicinal e faz parte de numerosos preparados jitoterapèuticos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS do-

dos triterpénicos e diversas aminas biogenéticas (trimeiilamina, colina, tiramina, ctc.), que potenciam o efeito cardiotónico. Toda a planta, graças às propriedades do conjunto destas substâncias, é: • Cardiotónica IO,0,01: Propriedade atribuída sobretudo aos flavonóides, que inibem (impedem) a acção da adenosin-trifosfatase (ATPase). Esta enzima é a que decompõe o ATP, substância que serve de fonte de energia para as células, incluindo as do músculo cardíaco. Impedindo-se a destruição do ATP, as células dispõem de maior energia, e produz-sc um aumento da foiça contráctil do coração, e uma regularização do seu ritmo. Por esta razão, o pilriteiro tem as seguintes indicações: -Insuficiência cardíaca (debilidade do coração), acompanhada ou não de dilatação das suas cavidades, devida a miocardites ou miocardiopatias (inflamação ou degenerescência do músculo cardíaco), lesões valvulares ou infarto de miocárdio recente. —Arritmias (transtornos do ritmo do coração): cxtra-sístoles (palpitações), taquicardia, íibrilação auricular ou bloqueios. -Angina de peito: o pilriteiro aumen-

ta a circulação do sangue nas artérias coronárias, e combale o seu espasmo, causador da angina de peito. 1" um bom vasodilatador das ar*. térias coronárias. O eleito cardiotónico e anti arrítmico desta planta é semelhante ao que se obtém com a dedaleira, planta que o pilriteiro pode substituir com vantagens (não em casos agudos). O pilriteiro não tem a toxicidade nem os perigos de acumulação próprios da dedaleira. • Normalizadora da tensão IO,0.€)I: O pilriteiro tem um efeito regulador sobre a tensão arierial, pois fá-la descer em quem a tenha alta e provoca a sua subida nas pessoas que sofram de hipotensão. A sua acção normalizadora sobre a hipertensão é rápida e evidente, conseguindo-se efeitos mais duradouros do epie aqueles que se conseguem com outros anti-hipei tensores sintéticos. • Sedativa do sistema nervoso simpático (efeito simpalicolílico) IO,€>,0I Torna-se útil nas pessoas que sofrem de nervosismo, manifestado por uma sensação de opressão no coração, taquicardia, dificuldade em respirar, angústia ou insónia. V. unia das plantas ansiolíticas (que eliminam a ansiedade) móis eficazes que se conhecem.

res sobretudo, e também os frutos do pilriteiro, contêm diversos glicósidos Havónicos, que quimicamente são polifenóis. aos quais se atribui o seu efeito sobre O coração e o aparelho circulatório. Kiiconirain-sc ainda deriva-

Dlgltalls purpúrea L

ÉÚ U J U
Preparação e emprego

Dedaleira
Tónico cardíaco muito potente, que pode tornar-se tóxico

USO INTERNO O Preparados farmacêuticos: A maneira mais segura e mais bem tolerada de aplicar a dedaleira é utilizar o seu extracto em forma de preparado farmacêutico. No entanto, a planta completa é mais eficiente, embora requeira mais precaução para se administrar a dose exacta. Só farmacêuticos e médicos com experiência em fitoterapia podem tirar o máximo proveito desta poderosa planta que, correctamente aplicada, pode resolver graves problemas cardíacos e, inclusivamente, salvar a vida. © Infusión: Faz-se com 1 g de pó obtido por trituração das folhas secas, em 100 ml de água quente, sem que chegue a terver. Deixar repousar durante 15 minutos. Tomá-la ao longo do dia, às colheradas. Não ultrapassar esta dose. Não se deve tomar de forma continuada durante mais de 10 dias seguidos, pois os glicósidos acumulam-se no organismo; o habitual é tomá-la 5 dias seguidos e descansar dois. USO EXTERNO © Compressas: Prepara-se uma infusão com 1 ou 2 folhas por litro de água, que se aplica sobre a zona da pele afectada, empapando compressas de algodão.

A

DEDALEIRA é um exemplo típico de como uma mesma planta pode curar ou matar. No século XVII, na Inglaterra, deu-se pela primeira vez uma infusão de folhas cie dedaleira a um doente que sofria de hidropisia de origem cardíaca (inchaço de todo o corpo por falha do coração). Poucos anos mais tarde, a dedaleira foi incluída na Farmacopeia de Edimburgo. Desde então, fizeram-se muitas investigações bioquímicas e biológicas com esta planta, cujos princípios activos ainda não puderam ser substituídos por nenhum produto químico.

o

Excelente cicatrizante

Em uso externo, as folhas desta planta são um excelente cicatrizante de úlceras e chagas cutâneas, incluindo as varicosas 101. Era esta a principal aplicação da dedaleira antes de serem descobertos os seus efeitos sobre o coração.

Outros nomes: digital, abeloura, beloura, erva-dedal, troques, tróculos, caçapeiro, maia, estoura-fSores, caralhotas, dedalário, dedaleiro-verdadeiro, nenas, luvas-de-santa-maria, estraques, estoirotes. Brasil: erva-deda, luvas-de-nossa-senhora. Esp.: digita} purpúrea, dedal colorado, dedalera, dediies, guante de ia Virgen. Fr.: digital [pourprée], gant de Notre Dame. Ing.: [purple] foxglove, common toxglove. Habitat: Comum em montanhas de terrenos siliciosos da Europa Ocidental. Naturalizada no continente americano. Descrição: Planta bienal, da família das Escrofulariáceas, que atinge até 1,5 m de altura. As folhas são grandes, aveludadas e lanceoiadas, e saem da parte inferior da planta. As flores têm a forma de dedo, de cor púrpura ou rosada, e crescem todas juntas no extremo do caule. Partes utilizadas: as folhas.

221

&

Precauções

Fórmula química da digoxina, glicósido cardiotónico obtido especialmente a partir da dedaleira lanosa. O radical (Dx}3 representa o componente glicidico do glicósido, que no caso da digoxina é formado por três moléculas do açúcar digitoxose.

Apesar de a dedaleira ser uma planta tóxica, as intoxicações acidentais são raras, devido ao seu desagradável sabor. Depois de se comer folhas ou flores desta planta, produz-se uma irritação na boca, náuseas, vómitos, alterações da visão, bradicardia e, finalmente, paragem cardíaca. Bastam algumas flores para causar a morte de uma criança (e utiliza-se como planta ornamental!). Os primeiros socorros consistem em lavagem ao estômago, purgantes, carvão activado, e a transferência urgente para um centro hospitalar.

Actualmente, os glicósidos cia dedaleira são amplamente utilizados em medicina, e têm salvo a vida a milhares de doentes do corarão. Ao mesmo tempo, porém, a dedaleira é uma planta muito tóxica, e a infusão de apenas uma pequena parte de uma única Colha (cerca de 10 g) pode causar a morte de um adulto. E um problema de dosificação: a margem terapêutica é muito estreita, e a dose tóxica está muito próxima da curativa.

Outras dedaleiras
Existem diversas espécies similares do género Digitalis. Três delas são bastante conhecidas: - dedaleira-amarela (Digitalis lutea L),' - dedaleira-de-flores-grandes (Digitalis grandiflora Miller)," - dedaleira-lanosa (Digitalis lanata L).Estas três espécies diferenciam-se da dedaleira purpúrea sobretudo pela cor das suas belas flores. As propriedades cardiotónicas e cicatrizantes de todas elas são muito semelhantes.
* Esp.: digital amarilla. " Esp.: digital de flores grandes. "' Esp.: digital lanosa.

Devido a existirem grandes variações na concentração dos princípios activos, segundo o lugar onde a planta se desenvolveu, a época da recolha, a rapidez da secagem das Folhas, e t c , a indústria farmacêutica recorreu no i.soJamenio desses princípios activos quimicamente puros. Deste modo, é mais fácil doseá-los e aplicá-los correctamente. Em contrapartida, a eficácia destes extractos é menor, pois se prescinde de outras substâncias presentes na planta, e que complementam a sua acção. Podemos distinguir dois lipos de substâncias na dedaleira: / N ã o glicósidas: digilollavina (corante amarelo), ticloexanol, ácidos málico e suecínico, tanino e uma diastase oxidante. Estas substâncias não têm uma acção directa sobre o coração, ma.s complementam e potenciam os efeitos dos glicósidos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

/ Glicósidos: São os responsáveis pe-

los efeitos cardiotónicos que a dedaleira tem sobre o músculo cardíaco. Os mais importantes são a digoxina e a digitalina. Possuem as seguintes propriedades: -Aumentam & força das contracções do coração, melhorando o seu rendimento mecânico. -Normalizam o ritmo cardíaco quando este é irregular ou demasiado rápido (taquicardia). Por tudo isto, os glicósidos da dedaleira são um remédio insubstituível nos casos de insuficiência cardíaca IO.01 (incapacidade rio coração para bombear o sangue de que o corpo necessita), que nos casos agudos se manifesta clinicamente como edema (encharcamento) pulmonar, ou como hidropisia (acumulação de líquido nas cavidades e tecidos do organismo). Além disso, normalizam o ritmo do coração e têm uma certa acção diurética, o que contribuí para melhorar o funcionamento do aparelho circulatório.

222

Gmtíola offícinalls L

•J P
Preparação e emprego

Gracíola
Fortalece o coração

USO INTERNO O Infusão: Prepara-se com a planta seca triturada. A dose máxima por toma é de 2 g de planta seca, e de 10 g a máxima diária. © Extracto fluido: A dose admissível é de 20 gotas, de uma a três vezes ao dia.

A

GRACIOLA foi muito utilizada na Idade Média e na Moderna, dado que se lhe atribuíam imensas virtudes medicinais que não puderam ser demonstradas. Actualmente continua a ter utilidade como substituto da dedaleira (pág. 221), embora sob a vigilância do médico. Por isso se chama também 'pequena-dedaleira'.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

planta contém glicósidos cardiotónicos, dos quais os mais importantes são a graciolina e a graciosolina. Possui propriedades tonificantes do coração, diuréticas e purgativas IO.OI. O seu uso actual é reservado aos casos em que existe intolerância aos princípios activos da dedaleira. A gracíola tem a vantagem de os seus glicósidos cardiotónicos não se acumularem no organismo, como acontece com os da dedaleira.

A gracíola tonifica o coração, e o seu uso constitui uma alternativa aos tratamentos com dedaleira.

Precauções

É necessário respeitar as doses indicadas, por se tratar de uma planta potencialmente tóxica. As doses superiores às recomendadas provocam vómitos e cólicas intestinais com hemorragia. Em intoxicações maciças pode haver inclusivamente paragem cardíaca.

Outros nomes: graciosa, cinifólio, erva-do•pobre, pequena-dedaleira. Esp.: graciola, hierba dei pobre, hierba de la fiebre, hierba de las calenturas. Fr.: gratiole (officinale), petite digitale, herbe à pauvre homme. Ing.: gratiole, hedge hyssop. Habitat: Difundida por pântanos e lugares húmidos da Europa e América do Norte. Descrição: Planta vivaz de 15 a 30 cm de altura, da família das Escrofulárias, cujo caule ê oco, redondo na base e quadrangular no vértice. Folhas opostas e finamente dentadas. As flores são de um cor-de-rosa claro ou amarelo. Têm um cheiro desagradável. Partes utilizadas: A planta florida seca.

223

Leonorvs cardíaca L

CJ 14
Preparação e emprego

J

Agripalma
Acalma as pafpitações

USO INTERNO O Infusão com 30-50 g de sumidades floridas e folhas por litro de água, da qual se ingerem 3 ou 4 chávenas diárias. © Extracto fluido: 10 gotas, três vezes ao dia. USO EXTERNO © Lavagem das feridas com a mesma infusão que se usa internamente.

A

AGRIPALMA cullivava-se nas hortas dos mosteiros desde o século XV, e era muito apreciada em toda a Europa, ao ponto de ser considerada capaz de aliviar todos os males. Daí resulta que, mais tarde, tenha caído em descrédito. Actualmente, ainda que ocupe um lugar modesto na fitoterapia, continua a ser uma planta útil. Toda a planta contém um óleo essencial, um princípio amargo (a leonurina), um alcalóide (leonurinina), glicósidos e taninos. Possui as seguintes propriedades: • Cardiotónica e sedativa 1O,0I: Tonifica o músculo cardíaco. Acalma a taquicardia de origem nervosa e as palpitações. Recomenda-se aos hipertensos e aos que sofrem de angina de peito. • Emenagoga IO.OI: O alcalóide que comem estimula as contracções uterinas e favorece o fluxo menstrual. Usase nas dismenorreias (transtornos da menstruação). • Adstringente IO.01: pelo seu conleúdo em lanino, e carminativa (elimina os gases e flatulências intestinais). • Cicatrizante l©l: A infusão da agripalma uiili/.a-se para limpar e curaras feridas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Precauções

Não excederas doses indicadas, pois a sua acção sobre o coração poderia tornar-se demasiado intensa, devido aos glicósidos cardiotónicos que esta planta possui.

Outros nomes: cardíaca. Brasil: chá-de-frade, erva-macaé. Esp.: agripalma, cardíaca, cola de león, mano de Santa Maria. Fr.: agripaume, cardiaque. Ing.: [commonj mothenvort. Habitat: Pouco frequente na Europa e na América do Norte. Em Espanha só se encontra nos Pirenéus. Rara em Portugal. Descrição: Planta vivaz de 60 a 120 cm de altura, da família das Labiadas. As suas folhas são grandes, pecioladas e palmadas, e as flores de cor rosa ou púrpura. Partes utilizadas: as sumidades floridas e as folhas frescas.

224

Sarothamnus scopaiius (L) Wlmmer

f. 19.
Preparação e emprego

Giesta
USO INTERNO

Tónico cardíaco e diurético

O Infusão com 20-30 g de flores e/ou ramos por litro de água, da qual se tomam de 2 a 4 chávenas por dia. © Extracto seco: Tomam-se 0,3 a 0,4 g, 3 vezes ao dia.

O

S LONGOS caules deste arbusto utilizam-se desde a antiguidade para fabricai vassouras. For outro lado, só desde o século XIX é utilizada era fitoterapia, quando se descobriu que continha substâncias muito activas sobre o sistema circulatório.

Precauções

Não exceder as doses recomendadas, já que podem produzir subidas da pressão arterial. Os hipertensos devem evitar o uso desta planta.

Toda a planta, e especialmente as RAMAS, contêm vários alcalóides, representados pela esparteína, que aumentam a torça contráctil do coração c diminuem o ritmo das suas pulsações. Sobre o útero, exercem uma acção ocitócica (aumentam a força das suas contracções). Os ramos contêm também aminas estimulantes do sistema nervoso vegetativo (tiramina e dopamina), que têm efeito vasoconstritor e hipertensor IO.©l.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

As FLORES contêm ainda ílavonóides (esGoparína), que as tornam diuréticas, e são especialmente recomendadas em caso de edemas por insuficiência cardíaca, assim como de gota, nefrose (albuminúria), nefrite e cálculos renais IO.©I. A giesta ulili/.a-se sob vigilância médica, nos transtornos cardiovasculares: insuficiência cardíaca (efeito semelhante ao da digital, pág. 221), hipotensão, arritmias, taquicardias. Tem-se usado lambem como estimulante do parto.

Sinonímia científica: Cytisus scoparíus Lam., Spartium scoparium L. Outros nomes: giesta-brava, giesta-ribeirinha, giesteira-das-vassouras, giesteira-comum, retama, chamiça, escova, maias. Esp.: retama negra, escobón, hiniesta [blanca), hiniesta de escobas. Fr.: genêt [à balais], genettier. Ing.: Scotch broom. Habitat: Bermas de caminhos e sebes em terrenos siliciosos (ou calcários) do centro e sul da Europa. Em Portugal, encontra-se em quase todo o pais. Acha-se aclimatada no continente americano. Descrição: Arbusto da família das Leguminosas, que atinge 1,5 a 2 m de altura. As flores são amarelas e o fruto é uma vagem pubescente. Partes utilizadas: as ramas jovens e as flores em botão.

225

PLANTAS PARA AS ARTÉRIAS
Ti

ARIO DO CAPITULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES

1

O alho é um grande amigo do sistema cardiovascular. Faz descer a pressão arterial e fluidifica o sangue.

Arteriosclerose 228 Circulação sanguínea insuficiente, ver Falta de irrigação sanguínea . . 228 Colesterol, plantas contra o 229 Desmaio 228 Fritema pérnio, vfí'Frieiras 229 Falta de irrigação sanguínea 228 Frieiras 229 Frio, frieiras 229 Hipertensão arterial 227 Hipotensão arterial 227 Insuficiência circulatória cerebral, ver Falta de irrigação sanguínea . . 228 Irrigação sanguínea, falta de 228 Lipotimia, ver Desmaio 228 Plantas contra o colesterol 229 Plantas vasoconstritoras 229 Plantas vasodilatadoras 229 Tensão alta, ver Hipertensão arterial. .227 Tensão baixa, ver Hipotensão arterial . 227 Vasoconstritoras, plantas 229 Vasodilatadoras, plantas 229

SAÚDL' das artérias depende em grande parle da qualidade do sangue que circula pelo seu interior. Entre as centenas de substâncias que o sangue transporta, o colesterol LDLserá possivelmente a mais prejudicial para as artérias. O colesterol é um lípido que o nosso organismo produz e utiliza para diversas funções bioquímicas. Quando existe em excesso, tem a particularidade de depositar-se na camada que reveste o interior das artérias, chamada íntima, onde provoca uma irritação e, posteriormente, uma lesão degenerativa. O resultado é um endurecimento da parede arterial e um estreitamento do seu lume (abertura interior), conhecido como arteriosclerose. São vários os factores que a favorecem, especialmente: • o aumento de colesterol no sangue, geralmente devido a uma alimentação rica em produtos de origem animal, tomo por exemplo a carne e os seus derivados, a manteiga, a nata, o queijo e os ovos; • a hipertensão arterial; • o hábito de fumar. As plantas medicinais contribuem para a saúde das artérias, reduzindo a tensão arterial; e, também, fazendo descer o nível de colesterol no sangue, mediante um destes dois mecanismos: • Diminuição da absorção intestinal de colesterol: A libra do farelo de aveia ou a da polpa tia maçã retêm o colesterol no interior do intestino, impedindo-o de passar para o sangue. • Diminuição da produção de colesterol pelo organismo: L" assim que actuam os óleos vegetais, ricos em ácidos gordos insaturados, como o linoleico e o linolénico.

A

PLANTAS
Alho Alho-de-urso Cersefi-bastardo Fwa-dos-bmros = Onagra Ginkgo Girassol » Oliveira Onagra Pervinca Rauvólfia Vicária Visco-americano Visco-branco .. 230 233 243 237 234 236 239 237 244 242 245 247 246

Extrai se da onagra um óleo muito rico em ácidos gordos polinsaturados que

reduz o nível de colesterol
no sangue.

SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 2* P o r t e : D e s c r i ç h o

I

Doença
HIPERTENSÃO ARTERIAL
O aumento da tensão arterial, seja da tensão sistólica ou máxima, seja da diastólica ou mínima, pode ter causas patológicas, como doenças dos rins, arterioscleroses ou transtornos hormonais. No entanto, em boa parte dos casos, desconhece-se a origem do transtorno e qualifica-se de hipertensão essencial. A fitoterapia dispõe de plantas sedativas e equilibradoras da tonicidade nervosa (pág. 145), plantas diuréticas (ver cap. 221) e plantas vasodilatadoras (pág. 229), de provada eficácia hipotensora, especialmente em caso de hipertensão essencial. Oliveira Cebola

Planta
TÍLIA

Pág. Acção 169 hipotensora, sedante, fluidifica o sangue 172 e a tensão arterial
219 230 Sedante, diminui a ansiedade Vasodiladora e suavemente

Uso
Infusão de flores, decocção de casca, extractos Infusão, maceração ou pó de raiz Infusão de flores, frutos frescos, extractos Cru, extractos, decocção de dentes de alho Decocção de folhas Infusão ou maceração de folhas secas Crua, sumo fresco, cozida ou assada Decocção de frondes Infusão, essência iníusão, sumo da planta tresca, extractos Cura de maçãs e arroz contra a hipertensão, infusão de folhas e flores Infusão de estiletes Preparados farmacêuticos Decocção, sumo fresco Pó de cânfora Infusão Infusão de flores, frutos frescos, extractos Infusão de flores e/ou ramas, extractos Infusão, essência Infusão, essência Preparados farmacêuticos Infusão, essência Infusão, banhos, fricções

VALERIANA

PILRITEIRO

Normaliza a pressão arterial Vasodilatador, diminui tanto a tensão máxima como a mínima

ALHO

OLIVEIRA

239 Faz descer a tensão arterial
246

VlSCO-BRANCO

Hipotensor, vasodilatador, regulador do sistema cardiovascular Hipotensora, diurética,

CEBOLA LlNGUA-CERVINA MANJERONA

294 depura o sangue de resíduos tóxicos
321 Normaliza os números da tensão Hipotensora, diminui o tono

369 do sistema nervoso simpático 389 fluidificante do sangue
Diurética, antiespasmódica,

FUMARIA

MACIEIRA

513 Diurética, baixo conteúdo em sódio

MILHO

599 o equilíbrio electrolítico do sangue
608 Normaliza a tensão arterial, tanto se estiver baixa como alta

Diurético bem tolerado, não altera

GINSENG

CAVALINHA

704 Diurética, remineralizante

HIPOTENSÃO ARTERIAL
A tensão arterial baixa manilesta-se por abatimento, falta de tonicidade muscular e sensação de fadiga. As plantas que se recomendam tonificam os sistemas cardiovascular e nervoso, e são preferíveis • ^^S/T \d ao uso habitual de W - S ^ w y^ excitantes como o café, o chá-mate ou o chá.

CANFOREIRA LlRIO-DOS-VALES PILRITEIRO

217 respiração e da actividade cardíaca
218 Tonificante do coração 219 225 Normaliza a pressão arterial Estimulante do sistema nervoso vegetativo, vasoconstritora, hipertensora Tonifica os sistemas nervoso

Estimula os centros nervosos da

GIESTA
MANJERICÃO-GRANDE SEGURELHA

368 e cardiovascular
374

Tonificante do sistema nervoso tanto se estiver baixa como alta

GlNSEiNG

608 Normaliza a tensão arterial,
A oo

..„. ÒALVA
c

OJO 674

Tonificante, estimulante das glândulas supra-renais Tonificante geral

ALECRIM

Grnseng

™ S55SJ5U—»•*•

* « o , essência

227

Cap. 13; PLANTAS PARA AS ARTÉRIAS

Doença
DESMAIO
Perda súbita da consciência, com queda no solo. Costuma ser acompanhado de hipotensão. Além das plantas recomendadas para a hipotensão, que podem prevenir os desmaios, podem-se usar estas três, que dão equilíbrio ao sistema nervoso e circulatório.

Planta

Pág. Acção

Uso
Infusão de folhas e/ou flores

LARANJEIRA

153

Antiespasmódica, sedante

ALFAZEMA

161

Sedante e equilibradora do sistema nervoso

Infusão, extractos, essências

ERVA-CIDREIRA

163

Antiespasmódica, sedante

Infusão, extractos

ARTERIOSCLEROSE
É um endurecimento e estreitamento das paredes das artérias causado por depósitos de colesterol, que impede a chegada de sangue suficiente aos tecidos irrigados por esses vasos. O tratamento íitoterápico consiste no uso de plantas vasodilatadoras (pág. 229), fluidificardes do sangue (pág. 263), e plantas ricas em oligoelement o s como o silício, que favorecem a regeneração dos tecidos que formam a parede arterial. Todas as plantas que fazem descer o nível de c o l e s t e r o l (pág. 229) previnem e evitam o aparecimento da arteriosclerose, já que esta substância gorda é a que origina a degenerescência e o estreitamento das paredes arteriais.

TILIA

169

Vasodilatadora e suavemente hipotensora, sedante, fluidifica o sangue Vasodilatador, fiuidificante do sangue

Infusão de flores, decocção de casca, extractos Cru, extractos, decocção de dentes de alho Infusão, compressas, cataplasmas, banhos

ALHO

230

GiNKGO

234

Vasod lata

' d ° r ' melhora a irrigação sanguínea

PERVINCA

244

Vasodilatadora, aumenta a irrigação dos tecidos

Decocção, preparados farmacêuticos

VISCO-BRANCO visco BRANCO

246 <£4b

Melhora a irrigação sanguínea d0 c o r a ç ã o e do cérebro

Infusão ou maceração de folhas

GALEOPSE

306

Pelo seu conteúdo em silício, evita a degenerescência do tecido conjuntivo das paredes arteriais Regenera as fibras elásticas das paredes arteriais, faz descer o colesterol Fluidifica o sangue, melhora a circulação Pelo seu conteúdo em silício, estimula a regeneração das fibras elásticas das paredes arteriais

Infusão

HARPAGÓFITO

670

Infusão de pó de raiz, cápsulas

NULEFÓUO

691

Infusão

CAVALINHA Pervinca

704

Infusão

FALTA DE IRRIGAÇÃO SANGUÍNEA
Também se chama insuficiência circulatória, e caracteriza-se por uma desproporção entre o sangue de que um órgão necessita e aquele que realmente chega até ele através das artérias que o irrigam. Afecta especialmente o cérebro, produzindo, entre outros sintomas, enjoos, perda de memória e redução da capacidade intelectual.

PiMi/m HINKGO

93/i '**

Vasodilatador, melhora a irrigação sanguínea

Infusão, compressas, cataplasmas, banhos

m PERVINCA

0A/.

Vasodilatadora, aumenta a irrigação
d o s t e d d o s

^44

Decocção, preparados farmacêuticos

228

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S 2 " Parte: D e s c r i ç ã o

I

Doença
FRIEIRAS
Também chamadas eritema pérnio. São um transtorno da circulação local causado pelo frio, caracterizado pelo aparecimento de inchações avermelhadas nos dedos das mãos ou dos pés, acompanhadas de comichão ou de dor. Além destas plantas, aplicadas em banhos ou compressas, são indicadas também as protectoras capilares (Pág. 248).

Planta
RATÂNIA CARVALHO

Pág. Acção
196 Adstringente e anti-inflamatória
?nR

Uso
Compressas com a decoccão de casca Banho de pés ou mãos com decoccão da casca Infusão, compressas, banhos de pés ou mãos Lavagens e compressas com a decoccão Compressas com a decoccão da raiz, banhos Decoccão de folhas, banhos com a decoccão Lavagens, banhos e compressas com a infusão

Adstringente, alivia o enrubescimento e a comichão Vasodilatador e protector capilar Adstringente, anti-inflamatória, emoliente

GINKGO

234 o,.
i i L

PULMONÁRIA ClNCO-EM-RAMA VIDEIRA

520 Adstringente, hemostática, cicatrizante 544 Adstringente, protectora dos capilares, hemostática

MlLEFÓLIO

691 Vulnerária, cicatrizante, anti-séptica

Plantas vasoconstritoras
Provocam uma contracçãono calibre dos vasos sanguíneos. Planta Giesta Aveleira Cipreste Gilbarbeira Urtiga-maior Pág. 225 253 255 259 278

As plantas vasoconstritoras apJicam-se geralmente por via externa para apertar os vasos sanguíneos e deter as hemorragias (acção hemostática).

Plantas contra o colesterol

As plantas que diminuen o nivei de colesterol no sangue também se chamam hipolipemiantes, pois fazem ret iuzir a quantidade de lipidos ou gorduras no s ingue. 0 colesterol é um dos lipidos ou gordu ras mais importantes que circulam pelo sangue, além dos triglicéridos e outros.

Planta Aveia As plantas vasodilatadoras usam-se nas afecções circulatórias causadas pela falta de irrigação sanguínea quer no cérebro quer no coração (angina de peito ou infarto), quer ainda nas pernas. Todos estes transtornos são causados geralmente pela arteriosclerose. Dormideira Girassol Onagra Oliveira Alcachofra Macieira

Pág.

150
164 236

Uso Infusão de farelo Óleo das sementes Óleo das sementes Óleo das sementes Óleo dos frutos Folhas, caules, flores Frutos Óleo das sementes Raiz, rizoma Óleo do gérmen Sementes, óleo Infusão de folhas e flores Infusão de raiz, comprimidos Óleo das sementes Frutos Óleo das sementes Óleo dos frutos

Plantas vasodilatadoras
São aquelas que dilatam os vasos sanguíneos, especialmente as artérias, permitindo assim uma maior passagem de sangue. Planta Tília Adõnis-da-itália Ginkgo Onagra Pervinca Visco-branco Bisnaga Salsa Pág.

237 239 387 513

Videira 544 Salsaparrilha-bastarda 592 Milho Gergelim Ortossifão Harpagófito Algodoeiro

169 215 234 237 244 246 561 583

599 611 653 670 710 719 746 751

O alho é também um hipolipemianto eficaz (redutor do nível de colesterol)

Abacateiro i Borragem 1 Açafroa

229

AlHum 8ativum L

/} PI l

Al

Alho
Cura e previne com eficácia uma multidão de males

ESTE livro encontrará Iodas as maravilhosas virtudes do alho. c a maneira de comê-lo para evitar o sen cheiro - dizia certo vendedor ao seu cliente, com bastante entusiasmo. Este, sentindo na cara uma baforada de hálito com forte cheiro a alho, fez-lhe a seguinte pergunta: —E você. pratica os conselhos do seu livro? -Claro que sim! Depois de comer os alhos, como uma maçã e mastigo umas folhinhas de salsa... - respondeu imediatamente o vendedor, muito convencido da eficácia do seu método. O certo é que quem tiver comido alho não o pode ocultar. Todas as secreções do corpo o denunciam. Além do hálito, cheiram a alho os arrotos, as ventosidades, o suor, a urina, e até o leite das mães que amamentam. Alguns resolvem comê-lo à noite, para sofrerem sozinhos o incómodo mau cheiro. Outros confiam na maçã e na salsa. E há ainda quem aceite a sua fetidez, como aquele galhardo capitão de cavalaria francês que, como relata Mességué, apesar de empestar de alho todo o ambiente num raio de dez metros, tinha conseguido uma reputação inigualável entre as clamas da sua região... Não é por acaso que o alho é originário da Ásia Central, região em que se encontram os homens mais longevos do planeta, e onde a incidência do cancro é a mais baixa de todas as que se conhecem. Os antigos Egípcios in230

N

Outros nomes: alho-vulgar, alho-comum. Esp.: ajo. ajo común, ajo blanco. ajo colorado. Fr.: ail. Ing.: garlic. Habitat: Originário da Ásia Central, a sua cultura estendeu-se pelo mundo inteiro. Descrição: Planta bolbosa vivaz, da família das Liliáceas. que atinge de 30 a 80 cm de altura. As suas flores são esbranquiçadas ou avermelhadas. A raiz tem um bolbo composto de vários boibilhos, que são conhecidos como dentes. Partes utilizadas: O bolbo.

XJ
USO INTERNO

Preparação e emprego
ma perde-se uma parte das suas propriedades, mas evita-se o mau hálito. O Alho com azeite (esp. ajoaceite, fr. ailloli): É talvez a melhor forma de administrar o alho. Obtém-se por emulsão de vários alhos triturados em azeite de oliveira, até conseguir uma massa pastosa e homogénea, semelhante à maionese.
USO EXTERNO

0 alho pode tomar-se de muitas maneiras, entrando numa infinidade de receitas culinárias. Destacamos aqui apenas aquelas que mais convêm do ponto de vista medicinal. O Cru: Mastigar de um a três dentes de alho, preferentemente de manhã. © Extracto de alho: Em cápsulas, têm a vantagem de não provocar mau odor corporal de qualquer tipo, embora seja necessário tomar doses elevadas para obter efeitos terapêuticos. A dose habitual costuma ser de 6 a 12 cápsulas (600 a 1200 mg) por dia. © Decocção de dentes de alho: Pôr uma cabeça de alho num litro de água, e ferver durante 5 minutos. Tomar três chávenas por dia. Desta for-

© Clisteres: Muito úteis contra os parasitas intestinais. Preparam-se misturando 2 ou 3 colheradas de alho com azeite num litro de água morna. Também se pode introduzir um dente de alho cru untado em azeite, no ânus, como se fosse um supositório. Desta forma se alivia o prurido anal das crianças, e se consegue um acentuado efeito vermífugo.

&

Precauções
O uso do alho em doses elevadas, especialmente cru ou em extractos, é desaconselhado em casos de hemorragia, quer seja por causa traumática (feridas, acidentes, etc.) ou menstruai (regras abundantes). Devido à sua acção fiuidificante do sangue (vera secção correspondente), as doses elevadas de alho podem prolongar as hemorragias e dificultar os processos de coagulação. Não se recomenda o emprego continuado de grandes doses de alho durante a gravidez.

t i n i a m o a l h o na dieta d o s robustos

escravos construtores de pirâmides. como atestam as inscrições encontradas nas proximidades das pirâmides de Gize. Os Gregos consideravam-no uma fonte de força física e obrigavam os atletas a comer um dente de alho cru antes de cada competição nos Jogos Olímpicos, talvez para que assim corressem com mais fúria. Dioscórídes e Galeno consideravam-no uma panaceia. Contudo, nos templos das divindades gregas, proibia-se a entrada aos fiéis que cheirassem a alho. Na Idade Média, os médicos utilizavam uma máscara impregnada de alho para assistir aos doentes, especialmente os que tinham peste. Mais tarde, a lama do alho chegou ao continente americano, sendo muito apreciado no México, no Peru e nos restantes territórios da Nova Espanha. Jerónimo Pompa assim o confirma na sua obra, Colección de medicamentos indígenas, escrita em meados do século passado. Muitas são as propriedades que se têm atribuído ao alho ao longo da história. K a maior parte delas foram confirmadas por investigações científicas recentes. É provável que o alho seja o remédio vegetal vom maior número de propriedades demonstradas experimentalmente.

O alho é um grande amigo do sistema cardiovascular. Ingerido de forma regular, produz uma descida da tensão arterial, tanto da máxima como da mínima. Para que o efeito seja notável, as doses devem ser e/evadas (até 3 dentes, ou de 6 a 12 cápsulas por diaj.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

planta, mas especialmente o bolbo, contém aliina (glicósido sulfurado), uma enzima (aliinase), vitaminas A, Bi, Bit, C e niacina (vitamina do complexo B). A aliina é inodora, mas pela acção da aliinase, que actua quando o alho é esmagado, converte-se primeiro em aliicina, e depois em bissulfureto de atilo (a genina do glicósido). que são os princípios activos mais importantes, que comunicam o típico cheiro a alho. A aliina e o bissulfureto de alilo são substâncias altamente voláteis, que se dissolvem com grande facilidade nos líquidos e nos gases. Transportadas pelo sangue, impregnam todos os Órgãos e tecidos do organismo. Desta forma actuam por todo o corpo, ainda que com maior intensidade sobre os Órgãos através dos quais se eliminam: os pulmões e brônquios, os rins e a pele. Podemos sintetizar as múltiplas propriedades do alho, desta forma*. • Hipoten.sor IO.Ô.0.OI: Km doses elevadas, o alho provoca uma descida da

tensão arterial, tanto da máxima como da mínima. Tem um eleito vasodilatador, pelo que é útil aos hipertensos, aos arterioscleróticos e aos que sofram do coração (angina de peito ou infarto). O alho é um grande amigo do sistema circulatório. • Fiuidificante do sangue IO0.0.OI: O alho actua como antiagregante plaquetário (impede a tendência excessiva das plaquetas sanguíneas para se agruparem formando coágulos) e como fibrinolítico (desfaz a librina, proteína que forma os coágulos de sangue). Tudo isto contribui para aumentar a fluidez do sangue, tornando o alho muito recomendável para aqueles que tenham sofrido de trombose, embolias ou acidentes vasculares, por falta de irrigação sanguínea. • Hipolipemiante IO,0.0.01: Diminui o nível de colesterol 1.1)1. (colesterol nocivo) no sangue, possivelmente devido ao facto de dificultar a sua absorção no intestino. Foi possível verificar que, nas horas seguintes a um pequeno-almoço à base de torradas com manteiga, o colesterol se eleva em 20%; mas, se si- esfregar o pão com
231

o

Acção do alho sobre o sistema cardiovascular

Colesterol LDL (nocivo) descida Colesterol HDL (bom) ligeiro aumento Colesterol total descida Triglicéridos descida Actividade fibrinolítica aumento Agregação plaquetária redução Tensão arterial descida

Estes resultados obtêm-se depois de tomar diariamente entre 600 e 900 mg de pó de alho desodorizado durante 4 meses. Os extractos de alho sem cheiro são tão activos como o alho cru. Diversos estudos mostram uma descida de 11% a 12% no nível de colesterol, e até 17% no de triglicéridos.

A acção antibiótica do alho é mais notável q u a n d o se toma cru. Ao contrário dos antibióticos habituais, que deprimem as defesas contra as infecções, o alho estimula-as.

bastante alho, mesmo comendo a manteiga, não se produz um tal aumento. Esta observação científica foi publicada no IndiemJournal o/Nutrition (vol. 13,11." 1). • Hipoglicemiante IO,0.©.OI: Dado que normaliza o nível de glicose no sangue, convém que seja utilizado pelos diabéticos (como complemento das outras medidas terapêuticas) e pelos obesos, e também por aqueles que tenham antecedentes familiares de diabetes, como preventivo. • Antibiótico c anti-séptico geral IO.0, ©Ol: Desde meados do século XX tem-se vindo a investigar as propriedades anti-infecciosas do alho. Foi possível comprovar a sua acção antibiótica, tanto in vivo como in vitro, na presença dos seguintes microrganismos: -'Eschcrichia coli', causador da disbacierinsc intestinal e de infecções urinárias. -'Salmonella typhr, causador da febre tifóide, e outros géneros de Salmonella causadores de graves infecções intestinais. -'Shigella dysciiteriae', causador da disenteria bacilar.
232

-Estafilococos e estreptococos, causadores de furúnculos (boi bulhas infectadas) e outras infecções da pele. -Fungos de diversos tipos, leveduras e alguns vírus, como o do herpes. Crê-se que os princípios activos do alho interferem nos ácidos nucleicos do vírus, limitando assim a sua proliferação. O poder bactericida do alho no tracto intestinal é selectivo perante as bactérias patogénicas, respeitando a flora saprófita normal, paia a qual é benéfico. Nisto tem vantagem sobre a maior parte dos antibióticos conhecidos, pois regula a flora intestinal em vez de destruí-la. O seu uso é muito indicado: - e m todos os tipos de diarreias, gastrenterites e colites. - nas salmoneloses (infecções intestinais geralmente causadas por alimentos em mau estado). - n a disbacteriose intestinal (alteração no equilíbrio microbiano do intestino), provocada frequentemente pelo uso de outros antibióticos.

- nas dispepsias fermentativas, causadoras de flatulência no cólon. -nas infecções urinárias (cistites e pielonefrites), com muita frequência causadas pelo Escherichia coli. - e m diversas infecções bronquiais (bronquites agudas e crónicas), pois ao eliminar-se o bissulfurelo de alilo pelas vias respiratórias, actua directamente sobre a mucosa bronquial. É além disse» expectorante e antiasmático. • Estimulante das defesas IO.0.O.O1: O alho aumenta a actividade das células defensivas do organismo, os linfócilos e os inacrófagos. Kstas células, que circulam no sangue, protegem-nos dos microrganismos e são, além disso, capazes de destruir também as células cancerosas, pelo menos nas fases iniciais da formação tuinoral. O consumo do alho tem um efeito benéfico em qualquer doença infecciosa, aumentando a capacidade defensiva do nosso organismo, além de destruir directamente certos microrganismos. O alho eslá a ser usado com relativo êxito couto complemento no tratamento da sida. • Vermífugo potente IO,0,01 contra

os tipos mais frequentes de parasitas intestinais: Especialmente activo contra os ascarídeos e os oxiúros (pequenos vermes brancos que provocam prurido anal nas crianças). •Tonificante geral cio organismo e depurativo IO.0.Ô.0I: O alho activa as reacções químicas do metabolismo e favorece os processos de excreção de substâncias residuais (catabolismo). Por isso é indicado para os estados de debilidade ou esgotamento, para a inapetência e para quem sofra de excesso de resíduos ácidos (gotosos, artríticos, certos reumatismos). • Desintoxicante IO,©,©.OI, especialmente recomendado nos tratamentos para deixar de fumar. Normaliza a tensão arterial geralmente elevada do

Alho-de-urso

0 alho-de-urso (Allium ursinum L.)* é um alho silvestre que possui propriedades muito semelhantes às do cultivado, embora a sua tolerância digestiva seja menor. Este alho silvestre não se cultiva porque, além da sua extensa difusão, não se pode conservar tanto tempo como o alho comum, de propriedades muito semelhantes e muito mais bem estudadas. 0 alho-de-urso tem de ser usado fresco, pois quando seca perde uma boa parte dos seus efeitos.
• Esp.: ajo de oso.

O alho é um fortificante geral do organismo, que dá saúde e bem-estar.

fumador, favorece a eliminação da mucosidade retida nos brônquios e a regeneração da sua mucosa, ao mesmo tempo que ajuda a vencer o desejo de fumar, talvez pelo cheiro típico que rlá ao hálito. • Preventivo dos tumores malignos 1O.O.0.OI. especialmente dos cancros digestivos. E possível que isto se deva à sua acção reguladora sobre a flora intestinal e normalizadora do funcionamento digestivo, embora possa também estar relacionado com os seus efeitos sobre o conjunto de reacções químicas do organismo (metabolismo). Alguns têm pretendido curar tumores cancerosos com o alho, o que, no nosso entender, carece de suficiente rigor científico e desperta falsas esperanças nos doentes. Por isso, de momento, só podemos recomendá-lo como preventivo. • Calicida: Aplica-se um pedaço de alho esmagado sobre o calo, segurando-o com um pequeno penso auloadesivo (ou uma ligadura). Km dois ou três dias o calo amolece e desinflama-se, podendo ser extirpado com maior facilidade.
233

Glnkgo biloba L.

JÍ.

J

I*
Preparação e emprego

Ginkgo
Melhora os transtornos circulatórios
USO INTERNO O Infusão: 40-60 g de folhas por litro de água. Tomam-se 3 chávenas diárias. USO EXTERNO @ Compressas com a mesma infusão, embora mais concentrada (até 100 g por litro). Aplicam-se sobre as mãos ou os pés com problemas circulatórios.

D

IA 6 de Agosto de 1945: Tudo sào ruínas calcinadas cm Iliroshima. A cidade japonesa acaba d« ser destruída pelo lançamento da primeira bomba atómica. \o que na um parque público, um majestoso ginkgo ardeu como se fosse estopa. Para surpresa dos sobreviventes, na Primavera seguinte à catástrofe, quando ainda a cidade continuava a ser pouco mais do que um montão de escombros, brota uma gema dos restos do cepo carbonizado. O velho ginkgo volta a rebentar, até se transformar de novo na bela árvore que hoje podemos encontrar no centro da Hiroshitna reconstruída. A longevidade e resistência desta árvore asiática parece estar de acordo com a sua virtude de ajudar os humanos a enfrentar os transtornos da velhice. A medicina chinesa tem vindo a usar, desde há quase 5000 anos, cataplasmas de folhas de ginkgo para combater as incómodas frieiras- As suas notáveis propriedades têm sido objecto de numerosas investigações científicas, e actualmente faz parte de vários preparados farmacêuticos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS fo-

€> Cataplasmas de folhas esmagadas, sobre a zona afectada. OManilúvios (banhos de mãos) e pedilúvios (banhos de pés) com uma infusão de até 100 g de folhas de ginkgo por cada litro de água. Aplicam-se tépidos ou quentes, 1 a 2 vezes por dia. Os melhores resultados obtêm-se combinando o uso interno por via oral, com a aplicação externa.

lhas contêm glicósidos llavonóides, que rei ti na, luteolina, catequinas, resina, óleo essencial, lípidos e certas substâncias, do grupo dos terpenos,
234

Outros nomes: Esp.: ginkgo, árbof de oro, árbol de las pagodas. Fr.: ginkgo, noyer du Japon. Ing.: ginkgo, maidenhair tree. Habitat: Oriundo da China, Japão e Coreia, espalhou-se como árvore ornamental pelos parques e vias públicas de algumas regiões temperadas da Europa e da América. Descrição: Árvore da família das Ginkgoáceas, que pode atingir até 30 m altura. É dióica (pés masculinos e femininos diferentes), de folhas caducas, grossas, elásticas, que desde jovens se acham divididas em dois lóbulos. Os seus frutos são drupas amarelas, comestíveis enquanto frescas, mas malcheirosas quando demasiado maduras. Partes utilizadas: as folhas.

Os banhos com infusão de folhas de g i n k g o activam a circulação sanguínea nos braços e pernas. Os manilúvios (banhos de mãos) tornam-se muito eficientes em caso de frieiras.

específicas cio ginkgo: bilobálido e ginkgólidos A, B e C , Como é comum em fitoterapia, os efeitos da planta devem-se à acção conjunta de iodos os seus componentes, não tendo sido possível atribuir os eleitos do ginkgo a nenhum deles em concreto. O ginkgo actua sobre lodo o sistema circulatório, melhorando tanto a circulação arterial como a capilar e a venosa: • Acção vasodilatadora: Aumenta a perfusão (irrigação sanguínea) diminuindo as resistências periféricas nas pequenas artérias. Compensa em parte os transtornos produzidos pela arteriosclerose. • Acção protectora capilar: Diminui a permeabilidade dos capilares, reduzindo o edema (acumulação de líquidos nos tecidos). • Acção tónica venosa: Tonifica as paredes das veias, diminuindo a acumulação de sangue nelas e facilitando o retorno sanguíneo. São estas as suas indicações: • Insuficiência circulatória IOI cerebral (falta de irrigação sanguínea no cérebro), que se manifesta por vertigens, cefaleia, acufénios (zumbidos nos ouvidos), perda do equilíbrio, transtornos da memória e sonolência, entre outros sintomas. «Alivia a cabeça», afirmam aqueles que usam o ginkgo. • Sequelas de acidentes IOI vasculares cerebrais (tromboses, embolias, ele.): Acelera a recuperação e melhora a motilidade destes pacientes. • Arteriopatias dos membros inferiores (falta de irrigação nas pernas) • Angiopatias (doenças dos vasos sanguíneos) e transtornos vasomotores IO,©.©.01: doença de Reynaud, fragilidade vascular, acropareslcsias (pés ou mãos "dormentes"), frieiras. • Varizes, debites, pernas cansadas, edemas maleolares (tornozelos inchados) IO,0,©,OI Nestas afecções circulatórias, recomenda-se combinar o uso por via oral com as aplicações externas (compressas, cataplasmas, manilúvins e pedilúvios). O ginkgo tolera-se muito bem, não faz subir a pressão arterial e não apresenta efeitos secundários indesejáveis.
235

10.0.© oi: permite andai' maior
distância sem ler de parar por motivo de dor.

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Preparação e emprego

Girassol
USO INTERNO

Combate o excesso de colesterol

O Infusão: 100 g de flores e caules tenros por litro de água. Tomar 3-4 chávenas por dia. © Ó l e o das sementes, complemento dietético. como

Outros nomes: helianto.

Q

UANDO esia belíssima planta chegou à Europa, proveniente da América Central nos princípios do século XVI, foi durante muito tempo utilizada unicamente como planta ornamental nos jardins e parques, pelo curioso lacto de seguir o movimento do astro-rei. Só no século XIX a ciência começou a descobrir as suas excelentes propriedades nutritivas e medicinais. No entanto, os povoadores do México pré-colombiano já usavam as sementes do girassol tonadas como alimento.

Esp.: girasol, flor de sol. mirasol. Fr.: tournesol. Ing.: [commonj sunflower. Habitat: Oriundo das regiões subtropicais da América, mas distribuído e cultivado por todo o mundo. Descrição: Planta anual, da família das Compostas, que pode chegar a íer 2 m de altura. O seu grande disco floral é na realidade um capítulo formado por numerosas pequenas flores. Partes utilizadas: as dores, os caules tenros e as sementes.

flores do girassol comem um glicósido flavonóide (quercimetrina), além de histidina e outras substâncias em menor quantidade. No México usam-se as FLORES e os CAULES lemos como balsâmicos e expectorantes IOI, para catarros bronquiais e afecções respiratórias.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

Das SEMENTES de girassol exti ai-se um óleo de grande valor nutritivo, rico em ácidos gordos insaturados (especialmente o linoleico), assim como vitaminas E, A e 15 101. O uso do óleo de girassol é particularmente indicado na arteriosclerose, para lazer descei o nível de colesterol no sangue, assim como na diabetes, nas doenças do fígado e em certas afecções fia pele (eczemas e furunculoses).
236

Oenothera bfennlsL

V
Preparação e emprego

*

Onagra
Uma grande descoberta óa fitoterapia

USO INTERNO O Cápsulas ou comprimidos: A melhor maneira de aproveitar as propriedades da onagra é ingerir o óleo das suas sementes, obtido por pressão a frio, em forma de cápsulas, comprimidos ou outros preparados semelhantes. Este é talvez o óleo mais caro que se conhece mas, felizmente, a dose terapêutica é de 2-4 g por dia.

E

STA curiosa planta, cujas flores SC abrem à noite, foi introduzida na Europa nos princípios do

século XVII, e era utilizada como
planta ornamental. Cedo se descobriu que a sua raiz linha um sabor agradável, e que a planta servia para mais alguma coisa do que simplesmente enfeitar. Na Europa Central, a sua raiz. serviu aos camponeses para mitigar a fome provocada pelas guerras nos séculos XVIII e XIX. Apesar de tudo, ainda não há muito tempo, esta planta era pouco apreciada. Ainda é conhecida, com algum desprezo, como erva-dos-burros, porque estes humildes animais a comem com agrado. No entanto, as investigações científicas efectuadas nos princípios dos anos oitenta revelaram que o óleo de onagra tem propriedades medicinais interessantíssimas. Especialmente na Alemanha e nos Estados Unidos, fizeram-se diversos ensaios clínicos em doentes que sofriam de transtornos circulatórios, nervosos, genitais e reumáticos, obtendo-se excelentes resultados. Continuam a investigar-se as aplicações desta planta, que goza de um prestígio e uma popularidade cada vez maiores no mundo da fitoterapia.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: erva-dos-burros, canárias, zécora. Brasil: minuana. Esp.: onagra, hierba dei asno, enotera, prímula. Fr.: onagre {bisanuelle}, raiponce rouge, herbe à íâne. Ing.: [commonj evening primrose, feverplant. Habitat: Originária da América do Norte, naturalizada na Europa. Cresce nas bermas dos caminhos e vias férreas, e nas terras arenosas e húmidas. Descrição: Planta bienal da família das Enoteráceas, que no segundo ano atinge uma altura de um metro. Tem caule erecto, do qual saem grandes folhas pubescentes. As flores são amarelas, com quatro pétalas, e têm um aroma agradável. Partes utilizadas: as sementes.

O óleo extraído das sementes da onagra é muito rico em ácidos gordos essenciais polinsaturados, entre os quais se
237

*~Yy .-*".
Pefa sua riqueza em ácidos gordos essenciais, o óJeo de onagra faz descer o nível de colesterol, melhora a circulação sanguínea e tonifica o sistema nervoso. Constitui um remédio m u i t o útil para os transtornos da terceira idade.

destacam o ácido linoleico (71,5%) e o linolénico (7%-10%), cuja denominação química mais exacta é, respectivamente, cis-linoleico e gama-linolénico. Este último desempenha um papel muito importante no organismo, como precursor químico das prostaglandinas, substâncias recentemente descobertas, que cumprem numerosas funções metabólicas. Saliente-se que a onagra é o único vegetal conhecido que contém proporções notáveis do ácido linolénico, o qual também se encontra presente no leite materno, e se torna imprescindível para o organismo (é um ácido gordo essencial). O ácido linolénico e o seu derivado imediato, a prostaglandina F. I. são indispensáveis para a estabilidade das membranas das células de lodo o organismo, para o desenvolvimento do Sistema nervoso, para o equilíbrio do sistema hormonal e para a regulação dos processos da coagulação sanguí238

nea, entre outras funções. Em virtude disto, é longa a lista das doenças em que se tem aplicado com êxito o ÓLEO
DE ONAGRA lOl:

ença de Parkinson, esclerose em placas, e, em geral, todas as afecções causadas por degenerescência neuronal. • Transtornos do comportamento: crianças irritáveis, nervosismo, neurastenia, esquizofrenia. • Transtornos da resposta imunitária: alergia, asma, eczema, dermatite atópica. • Reumatismo: artrite reumatóide e processos reumáticos em geral. • Problemas dermatológicos: excesso de secreção sebácea (acne), rugas ou secura da pele, assim como fragilidade das unhas e do cabelo. Sabemos que, desde há mais de cinco séculos, os índios algonquinos da América do Norte, com a finalidade de combater as erupções, esfregavam a pele com sementes de onagra esmagadas.

• Aumento de colesterol no sangue e, em geral, todas as hiperlipemias (aumento do conteúdo gordo do sangue). •Transtornos circulatórios: hipertensão arterial e tendência para trombose por aumento cia agregação plaquetária. Pode actuar como preventivo dos acidentes vasculares cerebrais (trombose e hemorragia cerebral) e do infarto de miocárdio, pois dilata as artérias e impede a agregação plaquetária e a formação de coágulos. • Transtornos genitais: dismenorreia, ciclos irregulares, síndroma pre-menstrual, esterilidade por insuficiência ovárica. • Afecções do sistema nervoso: do-

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Preparação e emprego
USO INTERNO

Oliveira
Alimento antigo e medicamento de actualidade

O Decocção: Prepara-se com 40-50 g de folhas por litro de água. Fazem-se ferver até que a água fique reduzida a metade. Ingerem-se três chávenas por dia.

Q

UK lhe apetece comer? -pergunta o médico a um doente enfraquecido, que se recupera nuni hospital depois de uma complicada intervenção. -Talvez... uma latia/inha de pão coro azeite -sugere timidamente o debilitado paciente. K insiste: -Poderei comei- pão com azeite...? O doente, um camponês da Europa Meridional, de pele tisnada pelo sol. não esquece, nem mesmo prostrado na cama do hospital, 0 delicioso sabor do pão caseiro com azeite de oliveira. A oliveira faz parte essencial da cultura mediterrânica. Desde que a pomba enviada por Noé, paia comprovar a descida das águas do Dilúvio, regressou com um raminho de oliveira no bico, esta árvore transformou-se no símbolo da paz. Entre os Judeus, o azeite era usado para ungir as pessoas que deviam consagrar-se a uma missão especial. E na época cristã converteu-se no símbolo do Espírito Santo. Os Fenícios e os Romanos disseminaram-na por Ioda a bacia mediterrânea. O azeite continua a sei a gordura comestível mais importante na dieta popular cio Sul da Europa, companheiro indispensável do pão, das saladas e de tantos pratos saborosos. Segundo o investigador espanho Grande Covián, o consumo de azeite, (Mn vez de manteiga, explica o lacto de a frequência de infarto do miocárdio e trombose ser significativamente menor nos países mediterrâneos do que nos do dentro e Norte da Europa e na América do -Norte.

@ As azeitonas comem-se como aperitivo, na salada, ou durante a refeição.
€> 0 azeite, quando se toma com fins medicinais, ingere-se em jejum ou antes das refeições, na quantidade de uma ou duas colheres de sopa. Convém que seja virgem e, se possível, extraído por pressão a frio ou decantação.
USO EXTERNO

O O azeite também se aplica em forma de loção ou pomada (unguento). @ Enemas (clisteres): Bate-se com água quente em partes iguais. Pode-se acrescentar outra parte de decocção de malva ou malvaísco.

Outros nomes: azeitoneira, zambujeiro (a variedade silvestre). Esp.: olivo, aceituno, olivera, azambujo. Fr.: olivier. Ing.: olive [treej Habitat: Oriunda do Próximo Oriente, cresce tanto cultivada como silvestre, por todos os países mediterrâneos. Foi introduzida no continente americano no século XVI. Descrição: Árvore de porte médio, da família das Oleâceas. Tem tronco grosso e retorcido, folhas elípticas de bordo liso e cor verde acinzentada. As flores são pequenas, esbranquiçadas. O seu fruto ê uma drupa: a conhecida azeitona, ou o/íva. A ofiveira silvestre (o zambujeiro) é mais pequena e tem as folhas arredondadas; os frutos que negros são mais pequenos do os da cultivada, mas contêm as mesmas substâncias. Partes utilizadas: as folhas e os frutos.

O azeite, merecidamente chamado o rei dos óleos alimentares, é talvez o melhor exemplo que se pode encontrar de um produto simultaneamente alimentício e medicinal.

tensão IOI. O seu uso torna-se lambem muito recomendável no caso de arteriosclerose. As AZEITONAS contêm lípidos (gorduras) e prótidos, além de sais minerais (especialmente cálcio), enzimas c vitaminas Ai, Bi, Bir e PP. São aperitivas, tónicas da digestão e ligeiramente laxantes 101. O AZEITE ou óleo da azeitona c constituído por uma mistura de diversos lípidos, formados quimicamente pela união da glicerina com os chamados ácidos gordos, dos quais o oleico (até 80%) é o mais importante, seguido do linoleico, do palmítico e do esteárico, entre outros. Tem as seguiuu-s propriedades: • Emoliente, ou seja, que exerce um efeito suavi/.ante e unli-inflamuiório sobre a pele e as mucosas. Cura queimaduras, feridas, úlceras e irritações da pele. Faz parte de numerosos unguentos e pomadas IOI. Km uso interno, tem uma acção anti-inllamatória e

O principal país produtor de azeite em iodo o inundo, é a Espanha, com os seus 180 milhões de oliveiras espalhadas desde a Andaluzia até à Catalunha. Deve-se distinguir entre: / Azeite de oliveira virgem: Obtido da azeitona por trituração, pressão a frio ou decantação, c posteriormente filtrado; ou então por centrifugação. Não sofre nenhum tratamento com substâncias químicas. / Azeite puro de oliveira: Mistura de azeite virgem e de azeite refinado, que foi submetido a processos lisicoquímicos para lhe reduzir o grau de acidez.
240

O azeite virgem é mais natural e de sabor mais forte, enquanto que o chamado "puro" ou o refinado tem um sabor mais neutro. Ambos, mas especialmente o virgem, são superiores aos óleos de sementes (girassol, milho, ele.) quanto ao valor nutritivo, propriedades medicinais e estabilidade ao fritar.
PROPRIEDADES E FOLHAS da oliveira INDICAÇÕES: As

contêm oleuropeína (até 1%), um glicósido; além de tanino, açúcares e outras substâncias. São febrífugas (baixam a febre) e lupotensoras, sendo um dos remédios vegetais mais eficazes contra a hiper-

o

O azeite e a pele

Antigamente, quando não existia a grande variedade de produtos de beleza de que dispomos actualmente, o azeite era um dos cosméticos mais apreciados. Entre o antigo povo de Israel, como noutras culturas da área mediterrânea, era costume ungir a cabeça com azeite para embelezara pele e o cabelo. Todos os óleos, mas especialmente o da azeitona, têm acção emoliente (suavizante) e protectora sobre a pele que os absorve. Uma boa forma de aplicar o azeite sobre a peie é a seguinte: 1. Aplicar uma loção com azeite, acompanhada de uma suave massagem sobre todo o corpo. 2. Vestir uma bata ou um roupão e esperar durante 15-20 minutos. 3. Passado este tempo, toma-se um duche quente, ensaboando a pele com o produto habitualmente utilizado. Depois de enxugar, nota-se como a pele ficou mais suave e limpa.

A venerável oliveira é toda ela medicinal: as azeitonas são aperitivas e tonificantes; o azeite é suavizante, colagogo (facilita o esvaziamento da bílis) e redutor do colesterol; e as folhas fazem baixar a tensão arterial e a febre.

protectora sobre a mucosa do estômago, pelo que é um excelente remédio em caso de gastrite aguda (irritação do estômago) l©l, produzida militas vezes por medicamentos como a aspirina, bebidas alcoólicas, cale, especiarias ou conservas em vinagre. • Laxante suave l€N, quer seja tomado em jejum quer aplicado em enema (distei) UDI. Além disso, facilita a expulsão dos vermes intestinais. • Colagogo, isto é, que facilita o esvaziamento da vesícula biliar, o que ajuda o alívio das doenças abdominais devidas ao mau funcionamento da vesícula l©l. Além disso, a bílis despejada no intestino facilita a digestão. No entanto, deve-se usai" com prudência em caso de eolelitíase (cálculos ou pe-

dras na vesícula), pois poderia desencadear uma cólica biliar. • Efeito sobre o colesterol [01: O azeite não oferece uni acentuado efeito redutor do nível de colesterol no sangue, como o que possuem os óleos de gérmen de trigo ou de milho, por exemplo. No entanto, usado de forma continuada, lem a (acuidade de manter o colesterol sanguíneo em níveis baixos. Comprovou-se experimentalmente que o azeite aumenta as lipoproteínas da alta densidade (HDL, ///'»/; Densiiy Lipoprotein em inglês), que são encarregadas de transportar no sangue uni tipo de colesterol chamado colesterol 1IDL. Este tipo especial de colesterol tem a propriedade de evitara arteriosclerose (endureci-

mento das artérias por deposito de colesterol e cálcio nas suas paredes), ao contrário do colesterol ligado ãs lipoproteínas de baixa densidade (1.1)1., Lano Density Lipoprotein) ou colesterol nocivo. Islo pode explicar o lacto de o consumo habitual de a/.eile como gordura alimentar estar directamente relacionado com um menor risco de hilário do miocárdio. • Anlitóxico, excepto nas intoxicações provocadas pelo fósforo ou seus derivados IO). Dá-se a beber à vítima uni copo de a/.eile misturado com água quente, para provocar o vómito, e, depois de ler vomitado, dão-se-lhe a beber novamente várias colheradas de azeite, para que desenvolva a sua acção de antídoto no tubo digestivo.
241

Rauwotfía serpentina Benth.

LÍJ ±

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Preparação e emprego

Rauvólfia
Acreditado hipotensor e enérgico sedativo

A

MEDICINA tradicional da índia utiliza a raiz. desta planta desde tempos remotos, como antídoto coima as picadas de serpentes e aranhas, e para acalmar os nervos. A moderna investigação farmacêutica descobriu nela valiosos princípios activos contra a hipertensão arterial, e actualmente entra na composição de diversas especialidades farma céu ficas. A raiz desta planta contém cerca de vinte tipos diferentes de alcalóides, dos quais o mais importante é a reserpina. Tem propriedades hipotensoras (produz uma descida na pressão arterial) e sedativas do sistema nervoso, tudo isto como resultado da sua acção depressora sobre os centros subcorticais e talamicos do cérebro.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

USO INTERNO O Pó de raiz: A dose média é de 100-200 mg, duas vezes ao dia. Ingere-se dissolvida num pouco de água. A dose máxima é de 1000 mg (1 g) por dia. © Preparados farmacêuticos à base rauvólfia: Trazem a indicação da dose recomendável.

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FórmuJa química da reserpina, o alcalóide mais importante da rauvólfia. Tem propriedades hipotensoras e sedativas.

A rauvólfia tonia-.se altamente eficaz no tratamento da hipertensão arterial, tão frequente no mundo desenvolvido. Também dá bons resultados em caso de insónia rebelde, de psicose e de outras doenças mentais IO.QI. Outro alcalóide da rauvólfia é a ajmalina, de propriedades antiarrítmicas.

Precauções
A reserpina da rauvólfia é um alcalóide muito activo, pelo que a planta e os seus extractos devem ser usados sob vigilância médica.

Outros nomes: rauwolfia. Esp.: rauwolfia, rauvólfia, ravolfia. Fr.: rauwolfia, arbre aux serpents. Ing.: rauwolfia [root], Java devilpepper. Habitat: Originária das regiões tropicais da Ásia, especialmente da índia, onde se cultiva para fins medicinais. Actualmente cultiva-se também na América Central. Descrição: Pequeno arbusto de até um metro de altura, da família das Apocináceas. As suas folhas terminam em ponta pelas duas extremidades, e as flores, brancas ou cor-de-rosa, dispõem-se em forma de umbela. Partes utilizadas: a raiz.

242

Tragopogon pratensis L.

fr • A l
Preparação e emprego
USO INTERNO O Raiz: A melhor maneira de aproveitar as suas qualidades é comer a raiz crua, cortada às rodeias em salada. Também se pode cozinhar. © Folhas tenras: Comem-se também em salada; o seu gosto lembra o da escarola e da chicória.

Cersefi-bastardo
Depurativo do sangue e aperitivo

Precauções

A

RAIZ do ccrsefi-bastardo já era usada na Grécia antiga. Aparece em frescos encontrados ein Pompeia, o que indica que também (a/ia pane da dieta romana. Durante toda a Idade Média, foi cultivado e consumido, embora tenha caído em desuso na era industria). Agora volta a ser apreciado como alimento e remédio natural. A raiz de cersefi-bastardo tem um sabor adocicado e algo imu ilaginosn. Contém diversos glícidos (hidratos de carbono), como o inositol e o manitol, e também pequenas quantidades de prótidos e de lípidoa (gordura). E um bom aperitivo, e lambem diurético, sudorífico (aumenta a sudoração) e depurativo. O seu uso é benéfico, especialmente aos que sofram de arteriosclerose, reumatismo, gota e hipertensão arterial IO.01. Favorece a eliminação de resíduos tóxicos do metabolismo. Os diabéticos podem lomá-lo .sem restrição, devido a que os hidratos de carbono desta planta não elevam o nível de glicose no sangue.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES

Não comeras sementes e os frutos, porque são tóxicos. O resto da planta não apresenta nenhum problema.

Outros nomes: barba-de-bode. satsifi, cersifi, cercefi Esp.: salsifi, barba de cabra, barba cabruna. Fr.: salsifis [sauvage}, barbe de bouc. Ing.: [yellow] goatsbeard. Habitat: Prados húmidos e bermas de caminhos de toda a Europa. Naturalizado em regiões temperadas e frias do continente americano. Descrição: Planta bisanual, da família das Compostas, de 30 a 80 cm de altura. Tem caule erecto e abraçado por umas folhas alongadas terminadas em ponta. A raiz ê carnuda, de cor castanha clara. Partes utilizadas: a raiz e as folhas.

241

Vinca minorL

Pervinca
Ideal para combater o envelhecimento

D

IOSCORIDES e Galeno já Falavam da utilidade desta planta, a ejue a investigação farmacológica dedicou um grande interesse nos últimos anos. I loje claboram-se com ela diversos preparados farmacológicos.
PROPRIEDADES F. INDICAÇÕES: O seu

princípio activo mais importante é a vincamina (0,1% a 0,2%), um alcalóide indólico com notáveis propriedades vasodilatadoras. Contém também taninos de acção adstringente e outros alcalóides (até 35) recentemente identificados. As suas aplicações são: • Insuficiência circulatória cerebral: A vincamina é um potente vasodilatador das artérias cerebrais, que aumenta a irrigação sanguínea do tecido cere-

Outros nomes: vinca, vincapervinca, congossa. Esp.: vincapervinca, brusela, hierba doncella. Fr.: pervenche, violette des morts. Ing.: [early ílowering] periwinkle, lesser periwinkle. Habitat: Difundida por toda a Europa Central e do Sul. Cria-se nos bosques húmidos, especialmente de carvalhos e de faias. Cultivada na América do Norte com fins medicinais. Descrição: Planta vivaz da família das Apocinaceas, com caules rasteiros de até 2 m de comprimento. As suas folhas são perenes, coriáceas e de bordos lisos. As flores são pedunculadas e de cor azul violeta. De sabor muito amargo. Partes utilizadas: as tolhas.

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO © Compressas sobre a pele ou sobre as mamas (para deter a lactação). Fazem-se com a mesma decocção descrita para uso interno. Aplicam-se durante 10-15 minutos, duas ou três vezes ao dia. Em caso de hemorragias ou hematomas, aplicam-se frias; sobre as mamas inflamadas, aplicam-se quentes.

CH3OQ
Fórmula química da vincamina, o alcalóide mais importante da pervinca. A sua potente acção vasodilatadora fê-lo passar a fazer parte de numerosos preparados farmacêuticos. 244

O Decocção durante dois minutos, de 30-50 g de folhas por litro de água. Ingerem-se de 3 a 5 chávenas diárias, adoçadas com mel, caso se deseje (é muito amarga). @ Preparados farmacêuticos (cápsulas, xaropes, e t c ) : Seguir as doses e indicações recomendadas em cada caso.

*v

Vicária
A vicária (Vinca rósea L.)", que em Espanha é conhecida também como 'brusela', 'flor dei príncipe', 'hierbadoncella', etc, é uma planta de outra espécie similar, do mesmo género da pervinca. A vicária é originária de Madagáscar, mas também se cultiva na América, onde recebe outros nomes espanhóis, como 'blanca pobre', 'buenas tardes', 'dominica', 'jazmín dei mar', etc. Começa a ser utilizada como antimitótica (impede a reprodução das células cancerosas) e no tratamento de certas leucemias, linfomas (doença de Hodgkin e outros) e sarcomas. O seu uso ainda se encontra, porém, em fase experimental.
* Esp.: vicária.

A pervinca aumenta a irrigação sanguínea do cérebro, pelo que é uma planta ideal para combater os transtornos da senilidade devidos â arteriosclerose.

bral e m e l h o r a o f u n c i o n a m e n t o do sistema nervoso central IO.0I. E também hipotensora. Aplica-se c o m êxito em caso de cefaleia, vertigens, acufériios (zumbidos nos ouvidos), e n o u tras manifestações de insuficiência circulatória cerebral (falta de irrigação) devidas a a r t e r i o s c l e r o s e , a h i p e r tensão ou outras causas. E u m a planta ideal para c o m b a t e r os transtornos da senilidade. Recentemente também se p ô d e demonstrar q u e a vincamina atravessa a barreira hematoencefálica e actua no interior do tecido cerebral melhorando a oxigenação dos n e u r ó n i o s . Devido a t u d o isto, a vincamina q u e se extrai desta prodigiosa planta é um dos fármacos mais usados a c t u a l m e n t e no t r a t a m e n t o da irrigação sanguínea cerebral insuficiente. A planta c o m p l e t a

possui os mesmos efeitos q u e a vincamina, potenciados e enriquecidos, além disso, pela presença de outros alcalóides e princípios activos. • Enxaquecas: Por t u d o isto, t a m b é m se usa nas e n x a q u e c a s para acalmar a crise de d o r e evitar o seu reaparecim e n t o IO,©l. • H e m o r r a g i a s : O efeito adstringente e hemosiático dos taninos explica q u e a n t i g a m e n t e se t e n h a utilizado a pervinca p a r a d e t e r as h e m o p t i s e s (hem o r r a g i a s b r o n q u i a i s ) q u e se a p r e sentam na tuberculose IOI. O seu uso actual neste caso só se justifica c o m o c o m p l e m e n t o d o t r a t a m e n t o específico antituberculoso. Externamente 101 aplica-se em caso de feridas sangrantes, hematomas e contusões, para reduzir a hemorragia.

• Colite e gastrenterite: Podc-se empregar para cortar a diarreia IO.0I. • Diabetes: Os alcalóides da pervinca a p r e s e n t a m u m m o d e r a d o efeito hip o g l i c e m i a n t e : fazem descer o nível de glicose no sangue, reduzem a glicosúria (eliminação de glicose com a urina) 10,61. No caso de diabetes, usase em combinação com o regime dietético e outros tratamentos. • Antilactagoga: Detém a p r o d u ç ã o de leite nas m u l h e r e s lactantes. Ingere-se p o r via oral IO,0I e aplica-se em c o m p r e s s a s s o b r e os peitos 1©I, em caso de i n l l a m a ç ã o (mastite) ou q u a n d o interesse s u s p e n d e r a lactação. • Tonificante geral e do aparelho digestivo IO,©l.

Vlscum álbum L.

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Visco-branco
Eficaz contra a hipertensão e a arteriosclerose

O

S TORDOS, os pombos e outras aves da floresta, encarregam-se de disseminar as sementes do visco-branco. Depois de as terem ingerido, vomitam-nas sobre os ramos de outras árvores, a que as bagas se agarram graças ao seu invólucro gelatinoso. Ali germinam as sementes, geralmente sobre abetos, álamos ou macieiras, surgindo uma nova planta.

O visco-branco é uma planta muito original. As suas raízes penetram nos ramos e troncos de outras árvores, em vez de penetrarem na terra. A semente precisa de luz solar para germinar, ao contrário da maioria, que precisa da escuridão. Por outro lado. a planta

Outros nomes: visco. Esp.: muérdago, almuérdago, visco. Fr.: gui. Ing.: [European]mistietoe. Habitat: Difundido peias regiões de bosques de todo o continente europeu e também do americano. Descrição: Planta parasita, da família das Loraniáceas, que afunda as suas raízes nos troncos de diversas árvores e se alimenta da sua seiva. As folhas são perenes (sempre verdes) e os frutos são bagas gelatinosas semelhantes a pérolas. Partes utilizadas: as folhas, colhidas antes de aparecerem os frutos.

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O
Precauções
USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO

Não ultrapassar as doses de folhas quando usadas internamente. Excluir as bagas, que são tóxicas: Com cerca de dez bagas surgem vómitos, hipotensão e transtornos nervosos. Com maior quantidade pode sobrevir a morte por paragem cardio-respiratória.

O Infusão com 10-15 g de folhas secas por litro de água, da qual se tomam 2 chávenas diárias. © Maceração, deixando repousar duvante uma noite 20 g de folhas secas em meio litro de água fria. Depois de filtrada, bebe-se no dia seguinte em 3 ou 4 vezes.

€) Compressas: Embebem-se numa infusão com 30 g de folhas secas por litro de água. Aplicam-se sobre o peito (em caso de palpitações ou de sensação de opressão), sobre as costas ou os rins (em caso de lumbago ou de ciática), ou sobre as articulações afectadas pelo reumatismo.

246

Visco-americano

Existe na América do Norte uma variedade, conhecida em espanhol como visco-americano [Phoradendron flavescens)' de propriedades semelhantes às do visco-branco. Para os distinguir, dá-se nos Estados Unidos, ao visco-branco, o nome de 'European mistletoe' {visco europeu). * Esp.: muérdago americano.
O visco-branco é uma planta parasita, muito apreciada pela sua acção hipotensora e dilatadora das artérias, especialmente as cerebrais e as coronárias. No entanto, deve ser usado com prudência, devido aos seus possíveis efeitos tóxicos. As bagas são venenosas e devem deitar-se sempre fora.

adulta é capaz de produzir clorofila mesmo na escuridão, ao contrário das restantes plantas, que amarelecem perante a falta de luz. As suas propriedades medicamentosas, já conhecidas desde os tempos de Hipócrates e Plínio, são também muito interessantes. Recentemente, descobriu-se que o visco-branco apresenta uma actividade antitumoral, lacto que ainda está a ser investigado. suas folhas contêm colina c acetileolina, substâncias que actuam sobre o sistema nervoso vegetativo, além de saponinas. As bagas contêm também alcalóides e outras substâncias té>xicas, pelo que não se recomenda o uso medicinal das mesmas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

se conhecem contra a hipertensão arterial. Melhora a irrigação sanguínea do cérebro e do coração, quando entorpecidos devido ao estreitamento (arteriosclerose) das artérias cerebrais ou coronárias. O seu uso é recomendado em caso de arteriosclerose cerebral (enjoos, vertigens, zumbidos nos ouvidos) ou coronária (angina de peito). Pode-se administrar como preventivo de novos ataques, nos indivíduos que tenham sofrido trombose ou embolias cerebrais. • Antiespasmódico e sedativo: Acalma a sensação de opressão no peito, as palpitações, o nervosismo e as enxaquecas IO.01. Antigamente uiilizava-se para acalmar os ataques epilépticos e as crises de histeria. • Diurético e depurativo: Aumenta a produção de urina e a eliminação dos resíduos tóxicos do metabolismo, como a ureia e o ácido úrico IO.OI. Indicado nos casos de nelrite, gota, artritismo, e sempre que se deseje depurar o sangue.

• Anti-inflatório: Aplicado localmente. alivia as dores reumáticas 16). Muito eficaz nos ataques agudos de lumbago ou ciática. • Regulador da menstruação: limprega-se em caso de transtornos do ciclo, de regras excessivas e de hemorragias uterinas, devido ao seu eleito hemostático 10,91. • Anticanccroso (0.01: Isolarain-.se recentemente na planta do visco-branco certas proteínas conhecidas como lactinas, que têm um acentuado eleito destruidor das células minorais (efeito citolítico). Ao mesmo tempo, estas proteínas estimulam o timo e as defesas celulares do organismo. Realizaram-se experiências satisfatórias com animais de laboratório, nos quais 0 visco-branco foi capaz de curar tumores superficiais. Esperamos que se façam novas descobertas nos próximos anos, que permitam a sua aplicação clínica.
247

Eis as propriedades do visco-branco: • Hipotensor e vasodilatador: Possui um notável eleito regularizado!- do sistema circulatório IO.OI. O visco-branco é uma das plantas mais eficazes que

PLANTAS PARA AS VEIAS
UJVIÁRIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Flebite Plantas protectoras capilares Protectoras capilares, plantas Úlcera varicosa Varizes Veias, inflamação, ver Flebite PLANTAS Arando 260 Arando-vermelho 261 Aveleira 253 Castanheiro-da-índia 251 Cipreste 255 Enia-dos-vasadhos = Giibarbeira . . . . 259 Giibarbeira 259 Hamamélia 257 Meliloto 258 Mirtilo = Arando 260 249 248 248 250 249 249

I

Plantas com acção protectora capilar
Fortalecem e regeneram as células que formam os finos canais ou vasos capilares, pelos quais circula o sangue no interior dos tecidos. Os princípios activos mais importantes, responsáveis pela sua acção, são a rutina ou vitamina P e as antocianinas. Aplicam-se em caso de hemorragias por fragilidade vascular, edemas, varizes e flebites. Com o fortalecimento das células que formam os canais capilares, diminui a excessiva saida de líquidos dos capilares para os tecidos. Desta forma se reduz o edema e inchação dos tecidos, e melhora a circulação sanguínea. Planta Ginkgo Castanheiro-da-índia Hamamélia Giibarbeira Arando Sempre-noiva Videira Arruda Pág. 234 251 257 259 260 272 544 637

As plantas venotónicas, assim como as massagens ascendentes nos membros inferiores, favorecem a circulação venosa e embelezam as pernas.

A
248

S VKIAS transportam o sangue de volta paia o coração, depois de ele ter passado pelos capilares e irrigado os tecidos. O sangue circula pelas veias quase sem pressão, <> que dificulta de modo particular o retorno do sangue das pernas, que leni de subir vencendo a força da gravidade. As plainas medicinais fornecem substâncias venotónicas, (pie favorecem a circu-

lação sanguínea nas veias, evitando que se dilatem e lormem varizes. As plantas venotónicas também são úteis em caso de hemorróidas, pois estas nada mais são do que veias dilatadas na região do ânus. As compressas embebidas na decocção rle certas plainas venotónicas e cicatrizantes (pág. 250) ((instituem nina interessante ajuda no tratamento das úlceras varicosas das pernas.

A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 2 " Parte; D e s c r i ç ã o

I

Doença

Planta
LARANJEIRA

Pág.

Acção Rica em flavonóides

Uso Decocção de casca de laranja Infusão, compressas, cataplasmas, banhos Decocção, compressas Decocção de folhas e ramas, compressas Decocção de gálbulos (frutos), essência Extracto, infusão de folhas e/ou casca Infusão Decocção, compressas com a decocção Sumo fresco ou decocção de frutos Sumo de limão, essência Decocção de folhas, banhos de pés com a decocção de folhas Decocção de casca Compressas com a infusão, cataplasma de folhas esmagadas, banhos de pés com a infusão Compressas com a decocção de casca e/ou sementes Compressas com a decocção de folhas e casca Compressas com a decocção Cataplasmas de folhas frescas esmagadas

VARIZES
São dilatações permanentes das veias. Todas estas plantas têm acção venotónica, isto é, tonificam a parede das veias, evitando assim a sua excessiva dilatação. As plantas venotónicas actuam também favorecendo a circulação de retorno do sangue no interior das veias. Algumas destas plantas tem, além disso, uma acção protectora capilar (tabela da pág. 248), pelo que fortalecem e regeneram as células que formam os finos canais ou vasos capilares pelos quais circula o sangue. Deste modo diminui o edema e inchação dos tecidos, e melhora a circulação venosa.

153 de acção protectora capilar
9-Í/I Tonifica as paredes venosas, protector
£.&
capi|ar

riwiírn
bINKGO CASTANHEIRO-

-DA-lNDIA
AVELEIRA

251

T 0 " ' * ' 0 3 as paredes venosas, protector capilar

253 Tonifica a circulação venosa 255 Tónico venoso

CIPRESTE

HAMAMÉLIA

257 Activa a circulação sanguínea nas veias OKQ Activa a circulação venosa, 258 fluidifica 0 sangue

M,-. „ «T« MEULOTO

fimuRRFiR& ?RQ Melhora a circulação venosa UILBARBEIRA ^ o y ( f o r t a | e c e a s p a r e d e s d o s capilares
ARANDO LIMOEIRO
260

Reforça a parede dos vasos capilares e venosos Protector capilar, tónico venoso

265

iu,1D. VIDEIRA
ílífíM!/}!'!!,!

rAA Melhora a permeabilidade capilar D44 e a c j r c u | a ç ã o venosa 642 234
25i

NOVELEIRO

Activa a circulação venosa
Toni,ica as Pa r edes venosas, protector capilar

FLEBITE
É a inflamação das veias. Acontece normalmente nas veias varicosas, isto é, previamente dilatadas. Além das plantas recomendadas para as varizes, o tratamento fitoterápico da flebite requer a aplicação local de compressas ou cataplasmas destas plantas, sobre a zona afectada pela flebite.

GlNKGO CASTANHEIRO-DA-ÍNDIA
AVELEIRA

Tonifica as paredes venosas, protector capilar Tonifica a circulação venosa

253

„njinDCin, GILBARBEIRA
r

OCQ Melhora a circulação venosa Í V Í % fortalece as paredes capilares 320 Anti-inHamatóvia de acção local

PFÍASSTE

Os frutos do arando (pág. 260) são m u i t o ricos em antocianinas, substâncias que tingem a pele de uma cor azulada típica. Ingeridas por via oral, as antocianinas |pág. T28) reforçam a parede dos vasos capilares e venosos, e beneficiam a circulação sanguínea na retina, assim como a dos membros inferiores. O sumo de arandos é um bom remédio a ter em conta em caso de varizes.

249

C a p . 1 4 : P L A N T A S PARA A S V E I A S

Doença
ULCERA VARICOSA
É uma perda de substância na pele, de escassa ou nenhuma tendência para a cicatrização, causada por uma alteração da circulação venosa. Associa-se geralmente a varizes e/ou flebite, e localiza-se na parte inferior da perna, próximo do tornozelo. 0 tratamento fitoterápico da úlcera varicosa consiste na ingestão de plantas venotónica$ (ver "Varizes", pág. 249) e protectoras capilares (ver pág. 248), combinadas com a aplicação de cataplasmas e compressas sobre a zona ulcerada, com plantas cicatrizantes Wev cap. 27), anti-sépticas e adstringentes. Tanchagem

Planta
AGRIMÒNIA CARVALHO DEDALEIRA CASTANHEIRO-DA-lNDIA AVELEIRA CIPRESTE

Pág. Acção
205 Cicatrizante 208 Adstringente, cicatrizante 221 Cicatrizante 2=1 Tónico venoso, adstringente, anti-inflamatório 253 255 325 Cicatrizante, tónico venoso Tónico venoso Emoliente, adstringente

Uso
Compressas com a decocção Compressas com a decocção Compressas com a infusão Compressas com a decocção de casca Compressas com a decocção de folhas e casca Compressas com a decocção de gálbulos de cipreste (frutos) Compressas com a decocção, pensos ou cataplasmas de folhas Cataplasmas com a planta cozida Cataplasmas com as folhas cruas, esmagadas, ou cozidas e misturadas com farelo Compressas com a decocção Compressas com a decocção Cataplasmas de sementes Compressas com a decocção Cataplasmas de folhas frescas esmagadas Compressas com a decocção Compressas com a infusão, cataplasmas com a raiz esmagada

TANCHAGEM
CUSCUTA COUVE

386 Cicatrizante e anti-séptica 433 487 Cicatrizante e vulnerária Adstringente

AMIEIRO

SALGUEIRINHA ZARAGATOA
CAVALINHA

510 Cicatrizante e regeneradora da epiderme 515 Cicatrizante, protege e desinflama a pele JQA Cicatrizante, favorece a regeneração dos tecidos 7?R Limpa os tecidos necrosados i& e estimula a cicatrização 730 Vulnerária, cicatrizante 732 Cicatrizante

<5ANiruiA SANICULA
BÉTÓNICA CONSOLDA-MAIOR

O castanheiro-da-índia (pág. 251J é uma bela árvore cuja casca e cujas sementes contêm o giicósido esculina, substância de forte acção venotónica e protectora capilar. A decocção da casca e/ou das sementes toma-se por via oral (respeitando as doses), e aplica-se em compressas sobre as pernas. Conseguem-se efeitos notáveis em caso de pernas cansadas ou inchadas devido a varizes ou a insuficiência venosa dos membros inferiores. Também se apJica em banhos de assento no caso das hemorróidas. A esculina do castanheiro-da-indía faz parte de diversos preparados farmacêuticos com acção venotónica e antredematosa.

250

Aesculus h/ppocastanum L

!\

6
Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção: 50 g de casca de ramos jovens e/ou sementes por litro de água. Tomam-se duas ou três chávenas diárias. @ Extracto seco: 250 mg, três vezes por dia. USO EXTERNO

Castanheiro -da-índia
O remédio das veias por excelência

E

STA FORMOSA árvore foi levada de Constantinopla para a Áustria, e dali para outros países da Europa Ocidental, pelo jardineiro do imperador Maximiliano, no princípio do século XVII. Como por aquele tempo chegavam à Europa muitas plantas vindas das "índias" (América), pensou-se que a árvore era mais uma delas, e, pela semelhança que tinha eom o castanheiro, chamou-se-lhe castanheiro das índias, hoje castanheiro-da-índia. Provou-se depois que, na realidade, é oriundo da Grécia e da Turquia. O nome hippocaslanum ('castanheiro de. cavalo' em Valhvt) vem do facto de que os Turcos o davam a comer aos cavalos velhos, para lhes acalmar a tosse e aliviar a asma de que sofrem com certa frequência. As castanhas deste castanheiro têm um gosto muito amargo, que deveria avisar, a quem as prova, de que não são comestíveis. Registaram-se casos de intoxicação, sobretudo em crian-

© Compressas com a decocção de casca: Aplicam-se sobre as hemorróidas ou as úlceras varicosas, mantendo-as durante 5-10 minutos, 3 ou 4 vezes ao dia. O Banho de assento com a decocção, em caso de hemorróidas e de atecções prostáticas. © Banho completo: Prepara-se uma decocção com meio quilo de sementes esmagadas por litro de água, que se fervem durante 5 minutos. Prepara-se um banho quente acrescentando a decocção à água. A pele fica muito suave e impa, melhor do que com qualquer sabonete ou gel sintético.

Precauções

As sementes, isto é, as castanhas desta árvore, não devem ingerír-se, por se tornarem tóxicas. Sobretudo, é preciso avisar as crianças, que podem confundi-las com as castanhas comestíveis.

Outros nomes: Esp.: castano de índias, castano caballuno, castano falso. Fr.: marronier [d'lndej, chataignier de cheval. Ing.: [commonj horse chestnut. Habitat: Árvore comum nos parques e avenidas da Europa e da América. Também se encontra em estado silvestre nos bosques de regiões montanhosas. Descrição: Árvore de folha caduca, da família das Hipocastanáceas, de belo porte e grande loihagem. Atinge até 30 m de aíiura e, como o castanheiro comum, vive muito tempo (até 300 anos). As folhas são palmeadas, grandes, de bordo dentado, e nascem em grupos de 5 a 9. As flores são brancas e agrupam-se em ramalhetes. Os frutos são grandes, rodeados de espinhos não muito duros, e contêm no interior uma ou duas sementes parecidas com as verdadeiras castanhas. Partes utilizadas: a casca dos ramos jovens e as sementes.

251

O castanherro-da-índia é uma befa árvore, de cuja casca e sementes se extrai o gíicósido esculina. Esta substância natural faz parte da composição de numerosos preparados farmacêuticos, devido à sua acção tonificante da circulação sanguínea nas veias.

ças, por as terem c o m i d o em quantidade.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : A CAS-

m i n u a a c o n g e s t ã o s a n g u í n e a , esp e c i a l m e n t e nos m e m b r o s inferiores. —Protector capilar: Fortalece as células q u e formam a p a r e d e dos vasos capilares, lornando-os m e n o s permeáveis, favorecendo assim o desap a r e c i m e n t o d o s e d e m a s c inchaços. / Saponinas triterpénicas (escina) de acção anli-inflamatória e antiedematosa, a b u n d a n t e s , s o b r e t u d o , nas sementes. / Taninos calequicos, adstringentes e anli-inl 'lama tórios. Esta planta torna-se muito útil em todo o tipo de transtornos venosos, especialmente em:

• Varizes das pernas, insuficiência venosa, p e r n a s pesadas 10.®.01. • Tromboflebites, úlcera varicosa das pernas 10,0 ©I. • H e m o r r ó i d a s : Acalma a d o r e redu/.-lhes t a m a n h o IOM.OI • P r ó s t a t a : Torna-se m u i t o eficaz lia

CA dos r a m o s jovens c as SEMENTES (castanhas) c o n t ê m vários princípios activos de g r a n d e valor medicinal: / Esculina: (Uicósido c u m a r í n i c o q u e exerce uma forte acção sobre o sistema venoso e sobre a circulação sanguínea em geral. A esculina e n t r a na composição de muitos preparados farmacêuticos, pois a i n d a n ã o se conseguiu sintetizar um fármaco que- supere DS efeitos desta substância vegetal. As propriedades da esculina são: -Tónico venoso: Au m e u la o t o n o da

congestão e hipertrofia desta glândula, tanto tomada em infusão ou extractos como aplicada em banhas de
assento IO.0.01. Reduz o t a m a n h o da próstata inflamada e facilita a saída da urina. A FARINHA da castanha-da índia é

especialmente rica em saponina, pelo que se emprega em cosmética e na indúsiria do sabão 101. E um autêntico
sabão vegetal, suavi/ante e protector

parede venosa, o que determina
q u e as veias se- contraiam e q u e di252

da pele.

Corylus avellana L

Aveleira
Uma árvore nutritiva e medicinal

A

INDA se podem encontrar. nas regiões montanhosas e húmidas, bosques de aveleiras silvestres, onde os esquilos dispõem do seu paraíso. Nos meses de .Setembro e Outubro, oferecem ao caminhante as suas saborosas avelãs, que nada ficam a devei' às cultivadas. |á Dioscórides, no século I a.C, recomendava as avelãs para as doenças respiratórias, embora não lhe tenha escapado o facto de que, comidas em quantidade, podem toi nar-se pesadas para o estômago. Santa Hildegarda aconselhava-as contra a impotência masculina. Mattioli, ilustre medico italiano do século XVI, aplicava-as em loção, trituradas e misturadas com banha de urso, para lazer crescer o cabelo. Desde então, muitas outras aplicações se têm dado às avelãs, entre as quais se destacam as de calmante dos nervos e contra a formação de cálculos urinários. O facto é que nenhuma delas foi definitivamente demonstrada. No entanto, uma coisa é certa: as avelãs são um excelente alimento, rico em lípidos (b'2%), proteínas (14%), sais minerais e vitaminas. Por isso, quem precise de aumentai' o peso, sempre que o seu aparelho digestivo funcione normalmente, fará bem em comer iodos os dias de 12 a 15 avelãs como sobremesa. Sem esquecer, naturalmente, que diversas partes da aveleira têm interessantes efeitos medicinais.

Outros nomes: avelaneira. Esp.: aveilano, aveilano común, ablano. Fr.: noiseter. Ing.: hazel[nut} tree, cob nut tree. Habitat: Cresce espontaneamente nas regiões montanhosas da Europa e da América do Norte. Cultiva-se nos países mediterrâneos. Descrição: Árvore ou arbusto da família das Betuláceas, que atinge de 2 a 5 m de altura. Costuma apresentar troncos ou rebentos múltiplos que partem de uma cepa comum. As folhas são dentadas e terminam em ponta. Partes utilizadas: os amentilhos (inflorescências em espiga), a casca dos ramos jovens, as folhas e os frutos (avelãs).

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
© Avelãs: Um punhado em jejum ou depois da refeição do meio-dia.
USO EXTERNO

O Decocção de folhas e casca de ramos jovens (misturadas): 30-40 g por litro de água. Ferver durante 3 minutos e deixar repousar durante mais 15 minutos. Tomam-se uma ou duas chávenas por dia. © Decocção de amentilhos (faz transpirar e emagrecer): 50 g de amentilhos primaveris por litro de água. Ferver durante 5 minutos e deixar repousar mais 15 minutos. Filtrar. Toma-se uma chávena depois de cada refeição.

O Compressas: Com a mesma decocção de folhas e casca, que se usa internamente, embebem-se para se aplicarem sobre as zonas afectadas. © Banhos de assento: Também com esta mesma decocção. © Fricções sobre a pele com óleo de avelãs.

253

Todas as parles da árvore contêm llavonóides e taninos. A CASCA e as FOLHAS têm as seguintes aplicações:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

• Tónico venoso: O sen eleito mais notável é o fie tonificar a circulação venosa, favorecendo o retorno do sangue paia o coração. A decocçao de casca e folhas, tanto ingerida como aplicada em compressas sobre as pernas, é recomendada nos casos de varizes, flebite e hemorróidas IO.OI. Têm também um ligeiro efeito vasoconstritor e hemostático, pelo que se utilizam igualmente nos casos de epislaxe (hemorragia nasal) e de hipermenorreias (regras excessivas). • Externamente, actuara como cicatrizantes e lornam-se úteis nas feridas de difícil cicatrização e úlceras varicosas. Sobre as hemorróidas, têm um acentuado efeito sedativo e anti-inllamalório: aplica-se a sua decocçao, tanto em compressas como em banhos de assento 1©), além de se tomar bebida, como se indica no parágrafo anterior lOl. OsAMENTILHOS (espigas florais) e o seu pólen, colhidos na Primavera, têm propriedades: • Depurativas, sudoríferas e febrífugas: Por isso se utilizam em caso de gripe ou constipação, com a finalidade de acelerar a cura 1©1. Também se empregam em casos de obesidade, para depurar o organismo e provocar uma perda de peso como consequência da sudação. As AVELAS usam-se como alimento rico cm calorias e em substâncias nutritivas (gorduras e proteínas) 101. Devem mastigar-se bem ou, se necessário, esmagar-se em forma de papa, a fim de se conseguir uma boa assimilação. Têm um ligeiro efeito hiper tensor (fazem subir a pressão arterial), pelo que aqueles que sofrem de hipertensão não devem abusar delas. O ÓLEO DE AVELÃS é adstringente e fecha os poros da pele 101. Rccomenda-se para o cuidado das peles gordurosas c nos casos de acne.
254 As avelãs fornecem gorduras e proteínas de grande valor nutritivo, e produzem um ligeiro aumento da pressão arterial, pelo que convêm especialmente aos hipotensos.

A decocçao de folhas e casca de ramos jovens da aveleira facilita a circulação sanguínea de retorno no sistema venoso. Ingerida por via oral, e aplicada localmente em forma de compressas, constitui um bom remédio para aliviar o peso das pernas, em caso de varizes ou insuficiência venosa dos membros inferiores.

Cupressus sempervirens L

O:

«J D AJ 1
Preparação e emprego

Cipreste
Tónico circulatório e da bexiga

USO INTERNO

O Decocção: 20-30 g de frutos de cipreste verdes, esmagados, ou igual quantidade da sua madeira, por litro de água. Ferve-se durante 10 minutos e filtra-se. Tomar uma chávena antes de cada refeição (3 por dia). O Essência: Tomam-se de 2 a 4 gotas, três vezes por dia.
USO EXTERNO

O

CIPRESTE é uma árvore quase tenebrosa. Firme e solene às porias de um cemitério, apontando paia o céu com a sua copa e paia as tumbas com a sua alongada sombra, parece querer lembrar aos seres humanos o trágico destino que nos espera nesta terra. E a árvore que melhor simboliza a morte. Mas, ao mesmo tempo, é sinal de vida e de saúde para tantos que sofrem de doenças do aparelho respiratório e do aparelho circulatório. Já na antiga Grécia si- mandavam os doentes do peito para os bosques de ciprestes, para recuperai em a saúde respirando o seu ar impregnado de essências balsâmicas. Hipócrates e Galeno recomcndavam-no como planta medicinal. Desde então tem vindo a ser utilizado com êxito, durante mais de dois mil anos, como árvore curativa. No estado mexicano de Oaxaca, enconira-se o célebre cipreste de Mocte/iuna ou do Tule, de 50 m de altura e \4 m de diâmetro no tronco,
q u e p e r t e n c e a u m a espécie m u i t o

€) Banhos de assento: Para o tratamento das hemorróidas com uma decocção para uso interno, mas com maior concentração de frutos (cerca de 50 g por litro). Tomam-se três banhos por dia, mas com a água já fria. Reduz o tamanho das hemorróidas e alivia o incómodo e a dor que provocam. O Banhos de vapor: Para quem sofra de caiarros bronquiais, è altamente benéfico fazer banhos de vapor, acrescentando à água quente alguns frutos de cipreste, ou então umas gotas da sua essência. © Compressas sobre as pernas, com a mesma decocção que para o uso interno.

próxima do cipreste comum. Atribui-se-lhe uma idade de 4000 ou 5000 anos. Os antigos Astecas já empregavam os frutos do cipreste (os gálbulos) para evitar os cabelos brancos e conservar a cor primitiva do cabelo.

Outros nomes: cipreste-dos•cemitérios. Esp.: ciprès, ciprès común. Fr.: cyprès [toujours vert\. Ing.: {Ifalian} cypress. Habitat: Originário da Ásia Menor, hoje encontrado em toda a Europa e naturalizado na América, onde existem algumas variedades. Descrição: Árvore da família das Cupressáceas, de folha perene, que atinge 20-25 m de altura. O seus frutos, chamados gálbulos, apresentam uma forma poliédrica e são de cor verde acinzentada. Partes utilizadas: os frutos verdes (gálbulos) e a madeira.

255

Os banhos de assento com uma decocção de gálbufos (frutos) de cipreste verde aliviam os transtornos da micção próprios do síndroma prostático, da cistite ou da incontinência urinária. O seu efeito é reforçado se, ao mesmo tempo, se tomar por via oral a decocção ou a essência durante vários dias. Pela sua acção t o n i f i c a n t e sobre a circulação venosa, estes banhos também se tornam convenientes em caso de hemorróidas.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Na

madeira do cipreste, nos seus ramos tenros, e especialmente nos frutos, enconlra-sc entre 0,2% e 1,2% de essência de cipreste, composta de vários hidrocarbonetos, assim como canino e diversas substâncias aromáticas. Esta árvore tem as seguintes propriedades: • Tónico venoso potente: Tem uma acção tão intensa como a hamamélia (pág. 2.V7), uma das plantas mais activas sobre o sistema circulatório CU JC se conhecem. O uso do cipreste é indicado para combater as varizes, as úlceras varicosas e as hemorróidas, tanto em uso interno 10,01 como em aplicação lotai externa 10.©). • Vasoconstritor (contrai os vasos sanguíneos). Torna-sc especialmente recomendável durante a menopausa, para deter as frequentes meirorragias (hemorragias uterinas) devidas à congestão do útero, como consequência do desequilíbrio hormonal próprio dessa etapa da vida feminina. •Tónico vesical: Aumenta a tonici256

dade da bexiga, e permite um melhor controlo do sistema nervoso vegetativo sobre a musculatura deste órgão. Km uso interno IO.01 ou em banhos de assento (€>l, é indicado nos casos de incontinência urinária diurna, ou nocturna durante o sono (enurese), e no síndroma prostático (dificuldade na micção devido a um aumento do tamanho da próstata).

•Adstringente, devido aos taninos que possui IOI. Usa-se em caso de colite ou diarreia. • Sudorífico, diurético e febrífugo (ia/, baixar a lebre). He grande utilidade nos catarros bronquiais, bronquites, constipações e gripes IO.OI. A essência de cipreste leni, além disso, acção balsâmica, antitússica e expectorante 101.

Hamamells virginiana
L

Hamamélia
Tonifica as veias e embeleza a pele

O

S FRUTOS desta árvore são umas cápsulas lenhosas de forma ovalada semelhantes às avelãs, que quando estão maduras estalam de forma ruidosa. Possivelmente por isso, os índios da América do Norte acreditavam que esta árvore escava enfeitiçada. Actualmente, a hamamélia é uma dos plantas mais eficazes que se conhecem paia combatei" as afecções circulatórias.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As fo-

lhas e a casca desta árvore contêm diversos tipos de taninos, entre os quais se destacam os hamamelitaninos, assim como flavonóides e saponinas. Possui as seguintes propriedades. •Tónico venoso: Contrai a parede das veias, activando a circulação sanguínea no seu interior. Por isso é muito útil no caso de varizes, flcbites, pernas pesadas c hemorróidas IO.©l. • Hcmoslático (delem as hemorragias): Fortalece as paredes das veias e capilares sanguíneos, efeito este semelhante ao da vitamina V (numa). Utiliza-se nos transtornos da menopausa e nas mclrorragias (hemorragias uterinas) IO,©). • Sobre a pele: Activa a circulação da pele, e tem eleito cicatrizante e adstringente, Utiliza-se em dermatites, eczemas, pele seca e rugas 101. Faz parte de numerosos produtos de beleza. • Sedativo ocular: A infusão, ou a água destilada de hamamélia (preparação farmacêutica), usam-se como colírio para lavar e relaxar os olhos

Outros nomes: hamamélia-da-virginia. aveleira-de-bruxo, aveleira-de-teiticeira. Brasil: hamamélis, amieiro-mosqueado. Esp.: hamamélis, avellano de bruja. Fr.: hamamélis (de Virginiej. Ing.: witch hazel. Habitat: Originária da costa ocidental dos Estados Unidos e do Canadá. Cultiva-se na Europa como planta ornamental. Descrição: Árvore da família das Hamamelidáceas, que pode atingir até 5mde altura. Tem folhas alternas e ovaladas e flores com 4 pétalas amarelas em forma de tingueta. Partes utilizadas: as folhas e a casca.

li
USO INTERNO

Preparação e emprego
-se a mesma infusão que para o uso interno, deixando-a ferver alguns minutos, e muito bem filtrada, para que não fique nenhuma impureza; ou então, a água destilada de hamamélia. O Compressas com a infusão: Aplicam-se sobre a zona da pele afectada.

O Extracto seco: A dose normal é de 1-2 g, repartidos em 3 tomas diárias. © Infusão: 30-40 g de folhas e/ou casca por litro de água. Tomar duas chávenas diárias.
USO EXTERNO

€> Lavagens oculares: Emprega-

I©l. Combatem a conjuntivite produzida pelo pó, o fumo, a contaminação e a acção irritante da água do mar ou das piscinas. Também se tornam úteis para aliviar o cansaço tios olhos pro-

vocado por um trabalho que requeira muita atenção visual, como por exemplo a condução de automóveis ou o trabalho em frente de uni computador.
257

Melllotus officinalls Lam.

Oj

í

a J
Preparação e emprego
USO INTERNO

Meliloto
Previne a trombose

O Infusão com 50 g de planta por litro de água, da qual se tomam 3 ou 4 chávenas por dia. USO EXTERNO © Lavagens oculares: Usa-se uma infusão, mas mais concentrada do que para uso interno, à razão de uns 200 g por litro de água.

o

MELILOTO é, juntamente com os (idalguinhos (p«ig. 131) e a tanchagem (pág. 325). uma das plainas conhecidas desde a antiguidade como "quebra-óculos" ou "íira-óculos", devido à sua acção benéfica sobre os olhos. Recentemente descobriu-se que esta planta é um excelente tónico da circulação venosa, e é esta, no presente, a sua aplicação mais importante. Contém um glicósido, o melilotósido, que com a secagem se transforma em cumarina, além de llavonóicles, vitamina C, mucilagens e colina. Estas substâncias conferem-lhe as seguintes propriedades: • Tónico venoso e protector capilar IOI: Muito úiil em caso de varizes, edemas (retenção de líquidos), pernas
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

As infusões de meliloto aliviam o peso das pernas e previnem a trombose.

cansadas e h e m o r r ó i d a s . Pela sua acção anticoagulante, íluidificante do sangue e aclivadora da circulação, o

Outros nomes: Esp.: meliloto, meliloto común, trébo! de olor [amarilloj, coronilla. Fr.: melilot [officinaij. Ing.: [yellow] melillot. [yellow) sweet clover. melilot trefoil. Habitat: Encontra-se em terrenos calcários e beiras dos caminhos de toda a Europa. Naturalizado em algumas zonas temperadas do continente americano, como o sul dos Estados Unidos e a Argentina. Descrição: Planta da família das Leguminosas, de cheiro agradável, que atinge de 60 a 120 cm de altura. As suas folhas estão divididas em três foliolos, e as flores são de um tom amarelo vivo. Partes utilizadas: As sumidades floridas.

meliloto está indicado no caso de flebite (inflamação das veias), assim como para a prevenção da trombose
arterial e venosa. Tudo isto é ajudado pelo seu suave efeito diurético. • Antiespasmódico IOI: Útil nas cólicas digestivas e nos espasmos gástricos ou intestinais. Ajuda a vencer a insónia. • Emoliente: Aplic a-se externamente para lavagens o c u l a r e s em caso de (onjunlivile, com muito bons resultados 101. 258

Ruscus acuíeaíus L

«. M m
Preparação e emprego
USO INTERNO

Gifbarbeira
Favorece a circulação venosa

O Decocção: 40-60 g de raiz ou rizoma por litro de água, durante 10 minutos. Tomar de 4 a 6 chávenas por dia.
USO EXTERNO

A

S VERDADEIRAS folhas desta planta, conhecida já dos antigos Gregos, são umas escamas pouco perceptíveis inseridas ao longo do caule. O que parecem folhas são, na realidade, pseudofolhas, conhecidas botanicamente como filocládios. Sobre estes crescem a flor o o Fruto. A raiz c o ri/o ma da gilbarbeira contêm saponinas esteróidicas de acção vasoconstritora e anti-inflamatória (ruscogeninas), assim como rutina de acção protectora sobre os vasos capilares (efeito vitamina l J ). A gilbarbeira é possivelmente o remédio vegetal com maior acção tónica sobre as veias. Por isso entra na composição de numerosos medicamentos anti-hemorroidais e antivaricosos.
PROPRIKDADKS E INDICAÇÕES:

© Loção: Com a mesma decocção de uso interno. €) Compressas: Embebem-se na decocção e aplicam-se sobre a zona afectada.

As suas aplicações são as seguintes: • Afecções venosas: varizes, debites, pernas pesadas, edemas (retenção de líquidos), hemorróidas !©,©!. Pelo efeito dos seus princípios activos, melhora a circulação no .sistema venoso c fortalece as paredes dos capilares, diminuindo a cxsudação de líquidos para os tecidos. O seu eleito diurético contribui para acentuar a sua acção benéfica sobre a circulação venosa. • Gota, artritismo e Jitíase renal, pela sua acção depurativa 101. Favorece a eliminação do ácido úrico, e aumenta o suor, o que também contribui para o seu efeito depurativo do sangue. • Externamente, aplica-se sobre a pele para reduzir a celulite, graças ao seu eleito tonificante sobre os tecidos 10.©I

As loções com decocção de raiz de gilbarbeira ajudam a combater a celulite. Outros nomes: g//oarde/ra, gibatbeira, erva-dos •vasculhos, azevinho-menor. Esp.: rusco, brusco, arrayán salvaje. Fr.: fragon, petit houx. Ing.: butcher's broom, kneeholty. Habitat: Terrenos calcários e bosques, especialmente de faias e azinheiras, de toda a Europa Central e Meridional. Descrição: Subarbusto sempre verde da família das Liliáceas, com caule erecto de meio a um metro de altura. 0 fruto é uma baga vermelha. Partes utilizadas: o rizoma e a raiz.

259

Vacdnium myrtillus L

3 @ ey
Outros nomes: uva-do-monte, mirtilo, erva-escovinha. Esp.: arándano, arándono común, mirtilo. uva de bosque. Fr.: [aireiie) myrtille. Ing.: bilberry, whortleberry, (European) bíueberry.

IJ

Arando
Excelente remédio para diabéticos e varicosos

U

MA das muitas delícias que esperam o montanheiro é a de se encontrar com esta planta e desfrutar rias- suas saborosas bagas, doces e um pouco ácidas. Pelas suas propriedades alimentícias e medicinais, os frutos do arando são um verdadeiro presente da natureza. Sc o leitor ainda não teve ocasião de os provar, saiba que o seu agradável sabor perdura durante um certo tempo, assim como a cor de amora que deixam nos dentes e na língua de quem os tiver comido. Os anuídos entram na composição de várias preparações farmacêuticas, pois as suas excelentes qualidades medicinais ainda não puderam ser ultrapassadas pelos produtos de síntese química.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

Habitat: Terrenos montanhosos e siliciosos de toda a Europa. Em Espanha, apenas se encontra nas montanhas da metade norte. Em Portugal, aparece nos pinhais e matos das montanhas desde o Alto Minho à serra da Estrela. No continente americano, pode encontrar-se em zonas montanhosas e frias de ambos os hemisférios. Descrição: Pequeno arbusto de folhas caducas, da família das Ericáceas. que atinge de 25 a 50 cm de altura. As folhas são ovaladas e finamente dentadas. 0 fruto é uma baga, que começa por ser vermelha e se torna azul-escura quando amadurece. Partes utilizadas: as folhas e os frutos.

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
que sintam debilidade durante a cura podem tomar até 3 ou 4 copos de leite diariamente. O Infusão de folhas: 30-40 g por litro de água. Para a diabetes, tomar 3 ou 4 chávenas diárias, sem adoçar. Em caso de diarreia, toma-se uma chávena depois de cada evacuação, até que as fezes voltem a ser normais.
USO EXTERNO

FRUTOS do arando contêm diversos ácidos orgânicos (málico, cítrico, ele.) de acção tonificante sobre o aparelho digestivo, açúcares, taninos, pectina, mirtilina (glicósidocorante).antocianinas, e as vitaminas A, C e. em menor quantidade, a li. Além das suas propriedades alimentícias e refrescantes, são adstringentes, antidiarreicos, anti-sépticos e vermífugos. São indicados nos seguintes casos: • Alterações circulatórias do sistema venoso, como pernas pesadas, varizes. Rebites, úlceras varicosas e hemorróidas IO.@,€)l. As antocianinas contidas no arando actuam protegendo e reforçando a parede dos vasos capilares e venosos. Desta forma impedem a saída de proteínas e de líquido para os
260

O Sumo fresco: Obtém-se esmagando os frutos maduros e filtrando-os depois. Tomar 5 a 10 colheradas a cada refeição © Decocção de 50-70 g de frutos por litro de água. Ferver durante 15 minutos e filtrar. Tomar todo o líquido resultante, repartindo-o por várias tomas ao longo do dia. © Cura de arandos: De meio a um quilo diário, quer frescos quer cozidos em puré. Tomam-se como único alimento durante um perioôo de 3 a 5 dias. As crianças e os adultos

© Loção: Pode aplicar-se com o sumo fresco ou com a decocção dos frutos.

Os arandos. ou os extractos que se elaboram com eles. constituem um eficaz remédio para tratar as varizes, a perda de visão por degenerescência da retina e as parasitoses intestinais. Além disso, o sumo de arando ou os seus extractos são úteis nas infecções urinárias (cistites e uretrites). Está provado q u e , tomando-os de forma regular d u r a n t e um período de um a três meses, se evitam as incómodas cistites repetidas nas mulheres propensas a elas.

tecidos, com o que se reduz o edema e a congestão. Os arandos também actuam sobre o coração, aumentando a resistência do músculo cardíaco (miocárdio).
«A».

Arando-vermelho

• Degeneração da retina e perda de visão. As aniocianinas do arando actuam também sobre os capilares da retina, melhorando a irrigação das células sensíveis à luz. São portanto muito úteis na recuperação da acuidade visual nocturna e para melhorar a adaptação à obscuridade IO,©.©f O seu uso torna-se especialmente indicado na retinopatia diabética, na miopia, e na degenerescência da retina devida a hipertensão ou a arteriosclerose, ou a outras causas, como no caso da rctinosc pigmentaria. • Diarreias em geral, e especialmente as infecciosas devidas a disbacteriose (alteração da flora intestinal) IO,©. ©.O). Pelo seu efeito anti-séptico. é capaz de travar a flatulência devida a fermentações e putrefacções intestinais. Desinflama e normaliza o funcionamento do intestino, especialmente do cólon. Foi possível comprovar experimentalmente que, tanto as folhas como as bagas do arando, travam o desenvolvimento excessivo dos colibacilos {li\/hnirhirt roli), causadores ria disbacteriose intestinal, e muitas infecções urinárias. • Parasitose intestinal, especialmente a causada por oxiúros. pequenos vermes que frequentemente infestam o

intestino infantil. Neste caso recomenda-se fazer uma cura de arandos frescos ou cozinhados em forma cltpuré, durante três dias consecutivos 101. Só é permitido tomar leite, além dos arandos. Segundo o doutor Schneider, o êxito deste tratamento pôde ser comprovado no Hospital Infantil da Universidade de Helsínquia (Finlândia). • Infecções urinárias: O sumo de arando fresco, OU os seus extractos, exercem uma acção anii-séptica sobre os órgãos urinários, como a bexiga ou a uretra IOI. Fm caso de cistite repelida, frequente nalgumas mulheres, rccomenda-se que comam arandos durante um a três meses, de forma continuada, para evitai novas recaídas. • Afecções da pele, como o eczema, a folicillite e as úlceras varicosas 101. Nestes casos aplica-se localmente o sumo de arandos em forma de loção, ou então fresco, ou concentrado por meio de decocção. As FOLHAS do arando merecem uma menção especial, Contêm laniíio, glicósidos llavonóides e glicoquinina, substância esta que faz baixar o conteúdo de glicose (açúcar) no sangue. Têm portanto os mesmos eleitos adstringentes e anlidiarreicos que os frutos, mas além disso são hipogliccmiantes. Daí a sua Utilidade para os diabéticos, pois permitem baixar i dose de medicação oral ou de insulina IOI.
261

O arando-vermelho ou arando-de-baga-vermelha {Vaccinium vitis-idaea L ) \ é de folha perene e dá umas bagas vermelhas. Tanto pelo aspecto como pelas propriedades que tem, é muito semelhante à uva-ursina (pág. 564). As suas folhas usam-se como diurético, anti-septico e anti-inflamatório urinário, em caso de cistite e pielonefrite, em infusão de 30 g de folhas por litro de água {2-3 chávenas por dia). As folhas também são hipoglicemiantes, como as do arando. Os frutos, por sua vez, são adstringentes.
' Esp.: arando rojo, arando punteado.

PLANTAS PARA O SANGUE
IJMÁRIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Anemia Equimose, ver hematoma FtukUfkantes do sangue, plantas . . . Hematoma Hemorragia Nemosláliras, plantas Planas Jluidificantes do sangue Plantas hemostáticas Trombose PLANTAS Determinadas plantas medicinais, assim como certos alimentos de origem vegetal, são aftamente eficazes na prevenção e no tratamento da anemia. Agrião Aleluia Alfalfa = buxerna Azedas Cidra Erigerão Espirulina Uma Limoeiro Luzerna Pimenta-d'água Sempre-noiva Toranja Urtiga-maior Vinagreira = Azedas 270 275 269 275 267 268 276 267 265 269 274 272 267 278 275 263 263 .263 263 264 262 263 262 264

J

Plantas hemostática

São plantas que detêm as hemorragias, tanto nos órgãos internos como na pele. A sua acção é reforçada quando se combina o uso interno (tisanas por via orai) com as aplicações externas sobre o ponto sangrante, sempre que este se encontre acessível.

Planta Bistorta Hidraste Pervinca Viseo-branco Aveleira Hamamélia Erigerão Sempre-noiva Pimenta-d"água Tanchagem Tormentila Pimpinela-menor Pimpinela-oficinal Silva Videira Bolsa-de-pastor Bico-de-cegonha Urtiga-branca Milefólto Cavalinha

Pág. 198 207 244 246 253 257 268 272 274 325 519 533 534 541 544 628 631 633 691 704

262

IE PELAS PLANTAS MEDICINAIS 2-' P a r t e : D i> '•• c r i ç á O

I

Doença
ANEMIA
Diminuição da quantidade de sangue, especialmente das hematias ou eritrócitos (glóbulos vermelhos). O tratamento íitoterápico consiste no uso de plantas antianémicas, ricas em ferro (o elemento fundamental das hematias), mas também com abundante presença de outros minerais, vitaminas (especialmente a C) e enzimas, que activam o metabolismo no seu conjunto. Há plantas, como o ginseng, que fazem aumentar a produção de glóbulos vermelhos.

Planta
LUZERNA

Pág. Acção
269 ^' c a em 0 ' ' g o e ' e m e n t ° s ' vitaminas, enzimas e aminoácidos essenciais
am,n0ádd0S essenciai5

Uso
Crua (brotos tenros), sumo fresco, infusão, extractos Cápsulas, preparados farmacêuticos Sumo fresco, infusão Crua, em sumo, cozida ou assada Folhas como verdura, em infusão ou em sumo fresco Frutos (uvas), cura de uvas Cura de morangos Preparados farmacêuticos Folhas como verdura A polpa dos frutos Tintura em aplicação local Cataplasmas com a raiz triturada e cozida Compressas com a decoção do rizoma, cataplasmas com o rizoma esmagado Compressas com a decocção, cataplasmas de folhas frescas esmagadas

ESP.RUL.NA
UR71GA-MA10R CEBOLA

276 S J S S Í K0,

e vitamina Bi2 27g Contém ferro e clorofila, estimula a produção de glóbulos vermelhos

294 Fornece ferro, oligoelementos e enzimas,
que estimulam a produção de sangue 532 544 575 608 Contém abundante ferro, antianémica, depurativa Fornece ferro, outros minerais e vitaminas, limpa o sangue Tonificante, remineralizante, abre o apetite Tonificante, estimula a produção de sangue na medula óssea

LABAÇA

VIDEIRA

MORANGUEIRO

GINSENG QUENOPÓDIO-BOM-HENRIQUE

702 Rico em ferro e vitamina C 719 662 abundante ferro, minerais, vitaminas e ácidos gordos insaturados Vulnerária e anti-inflamatória
Fornece

ABACATEIRO

HEMATOMA
Acumulação de sangue nos tecidos, fora dos vasos sanguíneos, Referimonos aqui aos hematomas localizados debaixo da pele, causados por contusões ou feridas. Estas plantas, aplicadas localmente, facilitam a sua reabsorção e fazem diminuir a inflamação local. São igualmente úteis todas as plantas vulnerárias (ver cap. 26).

ARNICA NORÇA-PRETA
SELO-DE-SALOMÂO

679 Vulnerária, reabsorve os hematomas Suaviza e embeleza a cútis, reabsorve os hematomas

723

Qawinu A oANicum

no** Anti-inflamatória, cicatrizante, favorece fa a reabsorção dos hematomas

Plantas fluidificante do sangue
""J ^M CERTO sentido, unias as planÊj ias medicinais ingeridas actuam
m ' sobre o s a n g u e , já q u e os seus
O seu uso e indicado como preventivo da trombose em caso de hipertensão, arteriosclerose e sempre que existam (actores de risco ou predisposição para essa alteração sanguínea. O abacate (pág. 719) é um fruto muito nutritivo e rico em ferro.

m J princípios activos acabam por ser transportados pelo fluido vital depois de icrem sido absolvidas no intestino. No entanto, algumas plantas actuam directamente sobre a composição do sangue
e sobre a sua capacidade de coagulai-se.

Diversas plainas são capa7.es de aumentara produção de hematias (glóbulos vermelhos) e combater, deste modo, a anemia. O Ferro rios vegetais é ião mil como o
de procedência animal para Formar o sangue. A absorção do Ferro vegetal é um pouco mais difícil do q u e a do animal mas, em

Planta Tília Alho Meliloto Cebola Aspérula-odorífera Fumaria Milefólio Amor-perfeito-bravo

Pág. 169 230 258 294 351 389 691

compensação, tem a vantagem de estar normalmente acompanhado de- abundantes minerais e vitaminas. A vitamina (• lã-

735

263

: i p . 1 5 : P L A N T A S PARA O SANGUE

v

Doença
HEMORRAGIA
Saída de sangue para (ora dos vasos sanguíneos. Estas plantas têm acção hemostàtica (Ver também pág. 262) e vasoconstritora (ver também pág. 229). A sua acção é reforçada quando
se combina o uso interno (ingeridas por

Planta
AVELEIRA

Pág. Descrição
253 Vasoconstritora e hemostàtica Favorece a coagulação do sangue, 272 aumenta a resistência dos vasos sanguíneos 274 Detém as hemorragias, cicatrizante Contrai os vasos sanguíneos, 278 detém as hemorragias,

Uso
Decocção de folhas e casca, compressas com estas decocção Decocção, pó Sumo fresco, como loção ou impregnando compressas Sumo fresco, infusão, tamponamentos nasais com a infusão Infusão, tamponamentos nasais com a infusão Decocção de rizoma e raiz Infusão, tamponamentos nasais com a infusão Infusão, essência Decocção, sumo fresco, aplicações locais Infusão de flores, decocção de casca, extractos Cru, extractos, decocção de dentes de alho Cápsulas ou comprimidos do óleo das sementes Infusão ou maceração de folhas Infusão Sumo do fruto, essência

SEMPRE-NOIVA
PlMENTA-D'ÀGUA URTIGA-MAIOR

via oral) com as aplicações externas. Qualquer hemorragia anormal deve ser motivo de consulta médica.

úttt em hemorragias nasais e uterinas
PlLOSELA

V to* ^
>
Sempreooiva

504

Adstringente

*

CINCO-EM-RAMA
BOLSA-DE-PASTOR ARRUDA

520 Adstringente e hemostàtica £2g Contrai as pequenas artérias sangrantes £07 Aumenta a resistência dos capilares sanguíneos 7n/i Hemostàtica, regenera o tecido
704
C0njuntjv0

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AVIAI

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CAVALINHA TÍLIA

TROMBOSE
É a formação de um coágulo dentro de um vaso (.artéria ou veia), que permanece no mesmo lugar em que se formou. Quando o coágulo se desloca do lugar onde se formou, correndo pelo interior da artéria ou veia em que se encontra, produz-se uma embolia. A trombose arterial assenta, na maior parte dos casos, sobre uma lesão arteriosclerosa da parede das artérias. A fitoterapia oferece plantas que melhoram a irrigação sanguínea e fluidificam o sangue <Ver também pág. 263), exercendo uma interessante acçào preventiva deste transtorno. Também são de utilidade preventiva as plantas que fazem descer o colesterol do sangue (ver pág. 229).

igg Vasodilatadora, hipotensora, diminui a viscosidade do sangue 230 Antiagregante plaquetário, fibrinolitico Previne os acidentes vasculares cerebrais, diminui a agregação plaquetária Hipotensor, vasodilatador, melhora a irrigação sanguínea Fluidifica o sangue, activa a circulação Reforça a estabilidade dos vasos capilares, melhora a circulação, limpa o sangue Previne a arteriosclerose, faz descer o colesterol

ALHO

ONAGRA

237 24c 258 265

VlSCO-BRANCO

MELILOTO LIMOEIRO

GERGELIM

611

Sementes em diversas preparações

c ilila a absorção cio ferro contido nos vegetais. As plantas hemostáticas actuam favorecendo os mecanismos de coagulação do sangue e, também, por moio da vitamina K que contêm, coagulando os pequenos vasos capilares pela sua acção adstringente. Mais aplicações terapêuticas têm as plantas que fluidificam o sangue e evitam que este se coagule dentro dos vasos sanguíneos, processo que se conhece como trombose. Kstas plantas fazem que o sangue seja mais fluido, e exercem uma importante acçào preventiva da trombose ar-

terial, especialmente cias artérias cerebrais, coronárias (origem do infarto do miocárdio) e femorais (causa cia falta de irrigação nas pernas). Actuam por um ou vários dos seguintes mecanismos: • diminuindo a tendência excessiva das plaquetas do sangue para se agruparem formando coágulos: acção antiagregante plaquetária, • desfazendo a llbrina. proteína do plasma sanguíneo cpte forma OS coágulos:
a c ç ã o l i h l i m i l i l i c ;i,

• travando os processos de coagulação do sangue: acção anticoagulante.

264

Cltrus limon (L) Burm.

O)

JL Z *
Preparação e emprego

Limoeiro
Compêndio de grandes virtudes medicinais

USO INTERNO

L

IMÃO: Sinónimo de saúde. Basta pensarmos nele, e as nossas glândulas salivares aumentam a sua produção: Faz crescer-nos água na boca.

O Infusão de folhas: 30 g por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas diárias, adoçadas com mel. @ Infusão de casca: Esmaga-se a casca de um limão por cada copo de água e faz-se infundir durante uns minutos. Tomar 3 chávenas diárias, adoçadas com mel. €) Essência: A dose oscila de 3 a 10 gotas, 3 vezes ao dia. O Sumo de limão: Convém tomá-lo diluído com água, adoçado com mel. e com uma palhinha, para que tenha o mínimo contacto possível com a dentadura (ataca o esmalte dentário). Para a maior parte das aplicações, é suliciente tomar o sumo de um a três limões por dia.
USO EXTERNO

James Cook, o famoso navegador do século XVIII, que descobriu a Nova Zelândia e as ilhas Havai, obrigava iodos os seus marinheiros a levar uns (autos limões no seu equipamento pessoal. Naquela época não se conheciam as vitaminas; mas o seu apurado instinto de marinheiro fizera-o intuir que no limão podia residir o segredo paia evitar o escorbuto da sua tripulação. E, efectivamente, o capitão Cook acertou. Os seus marinheiros resistiam à dure/a das longas viagens transoceânicas, com maior força do que quaisquer outros, que caíam vítimas do escorbuto. Em grande parte, foi graças ao simples limão que aquele lobo do mar conseguiu dominar os oceanos e levar a cabo insólitas explorações. Foi assim que a Armada britânica deveu, numa boa medida, os seus êxitos ao limão. Km lí)2<S, o químico húngaro Albert S/.cnt-Gyórgyi conseguiu isolar o ácido ascórbico, a que se chamou vitamina C, substância à qual «>s citrinos devem os seus efeitos amicscorhúticos. Por esta descoberta, lói-lhe concedido o Prémio Nobel em 1937. Nas últimas décadas descobriram-se muitas outras virtudes e propriedades medicinais fio limão, além da antiescorbútica. (fitaremos, no entanto, apenas aquelas que têm funda-

© Gargarejos e toques: Contra as afecções da garganta, fazem-se gargarejos com sumo de limão puro, quente, e com mel. Também se pode aplicar impregnando com ele uma zaragatoa de algodão e tocando sobre as amígdalas ou a zona irritada. © Anti-sepsia e beleza: Como desinfectante para as feridas, e como cosmético, aplica-se diluído num pouco de água.

Sinonimia cientifica: Chrus íimonum Risso., Citrus medica vaT. limon L. Outros nomes: limoeiro-azedo. Esp.: limonero, limón agrio, limón real Fr.: citronnier. Ing.: lemon tree. Habitat: Oriundo da Ásia Central, Sul da China e regiões próximas do Himalaia, onde ainda se encontra em estado silvestre. Actualmente a sua cultura esta espalhada pelas regiões temperadas de todo o mundo. Descrição: Árvore de média estatura, da família das Rutáceas. As folhas são perenes e têm um espinho na sua base. A casca dos frutos é formada por duas camadas: uma exterior, na qual se acham as glândulas secretoras da essência, fina e de cor amarela, e outra interior, branca e mais grossa. Partes utilizadas: as folhas e os frutos, incluindo a respectiva casca.

265

o

Cura de limões
Cada dia que passa (ou cada dois dias segundo outros), toma-se mais um limão, até chegar a 7 ou 9 por dia. A

Uma cura de limões tem de ser feita sob vigilância médica, pois trata-se de um verdadeiro tratamento médico. A cura de limões è formalmente contra'indicada a quem sofra de insuficiência renal, aos anémicos, aos que sofram de descalcificação óssea, às crianças pequenas e aos idosos. Faz-se seguindo este esquema: No primeiro dia toma-se o sumo de um limão, diluído em água, meia hora antes de tomar o pequeno almoço.

consiste em dar ao doente o sumo de um limão dissolvido em meio copo de água, com uma eolher/inha de bicarbonato de sódio. • Alcalinizante e depurativo: O limão provoca uma alcaliui/açao de todo <> organismo, muito conveniente ás pessoas que tenham uma alimentação muito rica em carnes ou proteínas, que produz um excesso de resíduos ácidos, como o ácido úrico, fazendo virar o pi I (grau de acidez ou alcalinidade) para a alcalinidade no sangue e na urina, facilita a dissolução e a eliminação dos sedimentos líricos dos rins e das articulações. O sumo do limão torna-se altamente recomendável para quem sofra de cálculos renais, gota ou artritismo, assim como para lodos aqueles que desejem depurar o seu sangue e melhorar a sua saúde. IO). • Dissolvente de cálculos renais: Os citratos (sais de ácido cítrico) contidos no sumo de limão, especialmente o citrato potássico, impedem a formação de cálculos renais e facilitam a sua dissolução. Isto foi comprovado em experiências científicas, tanto com cálculos de mato como de oxalato (os tipos mais frequentes).

(

partir de então, vai-se
reduzindo a dose com o mesmo ritmo, até tomar só um limão. Descansa-se durante uma semana e repete-se se for preciso. Dá resultados muito bons na gota, no artritismo e nos cálculos renais.

mento científico, e que puderam ser comprovadas experimentalmente.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

FOLHAS do limoeiro são ricas numa essência aromática composta pord-Iimoneno, l-linanol e outros hidrocarbonetos lerpénicos em menor proporção. São sedativas e antiespasmódicas. O seu uso é recomendado às pessoas que sofram de nervosismo, insónia, palpitações, enxaquecas ou asma IO). For serem também sudoríficas, são úteis aos doentes febris. Possuem ainda efeito vermífugo (expulsam os vermes parasitas do intestino). A CASCA do fruto contém 0,5% de óleo essencial, cujo principal componente é o d-limoneno, alem de cumarinas e flavonóides. Tem propriedades tonificantes sobre o aparelho digestivo, e é recomendada aos que sofram de inapetência, digestões pesadas e mau funcionamento do estômago 101. Tal como as folhas, é sudorífica e vermífuga, e emprega-se com êxito para fazer baixara lebre. O SUMO do limão contém vitaminas Bi, BseC (50 mg por cada 100 g), sais minerais (especialmente de potássio), oligoelcmentos, açúcares, mucilagens, ácidos orgânicos (cítrico, malico, arético e fórmico) c Havonóides (hesperidina). An ibuem-sc-lhe muitos efeitos, mas citaremos apenas os que leni sido demonstrados cientificamente':
266

• Antiescorbútico: É a propriedade mais importante do limão, devido ao seu conteúdo em vitamina (! 101. Embora haja vegetais que apresentam muito maior concentração de vitamina (I do que o limão, como a rosa-canina (500-800 mg por 100 g) e a groselheira (até -100 mg), o efeito antiescorbútico do limão é muito acentuado, devido ã sua equilibrada composição em sais minerais e ácidos orgânicos. O escorbuto é a doença que se manifesta como consequência da falta de vitamina C (ácido ascórbico). Esta vitamina só se encontra nos alimentos vegetais frescos. Embora as deficiências graves sejam hoje muito raias, não é invulgar enconirareni-se casos leves entre aqueles que seguem uma dieta desequilibrada ou pobre em verduras e frutas frescas. • Tonificante: Pelo seu conteúdo em vitaminas, sais minerais e ácidos, o limão estimula a actividade dos órgãos digestivos, e tem um efeito revitali/antc sobre lodo o organismo 1©.0). E útil aos que sofrem de dispepsia (digestão difícil) e, por mais paradoxal que pareça, aos que sofrem de acidez do estômago. Apesar do seu sabor acido, o limão compoi ta-sc quimicamente como um antolho, e é capaz de neutralizar tanto o excesso de alcalis como o de ácido. Em caso de indigestão ou digestão muito difícil, um remédio popular

© Sumo de limão integral
Remédio contra a febre Tomam-se dois limões de boa qualidade e, uma vez lavados e limpos, sem os descascar, cortam-se em pequenos pedaços. Estes introduzem-se numa trituradora ou batedor, juntamente com um pouco de água. Uma vez bem triturados, acrescentam-se quatro colheradas de mel, e água até completar dois litros. Este líquido coa-se ou filtra-se e bebe-se à vontade durante todo o dia. Com este sumo de limão integral, que inclui tanto a polpa como a casca, obtém-se um notável efeito febrífugo, especialmente em caso de gripe ou de constipação.

Esta propriedade dos citratos, combinada com a acção alcalini/anie descrita, faz do sumo de limão um autêntico medicamento para os doentes dos rins IOI. • Protector capilar e tónico venoso: Pelo seu conteúdo em hesperidina, diosmina e outros llavonóides, de acção semelhante à da vitamina P, o limão reforça a estabilidade dos vasos capilares e melhora a circulação venosa. Torna-se útil nos casos de inchaço das pernas, edemas, varizes, hemorróidas, tromboses, embolias, K também muito aconselhável aos hipertensos 10.OI. • Anti-séplico: O sumo de lima») aplicado directamente sobre as amígdalas e o interior do nariz, por intermédio de uma zaragatoa de algodão, faz desaparecer os bacilos diftéricos dos portadores desta doença 10). Este lacto foi Comprovado pessoalmente pelo doutor Krnst Schneider, e coincide com outras experiências que mostram o poder bactericida do limão. Citemos como exemplo a epidemia de cólera que se desencadeou na Venezuela no ano de 1855, e que foi dominada graças a um consumo intensivo de limões pela população. Aplicado localmente, o sumo de limão torna-se muito útil contra as amigdalites (anginas) e faringites 101. Torna-se igualmente benéfico como

anti-séptico paia todo o tipo de feridas e úlceras cutâneas 101. • Cosmético: O sumo de limão suaviza e hidrata a pele, fortalece as unhas frágeis e dá brilho ao cabelo, além de fazer diminuir a caspa (01. Talvez seja bom recordarmos aqui que os REFRESCOS chamados "limonadas" ou "de lima", não só são destituídos de propriedades medicinais, como se tornam prejudiciais ã saúde, devido ao seu conteúdo em gás carbónico, corantes e aromatizantes artificiais, sem falar no açúcar ou outros edulcoranles. A melhor maneira de aproveitar as múltiplas virtudes dos sumos de limão, cidra ou lima, é ingeri-los acabados de espremer da Fruta.
267

Outros citrinos

Tudo quanto foi dito do limão se aplica igualmente, ainda que com menor intensidade, a outros citrinos congéneres, pertencentes igualmente à família botânica das Rutáceas, como por exemplo: • a cidra {Citrus medica L), também chamada limão-doce. • a lima [Citrus aurantifolia [Christ.-Panz.] Sw. = Limonia aurantifolia [Christ.Panz.]), também denominada lima-de-umbigo e lima-doce. • a toranja (Citrus máxima [Burm.J Merr. = Citrus decumanus L), também designada por toronja e toríngia."
• Esp.: pomelo.

Erigeron canadens/s L

Erigerão
Hemostático e antidiarreico

Preparação e emprego

USO INTERNO O Infusão ou decocção com uma colher de sopa de folhas secas, por chávena de água. Administram-se 2 ou 3 chávenas por dia. © Extracto seco: A dose habitual é de 1 -2 g por dia, repartidos em 2 ou 3 tomas.

O

S ÍNDIOS da America do Norte têm usado esta planta desde tempos imemoriais paia o tratamento das hemorragias uterinas e das menstruações demasiado abundantes, Na Europa, a sua essência foi uiili/ada durante a Primeira Guerra Mundial como hemostático, para deter hemorragias. K unia planta muito apreciada nos Estados Unidos e no Canadá, que vai sendo cada vez mais conhecida e utilizada na Europa. Toda a planta contém lanino. resinas, llavonóides, ácido gálico e colina, além de um óleo essencial (óleo de pulicária) composto por limoneno, dipenteno e terpinol. O erigerão tem as seguintes propriedades: • Hemostático. L tiliza-se sobretudo para deter as menstruações demasiado abundantes ou prolongadas !©.©!. Também é eficaz nalguns casos dv hematúria (sangue na urina). Convém recordar que qualquer perda anormal de sangue deve ser objecto de consulta médica. • Antidiarreico: Detém as diarreias simples, mas também é eficaz nas disenterias (diarreia acompanhada de intuo e sangue) e na lebre tifóide IO.€». • Diurético e anti-reumático: Facilita a eliminação de ácido úrico com a urina. E portanto indicado nos casos de gola. lúpei ui icemia (excesso de ácido úrico) e de litíase renal (cálculos ou pedias nos rins). IO.OI.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

USO EXTERNO © Enemas (clisteres) com a mesma iníusão ou decocção que se toma bebida.

Outros nomes: avoadinha, avoadeira. Brasil: cauda-de-raposa. Esp.: erigeron canadiense, olivarda dei Canadá. Fr.: erigeron, vergerette du Canada. Ing.: horseweed. Canadian fleabane. Habitat: Originário da América do Norte. No século XVII foi trazido para a Europa, onde se expandiu rapidamente. Planta conhecida também na América do Sul. Encontra-se nos terrenos ermos, bermas dos caminhos e aterros. Descrição: Planta herbácea da família das Compostas, que pode atingir um metro de altura. As suas abundantes folhas são alongadas e estreitas, e as flores de cor branca-creme. Partes utilizadas: as folhas.

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Medicago sativa L.

oj ^

>J Pi J
Preparação e emprego
USO INTERNO

Luzerna
Nutritiva e hemostática

Q

UE SORTE têm os cavalos, de lhes darem luzerna a comer! Desde os tempos mais remolos, os animais domésticos lêm desfrutado das vantagens desia nutritiva planta, enquanto mie os seus donos racionais a desprezam, por a considerarem pouco refinada para aparecer nas suas mesas. Graças à moderna química analítica, conhecem-se hoje as excelentes propriedades desia humilde planta. Felizmente, sãojá cada vez mais aqueles que tiram proveito dela.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

O Como alimento: A luzerna, como muitas outras verduras e hortaliças, pode-se comer crua em salada (os brotos tenros) ou cozinhada. 0 seu conteúdo em vitamina C resiste muito bem à cozedura. @ Sumo fresco: Um copo, tomado de manhã, constitui um excelente tónico. €) Infusão: 30 g por litro de água. Tomam-se de 3 a 5 chávenas por dia. O Extracto seco: 0,5 a 1 g por dia.

BROTOS TENROS (germinados) da luzema são muito ricos em cálcio (525 mg por 100 g, o triplo do que existe no leite), fósforo, provitamina A em forma de betacaroteno, vitaminas C, B e K, enzimas, aminoácidos essenciais e outros nutrientes, além de fibra vegetal. Por isso, a luzerna possui propriedades remineralizantes, tonificantes, de protecção contra v»s infecções e Uemostáticas IO.©.0.01. E especialmente indicada em caso de: • anomia por deficiências vitamínicas ou minerais; • raquitismo e desnutrição; • úlcera gastroduodenal; • dispepsia e fermentações intestinais, pela sua riqueza em enzimas; • prisão de ventre, pelo seu conteúdo em libra vegetal: • hemorragias nasais, gástricas c uterinas. Recordemos eme qualquer perda de sangue anormal deve ser objecto de consulta médica.

Outros nomes: alfalfa, meiga, meiga-dos-prados. Brasil: alfalfa-de-fior-roxa. Esp.: alfalfa, cadiilo de hierba, trebol de carretilla, mielga. Fr.: luzerne [cultivéej. tng.: lucern, tucerne, alfalfa. Habitat: Originária do Médio Oriente, cultiva-se hoje nas regiões temperadas de todo o mundo. Descrição: Planta forrageira da família das Leguminosas, que atinge de 30 a 80 cm de altura As suas flores são de cor azulada. O fruto ê um pequeno legume enrolado em forma de caracol. Partes utilizadas: toda a planta.

O

Germinados

As sementes de luzerna podem fazer-se germinar em casa, e comem-se os pequenos rebentos acabados de brotar (brotos ou germinados). Os germinados são especialmente ricos em vitaminas e minerais.

Nasturtium offWna/fe R. Br.

J

Agrião
Estimulante, depurativo e balsâmico

Outros nomes: agrião-de-água, agrião-das-fontes, mastruço-dos-rios.. Esp.: berro, berro de la fonte, mastuerzo de agua. Fr.: cresson [d'eau], cresson des fontaines. Ing.: [green] watereress. Habitat: Cria-se perto das nascentes e regatos de águas límpidas e frescas. Não gosta dos charcos e represas. Encontra-se espalhado por toda a Europa e América, onde se conhecem até cinco variedades diferentes.

Q

UE SAUDÁVEIS-e económicas- estas saladas preparadas no campo, ã base de verduras silvestres! O agrião combina perfeitamente com o dente-de-leão, as azedas e a urtiga. Para um dia cie campo, torna-se muito mais apropriado um prato assim, do que a sopa que sobrou, aquecida com o Fogareiro portátil, ou as sanduíches dr carne. Descrição: Ê uma planta rasteira, da família das Crucíferas, com folhas de cor verde intensa, e flores brancas, pequenas. O seu sabor faz lembrar a mostarda, ainda que menos picante. Parte utilizada: as folhas e os caules finos.

Mas, cuidado! Para poder desfrutar da natureza, são precisos alguns conhecimentos que os habitantes das cidades têm de adquirir. Por isso diz um velho ditado espanhol: "Tu, que colhes o agriào, tem cuidado com o napclo." O napeio ou acónico (pág. 148) também cresce junto das águas límpidas, e é uma das plantas mais venenosas que se conhecem. Felizmente, não v muito difícil distingui-lo do agrião. O ditado, na verdade, deveria dizer: "Tem cuidado com a rabaça", porque é esla planta tóxica (embora não

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
€) Sumo: Toma-se meio copo, adoçado com mel, a cada reteição.
USO EXTERNO

Precauções
As grávidas devem abster-se de comer agriões, pelo seu possível efeito abortivo. Não convém ingerir agriões em grandes quantidades, uma vez que podem fornar-se irritantes para o estômago. As plantas que já tiverem flores ou frutos deve ser rejeitada, pois tornam-se demasiado fortes.

O Crus: Se se tentar conservá-los, podem tornar-se tóxicos. Para uso culinário, quanto mais tenros e frescos estiverem os agriões, tanto melhor. É preciso lavá-los com muito cuidado antes de os comer, ou então pô-los de molho durante meia hora em água com sal, pois podem abrigar pequenas larvas que os contaminam.

©Cataplasmas: Prepara-se com 100 g de agriões frescos triturados num almofariz, se possível de madeira. Aplicam-se sobre as zonas afectadas, envoltas numa gaze. O Loções: Aplicar o sumo directamente sobre a pele.

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Os agriões tèm um notável efeito depurativo do sangue, e além disso sào tonificantes e aperitivos. É necessário ter-se a certeza de que a água onde se criam não está contaminada.

tanto como o acónito) que s<- costuma confundir com <> agrião, A rabina (A/iiioH nodijl&rum) é mais alia do que o agrião e tem folhas maiores e de um verde mais claro. Tem além disso as flores em umbela (ramalhete), e não apresenta um sabor ião agradável como o do agrião.
PuopRiKDAnr.s E INDICAÇÕES: O

agrião contém gluconasturtósido (um glicósido sulfurado), iodo clerro, assim como um princípio amargo e vitaminas A, G e I'.. As suas propriedades são: • Depurativo do sangue e diurético: Muito indicado nos casos de gota, artritismo, obesidade, e de alimentação rica em carnes e gorduras (O.O). • Tonificante: O agrião possui um suave eleito estimulante sobre todas as (unções do organismo IO.0I. Abre o apetite e aniva o metabolismo, pois fornece quantidades importantes das vitaminas A, C e E, além de minei ais como o ferio e o iodo. Isto loi na-o muito útil paia ajudar a vencer a astenia (debilidade) por deficiência vitamínica ou mineral. •Expectorante: Pelo seu conteúdo em óleos essenciais sulfurados, favorece a expectoração e descongestiona o aparelho respiratório IO.0). Os bronquíticos e enfisematosos podem beneficiar das suas propriedades. • Cicatrizante: As cataplasmas de agriões, aplicadas sobre feridas ou chagas de difícil cicatrização, facilitam a formação de pele nova l€)l. lambem regeneram a pele no caso de eczemas, acne e dermatosc 10.01. Aplicadas sobre o couro cabeludo, impedem a queda do cabelo 101.
271

Polygonum aviculare L

O)

f

Sempre-noiva
Estanca as hemorragias e cura as diarreias

D

lOSCORlDESt o grande médico e botânico grego do primeiro século cia nossa fia, já recomendava <> uso da sempre-noiva «para os que arrancam sangue vivo do j)ciu> e paia as que sofrem de menstruação excessiva». Devido ao seu efeito liemostático (capa/ de deterás hemorragias), os Romanos já a qualificavam fie "sanguinária", como ainda hoje continua a ser conhecida em diversos lugares. N > século passado, quando a tu< berculose causava estragos entre os habitantes das insalubres aglomerações urbanas, a sempre-noiva foi objecto de lucrativo negócio. Recomendava-se e vendia-se para combater a tuberculose, dado que, pelo sen efeito hemosfÁtico, travava as hemorragias bronquiais e pulmonares dos "tísicos". Triste exemplo dos erros a que pode levara fitoterapia mal utilizada! Pensou-se que, combatendo o sintoma (a hemorragia bronquial), se curaria a doença (a tuberculose pulmonar ou tísica). (lonhece-sc hoje a composição química e as verdadeiras propriedades da sempre-noiva e de muitas outras plantas, mas se os tratamentos com plantas medicinais (ou com lárinaeos) não se aplicarem correctamente, pode-se continuar A cair no erro de confundir o sintoma com a doença.
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Outros nomes: carrioJa-bastarda, centtnódia, erva-da-muda. erva-da-saúde, erva-das-galinhas, erva-dos-passarinhos, persicária-sempre-noiva, sanguinária, sempre-noiva-dos-modernos. Esp.: centinodia, lengua depájaro, hierba nudosa, sanguinária mayor. Fr.: renouée des oiseaux, persicaire des oiseaux. Ing.: knotgrass. Habitat: Comum nas beiras dos caminhos, alqueives e terrenos secos. Disseminada por todo o mundo. Descrição: Planta rasteira da lamilia das Poítgonáceas, que se estende desde a beira dos caminhos até atravessá-los (chama-se passa-caminhos em catalão). O seu caule é fino e tem muitos nós de onde nascem folhas alongadas e pequenas flores cor-de-rosa, púrpura ou brancas. Partes utilizadas: Toda a planta.

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
por dia, embora se possa ultrapassar esta dose sem perigo, já que a planta não tem efeitos tóxicos. © Pó: tomar de 2 a 5 g, três vezes ao dia.

O Decocção: 30-50 g de planta florida (que é quando faz mais efeito) por litro de água. Deixar ferver durante 10 minutos e coar; adoçar a gosto. Tomam-se 4 ou 5 chávenas

A acção hemostática da sempre-noiva contribui para reduzir as regras muito abundantes, sempre que não sejam devidas a alguma causa patológica. Igualmente, a decocção de sempre-noiva torna-se útil em caso de hemorragias digestivas ou respiratórias, após prévio exame médico.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A sem-

pronoiva contém taninos, llavonói-

des, silício, mucilagens e um óleo essencial. A sua acção hemostática, que favorece a coagulação do sangue, deve-se sobretudo ao seu grande conteúdo cm taninos, que lêm a propriedade de coagular as proteínas. Por outro lado, os ílavonóides aumentam a resistência das células que Formam as paredes dos vasos sanguíneos (em especial dos mais finos, os capilares), com o que se impedi- que o sangue continue a sair rio seu interior. O máximo eleito combinado de ambas as substâncias consegue-se sobre o tubo digestivo. Por tudo isto, a sempre-noiva torna-se apropriada de

uni modo especial nas inflamações acompanhadas de hemorragia, que se produzem nos intestinos e no estômago IO.0I: • Gastrcntcrite e disenteria (diarreias com sangue). O seu eleito nestes casos é muito notável, pois. além cie curar a diarreia, faz parara hemorragia. • Gastrites hemorrágicas e úlceras gastroduodenais sangrantes: Nestes casos, devido à gravidade que a hemorragia pode chegar a ler, só um medico qualificado pode prescrever o uso desta planta. A sempre-noiva também se torna útil noutros tipos de hemorragias: • Hemoptise ligeira (hemorragia

broncopulmonar que se manifesta pelo aparecimento de sangue juntamente com o escarro). Tcnha-se bem presente que a sempre-noiva, embora ajude a deter a hemorragia, não cura a doença que a causa (tuberculose, cancro, e l e ) . • Menstruação excessiva (regras muito abundantes). Antes de tomar a decocção de sempre-noiva, é necessário submeter-se a uni exame ginecológico. Pelo seu conteúdo em óleo essencial, juntamente com outros princípios activos, a sempre-noiva possui um suave eleito diurético (aumenta a produção de urina).
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Polygonum hydroplperl.

Pimenta-dágua
Detém as hemorragias e é cicatrizante

Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 15 g de planta fresca por litro de água, da qual se tomam 2 ou 3 chávenas por dia. © 0 pó das folhas secas usa-se com condimento. USO EXTERNO © Sumo fresco: Aplica-se, diluído com água, directamente sobre a pele, como loção, ou impregnando uma compressa.

A

S FOLHAS secas e trituradas desta planta utili/am-sc tomo sucedâneo da pimenta, sobretudo nas épocas evn que esta espécie escasseia. Dioscóridcs já a recomendava como revtilsiva, aplicada externamente.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Toda a planta contem um óleo essencial rico em terpenos, flavonóides (rutina) e laiiino. A sua propriedade mais importante é a hemos tá ti ca (detém as hemorragias), atribuída ao seu conteúdo em rutina. Por via interna, tem-se utilizado com êxito paia estancar hemorragias das vias respiratórias (hemoptises) eurinárias (hematúria).assim como para deter as regras demasiado abundantes I©.€>1. Tem também efeito diurético. Externamente pode aplicar-se sem riscos para curar feridas que sangrem ou estejam infectadas 181. Além de deter a hemorragia, é um excelente cicatrizante.

Outros nomes: acataia, catalã, cravina-d'água, erva-de-moura, persicária-mordaz, persicária-urente. Brasil: pimenta-aquática, potincoba, erva-de-bicho. Esp.: pimienta de agua, persicaria picante, resquemona, chileperro. Fr.: poivre d'eau, piment d'eau, persicaire {acre}. Ing.: [water] smartweed, water pepper. Habitat: Regiões temperadas e húmidas da Europa e da América do Norte. Descrição: Planta anual da família das Poligonáceas, que atinge de 30 a 80 cm de altura. 0 seu caule é de cor castanha, com os nós que caracterizam as Poligonáceas. As flores são pequenas, de cor esbranquiçada ou esverdeada. Partes utiJízadas: Todas as partes aéreas da planta fresca.

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Precauções

Não exceder as doses no uso interno, já que se torna irritante para o aparelho digestivo.

Rumex acetosa L.

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Azedas
Ricas em vitamina C e depurativas

Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão: 30 g de folhas por litro de água, à razão de 2-3 chávenas diárias. © Sumo fresco: um copo por dia. USO EXTERNO €) Loção de sumo fresco sobre a zona da pele afectada. ©Cataplasmas de folhas cozidas.

A

S FOI .1 IAS das azedas servem para temperar as saladas com o seu agradável sabor ácido. Para os antigos navegadores, porém, as azedas eram alguma coisa mais do que simples c saborosa verdura silvestre; procuravam-nas e apreciavam-nas pela sua propriedade antiescorhútica. Com efeito, sabe-sc hoje que contêm de 20 a 25 mg de vitamina C por cada 100 g (o limão contém 50 mg).
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: ioda a

Aleluia

planta contém I ,&% de oxalato de potássio, assim como ácido oxálico, gli(ósidos anlraquinónicos em pequena quantidade, vitamina C e sais de Ferro. Estas sãos as suas propriedades: • Aperitiva, refrescante, tonificante e antiescorbútica, pelo seu conteúdo em ácidos orgânicos e vitamina C. Facilita a digestão. Recomendável aos debilitados por doenças infecciosas c aos anémicos IO.0I. • Emoliente e cicatrizante em aplicação externa: Alivia o acne c a-* erupções cutâneas IOI. O seu sumo fresco limpa as úlceras da pele e as feridas infectadas 101.

A aleluia {Oxalis acetosella L.)', é uma planta vivaz e rasteira, semelhante na sua composição às azedas. As folhas contém bioxalato de potássio, ácido oxálico, vitamina C e mucilagens. São depurativas, diuréticas, febrífugas e refrescantes. A sua aplicação mais importante é como tisana refrescante em caso de doenças febris, ou corno depurativo para fazer uma cura primaveril. Emprega-se como verdura fresca, em saladas ou sopas, e em infusão (um punhado de folhas por litro de água). O seu uso requer as mesmas precauções que no caso das azedas. ' Esp.: aleluya, acederiila.

Precauções

Não exceder as doses indicadas. Se se comerem fervidas, aconselha-se deitar fora o caldo, pela grande quantidade de ácido oxálico que contém. Convém evitar o seu uso em caso de gota, artritismo ou litiase renal (cálculos no rim), devido ao seu elevado conteúdo em ácido oxálico.

Outros nomes: vinagreira, Brás. azedinha-da-horta. Esp.: acedera, agrida, vinagrera, acetosa, aíacamtnes, zarrampin. Fr.: [grande] oseille. Ing.: [common) sorrei. Habitat: Comum nos prados montanhosos de toda a Europa. Também se encontra nas regiões temperadas e irias do continente americano. A aleluia também aparece no Norte de Portugal, onde floresce na Páscoa. Descrição: Planta vivaz da família das Poligonáceas, que atinge de 20 a 70 cm de altura. As folhas são grandes, apresentando-se em forma de ponta de flecha. As flores, verdes ou amareladas, agrupam-se em espigas. Partes utilizadas: as (olhas e a raiz. 275

Splrulina máxima (Set.-Gard.) Geltler

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41 FJ A.
Preparação e emprego

Espirulina
Diminuta alga de grandes virtudes nutritivas e medicinais

USO INTERNO O Cápsulas de 400 mg a 1 g de pó de espirulina, é a forma habitual da sua apresentação. Tomam-se de 3 a 12 cápsulas diárias, repartidas em 3 tomas. Nas dietas de emagrecimento recomenda-se ingeri-las meia hora antes das refeições.

A

VARIEDADE mais comum de espirulina, a Sfrimlina máxima, é originária dos lagos salgados do planalto mexicano, como o Tolalcingo c o Texcoco. Na água destes lagos formam-se alias concentrações de bicarbonato de sódio e de outros sais potássicos e magnésicos, assim como de minerais como o selénío, que evitam a contaminação da água. Descobriu-se recentemente, em redor (lestes lagos mexicanos, uma extensa rede de canalizações de água construídas pelos Astecas há mais de 500 anos. dedicadas à cultura da espirulina. Aquele povo. seguindo a sabedoria popular, já usava a espirulina muito antes de esta ter podido ser identificada através do microscópio e de a química moderna ter descoberto a sua excepcional composição. A composição desie vegetal aquático tem sido objecto de surpreendentes investigações nos últimos anos, devido à sua riqueza nutritiva. Além de clorofila, como todas as algas, a espirulina contém: / Prótidos: E uma das fontes naturais mais ricas em proteínas (ate 70% do seu peso; a soja: 35%; a carne: 20%). As proteínas da espirulina são completas e de grande valor biológico,
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Obtenção

Da filtração da água dos lagos onde se cria esta alga, por pulverização e dessecação a 70°C obtém-se a forma habitual de consumo, com a qual se elaboram as cápsulas ou outros preparados. Os Astecas e os povos vizinhos dos lagos que a produzem, obtinham-na tradicionalmente por secagem ao sol.

Sinonímia científica: Spirulina geitleriG. de Toni Espécie atim: Spirrulina platensis (Nord) Geitler Outros nomes: Esp.: espirulina, alga espirulina. Fr.: spiruline. Ing.: spirulin. Habitat: Cresce espontaneamente em lagos de águas alcalinas no México, no Japão, na Tailândia e no Chade (África). É cultivada nos Estados Unidos. Descrição: Alga unicelular microscópica, da família das Cianofíceas (algas azuis), com a forma de uma espiral. Mede entre 0,1 e 0.3 mm. Partes utilizadas: a alga inteira.

276

pois contêm os oilo aminoácidos essenciais (aqueles que o organismo não pode sintetizar) numa proporção óptima, além dos restantes aminoácidos não essenciais. / Lípidos (8% do sen peso), na sua maior parle constituídos por ácidos gordos insaturados, como o ácido linoleico, o linolénico, e, especialmente, o gama-linolénico, A espirulina é um dos vegetais mais ricos nestas importantes substâncias de grande valor para o tratamento da arteriosclerose. / Glícidos ou hidratos de carbono (18%), entre os quais se evidencia um açúcar natural raro. a ramnose, que Favorece o metabolismo da glicose e tem um efeito Favorável sobre a diabetes. / Vitaminas A, do grupo B, K e II (biotina): V. notável o seu conteúdo em vitamina B12, superior mesmo ao rio ligado, o que torna a espirulina um alimento muito apreciado pelos que seguem uma dieta vegetariana estrita, ou seja, isenta até de ovos e produtos lácteos. Se bem que, na realidade, a vitamina Bis não se encontra na alga propriamente dita, mas num tipo de bactérias que habitualmente a acompanham. / Minerais e oligoelementos vários. E especialmente rica em Ferro: 53 mg por 100 g de parte comestível (a carne contém entre 2 e 3 mg por 100 g, e o ligado, 11 mg). Devido à sua grande riqueza nutritiva, a espirulina tem efeitos muito favoráveis em numerosos estados e afecções IO): • Dietas de emagrecimento: Devido ao seu escasso conteúdo calórico (300 calorias por 100 g) cm relação ao seu grande fornecimento proteico e vitamínico, a espirulina é um óptímo complemento paia as dietas de emagrecimento. O seu emprego ajuda a manter o equilíbrio nutritivo nas dietas Kipocalóricas, sem provocar debilidade ou esgotamento devido a carências. Além disso, a sua riqueza em Fenilalanina, aminoácido essencial presente em quantidades relativamente elevarias, contribui, segundo alguns investigadores, para reduzir a sensação de fome. • Doenças em que se requeira uma dieta estrita, como por exemplo a diabetes, a hepatite, ou a pancreatite, cm que existe o risco de se produzirem carências. • Anemia: Pelo seu grande conteúdo em ferro e em aminoácidos essenciais, Favorece a síntese de hemoglobina, constituinte essencial dos glé>bulos vermelhos. Muito recomendável durante a gravidez. • Estados de desnutrição, convalescença c esgotamento físico: Actua como tonificante c rcvilalizaule geral do organismo • Arteriosclerose e suas complicações: angina de peito, infarto do miocárdio e isquemia arterial (falta de irrigação sanguínea), que afecta sobretudo as pernas. A acção favorável da espirulina deve-se à sua riqueza em ácidos gordos insaturados, como os ácidos linoleico e gama-linolénico.
277 A espirulina é um bom complemento nutritivo para as pessoas da terceira idade, assim como em caso de desnutrição, anemia ou esgotamento, graças à sua grande riqueza em proteínas, vitaminas e minerais.

Urtice dioica L

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e £ M M
Preparação e emprego
Para tranquilizar os que receiem esta planta, deve dizer-se que, doze horas depois de ter sido arrancada, desaparece o seu efeito urticante e adquire uma consistência suave como de veludo. USO INTERNO O Sumo fresco: É a maneira de melhor aproveitar as suas propriedades medicinais, especialmente o seu efeito depurativo. Obtém-se espremendo as folhas ou passando-as por uma liquidificadora. Toma-se de meio a um copo de manhã, e outro tanto ao meio-dia. © Infusão com 50 g por litro de água, deixando infundir durante um quarto de hora. Ingerir 3 ou 4 chávenas diárias. USO EXTERNO © Loção: O sumo aplica-se sobre a pele afectada. O Compressas: Empapam-se com o sumo e aplicam-se sobre a zona afectada. Mudam-se 3 ou 4 vezes por dia. ©Tampão nasal: Empapa-se uma gaze no sumo de urtiga e introduz-se na fossa nasal.

Urtiga-maior
Uma planta que se defende... e que nos defende

E

UMA pena que tanta gente fuja da urtiga e até a considere uma erva daninha! Se soubessem

quantas virtudes encena esta planta

aparentemente agressiva!
A urtiga é uma das grandes estrelas

da fitoterapia. Os seus pelínhos peculiares tornam-na conhecida até de quem não veja. Por isso um dos nomes que lhe são atribuídos em espanhol é 'hierba de los ciegos' (erva-dos-cegos).
Dioscói ides já falava dela no século I d.C. E O seu comentarista, Andrés de Laguna, médico espanhol do século XVI, disse das folhas de urtiga, entre muitas outras coisas, que «podem excitar à luxúria», domo é possí-

O

Urtigações

Com um ramo de urtigas recém-cortadas, fustiga-se suavemente a pele sobre a articulação afectada pelo processo inflamatório ou reumático (joelho, ombro, etc.) Produz-se um efeito revulsivo que atrai o sangue para a pele, descongestionando ao mesmo tempo os tecidos internos.

Outros nomes: urtigào. Brasil: urtiga-mansa. Esp.: urtiga mayor, urtiga [verde), ortiga dioica. hierba dei ciego. Fr.: [grande] ortie, ortie dioique. Ing.: [great stingingj netlle. Habitat: Espalhada por todo o mundo, pretere os lugares húmidos próximos de zonas habitadas. Descrição: Planta vivaz da família das Urticaceas. que atinge de 0,5 a 1.5 m de altura. Tanto os caules, de secção quadrada, como as folhas, são cobertos de pelos urticantes. As suas flores, de cor verde, são muito pequenas. Partes utilizadas: Toda a planta, especialmente as folhas

278

Um bom alimento
A urtiga come-se crua em salada, em omeleta, em sopas, ou simplesmente cozida como qualquer outra verdura. Substitui perfeitamente os espinafres, com a vantagem de ter menos acidez. As urtigas são uma boa fonte de proteínas: frescas contém de 6 a 8 g por cada 100 g, e, secas, de 35 a 40 g (percentagem semelhante à da soja, que é um dos legumes mais ricos em proteínas).

p o r falta de ferro ou p o r p e r d a de s a n g u e IO.0I. O ferro e a clorofila q u e a b u n d a m na urtiga são estimulantes da p r o d u ç ã o de glóbulos vermelhos. A urtiga convém também nos casos de convalescença, d e s n u t r i ç ã o e e s g o t a m e n t o , pelo seu e l e i t o reconstituinte e tonificante. • V a s o c o n s t r i t o r a (contrai os vasos sanguíneos) e hemoslática (detém as hemorragias): Indicada especialmente nas hemorragias nasais 101 c uterinas IO.0I. Muito útil para as m u l h e r e s com menstruação a b u n d a n t e . Insistimos em que qualquer hemorragia anormal clcvt ser objecto de consulta médica. • Digestiva: Dá bons resultados nos transtornos da digestão devidos a atonia ou insuficiência dos órgãos digestivos 10.01. A urtiga contém pequenas q u a n t i d a d e s de secretina, uma horm o n a t a m b é m produzida por determinadas células do nosso intestino, a qual estimula a secreção do suco pancreático e a motilidade do estômago e da vesícula biliar. Isto explica que a urtiga facilite a digestão e melhore a assimilação dos alimentos. • A d s t r i n g e n t e : Tcm-sc usado t o m êxito para a c a l m a r as fortíssimas diarreias da cólera 101. E útil em todo o tipo de diarreias, colites ou disenterias. • Hipoglicemiante: As folhas de urtiga fazem baixar o nível de açúcar no sangue, o q u e se tem comprovado em n u m e r o s o s d o e n t e s IO,01. Embora n ã o possa substituir a insulina, permite d i m i n u i r as doses de medicação antidiabética. • Galactoga: Aumenta a secreção do leite das mães IO.0.OI. Torna-se por isso r e c o m e n d á v e l d u r a n t e a lactação. • Emoliente: Pelo seu efeito suavizante, recomenda-se nas afecções crónicas da p e l e , e s p e c i a l m e n t e os eczemas, as erupções e a acne 10,01. lambem se usa contra a queda do cabelo 101. Limpa, r e g e n e r a e embeleza a pele I0.OI. Obtêm-se melhores resultados se for tomada por via oral 101. além de aplicada localmente 279

As urtigas são m u i t o ricas em ferro, o qual, unido à clorofila que possuem, explica a sua acção antianémica.

vel q u e essas folhas urlicantes sejam Capazes de excitar o apetite sexual? Cila Messegué q u e ú poeta latino cio primeiro século cia nossa era, Caio P e t r ó n i o , r e c o m e n d a v a aos h o m e n s q u e quisessem a u m e n t a r a sua virilid a d e , q u e se açoitassem «com um r a m o de urtigas no baixo ventre e nas nádegas». A urtigação, ou seja, esfregar-se com urtigas frescas, já era praticada pelos antigos Gregos. Além do seu efeito sobre a sexualidade, concede excelentes benefícios aos reumáticos e artrósicos q u e t e n h a m a coragem de praticá-la.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : OS pe-

tal, cuja composição química é muito s e m e l h a n t e à da h e m o g l o b i n a q u e tinge de v e r m e l h o o nosso s a n g u e . São muito ricas em sais minerais, esp e c i a l m e n t e d e f e n o , fósforo, magnésio, cálcio e silício, q u e as t o r n a m diuréticas e depurativas. Contêm t a m b é m vitaminas A, C e K, ácido fórmico, t a n i n o e outras substâncias q u e ainda n ã o foram bem estudadas, q u e no seu conjunto t o r n a m a urtiga uma das plantas com mais aplicações medicinais: • Depurativa, diurética e alcalinizante: Indicada no caso de afecçê)es reumáticas, artritismo, gota, cálculos renais, areias na urina; e, em geral, semp r e q u e se precise de u m a acção depurativa e d i u r é t i c a IO.01. A urtiga tem u m a notável capacidade de alcalinizar o s a n g u e , facilitando a elimin a ç ã o dos r e s í d u o s ácidos d o metabolismo relacionados com todas estas afecções. O uso i n t e r n o da p l a n t a p o d e ser c o m b i n a d o com urtigações (ver q u a d r o informativo, pág. 278) sobre a articulação afectada. • A n t i a n é m i c a : Usa-se nas a n e m i a s

rinhos d a urtiga c o n t ê m h i s t a m i n a (1%) e acetileolina ( 0 , 2 % a 1%), substâncias q u e o nosso o r g a n i s m o também p r o d u z e q u e intervêm activ a m e n t e sobre os a p a r e l h o s circulatório e digestivo, c o m o transmissores dos impulsos nervosos do sistema vegetativo. Cerca de 10 mg destas substâncias são suficientes para provocar uma reacção cutânea. As folhas c o n t ê m a b u n d a n t e clorofila, o corante- verde do m u n d o vege-

PLANTAS PARA O APARELHO RESPIRATÓRIO
Si IÁRIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES

J
288 283 289 288 282 284
Grindélia 310 Grindélia-áspna 310 Guaiaco 311 Hera-terrestre 307 Hissopo 312 Inula-campana = Enula 313 Lingua-cervina 321 Líquen-da-islândia 300 Lírio 315 IJrio-Jlorentiiw 315 Marroio 316 Mirto = Murta 317 Morugem 334 Murta 317 Murta-Jolhuda 317 Mmgo-da-irkmda = Àlga-(tnl<tda 301 Papoila 318 Pé-de-gato = Antenária 297 Petasite 320 Pimpinela-magna 322 Pinheiro 323 Pinheiro-alvar = Abeto-branco . . .290 Poligala-da-virginia 327 Primavera 328 Prímula = Primavera 328 Pulmonária 331 Saboeira = Saponãtia 333 Saponária 333 Saxífraga 322 Seifão 338 Tanchagem 325 Teixo 336 Trevo-branco 340 Trevo-dos-prados 340 Tróculos-bra ticos = Verbasco 343 Tussilagem 341 Verbasco 343 Violeta 344

Antítússicas, plantas Asma Balsâmicas, plantas Broncodilatadoras, plantas Bronquite Enfisema pulmonar

Expectoração, sangue, ver Hemoptise .. 284 Expectorantes, plantas 286 Hemoptise 284 Mucolíiicas, plantas 289 Peitorais, plantas 285 Pneumonia 283 Pulmonia, ver Pneumonia 283 Sangue na expectoração, ver Hemoptise 284 Tosse 285 PLANTAS Abeto-branco 290 Abeto-do-canadá 291 Alcaçus 308 Alga-perlada 301 Antenária 297 Asclépia 298 Avenca 292 Cainito 302 Canadeaçúcar 332 Cebola 294 Cebola-ailumã 296 Cerejeiradavirgínia 330 Douradinha 299 Éfedra 303 Enula 313 Escolopendra = Eingua-cewina . .321 Eucalipto 304 Galeopse 306

280

A SAÚDE P E U S PLANTAS MEOICIMAIS
2 * Parle: D e s c r i ç ã o

I

^ • " " • v APARELHO respiratório é, posm • sivelmente, uin cios mais sensí• # v e i s á acção das plantas medici\ ^ , S nais. São muitas as formas de tratamento fitoterapia) que exercem uma acção benéfica sobre os órgãos da respiração. Por exemplo: • Infusões ou decocções quentes (pág. 56) de plantas peitorais: actuam em primeiro lugar localmente, quando passam junto da laringe e dos trechos superiores das vias respiratórias. Posteriormente, os seus princípios activos passam ao canal digestivo, e deste para o sangue, atingindo as células pulmonares e bronquiais. • Xaropes (pág. 61): Esta forma de preparação uliliza-sc tradicionalmente em caso de afecções respiratórias. Os açúcares, em geral, exercem uma acção balsâmica sobre os brônquios, notável sobretudo no caso do mel. O "ideal, portanto,
é prepará-los com mel, s e m p r e q u e isto

rapêuticos da água com os da planta Utilizada. * Banhos (pág. 65), cataplasmas (pág. 07) e fomentações (pág. 70) com plantas medicinais: São outras tantas formas eficientes de tratamento das afecções do aparelho respiratório. Todos os órgãos respiratórios são grandemente beneficiados com o emprego das plantas medicinais. A acção destas não se limita a neutralizar os sintomas da doença, mas exercem uma autêntica acção de limpeza do excesso de mucosidade depositada no interior dos canais respiratórios. Além disso, algumas plantas, como as chagas (pág. 772) ou o tomilho (pág. 709). contêm também substâncias antibióticas, que impedem a proliferação bacteriana na mucosidade retida. Todos os dias passam pelos pulmões cerca de mil litros de ar, o qual, normalmente, nas grandes cidades, contém fumos, micróbios e partículas contaminantes em suspensão. Os brônquios dispõem de um eficaz mecanismo de limpeza, estando revestidos interiormente por uma camada de muco, que agarra e arrasta para o exterior as partículas contaminantes e germes que entram com o ar. Em condições normais, este mecanismo chega para manter os brônquios limpos. No entanto, pela acção do tabaco, de outros fumos ou substâncias irritantes, de determinados germes patogénicos, ou de alguns maus hábitos respiratórios, o mecanismo de limpeza dos brônquios deixa de funcionar correctamente, e produz-sc a bronquite. As plantas medicinais podem então actuar, restabelecendo o bom funcionamento da mucosa bronquial, mas com a condição óbvia de que desapareça o factor causador da perturbação. De pouco serviria aplicar os melhores tratamentos fitoterápicos -ou de outro tipo-, continuando por outro lado a fumar ou a respirar o ar contaminado.

A papoila possui propriedades peitorais e sedativas.

seja possível. Os xaropes são especialmente indicados para as crianças, já que o seu sabor doce disfarça o possível mau gosto das plantas em dissolução. • Inalação de essências (pág. 95): A aromaterapia, ou seja, o emprego das essências ou óleos essenciais para fins curativos, constitui uma das grandes redescobertas da Fitoterapia moderna. A simples inalação de uma essência já exerce acções medicinais sobre o aparelho respiratório: anti-séplicas, broncodilatadoras (dilatam os brônquios) e mucolíticas (fluidificam as mucosidades bronquiais). Respirar o aroma do eucalipto, ou duma cebola crua partida em rodelas, acalma a tosse c desobstrui os brônquios. • Banhos de vapor com plantas (pág. 70): O vapor de água é um dos mucolíiicos mais eficientes que se conhecem. A inalação do vapor de água, á qual se podem juntar algumas gotas de essência para reforçar o eleito, combina os efeitos te-

281

y

/

Cap. 16: PLANTAS PARA O APARELHO RESPIRATÓRIO

Doença
BRONQUITE
É a inflamação da mucosa que reveste o interior dos brônquios. Tem normalmente uma causa infecciosa, situação que se agrava pela inalação de fumos irritantes, como o do tabaco. Dá com febre, tosse, dor ao tossir e, por vezes, dificuldade em respirar. Quando a doença se repete com uma certa frequência, fala-se de bronquite crónica. 0 tratamento fitoterápico consiste na ingestão e inalação, através de essências e banhos de vapor, de plantas com acção balsâmica (suavizantes das mucosas respiratórias), mucoliticas (que desfazem a mucosidade e facilitam a sua eliminação), expectorantes e antibióticas. Ver mais plantas com estas acções, nas tabelas correspondentes. Estas plantas exercem uma interessante acção preventiva de novas crises ou recaídas. A traqueite é a inflamação da traqueia, de onde partem os brônquios principais. 0 tratamenlo fitoterápico é o mesmo que o de bronquite, pois, na realidade, a traqueite é uma forma localizada de bronquite.

Planta
CENOURA TÍLIA HIDRASTE ALHO GIRASSOL CEBOLA ASCLÉPIA LÍQUEN-DA-ISLÂNDIA EUCALIPTO

Pág. Acção 133 as defesas: acção preventiva
Regenera as células das membranas mucosas Antibiótico, expectorante Balsâmico, expectorante Antibiótica, facilita a expulsão Fortalece as mucosas e aumenta

Uso
Crua ou em sumo Infusão de flores Infusão de raiz Cru Infusão de flores e caules tenros Crua, sumo fresco, xarope Decocção de raiz Decocção Infusão, essência, banho de vapor Infusão, maceração, extracto Infusão, essência Decocção, pó ou extracto de raiz Infusão Decocção de folhas e/ou raiz Decocção de folhas ou raiz, pó de raiz Infusão da planta seca Infusão de folhas e/ou flores, xarope Crus, sumo fresco Infusão de frutos Infusão ou decocção de flores e/ou folhas Bagas maduras, infusão, essência Cataplasmas com a farinha Infusão de sementes Infusão de flores e folhas Infusão, tintura Decocção de brotos tenros (gemas) e casca Infusão ou decocção de flores, folhas e frutos

169 Emoliente, antiespasmódica, sedante 207 230 236

294 da mucosidade, anti-infiamatória
298 300 304 308 312 Expectorante, sudorífica Peitoral, expectorante, antibiótico Anti-séptico, balsâmico, regenera a mucosa bronquial Favorece a expectoração, acalma a tosse, desinflama as vias respiratórias Mucolítico, expectorante, anti-séptico Fluidifica e desinfecta as secreções bronquiais Fluidifica as secreções, desinflama a mucosa bronquial Mucolítica e expectorante Fluidifica as secreções, acalma a tosse, desinflama as mucosas respiratórias

ALCAÇUS HISSOPO ÉNULA MARROIO

313 Facilita a expectoração, acalma a tosse

316
325 327 04.

TANCHAGEM

Descongestiona os brônquios, 344 acalma a tosse, suaviza as mucosas respiratórias 393 Mucolíticos, expectorantes, antibióticos

Facilita a eliminação das mucosidades 465 bronquiais, ajuda a superar as sequelas do tabaco s 511 Expectorante, antitússica 577 Expectorante, anti-séptico bronquial 663 700 ^ ' ' ' descongestiona os órgãos internos Expectorante
evu s va

7 J Q Abranda as secreções, desinflama as vias respiratórias 754
760

Acalma a tosse e favorece a expectoração Desinflama a mucosa bronquial e facilita a expectoração Fluidifica a mucosidade, descongestiona os brônquios, acalma a tosse

772

282

SAÚDE

PELAS PLANTAS

UEDICI

2 a Parte:

D e s c r i ç ã o

I

Doença
PNEUMONIA
É uma inflamação do tecido pulmonar, normalmente de causa infecciosa. 0 tratamento fitoterápico à base de infusões ou decocçôes de acção peitoral e antibiótica, inalação de essências, banhos de vapor com plantas, e cataplasmas de farinha de mostarda, é um complemento do tratamento anti-infeccioso especifico.

Planta

Pág. Acção
Estimula os centros nervosos da respiração, aumentando a sua frequência e profundidade

Uso
Pó de cânfora

CANFOREIRA

217

ABETO-BRANCO
ASCLÉPIA

290 Balsâmico, anti-séptico, expectorante 298 Expectorante, sudorífica, cardiotónica ^9R Fluidifica as secreções, 9*3 d e s j n ( | a m a a mUCOsa bronquial 327 341 Mucolítica e expectorante Fluidifica as secreções, acalma a tosse, desinflama as mucosas respiratórias Descongestiona os brônquios, acalma a tosse, suaviza as mucosas respiratórias Revulsiva, descongestiona os órgãos
internos

Banhos, fricções, banhos de vapor e inalações de essência de terebintina Decocção de raiz seca Decocção de folhas e/ou raiz Decoção de folhas ou raiz, pó de raiz Infusão da planta seca

Tauruífteu IANCHAGEM
POUGALA-DA-VIRGiNtA

TUSSILAGEM

VIOLETA

344

Infusão de folhas e/ou flores, xarope

MOSTARDA-NEGRA

fifio

Cataplasmas com a farinha Infusão de flores Infusão, maceração, pó de raiz

ASMA
É uma doença caracterizada por ataques de dificuldade respiratória, acompanhados de sibilos a cada respiração, tosse e sensação de opressão devida a um espasmo dos brônquios. Costuma ser de causa alérgica ou infecciosa. 0 tratamento fitoterápico baseia-se em plantas de acção antiespasmódica (para relaxar o espasmo bronquial), broncodilatadoras e expectorantes, como estas (ver também as tabelas específicas de cada uma destas acções). As plantas medicinais têm sobretudo uma acção preventiva de novos acessos ou recaídas.

TÍLIA

169 Emoliente, antiespasmódica, sedante

VALERIANA

172

Antiespasmódica e sedante, previne o espasmo bronquial Estimula os centros nervosos da respiração, aumentando a sua frequência e profundidade O bissulfureto de alilo, que lhe dá o seu cheiro, é expectorante e antiasmático Sedante, antiespasmódico Antibiótica, facilita a expulsão da mucosidade, anti-inflamatória

CANFOREIRA

217

Pó de cânfora

ALHO

230 265

Cru Infusão de folhas Crua, sumo fresco, xarope Preparados farmacêuticos Infusão, xarope Decocção, pó ou extracto de raiz Infusão de folhas e/ou rizoma Infusão de flores, extractos Lágrimas (grãos de goma) Infusão, sumo da planta fresca Infusão ou decocção de flores e/ou folhas Infusão

LIMOEIRO

CEBOLA

294

ÉFEDRA GRINDÈLIA

303 Relaxa a musculatura bronquial 310 Antiespasmódica e expectorante Facilita a expectoração, 313 tosse, antiespasmódica,acalma a antialérgica 320 Antiespasmódica, sedante, emoliente 343 Antiespasmódico, antitússico 359 Notável antiespasmódico e sedante

:NULA

PETASITE VERBASCO

ASSA-FÉTIDA
VERÓNICA

475 Previne as crises de asma, antitússica 511 561 Expectorante, antitússica Antiespasmódica, dilata os brônquios

MALVA

Grindèlia

BISNAGA

283

ap. 16: PLANTAS PARA O APARELHO RESPIRATÓRIO

Doença
ENFISEMA PULMONAR
É a dilatação exagerada e permanente dos alvéolos pulmonares. Aparece geralmente como consequência de repetidos acessos de bronquite. As plantas medicinais são um elemento adicional no tratamento desta doença, com uma acção sobretudo preventiva. Também são indicadas todas as plantas peitorais.

Planta

Pág

Acção
As suas essências sulfuradas favorecem a expectoração e descongestionam o aparelho respiratório

Uso

AGRIÃO

270

Cru ou em sumo

TUSSILAGEM

341 desinflama as mucosas respiratórias
Adstringente, hemostática, complemento do tratamento antituberculoso Aumenta a resistência das células dos vasos sanguíneos Hemostática pelo seu conteúdo em rutina

Acalma a tosse, dilata os brônquios,

Infusão

HEMOPTISE
É a emissão de sangue juntamente com a expectoração, procedente do aparelho respiratório. Deve ser sempre motivo de consulta médica especializada, para excluir qualquer tumorização ou uma tuberculose pulmonar, Uma vez diagnosticada a causa, podem-se administrar plantas hemostátícas como estas (ver mais algumas na pág. 262) para travar as hemorragias.

PERVINCA

244

Decocção de folhas

SEMPRE-NOIVA

272

Decocção, pó Infusão, pó de folhas

PlMENTA-D'ÁGUA

274

ClNCO-EM-RAMA

520 Adstringente, hemostática

Decocção de rizoma e raiz

Os bosques em geral, e os de coníferas em particular, sào lugares ideais para se fazer exercício físico, pois o ar está ali repleto das essências balsâmicas exaladas pelas árvores. O abeto (pág. 290) e o pinheiro (pág. 323), duas das espécies de coníferas mais frequentes, produzem uma essência m u i t o medicinal: a terebintina.

284

SAÚOE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S 2-' P a r l e : D e s c r i ç ã o

I

Doença
TOSSE
A tosse é, em muitos casos, um mecanismo defensivo do organismo para expulsar mucosidades ou corpos estranhos situados no interior da traqueia ou dos brônquios. Nestes casos a tosse é produtiva, e consegue arrancar mucosidades. Noutros casos, a tosse é seca e não produtiva, e é causada por um foco irritativo de origem infecciosa ou, mais raramente, tumoral. Estas plantas medicinais antitússicas conseguem acalmar a tosse por meio de vários mecanismos: descontraindo o espasmo da musculatura bronquial (acção antiespasmódica), amolecendo as mucosidades, o que facilita a sua expulsão (acção mucolitica), e produzindo sedação nervosa. Ver mais plantas antitússicas na tabela inferior desta mesma página e na tabela da página 288.

Planta
ALFACE-BRAVA-MAIOR TlLIA

Pág. Acção
, £« Sedante, acalma a tosse irritativa, útil na tosse convulsa 1 fiq Suavizante e antiespasmódica bronquial OQO Alivia a irritação nas vias respiratórias 292 5uperi ores. béquica 300 Emoliente, antibiótico 304. Anti-séptico e balsâmico, regenera as células mucosas danificadas 310 Antitússica, antiespasmódica 313 Facilita a expectoração, acalma a tosse 318 Vence a tosse pertinaz, sedante
338

Uso
Decocção de folhas, lactucário (látex), sumo fresco Infusão de flores «,»«. u , ™ . Infusão, xarope Decocção Infusão, essência, banho de vapor Infusão, xarope Decocção, pó, extracto, essência Pétalas cruas, infusão ou xarope de pétalas, decocção de frutos Infusão, essência Infusão da planta seca Condimento, infusão, essência Infusão, sumo fresco Infusão ou decocção de flores e/ou folhas Infusão, tintura Infusão, essência, vapores e inalações

,,_„., AVENCA
LÍQUEN-DA-ISLÂNDIA EUCALIPTO GRINDÉLIA ÉNULA PAPOILA

SERPÀO

Calmante da tosse, especialmente nas crianças pequenas
F l u i d i f i c a as secreções, acalma a tosse, desinflama as mucosas respiratórias Expectorante, antitússico

TUSSILAGEM
ORÉGÃO VERÓNICA MALVA RORELA TOMILHO

341 464

475 Antitússica, suaviza a garganta 511 Expectorante, antitússica 754 Alivia a tosse seca ou irritativa, antibiótica 769 Anti-séptico, antitússico, expectorante

Plantas peitorais
São aquelas que actuam favoravelmente sobre as afecções do aparelho respiratório em geral. São também peitorais todas as plantas antitússicas (pág. 288), broncodilatadoras (pág. 288), balsâmicas (pág. 289) e expectorantes (pág. 286).

As folhas e as flores da malva (pág. 511) são m u i t o ricas em mucilagens de acção emoliente (suavizante), expectorante e antitússica, além de laxante. Muito recomendável em catarros, gripes e bronquites, tanto para os adultos como para as crianças.

Planta Chá-de-novajersey Girassol Cebola Douradinha Líquen-da-islândia Papoila Cana-de-açúcar Nêveda-dos-gatos Rabanete e Rábano Cinoglossa

Pág.

191 236
294 299

300 318 332 367 393 703

285

C a p . 1 6 : P L A N T A S PARA O A P A R E L H O R E S P I R A T O I

V.

Plantas expectorantes
Facilitam a expulsão das sec reções mucosas da traqueia e dos brônquios. Actuam d minuindo a viscosidade do muco que, ficando mais íluido, se elimina com maior faci/idade. Desta forma, os exp ectorantes limpam os brònquios e acalmam a tosse.

Planta Saramago Alho Girassol Cipreste Agrião Abeto-branco Avenca Cebola Antenária Asclépia Líquen-da-islândia Algaperlada Eucalipto Galeopse Hera-terrestre Alcaçus Grindélia Hissopo Énula Lírio Marroio Papoila Petasite Lingua-cervina Saxífraga Pinheiro Tanchagem Polígala-da-virginia Primavera Cerejeira-da-virginia Pulmonária

Pág. 211 230 236 255 290 292 294 298 300 301 304 306 307 308 310 312 313 315 316 318 320 321 322 323 325 327 328 330 331

Planta Saponária Morugem Teixo Serpão Tussilagem Violeta Funcho Segurelha Trevo-cervino Polipódio Ananás Angélica Ásaro Ipecacuanha Poejo Orégão Anis-verde Verónica Malva Zimbro Buglossa Urucu Fisale Selo-de-salomão Sanicula Escabiosa-mordida Borragem Choupo-negro Chagas

Pág 333 334 336 338 340 341 344 360 369 374 388 392 425 426 432 438 461 464 465 475 511 577 696 700 721 723 725 731 746 760 772

270 i Trevo-dos-prados

297 I Manjerona

O lírio (foto superior, pág. 315), o eucalipto (foto central, pág. 304) e a tanchagem (foto inferior, pág. 325), são três plantas expectorantes muito apropriadas para limpar os brônquios de mucosidade e acalmar a tosse.

286

S/,.

A infusão peitoral das quatro flores
Aqueles que praticam exercício físico ao ar livre, como no caso do ciclismo, necessitam de ter os brônquios e pulmões em condições óptimas. As infusões de plantas medicinais peitorais, como esta das quatro flores, preparam o aparelho respiratório para cumprir a sua função ventiladora com o máximo de eficiência.

Tussilagem

A famosa infusão peitoral das quatro flores prepara-se com 10 gramas de cada uma das seguintes flores, por cada litro de água: tussilagem (pág. 341), papoila (pág. 318J. antenária (pág. 297) e malva (pág. 51TJ. Torna-se m u i t o eficiente em caso de catarro brônquico, bronquite, asma, e outras afecções broncopulmonares, devido à acertada combinação das respectivas acções medicinais das quatro plantas.

Papoila

Malva

'''S
287

C í p - 1 6 : P L A N T A S PARA O APARELHO R E S P I R A T Ó R I O

Além daquelas que se incluem na tabela correspondente à tosse, estas p/antas têm também acção antitússica, embora não como propriedade principal

Planta Chá-de-nova-jers Saramago Antenária Douradinha Alga-perlada Galeopse Alcaçus Tanchagem Primaver, Trevo-dos-prados Verbasco Violeta Polipódio

Plantas broncodilatadoras
Dilatam os brônquios, devido a relaxarem as fibras musculares que os envolvem. Têm utilidade no tratamento da asma brônquica.

Planta Éfedra Tussilagem Assa-fétida Bisnaga

288

A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
2 " Parte: D e s c r i ç ã o

Plantas balsâmicas
Contêm substâncias bafsàmícas (mistura de resinas, essências e óleos) de acção suavizante sobre o aparelho respiratório.

Planta Alfazema Cipreste Abeto-branco Cainito Eucalipto Guaiaco Pinheiro Manjerona Segurelha Copaiba Hipericão Fisale Choupo-negro Tomilho

Pãg.

161 255 290 302 304 311 323 369 374 571 714 721 760 769

Plantas mucolíticas

São as que dissolvem ou desfazem o muco, tornando-o mais fluido e, portanto, mais fácil de expulsar. As plantas expectorantes (pág. 286) também exercem acção mucolitica.

As fomentações (ver págs. 69-70) com uma infusão ou decocção de plantas medicinais exercem uma poderosa acção anti-inflamatória e descongestionante sobre o aparelho respiratório. Podem-se fazer com quaisquer das plantas peitorais ou balsâmicas que citamos. Em lugar de usar o líquido da infusão ou decocção de uma planta, também se pode usar a sua essência, acrescentando umas gotas à água. As essências de alfazema, eucalipto e tomilho são particularmente recomendáveis.

Planta Galeopse Hissopo Saxífraga Polígala-da-virgínia Primavera Chagas

Pág.

306 312 322 327 328 772

289

Abies alba Miller

%\ 1

Abeto-branco
Excelente para bronquíticos e reumáticos

A

ESTA magnífica árvore, bem poderia atribuir-sc o título de "decano dos bosques". Não só atrai a nossa atenção pelo seu porte grandioso e geométrico, mas também pela sua extraordinária longevidade, já que pode chegar a viver até 800 anos. Durante todo esse tempo, o abeto enche os bosques com o fresco aroma a terebintina, que tanto beneficia os bronquíticos e asmáticos que por eles passeiam. Actualmente, tende-se a substituir a terebintina do abeto pela do pinheiro, possivelmente porque esta se torna mais fácil de recolher. Embora as suas propriedades sejam muito semelhantes, a terebintina do abeto é possivelmente mais aromática, até, do que a do pinheiro. A resina do abeto, ou terebintina, acumula-se durante a Primavera, debaixo da casca e nas gemas. Quando se pratica uma incisão na casca, brota então com a fluidez de um óleo, cujo cheiro fa/ lembrar o do limão, mas de sabor amargo. Esta resina pode-se destilar, com o que se obtém a essência de terebintina ou aguarrás.

-GP Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão de 30-40 g de gemas por litro de água, de que se ingerem 3 ou 4 chávenas diárias. As gemas do abeto-branco são pegajosas por conterem muita terebintina, especialmente durante a Primavera. O Terebintina ou a sua essência: 3 a 5 gotas, três vezes ao dia.

Precauções
A inalação ou ingestão de doses excessivas de terebintina, ou da sua essência, pode produzir irritação do sistema nervoso central, especialmente nas crianças. USO EXTERNO © Terebintina ou a sua essência: aplica-se em forma de banhos (de grande alívio para reumáticos e asmáticos), Iricções, banhos de vapor ou inalações.

Sinonímia científica: Abies pectinata Lam. Outros nomes: abeto-pectinado, pinheiro-alvar. Esp.: abeto blanco, abete. Fr.: sapin blanc, sapin pectiné. Ing.: fir, silverfir. Habitat: Regiões montanhosas da Europa Central e Meridional. Na América existem espécies similares. Descrição: Árvore da família das Pináceas, que chega a atingir 50 m de altura. O seu tronco cresce aprumado, com uma casca lisa e acinzentada. Dá flores masculinas e femininas sobre a mesma árvore. Produz pinhas de uns 5 cm de grossura, que, à medida que amadurecem, vão libertando os pinhões e as escamas. O seu aroma faz lembrar o do limão; o seu sabor é um pouco acre. Partes utilizadas: as gemas e a resina (terebintina).

290

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

planta comem tanino, óleo essencial, TEREBINTINA e provitamina A. A terebintina é uma oleoi resina que, aplicada externamente, possui as seguintes propriedades: • Balsâmica, anti-séptica e expectorante. Por isso é muito indicada nas afecções das vias respiratórias: sinusite, traqueíie, bronquite, pneumonia e asma. Facilita a expulsão das mneosidades e regenera a mucosa que reveste as vias respiratórias 101. • Revulsiva (atrai o sangue para a pele e descongestiona os órgãos e tecidos internos), anti-rcumática e vul-

nerária (sara as feridas e as contusões). Alivia as dores reumáticas, a ciática, o lumbago e o torcicolo. Desinflama as articulações que tenham sofrido um entorse, assim como as contusões e dores musculares em geral. Limpa as feridas infectadas e as úlceras da pele 101. • Ingerida por via oral IO.0I, a terebintina do abeto, ou a sua essência, actuam de forma igualmente benéfica sobre os órgãos respiratórios. Além do mais, é diurética, anti-séptica urinária, e usa-se como preventivo da formação de cálculos e areias nas vias urinárias.

Na América do Norte cria-se o abeto-do-canadá (Abies balsamea Miller = Abies canadensis L),* de cuja resina se obtém o chamado bálsamo do Canadá. Este bálsamo possui as mesmas propriedades que as da terebintina do abeto branco, pelo que as suas aplicações medicinais são as mesmas. Além disso, o bálsamo do Canadá usa-se para facilitar os exames microscópicos de laboratório, pelas suas características ópticas especiais.
* Esp.: abeto dei Canadá.

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Adlantum capillusvenerisL

Avenca
Acalma a tosse e... fortalece o cabelo

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AO TE FAZ lembrar a Formosa cabeleira da deusa Vénus? -pergunta Lúcio Apuleio, chamado o Platónico, a um dos seus discípulos, enquanto observa uma avenca que cresce à volta de uma fonte romana. - E a minha deusa preferida - diz o aluno com ar de satisfação. E enquanto continua a falar e a sonhar com a beleza de Vénus, o mestre Apuleio, filósofo e botânico romano do século IV d.C, autor de um Herbarium, continua a contemplar a modesta planta. - Só vês o que tens diante dos oIhos. Assim nunca chegarás a ser um bom filósofo - repreende-o. - Mestre, vejo que tendes muita imaginação. Mas, que importância tem, que os longos e brilhantes raminhos desta humilde planta façam lembrar os cabelos de Vénus? - Olha, rapaz. Todas as plantas têm algum sinal que a Natureza pôs nelas, para que os humanos pudessem decifrar as suas virtudes. E uma doutrina sobre a qual estou a meditar. - Agora começo a compreender. Mestre Apuleio, procuremos um calvo e apliquemos-lhe um emplastro desla planta sobre a cabeça!

Outros nomes: capitaria, capilária-de-montpellier, avenca-de-montpellier. Brasil: avenca-cabelo-de-vénus. Esp.: culantrillo, culantrillo depozo, cabello de Vénus, capilera. Fr.: capillaire [de Montpellier). Ing.: Vénus hair, maidenhair fern. Habitat: Própria da Europa Meridional, embora também cresça em regiões temperadas do continente americano. Prefere os lugares húmidos, como as paredes dos poços, as fontes e as grutas. Descrição: Planta vivaz, da família das Polipodiáceas, que atinge de 10 a 40 cm de altura. Botanicamente, trata-se de um feto, cujos esporângios estão situados numa prega do bordo exterior das frondes (parte foliácea dos fetos). Os caules e os pecíolos (pezinhos que seguram as folhas) são finos, lisos e brilhantes. Têm um sabor ligeiramente doce. Partes utilizadas: Os caules finos; os pecíolos (pezinhos) e as frondes (folhas).

a
USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO © Cataplasmas com 100 g de planta esmagada, que se aplicam directamente sobre o couro cabeludo como se se tratasse de uma boina, cobrindo-as com uma gaze ou pano de algodão. Mantê-las colocadas durante meia hora cada dia. Para se conseguir que o cabelo volte a crescer, aplicar este tratamento diariamente, durante uma ou duas semanas. O Gargarejos com a mesma infusão que se usa internamente.

O Infusão: 30 g da parte aérea da planta, por cada litro de água. Adoçar com mel e tomar até 6 chávenas diárias. © Xarope: Decocção com 100 g da parte aérea da planta, num litro de água. Deixa-se ferver até que o líquido fique reduzido a uma terça parte. Coar então e acrescentar cerca de 250 g de mel. Toma-se às colheradas. Muito útil para acalmar a tosse rebelde das crianças.

Em infusão ou xarope, a avenca acalma a tosse provocada por irritação da g a r g a n t a , e favorece a expectoração. AJém disso, aplicada em cataplasmas sobre o couro cabeludo, fortalece o cabelo, evita a sua queda e, inclusivamente, fá-lo voltar a nascer.

este antigo e provado remédio. Porque não repetir a experiência do filósofo Lúcio Apuleio? Todas as partes da planta contêm mucilagem, tanino, açúcares e óleos essenciais. Ao longo da história, são muitas as propriedades que se lhe têm atribuído, mas mencionaremos apenas aquelas que puderam ser demonstradas e comprovadas:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

• Béquica (acalma a tosse e a irritação da garganta): A avenca está especialmente indicada nas tosses secas provocadas por irritação das vias aéreas superiores (faringe, laringe e traqueia) IO Ol. Podc-se administrar às crianças pequenas, quer só quer acompanhada de outras plantas béquicas (ver pág. 280). Aplicado localmente, em gargarejos, alivia a secura e irritação da garganta. lOl. • Emoliente e expectorante: Recomendada como tratamento de apoio nas bronquites agudas e crónicas IO.0). • Antiespasmódica uterina: Alivia as menstruações dolorosas (dismenorreia) e regulariza a menstruação (efeito emenagogo) [Ol. • Fortalece o cabelo, evita a sua queda e, nalguns casos, fá-lo voltar a nascer

A experiência deu seguramente resultado e, lenda ou história, em várias línguas modernas, alguns dos nomes vulgares desta planta lembram-nos a Vénus e a sua cabeleira. E foi assim

que, durante muitos séculos, a avenca foi um dos remédios mais utilizados para fortalecer e fazer crescer o cabelo. Actualmente, os champôs e preparados cosméticos deixaram de lado

Allium cepa L

o:

k

m

Preparação e emprego
USO INTERNO

Cebola
Ideal para bronquíticos, artríticos e reumáticos

O Crua: Sempre que se possa, e que o estômago o tolere (convém acostumá-lo com doses progressivas), deve-se comer a cebola crua, pois é como produz maior efeito. Geralmente, come-se cortada ou ralada em salada (com azeite e limão). A dose terapêutica mínima recomendável é de uma cebola média diária, e, a máxima, segundo a tolerância. © Sumo fresco obtido com uma liquidificadora, misturado com limão, com mel ou com sumo de cenoura ou tomate, e tomado às colheradas. Toma-se meio copo, duas ou três vezes por dia. €) Cebola cozida ou assada: Perde completamente a acidez e o ardor, pelo que é muito bem tolerada por todos os estômagos, ainda que à custa da perda de uma percentagem dos princípios activos, e sobretudo de uma redução do seu efeito antibiótico. No entanto, assim, tem a vantagem de poder ser comida em maior quantidade sem rejeição. Se as cebolas forem cozidas em água, deve-se beber o caldo, que é muito rico em princípios activos. A dose mínima recomendável, no caso das cebolas cozidas ou assadas, é de duas ou três cebolas por dia, juntamente com o seu caldo.

Q

UEM minta chorou por ter tido de enfrentar uma cebola! Segundo Andrés de Laguna, médico espanhol do século XVI, as mulheres da sua época usavam-na, dizia ele, «quando, não conseguindo chorar, querem provocar umas lagrima/.inhas para enternecer os seus asnos [leia-se maridos]». Também usavam a cebola as carpideiras profissionais que eram contratadas para "fazer ambiente" nos funerais, com os seus prantos. De certeza que nem umas nem outras tinham conhecimento das maravilhosas propriedades deste lacrimogéneo vegetal. Os antigos médicos caldeus, egípcios, gregos e romanos, esses sim, conheciam-nas bem e utilizavam bastante a cebola como planta medicinal. "Contigo, pão e cebola." Trata-se de um ditado espanhol atribuído aos amantes, fazendo alusão à aparente simplicidade e humildade deste bolbo comestível. No entanto, a moderna investigação bioquímica descobriu nela extraordinárias propriedades medicinais: A cebola é antibiótica, antidiabética, afrodisíaca (apesar do seu cheiro), e até preventiva do cancro intestinal. Não é sem razão que é um dos elementos fundamentais da saudável "dieta mediterrânica", tanto crua, em saladas, como nos mais diversos pratos cozinhados, sempre temperada, naturalmente, com bom azeite de oliveira.
294

K/J&
Outros nomes: Esp.: cebolla. Fr.: oignon. Ing.: onion. Habitat: Planta originária da Pérsia e do Médio Oriente, que se encontra cultivada em todo o mundo. Descrição: Planta vivaz bolbosa, da família das Liliâceas. que chega a atingir um metro de altura. Durante o seu primeiro ano forma o bolbo, e no segundo desenvolve o caule, floresce e frutifica. Partes utilizadas: o bolbo.

O Xarope de cebola: Ver página seguinte.
USO EXTERNO

© Sumo fresco: Aplica-se sobre a pele em loção ou empapando compressas. O Cataplasmas de cebola cozida: Ideais para fazer amadurecer os abcessos e furúnculos. Também dá muito resultado aplicar directamente as cascas grossas da cebola cozida, quentes, sobre a pele. O Gargarejos com o caldo em que se cozeram as cebolas.

Aplicadas directamente sobre a pele, as placas carnudas da cebola cozida suavizam e embelezam. São muito recomendáveis em caso de acne.

Comer uma cebola por dia é garantia de saúde. E, ainda que para prepará-la tenhamos de chorar um pouco, a longo prazo far-nos-á rir de felicidade. Toda a planta contém uma essência volátil rica em glicósidos sulfurados, dos quais o mais importante é o bissullureto de alilpropilo. E a esta essência que se deve a maior parte das suas propriedades. Contém igualmente abundantes enzimas (fermentos), de acção dinamizadora sobre a digestão e o metabolismo; oligoelementos (enxofre, ferro, potássio, magnésio, flúor, cilicio, manganésio e fósforo); vitaminas (A, complexo B, C, E); flavonóides de acção diurética; e uma hormona vegetal de acção antidiabética, a glicoquinina.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

O xarope de cebola torna-se m u i t o útil contra as afecções respiratórias. Prepara-se cozendo várias cebolas cortadas às rodelas com um pouco de água e bastante mel ou açúcar (de preferência escuro). Formar uma pasta homogénea e tomar às colheradas.

As virtudes salutíferas e curativas da cebola são semelhantes às do alho (pág. 230), o qual, em vez do bissulfureto de alilpropilo, contém um composto semelhante, o bissulfureto de alilo. As propriedades da cebola são as seguintes:

• Antibiótica: O sumo da cebola crua compoi ta-se como um autêntico antibiótico, com actividade comprovada contra diversas bactérias que habitualmente causam infecções na pele, entre as quais o estalllococo dourado. Por isso se usa para curar feridas e furúnculos, abcessos, queimaduras (evita que se infectem e acelera a sua cicatrização), gretas da pele e acne. Em lodos estes casos aplica-.se esmagada em forma de cataplasma (01, ou então o sumo fresco em loção ou em compressas 101. Para fazer amadurecer os abcessos, pode-se aplicar também uma cataplasma quente de cebola co/ida ou assada 101. • Expectorante e peitoral: Pela sua acção antibiótica, mneolítica (facilita a expulsão da mucosidade, tornando-a mais fluida) anli-inflamatória, torna-se um remédio ideal no caso de afecções respiratórias: catarros das vias respiratórias, sinusite, laringite, bronquite, tosse, asma brônquica, enfisema pulmonar. O xarope de cebola com mel é uma forma tradicional de administrá-la nestes casos 101. Os gargarejos com caldo de cebola 101 desinflamam a faringe e são muito úteis no caso de amigdalite (anginas). • Hipotensora, diurética, depurativa: Muito recomendável para os hipertensos, os obesos, os reumáticos, os artríticos e os gotosos, assim como para os doentes renais IO,0,0). Apropriada também nos casos de nefrose e albuminúria, retenção de líquidos, areias e cálculos urinários. Alcaliniza notavelmente o pH (reduz a acidez) da mina, com o que favorece a eliminação do ácido úrico e de outros resíduos tóxicos do metabolismo. • Fluidificante do sangue: A cebola é muito recomendável para aqueles que sofrem de trombose (tendência para a formação de trombos ou coágulos no sangue), fazendo que o sangue seja mais fluido e que circule melhor IÕ,0.©1. Isto deve-se a que, como foi possível comprovar (revista Preveni ivr Medecine, vol. 16, pág. 670), a cebola contém substâncias fibrinolíticas, que desfazem os coágulos sanguíneos e impedem que se formem em excesso. Também está demonstrado que a cebola actua como um
296

antiagregante plaquetário, impedindo a tendência excessiva de as plaquetas sanguíneas se agruparem formando trombos ou coágulos. • Vermífuga: Eficaz contra os ascarídeos (lombrigas) e os oxiúros (pequenos vermes brancos que causam ardência no ânus das crianças). Neste caso tem de ser comida crua IO.01. • Hipoglicemiante: Pela acção da glicoquinina, faz descer o nível de glicose no sangue IO.0,01. Como complemento no tratamento da diabetes, permite reduzir a dose de insulina ou de fármacos antidiabéticos. • Tonificante digestiva e geral do organismo: Aumenta todas as secreções digestivas (gástrica, intestinal, pancreática), com o que melhora a digestão dos alimentos IO.0,01. Por isso mesmo, não convém aos que sofram de hiperacideze.de úlcera gastroduodenal cm fase de actividade. Estimula a função metabólica e desintoxicadora do fígado, pelo que se torna altamente recomendável aos que sofram de alguma doença do fígado: hepatite

crónica, doença gorda do fígado, cirrose e insuficiência hepática. Pela sua acção antibiótica e anti-séptica, regula a flora intestinal, travando os processos de putrefacção em que se libertam substâncias tóxicas muito irritantes, como o indol e o e.scatol. Estas substâncias relacionam-se com o aparecimento de cancros no cólon e no recto. Daí o efeito preventivo da cebola contra o cancro intestinal. A acção tonificante geral deve-se ao seu conteúdo em enzimas, que activam o metabolismo e que estimulam a produção de sangue (efeito antianémico), fornecendo ferro e oligoelementos. O efeito afrodisíaco que se lhe atribui, supõe-se que seja devido â revitalização geral que produz. • Cosmética: Aplicada externamente, estimula o crescimento do cabelo; suaviza e embeleza a pele; limpa as peles sujas, com borbulhas e acne (0,01. Para obter um resultado mais imenso, recomenda-se combinai a aplicação externa com o uso interno.

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Cebola-albarrã
A cebola-albarrã (Urginea marítima { L } Baker)* é uma espécie de cebola brava que cresce nas regiões costeiras da Europa, e que chama a atenção porque o seu bolbo não está completamente enterrado, como o da cebola comum. É também conhecida pelos nomes vulgares de cila-marítima, cebola-marinha, albarrã-ordinária e alvarrã-branca. A cebola-albarrã contém uns glicósidos chamados cilarenos, de acção cardiotónica muito semelhante à da dedaleira (pág, 221). Antigamente era usada como alternativa aos tratamentos digitálicos, em doses de 0,5 a 0,7 g de bolbo triturado, por dia. Doses elevadas provocam náuseas, vómitos, arritmias, e até paragem cardíaca. Por isso é considerada uma planta tóxica, que, naturalmente, tem de ser usada sempre sob vigilância médica. * Esp.: cebolla albarrana, escila, cebolla chirle, cebolla de grajo. Fr.: scille officinale. Ing.: seal squill.

Antonnaria dloica Gaertn.

IQl

S J _
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 30-40 g de capítulos florais fêmeas, secos, por litro de água, da qual se tomam 3 ou 4 chávenas diárias, adoçadas com mel. USO EXTERNO O Gargarejos de 5 a 10 minutos, 3 vezes por dia, com a mesma infusão que se usa internamente, procurando não engolir o líquido.

Antena ria
Peitoral e colagoga

T

AMBÉM conhecida como "pé-de-gato", toda esta planta evoca a suavidade desse animal. As suas dores Fazem lembrar a almofadinha que encobre as garras do dito felino. E usada desde o século XVIII. Durante algum tempo, atribuíram-se-lhe propriedades anticaiicerosas e curativas da tuberculose, que não puderam ser demonstradas. Toda a planta, mas especialmente os capítulos florais fêmeas, contém mucilagem, a que se deve a sua acção béquica (alivia a irritação da garganta), expectorante e anti-inflamatória sobre as vias respiratórias. Na sua composição também encontramos Havonóides, a que se atribuem as suas propriedades coIagogas (facilita o esvaziamento da vesícula biliar).
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

A sua principal aplicação são as afecções respiratórias IO.01: faringite e laringite (alivia a ardência e irritação da garganta), tosse seca c catarros brônquicos (abranda a mucosidade e facilita a expectoração). O idea é combinar o uso interno (infusões) com o externo (gargarejos). Também se pode usar nas disquinesias biliares (vesícula preguiçosa ou atóntea) lOl, em combinação com outras plantas activas sobre as vias biliares.

Sinonímia cientifica: Gnaphalium dioicum L. Outros nomes: pé-de-gato, gnafálio. Esp.: pie de gato, pata de gato, [hierba] sanguinária, nafalio, antenaría dioica. Fr.: pied de chat, gnaphale. Ing.: cafs foot, mountain everlasting. Habitat: Difundida peios prados de montanha de toda a Europa. Também se encontra na costa ocidental da América do Norte. Descrição: Planta vivaz dióica, da família das Compostas, que mede de 5 a 20 cm de altura. As folhas são pubescentes e brancas na página inferior, e formam uma roseta basal. Os capítulos florais das plantas masculinas são brancos, e os das femininas, rosados. Partes utilizadas: os capítulos florais fêmeas (rosados) secos.

29

Ascfeplas tvberosaL

I J U
Preparação e emprego
USO EXTERNO O Decocção de uma colherada de raiz seca e triturada por cada chávena de água. Tomar uma ou duas chávenas diárias.

Asclépia
Um expectorante muito usado na América do Norte

V5*
y Diversas asclépias
O género Asclépias inclui, além da Asclépias tuberosa L, diversas espécies próprias do continente americano, entre as quais, pelo seu emprego em fitoterapia, há que assinalar as seguintes: • Asclépias curassavica L, chamada (em castelhano) 'bencerueco', 'platanillo' e 'flor de calentura'. • Asclépias incarnata L: 0 seu nome vulgar mais conhecido no México e em toda a América Central é 'algodoncillo' (algodãozinho) e deve-se ao facto de a sua casca proporcionar uma fibra têxtil. A raiz e o rizoma destas duas espécies apresentam propriedades e utilizações medicinais semelhantes às da Asclépias tuberosa L. • Asclépias speciosa Torr., Asclépias syriaca L: cultivam-se para comer como verdura e para fabricar chiclete (goma de mascar) com o seu látex.

E

STA plaina, que produz uma .seiva branca, foi muito utilizada contra as doenças respiratórias na América do Norte, onde os indígenas, que lhe deram o nome de 'raiz-da-pleurisia', a têm utilizado com êxito desde os tempos mais remotos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O prin-

cípio activo mais importante desta planta é a asclepiadina, um ghcósido semelhante ao da dedaleira (pág. 221). Também contém óleo essencial, resina, amido, inucilagcm e tanino. A raiz. da planta possui um acentuado eleito expectorante e sudorífico. Associando-ct a outros tratamentos, obtém-se com esta planta bons resultados nos casos de catarro brônquico, bronquite aguda e crónica, e pneumonia IO).

5

Precauções

As folhas e o caule podem produzir intoxicações se forem ingeridos frescos, devido a conterem um glicósido tóxico que desaparece com a secagem.

Outros nomes: Esp.: asclepsias, raiz de la pleuresia. Fr.: asclépiade. Ing.: butterfly [milkjweed. pleurisy root. Habitat: Planta originária da América do Norte. onde se cria em solos secos arenosos. Na Europa, cultivam-se algumas espécies similares como plantas ornamentais. Descrição: Planta da família das Asclepiadáceas, cujo caule atinge facilmente um metro de altura. As folhas acham-se dispostas em espiral, ao longo do seu caule erecto. As flores são de cor alaranjada ou amarela, e agrupam-se em umbelas na extremidade do caule. Partes utilizadas: a raiz seca.

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Ceterach offíclnarum Lam.

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Preparação e emprego

Douradinha
Antitússica e diurética
USO INTERNO O Decocção com 30 g de frondes por litro de água. Deixa-se ferver durante 15 minutos e tomam-se até 5 chávenas por dia. No caso de afecções Dronco-pulmonares, toma-se bem quente e adoçada com mel.

D

LOSCÔRIDES já mencionou esta planta no século I d . C , com o nome de scolopendrio, devido á semelhança das folhas com a escolopendra, pequeno réptil que também abunda nos muros velhos e no meio das tochas. Galeno chamou-lhe Splenio, porque acreditava que ela podia reduzir o volume do baço (splen em grego). É utilizada desde tempos muito antigos e, embora não seja uma plaina que se distinga pelas suas propriedades, continua a ser útil ainda na actualidade.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: ("on-

tem tanino e ácidos orgânicos. Desde há muito tempo que se utiliza com bons resultados contra a Losse das bronquites agudas e catarros brônquicos, pois tem propriedades béquicas, peitorais e antitússicas 101, Não é tão activa como a avenca (pág. 2Í)'2), um outro feto. Também é diurética e sudorífica. Proporciona uma certa acção anti-inflamatória sobre as vias urinárias, pelo que se torna útil nos casos de cistite e de cólica renal 101.

Outros nomes: ceteraque. Esp.: doradilla, ceteraque, fiorde pedra. Fr.: cétérach officinal, doradille. Ing.: rusty back. Habitat: Cria-se em muros e penhascos da Europa Ocidental. Aclimatada na América. Descrição: Feto vivaz da família das Polipodiáceas, que forma pequenos tufos de 20 a 25 cm de altura. As frondes (parte foliácea dos fetos) são divididas em lóbulos e cobertas por escamas douradas na página inferior. A raiz é fibrosa e de cor negra. Partes utilizadas: as frondes (folhas do feto).

295

Cetmria IslandbaL

mM

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Líquen-da-

-isfãndia
Remédio do Norte contra as constipações

O

S LÍQUENES, que não dispõem de folhas nem de raízes, são um perfeito exemplo de sobrevivência. Adaptanv-se ao frio
rigoroso e à extrema secura, e podem passar mais de um ano em eslado de

vida latente.
Os lapões do Norte da Escandinávia utilizam esie líquen desde tempos antiquíssimos. O grande botânico sueco Lineu recomendava-o como medicinal no século XVIII. Contém ácido cetrárico, de forte sabor amargo, que o tornam aperitivo e tonificante; grande quantidade de mucilagem, que explica a sua acção emoliente (suavi/ante); e antibióticos como o ácido úsnico, que se mostraram activos in vitro perante as microbaclérias responsáveis pela tuberculose.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: musgo-amargo, musgo-da-islândia, musgo-islândico. Esp.: líquen de Islândia, musgo de Islândia. Fr.: mousse d'lslande. Ing.: Iceland moss. Habitat: Bosques de coníferas e terrenos montanhosos de solos ácidos do Norte da Europa e América. Em Portugal é raro, mas pode encontrar-se na serra da Estrela. Descrição: Líquen de 5 a 10 cm de comprimento, da família das Cetrariáceas, que se caracteriza pelo seu talo castanho claro, profundamente dividido em lóbulos desiguais. Partes utilizadas: o talo (corpo do líquen) seco.

U> Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção com 10-20 g por litro de água durante dois minutos. Para eliminar o seu sabor amargo, mudar a água e voltar a ferver em 1,51 de água, até que fique reduzida a um litro. Tomar 3 ou 4 chávenas por dia, quentes e adoçadas com mel.

As suas propriedades e indicações
ÍOI são as seguintes: • Peitoral, expectorante c antitíissico: Na bronquite, c atarros, asma, traqueíte e laringite, dá excelentes resultados. • Antituberculoso: Rccomcnda-se como complemento no tratamento da tuberculose pulmonar. • Antiemético: Ajuda a deter os vómitos da gravidez.
300

A decocção do liquen-da-islãndia é muito rica em mucilagens de acção expectorante.

Chondms crispas Lyngb.

>J PJ ~3 3

Alga-perlada
Um poderoso emoliente

Outros nomes: botelho-crespo, musgo-branco. musgo-da-irlanda, carragaheen. Esp.: musgo de Irlanda, carragen, líquen de mar. Fr.: carragaheen. Ing.: Irish moss. Habitat: Vive nas rochas submarinas do Atlântico Europeu, desde a Irlanda até ao Sul da península Ibérica. Descrição: Apesar de também ser conhecida como musgo, trata-se botanicamente de uma alga vermelha (rodófita) da família das Gigartinàceas, cujo talo mede de 5 a 15 cm de altura. A cor varia do vermelho ao castanho escuro, quando fresca, até ao esbranquiçado, depois de seca. Partes utilizadas: o talo (toda a alga).

E

STA ALGA começou a ser usada na Irlanda em meados do século passado e, desde essa altura, têm aumentado as suas aplicações medicinais. O (alo é de consistência cartilaginosa (Chondms = cartilagem, em latim), devido à grande quantidade de mucilagem que contém.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Além de 80% de mucilagem, o talo contém iodo, provitamina D e sais minerais. O seu princípio activo mais importante é a mucilagem, que lhe confere propriedades emolientes, expectorantes e laxantes.

-CP Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção de 10 g de alga por litro de água. Faz-se ferver d u rante 5 minutos. Bebem-se dois ou três copos por dia.

^H

O seu uso é indicado nos casos de bronquite e catarros, pois facilita a expectoração, alivia a tosse e desinllama as vias respiratórias. Indicado também cm caso de gastrite e de inflamação intestinal por colite ou prisão de ventre crónica IOI. Usa-se abundantemente na indústria alimentar, pelo seu efeito gelatinizante.

A alga-perlada é uma alga de intensa acção suavizante sobre as mucosas respiratórias.

301

Chrysophyllum caimito L

m

Cainito
Um fruto saboroso e medicinal

O

CAINITO é uma das árvores mais vistosas da América tropical. O seu írtiio é refrescante e de um sabor muito agradável. Não é, pois, estranho que se procurem nele propriedades medicinais, que de lacto as tem, ainda que até agora não teimam sido confirmadas cientificamente. A sabedoria popular tem nestes casos a palavra. A polpa dos FRUTOS contém 15 g efe glícidos (hidratos de carbono) por cada 100 g de parte comestível, 2 g de lípidos (gordura), e 1 g de prótidos; além de sais minerais e pequenas quantidades de vitamina A, B e C. Os frutos são adstringentes, e servem particularmente aos viajantes atacados de diarreias, lacto frequente nos trópicos M».
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: cainiti, caniquié. Brasil: caimito. Esp.: caimito [morado], caimo, maduraverde. teta de burra. Fr.: caimitier, caimite. Ing.: caimito, Habitat: Oriundo das Antilhas. Encontra-se nas zonas tropicais do México e da América Central.starapple.

-LC Preparação e emprego
USO INTERNO O Frutos: podem comer-se à vontade. © Decocção de casca e folhas, à razão de 30-50 g por litro de água. Tomam-se de 3 a 5 chávenas quentes por dia. Descrição: Arvore da íamiiia das Sapotáceas, que pode atingir os 15 m de altura, frequentemente cultivada como ornamental, pelo seu belo aspecto. As folhas têm uma penugem sedosa e de cor dourada na página superior. O fruto é redondo, de uns 10 cm de diâmetro. Partes utilizadas: Os frutos, as folhas e a casca.

Segundo a tradição, as FOLHAS, aplicadas pela sua lace inferior sobre as chagas, fazem-nas supurar e depois cicatrizar, aplicadas pela lace superior sobre as feridas, detêm a hemorragia. A CASCA da árvore, as FOLHAS e também a CASCA th) fruto, têm efeito balsâmico (suavizam as mucosas respiratórias) e febrífugo, pelo que se utilizam nos casos de bronquite e constipações l©l.
302

Ephedra dísíachya L

vi

U U -J
Preparação e emprego

Efedra
Antiasmática e antialérgica
USO INTERNO O Preparados farmacêuticos: gotas, comprimidos, supositórios.

A

ÉFEDRA é talvez a planta medicinal utilizada há mais tempo. Na terapêutica chinesa, é conhecida pelo nome cie ma-huang e sabe-se que já era utilizada pelo imperador Chen-Nung, vários milénios antes de Cristo. A medicina ocidental só veio a descobri-la no século XIX; e foi em 1926 que o seu princípio activo, a efedrina, .se sintetizou pela primeira vez nos Laboratórios Merck, da Alemanha. Desde então, faz parte de numerosos prepa ra dos farma cêu ticos. Toda a planta contém efedrina, um alcalóide muno activo sobre o sistema vegetativo, assim como taninos, saponina, 0avonas e um óleo essencial. A efedrina actua de modo semelhante ao da adrenalina, estimulando o sistema nervoso simpático (acção simpaticotnimética). Eleva a pressão arterial, produz taquicardia, relaxamento da musculatura bronquial, tnidríase (dilatação da pupila) e aumento da sudação e das secreções salivar e gástrica.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Precauções

Trata-se de uma planta tóxica, ainda que não mate. Só o médico tem competência para prescrever correctamente esta planta, devido às complexas acções que ela tem sobre o organismo.

A aplicação clínica mais importante da éfedra é a asma brônquica, pelo seu eleito broncodilaiador, assim como as reacções alérgicas (urticária, lebre dos fenos, e t c ) , devido a neutralizar os sintomas da alergia IO!.

Outros nomes: Brasil: morango-do-campo, cipó-da -amia areia. Esp.: efedra, belcho, uva de mar. Fr.: ephèdre. Ing.: desert te a, Mórmon tea, ephedra. Habitat: Dunas secas, terras áridas e pedregais, tanto na costa como no interior. Originária da Ásia Central, embora se tenha naturalizado em regiões secas da Europa e da América. Descrição: Pequeno arbusto vivaz, da família das Eíedraceas, que pode ter até 25 cm de altura. Os ramos são muito finos, e nos seus nós crescem as flores, de cor amarela. O fruto é vermelho cor de vinho. Partes utilizadas: os caules.

303

ucatyptus gfobuh x/ft/sLabill.

a

LI

oi

J

Preparação e emprego

Eucalipto
Muito eficaz contra as afecções bronquiais
USO INTERNO O Infusão: Prepara-se com duas folhas grandes por cada chávena de água (20-30 g por litro). Deixam-se infundir durante 10 minutos, com o recipiente tapado. Administram-se 3 chávenas diárias, adoçadas com mel. @ Essência: Administram-se de 4 a 10 gotas, repartidas ao longo do dia. USO EXTERNO €> Banho de vapor, ao peito e à cabeça, como se descreve na página seguinte.

P

OR MEADOS do século XIX, o eucalipto Foi introduzido na Europa e na América, procedente da Austrália c da Tasmânia, países onde chega a atingir mais de 100 m de altura. E uma das árvores mais altas que se conhecem. Existem exemplares que chegam a medir IRO metros. O eucalipto cresce rapidamente e absorve uma grande quantidade de água do solo. Daí o seu emprego para drenar terrenos pantanosos e evitar assim que o mosquito anófele, transmissor do paludismo, crie as suas larvas e se reproduza. No entanto, esta bela árvore Cobra um tributo nos terrenos onde se planta: acidifica o solo e não deixa crescer outras plantas à sua volta.

5

Precauções

Não convém ultrapassar as doses recomendadas de eucalipto por via interna (em infusão de folhas ou essência). Em grandes doses, a essência pode provocar gastrenterite e hematúria (sangue na urina). Nas doses recomendadas é completamente destituído destes efeitos secundários.

Outros nomes: (popular) calipse, calipes. Esp.: eucalipto [azul, blanco], alcanfor, gigante, ocalo, ocalito. Fr.: eucaiyptus. Ing.: eucalyptus, blue gum (tree). Habitat: Cultivado e naturalizado em regiões de clima temperado, da Europa e da América. Prefere os terrenos húmidos e pantanosos. Descrição. Árvore de grande altura. Na Europa vêem-se exemplares de até 30 m de altura, mas na Austrália, de onde é originário, assim como na América, não é muito raro encontrarem-se eucaliptos de 100 m. Pertence à família das Mirtáceas. O sewtronco é liso, de cor clara, e as folhas são perenes, em forma de lança. Partes utilizadas: as folhas e o carvão da sua madeira.

304

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS suas FOLHAS contêm canino, resina, ácidos

gordos c, sobretudo, essência, na qual se encontram os seus princípios activos. Esta essência contém cineol ou eucaliptol, hidrocarbonetos terpénicos, pineno e álcoois alifaiicos e sesquiterpénicos. A ela se devem as suas
propriedades expectorantes, balsâmicas, anti-sépticas, broncodilatadoras e ligeiramente febrífugas e sudoríficas. O eucalipto é indicado em iodas as afecções das vias respiratórias, especialmente nos catarros bronquiais, na asma e nas b r o n q u i t e s agudas e crónicas tO.Ô.Ôl. Pela sua acção anii-sépiica e balsâmica (anti-inllamaiória) sobre a mucosa b r o n q u i a l , colabora na regene-

ração das células danificadas, facilita a expulsão da mucosidade e acalma a tosse. O eucalipto é uma das plantas mais eficazes q u e se conhecem, para as afecções bronquiais e pulmonares. O CARVÃO da madeira de eucalipto é um remédio muito apreciado em dois casos concretos: • Intoxicações acidentais p o r venenos, a l i m e n t o s em mau estado, fungos (cogumelos) venenosos, cie. Actua c o m o um a n t í d o t o universal. • Colite, d i a r r e i a , disbacteriose ou f e r m e n t a ç õ e s intestinais: absorve as

toxinas intestinais produzidas pelos
g e r m e s p a i o g é n i c o s . Os seus efeitos

são espectaculares.

o
Banhos de vapor

Diversas e eficazes aplicações do eucalipto

Os banhos de vapor são a melhor forma de aproveitar todas as propriedades do eucalipto. Numa panela com água a ferver, deita-se um punhado de folhas de eucalipto, ou então 4 a 6 gotas de essência, por litro de água. O doente senta-se numa cadeira, coberto por um lençol ou uma toalha grande, com o tórax nu, e coloca a cabeça por cima da panela, de forma que o vapor lhe chegue ao peito e à cabeça. O banho deve durar entre 5e10 minutos, e aplica-se 3 ou 4 vezes por dia. 0 vapor, juntamente com a essência de eucalipto volatilizada, actua de duas maneiras: • Directamente sobre a pele do peito, facilitando a eliminação de toxinas pela pele e descongestionando os pulmões. • Por inalação dentro dos brônquios. Além disso, à acção anti-séptica, balsâmica e expectorante da essência de eucalipto, acrescenta-se o efeito mucolítico do vapor de água, que desfaz o muco bronquial e facilita assim a sua eliminação.

-se nas farmácias, em pó, ou então em forma de comprimidos ou cápsulas. Também se pode misturar o carvão de eucalipto em pó com azeite, até formar uma mistura de consistência cremosa. Este é um remédio tradicional muito eficaz para limpar o tubo digestivo em caso de indigestão, diarreia, fermentação ou desarranjo intestinal. Com o carvão vegetal, conseguiram-se resultados surpreendentes em caso de halitose rebelde (mau hálito) devida a fermentações digestivas. Para combatê-la, tomar de uma a 3 colheradas, 15 a 20 minutos antes das refeições.

Carvão de madeira
O carvão vegetal possui numerosas acções medicinais, devido especialmente ao seu notável poder de adsorção (ver "Glossário"). Tanto ingerido, como aplicado sobre a pele, tem uma grande capacidade de reter toxinas e micróbios, assim como os líquidos que se formam nos processos inflamatórios. Convém que o carvão de eucalipto esteja reduzido a um pó bem fino, para que a sua acção se torne mais eficaz. Podem-se ingerir de 5 a 6 g dissolvidos em água, 4a6 vezes por dia. Em caso de emergência, também se pode mastigar directamente um troço de carvão. Vende-

Essência contra a tosse
Dissolver 2 colheradas de mel em meio copo de água, e juntar 2 ou 3 gotas de essência de eucalipto. Tomá-la em caso de tosse causada por faringite ou laringite (infecção da garganta), traqueite, bronquite ou catarro brônquico. Pode-se tomar até 4 ou 5 copos por dia. Para as crianças, é suficiente 2 ou 3 copos por dia.

305

Gaíeopsis dubfaleers

hl A
Preparação e emprego

Galeopse
USO INTERNO

Expectorante e antianémica

O Infusão de 20-30 g de planta seca por litro de água. Tomar 1 ou 2 chávenas diárias.

D

IFUNDIDAS pela Europa e América, existem várias espécies de galeopse, tendo iodas em comum as suas flores bilabiadas, que lembram a boca de uma doninha {gale, em grego). No século XIX, quando a tuberculose fazia estragos nas aglomerações urbanas, a galeopse adquiriu lama de planta aniiluberculosa. Hoje sabemos que dá resultado como planta peitoral, mas não tem efeito curativo sobre essa doença. Toda a planta é muito rica em silício, e contém também saponinas e taninos. Possui as seguintes propriedades: • Mneolítica e expectorante: Facilita a dissolução e expulsão do muco bronquial. O seu uso é indicado nos catarros bronquiais para aliviara congestão dos brônquios e a tosse. •Antianémica: A galeopse utili/.ou-se com êxito para aumentara produção de glóbulos vermelhos, possivelmente devido a fazer aumentar a absorção de ferro. • Antidcgeneraliva: Devido ao seu conteúdo em silício, é indicada nas rugas e estrias da pele, e nos casos de artrose, osteoporose e arteriosclerose; iodos eles processos em que existe degenerescência das libras do tecido conjuntivo.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: 306

As infusões de galeopse combatem os catarros bronquiais, a anemia e a artrose, pelo que são muitas as mulheres que benificiam do seu uso.

Sinonímia científica: Gaíeopsis tetrahitL. Outros nomes: Esp.: gaíeopsis, galeópside, hierba santa, ortiga real. Fr,: gaíeopsis, ortie royale. Ing.: hemp [dead] nettle. Habitat: Terrenos siliciosos e perto das plantações de cereais da Europa Central e Meridional. Naturalizada no continente americano. Descrição: Planta anual, da família das Labiadas, que atinge de 15 a 70 cm de altura. O caule e as folhas são pubescentes, e as flores são amarelas ou rosadas, com cálice pungente. Partes utilizadas: a planta inteira, seca.

Glechoma hederaceal.

Heraterrestre
Expectorante e vulnerária

Habitat: Terrenos húmidos, prados e bosques claros da Europa e América.

A

I IERA-TERRESTRE tem sido

utilizada c o m o planta medicinal d e s d e a idade Média. Santa H i l d e g a r d a , a b a d e s s a b e n e d i t i n a

Espontânea na parte norte de Portugal (Trãs-os-Montes, Minho e Beiras). Descrição: Planta vivaz, da família das Labiadas, que produz caules rasteiros. Os ramos podem atingir 25 cm de altura. As flores sâo de cor violeta, rosa ou branca. Partes utilizadas: As sumidades floridas.

alemã do século XVII, já a recomendava contra as afecções pulmonares.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

O
USO INTERNO

Preparação e emprego

planta contém um princípio amargo,
colinas, ácidos fenólicos e tanino. Possui p r o p r i e d a d e s expeclorantes e peitorais. O seu uso p o r via interna é adeq u a d o nos casos de catarros brônquicos e b r o n q u i t e crónica, para facilitar a expulsão de secreções e descongestionar o a p a r e l h o respiratório 10,01. Também dá bons resultados na asma brônquica. Externamente, usa-se c o m o vulnerária, para o t r a t a m e n t o de feridas e hemorróidas l©l.
30

O Infusão com 20-30 g de sumidades floridas por litro de água, da qual se tomam 3-4 chávenas diárias, quentes e adoçadas com mel. © Sumo fresco da planta: uma colherada, 3 vezes ao dia.
USO EXTERNO

€) Compressas com uma decocção feita à razão de 60 g de planta por litro de água, que se aplicam sobre feridas e hemorróidas.

Glycyntiíza glabraL

4. I9J KÉ
Preparação e emprego

Alcaçuz
m

USO INTERNO

Peitoral e digestivo por excelência

O Infusão: 50 g de raiz seca por litro de água, que não deve chegar a ferver (basta que esteja tépida); senão, fica com um sabor muito forte. Tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia. © Maceração: Deixar, durante uma noite, uns 40 ou 50 g de raiz triturada, num litro de água fria. Na manhã seguinte, filtra-se e tomam-se 3 a 6 chávenas diárias. © Extracto: É de cor negra e chupa-se em pedacinhos. Não recomendamos o uso habitual de extracto de alcaçuz adoçado com açúcar; é preferível o puro (sem açúcap), que se pode combinar com extractos de outras plantas como a hortelã ou o anis.
USO EXTERNO

V

OU "fumar" um charutinho de alcaçuz—comenta um rapazito

à saída da escola. - O l h a ! Ali na esquina há um h o mem q u e v e n d e - exclama um companheiro.

Usa-se a mesma infusão que para o uso interno, em: O compressas sobre a pele, © lavagens oculares, © bochechos.

E, colocando e n t r e os d e d o s aquele cilindro amarelo de rasca castanha, leva-o à boca para chupá-lo, dando-se um cerro ar de importância, e n q u a n to se deleita com o especial sabor da raí/.-doce (Cilyryn/iiza, do grego: gfykys, d o c e , e riza, raiz). Esta cena repete-se com frequência à saída de muitos colégios dos países do Sul da Europa. Bom costume esse de chupai raiz de alcaçuz., em vez de fiimar. Mas, ai! q u e m sabe se n ã o virá a q u e l e rapazito a trocai o " c h a r u t i n h o " d e alcaçuz pelos v e r d a d e i r o s charutos ou cigarros... E é possível até que, com o t e m p o , queira deixar de fumar. Então, talvez, algum c o n h e c e dor das virtudes do alcaçuz, lhe diga: - Lembras-te d a q u e l e s "charutin h o s " d e alcaçuz c o m q u e nos deliciávamos à saída da escola? Pois e n t ã o volta a chupá-los, p o r q u e te ajudarão a deixar de fumar e a reparar, no teu organismo, os prejuízos causados pelo tabaco. 308

Outros nomes: regaliz, regaliza, regoliz, raiz-doce, pau-doce. Brasil: alcaçuz-da-europa, madeira-doce. Esp.: regaliz, paloduz. paloluz, paio dulce, ororuz [común), alcaçuz, alfender, regalicia, regaliza. Fr.: réglisse. Ing.: licorice (root), sweet wood. Habitat: Originário dos países mediterrâneos e do Próximo Oriente, onde procura as terras húmidas e argilosas. A sua cultura estendeu-se às regiões temperadas da América. Encontra-se em Portugal na Beira, na Estremadura e no litoral do Alentejo. Descrição: Planta herbácea que atinge até 1,5 m de altura, pertencente à família das Leguminosas (subfamília das Papilonáceas). As folhas são constituídas por 7 a 17 folíolos elípticos. Dá flores azul-violeta e frutos em vagem de cerca de 2 cm. Da sua raiz principal saem abundantes e longos rizomas da espessura de um dedo. Partes utilizadas: A raiz e o rizoma.

Precauções
O aicaçus contém pequenas quantidades de uma substância esferóide que estimula as glândulas supra-renais. Por isso, quando tomado em grandes quantidades ou durante muito tempo (mais de três meses seguidos), pode produzir sintomas de hiperaldosteronismo: retenção de líquidos (edemas) nas articulações (principalmente tornozelos) ou na cara, enjoos e dor de cabeça, cãibras musculares e hipertensão arterial. Estes efeitos secundários devem-se à diminuição do nível de potássio no sangue e ao aumento do sódio, e desaparecem rapidamente quando se suprime o tratamento. O consumo prolongado de aicaçus é desaconselhado em caso de hipertensão arterial, gravidez, ou quando se sigam tratamentos à base de corticóides.

Efectivamente, o alcaçuz é um bom antídoto contra o tabaco, cm parte devido à suas grandes propriedades peitorais e digestivas. Dizia Dioscórides no século I d.C: «O seu sumo é bom para as asperezas da cana dos pulmões (...) e serve também contra os ardores do estômago.» O alcaçuz Já vem oferecendo há mais de 2000 anos as suas excelentes virtudes medicinais aos seres humanos, sejam ou não fumadores. Actualmente, entra na composição de diversos preparados farmacêuticos. Contém vários grupos de substâncias activas: / Saponinas triterpénicas, principalmente glicirrízina, que, ao contrário da maioria das saponinas, não tem poder hemolítico. Estas saponinas dão-lhe propriedades expectoranies, antítússicas, anti-inilamaiórias e emolientes.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

•Afecções respiratórias: bronquite, tosse, catarros brônquicos, faringite, laringite, rouquidão e traqueítc IO,©l. Facilita a expectoração, acalma a tosse e desinflama as vias respiratórias. Além disso, apresenta uma acção antibiótica contra as bactérias patogénicas mais comuns dos brônquios. Usa-se ainda em caso de tuberculose, como tratamento complementar. • Afecções digestivas (©,©,©!: Tem uma notável acção sobre o estômago: acalma a acidez e faz desaparecer rapidamente a sensação de enfartamento ou peso no estômago. Usa-se com bons resultados em todo o tipo de dispepsias, meteorismo (gases e arrotos), dores de estômago, cólicas intestinais e biliares, e gastrite. • Ulcera gastroduodenal: Km 1950, verificou-sc experimentalmente que esta raiz. doce era capaz de cicatrizai" as úlceras do estômago e do duodeno, do que podem testemunhar muitos ulcerosos curados graças e ela IO,0. ©I. Constatou-se que o alcaçuz, forma uma película protectora sobre a mucosa do estômago, protegendo-a assim da acção corrosiva do suco gástrico, o que permite a sua rápida cicatrização. Hoje, o extracto de alcaçuz é constituinte indispensável de diversos medicamentos antiulcerosos. • Tabagismo: Nas curas de desintoxi-

•?• • . • • - ' v : '

O aicaçus é uma pJanta herbácea que cresce em terrenos húmidos. A sua raiz contém princípios activos expectorantes e cicatrizantes das úlceras gastroduodenais.

cação do tabaco, dá muito bons resultados; pois, além de contribuii para a regeneração rias mucosas respiratórias e digestivas, o seu agradável sabor ajuda a vencei o desejo de fumar l©). • Afecções ginecológicas: Pela sua acção antiespasmódica, emprega-se para acalmar as dores menstruais IO. 9,01. • Afecções cutâneas, oculares e bucais: Km uso externo, emprega-se em caso de eczemas, psoríasc, impeligo e outras dermatites I©1; assim como para lavagens oculares em caso de conjuntivite (01, e paia bochechos contra a estomatite 101.
309

/ Flavonóides, especialmente liquiritina, e pequenas quantidades de atropina; a que deve as suas propriedades anliespasmódicas, antibióticas, digestivas e cicatrizantes. / Vitamina do grupo B, açúcares e resinas. As suas aplicações mais importantes são as seguintes:

Gríndelia robusta Nutt.

O

J J

Preparação e emprego

Grindélia
Acalma a tosse... e o coração
USO INTERNO

O Infusão com uma colher de sobremesa de sumidades floridas por chávena de água. O habitual é que os adultos tomem 3 chávenas diárias, e se dê metade da dose às crianças pequenas. © Xarope: Costuma preparar-se na farmácia com 5% de extracto fluido. Tomam-se 2-3 colheradas por dia.

P

ROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Contém fenóis e flavonóides, que lhe dão uma acção anti espasmódica; e também saponinas, que explicam a sua acção expectorante. A resina é formada por ácidos diterpénicos, entre os quais si- destaca o ácido grindélico, de acção antitússica, antiespasmódica e bradicardizante
(torna <> ri Uno cardíaco mais lento). O sen uso é por isso indicado paia o seguinte IO.QI: • Asma brônquica: Pelo seu efeito anliespasmódico e e x p e c t o r a n t e . • Bronquite aguda e catarros brônquicos: Suaviza as mucosas respiratórias c facilita a sua r e g e n e r a ç ã o . • Tosse convulsa e tosse brônquica rebelde: Pelo seu efeito antilússico.

Precauções

Em grandes doses, tem efeitos tóxicos e pode chegar a provocar paragem cardíaca.

• Arritmias cardíacas, especialmente
as taquicardias. Outros nomes: No Brasil: girassol-silvestre, malmequer-do-campo. Esp.: grindélia {robusta}, hierba de la goma, planta de la goma. Fr.: grindélia. Ing.: [shorej grindélia, [broad] gum plant. Habitat: Originária da costa ocidental norteamericana. Cria-se em terrenos salitrosos e marismas. Frequente na Califórnia. Descrição: Planta vivaz de cerca de 80 cm de altura, da família das Compostas, cujos capítulos se assemelham aos de uma bonina. O caule e as folhas estão impregnados de uma resina pegajosa. Exala um aroma balsâmico e tem um sabor um tanto amargo. Partes utilizadas: as sumidades floridas.

f

«Af*

Grindélia-áspera
Além da robusta, existe uma outra espécie de Grindélia com as mesmas propriedades medicinais: a grindélia-áspera (Grindélia squarrosa Pursc.).* Ambas são oriundas da costa do Pacífico da América do Norte, mas as suas interessantes propriedades levaram a que, actualmente, tanto uma como outra se possam encontrar em muitas ervanárias, fora dos Estados Unidos. * Esp.: grindélia áspera.

310

GuaJacum offíclnaíe L

Guaiaco
Balsâmico e depurativo

A

MADEIRA desia bela árvore, aromática, cor de limão e muito dura, chamou a atenção dos primeiros espanhóis que viajaram até ao continente americano. A partir do século XVI, começou-se a exportá-la para a Europa, onde era conhecida como a "madeira da vida". Até fins do século XIX, considerava-se que era capaz de curar a tuberculose e alé mesmo a sífilis. Hoje conhecemos as suas verdadeiras propriedades.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A ma-

deira do guaiaco ressuma uma resina cujo princípio activo mais importante é o guaiacol ou gaiacol. Contém, além disso, saponinas, goma e um óleo essencial. Estes componentes conlcrem-Ihe as seguintes propriedades IO.01: • Balsâmica e expectorante, indicado em todo o tipo de afecções respiratórias. • Diurética, sudorífica e depurativa: Usa-se em caso de reumatismo, artritismo e gota. pois actua eliminando do sangue o ácido e outras substâncias residuais. Também convém aos hipertensos e arteriosclerosos, pelo seu efeito depurativo. Continua a usar-se popularmente na América Central, contra a sífilis, apesar de ;i sua eficácia jic.s.se sentido não ter podido ser demonstrada.

Outros nomes: gaiaco. % Esp.: guayaco, guayaçán [verdadero]. Fr.: gáiac. Ing.: guaiac, lignum vitae tree. Habitat: Oriundo da América Central, encontra-se especialmente no Sul do México, Antilhas, Colômbia e Venezuela. Descrição: Árvore de tolha perene, da família das Zigoliláceas, que atinge até 10 m de altura. A sua madeira é muito escura, pesada e resinosa. As folhas são compostas, por 4 a 28 foliolos, e as flores pequenas e de cor azulada. Partes utilizadas: a madeira triturada e a resina.

Preparação e emprego

USO INTERNO O Decocçao com 50 g de madeira triturada, por litro de água. Deixar ferver durante 10 minutos, e tomar de 3 a 5 chávenas diárias. © Preparados farmacêuticos, elaborados à base da sua resina e do seu princípio activo, o gaiacol.

Hvssopus *

â. IH 14
Preparação e emprego

Hissopo
Mucolítico e expectorante

USO INTERNO

E

MBORA na Bíblia se m e n c i o n e 0 MssopO c o m o s í m b o l o de pureza, é possível q u e se trate de outra espécie, pois aquela q u e actualm e n t e c o n h e c e m o s c o m esle n o m e n ã o se cria na Palestina. Dioscórides Cala desta planta, q u e foi s e m p r e muito apreciada devido às suas n u m e r o sas virtudes.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : AS To-

O Infusão com 50-60 g por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas diárias, quentes, adoçando-as com mel em caso de afecções bronquiais. €> Essência: Ingerem-se 1-3 gotas, 3 vezes ao dia.
USO EXTERNO

€) Lavagens com uma infusão igual à que é utilizada internamente. O Gargarejos com esta mesma infusão.

lhas e s u m i d a d e s do hissopo c o n t ê m um princípio a m a r g o , a niarrubiina, q u e desenvolve uma acção mucolítica (amolece as secreções bronquiais) e e x p e c t o r a n t e ; u m a essência aromática q u e estimula as secreções digestivas e tem t a m b é m acção anti-séptica; assim c o m o diversos c o m p o s t o s flavonóides e tanino. A sua principal indicação são os catarros brônquicos, a b r o n q u i t e crónica e a asma. Fluidifica a mucosidade, i m p e d e q u e se infecte, c favorece a sua e x p u l s ã o . T a m b é m se usa c o m o carminativo (elimina os gases do apar e l h o digestivo) e c o m o digestivo e vermífugo (expulsa os parasitas intestinais) IO.OI. Aplicado externamente, é um b o m vulnerário ( c u r a as feridas e contusões) 101. Os gargarejos com água de hissopo d ã o b o n s resultados nas amigdalites IOI.

&

Precauções
Não se deve ultrapassar as doses da essência, já que uma ingestão de doses elevadas pode provocar convulsões.

Outros nomes: hissopo-das-farmácias, erva-sagrada. Brasil: alfazema-de-cabocio. Esp.: hisopo, hierba sagrada, rabo de gato, rabillo de gato. Fr.: hysope [officinale). Ing.: hyssop. Habitat: Oriundo dos países mediterrâneos e cultivado como planta ornamental em jardins da Europa e da América. Pode-se encontrar em estado silvestre, mas actualmente é raro acontecer. Cresce nas encostas secas e expostas ao sol. Descrição: Pequeno arbusto de 30 a 60 cm de altura, da família das Labiadas, com flores de cor azul ou violeta dispostas ao longo de uma espiga terminal. Partes utilizadas: as folhas e as sumidades doridas.

312

Inula helenium L

«*.

«

Preparação e emprego

Enula
Antitússica e antibiótica
USO INTERNO

O Decocção: 40-50 g de raiz, seca e cortada em pequenas rodelas, por litro de água. Deve deixarse ferver em lume brando durante 15 minutos. Tomam-se 4-5 chávenas diárias, adoçadas com mel, repartidas ao longo do dia. © Pó ou extracto seco: Administram-se de 4 a 10 g por dia, repartidos em 3 tomas diárias. €) Essência: A dose habitual é de 2-4 gotas, 3 vezes ao dia.
USO EXTERNO

S

EGUNDO a mitologia grega, esta planta surgiu das lágrimas fie Melena, esposa de Menelau, rei de Esparta e causador da guerra de Tróia. A énula é unia das plantas cuja reputação se manteve sempre elevada. As suas virtudes medicinais foram exaltadas pelos médicos, botânicos e naturalistas mais famosos de toda a história: Teofrasto, Dioscórides e Aristóteles, na Grécia; Plínio, o Velho, em Roma; Alberto, o Cirande, e Santa Hiidegarda, durante a Idade Média; Mattioli e Laguna, no Renascimento. Andrés de Laguna, tradutor e comentarista das obras de Dioscórides para castelhano, cli/.ia no século XVI: «Comida a énula, faz esquecer as tristezas e angústias do coração, conserva a Formosura de todo o corpo, e desperta a virtude genital.» Que mais se poderá pedir a uma planta? A énula continua a manter o seu prestígio hoje, já não baseado na mitologia, mas nas investigações científicas que sobre ela se estão a realizar. Ultimamente, revelaram-se as suas propriedades antibióticas: a énula mostrou-se eficaz, in vitro, contra o bacilo de Koch, causador da tuberculose.

O Compressas de algodão empapadas na mesma decocção que se emprega internamente. Aplicam-se durante 15 minutos, sobre a zona afectada, 3 vezes por dia.

Outros nomes: énula-campana, inula-campana. Brasil: inula, inulina. Esp.: heienio, inula, hierba dei moro, raiz dei moro, [hierba dei) ala, hierba campana. Fr.: [grande) aunée, inule aunée. Ing.: elecampane. Habitat: Oriunda do Centro da Ásia, mas espalhada por toda a Europa e América. Criase nos prados e lugares húmidos, quase sempre perto dos sítios de antigas plantações. Cultivada em Portugal como planta ornamental. Descrição: Planta vivaz da familia das Compostas, que atinge até 2mde altura. O caule é robusto e erecto, e as folhas grandes e finamente dentadas. Os capítulos florais são de cor amarela clara, e acham-se rodeados de numerosas brácteas. Partes utilizadas: a raiz.

312

Toda a planta, e especialmente a raiz, contém uma essência, composta por uma mistura de lactonas sesquiterpénicas, assim como lielcnina (conhecida também como cânfora de inula). Esta essência possui propriedades expectorante», antitússicas, antibióticas, coleréticas e colagogas. Contém igualmente fruetosanos e anilina (um glícido), a que se deve a sua acção diurética ein uso interno, e vulnerária e parasiticida quando se aplica externamente sobre a pele. As suas indicações mais importantes são:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

• Afecções respiratórias: Em todas as formas de bronquite e catai i os brônquicos, facilita a expectoração e acalma a tosse IO.0.©1. Alem disso, apresenta uma acção antimicrobiana sobre os germes que infectam a mucosa bronquial. Torna-se muito útil nas bronquites com tosse seca, que com frequência seguem à gripe. Nos casos de tuberculose pulmonar, acalma a tosse e tem um efeito tonificante sobre todo o organismo, pelo que ó um bom complemento do tratamento antituberculoso. • Asma alérgica: Possui ainda uma acção antiespasmódica e antialérgica, pelo que o seu uso é especialmente indicado nos casos de bronquite asmática e asma brônquica de origem alérgica, assim como noutras manifestações alérgicas. • Transtornos digestivos: Pela sua acção colerética (aumenta a produção de bílis no fígado) e colagoga (estimula o esvaziamento da vesícula biliar), actua como um tónico da digestão e favorece as funções hepáticas e biliares. Tem também um efeito aperitivo. É útil nos casos de gastrite e de dispepsia (má digestão) 1O.0,©I. • Afecções da pele: Pelo seu eleito vulnerário e parasiticida (destrói os parasitas), emprega-se externamente com êxito no tratamento da sarna, pediculose (infestação por piolhos), eczemas, prurido cutâneo (comichão na pele), e erupções diversas IO).
314 A énula, ou inufa, cresce em prados e lugares húmidos de toda a Europa e América. A sua raiz contém uma essência expectorante e antitússica q u e também possui propriedades antibióticas.

a
Lírio
Belo, aromático e medicinal Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção: 5-20 g de pó de rizoma seco, num litro de água, que se põe a ferver durante 10 minutos, e da qual se bebem 2 ou 3 chávenas por dia.

D

IOSCORIDES dedica um longo parágrafo a esta planta, no primeiro capítulo da sua Matéria medira. Andrés de Laguna (século XVI), seu tradutor e comentarista, insiste nas suas múltiplas propriedades, como a de «purgar maravilhosamente O cérebro, sonido o seu sumo pelas narinas». Anos mais tarde, o lírio caiu em desuso, mas hoje voltam-se a aproveitar as suas virtudes.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Na sua

r

Lírio-florentino / pálido

raiz há 50% de amido, além de nuicilagem e um óleo essencial muito aromático, que lhe outorga o seu cheiro a violeta. Em estado fresco, o rizoma é um purgante violento, mas não tão intenso quando está seco. Também se utiliza em diversos preparados bronquiais, pela sua notável acção expectorante e antitússica (Ol. É, além disso, muito diurético.

Além do lírio comum (íris germânica L ) , que aparece na ilustração, existe o lírio-florentino (íris florentina L.)*, também chamado lírio-branco, pela cor das suas flores. Encontra-se espalhado por toda a costa mediterrânea e ilhas Canárias. Nas zonas mediterrâneas, também se encontra o lírio-pálido (irispallida Lam.)** de flores azul-claras. A composição e propriedades curativas destas três espécies de lírio são as mesmas. ' Esp.: lirio florentino, lirio de Florencia, lirio blanco. "Esp.: lirio pálido.

O

Perfume

Pelo seu delicado aroma a violeta, emprega-se em perfumaria e na confecção de dentffricos e de produtos para cosmética.

Outros nomes: lirío-cardano, lirio-cárdeno, lirio-germãnico. Esp.: lirio, lirio común, lirio cárdeno, lirio azul, lirio morado, lirio pascual. Fr.: Íris [d'Alemagne], [grande) flambe. Ing.: [Germanj ir is. orris root. Habitat: Originário da Europa Meridional, mas naturalizado em todo o continente europeu. Cultivado em toda a Europa e em alguns países americanos. Descrição: Planta vivaz, da família das Iridáceas, com um caule erecto de 50 a 80 cm de altura, em cuja extremidade nascem umas flores muito vistosas, de cor azul•violácea. O rizoma é rasteiro e muito grosso. Parte utilizada: o rizoma (caule subterrâneo) seco.

31E

B LI
Marroio
Um bom expectorante usado desde a antiguidade
Preparação e emprego

USO INTERNO O I n f u s ã o : 30-40 g de sumidades floridas e/ou folhas por litro de água. Tomam-se 2 ou 3 chávenas diárias, bem adoçadas com mel.

O

MARROIO tem sido utilizado desde tempos muito remotos contra as afecções do aparelho respiratório. Dioscórides, no princípio da nossa era, já dizia que ««arranca os humores grossos do peito». O marroio não perdeu de então para cá a sua utilidade, e continua a ser uma planta muito apreciada pelas suas virtudes.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: marroio-branco, ma rroio-de - (rança, ma rroio- vulga r, marrolho, erva-virgem. Brasil: bom-homem. Esp.: marrubio, marrubio blanco. malva rubia, juanrubio, menta de burro, hierba virgen, malva de sapo, malva de pavo, hierba de la rabia. Fr.; marrube [blanc], herbe vierge. }ng.: [white] horehound, marrubium. Habitat: Comum em terrenos soalheiros, secos e baldios, de toda a Europa, de onde é originário, e da América, onde se naturalizou. Descrição: Planta vivaz da família das Labiadas, que atinge de 30 a 80 cm de altura. De caule erecto, rígido e algo lenhoso, com pequenas flores brancas que se dispõem em grupos ao longo do mesmo. Partes utilizadas: as sumidades floridas e as folhas.

Contém um princípio amargo, a mairubiina, a que se atribuem as suas propriedades expectorantes, béquicas (calmantes da tosse e da irritação da garganta), febrífugas, aperitivas e digestivas. Contribui também para elas o seu conteúdo em saponinas, mucilagens e taninos. Emprega-se: • Nas afecções do aparelho respiratório IOI. A sua acção sobre o aparelho respiratório é a mais notável: fluidifica e desinfecta as secreções bronquiais, facilitando desta maneira a sua eliminação, c aliviando a tosse. Recomenda-se o seu uso em todas as afecções bronquiais: catarros, lar incites, traqueítes, bronquites, asma, etc. • Como tónico digestivo IOI. Devido a aumentar o apetite' e facilitar a digestão, torna-se de grande utilidade para os doentes debilitados, bronquíticos crónicos e. inclusivamente, aos tuberculosos. Embora não actuo directamente sobre o bacilo de Knrh, causador da tuberculose', limpa os brônquios e tonifica todo o organismo.
316

O marroio fluidifica e desinfecta as secreções mucosas bronquiais.

Myrtus communís L

O

*

IJ 9J
Preparação e emprego

Murta
Adstringente e anti-séptica, além de aromática

USO INTERNO

O Infusão: Prepara-se com 1520 g de folhas e bagas, num litro de água. Coar e tomar de 3 a 5 chávenas por dia. © Essência: de 1 a 3 gotas, 3 vezes ao dia, antes das refeições.
USO EXTERNO

A

ALHAMBRA de Granada, um dos monumentos mais visitados da Espanha e talvez de ioda a Europa, tem um lindo pátio dedicado às murtas. Nele se conjuga o refinamento da arte árabe com a verdura e a fragrância deste arbusto. Tanto Dioscórides, o grande médico e botânico grego do século I a.C, como Avicena, o 'Galeno' árabe do século XI, já recomendavam a murta pelas suas propriedades adstringentes e anti-sépticas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS fo-

© Gargarejos com a infusão que se emprega internamente. O Lavagens vaginais com esta mesma infusão, cuidadosamente coada. © Inalações da essência.

Murta-folhuda
No México, existe uma espécie do género Myrtus (Myrtus foliosa, H.B.K. Nov. Gen. = Eugenia florida D.C.), a murta-folhuda, conhecida ali como 'guayabito', nome que também se aplica à espécie communis. A murta-folhuda usa-se do mesmo modo que a murta-ordinária, pelas suas propriedades adstringentes. Os frutos da murta-folhuda são de cor avermelhada. Outros nomes: murta-ordinária, murta-cultivada, murta-dos-jardins, murteira, mirto. flor-do-noivado. Esp.: arrayán, arrayán blanco. guayabito, mirto [comúnj. murta. Fr.: myrte {commun}. Ing.: myrtle. Habitat: Originária da Europa, embora também se crie no continente americano. Descrição: Arbusto de caule muito ramificado, da família das Mirtáceas, que atinge até 3 m de altura. As flores são brancas ou rosadas, e os frutos são umas bagas negras, de sabor áspero mas aromático. Partes utilizadas: as folhas e os frutos.

lhas e as bagas contêm lanino, resinas, substâncias amargas, e sobretudo mirtol, essência rica em cineol, de acção anti-séptica e antibiótica na presença de germes gram-posilivos. As suas propriedades adstringentes e anti-sépticas toi nam-na especialmente útil nos seguintes casos: • Afecções respiratórias: rinites, sinusites, bronquites, por acção da sua essência IO.©.0I. • Diarreias, gastrenterites, dispepsias e infecções urinárias, pelo seu conteúdo em taninos, tomada em forma de infusão M , M • Estotnatitcs (inflamação da mucosa bucal) e faringites, aplicada em forma de gargarejos l©l. • Leucorreia (fluxo vaginal anormal), aplicada, mediante uma càniúa especial, sob a forma de lavagens ou irrigações vaginais IO!.

3

Papavermoeasl.

M
Preparação e emprego

.

Papoila
USO INTERNO

Sedativa e peitoral

O Pétalas cruas em salada. CoIhem-se, de preferência, nas manhãs de Primavera. O Infusão com 6 ou 8 pétalas por chávena de água. Tomam-se até 3 chávenas por dia. As pétalas conservam-se secas à sombra. €) Xarope: Prepara-se para as crianças, infundindo, durante 5 minutos, 10 g de pétalas secas em 170 ml de água quente. Coa-se a água e acrescentam-se-lhe 340 g de açúcar escuro. Administram-se de 2 a 4 colheres de sobremesa (segundo a idade), antes de deitálas. O Decocção: Os frutos da papoila, também chamados cápsulas, têm o mesmo efeito das pétalas, embora contenham maior proporção de princípio activos. Colhem-se quando estão ainda verdes, antes do Verão. A decocção prepara-se com 2 ou 3 cápsulas em 100 ml de água. Tomam-se várias colheres de sopa, antes de deitar.

A

LTIVA c o m o um galo com a sua crista, e d e l i c a d a c o m o u m a p l u m a , a papoila é u m a das plantas m e d i c i n a i s mais belas e atraentes. Q u e seria cios nossos dourados trigais se n ã o estivessem salpicados p o r essas m a n c h a s d e s a n g u e brilhante? Os amigos Gregos e Romanos já a c o m i a m e m salada, c o s t u m e q u e s e tem m a n t i d o nalgumas zonas do Mediterrâneo, c o m o na Catalunha. Apesar da sua cor vermelha-escarlate, símbolo da vitalidade, d e s d e t e m p o s remotos foi associada ao sono. S e g u n d o a mitologia, o d e u s M o r r e u tocava c o m u m a papoila a q u e l e s a q u e m queria adormecer. PROPR1EDADF5 E INDICAÇÕES: O látex da papoila c o n t é m q u a t r o alcalóides (readina, reagenina, rcarrubina I e II), mas n ã o c o n t é m morfina, c o m o antes se havia suposto. A papoila possui ainda antociauinas e mut ilageus. Embora os eleitos dos alcalóides da papoila sejam s e m e l h a n t e s aos da morfina, são isentos da sua toxicidade. Não há, p o r t a n t o , risco d e dep e n d ê n c i a , o u d e criar h a b i t u a ç ã o com o seu uso. Mességué disse q u e as papoilas são «o ópio inofensivo da farmácia familiar». São estas as suas propriedades: 318

Outros nomes: papoila-vulgar, papoila- ordinária, papoila-das-searas, papoila•rubra, papoila-vermelha, papoila-brava. Brasil: papoula. Esp.: amapola, ababol, apamate. coquelicot. Ing.: corn poppy, fieldpoppy. Habitat: Frequente nas searas e nos campos abandonados. Misturada com as sementes dos cereais desde tempos remotos, tem-se estendido por todos os continentes. Descrição: Planta anual, da família das Papaveráceas, como a dormideira (pág. 164) que produz o ópio. O seu caule, que se acha coberto de pequenos pêlos, segrega um látex branco quando cortado. As flores são formadas por quatro pétalas de uma cor vermelha intensa, com uma mancha negra na sua base. O fruto tem a forma de uma urna, com uma tampa no alto. Apesar de toda a gente a conhecer. descrevemos aqui a papoila com certo pormenor, por existirem algumas espécies muito parecidas, mas destituídas de efeitos medicinais. Partes utilizadas: As pétalas das flores e os frutos.

• Sedativa e sonífera: De acção suave e livre dos riscos dos psicofarmacos. Devido a isto, recomenda-sc sobretudo às crianças e aos idosos, a quem facilita um sono tranquilo IO.O.OI. Aos adultos, pode tornar-se útil para eliminar a angústia ou a ansiedade, tão frequentes nos nossos dias. • Antitússica e expectorante: Especialmente indicada para vencer a tosse perima/, tia coqueluche (tosse convulsa), das bronquites secas ou dos ataques de asma. Além disso provoca uma sudação abundante, pelo que é indicada para os engripados e encalarrados 10,0,0.01. A papoila entra na famosa "infusão peitoral das quatro flores", juntamente com a tussilagem, a antenária e a malva. • Dor de dentes: Os bochechos com infusão das suas pétalas produzem um notável eleito analgésico em muitos casos

A papoila pertence ao género botânico Papaver', como a dormideira produtora do ópio. Contém quatro alcalóides de acção semelhante à da morfina do ópio, mas sem os seus efeitos indesejáveis. Por isso t e m sido chamada "o ópio inofensivo da farmácia familiar". As suas pétalas, e os seus frutos ou cápsulas, t è m uma acção sedativa, soporifera e antitússica suave e segura.

4

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319

Petasites hybrídus (L)Gaertn.

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Preparação e emprego

Petasite
USO INTERNO

Peitoral e anti-infíamatória

O Infusão com 20-30 g de folhas e/ou rizoma, por litro de água, da qual se tomam 3 a 5 chávenas diárias.
USO EXTERNO

©Cataplasmas com as folhas frescas esmagadas.

A

PETASITE tem algumas semelhanças e propriedades comuns com a tussilagem (Tussilogo forjara L., pág. 341). Desde a Idade Média que é usada na Europa Central, embora se prefira a própria tussilagem, que tem melhor sabor.

Precauções

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O ri-

zoma e as folhas da petasite contêm inulina, pectina e mucilagens, que a tornam expectorante e emoliente; glicósidos e óleo essencial de propriedades antiespasmódicas, diuréticas, sudoríficas e emenagogas; taninos e resinas que a fazem vulnerária. As suas principais aplicações são: • Afecções respiratórias: Pelo seu efeito antiespasmódico, dá bons resultados nos casos de asma bronquial, evitando que se apresentem crises agudas. Também se usa como antitússico c expectorante, nas bronquites e broncopneumonias (O). • Afecções da garganta: Indicada nas laringites, afonia e traqueíte IOI. •Sudorífica: Indicada nos catarros brônquicos e na gripe IOI. • Anti-inflamatória: Externamente, as folhas frescas, aplicadas directamente ou esmagadas, em cataplasmas, em caso de flebite (inflamação das veias), furúnculos e adenopatias (gânglios inflamados) 191.
320

A petasite contém quantidades variáveis de alcalóides que podem ser tóxicos para o fígado. Por isso, a comissão alemã E de medicina humana, secção de fitoterapia, não recomenda o seu uso, embora também não o proíba.

Outros nomes: petasite-hibrida. Esp.: sombrerera, tusilago mayor, petasita. Fr.: petasite hybride. Ing.: butterbur. Habitat: Lugares húmidos e margens de correntes de água, em regiões frias e temperadas de toda a Europa. Descrição: Planta vivaz da família das Compostas, que atinge até 50 cm de altura. A/o princípio da Primavera, nascem dos rizomas umas hastes floriferas, com capítulos rosados ou violáceos. As grandes folhas com longo pecioio aparecem depois. Partes utilizadas: o rizoma e as folhas.

Phyilltis scobpendríum Newm.

a

Língua-cervina
Desinflama as mucosas

E

STE FETO já Foi utilizado por Dioscóriclcs, que disse, a respeito desta planta, tpie «tem a virtude de desbastar o baço». Utilizou-se desde então paia combater a csplenomegalia (aumento de tamanho do baço). Os catalães ainda hoje lhe chamam linha melsera, o que quer dizer erva do baço. Antigamente dava-se aos alcoólicos, que frequentemente sofrem de congestão sanguínea no baço, ainda que neste caso se obtivessem resultados escassos.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

frondes deste feto contêm mucilagem, tanino, açúcares e vitamina C. Devido ao <,eu conteúdo em mucilagens, são emolientes (acção anti-inflamatória sobre as mucosas e a pele), e expectorantes. O tanino outorga-Ihes propriedades adstringentes. Usa-se em caso de bronquite e catarros, para amolecer as secreções e facilitar a sua expulsão; e também em gastrite e colite, para proteger e desinllamar a mucosa digestiva IOI. Há bons resultados em caso de hipertensão, para normalizar a tensão arterial IOI; no entanto ainda não se sabe bem a que princípio activo se deve esta acção. Externamente, usa-se para lavar Feridas, pela sua acção anti-inflamatória e suavizante sobre a pele 101. Actua também como vulnerária, para o tratamento das contusões e hematomas I©1: Neste caso, aplic a-se em compressas.

Sinonímia científica: Scoiopendrium officinale Sm. Outros nomes: escolopendra, escolopendra-vulgar, língua-de-boi, lingua-de- veado, broeira. Esp.: lengua de ciervo, escolopendra, hierba de la sangre. Fr.: langue de cerí, scolopendre. Ing.: hartstongue. Habitat: Terrenos calcários, muros e rochas sombrias da Europa e da metade norte do continente americano. Em Portugal, encontra-se em lugares húmidos e sombrios, desde o Minho até à Estremadura. Descrição: Feto vivaz da família das Poiipodiáceas, com frondes indivisas, de cor verde brilhante, alongadas (de 20 a 60 cm.) e terminadas em ponta. Partes utilizadas: as frondes (folhas dos fetos).

O
USO INTERNO

Preparação e emprego

O Decocção de 30 g de frondes secas num litro de água, durante 10 minutos. Tomam-se 4 ou 5 chávenas por dia. Adoca-se com mel.
USO EXTERNO

O Lavagens com a mesma decocção que se usa internamente. © Compressas com a dita decocção.

«j ai o a
Preparação e emprego

Saxífraga
Antitússrca e sedativa

USO INTERNO O Decocção com 30 g de raiz por litro de água, durante 10 minutos. Para conseguir maior efeito sedativo, acrescentar 30 g de sumidades floridas.

Pimpinela-magna

A

O CONTRÁRIO do anis (PimfrineUa anhum L., pág. 4 6 5 ) , esta p i m p i n e l a n ã o t e m pen u g e m no caule e nos frutos, O seu n o m e francês, boucage ou petit persíl (pequena salsa) debouc (de b o d e ) , faz referência ao cheiro a b o d e q u e deita, sobretudo, a sua raiz.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: I o d a a

A pimpinela-magna (Pimpinella magna L, Pimpinella major [L] Hudson)*, é uma espécie muito semelhante à saxífraga, quanto às suas características botânicas e propriedades. Tal como esta, e ao contrário do anis, também não apresenta penugem no caule e nos frutos. Daí que, nalguns lugares, os nomes destas duas pimpinelas sejam comuns ou se confundam. Em diversas línguas, a magna também se qualifica de maior e a saxífraga de menor, com o fim de distingui-las uma da outra. * Esp.: pimpinela negra.

planta, e especialmente a raiz, c o n t é m tanino, óleo essencial, saponinas, pimpinelina e resinas. O seu efeito fund a m e n t a l consiste, em estimular a actividade secretora das células das vias respiratórias, dos rins e da p e l e . As suas propriedades são as seguintes IO): • Mucolítica, expectorante e antitiissica: Aumenta e torna mais fluidas as secreções bronquiais, com o q u e se elim i n a m c o m mais facilidade, e desaparece a tosse. Indicada nos catarros brônquicos e no caso de r o u q u i d ã o . • Diurética e sudorífica: I n d i c a d a s e m p r e q u e seja necessário d e p u r a r o sangue de toxinas e resíduos m e t a b ó licos, e s p e c i a l m e n t e em casos de artritismo, gota e afecções renais. • Calmante da excitação nervosa. 322

Outros nomes: pimpinela. Esp.: pimpinela blanca. pimpinela alba, saxífraga menor, saxífraga parva. Fr.: boucage, petit persil de bouc. Ing.: pimpernel, burnet saxifrage. Habitat: Prados secos, encostas pedregosas e terrenos calcários de toda a Europa. Descrição: Planta vivaz, de caule oco e erguido, que atinge de 0,3 a 1 m de altura, da família das Umbelíferas. As flores são brancas ou cor-de-rosa, em umbelas que têm de 8 a 15 raios muitos finos. Partes utilizadas: A raiz colhida na Primavera (fresca) ou no Outono (seca) e as sumidades floridas.

Pinus pinaster Soland

Pinheiro
Alivia bronquíticos e reumáticos

E

NTRE as muitas espécies que se conhecem, apenas duas têm propriedades medicinais importantes: o pinheiro-bravo (Pinus pinoster Soland), também conhecido como pinheiro-marítimo, e o pinheiro-silvestre (Pinus syhestris I..). a que também se chama pinheiro-de-cas -quinha e pinheiro-vennelho-do-báJtico. O pinheiro-bravo, ou pinheiro-marítimo, caracteriza-se por ter as agulhas mais compridas e as pinhas mais volumosas do que o pinheiro-silvestre. Ambas as espécies produzem terebintina, embora o pinheiro-marítimo dê maior rendimento.

PROPRIEDADES E ÍNDICAÇÓES: A TEREBINTINA é uma oleorresina comida

nas gemas e nas camadas exteriores da casca do pinheiro, de onde exsuda naturalmente ou por sangria. E formada por dois constituintes principais: / uma essência (20%-30%), lambem chamada aguarrás, rica no hidrocarboneto pineno, cjiit" se obtém por destilação; e

Espécie afim: Pinus sylvestris L. Outros nomes: pinheiro-bravo, pinheiro-marítimo, pinheiro-das-landes. Esp.: pino marítimo, pino negral. Fr.: pin. Ing.: pine. Habitat: As dez espécies de pinheiro conhecidas distribuem-se por toda a Europa e regiões temperadas e frias do continente americano. Prefere os terrenos de solo leve ou arenoso. Descrição: Árvore de 15 a 40 m, da família das Pináceas, de folhas perenes e acicu/ares. A mesma árvore dá flores mascutinas (estames amarelos) e femininas (cones ou pinhas). Partes utilizadas: As gemas (brotos tenros) e a resina.

XJP
USO INTERNO

Preparação e emprego
O Fricções: Friccionar, com um pano de algodão molhado em terebintina (ou a sua essência), o peito dos bronquíticos, até que a pele adquira uma saudável cor vermelha. O mesmo se aplica igualmente sobre as articulações ou os músculos inflamados e doridos.

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Precauções

O Infusão: Prepara-se com 20-40 g de gemas de pinheiro por litro de água, de que se tomam 3 ou 4 chávenas por dia. © Essência de terebintina: Ingerir de 2 a 5 gotas, 3-4 vezes ao dia.
USO EXTERNO

A inalação ou ingestão de doses excessivas de terebintina ou da sua essência pode provocar uma irritação do sistema nervoso central, sobretudo nas crianças.

© Banhos: Prepara-se uma decocção com 500 g de gemas de pinheiro em 4 litros de água. Ferver durante meia hora. Filtrar e acrescentar à água do banho (quente). Também se pode preparar um banho medicinal acrescentando 40-50 gotas de essência de terebintina à água da banheira.

© Inalações de vapor: Numa caçarola com um ou dois litros de água, acrescentar um punhado de gemas (30-50 g) ou umas gotas de essência de terebintina. Aquecer num fogareiro eléctrico (para evitar gases de combustão) e inalar profundamente o vapor.

323

As fricções com terebintina, ou com a sua essência, melhoram a evolução dos catarros bronquiais, assim como das bronquites, t a n t o das crianças como dos adultos.

/ uma resina (70%-80%), que também se chama colofónia ou resina de violino. A RESINA é o resíduo sólido que liça depois de- se ler volatilizado a essência. Ksia resina (colofónia) eniprega-sc em emplastros, linimentos e unguentos de acção rubefaciente e anti-reumática. O mais conhecido. desde tempos muito antigos, é o unguento régio ou bosãtCO que, segundo indica Foni Quer, se elabora fundindo uma parte de colofónia, uma de terebintina, uma de cera, uma de sebo v três partes de azeite de oliveira. A TEREBINTINA e a sua essência possuem propriedades balsâmicas, anti-reumálicas, anti-sépticas, diuréticas, depurativas, e previnem a Formação de cálculos nas vias urinai ias lo.©l. São estas as suas aplicações Fundamentais: • Afecções respiratórias: Inalada l©J, em fricções IO), ou ingerida por via oral IO.OI, c de grande utilidade em todo o tipo de afecções do aparelho respiratório (bronquite, asma, e t c ) , assim como em casos de constipações, rinite e sinusite. Os banhos quentes l©l com gemas de pinheiro, ou com essência de terebintina, proporcionam um grande alívio para os asmáticos. • Anti-inflamatória (rcvulsiva): Aplicada externamente em banhos e Fricções 10,01, a terebintina ou a sua resina (colofónia) faz ruborescer a pele, desinflamando os tecidos profundos (acção rcvulsiva). Obtêm-sc excelentes resultados em lodo o tipo de dores reumáticas, quer sejam articulares quer musculares (lumbago, torcicolo, dores cervicais, e t c ) quer ainda provocadas por pancadas ou contracturas. • Tonificante: 1'rovoii-sc recentemente que a terebintina do pinheiro tem a propriedade de estimular as glândulas supra-renais, o que se traduz num eleito tonificante e revitalizado! de todo o organismo IO,01.

o

Alcatrão vegetal: um poderoso emoliente

Por destilação seca do tronco e das raízes do pinheiro-silvestre, obtém-se o alcatrão ou breu vegetal, de composição complexa em que predominam os fenóis, que possuem propriedades balsâmicas, expectorantes e anti-sépticas, mas sobretudo emolientes (suavizantes da pele). Pode-se ingerir (até um grama por dia, em forma de cápsulas ou comprimidos de gelatina), embora a sua aplicação mais importante seja a externa, nas afecções da pele: dermatoses (degenerescências e inflamações crónicas da pele como eczemas e psoríase), micoses (infecção por fungos) e parasitoses (afecções causadas por parasitas como a sarna). Em uso externo, o alcatrão ou breu vegetal aplica-se em forma de sabão, champô ou pomada.

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Plantago major L

Tanchagem
Peitoral e cicatrizante

Tanchagem-maior

Tanchagem-média Tanchagem-menor

O

GÉNERO Plantago abrange umas 200 espécies, entre as quais se destacam, pelas suas aplicações fitoterapêuticas, a zaragatoa (pág. 515) e as três tanchagens, usadas medicinalmente desde a antiguidade grega. O nome de Plantago faz referência à forma de pegada que
têm as suas folhas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

três tanchagens contêm uma grande quantidade de mucilagens, que lhes conferem propriedades emolientes, expectorantes, antitússicas e béquicas; tanino, que as torna adstringentes, hemosiáticas e cicatrizantes; pectina; e alguns glicõsidos cromogénicos, a aucubina e o catalpol, de acção anti-inflamatória e anti-séptiea.

Espécies afins: Plantago media L. (tanchagem-média), Plantago lanceolata L. (tanchagem-menor). Outros nomes: tanchagem-maior, tanchage, chantage. Brasil: transagem. Esp.: Ilantén, llantén mayor, hierba estrella, arta, carmel, aycha-aycha, huincallantén. Hantaina, plantaina, plantaje, pan de pájaro. Fr.: plantain. Ing.: plantain. Habitat: Difundida por toda a Europa e naturalizada em todo o continente americano. A maior prefere os terrenos húmidos; a média, as beiras dos

caminhos e ribanceiras; e a menor ou lanceolada, os terrenos calcários. A tanchagem-maior e a menor são frequentes em Portugal. Descrição: Planta da família das Plantagináceas, que mede de 10 a 60 cm de altura. As três espécies caracterizam-se por ter folhas radicais (que nascem directamente da raiz), com nervuras paralelas e confluentes na ponta. Diferem no tamanho e na forma das folhas, assim como no comprimento da espiga floral. Partes utilizadas: A planta inteira (folhas, espiga floral e raiz).

O

Preparação e emprego
© Pensos de folhas: Lavam-se previamente e escaldam-se em água a ferver durante um minuto, para desinfectá-las. Para as aplicar sobre as úlceras e feridas não se devem manipular com os dedos, mas com pinças esterilizadas. Fixam-se por meio de uma ligadura, e é necessário substituí-las duas ou três vezes por dia. O Cataplasmas de folhas cozidas e esmagadas.

A TANCHAGEM-MAIOR contém, além disso, ácidos fenólicos, flavonóides. colina e o alcalóide noscapina, de propriedades anti-espasmódicas e antitússicas. As tanchagens suavizam e secam ao mesmo tempo, devido à acção combinada das mucilagens (emolientes,suavizantes) com a dos taninos (adstringentes, produzem constrição e secura). Isto confere-lhes um amplo eleito anti-inllamatório. útil para curar
muitas afecções das mucosas respira-

USO INTERNO O Decocção: 20-30 g de folhas e/ou raiz por litro de água, que se deixa ferver durante 3 a 5 minutos, e da qual se bebem de 3 a 5 chávenas diárias. USO EXTERNO © A mesma decocção que se prepara para o uso interno, mas mais concentrada (50-100 g por litro). Usa-se em g a r g a r e j o s , lavagens aos olhos, compressas sobre a pele, banhos de assento ou clisteres.

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A tanchagem é um grande emoliente |suavizante) das mucosas respiratórias e da pele. Pode-se aplicar em compressas empapadas com a decocçao de folhas, ou em cataplasmas de folhas esmagadas. A forma mais prática e eficaz de aplicar as folhas de tanchagem sobre a pele talvez seja, porém, colocá-las directamente sobre a zona afectada, à maneira de penso, como se mostra nestas fotografias. As folhas escaldam-se previamente durante um minuto, com o fim de as desinfectar. Dáo excelente resultado em caso de úlceras varicosas, feridas e queimaduras.

tórias e digestivas. Vejamos quais são as suas principais aplicações: •Afecções respiratórias: bronquites agudas e crónicas, catarros brônquicos, asma IO). Fluidificam as secreções, facilitam a sua eliminação, clesinllamam a mucosa bronquial e acalmam a tosse. A tanchagem tem sido usada contra a tuberculose pulmonar e as pneumonias, como complemento do tratamento especifico. A tanchagem-maior é a que tem um mais forte efeito antitússico. • Afecções da boca e garganta, em bochechos e gargarejos: Recomendam-se em caso de estorna ti te (inflamação da mucosa bucal), gengivite, faringite, amigdalite e laringite IOI. Desinllamam a boca, tiram o ardor e a irritação da garganta, e aliviam os acessos de tosse convulsa (acção béquica).
326

• Afecções digestivas: colite, aerocolia (gases no cólon), distensão do abdómen por excesso de gases ou má digestão, putrefacções intestinais, diarreias, disenterias, prisão de ventre crónica com inflamação do intestino grosso IO!. • Hemorróidas: Os banhos de assento e os enemas (clisteres) com decocçao de tanchagem tornam-se muito eficazes para desinflamá-las 101. • Afecções oculares: Km lavagens, a decocçao de tanchagem alivia a eonjuntivite e a blefarite (inflamação das pálpebras) IOI. • Ulceras varicosas, feridas que não cicatrizam, queimaduras: Podem-se aplicar compressas da decocçao de tanchagem 101, ou directamente as

folhas escaldadas em água a ferver IOI. • Picadas de insectos e répteis: O doutor Leclerc afirma que as doninhas se esfregam contra moitas de tanchagem antes de lutar com as serpentes, com o fim de st- protegerem contra OS eleitos do veneno. No caso de picada de mosquiios, aranhas, abelhas, vespas c lacraus, esfregar energicamente a zona da pele afectada com umas folhas de tanchagem, e aplicar um penso 101 ou cataplasma de folhas IOI. Km caso de mordedura de cobra, é preciso aplicar previamente o tratamento de urgência habitual (incisão, torniquete, soro' antivenenoso) e, depois, uma fricção e um penso ou uma cataplasma de folhas de tanchagem.

Polygala senegal.

3 a
Preparação e emprego
USO INTERNO

Polígala-da-virgínia
Grande efeito expectorante

O Decocção com 5 a 10 g de folhas ou raiz triturada, por litro de água. Ferver durante 3 minutos. Tomar 3 ou 4 chávenas diárias, adoçadas com mel. €) Pó da raiz: Administra-se em doses de 0,5 a 2 g diários.

O

S ANTIGOS Gregos deram o nome de polígala às espécies europeias desta planta (de f)oly, muito, e gala, leite), pois empregavam-na para aumentar a secreção láctea dos animais domésticos. Durante muito tempo, dava-se na Europa às vacas e às cabras com este fim, ainda que os seus resultados sejam mais do que duvidosos.

Paralelamente, os índios norle-americanos empregavam tradicionalmente outra espécie de polígala, a senega, de composição semelhante à europeia, para tratar as afecções respiratórias e as mordeduras de serpentes. E curioso verificai' como a moderna investigação farmacológica deu razão aos indígenas dos Estados Unidos. Actualmente, a polígala entra na composição de diversos preparados farmacêuticos para o tratamento das afecções broncopulmonares.

Outros nomes: polígala. Esp.: polígala de Virgínia, polígala amerícana, [hierba] lechera. Fr.: polígala. Ing.: milkwort, sonega snakeroot. Habitat: Terrenos pedregosos do Leste da América do Norte. Cultivada em outras partes do mundo como planta medicinal. Descrição: Planta vivaz da família das Poligaláceas, de caule rasteiro e perene, do qual nascem uns caules herbáceos de até 30 cm de altura. As flores são pequenas, de cor azulada, rosada ou branca, e agrupam-se na extremidade dos caules. Tem um sabor áspero e acre. Partes utilizadas: a planta inteira, especialmente a raiz.

r

Poligalas europeias
Existem várias espécies de polígalas, todas elas com uma composição muito semelhante, embora a senega seja mais utilizada, devido à sua maior riqueza em princípios activos. Na Europa conhecem-se, sobretudo, duas polígalas: • a amarga {Polygala amara L), que se cria no Norte da Europa e na Ásia Ocidental. • a rupestre (Polygala rupestris Pourr.), que se encontra repartida pelo Sul da Europa. PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

planta, e especialmente a raiz, é muito rica em saponinas, substâncias vegetais que, como o sabão fazem com que a água se torne espumosa, por diminuir a sua tensão superficial. As saponinas mais importantes são o ácido poligálico e a senegina, substâncias que aumentam as secreções bronquiais. O efeito resultante de todas estas substâncias é que o muco bronquial patológico se torna menos viscoso, e mais espumoso e abundante; desta

forma se facilita a sua expulsão e, com isto, a regeneração das mucosas respiratórias. A polígala-da-virgínia é uma planta nitidamente mucolítica e expectorante. O seu uso é pois indicado em todos os casos de bronquite, catarros brônquicos, asma brônquica e pneumonia, assim como nas faringites, na gripe e para combater a tosse IO,©l. A polígala-da-virgínia, devido ao seu conteúdo em saponinas, tem acção laxante, e, em doses altas, emética (provoca o vómito) 101.
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PrímulaverisL

Primavera
Expectorante e anti-inflamatória

Q

UANDO chega a Primavera, unia das primeiras plainas a florir é precisamente esta. Daí o seu nome. As Flores são muito apreciadas como ornamentais e aromáticas. Os giandes médicos e botânicos da antiguidade clássica não conheciam esta planta, que tem vindo a ser usada em terapêutica desde o século XVI.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A raiz

e o rizoma da primavera são muito abundantes em saponinas triterpénicas (5%-l0%), das quais a mais importante é conhecida pelo nome de primulina. A isto se deve a sua acção expectorante e mucolítica (fluidificante das secreções bronquiais). Contém também dois heterosidos fcnólicos derivados do ácido salicílico (pi i-

Sinonímia científica: Primula officinalis L. Outros nomes: primavera-das-boticas, primula. Esp.: primavera, fiorde primavera, primula, hierba de San Pablo, gordolobilio. Fr.: primevère [officinale), herbe à la paralysie, coucou. Ing.: [English} cowslip, primrose. Habitat: Prados e bosques das

montanhas da Europa. Foi exportada para regiões temperadas do continente americano. Descrição: Planta vivaz, herbácea, da família das Primuláceas. As suas folhas, grandes e ovaladas, dispõem-se em roseta basal. O caule mede de 15 a 30 cm e termina numa umbela de flores amarelas. Partes utilizadas: A raiz, o rizoma (caule subterrâneo) e as flores.

O
Precauções
USO INTERNO

Preparação e emprego
litro de água, da qual se ingerem até 5 chávenas por dia.
USO EXTERNO

Algumas variedades que se criam em vasos e em jardins têm as folhas revestidas de uns pelinhos urticantes, que podem provocar irritação na pele, inclusive reacções alérgicas.

O Decocção durante 15 minutos, de 30-50 g de raiz e/ou rizoma triturados por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas diárias, quentes e adoçadas a gosto com mel. © Infusão com 20-30 g de flores por

€) Compressas: Fazem-se com a mesma decocção que para uso interno, embora mais concentrada, e aplicam-se sobre a parte afectada.

328

A primavera é uma planta herbácea que cresce nos prados e bosques das regiões montanhosas da Europa, como esta dos AJpes, e também do continente americano. A sua raiz é expectorante e anti-inflamatória, e as suas flores são sedativas e diuréticas.

m a v e r i n a e p r i m u l a v e r i n a ) , q u e se transformam por hidrólise em derivados do ácido salicílico. É esta a razão da sua acção analgésica, anti-inflamatória e anti-reumática. Recorde-se q u e a aspirina é o ácido acedlsalicflico, um derivado sintético do ácido salicílico. Assim, as d u a s aplicações fundamentais da RAIZ da primavera são: • Afecções r e s p i r a t ó r i a s em q u e se requeira um a u m e n t o da fluidez das secreções bronquiais, para facilitar a sua expulsão: b r o n q u i t e aguda e crónica, asma b r ô n q u i c a e b r o n c o p n e u -

m o n i a , e n t r e o u t r a s IOI. É útil tamb é m nos catarros b r ô n q u i c o s simples e p a r a a c a l m a r os acessos de tosse. E m b o r a a acção fluidificante e expect o r a n t e das s a p o n i n a s d a p r i m a v e r a n ã o seja tão a c e n t u a d a c o m o a da polígala-da-virgínia (pág. 327), c o n t i n u a a ser u m a planta muito útil. • Afecções reumáticas, gota IOI, e em aplicação externa, c o m o anti-inflamatório no caso de contusões, entorses e d o r e s musculares. I©l. P o r o u t r o lado, as FLORES da primavera c o n t ê m flavonóídes e carote-

n o ( p r o v i t a m i n a A ) . T a m b é m têm duas aplicações: • Pela sua acção antiespasmódica e sedativa, e m p r e g a m - s e n o t r a t a m e n t o de enxaquecas e cefaleias 101. Dado o seu s a b o r agradável, a tisana de primavera é muito a p r o p r i a d a para acalm a r a tosse nas crianças nervosas e hiperactivas. • Pela sua acção diurética e depurativa, usa-se no t r a t a m e n t o da gota e da litíase úrica (cálculos úricos nas vias urinárias, areias), em combinação com outras plantas diuréticas 101. 329

Prunus sentina Poir.

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Cerejeira-da-virgínia
Expectorante e antitússica

A

CASCA da ccrejeira-da-vh gínia é um remédio tradicional dos índios da América do Norte. A investigação farmacológica moderna confirmou as propriedades medicinais desta magnífica árvore, e o seu uso estendeu-se pelos Estados Unidos e por algumas regiões da Europa. Na América do Centro e do Sul existe uma espécie tão semelhante no aspecto e propriedades, que até alguns autores lhe atribuem uma denominação científica similar, Prunus serotina Ehrh., ou a sinonímia científica de Prunus capuli Cav. Esta cerejeira americana é conhecida popularmente pelos nomes espanhóis de capulín, cerezo criolo, cerezo de los Andes, cerezo negro silvestre ou mují,
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Sinonímia científica: Prunus virginiana L, Prunus melanocarpa Rydb. Outros nomes: cerejeira-negra, cerejeira-americana. Esp.: cerezo americano, cerezo de Virgínia. Fr.: céríster de Virgínia. íng.: (Virgínia] bird cnerry, [American] choke cherry. Habitat: Cresce em zonas de bosques da América do Norte. Descrição: Árvore da família das Rosáceas, que pode atingir 30 m de altura, coberta por uma casca escura e rugosa. Produz frutos parecidos com as cerejas vulgares, mas mais pequenos, de cor mais escura e de sabor um tanto amargo. Partes utilizadas: a casca.

A casca desta árvore contém um glicósido cianogenético (prunasina), ácido cumái ico, tanino, escopoletina e óleo essencial. A sua principal acção medicinal é a expectorante e antitússica. Facilita a eliminação da mucosidade das vias respiratórias e acalma a tosse. Torna-se especialmente útil nos catarros e bronquites IO). Certas tribos indígenas norte-amerícanas empregam-na para aliviar as dores do parto, pelo seu efeito sedativo.
330

ím

Precauções Preparação e emprego
As folhas da cerejeira-da-virgínia são venenosas, pois contêm ácido cianídrico. A casca, por sua vez, não contém este tóxico, pelo que se pode usar sem perigo.

USO INTERNO O Infusão: Prepara-se deitando uma colher de sobremesa de casca triturada, numa chávena de água quente.

Pulmonaria officinallsl.

Et

Preparação e emprego

Pulmonaria
USO INTERNO

Peitoral e anti-inffamatória

O Decocção de 30-50 g de planta por litro de água, durante 15 minutos. Tomam-se 3 ou 4 chávenas diárias, adoçadas com mel. USO EXTERNO © Gargarejos com a mesmo decocção de uso interno. © Lavagens e compressas com a dita decocção, que se aplicam sobre a zona afectada.

D

ESDE o século XVI, os partidários da teoria dos sinais viram nas folhas desta planta a superfície de um pulmão doente com nódulos tuberculosos. Muitos tísicos do século XIX, e da primeira metade do século XX, foram tratados com a pulmonaria, obtendo bons resultados nalguns casos. Hoje continua a ser uma planta útil nas afecções respiratórias. Toda a planta contém uma grande quantidade de mucilagem e de alantoína, substâncias que determinam a sua acção emoliente; taninos, que a fazem adstringente; uma certa quantidade de saponinas, que a fazem expectorante; ácido salitílico, assim como sais potássicos c cálcicos, que a tornam anti-inflamatória, diurética e sudorífica. • Em uso interno, é indicada para diversas afecções respiratórias: de catarro brônquico, irritação da garganta, tosse seca ou irritativa, rouquidão e afonia (aplicada em gargarejos) IO.0I. Muito útil para combater os efeitos negativos do tabaco sobre as vias respiratórias IO). Na tuberculose pulmonar, pode usar-se como complemento do tratamento específico, sempre sob vigilância médica.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

• Externamente, emprega-se para curar feridas, contusões, gretas da pele e frieiras 101.

Outros nomes: erva-dos-bofes, erva-leiteira-de-nossa-senhora, salsa-de-jerusalém. Esp.: pulmonaria, pulmonaria manchada, pulmonaria medicinal, roseta, rosetas, salvia de Jerusatén. Fr.: pulmonaire. Ing.: [spotted] lungwort, Jerusalém cowslip. Habitat: Bosques claros e húmidos, sobretudo calcários, de toda a Europa. Na península Ibérica é mais frequente no quadrante nordeste. Acha-se introduzida nas regiões temperadas e frias do continente americano. Descrição: Planta herbácea, vivaz, da família das Borragináceas. O caule, peludo, atinge até 30 cm, e, na sua extremidade, nasce um ramalhete de flores cor-de-rosa e violeta. Partes utilizadas: A planta florida.

331

Sacchamm officinarum L

Cana-de-acúcar
Um caramefo natural

Preparação e emprego

USO INTERNO O Sumo fresco: Extrai-se triturando ou esmagando os caules da cana-de-açúcar. © Decocção: Fervem-se 250 g de cana-de-açúcar, descascada, num litro de água. Beber à vontade.

A

CANA-DE-AÇÚCAR é originária do Sudeste Asiático. Os Árabes estenderam a sua cultura pelo Mediterrâneo, e os Portugueses e Espanhóis levaram-na para a América no século XVI. E dela que se obtém o açúcar de cana, assim como o melaço, também chamado mel de cana, que é o resíduo, em forma de xarope, que fica depois de separar do sumo da cana o açúcar cristalizado.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O

sumo da cana-de-açúcar contém de 16% a 20% de sacarose, glícido do tipo dos dissacaridos, cuja fórmula química é C12H22O11. Contém, além disso, uma boa percentagem de sais minerais e de vitaminas, a maior parte das quais ficam no melaço. O açúcar que não é refinado {açúcar escuro) contém restos de melaço, que lhe dão a sua cor típica, e que o fazem conservar uma certa quantidade de sais minerais e vitaminas. Pelo contrário, o açúcar refinado é praticamente sacarose pura, destituída de outras substâncias nutritivas. O sumo da cana-de-açúcar IOI e a decocção da sua polpa (01 têm propriedades peitorais, além de tonificantes e refrescantes. O seu emprego beneficia os que sofrem de catarros bronquiais, bronquite crónica e asma.
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Outros nomes: cana-sacarina, cana•doce. Esp.: cana miei, cana melar, cana dulce. Fr.: canne à sucre. Ing: sugar cane. Habitat: Encontra-se nas regiões subtropicais do Sul da Europa e na zona tropical das Américas Central e do Sul, especialmente em Cuba. Descrição: Planta da família das Gramíneas, parecida com a cana vulgar, e cujos caules aéreos podem atingir 4 metros de altura. A sua medula é muito doce e sumarenta. Partes utilizadas: os caules.

Saponaria offidnalís L

K

a & *.
Preparação e emprego
USO INTERNO

Saponaria
Expectorante e amiga da pele
O Decocção de 15 g por litro de água, de que se tomam até 2 chávenas por dia, adoçadas com mel.
USO EXTERNO

A

NTIGAMENTE, as lavadeiras recorriam a esta planta para lavar e desengordurar < s teci> dos, particularmente a lã. Emprega-se habitualmente, para o cuidado da pele e do cabelo.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

€) Loções e compressas com uma decocção mais concentrada do que a de uso interno. ® Cataplasmas com folhas e/ou raízes cortadas às rodelas. O Lavagem do cabelo: Faz-se com uma decocção de 20 g de saponaria por litro de água.

Toda a planta, e especialmente o rizoma e a raiz, contém unia saponina chamada saporrubina, de acção expectorante, diurética, colagoga e depurativa. As saponinas têm a propriedade de dissolver as gorduras na água, fazendo espuma. A sua propriedade mais importante é a expectorante, pela capacidade que tem de fluidificar as secreções bronquiais. Embora dê resultado nas afecções respiratórias IOI, devido à sua toxicidade por via interna, o uso da saponaria foi substituído por outras plantas mais seguras. Externamente, lorna-se altamente eficaz para combater os eczemas e erupções da pile {©,©1, assim como para a lavagem dos cabelos delicados IQL

No campo, esfregar as mãos com flores de saponaria é, na falta de sabão, uma boa maneira de as lavar.

Precauções

Não exceder as doses recomenda das no uso interno. Pode produzir in toxicações.

Outros nomes: saboeira, saboneira, erva-saboeira. Esp.: saponaria, fhierbaj jabonera, hierba de balaneros, jabõn de paio. Fr.: saponaire [officinalej, herbe à foulon, savonnière. Ing.: soapwort, soap root. / Habitat: Comum nas bermas dos caminhos e encostas de lugares húmidos, de toda a Europa e da América do Norte. Em Portugal, no Norte e Centro do pais. Descrição: Planta vivaz da família das Cariofiláceas, de 30 a 60 cm de altura, com caule erecto e abundante rizoma. As suas inflorescências terminais são de cor rosada e têm um cheiro agradável. Partes utilizadas: Toda a planta.

ia m cu
Morugem
Verdura silvestre expectorante e emoliente

E

STA humilde plaina c nmiio apreciada pelos pássaros e pelas galinhas; e também por aqueles que conhecem a Nalure/a e os dons que esta oferece aos seres humanos. Bem no início da Primavera, quando os campos começam a vestir-se de verde, a morugem apresenta umas pequenas Tolhas que nascem dos seus tenros caules. É então o momento de colhê-la e de preparar com ela uma excelente salada. Há quem a utilize como os espinafres. Crua ou cozinhada, a morugem não pica nem amarga, e nada fica a dever às hortaliças cultivadas.

Outros nomes: morugem-vulgar, morugem-branca, morugem-verdadeira, orelha-de-toupeira. Esp.: álsine. pamplina [de canários], berrilo, quilloiquilloi, pajarera, hierba de los canários, picagallina. Fr.: stellaire, mouron blanc, mouron des oiseaux. tng.: [common] chickweed. Habitat: Distribuída por todo o mundo. Prefere os lugares húmidos. Os agricultores consideram-na uma erva daninha dos campos cultivados. Descrição: Planta da família das Cariofiláceas, rastejante, com caules pouco consistentes. As folhas são ovaladas e terminadas em ponta. As flores são pequenas, com pétalas brancas que se abrem ao meio-dia, em forma de estrela. Partes utilizadas: toda a planta.

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
USO EXTERNO © Cataplasmas: Cozem-se 100 g de planta triturada em meio litro de água, até que se forme uma pasta homogénea. Aplicam-se em forma de cataplasma sobre a zona da pele irritada.

O Crua em saladas ou cozinhada como os espinafres. @ Decocção com 30 g de planta por litro de água. Ferver durante 15 minutos, iiitrar, e tomar 3 chávenas por dia, uma antes de cada refeição.

A morugem é uma planta silvestre muito apreciada pelas galinhas e pelos pássaros, assim como pelos seres humanos que conhecem as suas propriedades medicinais.

334

A morugem já foi mencionada por Dioscóridcs no primeiro século da nossa era, embora as suas propriedades medicinais só tenham vindo a ser bem conhecidas no século passado. O abade Kncipp, célebre mestre da medicina natural alemã, utilizou-a com êxito nas doenças das vias respiratórias.

formação de uma espuma fina e persistente. As saponinas são o princípio activo mais importante da morugem. A elas se deve a maior parte das propriedades desta planta. • Expectorante: Utili/.a-sc nas bronquites de todo o tipo, e também nos simples catarros bronquiais, para provocar a eliminação das secreções secas ou espessas 101. • Emoliente: Emprega-se no caso de gastrite, para proteger a mucosa do estômago e aliviai" a sensação de peso que acompanha este transtorno IO.0). Também se utiliza no caso de colite (inflamação do intestino grosso), para facilitar uma evacuação regular e sem incómodos. Proporciona um suave efeito laxante 101. • Aplicada externamente, a morugem elimina a inflamação da pele devida a

Além de expectorante e emoliente, a morugem tem um notável efeito tonificante. Por isso se recomenda aos estudantes, particularmente em época de exames, e a quem se encontre submetido a uma sobrecarga física ou intelectual.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

planta é rica em sais minerais e oligoelementos (especialmente magnésio, silício, potássio, fósforo, ferro e cobre), assim como em vitaminas do grupo B e C. Também contém uma certa quantidade de saponinas (do latim saponem, sabão), substâncias que diminuem a tensão superficial da água e a tornam espumosa como a água com sabão. Nas mucosas do organismo, as saponinas provocam a

contusões, irritações de origem física (atritos, queimaduras solares, etc.) ou química (por acção de substâncias tóxicas) 101. • Tonificante: Pelo seu conteúdo em sais minerais e vitaminas, a morugem estimula todo o organismo de forma natural, proporcionando uma sensação de vitalidade e de bem-estar. E por isso muito útil no caso de fadiga ou esgotamento (©,01.
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Taxus baccata L

Teixo
Venenoso, mas útil

T

ODAS as partes desta bela árvore são a l t a m e n t e tóxicas, excepto a cúpula c a r n u d a de cor vermelha q u e , à m a n e i r a de um cap u c h o , cobre a.s suas sementes. Dioscórides acreditava q u e era perigoso, até, sentar-se à s o m b r a do teixo. Diz-se q u e os povos celtas envenenavam as flechas c o m o s u m o desta árvore, paia paralisar as suas vítimas.
P R O P R I E D A D E S E I N D I C A Ç Õ E S : A cú-

pula carnuda q u e envolve a.s sementes contém mucilagem, c com elas se prepara uma xarope peitoral para facilitar a expectoração IOI. C o n t é m também p r o t e í n a s e possui u m a a c ç ã o emoliente (suavi/ante e anii-inllamatória) em especial s o b r e o a p a r e l h o respiratório. O restante ria planta, i n c l u i n d o a semente p r o p r i a m e n t e dita, c o n t é m toxina, um alcalóide muito tóxico q u e causa convulsões, paralisia nervosa, cólicas e transtornos do ritmo cardíaco, até à paragem cardíaca e m o r i e . Antigamente, usava-se em p e q u e n a s doses para estimular o pcristaltismo intestinal e fazer subir a pressão arterial, mas para se conseguir este efeito utilizam-se hoje outras plantas não tóxicas. o teixo é abortivo, e m b o r a também não se use com este fim, devido 336

Outros nomes: Esp.: tejo. Fr.: if [à baies]. Ing.: yew. Habitat: Zonas sombrias de bosques e barrancos de toda a Europa, América do Norte e metade meridional da América do Sul. É mais frequente nos bosques de carvalhos ou azinheiras, e em terrenos calcários. Em alguns países goza de protecção especial, para evitar que se extinga. Cultivado como planta ornamental em parques e jardins. Descrição: Árvore ou arbusto da família das Taxáceas, de até 20 m de altura, dióica (flores masculinas e femininas em plantas separadas) e de folha perene. As sementes das flores femininas encontram-se envolvidas por uma cúpula carnuda de cor vermelha (arilo), que é um falso fruto. Partes utilizadas: os arilos (cúpulas carnudas que envolvem as sementes).

Precauções

O

Preparação e emprego

USO INTERNO O Xarope: Esmagam-se as cúpulas (sem as sementes) e adiciona-se-lhes igual peso de açúcar e a água necessária, até total dissolução. Tomar de 6 a 18 colheradas diárias.

Planta muito tóxica, excepto a cúpula de cor vermelha das sementes (arilos). A ingestão de algumas folhas pode causar a morte a uma criança. Em caso de intoxicação, provocar o vómito ou aplicar uma lavagem ao estômago e administrar grandes doses de carvão vegetal. É necessário proceder à transferência imediata do envenenado para um hospital.

à sua grande toxicidade. I lá que recordai" o aforismo que diz: "Os abortivos são venenos, tanto para o Feto como para a mãe." No.s últimos anos. investigadores norte-americanos e franceses descobriram no teixo uma substância chamada taxai, que tem a propriedade do impedir a reprodução das células minorais (acção aniimnóiica). lnvestiga-se actualmente a possível aplicação do laxol e dos seus derivados no tratamento do cancro, com expectativas promissoras. Diga-se que o laxol se encontra em quantidades muito pequenas na casca e nas folhas do teixo, pelo que o uso directo da

planta não leni qualquer utilidade, além de ser muito tóxica devido ao alcalóide laxina. Paradoxalmente, esta planta venenosa, chamada por alguns "a árvore da morte", pode conter remédios muito úteis para salvar a vida dos doentes de cancro. O mundo vegetal conserva ainda muitos segredos por desvendar.

O

0 teixo contra o cancro

O interesse pelo teixo começou em 1960, no Instituto Nacional do Cancro dos Estados Unidos. Um grupo de cientistas descobriu que o extracto da casca de uma espécie de teixo, chamado teixo-do-pacífico (Taxus brevifolia), mostrava uma notável actividade antitumoral sobre as células cancerosas. Em 1971, identificou-se o princípio activo do extracto de teixo e deu-se-lhe o nome de taxol. A sua extracção é muito dispendiosa, pois para se obterem 100 mg de taxol é preciso um quilo de casca da árvore. Felizmente, conseguiu-se sintetizar quimicamente o taxol, sem necessidade de dispor da casca da árvore. Nas numerosas investigações já realizadas, o taxol tem-se mostrado eficiente contra o cancro do ovário avançado, resistente a outros tratamentos, e contra o cancro da mama com metástases. A aplicação clínica do taxol tem sido adiada, à espera de que os investigadores consigam reduzir os seus efeitos tóxicos (diminuição dos glóbulos brancos), alergia, náuseas e queda do cabelo.

Todas as partes do teixo sào muito venenosas, excepto as pequenas cúpulas carnudas, de cor vermelha, que envolvem as sementes e se chamam arilos. Estes são muito ricos em mucilagem e servem para preparar um xarope peitoral que facilita a expectoração. Da casca da árvore, especialmente do teixo-do-pacífico, extrai-se uma substância capaz de travar o desenvolvimento do cancro.

337

Thymus serpyllum L

O

ei m *J i

Serpão
Acalma a tosse e as dores

A

SEMELHANÇA de outras plantas cia Iam ília das Labia-

das, como o orégão (pág.

464), o tomilho (pág. 769), a hortelã-pimenta (pág. 366), o poejo (pág. 461), o serpão exala um aroma agradável. Não é fácil diferençá-lo do tomilho {Thymus vulgaris L., pág. 769), sobretudo porque existem várias subespécies intermédias. No entanto, estas ires características do sei pão não costumam estar ausentes: / O lábio superior do cálice das suas flores acha-se dividido em três dentes profundos; / As folhas, que são planas e verdes por ambas as faces (o tomilho tem os Outros nomes: serpil, serpilho, serpol, erva-ursa. tomilho. Esp.: serpol. serpillo, tomillo silvestre, tomillo saisero, tomillo sanjuanero. Fr.: thym [bâtard], [thym] serpolet. Ing.: [wildj thyme, mother of thyme. Habitat: Terrenos secos, áridos ou pedregosos em terras baixas ou encostas montanhosas de toda a Europa, até 2500 m de altitude. Naturalizado na América do Norte. Descrição: Planta vivaz da família das Labiadas. que atinge até 40 cm de altura. Os caules são rasteiros, as folhas pequenas e planas, e as flores são cor-de-rosa ou púrpura, agrupadas em inflorescências terminais. Partes utilizadas: as sumidades floridas.

O

Preparação e emprego

USO INTERNO O Infusão com 20-40 g por litro de água, de que se tomam de 3 a 5 chávenas cada dia. Pode-se adoçar com mel. Como antitússico, administra-se uma ou duas colheradas de hora em hora, até que a tosse se acalme. © Essência: Administram-se 3-5 gotas, 3 vezes ao dia. USO EXTERNO © Banhos: Acrescenta-se à água de uma banheira média 2-3 litros de uma decocção feita com 50-100 g, que se tenha deixado ferver durante 5 minutos. O Lavagens, bochechos e gargarejos: Fazem-se com a mesma infusão que para uso interno, mas mais concentrada. © Compressas e fricções com a essência. O serpão acalma a tosse e tonifica todo o organismo. 338

Para t o m a r um b o m b a n h o tonificante, acrescentam-se à água da b a n h e i r a 2-3 litros de uma decocção feita com 50-100 gramas de sumidades floridas de serpão por litro de água. Toma-se q u e n t e . Dá m u i t o bons resultados em caso de depressão, astenia e esgotamento, tanto em crianças como nos adultos.

bordos das folhas voltados para baixo, e estas são esbranquiçadas na página inferior). / O aroma lembra o do limão ou o da erva-cidreira.
P R O P R I E D A D E S E INDICAÇÕES: AS fo-

em t o d o o tipo de c a l a r r o s b r o n quiais. • A f e c ç õ e s digestivas: O serpão utiliza-se contra a atonia do estômago, as digestões pesadas, as flatulências e as dispepsias em geral. IO.0I. • A f e c ç õ e s bucais e anais: Pela sua a c ç ã o anti-séplica, o s e r p ã o é m u i t o indicado para fazer lavagens e bochec h o s em feridas ou inflamações das mucosas do a p a r e l h o digestivo, q u e r seja na boca (aftas ou chagas) q u e r no ânus (fissura anal) 101. Km gargarejos, é muito benéfico no caso de amigdalite (anginas) ou de faringite. • Reumatismos e nevralgias: Aplicada localmente, a essência de s e r p ã o acalma as d o r e s da ciática, das nevralgias faciais e das dores reumáticas em geral 10). • Depressão, astenia e esgotamento: Dão muito bons resultados os banhos q u e n t e s com serpão; são tonificantes e reviíalizanies l€)l. Convêm tanto às crianças débeis c o m o aos adultos necessitados de um estímulo natural.
339

lhas e as flores c o n t ê m unia essência de composição variável s e g u n d o as subespécies, mas q u e s e m p r e possui ctmol, timol e carvacrol. T a m b é m contém p e q u e n a s q u a n t i d a d e s de ácidos fenólicos, flavonóides e t a n i n o s . As p r o p r i e d a d e s do s e r p ã o são-lhe conferidas pela sua essência: digestiva, antiespasmódica, expectorante e antíséptica. As suas aplicações são semelhantes às de outras plantas da família das Labiadas, com as seguintes particularidades: • Afecções respiratórias: O serpão dá muito bons resultados c o m o calmante da tosse, e s p e c i a l m e n t e da tosse seca convulsiva das c r i a n ç a s (O.Ql. T a m b é m se usa na tosse convulsa e

Trífofíum pratenseL

OJ

S * U E .
Preparação e emprego

Trevo-dos-prados
Peitoral e digestivo

USO INTERNO O Decocção durante 10 minutos, de 20-30 g de folhas e/ou flores por litro de água, da qual se tomam até 5 chávenas por dia. USO EXTERNO © Compressas e banhos com a mesma decocção, porém mais concentrada.

A

MANCHA branca que as folhas do trevo apresentam fez pensar os partidários da teoria dos sinais que esta plaina deveria ser boa para tratar as cataratas. Dioscórides (século I d.(].) dizia que o sumo do trevo misturado com mel -resolve as nuvens, manchas brancas e outros impedimentos que obscurecem a vista». Actualmente conhecemos as suas verdadeiras aplicações. Contém taninos, glicósidos, ácidos orgânicos e pigmentos. Dá resultado nas afecções respiratórias (bronquites, tosse e rouquidão) e nas digestivas (diarreia, gastrite, falta de apetite) IO). Não está demonstrado que seja úti contra as cataratas. Externamente, usa-se em banhos e compressas contra as irritações e inflamações da pele l©l.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Trevo-branco

O trevo-branco* (Trifolium repens L, Trifolium nigrescens Schur.) é uma espécie semelhante ao trevo-dos-prados ou trevo-violeta. mas diferindo na cor das flores, que são brancas. O trevo-branco tem um cheiro intenso a feno. Além de ter as mesmas aplicações medicinais que o trevo-dos-prados, a sua decocção acrescenta-se à água do banho para se obter um acentuado efeito anti-reumático. " Esp.: trébol blanco, trébol rastrero, trébol de coche, trébol de Holanda. Fr.: trèfle blanc. Ing.: white clover.

Outros nomes: trevo, trevo-violeta. Esp.: trébol común, trébol rojo, trébol colorado, trébol violeta, trébol violado, trébol de los prados. Fr.: trèfle [commun], trèfle rouge, trèfle des prés. Ing.: wild clover, red clover. Habitat: Prados e pastos húmidos, especialmente de solo calcário, da Europa e da América do Norte. Descrição: Planta herbácea vivaz da família das Leguminosas, que atinge até 50 cm de altura. As folhas são divididas em (rês fofiofos ovalados que apresentam uma mancha branca característica na face superior. Os capítulos florais são de um tom vermelho - violáceo. Partes utilizadas: As flores e as folhas.

340

Tussllago fariam L.

Tussilagem
O antitússico por excelência

O

S ESCRITORES latinos da antiguidade definiam a tussilagem como Jilhtí (nite /Mirem (o filho anões do pai), dado que as flores nascem no princípio da Primavera, dois ou três meses antes das folhas. Es(as só chegam à maturidade quando já as flores começam a murchar. Esta planta utili/a-sc para combater a tosse desde os tempos mais remotos. Dioscórídes descreveu a tussilagem com o nome grego de bekiori, de onde ficou o termo 'béquico* para referir a propriedade de acalmar a tosse e a irritação da garganta. A tussilagem contínua, passados dois mil anos, a ser O béquico por excelência.

Outros nomes: tussilagem-l'arfara, farfara, unha-de-cavalo, unha-de-asno, erva-de•são-quirino. Esp.: tusilago, fartara, pie de caballo, una de caballo, pata de mulo, passo de asno, una de asno, pata de vaca. Fr.: tussilage, pas-d'âne. ing.: coltstoot, British tobacco. Habitat: Terrenos húmidos e frios de toda a Europa. Prefere os solos argilosos, embora também se possa encontrar nos calcários. Encontra-se no continente americano, embora aí seja pouco comum. Descrição: Planta vivaz, da família das Compostas, que atinge até 30 cm de altura. Dos seus caules subterrâneos saem cada ano caules fioríferos, carnudos, cujas folhas estão reduzidas a escamas; na extremidade destes caules iorma-se o capitulo floral, de cor amarela. As folhas grandes, de pecíolo comprido, aparecem depois das flores, e têm a página inferior esbranquiçada. Partes utilizadas: as folhas secas e os capítulos florais.

Õ
Precauções
USO INTERNO

Preparação e emprego
se usar, para eliminar os pequenos pêlos que se soltam dos capítulos florais, que podem irritar a garganta.
USO EXTERNO

As folhas de tussilagem usavam-se em salada, para combater o escorbuto, dada a quantidade de vitamina C que contêm. No entanto, é preferível não se comerem as folhas tenras cruas, porque contêm pequenas quantidades de um alcalóide tóxico para o fígado, que desaparece com a secagem.

O Infusão com 30-50 g de planta seca por litro de água, de que se tomam de 3 a 5 chávenas diárias, quentes. Para melhorar o gosto, que não é muito agradável, basta juntar uma pitada de hortelã ou de anisverde Às crianças pequenas, dáse em colheradas com intervalos de meia ou de uma hora. A infusão deve ser filtrada antes de

© Gargarejos: Com a mesma infusão que para o uso interno, ou um pouco mais concentrada. €) Compressas e loções sobre a zona da pele afectada, com a infusão concentrada

341

A infusão de foihas secas e capítulos florais da tussilagem constituem um valioso complemento dos pianos ou tratamentos para deixar de fumar. A sua acção consiste em limpar os brônquios de secreções, favorecendo a sua eliminação.

a sua eliminação, acalma a tosse, dilata os brônquios e desinilama as mucosas respiratórias. Muito apropriada para tratar bronquites agudas e crónicas, catarros brônquicos, asma, enfisema pulmonar, broncopneumonia, gripe, traqueíte, laringite, faringite e amigdalite (anginas) IOI. Dá muito bons resultados em caso de afonia, aplicada tanto interna IO) como externamente 101. Nas bronquites agudas e broncopneumonias, para usá-la é preferível esperar que tenha passado a fase aguda (dois ou três dias) e comece a desaparecer a congestão inicial. A tussilagem é uma planta aliada do ex-fumador, pois contribui para regenerar as mucosas respiratórias de quem tenha deixado de fumar. Tomada em infusão IOI, torna-se sumamente útil nas curas de desintoxicação do tabaco, para ajudar a limpar os brônquios das secreções acumuladas. Tanto é assim que é um ingrediente fundamental dos chamados "tabacos de ervas". No entanto, o melhor, para quem sofra dos brônquios, é abster-se de todo o tipo de fumos, inclusive daquele que é produzido pela tussilagem. Externamente, utiliza-se para curar diversas afecções da peie: feridas e úlceras, erupções e inflamações (dermatites), assim como para reduzir a transpiração excessiva dos pés. É útil para as pessoas que se queixam de pele gordurosa, e dá muito bom resultado aplicada sobre o couro cabeludo paia o limpar e fortalecer l©l.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS ca-

pítulos florais, c sobretudo as folhas, contêm abundantes mucilãgens com propriedades expectorantes, béquicas, aniiiussicas e emolientes (suavizamos) sobre as vias respiratórias. Contém também álcoois triterpénicos e ílavonóides (rutina e hiperósido) de acção antiespasmódica suave, que contribuem para a acção antitússica e broncodilatadora da tussilagem.
342

Possui também propriedades sudoríficas e depurativas, pois provoca a eliminação de toxinas tanto pela urina como pela transpiração 101. Esta acção torna-se muito útil para combater o componente infeccioso da maior parte das afecções respiratórias. A tussilagem torna-se pois indicada em todas afecções respiratórias: fluidifica as secreções bronquiais e ajuda

Verbascum tnapsusL

J
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão: 20-30 g de flores por litro de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas diárias, depois de ter sido cuidadosamente filtrada com um pano fino, com o fim de eliminar os pelinhos. @ Extracto seco: A dose habitual é de 0,5 a 1 g, 3 vezes ao dia. USO EXTERNO €) Compressas empapadas numa decocção de 60-80 g de folhas e flores por litro de água. Aplicam-se sobre a pele afectada.

Verbasco
Suaviza os brônquios e todos os tecidos

A

S VIRTUDES peitorais do verbasco já eram conhecidas na Grécia clássica por Hipócrates e por Dioscóridcs. Desde então, tem vindo a ser utilizada com êxito na fitoterapia. As folhas têm-se utilizado como mechas de candeia e como pensos para feridas. A sua aveludada suavidade já lhe mereceu o qualificativo de "papel higiénico" silvestre.

O Cataplasmas: Faz-se com as folhas fervidas em leite, aplicadas sobre a zona afectada.

Outros nomes: baròasco, erva-de-são-fiacre, tróculos-brancos, vela-de-nossa-senhora. Brasil: cirio-do-rei. Esp.: gordolobo común, gordolobo macho, verbasco, candelária, candeia regia, escobizo. Fr.: bouillon blanc. molène. Ing.: mullein, Aaron's rod, hedge-taper. Habitat: Espalhado pelos lugares incultos e terrenos pedregosos de toda a Europa. Em Portugal encontra-se de Trás-os-Montes e Minho até ao Alentejo, embora pouco frequente. Conhecido no continente americano. Descrição: Planta bienal da família das Escrofuiárias, de caule erecto, que pode atingir 1,5 m de altura. As folhas são grandes e cobertas de abundantes pêlos lanosos. As flores são de cor amarela e nascem em grossas espigas. Partes utilizadas: as flores e as folhas.

flores, sobretudo, e em menor quantidade as folhas, contêm mucilagem, a que devem a sua acção emoliente (suavizam os tecidos); saponinas e flavonóides, de efeito anti-inflamatório, antitússico e antiespasmódico; e diversos glicósidos e pigmentos. E diurético e sudorífico suave. O seu uso está indicado nos seguintes casos:
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS

* Irritações das mucosas respiratórias: faringite, laringite, catarros brônquicos e asma (pela sua acção antiespasmódica). Alivia a tosse e facilita a expectoração IO.0L • Aplicado externamente, é útil nos furúnculos, queimaduras, frieiras e hemorróidas IO,OI. Pode-se aplicar tanto em compressas embebidas numa decocção de folhas e flores, como em cataplasmas feitas com as folhas fervidas em leite.

343

Viola odorata L.

Violeta
Peitoral e aromática

A

VIOLETA pertence à mesma família botânica que O amor-perfeito-bravo (pág. 735). As Flores de ambas as plantas são igualmente bolas c delicadas. Diferem em que as da violeta têm duas pétalas para cima c três para baixo, enquanto as do amor-perfeito-bravo têm quatro pétalas para cima e uma para baixo.

Hipócrates, no século V a.C, já recomendava as violetas pata o tratamento das enxaquecas. No princípio do século XX atribiiiu-se-lbcs a faculdade de curar os tumores cancerosos, o que nunca pôde ser confirmado. A violeta é uma das plantas peitorais mais apreciadas em Fitoterapia. Toda a planta contém saponinas (especialmente a raiz), que a fazem expectorante e diurética; mucilagens, de acção emoliente, bcquica (antiiúsxica) e laxante; ácido salicílico, de cieilo anti-inflamatório e sudorífico; pigmentos (antocianinas) e glicósidos, a que se atribui o seu suave efeito diurético; e essência, nas flores, que lhes outorga o seu agradável aroma.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: violeta-de-cheiro, violeta-roxa, viola. Esp.: violeta, violeta común, violeta olorosa, viola. Fr.: violette (des jardins], violette odorante. Ing.: [garden] violei sweet violei Habitat: Prados e bosques húmidos de toda a Europa. Cultivada e difundida no continente americano. Bastante disseminada, embora pouco frequente. Descrição: Planta vivaz da família das Violáceas, que atinge de 5 a 15 cm de altura. É desprovida de caules aéreos, e tanto as folhas como as flores nascem de uma cepa central mediante compridos pedúnculos. Flores da característica cor violeta, embora por vezes sejam brancas ou rosadas, com 5 pétalas e muito aromáticas. Partes utilizadas: As flores, as folhas e as raízes.

O
USO INTERNO

Preparação e emprego
quarto de litro de água. Ferve-se até que o líquido fique reduzido a metade. Tem que se tomar uma colherada de 5 em 5 minutos, até produzir o vómito. 0 Pó de raiz dissolvido à razão de 1 -4 g em meio copo de água; com o que se torna o efeito vomitivo ainda mais intenso
USO EXTERNO

0 Infusão com 30-40 g de folhas e/ou flores por litro de água, de que se lomam 3 ou 4 chávenas por dia. Tem um sabor muito agradável. © Xarope de violeta: Pode substituir a infusão, especialmente para as crianças. Prepara-se com 50 g de flores, que se deixam em maceração em meio litro de água durante 12 horas. Depois de filtrada, acrescentam-se-lhe 200 g de mel e ferve-se durante 5 minutos. Administram-se de 1 a 3 colheradas cada duas horas. €) Decocção vomitiva: Prepara-se com 10-20 g de raiz triturada, num

As FLORES têm as seguintes aplicações: • Afecções respiratórias: Pelo seu conteúdo em saponinas, fluidificam as secreções bronquiais, descongestionam os brônquios c acalmam a tosse 10,ôl. As mucilagens exercem uma acção
344

© A mesma infusão descrita para uso interno aplica-se em bochechos, em gargarejos, em lavagens às pálpebras, ou em compressas e fomentações sobre a fronte.

O xarope de violetas torna-se especialmente benéfico para as crianças, em caso de catarro brônquico ou de gripe. Açaima a tosse, fluidifica as secreções bronquiais e favorece a sudação. Além do xarope, os adultos também podem tomar a violeta em infusão de folhas e/ou flores.

suavizante e anti-inflamatória sobre iodas as mucosas; as das violetas actuam especialmente sobre as mucosas do aparelho respiratório. A violeta é, pois, uma planta muito útil para o tratamento dos catarros brônquicos, bronquites, traqueíte e broncopneumonia. As violetas são também sudoríficas, pelo que se recomendam especialmente quando a afecção respiratória se faz acompanhar de febre, tomo costuma acontecer com a gripe. Possuem ainda um suave efeito diurético c laxante, muito conveniente para os doentes febris. • Cistite: Rccomendam-se, neste caso, em virtude da acção anti-inflamatória que as mut ilagens exercem sobre o aparelho urinário IO.91. • Enxaquecas e cefaleias: Tem-sc usado com êxito, desde tempos antigos, embora não se saiba bem qual dos princípios activos da violeta é responsável por esta acção. Tradicionalmente, as dores de violeta aplic am-se lauto por via oral (infusão) IOI como em compressas ou lomentaçõcs sobre a fronte l@l. • Afecções bucais e da garganta: Externamente, a infusão usa-se para fazer bochechos ou gargarejos em caso de

estomatite (inflamação da mucosa bucal), gengivite, amigdalite, laringite e afonia í©l. • Aplica-se em lavagens sobre os olhos 101 em caso de blefarite (inflamação das pálpebras) e de conjuntivite. As FOLHAS das violetas têm propriedades semelhantes às flores, mas

com maior efeito sudorífico, diuveti co e laxante. Costumam usar-se mis turaclas com as llores. As RAÍZES são muito ricas em sapo ninas, pelo que têm uma acção eme tica (vomiliva) 10.01. Administram-sc para provocar o vómito em caso de in toxicação alimentar ou de indigestão

PLANTAS PARA O APARELHO DIGESTIVO
SUMÁRIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES
Anomia, ver Apetite, falta de . . .347 Apetite, falta de 347 Hálito fétido, ver Mau hálito .. . .347 IIali tose, ver Mau hálito 347 Inapelência, ver Apetite, falta de .347 Mau hálito 347 Plantas digestivas 348 Camomila-romana = Macela ... .350 Cocleária 356 Dictamno 358 Didamno-real 358 Endro 349 Erva-coalheira 361 Funcho 360 Gengibre 377 Hibisco 363 Hortelã-pimenta 366 Macela 350 Manjericão-grande 368 Manjerona 369 Margaça-das-boticas = Camomila .364 Milola 363 Nêveda-dos-gatos 367 Pimenta-malagiteta = Pimentão . .354 Pimentão 354 Pimenteira 370 Piri piri = Pimentão 354 Rosa-do-japão 362 Segurelha 374 Segurelha-dos-jardins 375

N e n h u m tratamento, seja com plantas ou com fármacos, pode compensar os transtornos digestivos devidos a uma alimentação incorrecta.

PLANTAS Abelmosco 362 Abrunheiro-bravo 372 Alcaravia 365 Amor-de-horlelão 361 Anelo = Endro 349 Ansarinha = Argentina 371 Argentina 371 Aspénda-odorífera 351 Assa-fétida 359 Basílico = Manjericão-grande ... .368 Baunilha 376 Beladona 352 Camomila 364

UASE TODAS as plantas medicinais exercem algum tipo de efeito sobre o aparelho digestivo. Aquelas que descrevemos neste capítulo actuam sobre o conjunto dos órgãos digestivos, entre os quais o estômago, o intestino, o ligado e o pâncreas, listas plantas facilitam a digestão mediante duas acções fundamentais: • Activam as ondas peristálticas, que são as contracções do tubo digestivo que fazem progredir o conteúdo intestinal. Quando estas contracções não são suficientemente intensas, ou não produzem

Q

efeito, o bolo alimentar não avança correctamente, e a digestão faz-se de modo lento e pesado. • Aumentam a secreção de sucos digestivos por parle do estômago, intestino e pâncreas, cuja carência torna lento o processo da digestão. Para que estas plantas sejam realmente eficazes, deve-se seguir uma alimentação conecta, o mais saudável e natural possível. Não existe nenhuma planta medicinal, nem por certo qualquer fármaco, capa/.es de compensar os eleitos negativos de uma dieta inadequada.

346

A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
2 " Parte: D e s c r i ç ã o

I

Doença MAU HÁLITO
Cheiro anormal do ar expirado. Deve-se geralmente a causas bucais (piorreia), gástricas (retenção de alimentos no estômago) ou intestinais (fermentações e putrefacções). Além destas plantas, servem todas aquelas que combatem a piorreia (cap. LO), a dispepsia (cap. 19) e as fermentações intestinais (cap. 20).

Planta

Pág. Acção

Uso
Infusão, bochechos

SANAMUNDA

194 Tónico digestivo, anti-séptico bucal

PISTÂCIA

197 Perfuma o hálito, combate a piorreia

Almécega (resina) mastigada ou em pastas dentífricas

EUCALIPTO

Combate as fermentações intestinais, 304 elimina as toxinas intestinais causadoras do mau hálito

Carvão da madeira em pó (também serve o carvão da madeira de outras árvores)

POEJO

461 Combate as fermentações intestinais

Infusão
Infusão de rizoma, raiz ou folhas secas Infusão de sumidades floridas e folhas

APETITE, FALTA DE
Qualquer alteração ao longo do aparelho digestivo, desde o esófago até ao intestino, pode provocar uma falta de apetite (anorexia nervosa). Também pode ser causado por transtornos psíquicos. Antes de aplicar qualquer tratamento para abrir o apetite, deve-se diagnosticar a causa da inapetência.

SANAMUNDA

194 Activa os processos digestivos

MARROIO

316

Aumenta o apetite, facilita a digestão

ARGENTINA ABRUNHEIRO-BRAVO • &nrti ira
«NGEUCA

371

Abre o apetite, facilita a digestão

Decocção de folhas e flores Frutos frescos, em xarope ou em decocção infusão, essência

O 7 ? Estimula os processos digestivos, aperitivo, tonificante 34 7 %££>*£*''*»*»•

A?Z Aumenta a secreção dos sucos
4^0
g a b r e Q a p e t

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e

|jmina o

Infusão ou decocção de raiz

s g a s e s

Cardo-santo
ABSINTO

428 Tónico amargo, aumenta o apetite Estimula os movimentos de esvaziamento do estômago

Infusão de folhas e capítulos florais

FEL-DA-TERRA

436

Infusão de sumidades floridas

r.msA « i ^ I\AA Tonifica o estômago CARDO-SANTO 444 e to do o aparelho digestivo
GENCIANA

Infusão ou decocção de folhas

Contém amargos que excitam a secreção Maceração, decocção, pó 452 de todas as glândulas digestivas ou extracto de raiz 457 fi?4 0^4 Facilita a digestão, abre o apetite Abre o apetite, estimula o esvaziamento do estômago Infusão de folhas e frutos Infusão de sumidades floridas ou de raiz Irrlusão de sumidades floridas

LOUREIRO

ARTEMÍSIA HRTEMISIA
MlLEFÓUO

691 Tonilica os órgãos digestivos
7co

Segurelha

nuiNfl VUINA

iot

Aperitiva, tonificante, combate as fermentações intestinais

Infusão da casca

347

a

Cap. 1 7 : PLANIAS PARA O APARELHO OIGESTIVO

Plantas digestivas
£sfas plantas exercem uma acção favorecedora do conjunto dos processos digestivos, regulando a motilidade do estômago e do intestino (ondas peristálticas) e aumentando a secreção dos sucos necessários para a digestão.

Plantas Lúpulo Erva-cidreira Verbena Alteia Arando Urtiga-maior Alcaçus Serpão Macela Alcaravia Funcho Camomila Hortelã-pimenta Manjerona Segurelha Baunilha Gengibre Boldo Dente-de-leão Cálamo-aromático Ananás Angélica Absinto Estragão

Pág. 158 163 174 190 260 278 308 338 350 355 360 364 366 369 374 376 377 390 397 424 425 426 428 430

Plantas Papaieira Fel-da-terra Chicória Caneleira Cardo-santo Calumba Coentro Cominho Genciana Condurango Anis-estrelado Jasónia Loureiro Lúcia-lima Poejo Anis-verde Verónica Zimbro Levístico Aljôfar Monarda Salva Milefólio Aloés

Pág. 435 436 440 442 444 446 447 449 452 454 455 456 457 459 461 465 475 577 578 579 634 638 691 694 Em muitas ocasiões, a dor abdominal deve-se a transtornos funcionais da digestão, tais como "nervos no estômago', excesso de gases, misturas inadequadas de alimentos e prisão de ventre. As plantas digestivas regulam e normalizam os processos digestivos, desde que se corrija primeiramente o factor causal.

O funcho (pág. 360) pertence à família das Umbeliferas, j u n t a m e n t e com o endro, a angélica, a alcaravia, o coentro, o anis e o cominho, entre outras plantas. Todas elas produzem essências de acção digestiva e carminativa (combatem os gases intestinais).

348

Anethum graveolens L

Preparação e emprego

Endro
Aperitivo e antiflatulento
USO INTERNO O Infusão com uma colher de sopa (mais ou menos 15 g) de sementes, em meio litro de água. Tomar 2 ou 3 chávenas diárias, depois das refeições.

O

ENDRO é uma das plainas medicinais mais antigas: os Egípcios, os Gregos e os Romanos já a conheciam e apreciavam, usando-a como remédio e como condimento. O seu aspecto é muito semelhante ao do funcho, e diz o médico espanhol do século XVI, Andrés de Laguna, que «se o gosto não fosse o juiz, facilmente se enganaria a vista, tomando um pelo outro». Efectivamente, o endro tem um sabor mais forte e picante do que funcho, ainda que as propriedades de ambos sejam muito semelhantes.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As se-

mentes do endro contêm uma essência (3%-4%), cujo componente mais importante é a carvona. É um poderoso carminativo (elimina os gases e flatulências intestinais), e aperitivo, além de diurético, galactogogo (aumenta a produção de leite) e ligeiramente sedativo. Também tem efeito emenagogo (estimula a menstruação). As suas indicações mais importantes são os arrotos e os soluços infantis, assim como o excesso de gases no estômago (aerofagia) c as flatulências intestinais dos adultos IOI. Também se utiliza como sedativo no caso de vómitos, e como estimulante da secreção do leite nas mães que amamentam.

Sinonímia científica: Anethum sowa Roxb. Outros nomes: endro-ordinário, endrão, anato, funcho-bastardo. Esp.: eneldo, aneto, anega, anisillo, hinojo [falso]. Fr.: aneth (odorant), fênoueilpuant. Ing.: [garden] dili, dilly, sowa. Habitat: Originário da Ásia Menor e actualmente disseminado, tanto em estado silvestre como cultivado, em toda a Europa mediterrânea e América. Descrição: Planta herbácea da família das Umbelíferas, que atinge de 30 a 50 cm de altura. O caule é estriado e as flores, amarelas, estão dispostas em umbelas de 15 a 30 raios desiguais. Partes utilizadas: as sementes.

34

AnthemlsnoblIlsL

* í*
Preparação e emprego

Macela
Digestiva e antiespasmódica

USO INTERNO

O Infusão: 5-10 g de capítulos por litro de água. Tomam-se até 6 chávenas por dia. O Pó: A dose oscila entre 2 e 10 g diários. Ingere-se diluindo-o em água, acompanhado com um pouco de mel. €> Essência: Administram-se 2-4 gotas, 3 vezes ao
USO EXTERNO

T

AMBÉM se chama camomila-romana a esta planta, porque se cultivava cm Roma, nos séculos XVI e XVII. Não consta, no entanto, que fosse conhecida pelos antigos Gregos ou Romanos. A pesar de as suas propriedades serem muito semelhantes às da verdadeira camomila (pág. 364), esta planta conservou a sua personalidade própria e o seu lugar na fitoterapia.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A

O Compressas embebidas em uma decocção de 20-30 g de capítulos por litro de água, que se aplicam sobre a pele. 0 Lavagens oculares com a mesma decocção. © Fricções: Aplicam-se sobre a pele com a essência dissolvida em álcool.

essência da macela, ou camomila-romana, contém caznazuleno, de acção antí-inflamatória, diversos ésteres e um princípio amargo de acção digestiva e carminativa (ajuda a expulsar os gases intestinais). Contém além disso cumarinas e ílavonóides de acção antiespasmódica. Possui também propriedades emenagogas (estimula e normaliza a menstruação) e anti-reumáticas. Aplica-sc em uso interno: • Afecções digestivas (principal aplicação): indigestões, dispepsia (digestão difícil), flatulências, náuseas [O.0OI. • Cólicas intestinais, biliares ou renais: como antiespasmódica IO.©,0). • Dores menstruais IO.O,©l Externamente usa-se para: • Reumatismo: em Fricções MM. • Cicatrização das feridas, mediante a aplicação de compressas sobre a pele 101. • Lavagens oculares: como colírio l©l.
350

Outros nomes: macela-dourada, maceia-fior, maceta-galega, macefa-de•botão, macelão, marcela, camomila-de•paris, camomila-romana, falsa-camomila. Esp.: manzanilla romana, camomila romana, matricaria. Fr.: camomille romaine. Ing: Roman camomila, English camomila. Habitat: Campos cultivados, prados e alqueives de terreno silicioso da Europa Ocidental. Conhecida no continente americano. Descrição: Planta vivaz da família das Compostas, de 10 a 30 cm de altura e vilosa ao tacto. É mais baixa e ramificada que a camomila. As suas folhas são muito finamente segmentadas. Os capítulos florais são muito parecidos com os da camomila, mas têm um aroma mais intenso. Partes utilizadas: os capítulos florais.

Aspérula-odorífera
Uma planta eficiente mas pouco utilizada

Preparação e emprego

USO INTERNO O Infusão: 40-50 gramas de planta seca por litro de água, de que se ingerem 2 ou 3 chávenas por dia. USO EXTERNO © Lavagens oculares: Fazem-se com uma decocção de 50 g de planta por litro de água. Deve ferver durante pelo menos 5 minutos, para que fique esterilizada antes de se aplicar aos olhos.

OS PAÍSES germânicos, há muitos séculos que se fabrica com ela O Muiwein (vinho de Maio), bebida alcoólica obtida por maceração das aspérulas em vinho branco. Felizmente, o seu uso é cada vez menor, pois, quando se toma com certa regularidade, provoca violentas dores de cabeça, perda da memória e Uanstornos do sistema nervoso.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O seu

N

Outros nomes: Esp.: aspérula olorosa, aspérula, asperila [de los bosques], hepática estrellada, hierba de las siete sangrias, reina de (os bosques. Fr.: aspérule [odorante], reine des bois. Ing.: [sweet] woodruff. Habitat: Vive nos bosques frescos e faiais da zona temperada da Europa. Cultivada nos Estados Unidos e noutros países da América. Descrição: Planta vivaz da família das Rubiáceas, que atinge 20-30 cm de altura. As suas folhas, que nascem em grupos de 6 ou 8, têm forma lanceolada e uma superfície áspera, tal como o seu nome indica. As flores são brancas. Partes utilizadas: toda a planta, salvo a raiz.

princípio activo é o asperulósido, um gHcósiclo que se transforma em cumarina quando a planta se seca. São muitas as propriedades atribuídas à aspérula: • Antiespasmódíca: Facilita a digestão das pessoas nervosas. Combate os espasmos do estômago c do intestino IOI. É este o seu efeito mais importante. • Sedativa e soporífera (indutora do sono) em doses altas IOI. • Anticoagulante e fluidificante do sangue IOI. • Diurética e anti-séptica urinária, pelo que o seu uso c também indicado no caso de infecção urinária (pielonelrite e cistite), assim como de litíase (pedras nos rins) IOI. • Anti-inflamatória ocular: Aplica-se em caso de blefarite (inflamação das pálpebras) e conjumivive l€M.

351

Atropa beiladonna L

H

Beladona
Tóxico potente e medicamento insubstituível

R

EFERE Mattíoli, notável botânico italiano cio século XVI, tradutor e comentador dos livros de Dioscórides, que os toscanos chamavam a esta planta herba brlla (fauna. - Que olhos tão grandes e brilhantes que tens! domo os conseguiste? pergunta uma dama a outra. - É muito fácil: deixando cair nos olhos umas gotinhas do sumo que deitam as bagas negras de uma planta que cresce nas montanhas.

Foi possivelmente assim que, na Itália medieval e renascentista, surgiu a moda de andar com as pupilas dos oIhos dilatadas. Mas não foram só as mulheres que usaram esta planta que servia para fins cosméticos. Os bruxos e envenenadores medievais descobriram que, dando-a a ingerir às suas vítimas, podiam produzir alucinações e delírios, além de uma grande varic-

Outros nomes: beladama, erva-midriática, erva-moura-fuhosa. Brasil: erva-envenenada. Esp.: belladona, belladama, tabaco bastardo, botón negro, solano mayor. Fr.: belledone. Ing.: beiladonna. Habitat: Cria-se espontaneamente em bosques montanhosos e sombrios da Europa Central e Meridional, e da América do Sul. Descrição: Planta vivaz da família das Solanáceas, que chega a atingir 1,80 m de altura. Tem folhas largas e ovaladas, flores grandes e solitárias com forma de campânula e de cor púrpura ou violeta. Os frutos são bagas de cor negra e brilhante, semelhantes a cerejas. Partes utilizadas: as folhas e a raiz.

Precauções
Não se recomenda o seu emprego em forma de planta medicinal, pois torna-se muito difícil aplicar a dose correcta e podem produzir-se intoxicações. Font Quer, o notável botânico e farmacêutico espanhol, relata no seu livro, Plantas medicinales: El Dioscórides renovado, como certo dia, em que se sentiu constipado e com alguns sintomas de asma, ele mesmo preparou o que lhe pareceu uma ligeira infusão com algumas folhas de beladona. Umas horas mais tarde não conseguia engolir, e sofria os efeitos secundários de uma dose excessiva de beladona. Só o médico tem competência para aplicar correctamente esta planta, que tanto pode curar como matar. E dado o potente efeito da sua acção, é mais seguro utilizar o princípio activo da atropina, sob a forma de preparações farmacêuticas, cuja dosagem é perfeitamente conhecida.

CHO

-CO-CH

-

CH.OH

CH

<D

Fórmula química da atropina, o alcalóide mais importante da beladona. Trata-se de uma substância muito potente, que faz parte de diversos medicamentos. 352

Precauções
As bagas desta planta, de sabor um tanto doce, são parecidas com cerejas, e podem ser confundidas pelas crianças. Dez bagas podem causar a morte a um adulto, e 3 ou 4 a uma criança. A intoxicação manifesta-se por excitação nervosa, pupilas dilatadas e visão turva, secura da boca, taquicardia e enrubescimento do rosto. Os primeiros socorros consistem em provocar o vómito e administrar carvão vegetal em pó, dissolvido em água, a que se pode acrescentar sulfato de magnésio. É necessário transportar o mais depressa possível a pessoa afectada para um hospital.

^àâ*

Na Idade Média, as damas utilizavam o sumo das bagas da beJadona como colírio, para dilatar as pupilas e aumentar o brilho dos olhos. A beladona, e o seu alcalóide atropina, já não se usam pelo seu pretendido efeito embelezador, mas sim como um fármaco insubstituível em medicina de urgências e em anestesiologia.

dade de efeitos sobre o organismo. Ingerida em certa quantidade, causava até mesmo a morte. Foi devido aos notáveis e variados efeitos tóxicos desta planta, que Lineu, o grande naturalista sueco do século XVIII, lhe deu o nome de Atropa be.Lladonna. Atropa era uma das três Parcas da mitologia grega, uma divindade de cujas mãos pendia o fio da vida dos humanos, e que o cortava caprichosamente a seu bel-prazer. Já no século XIX, o progresso da bioquímica e da Fisiologia permitiu isolar a atropina, o alcalóide mais importante da beladona. As experiências científicas foram revelando os muitos efeitos da atropina no organismo, e as suas aplicações terapêuticas. Em doses controladas, a atropina

torna-se insubstituível em medicina, especialmente em anestesiologia. Toda a planta, particularmente as folhas, contém potentes alcalóides (atropina e hiosciamina).
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

todas as glândulas digestivas, incluindo as salivares (produz secura da boca). • Antiarrítmica: Utiliza-se no caso de bradicardia (pulso lento) e para normalizar o ritmo cardíaco. • Antiasmática: Relaxa os músculos dos brônquios, aumentando-lh.es o diâmetro (acção broncodilatadora). Clinicamente, são muitas as aplicações da beladona e do seu princípio activo mais importante, a atropina. Emprega-se muito na oftalmologia, pelos efeitos que exerce sobre a pupila; nos espasmos e cólicas do aparelho digestivo e urinário, pelo seu efeito antiespasmódico; nos transtornos do ritmo cardíaco e em muitas outras situações clínicas.
353

A ATROPINA é um parassimpaticolítico, isto é, uma substância que bloqueia a transmissão do impulso nervoso nos terminais do sistema parassimpático. São estas as suas propriedades mais importantes: • Midriática: Provoca a dilatação das pupilas. • Antiespasmódica: Faz relaxar os músculos do tubo digestivo e dos canais urinários, aliviando os espasmos e as cólicas. • Anti-secretora: Reduz a secreção de

Capslcum frutescensL.

K
Preparação e emprego

Pimentão
Estimulante e revulsivo

O

PIMENTÃO, tanto o doce como o picante, era o condimento mais apreciado pelos Maias. Foi uma das primeiras plantas que os Espanhóis, após o descobrimento ou o encontro com a América, trouxeram consigo para a Europa, onde rapidamente se expandiu o seu consumo.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Todas

USO INTERNO

O Como hortaliça: Em qualquer das suas preparações culinárias. ® Seco em pó
USO EXTERNO

as variedades de pimentões contêm o alcalóide capsicina (os picantes em maior proporção), além de carotenos e vitaminas (especialmente a C). O pimentão picante estimula a produção de sucos gástricos e intestinais, activando todos os órgãos digestivos. É bom para quem sofra de digestões lentas ou pesadas, para quem sofra de plose gástrica (estômago caído) e para os que tenham falta de apetite IO). No entanto, sempre em pequenas doses, pois a capsicina que contém pode provocar gastrite e enterite. Aplicado externamente, o pimento picante é rubefaciente (irrita a pele e as mucosas) e revulsivo, pelo que au-ai o sangue para a pele e assim descongestiona os órgãos e tecidos internos. Por isso se utiliza no reumatismo, lumbago, torcicolos e dores musculares 101.

© Cataplasma: com pimentões picantes, que se aplica sobre a zona dorida, cobrindo-a depois com um pano de lã.

Precauções

F

Pimento

Devem abster-se de usar o pimentão picante aqueles que sofram de gastrite, de úlcera gastroduodenal, de colite e de hemorróidas. Dado que o alcalóide capsicina, responsável da acção picante, se elimina também pela urina, irritando na sua passagem as mucosas que revestem os canais urinários, devem evitá-lo igualmente os homens que sofram da próstata (pode provocar retenção da urina), assim como as mulheres que sofram de cistite (inflamação da bexiga).

0 pimento, ou pimentão-doce (Capsicum annuum L)*, tem acção antiflatulenta e laxante, se for comido cru ou assado no forno. Do mesmo modo que o picante, também estimula a produção de sucos digestivos. Frito, torna-se muito indigesto. É rico em caroteno (provitamina A). Dado o seu baixo conteúdo em hidratos de carbono e gorduras, recomenda-se especialmente aos diabéticos e obesos 10.01. ' Esp.: pimiento dulce, ajídulce. pimentón, bombalón.

Outros nomes: pimentão-de-cheiro, pimentão-de-caiena, pimenta-malagueta, jindungo, piripiri, cabeia. Esp.: chile (largoj, chilejuipin, chile picante, guidilla, ají picante, ajíchirei, chilpepe, chivato, tempechile. Fr.: piment, poivron. Ing.: pepper, paprika. Habitat: Cultivado como hortaliça ou como condimento, em todos os países tropicais e temperados. Descrição: Planta da família das Solanáceas, de que existem mais de cinquenta variedades. O fruto é verde, vermelho ou amarelo, mais terminado em ponta se for picante. Partes utilizadas: O fruto.

354

CarumcarvíL

Õ
Outros nomes: alcarovia, alcorovia, cherivia, alchkovia, cominho-dos-prados, carvi. Esp.: alcaravea, carvia, carvi, carvi-comino, comino de prado, hinojo de prado. Fr.: cumin [des prés), carvi. Ing.: caraway.

r r

Alcaravia
Combate os gases digestivos

O

NOME desta planta tem ressonâncias arábicas, que nos levam a imaginar os exóticos e suculentos pratos orientais. A alcaravia é originária dos países do Mediterrâneo Oriental. Usa-se como condimento desde tempos muito remotos. O pão, as hortaliças, os queijos, os pastéis, e uma infinidade de pratos e molhos, são beneficiados com o seu aroma.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Na

composição desta planta, do mesmo modo que na de outras umbelíferas similares, como o anis (pág. 465) e o funcho (pág. 360), destacam-se sobretudo as essências. A mais abundante delas é a carvona, responsável pelo grande efeito carminativo (antillaiulento) dos seus pequenos frutos. «Resolve as ventosidades do estômago», dizia dela Andrés de Laguna, ilustre médico e botânico do século XVI. E certamente a alcaravia é uma das plantas com maior efeito carminativo. Daí o ser indicada nos casos em que haja excesso de gases: • aerofagia: deglutição de ar seguida de arrotos;

Habitat: Comum nos prados e pastagens de regiões montanhosas, embora também se cultive. Encontra-se por toda a Europa e na metade norte do continente americano, se bem que o seu uso se tenha estendido a * todo o mundo. Descrição: Planta bienal, de 20 a 60 cm de altura, pertencente à família das Umbeliferas. As folhas são escassas e finas: as flores, pequenas e agrupadas em umbeias. Os frutos são pequenos mas muito aromáticos. Partes utilizadas: os frutos.

U?
USO INTERNO

Preparação e emprego

O Infusão: Meia colher (de sobremesa) de frutos, por cada chávena de água. Toma-se uma chávena depois de cada refeição. © Essência: Até 3 gotas, três vezes ao dia. Aos lactentes dá-se uma ou duas gotas dissolvidas num pouco

de água açucarada, duas ou três vezes ao dia. © Com o leite: Ao leite ou à água do preparado lácteo (fórmula láctea) dos bebés, junta-se meia colher (de sobremesa) de frutos, por litro. Ferve-se e coa-se.

O

Condimento

Triturada em toda a espécie de pratos, acompanha especialmente bem as saladas e as hortaliças flatulentas, como as couves.

• aerogastria: dilatação do estômago por gases; • aerocolia: excesso de gases no intestino; • aero... Faz desaparecer os Halos, e acalma OS espasmos e convulsões intestinais IO,©). É portanto de grande utilidade

para os bebés com excesso de gases, que a podem tomar juntamente com o leite- fôl. A alcaravia também é eupéptica (facilita a digestão), ligeiramente diurética, e ajuda a secreção láctea das mulheres que amamentam IO.0I.

Cochlearia offídnalisL

Cocleária
Antiescorbútica e tónica digestiva

N

AS COSTAS da Inglaterra, atraca um barco que acaba de chegar de uma longa viagem pelo Atlântico. Achamo-nos em pleno século XVIII, no tempo do capitão James Cook, época de grandes viagens e de intrépidos exploradores. - A tripulação está muito dizimada - diz o capitão aos poucos aldeãos que aparecem a recebê-los. - Sentimo-nos muito debilitados e as feridas não nos cicatrizam. No entanto não nos faltou a ração de trigo, cevada e carne seca. - Sangram-me as gengivas, e estão muito inchadas! — exclama penosamente um curtido marinheiro. Um dos camponeses observa como descem da embarcação aqueles homens rudes, que foram capazes de vencer os embales do mar, mas que se encontram abatidos por deficiência da alimentação. - Creio que tenho um remédio para vocês! - diz O humilde aldeão. 1 lá uma ervinha que cresce por estas costas e que vos pode devolver o vigor que o mar vos roubou. K a "erva do escorbuto", que cura a doença dos navegantes. Os marinheiros comem esta planta durante vários dias, e os seus sintomas começam a desaparecer.
356

Outros nomes: cocleária-maior, cocleária-oficinal, erva-da$-colheres. Esp.: cocleária, hierba de la cucharra, hierba dei escorbuto, rábano vagisco. Fr.: cochléaire, herbe à la cuillère, herbe au scorbut. Ing.: scurvy grass, scorbute grass. Habitat: Disseminada por terrenos pedregosos e húmidos, perto do mar ou de cursos de água. É pouco frequente no Centro e no Norte da Europa, assim como na metade norte do continente americano. Descrição: Planta vivaz da família das Cruciferas, que atinge de 10 a 25 cm de altura. As folhas são carnosas, de pecioio longo, de cor verde escura e em forma de coração. As flores, brancas ou rosadas, crescem nos cachos terminais. Partes utilizadas: a planta inteira fresca.

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USO INTERNO

Preparação e emprego
excelente tónico contra a astenia (fadiga) primaveril. Tomar um copo diário, de manhã. USO EXTERNO © Compressas embebidas com infusão de cocleária, que se preparam com 50 g de planta por cada litro de água. Aplicam-se sobre as zonas doridas.

O Verdura: As suas folhas e caules frescos podem comer-se como salada, só ou acompanhada de outras verduras. O Sumo: Convém bebê-lo imediatamente, para não se perderem as suas vitaminas. Só, ou misturado com sumo de laranja, constitui um

A dieta dos antigos marinheiros, ã base de carne seca, peixe e farinha, era muito deficiente em vitamina C. Devido ã sua riqueza nesta vitamina, a cocleária salvou a vida de muitos marinheiros atacados de escorbuto nos séculos passados. Actualmente, esta planta é utilizada por causa da sua acção tonificante e digestiva.

Sabemos hoje que a cocleária, scurvy grass (erva do escorbuto, em inglês), contém grandes doses de vitamina C, precisamente o que faltava na dieta dos marinheiros, isenta de frutas e verduras frescas. Nem Dioscórides no século I d.C, nem os seus comentaristas do Renascimento, sabiam da existência desta planta. Tendo o seu habitat no Atlântico e não se dando nos países mediterrâneos, foi ignorada pelos grandes herbanários e médicos da área latina da Europa. Mas nos séculos XVII e XVIII fizeram-se, na França e na Inglaterra, grandes plantações de cocleária, para socorrer os marinheiros e exploradores que voltavam doentes das suas viagens, por carência da então desconhecida vitamina C. Hoje em dia, embora o escorbuto já não seja tão frequente como nos

tempos antigos, a cocleária continua a ser usada pelas suas propriedades medicinais e pelo seu agradável sabor.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

parte aérea da planta contém um glicósido sulfurado (glicoclearina), e um fermento chamado mirosina, que o transforma em isossulfocianato de butilo, substância semelhante à essência de mostarda. A ele se deve o seu sabor parecido com o do agrião ou o da mostarda. A planta contém ainda a vitamina C, tanino e sais minerais. As suas propriedades são: • Antiescorbútica: Devido ao seu conteúdo em vitamina C, e à sua capacidade para estimular globalmente o metabolismo. Convém aos debilitados por outras doenças, e a quem siga uma dieta deficitária em frutas e verduras frescas IO,©l. • Aperitiva e digestiva: Estimula a se-

creção de sucos gástricos e a actividade de todo o aparelho digestivo, facilitando a digestão. Convém aos que têm falta de apetite, aos que sofrem de atonia gástrica (sensação de estômago cheio e dilatação) e, em geral, aos que sofrem de digestões pesadas 10.01. • Diurética e depurativa: Favorece a eliminação de substâncias ácidas residuais, como a ureia e o ácido úrico. Torna-se útil a alguns reumáticos, aos artríticos e gotosos, e aos sobrecarregados por uma alimentação excessivamente rica em carnes IO.0I. • Rubefaciente em uso externo: Usa-se, como a mostarda (pág. 663), para atrair o sangue para o exterior, com o fim de descongestionar os órgãos internos. Aplica-se em compressas sobre a zona afectada (articulações inflamadas, por exemplo) lôl.
357

9] (>] 10] e
Preparação e emprego

Dictamno
USO INTERNO

Aromático e tonificante

O Infusão com uma colher de sobremesa de folhas frescas (5 g) ou uma grande de folhas secas, por chávena de água. Podem-se acrescentar uns gramas de casca triturada. Tomar até duas chávenas, bebendo-as por sorvos, ao longo de todo o dia.

E

STA PLANTA é muito bela e perfumada», dizia Mattioli, o mais ilustre intérprete e tradutor das obras de Dioscórides, referindo-se ao dictamno. «O que indica que não a terá criado a natureza sem excelentes faculdades.» Curioso, este raciocínio do médico renascentista: É bela, logo será boa. Assim, até ao século XX, alribuíram-se grandes virtudes a esta planta; ainda que com escasso fundamento. Hoje conhecemos melhor as suas verdadeiras propriedades. Contém um óleo essencial rico em anetol e estragol, saponinas, princípios amargos e colina, assim como dictamnina, um alcalóide que actua sobre o útero. Tem propriedades emenagogas, digestivas, antiespasmódicas, vermífugas e diuréticas. É um tónico geral do organismo IOI. Usa-se actualmente como ingrediente em muitas receitas de plantas medicinais, pelo seu agradável aroma.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

y?

*.v».

Dictamno-real

Existe no continente americano o dictamo-real ou fraxinella, [Dictamnus fraxinella L)*, que é muito semelhante ao dictamno europeu e tem as mesmas propriedades. Por isso se atribuem indistintamente a ambas as espécies os mesmos nomes vulgares. * Esp.: dictamno real.

Precauções

Em doses elevadas, pode provocar hemorragias uterinas e abortos. O dictamno é contra-indfcado na gravidez.

Outros nomes: dictamno-branco, fraxinela. Esp.: dictamo, fresnillo, chitán. Fr.: dictamne. Ing.: dittany, fraxinella. Habitat: Planta espontânea no Sul e Centro da Europa, embora pouco frequente. Introduzida no continente americano. Cultiva-se como planta ornamental em parques e jardins, e como planta medicinal. Descrição: Planta vivaz, da família das Rutáceas, que atinge de 50 a 70 cm de altura. As folhas lembram as do freixo, de onde lhe vem o nome de fraxinela. As flores são grandes, cor-de-rosa ou brancas, muito cheirosas. Partes utilizadas: as folhas e a casca da raiz.

358

Fervia assafoetídaL

m
USO INTERNO

D
Preparação e emprego

Assa-fétida
Nauseabunda, mas m u i t o medicinal
O Lagrimas: A assa-fétida apresenta-se em forma de grãos de goma, chamados "lágrimas", de que se tomam até 8 por dia. Para atenuar o seu insuportável fedor, amassam-se com miolo de pão e engolem-se como uma pílula.
USO EXTERNO

ô Enemas: Contra os espasmos digestivos, é preferível aplicá-la em forma de enema (clister), que se prepara com uma infusão com 4-5 g de assa-fétida em 2 litros de água a ferver.

E

CURIOSO de ver como variam os costumes e os gostos dos diversos povos e culturas. Na Europa (em Espanha) chama-se a esta planta "esterco do diabo" -poder-se-á imaginar algo mais detestável?- enquanto que nos países árabes é conhecida como "manjar dos deuses", e se utiliza até como condimento. Realmente, qualquer pessoa que a prove, ou simplesmente que a cheire, fica impressionada com o cheiro repugnante que ela tem. No entanto, as suas qualidades medicinais são extraordinárias. O óleo essencial sulfuroso, que lhe dá a sua fetidez, actua como um excelente antiespasmódico e sedativo. Alivia de forma imediata as cólicas, as flatulências e contorções intestinais lO,©l. É também muito eficaz em caso de asma, tosse convulsa, espasmo da laringe com sensação de asfixia (o chamado crupe ou garrotilho) e palpitações nervosas MN.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: Esp.: asafétida, estiércol dei diablo. Fr.: assa fétide. Ing.: asafétida. Habitat: Planta originária do continente asiático. Cresce especialmente no Irão, na Turquia e no Afeganistão, mas é conhecida em todo o mundo. Descrição: Árvore de 2-3 metros de altura, da família das Umbeliferas. A raiz e o tronco soltam uma resina gomosa, com aspecto de suco leitoso, conhecida como assa-fétida. Partes utilizadas: a goma ou resina que escorre do tronco e da raiz da planta.

35

Foeniculum vulgare Mill.

A
Preparação e emprego

Funcho
Limpa o estômago e os olhos

USO INTERNO O Infusão com uma colher de sobremesa de sementes por cada chávena de água. Tomam-se 3 ou 4 chávenas por dia, depois das refeições. Para os catarros, adoça-se com mel. © Essência: A dose normal é de 1 -3 golas, 2 ou 3 vezes ao dia. USO EXTERNO €) Lavagens oculares com uma infusão igual àquela que se usa internamente.

O

FUNCHO já era usado pelos antigos Egípcios, contra as más digestões. Na índia, existe uma tradição que qualifica esta planta de «pérola dos afrodisíacos», e por isso faz parte de poções supostamente excitantes. Hoje, porém, as mais importantes aplicações são as digestivas e respiratórias. Toda a planta, e especialmente as sementes, contêm uma essência rica em anetol, estrago] e hidrocarbonetos terpénicos. Vejamos as suas propriedades e aplicações: • Carminativo: Facilita a expulsão dos gases intestinais e estimula os movimentos peristálticos do intestino I©.©1. É ligeiramente laxante. • Digestivo: Facilita o esvaziamento do estômago e a digestão. Dá bons resultados nas digestões pesadas ou lentas, e no excesso de gases ou arrotos no estômago IO.0I. • Expectorante: Indicado em catarros brônquicos e constipações !©,©!. • Galactogogo: Aumenta a produção do leite nas mães que amamentam IO.©l. • Externamente, uiili/a-se para lavagens ou banhos oculares, nas conjuntivites crónicas 101.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: 360

Sinonímia científica: Foeniculum foeniculum Karst., Foeniculum officinale AH. Outros nomes: funcho-vulgar, funcho- ordinário. Esp.: hinojo, hinojo común, hinojo amargo, anis [de Florencia), comino, eneldo, hierba santa. Fr.: fenouil. Ing.: fennel. Habitat: Oriundo dos países mediterrâneos, mas amplamente difundido por toda a Europa e América. Cresce em terrenos não cultivados e ribanceiras secas. Descrição: Planta vivaz de 80 a 140 cm de altura, da família das Umbeliferas. Os caules são maciços, de cor verde azulada. As folhas são finamente divididas e têm um aroma típico. As flores são amarelas e agrupam-se em umbelas terminais. Partes utilizadas: as sementes.

Precauções

Não ultrapassar as doses, pois a essência que contém pode provocar convulsões.

GalIumvervmL

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D U Li LI
Preparação e emprego

Erva-coalheira
Coalha o leite e ajuda a digestão

USO INTERNO

O Infusão com 10-20 g de planta por litro de água, de que se tomam 3 chávenas por dia.
USO EXTERNO

© Compressas: Preparadas com esta mesma infusão, porém mais concentrada (30-40 g por litro). Aplicam-se sobre a zona da pele lesionada.

A

S ATRAENTES flores da erva-coalheira cheiram delicadamente a mel. Seguindo a recomendação de Galeno, têm sido utilizadas desde há mais de vinte séculos para coalhar o leite (gola/galahtos, em grego). Continuam a fabricar-se com esta planta, hoje, excelentes queijos, como o Chester. Ioda a planta contém asperulósido, glicósidos flavonóides e cumarínicos, assim como pequenas quantidades de um Fermento láctico, cujo eleito é reforçado pelo conteúdo da planta em ácidos cínico e tânico.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: coalha-leite, erva-docoalho, galião. Esp.: gálio, cuajaleche, hierba sanjuaneca, presera. Fr.: caille-iail gaillet. Ing.: [yellow] bedstraw. Habitat: Comum nos prados e bosques de toda a Europa. Naturalizada em regiões temperadas
do continente americano. Descrição: Planta vivaz da família das Rubiáceas, que atinge de 20 a 80

cm de altura. As suas pequenas flores, que se apresentam em cachos terminais, são amarelas. Partes utilizadas: as sumidades floridas.

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São estas as suas propriedades:
• Antiespasmódica: Recomenda-se

para dispepsias funcionais (má digestão devida a nervosismo), pelo seu efeito relaxante e sedativo sobre a musculatura dos órgãos digestivos IOI. • Diurética: O seu uso é indicado nas afecções das vias urinárias (litíase renal, cistite), hidropisia ou edemas (retenção de líquidos nos tecidos) e obesidade 101. • Vulnerária: Aplicada externamente, a erva-coalheira contribui para a cicatrização de feridas e a cura de golpes e contusões 101.

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Amor-de-hortelão

A erva-coalheira é muito semelhante a outra planta da mesma família, o amor-de-hortelão (GaHum aparine L)*, embora este não tenha a capacidade de coalhar o leite.
* Esp.: amor de hortelano.

361

Hlbiscus abelmoschus L

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Abelmosco
Fragrância que relaxa e tranquiliza

Preparação e emprego

USO INTERNO O Infusão de 50 g de sementes por litro de água. Tomar 2 ou 3 chávenas diárias.

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S SEMENTES do abelmosco são muno apreciadas pelos perfumistas hindus e árabes, que as utilizam, além disso, como afrodisíaco. Pela acção do calor ou da fricção, soltam um imenso aroma a almíscar c a âmbar. Nalguns lugares da América Central, juntam-nas ao caie, para que este fique mais aromático. PttOPlUEDADfcS E INDICAÇÕES: AS sementes contêm um óleo essência com acentuado eleito antiespasmódico, ou seja, capa/ de relaxar os músculos das vísceras ocas espasmadas. Por isso se empregam com êxito para acalmaras cólicas intestinais, biliares ou renais, assim como os espasmos uterinos que acompanham a menstruação dolorosa (dismenorreia) tOI. Também têm um eleito sedativo sobre o sistema nervoso.

Rosa-do-japão

A planta que aparece na gravura é a rosa-do-japão (Hibiscus rosasinensis L),* também conhecida por rosa-da-china e mimo-de-vénus, que é um arbusto ornamenta), semelhante ao abelmosco. As suas flores, de cor vermelha, são adstringentes e empregam-se em infusão, para aliviar a Irritação da garganta e para lavagens dos olhos. * Esp.: rosa de China.

A rosa-do-japão, que aparece no desenho e na foto, pertence ao género botânico 'Hibiscus', do mesmo modo que o abelmosco, ao qual se assemelha.

Outros nomes: hibisco. Esp.: abelmosco, almizcle [vegetal], afgafia, anaucho, íagario. Fr.: Ambreife, graine à musc. Ing.: abelmosk, muskmallow. Habitat: Originário da índia, encontra-se com bastante frequência nas zonas tropicais da Amér/ca Centrai. Cuitiva-se nas Antilhas e na Guiana. Descrição: Arbusto da família das Malváceas, que atinge até 2mde altura. As suas folhas apresentam vários lóbulos irregulares. As flores são grandes e muito vistosas, com pétalas amarelas ou vermelhas. Dentro delas formam-se as sementes, que têm a forma de um rim e umas estrias acinzentadas. Partes utilizadas: as sementes.

362

Hiblscus sabdaríffal.

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Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com um punhado de flores, com o seu cálice, por cada litro de água. Adoçar com mel e beber a gosto, como refresco.

Hibisco
Bonita flor que tonifica e refresca

O

GÉNERO Hibiscus abrange umas 200 espécies, a maior parle das quais se utiliza, pelas suas belas flores, como plantas ornamentais em parques e jardins de lodo o mundo. As mais utilizadas do ponto de vista medicinal, juntamente com a sabdarijfa, são o abelmosco {///biscus abelmosckvs L.), a rosa-do-japão (Hibiscus rosa-sinensis L.) e a inilola (Hibiscus tiliaceus [.., canto inferior direito).
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: As sé-

Outros nomes: use (em Angola). Esp.: hibisco, cahamo de Guinea, acedera [roja] de Guinea, carcadé, aíeiuya, {flor de) Jamaica, rosa de Jamaica. Fr.: oseille de Guinée, groseilier (du paysj, karkadé. Ing.: Guinea sorrel, Jamaica sorrel, roselle. Habitat: Oriundo do Sudão, cultivado no Egipto, no Ceilão e em zonas tropicais do México. Descrição: Arbusto da (amilia das Malvàceas, que atinge até 2 m de altura. As folhas têm de 3 a 5 lóbulos. As flores são de cor amarefa ou avermelhada. Partes utilizadas: as flores com o seu cálice.

palas das flores do hibisco contêm ácido hibíscico, assim como uma mistura de ácidos orgânicos (málico, cítrico e lartárico) e um corante vermelho, que lhe conferem as seguintes propriedades: • Digestivas e tonificantes: Devido ao seu conteúdo em ácidos orgânicos, as infusões de hibisco têm um efeito estimulante das funções digestivas e tonificantes do organismo no seu conjunto l©l. • Laxantes suaves: Têm uma acção emoliente (suavi/ante) sobre as mucosas do tubo digestivo, pelo que facilitam a função de evacuação intestinal IOI. • Diuréticas: As Flores de hibisco têm um suave mas eficaz efeito diurético, pelo que são de Utilidade para os obesos e para aqueles que sofrem do coração IO). • Aditivo natural: Pelo seu sabor ligeiramente ácido, assim como pela cor vermelha que conferem aos seus preparados, as flores do hibisco utili/am•se como aditivo natural, para melhorar o aspecto e o saboreie outras plantas medicinais ou preparados alimentares IOI.

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Milola
A milola (nome pelo qual é conhecido em Angola e Moçambique o Hibiscus tiliaceus L.)* é cultivada nos trópicos do continente americano, onde em países de língua espanhola lhe chamam majagua, gatapa, algodoncillo, clavel de arbolito e jarcia blanca. As fibras da sua casca usam-se para o fabrico de cordas e sacos, e as folhas empregam-se para forragem. As flores e a casca da raiz da milola têm propriedades laxantes e emolientes (aliviam a inflamação das mucosas) do tubo digestivo. * Esp.: damajagua.

Matricaría chamomIllaL

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Preparação e emprego

Camomila
USO INTERNO

A tisana digestiva por excelência

O Infusão: 5-10 g de capítulos florais por litro de água (equivalentes a 5-6 capítulos por chávena). Tomem-se 3 a 6 chávenas diárias, quentes.
USO EXTERNO

Q

UASE todas as pessoas, quando se faia de tisanas ou Infusões, pensam imediatamente na camomila. Poderia d i/.c:i-se que é a tisana por excelência.

© Lavagens ocuíares, nasais ou anais. Fazem-se com uma infusão um pouco mais concentrada que a do uso interno (até 50 g de capítulos por litro). Deixar repousar durante 15-20 minutos e filtrá-la convenientemente antes de a utilizar. © Banhos: Realizam-se juntando à água da banheira de 2 a 4 litros desta infusão concentrada. Estes banhos, com água morna, têm um acentuado efeito relaxante e sedativo. O Compressas com a infusão concentrada: Aplicam-se sobre a zona da pele afectada. © Fricções com óleo de camomila. O óleo de camomila prepara-se aquecendo em banho-maria, durante 3 horas, 100 g de capítulos em meio litro de azeite de oliveira. Filtra-se o azeite e conserva-se numa garrafa.

- Dê uma chávena de camomila a este doente, antes de lhe retirar o soro - di/ o cirurgião a uma estudante de enfermagem. Ambos se encontram diante de um jovem de 15 anos, operado há dois dias, a uma apendicite aguda perfurada. O seu aparelho digestivo esteve paralisado durante este tempo, devido à peritonite (inflamação do periloneu, que é a membrana que reveste o interior da cavidade abdominal e os seus órgãos) que se produziu como consequência da apendicite. - Doutor, porque é que recomenda sempre camomila aos recém-operados? - indaga a futura enfermeira, depois de terminada a visita. - Há já muitos anos que sigo a regra de recomeçar a alimentação oral dos recém-operados com uma tisana de camomila. Assim me ensinaram os meus mestres na arte e na ciência da cirurgia. A camomila estimula os movimentos peristálticos do intestino, e fá-lo recuperar a sua função, depois de ter estado paralisado pela peritonite. - E como poderemos saber que a camomila produziu efeito? - Já terá reparado que todos os dias, quando faço a visita, pergunto 364

Outros nomes: camomila-alemã, camomila-dos-alemães. camomila-legítima. camomila-vulgar, mançanilha, margaça-das-boticas. matricária. Esp.: manzanilla, manzanilla común, camomila, manzanilla de Aragón, manzanilla de Castilla, manzanilla dulce, manzanilla alemana. magarza. Fr.: camomille [d'Alemagne}. Ing.: [German] camomile. Habitat: Abundante pelos campos, lugares incultos, valados e caminhos de toda a Europa. Cria-se também em regiões temperadas do continente americano. Descrição: Planta herbácea anual da família das Compostas, que atinge de 20 a 50 cm de altura. Os caules são muito ramificados e as flores agrupam-se em capítulos de cerca de 2 cm de diâmetro, parecidos com os das margaridas. Têm um cheiro característico e sabor amargo. Partes utilizadas: os capítulos florais.

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Outras aplicações da camomila

• Contra os insectos: A camomila em saquinhos, dentro do armário, afugenta a traça e outros insectos. • Relaxante: Acrescentada a sua infusão, um tanto concentrada, à água do banho. • Cosmética capilar: Os cabelos, castanhos ou louros, lavados com a sua infusão, adquirem maior brilho e beleza.

^ífiJl

Tomar uma chávena de camomila, depois de comer, é um bom e saudável costume, tanto para os jovens como para os mais velhos.

aos recém-operados se já expulsaram ventosidades. Por grotesco que pareça, este é o melhor sinal de que o intestino voltou a funcionar. - Agora entendo, d o u t o r - conclui a aluna.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O

camomila também estimula a motilidade do tubo digestivo, como já se disse. Por isso é boa para os recém-operados e os que sofram de excesso de gases, que ajuda a expulsar (efeito carminativo) (O). Na realidade, a sua acção consiste em regular e normalizar o funcionamento intestinal. • Eupéptica: Torna-se indicada, em forma de tisana, nas indigestões ou digestões pesadas. Alivia as náuseas e vómitos, e estimula ligeiramente o apetite IOI. As camomilas mais amargas têm uma acção eupéptica mais intensa. • Emenagoga: Estimula a função menstrual, normalizando a sua quantidade e periodicidade. Alivia as dores das regras. Dioscórides já lhe pôs o nome de Malricaria, de matrix (útero, em latim). • Febrífuga e sudorífica: Fazendo baixar a temperatura e provocar a transpiração, convém aos doentes febris, especialmente às crianças pequenas IOI. • Analgésica: Acalma as dores de cabeça e algumas nevralgias IOI. • Antialérgica: Tem-se revelado muito

princípio activo mais importante da camomila é a sua essência, cujos componentes mais importantes são o cama/uleno (anti-inflamatório) e o bissabolol (sedativo). Contém ainda flavonóides e cumarinas, assim como um princípio amargo tonificante. São muitas as propriedades desta planta, confirmadas todas elas pela investigação científica: • Sedativa e antiespasmódica: Torna-se muito útil contra os espasmos do estômago e do intestino, devidos a nervosismo ou ansiedade IO.©) Também se administra em cólicas de todo 0 tipo, especialmente nas renais e biliares (incorrectamente chamadas hepáticas), pelo seu efeito sedativo e relaxante {©.©I. ' Tónica intestinal e carminativa: Embora possa parecer um paradoxo, a

moderadora sobre as reacções alérgicas, como a asma, a rinite e a conjuntivite alérgicas. Recomenda-se nas crises alérgicas agudas, para acalmá-las, e como tratamento de fundo para evitá-las. Os melhores resultados obtêm-se combinando a aplicação interna (tisanas) IOI com a externa (colírios, irrigações nasais) l©l. • Cicatrizante, emoliente e antí-séptica: No uso externo, dá bons resultados para lavar todo o tipo de feridas, úlceras e infecções da pele (©I. Provou-se que o camazuleno é eficaz contra o estafilococo dourado, o estreptococo hemolítico e o Proteus. A infusão de camomila constitui um colírio muito apropriado para lavagens oculares em caso de conjun ti vi te ou irritação ocular l©I.Utiliza-se também como anti-inflamatória, aplicada em forma de compressas sobre eczemas, erupções e outras afecções da pele l©J. As lavagens anais com a sua infusão desinflamam as hemorróidas l@l. • Anti i-climática: O óleo de camomila usa-se em fricções contra o lumbago, torcicolo, dores reumáticas e contusões I©1.

Mentha piperíta L

& LLJ •
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão: 10-20 g de folhas e sumidades floridas por litro de água. Ingerem-se de 3 a 5 chávenas por dia. © Essência: Administram-se 1-3 gotas, até 3 vezes ao dia. USO INTERNO © Compressas e fricções: Aplicam-se com a essência ou com o álcool mentolado.

Hortelã-pimenta
Tonifica e acalma as dores

E

XISTEM muitas espécies e variedades de hortelâ-pimenta, ou menta, que se hibridam entre si, mas q u e c o n s e r v a m as suas p r o priedades medicinais. Hipócrates já a recomendava c o m o afrodisíaca, virtude q u e se lhe r e c o n h e c e q u a n d o tomada em grandes doses.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Con-

tém de 1 % a 3% de uma essência de composição muito complexa, com mais de cem c o m p o n e n t e s , e n t r e os quais se salienta o mentol, um álcoo a que se deve a maior p a r t e das suas p r o p r i e d a d e s : digestiva, carminativa (elimina os gases e as putrefacções intestinais), c o l e r é t i c a , anti-séptica, analgésica, tonificante e afrodisíaca em doses elevadas. A essência c o n t é m alguns polifenóis de acção antivírica em presença do vírus da hepatite A. • Km uso interno: R e c o m e n d a - s e em dispepsias, gases intestinais, cefaleias e enxaquecas, espasmos e cólicas digestivas, atonia gástrica ( e s t ô m a g o d e s c a í d o ) , h e p a t i t e vi ri ca (tipo A) e esgotamento físico IO.01 • Externamente, as fricções c o m essência em dissolução alcoólica (álcoo mentolado) aliviam as doTes reumáticas e musculares, assim c o m o as nevralgias l€M.

Precauções

A essência, em doses altas e uso interno, pode provocar insónia e irritabilidade. Inalada em doses elevadas, pode causar espasmos da laringe nas crianças.

O
CH I CH CH, 366

CH, I CH

CHOH

CH,

Fórmula química do mentol, um dos 100 componentes da essência da menta.

Outros nomes: menta. Esp.: menta, {menta) píperiia. menta inglesa, menta negra, toronjil [de menta]. Fr.: menthe (poivrée), menthe anglaise. Ing.: peppermint, mini Habitat: Terrenos frescos e sombrios de toda a Europa e América do Sul. Cultiva-se pela sua essência, especialmente na Inglaterra. Descrição: Planta herbácea da família das Labiadas, com caule violáceo e quadrangular, de 40 a 80 cm de altura. As inflorescências são cor-de^rosa ou violáceas, e dispõem-se em espigas terminais. Partes utilizadas: as folhas e as sumidades floridas.

Nepeta cataria L

a i Q Q
Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 30 g da planta por litro de água. Toma-se uma chávena quente depois da cada refeição (3-4 por dia), que se pode adoçar com uma colherada de mel.

Nêveda-dos -gatos
Alivia as cólicas

O

S GATOS sentem-se especialmente atraídos pelo cheiro desta planta, e é possível que eles mesmos também a utilizem como remédio. A tisana desta nêveda lembra a da hortelã-pimenta, embora seja menos aromática. A nêveda está hoje um pouco caída no esquecimento, mas contínua a ter interessantes propriedades.

Toda a planta contém uma essência rica em carvacrol e timol, assim como lactona e ácido nepetálico. Tem propriedades antiespasmódicas, antidiarreicas, carminativas (elimina os gases dos iniestinos) e também peitorais. Usa-se sobretudo para acalmar as diarreias e as cólicas que as acompanham IO); também como antiflatulenta e como peitoral, no caso de catarro brônquico 101.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: nêveda, erva-dos-gatos, erva-gateira, catéria. Brasil: mentrasío. Esp.: nébeda, népeta, gatera. hierba de los gatos, albahaca de los gatos, menta gatuna, menta de gatos. Fr.: cataire, herbe aux chats. !ng.: catnip, catmint. Habitat: Terrenos baldios e pedregosos de grande parte da Europa e da América do Norte. Descrição: Planta vivaz da família das Labiadas, que atinge de 20 a 60 cm de altura. As suas flores são rosadas ou amareladas, o que a distingue da erva-cidreira. Toda a planta exala um cheiro típico a hortelã. Partes utilizadas: as sumidades floridas e as folhas.

36

Odmum basilicum L

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USO INTERNO

J

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Manjericão-grande
Facilita a digestão e tonifica

Preparação e emprego

O Infusão com 20-30 g por litro de água, de que se toma, depois de cada refeição, uma chávena quente, adoçada com mel para maior efeito. © Essência: de 2 a 5 gotas, três vezes ao dia. USO EXTERNO €) Fricções tonificantes com a essência. O Banhos: Junta-se a essência à água do banho, para aproveitar os seus efeitos tonificantes.

A

LLM do sen agradável aroma, é um condimento culinário mui lo apreciado e possui interessantes qualidades medicinais.

Toda a planta contém um óleo essencial rico em estragol (como tem o estragão, pág. 430) e eugenol (como tem o cravinho, pág. 192), assim como linalol e terpenos. A esta essência atribuem-se as seguintes propriedades: • Autiespasmódico: Acalma os transtornos digestivos de origem nervosa, como sejam os espasmos gástricos (nervos no estômago), a aerofagia (excesso de gases e arrotos) e a dispepsia nervosa (digestões lentas devidas a tensão nervosa). Acalma também as enxacpiecas devidas ou associadas a uma má digestão IO.0I.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Outros nomes: manjerico-de-folha-grande, basilico, aifadega, alfavaca. Brasil: manjehcão-roxo. Esp.: albahaca, basilico, orégano [falso], hierba real. Fr.: [grandj basilic. Ing.: [sweet] basilic. Habitat: Originário da índia e da Indonésia, onde cresce espontaneamente. Desde tempos muitos antigos que se encontra aclimatado na Europa. Difundido pelas regiões tropicais e subtropicais da América e de todo o mundo. Descrição: Planta herbácea vivaz, da família das Labiadas, que atinge 50 cm de altura, com folhas lanceoladas de cor verde-clara. As flores são brancas ou rosadas, e dispõem-se em ramalhetes terminais. Partes utilizadas: as folhas e as flores.

Precauções

• Tonificante tio sistema nervoso e cardiovascular: Recomcnda-sc nos casos de astenia, esgotamento nervoso, fadiga e hipotensão arterial (tensão baixa) IO.G.OI. • Galactogogo: Aumenta a produção de leite nas mães lactantes IO.OI. • Emenagogo: Facilita a menstruação c diminui as dores devidas a espasmos ou congestão uterina IO.OI.
368

Em doses elevadas, a essência, no uso interno, pode provocar efeitos narcóticos; e, aplicada externamente, pode irritar as mucosas.

Oríganum majoranaL

Preparação e emprego

Manjerona
Sedante e disgestiva

USO INTERNO O Infusão: 40-50 g de sumidades por litro de água. Podem-se tomar até 3 chávenas por dia. © Essência: A dose habitual é de 4-6 gotas, 3 vezes ao dia. USO EXTERNO €> Fricções: Aplicam-se com a essência dissolvida em álcool (1020 gotas em 100 ml).

A

MANJKRONA n ã o cresce espontaneamente na Europa Ocidental, e p a r e c e q u e terá sido divulgada pelos Cruzados, na Idade Média. Pela sua semelhança com o orégão (pág. 464), q u e existe em estado silvestre na Europa, t a m b é m se lhe deu, nalguns lugares, o n o m e de orégão ou o r é g ã o s . Os antigos Egípcios já usavam a manjerona c o m o c o n d i m e n t o e c o m o r e m é d i o . A c t u a l m e n t e contin u a a sei u m a planta muito apreciada em fitoterapia.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

O Banhos: Acrescentando algumas gotas de essência à água do banho, obtém-se um notável efeito anti-reumátlco.

princípios activos da manjerona resid e m na sua essência, rica em substâncias c o m o o t e r p i n c o l . Esta essência possui as seguintes p r o p r i e d a d e s : • An ti espasmódica e digestiva: Muito útil contra a flatulência (efeito carminativo), os espasmos nervosos do estômago e as digestões pesadas IO,€M. • Sedativa: R e c o m e n d a d a para comb a t e r a excitação psíquica, o nervosismo e a insónia. É um b o m r e m é d i o contra a ansiedade IO.01. • Hipotensora: Diminui o t o n o do sistema nervoso simpático, responsável pela c o n t r a c ç ã o das artérias e, além disso, também é diurética IO.0I. • Expectorante e peitoral IO.©I. • Anti-reumática: Aplicada externamente, a essência acalma as d o r e s reumáticas e as contracturas musculares. Km fricções 101, ou na água do b a n h o , lem eleito tonificante IOI.

Sinonímia científica: Majoraria hortensis Moench. Outros nomes: majarona, orégãos. Brasil: manjerona-hortensis, manjerona-inglesa, manjerona -verdadeira, amaracus, flor-de-himeneu, orégão-vulgar. Esp.: mejorana, mejorana dulce, mayorana, orégano [indígena], almoradijo, amáraco, sampsuco, sarilla. Fr.: marjolaine. Ing.: marjoram. Habitat: Oriunda do Próximo Oriente, o seu cultivo estendeu-se a todos os países mediterrâneos e do Norte de África. Também se cultiva em alguns países americanos. Muito cultivada nas hortas e jardins de Portugal. Descrição: Planta vivaz, da família das Labiadas, que atinge de 15 a 40 cm de altura. As suas flores são brancas ou cor-de-rosa, e crescem agrupadas na extremidade dos caules. O seu aroma pode dizer-se que é uma mistura dos aromas do tomilho e da hortelã. Partes utilizadas: as sumidades floridas.

Pipernigruml.

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Preparação e emprego
USO INTERNO

Pimenteira
Estimula, mas também irrita

A

O Como condimento, a pimenta misturada com os alimentos.

S PROPRIEDADES digestivas da p i m e n t a já e r a m conhecidas há muito t e m p o pelos habitantes da índia. Alexandre M a g n o foi quem, no século IV a . C , introduziu esta especiaria na Europa. Actualmente- é a mais utilizada.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

Precauções
A pimenta, tomada em abundância, produz uma forte irritação das mucosas digestivas e urinárias (inclusive sangue na urina), assim como um aumento da pressão arterial. O seu uso é especialmente desaconselhado em caso de gastrite, úlcera gastroduodenal, pancreatite, hemorróidas e hipertensão.

grãos d e p i m e n t a c o n t ê m 2 % d e essência formada por diversos hidrocarbonetos, de 2% a 1% de resina, e o alcalóide de sabor picante piperidina, que se encontra s o b r e t u d o na casca (razão pela qual a pimenta negra é mais forte do q u e a b r a n c a ) . A pimenta possui as seguintes propriedades: • Tónico estomacal e digestivo: Em pequenas doses, a u m e n t a a p r o d u ç ã o de sucos digestivos (saliva, suco gástrico, p a n c r e ã t i c o , e l e ) , à custa de produzir uma discreta irritação sobre as mucosas; é t a m b é m carminativa ( r e d u z a f o r m a ç ã o de gases). Em grandes doses, é hriuuiva lOl. • Febrífuga. • Parasiticida: Mata os parasitas intestinais (Ol. • Afrodisíaca de eleitos leves (O).

F

Mático

No Chile e na Argentina cria-se o chamado mático {Piper angustifolium L)*, que contém um princípio amargo e uma essência. Em infusão (10 g por litro), usa-se como digestivo e, sobretudo, no tratamento da úlcera gastroduodenal, tomando 3-5 chávenas por dia. Externamente, emprega-se para lavar as feridas (decocção de 50 g de planta por litro de água), em virtude da sua acção cicatrizante. ' Esp.: mático, mono.

Outros nomes: pimenta, pimenta•comum, pimenta-negra, pimenta-branca, pimenta-da-índia, pimenta•canarim, pimenta-redonda. Brasil: pimenta-do-reino. Esp.: pimentero, pimienta [blanca de la índia], negra (de la índia]. Fr.: poivrier [commun], poivrier noir Ing.: (common] pepper, black pepper, white pepper. Habitat: Originária da índia e dos países tropicais do Sudeste Asiático. O seu cultivo estende-se actualmente a todas as regiões tropicais de ambos os hemisférios. Descrição: Arbusto trepador da família das Piperáceas, cujos frutos são umas bagas vermelhas que, uma vez secas, formam os grãos de pimenta Partes utilizadas: os frutos secos com casca (pimenta-negra), ou sem ela (pimenta-branca).

370

Potení/fía anserínaL

J

si a '£ •
Preparação e emprego
USO INTERNO

Argentina
Antiespasmódica e estomacal
O Decocção com 30-50 g de planta por litro de água. Tomar de 3 a 5 chávenas diárias.
USO EXTERNO

©Compressas: Aplicar a mesma decocção que se usa internamente, para empapá-las. Colocam-se sobre as hemorróidas durante 5-10 minutos, 2 ou 3 vezes ao dia.

H

A OUTRAS espécies de Potmtilla medicinais, além da argentina: a cincoem-rama (/V terUilla reptansL. / Poteníilla ctmadensis L., pág. 520) e a tormeniila (Poteníilla erecta l.. pág. 519). Todas elas têm em comum o seu potente efeito sobre as diarreias e as cólicas intestinais.
Outros nomes: ansarinha, potentiia, potentila-anserina. Esp.: argentina, hierba de la plata, [hierbaj plateada, canelilla, anserína, buen varón silvestre, buen varón de Jarava. Fr.: anserine. argentine. Ing.: silverweed, silver cinquefoil, argentina. Habitat: Europa, salvo a costa mediterrânea. Comum em todo o continente americano. Encontra-se nos sotos ricos e húmidos. Descrição: Planta da família das Rosáceas, que atinge de 20 a 40 cm de altura. As tolhas, dentadas e sedosas, são prateadas pela parte inferior e nascem de uma roseta central. As flores são solitárias, de cor amarela viva e com 5 pétalas. Partes utilizadas: As folhas e as flores.

Toda a planta contém Canino, flavonóides, ácidos orgânicos, colina, princípios amargos e glícidos. No uso interno, lem as seguintes propriedades: • Antiespasmódica: Acalma as cólicas, especialmente as intestinais, mas também as biliares e nefríticas (O). Emprega-se do mesmo modo em caso de dismenorreia e espasmos uterinos. • Anlidiarreiea, devido ao seu conteúdo em lanino: Mostra-se muito eficiente nos casos de gastrenierile e diarreias infecciosas 101. Costuma usai-sc associada à macela (pág. 364). • Aperitiva e digestiva, devido, em parte, aos seus princípios amargos: Abre o apetite e facilita a digestão IO!. Externamente, aplica-se em compressas sobre as hemorróidas, para desinflamá-las e reduzir-lhes o tamanho, graças à acção dos seus taninos 101.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

371

Pmnus splnosa L

!\

V. Di •.
Preparação e emprego

Abrunheiro-bravo
Refrescante, tónico e aperitivo

USO INTERNO

O Infusão: Prepara-se com 60 g de flores por litro de água. Toma-se uma chávena por dia, de manhã. O Frutos: Podem comer-se frescos ou então fervidos em água (só dois minutos), para lhes tirar o gosto áspero. © Xarope: Prepara-se com meio quilo de frutos, meio quilo de açúcar e um copo de água. Ferve-se esta mistura durante 15 minutos. O xarope resultante, de cor vermelha e sabor agradável, filtra-se com um pano e toma-se às colheres, para combater as diarreias e para abrir o apetite. O Decocção: Põem-se a ferver 100 g de frutos num litro de água, durante Í0 minutos, em lume brando. Filtrar o líquido resultante e tomar às colheradas.
USO EXTERNO

v

AMOS dar um passeio pelo monte e apanhamos abrunhos!

Estas pequenas ameixas bravas, "sem dono", refrescam os caminhantes e oferecem alimento no Outono aos toldos, pombos e outras aves. Tem um sabor um tanto áspero, mas agradável. Não se p o d e dizer q u e as suas propriedades medicinais sejam espectaculares. E b e m possível, até, q u e se devam, em boa medida, ao exercício que é preciso fazer para ir apanhá-las. Em qualquer dos casos, vale a pena tirar proveito desta humilde e simpática fruta silvestre.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS FLO-

RES comem amigdalina (glicósido cianogenéiico), derivados da cumarina e llavonoglicósidos. Têm propriedades

0 Tampões nasais com gaze empapada na mesma decocção que se recomenda para uso interno. © Bochechos e gargarejos com esta mesma decocção.

Outros nomes: ameixeira-brava, acácia-das-alemãs. Esp.: endrino, endrinera, ciruelo endrino. ciruelo silvestre, bruno, espino negro. Fr.: prunellier [noirj, prunier sauvage. Ing.: blackthorn, sloe. Habitat: Encontra-se vulgarmente nas encostas expostas ao sol e nas bermas dos caminhos, das regiões montanhosas de toda a Europa. Naturalizada no continente americano. Descrição: Arbusto de 1 a 3 m de altura, da família das Rosáceas, que tem uma casca muito escura, e abundantes espinhos lenhosos. As flores são de um branco marfim, pequenas e muito numerosas. O fruto é uma baga arredondada, de cor azul escura quando amadurece. Partes utilizadas: as flores e os frutos (abrunhos).

372

Frescos, cozidos ou em xarope, os frutos do abrunheiro-bravo abrem o apetite e estimulam os processos digestivos.

Precauções
laxantes, diuréticas e depurativas. C) seu eleito laxante é suave, mas eficaz, c laz-sc acompanhar de uma acção antíespasmódica (relaxante) da musculatura que cobre o intestino grosso. São muito indicadas na prisão de ventre espásiica que se produz no chamado cólon irritável IOI. Os FRUTOS (abrunhos) contêm talúno (daí o seu sabor áspero), fiavonóides, ácido málico, sacarose, pectina, goma e vitamina C. Ao contrário cias flores, têm propriedades adstringentes, pelo que se (ornam úteis em casos de diarreia vulgar e de desarranjo intestinal. São além disso eupépticos (estimulam os processos digestivos), aperitivos e tonificantes do organismo em geral IÔ,€>.©). Comunicam, a quem os come, um aumento do apetite e uma sensação refrescante e revitalizadora. Podem comer-5€ frescos, cozidos ou era xarope. O líquido resultante da decocção dos abrunhos uiiliza-sc para lazer parai- as epistaxes (hemorragias nasais), aplicado com um tampão nasal embebido no mesmo 1©1. Serve ainda paia fazer gargarejos nos casos de gengivite (inflamação das gengivas) e faringite HM,
As amêndoas que estão dentro dos caroços dos abrunhos, como as de muitos outros frutos da família das Rosáceas, libertam ácido cianídrico, que é um poderoso tóxico, pelo que não se devem comer nem mastigar. A casca dos ramos e da raiz contém ácido prússico, que também é tóxico; por isso não se deve utilizar, embora haja quem a recomende como adstringente.

373

Satureja montana L

£ Al á) U

Segurelha
Carminativa, tonificante e afrodisíaca

A

SEGURELHA é v e r d a d e i r a m e n t e u m a planta sensual. Parece q u e o sen p e n e t r a n t e aroma no-lo d e n u n c i a . N ã o é por isso estranho que, já em tempos muito recuados, fossem c o n h e c i d a s as suas virtudes culinárias e afrodisíacas. Di/.-sc q u e os Gregos a d e d i c a r a m a Dionísio, a q u e m , depois, os Romanos chamaram Baco, deus em cuja h o n r a se celebravam faustosas orgias. Efectivamente, a segurelha facilita a digestão e estimula as funções vitais. Deve mesmo sei verdade, pois os frades da Idade Média tinham proibido q u e fosse plantada nas suas h o r t a s . . . Q u e m não terá provado umas azeitonas caseiras, a p e t i t o s a m e n t e condimentadas com esta apreciada planta, c o m o o faziam as nossas avós? Nas aldeias do Sul de Espanha, e principalmente na Andaluzia, ainda se p o d e saborear este castiço aperitivo. O mesmo se poderá dizer, t a m b é m , de muitas terras de província, em Portugal.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Con-

Outros nomes: satureja-das-montanhas. Esp.: ajedrea [silvestre, de monte], Fr.; sariette. Ing.: savory. Habitat: Embora seja uma planta originária das regiões mediterrâneas, tem-se estendido por todas as regiões temperadas da Europa e da América. Adapta-se melhor aos climas secos e com bastante sol. Descrição: Trata-se de uma planta de não muito mais de 25-30 cm de altura, mas que, no local onde se encontra, se faz notar pelo seu aroma especial, que convida quem passa a abaixar-se e esfregar as mãos com ela. As suas folhinhas são finas, terminadas em ponta, e cheias de pequenas covinhas onde se alojam as glândulas produtoras de essência. As flores são pequenas, de cor branca ou rosada, e divididas em dois lábios, o que é próprio da família das Labiadas, a que pertence. Partes utilizadas: folhas, flores e caules finos.

tém ale \% de óleo essencial rico em carvacrol c cimol, q u e lhe conferem propriedades estimulantes, carminativas, antiespasmódicas, vermífugas, diuréticas e peitorais; assim como taninos e polifenóis. • Sobre o a p a r e l h o digestivo, actua como aperitivo, a b r i n d o o apetite e facilitando a digestão. Mas além disso, tem ainda u m a m u i t o i n t e r e s s a n t e acção carminativa. S e g u n d o cita o dist i n t o b o t â n i c o e farmacêutico Foni Quer, «contraria as veniosidades do estômago e intestinos». Nada m e l h o r 374

-Et Preparação e emprego
USO INTERNO O Infusão com 20 g de planta por litro de água, de que se podem ingerir até 3 ou 4 chávenas por dia. @ Essência: de 3 a 5 gotas, depois de cada refeição.

Vanllla planlfòlla Andrews

»J ijj U G
Preparação e emprego

Baunilha
USO INTERNO

Aromatizante e digestiva

O Usa-se em forma de açúcar baunilhado, xarope ou tintura. © No entanto, a maneira mais vulgar de se obter o seu autêntico aroma é fervendo as vagens juntamente com o produto a aromatizar: chocolate, sobremesas, infusões ou preparados de outras plantas, etc.

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O

S ASTECAS do México usavam a baunilha desde tempos muito remotos, como aromatizante para a sua bebida favorita, feita à base de grãos de cacau com farinha de milho. Os espanhóis introduziram-na na Europa nos fins do século XVI, mas não conseguiram que se reproduzisse. Em 1836, um botânico belga descobriu que a planta só podia ser polinizada por um insecto que habita no México, e que fora dali era necessário polinizá-la artificialmente. O princípio activo é o vanilosido, glicósido que durante o processo de dissecação dá lugar à vanilina, responsável pelo seu típico aroma. A vanilina possui propriedades estomacais e digestivas, coleréticas {aumenta a secreção de bílis), é um estimulante suave, e, segundo alguns, um afrodisíaco (©,©!.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

A baunilha confere um sabor m u i t o agradável as sobremesas doces e infusões de outras plantas, além de tonificar as funções digestivas.

Ainda que o seu uso actual se limite ao de condimento, convém ler presente a sua acção tonificante sobre as funções digestivas.
376

Sinonímia científica; Vanilta fragans (SalisbJ Ames. Outros nomes: Esp.: vainillero, vainilla [mansa], bejuquilto, cuyanquillo, flornegra. Fr.: vanillier, pois vanile. Ing.: vanilla. Habitat: Originária do México, a sua cultura estendeu-se por outras regiões tropicais da América (Colômbia, Venezuela, Antilhas), África (Madagáscar) e Ásia. Descrição: Planta trepadeira da família das Orquídeas, cujos caules (lianas) podem atingir até 30 m de comprimento. Possui raízes aéreas (adventícias) pelas quais se agarra à árvore que lhe serve de suporte. As folhas são carnudas, e o fruto é uma vagem de cor escura, alongada (15 cm) e com numerosas sementes. Partes utilizadas: o fruto (vagem) antes de amadurecer.

Zlnglber offldnale Roscoe.

J
Preparação e emprego

Gengibre
A j u d a a fazer a digestão
USO INTERNO O Condimento: Em pequena quantidade, para pratos crus e cozinhados. © Infusão: 2 g de rizoma triturado em meio litro de água. Desta bebe-se uma chávena depois de cada refeição. Não se deve ultrapassar a dose prescrita.

C

ONFÚCIO, há 2500 anos, já falava do gengibre nos seus escritos. Os mercadores trouxeram-no do Oriente até às costas mediterrâneas, e em Roma era a especiaria mais apreciada, a seguira pimenta. Dioscórides (século I d.C.) já o conhecia e recomendava às pessoas de estômago debilitado. Durante toda a Idade Média foi exportado para a Europa, onde era altamente apreciado, mas não chegou a ser cultivado no velho continente. Nos princípios do século XVI, o espanhol Francisco de Mendoza teve a feliz ideia de levar raízes de gengibre para o Novo Mundo, onde a sua cultura se propagou rapidamente pelas Antilhas, México c- Peru.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: O ri-

Outros nomes: gengibre-amarelo, gengibre-das-boticas, gengivre. Esp.: jengibre, jengibre dulce, ajengibre. anchoas. Fr.: gingembre. Ing.: ginger. Habitat: Oriundo da india e países tropicais do Extremo Oriente. Muito abundante no México e nas Antilhas, especialmente na Jamaica. Descrição: Planta vivaz, da família das Zingiberáceas, que atinge uma altura de 1-1,3 m. As suas flores são muito vistosas e lembram as das orquídeas. Reproduz-se por meio do seu aromático rizoma. Partes utilizadas: o rizoma (caules subterrâneos).

Precauções
Como acontece com quase todas as especiarias, em doses altas produz gastrite. Não é conveniente para os ulcerosos. Desaconselhamos o uso da tintura alcoólica de gengibre, por ser irritante para o estômago.

zoma contém um óleo essencial com diversos derivados ter penicos, responsáveis pela sua acção digestiva e carminativa (impede a formação de gases no aparelho digestivo). E também sudorífico, e na índia atribuem-se-lhe eleitos afrodisíacos. Recomenda-se nos casos de esgotamento, inapetência e de digestões pesadas e flatulentas IO,01.

3"

PLANTAS PARA o FÍGADO E A VESÍCULA BILIAR
Aintii

a uiviÁRio DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Ascite, ver Barriga de água 380 Barriga de água 380 Cálculos na vesícula, Ver Vesícula biliar, transtornos 380 Cirrose, ver Hepatite 379 Coklitiase, ver Vesícula biliar, transtornos 380 Coleréticas e colagogas, plantas . .382 Cólica biliar 381 Cólica hepática, ver Cólica biliar . 381 Fígado, intoxicação 380 Fígado, mau funcionamento . . . . 379 Hepatite 379 Hipertensão portal, ver Barriga de água 380 Insuficiência liepática, ver Fígado, mau funcionamento 379 Insuficiência pan creática, ver Pâncreas, insuficiência . . . 381 Litiase biliar, ver Vesícula biliar, transtornos 380 Pâncreas, insuficiência 381 Pedras na vesícula, ver Vesícula biliar, transtornos 380 Plantas coleréticas e colagogas .. 382 Vesícula biliar, transtornos 380

PLANTAS Alcachofra Anémona-hepática Bérberis Boldo Cardo-de-santa-maria Cardo-leiteiro = Cardo-de-santa-maria discuta Dente-de-leão Fumaria Polipódio Rabanete e rábano Rábâo-rústico Saramago Taraxaco • Dente-de-leão Trevo-cervino 387 383 384 390 395 395 386 397 389 392 393 394 393 397 388

A

S PLANTAS medicinais exercem dois lipos de acções principais sobre o sistema hepatobiliar: a colerética e a colagoga. A produção da bílis é uma das funções primordiais do fígado. As plantas com acção colerética aumentam a quantidade de bílis segregada pelo fígado. A bílis liça armazenada na vesícula biliar, até que a passagem dos alimentos provoque o seu esvaziamento para o intestino. Aumentando a produção de bílis, as plantas coleréticas descongestionam o

fígado e favorecem a digestão. Empregam-se especialmente nos transtornos do ligado, como a hepatite. As plantas colagogas facilitam o esvaziamento da bílis contida na vesícula biliar para o duodeno. As plantas colagogas suprimem o espasmo da vesícula e do esfíncter de Oddi, aliviando a dor e facilitando o correcto funcionamento dos sistema biliar. Usam-se em caso de disquinc-

sia biliar (vesícula preguiçosa), dispepsias
biliares e colelitíase (cálculos na vesícula).

A SAÚDE PELAS P U N I A S M E D I C I N A I S 2 " Parle: D e s c r i ç ã o

I

Doença
FÍGADO, MAU FUNCIONAMENTO O fígado é a glândula de maior tamanho do nosso organismo, na qual têm lugar milhares de reacções químicas. Estas são as suas três (unções principais: 1. Transformação de alguns princípios nutritivos em outros. 2. Produção da bilis, necessária para a digestão das gorduras. 3. Desintoxicação do sangue, neutralizando e eliminando numerosas substâncias estranhas ou tóxicas que circulam por ele. Muitas destas plantas têm acção colerética, isto é, favorecem a secreção de bilis por parte das células hepáticas. Deste forma se descongestiona o fígado e se facilitam as suas funções. Outras, estimulam a regeneração das células hepáticas danificadas por diversas causas (vírus, medicamentos, toxinas, etc).

Planta
VERBENA

Pág. Acção 174 Descongestiona o fígado, antiespasmódica
metabólicas 294 Estimula as funções do fígado e de desintoxicação 313 383 384 387 Favorece a função hepática e biliar Anti-inflamatória, descongestiva do fígado Favorece a evacuação da bílis, tónico digestivo Protectora do fígado, colerética

Uso
Infusão, decocção Crua, sumo fresco, cozida ou assada Decocção de raiz, pó Maceração de folhas Infusão ou decocção de casca de raiz Infusão de folhas, caule e/ou raízes, sumo fresco de folhas, extractos Decocção de raiz Infusão, sumo fresco, extractos Infusão de folhas, extractos Decocção de raiz Crus, sumo fresco Salada de folhas, infusão ou decocção de frutos, extractos Salada, sumo fresco, infusão de folhas Infusão, maceração Salada, sumo fresco, infusão Maceração, decocção, pó ou extracto de raiz Infusão de raiz ou folhas, pó Decocção de casca A polpa dos frutos Infusão de flores Cápsulas, preparados farmacêuticos Crua, sumo fresco, cozida ou assada Essência, infusão Infusão de folhas, caule e/ou raízes, sumo fresco de folhas, extractos Crus, sumo fresco Salada de folhas, infusão ou decocção de frutos, extractos Salada, sumo fresco, infusão de folhas Infusão, maceração Frutos (uvas), cura de uvas

CEBOLA ÉNULA ANÉMONA-HEPÁTICA BÉRBERIS

ALCACHOFRA TREVO-CERVINO
FUMARIA BOLDO POLIPÓDIO RABANETE E RÁBANO CARDO-DE-SANTA-MARIA DENTE-DE•LEÃO ABSINTO CHICÓRIA GENCIANA

388 Descongestiona o fígado

389 390
392

Descongestiona o fígado, desintoxicante Potente colerético e colagogo, facilita o esvaziamento da bílis Laxante suave e colagogo Descongestionam e desintoxicam o fígado, regeneram as suas células Estimula a regeneração das células

393

395 hepáticas danificadas

a produção de bílis 397 Aumenta o seu esvaziamento e facilita 428 440 452 491 526 Descongestiona o fígado, estimula as suas funções Favorece a secreção de bílis, descongestiona o fígado Estimula a secreção e o esvaziamento da bílis Colagoga (facilita a evacuação da bilis) Favorece o bom funcionamento do fígado

BONS-DIAS
AMIEIRO•NEGRO

TAMARINDEIRO
Cardo de-santa-maria MARAVILHA

536 Colerético e colagogo suave

626 Aumenta a produção de bílis 276 Fornece nutrientes de elevado valor biológico
metabólicas 294 Estimula as funções do fígado e de desintoxicação 366 387 A sua essência é activa contra o vírus da hepatite A Protectora do fígado, colerética Descongestionam e desintoxicam o

HEPATITE
É a inflamação do fígado, geralmente causada por um vírus. 0 seu principal sintoma é a icterícia, tom amarelo 6a pele devido a que o fígado é incapaz de eliminar a bilis, pelo que esta passa para o sangue e se infiltra na pele e outros tecidos. 0 tratamento à base de plantas medicinais tem por objectivo pôr o fígado nas melhores condições de forma natural. As mesmas plantas podem usar-se como complemento no tratamento da cirrose. Além destas plantas, todas as colerétícas (ver tabela da página 382) podem ter utilidade.

ESPIRULINA CEBOLA HORTELÃ-PIMENTA

ALCACHOFRA
RABANETE E RÁBANO CARDO-DE-SANTA-MARIA DENTE-DE-LEÀO ABSINTO

393 fígado, regeneram as suas células

regeneração 395 Estimula adanificadas das células hepáticas

397 Descongestiona o fígado, facilita a sua função de desintoxicação
428 544 Descongestiona o fígado, estimula as suas funções Descongestiona todos os órgãos digestivos, fornece açúcares e outros nutrientes de grande valor biológico

VIDEIRA

379

1

Cap. 1 8 : PLANTAS

10 E A V E S Í C U L A B I L I A R

Doença
FÍGADO, INTOXICAÇÃO
Quando as células hepáticas tenham sido danificadas pela acção de fármacos, produtos químicos ou cogumelos venenosos, estas duas plantas podem contribuir para reforçar a função desintoxicadora do fígado e regenerar as suas células.

Planta
RABANETE E RÁBANO

Pág. Acção
^ Descongestionam e desintoxicam o fígado, regeneram as suas células

Uso
Crus, sumo fresco

CARDO-DE-SANTA-MARIA

yjc

Estimula a regeneração das células hepáticas danificadas

Salada de folhas, infusão ou decocção de frutos, extractos

BARRIGA DE ÁGUA
A acumulação de liquido na cavidade peritoneal chama-se ascite, ou barriga de água. A causa mais frequente de ascite é a cirrose hepática. Estas plantas activam a circulação no sistema portal, descongestionam o fígado e favorecem a eliminação do líquido abdominal. Desta forma melhoram a evolução da cirrose hepática. CHICÓRIA CHICÓRIA 440 44U
deSC0nges(i0na

Activa a circulação portal, o ff gad0

Salada ou sumo fresco de folhas, infusão de raiz

VmFiRA VIDEIRA

S44 Descongestiona o fígado, 044 e | j m j n a resíduos metabólicos Diurético intenso, rico em sais potássicos, colagogo Purgante, diurético Antiespasmódico, melhora

Frutos (uvas) cura de uvas

ORTOSSIFÃO

653

Infusão

SABUGUEIRO

767

Decocção da entrecasca Infusão de flores Óíeo (azeitei dos frutos (azeitonas! Decocção de raiz, pó, extracto, essência Infusão ou decocção de casca de raiz Infusão Infusão de folhas, extractos Salada, sumo fresco, infusão de folhas Maceração , decocção, pó de raiz Decocção Infusão de flores e folhas Infusão de raiz ou folhas, pó Infusão de folhas e flores Infusão de sumidades floridas

VESÍCULA BILIAR, TRANSTORNOS
A vesícula biliar tem de esvaziar a bílis que contém, no momento preciso, para que a digestão continue o seu processo normal. Mas este mecanismo de esvaziamento biliar sofre frequentes transtornos, conhecidos como vesícula preguiçosa ou coledisquinesia, que se manifestam com digestão pesada, dor na zona do fígado ou na região vesicular, náuseas e dor de cabeça. Em muitos casos, estes transtornos são devidos a colelitiase (pedras ou cálculos na vesícula) ou a barro biliar (bílis espessa), A fitoterapia dispõe de plantas capazes de regular o mecanismo de esvaziamento biliar e de fluidificar a bílis, com o que se pode evitar a formação de novos cálculos. Todas as plantas colagogas (ver tabela da pág. 382) também são de utilidade.

TÍLIA

169 o funcionamento da vesícula biliar

OLIVEIRA

239 da vesícula biliar
313 e hepatobiliares
384 386

Colagoga, facilita o funcionamento

ENULA

Tonifica as funções digestivas Colagogo, melhora as digestões pesadas Favorece o esvaziamento da vesícula biliar Potente colerético e colagogo,

BERBERIS

CUSCUTA

BOLDO DENTE-DE-LEÃO GENCIANA

390 normaliza o esvaziamento da bílis 397 e facilita o seu esvaziamento
452 Colerètica e colagoga, melhora as disquinesias biliares, tónico estomacal Favorece o funcionamento da vesícula Amargo, tónico digestivo, favorece o esvaziamento da vesícula Colagoga (facilita a evacuação da bílis) Corrige a atonia ou preguiça da vesícula Facilita o funcionamento da vesícula Aumenta a produção de bílis

QUÁSSIA

467 biliar, aperitiva
473 491 653

CARVALHINHA

BONS-OIAS

ORTOSSIFÃO

HIPERICAO

714 biliar

380

A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I 2 " Parle: D e s c r i ç ã o

I

Doença
CÓLICA BILIAR Produz-se quando a vesícula biliar tenta expulsar um cálculo ou pedra que se tenha formado no seu interior. É um estado agudo, que pode durar vários dias, em que se produzem contracções espasmódicas da vesícula e das vias biliares que esvaziam a bílis para o intestino delgado. Isto traduz-se em dor, náuseas, vómitos e mal-estar geral. Além destas plantas, são indicadas todas as ant/espasmódicas (ver pág. 147).

Planta
PASSIFLORA MACELA ASSA-FÉTIDA ABELMOSCO CAMOMILA ARGENTINA BOLDO LINHO

Pág. Acção
167 Relaxa os órgãos abdominais ocos,
como a vesícula biliar 350 359 362 364 371 Antiespasmódica Potente antiespasmódico e sedante Antiespasmódico, sedante Antiespasmódica, sedante Antiespasmódica, acalma as cólicas

Uso
Infusão de flores e folhas Infusão, pó, essência Lágrimas (grãos de goma) Infusão de sementes Infusão Decocção Infusão de folhas, extractos Cataplasmas com a farinha Infusão da raiz, cápsulas Sumo fresco, infusão Látex, infusão de folhas Infusão ou decocção de folhas

390 Potente colerético e colagogo, normaliza o esvaziamento da bílis
508 Antiespasmódico, sedante, anti-inflamatório

HARPAGÓFITO PÂNCREAS, INSUFICIÊNCIA Estas três plantas favorecem a função exócrina da glândula pancreática, aumentando a secreção de suco pancreático, imprescindível para a digestão.
URTIGA-MAIOR PAPAIEIRA CARDO-SANTO

670 Relaxa os espasmos eólicos
278

Estimula a secreção do suco pancreático Estimula a produção de suco pancreático Favorece a função do pâncreas

435 444

O cardo-de-santa-maria (pág. 395) constitui um dos remédios vegetais mais eficientes para as afecções hepáticas. O seu principio activo é a silimarina, substância capaz de regenerar as células hepáticas, e que por isso entra na composição de diversos preparados farmacêuticos.

Todos os cardos são bons para o fígado. E a alcachofra (pág. 387), como cardo que é, não só favorece as funções da glândula hepática mas também reduz o nível de colesterol no sangue. As partes mais medicinais da alcachofra não são os capítulos da planta, vulgarmente chamados alcachofras, mas sim as folhas, o caule e a raiz, que se ingerem em infusão ou em sumo fresco.

381

1

C a p . 1 8 : P L A N T A S PARA O FÍGADO E A V E S Í C U L A B I L I A R

Plantas coleréticas e colagc gas

As plantas coleréticas aumentam a quantidade de bilis segregada pelo fígado. As plantas coíagogas facilitam o esvaziamento da bilis contida na vesícula biliar para o duodeno.

Planta Tília Oliveira Antenária Émila Aspérula-odorífera Hortelã-pimenta Baunilha Bérberis Cuscuta Alcachofra Trevo-cervino Fumaria Boldo Polipódio Rabanete e Rábano Dente-de-leão Absinto Fel-da-terra Cúrcuma Genciana Quássia Acácia-bastarda Carvalhinha Anona Bons-dias Globulária Cáscara-sagrada Ruibarbo Tamarindeiro Artemísia Maravilha Ortossifão Alecrim Milefólio Aloés Evónimo Carlina

Pág.

Colerética

Colagoga

169 239 297 313 351 366 376
384 386

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387 388 389 390 392 393 397 428 436 450 452 467 469 473 489 491 503 528 529 536 624 626 653 674 691 694 707 749

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A laranja, especialmente a amarga, possui uma certa acção colagoga, se bem que não suficientemente importante para que figure na tabela j u n t a . Isto explica como nalgumas pessoas, particularmente mulheres, a laranja causa intolerância digestiva q u a n d o ingerida de manhã em j e j u m , pois provoca um esvaziamento brusco da vesícula biJiar.

Maravilho

382

Anemone hepaticaL

Anémona -hepática
Descongestiona o fígado

A

S FOLHAS desta pequena e linda planta, que parecem lembrar os lóbulos anatómicos do ligado, terão possivelmente inspirado os médicos renascentistas a utilizá-la nas doenças hepáticas.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Ioda a planta contém glicósidos, saponina e anemonol, substância tóxica quando a planta está Fresca. É unti-inflamntória e descongestiva do fígado IO), p e l o q u e se traia de mais um r e m é d i o a t e r em c o n t a no caso de afecções hepáticas (icterícias, h e p a t i t e s , cirroses, e t c ) . T a m b é m é diurética. O r a , COnhecem-se a c t u a l m e n t e outras plantas mais eficazes e menos tóxicas, pelo q u e o uso da a n é m o n a - h e p á t i c a n o t r a t a m e n t o das d o e n ç a s d o fígado d i m i n u i u . N o e n t a n t o , persistem outras das suas aplicações. Externamente, utili/a-se c o m o vulnerária e cicatrizante em caso de feridas e úlceras da pele 101.

Sinonímia científica: Hepática nobilis L Outros nomes: anémona, anémola. Esp.: hierba dei hígado, hierba de la Trinidad, trinitaria, trébol dorado. Fr.: [anémone] hépatique, herbe de la Trinité. Ing.: anemony, windflower. Habitat: Cria-se em terrenos calcários e montanhosos de toda a Europa. Descrição: Planta vivaz, de 10 a 25 cm de altura, da família da$ Ranunculáceas. Não possui caule. As suas folhas estão divididas em três lóbulos, e saem directamente da base. Dá flores azul-cíaro, rosa, ou brancas. Partes utilizadas: As folhas secas.

£P Preparação e emprego
USO EXTERNO O Maceração: Prepara-se com 30 g de folhas secas em um litro de água, durante 12 horas. Tomam-se 2-3 chávenas diárias, adoçadas com mel. ô Compressas empapadas no líquido resultante da maceração. Aplicam-se sobre a zona da pele afectada.

Precauções

A planta fresca é tóxica. Não ultrapassar a dose indicada.

3a

Berberis vulgarls L.

Bérberis
Digestivo e t o n i f i c a n t e

P

ASSEANDO pelos lugares montanhosos e secos, é muito agradável encontrar-se este arbusto de aspecto um tanto hostil, pelos seus espinhos pontiagudos, mas de delicados frutos. Durante uma boa parte do Outono, ainda se pode desfrutar deste refrescante presente da natureza. O autor mesmo teve ocasião de os comer em abundância. Embora não esperássemos muito deles, devido às suas reduzidas dimensões, os pequeninos frutos da bérberis têm um sabor muito refrescante, entre o doce e o ácido. Para as cabias monteses e para muitas aves, constituem uma «sobremesa» muito apreciada.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

Outros nomes: berbere, uva-espim, espinheiro•vinheto. Esp.: agracejo, bérbero, retamilla, agracillo, cambrón, vinagrera. Fr.: épine-vinette. Ing.: fcommon] barberry. Habitai: Cresce nas regiões temperadas e montanhosas da Europa e da América, principalmente em terrenos secos e pedregosos.

Descrição: Arbusto espinhoso de hastes erectas, da família das Berberidáceas, cujas espécies se caracterizam por apresentar grupos de 3 ou 5 espinhos em cada nó. As flores são amarelas. Os frutos são umas pequenas bagas ovaladas, vermelhas ou cor-de-amora, dispostas em cachos. A casca do tronco e das raízes apresenta uma cor amarelada, que se tem usado para tingir a lã e outros tecidos. Partes utilizadas: a casca das raízes, e os frutos.

planta, excepto os frutos, contém alcalóides muito activos, que podem

O
USO INTERNO &

Preparação e emprego
se acrescenta, depois de coado, o dobro do seu peso em açúcar, com o fim de evitar que fermente. Assim se dispõe de um xarope, a partir do qual se pode obter uma refrescante bebida em qualquer época do ano. © Doce: Com os frutos da bérberis também se prepara um delicioso doce.

Precauções

Devido ao seu conteúdo em berberina, um alcalóide semelhante a morfina, a casca da raiz de bérberis deve usar-se com muita prudência, sem exceder as doses prescritas.

O Infusão ou decocção: Preparase com 40 g de casca de raiz por cada litro de água. Não é recomendável tomar mais de três chávenas por dia. @ Xarope: Dos frutos obtém-se, por pressão, um delicioso sumo, a que

384

A segurelha exerce uma acção carminativa (antiflatulenta) e antiespasmódica, pelo que constitui u m c o m p l e m e n t o ideal para temperar os legumes e outros alimentos de digestão lenta ou difícil.

cio que a segurelha, para temperar os pratos de legumes, como os feijões, assim como os guisados de favas. Ainda por cima, relaxa os músculos do intestino (efeito antiespasmódíco), pelo que se torna útil nos casos de dores intestinais ou diarreia IO.01. É recomendável para os que sofram de gastrite. Também apresenta uma certa acção vermífuga. • Sobre o sistema nervoso, exerce uma suave acção tonificante, pelo que é indicada nos casos de fadiga crónica, debilidade, hipotensão e as-

• Para os guisados, pode empregar-se tanto fresca como seca, ou ainda reduzida a pó num moinho de moer pimenta. A essência também se usa como condimento. • Para temperar as azeitonas ao natural. Aqui fica a receita utilizada em muitas povoações do Sul de Espanha, em regiões de olivais: Põem-se as azeitonas de molho durante vários dias, mudando-lhes frequentemente a água, até que esta saia clara e as azeitonas não amarguem. Depois deixam-se de molho com segurelha (um punhado por litro de água), sal, alhos e casca de laranja (para as pretas) ou de limão (para as verdes). Êxito garantido.

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Segurelha-dos-jardins
Há várias espécies de Satureja muito semelhantes na composição e nas propriedades. Uma das mais conhecidas é a segurelha-dos-jardins (Satureja hortensis L),* muito apreciada e cultivada em Portugal, não só pelas suas propriedades medicinais mas também como condimento. É ligeiramente baça e um pouco mais pequena e delicada do que a segurelha ou satureja-das-montanhas (Satureja montana L). A erva-das-azeitonas (Satureja calamintha [L] Scheele), também conhecida por calaminta e nêveda, muito aromática, tem folhas ovadas ou ovado-arredondadas e encontra-se nos lugares secos e áridos, sebes e caminhos. Além do emprego que o seu nome obviamente sugere, tem também qualidades antiespasmodicas e estimulantes.
* Esp.: ajedrea dejardin.

tenia IO,01. Claro que o uso da segurelha deve ser acompanhado de outros tratamentos naturais, no quadro de uma cura revitalizadora. • A sua acção afrodisíaca não é simplesmente uma lenda, embora seja discreta e progressiva IO,01. No caso de se desejar uma acção mais enérgica, deverá associar-se a outras plantas (ver. pág. 602). • E ligeiramente diurética e depurativa, pelo que também é benéfica aos obesos, artríticos e gotosos IO.01. • Proporciona uma acção balsâmica e expectorante, devido aos óleos essenciais que contém. E útil em bronquites agudas e crónicas, assim como nos casos de IO,©l.

tornar-se tóxicos, de e n t r e os quais se desiaca a berbei ina. Este alcalóide é q u i m i c a m e n t e s e m e l h a n t e à morfina e, s e g u n d o disse Font Quer, p o d e ate utilizar-se para a d e s a b i t u a ç ã o dos morflnómanos. A CASCA DA RAIZ da bérberis é a parte da planta mais rica em berberina, e apresenta as seguintes propriedades: • Colagoga e digestiva: Fácil içando a evacuação da bílis, descongestiona o ligado e o sistema biliar, m e l h o r a n d o deste m o d o as digestões pesadas IO). Actua, p o r t a n t o , c o m o um tónico digestivo, a u m e n t a n d o o apetite. • Laxante: Ajuda a vencer a prisão de ventre, q u a n d o seja devida a uma deficiente secreção de bílis IO). • Tónico cardíaco e circulatório: Tradicionalmente tem-se usado c o m o estimulante em estados de esgotamento ou após doenças febris IO). • Diurética e febrífuga, ainda q u e de efeito p o u c o intenso IO). Os FRUTOS c o n t ê m glicose e levulose, vitamina C, assim c o m o os ácidos orgânicos cítrico e málico. Tanto frescos c o m o em s u m o ou em xarope, são m u i t o eficazes p a r a refrescar e acalmar a sede. T ê m um ligeiro efeito laxante. O s u m o e o xarope de bérberis t o r n a m - s e m u i t o a p r o p r i a d o s para acalmai - a s e d e dos doentes febris, pois além de fazer baixar a temperatura, estimula e tonifica l©,0l. Os frutos da bérberis coJbetn-.se no f i m d o Verão o u n o O u t o n o . P o d e m usar-se sem limitação, visto n ã o conterem alcalóides.

A casca das raízes da bérberis exerce uma acçáo favorável sobre a vesícula biliar. Favorecendo os esvaziamento da bílis, melhora as digestões pesadas e a dispepsia de origem biliar. Por seu lado, os pequenos frutos silvestres da bérberis são muito recomendáveis em caso de febre devida a gripe ou outras afecções: baixam a temperatura e tonificam. 38!

Cuscuta epNhymum Mur.

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JÉ)

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Preparação e emprego

Cuscuta
Digestiva e cicatrizante

USO INTERNO O Infusão com 30 g de planta por litro de água. Tomar duas chávenas por dia. USO EXTERNO © Cataplasmas: Fervem-se, durante meia hora, de 60 a 100 g de planta por litro de água. Triturar até conseguir uma massa pastosa, que se aplica sobre a zona da pele afectada.

E

STA PLANTA c um autêntico vampiro vegetal. Com os seus finos caules adere à sua vítima, de que chupa literalmente a seiva até secá-la e matá-Ja. Ataca de preferência o tomilho, a alfazema, a segurelha, o alecrim, a urtiga, o trevo e o lúpulo. Antigamente pensava-se que a cuscuta adquiria as propriedades da planta a que parasitava, o que não pôde ser demonstrado. Hoje, no entanto, sabemos que a cuscuta tem as suas próprias virtudes medicinais.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Toda a planta contém um gllcósido amorfo (cuscutina), resina, tanino e goma. Por via interna, é laxante e diurética. Ao mesmo tempo, favorece o esvaziamento da vesícula biliar (acção colagoga) e estimula os processos digestivos. E recomendada aos que sofrem de cálculos biliares ou de transtornos no esvaziamento da vesícula biliar IO), Aplicada externamente cm Forma de cataplasma, é cicatrizante e anli-séptica. Dú bons resultados no caso de ú\ceras varicosas e de feridas infectadas ou de cicatrização lenta IÔ1.
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Outros nomes: linho-de-cuco, linho-de-raposa, cabelos, •cabelos-de-nossa-senhora, enleios, abraços. Madeira: ({> iinheio. Brasil: cipó-chumbo. Esp.: cuscuta, epitimo, cabellos [de tomillo], barbas de capuchino. Fr.: cuscute. Ing.: [commonj dodder, greater dodder. Habitat: Comum nos montes de toda a Europa. Também se encontra em regiões montanhosas e temperadas ou frias do continente americano.

Descrição: Planta parasita, da familia das Cuscutáceas, de caule avermelhado e flores esbranquiçadas ou rosadas. Não tem folhas e portanto também não tem clorofila. Forma um emaranhado de finos caules em volta das plantas que parasita. Partes utilizadas: toda a planta.

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Cynara Cyn scotymus L

Alcachofra
Regenera o fígado e baixa o colesterol
USO INTERNO O Infusão de folhas, caule e/ou raízes: 50-100 g por litro de água. Tomar 3 chávenas diárias, preferivelmente antes das refeições. © Sumo fresco: Obtém-se das folhas e ingere-se à razão de uma chávena a cada refeição, © Extracto seco: 1 -2 g diários, se não se tolerar o sabor amargo da infusão ou do sumo fresco.

A

ALCACHOFRA foi considerada afrodisíaca durante o século XVI, embora não se lhe tenha prestado muita atenção como planta medicinal. Foi só nos meados do século XX que ganhou um grande prestígio como remédio para as doenças hepáticas e biliares. Actualmente, os extractos de alcachofra entram na composição de vários preparados farmacêuticos, em virtude das suas notáveis acções medicinais sobre o fígado e o metabolismo.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS

princípios activos da alcachofra, que se concentram sobretudo nas folhas, são a cinarina (princípio amargo) e alguns ílavonóides derivados da luteína. É muito rica em enzimas, inulina (hidrato de carbono muito bem tolerado pelos diabéticos, ver pág. 80), potássio e manganésio. Embora a alcachofra propriamente dita, isto é, o capítulo floral, também participe dos efeitos medicinais que descrevemos, para conseguir uma acção terapêutica importante é preciso usar sobretudo as folhas, o caule e/ou as raízes da planta. As propriedades da alcachofra são:

*

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Outros nomes: aicachofra-hortense. Esp.: alcachofera, alcachofa, alcaucil, cardo alcahofero, morrillera. Fr.: artichaut. Ing.: artichoke. Habitat: Própria dos países mediterrâneos. Cultivada em regiões temperadas de todo o mundo. Descrição: Planta da família das Compostas, que atinge até 1,5 m de altura. As folhas são grandes, muito segmentadas, de cor verde-acinzentada. Os capítulos florais são de cor azul-violácea, rodeadas de brácteas (falsas folhas), na base das quais se encontra a parte comestível. Partes utilizadas: as folhas da planta, o caule, os capítulos florais (conhecidos por alcachofras) e a raiz.

Fórmula química da cinarina, princípio activo da alcachofra.

• Colerética (aumenta a secreção de bílis) e hepatoprotectora (antitóxica): Recomenda-se nos casos de dispepsia ou cólica biliar e de insuficiência hepática IO.@,©l. É muito indicada no caso de hepatite. • Hipolipemiante: Faz descer a concentração de colesterol e de outros lípidos no sangue, pelo que se torna muito recomendável no caso de arteriosclerose lO,@,©l.

• Hipoglicemiante: Pelo seu conteúdo em inulina, é um alimento próprio para os diabéticos IO.0.0I. . Favorece a diminuição do nível de açúcar no sangue. • Diurética, depurativa e eliminadora de ureia: Apropriada no caso de albuminúria e na insuficiência renal IO,© 01.
387

Eupatorium cannabinum L.

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A IS J
Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção de 50 g de raiz fresca cortada às rodelas, ou com a mesma quantidade de folhas num litro de água. Tomam-se 2 ou 3 chávenas diárias. USO EXTERNO ©Compressas empapadas na mesma decocção que para o uso interno. Colocam-se sobre a zona de pele afectada.

Trevo-cervino
Descongestiona o fígado e depura o sangue

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AO SL DEVE confundir esta planta, também chamada eupatório-de-avicena, com a agrimónia (pág. 205), que também tem o nome de eiipatório-dos-gregos, a qua pertence a outra família botânica e possui propriedades medicinais distintas.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a

Precauções

Em doses elevadas, pode provocar vómitos.

planta contém resina, uma substância amarga, tanino e indícios de essência. Possui propriedades coleréticas (aumenta a secreção de bílis no ligado, clescongesiionando-o), depurativas, anti-reumátícas, laxantes e expectorantes. Utili/a-se em casos de afecções hepáticas (hepatites, cirroses), dores reumáticas, bronquites e caiairos, e também como purgante suave IOI. Aplicado externamente, é vulnerário: cura feridas injectadas, úlceras e lesões da pele 1©I.

Outros nomes: eupatório-de-avicena. Esp.: eupatorio, canabina. Fr.: eupatoire. Ing.: hemp agrimony. Habitat: Terrenos e bosques húmidos da Europa e da América. Descrição: Planta vivaz da família das Compostas, que atinge até 1.5 m de altura. As suas flores são cor-de-rosa, azul-páiido ou brancas, agrupadas em corimbos. A raiz emana um odor fétido. As suas folhas são de sabor amargo. Partes utilizadas: as folhas, e a raiz acabada de arrancar.

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V

;Ê Eupatórios americanos
xante, sudorífico e febrífugo, em constipações e gripes. • Eupatorium purpureum L: Empregado pelos índios norte-americanos como diurético e tonificante. • Eupatorium staechadosmum Hance.: Originário da Indochina, mas cultivado na América tropical devido às propriedades medicinais das suas folhas. É conhecido pelo nome espanhol de 'ayapana de Tonquín'. • Eupatorium triplinerveMaH. = Eupatorium ayapana Vent.: Proveniente dos trópicos asiáticos. Prepara-se com as suas folhas uma infusão estimulante. É conhecido no Brasil como aiapana, e noutros países latino-americanos como 'ayapana', 'curía', 'diapalma' e 'té dei Amazonas'.

Existem na América várias espécies de eupatórios: • Eupatorium coliinum D.C: Conhecido pelos nomes espanhóis de 'hierba dei ángel', 'barrilete' e 'majitero'. Cultiva-se para utilizar as folhas como sucedâneo do lúpulo. • Eupatorium perfoliatum L: Cria-se na América do Norte, onde se usa como la388

Fumaria offíclnalls L

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Preparação e emprego

Fumaria
Descongestiona o fígado e desintoxica
USO INTERNO O Infusão de 50 g de planta por litro de água. Toma-se uma chávena antes de cada uma das três refeições. ô Sumo da planta fresca adoçado com mel, à razão de meio copo antes de cada refeição. €) Extracto seco: Ingere-se um grama antes de cada refeição.

N

ÃO SE SABE se a fumaria se chama assim porque, quando é torcida ou esmagada, faz chorar como se fosse fumo, ou então porque as suas folhas cinzentas se assemelham ao fumo de um incêndio, cujas labaredas seriam as flores. Tem sido usada com êxito desde o tempo de Dioscórides (século I d.C).
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES:

Toda a planta contém ílavonóides que a tornam colerética e antiespasmódica; sais de potássio, a que se deve a sua acção diurética e depurativa; e diversos alcalóides derivados da isoquinoleína (fiunarina) que lhe conferem uma acção anti-histamínica (a histamina intervém nas reacções alérgicas) e anti-inflamatória. Além disso, a fumaria contém princípios amargos e mucilagens. Tem as seguintes indicações; • Eczemas e erupções da pele devidos a auto-intoxicação por putrefacção intestinal, insuficiência renal, afecções hepáticas (hepatite crónica), ou alergias IO.0.0I. • Afecções hepáticas: congestão e mau funcionamento {lo fígado ou hepatite crónica, pelo seu efeito colerétíco (estimulante da secreção de bílis) IO0.0I • Hipertensão arterial, pelos seus eleitos diurético, antiespasmódico, depurativo e fluidificante do sangue IO0.0I

Outros nomes: erva-molarinha, erva-pombinha, fumo-da-terra, moleirinha. Brasil: fel-da-terra. Esp.: fumaria, plumaria, palomilla, flor de pajarito, hierba de la tierra, hierba de conejos, capa de reina. Fr.: fumeterre [officinalej. Ing.: [hedge] fumitory, earlh smoke. Habitat: Nas proximidades de campos cultivados, nas beiras dos caminhos e em terrenos baldios. Originária da Europa, mas difundida em todo o mundo. Descrição: Planta anual, da família das Fumariáceas. que atinge de 20 a 70 cm de altura. As suas folhas são de um cinzento esverdeado, e as flores rosadas ou vermelhas. O aroma è ácido, e o sabor. amargo. Partes utilizadas: Toda a planta excepto a raiz.

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Peumus boldus Molina

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Boldo
Normaliza o funcionamento da vesícula biliar

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BOI.DO é uma cias plantas medicinais mais utilizadas na preparação de produtos farmacêuticos para li atar as doenças do fígado e da vesícula biliar. Existem vários medicamentos, produzidos por diversos laboratórios, em cuja composição entra o boldo. E que esta planta apresenta propriedades que nenhum produto químico consegue igualar. No Chile, é uma planta muito apreciada. Os primitivos povoadores dos Andes já a utilizavam como estomacal e digestiva. Hoje pode-se encontrar este dom da Natureza nas farmácias e ervanárias de toda a Europa e América, onde continua a ser conhecido pelo seu primitivo nome araucano.

Outros nomes: Esp.: boldo. Fr.: boldo. Ing.: boldo. Habitat: Cresce espontaneamente no Chile e nas regiões andinas da América do Sul. Cultiva-se na Itália e no Norte de África. Descrição: Árvore ou arbusto de até 5mde altura, da família das Monimiáceas, com folhas elípticas de superfície rugosa. As flores são brancas ou amareladas. Toda a planta liberta um agradável aroma semelhante ao da hortelã. Partes utilizadas: as folhas.

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Preparação e emprego

USO INTERNO

O Infusão com 10-20 g de folhas de boldo por litro de água, de que se toma uma chávena antes de cada refeição, até 4 diárias. © Extracto seco: 1 g, 3 ou 4 vezes ao dia, antes das refeições.

Precauções
N CH, CH,OH
Fórmula química da boldina, o alcalóide mais importante do boldo. 390

-CH, Não ultrapassara dose indicada (quatro chávenas por dia), pois em doses elevadas o boldo é soporífero (faz dormir) e anestésico sobre o sistema nervoso central. Estes efeitos só se apresentam com doses muito elevadas, e de modo nenhum com as que são indicadas. Embora não haja provas concludentes de que possa afectar o feto, como medida de precaução as grávidas devem evitar ingerir esta planta.

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Magnífica panorâmica de Torres dei Paine (Chile). O boldo é originário das regiões montanhosas andinas do Chile, embora actualmente se encontre também, cultivado, no Sul da Europa e no Norte de África. A u m e n t a n d o a produção de bílis, melhora o funcionamento do fígado e da vesícula biliar. Está provado que o consumo de boldo pode melhorar os eczemas cutâneos, possivelmente devido ao facto de favorecer a função desintoxicante do fígado.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS fo-

lhas do boldo contêm cerca de vinte alcalóides derivados da aporíina, dos quais o mais importante é a boldina. que representa entre 25% e 30% do total. Também são ricas no óleo essencial que dá à planta o seu aroma característico, e no qual se identificaram eucaliptol, ascaridol e cimol. As Tolhas contêm ainda diversos flavonóides c glicósidos (boldoglucina). As propriedades mais importantes do boldo são: • Colerético (aumenta a produção de bílis no fígado) e colagogo (facilita o esvaziamento da vesícula biliar): Por isso as folhas do boldo são indicadas no caso de congestão hepática e dis-

quinesia biliar (transtorno no funcionamento da vesícula biliar) e cólicas biliares IO.0I. O boldo também se torna benéfico no caso de litiase biliar (pedras na vesícula), para aliviar as perturbações digestivas e a sensação de distensão após as refeições, sintomas característicos desta doença IO.01. Na realidade o boldo não é capaz de desfazer os cálculos biliares, nem de provocar a sua expulsão. Comprovou-se, no entanto, que se produzem mudanças na composição química e nas propriedades físicas da bílis, tornando-a mais fluida e menos litogénica (com menor tendência paia a formação de pedras ou cálculos); quer dizer que o boldo impede que a bílis precipite e se for-

mem novos cálculos ou aumentem de tamanho aqueles que já existem. • Eupéptico (facilita a digestão) e aperitivo: O boldo está indicado nos casos de digestão lenta ou difícil, inapetência, peso no estômago e os chamados amargos de boca IO,©l. • Laxante suave, possivelmente como consequência do maior afluxo de bílis no tubo disgestivo, que esta planta provoca IO.0I. O boldo associa-se normalmente a outras plantas coleréticas e colagogas (alcachofra, alecrim, e t c ) , ou laxantes (fràngula, sene, e t c ) .

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Polipódio
Descongestiona o fígado
Outros nomes: Poiipódio-do-carvaiho, fentelha, filipode, teto-doce. Esp.: polipódio, filipodio. Fr.: poíypode. fougère réglisse. Ing.: [femalej fern, polypody.

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LOFRASTO e Dioscórides já conheciam as propriedades iaxativas deste feto. No século XVI, o médico espanhol Andrés de Laguna dizia que «o polipódio pinga com grande facilidade, de sorte que nem revolve o estômago nem provoca fastio». Seguindo um velho costume, este médico recomendava aos que sofriam de prisão de ventre que comessem o caldo de um galo velho recheado de raiz. de polipódio e de sene.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A raiz do polipódio contém um princípio amargo glicosídico, saponina, murilagens e açúcares. Tem um agradável sabor a alcaçuz. São esias as suas propriedades:

Habitat: Comum em todas as regiões temperadas do hemisfério norte. Nasce quase sempre nos troncos de árvores velhas, nos muros sombrios e sobre as pedras cobertas de musgo. Descrição: Feto da família das Polipodiáceas, de 15 a 50 cm de altura, com frondes alongadas e triangulares, em cuja face inferior se encontram os esporângios. O rizoma (caule subterrâneo) é rasteja nte e dele partem numerosas pequenas raízes. A calaguala (pág. 724) é outro teto do género Polypodium. Parte utilizada: o rizoma.

• Laxante suave e colagogo: Indicado em casos de prisão cie ventre crónica e de insuficiência ou congestão hepática, assim como em transtornos da vesícula biliar IO.01. • Expectorante e antifússico. Útil em caso de catarros bronquiais e de tosse seca IO.0I. • Vermífugo: Faz expulsar os parasitas intestinais IO.0I. 392

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Preparação e emprego
USO INTERNO O Decocção com 30 g de raiz num litro de água, fazendo-a ferver até que fique reduzida a metade. Deixase repousar durante umas horas e bebem-se todos os dias 3 ou 4 chávenas. © Pó de raiz: A dose habitual é de um grama, de uma a três vezes ao dia.

Raphanus sativus l_

O Pt
Preparação e emprego

Rabanete e rábano
Regenera o fígado. Combate eficazmente a sinusite

USO INTERNO O Cru em saladas, é um condimento saudável e curativo. © Sumo fresco do tubérculo, à razão de 50 a 125 ml, três vezes por dia, antes das refeições e adoçado com mel ou açúcar escuro.

Saramago

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S RABANETES são m u i t o a p r e c i a d o s nos países m e d i terrâneos como condimento para as saladas. Nalguns lugares, n ã o se c o m e só a raiz mas t a m b é m as folhas, q u e lèm um agradável sabor picante. O rábano {Raphanus Sativus L. var. Nigra) é uma variedade do raban e t e c o m u m , caracterizada pela c o r escura da raiz, muito empregada em fitoterapia.
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Con-

O saramago (Raphanus raphanistrum L.).' também conhecido por cabestro, é considerado a espécie da qual procedem os rabanetes e rábanos cultivados como hortaliça. As suas propriedades medicinais são as mesmas que as do rabanete vulgar (Raphanus sativus L). As sementes contêm um alcalóide, a sinalbina, que, pela acção da enzima que o acompanha, se transforma em essência de mostarda. ' Esp.: rábano silvestre. Fr.: revenelle. Ing.: wild radish.

tém um glicósido sulfurado (gluco-rafenina) que, por hidrólise enzimática, se transforma em rafanol, substância a q u e se devem as suas p r o p r i e d a d e s colagogas, colercticas, antibióticas e peitorais. C o n t é m t a m b é m sais minerais e vitaminas B e C. Sãos estas as suas aplicações: • Afecções hepatobiliares: Aumenta a p r o d u ç ã o de bílis pelo ligado (efeito colagogo), o q u e o descongestiona e desintoxica. Ao m e s m o t e m p o , melhora o funcionamento da vesícula biliar, ao favorecer a correcta evacuação da bílis para o d u o d e n o . O rabanete é pois muito indicado nos casos de he-

Outros nomes: rabão. Brasil: rabanete-das-hortas, nabo-chinês. Esp.: rábano, rabaneta. rabanete, nabo chino criollo, nabón. Fr.: radis. Ing.: radish. Habitat: Originário da Ásia Central, actualmente cultivado em todas as regiões temperadas do mundo. Descrição: Planta herbácea, da família das Cruciferas, de folhas muito ramificadas e flores brancas com riscas cor-de-rosa ou violeta. A raiz é um bolbo de cor branca, vermelha ou parda escura. Partes utilizadas: a raiz fresca.

-At.

Rábáo-rústico

O rábão-rústico (Armoracia rusticana Gaertn. = Cochlearia armoracia L)*, é também chamado rábãomaior, rabanete-de-cavalo e cocleária-da-bretanha. Nalguns países da América do Sul também lhe chamam saramago. Tanto na sua composição como nas aplicações, é muito semelhante à mostarda {pág. 663). Este rabanete adquiriu grande notoriedade porque os professores Enamorado e López Garcés, da Universidade Politécnica de Madrid, obtiveram dele um extracto, conhecido como PDG (peróxido de difenilglioxal). Administrado a doentes de esclerose múltipla, este extracto de rábano produziu melhoras notáveis. Também está a ser investigada a sua possível acção anticancerosa.
* Esp.: rábano rusticano. Fr.: raifort. Ing.: horse radish.

O rabanete e o rábano são grandes amigos do fígado, gJãndula que descongestionam e desintoxicam. O seu consumo cru, ou em sumo, é muito indicado em caso de hepatite, cirrose, degenerescência do fígado devida ao consumo de álcool, e intoxicação hepática por fármacos ou produtos químicos.

patite aguda e crónica, doença gorda do ligado, cirrose, intoxicação hepática por fármacos, produtos químicos ou cogumelos, assim como nas dispepsias biliares (vesícula preguiçosa). Pode contribuir para regenerar o fígado na hepatite alcoólica e no caso de