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PLANTAS

QUE CURAM
Enciclopédia das Plantas Medicinais
AO LEITOR
J
I
gnoradas n u m a s épocas da Após uma época de bilhantes
história, e até desprezadas progressos científicos, em que a
noutras, as plantas medici- terapêutica —ciência da cura—,
nais têm esperado vários milé- d e p o s i t o u t o d a s as suas espe-
nios, calada e pacientemente, que ranças exclusivamente em sofis-
nós, os seres humanos, dirijamos ticados laboratórios e em dispo-
para elas a nossa atenção, a fim sitivos de alta tecnologia, volta a
de conhecê-las, estudá-las, aplicá- r e s s u r g i r o interesse pelos re-
las —e porque não?—amá-las. médios simples que a Natureza
oferece: n ã o só as plantas, mas
também a água (hidroterapia), o
sol (helioterapia) ou as terras
m e d i c i n a i s (geoterapia), entre
outros.

A. ajuda de que o ser humano


necessita para as suas muitas do-
enças c padecimentos, vem ago-
ra da terra, das simples ervas do
c a m p o . Nesses humildes restol-
hos, nessa árvore bravia esqueci-
da, nos "simples" —como anti-
g a m e n t e se c h a m a v a m as plan-
tas medicinais—, é aí que a Na-
tureza esconde os seus melhores
remédios para a s a ú d e dos hu- espécies de vegetais que povoam
manos. o planeta Terra q u e , com esta
obra, não fazemos mais do q u e
a s s o m a r t i m i d a m e n t e a o vasto
Quando sair para o c a m p o , oceano do conhecimento da
caro leitor, não m e n o s p r e z e botânica e da fitoterapia.
aquilo que parece simples, essas
humildes plantas. Antes observe-
as com consideração c respeito, A Publicadora Atlântico faci-
pois é delas que procede a maior lita e n o r m e m e n t e esta tarefa do
parte dos medicamentos. E se c o n h e c i m e n t o , a o utilizar n a
for crente e acreditar num Deus presente obra, que faz parte da
de amor que criou a vida, eleve o a m p l a E n c i c l o p é d i a de Edu-
olhar para o céu em sinal de gra- c a ç ã o e S a ú d e , a tecnologia
tidão, por Ele nos ter provido de mais a v a n ç a d a no c a m p o da
tantos vegetais benéficos, capa- edição, j u n t a m e n t e com u m a
zes de curar as doenças e de ali- realização editorial de nível in-
viar os nossos sofrimentos, tor- ternacional.
nando assim mais suportável a
nossa passagem por esta vida.
Caro leitor, conheça as plan-
tas, e amá-las-á. É este o sincero
É tão amplo e variado o mun- desejo do autor,
do das plantas, há tanto desco-
berto e tanto mais ainda p o r
descobrir nas cerca de 400.000 Dr. Jorge D. Pamplona Roger.
Plan geral
Volume 1
Ao leitor 5
Plano geral da obra 6
índice de doenças 8
índice de plantas 12
Prólogo 16
Apresentação 17
Prefácio 18

Primeira parte: Generalidades


1. O m u n d o vegetal 22
• Classificação dos vegetais
• Tipos de folhas
• Anatomia das folhas
• Tipos de raízes
• Tipos de caules
• Tipos de inlloresccncias
• Anatomia de uma flor Colheitaeconservação,
cap. 2

El mundo vegetal, cap 2. C o l h e i t a e c o n s e r v a ç ã o 44


• Guardiães ou destruidores?

3. F o r m a s de p r e p a r a ç ã o e e m p r e g o 54 » j**}
• A ai te de prepai ar tisanas ^* * « ^ ^ ^ ^ ^
• Vantagens e inconvenientes dos extractos '^^
• Técnica de aplicação das lomenlações ^ V\
Formas de preparación y ernpleo, cap. 3
• O uso seguro das plantas medicinais &_/jj

4. Princípios activos 76 nl m
.. * r • • . Precauções e toxicidade
V
• A lotossintese 5
• Procedimentos para a obtenção das
essências
Princípios activos, cap. 4 • A aromaterapia

5. Precauções e toxicidade das plantas. . . . 98

6. Da planta ao m e d i c a m e n t o 110

• Como obter os melhores resultados


das plantas
• Uma pioneira da moderna iitoterapia *
• As plantas medicinais na América
• Como se descobriram as propriedades
, i , Da planta ao medicamento,
das plantas ^
da obra

Segunda parte: Descriç


Significado dos ícones 124 - 125
Explicação das páginas 126-127
7. Plantas para os olhos 128
8. Plantas para o sistema nervoso 138
9. Plantas excitantes 176
10. Plantas para a boca 186
11. Plantas para a garganta, nariz e ouvidos. . . 200
12. Plantas para o coração 212
13. Plantas para as artérias 226
Plantas para os olhos, cap. 7 Plantas para a garganta,
14. Plantas para as veias 248 cap. 11
15. Plantas para o sangue 262
16. Plantas para o aparelho respiratório 280
17. Plantas para o aparelho digestivo 346
18. Plantas para o fígado e a vesícula biliar .. . 378
Volume 2
Testemunho 400
Plano geral da obra 402
Plantas para as veias, cap. 14 índice de doenças 404
índice de plantas 410
Plantas para o aparelho
19. Plantas para o estômago 416 respiratório, cap. 16

l
Plantas para o aparelho genital
20. Plantas para o intestino
21. Plantas para o ânus e o recto
22. Plantas para o aparelho urinário
23. Plantas para o aparelho genital masculino.
24. Plantas para o aparelho genital feminino ..
25. Plantas para o metabolismo
476
538
548
602
614
644
masculino, cap. 23
26. Plantas para o aparelho locomotor 654
27. Plantas para a pele 680
28. Plantas para as infecções 736
29. Plantas para outras doenças 774
* Glossário 778
Unidades de medida 782
Procedência das ilustrações 783
Bibliografia 784
; índices alfabéticos 786
Plantas para a pele, cap. 27 índice geral alfabético 794

7
índice de doenças
Abcesso dentário, ver Fleimão dentário 188 Antocianinas, plantas com 128
Abcessos 689 Ânus, eczema 539
Acidez do estômago 418 Ânus. fissura 539
Ácido úrico, excesso de, ver Gota 647 Apetite, excesso de, ver Bulimia 648
Acne 687 Apetite, falta de 347
Açúcar no sangue, excesso, ver Diabetes 648 Ardor de garganta, ver Garganta, irritação 201
Afecções do coração 213 Ardor dos olhos (legenda de foto) 130
Afonia 203 Areias na urina, ver Litíase urinária 550
Afrodisíacas, plantas 602 Arritmia 214
Aftas 187 Arrotos, ver Gases no estômago 421
Alcalinizantes, plantas 645 Arteriosclerose 228
Alcoolismo 776 Articulação, entorce, ver Entorse 657
Alergias 777 Artrite úrica 659
Alimentar, infecção tóxica, ver Salmonelose 740 Artritismo, ver Atrite úrica 659
Alopecia, ver Cavície 688 Artrose 659
Alternativas ao café 177 Ascite, ver Barriga de Água 380
Alternativas ao chá 177 Asma 283
Amcbíasc 740 Astenia 140
Amigdalite e faringite 201 Atonia intestinal 485
Analgésicas, plantas, ver Dor e nevralgia 142
Anemia 263 Balsâmicas, plantas 289
Angina de peito 214 Barriga de água 380
Anginas, ver Amigaclalite e faringite 201 Beleza da pele 686
Angor pectoris, ver Angina de peito 214 Béquicas, plantas, ver Garganta, irritação 201
Anorexia, ver Apetite, falta de 347 Bexiga, infecção, ver Cistite 554
Ansiedade 141 Blefarite 129
Ansiolíticas, plantas, ver Nervosismo e ansiedade . . . . 141 Boca, aftas, ver Aftas 187
Antidiarreicas, plantas 480 Boca, inflamação, ver Eslomatite, plantas 189
Antiescorbúlicas, plantas 645 Boca, mau hálito 187
Anliespasmódicas, plantas 147 Boca, mau sabor 187
Anliespasmódicas uterinas, plantas 621 Bolhas nos pés, ver Pés, transtornos 660
Anti-inflamalórias urinárias, plantas 549 Broncodilatadoras, plantas 288
Antilactagogas, plantas 615 Bronquite 282
Anti-reumálicas, plantas 655 Brucelose 740
Antitússicas, plantas 288 Bulimia 648

Cabeça, dor de 143


Café, alternativas ao 177
Cálculos biliares, ver Vesícula biliar, transtornos 380
Cálculos urinários, ver Litíase urinária 550
Calos, ver Calosidades 683
Calosidades 683
Calvície 688
Cancro 777
Cansaço ocular (legenda de foto) 130
Cardiopatias, ver Afecções do coração 213
Cardiotónieas, plantas 212
Caspa 688
Cefalcia. ver Dor de cabeça 143
Celulite 686
Cervicite 620
Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem
como títulos nas tabelas de doenças.

D efesas diminuídas 738


Dentes, dor 188
Dentes, erupção 187
Dentes, fleimão 188
Depressão imunitária, ver Diminuição das defesas .. . 738
Depressão nervosa 140
Depurativa, cura 647
Desmaio 228
Desnutrição 646
Desporto 660
Diabetes 648
Diarreia, ver Gastrenteritc 481
Difteria 740
Digestão, transtornos, ver Dispepsia 419
Digestivas, plantas 348
Diminuição das defesas 738
Disbacteriosc intestinal 479
Disenteria 482
Dismenorreia 617
Dispepsia 419
Chá, alternativas ao 177 Diuréticas, plantas 556
Ciática 658 Doença de Parkinson,
Circulação sanguínea insuficiente, ver Doenças orgânicas do sistema nervoso 144
ver Falta de irrigação sanguínea 228 Doenças do coração 213
Cirrose, ver Hepatite 379 Doenças febris 738
Cistite 554 Doenças orgânicas do sistema nervoso . 144
Climaclério, ver Menopausa 619 Doenças psicossomáticas 142
Colelitíase, ver Vesícula biliar, transtornos 380 Dor de cabeça 143
Cólera 740 Dor de costas, ver Lumbago 658
Coleréticas e colagogas, plantas 382 Dor de dentes 188
Colesterol, plantas contra o 229 Dor de estômago 420
Cólica biliar 381 Dor do ouvido (legenda de foto) 204
Cólica hepática, ver Cólica biliar 381 Dor dos rins, ver Lumbago 658
Cólica intestinal 483 Dor e nevralgia 142
Cólica renal 551 Dor reumática 657
Colite 482
Colo do útero, infecção, ver Cervicite 620 Jb>czema 685
Cólon irritável 483 Eczema anal 539
Comichão, ver Prurido cutâneo 684 Edemas 552
Condilomas e papilomas 683 Ejaculação precoce 604
Conjuntivite e blefarite 129 Emenagogas, plantas 621
Contusão 656 Eméticas, plantas 417
Convalescença 739 Enfisema pulmonar 284
Coração, alteração do ritmo, ver Arritmia 214 Entorse 657
Coração, doenças, ver Afecções do coração 213 Enurese 555
Coração, infarto 214 Enxaqueca 143
Coração, insuficiência, ver Cardiotónicas, plantas . . . . 212 Epilepsia 144
Córnea, inflamação, ver Qucratite 130 Epistaxe, ver Nariz, hemon-agia 203
Coronáiias, doenças arteriais, ver Angina de peito . . . . 214 Equimose, ver Hematoma 263
Crianças, plantas sedativas 146 Eritema pernio, ver Frieiras 229
Cura depurativa 647 Erupção dentária 187
Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem
como títulos nas tabelas de doenças.

Hipertensão arterial 227 Laxantes, plantas 484


Hipertensão portal, ver Barriga de água 380 Lcucorreia 620
Hipcrtiroidismo 648 Lipotimia, ver Desmaio 228
Hipertrofia da próstata, ver Próstata, afecções 603 Líquidos, retenção, ver Edemas 552
Hipcmricemia, ver Gota 647 Litíase urinária 550
Hipocloridria, ver Falta de sucos gástricos 418 Lombrigas, ver Parasitas intestinais 486
Hipolipemiantes, plantas, Lumbago 658
ver Colesterol, plantas contra o 229
Hipotensão arterial 227 Má digestão, ver Dispepsia 419
Hipotiroidismo 648 Magreza , 646
Hipotonia gástrica, ver Estômago descaído 420 Malária, ver Paludismo 743
Malta, febre de, ver Brucelose 740
Impotência sexual 604 Mama, infecção, ver Mastite 616
Imunitária, depressão, ver Diminuição das defesas .. . 738 Mamilo, gretas 616
Inapetência, ver Apetite, falta de . . .: 347 Mastite 616
Inchaço antes das regras, Mau hálito 347
ver Regras, retenção de líquidos 618 Mau sabor de boca 187
Incontinência urinária 555 Memória, perda de 144
Menopausa 619
Infarto do miocárdio 214
Menstruação, dor, ver Dismenorreia 617
Infecção da mama, ver Mastite 616
Infecção tóxica alimentar, ver Salmonelose 740
Infecção urinária 554
Insecto, picada, ver 776
Insónia 142
Insuficiência cardíaca, ver Cardiotónicas, plantas . . . . 212
Insuficiência circulatória cerebral,
ver Falta de irrigação sanguínea 228
Insuficiência hepática,
ver Fígado, mau funcionamento 379
Insuficiência pancreática, ver Pâncreas, insuficiência . 381
Insuficiência renal, ver Nefrite e nefrose 553
Intelectual, rendimento insuficiente 143
Intestino, alterações cia Hora,
ver Disbacteriose intestinal 479
Intestino, atonia 485
Intestino, cólica 483
Intestino, espasmo, ver Cólica intestinal 483 Menstruação excessiva, ver Regras excessivas 618
Intestino, fermentações 479 Menstruação irregular, ver Regras irregulares 618
Intestino, gases 478 Micose da pele 689
Intestino, lombrigas, ver Parasitas intestinais 486 Mordedura de répteis 776
Intestino, parasitas 486 Mucolílicas, plantas 289
Intestino, vermes, ver Parasitas intestinais 486
Intoxicação 775 Na rcóticas, plantas 146
Intoxicação alimentar, ver Salmonelose 740 Nariz, hemorragia 203
Irrigação sanguínea, falta de 228 Nariz, inflamação, ver Rinite 203
Irritação da garganta 201 Nefrite e nefrose 553
Irritação da pele 684 Nefrose 55^
Nervos no estômago 421
Lábios, gretas 187 Nervosismo e ansiedade 141
Lactação, infecção das mamas, ver Mastite 616 Neurastenia, ver Nervosismo e ansiedade 141
Laringite 202 Nevralgia 142
índice de doenças (continuação)

Esclerose em placas,
ver Doenças orgânicas do sistema nervoso 144
Escorbuto, plantas contra o 645
Esfbladelas dos pés, ver Pés, transtornos 660
Esgotamento e astenia 140
Espasmo intestinal, ver Cólica intestinal 483
Esterilidade feminina 616
Esterilidade masculina 603
Estômago, acidez 418
Estômago descaído 420
Estômago, dor • 420
Estômago, falia de sucos 418
Estômago, gases 421
Estômago, hemorragia 421
Estômago, nei*vos 421
Estômago, úlcera 423
Estomatite, plantas 189
Estrias da pele 688 Garganta, irritação 201
Estudantes, ver Rendimento intelectual insuficiente .. 143 Gargarejos, plantas para 204
Excesso de apetite, ver Bulimia 648 Gases intestinais 478
Excitação sexual excessiva 604 Gases no estômago 421
Expectoração, sangue na, ver Hemoptise 284 Gastrentcrite 481
Expectorantes, plantas 286 Gastrite 422
Gastrite crónica 423
F a l t a de apetite 347 Gengivas, transtornos,
Falta de irrigação sanguínea 228 ver Piorreia, gengivite e parodontose 188
Falta de sucos gástricos 418 Gengivite 188
Faringite 201 Gesíação, ver Gravidez 616
Febre, ver Doenças febiis 738 Gota 647
Febre de Malta, ver Brucelose 740 Gravidez 616
Febre tifóide 741 Gretas da pele 683
Febris, doenças 738 Gretas do lábio 187
Feridas e úlceras 682 Gretas do mamilo 616
Fermentações intestinais 479 Gripe 742
Fígado, intoxicação 380
Fígado, mau funcionamento 379 Jtlálito fétido, ver Mau hálito 347
Fissura anal 539 Halitose, ver Mau hálito 347
Flebite 249 Hematoma 263
Fleimão dentário 188 Hematúria 552
Flora intestinal, alterações. Hemicrania, ver Enxaqueca 143
ver Disbactcriose intestinal 479 Hemoptise 284
Fluidificanles do sangue, plantas 263 Hemorragia 264
Fluxo vaginal, ver Leucorreia 620 Hemorragia gástrica 421
Frieiras 229 Hemorragia nasal, ver Nariz, hemorragia 203
Frio, frieiras 229 Hemorróidas 540
Fungos da pele, ver Micose da pele 689 Hemostáticas, plantas 262
Furúnculos e abcessos 689 Hepatite 379
Herpes 690
Cjralactagogas, plantas 615 Hidropisia 552
Garganta, ardor, ver Garganta, irritação 201 Hiperexcitação sexual, ver Excitação sexual excessiva . 604
Garganta, infecção, ver Amigdalite e faringite 201 Hipermenorreia, ver Regras excessivas 618

10
índice de doenças (continuação)

Obesidade 646 Plantas com acção protectora capilar 248


Plantas com antocianinas 128
Ocitócicas, plantas 621
Olhos, ardor (legenda de foto) 130 Plantas contra o colesterol 229
Olhos, irritação (legenda de foto) 130 Plantas contra o escorbuto 645
Ossos, debilidade, ver Osteoporose 659 Plantas digestivas 348
Osteoporose 659 Plantas diuréticas 556
Ouvido, dor (legenda de foto) 204 Plantas emenagogas 621
Ovário, insuficiência 619 Plantas eméticas 417
Plantas expectorantes 286
Pálpebras! inflamação, ver Conjuntivile e blefarite . . 130 Plantas fluidificantes do sangue 263
Palpitações 213 Plantas galactagogas 615
Paludismo 743 Plantas hemostáticas 262
Pancadas, ver Contusão 656 Plantas laxantes 484
Pâncreas, insuficiência 381 Plantas mucolíticas 289
Papilomas 683 Plantas narcóticas 146
Parasitas intestinais 486 Plantas ocitócicas 621
Parkinson, ver Doenças orgânicas do sistema nervoso 144 Plantas para a estomatite 189
Parodontose 188 Plantas para gargarejos 204
Pediculose 777 Plantas peitorais 285
Pedras na urina, ver Lilíase urinária 550 Plantas purgativas 477
Pedras na vesícula, ver Vesícula biliar, transtornos . .. 380 Plantas remineralizantes 645
Peito, infecção, ver Mastite 616 Plantas revulsivas 658
Peitorais, plantas 285 Plantas sedativas 145
Pele, beleza 686 Plantas sedativas para crianças 146
Pele, comichão, ver Prurido cutâneo 684 Plantas sudoríficas 737
Pele, estrias 688 Plantas vasoconstritoras 229
Pele, fungos, ver Micose da pele 689 Plantas vasodilatadoras 229
Pele, gretas 683 Pneumonia 283
Pele, irritação 684 Prisão de ventre 485
Pele. micose 689 Proctite 539
Pele seca 687 Próstata, afecções 603
Perda de memória 144 Prostatite, ver Próstata, afecções 603
Perda de visão, ver Visão, diminuição 130 Protectoras capilares, plantas 248
Pés, transtornos 660 Prurido cutâneo 684
Picada de insecto 776 Psicossomáticas, doenças 142
Pielonefrite 553 Psoríase 686
Piolhos, picada, ver Pediculose 777 Ptose gástrica, ver Estômago descaído 420
Piorreia, gengivite e parodontose 188 Pulmonia, ver Pneumonia 283
Pirose, ver Acidez d« estômago 418 Purgativas, plantas 477
Plantas afrodisíacas 602
Plantas alcalinizantes 645 (Jueimaduras 775
Plantas antidiarreicas 480 Queratite 130
Plantas antiespasmódicas 147
Plantas antiespasniódicas uterinas 621 IVaquitismo 660
Plantas anti-inflamatórias urinárias 549 Recto, inflamação, ver Proctite 539
Plantas antilactagogas 615 Regras excessivas 618
Plantas anti-reumáticas 655 Regras irregulares 618
Plantas antitússicas 288 Regras, dor, ver Dismcnorreia 617
Plantas balsâmicas 289 Regras, retenção de líquidos 618
Plantas broncodilatadoras 288 Remineralizantes, plantas 645
Plantas cardiotónicas 212 Renal, litíase, ver Litíase urinária 550
Plantas coleréticas e colagogas 382 Rendimento intelectual insuficiente 143
Em letra negrita figuram os nomes das doenças que aparecem
como títulos nas tabelas de doenças.

Répteis, mordedura, ver Mordedura de répteis 776


Retenção de líquidos, ver Edemas 552
Retenção de líquidos antes das regras,
ver Regras, retenção de líquidos 618
Reumática, dor 657
Reumatismo, plantas contra o 655
Revulsivas, plantas 658
Rim, cólica, ver Cólica renal 551
Rim, infecção, ver Pielonefritc 553
Rim, Insuficiência, ver Nefrite e nefrose 553
Rinite 203
Rins. dor de. ver Lumbago 658
Ritmo cardíaco, alteração, ver Arritmia 214
Rouquidão, ver Afonia 203

oahnonelose 740
Sangue na expectoração, ver Hemoptise 284
Sangue na urina, ver Hematúria 552 Tonificantes, plantas, ver Esgotamento e astenia 140
Sarna 690 Torcedura, ver Entorse 657
Secura da pele 687 Tosse 285
Sedativas, plantas 145 Tosse convulsa 74\
Sedativas para as crianças, plantas 146 Trombose 264
Seio, infecção, ver Maslile 616 Tuberculose 743
Serpentes, mordedura, ver Mordedura de répteis 776
Sexual, excitação excessiva, cera do estômago 423
ver Excitação sexual excessiva 604 Úlcera varicosa 250
Sida 742 Úlceras da pele 682
Sífiles 740 Unhas frágeis 688
Sinusite 202 Uretrite 555
Sistema nervoso, doenças orgânicas 144 Úrica, artrite, ver Artrite úrica 659
Sono, falta de, ver Insónia 142 Úrico, ácido, excesso de, ver Gota 647
Sopoiiferas, plantas, ver Insónia 142 Urina, cálculos, ver Litíase urinária 550
Stress 141 Urina, infecção, ver infecção urinária 554
Substitutos do café 177 Urina, sangue na, ver Hematúria 552
Substitutos do chá 177 Urinária, incontinência 555
Sucos gástricos, falta de 418 Urinária, infecção 554
Sudação excessiva 687 Urinária, litíase 550
Sudação excessiva dos pés, ver Pés, transtornos 660 Urinários, cálculos, ver Litíase urinária 550
Sudoríficas, plantas 737
Vaginite, ver Leucorreia 620
Varizes 249
1 abagismo 776 Vasoconstritoras, plantas 229
Taquicardia 213 Vasodilatadoras, plantas 229
Tensão alta, ver Hipertensão arterial 227 Veias, inflamação, ver Flebite 249
Tensão baixa, ver Hipotensão arterial 227 Vermes intestinais, ver Parasitas intestinais 486
Tensão nervosa, ver Stress 141 Verrugas 683
Terçol 130 Vesícula biliar, transtornos 380
Tifóide, febre 741 Visão, diminuição 130
Tinha 690 Vitamina C, plantas contra a sua carência,
Tiróide, hiperfunção. ver Hipertiroidismo 648 ver Plantas contra o escorbuto 645
Tiróide, hipofunção, ver Hipotiroidismo 648 Vómitos 420
índice de plantas
Abacateiro (Persea americana), 719
Abelmosco
(Hibiscus abelmoschus), 362
Abeto-branco (Abies alba), 290
Abeto-do-canadá,
cm Abeto-branco, 291
Abóbora (Cucurbita pepo), 605
Abrótano, em Absinto, 429
Abrótano-fêmea (Santolina
cha ma ecypa rissi is), 470
Abrunheiro-bravo
(Prunus spinosa), 372
Absinto (Ariemisia absinthium), 428
Acácia-bastarda
(Robitiia pseudoacacia), 469
Açafrão (Crocus sativus), 448
Açafrão-bastardo = Cólquico, 666
Açafrão-da-índia = Cúrcuma, 450
Açafroa (Carthamus tinctorins), 751
Acónito (Aconitum napeUus), 148 Algodoeiro Argentina (Potentilla anserina), 371
Acoro-cheiroso = (Gossypium herbaceum), 710 Aristolóquia
Cálamo-aromático, 424 Alho (Allium sativum), 230 (Aristolochia clematitis), 699
Açucena (Lilium candidum), 716 Alho-de-urso, em Alho, 233 Arnica (Arnica montaria), 662
Adónis-da-itália Aliaria (Alliaria officinalis), 560 Arruda (Ruía graveolens), 637
(Adónis venudis), 215 Aljôfar (Lithospermum officbiale), 579 Artemísia (Artemísia vulgaris), 624
Agave = Piteira, 558 Almeirão = Chicória, 440 Artemísia-mexicana,
Agrião (Nasturtium officinalis), 270 Aloés (Aloé vera), 694
em Sanlónico, 431
Agrimónia Alquemila = Pé-de-leão, 622
Árvore-da-goma-arábica,
(Agiimonia eupatoria), 205 Alquequenje (Physalis alkekengi), 585
Agripalma (teouorus cardíaca), 224 Alteia (Althaea officinalis), 190 em Acácia-bastarda, 469
Aipo (Apium graveolens), 562 Amieiro (Alnus glutinosa), 487 Árvore-das-gotas-de-neve,
Álamo-negro = Choupo-negro, 760 Amieiro-negro em Freixo, 669
Alcachofra (Cynara scolymus), 387 Asaro (Asarum europaeum), 432
(Rliamnus frangida), 526
Alcaçus (Glycyrrhiza glabra), 308 Amieiro-rubro, em Amieiro, 488 Asclépia (Asclepias tuberosa), 298
Alcaravia (Camm can>i), 355 Amor-de-hortelão, Aspérula-odorífera
Alecrim (Rosmarinns officinalis), 674 em Erva-coalheira, 361 (Aspenda odorata), 351
Aleluia, em Azedas, 275 Amor-perfeito-bravo Assa-fétida (Ferida assafoetida), 359
Alface-brava-maior (Viola tricolor), 735 Aveia (Avena saliva), 150
(Lactuca virosa), 160 Ananás (Ananás sativus), 425 Aveleira (Coiylus avellana), 253
Alfalfa = Luzerna, 269 Anémona-hepática Avenca
Alfarrobeira (Ceratonia siliqua), 497 (Anemone hepática), 383 (Adiantum capillus-veneris), 292
Alfarrobeira-das-antilhas, Ancto = Endro, 349 Azedas (Rumex acetosa), 275
em Alfarrobeira, 497 Angélica (Angélica archangelica), 426 Azevinho (Ilex aquifolium), 672
Alfairobcira-negra, Anis-estrelado (Illicium verum), 455 Azinheira, em Carvalho, 210
em Alfarrobeira, 497 Anis-verde (Pimpinela anisum), 465
Alfazema Anona (Anno)ia mnricata), 489 B a d i a n a = Anis-estrelado, 455
(Lavandula anguslifolia), 161 Ansarinha - Argentina, 371 Balsamita, em Tanaceto, 537
Alfazema-brava, em Alfazema, 162 Antenária (Antennaria dioica), 297 Bardana (Arctium lappa), 697
Alforva (Trigonella Aquileia = Milefólio, 691 Barosma (Barosma betulina), 567
foennm-graecitm), ATA Arando (Vaccinium myrtillus), 260 Barrele-de-padre = Evónimo, 707
Alga-perlada (Cliondrns crispus), 301 Arando-vermelho, em Arando, 261 Basílico = Manjericão-grande, 368
Alga-vcsiculosa = Bodelha, 650 Arenária (Spergularia rubra), 596 Baunilha (Vanilla planifolia), 376
Em letra negrita figuram os nomes das plantas principais,
que servem de título nas páginas de descrição.

Baunilha-dos-jardins,
em Tomassol, 713
Bccabunga, em Verónica, 475
Bela-sombra, em Fitolaca, 722
Beladona (Atropa belladonna), 352
Beldroega (Portulaca oleracea), 518
Bérberis (Berberis vulgatis), 384
Betónica (Stachys officinalis), 730
Belónica-dos-pânlanos,
em Estaque, 641
Bétula (Beiula alba), 568
Bico-de-cegonha
(Erodium cicutariutn), 631
Bico-dc-ccgonha-moscada,
em Bico-de-cegonha, 631
Bico-de-grou =
Erva-de-são-roberto, 137
Bisnaga (Aimni visnaga), 561
Bistorta (Pofygonum bistortum), 198 Canela-da-china, em Caneleira, 443 Castanheiro-da-índia
Bodclha (Facas vesicalasas), 650 Caneleira (Aescalas hippocastanum), 251
Bola-de-neve = Noveleiro, 642 (Cinnamomum zeylanicum), 442 Cavalinha (Equisetum arvense), 704
Boldo (Peumus boklus). 390 Canforeira Ceanoto = Chá-de-nova-jersey. 191
Bolsa-de-pastor (Cinnamomum camphora), 217 Cebola (Allium cepa), 294
(Capsdla bursa-pastoris), 628 C â n h a m o (Camiabis saliva), 152 Cebola-albairã, em Cebola, 296
Bonina (Bellis perenais), 744 Capilária = Avenca, 292 Celidónia (Chelidoniion majas), 701
Bons-dias (Calysiegia sepium), 491 Capsela = Bolsa-de-pastor, 628 Cenoura (Daucus carola), 133
Borragem (Borago officinalis), 746 Capucha, em Fisale, 721 Centáurea-áspera,
Bonagem-bastarda = Buglossa, 696 Cardo-corredor em Fel-da-terra, 437
Borragem-brava, em Borragem, 747
(Eryngium campestre), 573 Cerejeira (Prunus aviam), 586
Briónia (Bryonia àioica), 490
Cardo-de-santa-maria Cerejeira-da-virgínia
Briónia-branca, em Briónia, 490
(Silybum marianum), 395 (Primas serotina), 330
Buglossa (Anchasa azurea), 696
Cardo-leilciro = Cardo Cersefi-bastardo
Buglossa-oficinal, em Buglossa, 696
Buxo (Buxus sempervirens), 748 de-santa-maria, 395 (Tmgopogon pratensis), 243
Cardo-marítimo, Chá (Tliea sinensis), 185
em Cardo-corredor, 574 Chá-apalache, em Azevinho, 673
Cacaueiro (Theobroma cacao), 597
Cardo-morto = Tasneirinha, 640 Chá-de-java = Ortossifão, 653
Cacto-grandifloro
Cardo-penteador Chá-de-nova-jersey
(Cerens grandi floras), 216
(Dipsacus salivas), 572 (Ceanothus americanas), 191
Cafeeiro (Cofjea arábica), 178
Cardo-santo (Cnicas benedictas), 444 Chagas (Tropaeolam majas), 772
Cainito (Chrysophyllutn caimito), 302
Cardo-santo-mexicano, Chicória (Cichorium iulybas), 440
Calaguala (Palypodiam calaguala), 724
em Cardo-santo, 445 Choupo-branco,
Cálamo-aromático Carlina (Cadina acatais), 749 em Choupo-negro, 761
(Acorns calamus), 424 Carlina-ornamental, em Carlina, 750 C h o u p o - n e g r o (Papaias nigra), 760
Calêndula • Maravilha, 626 Carriço, em Grama-francesa, 559 Choupo-tremedor, ^
Calumba (Cacadas pahnatus), 446
Cártamo = Açafroa, 751 em Choupo-negro, 761
Camomila
Carvalhinha Cicuta (Conium muculalam), 155
(Matricaría chamomitta), 364
(Teacriam chaniaediys), 473 Cicuta-menor, em Cicuta, 155
Camomila-romana = Macela, 350
Carvalho (Quercus robur), 208 Cidra, em Limoeiro, 267
Cana (Arando dottax), 566
Cana-amarga, em Cana, 566 Caivalho-branco, em Carvalho, 210 Cinco-em-rama
Cana-de-açúcar Cáscara-sagrada (Potentilla reptans), 520
(Saccharun officinarum), 332 (Rhamnus purshiana), 528 Cinco-em-rama americana,
Canafístula (Cássia fistula), 494 Castanheiro (Castanea saúva), 495 em Cinco-em-rama, 520
índice de plantas (continuação)

Cinoglossa Énula (Irada helenium), 313 Escrofulária


(Cynoglossum officinale), 703 Epilóbio (Scroplutlaria nodosa), 543
Cipreste (Cupressus sempeivirens), 255 (Epilobium angusiifolium), 501 Espargo (Asparagus officinalis), 649
Coca (Erytiiroxylon coca), 180 Epilóbio-peludo, em Epilóbio, 501 Espinheiro-alvar = Pilrileiro, 219
Cocleáría (Cochlearia officinalis), 356 Equinácea Espinheiro-cerval
Coentro (Coriandrum sativum), 447 (Echinacea angustifolia), 755 (Rhamnus cathartica), 525
Cólquico (Colchicum autumnale), 666 Equiseto-dos-campos = Cavalinha, 704 Espirulina (Spirulina máxima), 276
Colútea (Colulea arborescens), 498 Erigerão (Erigeron canadensis), 268 Estaque (Stacltys silvatica), 641
Cominho (Cuminum cyminum), 449 Erva-benta = Sanamunda, 194 Estragão (Artemísia dracunculus), 430
Condurango Erva-cidreira (Melissa officinalis), 163 Estramónio
(Gonolobus condurango), 454 Erva-coalheira (Galium verum), 361 (Datura stramonium), 157
Consolda-maior Erva-da-trindade = Eucalipto (Eucalyptus globulus), 304
(Symphytum officinalis), 732 Eufrásia (Euphrasia officinalis), 136
Amor-perfeito-bravo, 735
Consolda-menor, Eupatória = Agrimónia, 205
Erva-das-azeitonas, em Segurelha, 375
em Consolda-maior, 733 Evónimo (Evonymus europaeus), 707
Convalária = Lírio-dos-vales, 218 Erva-de -são-ro bert o
Copaíba (Copaifera officinalis), 571 (Ceranium robertianum), 137 r a i a (Fagus silvatica), 502
Coriandro = Coentro, 447 Erva-doce = Anis-verde, 465 Favária (Sedum telephium), 726
Coronilha-de-frade, Erva-dos-burros = Onagra, 237 Fedegoso (Cássia occidentalis), 630
em Globulária, 503 Erva-dos-cachos-da-índia = Feijoeiro (Phaseolus vulgaris), 584
Corriola, em Bons-dias, 491 Fitolaca, 722 Fel-da-terra
Couve (Brassica oleracea), 433 Erva-dos-calos = Favária, 726 (Centaurium umbellatum), 436
Cravinho (Eugenia catyophyllata), 192 Erva-dos-gatos = Valeriana, 172 Feno-grego = Alforva, 474
Cúrcuma (Curcuma longa), 450 Erva-dos-muros = Parietária. 582 Feto-macho (Dryopleris filix-mas), 500
Cuscuta (Cuscuta epithymum), 386 Erva-dos-vasculhos = Fidalguinhos (Centáurea cyanus), 131
Gilbarbeira, 259 Figueira (Ficus carica), 708
D a m i a n a (Tunwra diffusa), 613 Erva-dos-vermes = Tanaceto, 537 Figueira-da-índia
Dedaleira (Digitalis purpúrea), 221 Erva-formigueira (Opunlia ficus-indica), 718
Dedaleira-amarela, em Dedaleira, 222 (Chenopodium ambrosioides), 439 Fisale (Physalis viscosa), 721
Dedaleira-de-flores-grandes, Erva-luísa = Lúcia-lima, 459 Fitolaca (Phytolacca americana), 722
em Dedaleira, 222 Erva-moura (Solanum nigrum), 729 Flor-da-noite,
Dedaleira-lanosa, em Dedaleira, 222 Escabiosa-mordida em Cacto-grandifloro, 216
Dente-de-leão (Succisa pratensis), 731 Flor-da-paixão = Passiflora, 167
(Taraxacum officinale), 397 Escarola, em Chicória, 441 Flor-do-paraíso = Chagas, 772
Dictamno (Dictamnus albus), 358
Dictamno-real, em Dictamno, 358
Digilal = Dedaleira, 221
Doce-amarga
(Solanum dulcamara), 728
Dormideira
(Papaver somnijerum), 164
Dormideira-brava,
em Dormideira, 166
Douradinha
(Ceterach officinarum), 299
Drias (Dryas ociopetala), 451

E b u l o (Sambucus ebulus), 590


Éfedra (Ephedra distachya), 303
Eleuterococo, em Ginseng, 609
Endívia, em Chicória, 441
Endro (Aneíhum graveolens), 349
Engos = Ébulo, 590
Ver mais sinónimos de nomes de plantas
nos índices alfabéticos que figuram no fim do segundo volume.

.Labaça (Rumex patientia), 532


Laminaria
(Laminaria saecharina), 652
Laranjeira (Citrus aurantium), 153
Lavanda = Alfazema, 161
Levístico (Levislicum officinale), 578
Lilás (Syringa vulgaris), 472
Lima, em Limoeiro, 267
Limoeiro (Citrus limon), 265
Língua-cervina
(Phyllitis scolopendrium), 321
Língua-de-cão = Cinoglossa, 703
Língua-de-vaca = Buglossa, 696
Linho (Linum itsitatissimum), 508
Linho-bravo, em Linho, 509
Linho-das-pradarias, em Linho, 509
Linho-purgante, em Linho, 509
Líquen-da-islândia
Folhado, em Noveleiro, 643 Groselheira-espim (Cetraria islandica), 300
Framboeseiro (Rubus idaeus), 765 (Ribes uva-aispa), 588 Lírio (íris germânica), 315
Frângula = Amieiro-negro, 526 Groselheira-negra, em Groselheira, 468 Lírio-de-maio = Lírio-dos-vales, 218
Freixo (Fraxinus exeelsior), 669 Guaiaco (Guaiacum officinale), 311 Lírio-dos-vales
Fumaria (Fumaria officinalis), 389 (Convallaria majalis), 218
Funcho (Foeniculutn vulgare), 360 Lírio-florentino, em Lírio, 315
tiamamélia
Lírio-pálido, em Lírio, 315
(Hamamelis virginiana), 257
Galega (Galega officinalis), 632 Litospermo-americano,
Harpagófito
Galcopse (Galeopsis dúbia), 306 em Aljôfar, 579
(Harpagophytum procumbens), 670
Gatunha (Ononis spinosa), 581 Lobélia, em Tabaco, 183
Genciana (Gentiana lutea), 452 Hera (Hedera helix), 712 Loendro (Nerium oleander), 717
Gengibre (Zingiber officinale), 377 Hera-terrestre Lóios = Fidalguinhos, 131
Gengibre-silvcslrc, em Ásaro, 432 (Glechoma hederacea), 307 Lombrigueira =
Gerbão = Verbena, 174 Hibisco (Hibiscus sabdariffa), 363 Erva-formigueira, 439
Gergelim (Sesamutn indicum), 611 Hidraste (Hydrastis canadensis), 207 Loureiro (Lanrus nobilis), 457
Giesta (Sarothamnus scoparius), 225 Hipericão Louro-cerejo, em Loureiro, 458
Gilbarbeira (Ruscus aculeatus), 259 Lúcia-lima (Lippia triphylla), 459
(Hypericwn peiforatum), 714
Ginjeira, em Cerejeira, 587 Lúpulo (Humulus lupulus), 158
Ginkgo (Ginkgo biloba), 234 Hipericão-do-gerês, Luzerna (Medicago sativa), 269
Ginseng (Panax ginseng), 608 em Hipericão, 714
Ginseng-americano, em Ginseng, 609 Hipofaé (Hippophae rhamnoides), 758
JVlacela (Anthemis nobilis), 350
Ginscng-chinês, em Ginseng, 609 Hissopo (Hyssopus officinalis), 312 Macieira (Pirus malus), 513
Girassol (Helianthus annutis), 236 Hortelã-pimenta Malmequer-dos-brejos
Globulária (Globidaria vulgaris), 503 (Mentha piperita), 366 (Caltha palustris), 665
Goiabeira (Psidium guajaba), 522 Malva (Malva silvestris), 511
Golfão (Nymphaea alba), 607 I n u l a - c a m p a n a = Énula, 313
Malvaísco = Alteia, 190
Gracíola (Graliola officinalis), 223 Ipecacuanha Mamoeiro = Papaieira, 435
Grama, em Grama-francesa, 559 (Cephaelis ipecacitana), 438
Mandioca (Manhioí esculenía), 460
Grama-francesa Manduba = Mandioca, 460
(Agropyrum repetis), 559 Jaborandi Manjericão-grande
Granza (Rubia tinctorum), 589 (Pilocarpus pennalifolius), 759 (Ocitnwn basilicum), 368
Grindélia (Grindelia robusta), 310 Jalapa (Convohndus jalapa), 499 Manjerona (Origanum majoraria), 369
Grindélia-áspera, em Grindélia, 310 Jalapa-falsa, em Jalapa, 499 Maracujá = Passiflora, 167
Groselheira (Ribes rubrion), 468 Jasónia (Jasonia glutinosa), 456 Maracujá-roxo, em Passiflora, 168
índice de plantas (continuação)

Maravilha (Calendula officinalis), 626 Pimpinela-menor


Margaça-das-bolicas = Camomila, 364 (Sangnisorba nnnor), 533
Margarida = Bonina, 744 Pimpinela-oficinal
Maro, cm Carvalhinha, 473 (Sangnisorba officinalis), 534
Marroio (Mairubiitm vidgare), 316 Pinheiro (Pinus pinasíer), 323
Mate (Ilex paraguayensis), 182 Pinheiro-alvar = Abeto-branco, 290
Mático, em Pimenteira, 370 Piripiri = Pimentão, 354
Medronheiro (Arbutus unedo), 563 Pistácia (Pistacia lenliscns), 197
Mcimendro-ncgro Piteira (Agave americana), 558
(llyoscyamus niger), 159 Podofilo (Podophyllum peltatum), 517
Meliloto (Melilottts officinalis), 258 Poejo (Mentha pulegium), 461
Melissa = Erva-cidreira, 163 Poejo-americano, em Poejo, 462
Melissa-bastarda Polígala-da-virgínia
(Melittis melissophyllum), 580 (Polygala senega), 327
Menta-de-cavalo, em Monarda, 634 Poligonato-da-américa,
Milcfólio (AchiUea millefolium), 691 em Selo-de-salomão, 723
Millurada = Hipericão, 714 Polipódio (Polypodium vidgare), 392
Milho (Zea mays), 599 Primavera (Prinuda veris), 328
Milola, em Hibisco, 363 Prímula = Primavera. 328
Mirtilo = Arando, 260 Pulmonária
Miito = Murta. 317 (Pulmonaria officinalis), 331
M o n a r d a (Moinada didyma), 634 Pulsatila (Anemone pnlsaiilla), 623
Morangueiro (Tragaria vesca), 575
Morugem (Slellaria media), 334 (Quaresmas (Saxífraga granulara), 591
Moslarcla-branca, Quássia (Quássia amara), 467
em Moslarda-negra. 664 Quássia-da-jamaica, em Quássia, 467
Mostarda-dos-campos, Quenopódio-bom-henrique
em Moslarda-negra, 664 (Chenopodium bonns-Henricns, 702
Mostarda-negra (Brassica nigra), 663 Quina (Cinchona officinalis), 752
Murta (Myrtus communis), 317 Quina-amarela, em Quina, 753
Murta-lolhuda, em Murta, 317 Quina-vermelha, em Quina, 753
Musgo-amargo =
Líqucn-da-islândia, 300 Papaieira (Carica papava), 435 Jvabanete e Rábano
Musgo-da-irlanda = Alga-perlada, 301 Papoila (Papaver rhoeas), 318 (Raplianus salivas), 393
Papoila-branca = Dormideira, 164 Rábão-rústico,
Nêveda-dos-gatos Parietária (Parietaria officinalis), 582 em Rabanete e Rábano, 394
(Nepeia calaria), 367 Passiflora (Passiflora incarnaia), 167 Rabárbaro, em Ruibarbo. 530
Nogueira (Jrtglans regia), 505 Pau-rosa-das-canárias, Rainha-dos-prados = Ulmeira, 667
Nogueira-preta, em Nogueira, 506 em Bons-dias, 491 Ratânia (Krameria iriandra), 196
Nopal = Figueira-da-índia, 718 Pé-de-gato = Antenária, 297 Rauvólíia (Rauwolfia serpentina), 242
Norça-branca = Briónia, 490 Pé-de-leão (Alchemilla vulgaris), 622 Regaliz = Alcaçus, 308
Norça-preta (Tatnus communis), 679 Pegamassa = Bardana, 697 Rícino (Ricinns communis), 531
Noveleiro (Vibitnntni opidus), 642 Pereiro = Macieira, 513 Rinchão (Sisymbrium officinale), 211
Pervinca (Vinca minor), 244 Robínia = Acácia-bastarda, 469
Oliveira (Olea enropaea), 239 Petasite (Peiasiies hybridus), 320 Romãzeira (Púnica granaium), 523
Onagra (Oenoiiíera biennis), 237 Pilosela (Hieracium pilosella), 504 Rorela (Drosera roltuidifolia), 754
O r é g ã o (Origaiuini xndgare), 464 Pilriteiro (Craiaegns monogyna), 219 Rosa-canina (Rosa canina), 762
Oi elha-de-lebre = Pilosela, 504 Pimenta-d'água Rosa-de-damasco, em Roseira, 635
Ortossifão (Polygonttin bydropiper), 21A Rosa-do-japão, em Abelmosco, 362
(Ortosiphon stamineus), 653 Pimenta-malagueta = Pimentão, 354 Rosa-pálida, em Roseira, 635
Pimentão (Capsicnm frmescens), 354 Roseira (Rosa gallica), 635
Jr aciêneia-dos-jardins = Labaça, 532 Pimenteira (Piper nigrum), 370 Rosmaninho, em Alfazema, 162
Palheira = Bisnaga, 561 Pimpinela-magna, em Saxífraga, 322 Ruibarbo (Rlieum officinale), 529
Ruibarbo-das-hortas, Trevo-branco,
em Ruibarbo, 530 em Trevo-dos-prados, 340
Ruibarbo-palmado, Trevo-cervino
em Ruibarbo, 530 (Eupaloriunt caimabinum), 388
Trevo-d'água
Sabal = Serenoa, 610 (Menyanrhes irifotiata), 463
Saboeira • Saponária, 333 Trevo-dos-prados
Sabugueiro (Sambucus nigra), 767 (Trifolittni praiense), 340
Saião-curto Tróculos-brancos = Verbasco, 343
(Sentpeivivum tectorum), 727 Segurelha-dos-jardins, em Tussilagem (Tussilago farfara), 341
Salepeira-maior = Segurelha, 375
Satirião-maeho, 512 Selenicéreo, U l m e i r a (Filipendida ubnaria). 667
Salgueirinha (Lythrum saltearia), em Cacto-grandifloro, 216 Ulmeiro (Ulmus campestris), 734
510 Selo-de-salomão Ulmeiro-americano,
Salgueiro-branco (Sãlix alba), 676 (Pofygonaium odoratum), 723 em Ulmeiro, 734
Salgueiro-da-babilónia, Sempre-noiva Unho-de-cavalo = Tussilagem, 341
em Salgueiro-branco. 677 (Polygotium aviculare), 272 Urtiga-branca (Laniiitm álbum), 633
Salgueiro-de-casca-roxa, Sene-americano, Urtiga-maior (ílrtica dioica), 278
em Salgueiro-branco, 677 cm Scne-da-índia, 493 Urucu (Bixa orellana), 700
Salgueiro-frágil, Sene-da-índia Urze (Calluna vulgaris), 570
em Salgueiro-branco, 677 (Cássia angtislifolia), 492 Uva-de-cão = Norça-preta, 679
Salicária = Salgueirinha, 510 Senc-dc-alexandria, Uva-ursina
Salsa (Petroselinum sativum), 583 em Sene-da-índia, 493 (Arctostaphylos uva-ursi), 564
Salsaparrilha-bastarda Sene-de-espanha,
(Smila.x aspem), 592 em Sene-da-índia, 493 Valeriana (Valeríana officinalis), 172
Salsaparrilba-da-jamaica, Senécio-viscoso, em Tasneirinha, Vara-de-ouro
em Salsaparrilha-bastarda, 593 640 (Solidago virga-aurea), 594
Salsapanilha-das-honduras, Serenoa (Serenoa repens), 610 Verbasco (Verbascum tbapsus), 343
em Salsaparrilha-bastarda, 593 Serpão (Thyniits serpyllwn), 338 Verbena (Verbena officinalis), 174
Salsaparrilha-de-lisboa, Sésamo = Gergelim, 611 Verbena-azul, em Verbena, 174
em Salsaparrilha-bastarda, 593 Siderita (Siderilis angnstifolia), 471 Vermiculária, em Favária, 726
Salsaparrilha-filipina, Silva (Rubus fmtlcosus), 541 Verónica (Verónica officinalis), 475
em Salsaparrilha-bastarda, 593 Sincciro = Salgueiro-branco, 676 Verrucária = Tornassol, 713
Salsaparrilha-mexicana, Sobreiro, em Carvalho, 210 Viburno (Viburnum lantana), 199
em Salsaparrilha-bastarda, 593 Sorveira, em Tramazeira, 535 Viburno, em Noveleiro, 643
Salva (Solvia officinalis), 638 Viburno-americano,
T a b a c o (Nicotianu labacum), 183 em Noveleiro, 643
Salva-dos-prados, em Salva, 638
Tamarindeiro Vicária, em Pervinca, 245
Salva-esclareia (Solvia sclarea), 766
(Tamarindus indica), 536 Videira (Vilis vinifera), 544
Sanamunda (Geum urbanum), 194
Tanaceto (Tanacetutn vulgare), 537 Vidoeiro = Bctula, 568
Sanguissorba-oficinal =
Tanchagem (Plantago major), 325 Vinagreira = Azedas, 275
Pimpinela-oficinal, 534
Taraxaco = Dcnte-de-leão, 397 Vinca a Pervinca, 244
Sanícula (Sanicula europaea), 725
Tasna, em Tasneirinha, 640 Violeta (Viola odorara), 344
Sanícula americana,
Tasneirinha (Senecio vulgaris), 640 Visco-americano,
em Sanícula, 725
Teixo (Taxus baccata), 336 em Visco-bvanco, 247
Santánfco (Artemi&ia matitima), 431
Tepezcohuite, em Calaguala, 724 Visco-branco (Viscum álbum), 246
Saponária (Saponária officinalis), 333
Tília (Tília europaea), 169 Vulnerária (Anihxllis vulneraria),
Saramago,
Tomilho (Tliynuis vulgaris), 769 661
em Rabanete e Rábano, 393
Toranja, em Limoeiro, 267
Sassafrás (Sassafrás officinalis), 678
Tormentila (Poientilla erecta), 519 Zaragatoa (Plantago psylluim), 515
Satirião-macho
Tornassol Zaragatoa-arenária,
(Orchis máscula), 512
Saxífraga (Pimpinella saxifraga), 322 (Helioiropimn europaeuni), 713 em Zaragatoa, 515
Segurelha (Satureja montana), 374 Tramazeira (Sorbus aacuparia), 535 Zimbro (Juuiperus commuuis), 577
PRÓLOGO

A
obra que, em boa hora, a uso das plantas como importante
Publicadora Atlântico, em agente curativo e preventivo.
colaboração com a Edito-
rial Safeliz, de Madrid, acaba de edi- É sabido que muitos dos medica-
tar, marca uma viragem na forma mentos usados pela Medicina oficial
como o público em geral e a comu- têm a sua origem nas plantas ou são
nidade médica em particular po- inspirados nelas. No entanto a for-
dem, de aqui em diante, encarar o ma empírica, muitas vezes sem base
científica e tocando mesmo as raias
do charlatanismo, com que estas,
muitas vezes, são usadas tem causa-
do uma marcada oposição entre as
tradicionais crenças populares e o
rigor científico da Medicina. Por
isso esta notável obra vem, oportu-
namente, reafirmai- o valor da cura
pelas plantas, ancestralmente con-
hecido, mas agora assente em bases
científicas e expurgado de toda a es-
peculação e crendice popular.

Quem a escreve tem autoridade


para o fazer. 0 Dr. J. Pamplona Ro-
ger, eminente médico espanhol, es-
pecialista em ciiurgia geral e do apa-
relho digestivo, que exerceu durante
quinze anos, aprendeu na sua práti- Rogci" tem utilizado, com êxito, as
ca clínica, a nível particular e plantas medicinais não só no trata-
hospitalar, as propriedades cica- mento das feridas como também na
trizantes de certas plantas, quando cura de outras doenças de diversas
aplicadas localmente nas feridas de áreas da patologia humana.
difícil cicatrização. Animado com os
bons resultados obtidos, continuou É por isso que, com toda a con-
a investigar o valor curativo das vicção, vos recomendo esta in-
plantas, tendo dividido o seu tempo, dispensável obra de consulta para
durante dez anos, entre o trabalho todos, em que o autor soube expla-
como cirurgião e a investigação fito- nar, com seriedade e proficiência, os
terápica. Durante esse período visi- seus conhecimentos e a sua ex-
tou os principais laboratórios cientí- periência clínica com as plantas me-
ficos dedicados ao estudo medicinal dicinais. Ela será, de ora em diante,
das plantas na Espanha, Alemanha um elemento de referência para to-
e Estados Unidos da América. dos os profissionais de saúde e um
apoio imprescindível para a saúde e
Neste último país fez estudos na bem-estar dos lares que a pos-
Secção de Produtos laboratoriais do suírem.
Instituto Nacional do Cancro, em
Washington D.C., onde se está de-
senvolvendo um vasto programa de
investigação sobre as propriedades
anticancerígenas de algumas plantas Dr. Samuel Ribeiro
medicinais. Como resultado das Médico pediatra
suas investigações, o Dr. Pamplona Director da revista Saúde e Lar
A
s mentes mais abertas da urgências, tinham u m a relação di-
medicina oficial interrogam- recta com hábitos malsãos de vida.
se a respeito dos motivos por
q u e os doentes recorrem, cada vez Segue pois o doutor Pampiona Ro-
com maior frequência, aos profissio- ger u m a corrente iniciada funda-
nais que, mesmo não sendo médicos, m e n t a l m e n t e pela OMS (Organi-
praticam diferentes formas de medi- zação Mundial de Saúde) nos últimos
cina natural, como a fitoterapia; ou anos da década de 1970-80, ao pro-
que, pelo menos, se servem de alguns mover uma maior atenção às formas
do seus métodos. Assim, o professor terapêuticas da medicina tradicional,
Léon Schwartzenberg, distinto onco- criando inclusivamente um serviço
logista, que foi ministro da Saúde em especializado na Secretaria da OMS,
França, assinalava recentemente: na sede de Genebra. Em 1991, a 44.;'
«Apesar de todos os progressos ac- Assembleia Mundial da Saúde adop-
tuais, a nossa medicina tecnológica tou a resolução 44.34, na qual insta
tem muito a aprender destas medici- com os estados membros da Organi-
nas mais "tranquilizadoras". Isto não zação para que promovam o empre-
é forçosamente voltar para trás. O go de «remédios tradicionais inó-
progresso nunca deve ser sectário.» cuos, eficazes e cientificamente váli-
dos».
Entre essas mentes abertas às no-
vas tendências da terapêutica, ocupa O autor do presente livro dedica-
lugar de destaque o doutor Jorge D. se em pleno, desde há alguns anos, a
Pamplona Roger. Especialista em ci- investigar e promover um modo de
rurgia geral e digestiva, tem vindo a vida são, baseado no uso racional e
interessar-se cada vez mais, no exer- científico dos remédios que a nature-
cício da sua disciplina, pela medicina za oferece. Que um médico, com a
preventiva e pela educação para a sa- bagagem científica do doutor Pam-
úde, após haver observado que boa plona, tenha dado esta volta coperni-
parte das patologias que apareciam ciana à sua carreira, é um claro indí-
na sua consulta, ou no serviço de cio de que alguma coisa importante
está a acontecer na ciência e arte de
curar. Merece pois este livro a mais
atenta consideração tanto dos doen-
tes como dos sãos (situação transitó-
ria, como muito bem sabemos, já que
um são é muitas vezes um doente que
ignora sê-lo), pois para todos eles
acabará por ser enormemente pro-
veitoso.

Dr. José A. Valluena


Presidente do Centro Internacional de
Educação paia a Saúde (Genebra)
Colaborador externo da OMS
(Organização Mundial de Saúde).
\

T
em-se produzido nas últi- visíveis e importantes. Harold
mas décadas um desen- Burn, catedrático de farmacolo-
volvimento tão especta- gia da Universidade de Oxford,
cular da indústria farmacêutica, afirma: «Toda a substância elabo-
assim como da produção de me- rada num laboratório, e portanto
dicamentos sintéticos, que se e s t r a n h a aos organismos vivos,
torna razoável perguntar se um tem de ser aceita com a máxima
livro sobre plantas medicinais precaução por médicos e doentes,
pode ter ainda algum valor prá- e não deve considerar-se inofen-
tico. Acaso não existem já medi- siva sem provas válidas.»
camentos específicos para cada
doença?
E m b o r a seja certo que os con-
trolos a que tem de ser submeti-
Os medicamentos de síntese d o q u a l q u e r m e d i c a m e n t o são
química proporcionados pela
agora m a i s rigorosos do q u e
moderna indústria farmacêutica
nunca antes foram, e que os fár-
têm provado a sua eficácia em
m a c o s a c t u a i s são, em geral,
caso de processos agudos e de
b a s t a n t e seguros, os efeitos se-
afecções graves, devido em parte
ao carácter imediato dos seus cundários continuam a aparecer.
efeitos. Ora bem, nenhum produ- O n ú m e r o de doentes alérgicos
to químico é isento de efeitos se- aos antibióticos e a outros medi-
cundários mais ou menos impre- camentos aumenta continua-
m e n t e ; os f e n ó m e n o s de into-
lerância digestiva aos medica-
mentos, especialmente aos anti-
inflamatórios, são motivo de nu-
m e r o s a s c o n s u l t a s médicas;
cada vez há mais pessoas "pre-
sas" a d e t e r m i n a d o s sedativos,
t r a n q u i l i z a n t e s e o u t r o s psico-
fármacos. Calcula-se q u e u m a
em cada dez consultas médicas
tem a ver com efeitos indesejá-
veis de algum medicamento.

Estes fenómenos, cada vez


mais frequentes, têm s u s c i t a d o
-
um renovado interesse pelos me- A partir das substâncias activas
d i c a m e n t o s n a t u r a i s de origem de uma planta, e dos resultados
vegetal, tanto por parte dos mé- p r o p o r c i o n a d o s pela investi-
dicos como dos doentes. A anti- gação Farmacêutica e clínica, de-
ga fitoterapia, renovada pela duzem-se as suas propriedades e
ciência moderna, conserva, hoje aplicações medicinais.
como ontem, o seu poder curati-
vo, sobretudo nas afecções cró-
nicas, n a s d o e n ç a s degenerati- Na primeira parte desta obra
vas, nos estados de c a n s a ç o in- apresentam-se todos os aspectos
justificados, assim como nas nu- técnicos e práticos da fitoterapia:
merosas doenças metabólicas de fundamentos de botânica, colhei-
que sofremos como consequên- ta, formas de emprego das plan-
cia do inadequado estilo de vida tas, princípios activos e proprie-
predominante na actualidade. dades, sem esquecer as possíveis
contra-indicações e efeitos tóxicos
de algumas plantas medicinais.
As plantas têm sido utilizadas
como r e m é d i o p a r a as doenças
dos seres h u m a n o s —e também Na segunda parte enumeram-
dos a n i m a i s — desde t e m p o s se as plantas medicinais mais
m u i t o antigos. Todas as civili- úteis para cada uma das doenças
zações se têm valido delas para e p a d e c i m e n t o s mais c o m u n s .
aliviar o sofrimento e, em mui- Descrevem-se mais de 500 plan-
tos casos, até p a r a c u r a r a do- tas, o r d e n a d a s segundo as suas
e n ç a . O Criador terá possivel- aplicações medicinais. Ao anali-
mente dado aos seres h u m a n o s sar as substâncias activas vege-
os vegetais, com todo o seu po- tais e o m o d o c o m o a c t u a m , o
der curativo, p a r a lhes t o r n a r autor não se limita a reproduzir
mais suportável o fardo da vida. os c o n h e c i m e n t o s tradicionais
de tipo empírico, mas esforça-se
p o r oferecer, n u m a linguagem
Conhecemos hoje qual é exac- acessível a todos, os últimos re-
t a m e n t e a c o m p o s i ç ã o de mui- s u l t a d o s da m o d e r n a investi-
tíssimas plantas medicinais, de gação fitoterápica.
modo a podê-las aplicar de for-
ma racional quando melhor con-
venha. Isto é precisamente o que O leitor tem, pois, nas suas
o autor procura fazer neste livro: m ã o s , mais do que um simples
guia de plantas medicinais. A pe- As plantas medicinais n ã o se
culiaridade e o valor deste livro deveriam usar unicamente para
residem, precisamente, no modo p r o c u r a r nelas u m a acção cura-
racional, e ao mesmo tempo su- tiva —como se faz com um fár-
mamente prático para o grande maco— depois de já se ter mani-
público, como o autor apresenta festado a doença. Precisamente,
os tratamentos à base de plantas uma das suas grandes virtudes é
medicinais. Obras c o m o esta a capacidade que têm de regular
contribuem para superar a falta os processos vitais e de prevenir
de credibilidade que o uso d a s a d o e n ç a . O uso a d e q u a d o das
plantas havia suscitado em cer- p l a n t a s medicinais, d e n t r o d e
tos meios científicos e t a m b é m um conjunto de hábitos de vida
entre os médicos. À medida que sã, pode evitar que as debilida-
as plantas medicinais se forem des do nosso organismo, e a sua
conhecendo melhor, serão cada predisposição para sofrer de cer-
vez mais utilizadas e apreciadas tas e n f e r m i d a d e s , evoluam até
por médicos e doentes. Os labo- se converter em doenças decla-
ratórios farmacêuticos estão a radas.
dirigir os seus esforços de inves-
tigação para o m u n d o vegetal,
que ainda conserva grandes se- O m u n d o das plantas medici-
gredos por revelar, de tal forma nais tem m u i t a s coisas a ofere-
que cada vez há mais medica- cer para o nosso próprio bem-es-
mentos à base de plantas medi- tar. Este livro ajudá-lo-á a con-
cinais. hecer melhor as plantas e a usá-
las a d e q u a d a m e n t e p a r a o cui-
dado da sua saúde.
Como produto que são da na-
tureza, as plantas medicinais
exercem o seu poder curativo e E n t r á m o s já na era da "medi-
também preventivo q u a n d o se cina verde".
usam em c o m b i n a ç ã o com ou-
tros elementos naturais que fa-
vorecem a saúde, como o sol, a
água, o ar puro, uma alimen-
tação sã, e o equilíbrio mental. Dr. Ernst Schneider
Doutor em Medicina pela
Esta tem sido a minha p r ó p r i a
Universidade de Diisseldorf
experiência d u r a n t e os longos
(Alemanha).
anos de exercício profissional
Autor da Enciclopédia Científica de
como médico. Medicina Natural "Naturama".
M :

• J -Vir* ^W^VJ

I,

índice dos capítulos


1. 0 mundo vegetal 22
2. Colheita e conservação 44
3. Formas de preparação e emprego 54
4. Princípios activos 76
5. Precauções e toxicidade das plantas 98
6. Da planta ao medicamento 110

.
PLANTAS
QUE CURAM
Enciclopédia das P l a n t a s Medicinais
*

PRIMEIRA PARTE O
rENERALIDADEO

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* -
«Os prados e as colinas são as
melhores farmácias.»
PARACELSO
Médico e naturalista
do século XVI
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O MUNDO VEGETAL

S
UE SURPRESA! Este pedacinho sa uniforme e contínua, como acontece
de cortiça é formado por milha- com uma pedra ou um mineral, mas pela
res de minúsculos alvéolos, uni- união de muitas pequenas unidades inde-
dos uns aos outros. Parece um pendentes.
favo fabricado pelas abelhas...!-, -Vou chamar células -disse Hooke- a es-
exclama Robert Hooke, célebre tes pequenos alvéolos que formam a cor-
físico inglês do século XVII, surpreendido tiça. Porque, em latim, cellula significa pe-
por aquilo que contempla através do mi-
quena cavidade.
croscópio.
O seu espírito científico fá-lo assombrar-
-se diante do que a outros passaria desper-
cebido. Hooke acaba de descobrir que a A célula: unidade de vida
matéria viva não é formada por uma mas-
Estudando os vegetais com o microscó-
pio, os cientistas notaram que não era só a
casca do sobreiro que era constituída por
células. Todos os seres vivos, quer sejam ve-
getais quer animais, são formados por uma
A célula vegetal ou por muitas células agrupadas.
Cada célula é uma unidade de vida. É a
porção mais pequena de um ser vivo que
tem vida própria; ou seja, que nasce, se ali-
menta, cresce, se reproduz e morre.
O tamanho das células oscila geralmente
Núcleo entre 5 e 50 míerones (milésimas de milí-
metro). Isto quer dizer que, num milíme-
tro, caberiam de 20 a 200 células, segundo
o seu tamanho.
Algumas células são predestinadas a viver
apenas durante alguns minutos, renovan-
do-se continuamente, enquanto outras vi-
vem tanto tempo como o ser vivo de que
fazem parte.

Constituição celular
Cada célula é formada por:
Vacúolo
• O núcleo, que contém a informação ge-
nética que recebeu da sua antecessora,
em que se encontram impressas todas as
Membrana de celulose Cloroplastos
suas características sob a forma de cro-
mossomas e genes, as quais, por sua vez,
transmitirá às suas descendentes.

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A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D l C l N A i S

1 * Parte: G e n e r a l i d a d e s
I
Observando ao
microscópio a cortiça,
proveniente da casca do
sobreiro, Robert Hooke
descobriu, no século XVII,
que a matéria viva é
formada por pequenas
unidades chamadas
• O citoplasma, de consistência viscosa se- células.
melhante à clara de ovo, o n d e se produ-
zem todos os processos bioquímicos.
• A membrana riloplásmica, q u e r o d e i a
completamente a célula e filtra selectiva-
mente as substâncias q u e elevem p e n e -
trar no seu interior.

Características d a c é l u l a v e g e t a l
As células q u e c o n s t i t u e m os vegetais
apresentam duas características funda-
mentais, que as células animais n ã o pos-
suem:
As células vegetais
diferenciam-se das
/. A membrana de celulose animais por se
encontrarem rodeadas
Trata-se de uma espessa m e m b r a n a celu- de uma espessa
lar, situada por fora da m e m b r a n a cito- membrana de celulose
plásmica e formada por celulose. É c o m o que as envolve, e por
um estojo poroso (pie a isola e protege, e conterem cloroplastos
que persiste quando a célula m o r r e , lians- cheios de clorofila.
Assim, a celulose
lormando-se no seu sarcófago. As células (também chamada fibra
animais não têm esta espessa m e m b r a n a vegetal) e a clorofila
celulósica, pelo que, q u a n d o m o r r e m , se são as substâncias mais
decompõem completamente, não deixan- representativas do reino
do rasto. vegetal.

A membrana das células adultas p o d e


conter outras substâncias além da celulose:
• a lenhina, nas células da madeira:
• a suberina, nas da casca do sobreiro ou
cortiça;
• a pectina ou a cutina, na cutícula q u e co-
bre os ramos jovens e as folhas.
Portanto, o que Hooke viu realmente ao
microscópio-a cortiça- não (oram as célu-
las da casca do sobreiro, mas os seus esto-
jos ou membranas celulares, q u e persistem
depois da morte das células. Igualmente, a
madeira é constituída pelas espessas mem-
branas de celulose e lenhiua (pie cobriam
as células do tronco da árvore, q u e já mor-
reram.

2. Osplastas
Esta é outra peculiaridade das células ve-
getais. Os plastas são uns c o r p ú s c u l o s si-

23
Cap. 1: O MUNDO VEGETAL

Á esquerda:
As colossais sequóias dos
bosques da Califórnia
contam-se entre as árvores
mais aftas do planeta.

À direita:
A ilha de Tenerife, nas
Canárias, alberga vários
exemplares de dragoeiros
como este, árvores
rnilenárias que chegam a
ter 5000 anos de idade.

tuados no citoplasma, que contêm diversas


substâncias corantes. Os mais comuns são Diversidade do reino vegetal
os cloroplastas, de cor verde devida ao seu
conteúdo em clorofila.
K nos cloroplastas que tem lugar a fotos- —Estes tijolos são para cobrir a parede ex-
síntese, extraordinária reacção química terior, aqueles paia as divisões interiores, e
pela qual as substâncias minerais inorgâni- os outros para o pavimento da cozinha...
cas do solo e do ar se transformam em ami- O arquitecto dá as ordens necessárias
do e em outras substâncias orgânicas, para que cada um, das centenas, ou talvez
graças à energia da luz solar. milhares de diferentes elementos que
As células são uns prodigiosos laborató- constituem a casa, seja colocado no seu de-
rios químicos. Em cada uma delas, apesar vido lugar. Quando o edifício estiver ter-
do seu diminuto tamanho, se produzem minado, todos reconhecerão o trabalho de
milhares de reacções químicas que diio quem projectou a obra e dirigiu a sua exe-
como resultado a síntese de glícidos (hi- cução.
dratos de carbono), lípidos (gorduras) e
No entanto, poucos têm consciência da
prótidos (proteínas), que, ou se vão acu-
maravilha que é o (acto de os milhares de
mulando no seu interior, ou passam para o
milhões de "tijolos", isto é, de células que
exterior.
Formam uma planta ou outro ser vivo, se
Os alcalóides, essências e outros princí- acharem tão bem colocados no seu lugar, e
pios activos, também produzidos nas célu- funcionando adequadamente. Que arqui-
las vegetais, são armazenados numas cavi- tecto ou engenheiro fez. o desenho? Quem
dades situadas no citoplasma, chamadas va- o realizou? Porque se agrupam sempre as
cúolos. Quando estes vacúolos se rompem células epidérmicas para cobrir as folhas e
pela pressão exercida sobre alguma das os caules? Porque se unem entre si as cé-
partes da planta, libertam-sc os princípios lulas alongadas e ocas para formar os vasos
activos contidos no seu interior. pelos quais corre a seiva?
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Os vegetais são os seres vivos f o r m a d o s


por células vegetais. Alguns consistem
numa única célula (unicelulares), c o m o as
bactérias e certos tipos cie algas ou cie fun-
gos. Outros são formados por n u m e r o s a s
células (pluricelulares), c o m o as algas e
fungos comuns, e todos os vegetais supe-
riores ou plantas.
O mundo vegetal oferece u m a surpreen-
dente diversidade de "construções," pois
são praticamente infinitas as possibilidades
de combinar os diferentes tipos e o n ú m e -
ro cie elementos ou células.

Variedade d e t a m a n h o
O tamanho dos vegetais p o d e oscilar des-
de algumas milésimas de milímetro, c o m o
os micróbios, até mais de 80 melros, c o m o
as colossais sequóias da Califórnia, ou mes-
mo lf)0 melros, c o m o os eucaliptos gigan-
tes da Austrália, c o n s i d e r a d o s as árvores
mais altas do m u n d o . Mas liá a i n d a um ve-
getal que os ultrapassa em t a m a n h o : o sar-
gaço gigante, uma alga marinha q u e p o d e
atingir 300 metros de c o m p r i m e n t o .

Variedade d e v o l u m e
Quanto ao volume, a m a i o r árvore do
mundo, e também uma das mais longevas
(calcula-se q u e l e n h a e n t r e -1000 a 5000
anos), é possivelmente o cipreste de Moc- O famoso cipreste de Moctezuma". t a m b é m conhecido
como "árvore de Tule", encontra-se no belo estado mexica-
tezuma, que existe no cemitério de Santa no de Oaxaca. Segundo a informação que é dada ao visi-
Maria de Tule, no estado mexicano de Oa- tante, mede 41,8 metros de altura e o seu gigantesco tron-
xaca. Debaixo da sua imensa copa de 132 co atinge 14 metros de diâmetro. Calcula-se que tenha um
metros d e d i â m e t r o , única n o m u n d o , volume de 816,8 metros cúbicos, e um peso de 636,1 tone-
acampou o conquistador espanhol 1 lernán ladas, o que o torna a árvore mais volumosa do m u n d o (em-
bora não seja a mais alta) e, possivelmente, a criatura viva
Cortês com todas as suas tropas, no a n o de de maior peso e volume que existe sobre o planeta Terra |as
1519. baleias maiores não ultrapassam as 150 toneladas de peso}.
Botanicamente, trata-se de um ahuehuete ou sabino (Taxo-
Variedade de habitat dium m u c r o n a t u m ) , da família das Taxodiáceas.

Umas plantas vivem na á g u a , c o m o os


agriões ou os nenúfares, outras em regiões
secas ou desérticas, c o m o a piteira ou o alo-
és; umas em terrenos Frios, c o m o a fram-
boesa ou o a r a n d o , o u t r a s em lugares
quentes, c o m o a figueira ou a alfazema;

2b
c o n h e c e n e n h u m a o u t r a árvore q u e tenha
ultrapassado esta idade.

Variedade de estrutura:
de uma a milhões de células
• Os vegetais mais simples, ou protófitos,
são formados por uma única célula de di-
m e n s ã o microscópica. È por e x e m p l o o
caso da alga espirulina, q u e se evidencia
pelas suas extraordinárias propriedades
medicinais. Q u a n d o a ingerimos, engo-
limos milhões de indivíduos, todos eles
formados por células idênticas. Como é
lógico, nestes seres vivos não faz sentido
identificar q u a l q u e r parte diferenciada.
• Os talófitos são vegetais cujo c o r p o ou
Toda a terra é um imenso
lalo é formado geralmente por uma mas-
jardim ou, peio menos, esse sa de múltiplas células p o u c o diferencia-
foi o desejo do Criador. Mas umas em regiões polares como os musgos das, ou seja, m u i t o semelhantes e n t r e si.
além de servirem de ou líquenes, outras em regiões tropicais. Não possuem verdadeiros tecidos e
adorno, as flores e as c o m o o guaiaco ou o abacateiro. órgãos; n ã o têm raízes n e m caules, nem
plantas, muitas das quais folhas nem ílores. K o t aso das algas, dos
possuem propriedades
fungos e dos líquenes. Usam-se os talos
medicinais, contribuem Variedade de duração
grandemente para o bem- da alga-perlada. da laminaria, do líquen-
-estar e para a saúde. A vida dos vegetais tem uma duração -da-islándia. do sargac<»-\ esiculoso ou bo-
m u i t o variável: a l g u m a s bactérias vivem delha, também chamado fuco.
apenas d u r a n t e uns minutos; a grama e ou-
tras ervas p o d e m ler u m a existência limi- • As corinófítas são os vegetais superiores,
tada a alguns dias. em caso de seca. Toda- vulgarmente c h a m a d o s plantas. São for-
via o abeto chega até aos (SOO anos, e o cas- m a d a s por m i l h õ e s de células, e n t r e as
tanheiro e a oliveira p o d e m passar do mi- quais há s e t e n t a ou o i t e n t a tipos dife-
lénio. rentes. Cada um destes tipos de células é
especializado em realizar d e t e r m i n a d a s
No cemitério de Yorkshire, na Inglaterra, funções, f o r m a n d o assim os diferentes
existe um teixo que se calcula ter cerca de órgãos ou partes da planta: a raiz, o cau-
3000 anos. I lá sequóias na Califórnia, e ba- le, as folhas, as Ílores, etc.
obás em Africa, que têm mais de 1000 anos
de existência. Estas veneráveis árvores con-
tinuam vivas, impassíveis, depois de terem Variedade de forma
visto surgir e desaparecer grandes impé-
rios, civilizações e outras criações humanas. A forma dos vegetais também apresenta
e n o r m e s contrastes: desde a delicadeza de
Porém o recorde da longevidade é os- u m a violeta até à agressividade de um cac-
tentado por um dragoeiro do vale da Oro- to, desde a simplicidade do tomilho até á
tava, na ilha e s p a n h o l a de Tenerife, q u e sofisticação de u m a orquídea. E q u e dizer
em l«S(')H loi a r r a n c a d o por um furacão. No da sua cor, dos diversos tons de verde das
seu tronco foi possível contar mais de 5000 folhas, todos eles parecidos, mas n e n h u m
anéis (que equivalem a 5000 anos)! Não se e x a c t a m e n t e igual; ou da g r a n d e diversi-

2b
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1* P a r t e : G e n e r a d a d e s
I

todo o espectro luminoso?


Partes das plantas
Conhece o prezado leitor alguma planta
feia? Dentro da imensa riqueza de formas,
gamas e matizes, cada vegetal conserva o Os p r i n c í p i o s activos distribuem-se de
seu equilíbrio, a sua h a r m o n i a e e n c a n t o . forma desigual pelas diferentes partes ou
Além disso, muitos deles scrvem-nos de ali- órgãos da planta, devido à especialização
mento e curam as nossas doenças. das suas células. Não basta saber q u e a va-
leriana é um b o m sedativo; é preciso sabei'
q u e p a r t e da planta se deve utilizar. Nal-
g u n s casos, todas as p a r t e s da p l a n t a
Variedade d e p r o p r i e d a d e s
c o n t ê m os mesmos princípios activos, sen-
medicinais do indiferente utilizar unias ou outras. Mas
t a m b é m se d ã o os seguintes casos:
A grande riqueza do m u n d o vegetal tam- A OMS (Organização
bém se manifesta nos múltiplos princípios • Q u e os princípios activos medicinais se Mundial de Saúde)
medicinais que as plantas sintetizam: Des- c o n c e n t r e m n u m a única p a r t e da planta. considera como planta
P o r e x e m p l o , só a raiz do g i n s e n g con- medicinal' todo o vegetal
de antibióticos, c o m o os do alho e das cha-
tém substâncias tonificantes. que contenha, em um ou
gas; até cardiotónicos, c o m o os da deda- mais dos seus órgãos,
leira e do cacto; passando p o r sedativos, • Q u e cada p a r t e da planta produza subs- substâncias que possam ser
como os da papoila e da valeriana; ou tâncias diferentes, e t e n h a p o r t a n t o pro- usadas com finalidades
então anti-reumálicos, c o m o os do harpa- terapêuticas ou que sejam
p r i e d a d e s diferentes. As flores da laran-
gófito; ou tonificantes, c o m o os do ginseng precursoras na semi-s/ntese
e do alecrim. A sua gama de p r o p r i e d a d e s quimico-farmacèutica.
cobre praticamente todas as necessidades
da terapêutica. «Os p i a d o s e as colinas são
as melhores farmácias», c o m o disse Para-
celso. o famoso médico e naturalista suíço
do século XVI.

Unidade de o r i g e m

Temos consciência do mérito do arqui-


tecto que construiu a nossa casa? A o r d e m
nunca surge do acaso, por muitos milhões
de anos que queiramos conceder-lhe. Do
acaso só pode surgir uma crescente desor-
dem.

Para que apareça a o r d e m c se m a n t e -


nha, é indispensável a acção d i r e c t a de
uma inteligência superior. Q u a n d o apro-
fundamos o estudo do m u n d o vegetal, n ã o
podemos deixar de r e c o n h e c e r a actuação
do grande Criador do Universo, q u e pro-
jectou os "edifícios" (seres vivos), dispon-
do tão acertadamente os seus "tijolos" (cé-
lulas) .
S/,

Tubórcufo

Raiz

W
'4T
28
A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
o
I Parte: G e n e r a l i d a d e s

jeira são sedativas; os seus frutos, as la-


ranjas, são tonificantes; e a casca das mes-
mas é digestiva e aperitiva.
• Que umas p a r t e s p r o d u z a m princípios
medicinais, e n q u a n t o o u t r a s p a r t e s d a
mesma planta elaborem substâncias tó-
xicas. E este o caso da rai/ da consolda,
que é um g r a n d e cicatrizante, devido à
alantoína que contém; e n q u a n t o no seu
caule e folhas se e n c o n t r a um alcalóide
que os torna muito tóxicos.
Por tudo q u a n t o Uca d i t o , c o n v é m co-
nhecer e saber identificar c a d a u m a das
parles ou órgãos c o n s t i t u i n t e s de u m a
planta.

Raiz
A raiz é o órgão encarregado de extrair
do solo os sais minerais e a á g u a . e de
bombeá-los para as folhas, com o fim de ali-
mentar toda a planta. Km geral, todas as
plantas produzem e armazenam na sua raiz.
amido, inulina e outros glícidos (a q u e ge-
ralmente se dá o n o m e de hidratos de car-
bono) como por e x e m p l o a alcachofra, a
bardana, a rarlina, o cersefi-bastardo, a chi-
cória, o dente-de-leão, a equinácea, a jala-
|),i c ,i ratânía. A bardana (Arctium lappa
L.') é uma das plantas cuja
No e n t a n t o , na raiz de o u t r a s p l a n t a s assim c o m o o u t r o s princípios activos. F.m
raiz é mais rica em
também se p r o d u z e m alcalóides ( p o r m u i t o s casos é p r e f e r i d o à raiz. p r o p r i a - princípios activos: contém
exemplo: ipecacuanha, rauvólfia). glicósi- m e n t e dita (historia, c á l a i n o - a r o m á t i c o . substâncias antibióticas,
dos (por exemplo: acónito, cinoglossa, cúrcuma, polipódio, ruibarbo). diuréticas e
hipogficemiantes (que
equinácea, saxífraga) ou vitaminas ( p o r fazem descer o nível de
exemplo: a c e n o u r a ) . glicose no sangue).
Bolbo
Nalguns casos, apenas se aproveita a cas-
ca da raiz, por se acumularem nela os prin- Chamasse b o l b o a um e n g r o s s a m e n t o
cípios activos, c o m o no caso da bérberis, s u b t e r r â n e o d o caule, formado por n u m e -
do buxo, do chá-dc-nova-jcrsey ou da goia- rosas c a m a d a s sobrepostas. No b o l b o en-
beira. contram-se essências enxofradas (alho, ce-
b o l a ) , substâncias a r o m á t i c a s ( a ç u c e n a ) ,
ou alcalóides (o c ó l q u i c o ou a ç a l í ã o -
Rizoma -bastardo).
O rizoma é um caule s u b t e r r â n e o , q u e
tem aparência de raiz, p o r é m na realidade
Tubérculo
não cresce para baixo mas sim horizontal-
mente. Também acumula glícidos (hidra- Um t u b é r c u l o é um caule s u b t e r r â n e o
tos de carbono) e substâncias de reserva. especializado em a r m a z e n a r substâncias de
C a p . 1 : O MUNDO V E G E T A L

"TTT T*TO

sw&

ceas)) ou lenhoso (com madeira), como


nas árvores e arbustos. A madeira usa-se
pela sua essência (canforeira, cipreste,
guaiaco, quássia) ou então para queimar e
preparar carvão vegetal (choupo-negro,
faia).

Gema
Cada gema é o esboço de um futuro
ramo. Contém resinas e essências. Km fito-
terapia usam-se, por exemplo, as gemas de
abeto-branco, hétula, choupo-negro e pi-
nheiro.

Folhas
Podemos dizer que as folhas são o labo-
ratório químico por excelência da planta.
Nelas se realiza a fotossíntese, isto é, o con-
junto de reacções químicas mediante as
quais a planta produz substâncias comple-
xas a partir das substâncias inorgânicas da
terra e do ar. As células das folhas contêm
clorofila, qtie capta a energia da luz solar e
a transforma em energia química.
As folhas produzem a maior parte dos
Além de beleza e aroma princípios activos das plantas, especial-
agradável, as flores
oferecem numerosos
mente os alcalóides, essências, glicósidos e
reserva. Assim, por exemplo, o do satirião- taninos. Por isso são a parte mais usada das
princípios activos de acção -macho, uma orquídea de cujo tubérculo
medicinal: óleos essenciais, plantas medicinais. Algumas das folhas
alcalóides, pigmentos,
se extrai uma farinha medicinal. mais úteis em fitoterapia são as de: aloés,
glicósidos e outros. aveleira, boldo, damiana, dedaleira, uva-
Córtex -ursina, hamamélia, loureiro, nogueira,
oliveira, silva, videira e visco-branco
O córtex ou casca é a camada que cobre
o caule e a raiz. Nela se acumulam abun-
dantes princípios activos (amieiro, amiei- Flores
ro-negro, caneleira, carvalho, cáscara-
-sagrada, condurango, quina, tília, etc.) As llores são o órgão reprodutor da plan-
ta. Contêm numerosos princípios activos:
óleos essenciais (acácia-basiarda, açucena,
Caule chagas, tanaceto, tília), alcalóides (buglos-
sa, papoila, passiflora), pigmentos (lidal-
O caule serve de comunicação entre a
guinhos, roseira), glicósidos (cacto, laran-
raiz e o resto da planta, e nalguns casos
jeira, lúpulo, maravilha, sabugueiro), e
contém princípios activos (alcachofra,
muitos outros.
cana-de-açúcar, cavalinha, costo-espigado,
éfedra, espargo). O caule pode ser herbá- • Estigmas: De algumas flores, como as do
ceo (no caso das plantas chamadas herbá- açafrão OU do milho, usam-se apenas os
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 * Parte: G e n e r a d a d e s

Os frutos fornecem
sobretudo vitaminas, sais
minerais, açúcares e ácidos
orgânicos. Alguns, como os
da tramazeira (Sorbus
aucuparia' L.J, chamados
sorvas, contêm ainda
pectina, fibra vegetal
solúvel de acção laxante, e
taninos de acção
adstringente. O resultado
desta combinação de
princípios activos é um
efeito regulador e
normalizador do trânsito
intestinal.

estigmas (parte superior do pistilo ou Sumidade


órgão feminino da flor).
Chama-se sumidade à parte superior de
• Àinentilhos: São cachos pendentes for- uma planta, em que se encontram peque-
mados por flores quase sempre unisse* nas folhas e flores que se usam conjunta-
xuais. Usam-se, por exemplo, os da ave- mente (absinto, alecrim, orégão, tomilho,
leira. urze, vara-de-ouro e, em geral, todas as
plantas da família das Labiadas). Quando
Fruto contém muitas dores, dá-se-lhe o nome de
sumidade florida.
O fruto é o órgão vegetal que procede da
flor e que envolve as sementes.
Os frutos carnudos contêm abundantes Semente
ácidos orgânicos, açúcares e vitaminas
Em cada semente encontra-se o gérmen
(arando, bérberis, caiuito, cerejeira, pilri-
da futura planta e um ou dois cotilédones
teiro, sabugueiro, silva); outros são secos,
com substâncias de reserva. As sementes
tomo os das Umbelíleras. e contêm óleos
proporcionam glícidos e lípidos (aveia,
essenciais (anis-verde, cominho, salsa); e
aveleira, cacau, milho, noz), mucilagens
alguns usam-sc pelo látex que produzem
(alíorva. linho, zaragatoa) e óleo (dormi-
(dormideira).
deira, linho, onagra, rícino, videira).
A baga é um fruto carnudo, mas sem ca-
roço. As sementes dos cereais chamam-se
grãos.
Pedúnculos
Secreções
C) pedúnculo é a ramificação do caule
que segura a flor, o fruto, OU a folha (nes- As secreções não se podem considerar
te caso chama-se peciolo). Por exemplo, propriamente partes de uma planta,já que
usam-se os pedúnculos (ou pés) da cereja se trata de substâncias líquidas mais ou me-
e os da avenca. nos viscosas produzidas pelo vegetal:

31
Cap. 1: O MUNDO VEGETAL

Os nomes científicos das


plantas, em latim, baseiam- Papoila (Papaver L.)
-se no sistema binomial de
Lineu: primeiro o género e k
depois a espécie.
Ao contrário do nome
vulgar, cujo âmbito de
Nome comum Género Espécie Botânico
validade é local, o nome que a classificou (Lineu)
cientifico é utilizado em
todo o mundo. Desta forma
é muito facilitado o
entendimento entre
especialistas de diferentes
o látex, esbranquiçado, diferente da sei-
países. va, (dormideira, celidónia, Figueira, al- Os nomes das plantas
face-brava-maior, papai eira):
Como dar ordenadamente nomes à
a resina, rica em essências balsâmicas, g r a n d e variedade das plainas q u e formam
(abelo, assa-félida, copaíba, guaiaco, pi- 0 m u n d o vegetal? Com classificá-las? Pela
Somente uma parte das c o r das suas flores? Pela forma rias suas fo-
n h e i r o , pistácia); e
mais de 390 000 espécies
vegetais que povoam o lhas? Ou talvez pelas substâncias químicas
planeta Terra foram que produzem?
identificadas e classificadas. a seiva, líquido nutritivo da planta, (hé-
Quantos segredos por
Na Grécia antiga. Aristóteles, Teofrasto e
rnia, piteira, videira).
descobrir guarda ainda o Dioscórides já idealizaram sistemas para
m u n d o vegetal! d a r nomes ás plantas e classificá-las. Desde
e n t ã o , o u t r o s investigadores e cientistas
t a m b é m tentaram estabelecer um sistema
universal, mas n e n h u m teve êxito. Deste
m o d o o crescente n ú m e r o de n o m e s e de
classificações q u e se usavam dificultava o
i n t e r c â m b i o de c o n h e c i m e n t o s e expe-
riências e n t r e os botânicos, farmacêuticos
e médicos cie diversas regiões ou países.
Para fazer frente a esta diversidade, o
g r a n d e naturalista e b o t â n i c o sueco Cari
von Linné (latinizado: L i n n a e u s ; aportu-
g u e s a d o : Lineu) introduziu em 1753 um
m é t o d o de nomenclatura e classificação de
plantas q u e obteve aceitação universal. De-
nomina-se sistema binomial, pois atribui a
cada espécie um p a i ' d e nomes: o primeiro
c o r r e s p o n d e ao g é n e r o , e o s e g u n d o à es-
pécie p r o p r i a m e n t e dita. Lineu teve, como
A d ã o no j a r d i m do É d e n , o privilégio de
pôr o n o m e a todas as plantas conhecidas.
Utilizou o latim q u e , p o r ser u m a língua
morta, n ã o dava lugar a q u e se produzis-
sem deformações nos n o m e s .

Os n o m e s vulgares das p l a n t a s variam


muito e n t r e os diferentes idiomas do mun-
do. Inclusivamente n u m a mesma região ou
área linguística, as m e s m a s plantas rece-
bem nomes diferentes. Porém os nomes la-
tinos q u e Lineu lhes atribuiu continuam fi-

32
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s
I

xos e são de uso universal. Sirva de h o m e -


nagem a este g r a n d e observador da natu-
reza o ele maiúsculo seguido cie um p o n t o
[LI que figura a seguir ao n o m e científico
da maior parte das plantas m e d i c i n a i s ,
aquelas a que I Jneu pôs o n o m e e q u e clas-
sificou.

A classificação das plantas

Lineu classificou as plantas s e g u n d o as


particularidades dos respectivos órgãos re-
produtores. No e n t a n t o , à m e d i d a q u e a
botânica foi p r o g r e d i n d o , e s p e c i a l m e n t e
graças ao microscópio, o sistema original
de Lineu foi-sc modificando e aperfeiçoan-
do até chegar ao esquema actual.
Dentro de cada espécie
existem numerosas
variedades. Por exemplo,
A e s p é c i e e as s u a s v a r i e d a d e s da espécie Rosa gallica' L.
O género
(roseira) existem mais de
A unidade de classificação é a espécie: t 0 000 variedades, cada
As espécies parecidas e n t r e si a g r u p a m-
agrupa todos os indivíduos q u e têm a qual produzindo rosas com
-se em g é n e r o s . P o r e x e m p l o , a p a p o i l a
maior parte das suas características em co- características peculiares.
(PapaverrhoeasL.) e a d o r m i d e i r a {f^ijxiver
mum. Assim, por exemplo, a papoila (Pa-
somniferum L.) p e r t e n c e m ao m e s m o géne-
paverrho&tsL.) é u m a espécie.
ro Papava: Ambas as espécies produzem al-
Todas as papoilas de um c a m p o de trigo calóides similares, e m b o r a sejam mais acti-
se parecem m u i t o e n t r e si. Mas q u a n d o vos os da d o r m i d e i r a .
comparamos as q u e crescem em Portugal,
por exemplo, com as q u e crescem no Bra-
sil, notaremos algumas diferenças. Todas A família
são papoilas e pertencem à mesma espécie; Vários g é n e r o s similares a g r u p a m - s e
mas constituem variedades diferentes. n u m a família. Por e x e m p l o , a papoila e a
d o r m i d e i r a , j u n t a m e n t e c o m a celidónia
As variedades q u e u m a m e s m a espécie
(CheUdonium majusL..), f o r m a m a família
pode apresentar são c o n s e q u ê n c i a do tipo
das Papaveráceas. Todas elas produzem um
de terreno onde se cria, do clima e das pos-
látex rico em alcalóides mais ou m e n o s
síveis hibridações ou c r u z a m e n t o s q u e te-
narcóticos.
nha sofrido. A sua composição química é a
mesma para todas as variedades, mas p o d e
haver diferenças na concentração dos prin- A o r d e m e a divisão
cípios activos. Assim, por e x e m p l o , a dor-
mideira que se cria nos países do Médio As famílias similares agrupam-se em or-
Oriente e da Ásia produz mais morfina q u e d e n s ; estas em classes, e estas, p o r sua vez,
a europeia. em divisões ou tipos.
Ca: O MUNDO VEGETAL

Classificação dos
São os vegetais mais sim-
ples e pequenos que exis-
tem (microscópicos). São
PROTOFITOS unicelulares, isto é, são for-
mados por uma só célula e
procariotas, em que o nú-
cleo não se encontra defi-
nido. No entanto, apesar

São vegetais formados geralmente por múltiplas


células, mas todas elas semelhantes. Se não hou-
ver diferenciação celular, ou se esta for muito es-
cassa, também não existirão tecidos nem órgãos.
O talo, ou corpo destes vegetais, é constituído por
uma massa de células quase iguais, sem vasos
nem fibras condutoras; e é destituído de raízes,
caules ou folhas.
Os talófitos compreendem as algas, os fungos e os
líquenes como, por exemplo, o líquen-da-islândia
(Cetraria islandica L, pág. 300).

CRIPTOGAMICAS

Plantas que se caracterizam por possuir células diferencia-


das que formam tecidos e órgãos distintos. O cormo é o apa-
relho vegetativo destas plantas, que, ao contrário do talo dos
talófitos, é formado por verdadeiras raízes, caules e folhas
bem diferenciadas; todas elas são sulcadas por vasos e fi-
bras condutoras.
CORMOFITAS Todos os vegetais a que vulgarmente chamamos 'plantas',
são cormofitos, quer dizer, pertencem ao reino das metafitas.
Dentro deste reino incluem-se também as briófitas, constituí-
das pelos musgos, e que não figuram neste esquema por não
se descrever nenhuma nesta Enciclopédia de Plantas Medi-
cinais
A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

I vegetais
da sua simplicidade, têm uma grande im-
portância biológica, pois sem eles seria impos-
sível a vida na Terra.
Os protófitos incluem as bactérias, que não têm
clorofila, e as cianófitas ou algas azuis, que a Os seres vivos, em lugar dos dois
têm. reinos tradicionais, vegetal e ani-
A espirulina (Spirula máxima, pág. 276) é um
mal, classificam-se actualmente em
exemplo deprotófito (alga azul) com aplicação
cinco reinos:
medicinal.
• MONERAS: incluem os protófitos e
os procariotas.
• PROTOCTISTAS: algas unicelulares e
protozoários.
• FUNGOS: leveduras, mofos, fungos
ALGAS superiores (cogumelos).
• METAFITAS: vegetais pluricelulares
com tecidos definidos (cormo).

A FUNGOS
• METAZOÁRIOS: animais pluricelula-
res.

LÍQUENES

Criptogâmicas são todas as plantas sem flores. Crip-


togâmicas vasculares são as que não têm flores mas
possuem cormo (raízes, caules e folhas sulcados
por vasos condutores). A cavalinha (Equisetum ar-
vense L., pág. 704) e os fetos como o feto-macho
(Dryopteris filix-mas L, pág. 500), são exemplos de
criptogâmicas vasculares.
São plantas fanerogâmicas (com
flores) cujas sementes se encon-
tram descobertas, sem a protecção
de um fruto (gimnospérmica: do gre-
GIMNOSPERMICAS go gymnos, nu, e sperma, semente).
Compreendem umas 800 espécies,
São plantas cormófitas com tecidos e órgãos bem
entre as quais se destaca a ordem das
diferenciados (raízes, caules e folhas), que se re-
Coníferas, como o abeto e o pinheiro.
produzem por sementes. A sua característica que
mais se evidencia éade possuírem flores, ou seja,
órgãos reprodutores visíveis e bem diferenciados
(masculino e feminino). São as plantas mais nu-
merosas da terra (umas 200 000 espécies). Se- São plantas fanerogâmicas (com flo-
gundo o tipo de sementes, classificam-se em gim- res) que produzem sementes encerra-
nospérmicas e angiospérmicas. das no ovário, que posteriormente se
transformam em fruto (angiospérmica:
ANGIOSPÉRMICAS do grego ageion, vaso ou recipiente, e
sperma, semente). São as plantas su-
periores dentro da escala vegetal, e
formam o grupo mais numeroso das fa-

4
nerogâmicas ou plantas com flores.

35
Tipos
Quanto à sua forma

Sagitada
A sua forma
Lanceolada lembra a de
Cordiforme Com a forma de uma flecha
A sua forma lembra a de um uma lança [por (por exemplo
coração (por exemplo a norça- exemplo a a corriola,
-preta. pág. 679]. bistorta, Pág. 491).
pág. 198).

Bilobada
É fendida em dois lóbulos
(por exemplo o ginkgo. Palmada
pág. 234). É uma folha
composta, em que
as suas divisões ou
foliolos se dispõem
como os dedos de
Ovóide uma mão (por
Elíptica Tem a forma de exemplo o
Tem a forma de uma uma oval (por castanheiro-da-índia,
elipse (por exemplo a [ exemplo a pág. 251).
beladona. pág. 352). escrofulária,
pág. 543).

Quanto à sua nervacao


Paralelinérvea
As nervuras correm
paralelas ao l o n g o da
folha (por exemplo o Peninérvea
visco-branco, As nervuras
ág. 246). nascem ao longo
de um eixo central
(por exemplo a
aveleira,
pág. 253).

Curvinérvea
As nervuras
descrevem
uma curva ao
Radial
longo da
As nervuras saem como raios a
folha (por
partir de um centro comum (por
exemplo a
exemplo o malmequer-dos-
tanchagem,
-brejos, pág. 665).
pág. 325).

'V
3b
S/,.

de folhas
Quanto ao contorno do bordo

Denteada Lobulada
Inteira
O bordo tem O bordo tem recortes que
O bordo è liso pequenos recortes formam lóbulos (por
(por exemplo o jpor exemplo a exemplo o carvalho.
loureiro. urtiga, pág. 278). pág. 208)
pág. 457).

V '
Fendida
Partida
Os recortes do bordo
Os recortes do bordo
aproximam-se da nervura
atingem a nervura
central (por exemplo o
central, por exemplo a
ca rd o-de-sa nta-ma ria,
chicória, pág. 440).
pág. 395).

Quanto à posição no caule

Peciolada Alternas
As folhas estão São folhas pecioladas que nascem
unidas ao caule por uma a uma. ao longo do caule.
meio de um peciolo
ou pé).

Sésseis
São folhas que
não têm peciolo
(pé). Quando
formam um
Opostas prolongamento ao
longo do caule
São folhas pecioladas que
chamam-se
nascem duas a duas. uma
em frente da outra. decorrentes.

37
S/,

Anatomia das folhas


Gema terminal
É o órgão de crescimento do caule. A partir dela
cresce o caule e se formam novas folhas.

Limbo
É a parte plana da folha. A sua
face voltada para cima chama-
sse página superior ou ventral,
Pecio/o e a voltada para baixo, página
Pequeno pé que inferior ou dorsal.
une a folha ao
caule.

Página
superiqr

Vértice ^»
Nervuras
São o prolongamento do pecfolo. È
por elas que corre a seiva.
Página
inferior

As folhas sáo os laboratórios químicos das plantas,


nos quais substâncias inorgânicas simples como a
água, o anidrido carbónico e certos minerais, se
transformam em substâncias orgânicas: hidratos de Gema axilar
carbono, gorduras, vitaminas e outros princípios Órgão de crescimento que se situa
activos. entre o caule e o peciolo Na Primavera
A síntese das proteínas começa na raiz. a partir do dá lugar a um novo caule com folhas,
azoto existente no solo. ou a uma flor.

Cutícula ou epiderme
Revestimento que cobre as folhas
para evitar que sequem.

Secção de uma
folha vista ao
microscópio
Parènquima
É formado por
ÉÉM
células muito ricas ,
em clorofila, o que 1
dá a cor verde â
folha
^.
3
Nervuras
São na realidade
vasos condutores
de seiva.

Estornas
Pequenos orifícios situados na página inferior da folha, através dos quais esta
elimina vapor de água e oxigénio, e absorve anidrido carbónico. Os estornas
sáo rodeados por uns lábios que actuam como válvulas, abrindo-se e
fechando-sc para regular assim a passagem da água e dos gases segundo as
necessidades da planta.

''S
38
S/,

Tipos de raízes
A raiz absorve minerais e água do solo por meio de uns finos peJinhos
absorventes na extremidade das suas ramificações Além disso, fixa o vegetal
ao terreno.

Raiz típica Tuberosa


Produz engrossamentos chamados tubérculos,
nos quais se acumulam hidratos de carbono,
Raiz principal proteínas e outras substâncias de reserva.

.
Raiz
secundária

Napiforme
Tem uma
forma cónica,
e armazena
substâncias
de reserva
(por exemplo
Pêlos a cenoura,
absorventes pág. 133).
Zona de crescimento

Lenhosa
As suas ramificações
Fasciculada são duras e grossas
Formada por raízes (por exemplo o
secundárias da mesma carvalho, pág. 208).
grossura, que nascem
juntas na base do caule
(por exemplo a cçbofa. /
pág. 294). /

Bolbo
Na realidade, o bolbo
náo é uma raiz, mas
uma gema
subterrânea formada
por folhas carnudas
sobrepostas (por
exemplo a cebola,
pág. 294).

Raízes adventícias
São as que nascem directamente de um caule aéreo, ou então de um
caule subterrâneo, chamado rizoma (por exemplo a verónica, pág. 475)

,#—
//,-

Tipos de caules
O caule liga a raiz e as folhas. Contém vasos condutores pelos quais circula a
seiva.

Lenhoso
A celulose que cobre as
células dos caules
lenhosos (troncos) Subterrâneo ou rizoma
encontra-se impregnada É um caule que se desenvolve e estende por debaixo do solo.
de lenhina. Esta Embora pareça uma raiz. na realidade não o é [por exemplo o
substância confere á ásaro, pág. 432).
celulose a dureza e
consistência próprias da
madeira.
Herbáceo
É um caule frágil, pois
a celulose que cobre as
Gordo ou suas células não está
suculento lenhificada. Renova-se
É grosso, cada ano (por exemplo
esponjoso e a chicória, pág. 440)
sem folhas.
Trepador Armazena uma
Não tem a grande
consistência quantidade de
suficiente água no seu
para se interior. Próprio
manter do cacto [pág.
erguido por 216) e de
si mesmo, outras plantas
pelo que típicas das
precisa de se regiões
apoiar desérticas.
noutras
plantas por
meio de
gavinhas
(por exemplo
a norça-
-preta.
pág 679).

Cana
Rastejante ou estolhoso É um caule herbáceo,
Cresce horizontalmente, apoiando-se no solo (por cilíndrico e oco, com
exemplo o morangueiro. pág. 575). nós bem marcados.

40
• At,.

Tipos de inflorescências
As inflorescências são grupos de flores que têm um
pedúnculo comum. (

Em espiga \
Formada por grupos
de flores que nascem
directamente do caule Em capitulo
fpor exemplo a Os capítulos florais
gatunha, pág. 581). são grupos de
pequenas flores
unidas por um
mesmo pedúnculo.
Os capítulos dão a
impressão equivoca
de serem uma única
flor, quando na
realidade são muitas
(por exemplo a
arnica, pág. 662).

Em corimbo
Formada por flores
cujos pedúnculos
nascem de diversos
Em amentilho pontos, mas que
É uma espiga que pende, atingem a mesma
formada por flores muito altura {por exemplo o
pequenas (por exemplo a milefólio. pág. 691).
aveleira, pág. 253).

Em umbela
composta
Formada por
Em umbela várias umbelas
Formada por flores cujo pedúnculo simples |por
sai de um ponto c o m u m exemplo o anis,
fpor exemplo, a primavera, pág. 328). pág. 465J.

W
41
Anatomia
Estames

A flor é o órgão de
reprodução das plantas
fanerogãmicas, isto é, que
têm flores. As fanerogãmicas
dividem-se em dois grupos:
plantas gimnospérmicas
(com sementes nuas, ou seja. Pétafas
não envoltas num fruto,
como por exemplo o pinheiro
e outras coníferas), e plantas
angiospérmicas (em que as
sementes estão envoltas num
fruto mais ou menos
carnudo). As flores das
angiospérmicas são as
maiores e mais vistosas
Sépalas

Tipos de flores

Labiada
As pétalas da
corola
formam dois
lábios, um
superior e
outro inferior.

Rosácea
É a flor típica da
família das
Campanulada Rosáceas, cujas
A sua corola (conjunto pétalas estão
das pétalas) tem a forma dispostas em
de um sino. forma radial.

"W
42
r ys,.

de uma flor
Pistilo, carpelo ou

f ineceu
o aparelho feminino da
flor. Consiste em estigma
(orifício pegajoso por
onde entra o póienj,
estilete (tubo por onde o
pólen desce) e ovário com
um ou vários óvulos
(células germinais).

Estigma
Estames ou
androceu
Estilete
São o aparelho
masculino da
flor Cada estame
consiste num
filete e numa
antera, onde se
formam os gráos
de pólen.

Grão de pólen
A fecundação das flores
Para que se dé a fecundação e se forme a
semente e o fruto depois da flor, é preciso
que um gráo de pólen caia sobre o estigma
da flor. Se o pólen e a flor forem da mesma
espécie, o pólen emite um prolongamento
que desce pelo estilete até chegar ao ovário.
Ali os cromossomas masculinos do pólen
Centro unem-se com os femininos do óvulo, e forma-
| Núcleo germinativo -se a semente e o fruto.
vegetativo
4 Contém os cromossomas As plantas com flores reproduzem-se
com a informação sexualmente. Isto significa que existem duas
genética da planta. partes, a masculina e a feminina. Ambas
devem unir-se para dar lugar a uma nova
planta.

Cobertura exterior

43
COLHEITA E CONSERVAÇÃO

A
S FARMÁCIAS, as ervanárias e al- riqueza de princípios activos das plantas,
guns estabelecimentos especializa- assim como a.s técnicas da sua colheita e
dos em produtos naturais, dispõem conservação.
de uma grande variedade de plan-
tas medicinais em diversas apresentações.
Quando adquirimos estas plantas devemos
poder contai com a garantia dos profissio- Concentração
nais que as comercializam e, portanto, é de
supor que estejam bem identificadas e cor-
dos princípios activos
rectamente conservadas.
Não obstante, talvez o leitor deseje apro- Nem todas a.s plantas da mesma espécie
veitar uma saída ao campo para colher as produzem sempre igual quantidade e con-
suas próprias plantas. Além de desfrutar o centração de princípios activos. Ksles po-
ar puro, a paisagem e o exercício, levará dem variar muito de uma planta para ou-
consigo paia casa algumas plantas que po- tra, dependendo de diversos factores bio-
dem ser autênticos medicamentos para a lógicos ou ambientais. Convém conhecer
sua saúde. Ora bem, neste caso deverá ter estes factores, para evitar surpresas quanto
em conta alguns factores que influem na à intensidade das propriedades medicinais

Colher plantas medicinais,


ao mesmo tempo que se dá
um passeio pelo campo, é
um prazer sumamente
gratificante. Apresentam-se
neste capitulo diversas
indicações que é
conveniente ter em conta.


SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

l " Parle: G e n e r a l i d a d e s

das plantas colhidas, q u e r por excesso q u e r


por deleito.

Segundo a idade
Os sucos das plantas jovens são aquosos
e contêm poucos princípios activos em dis-
solução. A medida que crescem, a u m e n t a
a sua produção e concentração, para voltar
a diminuir com o envelhecimento, ato ao
ponte de deixarem e n t ã o de servir p a r a
aplicações medicinais. É pois c o n v e n i e n t e :
colher as plantas q u a n d o n ã o sejam n e m :ypi±^- i^
muito jovens nem velhas.
No entanto, o m o m e n t o ó p t i m o para
tolhê-las varia de umas plantas para outras,
em virtude da respectiva d u r a ç ã o da vida.
Assim, por e x e m p l o , nas p l a n t a s a n u a i s O clima e o terreno influem
(que só vivem um a n o ) , costuma coincidir muito na riqueza de
com o começo da floração, na Primavera. segurelha, orégão, salva, tomilho) p r o d u - princípios activos de uma
Para as plantas que vivem vários anos, po- zem mais princípios activos em climas e ter- planta.
rem, é preciso esperar p a c i e n t e m e n t e q u e renos secos e exposlos ao sol. Mal se nota
cheguem ã sua maturidade. Por e x e m p l o , o c h e i r o do t o m i l h o q u e cresça em sítios
a genciana leva 10 anos para começar a dai" h ú m i d o s . O m e s m o a c o n t e c e c o m as Uin-
flores e produzir uma raiz rica em substân- belííéras ( p o r exemplo: angélica, anis, co-
cias medicinais; a canforeira só c o m e ç a a m i n h o ) , q u e p e r d e m o seu aroma nos ter-
produzir cânfora depOio dos 30 a n o s de renos h ú m i d o s .
idade; e o castanheiro n ã o c o m e ç a a d a r
fruto antes dos 25 anos, e a n t e s dos 100 E interessante verificar c o m o cada espé-
não atinge a maturidade. cie vegetal p a r e c e ter e s c o l h i d o um am-
b i e n t e p a r a desenvolver m e l h o r o s seus
lixistem alguns princípios activos q u e só princípios activos. As plantas q u e se criam
se produzem nas plantas maduras ou com- nas m o n t a n h a s p o d e m tornar-se inactivas
pletamente desenvolvidas. É o caso dos al- q u a n d o crescem nas terras baixas costeiras
calóides, que praticamente não se encon- ( c o m o a c o n t e c e com a valeríana ou a clc-
tram nas plantas jovens. Por exemplo, a al- daleira), o vice-versa.
face tenra quase não tem substâncias acti-
vas; no entanto, q u a n d o espiga e floresce, Má p l a n t a s tropicais q u e , q u a n d o se
produz alcalóides de efeitos sedativos e transplantam para sítios t e m p e r a d o s , dei-
hipnóticos. O mesmo acontece com o acó- xam de produzir substâncias medicinais. É
nito, (pie e n q u a n t o jovem é inofensivo, o q u e a c o n t e c e c o m a á r v o r e da q u i n a ,
mas quando amadurece c o n t é m alcalóides com o guaiaco e com diversas espécies pró-
muito tóxicos q u e p o d e m p r o v o c a r a prias de climas q u e n t e s .
morte. A q u a l i d a d e do t e r r e n o t a m b é m influi
no r e n d i m e n t o das plantas: umas precisam
de solos calcários e outras de solos a r e n o -
Segundo o clima e o t e r r e n o
sos ou siliciosos. É curioso c o m o as plantas
As plantas produtoras de essências, c o m o p r o d u t o r a s de alcalóides r e n d e m mais em
as da família das I.abiadas (por e x e m p l o : solos ácidos, pois desta forma são forçadas
Cap. 2: COLHEITA E CONSERVAÇÃO

da regularmente -ou seja, é cultivada-,


produ/.em-se interessantes mudanças na
sua fisiologia, que se repercutem nas res-
pectivas propriedades medicinais. As plan-
tas cultivadas:
• Elaboram maior quantidade de hidratos
de carbono que as silvestres. Oir-sc-ia
que lhes acontece o mesmo cine às pes-
soas, que quando adquirem hábitos se-
dentários acumulam maior quantidade
de substâncias de reserva. Assim, por
Quando se sai para o exemplo, a cerejeira brava dá frutos me-
campo com crianças, deve- nos doces e menos vistosos do que a cul-
-se vigiá-las para evitar que a produzir substancias alcalinas (alcalói- tivada; e, no entanto, as cerejas bravas
sofram intoxicações des) para compensar a acidez. Por sua vez, são muito mais ricas em princípios acti-
acidentais com plantas as plantas destinadas a produzir Tolhas ren- vos medicinais.
venenosas. O melhor é dem mais em solos ricos cm nitratos, en-
ensinar-lhes as precauções quanto as que produzem sementes se de- • Reduzem o seu sabor amargo ou acre, e
que se devem ter q u a n d o tornam-se mais facilmente comestíveis.
se colhem plantas
senvolvem melhorem solos ricos em fosfa-
tos. Acontece algo assim, por exemplo, com
medicinais.
a chicória c o cardo bravo, que perdem
o seu sabor amargo característico quan-
S e g u n d o a cultura
do se cultivam; mas diminuem igual-
Quando unia planta silvestre é retirada mente as suas propriedades medicinais,
fio seu ambiente natural e posta num ter- que em grande parte dependem das
reno lavrado e adubado, e podada e rega- substâncias amargas que contêm.

Á beira dos caminhos


costumam crescer
numerosas plantas
medicinais. Mas, cuidado!
Caso se trate de caminhos
ou estradas transitadas por
automóveis, as plantas que
ali crescem têm
normalmente um elevado
nível de contaminação por
resíduos de carvão e
chumbo provenientes dos
gases de escape.
A SAÚDE PEIAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Sempre que possível, devem preferir-se


as plantas silvestres, ou então aquelas que
tenham sido cultivadas em condições tão
parecidas quanto possível com as do seu es-
tado natural. Tenha isto em conta quando
decidir plantar no seu jardim uns canteiros
de salva, de cavalinha ou de sabugueiro,
para dar apenas alguns exemplos.

Colheita
Acaba de amanhecer, e o azul límpido do
céu anuncia que irá estar um dia bom. O
Se encontrar uma planta no
leitor prepara a sua mochila. Não se es- campo, e não souber de
queceu de munir-se de um livro com boas que espécie se trata, não
ilustrações que lhe permitam identificai-as fne toquei Primeiro
plantas. Sai bem de manhã, quando o ar identifique a planta, depois
ainda está fresco, disposto a colher as suas Rábano colha-a sem destruir nem
devastar.
espécies preferidas. Quando chega ao lu-
gar escolhido, o Sol já fez notar a sua pre- Plantas que devem
sença, e o orvalho acaba de evapoiav-se. usar-se frescas
Este é justamente o momento! Aproveite
essas primeiras horas da manhã de um dia
seco c de sol, para proceder á colheita. Em algumas plantas acontece que,
logo após terem sido colhidas, se de-
sencadeiam reacções químicas estati-
Técnica da colheita zadas por enzimas, que nalguns ca-
Toda a gente é capaz de colher plantas. sos desactivam os seus princípios ac-
tivos, e noutros os transformam em
Mas, quando estas se vão usar para fins me- substâncias tóxicas, como acontece,
dicinais, terão de ser tomadas algumas pre- por exemplo, com os agriões. Por
cauções especiais, como as que a seguir se isso tém de usar-se sempre frescas.
descrevem: São as seguintes:

1. Evitar as plantas dos lugares


contaminados Planta Pág. Partes utilizadas

Infelizmente, em pleno campo também Agrião 270 Folhas, caules


pode haver contaminação química, li mui- Aliaria 560 Toda a planta
ta! Não colha as plantas que crescem em Cinoglossa 703 Folhas
determinados lugares, se quiser que a sua Cipreste 255 Frutos, madeira
tisana não se transforme num coquctel de Cocleária 356 Toda a planta
substâncias químicas venenosas.
Hera 712 Folhas
Vejamos quais são os lugares mais conta- Pilosela 504 Toda a planta
minados que devem evitar-se:
Rabanete e Rábano 393 Raiz
• As bermas das estradas: Aí abundam os Saião-curto 727 Folhas
resíduos de carvão mineral, chumbo e
outros tóxicos provenientes dos gases de Tormentila 519 Rizoma
escape dos automóveis, que podem im- Trevo-cervino 388 Folhas, raiz
pregnai os vegetais. Verbena 174 Toda a planta

47
C a p . 2: C O L H E I T A E C O N S E R V A Ç Ã O

* Conforme a duração do ciclo biológico, as plantas


herbáceas podem ser:
• Anuais: São plantas que nascem, crescem, frutificam
e morrem no prazo de um ano. Em geral, as plantas que se 4. Identificar bem as plantas
reproduzem por sementes são anuais.
• Bienais: São plantas que precisam de dois anos para Diante de qualquer planta, se tiver dúvi-
completar o seu ciclo biológico. No primeiro ano nascem das, aproxime-se calmamente da espécie
e crescem, e no segundo frutificam e morrem. São plan- em questão. Observe-ihe os pormenores.
tas bienais: aipo, alcaravia, bardana, buglossa, cenoura, Aspire-lhc o aroma. Consulte OS desenhos
dedaleira, onagra e verbasco. e fotografias do seu livro. Se persistirem as
• Vivazes: São plantas que vivem vários anos, flores- dúvidas e não conseguir identificar com
cendo em cada um deles. No entanto, as suas partes aé- certeza a espécie, abstenha-se de usá-la. Os
reas (caules, folhas, etc.) morrem todos os anos, sobre- erros podem pagar-sc muito caros.
vivendo unicamente, de ano para ano, os rizomas ou as
raízes. Quer dizer, os órgãos aéreos das plantas viva- 5. Colher sem destruir
zes são anuais, enquanto que as suas raízes vivem vá- Não arranque a planta, sempre que isso
rios anos. seja possível, 'lenha em conta que existem
As plantas lenhosas (arbustos e árvores) costumam vi- espécies protegidas (como a genciana ou a
ver desde vários até centenas ou mesmo milhares de anos. arnica), e que nos parques nacionais é
proibido colher plantas.

6. Não misturar espécies diferentes


Não é correcto juntar num mesmo cesto
• As orlas e sítios próximos dos campos ou saco espécies diferentes. K preferível
de cultura: Se estes tiverem sido pulve- utilizar um recipiente para cada espécie,
rizados com pesticidas e herbicidas, é de forma que as plantas se possam identi-
praticamente certo que as plantas em ficar com mais clareza.
volta também terão sido atingidas por
salpicos dessas substâncias químicas. Partes q u e s e c o l h e m
• Os lugares próximos de chaminés ou va- Dado que nem todas as partes de uma
zadouros de indústrias poluentes (mer- planta têm sempre interesse do ponto de
cúrio, cádmio, e t c ) . vista médico, é necessário ler em conta
uma série de indicações, segundo a parte
2. Colher apenas as plantas saudáveis e da planta que vamos apanhai".
limpas
Flores
Devem-se colher apenas as plantas sau-
dáveis e limpas. Rejeite portanto aquelas As flores colhem-se antes que a corola se
que apresentem sinais de terem sido ata- encontre completamente aberta, que é
cadas por insectos ou parasitas, ou roídas quando as pétalas contêm mais substâncias
por caracóis. Cuidado com as que possam activas. Durante o seu transporte, há que

m
ter excrementos de animais! evitar o calor e os sacos de plástico.

Folhas
3. Procurar que as plantas estejam
enxutas As lolhas colhem-se no começo da flo-
ração, mas antes que as flores se tenham
As plantas colhidas em dias húmidos ou desenvolvido, por ser esta a altura em que
chuvosos criam facilmente bolor, e são por- contêm uma maior quantidade de sucos.
tanto mais difíceis de conservar. Há por- Não se devem cortar todas, porque assim a
tanto que colhê-las quando se encontrem planta morreria. Deiíam-se fora as folhas
bem enxutas. manchadas (pode ser sinal de uma in-
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parle: G e n e r a l i d a d e s

A conservação das plantas


medicinais requer três
processos: secagem,
envasilhamento e
armazenamento.
fecção por vírus). Não se devem a m o n t o a r Casca da planta
nem enrugar, mas devem armazenai-se es-
tendidas n u m lugar plano. C o m o r e g r a geral, colhe-se a casca no
p r i n c í p i o da Primavera, s e m p r e antes da
floração, q u e é q u a n d o circula mais seiva
Caules pelos caules e ramos, e t a m b é m q u a n d o se
separa mais facilmente do tronco.
O momento ideal para c o l h e r os caules
é depois de lerem b r o t a d o as folhas, mas
Raízes e rizomas
antes de terem saído as flores.
As raízes e rizomas colhem-se no O u t o -
n o , depois de Lerem caído todas as folhas,
Sumidades ou na Primavera, q u a n d o c o m e ç a m a bro-
tar. Nas plantas bienais, o m o m e n t o ideal
As sumidades. Isto c, as extremidades flo-
é o O u t o n o do p r i m e i r o a n o . Nas plantas
ridas das plantas, rolhem-se e m p r e g a n d o
vivazes, é c o n v e n i e n t e esperar pelo segun-
uma tesoura apropriada, n ã o as p a r t i n d o
do ou terceiro a n o de vida.
com a mão. a fim de n ã o lesar ou o f e n d e r
os caules. Deve-se cortar o caule n u m pon- Antes de p r o c e d e r à sua conservação, as
to onde ainda seja tenro e n ã o mais abai- raízes e os rizomas têm de ser b e m lavados,
xo, onde se Icnhiilca e e n d u r e c e . Costuma com o Ihn de eliminar a terra e OS insectos
ser suficiente um c o m p r i m e n t o de 20 a 30 q u e possam ter a d e r e n t e s . Não convém es-
cm. fregá-los com u m a escova, para não elimi-

49
C a p . 2: C O L H E I T A E C O N S E R V A Ç Ã O
V

Amorperleito

Plantas que devem


usar-se secas

Existem plantas que contêm enzimas


(fermentos) que hidrolizam ou oxidam
nar as camadas de células superficiais, que alguns dos seus próprios componen-
podem conter princípios activos, como tes químicos, quer sejam tóxicos quer
acontece com a raiz da valeriana. inactivos, transformando-os noutros
com acção medicinal. Este processo
fermentativo é lento e tem lugar si-
multaneamente com a secagem. Por-
tanto, estas plantas devem ser usadas
Conservação secas para que tenham efeitos medi-
cinais:

Uma secagem correcta é a Como normalmente as plantas medici-


chave para uma boa nais não irão ser utilizadas imediatamente Partes utilizadas
conservação das plantas após a sua colheita, é necessário saber Amieiro-negro 526 Casca
medicinais. quais são os melhores métodos tle conser- Amor-perfeitobravo 735 Toda a planta
var-lhes as propriedades curativas.
Anémona-hepática 383 Folhas
A conservação das plantas medicinais re- Antenária 297 Flores
quer três processos: secagem, envasilha-
Aristolóquia 699 Folhas, flores, raiz
mento e armazenamento.
Asaro 432 Folhas, raiz
Asclépia 298 Raiz
1. S e c a g e m
Calumba 446 Raiz
A secagem consiste em eliminar pro- Cáscara-sagrada 528 Casca
gressivamente a humidade. Uma planta
Cinoglossa 703 Raiz
húmida é fácil presa de bactérias e fungos,
que a atacam, alterando-lhe os princípios Cravinho 192 Botões das flores
activos. Além disso, estas bactérias e fun- Epilóbio 501 Flores, raiz
gos podem produzir substâncias tóxicas. Feijoeiro 584 Vagens
As bactérias precisam de mais de 40% de Galega 632 Toda a planta
humidade para se poderem reproduzir; e Galeopse 306 Toda a planta
os fungos, de 15% a 20%. Uma planta bem
seca não costuma ter mais de 10% de hu- Gracíola 223 Toda a planta
midade, o que impede a reprodução des- Líquen-da-islândia 300 Talo
ses microrganismos. Lírio 315 Rizoma
Malmequer-dos-brejoí 665 Folhas, flores
Conselhos práticos para secar Noveleiro 642 Casca
correctamente as plantas Pimenteira 370 Frutos
• Tempo necessário: Com tempo quente, Tussilagem 341 Folhas, flores
as flores secam cm 4 a 8 dias, e as folhas
em 3 a 6 dias. Com tempo frio, podem
demorar mais alguns dias.
• A secagem nunca deve ser feita ao sol,
porque se perderiam muitos dos prin-
Não se devem colocar directamente so-
cípios activos das plantas, especialmen-
bre cimento ou tijoleira.
te as essências. Tem de fazer-se sempre
à sombra, em locais bem arejados e
• Devem dispor-sc cm camadas finas, e ser
isentos de pó.
remexidos uma ou duas vezes por dia.
• Os produtos vegetais colhidos esten-
dem-se sobre um papel ou cartão no • Não se deve utilizar papel impresso,
solo, ou então em cima de prateleiras. como o de jornal, pois os produtos quí-

50
SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

micos das tintas p o d e m passar para a


planta.
• As sumidades e as flores q u e n ã o per-
cam facilmente as suas pétalas pendu-
ram-se atadas em ramalhetes, de cabeça
para baixo, ao l o n g o cie u m a c o r d a ,
num lugar à sombra e bem arejado (por
exemplo, perto de u m a j a n e l a a b e r t a ) .
Estes ramalhetes p o d e m envolver-se
com um cone de papel, para evitara ex-
posição directa ã luz.

• Os frutos podem secar-se estendidos em


tabuleiros ou enfiados n u m um cordel.
A maior parle das plantas p o d e m tomai-
se tanto frescas c o m o secas. Má, no entan-
to, algumas que só têm eleitos medicinais
quando estão frescas, e n q u a n t o outras só
podem ser usadas depois de secas (ver as
tabelas respectivas, págs. 47, 50).

2. E n v a s i l h a m e n t o
Depois de secos, os p r o d u t o s vegetais co-
lhidos têm de ser envasilhados de maneira
que não sofram d e t c , ; oração pela acção do
ar, do sol, da humidade, do calor, ou de ou-
tros factores exteriores. Convém rotular os
recipientes em que se
armazenam as plantas, e
Conselhos práticos para o
guardá-los n u m lugar
envasilhamento escuro, fresco e seco, para
se conservarem bem os
• E preferível envasilhar os p r o d u t o s ve- seus princípios activos.
getais sem os triturar, pois assim ofere- 3. Armazenamento
cem uma m e n o r superfície sobre a qual
Os recipientes q u e c o n t ê m os p r o d u t o s
possam actuar as bactérias, os fungos c
das plantas devem conservar-se n u m lugar
as enzimas q u e os a l t e r a m ou fazem
escuro, fresco e seco. A luz, o calor e a hu-
rançar. É preferível triturá-los imediata-
m i d a d e são as principais causas de dete-
mente antes da sua utilização.
rioração.
• Utilizar recipientes de vidro, cerâmica, F, necessário verificar periodicamente o
lata, tecido ou cartão. Deve-se evitar o estado das plantas armazenadas, para de-
plástico. Não é preciso q u e a t a m p a seja tectar a t e m p o insectos, fungos, moios ou
hermética. putrefacçòes q u e possam alterar o seu va-
lor medicinal.
• É necessário rotular os recipientes com
o nome da planta c convém t a m b é m in- C o m o regra geral, as plantas medicinais
dicar o lugar da colheita e a data do en- n ã o se devem conservar d u r a n t e mais de
vasilhamento dois anos.
Guardiães ou destruidores?
Plantas ameaçadas de extinção

As plantas são imprescindíveis para a manutenção da vida Nós que, como seres humanos, deveríamos ser os guar-
neste planeta. Todos os animais e os seres humanos de- diães deste legado de diversidade biológica que nos foi con-
pendem das plantas verdes para a obtenção de alimento, fiado pelo Criador, transformamo-nos às vezes em seus des-
pois elas são os únicos seres vivos capazes de aproveitar a truidores. Segundo a União Internacional para a Conser-
energia solar para produzir hidratos de carbono, proteínas, vação da Natureza, 20% das 390 000 espécies que existem
gorduras, vitaminas e outras substâncias orgânicas. no mundo (cerca de 78 000) correm o risco de desaparecer.
A Smithsonian Institution, dos Estados Unidos, calcula que,
Acresce que as plantas contribuem de modo decisivo para das 20 000 espécies diferentes de plantas fanerogâmicas
o equilíbrio ecológico e o mantimento do meio ambiente: existentes no território continental daquele país, 10%, isto é,
evitam a erosão do solo, enriquecem a atmosfera com oxi- umas 2000, estão ameaçadas ou em perigo de extinção, ou
génio, armazenam água e fertilizam o solo. já desapareceram.

Além de tudo isto, os vegetais são também uma fonte muito Quais são as causas de semelhante extermínio de espécies
importante de substâncias medicinais. vegetais? Segundo o Livro Vermelho de espécies vegetais
ameaçadas, publicado pelo Ministério da Agricultura espa-
Cada uma das mais de 390 000 espécies vegetais que po- nhol, algumas dessas causas são as seguintes:
voam o planeta Terra constitui uma forma diferente de vida,
com genes próprios e únicos. Quando uma espécie desa- • fogos florestais;
parece ou se extingue, dá-se uma perda irreparável no pa- • desenvolvimento turístico dos litorais e das zonas monta-
trimónio biológico da humanidade. nhosas;

«Os bosques precedem as civilizações. Os desertos, seguem-nas.»


François-René Chateaubriand [1768-1848), escritor e politico francês.

Iher sem devastar

• Colher unicamente nos lu-


gares onde seja permitido;
nunca nos parques nacionais ou natu-
rais, nem nas reservas biológicas.
0
Respeitar as espécies protegidas,
por estarem em perigo de extinção
(convém obter informações previamen-
te, junto das autoridades agrícolas da
região).
• Colher apenas pequenas quantida-
des de plantas, especialmente das que
sejam pouco abundantes.
* Colher sem destruir nem arrancar
as plantas, sempre que seja possível.
Ao guardar e proteger as plantas do
nosso planeta, estamos a contribuir,
entre outras coisas,
para curar e aliviar
uma multidão de
doentes actuais e
futuros.
5 *
\
*

'''/
52
//,

• contaminação da água, do ar e do solo (por herbicidas agrí-


colas);
• colheita de espécies raras por entusiastas das plantas;
• construção de barragens, auto-estradas e estradas de ou-
tro tipo.

Poderemos imaginar a enorme perda que teria sido para a hu-


manidade se as árvores do género Cinchona, das selvas sul-
-americanas, tivessem sido arrasadas pelos buldózeres antes
de se descobrir nelas a quinina que serviu para curar tantos
doentes de paludismo? Ou se as lindas flores da família da de-
daleira tivessem sido colhidas maciçamente antes de se ter
descoberto que produziam os glicósidos cardiotónicos que têm
dado alívio a um tão grande número de doentes do coração?

Contribuamos todos com a nossa pequena parte -ou talvez


não tão pequena- para conservar, o melhor possível, as es-
pécies vegetais. E se sairmos a colhê-las, tenhamos em con-
ta as recomendações dadas na página contígua.

A foto da esquerda mostra as fantásticas cataratas do


Iguaçu, na fronteira entre o Brasil e a Argentina. Na Amé-
rica do Sul encontram-se as maiores selvas do planeta,
uma autêntica reserva vegetal que ainda encerra muitos
segredos botânicos e medicinais por descobrir. Por isso a
selva amazónica já foi definida como "a maior farmácia
do mundo".
A genciana (Gentiana lutea
L.) é uma das muitas
plantas ameaçadas de
extinção, pelo que, quando
se encontra, nunca se deve
colher.

O m u n d o vegetal poderia
existir sem os animais e sem os
seres humanos, ao que
corresponde o facto de terem
sido criados primeiro, tal como
refere o relato bíblico. No
entanto, os animais e os seres
humanos náo poderiam
sobreviver muitos dias sem as
plantas. Respeitá-las e protege-
ras faz parte do nosso dever
como habitantes do planeta
Terra.
FORMAS DE PREPARAÇÃO
E EMPREGO
SUMÁRIO DO CAPÍTULO '• ^ XISTEM diversas formas de prepa-
Ij i ar as plantas medicinais com vista
• • à sua utilização. Com todas elas se
JL^ pretende:
Banhos 65
Banhos de vapor com plantas 70 • Tornar mais fácil e exequível a adminis-
Bochechos 72 tração da planta.
Cataplasmas 68 • Aumentar a concentração de alguns dos
Clisteres 72 princípios activos da planta que, pelas
Colírios 72 suas propriedades físico-químicas parti-
Compressas 68 culares, se tornam mais facilmente solú-
Decocção 57 veis utilizando um determinado método
Extractos 63 de preparação. Por exemplo, mediante
Fomentações 70 a destilação por vapor conseguem-se ex-
Fricções 70 trair, e portanto concentrar, os óleos es-
As tinturas constituem uma Gargarejos 71 senciais.
forma clássica de Injvsâo 56
preparação das plantas • Favorecer a conservação da planta ou
medicinais.
Irrigações vaginais 73
dos seus preparados. Por exemplo, as
Lavagens oculares 72
decocções conservam-se durante mais
Linimentos 61
tempo do que os sumos frescos c inclu-
Loções 70
Maceração 57
sive do que as infusões, devido a que du-
Oculares, lavagens 72
rante a decocção o líquido fica pratica-
Pós 60 mente esterilizado.
Sumos 60 Para cada planta medicinal existem cer-
Tinturas 63 tas formas ideais de preparação e de em-
Tisanas 54 prego. E conveniente conhecê-las e saber
Unguentos 64 aplicá-las adequadamente, com o fim de
Vaginais, irrigações 73 aproveitar melhor as propriedades das
Xaropes 61 plantas ou da suas partes.

Tisanas

As tisanas ohtêm-se tratando os produtos


vegetais com água. São a forma mais po-
pular de preparar as plantas medicinais. A
água é o veículo ideal para se extrair a
maior parte dos produtos químicos pro-
duzidos pelas plantas, por se tratar de um
dissolvente universal por excelência.

54
y/y.

A arte de preparar tisanas

O 1. Colocação da parte
da planta a usar num
Nr ^ ^ recipiente adequado.
As plantas podem
estar soltas no

k^
recipiente, ou então
colocadas dentro de
um coador para
v infusões ou n u m
saquinho. O habitual
é pôr primeiro as
plantas e
seguidamente deitar-

r -Ihes a água por cima.


Mas também se pode

L
fazer o inverso.

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D '

-.

. •.- Â
. í «í

^ -J" 1 2. Escaldão das


plantas com água a
ferver.

3. Tomar a infusão depois de a


ter deixado repousar e
arrefecer em recipiente tapado,
para evitar que as essências e
outros componentes se
volatilizem com o vapor.

W
''S
55
C a p . 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

Saiiquinhos para infusões

\ Existem no comércio
numerosos prepara-
dos de plantas já prontos para
ser usados em infusões. As par- Técnica de preparação
tes da planta são fornecidas
dentro de um saquinho que ser- As infusões preparam-se seguindo os pas-
ve de filtro, já trituradas e con- sos abaixo indicados:
venientemente dosificadas. O I. Colocação: Colocar as parles a usar (fo-
modo de emprego é muito sim- lhas, flores, etc.) num recipiente de por-
ples: celana, barro cozido, vidro ou matéria
1. Colocar o saquinho numa semelhante, que resista bem á acção sú-
chávena ou copo. bita do calor. As parles das plantas a uti-
2. Deitar a água a ferver. lizar podem estar soltas dentro do reci-
3. Deixar repousar durante uns piente, ou então juntas num coador
5 minutos, tapando o recipiente para infusões, que se coloca dentro do
com um pires ou outro tipo de tampa. recipiente.
l
2. Escaldão: Verter a água acabada de fer-
ver sobre as plantas, na proporção ade-
quada.
As tisanas usam-se sobretudo paia tomar 3. Extracção: Tapar o recipiente e esperar
pela boca (via oral). Todavia lambem se durante um certo tempo para dar lugar
podem utilizar em compressas, colírios, a que se produza a extracção e disso-
loções, etc, como mais adiante se indica na lução dos princípios activos. Normal-
secção "Formas de emprego" (pág. 64). mente, bastam 5 ou 10 minutos. Quan-
to mais espessas ou duras forem as par-
As tisanas são o resultado da acção da tes das plainas utilizadas, tanto mais
água sobre os produtos vegetais. Conforme tempo será necessário para a sua ex-
se aplique essa água, são três os procedi- tracção.
mentos pelos quais se pode obter uma ti-
sana: infusão, decocção e maceração. Nos 4. Filtração: Coaras plantas, passando o lí-
três casos, deve-se começar por: quido por um coador. Caso se lenham
colocado previamente as plantas num
1. Pesar ou medir a quantidade adequada coador para infusões, dentro do reci-
de produto vegetal a utilizar. piente, basta levantá-lo e deixar escorrer
2. Esmiuçar e triturar bem as partes da o líquido.
planta a utilizar. Tal como se indica no
capítulo anterior "Colheita e conser- Conservação das infusões
vação" (ver pág. 51), as plantas devem-
-se guardar tão inteiras quanto possível, Km geral, as infusões podem conservar-
e esmiuçar no momento em que vão ser -se durante cerca de doze horas. Preparam-
utilizadas. Desta forma, conservam me- -se logo de manhã e vão-se tomando ao
lhor as suas propriedades. longo do dia. Se o ambiente íov muito
quente, O mais aconselhável é guardá-las
Infusão no frigorífico. Podem ser aquecidas nova-
mente, mas sem chegar a ferver. Não se de-
A infusão é o procedimento ideal para
veriam tomar infusões que lenham sido
obter tisanas das partes delicadas das plan-
preparadas com mais de 21 horas de ante-
tas: folhas, flores, sumidades e caules ten-
cedência.
ros. Com a infusão cxirai-se uma grande
quantidade de substâncias activas, com
muito pouca alteração da sua estrutura Decocção
química e, portanto, conservando-se o má- A decocção utiliza-se paia preparar tisa-
ximo das propriedades. nas â base de partes duras das plantas (ia-
A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS

1* P a r t e : G e n e r a d a d e s V..

É iceração em azeite

} Enche-se um frasco com as par-


tes da planta a macerar, e cobre-
se com um óleo, de preferência o azeite.
Deixa-se repousar durante vários dias ou
semanas, conforme a planta.
Com esta técnica obtêm-se óleos de hipe-
ricão, alfazema, maravilha, urucu, açuce-
na, arnica e loureiro, entre outras plantas.
Os óleos assim obtidos usam-se sobretu-
do em aplicação local sobre a pele. Desta
forma se aproveitam as propriedades
emolientes (suavizantes) do óleo sobre a
pele, além da acção especifica da planta
utilizada.
Na página 627 ilustra-se a preparação do
óleo de calêndula ou maravilha.

ízes, rizomas, casca, s e m e n t e s ) , q u e preci- Maceração


sam de sor mantidas em ebulição para li-
bertar os seus p r i n c í p i o s activos. A d e - A m a c e r a ç ã o consiste na extracção dos
cocçao apresenta o inconveniente de q u e princípios activos de u m a planta ou p a r t e
alguns dos p r i n c í p i o s activos p o d e m de- dela, á t e m p e r a t u r a a m b i e n t e , utilizando a
gradar-sc pela acção p r o l o n g a d a do calor. água c o m o dissolvente ( t a m b é m se p o d e
fazer c o m álcool ou azeite). Trata-se sim-
plesmente de "pôr de m o l h o " , tão b e m tri-
Técnica da decocçao turadas q u a n t o possível, as partes das plan-
Uma d e c o c ç a o deve preparar-se do se- tas a utilizar.
guinte m o d o : A m a c e r a ç ã o é o m é t o d o preferível para II •

1. Colocação: Colocar o p r o d u t o n u m re- os seguintes casos:


cipiente a d e q u a d o , com a p r o p o r ç ã o de • Plantas cujos princípios activos se des-
água requerida. truam com o calor.
2. Cocção: Ferver d u r a n t e 3 a 15 minutos, • Plantas muito ricas em taninos. Q u a n d o A infusão, a decocçao e a
em lume b r a n d o . se t o m a m p o r via oral, um excesso de ta- maceração têm em comum
ninos dá à infusão um gosto a m a r g o ou utilizar-se a água como
3. Deixar repousar d u r a n t e alguns minu- agente extractor. Por isso se
áspero. A maceração tem a vantagem de agrupam estes três
tos. extrair a maior parte dos princípios ac- métodos sob o nome
•1. Filtrar com um coador. tivos, d e i x a n d o os taninos na planta. genérico de tisanas.
Os processos fisico-quimicos
Técnica da maceração pelos quais a água extrai os
Conservação das decocções princípios activos das
Para fazer u m a m a c e r a ç ã o , procede-se plantas sáo diferentes em
Dado terem sido fervidas, as d e c o c ç õ e s cada caso, mas o resultado
conservam-se d u r a n t e mais t e m p o do q u e d o seguinte m o d o :
final é muito semelhante.
as infusões, especialmente se forem guar- 1. Colocar as parles a utilizar, com a pro-
dadas no frigorífico. Podem ulili/ar-se du- p o r ç ã o de água r e q u e r i d a (à t e m p e r a -
rante vários dias, se bem q u e não convenha tura a m b i e n t e ) , n u m recipiente o p a c o
deixar passai mais de u m a semana. (que não deixe passar a luz).

h/
C a p . 3: FORMAS DE P R E P A R A Ç Ã O E EMPREGO

Dosagem das tisanas


Folhas ou Raízes ou
Volume
flores secas* rizomas secos*
Uma colher de café = 5 ml lg 3g
Uma colher de sobremesa = 10 ml 2g 5g
D o s e a m e n t o das tisanas
Uma colher de sopa = 15 ml 4g 10 g
Uma pitada (o que se apanha entre o Em geral, as plantas medicinais não exi-
0,5 g 1.5 g
indicador e o polegar) = 2 ml gem um doseamento tão rigoroso como os
Um punhado = 20 ml 5g 12 g medicamentos. Dada a ampla margem de
'Quantidades aproximadas tolerância da maior parte delas (ver pág.
102), na generalidade não é necessário me-
dir com exactidão o peso de planta que se
utiliza numa tisana nem o volume que se
toma.
Na análise particular de cada planta, por-
menorizam-se as respectivas doses. No en-
tanto, em geral, podemos dizer que, para
um adulto, são as seguintes:
• Infusões: de 20 a 80 g de planta seca por
litro de água, o que equivale aproxima-
damente a uma colher de sobremesa
(2 g) por chávena de água (150 ml).
• Decocções e macerações: de 50 a 50 g
por litro de água.
O habitual, para um adulto, é tomar de
3 a 5 chávenas de tisana por dia (uma chá-
vena = 150 ml).
Uma medida de planta seca
equivale a 3 ou 4 de planta 2. Deixar repousar num lugar fresco, ao Em todo o texto desta obra, caso não se
fresca abrigo do sol. Remexer de vez em quan- indique o contrário, as quantidades reco-
do. mendadas referem-se sempre a plantas se-
cas. Quando se utiliza a planta fresca, é ne-
3. Se a maceração For de partes moles (fo- cessário empregar uma quantidade 3 a 4
lhas, flores, e t c ) , bastam 12 horas. vezes maior para obter o mesmo efeito que
Quando se trate de partes duras (raízes, com a planta seca.
casca, sementes, e t c ) , tem de se esperar
24 horas. Tempos mais longos podem
dar origem a fermentação ou ao apare- Doses infantis
cimento de bolor. Para as crianças preparam-se tisanas mais
4. Filtrar com um coador. diluídas (com menos quantidade de plan-
ta); ou então podem preparar-se com igual
5. O líquido resultante da maceração pode concentração, em cujo caso se administra
ser aquecido suavemente antes de se to- uma quantidade menor de tisana em cada
mai". toma. A dose infantil reduz-se proporcio-
nalmente segundo a idade:
Conservação das macerações • Idade escolar ((> a 12 anos): a metade íla
dose que para um adulto.
As macerações podem conservar-se du-
rante bastante tempo (até um mês), espe- • Idade pré-escolar (de 2 a 0 anos): um
cialmente quando o líquido extractor uti- terço da dose dos adultos.
lizado como dissolvente for o azeite ou o • Crianças até 2 anos: fie um quarto a um
álcool em Lugar íla água. oitavo da dose de adulto.
A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

As tisanas preparadas com


a mistura de várias plantas
podem dar um resultado
positivo, mas é preciso ter-
-se a certeza de que as
diversas plantas usadas
combinam adequadamente
umas com as outras.
Na segunda parte desta
obra, apresentam-se tabelas
de plantas para diversas
afecções, que se combinam
favoraveJmente.

As crianças devem admín istrar-.se unica- grande valor nutritivo. Caso não se dis-
mente plantas isentas de qualquer tipo de ponha de mel, pode-se usar em substi-
efeitos tóxicos. tuição açúcar escuro, melaço (mel de
cana) ou xarope de bordo, que também
são ricos em minerais e vitaminas, e supe-
Quando e c o m o adoçar as tisanas?
riores em propriedades ao açúcar branco.
O preferível é tomar as tisanas no seu es- Umas gotas de sumo ou um pouco de
tado natural, sem as adoçar. Contudo, nal- casca de limão podem também melhorar o
guns casos pode ser conveniente adoçá-las: sabor de algumas tisanas.
• Quando se trate de plantas de gosto Porque não fazer tudo o que seja possí-
muito desagradável. vel para converter a nossa medicina num
• Quando sejam tisanas para as crianças, prazer?
excepto no caso de se pretender um
eleito vermífugo (expulsão de parasitas Tisanas d e u m a o u d e várias
intestinais). Neste caso concreto não é plantas?
conveniente administrar açúcar ou mel,
A mistura de vários tipos de plantas
pois estes produtos favorecem o desen-
numa mesma tisana pode ter efeitos posi-
volvimento dos vermes.
tivos se essas plantas se combinarem ade-
• Quando se administrem a doentes con- quadamente, tendo em conta a sua com-
valescentes ou debilitados. posição e as suas propriedades.
Não convém adoçar as tisanas que, pelo Todas as plantas que se recomendam
seu efeito aperitivo, se ingerem antes das para cada doença nas tabelas da segunda
refeições, já que os açúcares podem dimi- parte desta obra (por exemplo págs. 129-
nuir a sensação de fome. Também deverão 130, 140-144, etc.) podem ser combinadas
abster-se de adoçá-las os diabéticos, que em entre si.
caso de necessidade podem usar edulco- A mistura de várias plantas tem a vanta-
rantes químicos. gem de que os possíveis efeitos indesejáveis
Quando se decida adoçar uma tisana, o de cada uma delas (mau sabor, intolerân-
mel é o produto ideal E proveniente das flo- cia digestiva), ficam atenuados. Mas nem
res e contém sais minerais e vitaminas de sempre é necessário misturar as plantas.
W.J& . , w

Os sumos frescos das


plantas constituem a forma
de preparação mais rica em
vitaminas, enzimas e outros Uma única planta, bem aplicada, pode Sumos
princípios activos. No exercer maiores efeitos que a mistura de
entanto devem tomar-se várias, se não forem bem combinadas. Devem-se preparar com a planta fresca
acabados de fazer, para que
conservem todas as suas recém-colhida, esmagando-a num almofa-
propriedades. riz e filtrando-a seguidamente. Também se
podem obter por meio de uma liquidilica-
dora eléctrica.
Outras formas de preparação
Os sumos, também chamados sucos, po-
dem-se obter tanto das plantas herbáceas
como dos frutos. O sumo das folhas do
Além das simples tisanas, existem outras aloés é muito apreciado como aperitivo e
formas de preparar as plantas medicinais digestivo.
que requerem conhecimentos e instru-
mentos especializados, próprios da pro-
Os sumos têm a vantagem de conter to-
fissão farmacêutica. São as chamadas "pre-
dos os princípios activos sem degradar, es-
parações gaíénicas" em honra do médico
pecialmente, as vitaminas. Todavia muitos
grego do século II d.C, ou também "pre-
deles deverão tomar-se em doses reduzi-
parações oficinais", porque se fazem nas
das, a pequenas colheradas, pois podem
"oficinas" (laboratórios) de farmácia.
tomar-se um tanto fortes para os estôma-
gos delicados. Km certos casos pode ser
No entanto, algumas destas formas de conveniente diluí-los com água. Muitos de-
preparação, como os sumos ou os xaropes, les são usados para fazer xaropes.
também podem fa/.er-se em casa, com
meios mais simples. Expomos seguida- Em nenhum caso se deve fazer sumo das
mente as formas de preparação mais utili- plantas que apenas se devam consumir se-
zadas em fitoterapia. cas (ver pág. 50).

60
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 * Parte: G e n e r a l i d a d Y

Pós
Para a obtenção de pó com fins medici-
nais, as partes da planta a utilizar deixam-
-se secar d u r a n t e mais t e m p o do q u e o ha-
bitual, e depois trituram-se reduzindo-as a
pó. Pode-se o b t e r pó m e d i c i n a l de u m a
plaina a partir das sua.s folhas (por exem-
plo, da dedaleira ou do sene-da-índia), das
sumidades floridas (absinto, l ú p u l o ) , da
casca (cascara-sagrada, salguei r o - b r a n c o ) ,
dos frutos (coentro), e s o b r e t u d o das raí-
zes (ginseng, harpagófito, jalapa, polígala-
•da-virgínia, violeta, e t c , c t c ) .
0 pó oferece as seguintes vantagens:
1. Aprovcitam-sc ao máximo os princípios
activos da planta, especialmente q u a n d o
se trate de partes duras c o m o as raízes.
2. Permitem um d o s e a m e n t o mais exacto,
como se exige, por e x e m p l o , no caso de
plantas p o t e n c i a l m e n t e tóxicas ( d e d a -
leira, rauvólfia) q u e se e m p r e g a m em
doses muito p e q u e n a s ( d e a l g u n s gra-
mas, ou m e s m o de miligramas).
Os xaropes preparam-se
adicionando mel ou açúcar
Formas de administração do pó (de preferência não
O pó medicinal pode-se administrar das plantas, facilitando p o r t a n t o a sua in- refinado) a uma infusão ou
gestão. Tornam-se de grande utilidade decocção mais concentrada
seguintes formas: do que o normal, ou
para administrar às crianças pequenas.
• Em infusão ( p o r e x e m p l o : c a n e l e i r a , também a um sumo de
S e m p r e q u e seja possível, os x a r o p e s de- frutos. Geralmente os
ginseng, lúpulo, sene-da-índia), verten- xaropes preparam-se a
do-se-lhe água q u e n t e p o r cima. vem preparar-sc c o m mel, pois desta ma-
50%, isto é. acrescentando
neira se acrescentam as suas p r o p r i e d a d e s o mesmo peso de açúcar
• Aspirando-o pelo nariz c o m o estei titua-
peitorais e tonificantes às próprias da plan- ou de mel que de infusão
tório (ásaro, betónica) ou c o m o hemos-
ta. Na falta de mel, pode-se usar açúcar es- ou de frutos.
tático contra as hemorragias nasais (fo-
curo. Para a preparação, a mistura deve ser
lhas da videira). Aquecer a mistura facilita a
aquecida em lume b r a n d o . Facilita-se assim dissolução dos açúcares.
• Misturado com mel, c o n s t i t u i n d o u m a a dissolução dos açúcares.
Na página 295 explica-se a
pasta (abrótauo-lêinea, absinto, coen-
A maior parte dos xaropes utiliza-se em preparação do xarope de
tro). cebola, contra a tosse.
caso de afecções respiratórias ( p o r exem-
• Misturado com azeite p a i a aplicação ex- plo: p a p o i l a , c e b o l a , i p e c a c u a n h a , sabu-
terna emoliente (sementes de u r u c u ) . gueiro, violeta). Os q u e se- p r e p a r a m com
frutos têm p r o p r i e d a d e s tonificantes, res-
Xaropes frescantes e vitamínicas ( p o r e x e m p l o os
de bérberis, framboesa, groselha ou silva).
Os xaropes consistem em soluções con-
centradas de açúcares com s u m o s ou ou- Os diabéticos devem abster-se de ingerir
tras partes da planta. T ê m a vantagem de xaropes, devido ao seu forte c o n t e ú d o de
disfarçar o sabor desagradável de muitas açúcar.

61
y/,.

Vantagens e inconvenientes
dos extractos
Os extractos constituem uma forma artificial de preparar as plantas medicinais, com
as suas vantagens e inconvenientes que convém conhecer.

Vantagens: Inconvenientes:
Maior concentração: Com o extracto consegue-se Maior risco de toxicidade: Desde o momento em que
uma maior concentração de certos princípios activos se altera o equilíbrio natural dos componentes de uma
da planta, precisamente os que são solúveis no dis- planta, extraindo ou purificando alguns dos seus prin-
solvente empregado para a extracção. Isto faz que o cípios activos, aumenta o risco de se produzirem efei-
extracto tenha, em geral, uma acção mais potente tos tóxicos. Portanto, as doses de extractos devem ser
que a da planta inteira. cuidadosamente respeitadas. Existem duas razões
Maior disponibilidade: O extracto pode estar dispo- para isso:
nível em qualquer época do ano e em qualquer mo-
1. Maior concentração de determinados componen-
mento do dia, sendo o seu uso tão fácil como tomar
umas gotas. Pelo contrário, preparar um sumo fresco tes (os princípios activos).
ou uma infusão de plantas não está sempre ao nosso 2. A falta de outros componentes que acompanham
alcance. os princípios activos da planta no seu estado natu-
ral, cuja função é precisamente a de compensar ou
diminuir os possíveis efeitos tóxicos dos princípios
activos.
Isto explica, por exemplo, o facto de que as essências
(extractos muito concentrados) tenham de ser usadas
com grande precaução, especialmente quando são in-
geridas, pois podem produzir facilmente intoxicações
(ver pág. 97).
Maior possibilidade de degradação dos princípios
activos: Se o extracto não tiver sido obtido num labo-
ratório especializado e pelos métodos correctos, corre-
-se o risco de destruir certos princípios activos da plan-
ta sensíveis ao calor ou aos dissolventes utilizados.
Presença de dissolventes: O dissolvente que mais
se emprega é o álcool etílico. Os restos dele que po-
dem ficar no extracto representam um inconveniente
para as crianças e para determinadas pessoas a quem
o álcool se torna especialmente nocivo, mesmo em do-
ses pequenas.

Os extractos de plantas medicinais


devem ser considerados como
fármacos para todos os efeitos, tanto
q u a n t o às suas vantagens como
quanto aos seus possíveis efeitos
indesejáveis.

''//•
62
A SAÚDE PELAS F L A U T A S M E D I C I N A I S

1 •" Porte: G e n e r a l i d a d e - . V

Linimentos
Os linimentos são u m a mistura
(emulsão) de extractos de plainas medici-
nais com a/.eite e / o u álcool, de fraca con-
sistência, que se aplicam s o b r e a pele
acompanhados de u m a massagem suave.
ÂSsubstâncias activas peneiram nos tecidos
profundos. Os linimentos usam-se sobre-
luclo nas afecções reumáticas e musculares.

Extractos
Os extractos obtêm-se pela acção de um
dissolvente sobre as p a n e s activas da plan-
ta. No fim pode eliminar-se o dissolvente,
ficando unicamente os princípios activos
da planta. Como dissolventes utilizam-se o
álcool etílico, o propilenglicol, o éter, a gli-
cerina, diversos óleos e a água.

Tipos de extractos
O líquido extractivo resultante p o d e con-
centrar-se em diferentes graus, com o q u e
se obtêm diferentes tipos de extractos:
u m a c o r r e n t e de ar a alta t e m p e r a t u r a .
• Extractos líquidos: têm a consistência de Deste m o d o se c o n s e g u e q u e o dissol-
um líquido ligeiramente espesso. vente se evapore de forma rápida e de-
• Extractos fluidos: têm a consistência do sapareça por c o m p l e t o .
mel fresco. São os mais utilizados, devi-
do à sua facilidade de uso e à sua boa
Tinturas
conservação. Nos e x t r a c t o s fluidos, o
peso do produto obtido é o m e s m o q u e As tinturas são soluções alcoólicas com
o da planta seca utilizada para a sua ob- q u e se consegue u m a concentração muito
tenção. alta de certos princípios activos da planta,
• Extractos moles: têm consistência pas- precisamente os q u e são solúveis em álcool.
tosa, s e m e l h a n t e à do mel. ( ' o n t e m Preparam-se d e i x a n d o m a c e r a r a planta,
como máximo 2 0 % de água. bem seca e triturada, em álcool, à tempera-
tura ambiente, d u r a n t e dois ou três dias, ou
• Extractos secos: p o d e m ser reduzidos a até 15 dias c o m o no caso da arnica.
pó. Contém c o m o m á x i m o 5% de água.
A sua vantagem é a g r a n d e c o n c e n - I lá dois motivos pelos quais as tinturas se
Os usos externos são a
tração de princípios activos q u e a p r e - devem usar com grande precaução: forma mais segura de
sentam (I g de extracto seco equivale a aplicar as tinturas.
1. A sua elevada concentração de determi-
5 g d a planta). Ingeridas por via oral,
nados princípios activos. Por isso, não s<- devem ser empregadas com
• Ncbulizados: V. u m a das técnicas mais deve ultrapassar a dose prescrita, q u e muita precaução, dado o
modernas para a o b t e n ç ã o de extractos. n o r m a l m e n t e é de 15 a 25 gotas (de 3 a seu conteúdo alcoólico.
Consisto em atomizar ou vaporizar a so- 7 para as crianças pequenas) dissolvidas
lução extractiva e submetê-la e n t ã o a em água, três vezes ao dia.

G3
Cap. 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

O unguento popúleo, que se prepara


com os brotos tenros rio choupo-negro,
tem um eleito muito benéfico contra as he-
morróidas (ver pág. 760). Os unguentos de
meimendro e de acónito, plantas tóxicas
por via interna, usaram-se durante muito
tempo como calmantes de nevralgias, ciá-
ticas e dores rebeldes.

Formas de emprego

Chegado o momento de utilizar uma


planta ou algum dos preparados elabora-
dos com plantas, distinguimos:
Nos unguentos, pomadas e
• Uso interno: Quando se ingere pela
cremes, os princípios boca. passando ao estômago e ao resto
activos acham-se 2. O seu conteúdo alcoólico: Mm hora a do aparelho digestivo. Dali exerce a sua
dissolvidos n u m excipiente quantidade de álcool que se ingere ao acção, quer deixando-se absorver e pas-
gorduroso, o que facilita a tomar umas golas de tintura não seja sando ao sangue, quer actuando direc-
sua absorção pela pele. muito elevada, pode ser suficiente paia tamente sobre a parede do tubo digesti-
produzir intolerância digestiva em pes- vo (como a libra ou as mucilagens de al-
soas sensíveis. As tinturas são contra-in- gumas plantas).
dicadas em caso de afecções hepáticas.
Internamente empregam-se as tisanas
Em geral, recomendamos que as tinturas (infusão, decocção ou maceração), e
se administrem unicamente em doentes também os óleos, xaropes, sumos, pós,
com padecimentos muito concretos, e sem- tinturas e outros preparados farmacêu-
pre sob indicação e vigilância médica. Em ticos galénicos.
nenhum caso se devem administrar a crian-
• Uso externo: Quando a planta ou os
ças pequenas. O mais recomendável é uti-
seus preparados se aplicam sobre a pele
lizá-las unicamente por via externa, como
ou as cavidades do organismo (boca, ou-
por exemplo as de acónito, alecrim, arnica
vido, vagina, etc.) sem passar ao tubo di-
ou cânhamo.
gestivo.
Para uso externo empregam-se as mes-
Unguentos mas tisanas, sumos, óleos e outras prepa-
Nos unguentos, os princípios activos cu- rações que paia o uso interno, embora
cou tram-se dissolvidos numa substância convenha que sejam mais concentradas
gorda. As gorduras mais usadas tradicio- Má que terem conta que muitas substân-
nalmente têm sido a vaselina, o azeite, a la- cias activas das plantas podem absorver-se
nolina e o sebo animal. Os unguentos são pela pele, quando se aplicam por via ex-
sólidos à temperatura ambiente, e amole- terna, passando assim ao sangue. Portanto,
cem quando se estendem sobre a pele com as plantas potencialmente tóxicas devem
uma fricção suave. As pomadas e os cremes ser aplicadas com prudência, mesmo em
preparam-se com outros excipientes gor- uso externo. Assim acontece, por exemplo,
dos elaborados pela indústria farmacêuti- com as pomadas e unguentos de acónito,
ca moderna. meimendro. cânhamo OU cicuta, utilizados

64
k SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 ° Parte: G e n e r a l i d a d e s y

Alecrim

r Plantas para utilizar em banhos

Para um banho com plantas medicinais, preparam-se 2-3 litros


de uma infusão ou decocção concentrada (40-80 g de planta por litro de
água). Deita-se a dita infusão ou decocção na banheira ao mesmo tempo que
desde a antiguidade para acalmar nevral- se coa, misturando-a com a agua do banho. Em vez de infusão ou decocção,
gias e dores reumáticas. podem usar-se 5 a 10 gotas de essência da planta.

Os banhos, clisteres, f o m e n t a ç õ e s , ba-


nhos de vapor e o n d a s aplicações cie hi-
droterapia, já têm em si mesmos efeitos cu- Planta Pág. Parte utilizada Acção
rativos, ainda q u e se laçam u n i c a m e n t e Abrótano-fêmea 470 Sumidades (infusão) Emoliente, relaxante e sedante
com água. Q u a n d o se fazem com unia ti- Alecrim 674 Sumidades floridas (infusão Tonificante
sana ou outra p r e p a r a ç ã o de p l a n t a s , os
Alfazema 161 Agua ou essência Relaxante e repousante
eleitos medicinais próprios destas plantas
somain-se aos da água, com o q u e se ganha Cálamo-aromático 424 Rizoma (decocção) Sedante em caso de insónia
cm eficiência. Camomila 364 Capítulos florais (infusão) Relaxante
Manjerona 369 Essência Anti-reumática e tonilicante

Banhos Maravilha 626 Óleo Suavizante da pele


Salva 638 Folhas (decocção) Embeleza a pele
Um banho consiste na imersão completa
Tomilho 769 Sumidades floridas (infusão Tonificante e anti-reumática
ou parcial do corpo em água, a q u e se po-
dem acrescentar p r e p a r a d o s de p l a n t a s Trevo-dos-prados 340 Flores e folhas (decocção) Suavizante da pele
medicinais, c o m o por exemplo:
• Infusões ou d e c o c ç õ e s c o n c e n t r a d a s :
Como norma geral, uma infusão ou de- As p e r n a s e a p a r t e s u p e r i o r do c o r p o
cocção para acrescentar posteriormente n ã o devem estar em contacto com a água.
à água do b a n h o p o d e fa/er-se com 40- O ideal é utilizar u m a b a n h e i r a especial
-80 g da planta (dois ou três p u n h a d o s para b a n h o s de assento, e m b o r a estes tam-
grandes) por cada litro de água. Para b é m se possam tomar n u m bidé, n u m a ba-
uma banheira de t a m a n h o normal, cos- cia larga, ou sentando-se n u m a b a n h e i r a
tuma ser suficiente preparar dois ou três com as pernas encolhidas E n q u a n t o se
litros de infusão ou decocção. U m a vez toma o b a n h o , deve-se friccionar suave-
coada, acrescenta-se à água da banheira. m e n t e o baixo v e n t r e ( a n a t o m i c a m e n t e
• Essências: Costuma ser suficiente utili- c h a m a d o hipogástrio) c o m u m a esponja
zar de "•> a 10 gotas de essência, dissolvi- ou um p a n o de algodão.
das na água da banheira. Os b a n h o s de assento p r o d u z e m um es-
Os banhos usam-sc e s p e c i a l m e n t e pelo tímulo circulatório na parle inferior do ab-
sen efeito anii-reumático, relaxante e seda- d ó m e n , q u e tem efeitos favoráveis sobre as
tivo (por exemplo, com abrótano-fêmea, al- vísceras q u e ali se alojam: intestino grosso,
fazema, cálamo-aromático, manjerona, tre- bexiga e órgãos genitais internos. Além dis-
vo). O banho com cálamo-aromático t o m a - so, actuam directamente sobre a pele e mu- Utensílios necessários para
te especialmente útil contra a insónia. cosas e x t e r n a s d o s ó r g ã o s genitais e do se preparar um banho de
assento: banheira, infusão
â n u s . T o r n a m - s e m u i t o eficazes nos se- ou decocção da planta para
Banhos de assento guintes casos: ser adicionada ã água,
coador e esponja ou luva
Para tomar um b a n h o de assento c o m • Afecções do ânus e do r e c t o , c o m o as de banho.
plantas medicinais, p r e p a r a m - s c um ou h e m o r r ó i d a s ou a fissura do ânus.
dois litros da decocção ou infusão a utilizar • Cistites e infecções urinárias.
(que g e r a l m e n t e é mais c o n c e n t r a d a do
que aquela q u e se utiliza para ingerir), e • Afecções da próstata.
despejani-se n u m a banheira, acrescentan- • Transtornos ginecológicos em geral, mas
do a água necessária até se atingir o nível em especial as regras dolorosas e as in-
do baixo ventre, por debaixo do u m b i g o . fecções genitais femininas.

bb
C a p . 3: FORMAS DE P R E P A R A Ç Ã O E E M P R E G O
f/

Plantas para utilizar em banhos de assento

Os banhos de assento com plantas medicinais são muito recomendáveis para as afecções do ânus e do recto, dos
órgãos urinários inferiores (bexiga e uretra), assim como dos órgãos genitais. Tomam-se tépidos ou frios, excep-
to quando baia espasmos abdominais ou fissura anal, casos em que devem tomar-se quentes.

Planta Pág. Preparação Indicações Acção Observações


Decocção com 100 g de sementes
Desinflama-as e Também se aplica em forma de
Alforva 474 trituradas (ou de farinha) por litro de água.
Hemorróidas redu-las cataplasma fria sobre o ânus
Deixar ferver durante um quarto de hora
Também se pode usar
Decocção com 30-40 g de folhas e casca Sedante e
Aveleira 253 empapando compressas
de ramos jovens por litro de água Hemorróidas anti-inflamatória
que se aplicam sobre o ânus
Decocção com um punhado de folhas,
Anti-séptica
Cardo-santo 444 caules e/ou flores de cardo-santo, Hemorróidas
por cada litro de água e cicatrizante

Cicatriza e detém a 0 banho de assento deve ser


208 Decocção com 60-80 g de casca Hemorróidas pequena hemorragia quente, de uns 10 minutos de
Carvalho
por litro de água e fissuras anais que as acompanha duração

Decocção de 50 g de casca de ramos Acalma a dor e reduz


251 Hemorróidas
da-índia jovens e/ou sementes por litro de água as hemorróidas

Infusão com 30-50 g de flores ou de frutos Transtornos Regula e normaliza


Chagas 772 0 banho tem de ser quente
por cada litro de água menstruais as regas

Reduz-lhes o tamanho
Decocção com 50 g de gálbulos (frutos)
Cipreste 255 Hemorróidas e alivia a dor que
por litro de água produzem

Decocção com 20 g de planta Acalma a dor e Também se aplica em forma de


Escrofulária 543 Hemorróidas
por litro de água reduz-lhes o tamanho compressas sobre o ânus

Decocção com 100 g de folhas e/ou Cicatrizante Recomendam-se duas ou três


Nogueira 505 Hemorróidas
nogalina (cascas verdes) por litro de água e anti-inflamatória aplicações por dia

Decocção com 30-40 g de casca da raiz Hemorróidas e Anti-inflamatória


Ratània 196
por litro de água infecções genitais e adstringente

Decocção com 50-80 g de folhas e brotos Desinflama-as Aplica-se também em forma de


Silva 541 Hemorróidas
de silva por litro de água e evita que sangrem compressas sobre o ânus

Decocção com 50-100 g de planta Também se pode usar em


Tanchagem 325 Hemorróidas Desinflama os tecidos
por litro de água clisteres

N o r m a l m e n t e o s b a n h o s d e assento to- Fissura anal: esta afecção caiai teri/.a-se


nnam-se com água fria ou morna, a m e n o s pela d o r ao defecai, q u e nalguns casos
que se Indique o c o n t r á r i o . Desta forma se é a c o m p a n h a d a da emissão de algumas
o b t é m um m a i o r efeito tonificante. No en- gotas de s a n g u e . Não se deve confundir
t a n t o , existem casos em q u e é preferível c o m as hemorróidas. Em caso de fissu-
usar água quente: ra convém aplicar banhos de assento
• Espasmos abdominais: c a u s a d o s , p o r quentes, enquanto que. quando se tra-
e x e m p l o , p o r cólicas digestivas, cistites te de hemorróidas, se recomenda que a
«ni d i s m e n o r r e i a (regias dolorosas). água esteja fria.

66
A SAÚDE P E U S PLANTAS MEDICINAIS
a
I Parte: G e n e r a l i d a d e s

Os banhos de assento com plantas


medicinais podem-se preparar facilmente
em casa, como se expõe na página 65.

Os banhos quentes aos pés


(pedilúvios) sáo muito
eficazes para
descongestionar a cabeça
em caso de constipação ou
gripe.

Os banhos às mãos
(manilúvios) dão resultados
muito bons contra as
A duração de um b a n h o de assento deve Banhos às mãos (manilúvios) frieiras.
ser curta (inferior a 3 minutos) caso se faça
com água fria, e n q u a n t o p o d e c h e g a r aos Ou manilúvios, ou banhos às mãos, apli-
10 minutos se a água for m o r n a ou q u e n t e . cam-se c o m êxito p a r a m e l h o r a r a circu-
Normalmente tomam-se u m o u dois p o r lação s a n g u í n e a nas e x t r e m i d a d e s s u p e -
dia, ou mesmo três. E conveniente renovar riores. Devem tomar-se tépidos ou p o u c o
todas as vezes a água. q u e n t e s . Para fazer d e s a p a r e c e r o eritema
p é r n i o (frieiras) e as mãos frias e arroxea-
Banhos aos pés (pedilúvios) das devidos a espasmos das artérias, reco-
m e n d a m - s e os manilúvios de g i n k g o (ver
Os pedilúvios, ou b a n h o s aos pés, quan- pág.234).
do se t o m a m q u e n t e s , t o r n a m - s e m u i t o
úteis para aliviai - as d o r e s de cabeça, (es-
pecialmente se se juntar à água farinha de Cataplasmas
mostarda), e para m e l h o r a r a circulação
nas pemas (com Tolhas de videira ou de ur- A.s cataplasmas p o d e m preparar-se de di-
tiga-branca, por e x e m p l o ) . Fa/.em-se nor- versas maneiras:
malmente a c r e s c e n t a n d o aos 3 ou 5 litros • Com farinha de sementes (linho, mos-
necessários para o pedilúvio, um litro da tarda, alforva): Amassa-se a farinha com
mesma infusão ou d e c o c ç ã o q u e se reco- água até formar u m a pasta uniforme e
menda tomar pela boca. fluida. Seguidamente aquece-se num re-

67
Cap. 3: fORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO
/

As cataplasmas de plantas
medicinais exercem um
grande efeito anti-
-inflamatório sobre a pele e
os tecidos profundos.

tites, dores menstruais, ele. (grãos de


milho, linho, tomilho).
• Peitorais e anti-inflamatórias: O protó-
tipo destas compressas é a que se prepa-
ra com farinha de linhaça (sementes de
linho). Pode-se acresc cniar-lhes um
pouco de mostarda para que tenham,
além disso, eleito revulsivo.
• Revulsivas: Atraem o sangue para a
pele, descongestionando os órgãos in-
ternos. Prescrevem-se sobretudo em
afecções reumáticas. Preparam-se, por
exemplo, com malmequer-dos-brejos,
urtigas, mostarda ou arruda.

Técnica de aplicação das cataplasmas


Na aplicação tias cataplasmas convém ler
em conta <> seguinte:
• Temperatura: As cataplasmas aplicam-se
cipiente, agitando-se sempre, até que quentes, entre 40° e 50°C. Uma forma
adquira uma consistência pastosa. Apli- prática de conseguir isto é aquecê-las
ca-se sobre a pele com uma espessura de com um ferro de engomar, durante al-
um ou dois centímetros, protegida com guns minutos, envolvidas numa fronha
um pano de algodão ou de flanela. ou num pano.
• Com folhas ou raízes de plantas frescas • Protecção da pele: As cataplasmas com
esmagadas (agrião, bardaria, cebola, con- efeito revulsivo, especialmente as que
As compressas aplicam-se solda, couve): Esmagam-se num almofa- contenham farinha de mostarda, cha-
empapando um pano n u m riz até obter uma papa uniforme, que se madas sinapismos, podem provocar irri-
liquido obtido a partir da estende sobre um pano e se aplica fria ou tação na pele, pelo que devem envolver-
planta medicinal (tisana,
sumo, e t c ) .
quente, conforme seja necessário. -se cuidadosamente num pano de flane-
la. Pata as restantes basta uma gaze.
• Com frutos (morangos, figos), esmaga-
dos e envolvidos num pano. • Duração: de 5 a 10 minutos. É melhor
fazer várias aplicações cúrias ao longo
Utilidade das cataplasmas do dia, do que uma única prolongada.
As cataplasmas, permanecendo durante Compressas
longo tempo em contacto com a pele, re-
forçam diversas propriedades das plantas, As compressas tornam-se mais fáceis de
como, por exemplo, as seguintes: usar do que as cataplasmas, embora o seu
efeito também se torne menos imenso.
• Cicatrizantes (a/.edas, bardaria, couve,
consolda, figos, tanchagem). Técnica de aplicação das compressas
• Resolutivas, para amadurecer e provo- As compressas fa/.em-se da seguinte ma-
car o esvaziamento de abcessos e forún- neira:
culos (abacate, alforva, borragem, linho,
1. Impregnar um pedaço de gaze ou flane-
mandioca).
la numa tisana, sumo, (intuía ou outro
• Analgésicas e sedativas, para cólicas, cis- preparado líquido.

68
jh

Fomentaçoes
Técnica de aplicação

1 ^m 4 ^n
a(A ^ ^

r"),^ S, ^5

> ^

1. Preparar um ou dois litros de uma infusão ou decocçao 4.Cobrir estes dois panos com um cobertor de lã, para
da planta adequada. Normalmente convém que seja um conservar o calor. Está provado que a lã é o material que
pouco mais concentrada do que o habitual (de 50 a 100 melhor conserva o calor, mesmo quando está húmida ou
g por litro de água). Também se podem acrescentar, a um molhada. (Foto ©)
ou dois litros de água quente, 5 a 10 gotas de essência
da planta. 5. Passados 3 minutos, quando o pano húmido já começa
2.Quando o líquido descrito estiver bem quente, submer- a arrefecer, volta-se a empapar no líquido quente.
ge-se nele um pano ou toalha de algodão. (Foto O)
6. A aplicação das fomentaçoes deve durar de 15 a 20 mi-
3. Escorrer o pano e aplicá-lo sobre a zona a tratar, prote- nutos. Terminar com uma fricção de água fria sobre a
gendo a pele com outro pano seco. (Foto ©) zona tratada.

-'//•
C a p . 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

I Fortmentações com plantas medicinais


) As fomentações com plantas tornam-se especialmente efica-
zes, pois aos efeitos terapêuticos próprios da água e do calor
adicionam-se os da planta medicinal utilizada. Aplicam-se sobre a zona
afectada em cada caso. As suas indicações mais importantes são: le que se empapa na infusão ou decocção
1. Dores de costas causadas por afecções reumáticas, por artrose, ou medicinal: um seco por baixo, para prote-
por tensão muscular. Recomenda-se especialmente em caso de lum- ger a pele, e ouiro por cima para conser-
balgia (dor de rins) ou de ciática. var o calor.
Plantas recomendadas: harpagófito, alfazema, alecrim, carvalho.
Usam-se sobretudo em afecções respira-
2. Cólicas ou espasmos abdominais: biliares, intestinais ou renais.
tórias (catarros e bronquite), inflamações
Plantas recomendadas: laranjeira (flores), camomila, alfazema, salva.
da garganta e da traqueia, cólicas (renais,
3. Infecções agudas da garganta e das vias respiratórias: laringite, tra- hepáticas ou intestinais) e dores ciáticas.
queíte, bronquite. Nestes casos fazem-se com a mesma tisana
Plantas recomendadas: abeto, pinheiro, eucalipto, tomilho, tussilagem. que se recomenda para o viso interno, com
o qual se reforça a sua acção.

Loções e fricções
As loções e as fricções fazem-se com uma
infusão, decocção, maceração ou sumo,
2. Aplicá-lo sobre a zona de pele afectada, que se estende com uma ligeira massagem
durante um tempo que depende de cada sobre a pele. As fricções aplicam-se da mes-
planta (de 5 a 10 minutos geralmente). ma maneira, geralmente com óleos essen-
ciais (ver pág. 96), e com uma massagem
3. Se a ga/.e ou flanela se secar, voltar a im-
mais enérgica.
pregná-la. É melhor renovar as com-
pressas frequentemente e aplicá-las vá- Podem-se aplicar com a mão ou com um
rias vezes ao dia, em vez de manter a pano suave impregnado no líquido.
mesma durante muito tempo.
Algumas plantas podem tingir a pele Indicações das loções e fricções
quando se aplicam em compressas, espe- As loções têm as seguintes aplicações:
cialmente as que contém taninos (amieiro,
carvalho, nogueira). Uma fricção com • Afecções da pele em geral (por exem-
sumo de limão pode ajudar a restabelecer plo com amor-perfeito, arandos, equi-
a cor normal da pele. nácea, folhas de oliveira, maravilhas, sa-
namunda, saponária, tomilho, tussila-
Indicações das compressas gem ou urtiga).
As compressas usam-se como cicatrizan- • Prurido, ou seja, comichão na pele (bor-
tes e anti-séplicas em feridas e úlceras da ragem, erva-moura, verónica).
pele (agrimónia, alcaçuz, amieiro, avelei-
ra, carvalho, cavalinha, cebola, chagas, cou- • Beleza: eliminação da celulite, embele-
Os banhos de vapor com ve, hera, maravilha, nogueira), para a be- zamento da pele ou emagrecimento
foJhas de tília limpam, leza da pele (hamamélia, morangueiro, ro- (equinácea, gilbarbeira, morangueiro,
suavizam e embelezam a
pele do rosto. seira, tília), para os olhos (camomila, fi- roseira).
dalguinhos), ou como analgésicas e cal-
mantes (lúpulo, visco-branco). • Reumatismo (alfazema, loureiro).
• Afugentar os mosquitos (absinto).
Fomentações
B a n h o s d e vapor c o m plantas
As fomentações aplicam-se como as
compressas, mas com 0 líquido à tempe- Os banhos de vapor com plantas apli-
ratura máxima que a pele possa suportar. cam-se sobre a cabeça, o tórax ou até sobre
Colocam-se mais dois panos, além daque- o corpo todo.

70
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s Y..

Técnica dos banhos de vapor com plantas


Estes banhos de vapor ía/em-se da se-
guinte maneira:
1. Colocar uma panela de água a ferver
com as plantas OU essências a utilizar, em
cima de um banco. A panela deve estar
tapada. Km vez de plantas, podem-se
juntar à água 2 ou 3 gotas de um óleo es-
sencial.
2. O doente senta-se numa cadeira c cobre-
-se com uma toalha grande ou um
lençol, de forma que não se escape o va-
por.
3. Destapar a panela progressivamente
para deixar sair o vapor.
4. A aplicação dura de 10 a 15 minutos, até
que deixe de sair vapor.
5. Convém terminar com uma fricção de
água fria ou álcool sobre a zona que es-
teve exposta ao vapor.

Indicações dos banhos de vapor com


plantas Os gargarejos e bochechos
2. Inclinar a cabeça para trás. feitos com flores e cascas
Os banhos de vapor com plantas são de de romãs são muito úteis
grande utilidade para combater as afec- 3. Tentar pronunciar a letra 'a' de forma em caso de faringite,
ções respiratórias: sinusite, faringite, larin- prolongada, durante meio ou um mi- gengivite |inflamação das
nuto. gengivas) e parodontose
gite, traqueíte, catarros bronquiais e bron- (afrouxamento e queda dos
quite. Também são indicados no caso de 4. Deitar fora o líquido da boca: Nunca se dentes).
otite. Facilitam a eliminação do muco, ger- deve engolir, pois se supõe que esteja
mes e restos celulares depositados nas mu- contaminado com as substâncias resi-
cosas respiratórias, com o que se acelera o duais.
seu processo de regeneração e cura.
5. Repete-se todo o processo durante 5 a
10 minutos.
Gargarejos
Os gargarejos são uma forma fácil e sim- Indicações dos gargarejos
ples de aplicar as plantas medicinais sobre Os gargarejos actuam sobre a mucosa que
o interior da garganta. reveste o fundo da boca, a faringe (gargan-
ta) e as amígdalas (anginas). Limpam a imi-
Técnica dos gargarejos cosidade, os germes e os restos de células
Os gargarejos fazem-se da seguinte ma- mortas e de toxinas que se depositam nessa
neira: zona em caso de irritação, de inflamação ou
1. Tomar, sem engolir, um sorvo de tisana de infecção. Têm efeito emoliente (suavi-
(geralmente infusão) morna. Não se de- zante), anti-séptico e adstringente (secam,
vem usar líquidos muito quentes nem desinílamam e cicatrizam).
muito concentrados. As plantas que mais se usam para os gar-

71
Cap. 3: FORMAS DE PREPARAÇÃO E EMPREGO

Colírios
Os colírios são líquidos utilizados para
tratar as afecções dos olhos ou das pálpe-
bras.
Devem ser pouco concentrados, não
irritantes, e aplicados a uma temperatura
morna. Recomenda-se fa/.ê-los com in-
fusões preparadas com água previamente
fervida, ou com decocções, para conseguir
uma maior esterilidade. São muito utiliza-
dos os colírios de agripalma, camomila,
eufrásia, lidalguinhos ou folhas de videi-
ra.

Lavagens o c u l a r e s
Ás lavagens oculares (aos olhos) fazem-
-se empapando uma compressa na de-
cocção de uma planta, e deixando escor-
rer suavemente o líquido do lado da fon-
te para o do nariz (de fora para dentro).
A semelhança do que acontece com os
colírios, é preferível fazer as lavagens ocu-
lares com infusões para as quais se tenha
fervido previamente a água, ou com de-
cocções, para que o líquido que entra em
contacto com o olho esteja estéril. Omco
minutos de fervura é suficiente para con-
seguir uma esterilidade adequada

As lavagens ocufares devem Clisteres


fazer-se deixando escorrer o garejos são: abrunheiro-bravo, alecrim,
líquido a partir da fonte Os clisteres, ou enemas, consistem na in-
amieiro, historia, casca e folhas de casta-
para o nariz, pois é este o trodução de um líquido no intestino gros-
trajecto seguido nheiro, cebola, cinco-em-rama, drias, epi-
so através do ânus, por meio de um briga-
normalmente pelas lóbio, gatunha, hidraste, moranguciro,
dor com um tubo de borracha. O líquido
lágrimas. nogueira, ratãnia, roniã/.eiía, sabugueiro, a introduzir pode ser uma infusão ou de-
sanamunda, tanchagem, tormentila e ver- cocção pouco concentrada, á temperatura
bena. do corpo (37°C).

Bochechos Precauções na aplicação cie clisteres


Os bochechos consistem em mover um
Quando se aplica um distei-, devem to-
sorvo de líquido (geralmente infusão ou
mar-se algumas precauções:
decocção) em todos os sentidos, dentro
da boca. São muito úteis em caso de esto- 1. Colocar O paciente sobre o sevi lado di-
matite, gengivite, piorreia e outras afec- reito, com as pernas encolhidas.
ções da boca e dos dentes. Fa/cm-sc com 2. Introduzir a ponta do irrigado! com a
as mesmas plantas que os gargarejos. ajuda de azeite ou vaselina.

72
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Os cJisteres com infusões


ou decocçoes de plantas
medicinais conjugam a
acção de limpeza da água
com os efeitos medicinais
das plantas.

3. Evitar que o líquido entre a unia espasmos digestivos (assa-íétida) ou


pressão excessiva, não elevando o reci- diarreias dos lactentes (salgueirinha).
piente que o contém a mais de um me-
tro acima do nível do doente. • Eliminar os parasitas intestinais (alho,
quãssia, tanaceto).
4. É suficiente um volume de 300-500 ml de
líquido. Nas crianças bastam 100-200 ml.
Irrigações vaginais
5. O paciente tem de reter o líquido du-
rante 5-10 minutos. Uma irrigação vaginal consiste na intro-
dução de infusões ou decocçoes pouco
6. Não aplicar mais de três dis teres num concentradas, e à temperatura do corpo
dia. Deverá evitar-se aplicá-los depois (37°C), na vagina, por intermédio de uma
das refeições. cânula ou brigador especial.
7. Em muitos casos, é necessária a pres-
crição e supervisão de um médico. As plantas mais utilizadas para estas irri-
gações são: historia, cinco-em-rama, malva,
pé-de-leão, pimpinela-oficinal, ratânia,
Objectivos dos disteres
romázeira, roseira, salgueirinha, salva e sal-
Com os enemas, pretende-se: guei ro-branco.
• Esvaziar o recto e o intestino grosso em Aplicam-se em caso de vaginite e leucor-
caso de prisão de ventre, especialmente reia (corrimento excessivo). No caso de
quando seja devida a uma afecção febril gravidez deve-se evitar todo o tipo de irri-
ou infecciosa (por exemplo com folhas gações vaginais.
de oliveira, malva ou sene-da-índia).
Quando se faz uma irrigação vaginal é
• Desinflamar o ânus e o recto em caso de necessário aplicar pouca pressão, para evi-
fissuras, hemorróidas e inflamações tar que o líquido suba para o útero, cuja ca-
anais (com carvalho, tanchagem ou za- vidade está normalmente fechada pelo
ragatoa). colo uterino. E recomendável que as irri-
• Desinflamar o intestino grosso em caso gações vaginais se apliquem sob vigilância
de colite ou diarreia (erigerâo, malva), médica.
Uso seguro das plantas medicinais
Primeiro que tudo adoptar um estilo de vida são

Antes de aplicar qualquer planta medicinal de


forma regular ou continuada (aliás c o m o em 3. Usar unicamente plantas bem identificadas: O
qualquer outro tipo de tratamento), é necessá- mais recomendável e seguro é que se encontrem en-
rio ter em conta o seguinte: vasilhadas, correctamente etiquetadas e sob a garan-
tia de um laboratório ou profissional farmacêutico.
As leis de muitos países, incluindo os da União Euro-
peia, proíbem a venda ambulante de plantas medici-
1. Procurar a causa dos transtornos, por pouco im- nais.
portantes que possam parecer. Tomar umas plantas
(como qualquer outro medicamento) com o único ob-
jectivo de acalmar ou de neutralizar certos sintomas,
pode produzir um alívio momentâneo.
Contudo, se a causa desses sintomas persistir, a 4. Evitar a automedicação irreflectida: O ideal é
doença continuará a progredir até se manifestar com que as plantas medicinais sejam receitadas ou reco-
maior intensidade, e então pode ser demasiado tarde mendadas por um médico competente.
para se curar.
Todavia, a legislação sanitária na maior parte dos paí-
Perante qualquer sintoma estranho, é necessário sub- ses regista um certo número de espécies de plantas
metermo-nos a um diagnóstico médico, feito por pro- de uso habitual, que se podem usar livremente, sem
fissionais competentes, com meios e procedimentos receita médica. Neste caso, fala-se de automedi-
científicos. Só depois disso se poderão aplicar com cação responsável: A própria pessoa decide que
segurança os tratamentos à base de plantas medici- plantas vai tomar, mas de forma responsável, isto é,
nais, ou quaisquer outros. informando-se previamente das propriedades das di-
tas plantas, assim como das possíveis precauções
que o seu uso requeira.

2. Eliminar hábitos nocivos para a saúde:


Se os sintomas ou transtornos se deverem a hábitos
malsãos ou a um estilo de vida pouco saudável, o tra- 5. Precaução ao usar uma planta durante longos
tamento com plantas acabará por ter pouca utilidade; e períodos de tempo: Como norma geral, deve-se evi-
até poderia chegar a ser contraproducente, ao disfarçar tar o uso continuado de uma mesma planta durante
determinados sintomas enquanto persiste a sua causa. mais de dois ou três meses. Quando isto possa pare-
O primeiro passo para o restabelecimento da saúde cer necessário, convém informar-se bem dos possíveis
deve ser a adopção de um estilo de vida são, elimi- efeitos secundários indesejáveis da dita planta, além
nando os hábitos nocivos que possam existir. De bem de obter o conselho de um médico.
pouco serviria tomar plantas mucolíticas ou expecto-
rantes para tratar a bronquite, continuando a fumar ou
a respirar ar contaminado, por exemplo.
A maior parte das doenças crónicas nos países de-
senvolvidos estão directamente relacionadas com os 6. Prudência com as grávidas e as crianças: É
hábitos alimentares inadequados e com o consumo de preciso ser-se especialmente prudente no momento
substâncias tóxicas como o tabaco, as bebidas alcoó- de lhes administrar uma planta medicinal, como aliás
licas e outras drogas. qualquer outro medicamento (ver págs. 101-102).

~'S/
74
Ah*
Casos
práticos 1. Procurar a causa dos transtornos
João é um homem robusto de 55 anos, que nunca ti-
nha sofrido de transtornos importantes. Desde há mais
de um ano perdeu o apetite; e certos alimentos, como
por exemplo a carne, provocam-lhe repulsa e até mes-
mo náuseas.
Automedica-se com umas plantas que lhe recomen-
daram uns vizinhos da aldeia, muito eficazes -segun-
do garantem- para abrir o apetite. Nos primeiros me-
ses conseguiu alguns resultados, mas ultimamente,
embora não sinta dores, o apetite não melhora, ema-
O uso adequado das pjantas medicinais, j u n t a m e n t e greceu, e finalmente decide-se a ir ao médico.
com outros hábitos de vida sá, pode impedir que as Um exame endoscópico ao estômago mostra que a
debilidades do nosso organismo evoluam até se trans-
causa da sua inapetência (fastio) é um cancro no estô-
formar em doenças declaradas.
mago. O tumor já se encontra demasiado adiantado
para se poder prognosticar um bom resultado cirúrgico
Este é um caso típico de cancro do estômago. Se João
tivesse procurado a causa do seu sintoma no princi-
pio, logo que este apareceu, o prognóstico da sua
doença teria sido muito mais favorável.

2. Eliminar hábitos nocivos para a saúde


Marcelo é camionista e passa muitas horas sentado
ao volante. Sofre de hemorróidas que frequentemen-
te se inflamam e sangram.
Marcelo gosta de
comida forte, mui-
to condimentada
com pimenta ou
malagueta pican-
te. Na fruta, qua-
se nem toca. Ele
próprio nota que,
quando come comida muito picante, piora das hemo-
rróidas. Mas descobriu umas plantas que lhe reco-
mendaram numa farmácia, com as quais toma uns
banhos de assento que o aliviam muito. Assim conti-
nua com as suas comidas picantes, e quando se vê
em apuros, toma um banho de assento.
Mas as hemorróidas
foram piorando, até

<Í que um dia sentiu


) uma dor anal muito
intensa, que não
melhorava com as
plantas nem com nada. O seu médico assistente man-
dou-o de urgência para o cirurgião de serviço, com o
diagnóstico de trombose hemorroidal, uma compli-
cação muito dolorosa das hemorróidas.
Se Marcelo tivesse adoptado uma alimentação mais
sã, as hemorróidas não teriam progredido. Nesse
caso, os banhos de assento com plantas a que habi-
tualmente recorria teriam sido suficientes para melho-
rar e até para curar a sua doença.

75
PRINCÍPIOS ACTIVOS

UMÁRIO DO CAPÍTULO
0 laboratório vegetal
Ácidos orgânicos 92 As plantas são uns laboratórios bioquí-
Açúcares 78 micos extraordinários. A partir de substân-
Alcalóides 84 cias tão simples como a água (I I.-O) da ter-
Amido 78 ra e 0 anidrido carbónico do ar (CO2), são
Antibióticos 87 capazes de produzir amido (hidrato de car-
Cálcio 83 bono ou glfcido), devolvendo além disso
Celulose 79 oxigénio (()-•) ao ar.
Essências 90 Esta reacção química, conhecida como
Fécula, ver Amido 78 Fotossíntese, é processada graças à clorofi-
Ferro 83 la contida nas lollias das plantas, que (ap-
Flavtnióidcs, ver Glkósidos Jlavonóides 88 ta a energia do Sol e a transforma cm ener-
Fósforo 83 gia química.
Glícidos 78
Glkósidos 85 Fará sermos mais exactos, esla reacção
Gorduras 80 química indica-nos que, com seis molécu-
Hidratos de carbono 78 las de água e outras tantas de anidrido car-
Inulina 80 bónico, se produz uma de glicose e seis de
lodo 84
oxigénio (ver quadro da página contígua).
Lípidos 80 Numa segunda fase, as moléculas de gli-
Magnésio 83 cose polimeri/.am-se (unem-se entre si)
Minerais 83 para formar amido e celulose, que são as
As plantas são capazes de Mucilagens 79 substâncias mais abundantes do reino ve-
produzir uma ampla getal. Ambas têm a mesma fórmula quími-
Óleos 80
variedade de princípios ca, e diferem unicamente pela forma como
activos, a partir de Óleos essenciais, ver Essências 90
substâncias tão simples Oligoelementos 84 estão unidas as moléculas de glicose que as
como o vapor de água e o Pectina 79 constituem.
anidrido carbónico do ar, e Potássio 84 A partir da glicose e do amido produzi-
do azoto e outros Proteínas 81
elementos minerais.
dos nas lollias, combinando-os com os sais
Resinas 90 minerais que absorvem pela raiz, as plan-
Rutina, ver Glkósidos Jlavonóides . , . 88 tas sintetizam lípidos (gorduras), essências,
Saponinas ver Glkósidos saponínkos . 88 glicósidos, taninos, vitaminas e outros prin-
Silício 84 cípios activos. As proteínas e os alcalóides
Taninos 93 produ/em-se na raiz, a partir dos nitratos
Vitaminas 81 do solo, de onde são transportados para o
resto da planta por meio dos vasos condu-
tores do caule e das suas ramificações.
Dista forma as plantas sintetizam uma
grande variedade de substâncias químicas.
Até agora já se identificaram cerca de
12 000 diferentes, e, com toda a certeza,
ainda restam muitas por descobrir e anali-

76
Fotossíntese
A base química da vida na Terr

A fotossíntese processa-se em duas fases:


Primeira fase:
6H2O + 6CO2 •C6H12O6 + 6O2
Água + Anidrido carbónico = Glicose + Oxigénio
Segunda fase:
n (C6H12O6) • n (CeHioOs) + n (H2O)
Várias moléculas de glicose unidas = Amido + Várias
moléculas de água

A partir de duas substâncias inorgânicas, a água (que


retiram do solo) e o anidrido carbónico (gás que faz
parte do ar), as plantas produzem glicose e depois
amido, duas substâncias orgânicas que fazem parte
da matéria viva. A partir da glicose, do azoto mineral e
de outros elementos do solo, os vegetais produzem to-
das as demais substâncias de que são formados, me-
diante uma complexa série de reacções químicas.
Esta extraordinária reacção química que é a fotossín-
tese só é possível graças à clorofila, pigmento verde
que se encontra exclusivamente nas plantas, e que ac-
tua como catalizador ou facilitador da reacção.
A fotossíntese é a base química da vida sobre o nos-
so planeta. E, embora possa parecer-nos simples,
nenhum laboratório foi capaz de reproduzir esta re-
acção bioquímica. Graças a ela, o simples torna-se
complexo; a matéria inorgânica transforma-se em
orgânica. Dito de outro modo: A matéria morta -do
solo e do ar- transforma-se em matéria viva - o vege-
tal.

Funções das foIh

1. Elaboração da seiva a partir 2. Produção de o x i g é n i o e de 3. Armazenamento de nutrien-


das substâncias absorvidas vapor de água, como resul- tes como o amido, açúcares,
pela raiz. tado da fotossíntese. vitaminas, etc.

'''/
n
Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

tose (monossacáridos), e a sacarose (dis-


sacárido). Encontram-se sobretudo nos
Irutos. Os organismo» animais utili/ain-nos
como fonte básica de energia, pelo que
têm eleito tonificante.
Os diabéticos têm de ingeri-los sob con-
trolo, embora tendo sempre cm conta que
a mesma quantidade de açúcar é muito
mais bem tolerada se for tomada junta-
mente com as vitaminas, a libra vegetal, os
ácidos orgânicos e os restantes componen-
tes dos frutos, do que se for tomada como
produto químico puro em forma de açúcar
Os princípios activos
contidos nas plantas
refinado (branco) de mesa.
medicinais, náo só aliviam A frutose acha-se presente, em conjunto
os transtornos mas também sar. Dentre iodas estas substâncias, dá-se o
regulam os processos vitais com a glicose, nos frutos maduros. Ao con-
e previnem a doença. nome de princípios activos àquelas que trário desta última, a frutose não precisa da
apresentam uma acção específica sobre o insulina para ser aproveitada pelo organis-
organismo. Segundo n siui natureza quí- mo, pelo que é muito mais bem tolerada
mica, classilicam-se em vários grupos que por quem sofra de diabetes (falta de insu-
convém conhecer: glícidos, lípidos, proteí- lina) .
nas, vitaminas, minerais, alcalóides, glicó-
sidos, essências e resinas, ácidos orgânicos, O.s frutos descritos nesta obra, mais ricos
taninos. Vamos pois deler-nos um pouco a em açúcares, são: bérberis, alfarrobas,
estudá-los. arandos, cainito, cerejas, framboesas, mo-
rangos, groselha, anona, figos, medronhos,
ananás, uvas e amoras de silva. Os caules da
cana-de-açúcar são muito ricos em saca-
Hidratos de carbono rose.

Amido
Os hidratos de carbono, conhecidos tam-
bém como glícidos, são substâncias com- O amido é o glícido (hidrato de carbo-
postas de hidrogénio, oxigénio e carbono. no) mais representativo dos que são pro-
São muito abundantes nos vegetais, que os duzidos pelas plantas, A sua molécula é um
produzem por meio da fotossíntese. polímero, formada pela união em cadeia
de numerosas moléculas de glicose. As suas
Para uma melhor compreensão descre-
propriedades são:
vemos separadamente os tipos de glícidos
ou hidratos de carbono mais importantes • Energética: As enzimas digestivas rom-
que se acham presentes nas plantas: açú- pem as moléculas de amido, libertando
cares, amido, celulose, mucilagens, pecti- a glicose, que é o combustível (energia)
na e inulina. mais importante para as nossas células.
• Emoliente: Tem acção suavi/anic e anti-
Açúcares -inflamatória sobre a pele e as mucosas.
()s açúcares são glícidos (hidratos de car- A maior parte das plantas produz amido
bono) simples, solúveis cm água e de sabor como substância de reserva nas raízes e nas
doce. Os mais comuns são a glicose c a fru- sementes. As mais ricas em amido, dentre

70
A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S

1" P a r t e : G e n e r .1 I 1 cl B O e s

as tratadas neste livro, são: aveia, castanhas,


lírio (raiz), mandioca (raiz), milho.

Celulose
A celulose 0 u m a fibra vegetal insolúvel.
É o hidrato de c a r b o n o mais a b u n d a n t e
nos vegetais. Kmbora o nosso o r g a n i s m o
não seja capa/ de assimilá-lo (o dos rumi-
nantes sim), d e s e m p e n h a uma i m p o r t a n t e
função mecânica no intestino: a de facili-
tar o avanço das fezes e evitar a prisão de
ventre.

Mucilagens
As mucilagens são derivados dos glícidos
cie consistência gelatinosa, q u e têm a pro-
priedade de reler água (efeito hidrófilo),
pelo que incham e a u m e n t a m de volume.
As mucilagens têm as seguintes acções:
• Lubrificam e protegem a c a m a d a m u -
cosa de t o d o o t u b o digestivo, q u e re-
O amor-perfeito-bravo
veste o seu interior desde a boca até ao (Viola tricolor L.) contém
ânus. Actuam l o c a l m e n t e , sem ser ab- mucilagens e saponinas,
sorvidas para o s a n g u e . Protegem tanto de q u e se administrem tanto nas colites que lhe conferem
da irritação m e c â n i c a p r o d u z i d a p e l o (efeito anti-inflamatório) c o m o na pri- propriedades suavizantes,
são de ventre. anti-inflamatórias e
movimento do bolo alimentar, ou das fe-
cicatrizantes. As loções e
zes, como da irritação química produzi- • Emolientes e anti-inflamatórias, aplica- lavagens com a sua infusão
da pelos sucos digestivos (especialmen- combatem eficazmente a
das sobre a pele.
te os ácidos) e pelas fermentações intes- secura, as estrias e as rugas
tinais. A isso se deve o seu efeito emo- • Antilússicas: Sobre o a p a r e l h o respira- da pele, pelo que é muito
tório, suavizam as mucosas irritadas em apreciado como cosmético.
liente (suavizante), anti-infiamatoiio e
ligeiramente laxante. Tornam-se úteis caso de laringite ou traquefte, acalman-
em todas as afecções inflamatórias do do a tosse.
aparelho digestivo: esofagite, gastrite, úl-
Os vegetais com maior c o n t e ú d o em mu-
cera gastroduodenal, gasti enterite, coli-
cilagens são: allóiva. alga-peilada, alteia,
te, proctite ( i n f l a m a ç ã o d o recto), fissu-
amor-perfeito-bravo, b o r r a g e m , couve-, li-
ras anais e hemorróidas.
n h o , líquen-da-islândia, malva, polipódio,
• Obesidade: Se se t o m a r e m mucilagens salguei ri n h a . sul irião-n incho ( o r q u í d e a ) ,
com água, fazem a u m e n t a r o volume do t a n c h a g e m , tussilagem e zaragatou.
bolo alimentar no estômago, produzin-
do sensação de s a c i e d a d e . Daí q u e se
Pectina
usem para combater a obesidade-. No in-
testino, a u m e n t a m o volume- das fezes, A pectina é um glícido (hidrato de- car-
com o que facilitam o seu trânsito e ex- b o n o ) epie n ã o é absorvido no intestino
pulsão em caso de prisão de- ventre- cró- mas actua localmente c o m o lubrificante e
nica. Isto explica o a p a r e n t e p a r a d o x o suavizante paia a passagem das fezes, â se-

79
Cap. 4: ICIPIOS ACTIVOS

car tem a particularidade de não precisar


da insulina para o seu metabolismo, pelo
que os diabéticos o toleram muito melhor
do que à glicose. Além disso, favorece a.s
funções do ligado.
A inulina (sem V) não se deve confun-
dir com a insulina (com V ) , que é a hor-
mona que o pâncreas segrega e que regu-
la o nível da glicose (açúcar) no sangue.
Um baixo nível de produção de insulina
ou a falia dela -caso dos diabéticos-, pro-
voca a subida do nível de glicose no sangue
e na urina.

Os frutos da oliveira ('Olea Lípidos ou gorduras


europaea' L.) proporcionam
o mais medicinal de todos
os óJeos. O chamado
Os lípidos ou gorduras são substâncias
azeite, da azeitona, actua
como laxante, colagogo, cujas moléculas são formadas pela união
emoliente e regulador do da glicerina ou outros álcoois, com dife-
colesterol. rentes ácidos gordos. Contém hidrogénio,
oxigénio, carbono e, nalguns casos, fósfo-
ro. As plantas produ/em-nos a partir dos
hidratos de carbono, como substâncias de
reserva energética.
melhança do que fazem as mucilagens ou
a fibra vegetal de celulose. Os lípidos usam-se pelas suas proprieda-
des nutritivas e energéticas, e pela sua
Contêm-na sobretudo a.s maçãs, e tam- acção suavizante e emoliente. São ricos em
bém outros frutos, como por exemplo: os lípidos: o abacate, a alfarroba, a aveia, as
abrunhos, as alfarrobas, os arandos, as cas- avelãs, as azeitonas, o cacau, a alga espiru-
tanhas, as cerejas, a goiaba, a rosa-canina, lina, o gérmen de milho, as sementes de gi-
as sorvas e o tamarindo. rassol, as nozes.

Inulina Óleos
A inulina é um glícido formado por ca- Os óleos são substâncias gordas líquidas
deias de moléculas de frutose, em vez de â temperatura ambiente, que se extraem
glicose como o amido. C.hama-se assim por por pressão a frio e decantação (também
ter sido descoberta na raiz da énula (Inala por meio de dissolventes e outros proces-
helenium L.). Encontra-se sobretudo nas ra- sos industriais), dos frutos e das sementes
ízes como material de reserva (alcachofra, das plantas.
bardana, carlina, chicória, consolda-maior,
São compostos por esteies da glicerina
denlc-de-lcão. énula, equinácea e petasi-
com ácidos gordos mono ou polinsatura-
te).
dos e, ao contrário das gorduras animais,
A inulina transfoi ina-se em frutose (açú- apresentam a propriedade de reduz-ir o co-
car da fruta) durante a digestão. Este açú- lesterol no sangue.
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 •' Parte: G e n e r a l i d a d e s

Não se devem confundir com os óleos es-


senciais ou essências (ver "Essências", pág.
90).
Os óleos usam-se pelas suas proprieda-
des:
• Laxantes (de azeitona, azeite) ou pur-
gantes (de cártamo, de rícino).
• Hipolipemiantes, isto é, redutores do
colesterol no sangue (de sementes de al-
godoeiro, do azeitona, de dormideira,
ou de girassol; de gérmen de milho, de
onagra, ou de grainha de uva).
• Emolientes (de sementes de algodoeiro,
de linho, ou de oliveira). O azeite da oli-
veira, o rei dos óleos, também se usa
como dissolvente dos princípios activos
de outras plantas postas a macerai nele
(por exemplo, sementes de urucu ou su-
midades de hipericão). Desta forma se
aplica externamente sobre queimaduras
e diversas afecções da pele.

Proteínas
A luzerna (Medicago sativa
Todas as plantas produzem e contêm L.J é muito rica em
proteínas em maior ou menor proporção. proteínas de grande valor
São substâncias complexas, cujas molécu- te (também rico em lípidos ou gorduras), biológico, além de conter
vitaminas, minerais e
las são formadas por cadeias de aminoáci- as alfarrobas, a alforva, a aveia, as avelãs, a enzimas.
dos. Contêm hidrogénio, oxigénio, carbo- bodelha (alga), o cacau, as castanhas, o
no e nitrogénio (a/.olo). milho.
Algumas proteínas são de grande valor
biológico, devido ao seu conteúdo em ami-
noácidos essenciais, islo é, aqueles que o
organismo humano não pode produzir. Es- Vitaminas
tas proteínas de grande valor biológico, im-
prescindíveis na dieta {los seres humanos,
encontram-sc não só nos alimentos ani- As vitaminas são substâncias de natureza
mais mas também em muitos dos vegetais. química muito variada que têm em comum
Assim, por exemplo, a alga espirulina, o o seguinte:
gergelim, a luzerna e as nozes, são espe-
• Actuam como biocatalizadores de nu-
cialmente ricos em proteínas de grande va-
merosas reacções químicas, pelo que se
lor nutritivo.
tornam imprescindíveis para a vida. Um
Outras plantas, tratadas nesta obra, de biocatalizador é um catalizador orgâni-
elevado conteúdo proieínico são: o abaca- co, li um catalizador, em química, é

81
Cap 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS

Vitamina Bi2
A vitamina B12 é produzida por certas
bactérias, seres vivos que fazem parle do
reino vegetal. Os mamíferos superiores, es-
pecialmente os herbívoros, obtêm a vita-
mina B12 das plantas que ingerem, que ha-
bitualmente se acham contaminadas por
bactérias produtoras de Biv. Os animais ar-
mazenam esta vitamina nos seus tecidos,
especialmente no ligado. O leite e os ovos
também contêm vitamina B12. Portanto, a
fonte primária da vitamina B12 são deter-
minadas bactérias que a produzem, e que,
apesar de serem microscópicas, também
são vegetais.
Os seres humanos não têm a mesma ca-
Cada tipo de vitamina
exerce uma função
pacidade que têm os animais, de absorver
preventiva e benéfica sobre todo o produto que, sem chegar a fazer a vitamina Br.» que se encontra nas bacté-
o nosso organismo. Os parle dos produtos finais da reacção, rias que contaminara os vegetais; ou então,
frutos das plantas torna possível que esta se produza, ou a possivelmente, os vegetais que ingerimos,
constituem uma boa fonte acelera. por estarem mais limpos, não contêm tan-
de vitaminas. A goiaba tas bactérias como aqueles que os animais
(Psidium guajaba' L.J é • Não podem ser produzidas pelo nosso
muito rica em vitaminas A, organismo, pelo que têm de ser ingeri- ingerem. O facto é que os humanos que se-
B e sobretudo C, o que das com regularidade. guem uma dieta estritamente vegetariana
explica o seu efeito podem sofrer deficiências de vitamina B12,
tonificante sobre o Os vegetais são a fonte mais importanle- se bem que isto aconteça com menor fre-
organismo. de vitaminas para o nosso organismo, ex- quência do que seria de esperar. A alimen-
cepto da D, que é sintetizada na nossa pele tação vegetariana complementada com
por acção dos raios solares. ovos e leite proporciona as pessoas saudá-
veis uma quantidade suficiente de Bw.
Damos seguidamente uma relação das
principais vitaminas e das plantas analisa- A alga espirulina (ver pág. 27(3) é uma
das nesta obra que são ricas em cada uma das fontes mais ricas de vitamina Bi2 que se
dessas vitaminas: conhecem; mas não porque a dita alga a
produza; antes porque habitualmente está
Provitamina A (caroteno) contaminada por umas bactérias muito ri-
cas na dita vitamina.
Contêm provitamina A numa percenta-
gem elevada: agriões, cacau, cenouras, ce-
rejas, framboesas, sementes de girassol, Vitamina C
goiabas, luzerna, maçãs, papaias. Beldroegas, cocleária, couve, framboe-
sas, goiabas, laranjas, limões, rosa-caniua,
Vitaminas do grupo B sorvas, são boas fontes naturais de vitami-
na c.
Abacate, aipo, aveia, cacau, cerejas, den-
te-de-leão, espirulina, gergelim, ginseng,
sementes de girassol, morangos, moi ugem, Vitamina E
nozes, são plantas ricas em vitaminas do Agriões, espirulina, girassol, milho, ger-
complexo B. gelim, são plantas ricas em vitamina K.

82
A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S _

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Vitamina P
Espargos, gilbarbeira, laranjas, lu/.erna,
c a/guinas outras plainas q u e se analisam
nesta obra, são boas fontes cie vitamina P.
A vitamina P t a m b é m se c h a m a rutina (ver
pág.88).

Minerais

Depois de se q u e i m a r u m a planta seca,


toda a matéria orgânica Uca calcinada, e a
suas cinzas são os minerais da planta.
Normalmente, os á t o m o s dos minerais
contidos nas p l a n t a s a c h a m - s e u n i d o s a
moléculas de ácidos, f o r m a n d o desta ma-
neira sais minerais. Vejamos os m i n e r a i s
mais importantes para o ser h u m a n o , q u e
se encontram nas plantas analisadas nesta
obra:

Cálcio
O cálcio é indispensável para a formação
dos ossos. Intervém nas funções do coração
e do sistema n e r v o s o . Encontra-se espe-
cialmente nas s e g u i n t e s plantas: aljôfar,
aveia, borragem, cebolas, gergelim, goia-
bas, luzerna, maçãs, nozes, pulmonária, ur-
liga-maior.

Fósforo «O vinho, tomo-o nos


cachos», dizia o famoso
O fósforo intervém t a m b é m na c o m p o - cientista francês Luís
sição dos ossos e no sistema n e r v o s o . Magnésio Pasteur. As uvas sáo uma
Conlêm-no: alforva, aveia, cebolas, cenou- O m a g n é s i o c u m p r e i m p o r t a n t e s fun- fonte muito apreciada de
vitaminas e minerais,
ras, gergelim, goiabas, luzerna, maçãs, no- ções no s a n g u e e nos ossos. Encontra-se
especialmente de ferro.
zes. e m : cebolas, couves, gergelim, maçãs, m o
r u g e m , tília.
Ferro
Potássio
O feiro é imprescindível para a pro- O potássio é um diurético muiio seguro,
dução de s a n g u e . A b u n d a e m : a b a c a t e , especialmente se aparece a c o m p a n h a d o
agrião, azedas, cerejas, espirulina, gerge- de ílavonóides ou saponinas. Encontramo-
lim, goiabas, labaça, maçãs, q u e n o p ó d i o - -lo e m : alcachofras, a r e n á r i a , bico-de-ce-
-bom-henrique, urtíga-maior, uvas. g o n h a , cardo-penteador, cavalinha, cebo-

83
/ Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS
V

-penteador, na grama, na morugem, na


sempre-noiva e na urtiga-maior.

Iodo
O iodo é imprescindível para o desen-
volvimento do sistema nervoso e para o
funcionamento da glândula tiróide. En-
contra-se no agrião, na alga-perlada, na b<>-
delha e na laminaria.

Oligoelementos
Os oligoelementos são minerais (enxo-
A cavalinha ('Equisetum
arvense' L.j é uma das
fre, cobre, /.inço, manganésio, etc), que se
plantas mais ricas em encontram nas plantas, e também no nos-
oligoelementos minerais, so organismo, em pequeníssimas quanti-
especialmente em silício. A dades (oligo = pouco em grego). Contudo,
isto se deve o seu efeito cumprem importantes funções metabóli-
regenerador sobre os cas. Geralmente actuam como biocataliza-
tecidos. O seu uso, t a n t o
por via interna como
dores de determinadas reacções químicas
externa, aumenta a pureza nos seres vivos.
da pele e fortalece as unhas Todas as plantas contêm quantidades
e o cabelo.
mais ou menos importantes destes ele-
mentos, que retiram do solo. As plantas sil-
vestres, que crescem em terrenos não cul-
tivados, costumam ser mais ricas em oligo-
elementos do que as cultivadas. Os terre-
nos de cultura intensiva empobrecem com
o tempo em tais elementos, especialmente
quando se usam adubos minerais inorgâ-
nicos, que contem apenas determinados
minerais e não toda a gama de oligoele-
mentos.

Alcalóides
las, cenouras, cerejas, grama, limões, or-
lossilão, parielária, uvas. Os alcalóides são substâncias azotadas
muito complexas, de reacção alcalina, e
Silício que mesmo em pequenas doses produzem
O silício contribui para a elasticidade e grandes efeitos sobre todo o organismo.
beleza da pele, assim como para a força do São substâncias muito activas, que po-
cabelo e das unhas. Torna-se muito reco- dem resolver doenças graves, mas que tam-
mendável na artrose e na osteoporose. En- bém podem intoxicar se não se usarem
contra-se sobretudo na cavalinha, e tam- correctamente. É o caso da colquicina do
bém no aljôfar, na borragem, no cardo- cólquico ou açafrão-bastardo (pág. 666),

M
A SAUCE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s V..

Pervincd

Plantas com alcalóides ' \

Os alcalóides são substâncias muito activas produzidas por algumas plantas,


como as que aparecem nesta tabela. Em geral, estas plantas devem usar-se
com prudência, e algumas delas unicamente sob vigilância médica.
que detém de Forma espectacular os sinto-
nias de um ataque de gota; da reserpina da
rauvólfia (pág. 242), q u e faz d e s c e r a Planta Pág. Alcalóide Acção
pressão arterial e equilibra o sistema ner- Acónito 148 Aconitina Anestésica e analgésica
voso em caso de d o e n ç a s m e n t a i s ; ou da Agripalma 224 Leonurina Emenagoga
vincaniinada pervinca (pág. 214), q u e me- Alcaçus 308 Atropina Parassimpaticolitica
lhora notavelmente a circulação sanguínea
Aveia 150 Avenina Tonficante
no cérebro.
Beladona 352 Atropina Parassimpaticolitica
Os alcalóides, tomados j u n t a m e n t e com
Beladona 352 Hiosciamina Parassimpaticolitica. alucinogénia
o resto dos p r i n c í p i o s activos da planta
Bérberis 384 Berberina Colagoga e tonificante
muna tisana, iornam-.se m e n o s perigosos
doque q u a n d o se tomam isoladamente em Boldo 390 Boldina Colerética e colagoga
forma de extractos purificados ou fárma- Buxo 748 Buxina Febrífuga
cos (ver capítulo 6, "Da planta ao medica- Cacaueiro 597 Teobromina Estimulante, diurética
mento*, pág. 64). Assim, o ó p i o , q u e con- Cafeeiro 178 Cafeína Estimulante, excitante
tém uma mistura de mais de 25 alcalóides.
Calumba 446 Berberina Colagoga e tonificante
entre os quais a morfina, é mais seguro de
administrai' do q u e a morfina pura. Chá 185 Cafeína (teína) Estimulante, excitante
Cicuta 155 Coniina Sedante, analgésica
Acresce ainda q u e n e m todos os alcalói-
des são igualmente activos, n e m se encon- Coca 180 Cocaína Excitante
tram nas mesmas percentagens. Com t u d o Cólquico 666 Colquicina Anti-inflamatória, analgésica
isto queremos indicar q u e muitas plantas Doce-amarga 728 Solanina Sedante, narcótica
que tem alcalóides p o d e m ser usadas c o m o Erva-moura 729 Solanina Sedante, narcótica
remédios caseiros com total segurança, res- Estramónio 157 Atropina Parassimpaticolitica
peitando as doses e indicações, c o m o é o
Estramónio 157 Hiosciamina Parassimpaticolitica, alucinogénia
raso da aveia, do boldo ou do alcaçuz. No
entanto, o uso de certas p l a n t a s q u e Fumaria 389 Fumarina Anti-inflamatória.anti-nistamínica
contêm alcalóides r e q u e r u m a p r u d ê n c i a Hidraste 207 Berberina Colagoga e tonificante
especial e, sendo possível, vigilância médi- Ipecacuanha 438 Emetina Emética, expectorante
ca, como indicamos em cada caso. Mate 182 Cafeína Estimulante, excitante
Mate 182 Teobromina Estimulante, diurética
Meimendro-negro 159 Atropina Parassimpaticolitica
Glicósidos Meimendro-negro 159 Hiosciamina Parassimpaticolitica, alucinogénia
Pervinca 244 Vincamina Vasodilatadora
Quina 752 Quinina Febrífuga, tonificante
As moléculas dos glicósidos. t a m b é m
Rauvólfia 242 Reserpina Hipotensora, sedante
chamados heterosidos, são constituídas do
ponto de vista q u í m i c o pela u n i ã o de dois Tabaco 183 Nicotina Estimulante, depressora
tipos de substâncias:
• um glícido (açúcar), q u e p o d e ser a gli-
cose, a pentose, ou outros. são m u i t o variadas. Para q u e os glicósidos
• uma substância n ã o açucarada, chama- libertem a sua parte activa, a genina, é pre-
da genina ou aglicona. q u e p o d e ser um ciso q u e se produza uma reacção química
ácido, uni álcool, OU o u t r o c o m p o s t o de hidrólise catalizada por uma enzima.
orgânico. Km geral, os glicósidos são substâncias
As p r o p r i e d a d e s d o s glicósidos d e p e n - muito activas, q u a n d o p e n e t r a m no orga-
dem da natureza química da sua genina, e nismo h u m a n o . Por isso as plantas q u e os

85
Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS
*/

Cebola j z a k

Plantas com substân- i | | •!


cias antibióticas '"m|y§

Mostram-se nesta tabela os antibióti-


cos mais importantes presentes nas
plantas descritas nesta obra. Do pon-
to de vista químico, a maior parte de-
les são glicósidos.

Planta Pág. Antibiótico


Alcaçus 308 Liquiritina
Alho 230 Bissulfureto de alilo
Bardana 697 Arctiopicrina
Carlina 749 Carlinóxido
Cebola 294 Bissulfureto de alilpropilo
Chagas 772 Glicotropeolina
Enula 313 Helenina
As antocianinas, Equinácea 755 Equinacósido
substâncias que dão a cor
Pilosela 504 Umbeliferona
viva a certas flores como a
rosa, têm acção medicina/. Pulsatila 623 Anemonina
Rabanete e Rábano 393 Gluco-rafenina
Rorela 754 Naftoquinonas (plumbagona)
Uva-ursina 564 Hidroquinona

contêm devem ser doseadas e administra-


das com prudência.
r Segundo a sua composição química e a
Cor dos glicósidos acção que têm, os glicósidos classificam-se
antocianínicos em: antocianínicos, antraquinónicos, car-
(antocianinas) mentos que comunicam a cor azul, violeta
diotónicos, cianogenéticos, cumarínicos,
ou vermelha a certas flores, frutos e raízes.
fenólicos, ílavonóides, saponínicos e sulfu-
Um mesmo pigmento é capaz de apresen-
Meio Cor rados.
tar diversas cores, dependendo da reacção
Alcalino (básico) Azul G l i c ó s i d o s antocianínicos do meio em que se encontra.
Neutro Violeta
Os glicósidos antocianínicos também são As antocianinas actuam como anti-sépti-
Ácido Vermelho conhecidos como antocianinas. São os pig- cas, anti-inflamatórias e protectoras capila-
res. Encontram-se especialmente nas se-
guintes plantas: arandos, fldalguinhos,
malva, monarda, roseira, salgueirinha, vi-
Decomposição dos glicósidos deira e violetas.

\ Para que os glicósidos actuem dentro do organismo, é neces- G l i c ó s i d o s antraquinónicos


sário que as suas moléculas sejam decompostas pela acção As geninas dos glicósidos antraquinóni-
de uma enzima específica para cada glicósido, que se encontra também cos são formadas por diversos derivados do
na planta. Desta forma se liberta a genina, que é a parte activa do gli- núcleo antraquinónico; e os açúcares que
cósido. Vejamos dois exemplos: os compõem são a glicose, a ramnose ou a
Planta glicósido + enzima = genina + glícido arabinose.
Alho aliína + aliinase = dissulfureto de alilo + açúcar Estes glicósidos são inactivos no seu esta-
Mostarda sinigrina + mironase = essência sulfurada + açúcar do natural. Por acção de umas enzimas
produzidas pelas bactérias intestinais, li-
berta-se a genina, que é o princípio activo.

8G
A SAÚOE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 • Parte: G e n e r a l i d a d e s

Antibióticos nas PK
plantas
• •
"
Os antibióticos são substâncias químicas produzidas por seres vivos, ge-
ralmente vegetais, que são capazes de destruir ou de deter o crescimento
Este processo tem lugar no intestino gros- de outros seres vivos como bactérias, vírus e outros microrganismo. Luís
so, pelo que a sua acção laxante ou purga- Pasteur, o grande biólogo francês do século XIX, já previu que «a vida pode
tiva se manifesta a partir de seis horas após destruirá vida», embora naquela época não se tivessem ainda descoberto
terem sido ingeridos. os antibióticos.
Têm as seguintes acções: A maior parte dos antibióticos que se usam em terapêutica procedem de
vegetais inferiores, como as bactérias ou os fungos. Não obstante, as plan-
• Laxante ou p u r g a n t e ( c o n f o r m e a tas superiores também produzem antibióticos, ainda que em quantidades
dose). Efeito seguro e p o t e n t e . Actuam muito pequenas. Estes têm uma estrutura química mais complexa que a dos
estimulando OS movimentos pcrisláhicos produzidos pelos vegetais inferiores, e nalguns casos é pouco conhecida.
do intestino grosso e d i m i n u i n d o a ab- Tudo isto dificulta o seu isolamento, a sua dosagem e utilização clínica. Tal-
sorção de água. C o m o resultado, as te- vez por isso, os antibióticos produzidos pelas plantas superiores são pou-
zes passam mais r a p i d a m e n t e e são me- co conhecidos e utilizados. A investigação química e farmacêutica está a
nos secas. desenvolver-se neste campo, e são de esperar interessantes progressos
num futuro próximo.
• Digestiva, colcrética e colagoga.
Km geral desaconselha-se o seu uso pelas
grávidas, d u r a n t e a m e n s t r u a ç ã o , em caso
de cólicas, ou q u a n d o se sofra de h e m o r -
Glicósidos cianogenéticos
róidas (ver pág. 99).
As plantas mais ricas em glicósidos an-
A genina dos glicósidos cianogenéticos é
traquinónicos são: aloés, amieiro-negro, ca-
o ácido cianídrico, substância m u i t o tóxi-
nafísiula. cáscara-sagrada, espinheiro-cer-
ca, q u e p o d e libertar-se m e d i a n t e a masti-
val, granza, ruibarbo e sene-da-índia.
gação, c o m o a c o n t e c e c o m a s a m ê n d o a s
amargas, as s e m e n t e s das ameixas e de ou- _ s ,..._,
. T , - • i r» - ° glicósidos contidos na
Glicósidos cardiotónicos trás plantas da cfamília botânica das Rosa- d e d a f e i r a r D igitalis
ceas. Em doses altas p o d e provocar intOXl- purpúrea' L.l exercem um
A genina dos glicósidos cardiotónicos é cações. notável efeito sobre o
formada por um núcleo ciclopentano-per- coração, aumentando a
hidiofenanti e n o , q u i m i c a m e n t e s e m e - força das suas contracções.
lhante aos sais biliares, ao colesterol, às
hormonas sexuais e a outras substâncias de
grande actividade biológica. O a ç ú c a r
constituinte é a glicose, a galactose ou di-
versas pen toses.
A sua acção consiste em a u m e n t a r a
força contráctil do coração, e em regular o
seu ritmo. As suas substâncias são m u i t o
potentes, com r e s u l t a d o s e s p e c t a c u l a r e s
em muitas afecções do coração. Dcvcm-sc
dosear e administrar com prudência, e sem-
pre sob vigilância médica.
A planta mais usada pelos seus glicósidos
cardiotónicos é a dedaleira, insubstituível
no tratamento de muitos d o e n t e s . O u t r a s
são: adónis-da-itália, asclépia, cacto-gran-
difloro, ceboia-albarra, gracíola e lírio-dos-
-vales.

87
C a p . 4 : P R I N C Í P I O S ACTIVOS
V

a arbutina, contida sobretudo na uva-iusi-


na, e também na damiana, no medronhei-
ro e na urze.

Glicósidos flavonóides

A genina dos glicósidos flavonóides é for-


mada pela ílavona e seus derivados. Cons-
tituem um amplo grupo de substâncias
químicas, cuja propriedade comum é a de
reforçar a parede dos capilares, melho-
rando os intercâmbios de substâncias nu-
tritivas e de oxigénio entre o sangue que
por eles circula e os tecidos. São também
A hera (Hedera Helix' L.) é diuréticas (por exemplo, a cavalinha), to-
mu/to rica em saponinas de nificantes do coração (pilriteiro), hemos-
acção cicatrizante e Os glicósidos cianogenéticos de interesse táticas (como a bolsa-de-pas(or, devido ao
analgésica. medicina! obtêm-se das folhas do louro-ce- flavonóide diosmina) e anti-infiamatórias.
Por isso se aplica rejo ou loureiro-real, assim como a casca
localmente sobre a pele. da cerejeira-da-virgínia. Têm acção sedati- A rulina, também chamada rutósido ou
va e aiitíespasmódica. vitamina P, é um dos glicósidos flavonóides
mais activos. Encontra-se na arruda, no es-
pargo, na gilbarbeira, na laranjeira e outras
Glicósidos cumarínicos plantas cítricas, na pimenta-d'água, no sa-
A genina dos glicósidos cumarínicos, bugueiro e na tussilagem.
também denominados lactónicos, assim
como os seus derivados, são as substâncias
responsáveis pelo típico cheiro a feno que Glicósidos saponínicos
exalam certas plantas herbáceas. Estes gli-
cósidos possuem propriedades anticoagu- As geninas dos glicósidos saponínicos,
lantes (a vitamina K ou dicumarol é um de- chamadas sapogeninas ou saponinas, são
rivado da cumarina), antiespasmódicas geralmente derivados tcrpénicos. Têm a
(por exemplo, a bisnaga, útil na angina de propriedade de diminuir a tensão superfi-
peito), antibióticas (bardana, pilosela) e cial da água, provocando a formação de es-
sobretudo venotónicas (castanheiro-da-ín- puma como faz o sabão. In vitro produzem
dia). melilolo, gilbarbeira). hemólise (destruição dos glóbulos verme-
lhos).
A esculina é o derivado cumarínico mais
activo sobre o sistema nervoso. Encontra- As suas acções mais importantes são:
se sobretudo no castanheiro-da-índia, e fez
parte de vários preparados farmacêuticos • Expectorantes: fluidificam as secreções
contra as varizes, hemorróidas e edemas. mucosas, facilitando assim a sua expec-
toração (por exemplo: alcaçuz, polígala-
-da-virgínia, primavera, saponária, ver-
Glicósidos fenólicos basco, violeta).
Os glicósidos fenólicos libertam a genina • Diuréticas (como a salsapai rilha-baslar-
hidroquinona, de potente ac cão anti-séptica
da).
c anti-inflamatória sobre os órgãos uriná-
rios. O mais importante destes glicósidos é • Cicatrizantes e analgésicas (hera).

88
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s
1

Nas últimas décadas, a


investigação químico-
-farmacêutica tem feito
notáveis progressos,
identificando a maior parte
dos princípios activos
presentes nas plantas
medicinais. Agora sabemos
como e porquê actuam a
maior parte das plantas que
antigamente eram usadas
simplesmente por tradição
ou intuição.

89
//,

Procedimentos para
a obtenção das essências
• Destilação: Faz-se por meio de um dispositivo cha- floral também se encontram presentes pequenas quan-
mado alambique. Aquece-se a água que existe no fundo tidades de óleos essenciais em suspensão. As águas
do alambique até à ebulição. Os princípios voláteis das florais usam-se principalmente em perfumaria, embo-
plantas colocadas sobre a água são arrastados pelo va- ra na actualidade se comecem já a investigar as suas
por. Estes vapores, que contêm os óleos essenciais da aplicações medicinais.
planta, passam a um círculo refrigerante, onde arrefe-
cem e se condensam, formando o líquido destilado. Uma • Pressão: Este método consiste na aplicação de
vez terminado o processo, deixando-se repousar o líqui- pressão sobre as partes activas da planta, até se extrair
do destilado, ficam separadas por decantação duas a essência. Emprega-se especialmente para obter as
fracções deste mesmo líquido: essências contidas na casca dos citrinos (laranja, limão
e mandarina).
-o óleo essencial (essência), que fica por cima flu-
tuando, por ser de menor densidade e insolúvel na • Extracção com dissolventes: Consiste na dissolução
água, e dos princípios aromáticos das plantas num dissolvente
-a água floral (hidrossol), formada pelo vapor de água volátil, que posteriormente se evapora deixando um re-
condensado juntamente com as substâncias hidrosso- síduo seco muito aromático chamado essência abso-
lúveis da planta que foram arrastadas por ele. Na água luta.

Vapor arrastando a
essência

Saída da água
refrigerante

Saída da
água floral
(hidrossol)

Alambique para a destilação de óleos essenciais ou essências

'ss
91
Cap. 4: PRINCÍPIOS ACTIVOS
r/

Ácidos orgânicos

Nas plantas encontra-se uma grande va-


riedade de ácidos orgânicos, que se con-
centram especialmente nos frutos. São os
seguintes: cítrico, málico e tartárico, salicí-
lico, oxálico e ácidos gordos.

Á c i d o s cítrico, m á l i c o e tartárico
Qs ácidos cítrico, málico c tartárico são
muito abundantes nos frutos e nas bagas,
embora a sua concentração vá diminuindo
á medida que amadurecem. Aumentam a
produção de saliva e limpam a cavidade bu-
cal, produzindo sensação de frescura (efei-
to refrescante) e diminuindo o número de
bactérias causadoras das cáries e das in-
fecções da boca.
Aumentam também a produção de sucos
gástricos, pelo que têm efeito aperitivo.
Além disso, são ligeiramente laxantes e
diuréticos.
Os sumos de fruta são
muito ricos em ácidos
orgânicos, além de Á c i d o salicílico
conterem açúcares, sais
minerais e vitaminas. uma essência: o resíduo viscoso que fica, é O ácido salicílico é um ácido de tipo fe-
a resina. A. composição química das resinas nólico que tem três acções principais: anti-
c uma mistura muito complexa de: glíci- -inflamatória, analgésica (acalma a dor) e
dos, ácidos orgânicos, essências terpénicas, antipirética (faz baixar a febre). Usa-se
álcoois, ésteres, etc. com notável êxito em diversas afecções reu-
São muitas as plantas que produzem re- máticas.
sina, mas só algumas delas se usam para
fins medicinais. As propriedades das resi- O ácido salicílico encontra-se em estado
nas são muito variadas: natural em valias plantas (ver tabela tia pá-
gina seguinte). A partir dele obtem-se um
• Purgantes, como a resina de podoíllo, derivado, o ácido acetilsalicílico (a popu-
que lambem se usa externamente con- lar aspirina), que. a indústria farmacêutica
tra as verrugas. conseguiu produzir por processos de sín-
• Anti-sépticas urinárias, como, por exem- tese química sem necessitar do ácido sali-
plo, a da copaíba. cílico natural.
• Antiespasmóclicas, como a da assa-fétida. A aspirina tem as mesmas propriedades
• Rubefacientes e anti-reumáticas: a do que o ácido salicílico natural, mas mais in-
pinheiro (a sua resina chama-se colofó- tensas, pelo que podem produzir com mais
nia), a do abeto e a do guaiaco. facilidade efeitos secundários indesejáveis.

92
A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D I C I N A I S

1"* P a r t e : G e n e r a l i d a d e s V.,

Plantas que contêm


ácido salicílico

O ácido salicilico é um precursor do


acido acetilsalicílico, vulgarmente co-
nhecido como aspirina. As plantas que tas ciladas neste livro, encontram-se no
contêm ácido salicilico constituem
uma alternativa natural ã aspirina e a abacate, no girassol {semente), na espi-
outros fármacos analgésicos ou antt- rulina e na nogueira (no/).
•inftamatôrios.
Ácido oleico: É um ácido monoinsatu-
rado, principal componente do azeite
Planta Pag. Partes utiliz? de oliveira, que também se encontra no
Maravilha 626 Flores abacate. Contribui para regular o nível
Morangueiro 575 Frutos do colesterol.
Macieira 513 Frutos
Amorperleito-bravo 735 Toda a planta
Pé-de-leão 622 Toda a planta Taninos
Primavera 328 Rizoma , raiz
Pulmonária 331 Toda a planta
Salgueiro-branco 676 Casca Os taninos são compostos fenólicos que
Ulmeira 667 Sumidades coagulam a gelatina e outras proteínas, for-
mando uma camada seca e resistente à pu-
tivfacçáo sobre a pele e mucosas. Possuem
propriedades adstringentes, hemostáticas,
Ácido o x á l i c o anti-sépticas e tonificantes. Secam e dão re-
O ácido oxálico é um dos mais abundan- sistência à pele e às mucosas, favorecendo
tes no mundo vegetal, especialmente nas a resolução dos processos inflamatórios e a
folhas verdes. A sua fórmula química é cicatrização.
HOOC-COOií. Normalmente acha-se as-
O seu sabor é muito amargo e áspero, e As folhas e a casca do
sociado ao potássio e ao cálcio, com os
nalgumas plantas pode tornar-se excessivo castanheiro são muito ricas
quais Forma sais minerais. Nas pessoas pro- em taninos, o que lhes
ou indesejável. Chega a provocar into-
pensas a isso, estes sais, que se eliminam confere propriedades
lerância em estômagos delicados. As tisa-
pela urina, têm tendência a precipitar-se adstringentes.
nas obtidas por maceração têm a vantagem
formando cálculos urinários. Por isso se de-
de extrair outros princípios activos da plan-
saconselha o uso das plantas ricas em áci-
ta c apenas uma quantidade mínima de ta-
do oxálico, como por exemplo as azedas, o
ninos.
ruibarbo e a aleluia, a quem sofra de litía-
se urinária (pedras nos rins). Ingeridos em doses elevadas, os taninos
podem impedir a absorção de certos mi-
nerais como o cálcio e o ferro, assim como
Ácidos g o r d o s das vitaminas. Por isso, não .se recomenda to-
Os ácidos gordos são, juntamente com a mar plantas ricas em tanino durante perío-
glicerina, o principal componente das gor- dos prolongados de tempo (mais de um
duras. Entre os mais importantes figuram mês), de forma continuada.
os seguintes:
Os taninos encontram-se muito reparti-
• Ácidos linoleico e linolénico: São ácidos dos por todo o reino vegetal. As plantas
gordos polinsaturados, chamados es- mais ricas em taninos são: agrimónia,
senciais porque o nosso organismo ne- amieiro, avenca, historia, carvalho, casta-
cessita deles, mas não é capa/, de produ- nheiro, chá, chias, faia, hamamélia, me-
zi-los por si mesmo. Cumprem impor- dronheiro, morangueiro (folhas), noguei-
tantes funções no organismo, especial- ra, pé-de-leão, ratânia, salgueirinha, silva,
mente no tecido nervoso. Entre as plan- tormentila e ulmeiro.

93
Aromate
O emprego terapêutico dos óleos essenciais (essências

O poder dos aromas


Antes de chegarem aos pulmões e passarem ao san-
gue, as moléculas de essência estimulam as células
olfactivas que se encontram no interior das fossas
nasais [1].
Estas células são na realidade neurónios que, atra-
vés do nervo olfactivo, enviam impulsos eléctricos
com a mensagem olorosa codificada. O nervo olfac-
tivo [2] conduz o estímulo até diversas partes do cé-
rebro: à amígdala e ao hipocampo do lóbulo tempo-
ral [3], sede da memória; ao tálamo [4], sede das
emoções; e, sobretudo, ao hipotálamo [5], e através
dele, à hipófise [6], centro regulador da produção de
hormonas de todo o organismo.
A relação entre o nervo olfactivo, o tálamo, o hipotá-
lamo e a hipófise, poderia explicar os conhecidos efei-
tos reguladores dos aromas sobre o sistema neuro-
-hormonal.

A aromaterapia, que literalmente quer dizer 'tratamento por


meio dos aromas', constitui na realidade uma forma de fi-
toterapia ('tratamento por meio das plantas*). As proprie-
dades curativas dos óleos essenciais já eram conhecidas
desde tempos muito antigos, embora de forma meramen-
te empírica. Hoje sabemos a razão por que os óleos es-
senciais produzem determinadas acções fisiológicas sobre
o organismo. Não obstante, resta ainda muito por investigar
acerca do mecanismo pelo qual certos aromas conseguem
influir sobre o estado de espírito e inclusivamente sobre o
comportamento.
Para se obter um bom resultado, os tratamentos com óleos
essenciais devem durar entre uma e três semanas, aplica-
dos de qualquer das seguintes formas:
1. difusão atmosférica,
2. fricção sobre a pele,
3. banhos com essências,
4. via interna.

'''/
'.)•!
//s<

1. Difusão atmosférica
É a forma mais importante de aproveitar as propriedades
curativas dos óleos essenciais. Estes podem passar para
o ar mediante vários procedimentos:
• Por simples evaporação, colocando umas gotas sobre
as costas da mão ou em cima de uma fonte de calor
como, por exemplo, um radiador, e aspirando o aroma.
Também se pode impregnar um lenço de assoar, ou mes-
mo a almofada da cama, com umas gotas de essência.
• Por meio de um difusor eléctrico: pequeno aparelho
que, mediante um mecanismo vibratório, produz uma va-
porização do óleo essencial contido no seu interior. Tem
a vantagem de funcionar a frio, pelo que a essência se
vaporiza sem sofrer os efeitos indesejáveis do calor. Dez
ou quinze minutos de funcionamento do difusor eléctrico
são suficientes para encher o ar de um compartimento
com micropartículas de essência vaporizada.
Antes de passar aos pulmões, os óleos essenciais estimu-
lam primeiramente o sentido do olfacto, de onde exercem
a sua influência sobre todo o sistema nervoso.
Provou-se que depois de se ter respirado durante alguns
minutos num ambiente carregado de óleos essenciais, es-
tes já se encontram no sangue e, pouco tempo depois, po-
dem detectar-se também na urina. Embora as quantidades
de essência absorvidas pelo organismo sejam muito pe-
quenas, tomam-se suficientes para exercer notáveis efei-
tos fisiológicos e terapêuticos
Em geral, recomenda-se aspirar a essência uma hora de
manhã e outra à tarde.
O simples facto de aspirar o aroma de uma fJor
(continua na página seguinte) afecta o equilíbrio hormonal, o sistema nervoso,
o aparelho respiratório e, inclusive, o nosso esta-
do de espirito.

Os óleos essenciais
obtêm-se principalmente
por meio de alambiques
destiladores como este
que se vê na fotografia,
pertencente ao Museu
dos Aromas e do
Perfume (La Chevèche
de Graveson-en-
Provence, França).
A produção de uma boa
essência exige certa dose
de arte e de paciência.
De cem quilos de foJhas
de eucalipto, por
exemplo, obtêm-se uns
dois litros de óleo
essencial.
Aromaterapia 121
I ie o seu próprio ambiente
com as essências

É preferível usar um único óleo essencial de cada


vez, em lugar de misturar vários deles.
Segundo o efeito que se deseje obter, podem-se
criar diversos ambientes com uma das essências
que seguidamente se indicam:
• Ambiente balsâmico para casos de sinusite, fa-
ringite e diversas afecções respiratórias: eucalipto,
pinheiro, tomilho ou alecrim.
• Ambiente relaxante e sedativo para casos de ner-
vosismo ou insónia: alfazema ou laranjeira. Estas
duas essências recomendam-se especialmente
para as crianças muito inquietas, com dificuldade
em conciliar o sono.
• Ambiente tonificante: limão, alecrim, hortelã ou
segurelha.
• Ambiente anti-séptico para prevenir os contágios
em caso de gripe ou constipações: tomilho, salva,
eucalipto ou caneta.
• Ambiente para afugentar os mosquitos e outros
insectos: erva-cidreira ou lúcia-lima.
• Ambiente antitabaco: lúcia-lima, gerânio, sassa-
icções com essências
frás ou alfazema.

Segundo o efeito que se queira obter, as fricções


serão feitas com um dos óleos essenciais seguintes:
• Fricção tonificante, que convém aplicar de
(continuação da página anterior) manhã, a seguir a um duche frio: alecrim, gerânio,
limão ou pinheiro.
2. Fricção sobre a pele • Fricção relaxante a aplicar à noite, depois de um
Uma fricção com óleo essencial faz que este penetre atra- duche ou banho quente: alfazema, manjerona, ca-
vés da pele, infiltrando-se nos tecidos e passando final- momila ou laranja.
mente para a linfa e o sangue. Ao efeito do óleo essencial • Fricção digestiva sobre o estômago e o ventre,
sobre os tecidos, junta-se o efeito próprio da massagem que se aplica depois de cada refeição, para evitar
que acompanha a fricção, pelo que os resultados costu- os gases e as digestões pesadas: alcaravia, man-
mam ser muito notáveis. Quando se aplicam óleos essen- jerona ou alfazema.
ciais em fricções sobre a pele, convém ter em conta o se- • Fricção respiratória sobre o peito e as costas, re-
guinte: comendada em caso de constipação, bronquite,
• Aplicar a fricção sobre o peito, o ventre, as costas, a asma e tosse catarral: pinheiro, eucalipto, alfaze-
nuca, os braços e as pernas. ma, alecrim ou cipreste.
• Evitar o contacto do óleo essencial com as mucosas • Fricção antidolorosa sobre as pernas ou as cos-
dos olhos, da boca e dos órgãos genitais. tas, para aliviar as dores musculares ou articula-
• Para uma aplicação normal são suficientes 20 ou 30 go- res: alecrim, zimbro, pinheiro ou manjerona.
tas de óleo essencial, que se colocam nas palmas das • Fricção circulatória para melhorar o retorno do
mãos de quem aplica a fricção. sangue venoso em caso de varizes, pernas incha-
• Em caso de peles sensíveis, a essência pode diluir-se, das ou celulite: cipreste ou limão.
misturando-a em partes iguais com azeite de oliveira,
óleo de gérmen de trigo ou de amêndoas amargas.

'''S
96
y*.
Além de proporcionar uma
agradável sensação de
bem-estar, a inalação de
essências (aromaterapia)
pode exercer notáveis
acções medicinais:
restabelecimento do sono
em caso de insónia,
equilíbrio do sistema
nervoso quando haja
esgotamento ou depressão,
aumento da capacidade
respiratória e normalização
da tensão arterial, entre
outras.

3. Banhos com
essências
Os óleos essenciais menciona-
dos nos tratamentos anteriores
também podem juntar-se à
água do banho (ver pág. 65).
Usam-se de 3 a 10 gotas por
banheira.
As essências também se adi-
cionam à água dos banhos de
vapor {ver pág. 71). Neste caso
bastam 2-3 gotas.

4. Via interna • Não ingerir um mesmo óleo essencial durante mais de 3


Embora não seja esta a forma ideal de aplicá-los, os óleos semanas consecutivas.
essenciais também se podem ingerir por via oral, como • Não se recomenda administrá-los a crianças menores
complemento de qualquer dos tratamentos anteriores. A de 6 anos. Para estas são preferíveis os hidrossóis (ver
mesma essência que se aplica em difusão, em fricção ou pág. 91).
em banhos, pode ingerir-se para reforçar o seu efeito, ten- • Recomenda-se ingerir os óleos essenciais colocando as
do em conta as seguintes precauções: gotas de uma das três formas seguintes:
• Os óleos essenciais são princípios activos muito con- - Sobre as costas da mão.
centrados, pelo que não se devem ultrapassar as do- - Numa colher juntamente com mel.
ses indicadas, que em geral são de 1 -3 gotas, 3 ou 4 ve- - Num copo com água morna (não quente, pois os prin-
zes por dia. cípios activos decompõem-se com o calor).

97
PRECAUÇÕES E
TOXICIDADE DAS PLANTAS
~w ^ mbora a maior parce das plantas
SUMÁRIO DO CAPÍTULO m J medicinais se possa usar sem
J È * qualquer risco, existem alguns ca-
-JL J sos muito concretos, em que cer-
tas plainas podem produzir eleitos indese-
Bócio hipotiróide 100 jáveis. Falando em termos farmacológicos,
Cardiovasculares, afecções 99 poderíamos dizer rpie algumas plantas
Colite 99 apresentam conli a-indi< ações; ou seja, que
Coração, doenças 100 não se recomenda o seu uso em determi-
Debilidade 100 nadas situações.
Digestivas, afecções 98
Estômago 98 Contudo, assinale-se que, ao contrário
Fígado, afecções do 99 do que acontece com alguns fármacos, as
Gastrite 98 contra-indicações do uso das plantas não
Gravidez 102 são absolutas e formais, mas apenas relati-
Hemorróidas 99 vas. O facto de não serem tomadas cm con-
O café é uma das plantas sideração não produz, geralmente, trans-
tóxicas mais usadas no Hiperteiisào arterial 99
m u n d o . Contém cafeína, Infância 102 tornos graves. Passamos a citar algumas si-
um alcalóide que gera Intestinal, oclusão 99 tuações ou doenças em que convém evitar
dependência. Lactação 102 o uso de certas plantas, ou pelo menos u.sá-
No seu estado natural, tal Menstruação 101 -las com precaução.
como os mostra a Nefrite 100
fotografia, os grãos de café Nervosismo 100
náo se tornam tão tóxicos
Oclusão intestinal 99
como torrados. Durante o
processo da torrefacção, Próstata, adenoma da 100 Precauções nas
produzem-se substâncias
irritantes para o aparelho
Urinárias, afecções
Urogenitais, afecções
100
100
afecções digestivas
digestivo, as vias urinárias e
o pâncreas.

Gastrite
Em caso de gastrite, é necessário evitai as
plantas que causem irritação sobre o esió-
mago, por terem sabor forte ou picante, es-
pecialmente: cravinho, felo-macho, gengi-
bre, mostarda-negra, pimentão picante e
pimenta.

Ulcera g a s t r o d u o d e n a l
E necessário evitar, especialmente na fase
aguda da doença ulcerosa gastroduodenal,
as plantas que provocam aumento da se-
creção de sucos gástricos (as especiarias
em geral, as plantas amargas e as aperiti-
vas). 1'". bem sabido que o ácido clorídrico
A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 * Porte: G e II e r o I i d o O

desempenha um importante papel no apa-


recimento da úlcera, especialmente na do
duodeno.
As plantas que mais fazem aumentar a se-
creção de sucos no estômago, e que por-
tanto convém evitar em caso de úlcera gas-
troduodenal, são: absinto, café, canela,
chá, cravo, cúrcuma, feto-macho, gencia-
na, gengibre, mau-, milefólio, mostarda-
•negra, pimentão picante, poejo, quássia.

Colite
Sempre que haja inflamação do intesti-
no grosso (cólon), manifestada por gases,
fermentações e diarreias (entre outros sin-
tomas), são contia-indicados:
• Os purgantes em geral, e especialmente
a jalapa, o rícino, <» ruibarbo e o sene-da-
As sementes do rícino sào
-índia. muito venenosas, pois a
• O café, pela acção irritante da sua essên- ingestão de três delas pode
cia. provocar a morte a uma
criança. No entanto, o óleo
tite, cirrose e hepaiopatias (doenças do li- que se obtém das mesmas
gado) em geral, devido à acção dos seus al- sementes é um purgante
Oclusão intestinal calóides. seguro e eficiente.
Km caso de oclusão intestinal são for-
malmente conira-indicados todos os pur-
gantes, tanto os elaborados ã base de plan-
tas medicinais como os de síntese quími-
ca. Precauções nas afecções
cardiovasculares
Hemorróidas
Quando se sofre de hemorróidas não se
devem ingerir os purgantes com glicósidos
antraquinónicos, que provocam congestão
de sangue na pelve, e portanto fazem au- Hipertensão arterial
mentaras hemorróidas. Especialmente alo-
és, cáscara-sagrada, amieiro-negro e rui- A bolsa-de-paslor, o caie. <» inale, a pi-
barbo. Os picantes como a pimenta ou a m e n t a e o chã. p o d e m a u m e n t a r a tensão
mostarda também são contra-indicados, jã arterial. As avelãs também têm um ligeiro
que irritam a mucosa anal, à saída com as eleito hipertensor. O alcaçuz retém líqui-
fezes. dos nos tecidos, se for tomado durante
muito t e m p o de forma continuada, e tam-
b é m p o d e a u m e n t a r a pressão arterial.
Afecções do fígado I .ogo, lodos os que sofram de hipertensão
A tasneirinha, usada como emenagogo, devem abster-.se de consumir estas plantas
mrna-se < onti.i-indic ada em «aso de hepa- ou os seus derivados.

9'J
C a p . 5: P A E C A U C Ó E S E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S
V.

Plantas a evitar durante a gravidez

Durante a gravidez devem-se evitar todas as plantas tóxicas


de aplicação medicinal descritas na tabela da página 103 e, além disso, aque-
las que seguidamente mencionamos:
é muito intenso e podem até provocar he-
matúria.
Planta Pág. Motivo
Absinto 428 Emenagogo, risco de aborto
A d e n o m a da próstata
Açafrão 448 Risco de aborto em doses elevadas
Agrião 270 Risco de aborto Quem sofra de um adenoma da próstata
Alcacus 308 Produz hipertensão e edemas, em uso continudado terá de evitar os diuréticos potentes (mi-
lho, cavalinha, cie.) especialmente à noite,
Aloés 694 Ocitócico, provoca contracções uterinas
que é quando a dificuldade paia urinar é
Amieiro-negro 526 Laxante/purgante, provoca contracções uterinas mais acentuada.
Artemísia 624 Emenagoga, risco de aborto
Boldo 390 Embora não haja provas, poderá afectar o feto
Buxo 748 Pode produzir vómitos e irritação nervosa
Cafeeiro 178 Diminui o crescimento do feto Precauções em afecções
Cáscara-sagrada 528 Laxante/purgante, produz congestão da pelve diversas
Dictamno 358 Emenagogo, risco de aborto
Jalapa 499 Purgante e emenagoga, risco de aborto
Romãzeira 523 Alcalóides tóxicos (a casca), possível afectação do feto
Ruibarbo 529 Purgante, produz congestão da pelve Bócio hipotiróide
Salsa 583 Emenagoga, risco de aborto Quem sofra de bócio hipotiróide deve
Salva 638 Ocitócica, contrai o útero evitar a couve, pois tem efeito antitiróide
Sene-da-índia 492 Purgante, provoca contracções uterinas (diminui a função da liróide). Em geral,
Tanaceto 537 Emenagogo (tuiona), risco de aborto recomenda-se não usar a couve de forma
diária ou continuada durante mais de dois
ou três meses.

Doenças do coração Cálculos renais ou urinários


Desde que se sofra de qualquer transtor- Em caso de lilíase (cálculos ou pedras)
no cardíaco, é necessário evitar o uso de renal ou urinária, é necessário evitai as
café, chá, chocolate e mate, inclusive como plantas ricas em ácido oxálico ou oxalalos
plantas medicinais, pelo efeito excitante da (formadores de cálculos), como a aleluia,
cafeína e da teobromina sobre o coração. as azedas e o ruibarbo.

Debilidade
Precauções em afecções Nos casos de debilidade são contra-indi-
cadas a casca da romãzeira e o rizoma do
urogenitais feto-macho.

Nervosismo
N e frite
As plantas ricas em essências (especial-
As bagas do zimbro e OS caules do espar- mente eucalipto e salva) produzem irrita-
go são contra-indicados no caso de infla- bilidade nervosa quando se ultrapasse a
mação dos rins (nefrite, glomerulonefrite, dose terapêutica. Daí que se desaconselhe
pielonefrite), porque o seu efeito diurético o seu uso por pessoas nervosas ou irritáveis.

100
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I
V
1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

s/,.

Plantas abortivas
Atenção: Nenhuma das plantas que cita-
mos como possuidoras de efeito abortivo
são adequadas para provocar um aborto.
Existe um velho aforismo atribuído a Hi-
pócrates, que adverte: "Não existem abor-
tivos, o que há são tóxicos para a mãe e
para o feto."
Para provocar um aborto com qualquer
destas plantas é necessária uma dose tão
elevada que, com toda a certeza, produzi-
rá uma intoxicação da mãe, com graves
efeitos indesejáveis: cólicas intestinais,
vómitos, excitação nervosa, convulsões,
etc. Tem havido casos de mulheres grávi-
das que morreram quando tentavam pro-
vocar em si mesmas um aborto com plan-
tas.
Quando indicamos "risco de aborto" na ta-
bela das plantas (pág. 100), não queremos
dizer que se trate de uma planta abortiva
em termos absolutos, mas que aumenta o
risco de sofrer um aborto em mulheres já
predispostas a ele por alguma razão, seja
ou não conhecida.

Tentar provocar um aborto ã


base de plantas tóxicas
representa um risco de morte
para a mãe, ao mesmo tempo
que para o feto.

W
'V

vicos, e alem disso contraem a musculatu-


Precauções na ra do útero. Sc forem usadas durante as re-
gras ou nos dias que as antecedem, podem
menstruação e na gravidez provocar dolorosos espasmos merinos. São
elas: aloés, amieiro-negro, cáscara-sagrada,
quássia, ruibarbo e senc-da-índia.

Menstruação
As doses elevadas de alho, cru ou em ex-
A.s plantas que contêm glicósidos antra- tractos, podem aumentar notavelmente as
quinóniros, de acção purgativa, produzem hemorragias menstruais, pela sua acção
unia congestão do sangue nos órgãos pél- fluídificante do sangue (ver pág. 230).

101
C a p . 5: PRECAUÇÕES E TOXICIDADE DAS PLANTAS

Precauções relacionadas
com a infância

Lactação
Ilá certas plantas q u e as mulheres que
a m a m e n t a m d e v e m evitar, ciado que <»s
seus princípios activos:
As crianças, assim como as • Passam para o leite e p o d e m prejudicar
grávidas, devem ser muito
prudentes no uso de o b e b é : absinto, buxo. café, mate, casca-
qualquer planta ou va-sagv«\d<\, amieivo-negro e, em geral,
medicamento. Iodas as plantas perigosas cm doses ele-
Gravidez vadas, ou seja q u e são potencialmente
tóxicas (ver pág. 104).
D u r a n t e :i gestação são contra-indiçadas • Passam para o leite e. ainda que não se-
cm geral iodas as plantas medicinais tóxi- jam tóxicos, lhe c o m u n i c a m um sabor
cas (ver pág. 103), pelo risco de provoca- amargo: artemísia, genciana c. em geral,
rem malformações no feto ou um a b o r t o . iodas as plantas amargas.
• Diminuem a p r o d u ç ã o de leite: amieiro,
cana c o m u m , salva e p e n u n c a .
Mas. além das plainas c l a r a m e n t e tóxi-
cas, na gravidez convém evitar as q u e figu-
ram na tabela da página 100. As q u e apa- Infância
recem nesta tabela são plantas cie uso ha- Em geral é preciso ter muita prudência
bitual, q u e não apresentam efeitos tóxicos. q u a n d o se administram plantas medicinais
No e n t a n t o , nas m u l h e r e s grávidas p o d e m às c r i a n ç a s . K necessário evitar todas as
ter eleitos indesejáveis. plantas tóxicas (ver pág. 103) e, por pre-
(fonliiiua na búgfnã 106)

A importância da dose

Nas plantas tóxicas (como por exemplo a dedaleira), a dose tóxica é muito próxima da dose terapêutica, pelo que a margem de
manobra se toma muito estreita. Uma dose dupla da recomendada como terapêutica pode produzir efeitos tóxicos, e uma tripia pode
ser mesmo mortal.
No entanto, nas plantas não tóxicas {como por exemplo o tomilho), podem-se tomar doses dez vezes maiores do que as reco-
mendadas sem que se produzam sintomas importantes: e a dose mortal não existe, ou seja, que por muita quantidade que se tome des-
tas plantas, não há risco de se provocarem efeitos irreparáveis.

Planta Parte utilizada Dose terapêutica Dose tóxica Dose mortal


Digital (exemplo de Pó das suas folhas 2 g (vómitos, 3 g (suores frios, convulsões, alterações do
1 g (para um dia) braquicardia, diarreia) ritmo do coração e paragem cardíaca)
planta tóxica) secas
Tomilho (exemplo de 200 g (sintomas leves:
Sumidades 20 g (para um dia) Não existe
planta não tóxica) excitação, náuseas)

102
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " F^.irle: G e n e r a l i d a d e s

Deúaleira
I
Plantas tóxicas de aplicação medicinal

As plantas que a seguir se registam são de uso restrito a determinadas doenças, e de preferência sob vigilância médica. O
uso indevido destas plantas pode produzir intoxicações graves; no entanto, a sua utilização correcta pode resolver graves trans-
tornos e até salvar a vida de um doente.

Planta Pág. Parte utilizada Princípio activo Aplicação medicinal Efeitos tóxicos em uso interno

Acónito 148 Raiz Alcalóide: aconitina Anestésico, dores insuportáveis Paralisia nervosa

Arnica 662 Flores, raiz Óleo essencial Vulnerária (só em uso externo) Vómitos, vertigens, convulsões

Alcalóides: atropina, Asma, cólicas, dilatação da pupila (em


Beladona 352 Folhas, raiz Taquicardia, delírio, convulsões
hiosciamina preparados farmacêuticos)
Antigamente usava-se como purgante (hoje A raiz é muito irritante. As bagas
Briónia 490 Raiz, bagas Alcalóide: brionma não se usa nem interna nem externamente) são mortais

152 Folhas Analgésico contra nevralgias e dores Alucinações, loucura


Cânhamo Canabmóis reumáticas (em uso externo)
Castanheiro- Escuhna, saponinas Emoliente, cosmético (só em uso externo) j Vómitos, diarreias, hemólise
2511 Sementes
•da-índia
Analgésico, sedante: dores insuportáveis, Vómitos, paralisia muscular,
Cicuta 155 Frutos, (olhas Alcalóide: coniina paragem respiratória
cancro, nevralgias (uso interno e externo)

Coca 180 Folhas Alcalóide: cocaína Estimulante, mal da montanha Anestésico local

666 Toda a planta kt**iuA*. *,J,...IAI«»


Wcalo.de. colquic.na Acalma as crises de gota (em preparados Vómitos, diarreia, paralisia
Cólquico farmacèu,icos)

Consolda- 732 Toda a planta Alcalóide e


Cicatrizante e emoliente (só em uso externo) Paralisia nervosa
-maior glicósido
Insuficiência cardíaca (em preparados Náuseas, vómitos, bradicardia,
Dedaleira 221 Folhas Glicósidos farmacêuticos) paragem cardíaca
Doce- Vómitos, diarreia, transtornos
•amarga 728 Caules, folhas Alcalóide: solanina Emoliente, cicatrizante (só em uso externo) nervosos
Asma e alergias Estimulante do sistema nervoso
Éfedra 303 Caules Alcalóide: efedrina simpático
(em preparados farmacêuticos)
Emoliente, alivia comichões (só em uso Vómitos, diarreia, transtornos
Erva-moura 729 Folhas, caules Alcalóide: solanina nervosos. Bagas doces mas tóxicas
externo)
Saponinas,
Escrolulária 543 Toda a planta UM contra as hemorróidas Vómitos e diarreias
glicósidos

157 Alcalóides:
Estramónio Folhas Asma, cólicas (uso interno e externo) Alucinações, transtornos mentais
hiosciamina. atropina

Evónimo 707 Frutos Glicósido: evonimina Cardiotónico. Contra a sarna (uso externo) Diarreias, transtornos cardíacos

e™„„ „ . . Cicatrizante, analgésica (as folhas, em uso Folhas: reacções alérgicas. Bagas:
Hera 712 Bagas, folhas muito tóxicas
baponinas externQ)

Cardiotónico muito activo. Contra a sarna Transtornos cardíacos. Paragem


Loendro 717 Flores Glicósido: folineriina (em uso externo) cardíaca
Malmequer- Revulsivo, anti-reumático (só em uso Irritante digestivo
665 Toda a planta Protoanemonina
dos-breps externo)
Meimendro- Alcalóides: atropina, Anestésico, narcóticos (uso interno e Alucinações, taquicardia, paragem
159 Folhas cardíaca
•negro escopolamina externo): dores insuportáveis
Alcalóide: Vulnerária (só em uso externo)
Norçapreta 679 Bagas, raiz Vómitos, diarreia
diosgenina

Viburno 199 Folhas, bagas Glicósido Desinflama a boca (só em bochechos) Vómitos, diarreia

103
C a p . 5: PRECAUÇÕES E I O X I C I 0 A O E DAS PLANTAS

Hortelã- ^M

P
-pimenta J^

Plantas perigosas somente em doses elevadas

O uso das plantas que a seguir se registam não apresenta riscos especiais, desde que se respeitem as doses indicadas
na página correspondente.

Planta Pág. Propriedades Efeitos secundários


Abeto-branco 290 Balsâmica, revulsiva Irritação do sistema nervoso pela terebintina
Absinto 428 Digestiva, vermífuga, emenagoga Tremores, convulsões, delírio, vertigens: causados pela essência tuiona
Açafrão 448 Digestiva, emenagoga Transtornos nervosos e renais; abortivo
Adónis-da-itália 215 Cardiotónica Náuseas, vómitos, diarreia
Anémona-hepática 383 Hepática, vulnerária Intolerância digestiva
Anis-estrelado 455 Digestiva, carminativa Delírio, convulsões: causados pela essência anetol
Aristolóquia 699 Emenagoga, vulnerária, antkeumática Irritação do estômago
Arruda 637 Ocitocica, emenagoga, antiespasmódica Risco de aborto, reacções alérgicas na pele
Artemísia 624 Emenagoga, aperitiva Irritação nervosa devida à essência
Ásaro 432 Emética, purgante Vómitos, diarreia
Bérberis 384 Colagoga, cardiotónica Transtornos do sistema nervoso
Betonica 730 Adstringente, vulnerária Gastrenterite
Boldo 390 Colerética, digestiva Sonolência, sedação
Buxo 748 Sudorífica, febrífuga Vómitos, transtornos nervosos
Cafeeiro 178 Estimulante, cefaleias Gastrite, arritmias cardíacas, dependência
Calumba 446 Digestiva, antidiarreica Náuseas, vómitos
Cebola-albarrã 296 Cardiotónica Náuseas, vómitos, arritmia
Celidónia 701 Antiespasmódica, colerética, sedativa Intolerância gástrica
Chá 185 Estimulante Taquicardia, nervosismo, dependência
Coentro 447 Digestiva, carminativa, tonificante Excitação nervosa pela essência
Condurango 454 Aperitiva Convulsões
Copaiba 571 Anti-séptica urinária Erupções, nefrite
Cravinho 192 Estimulante, anti-séptica, analgésica Irritação do estômago
Dormideira 164 Analglésica, sedativa Obnubilação mental, depressão respiratória, dependência
Erva-formigueira 439 Digestiva, anti-helmintica Intolerância digestiva
Espinheiro-cerval 525 Purgante Cólica intestinal
Eucalipto 304 Balsâmica, anti-séptica Gastrenterite, hematúria, transtornos nervosos devidos a essência
Feto-macho 500 Vermífuga Irritação gástrica
Funcho 360 Carminativa, digestiva Convulsões pela essência
Giesta 225 Cardiotónica, ocitocica, diurética Excitação nervosa, hipertensão
Ginseng 608 Tonificante Nervosismo
Globulária 503 Purgante, colagoga Vómitos, diarreia
Gracíola 223 Cardiotónica Vómitos, cólicas intestinais
Grindélia 310 Antiespasmódica, expectorante Alterações cardíacas
Hipericão 714 Vulnerária, balsâmica, digestiva Fotossensibilização
Hissopo 312 Expectorante, carminativa Convulsões pela essência
Hortelã-pimenta 366 Digestiva, colerética, anti-séptica, tonificante Insónia, irritabilidade, espasmos da laringe em crianças (essência)
Ipecacuanha 438 Emética, expectorante Irritante para a pele

104
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 •' Parte: G e n e r a l i d a d e s

Planta Pág. Propriedades Efeitos secundários


Lírio-dos-vales 218 Cardiotónica Vómitos, diarreias
Mostardanegra 663 Rubefaciente. anti-reumática Gastrite
Pilriteiro 219 Cardiotónica, sedativa Bradicardia, depressão respiratória
Pimenta-dágua 274 Hemostática, cicatrizante Irritação digestiva
Pimenteira 370 Tónica digestiva Irritação digestiva, sangue na urina, hipertensão
Pinheiro 323 Balsâmica, anti-reumática Irritação do sistema nervoso pela essência
Podofilo 517 Purgante, antimitótica Diarreia
Polígala da virginia 327 Expectorante Náuseas e vómitos
Quássia 467 Digestiva, febrífuga Vómitos
Romãzeira 523 Vermífuga Tremores musculares e paralisia (a casca)
Salsaparrilha-bastarda 592 Diurética, depurativa Náuseas, vómitos
Salva 638 Anti séptica, tonificante, emenagoga Convulsões, trantornos nervosos pela essência
Sanamunda 194 Adstringente, disgestiva Intolerância gástrica
Satitónico 431 Vermífuga Nervosismo
Saponãria 333 Expectorante, diurética Irritação digestiva
Sassafrás 678 Sudorífica, diurética, depurativa Convulsões pela essência
Selo-de-salomão 723 Diurética, vulnerária, hipoglicemiante Transtornos nervosos
Tanaceto 537 Vermífuga, emenagoga Vómitos, convulsões
Tasneirinha 640 Emenagoga Possível toxicidade sobre o fígado
Trevo-cervino 388 Colerética, depurativa Vómitos
Trevo-d'água 463 Aperitiva, febrífuga Diarreia, vómitos
Visco-branco 246 Hipotensora, vasodilatadora Vómitos, hipotensão, transtornos nervosos

O loendro ('Nerium oleander' L.) é um exemplo de O selo-de-salomáo (Polygonatum odoratum' Dru-


planta tóxica de aplicação medicinal. A ingestão ce) é um exemplo de planta perigosa somente em
de duas das suas folhas pode provocar a morte por doses altas. Se se respeitarem as doses indicadas
paragem cardíaca. No entanto, as flores são muito da sua parte medicinal, o rizoma, não há perigo de
apreciadas contra a sarna, aplicadas em cataplas- intoxicação,
mas sobre a pele.

105
C a p . 5: PRECAUÇÕES E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S

Viscobranco jMo^^^' >

Plantas com alguma parte tóxica '


'l
* w W
As plantas que a seguir se registam tèm uma parte medi-
cinal e outra parte venenosa. Convém saber distingui-la* para evitar intoxi-
cações.
Plantas tóxicas de aplicação
Planta Pãg. Parte medicinal Parte tóxica
medicinal
Abrunheiro-bravo 372 Frutos Sementes (o miolo) O q u e n e m todos sabem é q u e algumas
Asclépia 298 Raiz seca Folhas, caules desias plainas, qualificadas como tóxicas,
Cerejeira-da-vírgínia 330 Casca
também podem curar graves doenças e in-
Folhas
clusivamente salvar a vida. A mesma plan-
Cersefibastardo 243 Folhas, raiz Sementes, frutos ta pode malar ou pode < mar. Como pode
Colútea 498 Folhas Sementes uma planta ser tóxica e medicinal ao mes-
Fitolaca 722 Raiz Bagas mo tempo? Para que uma destas plantas
Lirio-dos-vales 218 Folhas, flores Bagas lenha efeitos medicinais, é preciso:
Noveleiro 642 Casca seca Bagas 1. Que a dose seja correcta;
Rícino 531 Óleo (sementes) Sementes inteiras
2. Que seja bem indicada para a doença da-
Selo -de-salomão 723 Rizoma Bagas, folhas quele que a toma. A mesma dose que
Teixo 336 Cúpula carnosa das sementes 0 resto da planta para um indivíduo doente é curativa,
Viscobranco 246 Folhas Bagas para um são poderia ler efeitos IÓXÍCOS.
As plantas que citamos na tabela da pá-
gina 103 constituem remédios drásticos
n imlhiiMção rlri página 1<>2> que se devem usar unicamente em doenças
graves que assim o exijam. Nestes casos
caução, também as que são perigosas em concretos, são de um grande valor te-
doses alias (ver pág. 104). Por exemplo, rapêutico. Como agradece o doente do co-
não convém administrar às crianças: ab- ração, que se sente asfixiar, uma infusão de
sinto, buxo. romã/.eira (casca), santónico e dedaleira ou um medicamento preparado
Feto-macho. com os seus glicósidos! O mesmo podería-
mos dizer de quem sofre um ataque de ar-
trite gotosa, no que respeita à colquicina
do cólquico. No entanto, uma mesma dose
A toxicidade das plantas destas plantas pode ter efeitos tóxicos in-
desejáveis numa pessoa saudável ou que
medicinais não precise dirias.
As doses têm de estar bem calculadas,
A maior parle das plantas medicinais não para se manterem dentro da estreita mar-
são tóxicas e podem tomar-se com menor gem terapêutica destas plantas, já que a sua
risco do qualquer fármaco de síntese quí- dose tóxica é um pouco superior à respec-
mica. tiva dose terapêutica. K desejável que as
plantas tóxicas de acção medicinal a que
Toda a gente sabe. no entanto, que exis-
nos referimos sejam preparadas e adminis-
tem plantas venenosas. Segundo os espe-
tradas por profissionais. De facto, actual-
cialistas em toxicologia vegetal, calcula-se
mente, muitas delas (arnica, beladona,
em 700 as espécies de plantas mortíferas
coca, cólquico, dedaleira. êfedra) admi-
que crescem no planeia Terra. A mais fa-
nisiram-se unicamente em Forma de pre-
mosa de iodas talvez seja a cicuta, que cau-
parados Farmacêuticos, perfeitamente do-
sou a morte rio sábio grego Sócrates no sé-
si ficados.
culo V a.C. Muitas ounas têm sido utiliza-
das ao longo da história por envenenado- Alguma destas plainas só se empregam
rcs profissionais «ai pelos Fabricantes dos em aplicações externas. Apesar disso, cita-
outrora Famosos "pós de herdar." mos os seus eleitos tóxicos por via interna

106
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 ' P.irle: G e n e r a l i d a d e s

como informação. Aplicadas localmente",


plainas como o acónito, o cânhamo, a ci-
cuta e o meimendro-negro, por exemplo,
têm um poderoso efeito anestésico em d<>-
res de difícil tratamento, causarias por can-
cro ou nevralgias, mas terão de ser usadas
com muita prudência, inclusive quando se
aplicam localmente, pois os seus princípios
activos também se absorvem através da
pele.

Plantas perigosas u n i c a m e n t e em
doses elevadas
A maior parte das
Há outro grupo de plantas cujo uso em intoxicações por p/antas
doses alias pode produzir efeitos secundá- produz-se em crianças de
rios indesejados. São plantas potencial- tenra idade que, por
de- intoxicações, cujos resultados podem ocasião de uma saída ao
mente tóxicas; mas desde que se respeitem chegar a ser lalais. K muito importante sa- campo, chupam ou
as doses indicadas, e se u n h a m em conta ber como prevenir os envenenamentos por mordiscam frutos, flores ou
as precauções assinaladas, podem-se usai plainas, e o modo de actuar cm caso de se folhas venenosas, sem que
sem perigo. lerem produzido. os pais se dêem conta
disso.

Plantas c o m partes tóxicas Causas d a s i n t o x i c a ç õ e s


Existem plantas que produzem princí- As inioxicações por plantas costumam
pios medicinais nalgumas das suas partes, c produzir-se na maior parle dos casos:
substâncias lóxicas sem nenhuma apli- • por se confundir uma planta venenosa
cação terapêutica, noutras. Convém co-
com uma medicinal, ou
nhecê-las. para evitar intoxicações aciden-
tais por engano (ver tabela, pá»;. 10b) • pela administração de uma dose exces-
siva de uma planta potencialmente tó-
xica.
Plantas q u e frescas o u s e c a s
são tóxicas
Prevenção
Há plantas que se devem usai quer uni-
camente frescas, quer unicamente secas. Primeiro que ludo, o ideal ê evitar que se
paia evitar a presença ou a formação de produza uma intoxicação. Para isso, ê ne-
substâncias tóxicas (ver págs. 47 e 50). cessário:
1. Identificar sem nenhuma dúvida qual-
quer planta, antes de a tomar. E preciso
ser-se prudente com algumas plantas
As intoxicações por plantas oferecidas ou indicadas por pessoas pre-
tensamente "entendidas" em ervas.
Não c estranho que, por diversas causas. 2. Pesar as doses tia planta administrada.
se produzam acidentes tóxicos relaciona- .'S. Vigiar as crianças nas saídas ao campo.
dos com o uso das plantas em geral, c das A maior parte dos casos de intoxicação
plantas medicinais em particular. As dáo-se com crianças (pie chupam ou
crianças são as mais implicadas neste tipo mordiscam Mores e plantas.

107
3 C a p . 5: P R E C A U Ç Õ E S E T O X I C I D A D E DAS P L A N T A S

Confusões frequentes entre plantas

Quando se colhem certas plantas, deve-se ter cuidado para não confundi-las
com outras parecidas, mas tóxicas. Estas são algumas das plantas que se po-
dem confundir por parecença com outras, causando intoxicações acidentais. • estimulando a garganta com os dedos,
com uma colher, ou com uma pluma
embebida em Óleo ou azeite, ou então
Planta Pág. Parte usada Confunde-se com Pág. • dando a beber uma colher de xarope de
Castanheiro 495 Sementes Castanheiro-da-india 251; ipecacuanha.
Rabanete e Rábano 393 Raiz Acónito 148
Sabugueiro 767 Bagas Beladona 352 O vómito não deve ser provocado mis se-
Sabugueiro 767 Bagas Ébulo 590 guintes casos:
Salsa 583 Folhas Cicuta 155 • quando já se tenham passado mais de
Verbasco 343 Folhas Dedaleira 221 três ou quatro horas depois da ingestão,
• quando o doente já esteja a vomitar de
forma eficiente,
4. Não plantar espécies tóxicas em jardins • quando esteja entorpecido ou incons-
ou em lugares ao alcance das crianças. ciente (poderia sufocar-se).

3. Praticar uma lavagem ao estômago


S i n t o m a s gerais
Faz-se com a ajuda de uma sonda intro-
Uma vez ingerida a planta venenosa, os
duzida através da boca ou do nariz. Deve
sintomas de intoxicação podem demorar a
manifestar-se, desde alguns minutos até ser praticada por um profissional de saúde.
mesmo três dias (como no caso das se-
mentes de rícino). Ainda que possam ser 4. Administrar carvão vegetal
muito variados, os sintomas mais frequen- É um antídoto de uso geral, muito útil
tes são: no tratamento urgente das intoxicações
• sensação de irritação ou de ardência na por via digestiva. Obtém-se após a com-
garganta; bustão da madeira de laia, eucalipto, chou-
po-negro ou de outras árvores (ver pág.
• náuseas c vómitos; 761). O carvão chama-se 'activado' (puni-
• dores de cabeça, visão confusa, dificul- do foi preparada num laboratório especia-
dade de movimentos e convulsões. lizado pata aumentai o seu poder de ab-
sorção. Apiescnta-sc em forma de compri-
midos ou cápsulas, de que se- podem tomar
C o m o agir
de 2 a 20, ou até mais. Também se vende
em caso de intoxicação em pó.

/. Guardar uma certa quantidade como O carvão vegetal não deveria faltar em
nenhuma caixa de medicamentos. Km ca» i
amostra de urgência pode-se dar a mastigar ao in-
Dcvcm-se tomar amostras da planta ou toxicado qualquer pedaço de carvão de
das plantas de que se possa suspeitar terem madeira de uma árvore não tóxica, ou até
sido a causa da intoxicação, paia que sejam mesmo um pedaço de pão queimado.
identificadas por especialistas. O carvão vegetal tem uma extraordinária
capacidade de- absorver (isto é. de reter na
2. Provocar o vómito sua superfície) substâncias químicas que
Normalmente, muitas plantas tóxicas já depois se eliminam com as fezes, que ad-
provocam vómitos. Mas se estes não surgi- quirem a cor negra. Também se adminis-
rem ou não forem suficientes para expul- tra, com excelentes resultados, em caso de
sai o conteúdo do estômago, terão de ser diarreia ou de fermentação intestinal, para
provocados: absorver as toxinas.

108
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E O I C I H A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s

Troncos de eucalipto
prontos para serem
queimados com o fim de
obter carvão vegetai.
Este náo deveria faltar
em nenhuma caixa de
medicamentos, por ser
um antídoto e
antidiarreico muito eficaz.

O carvão vegetal não substitui <> vómito Existem antídotos específicos para al-
nem a lavagem ao estômago. Na realidade, guns tóxicos, que costumam ser também
para se obter melhor resultado, recomen- outros tóxicos de acção contraria. Por
da-se esvaziar primeiro o estômago por exemplo, o antídoto da cicuta é a estrieni-
meio de um destes dois métodos, e depois na. O seu uso correcto é muito difícil, e
administrar o carvão vegetal. Quanto me- está reservado a médicos e farmacêuticos.
nos for a quantidade de planta venenosa
que fique no estômago, tanto mais eficien-
te será O antídoto aplicado. 6. Como agir nos casos mais graves

Colocar o paciente deitado com a cabeça


5. Administrar outros antídotos voltada para um dos lados, para o caso de
vomitar. Tapá-lo com um cobertor. Vigiar
Os sais de magnésio e a clara de ovo os movimentos respiratórios e aplicara res-
também se usam t o m o antídotos univer- piração artificial se for necessário.
sais, embora a sua eficácia seja muito me-
nor que a do caixão. Nenhum óleo se deve
usar tomo antídoto, já que pode favorecer 7. Assistência hospitalar
a dissolução, e portanto maior absorção de
certas toxinas. O leite tem sido usado como Todas estas medidas são para casos leves,
antídoto, embora sem um suficiente fun- ou enquanto não se chega a um hospital.
damento químico, pelo que não podemos Em nenhum caso se deve atrasai a trans-
recomendar o seu uso. ferência para um hospital.

109
DA PLANTA
AO MEDICAMENTO
Matéria Médica de Dioscórides, ou sim-
Das plantas aos medicamentos plesmente "o Dioscórides", foi o livro de
texto básico para todos os médicos oci-
de síntese química dentais durante mais de 1700 anos. Se-
gundo Foni Quer, a sua difusão só foi ul-
trapassada pela da Bíblia. Servia como re-
No século I d . C , o médico e botânico
ceituário ou vade-mécuin, no qual se con-
grego Dioscórides escreveu uma obra que sultavam as plantas e remédios úteis paia
abrangia iodos os remédios que a nature- cada doença. Li/.cram-se diversas traduções
Actualmente, segundo o za oferece, com particular insistência nas para o latim e o italiano, que tiveram am-
"Boletim da Organização plantas medicinais (descrevem-se cerca de
Mundial de Saúde" |vol 65,
pla divulgação em toda a Europa. A tra-
600). Os seus discípulos loiam-na am- dução mais importante para o castelhano
pág. 1 59). mais de 2 5 % dos
medicamentos, nos pliando depois, ate atingir seis volumes. foi a (pie fez o Di. And rés de Laguna, no
laboratórios de farmácia de Esta extraordinária obra, conhecida como século XVI. Km Portugal, e também no sé-
todo o mundo, procedem culo XVI, o principal comentador das
directamente das plantas. obras de Dioscórides foi o Dr. Amato Lusi-
tano.
Com o progresso da química e o surgi-
mento da farmacologia, a partir do século
XVIII, os médicos foram substituindo a
pouco e pouco as suas receitas ã base de
plantas, baseadas no "Dioscórides". por
prescrições ã base de produtos químicos
extraídos das plantas.
• Lm 1803, um jovem farmacêutico
alemão. Seriúrner, isolou um alcalóide
a partir do ópio da dormideira, a que
chamou morfina, recordando o nome
de Morléu. deus grego do sono.
• Lm 1817, isolou-se o princípio activo da
ipecacuanha, a emetina.
• O químico alemão Hoffmann obteve a
aspirina a partir da casca do salgueiro,
em meados do século XIX.
• Lm 1920 os farmacêuticos franceses IV-
lletier e ('aventou isolaram a quinina a
partir da árvore da quina.
Descobertos e isolados os princípios ac-
tivos ílas plantas, pensou-se que com eles
se podiam substituir as velhas receitas ã

110
A SAÚDE PELAS P L A N T A S M E D I C I N A I S

1 " Parte: G e n e r a l i d a d e s
I
Diferenças entre plantas e medicamentos

Medicamentos à base de substâncias purificadas Plantas medicinais

Os princípios activos das plantas absorvem-se em geral com


maior facilidade que os seus equivalentes inorgânicos, obtidos
Limitada em caso de substâncias químicas inorgânicas ou por síntese química. Isto deve-se a que, por se tratar de
Absorção moléculas orgânicas (ou seja, que já fazem parte de um
minerais.
organismo vivo: a planta), atravessam mais facilmente a mucosa
intestinal do que as substâncias inorgânicas ou minerais.
Apresenta diferenças segundo a variedade, terreno e época de
Dose de colheita, o que pode dificultar o tratamento com plantas que
Conhecida com exactidão. contenham substâncias muito activas ou tóxicas (por exemplo:
princípio activo
dedaleira, beladona, etc).
Depende da combinação de todas as substâncias activas da
Acção Depende de uma substância quimicamente pura planta, que se reforçam ou equilibram mutuamente. O conjunto
terapêutica da planta torna-se mais activo do que os seus componentes em
separado.
Maior que a das plantas, mas com o risco do possível
Rapidez de aparecimento de um efeito de "ricochete" (aumento dos Acção mais lenta mas mais persistente, sem efeito de
acção sintomas depois de ter passado o efeito do medicamento "ricochete" nem resistências.
administrado), ou de resistência a médio ou longo prazo.
Efeitos Podem ser importantes, e não completamente conhecidos até Na maior parte das plantas não existem ou são pouco
secundários e que tenham sido usados durante vários anos. importantes, por ser muito baixa a concentração de princípios
tóxicos Reacções alérgicas perigosas. activos.

É maior quanto mais purificada ou tratada quimicamente tiver


A planta em estado natural, mesmo no caso das
sido a substância activa. E o caso da morfina (principio activo
estupefacientes, é menos perigosa do que o principio activo
Risco de criar isolado), que se torna muito mais perigosa do que o ópio
purificado. As plantas sedativas suaves (passiflora, valeriana,
dependência (substância natural). A heroina (derivado químico da morfina)
etc.) não criam dependência, ao contrário dos tranquilizantes
tem ainda uma maior toxicidade e uma maior capacidade de
químicos.
criar dependência do que a morfina.

Quanto mais se manipula e


processa um produto vegetal,
tanto mais se isolam e
concentram os seus princípios
activos.
Deste modo se consegue uma
maior eficácia para certos casos
concretos, ainda que com a
desvantagem de se perderem as
propriedades globais da planta.

111
C a p . 6: O U U N D O V E G E T A L

mas mostrani-sr inadequados nos casos


crónicos, como por exemplo as doenças
reumáticas, pelos transtornos digestivos e
outros efeitos secundários que provocam.

Retorno ao natural

Nos últimos anos redescobriu-se o valor


dos remédios naturais, c a medicina volta
a fazei* um uso cicia vez maior das plantas
curativas. Foi possível comprovar que, em-
bora O seu eleito possa parecer mais lento,
os resultados são melhores a longo prazo,
especialmente em doenças crónicas. A me-
dicina e a botânica têm estado sempre in-
timamente unidas, ainda que, durante
uma certa época, a química farmacêutica
tenha gozado de maior protagonismo. Cal-
cula-se que, actualmente. 25% dos medi-
camentos prescritos contêm pelo menos
uma planta ou alguma substância derivada
dos vegetais. Esta proporção vai aumen-
tando, à medida que se investigam e si'
Quando, na primeira conhecem melhoras plantas medicinais.
metade do sécuio XX, os Certamente, a ciência médica actuai não
notáveis progressos na base de plantas. As substâncias puras eram
produção de medicamentos mais potentes, fáceis de dosificar, e a sua pode- prescindir dos potentes fármacos de
de síntese química tomaram administração em forma de cápsula, com- síntese química. Contudo devem-se usar
o lugar dos remédios primido ou outra, tornava-se mais cómoda. com cautela, i eservando-os para os casos
vegetais, pareceu que a mais agudos ou difíceis; pois em certas oca-
fitoterapia chegava ao seu
()s êxitos fia química farmacêutica fizeram
esquecer até há poucos anos os remédios siões, embora proporcionem um alívio
fim.
naturais, ou seja as plantas medicinais tal imediato, náo curam a doença, e além dis-
Contudo, actualmente está- so têm importantes efeitos indesejáveis.
-se a redescobrir o valor das como a natureza as oferece, e até os seus
plantas medicinais, que são rxirácios e preparados. "Prímum mm nocere", isto é. em primeiro
tanto ou mais eficientes lugar não causes dano. sentencia o famoso
que os fármacos, e com Mas a euforia cio êxito da química fat'- aforismo médico.
menos contra-indicaçõeS- macêuiica náo durou muito. Ao contrário
do que a princípio parecia, por exemploi O leitor sofre de insónia? Então experi-
os cada vez mais potentes antibióticos sin- mente a valeriana, a passillora ou o pi In-
téticos não foram capazes de acabar por teiro; que, ao contrário do que acontece
completo com as doenças infecciosas. V. com os sedativos químicos, não diminuem
certo que, graças a eles, se têm salvado mui- os reflexos nem criam dependência.
tíssimas vidas, mas também c certo que au- Sofre de dores reumáticas? Tente aliviá-
mentaram enormemente as resistências, las com o harpagófíto, o salgueiro ou o ale-
alergias e outros eleitos indesejáveis. Os crim, antes de se arriscai a sofrer uma gas-
potentes corticóides e fármacos anti-iníla- trite ou uma úlcera de estômago com os
matóríos podem resolver um caso agudo. fármacos anti-reuinálicos.

112
A SAÚDE PELAS FLAUTAS UEO<C'»Al S

1"' P a r t e : G e n e r a l i d a d e

Primeiro a palavra;
depois a planta;
em último caso a faca!"
Aforismo médico grego
Muitos medicamentos
actuam como autênticas
facas químicas, cujo uso
poderia evitar-se usando a
palavra (psicoterapia) ou as
plantas medicinais
(fitoterapia).

Sofre de prisão de ventre crónica? Use o


sene-da-índia, a malva ou as sementes de Plantas medicinais e
linho, em vez dos laxantes químicos, se qui-
ser evitar unia colite crónica com perda de medicamentos de plantas
potássio.
Os tratamentos aplicados para fazer fren- Os medicamentos normalmente apre-
te à doença devem ser proporcionais à sua sentam certos inconvenientes. Claro que as
gravidade ou malignidade. plantas medicinais, colhidas e receitadas
de forma empírica por "amadores", tam-
Diz um aforismo grego: "Primeiro a pa- bém podem tornai-se perigosas.
lavra; depois a planta; em último ais», a /ara!"
Alguns medicamentos de síntese química E possível que o ideal sejam os prepara-
são "Facas" que poderiam evitar-se utilizan- dos à base de plantas correctamente iden-
do sabiamente a palavra (psicoterapia) ou tificadas, ou os seus extractos, dosificados
as plantas medicinais (fitoterapia). e preparados por um profissional far-
macêutico, segundo prescrição de um mé-
E, logo à partida, o melhor de tudo é se- dico conhecedor das suas propriedades.
guir um estilo de vida saudável e uma ali- I.sia é a fitoterapia científica para que mo-
mentação correcta; algo que nunca pode- dernamente se tende, e que finalmente
rá sei substituído, nem pelas plantas medi- acabará com a divisão um tanto artificial
cinais nem pelos medicamentos. entre plantas e medicamentos.

113
//,.

Como obter os melhores resultados


com as plantas
Os melhores resultados para a saú-
de obtêm-se usando as plantas em
combinação com outros agentes na-
turais de acção medicinal, como por
exemplo a água (hidroterapia), o
mar (talassoterapia), o sol (heliote-
rapia), as terras medicinais (geote-
rapia), o exercício físico e a ali-
mentação saudável, baseada em
produtos vegetais.
Além disso, é necessário praticar há-
bitos de vida sadios, como a abs-
tinência do tabaco, das bebidas al-
coólicas e de outras drogas.
A acção conjunta de todos estes
factores exerce um notável estímulo
sobre os mecanismos de defesa e
de cura do próprio organismo, que
acabarão por ser os que vencem a
doença.

Nos remédios vegetais, os


princípios activos têm a
vantagem de estar
acompanhados de muitas outras
substâncias, aparentemente
inactivas. No entanto, estes
componentes que recheiam a
planta conferem-lhe, no seu
conjunto, uma eficácia e uma
segurança superiores às dos
princípios activos isolados e
purificados.
E além do mais, a eficácia das
plantas medicinais é aumentada
q u a n d o estas se utilizam no
quadro de uma cura
revitalizadora natural.

"S
114
S/s

Uma pioneira da moderna fitoterapia


Nos últimos anos do século XIX e nos pri-
meiros do século XX, os médicos ainda re-
ceitavam medicamentos à base de substân-
cias químicas muito enérgicas, algumas
então recém-descobertas, que hoje são con-
sideradas venenosas: o calomelano ou clo-
reto mercuroso (de acção fortemente pur-
gante), o tartarato de antimónio (vomitivo),
a estricnina (excitante tóxico), ou os sais de
arsénico (contra a sífilis e outras? infecções).
Os progressos da incipiente indústria quí-
mica e farmacêutica, tanto na Europa como
nos Estados Unidos, tinham desencadeado
um grande entusiasmo social. A contínua
descoberta de novos medicamentos cada
vez mais potentes, ainda que não menos tó-
xicos, parecia prometer um futuro próximo
em que iria existir um fármaco específico
para curar quase qualquer doença.
No meio daquele ambiente de euforia farma-
cológica, quando o interesse de todos os cientistas se dirigia para os
medicamentos de síntese química, Ellen G. White, notável autora nor-
te-americana dotada de uma grande capacidade pedagógica e pre-
ventiva, escrevia o seguinte: «Há plantas simples que podem ser usa-
das para o restabelecimento dos doentes, cujo efeito sobre o orga-
nismo é muito diferente do efeito dos medicamentos que envenenam
o sangue e põem a vida em perigo.»'
Esta pioneira da moderna fitoterapia recomendou o uso popular de
certas plantas medicinais, adiantando-se assim em mais de cem anos
às leis actualmente vigentes na maioria dos países ocidentais, que
permitem o livre uso de certas plantas sem necessidade de receita
médica: por exemplo, a infusão de lúpulo (como sedativo), os banhos
aos pés com mostarda (para descongestionar a cabeça), o carvão
vegetal (pelo seu efeito desintoxicante), e o pinheiro, o cedro e o
abeto (para as afecções respiratórias).
Além de promover o uso racional das plantas medicinais como alter-
nativa aos enérgicos remédios medicamentosos que se usavam na-
quela época, Ellen G. White fez finca-pé num facto que hoje é bem
conhecido pela ciência médica, mas que há um século constituía uma
autêntica novidade: A saúde não é fruto do acaso, mas antes a con-
sequência dos hábitos de vida e, em especial, da alimentação.
Nos nossos dias ganhou uma maior relevância, se assim se pode di-
zer, aquilo que foi o seu pensamento central acerca da saúde: Que o
uso inteligente dos agentes naturais, como a água. o sol, o ar, as
plantas medicinais, os alimentos sãos, assim como a adopção de há-
bitos saudáveis (exercício físico, repouso adequado, boa disposição O uso adequado das
mental e confiança em Deus), pode fazer muito mais pela saúde do plantas medicinais,
que os potentes medicamentos de síntese química ou que os trata- j u n t a m e n t e com outros
hábitos de vida saudável,
mentos agressivos.
podem impedir que as
'Selected Messages. vol. 2. pág. 288: Pacific Press Publishing Association, Moun- debilidades do nosso
tain View (Califórnia. EUA.). 1969. organismo evoluam até se
transformar em doenças
declaradas.

'''S
115
O cacau, estimulante,
diurético e cicatrizante
(pág. 597).
As plantas medicinais
O aloés, um
excelente cicatrizante
de feridas (pág.
694).

O milho,
alimentício e
diurético
(pág. 599).

As chagas,
uma
planta
antibiótica

Uma das pirâmides maias de Palenque (Chiapas, México). As grandes culturas autóc-
tones do continente americano, como a maia e a asteca no México, ou a inca no Peru,
atingiram um grande desenvolvimento no conhecimento e aplicações das plantas me-
dicinais. O m u n d o inteiro beneficiou das plantas medicinais americanas, como o ca-
cau, o aloés, o milho e as chagas, além das alimentícias, como o tomate ou a batata.

«Rogo a Vossa Majestade que não deixe passar mais médi- uma notável vantagem relativamente aos seus colegas es-
cos para a Nova Espanha (México), pois com os curandei- panhóis.
ros Índios já há suficientes.»
A medicina em geral, e o uso das plantas medicinais em par-
Assim escrevia Hernán Cortês ao imperador Carlos I de Es-
ticular, encontravam-se muito desenvolvidos nas culturas as-
panha e V da Alemanha, em 1522. depois de ter sido trata-
teca, maia e inca, assim como entre os índios povoadores
do com êxito pelos médicos astecas a uma ferida na cabeça,
da América do Norte.
que os médicos espanhóis não tinham sido capazes de cu-
rar. No México, capital da região do Anahuac, havia grandes jar-
Evidentemente, os médicos nativos sabiam como tirar bom dins botânicos em volta dos palácios do imperador, onde se
proveito da rica flora medicinal mexicana, o que lhes dava aclimatavam as plantas de todo o império.

m
''S
116
y/s-

na América A equinácea, estimulante natural


das defesas (pág. 755).

O hidraste, eficaz
contra os catarros
(pág. 207).

A hamamélia, tonifica as
Vista do Canyon Bryce fUtah, Estados Unidos) cuja espectacularidade se assemelha à
veias e embeleza a pele
do Grand Canyon do Co/orado. Os índios norte-americanos conheciam e respeitavam
(pág. 257).
os recursos que a natureza oferece, especialmente as plantas medicinais. A moderna
investigação cientifica pôde comprovar a eficiência de muitas das plantas usadas pe-
los índios, tais como a equinãcea, o hidraste e a hamamélia.

Refere o doutor José M.- Reverte Coma, professor de Histó- na, a ratânia, a quássia, as chagas e muitas outras plantas
ria da Medicina da Universidade Complutense de Madrid, de grande interesse medicinal.
que no México antigo existiam diversos profissionais de
saúde: Durante os séculos XVII e XVIII, partiram da Europa diver-
sas expedições botânicas para estudar a flora medicinal
• os tlama-tepati-ticitl, médicos generalistas que curavam americana, das quais talvez a mais importante tenha sido a
com plantas, banhos, dieta, laxantes ou purgantes; dirigida por Jorge Celestino Mutis em 1760. A chegada des-
• os texoxo-tlacicitl, que se dedicavam à cirurgia; tas novas plantas medicinais produziu toda uma revolução
• os papiani-panamacani, que apenas tratavam com "er- enriquecedora na terapêutica em uso no Velho Mundo. A qui-
vas". na foi para a medicina o mesmo que a pólvora tinha sido para
a arte da guerra.
Os exploradores espanhóis ficaram surpreendidos pela gran-
de variedade de novas plantas medicinais -e também ali- Na actualidade continuam-se a investigar as propriedades
mentares- que encontraram no Novo Mundo. curativas de muitas plantas do Novo Mundo, com base nos
Devemos ao doutor Diego Alvarez Chanca, médico espan- usos tradicionais que lhes dão os índios nativos. A selva
hol que acompanhou Colombo na sua primeira viagem à amazónica é um imenso armazém farmacêutico para a hu-
América, a primeira descrição da batata, do cacau, do milho, manidade, e muitos dos seus recursos continuam ainda por
da mandioca, da copaíba, do guaiaco e do pau-brasil. Ou- explorar. Este é mais um motivo, além dos ecológicos e meio-
tros descobriram a salsaparrilha, o aloés, o podofilo, a qui- ambientais, para se zelar pela sua conservação.

117
Como se descobriram as

N o g u e i r a (pág. 505)
O interior dos seus frutos
mostra uma grande
semelhança com a superfície
do cérebro. As nozes contém
abundante fósforo, elemento
importante na bioquímica
cerebral e do sistema
nervoso.

Laranjeira (pág. 153)


As suas folhas apresentam
um coraçãozinho na
base, pelo que se
recomendam contra as
afecções cardíacas. Dado
que sáo sedativas, têm
uma acção favorável
sobre muitas cardiopatias.

Os antigos acreditaram ser possível intuir as propriedades sem o mínimo rigor científico. No entanto, é curioso ob-
das plantas a partir das suas características. Esta ideia servar como algumas das suas proposições se puderam
transformou-se já no tempo de Hipócrates (século V a.C.) comprovar cientificamente. Por exemplo:
na chamada "teoria dos sinais". O próprio Dioscórides foi • as nozes são boas para o cérebro, pois contêm abun-
um dos seus fervorosos defensores. Também Paracelso, dante fósforo e ácidos gordos insaturados;
ilustre médico e naturalista suíço do século XVI, dizia as-
sim: «Todo o vegetal está assinalado pela natureza; e é • a aristolóquia contém efectivamente um alcalóide de
bom para aquilo que nos é indicado peio seu sinal.» acção ocitócica, que contrai o útero;
• a arenária é diurética e ajuda a expulsão de cálculos.
A teoria dos sinais • o meimendro tem acção analgésica;
À semelhança de muitos dos seus contemporâneos, o mé- • e as folhas de laranjeira são sedativas e benéficas para
dico espanhol do século XVI Andrés de Laguna, tradutor os doentes cardíacos.
da Matéria Médica de Dioscórides, acreditava que a tare-
fa do homem consistia em descobrir os sinais que o Cria- É claro que também há muitos casos em que a teoria dos
dor tinha deixado nas plantas, como forma de decifrar as sinais falha, por mais atraente e sugestiva que possa pa-
recer. Por exemplo:
suas virtudes. Outros eminentes botânicos e médicos tam-
bém aceitaram esta teoria dos sinais durante mais de dois • as sementes da rosa-canina não servem para tratar os
mil anos. Actualmente parece-nos uma anedota histórica cálculos urinários, apesar da sua semelhança com eles;

'//

118
S/,

propriedades das plantas |i]

Rosa-canina (pág. 762]


Como os seus ramos
lembram as presas da
queixada de um cão,
usaram-se para curar as
feridas causadas pelas
mordeduras de cães e
lobos. Nào se conseguiu
demonstrar esta
pretendida acção Aristolóquia (pág. 699)
curativa. As suas flores lembram os
órgãos genitais femininos
(externos e internos), pelo
que se usou para facilitar o
parto. Sabemos hoje que
contém substâncias
ocitócicas, que estimulam
as contracções uterinas.

• as folhas do trevo-dos-prados não curam as cataratas, anterior à boda, às noivas que pretendiam aparentar uma
apesar da sua mancha branca que lembra o halo duma virgindade perdida.
catarata ocular.

Noutros casos, exageraram-se as pretendidas proprieda- Da intuição para a experimentação


des deduzidas dos sinais de uma planta. Por exemplo, as
folhas da consolda nascem muito unidas ao caule, do que Actualmente, os enormes progressos da investigação quí-
Dioscórides deduziu que a planta devia ser um poderoso mica e farmacêutica tornam desnecessário recorrer à in-
cicatrizante. E não se enganou, pois pôde-se provar que tuição ou à tradição, como acontecia antigamente com a
contém alantoina, substância que nos nossos dias faz par- teoria dos sinais. Mas muito mais desaconselhável e até
te de numerosas pomadas. Mas no seu entusiasmo de perigoso é o emprego das plantas medicinais baseado na
mostrar o valor da teoria, o sábio grego chega ao extremo superstição ou na magia, que ainda persiste em determi-
de dizer que as raízes da consolda «cozidas com carne nados sectores sociais.
despedaçada, a juntam e acabam por unir».

Não teria sido nada difícil pôr em evidência o exagero de O uso racional e científico das plantas, baseado na experi-
Dioscórides; mas a ciência da antiguidade preferia lucubrar mentação química e farmacológica, é realmente a única
a experimentar. E assim, durante muitos séculos, os médi- maneira segura de utilizar correctamente as plantas medi-
cos recomendavam um banho em água de consolda no dia cinais.

119
Como se descobriram as propriedades das plantas (2)
M e i m e n d r o - n e g r o (pág. 1 59)
Desde tempos muito antigos tem sido usado
para açaimar as dores de dentes, com base
em que os seus frutos lembram uma peça
dentária, em que o cálice seriam as raizes
dentárias. Hoje sáo bem conhecidas as suas
propriedades analgésicas e narcóticas.

Pulmonária
(pág. 331J
As folhas da
pulmonária
lembram a forma
de um pulmão. Os
antigos usaram-na.
de forma empírica,
para tratar as
afecções respiratórias.
Hoje sabemos que a
pulmonária contém
mucilagens e alantoina
de acção emoliente
suavizante) sobre as mucosas
respiratórias, e além disso
saponinas, que actuam como
expectorantes.

Golfão fpág. 607)


Dado que nasce em lugares frios,
recomendava-se para "esfriar" os instintos
sexuais (anafrodisiaco). Hoje continua a ter a Trevo-dos-prados
mesma aplicação. Além disso, os (pág. 340)
partidários da teoria dos sinais A mancha
viam nas suas flores brancas branca nas
um símbolo da virgindade suas folhas
fez pensar que
serviria para curar as
cataratas, o que não
foi possível comprovar.
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1 mM
índice dos capítulos
7. Plantas para os olhos 128
8. Plantas para o sistema nervoso 138
9. Plantas excitantes 176
10. Plantas para a boca 186
1 1 . Plantas para a garganta, nariz e ouvidos . . 200
12. Plantas para o coração 212
13. Plantas para as artérias 226
14. Plantas para as veias 248
15. Plantas para o sangue 262
16. Plantas para o aparelho respiratório 280
17. Plantas para o aparelho digestivo 346
18. Plantas para o figado e a vesícula b i l i a r . . . 378

Volume 2
19. Plantas para o estômago 416
20. Plantas para o intestino 476
2 1 . Plantas para o ânus e o recto 538
22. Plantas para o aparelho urinário 548
23.Plantas para o aparelho genital masculino. 602
24. Plantas para o aparelho genital feminino . . 614
25. Plantas para o metabolismo 644
26. Plantas para o aparelho locomotor 654
27. Plantas para a pele 680
28. Plantas para as infecções 736
29. Plantas para outras doenças 774
PLANTAS
QUE CURAM
Enciclopédia das Plantas Medicinais

DESCRIÇÃU
SEGUNDA PARTE y ^ v

Alguém que desconheça as plantas


nunca poderá formar juízo
acertado acerca das suas virtudes.»
CARI. VON LINNÉ
Naturalista e médico sueco considerado o pai da
botânica m o d e r n a (1707-1788)

k..
Significado dos ícones de partes botânicas
usados nesta obra

Nesta enciclopédia usa-se um bom número de ícones, símbolos e tabelas para descrever
plantas, órgãos do corpo e doenças. Nestas quatro páginas fazemos a apresentação de
todos eles. de modo a que o leitor se familiarize com os mesmos e possa
interpretá-los facilmente.

Ramos

Sumidades (parte
Folhas superior da planta)
. > suculentas
J U L U I C M I O J

(p. ex. as pás da K^


figueira-da-índia) Amentilhos (ramos
pendentes de
Folhas dos fetos pequenas flores)
(frondes)

Folhas das plantas Flores


fanerogâmicas
(as folhas típicas)

Pedúnculos (pés)

Secreções (p. ex.


resina, seiva, látex)
Frutos

Caules e troncos Casca dos frutos

Madeira, carvão
Sementes

Vagens (bolsas que


envolvem as
Casca (córtex) sementes)

rw^^fT ™)N! Palha oU f a r e ,


°

Tubérculos
Rizoma (caules
subterrâneos)

Bolbos

ê AOk> ^

Talo (parte vegetativa Toda a planta


Toda a planta
de algas e musgos) excepto a raiz

124
Significado dos ícones de indicações médicas
usados nesta obra

Doenças do
Doenças dos olhos
sistema nervoso

Acção excitante
Doenças da boca e
dos dentes

Doenças
Doenças do da garganta,
aparelho nariz e ouvidos
respiratório

Doenças
Esgotamento e do coração
astenia (acção
tonificante)

Doenças
das artérias
Doenças do fígado
e da vesícula biliar
D Doenças
4T do sangue

Doenças do
metabolismo
Doenças do
aparelho digestivo
no seu conjunto
Doenças do
aparelho urinário
(rins e bexiga) Doenças
do estômago

Doenças
infecciosas (acção Doenças
antibiótica) do intestino

Doenças do Doenças do ânus


aparelho genital e do recto
feminino

Doenças do
aparelho genital Doenças do
masculino aparelho locomotor

Doenças das veias Doenças da pele

125
Explicação das páginas descritivas das plantas

ícone da Uso livre: A planta nào tem efeitos ícone da Titulo do capitulo
secundários nem contra-indicacões. parte botânica
forma de
uso da
planta:
Qj utilizada
[ver pág. 124)
Uso com precauções: Trata-se de uma ícone da indicação médica
planta potencialmente tóxica [ver pág. mais notável da planta
107). Pode-se usar sem riscos, desde que (ver pág. 125)
se tenham em conta as precauções
indicadas.

Uso perigoso: Trata-se de uma planta ícones de outras indicações


tóxica [ver pág. 106). de potente acção médicas da planta
sobre o organismo, mas que também (ver pág. I 25)
produz efeitos indesejados. Nalguns casos
não se recomenda o seu uso e, em
outros, apenas o uso dos seus extractos
dosificados, sob vigilância médica.

Nome cientifico Quadro de


da planta. preparação e
Dentro de cada capitulo, emprego
as plantas ordenam-se
.ill, ibeticamente segundo
o seu nome cientifico.

Número de
referência:
N o m e comum
A cada uma das
da planta diferentes formas de
preparação e
emprego se atribui
um número de
referência.
Subtítulo No texto principal
alude-se ás formas
Indica as características
de preparação e
mais notáveis da planta.
emprego com este
mesmo número.

Texto principal

Desenho
N ú m e r o de referência
••- i - « » . i c . j • da planta
da forma de preparação •

«• i mprego : .>3u.-
.".••>. M / M * .

Q u a d r o de precauções Sinonímia e descrição


para o uso da planta botânica da planta
(quando existam)

126
Quadro de informação Quadro de espécies botânicas
Nele se dão informações relacionadas
destacadas, relacionadas com a Nele se descrevem outras espécies similares,
planta que se está a descrever. relativamente á planta principal, quanto a
morfologia e propriedades medicinais.

o> Obtenção do óleo o da agua-de-allaiema y Outras espécies de "Alfazema'

E m l r m V A H M i ? i p * c « i • I HM
t tiffl Mrp OT J . T V ' Ifantft? -0 Jf « c m A t * * * p n 1 ò « t P l r t «o QMMra
r I j h j i ^ x x i leda* eOtt i « v i i r a gual-
\ •' M
rntflie M U < « J a < « « o o t e n r o , c
toOM o l w c c c n ao canwiname um
• Aguâ-de-sHs&ms: [> :*# ,r?i <«• I mai» «picca4o^ òa
i D i m M i n h o ( V a c U m / a Ui por ai
i - i , - : . . ; • ' . •'" - ; • ;-> >: •'..'.
u u i h y r » oUaieoi ,>gnjpadj» m#n
•V C V t w Je <Jc • ar ' Í I H A - W J f*** M p M i e i « mu-io M-m*-!har.v e ai
ranuirteU) tenrwui 4c wcçao qua
RIM piopíi»djKh>» irtMflcInali v*o
. J r>oM* 0 M M WV9* dra/i>Aar l*mMtfn * «stftecMJo pe
M m n m i i . A*c-noi C w H * o u * )
. . , n o r a '* '•• mtnahQt
;.. f • i r.i •: -• i • i.v.f .1,1 . .; r
cos f**-*i I T \ 1 I I A » Pooe-té<Hj*cont como f 4 j ItvrMtn t o c i A d v n
* J U J . M > » v • K W gur *s^r o m i u i -
- < :> T.i • : . . • • i a . j ^ i L M t i i t ^ i i l llMc*K - L i
».!nJUi«»c*-iL v.u fcMM I' M»
p cV M<rT*0JdM ftandas SrtMi ftjfn .. :; • . • ! • 1 . . • • . . - . -

i s * como toçâo aobn


Transa****"* ca* fcvrw p i i w v x»v
v i * W o d r AaP"# g u v a i Mcvnj»as-

Em cada capítulo aparecem as plantas mais importantes para o trata-


mento das doenças de um determinado órgão ou sistema.
Quando uma mesma planta tem várias aplicações, o que acontece
com frequência, inclui-se no capitulo correspondente à aplicação mais
importante.
Para compensar este facto e facilitar as procuras, nas tabelas de do-
enças dá-se a relação de todas as plantas úteis para cada doença, in-
dependentemente do capitulo onde se encontrem.

Planta
Nome comum das plantas
Explicação das tabelas de doenças
mais adequadas para a
doença. Cada uma das
plantas enumeradas se
pode tomar ou aplicar Pág. (Página)
Página do livro na qual se Acção
sozinha, ou então em
encontra a planta Acção mais notável da
combinação com
recomendada. As plantas planta, em relação com a
quaisquer outras das
estão ordenadas de acordo doença cujo tratamento se
plantas recomendadas está a descrever.
para essa doença. com o seu número de
página, por ordem crescente.

Doença A. A Uso
Referem-se algumas Doença pi*n. PH- Acçio Uio A forma de preparação e
doenças ou transtornos emprego de cada planta,
próprios do órgão ou
QutRAÍlIE
C;---.-< V
ímmtm para a doença que se
sistema descrito em cada descreve
1 ã*tto* <* *** ** r cc
" " > ' •• * '***
capitulo '. ' .' ." • .
I-»•• * arawrtu • > M < M M
Quando não se especifica a
Por razões óbvias de l M Ç n Pí UM n teria V*i 001 forma de emprego, entende-
espaço, a lista de doenças •••

-se que é para uso interno


e transtornos não é Por exemplo:
TERCOC
III l-rjiiAiHCnJc-1»
exaustiva. Escolheram-se •
Infusão", quer dizer que deve
unicamente as doenças •

• • • . . . . ,
Cn«t*t\\t\tt™ Jdrcoecaoâacava ser ingerida por via oral.
mais representativas de • •

' . mco>* * I » ^ J o « Lavagens com a decocçáo".


cada órgão, e as que •••

refere-se a um uso externo.


melhor respondem ao VlSAO. DlMlMJJÇAO W a x / l a x t - 1 » > »Hual, * u w « • » < —
( M o 1 ContitiMiM •
tratamento fitoterápico.
«—.) :--i W . 1 , 1 a ri < * . « \jr<u*ej da i»'tu i •• JwrcítiaúrlrUM

127
PLANTAS PARA OS OLHOS

UMÁRIO DO CAPÍTULO
Plantas com antocianinas
DOENÇAS E APLICAÇÕES
Antocianinas, plantas com 128
Ardor nos olhos (legenda de foto) .130 0 arando é a planta com maior con-
centração de antocianinas, e a que
Blefarite 129 mais efeito exerce sobre a vista, mas
Cansaço ocular (legenda dê foto) .130 há também outras que se podemusar
Conjuntivite e blefarite 129 como alternativa.
Córnea, in fia mação, ver (hera tile 1 311
Olhos, ardor í legenda de foto) . . .130
Olhos, irritação (legenda de foto) . / 30 Planta Página
Pálpebras, infla mação, Arando 260
ver Conjuntiviteeblefarite ...130 Fidalguinhos 131
Perda de visão. Malva 511
ver Visão, diminuição 130
Monarda 634
Plantas com antocianinas 128
Qjieratite 130 Roseira 635
Terçol 130 Salgueirinha 510
Visão, diminuição 130 Videira 544
Violeta 344
PLANTAS
Cenoura 133
Erva-de-são-roberto 137
Eufrásia 136 A vitamina A é necessária p a i a o bom
f u n c i o n a m e n t o das células da retina, sen-
Fidalguhdws 131
síveis aos estímulos luminosos.
As antocianinas são substâncias de natu-

A
S PLANTAS medicinais contri- reza giicosídica q u e c o m u n i c a m a sua tí-
b u e m p o r m e i o d e dois meca- pica cor azul a algumas Hores e frutos. São
nismos p a r a o b o m funciona- anii-sépticas, auti-inílamatói ias e, antes de
m e n t o do sentido da vista: Apli- t u d o , e x e r c e m unia acção p r o t e c t o r a so-
cadas localmente sobre os olhos, possuem bre- os vasos capilares em geral, e sobre os
uma acção anti-séptica e anti-inflamatória, cia retina em particular. Melhoram a irri-
muito útil para a higiene ocular, e em caso gação s a n g u í n e a na retina. Além disso, as
de conjuntivite e de outras afecções infec- a n t o c i a n i n a s favorecem a p r o d u ç ã o de
ciosas ou inflamatórias do pólo a n t e r i o r pigmentos sensíveis à luz nas células da re-
dos olhos. tina.
Ingeridas por via oral. há plantas medi- Por t u d o isto, em uso i n t e r n o , as plantas
cinais q u e fornecem vitamina A e antocia- q u e c o n t ê m vitamina A e a n t o c i a n i n a s
ninas, substâncias q u e m e l h o r a m a acui- m e l h o r a m a acuidade visual e a visão noc-
d a d e visual. turna.

128
A SAÚDE PELAS F L A M A S MEDICINAIS

2" P i í r t e : D e :-» e r i c <i o


I
Doença Planta Pág. Acção Uso

CONJUNTIVITE E BLEFARITE
Compressas sobre os olhos, banhos
A conjuntiva é uma delicada membrana oculares e gotas sobre os olhos
que reveste a parte anterior do globo FÍDALGUINHOS 131 Desinflamam o pólo anterior dos olhos
(colírio) com água de fídalguinhos
ocular, incluindo a parte interna das pál- (decoccão de flores de fídalguinhos)
pebras. Normalmente é transparente,
mas quando se irrita ou inflama (coiv
juntivite) adquire uma cor vermelha de Fortalece e hidrata as mucosas
sangue.
CENOURA 133 oculares
Come-se crua ou em sumo
Na maior parte dos casos, a conjuntivi-
te é produzida por microrganismos (ví- Lavagens oculares e colírio com a sua
rus ou bactérias), e agrava-se pela ex-
EUFRÁSIA 136 Anti-séptica e anti-inflamatória
infusão
posição ao fumo, pó, água contamina-
da ou luz excessiva. 0 forcar a vista
também pode produzir irritação ou con- ERVA-DE-SÃO-
137 Adstringente (seca a mucosa Lavagens oculares
gestão da conjuntiva. -ROBERTO conjuntival) com a sua decoccão
0 tratamento fitoterápico baseia-se em
aplicações locais de plantas anti-infia- Lavagens oculares
CHÁ 185 Adstringente
matórias, emolientes e anti-sèpti- com a sua decoccão
cas. Em geral, recomendam-se todas Lavagens oculares e colírio
as plantas emolientes (ver cap. 27). SANAMUNDA 194 Desinflama e desinfecta
com a sua infusão
Nos casos crónicos ou persistentes, a
conjuntivite pode estar relacionada com Anti-inílamatório. Muito útil em Compressas e banhos oculares
CARVALHO 208 conjuntivite por irritação ou alergia com a decoccão da casca
uma deficiência de vitamina A, ou com
um estado tóxico por mau funciona-
mento do fígado ou dos rins. Acalma e suaviza os olhos.
A blefarite é a inflamação das pálpe- HAMAMÉLIA 257 Alivia o ardor causado pelo pó, Lavagens oculares com a infusão
bras. Aplicam-se localmente as mes- fumo ou cansaço ocular de folhas e/ou casca
mas plantas que em caso de conjuntivi-
te. Convém prestar atenção às carên- 258 Emoliente (suavizante)
ME LI LOTO Lavagens oculares com a sua infusão
cias nutritivas, especialmente de vita-
mina A, e de oligoelementos como o
ferro. TANCHAGEM 325 Suavizante e anti-inflamatória Lavagens oculares
com a sua decoccão

VIOLETA 344 Suavizante. Lavagens oculares


Especialmente útil na blefarite com a infusão de folhas e/ou flores

ASPÉRULA- Lavagens oculares com a sua


351 Anti-inflamatória
-ODORÍFERA decoccão

FUNCHO 360 Anti-inflamatório Lavagens oculares com a infusão de


sementes

CAMOMILA 364 Cicatrizante, emoliente e anti-séptica Lavagens oculares com a sua infusão

Cataplasmas com a planta fresca


BELDROEGA 518 Emoliente e anti-inflamatória
esmagada

VIDEIRA 544 Anti-inflamatória e cicatrizante. Lavagens oculares com a seiva


Muito útil para a higiene ocular dos sarmentos

ROSEIRA 635 Alivia o ardor, desinflama e desinfecta Infusão de pétalas de rosa

Desinflama e suaviza a mucosa Lavagens oculares


ULMEIRO 734
conjuntival com a decoccão de casca

Lavagens oculares
ROSA-CANINA 762 Anti-inflamatória e anti-séptica
com a água de rosas

Ervade-são- SABUGUEIRO 767 Suavizante e anti-séptico Compressas e lavagens oculares


roberto com a infusão de flores

129
C a p . 7: P L A N T A S PARA OS O L H O S

Doença Planta Pág. Acção Uso

QUERATITE
É a inflamação da córnea, que é um dis- « 133 ^ T o ^ f Z ^ Z T C«ruaoue m 5 u m o
co transparente de aproximadamente
um milímetro de espessura, que cobre
a porção anterior do globo ocular. A
sua gravidade decorre do facto de que Eu™*» 136 A*sép.,caea„«,arr,a.óna S S f S . w f * ' " ^
a córnea inflamada pode ficar opaca e
dificultar a visão. Além do tratamento
especializado, recomendam-se estas
plantas e, em geral, todas as citadas VIDHRA 544 Antiinflamatòriae cicatrizante !£?*!!££*"*"""**"
para a conjuntivite. dos sarmentos

TERÇOL
F.DALGU.NHOS 131 Anti-inílamatórios & « S L ^ ! ? r S ^ C t í , a
Pequeno furúnculo que se forma no bor- de fidalguinhos (decocção de flores)
do da pálpebra. Com o tratamento pre-
tende-se que amadureça e que se abra.
Também se podem aplicar as outras CARVALHO 208 Anti-inflamatório Compressas com a decocção
plantas recomendadas para a conjunti- ca casca
vite, se possivel em compressas sobre
as pálpebras. VIDE.RA 544 Ant,inflamatória e cicatrizante ^ g ™ ^ * * C ° m * Se ' Vâ
dos sarmentos
VISÃO, DIMINUIÇÃO
As plantas que protegem os capilares C E NO U P, 133 5 g K S Í S * S L l l Conae-se crua ou em sumo
da retina, como o arando, ou que for-
necem a vitamina A necessária para as
células sensíveis à luz, podem melhorar
a acuidade visual. ARANDO 260 Melhora a irrigação sanguínea da retina Sumo fresco ou decocção de frutos

Eufrásia

As plantas mais empregadas para lavar


os olhos em caso de ardor, irritação ou
cansaço ocular devido a ter de forçar
muito a vista (por exemplo, quem
trabalhe em frente de um ecrã de
computador), são as seguintes:
camomifa, eufrásia, fidalguinhos,
hamamélia e roseira.
As lavagens e as compressas com estas
plantas fazem diminuir as olheiras e
embelezam os olhos, dando-lhes um
olhar límpido e brilhante.

130
Centáurea cyanus L
ai
Preparação e emprego

Fidalguinhos
USO INTERNO

Um b o m remédio O Infusão: 20-30 g de flores


jovens por litro de água. Toma-
para os olhos -se uma chávena antes de ca-
da refeição.

USO EXTERNO
Água de f i d a l g u i n h o s : Para

O S FIDALGUINHOS salpicam obtê-la faz-se uma decocção


as douradas soaras a partir do com as flores, de preferência
fim da Primavera, com o gra- frescas, na proporção de uns
cioso azul das suas flores. Desde tem- 30 g (2 colheradas) por litro de
pos muito antigos que a semente do água. Deixar-se ferver duran-
cnval se tem misturado com semen- te cinco minutos. Aplica-se so-
tes desta plaina, e assim viajaram jun- bre os olhos quando estiver té-
tas, cspalhando-se por lodo o inundo. pida, de uma das seguintes
Plínio, o Velho, naturalista romano do maneiras:
primeiro século da nossa era, descre- ©Compressas: Empapar
ve os fidalguinhos como -uma flor in- uma gaze e mantê-la uns quin-
cómoda para os ceifeiros», que sem ze minutos sobre os olhos,
dúvida procuravam evitá-la com as duas ou três vezes por dia.
suas foices ou gadanhas. Acerca desta €) Banho ocular: Por meio de
delicada planta, pouco mais chegou um recipiente adequado, ou
até nós escrito pelos autores clássicos simplesmente escorrendo so-
da antiguidade. bre o olho afectado uma gaze
impa embebida em água de
As suas virtudes medicinais foram fidalguinhos. A água deve cair
descobertas por Mattioli, botânico do do lado da fonte para o nariz.
século XVI. que afirma que «as flores
O C o l í r i o : Umas gotas de
azuis dos fidalguinhos desinllamam os
água de fidalguinhos no olho,
olhos avermelhados». A esta combi-
três vezes por dia.
nação de cores opostas, axul contra
vermelho, pensou Mattioli que se de-
viam as virtudes curativas desta plan-
ta, de acordo com a teoria dos sinais.
Outros nomes: lóios, lóios-dos-jardins.
Nos nossos dias. os herbicidas e OS saudades, ambretas. Brasil: escovinha,
processos de selecção das sementes de centáurea, centáurea-azul, cineraria, sultana.
cereal eslão a acabar com os fidal- Esp.: aciano, azulejo, ojeras. Fr.: bleuet.
guinhos, como se se tratasse de mais Ing.: corn-flower, blue-bottle.
uma erva daninha. Habitat: Crescem sobretudo nos campos
de cereais de toda a Europa, embora
tenham sido exportados para outros
continentes, como o americano. Em
Portugal esta planta ainda aparece
nalgumas searas, embora tenda a
desaparecer com a utilização dos herbicidas.
Descrição: Planta de caule fino. da (amilia das
Compostas, que atinge até meio metro de altura. As
flores são compostas, de um azul intenso. As folhas.
muito finas, aparecem cobertas por um suave veludo.
Partes utilizadas: as flores.

131
As flores dos fidal- isso em muitos sítios de Espanha se-
guinhos contêm an- da a esta planta o nome de 'ojeras'
tocianinas de acçáo
anti-séptica e anti-
(olheiras). As pessoas que lavam os
-inflamatória. Em ti- olhos com água de fidalguinhos têm
sana, por via oral. um olhar limpo e brilhante, que res-
melhoram a circula- plandece como as suas florezinhas
ção sanguínea nos azuis nos loiros trigais.
capilares da retina,
além de terem um São estas as indicações mais impor-
efeito aperitivo e tantes da água de fidalguinhos:
eupéptico.
• Conjimlivitc (inflamação da mem-
brana mucosa que cobre a parte an-
terior dos olhos) I00.O): Os banhos
oculares com água de fidalguinhos, e
também os colírios, ajudam a elimi-
nar as secreções (remelas), c fazem
desaparecer a congestão ocular.
• Blefarites (inflamações das pálpe-
bras), e terçóis (pequenos furúnculos
que se formam no bordo da pálpebra)
lô.ôl. Mesles casos vecomnula-se apli-
car a água de fidalguinhos em forma
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: AS A ÁGUA DE FIDALGUINHOS, obtida de compressas ou de banho ocular.
FLORES contêm antocianinas e polii- por decocção das suas flores, usa-se Antigamente pensava-se que os fi-
nos de acção anti-séptica e auti-infla- sobretudo pelo seu notável efeito antí- dalguinhos eram capazes de aclarai e
-matória; princípios amargos, que ac- -inflamatório, aplicada sobre o pólo conservar a vista, ainda que unica-
luani como aperitivos e eupépticos anterior dos olhos. mente àqueles que tinham olhos
(faciliiam a digestão); e flavonóidcs azuis. Por isso, cm francês, se chama
com um suave efeito diurético. As lavagens e banhos oculares com a esta planta "cassc-luncites" (quebra-
água de fidalguinhos aliviam eficaz- -óculos). Hoje sabemos que se traia
As flores tomam-seem infusão, an- mente o ardor e a irritação dos olhos. de uma lenda, mas. seja como for. re-
tes das refeições IO). K preferível não Também devolvem um aspecto fresco cordemos que os fidalguinhos são
adoçar. e limpo às pálpebras carregadas. Por "landes amisios dos olhos.

As compressas com
água de fidalguinhos,
sobre os olhos, redu-
zem o aspecto carre-
g a d o das pálpebras
e dáo um olhar lím-
p i d o e brilhante a
quem as aplica.

132
Daucus carota L
& L. P. .

Preparação e emprego

Cenoura
USO INTERNO
Essencial p a r a a vista e O Crua: A cenoura, em rode-
para a pele las ou cortada em tiras, deve-
ria ser c o m p o n e n t e indispen-
sável do prato de salada que
todas as pessoas saudáveis
devem comer todos os dias.
Em caso de estômago delica-

A
CENOURA pertence à mes- do, a cenoura crua pode co-
ma família botânica que a ci- mer-se bem ralada.
cuta (pág. 155), (Ir que a ce-
© Sumo: Toma-se acabado de
noura-brava se distingue por ler uma
fazer, só ou misturado com su-
mancha de cor púrpura no centro das
mo de limão e/ou de maçã, na
umbelas florais. A cenoura-brava tem
quantidade de meio a um copo
unia raiz lenhosa que a torna inade- por dia. Para notar os seus efei-
quada para a alimentação, mas que, tos benéficos, deve-se tomar
aplicada nu cataplasma, tem as mes- durante longos períodos de
mas propriedades medicinais da enl- tempo (no mínimo um mès).
uvada.
É importante notar que a pro-
vitamina A não se destrói du-
rante a cozedura, mas que se
degrada pela acção da luz.
© Infusão de sementes: 20-30
g por litro de água. Ingerem-se
3 ou 4 chávenas diariamente.

Uso EXTERNO:

O C a t a p l a s m a s de cenoura
cozida e esmagada, como sua-
vizante da pele.

Outros nomes: cenoura-brava.


Esp.: zanahoria. acenona, sinoria,
bufanaga, forrajera. Fr.: carotte
Ing.: carrol.
Habitat: A variedade silvestre, ou
cenoura-brava. é frequente nos
campos e lugares incultos de toda a
Europa. A planta é hoje cultivada nos
cinco continentes.
Descrição: Planta bienal da família das
Umbeliferas. de até 80 cm de altura. As
folhas são finamente divididas e as flores são
À beira dos terrenos cultivados brancas, agrupadas em umbelas terminais.
podem encontrar-se cenouras-
-bravas. Embora a sua raiz não Partes utilizadas: as raízes e as sementes.
seja comestível, em cataplasma
tem um notável efeito suavizan-
te sobre a pele.

133
A cenoura é um alimento-remédio ideal para as crianças: estimula o seu crescimento, aumenta as defesas, evita as diar-
reias, desenvolve uma boa visão e dá beleza à pele e ao cabelo. Além disso, contribui para a formação de uma denta-
dura forte e bem desenvolvida, especialmente se for mastigada crua.

No Papiro de Ebers, escrito pelo O CAROTENO, ou provitamina A. é rior do olho, blefarite (inflamação das
ano 1500 a.C. no Egipto, já se reco- o princípio activo mais valioso da ce- pálpebras) e queratíte (inflamação tia
mendava a cenoura como cosmético, noura. No fígado transforma-se em vi- córnea), entre outros.
aplicada cm rodelas sobre o rosio. tamina A ou retinol. Com <> consumo abundante de ce-
I loje sabemos que o seu efeito bené- noura obtêm-se excelentes resultados.
fico sobre a pele se deve especial- A VITAMINA A desempenha fun-
ções essenciais na fisiologia humana: permitindo melhorar notavelmente a
mente à provitamina A que contém. capacidade visual nos casos cm que a
K por isso que se diz que a vitamina A / nos mecanismos da visão na retina; sua perda seja devida a uma carência
é a "vitamina da beleza". / no bom estado da pele e das muco- de vitamina A.
sas; e •Alterações da pele: secura, rugas,
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: A RAIZ / na produção de sangue e de anti- atrofia, acne. A cenoura contribui, de
contém abundante pectina, substân- corpos (de lesas). forma muito acentuada, paia a saúde
cia glicídica de acção absorvente e an- Pelo seu abundante conteúdo em e a beleza da pele. tanto se for aplica-
(idiarreica; sais minerais diversos, es- provitamina A. a cenoura torna-se de da externamente IOI como tomada
pecialmente di- potássio e fósforo, as- grande utilidade quando se u n h a por via oral IO.0I. Dá-lhe uma pureza
sim como oligoelementos, que a tor- produzido uma carência desta impor- e suavidade que dificilmente se pode
nam remineralizante e diurética; óleo tante vitamina, quer por insuficiente conseguir com outros cosméticos.
essencial, que lhe confere o seu pe- fornecimento ao organismo ou má as- Existem casos rebeldes clc- acne que
culiar aroma e os seus eleitos vermí- similação, quer por aumento das ne- têm melhorado depois de um longo
fugos; e vitaminas do grupo li. um cessidades. tratamento à base de cenoura.
pouco da C. c, sobretudo, caioteno
(4500 pg por cada 100 g.) A cenoura ()s sintomas ou sinais de falta de vi- Também fortalece as unhas e o ca-
é uni dos vegetais mais ricos cm pro- tamina A, que a cenoura contribui belo, ao qual dá mais brilho.
vitamina A, apenas excedida pela lu- para superar, são os seguintes: • Alterações das mucosas: A vitamina
zerna (5300 ug por 100 g). Outras • Transtornos da visão IO.01: perda A também intervém na estabilidade
fontes importantes de caroteno são os da acuidade visual, bemeralopia (di- das mucosas, membranas que reves-
espinafres, a couve, os alperces, os to- ficuldade paia ver durante a noite ou tem o interior dos canais e cavidades
mates e os pimentos. com pouca In/), secura do pólo ante- orgânicas. Por isso se- toma liiil na

134
o Hipervitaminose A
tiróide), dismenorreia, depressão
nervosa, <• outros transtornos IO.61.
Outras aplicações da CENOURA são as
seguintes:
Os alimentos de origem animal, como o fígado dos mamíferos ou dos peixes,
contêm abundante retinol (vitamina A animal). O refinol pode chegar a ter efei- • Diarreia e colite: Especialmente nas
tos tóxicos se for ingerido em doses elevadas, ao contrário do caroteno (provi- crianças, devida à acção da pectina.
tamina A vegetal), que não tem nenhum risco de toxicidade, pois o organismo Adminisira-se ralada ou fervida IO,61.
só transforma em vitamina A (retinol) o caroteno de que necessita.
0 nosso organismo é incapaz de produzir a vitamina A se não se lhe fornecer o • Parasitas intestinais: O óleo essen-
seu precursor, o caroteno. cial que a cenoura contém é especial-
Necessidades diárias de vitamina A:
mente activo contra os oxiúros
10.61. Ibina-se crua e ralada: de meio
• 400 pg para as crianças, a um quilo, durante 21 horas, como
• 750 pg para os adultos, único alimento. Também dá bom re-
' 1200 pg para as mulheres grávidas ou que amamentam. sultado comer durante uma semana,
1 pg (micrograma) de vitamina A = 3,33 U.l. (unidades internacionais) todas as manhãs, duas cenouras em
jejum.
• Crescimento: A cenoura é um
autêntico alimento-remédio fiara as
crianças I0.6I.O seu sumo pode ad-
minislrar-se desde os dois meses de
prevenção da lilíase urinária c biliar, função cia mucosa gástrica, normali- idade, ou mesmo antes: aumenta as
pois está provado que uma mucosa sã zando a produção de sucos (útil nas defesas, evita as diarreias, protege
impede a formação de cálculos no in- gastrites) c colabora na cicatrização contra os parasitas, estimula o cresci-
leríor dos (anais urinários ou biliares. das úlceras. A cenoura acalma as do- mento, favorece a erupção dentária c
res do estômago e o excesso de aci- fortalece a dentadura se, na idade
A vitamina A tem também valor como dez. pré-escolar, as crianças, além de a to-
preventivo de catarros nasais, sinn- marem líquida, também a mastiga-
sats, faríngeos e bronquiais, pois. • Transtornos metabólicos e endócri- rem. K mui lo útil em caso de celia-
além de fortalecer as mucosas, au- nos: anemia, atraso do crescimento, quia (má assimilação por intolerância
menta as defesas. Também melhora a hipertiroidismo (regula a função da ao glúten).

• Curas depurativas: A cenoura é al-


calinizante do sangue, com o que
—W^^ Am I compensa e elimina os resíduos áci-
dos do metabolismo (ácido úrico e
outros) IO.61.

• Curas de desintoxicação: Toi na-se


muito apropriada para quem deseje
deixar de fumar IO.61.pois acelera a
eliminação da nicotina e. pelo seu
conteúdo em vitamina A, regenera as
mucosas do aparelho respiratório.

• Suavizantc da pele: Aplicada exter-


namente em cataplasmas, usa-se para
curar feridas infectadas, queimadu-
ras, eczemas, abcessos, acne. e, como
cosmético, para embelezar a pele lOl.
As SEMENTES de cenoura contêm um
óleo essencial de acção carminativa
(evita os gases intestinais), emenago-
ga (favorece as regias) e um tanto
diurética» como a maioria das Umbe-
líferas 101.

135
Euphrasia
officinalis L /K^N

Eufrásia
Ideal para lavagens
oculares

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a


planta contém o glicósido aucubina,
taninos, ácidos fenólicos, flavonóídes,
vitaminas A e Ce vestígios de essência.
Tem propriedades anti-sépticas, anti-
-inflamatórias e adstringentes, espe-
cialmente eficazes sobre a mucosa
conjuntiva).
Tem-se utilizado com êxito desde a
Idade Média em easos de conjuiitivi-
lo, blefarite (inflamação das pálpe-
bras), queratile superficial (infla-
mação da córnea) e lacrimejo ocular Outros nomes: consolo-da-vista.
10.01 Dá muito bom resultado lavar Esp.: eulrásia, eufrasia oficinal.
com eufrasia os olhos remelosos, pois Fr.: euphraise [olficinalej.
além de arrastar as secreções desin- Ing.: [red] eyebright.
llama e seca a conjuntiva. Habitat: Pradarias e bosques
montanhosos de toda a Europa.
Também se aplica em gargarejos e Naturalizada no continente
bochechos, em caso de estomathe (in- americano.
flamação das mucosas bucais) e de fa- Descrição: Planta anual, da família
ringite l©l, assim c o m o em irrigações das Escrofulariáceas, que atinge de
nasais em caso de rinite IO! (infla- 10 a 30 cm de altura. As flores são
m a ç ã o fio interior do nariz). brancas com riscas violeta, sendo a
corola formada por dois lábios.
Parasita as raízes de outras plantas.
Partes utilizadas: a planta inteira.
A eufrasia encontra-se nas re-
giões montanhosas da Euro-
pa e da América.

O Preparação e emprego

USO EXTERNO © Colírio: 5-10 gotas em cada olho,


4 vezes por dia.
Infusão com 40 g de planta por litro
de água. Tem diversas aplicações:
© Gargarejos e bochechos, em
O Lavagens oculares: Deixar cair caso de afecções bucofaringeas.
o líquido de fora para dentro, ou se-
ja, da fonte para o nariz. As lavagens
oculares fazem-se sobretudo de O Irrigações nasais em caso de ri-
manhã. nite ou coriza.

136
Geranium
robertianum L O) t . IÉ P

Preparação e emprego
Erva-de-são
-roberto U S O INTERNO

O Decocção de 20 g de planta
por litro de água, de que se to-
Limpa os olhos e mam 3 ou 4 chávenas por dia.
desinflama a boca © Essência: A dose habitual é
de 2-4 gotas, três vezes ao dia.

Uso EXTERNO:

© L a v a g e n s oculares e bo-
chechos bucais, com uma de-
cocção de 40 g de planta por li-
tro de água.
O C o m p r e s s a s , com esta
mesma decocção (40 g por li-
tro).

D EVE-SE ter cuidado para não a


confundir com a cicuta (pág.
155). Ambas deitam um chei-
ro desagradável e têm folhas muito
parecidas. Ora a erva-de-são-roberto
toma-se fácil de identificar pelas suas
flores cor-de-rosa, e pelos Frutos que,
.secos, sc assemelham a uma pequena
candeia ou ao bico de um grou.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda a


As lavagens
planta contém uma substância amar- aos o/hos
ga (geranina), um óleo essencial que podem
lhe comunica o seu cheiro típico, e fazer-se com
importantes quantidades de tanino, a ajuda de
que determinam a sua acção adstrin- um copinho
próprio
gente. Km uso interno apresenta pro- para o
priedades adstringentes, diuréticas, efeito.
riuidificantes do s a n g u e e ligeira-
m e n t e hipoglk emiantes. 1'tili/a-se em
casos d e d i a r r e i a , e d e m a s ( r e t e n ç ã o
de líquidos), e c o m o c o m p l e m e n t o Outros nomes: bico-de-grou, bico-de-grou-robertino. erva-
no regime dos diabéticos IO.01. -roberta. Brasil: gerânio.
Esp.: hierba de San Roberto, hierba de San Ruperto.
A n u a l m e n t e entprega-se s o b r e t u d o Fr.: herbe à Robert. Ing.: herb Robert.
em uso externo, pelas suas p r o p r i e d a -
Habitat: Encontra-se vulgarmente em lugares sombrios
des a d s t r i n g e n t e s c v u l n e r á r i a s , n o s como muros, sebes e barrancos de toda a Europa e
seguintes casos: América do Norte.
• Afecções d o s olhos: irritação ocular, Descrição: Planta herbácea da família das Geraniáceas,
remelas, eonjimiivitc 101. que atinge de 20 a 60 cm de altura. Toda a planta tem um
tom avermelhado e exala um cheiro desagradável típico. As
• Afecções bucais: estomatite, faringi- (tares são rosadas, em grupos de duas.
te, gengivite 101. Partes utilizadas: a planta inteira.
• Erupções cutâneas: herpes, eczemas
e infecções da pele lOl.

137
PLANTAS PARA
O SISTEMA NERVOSO
Bi IARIO DO CAPÍTULO
DOENÇAS E APLICAÇÕES Sedativas, plantas,
Ansiedade /•// ver Nervosismo e ansiedade 145
A nsioliticas, plantas, Sistema nervoso,
ver Nervosismo e ansiedade Ill doenças orgânicas do Ill
Antiespasmâdicas, plantas 147 Sono, falta ile, ver Insónia 112
Astenia 140 Soporiferas, plantas, ver Insónia . . . . 142
Cabeça, dor de 143 Stress /-//
Cefaieia, ver Dor de cabeça 113 Tensão nervosa, ver Stress /•//
Crianças. Plantas sedativas 146 Tonificantes, plantas,
Depressão nervosa 140 ver Esgotamento e astenia IH)
Doenças orgânicas
do sistema nervoso 144 PLANTAS
Doenças psicossomáticas 142 Atónito 148
Dor de cabeça 143 Alfaccbrava-maior 160
Dor e nevralgia 142 Alfazema 161
Enxaqueca 143 Alfazema-brava 162
Epilepsia 144 Aveia 150
Esgotamento e astenia 140 Cânhamo 152
Estudantes, ver Rendimento Cicuta 155
intelectual insuficiente 143 Cicuta-meuoi 155
Hemicrania, ver Enxaipteca 143 Dormideira 164
Insónia 142 Dormideira-brava 166
Inteirei uai, rendimento insuficiente .143 Erva-cidreira 163
Memória, perda da 144 Estramónio 157
Narcóticas, plantas 146 Elor-da-paixâo = Passijlora 167
Nervosismo e ansiedade 141 Laranjeira 153
Neurastenia, Lúpulo 158
ver Nervosismo e ansiedade 141 Maracujá = Passijlora 161
Nevralgia 142 Maracujá-roxo 168
Parkinson, ver Doenças Martírio = Passijlora 161
orgânicas dõ sistema nervoso 144 Meimendro-negro 159
Peida da memória 144 Melissa = Erva-cidreira 163
Plantas antiespasmâdicas 147 Papoita-branca = Dormideira 164
Plantas sedativas 145 Passijlora 167
Plantas sedativas para as crianças . . 146 Rosmaninho 162
Psicossomáticas, doenças 112 Tília 169
Rendimento intelectual insuficiente . . 143 Valeriana 172
Sedativas para as crianças, plantas . . 146 Verbena 174
A SAÚDE PELAS PLANTAS MEDICINAIS
2-' P a r t e : D e r. c r i ç £ o
I

A
S PLANTAS medicinais exercem como o rendimento e a produtividade. O
notáveis acções, tanto sobre o sis- sistema nervoso, como "director" das
tema nervoso central, sede das funções do organismo, é encarregado cie
funções mentais, como sobre o manter a tonicidade vital (pie nos permite
sistema vegetativo autónomo, que regula e desenvolver as actividades diárias. Elevar
coordena as ("unções dos diversos órgãos essa tonicidade constitui uma das necessi-
do corpo. dades mais peremptórias de muitas pes-
Ao contrário da maioria dos psicoíarma- soas que se queixam de esgotamento ner-
cos (medicamentos que actuam sobre as voso, astenia ou stress. 1". para isso, recorre-
funções mentais), as plantas exercem os -sc' frequentemente a substâncias estimu-
seus efeitos tonificantes c sedativos sobre o lantes ou excitantes que, embora consi-
sistema nervoso de modo fisiológico, suave gam produzir um eleito momentâneo.
e seguro, acabam por provocar um maior esgota-
mento depois de passado o eleito.
Alem disso, é muito raio que se produ/a
dependência de tipo psíquica ou físico Para o tratamento do esgotamento e da
com o uso das plainas medicinais que re- astenia, convém administrar dois tipos de
comendamos, ao contrário do que aconte- plantas medicinais:
ce com os estimulantes, sedativos, soporí- • Plantas nutritivas, que fornecem os nu-
Feros, e outros medicamentos de síntese trientes básicos mas que costumam es-
química. cassear na dieta, e de que as células ner-
)L certo que os medicamentos químicos vosas necessitam para o seu bom funcio-
exercem uma acção muito mais potente namento: vitaminas e oligoelemenios.
que a das plantas medicinais, mas também • Plantas tonificantes, que fornecem um
com maiores efeitos secundários e riscos estímulo fisiológico, não irritante, sobre
em geral. Perante um caso de excitação as funções do sistema nervoso e do resto
nervosa aguda, por exemplo, um psicofár- do organismo.
maco de- acção sedativa ou ansiolíiica (que
elimina a ansiedade) pode produzir um As plantas ou substâncias que somente
eleito rápido e mesmo espectacular, mas conseguem excitar ou estimular o sistema
que muito provavelmente se- fará acom- nervoso (como o café ou o chá), mas sem
panhar de eleitos indesejáveis nas horas se- nutrir nem favorecer as funções digestivas,
guintes, tais como falta de coordenação não conseguem a reparação biológica dos
motora e sonolência. sistemas ou órgãos afectados pelo esgota-
mento. Na realidade, o que conseguem os
Pelo contrário, as plantas actuam sobre excitantes ou estimulantes é uma sensação
o organismo regulando c equilibrando os subjectiva de vitalidade, mas sem a corres-
processos vitais, mais que anulando ou pondente recuperação orgânica. Isto leva
opondo-se a determinados sintomas. Por a um maior esgotamento, até chegar ao
isso exercem uma verdadeira acção equili- fracasso ou deterioração do organismo.
bradora das complexas funções nervosas e manifestado pelo infarto do miocárdio, a
mentais, assim tomo um eleito preventivo úlcera gastroduodenal, a depressão imu-
de transtornos e desequilíbrios. nitária (baixa das defesas) e, possivelmen-
te, aié mesmo o cancro.
O esgotamento e a astenia Além do uso das plantas que nesta obra
O esgotamento e a astenia (cansaço ex- se recomendam, o tratamento do esgota-
cessivo) constituem dois dos sintomas mais mento físico ou nervoso requer imperati-
frequentes na sociedade ocidental, forte- vamente uma mudança no estilo de vida
mente condicionada nor conceitos tais causador do esgotamento.

139
C a p . 8: P L A N T A S PARA O S I S T E M A H E 8 V O S I
V

Doença Planta Pág. Acção Uso

ESGOTAMENTO E ASTENIA AVEIA 150 Tonificante, nutritiva Flocos com leite ou caldo
Entendemos por esgotamento um es- Cru, em extractos ou em pasta
ALHO 230 Activa o metabolismo
tado de debilidade do organismo, em de alho com azeite
consequência de um esforço excessivo
que não seja acompanhado da neces- AGRIÃO 270 Abre o apetite e activa o metabolismo Cru ou em sumo
sária recuperação dos órgãos ou siste- ESPIRULINA 276 Nutre, tonifica e revitaliza Preparados farmacêuticos
mas afectados.
Fornece enzimas e oligoelementos
O esgotamento fisico costuma ser CEBOLA 294 Crua, em sumo, cozida ou assada
que activam o metabolismo
precedido por um grande esforço mus-
cular ou uma doença grave. O esgota- Remineralizante e vitamínica
mento nervoso pode aparecer a se- MORUGEM 334 Crua, cozinhada ou em decocção
Estimulante natural
guir a um período de grande actividade
intelectual continua, ou de tensão ner- SERPÃO 338 Tonificante e revitalizante Banhos quentes com a sua decocção
vosa prolongada. HORTELÃ-
366 Tonificante Infusão, essência
0 esgotamento fisico e o nervoso estão -PIMENTA
relacionados entre si, pois um pode MANJERICÂO-
aparecer como consequência do outro, 368 Tonificante, faz subir a tensão Infusão, essência
-GRANDE
e vice versa.
A astenia é um estado de falta ou de SEGURELHA 374 Tonifica o sistema nervoso Infusão, essência
perda de forças que aparece esponta- TRAMAZEIRA 535 Fornece vitamina C e ácidos orgânicos Frutos (sorvas) maduros
neamente, sem relação directa com um
esforço prévio. AIPO 562 Tonificante e remineralizante Cru, sumo fresco

MORANGUEIRO 575 Abre o apetite, estimula o metabolismo Cura de morangos


fruto lio cacau CACAUEIRO 597 Tonificante e ligeiramente estimulante Decocção de sementes, cacau

GINSENG 608 Aumenta o rendimento físico Preparados farmacêuticos

GERGELIM 611 Nutritivo, restaura a vitalidade Sementes

DAMIANA 613 Tonificante do sistema nervoso Infusão, extractos

ALECRIM 674 Tonificante geral Infusão, banhos, fricções

ALOÉS 694 Tonificante, estimula as defesas Sumo

HIPOFAÉ 758 Reconstituinte, aumenta o tono vital Frutos (bagas)


ROSA-CANINA 762 Tonificante e antiescorbútica Frutos frescos ou em decocção
Hortetò-pimenta Tonificante geral.
TOMILHO 769 Infusão, essência
Estimula as funções intelectuais

DEPRESSÃO NERVOSA AVEIA 150 Tonificante, nutritiva Flocos com leite ou caldo
Estado psíquico de abatimento e pro- ERVA-CIDREIRA 163 Equilibrante do sistema nervoso Infusão, extractos
funda tristeza, com ou sem causa evi-
dente, acompanhado de perda do ape- VALERIANA 172 Sedante suave, diminui a ansiedade Infusão, maceração ou pó de raiz
tite, insónia e tendência para a SERPÃO 338 Tonificante e revitalizante Banhos quentes com a sua decocção
inactividade.
Recomendam-se as plantas Tonificante e equilibradora Infusão, decocção
ANGÉLICA 426 do sistema nervoso
com acção tonificante e
equilibradora sobre o siste- Tonificante geral Sumo fresco
ma nervoso, assim como
AIPO 562
as que fornecem substân- GINSENG 608 Antidepressivo e ansiolítico Preparados farmacêuticos
cias nutritivas como a vi-
tamina B ou a lecitina. As GERGELIM 611 Nutritivo. Restaura a vitalidade Sementes
plantas e substâncias
esífmu/aníes ou exci- Estimula a função
SALVA 638 Infusão, essência
tantes não se devem das glândulas supra-renais
usar no tratamento da Tonificante e equilibrador
depressão. HIPERICÃO 714 Infusão
do sistema nervoso
Tonificante geral.
TOMILHO 769 Infusão, essência
Fiva cidreira Estimula as funções intelectuais

140
SAÚDE P E L A S P L A N T A S MEC

2 " P.irtc:
I

D e s c r i ç ã o
I
Doença Planta Pág. Acção Uso

NERVOSISMO E ANSIEDADE !_, i cr, Sedante do sistema nervoso. Contém Infusão de farelo (palha) por via oral
AvEIA 150
0 nervosismo é um estado de exci- vitaminasAeB e acrescentada à água do banho
tação nervosa, seja por urna causa jus-
tificada ou não. LARANJEIRA 153 Sedante e soporífera suave Infusão de folhas e/ou flores
A ansiedade é uma emoção indesejá-
vel e injustificada, cuja intensidade não LÚPULO 158 Sedante e soporifero Infusão e extractos
é proporcional à possível ameaça que
a provoca. A ansiedade é diferente do ALFACE-BRAVA- Decocção de folhas, lactucáno,
medo, pois este impli- 160 Sedante, acalma a excitação nervosa
-MAIOR sumo fresco
ca a presença de
um perigo real ,,-, Sedante e equilibradora do sistema
conhecido. A an- ALFAZEMA Infusão, extractos, essência
nervoso
siedade costuma
manilestar-se ex-
teriormente com ERVA-CIDREIRA 163 Sedante suave e equilibradora Infusão, extractos
um estado de hi-
perexcitacão ner-
PASSIFLORA 167 Diminui a ansiedade Infusão
vosa.
169 Sedante e relaxante Infusão de flores, decocção de casca,
As plantas medici- extractos
nais podem contri-
buir muito para ali-
viar o nervosismo e a 172 Sedante suave, diminui a ansiedade Infusão, maceração ou pó de raiz
ansiedade, proporcio-
nando sedação e equi- Sedante do sistema nervoso Infusão de flores, frutos frescos,
líbrio ao sistema ner- vegetativo, ansiolitico extractos
voso.
Contribui para a estabilidade do Cápsulas ou comprimidos do óleo
237 sistema nervoso e para o equilíbrio
hormonal das sementes

265 Sedante e antiespasmódico Infusão de folhas

318 Sedante e soporífera Infusão ou xarope de pétalas,


PAPOILA
decocção de frutos

MANJERONA 369 Sedante, alivia a ansiedade Infusão e essência

LÚCIA-LIMA 459 Alivia a ansiedade Infusão


SALGUEIRO-
676 Sedante, soporifero suave Infusão de flores
-BRANCO

STRESS ERVA-CIDREIRA 163 Sedante suave e equilibradora Infusão, extracto


Para o tratamento íitoterápico do stress,
recomenda-se combinar dois tipos de PASSIFLORA 167 Diminui a ansiedade Infusão
plantas: as tonificantes, para aumentar
a energia vital necessária para se en-
frentarem as situações que causam o Infusão, banhos quentes
TÍLIA 169 Tranquilizante e relaxante
stress, e as equilibrador as ou sedati- com infusão de flores
vas do sistema nervoso, com o fim de
tornar mais suave a resposta orgânica 426 Tonificante
ANGÉLICA Infusão de raiz
perante essas mesmas situações.
Além das plantas citadas, recomendam-
-se, como tonificantes, a segurelha VIDEIRA 544 Elimina toxinas e resíduos metabólicos Cura de uvas
(pág. 374), a
hortelãpimen-
ta (pág. 366) GINSENG 608 Tonificante Extractos
ou o alecrim; e
como equili-
brante, o pil-
riteiro (pág. DAMIANA 613 Tonificante e revitalizante Infusão
219)
, -
ROSEIRA 635 Sedante do sistema neurovegetativo Infusão de pétalas
Passrflora

141
C a p . 8 : P L A N T A S PARA O S I S T E M A N E R V O S O

Doença Planta Pág. Acção Uso

INSÓNIA LARANJEIRA 153 Sedante e soporífera suave Infusão de folhas e/ou flores
É a falta de sono, quer seia por dificul- LÚPULO 158 Sedante e soporífero Infusão e extractos
dade em conciliá-lo quer por um des- ALFACE-BRAVA- Decoccão de folhas, lactucário,
pertar precoce. Ao contrá- 160 Sedante, acalma a excitação nervosa
-MAIOR sumo fresco
rio de muitos sopori-
feros de síntese quí- ALFAZEMA 161 Sedante, acalma a excitação Inalações da essência
mica, as plantas ERVA-CIDREIRA 163 Sedante suave e equilibradora Infusão, extracto
medicinais que re-
comendamos são PASSIFLORA 167 Sedante, induz um sono natural Infusão
capazes de induzir
um sono natural e TlUA Induz um sono natural, Infusão de flores, decoccão de casca,
169 sem sonolência na manhã seguinte extractos, banho quente com flores
reparador, sem so-
nolência residual na
manhã seguinte, e V RIANA ,j2 Sedante suave, diminui a ansiedade, Infusão, banhos quentes
sem risco de criar soporífera com a decoccão de raiz
dependência. Infusão ou xarope de pétalas,
PAPOtLA 318 Sedante e soporífera
decoccão de frutos
ASPERULA-
Valeriana -ODORÍFERA
351 Sedante soporífera Infusão

CÁLAMO-
424 Relaxante muscular e sedante suave Banho com decoccão de rizoma
-AROMÁTICO

SALGUQRO-BRANCO 676 Sedante, soporífero suave Infusão de flores

DOENÇAS
PSICOSSOMÁTICAS , c, Sedante e equilibradora do sistema
ALFAZEMA Infusão, extracto ou essência
São as doenças cuja origem é psicoló- nervoso central e vegetativo
gica, pelo menos parcialmente, mas
que se manifestam com alterações fun-
cionais de diversos órgãos. Algumas
das mais frequentes são: úlcera gas-
troduodenal, cólon irritável, angina
de peito, e certos eczemas cutâneos. VALERIANA 172 Sedante, diminui a ansiedade Infusão, maceração ou pó de raiz
Estas plantas equilibram e modificam o
sistema nervoso vegetativo, verdadeiro
substrato da relação entre a mente e o
corpo.
ROSEIRA 635 Sedante do sistema neurovegetativo Infusão de pétalas

DOR E NEVRALGIA , t-3 Antiespasmódica e sedante.


LARANJEIRA Infusão de folhas e/ou flores
Útil contra as enxaquecas
Estas plantas analgésicas actuam tanto
por via interna, quando são ingeridas, CICUTA
JCC Analgésica e anestésica local Pó de frutos secos dissolvido
como por via externa, quando s.c apli- para dores insuportáveis em água, pomada
cam localmente sobre a pele. Em geral, Compressas quentes com a infusão de
a sua acção não é tão intensa e rápida , cg Acalma a dor de estômago
LÚPULO cones, cataplasmas quentes com os
como a dos analgésicos de síntese quí- e as nevralgias
cones (inílorescèncias)
mica ou à base de substâncias puras.
No entanto, os efeitos das plantas são MEIMENDRO- 159 Analgésico em caso de gota, Cataplasmas de folhas esmagadas,
mais duradouros e, em geral, têm me- -NEGRO ciática e nevralgias unguento
nos efeitos indesejáveis. DORMIDEIRA 164 Analgésica potente, narcótica Decoccão de cápsulas maduras
A nevralgia é PASSIFLORA 167 n es
A *' P asrT,
ódica, acalma cólicas
um tipo es- Infusão de flores e folhas
pecial de dor,
caracterizada \z„. r D I „„„ í 7o Analgésica em dores de ciática Infusão, maceração,
por ser intensa, VALERIANA uà enevralgja compressas de decoccão de raiz
intermitente e lo- U,DD,M, , 1A Analgésica em dores reumáticas Infusão ou decoccão,
calizada no trajecto VERBENA I/4 e nevralgias compressas e cataplasmas
de um nervo. O trata-
mento fitoterápico ofere- ULMEIRA 667 Arrateésica e anti-inflamatória em Infusão e compressas
ce especialmente uma ac- dores osteomusculares e nevralgias
ção preventiva. •J, p Analgésica em nevralgias Compressas, banhos e cataplasmas
HERA
Laranjeira e dores reumáticas com as folhas

142
SAÚDE : : . - i PIAUÍ «Et : '.- 5

?•' Parte: D e Cl i n .1 n

Doença Planta Pág. Acção Uso

DOR DE CABEÇA ERVA-


Antiespasmódica e sedante.
A dor de cabeça, ou cefaleia, deve-se -CIDREIRA
163 Acalma a dor de cabeça causada Infusão e extractos
a numerosas causas. As mais comuns pela tensão nervosa
são:
• Congestão, isto é, acumulação ex- 234 Vasodilatador,
GINKGO Infusão de folhas
cessiva de sangue na cabeça. Para melhora a circulação cerebral
isso, usam-se as plantas revulsivas
como a mostarda, que derivam o san- 244 Vasodilatadora, aumenta a irrigação
gue para outro lugar. PERVINCA Decocção, preparados farmacêuticos
sanguínea do cérebro
•Falta de irrigação sanguínea na
cabeça, para o que se usam as plantas PRIMAVERA 328 Antiespasmódica e sedante Infusão de flores
vasodilatadoras.
HORTELÃ-
• Má digestão ou mau funcionamento -PIMENTA
366 Tonificante e digestiva Infusão e essência
da vesícula biliar. Para isso se usam as
plantas digestivas e colagogas. Normaliza o funcionamento
BOLDO 390 da vesícula biliar Infusão ou extractos

POEJO
4,-, Acalma as dores de cabeça
de origem digestiva Infusão

MOSTARDA- 663 R evu ' s ' va ' descongestiona a cabeça Banhos de pés. quentes,
-NEGRA em caso de catarro nasal ou gripe com farinha de mostarda

ENXAQUECA (HEMICRANIA) LARANJEIRA 153 Antiespasmódica e sedante Infusão de folhas e/ou flores
É uma dor intensa, que geralmente l AO Previne o aparecimento das crises
afecta metade da cabeça, e que apare- TÍLIA Decocção da casca
de enxaqueca
ce com certa periodicidade, associada
a perturbações nos olhos. YJM Antiespasmódica, analgésica,
Durante a crise de enxa- VERBENA Infusão e decocção
diminui a intensidade da enxaqueca
queca produz-se um es-
pasmo das artérias LIMOEIRO 265 Sedante e antiespasmódico Infusão de folhas
que irrigam a cabeça,
para o que são úteis 044 Anti-inflamatória, Infusão de folhas e/ou flores.
as plantas anties- VIOLETA
acalma a dor de cabeça compressas sobre a testa
pasmódicas. Em
muitas ocasiões, > 1^
MANJERICÂO- oco Antiespasmódico, acalma as ui.„s« »«**«,:.,
as crises de enxa- -GRANDE 368 lnfusao e s s e n c i a
enxaquecas associadas a má digestão -
queca são desen- ff-
cadeadas por fer- CARDO-DE- 395 Regula a tonicidade dos vasos
mentações diges- Infusão ou decocção de frutos
tivas ou por cer-
-SANTA-MAWA sanguíneos
tos alimentos.
«pç Digestiva, alivia as enxaquecas
ANGÉLICA Infusão ou decocção
de origem digestiva

Maniertcâogrande VERÓNICA 475 Digestiva, tonificante, alivia as Infusão, sumo fresco


enxaquecas de origem digestiva

RENDIMENTO INTELECTUAL Flocos (sementes prensadas)


AVEIA 150 Tonifica e equilibra o sistema nervoso
INSUFICIENTE com leite ou caldo vegetal
As plantas ricas em ácidos gordos es-
senciais, como o limoeiro, em lecitina, Mf , f ., l r, 0 . cnc Fornece ácidos gordos essenciais, c„™„„t„„ /„„,„,-*
em vitaminas do grupo B, e em mine- NOGUEIRA 505 B
f o s f o r o e vltamin as B Sementes (nozes)
rais como o fósforo, favorecem um
bom rendimento intelectual. Também Ton nca aurnenta a
são úteis, embora de forma não conti- GINSENG 608 ' ' capacidade Preparados farmacêuticos
nuada, os tonificantes não excitantes, de concentração e de memória
como o ginseng ou o tomilho. Os estu-
dantes, e todos aqueles que estejam GERGELIM 611 Complemento nutritivo adequado Sementes (em diversas preparações)
sujeitos a um grande esforço intelec- ao sistema nervoso
tual, podem beneficiar do seu uso.
Estimula as faculdades intelectuais
TOMILHO 769 e a actividade mental Infusão, essência

143
C a p . 8; P L A N T A S PARA O S I S T E M A N E R V O S !

Doença Planta Pág. Acção Uso

MEMÓRIA, PERDA DE
Além destas duas plantas com acção Caíra* IIA Melhora a irrigação sanguínea
WNKGO <íá4
Infusão das folhas
vasodilatadora sobre as artérias cere- n Q c é r e b r o

brais (que melhoram a irrigação san-


guínea do cérebro), são convenientes
todas as recomendadas para o "Ren-
dimento intelectual insuficiente" Pcou.Nrn -?AA Vasodilatadora cerebral, melhora Decocção, preparados farmacêuticos
(pág. 143). KERVINCA cm a o x j g e n a çã 0 dos neurónios

EPILEPSIA Sedante e antiespasmódica.


Embora estas plantas não substituam PASSIFLORA 167 Permite diminuir a frequência Infusão de flores e folhas
o tratamento médico da epilepsia, po- i e intensidade das crises epilépticas
dem no entanto ajudar a reduzir a dose .
de fármacos aintiepilépticos e estabili- Sedante, antiespasmódica
zar o paciente. VALERIANA 172 e anticonvulsivante, previne o Infusão, maceração, pó de raiz
aparecimento dos ataques epilépticos

DOENÇAS ORGÂNICAS
DO SISTEMA NERVOSO
0 óleo de onagra é muito rico em ácido
linoleico, um factor essencial no de-
senvolvimento e no bom funcionamen- Contribui para a estabilidade
to dos neurónios. O seu uso é um bom Cápsulas ou comprimidos
ONAGRA 237 do sistema nervoso
compfemento do tratamento especifi- do óleo das suas sementes
e para o equilíbrio hormonal
co das doenças orgânicas do sistema
nervoso, tais como a esclerose em
placas ou a doença de Parkinson.

O g i n k g o fpág. 234) é uma árvore


de origem asiática dotada de
extraordinárias propriedades
medicinais. Trata-se de um
vasodilatador cerebral, que
aumenta a irrigação sanguínea no
cérebro, com o que os neurónios
recebem maior quantidade de
oxigénio e de nutrientes.
Por isso é útil a todos aqueles que
sofram de perda de memória, ou
que precisem de aumentar o seu
rendimento intelectual, como os
estudantes.
Toma-se a infusão das suas folhas,
se bem que existam também
Ginkgo diversos preparados farmacêuticos
que contêm extractos de ginkgo.

144
A SAÚDE PELAS PLANTAS M E D l C I K A ! S

2 " Parte: D e s c r i ç ã o

Plantas sedativas

Acalmam a excitação do sistema ner-


voso. Estas plantas têm também uma
acção equilibradora e reguladora
sobre o sistema nervoso central e ve-
getativo.

Planta Pág.
Abelmosco 362
Agripalma 224
Alface-brava-maior 160
Alfazema 161
Aspérula-odorifera 351
Assafétida 359
Aveia 150
Cálamo-aromático 424
Cinoglossa 703
Dormideira 164
Endro 349
Erva-cidreira 163
Estaque 641
Laranjeira 153 O sumo fresco de aipo
Limoeiro 265 (pág. 562) é um
tonificante natural
Lúpulo 158 altamente
Melissa-bastarda 580 recomendável em caso
de esgotamento ou
Papoila 318
depressão nervosa. Tem
Passiflora 167 afém disso acçáo
Pé-de-leão 622 diurética e depurativa.
Pode misturar-se com
Pilriteiro 219 sumo de limão.
Salgueiro-branco 676
A dose habitual é de
Saxifraga 322 meio copo de manhã e
Tília 169 igual quantidade ao
meio-dia. antes ou
Valeriana 172 depois da refeição.
Verbena 174

Um sistema nervoso equilibrado


repercute-se favoravelmente sobre a
saúde do resto do organismo.
:
:.:. ; . - ' . * - ; : ; < A O S $ ' : " : NERVOSO

A aromaterapia é uma forma


segura e eficiente de aplicar
as plantas sedativas ás
crianças. Umas gotas de
essência de alfazema,
colocadas ao lado da
almofada no momento de se
deitarem, exercem uma
suave acçáo sedativa e
soporifera, muito
recomendável para as
crianças nervosas ou que
durmam mal.

Plantas sedativas
para as crianças

Nem todas as plantas sedativas são


recomendáveis para as crianças. As
seguintes apresentam uma acção sua-
ve e segura, pelo Que podem ser ad-
ministradas com segurança mesmo
às mais pequenas.

Planta Pág
Alface-brava-maior 160
Alfazema 161
Ti lia 169

A alface (pág. 160),


especialmente a brava-maior,
tem uma acçáo sedativa
semelhante á do ópio,
p lantas narcóticas
r

apesar de isenta dos seus São plantas que, em doses elevadas,
efeitos secundários. O seu provocam um sono pesado Inarcose),
uso é tão seguro que se diferente do sono natural. As plantas
administra ás crianças como narcóticas possuem também acção es-
sedativo e soporifero. tupefaciente (alteram as faculdades
A dose habitual é de um mentais) e afectam o sistema nervoso.
quarto a meio copo de sumo
de folhas frescas verdes |náo
brancas) antes de deitar. Planta Pág
Pode adoçar-se com mel. Meimendro-negro 159
Também se pode administrar Dormideira 164
uma decocçáo de folhas
Doce-amarga 728
verdes ou lactucário (látex
que mana dos seus caules). Erva-moura 729

146
A SAÚDE P E L A S P L A N T A S M E D I C I N A I S

?•' P a r t e : D e s c r i ç ã o
I
Plantas antiespasmódicas

Impedem os espasmos dos órgãos ocos. £síes órgãos


estão cobertos de músculos chamados lisos ou involun-
tários, controlados pelo sistema nervoso vegetativo. Quan-
do estes músculos se contraem violentamente, quase
sempre para vencer um obstáculo, produzem uma dor do
tipo cólica.
Um espasmo... Produz...
• no estômago uma dor de estômago
com náuseas
• no intestino uma cólica intestinal
• nos canais biliares uma cólica biliar (impropria-
mente chamada "hepática")
• ÍJOS canais urinários uma cólica neíritica ou renal
A acácia-bastarda ou robinia (pág. 469) é outra plan-
• no útero dismenorreia, espasmo
uterino ta antiespasmódica, que actua relaxando os espasmos
nervosos do estômago. Toma-se uma infusão das suas
As plantas antiespasmódicas actuam por intermédio do flores depois de cada refeição.
sistema nervoso vegetativo, relaxando o órgão ou canal
contraído, com o que aliviam a dor ou cólica correspon-
dente. Em farmacologia, conhece-se esta acção como an-
tícolinêrgica.

Planta Pág. Planta Pág.


Abelmosco 362 lúcia-lima 459
Acácia-bastarda 469 Macela 350
Alcaravia 355 Manjericão-grande 368
Alfacebrava-maior 160 Manjerona 369
Alfazema 161 Milefólio 691
Angélica 426 Nêveda-dos-gatos 367
Anis-estrelado 455 Orégão 464 A fumaria (pág. 391)
actua sobre o sistema
Arruda 637 Passiflora 167
nervoso vegetativo,
Artemísia 624 Petasite 320 relaxando os espasmos
Aspérula-odorífera 351 Pilriteiro 219 nervosos da vesícula e
dos canais biliares (acção
Assa-fétida 359 Poejo 461 antiespasmódica). Toma-
Avenca 292 Primavera 328 se muito útil nas
afecções hepatobilíares.
Camomila 364 Pulsatila 623
Cinco-em-rama 520 Rorela 754 Além disso é colerctica
(aumenta a produção de
Cominho 449 Salgueiro-branco 676 bílis). Deste modo, facilita
Dictamno 358 Salva 638 a função desintoxicante
349 Segurelha 374 do sangue levada a cabo
Endro
pelo fígado. O seu uso dá
Erva-cidreira 163 Serpão 338 também excelentes
Fumaria 389 Tilia 169 resultados em caso de
eczemas e erupções da
Funcho 360 Tussilagem 341
pele, devidas em muitos
Grindélia 310 Valeriana 172 casos á presença de
Hortelá-pimenta 366 Verbasco 343 toxinas na corrente
sanguínea, o que
Limoeiro 265 Verbena 174 vulgarmente se conhece
Loureiro 457 Verónica 475 como "sangue sujo".

147
Aconitum
napellus L.
a * : .

Preparação e emprego

Acónito
USO INTERNO
Uma planta que cura. 0 acónito tem de ser usado sem-
pre sob vigilância médica, e
e que mata empregando produtos de labora-
tório devidamente avaliados qui-
micamente, para se saber com
exactidão o seu conteúdo em
aconitina. Existem os seguintes
preparados farmacêuticos:
O Pó de raiz: em dose máxima
de 0,4 g diários, repartidos por vá-
rias vezes.
©Tintura alcoólica a 1/10: co-
mo máximo 6 gotas repartidas ao

O ACÓNITO c ÍI planui com


maior concentração de veneno,
cie iodas as que crescem na
Europa. Só a supera uma outra espé-
cie do mesmo género, o Aconitum ff-
longo do dia.
© Extracto hidralcoólico, que se
apresenta em pílulas, cuja dose
máxima não deve ser superior a
0,10 g por dia.
mx Wall., do Nepal, que se considera
o veneno vegetal mais activo do mun- USO EXTERNO
do. Com apenas I g da sua raiz pode-
O Loções com tintura alcoólica.
-se malar unia pessoa aduha.
© Pomada e unguento prepa-
rados ã base de extracto hidral-
coólico. Aplicam-se friccionando
sobre a zona dorida.

Precauções
Outros nomes: mata-cão.
napelo, capuz, pistolete, carro-
-de-vénus. Brasil: capacete-de-
0 acónito tenro (quando está a bro- •júpiter.
tar) é pouco tóxico. Depois de a
Esp.: acónito, anapelo. raiz dei
planta se ter desenvolvido, porém, é
diablo. Fr.: aconit (napel).
altamente venenoso. E cultiva-se nal- Ing.: monkshood.
guns jardins como planta ornamental!
Habitat: Terrenos montanhosos e
0 contacto prolongado com esta húmidos de toda a Europa e da
planta pode tornar-se perigoso. Tem América, especialmente do Norte.
havido casos de intoxicação em Apesar da sua grande toxicidade, e
crianças que tinham levado na mão. cultivado como planta ornamental em todo
durante algum tempo, um ramalhete o mundo
de acónito. Descrição: Planta herbácea, da família
Nas aplicações externas é preciso ter das Ranunculáceas, que atinge entre 50 e 150
cm de altura. As flores são muito belas, em forma de
presente que a aconitina também se
capacete, e podem ser de cor azul-escura, amarela ou
absorve pela pele, pelo que, mesmo branca. A raiz ê um tubérculo em forma de nabo.
por via externa, podem produzir-se
Partes utilizadas: a raiz
intoxicações. Não se devem fazer
mais de três aplicações diárias.

148
Convém saber
identificar bem
Desde tempos muita antigos que <> o acónito, uma
das plantas mais
acónito é usado para envenenar fle- venenosas que
chas e para justiçar os réus. No sécu- existem.
lo XVIII, o médico austríaco Stoerk
começou a utilizá-lo no tratamento
das dores nevrálgicas.
O acónito é uma planta altamente tóxica, mas que,
correctamente empregada, p o d e aliviar dores re-
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Toda beldes, como as das nevralgias faciais.
a planta, e especialmente a raiz, con-
tém potentes alcalóides (aconitina e
napelina), assim como glicósidos fla-
vónicos, resinas, amido e manitol. O
princípio activo mais importante é a
aconitina, que é um potente anesté-
sico dos terminais sensitivos; é lam-
bem febrífugo e antitússico.
O acónilo usa-se com êxito, tanto
O Intoxicação por acónito
por via interna IO.@.€M como externa
10,01, para acalmar as dores incurá-
veis das nevralgias, em especial a do
nervo trigémeo, que afecta <> rosto, e Sintomas: De 10 a 20 minutos após a ingestão, produz-se uma sensação de irri-
a do nervo ciático. Também si- tem tação ou prurido na boca, nas mãos e nos pés, que a seguir se estende por to-
empregado como substituto da mor- do o corpo; sudação abundante e calafrios. Aparecem depois náuseas, vómitos
fina, para desabituar os dependentes e diarreias. Se a intoxicação for grave, produzem-se alterações no ritmo respi-
desta. ratório e cardíaco, que acabam em paragem cardio-respiratória e morte.
Primeiros socorros: Provocar imediatamente o vómito. É conveniente uma la-
()s princípios activos do acónito vagem ao estômago; administrar carvão vegetal e laxantes enérgicos.
são substâncias muito potentes que,
correctamente utilizadas, surtem va- Há que levar o doente com toda a urgência a um hospital, para ser interna-
do numa unidade de cuidados intensivos.
liosos eleitos medicinais. O acónito é
uma ílessas plantas (^w podem curai",
masque também podem matar.

N
Avena satíva L
P

Preparação e emprego
Aveia
USO INTERNO
Tonifica e equilibra O Os flocos (sementes prensa-
das) cozinhados com leite ou cal-
os nervos do de hortaliça.
© Infusão: Prepara-se com uma
colherada de palha de aveia por
chávena. Tomam-se 2 ou 3 chá-
venas por dia.

USO EXTERNO
© B a n h o relaxante: A inlusão
serve também para acrescentar
à água do banho na proporção de
um litro por banheira de tamanho
médio, com o que se obtém um
agradável efeito relaxante.

o S F L O C O S de aveia, q u e se
preparam p r e n s a n d o os grãos
trilhados, constituem um ali-
m e n t o integral muito p o p u l a r nos pa-
íses do C e n t r o e do Norte da Europa.
A aveia tem, além disso, interessantes
efeitos sobre o sistema nervoso.

PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: OS
GRÃOS c o n t ê m 60%-70% de a m i d o e
outros glícidos (hidratos de c a r b o n o ) ;
1-1% de proteínas; 7% de lípidos (gor-
d u r a s ) , e n t r e OS quais se c o n t a u m a
significativa p r o p o r ç ã o de lecitina; vi-
taminas do g r u p o li; ácido pantoténi-
co; enzimas, minerais, s o b r e t u d o cál- Outros nomes:
cio e fósforo; oligoelementos diversos; Esp.: avena, avena común, avena
e um alcalóide (avenina), de efeitos blanca. Fr.: avoine. Ing.: oat.
tonificantes e equilibradores sobre o Habitat: Originária do Sul da Europa. A
sistema nervoso. sua cultura estendeu-se aos cinco
continentes.
A aveia é por isso muito recomen-
Descrição: Planta anual da família das
dada nos casos de d e p r e s s ã o , nervo-
Gramíneas, que atinge um metro de
sismo, insónia e e s g o t a m e n t o físico altura. As suas flores, da mesma
ou mental l©l. Os q u e sofrem de maneira que os grãos, agrupam-se
stress ou de impotência sexual, os es- duas a duas. em espigas.
t u d a n t e s - s o b r e t u d o em é p o c a de exa- Partes utilizadas: A paíha e os grãos.
m e s - , os d e s p o r t i s t a s e as m ã e s lac-
tantes, têm na aveia um alimento-re-
médio ideal. Pela sua excelente diges-
tibilidade, convém t a m b é m aos con- A palha ou farelo da aveia é
valescentes e aos q u e sofram de gas- sedativa e faz descer o
trite, de colite c de outras afecções di- co/esterof.
gestivas.

150
o A aveia e o colesterol

0 doutor James Anderson, da


Universidade de Kentucky, nos Es-
tados Unidos, estava a trabalhar
com doentes diabéticos, procu-
rando determinar se havia algum
cereal que fosse mais eficaz para
controlar os níveis de açúcar no
sangue. O doutor Anderson des-
cobriu que, quando os doentes to-
mavam farinha de aveia, não só
melhoravam os níveis de açúcar
no sangue mas também dimi-
nuíam os números do colesterol.

Estudando o assunto mais por-


menorizadamente, chegou-se à
conclusão de que este efeito era
provocado pela porção de farelo
que tinham os flocos de aveia. A
fibra solúvel de que é formado o
farelo da aveia actua absorvendo
os ácidos biliares que existem no
intestino, e arrastando-os junta-
mente com as fezes.

Os ácidos biliares formam-se no


fígado, a partir do colesterol do
sangue, e passam para o intesti-
no juntamente com a bílis. Nor-
malmente, a maior parte deles é
reabsorvida no íleo (terceira
porção do intestino delgado), pas-
sando de novo para o sangue, e
servindo de elemento base para
a produção de colesterol.
Os flocos de aveia são um alimento-remédio muito recomendável para des- O farelo da aveia, absorvendo os
portistas, estudantes e todos aqueles que desejem fortalecer e equilibrar o ácidos biliares e fazendo que se
seu sistema nervoso.
eliminem com as fezes, obriga o
organismo a produzir mais ácidos
biliares, necessários ao processo
digestivo. Para isso, tem de utili-
O farelo de aveia é rico em silício e "nocivo" (I.DL), enquanto que não zar o colesterol que existe no san-
em vitaminas A e B. Tem efeito seda- influi sobre o colesterol protector ou gue, com o que o seu nível dimi-
tivo sobre o sistema nervoso, tanto in- "bom" (HDL), que, como recente- nui.
gerido por via oral em forma de in- mente se descobriu, actua evitando a
fusão I© I, como aplicado externa- arteriosclerose. Portanto, o consumo de flocos de
mente na água do banho 101. aveia integrais (com o seu fare-
Este mecanismo de acção do fare- lo), é um bom método para redu-
Investigações realizadas têm de- lo de aveia sobre o nível de colesterol zir o colesterol.
monstrado que o farelo da aveia tem é comum a todos os produtos que
tim eleito redutor sobre o nível de co- contêm fibra vegetal, especialmente
lesterol no sangue. Esta diminuição quando é do tipo solúvel, como a
afecta apenas o colesterol chamado maça, por exemplo (pág. 513).

1
Cannabis sativa L.
v. .

Preparação e emprego

Cânhamo USO INTERNO


O Infusão com uma colhera-
Produz euforia... da de frutos de cânhamo, que
e transtornos mentais se deixam de infusão durante
dez minutos. Bebem-se 2 ou 3
chávenas por dia.

Outros nomes: cãnhamo-indiano,

O CÂNHAMO cukiva-sc clesck


tempos imemoriais, por pro-
porcionar uma fibra lêxii
com a qual se fabricam cordas e teci-
dos. São bem conhecidas as bebedei-
cânhamo-verdadeiro. linho-
•cânhamo, liamba, cãnamo.
canabe, haxixe.
Esp.: cahamo común. bangue (de
la índia), henequén europeo.
ras e os transtornos mentais que so- linabera. Fr.: chanvre. Ing.: hemp.
friam os operários que trabalhavam Habitat: Originário da Ásia
com libras de cânhamo. No século Central, estendeu-se a sua cultura
XIX descobri] am-sc os princípios res- pelas regiões temperadas e
ponsáveis pelo sou efeito estupefa- húmidas de todo o mundo.
ciente, os quais se apresentam cm Descrição: Planta dióica
(exemplares masculinos e
maior percentagem na variedade- in-
femininos diferenciados) da família
dica. das Moráceas. que atinge até 1.5
m de altura. As folhas são
PROPRIEDADES E INDICAÇÕES: Das SU- espalmadas, divididas em 5 ou 7
MIDADES FLORIDAS das plantas femi- segmentos de bordo dentado.
As flores são de cor verdosa. e
ninas do cânhamo, especialmente da agrupam-se em cachos
variedade hidicrt, obtém-se uma resina terminais.
conhecida como haxixe ou marijua-