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Maravilhas Da Ciência

Maravilhas Da Ciência

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MARAVILHAS DA CIÊNCIA

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ÍNDICE
A pequena esfera de aço de uma esferográfica, a descolagem de um Jumbo, a identificação das impressões digitais de um criminoso, a construção de uma torre com mais de 500 m de altura, a habilidade de tirar um coelho do chapéu. Estas são algumas das maravilhas e curiosidades que esta obra lhe revela. Esperamos, porém, que ao folhear este livro encontre muitos outros assuntos que lhe despertem o seu interesse e a sua admiração.

Fecho de correr

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20 21 21 22 23 23 24 25 26 26 27 28 29 30

Um serviço mundial de mensageiros

56

MILAGRES DO DIA-A-DIA
Pp. 9-30
Desenhos em néon Iluminação controlada pelo Sol A resistência das lâmpadas As pilhas Como se "mete" o bico num lápis Esferográfica Supercolas Os post-it Pondo perfume num papel Fotografias em pontinhos As máquinas de moedas Vclcro 10 11

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15 16 Itj 17 18 19

Parar um elevador em queda Testes de cheiro no gás natural As fibras dos saquinhos de chá Fósforos aos milhões C o m o adere a película aderente? Panelas antieslurro C o m o cozinham as microondas C o m o os frigoríficos "fazem frio" Panelas de pressão Eliminando o calcário das panelas "Girinos" na máquina de lavar Pasta de dentes - de giz e algas 0 fio das lâminas de barbear Aço inoxidável

O controle do tráfego citadino

GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO
Pp. 31-72
Multidões nos aeroportos
Evitando colisões aéreas A selecção d o s controladores aéreos A caça aos terroristas Refeições a bordo de um Jumbo 0 m u n d o da Bolsa Dinheiro para queimar C o m o se constrói um automóvel A previsão meteorológica Abastecimento de água a uma cidade Tratamento de lixos Combate a incêndios na floresta O problema do trânsito Um dia nos cuidados intensivos Fotografias aéreas para mapas Uma carta atravessa o Mundo

Notícias de todo o Mundo Elaboração de um dicionário Abastecimento de um exército em guerra l ni dia n u m hotel de luxo Um dia n u m transatlântico Como se organizam as Olimpíadas Como se faz um filme Pôr em cena u m a comédia musical Equipas de socorro de montanha

57 58 513 61 62 64 66 68 71

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33 34 35 37 38 41 11 44 46 47 40 50 52 54 5(5

TÉCNICAS DE LOGRO E DETECÇÃO
Pp. 73-100
0 avião "invisível" Camuflagem Scramblers Códigos e cifras () m u n d o das "toupeiras" Dispositivos de escuta Tintas invisíveis 74 76 77 78 79 80 81

Pormenor do vekro
1

As drogas da verdade Fotografias que mentem Detectores de mentiras A busca das causas de um incêndio Descobrindo pinturas ocultas

81 82 87 89 90

Seda: fabricada por borboletas Vestuário de fibras sintéticas Tecidos com padrões Produção de vestuário cm massa

Defesa contra torpedos e mísseis Como guiar mísseis até ao alvo Como um soldado vê na escuridão Porque vai uma bala a direito Construindo armas nucleares Raios de laser no espaço Extinguir um incêndio nuclear Velejar contra o vento O restauro de uma obra de arte A pintura da Capela Sistina

154 156 157 157 158 159 160 161 161 162

A EXPLORAÇÃO DO UNIVERSO
Pp. 165-186
A força que impele o foguete Dos fios de algodão ao tecido Como se obtém água doce do mar Transformar lixo em energia A reciclagem do lixo Electricidade a partir do urânio Armazenagem de resíduos nucleares Electricidade a partir das marés Electricidade a partir do vento Rochas quentes: fonte de energia A origem das chuvas ácidas Captando a luz do Sol Fotografias de alta velocidade Captar em filme a Natureza Plástico que se autodestrói A "revolução do plástico" Como se extrai petróleo Prospecção de petróleo Limpar derrames de petróleo Fogo num poço de petróleo Como se mede uma montanha Tesouros no fundo do mar O escafandro autónomo Reparação dos cabos submarinos Diamantes sintéticos Como se cortam diamantes O corte do diamante Cullinan A técnica dos vedores Como se faz chover Construindo os aviões do futuro Aeroplanos accionados pelo homem Aterragem em porta aviões lançamento de aviões de um navio Tácticas dos pilotos de caça "Ver" com o radar 167

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117 118 119 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 138 138 140 141 142 143 144 146 146 146 149 150 151 151 154 W"'V' ÍM

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Fotografias ' men t irosas' Impressões digitais A "dacliloscopia" genética Como se produz um retrato-robô Análise ria caligrafia Detecção de droga Desmascarando traficantes A investigação de desastres aéreos 92 94 95 95 97 98 99

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Deslocação no espaço Navegação no espaço Refeições numa nave espacial ("orno os satélites giram em órbita O controle das sondas espaciais Fotografias por satélite Receber fotografias de satélites Einstein e a relatividade Medindo o Universo Os espelhos dos telescópios Como se contam as estrelas? Como acabará o Universo? Em busca dos limites do Universo "Vendo" o invisível buraco negro A serpente que voltou do espaço Descobrindo planetas Em busca de vida no espaço 168 169 170 172 174 175 176 178 180 182 183 183 183 184 185 186

IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS
Pp. 101-164
Como se obtêm os melais puros Como se transforma areia em vidro Das árvores ao papel Converter plantas em gasolina Conversão de carvão em petróleo Captando a fragrância das flores Tecido feito de fibras naturais 102 104 106 108 108 108 110

ÍNDICE
MARAVILHAS DA CIÊNCIA
Pp. 187-210
Clones de plantas e animais Os segredos das células Criação de novas espécies Como se iriam novos medicamentos Comunicar c o m .munais Os mamutes voltarão a existir' Reconstituir seres pre-historieos Km In isca da máquina pensadora Como é que um computador traduz? Computadores que falam Como se cindem os átomos? Explorando o interior do átomo Ver os átomos Medindo a velocidade da luz Medindo a velocidade do som Chuck Yeager e a barreira do som A previsão de sismos Perfurando a crusta terrestre A deriva dos continentes 188 189 190 191 192 193 194 196 196 197 198 199 200 201 201 202 201 206 207 O vídeo Gravação em fila O gira discos .Sons de duas direcções Edison e a lu/ eléctrica CDs: música com um raio de laser Os sintetizadores Fibras ópticas Hologramas Fax fotocópias pelo telefone O "bip" que nos chama Fotocopiadoras A câmara fotográfica «'•'miaras de focagem automática 0 cristal de silício 220 221 222 223 224 226 227 228 229 230 231 231 232 237 238

MARAVILHAS DA MEDICINA
Pp. 275-298
A criação de um bebé-proveta O exame oftalmológico 276 277

Quando a cida auneçu numa panela Como os óculos aguçam a vista Como se fazem lentes de contacto Corno lêem os cegos Como se mede a inteligência o que e ,i memória? O que e a hipnose? Como se treinam os atletas "Vendo"' o interior do corpo Antibióticos A microcirurgia Marie Curie e o rádio Operar com um feixe de luz Como a anestesia elimina a dor Para que ser\e o pacemaker A cirurgia de transplante Eliminar as rugas da face O primeiro transplante cardíaco Como trabalha um rim artificial? Como se reduz, a calvície Sobreviver a um raio 27,s 278 280 281 282 2.82 283 287 288 289 290 292 292 293 291 295 296 298 298 298

As utilizações de um micmchip Os computadores Como as calculadoras fazem somas Os cofres dos bancos Dinheiro de plástico O código de barras Relógios de quartzo Relógios atómicos - a perfeição O microscópio electrónico Os robôs O motor de um automóvel Travões antibloqueio O cinto de segurança Porque se usam pneus lisos Testes de alcoolemia Como funciona um aerossol Os herbicidas selectivos Os pesticidas selectivos Metais com memoria Relógio de fumo Alarmes contra ladrões A máquina de costura Porque flutuam os navios de aço Submerso durante semanas Como se navega uni submarino Cabinas pressurizadas George Stephenson e os comboios A descolagem de um Jumbo o helicóptero o hydrofoil: 'Voando" na água o hot ercrafi 239 211 2-12 212 2 13 211 211 2 IS 246 248 2S0 230 251 2S1 251 252 253 254 254 254 255 256 257 259 259 260 262 268 272 271

Dndc <>s ctuUttwntes se separam A idade da Terra O centro da Terra 209 210

CONSTRUÇÃO E DEMOLIÇÃO
Pp. 299-316
Construir um arranha céus A mais alta construção do Mundo Como o cimento faz presa na tigiia Betão (ire esforçado A demolição de um arranha-céus Demolindo uma central nuclear Cabos que poderiam atar o Mundo 300 .502 .303 303 301 305 306

COMO FUNCIONA?
Pp. 211-274
(i teletl me A radio A televisão
Controle remoto

212 2 IS 218 220

6

Como se represam grandes rios? Construções resistentes ao vento Montagem de gruas gigantes Soldar debaixo de água Construir túneis debaixo de água

308 311 312 314 316

Os cosméticos primitivos C o m o os Gregos mediram a Terra Decifrando línguas esquecidas Travessia aérea sem escala

367 367 368 370

PURO DIVERTIMENTO
Pp. 395-437
C o m o serrar uma mulher ao meio Mm coelho no chapéu Morte de um apanhador de balas Levitação O truque da corda indiano Homens que "lêem" o pensamento Os venlríloquos Houdini: o mestre da evasão 396 397 398 399 400 401 401 402

CURIOSIDADES DE ALIMENTOS E BEBIDAS
Domar a Natureza Como os túneis se encontram

Pp. 373-394
A pêra dentro da garrafa Rodelas de ananás todas iguais C o m o se faz o luro no macarrão C o m o se recheia uma azeitona Rechear chocolates Bolachas c o m pedaços de chocolate Filetes prontos a fritar Batatas fritas aos milhões Camarões descascados à máquina Ervilhas congeladas Alimentos tratados c o m radiações A liofilizaçáo Café instantâneo Sabores artificiais Escolher feijões Transformar feijões em "carne" Conservação do leite Algas nos gel.idos Maionese l.ouis Pasteur Assar um boi Comida para animais de estimação A coca-cola Como se Faz o vinho O sabor do vinho As bolhíis do champanhe 571 375 375 375 376 376 376 377 377 378 378 379 380 380 381 381 381 385 385 386 388 388 38!) 390 392 393

COMO FOI FEITO
Pp. 317-372
A Grande Pirâmide As doenças dos antigos egípcios Os rostos do passado Ferramentas na Idade da Pedra •\s estátuas da ilha da Páscoa A Cirande Muralha da China Um exército de barro As paredes de pedra dos Incas A construção de Stonehenge Datação de vestígios antigos 0 passado em grãos de pólen Como Aníbal atravessou os Alpes Pão e cerveja na Idade da Pedra Desenhos com pedras Os artistas das cavernas Os Jogos Romanos Cerco a um castelo medieval A navegação \UÍ Antiguidade Colombo descobre o "Novo Mundo''

319 324 325 327 328 333 335
33(3

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Porque é que náo caem'' O truque das três cartas Montanha russa Espelhos que enganam "Nevoeiro" no teatro e cinema Os eleitos especiais no cinema Os duplos O homem que "embrulha" paisagens Pleitos gráficos na televisão Animais que são estrelas de TV Concursos de televisão Roleta Preparando palavras cruzadas Computadores campeões de xadrez Aprisionar um dente de leão Um barco dentro de uma garrafa Cronometrar os atletas olímpicos JutZ de linha electrónico Curvar u m a bola no ar As covinhas nas bolas de golfe Porque volta O bumerangue Andar sobre o fogo Mergulhos " e m seco" Saltos de esqui Saltos de pára-quedas Surf ÍNDICE 404 405 406 406 406 414 118 120 425 426 427 427 427 428 I2!> 429 430 431 132 432 433 434 434 435 436

338 341 343 344 346 347 347 350 352 355 356

1'iiuuru nu kludc clu PedrQ A construção de l.ady Liberty O memorial do monte Rushmore A hidráulica romana Medicina na Idade da Pedra 359 362 365 366

De onde vêm as bolhas C o m o se fax cerveja 394

438 446

AGRADECIMENTOS

Redactores e consultores da edição inglesa Nigel Hawkes • Nigel Henbest Graham Jones • Robin Kerrod • Terry Kirby Theodore Rowland-Entwistle John H. Stephens • Nigel West Neil Ardley • John Brosnan • Dr. John R. Bullen Prof. Geoffrey Campbell-Platt • Mike Clifford Jean Cooke • Mike Groushko • Ned Halley • Commander D. A. Hobbs Richard Holliss • W. F. A. Horner • Dr. Robert Ilson Dominic Man • John Man • Dr. J. R. Mitchell Prof. Frank Paine • Michael D. Ranken • Nigel Rodgers Dr. David A. Rosie • Andrew Wilbey

Consultores

da

edição portuguesa

Dr. Alfredo Barreto • Prof. António de Vallêra • Dr. António Dias Diogo Eng. António Pratt • Dr. Augusto Maldonado Simões • Dr. Carlos Santos Ferreira Dr.a Dulce Mota • Eurico da Fonseca • Filipe La Féria • Eng. Francisco Chumbinho Eng. Francisco Tudella • Dr.*1 Gabriela Iriarte • Eng. Gonçalo Borges de Castro Dr.a Graça Vieira • Dr.d Helena Paveia • Henrique Sampaio Soares • Dr. Horácio Novais Dr.a Isabel Barros Ferreira • Dr. João Matela • Arq. José António Abreu Valente Dr. José António Pestana • Dr. José de Matos Cruz • Eng. José Eduardo Noronha José Soudo • Liselotte Correia • Dr.a Lúcia Garcia Marques • Manuel Gorjão Henriques Dr. Ricardo Schedel • Profa Teresa Mira Azevedo • Dr. Vasco Rivoti Victor Milheirão • Vítor Neto

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Milagres do dia-a-dia
Todos os dias, e quase sem pensar, nos servimos dos mais extraordinários instrumentos e materiais - fornos de microondas, pasta dentífrica às riscas, máquinas de barbear descartáveis. Mas como sõo feitos, como funcionam e como foram concebidos todos estes ingredientes maravilhosos da vida moderna?

Como se fazem anúncios aromáticos, p. 16 Como se forma uma bola de sabão, p. 2

Néon: desenhos luminosos
Por todo o Mundo se vêem anúncios luiui nosos. formando figuras coloridas ou desenhando os nomes de marcas comerciais. Esla variedade na forma e na cor, impossível de obter com as convencionais lâmpadas d€ filamento incandescente, deve-se às lâmpadas de descarga eléctrica em gas. Estas são Formadas por simples tubos de vidro, a que pode dar-se a forma pretendida, no interior dos quais existe um gás a baixa pressão. Normalmente, os gases não condn/.em fac iliiicnlc a electrici dade — são bons isoladores —, mas passam ii la/è lo se se lhes baixar a pressão e se lhes aplicar uma tensão eléctrica (voltagem) elevada. A descarga através do gás falo brilhar com a luminosidade caracterís lica. Nos finais do século xix e princípios do XX, os cientistas que investigavam o com portamento das descargas eléctricas atra vés do gás raro néon a baixa pressão observaram pela primeira vez a admirável lumi nosidade vermelho-alaranjada que o gás emite. Ainda hoje as lâmpadas de néon são das mais usadas nos anúncios luminosos. Quando experimentaram outros gases,

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As noites de néon. O cowboydo Pioneei Club, com <> seu cigarro bamboleante, do mino o caleidoscópio de néon de Las Vegas (à esquerda). A figura data de 1951. Tam bem em Hong Kong a noite se enche de luzes (em cima). Algumas, como este dra gâo, são o pesadelo dos mestres vidreiros.

B

MILAGRES DO DIA-A-DIA
verificaram que luziam com cores diferentes. Por exemplo, a lux emilicla pelo hélio é vermelho-dourada, e a do críplon, violctapálido. Outros gases, como o árgon e o

Porque as lâmpadas são tão fortes
O vidro de uma lâmpada eléctrica não é muito mais espesso que esta folha de pa pel, e, no entanto, suporta uma pressão forte quando enroscamos a lâmpada no suporte. A explicação reside principal mente na forma da lâmpada, que segue o princípio da casca do ovo. No início dos tempos, a Natureza resol vcu o problema de impedir que os ovos fossem esmagados pelo peso da ave enquanto eram chocados. A solução foi a for ma característica do ovo, que lhe propor Ciona resistência estrutural, permitindo -lhe suportar pressões surpreendentemente elevadas. (Se a casca fosse demasia do grossa, o pinto não conseguiria quebrála para sair.) As lâmpadas tal como os ovos pOS suem um perfil arredondado convexo cm toda a sua superfície: quando as seguramos ou apertamos, a forca que aplicamos Irans mite-se em Uxlas as direcções a partir da área de contacto, devido à curvatura do vidro. A pressão é de facto sujxirtada |>or todo o ob jecto, sem concentração das tensões em ponto algum. E por esta razão que o colapso de uma lâmpada ou ovo, uma vez ultra|)as.sado o seu limite de resistência, é catastrófico, lâmpadas a partir de uma fita de vidro A manufactura de lâmpadas é um processo industrial complicado e altamente auto matizado, em que aquelas adquirem a sua forma em moldes a partir de uma fita conti nua de vidro em fusão. Um dos componentes essenciais da lâmpada é o filamento, uma espiral de lio de tungsténio com a espessura de um centésimo de milímetro. A lâmpada dá luz quando um filamento, ao ser atravessado por unia corrente eléctrica, fica incandescente. Para evitar a sua oxidação e rápida destruição, lodo o ar da lâmpada é extraído e substituído por uma mistura inerte de árgon e azoto. A lâmpada é então rolada, e só depois lhe é colocado o casquilho. Lâmpadas que zumbem Por que razão algumas lâmpadas fazem um zumbido antes de se fundirem'' Na verdade, o filamento quebra se enquan to a lâmpada está acesa, mas esta conti nua a dar luz porque se produz um arco voltaico entre as extremidades do fio par tido. F. este arco que emite o zumbido característico.

mercúrio, emitem sobretudo radiação ul
Iravioleta, invisível para os nossos olhos, mas que tem a propriedade de provocar a fluorescência de muitas substâncias. Fsles gases usam se nas chamadas lâmpadas de "luz negra*', vulgares nas discotecas, ou nas de ultravioletas para tratamento ou bronzeamento, mas também, e sobretudo, nas chamadas lâmpadas fluorescentes: o tubo de vidro é coberto com urna tinta que fluoresce fortemente com os ul Iravioletas emitidos pela descarga no gás. As cores das lâmpadas sáo determina das pela mistura gasosa com que se enche o tubo, por vezes em combinação com a utilização de vidro colorido.

Como é que o Sol liga e desliga a iluminação pública?
Na sua maioria, os candeeiros da iluminação pública sáo controlados por interrup tores temporizados que comandam toda uma área. Os primeiros interruptores esta vam equipados com um mecanismo de relógio, pelo que era necessário dar-lhes corda e acerlá-los todas as semanas. Muitos dos interruptores temporizados actuais possuem um relógio eléctrico com um mostrador rotativo munido de ressaltos, que acendem ou apagam as luzes a horas predeterminadas. Como as horas do nascer e pôr do .Sol valam ao longo do ano, os candeeiros da iluminação pública precisam igualmente de acender-se e apagar-se a horas diferentes, pelo que aqueles mostradores permitem alterar também o respectivo horário de acordo com as épocas do ano. Para tal, dispõem de um dispositivo mecânico que ajusta todos os meses os ressaltos de on c Ó/f, que ligam e desligam o interruptor por forma a seguirem as modificações verificadas nas horas de luz natural. Recentemente, surgiu um sistema de controle fotoelectrónico que comanda o interruptor que liga ou desliga as luzes. Ksle sistema inclui uma célula foloeléctrica que contém um composto sensível à luz, como o sulfureto de cádmio ou o silício. De madrugada, a luz que incide na célula provoca um fluxo de electrões entre os átomos, conduzindo electricidade até ao interruptor e desligando-o. Quando escurece, os electrões imobilizam-se, a corrente interrompe se e as luzes acendem se

fitando todo o objecto destruído.

FABRICO DE LÂMPADAS ELÉCTRICAS

2. A base da ampola, ao rubro, é soldada à fiaste de vidro ÇU€ SU porta o filamento em espiral.

1. As ampolas de vidro passam cm frente de urna chama para aquecer e amolecer o "gargalo", que em seguida é ajustado à medida do casquilho e aparado.

3. Os contactos na base da am pola são soldados aos fios que conduzem ao filamento.

II

MILAGRES DO DIA-A-DIA

Pilhas electricidade portátil
Foram experiências no campo da anatomia na década de 1780 que levaram à invenção da pilha: Luigi Galvani, professor de Anatomia da Universidade de Bolonha, reparou que as pernas de rãs mortas se contraíam quando eram penduradas de ganchos num varão. Pensou (erradamente) que esse facto se devia a qualquer tipo de electricidade animal. Allessandro Volta, da Universidade de Pavia, apercebeu-se de que a electricidade resultava do contacto entre os ganchos de cobre e o varão de ferro em que as rãs eram penduradas - as pernas destas faziam apenas parte do circuito. Esta observação deu lugar, em 1800, à pilha de Volta, precursora de todas as pilhas actuais. A pilha de Volta era constituída por placas alternadas de zinco e cobre, separadas por discos de papel, e "empilhadas" umas sobre as outras (de onde a designação de pilha). Numa pilha, a corrente eléctrica é produzida pelas reacções entre dois eléctrodos (condutores eléctricos) e um electróli to (um líquido ou uma pasta condutora de electricidade). Cada eléctrodo está ligado a um dos terminais metálicos da pilha. Quando a pilha é integrada num circuito, produz-se neste um fluxo contínuo de electrões entre um terminal (o negativo) e o outro (o positivo). A produção deste fluxo deve-se ao facto de o material de um dos eléctrodos começar a dissolver-se parcialmente no electrólito — isto é, os seus átomos começarem a migrar para o electrólito sob a forma de iões positivos, deixando electrões a mais no eléctrodo; estes podem partir para o circuito através do terminal negativo. O outro eléctrodo é geralmente de um material diferente e que não se dissolve da mesma forma no electrólito. Pelo contrário, perde electrões para os iões positivos do electrólito, tornando-se deficiente em electrões — que vai buscar ao condutor que fecha o circuito para compensar esta deficiência. O fluxo contínuo de electrões que assim se estabelece de um eléctrodo para o outro é que forma a corrente eléctrica. As chamadas pilhas secas não contêm electrólito líquido livre. A caixa metálica da pilha é de zinco e forma um dos eléctrodos da pilha. Nela está contida uma mistura de cloreto de amónio, que constitui o electrn lito, e dióxido de manganésio. O manganésio é, na realidade, o outro eléctrodo, pois perde electrões para o cloreto de amónio. Uma vareta central de carvão-das-re

A PILHA ALCALINA Nesta pilha de longa duração, um electrólito alcalino (potassa cáustica) está misturado com zinco em pó. Uma manga porosa separa esta mistura de um revestimento de dióxido de manganésio. Um "prego" metálico, capta electrões do zin co e transmite os ao ter minai negatioo. Os electrões dirigem-se, através da lâmpada da lanterna, para o invólucro de aço, no terminal po sitioo, e dai pura o dióxido de manganésio, para o compensar dos electrões que perdera paru o electrólito. tortas actua como colector da corrente, transferindo electrões do terminal positivo para o manganésio. Uma pilha seca deste tipo tem uma for ça electromotriz de 1,5 V enquanto nova, mas a tensão eléctrica entre os seus eléctrodos diminui com o uso, à medida que se vão formando bolhas de hidrogénio na va-

O QUE É A ELECTRICIDADE? Uma corrente eléctrica é um fluxo de Um circuito eléctrico é constituído por electrões — partículas minúsculas de carum fio, geralmente de cobre, partindo de ga negativa que existem em toda a matéuma fonte de energia eléctrica e regresria. Mesmo uma corrente fraquíssima sando a ela precisa de um fluxo de biliões de elecPor isso, as tomadas em nossas casas trões. têm dois tenninais. Quando ligamos, por exemplo, um candeeiro, estamos a comToda a matéria é composta por pequepletar (fechar) o circuito eléctrico, perminíssimas partículas chamadas átomos, tindo a passagem de corrente através dos constituídos por um núcleo central com condutores de cobre e do filamento das carga eléctrica positiva e por electrões lâmpadas. que orbitam em torno dele, dispostos em camadas, em número exactamente sufiOs geradores que abastecem a rede de ciente para, com as suas cargas negatidistribuição pública não são pilhas, mas vas, compensarem a carga positiva do nú grandes máquinas eléctricas chamadas cleo — os átomos são assim electricaalternadores. Ao contrário das pilhas, nas mente neutros. quais um dos terminais tem sempre um excesso de electrões (o negativo) e o ouUm fio condutor só é percorrido por tro deficiência (o positivo), cada terminal uma corrente eléctrica se houver excesso de um alternador tem sucessivamente ex(ou deficiência) de electrões numa das cesso e deficiência de electrões, alternansuas extremidades relativamente à outra. do portanto entre ser o positivo ou o neEssa diferença é designada por diferença gativo. Um circuito alimentado por um de potencial, ou tensão eléctrica, e é mealternador é percorrido por uma corrente dida em volts. sucessivamente num sentido e no oposNo caso das pilheis, é gerada uma defito: é uma corrente alternada. (A corrente ciência de electrões num dos eléctrodos gerada por uma pilha sempre no mesmo e um excesso no outro, de forma que, se sentido é uma corrente contínua.) ligarmos um voltímetro entre os seus dois terminais, mediremos uma difeConvencionalmente, considera-se rença de potencial - também chamaque a corrente eléctrica flui do terminal da força electromotriz da pilha. Se agora positivo para o negativo. Esta convenção unirmos os terminais da pilha por meio foi estabelecida antes da descoberta do de condutores eléctricos (por exemplo, electráo, ao qual, de acordo com ela, teve o filamento de uma lâmpada), fechande ser atribuída uma carga negativa. O do o circuito eléctrico, estes serão perfluxo de electrões é portanto no sentido corridos por uma corrente (a lâmpada contrário do sentido convencional da acender-se-á). corrente eléctrica.

12

MILAGRES DO DIA A DIA reta de carvão, o que reduz a área da superfície do eléctrodo. As baterias de automóvel são baterias de acumuladores, assim chamadas porque podem ser recarregadas - isto é, as suas reacções químicas são reversíveis. O tipo mais comum de bateria possui seis pilhas primárias (elementos) ligadas entre si. Cada elemento possui vários eléctrodos, as placas, alternadamente positivos e negativos, separados por folhas isolantes para evitar eurtos-circuitos e suspensos num electrólito de ácido sulfúrico. As placas são constituídas por grades de chumbo, contendo as negativas chumbo espon joso e as positivas dióxido de chumbo. As reacções químicas que produzem a electricidade fazem com que tanto as placas negativas como as positivas se transformem gradualmente em sulfato de chumbo e o electrólito em água. Sc este processo cliega a completar-se, a bateria fica descarregada. Mas enquanto o motor do carro trabalha, a corrente do gerador carrega a bateria, invertendo as reacções químicas. As placas de chumbo são deste modo re convertidas na sua substância primitiva e a potência do ácido sulfúrico é restaurada.

Como se "mete" o bico num lápis
Os antigos egípcios, gregos e romanos utilizavam pequenos discos de chumbo para traçar linhas nas folhas de papiro antes de nelas escreverem com pincel e tinta. No século xiv, os artistas europeus usavam varetas de chumbo, zinco ou prata para fazerem os seus desenhos cinzento claros, denominados a ponta-de-prala. E no século xv o suíço Conrad Gesner, de Zurique, descreveu no seu Tratado dos Fósseis uma vareta de escrever contida num invólucro de madeira. O chumbo deixou de constituir um material de escrita quando em Borrowdale, no Norte de Inglaterra, se descobriu em 1564 a grafite pura — nasceu então o lápis moderno. A grafite é uma forma de carbono e um dos minerais mais macios. Quando é friccionada contra o papel, a grafite deixa nele delgados flocos que formam uma marca escura. Alguma da melhor grafite para o fabrico de lápis vem de Sonora, no México: é pulverulenta e extremamente negra. A parte exterior do lápis, de madeira, tem de ser bastante macia para que possa ser afiada com facilidade à medida que o bico se gasta. O bico é constituído por uma mistura de grafite fina e argila, cortada em varetas e cozida num forno. A grafite não pode ser moída num moinho vulgar, pois a sua estrutura em camadas faz dela um lubrificante natural. Recorre-se, por isso, a um pro cesso diferente, em que se lançam, uns de encontro aos outros, jactos de ar comprimido contendo partículas de grafite, que, colidindo, se pulverizam. Estas partículas minúsculas são misturadas com caulino puro e água, formando uma pasta. Esta é introduzida num cilindro e forçada através de um furo na sua extremidade, de onde sai em filete contínuo e com o diâmetro pretendido. O filete é cortado em varetas do tamanho dos lápis, que são levadas a secar num forno antes de serem cozidas a uma temperatura de cerca de 1200°C. São depois tratadas com cera para assegurar um traço suave e seladas para evitar que deslizem no invólucro de madeira. Para fabricar este invólucro, a madeira é serrada em tabuinhas com o comprimento de um lápis, a largura de sete lápis e a espessura de meio lápis. Fazem-se os sulcos, introduzem-se os bicos e cola-se por cima uma segunda tabuinha igualmente com sulcos. Estas "sanduíches" são levadas à máquina, que as corta em sete lápis e dá a cada um uma secção hexagonal ou cilíndrica. Em seguida, os lápis são pintados com um verniz não tóxico.

Átomo neutro. O núcleo do átomo tem carga positioa. e os electrões, carga nega liva. Assim, o átorno ê neutro.

Risco ampliado. A grafite utilizada nos lá pis tern uma estrutura em carnudas. Quando a grafite e friccionada contra o papel, soltam-se facilmente pequenas escamas que formam uma marca negra. DURO OU MOLE? DEPENDE DA ARGILA No fabrico dos bicos de lápis, a grafite é misturada com uma argila fina rio lipo utilizado nas melhores loiças e porcelanas. Os dois ingredientes sáo misturados em proporções diversas, consoante os graus de dureza e negrura de traço pretendidos, O tipo de lápis mais largamente utilizado é o HB (hard and black, "duro e preto"). Os bicos mais macios e mais negros (B e BB, de black) possuem maior teor de grafite, e os mais duros - graduados de H (hard) a 10H - têm argila em proporções crescentes. Os bicos dos lápis de cor e os lápis de cera não contêm grafite, mas argila pura, cera e pigmentos.

Ião positivo. A perda de um electrão resulta num átomo de carga positiva. Torna então o nome de ião positivo.

Ião negativo. Se o átomo ganha um ou mais electrões, a carga passa a ser negati va e ele torna o nome de ião negativo.

I:Í

MILAGRES DO DIA ADIA

Como se coloca a esfera numa esferográfica
A parle principal de uma esferográfica é unia esfera de metal que transfere para o papel uma tinta a base de óleo e que tem a particularidade de ser de secagem muito rápida. A esfera é geralmente de aço médio ou inoxidável, com cerca de 1 mm de diâmetro, e. para que se adapte perfeitamente ao encaixe, é acabada com um rigor de centé siuiDs milésimos de milímetro. Bode tam bém ser constituída por um composto cie tungsténio e carbono, quase Ião duro como o diamante. Por vezes, a esfera 0 ás pêra para conseguir melhor atrito na su perfície de escrita. A esfera é aplicada num encaixe cie aço ou latão desenhado por forma a permitir que a esfera rode perfeitamente em todas as direcções. O bordo do encaixe é de|>ois inclinado para dentro para que a esfera não caia A tinta corre do reservatório para <> encaixe da éster,i através de um tubo estreito. <) reservatório deve ser aberto ao ar ou ter um orifício, pois de outro modo criai .se ia um vácuo parcial a medida que o nível da tinta tosse baixando, o que acabaria por a impedir de correr Saliências no interior do encaixe distribuem homogeneamente a unta em redor d.i esfera para que. quando aplicada sobre uma superfície, ela rode e desenhe um traço.

A esfera. De aço. a esfera (ampliado 80 vezes) reifhe um acabamento rigoroso,

• Biro e a esferográfica •

U

ma pena cie ave com a haste afiada foi O instrumento de es cuia durante mais de 1000 .mos. .m tes da invenção da caneta de tinta permanente, em 1884, Na década de .5(1. o artista e jornalista húngaro Ladislao Biro inventou em Budapeste a canela esferográfica. Biro fugiu com a eclosão da II (iuerra Mundial, fixando se na Argentina. Com .i .ijud.i de seu irmão Georg. químico de formação, aperfeiçoou a caneta e fabricou-a em Buenos Aires durante .i guerra. Km 1944. vendeu os seus interesses no invento a um - seus financiadores, que passou a fabricar a caneta Biro para as torças aéreas aliadas, dado não ser afectada . i las ilt< raçi ies na pressão almosfé rica. Ladislao Biro desapareceu no obscurantismo, embora o seu inven to se tenha tornado um objecto utili zado em todo o Mundo.

O encaixe. Saliências no seu interior luzem com que a tinia se distribua por toda a esfera

A esfera colocada. 0.s bordos do encaixe suo dobrados pena ilcutio puni a segurarem.

14

Canetas e marcadores. 0 invento de Ladislao Biro foi aplicado no fabrico de novos modelos que produzem urna diversidade de traços de irrita sobre diversas superfícies, desde o metal ao vidro e ao plástico. A excepção da esferográfica, a tinia ê levada para a ponta através cie tubos finíssimos por acção da capilaridade. Ponta de feltro. O bico é de lã natura! ou sintética

Ponta de fibra. Fibras ligadas por resina dururri mais que as pontas de feltro

Esferográfica. A tinta e levada ao bico pela acção rotativa da esfera.

Ponta de plástico. A tinia, que cone livremente, alimenta uma por na de plástico de grande resistência <n> desgastt

Porque aderem tão bem as colas modernas
Ale há KXI anos, as colas eram gomas vege lais ou obtinham se fervendo peles e ossos de animais; demoravam muito tempo a colar v o sen poder de união não era parti nimo de humidade, as suas pequenas moléculas ligam se, formando moléculas maiores — processo químico denominado polimerização. Dentro do tubo, a cola é impedida de polimerizar por meio de um estabilizador aofdiCO. Quando a rola é aplicada a uma superfície, a mais diminuta quantidade de humidade supera a acção do estabilizador e a resina polimeriza instantaneamente É a presenç,a dos iões da água grupos de átomos dotados de carga eléctrica - que desencadeia o processo de polimerização, Os iões estão presentes em praticamente todas as superfícies ex postas ao ar, pois este contém sempre ai guina humidade. As supercolas aderem bem a pele, dado esta ser húmida. Por este motivo, tem havido muitos casos de pessoas com Ioda a natureza de objectos colados a pele, desde chávenas a maçanetas de portas. O remédio é mergulhar a parte afectada cm água morna e descolar suavemente o objecto. Em cirurgia, têm sido utilizadas supercolas em aerossol para fechar uma ferida e reduzir a hemorragia. A força da cola. Neste painel publicitário, o carto amarelo esta fixo por cola de resina epowlicu. O cairo encarnado assenta no tejadilho do outro demonstrando a força da cola.

cularmente forte, utilizavam se principal
mente nos trabalhos de carpintaria: o grude IfqUÍdO penetrava nos poros da madeira e secava, ligando entre si as peças da obra. Hoje, as colas são, na sua maioria, total mente sintéticas. Secam rapidamente e formam uniões muito fortes. As mais rápidas são chamadas supercolas, ou colas instantâneas, e secam em segundos. Exis tem também resinas epoxídicas, que consistem em dois componentes que são misturados e fazem presa em 10a 30 minu tos. A supercola é uma resina acrílica Fabricada a partir de produtos petroquímicos. Quando exposta ao mí-

XzM

MILAGRK5 DO DIA-A-DIA

O PROCESSO QUE FAZ COLAR A SUPERCOLA

A supercoio contém um estabilizador aa' dico (vermelho) que mantém a cola líquida.

O estabilizador acidico ê neutralizado em contado com a humidade (azul) da super íiae que se pretende colar

Neutralizado o estabilizador, as mole cuias adesivas juntam se em cadeias hm gOS, ((instituindo nina união tenaz.

Uma descoberta acidental que deixou a sua marca no Mundo
No princípio da década de 80. começaram a aparecer nos escritórios uns papelinhos amarelos. Vinham geralmente colados aos documentos com pequenas mensagens trocadas entre os executivos e tinham a grande vantagem de, depois cie lidos, poderem ser descolados com facilidade. Com o passar dos anos, estes papelinhos auto aderentes, chamados post-it. estende ram-se as esa rias e depois às nossas casas. Os estudantes e os investigadores começaram a usá-los para marcar textos de ititeresse nos livros; e os maridos e mulheres, ao saírem para o trabalho, deixavam uns aos outros rep* cados apressados colados no frigorí^ fico. Estes autocolantes nasceram de uma descoberta acidental num laboratório de St. Paul, no Minnesota, quando se procurava produzir uma supercola, em 1968. O resultado fora uma cola tao fraca que a em presa 3M a rejeitara por inútil. Mas um dos empregados, um químico chamado Art Fry, cantava num coro e utilizou aquela cola fraca para marcar o seu livro com papelinhos que podiam retirar •se sem estragar o livro. Fry tentou persuadir a empresa de que estava a deitar fora urna ideia que podia ter os mais variados usos. Mas só em 19X0 a 3M começou a vender, para Utili2açâ0 nos escritórios, blocos de lolhas para notas com uma faixa adesiva num dos bordos que podem ser descoladas e recoladas. Vista ao microscópio, a superfície adesi va de um post-it apresenta se coberta por minúsculas bolhas de resina de ureia for maldefdo que contém a substância adesi va. As bolhas rebentam sob a pressão dos dedos, mas não Iodas simultaneamente, pelo que as folhas são reutilizáveis.

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[<•*

Pondo perfume num papel
Pode fazer se publicidade a perfumes impregnando um prospecto com o respectivo aroma, que é libertado quando se raspa a superfície do papel. 0 método é designa do por microfragrância. O perfume está contido em pequeninas cápsulas de plástico, aplicadas ao papel num revestimento resinoso. 0 plástico quebra ao ser raspado ou esfregado, liber tando os óleos essenciais do perfume do seu interior. A técnica, denominada micro encapsulação, foi iniciada pela empresa americana 3M na década de 60. Para 0 enchimento das capsulas, o óleo é misturado com água e agitado, a fim de se desintegrar em gotas minúsculas como acontece com o azeite e o vinagre no CHEIROS NUMERADOS Em 1984, foi produzido na América um filme jocoso de couiboys que linha como atracção adicional aromas microencapsulados. Cada espectador recebia um pequeno cartão com uma meia dúzia de números. De vez em quando, no decorrer do filme, aparecia um número no canto ÚOécran - o número que os espectadores deviam raspar nos seus cartões. Podiam assim sentir o cheiro adequado à cena em curso — o encanto de um perfume, o cheiro a pólvora queimada, etc.

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O cheiro a maças. Nesta microfotografia (em cima) oèem-se as microcápsulas que contêm o perfume num autocolante. Quando se raspam as cápsulas, o perfume é liber lado. 0 autocolante deste quarto de maçã é típico dos que aparecem nas revistas. A área no interior do tracejado conteria microcápsulas para lembrar aos leitores o delicioso cheiro da maçã. tempero da salada. As gotas sáo depois espalhadas sobre uma superfície e cobertas por urna camada de resina plástica. Deixam-se secar (por vezes são aquecidas) antes de serem aplicadas sobre o papel por meio de outra resina. Algumas vezes utilizam-se como um revestimento adesivo na dobra de um folheio publicitário, e o aroma é libertado quando o revestimento se quebra ao desdobrar-se o folheto. Actualmente, alguns cosméticos contêm microcápsulas de óleos nutrientes da pele, que apenas são libertados quando o preparado é aplicado, o que garante a sua frescura até à utilização.

Fotografias nos jornais: milhares de pontinhos
Se se observar de perlo uma fotografia num jornal, verifica-se que a gama das tonalidades nos é dada por combinações de pontinhos negros. Nas zonas escuras, os pontos são maiores e fundem-se entre si, de modo que quase não se vê o papel bran co. Nas zonas mais claras, os pontos sáo más pequenos e estão rodeados por grandes porções de branco. As diversas tonalidades da fotografia são convertidas num padrão de pontos com diferentes dimensões recorrendo a urna retícula, ou trama. A fotografia a ser reproduzida é fotografada através de uma retícula posta em contacto com o filme, retícula que consiste num padrão de linhas diagonais sobre uma película transparente. A maioria dos jornais utiliza uma retícula de malha relativamente larga para a reprodução de fotografias em papel normal A retícula tem cerca de 20 a 35 linhas por centímetro, produzindo, quando impressa, o mesmo número de pontos por centímetro. A luz reflectida da fotografia passa através da retícula e é decomposta em zonas de intensidade luminosa variável captadas em película fotográfica de alto contraste, que, ao ser revelada, produz um padrão de pontos em imagem negativa. A continuação do processo de revelação produz uma imagem positiva.

Imagem desportiva. Fotografia a preto e branco, tal corno aparece num jornal (em cima). A ampliação mostra que a imagem se compõe de uma série de pontos pretos entre meados de espaços brancos. A densidade de pontos utilizados determina a qualidade da reprodução da fotografia na página impressa. 17

IMAGENS A CORES
As fotografias a cores são lambem repro duzidas como padrões de pontos. Estes são de Ires rores diferentes amarelo, magenta e azu\cyan (azul esverdeado). Vistas a distância, as combinações de pontos destas cores, com dimensões diferen tes. fundem-se por forma a simular lodo o
espectro das emes. A impressão a cores

baseia se no principio de que todas as co res podem ser produzidas através de com lunações destas três cores primárias. Fotografia com filtros 0 primeiro passo na reprodução é a "selec çao" (Lis cores, tirando fotografias através de filtros. As três imagens, uma de cada cor, são depois fotografadas através de uma re
tícula de meio tom. c o m o n.i impressão ..

Uma impressão a cores e feita a partir de combinações destas três cores primárias. amarelo, magenta e azul-cvm.

A imagem impressa a três cores segue se a impressão do prelo para acentuar a profundidade,
a defi/itaio

prelo e branco, a fim de se produzir um padrão pontilhado. Faz se uma chapa de impressão para cada cor e, para aumentar ii pormenor, iunta.se ainda uma chapa a preto, pelo que " processo toma <> nome de quadricromia. Esta é hoje feita, normal mente, por scanners electrónicos, em vez das máquinas fotográficas tradicionais.

f o i ontraste.

Finalmente, <> olha humano mistura os pontos coloridos e vê t<ulas as cores.

Como funcionam as máquinas de moedas
Com 1 1 11 moeda que se introduz numa 11, ranhura, as máquinas Fornecem-nos desde bilhetes de comboio a chamadas lelelo nicas, bebidas, maços de cigarros e ale juckpols de moedas. Mas, antes de entregarem o seu produ lo. as máquinas analisam cada moeda. submetendo-a a uma série de exames, co meçando por rejeitai as de valor diferente, as estrangeiras, as falsas e as anilhas. Cada tipo de moeda no Mundo tem as suas características próprias. São diferentes no diâmetro, na espessura, no peso e até na composição química. Nas máquinas de moedas, todas estas propriedades são in vestigadas, e só quando a moeda entra no percurso correcto da máquina é que é dis parado o mecanismo de funcionamento. A máquina de moedas típica funciona ilo seguinte modo: o sistema de verifica
çao começa pela própria ranhura, impe Percursos das moedas rejeitadas

Lâmina de contacto

Balancim Magneto Calha, ou tampa

Verdadeira ou falsa Esta máquina de moedas
destinada a moedas francesas tem unta ranhura igual ao tamanho de ama moeda de 10 francos. Uma moeda mais leve não consegue bascular o balancim e é desviada Separador

dindo a entrada de moedas demasiado grandes, espessas ou deformadas As moedas que entram podem ser exa minadas por uma sonda, que verifica se elas são luradas, detectando assim as ani lhas. As genuínas caem soba- um balan cim rigorosamente equilibrado: quando o seu peso é suficiente, a moeda faz tombar ii balancim e é dirigida para .1 calha [ou ranipae quando é insuficiente, o balancim
não oscila e a moeda cai no rejeitado!.

para o rejeilador.
! ma moeda de metal diferente é desviada pelo magneto. atinge o deflector c passa pelo lado eirado do separador
Rejeilador (moedas rejeitadas)

A moeda que foi aprovada percorre a

calha e passa polo magneto. Ao atravessar o campo magnético deste último, ê descarregada uma pequena corrente eléctrica no seu interior, fazendo a rodar mais ou menos lentamente devido à força magnética provocada pelo campo magnético. Ima moeda com a composição correcta abranda exactamente o necessário para. ao cair da rampa, percorrer uma trajectória que evita o obstáculo seguinte, o deflector. Acerta então no separador por baixo deste, a um ângulo de incidência lai que a faz dirigir se para o canal "aceite", As moedas com peso demasiado e as menos afectadas pelo magneto atingem o defleclor e são encaminhadas pelo lado errado do separador para o rejeitador. Máquinas de moedas electrónicas A ultima geração destas máquinas confere as moedas electronicamente, Assim que a moeda é introduzida, a sua condutibilidade capacidade para deixar passar unia corrente eléctrica - é verificada. As moedas aceitáveis num primeiro exame atravessam depois uma "cancela", percorrendo a rampa e passando entre dois magnetos. Também neste caso, a ve locidade com que deixam os magnetos depende da composição das moedas. Conjuntos de díodos emissores de luz e de fotossensores medem a velocidade da moeda. Sc os valores obtidos coincidirem com os da memória da máquina, abre-se nova cancela para aceitar a moeda. Se não, esta é rejeitada. Algumas máquinas podem ser programadas para tratar até oito tipos de moedas diferentes. Podem também ser programadas para dar trocos, Quando a moeda atravessa o sistema de verificação. 0 respectivo valor é identificado. Quando chega ao fim do per curso, um microchip liberta o troco certo.

Voltou para casa com umas ervas agarradas às meias e ao pêlo do cão e decidiu investigar por que razão aquelas se pegam Ião bem á lá. Ao microscópio, observou que minúsculos ganchos nas pontas dessas er vas ficavam presos às argolas da lã. Mestral imaginou rapidamente uma forma de reproduzir em tecido de nylon o esquema de ganchos e argolas e deu ao produto o nome de velcro - contracção de uelours e CfOChet, palavras francesas que significam "veludo" e "gancho". A patente original de protecção ao velcro expirou em 1978, e existem actual men te muitas imitações, mas o nome mantémse como marca registada 0 velcro é feito tecendo fio de nylon de modo a produzir um tecido com urna grande densidade de minúsculas argolas. A face dos ganchos obtém-se cortando as argolas noutra porção de tecido — de modo que cada meia argola passe a constituir um gancho. Por meio de aquecimento, argolas e ganchos tomam a sua forma definitiva. 0 tecido é depois tingido, colado ao suporte adequado e cortado à medida. O velcro pode fechar-se e abrir se milha res de vezes, e provavelmente durará mais do que O tecido a que foi aplicado. E feito de modo a poder ser aberto à mão com um estorço relativamente pequeno. No entanto, possui enorme resistência transversal. Alguns tipos de velcro têm tanta resistência que uma peça quadrada de 12 cm de lado consegue suportar uma carga de 1 t.

Como as ervas se agarram. As minúsculas vagens da aparína possuem ganchos que se ugurram ao vestuário de lã e aos pêlos dos ailimais Copiando a Natureza. .4 fotografia do oelCfO QO microscópio moslru como esíe copio a Natureza. Os minúsculos ganchos de nylon numa peca de i elcro agarram as argo las da outra peca exat tumente do mesmo modo que terias plantas como a aparinu se agarram às meias de la (mundo passeamos no meio das ervas. Uma peca de velcro com 5 x 2 cm contém cerca de 750 ganchos. com 12 500 argolas na lace oposta.

Velcro: como as ervas que se agarram às meias
Os fechos de velcro. pequenas almofadas crespas formadas de ganchos e ilhós de plástico, têm encontrado aplicações a to dos os níveis. Na indústria de vestuário, substituem as molas e os fechos de correr. No vaivém espacial, OS astronautas usam fita velcro para agarrar tabuleiros, embalagens de ali mentos, equipamento científico, e ate cies próprios, a uma superfície tixa. para evitar que flutuem desordenadamente no espa ço na ausência da força da gravidade. O engenheiro suíço Georgcs de Mestral concebeu a ideia que deu origem ao velcro depois de um passeio pelo canipo em 1948.

Como a Marinha dos EUA lançou o fecho de correr
A Marinha dos EUA foi a pioneira no uso dos fechos de correr quando, em 1918, encomendou 10 000 unidades para aplicar em fatos de voo. 0 fecho de correr fora inventado pelo engenheiro americano Whitcomb Judson em 1893. Lste desenhara um fecho com posto de carreiras de colchetes machos e fêmeas como método rápido de apertar as botas de cano alto. Mas este fecho, que utili zava um cursor para ligar os colchetes machos e fêmeas, revelou se pouco prático. O passo decisivo para o aparecimento do moderno fecho de correr deu-se cerca de 20 anos depois, quando o engenheiro sueco Gideon Sundback foi admitido por Judson para aperfeiçoar o seu fecho. Sundback desenhou o chamado Hookless 2, quase igual ao moderno fecho rie correr, e criou a maquinaria que permitiu o fabrico dos dentes e a sua fixação a uma fita. Km 1918, a Marinha Americana fez a sua encomenda, e o fecho de correr estava lan çado. O fecho de correr consiste ern duas tiras de tecido com dentes de metal ou plástico ao longo das bordas. Os dentes das duas fitas são desencontrados para poderem encaixar entre si: n u m dos lados têm uma saliência e no outro uma concavidade, por forma que, quando forçados a juntar-se, as saliências encaixem nas concavidades. Ao fechar, as duas fiadas de dentes entram obliquamente no cursor que as junta, engatando os dentes. Quando se puxa o cursor para abrir o fecho, dá-se o contrário, os dentes entram pelo fundo do cursor e separam-se.
Separador

Cursor

Fita

Fiadas de dentes

Dentes que engatam. A mecânica do fecho de correr é muito simples. Um cursor move-se num ou noutro sentido sobre duas fiadas de dentes presos a fitas, engatando-os ou desenga ÍB tando-os.

Como se faz parar um elevador em queda
O mais alto edifício de escritórios do Mundo, a Sears Tower, em Chicago, com 443 m, tem 103 elevadores para transportar passageiros entre os seus 110 andares a velocidades que chegam aos 550 m por minuto Mas o que aconteceria se um cabo se partisse quando um dos elevadores se encontrasse no topo de tão alto edifício? Teoricamente, um corpo que caísse do último andar da Sears Tower esmagar-se-ia no solo a 820 km/h. Para evitar estes acidentes, os elevadores são dotados de dispositivos de segurança. O moderno elevador de passageiros leve as suas origens em 1854, quando o engenheiro americano Klisha Graves Otis introduziu o primeiro dispositivo de segurança para a elevação de cargas na Exposição do Palácio de Cristal, em Nova Iorque. Otis demonstrou a segurança do seu processo por forma espectacular. A carga foi guindada até uma altura de 8 ou 10 m com Otis também sobre a plataforma. Ordenou então que cortassem o cabo de sus pensão. Num elevador normal, as consequências teriam sido desastrosas, mas o mecanismo de segurança de Otis resultou - e a queda foi interrompida depois de cortado o cabo. O segredo do sucesso da experiência residiu numa mola em fornia de arco fixa da ao topo da plataforma. O cabo de suspensão estava ligado à mola, e quando a plataforma era puxada para cima, o seu peso iria arquear a mola, de modo que as suas extremidades não tocassem nos entalhes das duas calhas dentadas de guiamento, situadas de um e outro lado da platafor ma. Mas quando o cabo de suspensão foi cortado, a mola abriu c as suas exlremida des encaixaram nos entalhes das calhas, impedindo a queda da plataforma. Olis instalou o primeiro elevador de pas sageiros cm Nova Iorque em 1857, no estabelecimento V. Haughwout & Co., com cinco pisos. A invenção do elevador de segurança foi um factor decisivo na evolução do arranha-céus, pois libertou os arquitectos das restrições na altura. O moderno elevador é constituído por uma cabina içada por cabos de aço entre duas calhas laterais de guiamento e possui um dispositivo de segurança que trava de encontro às calhas no caso de os cabos se partirem. Os cabos fixos ao topo da cabina Subida rápida. A Sears Tower, edifício de IK) andares em Chicago, dispõe de eleou dores rápidos que se deslocam a 32 km/h. Os elevadores estão equipados com dispo sitiuos de segurança para o caso de quebra dos cabos.

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sobem alé um mecanismo de roldanas no cimo da caixa do elevador. A roldana é accionada por um motor eléctrico, e os cabos sustentam na outra extremidade um contrapeso que corre igualmente em calhas de guiamento. Limitador do excesso de velocidade Este é outro componente fundamental da segurança do elevador. Parle dele um cabo que corre para cima e para baixo na caixa do elevador e está ligado ao mecanismo de segurança montado sob a cabina. 0 limitador do excesso de velocidade baseia-se num sistema mecânico de pesos, que são impelidos para fora devido à força centrífuga. Acima de uma velocidade preestabelecida, os pesos accionam um interruptor de segurança que desliga a corrente eléctrica do motor. A roldana pára automaticamente e o elevador imobiliza-se sem que tenha de ser activado o dispositivo de segurança. Se, contudo, a cabina continuar a acelerar, o limitador centrífugo prende o respectivo cabo com força suficiente para disparar o mecanismo de segurança. Existem outros mecanismos de segurança, como o de compressão de roleles ou de excêntricos de bordos serrilhados contra as calhas de guiamento, ou o de cunhas, que reduz a velocidade por meio de fricção.

Testes de cheiro no gás natural
Numa indústria de alta tecnologia como a do gás natural, o teste final de segurança é, curiosamente, o nariz humano. O gás natural, ao contrário do gás de hulha, não tem cheiro próprio, pelo que uma fuga nas tubagens poderia passar facilmente des percebida e causar uma explosão. No entanto, pode juntar-se-lhe um odorizante. Assim, peritos empregados pela sua capa cidade olfacliva muito sensível asseguram que, numa emergência, o gás emita o chei ro certo para fazer disparar o alarme mental de "fuga de gás!" Esses peritos cheiram o gás para terem a certeza de que a sofisticada aparelhagem de análise está a funcionar correctamente. O gás natural encontra-se no solo ou sob o fundo do mar. O seu componente principal é o metano, gás que nos pântanos pode ser visto em bolhas emanando dos lodos orgânicos. O cheiro intenso que acompanha o metano nos pântanos deve-se à matéria vegetal em decomposição, pois o gás em si é inodoro. O gás natural comercial começou a ser utilizado comercialmente nos Estados Unidos nos anos 20 c na Europa na década de 60. Como era necessário que tivesse cheiro, foram ensaiadas como odorizantes diversas combinações de compostos orgânicos de enxofre. O odorizante ideal tinha de ter um cheiro forte e muito característico, náo devia ser absorvido pelo solo para que as fugas subterrâneas pudessem ser detectadas e tinha de ser inócuo e náo-corrosivo. Acabou por descobrir se a fór mula correcta. Esse odorizante, sob a forma líquida, é pulverizado no gás quando este deixa o complexo de produção. A quantidade de odorizante é medida rigorosamente por computador. Tem um aroma tão intenso que apenas é necessário 1,5 kg por cada 100 000 rrí*. Apesar dos odorizantes, as fugas de gás nas tubagens subterrâneas podem ainda passar despercebidas. Por isso, os técnicos seguem frequentemente os percursos das tubagens com instrumentos extremamente sensíveis. Contudo, estes detectam o gás, e náo o cheiro. As sondas são colocadas junto ao solo e o ar que captam é introduzido num aparelho que detecta gás em concentrações de apenas algumas parles num milhão.

As fibras que conferem resistência aos saquinhos de chá
Diariamente, fazem-se milhões de chávenas de chá a partir de saquinhos. O papel de filtro rendilhado, que constitui o saco, tem orifícios de tamanho suficiente para deixar passar a água a ferver sem deixar fugir as folhas do chá. É também suficien temente forte para náo se rasgar nas máquinas de empacotamento ou durante a manipulação — esteja seco ou molhado. Nenhum papel vulgar podia satisfazer estas exigências. O papel dos saquinhos de chã é fabricado com duas fibras fortes: cânhamo-de-manila, fibra natural longa utilizada no fabrico de cordas para conferir resistência, e fibras termoplásticas, para fechar os saquinhos. As duas fibras náo são tecidas em conjunto, mas assentes, sob a forma de mistura aquosa, em duas cama das separadas. Forma se o papel quando a água se escoa e o emaranhado de fibras é apertado em rolos para secar. Este processo confere ao papel uma estrutura irregular, com poros de diversas dimensões. O papel passa pela máquina de embala gem do chá sob a forma de duas tiras e a máquina vai colocando as doses de chá sobre a tira inferior. Dá-se forma aos sacos vedando os bordos por meio de calor. As fibras termoplásticas são derretidas para se ligarem fortemente entre si, mantendo a sua resistência quando, ao arrefecerem, solidificam novamente. O seu ponto de fusão é superior a 100°C para que o saquinho náo se desmanche na água a ferver.

Orifícios filtrantes. Ampliando 60 vezes um saquinho de chá, vêem-se bem OS orifícios filtrantes. Estes deixam passar a água, mas sem deixarem sair as folhas de chá. 2\

Fósforos aos milhões
Se riscarmos um fósforo de segurança (amorfo) em qualquer superfície que não seja a lixa da caixa, ele não se acende. Se lhe batermos com um martelo, nada acontece. Antigamente, porém, os fósforos acendiam-se ao serem riscados em qual quer superfície rugosa, e se lhes batêssemos com um martelo, explodiriam. No caso dos fósforos de segurança, é a reacção entre os produtos químicos da cabeça do fósforo e da lixa da caixa que os incendeia. A reacção é desencadeada pelo riscar do fósforo, que gera calor devido à fricção. Se a cabeça e a lixa não estiverem em contacto, não se dá a ignição. O antepassado do fósforo actual foi produzido pelo químico inglês John Walker em 1827. Os seus fósforos acendiam-se em qualquer superfície e não eram de grande confiança. Km 1830, Charles Suria, em França, inventou um fósforo muito mais eficaz, utilizando fósforo branco. Os fósfo ros deste tipo mantiveram-se em uso até finais do século xix e, embora eficientes, tinham uma grande desvantagem: podiam matar - e fizcram-no muitas vezes O fósforo branco liberta fumos tóxicos que provocam, cm casos de exposição prolongada, uma doença deformante — e eventualmente fatal — em que ocorre a decomposição dos maxilares. Os opera rios das fábricas de fósforos eram os mais afectados; assim, no início deste século, foi proibido o uso de fósforo branco, tendo passado a utilizar se o sesquissulfureto de fósforo.

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Contra o imposto

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m 1801, a firma Bryant & May produziu o seu primeiro fósforo de segurança numa fábrica em Londres. Ao fim de um ano, a fábrica produzia 1 800 000 fósforos por semana. A procura era tanta que, em 1871, o chanceler do Tesouro propôs uma taxa de 1 penny por caixa. A proposta originou protestos no Parlamento e na imprensa - e milha-

res de operários da indústria fosforeira protestaram contra aquilo que viam como uma ameaça ao seu ganha-pão. Seguiram-se manifestações e tumultos e o Parlamento aboliu o imposto. Por todo o Mundo, as técnicas do fabrico de fósforos foram sendo aperfei coadas, e actualmente podem produzir-se mais de 800 caixas por minuto.

2 2

Em movimento. I m tapeie rolante de aço transporta os palitos de madeira - já com as cabeças tingidas de vermelho ao encontro das caixas, que se movem numa tela
transportadora perpendicularmente ao percurso dos fósforos. Estes são automaticamente expulsos do tapete, por fornia a caírem dentro das caiwis nus quantidades certas.

um átomo de carbono e dois de hidrogénio numa molécula de polietileno, por exem pio. A maioria das substâncias comuns é constituída por moléculas pequenas a molécula de agua contém apenas dois álo mos de hidrogénio e um de oxigénio
As moléculas longas da película aderen

Na década de 1850, o sueco John LundsIrom foi pioneiro dos fósforos de seguran ça (amorfos) ao separar o elemento fósforo dos outros ingredientes combustíveis: pós fósforo vermelho, não tóxico, na lixa e os outros ingredientes na cabeça. Actualmente, os fósforos são fabricados por máquinas automáticas que chegam a produzir 2 milhões de unidades por hora. O vulgar fósforo de madeira começa por um toro que é cortado em fasquias de cer ca de 2.r> mm de espessura. Estas são depois cortadas em palitos que são embebidos numa soluçáo de fosfato de amónio retardador de ignição que evita que os palitos continuem a deitar fumo. Os palitos são depois introduzidos automaticamente nos orifícios de um tapete ro lante de aço que mergulha as pontas num banho de parafina aquecida. Esta vai impregnar as fibras da madeira e anulará a fazer passar a chama da cabeça para o palito. Os palitos são cm seguida mergulhados na mistura que constituirá a cabeça. Nos fósforos de segurança, essa mistura con tem enxofre, e por vexes carvão, para produzir a chama e clorato de potássio para fornecer o oxigénio necessário á combus tão. Quando as cabeças secam, os fósforos
sao e m p u r r a d o s do tapete rolante para

te. ou adesiva, encontram se enroladas c dobradas como as libras da la. Quando .• película é esticada, as moléculas ordenam se Mas, lai como as fibras da lá ou como um elástico . elas procuram reto mar a sua forma inicial
O poder de aderência desta película

ocorre naturalmente na maioria das pelí cuias plásticas, que aderem porque adqui rem uma carga eléctrica estática. A película aderente pode. por exemplo, adquirir uma carga eléctrica negativa por fricção, << que faz deslocar electrões d<i superfície de uma película ou de outro material adjacente. Na
segunda superfície, .i carga eléctrica será

positiva, o que leva a que as duas superfícies se unam por atracção electrostática. A película aderente podo ser fabricada
num destes plásticos: PVC 'cloreto de poli

vinilo) ou polietileno. O PVC. normalmente duro. toma se- macio c flexível pela adi cão de certos produtos químicos, os plasli ficanles. o polietileno é macio por natureza, pelo que não necessita de plastificantes. A película de PVC e mais transparente que a de polietileno, mas ê mais sujeita a fadiga Com eleito. 24 horas depois de utili zada perdeu já mais de dois lerços da sua elasticidade, enquanto o polietileno per
deu apenas um lerço

dentro das caixas de fósforos que correm numa tela transportadora. As tampas das caixas correm noutra tela em movimento paralelo, A intervalos de alguns segundos, as telas param e .is caixas sao metidas nas respectivas tampas. As ta ces laterais destas aplica se a lixa, uma tira rui>osa impregnada de fósforo vermelho. que constitui o produto combustível.

Um material escorregadio como o gelo
o revestimento interior náo-aderente dos modernos tachos e frigideiras e o maleri.il mais escorregadio que ri tecnologia conhece. Tendo quase o mesmo coeficiente
de atrito que o gelo. se cohrisseinos as ruas

Como adere a película aderente?
Esta película adere por duas razões: quan do esticada, a sua elasticidade leva a a retomar as dimensões iniciais; e a electricidade estática que possui cria uma forma de atracção a muitas outras coisas. O segredo da elasticidade esta na estrutura molecular da película. Os plásticos são formados por moléculas longas centenas cie milhares de unidades repetitivas de

com ele. torná-las-íamos intransitáveis. () PTFE e um dos mais notáveis produ tos artificiais, e a náo-aderencia não é a sua Superfície revestida. Para lazer uma (ri gideira náo-aderente. mistura-se PTFE cm pó com aii.ua puberiza-se o sen interiot e
seca se

Válvula cardíaca. O anel desta válvula está coberto com um tecido revestido de PTFE. O PTFE é quimicamente inerte, pelo que não há o risco de causar infecção. Sol e espaço. A cúpula plástica deste estádio japonês está revestida de PTFE para reduzir o calor dos raios do Sol. Os fatos de pressão dos astronautas possuem diversas camadas de material, incluindo uma de tecido revestido a teflon, incombustível e resistente à abrasão. única qualidade invulgar. K considerável a sua resistência a temperaturas, tanto muito altas como muito baixas, e ao ataque químico; é ainda um mau condutor de electricidade. PTFE é a abreviatura de politetrafluoroetileno, material que foi descoberto quase por acaso em 1938 pelo americano Dr. Roy Plunkett quando ensaiava para a Du Pont um produto químico utilizado para refrigeração. A Du Pont deu à descoberta o nome comercial de teflon. O PTFE é um material difícil de manusear, e só se lhe descobriu utilidade em larga escala quando o engenheiro francês Marc Gregoire se apercebeu das possibilidades da sua aplicação em utensílios domésticos. Assim, nos meados da década de 50, Gregoire comercializou com a marca Tefal os primeiros tachos não-aderentes. No entanto, já desde o início dos anos 40 se vinha desenvolvendo uma grande variedade de aplicações industriais para o PTFE. A sua não aderência foi utilizada nas chumaceiras - componentes de máquinas que suportam veios rotativos. As chumaceiras de PTFE são consideradas autolubrificantes, pois não precisam de qualquer lubrificação além da sua própria natureza deslizante. Para lhes aumentar a resistência, são geralmente reforçadas com outros materiais, como a fibra de vidro e a grafite. A resistência ao ataque dos ácidos O PTFE não é afectado por nenhuma substância química vulgar, incluindo os ácidos e os álcalis a ferver. Mesmo a água-régia (mistura de ácidos clorídrico e nítrico) deixa-o incólume. As únicas substâncias que o atacam são o sódio em fusão, o cálcio em fusão e o flúor muito quente. O facto de ser quimicamente inerte significa que o PTFE não contamina os alimentos nele cozinhados. Na realidade, ele não produz efeitos sobre qualquer matéria orgânica, inclusive o tecido humano. Estas características permitem ainda a sua utilização em próteses cirúrgicas, particularmente nas articulações artificiais; o seu reduzidíssimo coeficiente de atrito constitui uma vantagem adicional. Também já tem sido utilizado, sob a forma de fibras entretecidas e impregnadas de carbono, na re construção dos ossos da face. Outra propriedade importante do PTFE é a sua resistência à electricidade, o que o torna excelente para o revestimento de fios. Possui ainda a grande vantagem de manter a flexibilidade a temperaturas que váo dos — 270°C (poucos graus acima de zero absoluto) até aos 260°C. Este conjunto único de propriedades re sulta da estrutura química do PITE. Corn efeito, a sua molécula consiste numa "espinha dorsal" formada por uma cadeia longa de átomos de carbono, cada um dos quais ligado a dois átomos de flúor. As ligações químicas entre os átomos de carbono e de flúor são extremamente fortes, razão pela qual o PTFE náo reage com outras substâncias químicas. As fortes ligações carbono-flúor verificam-se também entre as moléculas adjacentes, de modo que se atraem mutua mente mais do que atraem as moléculas de outras substâncias. Este o motivo por que nada se lhe adere. Esta forte atracção intermolecular significa igualmente que o PTFE não funde, mesmo a temperaturas elevadas. A fusão dá-se quando as moléculas obtêm suficiente energia por aquecimento e se separam umas das outras. No PTFE, a atracção molecular é tão forte que as moléculas têm grande dificuldade em separar-se. Como se fabrica o PTFE O PTFE é produzido a partir do fréon 22 (diclorodífluorometano), refrigerante líquido largamente utilizado em frigoríficos.

O engenheiro americano Dr. Roy Plunkett descobriu que o aquecimento do fréon produz o gás tetrafluoroeteno. A urna pressão de cerca de 45 a 50 atmosferas e na presença de um catalisador, o gás sofre uma alteração química da qual resulta o PTFE sob a forma de resina pulverulenta. Como náo chega propriamente a fun dir, o PTFE é misturado com um aglutinante adequado e enformado num molde. É depois sujeito a pressão e temperatura elevadas, e as partículas da resina fundem, formando uma massa sólida. Para os reci pientes de cozinha não-aderentes, o pó de PTFE é suspenso em água para formar um acabamento não-aderente que é depois pulverizado sobre a superfície e seco.

Como as microondas cozinham sem aquecer os pratos
Ao ligarmos um forno de microondas, criamos no seu interior um poderoso campo electromagnético que oscila na mesma banda de frequência que as emissões de televisão por satélite e o radar. As microondas utilizam-se na cozedura rápida de alimentos, pois fazem vibrar as moléculas de água contida naqueles. A vibração absorve energia do campo electromagnético e aquece os alimentos. Como toda a energia é absorvida pelos alimentos sem se desperdiçar no aquecimento do ar ambiente nem do próprio forno, e como as microondas penetram nos alimentos, aquecendo-os directamente por dentro (ao contrário dos fornos convencionais, nos quais só a superfície é directamente aquecida), o processo é muito mais rápido e económico do que os métodos tradicionais de cozinhar. A energia das microondas náo aquece os utensílios no forno, porque os materiais de que são feitos - louça e vidro - não absorvem energia do campo electromagnético (os recipientes não saem frios do forno, porque são aquecidos pelos alimentos). Utensílios de cozinha especiais Além da louça e do vidro, muitos outros materiais - como o plástico, o papel e a cartolina — podem ser usados num forno de microondas. Os recipientes de metal não devem ser usados, porque o meta] não transmite as microondas, reflecte-as. Por este motivo, os alimentos náo devem ser cobertos com folha de alumínio. As ondas longas da rádio têm compri mentos de onda de milhares de metros. As microondas utilizadas nos fornos têm um

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comprimento de onda de cerca de 12 cm. Uma onda electromagnética é uma vibração de campos eléctricos e magnéticos que alternam constantemente, dirigidos ora no sentido positivo, ora no negativo. Os fornos de microondas funcionam com ondas que vibram 2450 milhões de vezes por segundo — uma frequência de 2450 MH/.

Como os frigoríficos «fazem frio»
Quando ligamos uma torradeira ou um ferro eléctrico, obtemos calor. Porque é então que um frigorífico ou um congela dor -lazem frio» quando OS ligamos0 Assim acontece porque estes aparelhos utilizam dois princípios científicos. O primeiro é o de que, quando um líquido se evapora, absorve calor do ambiente que o cerca: o liquido precisa de energia para se transformar em vapor e vai buscá-la sob a forma de calor. O segundo é o de que um líquido evapora-se a uma temperatura mais baixa quando a pressão é, por sua vez, mais baixa. Qualquer líquido que se evapore facilmente a temperaturas baixas é um refrigerante, ou agente de arrefeci mento, em potencia. E é possível fazê-lo vaporizar-se e liquefazer-se alternadamente, obrigando-o a circular numa tubagem em que a pressão seja variável. Na maioria dos frigoríficos domésticos, o refrigerante é um dos compostos artificiais, denomina aqui o tubo alarga e o gás vaporiza se nova mente, reiniciando-se o ciclo. A refrigeração desenvolveu se no século estimulada pela necessidade de se obterem fornecimentos de carne das grandes pastagens da Austrália, Nova Zelândia, América do Sul e Oeste Norte-Ainericano para os principais mercados da Europa e do Leste da América do Norte. lima das primeiras pessoas a descobrir e aplicar o princípio da refrigeração foi um tipógrafo, James Harrison. Ao limpar OS caracteres de metal com éter. verificou o efeito refrescante que este tinha sobre o metal - o éter é um líquido com ponto de ebulição muito baixo que se evapora fácil mente. Harrison deu aplicação prática á sua descoberta no edifício de uma fábrica de cerveja em Bendigo, Vitória, em 1851, fazendo circular éter numa canalização própria para refrescar o ambiente. A ideia de Harrison levou á primeira viagem coroada de êxito com um equipamento frigorífico a partir da Austrália: a do navio Strathleven, com um carregamento de carne para Londres em 1880 - viagem que demorava dois meses. O primeiro frigorífico doméstico foi cria do em 1879, quando o engenheiro alemão Karl von Linde modificou um modelo in dustrial que desenhara seis anos antes (> refrigerante era o amoníaco que circulava por acção de uma pequena bomba a va por. Os pioneiros dos frigoríficos eléctricos foram os engenheiros suecos Balzer von Platen e Cari Munters, com o seu modelo Eiectrolux de 1923, que utilizava um motor eléctrico para accionar o compressor. COMO FUNCIONA LM FRIGORÍFICO
O CFC vaporiza-se no t u b o largo Tubo capilar O CFC liqufifaz-S6 \ -, s o b pressão ~~""'* ' •/ elevada

(megahertz), ou 2,45 GHz (gigahertz). As moléculas da água tem um pólo de
carga positiva e um pólo de carga negativa. As microondas em vibração positiva negativa interagem com as moléculas polares da água, atraindo e repelindo os seus pólos, fazendo-as rcxlar ora num sentido, ora no outro. Este movimento acontece também 2450 milhões de vezes por segundo. O componente mais importante do forno de microondas é o magnetrão, o dispositivo que gera as microondas. Foi criado em 1940 em Inglaterra, mas foi a Raytheon

Company, dos EUA, que, no princípio dos
anos 50, se apercebeu das aplicações do mestiças que este invento poderia ter e pa tenteou um "aparelho de aquecimento dieléctrico de alta frequência". Os pequenos modelos domésticos foram aperfeiçoados na América em finais da década de 60. Ferver até transbordar. Quando se aquece agua num copo num forno de microondas, a temperatura pode subir ulé ]10"C sem que a água (ema. Isto acontece porque as microondas aquecem a água no centro sem aquecerem o copo. peto que u água em contacto com o vidro está abaixo do ponto de ebulição. Como as bolhas de oapor na água a ferver se formam principal mente sobre as irregularidades do recipiente, não se dá a ebulição. Mas se deitarmos café solúvel na água, formam se bolhas em redor dos grânulos, e o liquido borbulha e transborda.

dos clorofluorocarbonos (CFCs).
Os tubos no interior do frigorífico são largos, a pressão é baixa e o refrigerante vaporiza-se. Oeste modo, o tubo mantémse frio c retira o calor aos alimentos. I Im motor eléctrico aspira o gás frio da tubagem do interior do frigorífico, comprime o - o que o aquece - e envia-o à tubagem exterior, na parte de trás do trigo rífico. 0 ar em torno destes tubos absorve-lhes o calor, fazendo com que o gás se condense novamente em líquido, ainda a uma pressão elevada. Depois, um tubo de diâmetro muito pe queno, o tubo capilar, reconduz o líquido sob pressão para o interior do frigorífico; COMO SE CONSERVAM OS ALIMENTOS O arrefecimento dos alimentos no frigorífico retarda a acção de dois dos principais causadores da sua deterioração: o desenvolvimento de bolores e bactérias e a decomposição química. Num frigorífico doméstico, a temperatura é mantida entre 1 e 5°C — temperatura suficientemente baixa para manter frescos durante uma semana a maioria dos alimentos que utilizamos. O crescimento dos organismos causadores da decomposição é retardado, mas as temperaturas baixas não cies troem esses organismos. A decomposição química é também retardada de modo idêntico, mas não completa mente anulada. A temperatura do congelador do mestiço ronda os - lo"C. o que preserva os alimentos até um ano.

O ar quente no interior do frigorifico sobe e é arrefecido à medida que o calor lhe é reti rodo pelo refrigerante contido na secção larga da tubagem. O refrigerante transporta o calor, que é depois radiado para 0 um biente na serpentina por trás do frigorífico 25

Porque se cozinha tão depressa numa panela de pressão
Quando cozemos batatas numa panela vulgar, o tempo de cozedura c de 20 a 30 minutos. Mas numa panela de pressão ti carão cozidas em 4-5 minutos. Porquê? Na panela vulgar, a água ferve a 100"C, e por muito que a aqueçamos, a temperalu ra da agua nunca subirá - apenas produzirá mais vapor. Mas a panela de pressão tem uma lampa que veda hermeticamente; assim, o vapor que se produz quando a agua ferve acumula se no seu interior, aumentando a pressão e aumentando por tanto 0 ponto de ebulição da água. Com uma temperatura de cozimento mais ele vada, o tempo de cozedura é reduzido. Na tampa, existe um respiradouro sobre o qual é colocado um peso. Esle tapa o respiradouro, mas levanta quando o vapor no interior atinge a pressão desejada. Existe também na tampa uma válvula de segu rança que liberta a pressão se o peso do respiradouro não subir quando ê atingida a pressão pretendida. A panela de pressão doméstica evoluiu a partir de um "digestor a vapor" patenteado em Inglaterra pelo físico francês De nis Papin em 1679. A panela actual trabalha à pressão de I kg/cm2, cerca do dobro da pressa.» atmosférica normal, e, por este motivo, ,i água ferve a 122°C.

IMPOSSÍVEL UM BOM CHA NO IOPO DO EVERESTE ...

A água ferve quando começa a Iransfor mar-se em vapor. As bolhas são causadas pelo vapor que sobe d») fundo do recipiente para a superfície. A temperatura de 100°C que é dada como o ponto de ebulição da água só é correcta ao nível do mar. A medida que subimos, a pressão atmosférica desce, provocando igualmente a descida do ponto de ebulição da água. Tanto na pa nela vulgar como na de pressão, o tem po de cozedura aumenta.

E isto responde á pergunta: por que razão não se consegue beber um bom chá no topo do F.vereste? O cume do monte Evereste encontra se- a quase 9000 m de altitude, e a prés são atmosférica é aí menor que um terço da pressão ao nível do mar. A água ferve a 70°C apenas: esta temperatura não é suficiente para extrair das folhas do chá a sua melhor fragrância, pelo que o resultado nunca poderá ser um bom chá.

Remédio para o calcário das panelas
As pessoas que têm em casa água canalizada, que e calcaria por provir de regiões em que o solo possui rochas calcárias, aca bani com parle destas rochas depositada nas suas panelas e cafeleiras. Quando a água da chuva é filtrada atra vés de um terreno calcário, dissolve se nela uma parte desse mineral. Ao ferver se a água, o calcário e separado da solução e deposita-se na panela. I Ima água calcária faz-se ainda sentir de outra forma: o sabão não produz muita espuma. Em vez de dissolver o sabão e fazer espuma, a água reage com os COITlpO nentes químicos do sabão e forma flocos insolúveis. K a chamada agua "dura". Aparecem igualmente manchas de cal cario nas banheiras e lavatórios e em redor das bicas das torneiras. Os depósitos de calcário nos recipientes podem ser removidos pelo vulgar vinagre ou por produtos comerciais adequados, contendo, por exemplo, uma solução concentrada de ácido fórmico, O ácido dis26 solve o calcário, fazendo-o fervilhar en quanto liberta dióxido de carbono. Em algumas caldeiras e sistemas de aqueci mento de águas, a dureza da água pode ser mais do que um simples incómodo: o calcário deposita-se nas paredes interiores dos canos e reduz o débito da água. Nas caldeiras, forma nina barreira que impede a transferência eficiente do calor, enca recendo muito o aquecimento. Por isso, a água leni de ser "amaciada" antes de entrar nos circuitos de aquecimento. Nas estações do abastecimento de água ê possível diminuir lhe a dureza por processos químicos, tratando-a, por exemplo, com cal apagada e carbonato de séxlio.

Flor de pedra. Cristais de carbonato de cálcio em fornia de flor (em cima) ligam as 'pétalas", formando o deposito calcário no interior das panelas e caldeiras. De compo siçãa química idêntica são as estalactites (ao alto) que pendem do tecto das grutas calcarias.

Os "girinos" na sua máquina de lavar
O segredo de Iodos os pós de lavar é um produto químico que torna a água mais '"molhada". Curiosamente, a água por si só não é muito eficiente em "molhar" as coisas devido à sua tensão superficial, que lhe confere uma espécie de pele e é causada pela atracção das moléculas do interior da água sol ire as da camada superficial. A adição de um detergente à água enfraquece as forças intermoleculares e reduz a tensão superficial, o q u e permite à água espalhar-sc mais facilmente e molhar melhor as coisas. A água de lavagem, mais "molhada", consegue penetrar mais facilmente nas libras dos tecidos e retirar delas as sujidades e gorduras. 0 ingrediente activo d o s detergentes que não contém sabão é um derivado do petróleo, um alquilbenzeno, tratado com ácido sulfúrico e soda cáustica. Podemos imaginar as moléculas do de tergente c o m o p e q u e n o s girinos, c o m uma cabeça e uma cauda. As cabeças são atraídas pelas moléculas da água — sáo hidrófilas, isto é, gostam da água. porque as moléculas da água têm uma pequena carga positiva, ao passo que as "cabeças" de detergente sáo eleetricamente negativas. As caudas, por seu lado, são hidrófo bas (não gostam da água). Q u a n d o se m e r g u l h a a r o u p a suja numa solução de detergente, as caudas das moléculas agarram se á sujidade gordurosa das fibras, pois são quimicamente semelhantes a gorduras. Alem disso, peneiram entre as libras, soltando a sujidade. Por outro lado, as partículas de sujidade, ao atraírem as caudas, ficam totalmente revestidas por uma camada de cabeças hidrófilas - tal como minúsculos balões — e flutuam na água. A agitação da roupa ajuda assim a libertar a sujidade. Os pós de lavagem sáo uma mistura de até 10 ou mais ingredientes, entre quais o detergente básico e um branqueador. Os pós de lavagem biológicos diferem dos outros detergentes por conterem enzimas, um tipo de proteínas produzidas pe las plantas e animais. Os enzimas actuam como catalisadores, ou activadores químicos, para ajudar a d e c o m p o r as n ó d o a s que contém proteínas, lais como sangue, transpiração e molhos de carne. Os enzi mas provocam a decomposição química das outras proteínas, enquanto os detergentes normais actuam fisicamente. Dado que as nódoas de proteínas sáo derivadas de seres vivos, os detergentes que. actuam sobre elas são chamados biológicos. ÁGUA MAIS 'MOLHADA" PARA LAVAR A ROUPA A água nào molha bem os objectos porque as suas moléculas se juntam, produzindo tensão su perficial. Os alfaiates conseguem assim "andai" sobre a água. Ao juntar um detergente a uma gota de água, esta perde a forma este rica (a esquerda), deuiao à redu çôo da tensão superficial. Os detergentes rernouem as gorduras porque as ajudas das suas moléculas se ligam às partículas de gordura. As cabeças das moléculas sao atraídas pela água, e\ pulsando as partículas gordas do tecido tiuando se agita a roupa. As fracas cargas eléctricas do de tergente impedem as partículas de gordura de se unirem Tecido (ú esquerdai com partículas de gor dura entre as fibras. Durante a lavagem, <js moléculas de deter gente arrastam a gor dura. limpando o teci do fà direita).

Pasta de dentes — de giz e algas
As pessoas que lavavam os dentes nos meados do século xix usavam provável mente pós dentífrtcos contendo coral moído, osso de choco, casca de ovo queimada ou porcelana. Por vezes, esles pós conti nham ainda um corante vermelho obtido dos corpos das cochonilhas. As pastas dentffricas actuais — brancas, de cor ou às riscas — contem dez ou mais

ingredientes. Uns deslinam-se â limpeza
ou à protecção dos dentes, outros conferem o sabor à pasta, outros fazem a ligação da massa, outros ainda facilitam a sua saída do tubo

0 ingrediente principal da parte branca
da pasta é giz finamente moído (carbonato de cálcio) ou outro pó mineral como o óxido de alumínio. Estes pós são ligeiramente abrasivos e ajudam a remover a placa dentária, película que se forma constantemente sobre os dentes e que é composta por muco, partículas de alimentos e bactérias. Ás vezes, para tornar a pasta mais branca, junta-se também > um pouco de óxido de titânio em pó.

As pastas de gel
transparente obtêm as suas características abrasivas por meio de compostos transparentes de sílica, a que frequentemente se adiciona um corante. Os ingredientes de limpeza e polimento são combinados com água, formando uma pasta espessa graças à adição de um agente de ligação e espessamento

como o alginato,
substância extraída das algas marinhas. Enchimento dos tubos. Os tubos oazios são enchidos mecanicamente: recebem quantidades exaCtOS da pasta, depois do que são vedados na extremidade A introdução das riscas. Ilã dois processos de pôr as riscas na pasta. No recipiente grande (ã esquerda), a pasta branca e a colorida são introduzidas separadamente e combinam-se quando se espremem para o exterior. No tubo tradicional (ã direita;, a pasta de cor encontra-se num anel perto da extremidade e sai através de orifícios. fazendo assim riscas na pasta branca.
"Pasta dentífrica branca Pasta dentífrica de cor

Pasta às riscas. As riscas de cor contêm flúor ou elixir. 2S

Junla-se ainda um pouco de detergente para criar espuma e contribuir também para o processo de limpeza. Para que fique agradável ao paladar, a pasta é geralmente adoçada com óleo de hortelá-pimenta e mentol. Inclui se também um humectante como a glicerina, a fim de evitar que a pasta seque. Além disso, na maioria, as pastas clenlífricas actuais contém flúor, que ajuda a fortalecer o esmalte dos dentes, e por vezes o bactericida formaldeído. Como se fazem as riscas

Gillette e a máquina de barbear

S

Algumas pastas dentífricas apresentam o
flúor ou o elixir sob a forma de riscas. A iiiislura de limpeza é normalmente branca, enquanto o flúor ou o elixir são frequentemente um gel transparente azul ou vermelho. As duas pastas são prepara das separadamente. Os tubos são enchidos, como sempre, pela parle larga, que depois c dobrada e vedada. As duas pastas contêm cores que não se misturam, e as respectivas massas também não se misturam, de modo que. ao espremer se o tubo. sai a pasta branca com riscas de cor.

Como se dá o fio às lâminas de barbear
Todas as 24 horas. 25 000 pêlos crescem até cerca de meio milímetro na face do lio mem adulto. A moderna lâmina de barbear. perfeitamente afiada, permite um barbear escanhoado, suave; e seguro. Há milhares de anos que o homem se barbeia, lendo usado para isso lascas de sílex, depois lâminas cie bronze e finalmente de ferro. As primeiras navalhas de bar bear com fio de aço foram feitas em Sheffield em 1680. Mas a actual lâmina descar tável surgiu apenas em 1901, com King Camp Gillette e William Nickerson. A lamina de barbear inicia a sua vida como um rolo de fita de aço contínua, com uma espessura aproximada da do pêlo que irá cortar. O aço é uma liga com cerca de 13"» de crómio, que lhe confere maior dureza e resistência à corrosão. A dureza é ainda aumentada com o aquecimento do aço e a sua imersão num líquido de arrefecimento. O fio de corte é produzido por afiação. A fita de aço passa por três conjuntos de ro das de afiar, cada uni deles afiando mais que o anterior. As rodas estão montadas em ângulos diferentes, a fim de produzi rem a secção de fio chamada de arco gótico (curva), forma mais forte que a de uma cunha de rampas direitas. O índice de afia mento da lâmina exprime-se como o raio

e não fosse a invenção do amorica no King Camp Gillette (1855-1932), é possível que, ainda hoje, os homens se barbeassem todas as manhãs com as velhas navalhas de barba. Caixeiro-viajante de ferragens no Centro Oeste Americano, Gillette barbeava-se certa manhã, em 1895, quando achou que a sua navalha não era eficiente nem segura. Reparou que só uma pequena parte da lâmina era utilizada v como era perigoso tal instrumento que podia, literalmente, cortar a garganta de um homem. Homem ocupado, Gillette não gostava de desperdi çar o seu tempo a amolar a navalha. Porque não criar uma lâmina que nunca tivesse do ser afiada, que tivesse o tamanho certo para barbear a cara de um homem o que fosse suficientemente barata para ser deitada fora quando já não cortasse7 Gillette lembrou se ainda das pa lavras do seu antigo patrão, William Painter, um inventor e homem de negócios que pensava que, se se produzisse um artigo que as pessoas pudessem deitar fora depois de usar, elas procurá-lo-iam

cabo e cabeça regulável. As lâminas de aço ao carbono tinham a garantia de se manterem afiadas por 20 barbas e eram vendidas em pacotes de 12. Gillette criou a Safety Razor Company e-patenteou a sua máquina de barbear em 1901. As primeiras máquinas surgi iam nos Estados Unidos em 1904. Vendidas em ourivesarias, farmácias e lojas de ferragens, bem como nos novos armazéns de retalho, a máquina c as lâminas apresenta vam se em conjunto dentro de um estojo. Os cabos das primeiras máquinas levavam um banho de prata, e os dos modelos mais caros, mi banho de ouro. Mas as vendas iniciais revelaram-se d e s a n ima doras. e a empresa promoveu uma

campanha publi
citaria em jornais e revistas para homens nos EUA e na Europa para dar f^ a conhecer ao público o novo invento. Km 190(5, as ven das atingiam as 90 000 máquinas e os 12 milhões de lâminas. Gillette tornou-se rico e famoso. Ain da hoje. o seu rosto é conhecido de mui tos, pois, até há pouco, o seu retrato figurou nas embalagens das lâminas. O desenho da chamada "gilete" e da sua lâmina não sofreu praticamente alterações desde o início; actualmente, muitas máquinas de barbear são de plástico e elas próprias descartáveis.

sempre.
Gillette e o mecânico William Nickerson aperfeiçoaram a lâmina de bar bear de segurança de dois gumes, que se aplicava num suporte especial, com

Corte em molhado e a seco. Um pêlo da barba cortado por uma lâmina em molhado (à esquerda) apresenta uni coife muito mais regular que o feito por uma máquina eléctrica (à direita). Cm pêlo seco é tão difícil de cortar como um fio de cobre da mesma espessura.

da curva do fio visto em secção: cerca de cinco centésimos milésimos de milímetro Depois de afiado, o fio e polido por ro das de couro. Mas, à escala microscópica, o fio é ainda áspero e. devido â fricção, poderá repuxar os pêlos e provocar cies conforto. Para proteger o fio e reduzir a fricção, a lâmina recebe três banhos sucessivos: um de crómio, outro de cerâmica e outro de PTFE, substância mais conhecida corno revestimento não aderente de pane las e frigideiras. O crómio confere resistem cia â corrosão, a cerâmica reduz o desgaste o o PTFE produz a lubrificação. Cada um destes revestimentos tem uma espessura inferior a um centésimo milési mo de milímetro. A lâmina aplica-se num suporte com um cabo, cómodo de manusear, e com uma cabeça que pode ser ajustável e abre para receber a lâmina. 29

Como o aço inoxidável foi descoberto por acidente
O aço inoxidável foi descoberto por acidente em 1913 pelo metalúrgico britânico liam Brearley. Este Fazia ensaios com ligas de aço que pudessem ser utilizadas nos canos de espingarda. Mais tarde, verificou que, enquanto a maioria das ligas que rejeitara tinham enlerrujado, o mesmo não aconle cera .1 ama liga que continha 14% de cro reage com o oxigénio do ar. produzindo óxidos de ferro avermelhados. Outros metais, como o alumínio, o níquel e o crómio, reagem também de forma idêntica, mas os respectivos óxidos formam uma camada .superficial impermeável, impedindo que o oxigénio reaja com o metal no seu interior. Na liga de Brearley, o crómio formou uma placa semelhante protegendo o metal da oxidação. Hoje. fabrica-se uma diversidade de aços inoxidáveis, lima das ligas mais vulgares contém 18% de crómio o 8% de

níquel

pelo que é conhecida por 18:8 —

mio. Esta descoberta levou â criação do açi >
inoxidável. O aço vulgar enferruja porque

e é utilizada « M lava-louças. por exemplo. M As taças de cozinha são fabricadas com uni aço contendo |.'j"n de crómio. Juntando uma pequena percentagem do metal mo libdénio, obtém se uma liga ainda mais re SÍStente à corrosão que é utilizada no revés timento de edifícios.

Poria para o Oeste. (> mau» ano do Mundo é 0 monumento à expansão americana para oeste, em St Louis, Missuri. Tem \S2 m de alttiiu e 192 m de Uáo. Uma tal construção SÓ podia ser feita de aco iuoxiduicl. 30

Grandes proezas de organização

Desde a regulação do trânsito numa cidade até à organização dos Jogo Olímpicos ou à montagem de automóveis — há tantas coisas que achamos naturais e que nos parecem simples... até descobrirmos o que se passa nos bastidores.

Como lidam os aeroportos com milhões de passageiros?
Um aeroporto é um organismo vivo com urna função principal: manter o sangue que o alimenta — os seus passageiros fluindo livremente através das suas veias e artérias. 0 número desses passageiros é astronómico e cresce rapidamente. Em 1986, os 37 aeroportos mais movimentados do Mundo foram utilizados, no seu conjunto, por um total de 740 milhões de pessoas. Em todo o Mundo, os aeroportos gastam anualmente 750 milhões de contos para que os seus passageiras se sintam satisfeitos. Os "Jumbos" Veja-se o aeroporto mais movimentado do Mundo, o 0'Hare, em Chicago, utilizado por 50 companhias aéreas. Passam por ele 55 milhões de pessoas por ano, o que representa 6700 passageiros por hora. Cerca de 2200 aviões utilizam diariamente o 0'Hare. Quando diversos Jumbos aterram a minutos uns dos outros, milhares de pessoas saem deles quase simultaneamente, provocando congestionamentos que afec tam os planos e as disposições dos passageiros, destroem a confiança e minam os lucros do aeroporto. As avarias e as greves produzem os mesmos efeitos. Quando uma greve de controladores aé reos em Espanha coincidiu com o início das férias grandes em França, em Junho de 1988, dezenas de milhares de passageiros ficaram retidos em aeroportos por toda a Europa. Só em Manchester, 16 000 turistas em férias tiveram atrasos de até sete ho ras — e um grupo de pessoas que se dirigia para a Grécia partiu finalmente depois de uma espera de 21 horas. Foram chamados palhaços e malabaristas para entreter milhares de crianças. As bagagens são uma questão importante na organização dos aeroportos. Seguem separadamente dos passageiros, em parte por razões de segurança, em parte porque são alojadas noutra secção do aparelho. A missão do chamado pessoal de handling é assegurar que as malas tenham o mesmo destino que os respectivos donos. No terminal da United Airways em 0'Hare, as etiquetas de bagagem, codificadas por computador, são lidas por laser, e os distribuidores automáticos processam 480 peças de bagagem por minuto, contra as 7õ que poderiam ser processadas à mão. A zona de distribuição da bagagem tem a área de seis campos do futebol. Esperando ordens. Cada Jumbo que aterra no Aeroporto J. F. Kennedy. de Nova Iorque, chega a desembarcar 500 passageiros. Segue-se a espera para o próximo LHX). 32

Prontos para o embarque. Jactos de passageiros encostam às fontes do terminal do Aeroporto de Frankfurt — o principal da Alemanha e um dos 37 mais movimentados do Mundo, que, no seu conjunto, processam 740 milhões de passageiros por ano.

Com as crescentes dimensões e complexidade dos aeroportos, os problemas multiplícam-se. Quanto mais pessoas pas sam por um aeroporto, mais espaço é preciso, tudo leva mais tempo e mais frustra dos se sentem os passageiros. Com a expansão dos parques para automóveis, por exemplo, tem de se proporcionar aos passageiros meios adicionais de transporte para os levar dos seus carros até aos terminais do aeroporto. Mais aviões exigem mais portas de embarque e mais terminais e mais quilómetros de corredores. As dimensões dos aeroportos tornam -se assustadoras. Enquanto uma grande estação de caminho de ferro cobre cerca de 3,5 ha, o maior aeroporto americano, o de Dallas-Fort Worth, cobre 7000 ha. Em 1988, os seus quatro terminais movimentaram mais de 44 milhões de passageiros. Mas mesmo este enorme aeroporto parece pequeno se comparado com o maior do Mundo, o Aeroporto Internacional do Rei Khalid, na Arábia Saudita, com os seus 23 (iOO ha, mais de quatro vezes a área da Bermuda. Ao chegarem a um aeroporto, os passageiros encontram á sua disposição uma vasta gama de serviços que, por vezes, os confunde, e, quando descobrem onde se

localiza um deles, podem ter que andar a pé uma enorme distância para chegar até lá, No maior terminal do Mundo - o do Aeroporto de Hartsfield Atlanta, na Geórgia, EUA —, a área coberta atinge mais de 24 ha. Cada terminal acaba por assemelhar se a uma pequena cidade, com o seu exército próprio de bagageiros, de pessoal de limpeza, de enfermagem e administrativo, empregados das lojas, dos restaurantes e da manutenção. O Terminal 3 do Aeroporto de Heathrow, em Londres, que movimenta a maioria dos voos de longo curso, tem 3000 empregados. Mas para se manterem activos, todos os terminais acabam por ter de ser modernizados, como aconteceu ao terminal 3 de Heathrow entre 1987 e 1990. A sua remodelação teve de ser planeada por forma a causar o mínimo de transtorno ao pessoal e aos seus 0 milhões de passageiros anuais. Contudo, novas tecnologias permitirão atender mais pessoas com as instalações existentes. Tapetes rolantes para passageiros, tratamento computorizado das bagagens, comboios automáticos para trans porte das pessoas desde os parques de automóveis — todas estas inovações se destinam a tornar mais aprazíveis as viagens aéreas.

A vigília constante para evitar que os aviões choquem
Apesar da acumulação crescente de aviões no espaço aéreo mundial, a viagem por ar está a lornar-se efectivamente mais segura Nos EUA, o número de viajantes por ar subiu de 315 para 460 milhões entre 1980 e 1987. No mundo ocidental, o tráfego aéreo cresce cerca de 20% por ano. Parece assim que deveriam aumentar as probabilidades de colisões no ar, mas em cada ano o índice destes acidentes diminui. Nos EUA, houve 1,72 mortes por 100 000 horas de voo em 1978 e 0,92 ern 1986. Por outras palavras, um avião teria de voar 24 horas por dia durante quase 12 anos para que morresse uma pessoa. Contudo, o sistema revela sinais de cansaço. Em 1987, os quase acidentes nos EUA ocorreram à razão de três por dia - o dobro dos de 1984. Em 8 de Julho de 1987, por exemplo, dois Jambos americanos ambos a caminho dos EUA com um total de quase 000 pessoas a bordo — passaram a menos de 30 m um do outro por sobre o Atlântico. Os números correspondentes na Europa mantêm-se estacionários, mas alguns peritos temem que o quadro americano se repita aqui à medida que o tráfego aumenta. A responsabilidade de assegurar que os aviões não colidam no ar pesa inteiramente sobre os ombros dos controladores de tráfego aéreo. E com o aumento do número de voos, aumenta constantemente o volume do trabalho. Nos EUA, a federal Aviation Administralion emprega 15 500 controladores aéreos - quase exactamente o mesmo número que em 1980. Os principais locais de perigo são os próprios aeroportos, pois 90% de todas as colisões e quase colisões entre aviões dáose quando estes sobem depois da desço lagem, descem para aterrar ou circulam aguardando autorização para aterrar. As regras do ar As regras do tráfego aéreo há muito que se encontram estabelecidas. O espaço aéreo está dividido em zonas de controlo (fír's) em que existem corredores aéreos, nos quais cada avião voa no interior de um paralelepípedo teórico. Nos corredores entre Nova Iorque e Londres, por exemplo, os aviões estão separados por espaços de 2000 pés (610 m) na vertical e 60 milhas marítimas (110 km) na horizontal. Os controladores têm de assegurar que, durante o voo, cada avião seja entregue de uma zona de controle à outra, mesmo so brevoando o oceano. 33

Antes de descolar, cada avião entrega um plano de voo, que é actualizado em prínl outs do computador durante o voo. Os controladores de tráfego monitorizam a viagem a partir destes printouts. Cada avião emite um sinal identificativo que é visto no radar. Quando um aparelho se aproxima de um aeroporto movimentado com intenção de aterrar, é dirigido para um ponto de referência por sobre um radiofarol, em geral a várias milhas de distância. E lhe então atribuída uma rota de voo própria que o conduz à pista. Contudo, durante períodos de ponta pode acontecer que o número dos aviões que querem aterrar é su perior àquele que o aeroporto comporta. Em certos países, os aviões recebem or dons para voarem em círculos concêntricos - mas a diferentes altitudes — sobre o ponto de referência, num padrão de espe ra. Os controladores fazem então aterrar os que voam a altitudes mais baixas, determi nando em simultâneo que os restantes aviões diminuam a sua altitude de voo à medida que os outros vão aterrando. Noutros países, os aviões não são autorizados a iniciar o seu voo antes de terem garantido o respectivo espaço de aterragem. Nos EUA, alguns aeroportos retiram lucros destas esperas, permitindo que os aviões de companhias que pagam mais passem à frente dos das outras. Teoricamente, o controle (\o tráfego aé reo é um sistema de fiabilidade comprovada. Mas, à medida que as exigências se acumulam, os problemas multiplicam-se. Na sua maioria, os sistemas computorizados actuais estão obsoletos, e os controladores de tráfego, dirigindo dezenas de voos, tra balhain sob pressão crescente. 0 relatório sobre o desastre de um avião durante uma trovoada no Aeroporto Dallas-Forl Worth, no Texas, em 1985, demonstrou que os controladores de tráfego aéreo recebiam uma chamada em cada quatro segundos. Esta carga de trabalho foi, no entanto, descrita como moderada. Através da Europa, os sistemas computorizados de cada país são frequentemente incompatíveis entre si. Aumenta assim a probabilidade de os erros surgirem e passarem despercebidos. A forma de preservar e aumentar a segurança é recorrendo à computorizaçào. A Federal Aviation Administration, dos EUA. está a planear uma revolução no controle do tráfego aéreo, com um custo de perto de 20 000 milhões de dólares. O novo sistema quadruplicará a capacidade pela utilização de computadores, cuja capacidade é qua tro vezes superior â dos anteriores e que são oito vezes mais rápidos. O sistema sugerirá aos aviões manobras de escape sempre que verificar que dois aparelhos se encontram em rota de colisão. Os visores de radar serão a cores e terão informações sobre o estado do tempo. Os aviões fora do contac

to com os centros de controle de tráfego serão monitorizados por satélite. Todos os planos de voo e ajustamentos de horários serão actualizados automaticamente. O satélite dará também informações sobre as hipóteses de congestionamento. Um computador a bordo detectará outros aviões na vizinhança e dará ao piloto,

em voz sintetizada, instruções para não-colisão. Outro computador tratará as subi tas alterações na direcção do vento, que podem provocar desastres quando o avião desce para aterrar. Assim, o céu pode vir a tornar se mais congestionado, mas será mais seguro pelo menos por uma ou duas décadas.

Como são escolhidos os controladores de tráfego aéreo
Controlar o tráfego aéreo é como jogar xa drez a três dimensões. Se se tiver cuidado e mantiver a calma e a lucidez, nada acnnte cera. As acções constam todas dos manuais e instruções de procedimentos, e há computadores que ajudam a planear cada uma delas e a prever as suas consequências. Nada devia correr mal. Só que, às vezes, corre. Km 2G de Novembro de 1976, um controlador de tráfego aéreo em Cleveland, Ohio, acabara de entrar de serviço. Obser vava o seu radar havia apenas 55 segundos quando se apercebeu de que estava em presença de um desastre iminente. Um DC 10 da American Airlines, procedente de Chicago e voando para leste com 194 pessoas a bordo, subia para a posição que lhe fora atribuída, a 37 000 pés. Um Jumbo da TWA, dirigindo-se para oeste com 114 pessoas, voava a 35 000 pés. O controlador apercebeu-se de que os dois aparelhos se encontravam numa rota de colisão, colisão essa que ocorreria dentro de poucos segundos. Reagindo imediatamente, fez uma chamada urgente para o DC-10: "AA 182, Cleveland, qual é a sua altitude?" A resposta do avião foi: "Atravessando os 34,7 (34 700 pés) neste momento. Conseguimos ver estrelas por cima, mas ainda estamos na zona das nuvens." Controlador: "AA 182, desça imediata mente para 33.0 CS.i 000 pés).» No cockpit do DC 10, O comandante Guy Eby reagiu instintivamente, empurrando para a frente a alavanca dos coman dos. O avião picou com um movimento de

revolver os estômagos, e os passageiros,
sem cintos de segurança, as hospedeiras e os carrinhos com os tabuleiros de comida "voaram" quando o chão lhes fugiu debaixo dos pés. Durante um breve instante, o comandante Eby viu o seu pára brisas tapado com o Jumbo da TWA, passando mesmo por cima dele a uma velocidade combinada de 1600 km hora. Os registos de voo mostraram depois que 0 DC 10 es lava a 14 m da altitude do Jumbo quando mergulhou para se pôr a salvo.

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Controlando os caminhos aéreos. Sentados defronte dos visores de radar, os controladores de tráfego aéreo no Aeroporto 0'Hare. de Chicago, seguem atentamente os aviões que aterram e levantam na área e estão em constante comunicação com os pilotos.

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O incidente ilustrou as qualidades.
ideais de um controlador de tráfego aéreo: concentração, paciência, rapidez de decisão e unia aulori dade em que os pilotos possam confiar instantaneamente. Os candidatos a este lugar tem de ler uma boa forma física, boa visão, expressão verbal clara e habilitações que in cluam o inglês, a língua internacional da aviação. Durante <> curso, os futuros controladores de tráfego aprendem leis da aviação e teoria de meteorologia e ra diocomunicação, além das formalidades de comunica ção com os pilotos. Estudam em salas de aula e em simuladores, com sessões práticas em centros de controle e aeroportos. São depois colocados num aeroporto ou num centro de controle para fazerem um estágio sob orientação superior Quando finalmente são considerados aptos, estão preparados para analisar e agir com base no enorme conjunto de informações em constante alteração nos visores de radar e de computadores. Um grande aeroporto como o de Frankfurt trata uma média de 805 voos por dia

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controlador as características de per sonalidade necessárias para desempenhar cabalmente a sua missão. Assim, além de um temperamento calmo e equilibrado, uma atenção viva e reacções rápidas, a dedicação e autodisciplina são também características indispensáveis, pois lrata-se muitas vezes de uma ocupação solitária envolvendo trabalho em turnos durante a noite. Embora nos aeroportos pequenos os controladores consigam ver os aviões a manobrar, nos grandes muitos deles estão permanentemente sentados em salas com iluminação difusa defronte dos seus radares. Nunca vêem o avião e podem ler muito pouco contacto com outras pessoas. A conversa durante as horas de trabalho restringe-se muitas vezes as instruções dadas nas frases formais necessárias para garantir clareza e rigor: "Roger. seven three

Rastreio por números. 0 oisor na sala de radares do Aeroporto Nacional de Wash ington atribui um número de voo a cada avião no seu espaço aéreo para que os res pectiuOS movimentos possam ser vistos e seguidos pelo radar. movimento e todas com pilotos aguardando instruções. Mas não há capacidades intelectuais nem conhecimentos técnicos que dêem

-two. Descend to three thousand feet on
QNII one-zero two four." ('"Entendido, sele três-dois. Desça para três mil pés no QNII. um zero dois quatro".) Não se pode dizer que seja divertido. Mas o desafio, a responsabilidade e o salário compensador garantem que não haja falta de candidatos a controladores.

- um por minuto nas horas de ponta — ,eo
visor de radar do controlador pode apresentar 25 imagens simultâneas, todas em

A caça permanente aos terroristas
Ann Murphy, empregada doméstica irlandesa, de 32 anos, chegou ao controle de passageiros da El Al no Aeroporto de Healhrovv. em Londres, em 17 de Abril de 1986. Preparava se para voar para Israel, na convicção de que iria conhecer a mãe do seu noivo jordano antes de casar. Estava grávida de cinco meses. O noivo, Nezar Hindawi, disse-lhe que seguiria noutro voo, pois adquirira um bilhete através da empresa em que trabalhava. Ann Murphy entrou na bicha com os outros passageiros para embarcar woJum bo, que transportaria 375 pessoas para Te lavive. Um empregado da segurança fez lhe algumas perguntas de rotina e passou a sua mala pela máquina de raios X, que nada mostrou de anormal. Depois despejou a mala e achou-a 'muito pesada para uma mala vazia". Aler tado por esle peso suspeito, puxou pelo fundo da mala e descobriu um comparti mento secreto contendo 1,5 kg de explosi vo plástico. Uma calculadora de bolso no meio das roupas de Ann continha um relõ

Convite para a morte. Sem o saber, a irlan desa Ann Murphy (em cima. à esquerda) linha na mala uma bomba de relógio. Fora colocada pelo seu noivo jordano, Nezar Hindawi (em cima, à direita), que mais lar/te foi condenado o 45 anos de prisão por tentar fazer explodir o avião com os seus 375 DOS saleiros Entre as provas apresentadas a julgamento (à esquerda), figuravam uma pistola, balas, um saco. um passaporte e uma calculadora para detonar o explosivo.

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nhias aéreas poderão introduzir a "etiquetagem oculta" o tratamento dos uniformes, dos veículos e dos passes com um produto químico detectável apenas por equipamento especial de leitura. Radiografia das bagagens As máquinas de raios X de baixa intensidade, vulgares na década de 70, têm sido aperfeiçoadas com circuitos transistorizados a fim de fornecerem imagens suficientemente nítidas para poderem detectar fios eléctricos mais finos que um cabelo humano. Mas as verificações por raios X são apenas tão eficientes quanto os guardas que as fazem: a maioria das pessoas aperceber-se-ia de uma pistola vista de lado - mas vista de frente será mais difícil de reconhecer. O explosivo plástico — como o Semtex checoslovaco — é invisível aos raios X. A pilha, os detonadores e os fios utilizados para a explosão podem ser facilmente in corporados numa calculadora, como no caso da El Al, ou num aparelho de rádio, como no desastre da Pan Am. Olho perscrutador. Nos aeroportos de todo o Mundo oerificam-se as bagagens por meio de raios X. Nesta fotografia, um monitor de raios X reoeta que a mala inspeccionada, além de óculos de sol e uma tesoura, contém uma pistola. gio c um detonador que teriam feito expio dir a bomba às 13 horas, quando o avião voasse a 39 000 pés sobre a Áustria. Nezar Hindawi dera-lhe a mala — já contendo o explosivo sob o pretexto de que a dela era muito pesada e colocara nela a calculadora, dizendo que era para um amigo. A caminho do aeroporto, Hindawi pusera uma pilha na calculadora para armar a bomba. Terrorista palestiniano apoiado pelos Serviços Secretos Sírios, Hindawi foi apanhado e condenado a 45 anos de prisão. Ann Murphy - que deu à luz a filha de ambos atites do julgamento foi descrita no tribunal como a vítima de "um dos mais insensíveis actos de iodos os tempos!" 0 avião teria sido destruído no ar com todos os passageiros e tripulantes se não fosse a atenção vigilante do empregado da segurança e a perfeição do sistema de verificação de passageiros e bagagens da Kl Al. A El Al, a companhia de aviação israelita, tem fama de ser, no Mundo, a mais preocupada com a segurança. Os passageiros têm de apresentar-se cerca de três horas antes da partiria e submeler-se a urna revista completa das suas pessoas. Toda a baga gem é examinaria à mão. O pesadelo de um acto terrorista num avião lotado pende constantemente sobre todos os responsáveis pela segurança aérea. É um pesadelo que às vezes se toma medonhamente real, como no caso rio Jumbo da Pan American que explodiu no ar sobre a cidade escocesa de Lockcrbie em 21 de Dezembro de 1988, matando 259 passageiros e tripulantes e II residentes da pequena cidade. Os crimes no ar, em particular os assaltos e a sabotagem, datam de 1930. quando pela primeira vez um avião foi assaltado — um avião das Linhas Aéreas Peruanas pirateado no Peru. Desde então registaram-se mais de (iOO incidentes, 90% dos quais depois de 1968. Os piratas do ar pedem geralmente dinheiro, publicidade ou acção política. E os terroristas tratam as companhias aéreas como um símbolo da nação a cuja política Detectores de metais As máquinas que criam campos magnéticos têm sido largamente utilizadas desde o princípio dos anos 70 na detecção de objectos de metal dentro das bagagens. Entre 1973 e 1980, só nos EUA descobriram 20 000 armas de fogo. Mas, para evitar que os alarmes disparem desnecessariamente, os operadores dessas máquinas baixam-lhes frequentemente a sensibilidade, aumentando assim o risco de deixar passar pequenas armas. Por outro lado, os detectores de metais podem vir a tomar-se obsoletos: os peritos em segurança temem que um dia seja possível construir armas de plástico. Etiquetagem de explosivos Alguns fabricantes de explosivos incluem "etiquetas" nos seus produtos - minúsculos pedaços de plástico, de cores codificadas, que revelam o local de origem e a data de compra, permitindo assim rastrear os que os adquirem. Embora estas etiquetas apenas se tomem úteis após a explosão, a sua inclusão poderá dissuadir os terroristas ao tornar mais garantida a respectiva detecção. Os acordos internacionais poderão alargar o uso desta etiquetagem. Revista aos passageiros Quase todos os aeroportos revistam actualmente alguns dos passageiros e a sua bagagem. A El Al revisla-os a todos. Mas os responsáveis pelos aeroportos dizem que seria demasiado caro e demorado se cada companhia verificasse todas as pessoas e todas as peças de bagagem. As pessoas revistadas são habitualmente escolhidas

se opõem.
Cada uma destas tragédias provoca nos aeroportos uma segurança mais apertada, mas a segurança terá sempre as suas limitações. Enquanto novas ideias e novos progressos técnicos se sucedem, os responsáveis da segurança mantêm com os terroristas um permanente jogo do gato e do rato. E há sempre um conflito entre a necessidade de segurança e a necessidade de pro cessar rapidamente o movimento dos passageiros. Embora as companhias não gostem de revelar pormenores, existem diversos tipos de segurança nos aeroportos. Fiscalização do pessoal Um aeroporto é uma área enorme que emprega milhares de pessoas e tem muitos pontos vulneráveis. O pessoal de abastecimento e de limpeza, por exemplo, já tem introduzido nos aviões armas e explosivos. Para apertar a segurança, as compa

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GRANDES PROEZAS DE ORGANIZAÇÃO ao acaso, a não ser que haja razões para suspeitar de determinado voo ou passageiro. As revistas são agora apoiadas, como rotina, por questionários que incluem perguntas sobre quem fez as malas dos passageiros e se alguém lhes pediu que transportassem alguma coisa. Percepção à distância Utilizam-se cães com faro educado para detectar explosivos, liem como diversos tipos de sensores de gases (v. p, 97). Nenhuma máquina ou animal, por muito sensível, consegue detectar explosivos inodoros ou hermeticamente fechados. Contudo, estão em progresso diversas técnicas. Uma delas é a radiografia por raios gama, que atravessa as bagagens com radiações moderadamente radioactivas. Gerias frequências são parcialmente absorvidas pelo conteúdo, dando ao feixe de raios uma '"assinatura" que identifica os explosivos. Outro dispositivo é o aparelho de análise por neutrões térmicos, que bombardeia as bagagens com neutrões (partículas su batómicas) que reagem com 0 azoto utilizado na maioria dos explosivos, libertando um gás detectável. As máquinas eslão a ser instaladas em certos grandes aeroportos, especialmente para detectar explosivos plásticos. Até que novos aparelhos sejam inventa dos ou aperfeiçoados, a melhor defesa contra os terroristas é a vigilância eficiente, mas feita com lacto, pois as buscas muito complelas conseguem tornar hostis até os passageiros mais pacientes. Foi o sentido de vigilância que levou os homens da segurança a descobrir a bomba na mala de Anu Murphy, salvando assim centenas de vidas inocentes. No futuro imediato, o melhor aliado do terrorista é o inspector de segurança abor recido e descuidado.

SERVIÇO A BORDO No dia da partida, as necessidades definitivas de refeições constam do ASPIC, o sistema automático do centro da Brilish Airways para o conlrolc da produção do fornecimento de comi da a bordo. Cerca de quatro horas e meia antes da hora da partida, o centro começa a preparar os tabuleiros. Os componentes, incluindo acepipes e sobre mesa preparados de fresco, pão, talheres e condimentos, são entregues a partir dos respectivos locais no edifí cio de quase 5 ha. Os processos de preparação dos pratos quentes variam conforme as companhias aéreas. Umas cozinham previamente os alimentos para serem reaquecidos na estufa ou em fornos de microondas a bordo. Nos voos da British Airways, as refeições são parcialmente cozinhadas e rapidamente congeladas para poderem ser depois terminadas nos fornos do avião e servidas logo que acabadas de cozinhar. Quando os tabuleiros estão prepa rados, são colocados 30 em cada um dos conhecidos carrinhos de transporte com a largura da coxia e levados juntamente com os carrinhos de bebidas com as louças e talheres e ou tros artigos. O número total dos artigos de cateríng de um Jumbo eleva se a 35 000. Todos eles têm de estar verificados e prontos para embarque duas horas e meia antes da parlida, para dar tempo a serem transportados para o avião. Falta agora uma hora para a partida. Qualquer artigo de última hora — uma refeição es|)ecial para um passageiro diabético inesperado, uni bolo de anos requisitado à pressa - é entregue por camiào-frigorífico. A bordo, os três conjuntos de refeições para as três classes são armazenados nas respectivas cozinhas — geralmente, seis. No ar, a refeição é servida conforme o fuso horário local. Os 15 elementos do pessoal de cabina tentam pôr os tabuleiros em movimento imediatamente a seguir a estar pronto o principal prato quente. Recolhidos os tabuleiros c colocados novamente nos carrinhos, tudo fica pronto para ser descarregado, no destino, para os veículos do calering local. Refeições a bordo. As refeições nos aviões, especialmente nas viagens de lon go curso, procuram ter o nível de um bom restaurante. O pessoal do centro de forneci mento de refeições da British Airwoys em Heathrow expõe o comida que vai ser servi da aos passageiros de um Jumbo.

Refeições a bordo de um "Jumbo"
Com uma lotação que pode ir até 400 lugares, uni Jumbo acomoda tantas pessoas como um hotel ou um hospital de tamanho médio. .Num voo intercontinental típico, serve-se aos passageiros uma refeição de três pratos (com o prato principal à es colha), além do pequeno-almoço ou do lanche. Na maioria, as grandes companhias de aviação preparam os pratos em centrais de caleriny dos aeroporlos das suas cidades de origem. O enorme centro de prepara ção e fornecimento de refeições da British Airways, cm Heathrow, Londres, tem no seu quadro centenas de pessoas in Cluindo 80 cozinheiras — que preparam cerca de 160 000 refeições por semana. Num dia típico, o centro abastece 30 voos de Jumbo. que poderão transportar quase 12 000 pessoas. As ementas são planeadas com três meses de antecedência, mas há pedidos cons tantes de dietas especiais por razões de saúde, religiosas ou culturais. Podem Iam bém ser encomendadas refeições especiais para crianças até 24 horas antes da partida. Em Heathrow, a British Airways possui

também um centro de lavagem do equi pamenlo cie serviço utilizado a bordo, que é recolhido dos aviões logo que estes aterram. Este centro emprega lf>0 pes soas — mas apenas 130 na cozinha —, apesar da enorme automatização. Há um aparelho que pega nos talheres

- 90 000 peças por dia — por meio de

um íman.
No local de destino do avião, o ciclo rei nicia-se. No curto espaço de tempo em que O avião está pousado, é embarcada uma carga de ; ,> 000 artigos. Quando o }" voo tem duas ou mais escalas - Londres-

Abu Dabi-Singapura Sydney, por exemplo —. a companhia procura fornecer ementas diferentes para cada classe no percurso entre cada escala. A 800(1 m acima do solo, a mudança de ementa é a única coisa que distingue um

percurso do outro.

O mundo especial e arriscado do mercado de títulos
Assim que se extinguiu o ruído dos calevando sucessivamente a cada bolsa res das bolsas está agora a ceder o lugar nhões no campo de batalha de Waterloo, a sua hora de abrir, a onda varreu o Gloao ruído surdo da alta tecnologia, â mecm 1815. a notícia da vitória dos aliados bo — Hong Kong, Singapura, as bolsas da dida que os corretores se computori sobre Napoleão foi levada por estafetas até Kuropa, e Nova Iorque outra vez. Os valozam. Mas os princípios básicos náo se ao banqueiro Nalhan Rothschild, em Ixin res das empresas americanas desceram alteram. A bolsa é o local para a compra dres. Este financeiro, um dos fundadores mais de 500 biliões de dólares antes de o e venda de valores — designação genéri da dinastia Rothschild, recebeu a notícia dia terminar. ca para os fundos do Estado, as acções, mais de 24 horas antes do primeiro-minisas obrigações e títulos similares. Todos A "Segunda-Feira Negra" veio chamar a tro britânico, Lord Liverpool. eles representam um investimento para atenção para o mercado de títulos de pes a pessoa que os compra e uma forma de Rothschild sabia que o preço dos títulos sejas que normalmente nem reparam que obter fundos para a organização que os do Governo Inglês subiria em flecha quanele existe. Como podiam dar se perdas tão emite. do a notícia fosse conhecida. Comprou volumosas?, perguntavam. Como d que por isso grandes quantidades desses títufuncionam as bolsas de valores? A bolsa de valores determina, pelo prolos. 0 preço subiu durante os quatro dias cesso do mercado livre da oferta e procura, Há três séculos ou mais que as bolsas seguintes, e Rothschild viu aumentar a sua o valor de cada título para a pessoa que o têm sido a praça aonde as empresas — e já considerável fortuna. possui em qualquer momento. também alguns governos - se dirigem para obterem parte do capital de que preHoje em dia, as organizações financeiAs empresas que necessitam de diras de todo o Mundo estão nheiro extra para financiar interligadas por comunicaas suas actividades têm, nas ções electrónicas, e os aconeconomias de mercado litecimentos são conhecidos vre, duas maneiras princiem toda a parte quase imepais de o obter: ou o pedem diatamente. Os mercados de emprestado a um banco títulos do Mundo agem quapor um prazo fixo, ou o obse em uníssono, cada um detêm vendendo uma parte de les reagindo sem demora às si próprias, sob a forma de notícias que recebe dos títulos, a alguém que os preoutros. tenda comprar. Exemplo dramático foi a O segundo processo leni quebra verificada no merca vantagens para a empresa, do de títulos na segunda-feira porque o dinheiro obtido li) de Outubro de 1987, que não tem necessariamente se transmitiu como uma de ser devolvido, caso os onda de choque à volta do empreendimentos da comMundo, à medida que cada panhia falhem por complebolsa ia abrindo para um to. Os compradores dos tínovo dia de trabalho. A Bolsa tulos, por seu lado, ficam de Nova Iorque sofrera uma com direito a parte dos luqueda brusca na sexta (eira cros se a empresa prospeanterior, seguindo-se um rar, e os seus títulos aumenfim-de-semana efervescente tarão de valor. Esperam obde pânico financeiro. A Bolsa ter desse investimento um de Sydney abriu as portas na rendimento melhor do que manhã de segunda-feira enaquele que conseguiriam quanto grande parte do dando ao sen dinheiro uma Mundo dormia ainda. Os outra aplicação menos ar corretores foram inundados riscada. por ordens de venda, e os va- Scgunda-Feira Negra. Os semblantes preocupados dos corretores de Estar cotada na bolsa dá lores das acções baixaram títulos londrinos refleclerti a consternação provocada peio crash mundial prestígio ã empresa, o que, milhares de dólares. As co dos mercados de títulos na "Segunda-Feira Negra" do Outono de 1987. por sua vez. a ajuda nos iniinicações por satélite levaseus esforços de criar funram imediatamente a notícia à Bolsa de dos. Através da bolsa, a empresa tem cisam para financiar os seus empreendiTóquio, onde se deu uma venda em larga igualmente acesso ao conjunto mais immentos. escala. portante de investidores potenciais — e O tradicional frenesim de compras e ao seu dinheiro. Enquanto a Terra rodava no seu eixo. vendas, ao jeito de leilões, nos corredo3H

Passo acelerado. Corretores da Bolsa de Tóquio rodopiando na zona central (à esquerda, em baixo). A fotografia mais aproximada mostraos em compenetrado colóquio.

Uma empresa não é automaticamente admitida na bolsa. Há regras para garantir que as empresas cotadas dèern aos investidores informações completas e rigorosas acerca dos seus negócios e os tratem com honestidade e dentro da lei. E caro e complicado para as empresas conseguirem cotação nos grandes mercados, como os de Nova Iorque, Tóquio ou Londres. Km Nova Iorque, por exemplo, uma companhia cotada tem de ter um activo de pelo menos 16 milhões de dólares. Muitos países criaram mercados secundários para as empresas de menores dimensões que pretendem oferecer ao público os seus títulos. Estes mercados impõem condições menos rigorosas que as dos grandes mercados, mas obedecem, mesmo assim, a regras estritas. Em Portugal há o chamado "mercado não-oficial", onde são cotadas as empresas que não preenchem as condições impostas para a cotação oficial. Prevê-se ainda para breve a criação de dois "terceiros mercados" regionais (Lisboa e Porto). Quem administra as bolsas? Como templos do mercado livre, as bolsas do mercado têm sido tradicionalmente ad ministradas precisamente por aqueles que lhes deram origem. Assemclham-se a clubes privados muito exclusivos. Em muitos países, a qualidade de membro pode ser comprada, desde que os outros membros concordem com a admissão e exista uma vaga. 0 preço é elevado - chega a cerca de 375 000 dólares em Nova Iorque e a 6,6 milhões de dólares em Tóquio. Em outros países, como a Grá-Bretanha, os membros náo estão sujeitos a um número preesta-

belecido de vagas e a bolsa é aberta a qualquer empresa que preencha os requisitos de admissão. São os sócios que elaboram as regras da bolsa, e estas têm de obedecer às leis do país. Em alguns países, foi criada uma entidade independente, como a Comissão de Títulos e da Bolsa, nos Estados Unidos, para vigiar a actividade diária das bolsas em representação do público. "Market makers" e corretores O privilégio máximo concedido pelas bolsas aos seus associados é o direito de serem market makers em títulos — isto é, de serem o ponto central através do qual os valores são comprados e vendidos. O segundo privilégio, igualmente importante, é serem corretores — as pessoas que têm acesso directo aos market makers para comprarem ou venderem em nome dos investidores. Em Londres, o market maker é a figura principal. Na Bolsa de Va lores de Nova Iorque, o "especialista" desempenha um papel idêntico. A cada es pecialista é atribuído o direito exclusivo de negociar em determinados títulos, que pode comprar ou vender a corretores que o contactem, ou que pode comprar ou vender por sua própria conta. O negócio assume a forma de um leilão livre na sala da bolsa, no qual os corretores, com instruções dos seus clientes, se juntam em volta do especialista, gritando os preços por que eslão dispostos a comprar determinados títulos (o bid) ou a vendê-los (o ask). O especialista concilia compradores e vendedores da melhor maneira, utilizando a sua carteira de títulos pessoal para corrigir desequilíbrios.

"CRASH" POR COMPUTADOR? A utilização de computadores por alguns investidores no mercado de títulos criou um processo chamado "venda stop-hss", que poderá ameaçar a estabilidade dos mercados nacionais e até internacionais. Os proprietários de valores dão instruções aos corretores para programarem os seus computadores com determinado preço para cada título. Se o preço desce abaixo do progra mado, os títulos são vendidos para minimizar as perdas dos proprietários. Mesmo nas bolsas mais automatizadas, o processo ainda náo é inteiramente automático: o corretor tem ainda de falar com o market maker para fazer negócios importantes. Mas, com o aparecimento dos sistemas computadora computador, o mundo financeiro arrisca-se a um crash dirigido pelos computadores. Uma ligeira tendência baixista no mercado de títulos poderá desencadear umas quantas vendas stop•loss, provocando um consequente novo abaixamento. Este, por sua vez, desencadeará outros, e assim sucessivamente, originando um crash difícil de controlar.

O «floor». Corretores da Bolsa de Honsf Kon# sentam-se em frente dos computadores e dos telefones, comprando e vendendo títulos públicos, acções e obrigações. 39

Locais de pânico. Os corretores vagueiam consternados com a grande quebra da Bolsa de Nova Iorque em Outubro de 1987 (em cima) Há momentos de tensão fã esquerda) quando perscrutam nos seus computadores os últimos movimentos do mercado. bolsa 50 000 acções com o valor nominal de 2000$ cada uma. No entanto, uma vez que aqueles títulos comecem a ser negociados, o seu preço de mercado pode revelar-se superior ou inferior ao valor nominativo. Quando há mais pessoas a comprar do que a vender, o preço sobe. Quando há mais a vender, o preço baixa. Num mercado altista, as pessoas compram títulos na esperança de que o seu valor aumente e venham a poder vendêlos com lucro. Num mercado baixista, os preços dos títulos estão a cair, e os especuladores podem ainda fazer dinheiro concordando em vender, a um preço fixo, títulos que nessa altura ainda não tenham

Na Bolsa de Tóquio, o equivalente aos especialistas de Nova Iorque são os dia mados saitori, que operam de forma semelhante, à excepção de não serem autorizados a comprar ou vender títulos por conta própria: são meramente intermediários nas transacções da sala da bolsa. Os market makers obtêm o seu rendimento do spread das suas transacções — a diferença entre os valores de compra e venda. Os corretores trabalham geralmente à comissão, ligada ao valor dos títulos que compram ou vendem por conta dos seus clientes. Em Portugal, a função de market maker é desempenhada pelas sociedades finan ceiras de corretagem (dealers), e a função de corretor, pelas sociedades corretoras

ORIGEM DAS BOLSAS As cerca de 130 bolsas de valores do Mundo têm as suas origens na França e Países Baixos (Bélgica e I lolan da) do século xin. Os negociantes vendiam letras de câmbio - declarações de dívida emitidas pelos mercadores em troca de empréstimos. Se o portador de uma letra precisava de dinheiro antes do respectivo vencimento, podia vendê-la a um terceiro Mas só no século xvn as bolsas começaram a evoluir para a sua forma actual. A Bolsa de Valores de Amsterdão reclama-se como a mais antiga, fundada por volta de 1611. Em 1697, foi introduzido em Inglaterra um primei ro sistema de regulamentação dos corretores. Até ao princípio do século xix, as bolsas de valores, na maioria, eram ajuntamentos informais de corretores nos bairros mercantis das cidades. Em Londres, o negócio centrava-se em cafés. Em Nova Iorque, os corretores encontravam se ao ar livre, debaixo de uma árvore, naquilo que mais tarde foi a famosa Wall Street. Mas o desenvolvimento industrial do século xix e a explosão da oferta de acções e outros títulos criou a necessidade de instalações permanentes. A Bolsa de Valores de Nova Iorque é o maior centro de transacções, repre sentando 60% do negócio mundial de títulos, com cerca de 1500 empresas coladas. A Bolsa de Valores de Tóquio ocupa o segundo lugar mundial, com quase tantas empresas como Nova Iorque, mas com um valor de transacções inferior a metade daquele.

(brokers).
O preço dos títulos Os títulos cotados oficialmente são inicialmente emitidos com um valor nominal ou facial. Uma empresa que pretenda, por exemplo, angariar 100 milhões de escudos pode pôr à venda através da Ciência de computador. Desde a compuíorizaçâo da Bolsa de Valores de Londres, em 1987. os corretores trabalham a punir dos seus próprios escritórios. Os monitores mostram a situação do mercado. 40

pago: esperam que, quando tiverem que o fazer, o preço lenha caído ainda mais, de modo que irão pagar menos do que aquilo que receberão. O valor de mercado dos lítulos é regido pelo comportamento da empresa que os emite e pela situação económica e política do país e do mercado. Os acontecimentos nacionais que afectam os valores comerciais dos títulos são fáceis de identificar, mas o seu impacte é difícil de prever. Entre eles, podem contar-se mudanças de governo, previsões de surtos ou quebras económicas ou aumentos súbitos no custo de matérias-primas essenciais. As empresas de corretagem internacionais e os grandes investidores, como, por exemplo, as companhias de seguros, têm orçamentos cada vez mais elevados

para os seus departamentos de previsão. O valor dos títulos está em constante variação, à medida que se processam as compras e as vendas. Mas é conveniente "congelá-los" periodicamente para se poder comparar, entre dois períodos sucessivos, o comportamento desses títulos o dos títulos do mercado em geral. Todos os dias é publicado nos jornais o preço do fecho de cada título, referente ao dia anterior. E o progresso global do mercado é medido através de índices compostos por diversos tít u los-ehave. Os índices mais conhecidos incluem o Dow Jones Industrial Average (Nova Iorque), o Financial Times/Stock Exchange 100 (Londres) c o Nikkei 225 Stock Average (Tóquio). Os índices são dados a conhecer a todo o Mundo duas ou mesmo mais vezes por dia.

Dinheiro para queimar
Os cínicos afirmam muitas vezes que os governos parecem ter dinheiro para quei mar. E é verdade: os governos de todo o Mundo queimam em cada semana tonela das de notas velhas. As moedas em circulação podem durar dezenas de anos, até que a imagem se gaste ou a denominação se altere, mas as notas de pequeno valor mudam de mãos com tanta rapidez que se inutilizam em poucos meses. Mesmo as notas "grandes" não duram mais que dois ou três anos. O Banco de Portugal não foge à regra de ter de queimar as notas em mau estado retiradas da circulação. São mais de 150 milhões de notas destruídas anualmente. Este quantitativo põe ao banco alguns problemas, nomeadamente os relativos à segurança e poluição. A operação de escolha das notas usadas e entradas no banco selecciona as notas incapazes de circular, que são depois totalmente desfeitas em equipamento apropriado com a garantia ria máxima eficiência, sendo os resíduos aglutinados em brikettes destinados a ser utilizados como combustível industrial. Não se vislumbra ainda um substituto do papel-moeda, não obstante os Australianos já lerem posto a circular notas de plástico. A facilidade e comodidade de utilização do papel-moeda confere-lhe características tais que mesmo o recente aparecimento e desenvolvimento de meios de pagamento automáticos não tem provocado uma diminuição do papel-moeda em circulação.

AS FRAUDES NA BOLSA

"Inside trader". O financeiro nova-iorquino Ivan Boesky (ao centro) deixando o Tribunal. Depois de admitir ter utilizado informações confidenciais sobre fusões de empresas, foi multado em 100 milhões de dólares e condenado a três anos de prisão. Desde os primeiros tempos das bolsas houve sempre tentativas de burla. Por volta de 1720, o chanceler do Tesouro Britânico, John Aislabie, foi preso por "corrupção infame": enchera os bolsos durante a venda ao público de acções da South Sea Company, empreendimento que arruinou muitos investidores. Todas os países têm as suas leis próprias para evitar as burlas, e alguns possuem agências, como a US Securities & Exchange Commission (Comissão de Títulos e das Bolsas rios Estados Unidos), para assegurar o cumprimento dessas leis. Um dos crimes mais notórios, e um dos mais difíceis de suster, é o inside trad ing, ou insider dealing, que consiste no uso de informações internas, privilegia das, acerca de uma empresa para se obter lucro com os seus títulos. O inside trader tem de comprar as acções imediatamente antes de a companhia anunciar um aumento dos lucros ou de as vender antes de se anunciarem prejuízos. Em 1986, um eminente financeiro nova-iorquino, Ivan Boesky, foi acusado de investir em acções utilizando informa ções confidenciais sobre fusões de empresas. Pagara quantias enormes por es S3S informações: só de uma vez entregara 700 000 dólares em notas usadas a um banqueiro numa ruela da Wall Street. Boesky fez uma confissão pormenorizada, que resultou na prisão de banqueiros e empresários. Foi condenado a três anos de prisão.

Como se constrói um automóvel
Os filmes de desenhos animados mostram fábricas de automóveis em que, por um lado, entra ferro em bruto e saem, pelo ou tro, carros reluzentes já a andar. Claro que se trata de uma falsa imagem: os automóveis não são totalmente construídos no mesmo sítio. Mas a realidade não é muito menos notável, pois o processo pode envolver fábricas de todo o Mundo para a construção de um único carro. Em Saragoça, Espanha, onde a empresa americana General Motors possui uma enorme linha de montagem, o aço para a carroçaria pode vir da própria Espanha, o motor de Inglaterra, a suspensão, caixa de velocidades e sistema de injecção do com bustível da Alemanha, os pneus de França

II

ou de Itália, o rádio da Holanda ou do Japão, com contribuições até da Austrália o da Coreia. Noutros tempos, era tudo muito mais simples. No princípio do século, os primeiros automóveis eram produzidos de maneira semelhante à das carruagens de cavalos com os operários andando de um lado para o outro, martelando com vagar, e com elevados custos, os painéis de metal nas estruturas de madeira. Embora os princípios da produção em série há muito se encontrassem estabelecidos para artigos como roldanas para barcos e armas de fogo, foi preciso um génio de organização para aplicar o princípio à indústria automóvel: Henry Ford. A primeira linha de montagem Em 1903, Ford começou a fabricar auto móveis em Detroit, e em três anos transformou se no maior construtor de automóveis da América. Ao fim de cinco anos, concentrava as suas atenções num único modelo - o Ford T - para aproveitar ao máximo as peças normalizadas. Depois, em 1913, introduziu a ideia que iria revolucionar a produção automóvel, a linha de montagem. Inverteu-se assim a relação operário/produto, pois agora era este que pas sava por uma linha de operários, a cada um dos quais competia uma tarefa específica. Quando pela primeira vez foi aplicado à produção de magnetos, reduziu o tempo de montagem de 20 para 5 minutos. wrf Entusiasmado, Ford alargou •• o princípio à construção de Sr^V chassis. Uma corda puxava os chassis ao longo de um trilho, ao lado do qual se encontravam 50 operários, cada um deles fixando ao chassis, quando este pas sava, a peça que lhe competia. O tempo de montagem para os chassis desceu de 12 para fi horas e, com a introdução do transportador movido por correntes, ficou reduzido a hora e meia. Comercialmente, os resultados foram espantosos. Em menos de 10 anos, o preço do Ford T desceu de 850 para 250 dólares, e Ford vendeu 1,8 milhões de carros. A Ford Motors foi novamente pioneira em 1951 ao utilizar equipamento automático na produção de blocos de motor. Em 500 operações distintas, 40 máquinas reduzem o tempo de produção, por motor, de algumas horas para 15 minutos. O mundo dos robôs O desejo de poupar trabalho tem continuado a inspirar novos processos, com robôs a substituírem operários, eliminando tarefas monótonas e garantindo maior

Montagem manual. Em 19/3, Henry Ford introduziu linhas de montagem na sua fábrica. Tapetes rolantes passavam as pe ças em frente dos mecânicos e transporta oam os motores até aos montadores (em cima). Em 1915, em cada minuto e meio saía da tinha de montagem um Ford T. precisão. No Fiat Uno. só 30 das 2700 operações de soldadura são feitas à mão. Apenas as tarefas especializadas, como a instalação dos fios eléctricos, se mantém hoje nas mãos do homem. Numa cadeia de montagem típica dos anos 80 - como as fábricas rio Fiat Uno em Mirafiori ou Rivai ta, Itália, que produzem 3000 carros por dia —, a primeira fase consiste na chegada da chapa de aço ao sector de prensagem. Aqui, em áreas do tamanho de três campos de futebol, gruas robôs entregam folhas de aço a máquinas de estampagem gigantes, que moldam e cortam as peças de metal para a construção da carroçaria. Depois, robôs constroem a parte inferior desta, o chão do carro, procedendo a inúmeras soldaduras e criando uma forma complexa com espaços para o encaixe das rodas, para a mala e para a roda sobresse lente. Na fase seguinte, figs, ou gabarits, de grandes dimensões mantêm em posição as ilhargas e o tejadilho para serem auto maticamente soldados no seu lugar. Entretanto, as portas foram construídas em linhas de montagem paralelas, num processo que envolve diversas prensagens para a criação de um corpo exterior rebitado a uma moldura interior.

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Finalmente, nas linhas de montagem final todas as carroçarias são verificadas por laser para se detectarem as mínimas distorções ou irregularidades. O acabamento A pintura de um carro é um processo importante - protege o contra a corrosão e dá-lhe um acabamento bonito e brilhante. 0 carro, quase completamente montado, é desengordurado, lavado e coberto com fosfato para o tornar mais recepti vo à pintura. Após novas lavagens, são-Ihe aplicadas eleetrostalieamenle diversas deinãos de primário, utilizando um campo magnético para atrair a tinta. As últimas demãos — habitualmente três — são de tinta acrílica brilhante. A pintura da maioria dos carros de série tem a espessara de 0,1 mm. Um Rolls-Royce recebe 22 demãos, que produzem uma espessura de 0,2 mm. A seguir, injecta-se em todas as secções ocas, como os pilares e as longarinas, uma cera especial para protecção Montagem robotizada. Robôs controlados por computadores executam os trabalhos de produção na fábrica do Fiat Tipo em Cassino, Itália. Os robôs pintam, calafetam, pulem, soldam e montam os carros com precisão rigorosa. À direita, um carro recebe uma de cerca de 2000 soldaduras automáticas.

contra a água, a gravilha, a neve e o sal. A fase seguinte são os acabamentos do interior. O carro recebe os seus "nervos" — o sistema eléctrico. Os forros de feltro, as alcatifas, os assentos e outros acabamentos são aplicados por robôs. Muitas fábricas utilizam transportadores - robôs para movimentar as peças —, reduzindo assim a possibilidade de danos e a necessidade de mão-de-obra. Os pára-brisas e outras janelas fixas são frequentemente colados à carroçaria para melhor ajustamento e redução da resistência ao vento e dos ruídos. Robôs aplicam a cola aos bordos dos vidros e colocam estes nos seus lugares por meio de braços com dispositivos de sucção.

Na última fase, o carro recebe o seu coração. O carro é içado numa grua, e o motor, completo com a embraiagem e a caixa de velocidades, é colocado por um sistema de elevação. O depósito de com bustfvel é montado na parte traseira do carro. Vêm depois a suspensão, a direcção, o radiador e a bateria e finalmente as jantes e os pneus. Depois de abastecido de água, anticongelante, óleo e combustível, o carro está completo e pronto para andar. À saída é inspeccionado antes de ser submetido aos últimos testes - especialmente ao "teste de estrada" para verificação do seu comportamento. Quando recebe o seu passe final, o carro está

pronto para o stand

! • ;

Meteorologistas: sentinelas contra os desastres naturais
Durante centenas de anos, até o clima local era frequentemente desconcertante na sua imprevisibilidade. Apenas se podia rezar ou inventar provérbios baseados na experiência: céu pedrento — chuva, vento ou qualquer outro tempo. A previsão meteorológica local deu um passo em frente em 1643, quando o físico italiano Torricelli inventou o barómetro para medir a pressão atmosférica. Depressa se verificou que as subidas e descidas da pressão de ar correspondiam a alterações no tempo e que uma queda frequentemente prenunciava uma tempestade. Mas só depois da invenção do telégrafo, em 1840, foi possível recolher informações de estações afastadas, permitindo a previsão de mudanças iminentes com razoável segurança. No princípio do século xx, a rádio permitiu outro importante passo em frente. Na década de 60, os enormes pro gressos técnicos na recolha de informações e na análise de dados por meio de computadores fizeram pensar que a meteorologia poderia vir um dia a ser uma ciência exacta, capaz de prever o tempo com semanas ou meses de antecedência. A quantidade de informações actual mente ao dispor dos meteorologistas é espantosa. A Organização Meteorológica Mundial recebe relatórios de 9000 postos e 7500 navios. Estações operadas por pessoal fazem observações várias vezes por dia, às vezes de hora a hora, em condições normalizadas (a velocidade do vento, por exemplo, é medida a 10 m do solo). Além disso, balões meteorológicos largados de 950 estações por todo o Mundo recolhem dados da atmosfera até uma altitude de 30 km. Cerca de 600 aviões voando sobre os oceanos enviam diariamente os seus comunicados. Sele satélites meteorológicos perscrutam a Terra a partir do espaço, observando a atmosfera até uma altitude de 80 km. Todas estas observações fornecem cm conjunto uma enorme riqueza de informações — velocidade e direcção dos ventos, temperatura, nebulosidade, precipitação, humidade, pressão atmosférica. Em cada dia, estas informações produzem 80 milhões de dígitos binários de dados de computador — equivalentes ao conteúdo de vários milhares de livros. Estas informações são fornecidas a uma rede de 17 estações espalhadas pelo Mundo, que, em conjunto, formam o Sistema Mundial de Telecomunicações. Dois centros — o Centro Meteorológico Nacional de Washing ton, nos Estados Unidos, e o Departamento de Meteorologia, situado em Bracknell, de previsão de zona para a aviação civil, que, por uma questão de segurança, repe tem as operações um do outro. Computadores com a capacidade de 3500 milhões de cálculos por segundo tratam os dados para elaborar as previsões. Saber hoje qual será o tempo de amanhã é fundamental para o ocidente industrializado. Só no controle do tráfego aéreo, as previsões globais que permitem aos aviões aproveitar os ventos de popa ou alterar as horas de aterragem para evitarem as condições adversas poupam anualmente milhares de contos de combustível. Indústrias inteiras — como a construção, a navegação e a agricultura — dependem crucialmente de previsões de hora a hora e dia a dia. Os acontecimentos que mais põem à prova os meteorologistas são os ciclones tropicais — enormes tempestades de configuração circular que se formam sobre os mares dos trópicos, afastando se do equador e enfraquecendo quando atingem terra. No Atlântico chamam se furacões, no Pacífico tomam o nome de tufões. Os furacões duram habitualmente cerca de uma semana, recebendo energia do ar quente e húmido sobre os oceanos tropicais. À medida que se eleva no centro do ciclone, o vapor de água contido no ar condensa-se em nuvens, libertando calor e atraindo mais ar húmido para o sistema. Os furacões enfraquecem habitualmente quando chegam a terra por se verem privados de humidade. Durante a estação dos fura coes, de Junho a Novembro, formam se ao largo da costa de África mais de 100 tempestades, seis das quais se transformam cm furacões. Quando as nuvens em espiral, características de uma tempestade tropical, são avistadas, em geral por um satélite, o Cen tro Nacional de Furacões dos Estados Unidos, em Miami, entra em acção. O seu pessoal analisa uma imensidade de dados fornecidos por satélites, sistemas de radar, bóias automáticas e aviões, a fim de prever a sua trajectória — particularmente, o ponto da sua penetração na costa. No princípio de Setembro de 1988, uma depressão ao largo da costa africana intensificou-se de forma progressiva, até que no sábado 10 de Setembro, quando se encontrava sobre o Leste do mar das Antilhas, foi classificada de furacão e recebeu o nome de Gilbert. Dois dias depois, o Gilbert atingiu a Jamaica com força devastadora. Sob um céu de ardósia, os ventos destroçaram a ilha, deixando sem casa um quinto dos seus 2,5 milhões de habitantes e destruindo quase todas as colheitas de que depen de a sua economia bananas, cocos,

na Grã-Bretanha — são centros mundiais

Balão-sonda. Os balões meteorológicos levam para o ar radiossondas - grupos de instrumentos que registam a humidade, a pressão atmosférica e a temperatura. São largados regularmente por 950 estações em todo o Mundo.
II

Chicoteada pelos ventos. Os furacões deslocam-se sobre o oceano por acção do ar quente e húmido. Este. Narraganselt Bay, Rhode Island, EUA, em 1954. café, açúcar e vegetais. 0 primeiro-ministro, Edward Seaga, chainou-lhe "o maior desastre natural da nossa história moderna". Depois, à medida que rodopiava, afãs tando-se da ilha, o Gilbert quase duplicou a sua força, produzindo ventos com velocidade de 280 kirvíi — a mais poderosa tempestade que assolou o hemisfério ocidental neste século. Com a sua trajectória prevista, o Gilbert abateu-sc sobre a península do Iucatão, no México, na madrugada de quarla-feira, deixando 30 000 pessoas sem lar. Podia ter sido muito pior: em 1979, o furacão David matara 1100 pessoas, e o Flora, em 1963, vitimara 7200. O número relativamente pequeno de mortes causadas pelo Gilbert, cerca de 300, representou um tributo aos benefícios de uma correcta previsão meteorológica. Mas os meteorologistas não puderam ainda prever exactamente o que iria acontecer. Com a trajectória do Gilbert para norte, puseram-se em alerta as costas do Texas, da Luisiana e do Mississipi. Houve uma corrida aos géneros nos supermercados e 100 000 pessoas fugiram para o interior, enchendo as estradas e deixando para trás as suas casas fechadas e reforçadas com protecções. Neste caso, os alertas revelaram-se desnecessários: quando o Gilbert chegou ao continente norte-americano, estava já em dissipação. Trouxe ventos fortes, marés altas e muita chuva, mas pouca destruição. Não houve mais vítimas. A morte inesperada do Gilbert ilustra bem o grande problema das previsões me teorológicas, que é a sua falta de certezas absolutas. Apesar dos computadores caríssimos e das suas fontes de informação a nível mundial, os meteorologistas lidam apenas com probabilidades. Os sistemas meteorológicos são imprevisíveis no seu pormenor. Os números que descrevem factores variáveis como a velocidade do vento e a temperatura são verda deiros apenas momentaneamente. No segundo seguinte, esses números não passam de uma aproximação, e, por muito pequenos que sejam os desvios, realidade e previsões depressa se afastam entre si. Os cientistas aceitam o facto de acontecimentos pouco relevantes poderem ter consequências enormes. Referem-se jocosamente a esta verdade desagradável chamando lhe o "efeito da borboleta" - a ideia de uma borboleta batendo as asas em Pequim afectar, por exemplo, o estado do tempo em Nova Iorque. Por esta razão, o limite actual das previsões úteis não passa de alguns dias. Muitas vezes, a experiência que o me-

Carol. assolou a zona de

teorologista tem do mundo real é melhor guia para o futuro imediato do que qual quer modelo computorizado. Por exemplo, o ar que se desloca do mar do Norte para os países europeus que o cercam pode formar uma delgada camada de nuvens que ou faz chover sobre a terra no dia seguinte ou se evapora com o calor do Sol. O resultado pode depender de uma diferença de temperatura de apenas alguns décimos de grau. Mas os efeitos podem ser

Imagem de satélite. Instrumentos de detecção fornecem elementos a um computador que constrói imagens das nuvens por meio de códigos de cor num monitor de TV.

li.

substancialmente diferentes - um dia frio e enevoado ou quente e soalheiro. Mesmo com o auxílio dos melhores computadores e a mais eficiente recolha de infor mações, não é provável que as previsões venham alguma vez a ser correctas com mais de duas semanas de antecedência. As previsões a médio prazo têm melhorado com as inovações técnicas. Previsões a três dias para a Europa, realizadas no Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo, de Reading, Inglaterra, são agora tão correctas como as que eram feitas a um dia há 10 anos. Por outro lado, a previsão a longo prazo (mais de 10 dias) não se tem revelado de confiança. Há, de certo modo, uma esperança. Os cientistas pensam que existe uma relação entre a alteração nas temperaturas do mar e certas condições meteorológicas. Por exemplo, em períodos que vão de três a sete anos, na altura do Natal, uma corrente quente denominada El Nino peneira as águas muito frias ao largo da costa ocidental da América do Sul. Além de ter consequências sérias no clima, vida animal e indústrias locais, El Nino provoca também invernos ou mais suaves ou mais frios nos EUA Ainda ninguém sabe porquê — mas talvez um dia os efeitos desta corrente sejam previsíveis.

Como se abastece de água uma grande cidade
Diariamente, as cataratas do Niága/a vêem passar pela sua crista 72 milhões de metros cúbicos de água. Mas seriam precisos 17 dias para essa catarata tonitroante encher os 21 reservatórios principais que servem a cidade de Nova Iorque: 1210 milhões de metros cúbicos. Só o maior deles, o Pepacton, contém água suficiente para inundar Manhattan até uma altura de 12 m. Todos os dias, Nova Iorque consome 5,4 milhões de melros cúbicos de água, incluindo a utilizada pelas fábricas e escritórios, o que representa cerca de 750 I por habitante. A rede de distribuição da cidade leva a água ao consumidor através de mais de 9000 km de canalizações. Na Grã-Bretanha, as necessidades diárias, exclusivamente para uso doméstico, da zona do Tamisa, que inclui Londres e Oxford, são superiores a 3 milhões de metros cúbicos. A água que é fornecida às cidades provém geralmente de rios - Nova Iorque, por exemplo, recolhe a maior parte da água que utiliza das bacias do Hudson e do Delaware. Mais de metade da água canalizada for46

O abastecimento de água a Londres. Nesta fotografia de Londres, tirada por satélite, o rio Tamisa è a linha preta que serpenteia a meio da fotografia. Os reservatórios são as manchas pretas à esquerda e em cima; as áreas verdes são vegetação. necida na zona do Tamisa é obtida do próprio rio, provindo a restante de reservatórios e rios subterrâneos através de furos artesianos ou de poços. A água é canaliza da até às estações de filtragem e bombagem, nas quais os filtros a libertam dos detritos principais e as bombas a elevam para reservatórios de armazenagem. Como a água nos reservatórios está imóvel, os sólidos descem para o fundo. Ao mesmo tempo, o oxigénio do ar neutraliza outras impurezas químicas ou orgânicas. Um sistema de comportas leva a água dos reservatórios de armazenagem até a uma estação de tratamento, onde se processa nova purificação. O método habitual envolve a filtragem da água, por duas vezes, através de leitos de areia que são limpos diariamente. No primeiro leito, a água infiltra-se na areia grossa, que capta as impurezas maiores. O processo repete-se através de areias sucessivamente mais finas. A água é tratada quimicamente pelo cloro num tanque fechado para destruir as bactérias e desclorada em seguida para eliminação do sabor que lhe confere o produto. É depois bombeada sob pressão para os ramais principais da rede - tubagens largas acima ou abaixo do solo —, que a transportam até aos consumidores. A água tratada introduzida na rede pode ser usada imediatamente ou desviada para armazenagem temporária nos reservatórios. Estes estão habitualmente situados cm pontos elevados, embora alguns reservatórios de serviço sejam subterrâneos, por baixo de zonas públicas como os parques, por exemplo.

Como uma cidade se liberta dos seus detritos
Em Junho de 1858, condições atmosféricas invulgarmente quentes e secas provocaram uma queda brutal no nível das águas do Tamisa em Londres. 0 mau cheiro que emanava da maré vazia era tão terrível que os Londrinos apenas podiam aproximar-se das margens ou das pontes com lenços cobrindo a boca e o nariz. 0 tráfego no rio foi suspenso. Esta situação foi o resultado de séculos de incúria nos despejos. Os Londrinos, como os habitantes de outras cidades po pulosas em todo o Mundo, tinham-se acostumado a tratar lodos os cursos de água que tinham à mão - frequentemente, a sua única fonte de água para beber - como grandes esgotos abertos. Com o crescimento das populações e dos resíduos da industrialização durante o século xix, a Natureza e o homem gritaram "Basta!". Desenvolveram-se em Inglaterra, e foram copiados e aperfeiçoados na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, processos de tratamento dos esgotos antes da respectiva descarga. No entanto, paralelamente à maior eficiência dos processos de eliminação dos excrementos e de outros detritos líquidos (as águas negras), o crescimento das cidades modernas aumentou a produção dos detritos sólidos (lixos). Uma família americana média produz quase 25 kg de lixo por semana; em França, o número correspondente aproxima -se dos 17 kg. Num único ano, o habitante médio da cidade de Nova Iorque deita fora em lixo oito ou nove vezes o seu próprio peso. Os esgotos 0 tratamento básico das águas negras em cidades como Londres ou Washington difere pouco dos processos criados nos meados do século xix, conquanto o seu volume aumente constantemente. Em Washington, a capacidade inicial da estação de tratamento de esgotos em Blue Plains passou de 490 milhões de litros diários na década de 30 para perto de 1100 milhões nos anos 70, e já foi aumentada desde então. Uma rede de esgotos, geralmente subterrânea, transporta as águas negras, por gravidade ou por bombagem, desde as casas e os escritórios até às estações de tratamento. Originariamente, e ainda hoje em muitas cidades, os esgotos drenavam também as águas pluviais (rede unitária), pelo

que eram inundados até à saturação pelas grandes chuvadas. Hoje, sempre que possível, tenta-se criar sistemas de escoamento independentes (rede separativa). Na estação de tratamento, as águas são passadas por redes de crivos que retêm os objectos maiores, como trapos e pedaços de madeira, os quais ou são triturados mecanicamente e reintroduzidos no processo de tratamento, ou retirados e queima dos ou enterrados noutro local. As águas são seguidamente bombeadas através de canais para eliminação das areias, que são precipitadas no fundo juntamente com pequenas pedras. Estes detritos são draga dos e lavados e posteriormente utilizados em obras de construção civil. As águas resultantes passam por tanques preliminares de sedimentação, onde as matérias sólidas mais finas se depositam no fundo, tomando a designação de lamas. Estas e o líquido delas sepa rado seguem depois trajectórias diferentes. O líquido é encaminhado para esta

ções de tratamento secundárias, onde em cerca de oito horas determinadas bactérias destroem as matérias que o líquido ainda contém. Este passa em seguida por uma última sedimentação, altura em que as próprias bactérias são separadas para reutilização A água resultante está suficientemente limpa para ser lançada no rio. Entretanto, as lamas são bombeadas para tanques de decomposição, onde, durante três ou quatro semanas, bactérias convertem parte das lamas num gás que contém metano, o qual é canalizado e utilizado como combustível de accionamento das estações de tratamento. Em seguida, retira-se ainda água das lamas antes de serem vendidas como fertilizante agrícola. Em Blue Mountain, na Pensilvânia, EUA, por exemplo, as lamas dos esgotos têm ajudado a reflorestar terras destruídas pela extracção de zinco. As sobras de lamas são lançadas ao mar.

Estação de tratamento. Embora pareça uma fotografia de micróbios, a imagem é no verdade uma Dista aérea de uma estação de tratamento de esgotos a norte de Baton Rouge, no rio Mississipi, EUA

tornam um risco para a saúde pública, têm de ser encerradas e aterradas (aterro sanitário). Desde 1960, Nova Iorque encerrou 14, e não é fácil encontrar novos locais. Se distam muito da cidade que servem, o custo dos transportes torna-se demasiado alto para os orçamentos municipais. Em muitos países, como a Suécia, a Alemanha e o Japão, há muito tempo que se emprega a incineração em vez da acumulação em lixeiras. Mas nos EUA, o processo representava, nos meados dos anos 80, menos de 5% da eliminação dos detritos sólidos. A vantagem da incineração é redu zir em dois terços o volume dos lixos, além de que o calor produzido pode ser aproveitado para gerar electricidade ou fornecer

aquecimento. Como inconvenientes, as
cinzas residuais podem conter produtos tóxicos que se concentraram durante a incineração, pelo que nem sempre podem ser lançadas com segurança em lixeiras normais. Outras substâncias tóxicas, como o ácido clorídrico e a dioxina, podem libertar-se para a atmosfera durante a incineração se não se utilizar um equipamento adequado para a limpeza dos gases. Em Los Angeles, os cidadãos, temen do a poluição atmosférica, proibiram a construção de incineradores. Outro facto negativo na incineração dos lixos é o custo. Nos EUA, o custo do enterramento pode chegar a 60 dólares a tonelada; o da incineração pode atingir três vezes mais. Risco para a saúde. O depósito incontrolado de lixos na terra pnxluz riscos para a saúde. Na maioria dos países ocidentais, as novas leis restringem o despejo dos lixos.

Leitos de filtragem. Esta fotografia aérea mostra leitos de filtragem de esgotos numa estação de tratamento de Baltimore, no Maryland, EUA. Uma vez drenada a água, as lamas secas são vendidas como fertilizante. As lamas não utilizadas na terra são lançadas ao mar. Detritos sólidos Em cada dia, a cidade de Nova Iorque produz entre 24 000 e 25 000 t de detritos sólidos — a maior parte constituída por lixos domésticos, recolhidos pelo Município duas vezes por semana. Praticamente, toda esta montanha de lixo é transferida para um único lugar, Fresh Kills, em Staten Island, onde é despejada naquilo que começou como uma cratera no chão e é agora o maior depósito de lixo do Mundo, cobrindo 1215 ha. Este tipo de lixeira é, do ponto de vista mundial, a mais utilizada e mais barata for ma de libertar a sociedade dos seus subprodutos indesejáveis que não podem ser lançados nas redes de esgotos. Mas, à medida que o volume de detritos aumenta, as lixeiras como a de Fresh Kills passam a ter menos capacidade de lidar com eles. A falta de espaço origina problemas de poluição. As infiltrações do lixo em decomposição contaminam a água de superfície e subterrânea, a não ser que a lixeira esteja especialmente equipada para o tratar. Quando as lixeiras estão cheias ou se

Combate a incêndios na floresta
Visto de perlo, um incêndio na floresta c um espectáculo aterrador. Mas é um espectáculo que se repete milhares de vezes por ano nas florestas temperadas de todo o Mundo. Estas são presas fáceis de um fósforo, da luz do Sol ampliada por um vidro de garrafa ou de um raio. Na Austrália, o calor de um incêndio consegue vaporizar 0 óleo de eucalipto, fazendo arder árvores inteiras em explosões de gás. As destruições podem ser enormes. Em 1949, a França perdeu 156 000 ha de florestas em 350 fogos. Em 1971, os incêndios no Wisconsin e no Michigan queimaram 1 700 000 ha e mataram 1500 pessoas. Em 1985. através dos EUA, 81 662 fogos quei

maram quase I 200 000 ha. Em Portugal, onde todos os verões ocorrem fogos, a área florestal afectada foi de 22 435 ha em 1988 e de 103 908 ha em 1989. Os números não oficiais obtidos até ao início de Setembro de 1990 apontam para uma área florestal destruída na ordem dos 108 106 ha. As chamas podem alastrar pelos arbus tos secos a velocidades que excedem os 140 km/h. Ocasionalmente, a combustão provoca um remoinho de fogo, uma chaminé de ar quente causada pelos ventos que penetram na floresta, em que consegue arrancar árvores e atirá-las ao ar, dando origem a fogos a centenas de metros de distância. Em Setembro de 1987, quando incêndios queimaram uma enorme área da Califórnia, do Oregon e do Idaho, uma noite de combate em apenas uma zona — a Stanislaus National Forest — reuniu 376 carros de bomba e autotanques de água, 94 bulldozers, 16 helicópteros, 13 aviões-tanques e 4500 bombeiros. A informação é talvez a maior arma de fensiva contra os incêndios nas florestas. Os satélites, os aviões de vigilância nocturna com câmaras de infravermelhos e a coordenação computorizada permitem prever as condições favoráveis aos incên dios e o controle dos fogos quando se declaram. No combate a um fogo, os bombeiros empregam uma combinação de duas estratégias básicas: o arrefecimento e a contenção. Deitar água sobre um fogo não serve apenas para o arrefecer: em grandes quantidades, a água afecta também os materiais combustíveis e, ao tornar-se em vapor, reduz a quantidade de oxigénio de ar que alimenta o fogo. Mas, por si só, a água pode não chegar. O fogo pode alastrar insidiosamente por baixo de musgos e líquenes e conseguir sobreviver dentro dos montículos de terra

Espuma contra o fogo. Alguns incêndios florestais - como este perto de Valência. Espanha - combalem se mais facilmente com agentes produtores de espuma. Um avião anfíbio de combate aos fogos (em cima) derrama espuma sobre as chamas. Água contra o fogo. Um avião de combate ao fogo recolhe água de um lago Os aviões podern recolher atê 6400 I de água em 10 segundos ~ e fazer 200 voos por dia. 19

Bombeiro-pára-quedista. Descendo cru pára-quedas, um smoke-jumper entra em acção contra um incêndio provocado por lava no monte Adams, EUA. em Junho de 1987. e dos velhos cepos de árvores para se reacender dias depois. Para reduzir estes "pontos quentes", misturam-se com a água produtos químicos denominados agentes molhantes, que ajudam o poder de penetração daquela. Podem ainda juntar-se corantes para mostrar quais as áreas da floresta já tratadas. As equipas de terra podem criar quebra-fogos para conter o incêndio, enquanto os aviões-tanques chegam a despejar 20 000 1 de água e produtos químicos. Nal guns países, existem corporações de bombeiros-pára-quedistas que atingem locais remotos ou de difícil acesso por terra, lançando-se em pára-quedas. Nos EUA, os bombeiros saltam de pára-quedas para combater incêndios desde 1941. O objectivo é isolarem os pequenos fogos antes que alastrem. Com o fogo em baixo, as correntes atmosféricas são imprevisíveis, a visibilidade é má e os riscos são elevados. Uma vez aterrados em segurança, os bombeiros-pára-quedistas {smoke-jumpers, como se designam em inglês) abrem uma clareira em redor do fogo e derrubam as árvores secas, com vista a circunscrever o fogo até que ele se extinga por si ou que cheguem as forças terrestres de combate.

Km 1968, o Serviço de Parques dos EUA começou a empregar fogos controlados para evitar posteriores incêndios, maiores e mais incontrolados. Frequentemente, o serviço permite que fogos naturais sigam o seu curso, combatendo-os apenas para proteger vidas, gado e propriedades. Os bombeiros reconhecem também que as suas possibilidades têm limites, como se provou pelos incêndios que varreram os estados de Vitória e de Austrália do Sul em 16 de Fevereiro de 1983, Quarta-Feira de Cinzas. Durante dias, as temperaturas tinham rondado os 40"C e os campos estavam ressequidos. Nessa tarde, declararam-se incêndios a 72 km a noroeste de Melburne e perto de Adelaide, 660 km para oeste. Dentro de duas horas, havia 20 grandes fogos num arco de 960 km, fustigados por ventos de 110 km/h que lançavam tufos de erva cm chamas pelo ar e sugavam as paredes das casas. Cerca de 21 500 voluntários combatiam os fogos, com 800 carros de bomba e 200 bulldozers para abrirem quebra-fogos. Chamas com 36 m de altura varriam os estados, empurradas por ventos quentíssimos. Quando se extinguiriam, 10 dias depois, os incêndios tinham causado a morte de 74 pessoas, destruído quase 400 000 ha e 280 000 cabeças de gado e causado prejuízos elevadíssimos. Nestas condições, pouco se pode fazer. O comandante da corporação de bombeiros de Vitória, Graham Simpson, comentava que um grande incêndio florestal era "um cataclismo que cria os seus próprios ventos e o seu próprio clima, um demónio com espírito próprio".

O problema do trânsito nas cidades
Após quase um século de melhoria na velocidade dos automóveis nas estradas e ruas e no controle do tráfego, leva-se hoje tanto tempo a atravessar o centro de uma grande cidade como em 1900. Nessa altura, a velocidade média das carruagens de cavalos era apenas de cerca de 13 km/h. Em 1988, os automóveis não conseguiam andar mais depressa. Por exemplo, em 1988, em Copenhaga, a velocidade era de 14,5 km/h; em Nova Iorque e Brisbane, de 16 km/h; em Paris, de 17 km/h, e em Estocolmo, de 18 km/h. O problema reside na densidade do tráfego, que cria um círculo vicioso: o aumento do tráfego leva à construção de estradas melhores e melhores sistemas de controle, o que, por sua vez, leva a um aumento do tráfego. O resultado é angústia e desespero. Os veículos parados e em marcha lenta desperdiçam anualmente somas elevadíssimas em tempo, combustível e outros encargos. Em Nova Iorque e outras cidades em que as ruas são paralelas cortadas por paralelas, as aglomerações das horas de ponta já têm produzido engarrafamentos em grelha, com áreas inteiras de trânsito impossibilitado de se movimentar durante horas. Os princípios do controle Através da História, tem-se tentado arranjar soluções para o problema do trânsito, de forma a mantê-lo em movimento. No século i a. C, Júlio César baniu a circulação de carros em Roma durante o dia. O maior progresso dos tempos modernos foram os semáforos, utilizados pela primeira vez em Cleveland, Ohio, em 1914. Pouco depois, os semáforos eram sincronizados por sectores para melhorar o fluxo. O período de tempo em que se mantinham verdes podia ainda ser controlado pelo número de carros que passassem sobre placas de comando. Muitas cidades ensaiam outras maneiras de facilitar o fluxo do tráfego, aumentando, por exemplo, as multas de estacionamento, encorajando a partilha dos carros particulares e introduzindo nas ruas faixas para transportes públicos (bus). Os sistemas computorizados, que surgiram na década de 60, permitem regular o trânsito numa secção interna de uma cidade. Mas todas estas medidas não têm resol vido os problemas postos pelo constante aumento de tráfego. Quando, na Venezuela, se insistiu em que os automóveis em Caracas só poderiam circular em certos

Bombeiro de floresto. Um bombeiro voluntário ajuda a combater um incêndio em Grose Valley, Austrália. O calor é tão intenso que a água se eoapora sem produzir qual quer efeito sobre as chamas.

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Engarrafamento de trânsito. Aparentemente sem qualquer ordem, o trânsito bio queia urna rua da cidade comercial de Me dan. na Samarra do Norte. Fluxo de tráfego. Muntendo-se nos seus corredores, os veículos atravessam em bi cha a ponte de Oakland, em S. Francisco.

Hora de ponta. Ónibus puxados por cavalos, carroças, carruagens, um carro funerário e um rebanho engarrafam Fleet Street e Ludgate Hill, em Londres, numa gravura do século xix de Gustave Doré. dias da semana — conforme o último algarismo da respectiva matrícula —, milhares de pessoas compraram segundos carros. Mantiveram-se os engarrafamentos - ainda agravados pelos carros estacionados. Em Singapura, quando os condutores eram multados se entrassem na cidade às horas de ponta sem, pelo menos, dois passageiros no carro, milhares de crianças ofereceram-se como "passageiros" a troco de umas moedas. Em 1987, havia no Mundo mais de 500 milhões de veículos motorizados em actividade, número este anualmente acrescido de 40 milhões. A única solução para as cidades parece residir numa computorização cada vez mais complexa que permita aos controladores guiarem o tráfego como se fosse água, utilizando os semáforos como comportas. Com o carregar de um botão, os semáforos podem desviar o trânsito de um acidente, de trabalhos na rua. da multidão de espectadores que sai de um estádio de futebol. Cada cidade tem os seus problemas. Km Manhattan, a complexidade é aterradora: a hora do dia, a actividade comercial local, a largura da rua, o tempo que faz, a época do ano - todas estas variantes afectam cada bairro, e cada bairro afecta os outros. E toda esta massa efervescente é ainda complicada pela necessidade de atravessar os rios que cercam Manhattan, levando o tráfego a comprimir-se nas pontes e nos túneis. Na tentativa de dominar a situação, os computadores recebem informações dos cruzamentos principais, onde sensores subterrâneos monitorizam a velocidade e o volume do tráfego. Os resultados podem ser notórios: nos bairros periféricos de Nova Iorque a computorização reduziu o número de paragens de cada veículo em 70%. Em tudo isto o condutor individual é passivo. A verdadeira revolução no contro le do tráfego reside na navegação incorpo rada no veículo. O carro teria o seu próprio computador, contendo mapas pormenorizados e capaz de receber um fluxo permanente de infor-

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COMO EVITAR ENGARRAFAMENTOS POR MEIO DE UM COMPUTADOR

1. Num ensaio de um sistema electrónico de orientação do trânsito em Berlim, em 1988, os condutores introduziram no computador o local aonde pretendiam dirigir-se.

2. O destino era introduzido pelo transceiver do carro no semáforo mais próximo, situado num dos 240 cruzamentos da cidade. A informação era enviada a um centro de comandos computorizado.

3. O centro de comandos enuiaoa ao semáforo indicações sobre o caminho mais rápido. E o semáforo transmitia ao condutor, através do transceiver, um mapa desse caminho.

4. Finalmente, o computador do carro traduzia a informação em conselhos claros e simples no respectivo mostrador: o melhor caminho era indicado por setas, e a distância a percorrer, por dígitos.

mações sobre a situação do trânsito nas estradas de todo o pais. 0 condutor marcaria o código do ponto de destino c partiria. Quase imediatamente, o carro passaria um semáforo à beira da estrada, através do qual o computador obteria do centro de informações as condições que o espera vam na sua rota. Começariam então a aparecer instruções, traduzidas por uma seta num mostrador do tablier indicando o caminho que o condutor deveria tomar para chegar mais depressa ao seu destino. Nos ensaios feitos em Berlim e em Londres, o computador dava ainda instruções verbais e avisos de nevoeiro, trabalhos na estrada, alterações da faixa de rodagem e desvios em voz sintetizada. A tecnologia para a introdução de um sistema deste tipo existe já. O custo de instalação no carro seria idêntico ao de um telefone. Mas o problema maior seria a instalação de milhares de semáforos para cobrir o pais. Controle central. Um oficial do Centro de Controle do Tráfego em Paris observa ima gens dos locais em que se começam a notar engarrafamentos. Em média, um veiculo não atravessa Paris a mais de 17 km/h - e os monitores computorizados ajudam a localizar os pontos nevrálgicos.

O caso de Ana Ferreira, vítima de acidente na estrada
"Bom dia. Fala da Unidade de Cuidados Intensivos Polivalentes (UCIP). Posso ajuda lo?" A enfermeira-chefe Margarida San tos recebe a primeira chamada telefónica do dia na UCIP onde está colocada. A resposta é "sim". 1 louve um grave acidente de viação numa estrada perto do hospital. Três pessoas — um motorista de táxi, a sua jovem passageira e um motociclista — ficaram feridos numa colisão contra uma camioneta. E de madrugada, num dia enevoado de Novembro, e urna ambulância com a sirene a tocar transporta velozmente as vítimas para o hospital. Quando há que salvar vidas, a primeira hora após o acidente c decisiva. E para o pessoal da ambulância ê obvio que a rapariga — uma secretária de 20 anos, Ana Ferreira, é a ferida mais grave Está inconscien-

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te, tem muita dificuldade em respirar, sangra do tórax e pareço ter graves ferimentos internos. A chegada ao hospital, Ana é encaminhada rapidamente para o sector de urgências e emergências, onde lhe são tratadas as feridas superficiais, c os exames radiológicos revelam a existência de fracturas rias costelas e da bacia. A violência da colisão provocou-lhe rupturas no sistema circulatório e derrame do respectivo fluido e a ulterior acumulação nos pulmões pelo que é imediatamente conduzida à UCIP, no segundo andar. Na enfermaria de cuidados intensivos, onde o espaço aberto e as paredes cor-de-rosa tornam o ambiente mais acolhedor, a doente é colocada numa cama articulada e com rodas. A equipa de enfermagem e médicos rodeiam-na imediatamente. Devido às fracturas das costelas, é-lhe extremamente doloroso respirar. Por isso,

introduz-se-lhe na boca até à traqueia uma delgada cânula de plástico, que por sua vez está conectada a um ventilador. Este aparelho respira pelo doente, enviando lhe intermitentemente aos pulmões uma mistura de ar e oxigénio. Vigilância de 24 horas Em breve, a parte superior do corpo de Ana fica ligada a toda uma bateria de tubos e fios que vão ajudá-la a viver. Entre eles, contam -se um electrocardiógrafo, que fornece informações permanentes sobre o ritmo e a frequência cardíacos; um cateter introduzido numa veia do pescoço, através do qual são repostos os fluidos perdidos, incluindo o sangue, a uma determinada frequência; e um outro cateter introduzido numa artéria do punho, que monitoriza a pressão arterial. Enquanto estiver nessa unidade, Ana será observada e vigiada de perlo em cada minuto do dia e da noite.

A respiração, a tensão arterial e as pulsa ções serão verificadas periodicamente, e os respectivos dados registados. A enfermeira que tem Ana a seu cargo raramente sai de ao pé da cama e anota quaisquer alterações no seu estado. Se necessário, pedirá conselhos ou ajuda — que imediatamente lhe serão dados. Logo que a respiração de Ana estabilizou, inicia-se a fase seguinte do tratamento. Uma delgada sonda de aspiração c-lhe introduzida pelo nariz até ao estômago para drenagem dos fluidos gástricos acumulados, ficando aí colocada enquanto for precisa. Uma outra sonda de aspiração é depois introduzida periodicamente pelo "aparelho respiratório" para se poderem extrair as secreções dos brônquios e pulmões. Paralelamente, lem lugar a rotina matinal da UCIP. Às 8 menos um quarto, os médicos fazem a "visita" da enfermaria,

Mundo fechado. Desde que um doente entra numa unidade de cuidados intensivos polioalentes. passa a ser vigiado 24 horas por dia. As enfermeiras raramente se afastam da sua cama e verificam constantemente a bateria de fios e tubos ligados ao seu como. A UClf de um hospital é um mundo fechado funcionando com uma equipa polivalente de médicos, enfermeiras e técnicos especializados.

avaliando o estado dos doentes. Saem, mas mantém-se urna actividade e os ruídos constantes: o zumbido surdo das máquinas, o sirvo abafado dos telefones e a conversa animada do pessoal de enfermagem. Embora os doentes aqui instalados se encontrem em estado grave, o ambiente é reconfortante e alegre. As 8 e meia, chega a fisioterapeuta para a primeira das suas duas sessões diárias: José Silva, funcionário público local, na casa dos 40, com fractura do baço e outras lesões internas em consequência de uma queda grave, e Isabel Marques, uma avó de cabelo branco que recupera de uma operação ao estômago feita na véspera. Para remover as secreções dos pulmões, a terapeuta insiste com os doentes para que respirem fundo e tussam. Para que os músculos mantenham o seu tónus e as articulações não fiquem "presas", ela ajuda os doentes a mobilizar os membros. José - que já passou cinco dias nos cuidados intensivos - é deitado de lado. "Estamos a virá-lo, José, para lhe ajudar a limpar o tórax", explica a terapeuta. "Não demora depois voltamos a pô-lo confortável ." Às 9, os tubos ligados aos ventiladores de cada doente são substituídos para evitar a proliferação de bactérias no equipamento; e às 9 e meia chega um cirurgião para falar com Isabel. "A sua operação correu muito bem", diz-lhe com um ar bem-disposlo. 'Estamos muito contentes consigo." O relógio da enfermaria marca 10 horas Um gerador móvel de raios X é utilizado, e um técnico radiografista lira radiografias aos três doentes. Como sempre, tudo o que se faz é lhes explicado. "Só para ver se houve qualquer alteração aí por dentro", diz o radiografista aos doentes enquanto vai de uma cama para a outra. Passa mais meia hora, e as enfermeiras revezam-se para tomarem um chá com torradas na sala contígua, cujos muples e a televisão foram presente de um antigo doente reconhecido. As refeições — essencialmente café e sanduíches - são igualmente tomadas aí. O refeitório do hospital fica no andar de baixo, e o pessoal de serviço não pode estar tão longe e afastado — em tempo e distância — dos doentes a seu cargo. As 11 tioras, o capelão do hospital aparece. Embora a sua primeira preocupação sejam os doentes, são às vezes as próprias enfermeiras quem mais precisa dos seus conselhos. "Sempre que um doente morre, é para nós um golpe terrível", afirma a enfermeira-chefe Santos. ''Especialmente se for uma criança. Precisamos de falar disso com alguém que conheça e compreenda os nossos problemas, mas que não seja uma de nós. E aqui que entra o capelão. Ele

conforta-nos e dá nos o tipo de apoio mo ral e espiritual de que precisamos de vez em quando." Um pouco antes do meio-dia, os pais de Ana chegam c são levados para a sala de espera dos familiares, em frente do gabinete do especialista da UCIP. A sala de espera tem um aspecto acolhedor e aconchegado. Tem dois maples c dois sofàs-camas para o caso de um parente ou amigo desejar passar a noite! Maria, a empregada de serviço auxiliar da unidade, mete a cabeça nos guardaventos que dão para a enfermaria: «Senhora Enfermeira estão aqui os pais da Ana!" Livre de perigo A enfermeira-chefe Santos corre a dizer ao casal ferreira que a filha se encontra agora perfeitamente consciente e que, se o seu estado se mantiver estacionário, ficará livre de perigo. As fracturas da bacia e das coste las de Ana, acrescenta a enfermeira, consolidarão a seu tempo. Mas. acima de tudo, ela prepara os pais para o choque que terão ao verem Ana cheia de fios e tubos que a fazem parecer ainda mais doente do que está realmente. Pálidos e apreensivos, os pais de Ana são conduzidos à enfermaria e junto da cama. Passam a hora seguinte junto da fi lha, faiando-lhe da família, do tempo e dizendo-lhe que ela está nas melhores mãos e recebe os melhores cuidados. Impossibilitada de falar devido a estar ligada ao ventilador, Ana abre os olhos de vez em quando para lhes mostrar que está consciente e percebe o que lhe dizem. Finalmente, já nada mais há para contar e os pais Ferreira levantam-se para sair. "Voltaremos amanhã para te ver, querida", murmura a mãe. "Nessa altura, já deves estar muito melhor.» Às 13 horas, a enfermeira-chefe Santos e a sua equipa são rendidas para o almoço pelo turno da tarde, composto por uma enfermeira-chefe e três enfermeiras, que tomarào conta dos doentes durante as próximas oito horas. Se não houver novas admissões de doentes - doutra enfermaria ou doutro hospital —, a unidade poderá contar com uma tarde calma, embora activa. Só o soar do alarme de um dos sistemas de controle e tratamento das funções vitais que ultrapasse o respectivo limite de tolerância virá perturbar a tranquilidade existente enquanto não chega o turno da noite. Poderoso "cocktail" Se tudo continuar a evoluir sem complicações, Ana será transferida para uma enfermaria cerca de uma semana após ter dado entrada na UCIP. Como quase todos os doentes destas unidades, lembrar-se-á pouco ou nada do tempo que aí passou. O choque inicial e o poderoso cocktail de

analgésicos e sedativos que lhe foram administrados garantirão que assim seja. Há alguns anos — antes de existirem unidades de cuidados intensivos polivalentes —, Ana poderia ter morrido sem a vigilância, a atenção e os níveis de cuidados ai' prestados minuto a minuto. Aproximain-se as 6 horas da tarde e o médico intensivista faz a última visita de rotina do dia — certificando se de que tudo corre bem e de que pode regressar a casa descansado. Entretanto, junto da cama de um dos doentes um rádio toca suavemente música ligeira. As enfermeiras esperam que a noite seja calma para que se possam concentrar nos doentes que já ali se encontram. Até que, subitamente, o telefone da secretária volta a tocar. "UCIP, boa noite", diz a enfermeira de serviço. "Posso ajudá-lo?"

Como se utilizam as fotografias aéreas na elaboração de mapas
Os cartógrafos actuais recorrem a um processo utilizado pelos seus antecessores mais antigos: sobem a um ponto elevado para terem uma visão geral da área que querem cartografar. Nos tempos antigos, o cartógrafo subiria ao cimo de um monte com os seus instrumentos e equipamento; hoje, são fotógrafos que sobem num avião. As primeiras fotografias aéreas destina das a mapas foram tiradas em 1851 pelo francês Aimé Laussedat, que sobrevoou os campos num balão de ar quente. Fotografias tiradas de aviões militares foram utiliza das para os mapas das trincheiras durante a I Guerra Mundial. Para a cartografia aérea, o avião voa à altitude mais adequada à escala média da fotografia que se pretende para o mapa. Se a escala for de 1:50 000 e a lente tiver uma distância focal de 150 mm, a altitude de voo tem de ser de 7500 ni. As fotografias são tiradas na vertical, com o avião voando alternadamente num sentido e em sentido inverso ao longo de faixas contíguas sobre o terreno que se deseja cartografar. Na mesma faixa cada loto grafia deve sobrepor-se à anterior em cerca de 60%, devendo faixas adjacentes sobrepor-se em cerca de 30%. Garante-se assim que todas as áreas parciais do solo serão fotografadas pelo menos duas vezes. Um avião voando a 25 000 pés (7500 m) teria de tirar pelo menos 12 700 fotografias para cobrir a superfície da França.

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Por cada faixa, obscrvam-se pares de fotografias seguidas através de um eslereorrestituidor, que mostra uma imagem de terreno em três dimensões, a qual é ajustada a uma rede de pontos cuja exacta posição no solo é conhecida. Pode então operar-se o eslereorrestituidor por forma a medir, registar e definir a posição e a altura dos pormenores da carta na escala desejada. Os pontos fixos, denominados

terreno, por forma a minimizar a< distorções, tendo em atenção a fi nalidade específica do mapa sempre à custa de rigor em certo< aspectos menos importantes par* cada caso. A Projecção de Merca tor. por exemplo, é utilizada par? traçar rumos de navegação, ma? distorce a escala, de modo que a.1 terras muito distantes do equadoí p a r e c e m ter uma área muiti maior que a real. Uma projecção destinada a re pontos fotogramétricos, podem presentar os países com áreas e po ter sido definidos anteriormente siçòes relativas tão próximas quan ou criados para este caso. Estes to possível das reais distorce as dis pontos — como quaisquer outros tâncias e as direcções e não pod( sobre a Terra — lém uma latitude ser utilizada na navegação. (distância angular para norte ou para sul do equador) e uma longiKscolhida a projecção, o mapa t tude (distância angular para lesto traçado por desenhadores ou po ou oeste do meridiano de Greencomputadores. Os traçados à mãe wich), e devem poder ser perfeitasão desenhados em películas so mente identificados nas fotograbrepostas, figurando em cada umi fias aéreas. os diferentes elementos, como es tradas, rios, curvas de nível e zona Para "captar" os pormenores do de cor. Pode haver mais de 20 pe terreno, 0 operador do estereorreslículas que são assentes em con tituidor aponta um foco luminoso junto e combinadas fotográfica sobre cada característica importanmente, produzindo uma películi te da fotografia, registando automapor cada uma das quatro a seis CO ticamente a informação em algarisres geralmente utilizadas na im mos sobre fita magnética. Os por pressão das cartas. Alguns mapa: menores "capturados" podem ser desenhados por computador pro simultaneamente mostrados num duzem directamente a películi monitor vídeo ou num restiluidor para a impressão. (plotter) para verificação. Outros mapas, elaborados po As informações gravadas são incomputador, nunca chegam a se troduzidas num computador com imprimidos, sendo transmitido: outros elementos indispensáveis, electronicamente aos aviões ou na como a área que o mapa irá abranVista aérea e mapa. Uma fotografia aérea de urna praceta vios para navegação através do: ger, o estilo deste e a sua escala. Má com as suas casas e jardins (em cima) foi utilizada para monitores de computador. quinas de desenho comandadas elaborar um mapa pormenorizado da área (em baixo). pelo computador produzem não No futuro, os mapas poderão dis só mapas preliminares para verificação pensar o sistema actual de aerofotograme das por círculos ou quadrados. Finalmencomo mapas acabados para impressão. tria. topografia no solo e impressão con te, nos mapas de continentes inteiros ou de vencional. Satélites em órbita do planei, Todas as informações recolhidas e analitodo o Mundo só as grandes cidades popoderão enviar as imagens directamente ; sadas acabarão por transformar-se num dem ser indicadas, marcadas por pontos. um computador, que imprimirá os mapa mapa traçado para determinado fim A altitude do terreno é habitualmente ou os transmitirá, sob a forma de sinai: um mapa de .estradas para motorista ou representada por curvas de nível, linhas electrónicos, aos monitores dos aviões um mapa agrológico mostrando as áreas que unem os pontos com a mesma altitu dos navios ou dos automóveis. urbanas, as agrícolas, as florestadas e as de. Quanto mais próximas estão entre si pantanosas. estas linhas (cotadas em pés ou em metros), mais pronunciado é o declive. As curA área a incluir num mapa pode ser em A escala de um mapa vas de nível podem ser combinadas com escala muito grande — cobrindo apenas Um dos factores mais importantes na elabo cores - processo denominado contour uma pequena zona do terreno apresentaração e na leitura dos mapas é a escala. Un layer tinting — a fim de se indicar a variada em grande pormenor. Os mapas deste mapa pode ser feito à escala de 1:250 000 ção desde o nível do mar (geralmente vertipo são usados pelos urbanistas para, por significando que cada unidade (centí de) até às altas montanhas (geralmente exemplo, planearem novas estradas. metro, milímetro ou polegada) represent; castanho ou roxo). O sombreamento das 250 000 dessas unidades no terreno. Po Para traçar um rnapa numa escala meelevações dá ao mapa um efeito tridimenisso, aquela escala podia igualmente se nor (e mostrar uma superfície maior), o sional. Pode usar-se sozinho ou como expressa em I cm = 2,5 km, ou 1" = 4 milhas cartógrafo aglutina num só alguns dos macomplemento de contour layer tinting. Um mapa do Mundo num atlas pode ter < pas em escala maior. Mas, à medida que a escala de 1 :60 000 000 (I cm = 600 km). escala se reduz, tem igualmente de se dimiA representação da superfície curva da nuir o pormenor e passar a utilizar símboUtilizam-se diferentes escalas, conform» Terra num mapa plano é impossível de los. Por exemplo, uma aldeia ou vila que aquilo que se pretende do mapa. Seria im conseguir sem alguma distorção. A solucomeçou como um conjunto de edifícios possível planear uma viagem de aulomòve ção é utilizar uma das muitas projecções é amalgamada numa única forma. à escala de um planisfério — e um planisfé cartográficas de conceito matemático, rio à escala de 1250 000 teria cerca de 200 n que dispõem os meridianos e os paraleNuma escala ainda mais reduzida, as alde largura. los, bem como outros pormenores do deias são omitidas e as cidades representa

:,:

Como o correio atravessa o Mundo
Os serviços postais mundiais conjugam-se para formar um cérebro à escala da Terra e de uma complexidade fenomenal. A quantidade de correspondência manipulada pelas 654 000 estações de cor reios do Mundo é impressionante. Num só dia passam pelo sistema postal internacional 1000 milhões de artigos. A movimentação física de uma carta (em vez da transmissão elect ró nica do seu conteúdo) é uma operação lenta que exi ge trabalho intenso e representa um desafio constante para os milhões de pessoas que trabalham para os 169 Estados inem bros da União Postal Internacional. De Peace River para Nice Todo e qualquer objecto posto no correio passa a fazer parte desta actividade épica. Imaginemos, por exemplo, que Pierre, jovem engenheiro francês recentemente destacado para Peace River, na província de Alberta, no Canadá, escreve uma carta à avó, que vive perto de Nice, no Sul de

França
Em Peace River, Pierre deita a caria no correio na segunda feira de manhã. A seguir à recolha nessa tarde, a caria junta se a milhares de outras na estação local dos Correios. Os funcionários sepa ram a correspondência local da destinada a outras regiões do Canadá. Separam tam bém a correspondência internacional em dois grupos — um que irá para oeste, atravessando o Pacífico, outro para todos os destinos de leste, incluindo a Europa. À tarde, os sacos do correio, excluindo a correspondência local para Peace River, viajam de camião para a cidade de Grande Prairie. Aí, os sacos de correio internacional juntam-sc a outros provenientes de cidades vizinhas. Na manhã seguinte, terça-feira, um segundo carregamento transporta a correspondência para a capital da provín cia, Edmonton, 480 km a sueste. O volume de correio internacional aumenta nova mente antes de ser transportado da Estação de Correios de Edmonton para o aeroporto. Neste ponto, as duas cargas iniciam caminhos separados - os sacos para traves sia do Pacífico seguem para oeste, para Vancouver, os outros para leste, para Toronto, aonde chegam ao fim do dia de ter ça feira. Em Toronto, as cartas são separadas por países e, nalguns casos, por zonas dentro de cada país, Esle processo ocupa quase inteiramente a quarta e quinta-feiras, e a carta de Pierre junta se a pilha de corHl.

respondência, com 330 kg, destinada a França. Na tarde de quinta-feira, um voo interna cional de Toronto leva a caria para O Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, aonde chega na madrugada de sexta feira. A carta está agora no quinto dia da sua jornada. As cartas provenientes do Canadá seguem para Paris, onde se juntam aos 50 milhões de objectos tratados diariamente pelo sistema altamente mecanizado ria França. O código postal da casa da avó de Pierre é lido por uma máquina codificadora, que lhe acrescenta um código de barras indicando o ponto a partir do qual a carta terá a sua distribuição final. Esta máquina trata 40 000 cartas por hora. Uma segunda máquina agrupa as cartas em pilhas correspondentes às divisões administrativas. Uma tela transportadora leva as da máquina para sacos que, por sua vez. são transportados para os camiões e comboios que percorrem o país com as suas 3000 t diárias de correio. A estação dos Correios utiliza um Airbus para levar a correspondência para Marselha e Nice, e a carta de Pierre embarca no voo de sexta à tarde. A noite, em Nice, são executadas as operações de recolha e triagem no sentido in verso. A estação divide a correspondência em várias subzonas para distribuição local. No sábado, de manhã cedo, uma carrinha leva a correspondência desde a estação de escolha para a estação central. Esta coloca a carta de Pierre num dos 70 000 circuitos postais nacionais, e a avó lê as suas notícias ao pequeno almoço, no sexto dia da viagem desde Peace River Pelo menos, assim seria num mundo ideal. Mas surgem inevitavelmente complicações: como os fins-de semana e os dias feriados; como toneladas de embrulhos mal feitos e sobrescritos ilegíveis: como greves; como avarias, e como as acumulações do Natal. Mas, embora esles factores muitas vezes se conjuguem, obrigando a atrasos, cada entrega representa um pequeno tributo ao empenho e à cooperação humanos.

Um serviço mundial de mensageiros
São 5 horas de uma tarde de quinta-feira num activo gabinete de estudos e projec tos do centro de Frankfurt, Alemanha 0 pessoal prepara as especificações de uma nova ferramenta de lapidação de diamantes que criou e da qual um protótipo está embalado para ser entregue em Quito, ca pitai do Equador. Esle protótipo tem de

estar nesta cidade na manhã de terça feira. enquanto o documento rias especifica ções tem de estar na sede da empresa, em Nova Orleães, na sexta-feira. Um serviço internacional de COurier aéreo foi contratado para assegurar a entrega de ambos os artigos. A chamaria para os escritórios locais desse serviço foi feita às 4.30; um mensageiro estava no gabinete de estudos meia hora depois, com uma carrinha para transportar os artigos. Um terminal de computador na carrinha indica ao condutor o caminho mais rápido. O mensageiro recebe o envelope com as especificações e o embrulho com a má quina de lapidação e dirigese para o centro de distribuição da sua empresa, próxi mo do Aeroporto Internacional de Frankfurt Ali. uma máquina de laser lê o sobres crito e 0 pacote, introduzindo os dados num computador central para que os res pectivos percursos possam ser monitori zados, Esses mesmos dados são utilizados na preparação dos documentos de expor tacão e importação e na elaboração da factura para o gabinete de estudos. Uma leia transportadora leva o pacote para um saco com a etiqueta "América do Sul" e o sobrescrito para o saco dos EUA Cada saco será colocado no primeiro voo disponível com partida de Frankfurt. Neste caso, os sacos são colocados no voo da noite para Nova Iorque, com chegada na madrugada de sexta-feira. Alguém rio escritório ria empresa de serviços, de COurier em Nova Iorque põe o saco destinado aos EUA num voo para o escritório cenlral da distribuição, onde o sobrescrito é colocado num saco para Nova Orleães e enviado no voo de ligação seguinte. A chegada, c entregue em mão na sexta-feira à tarde. Entretanto, o saco para a América do Sul é novamente triado em Nova Iorque, e o pacote para Quito é colocado num voo da tarde que faz escala primeiro em Bogotá, na Colômbia, e depois em Guaiaquil, antes de aterrar em Quito na sexta à noite. A Alfândega de Quito está fechada até segunda-feira, mas o representante da empresa de courier prepara a documentação para desalfandegar o pacote na segunda de manhã. Uma carrinha entrega-o no local do destino à hora do almoço. Os serviços internacionais de cou/iei surgiram no fim da década de (i(), porque as empresas de todo o Mundo que podiam enviar um empregado a quase qualquer ponto do Globo em 24 horas por avião desejavam assegurar a mesma eficiência no envio de cartas e encomendas impor tantes. Os correios não eram bastante rápidos, porque os sistemas postais se preocupavam com entregas volumosas em peque na velocidade, e os serviços de courier conseguiam garantir entregas rápidas, urn sistema poslal personalizado, pessoal

próprio e as mais recentes tecnologias. Hoje, num esforço de modernização c indo ao encontro das necessidades do mundo empresarial, os Correios criaram os seus serviços de courier, oferecendo as sim a rapidez e segurança desejadas. As empresas de courier gastam anualmente milhares de contos com as reservas de espaço nos voos regulares de carga e passageiros e todas mantêm informações computorizadas sobre os horários de voo de todo o Mundo. Muitas firmas possuem os seus próprios aviões e helicópteros e quase todas tem frotas de carrinhas e

motos para as recolhas e entregas porta a porta. Em 1980, a DHL, o maior serviço internacional em termos do número de entregas, tratava 30 000 artigos em cada noite da se mana. Na Europa, as grandes empresas de courier e as administrações postais prometem entregas de um dia para o outro nos destinos europeus e prazos de dois dias para qualquer parte do Mundo. Dm outro campo em crescimento competitivo é o remailing, em que a correspondência internacional é enviada do país por serviço

de courier e metida no correio no estrangeiro, curto circuitando assim, em parte, os serviços postais. No entanto, o retnuiling é uma actividade considerada ilegal, pelo que vários organismos internacionais e principalmente a CEE estão a tentar regu lar esta actividade. O mercado para as entregas expresso, que duplicou em cada dois ou três anos na década de 70, atingia os 4000 milhões de dólares em 1988. Parece provável que os serviços de courier expresso continuem a expandir se para ir ao encontro das exigências das empresas.

Do outro lado do Mundo — reportagem para um jornal
É um dia especial para os apreciadores de ténis na Africa do Sul — particularmente para os que vivem em Joanesburgo ou suas proximidades. Um jovem da zona chegou às finais do campeonato italiano em singulares homens, a decorrer em Roma, e o seu sucesso ou o seu desaire serão notícia em ambos os países. A noticia ocupará provavelmente as primeiras páginas dos matutinos sul-africanos. O director terá de escolher a forma de fazer a cobertura da partida: apoiar se nos despachos e fotografias das agencias noticiosas ou mandar o seu próprio redactor despor tivo e um repórter fotográfico para fazerem a reportagem em primeira mão. Em virtu de do grande interesse local, decide enviar uma equipa própria. 0 redactor e o repórter fotográfico chegam a Roma a tempo da conferência de imprensa, na véspera do jogo. O redactor pode assim escrever um artigo sobre o ambiente geral e as expectativas que rodeiam a partida juntamente com as impressões de ambos os finalistas. O jogador sul-africano é um adolescente que não ganhou ainda um grande campeonato ou torneio; o seu adversário é um escandinavo mais velho e muito mais experiente, actual detentor do titulo Trata se, como diz o jornalista, de um encontro clássico entre "um jovem pretendente e um rei entronizado". O começo da partida está previsto para as 14 horas e pode durar toda a tarde. Por isso, na África do Sul, que tem a mesma hora de Roma, o resultado deve ser conhecido pelas 18 horas. Os jornalistas não terão dificuldade em mandar os seus artigos e as suas fotografias a tempo da primeira edição do dia seguinte. Na cabina da imprensa, o redactor pode escrever a reportagem no seu processador de texto portátil, que é um terminal remoto do computador central do jornal. Quando termina a sua história, o redaclor limita-se

Tecnologia a duas mãos. Com um leleío ne em cuciu mõo, um jornalista recolhe elementos paru urna nova reportagem. a ligar o adaptador ao telefone mais próximo e a marcar o número do jornal, e o texto é transmitido directamente para o computador, a 8850 km de distância. Um artigo de 1000 palavras leva cerca de um minuto a ser transmitido. O jogo termina com uma brilhante vitória do jovem tenista sul-africano. A acres eentar ao relalo dos seta. já introduzido no seu processador de texto, o redactor vai agora entrevistar ambos os finalistas. Entretanto, o repórter fotográfico recorre a uma agência noticiosa internacional de cujo equipamento de transmissão fotográfica necessita. Revela os seus filmes e introduz num transmissor os melhores negativos. 0 transmissor envia as imagens através de uma linha telefónica e cl,is aparecem rapidamente, como reproduções de negativos de alta qualidade, no receptor do editor de fotografia em Joanes burgo. Equipa da imprensa. Nenhum acontecimento desportivo passa sem os repórteres fotográficos, cujas fotografias podem ser enviadas por transmissores especiais 57

Montagem da página. Os patinadores (à direita) cortam as provas e colam-nas em folhas do (amanho das páginas do jornal. Retoques. Quaisquer espaços em branco encontrados num negativo depois de montada a página são retocados com uma caneta preta especial (em baixo).

Depois de entrevistar os jogadores, o redactor prepara a reportagem definitiva, ajustando e corrigindo o texto que escreveu e que visualiza no écran da sua máquina. Às 20 horas, pede uma linha à telefonista do hotel e transmite a sua reportagem com mais pormenores de fundo e mais colorido que as notícias de primeira mão da televisão e ria rádio. Notícia de primeira página Por volta das 21 horas, o editor rie desporto chama a reportagem do ténis ao seu monitor. Conforme acordado na reunião de editores, a reportagem constituirá o artigo principal das páginas de desporto Por outro lado, o resultado rio tenista dá noticia de primeira página, escrita a partir da reportagem do enviado e que o chefe de redacção poderá ler no monitor. A reportagem principal é depois lida e corrigida por um chefe de redacção-adjunto por forma que ela se encaixe no espaço que lhe atribuiu o editor rias páginas de desporto. O chefe de redacção-adjunto pode chamar ao seu monitor uma imagem da página inteira tal como agora se encontra, com todos os outros artigos, títulos e fotografias — e anúncios, se os houver - já paginados. Depois de o editor de fotografia e o editor de desporto lerem escolhido a fotografia que ilustrará a reportagem, o chefe de redacção-adjunto saberá qual o espaço de que dispõe. O artigo é então editado no monitor, de forma a preencher esse espaço, e faz-se um título que chame a atenção c se ajuste à história e ao espaço disponível. O chefe rie redacção-adjunto introduz a legenda da fotografia. São quase 22 horas, e nesta altura todos os textos para a primeira edição têm de ser compostos. O artigo sobre o campeonato de Roma,

bem corno todos os outros textos, transita então para um equipamento rie fotocomposição de alta velocidade. O artigo, de 1000 palavras, fica pronto em menos de 30 segundos. Da fotocomposição sai uma prova em papel fotográfico para ser montada em página de acordo com a maqueta previamente feita. Embora a paginação possa ser feita di rectamente no computador, muitos jornais preferem ainda cortar as provas e colálas em folhas do tamanho da página método rápido quando executado por paginadores experientes. O chefe de redac çáo-adjunto certifica-se de que todos os artigos cabem nos espaços que lhes foram atribuídos e que náo surgiram enos antes ou durante a fotocomposição.

obtendo-se em minutos um negativo a preto e branco a partir do qual vão ser feitas as chapas de impressão. Fazem-se primeiro fotocópias das páginas para serem aprovadas pelo editor de desporto, pelo chefe de redacção e, eventualmente, pelo director. Urna vez verificadas e aprovadas pelos revisores, as páginas são levadas à secção de impressão. A meia-noite, as páginas estão prontas para serem transferirias fotograficamente para chapas de impressão de zinco ou alumínio revestidas a plástico. As chapas, à passagem ria tinta, imprimem o papel. A velocidade, aqui como em todas as fases do processo, é fundamental, pois os jornais têm à sua espera as 80 carrinhas que os distribuirão pelos postos de venda. Quanto mais perto do centro de impres são se encontram os revendedores, tanto mais recentes são as edições que recebem. Estas últimas edições podem ser radical mente diferentes das primeiras, pois, com frequência, reportagens de última hora re clamam espaço na primeira página, relegando alguns artigos da primeira página para uma página interior. O leitor satisfeito Deste modo, enquanto toma o seu pequeno-almoço, o leitor de Joanesburgo interessado em desporto lê o relato da vitória do seu jovem concidadão. O redactor, entretanto, está a acordar em Roma. Para ele, tudo isto são notícias rie ontem.

Com todos os textos, títulos, fotografias e filetes, a página completa é fotografada,

A elaboração de um dicionário: trabalho que pode durar uma vida
Quando Samuel Johnson escreveu o seu dicionário de inglês no século xvm, esse trabalho demorou sete anos. Nesse período ele teve rie escrever o significado de 40 000 palavras. O primeiro Oxford English Dklionary, completado em 1928, levou 50 anos, com os seus 12 volumes e 252 259 vocábulos. Na Alemanha, o Deutsches Wõrter huch, com 16 volumes, iniciado pelos irmãos Grirnm em 1838, apenas foi terminado em 1961 — passados 123 anos c riuas guerras mundiais. A maioria dos dicionários exige consideravelmente menos esforço e tempo, náo só porque são menos extensos como também porque os seus compiladores podem utilizar dicionários anteriores como fontes de informação. Urna nova edição de um "dicionário portátil" com nome já feito pode levar cerca de dois anos. Um pequeno dicionário especializado como um dicionário de abreviaturas — pode ser es crito apenas por uma pessoa. Para escrever um dicionário, aquele que o faz (o lexicógrafo) precisa de ter uma ideia, ou conceito, do tipo de dicionário que pretende, um critério definido sobre a forma de pôr essa ideia em prática e os exemplos e citações relacionados com os vocábulos a incluir e com aquilo que pre tende dizer acerca deles. Primeiro, a ideia O dicionário pode incluir vocábulos de todos os tipos ou unicamente termos especializados (como num dicionário de química). Pode incluir ou não os nomes de personalidades e de lugares. Pode dar muitos tipos rie informação acerca de cada entrada (grafia, pronúncia, etimologia, signi ficado, comportamento gramatical, sinónimos e antónimos) ou apenas alguns tipos de informação (grafia e pronúncia, por exemplo). Pode incluir ilustrações e exemplos rio uso das palavras. Pode ser monolingue (com os significados das palavras portuguesas dados em português) ou bilingue (com os significados das palavras portu-

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guesas dados, por exemplo, em francês, e os das francesas dados em português). O critério Uma vez decidido o objectivo do dicionário, têm de se estabelecer critérios para a sua elaboração. Quando é que um vocábu lo deve constituir uma entrada principal ou uma subentrada? Deverá saca-rolhas, por exemplo, constituir uma entrada principal (como sacar e como rolba) ou unia subentrada — e neste caso dentro do verbete «sacar» ou dentro do verbete «rolha»? Capitáo-tenente será provavelmente uma entrada principal mas virá em capitão ou em tenente? Cabo (promontório, fim, extremidade), cabo (chefe, caudilho; graduação militar), cabo (do martelo, da vassoura) e cabo (corda) farão parte de um único verbete porque se escrevem do mesmo modo? Ou haverá quatro verbetes, um para cada significado? Ou ainda entrarão os dois primeiros num único verbete por terem o mesmo étimo (latim caput, "cabeça", "extremidade") e terão os outros dois (respectivamente de copio, "'agarrar*' e de capulum, "corda") cada um o seu ver bete próprio? E azul, substantivo, c azul, adjectivo (qualidade daquilo que tem a cor azul), como devem ser tratados? E se uma palavra aparece mais de uma vez como entrada principal, que ordem dar às entradas: a mais antiga antes da mais recente, a mais frequente antes da mais rara ou o adjectivo antes do substantivo'.' Ainda quando uma palavra tem mais de um significado, em que ordem devem aparecer esses significados: o mais antigo antes do mais recente, o mais frequente antes do menos frequente, o literal antes do figurado, o geral antes do técnico? Exemplos e citações 0 ponto de partida para decidir aquilo que vá ser incluído são os conhecimentos do lexicógrafo acerca da língua e o modo corno a entende. Será ideal também que possua um vasto repositório de exemplos do emprego real dos vocábulos e das frases, recolhidos de escritos publicados c talvez de manuscritos e até discursos gravados. Esta colectânea pode ser tão representativa do espectro da língua quanto o lexicógrafo o pretenda. Assim, podem mesmo ser recolhidos exemplos em trabalhos científicos e até em revistas humorísticas. Pode fazer-se uma lista alfabética, por meio de computador, de todos os exemplos de cada palavra nos textos escolhidos para investigação. Assegurar-se-ia assim que não se perderiam empregos impor tantes das palavras pelo simples facto de serem demasiado vulgares para despertar a atenção do lexicógrafo. Este reportar se á ainda a outros dicio nários e outras obras e a artigos acerca da linguagem. Pode ainda consultar os peritos sobre palavras especializadas e as pes

soas vulgares sobre as suas predilecções e as suas reacções quanto à forma como as palavras são usadas. Mas lerá de interpretar com muito cui dado todos estes dados. Determinados vocábulos podem ser facilmente tabelados de "obsoletos" ou "arcaicos", por exemplo, porque não são usados nas zonas do pais com que o lexicógrafo está mais familiarizado — mas antes de os classificar como tais ele terá de saber se certas regiões os não utilizam ainda na sua fala normal. A organização do projecto Embora seja possível alguns dicionários serem obra de uma só pessoa, a maioria representa esforços conjuntos. Os lexicógrafos que têm a sorte de pos suir citações utilizam-nas na elaboração dos verbetes e organizam o seu trabalho por forma que. por exemplo, os verbetes para anabolismo, catabolismo e metabolismo façam referências cruzadas entre si apesar de terem letras iniciais diferentes. É possível que uma entrada seja produ to do trabalho de um único lexicógrafo, mas o mais provável é que o seja de vários especialistas: um para o significado, outro para a pronúncia, um terceiro para a eti mologia (a origem e a evolução do vocábulo ou da expressão). Material complementar, como fotogra fias ou mapas, pode ainda ser preparado por outros especialistas. E tudo tem de ser verificado quanto ao sou rigor, clareza e solidez. Actualmente, grande parte do trabalho pode ser realizado por computadores, que conseguem tratar grande quantidade de elementos, facilitar a revisão (fazendo lis tas de artigos previamente assinalados para potencial eliminação, a fim de darem lugar a novos vocábulos e significados) e garantir um tratamento homogéneo (mas não o rigor nem a clareza). A elaboração do dicionário Num dicionário alfabético normal, os vocábulos relacionados entre si, como chão, sobrado, soalho e pavimento, poderáo aparecer muito distanciados. Mas os verbetes podem ser escritos ao mesmo tempo para garantir que os respectivos significados sejam devidamente comparados e que não faltem as referências cruzadas. Um dicionário geral incluirá palavras recentes (como sida) e novos significados de palavras antigas (como monitor), e referirá vocábulos antigos, como boleeiro. Alguns termos técnicos podem ser mais fáceis de explicar do que muitas palavras do dia-a-dia. É mais fácil, por exemplo, distinguir uma estalactite (que aponta para baixo) de uma estalagrnite (que aponta para cima) do que um quarto de uma sala. E, tendo conseguido definir distintamente quarto e sala. ele terá eventualmente que saber explicar porque se diz quarto de ba-

nho e sala de jantar, ou ainda casa de banho e casa de jantar, e decidir se todas estas locuções terão de constituir entradas no dicionário. Na elaboração das definições, o léxico grafo deve tentar encontrar o equilíbrio entre a clareza e o esclarecimento ou a informação. Se dissermos que um camarão é um animal "com 10 patas". Ioda a gente perceberá; se o classificarmos como um "decápode". muitas pessoas lerão de pro curar a definição de decápode. Mas, ao fazê-lo, encontrarão provavelmente outras

informações úteis, como o facto de os ca
marôes estarem relacionados com as lagostas e os caranguejos, também eles decá podes. Uma solução será chamar ao camarão "um animal decápode (com 10 patas)". Mas isso exige mais espaço, que pode refleclirse na dimensão do dicionário, dimi nuindo o número de entradas possíveis. Têm igualmente de ser sopesadas considerações sobre o espaço e sobre o tipo de utilizadores da obra, ao decidir-se quanto à quantidade de informações a incluir: deve rá a definição de água incluir a sua fórmula química (H^O) e os seus pontos cie conge lação e ebulição ao nível do mar-5 A importância dos dicionários Apesar de lodos os problemas, o lexicógrafo pode consolar se com a ideia de que um dicionário pode ser um dos mais importantes instrumentos de auto-educaçâo. São uma espécie de memória arquivada da cultura em que são produzidos, bem como um meio de acesso a essa cultura Há alguns anos, em Inglaterra, uma mu lher que ficou parcialmente incapacitada devido a uma intervenção cirúrgica deci diu pedir uma indemnização. Antes de o fazer, estudou durante seis meses dicionários de medicina para não ser enganada pela terminologia médica que seria utilizada no tribunal. E ganhou a acção.

Como se alimenta e abastece um exército na guerra
Entre Janeiro e Maio de 1942, 5500 soldados alemães estiveram isolados pelo exército russo perlo da cidade de Kholm, entre Moscovo e Leninegrado. Fora o pior Inverno desde há 100 anos. Com -30°C, os soldados alemães, enregelados, amontoavam-se nos abrigos subterrâneos e rezavam para que viessem os socorros. Subitamente, ouviram o som distante de motores, que se transformou num rugido quando 20 aviões de transporte Jun kers Ju 52. escoltados por duas esquaríri-

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Força aerotransportada. Num exercício.

os US Army Rangers treinam-se no salto e/n
páraquedus por detrás das linhas inimigas, transportando apenas provisões básicas. lhas de caças Messerschmitt. lhes passaram por cima. O céu encheu-se com riú zias rie pára-quedas com caixotes de alimentos, munições e medicamentos. Estes voos de abastecimento continuaram por mais de três meses, permitindo aos alemães sitiados repelir os ataques do Exército Vermelho. Km Maio, os tanques alemães conseguiram abrir caminho até aos sitiados. A Bolsa de Kholm sobrevivera graças a um bom apoio logístico. A logística - a capacidade de abastecer uma força de combate com alimentos,

munições e equipamento foi sempre um elemento essencial das artes bélicas. E na guerra moderna um ataque ou uma defesa eficazes dependem cada vez mais de um reabastecimento rápido e continuado. Uma divisão pesada moderna com cerca de lfi 000 homens e 1000 veículos empe nhados em combate consome pelo menos 5000 t de munições e 2700 t de com bustíveis por dia. Sem esse fluxo vital, um exército morre. A frase de Napoleão "Um exército marcha sobre o seu estômago" é tão verdadeira agora como era então. A incapacidade do Exército Vermelho para suster a invasão de Hitler em 1941 deveu se em parte a um sis tema de reabastecimentos inadequado. As tropas das linhas da frente eram obrigadas a ir à retaguarda reabastecer-sc. Estaline extinguiu esse sistema em 1943. Os Japoneses não conseguiram tomar Imphal c Kohima, na fronteira indo -birmanesa, em 1944. em parte por não terem reabastecimentos. Quando os Ingleses e os Indianos avançaram, encontraram cadáveres de japoneses com ervas na boca. Movimento maciço de tropas norte-americanas Os problemas ligados ao reabastecimento são enormíssimos, como se revelou em Setembro de 1987 durante as manobras militares Reforger 87. O exercício envolveu a mais vasta movimentação ultramarina de forças norte-

americanas em tempo de paz. Os 35 000 homens do III Corpo blindado, estaciona do em Fort I lood, no Texas, iriam ser enviados para a Alemanha Ocidental, como se constituíssem reforços aos seus colegas aliados no início de uma invasão soviética da Europa Ocidental Soldados e equipamento encontravam-se espalhados por mais de 30 estados

Rações de combate. Soldados de infantaria recolhem embalagens de refeições durante um exercício militar.

[.ançainento de um tanque. Um tanque Shcridan de IS t é retirado de um aoiâo Hercules por pára quedas gigantes Esta técnica, extracção por pára quedas a baixa altitude, permite a entrega de cargas pesadas na zona de combale sem que o avião lenha de aterrar.

americanos. As (ropas foram conduzidas para os aeroportos americanos, de onde voaram para a Europa. Dos aeroportos europeus foram levadas, por estrada ou caminho de ferro, para entrepostos onde lhes foram fornecidos equipamentos da NATO ou para portos onde receberam equipamento pesado que chegara de barco através do Atlântico. 0 transporte em navios rápidos através do Atlântico leva mais quatro dias do que por ar, por isso foi necessário ter material pré-armazenario para as primeiras tropas. 0 Corpo Blindado deslocou-se então para a sua zona do acção, perto de Miinster e Osnabruck. Daí, dois dias depois, cada uma das duas divisões e as respectivas brigadas de apoio dirígiram-se a uma zona táctica de concentração ali próxima para reabastecimento de combustíveis e provisões (em situação de guerra, o reabasteci mento incluiria igualmente munições). Desde a altura em que foram convocados ate àquela em que se encontraram em posição de combate, as tropas não demoraram mais de uma semana. Os exércitos modernos são cada vez mais complexos, e é cada vez maior a necessidade de rapidez. Os computadores transmitem os pedidos instantaneamente. Os abastecimentos urgentes podem ser transportados por helicóptero ou por aparelhos STOL (short-take-off-and-landing. "de aterragem e levantamento em curto espaço"). No futuro, navios-lanques gigantes, cargueiros movidos a energia nuclear, submarinos de carga e até grandes aviões poderão aumentar os reaprovisio namentos convencionais por ar e por mar. Estrategicamente, contudo, nada mudou, e, como disse o marechal Rokossovsky, famoso comandante da II Guerra Mundial: "Não compete às tropas preocuparein-se com a retaguarda, mas à retaguarda preocupar se com as tropas."

não dormem: a frenética actividade organizada de ontem limita-se a dar lugar a uma curta noite de preparação para amanhã. Assim acontece no Milton, lorre de 25 andares de betão e vidro no sopé do Vic.toria Peak. Enquanto os cerca de 1250 empregados - do direclor-geral para baixo — descansam, os cerca de 50 funcionários da noite preparam o hotel para o novo dia E esta a vida do hotel que os hóspedes não vêem. Da 1 às 7 da manhã: cozinhas e limpezas Nas cozinhas, onde têm de ser confeccionadas cerca de 3750 refeições durante as próximas 24 horas, o pão e a pastelaria para os pequenos-almoços estão a ser c.o zidos desde a meia noite. Ao todo, quase 550 pessoas trabalham na preparação c no serviço das comidas e bebidas no hotel. A equipa de limpeza nocturna lava e limpa o equipamento da cozinha e areia os serviços do pequeno-almoço. Os empregados do serviço do quartos preparam os pedidos para o dia seguinte e estão atentos aos pedidos ocasionais dos que não conseguem dormir e que querem um comprimido para as dores de cabeça, um copo de whisky ou uma ceia inteira para si próprios e para os seus amigos. Na cave, a equipa que trata da manutenção dos sistemas vitais do hotel ar condicionado, refrigeração, luz eléctrica e força motriz, água quente - está empenhada nas suas tarefas nocturnas. Ao lodo, num dia de ponta gastam se 820 000 I de água e recolhem-se cerca de 4,5 t de lixo. Na rouparia, enchem-se os últimos ces tos com as mudas de roupa de cama e as toalhas para os quartos. Os 43 porteiros e mandaretes já verifica ram os seus registos de saídas e entradas. Distribuem se os jornais da manhã para entrega nos quartos e afixam-se no átrio principal os avisos sobre os acontecimentos do dia no hotel. O pessoal de limpeza limpa as zonas de circulação e arranja as salas necessárias para funcionar durante a manhã, em reu niões de trabalho e negócios. Das 7 às 9 da manhã: tudo em acção O hotel está agora bem acordado — como o estão muitos dos hóspedes, ansiosos pelo pequeno-almoço c por mais um novo dia. Na recepção, os funcionários do turno da noite, cansados, são substituídos pelos da equipa de dia. São organizadas as entradas e saídas, marcados os quartos, distribuído o correio. Fazem-se as reservas, verificam-sc as horas do chegadas e parti das. Os empregados de serviço às salas de reuniões confirmam que estas foram convenientemente limpas. O pessoal de noite do serviço de quartos retira se e entra o de dia; dá-so então início à limpeza e arruma çáo dos 750 quartos de cama.

O turno da noite da manutenção é suhs tituído pelo da manhã, a quem entrega uma lista de trabalhos a fazer. A mudança é marcada pelo ajustamento do volume suave do sistema sonoro de comunicações para um nível que possa ser ouvido por sobre os ruídos do dia. Das 9 ao meio-dia: chegam os administrativos Quando diminui a azáfama das saídas da manhã e já foram servidos os últimos pequenos-almoços, os serviços adminislrati vos do hotel começam os seus trabalhos. No serviço de aprovisionamento, os empregados fazem uma verificação de existências de última hora para se assegurarem de que têm todos os alimentos e bebidas para o dia. Os contabilistas sentam se em frente das suas calculadoras e computadores para examinar as finanças do hotel. Os res pousáveis pelo pessoal preparam-se para um dia que pode incluir admissões ou des pedimentos ou ficar se pela atençào dada às boas condições de trabalho dos empre gados. Os directores de vendas reúnem-se para decidir sobre estratégias e tácticas para o melhor aproveitamento do hoiel e das suas instalações não só o alojamento nocturno como exposições, conferências, recepções e banquetes. Complementando esse trabalho, a equipa de relações pú blicas, com cinco elementos, estuda a melhor forma de fazer publicidade ao hotel. Entretanto, os 62 técnicos da manutenção fazem a sua inspecção diária completa, procedendo a reparações e conservações de rotina, incluindo a verificação da piscina e do equipamento da sauna e do ginásio — onde uma equipa de oito pessoas toma conta da sauna, rio banho turco e das insta lações de massagem. O chefe do pessoal das limpezas dá os loques finais aos arran jos para as funções especiais do dia. As cerca de 60 lojas, a farmácia e o cabeleireiro estão já abertos. Atrás do iobby do rés-rio-chão, o Business Centre também já abriu as portas: põe à disposição dos clientes um serviço de secretariado, de telegramas, fax e telex durante 24 horas, fotocópias, serviços internacionais de entrega de documentos e uma biblioteca de livros de referência. Do meio-dia às 3: horas de almoço Nas cozinhas, desapareceram já os últimos '"vestígios" dos pequenos-almoços. A preparação dos almoços vai avançada, embora, por volta da 1 hora, venha a ser necessário o reabastecimento dos bufetes. Nos restaurantes, as mesas estão postas e as reservas verificadas. Uma totalidade de 200 cozinheiros, ajudantes de cozinha e empregados-de-mesa estarão envolvidos em preparar e servir as refeições. Entretanto, o serviço de quartos prepara os tabulei

Um dia num hotel de luxo
Quando se aproxima a I hora de uma madrugada abafada de Hong Kong, a maioria dos cerca de 1000 hóspedes do Hotel Milton já está recolhida. Os sete restaurantes c dois bares do hotel fecharam, e a zona de lojas, a sauna, o ginásio, os campos de ténis e a piscina encontram-se desertos. Os empregados dos sectores administrativos há muito que terminaram o seu serviço. Na zona da entrada, onde chegam a trabalhar durante o dia 75 funcionários, só ficaram os empregados da noite e uns quantos recepcionistas. As luzes das zonas de convívio e dos corredores baixaram de intensidade. No entanto, os grandes hotéis

• il

ros e os carrinhos para os hóspedes que preferem almoçar no quarto. Na recepção, apresentam-se os novos hóspedes. Os mandaretes pegam nas bagagens e acompanham os hóspedes aos respectivos quartos, abrindo-lhes as porias com cartões de segurança computorizados, em vez das chaves tradicionais, que podem ser roubadas e copiadas. Das 3 às 6 da tarde: o chá A medida que se esvaziam os restaurantes e os bares, os hóspedes começam a tomar o chá, as empregadas de quarto enchem os baldes de gelo nos quartos, os empregados-de-mesa e os bormen preparam tudo para a reabertura ao fim da tarde e. na cozi nha, o jantar já está a fazer-se. Uma vez por semana, por volta das 3 da tarde, o turno de dia do pessoal de manutenção ensaia o alarme de incêndio, os ele vadores e o sistema de comunicação sono ra. E, pelas 4 horas, as 72 empregadas de serviço aos quartos e os 14 empregados de limpeza das zonas de circulação e salas já completaram os respectivos serviços. Entretanto, o pessoal da recepção examina os relatórios diários do departamento de quartos — o segundo maior do hotel, depois do de alimentos e bebidas, com 217 empregados. Qualquer coisa que tenha corrido mal nos quartos é, assim, rapidamente corrigida. A lavandaria, que lava diariamente, entre outros artigos, 10 000 toalhas e 500 camisas, prepara-se para fechar. Das 6 às 8 da noite: os "cocktails" Para a maioria do pessoal administrativo, o dia de trabalho termina por volta das (i ho ras, quando muitos hóspedes começam a pensar nos cocktails e no jantar. Nos bares, os 17 guardas de segurança do llilton au

Um dia na vida de um transatlântico
O sol da tarde banha o porto de Southampton, enquanto gmpos de trabalhadores das docas começam a carregar alimentos frescos e outras provisões a bordo do Queeit EBzabeth 2 o maior navio da Cunard Line e o único navio de passageiros que atravessa regularmente o Atlântico. Atracou à 1 hora da tarde e partirá para a viagem de regresso a .Nova Iorque sete horas depois. Não há tempo a perder, e a maioria das provisões — incluindo frutas e vegetais, ali mentos enlatados e carne e peixe congelados — é transportada em tapetes rolantes para 0 interior, através de quatro estreitas pranchas de embarque. Entretanto, a maioria dos vinhos, bebidas alcoólicas e refrescos, embalados em contentores metálicos, é içada cuidadosa mente para bordo por gruas. K 30 000 I de cerveja são bombeados directamente dos camióes-cisternas estacionados no cais para enormes depósitos de aço inoxidá vel que estão ligados por tubagens aos sete bares francos do navio. Os alimentos e bebidas serão suficientes para a travessia transatlântica de cinco dias. Pelas 7 da tarde, as provisões já foram embarcadas, 0 pessoal de limpeza já aspirou uma área de alcatifas equivalente a 142 campos de ténis, os 1000 tripulantes estão nos respectivos postos e a maioria dos cerca de 1800 passageiros já embarcou. Sáo-Ihes dadas as boas vindas por uma banda de jazz tocando músicas conhecidas, e sào encaminhados para os seus camarotes por quase 80 criados e criadas. Tudo foi preparado para o bem-estar e o conforto dos passageiros - desde saunas ejacuzzis até filmes e um centro de com putadores, onde poderão aprender coisas novas como processamento de texto. Cada um dos 10 decks, OU pavimentos, de passageiros possui a sua própria cozi nha com despensa, o que permite aos cria dos e criadas de bordo preparar e servir desde chávenas de chá ou café pela manhã até complicadas ceias à noite. Uma vez no mar, os 14 padeiros come çam a sua longa jornada de trabalho nas três cozinhas principais, às 5 horas da ma nhã, a fim de prepararem os mais de 3000 pãezinhos e croissants servidos ao peque no-almoçp. Ao mesmo tempo, os pasteleiros de bordo produzem os 6000 bolos necessários para o lanche e os 5000 petits •fours para o buffet.

mentam discretamente a sua vigilância.
Das 8 à meia-noite: o serviço de jantares A maioria dos 1500 hóspedes e visitantes que comem no hotel está a jantar. No Res tauranle Ninho de Águia, no 25." andar, a orquestra inicia o seu trabalho e na cozi nha pensa se já nas encomendas de alimentos do dia que se aproxima. Na recepção, os empregados preparam as fichas de registo para o dia seguinte. Pelas 11 horas, a lista de chegadas para ama nhã estará já pronta. Meia-noite: começa a noite de trabalho Chegou ao fim mais um dia. A medida que os hóspedes se vão recolhendo, o hotel ajusta se gradualmente ao seu ritmo nocturno. 0 pessoal do serviço de quartos retira das portas as encomendas para os peque nos almoços. Alguns dos 90 contabilistas do hotel apuram a receita do dia anterior, cerca de 23 000 contos, t está já em anda mento mais uma noite de preparativos.
1.2

As 7 da manhã, chegam os primeiros cozinheiros para preparar os ingredientes para as sopas e os estufados do dia. Os 75 me.stres-cozinheiros - lodos homens, incluindo um de cozinha kosher, começam a preparar os 2800 almoços e jantares, enquanto a maioria dos passageiros termina os seus pequenos-almoços. Os cerca de 60 ajudantes de cozinha chegam a trabalhar 12 horas por dia nas cozinhas abafadas e sem janelas. Sentem -se frequentemente fatigados e com saudades de casa - e, às vezes, alguns deles abandonam o trabalho assim que atracam. Para a maioria, contudo, trata se de uma forma cie ver o Mundo. Nas despensas, conservam-se centenas de produtos alimentares, e os enormes ar mários frigoríficos das carnes estendem-so a quase toda a largura do navio 32 m. No seu interior, a temperatura de -10°C mataria quem quer que ai' ficasse fechado mais de 12 horas. Para evitar tais acidentes, existe uma campainha de alarme dentro do cada armário-frigorífico, para o caso de as portas serem fechadas por engano. Os motores gigantescos do QE2 estão instalados na casa das máquinas — diversas e extensas áreas de enorme pé direito, Cruzeiro nos fiordes. Além de navegar no Atlântico, o QE2, de vez em quando, faz cruzeiros nos fiordes noruegueses.

Mexendo o caldeirão. .4 preparação da sopa começa às 7 da manhã.

abrangendo a altura de dois decks. Cada um dos nove motores tem o tamanho de um autocarro de dois andares. Geram 130 000 cavalos e conseguem fazer parar completamente o navio, a partir de uma velocidade de 32,5 nós (60 km/h), em 3 minutos e 39 segundos, numa distância de cerca de 1,25 milhas (2 km). A casa das máquinas contem ainda uma aparelhagem de dessalinização e purificação da água, que recolhe água do mar e a transforma em água potável. São tratadas diariamente cerca de 480 t — o bastante para se encherem sete piscinas idênticas às do navio. Alem disso, quatro vaporizado res a vácuo produzem 250 I de água por dia. A verificação dos diversos depósitos de água, na parte mais inferior do navio, é da responsabilidade dos carpinteiros de bordo. Alguns destes depósitos destinam se a servir de lastro para regular o caimento do navio, outros contêm a água para bet>er e a utilizada na lavagem da roupa. Se, por qualquer motivo, se utilizou mais água de um dos lados do navio que do outro, este começa a inclinar-se. Para corrigir esta situação, a água é rapidamente redistribuída pelos outros depósitos. Numa pequena divisão, a equipa de ti pógrafos desempenha o seu papel na vida diária do navio. Ao fim de cada noite, é entregue em todos os camarotes um pro grama impresso dos acontecimentos do dia seguinte. De manha cedo, são entregues as folhas noticiosas, com notícias de todo o Mundo recebidas a bordo, todos os dias, via satélite. Centro nervoso O centro nervoso do transatlântico é a ponte de comando. Por razões de segurança. existe apenas uma escada que leva à pon te — e uma única porta de entrada que apetias pode ser aberta por dentro. A ponte exibe o mais recente equipamento de navegação, incluindo o piloto automático. Mas a roda do leme continua a ser habitualmente usada quando o tráfego é intenso ou quando o navio entra ou sai do porto. Existe, além disso, um sistema de prevenção de colisões, que mostra em cada momento o rumo, a velocidade e a direcção de até 20 navios. Existe também um sistema de navegação por satélite, o primeiro que se instalou num navio de passageiros, em contacto com vários satélites cm órbita à volta da Terra. Kste instrumento assinala a posição do QE2 a intervalos de 35 até 100 minutos. O rigor i\n leitura é inferior a 100 m. Como sede dos comandos do barco, a ponte está em comunicação íntima com a casa das máquinas — por telefone directo — e com outras zonas vitais. Para reduzir ao mínimo os erros e as más interpreta ções, as instruções importantes são transmitidas à casa das máquinas por meio de um painel de teclas etiquetadas: quando

Pratos frio». Um cozinheiro, ladeado por uma águia de gelo. serve os convivas.

Chamada ao palco. NOS seus camarins, as bailarinos preparam-se para a exibição

Trabalhos de reparação. Na oficina, um carpinteiro começa a consertar uma cama.

Planeamento antecipado. Na ponte, um navegador marca a próxima rota

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uma das teclas é pressionada na ponte, a tecla equivalente da secção de controle principal da casa das maquinas acende-se - e o maquinista sabe exactamente o que é que se lhe pede. Os motores podem também ser comandados directamente a parlir da ponte. Entre a tripulação, contam-se seis bailarinas. E todos, do capitão para baixo, são submetidos a exames médicos periódicos Quem tiver excesso de peso é enviado para terra até emagrecer. O hospital de bordo fica situado a meia nau, próximo da linha de água. onde o balanço do barco, com os seus 292 m de comprimento, mal se sente. O pessoal do hospital é constituído por dois médicos, três enfermeiras e três paramédicos, que podem tratar de tudo, desde um dente até uma operação ao apêndice, na sala de operações, perfeitamente equipada. Quando a noite começa a cair sobre Southampton, já todos os passageiros embarcaram e tudo se encontra a postos para uma nova travessia. E assim, às 8 da noite, o Queen Elizubetfi 2 sai majestosamente do porto e dirige-se para o Atlântico. Comendo e bebendo Grande actividade espera a tripulação. Os empregados-de-mesa preparam se para servir o jantar nos quatro restaurantes do navio. A ementa apresenta salmão fumado, caviar, lagosta e ostras — além de outros pratos requintados. Quando chegarem a Nova Iorque, os criados terão servido 5600 kg de vaca, 5000 kg de fnita fresca, 350 kg de lagosta, 20 kg úepàté de foie-gras — além de cerca de 4800 potes de compotas e 100 garrafas de molhos e pickles. Além disso, eles e os barrnen terão aberto 000 garrafas de vinho c 500 de champanhe, 500 de whisky, 300 de gin e 120 de brandy. Nos bares propriamente ditos, o pessoal terá aberto 6000 garrafas de cerveja e tirado 13 6501 de cerveja a copo. Usaram-se 25 000 copos, 32 000 artigos de loiça, 18 000 talheres e lavaram-se e pu seram-se nas mesas quase 3000 toalhas. Depois do jantar, os 60 animadores de bordo — músicos, croupiers. bailarinas e cantores - proporcionam aos passageiros uma escolha variada de entretenimentos. A vida nocturna prolonga-se até de madrugada - pouco antes da primeira série de pequenos-almoços, quando os criados já voltaram ao serviço e oferecem aos passa geiros o luxo do pequeno almoço na cama. Seja a que hora for e em qualquer parte do navio, há sempre trabalho para a tripulação. Desde a ponte que funciona 24 horas por dia - até à câmara escura, onde o fotógrafo revela as fotografias tiradas em acontecimentos como o cocktail do comandante, a azáfama regressa ao começar um novo dia a bordo do mais luxuoso tran satlánlico do Mundo.

Como se organiza o maior festival desportivo do Mundo
Na manhã de 6 de Setembro de 1972, Avery Brundage, presidente do Comité Olímpico Internacional, dirigiu-se a 75 000 pessoas reunidas no Estádio Olímpico de Munique. No dia anterior, de manhã cedo, oito terroristas palestinianos tinham penetrado na Aldeia Olímpica, tomando como reféns nove atletas israelitas e matando outros dois. Atiradores especiais alemães acorreram a salvar os reféns, mas os nove foram mortos no tiroteio que se seguiu e em que cinco dos terroristas também morreram. Nas 34 horas seguintes, os Jogos foram suspensos e o seu destino manteve-se in certo. Mas depois, numa cerimónia de homenagem celebrada ao ar livre c presenciada na televisão por 1000 milhões de espectadores, Avery Brundage, então com 84 anos, afirmou: "Os Jogos têm de continuar — e nós temos de prosseguir no nosso esforço de os tornar claros e honestos e tentar alargar a outras áreas o espírito desportivo dos campos de atletismo." Não fora pela determinação de Avery Brundage, os Jogos Olímpicos de 1972 poderiam ter sido suspensos e o futuro das Olimpíadas posto em questão. Cada edi ção dos Jogos Olímpicos demora seis anos a planear e organizar e já estavam em curso os preparativos para as Olimpíadas em Montreal, Canadá, em 1976. O presidente do Comité Olímpico Internacional era o irlandês Lord Killanin, que escreveria mais tarde: "O horror dos assassínios na Aldeia Olímpica de Munique alterou totalmente o conceito de segurança, que, por essa razão, foi uma das grandes prioridades nos Jogos de Montreal ..." O número de tropas armadas e polícias superou os 6189 atletas c estabeleceu o critério para os Jogos futuros como os de .Seul, Coreia do Sul, em 1988, em que, nas semanas que antecederam os Jogos, as forças de segurança e antiterroristas, com 100 000 homens, tiveram de dominar bandos de estudantes desordeiros. Em número de competidores, os Jogos de Seul foram os maiores até à data — com mais de 9400 homens e mulheres, em re presentação de 160 países, competindo em 237 provas que abrangeram 23 modali dades. Como Iodas as Olimpíadas modernas, o acontecimento foi da responsabili dade do Comité Olímpico Internacional (COI), com sede em Lausana, Suíça. O COI escolhe o lugar dos Jogos e decide quais os desportos a incluir. A escolha da cidade Unicamente cidades — e não países podem candidalar-se a organizar os Jogos, o que se destina a eliminar, tanto quanto possível, a influência dos governos. Antes de escolhida a cidade, o comité olímpico do país assegura se de que ela é capaz de providenciar todo o pessoal e instalações para o desenrolar dos Jogos. E nomeia-se uru comité organizador para planear e supervisar toda a operação — fazendo relatórios periódicos para o COI.

Paisagem olímpica. Uma zona de arrozais perto de Seul iransforruada num complexo desportivo de 55 ha para as Olimpíadas de 1988. Além do 'Estádio Olímpico (primeiro plano), havia um estúdio de basebol (atrás) e edifícios com ringues e campos (à direita).

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Apresentação das bandeiras. Na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Seul. em )98B, milhares de voluntários sul coreanos formaram as bandeiras dos 160 países representados. Enquanto se ouvia o hino de cada país, os participantes, cujos movimentos estavam sincronizados com o ritmo da música, erguiam cartões de diferentes cores para, no seu conjunto, formarem a respectiva bandeira. Organizar os Jogos Olímpicos implica inevitavelmente a melhoria, a modernização e, por vezes, a alteração do aspecto da cidade candidata. Para os Jogos de Tóquio, em 1964, foi propositadamente construído um troço de monocarril entre o Aeroporto Hareda e o Estádio Nacional, que é o maior troço de monocarril do Mundo. Auio-cstradas, túneis e quilómetros de esgotos foram rapidamente construídos — e 22 artérias principais em mau estado foram alargadas e denominadas "estradas olímpicas". Houve uma situação parecida em Seul, onde em 19 meses milhares de hectares de campos de arroz foram transformados numa minicidade de betão que incluía o Parque e a Aldeia Olímpica. Construíram•se também um novo terminal aéreo, uma estrada de acesso, a Avenida Olímpica, bem como apartamentos e casas para albergar 35 000 atletas, jornalistas - da imprensa, rádio e televisão — e funcionários. Além destes, 200 000 visitantes tiveram de ser alojados em hotéis ou apartamentos. Os empreiteiros privados aproveitaram a oportunidade para construir 178 blocos de apartamentos de luxo próximo dos dois centros olímpicos principais. Os preços de venda dos apartamentos atingiram o equivalente a perto de 25 000 contos cada um, e os novos proprietários alugaram-nos para os Jogos e só depois os foram habitar. O espaço vital era precioso nas Olimpía das de Roma, em 1960, quando a Aldeia Olímpica foi construída numa área de 30 ha perto de um meandro do Tibre. Incluía um complexo de apartamentos com 4500 quar tos destinados a alojar 8000 atletas. Contudo, muitos dos 100 000 visitantes dos Jogos de Roma - que chegavam ao Aeroporto de Fiumicino, recentemente construído, ã razão de 6000 por dia — não foram tão felizes. Tiveram de dormir em conventos, mosteiros e dormitórios de co légios ou acampar nos parques e zonas verdes da cidade. Instalou-se mesmo um parque de campismo nos jardins da uilla do imperador Adriano, tia colina do Tivoli. Mas as aldeias olímpicas são mais de que quartos de dormir e instalações de treino, pois incluem também cabeleireiros, cinemas, discotecas, lojas, estações de correios, igrejas e sapateiros — que fazem bom negócio consertando os sapatos de corrida dos atletas. 5200 calorias por dia A alimentação dos atletas constitui outra grande responsabilidade dos comités organizadores. Km Montreal, em 1976, por exemplo, um quadro de 1400 funcionários serviu, durante o período olímpico de 16 dias, um total de 1135 t de carne, peixe e legumes, o que representou uma média diária de 3,5 kg e 5200 calorias por atida — servidas numa cafeteria aberta 24 horas por dia e maior que dois campos de futebol. K nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984, urna equipa de 135 cozinheiros preparou diariamente cerca de 60 000 refeições. Os alimentos frescos eram entregues diariamente por mais de 100 fornecedores e incluíam 20 400 kg de carne todos os dias. Para os atletas judeus, prepara se comida kosher, e são muçulmanos que se encarregam das cozinhas que fornecem alimentos aos atletas de religião muçulmana. Mas o número de cozinheiros (300 nos Jogos de Tóquio, em 1964, por exemplo, recrutados nos melhores hotéis japoneses) é grandemente ultrapassado pelo número de guias-intérpretes necessários para os Jogos. Quase 1000 intérpretes, conhecedores da terminologia desportiva, acompanharam os atletas de Tóquio. Nas Olimpíadas de Seul, havia 5000 intérpretes. Entre as suas tarefas, incluía-se servi rem de tradutores para os comités olímpicos nacionais, para as centenas de diplo matas e para os mais de 1000 jornalistas. Palavam-se mais de 30 línguas, incluindo as duas línguas oficiais do COI — francês e inglês. Além dos funcionários, quase 30 000 sul-coreanos ofereceram-se para, sem qualquer remuneração, servirem de guias, arrumadores e vendedores de bilhetes. Um milhar de habitantes que falavam inglês recebia os visitantes estrangeiros no moderno Aeroporto de Seul - muitos dos quais foram hóspedes destes voluntários durante os Jogos. O clima desempenha frequentemente um papel importante. Em Los Angeles, em 1984. por exemplo, uma ou outra prova esteve ocasionalmente prestes a não poder ser realizada devido ao nevoeiro cerrado (smog); e em Helsínquia, na Finlândia, em 1952 - quando a União Soviética pela primeira vez tomou parte nos Jogos —, teve de contar-se com a ameaça do frio e da neve. Por isso, em todos os Jogos Olímpicos Lima equipa internacional de meteorologistas emite diariamente boletins - que chegam a 20 por dia. Assim, certas provas têm de mudar à pressa de horário, em ge-

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ral para evitar que sejam afectadas por temporais, aguaceiros ou granizo. Igualmente importantes são os "boletins desportivos", ou serviços computorizados de resultados, que dão a conhecer as classificações e os tempos. No Estádio de Tóquio o quadro electrónico de resultados podia mostrar até 500 caracteres luminosos simultaneamente. E o instrumento medidor dos tempos para as corridas estava ajustado ao milésimo de segundo. Contudo, por muito bem que os Jogos estejam organizados, há sempre qualquer coisa que corre mal. Montreal foi um exemplo notório. O Estádio Olímpico principal - em 1976, a maior estrutura pré fabricada do Mundo — revelou-se um problema importante. Querelas políticas e a complexidade do desenho atrasaram o início da montagem dos 11 770 elementos de betão armado do estádio. Depois, três meses de greves sindicais, de greves de zelo e de absentismo quase fizeram parar os trabalhos. Tempestades de neve e temperaturas baixíssimas - a conjugação vcnto-temperatura atingiu os 53°C negativos - contri buíram também para que o trabalho fosse frequentemente interrompido. Alguns dos 355(1 trabalhadores tiveram de lutar contra rajadas de 100 km/h, e pelo menos 12 homens perderam a vida em acidentes. Por tudo isso, ainda se colocava relva no estádio na manhã da cerimónia inaugural. Uma vez terminados os Jogos, começa a tarefa de desmontar as aldeias ou de convertê-las para outros fins proveitosos. Em Munique, por exemplo, a Aldeia Olímpica estava dividida em dois sectores, urn para homens, outro para mulheres. O sector dos homens foi vendido ou arrendado para habitação, e o das mulheres é utilizado como bloco residencial para estudantes. A montagem dos Jogos é uma tarefa altamente dispendiosa — custou 8000 milhões de dólares a dos Jogos Olímpicos de Moscovo, em 1980, e "apenas" 850 milhões a dos de Seul, oito anos depois. Muito do dinheiro provém dos governos interessados e de patrocinadores privados, de donativos de empresas locais e das contribuições dos habitantes das cidades. Direitos de televisão Mas as compensações são igualmente impressionantes. Os jogos de Seul tiveram um lucro recorde de quase 500 milhões de dólares — mais do dobro do apurado em Los Angeles em 1984. A grande parte dos ganhos de Seul proveio da venda de direi tos de televisão - só os EUA pagaram 325 milhões de dólares. Os Jogos Olímpicos da era moderna tiveram início em Atenas em 1896, quando o seu fundador, o francês barão Pierre de Coubertin, criou a máxima "Não para ganhar, mas para participar", que é citada na cerimónia de abertura de todos os Jogos. 66

Os ingredientes de um filme de Hollywood: dinheiro, poder, conhecimentos e magia
As grandes metragens de Hollywood nascem no caos da criatividade individual e vivem ou morrem ao capricho do público. Só durante a produção, quando o filme está nas mãos dos técnicos, é que existem regras definidas. O processo, no seu todo, decompõe se nas seguintes fases principais: concepção, pré-produção, produção e pós-produção. O conceito A ideia fundamental, ou conceito, de um filme provém muitas vezes de um livro, mas pode ser apenas uma ideia expressa por um título ou pouco mais. Diz o autor-realizador Steven Spielberg; "Se urna pessoa consegue iransmitir-nie uma ideia em vinte e cinco palavras ou menos, ela irá dar urn bom filme." Geralmente, o conceito é apresentado por escrito e descreve, em poucas páginas, o enredo, as personagens e o interesse da história. Certas ideias avançam com espantosa facilidade. Quando, em 1976, Dirio de Laurentiis decidiu fazer nova versão do King Kong de 1933, deu luz verde ao argumentista Lorenzo Semple Jr. em 10 minutos. Em contrapartida, o escritor W, Goldman recolheu dados para Butch Cassidy and the Sundance Kid (Dois Homens e Urn Destino) (1969) durante oito anos antes de começar a escrever o argumento. Pré-produçáo O período de pré-produçáo pode durar anos, durante os quais se discutem os contratos e se contactam os artistas e os realizadores. Seguem-se meses de correcções do argumento, de procura de exteriores, de elaboração de orçamentos, de desenho dos cenários, de ensaios e de marcações das datas dos transportes e das filmagens. A primeira coisa essencial é "o acordo". Há dezenas de anos, os grandes estúdios cinematográficos, como a Paramount, a MGM e a Twentieth Century-Fox, controlavam as ideias, a produção, os artistas e os orçamentos. Agora, concentram-se no financiamento e na distribuição, e todos os outros elementos tem de ser coordenados pelo acordo. Como investimento, um filme é um jogo. Os que dominam o acesso aos financiamentos de filmes — como os agentes e os managers — adquiriram enorme influência. Os agentes transformam-se frequentemente em produtores independentes, que são as forças por detrás de alguns acordos de Hollywood. Com os seus "elementos" - a ideia (ou, por vezes, o argumento), um ou dois actores e o realizador —, o produtor vende o conjunto a um grande estúdio para obter os fundos (à volta de 100 000 dólares) para o arranque da produção. Conseguida a viabilidade do acordo, o produtor pode pelo menos cobrir as suas despesas - das quais a criação ou a compra do argumento é uma das mais importantes. Nesta fase, os projectos podem ser aprovados, arquivados ou rejeitados pelo estúdio, caso em que voltam a ser oferecidos ao mercado. Se o estúdio aprovar o argumento, entra-se na produção. Só então o produtor que recebe grande parte dos honorários quando se inicia a rodagem começa a fazer dinheiro. O argumento-basc mantém o esqueleto do filme. Como peça literária, é pouco deu so — cerca de 135 páginas é mais ou me nos o habitual -, contendo pouco mais que 0 diálogo e instruções simples para sugerir o carácter do filme e o ambiente. As imagens apresentadas pelo argumento apenas tomam vida quando lha dá o realizador — a pessoa que escolhe os ângulos da fotografia, que dirige os actores e que dá ao filme a sua forma artística. O argumento, em geral, é grandemente modificado uma vez conhecidos o elenco, o realizador, o orçamento e os exteriores K, com frequência, vai-se alterando com as filmagens até à sua forma definitiva. Anteriormente, os artistas estavam total mente dependentes dos estúdios, que utilizavam contratos de exclusividade para os obrigar àquilo que pretendiam, inclusiva mente aditamentos ou prorrogações do contrato. Hoje em dia, as grandes estrelas detêm um enorme poder e há sempre uns 15 actores importantes que Ioda a gente pretende. Como acarretam enormes rendimentos para os filmes, são pagos em conformidade. Robert Redford, que recebeu 500 dólares pelo seu primeiro filme, Wur Hunt, em 1961, ganhou 100 000 dólares por dia em A Bridge 7òo Far (lima Ponte Longe Demais) (1977). As negociações podem durar meses, com propostas e contrapropostas na casa dos milhões. Muitas estrelas dependem da sua própria imagem e recusam-se a ser contratadas quando consideram que o papel não lhes é adequado. Robert Redford, Steve McQueen, Paul Newman, James Caan c Warren Beatty todos recusaram 4 milhões de dólares para representar o Superman (1978).

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Os exteriores de "Lord Jlm". A longa metragem Lord Jim, de 1964, foi filmado em cenários exteriores no Extremo Oriente. Vê-se aqui a estrela do filme. PeterOToole - de boné preto -, por baixo da "girafa" (para captação do som), enquanto a acção se desenrola e a câmara filma. Atrás, está um grupo de operadores de câmara e técnicos de som. e no topo do escadote, um elemento da equipa de iluminação. Os realizadores são também parte do chamado star syslem. Quando George Lucas fez American Gralfiti (Nova Geração) em 1973, o seu estúdio, a Universal, descreveu o filme como "uma desgraça" e quase decidiu não o lançar. Mas Gralfiti foi um êxito e ele aproveitou a sua nova posição para fazer um filme com a Twenlielh Century-Fox, A Guerra das Estrelas (1977). Os orçamentos das grandes metragens são uma constante fonte de fascínio, tanto para os produtores corno para o público. Náo há dois iguais. Os custos behtv lhe Une - os directamente relacionados com o ofício de fazer filmes, lais como os cenários e os técnicos — são calculados a partir do argumento. Os custos abone the Une - produlor, realizador, arlislas e escritor — são abertos a negociação. Mas ambos atingem os milhões. Um dos mais caros filmes de todos os tempos foi Cleópatra (1963), que custou 44 milhões de dólares em 1962 e perdeu dinheiro nas bilheteiras. Depois de os elementos estarem definidos c o acordo assente cm princípio, redigem-se os contratos, operação já de si épica. As negociações são tão complicadas que dariam para um livro ou um filme. Mesmo filmes relativamente simples e já definidos podem levar anos a serem concretizados. The Dogs of V/ar (Cães de Guerra), tirado do best seller de Frederick Korsyth de 1974, esteve seis anos em pré -produção. Teve dois argumentistas e dois produtores antes de John Irvin ser contratado como realizador. Um terceiro argumento serviu de base à procura dos locais para exteriores. O produtor, Larry de Waay, conseguira, em colaboração com o presidente do pais, James Mancham, que as filmagens fossem nas Seychelles. Mas Mancham foi deposto por um golpe de Estado antes de iniciados os trabalhos. De Waay decidiu-se finalmente por Belize, na América Central. As filmagens realizaram-se, e o filme foi lançado em 1980.

Produção
Um filme de longa metragem exige um pequeno exército de departamentos especializados: som, câmaras, iluminação, arte, caracterização, cabeleireiros e guarda-roupa, publicidade e argumento. Conforme os filmes, estas especializações têm a sua importância própria. O departamento de design de 2001: Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, ti-

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nha três delineadores de produção e um cenógrafo-decorador para os cenários. Encontros Imediatos do Terceiro Grau (1977) precisou de 60 projeclores de arco voltaico suspensos 24 m acima do solo. A Esfinge (1981), de Franklin Schaffner, necessitou de dezenas de morcegos vivos. A realização já foi comparada à guerra - horas de tédio interrompidas de vez em quando por momentos de puro terror. A rodagem de uma cena de batalha num filme de guerra pode custar milhões. Provavelmente, o orçamento não permitirá a repetição da cena, e o realizador pode estar obrigado por contraio a pagar as despesas que excedam o referido orçamento. Lima grande fonte de stress para o realizador é o facto de muitas das pessoas sob as suas ordens tanto poderem fazer como destruir o filme, facto esse que é especialmente verdadeiro em relação ao operador de imagem. Por exemplo, Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola, dependia cnicialmente da capacidade de Vittorio Storaro em controlar simultânea mente até 10 câmaras, O departamento de arte pode ter de resolver exigências como a de Franklin Schaffner para A Esfinge: apresentar um sarcófago egípcio com 800 a 900 peças de joalharia. O Tubarão, de 1975, exigiu um tubarão automático com 7,6 m. Os responsáveis pela escolha de exteriores têm um papel igualmente vital. Para Apocalypse Now, o Vietname foi recriado nas Filipinas; mas as dificuldades inerentes aumentaram para 31 milhões de dólares o orçamento inicial de 13 milhões. Após a rodagem, as quantidades imensas de película têm de ser cuidadosamente reveladas. A perda de uma só das centenas de bobinas pode ser fatal para o filme. Por exemplo, em Agosto de 1978, homens mascarados roubaram de um estúdio de Boston 15 bobinas, ainda não montadas, de The Brinks Job (A Grande Jogada) (1978) e pediram um resgate de 600 000 dólares (o resgate não foi pago: o filme foi montado sem aquelas bobinas e os prejuízos ascenderam a 9 milhões de dólares). Os efeitos especiais e os duplos Os efeitos especiais constituem um campo de trabalho particularmente exigente. Em 1966, em One Million Years BC (Quando o Mundo Nasceu), o técnico inglês de efeitos especiais Les Bowie criou o Mundo em seis dias por 1200 libras, fazendo lava com papa de aveia. Mas os efeitos especiais de hoje em dia requerem alta tecnologia (v. p. 406). Em 1988, uma sequência que mostrava asteróides em The Empire Strikes Back (O Império Contra-Alaca) necessitou de 40 captações, algumas delas com 28 efeitos ópticos, num total de 100 fragmentos de filme. Os duplos são importantes para os pro dulores de filmes (v. p. 414). Ser duplo é 68

urna ocupação perigosa e muito bem paga. Em liighpoint (1984), Dar Robinson recebeu 100 000 dólares para saltar da Torre CN em Toronto, de 553 m, amortecendo a queda com um "cabo de desaceleração". Em Steel (Homens de Aço) (1979), A. .1. Bakunas saltou de um edifício de 107 m para cima de uma enorme almofada de ar; a força da queda rebentou a almofada e Bakunas morreu. Uma questão particularmente controversa é a filmagem de cenas que provoquem danos em animais. Na primeira versão de Ben Hur (1925) morreram 100 cavalos. Em consequência deste e de excessos semelhantes, começou a haver um controle mais rigoroso. Pós-produçáo A montagem fase cm que se corta a película para articular os planos e as sequências - pode criar ou destruir o filme. As cenas terão sido filmadas de muitas formas diferentes para permitir uma escolha o mais ampla possível. Stanley Kubrick impressionou mais de 300 km de película para The Shining (1980), de que apenas foi utilizado cerca de 1%. O índice normal dê aproveitamento situa-se entre os 10 e os 5%. Falta ainda acrescentar um elemento fundamental: a música, que só pode ser escrita quando estiver praticamente com pleta a montagem do filme. Devido aos limites de tempo, o compositor trabalha ha bitualmente com assistentes, que lhe preenchem os esquemas musicais, escrevendo as orquestrações exigidas. A seguir à montagem, entra em acção outra grande máquina - a promoção —, que engloba a publicidade, as cópias e a distribuição. Com Alien (O 8." Passageiro) (1979), por exemplo, a Fox despendeu mais de 18 milhões de dólares nos chama dos ouerheads - 15 milhões em publicidade e 3 milhões em exemplares do filmeanúncio para apresentação em mais de 2000 cinemas. Só então o filme propriamente dito fica pronto para exibir ao público. Só então o exército de pessoas envolvidas na sua feitura sabem se produziram algo de desastroso ou pura magia. Uma das razões pelas quais as negociações são tão difíceis — e o dinheiro necessário à preparação do filme pode atingir montantes tão elevados é os estúdios serem notoriamente lentos a pagar aos artistas, aos escritores, aos produtores e aos realizadores qualquer parte dos seus lucros. Rccusam-se a declarar lucros, dizen do que os rendimentos foram para fazer face aos ouerheads. Um motivo de peso para a mentalidade dos "sem-lucros" é que os filmes não só custam muitíssimo e rendem muitíssi mo como dão muitíssimo prejuízo, e isto mais vezes do que suscitam ganhos. Na década de 80, só três em cada sete longas

metragens lograram dinheiro - o que mostra a inconstância do gosto do público. Os Salteadores da Arca Perdida (1982), um dos filmes com mais êxito de sempre, foi rejeitado por todos os grandes estúdios, com excepção da Paramount. A Columbia analisou o ET (O Extraterrestre) (1982), concluiu que não teria público e rejeitou o. Porquê? Como escreve William Gold man no seu livro Aventuras no Mundo do Cinema, "o facto mais importante de toda a indústria cinematográfica" é: NINGUÉM SABE NADA ou seja nada daquilo que o público vai querer no ano seguinte. Os cineastas não sabem realmente como se faz um filme de sucesso: sabem apenas que certos filmes tiveram êxito, e esperam que o futuro seja como o passado.

Os riscos e as compensações de pôr em cena uma comédia musical
A sala obscurece-se, o burburinho cessa e os espectadores recostam-se nas suas cadeiras. Depois, o pano sobe para uma noite de música, luz, danças e canções. Mas o que é preciso para que uma peça musical chegue a ser apresentada? Nenhuma outra forma de espectáculo exige uma tão complexa mistura de capa cidades de criação e execução Iodas as noi tes, às vezes durante anos a fio. As capacidades e a competência necessárias para lançar uma peça de teatro do princípio ao fim desde o financiamento da produção ao ensaio dos artistas - são inerentes também à peça musical, mas esta tem muito mais dificuldades que lhe são específicas. Há a música que precisa de ser composta, orquestrada e integrada no enredo. I lá a dança, que tem de ser coreografada. Há o guarda roupa e os cenários, frequentemente mais ricos que numa peça convencional. É preciso encontrar actores que saibam dançar e cantar. O próprio teatro tem de ser espaçoso e de natureza a acomodar o espectáculo — com boa acústica e lugar para a orquestra. Tudo isto faz das grandes peças musicais a forma mais dispendiosa de produção teatral. O Fantasma da Ópera, de Andrew JJoyd Webber, custou perto de 2 milhões de libras a montar em Londres, e o Ziegfeld, 3,2 milhões. Na Broadway, em Nova Iorque, o preço inicial de uma peça musical é de cerca de 7 milhões de dólares.

Para não perder dinheiro, uma grande peça musical deverá ter casas cheias durante um ano, contra cerca de três meses no caso de uma peça de teatro declamado. Mas as compensações pelo êxito podem ser fenomenais. Cats, de Lloyd Webber, deu 250 milhões de libras em três anos na década de 80. As exibições foram simultâneas em Inglaterra, na América e em mais oito países. O álbum musical vendeu-se aos milhões, e outras recordações, como T-shirts, contribuíram para os lucros. 0 fracasso pode ser igualmente espectacular, particularmente na Broadway. Car rie, da Royal Shakespeare Company, fechou ao fim de uma semana com um prejuízo de 7 milhões de dólares. Até Alan J. Lerner, cuja My Fair Lady figura entre os espectáculos musicais de maior êxito de sempre, viu o seu Dance a Little Closer sair da cena antes da terceira noite. O homem do meio 0 risco e a responsabilidade de montar uma peça musical assentam no produtor. É ele quem selecciona o espectáculo, arranja os fundos e superintende a produção. Há dois tipos de produtor - o empre sário e o director. O empresário opera com a sua organização de produção própria. Tem ampla liberdade de levar à cena aquilo que desejar, onde e quando quiser. As verdadeiras restrições são de ordem financeira. O empresário tem de ser capaz de obter os fundos necessários, e o seu projecto lerá de demonstrar boa promessa de rendimentos para que os financeiros o apoiem. O director é em geral um empregado nomeado pela administração de determinado teatro para as suas próprias produções. O teatro pode ser privado ou do Estado. Devido às grandes somas de dinheiro que implicam, as peças musicais de grande espectáculo são geralmente domínio dos empresários. Já têm também surgido formas de co-produção — tanto Cais como O Fantasma da Ópera foram apresentadas conjuntamente pelo empresário londrino Cameron Mackintosh e pelo grupo de Andrew Lloyd Webber, The Really Useful Thealre Company. A escolha do espectáculo Uma peça musical envolve três linhas de desenvolvimento separadas - a letra, o diálogo e a música. Raramente estão todas prontas quando o produtor começa a tomar decisões, porque em geral são criadas por, pelo menos, três pessoas diferentes. Para simplificar o problema, muitos espectáculos musicais vão buscar o enredo a obras existentes sob outra forma. Kiss Me Kate e West Side Story inspiraram-se em obras de Shakespeare, My Fair Lady derivou da peça teatral Pigmalião, de Beniard Shaw, por sua vez tirada de uma antiga lenda grega. Cats teve origem em poemas ligeiros de T. S.

Eliot. Olioer, Les Misérables e Man from La Mancha foram adaptados de romances de Dickens, Victor Hugo e Cervantes. Com um argumento já existente, os autores e os compositores têm em mãos um conceito que o produtor pode apreender facilmente, e sabem à partida que o enredo já provou ter interesse para o público. A génese de O Fantasma da Ópera é um exemplo de como as diversas linhas de evolução de uma peça musical acabam por juntar-se. O romance original foi escrito pelo jornalista francês Gaston Lcroux em 1911. Foi adaptado a filme três vezes. Esteve no Thealre Royal de Stratford, Londres, como peça do teatro, em 1984, com música de Verdi e Offenbach. Andrew Lloyd Webber lembrou-se de fazer uma versão para o West End. Pensou também aproveitar música já composta, mas depois decidiu escrevê-la. O projecto encontrava-se ainda em fase de concepção quando Lloyd Webber contactou Cameron Mackintosh e, assim, os produtores estiveram envolvidos no espectáculo desde o início. A equipa criativa Em qualquer produção teatral, o director é uma figura-chave: é ele o responsável pela distribuição dos papéis, pelos aspectos técnicos e artísticos da produção e pelo ensaio dos artistas e dos técnicos encarregados do som, das luzes e dos cenários. Lloyd Webber escolheu liai Prince, en tre cujos êxitos musicais se contam Um Violino no Telhado e Evita, e nomeou ce nógrafo-figurinista Maria Bjõrnson, que

trabalhara já para a English National Opera e a Royal Shakespeare Company. Para escrever as leiras das canções, nomearam um jovem desconhecido, Charles Harl, depois de ouvirem trabalhos seus num concurso. E o diálogo, ou libreto, era de Lloyd Webber e Richard Slilgoe - que também escreveu letras para as canções. A atribuição dos papéis Nas produções importantes, os papéis principais são atribuídos com um ano ou mais de antecedência. Os actores principais permanecem geralmente num papel entre seis meses e um ano. Mas igualmente importante é a existência de um compromisso por parte de um grande intérprete, pois torna-se assim mais fácil obter os fundos indispensáveis para iniciar a produ ção. Por esta razão, o produtor lem voz decisiva sobre quem desempenha os papéis principais, embora aceite a opinião do director. Christine, o principal papel feminino de O Fantasma da Ópera, foi escrito por Lloyd Webber para a soprano Sarah Brightman, que era então sua mulher e que não era ainda uma estrela de primeira grandeza. No entanto, depois de ouvidas outras artistas, o papel foi lho entregue. O actor principal, Michael Crawford, era um nome muito conhecido em Inglaterra, Maqueta. As maquetas de Maria Bjõrnson para O Fantasma incluíam um dos seus efeitos mais dramáticos - o assassínio de um trabalhador dos bastidores, cujo corpo aparece subitamente pendurado sobre o palco.

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Ao encontro do Feiticeiro. 0 Espantalho, o Leão, o Homem de Lala e Dorothy ensaiam uma cena de 0 Feiticeiro cie Oz. No ensaio geral (em baixo), mar cham pelo caminho de ladrilhos amarelos ao encontro do Feiticeiro.

com enorme êxito na comédia musical Barnum. que permaneceu muito tempo em cena no West End. A angariação de fundos Enquanto o director reúne Iodas as componentes de uma produção, o produtor dá os toques finais nas questões financeiras. 0 seu orçamento discrimina todos os custos principais. Algumas despesas são fixadas desde o princípio — por exemplo, os cenários e o guarda-roupa, que serão necessários por todo o tempo que durar a exibição. Outras, como o ancndamenlo do leatro e os salários aos elementos de segunda linha da empresa, são apenas parcialmente fixadas - deixarão de constituir custos quando o espectáculo encerrar. Algumas despesas estão ligadas aos rendimentos da produção como percentagens fixas. O actor ou actriz principal podem receber um honorário básico durante os ensaios, mais talvez uns 20% do rendimento da bilheteira até o espectáculo pagar o investimento e 12,5% depois disso. Outros elementos-chave, como o cenógrafo e o director musical, trabalham com percentagens menores — cerca de 2%. O mesmo acontece com os libretistas e o compositor. Quanto menos fundos o produtor necessitar de obter de fontes exteriores, tanto mais lucros pode arrecadar. Mas poucos empresários desejam tomar os riscos exclusivamente sobre os próprios ombros, fazendo-o em percentagens que vão dos 10 aos 70%, seja em dinheiro, seja em garantias pessoais aos financiadores. As fontes habituais para o restante da 70

ber e o autor de letras Tim Rice — que trabalharam juntos cm Jesus Cristo, Supersíar c Eoita - foram pioneiros das técnicas de editarem discos singles, álbuns e vídeos antes da estreia da peça - o que lhes pennitiu despertarem a atenção do público, analisarem a sua reacção e angariarem fundos. Uma das prioridades do produtor será reservar um teatro e marcar a noite da estreia. Conforme a natureza do espectáculo, a estreia oficial pode ser daí a um ano ou mais. Alguns produtores fazem uma experiência na província antes de trazerem a peça para um centro importante — para verificarem e corrigirem eventuais falhas antes da estreia de gala. Outros fazem ante-estreias perante convidados. Em qualquer dos casos, todas estas datas têm de estar previstas no calendário da produção. As pessoas ligadas à produção dividem-se em dois grupos. O produtor e os seus associados concentrai n-se nas questões económicas, incluindo a publicidade e os anúncios. Muito do seu esforço dirige-se às vendas adiantadas de bilhetes. O Fantasma da opero, por exemplo, abriu em Nova Iorque com uma bilheteira previamente garantida de 19 milhões de dólares — o que lhe assegurava um êxito financeiro. Todos os outros aspectos da produção ficam sob o controle do director. Primeiro, terá de asCoordenadora da produção. Durante a representasegurar-se de que o texto do arção de O Fantasma da Opera, a directora de cena-adjun ta, Anni Partridge, coordena no seu painel electrónico as gumento se encontra próximo da sua forma definitiva. Por luzes, o som, os panos e os efeitos especiais.

cobertura são empresas ou particulares, que investem num espectáculo como po cliam investir em títulos na Bolsa. Muitos produtores têm listas de empresas e indivíduos — conhecidos por "anjos" — que são potenciais investidores. Os "anjos" não começam a ser reembolsados antes de estarem pagas as despesas iniciais. Os produtores têm outras formas de obter fundos — por exemplo, interessando uma editora discográfica nos direitos dos álbuns da peça e autorizando o comércio de artigos com ela relacionados. Andrew Lloyd Web-

vezes, fazem-se alterações até à noite da estreia ou mesmo depois dela. A música é da responsabilidade do director musical, que pode montá-la com a ajuda do compositor, supervisar os arranjos para orquestra e prepará-la para o espectáculo. Simultaneamente, o cenógrafo e o figurinista trabalham nos cenários e no guarda-roupa. Os cenários poderão começar como maquetas pormenorizadas ou como desenhos e têm de ser aprovados nas várias fases pelo produtor e pelo director. Com o cenógrafo podem trabalhar alguns especialistas — para criarem a iluminação ou estudarem uma caracterização especial, por exemplo. Um mestre carpinteiro e os seus assistentes trabalharão finalmente com o cenógrafo na montagem dos cenários. A chefe do guarda-roupa orienta a preparação dos trajes. E um outro técnico tem a seu cargo a obtenção de artigos, tais como as mobílias de cena. Entretanto, o director começa os seus trabalhos com o elenco. Tem de assegurar-se de que tem substitutos para os primeiros papéis, bem como para os secundários, caso surja alguma emergência. 0 ensaio dos actores Os actores começam a familiarizar-se com os textos do argumento. Antes de começarem propriamente os ensaios, o director, por vezes, organiza leituras com toda a companhia, indicando a cada um como pretende ver desempenhado o respectivo papel. Kstas leituras podem fazer-se em qualquer local, mas na fase seguinte, em que os actores se movimentam segundo as instruções de cena, é necessária uma sala de ensaios ou um palco. Como em geral não há cenários, as posições destes são indicadas no chão com fitas de cores diversas. Os primeiros ensaios decorrem tanto com todo o conjunto da companhia como com alguns actores isolados ou grupos que precisem de instruções especiais para os seus papéis. O director musical orienta os cantores e os músicos; o coreógrafo, ou mestre de dança, os bailarinos. Gradualmente, os diversos elementos váo-se conjugando e torna-se essencial passar ao palco onde irá decorrer a representação. Enquanto se montam os cenários, os trabalhadores do palco vão adquirindo prática na mudança das cenas. Ensaiam-se as luzes e os efeitos. As canções, as danças e outras passagens especiais váo-se integrando nos ensaios. A fase final — talvez uma semana antes da primeira representação em público — ê o chamado ensaio geral. Os actores estão vestidos e caracterizados, os cenários nos seus lugares e a iluminação pronta a fundo nar. A orquestra está completa. Resta apenas fazer pequeníssimas alterações antes de o teatro abrir as suas portas e o público e os críticos dizerem de sua justiça.

A perigosa tarefa de uma equipa de socorristas de montanha
Aguilhoados por chuvas geladas, chicoteados por ventos fortíssimos e com pedaços de neve caindo-lhes em cima de minuto a minuto, dois jovens montanhistas, Philip pe Berclaz e Philippe Héritier, tinham passado quatro dias encurralados numa minúscula plataforma rochosa a mais de 3000 m de altitude nos Alpes Suíços. Os dois Philippes treinavam-se para guias profissionais de montanha e tinham partido, em Agosto de 1975, à escalada da vertente nordeste, quase vertical, do Piz Badile, montanha que se ergue a 3300 m, como uma lâmina gigante, na fronteira da Suíça com a Itália. Os montanhistas tinham chegado a 150 m do cume quando o céu se cobriu de nuvens e eles se viram no moio de uma tempestade de neve. Impossibilitados de prosseguir até ao cume ou de voltar para baixo, desceram 40 m pelo cabo até a uma estreita plataforma rochosa sobre um precipício de 670 m a pique. Prenderam-se à face do granito com cordas e pitões e passaram assim os dois primeiros dias sob um frio agonizante. De tempos a tempos, gritavam por socorro, mas o vento desviava os seus gritos. Na tarde do terceiro dia, o temporal amainou, e os grilos e assobios desesperados foram ouvidos no vale de Bergell. A notícia da sua situação foi dada aos Serviços de Socorros Aéreos em Zurique, que se ocupa de salvamentos na montanha. Caía já a noite e o nevoeiro escondera o Piz Badile. Nessa noite, seria impos-

Salvamento por maca. Uma equipa de salvamento no Bcn Neois - o mais alto pico da Grã-Bretanha — salua um montanhista ferido, descendo o de maca. sível qualquer tentativa de salvamento. Na madrugada do dia seguinte, a briga da de socorros aéreos entrou em acção: telefonaram a Beal Perren, chefe da Air Zermatt, um serviço comercial de helicópteros, e contrataram-no para tratar do salvamento. Dentro de minutos, ele e o seu piloto, o alemão Siegfried Stangier, voavam os 160 km até Piz Badile num potente helicóptero Lama equipado com um guincho. Chegaram à montanha em uma hora e viram os dois montanhistas em apuros, agarrando se como moscas à parede branca da vertente nordeste. Fortes rajadas de vento ameaçavam lançar o helicóptero de encontro à montanha. Siegfried Stangier não conseguiu chegar tão perto dos dois homens quanto pretendia. Por isso, largou um cabo com 45 m até à plataforma. Na extremidade daquele ia urn saco contendo um walkie-talkie, vestuário quente, termos com chá, carne seca e rebuçados com vitaminas e os montanhistas em breve se encontravam em contacto via rádio com os socorristas. Mas nuvens e ventos atrasaram os trabalhos de salvamento até às 6 da tarde, quando as condições melhoraram subitamente. Só podia ser içado um homem de cada vez, e combinou-se que seria Philippe Berclaz o primeiro. Cuidadosamente, Stangier manobrou o helicóptero até as pás do rotor ficarem

a 7,5 m da face do penhasco. Berclaz des
prendeu-se da parede e agarrou-se com força à volta da cintura de I léritier, que ainda estava seguro à parede de

montanha utiliSalvamento de avalanchas. Socorristas de na neoe. zum sondas paru hn alizar vítimas soterradas

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Salvamento tom cães. Cães treinados, como os pastoresalemães, podem ser descidos de um helicóptero paru localizarem pessoas perdidas na neve. granito. Héritier agarrou o cabo com os dedos dormentes e enregelados e engatou o fecho no cinto de segurança do amigo. De repente, Berclaz foi levantado ao ar. arrastando o amigo para fora da platafor ma. Desamparado, Héritier ficou balouçando, suspenso do cabo e do pitão. Mas depois, chamando a si as últimas réstias de força e determinação, conseguiu içar se novamente para a plataforma. Entretanto, Berclaz foi conduzido a um abrigo de pedras no planalto por sobre a aldeia de Bondo, onde auxiliares o guiaram até ao solo. Mais tarde, Héritier, lutando contra o vento gelado, conseguiu amarrar-se ao cabo de socorro à quarta tentativa, e, em breve, balouçava a caminho da salvação Os meios terrestres Os helicópteros têm demonstrado ser o método mais eficaz para localizar as vítimas dos acidentes de montanha e de as transportar — e aos seus salvadores - até lugar seguro A capacidade de manobra e a velocidade do helicóptero são essenciais no transporte dos feridos graves para o hospital. Mas não são a solução perfeita. São caros e não conseguem operar com ventos muito fortes, neves abundantes e nuvens densas — além de que o ruído dos rotores pode desencadear avalanchas. São mais apropriados para salvamentos alpinos arriscados, e não para missões prolongadas e distantes, em que o reabastecimento de combustível pode ser um problema. Por isso se empregam ainda os meios terrestres tradicionais no salvamento de pessoas presas nas montanhas ou soterradas por avalanchas,
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No Monte Branco, por exemplo, equi pas de socorro terrestre participam em mais de 400 salvamentos por ano. O Monte Branco, o pico mais alto da Europa Ocidental, cleva-se a quase 4800 m nas fronteiras da França e da Itália. Atrai anualmente mais de 1 milhão de visitantes, muitos dos quais querem trepar até ao cume. Em 1987, morreram nele 44 pessoas e quase 300 ficaram feridas. Quase todas as regiões montanhosas têm o seu serviço de socorros, mas as es tâncias mais visitadas — os Alpes, as Terras Altas da Escócia, as Montanhas Rochosas, na América do Norte possuem equipas profissionais altamente treinadas, com sofisticadas redes de coordenação de operações. As organizações de socorros de montanha trabalham em conjunto com as forças amuadas, a polícia local, a Cruz Vermelha e outros serviços médicos e com diversos especialistas de salvamentos, como a Guarda Costeira e as brigadas de cães. Uma equipa de socorros de montanha é constituída por um chefe de equipa, ou controlador, que dirige as operações de uma base fora da montanha; por um chefe de brigada, que dirige a equipa durante as buscas e os socorros, e por tantos elementos quantos os necessários, conforme a or dem de grandeza do acidente. Os elementos da equipa são quase sem pre peritos montanhistas da zona conhecedores do terreno e das condições clima téricas locais. São treinados para trabalhar na neve. no gelo, nas rochas e nas piores condições de tempo. Recebem instrução de primeiros socorros, embora as equipas maiores incluam médicos ou enfermeiros. As comunicações processam-se pela rádio ou por telefones portáteis. Conforme o terreno e o tempo, a equipa pode subir a pé OU com raquetas ou esquis: pode deslocar-se a cavalo ou em veículos motorizados: pode usar trenós ou trenós motorizados, ou ser transportada

150 m do cume do Glyder Favvr. pico com 1000 m de altitude. As 9 e meia dessa noite, o grupo não regressara ainda, pelo que foi dado como desaparecido. "Uma boa botija de água quente" Duas brigadas locais de socorros de montanha partiram para Glyder Fawr, bem como Philip Benbow, membro da SARDA (Search and Rescue Dog Association Associação de Buscas e Socorros com Cães). Com .lei, o seu iabrador preto, Benbow lançou-se através da escuridão gela da. De repente, Jet disparou por uma en costa íngreme, seguido pelo dono — que era guiado por uma luzinha verde na capa do cão, il O Jet já ia muito ã minha frente quando percebi pelo seu ladrar que tinha encon trado o grupo", disse Benbow mais tarde "A mais gelada era a jovem, pelo que a meti com Jet num saco cama para a aquecer. Os cães têm uma temperatura do corpo superior à do homem, pelo que são uma boa 'botija'.» Benbow contactou pelo seu rádio a equipa de socorros de montanha, e em breve os seus elementos chegavam com sacos próprios para aquecer os monta nhistas enregelados. Chegou o dia, e com ele um helicóptero da RAF que içou para bordo o grupo — incluindo Benbow e Jet -, levando o para lugar seguro. Salvamento por cordas. Um monianhis la nos Alpes SUÍÇOS desce por uma corda para chegar a uma vitima encurralada numa fenda do gelo.

de helicóptero. As equipas de salvamento empregam
habitualmente cães treinados para localizar as vítimas que se perderam c para ajudar a libertar as que se encontram soterra das por avalanchas. Um cão, com o seu olfacto apuradíssimo, consegue fazer bus cas numa determinada área no mesmo tempo que 20 homens levariam a íazê lo. Os cães — em geral, pastores-alemães, labradores e collies são ensinai los ri pro curar qualquer pessoa perdida na área em questão (os são-bemardos. tradicionalmente associados aos salvamentos aipi nos, são considerados demasiado volumosos para trabalhar em terreno difícil). Em Março de 1985. um grupo de marinheiros ingleses, incluindo uma jovem do Wbmen's Royal Navy Service, fazia monta nhismo no Pais de Gales quando ficou encurralado numa plataforma escorregadia a

Técnicas de logro e detecção
Na guerra como na paz, fazem-se esforços incessantes para se obter vantagem por meio do logro e se descobrir a verdade escondida sob as aparências.
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Fotografias que mentem, p. 82.

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Como «e escrevem cartas com tinta Invisível, p. 81

Como funciona a camuflagem, p. 76

O avião militar "invisível" ao radar
Nos finais dos anos 50, por ordem da Central Intelligence Agency, dos Estados Unidos, os "aviões-espiões" Lockheed U2 começaram a sobrevoar a União Soviética para obterem informações fotográficas. Os U2 voavam a Bombardeiro "Stealth". Tinia absorvente do sinal de radar aplicada TtO bordo de ataque do bombardeiro americano de grande altitude B-2 Stealth permite torna lo praticamente invisível ao radar inimigo. As suas asas em leque não reflectem praticamente os sinais de radar. 24 000 m de altitude para se manterem fora do alcance da artilharia antiaérea, mas des cobriu-se que o radar não os detectava Estes aviões extraordinários, construídos de plástico e contraplacado, pouco mais eraiTi do que planadores equipados com motores a jacto. A descolagem, largavam as pequenas rodas estabilizadoras que se projectavam das extremidades das asas - e aterravam com o trem principal de rodas retrácteis que tinham a meio da fuselagem. Só cm Maio de 1960, depois de mais de quatro anos de sobrevoos, é que os Russos

abateram um U2, com o auxílio de um novo equipamento de radar pertencente aos mísseis terra-ar SA-2. E, mesmo assim, o U2 não foi directamente atingido: urn míssil explodiu suficientemente perto para o lançar num mergulho descontrolado, e o pilo to, Gaiy Powers, teve de ejectar-se. O êxito dos U2 levou a um programa de investigação altamente secreto nas EUA - o Stealth — para a criação de um avião militar indetectável pelo radar. O U2 levou tanto tempo a ser detectado por ser construído com materiais não-mela licos que absorvem os sinas de radar, cm vez de os reflectirem para as estações de radar em terra, como normalmente acontece. O programa Stealth tinha como objecti vo a criação de aviões militares incor-

porando, entre outras vantagens, um mínimo <le metais e um revestimento exterior em placas altamente absorventes. Os aviões seriam quase invisíveis pelo radar, tornando obsoleta a maioria dos sistemas antiaéreos controlados por radar.

Alvos-chave
Desenvolvido no maior segredo, o bombardeiro B-2 Slealth, de alta tecnologia, foi revelado a convidados e jornalistas na fábrica de montagem da empresa Northrop, em Palmdale, Califórnia, em Novembro de 1988. A assistência foi mantida a distância deste avião, criado para penetrar nas defesas de radar inimigas sem ser detectado, largando depois até 16 bombas nucleares sobre alvos •chave.

Para ajudar a conseguir a invisibilidade no radar, o bordo de ataque do avião era revestido com uma tinta absorvente dos sinais emitidos pelo radar. Uma tecnologia semelhante c utilizada debaixo de água para evitar a detecção por sonar. Os submarinos modernos são cobertos com uma espessa camada de uma resina altamente secreta, que absorve eficazmente os sons e apenas reflecte uma parte ínfima da energia transmitida pelos detectores de sonar.

criar uma confusão nos écrans tios radares. No entanto, os sistemas de defesa ao nível do .solo mais recentes e sofisticados conseguem distinguir entre essa confusão de ecos e os aviões inimigos. Além disso, essa coníu são pode ser parcialmente evitada pelo emprego de sistemas de radar montados em aviões e que detectam outros voando abai xo deles.

"Blackbird". A
forma do avião es pião americano SR71, utilizado nos anos 60, foi de pois aproveitada e melhora da no Slealth

A "confusão" no radar
Outra técnica usada pelos aviões para evitarem ser detectados pelo radar é voarem a altitudes muito baixas, onde existe uma grande quantidade de ecos de radar emiti dos por edifícios e outros objectos que vão

Camuflagem: como se esconde um navio de guerra?
Durante a Guerra de Independência Ame rieana, nos finais do século xvm, alguns regimentos ingleses começaram a usar casacos de pele de gamo em vez das tradicionais casacas vermelhas. Tinham descober to que o vermelho constituía um bom alvo

para os atiradores americanos, ao passo
que o pardo da pele de gamo não era facilmente visível. 0 emprego deste género de camufla gem foi aperfeiçoado durante a Guerra do Afeganistão (1880). Adoptou se o uso generalizado de uma cor conhecida por caqui (que significa pó na língua urduj, a fim de tornar os movimentos de tropas menos visíveis para os nativos. Os veteranos das lutas na índia - que, utilizando chá, tinham tingido de castanho os seus capacetes brancos sabiam que o não ser visto era uni faclor-chave para a sobrevivência. Quando, em 1914, rebentou a I Guerra Mundial, as cores neutras como o caqui e o cinzento tomaram-se as cores habituais dos fardamentos, permitindo aos solda dos de ambos os lados confundirem-se com o ambiente de combate. Mesmo as sim, o emprego de aviões de reconhecimento deixou as tropas no solo perigosa mente expostas. Por isso se introduziram pouco a pouco as redes de camuflagem e a pintura de riscas nos equipamentos. Durante urnas manobras militares na Salisbury Plain, o comandante de uma divisão do exército inglês - um sobrevivente da Guerra dos Bóeres — disse aos seus homens para atarem ramos com folhas aos capacetes, disfarçarem os veículos com redes pardacentas e aproveitarem a Ilusão no deserto. Pintado para se confundir com o terreno e não ser visto do alto, um

Operação encandeamento. As riscas traçadas no casco deste torpedeiro americano duo a ilusão de o barco ter várias proas. Foram pintadas durante a II Guerra Mundial para enganar o inimigo quanto ao verdadeiro rumo do navio. cobertura vegetal para se escimentos a um ponto de conconderem da aviação centração de blinda F.ste artifício teve dos. A linha possuía tanto êxito que a inclusivamente um divisão se tor comboio falso, nou indistinta completo com da paisagem furgões e vaque a rodeagões de carga va A ideia de e uma loco uma unidade motiva coninteira se povincente, com der "diluir" na um velho fogão p a i s a g e m foi de campanha fuc o n s i d e r a d a de megando por uma tanto interesse pelos lamine de cartão. comandos militares Este logro desviava a que a camuflagem atenção do posto de passou a ser gradualabastecimentos verdamente aceite como uma deiro, utilizado para arma importante nos arapoiar a ofensiva do geneDisfarce natural. O tigre é quasenais modernos. ral Auchinleck contra Tb se invisível para a sua presa bruk em Novembro de Durante a 11 Guerra quando as suas riscas se confun1911. As suas forças mais Mundial, a camuflagem dem com O capim fulvo e alto. É importantes e os respecti foi largamente emprega uma lição sobre a arte da camu vos depostos de combus da como técnica de disfarttagem. tive! estavam tão liem esce. Corno na I Guerra condidos que o inimigo nunca os encontrou. Mundial, as instalações vulneráveis, como A camuflagem é também utilizada para depósitos de combustíveis e paióis de munitornar menos visíveis aviões c navios. ções, eram cobertas com redes para que, pelo menos do ar, se confundissem com o Quando a parte inferior de um bombarambiente. Mais afastadas, colocavam se delideiro é pintada de azul-claro, confunde-se beradamente negaças para atraírem o fogo com o céu durante o dia; se pintada de inimigo. Zonas de água como os canais, utili preto, confunde-se com o céu durante a zados pelos navegadores dos bombardeiras noite. Alguns aviões são pintados por cima como pontos de referência durante a noite, para se confundirem com o solo quando eram regadas com pó de carvão para evitar vistos do alto. Da mesma forma, o perfil que brilhassem ao luar. Durante a campanha beiíi conhecido de um barco de guerra do Norte de África de 1940-1943, construiupode ser distorcido com pinturas hábeis -se uma linha de caminho de ferro fictícia que lhe reduzem a silhueta e lhe dão até para dar a ideia de um novo ramal de abaste um aspecto menos ameaçador, talvez o de

Messerschmitt Rf 109E alemão faz um voo
rasante sobre o deserto da Líbia em 1941.

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Atirador camuflado. Coberto por folhagem artificial, um atirador do Carpo de Fuzileiros Americano rasteja pelo mulo ulé uo seu alvo. escapando se depois sem ser tíiStO. Na Escola de Atiradores, os irtstruendos são ensinados a confundirem-se com o fundo ambiente por forma semelhante à de muitos animais um cargueiro inofensivo. Uma onda de proa pintada no casco de um navio de guerra pode enganar o comandante do um submarino quanto à velocidade do seu alvo, e uma linha de água falsa pode fazer errar o cálculo da distância. As técnicas de camuflagem têm igual mente sido utilizadas para confundir o reconhecimento aéreo. Duranle a campa nha das Malvinas, em l!>82. os comandos britânicos foram avisados de que as forças argentinas sitiadas não podiam ser reabastecidas porque o único aeroporlo de Por! Stanley fora danificado pelas bombas da RAF. As fotografias de reconhecimento mostravam o que parecia ser uma funda cratera atravessando a pista principal. Na realidade, todos os dias até à rendição aterraram ali, a coberto da noite, aviões argentinos carregados. Só mais tarde se descobriu que todas as manhãs um grupo de recrutas, equipados apenas com pás e carros de mão, deixava na pista um monte de terra circular. Visto do ar, osso monto do torra pare cia a cratera do uma bomba.

«Scramblers» de voz: o envio de palavras ininteligíveis através de uma linha de telefones públicos
Quando um funcionário governamental pretende fazer um telefonema confidencial para, por exemplo, uma embaixada no estrangeiro, serve-se de um scrambler de voz. Ao percorrer a linha entre os dois telefones, a conversa não passa de um ruí do ininteligível para alguém que efective uma escuta. Na sua maioria, os scramblers são dispositivos electrónicos de cifra que misturam e invertem as frequências da voz humana, tornando-a ininteligível. Outros escon dom a voz no meio de um fundo de ruído contínuo. Km tempos, os scramblers apenas eram fornecidos aos altos comandos militares que tinham de trocar informações melindrosas através de linhas telefónicas que poderiam estar sob escuta inimiga. Actualmente, mais fáceis do obter, são frequente mente utilizadas por empresários internacionais desejosos de proteger de concorrentes sem escrúpulos os seus segredos comerciais. A tecnologia moderna reduziu as dimensões desses aparelhos às de uma caixa de fósforos. Dispositivo duplo Os scramblers são constituídos por duas unidades, um emissor e um receptor. O primeiro converte a voz do quem fala numa versão incompreensível e envia a através 77

de uma linha telefónica normal. O receptor inverte o processo para que a fala seja inteligível na outra extremidade do fio. Os aparelhos de escuta colocados na linha captam um ruído distorcido que mal se reconhece como fala humana. A maior parte dos scramblers funciona cortando o espectro da voz em cinco ban-

das de frequência, que depois são misturadas por meio de um complicado processo electrónico que as desloca e inverte. Ern teoria, existem cerca de 3840 combinações possíveis, mas os misturadores normais utilizam 512 permutações. Os scramblers de voz não são de uma segurança absoluta no caso de técnicos de

escutas competentes, pois as conversas podem acabar por ser descodificadas. Mas o método é demasiado moroso, exigindo o emprego de processadores de dados especialmente programados e de operadores extremamente bem preparados, pelo que os misturadores proporcionam real mente uma protecção de curto prazo.

Como se transmitem segredos por códigos e cifras
Na véspera do ataque japonês a Pearl Harbor, em Dezembro de 1941, uma previsão meteorológica aparentemente inocente, "Quadrante leste chuvoso, quadrante norte nublado, quadrante oeste limpo", avisou os diplomatas japoneses em todo o Mundo de que a guerra estava iminente. Esta mensagem era uma das mais simples formas de código — uma mensagem preestabelecida com um significado especial para aqueles que a recebessem. Mensagens semelhantes foram transmiti das pela BBC para a Resistência Francesa durante a II Guerra Mundial. Os primeiros versos de um poema de Paul Verlaine ("Os longos soluços dos violinos do Outono") in formaram a Resistência de que os desembarques do Dia D iriam começar. Códigos mais complexos substituem palavras ou frases por outras palavras ou frases. Ou podem utilizar-se grupos de le trás desconexas para criar todo um dicionário de palavras e frases. Longos relato rios militares podem ser transmitidos em grupos de cinco letras - apenas inteligíveis para aqueles que possam verificá-los no livro de código adequado. No entanto, se um livro de código cai nas mãos do inimigo, informações vitais podem ser interceptadas sem conhecimento daquele que as emitiu. Na I Guerra Mundial, o livro de código naval alemão foi recuperado do cruzador ligeiro Magdeburg, que fora afundado. Em consequência disto, muitas das instruções mais melindrosas da Esquadra Alemã de Alto Mar foram lidas pelos Ingleses. Mesmo deixjis de o Almirantado Alemão ter descoberto a sua perda, demorou semanas até dotar cada navio germânico com um novo código. Um outro método de se transmitirem informações secretas é por meio de cifras. Uma cifra substitui as letras do alfabeto por outras letras, números ou símbolos. O alfabeto Morse é, na realidade, uma cifra que traduz as letras por combinações de sinais breves e longos que podem ser transmitidas por "bips" de rádio, por telégrafo ou por lâmpadas de sinais. A letra E, por exemplo, é um único ponto, enquanto o Q é representado por traço traço-ponto-traço ( ). Outra forma de cifra utiliza uma grelha denominada chave. A mensagem "Tropas inimigas embarcam no sábado" pode ser 78 Bloco para uma só vez. Os espiões usam minúsculos blocos de cifras para descodificar as mensagens secretas dos seus chefes. As instruções em código transmitidas pela rádio referem se a gnjfx>s de números de cinco algarismos de uma página determinada do bloco. Uma vez recebida e descodificada a mensagem, o recebedor e o emissário rasgam a página correspondente dos respectivos blocos. escrita numa grelha de, por exemplo, seis colunas, escrevendo-a alternadamente cia es

querda para a direita e
da direita para a esquerda. As letras voltam depois a ser escritas em grupos de cinco, seguindo um percurso em diagonal ao longo da grelha:

T G A O S

R I S N Á

O P A S M I N I E M B A M A C R B A D O

T G A O S

R i S N Á

O P A S M I N 1 E M B A M A C R B A D O

Assim, o criptograma a transmitir será: SA1AN POIBR OCMMR TIEAD AMSGA NBAOS. A pessoa que o recebe utiliza uma chave semelhante para o decifrar. Um ponto fraco deste sistema é o facto de a frequência das letras e das combinações de letras ser a mesma que na linguagem normal. O A, por exemplo, c a letra mais usada na língua portuguesa. Por isso, alguém que queira quebrar a cifra pode partir do princípio de que a letra que ocorre mais frequentemente representa um A, e assim sucessivamente. Por isso, têm sido criadas pelos matemáticos cifras imensamente compli-

cadas, utilizando letras e números. Durante a II Guerra Mundial, o Governo Alemão utilizou uma máquina de cifra denominada Enigma. Por muitas vezes que fosse marcada determinada letra, a letra que lhe correspondia na cifra nunca era repetida. Todos os dias era estabelecida uma grelha diferente, segundo um calendário conhecido apenas dos Alemães. Mas uma equipa de matemáticos e linguistas ingleses acabou por deslindar as cifras da Enigma em 1940. O seu trabalho desempenhou um papel importante na vitória ao fornecer ao Quartel General Aliado informações sempre actualizadas sobre os planos alemães para a campanha do Norte de África e a guerra aérea. Com o advento dos computadores, os códigos têm se tomado muito mais complicados e difíceis de decifrar. Os seus programas complexos utilizam milhares de cálculos, e sem se conhecer a sequência das respectivas instruções levariam milha res de anos a descodificar.

O mundo subterrâneo das "toupeiras"
Em Novembro de 1979, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, anunciou à Câmara dos Comuns que um dos homens mais respeitados no mundo da arte inglês, Sir Anlhony Blunt, conservador dos quadros da rainha, linha trabalhado como espião a favor dos Russos. Blunt tomara se comunista nos anos 30 e trabalhara para os Serviços de Segurança Britânicos (MIS) durante a II Guerra, transmitindo segredos a Moscovo, Em 1951, ajudara dois outros espiões ingleses, Guy Burgess e Donald Maclean, a fugirem para a Rússia quando se tornaram suspeitos. Blunt era um exemplo do tipo de espião conhecido por "toupeira" — agentes pre parados para esperarem anos, construindo a sua cobertura, até conseguirem acesso a informações vitais. Contrariamente ao espião mais conven cional, recrutado pelo seu próprio país para desempenhar determinada missão no estrangeiro, a toupeira é habitualmente alguém que, por motivos ideológicos, decidiu trabalhar para uma causa alheia, Tomada essa decisão, consegue infiltrar-.se numa posição em que produz os maiores estragos - e durante todo esse tempo age como se se tratasse de um patriota. Algumas toupeiras são recrutadas por especialistas dos serviços de informação. Outras "recrutam-se" a si próprias, oferecendo os seus préstimos. 0 caso mais famoso desde a II Guerra Mundial é talvez o dos quatro espiões ingleses Blunt, Burgess, Maclean e Kim Philby, que decidiram, quando frequentavam ainda a Universidade de Cambridge nos anos 30, trabalhar secretamente para a União Soviética. Começaram por ser recomendados por "caçadores de talentos", que passaram cada um deles a um especialista dos Servi ços Secretos Soviéticos, o qual lhes ensinou os rudimentos da espionagem e lhes recomendou que desistissem da sua filiação em grupos políticos radicais: tinham de tornar-se tanto quanto possível agradáveis aos olhos das organizações oficiais. Cada um deles cultivou deliberadamen te amizades com pessoas em posições de influência que, em sua opinião, pudessem ajuda los a encontrar um emprego útil. Burgess e Maclean conseguiram ser admitidos no Ministério dos Estrangeiros,
Falsa i m a g e m . Anlhony filnnl COflSer-

Philby nos Serviços Secretos (MHi) e Blunt no Serviço de Contra-Espionagem (MI5). Uma vez instalados nas organizações que escolheram, os quatro homens progrediram até aos mais sensíveis níveis governamentais, ganhando acesso as informações mais secretas. Maclean, Burgess c Philby fugiram para Moscovo, onde acabaram por morrer. Blunt fez uma confissão completa aos Serviços de Segurança Ingleses e não foi pro cessado. Morreu em 1983. Uma toupeira que espiou contra o seu próprio país, unicamente por dinheiro, foi Heinz Felfe, antigo oficial das SS alemãs, que atingiu uma posição de relevo na Agência Federal de Informação da Alemanha Ocidental durante os anos 50. Família de e s p i õ e s . Du rante 17 anos, John Walker (d(j barba), antigo ofi ciai da Marinha America na. espiou para os Russos. Em 1986, foi condena do a prisão perpétua por dirigir uma associação familiar de espionagem.

Em 1951, quando procurava emprego, aceitou trabalhar para os Serviços Secretos Soviéticos (posteriormente. KGB) por um salário de 1500 marcos mensais. Simultaneamente, foi admitido na Agência federal de Informação. Durante a década seguinte trabalhou como agente duplo, fornecendo aos Alemães "desinformação-' sobre o KGB e, em troca, dando a este informações acerca da rede de espionagem alemã para lá da Cortina de Ferro Finalmente, tornou se suspeito quando comprou uma casa demasiado cara para quem vivia de um único salário. Quando foi preso, em 1961, descobriu-se que as suas actividades tinham custado aos Alemães Ocidentais 94 contactos para lá da Cortina de Ferro, incluindo 46 agentes em actividade. Km 1963, Felfe foi condenado a 14 anos de prisão. O u t r o espião q u e operou nos EUA ate meados dos anos 80 foi John Walker, antigo of ciai da Marinha. Os seus chefes russos pagavam-Ihe 1000 dólares por se mana para que dirigisse uma associação famiiar de e s p i o n a g e m , Traidor. Quando pri meiro-secretário na Embaixada Britânica nos EUA. Maclean (de laço) forneceu à URSS segredos americanos.

oador dos quadros da rainha e espião enganou todos com a sua posição social.

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Livre e sorridente. A secretária e espia alemã Renate Lutze na época em que operava para os Alemães Orientais. Desmascarada e. detida em 1976, seria libertada em 1981. composta por seu irmão Artliur, graduado da Marinha na reforma, e seu filho Michael, marinheiro a bordo do porta-aviões USS Nimitz. As suas actividades permitiram aos Soviéticos decifrar inúmeras comunica ções altamente secretas e receber mais de 1500 documentos secretos. Um tipo de toupeira diferente é aquele que entra num país estrangeiro com documentos falsos e se infiltra profundamente no tecido da sua sociedade adoptiva. Peter e I lelen Kroger, cidadãos norte-ame-

ricanos de origem polaca, eram um casal deste tipo. Aparentemente, ele era negocian te de livros antigos que, com a mulher, levava uma vida confortável em Ruislip. na zona oeste de Ixtndres. Na verdade, eles operavam com um emissor clandestino de rádio ligado ao KGB em Moscovo até serem presos. Rena te e Lothar l.ut/e eram toupeiras alemãs orientais actuando na Alemanha Ocidental até serem presos Nascida em Brandeburgo, Alemanha Oriental, em 1940, Renate Ubclacker — seu nome de solteira arranjou lugar corno secretária no Ministério da Defesa da Alemanha federal em Bona o seu trabalho implicava lidar com documentos altamente secretos, incluindo planos da NATO. Em Setembro de 1972. casou com Lothar Lutze, nessa altura espião por conta do Ministério para a Segurança do listado na Alemanha Oriental. Renate conseguiu arranjar-lhe um emprego no Ministério da Defesa. Durante os quatro anos seguintes, o casal forneceu informações vitais aos Alemães Orientais, controlados pelos Soviéticos. Foram desmascarados e presos cm Junho de 1976. Depois de passar três anos em prisão preventiva, Renate Lutze foi condenada a seis anos por espionagem, e o marido, a 12 anos. Ela foi libertada em Setembro de 1981.

Blunl fora nomeado conservador dos quadros da rainha no Palácio de Buckingham e recebera o título de sir.

Algumas toupeiras recebem um peno
do de instrução antes de entrarem em acção. Em Camp Peary, na Virgínia, a CIA opera uma grande base de instrução sob o disfarce de instalações militares; os Franceses mantêm uma escola numa região iso lada dos Alpes Marítimos, no Sueste do país, e o KGB possui centros de treino per to de Leninegrado. Mas ás vezes a toupeira não lem possibilidade de ser treinada e pode ter de apren der as técnicas fundamentais enquanto vai actuando. Oleg Penkovsky, um tenente-coronel russo, ofereceu se aos Ingleses, como es pião, em 1960. Quando, no ano seguinte, fez parte de uma missão comercial soviéti ca em uma das raras visitas ao Ocidente, ensinaram-no a utilizar uma câmara miniatura e deram lhe noções sobre sistemas criptográficos. Em vez de se escapar do seu

grupo, Penkovsky fingiu simplesmente
que queria deitar-se cedo. Sucedeu que os Ingleses e os Americanos tinham alugado todo o andar por cima do quarto do hotel de Londres onde Penkovsky se alojava e nele haviam instalado o equipamento ne cessário para as sessões de treino. Tudo funcionou perfeitamente, c, quando regressou a Moscovo, Penkovsky era já um agente conhecedor do seu ofício. Mas a sua carreira de espião foi curta; o KGB prendeu o no ano seguinte e conde nou-o à morte.

As toupeiras mais eficientes são aquelas
de quem ninguém suspeitaria. Burgess fora educado em Elon; o pai de Maclean fora ministro do Estado; Philby entrara para o M16 vindo do jornal The Times, e, na altura em que foi descoberto. Anthony

Dispositivos de escuta: ouvir sem ser visto
Actualmente, nenhuma conversa no escritório ou em casa está a salvo das escutas. Estas concretizam-se geralmente pela instalação disfarçada numa divisão de um mi croíone pequeno mas sensível. Um tipo de dispositivo de escuta utiliza um transmissor de rádio de baixa potência ligado a um microfone para enviar os sinais desle a um receptor a alguns metros de distância. Noutro tipo, a ligação do mi crofone ao receptor é feita por um cabo. Embora o sistema dotado de cabo exija que este seja cuidadosamente escondido, ele tem a vantagem de não emitir sinais de rádio, facilmente detectáveis. E a maioria das salas ou dos gabinetes já tem tantos fios instalados que mais um passará desperee bido. O microfone pode ser disfarçado sob a forma de um artigo vulgar, como uma lâmpada, uma televisão ou um telefone. Desde que um posto de escuta possa ser instalado dentro de um raio razoável cerca de 1.500 m , todas as palavras pronunciadas no compartimento sob observação serão transmitidas por fios. Em geral, utiliza se um cabo existente, como uma linha telefónica desocupada, para a transmissão das vozes. Uma das razões pelas quais os edifícios diplomáticos são tão apertadamente vigia dos durante a construção é o receio de que uma agência de espionagem estrangeira consiga incorporar na estrutura tubos para passagem de cabos. Assim aconteceu em Moscovo em 1987. quando se descobriu que as vigas de aço fornecidas para a construção da Embaixada dos EUA eram ocas. Quando não se consegue acesso a uma divisão, pode colocar se no exterior de uma das paredes um estetoscópio, que consiste num simples microfone preso por uma ventosa à parede e ligado a um amplificador ou furar-se a parede a partir do exterior com um furo que na parte interior não seja maior que um bico de alfinete. Neste orifício coloca-sc um tubo com um microfone ligado a um gravador no exterior. Este sistema tem uma variante que apenas penetra parte da parede, mas. apesar disso, capta todos OS sons na divisão do outro lado. A instalação de um dispositivo de escuta numa divisão é difícil se os respectivos oeu pantes souberem que poderão ser espiados. Por esse motivo, começaram a explorar-se as capacidades do laser. Foca se um raio de laser sobre o vidro de uma janela. Quando ocorre uma conversa uo interior da sala, o vidro vibra com as ondas sonoras das vozes, e estes movimentos microscópicos podem ser detectados medindo as minúsculas variações no comprimento do raio de laser fixo. Estas informações são depois reconvertidas electronicamente em versão inteligível. Existe ainda um dispositivo sem fios que é talvez o dispositivo ideal, pois não necessita de pilhas nem de manutenção. Consiste numa cápsula com cerca de 25 mm de largura contendo uma antena muito sensível e um diafragma. E activado por um sinal de rádio Que lhe é dirigido do exterior; a cápsula trans forma-se então num transmissor de rádio que capta os sons da divisão, permitindo que se ouçam as conversas.

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era uma solução rie nitrato rie chumbo e

Tintas invisíveis para mensagens
Uma forma moderna da tinta invisível é um tipo especial de papel químico. 0 espião coloca o papel químico sobre outra folha de papel e escreve a sua mensagem. A es crita é transferida para O papel rie baixo, mas só é revelada depois de tratada quimicamente. É assim possível transmitir mensagens pelo correio, "escritas", por exemplo, nas páginas de uma revista. Este processo foi utilizado pelo espião checoslovaco F.rwin van Haarlem, que em 1989 foi condenado a 10 anos de prisão por Palavras aquecidas. Quando este recibo de uma consignação de arroz foi aquecido, surgiu uma mensagem secreta escrita com sumo de limão. A mensagem, em letra miúda, relata as actividades dos realistas em Paris durante a Revolução Francesa. espionagem em Inglaterra. Desde 1975, transmitira cerca de 200 mensagens secretas aos seus chefes em Praga — muitas em tinta invisível. As informações incluíam da dos sobre firmas britânicas que trabalhavam para o sistema defensivo americano Guerra rias Estrelas. A maioria das tintas invisíveis químicas precisa de um segundo líquido — o cha mado reagente para as tornar visíveis. Uma das tintas mais vulgares é o sulfato rie cobre diluído em água. Quando o papel é depois imerso numa solução fraca de carDonato de sódio e água ou de amoníaco e água, a escrita aparece a azul. Uma tinta química particularmente sensível usada pelos espiões alemães durante a II Guerra Mundial empregava produtos químicos utilizados em fotografia. A tinta

água, e o reagente, uma pequena quanti
dade de sulfureto rie sódio dissolvido em água. 0 resultado é uma tinta negra.

A procura da droga da verdade perfeita
O objectivo de uma droga da verdade é descontrair o espírito rie uma pessoa para que esta forneça respostas verdadeiras a todas as perguntas que lhe façam - mesmo que isso signifique trair o seu pais. Os estudos sobre as chamadas drogas da verdade iniciaram se no princípio da década de 50, na sequência rie relatos acerca rie processos de interrogatórios com "lavagem ao cérebro" levados a cabo pelos Norte Coreanos e pelos Chineses em prisioneiros de guerra. A Força Aérea rios F.UA encetou um projecto de procura de um "soro da verdade" para que os pilotos americanos pudessem tomá-lo e treinarem se a resistir às lavagens ao cérebro. Fizeram-se experiências com barbitúricos, anfetaminas, álcool e heroína, mas a maioria destas drogas limitou se a ajudar as pessoas a mentir com mais habilidade. Processos de depuração O medo das técnicas rie controle da mente manifestara-se pela primeira vez aquando dos célebres processos rie depuração de José Estaline na União Soviética e nos pai' ses do Bloco de Leste durante as décadas de 30 e 40. Os réus apareciam em tribunal em estado de aparente confusão, de olhos vidrados, confessando crimes que não ti nham hipótese de ter cometido. O penlolal rie sódio, barbitúrico usado pelos anestesistas para descontrair os doentes antes de uma operação, é frequentemente designado por soro da verdade. Neste contexto, é utilizado para promover a criação de um estado rie desorientação no qual a percepção rio ambiente por parte do indivíduo pode ser manipulada. AdminiStra-se uma dose potente da droga, que toma a pessoa inconsciente. Dá se -lhe depois uma injecção do estimulante benzedlina para a reanimar, mas apenas parcialmente. Com a pessoa semieons ciente, um psiquiatra pode empregar técnicas hipnóticas para modificar a sua per cepção daquilo que se passa em seu redor. Quando este método foi utilizado num soviético suspeito de espionagem na Ale manha Ocidental em 1955, a sua mente foi reconduziria a uma fase em que ele pensava estar a falar com a mulher em casa, o que o fez ciar, sem constrangimento, uni relato rias suas actividades secretas.

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Como as câmaras fotográficas podem enganar a visão
Desde o dia em que as pessoas aprenderam a fotografar e a revelar as suas fotografias, aprenderam também a falsificá-las. Quando se viu pela primeira vez numa chapa fotográfica uma exposição dupla - provavelmente acidental —, ficou demonstrada a possibilidade de se adicionarem imagens sobre imagens.
Fotografia do céu

"Fotografias" de espíritos dos mortos, de objectos e pessoas em levitação, de ovnis e até de fadas têm enganado, ainda que temporariamente, tanto os leigos como os peritos. Os fotógrafos sabem que podem fazer a fotografia de um objecto e sobrepor-lhe outro, expondo de novo a mesma película.

Quando se desconhece o modo como as fotografias acontecem, é mais fácil acreditarmos ou fazermos crer que tudo o que se vê nas imagens pode ter acontecido. Com a fotografia cada vez mais na era dos computadores, mais sofisticadas se têm tornado as técnicas para fazerem as câmaras fotográficas "mentirem".

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Aviáo em miniatura

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Paisagem

Vedação em primeiro plano

Seis fotografias numa só
Esla cena rural, poluída por imagens ameaçadoras - caças a jacto e uma sebe de arame farpado -, não existe tal como a vemos. A fotografia é urna imagem múltipla, uma combinação de diversas fotografias. Foi imaginada e criada para a Quaker Peace Foundation pelo fotógrafo londrino Chris Morris para a capa de um disco. Os dois aviões são fotografias de uma mesma miniatura feitas em estúdio de ân-

gulos ligeiramente diferentes, sobrepostas à fotografia do céu e colocadas com esta entre dois vidros para serem reproduzidas. Juntou-se-lhes outra fotografia do céu para se obter a faixa mais clara junlo ao horizonte. A imagem principal, da mulher e da criança no prado, é uma vulgar fotografia a cores. As imagens do primeiro plano - uma de árvores e um portão, outra de uma vedação de arame foram sobrepostas em conjunto e reproduzidas numa película de grande formato a preto e branco.

Na última fase, o céu e os jactos, as figuras e o campo, as árvores e a vedação foram colocados uns sobre os outros e reproduzidos como uma só fotografia. Capa de disco. Combinando fotografias (página anterior) e reproduzindo-as, o foto grafo londrino Chris Morris criou urna cena sugerindo a ameaça militar. "Mas a cena nunca existiu como a vemos", explica. A imagem foi composta por sobreposições diversas para a capa de um disco para a Quaker Feace Foundation.

Encaixe perfeito
"Super-realidade" foi o nomo dado pelo seu criador a esta imagem da Abadia de Westminster, em Londres - pois, embora a colorida janela do vitral seja autêntica, ela apenas se vê neste esplendor quando é iluminada pela luz do dia que entra na abadia. 0 fotógrafo Chris Morris começou por fotografar a fachada da abadia por fora. Mediu a distância entre a câmara e o edifício e marcou a mesma distância no interior. Depois, fotografou a luz do Sol atravessando os vitrais da janela do lado oeste. "Fiz apenas um ligeiro ajustamento no tripé", diz, "para compensar o nível um pouco mais baixo do chão da abadia." Devido ao cuidado posto nas medições, a fotografia interior da janela encaixou perfeitamente na outra quando ele as sobrepôs para as reproduzir em conjunto. "Qualquer pequenina diferença no ajustamento foi disfarçada pela aura luminosa em volta da janela", acrescenta, 'efeito este que criei durante a sobreposição."
Efeito luminoso. Esta fotogra fia da Abadia de Westminster dá-nos a ideia de que irradia dela urna luz interior. Na realidade, este efeito apenas é visível no interior, onde a imagem foi fotografada, sendo depois sobreposta a uma fotografia da fachada.

Simulação de voo
Esta fotografia do primeiro voo de Santos-Dumont na Europa é uma falsificação. Mas a verdade é que o brasileiro efectuou em Paris, em 23 de Outubro de 1906, um voo de 61 m. O avião de Santos-Dumont foi fotografado quando este o suspendeu de um cabo para verificar o equilíbrio. Depois, recortou-se uma cópia, que foi montada sobre uma outra de pessoas que observavam um balão — fazendo se em seguida uma reprodução da montagem. Falso voo. As árvores teriam impedido a descolagem.
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Menina fantasma
Durante cerca de 60 anos, diversos livros e revistas publicaram esta fotografia de uma menina segurando um ramo de flores e um sobrescrito, de pé em frente de um homem sentado à secretária. Era apresentada como prova de que a "fotografia de espíritos" era genuína. Apareceu pela primeira vez em 1919 e foi feila por um curandeiro e médium espírita, o Dr. T. d'Aute Hooper, de Birmingham, que afirmou que um dos seus pacientes, que tinha como hóspede, lhe pedira para fazer a fotografia, pois sentia uma presença invisível. "Peguei na câmara fotográfica e, antes de expor a chapa, disse-lhe que via ao pé dele uma linda criança", escreveu o Dr. Hooper. "O próprio homem levou a chapa para a câmara-escura e revelou-a, surgindo então a linda forma de Sobreposição. Um anúncio dos finais do século xtx foi utilizado numa suposta "fotografia de espírito". uma menina ... A exclamação do senhor foi: 'Céus! É a minha filha, que do sabonete Pears' no início do século. pelos chamados "fotógrafos de espíritos". morreu há trinta anos'.» Hooper preparara antecipadamente Mas por que razão o paciente de Hooper uma chapa em que fotografara o quadro da manifestara logo a impressão de que a meSó quando, na década de 80, ressurgiu o menina, apagando-lhe o fundo. Quando o nina era a sua filha que tinha morrido? interesse pela fotografia de espíritos, alseu paciente revelou a fotografia que Hooguns investigadores "reconheceram" a Diz o investigador de fenómenos inexper lhe tirara com a mesma chapa, esta menina da fotografia: ela aparecera num plicados Arthur C. Clarke: "Talvez ele, na segunda fotografia fornecera o novo fundo. quadro chamado Para Ti, pintado em 1879 sua dor e agarrando-se às mais pequenas Era uma técnica comummente utilizada por Charles T. Garland e usado no anúncio coisas, tenha sido vítima de uma ilusão."

Fotografia falsa de um ovni
Ao princípio, os peritos fotográficos convenceram-se de que a fotografia, à direita, de um suposto objecto voador não identificado era genuína. Foi feila por um piloto de avião comercial sobre a Venezuela em 1905. Mas quando o Dr. B. Roy Frieden, da Universidade do Arizona, examinou a fotografia em 1971, fez notar que os contornos do "disco voador" estavam demasiado nítidos para se tratar de um objecto distante — e suspeitou de que a sombra no chão tinha sido acrescentada. Um engenheiro de Caracas admitiu então ter sido o falsifi cador. Confessou que o ovni era a fotografia de um botão sobreposta à fotografia aérea e fotografada de novo. Botão '^voador". Este "ovni" quase convenceu os peritos.

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Fantasia. Recortes de um Hum tornaram-se "fadas" investigadores psíquicos de todo o Mundo - incluindo Sir Arthur Conan Doyle, o criador do mais famoso detective da ficção, Sherlock Holmes. Foi em Julho de 1917 que Elsie Wright, então com 15 anos, e a sua prima Francês Griffiths, de 10 anos, pediram emprestada ao pai de Elsie, Arthur Wright, uma câmara fotográfica de "caixote" — e foram brincar perto de um regato no vale. Quando as fotografias que fizeram nesse dia e nos seguintes foram reveladas, mostravam uma ou outra das duas raparigas juntamente com imagens daquilo que pareciam fadas dançando, saltando e pousadas nos ramos. Numa delas, via-se Elsie com um gnomo alado que dançava. As fotografias

Sonho de um dia de Verão
Durante quase 70 anos, duas primas guardaram o seu segredo das fadas que diziam ter fotografado num vale arboriza do de Cottingley, no Yorkshire. Durante esse tempo, as suas fotografias controver sas ganharam fama internacional e desconcertaram especialistas fotográficos e

chegaram ao conhecimento de Conan Doyle através da Sociedade Teosófica, onde Doris, a mãe de Elsie, se lhes referiu numa reunião em 1919. Conan Doyle, espírita empenhado, incumbiu Kdward Gardner, fotógrafo e teosofista notável, de analisar as fotografias. Acabou por convencer-se da autenticidade destas; e em Novembro de 1920, Conan Doyle publicou as fotografias na revista The Strand. Ao longo dos anos, as duas raparigas mantiveram a sua história. Mas havia quem duvidasse dela. Em 1978, o prestidigitador americano James Randi chamou a atenção para a semelhança entre as figuras de uma das fotografias e um desenho de fadas no Princess Mary's Gift Book, publicado dois anos antes de as fotografias se rem feitas. Só em 1983 Elsie e Francês, nessa altura viúvas c idosas, confessaram. Elsie desenhara e pintara as farias em cartolina e prendera-as nos ramos com alfinetes de chapéu. Elsie revelou ainda que o logro fora inicialmente planeado para que Francês não fosse castigada por ter caído no regato. Francês morreu em 1986, com 79 anos. Elsie, que morreu dois anos depois, com 87, disse ao Times de Londres: "A brincadeira devia durar duas horas e durou setenta anos."

Malabarismos com a realidade: o arranjo de fotografias em computador
Quando foi conjugada com a tecnologia dos computadores, a fotografia atingiu quase proporções de magia. Graças ao processamento computorizado de imagens, qualquer componente de uma fotografia — um navio, até uma pessoa — pode desaparecer electronicamente. O espaço em branco pode ser então preenchido. Também podem adicionar-se novas imagens. A técnica implica o registo dos mais diminutos elementos da fotografia e a sua redisposição ou recomposição. No anúncio de uma revista, por exemplo, o automóvel do último modelo parado à beira do Grand Canyon pode nunca ter saído do stand onde foi fotografado. O processamento computorizado pode transplantar a sua imagem para um diapositivo do Canyon. E, através da redisposição dos elementos da fotografia (pixels), o carro pode ser transformado de um modelo de quatro portas num modelo de duas. Os efeitos da sombra na pintura podem fazer-se condizer com os do Canyon. Por este processo pode "apagar-se" um barco de um cais (cm baixo). O scanner electrónico percorre a fotografia e regista cada pixei, que decompõe nos respectivos elementos básicos: vermelho, verde, azul e preto. Cada pixel é arquivado no computador sob a forma digital. A fotografia pode então ser copiada com os pixels dispostos na ordem desejada. No caso do barco que desaparece, os pixels deste são removidos e substituídos por outros idênticos aos do empedrado.

Barco que se desvanece. O processamento computorizado de imagens pode eliminar ou acrescentar qualquer elemento fotográfico. 86

Detecção de mentiras por meio de uma máquina
No princípio da década de 80, pelo menos 1 milháo de pessoas nos EUA (a maioria, candidatas a empregos) eram submetidas anualmente a testes de detecção de mentiras. Mas esses testes levaram certas pessoas a serem falsamente acusadas de desonestidade. Uma dessas vítimas foi a estudante universitária Shama llolleman, recusada por uma loja de Nova Iorque por o seu teste indicar que ela poderia ser vende dora de droga e já ter estado presa. Ambas as acusações eram falsas. Desde então, as empresas americanas foram proibidas de utilizar estes testes nos exames de candidatos. Um grande utilizador dos detectores de mentiras são as forças policiais. Mas, passados mais de 60 anos sobre a invenção do detector de mentiras, o seu uso mantém-se controverso. O aparelho funciona com base no princípio de que a pessoa que mente fica sob stress emocional, o qual acelera os ritmos da pulsação e da respiração e provoca transpiração. Estes efeitos podem ser detectados por instrumentos sensíveis. A primeira pessoa a usar aparelhos para detectar o stress através das variações do ritmo da pulsação e da tensão arterial foi o criminologista italiano Cesare Lombroso, na década de 1890. Em 1921, foi criado o primeiro detector de mentiras moderno com monitorização contínua pelo estudante de Medicina John

COMO LUDIBRIAR O DETECTOR DE MENTIRAS Peritos médicos dos EUA e da Grá-Bretanha dizem ser perfeitamente possível unia pessoa suspeita ludibriar o detector de mentiras. O truque é fazer com que as respostas às perguntas de controle se pareçam tanto quanto possível com as respostas às perguntas verdadeiras. Para que uma resposta seja classificada como sendo uma mentira, tem de ser registada com uma intensidade muito maior que as respostas de controle. O Dr. David Thoreson Lykken, professor de Psicologia e Psiquiatria na Escola Médica da Universidade do Minnesota, escreve no seu livro Uma Tremura no Sangue que o entrevistado poderia identificar as perguntas de controle durante a entrevista anterior ao teste. Poderia depois fazer qualquer coisa para identificar a sua resposta às perguntas de controle durante o teste - qualquer coisa sempre diferente, para não levantar suspeitas. "Após a primeira pergunta de controle, eu poderia suspender a respiração por uns segundos, depois inspirar profundamente e suspirar. Quando fosse feita a segunda pergunta de controle, poderia trincar a língua com força, respirando rapidamente pelo nariz. Durante a terceira pergunta de controle, podia fazer força com o braço direito contra o braço ria cadeira ou contrair os músculos das nádegas. Uma tacha de desenho dentro da meia pode ser utilizada disfarçadamente para produzir uma boa reacção no polígrafo." 0 Dr. Archibald Levey, do Conselho de Investigação Médica Inglês, que elaborou um relatório sobre detectores de mentiras para o Governo Inglês em 1988, diz ainda que podem utilizar-se técnicas de meditação para conseguir o efeito oposto baixando a intensidade de todas as respostas.

A. Larson, da Universidade da Califórnia, em colaboração com a polícia local. A máquina de Larson registava simultaneamente a tensão arterial do indivíduo e os seus ritmos respiratório e da pulsação. Os resultados eram registados por três canetas sobre um rolo de papel contínuo. Denominada polígrafo, a máquina em breve foi alcunhada de detector de mentiras. Mais tarde, o polígrafo transformou-se no aparelho actual pela adição de uma quarta medição - a da condutibilidade eléctrica da pele, que varia conforme a quantidade de transpiração. Os testes de detecção de mentiras devem ser conduzidos em condições estritamente controladas. A pessoa testada é ligada à máquina e faz-se-lhe uma série de perguntas inocentes como: "O seu nome é José da Silva?" (que pode ou não ser), a fim de se obter uma resposta que proporcione curvas de referência no polígrafo. Se a pessoa mente, o aparelho deve ser capaz de detectar as alterações causadas pelo stress da mentira e de as registar. Um inconveniente é o de certas pessoas ficarem tão nervosas que parecem estar a mentir ainda que digam a verdade. Outras podem ter tanto domínio das suas emoções que coasigam mentir sem afectar as curvas do polígrafo. Mas estas são a excepção.

COMO UM DETECTOR DE MENTIRAS TRAÇA O SEU VEREDICTO O segundo instrumento, o cardiosfigO detector de mentiras é um conjunto de mómetro, detecta as variações na tensão três instrumentos diferentes, cujas inforarterial e no ritmo da pulsação. As informamações são transmitidas separadamente ções são captadas por uma manga de bor ao detector e registadas como curvas inderacha aplicada ao braço. O terceiro instru pendentes num gráfico. mento é o galvanómetro, que mede a pasUm dos instrumentos, o pneumógrafo, sagem de uma corrente eléctrica muito fraregista os padrões da respiração. Ata-se ao ca através da pele. Esta conduz melhor a peito da pessoa um tubo de borracha e os electricidade quando está húmida com a instrumentos medem as flutuações do votranspiração. Os eléctrodos aplicam-se ge lume de ar no interior desse tubo provocaralmente sobre as mãos com adesivo. das pelas variações da respiração.
Verdade Mentira Verdade Mentira

Um processo controverso. As verdades e as mentiras sao registadas como variações gráficas dos ritmos cardíaco e respiratório e da transpiração do indivíduo durante os testes.

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Em busca das causas de um incêndio
Em 1966, na véspera cio Ano Novo, um incêndio malou 97 pessoas num hotel de Porto Rico. Os empregados do hotel, o Du pont Plaza, em San Juan, estavam furiosos pela falia de um acordo salarial, e dois deles usaram álcool desnaturado para incendiar urnas caixas de cartão e outro lixo numa sala de baile vazia. Em 15 minutos, as chamas tinham invadido todo o rés-do-châo e encurralado os hóspedes no último piso do edifício de 21 andares. Muitos dos 1400 ocupantes tiveram de ser salvos por helicópteros. Além dos 97 mortos, houve 140 feridos. Quando, posteriormente, examinaram os restos calcinados do mobiliário da sala de baile, os investigadores descobriram vestígios do álcool desnaturado e concluí ram que se tratara de fogo posto. Chamou -se então o FBI para interrogar o pessoal do hotel. No fim, foram presos três empregados, que foram condenados a penas de prisão entre os 75 e os 99 anos. Os peritos em incêndios são das primeiras pessoas a chegarem ao local depois de extinto um fogo. A sua primeira tarefa é preservar e tomar nola dos materiais queimados. Por vezes, é evidente tratar-se de fogo posto quando se verificarem diversos focos simultâneos ou ai guém foi visto a fugir do local mesmo antes de se detectarem as chamas. A segunda tarefa é localizar o ponto ou os pontos onde o fogo se declarou e onde ele foi mais intenso. É também necessário traçar o caminho percorrido pelo fogo. Pode dedu zir-se muito da observação dos vestígios do fumo e dos estragos causados aos materiais. Um varão de metal torce-se ou derrete-se conforme a proximidade a que está da parte mais quente do fogo. A densidade das rachas num vidro corresponde habitualmente à intensidade do calor. A dilatação dos metais também pode ser reveladora: uma viga de aço com 10 m aquecida a 500"C dilata-se 7 cm. A altura de madeira ou alcatifa calcinada dá igualmen te indicações sobre a temperatura ou a du ração de um incêndio. Por outro lado, há que ter em conta os

FOGO NO METROPOLITANO
Depois do fogo do metropolitano de Londres, demonstrou se como um fósforo aceso p<xlia incendiar uma escuda rolante. Oito minutos depois de um fósforo pegar fogo ao óleo e COtâo por debaixo dos degraus (em cima), as chamas propagaram-se à madeira (à direita) - a setu branca indica onde o fósforo penetrou — e depois pelo túnel da escada (em baixo). Uma simulação (à direita, em baixo) indicou o percurso dos gases quentes até ao andar de cima.

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factores que ajudam o fogo a alastrar. Caixas de elevadores, chaminés de ventilação e caixas de escadas produzem 0 chamado "efeito de chaminé", transmitindo os gases aquecidos às partes superiores do edifício e criando novos focos de incêndio. O investigador pode ser confundido por fogos provocados por ruptura de tubos do gás ou combustíveis armazenados. Latas de aerossol que explodem podem originar bolas de fogo com mais de 1 m de diâmetro. Depois de encontrar o foco do incêndio, 0 investigador procurará indícios das cau-

Inferno nas alturas. O fogo consumiu quatro dos 62 andares da First Interstate Tower, de Los Angeles, em Maio de 1988. lima pessoa morreu e 40 ficaram feridas neste incêndio.

sas — uma lata vazia de gasolina deixada pelo incendiário, fios queimados que indiquem uma ligação eléctrica defeituosa, até 0 fragmento de um fósforo que descuida damente se deitou fora. Os peritos forenses são especialistas no exame dos fragmentos dos materiais queimados. Depois de um dos maiores incêndios ocorridos em Itália, o do Cinema Sta-

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tuto, de Turim, em 13 de Fevereiro de 1983, em que morreram 64 jovens, descobriram-se fragmentos de fios velhos que tinham estado na origem do fogo. No exame forense, os peritos verificaram que tinha havido desrespeito pelos regulamentos italianos de segurança. 0 proprietário do cinema, o supervisor dos trabalhos de decoração e dois bombeiros locais, que tinham afirmado que o cinema era seguro, foram condenados a penas de prisão entre os quatro e os oito anos. Não havendo causa aparente do incên-

dio, o investigador pode, por exemplo, verificar que um dos cadáveres foi vítima de assassínio, indicando que o incêndio terá sido ateado para encobrir o crime. Um corpo humano é muito difícil de queimar completamente, e os seus restos podem dizer muito aos investigadores: o corpo pode ter ardido mais intensamente que os objectos em redor, sugerindo que foi incendiado primeiro, ou podem verificar-se indícios de asfixia no tecido pulmonar, o que significa que a pessoa foi estrangulada. O incêndio que vitimou 31 pessoas na

Estação de King's Cross do metropolitano de Londres, em Novembro de 1987, inicialmente tomado como fogo posto, declarou-se numa escada rolante e foi alimentado pela corrente do ar proveniente dos túneis. Os investigadores concluíram que ele tivera origem no cotão e no óleo acumulados por debaixo da escada, quase certamente incendiados por um fósforo deita do fora. Era proibido fumar nos comboios do metropolitano desde 1984, mas muitas pessoas acendiam os cigarros na escada rolante quando se dirigiam para a saída.

Como descobrir pinturas antigas sob novas pinturas
Quando o quadro de Jean François Millet O Cativeiro dos Judeus na Babilónia foi apresentado no final da década de 1840, tanto o público como a crítica foram muito duros nas suas apreciações. Os críticos parisienses acharam que a superfície do quadro tinha uma camada de tinta muito espessa, e um deles queixou-se da selvajaria desmesurada da cena. "Os soldados empurram as mulheres judias com uma violência excessiva." O quadro desapareceu e os peritos de arte concluíram que Millet o destruíra. Mas em 1983, restauradores de arte do Museu de Belas-Artes de Boston, Massachusetts, utilizaram raios X para revelar a presença de outra pintura por baixo da superfície do retrato de A Jovem Pastora, de Millet. A radiografia mostrava a imagem do "desaparecido" e controverso Cativeiro, de Millet. Pensa-se agora que Millet reutilizou a tela mais de 20 anos depois, quando escasseava o material artístico, durante a Guerra Franco-Prussiana de 1870-71. Como se radiografa um quadro A radiografia é o método mais usado para descobrir pinturas ocultas. O comprimento de ondas dos raios X é utilizado, pois estes são facilmente absorvidos pelas tintas. O grau de absorção depende do tipo de pigmentos: as tintas à base de chumbo e de cádmio, por exemplo, são mais absorventes do que as que contêm crómio ou cobalto. E as camadas mais espessas absorvem mais do que as delgadas. Para radiografar um quadro, coloca-se por detrás dele uma película fotográfica e aplicam-se os raios X pela frente. Quando a película é revelada, aparece a imagem esbatida da pintura anterior. No princípio da década de 80, por exemplo, dois restauradores de arte de Glasgow - ambos técnicos de raios X num hospital local — radiografaram O Homem da Armadura, de Rembrandt, e descobriram o que parecia ser uma pluma branca inclinada na direcção errada a partir do topo do elmo. Ao voltarem a radiografia, verificaram 90

que a "pluma" era parte de um trabalho abandonado por Rembrandt: uma dama com um vestido branco e um toucado. De forma semelhante, num quadro do pintor quinhentista italiano Paris Bordone - S. Jerónimo e Santo António Abade (0 Eremita, o Grande) Louvando Um Benfeitor — verificou-se aos raios X que tinha dois benfeitores, um deles pintado por um artista desconhecido. Este quadro está também na Galeria de Glasgow. Os raios X são também utilizados para estudar o pentimento — as alterações que o artista faz enquanto produz uma obra. Alterações da composição, mudanças na inclinação da cabeça ou de um braço, são reveladas pelos raios X e úteis para os historiadores e restauradores de arte. (A palavra "pentimento" vem do italiano pentersi, "arrepender-se", sugerindo uma mudança de ideias por parte do artista.) Traços de carváo A luz infravermelha também é utilizada para se descobrirem pinturas sob outras pinturas. Quando se fazem incidir raios infravermelhos sobre a pintura, eles penetram as tintas da superfície e são reflectidos. O reflexo é fixado por uma máquina fotográfica. 0 efeito deste processo é tornar transparentes as camadas delgadas c superficiais da tinia, revelando os traços de carvão do desenho preliminar do artista. A técnica tem sido utilizada pelo Museu Metropolitano de Nova Iorque para estudar os quadros da Renascença Flamenga. Em alguns casos, revela pormenores não visíveis na pintura final e ajuda a compreender a técnica do artista.

Imagem tripla. Três cabeças foram reveladas pelas radiografias do Retrato de l IH Jovem, de Karel du Jardin. Os peritos colheram amostras da tinta e fotografaram nas ao microscópio. Verificou-se assim que o corte da linha do maxilar marcada com um a continha sete camadas de tinta: 1. Base ocre vermelho-acastanhada 2. Primário cinzento. 3. Carnaduru feminina, pálida, do primeiro retrato. 4. Segundo primário cinzento. 5. Curnadura do segundo retrato. 6. Terceiro primário cinzento. 7. Sombra do maxilar do homem.

O retrato perdido. Quando o retrato de Dona Isabel de Porcel (à direita), pintado por Goya. foi observado aos ratos X, descobriu se. por baixo, o retrato de um homem desconhecido fã esquerda). 0 uso de outra técnica, a fotografia por infravermelhos, mostra o olho direito do homem (em cima).

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As impressões digitais e os criminosos

A Polícia pode querer lirar as impressões digitais de uma pessoa porque suspeita dela como criminosa ou porque quer identificar as impressões "inocentes". Como cada indivíduo possui o seu conjunto único de impressões digitais, a técnica constitui um importante auxiliar na luta contra o crime. O processo consiste em colocar as pontas dos dedos sobre uma almofada de tinta, fazendo pressão, e depois de encontro a um papel, por forma a registar o desenho dos padrões da pele. Estes são depois comparados com as impressões deixadas na superfície dos objectos na cena do crime. Plásticos e tintas As impressões digitais consistem em minúsculas quantidades de humidade, que, numa superfície, produzem padrões iguais aos "sulcos" e "cristas" existentes nos dedos e noutras zonas da mão. Nos materiais nào-absorventes, como os plásticos e as superfícies pintadas, as impressões são mais nítidas que nos absorventes, como os tecidos. As impressões são normalmente invisíveis, excepto se produzidas por tinta ou sangue. Por este motivo, o perito policial em dactiloscopia utiliza um pó muito fino (muitas vezes alumínio em pó) para cobrir as superfícies em que poderão existir impressões digitais. As partículas do pó aderem aos tractos de humidade, tomando-os visíveis. Uma fita gomada é então aplicada à marca, recebendo uma impressão que pode ser levada para fotografar. A tecnologia moderna auxilia agora a Polícia a conseguir impressões de superfícies das quais antigamente nada se obtinha, como sacos de plástico. 0 processo, denominado metalização no vácuo, consiste em colocar a superfície a examinar dentro de um recipiente ao qual se extrai o ar, criando o vácuo. Vapori za-se por sobre a superfície primeiro uma 92

>V Padrões indiciadores. A fotografia grande, a azul, rnostra-nos a impressão do polegar de um adulto. As fotografias pequenas apresentam, da esquerda para a direita, quatro padrões de arcos, presilhas, oertkilos e compostos. Comparados entre si. os padrões podem ajudar a estabelecer a inocência ou a culpabilidade de um suspeito. camada de ouro, depois uma de zinco. O ouro deposita se uniformemente, mas é absorvido pelas cristas de humidade que formam o padrão dactiloscópico. 0 zinco só se condensa sobre outro metal, pelo que adere às áreas cobertas de ouro, tornando-as mais contrastantes com as hn pressões não recobertas e permitindo que sejam fotografadas. Uma vez obtida a fotografia, esta é com parada com as impressões digitais dos criminosos. Os padrões dactiloscópicos são decompostos em traços característicos "forquilhas", "lagos", "esporões" e "ilhas" Para que uma identificação possa ser apresentada em tribunal, é preciso que um certo número de características reconhecíveis das impressões de um único dedo correspondam ao mesmo número de características da impressão em arquivo. Este número varia conforme os países, mas pode chegar a 17. Se as impressões forem de mais que um dedo, o tribunal aceita menos características por dedo. A maioria dos especialistas considera que a existência de mais de oito características é suficiente para confirmar uma identidade: embora tal não possa ser apresentado em tribunal. é o bastante para se concentrar a investigação sobre determinado suspeito. Impressões de luvas As luvas fornecem impressões distintas de modo muito semelhante à pele humana, devido à gordura que se acumula na sua superfície. As impressões de luvas podem igualmente ser reveladas por uma camada de pó e, se coincidem com as de uma luva encontrada em poder de um suspeito, constituirão uma prova importante. A comparação das impressões A comparação das impressões digitais requer boa vista e concentração intensa. 0 processo assemelha-se àqueles passatempos em que têm de descobrir se as diferenças entre dois desenhos aparentemente iguais. Com a identificação das im pressões digitais sucede o inverso: o perito tem de procurar as semelhanças. As impressões digitais sáo normalmente arquivadas por nomes. Na maioria dos países, só se conservam as impressões dos criminosos condenados e as não identifi cadas recolhidas em casos ainda por resolver. Alguns países mantêm um arquivo na-

cional de impressões digilais, mas, devido ao tempo que as buscas podem demorar, é considerado simplesmente como instru mento de recurso para utilização quando não se consegue identificar localmente uma marca. Mantém-se também arquivos dos criminosos com especialidades conhecidas, como os ladrões de automóveis ou os carteiristas. As polícias secretas e as organizações de contra espionagem possuem igualmente os seus ficheiros com os indivíduos que consideram revolucionários ou agentes inimigos. 0 perito dactiloscopisla começa por examinar as marcas reveladas no local e decorar as respectivas características. Em seguida, compara-as com as impressões digitais de pessoas inocentes que possam ter deixado marcas na cena do crime membros da família ou polícias, por exemplo. Todas as marcas que coincidam com as impressões inocentes são postas de lado. O perito retira então do ficheiro todas as impressões dos suspeitos possíveis, cujos nomes lhe foram indicados pelos detectives que investigam o caso. Se estas não coincidem, terá de fazer uma busca mais alargada e laboriosa. Se procura um ladrão, começará por reler to dos os casos de furto na localidade, seguindo depois para os das redondezas. Dependendo do tempo superiormente estabelecido para se dedicar às buscas, poderá prossegui las nos departamentos de dactiloscopia de outras forças policiais. A procura do arrombador de uma casa pode alargar-se a outros tipos potenciais de cri minosos, como os arrombadores de cofres, mas o perito pode achar que não vale
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a pena debruçar-se sobre os passadores de cheques falsos, por exemplo. Os peritos dactiloscopistas comparam ainda as impressões digitais de criminosos presos recentemente com marcas não identificadas obtidas durante a investigação de outros crimes, na esperança de resolverem casos em suspenso. Comparam igualmente as marcas não identificadas com as marcas novas para verem se determinados crimes constituem uma série interligada. Fazem diariamente dezenas de comparações, mas podem trabalhar durante dias sem conseguirem uma identificação positiva. A maior parte deste trabalho é manual e extremamente laborioso. No início da década de 80, criaram-se processos electrónicos destinados a acelerá-lo. As impressões podem hoje ser arquivadas e procuradas em sistemas de indexação electrónica, por forma que o premir um botão pode, por exemplo, apresentar-nos todas as impressões dos ladrões de automóveis conhecidos que vivam em determinada área e tenham menos de 30 anos. Estes sistemas podem ser ligados a sistemas idênticos de forças de investigação vizinhas ou mesmo aos arquivos nacionais para aumentar o potencial das buscas. A compa ração visual, contudo, continua a ter de ser feita pelo perito dactiloscopista. Cientistas de lodo o Mundo procuram desenvolver sistemas computorizados para arquivar e — o mais importante — comparar as impressões digitais e as mar cas recolhidas. Alguns processos, que chegam a fazer 60 000 comparações por se gundo, estão já a ser utilizados por certos departamentos policiais de alguns países.

O CASO ESPANTOSO DE QUATRO IRMÃOS A prova por impressões digitais conduziu, provavelmente, ao único caso em que dois irmãos, condenados junta mente por assassínio, foram executados por outros dois irmãos. Em 1905, Alfred e Albert Stratton foram acusados do assassínio de um casal idoso, espancado até à morte, no andar por cima da sua loja, em Londres. No chão, junto aos corpos, foi encontrado, vazio, o pequeno cofre em que o casal guardava as suas economias. No tabuleiro de metal do cofre, os peritos recolheram a impressão de um polegar suado ou sujo de óleo que não condizia com o dos mortos — nem com o do primeiro agente da Polícia que chegou ao local. A suspeita recaiu sobre os Strattons, ambos assaltantes conhecidos. Foram presos e julgados. A impressão do polegar constituiu a prova principal. Foram os dois considerados culpa dos e condenados à morte, sendo enforcados pelos irmãos John e William Billington, executores públicos, em 23 de Maio de 1905. "Mr. Flngertipa", ou o "Senhor Pontas-dos-Dedos" A primeira identificação de um homicida pela comparação das impressões digitais com as dedadas deixadas no local do crime foi feita na Argentina, em 1891, graças aos trabalhos do dactiloscopista João Vucetich. Anteriormente, o método habitual de registo dos caracteres dos criminosos baseava-se no sistema antropomé Irico, criado pelo criminologista francês Alphonse Bertillon, e implicava a medição dos braços e pernas do criminoso, bem como fotografias de frente e de perfil. O inglês Edward Henry interessou-se pelas impressões digitais na década de 1890, quando foi inspector-geral da Polícia de Bengala, na índia. As suas ideias despertaram interesse em Inglaterra, e, em 1901, Edward Henry foi nomeado responsável pelo Departa mento de Investigação Criminal ria Scotland Yard. Aí criou a primeira Secção de Impressões Digitais, que em seis meses procedeu a mais de 100 identificações bem-sucedidas. Henry foi posteriormente comissário da Polícia Metropolitana. Reformou se o recebeu um título nobiliárquico em 1918 — mas ficou sempre conhecido por "Mr. Fingertips" ("Sr. Pontas-dos-Dedos").

Marcas e impressões digitais. A marca deixada no local do crime (à esquerda) foi recolhi da por um perito policial. Foi seguidamente comparada com a impressão digital do suspeito, feita com tinta, verificando-se correspondência entre 12 características.

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A "dactiloscopia" genética: processo de identificação que não falha
A "dactiloscopia" genética alterou o curso da investigação criminal: é o método até hoje mais rigoroso para a identificação de um individuo. O processo pode igualmente provar a paternidade de uma criança e controlar a criação de animais raros. 0 inglês Alec Jeffreys, geneticista da Universidade de Leicester, descobriu a dactiloscopia genética em 1984. Fazia investigações sobre o ácido desoxirribonudeico (ADN), 0 composto químico que, no inte rior de todas as células vivas, determina as características de cada indivíduo, como a cor dos olhos c do cabelo. A estrutura do ADN é diferente de pessoa para pessoa, excepto nos gémeos idênticos. 0 Prol. Jeffreys descobriu que no interior da molécula de ADN existe uma sequência de informações genéticas que se repete muitas vezes ao longo da respectiva estrutura, formando uma dupla espiral. 0 comprimento da sequência, o nume ro de vezes que ela se repete e a sua localização precisa dentro da cadeia do ADN são únicos em cada indivíduo. Criou-se um processo de passagem destas sequências a registos visíveis. A imagem final, a "impressão digital" genética, consiste numa série de barras sobre uma película de raios X, semelhante aos códigos de barras utilizados nas embalagens dos produtos. Para obter um espécime de ADN o cientista precisa apenas de uma amostra bioló gica contendo algumas células humanas - em geral, sangue, sémen ou cabelo em quantidades mínimas. A "dactiloscopia" genética é tão impor tante no estabelecimento da inocência como da culpa. O ladrão que parte uma janela pode deixar no vidro vestígios de sangue que servem para a criação de uma impressão genética. Quando a Polícia prende um suspeito, extrai-lhe um pouco de sangue e compara a impressão genética com o que possui; se ela condiz, trata-se do ladrão; se não, o preso está inocente. Quando possui uma impressão genética, mas não um suspeito, a Polícia pode obter impressões de um grupo de pessoas fazendo colheitas de sangue. A primeira recolha de impressões genéticas de um número considerável de pessoas foi feita no Leicestershire em 1987, quando se extraíram amostras de 5500 homens que viviam nos arredores de uma aldeia em que

O ADN indica o culpado. O padrõo de ADN (ao meio) obtido de uma mancha de sangue encontrada no local do crime é comparado com os de se/e suspeitos. Só o padrão imediatamente à esquerda condiz exactamente Os outros são semelhantes, mas nâo idênticos Pode assim determinar-se a culpabilidade de uma pessoa e a inocência de outras seis. duas jovens tinham sido violadas e mortas. O criminoso foi encontrado quando um homem disse a alguém que um seu companheiro de trabalho lhe pedira que tomasse o seu lugar quando fossem feitas as recolhas. Um outro homem, anteriormente acusado de um dos crimes, foi libertado porque a sua impressão genética não se ajustava às provas obtidas na cena do crime. A "dactiloscopia" genética pode também servir para resolver disputas de paternidade. Um filamento de ADN é igualmente constituído pelas características de ambos os progenitores. Comparando as im pressões genéticas da mãe e do filho, o cientista pode afirmar com toda a segurança que os elementos da impressão genéti ca do filho que não condizem com os da mãe provêm do seu verdadeiro pai. Outra utilização é nos transplantes de medula óssea. Os médicos verificam se a impressão genética do paciente após o transplante condiz com a do dador. Na afirmativa, o transplante teve êxito e está a produzir leucócitos sãos. Não coincidindo, o transplante não deu resultado. Os zoólogos podem utilizar a "dactilos copia" genética para controlar a criação de animais raros e a conservação de certas espécies. Comparam as impressões gene ticas obtidas de animais para assegurar que o cruzamento consanguíneo nas espécies ameaçadas - que produz animais enfraquecidos — seja evitado.

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Como se produz um retrato-robô de um criminoso
Em Fevereiro de 1959, um ladrão armado assaltou uma loja no Sul da Califórnia e fugiu com o produto do roubo. Não teria passado do típico crime menor, excepto por um facto: o proprietário do armazém forneceu ao xerife Peter Pitchess, da Polícia do Condado de Los Angeles, uma descri ção pormenorizada do ladrão, o que permitiu à Polícia fazer um retrato muito parecido do homem que procurava Esse retrato foi posto a circular na zona, o que levou à identificação e prisão do larapio - o primeiro criminoso do Mundo a ser apanhado graças a um retrato-robô. 0 processo fora concebido na década de 40 principalmente por Hugh C. McDonald, funcionário policial do Departamen lo de Identificação de Los Angeles. Munin dose de cerca de 50 000 fotografias de rostos de pessoas, cortou-as em 12 secções principais, que utilizou como a base do que chamou ldentikit (à letra, "estojo de identidade") — o que entre nós permite fazer o chamado retrato-robô. O ldentikit era formado por quase 400 pares de olhos, lábios, narizes, queixos, linhas de cabelo, sobrancelhas, barbas, bi godés, etc, todos diferentes entre si. Para se construir um retrato, as diversas feições eram desenhadas em folhas de plástico transparente que se faziam combinar até se obter um retrato composto que se ajustasse às descrições testemunhais do indivíduo que se procurava. O emprego de fotografias ou de esboços desenhados para identificar e prender criminosos começou cm França na década de 1880, altura em que o criminologista Alphonse Bertillon criou um processo que chamou portrait parle (retrato falado). Este processo utilizava fotografias de criminosos tiradas de frente e de perfil, cortadas em secções e montadas por forma que certas feições — um nariz aquilino, um queixo proeminente, orelhas salientes pudessem ser estudadas. Tornava-se assim mais fácil para os agentes reconhecer na rua os criminosos que procuravam. Nos meados da década de 70, surgiu na América do Norte um novo sistema de retrato-robô. Foi aperfeiçoado por Pai Dun leavy, funcionário da Real Polícia Montada do Canadá, e serve-se de folhas de plástico com fotografias autênticas das diversas feições do rosto. No Reino Unido, desde 1970 que a Poli cia utiliza um sistema denominado Photo-FIT (facial Identification technique — técnica de identificação facial). O sistema emprega também fotografias autênticas de pessoas "vulgares" montadas sobre delga das folhas de plástico. O conjunto básico, em cinco secções, compõe-se de 195 liQuer se utilize o Photo-FIT, quer o Idenlikit, os detectives começam por pedir às testemunhas que recordem os pormenores do crime em si, passando depois à descrição genérica do suspeito ou suspeitos. Eram baixos e atarracados ou magros e altos? Que tipo de vestuário usavam? E que fizeram na verdade no local do crime? Só

então as testemunhas são interrogadas
Polícia assassino. Em consequência da montagem de um retrato-robô em França, o assassino foi identificado como um dos pO lícias que colaboravam nas investigações. nhãs de cabelo, 99 olhos o sobrancelhas, 89 narizes, 105 bocas o 74 queixos e faces — o que permite biliões de combinações possíveis. Além disso, podem ainda acreseentar-se barba, bigodes ou óculos. As componentes são cortadas por forma que o comprimento e a largura de uma face composta possa ser montada numa moldura que as mantém no lugar. O kit básico é de rostos de raça branca, havendo kits suplementares para os Ameríndios, Indianos e Afro-Caribes Ainda não se criou um kit para os Orientais, que são habitualmente desenhados por artistas. As testemunhas dos crimes são entrevistadas pela Polícia logo que possível, pois a capacidade de recordar começa a diminuir ao fim de uma semana acerca dos pormenores do rosto. Folheiam álbuns, ou "atlas de feições", contendo as diversas folhas de Photo-FIT ou ldentikit, fazendo as suas escolhas. A face é montada folha a folha ou tira a tira. Depois, muitas vezes, pede se a um de senhador da Polícia que retoque a ima gem: sobrepõe-se a esta urna folha de plástico transparente, sobre a qual se acresceu Iam os pormenores, como as sombras do cabelo, as manchas da pele, cicatrizes, a forma das sobrancelhas. O desenho é depois coberto por um fixador e assinado pela testemunha. Recentemente, tem sido utilizada a tecnologia dos computadoras para realçar estes retratos. Ela permite que faces com aspecto extrcmamenle verdadeiro sejam desenhadas no écran segundo as descrições das testemunhas e que se lhes apliquem as mínimas alterações. Obtém-se assim uma imagem que parece uma fotografia. Além disso, as fotografias de criminosos capturados podem arquivar-se em computador. São codificadas segundo as características físicas, e o computador pode apresentar uma escolha das que mais se ajustem à descrição das testemunhas.

Como os peritos em escrita apanham um criminoso
Na tarde de 4 de Julho de 195G, depois de um passeio, Mrs. Beatricc Weinbcrger regressou à sua casa de Westbury, em Long Island, EUA, com o filho, Peter, de um mês. Deixou o caninho no pátio e correu a buscar uma fralda. Quando voltou momentos depois, o carrinho estava vazio — e no lugar de Peter havia uma nota escrita. A nota dizia: "Atenção. Lamento que isto tivesse de acontecer, mas preciso mui to de dinheiro e não podia arranjá-lo de outra maneira. Não fale nisto a ninguém nem vá à Polícia, porque eu observo-a de perto. Estou aterrorizado e mato o bebé se 95

Rosto por computador. ;Vo mais recente processo computorizado de identificação, O E-FTT, Q descrição inicial da pessoa (1) pode alterar-se pela aplicação de um bigode (2), depois pela mudança do feitio do rosto (3) e peta colocação de uma cicatriz (4).

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Prova escrita. A caligrafia nu nota de resgate coincidia com a de La Marca num impresso de liberdade condiciono!. você fizer alguma coisa errada. Ponha 2000 dólares em notas pequenas num sobrescrito pardo e coloque-0 junto ao .semáforo na esquina da Albemarle Koad com Park Avenue exactamente às 10 horas da manhã de amanhã (quinta leira). Se tudo correr bem, deixarei o belx? na mesma esquina, 'São e Salvo', exactamen te ao meio dia. Não há desculpas, não posso esperar! O seu baby-sitler." Apesar do aviso rio raptor, Mr. c Mrs. Weinbcrger, preocupados, contactaram a Polícia. Um sobrescrito com papel de jornal cortado em pedaços foi colocado no local na manhã seguinte. Mas o raptor não apareceu. Faltou a dois "encontros" poste riores com os Weinbcrgcrs e deixou uma segunda nota assinada "o seu baby-sittef'. Nessa altura, a Polícia achou que o bebé já estaria morto. Foi chamado o FBI, cujos peritos em análise de escrita manual começaram a tentar encontrar a pista do criminoso. Em ambas as notas de resgate notou-se nos yy uma primeira perna invulgar em forma de z. Tendo começado pelo registo automóvel da cidade de Nova Iorque, os peritos passaram as seis semanas seguintes perscrutando os ficheiros locais na Polícia, nos escritórios, nas fábricas, nos clubes e nas escolas Ao lodo foram examinadas visualmente e comparadas com as notas de resgaste mais de 2 milhões de assinaturas e de amostras de caligrafia.

Até que em meados de Agosto estas pe nosas tentativas trouxeram resultados. A caligrafia de Angelo John La Marca, de Plainview, Long Island, condizia com a do raptor especialmente no traçado pe culiar dos yy. Algum tempo antes, La Marca fora posto em liberdade condicional pelo fabrico ilegal de álcool. Ao ser confrontado com as amostras de escrita, confessou o rapto rie Peter. Afirmou ter agido num impulso rie momento para minorar as suas dificuldades financeiras. Disse à Polícia que deixara o bebé vivo e são num parque próximo no dia a seguir ao rapto. Mas quando os agen tes acorreram ao local, encontraram apenas o cadáver ria criança. La Marca foi mais tarde executado na Prisão de Sing Sing. Mesmo que tivesse tentado disfarçar a letra, é provável que l.a Marca tivesse sido apanhado. Por muito que se tente disfarçar as peculiaridades e as características da escrita ou adoptar a caligrafia de outra pessoa, a "individualidade" de quem escreve vem sempre à superfície. O ângulo com que a pessoa segura a caneta, a maneira como cruza os // ou põe o ponto nos ii. a altura e o tamanho rias letras maiús cuias c minúsculas, o espaço entre as pala vras, o uso ou abuso da pontuação tudo isto identifica uma pessoa.

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QUANDO UM NOVO EMPREGO DEPENDE DA SUA CALIGRAFIA Os candidatos ao lugar de assistente rio director rio pessoal de uma companhia de computadores tinham ficado reduzi dos a dois jovens com experiência, capacidade e qualificações idênticas. Apa rentemente, nada havia que fizesse preferir qualquer deles - pelo que os en trevistadores convocaram um grafólo go para avaliar o carácter e as potencialidades de cada um. A caligrafia do primeiro candidato era grande, fluida e arredondaria; a do segundo era pequena, brusca e angulosa. Segundo o grafólogo, a primeira le tra rienotava uma pessoa autoconfiante, flexível e de bom contado. A segun da, no entanto, era de alguém que, apeTAMANHO sar do seu estatuto social e profissional, era inseguro e rígido. Por isso, o lugar foi dado ao primeiro candidato. Os grafólogos afirmam que a caligrafia é uma espécie de "escrita do cérebro" em que a mente inconsciente é conduzida aos dedos e se revela no papel. Nos EUA, um grande número rie empresas emprega grafólogos para anali sar as candidaturas a emprego, os pedidos de promoção e as sugestões recebidas pelo correio. Na Alemanha, 80% das grandes empresas utilizam grafólogos na escolha do pessoal e esta prática está a espalhar-se pelo Mundo. Os apologistas do exame grafológico afirmam tratar-se de uma forma eficaz rie INCLINAÇÃO decidir se se pode confiar numa pessoa. Nos EUA onde as empresas perdem algo como 40 000 milhões rie dólares por ano devido a empregados desonestos , a grafologia tomou o lugar rio polígrafo, ou detector de mentiras, cujos tes tes já não são autorizados por lei. A selecção por polígrafo revelou-se de validade pouco segura. E os que criticam a grafologia acusam do mesmo os grafólogos - muitos deles autodidactas e cujas apreciações frequentemente se contradizem. No entanto, a maioria dos grafólogos concorda em certos conceitos básicos corno a importância da apreciação rio carácter através ria conjugação rie LARGURA

\\VJAOJUU. - M.
Escrita grande. Denota ambição ou espirito largo. Encontra-se muitas vezes na caligrafia das pessoas do espectáculo. Escrita pequena. l3ode indicar modéstia e sentimentos de inferioridade, em bora o autor possa ser objectivo e de espirito cientifico.

çr\ Wu)t)er\
Estreita. Os indivíduos com caligrafia estreita são habitualmente disciplina dos mas inibidos. Podem ser igualmente mesquinhos e de vistas estreitas.

Inclinação para a esquerda. Pode de notar um indioiduo reservado e tímido, com tendência para esconder as suas emoções e manter uma atitude passiua.

(icjt nado Qusuuo
Inclinação para a direita. Sugere uma personalidade expansiva. O seu autor gosta de se dar com as pessoas. l.arga. Os que escrevem com letra larga são normalmente desinibidos e gostam de viajar. P<xlern ser impetuosos. —-—

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Em 1983, Gary Herbertsoii, chefe da secção de documentos do laboratório do FBI, afirmou: "Sempre que se tenta modificar a caligrafia, fazem-sc coisas que não pare cem naturais. A escrita de um falsificador não tem a velocidade, a fluência, a suavidade, da escrita natural. Notam-se fins e prin cípios dos traços bruscos ou embotados, curvas mal desenhadas, interrupções inapropriadas, ligeiros tremores. Duas letras podem ter a mesma forma, mas, mesmo assim, é possível dizer se uma foi a escrita rapidamente e a outra cuidadosamente desenhada." Além rios seus conhecimentos, os peritos em análise de escuta utilizam no seu trabalho instrumentos e aparelhos sofisticados, que incluem scanners de infravermolhos e ultravioletas com os quais examinam rasuras e emendas; equipamento de écran duplo para comparação entre documentos verdadeiros e duvidosos e instrumentos de grande ampliação da caligrafia para comparação entre as diversas formas de ligação das leiras. O mais nolável caso dos últimos tempos diz respeito ã falsificação, no princípio da dê cada de 80, dos "diários" de Adolf Hitler — nos quais o chefe nazi supostamente es crcvera os seus pensamentos mais íntimos numa caligrafia antiquada. Incluíam uma

referência ao ataque dos Russos a Berlim em Abril de 1945, quando Hitler, no seu esconderijo, supostamente escrevera: "Começou a ofensiva há muito esperada. Que Deus esteja do nosso lado." Os 60 diários foram comprados pela re vista alemã Stem, diz-se que por 6 milhões de marcos. A Stem vendeu depois direitos subsidiários em França, Espanha, Bélgica, Holanda, Itália, Noruega e Inglaterra. A publicação na Alemanha começou na Primavera de 1983 E dois dos diários — um de 1932, antes de Hitler ser ditador, outro de 1945, ano em que se suicidou — foram enviados à revista americana Newsweek, também interessada na sua publicação. Esta revista convocou um reputado perito em análise ric escrita, Kenneth Rendei!, de Boston, Massachusells, que imediatamente se mostrou desconfiado. "Mesmo à primeira vista", afirmou, "tudo parecia errado."

Utilizando um poderoso microscópio e exemplares autênticos da caligrafia de Hitler, comparou os dois conjuntos escritos — especialmente as letras E, H e K — e encontrou grandes discrepâncias e dissemelhanças entre eles — o que convenceu Rendcll de que os diários eram falsifica ções. Além disso, provou se que a tinta era moderna; e Hitler, ao tomar notas e apontamentos no princípio dos anos 30, utiliza ra unicamente papel da melhor qualidade, pelo que não era crível que tivesse recorrido ao papel ordinário, pautado, em que estavam escritos os diários falsos. Em resultado desta denúncia, um criminoso alemão já várias vezes condenado - Konrad Paul Kujau foi mais tarde preso com dois cúmplices e julgado por falsificação dos diários. Em Julho de 1985, foi considerado culpado por um tribunal de Hamburgo e condenado a uma pena de prisão de quatro anos e meio.

Como os cães e as máquinas farejam drogas e explosivos
Quando cinco mulheres de Bogotá, na Colômbia, levantaram suspeitas no Aeroporto de Heathrow, em Londres, em 1988, trouxeram-se cães especialmente treina dos para examinar as respectivas bagagens. Os cães conduziram os homens da Alfândega a 20 discos LP em cada uma rias malas das mulheres. Quando se separa ram as camadas de vinilo dos discos, descobriu-se cocaína escondida entre as duas metades. No total, foram encontrados 16 kg ria droga nos discos e em sobrecapas de livras. As mulheres foram todas conde nadas a 14 anos de prisão. Estes cães são utilizados pelas polícias e alfândegas de todo o Mundo para de tectar drogas e explosivos. Os cães treinados para este trabalho incluem os cães de caça como os labradores, os colhes c osspaniels. O cão tem um sentido de olfacto muito superior ao do homem, porque os receptores olfactivos que possui são 100 vezes mais longos que os do homem. O treino de um destes cães dura habitualmente cerca de 12 semanas. 0 cão começa por ser ensinado a reconhecer determinada droga ou explosivo. Para isso, o treinador esconde uma amostra do produto dentro de qualquer coisa que o cão consiga agarrar com a boca — um jornal enrolado, um pedaço de cano, um trapo Ordena-se ao cão que entregue esse objecto ao treinador e dá-se-lhe uma recompensa. Esta pode ser qualquer coisa que esse cão goste de fazer — uma luta amigável com o dono ou um jogo de escondidas.

certos factores fundamentais, e não de uma qualquer característica peculiar. Em geral, os grafólogos dividem a caligrafia em três "zonas": a zona superior e a inferior, formarias pelas partes superiores e inferiores das maiúsculas e de outras letras, como ob, odcog, ea zona intermédia, contendo as restantes leiras minúsculas. Serão as dimensões relativas das três zonas que revelarão a verdadeira personalidade do indivíduo. Uma zona superior grande, por exemplo, indica uma pessoa aberta e alegre; uma zona inferior pequena sugere superficialidade, e uma zona intermédia de tamanho médio denota uma personalidade metódica e prática. ESPAÇAMENTO

Grandes espaços. As pessoas que separam muito as palavras não se dão bem na companhia dos outros Podem ser reservadas e solitárias.

Verificação de um saco. Este detector portátil de explosivos, sensível aos vapores, é hoje utilizado nos principais aeroportos do Mundo. O cão aprende a reconhecer o cheiro do objecto de Ireino, que é na realidade o cheiro da droga ou do explosivo. O objecto utilizado no Ireino é mudado periodicamente, mas o cheiro mantérn-se o mesmo. Ao princípio, esse objecto é colocado à vista do cão, depois passa a ser escondido. 97

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Espaços apertados. Pequenos espa cos entre as palavras denotam uma pessoa gregária, mas que escolhe indiscriminadamente os amigos.

Processos antigos e modernos de levar a melhor sobre os traficantes
Os funcionários aduaneiros de Southamp lon estavam muito desconfiados de parte de um carregamento procedente da Co lômbia - importante centro produtor do droga - com destino à Holanda, pois os cadeados de um contentor cheio de ladri lhos cerâmicos pareciam ler sido forcados. Baseando-so apenas neste facto e na sua intuição, os funcionários decidiram invés ligar. O carregamento fora descido de um navio para se proceder a uma nova arruma Cão da carga, pelo que os funcionários tive ram de agir depressa e cm segredo. Removeram o contentor para o examinar e dopa raram com um compartimento escondido, de aço, com uma profundidade de 10 cru a todo o comprimento da parte superior. Abríram-no com maçaricos de oxiaceti leno o descobriram uo seu interior 210 kg veis, fibras ópticas no interior do tubo transporiam a imagem até uma pequena ocular. Certas máquinas especiais de raios X fornecem imagens a coros o detectam o que quer que se encontre escondido don tro de um recipiente. Mostram, por exem pio, as dimensões o posições relativas dos objectos dentro do um saco. Um dos aparelhos mais úteis usados por estes funcionários é lambem um dos mais simples: a balança. Os funcionários sabem quanto posa uma mala media quando cheia. Por isso. pesam as bagagens dos passageiros suspeitos e revistam nas se as acharem com poso a mais. Podem ainda esvaziar uma mala o pesá-la: se pesar mais do que o valor dado pelo fabricante, poderá ser revistada cm busca de drogas, diamantes, ouro ou outro contra bando que esteja escondido em comparti mentos dentro do forro. Doce subterfúgio. Em i')SH. no Aeroporto de Heathrow, em Londres, descobriu se lie roina escondida em paneis de caramelos.

Cáo que fareja. Uma funcionária adua neira do Aeroporto internacional de Miami dá instruções uo seu câo na incessante pro cura de drogas. Cheiros como os do perfumes, que coitos traficantes espalham para disfarçar o cheiro cias drogas, são igualmente utilizados para que o cão se habitue a elos. Um cão podo ser treinado a reagir a 12 tipos diferentes do explosivos e a •'! lipos diferentes de drogas - em geral, cannabis (haxixe), cocaína, heroína o aiiíetaminas. Quando se leva um cão para procurar drogas numa carrinha ou num armazém. veste-se-lhe um "colete" especial - sinal de que deve começar a trabalhar. Quando localiza um cheiro que sabe lhe trará uma recompensa, o cão fica agitado o excitado. Nossa altura, entram os funcionários da Alfândega ou da Polícia. Amostras de ar As máquinas,utilizadas na detecção do drogas e explosivos aspiram ar por um tubo que pode sor introduzido em espaços escusos, como depósitos de gasolina, for ros dos automóveis ou intervalos onlre paredes. Recolhem-se também amostras de ar de contentores c camiões onde se sus peita que possam estar escondidas drogas e matérias explosivas. As amostras do ar são analisadas por um aparelho, o espectrómetro de massa, que as decompõe nos seus componentes químicos o identifica os mais pequenos vesti gios de substâncias usadas nos explosivos ou nas drogas. Afirma se que podem ser identificados vestígios Ião diminutos como um Irilionésimo de grama. Movimento de electrões Km alguns aeroportos internacionais incluindo o de Seul antes dos Jogos Olímpicos de 1988 -. foram instaladas máquinas "farejadoras", através das quais podem transitar pessoas. Estas máquinas detectam dinamite ou nitroglicerina, que enn tem um vapor que atrai electrões. Uma corrente eléctrica que atravessa a máquina detecta o movimento dos electrões.

de cocaína em 263 pequenos pacotes, va
lendo mais de 13 milhões de contos. O contentor foi novamente selado — lo vanrío sacos do grãos do cereais em vez da droga — o voltado a colocar a bordo sem que ninguém disso se apercebesse. O navio continuou a sua viagem e o contentor foi descarregado no porto holan dés de Roterdão. Foi levado para um parque do caravanas, onde um gru po de oito homens CO nieçou a cortar o tecto. Nossa altura, a Polícia Holandesa apareceu o prendeu os traficantes, que foram julgados o condenados, com penas de até sois anos, por tráfico do cocaína. Óculos escuros Todo o passageiro que chega do estrange ro e se mostra nervoso desperta a atenção do pessoal das alfândegas. Este está atonto a quem quer que se mostre demasiado agi tado que pisque os olhos mais vezes que as habituais; que uso óculos escuros para esconder estes sinais denunciadores; que transpire exageradamente (particularmente os homens, nas costas das mãos), ou cuja respiração seja acelerada. Despertada a suspeita, os funcionários aduaneiros servem-se de equipamento especial para aprofundar a busca. Com um espoei roscou i o — tubo comprido e delgado com uma lente na extremidade - . conseguem ver o interior dos depósitos de ga solina ou os forros das portas dos automó-

Olho que espreita. Um funcionário adua neiro utiliza um espectroscópiò para obser uar um depósito de gasolina em busca de cannabis que ali possa estar escondida

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O ESTRANHO CASO DOS CARACÓIS PORTADORES DE DROGA totalizando cerca de G00 g de droga. Em Julho de 1988, um funcionário aduaO traficante foi preso, e os funcionáneiro do Aeroporto de Hanôver, na Ale rios aduaneiros de Hanôver transmitimanha, suspeitou de um passageiro ram o caso aos seus colegas por toda a que transportava um saco em mau estaAlemanha. A partir de então, dedicou-se do e acabara de chegar. especial atenção aos passageiros vindos 0 saco foi aberto, verificando-se que da Nigéria. continha um saco de plástico cheio de caracóis comestíveis vivos da espécie Duas semanas depois, foi apanhado Achalina fálica, cuja casca é do tamano Aeroporto de Hanôver outro nigerianho de um punho. Partindo uma das no que tentava passar uma porção de cascas, o funcionário descobriu no seu heroína ligeiramente maior, também es interior diversas pequenas embalagens, condida em conchas de caracóis Achalicontendo cada uma cerca de 30 g de na. Graças à atenção de um funcionário, heroína. Embalagens semelhantes fofora frustrado mais um engenhoso meio ram encontradas nos outros caracóis, de fazer tráfico de droga.

Reconstituindo os últimos momentos de um desastre de avião
O avião é normalmente um meio de transporte extremamente seguro. As estalísti cas mostram que, anualmente, cerca de 1100 pessoas morrem no Mundo em acidentes aéreos - contra 40 000 em acidentes de viação só nos EUA. No entanto, desde os primórdios da aviação que os acidentes se verificam. 0 primeiro a ser registado deu-se em 1908. Thomas C. Selfridge, tenente do Exército Americano, morreu quando o avião de Orville Wright caiu em Kort Myer, Virgínia, após se ter partido uma hélice de madeira. Wright, um dos pioneiros dos voos pilotados, partiu uma perna. Selfridge, seu passageiro, morreu quase instantaneamente. Actualmente, quando um avião se despenha — seja um pequeno avião de dois passageiros, seja um Jumbo transportando mais de 500 pessoas —, procede-so sempre a uma investigação cuidadosa sobre as causas do acidente para delas se po-

Às vezes, uma peça de bagagem desembarcada de um avião pode ser "apontada" por uma máquina de raios X ou um cão treinado. Os funcionários aduaneiros aguardam que ela seja levantada pelo dono - e detêm no à passagem pelo pos to de controle. Os funcionários das alfândegas estão atentos aos passageiros provenientes de países conhecidos como exportadores de droga. Em particular, estão atentos aos correios que transportam as drogas, principalmente cocaína e heroína, dentro de preservativos, que engolem - re-

cuperando-os depois por ríefecação ou vómito — ou os introduzem nos orifícios do corpo. Nos portos de ferry-boats e nas fronteiras terrestres, os condutores ou passageiros sem explicação adequada para a sua viagem, os que se mostrem tensos ou hesitantes ou uma pessoa mal vestida conduzindo um automóvel de luxo podem ser sujeitos a revista. Muitas capturas resultam de suspeitas surgidas no momento, mas muitas mais são devidas a horas de penoso trabalho de investigação.

Tragédia no espectáculo aéreo. Três pessoas morreram num Airbus francês que caiu quando tomava parte num espectáculo aéreo perlo de Multtouse, no Leste de França, em Junho de 1988. A queda verificouse quando o avião entrou por uma mata com áwores de 12 m de altura. Miraculosamente, 133 outros passageiros do Airbus sobreviveram à queda, embora o avião tivesse ficado quase totalmente destruído. A descida do aparelho foi aparentemente amortecida pelas árvores sobre que aterrou. O piloto foi despedido pela Air Frunce quando os registos de voo da caixa negra revelaram que ele não obedecera a avisos sonoros dos controles para que aumentasse a altitude.

derem tirar lições que evitem futuras tragedias. Quer a causa suspeita seja uma bomba ou uma peça defeituosa, os princípios da investigação são os mesmos. Os primeiros passos incluem a recuperação dos destro ços, estejam numa montanha ou no fundo do mar. Os investigadores de acidentes aéreos dirigem se ao local. Fazem um mapa da área em que se encontram os destroços, o que pode revelar a sequência da queda, e recolhem amostras de todos os destroços para o caso de alguma delas poder fornecer algum indício. Os metais fendem ou fundem de maneira diferente, conforme os ti pos cie calor, de pressão ou de explosão. A recolha e exame dos corpos orientados por peritos médicos podem determinar a altura e a causa da morte e contribuir assim para descobrir a origem do desastre. 0 ano mais fatídico em desastres de aviação foi o de 1985, em que mais de 800 pessoas morreram em dois desastres com Jambos Boeing 7-17. A princípio, julgou-se que os acidentes tinham sido causados por talhas mecânicas dos aviões, mas ficou provado que esta ideia não linha fundamento. O primeiro acidente deu-se com um 747 da Air índia que se dirigia a Deli, procedeu te de Vancouver, via Londres. A cerca de 31 000 pés (9500 m.) sobre o Atlântico Nor le. a oeste de Shannon, na Irlanda, o avião desintegrou se e mergulhou no mar. Os 32!) ocupantes morreram. Embora mais de 130 corpos e alguns destroços tenham sido rapidamente recuperados, levou três meses a localizar e traçar um mapa do resto do avião. A maior parte encontrava-se no fundo do mar. a 2000 m de profundidade. Foi localizado pelo emprego de equipamento de sonar e mini submarinos, a partir de barcos de recuperação trabalhando à superfície. Os primeiros e mais importantes destroços a serem recuperados foram o aparelho de registo de voo e o gravador de vozes do cockpit (cabina de pilotagem). Estes aparelhos são frequentemente apelidados de "caixas negras" mas, na realidade, são habitualmente cor de laranja ou vermelhos para serem vistos mais facilmente. Bomba terrorista Quando o gravador de vozes da cabina - que regista em fita gravada OS sons no interior do cockpit foi posto a funcionar, pareceu aos investigadores terem ouvido c> som de uma explosão gravado no último milissegiindo de fita antes da desintegra çâo do avião. Embora não houvesse prova directa de uma bomba terrorista, os destro ços apresentavam sinais bastantes para a tornarem plausível. Os assentos estavam queimados por baixo e a porta de carga de vante parecia ter sido atirada para fora, en quanto outras se mantiveram intactas. Os peritos conseguiram também apontar exactamente os sítios onde os corpos

AS MAQUINAS QUE REPRODUZEM A TRAGÉDIA

Investigadores examinam o aparelho de registo de ooo de um avião da Air Florida que se despenhou no rio Potomac, Washington DC. em Fevereiro de 1982. O gravador de vozes do cockpil (ã direita) registou as conversas da tripulação durante o ooo. Os destroços que mais importa recuperar são os dois aparelhos de registo transportados a bordo dos aviões civis. 0 aparelho de registo de voo fornece uma cravação dos movimentos dos instrumentos principais, como os indicadores de velocidade e de altitude e as posições dos lemes e dos aHerons. As informações são registadas sob a forma de impulsos electrónicos numa fita. Quando esta é passada, fornece um gráfico computorizado dos movimentos do avião. Pode igualmente programar•se um visor de computador para que reproduza o mostrador dos instrumentos principais, dando uma imagem mais realista. Os aparelhos de registo de elementos de voo podem gravar até 200 horas de tempo de voo. Os aparelhos de registo de vozes do cockpil gravam as conversas e outros sons da tripulação. Funcionam em fita continua, que dura 30 minutos, pelo que, em qualquer altura, apenas estão gravados os últimos 30 minutos. No entanto, este sistema tem um ponto fraco: se com a queda o gravador não parar, este continuará a funcionar, apagando a parte vital da informação. Estes aparelhos de registo estão insta lados na cauda do avião — a zona de maior probabilidade de sobrevivência à queda - numa caixa de paredes duplas de aço inoxidável, contendo entre elas um material termoisolante. Devem ser capazes de suportar sem danos uma temperatura de 1I00"C durante 30 mi nutos.

recuperados tinham estado sentados e es tabeleceram os padrões de diferentes tipos de ferimentos, o que apoiou a teoria de que 0 avião explodira no ar. Outro indicativo surgiu quando investi gadores canadianos descobriram que na carga figurava urna mala de um passageiro indiano que não embarcara Um conjunto de circunstâncias seme Ihanles rodeou a explosão de uma mala no Aeroporto de Narita, em Tóquio, que matou dois bagageiros, quase à mesma hora em que ocorria o desastre do avião da Air índia. Ambas as inalas foram identificadas como pertencentes a um mesmo homem de Vancouver, e pensa se que as explosões foram obra de terroristas sikhs. Dois meses depois do desastre da Air índia, um 747 das Linhas Aéreas Japonesas que voava entre Tóquio e Osaka despe nhou se contra o monte Osutaka, 113 km a norte de Tóquio. Apenas A dos 528 passageiros se salvaram. Alguns minutos depois de levantar voo, ouviu-se um grande estampido na parte de trás da cabina, seguido pela falha completa

de todos os instrumentos. A tripulação lutou durante 32 minutos para manter o avião no ar, até que este se despenhou, desintegrando se quase completamente. Os quatro sobreviventes ocupavam, juntos, quatro lugares no centro do aparelho. A gravação das conversas entre a tripulação e os controladores de tráfego aéreo revelou-se de pouco valor. Mas a história do avião mostrou que este fora reparado pelos fabricantes, a Boeing, depois de uma má aterragem em Osaka em 1978, na qual a parte de trás do avião raspara na pista O exame dos destroços revelou que os mecânicos que procederam à reparação tinham deixado um pequeno espaço entre as chapas de reforço de uma junção rebita da num dos tabiques divisórios. Este inter valo expusera a junta a pressões que teriam levado ã sua ruptura, permitindo a passagem de ar da cabina para o sector da cauda. Como consequência os cabos de controle hidráulico tinham rebentado, ar rançando o leme de direcção e os de pro fundidade, o que tornara impossível o do rnínio do avião.

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Ideias práticas e soluções engenhosas

Fotografar uma bala em movimento, converter o vento em energia eléctrica e transformar fibras em linha de coser — o homem descobre a resposta a numerosos problemas fascinantes.

Como se obtêm os metais puros
São poucos os melais que emergem da terra perfeitos e brilhantes. Às vezes, des cobrem-se pepitas de ouro: em 1869, foi encontrada em Vitória, na Austrália, uma pepita de ouro puro pesando quase 70 kg. Mas outros metais aparecem sob disfarces pouco vistosos, combinados com oxigénio, enxofre, carbono e outros elementos e formando minérios que, no seu aspecto, pouco diferem de rochas ou terra. O primeiro passo na obtenção do metal puro é separar o minério da terra e das pedras que com ele são escavadas. Caria metal exige o seu processo próprio. As companhias mineiras de chumbo e cobre juntam os minérios a uni líquido sobre o qual se formou espuma por meio de borbulhamento por ar; este líquido contém

Ferro. A hematite, um minério de ferro, deve o nome à sua semelhança com sangue seco.

ainda um produto químico que se designa por colector e que faz com que as partículas minerais adiram à superfície das bolhas de ar, enquanto o restante material se depo•,* sita no fundo. Os materiais valiosos são transportados pela espuma para serem recolhidos e secos. Para extrair o metal puro do minério, utiliza-se muitas vezes o calor num processo de fusão. 0 homem primitivo descobriu que, ao aquecer minérios num fogo de carvão, obtinha uma massa esponjosa que podia martelar para fabricar utensílios. 0 cobre era fundido por este processo no antigo Egipto e, mais tarde, foi utilizado o mesmo método para a produção de um metal más útil, o ferro. Na época medieval, descobriu-se que o emprego de fornalhas com foles para insuflar o ar aumentava a temperatura do fogo, obtendo-se não um pedaço informe de metal, mas ferro líquido que podia ser vazado em moldes. 0 minério de ferro é constituído por óxido de ferro, porque o metal, no estado natural, se encontra combinado com oxigénio. No processo de fusão, o óxido de ferro reage com o carbono obtido pela conversão da madeira em carvão. Os átomos de oxigénio desprendem-se do ferro e juntam-se ao carbono, produzindo um gás, óxido de carbono, o qual por sua vez se liberta, deixan-

Ouro. Os depósitos de ouro, chamados filões, encontram-se ern oeios de

De minério a ferro. O minério é transfor mado em ferro num alto-forno, onde reage com coque e calcário a uma temperatura de I600"C. A gusa (ferro fundido) é vazada em lingotes (em cima).

do corno -^ ^ • k * ! depósito o ^il,T' ' ferro. A versão moderna deste processo utiliza o co que, em vez do carvão de madeira, como fonte de carbono e tem lugar em enormes altos-fomos com capacidade para produzir diariamente milhares de toneladas de ferro. O ferro assim produzido, a gusa, possui demasiado carbono para a maioria das utilizações, pelo que tem de ser convertido em aço pela remoção do carbono. O aço é a forma mais importante do ferro. 0 alumínio ocorre em combinação com o oxigénio no minério bauxite. Embora seja de todos o metal mais abundante, apenas começou a ser produzido em quantidades significativas no final do sé culo xix, por requerer grande quantidade de energia para ser separado do oxigénio. O processo utilizado é a electrólise. Faz-se passar uma corrente eléctrica por um banho de óxido de alumínio fundido, o que vai retirar o oxigénio e deixar um depósito de alumínio líquido. A maior dificuldade reside no ponto de fusão extremamente alto do óxido de alumínio — mais de 2000°C, comparados com os 1600"C do ferro. O problema resolve-se misturando o óxido de alumínio com um fundente, neste caso um mineral chamado criolite (fluoreto duplo de sódio e alumínio), que baixa o ponto de fusão para 1000°C. O ouro ocorre frequentemente sob a forma de escamas ou pequenos grãos no leito dos rios. 0 problema consiste em separar as diminutas quantidades de metal da massa de matérias inúteis (ganga). Os pesquisadores extraíam-no por uma operação puramente mecânica, para o qiie utilizavam bateias (espécie de pratos grandes). Mergulhando as bateias no rio e agitando as em seguida, conseguiam separar as escamas de ouro das areias, que, sendo menos densas, eram levadas pelas águas, deixando depositado o ouro, mais denso. Actualmente, usa-se um produto químico. O minério, triturado, é misturado com uma solução de cianeto de potássio,

Granulação d Gotas de ouro derretido são lançadas em águt fria (em cima). Os grãc que então se formam (à direita, em tamanho natural) podem ser pesados com precisão quando adquiridos por um joalheiro. que dissolve o ouro. A solução já contendo o ouro é filtrada para remoção das impurezas não dissolvidas, e o ouro é finalmente separado por precipitação. Uma tonelada de minério produz cerca de 10 g de ouro.

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Como se transforma areia em vidro
Há 5000 anos, nalguma praia do Médio Oriente, alguém terá feito uma fogueira e encontrado depois, sobre a areia, pequenos glóbulos transparentes brilhando como jóias. Como é que estas curiosidades se transformaram num dos mais importantes materiais do século xx o vidro9 A matéria prima para o fabrico do vi dro é a sílica, que, sob a forma de quartzo — sílica cristalizada —, é o mais abun dante de todos os minerais da Terra. Geralmente transparente ou de cor branco•leitosa, encontra-se em muitas rochas, designadamente no granito. E como todas as praias do Mundo foram formadas por rochas que o mar desfez em minúsculas partículas, a areia é a principal fonte de sílica. Na próxima vez que for à praia, examine um punhado de areia. Os grãos semitransparentes — e não pretos, vermelhos, ama relos ou de outra cor bem definida — são grãos de quartzo. A areia contém outros minerais, mas o quartzo é o seu componente principal, porque c duro, insolúvel e não se decompõe, e por isso dura mais. A sílica pura tem um ponto de fusão Ião elevado que o fogo de uma fogueira vulgar não a converte em vidro. Por isso, os pri meíros vidreiros do Médio Oriente devem ter feito a sua fogueira sobre areia impreg nada de soda (carbonato de sódio) deixa da pela evaporação da água de um lago ou do mar. A soda actua corno fundente, baixando o ponto de fusão da sílica. Actualmente, coinbinam-se cal e soda com a sílica para produzir o vidro utilizado no fabrico de garrafas, vidraças e copos baratos. Quando arrefece c solidifica, o vidro não retoma uma estrutura cristalina como a do quartzo, mantém uma estrutura desordenada, como que a do líquido congelada - é um material amorfo muito transparente. Por arrefecimento lento ou tratamento térmico posterior, o vidro pode começar a cristalizar, tornando se translúcido, de um branco leitoso.

Vidros de ir ao forno e cristal de chumbo Outros materiais podem ser adicionados para dar cor ou melhorar a qualidade do vidro acabado. O vidro com 10 a 15% de ácido bórico, resistente a aquecimento ou arrefecimento súbitos, é utilizado em peças de ir ao forno. A incorporação de óxido de chumbo produz um vidro pesado e brilhante o cristal de chumbo. A moderna chapa de vidro obtém se aquecendo os ingredientes em tanques compridos. A mistura contém sempre vi-

VIDRO DURO - PLÁSTICO MOLE 0 vidro é duro, mas frágil, porque nele cada átomo está unido aos outros por ligações químicas muito rígidas, que, submetidas a uma força suficiente, se quebram. Os plásticos transparentes são polímeros formados por moléculas muito grandes. Estas são enormes cadeias flexíveis constituídas por milhões de átomos. As ligações entre estes são muito fortes, mas as ligações entre cadeias sáo fracas, o que torna os plásticos flexíveis.

Vidro à prova de bala. As janelas dos automóveis dos diplomatas podem ser feitas de vidro reforçado com folhas de plástico endurecido. A janela absorve a energia da bala, e o plástico evita os estilhaços.

FABRICO DE VIDRO NUM BANHO DE ESTANHO FUNDIDO
Tremonha de ,_ Tremonha da frita estilhaços de vidro

Vidro por flutuação. As mate rias primas são fundidas ern fornos enormes.

Os ingredientes. A frita, mistura de areia, soda e cal, é combinada com estilhaços de oidro c sulfato de sódio impuro para ser aquecida no forno.

Fornos de fusáo. Jactos de chama sáo projecta dos dus paredes do forno, que atinge a temperatura de I590"C, para fundir os ingredientes.

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dro partido, que funde a temperatura inferior à dos outros materiais e os ajuda a combinarem-se mais completamente. Enquanto a chapa acabada sai de uma das extremidades do tanque, na outra extremidade entram as matérias-primas, de forma a manter constante o nível do tanque. Mais forte que o aço Pensa-se que o vidro é um material fraco, mas na verdade ele é muito forte. Uma fibra de vidro sem fissuras submetida a tracção longitudinal é cinco vezes mais resistente que o melhor aço. Fibras de vidro ligadas com plástico produzem um material resistente e elástico — o plástico reforçado com fibra de vidro, utilizado em cascos de barcos e carroçarias de automóveis. 0 vidro de segurança obtém-se por dois processos: por têmpera e por laminaçáo. Na têmpera, o vidro é aquecido até exactamente abaixo do seu ponto de fusão e depois arrefecido rapidamente com jactos de ar. Ao arrefecer e contrair-se antes da parte interior, a superfície do vidro fica comprimida. Como só depois de superada esta compressão o vidro se quebrará, o vidro temperado suporta melhor a flexão e a percussão. Além disso, quando se parte, desintegra se em fragmentos, em vez dos estilhaços perigosos do vidro vulgar. Outro tipo de vidro de segurança é uma "sanduíche" de duas placas de vidro unidas por uma folha de plástico. Embora esta última possa ser muito delgada, é resistente. Uma pancada pode estilhaçar o vidro, mas

Fabrico de vidraças à antiga

A

técnica de fabricação de vidros para janelas foi aperfeiçoada no século xiv na Normandia, em França. Cada peça deste vidro, conhecido como vidro coroa (crown glass), era individualmente soprada por um artesão. Um soprador experimentado fazia apenas cerca de 12 vidraças por dia. Este processo de fabrico consistia em soprar o vidro por um tubo até formar um grande balão. Este era depois achatado e ligado a uma haste de ferro chamada pontel, que o operário fazia girar o mais rapidamente possível. O balão de vidro, achatado, ia se alargando até formar um círculo de 1 a 2 m de diâmetro, conforme o tamanho do balão inicial e a perícia do artesão. As chapas circulares de vidro redondas e planas eram então cortadas para formar pequenas vidraças, especialmente destinadas às igrejas. A parte central do disco, contendo a zona de fixação ao pontel, de grande espessura e rodeada por estrias circulares, era a menos transparente, mas aproveitava-se dado o seu elevado preço.

Vidro coroa. Um soprador de vidro gira urna chapa de vidro num pontel. formados por três ou quatro placas de vidro intercaladas com placas de polivinilo e são capazes de resistir ao choque de uma ave grande com o avião voando até 650 kuVh. Este mesmo vidro protege os pilotos de aviões militares contra as balas.

este continua a aderir ao plástico, não sol tando os estilhaços, o que o torna apropriado para os pára-brisas de automóveis. Os pára-brisas de avião têm de ser capazes de suportar altas pressões, temperaturas extremas e impactes de aves em voo. São

BANHO DE ESTANHO FUNDIDO

CÂMARA DE TEMPERATURA CONTROLADA

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Elementos de aquecimento Regulador de temperatura Queimador a gás
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Rolos de transporte da fita de vidro
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Estanho líquido. O vidro fundido escorre sobre a superfície de um . Chapas de vidro. Depois de arrefecido, o vidro sai do banho, desli banho de estanho em fusão. A medida que avança, flutuando, o vidro za em cilindros, é cortado em chapas e lavado com jactos de água. O arrefece até 600"C e solidifica, ficando com uma superfície mais plana. vidro por flutuação tem espessura uniforme e é liso dos dois lados. 105

Vitrais medievais
estrutura do vidro, apesar de forte, contém muitos espaços vazios porque os seus átomos estão aglomerados ao acaso, como um monte de lijo los, e não alinhados ordenadamente, como os tijolos numa parede. Lsles espaços podem ser ocupados por átomos de metais que afectam a forma como a luz é transmitida através do vidro. Metais diferentes absorvem luz de diferentes frequências, dando ao vidro que os contém uma cor característica. Este princípio está na origem de uma das magnificências da catedral medie vai, o vitral. Quando adicionado ao vidro fundido, o cobre torna-o vermelho-rubi; o cobalto, azul; o ferro, verde; 0 antimó

A

nio, amarelo, e o manganês, púrpura. Vidros do tamanho aproximado deste livro eram fabricados em diferentes cores e depois cortados com as formas requeridas. Finalmente, eram montados para formarem janelas completas. As variações da espessura do vidro, inevitáveis na tecnologia medieval, realçavam a beleza das janelas, proporcio nando subtis variações de tonalidade. Quando se aperfeiçoaram as técnicas do fabrico de vidro, perdeu se muila desta subtileza. Cores intensas. Este vitral de urna igre ja em França represento a coroação da Virgem. A diversidade dos azuis deoe-se às diferenças de espessura das peças de vidro.

Como se faz papel a partir das árvores?
Foi uni funcionário ligado ã corte imperial chinesa. Tsai Lun, quem, por volta do ano 105, descobriu o processo de fazer papel. Até então, a maioria dos documentos fora escrita em pergaminho, leito da pele de carneiros ou cabras, ou em velino, leito de pele de vilela. Os antigos egípcios tinham usado o papiro, feito com fibras interiores do caule do papiro prensadas e setas, mas não se tratava de verdadeiro papel, fabrica do com fibras transformadas em pasta. Ts'ai Lun fabricou o seu papel com li bras de amoreira, redes de pesca, trapos e refugos de cânhamo. Quase qualquer material fibroso pode ser utilizado no fabrico de papel. É triturado com água até ficar em pasta, branqueado, tratado com uma cola para impedir demasiada absorção de tinta e finalmente prensado em folhas. Até 1850. a matéria prima básica eram AS MARCAS DE AGUA NO PAPEL E NAS NOTAS DE BANCO Chama se marca de água a um sinal feito na própria contextura do papel cujo desenho só é visível em contraluz. A primeira marca de água apareceu por acaso na fábrica de papel Fabriano, na República de Pádua, em Itália, onde se produz papel desde 1260. A peça que estava a ser usada para espremer a água do papel molhado tinha um pequeno arame saliente. O papel ficou mais delgado no sítio em que o arame penetrou nele, fazendo uma linha que podia ver-se colocando o papel contra a luz. Surgiu a ideia de se fazer um desenho completo de arame, criando uma marca de água decorativa. R em 1282 nasceu a primeira marca deliberada — uma simples cruz. O método actual é praticamente o mesmo. O papel molhado é prensado por um rolo com um desenho em relevo que produz a marca de água. As marcas de água são usadas desde há séculos para identificar os fabricantes de bom papel de carta. Para dificultar a falsificação das notas de banco, usam-se marcas mais complexas, representando as efígies de chefes de Estado ou de heróis nacionais. Também na filatelia as marcas de água tem um papel importante.

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Papel Bond. Este papel de Qlta qualidade incorpora habitualmente unia parle de pasta de trapos. É normalmente tratado com caseína, um derivado do leite. os trapos de linho e algodão, que produziam um papel excelente. Mas a procura crescia tão rapidamente que era necessária nova matéria prima — e a resposta foi a polpa de madeira, geralmente de arvores de madeira macia, como as coníferas. A madeira é em grande parte constituí da por celulose, matéria orgânica formada por fibras resistentes com cerca de 2.5 mm de comprimento. As árvores abatidas são partidas em lascas, constituindo a estilha de madeira. Esta é introduzida em enormes recipientes os digestores ondeé misturada com produtos químicos (habitualmente, sulfato de sódio) e sujeita a temperatura e pressão elevadas. As fibras separam-se, formando a pasta de papel. As impurezas, como a resina e o pez, são removidas, e a pasta é branqueada e misturada com produtos que lhe dão a cor pretendida ou a tornam mais branca ou com agentes ligantes que unem melhor as fibras. A mistura sai então de um grande reservatório, através de uma ranhura estreita, para uma rede em movimento que permite que a água escorra, mas que retém a maioria das fibras. A fita de pasta é prensada para se extrair mais água e secada ao passar por uma série de rolos aquecidos por vapor. Por fim, o papel pode ser revestido com uma mistura de pigmentos, de carbonato de cálcio, caulinos ou dióxido de titânio para lhe melhorar a superfície. Fábrica de papel. Esta gravura alemã do século xvu mostra-nos uma fábrica de pu pel da época. Uma roda de azenha de madeira acciona as hastes que trituram os Ira pos com a água numa grande celha. O produto é medido e comprimido em tolhas, que depois se penduram em uarões de madeira para a secagem. As folhas secas suo atadas em resmas e. finalmente, transpor ludas em burros até aos tipógrafos.

Papel de jornal. Este papel de textura áspera utiliza uma pasta de qualidade inferior tratada mecanicamente e amarelece em poucos dias se exposto ao sol.

Papel «tissue». Fibras achatadas e entre teadus sem compactação duo Hw textura macia e a pasta de madeira tratada com resinas vegetais temiam no mais absorvente.

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POR QUE RAZÃO OS LIVROS E DOCUMENTOS ANTIGOS DURAM MAIS QUE OS MODERNOS?

VIO intuo • tu: M boftir Qtmii tr.^ >q< Bula a nu tt babo tibi çturo bmuitutnn tua: tt juffruí oiú tua tininoa tiw.lVproíiunsatonran rçoaounulirathii[irotoa.*ntmu ngra inaUigur: mibtnuni 4 uioua-ri o mw *^ mutr tuio i muon: (t q írirattn fii tranoiT. Hnjtttmbiu ní ftiBlmaiu: i:r quabo iiatcatur inmi> luioipmunebtaiaiuSsA "íumir arítm tn tmut na tiuo: ttati amura qui ranhbuntin ro.iMnluiua òittufl min fiujtnr afluir rtbfolmi filii fm. 'á voraint qo nlnulii.ir, íum qui V >nntailfljratíniulniiifuttnitttl)' uafummrí(f>ulnlii(úiiiiimtciurr:

por ano. A produção anual ultrapassa os II 000 milhões de litros e terá rie subir mais 2000 milhões para satisfazer a prtxjura. Nos EUA, o álcool à base de milho é também produzido comercialmente e é habitualmente misturado à gasolina normal como antidetonante, evitando o emprego de produtos que contêm chumbo.

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Será o carvão a resposta a uma crise de petróleo?
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Papel que envelhece. A Bíblia de Gutenberg (à esquerda), impressa no século xv em papel pergaminho fino, ainda em excelente estado. O livro de receitas de 1914 (à direita), em papel de pasta de madeira, que contém ácidos, está já a ficar amurelo. A descoberta de que podia fabricar-se papel a partir da madeira tornou possível a comercialização maciça de livros e jornais. Mas, contrariamente ao pergaminho, ao velino ou aos papéis à base de trapos, o papel fabricado com pasta de madeira tem uma vida limitada. Os bibliotecários começam a aperceber-se de que os livros modernos se deterioram rapidamente. O problema está em que eles contêm produtos químicos, incluindo ácidos do processo de branqueamento, que os corroem. Para a maioria dos leitores, este problema pouco importa, porque já leram os livros muito antes de se tornar evidente o seu envelhecimento. Mas para os arquivistas e bibliotecários significa que, potencialmente, lodos os livros que se publicaram depois de 1850 poderão estar a autodestruir-se lentamente. Os bibliotecários estão agora a procurar uma forma económica de tratar as suas enormes existências de livros. Pre sentemente, o único processo é arrancar-lhes a encadernação e tratar as páginas uma a uma para eliminar os ácidos. No entanto, embora esle procedimento possa juslificar-se no caso de algumas primeiras edições valiosas, é impraticável para a totalidade dos livros. Contudo, alguns fabricantes já estão a produzir papel com uma colagem neutra que lhe prolonga a vida.

Converter plantas em gasolina
Um dos mais antigos passatempos do homem é produzir bebidas alcoólicas com plantas fermentadas. Actualmente, com o petróleo a esgotar-se e o seu preço a subir, o álcool feito a partir de plantas está a ter uma nova utilização — a de combustível para veículos. O maior produtor mundial de álcool vegetal para combustível é o Brasil. Dois anos depois da crise do petróleo de 1973, o Bra sil lançou o seu programa rio álcool como reacção à subida dos custos rie importa çáo daquele produto. Este país utiliza uma matéria-prima de baixo valor comercial que produz em abundância — a cana-de -açúcar. Inicialmente, o processo é o mesmo, quer o produto final seja uma aguardente de qualidade ou um combustível para automóveis: o açúcar não refinado é misturado com água e levedura e fermentado em cubas até se transformar num líquido alcoó 108 lico — semelhante ao vinho ou à cerveja. Para combustível, usa-se álcool puro. pelo que é necessário concentrar a mistura por destilação - aquecimento rio líquido até à vaporização do álcool e condensação do vapor de forma a extrair o álcool e dei xar a água. Esta última fase, a produção de álcool anidro, requer grande quantidade de energia e tem originado críticas no sentido de que a produção de combustível por esta forma pode consumir mais energia do que a que fornece. O Departamento de Energia rios EUA verificou que, quando se usa milho para produzir álcool, são necessárias 109 unidades de energia para se obterem 100 de combustível. Mesmo assim, a produção de álcool no Brasil tem prosperado: mais de 80% dos automóveis vendidos no país consomem álcool puro ou com uma mistura de gasolina, e os custos do petróleo importado desceram cerca rie 2000 milhões de dólares

Na Africa rio Sul, onde o carvão é abundante e de baixo preço, a empresa Sasol foi a pioneira de um processo de conversão do carvão em petróleo. O carvão é colocado em grandes recipientes, acendido e submetido durante alguns minutos a um jacto de vapor de água e oxigénio a alta pressão. O carvão, ao arder, produz grandes quantidades de gás rico em hidrogénio e carbono — elementos a partir dos quais se pode produzir petróleo. Como esle tem aproximadamente o dobro dos átomos de hidrogénio do carvão, tem de se adicionar hidrogénio ao gás de carvão. Este é fornecido pelo vapor de água. O carvão em combustão gera energia suficiente para decompor as moléculas de água do vapor em átomos de hidrogénio e de oxigénio. O hidrogénio assim produzido dá ao gás o equilíbrio correcto entre este elemento e o carbono. Este gás tem de ser lavado com metanol para o libertar do enxofre o rie cianetos. É depois transferido para reactores, onde uni tratamento químico ulterior determina o produto final. Os reactores podem produzir gasolina, óleos, ceras, gases de petróleo liquefeitos e outras substâncias químicas, lais como álcoois, aldeídos e cetonas, mas o processo é muito dispendioso.

Captando a fragrância das flores
Os aromas frescos de um jardim no Verão ou as fragrâncias tropicais de uma floresta equatorial são causados por minúsculas gotículas de líquidos oleosos produzidos pelas plantas. São estes óleos essenciais naturais, juntamente com aromas produzidos sinteticamente, que formam a base da indústria rios perfumes. Não se sabe ao certo porque é que as plantas produzem óleos aromáticos. Uns

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poderão atrair os insectos; outros podem destinar se a afastar parasitas ou animais daninhos. Dos muitos milhares de plantas do Mundo, apenas cerca de 200 produzem a diversidade de óleos essenciais utilizados pela indústria de perfumaria. Alguns perfumes chegam a conter 100 essências diferentes; outros, apenas algumas. Mas todos eles têm três elementos em comum: uma 'nota alta", formada pelos ingredientes mais voláteis e que criam 0 efeito imediato; uma "nota média", que modifica a impressão inicial e se destina a dar corpo ao perfume, e uma "nota de base", mais duradoura e persistente. Os antigos gregos e romanos faziam unguentos perfumados imergindo flores, folhas e raízes em óleos gordos, que lhes extraíam os aromas. Quando Cleópatra saiu a cumprimentar Marco António, en sopou com perfume as velas púrpuras da sua barca para o impressionar. S. Lucas conta nos a história de uma mu lher, identificada como Maria Madalena

por alguns estudiosos, que deitou unguentos sobre os pés de Jesus em casa de um fariseu. Esses unguentos continham quase de certeza nardo, óleo aromático extraído da valcriana-da índia, ou esficanardo Foram OS Árabes quem primeiro utilizou a técnica da destilação para extrair os óleos essenciais, e ainda hoje se utiliza um processo semelhante. As flores ou as folhas da planta aromática são esmagadas ou cortadas em pequenos pedaços, depois aquecidas com vapor de água para obrigar os óleos voláteis a evaporarem se. O vapor percorre um tubo de vidro arrefecido que provoca a condensação dos óleos. As quantidades assim obtidas da maioria das plantas são mínimas, usualmente inferiores a um milésimo de todo o material colhido. Mas a sua fragrância é Ião intensa que, mesmo numa solução de 100 para 1, se mantém poderosíssima. A destilação nem sempre pode ser usada, porque há certas fragrâncias que se deterioraram com o calor. Em Grasse, cenlro

perfumeiro da Provença, no Sul de frança, ainda se emprega para estes óleos delicados o método chamado enfleurage; as fio res são colocadas sobre camadas de sebo e banha altamente purificados. Deixadas num local fresco e escuro durante um a três dias, as gorduras absorvem as essências das flores, produzindo o que se chama uma pomada. As essências separam se da gordura pela adição de álcool, que forma com aquelas uma solução alcoólica pronta a ser misturada As essências são muitas vezes produzi das em regiões remotas por empresas familiares cujos métodos se mantêm desde há centenas de anos. A Bulgária é ainda responsável por 70% da produção mun dial de essência de rosas. Nos vales inferiores dos Balcãs, os cultivadores de rosas diri gem-se para os campos ainda de noite, pois as pétalas têm de ser apanhadas antes da aurora para que mantenham a íragrán cia. São precisas mais de 2000 pétalas para cada grama do seu precioso óleo. Certos óleos são produzidos ao ritmo de apenas algumas toneladas por ano. Os óleos são comprados por corretores, que os vendem aos exportadores e estes aos perfumistas, que compõem as suas pró prias fragrâncias, uma arte difícil e delicada Alguns perfumes leni características florais dominadas por aromas como a rosa OU a gardénia Outros são orientais, de ervas ou especiarias, contendo óleos de canela da China, Birmânia e Sri Lanka ou de noz-moscada da Indonésia e das índias Ocidentais. As loções para depois de barbear contêm frequentemente aromas de especiarias, de madeiras ou de couros. Para aumentar a persistência dos perfumes, usam-se fixadores. Inicialmente, estes provinham de produtos animais exóticos - O âmbar cinzento, dos intestinos do cachalote; o almíscar, de uma glândula do almiscareiro macho; o civete, secreção do gato de-algália, o eastórico. de uma glândula do castor. Actualmente, contudo, os fixadores são sintetizados quimicamente.

Uma vez composta determinada fra
grância, esta é vendida sob uma variedade de fornias. A água-dc-colónia, ou de toilet te. contém habitualmente de 2 a 6% de essências dissolvidas em álcool. Os perfu mes são mais intensos, com 10 a 25% de essências também em solução alcoólica. Nem todos os perfumes são fabricados por métodos tradicionais. As substâncias que produzem os aromas podem ser recriadas sinteticamente e os produtos obli dos utilizados nos casos em que um perfume convencional seria demasiado dispen dioso - em ceras, desodorizantes do am biente, desinfectantes ou champôs. Campos aromáticos. Flores de alfazema prontas u serem colhidas. O óleo obtido pela sua destilação e usado como ingre dienle em perfumes à base de flores.

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Como se transformam produtos naturais em tecido
A lã foi provavelmente a primeira fibra a ser transformada com êxito em tecido dnran te o Neolítico, há cerca de 7000 anos. O homem conseguiu assim a primeira alternativa ao vestuário de peles de animais. As fibras de linho e de algodão também eram conhecidas no mundo antigo. No Egipto - onde a lã era considerada "impura" -, encontraram-se múmias de 3400 a. C. embrulhadas em lençóis de li nho com LÍ00 m de comprimento. O algodão já se usava na índia em 3000 a. C, e foram encontrados no Peru tecidos de algodão datando de 2000 a. C. Para transformar em tecido fibras como a lã, o linho e o algodão, são precisos dois processos: o primeiro é a fiação, pela qual as fibras são torcidas em conjunto para for marem o fio; o segundo é a tecelagem, em que dois fios são entrelaçados em ângulo recto para formar o tecido. A fiação era tradicionalmente uma tarefa feminina, e a tecelagem, uma tarefa masculina. Antes da Revolução Industrial, quando a fiação era toda manual, necessitava-se da produção de cinco a oito mulheres para ocupar um tecelão. Em um dia, uma mulher conseguia fiar cerca de 500 m de fio de lã. A mais importante rias fibras animais é a lá de ovelha. A maioria das fibras de lá mede de 2.5 a 20 cm de comprimento. O linho é uma fibra que se obtém do caule da planta com o mesmo nome. Extrai-se abrindo o caule e mergulhando o em água para separar as fibras da matéria resinosa que as aglutina. As fibras têm de 15 cm a 1 m de comprimento. As fibras de algodão desenvolvem-se nas cápsulas do algodoeiro. São muito mais curtas que as do linho, formando fitas achatadas e retorcidas de 0,3 a 0,5 cm de comprimento. As fibras têm de ser retira das da cápsula e separadas das sementes, processo efectuado mecanicamente pelos descaroçadores. Kntre outras fibras vegelais, contam-sc a juta, utilizada no fabrico de sacas e forros de tapetes, e o cânhamo, fabricado da cunnabis e utilizado nos panos de velas, nas lonas e nos oleados. Como das fibras se produz fio Tal como existem, nenhuma destas fibras, animais ou vegetais, é suficientemente longa para ser transformada em tecido. A fim de produzir um fio utilizável, as fibras têm de ser postas lado a lado e torcidas, um processo denominado fiação. Originariamente, este trabalho era feito

num fuso, pequeno pau com uma extremidade pesada, suspenso das próprias fibras que a ele estavam presas. Ao ser gira do entre o polegar e um dos outros dedos, o luso fazia torcer as fibras, que iam sendo retiradas de um outro pau, a roca. As máquinas de liar obtêm mecanicamente o mesmo resultado. A primeira roda de fiar - que simplesmente fazia i>irar o fuso — foi introduzida na Europa, provavelmente a partir da índia, nos princípios do século xiv. Só em 1707 o tecelão inglês James Hargreaves construiu a fiandeira rotativa de oito fusos, criando na indústria a possibilidade de produção em massa. Durante a Revolução Industrial, as máquinas de fiar foram sendo aperfeiçoa das, e em 1828 surgiu na América a antepassada de muitas das modernas máquinas de fiar a fiadoura de anéis. Uma fiadoura moderna pode chegar a ter 500 fusos, cada um com mais de 0000 m de fio. Como trabalha uma máquina de fiar Os princípios da fiação são hoje exactamente os mesmos que quando o trabalho era processado manualmente. As fibras são primeiramente "cardadas" — dispôs tas paralelamente entre si —, Irabalhando-as entre duas superfícies paralelas em movimento dotadas de bicos aguçados. Em seguida, são penteadas para retirar as fiFardos de algodão. AigtxJao aguardando embarque no Arizona, EUA. Depois de colhido, o algodão é comprimido em fardos de 180 kg.

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bras cúrias, depois passam a máquinas providas de cilindros que repuxam as li bras. tornando o fio mais fino c dando-lhes uma torcedura que as mantém unidas. Os fios podem lambem ser torcidos em conjunto para produzirem um fio nuílli pio, mais forte e espesso como na lã de tricotar de dois fios ou de três fios. Os fios de fibras mistas resultam da fiação conjunto cie fibras de diferentes origens, como, por exemplo, lã e poliéster, a fim de se obter uma combinação mais perfeita de capacidade de aquecimento, resistência e faciliciado de lavagem. Finalmente, o fio acabado é enrolado em bobinas, ou canelas. Como se produz tecido a partir do fio Os povos primitivos teciam panos exactamente como ainda hoje o taxemos. Na ai tura em que morreu o jovem faraó Tutankhamon, no século xiv a. C, já se fabricavam tecidos muito complexos com padrões de cores diversas. Não restam exemplares de tecidos gregos antigos, mas a decoração de um vaso do século vi a. C. representa fiandeiros e tecelões. O tear, com cerca de 1,5 m de altura, é do mesmo tipo que o utilizado por Penélope enquanto aguarda va o regresso de Ulisses, seu marido, no poema de Homero, A Odisseia. A tecelagem emprega dois conjuntos de fio; a teia, ou urdidura, e a trama. Os fios da teia correm no sentido do comprimento do pano, os da trama são entrelaçados perpendicularmente neles, alternadamente por cima e por baixo, e correm, portanto, no sentido da largura do tecido. A tecelã gem faz-sc num tear, armação de madeira ou metal que torna mais rápido o processo repetitivo de entrelaçar a trama na teia. Num tear mecânico simples, os fios da teia saem de um cilindro ('"órgão") da largura com que irá ficar o tecido acabado. Passam através de um conjunto de arames verticais (liços) que são movidos para baixo e para cima. Cada arame possui a meio um pequeno olhai através do qual passa o fio da teia. Por simples acção mecânica, podem subir-se os olhais alternados, abrindo um espaço ("cala") através do qual passa o fio da trama. Nos teares tradicionais, este fio é transportado num instrumento em forma de barco, a lançadeira, mas muitos teares modernos não possuem lançadeira, utilizando uma vareta semelhante a um florete, ou jactos de ar ou água, para transporte do fio da trama. Depois da sua "passagem" através da leia, o fio da trama é "batido" contra o fio anterior por uma armação chamada "pente". Os olhais que guiam o fio da leia são agora baixados, a lançadeira é virada ao contrário e faz-se uma segunda passagem através de um novo conjunto de fios, Os mais rápidos teares industriais ultrapassam largamente as 200 passagens por minuto. 0 processo de tecelagem descrito produz um tecido de estrutura tafetá em que

COMO E ÇjUE UMA CAMISOLA DE LÃ NOS MANTÉM QUENTES NUM DIA FRIO? Para nos mantermos quentes num clima frio, é indispensável um isolamento eficaz que impeça que o ca lor do corpo se escape. Os mamíferos possuem pêlos ou camadas de gordura como isoladores do corpo, mas o homem não possui gorduras suficientes e tem poucos pêlos; tem assim de recorrer ao vestuário. Os mamíferos, em geral, têm o corpo revestido por duas espécies de pêlos. Os da camada superior, mais compridos e rígidos, tornam se erectos quando o animal eslá assustado ou zangado. Por baixo destes encontra-se uma camada densa de pêlos macios, que retêm o ar junto â pele. O ar é mau condutor de calor, pelo que uma camada de ar retida nos pêlos conserva o calor do corpo e mantém o animal quente em tem po frio. Quando chove ou o animal entra na água, os pêlos mais compridos formam uma camada impermeável que impede que a pele e os pêlos da camada inferior se molhem e percam as suas propriedades isolantes. Depois, uma simples sacudidela expele a água dos pêlos exteriores. Aproveitando as qualidades da lá, o homem imita o comportamento dos animais. A roupa junto à pele retém ar que se mantém quente pelo calor do corpo, formando uma camada térmica em redor desle. Um casaco impermeável impede que o vestuário se molhe e perca as suas propriedades isolantes.

Fio <le lã. Uma fotografia
através do microscópio mostra os espaços entre as fibras onde o ar fica retido.

FIBRAS VISTAS AO MICROSCÓPIO FIBRAS ANIMAIS

O vestuário de caxemira é macio porque as fibras são arredondadas e lisas. FIBRAS VEGETAIS

As fibras de lã merino, espessas e menos redondas, produzem tecidos duradouros.

O mohair tem uma textura áspera porque as fibras são espessas e grosseiras.

0 algodão apresenta fi bras finas mas de forma irregular.

A estrutura áspera de linho é produzida pelas fibras espessas e grosseiras da planta.

As fibras de juta sáo duras e espessas, com uma textura muito aberta.

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Linho tecido. 0 linho é fiado e depois tecido. Aqui. a estruturo mais simples, a tafetá. cada fio da trama passa alternadamente por cima c por baixo dos fios da teia. No entanto, os tecidos podem ter muitos outros tipos de estrutura: a estrutura

cetim, por exemplo, oblóm-se quando a teia c entrelaçada apenas por cada quarto OU quinto fio da trama. Dado que no direito do tecido predominam os chamados fios saltados (os que não foram entrelaçados pelo fio da trama), o tecido apresenta um brilho característico. 0 damasco apresenta uma estrutura que é uma variante da estrutura cetim. Conseguem-se subtis variações de cores pela alternância da área com a teia ou a trama à superfície. Outros tipos de estrutura incluem a sarja — utilizada na gabardina e nas sarjas propriamente ditas — e as estruturas com pêlo utilizadas no fabrico de bomba/.inas, peluche e veludos. O "pêlo" espesso do veludo forma-se aparando os fios da superfície depois de tecidos.

Seda: fibra fabricada por borboletas
Durante milhares de anos, a seda foi vendi da pelo Oriente ao Ocidente, e ainda hoje é o tecido mais precioso por unidade de peso. É uma fibra produzida pelo bicho-da- seda, Bombyx mori, para formar um casulo dentro do qual se transformará em borboleta. Cada casulo é constituído por um único filamento que chega a atingir 1,5 km de comprimento. São precisos 110 casulos para fazer uma gravata, 030 para uma blusa e 3000 para um quimono. Segundo a tradição, a descoberta da seda deu se em 2640 a. C, nos jardins do imperador lluang Ti. Diz a lenda que Huang Ti pediu à esposa, Xi Lingshi, que descobrisse o que é que andava a comer as suas amoreiras: a imperatriz verificou tratar-se de umas lagartas brancas que teciam uns casulos lustrosos. Deixando cair um destes casulos acidentalmente em água quente, ela viu que era possível puxar um Ho finíssimo e enrolá-lo cm carrinhos. Tinha descoberto o processo de obter a seda, processo esse que se manteve um bem guardado segredo chinês durante os 2000 anos seguintes. Com efeito, as leis imperiais estabeleceram mesmo que quem quer que revelasse o segredo seria torturado até à morte. A manufactura da soda tem quatro fa ses: o cultivo das amoreiras, a criação do bicho-da-seda, a obtenção das fibras da seda a partir dos casulos e a tecelagem do pano. Os bichos-da-seda comem as folhas de uma diversidade de árvores —uma espó cie alimenta se de folhas de carvalho — , mas as folhas da amoreira são as que produzem a seda mais fina. Na China, as amoreiras são cultivadas em arbusto para que as folhas para alimentação dos bichos possam ser facilmente colhidas. Os bichos-da-seda criam se na Trimave

DO CASULO ATE AO BORDADO AO MODO TRADICIONAL DA CHINA

Selecção dos casulos. Mulheres escolhem os casulos, retirando os que estiverem danificados. Cada casulo produz cerca de 1,5 km de fio. 112

Dobagem do fio. Dobar a seda implica o aquecimento dos casulos já lanados e depois o puxar do fio. Os fios de cores diferentes, causadas por compostos químicos segregados pelos bichos da-seda, são férvidos até ficarem brancos.

Casulos de seda. Casulos do bicho-da-seda em tamanho natural. Produzirão cerca de 18 km de fio, que dará para um

quadrado de tecido de
seda um pouco menor que esta fotografia.

Fibras de seda. Esta micro fotografia mos tra Q forma e a proximidade das fibras. frito, de lágrimas, de gritos, nem de mulheres grávidas ou que tinham acabado de dar à luz. Ainda hoje, na província chinesa de Zhejiang, as mulheres que cuidam dos bi chos-da-seda estão proibidas de fumar, pintar-se ou comer alho. Depois da quarta muda de pele, as lagartas iniciam o fabrico dos casulos. As duas glândulas seriagenas que têm ao longo do corpo começam então a segregar uma mistura semilíquida que emerge como um fio único formado pelos dois filamentos juntos. Primeiro, os bichos-da-seda fazem uma fina rede. Depois, deslocando a cabeça num movimento em forma de oito, constroem lentamente um casulo impermeável que os envolve completamente. A construção de um casulo demora aproximadamente três dias, durante os quais a lagarta moveu a cabeça cerca de 300 000 vezes. Se não houver qualquer interferência, a lagarta lransforma-se em borboleta em cerca de duas semanas, segrega um enzima que enfraquece o casulo e emerge para

Captando a luz. A estrutura de fios múlti pios faz brilhar o tecido. pôr os ovos, que irão dar origem a novos bichos-da-seda. Na prática, só assim acontece com alguns dos bichos; os restantes são mortos, Evitando se que o casulo seja estragado pela borboleta que dele sai, consegue-se obter um fio contínuo. O processo de obtenção deste fio chama-se dobagem. K levado a cabo mergulhando os casulos em água quente, procurando a ponta do fio e enrolando-o numa dobadoura. Km geral, dobam-se no mesmo aparelho os fios de vários casulos, entre cinco e oito, para formar um fio de espessura suficiente. \ loje, a maioria do trabalho é feita em dobadouras automáticas. Quando se juntam dois bichos-da-seda, estes constroem casulos gémeos. A seda que deles se retira é chamada dupion. Tem "nós" ao longo do fio e é empregada no fabrico de tecidos com variações de lexlura. A produção mundial de seda é cerca de 50 000 t por ano, apenas 0,2% da produção total de fibras têxteis. A sua textura brilhante deve-se às suas fibras triangulares, que, portanto, reflectem a luz.

ra, durante dois meses de actividade intensa. Os o v o s , guardados em lugar fres co desde o ano anterior, são i n c u b a d o s assim que as amoreiras começam a ler fo lhas. Levam cerca de oito dias a chocar, depois do que as lagartas se alimentam continuamente de folhas de amoreira durante um mês. Neste período de quatro semanas, o seu peso aumenta 10 000 vezes. Nem mesmo a respiração interfere com a alimentação, visto respirarem através de orifícios que têm no corpo. Para serem produtivos, os bichos-da-seda têm de ser mimados. Na China, dizia-se que gostavam de calor e detestavam o frio, gostavam de secura e detestavam a humidade, gostavam de limpeza e detestavam a sujidade. Dizia-se também que não gostavam de barulho, do cheiro a peixe

Fabrico do fio. Os fios de cinco e oito casulos sào torcidos em conjunto para formarem um fio de espessura suficiente; este é depois enrolado em meadas. Os tradicionais aparelhos de madeira, como este. têrn sido substituídos por máquinas.

Bordado de seda. As meadas de seda sâo tingidas e utilizadas no fabrico de tecidos ou em bordados. Esta mulher borda um desenho de flores com linha de seda.

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Como os segredos da seda foram trazidos da China

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s dois monges insisliam muito: tinham de ver o imperador. Afirmavam querer transmitir lhe um segredo valioso, tendo viajado desde a China até Constantinopla (actual Istambul) para o revelar à corte. Estava-se à volta do ano 550, e o imperador Justiniano I era o senhor do Império Romano do Oriente. O segredo dos monges merecia bem a atenção de Justiniano: eles ofereciam-se para lhe ensinar o processo de fabricar seda à maneira dos Chineses. Algum deste magnífico tecido era então fabricado na pequena ilha grega de Cós, a partir de bichos-da-seda selvagens que se alimentavam de folhas de carvalho. Mas não se comparava com a seda chinesa, obtida de bichos-da-seda que se alimentavam das folhas da ainoreira-branca. Os romanos do Oriente compravam esta seda chinesa a mercadores que a transportavam durante mais de 4800 km ao longo da perigosa Rota da Seda, através da Ásia Central, desde Luoyang, no rio Amarelo, até ao Mediterrâneo Oriental. A viagem demorava oito meses. Ao chegar à Kuropa, a seda valia literalmente o seu peso em ouro. Era cada vez mais cara e difícil de obter, pois a Rota da Seria atravessava terras devastarias pela guerra, e Justiniano

estava a tentar importá-la através dos mercadores etíopes, que negociavam com a China por mar. Os monges eram persas que tinham pregado o cristianismo na China durante muitos anos e lá aprendido os segredos da sericicultura. Faziam agora uma proposta a Justiniano: era impossível manter vivos os bichos-da-seda durante tão longa jornada, mas já não sucedia o mesmo com os minúsculos ovos. Cerca de 30 g desses ovos bastariam para produzir 36 000 bichos-da-seria. Justiniano encheu os monges de presentes e prometeu lhes consideráveis recompensas. Os dois homens voltaram à China e adquiriram uma quantidade de ovos; depois, apoiando-se em fortes bastões de bambu, percorreram o longo caminho de regresso ao Ocidente com os preciosos ovos escondidos nos bastões. Ao chegarem, ensinaram os romanos do Oriente a criar os bichos-da-seda, os quais foram utilizados no fabrico das primeiras serias finas da Europa. Alguns foram reservados para criação, iniciando-se assim uma indústria da seda. Mas, apesar dos esforços destes monges, as lagartas da seda preferem ainda as folhas da amoreira-branca chinesa, e a Europa continua a importar da China uma parte ria sua seda crua.

Como se transformam produtos químicos em vestuário
Foi em 1935 que o americano Wallace Carothers inventou o nylon. As meias cie nylon surgiram em 1938 e depressa tiveram enorme procura. Os fabricantes diziam que a nova fibra era "forte como o aço e delicada como uma teia de aranha". Carothers, professor de Química Orgânica, fora convidado em 1927 para chefiar um grupo de investigação na K. I. du Pont Nemours and Company, em Wilmington, Delaware, a fim de inventar um novo material sintético. O projecto tomou quase II anos e custou 27 milhões de dólares. Carothers acreditava que se podia obter um novo material por meio da polimerização (combinação de moléculas pequenas para a formação de novos compostos com moléculas grandes). A sua ideia era criar um polímero com a estrutura da seda e que pudesse ser fabricado em massa. Em 1931, Carothers descobriu uma fibra mais fina e mais resistente que a seda. Misturando ácido adípico e hexametilenodia mina, produziu um composto viscoso com o qual era possível obter uma fibra delgada. No entanto, as primeiras fibras que produziu ou fundiam a temperaturas baixas ou eram muito fracas, e foram necessários mais quatro anos para aperfei coar o "polímero 66". Descobriu, entretanto, que o processo de polimerização era inibi do por gotículas de água contidas no composto; evaporando a água, Carothers pro-

(luziu uma fibra muito resistente e elástica. Carothers sofria de depressão havia muitos anos, e em 29 de Abril de 1937, 20 dias após ler requerido a patente para o seu invento, suicidou-se. Nunca soube que a sua descoberta viria a chamar-se nylon e provavelmente nunca sonhou que iniciara uma "revolução dos materiais'*. A técnica de produção rias fibras sintéticas tem-se mantido quase inalterada. Os polímeros em estado líquido são exlrudidos através de uma fieira, e o fino jacto solidifica quase instantaneamente, formando uma fibra com um quarto da espessura de um cabelo humano. As fibras são esticadas, o que alinha as moléculas longas ao comprimento da fibra e dá ao nylon o seu brilho e transparência. O nylon pode ser esticado até cerca de cinco vezes o seu comprimento original antes de as moléculas se alinharem e se interligarem resistindo a posteriores distensões. Obtêm-se assim fios resistentes que são transformados em tecido. Os tecidos produzidos com fibras artificiais conseguem já recriar a maioria das propriedades das fibras naturais. O acrílico, com as suas fibras penugentas e finas, usa-se no fabrico de tecidos felpudos ou de peles sintéticas. Com a sua estrutura molecular forte mas elástica, o poliéster tem a capj &^Lú de retomar acidade a *\ forma inich sua ^ r

o que evita que o vestuário se enrugue. As fibras artificiais podem ser combina das com as naturais, pelo que os tecidos que não precisam de ser passados a ferro podem mesmo assim parecer naturais. Os tecidos artificiais são mais fáceis de produzir em massa que a lã ou o algodão, e ainda bem - cada par de meias de nylon é feito com um único filamento de nylon com perlo de 6,5 km, entrelaçado em 3 milhões de malhas. Meias de "nylon". A actriz Betty Grable vendeu as suas meias para a campanha destinada a obter fundos para a guerra Em baixo, pormenor das malhas, que tornam as meias de nylon macias e elas ricas.

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Do líquido ao tecido. As fibras de nylon são obtidas forçando o polímero liquido através de orifícios, o qual solidifica em fios. óleo. Os cartões unidos formavam uma longa tira que passava lentamente por sobre o tear. Os teares Jacquard ainda hoje se utilizam no fabrico de tecidos luxuosos. Muitos panos com padrões podem ser tecidos em máquinas mais simples. Os clássicos padrões do tweed são ainda tecidos em teares manuais. A impressão directa de desenhos nos tecidos teve origem na índia, e as primeiras chitas estampadas foram trazidas para a

Como se fazem tecidos com padrões
Por volta do ano do nascimento de Cristo, a mulher de um nobre chinês, Ho Kuang, deu a outra, Shunyu Yen, "vinte e quatro rolos de brocado de seda com desenhos de uvas e vinte e cinco rolos de seda fina com um padrão entretecido de flores soltas". Os Chineses foram mestres na arle da tecelagem, utilizando fios de seda de muitas cores e estruturas complicadas para produzir brocados e tapeçarias. Com os teares primitivos, a inclusão de desenhos na tecelagem exigia habilidade e paciência consideráveis. Mesmo depois rios inventos do século xviii, o tecelão tinha de saber que fios da teia (os que correm ao comprimento do tear) tinham de ser levantados para produzir determinado desenho. Só os fios levantados eram tecidos no desenho quando a lançadeira que transportava a trama (os fios atravessados no tear) era passada de um lado para o outro através da cala. Só no princípio do século xix o tecelão francês Joseph Jacquard descobriu uma maneira de fazer padrões minuciosos sem o auxílio de tecelões especializados. Prendia-se uma série de cartões perfurados a um bloco rotativo por cima do tear. Só onde havia furos é que os fios podiam ser apanhados por pequenos ganchos e ser tecidos. Depois de cada cartão ser usado na feitura de uma pequena área de desenho, dava-se um quarto de volta ao bloco, trazendo ao seu lugar o cartão seguinte. Foram precisos 24 000 cartões para tecer em seda um retrato de Jacquard, tão perfeito que mal se distinguia de um retrato a

Tecido estampado. Este tecido de algodão moderno foi estampado com um desenho do final do século xix. A ampliação mostra os pequenos espaços entre as diferentes cores, destinados a evitar que as tintas se misturassem umas com as outras. 115

Europa no século xvi. Do vocábulo indiano tchàll veio o chintz, palavra que ainda hoje usamos para designar tecidos estampados a que se dá um ligeiro brilho. A moderna estamparia têxtil emprega cilindros de metal em que está gravado o desenho, sendo cada cor aplicada por um cilindro diferente. Os cilindros passam por um banho de cor enquanto rodam, transferindo depois a tinta para o tecido. Podem chegar a usar-se 16 cilindros num só pano. Para garantir que cada cilindro ajusta o seu desenho ao desenho anterior, recorre -se a sistemas de controle electrónico. Quando o tecido sai do último cilindro, passa por urna estufa de secagem. As modernas máquinas podem estampar a 16 cores à velocidade de 180 m de tecido por minuto.

Como se faz vestuário que sirva a quase todos
0 alfaiate tradicional toma em consideração uns braços compridos ou uma cintura grossa e consegue um falo que se ajusta bem. Mas o vestuário feito por medida tem um preço cada vez mais elevado, e a moderna indústria de confecções tem de pro duzír fatos prontos a vestir que sirvam sem grandes alterações à maioria das pessoas. Um dos primeiros levantamentos das medidas das pessoas foi levado a cabo por ordem do Governo dos FAJÃ durante a 1 Guerra Mundial. Em Inglaterra, no princí pio da década de 50, foram medidas 5000 mulheres com alguns resultados inesperados. As tabelas de tamanhos que existiam baseavam se na altura média, para as mulheres, de 1,68 m - mas o levantamento revelou que essa altura média era de 1,60 rn. Hoje, nas grandes empresas de vestuário um molde feito por um desenhador serve de base para um computador produzir uma gama de tamanhos que abranjam as variações normais da população. Pessoas invulgarmente grandes ou pequenas queixam-se de nunca encontrar nada que lhes sirva, e têm razão: economicamente, não fazia sentido para os fabricantes produzi rem o número limitado de peças de vestuário que conseguiriam vender. O passo seguinte é utilizar os moldes para cortar o tecido para o vestuário. As peças de tecido são dispostas mecanicamente para que fiquem perfeitamente pia nas. Centenas de camadas são estendidas umas sobre as outras para se poder cortar um grande número de peças de uma só vez. Computadores estudam o plano de corte, isto é, a disposição dos moldes sobre

Tecido Jacquard. Os tecidos de decoração com desenhos complicados são ainda feitos nos teares Jacquard, inventado em França no século x/x. Este tear usa cartões perfurados para guiar os fios da trama (horizontais), conduzidos pela lançadeira através dos fios da teia (verti cais) estendidos na moldura do tear. Para tecer este padrão floral, terão sido precisos cerca de 10 000 cartões. A ampliação (à esquerda) mostra as variações na textura e na espessura dos fios. Este tecido é fabricado com fio de algodão, mas qual quer fibra ou combinação de fibras podem ser tecidas. Alguns tea res Jacquard são controlados electronicamente, e não por cartões.

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Moldes por computador. Utilizam se computadores para, a partir de um único desenho, traçar moldes paro todos os ta manhos normais. Cada contorno colorido (à esquerda) representa uma perna de calça de tamanho diferente. Os compu tadores ajudam também a planear, em visor, o melhor aproveitamento do tecido (em cima). o tecido, de modo a haver o mínimo de desperdício. 0 desenho em papel desses moldes é colocado sobre as camadas de tecido prontas para o corte. 0 corte do tecido é efectuado por lâminas guiadas de cima ou por raios laser comandados por computador. 0 laser, um raio de luz intenso, faz um corte limpo muito mais rigoroso que o de qualquer lâmina. Em seguida, cosem-se as diversas peças cortadas. Muitas operações, como a abertura de casas, são feitas automaticamente. Uma costureira faz, em média, 20 pontos por minuto — a maquinaria moderna pode chegar aos 7000 no mesmo intervalo de tempo. Certos artigos não são cosidos da forma tradicional, mas colados a calor. As peças de vestuário são então passadas a ferro para se lhes dar a forma adequada e se marcarem os vincos ou as pregas.

Como se obtém água doce do mar
O Mundo encontra-se perante uma crescente escassez de água e, em certas zonas de baixa pluviosidade, o suprimento natural de água é insuficiente. Uma das soluções é a dessalinização, processo pelo qual se retira o sal à água do mar. No século iv a. C, Aristóteles fez notar que, ao ferver-se água salgada, o vapor que se forma não transporta o sal, pelo que, ao condensar-se, se transforma em água doce. A central de dessalinização mais simples é um alambique em que a água é fervida e o vapor condensado. Pode fazer-se um alambique solar rudimentar colocando uma campânula de vidro sobre uma poça de água salgada. A água é aquecida pelo sol, vaporiza se e depois condensa-se no vidro, escorrendo até se acumular em canais em redor dos bordos. Um alambique destes com uma área de 1 m^ deverá produzir cerca de 4,5 1 de água doce por dia. Para produzir quantidades significativas de água doce, torna-se necessário um sistema de destilação muito maior. A água é aquecida acima do seu ponto atmosférico de ebulição, mas num recipiente sob pressão, para que não ferva. E depois conduzi da para uma câmara que se encontra a uma pressão inferior, onde parte da água

DOIS PROCESSOS DE CORTAR TECIDO

Corte com lâmina. A faca eléctrica de alta velocidade corta camadas de tecidos de três cores para fazer mangas de blusas.

Corle com "laser". Cortadores a laser comandados por computador produzem cortes limpos, cujas beiras não desfiam.

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DESSALINIZAÇAO POR SISTEMA DE CAMARÁS MÚLTIPLAS

proveniente da central térmica O vapor aquece a água salgada dentro do tubo Água salgada do mar

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Depósito de água doce

Na primeira câmara, o vapor produzido pela água em ebulição sobe e atravessa um desenevoador que lhe retira todas as goticulas de água salgada. Depois, o vapor condensa-se em contacto com o tubo condensador e pinga para uma tina.

A água do mar, agora ligeiramente mais fria, passa para a segunda câmara, onde a pressáo é menor e onde parte da água se vaporiza instantaneamente, produzindo mais vapor.

O processo repete-se em 10 ou mais câmaras, cada uma delas a pressáo sucessivamente inferior.

A água dessalinizada é bombeada para um depósito e está pronta a ser bebida.

A água do mar pode ser transformada em água potável pelo sistema de dessalinização em câmaras múltiplas, aprooeilando o calor desperdiçado por uma centrai térmica. O sistema baseia-se no princípio de que a água feroe a uma temperatura inferior à normal quando o pressão atmosférica for também inferior à que se verifica ao nível do mar. A água aquecida passa através de uma série de câmaras que se encontram a pressão cada vez menor. A água ferve em cada uma das câmaras, e o vapor condensase em água doce. se transforma instantaneamente em vapor. Este é seguidamente condensado por contacto com os tubos adutores da água fria do mar. A água salgada quente que não ferveu na primeira câmara passa para uma segunda câmara também com pressão ligeiramente inferior, onde uma nova parte se evapora c condensa. Um sistema de dessalinizacão mais moderno, usando o princípio da chamada osmose inversa, é mais rendível que o do des tilação acima descrito. Utiliza membranas de plástico com orifícios minúsculos que deixam passar as moléculas de água, mas não o sal. Estas membranas formam um tubo no interior do qual se introduz água salgada sob pressão. Das paredes exteriores do tubo escorre água doce. Uma das maiores centrais de osmose inversa no Mundo foi construída no Barém, com uma produção diária de água doce superior a 54 milhões de litros. Em 1988, estavam em laboração mais de 2200 centrais. Mas o custo desta água é elevado, o que significa que a sua produção só se justifica para beber, para a indústria ou para sementeiras de alta rendibilidade.

lixo que se transforma em electricidade e calor
Os Americanos deitam fora 250 milhões de toneladas de detritos por ano. Calcula-se que os lixos da América poderiam gerar tanta energia como 100 milhões de toneladas de carvão. Contudo, ria sua maioria, são enterrados e nunca utilizados. Cerca de metade do desperdício do mestiço mundial é papel, enquanto os restos de cozinha representam um quarto e os plásticos menos de um décimo. Apenas um quinto não é combustível, mas deste a maior parte é reciclável. A Europa Ocidental possui mais de 200 centrais de queima de detritos para produção de electricidade. A Central de Edinonton, em Londres, que abriu em 1974, queima cerca de 400 000 t de desperdícios por ano. A combustão dos lixos aquece água, e o vapor produzido acciona geradores eléctricos. Em 10 anos, a fábrica economizou 1 milhão de toneladas de carvão. Os lixos podem ser queimados nas fábricas em substituição do carvão ou de fuel, mas têm de ser tratados. Começam por ser peneirados através de uma rede vibratória para separar as partículas orgâ nicas mais pequenas, as quais serão transformadas cm adubos para a agricultura. A seguir, as componentes mais pesadas do lixo, principalmente melais, têm de ser

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retiradas, ficando papéis e têxteis — os quais são prensados sob a forma de cilindros e vendidos como combustível. Até os lixos despejados na terra podem ser utilizados como fonte de combustível. Quando começam a decompor-se, os detritos libertam metano - idêntico ao gás natural armazenado cm bolsas sob a crusta terrestre. Uma tonelada de detritos pode produzir cerca de 230 m3 de metano, que pode ser canalizado com muilo baixo custo e utilizado na produção de calor ou electricidade. Há mais de 140 projectos deste tipo em laboração em 15 países, economizando um total de pelo menos 82õ 0001 de carvão por ano. Outras instalações utilizam o gás no próprio local para gerar electricidade, queimando-o em motores a gás simples. Assim, todo o gás pode ser utilizado, em vez de tentar ajustar-se a sua produção às exigências variáveis de uma fábrica. No futuro, a produção de gás nos depósitos de lixo poderá ser aperfeiçoada, "semeando" neles certas estirpes de bactérias. Introduzindo a melhor combinação de bactérias para determinado tipo de detritos, obter-se-ia uma quantidade máxima de gás. Lixo para queimar. Lixos domésticos são retirados de enormes depósitos em Londres para serem queimados numa centro! termoeléctrica.

PRODUÇÃO DE BIOGAS NA ÍNDIA

No Terceiro Mundo produz-se gás com es (rume e água armazenados em depósitos.

Queimadores de gás feitos com argila são ligados a um tubo proveniente do depósito.

O gás metano — chamado biogás — é a principal fonte de combustível pura cozinha em zonas rurais da índia, onde se aproveita o estrume dos gados.

Novos bens a partir do lixo
A reciclagem dos lixos não só faz sentido do ponto de vista económico, como lambem é benéfica para o ambiente: reduz a poluição criada pelos detritos ou pela sua queima e economiza recursos valiosos O plástico é uma das substâncias de mais difícil reciclagem, dado apresentar-se sob inúmeras formas. Uma garrafa de ketchup feita de plástico, por exemplo, é constituída por seis camadas de plásticos diferentes, cada uma das quais destinada a conferir à garrafa determinadas qualidades — forma, resistência, flexibilidade, ele. E, por enquanto, não existe nenhuma maneira fácil de transformar uma garrafa velha numa nova. Os plásticos só podem ser transformados em produtos de qualidade inferior uma garrafa de plástico poderia ser limpa, cortada em pequenos pedaços e usada para encher almofadas ou isolar sacos-camas. Uma mistura de detritos plásticos pode ser reciclada em "paus" plásticos e utilizada em vedações de longa duração. Mas muitos desperdícios de plásticos ainda têm de ser deitados fora, dado o seu baixo valor como material reutilizável.

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RECICLAGEM DO OURO DOS COMPUTADORES

Reciclagem de latas. Na primeira fase da reciclagem, us latas são prensadas e enfardadas. Nos EUA, cerca de metade das latas de bebidas, de alumínio, são fundidas. Seis semanas depois, estão de uolta às prateleiras dos supermercados, cheias e com novas etiquetas. Com os melais é diferente. Cada automóvel que hoje anda na estrada é parcialmente constituído por carros antigos vendidos como sucata e reciclados em novos aços e outros materiais. Quanto mais valioso o metal — como o ouro e a prata -, tanto mais compensadora se torna a sua reciclagem. No caso do alumínio, vale a pena recicla lo porque a sua extracção da bauxite consome enormes quantidades de electricidade. Graças principalmente aos programas de reciclagem, a energia utilizada no fabrico rio alumínio diminuiu de um quarto desde o princípio da década de 70. Nos EUA, vendem-se anualmente mais de 70 000 milhões de bebidas em latas feitas de alumínio. Cerca de metade é refundiria depois de usada, e, no espaço de seis semanas, está de volta às prateleiras dos supermercados. Também vale a pena recuperar o vidro. O métorio mais sensato consiste em reutilizar as garrafas tantas vezes quanto possível. Muitos países têm hoje normas de depósitos de vasilhame obrigatórios para levar os consumidores a devolverem as garrafas às lojas. Quando uma lei destas foi promulgada no estado de Nova Iorque em 1983, calculou-se que em dois anos se teriam poupado 50 milhões de dólares em despesas de recolha de lixos e cerca de 75 milhões em custos de energia. O vidro partido pode igualmente ser reciclado, e muitos países possuem "vidrões" em que podem ser deitadas as garrafas usadas. Este sistema de recuperação do vidro apoia-se na boa vontade das pessoas, c o seu êxito varia grandemente conforme os países. Por exemplo, os Suíços e os Holandeses recuperam 50% do seu vidro. O vidro deve separar-se conforme as cores, pois o de cores misturadas só serve para fabricar vidro verde, O vidro partido pode ser refundido em fornos e facilmente transformado noutros objectos. Metade dos lixos do Mundo é papel. Muitos países importam desperdício de papel em vez de pasta para as suas fábricas. Este desperdício é transformado em pasta e em novo papel pelo mesmo processo que a pasta de madeira ou os trapos. O Japão fabrica agora metade do aei\ papel por reciclagem.

O Ouro impuro é refinado e depois novamente vazado em barras.
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chamada reacção em cadeia, que permite que o processo de desintegração do urânio, uma vez iniciado, possa prosseguir quase indefinidamente até à exaustão dos átomos cindíveis. A energia da cisão nuclear pode ser libertada lentamente, de forma controlada, num reactor nuclear e ser utilizada para aquecer água cujo vapor acciona um gerador que produz electricidade. E este o princípio das centrais nucleares. Elementos de combustível Os elementos de combustível — os componentes essenciais do núcleo de um reactor — sáo constituídos por pequenas pas tilhas de dióxido de urânio carregadas em varelas, agrupadas em feixes verticais sustentados por uma grelha. Uma vez colocado no reactor, um elemento de combustível pode aí permanecer até três anos, sem que seja consumido todo o urânio. Contudo, começam a acumular-se subprodutos - gases como o crípton, sólidos como o césio, o estrôncio e o plutónio. Antes de estes se acumularem demasiado e de a água corroer as varetas, os elementos de combustível sáo retirados. O combustível usado é levado para uma instalação especial onde é reproecssado, a fim de ser recuperado o urânio não "queimado" e o plutónio por separação química dos outros produtos residuais. Estes são altamente radioactivos, não podendo ser dispersos no ambiente, sob pena de envenenamento maciço da biosfera. O plutónio pode ser usado como combustível em centrais de produção de energia, porque, como o urânio, os seus núcleos podem cindir-se e libertar energia. Mas é também o elemento mais venenoso

Electricidade a partir do urânio
Uma pequena mancheia de urânio fornece tanta energia eléctrica como 70 l de carvão ou 390 barris de petróleo. 0 urânio é um dos elementos mais densos, e cada um dos seus átomos "balouça" à beira da instabilidade. O coração do átomo-o núcleo — necessita apetias de um minúsculo "empurrão" para que se dê a sua divisão — a chamada cisão ou fissão nuclear. E quando um núcleo se divide, liberta uma enorme quantidade de energia. 0 "empurrão" pode ser dado por neutrões, minúsculas partículas muito mono res que o átomo e que, ao colidirem com o núcleo, o levam a dividir-se. No processo da cisão, além dos dois núcleos formados, cada um com cerca de metade da massa do núcleo inicial, liber tam-se novos neutroes, que podem, por sua vez, provocar a cisão de novos núcleos de urânio, e assim sucessivamente — é a

Reactor experimental. Elemento de combustível a ser retirado da água no reactor de alto fluxo para produção de radioisótopos em Ouk Ridge, Tennessee, EUA. É utilizado na investigação de substâncias artifi ciais que poderão fornecer mais energia que o urânio. conhecido e o componente mais usado no fabrico de bombas nucleares. O urânio ocorre sob diversas formas quimicamente idênticas, mas cujos áto mos possuem núcleos com massas diferentes. Destas formas diversas, chamadas isótopos, uma é o urânio-235, cujo nome se deve às 235 partículas (protões e neutrões) que compõem o seu núcleo. Apenas sete de cada 1000 átomos de urânio que ocorrem na Natureza são de U-235, Os restantes sáo quase todos de urânio-238. Quando o U-238 é bombardeado por neutrões, não se cinde com tanla facilida-

Centrai de energia nuclear. Este reactor de água pressurizada em Biblis, Alemanha, fornece electricidade às indústrias do vale do Reno. 121

PRODUÇÃO DE ELECTRICIDADE NUM REACTOR DE AGUA PRESSURIZADA

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Os reactores de água pressurizada são os que existem em maior número no Mundo. O reactor é refrigerado a água a alia prés suo, que por isso não ferve apesar de aquecida muito acima de 10O"C. A água passa por um permutador de calor, onde fornece calor a um segundo circuito de água. Neste circuito, a pressão mais baixa, a água ferve, produzindo vapor que vai accionar geradores que produzem electricidade.

Armazenagem de resíduos nucleares
A água pressurizada é aquecida no reactor e provoca a ebulição da água não pressurizada no gerador de vapor

de como o U 235, mas pode ser convertido num elemento completamente novo, o plutónio-239, por absorção de um neutrão. Por isso, se um reactor é concebido para utilizar urânio natural, o perigo é haver uma absorção exagerada de neutrões pelo U-238 antes de estes atingirem o U-235 e provocarem a reacção em cadeia. Nesse caso, o reactor nunca funcionará. Há duas formas de contornar o problema: uma é "enriquecer" o urânio, isto é, aumentar a fracção de U-235 no combustí vel do reactor de 7 para .30-40 átomos em cada 1000. O processo mais usado actualmente para este enriquecimento usa o princípio da centrifugação: o urânio, sob a forma de um composto gasoso, á introduzido em tambores que giram a altíssima velocidade; o gás junto às paredes acumula U-238, mais pesado, enquanto o volume central se enriquece em U-235. A segunda forma é aproveitar da melhor maneira os neutrões disponíveis no interior do reactor, diminuindo-lhes a velocidade, o que lhes aumenta a probabilidade de provocarem cisões. O processo de desacelerar os neutrões consiste em fazê-los ricochetear em átomos leves de um elemento como o hidrogénio ou o carbono. Os elementos leves actuam como "moderadores" a sua função

é moderar a velocidade dos neutrões. A maioria dos reactores modernos utili za simultaneamente combustível enriquecido e moderadores. Alguns são modera dos por água (que evidentemente contém hidrogénio), enquanto outros são moderados por carbono sob a forma de grafite o material que constitui o bico dos lápis vulgares. Um tipo importante de reactores, no entanto, não usa moderador, pois são os neutrões rápidos, não moderados, que não só mantêm a reacção em cadeia como transformam com grande eficiência U-238 em plutónio, produzindo de facto mais combustível cindível do que o que gastam - daí o nome de reprodutores por que são conhecidos. As reacções de cisão no núcleo de um reactor produzem grande quantidade de energia, que tem de ser retirada e transportada por um alto fluxo de refrigerante. Se esle for insuficiente, a temperatura do núcleo pode elevar-se, destruindo o reactor. Alguns reactores usam água pura simultaneamente como moderador e refrigerante. A água pesada na qual o hidrogénio normal é substituído por um isótopo mais pesado, o deulério — é usada cm reactores-reprodulores canadianos, enquanto a França utiliza sódio líquido como refrigerante nos seus reprodutores.

Os resíduos altamente radioactivos são letais e mantêm-se perigosos durante milhares de anos. Felizmente, o volume de resíduos nucleares de alta actividade é reduzido. Uma central típica que produza 1000 MW de electricidade origina cerca de 2 m-1 de resíduos por ano. Alguns resíduos tratados são guardados em depósitos de aço inoxidável de paredes duplas envolvidas por um revestimento de betão com 1 m de espessura. Mas a maior parte é mergulhada em tanques especiais junto às instalações nucleares dentro das próprias varetas usadas e com as suas bainhas originais. Mas esta solução não é válida a longo prazo. Os lixos armazenados no estado líquido em depósitos de aço geram calor à medida que os átomos radioactivos se desintegram. Para que o líquido não entre em ebulição, provocando uma fuga radioactiva, bombeia-se água fria através de serpentinas no interior dos tanques. Utilizados há 40 anos, estes depósitos constituem uma solução provisória. A melhor solução neste momento é fundir os resíduos, formando cilindros de vidro que serão enterrados a grande profundidade. Uma instalação em Marcoule, na França, utiliza este processo desde 1978. Os lixos radioactivos são secados e reduzidos a um resíduo sólido por aquecimento dentro de um tambor rotativo. São depois misturados com sílica, boro e outros ingredientes utilizados no fabrico de vidro, despejados numa câmara vertical e aquecidos a 1500°G Emerge então do fundo uma corrente de vidro fundido, que será vazada em recipientes de aço inoxidável. Uma central de 1000 MW produz resíduos que encherão

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Resíduos vitrificados. Os resíduos radio aaiixis de alta actividade podem ser u Uri ficados e armazenados em contentores de aço inoxidável cujas tampas são soldadas. 15 destes tambores por ano. Depois de o vidro solidificar, as tampas são soldadas. Os contentores são guardados em "poços" especiais num edifício vizinho em Mar coule. Cada contentor produz 1,5 kW de calor e é refrigerado a ar. Os resíduos estarão seguros enquanto forem controlados, mas seria conveniente e desejável que pudessem ser guardados em locais que deixassem de exigir a intervenção do homem. Uma das propostas prevê rodear os contentores com um invólucro de ferro ou cobre fundido e armazená-los em cavernas subterrâneas, em covas ou valas e cober los com betão ou uma argila, a bentonite, que absorve os materiais radioactivos. Os recipientes devem durar pelo menos 1000 anos antes de serem corroídos e deixarem escapar radioactividade. Após 500 anos, esta terá baixado para um nível próximo do minério de urânio original. Os especialistas pensam que, se as cavernas estiverem bem situarias e à profundidade suficiente - a diversas centenas de metros demoraria 1 milhão de anos até que algum material conseguisse infiltrar-se até à superfície, e nessa altura já praticamenle todo o lixo radioactivo se teria desintegrado. As zonas escolhidas para os "despejos" nào deveriam conter minerais valiosos, para que nenhuma civilização futura, ao extrair esses minerais, viesse a "tropeçar" nos resíduos. As cavernas poderiam ser se ladas e esquecidas. Os resíduos ficariam isolados por detrás de tantas barreiras que não seria possível a sua fuga dentro de qualquer período de tempo significativo. A dificuldade consiste em encontrar locais cujos habitantes concordem em armazenar resíduos nucleares.

Vazamento dos resíduos. Vidro fundido contendo lixos nucleares é vazado de um cadinho de platina para um molde de aço inoxidável a uma temperatura de cerca de 590" C. Depois de solidificado, o vidro é cotocodo num contentor

Como as marés podem produzir electricidade
No século xviii, a costa da Europa encon trava-se semeada de moinhos de marés, nos quais a água, ao subir, passava por comportas abertas e entrava num reservatório — a "caldeira". Na preia-mar, as comportas eram fechadas, e a única forma de a água se escoar com a vazante era accionando urna roda de pás, fornecendo assim força motriz. Em Portugal, no estuário do Tejo, existem ainda vários moinhos de maré, um dos quais, o de Corroios, mandado construir em 1403 por Nuno Alvares Pereira, se mantém em funcionamento. Este princípio foi também utilizado numa central eléctrica construída em França. Construiu-se uma barragem no es tuário do rio Rance, em St. Maio, na Bretanha, com 24 turbinas que podiam funcionar tanto na enchente como na vazante. Quando a maré enche, deixa-se a água subir junto da barragem até haver uma di ferença de 1,5 m enlre a altura da água de um lado e do outro. Depois, a água passa pelas turbinas, accionando-as e gerando electricidade. Quando a maré começa a descer, as pás das turbinas são invertidas e a água volta a produzir electricidade. A quantidade de electricidade produzida depende da "queda" de água — a diferença entre os níveis da água a montante e a jusante das turbinas. Quanto maior a queda, maior a pressão da água, que assim acciona as turbinas com mais força. Na maré cheia, as comportas são fechadas e bombeia-se água do mar para o estuário. O nível da água deste fica acima da marca da preia-mar e, quando o mar volta a baixar, a amplitude da maré foi aumentada. Uma vez descargada a água para o mar através das turbinas, bombeia-se ainda mais água para fora do estuário, tomando o nível deste artificialmente baixo. Quando a maré volta a encher, as pás das turbinas são novamente invertidas, a água entra no estuário e o ciclo reinicia-se. A bombagem consome electricidade, mas a água bombeada gera bastante mais energia do que a consumiria pelas bombas. O projecto de La Rance tem tido poucos seguidores, dado o enorme custo da cons tmçáo das barragens e a escassez de locais adequados. A baía de Fundy, na Nova Escócia, tem a maior amplitude rie marés do Mundo, podendo atingir 18 m de diferença entre os níveis da preia-mar e da baixa-mar. Em 1984, foi construída uma cenlral-piloto numa reentrância dessa baía em Annapolis Royal. Se a energia das marés em toda a extensão ria baia pudesse ser aproveitada, produziria 10 vezes mais electricidade rio que a capacidade de consumo local.

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Como se obtém electricidade do vento
O potencial de utilização do vento para produzir electricidade é enorme. Um estudo recentemente feito para a Comunidade Económica Europeia concluiu que existem locais suficientes na Europa para cerca de 400 000 grandes geradores - o bastante para suprir o triplo das actuais necessidades do continente. Os modernos geradores eólicos são muito diferentes dos antigos moinhos de vento. Parecem-se mais com hélices gigan les com duas ou três pás - os rotores — montadas no topo de altas torres de aço ou belão. Os rotores fazem girar um veio que acciona um gerador eléctrico. A dimensão das pás e a altura da torre determinam a quantidade de electricidade que a máquina é capaz de produzir. Em geral, o vento é mais forte à medida que a altura aumenta, e a potência que é obtida é proporcional à área percorrida pelas pás. Se duplicarmos o comprimento destas, a potência quadruplica. Mais importante ainda, é a velocidade do vento, pois a potência que se pode obter aumenta com o cubo dessa velocidade - se esta for duas vezes maior, a potência obtida é oito vezes maior. Contudo, os geradores eólicos não precisam de temporais. A maioria das máquinas destina-se a operar a velocidades do vento entre a força 3 e a força 10 da escala de Beaufort — de 20 a um pouco menos de 100 km/h. Acima da força 10, as máquinas fecham-se automaticamente para evitar serem destruídas. Na sua maioria, estas máquinas estão previstas para produzirem uma potência eléctrica quase constante ao longo de toda a sua zona de trabalho, com as pás "fechando" automaticamente se o vento aumenta, de forma a não haver uma acelera ção exagerada. E melhor conseguir-se urna produção uniforme com um largo espectro de condições do vento do que aproveitarem-se as poucas rajadas verdadeira mente fortes.

Turbinas Darreius. Estas máquinas têm lâminas em forma de arco ligadas a uma hQSte. 0 vento laz rodar todo o conjunto. Os geradores eólicos têm de estar orientados na direcção correcta, seja directamente contra o vento, seja directamente a favor. Por esta razão, o rotor está montado sobre uma plataforma giratória comandada por um motor eléctrico ligado a senso res que determinam a orientação. Este problema da direcção do vento pode ser completamente evitado se as pás

Quinta eólica. Em 1988, a Culifomiu possuiu Ib 000 turbinas eólicas. Esta e uma Quinta eólica perto de S. Francisco.

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COMO AS TURBINAS E OS GERADORES PRODUZEM ENERGIA ELÉCTRICA

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Turbogerador. Um técnico inspecciona as enormes pás de um dos turbo geradores de 660 MW numa central termoeléctrica do Yorkshire, na Grã•Bretanha. As turbinas são constituídas por várias rodas de pás, alternadamente fixas e móveis. As pás móveis estão montadas num veio que, ao rodar, acciona um gerador. A posição e a forma das pás fixas é tal que o vapor sob pressão é dirigido para as pás móveis com a máxima força possível. Na extremidade do veio encontra-se um grande magneto, rodeado por uma bobina fixa no interior do gerador. Ao rodar, o magneto provoca a passagem de uma corrente eléctrica através do fio da bobina.

Outra forma de aproveitar a energia geotérmica. Banhistas diuertem-se na quente lagoa Azul, cujas águas provém da Central Geotérmica de Svartsengi, na Islândia. água presente, apenas rochas quentes, cujo calor só pode ser utilizado se lhes injectarmos água, recuperando-a à superfície sob a forma de vapor — que é então usado para accionar turbinas e gerar electricidade. Em Portugal, duas zonas de boas potencialidades geotérmicas são as ilhas vulcânicas dos Açores e a região transmontana de Chaves. Nos Açores, a exploração geotérmica iniciou-se em meados da década de 70; uma central no vulcão de Agua de Pau. na ilha de S. Miguel, produz 500 kW de energia eléctrica. No campo da lagoa do Fogo, também nesta ilha, foi feito em 1988 um furo com 2 km de profundidade, atingindo temperaturas de 240°C, que se espera venha a produzir 3 MW de energia eléctrica. Estudos gravimétricos e magnetotelúricos concluem que este campo terá provável mente capacidade para satisfazer as neces sidades energéticas totais da ilha de S. Miguel. Na região transmontana de Chaves, estão em curso estudos do aproveitamento de fontes termais artesianas com temperaturas superiores a 70°C. Pensa-se neste caso prioritariamente na sua utilização para o aquecimento de estufas e instalações de secagem. Cada vez mais países procuram a energia geotérmica como alternativa aos combustíveis fósseis. Arrancou já uma grande central eléctrica no Novo México, e, perto de Estrasburgo, está em execução um projecto conjunto franco-alemão.

forem montadas num eixo vertical e não horizontal: neste caso, não importa a direcção do vento. Estas máquinas verticais, denominadas turbinas de Darreius, têm outras vantagens. Os pesados geradores que convertem a energia do vento em energia eléctrica podem ser colocados no solo em vez de no cimo de uma torre. O rotor fica sujeito a menos esforços do que nos geradores de eixo horizontal. Um inconveniente é necessitarem frequentemente de um impulso auxiliar - manual ou eléctrico - para arrancarem. Um dos problemas principais do emprego de geradores eólicos é am biental. Embora as pessoas gostem da ideia desle tipo de energia não poluente, não apreciam ver geradores eólicos semeados no topo de cada colina. A hipótese de colocar os geradores no alto mar foi já encarada seriamente. No entanto, haveria os problemas da fixação e da transmissão da energia para terra. Os habitantes da Fair Isle, ao largo da costa setentrional da Escócia, já fazem uso da energia do vento. Instalaram um pequeno gerador eólico no princípio dos anos 80, o que diminuiu em mais de três quartos os custos da electricidade produzida pelos motores a diesel.

Rochas quentes: uma fonte natural de energia
Quanto mais nos aproximamos do centro da Terra, mais elevada é a temperatura. Reacções nucleares de decomposição de materiais radioactivos mantêm a 4000°C o núcleo em fusão. Ê por causa desta energia geotérmica que a temperatura no fundo de uma mina é alguns graus mais elevada do que à superfície. Nalguns locais, as rochas quentes encontram-se bastante perto da superfície, dando origem a fontes termais, géiseres ou vapor de água que se escapa do solo. Nestes casos, é fácil aproveitá-las para produzir energia eléctrica. A primeira central eléctrica geotérmica foi construída em 1904 em Lardcrello, no Norte de Itália, onde o vapor se escapava do solo a temperaturas entre 140 e 260°C. O vapor foi directamente canalizado para turbinas que accionam geradores. Na Nova Zelândia, nas Filipinas, na Califórnia e no México têm sido construídas centrais eléctricas em locais onde o calor da Terra chega naturalmente à superfície. Mas, na maioria dos casos, a energia geotérmica tem de ser captada por perfuração. Nalguns casos, como, por exemplo, nos granitos da Comualha, pode não haver

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Como os cientistas descobrem a origem de uma chuva ácida
Quando uma chuvada se abateu sobre Pitlochry, na Escócia, em 10 de Abril de 197-1, ela bateu o recorde do Mundo - não de volume, mas de acidez. A chuva que caiu nesse dia era quase sumo de limão e mais ácida do que vinagre. Embora os valores em Pillochry fossem excepcionalmente elevados, em muitas localidades da Europa e América do Norte a chuva que cai é centenas de vezes mais ácida do que deveria ser. A chuva ácida corrói os edifícios, danifica os solos, mata os peixes nos lagos e contribui para a destruição de árvores. Nem mesmo o Árctico está livre da poluição atmosférica que origina as chuvas ácidas. De onde provém esta acidez? Não restam dúvidas de que a maior parte provém das actividades do homem — dos auto móveis, das fábricas e das centrais termoeléctricas. Sempre houve alguma acidez na água das chuvas devido à actividade nos vulcões, nos pântanos e do plâncton marítimo, mas a acidez tem aumentado abruptamente nos últimos 200 anos. Mediu-se o grau de acidez em gelos formados antes da Revolução Industrial e aprisionados nos glaciares e verificou-se que eram apenas moderadamente ácidos, em concordância com as suas origens naturais. A chuva torna-se ácida principalmente devido a dois elementos, o enxofre e o azoto. O enxofre encontra-se no carvão e no petróleo. Ao ser queimado, transforma-se em dióxido de enxofre, que se combina com as gotas de água das nuvens, produzindo ácido sulfúrico. O azoto, que existe

UMA DAS CAUSAS DAS CHUVAS ACIDAS E DOIS DOS SEUS EFEITOS

A atrofia cio crescimento de um abeto da Floresta Negra revela-se na variação da espessura dos anéis do tronco. Os exteriores, mais finos, formados nos últimos 20 anos, contrastam com os do centro, regulares e espessos, anteriores às chuvas mais ácidas.

Chaminés altas enviam a poluição para muito longe.

As velhas cantarias e outros ar na mentos de pedra são corroídos pelo ácido criado pelo dióxi do de enxofre libertado por combustíveis fósseis como o petró leo e o carvão. O gás mistura-se com a água. produzindo ácido sulfúrico.

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Captando a luz do Sol

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Carro solar. Com um painel de células so lares como fonte de energia, o Quiet Achiever atravessou a Austrália em 1984, cobrindo 4800 km em 20 dias A energia que atinge a Terra sob a forma de luz solar é enormíssima mais de 12 000 vezes o consumo mundial de combustí veis. Mas captar e armazenar esta abundante provisão cie energia gratuita é difícil e caro. Embora a energia total seja colossal, a energia por unidade de área é bastante baixa pelo que qualquer utilização da radiação solar de potência razoável tem de cobrir uma grande área, o que a encarece. Outro problema é a irregularidade do seu fome

Aplicação de cal. Na Europa, as florestas são por vezes pulverizadas com cal, a fim de neutralizar a acidez do solo e ajudar o crescimento das árvores. no ar e nos próprios combustíveis, é transformado, por combustão, em óxido de azoto, reagindo depois com as moléculas da água para formar ácido nítrico. Uma parte destes ácidos cai localmente com as chuvas, mas a restante pode ser transportada a milhares de quilómetros de distância. A partir da década de 50, começaram a construir-se chaminés com 150 m de altura para afastar a poluição das áreas urbanas; no entanto, o efeito que tiveram foi espalhada com menor densidade, mas em maior área. Este facto, aliado ao grande aumento no volume da poluição, especialmente das centrais térmicas, nas últimas décadas, teve como resultado que regiões como a Escandinávia fossem afectadas pela poluição proveniente de fábricas em países a milhares de quilómetros de distância. Os cientistas suecos estimam que 70% do enxofre da atmosfera sobre a Suécia provém da quei ma de combustível e que, na maior parte, tem origem fora da Suécia, partieularmen te na Europa Oriental. Para descobrirem se parte destas chuvas provinha da Inglaterra, cientistas britânicos colheram amostras de ar por avião e analisaram-nas. Num dos voos, verificou-se que o ar que chegava à costa ocidental da GrãBretanha, transportado pelo ventos dominantes do Atlântico, continha menos de metade do enxofre e um quarto dos nitratos que ao longo da costa oriental: ao soprar sobre a Inglaterra, captara os poluentes que depois transportava para a Escandinávia. Foi mesmo possível marcar as trajectórias da poluição originada cm determinada central térmica, libertando das respectivas chaminés um produto químico, o hexafluorcto de enxofe. Instrumenlos colocados a bordo do avião iam medindo o teor daquele composto na atmosfera, detectando com precisão a posição e evolução do "penacho" de gás marcado.

COMO SE MEDE A ACIDEZ Os ácidos corroem gradualmente e desLIQUIDO troem quase tudo o que tocam. São to dos solúveis em água. e a sua concentraÁcido sulfúrico ção é medida pelo seu pH (potência em concentrado hidrogénio). Sumo de limáo A escala de pll vai de I a 14. Um é Chuva extremamente ácido, 7 é neutro e 14 é de Pitlochry muito alcalino (o contrário de ácido). Vinagre 0 pH de um líquido é medido por meio de um aparelho especial ou com Chuva papel indicador, como o de tomassol. nas regiões Um ácido forte torna este papel vermeindustriais lho, um líquido neutro lorna-o verde. Os Chuva normal líquidos altamente alcalinos tornam-no Água destilada púrpura.

COR DO INDICADOR Vermelho Vermelho Rosa Rosa Rosa

ÍNDICE DE pH
1,0

2,3 3,0

3,3 4,3

Laranja Verde

5,0 a 5,6
7,0

Células fotovoltaicas. Estas células podem produzir grandes quantidades de energia eléctrica a partir da luz solar. Este modelo, construído nos EUA. usa lentes para concentrarem a radiação solar nas células montadas nos cilindros.

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Espelhos produzem electricidade para 20 000 pessoas. Um vasto círculo de espelhos capta os raios do Sol e reflecte-os para urna torre geradora de energia, com a altura de 20 andares, situada no centro do círculo (à direita). 0 calor produz vapor para gerar electricidade, que é suficiente para satisfazer as necessidades de uma pequena cidade. cimento: dia e noite, céu limpo e encoberto, sol alto ou baixo levam a enormes variações da quantidade de energia disponível, o que complica a sua aplicação na Torra. Os sistemas domésticos de aquecimento de água à base de energia solar usam colectores (painéis) solares montados nos telhados e voltados para o Sol. Estes são simples caixas com uma cobertura de vidro ou plástico, dentro das quais uma chapa de metal pintada de negro absorve a radiação solar e aquece a água que circula. A água aquecida passa para um depósito termicamente bem isolado. Para obtenção de temperaturas muito superiores à da ebulição da água, a luz do Sol é concentrada por meio de espelhos dispostos em semicírculo que reflectem a luz em direcção a uma "torre geradora de energia" de betão. A luz concentrada do Sol, ao incidir sobre um receptor no cimo da torre, aquece um fluido que circula numa canalização. Se esse fluido for água, produz vapor a alta pressão, que é utilizado para accionar geradores de electricidade. Mais interessante que a geração de energia eléctrica pela via térmica é a sua geração por acção directa da luz solar sobre dispositivos conhecidos pelo nome de células solares foto voltaicas. Desde 1085, data do lançamento do satélite americano Vanguard, quase todas as naves espaciais e todos os satélites usam células solares para obter energia eléctrica. As células fotovoltaicas são constituídas por uma delgada lâmina de semicondutor, frequentemente de silício cristalino, com 128 grelhas de contactos eléctricos metálicos que conduzem a dois terminais, um positivo e o outro negativo. Quando a lâmina é iluminada, a luz cria no semicondutor cargas eléctricas que são colectadas pelas grelhas, funcionando a célula, do ponto de vista do utilizador, como uma simples pilha. Urn módulo de células com 1 m2 de área, exposto à luz directa do Sol, produz tipicamente 100 W de energia eléctrica — quase sem manutenção, sem peças que se gastem e, sobretudo, sem poluição. Porque não se usam então células fotovoltaicas para produção de energia eléctrica em larga escala? Basicamente, porque as células são ainda demasiado caras. Embora o silício seja o elemento mais abundante da crusta terrestre depois do oxigénio — é o constituinte básico da areia e da maior parte das rochas — e de baixo preço, a sua purificação e o processamento para se transformar em células fotovoltaicas sào, pela técnica actual, demasiado dispendiosos para serem competitivos. O esforço de investiga ção nos últimos 20 anos levou a uma melhoria notável das células e a um abai xamento do custo da energia por elas pro duzida de um factor superior a 20; estima-se que um abaixamento, relativamente ao custo actual, de um factor de 2 a 4 seria suficiente para tomar competitiva a energia fotovoltaica para produção de energia para a rede, o que provocaria uma verdadeira revolução, com incalculáveis repercussões em áreas tão diferentes como o efeito de estufa, a chuva ácida ou o preço da gasolina. Entretanto, a energia solar fotovoltaica tem-se implantado em áreas em que é já competitiva — satélites, estações retransmissoras de telecomunicações em zonas isoladas, electrificação rural e bombeamento de água e pequenas aplicações, como nos relógios de pulso e nas calculadoras. A primeira central helieléclrica de dimensões significativas — com urna produção de 1 MW - foi construída perto de Victorville, Califórnia, em 1982.

Como se tiram fotografias de alta velocidade
Para "parar" o bater de uma asa de insecto, necessita-se de um tempo de exposição muito menor do que o de uma máquina vulgar: mesmo a 1/1000 de segundo, as asas não passam de uma mancha. São precisas exposições 10 ou 20 vezes mais curtas. Já em 1851 o pioneiro da fotografia Fox Talbot conseguiu fazer uma fotografia de alta velocidade: prendeu um exemplar do jornal The Times a uma roda, fê-la girar rapidamente e conseguiu tirar uma fotografia nítida iluminando a roda com uma faísca intensa que durou apenas 1/100 000 de segundo. Utilizando uma câmara-escura, o diafragma da máquina pode deixar-se aberto e a película é exposta unicamente enquanto dura a faísca.

Captar em filme a Natureza
Os fotógrafos da Natureza conseguem captar a língua rapidíssima do camaleão que apanha um insecto ou acompanhar o crescimento de uma planta. A fotografia a intervalos faz com que uma planta pareça nascer do solo, florescer e morrer em poucos segundos: fixa-se a máquina fotográfica em posição e programa-se para tirar uma série de fotografias isoladas a intervalos de minutos ou de horas. A película é depois projectada à velocidade normal para cinema, de 24 imagens por segundo, apresentando a acção milhares de vezes mais rápida do que é na realidade. Pode levar semanas para se conseguir apenas uma porção boa de filme no último minuto, e a sequência pode ficar completamente estragada se qualquer coisa obscurecer o objecto a ser filmado. Este tipo de fotografia exige uma preparação extremamente cuidada e equipamento muito fiável. No outro extremo, encontramos a fil

A Natureza ao microscópio. Para fotografar plantas e animais minúsculos, como este plâncton. acopla-se uma máquina fotográfica a um microscópio especial. magem de alta velocidade, que afrouxa o desenrolar de uma acção rápida demais para os olhos humanos. As mais rápidas máquinas de filmar actuais fotografam 11 000 imagens por segundo, comparadas com as 24 da projecção normal. O filme passa diante da lente a quase 320 km/h, com a respectiva bobina a fazer 33 000 rotações por minuto. Se algo corre mal, numa fracção de segundo a máquina fica encravada e o filme inutilizado. Habitualmente, bastam velocidades muito menores: para mostrar os batimen-

"PARANDO" UM PINGO DE AGUA
A fotografia de alia velocidade regista o percurso dos pingos da água caindo sobre a superfície do liquido. Uma sequên cia rápida de flashes conseguiu fotografar o pingo a cair, a tocar a superfície e a mergulhar, levantando uma coluna de água. A dificuldade consiste em fazer disparar o flasli exactamente quando o objecto estiver na posição certa. Muitas vezes, a solução é fazer o próprio objecto — como a bala que atravessa uma maçã disparar o obturador ou o flash ou ambos, interrompendo, por exemplo, um fino raio in fravermelho ou de luz focado sobre uma célula de reacção. Pode utilizar-se uma série de flashes avançando o filme nos intervalos. Esta técnica foi iniciada por um americano, Harold Edgerton, nos anos 30. Usando 10 flashes por segundo e sobrepondo todas as imagens na mesma película, conseguiu fotografar o impacte de uma gota de leite caindo numa tigela.

AMBIENTE NATURAL EM ESTÚDIO Esta fotografia de uma rã levou menos de um segundo a tirar, mas o cenário do estúdio levou horas a construir. Corno é di fícil fotografar animais no seu habitat, constroem se cenários que parecem naturais (à direita). A rã é colocada nu pedra (foto grafia inserida) e fotografada. Neste caso, a máquina foi disparada por uma célula fotoeléctrica, activada pela rã quando saltou, o que interrompeu momentânea mente o raio de luz que incidia na objectiva. O produto final é tão natural que é impoSSÍvel descobrir que foi feito em estúdio.

Fotografia subaquática. Um fotógrafo utiliza uma es pécie de periscópio invertido pura fotografar uma carauela-portuguesa (ú direita). Estes animais, que uivem em águas quentes, possuem tentúculos urticantes que podem atingir os 9 m de comprimento.

Plástico que se autodestrói
Uma das vantagens do plástico é não enferrujar nem se decompor. Mas esta vantagem pode constituir um problema: copos, sacos e recipientes de plástico atulham o campo o as praias de todo o Mundo e, se não forem recolhidos, continuarão a acumular-se ano após ano. Para ultrapassar este problema, têm sido estudadas diversas formas de plástico degradável. O segredo consiste em incorporar-lhe um produto químico atacável pela luz, pelas bactérias ou por substâncias químicas. Os plásticos biodegradáveis podem conseguir-se pela adição de amido: se os plásticos foram enterrados, as bactérias que se alimentam de amido irão decompondo-os gradualmente em fragmentos que desaparecerão sem dano no solo. Os plásticos degradáveis quimicamente podem ser decompostos pulverizando-os com uma solução que provoca a sua disso lução em substâncias inócuas que podem ser despejadas para o esgoto. Uma das utilizações dos plásticos degra dáveis que teve maior êxito foi na cirurgia, onde actualmente as costuras são feitas com plásticos que se dissolvem lentamente nos fluidos orgânicos. Também os medicamentos são muitas vezes embalados em cápsulas plásticas que se dissolvem lentamente, libertando o medicamento para o sangue a um determinado ritmo. Os plásticos foto de gradáveis contêm substâncias químicas que se desintegram lentamente quando expostas ã luz. Em França, usam-se no campo tiras de plástico fotodegradável com cerca de 1 m de largura para reter o calor no solo e produzir colheitas têmporas. Duram entre um e Ires anos antes de se decomporem e se integrarem no solo. No entanto, só podem ser usados num país com uma insolação regular, para que se decomponham a um ritmo previsível. Nos EUA, cerca de um quarto das juntas que seguram as lalas de cerveja nas embalagens de seis são feitas de um plástico chamado ecofyte, que é fotodegradável. Mas, para que não se decomponham cedo demais, estas embalagens têm de ser armazenadas ao abrigo da luz solar directa, o que pode representar um inconveniente para o retalhista. O plástico degradável tem outros problemas. Por exemplo, não pode ser reciclado porque não há processo de medir facilmente a sua vida residual. A maior desvantagem tem sido o seu custo de produção, mas os cientistas japoneses pensam conseguir um plástico biodegra dável para diversos fins a custo muito mais baixo.

tos de asa das aves, dos morcegos e insec tos, são suficientes 500 imagens por segundo, o mesmo acontecendo para uma rã que salta; mas já são precisas 1000 imagens por segundo para captar o salto de uma pulga. As maiores velocidades são necessárias para acompanhar um pingo de água desintegrando-se sobre uma superfície, uma bala a atravessar um vidro ou um golfista ao bater a bola. Filmar animais no estado selvagem é um mundo de problemas. Por vezes, os fotógrafos têm de servir-se de truques. Por exemplo, os filmes que mostram raposas caçando de noite são, na verdade, frequentemente tirados de madrugada ou ao anoitecer, quando a luz natural é suficiente. 0 filme é depois tratado com filtros que nos dão a ideia de ser muito mais escuro. Por vezes, os animais são fotografados a noite, mas, mesmo com intensificadores de imagem que os torna mais fáceis de ver, os resultados não são muito bons. Muitos filmes de animais "selvagens" são feitos com animais semiamansados ou mesmo treinados. Alguns fotógrafos cuidam de aves desde o momento em que saem do ovo, e estas passam a segui-los para onde quer que vão. Montando a máquina numa camioneta ou num barco rápido, conseguem filmar de muito perto as aves que voam atrás deles. Muitos animais são filmados em estúdio: alguns não podem ser treinados, e não é prático filmá-los na Natureza. O habitat de uma truta que desova num riacho de montanha, por exemplo, pode imitar-se num tanque de vidro. Cenas de pequenos animais dando à luz e criando os filhos conseguem-se construindo no estúdio ni130

nhos com janelas transparentes que permitem filmar as suas vidas privadas. Quando o filme è montado e combinado com filme tirado no exterior, o espectador nunca se apercebe de que uma parte foi tirada no estúdio. Alguns dos problemas mais difíceis relaeionam-se com a filmagem de formas de vida demasiado pequenas para serem visíveis a olho nu, como os insectos ou outros seres minúsculos. Estes têm de ser filmados através do microscópio, o que reduz muito a luz que impressiona o filme. As sim, é necessária uma iluminação adicional, mas há que tomar cuidado para que o calor em excesso não afecte os animais. Outro problema inerente à filmagem destes seres são as vibrações. O mais pequenino movimento entre a objectiva e o objecto prejudica a focagem. Esta difieuldade é ultrapassada recorrendo a um "banco óptico" - plataforma com a má quina rigidamente fixada numa das extremidades e o objecto da fotografia na outra. Se um camião que passa provoca vibra ções, a câmara e o objecto vibram em uníssono e a focagem não é afectada. Alguns dos filmes mais interessantes conseguem-se utilizando um aparelho que parece um periscópio invertido e que permite filmar, por exemplo, um insecto enquanto percorre o chão da floresta. O animal pode ser seguido quando desaparece por detrás de uma folha ou mergulha na água. O periscópio é suspenso de uma câmara montada sobre carris num cavalete por cima da cabeça do operador para poder ser focada enquanto é rodada, inclinada ou movimentada para trás e para diante.

Como o petróleo deu lugar à "revolução do plástico"

PLÁSTICOS: OS MATERIAIS MAIS VERSÁTEIS Desde que os plásticos foram inventados nos finais do século xix que em lodo o Mundo ocorreu uma revolução de materiais. Hoje em dia, a maioria dos brinquedos e dos artigos de desporto e muitos artigos domésticos contêm pelo menos um material plástico. Uma vez que sáo à prova de água e não se decompõem, os plásticos são ideais para urtigos de exterior, como tubagens de esgotos ou vasos de plantas. Têm também a vantagem de poderem ser moldados praticamente na forma que se quiser, rapidamente e corri pouco custo — a caixa amarela para a viola, as cadeiras, o tabuleiro do gelo e o resistente capacete de protecção são apenas alguns exemplos. O termo "plásticos" abrange uma extensa gama de materiais fabricados pelo homem a partir de dois elementos básicos: o carbono e o hidrogénio. Adicionando-seIhes outros elementos ou produtos químicos, os plásticos adquirem propriedades especiais, como maior rigidez, resistência ao calor, poder deslizante e flexibilidade. Os plásticos são constituídos por moléculas grandes denominadas polímeros, por sua vez formadas por moléculas mais pequenas unidas entre si em cadeias longas. Estas enredam-se, dando aos plásticos a sua resistência. Quando a maioria dos plásticos — os termoplásticos - são aquecidos a cerca de 200"C, as cadeias mantêm-se intactas, mas separam-se o suficiente para deslizarem umas sobre as outras. Esta característi ca permite que os termoplásticos sejam repetidamente aquecidos e moldados em novas formas. Uma vez arrefecido, o plástico conserva a nova forma e mantém a sua resistência. Há, contudo, outros plásticos que, uma vez moldados, se mantêm duros e conservam a fornia ainda que reaqueci dos: são os duroplásticos. O processo de ligação das moléculas pe quenas para formação das moléculas grandes, a polimerização, difere de plástico para

Se retirássemos das nossas casas tudo aquilo que contém plástico, que restaria7 Muitas cozinhas ficariam quase nuas, a maioria das carpetas e tapetes desaparece riam, assim como muitas roupas e, possivelmente, as cortinas. Deixaria com certeza de haver telefone, alta fidelidade e televisão, cartões de crédito, neve artificial e articulações protésicas.

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O NASCIMENTO DE UMA A moderna indústria dos plásticos nasceu na América na década de 1860, com um concurso para se encontrar uma bola de bilhar de melhor qualidade. Oferecia-se um prémio de 10 000 dólares para quem descobrisse um substituto de baixo preço para as bolas de marfim. O vencedor foi John Wesley Hyalt, que fez uma bola de uma substância a que chamou celulóide. Depressa se descobriram novos usos para o celulóide - armações para óculos, cabos de faca, pára-brisas para os primeiros automóveis e películas fotográficas. Sem o celulóide, a indústria cine matográfica nunca poderia ter nascido.

INDUSTRIA DE BILIÕES O celulóide não é uma substância inteiramente sintética, porque a sua matéria-prima é a celulose que se encontra nas plantas. Leo Baekeland, químico belga a trabalhar na América, criou o primeiro material inteiramente sintético em 1907 combinando fenol (ácido carbólico) com o gás formaldeído e produzindo um plástico a que chamou baquelite. Na esteira desta descoberta de Baekeland, foram inventados muitos outros plásticos. Mas ele próprio teria ficado admirado com o desenvolvimento da indústria, que, só nos Estados Unidos, tem actualmente uma produção bruta superior a 100 biliões de dólares.

plástico. Mas envolve frequentemente pressões elevadas e o emprego de agentes especiais, os catalisadores, que fomentam a ligação das moléculas pequenas. Os átomos de carbono e de hidrogénio que constituem a base de todos os plásticos provêm do petróleo bruto. O petróleo

é constituído por hidrocarbonetos — átomos de carbono e de hidrogénio ligados entre si. Os hidrocarbonetos vão desde moléculas simples como o metano (gás formado por um átomo de carbono combinado com quatro átomos de hidrogénio) até aos alcatrões e asfal-

tos, que podem ter centenas de átomos. No processo da refinação rio petróleo bruto obtêm-se, como subprodutos, muitos hidrocarbonetos diferentes. Um deles é o etano (dois átomos de carbono e seis de hidrogénio), gás que pode ser convertido num outro, o etileno, e depois polimerizado para fabricar polietileno. De forma semelhante, o gás propano transforma-se em polipropileno. Estes dois plásticos são usados para fabricar garrafas, tubos e sacos de plástico. O PVC — cloreto de polivinilo — é quimicamente semelhante ao polietileno, mas um dos átomos de hidrogénio foi substituído por um de cloro. Esta pequena alteração torna o PVC "retardador do fogo", pelo que é mais seguro para usar em casa. Se em vez do átomo de cloro forem usados quatro átomos de flúor, obtém-se o politetrafluoretileno, ou PTFE. Este produto, conhecido por íefíon, é usado nas frigi deiras não-aderenles e em chumaceiras. Muitos polímeros têm sido fabricados em laboratório, mas só os de propriedades mais úteis, como o poliestireno, o PTFE e o nylon, são produzidos industrialmente.

Como se extrai petróleo do solo
Como é que efectivamente se extrai petróleo do fundo do mar ou do solo? Os poços de petróleo são perfurados com brocas de perfuração, que, rodando, vão desintegrando a rocha. A broca de aço, ou de aço com ponta de diamante, é colo cada na extremidade de um forte tubo de aço chamado vara de perfuração, que roda accionaria por uni motor à superfície ou por uma turbina no interior do furo. Os fragmentos áe rocha são trazidos para a superfície pelo retorno da chamada "lama de perfuração", que é injectada pelo interior da vara de perfuração. Não é realmente lama, mas uma combinação de substâncias químicas e água que impele os fragmentos para a superfície e evita o sobreaquecimento da broca por fricção. À medida que o furo se torna mais profundo, têm de acreseeniar-se novos segmentos de vara, em geral com 9 m de comprimento. Na extremidade superior da vara fica o kelly, que se ajusta a uma placa giratória no chão da torre de perfuração. Para acrescentar um novo segmento à vara, esta é içada o suficiente para remoção do kelly, o novo segmento é ligado à extremidade superior da vara antes de se repor o kelly — e a perfuração continua. Fonte dupla. Duas torres de perfuração de petróleo flanqueadas por guindastes. De cada lado, chaminés de descarga quei marn os excessos de gás proveniente do depósito petrolífero submarino. 132 Periodicamente, torna-se necessário substituir a broca. Então, a vara tem de ser totalmente içada para o exterior e separada em stands de 27 m (cada um com três segmentos), que são amimados verticalmente na torre. Quando finalmente a broca aparece e é substituída por uma nova, a vara toma a ser montada e descida pelo poço. O processo pode demorar até 10 horas. Para que os lados do furo não se desmoronem, este é revestido por pesados tubos de aço que são descidos à medida que a

perfuração prossegue e fixados por betão. 0 revestimento vai-se estreitando gradual mente com a profundidade do poço. Um poço de 4500 m pode ler um tubo de revestimento com um diâmetro de 76 cm à superfície, diâmetro este que diminui escalonadamente até 18 cm no fundo. Se a broca encontra petróleo, o peso da lama assegura que este não se escape; mas existe um dispositivo de segurança adicional, constituído por uma válvula especial fixada no topo do tubo de revestimento. 0 ritmo de perfuração de um poço depende da natureza da rocha. Pode demorar tanto como 30 cm/h na rocha impermeável e compacta da abóbada ou ser tão rápido como 60 m/h nos arenitos. Quando se encontra petróleo, é preciso perfurar uma série de poços de produção para o trazer à superfície. No mar e em terrenos difíceis, o primeiro passo é abrir diversos poços destinados a cobrir toda a extensão da jazida. A abertura destes poços pode fazer-se de uma única torre ou plataforma, dirigindo os furos para diversas partes do campo petrolífero. Num campo muito vasto terão de usar-se várias torres de perfuração, cada uma delas perfurando direccionalmenie segundo um plano prévio, para que toda a área seja explorada. Depois de perfurados e revestidos os poços de produção, desce-se por eles um canhão de perfuração para impelir cargas explosivas até à rocha através da tubagem c cimento do revestimento, a fim de abrir fissuras na rocha e permitir que o petróleo entre nos poços. Enquanto o produto é extraído, a pressão pode ser mantida injectando-se água ou gás para empurrar o petróleo para os poços de produção. Mais tarde, podem empregar-se bombas eléctricas ou mecâ nicas. Mas, mesmo com o auxílio destas técnicas, raramente é possível extrair mais do que 30 a 50% do petróleo de um campo. Perfuração por computador. Computadores fornecem o traçado de linhas de perfuração altematioas (representadas corno traços coloridos atravessando as diferentes camadas rochosas) depois de se ter procedido a testes sísmicos.

Como se sabe onde procurar petróleo

Por volta do ano 2020, as reservas de petróleo conhecidas devem estar esgotadas. Daqui ale lá, será necessário encontrar novos campos petrolíferos, provavelmente em lugares cada vez mais inacessíveis. São preci sas três condições para que se forme uma jazida de petróleo: o tipo certo de rocha sedimentar para criar o petróleo; uma camada de rocha porosa para o armazenar, e uma "tampa" de rocha impermeável para o reter. As rochas sedimentares formam-se ao longo de milhões de anos a partir de sedimentos que contêm peixes, conchas, plâncton e plantas. Quando estas matérias orgânicas se decompõem, produzem petróleo e gás. Havendo uma camada de racha porosa, ela impregna se de petróleo como uma esponja. Uma camada de rocha impermeável sobre o petróleo irá retê-lo, desde que a tampa tenha a forma adequada — idealmente, a de uma abóbada. Para se encontrarem bacias sedimentares em que poderá ter ocorrido a formação de petróleo, fazem-se frequentemente estudos de magnetismo e de gravidade. To das as rochas são magnéticas, mas o magnetismo varia ligeiramente de rocha para rocha, dando aos geólogos indicações sobre a estrutura e o tipo das rochas que se encontram sob o solo. Outras indicações são dadas pelas densidades diversas das rochas. Na prospecção magnética, recorre-se a um avião que reboca sobre a zona um magnetómetro que mede o campo magnético. As variações do campo magnético ajudam a construir uma imagem da estrutura do solo sobrevoado. A prospecção gravimétrica baseia se na

Testes sísmicos. ;Vo oasto deserto da Ara bia, prospectores pesquisam petróleo P/O uocam explosões e medem as ondas de choque a fim de elaborarem uma carta das formações rochosas subterrâneas. Podem assim saber se é ou não prouável encontrar -se petróleo num dado local. medição do campo gravítico para inferir conclusões quanto às densidades das rochas abaixo da superfície. Um aparelho chamado gravírnetro consegue medir variações da aceleração da gravidade terres tre de uma parte em 100 milhões. Há uma versão deste instrumento, estabilizada por um giroscópio, para fazer leituras no mar. As informações colhidas são processa das em computador e interpretadas por geólogos. Se os resultados forem promete dores, as pesquisas prosseguem agora por meio da prospecção sísmica. Esta envia ao

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solo ondas de choque provocadas por explosões ou vibrações à superfície. As ondas viajam a velocidades diversas, conforme o tipo de rocha em que se propagam. Quando atingem a interface entre duas rochas de natureza diferente, as ondas são reflectidas e voltam à superfície, onde são captadas por microfones e registadas. Podem então usar se computadores para calcular as posições das camadas de rocha, com base no tempo entre a emissão das ondas e o seu retorno, e desenhar um corte pormenorizado da zona. Mas os geólogos nunca podem ler a certeza da existência de petróleo em determinado local, mesmo que todos os dados obtidos o indiquem. Uma das razões principais é que os lençóis petrolíferos podem infiltrar se através de rochas porosas.

A limpeza de um grande derrame de petróleo
0 petróleo é o maior poluente dos oceanos e estuários da Terra - e os petroleiros gigantes, os maiores culpados. Quase 10 anos depois de o Amoco Cadiz, petroleiro líbio, ter naufragado ao largo da Bretanha, em Março de 1978, os cientistas revelaram que naquele sector da costa os peixes ainda não se reproduziam como anteriormente. A solha apresentava órgãos reprodutores anormais c defeituosos, e as ostras en contravam-se contaminadas. Em 1989, uma mancha gigante de petróleo no golfo do Príncipe William, no Alasca, contaminou as zonas de reprodução de focas, leões-marinhos c aves. Derramaram-se 45 milhões de litros de petróleo quando o Exxon Valdez, navio de 216 000 t, encalhou num recife. Ninguém sabe precisamente quanto petróleo é derramado acidentalmente e quanto é lançado deliberadamente ao mar em deslastragens de rotina. A contaminação dá-se muitas vezes quando os petroleiros lavam com água do mar os reservatórios vazios depois de uma entrega. Os resíduos que são bombeados para o mar podem ser consideráveis. Se não forem tomadas quaisquer medidas, um derrame de petróleo acaba por se dispersar, desintegrando-se em resíduos inócuos — depois de ter causado enormes 134

Costa contaminada. As praias negras da Bretanha (em cimo) depois de o petroleiro líbio Amoco Cadiz ler naufragado, em 1!)78. Um enorme dique pneumático flutuante (à esquerda! foi utilizado para tentar represar a mancha de petróleo ao largo. As operações de limpeza junto à costa são frequentemente executadas por uoluntários usando simplesmente pás e baldes estragos na vida marinha. A desintegração pode ser acelerada regando-se o petróleo com agentes químicos de dispersão, que são, basicamente, detergentes. Mas também estes podem ter efeitos indesejáveis, destruindo os óleos naturais nas penas das aves marinhas e ríiminuindo-lhes a sua capacidade de flutuação. O ideal será circunscrever a mancha de óleo antes que alastre e depois remove la da superfície do mar por meio de bombas. Para esse efeito, coloca-se em volta da mancha um grande dique flutuante de tubos cheios de ar. Como o petróleo flutua na água, o dique evita que ele alastre. As extremidades do dique são presas a navios, que o arrastam devagar sobre a água, capturando o petróleo. Um destes navios bombeia o produto, através de uma conduta flutuante, para um navio-lanque próximo. Este sistema pode recolher diariamente 15 000 t de mistura petróleo água. Foram já criados diversos outros sistemas e dispositivos para aspirar o petróleo depois de circunscrito, entre os quais as escumadeiras de absorção e as escumadeiras de barragem. As escumadeiras de absorção empregam cilindros, correias ou esfregões, com as superfícies tratadas por compostos quí-

micos sintéticos aos quais o petróleo adere e a água não. O cilindro ou a correia rodam sobre a mancha, apanhando o petróleo da superfície do mar. Uma lâmina semelhante a um limpa-pára-brisas vai raspando

continuamente o petróleo, limpando a
correia ou cilindro para dentro de um contentor. As escumadeiras de barragem colocam um dique um pouco abaixo da superfície, de modo que o petróleo passa sobre ele. O nível do outro lado é mantido um pouco abaixo por bombagem; o petróleo assim escumado vai sendo transferido para um reservatório. A forma mais simplificada deste processo utiliza tambores de óleo sem tampa, lastrados com pedras e colocados em água tão pouco profunda que os bordos eslão imediatamente abaixo da superfície. O petróleo flutuante entra nos tambores e pode ser bombeado para o exterior. Os derrames em terra ou o petróleo que o mar lançou à costa sáo difíceis de limpar. Às vezes, emprega-se maquinaria de remoção de terras ou cavam-se valas de drenagem. Palha, serradura ou turfa podem ser utilizadas para a limpeza final.

Como se apaga um fogo num poço de petróleo
0 Isqueiro do Diabo - como foi apelidado o fogo no poço de petróleo — ardia há quase seis meses nas areias do interior do Sara. Revoluteando e torcendo-se, as chamas vermelho-aJaranjadas elevavam-se a 140 m de altura, fazendo um penacho a que os ventos do deserto davam as mais fantásticas formas. O penacho era visível a mais de 150 km no céu da Argélia Central, e foi visto do espaço pelo astronauta americano John Glenn quando orbitava a Terra, em Fevereiro de 1962. O gás irrompia de um tubo de 33 cm de diâmetro com uma velocidade superior à do som, tão rapidamente, na verdade, que as chamas só começavam a quase 10 m de altura. O ruído era um trovejar incessante. O solo do deserto tremia e a areia crepitava.

Os problemas tinham começado em Novembro de 1961, quando o gás do poço irrompera, ejectando a vara de perfuração. O gás saía para o ar em quantidades que teriam chegado para satisfazer as necessidades energéticas de uma cidade como Paris. Ainda náo havia chamas - unicamente um fortíssimo jacto de gás. Mas a ameaça que pairava no espírito de todos os observadores era que bastaria uma simples faísca para fazer eclodir um inferno. Os franceses proprietários do poço pediram ao "bombeiro" número um dos poços de petróleo e dos campos de gás, o texano Red Adair, que acorresse à emergência Ocupado com um fogo no México, Adair mandou imediatamente dois dos seus assistentes principais para o campo petrolífero de Gassi Touil, no deserto, a sueste de Argel, a capital argelina. Durante sete dias, a equipa de Adair bombeou lama para dentro do poço para tentar bloquear o gás que saía Até que, ao meio-dia de 13 de Novembro, se deu uma violenta explosão e a coluna de gás, até então quase invisível, se incendiou. A origem esteve provavelmente numa faísca de electricidade estática criada pela areia que era constantemente ejectada. O trabalho agora era para o próprio Red Adair. Com 47 anos, havia 24 que combatia fogos desta natureza. Ao chegar ao local, apercebeu-se de que o fogo, se náo fosse dominado, poderia arder sem cessar durante 100 anos. Para o apagar — "matá-lo", na gíria dos campos petrolíferos —, tinha de o privar de oxigénio, para o que detonaria junto à chama uma poderosa carga explosiva. Levou cinco meses a juntar todo o equipamento de que precisava, a transportá-lo pelo ar para a Argélia e daí para o deserto. Só em Abril de 1962 ele e a sua equipa se consideraram prontos para iniciar o trabalho. A população inicial de 30 homens do campo crescera para se transformar num acampamento de 500 pessoas. Diariamente, chegavam camiões com bulido zers, bombas e secções de tubagem. Nessa época, a Argélia encontrava-se em plena guerra para se tornar independente da França. Além de contratar um intérprete francês, Adair rodeou se também de guardas armados de metralhadora para o protegerem e aos seus homens. Mas a tarefa que linha em mãos era a sua preocupação principal. Antes de mais, precisava de água, que obteve por meio de furos, criando um reservatório que podia ser utilizado para regar as chamas sempre que necessário. Depois, a torre de perfuração de sete andares - que o fogo reduzira a 600 t de aço torcido — foi retirada do local, arrastada por uma enorme grua arrefecida a água e por um "ancinho" gigantesco. O passo seguinte - montar e detonar o explosivo — era muito mais complicado e 135

perigoso. A única maneira de trabalhar com um mínimo de segurança era debaixo de toneladas de água jorrando inces santemente de oito grandes agulhetas. Pouco depois das 8 horas de uma ma nhã de sábado, Adair - envergando um fato-macaco vermelho, capacete de segurança também vermelho e botas de borracha vermelhas — estava pronto. Tinha preparado um tractor de lagartas com uma lança de 15 m a cuja extremidade estava soldado um tambor de ferro preto envolvi do em alumínio e amianto. Observado por uma multidão de traba lhadores do campo petrolífero, de bombeiros, de polícias e de enfermeiros - e com dois helicópteros em alerta para levarem alguém ao hospital se algo corresse mal —, começou a carregar o tambor com 250 kg de dinamite. Ligou depois os detonadores e o fio eléctrico ao tambor. O fio conduzia a uma trincheira a 180 m do fogo, de onde seria provocada a explosão. O sol estava já ardente quando, pelas 9 horas, Adair e o seu assistente subiram para o tractor. Adair tomou os comandos e a máquina avançou como um monstro pré-histórico de longo pescoço, entrando debaixo do chuveiro das oito agulhetas. O Isqueiro do Diabo Quando o tractor se aproximou do fogo, o assistente saltou para o chão e guiou Adair fazendo sinais com as mãos. Lentamente, a lança conduziu o tambor de explosivo até uns centímetros do ponto onde a coluna de gás se transformava em chama. Depois, o assistente correu a abrigar-se na trincheira. Adair saltou do tractor e correu atrás dele. Assim que os dois chegaram à trincheira, o assistente carregou no contador - e o rugido do fogo foi afogado pelo som de um poderoso "brrrrum". Um espesso fumo negro cobriu a cena. O trovejar do fogo foi substituído por um ruído agudo e sibilante do gás que se escapava. O Isqueiro do Diabo fora apagado. A seguir, veio a tarefa de tapar o poço com um bloco de aço com 3 m de altura e o peso de 8 t, chamado cabeça de controle. Mas Adair decidiu esperar até à segunda-feira seguinte. Primeiro, havia uma série de pequenos fogos dispersos em volta da boca do poço que tinham de ser apaga dos; depois, era preciso ter a certeza de que o tubo do poço estava intacto. Com todos os fogos extintos e o poço arrefecido por um dilúvio constante de água, Adair sentiu-se aliviado ao verificar que o tubo estava intacto. Por isso, na segunda-feira, de manhã cedo, preparou se para corta lo e aplicar-lhe a cabeça de controle contra a fortíssima pressão ascendente do gás. Durante os dois dias seguintes, Adair e a sua equipa trabalharam numa nuvem de gás altamente explosivo que em qual quer momento se podia incendiar e queima los vivos. Usando um cabo de aço

RED ADAIR: O HOMEM E A LENDA

0 primeiro trabalho de Paul Neal Adair — alcunhado de Red (vermelho, ruivo) devido à cor flame jante do seu cabelo — foi servir de fogueiro na forja do pai, ferreiro de Houston, no Texas. Em 1938, aos 23 anos, trabalhava como operário num poço de petróleo quando uma válvula rebentou e ele foi atirado a 15 m. Enquanto todos corriam a abrigar-se, Red — embora magoado e abalado — repôs calmamente a válvula em posição A sua coragem foi notada pelo pioneiro nos combates aos fogos de petróleo Myron Kinley, que pediu ao jovem Adair que o ajudasse num acidente em Alice, Texas. Os dois homens trabalharam juntos até os Estados Unidos entrarem na II Guerra Mundial, em 1941. Adair, que prestou serviço no Pacífico, tornou-se especialista em desactivar bombas, mas voltou a trabalhar com Kinley desde o fim da guerra até 1959, Neste ano, criou a sua própria empresa, a Companhia Red Adair de Controle de Fogos e Explosões em Poços de

Petróleo, com a divisa: 'A todas as horas, em todo o Mundo." Três anos depois, o êxito em Gassi Touil foi notícia no Mundo inteiro e a sua fama cresceu rapidamente. Mas alguns dos feitos mais dramáticos de Adair estavam ainda para chegar, pois ele apagou fo, gos desde o golfo do México . até ao mar do Norte. Multimilionário e avó, Red Adair trabalha a partir de um escritório em Houston, que — como o seu automóvel e o seu barco a motor — é encarnado como um carro de bombeiros. Nos seus cinquenta e tal anos de combate ao fogo, lidou com mais de 1000 incêndios e explosões em poços de petróleo. "1 lá duas coisas de que realmente gosto no meu trabalho", disse uma vez numa entrevista. "Nunca saber para onde vou quando toca o telefone — e não ser incomodado por angariadores de seguros de vida!" Bombeiro dos poços de petróleo. Red Adair, em 1968. Nunca deixou de apagar um fogo — alguns em seis meses, outros em segundos.

desfiado com 3000 m de comprimento, cortaram a parle do tubo que saía do solo. Para apagar quaisquer faíscas, a zona de trabalho era continuamente inundada de água. Em seguida, a grande cabeça de controle — um complicado conjunto de válvulas, flanges e torneiras - foi levada para o local. Uma vez colocada, a grande cabeça iria desviar o jacto de gás da área de perigo para um tubo transversal com 365 m de comprimento. Este seria aceso nas extre midades e o poço ficaria sob controle. Devido ao perigo que a utilização de uma grua poderia representar - pois podia fazer faíscas enquanto trabalhava —, foi um grupo de 20 operários que içou a cabeça com cordas e a colocou sobre o poço. Enquanto a cabeça estava a ser descida, caía sobre os operários uma chuva de gasolina condensada do gás e que se espalhava num círculo a partir do poço. Adair e a sua equipa entraram em acção c colocaram os rebites com martelos de latão (menos propensos que os de aço a fazer faíscas). Lançou-se então fogo ao gás que saía das duas extremidades do tubo transversal e o maior incêndio que até então lavrara num campo petrolífero foi abafado.

Piper Alpha: bola de fogo assassina Em 6 de Julho de 1988, a plataforma petrolífera Piper Alpha, a 190 km ao largo da costa escocesa, no mar do Norte, sofreu o maior desastre da história do petróleo. Duas imensas explosões envolveram a plataforma numa bola de fogo, matando 167 homens. Depois de recolhidos os 63 sobreviventes, as atenções centraram-se na extinção do fogo nos cinco poços em chamas. A plataforma retorcida estava coberta de petróleo escorregadio e de destroços, alguns com mais de 20 t. Antes de se tentar extinguir qualquer dos poços, havia que retirar os destroços — mas a plataforma atingia uma temperatura muito acima dos 1000tJC e estava inclinada a 45°. Havia o perigo de se desmoronar completamente e de os poços incendiados explodirem. Red Adair chegou da América de avião. Felizmente, encontrava-se perto da plata forma o Tharos, navio de emergência de 30 000 I, equipado com aparelhagem de combate aos fogos. Desenhado por Adair, o navio tinha uma tripulação de 135 ho mens, três gruas, um sino de mergulho e uma câmara de descompressão, uma lança telescópica e 16 canhões de água. Alguns destes foram usados para criar uma cortina de água para proteger o Tha-

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ros, que se deteve a 25 m da plataforma. Os restantes foram apontados aos fogos. A lança do Tharos é um braço mecânico telescópico que pode ser movimentado para baixo e para cima ou para os lados, podendo estender-se quase 20 m para fora do barco. A grua principal levantava os destroços da plataforma. Enquanto a plataforma era limpa, os canhões regavam-na com milhões de litros de água do mar, e os fogos acabaram por extinguir-se. Mas as bocas dos poços continuavam a jorrar petróleo. Assim que a plataforma arrefeceu o suficiente, bombeou-se água do mar para dentro dos poços, sob pressão muito elevada, sustendo-se assim a saída do petróleo. Imediatamente se injectou betão em cada poço, vcdando-os definitivamente. Red Adair e a sua equipa limparam todos os destroços e dominaram os fogos dos poços em apenas 36 dias. Cada fogo em poços de petróleo tem problemas próprios, mas os processos de o extinguir são basicamente os mesmos. 0 mais simples é impedir se o fluxo de petróleo ou de gás pelo fecho das válvulas. Mas depois de uma explosão, estas vál-

vulas ficam frequentemente inutilizadas. Depois de uma explosão na plataforma Ekofisk em 1977, o petróleo jorrou de um dos poços com uma enorme pressão e a uma temperatura de quase 100°. A força do jacto de petróleo era demasiada para ser dominada pela bombagem de água do mar. Red Adair tentou utilizar dois macacos hidráulicos para comprimir dois semidiscos para cobrir o topo do poço, mas ajustá-los nessas condições não era fácil. Uma simples faísca e o petróleo incendiar-se-ia. Após cinco tentativas, tiveram êxito. Outro processo consiste em perfurar poços de diversão para desviar o petróleo de um poço ou de um tubo, reduzindo-se assim o volume e a pressão no poço principal. Esta medida fora já prevista para o caso de o plano inicial para dominar a explosão da Pi per Alpha ter falhado: o aparelho de perfuração semi-submersível Kingsnorth começara já a perfurar outro poço até uma profundidade de 2600 m abaixo do fundo do mar. A ideia era vedar o poço com cimento a partir do fundo para impedir o fluxo do petróleo, mas tal não chegou a ser necessário. A equipa de Red Adair conseguiu tapar todos os poços.

Homem de acção. Red Adair. nesta foto grafia, dirige as operações para dominar uma fuga de metano perto de Franenthal, Alemanha, em 1980.

Inferno no mar do Norte. O desastre na plataforma petrolífera Piper Alpha em 1988 foi o mais grave de sempre, corri 167 mortos. Canhões de água (pormenor em cima, à esquerda) regaram os fogos que deflagraram após duas explosões que abalaram a plataforma.

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Como se mede uma montanha?
Em 1749, o 'levantamento topográfico da índia" feito pelos Ingleses identificou um pico muito elevado nas montanhas dos Hi malaias. Foi designado por Pico XV, mas só em 1849 outra missão topográfica decidiu medir a sua altitude. Quando o levantamento terminou, em 1852, confirmou-se que o Pico XV era o mais alto do Mundo. Foram sugeridos diversos nomes para este pico, incluindo Devadhunga (Trono dos Deuses) e Guarishankar (A Esplendorosa Noiva Branca de Xiva). Mas o nome aprovado foi o sugerido por Andrew Waugh, topógrafo-geral da índia, que achou que o monte devia ter o nome do seu antecessor. Sir George Everesl. Para calcular a altitude do Evereste, empregaram-se os métodos clássicos de topografia. No solo e a uma altitude conhecida, mediu-se uma linha de base com vários quilómetros O cume da montanha era vi sível dos dois extremos dessa linha, e fizeram-se leituras para o cume com tcodoli los - aparelhos que medem ângulos. Conhecendo-se dois ângulos e o com primento de um dos lados de um triângulo, podem calcular-se os comprimentos dos outros lados - obtendo-se a distância da linha de base ao cume. Cálculos subsequentes dáo-nos então a altura (v. diagrama). Os topógrafos mediram o Evereste a partir de seis pontos diferentes — o que produziu seis números entre 28 990 e 29 026 pés (8836 e 8847 m). A média dava exactamente 29 000 pés (8839 m), mas, dado que esta medida parecia tratar se de uma aproximação, somaram-lhe 2 pés (0,6 m) e emitiram a sua opinião abalizada: 29 002 pés, ou sejam 8840 m. A posição do Evereste como a montanha mais alta do Mundo náo foi posta em causa até 1986, quando George WallerStein, da Universidade de Washington, utilizando um método diferente, afirmou que uma outra montanha dos Himalaias, a K-2, poderia ter mais 11 m do que o Evereste. Esta afirmação era tão perturbadora que uma expedição italiana que se encon trava nos Himalaias em 1987 decidiu verificá-la. Colocaram-se receptores nas encostas do Evereste e do K-2 e empregaram-se sinais de Navstar (navegação electrónica por estrelas) para determinar as respectivas alturas e posições Esta medição era decisiva, pois as discrepâncias nas altitudes das montanhas devem-se habitualmente a erros na altitude da linha de base sobre que se fundamentam os cálculos. A equipa do geólogo Ardito Desio calculou então as alturas das duas montanhas utili zando teodolitos colocados nos locais em que se encontravam os receptores. A sua conclusão foi de que a altitude do Evereste era de 8872 m, 256 ui superior à do K-2.

Obrigando o mar a devolver os seus tesouros

No fundo do Atlântico, a 4 km de profundi dade, o l)r. Robert Bailará viu à sua frente o vulto do navio de passageiros Titanic. Ele e a restante tripulação do mini-submarino Aloin foram os primeiros homens a pôr a vista no gigante dos mares desde que esle foi afundado por um icebergue há quase 75 anos. "Mesmo à nossa frente, erguia-se do fundo uma chapa de aço negro, aparentemente interminável — o casco maciço do Titanic", escreveu. De um segundo mergulho — um dos nove efectuados pelo Aloin O que faz o topógrafo. Mede se urna tinha de base entre em Julho de 1986 - oDr. dois pontos (A <? Bj à mesma altitude O topógrafo coloca-se Ballard recorda: "Ali es em A e aponta o teodolito, primeiro para o cume C, depois tava eu no fundo do para B, obtendo o ângulo x. Faz o mesmo a partir de B para oceano, olhando objecobter o ângulo y. Calcula então a distância ao ponto D, na tos que eu reconhecia, perpendicular do cume e à altitude da linha de base. Ainda criados e construídos em B, determina o ângulo z com um instrumento de nível, pelo homem para um Com a distância BD e sabendo que o triângulo BCD é recoutro mundo. Olhava tângulo, calcula o comprimento de h, que soma â altitude através de janelas pelas da linha de base para obter a altitude total da montanha. 138

Apetrechos de um archeiro. Cinco dus 4000 setas recuperadas do Mary Rose 01contrauam-se num suporte de cabedal ao lado de uma braçadeira e de uma bainha de cabedal. quais já tinham olhado pessoas, para decks ao longo dos quais elas tinham passeado, para quartos onde tinham dormi do, brincado, amado. Era como descer na superfície de Marte apenas para encontrar os restos de uma antiga civilização semelhante à nossa." O Titanic afundou se a cerca de 720 km ao sul da Terra Nova no dia 15 de Abril de 1912. Das 2200 pessoas a bordo salvaram-se apenas 705. Era a viagem inaugural do navio. Mas só em 1 de Setembro de 1985 — graças às modernas tecnologias o barco foi localizado por uma expedição conjunta franco-americana, encabeçada pelo Dr. Ballard.

Artigos pessoais. Um conjunto de muni cura, um sapato, pentes e outros objectos indicam a presença de uma mulher.

Estojo de cirurgião-barbeiro. Encontra rum se. uma tigela de sangria e uma seringa, um almofariz, um frasco de remédios e caixas - para uso de um cirurgião.

O "Mary Rose". Esta reconstituição artística mostra o Mary Rose antes de se virar, em 1545. 0 orgulho da frota naval de He.nri que VIII tinha 40 m de comprimento. 91 canhões e 415 tripulantes. 0 primeiro passo para se encontrar um navio naufragado perdido implica buscas meticulosas nos arquivos históricos, por forma a determinar com o possível rigor onde é que o navio se afundou - o que, por vezes, 6 bastante simples. 0 Mary Rose, navio almirante do rei Henrique VIII de Inglaterra, afundou-se em 1545 no Solenl com um mar relativamente

Tempo de lazer. Sobre um tabuleiro de jogos de madeira vêem-se uma capa cie ti vro, uma bolsa de couro, uma flauta, moedas de troca e marcas de jogo. dois dados e o esporão de um galo de combate. amarras e rolaram, atravessando o convés, fazendo mais peso a estibordo. O Mary Rose virou-se, afogando 650 homens. A sua posição era conhecida, mas depois foi perdida ou esquecida. L só mais de 400 anos depois o navio pôde ser levantado. Um dos achados mais ricos foi o de uma flolilha de 10 barcos espanhóis ao largo da Florida. Estes barcos partiram de Havana, Cuba, de regresso à pátria, carregados de ouro, esmeraldas, pérolas e 2300 arcas de moedas acabadas de cunhar na Cidade do

calmo - à vista de centenas de pessoas
em terra, incluindo o próprio rei. Quando se fazia de vela com uma frota de mais Sfl navios para enfrentar uma esquadra invasora francesa, adernou com o vento e a água entrou pelas janelas de tiro de estibordo. Os canhões partiram as Canhão de bronze. Este. canhão fazia parte da artilharia de reforço do Mary Rose. 0 peso extra deve ter contribuído pura que o barco se virasse.

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Tesouro espanhol. Uma arca contendo moedas de prata fazia parte do tesouro descoberto perto dos destroços de um galeão espanhol afundado em 1622 ao largo da costa da Florida. México — tesouro que valeria pelo menos 50 milhões de dólares ao valor actual. Os navios foram apanhados por um tufão e afundaram-se a sul de Cabo Canaveral. Na década de 50, Kip Wagner, "caçador de tesouros" nas praias, encontrou algumas moedas de prata na baía de Sebastian, 64 km a sul de Cabo Canaveral. Investigando a sua origem, leu algo acerca da esquadra e convenceu-se de que tinha encontra do parte do seu tesouro. Mandou uma moeda para a Smithsonian Institution em Washington, mas disseram-lhe que ela não podia pertencer àquela flotilha, que se tinha afundado 240 km mais a sul. Não convencido, Wagner e um amigo, o Dr. Kip Kelso, continuaram a investigar por sua conta e descobriram que Bernard Romans, cartógrafo inglês, descrevera em 1775 o local onde a frota se afundara e chegara a desenhar um mapa. Equipado com um detector de minas comprado em se-

gunda mão, Wagner fez buscas nas praias próximas da zona descrita — e encontrou um enorme tesouro de objectos valiosos, incluindo urna corrente de ouro com pin gente, leiloada por 50 000 dólares, e um anel de brilhantes que valia 20 000. Wagner fez-se ao mar e começou a mergulhar para encontrar os despojos. O tesouro que acabou por recolher valeu mais de 5 milhões de dólares. O emprego do detector de minas por Wagner foi o começo da aplicação das modernas tecnologias à busca de barcos naufragados. Em 1970, o inglês Rex Cowan decidiu procurar o Hollandia. que fizera a rota das Índias Orientais I lolandesas e se perdera ao largo das ilhas Scilly em 1743. Sabia, por relatos da época, a posição aproximada do naufrágio, mas os mergulhadores não encontravam quaisquer vestígios. Cowan usou então um magnetometro — aparelho que se reboca de um barco e que detecta alterações do campo magnético provocadas por objectos de fer ro, como canhões. Depois de, durante meses, ter percorrido a zona provável em todas as direcções, Cowan e a sua equipa tiveram finalmente uma indicação alguns dias apenas antes de terminar a estação de mergulho, no mês de Setembro, depois do qual as condições meteorológicas são geralmente desfavoráveis. Mergulharam, nada encontraram, mas voltaram no dia seguinte - e descobriram canhões com o monograma da dependência em Amsterdão da Companhia Holandesa das índias Orientais. No dia seguinte, descobriram uma colher de prata com o brasão de uma família holandesa, a

dos Imhoff Bentinck, um de cujos membros se sabia ter estado a bordo do Hollandia, confirmando a respectiva origem. Foram ainda encontradas mais de 35 000 moedas de prata com o valor de cerca de I milhão de libras. Os magnetómetros revelaram-se, porém, infrutíferos na descoberta do Mary Rose. Embora este tivesse naufragado a poucas centenas de metros da costa, estava coberto de lodo e areia quando se iniciaram as buscas. A solução veio de outro invento modern o — o sonar. Criado para a guena submarina, o sonar emite sinais sonoros e regista os ecos reflectidos por objectos sólidos. Um tipo de sonar que detecta objectos afundados no lodo ou na areia produziu sinais que poderiam indicar a presença de uma elevação no fundo do mar — e algo de sólido no seu interior. Três anos depois, as marés tinham retirado parte dos sedimentos do lado de bombordo do navio afundado e podiam verse algumas madeiras. Começou então a histórica recupera çáo — uma "cápsula do tempo" da vida a bordo de um navio de guerra do século xvi. Mas a redescoberta do Titanic deve considerar-se o mais notável achado do mar alto. Encontra-se a uma profundidade excessiva para mergulhadores, e descobri lo na imensidade do Atlântico Norte com apenas uma ideia vaga da sua localização exigia capacidades especiais. A equipa conjunta franco-americana utilizou um aparelho de sonar para grandes profundidades para esquadrinhar o fundo do mar e encontrar o navio naufragado — e uma máquina fotográfica submarina de comando remoto para colher as primeiras imagens. Um ano depois, de bordo do submarino Alvin, para três tripulantes, o Dr. Ballard, geólogo oceanográfico do Instituto Oceanográfico de Woods Hole, no Massachusetts, via o barco com os seus próprios olhos. O submarino pousou na proa e na ponte. Uma câmara-robô submarina de controle remoto, a Jason Júnior. desceu a Grande Escadaria, fotografando lustres ainda pendurados, relógios, pratas e os interiores dos camarotes.

Como funciona o escafandro autónomo?
Desde o século xix que os cientistas vinham tentando inventar um aparelho de respiração eficaz e autónomo para os mergulhadores. Em 1943, Jacques Yves Cousteau e Emile Gagnan aperfeiçoaram o escafandro autónomo, inventado em 1865 por Roquayrol e Denayrouse. Cousteau

Imagens de sonar de um navio naufragado no Árctico. O navio Breadalbane perdeu-se em 1853 na Passagem do Noroeste, no Canadá, quando procurava sobreviventes da expedição Franklin. Foi detectado em 1980 com o auxílio de rastreio por sonar. As imagens mostraram o navio, a 104 m de profundidade sob o gelo. com as velas ainda nos mastros.
I In

utilizou este escafandro para descer até 60 m de profundidade. Os pulmões humanos não são suíicien temente poderosos para se expandirem contra a pressão da água abaixo de cerca de 45 cm. A pressão aumenta rapidamente com a profundidade, e a 10 m atinge já 2 atmosferas - cerca de 2 kg/cm2. Para respirar debaixo de água, o mergulhador tem de receber ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. No escafandro autónomo, o ar está armazenado a alta pressão - alé 200 atmosferas — em cilindros atados às costas do mergulhador e ligados à boca por um tubo e um bocal. O ar chega ao mergulhador através de um regulador de dois andares. No primeiro, a pressão é reduzida a cerca de 10 atmosferas acima da da água envolvente. O segundo, no bocal, fornece ao mergulhador ar à mesma pressão que a da água que o rodeia. Uma membrana elástica no bocal está em contacto com água num dos lados e com uma câmara-de-ar no outro. Quando o mergulhador inspira, a membrana é puxada para dentro e empurra uma alavanca na câmara; esta alavanca faz abrir uma válvula que deixa entrar o ar do tubo, o qual diminui de pressão quando entra. Quando o mergulhador pára de inspi rar, o ar que entra na câmara empurra a membrana elástica, fechando a válvula e cortando o fluxo de ar. Mesmo quando o mergulhador não esla a inspirar, um aumento da pressão da água quando ele mergulha empurra a membrana para diante, a fim de abrir a válvula e deixar penetrar o ar do tubo. Por isso, o ar na câmara do bocal está sempre à mesma pressão que a da água envolvente.

Respirar debaixo de
água. O ar que esta mergulhadora respira do cilindro do seu escafandro aula no mo está regulado para igualar a pressão da água sobre o seu corpo. Quando ela inspira, uma membrana elástica no bocal cria uma depressão na câmara, abrindo uma válvula e deixando entrar o ar. Este baixa de pressão para igualar a que a água exerce sobre a face exterior da membrana. Quando a inspiração termina, o ar que entra empurra a membro na, fechando a válvula e, portanto, o fluxo de ar. O ar expirado sai por válvulas de escape, deixando um rasto de bolhas. O botão de purga do bocal pode ser accionado para deixar entrar ar ou expulsar água.

Membrana elástica Alavanca •*

v—1=
'jt A—^~
'

Água Válvula

Membrana
elástica Alava

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Agua Botão de purga Válvula

Câmara-de-ar Regulador do bocal

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Inspiração

Ar do ' cilindro Ar inspirado

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Cámara-dc-iir

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Expiração

*

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Válvula de escape Ar "expirado

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Como sáo reparados os cabos de telefone submarinos?
Um grande número de conversações telefónicas internacionais continua a ser feito através de cabos assentes no fundo do mar e que ligam entre si os continentes. Os satélites de comunicações ainda não eliminaram a necessidade destes cabos submarinos - até a "linha quente" entre Washington e Moscovo os utiliza. Mas que acontece quando um cabo se avaria? 0 primeiro cabo telegráfico transatlântico, assente em 1858, avariou-se poucas se manas depois. Hoje, o risco de avaria foi muito reduzido pelo emprego de um isolamento de polietileno e pela escolha de percursos que evitam as zonas de actividade vulcânica, correntes fortes ou os bancos de pesca. Nas zonas pouco profundas, os cabos são frequentemente enterrados. Apesar destas precauções, ainda se dão avarias. As grandes empresas de tclecomu nicaçóes possuem navios de manutenção em serviço permanente para efectuar as reparações. O trabalho é feito por submersíveis de comando à distância com o tamanho de uma furgoneta, que são descidos do navio de manutenção, mergulham até ao fundo do mar, localizam a avaria e prendem linhas ao cabo avariado. Kste é então puxado até à superfície e reparado a bordo. O CIRRU5 (Cable Installation, Recovery and Repair Underwater Subrnersible) e o seu sucessor, ainda mais sofisticado, o ROV128, são comandados através de um cabo "umbilical" do navio e accionados por propulsores hidráulicos. O primeiro trabalho de um submersível consiste em localizar a avaria. O submersível segue o percurso do cabo no fundo do mar, captando os fracos sinais de baixa frequência transmitidos através dele pela estação terminal em terra. Se um cabo estiver partido, a água provoca um curto-circuito que irá estabelecer a ligação entre os fios que compõem o cabo. Quando o sinal de saparece, o submersível pousa no fundo do oceano e põe a visla o cabo avariado por meio de um poderoso jacto de água que expulsa a camada de areia e lodo. O CIRRUS eslá equipado com luzes poderosas e câmaras de televisão, a cores e a preto e branco, que permitem aos operadores a bordo do navio de manutenção observar todos os pormenores do terreno. Usando as imagens como guia, os operadores estendem poderosos braços articulados que agarram o cabo. O CIRRUS usa uma lâmina especial para cortar o cabo avariado e deixa no fundo do mar um «bip-bip» acústico para marcar o local. Depois, sobe à superfície, pega num cabo de aço forte, leva-o para o fundo e liga-o a uma extremidade do cabo telefóni co, que é então içado para a superfície. Usa-se o mesmo processo para a outra extremidade do cabo. Uma vez reparado, o cabo é descido de novo para O fundo.

Ill

Fabrico de diamantes em laboratório
rior de cilindros de metal resistente, a fim de produzirem pressões que podiam atingir as 100 000 atmosferas (103 500 kg/cm2). No interior da câmara de pressão, foi construído um forno eléctrico capaz de gerar uma temperatura de 2500"C. No entanto, depois de experiências metódicas, nenhum diamante se formou. Faltava um catalisador para acelerar a reacção. Durante três anos, os cientistas fizeram ensaios com muitos catalisadores diferentes, mas sem sucesso. Até que, em 15 de Dezembro de 1954, um técnico do laboratório reparou, num teste de rotina, que algumas amostras produzidas pelo físico Herbert Strong tinham danificado a sua roda de polir. Telefonou a Strong para se queixar — e este, com a sua equipa, acorreu ao laboratório e começou a examinar as amostras. Tracy Hall, um dos químicos, verificou que a amostra que riscara a roda continha dois diamantes. O problema que agora se punha à equipa era como duplicar o processo que criara os diamantes. Strong usara metais e ligas ferrosas como catalisadores, mas durante vários dias e noites os cientistas não conseguiram fazer mais diamantes. Quase desesperado, Tracy Hall utilizou o seu aparelho à pressão máxima, com o ponteiro a indicar perto de 100 000 atmosferas — e finalmente conseguiu. As experiências anteriores tinham provavelmente falhado por ter havido a combinação errada de pressão, temperatura e condições químicas.

Dois tipos de carbono. O brilho dos diamantes è realçado pelo cinzento da grafite dos bicos de lápis. Ambos sâo feitos de carbono, mas com estruturas diferentes. Os diamantes naturais formam se a partir da grafite a mesma substância que é utilizada nos bicos dos lápis. Tanto os bicos de lápis como os diamantes são formas de carbono, mas, no caso do diamante, o carbono foi submetido debaixo da crusta terrestre a temperaturas e pressões de tal modo elevadas que os seus átomos se rearranjaram, formando uma nova estrutura cristalina mais compacta. O diamante, a substância de ocorrência natural mais dura que existe, é 55% mais denso que a grafite. A ideia de diamantes artificiais tem um atractivo evidente, não só pelo seu valor e fascínio como pedra preciosa, mas também porque tem muitas utilizações industriais. Assim, os inventores há muito que tentam reproduzir as condições que criam os diamantes no interior da Terra. Entre as companhias que se têm dedicado a esta investigação, destaca-se a General Electric Company, que, no princípio dos anos 50, formou uma equipa de cientistas para trabalharem num laboratório de Schenectady, Nova Iorque. Usando grafite como material de base, os investigadores utilizaram dois pistões trabalhando no inte142

A equipa preocupava-se agora em saber se os seus diamantes seriam tão bons como os naturais para o corte e a perfuração industriais. O departamento da General Electric que produzia ferramentas de corte fabricadas com um dos metais mais duros, o carboneto de tungsténio, pediu para ensaiar um exemplar de 25 quilates. A equipa dos diamantes podia unicamente fornecer-lhe um de 22 quilates, que já era suficiente para fazer uma roda de amolar. Os técnicos daquele departamento utilizaram esta roda para cortar e afiar as suas ferramentas. Ficaram encantados - os diamantes artificiais cortavam melhor que os naturais e eram pelo menos tão duradouros. A General Electric acabou por inventar o melhor catalisador e, em 1957, começou a comercializar diamantes sintéticos. Até hoje, já se fabricaram mais diamantes sintéticos do que lodos os naturais extraídos ao longo de milhares de anos mais de 1000 t. Os diamantes artificiais podem ser feitos por encomenda e à medida, o que os torna ideais para a indústria. O seu preço tem descido com o aperfeiçoamento dos processos de fabrico; em 1957, era 6 dólares por quilate; hoje, é apenas cerca de 50 cêntimos para o mesmo tipo de diamante - a comparar com milhares de dólares por quilate por um bom diamante natural com qualidade de pedra preciosa. O maior desafio para os cientistas é, hoje, conseguirem uma forma acessível de fabricar diamantes sintéticos de qualidade. A General Electric já os produz nas cores azul, branca e amarelo-canário, mas o seu preço é tão elevado como o dos verdadeiros porque são necessárias mais de duas semanas para obter um carate de boa qualidade.

PORQUE BRILHAM OS DIAMANTES parte superior e 25 na inferior, oculta. Os ângulos são calculados rigorosamente para que a luz que entra no diamante seja reflectida internamente e saia novamente por cima. Uma lapidação de qua lidade menor estraga este efeito. Quando, em 1850, a rainha Vitória foi presenteada com o diamante Koh-i-Nor, de 186,5 quilates, ficou desapontada com a sua falta de brilho e mandou tornar a lapidá-lo, ficando reduzido a 108.93 quilates. O alto índice de refracção do diamante—a medida em que ele desvia a trajectória de um raio da luz que o penetra faz com que, com uma lapidação corLapidação em brilhante. O brilho e as recta, toda a luz seja reflectida. cores de um diamante bem lapidado. O brilho do diamante é igualmente devido ao facto de a luz que o penetra ser No final do século xvn, o joalheiro italiadecomposta nas cores do espectro, prono Vincenti Peruzziot inventou a "lapiduzindo reflexos multicores. Devido à dação em brilhante", ainda hoje utilizaextrema dureza do diamante, as facetas da. O diamante lapidado em brilhante é que lhe dão o lustre nunca se gastam. de contorno redondo, com 33 facetas na

Só um perito consegue distinguir um diamante artificial de um natural. Um novo método, desenvolvido por cientistas no Instituto de Investigação Química em Kharkov, evita o uso de temperaturas e pressões extremas. Produz-se um feixe de iões de carbono que se faz incidir sobre uma superfície. Os iões são átomos que ganharam ou perderam electrões. Como possuem carga eléctrica, os iões podem ser acelerados até grandes velocidades por campos eléctricos. A energia com que eles colidem com a superfície é suficiente para os ligar entre si e formar diamante. 0 resultado não é um único cristal de diamante, mas um material que se assemelha ao vidro. Já foi utilizado para tornar mais rijos os gumes das peças de corte das máquinas-ferramentas e os diafragmas de altifalantes de hi-fí, e já foi sugerido que podia ser usado no fabrico de lâminas de barba que nunca perderiam o gume.

CLIVAGEM DE UM DIAMANTE

A pedra em bruto parece um pedaço de vidro. A primeira operação consiste em mar cor na pedra a direcção de clivagem

Um diamante lapidado em brilhante é geralmente serrado por um delgado disco metálico com pó de diamante no bordo.

Como se cortam os diamantes à mão e à máquina
Um diamante não lapidado, por muito grande que seja, é tão pouco impressionante como um pedaço amorfo de vidro baço. Assim, para que mostre o seu fulgor e o seu brilho ele tem de ser cortado e facetado com rigor micrométrico. A lapidação é um trabalho que exige muita perícia e paciência, pois o diamante é a .substância natural mais dura que se conhece. No caso de uma pedra grande, o primeiro passo consiste em fracturá-la ao longo dos planos naturais de clivagem da sua estrutura cristalina; esta parte é a mais arriscada de toda a operação. Antes de clivar com êxito o enorme diamante Cullinan, em Amsterdão, em 1908 (v. p. 144), Joseph Asscher estudou a pedra durante várias semanas. Um pequeno deslize e tê-la-ia transformado num monte de fragmentos. 0 lapidador calcula, a partir da forma da pedra, a direcção correcta para o corte. A sequência fotográfica à direita mostra como o lapidador marca na pedra, com tin la-da-china, a posição do corte. Com urn diamante mais pequeno, faz-se um sulco ao longo dessa marca. Sobre este sulco, coloca-se uma lâmina forte de aço, que se bate com uma pancada seca. Se tudo correr bem, o diamante fracciona-se em dois. Se não, pode desfazer-se em pedaços. Uma vez clivada a pedra, utiliza-se uma serra para levar a cabo o resto do processo. A pedra é fixada em maxilas almofadadas ou num suporte de gesso; é depois baixada até aos bordos de um disco finíssimo de fósforo-bronze, uma liga metálica muito

A pedra é fixa numa haste e faz-se um sulco ao longo da marca com um fragmento de diamante. Para tornar a pedra circular, esta é fixada num tomo de bruting e rodada a alta oeloci dade de encontro a outro diamante

Sobre o sulco coloca-se uma lâmina de aço. Uma pancada seca e o diamante fende-se ao longo do plano de clivagem. dura e resistente. O disco roda entre 4000 e 6000 vezes por minuto e o seu bordo é revestido de uma mistura de pó de diamante e óleo, que serra lentamente o diamante. Um diamante com o peso de um quilate (um quinto de grama) levará entre quatro e oito horas a cortar. Seguidamente, tem de arredondar-se ou desgastar-se a pedra com outro dia mante, num processo chamado bruting. Fixa-se um dos diamantes num torno e encosta-se, contra ele, outro diamante. Os minúsculos fragmentos de pó de diamante que saltam são cuidadosamente recolhidos para depois serrarem e polirem as pe-

Para desgastar e polir as facetas, o diamante, preso num grampo com um dado ângulo, é encostado a um disco em rotação. dras. A forma definitiva da pedra preciosa depende da sua forma original, mas perdese muito material porque o diamante tem de ser cortado de determinada maneira. A pedra final pesa geralmente um pouco menos de metade que a pedra original. A última fase é o corte e polimento das facetas que dão ao diamante o seu brilho. A pedra é montaria numa haste e depois encostada a um disco de ferro imbuído de pó de diamante e óleo. O disco gira a cerca de 2500 rotações por minuto, desgastando e polindo uma faceta de cada vez. O diamante é finalmente mergulhado em ácido sulfúrico em ebulição, para o limpar.

143

Joseph Asscher: o corte do diamante Cullinan
Na tarde de 10 de Fevereiro de 1908, o lapi dador Joseph Asscher preparou-se para cortar o maior e mais famoso diamante em bruto do Mundo, o Cullinan. A pedra, branco-azulada, pertencia ao rei Eduardo Vil de Inglaterra - e naquela tarde decisiva Asscher era observado por representantes do rei, membros da imprensa e um grupo da sua própria empresa. O diamante foi fixado num suporte, que, por sua vez, foi colocado numa abertura na parte da frente da caixa de clivagem. Joseph Asscher apoiou uma lâmina de aço nào afiada no sulco que fizera no diamante, levantou a vara de metal e desceu-a com força sobre a lâmina. Os presentes sobressaltaram-se quando a lâmina de aço quebrou e o diamante ficou intacto. Limpando a testa, Asscher pediu outra lâmina. A pedra partiu-se em duas e - dizem os boatos — Joseph Asscher desmaiou de alívio. Mais tarde, neTamanho natural. O dia rnante em bruto — com 10 cm de comprimento e 6,5 cm de altura — tinha o tamanho aproximado U R R de um punho de senhora. Quando o viu pela primeira vez, Frederick Wells, superintendente da mina, julgou ser vítima de uma partida — e que a grande pedra era feita de vidro. gou-o veementemente, afirmando que, longe de desmaiar, ele festejara o acontecimento bebendo champanhe com os seus quatro irmãos e co directores da Joseph Asscher e Companhia de Amsterdão. Joseph Asscher. lapidador de Amsterdão, e os seus sócios estudaram o diamante Cullinan — para decidirem se o clivaoam ou o serravam em dois. Em qualquer das hipóteses, havia o risco de a pedra se estilhaçar em fragmentos re lativamente pouco valiosos. Após meses de deliberação, tendo em conta a forma invul gar e a estrutura da pedra, Asscher decidiu cortá-la. Fas sou duas semanas à sua mesa de trabalho, abrindo um sulco na pedra com pedaços aguçados de diamante pois só o diamante corta o diamante. Até que, no dia da 'grande pancada", escreveu uma página na história do corte de diamantes. A missão seguinte dos Asschers foi a rie (ornar a cortar e polir os dois pedaços, por forma que os diamantes por eles produzidos pudessem vir a fazer parte das jóias da Coroa de Inglaterra. Entretanto, os jornais de todo o Mundo contavam aos leitores a história do que até ali se passara. A pedra fora vista pela primeira vez quando um operário que trabalhava tia Premier Mine, perto de Pretória, capital do Transval, reparou em qualquer coisa "grande e brilhante" numa das paredes. Chamou o superintendente da mina, Frederick Wells, e este retirou o «vidro» da parede com um canivete Mas breve se convenceu de que a pedra era autêntica. Pesava cerca de 680 g e media cerca de 10 cm de comprimento, 6,5 cm de altura e 12,7 cm de largura. Foi colocada no cofre da mina e levada mais tarde em cano de mulas até à sede da empresa, em Joanesburgo, a 80 km de distância, juntamente com os restantes diamantes extraídos nessa semana. Aí foi-lhe dado o nome do presidente da companhia, Thomas Cullinan. Este, porém, não ficou muito contente por possuir a pedra preciosa. Com um peso bruto de 3106 quilates, o Cullinan valia mais de três vezes o até então maior diamante

A PREPARAÇÃO DA "GRANDE PANCADA"

O PROGRESSO DO CULUNAN DESDE PEDRA BRUTA A JÓIAS DA COROA

Os primeiro» cortes. A pedra foi cortada em três peças.

"^•Jfr/ir-V Os pedaços maiores, foto fotografia mostra as sete pecas maiores em que seguidamente a pedra foi cortada. Apesar do seu tamanho, pensava-se que o diamante era apenas uma parte de uma pedra muito maior. Marcas numa das suas faces sugeriam que ela fora "partida peia Natureza". A família Asscher espera que um dia a "parte que falta" desta maravilhosa Jóia seja encontrada numa mina sul-africana. Cullinan com vista a polirem o diamante. Após breve inspecção, os Asschers disseram ao rei que o que ele pretendia era impossível: o diamante era imperfeito de vido a uma grande mancha negra que se reflectiria através de todas as suas facetas. O Cullinan teria de ir a Amsterdão para ser clivado e libertado da mancha. O rei concordou, e a imprensa foi informada de que o diamante seria levado para a Holanda a bordo de um contratorpedeiro poderosamente guardado. Na realidade, um dos irmãos Asschers — Abraham — limitou-se a meter a pedra na algibeira no Palácio de Bucking* ham e levá-la para casa por comboio e ferry-boat. r U m a vez o d i a mante a salvo na sede da companhia, os Asschers dedicaram-se ao estudo da grande pedra. Decidiram que ela se integrava na categoria mais elevada de uma escala de nove cores que vai do branco-azulado no topo até ao amarelo. A parte a mancha negra, era absolutamente pura. Quando o corte histórico foi executado, as duas partes do diamante foram novamente clivadas e divididas em 7 grandes pedras preciosas e 98 menores lapidadas em brilhante. Vinha a seguir a tarefa delicada de polir os diamantes. A maior das pedras acabadas — o Cullinan I, ou Primeira Estrela de África, em forma de pêra, pesando 530,2 quilates e com 74 facetas - foi colocada no Ceptro com a Cruz. Esta pedra é ainda o maior diamante lapidado do Mundo. O segundo em tamanho - o Cullinan II, ou Segunda Estrela de África, oval, com 317,4 i u i l a t e s e 66 facetas — foi incrustado na Coroa Imperial do Estado. Os dia mantes fazem parte das jóias da Coroa. Os restantes diamantes Cullinan vieram a ser adquiridos para a rainha Mary, muler de Jorge V, filho de Eduardo Vil. Duas das jóias foram aplicadas na própria coroa da rainha Mary. As outras entraram na herança da família real e são carinho sãmente apelidadas de "as pedrinhas da avó" por Isabel II, neta da rainha Mary.

Duas pedras preciosas gigantes. Gradualmente, as duas pedras principais foram sendo lapidadas e polidas até assumirem a sua forma definitiva. do Mundo, o Excelsior — descoberto noutra mina sul-africana, a Jagersfontein, em 1893. Dado o risco que o seu corte implicava, o sindicato londrino que possuía o Excelsior não conseguira vendê-lo em bruto. Thomas Cullinan temia que, dado o seu tamanho sem precedentes, o seu diamante fosse ainda mais difícil de vender. Acabou por ser comprado pelo Governo do Transval por 150 000 libras, por sugestão do primeiro-ministro, o general Louis Botha - que o deu de presente a Eduardo VII quando este fez 66 anos, em 9 de Novembro de 1907. O presente foi considerado como um gesto de reconciliação definitiva a seguir à derrota dos colonos holandeses pelos Ingleses na Guerra dos Bóeres de 1899-1902 e o estabelecimento do Transval como colónia da Coroa Britânica. 0 diamante embarcou para Inglaterra no meio de grande publicidade, incluindo boatos de que se enviava uma imitação para afastar eventuais ladrões e de que a pedra verdadeira viria mais tarde. No ano seguinte, o rei Eduardo convidou os irmãos Asschers — que em 1903 tinham com êxito cortado e polido o diamante Excelsior - a irem a Londres examinar o

Glória régia. Em 1908, a menor das duas pedras, o Cullinan 11, foi incrustada na Coroa Imperial do Estado Inglês, abai xo do rubi Príncipe Negro. Dois anos depois, o diamante maior, o Cullinan I, foi montado no Ceptro com a Cruz.

145

Como é que um vedor encontra água ou minerais subterrâneos apenas com auxílio de uma vara?
Uma pintura rupestre com 8000 anos nas montanhas do Atlas, no Norte de África, representa um ser humano usando aquilo que parece ser uma vara de vedor. Mas os primeiros vedores de que há notícia foram os mineiros medievais alemães dos campos carboníferos da Saxónia. O mineralogista alemão Agrícola (George Bauer) des crevia no século xvi a forma como os mineiros se serviam de ramos de arvore em forquilha para localizar veios ocultos. A bara nesa de Beausoleil, de Nice, França, foi a primeira pessoa que se sabe ter utilizado este sistema para pesquisar água, pois descreveu-o num estudo que data do século xvii. Tradicionalmente, o vedor usa um pau em forquilha - em geral, um galho de sabugueiro ou salgueiro em forma de Y. A ideia do galho é amplificar o movimento involuntário dos músculos da mão quando o vedor descobre água. A forquilha é segura sob tensão, com um braço do Y em cada mão virado para cima e a haste apon tada para diante. Muitos vedores actuais preferem usar dois varões de metal dobrados em L, um em cada mão, seguros como pistolas apontadas para a frente. Quando o "alvo" é atingido, os varões rodam e cruzam-se. O vedor avança lentamente, até o galho ou os varões começarem a torcer-so, a dobrar, a puxar para baixo ou até a saltarem-lhe das mãos. Estes movimentos indicam o local onde se deve cavar para encontrar aquilo que se procurava Um bom vedor calculará a profundidade a que se encontra a nascente marcando o sítio onde o sinal foi mais forte e irradiando dai' em várias direcções, assinalando os sítios onde sentiu novos sinais. Em terreno plano, a distância de cada um dos pontos exteriores ao centro representa a profundidade a que deve encontrar-se a água. Algumas empresas de engenharia civil recorrem a vedores para a localização de tubagens ou cabos subterrâneos quando fazem levantamentos dos locais das obras.

Frequentemente, acham que as varas do
vedor são de maior confiança do que os modernos instrumentos de detecção.

Cientistas na União Soviética há anos
que têm vindo a utilizar o processo na pesquisa de jazigos de minérios e petróleo, bem como de cursos de água subterrâneos, designado por método dos efeitos biofísicos.

Ninguém consegue explicar cabalmen
te como o fenómeno actua, e muitos encaram os resultados com cepticismo. No entanto, muitos vedores fazem descobertas que não podem ser unicamente atribuídas ao acaso. Einstein admitia que a explicação residisse no electromagnetismo, e os estudos feitos por diversos cientistas sugerem que assim possa ser. Assim como se

perar-se que as gotas de água congelassem facilmente. Mas a água pode estar alguns graus abaixo desse ponto (sobrearrefeci da) sem chegar a gelar. Este fenómeno deve-se ao facto de a água das nuvens ser absolutamente pura, sem poeiras ou outros contaminantes que iriam constituir o centro de um cristal de gelo. Se se lhe juntarem minúsculas partículas, as gotas de água gelam e aumentam rapidamente de volume até o seu tamanho as fazer cair, fundindo-se depois devido à temperatura mais elevada e chegando ao solo sob a forma de chuva. Schaefer e Longmuir provaram que pe querias partículas, habitualmente de iodeto de prata, adicionadas a nuvens sobrear refecidas podem criar cristais de gelo que crescem rapidamente Estas partículas têm sido lançadas de aviões, transportadas por foguetes ou mesmo libertadas ao nível do solo para que as correntes de ar que sobem as levem para cima. Desde que as nuvens estejam sobrearrefecidas, a técnica funciona — aumentando a pluviosidade até um quinto. Mas, uma vez que é impossível saber quanta chuva teria caído naturalmente, ainda há muitas interrogações quanto à viabilidade económica do processo.

pensa que as aves em migração se orien
tam pelo campo magnético da Terra, assim os músculos do vedor podem reagir quando ele, inconscientemente, se sintoniza com minúsculas flutuações provoca das pela água ou minerais subterrâneos. Um investigador, o Prof. Yves Rocard, da Escola Normal de Paris, diz que um bom vedor tem menos resistência eléctrica entre as palmas das mãos do que um mau vedor. Robert Ashford, vedor inglês, descreveu em 1977 como sentia choques eléctricos por todo o corpo quando se encontrava próximo de água subterrânea.

Como se construirão os aviões do futuro?
Em 1903, em Kittyhawk, na Carolina do Norte, o primeiro aeroplano do Mundo voou a apenas alguns metros do solo e à velocidade de um cavalo de corrida. Menos de 100 anos passados, os aviões de hoje viajam comummente a mais de 16 km de altitude e podem atingir a velocidade de uma bala de carabina. Hoje, as companhias que constroem aviões têm por objectivo produzir aparelhos ainda mais rápidos, mais fiáveis e mais económicos. Por isso, procuram formas que reduzam o atrito, materiais que (ornem o avião mais leve sem prejuízo da resistência e sem afectar os custos e motores que sejam de confiança e de manutenção fácil, mas produzam maior propulsão com menor dispêndio de combustível. Pensando na velocidade A medida que as velocidades aumentam, a forma toma-se uma característica cada vez mais importante. Os desenhadores de aviões ensaiam as formas que idealizam em computadores que simulam os fluxos do ar em volta do aparelho; depois, usam um modelo à escala num túnel de vento, em que o ar é sugado e passa pelo modelo

Como e que se consegue fazer chover?
Enquanto os Hopi, índios do Sudoeste Americano, ainda hoje tentam fazer chover sacrificando animais, outros adoptaram caminhos mais científicos. Em 1946, Vincent Schaefer e Irving Longmuir iniciaram trabalhos nos Laboratórios de Investigação da General Electric em Schenectady, Nova Iorque, que provaram que as nuvens apropriadas podiam ser artificialmente levadas a produzir aguaceiros. As nuvens são formadas por biliões de partículas de água, demasiado pequenas para caírem sob a forma de chuva. Só quando essas gotas atingem um quarto de milímetro ou mais, é que elas se precipitam sob a forma de chuva miudinha. As gotículas mais pequenas evaporam-se antes de tocar o solo. Uma das maneiras de as gotas aumentarem de tamanho é pela congelação, o que leva à formação de partículas de gelo. Numa nuvem que contenha partículas de gelo e gotas de água, as partículas de gelo aumentam rapidamente de volume à medida que as gotas se evaporam e o vapor é transferido para o gelo. Uma vez que a temperatura das nuvens está frequentemente abaixo do ponto de congelação, podia es-

como se este estivesse a voar.

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Estes ensaios proporcionam uma ideia do comportamento do avião verdadeiro. Todas as partes do protótipo são testadas em terra quanto às respectivas reacções ao calor, ao ruído e aos esforços. Os testes têm lugar em fornos, em câmaras acústicas e em estruturas de ensaio de carga em que as pressões são aplicadas hidraulicamente. Depois, o avião é experimentado em voo. Os ensaios no túnel aerodinâmico têm levado os desenhadores a criar novas formas para os aviões de alta velocidade. As asas inclinadas para trás foram inventadas para retardar a formação das ondas de choque que afectam os aviões de asas perpen diculares quando se aproximam da velocidade do som. O choque é provocado pelo facto de o ar que passa na parte de cima das asas - mais rápido do que o que passa sob as asas - atingir a velocidade do som, isto é, cerca de 1200 km/h ao nível do mar. Rumo aos céus.

As asas de geome
iria oariáoel dào ao Panavia

Tornado uma forma convencional,
com um consumo racional de combustível a baixas velocidades (ã esquerda) e o perfil de uma seta (em cima), com as asas puxa das para trás para voos supersónicos. raio de acção A34Q/330, previstos para entrada em serviço em 1992. Estes jactos terão também asas com pequenas saliências triangulares nas extremidades por cima e por baixo da ponta da asa. Aqui, o ar a alta pressão que vem da parte de baixo da asa provoca turbulência ao subir. As saliências abrandam a velocidade do fluxo de ar e reduzem a resistência. Aliviando a carga Por cada quilograma poupado no peso de um grande avião comercial, poupam-se cerca de 150 I de combustível durante um ano de voo. Se um Jumbo Boeing 747 pesasse menos 10%, os custos operacionais durante os seus 20 anos de vida baixariam cerca de 4 milhões de dólares. Materiais mais leves, como a fibra de carbono, estão por isso a entrar na constniçáo aeronáutica. Estes materiais foram criados para serem leves e resistentes, mas suficientemente rígidos para náo vergarem com tis tensões do voo nem se deformarem quando sujeitos a compressão. Lm avião experimental alemão ocidental, o Egrett, foi criado para voar na estratosfera - entre 15 e 50 km de altitude. Porque as asas compridas e estreitas são mais sujeitas a esforço que as curtas e largas, as do Egrett são feitas de carbono e fibra de vidro, combinação que lhes permite terem um comprimento 20 vezes superior à largura. As asas de um avião convencional feitas de uma liga de alumínio não podem

Superaerodinamismo Os jactos do futuro terão provavelmente uma espécie de estrias de secção triangular ao longo da fuselagem, uma ideia retira da da Natureza. São estrias como estas que contribuem para que os tubarões nadem com rapidez, porque reduzem a fricção entre a água e a pele, destruindo pequeninas correntes revessas que aumentariam a resistência ao movimento. O iate americano que ganhou a Amcrica's Cup em 1987, o Stars and Stripes, tinha um revestimento com estrias deste tipo ao longo do fundo.

Nos aviões, a resistência é causada por pequenos remoinhos que se formam quando o ar passa pelas superfícies da fuselagem, pelo que a NASA ensaiou em túneis aerodinâmicos a ideia das estrias aplicadas a aviões. Verificaram que estas reduziam a resistência do ar em 8% desde que mantidas dentro de limites bem definidos de tamanho, ângulo e espaçamento. Cada 1% da resistência que diminui representa 1% de combustível poupado. A Airbus Industrie está a ensaiar as estrias em condições de voo na sua série de jactos de longo

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ler um comprimento que exceda cerca de

oito vezes a largura
Materiais leves mas rígidos, como a fibra de vidro, tornaram possível a criação do avião de rotor basculante — o aparelho que poderá substituir o helicóptero —, cujos motores e hélices se situam na extremidade das asas curtas, pelo que estas tem de ser muito rígidas. 0 Bell-Boeing V22 Osprey. avião americano de rotor basculante cm serviço desde 1988, levanta com as suas hélices com três pás de 12 m rodando horizontalmente, como o rotor de um helicóptero. Quando a força de sustentação já é suficiente, as hélices ínclinam-se 90" para diante para darem a propulsão para a frente, idêntica a de urn avião convencional. A velocidade de cruzeiro do Osprey é assim de 576 km/h, quase o dobro da de um helicóptero. O metal mais leve que se conhece c o lítio. Combinado com o alumínio, produz uma liga 8% mais leve que as outras ligas de alumínio. I lm novo avião de passageiros, o Boeing 7J7. economizará no peso devido ao emprego, na construção, da liga de alu mínio-lítio e de fibra de carbono. Novos comandos Outro aperfeiçoamento de concepção que poupou peso e espaço foi a tecnologia de comando por computador, que garante também que os comandos do aparelho não sejam forçados a operar para além dos limites da sua capacidade. As tubagens e depósitos que até aqui têm alimentado o

sistema hidráulico de comandos foram eliminados. Em sua substituição, as superfícies de c o m a n d o , como os ílups e os aiierons, possuem pequenos activadores hidráulicos ligados electricamente a um com putador e comandados por sinais electrónicos. Este tipo de sistema de transmissão foi utilizado pela primeira vez nos aviões europeus de transporte Airbus da série A.Í00. O regresso. Cientistas Potência e hélices da NASA utilizaram estas Os motores representam 20 hélices paru aumentar Q a 30% do custo de um avião potência de um motor u Embora os motores a jacto jacto. Um diagrama de tenham sido aperfeiçoados compa/ador assinalou 0 para serem mais seguros e fluxo do ar. mostrando as menos ruidosos do que os áreas de baixa pressão de há 10 anos, a hélice está em azul e as de alta em agora a regressar. Fabricas castanho. A hélice pode americanas como a Generá i 'olrar aos jactos ca ral Electric e a McDonnell merciais nos anos 90. Douglas ensaiaram já a utilização de hélices curtas e largas ligadas á Velocidade, som e espaço parte posterior de um motor a jacto. As pás O focinho aguçado e as asas triangulares, da hélice aceleram o ar que passa em volta inclinadas para trás. do avião de passageido motor, aumentando assim a propulsão ros anglo-francês Concorde tornam-no ca do avião. Estes motores propfun demons paz de viajar a velocidades superiores à do traram produzir mais potência e gastar me som. Mas para evitar o ruído inaceitável da nos 40% de combustível do que os motoexplosão sónica, a velocidade de voo so res a jacto convencionais. bre terra firme tem de ser inferior á do som, e o avião e antiecouómico a baixas veloci dades. A 800 km/h, o Concorde gasta oito vezes mais combustível do que alguns aviões convencionais. Uma das soluções para o problema da forma adequada tanto para baixas como para altas vel<xidades são os aviões de asas de geometria variável, como o aparelho de intercepção e ataque Panaria Tornado. projectado conjuntamente por empresas alemãs, italianas e inglesas. As suas asas

podem tomar uma posição praticamente
perpendicular à fuselagem durante os voos a pequena velocidade ou inclinar-se para trás para as altas velocidades; assim, o avião pode cruzar a menos de 320 km/h ou acelerar para Mach 2 cerca de 2250 km/h, ou seja 0 dobro da velocidade do som. Os aviões projectados para os anos 90 escaparão ao problema da explosão sónica, atravessando a atmosfera e entrando em órbita durante parte da viagem - voan do a 25 vezes a velocidade do som. Os EIA têm em estudo um destes aviões. As asas tia fama. O Voyager, de concepção americana, no seu histórico OOO a volta da Mundo, sem escala nem reabastecimento, em Dezembro de 1986. A sua estrutura de fibra de carbono permitiu-lhe carregar quase cinco vezes o próprio peso em combustível, A viagem dai ou nove dias.
t

conhecido por avião espacial, ou X30. Este avião é capaz de levantar e aterrar em qualquer aeroporlo, mas também de transportar rapidamente passageiros de Nova Iorque para Tóquio cm 2 horas em vez das actuais 14. O combustível dos seus motores a jacto será provavelmente o hidrogénio, e a propulsão no espaço será feita por foguetes. A volta ao Mundo sem reabastecimento Um voo de nove dias sem escala à volta do Mundo, efectuado por dois aviadores americanos em 1986, foi possível graças à leveza do seu avião de fibra de carbono. Esle avião de fuselagem tripla, o Voyager, tinha uma envergadura superior à do Boeing 727, mas pesava menos de I t, pelo que pôde carregar cinco vezes o próprio peso em combustível - cerca de 5600 I. Os pilotos deste primeiro voo à volta do Mundo sem reabastecimento foram Dick Rutan e Joana Yeager. O cockpil na fuselagem central tinha aproximadaRecriando a lenda. Kaneilopoulos pedala no seu aeroplano a distância recorde de 120 km entre Creta e mente o tamanho de uma cabiSantorini, recriando a lenda de Dédalo, que fugiu de Creta com o auxílio de umas asas. na telefónica. A maioria do espaço no avião era ocupada pelos seus 17 tusiasta de ciclismo e de asa-delta Bryan Paul MacCready, engenheiro aeronáutidepósitos de combustível. O peso era um Allen, de 24 anos. co e campeão de voo em planador, consfactor de tal modo importante que, antes do Em 23 de Agosto de 1977, o Gossamer truiu um aeroplano com 9 m de comprivoo, Jeana Yeager cortou os seus cabelos Condor percorreu 9 m de pista do aeromento, 29 m de envergadura e apenas compridos, poupando assim meio quilo. porto do condado de Kern, em Shafter, Ca32 kg de peso, o Gossamer Condor. Maclifórnia, e levantou voo. Passou pela barrei Cready estava decidido a ganhar o Prémio O avião linha dois motores, um em cada ra dos 3 m e fez o percurso de 2 km em 7 Kremer, instituído em 1949 pelo industrial extremidade da fuselagem central. O da minutos e 22,5 segundos, ganhando o inglês 1 lenry Kremer para o primeiro aerofrente, arrefecido a ar, foi parado ao fim de avultado prémio. plano accionado pelo homem que percortrês dias: tinha cumprido a sua missão de resse um dado circuito. Para o ganhar, o fornecer potência adicional para a descoMacCready resolveu construir um aeroGossamer Condor tinha de fazer um oito lagem e enquanto o avião estava ainda plano mais sofisticado, o Gossamer Alba entre duas colunas distanciadas de 800 m, muito pesado devido ao combustível. O da tross, para voar os 37 km do canal da Mansobrevoando uma barreira com 3 m de alpopa, arrefecido a líquido, trabalhou quacha. O avião tinha aproximadamente o tatura à partida e à chegada. se 250 horas - quase 10 vezes o tempo manho do seu predecessor, mas era cons que um motor convencional funciona truído com materiais mais resistentes. As MacCready construiu o aparelho com sem manutenção. asas e a fuselagem eram de plástico, reforenormes asas para obler a máxima força çadas com fibra de carbono e revestidas de sustentação a muito baixa velocidacom uma película de poliéster. Possuía um de — cerca de 15 km/h. O Gossamer Conmecanismo de comando mais aperfeiçoador foi construído com tubos de alumínio do e era manobrado por um par de asas ligados com cordas de piano. Os outros pequenas, munidas de ailerons ajustáveis, materiais foram a balsa, o cartão canelado adiantadas em relação às asas principais. (que formava os bordos de alaque das Em 12 de Junho de 1979, pilotado por asas), espuma de plástico e folha de plástiBryan Allen, atravessou o Canal à altitude co para fechar a cabina e forrar as superfímédia de apenas 75 cm, levando um poucies de voo. O aparelho era accionado por co menos que três horas. uma corrente de bicicleta ligada a uma grande hélice por detrás da cabina e coEm Abril de 1988, num voo ainda mais mandado por uma alavanca que torcia as espantoso, Kanellos Kaneilopoulos, por asas. MacCready calculou que, para voar 14 vezes campeão grego de ciclismo, reSão milhares as histórias fabulosas de hoem linha recta, precisaria de uma potência constituiu a história de Dédalo. Segundo mens voadores, mas a proeza real data de cerca de um terço de cavalo-vapor uma lenda grega, Dédalo e seu filho ícaro apenas de 1977. As anteriores tentativas de próximo do limite que um homem consefugiram do labirinto do rei Minos, na ilha voo falharam porque os materiais eram gue produzir mesmo durante poucos mide Creta, voando com asas feitas de cera e demasiado pesados para serem impulsionutos. O aeroplano seria pilotado pelo enpenas. Ícaro aproximou-so demasiado do nados pela força muscular do homem.

Como é que voa um aeroplano accionado pelo homem?

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trarn a diferentes altitudes e distâncias da mãe. O primeiro avião é introduzido no controle de radar e dirigido para o sistema de aproximação, comandado pelo porta aviões. Recebe rá instruções para descer para 1500 pés (460 m), onde há ainda nuvens, chuva e turbulência. Ordena-se ao piloto que faça as suas verifi cações prévias com o auxílio do controlador aéreo no porta aviões, que lhe dá in formações sobre as condições do tempo à superfície. Recolha A mãe aponta entáo ao vento e começa a "recolha". O avião, controlado pelo radar, entra numa descida de aproximação de 3°. Esta é a faixa de aproximação ideal, e o controlador avisa o piloto caso ele se desvie dela. A 800 m do navio, o piloto recebe instruções para voar à vista até aterrar. O piloto tem agora corno pontos de referência as luzes de tombadilho ria mãe e Aterragem no mar. Um jacto F-4 Phantom aterra no porta aviões Ark Royal, da Marinha Britânica. 0 avião a mira de projectores — séestaca no espaço de 90 a 135 m, quando o gancho da cauda se prende nos cabos de aço do convés. rie de luzes no porta-aviões que indicam a posição rio avião em relação Sol, as asas derreteram-se e ele caiu e morà descida de aproximação ideal por meio reu. Dédalo conseguiu chegar à ilha de de luzes verdes, vermelhas e amarelas. CoSanlorini, 120 km a norte de Creia. locado junto à mira de projectores, está O aeroplano de Kanellopoulos, o Dédaum oficial de segurança de alerragem, que lo, foi projectado pelo Massachusetts Insliobserva a aproximação e transmite ao pilotute of Technology c pelo Museu Nacional to: "Ligeiramente alio, um pouco para a do Ar e do Espaço, em Washington, e Kaesquerda. Mais potência. Continuar." Estas nellopoulos foi apoiado por 36 cientistas, correcções dão ao piloto do avião informaengenheiros e meteorologistas. O custo loções vitais, além de uma sensação de segu tai foi de 1 milhão de dólares. rança. Com uma envergadura de 34 m (maior que a do Concorde), o Dédalo pesava apeImagine se um porta-aviões balançando nas 32 kg, sendo construído em fibra de num mar bravo. As nuvens o a chuva reduA salvo de volta à máe carbono e em keuiar, um material sintético zem a visibilidade. Um caça monolugar Desde que o piloto acate as correcções vicinco vezes mais forte que o aço e mais voa a 300 km de distância já com pouco suais e verbais, o gancho da cauda do seu leve que a fibra de vidro. Kanellopoulos, de combustível, pelo que tem de regressar à avião prender-se á num dos quatro cabos 30 anos, treinou-se durante meses para o «mãe» (porta-aviões). de aço que atravessam o tombadilho. Estes voo, que os cientistas equipararam ao es cabos, colocados longe da popa para que O caça sobe para utilizar o combustível forço de duas maratonas. os efeitos do balanço do tombadilho sedo modo mais eficiente e marca o rumo jam menos intensos, detêm o avião num As condições meteorológicas atrasaram para a posição em que foi informado estar espaço notavelmente curto: os aviões atero voo por 25 dias, mas em 23 de Abril a mãe. O rumo é acertado por sinais de ram a cerca de 250 km/h e estacam ao fim estavam perfeitas. Kanellopoulos voou a radar emitidos pelo porta-aviões ou por de 90 a 135 m. Nesta altura, a tripulação do cerca de 6 m acima do mar, à rnédia de um avião avisador avançado, enviado por tombadilho entra em acção o o controla30 km/h, com vento a favor. O voo não teve aquele em patrulha. Quando o piloto chedor começa a orientar a descida do avião problemas até ele ter de virar o aparelho ga a 190 km da mãe, obtém a posição rigoseguinte, pois o seu objectivo é fazer aler contra o vento para aterrar em Sanlorini: as rosa desta pelo radar do avião ou por um rar um avião por minuto. Como seria perivelas e a cauda partiram-se e o avião caiu auxiliar da navegação por rádio, como o goso manobrar o avião num tombadilho no mar a poucos melros da costa. Após TACAN (tactical air nauigation, ou navemolhado c balouçante, o avião é rebocado quase quatro horas de esforço, Kanelgação aérea táctica). O piloto desce e entra por um tractor especial para o estacionalopoulos conseguiu arrombar a cabina e numa órbita, a "espera", a uma distância mento, onde lhe são travadas as rodas e nadar para terra. Voara 120 km, batendo o de cerca de 25 km do porta aviões. Outros passados cabos que o prendem ao convés. recorde da distância de voo impulsionado aviões podem estar nessa altura a enirar Fim de manobra. pelo homem. noutras esperas, mas todas estas se encon

Como os aviões pousam num porta-aviões com mau tempo

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Catapultas a vapor: lançamento de aviões de um navio
Sem as catapultas a vapor, a maioria dos aviões modernos não conseguiria descolar dos navios que os transportam. Em operação, o avião dirige-se à sua posição, onde uma argola, chamada holdback, faz a ligação entre a cauda do aparelho e um ponlo fixo do convés; a argola tem no meio um elo fraco. Uma barra de reboque perto da roda da frente do avião é descida até uma "lançadeira", que prende o avião à catapulta com um mecanismo de engate. É a única parle da catapulta visível acima do tombadilho de voo. Dois cilindros paralelos, com pelo menos 45 m de comprimento, estão colocados debaixo do tombadilho, à frente do avião. No seu interior, funcionam dois pistões presos à lançadeira. O vapor é fornecido aos cilindros pelas caldeiras do navio através de um acumulador de pressão. Esta pressão varia conforme o peso do avião a lançar. Para descolar, o piloto põe os motores

Descolagem por catapulta. Um jacto F-4 Phantom preparase para levantar voo. Uma barra de reboque prende a frente do aoião ao mecanismo da catapulta a vapor. do avião à máxima potência. 0 avião mantém-se imobilizado pelo holdback, mas quando a catapulta é disparada, as forças combinadas da pressão do vapor e dos motores do avião rompem o elo fraco; o avião é então atirado para a frente, atingindo a velocidade de 250 km/h em 45 m. No final do percurso, o aparelho solta-se da lançadeira. Sondas no topo dos pistões vão de encontro a um depósito de água, fazendo-os parar num pequeno espaço. A lançadeira volta depois à posição inicial para novo lançamento — um porta-aviões pode assim lançar um avião em cada dois minutos. Os porta-aviões americanos podem ter até quatro catapultas, lançando assim uni avião em cada 30 segundos. A catapulta a vapor foi inventada por C. C. Mitchell, da Marinha Britânica, e instalada para ensaios em 1949. Depois de a Marinha Americana a adoptar em 1954, os portaaviões de todo o Mundo começaram a usá-la.

As tácticas dos modernos pilotos de caça
O piloto de um Sopwith Camel voando a cerca de 160 km/h na I Guerra Mundial podia virar em pouco mais de 70 m para escapar às metralhadoras de um triplano alemão Fokker. Em 1953, um caça americano Sabre F-86 voando a 960 km/h na Guerra da Coreia precisava de mais de 2,5 km para fazer manobra idêntica. Os actuais caças a jacto voam a mais de 2400 km/h, e os seus círculos de viragem são tão largos — perto de 25 km — que é difícil aos pilotos de ambos os lados chegarem sequer a verse. De cada cinco pilotos abatidos, quatro não chegam a ver os seus atacantes. O problema para todos os pilotos de caça rnantém-se o que era nos primeiros dias dos combates aéreos localizar e destruir o inimigo, conservando-se vivo. Ser o primeiro a localizar o inimigo, usual mente delectando-o pelo radar, é a primeira prioridade. Por isso, os modernos caças fazem parte de um complexo sistema de defesa que utiliza o radar (v. p. 154) como primeiro alerta do um ataque seja radar instalado no solo, seja instalado a bordo de outros aviões. Um tipo de avião de primeiro alerta é o subsónico americano E-2C Hawkeye. Na invasão israelita do Líbano em 1982, este avião foi tão eficaz na localização do inimigo (às vezes ainda antes de este descolar) que os Israelitas destruíram mais de 80 aparelhos sírios, sofrendo apenas uma perda, embora ambos os lados utilizassem jactos supersónicos com velocidades de ponta semelhantes. Os AWACS (designação por que são conhecidos os aviões do Airborne Warning and Control System, ou Sistema Aéreo de Alerta e Controle) da NATO podem voar sem reabastecimento durante 10 horas, enviando sinais de radar para a sua base em terra até distâncias de quase 400 km. O radar do avião tem um alcance até 640 km, dependendo da altitude de voo. Os computadores do avião podem detectar simul taneamente 500 aviões inimigos e transmitir instantaneamente informações às bases de comando em Inglaterra. Para evitarem a detecção pelos radares instalados em terra, os pilotos voam a rasar

Guerra computorizada. Imagens computorizadas aparecem na linha de visão do piloto. As imagens permitem-lhe fixar o seu rumo sobre um aoião inimigo e abatê-lo.

Disparo de foguetes. Chamas brilham sob as asas deste jacto de descolagem vertical, o Harrier, quando ele dispara foguetes SNEB, bombardeando um alvo inimigo em terra. O Harrier pode transportar mais de 41 de armamento - bombas, mísseis, foguetes —. pelo que não só é muito V&sálll em combate aéreo, como também pode destruir aviões inimigos ainda no chão e dar apoio a forcas terrestres. o solo. A este nível, a curvatura da Terra, os montes e os edifícios escondem o aparelho dos sinais de radar Durante os treinos em tempo de paz, os pilotos aprendem estas tácticas voando a 75 m para evitar o incómodo do ruído, mas têm de estar preparados para, numa guerra, voarem o mais baixo possível. Se tiverem de entrar em combate, tomam então altura para obter espaço de manobra. Voar em formação cerrada — em que, às vezes, os aparelhos estão separados por escassos metros — confunde também o radar inimigo, que não consegue distinguir o número de aviões da esquadrilha. A técnica hoje ensinada pelas forças aéreas é a de atacar o inimigo tão rapidamente quanto possível. Assim que o avião inimigo é avistado, o atacante tenta aproximar-se dele o suficiente para captar na sua mira a parte mais vulnerável do outro avião, o cockpit, durante apenas meio segundo — quanto basta para o abater. Ainda hoje são ensinadas nalgumas forças aéreas tácticas de combate usadas na Guerra da Coreia. Uma destas é o ioiô a alta velocidade. 0 piloto atacante sobe quase a pique para uma posição acima do seu adversário e pica sobre ele vindo da direcção do Sol. Depois, executa um tonneau para diminuir a velocidade, o que evita que ultrapasse o avião inimigo no final da picada. Esta manobra é frequentemente executada em pares, sendo o "chefe" protegido por um "asa", que se coloca em posição de ataque para o caso de o inimigo sobreviver e voltar ao combate. Se dois adversários se perseguem em círculo aproximadamente à mesma velocidade, o agressor pode usar a táctica do ioiô baixo para se aproximar. Pica para o centro do círculo e sobe por baixo do adversário enquanto este continua a dar a volta. Ao eliminar um sector do círculo de voo, ele consegue aproximar-se o suficien-

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Manobra defensiva de um "Harrier". Procedendo a uma manobra sem par, um Harrier (rosto azul) abale um caça inimigo mais rápido (rasto laranja). 1. O I larrier detecta o avião inimigo atrás de si. 2. 0 inimigo está em posição de disparar. 3. O Harrier aponta para baixo as lubeiras dos seus jactos, perdendo subitamente velocidade e forçando o inimigo a ultrapassá-lo. 4. O outro caça. agora na frente, tornase um ahx> fácil. te para disparar um canhão ou um míssil térmico. Na maior parle, os aviões inimigos são destruídos em combate por mísseis que buscam o calor, como o Sidewinder, que persegue o calor do escape do inimigo e pode ser disparado a uma distância de 18 km. Quando um piloto se apercebe de que um míssel foi lançado contra ele, inicia um percurso em ziguezague ou lança foguetes para atrair e desviar o míssil. As reacções rápidas, a experiência e a capacidade de decisão do piloto são ainda mais importantes que a electrónica do avião. Em geral, a vitória cabe ao avião mais rápido, mas nem sempre assim acontece, como no caso do Harrier, avião subsónico com uma impressionante capacidade de manobra. Este avião pode aterrar e descolar na vertical, e o piloto pode alterar, durante o voo, o ângulo de impulso dos motores, orientando as respectivas tubeiras de escape. Deste modo, em apenas al-

guns segundos é-lhe possível reduzir a veocidade horária em 320 km, continuando com os motores à potência máxima. Os mais recentes jactos de combate, como o F-16 Fighting Falcon americano, caça polivalente com uma velocidade má xima de 2145 km/h, são construídos tendo em vista uma grande capacidade de manobra. A concepção revolucionária do Falcon proporciona-lhe um centro de gravidade tão recuado que o avião está sempre pesado de cauda e, no solo, parece estar na posição de descolagem. Pode ser colocado muito rapidamente em subida apertada, mas precisa de um computador integrado para controlar as superfícies de comando de voo — os flaps, os ailerons e os lemes de direcção e de profundidade. O computador está continuamente a ajustar esses comandos com movimentos tão pequenos e rápidos que nenhum piloto conseguiria fazê-los por si. O manche, sensível a alterações mínimas da pressão dos dedos do piloto, envia mensagens electrónicas aos compu tadores, que por sua vez as transmitem ao sistema hidráulico que controla as superfícies de comando de voo. Este sistema é conhecido por fly-by-wire (pilotagem por sinais eléctricos), pelo que os pilotos do F-16 deram a esle avião a alcunha de o Jacto Eléctrico. Sem os seus computadores, ele não conseguiria erguer-se do solo.

Um princípio semelhante é usado no F/A-18 Hornet da Marinha Americana - velocidade máxima, 1915 km/h -, avião cujos computadores se sobrepõem ao piloto caso este cometa um erro, como subir a pique com pouca velocidade. Os computadores são também a chave do êxito nos combates a velocidades supersónicas. O piloto utiliza-os para obter informações de pormenor sobre a altitude, direcção e velocidade de aproximação do seu alvo. Os pormenores são apresentados na sua linha de visão num HUD (head up display), com écran transparente colocado à sua frente, permitindo lhe ler as informações sem desviar os olhos. As ver soes mais recentes projectam as informações sobre a viseira do capacete do piloto, que actua igualmente como mira. O piloto olha para o alvo ao longo da mira, fixando-se depois nele ao premir um botão. O ra dar e outros sensores localizam o alvo, podendo então ser feito um disparo, seja automaticamente, seja pelo piloto.

Ataque e defesa. O piloto de um Tornado F-3 (à esquerda) demonstra uma táctica de combate aéreo utilizada desde a I Guerra Mundial. Ele sobe rapidamente acima do avião inimigo, depois pica sobre este vindo da direcção do Sol para que o piloto inimigo fique encadeado. Ameaçado por um atacante (em cima), o piloto de um F-16 Fighting Falcon americano dispara foguetes para desviar mísseis lerrnoguiados. Os mísseis inimigos são atraídos pelo calor dos foguetes.

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IDEIAS PRÁTICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS

Como os aviões e os navios "vêem" com o radar
Os morcegos voam emitindo sons agudos que são reflectidos para os seus ouvidos quando encontram qualquer obstáculo. O radar funciona de modo semelhante, mas Utiliza sinais de rádio reflectidos para detectar objectos até 3200 km de distância. Sem ele, o complicado controle de tráfego aéreo e os sistemas avançados de alerta de mísseis seriam impossíveis de operar, e os navios no alto mar arriscar-se-iam a colisões em tempo de nevoeiro ou à noite. 0 radar deriva o seu nome de radio detection and ranging (detecção e telemetria por rádio). Surgiu na Europa e na América durante os anos 30, depois de o engenhei ro italiano Guglielmo Marconi (o pioneiro da rádio) ter sugerido a ideia em 1922. O navio francês de passageiros Normandie — que em 1935 estabeleceu o recorde da travessia do Atlântico em pouco mais de quatro dias - foi equipado com radar em 1936 para a detecção de icebergues. O moderno radar é suficientemente sensível para localizar todos os aviões que se aproximam de um aeroporto movi mentado, permitindo aos controladores do tráfego aéreo mantê-los a altitudes diferentes enquanto organizam as rotas de aterragem. Os aviões de carreira estão equipados com um radar-farol, ou iransponder (transmissor-respondedor), na parte inferior. Este emite os seus sinais de radar para o solo e recebe-os reflectidos, o que permite ao piloto conhecer a altitude a que voa. O radar-farol reflecte ainda os sinais dos dois sistemas de radar do aeroporto: o primário, que avisa da aproximação e distância do avião, e o secundário, que en via sinais em código ao transponder, o qual informa o aeroporto da identidade e altitude do avião. Os sinais de radar podem igualmente ser reflectidos pelas gotas de chuva. Os meteorologistas utilizam redes de radar para localizar as nuvens de chuva ou de neve. Os aviões de carreira estão equipados no nariz com pesquisadores de radar que dão ao piloto um mapa do tempo que faz até 320 km à sua frente, para que ele possa evitar as tempestades. Em casos de necessidade, o piloto pode inclinar o pesquisador para obter um mapa do terreno a sobrevoar. As naves espaciais e os satélites em órbita à volta Navios a vante. Num petroleira, um écran de radar contra da Terra empregam feixes colisões mostra os outros navios com pontos e a direcção com de radar para obter inforpequenas rectas. A linha maior indica o rumo do petroleiro mações sobre a superfície do planeta destinadas aos cartógrafos, aos nésimos de segundo). Medindo-se o temgeólogos e aos oceanógrafos. O radar é po que um sinal demora a voltar, torna-se igualmente utilizado para recolher dados possível calcular a distância ao alvo. sobre a superfície de outros planetas. Se o objecto está em movimento, o sinal de retorno tem uma frequência ligeiraComo funciona o radar mente diferente do de saída. Esta mudança na frequência é conhecida por efeito de O equipamento básico do radar consiste Doppler e é causada pela acumulação das num emissor para gerar os sinais de rádio, ondas de rádio quando um objecto se num pesquisador giratório — a antena aproxima ou pelo seu espaçamento quanque envia e recebe os sinais — e num do ele se afasta. Por este efeito, os operadoécran no qual são exibidos os sinais reflecres de radar conseguem distinguir um obtidos. Os sinais de rádio são transmitidos jecto que se move de um objecto estado por impulsos (disparos curtos) na frenário (como uma montanha) e calcular a quência das microondas, entre 1000 e direcção em que ele se desloca. Pela ampli35 000 ciclos por segundo. Em compara tude do efeito podem igualmente calcular ção, as ondas sonoras dos sinais do morcea velocidade. Os feixes de microondas de go têm frequências de 30 a 120 000 ciclos radar emitidos pelas naves ou satélites em por segundo. Os impulsos do radar estão órbita respondem diferentemente às situa sincronizadas por forma que um sinal atinções que encontram - florestas densas ja o alvo e regresse à fonte antes da emissão ou campos cultivados, por exemplo. Comdo sinal seguinte. Como as ondas de rádio putadores analisam as diferentes intensise propagam à velocidade da luz, cerca de dades dos sinais de retorno e constroem 300 000 km/s, os intervalos das pulsações uma imagem da superfície. são medidos em microssegundos (milio-

VENDO ATRAVÉS DA AGUA POR MEIO DE ECOS SONOROS bem como na investigação e na cartoO naufrágio do navio de passageiros grafia dos fundos. Pulsações sonoras, Tííanlc, em 1912, devido à sua colisão geradas electronicamente, são emitidas com um icebergue, levou os cientistas através da água e reflectidas para o navio a procurarem uma forma de detectar por qualquer obstáculo até uma distânobstáculos submersos. O moderno socia de 10 km. Os sinais reflectidos sáo nar [sound detection and ranging, ou apresentados num écran. detecção e telemetria por meio do som), que usa os ecos dos sons emitiO som propaga-se na água a cerca de dos, foi criado pelo cientista francês 1500 m/s - cerca de quatro vezes mais Paul Langevin. rápido que no ar. Como acontece com o radar, a distância ao obstáculo é calculaActualmente, o processo é utilizado da a partir do tempo de retorno do eco, e na navegação marítima para determinar o efeito de Doppler das ondas sonoras a profundidade da água e pelos barcos indica se o objecto está em movimento. de pesca para localizar os cardumes,

Defesa contra torpedos e mísseis
Em Maio de 1987, dois mísseis Exocet atingiram a fragata americana Slark no golfo Pérsico, matando 38 homens. O piloto ira quiano que disparou os mísseis nunca chegou a ver o alvo. a não ser no seu écran de radar - estava a cerca de 50 km quando os lançou. Por seu lado, a tripulação do Stark só se apercebeu rios mísseis poucos segundos antes de ser atingida. A primeira fornia de defesa contra ataques

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Como os mísseis são guiados até ao alvo

Teste de um míssil de cruzeiro. Lançado de um submarino a 640 km de distância e guiado por uni computador que monitoriza o terreno que sobrevoa, um míssil de cruzeiro americano Tomahawk atinge uma edificação na ilha de San Clemente, na Califórnia Os fogueies alemães V-2, utilizados no final da II Guerra Mundial, possuíam um sistema de orientação bastante primitivo e eram pouco certeiros. Desde os anos 40, foram criados muitos sistemas de orientação de precisão para todos os lipos de míssil. 0 sistema de orientação mais simples é o olho humano. Os mísseis anticarros, como o Milan, franco-alemáo, o AT-3 Sag ger, soviético, ou o Swingfire, inglês, possuem um fio delgado que os liga ao joyStick miniatura manejado pelo apontador. A ligação por fio é simples e, ao contrário de um sinal de rádio, não sofre interíerên cias. No entanto, a necessidade de o ter restringe o alcance do míssil e, em certa medida, a sua velocidade, pois a rapidez com que o fio pode desenrolar-se tem limites. Os mísseis guiados por fio são apenas eficazes contra tanques ou outros alvos relativamente lentos que podem manter-se visíveis durante todo o trajecto da arma. Para atacar aviões é necessário um sistema de orientação diferente. A resposta consiste num míssil autoguiado equipado com um computador que substitui o ope rador humano. Esles mísseis têm um alcance de cerca de 50 km. A sua fornia de orientação pode ser activa ou passiva. Outras armas que empregam orientação activa são os mísseis terra-ar (SAMs), como o Rapier, inglês, ou o Roland, francoalemão, que usam radar no solo ou sistemas ópticos para detectar o alvo e seguir o míssil depois de lançado. Computadores enviam depois instruções por rádio até ao míssil, dirigindo o até ao alvo. O Rapier tem um alcance de cerca de 6,5 km, enquanto o do Roland é de 6 krn. Na orientação passiva, o míssil é guiado por sinais vindos do próprio alvo — em geral, sinais de radar ou térmicos. Os mísseis americanos Sidewinder ar-ar c Stinger terra-ar detectam as radiações infravermelhas do escape dos aviões. São conduzidos por um computador integrado que acciona pequenas aletas na parle da frente e, uma vez lançados, o operador nada mais lem a fazer; são mísseis de "lançar-e-esquecer". Os mísseis antinavios, como o Exocet criado pelos Franceses, são apontados automaticamente pela inlroduçáo da posição do alvo num computador de lançamento. Os mísseis estão munidos de sistemas de navegação por inércia, que apuram constantemente a posição exacta do míssil, detectando todas as alterações da direcção e velocidade desde o momento do lançamento. Todas estas alterações são monitorizadas por um computador exis tente no míssil, o qual, se verifica que este se afasta do alvo devido a ventos fortes ou por oulros motivos, ajusta pequenas aletas que o devolvem ao rumo correcto. Quan Mísseis antinavios. Um míssil Exocet lun çado de um auião dirige se ao alvo, rosando a água a cerca de 2,5 m. Um radiultinie tro a bordo do míssil mede e controla a sua passagem por cima das ondas.

Dirigidos por fios. Ligado por fio ao lançador c guiado por um operador humano, um míssil antkarro Milan procura o aluo.

do o computador de bordo calcula que o míssil está a 15 km do alvo, põe em funcionamento um scanner de radar que detecta o navio. O computador calcula então o caminho percorrido pelo alvo desde que o Exocel foi lançado e ajusta o novo rumo. Os mísseis de cruzeiro de longo alcance utilizam o mais sofisticado de todos os sistemas de orientação, o TERCOM {terrain contourmatching ou comparação topográfica). Nos computadores de bordo do míssil existe um modelo tridimensional do terreno que ele sobrevoará. Cada ponto do solo é registado segundo um conjunto de números indicando a sua posição e a altura a que o míssil o sobrevoa. Estes mísseis voam a alturas entre 15 e 90 m. À mediria que o míssil avança, os seus altímetros medem rigorosamente os contornos do terreno em baixo, comparando-os com as informações contidas no computador, a fim de manter o rumo do míssil. Os instrumentos localizam lambem o alvo e fixam nele o seu rumo. Depois de um voo de mais de 2500 km, o míssil atinge o alvo com uma margem de erro de 15 m. Em comparação com estes, os mísseis balísticos intercontinentais são relativa mente pouco certeiros. Ao serem lança dos. utilizam o seu sistema de navegação por inércia a fim de estabelecerem o rumo, mas depois voam como um dardo — caindo no solo num local determinado pela sua velocidade inicial, direcção e elevação. Os mais certeiros mísseis americanos, os Minuteman III, têm uma margem de erro de 220 m do seu alvo, o que, dada a enorme potência das suas ogivas nucleares, é suficientemente perto.

Mesmo numa noite que a maioria das pessoas classificaria de escura como breu, há alguma luz, ainda que só a das estrelas. Nessas condições, um soldado consegue apontar correctamente a um alvo a mais de 350 m, Versões mais potentes, com o alcance de I km, são usadas em peças de artilharia, tanques, helicópteros e aviões. Não havendo o mínimo de luz _^^ das estrelas, utiliza-se um aparelho diferente uma câmara de infravermelhos, que detecta o ca lor em vez ria luz. Objectos que geram calor - aviões, escapes de mísseis, fogueiras de acampamentos, por exem pio - podem ser detectados de urna distân cia de vários quilómetros. Estas miras são utilizadas como rotina nas operações de reconhecimento As câmaras de infravermelhos detectam igualmente o calor do corpo de um soldado inimigo. Quando a nightsight fizer parte do equipamento de todos os soldados, tanques e aviões, será possível combater durante 24 horas por dia.

Visão nocturna.
Aproveitando a iluminação de rua e a luz geral da cidade, a nightsight de um soldado detecta um terrorista a 80 rn de distância (em cima). Mesmo numa noite sem Lua e dentro de um bosque, a luz das estrelas ilumina esle alvo a 30 m.

Porque é que uma bala de carabina faz um percurso rectilíneo?
Os antigos mosquetes e espingardas eram pouco certeiros. Disparavam bolas de chumbo que eram carregadas pela boca do cano. Mesmo que uma dessas bolas estivesse bem apontada ao alvo, ao sair do cano riesviava-se frequentemente. I loje em dia, a bala vai em linha recta — mas como é que isso foi conseguido? As bolas de mosquete entravam à vontade no cano, que era liso. Ao serem disparadas, batiam de um lado e outro no interior do cilindro, de onde saíam com uma direcção imprevisível. Além disso, qualquer irregularidade de forma fazia-as oscilar em voo. Já em 1500 surgiu uma solução para estes problemas: primeiro, as bolas passaram a ajustar-se bem aos canos para evitar o efeito de ressalto; depois, passaram a fazer se entalhes em espiral no interior do cano, as estrias, que obrigavam a bola a girar ao longo do percurso. Lima bola que gira mantém a sua trajectória no ar, pois qualquer tendência para se desviar num sentido é contrabalançada quando a bola gira e tenta desviar-se no sentido oposto. Por volta de 1840, as bolas tinham se já transformado na bala com a forma que é hoje vulgar alongada com ponta cónica. O seu melhor aerodinamismo aumentou-lhes o alcance e a precisão, mas ainda eram difíceis de carregar. Em 1847, Claudc-Eticnne Minié, capitão do Exército Francês, inventou uma bala de chumbo com a base ligeiramente côncava Quando a bala era disparada, a base de chumbo macio expandia-se para se ajustar à estria. Estas balas podiam ser introduzidas no cano fácil e rapidamente, tornando prático o uso de armas estriadas na guerra Foram pela primeira vez usadas em larga escala na Guerra da Crimeia (1853-56) e na Guerra Civil Americana (1861-65). Na década de 1870, a criação de invólucros de metal para conter a carga rietonan te levou às espingardas rie carregamento pela culatra, em substituição das de carre gar pela boca. Balas revestidas de bronze ou de bronze maciço foram produzidas para as armas de carregamento pela culatra em 1886. Tinham uma penetração considerável, atravessando blindagens que teriam detido as balas de chumbo macio. 157

Como um soldado consegue "ver" na escuridão
A nightsight (mira de visão nocturna) transforma, para um soldado, a noite em dia, o que significa que a escuridão deixou de ser um refúgio para as tropas inimigas. Com uma nightsight, os seus movimentos são facilmente detectáveis, expondo-os a fogo seguro. A nightsight assemelha-se a uma mira telescópica grande e permite ao soldado ver claramente em qualquer noite (excep to as demasiado escuras), pois amplifica a luz do luar e das estrelas. Primeiro, uma célula fotoeléctrica de grande sensibilidade converte a imagem num sinal eléctrico, corno numa câmara de televisão. Depois, esse sinal eléctrico é ampliado por circuitos semelhantes aos de um amplificador de som e, finalmente, transformado numa imagem e apresentado num écran.

Mesmo a meio. Voando a 3383 hmih, uma bala de calibre .30 rasga uma carta Sào ciara mente visíveis na bala as marcas feitas pelas estrias do interior do cano. Por essa altura, também as cargas detonantes "sem fumo" substituíram as de pól vora negra. Além de reduzirem a sujidade do cano, eram mais potentes: a velocidade da bala passou de 1600 para 2600 km/h. Durante o século xx, as balas tornaram -se muito mais pontiagudas. Há igualmen te tendência para que as balas sejam menores do que antigamente. Uma bala pe quena e leve vai mais longe c mais depressa do que uma grande disparada por carga idêntica, t uma carga mais pequena provoca um recuo menor, o que torna o tiro mais preciso. As modernas carabinas de guerra dispa ram balas a cerca de 3600 km/h e conseguem acertar repetidamente num alvo de 10 cm de uma distância de 90 m, o que é adequado à maioria dos objectivos militares. Aquela distância, as melhores carabinas de tiro de precisão acertam num alvo de 6 mm. A cisão, ou fissão, é o processo pelo qual um núcleo atómico se divide e constitui a base da bomba nuclear de cisão, vulgar mente conhecida pelo nome de bomba atómica, ou bomba A. A fusão é o opôs to a combinação de dois núcleos atómicos para formarem um núcleo maior. Este processo liberta quantidades de energia ainda maiores que a cisão, e está na base da bomba de hidrogénio, ou bomba H, também conhecida por bomba termonuclear. A fusão nuclear é também a fonte da energia do Sol. A maioria das armas nucleares modernas utiliza os dois pro cesso s. As bombas de cisão têm de possuir um de dois ingredientes - o urânio ou o plutónio. A que foi largada sobre Hiroshima em 6 rie Agosto de 1945 usou urânio; Nagasaki foi desunida em 9 de Agosto por uma bomba de plutónio. Tanto o urânio como o plutónio são elementos cindíveis — os seus núcleos podem ser fragmentados por partículas subatómicas denominadas neutrões. Quando um núcleo destes se cinde, são libertados pelo menos dois novos neutrões. Estes tem a possibilidade de, chocando com dois outros núcleos, provoca rem duas novas cisões, originando quatro neutrões, e assim sucessivamente: é uma reacção em cadeia. Como cada neulrâo libertado leva apenas cerca de um centésimo milionésimo de segundo a provocar nova cisão, rapidamente se atinge uma taxa de cisões catastrófica, com uma liber tacão brutal de energia uma explosão nuclear. Se, no entanto, tivermos apenas uma pequena porção de material cindível, os neutrões, na sua maioria, perder se ão inofensivamente no ar sem provocar novas ci-

sões; a reacção auto-extingue-se — não há possibilidade de explosão. A massa de material tal que uma geração de neutrões dá origem, em média, a um número igual de neutrões na geração seguinte chama-se massa crítica. (Os com plicados controles de um reactor nuclear destinam-se a mantê-lo exactamente crítico; a energia libertada é então constante ao longo do tempo, e a reacção em cadeia diz-sc controlada.) A massa crítica de plutónio ou de urânio-235 corresponde a uma esfera do tamanho de uma toranja; qualquer massa superior à crítica pode sustentar uma reacção em cadeia crescente — e portanto dar origem a uma explosão nuclear. Há que garantir que a explosão não ocorra acidentalmente, tendo o cuidado de nunca se juntar uma massa crítica antes do momento da explosão. Na bomba de Hiroshima foi empregada uma carga explosiva convencional para impelir unia porção de urânio ao longo de um tubo até outra porção de urânio. Separadas, nem uma nem outra eram suficientemente grandes para explodirem; mas, em con junto, ultrapassaram a massa crítica e explodiram com a potência de 12 a 13 0001 de TNT. A bomba de Nagasaki aproveitou o facto de a massa crítica poder reduzir-sc se o

A bomba A de Hiroshima. A "Little Boy" ("O Menino"), bomba nuclear que {leras toa litroshima em 1945, pesava 4100 kg. mas linha a potência de 12 a 13 0001 de TNT.

Como se constroem as armas nucleares?
As armas nucleares tem mantido o Mundo num equilíbrio instável entre a paz e o terror desde que as duas únicas até agora utili zadas forçaram a rendição do Japão, em 2 de Setembro de 1945, terminando a II Guerra Mundial O poder terrível destas ar mas provém da libertação de quantidades imensas de energia pelos núcleos dos áto mos durante reacções de cisão ou de fusão.

Carga mortal. As cinco ogivas nucleares do míssil intercontinental americano MX •'Peacekeepcr" estão programadas para atingir simultaneamente alvos diferentes.

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material cindível (neste caso, o plutónio) for comprimido para aumentar a sua densidade. Rodcou-se urna massa suberítica de plutónio com cargas explosivas convencionais. Quando estas foram detonadas, comprimiram o plutónio, que se tornou supererítieo e produziu uma explosão idêntica à de 22 000 t de TNT. Cerca de metade da energia libertada numa explosão nuclear típica é gasta na onda de choque — uma bomba equivalente a 20 000 t de TNT destrói edifícios num raio de 800 m. Um pouco mais de um terço da energia toma a forma de calor, tão intenso que incendeia todas as matérias combustíveis num raio de 6,5 km. A energia restante é libertada sob a forma de radiações energéticas — sobretudo raios gama c raios X. Após uma explosão nu clear, milhões de pequenas partículas radioactivas caem para o solo, constituindo a chamada chuva nuclear (fallout, em inglês). Armas termonucleares Para fabricar bombas ainda mais potentes, é necessário recorrer à fusão nuclear. A primeira bomba termonuclear - ou de hidrogénio — foi construída nos EUA Tinha a potência de cerca de 10 milhões de toneladas de TNT (10 MD e foi detonada no atol de Eniwetak. no Pacífico, em Novembro de 1952. Nas bombas de fusão empregam-se duas formas de hidrogénio - o deutério e o trítio. Quando os núcleos destes elementos se combinam, dá-se uma enorme libertação de energia. Mas para que se dê a sua fusão, são necessárias temperaturas comparáveis à do centro do Sol — 14 milhões de graus centígrados. A única forma de se conseguir esta temperatura á por meio de uma bomba de cisão nuclear. Assim, as bombas de hidrogénio baseiam-se simul taneamenle nas reacções de fusão e decisão. A bomba de maior potência que jamais se fez explodir foi detonada em Nova Zernbla, grande ilha ao largo da costa norte da Rússia, em 30 de Outubro de 1961. Os cálculos situam a sua potência entre os 57 e os 90 milhões de toneladas de TNT, e a sua onda de choque deu três voltas à Terra. As armas práticas são, no entanto, muito menos potentes. A mais pequena bomba nuclear do arsenal dos EUA é a W-54. com uma potência de 250 t, e a maior é de 2 milhões de toneladas. As primeiras armas nucleares eram volumosas. A "Fat Man" ("Homem Gordo") de Nagasaki tinha 3,6 m de comprimento e pesava 4900 kg. Actualmente, as bombas com este peso têm uma potên cia 600 vezes superior. A bomba nuclear mais pequena, a W-54, destinada à destruição de pontes e outras estruturas, pode ser transportada às costas de um soldado.

O destruidor invisível. Num ensaio experimental, um míssil Titan I (ú esquerda! foi o aluo de um laser químico. Segundos depois de o laser ser activado, deslruiu o míssil (ã direita!

Investigação do programa SDI, ou "Guerra das Estrelas". Dois raios de laser químicos convergentes são apor/lados a um aluo de ouro 00 tamanho de um ponto final, a hm de se avaliar a sua precisão e. capacidade destrutiva. Todas as armas americanas (das soviéticas pouco se sabe) contêm instrumentos de segurança que impedem a sua detonação não autorizada ou acidental. Nas primeiras armas, as medidas de segurança eram relativamente simples, resumindo-se a um selo de arame, um interruptor e um lecho. As modernas têm dispositivos de armação e detonação controlados por código, o que torna impossível detona las sem se conhecerem complexos códigos que todos os dias são alterados. Se se introduzirem diversas vezes números errados, a arma trava-se e neutraliza-sc a si própria, de tal modo que só poderá ser disparada depois de uma reparação. Se um avião que transportasse uma bomba nuclear caísse e se incendiasse, não haveria perigo de uma explosão nuclear, pois a bomba não estaria armada: só os explosivos químicos usados para disparar a bomba nuclear poderiam explodir.

Como se poderiam usar os raios de "laser" no espaço
Se um ataque nuclear fosse lançado contra a América, envolveria possivelmente centenas de mísseis transportando milhares de ogivas nucleares, cada um viajando a velocidades de até 6,5 km/s a caminho dos alvos, que atingiriam 30 minutos depois do lançamento. Para se protegerem, os Ame ricanos têm vindo a desenvolver o seu programa de Iniciativa de Defesa Estratégica (SDl) ou ''Guerra das Estreias". Uma parte importante deste programa consiste no aperfeiçoamento de lasers (v. p. 229) que destruam os mísseis inimigos nos cinco minutos após o lançamento. Depois desse período, a defesa torna-se mui159

lo mais difícil, dado que cada míssil chega a largar 10 ogivas e muilas negaças, aumentando grandemente o número de alvos que têm de ser atingidos. O mais simples processo de destruição consiste em focar sobre o míssil um feixe de radiações infravermelhas que abra um orifício na blindagem, provocando fuga de combustível ou destruindo o sistema electrónico de orientação. Os Americanos estão a estudar um laser químico que usa a reacção do flúor com o hidrogénio para originar uma poderosa emissão de raios infravermelhos. O laser é focado e apontado por meio de prismas e espelhos. Um laser químico de potência suficiente (25 MW ou mais) poderá destruir um míssil à distância de quase 3200 km. Os lasers atacariam os seus alvos a partir de estações militares espaciais a algumas centenas de quilómetros da Terra Contudo, seriam precisas cem dessas estações para conferir à América uma protecção completa e pô-las em Órbita seria uma tarefa que tomaria insignificante qualquer dos projectos espaciais até aqui levados a cabo. Só o flúor e o hidrogénio necessários para alimentar os lasers pesariam perto de 2000 t. Uma alternativa seria ter os lasers basea dos em terra, mas, neste caso, haveria o inconveniente de a atmosfera dispersar o feixe. Apenas um décimo da potência do laser atingiria o alvo, pelo que os lasers baseados em terra teriam de ser realmente muito potentes: cerca de 400 MW cada um — potência idêntica à do consumo da electricidade de uma cidade de tamanho médio e 1000 vezes superior à de qualquer laser hoje existente. Os espelhos teriam de manter o laser apontado durante vários segundos para o míssil antes de este ser destruído. Mesmo que tal se conseguisse, o inimigo poderia ainda derrotar o laser montando um escudo térmico em volta do míssil ou imprimindo um movimento de rotação ao míssil para que o feixe não estivesse focado sobre o mesmo ponto o tempo suficiente para abrir um orifício. O Programa Guerra das Estrelas tem igualmente vindo a desenvolver lasers que emitem raios X em vez de um feixe de lux. Estes raios são emitidos numa única pulsação em vez de num feixe contínuo. A fonte dos raios X é urna pequena explosão nuclear. Dado que os raios X são rapidamente absorvidos pela atmosfera, tinham também de ser disparados do espaço, quando lanto o laser como o míssil que aquele atacaria tivessem subido acima da atmosfera — pelo menos a 80 km da Terra. A ideia não é estacionar permanentemente os lasers no espaço, mas lançá-los unicamente quando as observações por satélite revelassem que estava já em progresso um ataque inimigo. Os lasers de raios X seriam lançados de submarinos e então rápida mente colocados em órbita, de onde seriam automaticamente disparados.

Como se extingue um letal incêndio nuclear?
Desde os primórdios da indústria nuclear, em meados da década de 50, houve três acidentes importantes. O reactor que sobreaqueceu em Three Mile Island, Filadélfia, em Março de 1979, nunca chegou a pegar fogo, mas registaram-se incêndios graves em Windscale, no Noroeste de Inglaterra, em 1957, e em Chernobyl, na Ucrânia, em Abril de 1986. Estes dois incêndios foram extintos, mas por processos diferentes. Quando um reactor nuclear se incendeia, não explode como uma bomba nuclear, mas urna série de explosões menores ou o próprio incêndio podem destruir o reactor e libertar para a atmosfera enormes quantidades de materiais radioactivos altamente perigosos. Durante todo o tempo em que se combateram os fogos de Chernobyl e Windscale, houve fuga de radioactividade, tornando aquele trabalho extremamente perigoso. O reactor de Windscale foi construído para produzir plutónio para as armas nucleares britânicas. Irrompeu em chamas quando um operador cometeu um erro, o que permitiu que a temperatura do núcleo subisse excessivamente. O resultado foi um incêndio que durou quase dois dias até ser dominado.

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A sepultura da unidade 4. Uma espessa muralha de betão, iniciada em 1986 (ao alto), foi construída para conter a saída das radiações do reactor destruído em Chernobyl (em cima). Os bombeiros, com fatos que os prote giam da radioactividade, começaram por pulverizar o fogo com dióxido de carbono, esperando abafá-lo por falta de oxigénio, mas o processo falhou. Não tinham queri-

O centro do calor. Umu fotografia ao acidente de Chernobyl tirada pelo satélite americano Landsat revelou duas fontes de calor (as pequenas manchas azuis), o que sugeriu a alguns observadores americanos que um segundo reactor nuclear estava à beira de se fundir hipótese que de facto não se confirmou.

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do utilizar água, temendo que esta reagisse com a grafite em combustão, produzindo

hidrogénio que poderia explodir e destruir
completamente o reactor. No entanto, acabaram por decidir arris car e, com o auxílio de mangueiras, inundaram o reactor c o m u m a enorme quantidade de água. Resultou e o fogo apagou-se, embora depois de se t e r e m escapado quantidades substanciais de radioactiviriade. 0 reactor inutilizado foi depois enchido com betão e abandonado. 0 incêndio de Chernobyl foi muito mais grave. Teve início depois de os operadores terem "passado por c i m a " de u m a série de sistemas de segurança a fim de verificarem por quanto t e m p o as turbinas c o n t i n u a riam a gerar electricidade depois de a fonte de vapor ter sido fechada. A dada altura, perderam o controle do reactor, e, depois de duas fortes explosões, este c o m e ç o u a arder violentamente. A cobertura do reactor foi destruída, expondo-o ao ar livre. Partículas ao rubro branco de combustível radioactivo começaram a ser projectadas, incendiando o edifício da central eléctrica c ameaçando um reactor p r ó x i m o . Os primeiros a chegar ao local foram os bombeiros locais, q u e , c o m imensa cora gem e sem vestuário protector, assaltaram aquele inferno e e x t i n g u i r a m q u a n t o puderam do incêndio c o m o auxílio de mangueiras vulgares. E m b o r a m u i t o s destes homens t e n h a m m o r r i d o , a sua a c ç ã o quase certamente salvou o reactor vizinho e evitou um desastre ainda maior. Mas os Russos e n c o n t r a v a m - s e a i n d a perante um problema terrível - um reactor destruído e sem cobertura, incandescente e expelindo para o ar quantidades imensas de substâncias radioactivas. Bombardeamento por helicópteros Para combater o fogo foi utilizado um processo inédito. C o m o auxilio de u m a es quadrilha de helicópteros, lançaram-se sobre o reactor mais de 5000 t de argila seca e areia para tentar abafar o fogo. Adicionouse ainda carboneto de boro para absorver

sarcófago de betão c o m 1 m de espessura, sepultando o para sempre. O desastre de C h e r n o b y l foi o pior de sempre na indústria nuclear, matando 31 pessoas, i n c l u i n d o 6 b o m b e i r o s . Muitas outras poderão vir a morrer de cancro no futuro, devido à exposição a elevados níveis de radiação. Quatro anos após o acidente, ainda muitos habitantes <\à região não po d i a m regressar às suas casas por os níveis de radiação serem ainda demasiado altos.

Velejar contra o vento
Se o vento é a única força que impele um barco á vela, c o m o pode este navegar c o n tra c l e ? Por extraordinário q u e pareça, a força mais i m p o r t a n t e que faz um barco andai contra o vento é a sucção. A vela de um barco assemelha-se à asa de um avião em posição vertical. Na face exterior — de sotavento —, o vento tem de c o n t o r n a r a vela, c r i a n d o um p o d e r o s o efeito de sucção — isto é, puxando a vela para si. O efeito de sucção c um dos fenómenos da aerodinâmica: o ar que é desvia do por u m a vela curva c o m p r i m e se para p o d e r passar. Q u a n d o um f l u x o de ar é c o m p r i m i d o , a sua velocidade aumenta a corrente de ar por baixo de u m a porta p o d e ser s u r p r e e n d e n t e m e n t e forte por este motivo. E quando a velocidade do ven t o a u m e n t a , dá-se u m a d i m i n u i ç ã o d a pressão — p o r q u e , q u a n t o mais rapidam e n t e o ar se m o v e , m e n o s m o l é c u l a s existem por unidade rio volume. Assim, a baixa pressão no lado de sota vento suga a vela para si c o m o d o b r o da força c o m que na outra face de barlav e n t o - o v e n t o a e m p u r r a no m e s m o sentido. Por este motivo, o vento força o barco a andar de lado. Contudo, a quilha — ou o patilhão do barco contraria este movi mento lateral. A força do vento é assim decomposta n u m a força que faz o barco an dar para a frente e noutra que o faz inclinar-se para sotavento — força esta que o tripulante tenta vencer projectando se para fora da borda do lado contrário. N e n h u m b a r c o navega d i r e c t a m e n t e contra o v e n t o - um iate da classe "12 metros", por e x e m p l o , não consegue um ângulo melhor que 10 a 15". Para avançar para a direcção da qual o vento sopra, o barco tem de navegar n u m a série de zigue zagues, ou bordos. Quanto mais apertadamente o barco anda contra o vento, menor será a sua velocidade. O t i m o n e i r o pode andar mais depressa fazendo ziguezagues a um ângulo mais aberto em relação ao vento mas o trajecto percorrido passa a ser maior.

Regateando contra o vento, lales luzem um bordo contra um vento forte Direcção do vento Movimento para diante A maior velocidade do vento redui a pressão

Quilha

Vela Força lateral

A f o r ç a do v e n t o . Corno o vento pussu mais rapidamente ao longo da a ima exte rior da vela, cria uma forçu de suecuo une forca o barco para o lado Mas a quilha con traria este movimento, convertendo parte da suecuo em movimento para diunle.

O restauro de uma obra de arte
A Ultima Ceia, de Leonardo da Vinci, u m a das grandes obras de arte do m u n d o oci dental, sofreu provavelmente mais danos do que qualquer outro grande trabalho. O mural, c o m 3,60 m de altura, foi terminado no fim da década de 1490, e 20 anos depois a tinta estava já a soltar-se. Em 1587. a pintu ra foi considerada " m e i o arruinada". Em 1652, os frades dominicanos de Santa Maria delle Grazie, em Milão, em cujo refeitório Leonardo pintara a sua obra pri ma, decidiram ampliar u m a porta - o que implicou o corte dos pés de Cristo No século XVIII, puseram u m a cortina em frente do mural. A humidade, impedida de se evaporar, escorria pela parede. O u t r o s estragos o c o r r e r a m e m 1796, q u a n d o as tropas de Napoleão usaram o refeitório c o m o arsenal. Os soldados apedrejavam os Apóstolos e chefiavam a subir as escadas para lhes raspar OS olhos. E em 1943 u m a b o m b a d o s A l i a d o s esteve a l ou 2 m de completar a destruição. Agora, a pintura mural está a ser restaurada, e não pela primeira vez. Esta é a sétima tentativa desde 1726, quando um pintor de n o m e Michelangelo Bellotli foi con tratado para restaurar totalmente o quadro. Km Ião incompetente que se pagou a outro pintor, Giuseppe Mazza, para rasp.tr
Continuo no p. 16-t

neutrões e impedir que o reactor explodis
se novamente. Dcitou-se ainda c h u m b o para absorver calor ao fundir e para selar o reactor q u a n d o arrefecesse e solidificasse. Despejou-se t a m b é m cal em pó para produzir dióxido de c a r b o n o , que, envolvendo o núcleo do reactor, evitaria que o fogo irrompesse de novo. f o r a m precisas duas semanas de voos quase c o n t í n u o s , mas o processo resul tou - o incêndio mortífero de Chernobyl foi e x t i n t o e d e t i d a a l i b e r t a ç ã o de ra

diação.
Ironicamente, o método utilizado na ex tinção do incêndio só foi possível porque 0 acidente fora suficientemente grave para destruir a cobertura do reactor. Quando os índices de radiação f i n a l m e n t e d i m i n u í rain, foi construído em volta do reactor um

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Miguel Ângelo: a pintura da Capela Sistina
Sentado na parte mais alta do andaime de madeira, com a cabeça e os ombros inclinados para trás, com dores no pescoço, a tinta escorrendo lhe pela face e os olhos a arder, Miguel Ângelo trabalhava de sol a sol nos seus frescos para o tecto da Capela Sistina do Vaticano, em Roma. Às vezes, trabalhava 30 dias seguidos. Sentia-se mal com dores, a cabeça andava-lhe à roda e temia cegar. Em 1510, a meio caminho da sua tarefa ciclópica, escreveu: "Estou no lugar errado — e não sou um pintor!" Na verdade, Miguel Ângelo (Michelangelo Buonarroti) considerava-se, antes de mais, um escultor de mármore — e não tinha boa opinião das suas faculdades como pintor. Nascido em 1475 — filho do presidente do Município de Caprese (hoje, Caprese Michelangelo), a sueste de Florença —, tinha 33 anos quando o papa Júlio II o chamou a Roma e lhe deu o encargo de repintar o tecto da Capela Sistina. Esta capela recebera o nome do tio de Júlio II, o papa Sisto IV, para quem fora construída entre 1473 e 1481. As suas pare des estavam cobertas por quadros magníficos de mestres como Botticelli e Perugi no, mas no tecto havia uma pintura relativamente insignificante de um céu estrelado, por Piermatteo d'Amelia. A princípio, o papa Júlio pretendia que Miguel Ângelo — que aceitara o encargo com relutância - decorasse o tecto abobadado com retratos dos 12 Apóstolos. Mas o artista considerava o tema bastante pobre e decidiu cobrir a superfície com a sua concepção da criação do Universo. Para alcançar o tecto, muito alto, desenhou um andaime de madeira móvel que lhe permitia pintar de pé se quisesse e ainda andar de um lado para o outro. Mesmo assim, ao longo de quatro anos e meio, ele achou-o dolorosamente limitativo — especialmente depois de ter acrescentado uma rampa à plataforma superior para po der trabalhar nos pormenores, com os olhos a poucos centímetros do tecto. Miguel Ângelo começou a trabalhar no Verão de 1508 com a ajuda de seis assistentes — que lhe misturavam as tintas, prepa ravam a argamassa e às vezes colaboravam mesmo na pintura. O seu projecto era cobrir a abóbada com frescos - pintura a água sobre a argamassa ainda fresca —, o que tinha de ser feito muito rapidamente, enquanto o preparo estava húmido. Qualquer erro significava inutilizar a argamassa e recomeçar do princípio. Miguel Ângelo só teve de o fazer uma vez. Primeiro, desenhava as figuras numa folha de papel e perfurava os contornos com um estilete. Em seguida, colocava o papel 162 de encontro ao teclo e passava carvão em pó através dos orifícios para registar o desenho no preparo húmido. Depois, pintava a partir do desenho, às vezes improvisando e compondo à medida que a confiança aumentava. As nove cenas da criação do Universo sucediam-se alinhadas sobre a sua cabeça. Iam desde a Separação da Luz e das Trevas (a Criação), por cima do altar, até à Embriaguez de Noé (mostrando o homem distanciado de Deus), por sobre a entrada. Em volta, e por entre os grandes frescos, pintou profetas, sibilas (antigas profetisas), os antepassados de Cristo, os nus masculinos (/ Nudi, que exaltam a perfeição da beleza humana) e cenas repre sentando a salvação da Humanidade. Ao todo, criou cerca de 300 figuras do Velho e do Novo Testamento - cada uma com as suas próprias feições, expressões e atitudes -, mais de 1000 m2 de área pintada. Gradualmente, à medida que o trabalho progredia, despediu quase todos os assistentes, afirmando que lhes faltava inspiração. 1 lomem vigoroso, de ombros largos e meão na altura, suportou resolutamente os rigores do inverno romano — quando o frio vento de norte soprava pela capela c a chuva entrava pelo tecto, criando manchas de bolor nas pinturas. Comia enquanto trabalhava - quase sempre pedaços de pão — e a noite dormia, vestido e calçado, no estúdio anexo. Sofria física e mentalmente, e em Janeiro de 1509 escreveu ao pai, dizendo: "Nada peço ao papa, pois não acho que o meu trabalho prossiga de forma a merecê-lo. Isto não só pela dificuldade da tarefa corno também por não se tratar da minha profissão. Perco infrutiferamente o meu tempo. Que Deus me ajude." O papa partilhava das apreensões de Miguel Ângelo e visitava periodicamente a capela, subindo a escada até ao cimo do andaime para inspeccionar as pinturas. Chegaram mesmo a trocar palavras azedas. No Verão de 1510, por exemplo, quando o tra balho já ia a meio, o papa Júlio quis saber quando estaria terminado o resto do tecto. "Quando ele me satisfizer como artista", respondeu Miguel Ângelo. O papa franziu o sobrolho e disse lhe acerbamente: "E nós queremos que nos satisfaças, terminando-o rapidamente!" Noutra ocasião, o papa, com 66 anos, ameaçou mandar atirar o artista do andaime abaixo se não trabalhasse mais depressa. "Quando é que tudo estará pronto?", perguntou Júlio II. "Quando estiver pronto", replicou laconicamente Miguel Ângelo. O papa enrubesceu-se, zangado, e imitou-o: "Quando estiver pronto! Quando

Génio solitário. Feito em 1565, este busto de bronze de Miguel Ângelo, obra do seu amigo Daniele da Volterra, mostra a solidão de um homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao seu trabalho. estiver pronto!" E erguendo a bengala, furioso, bateu com ela no ombro do artista. Posteriormente, os dois homens fizeram as pazes e Miguel Ângelo voltou ao trabalho até ao Outono, altura em que, mais uma vez, faltou o dinheiro para continuar o trabalho; só em Fevereiro de 1511 pôde prosseguir a obra. Por essa altura, as pessoas que trabalha vam no Vaticano já se tinham acostumado à estranha figura de Miguel Ângelo. O cabelo e a barba estavam sujos de tintas; os fatos, rotos e cheios de argamassa; andava de cabeça baixa porque a luz do exterior lhe feria os olhos. Nas ruas, muitos julga vam-no "louco" e troçavam dele quando passava. Trabalhando sozinho e sem interrup çáo, completou a sua extensa obra no Outono de 1512 — quase quatro anos e meio depois de ter assinado o contrato com o papa. O andaime e as coberturas foram retirados, e Júlio II e a sua corte viram o tecto em 31 de Outubro, véspera do Dia de Todos os Santos. No dia seguinte, a capela foi oficialmente reaberta para a consagração pelo papa. Miguel Ângelo não assistiu às cerimónias: estava ansioso por regressar às suas esculturas, e escreveu ao pai: "Terminei a capela que estava a pintar... O papa ficou muito satisfeito ..." As obras de Deus e do homem. A criação do Universo por Deus é apresentada por Miguel Ângelo numa série de nove painéis no tecto da Capela Sistina do Vaticano. Alguns andaimes (na fotografia em baixo, à esquerda) dão uma ideia das dimensões da capela, cujo tecto se eleva a 21 me mede 40 m de comprimento por 13 de largura.

«i4 Última Ceia». O restauro da pintura murai de Leonardo da Vinci em Milão, criada há 500 anos. tem sido um processo tento. Demora uma semana a limpar uma área do tamanho de um selo, e foram necessários seis anos para restaurar a quarta parle, situada à direita. tudo o que BelloUi fizera. Mas esta raspagem foi mais prejudicial que benéfica. O restauro mais recente iniciou-se em 1977 e ainda continua. A restauradora, a Dr." Pinin Brambilla Barcilon, passou três anos a examinar o quadro e a parede em que ele foi pintado, a fim de adquirir um conhecimento pormenorizado dos pro blemas existentes. Estuda uma pequena área de cada vez, examinando-a ao microscópio com uma ampliação de 40 vezes. A primeira tareia era limpar a sujidade de 500 anos, bem como os vernizes e ca madas de tinta dos restauros anteriores. A Dr.a Brambilla aplicava um diluente preparado para o efeito, depois enxugava-o an tes que ele atingisse e danificasse as cores originais de Leonardo. Este processo tinha de ser repetido diversas vezes, a fim de levantar as camadas de sujidade e verniz. A pouco e pouco, foram aparecendo pormenores delicados — uma imagem anteriormente obscura provou ser o refle xo de uma rodela de limão num prato de estanho. As cores vivas que Leonardo usava começam lentamente a ser reveladas à medida que as pinturas sobrepostas e escurecidas vão sendo retiradas. Alguns dos restauradores alteraram consideravelmente o trabalho original. Os peritos pensam, por exemplo, que Judas recebeu um aspecto muito mais sinistro do que Leonardo pretendia. Na verdade, muito pouco de A Ultima Ceia tinha verdadeiras semelhanças com o original de Leo nardo antes de a Dr.'1 Brambilla ter começado o seu trabalho. Grande parte do quadro está irremediavelmente perdida, e a Dr.d Brambilla preenche as áreas vazias com uma aguada neutra, facilmente removível. Deixará para futuras gerações a responsabilidade de re pintarem essas áreas e tentarem captar a visão original de Leonardo. Outro restauro igualmente importante está a ser levado a cabo em Roma o do tecto da Capela Sistina do Vaticano, pinta do entre 1508 e 1512 por Miguel Ângelo. O tecto encontrasse em muito melhor eslado que 4 Última Ceia. e a tarefa principal é a sua limpeza. Ao longo de quase 500 anos, o fresco enegreceu gradualmente pelo arder das velas e das braseiras de carvão usadas pelos padres para iluminar e aquecer a capela. A empresa química italiana Montedison inventou uma espécie de cataplasma para limpar frescos. A pasta, espessa e de cheiro desagradável, é aplicada em tiras de papel poroso que se comprimem sobre o fresco, se deixam ficar durante cerca de 10 minutos e se retiram depois como um penso adesivo, levando consigo a sujidade. Na Capela Sistina tem sido utilizada uma técnica semelhante, embora o agente de limpeza fique no tecto durante apenas três minutos até ser removido. O processo é repetido 24 horas depois. Mas, o restauro do tecto tem dado azo a controvérsia. As cores muito vivas que emergem não são as que Miguel Angelo pretendia, dizem os críticos, que acham que o restauro vai retirar todas as pequenas áreas de tinta que o artista acrescentou a seco (depois de a argamassa secar) e que a parte do tecto já limpa tem um aspecto duro e pouco subtil. Muitos outros peritos não são desta opinião. O tecto, tal como estava, precisava de 30 000 W de lâmpadas do halogéneo para o tornarem visível, de tão escuro que se tornara. O tecto restaurado é agora fácil mente visível à luz normal. Cada vez se utilizam técnicas mais sofisticadas no restauro de quadros. Alguns pe ritos usam reflectografia infravermelha para "espreitar" por debaixo da superfície das pinturas e revelar os desenhos feitos pelo artista antes de pintar o quadro. Para realçar as imagens, utilizam-se outros métodos, recorrendo, por exemplo, a máquinas iguais às que a NASA emprega para melhorar as fotografias do espaço. Usam-se computadores para calcular o grau de alteração sofrido pelos pigmentos de uma pintura e produzir uma imagem do quadra com as cores corrigidas. O computador considera muitos factores, porque certas cores alteram-se rnuito mais rapidamente que outras e certos pigmentos podem ter sido afectados pelo verniz. Túmulo com 3200 anos. Um técnico de restauro trabalhando no túmulo da rainha Nefertite. em Tebas, cola o suporte solto injectando uma emulsão de resina acrílica.

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A exploração do Universo
Enquanto os astronautas tentam os seus primeiros passos na imensidão do espaço, os astrónomos criam instrumentos potentes que lhes permitem procurar os limites do Universo.

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A força que impele um foguete
Em 12 de Abril de 1981, o primeiro vaivém espacial, o Columbia, subiu de Cabo Cana veral. Era accionado por três motores de combustível líquido e um par de foguetes auxiliares de lançamento de propulsanle sólido e comandado por cinco computadores sofisticados interligados. Mas, ape sar da aparente complexidade do vaivém, o princípio básico do seu funcionamento é o mesmo de um balão que dispara pelo ar quando lhe abrimos o pipo: é o princípio da acção e reacção. No século XVII, Newton resumiu uma das regras fundamentais do Universo na frase "A cada acção opõe-se uma reacção igual de sentido contrário": por exemplo, quando se larga o pipo de um balão cheio e o ar é expelido pela abertura, é a reacção igual e oposta ao jacto de ar que se escapa que empurra o balão para a frente. Ao contrário do balão, o foguete não contém um gás comprimido, mas fabrica gás, queimando propulsanles. Contudo, uma vez produzido o gás, o princípio é o mesmo. Quando os gases quentes do escape são expelidos pela sua parte posterior, o foguete c impelido para diante pela reacção igual e de sentido oposto ao dos gases libertados. Mas, contrariamente ao balão que voa em todas as direcções, o fogueie é desenhado para manter um rumo estável. Os três motores de propulsante líquido do Columbia, que consomem, em conjunto, 100 t de combustível por minuto, produzem uma corrente descendente de gases que provoca uma força oposta, ascendente, de 640 t - uma "reacção". Os gases dos dois foguetes auxiliares de combustível sólido produzem uma reacção de 2400 t - pelo que a reacção ascendente global do vaivém é superior a 30001. Como a nave completamente carregada de combustível pesa apenas 2000 t, a reacção é suficiente para a elevar do solo e a acelerar cm direcção ao espaço. Uma vez no espa ço, o vaivém entra na sua órbita preestabe lecida em torno da Terra. A primeira nave espacial reutilizável Expelindo chamas € nuvens de fumo. o vaivém espado! Columbia sobe para o espaço numa das suas muitas uiagens. Os seus dois foguetes auxiliares de lançamento, presos ao grande depósito de combustível, separam se da tiave ao fim de dois minutos e coitam à Terra por meio de pára quedas, a fim de serem reutilizados. O depósito grande é largado seis minutos depois e desintegra se na sua queda atraias da atmosfera. O vaivém regressa, aterrando numa pista de aviação

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Como os astronautas navegam no espaço
Em Janeiro de 1986, a nave não tripulada Voyager 2 passou ao lado de Urano, fotografando osle planeta gigante e as suas luas. A fim de obterem as melhores loto grafias possíveis, os controladores da missão em terra tinham de saber exactamente onde se encontrava a Voyager - e conseguiram computar a sua posição com uma margem de erro de 100 km, mesmo depois de a nave ter percorrido 4954 milhões de quilómetros. Os engenheiros espaciais tem muitas maneiras de conseguir estas proezas de navegação. Por exemplo, os foguetes lançados para o espaço transportam um sisto ma de navegação por inércia que funciona independentemente de sinais exteriores ao aparelho. Este sistema contém dois ins Irumentos: um é um conjunto de giroscópios que permite monitorizar o rumo efec tivo do foguete. O outro é um conjunto de acelerómelros que medem a sua aceleração ou desaceleração. Um computador a bordo regista continuamente todas as alto rac,ões na direcção e na velocidade do foguete, podendo assim calcular, em cada instante e com rigor, a distância percorri da, a direcção real c a velocidade. Durante os voos da Apollo à Lua, os controladores de terra seguiam também o percurso da nave por meio do sistema de comunicações com os astronautas. A partir dos sinais de rádio quo captavam, os radio telescópios na Terra computavam exactamente a direcção da nave. Além disso, estes sinais permitiam aos controladores calcular a distância da Terra ixApulh. Mediam o tempo que os sinais de rádio demoravam a chegar à Apollo o a regressar à Terra e dividiam-no pela velocidade tio sinal (igual à da luz, 300 000 km/s). Conhecendo a direcção e a distância à nave, os controladores cal CUlavam a posição em que se encontrava. Um estudo dos sinais revelava-lhes tain bém a velocidade da nave. Se uma fonte de ondas de rádio se encontra em moviuien to, as frequências c o comprimento dessas ondas são alterados em certa medida, dependendo da velocidade da fonte emissora. É um exemplo do efeito de Doppler. A frequência das ondas aumenta ou diminui conforme a nave espacial se aproxima ou se afasia da Terra. Quanto mais rapidamente a nave se desloca, tanto maior a alteração nos comprimentos de onda. A alteração na frequência da Apollo era de cerca de 0,01% da velocidade da luz.

Pessoal de manutenção. Paru reparar o satélite de comunicações Westar VI, o astronauta americano Gardner (à esquerda) saiu do ixtioém Discovery para o espaço com o auxílio de uma "mochila" a jacto — uma MMU fmanncd manoeuvering unit. ou unidade tripulada de manobra). Agarrando se ao satélite, Gardner accionou os jactos da MMIJ para parar o Weslar. Entretanto, o seu companheiro Allen deslocou-se até ao satélite apoiado num IMJÇO•robô extensível. Este recolheu os astronautas e o satélite e trouxe os para o vaiuém. Antes de cada voo. eram calculados o percurso e a velocidade que os astronautas da Apollo deveriam cumprir. Se os sinais de rádio e a navegação por inércia mostras sem que havia ligeiros desvios, os controla dores de terra davam instruções aos astronautas para accionarem pequenos moto res a jacto para alterar a velocidade da nave e a recolocar na rota correcta. As últimas naves tripuladas americanas, os vaivéns, seguem órbitas mais próximas da Terra do que a Apollo. Quando a sua direcção precisa de ser alterada, compu tadores em terra dão instruções ao próprio computador da nave para ligar os foguetes de impulsão para corrigir a órbita da nave. As sondas espaciais não tripuladas possuem auxiliares de navegação incorporados. Para navegar no espaço, uma sonda espacial tem de fixar a sua posição em três eixos diferentes. No caso das Voyagers. um dos eixos é a direcção em relação à Terra As duas outras referências consistem em fotossensores. Um deles capta a direcção do Sol, o outro "fixa-se" numa estrela brilhante — a Regulus, no caso da Voyager I; a Canopus, no da Voyager 2. Outra sonda espacial que exigiu a marcação de uma rota exacta foi a GiottO, da Agência F.spacial Europeia. Esta sonda foi

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semana antes da Giotto. Passando pelo co meta à distância rie 8000 km, obtiveram as primeiras, ainda que longínquas, fotogra fias do seu núcleo, que mostraram a posi cão do núcleo em relação às duas naves Vega. Utilizando radiolelescópios espalhados por todo o Mundo, os cientistas america nos sintonizaram as rariiotransmissões soviéticas a fim de calcularem exactamente onde estavam as Vega A partir destas posições e das fotografias das Vega, os Soviéticos puderam determinar com rigor qual a

posição do núcleo rio cometa. Ksla infor mação permitiu aos Europeus guiarem a Giotto até à distância correcta do núcleo. Quando este passou pela nave a 605 km de distância, a Giotto conseguiu tirar fotografias que surpreenderam os astrónomos. 0 núcleo do cometa de Halley ia sua parte interior densa, formada de partículas de gelo c rochas) revelou se um objecto negro corno carvão, em forma de batata, com 16 km de comprimento e 8 de largura, que emitia géiseres de gases e vapores de uni branco -brilhante até à distância de 1G00 km.

Refeições numa nave espacial
Durante os primeiros voos espaciais, nos anos 60, os astronautas alimentavam se com pastas de aspecto pouco apetecível, que espremiam para a boca por meio de bisnagas como as das pastas de dentes. Na era do vaivém espacial, contudo, podem já desfrutar de refeições apetitosas, que incluem ovos mexidos, bifes, espargos e pudins de caramelo — tudo comido com talheres e servido em tabuleiros. Antes de Yuri Gagarin, que se tornou o primeiro astronauta em 12 de Abril de 1961, ninguém sabia em que medida o ser humano suportaria os rigores do voo no espaço. Poderia o seu corpo resistir às forças esmagadoras criadas pelo foguete rie lançamento — forças que tornavam 0 ho mem seis vezes mais pesado? Poderia o seu corpo adaptar se imediatamente a seguir ao estado de gravidade zero? K seriam os astronautas capazes de comer e beber sem a gravidade para lhes "puxar" os alimentos e bebidas para o tubo digestivo? Hoje, a resposta a estas perguntas é, com certas reservas, afirmativa. No espaço, os astronautas vivem encerrados numa at mosfera de azoto e oxigénio à pressão normal do nível do mar c numa temperatura agradável, fornecida pelo sistema rie apoio vital da sua nave. O ar viciado e os odores são eliminados pela circulação rio ar atra vós de absorvedores rie dióxido de carbono e de filtros rie carvão, c a humidade é cuidadosamente regulada. O azoto para o sistema de pressurização de ar é fornecido por depósitos à pressão. O oxigénio é obtido de reservatórios rie oxigénio líquido transportados a bordo. A maneira de comer e beber no espaço é diferente da na Terra. A comida tem de ser colocada na boca com cuidado: uma vez na boca, a falta de peso não tem significa rio, pois o reflexo da deglutição encarrega-se de empurrar a comida para baixo embora "baixo" não seja a palavra adequada, uma vez que no espaço não há "baixo" nem "cima". .lá o beber apresenta problemas: não se pode encher um copo rie sumo rie laranja, porque o sumo não sai rio recipiente. Po deria sacudir-sc o sumo para dentro do copo só que o líquido saltaria, espalhando se em glóbulos por toda a parle. Por isso, as bebidas têm de ser esguichadas para dentro da boca por meio de uma espécie rie pistola de água ou ser sugadas do frasco com uma palhinha. O sugar funciona tão bem no espaço como na Terra, porque se serve da pressão do ar para ele var o líquido na palhinha. 3000 calorias por dia O leque de alimentos oferecidos aos astro nautas do vaivém é amplo, e existe a maior preocupação em que sejam apetecíveis à vista e ao olfacto. As refeições são planeadas para fornecer aos astronautas uma média rie 3000 calo rias riiárias, o que parece muito para a vida num ambiente fechado em que não há gravidade Mas os astronautas despendem grandes quantidades de energia na exe cução rias tarefas mais simples. Se, por exemplo, tentam rociar um manipulo, ro dam eles também. Se se dobram para atar um sapato, começam às cambalhotas. 0 encontrar formas invulgares de executar essas simples tarefas gasta o excesso de calorias. A dieta espacial é francamente diferente da terrestre, pois tenta compensar as alte rações que se dão no organismo durante o voo espacial Estas alterações iníciam-se assim que os astronautas entram no espaço e são bem notórias logo ao fim de uma semana. Quanto mais demorado o voo, mais o corpo é afectado. Entre as alterações mais graves, figura a

programada para se encontrar com o co meta rio Halley em Março de 1986 e enviar para a Terra fotografias pormenorizarias do núcleo sólido no centro do corneta. A Gioíto possuía sensores referenciados à Terra e ao Sol, mas não podia fixar se em determinaria estrela para o seu terceiro eixo, porque fora concebida para girar continuamente. Km vez riisso, a Giotto tinha um sistema que computava as posi çòes de todas as estrelas mais brilhantes. Se a trajectória aparente de uma estrela estava incorrecta, os controladores de terra davam instruções aos foguetes de impulsão de bordo para corrigir a orientação da Giotto. A navegação correcta ria Giotto era simples; localizar o núcleo rio cometa era uma tarefa mais difícil. Mas. neste caso, houve urna notável colaboração interna dona). Duas sondas soviéticas de nome Vega chegaram ao cometa cerca de uma

perda de cálcio, que provoca uma diminui
çáo marcada ria massa e resistência dos ossos. Dá-se ainda uma perda progressiva rios glóbulos vermelhos do sangue. Não se sabe o que provoca estes efeitos, mas a resposta terá rie ser conhecida para que as viagens espaciais de longa duração se possam considerar realmente seguras. Os músculos do coração, sem gravidade contra a qual lutar, começam a atrofiar
líi1)

"voem" descontrolados. Comer com faca, garfo c colher apresenta poucas dificuldades, uma vez que os alimentos também se agarram aos talheres. Mas os astronautas têm de comer devagar e evitando movimentos bruscos para não "soltar" a comida, que, então, flutuaria por toda a cabina. A eliminação das excreções do organismo Durante os primeiros dias de um voo espacial, quase 50% dos astronautas sofrem de enjoo do espaço. Sentem náuseas e dores de cabeça, transpiram e vomitam. E uma forma aguda do enjoo de movimento de que certas pessoas sofrem na Terra, e é causada pela falta de peso. que confunde os órgãos do equilíbrio no ouvido interno. A eliminação dos sacos de vomitado tem de ser feita higienicamente, pois os germes poderiam propagar-se rapidamente no espaço fechado cm que se vive. A eliminação das excreções do organismo em condições de ausência de peso é Bola de sumo de laranja. A ausência de peso pode originar refeições divertidas. No um espaço, normalmente, a tensão superficial de um líquido mantém no no seu recipiente, e ele problema: uma vez que não existe gravidade, essas excreções ficam a boiar no pode ser bebido por uma palhinha. Mas se o liquido, como este sumo de laranja, for sacudi espaço quando deixam o corpo. do, flutua no ar com a forma de uma bola. Nas primeiras naves espaciais, os astronautas fixavam sacos às partes apropria -se. O mesmo acontece aos músculos cias nados, pudim de caramelo e ponche tropi das do COipo. Mas era uma operação desapernas, uma vez que o caminhar é imposcal (sem álcool). Existem a bordo alimengradável. Mas no vaivém eles dispõem de sível em órbita, onde não há nada que tos alternativos suficientes para fornecer uma retrete com autoclismo que funmantenha os pés no chão. ementas diferentes durante seis dias sucesciona com ar—, existindo um tubo separa sivos. Uma dieta rica em minerais ajuda a redo para a remoção da urina. A sanita está Para manter os alimentos apetecíveis, duzir a extensão destas alterações, mas equipada com alças para os pés e um "cintêm sido usadas as mais recentes técnicas não tanto quanto os médicos do espaço to de segurança". de conservação. Tal como muitos alimendesejariam. 0 exercício contribui também tos, o ovo mexido é desidratado A desidrapara contrariar a atrofia dos músculos o é O tubo para a urina é flexível e possui tação ajuda a reduzir o peso, factor funda vital cm voos prolongados como as mis um adaptador que permite a sua utilização mental em todas as naves espaciais. Os alisoes de G a 12 meses nas estações espaciais por pessoas de ambos os sexos. A urina é mentos desidratados têm de ser mistura russas Salyut e Mir. retirada pelo tubo por meio de sucção de dos com água antes de se poderem consuar e armazenada num reservatório com mir. Curiosamente, não há falta de água a outras águas de despejos. Periodicamente, Cultivar alimentos numa viagem bordo do vaivém, pois esta é subproduto o conteúdo é lançado para o exterior, onde para Marte? abundante das pilhas de combustível que se evapora. Os detritos sólidos são conduAinda ninguém conhece os limites da cafornecem electricidade à nave. zidos para um contentor por uma corrente pacidade de resistência humana no espa de ar que sai logo abaixo do assento e são ÇO. Se os astronautas puderem suportar 0 bife é pré-cozinhado e vem apresenta secos quando o contentor é depois ex[K>s mais de dois anos de gravidade zero per do em embalagens estanques. O pudim de to ao vácuo do espaço. Em seguida, são manente, então o homem poderá visitar caramelo encontra se em latas. Os morantrazidos de volta à Terra. outros planetas nas primeiras décadas do gos são secos por congelação, o que lhes próximo século. preserva a forma e a textura. Podem ser novamente hidratados com água ou na Tanto os Americanos como os Russos boca com saliva. O pão é cortado em fatias estão a fazer planos para uma missão tri e conservado por irradiação. pulada a Marte, que, incluindo a viagem de ida e volta, demoraria cerca de dois anos. As refeições do vaivém são embaladas individualmente e preparadas pelo "coziAlimentar a tripulação numa missão nheiro de serviço" na cozinha de bordo, como esta constitui um enorme problema. equipada com forno, despensa e bica de Uma das soluções seria os tripulantes cultiágua. O cozinheiro re-hidrata os alimentos varem os alimentos em estufas a bordo.

Como os satélites giram em órbita em torno da Terra

que o exijam, põe no forno aqueles que
A ementa diária da tripulação de um vaivém A ementa típica de um dia para os astronautas do vaivém seria: Pequeno-almoço: pêssegos, farelos, ovos mexidos e cacau. Almoço: carne de conserva com espargos, morangos e uma barra de chocolate e amêndoa. Jantar: cocktail de camarão, bife, brócolos gratitêm de ser aquecidos e introduz palhinhas nos recipientes de bebidas. Coloca depois os pratos em tabuleiros individuais com o auxilio de imanes, fechos velcro ou fita go mada para os manter no lugar. Os astronautas seguram os tabuleiros à mesa de refeição portátil ou a qualquer sítio conveniente. Em geral, comem em pé, com os pés em estribos para evitar que Em \ de Outubro de 1957. um foguete so viético lançou para o espaço o Spulnik I. Aparentemente desafiando a gravidade, o satélite manteve-se perto da Terra. Três meses depois, ardeu. Apesar das aparências, os satélites não desafiam realmente a gravidade: de facto, estão continuamente a cair em direcção à Terra, tal como a maçã que Newton viu cair

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laboratório espacial gigante. Lm órbita a 435 km da Terra, a estação espacial Skylab levou a cabo experiências de fisiologia e física. 0 atrito da atmosfera fé la desacelerar, e. na sua 34 981." órbita, a estacão caiu e ardeu sobre a Austrália Ocidental. e que o levou à descoberta das leis da gravidade. A diferença fundamental entre a maça e o satélite é que esle desloca se a cerca de 30 000 knVh c a muito maior altitude. Assim embora o satélite caia em direcção à Terra, a superfície do planeia afasta-sc dele pela sua curvatura — pelo que ele nunca chega realmente a aproximar se. Imagine-se numa montanha a 150 km acima da superfície da Terra. Se pegar numa maçã e a largar, ela cai na vertical. Suponha agora que atira a maçã em direcção ao horizonte: ela cairá, mas segundo uma trajectória curva. Se ela for lançada com velocidade suficientemente grande, a

Lançamento de satélites a p a r t i r do espaço. Em Agosto de 1985, o vaivém Discovcry lançou no espaço um satélite de cornai li cações. Trata-se de um satélite geoestacionário que mantém em órbita coordenadas permanentes em relação à Tetra elíptica muito excênlrica. Quanto mais for te a impulsão vertical, maior a órbita; quanto mais forte a impulsão horizontal, mais elíptica será a órbita. Para colocar um satélite em órbita elípti ca, este é lançado da Terra com velocidade suficiente para contrariar a força da gravidade. Consequentemente, ele afasta se da curvatura da Terra. Mas a gravidade do nosso planeta nunca deixa de se exercer sobre o satélite, pelo que este acaba por desacelerar e começar a cair em direcção à Terra. A força cinética do satélite no sentido hori zonlal faz com que ele não "acerte" na Terra. K na queda ele adquire novamente velocidade, pelo que, ao completar uma órbita, a sua velocidade é novamente bastante para o tornar a afastar da Terra e iniciar uma segunda órbita elíptica. Quase todos os satélites de comunica coes. que recebem ou retransmilem mensagens telefónicas e de televisão, percorrem órbitas circulares sobre o equador a uma altitude de 35 800 km. Um satélite nesta órbita desloca-se à mesma velocidade que a Terra, pelo que as suas coordenadas se mantêm fixas em relação ao solo. As empresas de comunicação preferem estes satélites "geocstacionários", porque podem usar antenas fixas para enviar sinais de e para os satélites em vez de seguirem alvos que se movimentam no espaço. Embora em teoria um satélite em órbita devesse permanecei eternamente m i es paço, tal não acontece frequentemente. Se a sua órbita o faz aproximar ate algumas centenas de quilómetros da Terra, a atmosfera que ainda existe a essa altitude provo ca atrito no satélite, levando o a perder ve locidade. cair na atmosfera e arder.

trajectória descendente da sua queda será paralela à curva da superfície da Terra. Km bora a maçã esteja continuamente em queda, a superfície curva da Terra foge lhe de debaixo no mesmo ritmo: assim, a maçã não se aproxima da Terra - está em órbita. Quando um foguete lança um satélite, tem, portanto, que lhe imprimir suficiente velocidade horizontal para que a sua Ira jectória de queda nunca toque na Terra. Escolhendo a combinação adequada de impulsão de baixo para cima e na hori zonlal, os controladores de missão podem colocar um satélite numa órbita de quais quer dimensões e forma, desde a circular à

Reparação de satélites. Em Abril de 1984, o astronuuta George Nelson — na sua unidade tripulada de manobra (em baixo, ã direitaj - saiu do ixâoém Challenger a fim de recuperar o Solar Max. lançado em 1980 para observação do Sol. Os astronautas, que repararam o satélite, intitularam se. humoristicamente, a Companhia Ás de Reparações de Satélites.

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Como são controladas as sondas espaciais
Os astrónomos têm hoje muitos conheci mentos acerca do sistema solar graças às informações colhidas por naves espaciais não tripuladas comandadas da Terra. Sob muitos aspectos, comandar uma destas naves é como dirigir um robô por controle remoto. A única forma de mandar sinais através do espaço é por rádio, mas a distâncias Ião grandes os sinais de rádio tornam•se demasiado fracos. Assim, para se enviarem instruções às sondas espaciais, montaram-se à volta do Mundo enormes antenas e pratos parabólicos. Entre eles, contam se três construídos pela Agência Espacial NortcAmericana, a NASA. Cada prato da sua Deep Space Network, a DSN (Rede de Comunicação do Espaço Distante), tem um diâmetro de 64 m. Situam-sc na Califór nia, Espanha e Austrália, por forma que permanentemente pelo menos uma an tena possa estar em contacto com uma sonda espacial. A sala de comandos das sondas ameri canas fica no Jet Propulsion Laboratory (Laboratório de Propulsão a .lado), em Pa sadena, Califórnia Daqui, os controlado-

A "Voyager 2" visita os planetas. Desde o seu lançamento eni 20 de Agosto de 1977. a Voyager 2 já passou por Júpiter. Saturno. Urano c Neptuno, colhendo dados científicos e fotografias que transmitiu para a Terra. Nu imagem, o circulo interior representa a Temi. o segundo. Júpiter, o terceiro. Saturno e o ú/timo. Urano. O próximo planeta será Neptuno. res enviam instruções, via rádio, ao prato conveniente da DSN. Um potente transmissor remete depois essa mensagem à sonda espacial, que a capta por meio da sua antena parabólica. Para poderem receber com clareza as instruções da Terra, estas antenas das sondas são tão grandes que pode até dizer-se que algumas sondas são construídas sobre o dorso das antenas. Os pratos das Pioneers têm 2,70 m de diâmetro, c os das Voyagers, 3,70 m. O prato transmite o sinal a um computador a bordo da sonda, onde é descodificado. O computador dá então as instruções necessárias, que tanto podem ser ordens para que um jacto auxiliar comece a funcionar a fim de alterar o rumo

Saturno. Realçando as fotografias tiradas pela Voyager com cores falsas, os cientistas conseguem observar mais facilmente as faixas da atmosfera que rodeiam o planeta. A Voyager fotografou também a superfície coberta de gretas e crateras de Enceladus (à direita), uma das muitas luas de Saturno, de uma distância de 118 400 km. 172

OS GERADORES DE ENERGIA DAS "VOYAGERS" Cada sonda Voyager recebe a sua energia eléctrica de um gerador nuclear mi niatura formado por três cilindros metálicos, cada um com 43 cm de compri mento por 33 de largura, ligados pelas extremidades e contendo dióxido de plutónio, uma substância radioactiva O núcleo de cada cilindro é envolvi do por centenas de termopares -circuitos eléctricos em miniatura consistindo numa peça de silício e outra de germânio. Uma das extremidades de cada lermopar é aquecida pelo plutónio em desintegração; a outra aponta para o exterior, para o espaço frio. A diferença de temperatura entre as duas extremidades dos termopares origina a passagem de uma corrente eléctrica. Quando os electrões do silício são perturbados pelo aquecimento, os electrões livres deslocam-se em direcção ao gennânio, gerando uma corrente. Quando as duas sondas Voyager fo ram lançadas em lí)77, os cilindros produziam, em conjunto, 475 W de energia eléctrica. Mas com a desintegração do plutónio, esta energia diminui 7 W por ano.

M e r c ú r i o . Em 197:3. a Mariner 10 tirou uma sequência de mais de 200 fotografias de Mercúrio, que depois foram reunidas num mosaico para dar a imagem completo. EstQ fotografia revelou que a superfície do planeta, o menor do sistema solar, se assemelha à da Lua. o que sugere que os dois lenham aproximadamente a mes ma idade peio menos 4000 milhões de anos. da .sonda espacial c o m o para que a câmara inicie uma série de fotografias. A sonda t a m b é m envia sinais para a Ter ra. Alguns são simples "recados" que informam os controladores de que todos os sistemas da nave estão a funcionar correcta mente. Outros transportam dados científicos, tais c o m o fotografias do planeta. A sonda, c o n t u d o , possui urna quantidade limitada de energia para transmitir os seus sinais. Se está destinada a passar perto do Sol, estará equipada c o m painéis solares q u e c o n v e r t e m a energia solar em e l e c t r i c i d a d e . Mas u m a s o n d a c u j a rola seja m u i t o distante do Sol necessita de pequenos geradores nucleares (v. caixa).

A medida que a sonda espacial se afasta. O seu sinal vai-se tornando cada vez mais fraco. Nesta altura, a Voyager I está para a l é m do planeta Plutão, a cerca de 4800 milhões de q u i l ó m e t r o s da Terra Apesai das e n o r m e s d i m e n s õ e s d e u m a antena DSN, a energia total que ela consegue captar da Voyager é apenas de alguns milioné sirnos de m i l i o n é s i m o d a q u e l a q u e faz funcionar um relógio de pulso electrónico. Mas, ampliando os sinais, a antena conse gue que eles sejam recebidos corri nitidez no Jet Propulsion Laboratory. Outro problema nas comunicações c o m as sondas distantes é o tempo que os sinais de rádio emitidos da Terra demoram a atingi las. Quando a Voyager2 passou por Ura no em Janeiro de 1986, por exemplo, esta va a cerca de 4800 milhões de quilómetros de distância. Mesmo pro pagando -se a ve locidade da luz, os sinais de televisão da Voyager levaram duas tioras e meia a chegar à Terra, sendo preciso o mesmo tempo para um sinal ir da Terra ã sonda. Esta demora de cinco horas significa que Iodas as instruções tiveram que ser programadas meses antes do encontro c o m Urano, sen do depois transmitidas antecipadamente â Voyager, q u e as g u a r d o u nos seus dois c o m p u t a d o r e s . Q u a n d o a s o n d a passou então por Urano, os controladores da missão puderam apenas esperar e fazer figas. Felizmente, todos os sistemas funcionaram de acordo c o m o planeado, e a Vaya ger enviou para a Terra 700 fotografias pormenorizadas de Urano e dos seus satélites.

Jiipiler e as suas luas. Em 1979. a Voyager 2 fotografou o planeta Júpiter e algumas das suas luas. O pequeno disco sobre a superfície do planeia é Europa, e a gravura pequena (em baixo) mostra o satélite fo.

M a r t e . Em 1976. um pequeno módulo de aterragem destacado da Viking 1 recolheu porções do solo rochoso avermelhado de Marte e procurou nele vestígios de organis mos vivos. Nenhum foi encontrado.

IV:Í

Fotografias por satélite para prever as secas ou descobrir petróleo
Na década de 70, um grupo de cientistas americanos identificou 25 tipos de cultura em quase 9000 campos do Imperial Vallcv, da Califórnia, sem sequer se terem aproximado deste vate. O que tornou possível a identificação das culturas foram as fotografias tiradas por um satélite que passara sobre o vale à altitude de 920 km. Diversos satélites, entro eles os ria série americana Landsal e o francês SPOT. foram lançados com a única finalidade de fotografar a Terra. A fotografia à luz normal do .Sol é boa para determinados fins — por exemplo, para ajudar os cartógrafos a fazerem mapas mais rigorosos. Os primeiros LandSatS descobriram que as cartas rio Pacífico tinham marcadas certas pequenas ilhas com erros até 16 km das suas posições reais. Mas os cientistas conseguem obter muito mais informações quando tiram fotografias sob um largo espectro de comprimento de onda. O Landsal tira fotografias rio solo com sete comprimentos de onda diferentes. Três são visíveis: azul, verde e vermelho; os outros quatro são as ondas infravermelhas ou quase infravermelhas, invisíveis aos olhos humanos. Estas diferentes faixas de cor permitem aos cientistas distinguir entre diversos terrenos ou coberturas vegetais. Dentro de certa medida, é possível fazê-lo à vista desarmada: as folhas de uma conífera, por exemplo, têm um verde mais azulado que as de uma caducifólia. Mas esta comparação envolve apenas os comprimentos de onda azul e verde. Quando os cientistas do Landsal observam todas as faixas de cores, conseguem detectar uma "impressão digital" distinta para cada tipo de planta, que é mais vívida se se observar sob certos comprimentos de onda e mais escura se sob outros. Os contrastes entre os diferentes tipos de vegetação são mais destacados com raios infravermelhos rio que com as fre-

quências visíveis. As cores das fotografias são, por consequência, alteradas para que a radiação infravermelha, normalmente invisível, seja apresentada como uma cor visível. 0 esquema habitual é colorir de encarnado a imagem infravermelha, de verde a imagem normalmente vermelha e de azul a imagem verde. Uma vez colorida uma imagem com es tas cores falsas, a vegetação apresenta se vermelha, porque as Colhas das plantas são boas reflectoras dos infravermelhos. Os tons rio vermelho em cada campo ou piau tacão correspondem às diferentes formas por que as diversas plantas reflectem as radiações infravermelhas, o que permite aos cientistas identificarem com rigor as diversas espécies vegetais. Os satélites que utilizam a fotografia por infravermelhos ajudam também a identificar o grau de secura de uma região. A quantidade de água nas folhas de uma planta determina a quantidade de radiação infravermelha que a planta reflecte. Os cientistas podem assim verificar se as plantas sofrem de falta de água, permitindo aos lavradores controlar as regas e prever as secas. Também os geólogos utilizam as imagens do Landsal para prever onde pode-

Culturas de algodão codificadas por cores. A fim de se conhecer a distribuição dos campos de algodão no oaie de San .loa quin. ria Califórnia (em cima), em 1975. um satélite Landsal fotografou o vaie utilizando diferentes comprimentos de onda de luz. O vermelho representa o algodão, o amarelo, 0 açafrão-bústardo. o verde é reslol/io c 0 azul são terrenos de pousio. Floresta tropical em regressão. A imagem à direita, obtida pelo Landsal em 1981, regista a desflorestaçâo ocorrida na selva amazónica. A clareira (a azul) resulta da penetração progressiva das culturas.

£

ráo sor encontrados petróleo e minérios. Numa fotografia a cores reais, a cor das rochas descobertas pode dar uma indicação sobre a sua composição: as gredas e o calcário são brancos, os granitos são geralmente claros, os basaltos escuros. Mas, lai como a vegetação, os diferentes tipos de rocha têm "impressões digitais'* distintas quando observados sob a radiação infravermelha. Torna se assim possível identificar os tipos de rocha que contêm, por exemplo, manga nés ou crómio. As fotografias por satélite revelam falhas nas rochas, além de abóbadas e inclina ções nos estratos rochosos, que poderão não ser evidentes a observadores no solo. Fazendo mapas destas características, os geólogos podem concluir a localização provável de veios de minério ou jazidas de petróleo. Os geólogos soviéticos têm obtido inúmeras informações de câmaras instaladas nas suas estações espaciais tripuladas das séries Salyut e Mir. listas máquinas tiram seis fotografias simultâneas nas frequências visíveis e infravermelhas, e os resultados já conduziram à descoberta de novos campos gasíferos e petrolíferos. Os satélites futuros levarão mais longe estas possibilidades. Cientistas do laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, em Pasadena, Califórnia, têm aperfeiçoado instrumentos capazes de pesquisar o solo a muito mais numerosas frequências que as câmaras soviéticas em simultâneo. O espectrómetro gráfico aerotransportado mede 128 faixas na banda dos infravermelhos, e o seu sucessor abrangerá 224. Estes novos instrumentos serão capazes de distinguir plantas que tenham absorvido do solo elementos não habituais. Desta forma, estudos pormenorizados das plantas serão indispensáveis para os pesquisado res de minério.

Espião aéreo. Em U)84, um satélite americano tirou esta fotografia do Estaleiro de Nikolaiev, na URSS. onde estúOQ em construção o primeiro porta-aviões nuclear russo. O navio está em duas partes, vendo-se a proa e a popa, lado a lado. sol) o pórtico. das por satélites. Os geólogos e os econo mistas analisam fotografias tiradas do espaço que mostram as rochas c as culturas do solo. E os astrónomos observam as es trelas e galáxias distantes sem serem afectadas pela atmosfera terrestre. Mas como é que estas imagens chegam até nós? O processo mais vulgar da transmissão de fotografias a partir do espaço é utilizar as ondas de rádio e emitir as imagens para a Terra do mesmo modo que se faz com a televisão. A qualidade dos pormenores que conseguem distinguir se depende do espaçamento entre as linhas que formam a imagem: quanto mais linhas, mais por menores se obtêm. O satélite mais avançado do Mundo para pesquisas do solo, o SPOT francês, transmite G000 linhas por imagem. Isto significa que. numa imagem que abranja uma área de 100 km- tirada de 920 km de altitude, se conseguem ver objectos com 10 m. Numa fotografia de toda a cidade de Paris, por exemplo, conseguir-se-ia distinguir o Arco do Triunfo. Os peritos de informações militares pretendem geralmente distinguir pormenores ainda mais diminutos. Ao acompanharem uma guerra, precisam de fotografias detalhadas que lhes permitam conhecer o número de soldados num campo de bata lha ou identificar aviões ou navios. Os mais recentes "satélites-espiões" americanos, os da série KH 11, transmitem as suas fotografias por meio das técnicas de televisão. Mas as imagens televisivas não são tão nítidas como as registadas em filme de 16 mm ou de 35 mm. Quando se utilizam filmes ou películas, estes lêm de ser enviados fisicamente para a Terra. Se as fotogra fias são tiradas de uma nave espacial tripulada, os cosmonautas, ao regressarem, transportam os filmes consigo, o que é obviamente impossível no caso de naves não tripuladas. Por isso, os Americanos e os Russos — e mais recentemente os Chineses — já construíram satélites que devol vem automaticamente os filmes à Terra. Os satélites americanos Big Bird aperfeiçoaram esta técnica. O filme exposto é colocado numa de seis cápsulas de reentrada, que depois é ejectada e penetra na atmosfera terrestre. Quando cai, de páraquedas, a cápsula é recolhida, ou "laçada", por um laço de arame rebocado por um avião de transporte C-130 Hercules.

Como é que as fotografias por satélite chegam à Terra?
No espaço, câmaras fotográficas gigantes que orbitam a Terra conseguem distinguir no solo objectos com apenas 30 cm de diâmetro, listão instaladas em satélites do tamanho de um autocarro de 15 m de com primento e ocupam metade da sua área. Os comandos militares utilizam-nas como "espiões aéreos". Mas a fotografia por satélite tem outros fins. Todos os dias o boletim meteorológico da televisão nos mostra fotografias tira-

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Albert Einstein: "Deus náo joga aos dados com o Universo"
Em 2 de Agosto de 1939, o físico Albert Einstein enviou ao presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt, aquilo que chamou "uma carta de consciência". Alarmado com a ascensão da Alemanha nazi - e temendo que Hitler viesse em breve a possuir a bomba atómica —, Einstein renunciou ao pacifismo em que até aí vivera. "Certos aspectos da situação que agora se vive exigem que a Administração esteja atenta e, se necessário, tome acções imediatas", escreveu Einstein com um grupo de outros cientistas. "No decurso dos últimos quatro meses, criaram-se todas as condições ... para se conseguir provocar uma reacção nuclear em cadeia numa grande massa de urânio, o que geraria enormíssimas quanti dades de energia e novos elementos semelhantes ao rádio." Alertou para o facto de novas bombas "extremamente potentes" poderem em breve ser fabricadas pelos físicos aleEinstein em Berlim. Em 19/6, Einstein trabalhava na mães. "Uma única bomba desAcademia das Ciências de Berlim. Nesse ano sugeriu te tipo, transportada de barco e que a gravidade não era uma força directa, mas a consedeflagrada num porto, podia quência de uma curvatura do espaço. perfeitamente destruir a totalidade do porto e parte do território em reEinstein nasceu na cidade industrial de dor", afirmou. Ulm, na Alemanha, em 14 de Março de Ao receber a carta, Roosevelt criou ime1879. No ano seguinte, a família mudou-se diatamente uma Comissão Consultiva do para Munique, onde o pai e um tio abriram Urânio. Mas a decisão de se fabricar uma uma pequena oficina de mecânica e elecbomba atómica americana só foi tomada tricidade. O interesse de Albert pelo munem Dezembro de 1941, pouco depois do do da física despertou nele aos 4 anos, ataque japonês à base naval americana de quando estava doente na cama. O pai dera Pearl Harbor, no Havai, que lançou a Améri -lhe uma bússola para brincar, e ele sentica na II Guerra Mundial. Depois do seu aviso ra-se fascinado pelo facto de a agulha inicial, Einstein não tomou qualquer parte apontar sempre para o norte, por muito na criação da bomba, que foi ensaiada com que virasse a bússola. Tinha 6 anos quanêxito em Julho de 1945. No mês seguinte, do a mãe o iniciou na música, e tomou-se foram lançadas, com efeitos devastadores, mais tarde um violinista entusiástico, com bombas atómicas sobre as cidades japoneespecial atracção por Mozart. Era muito sas de Hiroshima e Nagasaki. Estes bom bom em matemática, e pelos 11 anos estu: bardeamentos obrigaram o Japão a render dava física ao nível universitário. Estudou se. Mas quando Einstein soube das mortes também latim, grego e francês, mas era e destruições maciças, ficou desesperado. surpreendentemente fraco nesta última disciplina — o que posteriormente deu Em 1905 — com 26 anos —, Einstein origem à lenda de que fora mau aluno. divulgou a fórmula, de aspecto tão simples, E=mc2 (em que E é a energia, m a massa e c a velocidade da luz), mostrando que uma pequena massa podia ser convertida numa enorme quantidade de energia. Entre outras consequências, levou à invenção da bomba atómica, facto que atormentou a consciência de Einstein durante os últimos 20 anos da sua vida. Em 1895 — aos 16 anos —, o seu mau francês fez com que reprovasse no exame de admissão ao afamado Instituto Técnico Federal de Zurique. Contudo, como a idade normal de admissão era aos 18 anos, foi aconselhado a continuar a estudar noutro local e tomar a candidatar-se dali a cerca de um ano. Munido de um diploma geral, ob-

Einsteln na velhice. Morreu aos 76 anos, e na velhice mostrou náo ter "respeito" pelas pessoas — especialmente por aquelas que O fotografavam nos seus dias de anos. teve então entrada automática no instituto, onde passou os quatro anos seguintes estudando matemática e física. Após um curto período como professor de Matemática em Zurique, tornou-se cidadão suíço e, em 1902, (oi admitido pelo Departamento de Patentes Suíço, em Berna, como "técnico estagiário de terceira". Em 1905, enquanto ali trabalhava, publicou quatro importantes estudos - incluindo a primeira parte da sua revolucionária teoria da relatividade, a teoria restrita (v. caixa). Deduziu também matematicamente que massa e energia são intermutáveis, ex p r i m i n d o esta noção na sua fórmula E=mc2. Além de abrir o caminho para a bomba atómica, esta teoria revelou o segredo do Sol. Ambos os processos consistem em reacções nucleares, nas quais quantidades diminutas de massa nuclear são libertadas sob a forma de luz e calor (energia). Em 1909, Einstein demitiu se do Departamento de Patentes e passou ai guns anos ensinando Física Teórica nas Universidades de Berna, Zurique e Praga e, finalmente, em 1914, na de Berlim. Dois anos depois, a meio da I Guerra Mundial, publicou a segunda parte da sua teoria da relatividade - a teoria geral. Em 1921, Einstein foi galardoado com o Prémio Nobel da Física - devido aos seus trabalhos sobre o efeito fotoeléctrico, que demonstrou que a luz não se propaga num fluxo contínuo, mas em "corpúsculos ondulatórios" denominados fotões. A sua teoria da relatividade tinha-se revelado demasiado controversa para a comissão do Prémio Nobel, e ele decidiu divulgar os seus trabalhos. Passou os anos seguintes viajando pelo Mundo, "a assobiar a minha música da relatividade". Andou nas parangonas dos jornais ao afirmar: "Deus náo joga aos dados com o Universo" — manei-

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ra curiosa de dizer que o Universo tem padrões, a questão é descobri-los. Em 1933, enquanto Einstein se encontrava nos Estados Unidos, Hitler subiu ao poder na Alemanha. O Fúhrer não podia acreditar que "um mero judeu" pudesse ter elaborado a teoria da relatividade. Afirmou ate que Einstein roubara a ideia de uns papéis encontrados no cadáver de um oficial alemão morto na I Guerra Mundial. Os nazis também detestavam Einstein de-

vido ao seu muito apregoado apoio ao sionismo, movimento que procurava instaurar na Palestina um estado judaico de governo independente. Na ausência de Einstein, tropas de assalto queimaram-lhe os livros, pilharam a sua casa à beira do rio, perto de Berlim (onde se dedicava a andar de barco à vela), e confiscaram-lhe a conta bancária e o conteúdo do cofre da sua mulher, Elsa. Mas no final desse ano, Einstein decidiu

fixar-se nos EUA Tomou-se cidadão americano em 1941, e 11 anos depois recusou a presidência de Israel, afirmando ser "muito ingénuo" para político. Morreu em Princeton, Nova Jérsia, em Abril de 1955, e até ao fim da vida abominou o terrível meio de aniquilação que os físicos nucleares tinham posto à solta no Mundo. "Se tivesse sabido que as minhas teorias levariam a tais destruições", afirmou uma vez, "antes queria ter sido um fabricante de relógios."

OS PARADOXOS EINSTEINIANOS DO TEMPO E DO Na sua teoria restrita da relatividade, uma minúscula fracção — o tempo pasEinstein afirmou que todo o movimento sara mais devagar a bordo do satélite. do Universo é relativo, pois que, no vazio A fórmula de Einstein E = me2 signido espaço, nada existe em referência fica que a massa de um objecto pode ao qual ele possa ser medido. Afirmou efectivamente ser. convertida em energia. igualmente que a velocidade da luz Chegou a esta fórmula partindo da afir— cerca de 300 000 km/s — é constante mação de que a massa de um objecto em relação a um observador, qualquer aumenta com a velocidade - seguindoque seja o movimento deste. Queria com -se daí que a sua energia tem igualmente isto significar que a luz emanada de uma de aumentar, pois um objecto mais pesa estrela situada à frente da Terra é recebida do contém mais energia que um outro nesta ao mesmo tempo que a de uma mais leve viajando à mesma velocidade. outra estrela situada atrás da Terra, ainda A energia adicional é igual ao aumento da que esta se aproxime de uma estrela e se massa rrfultiplicado pelo quadrado da veafaste da outra a 29 000 km/h. locidade da luz. Concluiu que a velocidade da luz é a Na sua teoria geral, Einstein afirmou única propriedade física constante no que um raio de luz seria deflectido pela Universo; as outras propriedades físicas gravidade ao passar por uma estrela. O devem ser diferentes para pessoas que campo gravitacional da estrela forçaria viajem em diferentes direcções e a velocio raio de luz a curvar-se para "dentro" — dades diferentes. e, em certo sentido, curvaria o próprio espaço. Por isso, a distância mais Calculou que o tempo passaria mais lentamente numa nave espacial viajando a uma velocidade aproximada da da luz do que para uma pessoa que se mantivesse estacionária em relação à nave. Esta também pareceria mais curta vista pelo observador estacionário, e a sua massa aumentaria. À velocidade da luz, a sua massa seria infinita, pelo que nenhum objecto pode atingir essa velocidade, pois, para o fazer, necessitaria de uma força infinita A teoria restrita conduz ao "paradoxo dos gémeos". Se urn dos gémeos viaja no espaço a uma velocidade aproximada da da luz, não se sentirá diferente do outro gémeo que ficou na Terra. Contudo, o tempo a bordo da sua nave poderá passar, por exemplo, duas vezes mais lentamente do que na Terra. Por isso, se o astronauta estiver longe da Terra durante, digamos, 10 anos, quando regressar será apenas cinco anos mais velho — enquanto o seu gémeo terá envelhecido 10 anos.

ESPAÇO curta entre dois pontos seria uma linha curva Em 1919, a sua teoria foi comprovada por uma equipa de astrónomos britânicos que fotografaram um eclipse total do Sol — altura em que é possível fotografar estrelas perto do Sol. As fotografias foram comparadas com outras das mesmas estrelas quando o Sol não se encontrava perto delas. As posições diferentes das es trelas nas duas fotografias mostraram que a luz emitida por elas fora deflectida pelo Sol segundo o ângulo previsto por Einstein. Notas de uma palestra. Estes cálculos foram feitos por Einstein num quadro preto durante uma palestra na Universidade de Oxford, quando, em 1931, o físico ali esteve como professor visitante. Dois anos depois, quando Hitler se tornou chanceler, trocou a Alemanha pelos EUA

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A teoria do tempo de Einstein foi comprovada em Julho de 1977, quando se colocaram num satélite americano e se puseram em órbita relógios atómicos extremamente precisos. No regresso, os reló gios foram comparados com outro relógio semelhante e verificou-se que os relógios do satélite se tinham atrasado

177

Uma fita métrica sobre o Universo

Uma vista de olhos sobre o imenso vazio. .4 galáxia de Andrómeda pode ser vista a olho nu como uma ténue mancha no céu, apesar de distar de nos 22 milhões de anos-luz. Estu distância representa cerca de um vigésimo milésimo do diâmetro do unioerso risível. 178

Um observador no hemisfério norte que
olhe para o céu numa noite dos últimos meses do ano conseguirá distinguir uma ténue mancha de luz na constelação de Andrómeda. Esta mancha é, na realidade. um aglomerado de estrelas, a galáxia de Andrómeda o mais distante objecto que se consegue ver a olho nu: a sua luz demora 2.2 milhões do anos a chegar até nós. Os cientistas exprimem as distâncias no espaço com base no que de mais rápido existe no Universo a lux Um raio de luz propaga se a 94ri0 biliões de quilómetros num ano. Por isso. podemos definir as distancias referenciando as ao tempo que a luz de unia estrela ou de outro corpo ceies te leva a chegar à Torra. Estas distâncias são expressas em anos luz. A Lua A Lua ó o objecto do Universo mais pró ximo da Terra, à distância média de 384 -100 km, Esta distância varia ligeira mente, porque a sua órbita é elíptica. Quando os astronautas da missão Apollo visitaram a Lua. entre 1969 c 1972. deixa ram no planeia pequenos "retrorreílcctores", semelhantes aos que existem na par te traseira de um automóvel. Os astróno mos, na Terra, dirigem a estes relrorreíloctores um potente feixe do raios laser, e cerca de dois segundos e meio depois os seus telescópios captam um ligeiro clarão quando o feixe regressa â Terra. Multipli cam então o tempo de ida o volta do raio pela velocidade da luz e dividem o resultado por dois para achar a distância da Terra à Lua. As medições desta distância têm uma margem de erro de apenas alguns centímetros. Verificando as constante mente, os cientistas descobriram que a Lua está agora cerca de 30 cm mais distan te da Terra do que quando os astronautas da Apollo a visitaram A Lua e a Torra estão a afastar se porque a fricção entro o fundo dos oceanos e a água que se acumula com as marés está a afrouxar gradualmente a rotação da Terra, fazendo a perder energia, e a acumulação de água das marés oceânicas puxa a Lua para diante na sua órbita, fazendo-a ga nhar energia. Por isso, a Lua está gradualmente a afastar-se da Terra, descrevendo uma órbita alargada. Os planetas No caso dos planetas do sistema solar, os astrónomos não possuem reflectores que lhes devolvam os raios de luz, pelo que empregam o radar. Antes de este existir, utilizavam a velocidade da luz e o método da paralaxe para calcular as distâncias aos planetas. Hoje, contudo, emitem ondas rádio em direcção ao planeta e aguardam que o sou eco débil regresse à fonte depois de reflectidas as ondas pela superfície rochosa do planeta. As ondas de rádio propa gam-se à velocidade da luz. pelo que o

cálculo é idêntico ao efectuado com a medição da distância â Lua. Os radioastrónomos conseguiram reflexos de radar de todos os planetas rochosos Mercúrio, Vénus e Marte -, mas não podem receber um oco de radar de Saturno ou de Júpiter, pois estes são formados por gases, que não reflectem o radar.

DF/TERMINAÇÃO DF. DISTAMCIAS PF.I.A PARALAXE

O Sol
O radar também não pode sor utilizado para se calcular a distância ao Sol. porque este não é sólido. Assim, os astrónomos baseiam os seus cálculos na lei do movi mento planetário a terceira lei exposta pelo astrónomo Kopler em 1618. Diz essa lei que o quadrado do tempo da revolução orbital de um planeta em torno do Sol é directamente proporcional ao cubo da respectiva distância média ao Sol. Utilizando esta loi, os astrónomos puderam computar a distância media da Ter ra ao S o l , que se sabe hoje ser de 149 597 870 km. A distância Terra-Sol é definida como uma unidade a que se chamou unidade astronómica, ou LIA. Os astrónomos utilizam esta unidade na deter minaçáo das distâncias dos outros planetas ao Sol. Para o fazerem, têm primeiro que conhecer a distância da Terra ao planeta, para o que utilizam o método da pa ralaxe ou o radar. Por meio do radar, c possível saber que a distância de Vénus à Terra quando os dois se encontram mais próximos entre si é de 42 milhões de quilómetros. Mas os astro nomos sabem lambem que Vénus demo ra 224,7 dias (0.615 do ano) a completar uma revolução em forno do Sol. Então, segundo a lei de Keplcr, a distância de Vénus ao Sol é do 0,72 UA (pois que 0,615 de um ano é igual ao cubo do 0,72 UA).

As estrelas próximas
As estrelas situam-se a distâncias milhões do vozes superiores à do Sol, por isso os asfrónomos utilizam técnicas diferentes para as calcular. A mais importante é o método da paralaxe, que envolve a medição do ângulo entre duas direcções do posi ções aparentes do uma estrela e o seu relacionamento com a órbita da Terra. Para o compreender, levante um dedo em frente da cara. feche um olho e marque a posição do dedo cru relação a um fundo. Agora, abra esse olho o feche o outro: o dedo pároco ter-se movido, e tanto mais quanto mais perto estiver da cara. Em astronomia, o dedo é a estrela mais próxima, cuja distância está a ser medida. Os astrónomos registam a sua posição, ob servada de dois pontos diferentes da órbita terrestre, em relação a estrelas muito longfnquas. Medindo o ângulo do movimen to aparente da estrela entre estas duas posições, chamado o ângulo de paralaxe, e conhecendo o diâmetro da órbita da Terra, os asfrónomos calculam a distância.

Como os astrónomos não podem utilizar o radar pura calcular a distância de uma estre la. sen em se do método du paralaxe. Ti ram-se fotografias do céu, sempre do mes mo loculdu Terra, durante lodo O ano. Estas mostram que certas estrelas se mantém "li xas" enquanto outras parecem "mooer-se". As que aparentam movimento risível estão mais próximas da Terra do que as outras. Para acharem a distância de ama estrela que se "move", os astrónomos examinam duas fotografias tiradas do mesmo observa tório com o intervalo de seis meses (A). Utilizando como linha de base o diâmetro da órbitu terrestre (li), tracam-se duas linhas entre a estrela e os extremos desta linha de base (C). A intersecção das duas linhas é o vértice do ângulo do movimento aparente (D), que é medido em segundos de arco Conhecendo o diâmetro da órbita da Terra e a medida do ângulo do movimento, os as trónomos podem calcular a distunaa à estrela recorrendo à trigonometria

O ângulo do paralaxe é medido em segundos de arco. Um segundo de arco é 1/3600 de um grau no firmamento, ou cerca de 1/2000 do diâmetro da Lua. A distância a uma estrela, em anos-luz. é 3,20 dividido pelo sou ângulo de paralaxe. O resultado é-nos dado em parsecs. unidade do distância que corresponde à paralaxe de um segundo de arco, ou 3,20 anos luz. Usando este método, os astrónomos en contraram já as distâncias de centenas das estrelas mais próximas. A estrela mais perto do Sol, por exemplo, é uma estrela pouco luminosa chamada Próxima Centauri, que fica a 4,22 anos luz, ou 1,2 parsecs. A

179

QUAL O TAMANHO DO UNIVERSO? Muitos astrónomos pensam que ele é ilimitado, pelo que o seu tamanho real não pode ser medido. Mas é possível calcular a distância entre os objectos mais afastados que se conhecem em todas as direcções — por outras palavras, medir o diâmetro do universo observável. A luz das galáxias mais distantes levou 15 a 20 milhões de milhões de anos para chegar à Terra. Por isso, o diâmetro do Universo, até onde podemos observar, é de 40 milhões de milhões anos-luz, ou 385 milhões de milhões de triliões de quilómetros.

maior é o seu brilho. Uma estrela com a temperatura de 10 000"C, por exemplo, é 40 vezes mais brilhante que o Sol (cuja temperatura é de 5500''O. Assim, se se en contrai uma estrela com 10 000"C, mas muito pouco brilhante, ela deverá estar a uma distância muito grande. Antes de utilizarem este método relativamente simples, os astrónomos têm de conhecer a relação entre o brilho e a temperatura e a distância à Terra. É por isso que, primeiramente, utilizam métodos como o da paralaxe, no caso de estrelas próximas. Depois de medirem o brilho dessas estrelas, podem então servir-se dos dados que já conhecem para apurar o brilho relativo de estrelas mais dis tantes. A medição do brilho das estrelas permite aos astrónomos medir a distância a qualquer estrela da Via Láctea, algumas delas a 100 000 anos-luz da Terra. Galáxias próximas Há um tipo de estrelas que funciona como padrão de medição das distâncias a que se encontram as galáxias mais próximas: são as chamadas "variáveis cefeides", cujo brilho se altera de modo regular. Os astrónomos medem o tempo que uma cefeide leva na pulsação, do brilho máximo ao brilho mínimo e o regresso ao máximo. Kste intervalo denomina-se o período. As cefeides mais brilhantes pulsam mais lentamente que as de menor brilho, pelo que, uma vez determinado o período de uma cefeide, pode deduzir se a sua luminosidade. Se uma cefeide tem, por exemplo, um período de duas semanas, os astrónomos poderão dizer que ela é 4000 vezes mais brilhante que o Sol. Estudando o aparente brilho ténue de cefeides em galáxias distantes, eles podem determinar a distância a que estas se encontram. Os limites do Universo Na década de 20, o astrónomo americano Hubble fez uma espantosa descoberta acerca das galáxias: elas afastam-se iodas da Terra a velocidades que dependem das respectivas distâncias — quanto mais distantes, mais rapidamente se afastam. É a chamada lei de Hubble, e o fenómeno dá-se porque o Universo está em expansão, o que significa que todas as galáxias se afastam rapidamente umas das outras. E possível medir a velocidade de uma galáxia observando o seu espectro de luz e verificando a alteração do comprimento de onda das riscas espectrais de acordo com o efeito de Doppler. A lei de Hubble permite aos astrónomos calcular a distância com base na velocidade. Assim, se uma galáxia distante se afasta, digamos, a 3,2 milhões de quilómetros por hora, multiplicando a constante de Hubble (12,5, se tra balharmos em quilómetros/hora anos-luz) pela velocidade da galáxia, eles podem calcular que ela se encontra a 40 milhões de anos-luz.

Espelho gigante para explorar os céus
Para obter uma imagem bem focada de urna estrela ou de um planeta, os espelhos dos telescópios têm de ter a forma correcta e manté-la. Um dos grandes problemas a enfrentar é a variação de temperatura durante a noite. Todos os materiais

estrela mais brilhante do céu, Silius, está a 8,6 anos-luz de distância, ou 2,64 parsecs. Estrelas distantes Para estrelas situadas a distâncias superio res a 300 anos-luz, os astrónomos precisam de técnicas diferentes. Uma delas im plica conhecer a direcção em que a estrela está a deslocar-se e a que velocidade. Para se determinar a direcção, é muito mais fácil trabalhar-.se com um aglomc rado de estrelas do que com uma estrela só. Muitas estrelas pertencem a aglomerados, ou "cúmulos estelares", formados por milhares de estrelas movendo se no espaço. A perspectiva faz com que as es trelas de cada aglomerado pareçam convergir. O ângulo de convergência das suas trajectórias aparentes traduz a direcção em que os aglomerados se movem no espaço — em direcção à Terra, afastando se da Terra, a um ângulo de 45", e assim por diante. A velocidade de uma estrela deduz-se da sua luz. O movimento da estrela, aproximando-a ou afastando a da Terra, altera os comprimentos da onda da luz que aquela emite — a luz torna se mais azul se a estrela se aproxima, mais vermelha se ela se afasta —, o chamado efeito de Doppler. Combinando o ritmo da alteração no espectro da estrela com a direcção de des locação do aglomerado, os astrónomos podem calcular a sua velocidade real atra vés do espaço e portanto calcular a distância da Terra ao aglomerado. As estrelas mais longínquas Para calcular a distância a estrelas ainda mais longínquas, os astrónomos servem -se de elementos como a temperatura e o brilho. A medição da temperatura de uma estrela é muito fácil: uma estrela azulada é quente, com cerca de 20 000nC; uma estre la branca ou amarela tem uma temperatura média; as estrelas alaranjadas ou verme lhas são "frias" - cerca de 3000"C. Quanto mais quente é uma estrela, 180

comummente utilizados, incluindo o vi dro vulgar, expandem-se ou contraem-se com as variações da temperatura Como a espessura do espelho de um telescópio é menor no centro, esta zona arrefece mais depressa e contrai-se mais do que a coroa exterior, o que distorce a forma do espelho e a imagem que elo reflecte. Até há pouco tempo, os espelhos dos telescópios eram feitos de vidro vulgar. Mas os astrónomos pediam espelhos cada vez maiores, o que significava maior grau de distorção. Com a invenção do vidro pyrex, que se expande e contrai apenas um terço do vidro vulgar, lornou-se possí-

vel construir, em 1948. o maior telescópio de então — o do monte Paloma/, no Sul da Califórnia, com um espelho de 5 m feito de

pyrex.
Actualmente, na maioria, os espelhos de telescópio são fabricados com uma mistura de vidro e cerâmica que quase náo se expande. A superfície é revestida por uma camada de alumínio reflector. Par.', fazer um vulgar espelho de telescópio, o fabricante funde a matéria -prima de vidro o cerâmica num molde circular ligeiramente côncavo, de diâmetro adequado ao telescópio, Depois, a peça-base do es pelho é arrefecida com extrema lentidão

ao longo de semanas, o que assegura a não-criaçáo de tensões que mais tarde iriam distorcer o espelho. A peça é depois afeiçoada até ã sua forma final, num processo controlado por computador, para que a curvatura parabólica seja a correcta. Para lazer o espelho, a superfície da Um olho sobre o Universo. 0 telescópio Wiltiam Herschel, em La Palma, nas ilhas Canárias, é um dos maiores do Mundo Com o seu espelho de -12 m. seria capaz de detectar u chama de uma vela a 160 000 km de distância ou quasares a milhões de anos luz.

peça-base é então revestida pela camada reflectora: coloca-se numa câmara de vácuo, onde fio de alumínio e vaporizado por calor, o o metal condensa se em tina camada sobre a lace da peça-base. Estas técnicas de fabrico têm resultado, mas os engenheiros estão agora a projectar ( i construção de telescópios muito maiores, cujos espelhos seriam extrema mente pesados se produzidos ã maneira tradicional. Também o resto do telescópio teria de ser proporcionalmente maior, dificultando a respectiva mecânica e encare cendo todo o projecto. Por exemplo, um espelho de 8 m para um telescópio de concepção idêntica ao do monte Palomar (que mede 5 m) pesaria quatro vezes mais. Uma oficina do Tucson, no Arizona. EUA. criou um forno rotativo tendo em mente espelhos grandes mas leves. Antes de se deitarem os pedaços de vidro, colocam se dentro do molde blocos hexagonais de cimento. Quando o vidro funde, escorre por entre os blocos, formando uma rede de paredes finas muito semelhantes ã estrutura de cera dos favos das colmeias. A estrutura de vidro resultante compôe-se de 'células" hexagonais tapadas em cima e em baixo por uma placa de vidro. A placa inferior é perfurada para que, quando todo o conjunto tiver arrefecido, se possa varrer o cimento quebradiço (o "mel") com jactos de água. deixando um conjunto de favos de vidro vazio. Este espelho em favo tem apenas um quarto do peso de um espelho maciço da mesma dimensão. Mas como pode uma estrutura em favo ser esmerilada para se tornar curva? Não 0 é: se fizermos girar rapidamente um balde de líquido segundo um eixo vertical, o líquido é empurrado para a periferia e sobe pela parede do balde. Em resultado disso, a superfície torna-se côncava. Telescópios de espelhos múltiplos Os astrónomos que estão a construir o telescópio Keck, de 10 m, a ser colocado numa montanha do Havai, pensam que será demasiado difícil construir um único espelho com esse diâmetro. Assim, estão a construir uma grande superfície reflectora constituída por 36 espelhos hexagonais mais pequenos, que se juntarão entre si como ladrilhos para formarem a superfície. Para que esta mantenha a sua forma correcta, os construtores montam entre os espelhos 168 sensores que informam sempre que os lados adjacentes de dois espelhos se desalinham — quando o telescó pio é inclinado, por exemplo. \ow computadores verificam os sinais emitidos pe los sensores c enviam instruções a 108 parafusos de precisão ligados â face posterior dos segmentos. Os parafusos rociam em resposta às ordens recebidas, realinhando a sequência dos espelhos. Os astrónomos europeus empenhados na construção do maior telescópio do

PORQUE OS TELESCÓPIOS USAM ESPELHOS EM VEZ DE LENTES
No século xvii, o físico inglês Sir Isaac Newton apercebeu-se de que o tradicio nal telescópio de refracção, que utilizava lentes de vidro para focar a luz das estrelas, trazia certos problemas. Com efeito, as lentes produziam franjas de cores falsas em torno das estrelas. Este fenómeno ocorre porque, quando um feixe de luz é desviado ao atravessar o vidro, as respectivas ondas, porque têm diferentes comprimentos, são desviadas segundo ângulos diferentes. A luz azul, por exemplo, que tem ondas cur tas. é desviada (ou retractada) em ângulo mais agudo que a luz vermelha, com maior comprimento de onda. Assim, Newton desenhou um telescópio de reflexão que captava e focava a luz por meio de dois espelhos (feitos de uma liga de estanho e cobre conhecida por metal speculum). A face dos espe lhos que recebia a luz era côncava como um espelho da barba, e por isso fixava a luz como uma lente. Os telescópios modernos utilizam também espelhos para captar a luz. embora em tamanho já nada tenham a ver com o de Newton, que media 2,5 cm de diâmetro.

Mundo, o Véry l.arge Telescope (Telescó pio Muito Grande), atacam o problema de outra maneira: o telescópio - destinado ao projecto do Observatório Astral Euro peu (ESO), organização a que Portugal acaba de aderir (1990) - situar-seá em La Silla, no Chile, para obter as melhores imagens do céu meridional e será formado por quatro telescópios adjacentes, cada um

dos quais com um espelho de 8 m de diâmetro. Pequenos espelhos farão convergir a luz dos quatro telescópios sobre o mesmo foco, trabalhando assim em conjunto

como uma única óptica, equivalente a um
telescópio de 16 m de diâmetro. Quando estiver completado, o Very Large Telescope será 10 vezes mais potente que o mais potente dos telescópios actuais.

Como se contam as estrelas?
Olhe para o céu numa noite límpida, e a sensação que tem é de que vê milhões de estrelas. Na verdade, o que os nossos olhos nos mostram não são mais que cerca de 6000. Hoje. tirando fotografias com gran des telescópios, os astrónomos conseguem contar milhões de estrelas. Mas os astrónomos não se limitam a contá-las - pretendem saber exactamente qual a posição de cada estrela no céu para poder regista la num catálogo de estrelas. Ainda antes da invenção do telescópio, por volta de 1(360, já os astrónomos tinham registado as posições de todas as estrelas visíveis, servindo se de simples miras, como as de uma espingarda. Um telescópio não só amplia cada objecto que vemos no céu. como capta mais luz do que a vista desarmada; assim, além de mostrar muito mais estrelas, permitelistas. Mas, em vez de as contarem olhando por um telescópio, os astrónomos tiram fotografias através do telescópio e observam as posições das estrelas nas chapai fotográficas. Cada fotografia apresenta mais de 1 milhão de imagens, e um astro nomo levaria meses a registar a posição das estrelas de uma só dessas fotografias. Neste caso, os lasers e os computadores são auxiliares preciosos para acelerar consideravelmente o processo. O astrónomo inglês Edward Kibblewhite construiu om Cambridge uni sistema fotográfico de registo automático que "lê'" uma lotografia em uma hora. 0 aparelho de Kibblewhite foca um feixe de raios laser de hélio-néon sobre a chapa fotográfica, estreitando o feixe até um círculo muito diminuto que varre toda a chapa. Como a chapa é um negativo fotográfico, as estrelas aparecem como pontos negros contra um fundo claro. Quando 0 raio laser passa pela imagem escura de uma

nos ver estrelas muito menos brilhantes,
Na década de 1860, e com o auxilio de um telescópio com uma lente de 7,"> cm, 0 astrónomo prussiano Friedrich Argelan der registou a posição das estrelas que conseguia observar de Bona. A sua lista continha 458 000 estrelas. Astrónomos argentinos registaram as estrelas demasiado a sul para poderem ser vistas da Alemanha e quase triplicaram a lista para 1 072 000 es trelas. Os maiores telescópios actuais eonse guem revelar 1000 estrelas menos brilhantes por cada uma das registadas naquelas

estrela, a sua luminosidade diminui. 0
computador vai registando estas mudanças de luminosidade do lasei e tomando nota da posição exacta de cada estrela, bem como do respectivo brilho. Todas estas in formações são registadas em fita magnética. Nos meados da década de 90, quando a máquina tiver analisado as fotografias de todo o céu, a informação acumulada referir se á a mais de 1000 milhões de estrelas.

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Como acabará o Universo?
Há 15 000 milhões de anos, o Universo começou subitamente a sua existência por meio de urna tremenda explosão — o Big Bang. Os gases que se expandiram do centro da explosão acabaram por transformar-se em galáxias, estrelas e planetas, incluindo a estrela Sol e o planeta Terra. Mas como se pode calcular quando tudo se deu? Nos anos 20, o astrónomo americano Edwin Hubble descobriu que as galáxias se afastam umas das outras e que as mais distantes se deslocam a velocidades maiores que as mais próximas, como se constituíssem os estilhaços de uma explosão cósmica gigante. Dividindo as distâncias a que se encontravam pelas respectivas velocidades, Hubble pôde calcular quando teve lugar esta explosão. A resposta (segundo as mais recentes e rigorosas observações) é: há 15 000 milhões de anos. Para confirmarem este resultado, os astrónomos têm medido as idades dos cúmulos estelares. As estrelas mudam de cor e dimensão à medida que envelhecem, transformando-se em gigantes vermelhas, depois em anãs brancas. Estrelas de diferentes massas evoluem a ritmos diferentes, por isso, mesmo que todas as estrelas de um mesmo cúmulo (aglomerado) tenham nascido ao mesmo tempo, algumas "envelheceram" mais rapidamente que outras. Dentro de cada cúmulo, os astrónomos procuram as estrelas vulgares mais volumosas que estejam prestes a transformar-se em gigantes vermelhas. Sabem, em teoria, o tempo que uma estrela vive antes dessa transformação: o Sol, por exemplo, viverá 10 000 milhões de anos, ao passo que uma estrela de uma massa 20 vezes maior se transformará numa gigante vermelha daqui a apenas 20 milhões de anos. Pelas massas das estrelas que estão prestes a transformar-se em gigantes vermelhas, os astrónomos calculam a idade de todo o cúmulo. Alguns cúmulos estelares são bastante jovens à escala cósmica - cerca de 70 milhões de anos. (O Sol, em comparação, tem 5000 milhões de anos.) Muitos são muito mais velhos, em particular os cúmulos globulares. Este tipo de aglomerado é como que um enxame gigante de cerca de 1 milhão de estrelas. Os astrónomos descobriram que as estrelas que compõem estes cúmulos são muito antigas - 12 000 a 14 000 milhões de anos. Koram talvez as primeiras estrelas a formar-se a partir dos gases do Big Bang, o que sugere que este tenha ocorrido há 15 000 milhões de anos Há ainda um elemento de prova, muito persuasivo, de que existiu um Big Bang,

mas que, no entanto, não nos revela quando ocorreu. Os radiotelescópios captam um ligeiro ruído de fundo em todo o Universo. A explicação mais provável é que se deva a ondas electromagnéticas emanadas dos gases quentes do Big Bang e que ainda hoje pulsam através do Universo. Conquanto os astrónomos estejam de acordo no que se refere ao nascimento do Universo, não o estão quanto à forma como ele acabará. Há duas possibilidades. A energia do Big Bang pode ser suficiente para manter as galáxias indefinidamente em movimento. As estrelas de cada galáxia chegarão ao fim das respectivas vidas sob a forma de buracos negros ou objectos sóli dos e escuros chamados anãs negras, ou estrelas de neutrões. Num futuro de 1 milhão de milhões de anos, o Universo acabará por morrer simplesmente. Por outro lado, a força da gravidade entre as galáxias poderá afrouxar o ímpeto do Bing Bang e começar novamente a fazer aproximar entre si as galáxias. O Universo começará então a contrair-se. Esta teoria é, de momento, menos aceite, mas alguns astrónomos calculam as suas consequências se ela for verdadeira. Dentro de cerca de 100 000 milhões de anos, as galáxias chocarão entre si e esmagar-se-ão conjuntamente num ponto, num fenómeno a que dão o nome de Big Crunch. O que acontecerá a seguir é menos certo. A matéria concentrada poderá explodir novamente como um Big Bang, produzindo o nascimento de outro universo.

visão da teoria de Einstein - que o Universo não tem limites. A teoria afirma, na realidade, que existem duas possibilidades para o Universo. Uma é a de que ele se encurva em redor de si próprio, como a superfície de um planeta: embora não tenha limites, é finito. Um viajante espacial que partisse numa determinada direcção e nunca alte rasse o seu rumo regressaria ao ponto de partida É um universo "fechado". A outra teoria é a de o Universo ser infini to, O espaço prolongar-se infinitamente em todas as direcções. Neste Universo "aber to", por muito longe que viajássemos, encontraríamos sempre novas regiões. Qual das duas hipóteses é a correcta depende da quantidade de matéria que compõe o Universo Se existir matéria suficiente, a sua gravidade fará encurvar o espaço, e o Universo será fechado. Neste caso, a gravidade será suficientemente forte para, finalmente, fazer parar a expansão do Universo e aproximar entre si as galáxias no Big Crunch. Os cálculos mais recentes sobre a quantidade de matéria indicam que esta não é suficiente para "fechar" o Universo. Assim, este será, provavelmente, de dimensões infinitas, sem limite, e continuará para sempre a expandir-se.

«Vendo» o invisível buraco negro
Quando uma estrela morre, pode deixar atrás de si o objecto mais escuro e mais destrutivo do Universo — um buraco negro. Este não emite luz nem qualquer outra radiação, pelo cjue não pode ser observado por qualquer espécie de telescópio. O buraco negro são os restos colapsados de uma estrela velha. Uma parle da matéria que anteriormente constituía a estrela comprime-se pela sua própria gravidade até um volume ínfimo, inferior ao do núcleo de um simples átomo e denominado uma singularidade. Devido à sua enorme compressão, a gravidade desta matéria é imensamente forte. Na zona que circunda imediatamente a singularidade, a gravidade é absolutamente irresistível. Esta zona, com o diâmetro de alguns quilómetros, constitui o buraco negro. Desde que um objecto se aproxime de um buraco negro, ele será inexoravelmente puxado para o seu interior e esmagado na singularidade. Se os buracos negros não podem ser vistos, corno sabemos que existem? Um dos processos apoia-se na detecção dos seus efeitos sobre as estrelas próximas. Na sua maioria, as estrelas possuem uma compa nheira (o Sol faz parte da minoria) e as duas estrelas giram em torno uma da outra Se 183

Em busca dos limites do Universo
Os astrónomos europeus estão empenhados na construção de um telescópio 10 vezes mais potente que qualquer dos existentes: o Very Large Telescope. Esperam, por meio dele, ver mais do Universo do que jamais foi visto, mas, mesmo assim, ninguém espera ver os limites do Universo. Os estudos modernos sobre o Universo baseiam-se na teoria geral da relatividade. de Einstein. Esta teoria diz que a matéria possui um campo gravitacional que distorce o espaço c o tempo — o espaço encurva-se e o tempo passa mais depressa ou mais devagar. Além disso, a gravidade da matéria deflecte a luz. Ao testarem os efeitos da teoria geral, os cientistas verificaram que ela explica o movimento rios planetas em volta do Sol e das estrelas girando em tomo de outras estrelas. Aceitando que a teoria possa ser aplica da ao Universo como um todo, os cosmólogos aceitam igualmente uma última pre-

O coraçãozinho negro. Na constelação da Virgem encontra-se u radioguluxiu M-87. As estrelas que circundam o centro da galáxia estão tão juntas e deslocam se tão rapidamente em direcção ao centro que se pensa que ali exista um buraco negro O jacto azul emitido do centro negro da galáxia é um feixe de electrões resultante da energia produzitla pelo buraco negro. As cores desta fotografia indicam a crescente acumulação de estrelas da periferia para o centro. uma delas morro e colapsa, o buraco negro que dela resulta e a estrela companheira continuam a girar em torno um do outro. À medida que a companheira envelhe ce, aumenta de volume para se tornar uma estrela gigante ou supergigante, centenas de vezes maior que 0 Sol. As regiões exte riores desta estrela que aumentou aproximarn-se perigosamente do buraco negro. que começa a atrair os gases periféricos. Estes acabam por entrar no buraco negro, mas não caem ali directamente: eles começam por girar à superfície do buraco, o

que procuram os buracos negros começam por percorrer o céu com telescópios de raios X em busca desses raios. Km 1971. o satélite de raios X americano Uhuru conseguiu localizar uma poderosa fonte de raios X na constelação do Cisne. Os astrónomos descobriram então que essa fonte, Cisne X-l, era uma estrela chamada HDE 226 868, que se encontra a (iOOO anos-luz da Terra. Quando investigaram esta estrela, descobriram que ela descrevia uma órbita de seis dias em torno de uma companheira invisível. Cs raios X tinham de provir de gases que se dirigiam em vórtice para a companheira invisível. Logo se suspeitou de que esta última seria um buraco negro. Mas os astróno mos tinham primeiro que investigar a hi pótesc de se tratar de uma estrela de neuIroes. Estas estrelas são Ião pouco lumino sas que não podem ser vistas quando próximas de uma outra como a 1 IDE 226 8(>8. Uma forma de afastar a possibilidade de uma estrela de neutroes é verificar o seu peso. Os astrónomos usam o Sol como peso -padrão. Descobriram que Cisne X-l pesava tanto como 10 sóis, o que é muito para uma estrela de neutroes. Quando uma estrela de neutroes se torna mais pesada que três sóis, colapsa e lorna-se num buraco negro, logo Cisne X-l deve ser um buraco negro.

que os torna extremamente quentes, com
temperaturas que atingem o milhar de milhões de graus centígrados. Um gás a esta temperatura produz abundantes quantidades de raios X. Assim, os astrónomos

A serpente que voltou do espaço
Em 16 de Outubro de 1982, na Califórnia, os astrónomos assestaram o maior teles copio do Mundo sobre determinado ponto da constelação do Cão Menor. Estavam na pista de um objecto que não era visto havia mais de 70 anos e se previa que fizes se nova visita ao sistema solar interior - o cometa de Hallev. Ao observarem o écran de televisão que transmitia a imagem captada através do telescópio do monte Palornar, os astrónomos viram subitamente um pequenino ponto luminoso; o cometa de Hallev estava na sua rola prevista. Data de 240 a. C. o mais antigo registo da observação deste cometa, que recebeu o nome do cientista britânico do século xvn Edmond Hallev Este cientista, que provou que os cometas percorrem órbitas que podem ser calculadas, observou o cometa em 1682 e previu que ele regressaria cm 1758. A observarão dos cometas deu origem, no passado, a um sem número de receios. Pensava se que eles eram horri veis visitantes da Terra, serpentes sequiosas de sangue enviadas para devorar os ho mens e mensageiros de doenças, O aparecimento de um cometa deve se ao tacto de estes astros se deslocarem em

COMO OS ASTRÓNOMOS PESAM AS ESTRELAS As estrelas de um sistema binário, corno se a sua companheira invisível, o buraco a Cisne X-l e a I IDE 226 8(i8, giram em negro Cisne X-l, tem metade dessa torno do seu centro de gravidade comassa, deve "pesar" tanto como 10 sóis. mum. Se a massa das estrelas é igual, O Sol "pesa" 0 equivalente a 300 000 esse centro de gravidade fica a meia dis Terras, ou seja 1989 milhões de milhões tância entre as duas. Se não, fica mais de milhões de milhões de toneladas. perto da estrela com maior massa. AsEsle número é calculado com base na sim, um sistema binário forma um equi teoria da gravitação. Experiências em lalíbrio natural que permite aos astrónoboratório demonstraram qual a atracmos "pesar" as estrelas. Estudando o ção gravitacional entre duas grandes es movimento da estrela HDE 226 868, feras de chumbo de massas conhecidas. aqueles descobriram que o centro de Esta força depende cm parte da massa gravidade ficava tão próximo desta que a das esferas c cm parle da distância que sua companheira deveria ter metade da as separa. Esta experiência pode ser exmassa daquela estrela. A HDE 226 868 é trapolada proporcionalmente, por foruma estrela do tipo supergigante azul. ma que a distância entre as esferas passe Tem um diâmetro de 32 milhões de quia ser a da Terra ao Sol. Pode então dedulómetros, e o seu brilho é 50 000 vezes o zir-se qual a massa que o Sol tem de ter do Sol. Uma supergigante azul é cerca para exercer a atracção gravitacional nede 20 vezes mais "pesada" que o Sol. Isto cessária para manter em órbita a Terra e é, tem 20 vezes a massa do Sol. Por isso. os outros planetas do sistema.

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Cadeia de colinas Mancha luminosa . Vale

Colina

Eixo de rotação Limite dia-noite Sol

O núcleo do cometa. O núcleo do cometa de Halley tem a forma de um amendoim e mede 16x8x8 km. Tem montes e depressões e expele jactos de gás e poeira. efeitos de lodos os planetas sobre o cometa de 1911 até meados da década de 80. Em 1986, o cometa de Halley passou pelo Sol com um erro de poucas horas sobre o previsto por Yeomans — depois de ter estado escondido durante sete décadas.

Um cometa visto de perto. Enfrentando uma furiosa tempestade de poeira que ameaçaoa destrui-la, a sonda espacial Giotto passou a algumas centenas de quilómetros do cometa de Halley e fotografou o núcleo. Este é formado por gelo, rochas e pedras e por um composto orgânico desconhecido resistente ao calor. A maior parte da sua superfície é coberta por uma crusta espessa e escura de composição desconhecida. Passou a 150 milhões de quilómetros da Terra em 15 de Março de 1986. Foi mais claramente oisioel na Austrália, onde esta fotografia foi tirada. volta do Sol em órbitas governadas pela gravidade. Enquanto a órbita de um planeta em tomo do Sol é relativamente circular, os cometas seguem percursos alongados. Quando o cometa de Halley se encontra no ponto mais afastado da sua órbita, está 35 vezes mais afastado do Sol do que a Terra. Nessa altura, é invisível, mesmo para o maior telescópio. Mas no ponto mais próximo do Sol o cometa passa por dentro da órbita da Terra. Quando o Sol o aquece e o núcleo gelado fica rodeado por uma enorme nuvem de gases e poeiras, ele pode lornar-se — durante uns meses — um objecto brilhante nos nossos céus. 0 período orbital do cometa de Halley é de 76 anos. Esperar-se-ia, portanto, vê-lo reaparecer regularmente, traçando o mesmo percurso em volta do Sol. Seria assim se ele sofresse unicamente a influência gravitacional do Sol. No entanto, os cometas são também afectados pelos planetas do sistema solar, especialmente pelos gigantes ,lií piter e Saturno. Quando um planeta está aproximadamente na frente de um cometa, a sua gravidade puxa o cometa para diante e acelera-o. Sc o cometa se afasia rio planeta, a força gravitacional deste puxá-lo-á para trás, afrouxando lhe a velocidade. A órbita mais rápida do cometa de Hal ley durou apenas 74,5 anos. Depois de este corneta passar pelo Sol em Novembro de 1835, os planetas provocaram um aumento da sua velocidade, pelo que ele regres sou em Abril de 1910. Mas as observações da sua órbita entre os anos 451 e 530, registadas por astrónomos chineses e japoneses, revelam que ele levou 79 anos a completar uma órbita, o que sugere que os planetas o tenham feito afrouxar. Como os astrónomos conhecem as posições e a força gravitacional de cada pia neta, podem calcular o efeito que elas terão sobre os cometas. Mas os cálculos são muito longos e fastidiosos. Quando três matemáticos franceses predisseram o regresso do cometa de Halley em 1759, tiveram de o calcular à mão, por meio de extensas divisões e multiplicações, levando seis meses a completar o trabalho. Actual mente, tudo pode ser feito por um computador em apenas alguns minutos. Na década de 70, Donald Yeomans, do Laboratório de Propulsão a Jacto, na Califórnia, começou a coligir todas as observações sobre o cometa cie Halley. Obteve as sim informações sobre a forma como o cometa se deslocava, até à fotografia mais recente, de 15 de Junho de 1911. Depois, utilizou uni computador para calcular os

Descobrindo planetas
Os planeias Mercúrio, Vénus, Marte, Júpi ter e Saturno são Ião luminosos que os astrónomos sabem da sua existência há milhares de anos. Mas durante os últimos 20(1 anos eles descobriram outros três, mais distantes e menos luminosos: Urano, Nep tuno e Plutão. E existem indicações de um décimo planeta para além de Plutão. Até 1781 ninguém suspeitava da existência de planetas para além de Saturno, pelo que, na realidade, ninguém os procurava Até que, em 13 de Março desse ano, o astrónomo amador William Herschel, ao tentar encontrar estrelas duplas, descobriu Urano. Sabia não se tratar de uma estrela por ter um disco visível, tal corno o da Lua quando cheia. E, ao registarem os seus movimentos, os astrónomos concluíram que tinha de ser um planeta. Depois desta descoberta, totalmente acidental, os astrónomos começaram a pensar se poderia existir um outro planeta ainda mais distante. Esta suspeita foi reforçada pelo facto de terem descoberto que Urano não percorria a sua órbita em redor do Sol a ritmo constante: parecia que sofria o efeito da força de gravitação de um planeta mais distante e desconhecido. Dois matemáticos — Coueh Adams, de Cambridge, e o francês Urbain Leverrier — calcularam, separadamente, a hipotética posição do novo planeta. Em 31 de Agosto de 1846, Leverrier enviou os seus cálculos

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ao Observatório de Berlim, onde os astro nomos identificaram uma "estrela" como sendo esse novo planeta, hoje conhecido por Neptuno. Nos finais do século passado, suspeitou-se de que tanto Urano como Neptuno sofriam influências da gravidade de outro planeta ainda mais distante. Desta vez foi um astrónomo americano, Percival Lowell, quem calculou onde deveria encontrar-se esse "Planeta X". Em 1930, Clyde Tombaugh, que trabalhava no observatório fundado por Lowell, detectou um pe quenino ponto luminoso que mudava de posição todas as noites. Tratava se efectivamente de um planeta, mas de brilho muito mais ténue do que este previra. Recebeu o nome de Plutão. No entanto, muitos astrónomos consideram Plutão demasiado pequeno para afectar os gigantes Urano e Neptuno. Km 1978, os astrónomos do Observatório Naval dos Kstados Unidos descobriram um satélite em torno de Plutão. 0 movimento desta lua revelou a gravidade de Plutão demasiado fraca para exercer qualquer efeito sobre Urano e Neptuno. Existirá um Planeta 10? Os astrónomos interrogam se agora sobre o que poderá estar a atrair Urano e Neptuno, e a resposta parece ser um grande planeta situado nos limites do sistema solar. Bob Harrington, do Observatório Naval dos Kstados Unidos, calculou que este pia neta se encontra actualmente na parte meridional do céu, onde poucas pessoas pro curaram planetas. Com intervalos de algumas semanas, um telescópio na Nova Zelândia tira fotografias a esta parte do céu Nas suas investigações, Harrington conta com as sondas espaciais. Sc o Planeta 10 exerce influência sobre Urano e Neptuno, deverá igualmente afectar os percursos dos três veículos espaciais Pioneer 10, Pioneer II e Voyager I —. que nesta altura estão prestes a deixar 0 sistema solar. Os cientistas estão a seguir os movimentos dessas sondas para verificarem se o Planeta 10 estará a desvia las das suas rotas. Outros astrónomos não estão convencidos com os cálculos já efectuados: pen sam que 0 Planeta 10 poderia situar se em qualquer posição do céu, e assim atacam o problema por outra forma. Os planetas omitem grandes quantidades de radiações infravermelhas. Em 1983, o Infrared Astronómica! Satellite (Satélite Astronómico de Infravermelhos) pesquisou a totalidade do céu em busca de objectos do Universo emissores de radiações infravermelhas. Se o Planeta 10 existir, o satélite té lo á prova velmente detectado. Os resultados deste levantamento foram registados em 100 km de fita de computador, e os astrónomos debruçam-se sobre esta vasta colectânea de dados.

Em busca de vida no espaço
Sempre houve pessoas que acreditaram existir vida inteligente em outros mundos do espaço. Os astrónomos sabem hoje que não existe vida nos outros planetas do sistema solar, mas muitos pensam que. assim como se verificaram na Terra as condições adequadas para a evolução de vida avançada, o mesmo pode ter ocorrido em milhões de outros planetas com condi ções semelhantes. Mas como poderemos nós, na Terra, contactar com outros seres que vivam cm outro qualquer lugar na vastidão do Universo? Na realidade, algumas mensagens idas da Terra estão agora a caminho, na esperança de encontrar quaisquer seres inteligentes que possa haver "por lá". Em 1972 e 1973. os Americanos lançaram duas sondas espaciais, a Pioneer 10 e a Pioneer II. programadas para passarem por Júpiter (e também Saturno, no caso da Pioneer II) e tirarem fotografias. A sua viagem continuará para além do sistema solar. Cada Pioneer tem um "cartão-de-visita" da Humanidade fixado à sua blinda gem, para o caso de serem encontradas por uma civilização extraterrestre. As mensagens consistem numa chapa de ouro com 15x23 cm que tem gravado um mapa com a localização do sistema solar em re lação a pulsares próximos (os pulsares são emissores naturais de feixes de rádio que OS futuros viajantes do espaço poderão utilizar como faróis cósmicos). Há também um desenho da nave e de um homem e de uma mulher. O homem tem o braço levantado num gesto de saudação. Cinco anos mais tarde, os cientistas americanos lançaram outras duas naves espaciais que irão para além do sistema solar a Voyager I e a Voyager 2. Em vez da placa, cada nave leva consigo um disco de longa duração, completo com agulha e com símbolos indicando a forma de O to car. Este LP dos "sons da Terra" inclui música, desde Bach a Chuck Berry, saudações em dezenas de línguas e cantos de baleias. Algumas das estrias são imagens codificadas em ondas sonoras, mostrando imagens da Terra, que vão cie um pôr de: sol até a um supermercado. E muito pouco provável que uma destas minúsculas naves espaciais seja alguma vez encontrada na imensidão do espaço. Mesmo que o fos.se, o "cartão de visita" apenas poderia ser respondido se se procurasse a Terra. Para se estabelecer uma conversa com outra civilização, torna-se necessário outro meio de comunicação. A resposta, provavelmente, é simples — 0 rádio. As ondas de rádio viajam livremen-

te pelo espaço e qualquer ser com um aparelho receptor sensível poderá captar programas de rádio e TV emitidos pela Terra. Em 16 de Novembro de 1974, os astrónomos enviaram a primeira mensagem de rádio do Observatório Radioastronómico de Arccibo, em Porto Rico, para um cúmulo estelar, o Messier 13. Este aglomerado contém 300 000 estrelas e é provável que tenha também inúmeros planetas. A mensagem de Arecibo consiste numa série de 1679 pulsações de rádio que lembram o alfabeto Morse. Se um extraterrestre dispusesse os sinais num rectângulo de 23 por 73 pulsações, emergiria dos pontos e traços determinado padrão que revelaria os elementos químicos que compõem a vida. a forma e tamanho de um ser humano médio, a população da Terra e a posição desta dentro do sistema solar. Infelizmente, é muito improvável a recepção de uma mensagem como esta, por muito sofisticada que seja: caso existam em Messier 13 seres inteligentes com um receptor de rádio sensível, eles teriam de o ter apontado à Terra no preciso momento em que as pulsações eram emitidas. Teriam, além disso, de estar sintonizados nu comprimento de onda correcto. Existe outro problema: Messier 13 está tão distante que a mensagem demorará 25 000 anos a chegar. Se um ser a captar e enviar uma resposta, esta levará o mesmo lempo a chegar a Terra pelo que temos de esperar 50 000 anos para a receber. A busca de mensagens do espaço Em vez de esperarem, alguns astrónomos perscrutam já os céus para ver se outras civilizações estarão a enviar mensagens à Terra. A primeira busca iniciou-se em 1960, e desde então muitas outras têm sido conduzidas na procura de sinais inteligentes vindos do espaço, Actualmente, existem dois radiotelescópios norte americanos, no Ohfcj e no Massachusetts, que perscrutam permanentemente o espaço em busca de mensagens de rádio. Com fundos cedidos por Sleven Spíel berg, realizador do filme ET, investigadores do SETI (Search for Extraterrestrial Intelligence, ou Pesquisa de Inteligência Extraterrestre) no Observatório de Oak Ridge. no Massachusetts, construíram um dispositivo que consegue sintonizar simultaneamente 8 milhões de frequências diferentes. Computadores monitorizam todas estas frequências para procurarem sinais que não lhes pareçam naturais. Apesar de todos estes esforços, ainda nenhuma mensagem foi captada. Mas. como cada vez há mais astrónomos coo perando com o SETI. esses esforços aumentam constantemente. E pouco prova vel que descubram outra raça inteligente no Universo, mas. se isso acontecesse, se ria um dos mais importantes acontecimentos na história da Humanidade.

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Maravilhas da ciência
Quando os cientistas cindiram o átomo, o Mundo penetrou no desconhecido. Agora, prevemos uma época em que talvez seja possível recriar criaturas extintas e produzir máquinas que pensam.

Como os cientistas tentam orever os terramotos, p. 204

#JS35S-

Como se obtêm clones de plantas e animais
De cada vez que os jardineiros cortam uma estaca de uma planta e a colocam cm terra para que se desenvolva uma nova planta, estão a produzir uma cópia geneticamente tos brancos globulares designados por embrióides. Em devido tempo, estes de senvolvem raízes ou produzem rebentos e começam a parecer-se com pequeninas plantas. Transplantadas cuidadosamente para a mistura apropriada, as plântulas crescerão como cópias exactas da planla-mãe. Para se atingir esle estado, 0 processo, denominado cultura de tecidos, pode demorar até 18 meses. Quando plantados simulta ncamenle, lodos os clones rebentam e crescem ao mesmo ritmo, produzindo, na mesma altura, óleo da mesma qualidade e em quantidade idêntica. A Plantas-proveta. A cultura de tecidos produz plantas a partir de urna célula única. sua produtividade é 30% mais elevada que a das plantas produzidas a partir da sémen le, que apresentam grandes variações nas suas características. Por este processo podem também con trolar-se doenças virais das plantas que, em geral, são transmitidas de geração em gera cão através das sementes. Dina planta sã pode utilizar se na produção de milhares de clones igualmente sãos. Nos animais, o processo é mais complexo e de uso ainda não generalizado. Mas a sua viabilidade foi comprovada em ratos, em carneiros e em vitelos. O processo po

idêntica

um clone.

Às modernas técnicas cientificas aumentaram muito o âmbito da clonagem. Hoje em dia. é possível fazer cópias de espé cies de plantas que não pegam de estaca. Os animais podem igualmente ser clonados, sendo a descendência réplica exacta

de um único progenitor.
Quando se fazem clones a partir de plantas, o objectivo é copiar milhares de vezes uma variedade que seja mais produtiva ou decorativa. O processo inicia-se com um pequeno fragmento da planta escolhida, frag mento esse que pode ser retira do de qualquer parte da planta, pois todas as suas células contém a informação genética a partir da qual se pode reconstruir uma planta completa. Esse fragmento é colocado num meio de cultura, um caldo de nutrientes químicos que lhe fornece lodos os elementos necessários. O meio inclui hormonas do crescimento que estimulam a divisão das células, o que leva â formação de uma massa de células vegetais que duplica de lama nho aproximadamente de seis em seis semanas (callus). Em determinada altura, esta massa de células começa a produzir pequenos pon-

dera vir a ser utilizado brevemente na produção de manadas de vacas em que todas atinjam elevados níveis de produção de leite ou carne de sabor e textura uniformes. Uma técnica designada por transferência nuclear permite a produção simultânea de até 32 clones. Com o auxílio de minúsculos instrumentos cirúrgicos, um embrião que já se desenvolveu até à fase das 32 células é dividido em 32 células intlivi duais. Para que estas se desenvolvam com êxito, é preciso combina las com embriões unicelulares da mesma espécie aos quais foi retirado o núcleo. O núcleo de uma célula contem toda a informação genética a partir da qual o organismo se desenvolve. Quando o núcleo é retirado, o embrião não possui nenhum património genético. No entanto, é possível loriiecer-lhe um património novo, fundindo a célula anuclea da com uma das 32 retiradas do embrião em desenvolvimento. Se todas as 32 forem usadas da mesma forma, obter st? ão 32 embriões com informação genética idêntica. Cada um deles pode ser implantado no útero de uma mãe "de empréstimo" para produzir 32 indivíduos idênticos.

Para a obtenção de quantidades verdadeiramente significativas, contudo, os
embriões produzidos por este processo teriam eles próprios de ser repetidamente clonados. Poderiam então ser congela dos para armazenagem e finalmente implantados no útero de mães de emprés timo.

0 processo poderia ser particularmente
importante no caso de países em desenvolvimento, pois embriões criados noutros países seriam congelados e transpor tados para depois serem implantados. Seria assim possível encurtar o demorado processo de aperfeiçoamento de raças de gado por reprodução selectiva.

Criação de supcrvacas. Os tubos de ensaio coloridos (à direita, em cima) contêm, cada um, um embrião de vaca. Com o auxilio de um miuoruanipuiador. os embriões são divididos numa fase precoce do seu desenvolvimento (à direilu. em baixo). Os embriões divididos são depois implantados, obtendo se vitelas gémeas idênticas (em baixo i.

Descobrindo os segredos das células
Todos os seres vivos são formados por unidades microscópicas chamadas células, cujas dimensões são, em média, de um centésimo de milímetro. As formas mais simples, como as bactérias, são unicelulares. 0 corpo humano possui mais de 50 milhões de milhões de células. A célula foi descoberta em 1665 por Robert Hooke, que observava ao microscópio lâminas de cortiça e descobriu uma série de pequenos compartimentos que comparou às celas de um convento. Posteriormente, os biólogos descobriram que as células eram as unidades básicas da vida. Cada célula tem funções especializadas e colabora no funcionamento de todo o organismo: é uma unidade viva em miniatura. Alirnenta-se, "respira" e reproduz-se; reage a mensagens das outras células e transmite-lhes mensagens. Existem células de tipos muito diferentes, mas todas estão envolvidas por uma membrana e têm um núcleo central rodeado por um fluido denominado citoplasma. As células podem ser visualizadas com mais pormenor com o emprego de um microscópio electrónico que, em vez de luz, utiliza um feixe de electrões. Este tipo de microscópio permite uma ampliação superior a 500 000 vezes, enquanto os microscópios ópticos têm um limite de DIVISÃO DE UMA CÉLULA ANIMAL As células vegetais e algumas animais reproduzem-se por um processo chamado mitose, ou divisão celular. Estas fotografias mostram uma célula dividindo se em duas. Na profase (à direita), os cromossomas, já duplicados, encontram se aglomerados no centro. Na metafase (em baixo, a esquer da), os cromossomas encontram-se no centro, formando a placa equatorial. Na anafa se (em baixo, ao centro), os cromossomas separam se, formando dois grupos idênticos, cada um dos quais se torna o núcleo das duas novas células, que já são perfeitamente visíveis na interfase (em baixo, à direita).

1500 vezes. Com os microscópios electrónicos descobriram-se estruturas minúsculas da célula. As funções de alguns dos componentes celulares podem ser inferidas da sua apa rência, mas o seu estudo detalhado obriga à separação das diferentes cstniluras. Uma das formas de o conseguir consiste em homogeneizar as células num misturador semelhante aos que se usam na cozinha e depois separar os componentes por centrifugação: os mais pesados precipitam no fundo do tubo que gira a grande velocidade e formam um sedimento sob um líquido transparente. O sedimento pode então ser estudado. Centrifugando este líquido a velocidades ainda maiores, conseguem separar se os componentes de peso cada vez menor. Pouco a pouco, utilizando técnicas semelhantes, têm sido identificadas as actividades de todos os componentes da célula. Um dos mais importantes é o núcleo, portador da informação genética, que permite à célula funcionar bem e reproduzir se. A natureza química do núcleo foi estudada pela primeira vez em 1869 pelo bioquímico suíço Friedrich Micscher, que, ao dissolver células em pepsina (um enzima digestivo), descobriu que o núcleo continha fósforo, além de outros elementos mais comuns, como carbono e oxigénio. Mais tarde, os cientistas descobriram que um dos principais constituintes do núcleo é o ácido nucleico. Posteriormente, verificou-se não se tratar de um ácido, mas de dois, o ácido ribonucleico (ARN) e o ácido desoxirribonucleico (ADN). Este contém a informação genética que transmite os caracteres hereditários de pais para filhos.

INTERIOR DE UMA CÉLULA

Esta fotografia mostra o interior de uma cé lula vegetal. Todas as células possuem um núcleo rodeado de um fluido (citoplasma), mas a célula vegetal tem ainda uma parede bem definida, aqui representada a amarelo.

^vftgsre

Núcleo contendo "cromossomas

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Criação de "geeps" e outros animais e plantas
Todas as raças de cães do Mundo derivam originariamente do lobo. Ao seleccionar as características desejáveis e ao fazer criações para as conseguir, o homem produ ziu centenas de raças de cães. As plantas lêm sido manipuladas com igual êxito no sentido de se obterem produções elevadas de cereais, frulos e verduras, além de plantas decorativas mais bom tas que as do mundo natural. As técnicas tradicionais de criação de plantas e animais implicam o cruzamento de variedades diferentes, na esperança de se combinarem as melhores características do cada uma - elevada produtividade de um progenitor, elevada resistência à doença do outro, por exemplo. Mas estes programas de apuramento desenrolam se ao longo de várias gerações e apenas po dom ser efectuados entre variedades da mesma espécie: não conseguimos criar uma nova super-hortaliça cruzando, pelos meios convencionais, uma cenoura com uma couve. A ciência desenvolveu técnicas de criação revolucionárias. Uma delas, fusão ce lular. produziu o geep, nascido em Cambridge em 1982 em resultado do cruzamento de cabras (goat) com carneiros (slieepj. Na fusão celular retiram se as mem branas exteriores do espermatozóide e do óvulo com o auxílio de determinados en/.i mas. Aquelas ficam assim unicamente protegidas por uma delicada membrana interna. As células nestas condições são denominadas protoplastos; postos em contacto, consegue-se por vozes fazê los lundir-se, habitualmente com o auxilio de compostos químicos ou de vírus. O resultado pode ser a criação do um novo organismo que recebe características de ambos os progenitores No caso do geep, as células combinadas foram implantadas no útero de uma ovelha e assim nasceu uma combinação das duas espécies — um animal com chifres o o corpo revestido de lá de ovelha c pêlo de cabra. Embora os geeps possam procriar normalmente entre si, os filhos são sempre ou ovelhas ou cabras, consoante as células que formaram os órgãos reprodutores, e nunca semelhantes aos pais. Engenharia genética Outra técnica consiste em reprogramar o material genético, que dita a forma como se desenvolverá cada parte da planta ou do animal. A espécie modificada produzirá então melhores frutos, leite mais rico ou até algum produto inteiramente estranho à sua natureza normal. Esta modificação é feita recorrendo à engenharia genética. As características de uma dada espécie sào transportadas, em código, em mole cuias longas e sinuosas de ADN (ácido de soxirribonucleico}, que se encontra no núcleo de Iodas as células vivas. As cadeias de ADN são formadas por apenas quatro unidades básicas, os nucloótidos. E a ordem destes nucleótidos ao longo da cadeia que constitui a informação necessária para as células funcionarem e se reproduzirem. Utilizando enzimas de reslrição que cortam a cadeia de ADN em sequências nucleotídicas determinadas, podem isolar-se segmentos responsáveis por determinada função (genes), que são depois reinserido.s no ADN de outra espécie — planta, animal ou mesmo bactéria. Um dos primeiros exemplos foi o isolamento da parle do ADN responsável pela produção de insulina no pâncreas humano c a sua inserção numa bactéria. O gene foi separado por meio de um enzima de restriNo entanto, elas foram transformadas em fábricas ambulantes de medicamentos pela reprogramação do seu código geuéli co, de forma a, além de leite, produzirem um factor de coagulação encontrado uni camente. até então, no sangue humano normal. E o chamado factor VIII, cuja au séneia no sangue de certos indivíduos pro voei a hemofilia, situação patológica em que o sangue não coagula. Os cientistas isolaram o gene responsável pela produção do factor VIII em seres humanos normais, removeram-no e inseriram-no no local correcto entre os genes do um embrião de ovelha. Esta cresceu e produziu leite contendo o factor VIII, o qual pode ser extraído e utilizado no tratamento dos hemofílicos. Melhoramento de plantas e animais para alimentação Aplicada as plantas, a engenharia genética oferece enormes possibilidades. Um grande progresso seria os cereais, como o trigo, a cevada e o arroz, poderem uli lizar o azolo do ar. Algumas plantas, como o feijão e o Ire vo, possuem esla capacidade, que se traduz na possibilidade de se desenvolverem com êxito sem necessitarem de gran des quantidades de fertilizantes azotados. Se. recorrendo à engenharia genética, se conseguisse conferir esta qualidade aos cereais utilizados na alimentação, poupar se-iam anualmente enormes quantidades de dinheiro e reduzir-so ia a poluição dos rios e ribeiros pelos nitratos.

Existe já um processo do tor nar as plantas resistentes a certas doenças. Cientistas que trabalham para a firma Monsanto composto químico para destruir a parede celular, pro utilizaram a hacléria Ag/obacmovendo a fusão, a fim de se criar uma planta híbrida. teriam lumefaàens, que nor malmente provoca tumores nas plantas, ção, que foi também utilizado para cortar o retiraram-lhe os genes causadores dos tuADN de uma bactéria, Escherichia coli. nas mores e substituíram-nos por genes úteis. mesmas sequências, e o fragmento de As plantas infectadas com a bactéria assim gene humano loi inserido no ADN bactéria modificada podem adquirir genes úteis. no. Ao multiplicar se, a bactéria, além dos Em 1983, foram produzidos desta forma seus produtos normais, produz insulina tomateiros resistentes ao ancilóstomo do humana, que pode ser extraída. Desde 1982 tabaco, uma praga comum, e ao vírus do que os dialxíticos. que não são capazes do mosaico do tabaco, uma doença que reproduzir insulina suficiente, são tratados duz a produção. Nestas experiências, a com insulina assim produzida. produção de tomate subiu de 20 para 3 N 0 Aplicada a plantas e a animais, a técnica Em seguida, introduziram um outro gene está já a ter resultados extraordinários. No que tornou os lomaleiros resistentes a um Instituto de Fisiologia Animal o Investiga dos herbicidas da própria Monsanto, o ção Genética, perlo de Kdimburgo, na EsRoundup. Assim, as ervas daninhas que cócia, pastam ovelhas de aspecto normal. Plantas mais fortes. A fotografia mostra os núcleos unidos de duas células de folha de tabaco. Usou-se um

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TRIGO QUE CRESCE COM SAL A engenharia genética eslá a ser utilizada para criar uma variedade de trigo que cresça em solos salgados. Vastas áreas das terras irrigadas no Mundo tomaram-se salgadas, porque a água dos rios utilizada na sua irrigação deixa vestígios de sal que se acumulam de ano para ano. No vale do Indo, no Paquistão, algumas terras aráveis tornaram-se tão salgadas que actualmente náo podem ser utilizadas para a cultura do trigo. Cientistas ingleses estão a aperfeiçoar uma estirpe resistente ao sal, transferindo para o trigo células de uma gramínea que cresce nas areias salgadas. Esta gramínea tolera solos salgados porque discrimina diversos produtos químicos, absorvendo menos sódio do sal do que as outras plantas. Esta característica é transmitida ao trigo híbrido pela transferência dos genes.

crescem em redor das plantas podem ser destruídas pulverizando-as com Roundup. sem prejudicar os tomateiros. Em 1982, cientistas americanos inseriram em ratos o gene que produz a hormona de crescimento das ratazanas. O resultado foi uma raça a que deram o nome de "super rato", pois cresceram muito mais que o normal. Em 1986, nos EUA, o processo foi adaptado à pecuária. Criaram porcos com o gene que leva à produção da hormona de crescimento humana para os tornar maiores e a sua carne menos gorda. Eram de facto grandes, e a carne continha 5% de gordura em vez dos habituais 25%, mas sofriam de artrite. O gene estranho fizera algo mais que aumentar-lhes o tamanho. As futuras experiências terão de contornar este problema, pois não seria ético e, em certas circunstâncias, legal produzir artificialmente uma espécie que seria forçada a viver em sofrimento apenas para produzir mais carne. No futuro, poderão ser inseridos nos animais úteis ao homem genes responsa veis por toda uma série de características, desde a resistência às doenças até ao número de crias das ninhadas.

Como se criam novos medicamentos?
Muitos dos triunfos da medicina moderna são resultado não de melhores técnicas médicas, mas de melhores medicamen-

tos. Por exemplo, o êxito dos antibióticos (v. p. 288), que têm salvo milhões de vidas, encorajou os laboratórios de produtos farmacêuticos a investirem grandemente na investigação, na esperança de encontrar outros produtos igualmente eficazes. Há quatro maneiras principais de abordar o problema. A primeira é isolar ou imitar compostos naturais que se sabe possuí rem propriedades medicinais. A segunda é copiar um medicamento já existente, modificando-o ligeiramente, na esperança de o tornar mais eficaz. A terceira é escolher ao acaso entre os milhões de compostos orgânicos - os que contêm carbono - que têm sido produzidos pelos químicos e experimentá-los em animais, na esperança de descobrir um com propriedades úteis. A quarta maneira consiste em tentar compreender o funcionamento do organismo humano e criar medicamentos a partir de princípios científicos. Todos estes processos têm tido os seus êxitos. O primeiro medicamento sintético foi produzido pelo alemão Paul Ehrlich em 1910. Ehrlich pretendia uma "bala mágica" que fosse capaz de destruir as bactérias responsáveis por doenças como a tuberculose e a difteria, mas deixasse incólumes as restantes células do doente. Começou por examinar os reagentes de coloração das bactérias que não coram as outras células, raciocinando que um produto que reagisse mais fortemente com as bactérias do que com as outras células poderia também eliminá-las. Ehrlich descobriu assim um corante, ao qual posterior mente foi dado o nome de vermelho de triparto, que destruía os tripanossomas, organismos responsáveis pela doença do sono. Contudo, esta substância não era clinicamente satisfatória por ser muito pe queria a margem entre uma dose curativa e uma dose perigosa. Ehrlich dedicou-se então à investigação das possibilidades dos compostos de arsénico. Produziu uma grande quantidade de derivados arsenicais do vermelho de tripano e começou a ensaiá-los. Em 1909, um discípulo japonês de Ehrlich, Sahachiro Hata, descobriu que o composto 606, que não tinha qualquer efeito contra os tripa nossomas, era fatal para a bactéria causa dora da sífilis. Este composto, a que posteriormente foi dado o nome de Salvarsan, foi o primeiro medicamento eficaz contra uma doença que até então era incurável. O êxito de Ehrlich baseou-se na sua intuição, que o levou a investigar no campo certo, na ideia de que a modificação de um produto podia aumentar a respectiva eficácia e na verificação minuciosa dos efeitos dos produtos não só sobre a doença em que estava interessado, como sobre outras. Ainda hoje, os cientistas envolvidos na pesquisa de novos medicamentos procedem mais ou menos da mesma forma.

Ensaios de segurança Os químicos têm meios de produzir uma enorme quantidade de compostos orgânicos. Ensaiados em animais, estes compostos, na sua maioria, ou não produzem quaisquer efeitos ou apresentam uma tal toxicidade que deixam de poder ser considerados medicamentos. Fazem-se ainda ensaios mais apurados com doses menores em animais jovens, a fim de se ter a certeza de que a substância não prejudica o seu crescimento, e em fêmeas grávidas, para se verificar se as crias não são afectadas. Noutros animais observa-se com atenção a ocorrência de erupções cutâ neas ou de comportamentos anormais. Apesar de lodos estes ensaios, os resultados ainda podem conduzir a conclusões incorrectas. As substâncias químicas nem sempre afectam da mesma forma os animais e os homens. A penicilina, que tem salvo milhões de vidas humanas, poderia nunca ter sido comercializada se tivesse sido inicialmente ensaiada em cobaias, pois basta uma pequena dose para as matar. Os ensaios de toxicidade são altamente complexos e demoram, com frequência, mais de dois anos a completar. O passo seguinte é testar essas substâncias em voluntários humanos saudáveis com vista a detectar possíveis efeitos secundários. Se a substância em estudo não produz, aparentemente, efeitos secundários perniciosos, o grupo de voluntários é alargado. Na América, observam-se habitualmente entre 5000 e 15 000 pessoas antes de se enviar os resultados rios testes para a entidade encarregada da concessão de licenças de comercialização. 0 laboratório farmacêutico faz o relatório das suas verificações, e se este é aprova do, o medicamento é então sujeito a ensaios clínicos em doentes para avaliação da sua eficácia. Muitos medicamentos novos são submetidos a ensaios com "ocultação dupla": metade dos doentes toma um placebo (produto que não contém a substância activa) de aspecto idêntico, e nem estes nem os médicos são informados de quem tomou o quê, a fim de tornar mais objectiva a avaliação clínica da eficácia. Os resultados têm de ser suficientemente convincentes para que o medicamento passe nos ensaios clínicos. Náo pode haver dúvidas de que foi o próprio medicamento, e náo as resistências naturais do doente, que promoveu a cura deste. Durante os ensaios clínicos, os médicos continuam atentos a quaisquer efeitos secundários náo aparentes nos testes anteriores. Mesmo depois de um medicamento passar nos testes clínicos e ser comercializado, continua em observação. Assim, os médicos que o receitam e o restante pes soai de saúde a quem os doentes se queixam devem informar as autoridades medi cas e farmacêuticas de quaisquer reacções adversas manifestadas pelos seus doentes.

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Como se ensinam os animais a comunicar com as pessoas
0 entendimento que se pode criar entre as pessoas e os animais é, muitas vezes, quase misterioso. 0 cão interpreta Ião liem os desejos do dono que por vezes parece possuir um sexto sentido, Também o cavalo cos, garrafas, etc. Um assistente sentado na borda da piscina faz sinais a Rocky, pedindo-lhe que recolha determinado brinque do, e a otária acerta 5)5% das vezes. Além disso, foi-lhe ensinado o significa d o d e o r d e n s muito mais c o m p l e x a s , c o m o "Leva a bola ao disco'* ou "Leva o disco preto pequeno à garrafa". O índice de êxito das suas respostas a estas instruções é de apenas 40%. Linguagem de sinais para os chimpanzés Têm se feito experiências s e m e l h a n t e s com chimpanzés, orangolangos e outros macacos. Como não possuem as mesmas cordas vocais que o homem, os macacos não poderão, propriamente, falar. Por isso, Allen e Beatrice Gardner. da Universidade do Nevada, lembraram se de ensinar a um deles a linguagem dos sinais. Em 1967. con seguiram um chimpanzé fêmea com um ano, chamado Washoe, e até 1071 ensina ram lhe a Linguagem de Sinais Americana, o método utilizado pelos surdos nos Estados Unidos. Mostravam lhe os sinais repetidamente e recompensavam-na com uma festa ou com comida quando ela respondia correctamente. Washoe aprendeu depressa, e em breve conhecia um grande número de palavras. Chegou a saber usar 150 gestos. Passeando uma vez junto a um lago, o dono apontou para um pato e perguntou lhe em linguagem de sinais: "O que é A aprendizagem He Lucy. O psicólogo Dr. Roger Fouts ensina a linguagem de sinais a Lucy. uma chimpunzé de seis anos e um dos membros da colónia de primatas da Universidade de ()klaho/na. Lucy olha atentamente quando Olhar q u e i x o s o . De olhos baixos. Lucy faz o sinal de dedos-à boca que o Dr. Fouts lhe ensinou para Doer". aquilo?" "Pássaro água", respondeu Washoe, inventando o seu termo próprio para "pato". Encorajados por este lacto, outros cientistas americanos começaram a trei nar chimpanzés, utilizando urna série de diferentes métodos de comunicação. Al gnns implicavam a identificação de formas de plástico que simbolizavam, entre outras coisas, objectos como maçãs ou o nome do instrutor. Outros métodos implicavam o premir de diferentes teclas num computador para transmitir palavras ou frases. Os resultados pareceram demonstrar que os chimpanzés conseguiam, na verdade, dominar uma "linguagem", pois, além de res ponderem a ordens simples, usavam na para pedir coisas. Mais tarde, o Prof. Ilerbert Terrace, da Universidade de Colúmbia, Nova Iorque., lançou um balde de água Iria sobre estes resultados. Quando analisou todas as frases de duas palavras de Washoe, descobriu que a o r d e m das palavras era fortuita:

pode reagir às indicações mais subtis,
como 0 demonstram os complexos movi mentos da dressage. Mas será algum dia

possível às pessoas comunicarem com os
animais através da linguagem normal? Desde há alguns a n o s que se fazem grandes esforços para comunicar com gol finhos. Estes mamíferos possuem cérebros de tamanho semelhante ao do cere bro humano e parecem muito inteligentes. São ainda capazes de emitir uma grande variedade de sons, incluindo chios, gemidos, diques, latidos e assobios, indicando alarme, ameaça e reconhecimento. As tentativas de interpretação desta linguagem não têm sido bem sucedidas Mas os cientistas demonstraram que estes animais, tal como as otárias, são capazes de compreender linguagem gestual e reagir

correctamente.
Rocky, uma otária de 13 anos do Long Marine Laboratory, em Santa Cru/, Califórnia, foi treinada para identificar objectos, sendo recompensada quando agia correc lamente. Hoje. consegue retirar do seu tanque apenas o objecto que lhe for pedido. O seu instrutor, Ron Scliustennan, da Univer sidade da Califórnia, espalha pela piscina até uma dúzia de brinquedos - bolas, dis-

Washoe poderia, com a mesma facilidade, ler dito "água pássaro". Terrace descobriu ainda que, contrariamente aos bebés humanos quando aprendem a falar, os chimpanzés não aumentavam gradualmente a complexidade das suas "frases". Mais recentemente, um chimpanzé pigmeu, Kanzi, veio reavivar o interesse por estes estudos. Kanzi vive no Centro de Es ludos de Linguagem, perto de Atlanta, na Geórgia. A sua habilidade para captar os elementos da linguagem parece demons trar que os chimpanzés pigmeus têm um potencial intelectual superior ao dos gori las, orangotangos e chimpanzés vulgares. Kanzi tem um teclado ligado a um computador. Cada tecla está marcada com um símbolo geométrico que representa uma palavra. Ainda bebé, Kanzi brincava no laboratório enquanto a mãe era ensinada a usar o teclado, e parece ter aprendido ao observá-la. Para surpresa dos cientistas, Kanzi começou a usar correctamente os símbolos aos dois anos e meio, e aos três tinha adquirido aptidões que os chimpanzés vulgares não tinham aos sete anos. Comunicando a solidão Os instrutores de Kanzi não afirmam que ele construa frases gramaticais, mas a verdade é que produz asserções de duas e três palavras que parecem espontâneas, comenta as suas acções c descreve aos instrutores aquelas que tenciona executar. Utiliza o teclado para comunicar com outros chimpanzés pigmeus que são objecto do mesmo treino — dizendo a um, por exem pio, que faça cócegas ao outro. As suas frases representam também a sua reacção a uma situação. Por exemplo, ao ser privado da companhia de oulro chimpanzé chamado Austin, Kanzi senliu-se aparentemente sozinho, sem a habitual visita do amigo à hora de deitar. Depois de algumas noites, marcou no seu teclado os símbolos de "Austin" e de '"IV", e mostraram-lhe um vídeo em que aparecia Austin. Depois disso, Kanzi adormeceu contente.

Os mamutes voltarão a existir?
O mamute lanudo, o dodó, ave que não voava, e a cuaga, uma espécie de zebra, eslão extintos. Mas as modernas técnicas de engenharia genética tornaram possível estudar a sua estmtura genética — ou até pôr a hipótese de lhes dar vida de novo. Para o conseguirem, os cientistas teriam de obter uma amostra de material contendo a informação genética necessária para se recriar um animal completo. Esta infor mação está contida no ácido desoxirribonucleico (ADN) das células do animal mas só pode ser obtida de um tecido que, de qualquer modo, tenha sido preservado desde que o animal se extinguiu. lima vez que da maioria das espécies extintas apenas restam fósseis, não existem quaisquer vestígios de tecido preservado. Mas alguns animais como o mamute - um parente peludo do elefante que se extinguiu há cerca de 12 000 anos - ficaram congelados nos solos da Sibéria, do Alasca e do Norte do Canadá. Ao serem desenterrados, a sua carne ainda continha vestígios de ADN. O primeiro passo para se reproduzir um espécime vivo seria extrair o ADN e copiá-lo, o que já foi feito com algumas espécies extintas, incluindo o mamute e a cuaga. A finalidade destas expe riências não era reconstituir os animais, mas estudar o ADN* e tentar obter novos conhecimentos através dele. Metade zebra, metade cavalo Pedaços de pele de cuaga conservados no Museu de História Natural de Mainz, Alemanha, forneceram ADN para a clonagem feita por dois cientistas da Califórnia, o Dr. Oliver Kyder, do Jardim Zoológico de San Diego, e o Dr. Russell I luguchi, da Universidade da Califórnia, em Berkeley. A cuaga, descrita pelos primeiros viajantes da província do Cabo, na Africa do Sul, como "metade zebra, metade cavalo", entrou em declínio quando os colonos começaram a vedar lhe o território e a introduzir o seu próprio gado. A caça incontrolada matou os últimos exemplares em estado selvagem, embora a cuaga tenha perdurado nalguns jardins zoológicos, até que o último espécime morreu de morte natural no Zoo de Amsterdão em 1893. Os laxidennis las que embalsamaram o exemplar de Mainz deixaram na pele fragmentos de músculo e gordura, dos quais foi possível extrair porções do ADN da cuaga. Inserido no ADN de uma bactéria, o ADN do animal extinto pôde ser copiado, pois passou a fazer parte do material genético daquela. O ADN revelou que a cuaga era real mente uma subespécie da zebra e veio criar a ideia de que as suas características talvez pudessem ainda existir em popula ções selvagens de zebras das-planícies. Esta ideia levou a uma tentativa de reconstituição da cuaga através de criação selecti va. Reinhold Rau, do South African Mu seum, na Cidade do Cabo, reuniu um grupo de pessoas empenhadas em conserva cão das espécies, grupo esse que se dirigiu à Reserva Natural de Ktosha, tia actual Namíbia, onde capturou oito zebras com poucas riscas nos quartos traseiros como a cuaga. Durante os próximos 10 anos, os cientistas procederão à reprodução selectiva destas zebras, tentando igua lar os padrões encontrados nas peles das cuagas conservadas no Museu de Mainz. Foram também estudadas amostras de ADN de uma múmia egípcia conservada há mais de 2400 anos e de um bretão que viveu há cerca de 2000 anos e cujo corpo foi encontrado em bom estado de conser vaçáo numa turfeira do Cheshire em 198-1. Múmia de um bebé A múmia — a de um bebé do sexo mas culino que contava menos de um ano quando morreu - faz parte da colecção do Museu Egípcio de Berlim, Alemanha. O cientista sueco Svante Paibo, do Laboratório Wallenberg, da Universidade de Upsa la, extraiu uma pequena amostra da parte inferior da perna esquerda e clonou com êxito, em 1985, ADN dela extraído. Mas o fragmento de ADN era apenas cerca de um vigésimo do ADN total que uma pessoa possui. Reconstituir qualquer ser a partir de tão pequena amostra é impossível. No entanto, estes trabalhos poderão vir a responder a algumas perguntas acerca dos antigos egípcios: se, por exemplo, sofriam de doenças genéticas ou se manifestavam sinais de casamentos consanguíneos. Será possível, um dia, reconstituir um animal completo? Suponhamos que se conseguia recuperar a informação genéti ca total de um mamute preservado no permafrosl, cloná-la e inseri-la depois no embrião de um elefante. Se o embrião fosse recolocado no útero da mãe elefante, esta daria à luz um mamute. Igualmente — pelo menos em teoria - poderia fazer-se o mesmo com os genes da cuaga, do dodó ou até dos antigos egípcios. Trala-se ainda de uma possibilidade teórica. Os fragmentos do ADN recuperados têm fornecido uma fracção insuficiente da informação genética total, e reconstituir o restante parece impossível. E nem mesmo esta ínfima possibilidade se verifica para animais que apenas existem sob a forma de fósseis. Assim, a hipótese de os dinossauros virem um dia novamente a pisar a Terra permanecerá, muito provavelmente, no campo da ficção científica.

O poder das palavras. As mãos juntos indicam u palavra "livro". Alguns macacos adquiriram vocabulários extensos.

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Reconstituir um ser pré-histórico a partir de alguns ossos
Quando o primeiro exemplar do homem de Neandertal foi descoberto no vale do rio Neânder, na Alemanha, em 1856, o seu esqueleto fossilizado sugeria que ele caminhava inclinado para a frente, com os joelhos dobrados e os nós dos dedos das mãos quase tocando o solo. E em breve esta figura trôpega e carrancuda foi aceite como protótipo do homem primitivo. Contudo, esta ideia estava totalmente errada. Devido a uma pouca sorte extraordinária, o primeiro esqueleto completo descoberto em Neandertal foi o de urn homem que sofrera de osteoartrite grave, que lhe deformara as costas e lhe dera o andar inclinado. Na verdade, e conforme revelaram descobertas posteriores, os homens de Neandertal andavam tão direitos como os de hoje e possuíam um cérebro até um pouco maior que o nosso. A reconstituição de uma espécie extinta é um trabalho difícil. Ocasionalmente, são encontrados espécimes pré-históricos intactos, como os mamutes preservados por congelação no permafrost siberiano e insectos extintos há milhões de anos que não sofreram qualquer deterioração no interior de gotas de resina vegetal fossilizada. Mas, frequentemente, os paleontologistas são confrontados com uma confusão de ossos lascados, espalhados e incompletos. Os erros de reconstituição são comuns. Em Inglaterra, em 1822, num monte de pedras à beira de um caminho no Sussex, a senhora Mary Ann Mantell encontrou os primeiros vestígios daquilo que seu marido, o Dr. Gideon Mantell, chamou um iguanodonte. Um dos dentes daquele animal gigante assemelhava-se ao de um lagarto actual, de onde a designação iguanodonte ("iguana-dente"). Mas qual o seu aspecto? Provavelmente, andaria sobre as quatro patas, como as iguanas actuais. Um osso que parecia p r o p o r c i o n a r uma ideia mais clara do seu aspecto assemelhava-se a um chifre de rinoceronte e assim, na reconstituição, foi colocado sobre o nariz do animal. Em 1854, foi feito um modelo em tamanho natural deste pesado quadrúpede e colocado nos jardins do Palácio de Cristal, inaugurado em Londres em 1851. Só passados mais de 20 anos, quando no fundo de uma mina de carvão em Bemissart, na Bélgica, foi encontrada uma manada inteira destes animais, se verificou que os iguanoriontes eram afinal herbívoros gigantes de duas pernas e 5 m de altura. O que fora tomado por um chifre verificou-se ser um espigão, semelhante a uni polegar, na pata dianteira, que serviria para defesa ou para arrancar as plantas de que o iguanodonte se alimentava. Pensa-se que estes gigantes vaguearam por aqueles campos há cerca de 120 milhões de anos. Quanto mais ossos existirem num achado, maior é a exactidão com que o animal pode ser reconstituído. Os diversos exemplares de esqueleto do diplodoco, por exemplo, permitiram aos cientistas saberem exactamente o lugar de cada um dos ossos deste gigante de 9 m. O segredo de uma reconstituição correcta é tomar notas rigorosas das posições dos ossos na altura em que são descobertos. Cada fragmento é numerado e etiquetado. Depois, tudo é cuidadosamente embalado, frequentemente em gesso ou em es puma de poliuretano. Uma vez desembalados, os ossos podem ser montados numa estrutura metálica. Trata-se de um trabalho especializado. Os cientistas têm de detectar as minúsculas irregularidades a que se encontravam originariamente ligados os músculos e os ligamentos e comparar depois a estrutura com a dos esqueletos dos animais de hoje — répteis, no caso dos dinossauros — para se certificarem de que os ossos são colocados na posição correcta. Uma vez completado o esqueleto, resta ainda um problema: como cobrir esse esqueleto com "carne". Também aqui é muito útil o conhecimento pormenorizado da anatomia dos animais actuais. Por seu lado, a pele pode ser deduzida de impressões fossilizadas que se formaram no caso de dinossauros que morreram no lodo. Mas uma coisa ficará para sempre na dúvida: a cor da pele do dinossauro. Resta-nos compará-la com a dos répteis actuais, que pode ser pardacenta para proporcionar camuflagem, viva para atrair os companheiras ou afugentar os predadores, ou até variável como a do camaleão. A reconstituição do homem primitivo continua a suscitar muita discussão, não só porque os restos fósseis são escassos, mas também porque os cientistas os interpretam de forma diferente.

Imagem errónea. A ideia de que os iguanodontes eram quadrúpe des com um chifre, como surge nestes modelos (em cima), revelou se errada. Uma descoberta de esqueletos na Bélgica, em 1877, permitiu uma reconstituição mais rigorosa (à esquerda) 194

O vale de Orno, na Etiópia, é o local onde foram descoberlos mais fósseis de homens primitivos, mas mesmo assim calcula-se que por cada milhão de pessoas que ali viveram só três fossilizaram. É raro aparecer um esqueleto completo ou mesmo parcial. Aqueles que estudam o homem primitivo lançam frequentemente teorias com base em metade de um maxilar - com consequentes discussões sobre o curso preciso da evolução humana. Dinossauro chinês. O esqueleto reconstituído de um tuojiangossauro esta seguro por meio de uma estrutura de metal e plástico. Com 7 m de comprimento, o animal viveu na China há 150 milhões de anos.

CONSTRUÇÃO DE UM MODELO 0 primeiro passo na construção de um dinossauro em miniatura é a medição dos ossos (em cima, à esquerda). Dese nha-se então o esqueleto à escala (centro), mostrando a postura do animal De pois, faz se um modelo com arame e barro, do qual se tira o molde. A partir deste, obtém-se um modelo em fibra de vidro laminada, pronto para ser pintado. Embora se tenham descoberto impressões fossilizadas em lodos, constituindo de certo modo um guia para a textura da pele, as cores poderão ter sido pardas, vivas, variegadas ou até variáveis. O animal aqui modelado, um galimimo, viveu na Mongólia, na Ásia Central, há 70 milhões de anos.

Em busca da máquina pensadora
Hoje em dia, os computadores já jogam xadrez, produzem novas demonstrações de problemas matemáticos, lêem e traduzem. Mas nenhuma máquina, por muito complexa, está perto de conseguir abranger o campo vastíssimo do pensamento humano. Ainda ninguém construiu uma máquina que seja capaz de aprender uma língua - algo que uma criança domina nos seus primeiros anos de vida. Os cientistas que trabalham nesta área pensam que um dia o funcionamento do cérebro será compreendido em toda a sua extensão, podendo então ser duplicado por meios electrónicos. Uma das dificuldades é a organização diferente do cérebro e do computador. O cérebro consiste numa rede de células chamadas neurónios. Contém entre 10 e 100 biliões de neurónios, cada um deles ligado com cerca de outros 10 000, e todos funcionando ao mesmo tempo. Os computadores, por seu lado, possuem milhões de circuitos lógicos individuais, cada um deles ligado a apenas um outro e funcionando em sequência. As in formações que fluem através do computador percorrem um caminho único em vez de serem distribuídas por todo ele, como no cérebro. Os circuitos do computador trabalham muito mais depressa do que os neurónios, e, em certas tarefas, o computador é superior - nos cálculos matemáticos extensos e complexos, por exemplo. No entanto, o cérebro, com os seus neurónios relativamente lentos, é muito superior no reconhecimento de padrões e na aprendizagem - processo que pode ter algo a ver com o aumento da densidade de conexões entre os neurónios enquanto essa aprendizagem tem lugar. Actualmente, um número cada vez maior de cientistas no Japão, nos EUA e na Europa trabalha em computadores que procuram copiar a arquitectura do cérebro. Estes computadores tomam o nome de redes neurais. Os seus elementos-base são circuitos electrónicos exactamente como os dos computadores vulgares, rnas estão ligados de forma diferente, com muitas interconexões, como acontece entre os neurónios do cérebro. Os computadores não são programados da maneira habitual pela introdução de um conjunto de instruções: sofrem um processo de aprendizagem no qual as informações lhes são introduzidas juntamente com exemplos das conclusões a que o computador deveria chegar ou com feedback sobre a qualidade do respectivo progresso. O processo é semelhante ao 196 que é utilizado no ensino de uma criança. O Prof. Igor Aleksander, do Imperial College de Londres, criou em 1981 uma rede neural chamada Wisard que conseguia reconhecer um sorriso humano — uma das primeiras coisas que um bebé aprende. Foi ensinada por meio da apresentação de uma série de fotografias, umas com sorrisos, outras sem. A partir daqui, era capaz de olhar para caras que nunca lhe tinham sido apresentadas e informar, no écran, se elas estavam ou não a sorrir. Na Universidade Johns Hopkins, em

Baltimore, o Dr. Terrence Sejnowski construiu, nos anos 80, uma rede neural capaz de pronunciar correctamente palavras inglesas que eram escritas no teclado. Esta rede neural aprendeu exactamente como uma criança, com as suas tentativas a serem corrigidas até saírem correctas. A organização emissora japonesa NHK tem urna rede neural que consegue identificar caracteres japoneses escritos à mão com 95% de rigor, independentemente do respectivo tamanho, posição e alterações na escala. As redes neurais estão ainda num estado muito incipiente, mas, se algum computador vier algum dia a ser verdadeiramente inteligente, os cientistas pensam que é esta a forma de o conseguir.

Como é que um computador traduz?
É fácil para um computador traduzir pala vras isoladas ou pequenas frases, mas não tão fácil traduzir textos. A tradução é muito mais que uma simples substituição de palavras: a maioria das línguas contém inú meras ambiguidades e termos que só são compreendidos no respectivo contexto. Dezenas de palavras têm dois ou três significados, e a construção de uma frase pode, além disso, ser ambígua. Termos co loquiais ou técnicos dificultam ainda mais a questão. Imagine-se a confusão de um engenheiro cujo manual falasse ern "planta de coca" como tradução de coke plant (fábrica de carvão de coque)! Em I9S4, a IBM apresentou o primeiro programa de tradução, que convertia em inglês frases russas simples, como "a gasolina é produzida por processos químicos a partir do petróleo bmto". Mas fazia muitos erros e transformava frases correntes em expressões sem nexo. Apesar destas dificuldades, os progra mas de tradução por computador há já algum tempo que são usados nas empresas. Possuem na memória extensos dicionários das línguas que traduzem — até 100 000 palavras e frases nos sistemas mais avançados. São usados para procurar e aplicar a palavra que mais se aproxima do termo correcto da outra língua. Mas a simples substituição de palavras conduz a muitos erros, e os textos necessitam de cuidadosas revisões por tradutores profissionais, que afirmam que este trabalho de revisão leva quase tanto tempo como uma tradução do texto a partir do original. Contudo, em 1988 já tinham sido criados sistemas com 96% dos lermos correctos — urna taxa de erras de 4% —, o que foi conseguido tornando o computador mais apto a fazer remissões entre as palavras e traduzindo frases inteiras, além das palavras isoladas. Quando necessário, inlrodu zem-sc termos técnicos no programa e o computador verifica os significados ambíguos e escolhe a palavra correcta. Foi tam bém aumentada a rapidez da tradução. Os computadores já conseguem traduzir com rapidez — é essa a sua principal vantagem. Se uma empresa pretende apresentar uma proposta, tem de agir rapidamente, mas a proposta pode ter centenas de páginas. Por muito pouco elegante que seja a linguagem, um computador consegue traduzi-la mais depressa que uma pessoa. Esta pode demorar meio dia para traduzir 1000 palavras de uma língua europeia para outra; um computador poderia fazer essa tradução e imprimi-la em cerca de 20 minutos. A Força Aérea Americana, pretendendo conhecer as emissões russas referentes ao programa espacial, criou em 1970 o tradutor Systran, que foi posteriormente adaptado a outras línguas europeias. O Systran traduz 360 000 palavras numa hora, com um rigor de 80%. Um tradutor profissional faz depois a revisão para aperfeiçoar o texto. O Systran é utilizado pela General Motors e pela Aerospatiale para traduzir os manuais de instruções. O Servi ço Meteorológico Canadiano uliliza-o na tradução das informações meteorológicas para francês. O sistema de tradução mecânica mais avançado do mundo é o Eurotra, destinado a auxiliar a Comunidade Europeia no Luxemburgo e em Bruxelas a traduzir quase 1 milhão de páginas por ano. A British Telecom está a aperfeiçoar um sistema de tradução automática pelo telefone em cinco línguas: inglês, francês, sue co, alemão e espanhol. O computador transforma o que o seu interlocutor diz nas palavras apropriadas da outra língua. De pois, um sintetizador de voz passa ao ouvinte a mensagem na língua própria deste.

MAKAVlLHAà UA UfclNUA

Computadores que nos ouvem e falam connosco
Conversar com um computador — fazendo-lhe perguntas e obtendo as respostas — já não é urna fantasia da Ficção cientí fica: é já uma realidade. 0 primeiro passo para se conseguir que um computador fale é introduzir na sua memória os sons comuns da fala - os fonemas. Estes são armazenados sob forma digital, como combinações de 0 e 1, cada uma das quais representa um som diferente. O computador está programado para agrupar os fonemas em palavras ou frases — sintetizar — e utiliza um altifalante para nos "dizer" o que queremos saber. Os computadores que "ouvem" são programados com um sistema semelhante para permitir que um receptor reconheça os fonemas. A maioria dos computadores apenas interpreta certas palavras, enunciadas segundo uma ordem predeterminada ou por uma voz previamente introduzida, mas os sistemas mais avançados conseguem hoje reconhecer e responder a qual quer voz humana, e alguns compreendem até mais do que uma língua. No entanto, o computador não pensa, pelo que não sustenta uma conversa propriamente dita. A voz emitida pelo computador não soa como a voz humana: os computadores que falam emitem sons sacudidos e mecânicos porque pronunciam cada som ria fala de uma forma idêntica e neutra, sem as entoações diversas ria fala humana. Investigadores holandeses têm tentado resolver este problema combinando os sons da fala em fragmentos menores e agrupando-os de modo a produzirem palavras com entoa ções mais humanas. Muitos dos sistemas de computadores falantes são utiliza dos nos telefones. Nos EUA, as companhias de telefones usam uma voz computorizada quando precisam de dizer às pessoas que o número que marcaram foi alterado. A voz diz então qual é o novo número. Estes computadores não podem "ouvir" uma pergunta e respondem simplesmente aos números incorrectamente marcados. Estudos em curso nos EUA e em França têm por objectivo criar uma lista telefónica

computorizada que responderá às nossas buscas com o número correcto. 0 computador falante introduzido nos sistemas de horne banking foi criado pela British Telecom e entrou em fase de expe riências no princípio de 1988. O cliente telefona para um número especial, atendido pelo computador, e diz-lhe o seu nome, código pessoal e uma palavra senha. O computador faz urna "impressão vocal" dos padrões da fala que funciona como uma assinatura, impedindo outra pessoa de ligar o mesmo número e usar a conta Quando o computador aceita a chamada e identifica a pessoa, reconhecerá depois uma série de instruções verbais às quais responderá em inglês. Ele pode, por exemplo, fornecer pormenores sobre o último movimento, dar o saldo da conta, pagar facturas e confirmar requisições de livros de cheques ou de extractos de conta. Nos EUA, já foram construídos sintetizadores de fala computorizados destinados a dar voz a algumas crianças que a não possuem. São programados com uma voz tanto quanto possível natural, baseada em geral, na de um innão ou irmã da criança. Um sintetizador para uma criança mui-

to jovem, de 4 anos, por exemplo, deve possuir um vocabulário adequadamente restrito; a criança escolhe as palavras que quer, utilizando umjoystick para indicar as respectivas imagens. Uma criança mais velha ou um adulto dactilografam as frases num teclado, sen do estas depois articuladas pelo sintetizador. Nos paralíticos, um sensor ligado à sobrancelha actua como ojoystick. Outro processo consiste no emprego de um sen sor electrónico que detecta os movimentos do olho para introduzir as instruções. O potencial dos computadores falantes é grande, e trabalha-se já na criação de sistemas rápidos com vocabulários extensos. Eles são já utilizados em trabalhos de tradução, em serviços de informações, corno os de compra e venda do mercado de títulos, nas reservas de passagens aéreas e na segurança e prevenção de acesso a edifícios e a Ficheiros de computador. No futuro, aparelhos portáteis permiti rão provavelmente a uma pessoa que fala inglês fazer perguntas simples que serão traduzidas num écran para japonês, por exemplo. Para responder, o japonês utilizará uma máquina semelhante.

O SINTETIZADOR - COMPUTADOR QUE GRAVA E RECONSTRÓI A FALA

A impressão vocal da ooz de uma mulher que pronuncia a palavra "baby" é reproduzi da por um sintetizador e apresentada num écran. O teclado e o uisor de um sintetizador da fala (à direita) estão ligados a um computador que reconhece e interpreta a fala humana 0 sistema é utiliza dono estudo da fala e para fazer os computadores "conversar". E também utilizado em sistemas C*«W -Harmr*r de segurança de edifícios.

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Como se cindem os átomos?
Já no século v a. C. os filósofos gregos avançaram a teoria de que toda a matéria era constituída por partículas indivisíveis. 0 seu conceito do átomo c o m o o mais p e q u e n o componente existente na Natureza foi aceite durante mais de 2000 anos. Até que, em 1919, o átomo foi fragmentado pela primeira vez num laboratório da Universidade de Manchester. Este acontecimento, que nos lançou na era nuclear, culminou as experiências de Ernest Rutherford, que vinha investigando as velozes partículas alfa libertadas pelo elemento radioactivo rádio. Pela extremidade de um tubo com cerca de 20 cm de comprimento, Rutherford introduziu uma haste em cuja ponta havia um disco de latão revestido de rádio. O outro extremo do tubo foi vedado com um delgado disco de metal por detrás do qual havia um écran de sulfureto de zinco. O tubo podia ser enchido com diversos gases. 0 disco de metal fino barrava o caminho da maioria das partículas alfa emitidas pelo rádio. Mas quaisquer partículas de alta energia (longo alcance) que se formassem pela acção das partículas alfa sobre os átomos de gás no interior do tubo atravessariam o disco. Quando uma destas partículas embatia no sulfureto de zinco, este emitia uma centelha de luz esverdeada - o que permitia contá-las. Quando o gás no tubo era oxigénio ou dióxido de carbono, a frequência das centelhas era baixa, o que era explicável pela capacidade da folha de metal c destes gases de pararem as partículas alfa. Mas quando se utilizava ar, o número de cintila ções aumentava inexplicavelmente - só poderia dever-se à presença do azoto. Para o confirmar, Rutherford empregou azoto puro. Concluiu que as partículas alfa desintegravam os átomos de azoto, com produção de núcleos de hidrogénio de alta energia que atravessavam o disco metálico. Rutherford veio a chamá-los protões. "Temos de concluir", escreveu, "que o átomo de azoto é desintegrado." Experiências posteriores confirmaram as conclusões de Rutherford. Uma partícula alfa, ao colidir com um núcleo de azoto, combina-se com ele; o novo núcleo é instável, desintegrando-se logo a seguir, com emissão de um protão. Eram estes protões que Rutherford via no seu écran. Os

núcleos resultantes desta desintegração são de um elemento totalmente diferente, o oxigénio. Rutherford transmutara um elemento, o azoto, noutro, o oxigénio. Em breve se descobriram processos mais eficazes para cindir os átomos. Em 1928, em Cambridge, Cockcroft e Walton substituíram as partículas alfa por protões. Usaram um aparelho chamado multipli-

cador de voltagem, que amplia enormemente a tensão eléctrica, para acelerarem estas partículas, comunicando-lhes uma grande energia. Em 1932, quando dispararam estes protões acelerados sobre ato mos de lítio, obtiveram dois átomos de hélio por cada átomo deste metal. Este êxito levou a uma série de experiências em que se usaram vários tipos de partículas para bombardear diversos "alvos". Em Janeiro de 1939, Otto Hahn e Lise Meitner, da Universidade de McGill, em Toronto, concluíram que um átomo de urânio - o mais pesado dos elementos naturais —, ao ser bombardeado por um neutráo (partícula semelhante ao protão, mas sem carga eléctrica), se dividia em dois átomos, cada um com cerca de metade da massa rio de urânio, libertando uma enorme quantidade de energia c dois ou mais neutrões que poderiam, por sua vez, provocar a cisão de outros átomos: era o prin cípio da reacção em cadeia, base da bomba atómica e dos reactores nucleares. Quebra-átomos. Neste tubo, Rutherford demonstrou peia primeira vez a possibilidade de os átomos se "partirem". O original está no Museu Cuoendish. em Cambridge.

RUTHERFORD CINDE O ÁTOMO
Folha de metal _Ent /saídas de 08869
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Disco revestido com rádio

Haste Partículas alfa emitidas

O rádio emitia partículas alta, das quais muito poucas — só as mais energéticas - deveriam atingir o alvo: quando o tubo continha ar, observava-se um excesso de cintilações
Folha de meta Disco revestido com rádio ndro As cintilações diminuem-

Hasle

Os átomos do gás ajudam a parar as partículas

ntrodução de oxigénio ou dióxido de carbono

Quando, em vez de ar, o tubo continha oxigénio ou dióxido de carbono, contavam se de (acto muito menos cintilações.
Folha de meta As cintilações aumentam porque os protões penetram a folha Partículas alfa desintegram átomos de azoto Disco revestido com rádio

Haste

Quando o tubo continha azoto puro. o número de cintilações era maior: Rutherford concluiu que da colisão das particulus alfa com os átomos de azoto resultavam protões com alta energia, responsáveis pelo excesso de cintilações. Desintegrara o átomo de azoto.

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Explorando o interior do átomo
Os cientistas que exploram a estrutura do zida, o vapor de água condensava-se, forátomo defronlam-se imediatamente com mando uma névoa. O processo de condenum problema: os átomos são demasiado sação podia ser desencadeado pela passa pequenos para que os seus pormenores gem de partículas subatómicas com cargas possam ser vistos por qualquer microscóeléctricas: tal como os aviões voando alto pio. O diâmetro de um átomo típico é de na atmosfera deixam rastos de gotículas de cerca de 20 milionésimos de milímetro vapor condensado, assim as partículas deie quase todo o seu volume é espaço vazio. xavam rastos na câmara de Wilson. No centro do átomo encontra-se o Blackett registou efectivamente a desinseu denso núcleo, que ocupa menos de tegração do núcleo por colisão com uma 1/100 000 do volume total. Em redor dele partícula alfa na sua câmara. Para o conseorbitam electrões - partículas su bato miguir, tirou 23 000 fotografias que mostravam cas muito mais leves que o núcleo e com carga eléctrica negativa que contrabalançam a carga positiva do núcleo. Ainda mais extraordinário é que é possível estudar a estrutura de cada um dos componen tes atómicos e, por exemplo, demonstrar que os núcleos são formados por partículas ainda menores. Mas como podem os dentistas saber tudo isto se não conseguem ver as partículas? Os factos são o resultado de uma longa série de experiências nas quais gerações de cientistas fragmentaram átomos com o auxilio de aparelhos complexos chamados aceleradores de partículas. O conceito inicial de átomo era o de uma partícula dura, sólida e uniforme. Mas em Cambridge, Inglaterra, em 1897, o fí Electrão em espiral. Trajectória em espiral de um elecsico Joseph John Thomson destrão no CQmpQ magnético de uma câmara de bolhas. Focobriu o minúsculo electrão. tografada no Laboratório Lawrence Berkeley. Califórnia. Como a cabeça de um alfinete Por volta de 1911, o físico neozelandês Ernest Rutherford tinha já demonstrado, por observação do ricochete de partículas alfa ao colidirem com os átomos, que praticamente toda a massa atómica se encontrava concentrada num núcleo pequeníssimo, e não dispersada pelo volume atómico. Se um átomo fosse, por exemplo, do tamanho de uma casa, o núcleo não passaria de uma cabeça de alfinete. Inicialmente, todos estes dados foram aceites em teoria, pois não havia processo de observar as partículas individualmente. Mas pouco tempo depois, o físico britânico Patrick Blackett, que começou as suas investigações por volta de 1919, tirava as primeiras fotografias de colisões de partículas que originavam transmutações. Utilizou um aparelho chamado câmara de nevoeiro, ou de Wilson um recipiente de vidro contendo ar húmido. Quando a pressão no interior do recipiente era subitamente redu400 000 trajectórias de partículas alfa Só em 1925, seis anos após ter iniciado os trabalhos, conseguiu ter registadas oito trajectórias ramificadas, mostrando a desintegração de um núcleo atómico. A câmara de Wilson e, posteriormente, a câmara de bolhas, na qual as partículas deixam num meio líquido um rasto de bolhas, têm sido, desde então, instrumentos fundamentais para os físicos das partículas. Colisões a alta energia A medida que as velocidades das partículas em colisão eram aumentadas por máquinas cada vez mais potentes, foram sendo descobertas mais partículas subatómicas. Verificou-se que os átomos simples imaginados por J. J. Thomson e Ernest Rutherford eram na realidade muito complexos. Em 1950, conheciam-se pelo menos 14 partículas elementares, e em 1964 esse total aumentara para mais de 80. Cada aumento da energia das partículas

Primeira* prova». Trajectória de urna par tícula alfa ao colidir com átomos, registada pelo físico inglês C T R. Wilson na câmara que inventou e que recebeu o seu nome.

Trajectória de colisão. Os traços sâo as trajectórias de partículas em hidrogénio líquido numa câmara de bolhas. que colidem produz novos dados que têm de ser explicados. Mas para atingir estas energias mais elevadas, houve que criar aceleradores cada vez maiores, com nomes como ciclotrão e sincrotrão. O maior de todos será construído na ci dade de Waxahachie, no Texas. Será um anel tubular gigante com o perímetro de 85 km. Dois feixes de protões circularão no seu interior em sentidos opostos. Electroímanes superpotentes guiarão os feixes de protões enquanto são acelerados por campos eléctricos até quase atingirem a velocidade da luz e colidirem. Espera-se que seja confirmada a existência de uma série de partículas hipotéticas com nomes como o bosão de Higg ou o top quark, que se pensa tenham existido apenas momentaneamente durante o nascimento do Universo. Este acelerador, o Super Collider, será construído em túneis subterrâneos. Ocupará 405 ha e custará 4400 milhões de dólares Deverá estar pronto em 1996.

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MARAVILHAS DA ULNCIA

Ver os átomos
As primeiras imagens de átomos, os constituintes básicos de toda a matéria, foram produzidas cm 1956 pelo físico Krwin W1 lhem Mueller. da Universidade Estadual da Pensilvânia, ao fim de 20 anos de experiências com microscópios especiais. Mueller injectou hélio numa câmara de vácuo onde havia uma ponta metálica extremamente fina. Os átomos de hélio, que, por acaso, tocavam na ponta - à qual eslava aplicada uma elevada tensão eléctrica positiva -, perdiam uma parte da sua "nuvem" de electrões: transformavam-se em iões de hélio positivos (um ião é um átomo com carga eléctrica). Os iões eram aceleraAtomos em formatura. A primeiro imo gem visual de como os átomos eslão dispostos numa molécula de benzeno foi obti da por investigadores em Zurique. As moléculas de benzeno da imagem encontramse adsorvidas na superfície de um crista! daí a suo arrumação regular.

ESCREVER NUM MUNDO MICROSCÓPICO
A armazenagem miniaturizada de informações será uma benesse para instituições como as bibliotecas, que têm de guardar grandes quantidades de volumosos livros, jornais e relatórios. Por exemplo, eslima-se que o Museu Britânico acrescenta às prateleiras da sua biblioteca 13 km de livros anualmente. Cientistas do Laboratório Cavendish, em Cambridge, utilizaram um feixe de electrões para produzir padrões de pontos formando imagens e escrita microscópicas em fluoreto de alumínio. Por este processo conseguem reduzir a escrita a uma densidade de 10 milhões de palavras por milímetro quadrado.

Padrão de pontos. Utilizou-se um feixe de electrões para reduzir o tipo escrito até 10 milhões de palavras por milímetro quadrado.

O mais pequeno cartão. Este desenho de um pisco foi produzido por um feixe electrónico que faz padrões de furos. Tem cerca de um milionésimo do tamanho normal.

Dimensões quase atómicas. O furo cavado por um feixe de electrões em fluoreto de alumínio mede pouco mais que a distância entre dois átomos. As linhas são fiadas de átomos.

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dos segundo trajectórias rectilíneas — atraídos por um écran fluorescente com carga negativa. Ao chocarem com o écran, produziam uma imagem rigorosa da ponta metálica ampliada 5 milhões de vezes. As posições dos átomos apareciam como pontinhos brilhantes. Durante os anos 80, foram produzidas imagens de átomos muito mais espectaculares com o microscópio de efeito de túnel (STM - SCarming (unnelling microscope), inventado era 1981 nos laboratórios da IBM em Zurique. O aparelho produz a imagem da superfície de uma amostra como um mapa de curvas de nível, mostrando as posições dos átomos individuais. Uma agulha, aguçada quimicamente por forma que na sua ponta haja um único átomo, é colocada a aiguns átomos de distância da superfície da amostra a estudar. Uma diferença de potencial entre a ponta e a amostra produz uma corrente eléctrica. Quando se corre a ponta paralelamente à superfície, a resistência ã corrente varia ao passar sobre sucessivos áloinos. As medições das variações de resistência utilizam •se para desenhar um mapa de curvas de nível, revelando átomos individuais ou os sítios onde faltam átomos (lacunas) e quaisquer defeitos na estrutura cristalina. O resultado é uma imagem extraordinária, mostrando os átomos ligados entre si como num modelo de laboratório. O STM tem a vantagem de, contrariamente ao microscópio electrónico, não danificar a amostra em estudo. Deve vir a revelar-se valiosíssimo na criação de novos dispositi vos microelectrónicos, cujo comportamento é determinado pelo rigor na colocação de camadas de átomos diferentes.

Como foi medida a velocidade da luz?
Nos meados do século xix, Jean Foucault, físico do Observatório de Paris, mediu a velocidade da luz com uma aproximação notável, utilizando dois espelhos afastados 20 m entre si. Um dos espelhos era fixo, o outro girava a 800 rotações por segundo. Se um raio de luz atingia o espelho quando este se encontrava exactamente no ângulo certo, era reflectido para o espelho fixo, voltava a rc flcclir-.se para o rotativo e deste para a fonte (v. diagrama). No tempo que levava a viagem de ida e volta entre os espelhos, o espelho rotativo tinha rodado um pequeno ângulo, de modo que o raio que era devolvido à fonte se desviava ligeiramente da sua trajectória inicial. Servindo se do desvio do raio para medir o ângulo de que o espelho se deslocara e conhecendo a velocidade de rotação, Foucault pôde calcular o tempo que a luz levara no seu percurso e a sua velocidade. O resultado final apresentado por Koucault em 1862 foi de 300 900 km/s. O método utilizado por Koucault foi aper feiçoado na década de 1920 pelo físico ame ricano Alberl Michelson, que enviou a luz ao longo de um tubo evacuado com 1,6 km de comprimento para eliminar os efeitos do ar sobre a sua velocidade. As medições mais recentes conduziram a 299 793 km/s.

A EXPERIÊNCIA DE FOUCAULT
Cilindro rotativo Pequeno ângulo percorrido pelo espelho rotativo

Fisco do Observatório de Paris, Jean Foucault (1X196H) passou 12 anos nas suas experiências sobre A velocidade de um espelho rotativo e o seu movimento angular a velocidade da luz. entre as reflexões eram vitais para os cálculos de Foucault.

Como foi medida a velocidade do som?
Conforme notam todos aqueles que observam um estaleiro de construção a certa dis tância, o som de um bate estacas chegados atrasado em relação à respectiva imagem: o som é comparativamente lento. O trovão ouve-se quase sempre alguns segundos depois do relâmpago que o pro vocou: numa tempestade a I km de distância, o intervalo é de cerca de três segundos. A velocidade exacta de propagação do som confundiu os cientistas até há cerca de 100 anos. Uma maneira óbvia de medir a velocida de do som é verificar o tempo que ele leva a percorrer uma distância conhecida — por exemplo, provocando uma explosão numa colina distante, pondo o cronometro a trabalhar quando se vê o clarão e pa rando-o quando se ouve o som. Mas o resultado seria apenas uma aproximação, dependente da rapidez da reacção humana. E há 100 anos nenhum relógio conseguia medir centésimos de segundo. A fim de ultrapassar estes problemas, o químico e físico francês llenri Victor Reg nault imaginou em 1864 um aparelho que fazia as medições automaticamente. Tratava se de um cilindro rotativo revés tido a papel, no qual uma pena desenhava um traço. A pena, ligada a um dispositivo eléctrico, tinha duas posições possíveis de contacto com o cilindro — uma com a corrente ligada, outra com a corrente desligada. Era comandada por dois circuitos, um defronte da boca de um canhão a uma distância considerável, outro através de um diafragma sensível ao som junto ao cilindro. No início da experiência, ligava-se a corrente. O cilindro rodava e a pena traçava uma linha. Quando o canhão disparava, cortava o primeiro circuito, obrigando a pena a saltar para a segunda posição. Um ou dois segundos depois, o som do tiro chegava ao diafragma, que voltava a fechar o circuito, fazendo com que a pena voltasse à sua posição inicial. Como a velocidade de rotação do cilindro era conhecida, o salto na linha registava o tempo que 0 som levara entre o canhão e o diafragma. Resultado: o som do tiro propagava se a cerca de 1200 km/h, ou seja 340 m/s. Desde o tempo de Regnault, os cientistas demonstraram que o som se propaga na água a cerca de quatro vezes a sua velo cidade no ar e a mais de dez vezes através de um sólido..Pode efectuar se uma experiência relativamente simples que prova esta afirmação: pegue-se numa barra ou varão de ferro comprido e direito, encostese-lhe o ouvido c peça-se a alguém que, a certa distância, lhe bata com um martelo. Ouvir-se-áo dois sons distintos: o ouvido encostado ao ferro ouvirá o som uma fracção de segundo antes do outro ouvido, que recebe o som através do ar.

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• uvs "Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som
Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som, Charles "Chuck" Yeager, de 24 anos, capitão da Força Aérea dos EUA, partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo, com a sua mulher, no deserto do Mojave. Na manhã seguinte, um médico local ligou-lhe o tronco, mas, mesmo assim, "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido às dores. Sabia que, se houvesse notícias do seu estado, as entidades superiores adiariam a tentativa, projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947. O avião Bell X-l, accionado por foguetes e pintado de cor de laranja, seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e, depois de uma curta planagem sem motor, começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-1), Yeager tinha de descer por uma pequena escada. A porta do cockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. Uma vez colocada a porta, Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado. Então, o seu mecânico de voo, Jack Ridley, teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a rnão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura", recordou depois Yeager. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo, que se ajustava perfeitamente ao manipulo. Depois, entrei no X-l e fizemos uma expe' riência. Ele encostou a porta ao caixilho e eu, levantando o manipulo com o pau da vassoura, consegui fechá-la." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro, o B-29 largou da Base Aérea de Muroc, no deserto do Mojave. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro — que levava o X-l encaixado na barriga. Apesar das dores que sentia, Yeager estava optimista. Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude, mais lentamente o som se propaga). Na sua tentativa, Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar.' A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de

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Avião mais rápido que o som. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). "Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher, Glennis (à direita). Mach - nome do físico Emst Mach (18381916). Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1. Se um avião não é desenhado para o -voo supersónico, fortes ondas de choque atingcm-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável, causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. Teoricamente, o X-l, com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves, não seria afectado. Contudo, tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos. Para se proteger, Yeager usava um grande capacete de râguebi, de couro, por cima do seu capacete de voo. Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m), Yeager avançou para o compartimento das bombas, a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. Empurrou a escada de alumínio pelos carris c deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. "Descer o diabo da escada fez-me doer", recordava depois. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado. Funcionou perfeitamente." Depois, teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit. "A tremer", lembrava, "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no avião mais frio que jamais voou. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira. Ò Bell X-1 tinha apenas 9,5 m de comprimento e 8,5 m de envergadura. Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager, o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/h. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento, a 182vC negativos. Durante os próximos 15 minutos, só há que bater os dentes ... é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico." Durante os voos de ensaio, a transpiração de Yeager acrescentara mais uma ca-

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à boleia. Para conservar a sua carga de combustível de 2700 I de oxigénio liquido e álcool, o X-1 foi transportado no compartimento das bombas de uma superiortaleza B-29 até aos Ç000 m de altitude. Para iniciar o seu voo, o X-1 foi largado como uma bomba. mada de gelo ao vidro da frente. Para contrariar este efeito, o mecânico-chefe tinha posto um pouco de champô para o cabelo no vidro. "Por qualquer razão desconhecida", afirmou Yeager, "aquilo funcionou como um eficaz dispositivo ahticongelante, e continuámos a usá-lo mesmo depois de o Governo ter comprado um produto químico especial a 18 dólares por garrafa." Os dois aviões, ainda engatados um no outro, voavam a cerca de 15 000 pés (4570 m) e continuavam a subir. Aos 20 000 pés (6100 m) o piloto do B-29, major Bob Cardenas, iniciou a contagem decrescente "... cinco ... quatro ... três ... dois ... um ... LARGA!" Premiu o botão e, com um sacão, o X-1 estava entregue a si próprio e caindo pelo espaço, de nariz para cima A queda durou cerca de 150 m, enquanto Yeager lutava desesperadamente com os comandos. Finalmente, baixou o nariz do avião e acendeu as quatro câmaras dos foguetes. Ele sabia que o combustível podia "explodir com uma pequena faís-

ca de um interruptor de ignição e espalhar os meus pedaços por uma série de conda dos". Mas tudo correu de acordo com os planos. O X-l subiu ã velocidade de Mach 0,88 e começou a oscilar violentamente. Yeager puxou imediatamente o botão do e s t a b i l i z a d o r , e o avião e n d i r e i t o u -se a 36 000 pés (11 000 m). Desligou duas das câmaras de foguetes - e a 40 000 pés (12 200 m) estava a subir a Mach 0,92. De novo voltou à horizontal - desta vez a 42 000 pés (12 800 m). Voltou a acender o foguete n.° 3 — e instantaneamente chegou a Mach 0,96 e continuou a acelerar. "Estávamos a andar mais depressa que o som!", afirmou. "E o voo era tão suave como a pele de um bebé: a minha avó podia ir ali sentada e a beber limo nada Levantei em seguida o nariz do avião para o afrouxar. Depois de todas, as ansiedades, vi que ultrapassar a baneira do som era como andar numa pista perfeitamente alcatroada." Para eliminar o risco de explosão quando o X-1 aterrasse, Yeager largou o resto do combustível e sete minutos depois o avião pousava em segurança. "E assim, naquele dia f fui um herói", disse com simpli cidade. "Como de costume, os bombeiros
acorreram e apanhei boleia até ao hangar.

O sol quente do deserto sabia-me maravilhosamente."

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203

MAKAVILHAS DA CIÊNCIA

Como os cientistas tentam prever os sismos
Em 4 de Fevereiro de 1975, funcionários da província chinesa de Liaoning, na Manchúria, emitiram um aviso urgente de que estava prestes a ocorrer um tremor de terra. Urna série rie pequenos abalos nessa manhã parecia avisar da iminência de uma catástrofe. As pessoas foram aconselhadas a pennanecer fora de casa, ainda que fosse Inverno e estivesse muito frio. No mesmo dia, pouco passava das 7.30 da tarde, verificou-se um forte sismo. Centenas de casas ruíram, mas, como a população se tinha mantido ao ar livre, poucas pessoas ficaram feridas. Este foi um dos primeiros casos conhecidos em que um terramoto foi correctamente previsto, e resultou de um programa iniciado pelo Governo Chinês em 1965 para tentar diminuir a terrível mortalidade provocada por abalos sísmicos. Mas os métodos utilizados falharam posteriormente na previsão de terramotos mais graves - como o catastrófico que, no ano seguinte, matou mais de 240 000 pessoas em Tangshan, na China Oriental. Por outro lado, algumas previsões têm dado origem a falsos alarmes. Contudo, aquele êxito tornou evidente o valor que poderá ter a previsão correcta dos tremores de terra. Actualmente, e de um ponto de vista empírico, consideram-se como indícios de um sismo iminente: ocorrência de pequenos sismos (premonitórios) durante horas, dias ou meses (embora ocorram grandes terramotos sem abalos preliminares e outras vezes os pequenos abalos não tenham sequência); abaixamento do nível da água nos poços e subida da sua temperatura; comportamento anómalo dos animais. Com efeito, foi a observação destes indícios nos EUA em 1974 e na China em 1975 e 1976 que permitiu minorar as con sequências de fortes abalos que se verificaram pela adopção de medidas preventivas adequadas. Os modernos esforços científicos para a previsão sísmica concentram se na observação de uma série de modificações verificadas na crusta terrestre antes de um grande sismo. Assim, embora não exista qualquer indicador único de confiança, os sismólogos procuram aperfeiçoar as suas previsões com base em quatro indicadores principais: o primeiro é a velocidade a que as ondas de choque se propagam através da crusta. Quando as tensões subterrâneas se acumulam, as pressões exercidas sobre as rochas alteram a forma de propagação das ondas de choque. A velocidade destas

parece diminuir, para voltar a aumentar imediatamente antes de um abalo Pequenas explosões e abalos preliminares podem ser analisados para revelar essas alte rações. O segundo indicador envolve alterações no nível da superfície topográfica, que se eleva muito ligeiramente com o aumento da pressão no interior. Uma zona da região da falha de Santo André, na Califórnia, subiu 40 cm em 20 anos. O terceiro é a emissão de maiores quantidades de rádon, gás inerte, radioactivo, que se liberta permanentemente através do solo, mas cuja concentração parece aumentar antes de um terramoto. E o quarto são as mudanças no comportamento eléctrico ou magnético das rochas nos momentos em que elas se aproximam do seu ponto de fractura antes do abalo. Estas medições já permitiram, de certo modo, uma previsão. Em Novembro de 1974, cientistas americanos detectaram alterações magnéticas, inclinações do solo e

Linha de falha. A falho de Santo André — uma das fracturas mais importantes da crusta terrestre - atrauessa o Sul da Califórnia e a península de S. Francisco no sem ido noroeste-sudeste. mudanças de velocidade das ondas de choque perto de Hollister, no Centro da Califórnia. Um deles, John Healy, do US

204

MAKAVILhA.^ UA UtINUA

Mudança de curso. A falha de Santo André resulta do movimento de duas das maiores placas crustais da Terra - a do Pacifico e a da América do Norte. Este movimento alterou o curso de um rio (topo direi to da fotografia) que em tempos atravessava a falha. O rio percorre agora uma parte desta e retoma o seu curso do outro lado, no seu leito original (em baixo, à esquerda). Geológica] Survey, argumentava que os sinais eram suficientemente claros para se emitir um aviso, mas os colegas discordaram, pelo que nada se fez. No dia seguinte, um sismo de magnitude 5 abalou Hollister. Empresas e pessoas podem fazer seguros contra sismos, mas não contra as consequências de um alarme falso que provoque a evacuação, em pânico, de cidades inteiras. Um único rebate falso poderia levar a que uma previsão genuína fosse ignorada, garantindo assim a ocorrência da catástrofe que, em princípio, a previsão evitaria.

Desalinhadas. Em 1940, a actividade sísmica no Imperial Valley, na Califórnia, fez desalinhar filas de árvores deste pomar, plantado sobre o percurso de uma falha

OS GRANDES TERRAMOTOS DO SÉCULO XX
DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS DATA LOCAL MAGNITUDE MORTOS

1906 1908 1920 1923 1927 1931 1932 1935 1952 1962 1964 1968

S. Francisco, EUA Itália China Japão China Nova Zelândia China Paquistão Califórnia, EUA Chile Alasca Irão

8,3 7,5 8,6 8,3 8,3 7,9 Desconh. 7,5 7,7 8,5 8,5 7,4

83 180 99 200 70 20-60 4-5 12

700 000 000 000 000 255 000 000 11 000 178 000

1970 1976 1978 1979 1980 1980 1981 1983 1983 1985 1985 1988

Peru China Irão Equador Argélia Itália Irão Japão Turquia Chile México URSS (Arménia)

7,7 7,8 7,7 7,9 7,7 7,2 7,3 7,7 7,1 7,4 8,1 7,0

50-70 000 242 000 15 000 600 35 000 3000 2500 58 1 300 177 4 287 25 000

Medindo a intensidade das ondas de choque de um sismo, os a 'ntistas determinam a sua magnitude» - a quantidade de energia libertada no foco, ou hipocentro. E,'ta é medida na escala de Richter — de 1 a 10, criada pelo sismóiogo c aliforniano Charles Richter em 1935. A escala é logarítmica: um a balo de magnitude 8 é 10 vezes maior que um de magnitude 7, 100 i ezes maior que um de 6, etc.

205

IDEIAS PRATICAS E SOLUÇÕES ENGENHOSAS desta natureza é o domínio do ar proporcionado por aviões — com base em porta-aviões - constantemente em patrulha na intenção de evitar que a aviação inimiga se aproxime o suficiente para lançar os seus mísseis. Mas este tipo de defesa é difícil no caso do míssil soviético SS-N-3 "Shaddock", que pode ser lançado a mais de 400 km do alvo. Os aviões de defesa podem transportar mísseis antimísseis como o Phoenix americano, mas não podem garantir a destruição de um míssil em voo. Quando os aviões de apoio a uma esquadra não conseguem evitar um ataque, os navios lém de recorrer às suas próprias defesas. Estas são constituídas por mísseis antimísseis como o Aegis, que defende os navios dos EUA; os contratorpedeiros por ta-helicópteros canadianos da classe "City" possuem os Sea Sparrows, e os navios soviéticos têm os sistemas SA-N-3 (Goblet) e SA-N-4. As ondas do mar provocam frequente mente interferências no radar do navio, permitindo aos mísseis de voo rasante aproximarem-se muito do seu alvo antes de serem detectados. Durante a Guerra das Malvinas, em 1982, por exemplo, o contratorpcdeiro britânico Sheffield foi atingido em 4 de Maio por um míssil Exocet. O avião argentino atacante, um Super Elendard. não foi detecAlvo atingido. A fragata americana Stark, atingida nas águas do golfo Pérsico por dois tado pelo radar do navio por voar muito mísseis Exocet iraquianos disparados de um avião Mirage FI-EQS. perto da água e disparar de mais de 30 km de distância. Quando os mísseis atacantes escapam a todas as outras barreiras, a protecção de último recurso do navio é-lhe dada pelos seus canhões, que podem disparar uma cortina de fogo tão densa que alguns dos projécteis atingirão, com certeza, o míssil que se aproxima. As peças americanas Phalanx disparam projécteis de 20 mm ao ritmo de 3000 por minuto. Estes projécteis de chumbo com núcleo de urânio são suficientemente peMísseis antimísseis. Um pona-aoiôes lança aviões portaSubmarino caça-submarinos. Os nasados para deterem qualmísseis para se defender dos ataques inimigos. Dois F18 de vios de guerra obtêm alguma protecção de quer míssil que atinjam. combale e ataque aguardam, prontos, no tombadilho. submarinos como o Sturgeon americano. Outras nações utilizam projécteis maiores - o sistema germano/ vezes, o navio consegue esgueirar-se ou holandês Goalkeeper utiliza canhões Maumesmo escapar-se de um torpedo, mas as ser de 30 mm, capazes de disparar 300 proúnicas defesas eficazes são submarinos jécteis por minuto. As peças são de uma que perseguem e torpedeiam os submariprecisão considerável, pois o tiro é comannos inimigos ou helicópteros equipados dado pelo radar. com sonar, operando em conjunto com navios à superfície. Os helicópteros reboMesmo que a artilharia falhe, o sistema cam detectores sonar dentro de água para de radar do míssil (ou do avião que o lanlocalizarem os submarinos inimigos, que ça) pode ser anulado pelo disparo de pedepois são atacados por mísseis ar-superfíças Chaff, que criam nuvens de fitas de alu cie ou por cargas de profundidade. mínio que produzem centenas de ima gens ("neve"), tornando impossível distinOs porta aviões são alvos fáceis para os guir o alvo. torpedos. A forma de os proteger é com O último recurso. .Sc os mísseis penetram um anel de navios de guerra que detectem Não existem sistemas semelhantes para as defesas de um navio, podem ser destruíe destruam os submarinos inimigos. a destruição de torpedos submarinos. Por dos por canhões como o Phalanx

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MARAVILHAS DA CIÊNCIA IRES FORMAS DE DETECTAR SISMOS

Esta casa abriga um laser e instrumentos electrónicos que registam os sismos da falha de Santo André. Situa-se em Parkfield, Califórnia.

Um furo para atravessar a crusta terrestre
Os geólogos sabem mais acerca das rochas da superfície da Lua do que das que se situam 15 km abaixo dos seus pés. A crusta, camada dura e rugosa que constitui toda a superfície da Terra, é proporcionalmente tão fina como a casca de uma maçã. Variando entre 10 e 65 km de profundidade, é menos espessa no leito dos oceanos mais profundos e mais espessa nos continentes. A primeira tentativa para perfurar a crusta terrestre foi lançada no final da década de 50 com o projecto Mohole, que tinha por objectivo penetrar para além do ponto em que a crusta contacta com o manto, fronteira denominada descontinuidade de Mohorovicic (v. p. 210). No entanto, depois de se terem realizado alguns furos prelimi-

Um tensímetro — instrumento que regista a expansão e 0 contracção das rochas — é verificado por um cientista de Parkfield. 206

Um creepmeter é formado por um arame esticado que atravessa urna falha e por um instrumento que mede a sua tensão.

MARAVILHAS DA CIÊNCIA nares a partir de um navio ao largo da costa da Califórnia cm 1960, o projecto foi abandonado devido ao seu elevado custo. Em 1970, os Russos iniciaram os trabalhos de execução do mais profundo furo do Mundo para estudo da geologia da crusta terrestre, perfurando as rochas da península de Kola, no interior do círculo árctico, a leste da Finlândia. Nos finais da década de 80 já tinha 13 km de profundidade e foi o primeiro furo a atingir a crusta inferior. Mas com o seu objectivo de atingir 15 km ficará ainda a meio caminho do manto, situado neste local à profundidade de cerca de 30 km. Para atingir a sua profundidade recorde, utilizaram-se, no poço de Kola, técnicas especiais aperfeiçoadas pela indústria petrolífera. A perfuração convencional utiliza um motor à superfície para fazer rodar o tubo de perfuração, com a respectiva broca na extremidade. Mas, para além dos 8 km, as tensões na extremidade superior do tubo tornam-se demasiado fortes devido ao peso dos tubos de perfuração, que, além disso, têm de rodar rapidamente. Por este motivo, no poço de Kola a broca é rodada por uma turbina fixada ao tubo de perfuração próximo do fundo do furo. A turbina é accionada por lamas bombeadas para o interior do furo sob grande pressão e faz rodar a broca por meio de uma caixa de velocidades. Uma vez que o tubo de perfuração não tem de transmitir forças de rotação, pode ser fabricado com ligas leves de alumínio em vez de aço, diminuindo para metade o peso que tem de ser suportado pelo derrick (torre de sondagem), que atinge a altura de um edifício de 30 andares. Quando a broca é içada para substituição, podem retirar-se para estudo amostras de rocha. Os cientistas russos descobriram veios com ouro, ferro, cobalto e zinco, provavelmente formados a partir de elementos transportados por fluidos profundos através das fissuras da rocha. Verificaram também um aumento de temperatura inesperadamente rápido. À profundidade de 10 km a rocha estava à temperatura de 180°C, e não a 100°, como se pensava. Os processos russos poderiam, em princípio, tornar possível atravessar, pela primeira vez, a crusta terrestre. Mas as temperaturas criariam um problema: as ligas utilizadas no tubo de perfuração enfraquecem a temperaturas superiores a 230°C, pelo que seria necessário um material muito caro, como o titânio. Por outro lado, para se encontrar a zona da crusta menos espessa, a perfuração leria de ser feita no oceano profundo, o que aumentaria ainda mais as dificuldades.

Como se prova a deriva dos continentes?
Já em 1620 o filósofo inglês Francis Bacon se referia aos contornos das costas da América do Sul e da África, os quais sugeriam que elas teriam estado juntas no passado, tendo-se depois afastado. Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Wegener argumentou em favor dessa teoria. Mas ela só foi comprovada satisfatoriamente para a maioria dos geólogos na década de 60. A ajustabilidade entre os dois continentes é bastante perfeita, principalmente no limite das plataformas continentais — melhor do que nas linhas de costa, cuja forma é continuamente modificada pela erosão marinha. Mas o contorno dos continentes a uma profundidade de cerca de 900 m mostra que a faixa de ma justaposição não ultrapassa em média os 80 km. Entre outras provas de que os continentes já estiveram ligados, figuram características geológicas comuns, tais como rochas de tipo e idades semelhantes, ou também muitas plantas e animais que parecem ter origem comum. Por exemplo, muitos peixes de água doce da América do Sul são parentes próximos de espécies africanas, e é difícil aceitar que tenham atravessado o oceano Atlântico. Mas foram provas de natureza mais prática que convenceram os cépticos. Amos

A Terra em transformação. Há cerca de 250 milhões de anos, os continentes forma vam um único supercontinenie, a Pangeia ("todas as terras ) (em cima). Há 100 milhões de anos os continentes estavam já separados (em baixo).

Um "puzzle". Disposição actual dos continentes (ã esquerda). Se pudessem Juntar-se, a costa ocidental da África ajustar-se-ia à costa oriental da América do Sul. Outras provas da deriva dos continentes são-nos dadas por fósseis como o mesassauro, encontrado em ambos os continentes. Animal de água doce que viveu há 280 milhões de anos. nunca poderia ter atravessado o oceano. 207

PLANETA EM ACTIVIDADE

Placas crustais

Dorsal média atlântica

A rocha em fusão sobe, empurrando as placas lateralmente.

A deriva dos fundos oceânicos. As cristas oceânicas forniam-se quando a rocha em fusão sobe à superfície. Ajrefece e conslitui nooa crusta e os continentes .suo afastados.

Iras da crusta terrestre retiradas do fundo do mar por um navio hidrográfico americano, o Glornar Chaltenger. no fim dos anos f>0, revelaram um padrão curioso. Os geólogos colheram as amostras perfurando o leito do oceano até à profundidade de 5,5 km. Quando as rochas arrefecem, "congelam" em si a orientação do campo magnético da Terra: as minúsculas partículas ferromagnéticas de rocha orientam a sua magnetização segundo o campo terrestre na altura da sua formação — e esta orienta ção permanecerá fixa para sempre, desde que a rocha não volte a ser aquecida a alias temperaturas. As amostras de rochas colhidas no fundo do Atlântico revelaram que em muitas épocas do passado o campo magnético se tinha invertido, tornando-sc o norte em sul, e vice-versa. De ambos os lados de uma crista que se alonga a meio do Atlântico — a dorsal mé

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CALCULO DA VELOCIDADE DE DERIVA DOS CONTINENTES Uma vez aceite a ideia da deriva dos continentes, na década de 60, os cientistas começaram a especular sobre a velocidade da sua deslocação. Em certo sentido, os cálculos são simples: conhecendo-se a largura do Atlântico, por exemplo, e o tempo que levou a formar-se, é fácil calcular essa velocidade. Deduz-se daí que a Europa e a América se afastaram à média de 20 km em cada milhão de anos, o que dá uma média de 2 cm por ano. Mas com que velocidade se movem as placas na actualidade7 A medição de tão imperceptíveis movimentos só se tomou possível nos anos 80, quando os dentistas aperfeiçoaram uma técnica sofisticada baseada em estranhos corpos celestes distanciados da Terra muitos milhões de anos-luz. Estes corpos — os quasares, ou "fontes de ondas de rádio quase estelares" - parecenvse com estrelas, mas emitem mais energia do que as galáxias. Os quasares situam-se a uma tal distância que podem ser tratados corno pontos fixos, possibilitando a sua utilização num sistema de triangulação sofísti cado idêntico ao empregado pelos topógrafos, que tiram coordenadas angulares de um ponto a partir de dois outros fixos para calcularem as respectivas distâncias. Neste caso, utilizam-se radiotelescópios em vários continentes, dois (ou mais) dos quais apontam para um quasar e gravam os seus sinais em fita magnética. Embora os telescópios rece

Raios reflectidos. Raios laser apontados de dois continentes diferentes são reflecti dos por um satélite, fornecendo as coordenadas que possibilitam medir a distância entre eles. Verificações periódicas revela rào quaisquer alterações dessas posições. bam o mesmo sinal, não o gravam da mesma forma devido à distância que os separa. Quando se comparam os sinais registados, pode medir-se a distância entre os telescópios. Comparações poste riores detectam quaisquer ligeiras alterações nas posições dos telescópios o método de triangulação é tão sensível que consegue detectar diferenças de apenas 13 mm. Outro processo de medição contínua, de grande precisão, utiliza raios laser. Dois observatórios em continentes diferentes apontam lasers ao mesmo satélite reflector. Os raios reflectidos são usados para calcular, por triangulação, a distância entre os observatórios. Verificações periódicas detectam quaisquer movimentos das massas continentais.

A Terra em convulsão. .4 Islândia faz par te da dorsal média atlântica onde esta se ergue acima da superfície oceânica. Um uulcanólogo estuda uma erupção do Kra fia, um dos seus oulcôes. dia atlântica — foram identificados os mesmos padrões de inversão, o que sugere que o fundo do mar estava a expandir se a partir do centro. A medida que novas rochas se formavam, elas adoptavam o campo magnético que se verificava na altura, registando, como uma fila de gravação geológica, o processo das inversões periódicas. 0 padrão das inversões para leste da dorsal média atlântica é a imagem simétrica do padrão para oeste. A crista situa-se justamente a meio do oceano Atlântico Norte e Sul, que separam a Europa da América do Norte e a África da América do Sul. Só uma explicação se ajustava a estes

factos: novas rochas eram continuamente produzidas por baixo da linha média do fundo do oceano e, ao forçarem o seu caminho para a superfície, empurravam lateralmente as mais antigas. Ao expandir se lateralmente em ambos os sentidos, o fundo do mar transportou consigo os quatro continentes à velocidade de cerca de 2,5 cm por ano. Esta velocidade pode parecer muito reduzida, mas foi suficiente para criar todo o oceano Atlântico numa era geológica comparativamente recente. O Atlântico começou a formar-se há 165 milhões de anos, e, passados os primeiros 40 milhões, o Atlântico Norle tinha 3600 m de profundidade e 050 km de largura Então, começou a formar se o Atlântico Sul à medida que a América do Sul se separava da África, afastando se lentamente até formar o oceano hoje existente. Origem dos sismos Os cientistas concluíram que as jazidas de petróleo do Alasca e os depósitos de carvão do Norte da Europa se formaram nos trópicos, tendo sido deslocados pos teriormonle pela deriva continental para

as suas actuais posições setentrionais. As cadeias montanhosas são formadas quando as placas em que os continentes "flutuam" se comprimem umas contra as outras, o que é também a origem dos sismos.

Como se calcula a idade da Terra?
Só com a descoberta da radioactividade pelo físico francês Antoine Henri Becquerel, em 1896, se tornou possível uma noção exacta da idade da Terra. Os cientistas aceitam agora que a crusta terrestre solidificou há cerca de 4700 milhões de anos. Este cálculo foi possível através do estudo da desintegração de vários minerais radioactivos. Quando as rochas se formam, pelo anc feciuienlo e solidificação da lava vulcânica, ficam retidos no seu interior elementos radioactivos. Estes elementos decompõem209

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-se a um ritmo preciso, medido pelo chamado "período de semitransformação", ou semivida, ao fim do qual se desintegrou já metade rios átomos radioactivos inicialmente presentes. Estudos detalhados permitiram determinar os períodos de semitransformação dos diferentes elementos. Medindo a quantidade de um determinado elemento radioactivo numa amostra de rocha, o processo de desintegração pode ser usado como se fosse um relógio que tivesse ini-

ciario a contagem quando a rocha se formou. O que importa não é a quantidade precisa do elemento radioactivo que ficou, porque essa depende da quantidade que havia originalmente. O que é importante é a relação entre a quantidade de matéria radioactiva e o elemento no qual esta se transforma por desintegração. Quanto mais antiga for a rocha, tanto menos matéria radioactiva contém e maior será a proporção dos produtos resultantes da sua desintegração.

Podem utilizar-se diversos sistemas de datação. Um deles é a desintegração do elemento radioactivo potássio-40, cujo período de semitransformação é de 11 900 milhões de anos. A transmutação de urânio em chumbo (período de semitransfor mação, 4500 milhões de anos) é também utilizada. No caso da Terra, cerca de metade do seu urânio original transformou-se já em chumbo — por isso a idade do planeta é aproximadamente a mesma que o período de semitransformação do urânio.

Como os cientistas imaginam o centro da Terra
0 mais profundo furo feito pelo homem gam por milhares de quilómetros através penetra mais de 13 km através da gelada do interior do planeta. Estas vibrações, ou península de Kola, na Lapónia (v. p. 207). ondas sísmicas, são de dois tipos: ondas de compressão, semelhantes às ondas sonoPor muito fundo que nos pareça, não ras, que provocam a vibração longitudinal passa de uma picada de alfinete na superfídas rochas e que, por serem as primeiras a cie da Terra: para atingir o centro do planeta, atingir a superfície terrestre, se conhecem teria de se continuar por cerca de 6377 km. por ondas P (primae), e ondas transverNo entanto, os geólogos conseguem fazer uma ideia de como é o intePLANETA DE MUITAS CAMADAS rior da Terra. Pensam que o seu núcleo, com um diâmetro de 2100 km, é essencialmente formado por ferro e níquel aquecidos a 3800"C. Mesmo no centro, ou núcleo interno, com 1350 km de diâmetro, o ferro e o níquel são mantidos no estado sólido pela enorme pressão da Terra em seu redor. Este modelo assenta parcialmente na relação entre a massa aparente da Terra e o seu tamanho. As primeiras estimativas da massa da Terra foram efectuadas por Henry Cavendish em 1798. Ele descobrira o valor da constante de gravitação, a força com que os corpos celestes se atraem mutuamente. Pelo estudo da órbita da Lua, pode calcular a massa da Terra servindo-se daquela constante. Para sua surpresa, concluiu que ela pesava o dobro do que se esperaria com base na densidade das rochas da superfície. A Terra tem muitas camadas. Por baixo da crusta ficam A massa da Terra é de 6595 os mantos superior e inferior e. para atém destes, os milhões de milhões de minúcleos exterior e interior, constituídos por ferro e níquel. lhões de toneladas (6,595x xlO24 kg) e a sua densidade média é 5,522 sais, que provocam vibrações formando vezes a da água. Mas a densidade das roângulo recto com a direcção do movimenchas superficiais é apenas 2,8 vezes a da to da onda — ondas S (secundae). Estes água. A discrepância pode ser explicada se dois tipos de ondas interiores, ao chegasupusermos que uma grande parte do rem à superfície, geram as ondas superficentro é formada por ferro, suficientemenciais, ou ondas L (longae), que são as caute denso para compensar a diferença e que sadoras das maiores destruições num sisé também encontrado nos meteoritos. mo de grande intensidade. Os estudos do interior da Terra só comeAs ondas de compressão (ondas P) proçaram após a descoberta de que as vibrapagam-se igualmente nos sólidos e líquições provocadas pelos sismos se propados, enquanto as ondas transversais ape210 nas se propagam através dos sólidos. A velocidade das ondas depende da densidade do meio em que se propagam. Em 1906, o geólogo britânico R. D. Oldham descobriu que as ondas P afrouxam a partir de certa profundidade e que, a essa mesma profundidade, as ondas S desaparecem ou são reflectidas para a superfície. Sugeriu que esta profundidade assinalava a fronteira entre um manto sólido (região exterior) e um núcleo líquido (descontinuidade de Gutenberg). Três anos depois, o sismólogo jugoslavo Andrija Mohorovicic descobriu uma segunda fronteira, cerca de 32 km abaixo da superfície, onde a densidade e, possível mente, a natureza das rochas mudavam abruptamente. Concluiu que esta fronteira, agora chamada descontinuidade de Mohorovicic, constituía a separação entre

o manto e a crusta terrestres.
Trabalhos posteriores sugeriram que o núcleo central da Terra era sólido. Assim, os geólogos concluíram que a Terra possui uma pequena região sólida no centro rodeada por um núcleo líquido, por um manto denso c, finalmente, pelas rochas mais leves da crusta. Uma sismologia mais sofisticada acrescentou pormenores a esta imagem, dividindo a crusta em pelo menos duas camadas e o manto em três. Mas na década de 80 os computadores analisaram as ondas sísmicas e produziram uma imagem muito mais clara. Determinaram, por exemplo, que não só o manto como também o núcleo variam de espessura de região para região, como acontece com a crusta. Mostraram também que os continentes têm "raízes" frias profundas, penetrando 200 km no manto. No entanto, muito está por conhecer acerca da Terra. Sabe-se que o centro é quente devido ao calor que dele constantemente se liberta. Dos vulcões irrompe lava em fusão, e as minas são mais quentes no fundo que à superfície. Calcula-se que a temperatura do núcleo interior seja de cerca de 3850°C, mas desconhece-se a fonte desse calor.

Como funciona?
Como é que um raio laser produz música? Como é que um cartão nos paga as contas? Porque é tão preciso um relógio atómico? Os últimos anos do século xx estão repletos de exemplos espantosos de tecnologia em funcionamento.

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Como os robôs estão a substituir as pessoas, p. 246
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&jmà*mAWmi Como o microscópio electrónico perscruta o espaço Interior, p. 245

'm . Como um disco produz música, p. 222

Como é possível telefonar para o outro lado do Mundo
Existem mais de 500 milhões de telefones em serviço em todo o Mundo. Em pouco mais de 100 anos — desde que o escocês Alexander Graham Bell patenteou o primeiro telefone, em 1876 —, o telefone revolucionou as comunicações mundiais. Hoje, as redes telefónicas transmitem não só vozes como imagens e informações escritas por cabos subterrâneos, aé reos e submarinos, e através do ar por feixes hertzianos de microondas, isto é, ondas de rádio de frequências extremamente altas (v. p. 216). As chamadas intercontinentais podem fazer-se com menos de um segundo de demora na ligação e sem dificuldades de escuta. As companhias multinacionais podem, inclusivamente, fazer reuniões em que os executivos em várias partes do Mundo conversam entre si através de écrans de televisão. Satélites, microelectrónica e "lasers" Entre os modernos inventos que possibilitaram esta revolução, incluem-se os satéli tes artificiais, os circuitos integrados e os lasers. Early Bird, o primeiro satélite comercial, foi lançado em 1965 pela International Telecommunications Satellite Organisation (INTELSAT). Hoje, estão em órbita cerca de 130 satélites, Iransmitindo men sagens em microondas entre as diversas estações terrestres. As suas órbitas situam-se a cerca de 36 000 km acima do equador e completam-se em 24 horas, pelo que os satélites parecem estar imóveis (são os chamados satélites geoestacionários). A partir das estações terrestres com as suas enormes antenas parabólicas, algumas com 30 m de diâmetro, são enviadas para os satélites as microondas portadoras das mensagens. Estas antenas são comandadas por computador para estarem por manentemente apontadas ao satélite. As microondas não servem unicamente as li gações via satélite - antenas parabólicas enviam igualmente mensagens à superfí cie da Terra, em linha recta, entre torres localizadas, de forma a assegurar trajectórias livres de obstáculos. Ligações à escala mundial. Estas enor mes antenas parabólicas em Raisting, Ale manha, pertencem a uma das muitas estu ções terrestres da rede internacional de comunicações via satélite e estabelecem liga ções entre todas as partes do Mundo a qualquer hora do dia ou da noite. 212

L U M U rUINV-IUINAÍ

L,UJVIU r UINV-IUINA:

BOCAL

COMO FUNCIONA UM TELEFONE
0 "auscultador" do telefone incorpora um emissor (tradicionalmente, um microfone de carvão) no bocal e um receptor (ultila lante) no auscultador. Apoia-se num interruptor de descanso ligado à central. Quando se levanta o auscultador, uma corrente eléctrica passa pelos grânulos de carvão ou pelos electroímanes do microfone (os telefones modernos já não utilizam microfones de carvão). Baixa Alta
Onda sonora

AUSCULTADOR

Onda son

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Corrente eléctrica AI1.1 Baixa

,

MICROFONE

Quando o diafragma vibra, a corrente que atravessa o microfone varia, porque quanto mais comprimidos são os grânulos, mais corrente deixam passar. A corrente copia portan to o padrão das ondas de pressão do som.

CENTRAL TELEFÓNICA

As ondas sonoras da voz fazem delgado diafragma de metal no e é precisamente esta vibração siona com mais ou menos força los de carvão.

vibrar um microfone que presos grânu-

Cada telefone está ligado a uma central telefónica local por um par de fios, e as cen trais estão ligadas entre si através de cabos. Os circuitos são independentes da rede eléctrica nacional, e a corrente que neles flui é muito mais fraca um par de fios, ou condutores. Certos cabos têm milhares de pares de fios. Se cada chamada precisasse de um par de fios para a sua transmissão através da rede telefónica, a transmissão simultânea de milhares de chamadas de uma central para outra seria impraticável. Um par de fios de cobre vulgar consegue transmitir apenas um número limitado de chamadas simultâneas, pois os cabos destinam-se a correntes de baixa frequência. As frequências mais altas permitiriam maior número de chamadas simultâneas e portanto maior capacidade do cabo, mas, se não se usar um tipo diferente de cabo, o sinal dispersa-se e perde a intensidade. Na maioria, as linhas entre as centrais telefónicas são hoje constituídas por cabos coaxiais, nos quais o sinal é confinado a fim de impedir perdas de intensidade e interferências. Em vez de um par de fios, cada cabo coaxial tem um fio de cobre central, um isolador que o cobre e um condutor de cobre exterior que envolve o con-

0$ sinais recebidos alimentam um electro íman junto a um diafragma. A corrente faz corn que o iman atraia ou solte o diafragma, e as vibrações deste produzem ondas sonoras idênticas às que entraram no microfone. junto como uma manga. Amplificadores incorporados ampliam os sinais a intervalos aproximados de 2 km. O cabo coaxial permite o uso de altas frequências e o transporte de milhares de chamadas simultâneas. As operações que permitem juntar vários sinais numa só linha dizem-se de multiflexagem; na recepção, tem de haver uma desruultiflexagem, que canaliza cada sinal para o receptor correcto. Utilizando a técnica da multiflexagem em frequência, os sinais eléctricos correspondentes às ondas sonoras da fala são modulados — isto é, combinados com uma onda portadora electromagnética, tal como na rádio. Através de um mesmo par de condutores, é depois enviada uma série de ondas portadoras de diferentes frequências. Na central receptora, as diversas portadoras são separadas e os sinais são separa dos das portadoras por um processo chamado desmodulaçáo e depois filtrados para os respectivos receptores.

Nos satélites, os sinais transmitidos são ampliados por circuitos microelectróniCOS. Estes colaboram também na obtenção de comunicações mais claras e velozes ao permitirem as rápidas comutações eléctricas necessárias ao envio de mensagens telefónicas por transmissão digital. E os lasers tornaram possível o emprego de cabos de fibras ópticas — fios de vidro que transportam mensagens digitais à velocidade da luz com uma tal capacidade que milhares de conversas telefónicas podem ser transmitidas simultaneamente por uma só fibra. Entre os serviços de telecomunicações actualmente disponíveis, contam-se o fax, os bieepers, os telefones sem cabo, os telefones para automóvel e até para avião, que permitem aos passageiros fazer chamadas durante o voo.

O transporte da corrente Para completar o circuito entre o transmissor e o receptor telefónicos, é necessário
214

COMO FUNCIONA? Transmissão de vozes por meio de números Até à década de 70, a maioria das chamadas telefónicas era transmitida sob a forma de sinais eléctricos que .seguem as vibrações da voz. São os chamados sinais analógicos, por serem de estrutura semelhante à do som. A transmissão dos sinais sob esta forma é sensível a interferências eléctricas, que introduzem ruído que pode afectar a compreensão das vozes. Após os anos 70, o sistema analógico começou a ser substituído por um sistema digital que elimina a maior parte das interferências e da distorção. Os sinais eléctricos analógicos provenientes do microfone são convertidos em números binários (v. p. 241) nos circuitos electró nicos da central e transmitidos numa forma codificada. Para tal, o valor do sinal eléctrico analógico gerado pelo microfone é medido milhares de vezes em cada segundo. Cada medida é expressa por um número binário uma sequência dos algarismos 1 e 0 representada por uma série de impulsos —, passagem da corrente para um 1, interrupção da corrente para cada 0. É a chamada modulação por impulsos (puise-code rnodulation, ou PCM). Como cada impulso é muito curto, os impulsos de uma chamada podem ser intercalados com os impulsos de outras. Esta técnica de multiplexagem no tempo que se usa para sinais digitais permite a transmissão simultânea de 32 chamadas por um único par de condutores ou de milhares de mensagens ao longo de um cabo coaxial. Telefonar em viagem Os telefones móveis instalados nos carros são, na realidade, rádios ligados à rede telefónica normal. A rede de radiotelefones é operada num sistema de células o terri tório abrangido é dividido em pequenas áreas, ou células, com cerca de 5 km de diâmetro. Cada célula tem o seu transmissor central de baixa potência ligado à rede telefónica. Um conjunto de células constitui um grupo, e cada célula de um grupo tem uma frequência diferente. Pode utilizar-se num grupo adjacente o mesmo conjunto de frequências sem causar interferências, porque o alcance de cada transmissor é restrito. Os transmissores das células eslão ligados por cabo a um computador central, que transfere de uma célula para outra a informação da posição do carro à medida que este anda. Quando se faz uma chamada telefónica para um carro, o computador comuta a ligação do telefone para o transmissor celular mais próximo, a fim de se obter a melhor recepção. Quando a chamada é feita do carro, a antena da célula mais próxima capta os respectivos sinais c encaminha a chamada.

A rádio: transmissão de sons à velocidade da luz
Quando escutamos um concerto ao vivo através da rádio, ouvimos a música antes de algumas pessoas presentes na sala do concerto. Este fenómeno espantoso deve-se ao facto de as ondas de rádio transpor tarem o som até nossa casa à velocidade da luz. As ondas sonoras (devidas à vibração das vozes e instrumentos) levam mais tempo a atravessar a sala. De sons a sinais eléctricos Quando um som entra no microfone, as ondas sonoras provocam a vibração de um diafragma. As vibrações são converti das em sinais eléctricos, que são ampliados e introduzidos num modulador — aparelho que os usa para "modular", isto é, alterar a amplitude ou a frequência de uma onda de alta frequência gerada por um oscilador, a chamada onda portadora. Esta onda modulada é enviada por cabo para uma antena, que a emite sob a forma de uma onda de rádio, onda electromag nética, que se propaga pelo espaço ã velocidade da luz. A emlssáo rios sinais através rio ar As antenas emissoras de radiodifusão são constituídas por uma espira ou por um varão de metal com uma dimensão que de pende da frequência a ser transmitida. A corrente oscila rapidamente na antena radiando ondas electromagnéticas como o filamento de uma lâmpada radia luz eléctrica. Estas antenas, de difusão para toda uma área, não são direccionais: as ondas, que transportam os sinais, propagam-se em todas as direcções a partir da torre.

Da galena ao transístor

O

físico alemão Heinrich Hertz demonstrou, em 1888, que era possível transmitir energia eléctrica através do ar. Entre 1894 e 18%, o cientista Gu glielmo Marconi aperfeiçoou um processo de utilizar as ondas hertzianas no envio de sinais em código Morse — método que ficou conhecido por telegrafia sem fios. Em 1901, já Marconi aperfeiçoara por tal forma o seu sistema que conseguiu enviar sinais de telegrafia sem fios através do Atlântico, desde a Cornualha até S. João da Terra Nova Dm engenheiro canadiano fez a primeira emissão radiofónica pública do Mundo do Massachusetts, nos EUA, ouvida por navios a 100 milhas (160 km) de distância — na véspera de Natal de 1906. Era Reginald Aubrey Fessenden, que descobrira a maneira de combinar os sinais de um microfone corn uma onda electromagnética. O processo tomou o nome de "rádio". Ao princípio, os ouvintes tinham auscultadores ligados aos receptores, que utilizavam cristais de galena para captar as ondas de rádio. Estes vieram a dar lugar aos apare-

lhos com altifalante, válvulas diódicas e circuitos electrónicos mais potentes, depois da invenção do thodo pelo america no Lee de Korest em 1907. Com as primei ras válvulas (que serviam para ampliar os sinais), os aparelhos tinham de ser ligados, para aquecerem, cinco minutos antes de o programa começar. As radioemissões regulares começaram em 1920, a partir de emissoras em Pittsburgh e Detroit. Edwin II. Armstrong aperfeiçoou o receptor em 1924, e no final dos anos 50 já os pequenos Iransístores substituíam as volumosas válvulas. Telefonia antiga. Muitos terão ouvido os primeiros programas de rádio num receptor deste tipo.

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Emissáo histórica. Eduardo VIU de Inglaterra abdica, em 1936, para casar com "a mulher que ama" — a americana Wallis Simpson.

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215

COMO FUNCIONA'

A captação dos sinais No espaço à nossa volta, entrecruzam-se as ondas de milhares de radioemissões si multâneas. Cada uma delas tem, no entanto, uma frequência de onda portadora única, diferente de todas as outras. A antena de um receptor, que capta estas ondas, está ligada a um sintonizador, circuito electrónico que aceita apenas uma frequência: sintonizar um receptor é ajustar exactamente a frequência que ele aceita à frequência da emissora pretendida. 0 sinal assim seleccionado é amplifica do, separado da portadora por um desmodulador, novamente amplificado (regulado pelo botão de "volume") e conduzido aos altifalantes. Estes têm a função inversa da dos microfones: transformam um sinal eléctrico em ondas sonoras, reproduzindo o mesmo som que foi captado pelo microfone da estação emissora.

MODULAÇÃO DE UMA ONDA PORTADORA DE RÁDIO

Portadora. Onda gerada por um osci lador eléctrico.

Sinal de áudio. Corrente eléctrica saída de um microfone de forma variável.

A modulação de amplitude é normalmente utilizada nas três bandas de mais baixa frequência (maior comprimento de onda): na banda das ondas longas (comprimentos de onda de 2000 a 1000 m), na das ondas médias (677 a 187 m) e na das ondas curtas (100 a 10 rn). As ondas destas bandas destinam se à difusão radiofónica para regiões muito grandes, aproveitando o seu enorme alcance, devido ao facto de serem reflectidas tanto pelo solo como pelas camadas ionizadas da atmosfera superior, situadas a altitudes de mais de 100 km, que constituem a chamada ionosfera; reflcctindo-se sucessivamente no céu e na Terra, dão facilmente a volta ao Globo. As bandas de KM são normalmente em VIIF (uery high frequeney. ou frequência muito alta), c o m frequências de 87 a 108 MHz (v. à direita). Estas altas frequências não são já reflectidas pela ionosfera, de forma que um emissor só é captado se directamente "visível" pela antena receptora Destinam-se portanto a emissões locais. A banda de VHF é também a utilizada pela Polícia, pelos táxis e pelos radioamadores. O topo desta banda pode também ser usado para emissões de televisão, mas actualmente quase todos os canais de televisão europeus usam a banda de UHF [ultra high frequeney, ou frequência ultra alta), dos 450 aos 855 MHz. As ondas de rádio de comprimento inferior a 300 mm são as microondas. Os radares e as comunicações por satélite utilizam as microondas nas frequências superaltas de 3 a 30 GHz.

AMe FM
A onda portadora oscila com uma frequência e uma amplitude constantes. O sinal vai modificá-la - modulá-la - de forma a ser transportado com ela. Há duas formas de o fazer: a modulação de amplitude (AM) e a modulação de frequência (KM). Em AM, a amplitude de oscilação da portadora é amplificada ou reduzida de um factor proporcional ao próprio sinal. Em FM, a amplitude de oscilação penna nece constante; é a própria frequência do oscilador que gera a portadora, que varia de acordo com o sinal (v. quadro). Modulação de amplitude. A amplitude da oscilação da portadora é amplificada ou reduzida

Modulação de f r e q u ê n c i a . A frequência do oscilador gera a onda portadora, que é feita variar de acordo com o sinal.

AS ONDAS DpCÇfiPECTRO ELEC
As fontes naOrais orenergia radi te, cornOjOrSol, cmiteui ondas o ^comprjwÊntos de ondavdesde Ojíis <m até menos de xjJMjíliési mo" de milionésimo de milímetro. Nas utilizações como o rádio ou os raios X são geradas ondas artificiais com o comprimento de onda adequado. Quanto mais curta a onda, ou seja quanto menor o seu comprimento de onda, maior a sua frequência.

FREQUÊNCIAS 1 milhão de ciclos por segundo

1000 milhões de ciclos por segundo

10 000 milhões de ciclos por segundo

100 biliões de ciclos por segundo

-'Umx
Infravermel
Radar. Os barcos remoto. As ondas navegam com emissão Rádio. Muitos programas de de rádio transportam sinais de sinais na banda das rádio são emitidos em ondas para o comando â distância longas e médias. Orson Welles microondas. Os obstáculos por exemplo, de modelos transmite A Guerra dos Mundos, reflectem os sinais, eos de cairos ou aviões. ecos surgem num écran. de II G. Wells, em 1938.
Controle Televisão. Os sinais de 7V são transportados por ondas de frequência

ultra-alta. Os astronautas na Lua em 1969 foram vistos por milhões.

A intensidade da radiação t pode ser traia computador: grafias detetíi ui trites ou canc

216

COMO FUNCIONA?

AS ONDAS QUE NOS CHEGAM PROVENIENTES DO ESPAÇO Quando vemos um arco-íris, estamos a ver as diferentes ondas electromagnéticas da banda visível emitidas pelo Sol. Este emite simultaneamente em todas as frequências desta banda, produzindo na nossa retina a impressão a que chamamos "luz branca". Quando a luz do Sol incide em gotículas na atmosfera, os seus raios são desviados - refractados —, porque na água se propagam a uma velocidade menor que no ar. Ondas de diferentes frequências sofrem desvios e chegam, portanto, aos nossos olhos de direcções um pouco diferentes - num arco-íris, a J luz branca aparece nos decomposta nas ;Suas ondas de diferentes frequências. O 'olho humano atribui às frequências mais • baixas a cor vermelha e às mais altas a cor [violeta. As ondas de luz constituem apenas uma parcela das ondas electromagnéticas que nos chegam vindas do Sol c. de I outros corpos celestes. As ondas sonoras são ondas de pressão, não electro magnéticas. As ondas de rádio geradas electricamente para transmitir os sons sob a forma de sinais são semelhantes em estrutura às ondas de rádio que ocorrem na Natureza. Medir o comprimento de onda Todas as ondas electromagnéticas se propagam à velocidade da luz, 300 000 km/s. Chamam-se electromagnéticas porque são formadas por campos eléctricos e campos magnéticos que vibram perpendicularmente entre si. Os campos propagam-se um pouco como no movimento de uma corda cuja extremidade é sacudi da, mas à velocidade da luz. A altura da onda — metade da distar] cia entre a crista e o mínimo - é chama da amplitude. Outra característica muito importante de uma onda é a sua frequência, isto é, o número de cristas que passa por dado ponto em um segundo. O valor do comprimento de onda - a distância entre duas cristas consecutivas — obtcmse dividindo a velocidade da onda (a da luz) pela sua frequência. Portanto, quanto maior o comprimento da onda, tanto menor a frequência. As frequências medem-se em ciclos por segundo, ou hertz, do nome do ale mão Heinrich Hertz, que, em 1888, dernonstrou que os sinais eléctricos podiam ser enviados através do ar. Hertz fez saltar uma faísca entre duas esferas de metal ligadas por uma espira de arame e verificou que isto induzia, num dispositivo semelhante colocado a certa distância, uma tensão eléctrica suficiente para produzir também uma pequena faísca. As frequências elevadas das ondas de rádio são geralmente expressas em kilo-hertz (kHz, milhares de hertz), mega-hertz (MHz, milhões de hertz) ou giga-hertz (GHz, milhares de milhões de hertz). As radiações visíveis (a luz) têm frequências extremamente elevadas. A de me nor frequência, a vermelha, vibra a cerca de 400 milhões de mega-hertz, a que corresponde um comprimento de onda inferior a um milésimo de milímetro. Mas as ondas de rádio utilizadas nas comunicações vão desde cerca de 1 mm até aos 30 km, com frequências entre 30 GHz e 10 kl Iz.
Comprimento de onda. Distância entre duas cristãs (máximos) consecutivas. Amplitude. Metade da diferença entre o máximo e o mínimo da oscilação. Frequência. Número de cristas que passam por um ponto em cada segundo. Velocidade. Distância percorrida por uma dada crista num segundo.

Wfe
100 triliões de ciclos por segundo

1000 biliões de ciclos por segundo

1 trilião de ciclos por segundo

10 000 triliões de ciclos por segundo

Luz do Sol. A luz é composta por uma banda de frequências diferentes - as sete cores do arco-íris.

Raios X. Como a luz, estas ondas podem produzir fotografias. Atravessam rnais facilmente a carne que os ossos ou os metais. Radiação ultravioleta. Os raios UVda luz do Sol são uma fonte de oitamina D. A exposição excessiva ao sol pode causar cancro da pele. Raios gama. Durante a sua desintegração, os átomos radioactivos emitem raios gama. Raios cósmicos. Estas ondas de origem ainda misteriosa provêm do espaço exterior, talvez de supernovas que exf>lodirarn.

A televisão: imagens ao vivo transmitidas por ondas de rádio
Quando ligamos o aparelho de televisão, a imagem que vemos é criada por um pa drão de luz formado por sinais eléctricos. A câmara de televisão converte a imagem que capta em sinais eléctricos, que são transmitidos por ondas de rádio à velocidade da luz. Um jogo de futebol, por exemplo, aparece-nos no écran praticamente na mesma altura em que decorre a acção. As cores de um écran de televisão são produzidas pela mistura de diferentes proporções de luz de apenas três cores. As cores da luz não se misturam como as Untas. Em televisão, as trás cores primárias - aquelas com que se formam todas as outras - são o vermelho, o verde e o azul. Quase todas as tonalidades se obtêm pela sua mistura em proporções diversas. A câmara de televisão decompõe a luz proveniente da cena nas três cores primárias e dirige cada uma destas para um dispositivo que converte as imagens em sequências de sinais eléctricos. 0 princípio é muito simples: a imagem "lê-se" como a página de um livro, linha a linha; em cada ponto de uma linha, em vez de uma letra. lê-se uma intensidade luminosa — Obtém-se um sinal eléctrico proporcional ao fluxo luminoso no ponto. Até há poucos anos, a conversão da imagem era feita quase exclusivamente em tubos especiais de raios catódicos. A imagem é focada num écran que reveste o vidro do tubo do lado interior. Este écran é feito de uma substância fotocondulora, isto é, que se deixa atravessar por correntes eléctricas tanto mais facilmente quanto mais iluminada; deste modo, surge à sua superfície um padrão de cargas eléctricas que reproduz a imagem. Esse padrão é "lido" sequencialmente por um feixe focado de electrões (raios catódicos) que varre o écran linha a linha. Os feixes de electrões fazem o varrimento da imagem em 625 ou 525 linhas, conforme o sistema utilizado; 625 dão melhor definição e c o sistema da Europa, de grande parte da Ásia e da Austrália. 0 sistema de 525 linhas é usado na maior parle das Américas do Norte e do Sul e no Japão. O varrimento faz-se de cada vez em metade do "campo" — isto é, primeiro nas linhas ímpares, depois nas linhas pares. Este "entrelaçamento" produz uma imagem completa em 1/25 de segundo. 0 olho humano retém cada imagem durante esse espaço de tempo, pelo que uma série de imagens passadas a essa velocidade apa renta ser uma imagem contínua. Se fossem passadas mais lentamente, notar-se-ia um acender e apagar da imagem no écran, e a acção seria sacudida. O varrimento é feito em duas etapas, porque há dificuldades técnicas em explorar de uma só vez, à velocidade referida, a totalidade do campo. Há alguns anos, surgiu um novo dispositivo de captação da imagem. E o CCD (charge coupled devicej, uma simples bolacha de silício dividida em centenas de milhares de minúsculos dispositivos pelas técnicas da microelectrónica, ligados em filas — as linhas. Quando a luz de um ponto da imagem incide num destes dispositivos, cria nele uma carga eléctrica proporcional â intensidade luminosa, que é acumulada num minúsculo "poço de potencial". Esta carga é em seguida passada ao longo de uma fila, de dispositivo em dispositivo, tal

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COMO A IMAGEM DE TELEVISÃO VIAJA DESDE A CAMARÁ AO "ÉCRAN'
C A M A R Á DE TELEVISÃO Emissor Antena d e T V doméstica RECEPTOR DE TELEVISÃO

C a n h õ e s de electrões •Os sinais de TV sáo e m i t i d o s por u m a antena s o b a f o r m a de ondas de rádio de ultra-alta frequência (UHF)

Amarelo

Vermelho

As cores num écran de TV são pnxlu zidas pelas misturas de sinais de luz verdes, vermelhos e azuis. Misturados aos pares, o verde e o azul dão ciano, o azul e o vermelho dão magenta e o vermelho e o verde dão amarelo. Todas as cores misturadas produzem branco.

Revestimento fluorescente no écran de TV

A lente de uma câmara a cores foca a imagem que está a captar através de um separador de cores — prismas de vidro que dirigem a luz de cada uma das três cores primárias para um tubo electrónico diferente. Em cada tubo, a luz cria minúsculas cor gas eléctricas. Feixes de electrões traduzem as cargas em sinais eléctricos, que são envia dos para um posto emissor.

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Um feixe de electrões varre a parte de trás do écran de cima para baixo — segundo linhas, primeiro as impares, depois as pares -, produzindo uma imagem completa em cada 1/25 de segundo.

Os sinais incidem sobre um revestimento químico na parte de trás do écran (amplia ção à direita). Uma pequena parte da imagem é mostrada ã esquerda em tamanha natural.

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L U M U l-UINUUINA.'

como uma cadeia de bombeiros passando baldes de água mais ou menos cheios; na saída do circuito, obtém-se um sinal eléctrico proporcional à carga gerada ponto a ponto. Os CCD's são de baixo preço e têm alta sensibilidade, pelo que invadiram rapidamente o mercado rias câmaras de vídeo; de facto, foi o seu baixo custo que abriu o mercado das câmaras para amadores. 0 sinal de vídeo gerado pela câmara é usado para modular uma onda portadora, normalmente na banda de UHF (ou das microondas, no caso dos satélites) e radiodifundido a partir de uma antena emissora. A estas altas frequências, os sinais não são reflectidos, de modo que as antenas receptoras têm de estar apontadas directamente à estação emissora, sem obstáculos pelo caminho. Para antenas emissoras ter restres, isto limita o seu raio de acção a cerca de 65 km, pelo que se utiliza uma rede de emissores. Em países com populações dispersas ou com montanhas e edifícios que interfiram na recepção, estas redes apresentam problemas; por isso, as empresas de televisão cada vez se voltam mais para os satélites de comunicação, utilizando-os como relés dos sinais. Recepção de imagem Quando premimos o botão do canal que pretendemos, fechamos um circuito do mecanismo selector, o que sintoniza electricamente o receptor para a frequência correcta para a recepção. Os sinais da emissão são captados do espaço pela nossa antena de televisão. Os sinais provenientes da antena são muito fracos e têm de ser ampliados. Depois, são desmodulados (separados da portadora) e conduzidos ao tubo de raios catódicos para reprodução da imagem. Este tem a função inversa da de uma câmara, convertendo os sinais eléctricos num padrão de luz colorida. Numa das ex tremidades estão três canhões electrónicos, na outra o écran. Cada canhão electrónico destina se a reproduzir uma cor primária e dispara um feixe de electrões. A face interior do écran está revestida com faixas verticais de materiais fluorescentes (isto é, que emitem luz quando bombardeados pelos electrões), alternando as cores vermelha, verde e azul. Por detrás do écran, uma grelha com frestas verticais ali nhada com as faixas permite que o feixe de uma cor incida unicamente sobre o material que fluoresce com essa mesma cor. Os feixes de electrões varrem o écran linha a linha, exactamente como a imagem na câmara foi "lida". Os sinais de vídeo são aplicados a um eléctrodo dos canhões de electrões, fazendo variar a intensidade dos feixes emitidos e, portanto, a luminosidade do material fluorescente - daí resultando a reprodução, no écran, da imagem original captada pela câmara.

A marcha do tempo. A pintura (em baixo) representa o naufrágio do Titanic, em 1912. Os destroços foram en contractos a 4000 m de profundidade em 1985 por uma expedição, que depois (irou fotografias por meio de um robô guiado a partir de um submarino. Imagens corno as da proa (à esq.) foram apresentadas na televisão.

Dos discos giratórios aos satélites espaciais

A

s primeiras ideias sobre a transmissão de imagens à distância surgiram a seguirá introdução do telefone; se podiam ser enviadas vozes a grandes distâncias, porque não também imagens? Cedo se compreendeu que as imagens não podiam ser transmitidas como um todo, e a forma de decompor uma imagem e reconstituí-la depois foi sugerida por Paul Nipkowem 1884. Nipkow utilizou discos giratórios perfurados para dissecar e em seguida recompor uma imagem a preto e branco. Em 1906, o cientista russo Boris Ho sing conjugou o princípio de varrimento do disco de Nipkow e as possibilida des de formar imagens do tubo de raios catódicos - inventado por Kerdinandi Braun em 1897 — e criou o primeiro, e rudimentar, sistema de televisão. O tubo de raios catódicos é ainda hoje 0 componente fundamental da televisão. As emissões experimentais começaram na América em 1928, mas o primeiro sistema prático foi instalado em 1-ondres pelo escocês John Logic Baird, que abriu o primeiro estúdio de televisão em 1929 e utilizou discos de Nipkow para o varrimento, tanto no emissor como no receptor. Poucos anos depois, o sistema de Baird, de varrimento mecânico por disco, foi ultrapassado pela câmara electrónica, inventada pelo russo Vladimir Zworykin, que produziu, em 1931, o primeiro modelo prático. O primeiro serviço regular (três dias

por semana) de televisão começou em Berlim em 1985, operado pela Fernseh, empresa alemã por que Baird se interessara. A BBC Britânica inaugurou o primeiro serviço público de alta defini çáo em 1936, e a RCA iniciou as transmissões na América em 1939. As emissões a cores começaram experimentalmente nos EUA em 1951. A televisão por cabo surgiu nos Estados Unidos nos anos 50, com empresas comerciais enviando os seus programas aos subscritores através de cabos. Este sistema permite a existência de mais canais que a transmissão por rádio. Na Europa, a televisão por cabo só apareceu na década de 80. Às vezes, a televisão por cabo é também, parcialmente, televisão por satélite, sendo os programas retransmilidos por satélite até às antenas parabólicas das empresas numa estação central e daí, por cabo. para o telespectador. Entoe outros sistemas televisivos introduzidos ou em estudo final no fim da década de 80, conta-se a televisão por microondas, com capacidade de até 60 canais para curtas distâncias, a televisão de alta definição (HDTV). que utiliza mais de 1200 linhas de varrimento, e a emissão directa por satélite (DBS) para pequenas antenas parabólicas. As empresas emissoras codificam os sinais de forma que possam ser recebidos unicamente pelos assinantes com telerreceptores munidos de descodificadores.

219

t U M U rUNVIUINAÍ

Controle remoto: a operação de comutadores à distância
O advento do computador e a exploração do espaço criaram a necessidade de comandos operados à distância. Esta necessidade conduziu à actual era da microelec trónica, iniciada nos anos 50 com o transíslor e o chip de silício — pequeno cristal de silício obtido por divisão de uma "bolacha", no qual são formados os circuitos microelectrónicos. É um chip de silício que constitui o coração do aparelho de comando dos vulgares televisores. Quando premimos um botão no controle remoto, o chip activa a emissão de um feixe de infravermelhos (v. p. 216). O feixe transporta um sinal codificado, variando o código conforme o botão que se prime ligar, mudar de canais ou aumentar o volume, por exemplo. O código, baseado em números binários (v. p. 241), é sobreposto ao feixe tal como um sinal de rádio é sobreposto à onda portadora. No televisor, o feixe codificado é recebido por um dispositivo sensível às ondas infravermelhas. Os sinais são recebidos, amplificados e introduzidos noutro chip de silício, que identifica o código. Aquele remete então o sinal a um comutador electrónico que executa a instrução dada. Para abrir e fechar portas de garagem, utilizam-se os telecomandos ultra-sónicos, que emitem ondas sonoras de alta frequência dirigidas a um microfone receptor. Este, por sua vez, envia sinais a um motor eléctrico que opera as portas. E têm de funcionar em linha recta com as portas, pelo que hoje se usa mais o radiocomando. Um radiocomando portátil é um emissor em miniatura que, de qual quer ponto nas imediações, pode abrir portas de garagem munidas de um receptor. O sinal de rádio liga o molor que acciona as portas. O sistema de radiocontrole dos modelos de aviões c barcos é mais complexo. O emissor manual emite sinais de rádio codificados. Um receptor no modelo descodifica os sinais. Esles são introduzidos em motores eléctricos, os servomecanismos. Estes abrem e fecham a válvula reguladora do motor, levantam e baixam o trem de aterragem e accionam as superfícies de comando como os a/terons e o leme.

O vídeo: gravação de imagens em fita magnética
Um gravador de vídeo capta sinais eléctricos da estação de televisão ao mesmo tem po que o nosso televisor. Mas, em vez de converter esses sinais directamente em imagens, o vídeo armazena-as em fita magnética, da mesma forma que um gravador de som armazena sinais sonoros. Como a transmissão de imagens exige uma quantidade de sinais muito maior que o som, a fita de vídeo é geralmente mais larga e é passada com mais velocidade que uma fita de cassete para som. Como o gravador de vídeo está mcnle ligado à antena, capta emissões de televisão quando está em funcionamento, quer a televisão o esteja ou não. Podem os dois estar sintonizados para captarem simultaneamente programas diferentes. Os dois principais sistemas de videocassetes existentes são o Betamax, introduzido pela empresa japonesa Sony em 1975, e o VHS (vídeo horne system, ou sistema de vídeo doméstico), de que foi precursora a JVC (Japan Victor Company) em 1976. Tanto cassetes como gravadores são diferentes nos dois sistemas. O Betamax produz imagens de quali dade ligeiramente superior, mas as fitas VHS gravam mais tempo até quatro horas. O VHS acabou por se tomar o mais difundi do dos dois sistemas, e o novo Super VHS tem imagens de melhor qualidade que qualquer dos dois sistemas normais. directa: Gravação e reprodução Ao carregar no botão de gravar, a máquina puxa uma alça de fita de entre as duas bobinas da cassete e passa-a em volta de um lambor rotativo accionado por um molor eléctrico. As cabeças de gravação da imagem, duas em geral, estão montadas no lambor, voltadas para fora, e imprimem os sinais na fita enquanto vão rodando com o tambor. As cabeças são pequenos electroímanes e funcionam do mesmo modo que na gravação da fita sonora. A fita passa pelo lambor obliquamente. Os sinais de imagem são gravados na zona central como uma série de pislas inclinadas, e os sinais sonoros que os acompanham são gravados como pistas longitudinais ao longo de um dos bordos da fita. A reprodução é a inversão do processo de gravação. Quando a fita está gravada e rebobinada e se carrega no botão de play, os sinais armazenados na fita magnélica produzem sinais eléctricos na cabeça de reprodução. Isto introduz os sinais de imagem e de som no televisor, em cujo écran a gravação é recriada.

COMO O VÍDEO GRAVA IMAGENS DE TV
A fita de vídeo é magnética Cada cabeça de gravação é um electroiman que magnetiza as partículas metálicas da fita segundo o padrão determinado pelos sinais de TV. Quando a fita é passada em frente das cabeças de gravação, cada uma destas grava nela os sinais que recebe através da corrente.

Televisão e gravador de vídeo O gravador de vídeo está ligado

Quando se carrega na tecla "gravar", uma cabeça de apagamento anula tudo o que estiver gravado na fita da cassete. Cabeças de gravação da imagem

à antena deTVe capta o programa que decorre no canal para o qual foi sintonizado. Quando se introduz a cassete e se carrega na tecla de gravação, a máquina de vídeo puxa uma alça da fita de entre as duas bobinas da cassete. A fita passa depois em volta de um tambor rotativo que contém as cabeças de gravação

Os sinais de imagem são gravados como uma série de pistas oblí- _| quas. Os sinais de som são gravados longitudinalmente num dos bordos da fita.

de magem Fita magnética

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Gravação em fita: armazenar sons como padrões magnéticos
Muitos de nós desenhámos padrões com limalha de ferro sobre uma folha de papel fazendo deslocar um íman debaixo dela. Os gravadores em fita funcionam de maneira semelhante — marcam sobre uma fita coberta de minúsculas partículas magnetizadas um padrão que corresponde aos sons que estão a ser gravados. A fita é constituída por uma fina camada de partículas magnéticas finas como pó (em geral, óxi dos de ferro e de crómio) aplicada numa fita de poliéster. A cabeça de gravação que cria os padrões é um minúsculo electroíman. Para gravar seja o que for, desde um cantor até uma orquestra, o som é dirigido a um micro fone, onde as suas ondas de pressão são convertidas em fra cos sinais eléctricos variáveis. Estes passam por um amplificador, que lhes aumenta a intensidade, antes de actuarem na cabeça de gravação. Aqui, passam pelo enrolamento do electroíman, produ zindo um campo magnético. Cada partícula da fita é um minúsculo íman cuja magnetização tende a alinhar-se segundo a direcção do campo magnético aplicado - náo por movimentação das partículas, que estão fixas, mas por reorientação da sua magnetização. Quando a fita passa pela cabeça de gravação, o campo magnético alinhará a magnetização das partículas consoante a sua intensidade, formando assim como que um códi go magnético do som original. seu padrão magnético induz uma corrente eléctrica na cabeça de leitura. A corrente vai alimentar um amplificador e seguidamente os altifalantes, os quais produzem ondas c pressão que fazem vibrar os tím panos do ouvido como o som original. Eliminação dos ruídos de fundo Um dos problemas da reprodução de som por fita é o silvo de fundo, mais notório durante as passagens silenciosas — devido à magnetização residual sempre pre sente numa distribuição aleatória de parti cuias. Para o eliminar, usa-se o sistema Dolby (do nome do seu inventor). Nas passagens silenciosas, circuitos electrónicos reforçam os sinais antes de estes atingirem a cabeça de gravação; na reprodução, os sinais são reduzidos até à sua intensidade normal antes da entrada nos altifalantes. 0 silvo é reduzido na mes ma proporção e toma se inaudível.

GRAVAÇÃO DE SONS NUMA FITA MAGNÉTICA
A gravação e a r e p r o d u ç ã o são feitas por um m e s m o electroíman - porção de substância ferromagnética c o m um e n r o l a m e n t o de fio eléctrico (bobina). Corrente eléctrica sinal

A s s i m c o m o u m i m a n atrai limalha de ferro através de um papel, os elect r o í m a n e s o r i e n t a m a magnetização das p a r t í c u l a s da fita de g r a v a ç ã o .

As partículas da f ta magnética são pequenos imanes que se orientam s e g u n d o padrões i m p o s t o s pelos pólos da cabeça de gravação.

A fita grava apenas u m a face Por c a d a " l a d o " são g r a v a d a s d u a s pistas — a esquerda e a direita do s o m estereofónico.

Fita de gravação

Os sinais eléctricos utilizados na formação do padrão podem provir de um microfone ou de um rádio, de um giradiscos ou de um gravador de fita. As fitas. hoje em dia, são gravadas em estéreo (v. p. 223). No sistema DAT (digital áudio lapej, os sinais eléctricos do microfone são convertidos em números binários (v. p. 241). Este sistema é mais preciso e produz uma gravação mais fiel. Na maioria, os gravadores modernos utilizam a mesma cabeça para a gravação e a reprodução. Para ser gravada, a fita tem de ser limpa de todos os padrões anteriores antes de chegar à cabeça de gravação, o que é efectuado por uma cabeça de apagamento, electroíman alimentado por uma corrente de alta frequência. Esta cabeça é ligada automaticamente quando se carrega na tecla de gravação. Para reproduzir uma gravação, basta inverter o processo; quando a fita passa, o

MAGNETISMO E ELECTRICIDADE no entanto, a influência de um campo Os átomos de muitos metais são imanes magnético, c o m o o que resulta da minúsculos que em certas substancias, aproximação de um íman ou da pasconhecidas pelo nome de ferromagnétisagem de corrente eléctrica por uma cas, alinham os seus pólos magnéticos bobina, para o ferro se tornar fortetodos na mesma direcção. Daí pode remente magnetizado. Com uma corsultar um íman, com os seus pólos norte rente eléctrica forte, consegue-se um e sul resultando da cooperação dos mialinhamento total dos átomos de fer núsculos pólos atómicos. ro, daí resultando um íman m u i t o Mas pode resultar também uma subsmais poderoso que os naturais — e tância como o ferro, na qual não se nota com a vantagem de se poder ligar ou magnetismo. 0 que se passa é que no desligar. Também quando se desloca ferro os imanes atómicos estão de facto um íman junto a uma bobina, surge alinhados entre si, mas apenas em penesta uma corrente eléctrica, que dura quenas extensões chamadas domínios; e n q u a n t o d u r a r o m o v i m e n t o do de domínio para domínio, a direcção da íman. Foi assim que, em 1831, foi consmagnetização é diferente, pelo que, em truído o primeiro gerador eléctrico média, as suas acções se compensam e por Michael Faraday. não se notam pólos à superfície. Basta,

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Como a agulha de gira-discos lê o som
O processo de armazenagem inicia-se quando a música entra num microfone e faz com que o seu diafragma vibre exactamente como uni tímpano humano. As vibrações são convertidas em fracos sinais eléctricos variáveis. Todos os microfones possuem um diafragma que funciona segundo o mesmo principio que o do boca] do telefone (v. p. 214), mas existem diversos outros dispositivos para converter as vibrações em corrente eléctrica. A fabricação de um disco-matriz Na fabricação de um disco-matriz para reprodução, o som é captado por uma série de microfones, e os sinais eléctricos são registados em pistas separadas (de 2 a 48) em fita magnética. A fita é então montada num complicado misturador electrónico, o que permite que o técnico de gravação modifique a qualidade tonal e a intensidade de cada pista. 0 produtor pode desejar aumentar o volume de determinado instrumento, por exemplo. Desta forma, as gravações em multipistas são misturadas para produzirem uma fita-matriz de duas pistas em que os sons foram misturados e equilibrados de modo a produzirem os melhores efeitos nos canais estereofónicos esquerdo e direito (página seguinte). 0 disco-matriz é então gravado por meio de si-

Os sinais eléctricos produzidos pelo mi
crofone são intensificados por um amplificador, gravados em fita e passados a um buril de gravação que produz um disco-matriz. Quando tocamos um disco (réplica do disco-matriz), as vibrações do estilete (agulha) reproduzem os sinais eléctricos, e os altifalantes reconvertem nos nos sons originais.

nais eléctricos provenientes da fita-matriz. No aparelho de gravação do disco, um estilete em forma de buril vibra e escava um sulco ondulado na superfície de grava cão (em geral, uma camada de massa virgem sobre um disco plano de alumínio) segundo uma espiral a partir do bordo para o centro. O disco é rodado a precisamente 33 '/j rotações por minuto (rpm) para produzir um disco de longa duração, ou a 45 rpm para um pequeno single, mas a velocidade da cabeça de gravação em direcção ao centro varia de acordo com a intensidade do sinal, sendo maior quando o som é mais forte. Os sinais estereofónicos obrigam a agulha a vibrar de forma a gravar em cada parede do sulco em V um padrão diferente. As paredes do sulco estão a 45° em relação à superfície do disco e a 90" uma da outra. Pode chegar a haver 140 sulcos por centímetro — o seu número varia com a velocidade da cabeça de gravação, e uma passagem com som mais forte precisa de

O que é o fonógrafo

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s primeiros sons foram registados e reproduzidos por Thornas Alva Edison em 1877, numa "maquineta" que depois aperfeiçoou e comercializou com o nome de fonógrafo ("escrevedor de sons"). Utilizava uma corneta com um diafragma na abertura mais estreita, servindo simultaneamente de microfone e de altifalante. Quando alguém falava para a corneta, o diafragma — c uma agulha de aço que lhe estava ligada — vibrava para cima e para baixo. O registo fazia-se sobre urna folha de estanho enrolada num tambor com um sulco em espiral na superfície. Para a gravação, o tambor era rodado por uma manivela, e os sons que entravam pela corneta faziam vibrar a agulha, que indentava a folha de estanho à medida que
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se deslocava ao longo do sulco em espiral. Na reprodução, o tambor era rodado novamente e a agulha, ao seguir os altos e baixos feitos na folha de estanho, fazia vibrar o diafragma, produzindo sons que saíam pela corneta. O alemão Emile Berliner, trabalhando nos EUA deu um passo decisivo na gravação de sons ao introduzir o disco em 1888. O disco era tocado numa placa giratória, empregando o mesmo tipo de corneta e de agulha que o fonógrafo. Quatro anos depois, foi o pioneiro da cópia de discos pelos processos de electroplastia e estampagem. Anteriormente, os discos ou cilindros tinham de ser gravados um a um. O disco de 78 rpm de Berliner era feito de goma-laca.

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Sessão ao vivo. No principio do século, a tecnologia da fabricação de discos-matrizes estava na infância. O mecanismo do prato giratório tinha de ser accionado à mão para cada disco que se graoaoa. Quando a agulha era pousa da no disco, os executantes, dispostos em redor da corne ta. começavam a locar. O equipamento pura a gravação estava montado sobre um bloco de betão isolado para que outras vibrações - além das ondas sonoras provenientes da execução - não fos sem afectar a agulha durante as gravações. Estas utiliza vam um cilindro de cera (em cima) e Unham de ser produzidas individualmente.

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COMO A AGULHA REPRODUZ O SOM
A agulha é uma safira ou diamante artificiai com urna ponta arredou dada ou elíptica. Os sulcos (aqui ampliados 1000 uezes) têm pare des de feitio diferente — uma para os sinais estereofónicos da direita, outra para os da esquerda. A agulha vibra enquanto per corre estas paredes irregulares, provocando sinais eléctricos na cabeça de captação. Os sinais são ampliados e depois convertidos em sons por cones (diafragmas) vibrados por electroímanes nos altifalantes Numa cabeça de captação (pick-up) de magnete móvel, a agulha está ligada a um íman. Quando a agulha vibra, os movimentos do íman. ou magnete, induzem correntes eléctricas em dois enrolamentos de fio, criando os sinais que alimentam os dois altifalantes.
Sulco no disco Parede interior do sulco Parede exterior do sulco Altifalante esquerdo Altifalante direito Sinais para o altifalante direito 0 magnete. { induz corrente ^ na bobina direita Sinais para o altifalante esquerdo

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Sinal na parede rior

0 magnete móvel induz sinais diferentes em cada enrolamento (bobina). Se só a parede exterior contém sinais, só a bobina correspondente ao altifalante direito produzirá corrente; se só a parede interior contém sinais, só o altifalante esquerdo receberá corrente.

mais espaço porque a agulha vibra mais, pelo que produz sulcos mais separados e portanto em menor número. Depois de o sulco ter sido gravado na massa virgem, o disco-matriz é niquelado electroliticamente e processado para dar um disco de níquel muito delgado e de imagem negativa, denominado a matriz, que é o molde para a produção dos discos para venda. Os discos que se compram são moldados em PVC (cloreto de polivinilo). Grânulos de PVC são simultaneamente prensados e aquecidos entre duas matrizes gravadas em separado — uma para cada lado do disco — e depois arrefecidos. Cada prensagem de um disco de longa duração demora cerca de 25 segundos. O gira-discos e os altifalantes Nos bons sistemas de alta fidelidade, o prato é pesado e geralmente accionado por correia de transmissão a fim de o isolar das vibrações do motor. A agulha tem a ponta arredondada e é habitualmente feita de safira ou diamante sintéticos. Está aplicada a uma cabeça de captação na qual um transdutor electromecânico converte as vibrações da agulha — causadas pela sua deslocação ao longo da espira do disco — em sinais eléctricos.

Habitualmente, o transdutor é magnético — a agulha, ao fazer o seu percurso, movimenta um íman no interior de bobinas de fio condutor, induzindo neste uma corrente eléctrica. Usam se duas bobinas, cada uma delas sentindo as vibrações de cada pista estereofónica e produzindo corrente para os sinais de saída esquerdos ou direitos. Estes sinais são réplicas daqueles que fizeram funcionar o estilele durante a gravação do disco-matriz. Os sinais gerados pela cabeça de capta ção (pick-up) são muito fracos, pelo que têm de ser amplificados nos circuitos electrónicos de um amplificador. Uns destes circuitos controla o volume, outros a tonalidade e outros o equilíbrio (balance) entre os canais esquerdo e direito. A partir do amplificador, os sinais intensificados vão alimentar os altifalantes, onde um electroíman faz vibrar um diafragma em forma de cone a fim de converter novamente os sinais em ondas sonoras Um altifalante simples possui um único cone, mas os dos sistemas de alta fidelidade têm dois ou três, separados e de tamanhos diferentes, pois cada tamanho é adequado à reprodução de uma gama de sons (ou frequências — quanto mais alto o som, maior a frequência da vibração).

Sons de duas direcções
O som estereofónico proporciona uma sensação de direcção e de profundidade à audição de rádio ou de gravações. Quando se ouve uma orquestra a tocar através da rádio, por exemplo, pode saber-se onde estão os diversos instrumentos. Muitos programas de rádio em VIIF são actualmente transmitidos em som estereofónico. 0 programa é gravado com o emprego de uma série de microfones, e os sons misturados de forma a produzirem-se em pistas separadas os sons da esquerda e da direita do estúdio de emissão. 0 emissor envia para o ar dois conjuntos de sinais de rádio: um transporta a saída conjunta dos microfones para que possa ser captado pelos receptores mono; o outro transporta sinais codificados para um receptor estéreo. Este possui um descodificador que separa o conjunto codificado em sinais do canal esquerdo e sinais do canal direito, os quais são amplificados separadamente e vão alimentar cada um dos altifalantes esquerdo e direito.

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MARAVILHAS DA CIÊNCIA

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"Chuck" Yeager: o homem que passou a barreira do som
Dois dias antes da sua tentativa de passar a barreira do som, Charles "Chuck" Yeager, de 24 anos, capitão da Força Aérea dos EUA, partiu duas costelas num acidente quando corria a cavalo, com a sua mulher, no deserto do Mojave. Na manhã seguinte, um médico local ligou-lhe o tronco, mas, mesmo assim, "Chuck" não conseguia mexer o braço direito devido as dores. Sabia que, se houvesse notícias do seu estado, as entidades superiores adiariam a tentativa, projectada secretamente para 14 de Outubro de 1947. O avião Bell X-l, accionado por foguetes e pintado de cor de laranja, seria largado do compartimento das bombas de um Boeing B-29 e, depois de uma curta planagem sem motor, começaria a subir quando Yeager pusesse a funcionar em rápida sequência os quatro foguetes. Para passar do B-29 para o minúsculo cockpit do X-l (também conhecido por XS-I), Yeager tinha de descer por uma pequena escada. A porta do çockpit tinha então de ser baixada por um cabo a partir do compartimento das bombas. Uma vez colocada a porta, Yeager tinha de a fechar pelo lado direito — coisa simples quando não se tem duas costelas partidas e o braço direito imobilizado. Então, o seu mecânico de voo, Jack Ridley, teve uma ideia brilhante: o piloto poderia manobrar um pau com a mão esquerda para levantar o manipulo da porta e fechá-la. "Procurámos pelo hangar e encontrámos uma vassoura", recordou depois Yeager. "Jack serrou-lhe 25 cm do cabo, que se ajustava perfeitamente ao manipulo. Depois, entrei no X-l e fizemos uma expe-' riência. Ele encostou a porta ao caixilho e eu, levantando o manipulo com o pau da vassoura, consegui fechá-la." Por volta das 8 da manhã de 14 de Outubro, o B-29 largou da Base Aérea de Muroc, no deserto do Mojave. Yeager viajava por enquanto no bombardeiro - que levava o X-l encaixado na barriga. Apesar das dores que sentia, Yeager estava optimista. Fizera já uma série de voos de ensaio no avião com propulsão por foguetes e tinha como objectivo ser o primeiro homem a ultrapassar a velocidade do som — cerca de 1220 km/h ao nível do mar (quanto maior é a altitude, mais lentamente o som se propaga). Na sua tentativa, Yeager planeava voar a cerca de 700 milhas/hora (1126 km/h) a uma altitude de cerca de 40 000 pés (12 200 m) acima do nível do mar. A velocidade de um avião comparada com a de propagação do som no meio vizinho é conhecida como o número de

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Aviáo mais rápido que o som. Recorte de jornal com a notícia (ao alto'). •'Chuck" Yeager (à esquerda) deu ao avião o nome da sua mulher, Clennis (à direita). Mach - norne do físico Ernst Mach (18381916). Um avião que se desloca à velocidade do som diz-se que vai a Mach 1. Se um avião não é desenhado para o • voo supersónico, fortes ondas de choque atingem-lhe as asas e a fuselagem quando ele se aproxima de Mach 1. O fluxo do ar em redor do aparelho torna-se instável, causando intensas vibrações irregulares que provocam perda do domínio de voo. Teoricamente, o X-l, com o seu nariz aerodinâmico e as suas linhas suaves, não seria afectado. Contudo, tinha o mau costume de sacudir o piloto dentro do apertado cockpit com tanta força que o poderia fazer perder os sentidos Para se proteger, Yeager usava um grande capacete de râguebi, de couro, por cima do seu capacete de voo. SB Quando o B-29 se aproximou dos 7000 pés (2100 m), Yeager avançou para o compartimento das bombas, a partir do qual desciam uns carris até ao X-l. Empurrou a escada de alumínio pelos carris e deixou-se escorregar para dentro do cockpit do X-l. "Descer o diabo da escada fez-me doer", recordava depois. "Peguei no cabo da vassoura e o manipulo rodou para a posição de fechado. Funcionou perfeitamente." Depois, teve de haver-se com o ambiente gelado do cockpit "A tremer", lembrava, "bate-se as palmas com as mãos enluvadas e coloca-se a máscara de oxigénio no aviáo mais frio que jamais voou. Está-se a ser enregelado pelas centenas de litros de oxiPassagem da barreira. O Bell X-l tinha apenas 9,5 m de comprimento e 8,5 m de envergadura. Pilotado pelo capitão "Chuck" Yeager, o avião a foguetes passou a barreira do som a 1126 km/fr. génio líquido armazenados no tanque de combustível directamente por trás do assento, a 182íJC negativos. Durante os próxi mos 15 minutos, só há que bater os dentes ... é como tentar concentrarmo-nos no trabalho dentro de um frigorífico." Durante os voos de ensaio, a transpira ção de Yeager acrescentara mais uma ca-

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Thomas Edison: o "feiticeiro" que iluminou o Mundo
Precisamente às 3 horas da tarde de 4 de Setembro de 1882, o inventor Thomas Alva Edison, então com 35 anos, lançou-se naquilo a que chamou "a maior aventura da minha vida". Foi ligada a energia na primeira central geradora de Nova Iorque, na Pearl Street - e 85 casas, lojas e escritórios da zona resplandeceram com a luz de 400 lâmpadas incandescentes. Edison e os outros directores da Edison Electric Light Company tinham-se juntado no escritório de um dos seus principais apoiantes, o milionário J. Pierpont Mor gan, na Wall Street. O escritório de Morgan figurava entre os que seriam iluminados naquela tarde de Outono. E pelas 7 horas, quando começou a escurecer, a luz eléctrica fez o seu impacte nos escritórios do New York Times, ali próximo. Nos meses precedentes, Edison tinha superintendido o início da conversão da iluminação de Nova Iorque de gás para electricidade. Escolhera o local para a central perto do East River, por ser a zona fi nanceira da cidade e ele querer impressionar potenciais patrocinadores. Organizara um levantamento da zona, casa a casa, e tratara da instalação da rede, das caixas de derivação, dos quadros, dos contadores, dos fusíveis e dos candeeiros. Em Agosto de 1883, mais de 430 edifícios da cidade estavam a ser iluminados por 10 000 lâmpadas. Os trabalhos de Edison sobre a electricidade demonstravam a sua política de inventar apenas coisas que as pessoas pudessem querer e que viessem a facilitar-lhes a vida. Pusera em prática este princípio em Maio de 1876, quando, juntamente com 20 "amigos e colegas de traba lho" escolhidos, abrira um novo laboratório — ou "fábrica de inventos" — na pequena povoação de Menlo Park, Nova Jérsia. A fábrica era urn edifício de madeira de dois andares situado em ricos terrenos de cultivo, e tornou-se efectivamente o primeiro laboratório de investigação industrial do Mundo. Estava equipado com uma máquina a vapor, uma forja, baterias de acumuladores, material fotográfico, fio de cobre, bobinas de indução e aparelhos de medida, como um electrómetro e um gal vanómetro. Ao tempo, o inventor e o seu grupo tentavam aperfeiçoar a lâmpada de incandescência — na qual vinham a trabalhar desde a década de 1830. Em 1878, Edison for mou a Edison Electric Light Company, mas foi só no fim do ano seguinte que, após laboriosas tentativas, produziu finalmente uma lâmpada eléctrica prática. Edison apresentou a sua invenção ao público na véspera de Natal de 1879, iluminando a estrada, o laboratório e a biblioteca de Menlo Park com o emprego de um dínamo e de aproximadamente 40 lâmpadas. Cerca de 3000 espectadores assistiram a esta demonstração de génio do chamado '"feiticeiro de Menlo Park". Nascido em Milan, Ohio, em 11 de Fevereiro de 1847, Thomas Alva Edison linha 7 anos quando a família se mudou para norte, para Port Huron, no Michigan. A sua educação oficial terminou ao fim de três meses, quando o mestre-escola da aldeia o expulsou como atrasado mental. Na realidade, a criança sofria de surdez parcial resultante de ter tido escarlatina. Foi a Sr/' Edison quem encorajou o interesse crescente do jovem pelas ciências, designadamente pelas máquinas a vapor e pelas forças mecânicas. Tom instalou um pequeno laboratório de química na cave da casa dos Edisons, onde produzia a sua corrente eléctrica própria a partir de pilhas voltaicas e operava um telégrafo primitivo. Pouco tempo depois, trabalhando como distribuidor de jornais e vendedor de rebuçados no comboio entre Port Huron e Michigan, Ohio, construiu um laboratório modesto num vagão de bagagens. Instalou igualmente uma prensa de tipografia em segunda mão, na qual editava um semanário, o Grund Trunk Herald, para ser vendido no comboio. Telegrafista vagabundo Entre os 1G e 21 anos, trabalhou como "telegrafista vagabundo", segundo as suas próprias palavras, através dos estados do Centro-Oeste e do Sul. Em 1809, estava em Nova Iorque, dormindo numa cave na Wall Street. Um dia, encontrava-se por acaso nos escritórios da Gold Indicator Company, ali próximo, quando o indicador telegráfico dos preços do ouro se avariou. Reparou-o ali mesmo e foi admitido na empresa. Criou depois a Edison Universal Stock Printer, de maior fiabilidade — que vendeu à Western Union por 40 000 dólares. Edison utilizou este dinheiro para abrir e equipar a sua primeira oficina verdadeira — em Newark, Nova Jérsia - , onde fabricou o primeiro telégrafo impressor de fita, nos princípios da década de 1870. Em 1876, mudou-se para a referida povoação de Menlo Park, onde se dedicou à sua vida de inventor-a-tempo-inteiro. No ano seguinte, criou um novo microfone para o telefone de Alexander Graham Bell No aparelho de Bell, as vibrações sonoras da voz humana eram convertidas directamente em impulsos eléctricos. Mas a reprodução dos sons era débil, especialmente a grandes distâncias, em que quase desaparecia. O microfone de Edison utilizava pedaços de carvão para conseguir um contacto cuja resistência era modificada pela p r e s s ã o das ondas sonoras. Isto controlava a

O nascimento da luz eléctrica. O gerador de Edison está ligado por correias e roldanas ao seu dinamómetro — que media a potência fornecida peias máquinas a vapor. A gravura mostra a sua "fábrica de inventos" de Menlo Park em 1879 — ano em que produziu a sua lâmpada de incandescência (à direita).
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Cinco dias sem dormir. Edison afirmou Kr trabalhado cinco dias sem dormir no modelo aperfeiçoado do seu fonógrafo (à esquerda). Era quase madrugada do dia !6 de Junho de 1888, e mais tarde, nesse mesmo dia, ele foi fotografado com elementos da sua equipa (em baixo) e um ar menos despenteado. acabadas, e serão imediatamente destaca dos para o trabalho tantos trabalhadores quantos o possam ser em benefício da obra, e deste modo o protótipo funcional será produzido em muito pouco tempo." Depois, faziam-se aperfeiçoamentos, preparavam-se desenhos de execução e criavam-se os moldes necessários. Em seguida, era construída c ensaiada a máquina ou aparelho completo, em tamanho definitivo. Finalmente, e desde que fosse ao encontro rias expectativas de Edison, ela era levada para outra oficina para ser reproduzida. "Serão lançadas invenções de magnitude suficiente ... para constituírem as bases de indústrias independentes", concluía o artigo. Entre estas, figurou, em 1889, o kinetoscópio, ou máquina de imagens em movimento, que. afirmou Edison, iria trazer ao homem e mulher da rua os mundos da política, da arte e do desporto. O seu kinetoscópio fornecia a ilusão de movimento ao projectar uma série de fotografias sobre um écran. Depois dos filmes curiós sobre bailarinos e boxeurs. Edison dedicou se aos filmes de grande metragem - enlre os quais O Grande Roubo do Comboio, produzido nos estúdios de Edison, em West Orange, em 15)03. Com um tempo de exibi çáo de 10 minutos, este foi um dos mais longos filmes feitos até então e constituiu o seu último grande triunfo.

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corrente proveniente de uma bateria c permitia a emissão de sinais eléctricos muito mais fortes rio que os do telefone de Bell. A voz do interlocutor podia ser ouvida a muito maior distância. No telefone rie Bell, o bocal servia também de auscultador, pelo que quem o utilizava tinha de falar c escutar alternadamente da mesma campânula. Edison separou o emissor do receptor, tomando muito mais fácil o uso do telefone. Depois de aperfei coar o "telefone que falava alto", Edison dedicou-se à invenção do fonógrafo — antepassado do gramofone e do moderno gira-discos. Em Dezembro de 1877, fez uma demonstração da máquina aos seus empregados de Menlo Park. Enquanto o tambor do fonógrafo rodava lentamente, ouviu se a sua voz, longínqua e em tons agudos, recitar o poema infantil «Mary hari a little lamb. its fleeee as white as snow» ... Patenteou o fonógrafo em Fevereiro de 1878, e nove anos depois mudou-se para uma nova casa, espaçosa e dotada de laboratório de investigação, em West Orange, Nova Jérsia. Nessa altura, já tinha ganho com os seus inventos uma soma que se calcula em 1 milhão de dólares (ao todo, obteve 1093 patentes de invenção, desde uma caneta eléctrica até casas de baixo custo em betão moldado). Chegou a empregar 5000 trabalhadores. Edison descreveu uma vez os seus métodos de trabalho a uni redactor do Sàentifie American: "Desenhos rudimentares serão fornecidos aos fabricantes de mode los, que se servirão das vastas existências de materiais para fazerem protótipos das peças necessárias, ou mesmo das peças Imagens em movimento. 0 kinetoscópio de Edison projectava num écran uma série de fotografias de uma fita de película continua - dando assim a ilusão de imagens em movimento. As fotografias eram observadas através de um visor no topo da máquina que funcionava por moedas Os "filmes" duravam apenas 15 segun dos.

CDs: música com um raio "laser"
Um disco compacto tem apenas 12 cm de diâmetro, mas contém 5 km de pista de música e loca durante perto de uma hora. Os CDs (compact discs) são tocados numa só face e não se riscam nem se gastam ao tocar, porque não existe qualquer agulha em contacto com a sua superfície. Km vez dela, um feixe de luz proveniente de um laser de baixa potência lê o disco pela parte de baixo, interpretando as minúsculas covas e áreas planas da pista de gravação, que evolui em espiral a partir do centro. Estas constituem um código bina rio que é interpretado sob a forma de som. Os códigos binários são padrões de apenas dois dígitos - o 0 e o I. Com eles é possível compilar um código que representa uma diversidade infinita de padrões e de sons. Todo o som incluído no âmbito do ouvido humano é fielmente reproduzi do ao ser descodificado. Quando o raio laser varre o disco que roda, reflecle-se diferentemente conforme incide sobre uma cova ou uma área plana. A luz reflectida vai incidir sobre um dispositivo fotossensível chamado fotodíodo, que a converte em sinais eléctricos. Estes sinais são descodificados electronicamente, resultando numa corrente eléctrica variável, e seguidamente amplificados e introduzidos nos altifalantes, os quais reproduzem ondas sonoras idênticas às que, no início da cadeia, levaram à criação das covas e dos planos. Gravação do código no disco 0 processo que leva a um disco compacto inicia-se quando um microfone converte as ondas sonoras em sinais eléctricos. A voltagem desses sinais ó medida dezenas de milhares de vezes por segundo e codificada electronicamente sob a forma de números binários (v. p. 241). Estes são novamente codificados a fim de se juntarem os dois canais estereofónicos numa via de impulsos única e prevê nir os danos causados aos sinais por riscos ou dedadas que podem ocorrer durante o manuseamento. Enquanto um disco de vidro, virgem, revestido de uma resina fotossensível, c girado sob um raio laser, os sinais codificados são fornecidos a este sob a forma de impulsos eléctricos. O laser emite-os como impulsos de luz que produzem o padrão de covas no revestimento padrão que aparece quando o revestimento é revelado quimicamente. O disco-matriz fornece um molde para reprodução. Cada disco é revestido com uma fina camada de alumínio que o torna altamente reflector e seguida mente com uma camada protectora.

Música compacta As covas e áreas planas que formam o código do som de um disco compacto vêem-se, com uma ampliação de 930 vezes, na fotografia ampliada de um disco (à direita), com a sua cobertura de plástico repuxada para trás. Pista codificada. Um feixe de laser varre as covas e os planos; a luz reflectida é lida como "ligada'' ou "desligada". Sinais codificados. 0
padrão da luz reflectida forma uma cadeia de impulsos eléctricos. Esta
0 1 1 0 1 1 1 0 1 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0

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corrente eléctrica representa os dígitos binários (á direita, em cima) que vão servir para sintetizar uma corrente eléctrica analógica

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5

6

6

4

2

1

2

ou seja com uma forma contínua análoga à das ondas sonoras

Sinais descodificados. Cada valor numérico é uma medida da intensidade da corrente, feita durante a gravação 44 100 vezes em cada segundo, e representa rigorosamente os sons originais. O código binário permite 65 535 níveis possíveis de som em cada medida.

Altifalante Onda sonora Corrente eléctrica

O som. Quando a corrente eléctrica variável é amplificada e introduzida no altifalante, é transformada em ondas de som que reproduzem a gravação

226

Como o sintetizador produz música electrónica
Quando um violino, um oboé e uma trombeta locam a mesma nota, todos eles pro duzem uma vibração fundamental da mesma frequência. O que lorna diferentes os sons dos instrumentos são os sons harmónicos - OS sons com frequência múltipla da fundamental. Por exemplo, uma corda de violino vibra ao longo de todo o comprimento para produzir o tom fundamental, mas cada metade e cada quarto da corda vibram também, produzindo os sons harmónicos. Os instrumentos dão nos diferentes misturas de sons harmónicos se gundo as respectivas formas e materiais de que são feitos e o modo como as vibrações ressoam no corpo do instnimento, criando a qualidade que o distingue. Um sintetizador electrónico produz música ao gerar uma corrente eléctrica sobre um largo espectro de frequências. Quando a corrente vai alimentar um altifalante, são simulados os sons fundamentais e os harmónicos de qualquer tipo de insIrumenlo, além de muitos outros efeitos sonoros. Como um sintetizador raramente consegue simular todos os sons harmónicos, em constante mutação, de um instrumento tocado convencionalmente, falta lhe habitualmente a mesma riqueza de qualidade — mas os modelos modernos aproximam-se bastante. Os sintetizadores são utilizados pelos músicos pop em conjunto com instrumentos convencionais para fazerem música electrónica "ao vivo". IY>dem ser ligados Som visível. As notas de um trecho de música são aqui representadas por siri ais electrónicos verdes vibrando nurn écran. A onda mais regular de som fundamental pode verse por baixo dos harmónicos irregulares. a microfones e a outros sintetizadores ou tocados por um gravador de fita ou um computador. Alguns podem ser alimentados por patches (discos ou placas com programas de computador) que criam sons diferentes. Alguns sintetizadores digitais têm computadores incorporados e conseguem produzir sons harmónicos complexos. Alguns usam síntese de FM (frequência modulada), processo seme lhante à modulação de ondas de rádio. Nos sintetizadores que utilizam um sis tema de ligação ao computador chamado MIDI (musical instrumenl digital interface), o tocador pode introduzir sons de diversos instrumentos ou de outro computador ou sintetizador para obter uma diversidade de efeitos. Com um aparelho electrónico digital chamado sampler, podem introduzir-se sons que são reproduzidos em qualquer tonalidade no teclado. Os sintetizadores são também utilizados na composição de música electrónica. Ilerberl Kimcrt c Karlheinz Stockhausen instalaram o primeiro estúdio de música electrónica em Colónia, na Alemanha, em 1953, e Stockhausen é um dos primeiros compositores de música electrónica. Entre outros, contam se os americanos Milton Babbit e Morton Subolnik. A banda sonora do filme Koyaanisqatsi (1982) incluía música electrónica de Philip Glass. A modelação do» sons electrónicos Há três fases principais na produção de música electrónica — gerar a corrente, fil trá-la e amplificá-la. No gerador, um aparelho denominado oscilador dá à corrente a sua forma de onda vibratória. O ritmo de vibração (a frequência) é comandado fa zendo variar a voltagem dos circuitos geradores. Para um som puro, usa-se uma on dulaçáo regular - uma onda sinusoidal. Entre outras formas de onda geradas, con tam-se as ondas quadradas e as ondas em dente de serra, que produzem os sons fundamentais e muitos harmónicos Utilizam se diversos circuitos filtrantes para modelar melhor as ondas de vibra ção. Os Filtros deixam passar unicamente determinadas frequências e bloqueiam as restantes. Alteram a qualidade cio som e criam diferenles efeitos. A amplificação dos sons obtém-se pelo aumento da volta gem nos circuitos dos altifalantes. O sintetizador tem um teclado como o do piano, mas as teclas limitam se a alterar a voltagem da corrente enviada ao circuito gerador, produzindo assim sons de altura diferente. Outros botões, interruptores e cursores comandam os percursos através dos diversos circuitos. Para alterar a intensidade e a persistên cia de um som, o tocador acciona um comando chamado envelope generator, que altera a forma por que a voltagem é aplicada a diversos circuitos simultaneamente. Um som pode ser introduzido subitamente e por pouco tempo ou feito apare cer e desaparecer gradualmente.

O progresso do som electrónico

A

primeira pessoa que tentou obter sons electronicamente foi o inventor americano Thaddeus Cahill. Km 1906, ele inventou um instrumento cha mado telarmónio, que utilizava motores eléctricos e receptores de telefone para prcxluzir sons, mas sem muito su cesso. Km 1920, o cientista russo Leon Theremin produziu sons electrónicos utilizando dois osciladores de ondas de rádio; a "música" era locada movendo as mãos em torno das antenas, o que alterava a sintonização dos circuitos e produzia sons - variáveis segundo a posição das mãos — emitidos pelos altifalantes. O instrumento chamava-se O antepassado dos sintetizadores modernos foi construído em 1955 pela Radio Corporation of America (RCA) em Princeton, Nova Jérsia, para estudos de acústica. Kra alimentado por fila

theremin,

perfurada, cujo código de furos accionava os geradores de sons, os filtros e os amplificadores. A música era gravada em fita. Como utilizava válvulas termiónicas — tubos de vácuo electrónicos -, era tão volumoso que enchia uma sala. Nos anos GO, o físico americano Robert Moog criou o sintetizador Moog com circuitos à base de transístores. O desenvolvimento posterior no campo da electrónica permitiu o moderno sintetizador portátil. A síntese em TM, base dos sintetizadores digitais da década de 80, foi inven tada pelo Dr. John M. Chowning, da Universidade de Stanford, na Califórnia. A ideia da amostragem, na qual se baseia a maioria dos modernos sintetizadores, foi introduzida pelos australianos Peter Vogel, Kim Ryrie e Tony Furse, com o seu fairlighl computer musical instrumenl (CMI).

227

V_WIVIV/ i u n v ^ i u i i n :

I
Há dois tipos principais de fibras: as mais finas, as monómo das, transmitem a luz sob a forma de uma única onda ou modo -, e os sinais luminosos podem "viajar" quase 200 km sem serem reinten sifícados. Nas fibras mais espessas, as multímodas, podem ser transmitidos, a diferentes intervalos, até 1000 padrões de ondas (modos) dife rentes, mas perde-se sempre um pouco de luz, e os sinais têm de ser reintensificados a intervalos de 15 km. C o m o sáo t r a n s m i t i d a s as mensagens Num sistema telefónico de fibras ópticas, a corrente eléctrica produzida pelo telefone em resposta às vibrações da voz começa por ser introduzida num codificador. Este mede a intensidade da corrente cerca de 8000 vezes por segundo. O valor de cada medida, em código binário, é uma série de uns e zeros a que corresponde uma série de impulsos de corrente — um sinal digital. A luz c gerada por lasers. O tipo usado na transmissão por fibras ópticas é um laser de semicondutor que produz luz infravermelha invisível. Esta, tendo uma frequência muito mais alta que a corrente eléctrica, pode transportar muito mais informação. Os sinais eléctricos acendem e apagam rapidamente o laser, produzindo impulsos de luz codificados digitalmente que pe netram na fibra óptica através de uma lenCódigo S

Fibras ópticas: o transporte de sons por raios de luz
Fios do mais puro vidro, alguns deles 10 vezes mais finos que um cabelo humano, estão a tomar o lugar do fio de cobre nos cabos utilizados na transmissão de sinais de telefone e de televisão. Estes cabos de fibras ópticas podem transportar mais informações que os fios de cobre, transmitindo-as sob a forma de impulsos de luz — e ocupam apenas cerca de um décimo do espaço dos cabos de cobre. Sons, imagens e informações computorizadas podem ser transmitidos pelo mesmo cabo, e os sinais não se atenuam tão rapidamente como no fio de cobre, polo que 0 cabo precisa de menos amplifi cadores de sinais intermédios. Quando se faz incidir luz sobre uma ex tremidade da fibra, ela é reflectida interna mente muitas vezes cerca de 15 000 vezes por metro. Como cada fibra possui um núcleo interior que canaliza a luz ao longo dela e um revestimento exterior que a reflecte novamente para o núcleo, quase não há perda de luz através das paredes.

A REVOLUÇÃO DAS FIBRAS ÓPTICAS
A quantidade de informação actualmente transmitida - telex, fax e dados de computadores, além das chamadas telefónicas — vinha esforçando até aos limites o sistema baseado no cabo de cobre. Os cabos de fibras ópticas, de elevada capacidade, pequenas dimensões e ausência de interferências eléctricas, são a chave para um novo desenvolvimento. A primeira utilização das fibras ópti cas deu-se em 1955 no campo da medicina, para iluminar o interior do organismo. A perda de luz através das fibras era inicialmente demasiado grande para quaisquer outros usos. Mas em 1966 os Drs. Charles Kao e George Hockham, que trabalhavam em Inglaterra nos Standard Telecommunications Laboratories, descobriram que tais perdas se deviam às impurezas do vidro. Em 1970, a empresa americana Corning Glass produzia já fibras ópticas de qualidade suficiente para transmitir sinais telefónicos. Os cabos de fibras ópticas estão a substituir gradualmente os de cobre entre as centrais. O primeiro cabo de fibras ópticas transatlântico, o TAT-8, iniciou o serviço em 1988. A sua capacidade de perto de 40 000 chamadas telefónicas simultâneas é tripla da dos sete cabos de cobre hoje existentes em conjunto.

te. Pelo menos 2400 milhões de bits (dígitos binários) podem Iransmitir-se por segundo através de uma só fibra. Como há intervalos entre os sinais de uma chamada, enviam se em conjunto muitas chamadas, encaixadas umas nas outras. Isto é o que se chama mulliplexagem (no tempo). Na extremidade receptora do cabo de fibras, os impulsos da luz são captados por um fotodetector, que os reconverte em sinais eléctricos e os introduz num descodificador que reconstitui o padrão da corren te eléctrica saída pelo bocal do telefone. Os emissores c os receptores caberiam ambos numa caixa de fósforos, e os lasers não são maiores do que grãos de sal.

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Mensagens a alta velocidade As mensagens telefónicas são transmitidas pelos cabos de fibras Ópticos como séries de uns e zeros (código digital), representados pela luz acesa (ON) para o I e apagada (OFF) para o 0. Como p<xlem ser enviados milhares de milhões de dígitos por segundo, o oalor de cada medida é transmitido em muito menos que 1/8000 s, peto que há muito tempo livre para nele se intercalarem os sinais de muitas outras chamadas.

Tempo correspondente a uma das 8000 medidas por segundo

Fibra óptica reflectindo raios luminosos

228

Ver em linha curva. Um 'guia de imagens" de fibras ópticas é semelhante ao olho de uma abelha, que oê uma imagem inteira atraués de cerca de 9000 minúsculas lentes. O guia é um cabo com cerca de 27 000 fibras de vidro, cada uma delas mais fina que um cabelo humano. Os médicos empregam os "guias de imagens" em sondas para exames internos ou na cirurgia, e os engenheiros para verem O interior dos motores.

pontos de vista (os dois olhos), pequenos movimentos da cabeça e um complexo processamento da informação pelo cere bro que inclui experiências anteriores de outros sentidos, como o tacto. A imagem num só olho, tal como uma fotografia, é essencialmente bidimensional. No entanto, a luz, ao reflectir-se de um objecto, contém mais informação que a cor e o contraste claro escuro que os nos sos olhos ou a fotografia captam. O padrão de referência das ondas luminosas,- a for ma como se sobrepõem e reforçam ou anulam mutuamente dependem do espaço por elas percorrido. A holografia capta também a profundidade ao medir a distância que a luz percorreu desde o objecto.

A luz do laser, no segundo holograma, é dirigida ao objecto através de uma ranhura horizontal, o que limita as frentes de ondas, proporcionando a vista do objecto a partir de uma "latitude" fixa, mas permitindo uma visão total na horizontal. Lsta limitação facilita a visão da ima gem tridimensional com luz normal. O holograma gravado, ou holograma arco íris, visto à luz normal reflecte a luz bran ca segundo as cores que a compõem — como se tivesse passado através de um prisma. A imagem final é diferente se observada de posições horizontais diferentes, mas produz um efeito de arco-íris quando os olhos do observador se movi menlam no sentido vertical.

Como se faz um holograma
Um dos tipos mais simples de holograma é obtido dividindo o feixe de laser em dois com um vidro parcialmente espelhado. Um feixe, o feixe do objecto, ilumina o objecto, e as ondas de luz reflectidas inci dem sobre uma chapa fotográfica placa de vidro com uma face revestida por uma emulsão fotossensível. O outro feixe, o feixe de referência, é feito incidir directamente sobre a chapa fotográfica. Os dois feixes coincidem, criando um padrão de interferência, que é registado na chapa fotográfica. Se esta, depois de revelada, for examinada ao microscópio, apresentará uma confusão de linhas sem significado, que é o padrão de interferência. Quando se projecta luz de laser através do holograma já revelado sob o mesmo ângulo que o do feixe de referência inicial, mas no sentido oposto, o padrão dispersa a luz, criando uma imagem projectada do objecto em três dimensões suspensa no espaço como um fantasma.

QUE E UM «LASER»?
A palavra "laser" é formada pelas ini ciais das palavras que descrevem o seu processo: light amplification by slimulated emission of radiation, ou amplificação da luz pela emissão estimulada de radiação. Um dos primeiros tipos de laser foi o de rubi, cujo meio activo é um cristal cilíndrico de rubi artificial. Os átomos de crómio no rubi eram estimulados e emitiam um feixe de luz de laser. Uma lâmpada tubular de flash electrónico montada em espiral em redor do cilindro emite intensas pulsações de luz que excitam os átomos de cró mio de um estado de energia baixo para um estado de energia alto. Após alguns milésimos de segundo, os átomos regressam ao seu estado normal, emitindo espontaneamente um pacote de energia denominado fotáo. Quando um fotáo encontra outro átomo de crómio ainda no estado de energia elevado, eslimula-o a emitir novo fotâo idêntico. Os dois fotões idênticos deslocam-se na mesma direcção e exactamente à mesma cadência, e à medida que se propagam pelo cristal mais e mais fotões idênticos se lhes juntam por estimulação. 0 caminho é artificialmente alongado por espelhos nas extremidades do rubi, um deles só parcialmente espelhado; é por este que sai o feixe de laser, um impulso com triliões de fotões vermelhos em uníssono, durando um milissegundo. Outros lasers emitem urn feixe contínuo em vez de pulsado. O poder do laser reside na sua concentração. O feixe é perfeitamente rectilíneo, e os fotões todos com o mes mo comprimento de onda - podem ser focados num ponto de uma mesma superfície. Os mais pequenos lasers actualmente em uso são os lasers de semicondutor, que emitem um feixe infravermelho invisível.

Hologramas: imagens tridimensionais

A holografia é um processo de produzir imagens a três dimensões. O holograma é usado nos cartões de crédito e nas etiquetas de vestuário como instrumento Gravação em relevo de imagens 3 - D de segurança, pois é quase impossível de Para as reproduções tridimensionais que falsificar. vemos diariamente, usa-se a imagem "fanÉ também utilizado no ensaio de pnxlutasma'1 corno objecto de um segundo holos como os pneus de avião. Fazem-se holograma. Para este, a chapa fotográfica tem logramas dos pneus novos antes e depois um revestimento que, ao ser processado, de os submeterem a esforços: a sobreposidá uma superfície em relevo, ultrafina, da ção dos dois revela as mínimas ralhas. imagem adequada à gravação em relevo. 0 Prof. Dennis Gabor. inventor da holografia, derivou o nome das palavras gregas holos e gramma, que significam "mensagem total", porque num holograma pode verse o objecto de qualquer ângulo. No entanto, só em 1961 dois cientistas americanos — Emmet Leith e Júris Upatnieks — produziram o tipo de hologra ma do qual evoluiu a moderna holografia. Utilizaram um laser, que lhes fornecia a luz intensa e pura que era requerida. Vemos os objectos em três di Ciência ilustrada. Este holograma projecta um modemensões por um processo mislo do futuro Museu da Ciência e Tecnologia da cidade de to, que inclui a visão de dois Paris.

229

t U M U hUNUUNAf

"Fax": fotocópias pelo telefone
Com uma máquina de fax ligada à rede telefónica, pode mandar-se através do Mundo, em poucos segundos, a cópia exacta de um documento ou de uma foto grafia. 0 fax (abreviatura de transmissão em fac-símile) é hoje utilizado em toda a parte. As transmissões por fax são debitadas ao mesmo preço que as das chamadas te lefónicas normais, mas o material pode ser enviado com muito mais rapidez do que se fosse ditado. As máquinas automáticas recebem mensagens a qualquer hora e po dem ser programadas para emitir documentação depois do escritório fechado, aproveitando as tarifas telefónicas mais baixas. Em certos aparelhos, o mesmo documento pode ser enviado sucessivamente a muitos terminais diferentes — a chamada transmissão sequencial. Para transmitir um documento ou uma imagem, o utilizador coloca-o na máquina e marca o número no teclado. A máquina encarrega-se do resto e dá sinal quando a sua missão foi cumprida. 0 documento ou imagem a transmitir é passado em frente de uma fonte de luz, em geral uma lâmpada fluorescente. A luz reflectida pelo documento é dirigida por espelhos e através de uma lente para um dispositivo chamado CCD (charged coupled device, semelhante mas mais simples que os das câmaras de vídeo — v. Televisão, p. 218), que converte a imagem recebida

ponto a ponto numa corrente eléctrica. Esta é digitalizada, ou seja convertida numa série de impulsos eléctricos repre sentando uns ou zeros. Estes sinais digitais vão alimentar um modem (modulador/ desmodulador) que os combina com uma onda portadora, a fim de os transmitir ao longo das linhas telefónicas. 0 modem verifica também a qualidade da linha telefónica antes de enviar os sinais. Se a qualidade não for suficientemente boa, o aparelho não faz a transmissão, pois a informação sairia confusa. Assim, dá um sinal que informa o utilizador de que deve tornar a enviar o documento. Os aparelhos mais recentes retransmitem elementos em mau estado até que a transmissão deixe de conter erros: é o chamado ECM {error correctíng mode, ou modo de correcção de erros). Quando os sinais chegam ao receptor telefónico, são desmodulados —separados da onda portadora- e introduzidos numa impressora, que recria o documento em cadeias horizontais de pontinhos linha a linha. A maioria das máquinas de fax utiliza a impressão térmica, possuindo uma cabeça de impressão térmica constituída por centenas de pontas metálicas aquecidas que funcionam em padrões de conjunto. Imprimem em papel térmico, o qual possui um revestimento químico que enegrece quando atacado pelo calor. Certos aparelhos imprimem em papel normal, vantajoso porque permite uma armazenagem mais demorada sem se estragar. Podem utilizar uma impressora a laser ou utilizar a transferência térmica, em que uma folha de tinta é interposta entre a cabeça da impressão térmica e o papel nor

mal. Os aquecedores fundem a tinta da folha e esta adere ao papel normal, produzindo uma imagem a prelo que seca imediatamente.

O «FAX» TORNA-SE MAIS RÁPIDO Os jornais utilizam máquinas de facsírnile para o envio de fotografias (telefotos) desde 1907, data em que uma fotografia foi transmitida por fios de Paris para o Daily Mirrar, em Londres. Em 1959, o jornal japonês Asahi Shimbun (Sol da Manhã) mandava páginas inteiras da sua sede, em Tóquio, para uma tipografia em Sapporo, a 960 km de distância. Actualmente, envia diariamente para Londres, via satélite, um exemplar completo, que ali é impresso para venda na Europa. Os progressos tecnológicos têm dado origem a máquinas de menor preço, mas capazes de reproduções de boa qualidade. Os jornais não são os únicos utilizadores: também as polícias transmitem entre si cópias de impressões digitais e retratos-robõs. As primeiras máquinas de fax demoravam cerca de seis minutos a transmitir um documento em A - 4 . Mais tarde, o tempo foi reduzido a metade, e as máquinas modernas levam menos de 30 segundos. Codificam a informação digitalmente, embora ela seja transmitida por sinais analógicos. Os aparelhos disponíveis na década de 90 codificarão e transmitirão digitalmente, diminuindo para quatro ou cinco segundos o tempo de transmissão de uma folha A-4.

Em segundos. Após a erupção do monte. St. He lens, nos EUA, este oficial de uma equipa de soco/ ro foi fotografado. As ampliações mostram o facsímile. constituído por pontinhos minúsculos, que são codificados sob a forma de sinais digitais e enviados por telefone.

l . U M U lUm.lUINA.'

O "bip" que nos chama
Os executivos e os técnicos atarefados podem usar consigo o seu sinal eléctrico pessoal — como se fosse uma campainha de algibeira— que os avisa de que alguém os está a procurar. Os médicos durante as suas visitas num hospital, por exemplo, podem ser chamados a determinada enfermaria, bem como os bombeiros em serviço podem receber um alarme de fogo. 0 avisador de algibeira, ou "bip-bip", como é conhecido devido ao som que emite, é um radiorreceptor em miniatura alimentado por pilhas e sintonizado com uma estação. O "bip" é dado por um pequenino cristal que vibra e produz som quando atravessado por sinais eléctricos. Estes são gerados nos circuitos electrónicos do aparelho e desencadeados por um sinal de rádio activado pelo carregar de um botão na unidade central. 0 "bip-bip" mais simples pode emitir vários sinais diferentes, corno os pontos e traços do alfabeto Morse. Quatro "bips" prolongados, por exemplo, poderão significar "fale para o escritório". Os tipos mais sofisticados podem dar pequenos recados ou arquivar mensagens. 0 sistema é conhecido por radio paging. Uma rede pequena pode chamar até 100 receptores, seja separadamente, seja simultaneamente, em grupo. Cada receptor tem um número, e o controlador faz o contacto transmitindo esse número seguido da mensagem desejada. Os serviços de paging a longa distância são operados por empresas comerciais que transmitem mensagens aos "bipbips" dos seus assinantes a partir de uma sala de comando. Todos os sistemas têm de ser autorizados, sendo-lhes atribuída uma frequência, em geral ao redor da banda dos 27 MHz. 0 raio de acção varia conforme a potência do emissor, mas situa se, em geral, entre os 50 e os 65 km.

Fotocopiadoras — imprimir sem tinta
Até à década de 40, fazer cópias de um documento ou de um desenho envolvia a fotografia ou a preparação de uma matriz em estêncil destinada a um copiador munido de uma almofada de tinta. As modernas fotocopiadoras utilizam a electricidade estática - sem o emprego de tintas. Podem produzir até 135 cópias a preto e branco por minuto, bem como cópias reduzidas ou ampliadas, e mais escuras ou mais claras que o original. Com a pressão de uma tecla que comanda um microprocessador electrónico, podem fa zer cópias de ambos os lados da folha. As copiadoras electrostáticas actuais descendem de uma máquina inventada em 1938. Carlson chamou ao seu processo xerografia, do grego "escrita a seco".
Onqinjl

Nas copiadoras antigas, aplicava-se o estêncil em volta de um tambor rotativo. A maioria das actuais fotocopiadoras utiliza também um tambor rotativo, mas é a imagem do documento a copiar que é projec tada neste por meio de espelhos e lentes. É este sistema óptico que permite a alteração das dimensões da imagem. O tambor tem um fino revestimento de semicondutor que conduz a electricidade quando iluminado (fotocondutor) e que é inicialmente carregado com electricidade estática. Os espaços em branco do original reflectem a luz para o tambor, pelo que a carga eléctrica é retirada. As áreas pretas do original não reflectem a luz, deixando assim a carga sobre o tambor. Estas áreas carregadas atraem um fino pó negro, o toner. que vai formar a imagem sobre o papel da cópia. Numa copiadora a cores, o original é "varrido" três vezes e exposto sobre o tambor através de três filtros que o separam nas três intensidades diferentes das três cores primárias da luz — vermelho, azul e verde. As cores são recriadas na cópia pelo emprego de loners das três cores secundárias - magenta, anil e amarelo - e do preto. Como sucede na impressão a cores, a imagem é impressa em quatro fases — primeiro as áreas com amarelo, depois as áreas com magenta, a seguir as áreas com anil e finalmente as áreas com negro. As mais recentes copiadoras a laser conseguem uma reprodução a cores mais precisa. A imagem original, varrida três vezes, é projectada sobre um painel de elementos fotossensíveis, chamado CCD (charge•coupled deuices), que a converte em sinais eléctricos. Os sinais vão alimentar um laser que os transmite como sinais luminosos e constrói a imagem linha a linha sobre um tambor fotocondutor electrificado.

COMO FUNCIONA UMA FOTOCOPIADORA
Original Tambor

Tambor

Cópia

A luz de uma lâmpada flúores cente ou de halogéneo varre o original por meio de. um espe lho que se desloca, projectando a imagem sobre um tambor ro tativo carregado com electrici dade estática. O tambor está revestido de uma substância que conduz electricidade quando sobre ela incide luz.

O IUIUUUI c carregado da \s tambor ê i u ( / t x u u u com electricidade imagem sobre o tambor OKtAtífn nn nnw/ir não têm luz. noln que íttJO lAm I119 pelo niie estática ao passar a carga se mantém. num sensibilizador de alta voltagem.
Sensibilizador Luz reflectida, do original

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O toner projectado sobre O\Jpapel, carregado \s l i m e i //H/J^Í.IUUÍJ .tíjuicr fmuvi, c t / » » l ' o tambor é atraído pelas electricamente cimv /irc/iv carregadas, ntrni no Innpr ri suas áreas mrroanrin^ atrai toner, que que correspondem às é fundido sobre ele por áreas negras do original, um rolo aquecido
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Tambor

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Sensibilizador

231

CUMU KUNUUNAY

Como a câmara fotográfica regista o instante fugidio

Máquina gigante. .4 Chicago Railmay Company, dos EUA, utilizou esta câmara para fotografar uni comboio de luxo em IÍMX) - era a única forma possível de o registar por inteiro. Esta câmara fotográfica linha 4 m de comprimento e registaua fotografias do tamanho de uma porta. A Iconologia eliminou grande parte do ele menlo "incerteza" no momento de fotografar. Existem, hoje em dia, câmaras auto máticas computorizadas que focam por si, ajustam os próprios comandos e fazem avançar o filme depois de cada disparo. Todas as câmaras fotográficas funcionam segundo o mesmo princípio, o da comera obscura: quando pressionamos o disparador, accionam-se as cortinas, ou lamelas, do obturador durante um momento muito breve e a luz passa através da objectiva para o interior da camera obscura até chegar à película. Os raios luminosos, ao atravessarem a lente, invertem-se e produzem uma imagem da cena real que fotografámos, imprimindo se sobre a pelícuia fotossensível, que obviamente se encontra na parte posterior da câmara fotográfica, ou seja do lado oposto à objectiva. 0 processamento químico da película completa as reacções físico químicas que se iniciaram quando da incidência dos raios luminosos sobre ela, transformando a imagem latente em imagem visível. A impressão sobre papel completa o ciclo que nos permite obter a fotografia 232 A câmara fotográfica A objectiva de vidro é o olho da máquina. Quando os raios de luz atravessam o vidro, afrouxam porque o vidro 6 mais denso que o ar, e todos esses raios (menos os que incidem no vidro a 90") são desviados, ou refractados. Nas objectivas fotográficas, as lentes que as constituem têm uma forma tal que raios lurni nosos paralelos reflectidos

pelo assunto
que fotografámos vão convergir para um plano - o pia no de foco.

*_\_>jvn_/ rui'i\-.ivjiirt:

Ao prepararmos uma fotografia, deve mos estar à distância certa do objecto para que os raios luminosos que penetram na nossa câmara se foquem sobre a película, dando uma imagem nítida. A distância adequada depende da objectiva utilizada. A maioria das câmaras manuais possui um regulador de focagem que desloca a objectiva para permitir fotografar objectos a distâncias diferentes. A câmara tem, em geral, um indicador de distâncias, ou telémetro. Algumas câmaras automáticas focam-se a si próprias, ou seja autofocam-se. Em função do diafragma escolhido, podemos obter mais ou menos nitidez para lá e para cá do plano que optámos por focar: é o que se chama profundidade de campo. As câmaras modernas têm objectivas compostas — conjuntos de lentes de vidros e formas diferentes - que eliminam as distorções inevitavelmente verificadas numa objectiva de lente única. Na câmara comum de 35 mm — que corresponde à largura da película —, a distância focal da objectiva chamada " n o r m a l " ronda os

50 mm, e o respectivo "ângulo de cobertura" é de cerca de 45°. Muitas câmaras permitem acoplar objectivas intermutáveis com diferentes distâncias focais ou então objectivas "zoom" com distância focal ajustável pelo fotógrafo (variável), por exemplo de 35 até 70 mm ou de 28 até 150 mm, etc. Para que uma fotografia não fique nem "clara" nem "escura", a película deve sofrer uma exposição adequada à luz. A exposição adequada é encontrada através do foto metro e controlada em simultâneo pela relação diafragma e obturador. O diafragma encontra-se dentro das objectivas e geralmente concêntrico com elas e é constituído por lâminas, produzindo uma abertura maior ou menor. O diâmetro da abertura é regulado por um anel exterior na objectiva, no qual os seus valores são indicados pelos chamados números /. O número f é tanlo maior quanto menor é a abertura. Nas objectivas mais usuais, geralmente a escala de números f varia entre f/22,16,11, 8, 5,6, 4, 2,8,2 e 1,4. Cada abertura permite a passagem de metade ou rio dobro da luz
Visot

do número / anterior, conforme se avança ou recua na escala por exemplo, a luz que passa através de #5,6 corresponde ao dobro da que passaria através de f/S; e a que passa através de f/U corresponderia a metade da que passaria através de f/S. O obturador, que se abre para deixar chegar a luz a película, fica entre a objectiva e a película. Nalguns modelos de câmaras, fica situado na própria objectiva logo atrás do diafragma, noutros modelos fica situado junto à película. 0 lapso de tempo em que se mantém aberto ehama-se tem po de obturação ou de exposição, e pode ir desde as obturações muito rápidas de 1/4000 de segundo até às lentas, de segun dos, minutos ou mais. Os tempos de exposição rápidos são indispensáveis nas fotografias de acção rápida, a fim de podermos "congelar" o movimento para que a imagem não fique "tremida". Usam se películas rápidas (de grande sensibilidade à luz) em conjunto com as exposições muito rápidas para se aproveitar ao máximo a pouca quantidade de luz que entra na câmara.

COMO A CAMARÁ UTILIZA A LUZ
Quando se faz uma fotografia, o objecto que se vê através do visor é registado na película durante o breve momento em que o obturador se abre e deixa passar luz através da objectiva. A película está revestida por uma emulsão que é quimicamente afectada pela luz. As películas "rápidas" são mais sensíveis à luz do que as "lentas", pelo que podem ser utilizadas em condições de menor iluminação. A rapidez da película vem indicada na caixa e no rolo pelo seu valor ISO. Quanto mais alto esse número, maior a sensibilidade da película.

Objectiva

Película

m
Objecto Pequena abertura (do diafragma) Grande abertura (do diafragma)

Um obturador comum é constituído por duas "cortinas" que se abrem, forman do uma fenda que expõe a película. Quanto menor for a fenda, mais rápido o tempo de exposição.
Número de exposições Sensibilidade ^ — da película (norma ISO) Largura da película j ^

A objectiva da máquina faz convergir a luz emitida pelo objecto a fotografar e projecta a sua imagem invertida sobre a película (na parte de trás da câmara).

O diafragma possui lâminas sobreponioeis que formam uma abertura de tamanho regulável em íris. Uma abertura maior deixa entrar mais luz na câmara.

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Os tempos de exposição ou ob luração mais lentos são adequados à fotografia de cenas pouco iluminadas em que não haja movimen lo. No enlanto, o contrário de tudo o que foi dito também pode ser válido. Por exemplo, imagine-se a fotografia de um objecto em movimento c o m a câmara a

acompanhar o movimento do mesmo, mas com um tempo de obturação relativa mente longo. Algumas câmaras têm uma posição B no obturador para exposições prolongadas, geralmente superiores ao segundo, em que o obturador pode ser fixado na abertura desejada durante quanto tempo se quiser. As vezes, escolhem-se tempos de exposição longos para "tremer" deliberadamente objectos em movi mento, transformando-os em "formas

Abertura do diafragma. As três secções deste nc gativo foram expostas a f/5.6, VII e í/22, cada posi çâo deixando entrar menos luz.

Tempo de exposição. Este negativo foi exposto durante 1/15, 1/60 e 1/250 de segundo, dando cada vez menos tempo para a luz actuar na película.

Resultado final. Com as aberturas e os tempos de obturarão mostrados ã esquerda, obteve se uma fotografia com três exposições diferentes, desde a sobrexposiçào à Subexposiçâo. 0 melhor resultado foi obtido com 1/60 de segundo e Vil.

Efeitos do obturador. Um tempo efe obturação lento forneceu luz suficiente paru registar a cena nocturna ern cima. Os faróis dos auto móveis apresentam se como longas fitas brancas. À direita, um saltador à vara foi congelado" em seis posições, muntendo-se o obtura dor aberto durante o solto e i/umiriando-o seis vezes com um flash estroboscópico de alta velocidade de reciclagem.

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LUMU KUNUUNA?

abstractas". Obtêm-se as mesmas exposições, ou seja a mesma quantidade de luz a chegar à película, com diferentes combinações de valores de diafragma e de obturador Por exemplo: como o r75,6 deixa entrar o dobro da luz do f/H, usar a abertura /?5,6 à velocidade de 1/250 de segundo é o mesmo que usar f/S a 1/125 de segundo. A fotografia feita com 1/250 e /'5,G ficará mais "congelada", no entanto a sua profundidade de campo será menor. A maioria das câmaras tem medidores de exposição incorporados, os fotóme tros, que nos dão as combinações correctas de diafragma e obturador possíveis de utilizar em relação à sensibilidade da película e à reflexão lumínica do assunto a fotografar. Por vezes, devido à pouca luz existente ou à pouca sensibilidade das películas que estamos a usar ou porque pretendemos determinados resultados mesmo com luz ambiente .suficiente, necessitamos de utilizar o flash electrónico. Algumas câmaras têm o flash incorporado, noutras existe uma sapata de aplicação para um flash independente, outras ainda permitem o uso do flash separado da câmara por meio de cabo conector. O relâmpago do flash tem de ser sincronizado com a abertura do obturador Na maioria das câmaras, essa sincronização faz-se a 1/60 de segundo, noutras a 1/125 ou 1/250 e nas câmaras com obturador do tipo "central" qualquer obturação está sincronizada com o flash. Como reage e funciona a película A película que regista os raios luminosos é mais uma fita transparente de poliéster ou triacetato coberta por um revestimento fo tossensível de sais de prata ou halogenetos microscópicos numa suspensão gelatinosa A exposição à luz provoca uma reacção latente nos halogenetos, que no processa mento químico se decompõem, transformando se em prata, tanto mais escura quanto mais luz tenham recebido. Para se obter o melhor resultado, tem de se regular a quantidade de luz conforme a indicação do fotómelro, senão: luz a menos resulta em subexposição sem pormenores, porque a fotografia — ou o diapositivo — fica demasiado escura; luz a mais

PROPRIEDADES DA LUZ QUE DÃO UMA COPIA A CORES A luz solar é composta pelas três cores primárias, ou principais: azul, verde e vermelho (à esquerda). Todas as cores podem obter-se a partir de diferentes misturas daquelas. As cores primárias, duas a duas, produzem as cores secundárias: magenta (azul e vermelho), amarelo (verde e vermelho) e ciano (verde e azul). Juntando aos pares as cores secundárias, voltam a reproduzir-se as cores primárias (à esquerda, em baixo): magenta mais amarelo dá vermelho, ciano mais amarelo dá verde, ciano mais magenta dá azul, o azul e o amarelo são "complementares", como o são o verde e o magenta, ou seja qualquer cor adicionada à sua oposta produz o branco ou neutro. A película a cores tem três camadas, cada uma delas sensível a uma cor pri mária. Quando se faz uma fotografia, cada camada reage a uma cor primária e forma a imagem em tinta da cor complementar, a qual é sensível; por exemplo, um objecto azul é registado pela cama da sensível ao azul em linta amarela O negativo é então impresso na câmara escura sobre um papel que con tém camadas fotossensíveis semelhantes. Quando a luz normal atravessa o objecto azul do negativo, a tinta amarela bloqueia os raios azuis, mas deixa passar os vermelhos e os verdes. 0 papel regista o vermelho e o verde como tintas ciano e magenta. Ao olharmos para a fotografia, a combinação de ciano e magenta aparece azul.
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Composição da luz. A luz "branca" natural contém três cores primarias oer melho. verde e azul. Combinadas duas a duas, produzem as cores secundárias magenta, amarelo e ciano. Combinando purés de secundárias (em butxo), obtêm se novamente as primárias. As cores que se opõem chamam se complementares.

Registo da luz sobre papel
I Camada • sensível

O negativo. As coies emitidas pelo objecto aungem a película.

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resulta numa sobrexposição, também
com perda de pormenores por a fotografia ficar clara demais. As películas com grão maior (mais sensível à luz) são mais rápidas a reagir e são conhecidas por películas rápidas; as películas lentas têm o grão pequeno e necessitam de mais luz para uma mesma exposi ção correcta. A sensibilidade das películas está geralmente indicada nas normas ISO (valor de sensibilidade da International Standards Organisation, ou Organização Internacional de Normalização). Quanto maior for o número ISO, mais sensível a película.

A copia. Ao passar I.I.através do negativo até ao papel •-••ri cima], as tintas do negativo bloqueiam as cores complementares.

Camadas expostas

Camada sensível ao .-i,-,ii

Mudança de cores. O negativo a cores, em cima, com as imagens nas cores complementares das reais, produz a cópia em baixo.

Camadas não expostas

As camadas não expostas são fixadas e lavadas. As tintas nas camadas expostas recriam as cores originais

Tinta amarela

Vista ampla. Uma objectioa com grande ângulo de cobertura abarca um campo mais alargado do que a percepção do olho humano. Esta vista do Sunset Bouleuard (à direita) foi feita com uma objectioa tipo grande angular de 24 mm de distância focal, com um ângulo de visão de 84". O ângulo grande faz com que a estátua e os edifícios distantes pareçam mais pequenos do que se estivéssemos a ver a cena à vista desarmada. Uma das utilizações da objectiva grande-angular poderá ser a fotografia de interior em que a objectiva "normal" não CO briria a cena total que pretendemos registar — embora os assuntos fotografados de muito perto apareçam distorcidos. As grandes-angulares sáo frequen temente usadas na obtenção de efeitos especiais.

180 mm

50 mm

'2>\ mm

Sunset Boulevard. A avenida principal de Hollywood foi fotografada de cerca de 65 m. utili zando-se diferentes lentes. A fo tografia de cima foi feita com uma teleobjectiva com 180 mm de distância focal. A teleobjectiva tem urn campo de visão mui to estreito (esta cobre apenas 14°), mas produz uma imagem aproximada. A fotografia do centro representa a mesma cena fei la com uma objectioa de 50 mm de distância focal. O ângulo de visão é de 45", apraximadamen te o da percepção do olho humano, o que cobre uma parte maior da cena. As teleobjectivas podem ter dl versas distâncias focais e ângulos de visão, permitindo-nos incluir, a partir de um único ponto, diferentes porções da mesma cena.

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Revelação a preto e branco A primeira fase do processamento da película, a chamada revelação, aumenta as reacções químicas iniciadas com a incidência da luz, transformando a imagem latente inicial em imagem visível por decomposição e transformação dos sais de prata em prata negra, tanto mais negra quanto mais luz tenham recebido. Antes de a película revelada poder ser manipulada à luz, tem de ser estabilizada, ou "fixada", isto é, têm de ser removidos os sais de prata não expostos e, consequente mente, não transformados em prata; para tal, introduz-se a película num composto, como o hipossulfito de sódio ou equivalente, geralmente designado por fixador. Entre o revelador e o fixador, qualquer material fotossensível que se esteja a processar deverá passar por um banbo ácido, conhecido por banho de paragem. Para se transfomiar o negativo em cópia positiva da cena original, coloca-se o mesmo num ampliador, focando o sobre papel fotográfico, revestido também com haiogenetos de prata. O ampliador projecta a imagem negativa sobre o papel, ampliando a para as dimensões por nós desejadas, e expõe o papel à luz. O papel retém a imagem da mesma forma que a película, mas como as áreas mais escuras do negati vo deixaram passar menos luz, o padrão de luz original é agora recriado. Após a exposição, a cópia é revelada, parada e fi xada, lavada e seca.

quanto algumas SLRs, entre elas a Hassel blad, usem rolos 120 - com 60 mm de largura -, que precisarão de menor ampliação, logo dando maior definição. Os dois tipos de câmara diferem principalmente em dois aspectos. Primeiro, a maioria das compactas possui apenas uma única objectiva incorporada, enquanto na SLR se pode aplicar uma diversidade de objectivas intermutáveis. Depois, a compacta tem um visor geralmente independente da objectiva, ao passo que a SLR tem um visor com reflector por espelho que "lê" através da objectiva da máquina. Com o visor independente, a vista do fotógrafo não coincide exactamente com a da objectiva, pelo que, nas fotografias a curta distância, é preciso compensar este erro de visão. Com o visor por reflexão, o fotógrafo "vê" exactamente a imagem que irá impressionar a película, porque a luz que atravessa a objectiva da câmara é reflectida por um espelho para um pentaprisma até chegar à ocular do visor. O pen-

taprisma inverte a imagem do espelho e aprosenta-a "direita" no visor. Quando se carrega no botão disparador, o espelho sobe, permitindo que a luz da imagem incida sobre a película. A compacta é geralmente mais peque ua que a SLR e é mais "fácil" de manejar. Os modelos mais caros podem ter focagem automática, exposição automática, uma objectiva "zoom" e um motor para avançar e rebobinar a película. As câmaras SLR podem ser programadas para exposição automática de diversas formas - por exemplo, para um tempo de exposição escolhido manualmente a abertura do dia fragma "correcta" é feita automaticamente. Frequentemente, o fotómetro tem um indicador no visor que mostra as combina ções de abertura e tempo de exposição que podem ser usadas. Os modelos mais recentes de SLR têm microprocessadores incorporados que comandam a autofocagem, a auto-exposição e o enrolamento automático da película.

Câmaras de focagem automática
Na fracção de segundo entre o premir do botão do obturador e a sua abertura, a câmara automática rnede a distância entre a objectiva e o assunto e regula a objectiva para se obter uma focagem nítida. A maioria das câmaras compactas tem um pequeno motor eléctrico para accio nar um emissor de radiação infravermelha. O emissor está ligado à objectiva, que se desloca para a frente ou para Irás quando o leixe explora a posição do alvo. O feixe de raios infravermelhos c reflectido do objec to até à câmara, onde um sensor pára o emissor quando o sinal mais forte lhe indica que a lente está focada. O obturador é então accionado automaticamente. Algumas câmaras possuem focagem por ultra-sons — um disco revestido a ouro (o transdutor) emite "chilreios" demasiado altos para serem ouvidos pelo homem com a duração de 1/1000 de segundo cada um. O disco recebe os ecos do chilreio pro venientes do objecto, e um microcomputador incorporado mede o tempo que cada chilreio demora a ir e voltar. A partir daqui, calcula a distância ao objecto. As máquinas SLR com autofocagem usam um sistema electrónico de detecção de fase, no qual a luz que entra na objectiva é separada em duas imagens. Um sensor mede a distância entre as duas imagens, que se encontram separadas por determinada distância quando a objectiva está lo cada. Se a distância não está correcta, o sensor faz com que um motor desloque a objectiva para trás ou para a frente.
r Emissor de infravermelhos Obiecto "'' J» ^ Sensor de infravermelhos

Fotografia a cores
As películas a cores seguem um processo semelhante. Existem em dois tipos diferentes, conforme o seu tipo. A transparência (diapositivo, ou slide) dá-nos a imagem directa e positiva para ser projectada num écran ou vista num visor. As do tipo cópias a cores, em papel, resultam de duas fases: primeiro obtemos um negativo a cores, que depois é impresso em papel (v. caixa). Dois tipos de câmara Duas das câmaras fotográficas mais utilizadas são a compacta e a SLR {single-lens reflex, ou câmara da reflexão por lente única). Ambas usam película de 35 mm, eon-

A DATAÇÃO DA FOTOGRAFIA É fácil esquecermo-nos de quando fizemos determinada fotografia, mas uma câmara dotada de uma peça especial marca automaticamente a data nas fotografias. A peça tem um relógio incorporado que mostra a data através de um LED (díodo emissor de luz), o qual pode ser simultaneamente fotografado na película ou nela impresso por meio de um pequenino flash interno, ficando gravado no negativo ou no slide.

Feixe reflectido de infraA objectiva vermelhos move-se até se ajustar a focagem

Varrimento por infravermelhos. Em certas câmaras, quando se acciona o balão disparador, urn feixe de infruvermelhos reflecte se no objecto e acciona o obturador quan do a objectiva se encontra na posição correcta

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O cristal de silício
Do tamanho de um botão cie camisa, um quadradinho de silício chega a conter 450 000 componentes electrónicos. Esse cristal de silício - microchip - é o fruto das técnicas da microelectrónica, que produzem circuitos integrados com uma densidade de componentes crescente. Electronicamente, os circuitos que constituem um microchip não são espe cialmente complexos — é o seu tamanho minúsculo que permite aos sinais através sarem-nos à velocidade do relâmpago: por isso, conseguem fazer até 250 milhões de cálculos por segundo. A maioria dos circuitos integrados são feitos de silício, mas alguns são de arsenieto de gálio. "Chips" para tudo Há vários tipos de circuitos integrados. Um microprocessador pode ser um computador ou o centro nervoso de um computador maior. Os de memória armazenam informações nos computadores em conjuntos de circuitos idênticos - permanente ou tem porariamente. Os de interface traduzem os sinais que chegam ao microprocessador do exterior em código binário (v. p. 241), de forma que os circuitos electrónicos possam trata los. Traduzem igualmente os sinais de saída em números ou palavras para o écran do monitor. Os circuitos integrados de relógio fornecem a cronometria necessária para que todos os circuitos do computador processem os sinais eléctricos na sequência correcta. Cada um deles está ligado a um cristal de quartzo que vibra a uma frequência precisa. Como o silício conduz a electricidade 0 silício é um semicondutor conduz electricidade melhor que os isoladores, mas pior que os condutores Quando puro, é praticamente um isolador, porque contém muito poucos portadores de carga eléctrica livres. No entanto, basta que lhe acrescentemos pequeníssimas quantidades de certas impurezas, chamadas dopai ites, para que se torne um bom condutor. A razão disto é que cada átomo da impureza vai soltar na rede cristalina do silício um electrão livre — se se tratar de uma impureza pentavalente como o fósforo. Estes electrões livres transportam a corrente eléctrica; como têm carga negativa, ao silício "dopado" com fósforo chama-se si lício do tipo n (negativo). Se, em vez do fósforo, se incorporar no silício um pouco de boro, dopante trivalente, cada átomo desta impureza dá à rede cristalina três electrões, um a menos que os quatro do átomo de silício que substitui; esta "falta de um electrão", chamada "buraco", com-

Rastreio de uma abelha. As "abelhas assassinas" do Brasil, que destroem as ubelhas domésticas, estão sob a vigilância de um laboratório americano. Aplica-se a abelhas captura das. que depois se soltam, um microchip com um emissor de infravermelhos. Cientistas captam as transmissões e estudam os movimentos das abelhas, tentando controlar a migração. porla-se cm tudo como um portador com carga positiva. Por isso, o silício com muitos buracos diz-se do tipo p (positivo). O número e o tipo de portadores (electrões ou buracos) podem ser também alte rados por potenciais eléctricos; assim, um semicondutor do tipo o pode passar a isolador ou mesmo a tipo n por aplicação de um sinal eléctrico positivo. Percebe se, portanto, como é que os semicondutores (e nunca os metais) puderam permitir o delicado controle da corrente essencial aos dispositivos electrónicos, dos transístores aos microprocessadores - desde que se começou a dominar as técnicas de crescimento de cristais puros e perfeitos e da sua dopagem. Um chip é um cristal per feito de silício, no qual são introduzidos dopantes dos dois tipos; são as áreas de diferente dopagem do cristal, juntamente com camadas de óxido isolador e pistas de metal, que formam os dispositivos electrónicos que fazem funcionar desde os computadores às câmaras de vídeo (v. p, 218). Como funciona um transístor Os transístores. os componentes mais vulgares de um circuito integrado, são principalmente usados como interruptores, deixando passar a corrente para representar o binário 1 ou interrompendo-a para o 0. Um tipo de transístor utilizado é constituído por duas ilhas de semicondutor n numa base maior do tipo p. Enquanto o transístor está "desligado", os electrões livres das camadas n não conseguem passar através da camada/). O transístor é "ligado" quando se aplica uma voltagem de um circuito separado de baixa potência a uma porta de alumínio por cima da base/). Esta diferença de potencial atrai os electrões li vres da basep para a poria, formando uma fina região tipo //. Os electrões formam então uma ponte entre as duas ilhas /7. fornecendo uma passagem para a corrente atra vés do circuito em que o interruptor está a operar. O transístor é "desligado" quando se retira a voltagem da porta. Sem a ponte entre as ilhas, a conente não pode passar. O fabrico de um "microchip" Os chips são produzidos às centenas de (vida vez sobre uma bolacha (wafer) de cristal de silício artificial ultrapuro e ultraperfeito, com uma espessura de décimos de milímetro. Os diagramas dos circuitos são preparados em computador, depois reduzidos à escala do chip e aplicados lado a lado sobre uma chapa de vidro chamada a máscara. Como os dispositivos como os transístores são construídos em camadas sucessivas do chip. faz-se uma máscara

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Desenhando um "chip". Para desenhar o plano de todos os árcui tos electrónicos, utiliza-se um computador Um desenhador altera a imagem no écran por meio de uma "caneta" de luz (em cima) e verifica o plano global num print-out (à direita, em cima). As máscaras para cobertura das áreas não funcionais cm coda camada do chip são feitas com o emprego de um negativo mestre (à direita, em baixo) cerca de 250 vezes maior que o chip. 0negativo é reduzido fotograficamente e depois impresso sobre o silício. para cada operação. As máscaras, que tapam as partes não desejadas, são feitas em tamanho muito maior que o do chip e reduzidas depois fotograficamente. Os chips são construídos pela formação de cada camada — camadas tipo p ou tipo n ou camadas isoladoras de dióxido de silício - o dissolução química das partes não desejadas. Isto execula-se tratando a camada com um revestimento sensível às radiações ultravioletas e expondo-a aos raios ultravioletas através da máscara. Certas partes, como os contactos de alumínio, são depositadas por condensação de vapor do metal. O alumínio é depois sujeito ao processo acima descrito, terminando com a sua dissolução nas zonas em que não deve existir, ficando apenas nas regiões onde forma pistas de interligação dos circuitos e nas sapatas de contado nos bordos do chip. Todos os circuitos integrados formados em cada chip de uma bolacha são testados. Após os ensaios, a bolacha é cortada ao microscópio em chips individuais. Os chips bons são montados numa base que se encapsula em plástico. As sapatas de contacto sào ligadas a terminais de metal por fios de ouro e os terminais são ligados a pernas de contacto salientes, que fazem a ligação ao circuito externo.

i ; ^ Linhas de memória. Os interruptores electrónicos e condutores que ^JL—ãã aqui se mostram estão ampliados 4000 vezes. Fazem parte de um circui to integrado de memória capaz de armazenar 256 000 dígitos binários.

Computadores: máquinas com memória
Os computadores começaram por ser máquinas de somar, mas actualmente, com os progressos da ciência, possuem memórias capazes de armazenar quantidades incríveis de informação e podem ser programados para "pensar". O computador "pensa", ou "raciocina", ao escolher continuamente entre duas alternativas para chegar a uma decisão logica. Embora apenas possa raciocinar dentro dos limites do seu programa, consegue apreciar enormes quantidades de informações com muito mais rapidez que o cérebro humano. 0 computador canaliza as informações fazendo passar correntes eléctricas por diversos circuitos. Antes do advento do chip de silício, na década de 70, estas máquinas eram muito maiores e mais lentas, porque os seus interruptores eram milhares de válvulas volumosas, mais parecidas com lâmpadas eléctricas. Os modernos computadores são do tamanho de uma pequena mala e executam milhões de operações por segundo. Outro factor que contribuiu para a rapi dez de operação dos computadores foi a utilização dos números binários (v. p. 241). Funcionamento do computador O computador pessoal típico parece um aparelho de televisão com um teclado por baixo do écran. O programa, que é uma lista de instruções ao computador por cada tarefa a cumprir, está habitualmente contido hum disco magnético que é introduzido na máquina. As informações são depois introduzidas através do teclado. Os programas são denominados software (literalmente, "artigos macios"). O teclado, o écran e as partes funcionais do computador são designados por hardware ("artigos duros"). Os programas são escritos em diversas linguagens de computador, como o BASIC (Beginner's Ali pur pose Instruction Code , ou Código de Instruções Polivalentes para o Principiante), o COBOL (Cornmon Business Oriented Language, ou Linguagem Vulgar de Aplicação Comercial) e o FORTRAN (FORmula TRANslation, ou Tradução de Fórmulas), usadas nos problemas científicos e mate

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máticos. As linguagens consistem
em palavras c abreviaturas simples e têm de ser compatíveis com o código do computador em que são utilizadas (página seguinte). O coração do computador é um chip microprocessador que comanda as operações da memória e a unidade de aritmética e lógica que processa a informação. Um chip de relógio sincroniza todas as operações e um outro chip interface converte os números binários em números ou letras normais para serem lidos no écran. As informações processadas podem ser impressas em papel, cm geral por uma impressora linear, que possui uma roda ou uma corrente que imprime os caracte res sobre o papel linha a linha ao ritmo de cerca de 2000 caracteres por minuto. A memória O c o m p u t a d o r tem duas memórias incorporadas, ambas formadas por micfochips. A memória principal armazena temporariamente aquilo que eslá a ser processado e é designada por RAM (Random Access Memory, ou Memória de Acesso Não Sequencial). Possui um comando leitura/escrita que permite ao utilizador não só ler as informações como alterá-las. Esta memória é apagada uma vez executado o trabalho e desligado o computador. A segunda memória é a ROM (Read Only Memory, ou Memória Somen te de Leitura), que constitui o armazém do computador e cujo conteúdo não se perde {[liando aquele é desligado. As informações da memória ROM, tais como a linguagem da máquina e os programas incor porados, não podem ser alteradas. Kmbora não seja maior que um botão de camisa, o chip de memória contém cerca de 450 000 peças electrónicas ligadas por circuitos Ião finos que seriam precisos quase 24 milhões para preencher urna espessura de 1 cm. Kxístem actualmente chips que podem armazenar até 1 048 576 dígitos binários {bits. de binary digits). Na gíria dos computadores, a sua capacidade será de 1024-K - K significa quilo e repre senta 1024. A memória apresenta se mais ou menos como um dos velhos armários de separação do correio, com fileiras e íileiAviáo garrido. Esta imagem codificada a cores no écran de um supercomputador Cray mostra a pressão do ar sobre um vaivém espacial. Foi utilizada para cálculo das pressões ã superfície. ras de escaninhos. Cada escaninho da memória RAM é um interruptor de transístor e um capacitador que contém uma carga de sinal único. Na memória ROM, contudo, os escani nhos onde as cargas estão armazenadas são aparelhos semicondutores denomina dos díodos — que permitem a passagem da correme num único sentido. Krn ambas as memórias os escaninhos estão agrupa dos para armazenagem de bytes — unida des de dígitos binários, tipicamente de S ou 1C. Quando o computador recebe as suas instruções, envia uma mensagem ao escaninho adequado. Os bits (sinais eléctricos) deixam a memória e dirigem-se à unidade de processamento por um sistema de transferência denominado data bus. Os computadores possuem também uma armazenagem de apoio (back-up)

Trabalho quente. Mais de 200 000 microchips funcionam no processador do supercomputador (em cima). Levou 20 horas a tratar os dados para o lançamento do vaivém (ao alto). O ritmo de trabalho de um bilião de operações por segundo é tal que gera calor suficiente para derreter a má quina. Por isso, esta é regada com um liquido refrigerante enquanto trabalha. Supersimulador. Os supercom putadores com processadores (à direita) podem executar biliões de cálculos com suficiente rapi dez para construir as imagens das condições atmosféricas em alteração que sáo necessárias pura as previsões meteorológicas

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QUE SÃO NÚMEROS BINÁRIOS?
É natural que o computador conte em conjuntos de dois, uma vez que tem de decidir entre sim e não para cada passo dos seus processamentos. Nos números de todos os dias, os dígitos de 0 a 9 são lidos da esquerda para a direita e baseiam-se nas potências de 10. O número 110, por exemplo, é a soma de uma centena mais uma dezena mais zero unidades. O sistema binário usa apenas dois dígitos — o 0 e o 1. Os números são lidos da direita para a esquerda e baseiam-se nas potências de 2. Partindo da direita, cada dígito dobra de valor: 1, 2, 4, 8, 16, e assim por diante. Por isso, no sistema binário os dígitos 1-1-0 equivalem a 6 (0+2+4), e o número 110 é como se mostra em baixo.
Número decimal 110 em sistema binário Valores binários 128 64 | 32 | 16 | 8 | 4 | 2 | 1 | Dígitos binários | 0 I 1 | 1 Cálculo 64 + 32 + 0 + 8 + 4 + 2 + 0 = 110 0

Como as calculadoras fazem somas
As espantosas capacidades da calculadora dependem de um chip de silício c o m 6 mm de lado capaz de processar cerca de meio milhão de sinais electrónicos que representam os números envolvidos nos cálculos. São possíveis até 400 000 operações por segundo, reguladas por um relógio de cristal de quartzo que c ligado ao mesmo tempo que a calculadora. Quando se carrega numa tecla marcada com um dos dígitos entre 0 e 9, os circuitos convertem-no automaticamente em números binários. As teclas dos números enviam impulsos electrónicos a uma parte do chip chamada registo para armazenagem temporária. Quando se pressiona uma tecla de função, como a "mais", esta envia um sinal aos circuitos de comando noutra parte do chip. Carregar na tecla "igual", para a resposta, faz com que os circuitos de comando enviem os sinais que representam os nume ros a unidade aritmética e lógica, que procede aos cálculos, tsta envia os números através dos seus circuitos por meio de interruptores, designados por portas lógicas, que "ligam" para 1 e "desligam" para 0. Estas portas funcionam de acordo com a álgebra de Boole, criada pelo inglês Georges Boole na década de 1840. As suas noções essenciais são a de que toda a afirmação ou é verdadeira ou é falsa e a de que, quando duas afirmações se combinam, ou as duas são verdadeiras ou uma ou ambas são falsas. A calculadora utiliza três tipos funda mentais de porta lógica para avaliar cada passo dos seus cálculos como I ou como 0 equivalente ao "verdadeiro" ou "falso". Duas das portas, a porta K e a porta OU,

COMO AS PORTAS IOGICAS SOMAM 3 COM 2
o Somar 3 mais 2 em números binários pode demonstrar-se no papel como segue:
Valor do digito Número binário Número binário Resultado etc. 3 2 8 0 0 4 0 0 1 2 11 10 0 1 1 (2+1) (2+0) (4+1) Dígitos a serem somados Porta E Entram 0.0 sai 0 Entram 0.1 sai 0 Entram 1.1 sai 1 Porta OU Entram 0.0 sai 0 Entram 0.1 sai Entram 1.1 sai Porta N Ã O Entra 1 sai 0 Entra 0 sai 1

No computador, as palavras são armazenadas sob a forma de números binários. Km linguagem BASIC, a palavra LOAD ("carregue" ou "armazene") poderia ser processada assim:
BASIC L 0 A D
Número binário

(51 0

H
H^
Bit de "vai u m " NÃO

H
7
^z.
•\

Em qualquer soma binária há quatro resultados possíveis:
0 + 0 = 0 (e vai nada) 0 + 1 = 1 1 + 0 = 1 (e vai nada) (e vai nada)

100 1 100 1001111 1000001 1000 100

1 + 1 = 0 (e vai 1)

Resultadc

para infonnações extras. Como os programas, ela é habitualmente contida em discos magnéticos que são introduzidos na máquina. As informações codificam-sc segundo um padrão magnético, e o compu tador lê o disco ou escreve nele por meio de uma cabeça electromagnética. Há dois tipos de discos — os discos du ros (hard disc), feitos de metal, e os discos moles (floppy discs), feitos de plástico. Os discos duros têm 10 a 30 vezes mais capacidade de armazenagem de informa ção que os outros e respondem cerca de 100 vezes mais rapidamente, mas são de preço mais elevado. A fita magnética também pode ser utilizada como grande armazém de dados de computador, mas as informações obtêm-se mais lentamente. Se queremos a informação contida no fim da fita, temos de a percorrer toda desde o principio.

Por isso, na coluna dois da soma acima, 1 + + 1 = 0 , porque representa 2 + 2 em números de todos os dias, e o resultado, 4, é transportado para a terceira coluna.

"Half adder". Cada par de dígitos, pura serem somados, passa pelas portas lógicas E, OU e NÃO com destino a uma porta E. A primeira porta E produz o bit de "uai um".

1 0

3+ 2

Segundos -, half adders e portas OU adicionais

«Fuli adders». São constituídos por dois half adders e uma porta OU adicional que transpor ta os dígitos para a coluna seguinte. O segundo half adder recebe o bit de "uai um" e o resultado do primeiro half adder, os quais sâo processados como no primeiro half adder.

1 =5

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COMO FUNCIONA?

recebem cada uma dois dígitos e transmitem um. A porta F. só deixa passar 1 se receber dois uns, a porta OU deixa passar 1 se houver um I no par recebido. A terceira, a porta NÂO, só recebe um dígito, que faz passar invertido. Estas três portas em conjunto são capa zes de fazer somas, que são a base de todos os cálculos — a subtracção é uma soma negativa, a multiplicação é uma soma repelida e a divisão é uma subtracção repetida. As portas lógicas estão em unidades chamadas half udders, ligadas em Conjunto para formar full udders. Processando os sinais através destas adders, a calculadora é capaz das mais complicadas somas.

Como os bancos guardam o dinheiro em segurança
A vida está cada vez mais dura para os arrombadores, pois os cofres modernos estão preparados para resislir-lhes. O corpo do cofre é formado por uma "sanduíche" resistente com espessuras até 12 cm, constituída por chapas de duro aço liga soldadas entre si, com um enchimento de materiais cerâmicos ou betão especial. Pode ainda haver camadas de material resistente ao fogo ligadas à parte interior das chapas de aço, e o enchimento pode ser reforçado com rede de arame de aço ao carbono. Contém ainda, por vezes, blocos de um material cerâmico muito duro destinado a embolar as brocas. A porta do cofre não é apenas fechada à chave, mas possui fortes ferrolhos de aço que penetram nos quatro lados da moldura da porta. Esles ferrolhos são corridos por meio de urn manipulo que só funciona quando a porta não está fechada à chave. Alguns cofres estão ainda equipados com um mecanismo que desliga os ferroIhos do manipulo assim que a porta é fechada à chave. Muitos cofres têm um dispositivo antiex plosivos. Se alguém tenta abri-los por meio de explosão, esse dispositivo dispara imediatamente um mecanismo que bloqueia os ferrolhos por forma que não possam ser retirados. Há dois tipos de dispositivos: um tem de ser armado de cada vez que a porta é fechada; o outro não — só funciona por explosão ou calor. Com chave e fechadura Os cofres são geralmente fechados com fechaduras de segredo porque as chaves são fáceis de duplicar e as fechaduras de chave são mais fáceis de abrir com gazua. Além disso, os buracos de fechadura são bons sítios para colocar explosivos. Alguns cofres têm fechaduras de chave e de segredo. A maioria tem um segredo de quatro rodas com 100 números em cada roda. A marcação dos números correctos no con junto das rodas faz alinhar reentrâncias que permitem que o ferrolho corra na fechadura. O número do segredo pode ser mudado à vontade e escolhido entre os 100 milhões de comhinações possíveis. As casas-fortes dos bancos possuem ge ralmenle fechaduras de segredo com um sistema de abertura programada: nem mesmo a combinação certa abre a port a — a não ser às horas marcadas na fechadura de relógio.

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— De seixos a "chips" —
ábaco, provavelmente aparecido na China há milhares de anos, foi a primeira calculadora. A contagem é feita pela movimentação de contas ao longo de uma armação de arame. 0 nome deriva de abax, que significa "laje" em grego, provavelmente porque contar se fazia em tempos com seixos colocados em concavidades sobre uma laje ou no chão. A régua de cálculo, inventada por volta de 1620 pelo matemático inglês William Oughtred, utiliza os logaritmos que tinham sido inventados por John Napier anteriormente, mas já no século xvii. O francês Blaise Pascal patenteou a primeira calculadora mecânica em 1647, quando tinha apenas 24 anos. Tinha um sistema de engrenagens de rodas dentadas. Ootlfried l.eibniz, alemão, aperfeiçoou esta máquina em 1673. A mais perfeita máquina de calcular seria o engenho analítico de Charles Babbage, projectado na década de 1830, mas nunca construído. A sua máquina poderia, teoricamente, executar qualquer tipo de cálculo matemático, e, em 1843, Lady Ada Lovelace publicou programas para a sua utilização. Seria a precursora dos computadores actuais. Fazendo as contas. Esta gravura do século m mostro um cambista utilizando um ábaco

0

Missáo quase impossível. Esta pesada porta de aço inoxidáoel guarda importantes valores. Os ferrolhos que correm para o interior da moldura da porta são perfeitamente visíveis. A grade por detrás da porta destina -se a proteger o pessoal que trabalha na casa-forte quando a porta está aberta.

Como os cartões de plástico dão dinheiro e crédito
Quando se introduz o cartão de plástico numa caixa automática, um dispositivo de pesquisa — uma cabeça electromagnética de gravação e apagamento - verifica a tarja castanho-escura da parte de trás do cartão. Esta tarja é uma fita magnética semelhante à utilizada nos gravadores de som e contém três pistas que podem armazenar até 226 leiras ou algarismos. Uma pista tem o número da conta, outra o limite de crédito e a terceira verifica se o PIN (personal Identification number), o código pessoal secreto, está certo. Quando se marca nas teclas o código pessoal correcto, a máquina, que está ligada ao computador do banco, verifica se o limite de crédito não foi excedido, se a con ta tem provisão e se não há indicações de o cartão ler sido perdido ou roubado. Se tudo estiver em ordem, subtrai ao saldo existente o montante pedido e inscreve o novo saldo antes de entregar o dinheiro. Os cartões "credifone" trabalham de for-

dobrável.

C U M U rum.iuiNttí

ma quase idêntica —um scanner no telefo ne analisa as pistas do cartão para verificar se este possui unidades por utilizar. Quando se faz uma chamada, são apagadas unidades na quantidade correspondente. Transferência electrónica de fundos Os cartões de crédito modernos têm o nome do utente, o número da conta e o prazo de validade. Quando o cartão c passado na máquina do vendedor, esta transmite os respectivos elementos ao computador da instituição do cartão de crédito, que demora cerca de 15 segundos a verifi car se não houve queixa de perda ou roubo do cartão e se o limite de crédito foi respei lado. Se tudo estiver em ordem, o computador autoriza a transacção e a máquina apresenta um recibo para ser assinado pelo utente. Este processamento por meio de car toes de crédito é designado por EftPos {electronk funds transfer ai poirtí of sale, ou seja transferência electrónica de fundos no local da venda). Estes sistemas aceitam também cartões de débito — cartões bancários que podem ser utilizados em pagamentos cm vez de cheques e que debitam instantaneamente a conta bancária do utente. Antes de existir a transferência elec Irónica, os elementos dos cartões