Parte II ÉTICA PROFISSIONAL

1. ÉTICA E PROFISSÃO A ética profissional1corresponde a parte da ética aplicada (ética eco­ lógica, ética familiar, ética profissional...), debruçando-se sobre um conjun­ to de atividades humanamente engajadas e socialmente produtivas. A ética aplicada, sem dúvida, surge de uma derivação da ética geral, ao que se dedicou toda a primeira parte desta obra. Por sua vez, a ética profissional se destaca de dentro da ética aplicada como um ramo específico relaciona­ do aos mandamentos basilares das relações laborais. É como especialização de conhecimentos aplicados que a ética profissional se vincula às ideias de utilidade, prestatividade, lucratividade, categoria laborai, engajamento em modos de produção ou prestação de serviços, exercício de atividades regu­ larmente desenvolvidas de acordo com finalidades sociais...2. Então, o que define o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade que dela decorre, pois, quanto maior a sua importância, maior a responsa­ bilidade que dela provém em face dos outros3. Então, a primeira preocupação nesse momento deve ser a de concei­ tuar o que seja profissão, para que, em seguida, se esteja habilitado a pro­ mover essa discussão na seara das profissões jurídicas. Dirigindo e orien­ tando a reflexão nesse sentido é que se percebem as dificuldades prelimi­ nares no tratamento da temática; definir profissão já é por si só algo de grande complexidade. Profissão, então, deve ser entendida como uma prá­ tica reiterada e lucrativa, da qual extrai o homem os meios para a sua sub­ sistência, para sua qualificação e para seu aperfeiçoamento moral, técnico e intelectual, e da qual decorre, pelo simples fato do seu exercício, um be-

1. Verbete: Ética Profissional. “Conjunto de regras morais de conduta que o indivíduo deve observar em sua atividade, no sentido de valorizar a profissão e bem servir aos que dela dependem” (Sidou, Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas, 1997, p. 335). 2. Perceber-se-á, ao longo da exposição, que a primeira característica da profissão, para que seja definida como tal, é estar a serviço do social: “O que é natural, como ético, é que a profissão esteja a serviço do social, quer das células, quer do conjunto indiscrimina­ damente” (Lopes de Sá, Ética profissional, 1998, p. 130). 3. Cf. José Renato Nalini, A ética nas profissões jurídicas, in Elias Farah, Ética do advogado, 2000, p. 27.

403

nefício social4. É, sem dúvida nenhuma, além de algo de relevo para o in­ divíduo, algo de relevo para a sociedade, na medida em que o homem que professa uma atividade (professione, professio, lat.) não vive sozinho, mas engajado numa teia de comprometimentos tal que uns dependem dos outros para que se perfaçam objetivos pessoais e coletivos. O tema ainda suscita maiores divergências, sobretudo quando se trata de distinguir profissão dc ofício5 e atividade6. Esse é o lado técnico da definição de profissão. Mas ela ainda pode ser conceituada a partir de uma valoração moral. Nesse caso, ter-se-á em vista, sobretudo, o fato de que, representando um engajamento social, a profissão deverá ser sempre exercida com vistas à proteção da dignidade humana7. A profissão deve permitir a realização das vocações e habilidades humanas. Nesse sentido é que se tem dado grande importância ao fator social do trabalho. O trabalho é mais uma das oportunidades de ação social, para o equilíbrio fino da relação entre virtude e vício. Impondo-se acima do aspecto meramente técnico, tem-se procurado incutir a ideia de que a pro-

4. “À palavra profissão correspondem vários significados. Vejamos os mais comuns: l2) ação de declarar, de ensinar uma profissão, de exercer um ofício; 2a) ocupação ou ofício que requer estudos especiais; 3a) quando deriva do participio passado do verbo latino profiteo, como professus, contém a ideia de declaração pública; 4a) intuo uma certa evolução etimológica partindo da ideia contida no vocábulo grego profaino, usado nos clássicos gre­ gos, que significa expressar, mostrar, fazer aparecer, trazer à luz, revelar e predizer; 5a) do latim temos ainda outras ideias interligadas, a saber: do verbo proficiscor,fectus, sum, ere, com o sentido de pôr-se a caminho, dirigir-se para, começar por; 6a) do verbo profiteor, fessus, sum, ere, que, entre outras, contém as ideias de proclamar, prometer, descobrir, exercer uma profissão” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 151). 5. “Damos alguns exemplos de ofícios, que são identificados pela tradição, usos e costumes: artesãos, construtores, pedreiros, sapateiros, ferreiros, vidreiros, alfaiates, cos­ tureiras, bordadeiras, marceneiros, carpinteiros, mecânicos, torneiros, tolueiros, pintores, cabeleireiros, barbeiros e outros” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 157). 6. “Por atividades entendem-se, dentre outros, os trabalhos desenvolvidos no comér­ cio, na indústria e nas artes. Comerciantes, industriais, agricultores, pecuaristas e artistas exercem atividades produtivas. Têm por característica comum o fato de que seus ganhos não são prefixados” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 158). 7. “Sob enfoque eminentemente moral, conceitua-se profissão como uma atividade pessoal, desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de conformidade com a própria vocação e em relação à dignidade da pessoa huma­ na” (Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 169).

404

“3a Julgamos que a empresa é um serviço à comunidade. 405 .. 1999. “6a Temos a convicção de que nossa atividade empresarial deve con­ tribuir para a crescente independência tecnológica. 157-158). interes­ ses. em nossa gestão na presidência daquela Associação. pois consideramos obsoleta e anacrônica a concepção puramente individualista da empresa. a formulação de princípios éticos em diversos setores profissionais. com base em 10 princípios fun­ damentais: (. tomando-a um importante foco de dispersão de preceitos éticos. inclusi­ ve por parte dos empresários que têm se esforçado em direcionar suas atividades para além do lucro. Repudiamos. devendo estar aberta a todos os que desejam dar às suas capacidades e às suas pou­ panças uma destinação social e criadora. a título ilustrativo: “l 2Aceitamos a existência e o valor transcendente de uma Ética social e empresarial. se pode transformar o ambiente. Perseguiu-se reunir os empresá­ rios em tomo do ideal de uma empresa solidária e atuante.. “5a Compreendemos como um compromisso ético as exigências que. especialmente pela le­ gislação fiscal e pelo direito social. Leia-se a seguinte declaração dos empresários cristãos8. econômica e financeira do Brasil. atividades e a racionalidade de nossas decisões. Isso justifica. tem uma função social que se re­ aliza pela promoção dos que nela trabalham e da comunidade na qual deve integrar-se. p. A ética na vida empresarial. por meio dela. em nome do bem comum. a conduta e as condições de vida das pessoas que dela dependem. “A ADCE— Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil aperfeiçoou e aprovou o Decálogo dos Empresários Cristãos. além de sua função eco­ nômica de produtora de bens e serviços.)” (Theophilo Azevedo Santos. na medida em que. “22 Estamos convencidos de que a empresa. No desempenho desta função encontramos o mais nobre estí­ mulo à nossa autorrealização. por exemplo. a cujos imperativos submetemos nossas motivações.). pois. a ideia do lucro como única razão da atividade empresarial. in Martins (coord. 8. Ética no direito e na economia. são impostas à empresa. que a ADCE-Rio tinha elaborado.fissão também pode representar uma atividade moral. econômica e financeiramente sadia e como ajusta remuneração do esforço. da criatividade e dos riscos assumidos. com as valiosas contribuições do Padre Fernando Bastos de Ávila e do Professor Alfredo Lamy Filho. “4a Consideramos o lucro como o indicador de uma empresa técnica.

integral. o problema da codificação das regras e dos princípios éticos a um conjunto de prescrições de caráter puramente formal e jurídico. “8a Consideramos. com o propósito de estabelecer linhas ideais éticas. na esperança de imedia. PROFISSÃO E CÓDIGOS DE ÉTICA Mas.“7a Consideramos nossos colaboradores todos os que conosco traba­ lham. “Devido a essa realidade. cabe aos assalariados. por imperativo e justiça social. principalmente no Brasil. sempre acompanhada pelo crescimento paralelo da parte que. 1998. elevar constantemente os níveis da produtividade. ao se adentrar na temática da ética profissional não se pode. já é uma aplicação desta ciência que se consubstancia em uma peça magna. “9a Comprometemo-nos a dar a todos os nossos colaboradores condi­ ções de trabalho. como importante objetivo da empresa brasileira. a par do que se disse acerca da noção de profissão. Na realidade são 406 . escusar a análise de enfrentar um problema crucial nessa área. “Tal conjunto racional. a saber. Ética profissional. 2. jurídicas e sociais. de qualificação profissional. a fim de garantir para o Brasil um desenvolvimento justo. queremos motivá-los a uma adesão responsável aos objetivos do bem comum. desper­ tando suas potencialidades e levando-os a participar cada vez mais da vida da empresa. a que se costuma chamar códigos de ética9. “ 10a Estamos abertos ao diálogo com todos os que comungam de nossos ideais e preocupações. harmônico e acelerado”. 10. tais que a vida na empresa seja para todos um fator de plena realização como pessoas humanas. em qualquer nível da estrutura empresarial. de segurança pessoal e fami­ liar. como se uma lei fosse entre partes pertencentes a grupamentos sociais” (Lopes de Sá. sem discriminação. “As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidas em um instrumento regulador. a ética tem-se reduzido e simplificado de modo extremado a uma tecnologia ética10 Talvez. a dignidade essencial da pessoa humana. no sentido de contribuir para o permanente aperfeiçoamento e atualização de nossas instituições econômicas. Todas as principais profissões têm seus Códigos de ética. 108). na atualidade. neste século os Códigos de ética proliferaram. de forma alguma. 9. Isso porque. Respeitamos em todos. p.

existem códigos de ética. d) suspensão do exercício profissional. quando se tem em mira objetivar o exercício profissional ou de conduta de um grupo” (Lopes de Sá. Sejam quais forem as linhas mestras de um có­ digo de ética elas serão sempre linhas de virtude a serem seguidas. em aviso reservado. “As peculiaridades em um codigo de conduta profissional dependem de diversos fa­ tores.. 11. 44. tenha-se partido para urna tentativa de tomar concretos os principios e deveres éticos. dentro de urna onda positivista. b) censura confidencial. e não apenas um código de ética. deixa de ter seu conteúdo de espontaneidade. advertir que a ética profissional. Deixam. 1999. p. “Traçar. “Logo. A ética. produzindo-se os códigos de ética ou códigos de dever. decorrem sanções administrativas (advertência. é compor a filosofia que será segui­ da e que forma a base essencial do mesmo. “Art. 12.). a consequência direta desse tipo de raciocínio é: a) a transformação das prescrições éticas em manda­ mentos legais.tizar o dever ético na consciência do profissional. talvez. em aviso reservado. Em alguns casos são deno­ minados códigos de deveres” (Carlos Brandão. pelo descumprimento de seus mandamentos.)1 . Ética no direito e na economia. 1 d) a juridicização dos mandamentos éticos. 25-7-1958) (Aprova o Regulamento do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina a que se refere a Lei n. de 309-1957). que é o que caracteriza a ética. suspensão. c) a compartimentação da ética em tantas partes quantas profissões existentes1 . no entanto. as linhas mestras de um código. Nesse contex2 todos códigos de conduta. 1998. As penas disciplinares aplicáveis aos infratores da ética profissional são as seguintes: a) advertência confidencial. na exata significação desta palavra.268. apenas atributo pessoal?. embora as linhas mestras sejam comuns. de 19-7-1958 (DOU. Ora. desde sua regula­ mentação. até 30 (trinta) dias. 10 a 23). c) censura pública em publicação oficial. pois. de ser normas puramente éticas.. e e) cassação do exercício profissional". ao nível de conhecimentos que exige. 95). A ética profissional passa a ser. quando regulamentada. “Isto significa que não pode existir um padrão universal que seja aplicável com eficá­ cia a todos os casos. na verdade. in Martins (coord. Ética profissional. Regulamento: Capítulo III — Das Penalidades nos Processos Ético-Profissionais (arts. 407 . b) a reificação excessiva dos campos conceituais da ética. Aqui está um exemplo concreto de sanções e medidas aplicáveis ao infrator pro­ fissional: Decreto n. 17. portanto. 3. específicos para cada profissão. pois comuns são as principais virtudes de todas as profissões exigíveis. 110).045. p. das quais. para ser normas jurídicas de direito administrati­ vo. ao ambiente em que é executada etc. perda do cargo. Deve-se. um conjunto de prescrições de conduta. todos ligados à forma como a profissão se desempenha.

Isso significa. em outras palavras. Essa onda se torna cada vez mais per­ niciosa na medida em que. e imagina que es posible edificar una teoria ética a partir dei individuo. 33). el cual es una invención. as contribuições a que está obrigado. há que se assinalar que a tecnologização e a pragmatização da ética transformam os mandamentos éticos em cobranças institucionais (normas sancionatórias e normas premiais). VI — deixar de pagar. A filosofia: seu tempo.to. Parágrafo único. o seu exercício aos não registrados ou aos leigos. de 3-9-1979. as infrações éticas acabam se equiparando. Sob pena de uma profunda per­ versão de valores e de um esvaziamento de uma das principais raízes hu­ manas. Veja-se este exemplo: Decreto n. Assim. 14. o una abstracción” (Barrera. IV— praticar. As faltas serão apuradas levando-se em conta a natureza do ato e as circunstâncias de cada caso”. 4 Principalmente quando se está diante da ética profissional. Reduccionismo en la ética: 408 .017. de 308-1982): Capítulo VII — Das Infrações (art. p. Constitui infração disciplinar: I — transgredir preceito do Código de Ética Profissional'. el de que vivimos juntos. “Puede decirse que la ética de principios.439. de acordo com a Lei n. in Hipnos.684. 6. está en buena medida inspirada en el derecho o la ciência jurídica” (Barrera. “Art. o mejor dicho. a ética. seus lugares. que as normas éticas são transformadas em normas jurídicas1 . após regularmente notificado. de 28-6-1983 (DOU. 15. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporânea. VIII — manter conduta incompatível com o exer­ cício da profissão. em matéria de competência deste. Hl — violar sigilo profissional. 73). deturpando-se 5 13. categorias profissionais ou órgãos públicos1 . e de conformidade com alteração estabelecida pela Lei n. pontualmente. VII — faltar a qualquer dever profissional prescrito neste Regulamento. por qualquer meio. ato que a lei defina como crime ou contravenção. convivimos. V — não cumprir. às demais infrações funcionais13. determinação emanada de órgãos ou autoridade do Conselho Regional. 33. “Es una premisa eirónea porque oscurece un hecho real. no exercício da atividade profis­ sional. II — exercer a profissão. cada vez mais. quando impedido de fazê-lo ou facilitar. ao Conselho Regional. 29-6-1983) (Dispõe sobre a Regulamentação do Exercício da Profissão de Biomédico. Sobretudo as influências da bioética e das regras científicas têm favo­ recido esse tipo de redução da ética à tecnologia codificada. 88. sem liame com a práxis efetiva. 7. são inúmeros os fatores que encaminham os mandamentos éticos para o mesmo sentido dos mandamentos jurídicos. cuyo modelo canónico es la bioética. se passa a reduzir o pensamento ético e a prática ética a um conjunto preceptístico de caráter formular e abstrato. ou sendo tratadas igualmen­ te. 1999. no prazo assi­ nalado. deve-se inverter essa tendência que afasta o homem dasreflexão ética para fazê-lo um cumpridor de códigos de conduta internos de empresas.

Não poderiam as profissões ficar ao alvedrio da livre-consciência dos profissionais agirem de acordo com suas regras éticas subjetivas. A filosofia: seu tempo. em seu foro íntimo e individual. a irresponsabilidade para com a qualidade do trabalho” (Lopes de Sá. quando do exercício profissional. 16. “A ausência de responsabilidade para com o coletivo gera. 1998.1. faz-se mister que. uma vez que se expressa no sentido de coibir condutas futuras e possíveis de determina­ da categoria profissional. p. seus lugares. para efeitos de controle corporativo. se o campo da moral é um campo em aberto para as diver­ sas consciências. Ética profis­ sional. o que navega nas incertezas da ética filosófica. Passa-se a deixar de lado o que sempre foi o núcleo de atenções da ética: a felicida­ de e a formação do caráter. 83). enunciando-se por discursos proibitivos). Quer-se dizer que a liberdade absoluta de escolher esta ou aquela ética. institucional e social. Barrera. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporánea. uma exigência de responsabili­ dade para com o coletivo imanente1 . p. 409 . a liberdade ética do profissional vai até onde esbarra nas exigências da corporação ou instituição que controla seus atos. 69. no exercício profissional. pe­ rante os companheiros de trabalho e perante a coletividade. A ética codificada vem a preencher uma ne­ cessidade de se transformar em algo claro e prescritivo. 131). há. 1999. Dessa forma. p. 1999. só diz o que não deve ou que não pode ser feito. o profissional deve adaptar sua ética pessoal aos mandamen­ tos mínimos que circundam o comportamento da categoria à qual adentra. Quando se utiliza da expressão “mandamentos mínimos” quer-se dizer que a ética profissional é minimalista (em geral. 17. que. Utilidade dos códigos de ética profissional É certo que a vulgarização de códigos de ética encontra motivos subs­ tanciais para seu surgimento. De fato. in Hipnos. Mais ainda. A filosofia: seu tempo. 7 la influencia de la bioética en la moral contemporánea. a liberdade do profissional vai até onde seu compor­ tamento fere as exigências coletivas que giram em tomo daquele exercício profissional. não vale completamente para o âmbito profissional. como consequência natural. Cf. poderia não querer assumir. 6 2.as essenciais lições da ética que são: a livre-consciência e a autodeter­ minação1 . o indivíduo esteja preparado para assumir responsabilidades perante si. de acordo com a qual agir e orientar seus atos. seus lugares. in Hipnos.

malgrado os problemas práticos de exegese e aplicação. 2. precisará ter sido um aprendiz aplicado. se se for analisar em abstrato o con­ junto das codificações profissionais. Existe m m função social a ser desenvolvida em sua profissão. deve-se destacar que a ética não se reduz a esse tipo de preocupação. seja no processo educacional formal. O uso dos códigos de ética como modo de incremento do controle sobre o comportamento dos traba­ lhadores desvirtua a ideia de que a ética lida sobretudo com estímulos ¿não somente com punições. uma vez que garantem publicidade. “Mas além da ciência. mas não são toda a luz. a significar o conhecimento técnico adequado. já se encontra ciente de quais são seus deveres éticos. 410 .2. seja mediante inserção direta no mercado de trabalho. Estar intelectualmente inativo não representa apenas paralisação. Os avanços e as novas descobertas influem decisivamente em seu trabalho. 1999. Ele não pode estar dela descomprometido. “Além da formação adequada. Os deveres ético-proflssionais Ciência e consciência parecem ser as exigências gerais de todos os misteres ético-profissionais. Além de ser a todos acessível. e se se for adentrar à análise de seus preceitos. seu conteúdo. o profissional deverá manter um processo próprio de educação continuada. verificar-se-á. Para isso. De fato. Ética geral e profissional. 174). A primeira tem que ver com 8 18. de modo que. ele deverá atuar com consciência. É retrocesso que distancia o profissional das conquistas em seu ramo de atuação. os códigos servem como uma bússola. O primeiro dever ético do profissional é dominar as regras para um desempenho efi­ ciente na atividade que exerce. e de ser declarada como pauta de conduta dos membros da corporação. O ser humano precisa estar preparado para novas exigências do mercado. oficialidade e igualdade. “Ciência. a ética filosófica está a indicar a abertura da vontade e da consciência humana para além de preceitos normativos e jurídicos constantes de códigos de comportamento de determinadas cate­ gorias profissionais. Profissões tradicionais deixam de existir e outras surgem para substituí-las. que o que se prevê como exigência de regra de conduta pode ser categorizado à conta de dois grandes mandamen­ tos ético-profissionais: ciência e consciência1 . mas reclama-se-lhe empenho em sua concretização” (Nalini. Se essa é a importância dos códigos de ética. p. exigível a todo profissio­ nal. Ademais. oferece a possibilidade de pré-ciência do conjunto de prescrições existentes para os profissionais.É importante a existência dessas normas éticas. Nesse sentido. onde a experiência é forma de aprendizado. em suma. ao escolher e optar pela carreira.

como é o caso das profissões que pres­ supõem como exigências profissionais a isenção de ânimo. intelectual. Ética profissional. aplicada ao relacionamento com pessoas. 19. por exemplo. condições profissionais e não puramente pessoais. da profissão exercida pelo magistrado. “Sendo o propósito do exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros. manual.. O dever ético de saber tem que ver com o exato cumprimento de todas as exigências mínimas que dizem respeito ao exercício de um determinado mister social. Assim. Assim. trata-se de um dever de saber19 . nesse caso. 1998.141). sua postura ético-política não poderá ser declarada e ativista. E certo que.. 1998. passam a ser uma obrigação perante o desempenho. de quem requer a tarefa. P. sob os ângulos da con­ duta a ser seguida para a execução de um trabalho. tecnológica e artística. a higidez e a irreprovabilidade de comportamento. nem a ela se associar. serão essas duas pré-requisitos para a admissão ao exercício profissional e requisitos para a continuidade no exercício profis­ sional. O dever ético.o preparo técnico e/ou intelectual do profissional. possui o direito de se posicionar. se essa profissão demanda capacitação e habilidades técnicas e intelectuais. com o Estado. a sociedade. Nesse sentido. “Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desempenho eficaz da profissão são deveres éticos. com a sociedade. seus colegas. o Estado e especialmente perante sua própria conformação mental e espiritual” (Lopes de Sá. com a pátria” (Lopes de Sá. mas isso não pode influenciar em sua função judi­ cial. ao juiz é vedada a participação político-ideológica. é necessária também aquela relativa às virtudes do ser. todas as qualidades pertinentes à satisfação da necessidade. “Esses deveres impõem-se e passam a governar a ação do indivíduo perante seu clien­ te. seu grupo.. não bastam a capacitação técnica ou intelectual. a elevada moralidade do profissional. como cidadão. mas ligadas ao ser profissional. “Não bastam as competências científica. Estas são. Ética profissional. Não são estas exigências ou deveres relacionados ao saber do profissional (capacitação técnica. pois é mister a virtude do ser20. um complexo de deveres envolve a vida profissional. 20. o dever ético poderá ser definido como dever ético de saber e dever ético de ser.). a segunda tem que ver com seu compromisso para com os efeitos de seu exercício profissional.. No caso do juiz. p. 411 . extrai das necessidades da própria profis­ são a característica para sua constituição como dever. com a classe. para o caso. “Logo. 136). Existe também o dever de ser.

ao menos. significa exatamente máximo aperfeiçoamento de uma capa­ cidade ou qualidade. os médicos deverão instruir o pedido de autorização com: I — certificado de pós-graduação. Ora. “Exemplifique-se com o disposto no texto de lei que segue: Decreto n. destinada a médicos. lat. de residência médica ou título de especialista reconhecido no País. 6. Além da necessária habilitação profis­ sional. “Art. virtude da remuneração23. virtude da honestidade. I2 A Residência Médica constitui modalidade de ensino de pós-graduação.932. 11. virtudes complemen­ tares: virtude da orientação. Seção III — Das Equipes Especializadas (arts. que a noção de dever profissional se liga diretamen­ te à noção de virtude. Eventuais condenações. salvo em casos de omissão ou de erro médico que tenha resultado em morte ou lesão corporal de natureza grave”. universitárias ou não. anotadas no documento a que se refere o inciso II deste artigo. Tecidos e Partes do Corpo Humano para Fins de Transplante e Tratamento. de 4-2-1997. § 22 E vedado o uso da expressão residência médica para designar qualquer programa de treinamento médico que não tenha sido aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica”. P-7-1997) (Regulamenta o disposto na Lei n. em seu 412 . virtus. e dá outras providências): Capítulo II —Da Autorização (arts. Ia a 11). ou. à prova da falta de elemen­ tos que desabonem a conduta do profissional21. 2. não são indutoras do indeferimento do pedido. no mínimo. 9-7-1981) (Dispõe sobre as Atividades do Médico Residente.. gr. Por vezes. Veja-se este exemplo da Lei n. sob a forma de cursos de especialização. 21. no exercício profissional. O elenco segue a orientação dada na matéria por Antonio Lopes de Sá. pois. 23. o profissional* qualquer que seja o mister que exerce.Por vezes. a ética do profissional corresponderá a sua máxima prestatividade e excelência no exercício e desempenho desses misteres. se distinguirá exatamente por atribu­ tos éticos diferenciados.268. etimo­ lógicamente.). 8S a 13). virtude do coleguismo. Isso porque a virtude (areté. de 306-1997 (DOU. funcio­ nando sob a responsabilidade de instituições de saúde. e dá outras providências — arts.434. determinados exercícios profissionais ficam condicionados inclusive à prova de virtuosismo. o que se demanda do ser humano é uma especial habilidade em lidar com misteres laborais e lucrativos que resultem em individuais. virtude do zelo. de modo que isso passa a ser exigência mínima para o exercício desta ou daquela função dentro de uma determinada profissão2 . 22. II — certidão negativa de infração ética. coletivos e/ou sociaisf^or isso. em nível. virtude do sigilo. 9. § Ia As instituições de saúde de que trata este artigo somente poderão oferecer programas de Residência Médica depois de credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica. 2 Percebe-se. Parágrafo único. São virtudes profis­ sionais. 10e l l ) . de 7-7-1981 (DOU. sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. passada pelo órgão de classe em que forem inscritos. virtudes indispensáveis: virtude da competência. “Art. virtude do classismo. grupais. a saber: 1. que dispõe sobre a Remoção de Órgãos. caracterizada por treinamento em serviço. 2.

as enormes diferenças. Veja-se neste exemplo: Lei n. regidas por normas e princípios jurídicos e éticos. referenciais para as relações na sociedade. Deontologia Forense designa o conjunto das normas éticas e comportamentais a serem observadas pelo profissional jurídico” (Nalini. se não em sua totalidade. Apesar de. ÉTICA E PROFISSÃO JURÍDICA Assim como toda profissão. por envolver questões de alto grau de interesse coletivo. in Martins (coord. obrigações e comportamentos regrados. de acordo com as especificidades dessa atividade social e de acordo com os efeitos dessa atividade em meio às demais24. legalizadas. de modo que seu exercício. estreitamente ligada ao Direito do Trabalho” (Cássio Mesquita Barros Júnior. ou em códigos éticos.210. ou em regimentos internos. a corrupção. A ética no direito do trabalho. 173). p. mas sim de exercício vincu­ lado a deveres. regula­ mentos e circulares. as violações dos direitos humanos. 26. ao menos em sua quase totalidade. Esses comporta­ mentos regrados vêm expressos em legislação que regulamenta a profissão. por vezes. A preocupação é hoje na direção de uma sociedade eticamente bem regulada contra as discriminações. 161-203. Deontologia profissional se chama o com­ plexo de princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma determinada profissão. “Deontologia é a teoria dos deveres. É precisamente no contexto atual que Ética e Direito contabilizam a busca de marcos de referência. 1999. 25. De pronto envolvem a nobreza com que conduzimos nossas ações e o respeito com que tratamos o semelhante. ou em portarias. Ética geral e pro­ fissional.3. p. 1998. que não se pretende que sejam exaustivas nem taxativas. 7. de 11-7-1984 413 . isso se deve ao fato de todas desempenharem impor- Ética profissional. não são profissões de livre exercício. 1999. onde vêm detalhadas e explicitadas as referidas virtu­ des. Ética no direito e na economia. 55). ou até mesmo em texto constitucional. 24. a própria lei se utilizar da expressão “ética profissional” como um gênero universal a todos comum. O que se encon­ tra implícito nos princípios deontológicos é explicitado por meio de coman­ dos prescritivos da conduta profissional jurídica. p. a exploração e a impunidade no atual contexto.). conforme se vê aqui descrito: “Ética e Direito são dimensões recíprocas da vida humana. A ética cristã caminhou pela história. O que há de peculiar nesse métier é que as profissões jurídicas são. de propos­ tas éticas no Direito que cuidam dos anseios e realizações sociais. profissões regu­ lamentadas. Se se pode dizer que existem mandamentos éticos comuns a todas as profissões jurídicas26. O próprio direito do trabalho encontra-se atrelado a esse compromisso ético na atualidade. Ao conjunto de regras e princípios que regem as atividades profissionais do direito se chama deontologia forense25. a profissão jurídica encontra seus manda­ mentos basilares estruturados em princípios gerais de atuação.

e dá outras providências): Capítulo V I— Das Disposições Finais (arts. II— requisitar. “Art.tante função social. podem-se enunciar alguns princípios gerais e comuns a todas as carreiras jurídicas. que faz do profissional ser altaneiro e independente em suas convicções pessoais e em seu modo de pensar e refletir os conceitos jurídicos. a título exemplificativo. segundo o qual se deve con­ ferir a maior proteção possível aos mandamentos constitucionais que cercam e protegem o cidadão brasileiro. 27-1-1997) (Regulamenta o art. Veja-se. 23 da Lei n. a saber. 28. o que dispõe o seguinte decreto acerca da espe­ cificidade do Código de Ética Profissional: Decreto n. o princípio da liberdade. mesmo assim. 27. de 8-1-1991. “Art. para que haja clareza. Os agentes públicos responsáveis pela custódia de documentos sigilosos estão sujeitos às regras referentes ao sigilo profissional e ao seu código específico de ética”. Poder-se-ia multiplicar a relação dos princípios. que dispõe sobre a Categoria dos Do­ cumentos Públicos Sigilosos e o Acesso a Eles. de 24-1-1997 (DOU. 8. 5S a 92). o princípio da probidade. entre outros: o princípio da cidadania. 2. no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade. e respeitá-las significa adentrar nas minúcias que delineiam sua identidade27. É de interesse da coletividade o efetivo controle dos atos dos operadores do direito. in c lu in d o -s e 414 . os princípios da informação e da solidariedade. regramentos específicos que impedem que se fale cm uma ética comum a todas as carreiras jurídicas. observando a ética pro­ fissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo. de repartições ou estabelecimentos privados. 13-7-1984) (Institui a Lei de Execução Penal): Título II — Do Condenado e do Internado (arts. poderá: I — entrevis­ tar pessoas. inclusive. segundo o qual se deve orientar o profissional pelo zeloso comportamento na administração do que é seu e do que é comum. 5S a 60). Cada qual possui suas peculiaridades. Capítulo I — Da Classificação (arts. o prin­ cípio da defesa das prerrogativas profissionais.134. 32. (DOU. segundo O'tfual se deve conferir a maior eficácia possível aos atos profissionais praticados. mas. outros profissionais28. dados e informações a respeito do condenado. 9SA Comissão. “A enunciação de princípios éticos gerais. III — realizar outras diligências e exames necessários”.159. não existe uma regra que domino o resolva de modo formular todos os problemas éticos dos profissionais das diversas carreiras jurídicas (públicas e privadas). Existem. o princípio da efetividade. 32 a 35). e sempre algo de discricionário. no sentido de que surtam os efeitos desejados. pois. aplicáveis às profissões forenses. Porém. com base no qual o profis­ sional deve proteger as qualidades profissionais de sua categoria com base nas quais se estabelecem as suas características intrínsecas. publicidade e cor­ dialidade nas relações entre profissionais do direito e.

da cidada­ nia. p. esse profissional é o único árbitro de sua conduta. Ética geral e profissional. Isso quer dizer que existem órgãos censórios revestidos de poder decisório bastante inclusive para a cassação da habilitação profissional. Arquiteto e Engenheiro Agrônomo. 29. Além de se tomar. o princípio da moderação e o da tolerância. deve ter em mente que os cânones dos códigos éticos. a severidade para consi­ go mesmo. ad­ vogados. prevê-se uma discussão específica sobre os principais manda­ mentos e as prescrições fundamentais que estão a reger o comportamento dos seguintes profissionais jurídicos: agentes e funcionários públicos.194. defensores públicos e procuradores do Estado. 27-12-1966) (Regula o Exercício das Profissões de Engenheiro. pela importância e pelo caráter social de que se revestem suas profissões. a defesa das prerrogativas profissionais. juizes. “Dentre eles. e dá outras providências): Título II — Da Fiscalização do Exercício das Profissões. 5. o princípio da liberdade profissional. ministros e desembargadores. da residência. o princípio da probidade profissional. O CONTROLE DA CONDUTA DOS PROFISSIONAIS DO DIREITO Os profissionais do direito. O mesmo é válido para outras demais profissões regulamentadas. 1999. professores. inúmeros outros. Na maior parte das vezes. pureza e persu­ asão na linguagem. cien­ tistas do direito e juristas. mais escrupuloso. “Todos eles se prestam ao serviço de atilar a postura prudencial dos operadores jurí­ dicos. da solidariedade. que pode confundir-se com o princípio da correção. da efetividade e da continuidade da profissão forense. favorecendo-os a um exame de consciência para constatar como pode ser aferido eticamente o próprio comportamento. promotores e procuradores de justiça. do cargo. têm também um controle do efetivo cumprimento das normas que regem seus misteres profissionais.Respeitando-se e obedecendo-se às nuances que caracterizam e dife­ renciam as carreiras jurídicas entre si é que se dedicará espaço somente para a discussão do estatuto ético de cada uma das principais carreiras do direi­ to. com isso. da localização. alguns lembrados por autores que também se dedicaram ao estudo da ética. Seção 415 . inspiração maior do profissional do direito” (Nalini. da função ou da atividade exercida pelo profissional do direito29. de 24-12-1966 (DOU. mencione-se os princípios da informação. Capítulo IV—Das Câmaras Especializadas. a recomendação da doutrina e a produção pretoriana dos respectivos tribunais éticos não excluem deveres que resultam de sua consciência e do ide­ al de virtude. 193-194). 4. o princípio da clareza. além de possuírem um regramento espe­ cífico de suas atividades profissionais. à&função social da profissão. como a enge­ nharia: Lei n. Assim.

encaminhando-os ao Conselho Regional”. os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS. (Conselhos Estaduais): Lei n.. Procuradoria. II — fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respectiva reg ião : III — expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais. VII — elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS”. 10. O mesmo ocorre em outras profissões. 30. em suas respectiva' áreas de jurisdição. o exercício das seguintes atribuições: I — orientar. VI — julgar.) e emanam sentenças. disciplinar.. e) elaborar as normas para a fiscalização das respectivas especializações profissio­ nais. V— funcionar como Tribunal Superior de Ética Profis­ sional'. ponderam os elementos em jogo (acusação. em última instância. fixando a respectiva taxa. São atribuições das Câtí?aras Especializadas: a) julgar os casos de infração da presente lei. Compete aos CRESS. das quais invariavelmente cabe recurso a órgãos superiores30. capazes de impedir definitivamente o exercente da função ou cargo ou atividade de continuar no gozo de seus deveres e atribuições profissionais.). gravidade do ato. em matéria ile Serviço Social. funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional. V — aplicar as sanções previstas no Código de Ética Pro­ fissional. “Art. Ministério Público. 416 . c) aplicar as penalidade e multas previstas. para as quais existe um órgão superioi (Conselho Federal) que funciona como instância revisora das decisões dos órgãos inferior^'. IV — aprovar o Código dc Ética Profissional das Assistentes Sociais juntamente com os CRESS. Esses órgãos são as corregedorias (Tribunais. 8-6-1993) (Dispõe sobre a profis­ são de Assistente Social e dá outras providências). as comissões I — Da Instituição das Câmaras e suas Atribuições. b) julgar as infrações do Código de Ética'. “Art. d) apreciar e julgar os pedidos de registro de profissionais. em assembleia da categoria. na qualidade de órgão normativo de grau superior. VII — restabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados. As decisões exaradas desses órgãos.. 8. VIII -prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados. das firmas. f) opinar sobre os assuntos de interesse comum de duas ou mais especializações pro­ fissionais. IX — (Vetado)”. o exercício d. no fórum de delibe­ ração do conjunto CFESS/CRESS. reincidência. ou de fins filantrópicos. de 7-6-1993 (DOU.Esses órgãos se constituem normalmente em turmas ou grupos cole­ giados de juizes de ética e disciplina. das entidades de classe e das escolas ou faculdades na Região. investidos na função de patrocinarem o zelo e o cumprimento dos deveres profissionais. normalmente corporativos. das entidades de direito público. as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais. 8e Compete ao Conselho FedemI de Serviço Social — CFESS. II — assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário. I\ — zelar pela observância do Código de Ética Profissional. em conjunto com o CRESS. Ainda: “Art.. fiscalizar e defender o exeicício da profissão de Assistente Social. normatizar.iseguintes atribuições: I — organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas. 46. III — aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. na qualidade de órgão executivo e de primeira instância.662. no âmbito de sua competência profissional específica. VI — fixar.

e/ou aplicá-las. E isto decorre da própria natureza destas profissões.. imersa em méio às ciências sociais.de ética e disciplina (Advocacia. 5. que se incumbem da punição pelo comportamento desviante do funcionário ou profissional. no lugar do que é legal. da Constituição Federal de 1988. 5a. seja o advogado. 3. em sua consciência ético-profissional. de­ manda-se do jurista consciência na realização de fins do Direito. econômicos. pela legislação que dispõe a res­ peito das infrações éticas e funcionais e sobre as modalidades de sanções aplicáveis para cada caso. É certo que os órgãos censorios possuem amplos poderes na averigua­ ção de atos incompatíveis com o exercício profissional. políticos. reparação civil por danos morais. Mais que ter no direito o fim de toda atividade jurídica. LV. o operador do direito. 2. seja o professor de di­ reito. com base no art.. 417 . o que é atual e necessário. mas sobretudo com os desdobramentos práticos de suas prescri­ ções (efeitos sociais.) do profissional prejudicado pela sanção que lhe foi imposta.. Assim. segundo o qual todos os litigantes em processos administrativos ou judiciais terão acesso às alegações da parte contrária e oportunidade para refutar tais alegações (art. XXXV. ou seja... mas esses amplos poderes de investigação são limitados: 1. da CF de 1988). na defesa dos interesses (reintegração no cargo. o que é principiologicamente engajado com mandamentos éticos. Sobretudo. consagra­ dos pela ideia de norma jurídica. 5a. pelo princípio constitucional da ampla defesa. seja o promotor. deve se orien­ tar para que sua atuação esteja de conformidade com a realidade social na qual se insere.. refazimento do julgamento. ambientais.. Seja o juiz. CONSCIÊNCIA ÉTICA DO JURISTA O jurista. o que é socioculturalmente adequado. com o seu aspecto formal e estrutural. o que se cobra do jurista na atualidade é esse tipo de visão que faculta maior penetração dentro das ambições da sociedade à qual se dirigem as normas jurídicas. que. ao interpretá-las.). o que é justo.. bem como da própria condi­ ção da ciência do direito.) etc. seja o pensador do direito. pela inafastabilidade do Poder Judiciário. consa­ grados pela ideia de justiça. postula-se que se tenha na justiça o fim de toda atividade jurídica. poderá ser in­ vocado.. culturais. juntamente com fins valorativos. em havendo ilegalidade ou abuso de poder. devem estar preocupados não somente com o caráter formular das normas jurídicas. na acepção mais larga que o termo possa comportar.

metafísico. econômica. O positivismo jurídico32. A cultu­ ra do jurista.. sanitária. os conceitos fundamentais. na medida em que interfere na conduta eiin comportamento das pessoas e em sua forma de se organizar e distribuir socialmente. XIII). 1994. ambiental. e o próprio ato jurídico em si possui mais que efeitos puramente jurídicos. “O jurista é. dentro de uma certa tradição filosófico-teórica. p. e na unidade sistemática da ciência: volta-se.1. o positivismo e o normativismo se mostraram como teorias suficientes e bastantes para a explicação metodológica do direito.política. as estruturas de significado do ordenamento jurídico. antro­ 31. sociológico.. Formação jurídica. o doutrinador de Direito. de intervir sobre a feli­ cidade e o bem-estar das pessoas. Todo operador do direito pratica atos que se projetam por sobre outras áreas (social. financeira. O jurista tem de estar consciente de que o instrumental que manipula é aquele capaz de cercear a liberdade. É o produtor da Ciência que permite orientar a conformação jurídica dos povos” (Ives Gandra da Silva Martins. 114). para uma nova noção de ciência fundada em pressupostos filosóficos da escola neokantianu (Mario Losano... portanto.. de alterar fatores econômicos e pre­ judicar populações inteiras. com vistas ao ensino do quid iuris. na Introdução em O problema da justiça. familiar. uma vez que o jurista teórico lapida a ciência do direito. A consciência ética e social do jurista c um mister na medida em que o instrumental jurídico também pode ser dilo um instrumental ético e social. de modo que se exige do jurisui uma atuação prática e teórica com vistas aos desdobramentos possíveis da assunção de determinada posição. cultural. ou seja. 5. 418 . 32. então.. “A pureza metodológica perseguida por Kelsen baseia-se na ausência de juízos de valor. p. de causar a desunião de uma sociedade e a corrosão de um grande foco de empregos e serviços.). do doutrinador do direito?3 A consciência ética deve ser ainda mais estimulada 1 neste.). in Nalini (coord. por excelência. como movimento antagônico à aceitação de qualquer fundamento naturalista. de que acabamos de falar. do operador do direito. Durante largos anos. histórico. o que se deve dizer do jurista propriamente dito.. Consciência ética do jurista teórico Se assim se fala a respeito do jurista em geral.Isso porque a atuação do jurista possui mais que simplesmente efeitos e consequências jurídicas. de desestruturar uma família e a saúde psíquica dos filhos dela oriundos.

porém. daí sua restrição ao que está posto (positum — ius positivum)33 .). trad. a metodologia do positivismo jurídico identifica que o que não pode ser provado racionalmente não pode ser conhecido. “A sua teoria pura do direito constitui a mais grandiosa tentativa de fundamentação da ciência do Direito como ciência — mantendo-se embora sob império do conceito positi­ vista desta última e sofrendo das respectivas limitações. para a explicação racional do direito. contentando-se com o que satisfaz às exigências da observação e da expe­ rimentação. que o nosso século veio até hoje — a conhecer” (Larenz.. 1989.pológico. consequentemente. a métrica e a exatidão. Metodologia da ciência do direito. Assim. Metodologia da ciência do direito. p. adentrou de tal forma nos meandros jurídicos que suas concepções se tomaram estudo indispensável e obrigatório para a melhor compreensão lógico-sistemática do fenômeno jurídico. o que significa dizer estar cônscio de que o discurso da ciência do direito. Percebeu-se que ciências humanas e ciências matemáticas jamais poderão se encontrar em suas me­ todologias. 10-220. a discussão sobre a justiça. por excelência3 4. 1989. p. o que significa dizer que dela se fez apenas um conglomerado de preocupações formais e estruturais a respeito das normas. A respeito dessa reflexão. Lisboa: Calouste Gulbenkian. com todas as correntes metodológicas. social e humano. a fenomenología. deixando de ser uma mera espe­ culação superficial sobre formas normativas.. José Lamego.. vem-se aproximando cada vez mais das preocupações com o social. consulte-se Larenz. retira os fundamentos e as finalidades. que é. Estar consciente dessa deficiência da estreiteza positivista é estar cônscio do papel hermenêutico das ciências jurídicas (zetéticas ou dogmá­ ticas). 419 . a verificabilidade dos resultados e a previsão de efeitos não são características do fenômeno jurídico. fez-se da teoria do direito uma teoria pura do direito. Contestada por muitas correntes de pensamento (a tópica. e esses limites passaram a ser os horizontes do jurista. o jurista. passou a ser a primeira vítima das alterações legislativas. 82). sim. nesse sentido. em sua miopia intelectual. ao produzir sentido. a semiótica. 34. é o mais potente elemento para influenciar. com a escora desse tipo de doutrina. a retórica. sobretudo com base em Hans Kelsen. o culturalismo. Sua contribuição é notoria no sentido de que fornece uma dimen­ são integrada e científica do direito. por 33.. a metodologia do direito desapegou-se do modelo positivista com forma de explicação de sua cientificidade. e. sem dúvida nenhuma. O jurista passou a ter limites em sua atuação. li­ mitado ao que é normativo.

emenda. e. Vocação ética das ciências jurídicas É curioso pensar que. 115). a extração de argumentos que apontem para a correção. 1994. Ora. p... Deve buscar conhecê-la. desabilitação epistemológica deste ou da­ quele teórico e de sua doutrina. 5. surge a responsabilidade no operar discursos jurídicos. 420 . para se converter na arma do descrédito alheio. especialmente. Não pode ficar adstrito a uni conhecimento limitado à própria técnica produtora da norma. é um discurso que demanda uma grande consciência ética. para que seu verbo seja a exteriorização consciente dos efeitos sociais.. o que se destaca é a capacidade que esse discurso possui de gerar influência sobre os demais operadores do direito. ainda. que possam se extrair de lições doutriná­ rias por ele apregoadas. que possivelmente possam se extrair de um simples ato jurí­ dico por ele praticado. sociólogo. como decorrência dessa consciência ética do jurista em geral. pela só faculdade que possui de influenciar a formação de novos sentidos. A cultura do jurista. aperfeiçoamento ou modificação de normas jurídicas vigentes.. Formação jurídica. que possui imbricação direta com causas sociais. Isso requer do jurista uma formação toda especial nas humanidades33.. dis­ criminação de escritos alheios. de novos textos jurídicos. por conseguinte. sobre o legislador e a autoridade decisoria. ter uma cultura humanís­ tica que lhe permita ver. o Direito Universal e Intertemporal. sobre não desco­ nhecer rudimentos das Ciências exatas” (Ives Gandra da Silva Martins. historiador. a escolha de valores. filósofo. Deve.. mas necessariamente deve ter uma visão mais abrangente da ciência na qual se especializou.. Deve ser. a formulação de interpretações jurídicas. A partir do momento em que a doutrina jurídica passa a ser uma ma­ nifestação de afetos pessoais.meio do saber. Nesse sentido. a ciência jurídica é um saber que sc volta para a compreensão do fenômeno jurídico. e.1. e sobretudo do jurista teórico. psicólogo. a formação de decisões.1. Assim. políticos. o que se tem presente é que. econômicos. É o instrumentalizador dc todas as ciências sociais no plano da Ciência Jurídica. 35.). economista. in Nalini (coord. ou. Por vezes se veem páginas e páginas doutrinárias lançadas em vão para a contestação de pressupostos teóricos alheios. no Direito presente. ganhando dimensão universal. pois. a ciência jurídica também possui este compromisso social de estar a serviço do aperfeiçoamento dos saberes constituídos em tomo do rico objeto de estudo que é o direito. “Por essa razão. pois. Desse modo. o jurista é necessariamente um profissional voltado para a Ciên­ cia. futurólogo.

ciência dogmática e zetética precisam se unir no sentido da realização deste objetivo comum. O que se quer dizer é que são complementares e indispensáveis para a caracterização científica dos diversos enfoques possíveis do fenômeno jurídico. na medida em que da somatória de suas atuações metodológicas deve resultar um proveito maior.. Intro­ dução ao estudo do direito. cada vez mais engajada. e muito menos que o saber dogmático se constitui em um saber obtuso da realidade jurídica. 1999. outra com vistas à especulação (ênfase na pergunta e no questionamento). Deve-se. cada vez mais sólida para que se des­ faça o colonialismo cultural3 do país. Sua complementaridade faz com que possam ser qualificadas como sendo: indispensáveis para o adequado conhecimento das diversas facetas do mesmo fenômeno. uma vez que a pura dogmática afasta o jurista de outras preocupações. cada vez mais aproximada das preocupações da nação para a redução de desigualdades sociais. Essa é a preocupação fulcral do pensamento de Franco Montoro. 1999. que se aliam no sentido da investigação dos complexos desdobramentos do fenômeno jurídico36. uma com vistas à decisão (ênfase na resposta e no resultado prático). Vide a respeito das palavras dogmática e zetética.perde sua finalidade e perverte-se em delongas morais e profissionais pes­ soais daquele que dela se vale para qualquer outro tipo de finalidade. conviventes necessárias. consulte-se a seguinte obra: Montoro. Estudos de filosofia do direito. estas são as preocupações frontais 7 da ciência jurídica e das práticas de discurso científico-jurídico. A respeito. dogmático ou zetético. nesse sentido. E. 39-43. O saber jurídico. deve-se considerar que não se pode mais nomear ju­ rista aquele que dessa forma conduz o saber jurídico. por meio da qual se conferiu amplo uso a elas. está na base do aperfeiçoa­ mento da cultura jurídica nacional. Dogmática e zetética são ferramentas metodológicas de conhecimento. dependentes uma com relação à outra. estar consciente de que a zetética não se constitui pura­ mente em saber de contestação do saber dogmático. O cientista do direito possui as fórmulas para a construção de uma herança intelectual 36. Des­ naturada a atividade. Brandir para que essa cultura seja cada vez mais politizada. 421 . a obra de Ferraz Júnior. na proposta de divulgação do trabalho de Theodor Vieweg. portanto. meios para a realização de fins maiores. e a pura zetética é incapaz de produzir conhecimentos capazes de articular soluções práticas com vistas à decidibilidade. 37. p..

estude-se a obra de Ferraz Júnior. A ciência jurídica é mais que um discurso de juristas para juristas. deve ser encarada como algo mais que seu discurso interno. aqui reside a ética da ciência do direito. 40. p. 39. de princípio. p. o modelo de relações profissionais implicadas pelo exercício da docência. Direito e ensino jurídico: legislação educacional. Faz-se como prática social e deve estar voltada para o alcance de fins sociais. esta é a sua vocação. 5. Direito de autor.. não somente decisorio. mas sobretudo pedagógico. não deve ser considerada uma atividade a latere das demais (advocacia. 422 . Isso ocorre mais com alguns 38.) de regra as obras intelectuais são criadas exatamente para comunicação ao público (.. consultoria. É dessa complexidade que emergem os maiores dilemas éticos na atividade do magistério.. que é altamente com­ plexo.que deve ser perpetuada como atividade em prol do social.)” (Bittar. As atividades do professorado são de formação e. portanto.)40. Nes­ se sentido. Função social da dogmática jurídica. 1994.. 104. magistratura. Quanto maior seu grau de penetração. dom especial de produção de efeitos sobre a realidade com a qual interagem.2.. contra outrem. Há que se pensar. Eduardo C. que as criações intelectuais são especial­ mente objetos sociais38. B. para o profissional do Direito. maior sua repercussão. é a obra um instrumento incisivo que recorta a realidade condi­ cionando-a a sua entrada no seio da realidade. As obras são dotadas de urna peculiar capacidade de penetração social. Esta é a sua finalidade. e não a favor de si ou. Ética docente: o professor de direito e os desafios ético-profissionais Profundamente imbricado com a questão do relacionamento humano. dessa forma. esta é a sua natureza. Cf. 49). não somente autoritário. não somente hierárquico. 2001. de alia capacidade de influência e determinação cultural. que. como tais. muito menos ainda. maior sua importância para uma determinada sociedade. formativo e até paternal. A respeito do tema enfocado. É nesse espaço do social que se releva o papel da ciência do direito3 . Principalmente pelo fato de que “(. Bittar. se pode dizer. procuradoria. pessoais e egoístas que eventualmente a ela se quêira dar.. 9 Os fins sociais e prospectivos da ciência jurídica prevalecem com relação aos fins individuais.

mas. é até mesmo um espelho no qual o estudante quer se ver refletir no futuro profissional que o aguarda.. intenção.. Ética. Se o processo educativo soma algo e lapida o indivíduo. O que se requer não é propriamente o heroísmo do professor. a altivez e o espírito de colaboração pedagógica devem sempre informar o mister do professor de direito. a partir da liberdade de escolha.). Eduardo C. Assim é que cria. consciência. que parece sempre pertinen­ te trazer à tona. p. ele deve mesmo representar o mestre da iniciação. então se deve aceitar que sua própria ética vem condicionada por valores inscritos no processo de ensino/aprendizagem. Diante dessa posição. Sem dúvida.e com outros menos. educação e cidadania. deficiências do ensino médio. v. como se pode ler a seguir: “A questão ética (valor. Por vezes. não só científica. impossibilidade de flexibilização do modelo de aula. 423 . tendo em vista as implicações e os resultados do processo pedagógico de formação de um indivíduo. aqui­ sição de instrução. 2. n. de qualquer forma.. comportamento. ação humana e inter-relação social. bem como dos Conselhos Estadual e Federal da OAB 41. Dentro do espírito do academicismo. más condições de trabalho. São Paulo.) parecem caminhar imbri­ cadas. Isto não significa retomar a espinhosa controvérsia de se saber se a ética é inata ou pode ser ensinada. Revista do Curso de Direito da Universidade São Marcos. mas significa verificar o quanto. burilamento. 82. se pode oferecer ao indivíduo e à sociedade através da educação”41.. rigidez dos currículos acadêmicos. alegando-se que o primeiro tem sobre o segun­ do um alto poder de influenciação. uma marca indelével (positiva ou negativa) sobre o espírito do estudante. preparo social.) e a questão educacional (formação. Em outro momento já se pôde dizer sobre o atrelamento existente entre o professor e o aluno. É impossível dissociar. ao final do processo de formação de um indi­ víduo (de um grupo de indivíduos ou mesmo de toda a sociedade). mas cultural e opinitiva do estudan­ te. B. porém o trabalho que vem sendo exercido pelas comissões de ensino do MEC (Comissão de Es­ pecialistas do Ensino do Direito). são grandes as dificuldades de trabalho no ensino contemporâneo do direito (excessivo número de alunos por sala.. queira ou não. Bittar. o magister é sempre conside­ rado uma referência importante para o estudante. do INEP (Comissão de Avaliadores das Condições de Ensino). a ques­ tão educacional do conjunto de atributos éticos que reúne(m). E este o mote de uma discussão secular.. 2.

é ser sobretudo capaz de tomar o ambiente educacional fértil à renovação social. Pode-se ainda dizer que os compromissos do professor estendem-se para além da sala de aula. o seu compromisso primordial é com o alunado. 5fi. E é exatamente das dificuldades desse relacionamento que decorrem desafios éticos de grande monta. . Eles fazem com que esteja atrelado não somente aos alunos. que. intitulado Direito e ensino jurídico. capacitar para o exercício ético da profissão. mas também aos demais colegas de profissão que compartilham de suas atividades (com os quais deve procurar manter ambiente de solida­ riedade. com a inteira liberdade de coñsciência que possui. bem como tecer considerações críticas ao ordenamento jurídico vigente. colaboração. Existe ampla literatura sobre a questão. participação. 2001. pela pesquisa. a quem deve prestar contas em última instância. sabendo-se que suas principais atividades antecedem o momento da elocução de sua aula. aliás garantida por fundamento constitucional (CF.). no sentido de contribuir para o esforço coletivo empre­ gado na delimitação da linha pedagógica construída e na formação da es­ trutura de ensino condizente com suas ambições e suas normas internas). e ao Ministério da Educação. ao ensino. Atlas.(Comissões de Ensino Jurídico) vem contribuindo para a modificação des­ se quadro42. Ter ética com o alunado significa. que deve ser preparada e projetada com vistas a oferecer matéria atualizada e completa sobre o tema em foco. pode criar méto­ dos pedagógicos diferenciados para educar. cumplicidade acadêmica.. a partir de sua formação e de sua liberdade de ideias. democracia. por 42. Ser capaz de estimular a busca. intercâmbio didático-pedagógico. Essas tarefas são os efetivos pontos de apoio do professor. ou seja.. IV e IX). que se pode encontrar na bibliografia de livro anteriormente publicado. O que se disse não resume a tarefa de ensinar do professor de direito ao mero cumprimento da burocracia institucional que lhe é imposta. do novo. Acima de tudo. cooperação. São Paulo. Entende-se que a dimensão ético-profissional do professor de direito faz com que se reporte sobretudo ao fim de sua atividade. an. do diverso. Mas a consciência desses problemas não pode obstaculizar o efetivo cumprimento da tarefa magistral delegada ao professor de direito: educar para a cidadania. incutir a chama da busca do justo no espírito do estudante de direito. numa relação com seu alunado. preparar para os desafios profissionais. à instituição de ensino à qual se vincula (com a qual deve procurar cumprir as funções administrati­ vas e participativas.

b) honrar seus compromissos acadêmicos com assiduidade.871. c) respeitar os direitos de seus alunos. pautar-se-á pelos seguintes princípios: I — não adoção de preferências ideológicas. g) tratar com urbanidade os alunos e demais colegas de trabalho. bem como quan­ to ao sexo e à origem. bem como os credos e ideologias de seus alunos43. não ceder aos incessantes convites para a deturpação dos critérios de avaliação. 425 . e apenas demonstrativo. k) participar e/ou criar projetos de aprimoramento acadêmico. Art. institucionais e legais. o diálogo e a interação. políticas. e raciais. com vistas à melhoria das condições de ensino em sua instituição. d) estabelecer julgamentos e aferições de notas com padrões justos e equitativos. respeitadas as opções individuais de seus membros. política ou econômica que possam desviar a Uni­ versidade de seus objetivos científicos. rol de compromissos de atuação do professor de direito: a) aplicar-se na transmissão de conhecimentos. III — não sub­ — missão a pressões de ordem ideológica. e) aprimorar-se em seus conhecimentos com vistas a trazer sempre maior carga de informações e ideias. i) respeitar as diferenças de ideias eventualmente existentes. 4. rever suas formas de pensar e discutir o direito e. II . Título I. religiosas. bem como encaminhar para a autonomia da pesquisa o estudante de direito. h) despertar o interesse pela matéria e pela pesquisa dos temas de aprendizagem ligados à sua disciplina ou aos seus conhecimentos. Com essas advertências preliminares é possível elencar um exíguo. aos pedidos de melhoria das notas e médias de exames e provas. também. j) permitir o acesso. Dos Princípios Comuns: “A ação da Universidade.não adoção de posições de natureza partidária. 3a do Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Reso­ lução n.vezes. assim como saber posicionar o aluno perante as suas deficiências de formação e as suas dificuldades de aprendi­ zado que o impedem de obter melhores resultados na matéria ensinada. inclusive para a satisfação de dúvidas dos alunos. culturais e sociais”. 43. f) aperfeiçoar suas técnicas didáticas e pedagógicas para o alcance de melhores resultados na transmissão de conhecimentos. re-pensar suas posturas teóricas e ideológicas. de 22-10-2001). pontuali­ dade e dedicação.

os itens ou falhas em regulamentos e normas que. 4. em seu entender. V — apontar aos órgãos competentes da instituição em que trabalha. lê-se no Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Resolução n. de qualquer forma. Título III. alguns apontamentos normativos relativos à matéria. 15. Cabe ao docente: I — exercer sua função com autonomia. de forma a atingir o nível desejado de qualidade. que se aplica a docentes e não docen­ tes. sejam inadequados ao exercício da docência. Assim. de 22-10-2001). ou encaminhamento adequado. coincidentes j^ i não com aqueles acima elencados. VI — atuar com isenção e sem ultrapassar os limites de sua compe­ tência quando servir como perito ou auditor. mas que. serve de importante e válida referência sobre o compromisso ético-docente. assumindo sua parcela de responsabilidade quanto à educação e à legislação aplicável. aos alunos que maiores dificuldades tiverem em seu desem­ penho acadêmico. IV — empenhar-se na defesa da dignidade da profissão docente e de condições de trabalho e remuneração compatíveis com o exercício e apri­ moramento da profissão. n) fornecer auxílio pedagógico. Nesse sentido. para as quais não possuam interesse mediato ou imediato.1) respeitar a diversidade de opiniões dos autores que ensina. o docente: I — cumprir pessoalmente sua carga horária. II — adequar sua forma de ensino às condições do aluno e aos objeti­ vos do curso.871. II — contribuir para melhorar as condições do ensino e os padrões dos serviços educacionais. preservando a liberdade profissional e evitando condições que possam pre­ judicar a eficácia e correção de seu trabalho. 426 . Dos Servidores Docentes: “Art. sugerindo formas de aperfeiçoamento. consultor ou assessor”. ainda. não de­ turpando ideias alheias e muito menos ferindo direitos autorais de citação: m) não envolver os alunos em campanhas pessoais ou em questões políticas da instituição. toma-se também enriquecedor aferir no Código de Ética da Universidade de São Paulo. III — zelar pelo desempenho ético e o bom conceito da profissão. quan­ do necessário. “Deve.

restrita. que se curva obediente aos interesses do lucro. pelo contrário. pois tal recurso só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento. Dos Servidores Docentes. E. como preleciona Paulo Freire: “Gostaria. Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham em formação para exercê-la. II — fornecer documentos em forma não consentânea com a lei e as­ sinar folhas ou laudos em branco. acometidas por doenças como diarreia aguda. VI — respeitar as atividades associativas dos alunos”. Não falo. como naturais e ine­ vitáveis.III — apontar. IV —■exercer ó ensino e a avaliação do aluno sem interferência de divergências pessoais ou ideológicas. Título III. Da ética que condena o 427 . da ética universal do ser humano. III — fornecer documentos que divirjam de suas convicções ou que discordem do que admite como sendo a verdade”. Num encontro internacional de ONGs. V — denunciar o uso de meios e artifícios que possam fraudar a ava­ liação do desempenho discente. de sublinhar a nós mesmos. professores e professoras. obviamente. 17 do Código de Ética da Universida­ de de São Paulo. a contrario sensu. a quem de direito. E. não deveriam ser salvas. escapar à rigorosidade ética. Educadores e educandos não podemos. Este pequeno livro se encontra cor­ tado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da necessária eticidade que conota expressivamente a natureza da prática educativa enquanto prá­ tica formadora. Em nível internacional começa a aparecer uma tendência em acertar os reflexos cruciais da ‘nova ordem mundial’. ainda. na verdade. do mercado. reza o art. por outro lado. um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa frequência em países do Primeiro Mundo a ideia de que crianças do Terceiro Mundo. Mas é preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor. itens de regulamento ou normas que possam ser prejudiciais à formação acadêmica e ao desenvolvimento pes­ soal do aluno. sobre aquilo de que deve se abster o docente: “Deve o docente abster-se de: I — exercer a profissão docente em instituições nas quais as condições de trabalho não sejam dignas ou que possam ser prejudiciais à educação em geral e ao ensino público. Falo. desta ética. a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente.

cinismo do discurso citado acima, que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentirosamente, falar mal dos outros pelo gosto de falar mal. A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. E a melhor ma­ neira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática, é testemunhá-la, vivaz, aõs educandos em nossas relações com eles. Na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou com cuja obra concordamos. Não podemos basear nossa crítica a um autor na leitura feita por cima de uma ou outra de suas obras. Pior ainda, tendo lido apenas a crítica de quem só leu a contracapa de um de seus livros. Posso não aceitar a concepção pedagógica deste ou daquela autora e devo expor aos alunos as razões por que me oponho a ela mas, o que não posso, na minha crítica, é mentir. É dizer inverdades em tomo deles. O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética. E uma lástima qualquer descompasso entre aquela e esta. Formação científica, correção ética, respeito aos outros, coerência, capaci­ dade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento devemos humilde mas perseverantemente nos dedicar” (Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 1996, p. 16, 17 e 18). 5.2.1. Da diversidade das atividades docentes no ambiente acadêmico As diversas projeções do docente dentro do ambiente universitário causam uma grande diversificação em suas atividades e tarefas adminis­ trativas. Mas a multiplicação de suas funções académico-administrativas não afasta de si os impositivos éticos elencados, — adaptando-se sim a cada situação, conforme o aumento do grau de responsabilidade que sobre si se depositam. Ao rol básico de seus compromissos, assim, passam a se somar outros tantos, compatíveis e específicos da ética decorrente de sua 428

i função ocupada ou exercida (no dispêndio financeiro da Universidade, na administração dos interesses discentes e docentes, na urbanidade no trato...), seja em coordenação e departamento, em chefia de área, em coordenação de curso, em cargo de parecerista ou consultor, em cargo de gestão finan­ ceira ou acadêmica, em função examinadora, em função avaliadora do ensino e outros44. 5.2.1.1. Dos docentes em bancas examinadoras Uma das diversas funções exercidas pelos docentes é a de examinador em concursos públicos e bancas de graduação ou pós-graduação. Nessas ocasiões ficaram celebrizadas, nas memórias acadêmicas, manifestações as mais diversas de certos docentes que: execraram publicamente o candidato em concurso público; trouxeram à baila fatos vexatórios da vida pessoal de candidato a mestrado; por proferirem ideologia diversa da do candidato, disseram impropérios contra ele e seu trabalho acadêmico; descontentes com a apuração do trabalho acadêmico, deixaram o candidato aguardando por horas a sua chegada no dia da defesa de tese; jogaram a tese do candi­ dato ao solo e sobre ela pisaram, proferindo expressões de descontentamen­ to e desafio, entre outras situações-limite. Essas cenas, que não foram raras no passado, parecem ser altamente difamatórias no presente, e convidam à reflexão... o que se faz, mais uma vez, com base no Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título III, Dos Servidores Docentes, que reza, em seu art. 19, sobre o assunto: “Nas relações dos membros das comissões examinadoras de concursos docentes com os candidatos devem ser observados os seguintes preceitos:

44. Para esses casos, cabem as regras gerais dos códigos de ética universitários, a exemplo do art. 6Sdo Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título I, Dos Princípios Comuns: “Constitui dever funcional e acadêmico dos membros da Universidade: I — agir de forma compatível com a moralidade e a integridade acadêmica; II — aprimorar continu­ amente os seus conhecimentos; III — prevenir e corrigir atos e procedimentos incompatíveis com as normas deste código e demais princípios éticos da instituição, comunicando-os à Comissão de Ética; IV — corrigir erros, omissões, desvios ou abusos na prestação das ati­ vidades voltadas às finalidades da Universidade; V — promover a melhoria das atividades desenvolvidas pela Universidade, garantindo sua qualidade; VT — promover o desenvolvi­ mento e velar pela realização dos fins da Universidade; VII — promover e preservar a pri­ vacidade e o acesso adequado aos recursos computacionais compartilhados; VIII — preser­ var o patrimônio material e imaterial da Universidade e garantir o reconhecimento da auto­ ria de qualquer produto intelectual gerado no âmbito de suas Unidades e órgãos”.

429

II — no uso de suas atribuições, os examinadores não poderão suscitar questões atinentes à vida privada, convicção filosófica ou política, crença religiosa, intimidade, honra ou imagem do candidato, ou que de algum modo se liguem a seus direitos fundamentais, ressalvadas aquelas que tiverem relação direta com o exercício do cargo ou função pretendida”. 5.2.1.2. Dos docentes avaliadores de cursos jurídicos (MEC/INEP) Outra atividade de relevo, criada não tão remotamente (década de 90). consiste na avaliação das condições de ensino jurídico, dentro das políticas ministeriais acerca do ensino superior do direito no país. Ora, a finalidade da atividade, não consistindo puramente em procedimento fiscalizatQfii > e/ou punitivo, deve nortear o avaliador para a propulsão da qualidade do ensino no país, sendo que sua atuação e seu parecer devem contribuir para isso. Em recente deliberação acerca dos compromissos éticos dos avaliado­ res de cursos de direito, o INEP (Ministério da Educação — Instituto Na­ cional de Estudos e Pesquisas Educacionais — Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior — Princípios éticos e orientações de con­ duta) deliberou: “Com o objetivo de atender aos princípios preconizados e buscar har­ monia nos procedimentos e conduta compatível na verificação in loco, cada avaliador deverá: 1) Cumprir rigorosamente o cronograma de verificação in loco, não aceitando redução dos dias programados; 2) Estar atento para que as reuniões, conversas informais, visitas e leitura de documentos não sejam superdimensionadas em detrimento de outras atividades previstas no cronograma da avaliação; 3) Evitar ênfase em algum aspecto de interesse específico ou da espe­ cialidade do avaliador; 4) Evitar que conversas particulares com o corpo docente, discente e técnico-administrativo comprometam o andamento da avaliação; 5) Dimensionar o tempo das atividades de modo a não prejudiciar o andamento do trabalho; 6) Evitar entrevistas ou exposição à mídia; 7) Na reunião final, com a coordenação do curso, ater-se somente a discutir aspectos relacionados à avaliação, sem entregar documentos nem manifestar opinião que antecipe o resultado final; 430

20) Não aceitar convites da IES para passeios turísticos. 14) Não solicitar serviços da IES para qualquer trabalho de caráter pessoal.3. como palestras. hospedagem e presentes.8) Não aceitar oferta de transporte em aviões particulares. etc. até a homologação oficial dos resultados da avaliação. de Conselho Profissional ou de Associação. 16) Evitar envolver-se em discussões que possam comprometer a credibilidade da avaliação. ou seja. promoção de livros. quando for o caso. nos deslocamentos somente utilizar passagens aéreas do INEP. 12) Estar atento para não emitir opiniões e orientações sobre as ativi­ dades desenvolvidas ou sobre a IES como um todo. mas também o advogado público. 18) Evitar a participação em recepções e em ambientes festivos. estarse-á a alcançar. 11) Estar atento para não confundir sua tarefa na IES com a eventual coincidência de ser também dirigente de IES. 9) Não ter vínculo com a IES avaliada. cargo ou emprego junto à Administração Pública Direta ou 431 . 15) Não aceitar ofertas. aquele que exerce função. seja administrativo ou técnico. para que a IES procure diretamente o setor responsável. cursos. Ética do advogado Ao se deter esta parte da obra na discussão da ética do advogado.. 17) Não aceitar solicitação de intercessão. 21) Não aceitar qualquer tipo de complementação de diárias por parte da IES. 13) Não externar opiniões sobre outras IES. que comprometam os princípios da avaliação. 5. não somente o advogado que exerce suas atividades como profissional liberal ou empregado de socieda­ des de advogados. ou seja. no tratamento da matéria. de apoio ou de informações com relação a outras áreas do MEC. orientando. 10) Não indicar nem se comprometer a realizar serviços de assessoria ou de consultoria para o curso e a IES visitados. 19) Não realizar e nem agendar atividades de caráter pessoal. 22) As informações coletadas só devem ser utilizadas para a finalida­ de de avaliação do curso”.

aos direitos e deveres. não foi o único vocábulo utilizado para nomear a atividade. chamar em auxílio. sendo. 2000. A ética nas profissões jurídicas. 18). palavra de surgimento tardio no vocabulário romano. Regras deontológicas. Procuradores do Município. probidade. José Renato Nalini. entende-se que a ética desses profissionais deve ser tratada de modo unifi­ cado. Dessa forma. 47. Advocacia: função social e profissão O termo advogado é de origem latina. baixar o primeiro Código de Ética Profissional do continente. então Presidente daquela augusta entidade” (Sérgio Ferraz. mais concretamente ao Instituto dos Advogados de São Paulo.). à le­ gislação aplicável. 8). quando a liberdade fosse o objeto da defesa (pro libertate) ou nas hipóteses de interesse de tutelados (pro tutela). Data ele de 1921. ao estatuto. “Coube ao Brasil. No período do sistema das ações. “Em Roma. Nuanças mínimas quanto às funções exercidas por esses diversos pro­ fissionais serão fornecidas como condição para a discussão ética que virá em segundo momento. bem como o conjunto de deveres-base comuns: lealdade. ligada ao verbo advocare..). sobretudo quanto ao exercício profissional. moderação e dignidade46. Formação jurídica. Porém. ainda. 5. 2000. quando houvesse interesse público a defender (pro populo)'.1. Com isso. in Machado Ferraz (org. p. A formação do advogado. à carreira. que significa convocar. a presença do advogado em favor de um ausente que tivesse sido furtado (ex lege Hostilia)” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. 432 . 46.. Deve ser citada. no entanto. p. advocatus4 — e parece relevan­ 7 te que se atente para o fato de a função social que exerce encontrar-se ple­ namente descrita no símbolo que a representa. Cf. e confere-se o devido valor a essa classe que muito tem contribuído para o tema45. às garantias. a advocatio.Indireta (Procuradores do Estado. às funções. Procuradores de Fundações Públicas. 30-32. tendo-se em vista a estável condição de advogados que mantêm.). era exercida pelo advocatus. chamar a si. Ética do advogado. Assim. apenas. Ética na advocacia: estudos diver­ sos. uma vez que é da união entre ad e vocare (falar por) que se originou o termo —. visa-se a unificar o tratamento do problema ético-advocatício atinente às atividades similares exercidas por todos os profissionais militantes e inscritos como advogados na Ordem dos Advogados do Brasil. e essas diferenças serão objeto de atenção especial. fruto da pena preclara de Francisco Morato.3. fontes históricas indicam 45. o advocatus atuava em alguns casos. Procuradores da União. 1994. p. in Elias Farah. admite-se que diferenças grandes existem entre esses profissionais. in Nalini (coord.

deste último termo. Não apenas por ser integran­ te da sociedade. A introdução. Em razão de sua profissão mesma. Quer-se dizer. sendo que as últimas trataram dos seus aspectos disciplinares” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. habili­ tado para penetrar na problemática do desenvolvimento social. 50. incumbe o mis­ ter de ser o atuante sujeito de postulação dos interesses individuais e/ou coletivos consagrados pelos diplomas normativos do país50. é também um garante da efetividade do sistema jurídico e de seus mandamentos nucleares51. foi na França que a Ordem dos Advogados recebeu uma regula­ mentação legal. Revista da Ordem dos Advogados do Brasil. ano VII. mas não se deve desconsi­ derar o fato de que.. Se essa é a historia do termo. socialmen­ te. 168. no Baixo Império. Cf. Comentários à Constituição brasileira. set. 49. Muito mais que isto.. p. qual um estuário vivo. sistematizada. p. procuratores./dez. “No entanto. funciona como intermediário de uma pretensão diante das instituições às 48. não obstante. 217). 4). Em atividade judicial. representa. os sofrimentos humanos” (Caio Mario da Silva Pereira. p. p. age com legítima parcialidade institucional. que o advogado é mensageiro e representan­ te jurídico da vontade dos cidadãos. 433 . 19). ele se sintoniza com o mais agudo senso de percepção para os dramas da vida social. 11. orator. Formação jurídica. enfim. com isso. Apesar do desprestígio na imagem atual do profissional. advocatus. Com isso. n. 1994. com a Ordenação de São Luiz. A formação do advogado. Na sua banca vão desaguar. Isso ocorreu em 1334. Alguns documentos nos informam sobre a atuação dos chamados vozeiros ou arrazoadores. 20.). consagrou-o de modo a ganhar acento definitivo inclusive no vocabulário moderno48. mais que todos os profissionais. no exercício de sua função profissional. Em Portugal há notícias da existência da profissão desde o século XIII. Ferreira. Advocacia e desenvolvimento social. ao advogado. in Nalini (coord. 51. há de se dizer que uma ordem organizada para a classe dos advogados possui raízes muito menos remotas. Dinamarco. cognitores. O encontro de parcialidades institucionais opostas constitui fator de equilíbrio e instrumento da imparcialidade do juiz” (Grinover. 1992. quando exercente de uma pretensão legítima. É certo que todo advogado atua como um agente parcial. Cintra. v. pois o primeiro órgão de representação somente surgiu na Idade Média49. togatus e.. Teoria geral do processo.) o advogado. na defesa judicial dos interesses do cliente. acaba por conviver com os mais agudos dramas sociais e engajando-se em demandas sociais e políticas: “O advogado está. “(.a seguinte evolução dos termos para a definição da atividade: patronus. definindo-lhe a natureza e atribuições. As Ordenações Afonsinas e as Ordenações Filipinas regulamen­ taram a advocacia. VII. 1976. ed.

confunde. É esse o ponto que se procura grifar nesta reflexão. mesmo enquanto profissional autônomo. De fato. e defini-la como atividade essencial à justiça. de certa forma. Em verdade. a Constituição Federal de 1988 consagrou-lhe. e. prejudica. antés de mera casualidade. 28). do justo entendimento de que a justiça material não se constrói sem uma plena identidade entre operadores do direito. Alçar à esfera constitucional a advocacia. ainda. é medida proposital e intencional do legislador. aconselha e assessora. somos os arautos das necessidades coletivas. Isso se dá porque. São palavras de Carlos Alberto Carmona. por entender-se ser essa a razão pela qual o legislador constitucional estatuiu normas magnas para a consagração da função advocatícia entre aquelas essenciais à presta­ ção jurisdicional. Formação jurídica. in Nalini (coord. é conferir a máxima autoridade normativa a essa ativi­ dade jurídico-postulatória. Mas o advoga­ do não é um ardoroso defensor da letra da lei.). como pressuposto processual subjetivo rela­ tivo à parte. Diante da indefinição dos textos constitucionais anteriores. 1994. em palestra proferida no I C o n g re s s o de Iniciação Científica da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (6-5-1996 — 105-1996). se engaja na causa à qual se vinculou. ao advo­ gado incumbe o munus público de conferir à população acesso aos seus próprios direitos. velando pelo cumprimento da legalidade e fazendo-se desta fiel servidor. ao lado da Defensoria Pú­ blica. omissos quanto ao papel do advogado na ministração da justiça. previne52. A inserção da advocacia no contexto constitucional. o advogado presta serviços particulares. pois quando esta divide. comungando. 3 52. p. portanto. se a defesa técnica é imprescindível para a participação no processo. o ius postulandi. dos anseios e aspirações da sociedade. “O cunho social da profissão se manifesta. que o problema do acesso à justiça é fundamentalmente o problema do advogado. A formação do advo­ gado. agentes transmissores da própria dinâmica social e responsáveis pelas transfor­ mações exigidas pela realidade” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. ele busca na justiça a escora para sua atuação profis­ sional. porém age sob o cone de luz da legislação. 434 . pelo exercício da cidadania por profissionais responsáveis pela colocação perante um dos poderes do Estado. dentro do tônus principiológico e democrático que procurou dar à regulamentação das instituições jurídicas.quais se dirige ou perante as quais postula. em atividade extrajudicial. a Seção III do Capítulo IV do Título IV. toca muito próximo o problema do próprio acesso à justiça5 . 53.

2a. o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil dedica ao tema disposição específica assegurando que: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados. De fato. 133. Percebe-se que a gradação entre as diversas carreiras jurídicas inexiste. haja igualdade. Mais ainda. 648/249). o advogado presta serviço público e exer­ ce função social” (Lei n. mas complementares e essenciais. maior é o interesse em que o julgamento se desenvolva sob os cânones da imparcialidade. Por se tratar de partes interes­ sadas nos resultados sociais e jurídicos do processo. Ao contrário.Nesse entendimento. portanto.. art. A orientação sugere que. mais eficaz que qualquer outro. O advogado e o Poder Judiciário. § l s). pretende-se que entre os operadores do direito54. da mesma forma como a competência e o exercício da jurisdição têm seus princípios inscritos no texto constitucional. a atividade do advogado se constitui num bastião para o aperfeiçoamento da própria cidadania nacional. diante dessa orientação proveniente da Carta Magna. ressalvar que “(. acima dos interesses pessoais. da lega- 54. senão aquele exercido diutumamente pelas partes postulan­ tes no exercício de suas funções processuais.906/94.) o nobilitante mister não pode ser minimizado. Na mesma linha do art. devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíproco” (EOAB. em tempos em que o controle externo está em pauta. Assim.. magistrados e membros do Ministério Público. a função do advo­ gado é definida como “indispensável à administração da justiça” pelo Es­ tatuto da Ordem dos Advogados quando preleciona: “No seu ministério privado. 8. art. da forma como se inscre­ ve no plano constitucional. de alçada constitucional é o tratamento do advogado e de suma importância para a justiça. deve ser colocado em pé de igualdade com os demais órgãos a serviço da Justiça: o Juiz e o Ministério Público” (Sanches. sublinhe-se. Mister. Assim. bem como o interes­ se específico das partes envolvidas num determinado envolvimento ou de­ bate jurídico. existe o inte­ resse geral da sociedade em tomo da causa da justiça. não obstante posicionarem-se em suas atuações como exercentes de funções processuais juridicamente opostas ou disjuntivas. 6a). 435 . sendo proibida toda espécie de prevenção que venha a conferir-lhes poderes exorbitantes ou que firam a paridade do relacionamento entre esses mesmos profissionais. RT. há que se dizer que não existe maior controle e.

“(.) se o advogado atua no processo no interesse da parte (.. 57. que tem sua responsabilidade delimitada pelo instrumento que lhe autoriza a falar ou a exercer algo em nome de alguém. mas no interesse público da realização da justiça” (Comparato. A função do advogado na administração da justiça. o advogado apenas um mandatário56. posteriormente modificada pela instrução. Ainda que se argumente pela excessiva parcialidade que move muitos dos litigantes envolvidos no debate processual. no âmbito judicial. 694/46). 7 55.. após com a contestação. Seu papel é misto entre uma atividade pública de postulação e uma atividade privada de representação. ou seja. Ainda aqui se pode nobilitar a função advocatícia na proteção dos interesses de seus clientes. Aí a importância..)”. provisoriamente posta na sentença e fixada quando do seu trânsito em julgado. autos de qualquer processo. condescendente e complacente” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. que age em nome da parte. 56. salvo o disposto 436 .) nem por isso pode ele ser confundido com a figura do mandatário de direito privado.lidade e da regularidade formal. 38 do Código de Processo Civil5 . RT. Como lidamos com o homem. conhecedores da frágil condição humana. pode vir com a inicial.. Aliás. mas aparece antes como autêntico representante necessário.. Os poderes do advogado dotado de procuração são os seguintes: “I — examinar. p. pois. Mercê. não há que se admitir ser. jamais adotamos diante de um conflito de interesses uma postura de de­ tentores da verdade. A formação do advogado. a essa categoria profissional cumpre prover necessidades de uma justiça material na produção resultante do exercício do poder jurisdicional. necessariamente sua função é aquela descrita como a do mandatário. segundo prescreve o art. em cartório de justiça e secretaria de tribunal. regulada pelo Código Civil. no entanto. Se assim é. Apesar do que se disse.). daquele que “fala por”. do próprio exercício profissional nossa visão do ser humano e da vida é flexível. Para atuação no foro requer-se devida habilitação processual do advogado por meio de procuração ad judicia. deve-se reter que a atuação do advogado pode ser judicial e extrajudicial.. Dito isso. “Uma característica marcante do nosso mister é a completa ausência de maniqueísmo. não se deve dizer que “(. 21). 1994. do ad vocatus. mas também e sobretudo em face de outra pretensão por vezes igualmente legítima e justa55. com suas misérias e grandezas. sabemos que a verdade não é única. Porém. bem como na admi­ nistração da justiça em sua totalidade. Formação jurídica. há que se ressaltar que é da própria dialética jurídica que exsurge o provimento judicial. in Nalini (coord. daquele que se dispõe no sentido de plefiear o que de direito não só por si. conceitualmente. É do tempera­ mento de vontades e interesses contrapostos que surge a possibilidade de que se adotem respostas jurisdicionais mais balanceadas na dosimetria dos direitos de cada qual.

ou seja. 694/47). não constituindo injúria. rei. 60. recobre a atuação do advogado de especial proteção. no exercício de sua atividade. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. não se exime se o crime cometido for o de calúnia — . indispensável à boa e completa realização da justiça” (Comparato.Para atuação em negócios extrajudiciais. III — retirar os autos do cartório ou secretaria. Nesse conceito não se inclui. Hélio de Freitas. veja-se. nos limites da lei”). conseguiu garantir “a inviolabilidade no art. “A imunidade judiciária estabelecida no art. 58. 142. inc. 142. ao longo do ano de 2005. como a imunida­ de judicial59. ao ponto em que se afeta a própria dignidade da justiça. no entanto. porém. O entendimento predominante é o de que as ofensas irrogadas à parte e pela par­ te. I. motivaram à reação da OAB que. pelo prazo legal. pode-se acompanhar o que dispõe o Estatuto: “O advogado tem imunidade profissional. 437 . vista dos autos de qualquer processo pelo prazo de 5 dias. não alcançando a ofensa feita a Magistrado. provocando invasões em escritórios de advocacia. não repre­ senta a criação de um privilégio pessoal. em sua atuação. sempre que lhe competir falar neles por determinação do juiz. com ou sem cláusula de poderes especiais. I. É este o en­ tendimento jurisprudencial acerca da matéria: “Não existe a imunidade prevista no art. RT. 12/89). que o desacato é objeto de discussões. entendendo-se verdadeiramente como limitada a extensão de sua faculdade de manifestação no exercício da litigância judicial. não constituem crime. no caso de ofensas irrogadas pelo Advogado ao Juiz. Admitir ofensas à au­ toridade judiciária seria implantar o desprestígio da própria justiça” (TACRIMSP. relati­ vamente aos crimes de injúria e difamação — e. do Código Penal. Ações da polícia. RJD. em juízo ou fora dele. deve-se perceber que a defesa do exercício e da autonomia desta profissão é a defesa da própria possibilidade da democracia e do Es­ tado Democrático de Direito. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. mas a consagração de uma prerrogativa funcional. requer-se a procuração ad negotia. em defesa dos advogados. porque a imunidade judiciá­ ria só prevalece entre as partes litigantes. art. pelos excessos que cometer” (EOAB. que lhe conferem maior liberdade de atuação na defesa de legítimos interesses60. 40 do CPC). do CP. como procurador. 59. portanto. Ressalve-se. em seu art. Ainda. 133. o magistrado. o advogado possui determinadas proteções legais. § 2a). A função do advogado na administração da justiça. II — requerer. sempre limitadas58. 155. aquelas surgidas no calor dos debates judiciais. nos casos previstos em lei” (art. 7a. Na esteira do que diz a Constituição. E. a respeito (“sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. que é a autoridade judiciária e representa a própria administração pública.

Teoria geral do processo. de 18 de novembro de 1930. de 18 de novembro de 1930” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. tendo por finali­ dade: a) defender a Constituição.de seu escritorio ou local de trabalho. ed. nossa corporação só foi cria-da quase um século após.337/64. 8. 1994. I2. 1° da Lei n. de sua correspondência escrita. “O instituto da Ordem dos Advogados do Brasil foi fundado em 1843. A formação do advogado. conforme determinava o art. com exclusividade.. tendo os seus Estatutos sido aprovados pelo Imperador Pedro II. 223). Cintra. bem como de seus instrumentos de trabalho. a defesa. prevê alteração do in­ ciso II do art. para propor a ação direta de inconstitucionalidade in terminis: “Podem propor a ação de inconstitucionalidade: (. eletrônica. 17 do Decreto n. possuindo um compromisso com a cidada-~ nia e com a efetivação dos direitos individuais. desde que relativas ao exercício da advocacia”. p. rompendo com os limites subjetivos anteriormente vigentes no contexto da Lei n. pela rápida adminis­ tração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. 11. coletivos e difusos previstos pela Constituição62.. 103. Formação jurídica. Suas missões estatutárias. por inspi­ ração de Francisco Gê Acaiaba de Montezuma. 62. que. 438 . a Ordem dos Advogados do Brasil6 é órgão público de garantía 1 de uma sociedade democrática.. 11. Dinamarco. de 4 de julho de 1994. mais que órgão de representação de classe ou que instância institucional para a resolução de questões interna corporis.).) VII — O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil”. regimentais e constitucionais denunciam essa sua tarefa social de grande dimensão63. p. é de competência da Ordem dos Advoga­ dos do Brasil a legitimidade. Esse artigo da Cons­ tituição veio a ampliar o restrito polo subjetivo responsável pela propositura da ADIn. o Procurador-Geral da República. 4. VII. Diante das incumbências institucionais. Do exposto percebe-se que o engajamento político-institucional e social é um mister não somente para o advogado. nos termos do art. 19. 17 do Decreto n. in Nalini (coord.767. 19. com a edição da Lei n.906. a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito. 2a de seus Estatutos.408. b) promover. os direitos humanos. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil” (Grinover. é hoje serviço público. Essa vitória da advocacia toma ainda mais claros os limites de ação dapersecutio criminis. dotado de personalidade jurídica e forma federativa. de 7 de agosto de 2008. urna vez que nem tudo é lícito quando se trata de realizar a investigação e punição de delitos. que restringiam a participação democrática no controle da constitucionalidade das leis ao representante maior do Ministério Público. a justiça social e pugnar pela boa aplicação das leis. 20). 63. No entanto. Teve como um de seus objetivos a criação da Ordem dos Advogados. telefônica e telemática. em seu art. da CF de 1988. por exercer um munus 61. Assim: “criada pelo art.408. pelo art. Em termos de organização federativa.

ed. Provimento CFOAB 80. 80/94. Também devem-se aqui ter presentes as disposições da 439 . ilibada reputação. a possibilidade de postu­ lação direta do pequeno litigante” (Grinover. ret. 8. que. Min.. 94 da Constituição. examinando: candidatos à Magistratura (CF de 1988. integrando-lhes no ecletismo da formação e da experiência jurídica dos mem­ bros de outras categorias (art. art. Nesse sentido. 133). 5a do Regulamento Geral) e bem assim de: a) ‘curriculum vitae’. Mais que examinando. 14-10-1994. 16-7-1996) (Dispõe sobre a indicação. art. Visa-se sobretudo mesclar as experiências da advocacia. é conferida efetiva e direta partici­ pação aos advogados. Procurou-se minimizar a rigidez do preceito. art. 66.) o STF suspendeu liminarmente a eficácia do caput do art. Teoria geral do processo. 35/79. mediante o cumprimento de algumas condicionantes (notório saber jurídico. 94 da CF de 1988). candidatos ao Ministério Público (CF de 1988. se­ gundo o qual pode-se franquear. Lei Complementar n. 78). introdução na carreira em se­ gunda instância64. se assim exigir a Diretoria que analisar o pedido. 1. art. de Advogados que devam integrar os Tribunais Judi­ ciários). 5a — O pedido de inscrição será instruído com a comprovação de mais de dez anos de efetiva atividade profissional de advocacia (art. e con­ correr à indicação para o Tribunal que comporá. Ia.publico. mas também para o órgão de representação da categoria. “(. 65.127-8-DF-Medida Liminar. inclusive de prevenção ao nepotismo. por ora.906/94.. § 3a). b) termo de compromisso de defesa da moralidade administrativa. do Estatuto. 8. deve o advogado ter defen­ dido a moralidade institucional e administrativa. cujos dados deverão ser comprovados. art. expedida pelo Conselho Seccional da inscrição principal”. Justiça de Paz e Juizados de Pequenas Causas (ADIn. a polêmica se acendeu com o advento da Lei n. p. Ia da Lei n.906/94. Assim. candidatos à Defensoria Pública (LC n. art. 11. I. em seu art. Aliás. infine. mediante cópias. em diversos serviços relativos à justiça. DJU. 1. 93. Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. através do chamado quinto constitucional. rei. Ia. 129. de 10-3-1996 (DJU. também é outorgado ao advo­ gado acesso direto na composição dos Tribunais Superiores da Justiça fe­ deral e da Justiça estadual. assim como comprovar a inexistência de infração ética65. 24). para integrar lista sêxtupla de advogados. lecionava como privativas da advo­ cacia: “I — a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais”. no que tange aos juizados especiais. art. p. 64. “Art. De fato. 219). do Ministério Público e da judicatura. tem-se preocupação em dizer que não se trata de uma atividade que condicione o acesso à justiça66. c) certidão negativa de sanção disciplinar. Apesar de se tratar de uma atividade “indispensável à administração da justiça” (CF de 1988. 27596). em Lista Sêxtupla. 3-4-1996. Por juizados especiais se deve entender Justiça do Trabalho.. limitando-se sua extensão normativa. Seç. Brossard. de modo que fica mantida. exercício efetivo comprovado da profissão durante dez anos). Cintra. Dinamarco.

O Capítulo V do Título II da Constituição do Estado de São Paulo. a Procuradoria-Geral do Estado (arts. 68. a Defensoria Pública do Estado (art. O Poder Executivo. no âmbito dos assuntos estaduais68. Trata-se. “Sistema que não difere em nada do anterior. por sua essencialidade no que tange à pres­ tação jurisdicional e ao equilíbrio entre os poderes do Estado. dos assuntos federais.099/95. de se investigar a importância dos órgãos de advocacia pública no âmbito da Federação e no âmbito estadual. 1992. da Defensoria Pública e do Ministério Público. Lei n. contenciosa ou não. o mesmo há que se dizer quanto às carreiras públicas da advocacia. todos previslrfc no Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 198867. no sentido do cumprimento dos ditames legais e constitucionais. Advocacia-Geral da União e Procuradoria do Estado: função cons­ titucional e exercício público Se a advocacia é imprescindível para o exercício da jurisdição e para a ministração e efetivação da justiça. dispôs a respeito da matéria. A Advocacia-Geral da União tem como atribuição representar judicial e extrajudicialmente a União. são a causa eficiente de todo o processo de concreti­ zação da justiça. É nesse ponto que cabe seja ressallada a atuação de órgãos públicos que. Curso de direito constitucional. 440 . portanto. acrescentando. e essa mesma função é exercida pela Procuradoria-Geral do Estado. devem con­ viver harmônica e conjuntamente para a efetivação do escopo jurídico-democrático. ain­ da. que disciplinou a matéria. ao lado da Advo cacia. como órgão suplementar e exclusivo. Em essência.3. 110). aqui se destaca a Advocacia-Geral da União. para o adequado exercício de suas atividades. 236). requer uma assessoria jurídica permanente. a Advocacia (arts. cada qual dessas instituições socorre interesses que constituem verdadeiro munu\ público. no âmbito. Essas carreiras estão estruturadas como forma de manutenção de um grupo de profissionais que venha a defender os interesses do Estado-Administração em juízo ou fora dele. elencando também como essenciais o Ministério Público (arts. 103). existente em cada unidade da Federação. Então. 104/109). o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos dn Pessoa Humana (art. p. revogando os antigos Juizados de Pequenas Causas e traçando normas acerca da postulação com ou sem advogado. 98/102). nesse sentido. 67. apenas ganhou foros de Constituição Federal” (Ferreira Filho. o que vem a acentuar com maior profundidade o caráter protetivo das normas constitucionais estaduais derivadas da teleologia da Carta Federal.5. analogamente ao disposto na Constituição Federal.2. 91/97). 9. Mais que um aparato burocrático a serviço de afazeres administrativos ou formais.

O Poder Executivo, federal e estadual, tem esses órgãos por longa manus de suas atividades, prevalecendo sempre o entendimento de que, por atribuição funcional, se deve seguir uma postura profissional que garanta o melhor resultado técnico favorável ao Estado. O exercente desse tipo de atividade, devidamente concursado, ou provisoriamente investido de cargo em comissão, presta “consultoria e assessoramento jurídico” (CF de 1988, art. 131), de modo a fazer prevalecer não seus entendimentos pessoais, mas a produzir o melhor resultado útil à entidade à qual se vincula69. Se ao Poder Executivo incumbe o cumprimento da lei pelo governo da sociedade, mister, portanto, a existência de instrumentos jurídicos protetivos para a cobertura das estruturas de atuação desse Poder, o que se faz, no âmbito federal, por meio da Advocacia-Geral da União, instituição que tem por diploma essencial de sua estrutura a Lei Complementar n. 73/93, a par o Decreto n. 767/93 e a Lei n. 9.028/95, e, no âmbito estadual, por meio da Procuradoria do Estado. Em meio às atribuições fundamentais, como a de representação do Executivo70, encontra-se a de assistência judiciária aos necessitados. Deve-se verificar que o diploma estadual da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo prevê como uma de suas principais atividades a assistência judi­ ciária, como se lê a seguir: “I. prestar assistência judiciária aos legalmente necessitados nas áreas civil e trabalhista; II. exercer as funções curador especial, salvo quando a lei a atribuir especificamente a outrem; III. promover as medidas judiciais

69. Mas essa vinculação não dispensa senso crítico e conhecimentos amplos: “Valores como o da Justiça, da liberdade, da igualdade e da lealdade, devem ser a utopia de vida do Procurador do Estado. A visão crítica do direito como fonte de vida é indispensável, assim como saber conjugar com desenvoltura suas fontes. Há de ter, para isso, a perspectiva his­ tórica do Direito e das leis que regem o nosso dia-a-dia” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 158). 70. “Essencial à Administração Pública Estadual, a advocacia pública exercida pela Procuradoria-Geral do Estado tem como funções institucionais, além do procuratório judicial e extrajudicial do Estado, a consultoria e assessoria jurídica do Poder Executivo e da Admi­ nistração, a orientação e defesa dos necessitados, em todos os graus, a representação peran­ te o Tribunal de Contas, a consultoria e a fiscalização da Junta Comercia], o assessoramen­ to técnico-legislativo ao Governador, a inscrição, controle e cobrança da dívida ativa esta­ dual, a propositura de ação civil pública, a assistência jurídica aos municípios, procedimen­ tos disciplinares; entre outras próprias da advocacia do Estado e da defesa dos necessitados, a ela vinculando os órgãos jurídicos das autarquias” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 156).

441

necessárias para a defesa do consumidor; IV. atuar junto ao Juizado de Pequenas Causas; V. prestar assistência a pessoas necessitadas, vítimas de crime, objetivando a reparação de danos e a solução de problemas jurídicos surgidos ou agravados com o delito; VI. prestar orientação aos legalmente necessitados no âmbito extrajudicial” (LC n. 478/86, art. 28). 5.3.3. Defensoria Pública: função constitucional A Defensoria Pública é instituição essencial à justiça, à atividade de prestação jurisdicional, incumbindo-lhe as tarefas judicial e extrajudicial de assessoria jurídica. Por isso, as mais recentes conquistas do país envolvem nova legislação, ampliação dos concursos públicos e do campo de aleãncc de suas ações. Seja atuando preventivamente na conciliação das parles contendentes, oferecendo informações, distribuindo orientação jurídica, seja atuando contenciosamente, litigando em nome dos interessados, seja repre­ sentando interesses sem titulares determinados, a Defensoria Pública im­ plementa o rol de medidas públicas destinadas à construção do Estado Democrático de Direito. Na topografia do texto constitucional, a disciplina do órgão fundamental vem dada pela Seção III do Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 1988 que, em seu art. 134, reza: “A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 52, LXXIV”. Prevista pela Constituição com esse rigor conceituai e com toda ;i importância por se tratar de uma função essencial à justiça, encontra-se a implementação da Defensoria na dependência de regulamentação específi­ ca. Isso porque o art. 24 da Constituição Federal de 1988 prevê que “Com­ pete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorren temen Io sobre: (...) XIII — assistência jurídica e defensoria pública”. A materia relativa à assistência jurídica e defensoria pública ficou para ser implementada em momento posterior à promulgação do texto constitu­ cional, de modo que, por fim, a Lei Complementar n. 80/94 acabou por disciplinar, no plano federal, a Defensoria Pública da União, dos Territorio1 ' e do Distrito Federal. Essa lei de fato traçou normas gerais para a estrutu­ ração, ou para a reestruturação — esclareça-se que alguns Estados da União já haviam implantado a Defensoria mesmo antes do advento da Lei Com­ plementar, ocorrendo que deverão retraçar seus parâmetros de atuação (I.C n. 80/94, art. 142) nos moldes do supracitado texto normativo —, das De442

fensorias Estaduais71. É esse o texto que rege a constituição genérica das Defensorias do país atualmente. Cumpre, no entanto, no plano estadual, que as Defensorias se adaptem a peculiaridades regionais. A Defensoria ocupa-se da assistência jurídica, que pode ser prestada de diversas maneiras, correspondendo não só àquilo que se entende por direito de demandar em juízo (assistência judiciária), mas também pelo direito de encontrar orientação extrajudicial e encaminhamento jurídico-informativo correto (assistência não judiciária). Assim é que a tarefa de assistência jurídica — expressão que encontra um sentido lato — se disten­ de em dois outros princípios, o da assistência judiciária e o da assistência não judiciária72. Aqui, portanto, o primeiro papel de assistência jurídica, exercido pela instituição da Defensoria em sua atividade própria de defesa dos interesses dos necessitados, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas73. Mas não acaba aí o conjunto de atribuições constitucionais e legais da Defensoria, pois esta ainda encontra função social ao exercer atividade im­ própria74. E isso porque os hipossuficientes são protegidos, além de outros75.

71. Essas normas gerais são decorrência do art. 97 da Lei Complementar n. 80/94. 72. Como decorrência da ampla defesa, e a partir da norma de ordem pública cons­ tante do art. 261 do CPP, que consagra a defesa indisponível em matéria criminal e preceitua que “nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem de­ fensor”, decorre a necessidade de defesa no processo penal. Mister, portanto, a defesa, aqui entendida como defesa técnica, o ius postulandi deve ser exercido pelo órgão da Defensoria competente para atuar no caso concreto em previsão. 73. E fato que, não obstante ser o direito de defesa garantia constitucional, pode ser este direito “(...) frustrado por falta de recursos necessários ao seu exercício” (Ferreira Filho, Curso de direito constitucional, 1992, p. 237). 74. A distinção é feita por Moraes, Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 24, quando reflete sobre o tema, propondo a conceituação nos seguintes termos: “Podemos distinguir as funções da Institui­ ção em típicas e atípicas. Típicas seriam aquelas funções exercidas pela Defensoria Pública na defesa de direitos e interesses de hipossuficientes. E atípicas seriam aquelas outras exer­ cidas pela Defensoria Pública, independentemente da situação econômica daquele ou da­ queles beneficiados da Instituição”. 75. (...) não está condicionada, necessariamente, à miserabilidade do acusado, uma vez que a garantia constitucional da ampla defesa, no processo-crime, assegura a sua inter­ venção, ainda que o acusado tenha boa condição financeira, bastando, para tal, que seja revel ou, simplesmente, não se interesse em indicar advogado, seja no início da ação ou no decor­ rer da mesma em razão da renúncia do advogado inicialmente constituído” (Moraes, Prin­ cípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 27).

443

anotada. 4a. em defesa dos inte­ resses relativos aos direitos do consumidor. 26) que. Mais ainda. o que se encontra disciplinado no bojo da Lei n. assim. de acordo com a Constituição. art. “(. “No Estado de São Paulo aguarda-se lei complementar implantando a Defensoria Pública como instituição autônoma (v. pois considera-se necessitado “(. criminal. p. ou mesmo pela participação no contraditório administrativo ou judicial. de acordo com o qual poderes de representação lhe são conferidos para a propositura da ação civil pública. Narra Silvio Roberto Mello de Moraes (Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80. 146/435). 77. Cons. o que foi objeto de ação direta de constitucionalidade ao STF. vide art. instru­ ção e orientação. sem prejuízo do susten­ to próprio ou da família” (Lei n. participando como órgão ativo na dirimição de conflitos e na prepa­ ração jurídica da comunidade para a qual destina os resultados de sua ope­ rosidade social.-SP. art. uma vez que as funções de as­ 444 . também. art. surgiu desen­ tendimento entre este e a Defensoria. pois a renda advinda desta pode ser insuficiente para o custeio do processo (RJTJESP.069/90). parágrafo único)77.7 No aguardo da implementação das atividades da Defensoria. isso por força do art. 5a. que à instituição da Defensoria reconheceu a legitimidade para atuar na defesa dos interesses difusos e coletivos (RTJ. à proteção do meio ambiente etc. 1.510/8676. 103). incumbe-lhe a tutela dos interesses coletivos e difusos. 80/94. 2fi... motorias e Procuradorias7 exercem essas atividades8 9 0. 1995. 8. até a participação na composição dos conflitos de interes­ ses por meio de conciliação extrajudicial. o que se costuma chamar também de hipossuficiência dos necessitados. O que se vê é que o campo de atuação institucional da Defensoria é amplo.060/50. tem um sentido próprio e legal. 79. 7.. da Lei Complementar n.A atividade típica da Defensoria é decorrência do dever jurídico assu­ mido pelo Estado. por haver expres­ sa atribuição de competência ao MP para a propositura da ação civil pública. 78. Nesse sentido. de 12-1-1994. desde a prestação de serviços de informação..060/50. enquanto atribuições institucionais. Essa in­ suficiência de recursos. Sepúlveda Pertence. sobre acesso à justiça. 76. 101/276). com redação dada pela Lei n. LXXIV). 141 do ECA (Lei n. as Pro8. V e XI. Irrelevante para esses fins que tenha o pleiteante da assistência propriedade imóvel. que.) prestará assis­ tência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos” (CF de 1988.) todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado. nas esferas cível. 1. tendo sido a questão dirimida a partir da consideração do relator Min.

em caráter moral. 80. aos membros da carreira são dadas as mesmas prerroga­ tivas e garantias ofertadas aos membros das demais carreiras públicas. 18). 335). a saber: “I — a independência funcional no desempenho de suas atribuições. Verbete: Ética do advogado. Adv. Dicionário Jurídico. VII — defender os acusados em processo disciplinar” (LC n. O próprio Código de Ética prevê que: sistência judiciária pelo Estado vêm sendo exercidas pela Procuradoria-Geral do Estado (PAJ)” (Grinover. 1995. “Preceitos codificados que regem. 218). Teoria geral do processo.Por um lado. V — interpor recurso para qualquer grau de jurisdição e promover revisão criminal. III — tentar a conciliação das partes. 80/94. Processo penal. dada a dimensão social e demo­ crática com a qual se inscreve a matéria nos planos constitucional e infraconstitucional. art. Deontologia ética e advocacia: os princípios A classe dos advogados. os recursos interpostos e as razões apresentadas por intermédio da Defensoria Pública da União. Dinamarco. Cintra. Eis aí uma função essencial à justiça. 1997. na falta destas. da dignida­ de da magistratura e do aprimoramento da ordem jurídica” (Sidou. exatamente pela importância de sua atividade. 5. aos membros da Defensoria se preveem as seguintes atribuições: “I — atender às partes e aos interessados. “Enquanto não são organizadas no âmbito estadual as Defensorias Públi­ cas. oralmente ou por memorial. Por outro lado. o munus cabe às Procuradorias de Assistência Judiciária ou órgãos similares e. art. III — a irredutibilidade de vencimentos. Academia Brasileira de Letras Jurídicas. 339). p. VI — sustentar. Para que isso ocorra é mister que se insculpa na consciência popular e dos próprios inte­ grantes da classe as normas éticas que estão a cercar este munus publico*1 . IV — a estabilidade” (LC n. 80/94. em prestígio da classe. antes de promover a ação cabível. 81. quando cabível. II — a inamovibilidade. deve repre­ sentar a classe que faculta a instrumentalização da justiça.4. p. 43). II — postular a concessão de gratuidade de justiça para os necessitados. a qualquer advogado nomeado pelo juiz no caso concreto” (Mirabete. apesar de assolada por tradicional e famigerado conceito social. a conduta do advogado no exercício da profissão.3. p. Porém. 445 . IV — acompanhar e comparecer aos atos processuais e impulsionar os processos.

O seu ranço elitista. I2 a 43). social e profissional”. para com os demais profissionais. O Advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina. um compromisso para com a classe. e que deveriam prevalecer tanto aquelas constantes do novo documento. Carvalhosa entende que a regra ética tem como fontes os princípios de conduta que se sedimentam ao longo do tempo e não desaparecem dentro de uma mesma cultura. Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. mas se aperfeiçoam” (Robison Baroni. pois o raciocínio do advogado deve se medir pelas necessidades sociais e pelas condições do exercício da cidadania no país82. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da advocacia (arts. Concluímos que as regras de conduta ética não são sucessivas. outro é o país. Ia a 48). Francisco Morato. como também as do Código de Ética. extremamente individualista. por sua vez. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. O nosso Código de ética e disciplina. De fato. p.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. 446 . relatado pelo Prof. Não há lugar para individualismos. I2 a 7fi). discutimos como rela­ tor adjunto e ao mesmo tempo secretário da comissão revisora a mudança de valores éticos que deveriam ou poderiam ser cobrados dos profissionais da advocacia quase no limiar de um novo século. dos Provimentos e com os demais princípios da moral indivi­ dual. pois. do Regula­ mento Geral. in Nalini (coord. 194). “Após termos elaborado o primeiro esboço do anteprojeto do novo Código de Ética e Disciplina da OAB. p. concebido na década de 30 pelo Prof. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a comunida­ de. 8. voltada para o contexto social em que se encontram inseridos” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. nos dias atuais. Parágrafo único. “Os advogados.). a recusa do patro- 82. Ética na advocacia: estudos diversos.906. Ie O exercício da advocacia exige con­ duta compatível com os preceitos deste Código. pois outros são os tempos. sobretudo na atualidade. o outro profissional e. in Machado Ferraz (coord. é dessa forma que dispõe o Estatuto8 sobre o compromisso ético do advogado: 3 Lei n. Formação jurídica. outras são as necessidades. Esse é o primeiro compro­ misso ético do profissional que se dedica à advocacia. 83. p^ra com o cliente e para com a sociedade. 2000. outra. 33. que é. de 4-7-1994 (DOU. devem. “art. a um só tempo. 1994. assumir a dimensão social da profissão. a publicidade. mas cumu­ lativas. “Art.). A formação do advogado. o cliente. Modesto Carvalhosa. 31 a 33). ainda. deve ser a postura. do Estatuto. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. mais do que nunca. 30). deve ser definitivamente afastado. O Prof.

5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. o dever geral de urbanidade e os res­ pectivos procedimentos disciplinares”. a responsabilidade pelos danos causados dolosa ou culposamente aos clientes ou a terceiros”. 15. 8. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. o dever de assistência jurídica. Mas há que se observar que: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. se a ética pessoal do advogado e a ética profissional do advogado conflitarem. 13. “Art. 8a a 24). o dever de fideli­ dade aos interesses que patrocina. “Art. § 4a Nenhum advogado pode integrar mais de uma socie­ dade de advogados. Nesse sentido. § 32 As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte.cínio. todavia. Lei n. Capítulo IV — Da Sociedade de Advogados (arts. se já em andamento. § 52 O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado junto ao Conselho Seccional onde se instalar. Isso para que não haja maiores prejuízos ao representado. Os advogados podem reunir-se em socie­ dade civil de prestação de serviço de advocacia. então o advogado deverá não aceitar o patrocínio da causa ou renunciar a ele. há que se verificar que a ética profissional do advogado. § 2a Aplica-se à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina.. A renúncia ao patrocínio implica omissão do motivo e a continuidade da responsabilidade profissional do advogado ou escritório de advocacia. 15 a 17). de 4-7-1994 (DOU. com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional. não exclui. no que couber. durante o prazo estabelecido em lei. desconfiança. Porém. ou da sociedade de advogados8 é um modo também de garantia de com­ 4. pois específica da profissão e atinente aos interesses de outras pessoas utentes dos serviços advocatícios.906. § IaA sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. 84. deverá preponderar a segunda. crença pessoal. a ponto de comprometer-se a ética profissional. portamento por parte do advogado perante o cliente.). § 6a Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos”. Trata-se do segundo compromisso do profissional que se dedica à advocacia. na forma disciplinada nesta Lei e no Regu­ lamento Geral. 447 .. l e a 48). Assim. Ia a 43). ficando os sócios obrigados a ins­ crição suplementar. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. moralidade. se a consciência do advogado conflitar de modo insustentável com os interesses envolvidos na causa (consciência religiosa. temor.

5a O Exame de Ordem abrange duas (2) provas: I) Prova Objetiva. v. contendo no mínimo cinquenta (50) e no máximo cem (100) questões de múltipla escolha. in M a c h a d o Ferraz (coord. o órgão de classe fica obrigado a examinar o estudante e candida­ to a advogado em seus conhecimentos acerca de ética. acessível apenas aos aprovados na Prova Objetiva. dando continuidade ao patrocínio da causa. O vínculo que os une deve ser mais forte que qualquer imperativo ex­ terno ou interno. U. preparando o estu­ dante por meio de matéria específica constante da grade curricular. necessariamente. dos cursos jurídicos já leva em consideração esse fator. deve o profissional declinar do mandato recebido na forma exarada no Código de Processo Civil e como preceituado no Código de Ética e Disciplina” (V. Sobre essa questão já se manifestou o Tribunal de Ética e Disciplina: E-1. Robfson Baroni — 27. de 16-4-1996 (DJU. p. IV. pois nisso há grande força o princípio da confiança.O que não se pode admitir é que. com quatro (4) opções cada. “Art. com clara quebra da indispensável relação mútua de confiança. Deve-se salientar. inclusne. do dever de lealdade. 448 . Mais que isso. Julgados do Tribunal de Ética P r o fis s io n a l: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. do dever de sigilo (Guido Pinheiro Cortes. de duas (2) partes distintas: a) redação de peça profissional. Ética na advocacia: estudos diversos. Consulte-se a respeito: Baroni (org. Por isso se considera essencial a formação da consciência do de\er ético do profissional que se vincula à advocacia.). dentre as indi­ cadas pela Comissão de Estágio e de Exame de Ordem no edital de convo­ 85. na relação com o cliente. em uma das áreas de opção do examinado. 35-63). Dr.1995) 86. elaborada e aplicada sem consulta. Dr. de caráter eliminatório. ex­ pressada pela manifestação da vontade de ambos (pacta sunt servanda). privativa de advogado (petição ou parecer). 2000. pois há previsão normativa da qual consta essa exigência. — Rei. a importância: do dever de informai" do dever de prestar contas. exigindo-se a nota mínima cinco (5) para submeter-se à prova subsequente. venha o profissional a prejudicar seu clien­ te85. composta. 1997. Daniel Schwenck — Presidente Dr.7. quando da sua inscrição. 86. do cumprimento do mandato. II) Prova Prático-Profissional. Paulo Afonso Lucas — Rev. descrente de sua atuação. como se vê a seguir: Provimento CFOAB 81. Toda a estrutura. Relações com o cliente.255 — “Ementa — Mandato — Dever ético de renúncia — No caso de desentendimento entre o cliente e seu advogado.). 23-4-1996) (Estabelece Normas e Diretrizes do Exame de Ordem). do dever dc diligência.

considerando-se aprovado o examinando que obtiver nota igual ou superior a seis (6). o profis­ sional não poderá alegar em seu favor o desconhecimento de seus deveres éticos. Lei n. vedada a utilização de obras que contenham formulários e modelos. II — ter sido admitido em estágio profissional de advocacia. como também questões sobre o Estatuto da OAB. a correção gramatical e a técnica profissional demonstrada. 8a. Direito Tributário ou Direito Administra­ tivo. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. o Regulamento Geral e o Código de Ética e Disciplina. sob a forma de situações-problemas. com duração de dois anos.cação retiradas do seguinte elenco: Direito Civil. pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior. 8. § Ia O estágio profissional de advocacia.906. dentro da área de opção. § 5S É nula a prova que contenha qualquer forma de identificação do examinando”. pelos Conselhos da OAB. 9a Para inscrição como estagiário é necessário: I — preencher os requisitos mencionados nos incisos I. 87. sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina. em números inteiros. nas provas objetiva e prático-profissional. Capítulo III — Da Inscrição (arts. 8a a 14). e isso inclusive por força do princípio geral de direito que reza ignorantia legis neminem escusat. Direito Comercial. Ia a 43). realizado nos últimos anos do curso jurídico. per­ mitidas consultas à legislação. pela legislação. elaborada dentre os itens constantes do progra­ ma elaborado pela Comissão de Exame de Ordem do Conselho Federal. § 2a A inscrição do estagiário é feita no Conselho Sec­ cional em cujo território se localize seu curso jurídico. tem a duração determinada pela respectiva banca examinadora no Edital. § 4S Cabe à banca examinadora atribuir notas na escala de zero (0) a 10 (dez). como prevê a legislação a respeito87. § 32 Na Prova Prático-Profissional os examinadores avaliam o raciocínio jurídico. b) respostas a até cinco (5) questões práticas. a fundamentação e sua consistência. para fins de aprendizagem. livros de doutrina e repertórios jurisprudenciais. ou por setores. III. órgãos jurídicos e escritório de advocacia credenciados pela OAB. VI e VII do art. Assim cobrado. Até mesmo o estagiário de direito deve estar consciente de seus deveres enquanto exercente em treinamento da atividade advocatícia. de 4-7-1994 {DOU. “Art. vedada a inscrição na 449 . V. § 3a O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com a advocacia pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior. pela classe e pela sociedade. Direito Penal. § 2a A Prova Prático-Profissional. Direito do Trabalho. § l s A Prova Objetiva compreende as disciplinas profissionalizantes obrigatórias e integrantes do currículo míni­ mo de Direito fixadas pelo MEC. a capacidade de interpretação e exposição.

450 . sem justo motivo. judicial ou extrajudicialmente. o seu exercício aos não inscritos. assistência jurídica. conscientemente. 8. na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior: VII — violar.Se existem deveres profissionais. VIII — estabelecer entendimento com a parte adversa sem autorização do cliente ou ciência do advogado contrário. Constitui infração disciplinar: I — exercer a profissão. quando nomeadi > em virtude de impossibilidade da Defensoria Pública. distintos que são dos deveres pre­ vistos no Estatuto e que constituem infração disciplinar88. ou facilitar. 34. mediante participação nos honorários a re­ ceber. interesse confiado ao seu patrocínio. “Art. 88. sem justa causa. XIII — fazer publicar na imprensa. V — assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não tenha feito. sem autorização escrita deste. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB). alegações forenses ou relativas a causas pendentes. uma vez que ser advogado não é somente exercer uma profissão. sigilo profissional. como agente social e como defensor da moralidade da atividade que exerce. em nome do constituinte. Esses deveres são atinentes ao seu desempenho como técnico do direito. IX — prejudicar. § 4a O estágio profissional poderá ser cumprido por bacharel em Direito que queir. documentos e alegações da parte contrária. XIV — deturpar o teor de dispositivo de lei. estes têm de ser cumpridos. por culpa grave. II— manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta Lei. III — valer-se de agenciador de causas. por qualquer meio. por ato próprio. Mas leiam-se os deveres éticos que seguem.i se inscrever na Ordem”. proibidos ou impedidos. XI — abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comu­ nicação da renúncia. desnecessária e habitualmente. inclusi­ ve sob pena de o profissional se sujeitar a sanções de cunho administrativo. presumindo-se a boa-fé quando funda­ mentado na inconstitucionalidade. para confundir o adver­ sário ou iludir o juiz da causa. mas re­ presentar a classe onde quer que esteja. imputação a terceiro de fato definido como crime. quando impedido de fazê-lo. a anulação ou a nulidade do proces­ so em que funcione. X — acarretar. XV — fazer. VI — advogar contra literal disposição de lei. de citação doutrinária ou de julgado. OAB. IV — angariar ou captar causas. ou em que não tenha colaborado.906. Lei n. de 4-7-1994 (DOU. bem como de depoimentos. com ou sem a intervenção de terceiros. XII — recusar-se a prestar.

Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. depois de regularmente notificado a fazê-lo. XX — locupletar-se. a honra. XXV — manter conduta incompatível com a advocacia. da cidadania.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. dignidade e boa-fé. Ia a 7a). Parágrafo único. à custa do cliente ou da parte adversa. XXVII — tomar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia. III — velar por sua reputação pessoal e profissional'. a prestar contas ao cliente de quantias recebi­ das dele ou de terceiros por conta dele. XXIII deixar de pagar as contribuições. ato excedente de sua habilitação. não autorizado por lei. São deveres do advogado: I — preservar. 451 . em matéria da competência desta. XXVIII — praticar crime infamante. decoro. é defensor do estado democrático de direito. injustificadamente. b) incontinência pública e escandalosa. abusivamente. relacionados com o objeto do mandato. independência. por si ou interposta pessoa. no prazo estabelecido. honestidade. em sua conduta. determinação emanada do órgão ou autoridade da Ordem. la-3-1995): Título I — Da Ética do advogado (arts. XXIX — praticar. XVI — deixar de cumprir. depois de regularmente notificado. indispensável à adminis­ tração da Justiça. XVII — prestar concurso a clientes ou a terceiros para realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la. da Justiça e da paz social. c) embriaguez ou toxicomania habituais”. multas e preços de serviços devidos à OAB. subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce. Parágrafo único. XIX — receber valores. zelando pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade. o estagiário. “Art. lealdade. ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança. I2 a 48). Inclui-se na conduta incompatível: a) prática reiterada de jogo de azar. II — atuar com destemor. XXII — reter. da moralidade pública. sem expressa autorização do constituinte. XVIII — solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou desonesta. a nobreza e a dignidade da profissão. 2a O advogado. por qualquer forma. XXVI — fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB. XXI — recusar-se. da parte contrária ou de terceiro. vera­ cidade. XXIV — incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional.

89. à so­ ciedade. indispensável para a construção de um Estado Democrático de Direito. a ho­ nestidade e a dignidade da pessoa humana. permanentemente. coletivos e difusos.IV — empenhar-se. Seus deveres são atinentes à classe. prevenindo. Ética na advocacia: es­ tudos diversos. no âmbito da comu­ nidade”. acima de tudo.. e) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído. entre regras deontológicas explícitas e implícitas. em que também atue. aos demais profissionais. Regras deontológicas. V — contribuir para o aprimoramento das instituições. IX — pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetiva­ ção dos seus direitos individuais. Com base no Estatuto e no Código de Ética. mas deve estar protegida contra as invasivas tentativas de quebra de sua autonomia. prestar assistência jurídica aos necessitados. em seu aperfeiçoamento pes­ soal e profissional. devem-se citar as seguintes: respeitar e fazer ser respeitada a carreira da advo­ cacia. conferir prestígio à carreira. a instauração de litígios. sem o assentimento deste. Então: 1) deve zelar pela imagem da classe. ter responsabilidade na condu­ ção de seu mister. js» c) vincular o seu nome a empreendimentos de cunho manifestamente duvidoso. b) patrocinar interesses ligados a outras atividades estranhas à advo­ cacia. VII — aconselhar o cliente a não ingressar em aventura judicial. 2000. a moral. Sérgio Ferraz. d) emprestar concurso aos que atentem contra a ética. e isso porque se entende que a ética do advogado deve alcançar todos os quadrantes pelos quais se manifesta a atividade89. agir com independência.. pela manutenção da ordem jurí­ dica. está enredado numa malha de relações que o faz um agente social. ao cliente. p. e é exatamente por isso que sua prática não deve acobertar ilícitos. em seu benefício ou do cliente. VIII — abster-se de: a) utilizar de influência indevida. in Machado Ferraz (coord. tratar com urbanidade os demais operadores do direito e partes envolvidas em processos ou pendências jurídicas (cf. do Direito e das leis. VI — estimular a conciliação entre os litigantes. 11-36). 452 . Essa listagem apresenta o grau de compromisso do advogado que. sempre que possível.).

sem qualquer aspecto mercantilista. forma e dimensões. o advogado deve manter a dignidade da profissão.906. e isso é condição para que possa. para patrocinar uma causa. 90. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. praticar com dolo ou culpa. Deve o advogado. é mister estar aparatado tecnicamente para solucioná-la. sobretudo. não se submetendo a todo e qualquer tipo de procedimento mercantilista de venda e divulgação de produto91. no exercício profissional. O advogado é responsável pelos atos que.0 anúncio sob a forma de placas. Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. não se pode conceber advogado que se afaste da leitura e do acompanhamento das modificações legislativas do país. na sede profissional ou na residência do advogado. 91. ainda que litigiosas. 3 1 a 33). “Art. e sim de necessidade de saber para a atuação técnica devida nos casos em que atua. 4) não obstante as dificuldades econômicas. extrair resultados úteis palpáveis e condizentes com as necessidades do patrocinado. “Art. Parágrafo único. I2 a 43). ou seja. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. 3 0 . deve observar discrição quanto ao conteúdo. Em caso de lide temerária. 5) a incitação à altivez do advogado tem que ver com a necessidade de o direito-dever postulatório se realizar sem obstáculos e barreiras quaisquer. desde que coligado com este para lesar a parte contrária.. 7) mas este é um imperativo que não serve exclusivamente a fins cien­ tíficos ou de deleite intelectual. a mercantilização das relações humanas. 28 a 34). 6) tendo-se em vista a constante modificação das leis. evitar patrocinar lides que saiba conscientemente tratar-se de temerárias. isso não significa que tenha de se submeter aos desmandos das autoridades públicas. 3) pela diminuição da conflituosidade social através do estímulo à conciliação das partes90. se o advogado deve possuir urbanidade.. 8. ve­ dada a utilização de ‘outdoor’ ou equivalente”. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. pois passa a se responsabilizar solidariamente com o cliente pelos danos provocados: Lei n. de sua atuação. os momentos sociais de crise financeira. o ad­ vogado será solidariamente responsável com seu cliente. de 4-7-1994 (DOU. Ia a 48). P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts.2) pela honestidade nas relações. 453 . deve o advoga­ do manter-se sempre em sintonia com o crescimento e a evolução dos co­ nhecimentos jurídicos. 32. aos caprichos das deci­ sões arbitrárias e demais atos que importem em desvirtuamento da legisla­ ção nacional. o que será apurado em ação própria”. voltadas exclusivamente para o prejuízo da parte contrária.

com a devida prudên­ cia e discernimento. sobre corrupções. Ia a 48).).. E. ainda se destaca o dever de não patrocinar interesses opostos ao mesmo tempo. O sigilo profissional nem mesmo sob ordem judicial pode ser quebra­ do. não podem representar em juízo clientes com interesses opostos”. constitui infração que importa em grave traição à confiança do interessado e de outras pessoas que possam eventualmente se encontrar envolvidas. em meio aos grandes mandamentos que regem a profissão. e não estando acordes os interessados. 17. sobre atos imorais. resguardado o sigilo profissional”. ou mesmo manipular essas informações. sob pena de fortes prejuízos ao profissionalismo da atividade. bem como à própria sociedade. Ia a 48). Colocar a público. o Código de Ética prevê os seguintes disposi­ tivos sobre a matéria: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. l s-3-1995):TítuloI — Da Ética do Advogado (arts. optará o advogado por um dos mandatos. Ia a 48). seja por um único advogado.Assim. Por isso. Capítulo II — Das Relações com o 454 . sobre escândalos.. 8a a 24). renunciando aos demais. seja por parte dos integrantes de uma mesma sociedade de advogados: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. em caso de necessidade. Sobrevindo conflitos de interesse entre seus constituintes. ainda: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. à classe. são reveladas ao profissional. 8a a 24). que lhe são confiadas exclusivamente como profissional e para fins do patrocí­ nio da causa do interessado. Isso porque a segurança das relações jurídicas se vê comprome­ tida pela veiculação desgovernada de informações que só se externam quando. “Art. ou ainda se tiver de se utilizar de informação mantida em segredo para fins de defesa própria perante acusação do clien­ te. o sigilo profissional deve ser respeitado. só pode encontrar justificativa para que seja quebrado se houver imi­ nente risco de vida ou à honra. sobre acontecimentos ocultos. ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca. É questão de interesse público. e não só privado. “Art. Também se destaca o sigilo profissional como mandamento de signi­ ficação no exercício da advocacia. Ia -3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Capítulo II:— Das Relações com o Clien­ te (arts. Exceto essas ocasiões. o sigilo pro­ fissional. Os advogados integrantes da mesma sociedade profissional. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. O advogado frequentemente se vê às voltas com informações de toda natureza (sobre delitos. 18.

P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. em hipó455 . em juízo ou fora dele. judicial e extrajudicialmente. ao postular em nome de ter­ ceiros. ou quando o advogado se veja afrontado pelo próprio cliente e. 25. Presumem-se confidenciais as comunicações epistolares entre advogado e cliente. tenha que revelar segredo. em defesa própria. 26. contra ex-cliente ou ex-empregador. 8a a 24).lhe recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar. poderão ser utilizadas por escrito ou oral­ mente. as quais não podem ser reveladas a terceiros”. 25 a 27). diante de situações tais. As confidências feitas ao advogado pelo cliente podem ser utilizadas nos limites da necessidade da defesa. que se as informações sigilosas forem par­ cialmente necessárias para fins de execução da própria defesa do cliente. ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado. sobre o que saiba em razão de seu ofício. mais especificamente. Acerca de depoimento judicial: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. mesmo em depoi­ mento judicial.Cliente (arts. “Art. E. 25 a 27). desde que auto­ rizado aquele pelo constituinte. não está o advogado obrigado. no entanto. “Art. de modo que a proteção que se confere a papéis. 25 a 27). l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. desde que autorizadas por ele. salvo grave ameaça ao direito à vida. como a intimação judicial para oferecimen­ to de informações sobre o cliente. 19. à honra. deve resguardar o segredo profissional e as informações reservadas ou pri­ vilegiadas que lhe tenham sido confiadas”. Ia a 48). “Art. Parágrafo único. F-3-1995): Títulol — Da Ética do Advogado (arts. O advogado deve guardar sigilo. Ia a 48). em capítulo próprio: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. documentos. Deve-se dizer. para que se patrocinem os interesses envolvi­ dos. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. O sigilo profissional é inerente à profissão. cabendo. “Art. Ia a 48). 27. impon­ do-se o seu respeito. porém sempre restrito ao interesse da causa”. E. O advogado. relatos e testemunhos do cliente é ampla na disciplina do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. mesmo que autorizado ou solicitado pelo constituinte”. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. Mas no conceito de confidência e sigilo se encontram inclusive as comunicações epistolares em posse do advogado.

Capítulo IV — Da Publicidade (arts. desenhos. . marcas ou símbolos incompatíveis com a so­ briedade da advocacia. Robison Baroni — 19-10-1995)92. ilustrações. na manutenção da dignidade e do decoro profissionais da categoria à qual se liga. qualidade e estrutura da sede profissional. “Art. entre outras coisas. o objeto de trabalho do advogado é a justiça. em um procedimento mercantilista como qualquer outro. IV.278 — “Ementa — Sigilo profissional — Intimação de autorida­ de ao advogado — Informações do cliente — Não infringe normas éticas o advogado que. Esta é a preocupação do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. termos ou expressões que possam iludir ou confundir o público. direta ou indire­ tamente. 3 1 . O que se lhe proíbe é faltar com a verdade” (V. Daniel Schwenck — Rev. Com essa atitude não se afasta da verdade. Dr. sob pena de se converter a profissão. perante as necessidades de mercado. e lidar com a justiça demanda a necessária sobriedade e seriedade para o exercício das questões que envol­ ve.tese alguma. Acima de tudo. É facultado ao advogado ocultar a revelação deste ou de qualquer outro fato. § Ia São vedadas referências a valores dos serviços. mantendo sigilo de infor­ mações. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. suas qualidades. logotipos. por prejudiciais ao seu cliente: E-1. ou ao seu proceder comportamental. Ia a 48). Consulte-se a respeito: Baroni (org. Inclusive a publicidade do trabalho do advogado deve ser moderada. 1997. informações de serviços jurídicos suscetíveis de implicar. não o faz. cores. captação de causa ou clientes.). ainda que verdadeiro. a prestar informações que considere sigilosas. mas sobretudo no que pertine à divulgação de seu trabalho. — Rei. Rubens Cury — Presidente Dr. comerciando seus títulos. O advogado não pode ser visto como um exercente de qualquer outra profissão. v. bem como menção ao tamanho. § 2S Considera-se imoderado o 92. 2X a 34).0 anúncio não deve conter fotografias. quando sente que a verdade possa oferecer prejuízo real ou potencial a seu cliente. tabelas. F-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. M. figuras. sendo proibido o uso dos símbolos oficiais e dos que sejam utilizados pela Ordem dos Advogados do Brasil. intimado a revelar o endereço de seu cliente. gratuidade ou forma de paga­ mento. Dr. A moderação e a discrição da atuação do advogado não devem se? atinentes somente ao seu proceder profissional.

o Tribunal de Ética tem dado efetividade a esse preceito. liberada que está para a publicização de produtos ou bens de consumo. insuscetível de figurar nas urdiduras publicitárias. Dr. à informação da sua disponibilidade profissional. sobretudo tendo-se em vista as exigências do mercado atual. 1997. para anúncio público dos seus méritos ou habilidades.anúncio profissional do advogado mediante remessa de correspondência a uma coletividade. das especialidades adotadas ou dos serviços individuais ou coletivamente prestados. O advogado ou a sociedade de advogados não devem se utilizar da propaganda ou publicidade mercantilizada. U. aludidas no código de defesa do consumidor.237 — “Ementa — Publicidade do advogado — Crítica de advo­ gado publicada em jornal de grande circulação — Análise — As normas éticas disciplinares sobre publicidade têm aplicação igualitária a advogado integrante ou não de sociedade de advogados. 15. Deve-se consultar a respeito o brilhante acórdão do Tribunal a respeito da maté­ ria. E. das ocupações. 7a e 28 a 34 do Código de Ética e Disciplina. Sociedade de advo­ gados não se assemelha ou se equipara a empresa mercantil. A atual corrida desenvolvimentista e a internacionalização da advo­ cacia não influem no comprometimento dela com os direitos da cidadania. a indicação expressa do seu nome e escritório em partes externas de veículo. no espaço e no tempo. ou a inserção de seu nome em anúncio relativo a outras atividades não advocatícias. par. A diversificação na amplitude. Consulte-se a respeito: Baroni (org. ou intenção de captar clientes ou causas. 02/92 deste Tribunal e dos arts. Robison Baroni — 22-6-1995)93. do Estatuto da Advo­ cacia. v. na prática. inclusive. — Rei. A imagem pública da dignidade e confiabilidade da advocacia é das virtudes primordiais ao êxito da sua notável missão social” (V. que segue abaixo: E-1. combinado com o art. A abusividade e capciosidade na propaganda. com discrição e moderação. salvo para comunicar a clientes e colegas a instalação ou mudança de endereço. Limitar-se-ão. em clima de competição ou concorrência. 5a. IV. não possuem pertinência com os propósitos da ética advocatícia. Elias Farah — Rev. 457 . quantitativa ou qualitativa das atuações. 2a. faça delas parte ou não”. 93. sem inspiração ou conotação mercadológica. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. na busca somen­ te de notoriedade e da aferição de lucros. não impli­ cam diferenciação de tratamento ético na publicidade. Prevalência da Resolução n. José Urbano Prates — Presidente Dr.).

O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio. 7a e 31. devem ser coibidos: E-1. por afron­ tarem valores da classe. 1997. 2000.346 — “Ementa — Consulta por telefone — Linha 900 — Infra­ ção ética— Sistema telefónico pré-tarifado. e seu parágrafo único — Precedentes processo E-1202. de entrevista na imprensa. U. do Egrégio Conselho Fe­ deral da OAB” (V. medido por tempo. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Robison Baroni — 13-6-1996)95. 87-107. suposição de nomes e Si­ tuações. seja de empresa de ad­ vogados. É o que exige o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU . que esses comportamentos. Elias Farah — Presidente Dr. letra c.■ A preocupação com as sofisticações da informática. deste Tribunal. Infringência ao Código de Ética e Disciplina. v. E tem-sc entendido. desprestígio da classe e eventual captação de clientes e causas — Implantação contrária aos princípios éticos e transmissora da ideia de mercantilização. cobrado na conta telefônica do aparelho utilizado pelo consulente. p. outrossim. Benedito Édison Trama — Rev. Ia a 48). Ética na advocacia: estudos diversos. 053/95/SC. par. seja em meios eletrônicos ou fora deles. Dr.). Dr. dn comunicação e da interatividade virtual tem gerado ainda maiores problemas no campo da publicidade e do profissionalismo do advogado94. da telemática. em seus artigos 2a. seu discurso não poderá conter elementos de divulgação dire­ ta de seu trabalho. Ia.). para manifestação profissional. IV. Sobre a questão da publicidade na atividade advocatícia. dentre outros meios de comunicação. 95. 32. constitui prática condenável quando se refere à advocacia — Utilização que. e ao Estatuto. e Ementa n. deve visar a 94. a fraudes. 458 . com crédito posterior em favor do advogado consultado. de reportagem televisiona­ da ou de qualquer outro meio. consulte-se i> estudo de João Paulo Nery dos Passos Martins. ou se insere em atividades tais que a mídia e os grandes meios de comunicação solicitem sua imagem. Mesmo quando o advogado alcança projeção pública. — Rei. pela prática do Tribunal. A publicidade e a ética profissional do ad­ vogado. inconcebível na relação cliente/advogado. seja de profissional liberal. conhecido popularmente como ‘linha 900’. 5a. par. supressão da necessária confiança que se há de ter no profissional e descompromisso com a responsabilidade na orientação. dá margem ao anoni­ mato. “Art. Julgados do Tribunal de Ética Profissional ementas e pareceres 1995 e parte 1996. Consulte-se a respeito: Baroni (org. 28 a 34). in Machado Ferraz (coord. artigos 31 e 33. contribuindo. único. incisos I e VIII. Capítulo IV — Da Publicidade (arts.

459 . Assim: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. por qualquer modo e forma. VI — o lugar da prestação dos serviços. E aí. VII — a competência e o renome do profissional. a condição econômica do cliente e o pro­ veito para ele resultante do serviço profissional'. Parágrafo único. a complexidade e a dificuldade das questões versadas. sem pro­ pósito de promoção pessoal ou profissional. V — o caráter da interven­ ção. A divulgação pública. deve limitar-se a aspectos que não quebrem ou violem o segredo ou o sigilo profissionaT’. conforme se trate de serviço a cliente avulso. “Art. Inclusive a dignidade da profissão e a imagem da classe podem ser atingidas pelo simples fato de se fixarem com habitualidade honorários inadequados. “Art. visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral. IV — o valor da causa. Para averiguar a pro­ priedade da estimativa dos honorários existem alguns parâmetros oferecidos pela lei. ou de se desavir com outros clientes ou terceiros. 36. Ia a 48). assessor jurídico ou parecerista. fora ou não do domicílio do advo­ gado. ou acima dela. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. VIII — a praxe do foro sobre trabalhos análogos”. deve o advogado evitar insinuações a promoção pessoal ou profissional. Quando convidado para manifestação pública. bem como o debate de caráter sensacionalista”.objetivos exclusivamente ilustrativos. 35 a 43). Capítulo V — Dos Honorários Profissio­ nais (arts. por meio de suas secções. o vulto. pelo advogado. l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. atendidos os elementos seguintes: I — a relevância. II — o traba­ lho e o tempo necessários. 34 prevê explicitamente essa preocupação: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. A disposição contida no art. de assuntos técnicos ou jurídicos de que tenha ciência em razão do exercício profissional como advogado constituído. entendidos assim os honorários fixados abaixo dos parâmetros ditados pela tabela de honorários divulgada pela Ordem dos Advogados do Brasil. habitual ou permanente. 28 a 34). se atrelam dois deveres: o dever de sigilo profissional e o dever de discrição na publicidade. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação. em seguida. Ia a 48). educacionais e instrutivos. desde que desproporcio­ nalmente ao merecimento profissional do advogado. 34. III — a possibilidade de ficar o advogado impe­ dido de intervir em outros casos. Capítulo IV — Da Publicidade (arts.

“4. quando de seu pronunciamento a univer­ sitários: “Para encerrar este breve estudo e para que o jurista. nem leviandade. O advogado é o deflagrador das soluções. que provoca. Como invocação ao cumprimento dos deveres éticos e profissionais do advogado. que suscita. sem tréguas. Atrelar-se à profissão de advogado é atrelar-se a esse conjunto de compromissos sociais. ou no litígio dos problemas. capaz de humilhar reis e dar de beber a leprosos. para que não te submetas à força dos poderosos e do poder ou desprezes os fracos e insuficientes. as disputas revelam. Há que se ter presente que esse conjunto de preceitos subordina o advogado a uma ordem social. decidi transcrever o decálogo de princípios que preparei para meus alunos da Universidade Mackenzie sempre que. até que isto ocorra. Só assim. “3. Qualquer questão encerra-se apenas quando transitada em julgado e. O direito abstrato apenas ganha vida quando praticado. E os mo­ mentos mais dramáticos de sua realização ocorrem no aconselhamento às dúvidas. em ambiente nobre e altaneiro.0 Direito é a mais universal das aspirações humanas. decidiram optar pela carreira digna do advogado. de rigor. Se não considerares a tua como a mais nobre profissão sobre a terra. as suas necessidades imediatas e individuais. Sê conciliador. 460 . em seu instante conflitual. Sem o Poder Judiciário não há Justiça. sem transigência de princípios. depende a excelência da vida dos direitos: “1 . Nenhum país é livre sem advogados livres. Respeita teus julgadores como desejas que teus julgadores se respeitem. acima de tudo.Enfim. formados. a grande­ za do Direito. abandona-a porque não és advogado. Considera tua liberda­ de de opinião e a independência de julgamento os maiores valores do exer­ cício profissional. pois sem ele não há organização social. e batalhador. podem-se repetir as palavras do decálogo de Ives Gandra Martins. “2. de modo a fazer parte de uma categoria que zela pelo adequado cumprimento das leis nacionais e da justiça. o constituinte espera de seu procurador dedicação sem limites e fronteiras. pois da ética de sua atuação. possa exercê-la em sua exata dimensão. O advogado é seu primeiro intérprete. esses são os principais elementos que se destacam como im­ perativos para a atuação profissional do advogado. por vezes. inserindo-o em responsabilidades sociais e grupais mais amplas que. quando exercen­ do a advocacia. O advogado deve ter o espíri­ to do legendário El Cid.

Sê justo na determinação do valor de teus serviços. advogado. “Não percamos de vista que o novo regramento ético surgiu em decorrência das enormes mudanças introduzidas pela Lei n. O rompi­ 96. todavia. à hora da morte: ‘Cumpri minha tarefa na vida. mesmo que perseguições decorram de tua postura e os pusi­ lânimes te critiquem pela acusação. Só assim poderás dizer. a fim de que possas distinguir o que é justo do que apenas aparenta ser justo. Formação jurídica. justiça que poderá levar-te a nada pedires. p. Que o ideal de Justiça seja a bússola permanen­ te de tua ação. cumprirás teu papel e a posteridade será grata à legião de pequenos e grandes heróis. “9. aprovada em 4 de julho. Por isto estuda sempre. 5. todos os dias. 119-120). teu direito receberes ajusta paga por teu trabalho. sobretudo dentro da principiologia da Lei n. “7. temporariamente. Não há di­ reito formal sem Justiça.3.5. O ideal da Justiça é a própria razão de ser do Direito. E trata-o com a dignidade que a profissão que exerces merece ser tratada. O advogado não recebe salários. 8. E se fizeres. Não percas a esperança quando o arbítrio prevalece. eram de tal forma considerados.“5. Coercitividade ética: o processo e as sanções O conjunto de deveres do advogado é um mister para o exercício pro­ fissional. 1994. que não cederam às tentações do desânimo. Sua vitória é temporária. mas apenas corrupção do Direito. “6. que o pagamento de seus serviços representava honra admirável. Quando os governos violentam o Direito. se justa a causa. A cultura do jurista. continua a aspirar o retomo à profissão. “8.). Restei fiel à minha vocação. É.906/94. 8. que viveram exclusivamente da profissão. Considera sempre teu colega adversário imbuído dos mesmos ideais de que te reveste. se legítima a causa e sem recursos o lesado. mas honorários. Fui advogado’” (Ives Gandra da Silva Martins. A história da humanidade lembra-se apenas dos corajosos que não tiveram medo de enfrentar os mais fortes.906/9496. alterando de 461 . pois que os pri­ meiros causídicos. Há direitos fundamentais inatos ao ser humano que não podem ser desrespeitados sem que sofra toda a sociedade. Tua paixão pela advocacia deve ser tanta que nunca admitas dei­ xar de advogar. não tenhas receio de denunciá-los. esquecendo ou estigmatizando os covardes e os carreiristas. Enquanto fores advogado e lutares para recompor o Direito e a Justiça. in Nalini (coord. “10.

. Ética na advocacia: estudos diversos. p. entendeu comn necessário e definiu como de enorme valia o estabelecimento do tripé de sustentação da justiça. c) quando o comando ético tiver capitulado diretamente como infração disciplinar (art. Cf. Se a sociedade. de situação de reincidência ou de primariedade. 98. 42 e 43. b) ambas constituem violação a dever legal.). 197).). ex vi do artigo 36. p. também estabeleceu uma espécie de avenida de mão dupla. a ciência dos deveres profissional foi. Se o advogado possui prerrogativas o direitos. esse órgão coloca-se à disposição da sociedade para a repressão da conduta desviante dos preceitos éticos cons­ tantes de lei. 2000. “As características do novo sistema podem ser assim esquematizadas: a) há infrações éticas e infrações disciplinares. observado o devido procedimento para tanto: forma corajosa e bastante moderna o campo de exercício da advocacia. 462 . contribuindo para o prestígio da carreira e para a manutenção dos nobres valores nela depositados. é a censura (conversível em advertência reser­ vada). Ética na advocacia: estudos diversos. d) nas poucas hipóteses em que o desvio de conduta tenha inserção unicamente no Código de Ética e Disciplina.e. Trata-se de um órgão de ética e também de disciplina. 34 do Estatuto). de forma arrojada. já que. por zelar pelo bom nome dos exercentes da advocacia. única. Ética do advogado. p.mento com esses deveres cria para o advogado implicações com o órgão censório de suas atividades: o Tribunal de Ética e Disciplina97. alvo de tratamento legal— em sentido estrito). independente de se tratar. 10). Ministério Público e Ministério Privado. ou seja. globalmente. in Machado Ferraz (coord. o dispositivo sancionatório é variado e escalonado. js > Há que se dizer que as atribuições do Tribunal de Etica e Disciplina são as de aconselhamento em consulta ética e também as de aplicação de sanções disciplinares. segundo antes referido. O nosso Código de ética e disciplina. ou não. inciso II e parágrafo único. in Elias Farah. que atua consultiva e repressivamente para dirimir conflitos de comporta­ mento decorrentes do exercício da profissão98. Regras deontológicas. in Machado Ferraz (coord. mas confia no atendimento das exigências éticas. outorgou prerrogativas. a sanção-tipo. na forma dos artigos 35 e seguintes do Estatuto. certamente comi' resposta e em atendimento ao preceito constitucional que consagrou a profissão de advoga­ do como essencial à aplicação da justiça. formado pelo Poder Jurisdicional. 2000. a deonto­ logia (i. com regramentos estabelecidos e cobrados pela própria classe” (Robison Baroni. do Estatuto” (Sérgio Ferraz. Tribunais de ética: valorização da advocacia. Desempe­ nhando função de especial importância para a classe. nem por isso pode acobertar práticas ilícitas ou mafiosas sob o manto da legalidade. Roberto Rosas. 97. 2000.

49 a 66). mas que seja de grande importancia para o exercício da advocacia. 49 a 66). Capítulo I — Da Competência do 463 . IV — mediar e conciliar nas questões que envolvam: a) dúvidas e pendências entre advogados. 47 e 48). b) partilha de honorários contratados em conjunto ou mediante substabelecimento. seminários e discussões a respeito de ética profissional. As decisões pertinentes a aconselhamentos éticos surgidas por força de consulta serão todas por sessão plenária. neste Código. Toda e qualquer questão ética que não encontre previsão explícita no Código de Ética. incapazes de responder de modo direto e imediato a todas as necessidades surgidas da prática forense: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Isso porque o Código não só pode ser omisso no tratamento de diversas questões que apareçam na prática.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. II — organizar. III — expedir provisões ou resoluções sobre o modo de proceder em casos previstos nos regulamentos e costumes do foro. Assim dispõe o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. que. atua como consultor também em questões ético-profissionais. processo competente sobre ato ou matéria que considere passível de configurar. de ofício. Capítulo VII — Das Disposições Gerais (arts. ou decorrente de sucumbéncia. 50. como também pode regular condutas por meio de palavras vagas e ambíguas. palestras. A falta ou inexistência. promover e desenvolver cursos. será dirimida pelo Tribunal de Ética. “Art. c) controvérsias surgidas quando da dissolução de sociedade de advo­ gados”. de fato. inclusive junto aos Cursos Jurídicos. I2 a 48). Compete também ao Tribunal de Ética e Disciplina: I — instaurar. de definição ou orientação sobre questão de ética profissional. visando à formação da consciência dos futuros profissionais para os problemas fundamentais da Ética. enseja consulta e manifestação do Tribunal de Ética e Disciplina ou do Conselho Federal”. Capítulo I — Da Competência do Tribunal de Ética e Disciplina (arts. infração a principio ou norma de ética profissional. que seja relevante para o exercício da advocacia ou dele advenha. 49 e 50). em tese. “Art. l2-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. 47. P-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts.

observados os mesmos requisitos para a eleição do Con­ selho Seccional. e julgar os processos disciplinares. 16-111994): Dispõe sobre o Regulamento Geral Previsto na Lei n. 6a. Não conhecimento do pedido. Dr. Inexistência de condutas ofensivas ao Estatuto ou ao Código de Ética Profissional. No entanto. 1. O Tribunal de Ética e Disciplina é competente para orientar e aconselhar sobre ética profissional. Robison Baroni — 27-7-1995). apreciar as provas e julgar. 128). e todas as sessões serão plenárias”. deste Tribunal. Capítulo IV — Do Conselho Seccional (arts.301) e ao Estatuto da Ad? vocacia (arts. 464 . e 31. se necessário. não há previsão explícita nem possibilidade de ma­ nifestação do Tribunal de Ética e Disciplina. 49. 1B ferindo eventuais prerrogativas pro­ ). § Ia Os membros dos Tribunais de Ética e Disciplina. § 3a Ocorrendo qualquer das hipóteses do art. formar os processos.262 — “Ementa — Reclamação contra juiz — Comissão de prer­ rogativas — Reclamação contra juiz. observados os procedimentos do Código de Ética e Disciplina. 114. 105 a 114). par. 49 e 50). de 4 do julho de 1994. o membro do Tribunal de Ética e Discipli­ na perde o mandato antes do seu término.288 e 1. tentar a conciliação das partes. deve-se grifar que quanto ao comportamento de terceiros não advogados ou quanto ao comportamento de juizes em manifestações processuais quaisquer. correições administrativas ou socorrerem-se da Subseção da OAB local.Tribunal de Ética e Disciplina (arts. instruir as queixas. são os próprios membros da classe que se incumbem de dar andamento a denúncias. nos termos da Resolução n. Ademais. dentre os seus integrantes ou advogados de notável reputação ético -profissional. “Art. A esse respeito: E-1. apli­ cando as sanções legais em caso de seu cabimento. O Tribunal reunir-se-á mensalmente ou em menor período. são eleitos na primeira sessão ordinária após a posse dos Conselhos Seccionais. respondendo às consultas em tese. 7a. cabendo ao Conselho Seccional eleger o substituto”. 44 a 150). § 2a O mandato dos membros dos Tribunais de Ética c Disciplina tem a duração de 3 (três) anos. II. Pa­ rágrafo único. fissionais dos advogados. o modo de eleição e o funcionamento dos Tribunais de Ético e Disciplina. “Art. 8. 06/94. Os Conselhos Seccionais definem nos seus Regimentos Internos a composição. Carlos Aurélio Mota de Souza — Presi­ dente Dr. ao CC (arts. não obstante possam os consulentes interpor recursos processuais. quando possível. Título II — Da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) (arts. quanto a exigências processuais con­ trárias ao CPC (art.906. Encaminhamento à Comissão de Direitos c Prerrogativas” (V. inclusive seus Presi­ dentes. Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB (DJU. 66 do Estatuto. U. — Rei.

de ofício. dispõe o EOAB a respeito do procedimento: Lei n. salvo se não atender à notificação. procederá ao julgamento uma vez não atingida a conciliação”. Se a denúncia parte de advogado contra advogado. III — acaso não requerida a produção de provas. aplicar-se-á um rito administrativo compatível com a segurança e o decoro do profissional. 16-7-1996) (Dispõe sobre Processos Éticos de Representação por Advogado contra Advogado). 8. II — buscará conciliar os litigantes. 465 .906. seja por terceiro interessado. Neste caso. 70. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título III — Do Processo na OAB (arts. o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio Conselho. depois de ouvi-lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer. em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia. Ia Os processos de representação. “Art. não podendo ser anônima. seja por cliente do advogado. ou se fundamentadamente considerada esta desnecessária pelo Tribunal. en­ volvendo questões de ética profissional. Capítulo II — Do Processo Disciplinar (arts. De qualquer forma. que: I — notifica­ rá o representado para apresentar defesa prévia. do Conselho Seccional competente. para constar dos respectivos assentamentos. de 4-7-1994 (DOU. seja por profissional da área. 70 a 74). julgar os processos disciplinares. salvo se a falta for cometida perante o Con­ selho Federal.O processo administrativo de infração ética inicia-se com a denuncia do cometimento de algum ato capitulado como infração ética na lei respec­ tiva. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em cuja base territo­ rial tenha ocorrido a infração. de 17-6-1996 (DOU. deve-se ter em conta o seguinte proce­ dimento: Provimento CFOAB 83. 68 a 77). § Ia Cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina. “Art. serão encaminhados pelo Conselho Seccional diretamente ao Tribunal de Ética e Disciplina. § 2a A decisão condenatoria irrecorrível deve ser imediatamente co­ municada ao Conselho Seccional onde o representado tenha inscrição principal. Assim. de advogado contra advogado. § 3a O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente. respeitada a importância dos ditames de ordem pública que estão a cercar a matéria.

Parágrafo único. o relator se manifestar pelo indeferimen­ to liminar da representação. Além dos interessados. o Presidente deve designar rela. objetivando a que o profissional suspenso ou excluído devolva os documentos de identificação. ou for revel. § Ia Ao representado deve ser assegurado amplo direito de defesa. razões finais após a instrução e defesa oral perante o Tribunal de Ética e Disciplina. pessoalmente ou por intermédio de procurador. a quem compete a instrução do processo e o oferecimento de parecer preliminar a ser submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina. § 2a O processo disciplinar tramita em sigilo. 74 — O Conselho Seccional pode adotar as medidas administra­ tivas e judiciais pertinentes. Art. por ocasião do julgamento. quando não tenham sido unânimes ou. 73 — Recebida a representação. § 4a Se o representado não for encontrado. sendo unânimes. Art. § 3a O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo rele­ vante. ainda. 75 — Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional. quando < ■ fato constituir crime ou contravenção. § 5a É também permitida a revisão do processo disciplinar. por erro de julgamento ou por condenação baseada em falsa prova. o Presidente do Conselho ou da Subseção deve designar-lhe defensor dativo. só tendo acesso às suas informações as partes. após a defesa prévia. o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo”. oferecendo defesa prévia após ser notificado.. § 2a Se. até o seu término.» tor. contrariem esta Lei. 71 — A jurisdição disciplinar não exclui a comum e. ajuízo do relator. Art. podendo acompanhar o processo em todos os termos. Art. para determinar seu arquivamento. este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional. 72 — O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer autoridade ou pessoa interessada. o Regulamento Geral. deve ser comunicado às autoridades competentes. 466 . o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e. seus defensores e a autoridade judiciária competente.Art. § Ia O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios de admis­ sibilidade da representação e os procedimentos disciplinares.

§ 22 O representado é intimado pela Secretaria do Tribunal para a defesa oral na sessão. Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. Do modo que segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. “Art. após o voto do relator. designa relator para proferir o voto. Considerada a natureza da infração ética cometida. As sanções disciplinares consistem em: I — censura. pelo representado ou por seu advogadó”. § 3a A defesa oral é produzida na sessão de julgamen­ to perante o Tribunal. em determinadas situações. 34 a 43). in­ dispensável para o exercício profissional. que se aplicam subsidiariamente ao Código de Ética e Disciplina. Capítulo IX — Das Infrações e Sanções Discipli­ nares (arts. o sigilo procedimental. III — exclusão. o Tribunal pode suspender temporariamente a aplicação das penas de ad­ vertência e censura impostas. 51 a 61). a intimação dos atos. Como segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. desde que o infrator primário em cento e vinte dias participe de evento de ética profis­ sional. F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. deve preponderar a ampla defesa.A previsão legal de um rito administrativo é de suma importância para que o Tribunal não se converta em instrumento de manipulação política dos profissionais entre si. As sanções previstas no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. no prazo de 15 (quinze) mi­ nutos. II — suspensão. as penas de advertência e censura podem ser suspensas... IV — multa. aperfeiçoando-se em seus conhecimentos a respeito da matéria. 53.906. com vistas à máxima isenção do julgamento e da confiabilidade dos seus resultados. após o prazo de 20 (vinte) dias de seu recebimento pelo Tribunal. Porém. Ia a 43). § Ia O processo é inserido automaticamente na pauta da primeira sessão de julga­ mento. “Art. não podendo ser objeto de publicidade a de censura”. são as seguintes: Lei n. de 4-7-1994 (DOU. “Art. As sanções devem constar dos assentamentos do inscrito. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. Assim. 35. 49 a 66). 8. 51 a 61). O Presidente do Tribunal. desde que o infrator primário. dentro do 467 . 49 a 66). considerada a natureza da infração ética. após o recebimento do processo devidamente instruído. le-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. após o trânsito em julgado da decisão. salvo se o relator determinar diligências. Parágrafo único. a oportuni­ dade de produção de provas. 59. com 15 (quinze) dias de antecedência.

Incumbe. Defensoría Pública. órgão que desempenha atividade essencial à justiça.prazo de 120 dias. Nesses casos. que pos­ suem estatutos próprios para reger a conduta do praticante da advocacia pública. normalmente regulada por normas internas ou regimen­ tais da instituição (Procuradoria do Estado. dentro do rito pre­ visto. a sanção é aplicada propriamente pelo Conselho Seccio­ nal da Ordem dos Advogados do Brasil. de 468 . e em infração ética.. comprovadamente. para a qual devem ser enviadas cópias dos documentos que comprovam o ilícito. pois. em meio aos Poderes 99. da mesma forma. há que se levar em conta que. Quando se trata de discutir sobre ética e profissão. a aferição do exercício técnico. Quando se tratar das demais carreiras públicas da advocacia. realizado por entidade de notoria idoneidade”. junto ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB. curso. o cúmulo de infrações gera dois tipos de pro­ cedimentos independentes. Em qualquer caso. XXXV). o cometimento de crime fica sujeito a apreciação da autoridade judiciária competente. sobre Ética Profissional do Advogado. testemunhal.. na promoção dentro da carreira. ou mesmo ao Poder Judiciário para defesa de seus interesses (art.. na definição constitucional.). aplica-se. 52.625. Porém. no caso a de promotor de jus­ tiça. pois na expressão merecimento se en­ contram atributos morais muito claros para a avaliação de um profissional: Lei n. Mas liá que se dizer que existem situações que se constituem ao mesmo tempo e n /1 infração funcional. mas nada impede que os elementos colhidos em um possam ser utilizados a favor ou contra o profissional como prova (documental. em momento algum se afasta o inconformismo do lesado por uma decisão administrativa de recor­ rer a instâncias superiores (Conselho Federal da OAB). o Código de Ética e Disciplina. Ademais. seminário ou atividade equivalente. 5. Ética do Promotor A respeito da topografia do Ministério Público. tendo em vista que o liame com a profissão de advogado é perma­ nente. profissional-jurfdico e ético são relevantes. 8. simposio. junto ao órgão responsá­ vel pelo controle censorio do comportamento do advogado público (Corregedorias). cuja estrutura fundamental da carreira se encontra bem delineada". O resultado útil de um não influencia necessariamente o resulta­ do do outro.. passe a frequentar e conclua. um de natureza ética.4. e um de natureza funcional.). julgar a conduta e averiguar sua incompatibilidade com a legislação a respeito. ao Tribunal de Ética e Disciplina.

e não com algum dos Poderes do Estado. de uma para outra entrância ou categoria e da entrância ou categoria mais elevada para o cargo de Procurador de Justiça. De fato e. dentro do sistema jurídico nacional.. 12-2-1993 (DOU. incisos III e VI. de uma instituição vinculada ã justiça. As indefinições sugerem ser esse órgão parte do Judiciário. senão à lei” (Caldas. e dá outras providências): Capítulo IX — Da Carreira (arts. V — a lista de merecimento resultará dos três nomes mais votados. ou parte do Legislativo. salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago. p. salvo se preferir o Conselho Superior delegar a competência ao Procurador-Geral de Justiça”. 61. VI — não sendo caso de promoção obrigatória. com prevalência de critérios de ordem objetiva. situação esta incomparável com sua atual destinação constitucional (v. observada a ordem dos escrutínios. ou quando o número limitado de membros do Ministério Público invia­ bilizar a formação de lista tríplice. Quer-se dizer que o Ministério Público é uma ins­ tituição neutra por excelência1 0 desprovida de qualquer vínculo com as 0. “É preciso romper de vez com o sistema advindo de tempos autoritários. o número de vezes que já tenha participado de listas. pode-se dizer que essa instituição “(. em síntese. p. atrelada a um compromisso profundo com a lei. prevalecendo. por assemelhação. levando-se inclusive em conta sua conduta..do Estado.. o disposto no art. 93. diante da textura que lhe conferiu a Carta Magna de 1988. ob­ servados os seguintes princípios: I — promoção voluntária. O que se pode afirmar. demais autoridades1 1 0. em que o Ministério Público se notabilizou por servir ao governo e aos governantes. “Art. aplicando-se.. cit. em caso de empate. A Lei Orgânica regulamentará o regime de remoção e promoção dos membros do Ministério Público. muito já se debateu. alternadamente. 20). presteza e segurança nas suas manifestações processuais. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Manual. da Constituição Federal. II — apurar-se-á a antiguidade na entrân­ cia e o merecimento pela atuação do membro do Ministério Público em toda a carreira. com todo respaldo constitucional e legal. é que se trata. dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Público dos Estados. pois a sua função é promover a justiça sem nenhuma submissão. IV — a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância ou categoria e integrar o Promotor de Justiça a primeira quinta parte da lista de antiguidade. Nova Constituição brasileira anotada. desde que obtida maioria de votos. ope­ rosidade e dedicação no exercício do cargo. bem como a frequência e o aproveitamento em cursos oficiais.) tem natureza neu­ tra e não se vincula a qualquer órgão. ou reconhecidos. 100. parece de todo irrelevante e desmotivado que se discuta. 1991. a escolha recairá no membro do Ministério Público mais votado. Justamente 469 . 210). 59 a 68). a tantas votações quantas necessárias. por antiguidade e merecimento. ou parte do Executivo. procedendo-se para alcançá-la. examinados em primeiro lugar os nomes dos remanescentes de lista anterior. a antiguidade na entrância ou categoria.. o que. de aperfeiçoamento.. 101. III — obrigato­ riedade de promoção do Promotor de Justiça que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento.

para. “Enfim. de sua situação e seu tratamento no texto constitucional. de sua estrutura de carreira.4. poderes corroicionais internos e hierarquia administrativa escalonada de acordo com os degraus da carreira pública1 2 0. para acesso privativo dos titulares dos cargos que a integram (Direito administrativo brasileiro. Formação jurídica. 44 a 135). acompanhando-se os dizeres do art.Do para que o Ministério Público possa servir a sociedade e não aos governantes. 127 da Consti­ tuição Federal de 1988. 1994. de acordo com a prrvisão constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU. uma vez que. então. 361). Trata-se de um órgão autônomo. dotado de estrutura funcional própria. mas vazias de maior con­ teúdo prático. Ministério Público: órgão essencial à administração da justiça O Ministério Público pode ser definido como “instituição essencia função jurisdicional”. 127 a 135). Capí­ tulo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. escalonadas segundo a hierarquia do serviço. Seção I .Se há que se invocar o tema da ética dessa carreira. quando se diz que um promotor público desempenha suas funções. com a ordem jurí­ dica. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. Sua estrutura como órgão é a seguinte. por Um. p. o primeiro aspec­ to a tratar talvez seja esse. 74). dever-se-á deter a análi­ se ora encetada na investigação das atribuições do Ministério Público. com as instituições democráticas e com a justiça. e. 1994. garantias da coletividade” (Hugo Nigro Mazzilli.). 470 . Visão crítica da formação pro­ fissional e das funções do promotor de justiça. in Nalini (coord. o código de deveres do promotor público. está-se querendo dizer que está dando continuidade a um compromisso institucional com a lei. dotação orçamentária independente. abordarem-se as garantias e prerrogativas. Para que se compreenda a latitude desse compromisso. em meio à estrutu­ ra e à distribuição dos poderes dentro da Federação. as verdadeiras garantias do Ministério Público e de seus agentes são.1. 102. 5. acima de Uido. que lhe traçou os matizes com os quais se encontra esculpido atualmente. precisa ser dotado de garantias substanciais que assegurem a independência administrativa e funcional — garantias concretas e não palavras retumbantes na Lei Maior. antes de tudo. deve-se buscar o sempre perene ensinamento de H Lopes Meirelles: “É o agrupamento de classes da mesma profissão ou atividade. Para que se defina carreira.. p. 5-10-1988.

permitida a recondução. b) exercer a advocacia..Ministério Público (arts. para escolha de seu Procurador-Geral. 128. 127 a 130). por iniciativa do Presidente da República. relativa­ mente a seus membros: (. após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal. ainda que em disponibilidade. para mandato de dois anos.) II — as seguintes vedações: a) receber. 471 . § 2a A destituição do Procurador-Geral da República. qualquer outra função pú­ blica. § 42 Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Ter­ ritórios poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo. b) o Ministério Público do Trabalho. permitida uma recondução. na forma da lei respectiva. que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo. estabelecerão a organização. per­ centagens ou custas processuais. para mandato de dois anos. c) o Ministério Público Militar. d) exercer. a qualquer título e sob qualquer pretexto. que compreende: a) o Ministério Público Federal. na forma da lei. “Art. O Ministério Público abrange: I — o Ministério Público da União. § 5a Leis complementares da União e dos Estados. cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais. honorários. na forma da lei complementar respectiva. salvo uma de magistério. c) participar de sociedade comercial. § l 2 O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República. II — os Ministérios Públicos dos Estados. observadas. deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal. § 3a Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice dentre integrantes da carreira. maiores de trinta e cinco anos. nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira.. d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público.

15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. atuar em prol da realização do princípio da legalidade. 169. 104. podendo. salvo exceções previstas na lei”. Daí se dessume a gravidade das atribuições que lhe foram conferidas em seu papel institucional. § 2a Ao Ministério Público é as­ segurada autonomia funcional e administrativa. de 12-2-1993 (DOU. 127 a 130). observado o disposto no art. como parte ou exclusivamente como custus legis. como já se viu. 191-A): Tí­ tulo IV — Da Organização dos Poderes (arts. 5-10-1988. A própria previsão da lei a respeito de sua aplicabilidade a toda a Federação e. cumpre o exercício de função mais do que essencial. a indivisibilidade e a independência funcional. 105.625/93)1 5 assim como a Lei Complementar que estabe­ 0. a lei disporá sobre sua organização e funcionamento (§ 2° com redação dada pela EC n. 5-6-1998. § 3a O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias”. § l 2 São princípios institucionais do Ministério Público a unidade. Capítulo IV — Das Funções Es­ senciais à Justiça (arts. O Ministério Público é instituição permanente. 8. Enquanto direito positivo. a política remuneratoria e os planos de carreira. propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares. Isso porque sua grande atribuição consiste em zelar pelo cumprimento da lei. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Com essa estrutura é que ao Ministério Público. 19. como instituição. Isso não é de todo irrelevante que se diga. de 4-6-1998 — (DOU. pro­ vendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos. 127 a 130). inclusive. “Art. Se entre lex e ius podem-se traçar diferenças essenciais.e) exercer atividade político-partidária. de primordial para a escorreita atualização do ideário democrático consa­ grado pelos legisladores constitucional e infracon sti tucion al.625. pois ao Ministério Público incumbe. é elucidativa: Lei n. arts. não somente para a jurisdição. 103. em vigor desde a publicação). 127. No plano infraconstitucional. aos Estados-Membros. Seção I — Do Ministério Público (arts. 44 a 135). há que se destacar a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. que é o fulcro de toda a estrutura democrática sobre a qual se assentam as demais premissas de atuação do próprio Estado1 4 0. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. lece o Estatuto do Ministério Público da União (LC n. 8. 75/93). da lei emanam os dizeres dos re­ presentantes do povo em um sistema em que a representação política traça os próprios rumos da ordem jurídica. dispõe sobre Normas Gerais para 472 . nunca é demais dizer que para que se tenha o iustum. Da arquitetônica jurídi­ ca a lei é a pedra fundamental. 127 a 135). A organização do Ministério Público decorre diretamente da Consti­ tuição Federal (CF de 1988. mister a garantia oferecida pela lex. essencial à função jurisdicional do Estado. mas para a realização da justiça1 3 Deve-se mesmo qualificá-la 0.

promo­ vendo as medidas necessárias a sua garantia. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. 8) princípio da devolução. as normas da Lei Orgânica do Ministério Público da União”. 7) princípio da irresponsabilidade. a Organização do Ministério Público dos Estados e dá outras providências): Capítulo X ■ — Das Disposições Finais e Transitórias (arts. requisitando informações e documentos para instruí-los. VI — expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. 4) princípio da indisponibilidade. privativamente. “Art. Capítu­ lo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. 2) princípio da indivisibilidade. V — defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas. Esses princípios acabam por se materializar no rol de competências de atuação constitucional previsto para o Ministério Público. na forma da lei. 127 a 130). São funções institucionais do Ministério Público: I — promover. III — promover o inquérito civil e a ação civil pública. IV — promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados. o que acaba por formar um imenso número de atribuições de fundamental importância para a nação: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. para a proteção do patrimônio público e social. 473 . nos casos previstos nesta Cons­ tituição. 80. “Art. 127 a 135). 5) princípio da irrecusabilidade. 3) princípio da independência funcional. A enumeração. há que se ressaltar que estão a orientar a atuação prática dos membros do Ministério Público os seguintes princípios: 1) princípio da unidade. 327). 9) princípio da substituição1 6 0. 6) princípio da inde­ pendência. 129. na forma da lei complementar respectiva. bem como as definições de cada qual dos princípios. a ação penal pública. Aplicam-se aos Ministérios Públicos dos Estados. 106. 1995. II — zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição. é feita por Júlio Fabbrini Mirabete (Processo penal. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. subsidiariamente. 44 a 135). 5-10-1988. p. Seção I — Do Ministério Público (arts.r Como decorrência da orientação fixada pela Constituição. 69 a 84).

na Lei Orgânica e em outras leis. Seção I — Das Funções Gerais (arts. 25 a 32).625. prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente. na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. ao consumidor.VII — exercer o controle externo da atividade policial. 25. na forma da lei: a) para a proteção. ao Ministério Público: I — propor ação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais. coletivos e individuais indisponíveis e homogêneos. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. ainda. a ação penal pública. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual. VIII — requisitar diligências investigatórias e a instauração de inqué­ rito policial. e a outros interesses difusos. e dá outras providências): Ca­ pítulo IV — Das Funções dos Órgãos de Execução (arts. face à Constituição Estadual. no plano infraconstitucional. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. histórico. IX — exercer outras funções que lhe forem conferidas. “Art. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”. dispõe: Lei n. privativamente. de 12-2-1993 (DOU. 25 a 28). a regên­ cia da matéria é dada pela Lei n. III — promover. estético. aos bens e direitos de valor artístico. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânicyr» Nacional do Ministério Público. 8. que. na forma da lei. II — promover a representação de inconstitucionalidade para efei to de intervenção do Estado nos Municípios. 8. sempre que cabível a intervenção. b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patri­ mônio público ou à moralidade administrativa do Estado ou de Município. 474 . não importando a fase ou grau de jurisdição em que se encontrem os processos. IV — promover o inquérito civil e a ação civil pública.625/93. Não se deve deixar de dizer que. para assegurar o exercício de suas funções institucionais. incumbe. desde que compatíveis com sua finalidade. VI — exercer a fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que abriguem idosos. V — manifestar-se nos processos em que sua presença seja obrigató­ ria por lei e. ainda. menores. a respeito. incapazes ou pessoas portadoras de deficiência. de suas administrações indiretas ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem. turístico e paisagístico.

“Afora. 128 da Constituição Federal de 1988 também são comuns às dos magistra­ dos (CF de 1988. 475 .). com isso. quais sejam: a) de recebimento de custas processuais. Tendo-se visto a enormidade da competência institucional do Minis­ tério Público. se prendem mais diretamente aos seus agentes. a. por sua vez. 1994. autonomia funcional. que por certo reper­ cutem em seus membros (destinação constitucional. do consumidor. g. art. o que por si só constitui garantia de independência financeira.). b e c. 9 5. da CF de 1988. § 3a.VII — deliberar sobre a participação em organismos estatais de defe­ sa do meio ambiente. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. Então. IX — interpor recursos ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça”. I. prevista no art. § 5a. b) de exercício da advocacia. as garantias à instituição. com maiores especificações e detalhes. de política penal e penitenciária e outros afetos à sua área de atuação. Mas. 107. iniciativa de lei. outras há que. in Nalini (coord. deve-se dizer que esse órgão público conta com dotação orçamentária própria. reforçando-se. deve-se dizer que os membros do Ministério Público estão acobertados. Militar. em seu exercício profissional. se as garantias são as mesmas ofertadas aos magistrados. para responsabilizar os gestores do dinheiro público condenados por tribunais e conselhos de contas. parágrafo único). 95. as mesmas cabíveis e destinadas aos magistrados (CF de 1988. pois. vitaliciedade. administrativa e financeira. beneficiando a instituição de modo reflexo (independên­ cia funcional. administrativa e fun­ cional de toda a estrutura da instituição. tanto na esfera da União (Federal. pelas garantias remis­ sivas do art. as ve­ dações acompanham esse grau de responsabilidade que se quer ver deposi­ tar nessas funções públicas. 127. Mais ainda. neste compreendido o do trabalho. funções privativas v.1. propriamente ditas. 73). p. as vedações do inciso II do § 5a do art. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos)” (Hugo Nigro Mazzilli. Formação jurídica. do Trabalho. VIII — ingressar em juízo. 128. do Distrito Federal e dos Territórios) como na dos Estados. II e III). de ofício. a importância da instituição e a autonomia de seus membros que não ficam vinculados a forças e decisões externas para o exercício de suas atividades1 7 0. art. ou seja.

entre as futuras exceções. 129 sobre compro­ missos do promotor público em seu mister constitucional: “§ l 2 A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros.). leia-se o que dispõe a CF de 1988 em seu art. p. bem como assessorias estranhas à instituição. a atual vedação ao exercício de outra função pública. vedação essa que é absoluta para aqueles que ingressaram no Ministério Público depois da promulgação da Constituição de 1988 (não comporta exceção alguma)” (Hugo Nigro Mazzilli. Está al­ cançado por essa vedação o exercício de cargos de ministérios federais ou secretarias de Estado. II. 80). pois. ingressado depois da promulgação da Constituição de 1988. De outro lado. d)".625/93. 75/93. da CF). 8. § 52. o impedimento não se encontra apenas no exercício da atividade político-partidária. segundo o disposto nesta Constituição e na lei. II. Com relação à vedação de engajamento político-partidário. inclui a proibição de exercer cargos adminis­ trativos de qualquer natureza. 128. Ainda assim. 44. 93. parágrafo único). § 2S As funções de Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira. in Nalini (coord. e) de exercício de atividade político-partidária1 8 0. tiva e de se zelar pelo cumprimento integral e imparcial das tarefas públi­ cas1 0 1. com ou sem afastamento — e para essa vedação não existe exceção alguma (exceto a norma transitória do art. 108. que nenhum membro do Ministério Público. nas mesmas hipóteses. pois. mas estipu­ lou: ‘ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei’ (art. nessa matéria. § 5e. Formação ju ­ rídica. ainda que em disponibilidade. veio a colorir definitivamente o painel estrutural da instituição. § 42 Aplica-se ao Ministério Público. 1994. Visão crítica da forma­ ção profissional e das funções do promotor de justiça. o disposto no art. exerça qualquer cargo público eletivo. que deverão residir na comarca da respectiva lotação.c) de participação em sociedade comercial. para o Ministério Público da União. d. assegurada participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua reali­ zação. II e VI”. a ordem de classificação. assim como a Lei Complementar n. 109. e observada. mas sim na vedação constitucional para que exerça. de se cercar de cautelas o exercício de tão essencial função pública1 9 como forma de se salvaguardar a probidade administra­ 0. vedou o exercício da atividade político-partidária.625/93) traça as diretrizes da carreira. no que couber. d) de exercício de outra função pública. salvo uma de magistério (art. qualquer outrafunção pública. A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. Ora. 110. 29. salvo uma de magis­ tério (art. deve-se grafar neste texto a opinião de Hugo Nigro Mazzilli: “A Lei n. 8. 128. nas nomeações. do ADCT). que fixa normas gerais para o Ministério Público nacional. § 32 O ingresso na carreira far-se-á mediante concurso público de provas e títulos. 476 . Cuida-se. a lei infraconstitucional não poderá permitir. § 3fi. delineia os escalões administrativos e descre­ ve a competência institucional de maneira minuciosa.

quando necessário. “Art. § 5a Qualquer eleitor poderá provocar a representação contra o órgão do Ministério Público se o juiz. 283 a 364). atuando o promotor como dominus litis do processo crimi­ nal. de maneira mais genérica. ao órgão do Ministério Público não se defere a possibilidade de dispor da ação. § 3a Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal. em face da política de proteção pública dos bens jurídicos tutelados pelo ordenamento ordinário e em especial de normas de caráter penal1 2 1. bem como promover a ação civil pública. incumbe ainda ao Ministério Público: a) “zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos” (inc. para a proteção do patrimônio público e social dos interesses difusos e coletivos (inc. a classificação do crime e. oferecerá a denúncia. 357. Na seara criminal. § 42 Ocor­ rendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação de outro Promotor. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal. 4. II). não agir de ofício”. 5a da Lei de Ação Civil Pública (Lei n. 129. 355 a 364). 111. fará re­ messa da comunicação ao Procurador Regional. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. III)1 3 1. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. requerer o arquivamento da comunicação. de 15-7-1965 (DOU. no mesmo prazo. não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. Atribuições do Ministério Público Ao Ministério Público incumbe a promoção privativa da ação penal pública (CF de 1988.099/95).5. art. no entanto. 7. Capítulo III — Do Processo das Infrações (arts. o juiz. 7.347/85).1. ou insistirá no pedido de arquivamento. Veja-se como isto é importante. 19-7-1965) (Institui o Código Eleitoral: Parte Quinta — Disposições Várias (arts. § 2a A denúncia conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias. Súmula 524 do Supremo Tribunal Federal — Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz. no prazo de 10 (dez) dias. o rol das testemunhas.347/85) é expressa no sentido de atribuir-lhe legitimidade para a propositura de medidas tendentes à salvaguarda dos valores por ela 477 . que. nos termos do art. o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias.737. e este oferecerá a denúncia. designará outro Promotor para oferecê-la.1. por exemplo. no domínio dos crimes eleitorais: Lei n. a requerimento do promotor de Justiça.4. atualmente facultada a transação penal. disponibilidade. 112. Mas. introduzido pela Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (Lei n. na promoção da ação penal pública. 9. ao invés de apresentar a denúncia. sendo-lhe. em ato de dispo­ nibilidade legal e regrada. Verificada a infração penal. representará contra ele a autoridade judiciária. § l s Se o órgão do Ministério Público. A Lei da Ação Civil Pública (Lei n.1)1 1 como decorrência do princípio da in1. 234 a 383): Título IV — Disposições Penais (arts. 113.

5. “(. 99-101): “A atribuição típica do seu mister é a de nticiar em juízo em favor da correta observação da lei e na defesa do interesse público” (p .. upu-sentando-as judicialmente (inc. incapazes. referente à representação federal. “A quinta função relevante do MP é a de ser titular. 114. do consumidor. bem (. d) acessar as informações constantes de órgãos públicos. 97.) a sua atuaçao cm favor do princípio da supremacia da Constituição assumindo a defesa dos postulado'. tomando-o mais próximo de sua vocação social.d ili­ gências em inquéritos.mim controlar as atividades policiais e o poder de investigação por meio di. niun e dos Estados nos casos previstos na lei (inc. 5a: “A ação principal e a cautelar poderão ser propostas pelo Minis­ tério Público.)”.)” (p. 100). sem prejuízo da correição judicial”. na ‘¡rca do MP federal” (p. Neste ponto seguimos a lição de Pinto Ferreira que discrimina (Comeiihiiios 1) Constituição brasileira.1 carreira dos membros do Ministério Público podem-se alistar aquelas que seriam as precipuas. embora nao exclu­ sivo. 101). da ação civil pública (. 4. perante o STF.cons­ titucionais” (p. 478 . I e II.. defendendo consequentemente a ordem penal” (p. e também propor a intervenção d a . além de outras funções compatíveis com a t e l e o l o c i a que lhe foi traçada pelo texto constitucional (incs..b) controlar a inconstitucionalidade das leis pela condução da ação direta de inconstitucionalidade. 1992. 101). 15 da CF de 1988. “A terceira missão importante do MP c ¡1 < lc velar e fazer velar a observância e o cumprimento da lei” (p.1 "A W): segunda função importante é a defesa dos interesses privados indisponíveis. de política penal e penitenciária e outros afetos a sua área de atuação” (ar. 101). menores. 101). assim como “deliberar sobre sua participa­ ção em organismos estatais de defesa do meio ambiente. a sexta função de importância do MP re­ laciona-se com o exercício da atividade adjudicia. 115. Vide Lei n. por meio do Procurador-Geral da Repúbli­ ca (Lei n.. pela União. V). Dentre as universais e extensas tarefas instituídas como ineivnles .VI a IX).337/64). “Enfim. ou portadores de deficiências. IV)1 4 1. utilizando-se de critérios que delimitam o campo te­ mático cercado por cada uma das funções por ele exercidas na delesa da cidadania1 5 1.778/72 acerca da implementação do disposto na alínea d do ff 3'’ do art.. da Constituição do Estado de São Paulo). p.. pelos Estados e Municípios (.. c) dar efetiva proteção aos direitos das populações indígenas. e) exercitar a “fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que P abriguem idosos. consagrados em seu art.

Em síntese. em cargos de Promotor de Justiça. o Ministério Público representa a própria demo­ cracia em atuação. de consagração cultural e de reiteração temporal —. não sendo de estrita necessidade sua atuação pro­ cessual. de 14 de dezembro de 1981. houver prejuízo à parte (pas de nullité sans grief). sendo declarada quando. 5. nos fragmentária e mais participante se toma a sua intervenção na edificação do princípio democrático. l e A carreira do Ministério Público do Distrito Federal é integrada. bem como os dos membros do Ministério Público junto à Justiça Militar. 14-3-1985) (Transforma e Cria Cargos na Carreira do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. No âmbito do Distrito Federal e dos Territórios: Decreto-Lei n. Prerrogativas e garantias do membro do Ministério Público Para o escorreito desempenho de suas funções. § l 2 A transfor­ mação dos cargos far-se-á do seguinte modo: a) os atuais cargos de Subprocurador-Geral. rubricando-se que essa nulidade submeter-se-á às regras gerais da teoria das nulidades.I E assim é que. 40. o Procurador-Geral da Justiça designará Promotor de Justiça Subs­ tituto para o seu exercício. 84 do CPC). pode-se dizer que. diante deste elenco de atribuições institucionais. Mister. pela classe de Procuradores de Justiça e no primeiro grau de jurisdição. 479 . dos Estados. dos Territórios e do Distrito Federal1 6 me­ 1. § 3a A antiguidade dos cargos obedecerá à an­ tiguidade na classe transformada e nas classes entre si. em segundo grau de jurisdição.267. c) os atuais cargos de Defensor Público.2. em cargos de Promotor de Justiça Substituto. em cargos de Procurador de Justiça. em termos de instituição — e quando se procura operar semanticamente o conceito de instituição.4. Fixa Vencimentos. Promotor Público e Promotor Substituto. portanto. § 4SAté que seja criado o Serviço de Assistência Judiciária. deve-se ressaltar que “Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público. § 2a A Procuradoria-Geral da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios promoverá o apostilamento nos assentamentos funcio­ nais dos titulares dos cargos transformados. “Art. § 5fi O vencimento e respectiva representação mensal dos cargos transformados. e dá outras Providências — arts. Ia a 7a). recorre-se necessariamente às ideias de durabilidade. a intervenção do Minis­ tério nas ações em que atuar como parte ou como custos legis. de 13-31985 (DOU. 2. pelas classes de Promotor de Justiça e de Promotor de Justiça Substituto. enquanto unitária e homogeneamente atuante nas esferas da União. o membro do Minis­ tério Público possui uma série de garantias e prerrogativas que salvaguardam 116. são os constantes do Anexo a este Decreto-Lei”. Mais que um órgão a serviço das cláusulas cons­ titucionais democráticas. à Justiça do Trabalho e ao Tribunal de Contas da União. b) os atuais cargos de Curador. com os direitos e deveres previstos na Lei Complementar n. a parte promover-lhe-á a intimação sob pena de nulida­ de do processo” (art.

1994. 72). em sua atuação prática. A natureza das funções. “No fundo. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. a forma dos trabalhos. in Nalini (coord-*Formação jurídica.a higidez da função constitucional e conferem dignidade e independência ao exercício profissional dos promotores de justiça. 38 a 42). III — irredutibilidade de vencimentos. de 12-2-1993 (DOU. II — inamovibilidade.625. se encontrasse atravancado por empecilhos de cunho funcional. dada a merecida proteção que requer a carrei-* ra1 7 De qualquer forma. 117. sob o aspecto do ofício desempenhado. de responsabilidades que pendem sobre as costas dos promotores públicos é permitir que esse órgão esteja realmente habilitado a intervir em assuntos de natureza pública e de interesse da coletividade. não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado. de um modo ou de outro. O Ministério Público nada mais é do que advocacia de partido — o partido dos interesses sociais e individuais indisponíveis. a função da qual o Ministério Público mais se aproxima. 38. 480 . a maneira de dedu/ir as pretensões em juízo — tudo isto lhes é similar. tirantes as garantias e procedimentos que aproximam o promotor da Magistratura. para debelá-los é que se instituíram determinadas garantias e prer­ rogativas que reforçam a liberdade profissional do promotor público no exercício de seu mister. Lei n. o disposto na Constituição Federal”. C en­ ) tendimento entre esses profissionais deve ser alto e sereno” (Hugo Nigro Mazzilli. e dá outras providências): Ca­ pítulo VI — Das Garantias e Prerrogativas dos Membros do Ministério Público (arts. 8. observado. quanto à remune­ ração. p. e que o fazem aproximar-se do juiz. São as garantias e prerrogativas do cargo que possibilitam a efetivação dos di­ tames maiores com que se descrevem os princípios da carreira. certamente é a do advogado. Os membros do Ministério Público sujeitam-se a regime jurídico especial e têm as seguintes garantias: I — vitaliciedade. o que se oferece à Promotoria de Justiça se devolve. oferecer garantias ao exercício da imensa latitude 1. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. Ora. Inúmeros desafios se colocam diante do promotor no sentido de obstaculizar sua atuação. de nada serviriam as preocupações do constituinte de 1988 se o promotor. após dois anos de exercício. salvo por motivo de interesse público. à sociedade. Ambas as funções constituem munus publi­ co de igual nobreza. São essas garantias que distinguem o promotor do advogado. \ i'*10 crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. “Art.

inamovível e insuscetível de sofrer redução salarial. escrita. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — ser ouvido. § 2a A ação civil para a decretação da perda do cargo será proposta pelo Procurador-Geral de Justiça perante o Tribunal de Justiça local. na forma da Lei Orgânica”.0 cargo vitalício. 481 . nos crimes comuns e de responsabilidade. III — ser preso somente por ordem judicial. a previsão: “§ l 2 O membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado. no entanto. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. II — exercício da advocacia. ressalvada exceção de ordem constitucional. a própria lei prevê. não se pode deixar ao talante do promotor tan­ tas garantias que o permitam revestir-se da condição de autoridade pública intocável para o cometimento de violações à própria lei que deve defender. que: “Art. Por isso. há que se dizer. fica sujeito a condições que. no prazo máximo de vinte e quatro horas. II — estar sujeito a intimação ou convocação para comparecimento. em dia. nos seguintes casos: 1 — prática de crime incompatível com o exercício do cargo. após decisão judicial transitada em julgado. V — ser custodiado ou recolhido à prisão domiciliar ou à sala especial de Estado Maior. De fato. proferida em ação civil própria. hora e local previamente ajustados com o Juiz ou a autoridade competente. acompanhando a disci­ plina e a textura da lei. quando sujeito a prisão antes do julgamento final. 40. em continuidade ao disposto acima. como testemunha ou ofendido. IV — ser processado e julgado originariamente pelo Tribunal de Jus­ tiça de seu Estado. por ordem e à disposição do Tribunal competente. salvo em flagran­ te de crime inafiançável. após autorização do Colégio de Procuradores. ressalvadas as hipóteses constitucionais. caso em que a autoridade fará. somente se expedida pela autoridade judiciária ou por órgão da Adminis­ tração Superior do Ministério Público competente. III — abandono do cargo por prazo superior a trinta dias corridos. em qualquer processo ou inquérito. Com relação às prerrogativas. a comunicação e a apresentação do mémbro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça.

ofícios da justiça. podendo copiar peças e tomar apontamentos.VI — ter assegurado o direito de acesso. se lê: “Art. IX — ter acesso ao indiciado preso. em qualquer repartição policial. c) em qualquer recinto público ou privado. VIII — examinar. IV — receber intimação pessoal em qualquer processo e grau de ju­ risdição. ressalvada a garantia cons­ titucional de inviolabilidade de domicílio. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — receber o mesmo tratamento jurídico e protocolar dispensado aos membros do Poder Judiciário junto aos quais oficiem. ainda que conclusos à autoridade. nos limites do sua independência funcional. autos de processos findos ou em andamento. delegacias dc polícia e estabelecimento de internação coletiva. existentes nos órgãos da instituição. mesmo quando decretada a sua incomunicabilidade. II — não ser indiciado em inquérito policial. V — gozar de inviolabilidade pelas opiniões que externar ou pelo teor de suas manifestações processuais ou procedimentos. 41. VII — examinar. ainda. inclusive dos registros públicos. através da entrega dos autos com vista. III — ter vista dos autos após distribuição às Turmas ou Câmaras e intervir nas sessões de julgamento. podendo copiar peças e tomar apontamentos. labelionatos. X — usar as vestes talares e as insígnias privativas do Ministério Pú­ blico'. secretarias. para sustentação oral ou esclarecimento de matéria de fato. retificação e complemeritação dos dados e informações relativos à sua pessoa. findos ou em andamento. VI — ingressar e transitar livremente: a) nas salas de sessões de Tribunais. 482 . a qualquer momento. autos de flagrante ou inquérito. na forma da Lei Orgânica”. ainda que conclusos à autoridade. cartórios. observado o disposin no parágrafo único deste artigo. b) nas salas e dependências de audiências. em qualquer Juízo ou Tribunal. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. mesmo além dos limites que se­ param a parte reservada aos Magistrados. no exercício de sua função. E.

na efetiva prevenção de litígios. “c) grupos de pessoas determinadas ou determináveis (populações indígenas. Não há como negar que o primordial dever ético do membro do Ministério Público é manter-se em sintonia com as necessidades sociais e públicas em tomo da justiça. dentro de suas atribuições e de seu alcance funcional. os respectivos autos ao Procurador-Geral de Justiça. remeterá. sob pena de responsabilidade. ou alguma outra razão jurídica ou fática relevante (questões atinentes à saúde. publicidade. Os deveres do Promotor de Justiça O Promotor de Justiça possui um compromisso com o público inafastável. Seu cargo é público. o interesse público. seus vencimentos são pagos pela instituição com base em verbas públicas. Daí decorre que deverá auxiliar na presteza do andamento judicial.XI — tomar assento à direita dos Juizes de primeira instância ou do Presidente do Tribunal. suas garantias e prerrogativas fundamentais são constitucionais. e deve cumprir sua tarefa com moralidade. na prestação de assistência à população caren­ te.)” (Hugo Nigro Mazzilli. consu­ midores). tendendo à supremacia do interesse público. in Nalini (coord. desde que haja abrangência suficiente do interesse a ser zelado. a autoridade policial. Parágrafo único. 1994.3. 87). suas principais atribuições legais e cons­ titucionais têm que ver com necessidades públicas. na garantia da probidade 118.4. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça.). acesso à educação. legalidade. 483 . Aqui ou ali. zelo de um sistema econômico ou social como na defesa dos investidores lesados no mercado de valores mobiliários etc. “b) toda a coletividade (nas ações penais. p. o profis­ sional que se dedica à causa da justiça por meio da Promotoria está sempre às voltas com o interesse público1 8 1. imediatamente. 5. na ação popular. Câmara ou Turma. eficiência. conforme se pode ler na Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (2005). pelo qual deve zelar o órgão do Ministério Público. portadores de deficiência. houver indício da prática de infração penal por parte do membro do Ministério Público. no sentido lato. na defesa do consumidor e do meio ambiente. a quem competirá dar prosseguimento à apuração”. geralmente está ligado à defesa de: “a) pessoas determinadas (incapazes. “Como vimos. civil ou militar.. Quando no curso de investigação. na defesa do meio ambien­ te). acidentados do tra­ balho). Formação jurídica. sua função é constitucional..

). 0 119. “Art. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os Procuradores de Justiça. além de representar uma quebra da ética institucii mal.irma 1 promover a efetivação dos direitos fundamentais. 8. II — propor ao Procurador-Geral de Justiça a criação de cargos e serviços auxiliares. conduta incompatível ou grave omissão nos deveres do cargo. e realizada pelo Corregedor-Geral de Justiça. 120. Formação jurídica. p. dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Pú­ blico dos Estados. Seção II — Do Colégio de Procuradores de Justiça (arts. em caso de abuso de poder. modificações na Lei Orgânica e providências relacionadas ao desempenho das funções institucionais. III — aprovar a proposta orçamentária anual do Ministério Público. a aplicação. conduta incompatível ou grave omissão nos 484 . VI — destituir o Corregedor-Geral do Ministério Público.625.is penalidades.. na prevenção e repressão ao desfalque do erário público. a manutenção da oulein democrática e a sincronia de funcionamento dos institutos jurídicos positi­ vados pelo legislador. com o atendimento aos populares que procuram o promotor de justiça. na repressão ao abuso de poder por parte das autoridades públicas. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Deve ainda dedicar-se com justa prioridade ao comba­ te da criminalidade. in Nalini (coord. dessa f. IV — propor ao Poder Legislativo a destituição do Procurador-Geral de Justiça. por solicitação do Procurador-Geral de Justiça ou de um quarto de seus integrantes. pelo voto de dois terços de seus membros. à defesa do meio ambiente e ao zelo da probidade administrativa” (Hugo Nigro Mazzilli. 92 a 24). 12 e 13). como também fora deles. o consumidor. bem como os projetos de criação de cargos e serviços auxi­ liares. V — eleger o Corregedor-Geral do Ministério Público. sobre matéria relativa à autonomia do Ministério Público. quando grave. inclusive com a possibilidade de suspensão de exercício e perda do cargo12 . Negligenciar no cumprimento desse compromisso social e público. elaborada pela Procuradoria-Geral de Justiça. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. de 12-2-1993 (DOU. recomendada pelo Colégio de Procu­ radores de Justiça. ! 2. e dá outras providências): Capítulo III — Dos Órgãos de Administração (arts. competindo-lhe: I — opinar.1 9 e.. não só nos processos.administrativa. assegurada ampla defesa. a criança e o adolescente. 113). 1994. pelo voto de dois terços de seus membros e por iniciativa da maioria absoluta de seus integrantes em caso de abuso de poder. “Têm os membros do Ministério Público o dever de atender os necessitados: defender a vítima de crimes. os acidentados do trabalho. de scu*i . pode acarretar. na recri­ minação dos delitos e crimes que assolam a sociedade. Lei n. bem como sobre outras de interesse institucional.

assegurada ampla defesa. VIII — julgar recurso contra decisão: a) de vitaliciamente.A imperativa necessidade social de existência e atuação do Ministério Púbico não faculta ao promotor a interrupção do cumprimento de seus de­ veres por quaisquer outros motivos. A sociedade carece de uma instituição ilesa e forte na defesa dos ideais constitucionais. VII — recomendar ao Corregedor-Geral do Ministério Público a instauração de pro­ cedimento administrativo disciplinar contra membro do Ministério Público. Parágrafo único. salvo nas hipóteses legais de sigilo ou por deliberação da maioria de seus integrantes”. X I— rever. que este ajuíze ação cível de decretação de perda do cargo de membro vitalício do Ministério Público nos casos previstos nesta Lei. e) de recusa prevista no § 32 do art. IX — decidir sobre pedido de revisão de procedimento administrativo disciplinar. nem mesmo o temor de autoridades. ou não. c) proferida em reclamação sobre o quadro geral de antiguidade. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. que constituem seus deveres: Lei n. de 12-2-1993 {DOU. decisão de arquivamento de inquérito policial ou peças de informação determinada pelo Procurador-Geral de Justiça. por representação do Procurador-Geral de Justiça ou da maioria de seus integrantes. b) condenatoria em procedimento administrativo disciplinar. o promotor de justiça está adstrito a observar os seguintes ditames de seu estatuto institucional primordial. nos casos de sua atribuição originária. 485 . As decisões do Colégio de Procuradores de Justiça serão motivadas e publicadas. 8. de membro do Ministério Público. XII — elaborar seu regimento interno. XIII — desempenhar outras atribuições que lhe forem conferidas por lei. de prestar justiça e contribuir para uma justiça nacional cada vez mais aperfeiçoada e próxima dos anseios populares. d) de disponibilidade e remoção de membro do Ministério Público. mediante requerimento de legítimo interessado. por motivo de interesse público. Ademais desse compromisso social. X — deliberar por iniciativa de um quarto de seus integrantes ou do Procurador-Geral de Justiça. e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público deveres do cargo. por extrato. a esperança de promoções ou os anseios de tomar-se uma figura pública podem desnortear os horizontes daquele que abraça essa carreira pública.625. 15 desta Lei. conforme delineados pelo constituinte de 1988. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. nos termos da Lei Orgâ­ nica.

VII — declarar-se suspeito ou impedido. as suas funções. XIII — atender aos interessados. São deveres dos membros do Ministério Público. na respectiva Comarca. V — assistir aos atos judiciais.(arts. no entanto. funcionários e auxiliares da Justiça. por suas prerrogativas e pela dig­ nidade de suas funções. em matéria de exercício de atividade pública. nos casos ur­ gentes. “Art. quando obrigatória ou convenienle a sua presença. considera-se que toda precaução é pouca. Suas incumbências para com a sociedade são demasiadamente grandes para que se pudesse justificar certas espécies de favoritismos aos membros do Ministério Público dentro dos demais Poderes do Estado. há que se advertir que o zeloso cumprimen­ to da profissão de promotor colidiria com outras incumbências que porven­ tura pudesse acumular. IV — obedecer aos prazos processuais. nos termos da lei. III — indicar os fundamentos jurídicos de seus pronunciamentos pro­ cessuais. VIII — adotar. além de outros previstos em lei: I — manter ilibada conduta pública e particular. se não houvesse previsão expressa do legislador sobre o assunto. XIV — acatar no plano administrativo as decisões dos órgãos da Ad­ ministração Superior do Ministério Público No entanto. 43 e 44). XI — prestar informações solicitadas pelos órgãos da instituição. 43. a qualquer momento. elaborando relatório em sua manifestação final ou recursal. IX — tratar com urbanidade as partes. testemunhas. com vistas ao integral cumprimento do que preceitua a respeito a Constituição Federal. nos limites de suas atribuições. vedando-se determinadas práticas. Assim é que. XII — identificar-se em suas manifestações funcionais. as providências cabíveis face à irregularidade de que tenha conhecimento ou que ocorra nos serviços a seu cargo. com zelo e presteza. podendo. VI — desempenhar. II — zelar pelo prestígio da Justiça. dedicar-se a atividades de ensino. se titular. o legislador cuidou de transformar princi486 >• . É em regime de dedi­ cação integral que deseja o legislador ver o promotor exercendo suas ativi­ dades institucionais. X — residir.

Parágrafo único.625. 8.625/83). II. “São todas as pessoas físicas incumbidas. participação em sociedade comercial exceto como cotista ou acionista. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. II — exercer advocacia. honorários. 122. vedações e/ou restrições1 1 2. salvo uma de Magistério. 44. exce­ to como cotista ou acionista. ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei. em entidades de representação de classe e o exercício de cargos de confiança na sua administração e nos órgãos auxi­ liares”. art. V — exercer atividade político-partidária. 81). advocacia. 5. art.5. Ética dos agentes públicos Com a expressão agente público1 2 quer-se dar a maior amplitude 2 conceituai possível à grande diversidade das funções públicas. § 5e. as atividades exercidas em organismos estatais afetos à área de atuação do Ministério Público.). in Nalini (coord. em Centro de Estudo e Aperfeiçoa­ mento de Ministério Público. percentagens ou custas processuais. de 12-2-1993 (DOU. 44 da Lei n. definitiva ou transitoriamente. qualquer outra função pública. para os efeitos do inci­ so IV deste artigo. ainda que em disponibilidade. Assim. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. p. que se revestem da condição de im­ pedimentos. “Além dessas vedações. 128. 43 e 44). Não constituem acumulação. Os agentes normalmente desempenham funções do órgão. III — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial. 129. 8. além do impedimento de que o membro do Ministério Pú­ blico exerça a representação judicial ou a consultoria jurídica de entidades públicas (art. outras há (recebimento de custas. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. “Art. a qualquer título e sob qualquer pretexto. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes vedações: I — receber. IV — exercer. Formação jurídica. da CF. 487 . do exercício de alguma função estatal. 1994. Lein. quer- 121. honorários.pios elementares de deontologia do exercente de cargo público em manda­ mentos institucionais típicos e legais. IX. da CF)” (Hugo Nigro Mazzilli. e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público (arts.

2. 2. Prefeito. prestadores de serviços públicos.. Senadores. 124. 123. agentes honoríficos e agentes delegados. que.. sobretudo aquelás às quais corresponde o exercício de atividades pelos agentes administrativos (servidores concursados. servidores exercentes de cargos em comissão. servidores de cargo em comissão. distribuídas entre os cargos de que são titulares. como agentes políticos (Presidente. mas excepcionalmente podem exercer função sem cargo” (MeireUes. não se pensa que seja possí­ vel... P.. se subdividem em subespécies ou subcategorias (. 1994. Ia a 10).. exaurir e tratar de todas as possibilidades de carrei­ ras públicas ofertadas para a área jurídica.. Juizes. ter-se-ão presentes apenas algumas das possíveis carreiras jurídicas estatais.). 71). É de todo interessante pesquisar a esse respeito a importância que o legislador confere aos instrumentos de proteção. inclusive daqueles que estiverem incumbidos de de­ veres funcionais correicionais ou em Tribunais de Ética e Disciplina.-se abranger aqueles que se encontram ligados ao Estado de alguma forma. 2-10-1997) (Dispõe sobre a Corregedoria-Geral da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. mesmo utilizando-se dessa expressão. gênero que acima conceituamos. Direito administrativo brasileiro. inclusive investigando-se quais as estratégias atuais do legislador para compelir ao efetivo cumpri­ mento das medidas assumidas no plano constitucional1 5 Nesse sentido. por sua vez. “Os agentes públicos. Direito administrativo brasileiro. sujeitos à hierarquia funcional e ao regime jurídi­ co único da entidade estatal a que servem” (Meirelles. não 488 . e dá outras providências — arts. Direito administrativo brasileiro. E. nesta investigação. 1994. 125. “São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais. 71).) ou como agentes delegados (tradutores e intérpretes públicos. 5a O servidor da Carreira de Auditoria do Tesouro Na­ cional lotado e em exercício na Corregedoria-Geral e nos seus Escritórios. de 12-10-1997 {DOU.71). agentes administrativos. repartem-se inicialmen­ te em quatro espécies ou categorias bem diferençadas. Ministros. servidores temporários). “Art. o que se pretende é conferir um tratamento ao candente problema da ética funcional dentro das carreiras funcionais públicas do Governo e da Administração Direta e Indireta. Secre­ tários. p. Governador.)1 3 2. Deputados. como agentes admi­ nistrativos (servidores concursados. leiloeiros ofi­ ciais.331. que exercer funções diretamente relacionadas com a ética funcional e a disciplina dos servidores. p.. 1994. Promotores. como agentes honoríficos (jurados.)” (Meirelles. membro de comissão de estudo. a saber: agentes políticos. Por isso. a fim de garantir o destemor na atuação: Decreto n. mesários. servidores temporários)1 24. Efetivamente.

à capacitação. (. 10 a 28). ademais das pressões da população e da mídia.180. e dá outras providências): Título VI — Das Disposições Gerais e Transitórias (arts. sejam interesses pessoais do funcionário. 10. 3. fiscalização e avalia­ ção de gestão. § 4a Os integrantes da carreira de Finanças e Controle observarão código de ética profissional específico aprovado pelo Presidente da República”. os princípios e as normas que estão a reger o setor no sentido da garantia de uma melhor administração da justiça social. de auditoria. coordenar e apoiar a execução de programas e projetos de re­ forma e modernização do aparelho do Estado. de Conta­ bilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. 32 a 31). no plano normativo. l e a 36): Capítulo III — Da Competência dos Órgãos (arts. Orçamen­ to e Gestão — arts.. 7-2-2001) (Organiza e disciplina os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal.. Entende-se que a moralidade administrativa é a principal responsabi­ lidade ética do agente público na atualidade. o que se há de dizer é que o interesse público que contorna o exercício das atividades do funcionalismo público está acima de quaisquer outros tipos de interesse. documento ou informação poderá ser sonegado aos servidores dos Sistemas de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. assegurando-se-lhe. no exercício das atribuições inerentes às atividades de registros contábeis. Seção II — Dos Órgãos Específicos Singulares (arts. após três anos de efetivo exercício.deve-se empreender uma investigação que cuide de afirmar os cânones. 25 a 41). 14-2-2001) (Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério do Planejamento. II — elaborar. Lei n. voltados para. propor. sejam interesses imediatos do governante. 22. ao desenvolvimento e à avaliação de desempenho dos servidores da Administração Federal direta. sejam interesses imediatos de um cidadão. Nenhum pro­ cesso. forte pressão normativa no sentido da formação1 6e da obediência de códigos de ética funcional. a força do princípio da moralidade. de 14-2-2001 (DOU. 489 . “Art. Tem-se exercido. À Secretaria de Gestão compete: I — formular e propor políticas e diretrizes de reforma e modernização do Estado.) VI — propor políticas e diretrizes relativas ao recrutamento e seleção. e dá outras providências — Anexo I — Estrutura Regimental do Ministério do Planejamento. Orçamento e Gestão. De fato. Veja-se o seguinte Decreto: Decreto n. sua lotação em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal”. 126. de Administração Financeira Federal. “Art. 26.750. Dessa forma. autárquica e fundacional. bem assim supervisionar a sua aplicação”. 127. é tão intensamente aclamada pelo texto constitucional que a própria cidadania será removido por um período de dois anos. de 6-2-2001 (DOU. E a esse res­ 2 peito não importa se se trata de cargo em comissão ou de cargo de provi­ mento efetivo12 7.

478. 3. e.1 a 1. 64. 14 a 16). cargo ou emprego na administração direta ou indireta”1 8 2.1 “Este Regulamento. De fato. de 6 de agosto de 1997. com a redação dada pela Emenda n.. editado nos termos da Lei n. 14.745. de 4 de junho de 1998. 5a a 17). de 6-8-1997 — Anexo — Regulamento do Procedimento Licitatório Sim­ plificado da Petróleo Brasileiro S. 1. de 13-4-1994. — PETROBRAS): Capítulo I — Disposições Gerais (Itens 1. do 18-5-1990. a fim de proteger a probidade administrativa. da e c o n o m ic idade. 19. com vistas à recri­ minação de atentados à cidadania nacional e à criação de uma cultura ético-administrativa1 9 em todas as esferas da União e sob quaisquer condições1 0 2. serviços.11. § Ia. Tenha-se como exemplo: Decreto n. do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. 9. nos termos da lei. da Constituição. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. vazada por digressões explícitas sobre o princípio da moralidade. para con­ tratação de obras.) 490 . mediante: § 9a Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. Capítulo IV — Dos Direitos Políticos (arts. (.. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. “Art.1): 1. define as hipóteses de inelegibilidade por infração ao princípio da moralidade. serviço ou fornecimento pretendido pela PETROBRAS e será processada e juli:. sobretudo desde a Constituição de 1988.478. e do art. da publi­ cidade.A. considerada a vida pregressa do candidato. disciplina o procedimento licitatório a ser realizado pela PETROBRAS. a moralidade das atividades públicas é a força centrípeta dos princípios da Administração Pública. licitação. Vê-se. todo tipo de legislação que envolva atos públicos. 173. além de importante foco de dispersão de uma ética administrativa. 129.. da moralidade. 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 81. a moralidade para o exercício do mandato.2 A licitação destina-se a selecionar a proposta mais vantajosa para a realização dn obra. que alterou Lei Complementar n.id:i com observância dos princípios da legalidade. 128..passiva (direito de ser votado) fica condicionada à ausência de infrações ao referido princípio: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU.A — PETROBRAS previsto no art. com valor igual para todos. Inclusive dela tem-se ocupado o legislador diutumamente. da igualdade. 2. da impessoalidade. bem como da vinculação ao instrumento convocatório. no momento. 9. compras e alienações. 67 da Lei n. de 24-8-1998 {DOU. 25-8-1998) (Aprova o Regulamento do Procedimen­ to Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S. Lei Complementar n. 5-10-1988.

Artigo. A licitação para delegação de permissão será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios da legalidade. da impesso­ alidade. “Art. em vigor desde a publicação). no texto constitucional. 191-A): “Art. 6e a 23). De fato. da moralidade. dos Estados. 37 e 38). 19. 15 a 18). em detrimento da moralidade administrativa. revogar a licita­ ção. 130. mediante permissão e autorização. 5-10-1988. ficando o autor. como segue: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. como se lê a seguir: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. um dos grandes instrumentos da cidadania. 18 a 43). 37 da Constituição Federal de 1988. ainda. vê-se o princípio da moralidade esculpido como norma-mandamento no art. entre outras hipóteses. 15.7 O ato de convocação da licitação conterá. 131. a ação popular como forma de anulação de atos públicos praticados. tenha revelado incapacidade técnica. 5-6-1998. LXXIII — qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de enti­ dade de que o Estado participe. da igualdade. Capítulo VII — Da Administração Pública (arts. de onde se extra­ em aliás outras grandes armas do cidadão para a defesa da melhoria e da qualidade do serviço público. Seção I — Disposições Gerais (arts. ou.Vincula-se. ao meio am­ biente e ao patrimônio histórico e cultural. sempre. da publicidade. a critério exclusivo da PETROBRAS. à moralidade administrativa. de 20-3-1998 (DOU. “Art. de 4-6-1998 (DOU. 5S. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. salvo compro­ vada má-fé. Como mais um exemplo dessa preocupação: Decreto n. 37 a 43).521. direito a reclamação ou indenização de qualquer espécie”. do jul­ gamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. um remédio constitucional de peculiar impor­ tância. 491 . do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. em contratação anterior. bem assim dos que lhe são correlatos”. Seção II — Da Licitação para Outorga de Serviços (arts. da probidade administrativa. por exemplo. antes da assinatura do contrato correspondente. com redação dada pela Emenda Constitucional n. sem que disso decorra. 37. de ser­ viços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros e dá outras pro­ vidências): Capítulo III — Da Delegação (arts. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. publicidade e eficiência e. impessoalidade. para os participantes. 2. 23-3-1998) (Dispõe sobre a exploração. 191-A): Título III — Da Organização do Estado (arts. 5-10-1988. recusar a adjudicação a firma que. caput. mora­ lidade. administrativa ou financeira. disposição assegurando à PETROBRAS o direito de. também. ao seguinte1 1 3: 1.

tendo-se em foco o ato e o procedimento. direta e indiretamente. e sociedades controladas. suas subsidiárias. na forma prevista em lei. técnico ou científico. pelo poder público. na forma da lei. de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. a perda da função pública. b) a de um cargo de professor com outro. ali representado. compras e alienações serão contratados mediante processo de li­ citação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorren­ tes. se consubstan­ cie numa só prática administrativa. empregos e funções públicas são acessíveis aos brasi­ leiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento. Assim. portanto. § 42 Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. XVII — a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias. XXI — ressalvados os casos especificados na legislação. nos termos da lei. o que há que se dizer é que o agente público exterioriza sua atuação por meio desses veículos formais. De fato. sociedades de economia mista. exce­ to. as obras.1. assim como aos estrangeiros.I — os cargos. quando houver compatibilidade de horários. empresas públicas. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. c) a de dois cargos pri\ ativos de médico. poder-se-á dimensionar qual a sua importância na vida quo­ 492 . de modo a fazer com que o Es­ tado. II — a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. todo o povo ali presente. Ética. sem prejuízo da ação penal cabível”. XVI — é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. fundações. na forma e gradação previstas em lei.5. observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: a) a de dois cargos de professor. serviços. e. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. 5. mantidas as condições efetivas da proposta. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. ato e procedimento administrativo Este tópico possui sua relevância em meio a esta investigação na me­ dida em que o ato administrativo e o procedimento administrativo constituem os principais instrumentos de atuação da Administração Pública e do Esta­ do.

160-161. forjado e tra­ zido à luz pelo agente público. modificar. entendendo-se que ato administrati­ vo significa ato de vontade da Administração Pública. deve-se ter presente que. as espécies. portanto. 1994. p. 1994. nesse sentido. na atual sistemática legal e constitucional. do ponto de vista da moralidade administrativa. Direito administrativo brasileiro. Quando se está a falar de moralidade do ato administrativo. 133). E esse tipo de comportamento. Está-se. atos administrativos ordinatórios. mas sim as condições morais. atos admi­ nistrativos negociais. De fato. resguardar. a indisponibilidade dos bens 132. O ato administrativo1 2possui características formais importantes que 3 garantem sua validade. às voltas com uma exigência que qualifica o ato por uma sua qualidade específica. extinguir e declarar direitos. Cf. ato que é manipulado. o ato administrativo (atos administrativos normativos. “Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que. na medida em que se está apelando. 37 da Constituição Federal de 1988: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. a perda da função pública. em conluio ou não com o particular.. sua eficácia e sua legalidade (competência. fica sujeito à anulação. as características. a uma qualidade do ato administrativo. e que pode ser distorcido por ele. os modos. 493 . p. sobretudo àqueles que possuem vinculação direta e imediata com interesses públicos. atos administrativos enunciativos.tidiana do serviço público e qual a sua relevância da vinculação ao princípio da moralidade. atos administrativos punitivos)1 3 requer seja apreciado também sob a ótica da pertinência ao 3 princípio da moralidade. Não se trata aqui tanto de analisar as condições formais pelas quais se implementa. Meirelles. agindo nessa qualidade. 133. forma. se está a falar de ética profissional. o respeito ao mandamento consti­ tucional que garante higidez ético-social aos atos jurídicos.. ou impor obrigações aos administrados ou a si pró­ pria” (Meirelles. pelas quais se im­ plementa. finali­ dade. tenha por fim imediato adquirir. nitidamente lesivo aos interesses pú­ blicos envolvidos em toda prática administrativa. Direito administrativo brasileiro. qual seja. induz à aplicação do previsto no § 4a do art. objeto). transferir. motivo. De fato. o que há é que o ato administrativo pode preencher inúmeros requisitos. se conflitar com o princípio da moralidade. mas.

p. 1994. e. permissão e locação)1 7 o procedimento licitatório. emprego público (Medauar. honradez. a licitação. tomada de preços. Meirelles. que importe em enriquecimento ilícito ou proveito próprio ou de outrem no exercício de mandato. Tendo-se em vista que já se tratou do ato administrativo. retidão. É de particular importância que o Estado. desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a admi­ nistração e para os licitantes. afora as hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação (arts. se encontra o da moralidade dos atos públicos. Direito administrativo brasileiro. Na linguagem comum. alienação. Direi­ to administrativo brasileiro. 1994. 494 . ou a prestação de um serviço (obra. função. 251. presentes e futu­ ros. compra. 137. 17. na forma e gradação previstas em lei. entende-se que o ato administrativo praticado em desconformidade com princípios fundamentais do direito.e o ressarcimento ao erário. serviço. como tal. que há de caracterizar a conduta e os atos das autoridades e agentes públicos. decorro do princípio da moralidade administrativa. fica sujeito à anulação pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. sem dúvida. sem pre­ juízo da ação penal cabível”1 4 3. iguali­ tário. entre os quais. p. deve-se. probidade equivale a hones­ tidade. de modo a ser cassado em toda a sua possibilidade e potencialidade lesiva1 5 3. impassível de produzir efeitos passados. p. Direito administrativo moderno. 135. o que propicia igual oportunidade a todos os interessados c atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos” (Meirelles. o que se está a dizer é que o ato ilegítimo é nulo. 1994. 247). 24 e 25 da Lei n. aparecendo como dever. a saber. mencionar qual o tratamento que se confere a um dos principais procedimentos administrativos. “Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administraçao Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. nesse momento. avaliando propostas. 186-187. Meirelles. Cf. As várias modalida­ des licitatórias (concorrência. Nessa medida. é o meio regular para o preenchimento dessa meta jurídico-administrativa. concurso) P 134. e não pessoas ou empresas. integridade de caráter. Cf. 136.666/93). pode ser taxado de ilegítimo. p. Direito administrativo brasileiro. o faça de modo impessoal. previstas especificamente em lei. convite. A probidade administrativa significa: “A probidade. leilão. 1996. Além do que ficou dito. Uma das práticas administrativas de maior preocupação nesse sentido é o procedimento de licitação13 . cargo. 143). concessão. A improbidade administrativa tem um sentido forte de conduta que lese o erário público. ao contratar. As voltas com a necessidade de contratar 6 a aquisição de material. Como proce­ dimento. 3. 8.

na circulação de veículos. da vinculação ao instrumento convocatório. surge como dever de todo administrador o respeito à probida­ de administrativa na prática de ato administrativo. do julgamento objetivo e dos que lhes são cor­ relatos”.. da publicidade. julgamento objetivo. nos espaços urbanos ou rurais. 1994. da moralidade. 8. 22-6-1993) (Regulamenta o art. ao princípio da moralidade1 38: Lei n. p. Seção I — Dos Princípios (arts. Um aspecto relevante a ser considerado quando se discute a importân­ cia da licitação é o fato de que esta é um instrumento procedimental para que a Administração Pública e o Governo executem as políticas de inter­ venção na vida das pessoas.. 3a A licitação destina-se a garantir a observância do princípio consti­ tucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Admi­ nistração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade. inclusive aparece no livro de Meirelles como uma atualização de texto: “Os princípios que regem a licitação. adjudicação compulsória ao vencedor.666. sigilo na apresentação das propostas. da impessoalidade. Além de outras condições formais e legais. da probidade administrativa. “Art. como condição de validade. 250. p. qualquer que seja a sua modalidade. da igualdade. o uso adequado da licitação transforma a sua mera utilidade prática para a Administração Pública em cânone do cumprimento dos compromissos constitucionais do Estado com a cidadania. o que se quer ressaltar é o fato de que a probidade admi­ nistrativa foi incluída como uma condição de suma importância para a execução do ato administrativo1 9 3. agora. deve-se tratar o processo como forma de se revestir uma necessidade públi­ ca com a manta ética da atuação estatal: 138. 495 . Então. Perceba-se que esta é uma preocupação recente. Por isso. Ia a 19). 248). Institui Normas para Licitações e Contratos da Administração Pública e dá outras Providências): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. O Estatuto acrescentou. 37. 1994. o da probidade administrativa (art. Assim. Direito administrativo brasileiro. dentre os princípios básicos da licitação. uma adequação. igualdade entre os licitantes. Cf. Direito administrativo brasileiro.devem prever. pu­ blicidade de seus atos. Ia a 5a). 3S)” (grifo nosso) (Meirelles. no fornecimento de condições técnicas de saneamento. resumem-se nos seguintes preceitos: procedimento formal. de 21-6-1993 (DOU. da Constituição Federal. vinculação ao edital ou convite. XXI. Meirelles. 139. entre outros. no património público.

11-3-1999) (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. 496 . decoro e boa-fé. nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. ampla defesa. vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. ressalvadas as previstas em lei. VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. dentre outros.784. 9. proporcionalidade. entre outros. salvo autorização em lei. de ofício. VI — adequação entre meios e fins. IV — atuação segundo padrões éticos de probidade. contraditório. XI — proibição de cobrança de despesas processuais. aos princípios da legalidade. segurança jurídica. interesse público e eficiência. motivação. 22A Administra­ ção Pública obedecerá. Parágrafo único. vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades. ret. finali­ dade. XII — impulsão. I2 e 22). razoabilidade. XIII — interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. os critérios de: I — atuação conforme a lei e o Direito. II — atendimento a fins de interesse geral. à produção de provas e à interposição de recursos. do processo administrativo. “Art. de 29-1-1999 (DOU. ressalvadas as hipó­ teses de sigilo previstas na Constituição. vedada a imposição de obrigações.Lei n. III — objetividade no atendimento do interesse público. Nos processos administrativos serão observados. VII — indicação dos pressupostos de fato e de direito que determina­ rem a decisão. moralidade. sem prejuízo da atuação dos interessados. l 2-2-1999. à apresentação de alegações finais. vedada a renúncia lotai ou parcial de poderes ou competências. suficientes para propiciar adequado grau de certeza. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. V — divulgação oficial dos atos administrativos. IX — adoção de formas simples. segurança e respeito aos direitos dos administrados: X — garantia dos direitos à comunicação.

ao mau uso do aparelhamento estatal. no atual contexto.Desse modo. Assim. senão aquelas que ainda mais pro­ fundamente sejam capazes de aperfeiçoar as mesmas instituições. so­ bretudo. além de se trilhar a mesma linha do legislador. no sentido da criação única e exclusiva de preceitos legais sobre ética e moralidade administrativa. à transformação do exercício de função pública como se privada fosse. além de respeito à legalidade. e. coletivos e difusos por meio de mecanismos comuns a todos. onde está a administração. pois o que é público. também. caminha em direção à ideia de políticas públicas. Na medida em que se está a praticar um ato que tem que ver com a administração concreta da justiça social. Quer-se dizer que o desprestígio das instituições públicas tem como principal fato gerador o menosprezo da consciência social deferido à coisa pública. o que passa a reclamar do servidor. a coisa pública tem de ser respeitada como condição para que se instrumentalizem os interesses individuais. 497 . O clamor público é nesse sentido. Sabe-se da necessidade de leis para exigirem novas posturas administrativas. Enfim. mas também se sabe que sua eficácia práti­ ca é ainda insuficiente para deter as avalanches de imoralidades adminis­ trativas.. que se protege em si e por si. no entanto. por natureza. ao desleixo na prática de atos administrativos. criar uma forte e consistente política de bani­ mento e expurgo das imoralidades administrativas. com o que é desta geração ou desta sociedade atual. o descrédito das instituições públicas se deve. tal ato deve possuir uma pertinên­ cia tal com os interesses socioinstitucionais que não se permita a interfe­ rência de qualquer outra preocupação. enfim. seja por meio do Legislativo. mais do que centrada na ideia de atos administrativos. ao sucateamento de determinadas áreas de atuação essencial do Estado. ali deve estar o com­ promisso com a coisa pública. com o que é governamental. em grande parte. portanto. quando e onde for praticado um ato administrativo. a busca de eficiência e atendimento das necessidades públicas em coopera­ ção com a sociedade civil. Deve-se. independentemente de qualquer causa ou razão especial. seja por meio do Executivo ou do Judiciário. se define como algo que se defende. uma política de moralização dos setores públicos parece se constituir numa reivindicação de primeiro escalão. inclusive incondicionalmente. A noção de público aqui está a nortear toda a reflexão. A cultura contemporânea.. Aquilo que é público não se confunde com aquilo que é definido como coletivo. onde está o governo.

prevê-se toda uma sistemática para que haja controle de bens por parte de alguns agentes públicos. § le A declaração de bens e rendas será transcrita em livro próprio dc cada órgão e assinada pelo declarante. indireta e fundacional. § 2S O declarante remeterá. Inclusive. 11-11-1993) (Estabelece a Obri­ gatoriedade da Declaração de Bens e Rendas para o Exercício de Cargos. na entrada em exercício de cargo. ainda que não sejam suficientes para debelar toda uma corrente de efeitos que ainda per­ duram como consequência de uma linha antiética que por longo tempo preponderou na administração da justiça social. se for o caso. de 10-11-1993 (DOU. e dá outras providências): “Art. III — adotar as providências inerentes às suas atribuições e. incontinenti.Os tacanhos avanços nessa área são de grande relevo. III — Ministros de Estado. IV — membros do Congresso Nacional. com indicação das fontes de renda. 8. a título exemplificativo. Empregos e Funções nos Poderes Executivo. II — Vice-Presidente da República. ls É obrigatória a apresentação de declaração de bens. II — exercer o controle da legalidade e legitimidade desses bens e rendas. na administração direta.730. renúncia ou afastamento definitivo. empregos ou funções de confiança. 498 . para o fim de este: I — manter registro próprio dos bens e rendas do património privado de autoridades públicas. VI — membros do Ministério Público da União. tudo com vistas à efetiva proteç u> do patrimônio público: Lei n. no término da gestão ou mandato e nas hipóteses de exoneração. inexistindo esta. VII — todos quantos exerçam cargos eletivos e cargos. representar ao Poder competente sobre irregularidades o u abusos apurados. no momento da posse ou. por pai to das autoridades e servidores públicos adiante indicados: I — Presidente da República. com apoio nos sistemas de controle interno de cada Poder. de qualquer dos Poderes da União. V — membros da Magistratura Federal. emprego ou função. bem como no final de cada exercício financeiro. uma cópia da declaração ao Tribunal de Contas da União. Legislativo e Judiciário.

Quer-se. ainda que formalmente. 3. V — prestar a qualquer das Câmaras do Congresso Nacional. que com este baixa.IV — publicar. 1. Parágrafo único. 499 . pela produtividade. Decreto n. e dá outras providências): Capítulo VII — Da Promoção (arts. ls Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 20-9-1960) (Dispõe sobre Classificação de Cargos do Serviço Civil do Poder Executivo. Lei n.2. é que se apreciará o Código de Ética a seguir apresentado (Decreto n.171. pelo compromisso com o público. ret. de 22-6-1994 (DOU. 23-6-1994) (Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (arts. pela tempestividade dos atos praticados. em sessenta dias. no Diário Oficial da União. informações solicitadas por escrito. ética profissional e compreensão dos deveres e. para definir os parâ­ metros pelos quais serão apreciados os comportamentos dos agentes públi­ cos. os servidores públicos federais. em específico. periodicamente. com isso. por extra­ to. “Art. Código de Ética do servidor público civil federal Os próprios degraus da carreira pública encontram-se vinculados a requisitos impostos pela ética profissional.. 12-7-1960. pela urbanidade do agente público. 30.780. restringir. para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou à moralidade administrativa. pela ética profissional1 40. inclusive mediante a Constituição da 140. E. de capacidade e eficiência. dados e elementos constantes da declaração. pelo zelo profissional. de qualificação para o desem­ penho das atribuições de classe superior. de 12-7-1960 (DOU. 1. VI — fornecer certidões e informações requeridas por qualquer cida­ dão. A promoção obedecerá sempre à ordem de classificação do funcionário na lista de merecimento”. Art. de pontualidade e assiduidade.5. o que há é que a ascensão por mérito em carreiras públicas é sempre avaliada pela suficiência funcio­ nal. a escalada na carreira pública aos infratores da ética profissional. Assim. e. inclusive.. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética. ou às respectivas Comissões. 5.171/94). bem assim. espírito de colaboração. na forma da lei”. durante sua permanência na classe. estruturado com vistas à repreensão dos atos desviantes dos interesses públicos contidos nas atividades públicas. 2a Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão. 29 a 33). Estabelece os Vencimentos Correspondentes. Ia a 3a): “Art.

devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. Art. O texto do decreto é sucinto na indicação de suas características nor mativas. mas extremamente extensivo em seu texto Anexo. Quando se está à volta com a aná­ lise do texto do decreto. como consequência. como contrapartida. 1. na conduta do ser­ vidor público. na seção in­ titulada Das Regras Deontológicas. ou fora dele. percebe-se a latitude dos compromissos funcionais assumidos por aqueles que estarão a desempenhar atividades junto à Admi­ nistração Pública. 37. não terá de decidir somente entre o legal e o ilegal: o justo e o injusto. 500 . erigindo-se. dispõe que: •A dignidade. em fator de legalidade (IV). onde se prevcem os comportamentos éticos segundo os quais se poderão avaliar o desempe­ nho e o zelo dos profissionais públicos. De fato.respectiva Comissão de Ética. até por ele próprio. • A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos. de 22-6-1994. o texto do Decreto n. sc|a no exercício do cargo ou função. mas principalmente entre o honesto e o desonesto. consoante as regras contidas no art. que a moralidade administrativa se integre no direito. comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos (I). Parágrafo único. é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo (III). o zelo. já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. caput e § 4fl.171. e por isso se exige. com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. em seu Capítulo I. como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade. 32 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação”. Seus atos. o conveniente e o inconveniente. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público. o oportuno e o inopor­ tuno. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade. da Constituição Federal (II). integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. nos arts. A constituição da Comissão de Ética será comunica­ da à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. I a XV. Assim. cm seu Anexo ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. o decoro. • A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. • O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta.

a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade. ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço. que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação (VIII). difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo impru­ dência no desempenho da função pública (XI). deteriorando-o. mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos (X). não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade. nos termos da lei. • Salvo os casos de segurança nacional. imputável a quem a negar (VII). Assim. como cidadão. por descuido ou má vontade. e. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro. Os repetidos erros. o êxito desse trabalho pode ser conside­ rado como seu maior patrimônio (V). assim. a boa vontade. Da mesma forma. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso. • Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que com­ pete ao setor em que exerça suas funções. os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional (VI). suas esperanças e seus esforços para construí-los (IX). ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. portanto. integrante da sociedade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la. não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado. investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública. seu tempo. • A função pública deve ser tida como exercício profissional e. evitando a conduta negligente. o descaso e o acúmulo de desvios tomam-se.• O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar. velando atentamente por seu cumprimento. o cuidado e o tempo dedicados ao serviço pú­ blico caracterizam o esforço pela disciplina. • Toda pessoa tem direito à verdade. da opressão ou da mentira. se integra na vida particular de cada servidor público. causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público. 501 . • O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus supe­ riores. às vezes. permitindo a formação de longas filas. • A cortesia. já que. mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência. ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum.

escolhendo sempre. cor. interessados e de outros que visem obter quaisquer favores. condição essencial da gestão dos bens. perfeição e rendimento. disponibi­ lidade e atenção. na certeza de que sua ausência provo­ ca danos ao trabalho ordenado. colabora e de todos pode receber colaboração. cunho político e posição social. sem qualquer espécie de preconcei­ to ou distinção de raça. reto. k) ser assíduo e frequente ao serviço. ter urbanidade. sexo. o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas (XII). e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços. dessa forma. pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva. pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação (XIII). ilegais ou aéticas e denunciá-las. • O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional respeitando seus colegas e cada concidadão. exigindo as providências cabíveis. aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público. nacionalidade. refletindo negativamente em todo o sisiema. de contratantes. abstendo-se. porém sem nenhum temor de represen­ tar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal. de causar-lhes dano moral. idade. prin­ cipalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na pres­ tação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições. as atribuições do cargo. direitos e serviços da coletividade a seu cargo. pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias. demons­ trando toda a integridade do seu caráter. seguindo os méto­ dos mais adequados à sua organização e distribuição. a tempo. j) zelar. • São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar. leal e justo.• Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público. respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público. g) ser cortês. b) exercer suas atribuições com rapidez. com o fim de evitar dano moral ao usuário. h) ter respeito à hierarquia. f) ter consciência de que seu tra­ balho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos. n) participar dos 502 . a melhor e a mais vantajosa para o bem comum: d) jamais retardar qualquer prestação de contas. c) ser probo. 1) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público. religião. no exercício do direito de greve. quando esti­ ver diante de duas opções. função ou emprego público de que seja titular. i) resistir a todas as pressões de superiores hierár­ quicos. benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais. m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho.

sem estar legalmente autorizado. 1) 503 . em função de seu espírito de solidariedade. conivente com erro ou infração a esse Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam. posição e influências. es­ timulando o seu integral cumprimento (XIV). para si ou para outrem. de forma absoluta. paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público. segurança e rapidez.movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço públi­ co e dos jurisdicionados administrativos. de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores. prêmio. comissão. • É vedado ao servidor público: a) o uso do cargo ou função. as normas de serviço e a legisla­ ção pertinentes ao órgão onde exerce suas funções. tanto quanto possível. para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim. c) ser. simpatias. f) permitir que perseguições. d) usar de arti­ fícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa. com critério. o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função. sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira. s) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas. para si. gratificação. q) cumprir. j) desviar servidor público para atendimento a interesse particu­ lar. mantendo tudo sempre em boa ordem. solicitar. facilidades. tendo por escopo a realização do bem comum. caprichos. e) deixar de utili­ zar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conheci­ mento para atendimento do seu mister. provocar. para obter qualquer favorecimento. de exercer sua função. familiares ou qualquer pessoa. as tarefas de seu cargo ou função. doação ou vantagem de qualquer espécie. com os jurisdicionados administrativos ou com os colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. tempo. mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei. amizades. t) abster-se. u) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética. h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências. livro ou bem pertencente ao patrimônio público. poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público. r) facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito. k) retirar da repartição pública. antipatías. p) manter-se atualizado com as instruções. qualquer documento. g) pleitear. causando-lhe dano moral ou material. i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos.

fato ou conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético -profissional. poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expe­ diente para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão. • Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta. cumulativamente. indireta. autárquica e fundacional. para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público (XVIII). • Cada Comissão de Ética. em conformidade com este Código. • À Comissão de Ética incumbe fornecer. a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta. terão o rito sumário. cuja análise e deliberação forem reco­ mendáveis para atender ou resguardar o exercício do cargo ou função pública. qualquer cidadão que se identifique ou quaisquer entida­ des associativas regularmente constituídas (XVII). n) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral. a honesti­ dade ou a dignidade da pessoa humana. de amigos ou de terceiros. à entidade em que. 504 . poderá instaurar. deverá ser criada uma Comissão de Ética. se for o caso. • Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidencia. os registros sobre sua conduta ética. de ofício.fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço. de parentes. integrada por três servidores públicos e respec­ tivos suplentes. • Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética. se houver. ouvidos apenas o queixoso e o servidor. encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor. denúncias ou representações formuladas contra o servidor público. para a apu­ ração de fato ou ato que. e. se apresente contrário à ética. cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Esta­ do (XIX). aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores. servidor. competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura (XVI). o) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso (XV). se a apuração decorrer de conheci­ mento de ofício. ou apenas este. ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público. em princípio. processo sobre ato. jurisdicionados administrativos. m) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente. podendo ainda conhecer de consultas. em benefício próprio. desde que formuladas por autoridade. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público.

as fundações públicas. • A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contrata­ do. aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões (XXIII). um compromisso sole­ ne de acatamento e observância das regras estabelecidas por esse Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradi­ ção e pelos bons costumes (XXV). • As decisões da Comissão de Ética. Ademais. alistam-se as seguintes exigências que garantem a higidez do serviço e a adequada prestação de atendimento às necessidades públicas e sociais: 505 . contrato ou de qualquer ato ju­ rídico. para as pro­ vidências disciplinares cabíveis. ainda que sem retribuição financeira. Uma cópia completa de todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República (XXI). no plano dos deveres do servidor. deverá ser prestado. preste serviços de natureza permanente. bem como remetidas às demais Comissões de Ética. o servidor público esteja inscrito. alegando a falta de previsão nesse Código. na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado. ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado (XXIV). desde que ligado direta ou indireta­ mente a qualquer órgão do poder estatal.por exercício profissional. temporária ou excepcional. divulgadas no pró­ prio órgão. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético da própria Comissão. criadas com o fito de formação da consciência ética na prestação de serviços públicos. por força de lei. com a omissão dos nomes dos interessados. caben­ do à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente superior o seu conhe­ cimento e providências (XX). assinado por todos os seus integrantes. como as autarquias. com ciência do faltoso (XXII). as empresas públicas e as sociedades de economia mista. cabendo-lhe recorrer à analogia. • Para fins de apuração do comprometimento ético. perante a respectiva Comissão de Ética. serão resumidas em ementa e. • Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investido em função pública. as entidades paraestatais. entende-se por servidor público todo aquele que. • A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de cen­ sura e sua fundamentação constará do respectivo parecer.

e. 12-12-1990) (DOU. / < ‘tii(loi ik direito administrativo. 1995. III — observar as normas legais e regulamentares. São deveres na medida em que este é o conteúdo mínimo de conduta profissional para que o servidor seja considerado um agente público. exceto quando manifestamente ilegais. Não cumpridos esses deveres. aos moldes da mera omissão dc ile­ galidades. “Art. e. XI — tratar com urbanidade as pessoas. VII — zelar pela economia do material e a conservação do património público. São deveres do servidor: I — exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo. mas avançam no sentido de exigir do servidor uma atitude comissiva. fica o servidor sujei­ to às sanções disciplinares legais1 1 4. das Autarquias e das Fundações Públicas Federais): Título IV — Do Regime Disciplinar (arts. p. que os deveres do servidor público não se restringem a ser simplesmente deveres negativos. 18-3-1998) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União. VI — levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo. XII — representar contra ilegalidade. Percebe-se. pois. 506 . 116 a 142). além da prevenção que sua aplicação enseja” (Lazzarini. tenha condições técnicas de contribuir para o e\ercício das atividades estatais. 19-4-1 w iret. tendo p fim a correção sua. 8.112. 402). ressalvadas as protegidas por sigilo. inclusive. b) à expedição dc certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal. IX — manter conduta compatível com a moralidade administrativa: X — ser assíduo e pontual ao serviço. portanto. IV — cumprir as ordens superiores. omissão ou abuso de poder". VIII — guardar sigilo sobre assunto da repartição. II — ser leal às instituições a que servir. atuante. 16. de contribuir para o combate da ilegalidade e do abuso de poder. 116). de 11-12-1990 (DOU. prestando as infor. c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. 141.Lei n. V — atender com presteza: a) ao público em geral.■ mações requeridas. Capítulo I — Dos Deveres (art. “Pena disciplinar é a sanção imposta ao funcionário público faltoso.

19. destina-se a1 42: I — apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. §1SA polícia federal. 144). em vigor desde a publicação). 144. Pode-se localizar no art.5. II — prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. IV — exercer. 136 a 144). direito e responsabilidade de todos. 144 um conjunto de preceitos que destinam recursos e competências para entidades que devem concorrentemente exer­ cer a segurança pública. “Art. 142. dever do Estado. Capítulo III— Da Segurança Pública (art. § l 2 com redação dada pela Emenda Constitucional n. 5-6-1998. de 4-6-1998 (DOU. Polícias civil e militar: ética e segurança pública É a partir da atribuição constitucional que se pode diferenciar o signi­ ficado das entidades que atuam no desempenho de atividades de segurança pública.3. ou seja. 19. orga­ nizado e mantido pela União e estruturado em carreira. o contrabando e o descaminho. com exclusividade. de 4-6-1998 (DOU. segundo se dispuser em lei. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n. A segurança pública. as funções de polícia judiciária da União. 5-10-1988. 5-6-1998. através dos seguintes órgãos: I — polícia federal. IV — polícias civis. 507 . aeroportuária e de fron­ teira1 3 4. em vigor desde a publicação). II — polícia rodoviária federal. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. instituída por lei como órgão permanente. III — polícia ferroviária federal. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 143. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas dè competência. III — exercer as funções de polícia marítima. V — polícias militares e corpos de bombeiros militares. um dever do Estado: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas.5.

Então. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. as atividades da polícia civil enni aquelas que são próprias da polícia militar: a polícia civil incumbe-se da polícia judiciária e da apuração de infrações penais. de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. inteiramente controladas normativamente pela Constituição. a polícia militar se incumbe da polícia ostensiva e da salvaguarda da ordem pública. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. na verdade. § 7a A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública. prevenir e reprimir o tráfico 508 . portanto. § 5a As polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. serviços e instalações por meio da guarda metropo­ litana1 4 4. 2. “Essa divisão constitucional. aos Governadores dos Estados. está-se diante de situações típicas. destina-se. serviços e interesses da União ou de suas entidade au­ tárquicas e empresas públicas. 144. § 8a Os Municípios poderão constituir guardas municipais desti nadas à proteção de seus bens. além das atribuições definidas em lei. poderia ser reduzida a uma tríplic categoria: polícia federal. aos corpos de bombeiros militares. destina-se. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. dirigidas por delegados de polícia dc carieira. “A polícia federal tem por funções: 1. conforme dispuser a lei". organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. § 6a As polícias militares e corpos de bombeiros militares. assim como outras infrações cuja prática tenha re p e rc u ss ã o interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. § 4a Às polícias civis. órgão permanente. do Território ou do Distrito Fe­ deral. polícia civil e polícia militar. subordinam-se. Ibrças au­ xiliares e reserva do Exército. exceto as militares. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. organi/adn e mantido pela União e estruturado em carreira. Aml\is> são atribuições do Governador do Estado. serviços e instalações. órgão permanente. juntamente com as polícias civis. restando ao Prefeito do Município organizar o policiamento dos monumentos públicos. § 3a A polícia ferroviária federal.§ 2a A polícia rodoviária federal. ressalvada a competência da União. incumbe a execução de atividades de defesa civil. Não se pode confundir. no sentido de se garantir a eficièni ia nu organização dessas instituições importantes para a guarda da lei no corpo social. do Distrito Federal e dos Territórios. incumbem.

com exceção das militares. exercer as funções de polícia marítima. discriminação e violência tomam conta da cultura da segurança pública é o próprio Estado de Direito que está ameaçado em sua legitimidade social. em síntese. 1999. em sua investidura pública. Ética geral e profissional. Ambos são considerados forças auxiliares e reserva do Exército. 145. patrulhar ostensivamente as rodovias federais (polícia rodoviária federal). p. exercer as funções de polícia judiciária da União. exigem propina e participação no produto do crime. o contrabando e o descaminho. Ademais. é o desenvolvimento de uma cultu­ ra de educação e direitos humanos no interior das corporações. . 1999. A Constituição prevê sejam elas dirigidas por delegados de po­ lícia de carreira. 283-284). hoje entidade federativa. há em comum com essas atividades de segurança a natureza de serviço a favor da comunidade. O grande desafio de promover segurança com cidadania. qualquer direito humano” (Nalini. “A polícia civil exerce as funções de polícia judiciária e apuração das infrações penais. além das atribuições definidas em lei. utilizam-se de tortura e não respeitam. O agente de segurança. deve ser: aquele que é fiel cumpridor de seus deveres e atribuições. patrulhar ostensivamente as ferrovias federais (polícia ferroviária federal). sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. Ética geral e profissional. 6. o policiamento comunitário e as diversas formas de aprimoramento da polícia e sua atividade socialmente relevante de defesa da pessoa humana devem estar em discussão para que a polícia não se vulgarize em valores e se equi­ pare à própria atividade violenta que procura combater. truculência. que atiram antes de saber quem são suas vítimas. p. a quem. aos governadores. incumbe a execução de atividades de defesa civil. Quando corrupção. São policiais arbitrários. surgem as arbitrariedades e os ilegalismos aos quais nem mesmo o Estado é capaz de enfrentar. e é esse conceito que se está diluindo dentro de uma cultura do desmando e da corrupção dos poderes1 5 4. é o corpo de bombeiros mili­ tares. aérea e de fronteiras. tendo-se em vista que seus pró­ prios agentes estão envolvidos na corruptela dos sagrados valores sociojurídicos. Ruindo esse conceito. assim como a polícia civil.De qualquer forma. sendo estes valores complementares e não opostos. 285). fazem surgir drogas nas revistas a que procedem. mas se subor­ dinam. destacado pelo constituinte. constituir guardas municipais com o único objetivo de proteger seus bens. aquele que é servidor da ilícito de entorpecentes e drogas afins. “A polícia militar se encarrega do policiamento ostensivo e da preservação da ordem pública. “É reservado ao município. 5. Um de seus organismos. 4. “A comunidade recebe todos os dias carga considerável de queixas e críticas contra a polícia. 3. serviços e instalações” (Nalini.

igualmente voltadas à conseci ição do bem comum. noticiam conflitos entre órgãos policiais. Nas raí/es da 510 . de reconhe­ cida necessidade social. entre policiais civis e militares1 9 todos estão investidos 4. “A sadia convivência entre as polícias. recuperação salarial. Uma falsa noção de conflito de atribuições é. a corrupção dos agentes públicos. 1999. cm 1980. invariavelmente. E as receitas são as já conhecidas de todos: adoção de mecanismos adequados de seleção e de capacitação dos quadros. c) a distribuição inndequada de renda. adoção de critérios objetivos de aferiçao do desempenho. Estudos de direito administrativo.comunidade à qual se liga. deve o profissional que adentra à função capacitar-se para o exercício do mister independente de qualquer condicionamento exterior. 148. 78). Eles ocorrem.. d) a falta de planejamento familiar. Nessa condição. 1995. No entanto. b) a má distribuição demográfica. 147. que se incumbem da segurança pública1 8 Premidos 4. a causa desses melindres: “Os órgãos de comunicação social.*47. geraram o sucateamento das instituições. servidor de sua comunidade. aquele que é protetor incondicional das pessoasaquele que é profissional responsável no exercício de suas atividades. A erosão das instituições. 1999. não raras vezes. primando pela ética profissional em favor dos interesses públicos decorrentes da própria natureza da ativi J. Essa deontologia se extrai das lições de Nalini: “O policial é o servidor encarre­ gado de fazer cumprir a lei. 146. <le\ endo ser fiel cumpridor dos deveres legais. Eis aí uma deontologia dos agentes públicos de segurança1 6 4. protetor de todas as pessoas e profissional responsável” (Nalini. p.ule. p. a criação de uma cons­ ciência generalizada da impunidade. Ética geral e profissional. por vezes seus agentes se encontram diante de situações que facilitam o descumprimento dos deveres profissionais ineren­ tes ao exercício da função pública. p. dispersão de esforços. “O relatório dos juristas reunidos no Fórum Criminalidade e Violência. dentre os quais avulta a observância eslnta às normas éticas” (Nalini.. Nesse contexto é que não se pode cogitar da existência de diferenças e melindres entre os exercentes das atividades de segurança pública e. já apontava como fatores sociais geradores de insegurança os seguintes: a) crescimento populacional acelerado. da super­ posição de meios. f) o problema do menor” (Lazzarini. a falta de investimento no setor. e) as favelas e conglomerados. com certeza. Ética geral e profissional. 303). por necessidades imediatas. reforço dos padrões qualitativos. submete-se a quatro coordenadas. 288). a desvalorização do conceiiu do\ agentes públicos. o aumento insuportável das taxas de criminalidade. 149. entre outros fatores. busca de notoriedade por policiais. está condicionada ao desenvolvimento da consciência ética de seus integrantes. que denominam de atritos entre as polícias. Mas toda essa deontologia se toma mero código fraco de obrigações éticas quando se está diante de um grave problema social e político: a falta de valorização da segurança pública. mais especificamente.

e ao cumprimento das finalidades que deram origem ao seu surgimento corporativo. fatos políticos” (Lazzarini. 5a a 192). “Art. II — garantir o desenvolvimento nacional. p. 1973) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Funcionários Policiais Civis do Departamento Federal de Segurança Pública e da Polícia do Distrito Federal. 5-10-1988. com todas as letras. podemos encontrar objetivamente uma mistura de desconhecimento da lei. 62). de 3 de dezembro de 1965): Título II — Do Provimento e da Vacância (arts. Em todos os sentidos. ou re-construção. Estudos de direito administrativo. 511 . 1995. Seção II — Da Promoção por Merecimento (arts. idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Além do mister ético. 72 da Lei n. Ia a 4a). mas que se direcionam para a realização de ideais conjuntos do Estado: a construção de um Estado democrático. sexo. de pontualidade e assiduidade. 5-10-1966. inclusive. como forma de renovação das mentalidades profissional e social em tomo da questão da segurança pública. tendo-se em vista a diferenciação de competências. raça. encontra-se. 43 a 74). durante sua permanência na classe. inevitavelmente. cor. III — erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualda­ des sociais e regionais.878. E nesse sentido que se pode dizer que a ética funciona como instrumento social de alto valor. 4.310. de sua própria produtividade. de 27-9-1966 (DOU. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. ret. previsão de estímulo ao profissional que valoriza a atuação ética: Decreto n. sem preconceitos de origem. 3a Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I — construir uma sociedade livre. de capa­ cidade e eficiência. justa e solidária. que não se confundem. busca de publicidade pessoal e num ano eleitoral. ética profissional e compreen- divergência. urna vez que seria capaz de reabilitar a integridade desses órgãos socioinstitucionais. nos dizeres constitucionais: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 43. “Art. das forças públicas. IV — promover o bem de todos. o que significa.de poderes. 30 a 102). portanto. Capítulo VI — Da Pro­ moção (arts. espírito de colaboração. na Forma Prevista no art. sentimentos corporativistas e até classistas. a ética se constitui um pilar a favor da construção. com vistas ao aumento da eficácia de sua atuação. 59. 191-A): Título I — Dos Principios Fundamentais (arts.

Capítulo I — Das Obrigações dos Bombeiros Militares (arts. tendo em vista o cumprimento da missão comum. II — exercer. conduta moral e profis­ sional irrepreensíveis com a observância dos seguintes preceitos da ética do bombeiro militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos da dig­ nidade pessoal. e dá outras providências. VIII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. os regulamentos. de qualificação para o desempenho das atribuições de classe superior. Art. 7. V — ser justo e imparcial nos julgamentos dos atos e na apreciaçao do mérito dos subordinados. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. com vistas à realização máxima do profissional em serviço e à máxima serventia das instituições ou da organização para a sociedade. Anexo à Lei n. eficiência e probidade. 29 a 31). VII — praticar a camaradagem e desenvolver. 29. o brio do bombeiro militar e o decoro da classe impõe a cada üm dos integrantes do Corpo de Bombeiros. 4-6-1986) (Aprova o Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. 7. 512 . IX — ser discreto em suas atitudes e maneiras e em sua linguagem escrita e falada. o espírito de cooperação. 28 a 50). IV — cumprir e fazer cumprir as leis. permanentemente. físico e. ou em razão dela. intelectual. assim como de agir com cortesia e polidez no trato com os colegas e as parles'’. 55. III — respeitar a dignidade da pessoa humana. com autoridade. também.são dos deveres e. entre outras exigências pessoais. de 2 de junho de 1986): Título II — Das Obrigações e dos Deveres dos Bombeiros Militares (arts. Ética profissional é a capacidade de discrição demonstrada pelo funcionário no exercício de sua atividade. pelo dos subordinados. as instruções e as ordens das autoridades competentes. moral. de 2-6-1986 (DOU.479. 28 a 3 1). psicológicas. bem assim.479. no exercício de suas funções: Lei n. são exigências do próprio Código de Ética Profissional /dar pelo conceito social da instituição à qual pertence o atuante do órgão de segurança. morais. Se­ ção II — Da Ética do Bombeiro Militar (arts. Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. VI — zelar pelo preparo próprio. prol insídnais e técnicas. Ademais. O senti­ mento do dever. “Art.

Delegado de polícia: ética e autoridade As funções de polícia judiciária e de apuração de infrações penais incumbe.5. Essas atividades. b) em atividades comerciais.1. XIV — garantir a assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar. se devidamente autorizado. 5. mesmo fora do serviço ou na inatividade. esta profissão tem matiz muito delicado. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. por delegação constitucional. na situação de inatividade. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. c) em atividades industriais. do uso das designações hierárquicas quando: a) em atividades político-partidárias. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular. do respeito e do decoro de bombeiro militar. serão dirigidas por delegados de polícia de carreira. excetuando-se os de nature­ za exclusivamente técnica. XII — cumprir seus deveres de cidadão. XVIII — abster-se. Por lidar diretamen­ te com questões de violência e liberdade. à polícia civil. XVI — observar as normas de boa educação. XV — conduzir-se. d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou referentes à Corporação. mesmo que seja da Administração Pública. fora do âmbito apropriado.X — abster-se de tratar. que chefiam e coordenam as 513 . XIX — zelar pelo bom nome do Corpo de Bombeiros e de cada um de seus integrantes. que não se confundem com as exercidas pela polícia militar (polícia ostensiva e preservação da ordem pública). XVII — abster-se de fazer uso do posto ou graduação para obter faci­ lidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios parti­ culares ou de terceiros. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética de bombeiro militar”.3. e e) no exercício de cargo ou função de natureza civil. XI — acatar as autoridades civis.

mas sim um poder capaz de libertá-lo e de favorecer ainda mais o progresso social. Entre uso de autoridade e abuso de autoridade1 0 existe 5 grande vão. do Distrito Federal e dos Territórios". o cidadão não delega ao Estado um poder capaz de oprimi-lo por meio inclusive do uso da força. de 9-12-19ÍÕ e Lei n. no sentido da prevenção de delitos. forças au­ xiliares e reserva do Exército. Enfim. 136 a 144). 5. aos Governadores dos Estados.). como tal. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidado das pessoas e do patrimônio. § 6SAs polícias militares e corpos de bombeiros militares. esse exercício deve ser moderado e invocado somente quandi >da ocorrência de necessidades emergenciais e incontomáveis. juntamente com as polícias civis. A respeito... de 9-2-1967. A Lei de Abuso de Autoridade foi instituída exatamente com o intuito de puim' autoridades que se valem da condição de exercente de um poder do Estado para comeier desmandos.principais atribuições legais cominadas aos demais serventuários da polícia civil (cartorários. conforme previsão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. subordinam-se. Mas esse acúmulo de poder não significa abertura para a arbitrariedade. O delegado de polícia é autoridade pública e. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. incumbem. assim como da repressão de delitos. sua formação deve necessaria­ mente estar muito bem cercada por preocupações vindas da educação em direitos humanos. lê-se na Constituição: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU.898. ressalvada a competência da União. Capítulo III — Da Segurança Pública (art. preenchido por todas as preocupações que se destacam dos direitos humanos. dirigidas por delegados de polícia de carreira. A autoridade do delegado de polícia possui limites caracteristicamen­ te constitucionais. 514 . “Ari. Da redação do atual texto constitucional transparece esse 150. e se a coerção pode chegar ao limite do exercício fático do monopólio da força. por isso. A segurança pública. direito e responsabilidade de iodos. § 42 Às polícias civis. exceto as militares. 4. Se somente ao Estado é deferido o direito de exercer coercitivamente seus mandamen­ tos. a legislação específica na seara penal: Lei n.). através dos seguintes órgãos: IV — polícias civis (. É evidente que. 144. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. investigadores. 5-10-1988.. De fato.. dever do Estado. 144).249. está investido de instrumentos para o exercício da lei penal e processual penal.

d) prestação social alternativa. 84. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. e) suspensão ou interdição de di­ reitos. às formas e pena. se omitirem. c) multa. XLV — nenhuma pena passará da pessoa do condenado. 5-10-1988. “Art. à igualdade. sem distinção de qualquer natureza. salvo em caso de guerra declarada. b) perda de bens. III — ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. L — às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. entre outras: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. podendo evitá-los. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviola­ bilidade do direito à vida. d) de banimento. 515 . à culpa durante o processamento penal. de acordo com a natureza do delito. até o li­ mite do valor do patrimônio transferido. c) de trabalhos forçados. e) cruéis. XLIII — a lei considerará crimes infiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. XIX. XLVI — a lei regulará a individualização da pena e adotará. 52). a idade e o sexo do apenado. 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. nos termos seguintes: I — homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. por eles respon­ dendo os mandantes. uma vez que se detecta uma fecunda abundância de artigos voltados para a proteção de direitos relativos ao procedimento penal. II — ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. à liberdade. nos termos do art. b) de caráter perpétuo. XLIX — é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. 5a Todos são iguais perante a lei. à segurança e à proprie­ dade. Capítulo I — Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. os executores e os que. entre outras. ao processo penal. XLVIII — a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. nos termos da lei. à higidez física e moral do preso. à execução penal. nos termos desta Constituição. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. 5a a 17). XLVII — não haverá penas: a) de morte. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade.tipo de preocupação.

LXVIII — conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sol rer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de loco­ moção. salvo nas hipóteses previstas em lei. criminalizada ou não. sendo-lhe assegurada a assistência da família e do ad­ vogado.so ou à pessoa por ele indicada. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. LXI — ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. LIV — ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o de­ vido processo legal. e muito menos ainda por agentes do 516 . em contrarie­ dade com todo um fluxo de princípios e mandamentos constitucionais que se direcionam no sentido de dizer que toda pessoa humana. ai otados ou violados por quaisquer pessoas. com ou sem fiança. LVIIII — o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal.LUI — ninguém será processado nem sentenciado senão pela autori­ dade competente. LVII — ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatoria. quando a lei admitir a liberdade provisória. as provas obtidas por meios ilícitos. LXIV — o preso tem direito à identificação dos responsáveis por . LXY — a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. com os meios e recursos a ela inerentes. por ilegalidade ou abuso de poder”. LXVI — ninguém será levado à prisão ou nela mantido. possui direitos fundamentais que não podem ser atingidos. Não pode. LY — aos litigantes. entre os quais o de permanecer calado. o delegado agir. definidos cm lei: LXII — a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontro serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do pro. no processo. LXIII — o preso será informado de seus direitos. em primeiro lugar. portanto. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. LVI — são inadmissíveis.sua prisão ou por seu interrogatório policial. em processo judicial ou administrativo.

sociais em tomo da lei penal e da defesa dos ditames que separam a legali­ dade da arbitrariedade. Art. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional1 2 5. h) ao direito de reunião. ou militar. Alínea j acrescentada pela Lei n. “Art. c) ao sigilo da correspondência. custas. 1999.898. 301). deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade1 3 5. 13-12-1965) (Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal.657. ainda que transitoriamente e sem remuneração. de natureza civil. e) levar à prisão e nela deter quem quer se proponha a prestar fiança. f) cobrar o carcereiro ou agente de autori­ dade policial carceragem.960. Ética geral e profissional. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. mesmo seja ele equivalente ao preço da vida” (Nalini. Assim. 151. custas. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. para os efeitos desta Lei. quer quanto ao seu valor. 4a Constitui também abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. nos Casos de Abuso de Autoridade). ime­ diatamente. quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. Art. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. 7. d) deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada.Estado1 1 Em segundo lugar. de 5-6-1979. d) à liberdade de consciência e de crença. emprego ou função pública. a polícia vem sofrendo um processo de transfor­ mação. p. 4. 6. de 21-12-1989. Ideais democráticos reclamam uma polícia a serviço do povo e não mantenedora da ordem a qualquer custo. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. emolumentos ou de qualquer outra despesa. 152. quem exer­ ce cargo. 153. permitida em lei. Alínea i acrescentada pela Lei n. 3a Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. de 9-12-1965 (DOU. emolumentos ou qualquer outra despesa. “Em todo o mundo civilizado. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer­ cício do voto. não pode o delegado contrariar os interesses 5. quer quanto à espécie. c) deixar de comunicar. 517 . h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. prevê a Lei de Abuso de Autoridade: Lei n. b) à inviolabi­ lidade do domicílio. i) à incolumidade física do indivíduo. f) à liber­ dade de associação. 5a Considera-se autoridade. i) prolongar a execução de prisão temporária. e) ao livre exercício de culto religioso. de pena ou de medida de segurança.

apuratória de provas no procedimento de sua alçada: preventiva da criminalidade. a bem do serviço público. civil ou militar. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer ou Ira função pública por prazo até 3 (três) anos. o cumprimento de 518 . a contrario sensu. c) suspensão do cargo. § 4a As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. a ética do delegado deve ser. como sói ocorrer no texto da Lei de Abuso de Autoridade. sobretudo no sentido da manutenção e recuperação de vestígios criminais e da custódia de presos provisórios. b)repreensão. de qualquer categoria. fundamentalmente. repressiva da criminalidade. poderá ser cominada a pena autôno­ ma ou acessória. § Ia A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gra\ id. 6a O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção adminis­ trativa civil e penal. Ademais. § 3a A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem cruzeiros a cinco mil cruzeiros. uma insistên­ cia sobre sua postura constitucional no exercício da função pública: investigatória de fatos. § 5a Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial.Art. § 2a A sanção civil. e) demissão. Então. quer dizer que são deveres da autoridade pública abster-se desses comportamentos. caso não seja possível fixar o valor do dano.uL' do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. sob pena de se cometer infração passível de sanções de diversas gravidados. de não poder o acusado exercer funções de natureza poli­ cial ou militar no município da culpa. b) detenção por 10 (dez) dias a 6 (seis) meses. por prazo de 1 (um) a 5 (cinco) anos Quando a lei prevê mandamentos que devem ser respeitados. executiva de ordens judiciais. com perda de vencimentos e vantagens. função ou posto por prazo de 5 (cinco) a 180 (cento e oitenta) dias. d) destituição de função. con­ sistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cru/oitos. f) demissão.

V. não a embainhes sem honra. deves manter sobre eles. IV. Nesse sentido. em hipótese alguma deves ma­ nifestar-te. de nossas tradições. Lembra-te de Deus e da Pátria em todas as tuas ações.seus deveres consiste na legal execução dos preceitos que a lei prevê como manifestações típicas da carreira e da profissão. Nunca afirmes. Jamais coloques as conveniências de tua carreira acima da tua trajetória moral. Aperfeiçoa constantemente tua formação intelectual. cuja reprodução pode colaborar para a sempre necessária reflexão em tomo ao tema: Diz ele: I. custe o que custar. ascendência moral e intelectual. Lembra-te de que teu mérito como delegado não residirá num posto honorífico. José Renato Nalini se preocupa em apontar: “O delegado Manoel Ribeiro da Cruz elaborou um Código de Ética aprovado pela Dire­ toria da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. de nossas instituições. Não desembainhes tua espada sem motivo. VII. a fim de convertê-la em instru­ mento perfeito da tua cooperação na obra de reerguimento da Pátria. Quanto à existência de um conjunto de princípios éticos da carreira. Em presença de estranhos à classe. abstendo-se de todo e qual­ quer tipo de infração que caracterize um excedente de poder. nesse espaço. Sê um sustentáculo de nossas leis. Procura co­ nhecer a fundo a profissão que abraçaste. ainda que isto te custe os mais pesados sacrifícios. cumpre-a. VI. 519 . senão aquilo que tiveres por certo e. de vigiar aos teus concidadãos. Não a empenhes em vão. ainda assim. Tua palavra deve ser considerada dos maiores bens que possas ter. Reserva o teu rigor para as causas maiores. vigia-te a ti próprio. Não te consideres chefe de teus subordinados apenas porque tens um título que assim o declara. VIII. há que se utilizar. nem demitir-te. Proferindo-a. daquele documento que representa a ma­ nifestação unitária das preocupações da entidade que representa a classe. mas na tua integridade. porém. II. III. Antes. O encaminha­ mento ágil dos expedientes administrativos são parte desta preocupação por realizar justiça pela efetividade do procedimento. da qual ninguém poderá re­ mover-te. Se és seu superior. nem aposentar-te. quando isso for necessário para evitar mal maior. em detrimento de teus colegas.

IX. Sê firme e coerente em todas as tuas atitudes; X. A autoridade policial não é um carrasco, mas sim um guia. Procu­ ra antes esclarecer do que reprimir; antes persuadir do que castigar"1 1 ' . 5.5.4. Forças Armadas: ética, soberania nacional e cidadania A carreira militar também se estrutura, em seus moldes primordiais, a partir de ditames constitucionais. Assim, Marinha, Exército e Aeronáutica concentram atribuições militares diferenciadas entre si (Capítulo II, Título V) e distintas no que pertine à sua relação com os órgãos destinados íi se­ gurança pública (Capítulo III, Título V). Então: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5 -10-19X .S. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 el43). "Ari. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército c pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organiza­ das com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. I — as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uni Ibrmes das Forças Armadas; II — o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei: III — o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antiguida­ de, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; IV — ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;

154. Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 297-298.

520

V — o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; VI — o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; VII — o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena priva­ tiva de liberdade superior a 2 (dois) anos, por sentença transitada em julga­ do, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; VIII —- aplica-se aos militares o disposto no art. 7a, VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV e no art. 37, XI, XIII, XIV e XV; IX — aplica-se aos militares e a seus pensionistas o disposto no art. 40, §§ 7a e 82; X — a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos inter­ nacionais e de guerra”. Assim, a carreira militar possui hierarquia e função próprias, além de previsão orçamentária e finalidades peculiares, e seu estágio inicial se cons­ titui em atividade obrigatória a todos os cidadãos como preparação cívica e formação de contingentes de reserva para eventuais necessidades de mo­ bilização e defesa da soberania nacional. Além do estágio inicial obrigató­ rio, a carreira estrutura-se com vistas à formação de profissionais de alta qualificação e hierarquia militar, à composição dos órgãos de que integram a Justiça Militar etc. No entanto, existem hipóteses que permitem às Forças Armadas desempenharem atuação diversa da defesa nacional, através das chamadas atividades alternativas à execução de tarefas militares. De fato, com permissão constitucional, insere-se em meio às atuais preocupações da instituição a prestação de serviço à comunidade (Portaria n. 2.681 — COSEMI de 28-7-1992: aprova o regulamento da lei de presta­ ção do serviço alternativo ao serviço militar obrigatório)15 . E mais: 5

155. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5-10-1988, 191-A): Tí­ tulo V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 e 143), “Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos

521

Lei n. 8.239, de 4-10-1991 (DOU, 7-10-1991; ret. 6-12-1991) (Regu­ lamenta o art. 143, §§ ls e 2a da Constituição Federal, que dispõe sobre a Prestação de Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório (arts. 1“ a 82) (Regulamentada pelo Decreto n. 317, de 30-10-1991), “Art. 3 2 O Ser­ viço Militar é obrigatório a todos os brasileiros, nos termos da lei. § l2Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, na forma da lei e em coordenação com os Ministérios Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consci­ ência decorrente de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2° Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar. § 3a O Serviço Alternativo será prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de formação de reservas das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, mediante convênios entre estes e os Ministérios Militares, desde que haja interesse recíproco e, também, sejam atendidas as aptidões do convocado. Art. 49 Ao final do período de atividades previsto na § 2a do art. 3a desta Lei, será conferido Certificado de Prestação Alternativa ao Serviço Militar Obrigatório, com os mesmos efeitos jurídicos do Certificado de Reservista. § Ia A recusa ou o cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por motivo de responsabilidade pessoal do convoca­ do, implicará o não fornecimento do Certificado correspondente, pelo prazo de dois anos após o vencimento do período estabelecido. § 2 - Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o Certificado só será emitido após a decretação, pela autoridade competente, da suspensão dos direitos políticos do inadimplente, que poderá, a qualquer tempo, regulari­ zar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas”.

termos da lei. § l 2Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo -se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2aAs mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros en­ cargos que a lei lhes atribuir” (Regulamentados os §§ Ia e 2- deste artigo pela Lei n. 8.2/A de 4-10-1991).

522

em uma de suas instituições. 28 a 30). § l 2 Os integrantes da reserva. “Art. Capítulo I — Das Obri­ gações Militares (arts. Sob sua custódia se encontra aque­ le que estará. ficam proibidos de tratar. também é cominada às Forças Armadas o dever cívico de educação e formação do jovem alistado. essa convicção enriquece a tarefa delegada às forças armadas pela Constituição. exceto como acionista ou quotista. Existem proibições expressas e vedações que restringem as atividades do militar: Lei n. 11-12-1980) (Dispõe sobre o Estatuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. diretamente. nas organizações militares e nas repartições públicas civis. sobretudo quando da ocorrência de comoções públicas. O Estatuto dos Militares acentua e reforça a necessidade da ética como fator determinante na formação e no cumprimento de deveres indelegáveis1 6 5 daqueles que ingressam no Exército. se a defesa da soberania nacional é incumbência sua. expurgando-se qualquer possível tentativa de formação de autoridades de desmando. De fato. de atitudes grupais ou individuais caracteri­ zadas pela violência e pela insurreição à ordem democrática instituída. a preocupação com a ética na corporação deve existir como forma de lapidação dos conceitos-chave do convívio humano. a gestão de seus bens. Seção II — Da Ética Militar (arts. desde que não infrinjam 523 . em sociedade anô­ nima ou por quotas de responsabilidade limitada. da ordem e da disciplina na defesa dos valores fundamentais da República.880. De fato. de 9-12-1980 (DOU. De fato. de guerra civil ou guerra externa. § 22 Os mi­ litares da ativa podem exercer. de ideologias contrárias ao sentimento nacional ou mesmo ao sentimento de humanidade na defesa dos valores primordiais que nortearam a promulgação das Declarações Internacionais de Direitos e a própria promulgação da Constituição Federal de 1988. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de socie­ dade ou dela ser sócio ou participar. O dever ético aí funciona como elemento catalisador das intenções do legislador constitucional. 27 a 30). Coletivos e Sociais. 6. servindo o Estado. essas exigências e essa previsão constitucional e legal é que se estima que as Forças Armadas se coloquem a serviço da coletividade. 27 a 49). e esse período deve resultar em um benefício ainda maior para a coletividade com a formação dos conceitos primordiais da cidadania. de interesse de organizações ou empresas privadas de qualquer natureza. tomando-a não somente órgão passivo na administração da paz. na Aeronáutica ou na Marinha: 156. quando convocados.Com essas estruturas. mas órgão ativo na garantia da cidadania nacional. ainda que temporariamente. 29. uma vez que é este o bastião da efetividade e da produtividade das funções do Estado. com especial atenção para a importância dos capítulos sobre Direitos Individuais.

Seção II — Da Ética Militar (arts. as instruções e as ordens das autoridades competentes. moral. a cada um dos integrantes das Forças Armadas. XII — cumprir seus deveres de cidadão. “Art. III — respeitar a dignidade da pessoa humana. permanentemente. 28. desde que tal prática não prejudique o sen iço e não infrinja o disposto neste artigo”. IX — ser discreto em suas atitudes. pelo dos subordinados. II — exercer. fora do âmbito apropriado. também. com a observância dos seguintes preceitos de ética militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de digni­ dade pessoal.Lei n. Capítulo I — Das Obrigações Militares (arts. V — ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados. os regulamentos. 27 a 30). 524 . maneiras e em sua linguagem escrita e falada. o espírito de cooperação. § 3BNo intuito de desenvolver a prática profissional. O sentimento do de\er. XI — acatar as autoridades civis. IV — cumprir e fazer cumprir as leis. 11-12-1980) (Dispõe sobre o Esta­ tuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. de 9-12-1980 {DOU. conduta moral e profissional irrepreensíveis. é permi­ tido aos oficiais titulares dos Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o exercício de atividade técnico -profissional no meio civil. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. intelectual e físico e. tendo em vista o cumprimento da missão comum: VII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. com autoridade. 28 a 30). 6. eficiência e probidade.880. VI — zelar pelo preparo próprio. o disposto no presente artigo. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular: XIV — observar as normas da boa educação. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. X — abster-se de tratar. o pundonor militar e o decoro da classe impõem. XV — garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar. 27 a 49). VIII — praticar a camaradagem e desenvolver.

do respeito e do decoro militar. p. Câma­ ra dos Deputados. 1994. nos termos da legislação eleitoral. para mandatos nas Corporações Legislativas (Senado Federal. Direito administrativo brasileiro. Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais) ou nas Chefias dos Executivos (Presidente da República. e e) no exer­ cício de cargo ou função de natureza civil. XVIII — abster-se. por isso mesmo. seja em funções legislativas (considerando-se ainda as altas funções judiciárias) em todos os planos. b) em atividades comerciais. seja em funções executivas. XVII — abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros. 5. Governadores de Estados-Membros. só cassável. mesmo fora do serviço ou quando já na inativi­ dade. e os nomeados. mas apenas a plenitude de seus direitos políticos. também. 2° e 14). ou restrito a determinados eleitores. 157. mesmo que seja da Administra­ ção Pública. por eleição direta ou indireta. 77). distrital ou municipal1 7 Esse apontamento conceituai é fundamental para que se de5. excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica. na inatividade. Ética e carreira política Ao se mencionar a palavra “político”. median­ te sufrágio universal. “Investidura política: realiza-se. exoneráveis ad nutum. a qualquer tempo” (Meirelles.6.XVI — conduzir-se. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. e XIX — zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes. em regra. se devidamente autorizado. investidura política a dos altos cargos do Governo. pelo Plenário da respectiva corporação. razão pela qual não se exigem do candidato requisitos profissionais. estadual. na forma da Constituição da Re­ pública (arts. federal. d) para discutir ou provocar discussões pela im­ prensa a respeito de assuntos políticos ou militares. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar”. sendo. em princípio. com a diferença de que os eleitos exercem mandato por certo tempo. como os de Ministros e Secre­ tários de Estados. Procurador-Geral da República e Governadores de Territórios. 525 . Considera-se. cargo em comissão (de confiança). O fundamento dessa investidura é a condição cívi­ ca do cidadão. do uso das designações hierárqui­ cas: a) em atividades político-partidárias. Governadores do Distrito Federal e Prefeitos Municipais). c) em atividades industriais. quer-se significar com isso toda função pública com investidura eletiva (eleição direta ou indireta) diante dos Poderes Públicos. Ministros de Tribunais Superiores. ou ainda a expressão “carreira política”.

a defesa do interesse público está acima de qualquer outro tipo dc vantagem ou interesse pessoal (mensalinhos. bem como as 5 políticas a serem imprimidas na sociedade. 60). decorrente da própria confiabilidade depositada pelo eleitor sobre o eleito. Gerir com responsabilidade é um dever jurídico. A quebra deste pacto. Estar a serviço da cidadania de um país. É exatamente por isso que sua responsabilida­ de ética se torna maior.termine o estatuto ético dessa categoria. 526 . do Governo é a sua expressão política de comando. se fazem sentir e repercutir sobre a população em geral e sobre os negócios do Estado. de autonomia política na condução dos negócios públicos” (Meirelles. p. dos agentes credenciados. pelo menos. mensalões ou outras formas de vantagens). de iniciativa. Meirelles. Cf. 1994. Direito administrativo brasileiro. O governo atua mediante atos de soberania ou. dos agentes delegados. de fixação de objetivo do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. desprender-se de seus interesses pessoais. 72. 1994. Aqueles que exercem cargos ou funções eletivas são agentes políticos do Estado1 9 possuindo maior liberdade para agir e criar. dos agentes honoríficos. desta aliança. 1994. de um Estado ou de unia nação é o mesmo que estar a serviço dos interesses coletivos. é o conjunto de Poderes e órgãos consiitucionais. sobretudo. em que um credita ao outro um conjunto de poderes para agir e gerir em seu lugar. pois quanto maior a liberdade conferida a um agente político1 0 para determinar os destinos e as metas da coisa pública. maior a carga de responsabilidade decorrente da eleição destes e não da­ queles fins. 159. pois os efeitos de suas ações. em sentido material. porém. abre a possibilidade de se autorizar o fim da gestão política e a punição dos culpados. é a condução política dos negócios públicos” (Meirelles. sem dúvida. dos agentes administrativos. p. com vistas ao aten­ dimento dos ideais públicos. desprender-se dos interesses de uma categoria e fazer-se longa manus da população na busca da idenli- 158. em sentido opera­ cional. Essa consciência ética deve ser o norte de todo estadista. p. nesse sen­ tido. tendo em vista a 5. 60). de suas ideias. Estar à frente da condução da coisa pública importa em desprender-se de si. 6. 160. onde figura a dei inição de agente político. um dever ético. necessidade de lhes conferir amplos poderes de gestão. desta relação. Direito administrativo brasileiro. Direito administrativo brasileiro. Sobre o governo: “Em sentido formal. mas. é o complexo de funções estatais básicas. de seus empreen­ dimentos. e. que está profundamente atrelada ao governo1 8 e que define o perfil de atuação do Estado. “A constante. em face dos agentes públicos.

acima das promessas de benefícios e cargos. de aumentar posses financeiras. quando um agente publico (o eleitor. participação. “A opção do eleitor deverá ser refletida. 161. está o com­ promisso com a coletividade1 3 6. Ética geral e profissional.. para administrar a prefeitura. mas. 1999. O que é de interesse de todos não pode estar à deriva. 162. está-se diante do governo da desrazão.ficação de suas necessidades e do suprimento de seus ideais. como o dos anões do orçamento. mas sobretudo os eleitos) recebe esse impacto de corrupção do corruptor. “Enfim. in Farah. De fato. para preparar a sua manutenção sequencial no poder.. o que só se pode pensar em fazer de modo responsável e ético. e muito menos ser conduzido ao sabor da vontade de um. Quando a gestão se transforma em meio de adquirir vantagens pesso­ ais. por exemplo. res­ ponsabilidade individual e social. a outra face da responsabilidade e da ética na política é a importância do eleitor-cidadão no exercício do direito de voto. não deixam esquecidas as exigências éticas postas a quem foi eleito para defender o interesse coletivo” (Nalini. p. isso. para administrar o Estado. 149). 163. significa que essa atribuição é um ato não de concessão de poderes. para o exercício de seus caprichos pessoais em dissonância com os interesses públicos. “Os contínuos escândalos. p. Eleitor ético só vota em político ético” (Nalini. o país. está-se sem sentido ético na condução da coisa pública1 1 6. educação eleitoral. para habilitar a corrupção e a ilegalidade. esquecendo inteiramente a função pública” (Modesto Carvalhosa. ed. sobretudo. 2000. 527 . Interesses fisiológicos ou impulsos devem ser trocados por meditação serena. para acobertar desmandos e interesses de determinados grupos. p. de atri­ buição de deveres sociais. 141). Gerir a coisa pública é gerir o que pertence a todos. Ética do advogado. ed. de lamentável ocorrência quotidiana. a figura do eleitor é de crucial importância na definição e determinação da higiene política de um Estado. entre outras hipóteses. Se a um ou a alguns é atribuído o mister de executar por muitos e em favor de muitos. Assim é que se passa a discutir algo de elevado valor para a constituição de camadas eletivas com responsabilidade ética. reflexão. 2. capacidade crítica. 2. e se toma apenas um elemento de captação de recursos pessoais para suas vaidades e fantasias próprias e de sua família. A ética na administração pública. além de desejo de melhoria. esquece inteiramente os propósitos que tinha para administrar o setor. 1999. altruísmo. Eleitos e eleitores estão de braços dados no sentido de conduzirem a coisa pública para o cumprimento de suas finalidades institucionais e conceituais1 2 Para 6. Acima de meros interesses partidários está o interesse da coletividade. requer-se consciência. Ética geral e profissional. 148).

54. emprego ou função (art. para efeitos de responsabilização. 85 e 86 da CF de 1988.De qualquer forma. ou qualquer outra vantagem econômica. que estão listadas no art. ainda que transito­ riamente ou sem remuneração. dinheiro. 55 da CF de 1988.429. ou se encontram no exercício de função pública. indireta ou fundacional (Lei n. assim definidos aqueles que exer­ cem. cuja responsabili­ dade vem definida pelos arts. percentagem. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decor­ rente das atribuições do agente público. 9a da Lei n. nomeação. 8. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patri­ monial indevida em razão do exercício de cargo. de acordo com o disposto no art. para si ou para outrem. cargo. II — perceber vantagem econômi528 . e) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam enriquecimento ilíci­ to em detrimento da coisa pública. o que inclui a figura do Presidente da República. em face da legislação que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. c) o dever de probidade gera a indiferença da legislação de improbi­ dade administrativa às nuances entre as categorias de exercentes do Poder Público. de 2-6-1992). b) a responsabilidade política é o esteio da Constituição Federal de 1988.1 e II. sobretudo para Deputados e Senadores. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. mandato. 8. Ia desta Lei. para quem vige urna serie de restrições para o exercício de outras funções ou cargos. bem móvel ou imóvel. mandato. designação. o que pode conduzir às hipóteses de perda do cargo. 87 da CF/88). diante da necessidade de punição efetiva dos causadores de danos ao erário ou ao patrimônio público. d) a amplitude da responsabilização dos agentes públicos. 8. dentro do âmbito de seus ministérios e competências (art. por eleição. a título de comissão. ou mesmo em função do acúmulo de atribuições ou participação em atividades cujo en­ volvimento com o Estado tomem desconfiável sua ligação com o Poder Público e o erário público (art.429 de 2-6-1992). da CF/88). empre­ go ou função na Administração Pública direta. deve estar claro que. direto ou indireto. função. em política: a) as restrições marcam limites entre as fronteiras do público e do privado. que não poderão se isentar sob alegações furtivas. gratificação ou presente de quem tenha interesse. direta ou indireta. e de seus Ministros.429. contra­ tação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. 2a da Lei n. cargo. e notadamente: I — receber.

X — receber vantagem econômica de qualquer natureza. de contrabando. rendas. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público. ou aceitar promessa de tal van­ tagem. apropriação. peso. VIII — aceitar emprego. permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. V — receber vantagem econômi­ ca de qualquer natureza. Ia desta Lei”). Ia desta Lei. IV — utilizar. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. malbaratamento ou dilapidação 529 . III — perceber vantagem econômica. 8. medida. XII — usar. qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no axt. para facilitar a alienação. em obra ou serviço particular. 10 da Lei n. direta ou indireta. equipamentos ou material de qualquer natureza. para omitir ato de ofício. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. desvio. bens. veículos. dolosa ou culposa. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que cau­ sa lesão ao erário. qualquer ação ou omissão. que ense­ je perda patrimonial. f) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. em proveito próprio. para si ou para outrem. IX — perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza. máquinas. de narcotráfico. de acordo com o disposto no art. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. VII — adquirir. durante a ativida­ de. emprego ou função pública. bem como o trabalho de servidores públicos. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. direta ou indireta. por qualquer forma. cargo. ou sobre quantidade. Ia desta Lei. XI — incorpo­ rar. providência ou declaração a que esteja obrigado. direta ou indireta. de lenocínio. VI — receber vantagem econômica de qualquer natureza. rendas. no exercício de mandato. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar. para facilitar a aquisição. direta ou indireta. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art.429. direta ou indiretamente.ca. Ia por preço superior ao valor de mercado. Ia desta Lei. ao seu patrimônio bens.

Ia desta Lei. rendas. VI — realizar opera­ ção financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. g) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. Ia desta Lei. Ia desta Lei. verbas ou valores integrantes do acer­ vo patrimonial das entidades mencionadas no art. Ia desta Lei. XIII — permitir que se utilize. de pessoa física ou jurídica. e notadamente: I — praticar ato visando fim proibido em lei . bem como o trabalho de servidor público. 11 da Lei n. legalidade.dos bens ou haveres das entidades referidas no art. por preço inferior ao de mercado. XI — liberar verba pública sem a es­ trita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. V — permitir ou facilitar a aquisição. ainda que de fins educativos ou assistenciais. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que aten­ ta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. bens. rendas. IV — permitir ou facilitar a alienação. Ia desta Lei. 8. empregados ou terceiros contratados por essas entidades”). sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie. VII — conceder benefício admi­ nistrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regula­ mentares aplicáveis à espécie. e notadamente: I — facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimonio particular. em obra ou serviço particular. IX — ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. sem a ob­ servância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. rendas. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. equipamentos ou material de qualquer natureza. verbas ou valo res do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. imparcialidade. de bens. máquinas. XII —. de acordo com o disposto no art.permitir. VIII — frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente. II — permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens.429. III — doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. veículos. Ia desta Lei. e lealdade às instituições. X — agir negligente­ mente na arrecadação de tributo ou renda. facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente. ver­ bas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público.

antes da respectiva divulgação oficial. de tragédias financeiras estatais. o que só pode ser feito. 1999. e. para a reconstrução do conceito de cidadania1 4partiria de uma po­ 6 lítica feroz de averiguação e punição de atentados contra a consciência pública. Ética política. ou ainda a legitimidade para discutir todas as questões atinentes à decisão em nome do povo. ato de ofício. p. aos poucos. ca­ rências acumuladas durante séculos de exclusão do povo dos sistemas de adoção das políti­ cas governamentais. dentro.ou regulamento ou diverso daquele previsto. 2. com a devida cele­ ridade e seriedade. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. de desencontro burocrático entre as diversas instâncias do Poder. de exagerados benefícios em prol da categoria política e em desfavor do orçamento público. O cidadão eticamente consciente sabe que não pode continuar excluído. indevidamente. Em face desta cultura instaurada. 531 . o fato de que as instituições brasileiras perderam credibilidade e. sobre­ tudo. de desvio de verbas públicas. Deve-se acentuar. de acomodamento do funcionalismo público. VI — deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo. da Casa à qual se vincula o exercente de cargo ou função pública. de apadrinhamentos políticos.1. entre outros. de desatino gerencial. na regra de competência. de crônicas de abusos. judicialmente. sobretudo. As Comissões de Ética (permanentes ou temporárias). são responsáveis não somente por uma função 164. V — frustrar a licitude de concurso público. pelas Comissões in­ cumbidas desse tipo de procedimento. 5. A participação e o exercício da solidariedade constituem a alternativa de redenção que o conduzirá à verdadeira dignidade” (Nalini. a solução para os conflitos surgidos. estão perdendo até mesmo a legiti­ midade para falar em nome do povo. ed. IV — negar publicidade aos atos oficiais.6. decoro parlamentar e Código de Ética: o caso do Senado Federal É importante frisar que a existência de um severo tratamento às ques­ tões éticas é medida urgente num contexto de derrocada dos valores políti­ cos. “A política é a arte que permitirá o resgate das carências da nacionalidade. 151). às casas legislativas. Ética geral e profissional. VII — revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro. III — reve­ lar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. administrativamente.. II — retardar ou deixar de praticar. bem ou serviço”). ligadas. para a moralização das instituições pú­ blicas.

19 da Resolução 20/93 do Senado Federal dispõe: “As apurações de l. e sobretudo. 55 (“É incompatível com o decoro parlamentar. se necessário. Nessas Comissões. além dos casos de­ finidos no regimento interno. pois sabe-se que es­ tará ao sabor dos interesses partidários e promocionais pessoais. para que seja possível fazer-se sentir essa política de recuperação do. por qualquer 532 . não anula nem marginaliza os demais órgãos estatais de apuração de delilos. É o que dispõe o art. com a imagem e a consciência da po­ lítica em seu estado atual. investigativa. 17 da Resolução 20/93 do Senado Federal: “Perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. preventiva. O art. 22 (“Compete ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar zelar pela obsen and a dos preceitos deste Código e do Regimento Interno. punitiva. atuando no sentido da preservação da dignidade do mandato parlamentar no Senado Federal”). então sua credibilidade social toma-se nula. Esse órgão pode atuar sponteprópria. desde que a denúncia não seja anônima1*. o que fala mais alto é o interesse político. deve-se estudar o modelo instituído pela Resolução n. a exemplo do que reza a Constituição Federal no § le do art. Sua atuação. como aliás prevê a legislação1 5 6. avaliativa. poderão ser diretamente oferecidas. mas também. o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas"). mas somente acrescenta e agrega ética ao policiamento das atividades pú­ blicas e políticas. com a imagem do Estado. do Senado Federal. quando a sua natureza assim o exigir.pontual e administrativa. O zelo com a coisa pública deve envolver também um zelo com a imagem dos órgãos políticos. 166. de conduzir os procedimentos punitivos. caso em que serão feitas as necessárias adaptações nos procedimentos e nos pra/os estabelecidos neste Capítulo”. mas de modificar os conceitos sociais que se formaram em tomo da imagem do político e da indiscriminada situação de impunidade alastrada e impregna­ da na consciência coletiva. ou ainda sob a provocação de qualquer membro da casa ou cidadão. que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar. formadora de opinião. responsabilizalória.itos e de responsabilidade previstos neste Código poderão. criando e atribuindo poderes ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para aplicar as normas fixadas pelo texto do Código. ser solicitadas ao Ministério Público ou às autoridades policiais. Nesse sentido.s \ alo­ res públicos. segundo reza seu art. A ética desses órgãos é persecutória. por intermédio da d> < Senado. conscientizadora. bem como dar opera­ cionalidade aos princípios dele destacáveis. 20/93. 65 165. sendo importante seu estado permanente de advertência e policiamento da conduta dos exercentes de cargos eletivos.

o referido Código parlamentar. e pelas prer­ rogativas do Poder Legislativo. necessárias aos esclarecimentos dos fatos investigados”). independente­ mente da legislatura ou sessão legislativa em que tenham ocorrido. 25 (“O Correge­ dor do Senado participará das deliberações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. II e III do art. IV — apresentar-se ao Senado durante as sessões legislativas ordinárias e extraordinária e participar das sessões do plenário e das reuniões de Comissão de que seja membro. sua organização. 23 (“O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar será constituído por quinze membros titulares e igual número de suplentes. ainda. Ademais. nos arquivos e anais do Senado. § 42 Poderá o Conselho. nos respectivos parágrafos do art. de ato ou omissão atribuída a Senador”. 82 e 11. independentemente de denúncia ou representação. durante os meses de fevereiro e março da primeira e da terceira sessões legis­ lativas de cada legislatura. por Sena­ dor. Acompanharão. observado. onde constarão as informações referentes aos seus bens. promover a apuração. o princípio da propor­ cionalidade partidária e o rodízio entre Partidos Políticos ou Blocos Parla­ mentares não representados”)1 7 6. nos termos deste artigo. na medida das vagas que couberem ao respectivo Partido. cidadão ou pessoa jurídica. denúncias relativas ao descumprimento. § 3S. Sua estrutura. no exercício do mandato. II — zelar pelo aprimoramento da ordem constitucional e legal do País. referentes à prática de quaisquer atos ou irregularidades capitulados nos arts. 23: “§ Ia Os Líderes Parti­ dários submeterão à Mesa os nomes dos Senadores que pretenderem indicar para integrar o Conselho. além das sessões conjuntas do Congresso Nacional”. com direito a voz e voto. que. bem como sua composição são definidas pelo art. 533 . par­ ticularmente das instituições democráticas e representativas. fontes de renda. atividades econômicas e profissionais. como se faz notar pelo disposto no art. uma declaração assinada pelo Presidente da Mesa. deverá: “I — promover a defesa dos interesses populares e nacionais. 167. § 2a As indicações re­ feridas no parágrafo anterior serão acompanhadas pelas declarações atualizadas. III — exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular. de cada Senador indicado. cada indicação. de preceitos contidos no Regimento Interno e neste Código. § 4S Caberá à Mesa providenciar. a eleição dos membros do Conselho”. nos termos dos incisos I.O Código tenta promover a integração dos diversos órgãos censorios da conduta do parlamentar. 2°. O Código apresenta todas as características atinentes aos deveres fun­ damentais do senador. quanto possível. propugnando a união de forças no sentido do acompanhamento dos procedimentos e na apuração de eventuais infrações ético-disciplinares. ademais. de acordo com o art. 62. certificando a inexistência de quaisquer registros. competindo-lhe promover as diligên­ cias de sua alçada. Leia-se. eleitos para mandato de dois anos.

deixando a cargo do Conselho de Ética a tarefa de dar ampla divulgação. § Ia). ao iniciar-se a apreciação de matéria que envolva diretamente seus ínteres- 534 . II — a criação ou autorização de encargos em termos que. II até o trigésimo dia seguinte ao encerramento do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda das pessoas físicas: cópia da Declaração de Imposto de Renda do Senador e do seu cônjuge ou companheira. 55. e noventa dias antes das eleições. 6a menciona. O que é importante definir é que. os atos contrários à ética e ao decoro parlamentar são (art. 9 168. no exato cumprimento da lógica constitucional. para efeiio de posse. III — a prática de irregularidades graves no desempenho do manda­ to ou de encargos decorrentes1 8 6. pelo seu valor ou pelas características da empresa ou entidade beneficiada ou contratada. Incluem-se entre as irregularidades graves. até o terceiro grau. a entidades ou instituições das quais participe o Senador.alinha as vedações. com­ panheira ou parente. dentro dos meios oficiais e autori­ zados. tais como doações. com a respectiva remuneração ou rendimento. através de seus arts. 3S e 4a. ou ainda. Ademais. para fins deste artigo: I — a atribuição de dotação orçamentária. seu cônjuge. 6e “O Senador apresenta­ rá ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar as seguintes declarações obrigatórias perió­ dicas. auxílios ou qualquer outra rubrica. que aplique os recursos recebidos cm atividades que não correspondam rigorosamente as suas finalidades estatutárias. grupos econômicos ou autoridades públicas. Leia-se a extensa digressão do Código a respeito: Art. de valor igual ou superior a sua remuneração mensal como Senador. para tais declarações. ressalvados brindes sem valor econô­ mico. incluindo todos os passivos de sua própria responsabilidade. em Comissão ou em Plenário. de um ou de outro. 55. o art. nos termos da Resolução. sejam iniciais. que cerceiam a assunção de cargos e funções. possam resultar em aplicação indevida de recursos públicos”. III — ao assumir o mandato e ao ser indicado membro de Comissão Permanente ou Temporária da Casa: Declaração de Atividades Econômicas ou Profissionais. atuais ou anteriores. ou a contração com os Poderes Públicos. sob a forma de subvenções sociais. sejam de encerramento de mandato16 . inclusive quaisquer pagamentos que continuem a ser efetuados por antigo empregador. 5a): I — o abuso das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Na­ cional (CF. de seu cônjuge ou companheira ou de pessoas jurídicas por eles direta ou indiretamente controladas. com cuidadosa atenção. no último ano da legislatura: Declaração de Bens e Fontes de Renda e Passivos. ainda que delas se encontre transitoriamente afastado. Leiam-se as hipóteses de irregularidades graves previstas no Código de Ética: “Parágrafo único. II — a percepção de vantagens indevidas (CF. § Ia). art. arl. benefícios ou cortesias de empresas. IV — durante o exercício do mandato. bem como pessoa jurídica dire­ ta ou indiretamente por eles controlada. a questão das declarações financeiras e patrimoniais. 169. para fins de ampla divulgação e publicidade: I — ao assumir o mandato.

para o tratamento das questões apuradas. III — no Programa ‘Voz do Brasil/Senado Federal’ — na forma do inciso anterior. ao Senador que: I — usar.E. 170. quaisquer informações que se contenham nas declarações apresentadas pelos Senadores”. § 2a A censura escrita será imposta pelo Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar e homologada pela Mesa. sem motivo justificado. segundo o art. V — faltar. ao Senador que: I — deixar de observar. Nos termos do art. 9a. do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ou de Comissão. 10 define-se a questão da seguinte forma: “Considera-se in­ curso na sanção de perda temporária do exercício do mandato. IV — revelar informações e documentos oficiais de caráter reservado. III — perturbar a ordem das sessões ou das reuniões. II — praticar atos que infrinjam as regras da boa conduta nas dependências da Casa. 172. do Conselho de Ética e decoro Parlamentar ou de Comissão. II — praticar ofensas físicas ou morais a qualquer pessoa. Leia-se a dicção do art. de expressões atentatórias ao decoro parlamentar. 6a. em que. III — revelar conteúdo de debates ou deliberações que o Senado ou Comissão haja resolvido devam ficar secretos. quando não for aplicável penalidade mais grave. a Mesa ou Comissão. § 2a Sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior poderá qualquer cidadão solicitar diretamente. quando não couber penalidade mais grave. segundo o art. ou os respectivos Pre­ sidentes”. por atos ou palavras. as medidas disciplinares previstas são de­ finidas pelo art. no âmbito desta. 9a)170. mediante requerimento à Mesa do Senado. ou desa­ catar. salvo motivo justificado. II — em um jornal diário de grande circulação no Estado a que pertença o Parlamentar — em forma de aviso resumido da publicação feita no órgão oficial. b) censura (a censura será verbal ou escrita. pelo menos nos seguintes veículos: I — no órgão de publicação oficial • onde será feita — sua publicação integral. outro parlamentar. a seu juízo. declare-se im­ pedido de participar ou explicite as razões pelas quais. no edifício do Senado. no âmbito do Conselho de Ética. ' ses patrimoniais: Declaração de Interesse. II — praticar transgressão grave ou reiterada aos preceitos do Regimento Interno ou deste Código. 535 . 8a). 171. c) perda temporária do exercício do mandato1 d) perda do 71. o Senador que: I — reincidir nas hipóteses do artigo antecedente. dentro da sessão legislativa ordinária ou extraordinária”. os deveres ineren­ tes ao mandato ou os preceitos do Regimento Interno. 7a: a) advertência (ato de competência dos Presidentes do Senado. mandato172. § Ia “A censura verbal será aplicada pelos Presidentes do Senado. em discurso ou proposição. 32 (Constituição Federal. especialmente quanto à observância do disposto no art. 11: “Serão punidas com a perda do mandato: I — a in­ fração de qualquer das proibições constitucionais referidas no art. a dez sessões ordi­ nárias consecutivas ou a quarenta e cinco intercaladas. § Ia Caberá ao Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar diligenciar para a publicação e divulgação das declarações referidas neste artigo. entenda como legítima sua participação na discussão e votação. a seu exclusivo critério. de que tenha tido conhecimento na forma regimental. se outra cominação mais grave não couber. procedimentalmente. A competência vem definida da seguinte forma no texto da Resolução: Art.

cumpre ao juiz restabelecer a igualdade. art. pela ampla defesa daquele que se encontra sob investigação admi­ nistrativa. se dá oitiva às testemunhas. sob o império da lei. nem serão pelas mesmas elidida?. que deverá zelar pelo cumprimento da legislação. No que tange aos detalhes ligados ao procedimento disciplinar. III — a infração do dispo^ln incisos III. se desigualam. 1132 a. 4S e 52 (Constituição Federal. onde se podem encontrar detalhes a respeito dos órgãos responsáveis pela aplicação de determinadas penas e diligências. a simbologia fundamental da magistratura reside na balança com o reto {redion) em posição ereta.u> ^eiá interrompido pela renúncia do Senador ao seu mandato. a este assegurado aluar em todas as fases do processo”). se restabeleça a situação de igualdade rompida pelas partes. Assim. Ao juiz se deve recorrer. devendo o jui/ decidir de acordo com o convencionado em lei. 20: “O processo disciplinar regulamentado neste código n. Ética do juiz de direito: a justiça animada O juiz pode ser identificado como a justiça animada. E isso. da Constituição e da ética parlamentar e. se apresentam provas de toda natureza. 5. art. em qualquer caso. 16 (“É facultado ao Senador. so­ bretudo. 6/7. se colhem depoimentos. se investigam 7. 55).Durante todo o procedimento. constituir advogado para sua defesa. que não será interrompido nem mesmo pela renuncia do Senador sob investigação. Ethica Nicomachea. V e VI do art. a lei é cega para as dil cren­ ças de qualificação de cada qual. indiferentemenle se se trata deste ou daquele cidadão. 12 a 15 da Resolução. II — a prática de qualquer dos atos contrários à ética e ao decoro parlamenüir ca­ pitulados nos arts. na expectativa de que. 174. do procedimento. IV. Aristóteles. tendo em vista o princípio da verdade processual1 3 durante o qual se apuram acusações. de acordo com dicção do art.7. 536 . as sanções eventualmente aplicáveis os seus efeitos”. fatos. devem-se rastrear os arts. apíicar-se-á a lei de modo a obter-se unía situação de igualdade aritmética. de fato. aquele que é capaz de recebê-la e exercê-la a contento é chamado de juiz. Por isso. Isso quer di/or que se a justiça pode se consubstanciar em carne e osso. por­ que o juiz é o responsável pela aplicação da justiça corretiva1 4 Se as parios 7. 55 da Constituição”. 55). Leia-se o art. nesse sentido. 173. é deferido ao parlamentar o acompanhamento por advogado.

O humanismo1 6que se 7 requer em sua formação não é algo que se exige desmotivadamente. p. está impregnada de valores. Assim. é a lógica jurídica. A magistratura é instituição aberta. in Nalini (coord. 2. o melhor perfil de profissional para o exercício dessa lógica1 7 De fato. “Alinháveis se mostram. 1994. n. em meio a conflitos sociais interindividuais. além do conhecimento específico. 5. deve estar consciente de que a sociedade e suas limitações concre­ tamente estabelecem os valores. 537 .O juiz representa a imparcial e equidistante personificação da justiça (grego. o juiz preparado mnemonicamente para aplicar leis não é. a ético-institucional. essa 7. pois nesse terreno não se pode pleitear juízos de certeza e evidência absolutas. tantas vezes criticado pela sociedade” (Camolez. Formação jurídica. Longe e indesejável a pretensão de homoge­ neidade de pensamentos. está condicionada ao social e ao histórico. estes valores se dão em situações específicas.. mas não afeitas às memorizações técnicas. a cívico-política e a humanista” (Nalini. 1132 a. para a ele conformarem-se os candi­ datos. ano 3. não aferidos através deste tipo de certame. “Na verdade. Por outro lado. 123). 3. certamente. 4. difusos. 72). E eles podem ser agrupados em pelo menos quatro vertentes: a técnica. sociais e grupais. suscetível de abrigar plúrimos perfis. estes valores se hierarquizam para a realização de fins comunitários. p.). “O traçado de um paradigma se faz com doses altas de subjetivismo. nutrindo mesmo a crença de que o confronto de ideias e o cotejo de opiniões venham a incrementar o patrimônio intelectual sobre que se assenta. formação e aperfei­ çoamento do juiz. 2a semestre de 1999. entretanto.. um termo medianeiro entre dois interesses opostos. negando a aprovação.. o que demanda ainda maior prudência por parte da autoridade julgadora. 7. ou seja. A escolha. hierarquias. A formação do juiz. impõe-se que o futuro juiz apresente outros atributos pessoais. 7. coletivos. 20. Revista da AMB. lógica. Cidadania e Justiça. 176. a pessoas vocacionadas e preparadas para a função. caracteres que devem identificar o bom juiz. díkaion émpsychon)1 5 É mediador. Algumas lacunas psicológicas de juizes manifestam-se através do abuso da autoridade. essa lógica do razoável: 1. o concurso de provas pode privilegiar o candidato dotado de boa memória. imprópria de um estamento de consciências preparadas. suas limitações. Aristóteles. pois representa urna mediedade. às vezes. 177. Talvez nem seja concretizável erigir-se um modelo pronto de juiz. com apelo para a prudência e para a capacidade de adequação de plúrimos fato­ res. a lógica do razoável. Ethica Nicomachea. pois a lógica da atividade julgadora é uma lógica humanista e do razoável. 175.

O poder de determinar. podendo com isso. recorrendo à doutrina. uma vez que é esta que faz com que aquela se tome um exercício real e efetivo1 9 7. de fato. qual o quantum debeatur. Ademais. quem restará com a guarda da criança. extinguir. Cumpre. lastreia-se na experiência da vida humana. o que se há de dizer é que o iudex possui o papel de dizer o direito. encontrará fartas atuações de magistrados no esforço de conferir prudência aos mais diversificados litígios. recorrendo ao caso encontrará o fermento de um litígio perpetuável e abundantes ele­ mentos em meio aos quais encontrará a semente para a decisão. 281-2‘M 179. de modo que o preparo exigido do juiz deve ser incomum. encontrará a sabedoria das lições que ilustram e aclaram as necessidades textuais mais complexas de serem compreendidas. ique. faz do juiz uma figura social de grande im­ portância. p. qual a solução acertada. portanto. 1973. à sua capacidade de raciocínio e pon­ deração virtuosa. declarar. Siches. dos valores demandados às demais carências sociais. recorrendo à equidade encontrará uma forma de adaptar as agruras e as estreite/as da lei às necessidades das partes que reclamam justiça. alterar. ou acórdãos. 7. à sua educação. haverá de recolher dados preciosos na determinação de respostas prudentes e na inovação do direito positivado. todas as mais candentes questões jurídicas desaguam no Judiciário. preservar. deve o juiz encontrar sobre si responsabilidade ética proporcional aos anseios sociais depositados sobre sua função e sua pessoa.6. encontrar-se-á o magistrado na fileira dos que real­ mente desejam personificar a justiça. Nesse sentido. pois. ao juiz exercitar suas faculdades no sentido de tomar-se digno de representar o que sua função efetivamente lhe exige. onde reside o direi­ to. executar. Recorrendo à lei encontrará o parâmetro democrático do seguro julgamento. em última instância. entre outras coisas. por sentenças. e requer apelo profundo à prudência decisória1 8 7. ed. criar. qual a medida a ser tomada para a remoção de perigo iminente. Concentrando tamanha importância. Nueva filosofía de la interpretación del Derecho. Sobretudo quando se trata de uma profissão que existe desde todos os tempos. recorrendo à sua consciência. 2. aos seus paradigmas. dos valores aos fins. modificar. 178. A dinâmica e a criatividade do direito passam por sua responsabilidade profissional.. Esforçando-se nesse sentido. recorrendo à jurispru­ dência. além de fazer cumprir direi­ tos. demanda adequação dos fins e dos meios. demanda uma ética compatível com a maturidade da função: “A ética do Ju- 538 .

Lei n. “Art. 539 . a saber: representar uma ética da pruden- diciário está substancialmente contida no arcabouço de uma função que existe desde os primórdios da civilização.869.. Parte dela mereceu positivação e reside nos textos constitucionais e nos estatutos da carreira. “No campo da moral. ante aquele que reflete sobre a sua razão última e que. Não é melhor juiz aquele que sabe enunciar suas obrigações legais. quando tanto espera da Justiça a comunidade” (Nalini. 86 a 153). como decorrência de suas atribuições legais. Pouco alcance obter-se-á. 125 a 138). da desídia ou do pouco interesse. grande poder de decisão. Seção I — Dos Poderes. Sobretudo tendo-se em vista a liberdade e a livre convic­ ção. dos Deveres e da Respon­ sabilidade do Juiz (arts. 180. Ia a 565). a formação especializada mais servirá a detectar o material humano provido de atributos credenciadores. que deve ser racional e argumentada.). sempre seria considerado eticamente irrepreen­ sível. profissional de qualquer área.5. 52. p. portanto. os juizes preservam grande espa­ ço de desempenho para a produção de decisões judiciais. ras naturais (decorrentes da divisão de competência. parece ser uma primeira necessidade democrática. na sentença.. A do juiz arrogante. in Nalini (coord. Ética epoder jurisdicional O juiz detém. para apontar comportamentos que possam vulnerar a imagem ideal da Justiça.) que devem ser respeitadas. porém. Nem ostenta mais merecimento o juiz que cumpre os seus deveres. ainda que não alegados pelas partes. distanciado dos jurisdicionados. A formação do juiz. do aplicador da lei e da justiça. prepotente em sua inadequada concepção do papel que o sistema lhe reservou. Aquele que encontra dentro de sua consciência o juiz atento de suas responsa­ bilidades e da conduta direcionada a cumpri-las. 125 a 133).7. do que aquele que as intui. um comportamento ético. O juiz apreciará livremente a prova. art. atenden­ do aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Conhecimento (arts. Isso porque visa-se a máxima proteção do cidadão contra qualquer lesão a direito (CF de 1988. esse comportamento deverá possuir um conjunto de contornos próprios. com a recitação mecânica dos deveres. Mas essa ampla liberdade. Formação jurídica. A formação pode contribuir. assunção dos de­ veres da carreira. 5. que se consubs­ tancia em ausência de imposições externas e em ampla faculdade de julgar e persuadir-se nas leis e nas provas produzidas em juízo1 0 encontra barrei­ 8. com vistas à efetiva proteção das garantias a todos deferidas. sim. XXXV). Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. mas deverá indicar. A independência da magistratura. os motivos que lhe formaram o convencimento”. que a incutir noções quase sempre inatas em candidatos à carreira. 131. Ou o desalento da acomodação. ética judicial.1. de 11-1-1973 (DOU. lei. Se se pode e se se deve exigir do magistrado. mas neles desacredita. 127). 1994. Ca­ pítulo IV — Do Juiz (arts.

ou seja. Para que a independência do juiz seja garantida. in Martins (coord. 8. é mister que existam princípios reguladores e sustentadores da carreira. 1998. 271).). deveres. Ética e justiça. Mais ainda: o juiz passa a integrar o circuito da nego­ ciação política” (Campilongo. para que se possa exigir do magistrado esse conjunto de 8. p. José Eduardo Faria). Os desafios do judiciário: um enquadramento teórico. ilustrar urna ética da probidade1 2 8. diversas legítimas garantías lhe são deferidas. assim como o é do contrato ad­ ministrativo e também do ato administrativo complexo. quais sejam: a ina­ movibilidade. Além de suas funções usuais. Ética na administração pública (moralidade administrativa: do conceito à efetivação). como formas de manutenção da autonomia judicial. p. 71). Ética no direito e na economia. “Assentado que o referencial da moralidade administrativa é a finalidade públ ica e entendido que esta é um elemento do ato administrativo. “A magistratura ocupa uma posição singular nessa nova engenharia institucional. Imparcial é o juiz que não teme reconhecer ao poderoso a . comportamento do funcionário público são ainda agravados quando se trata da figura do juiz. “A imparcialidade consiste em postar-se o juiz em situação de equidistáncia das partes. 182.i/a1 1 encamar uma ética da equidistáncia. direitos sociais e justiça (org. no processo. cinge-se o problema da caracteriza­ ção da moralidade administrativa. zelar pelo efetivo cumprimento dos prazos c atuar. 1999. para que se possa alcançar a isenção dos julgamentos e a proteção da convicção racional. p. enfim. perante cuja insuficiência o atuar equidis­ tante é sinônimo de injustiça. para garantir o equilíbrio de oportunidades a cada qual conferidas. A paciência. a sadia aná­ lise dos fatos e seu cotejo com o fluir da história. 540 . Diogo de Figueiredo. Esses princípios estão elevados ao plano constitucional e se enfileiram como garantias e vedações para o exercício da jurisdição. Mas é mais do que isso. Imparcial é o juiz que se sensibiliza com o hipossuficiente. “Já se assinalou que. é um agente po­ lítico1 4 Por isso. 1998. é ele mais que um agente público.iiia razão. com devotamento. priorizar uma ética da imparcialidade1 3 Os deveres que estão a premer o 8. à tarefa de demonstrar como isso ocorre e como pode ser diagnos­ ticada” (Moreira Neto. quando ela é evidentemente superior à do mais fraco” (Nalini. p. convertem o juiz em eficaz redutor de conflitos” (Nalini. 114). Uma e outras destinam- 181. a prudência. empenhar-se na busca da verdade real. o interesse pelos dramas humanos. a irredutibilidade de vencimentos e a vitaliciedade. “O bem julgar implica em exercício constante de faculdades garantidoras da higidez psíquica. Imparcial é o juiz que procura compensar a debilidade de uma das partes. cabe ao Judiciário controlar a constitucionalidade e o caratei democrático das regulações sociais. Ética geral e profis­ sional. 183. in Direitos humanos. 49). 1999. 184. o juiz deve procurar manter a imparcialidade. da vulneração infligida à regra moral interna do governo da coisa pública.

nesse período. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n. Nesse particular. “Art. corolário da imparcialidade. 35 a 60). p. É vedado ao magistrado: 185. 44 a 135). e. 93.Disposições Gerais — (arts. Capítu­ lo III — Do Poder Judiciário (arts. III — dedicar-se à atividade político-partidária”1 6 8. 541 . 150. a qualquer título ou pretexto. ainda que em disponibilidade. II — inamovibilidade. na forma do art. III — irredutibilidade de subsídio. de 14-3-1979 {DOU. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. 35. § 42. longe das pugnas partidárias. § 2S. para que o magis­ trado. salvo uma de magistério. social e profissional do juiz. 95. III. decida de acordo com o direito e sua consciência e não sob o impulso de orientação do partido” (Nalini. 1999. I1 85. Os juizes gozam das seguintes garantias: I — vitaliciedade.-se à saudável existência da magistratura como órgão social autônomo. 92 a 126). salvo por motivo de interesse público. em vigor desde a publicação). de sentença judicial transitada em julgado. É por isso que abundam em legisla­ ção previsões a respeito do comportamento pessoal. II. como a que segue na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. VIII. nos demais casos. 39. 92 a 100). Seção I . Ética geral e profissional. desvinculado de outras instituições e descompromissado com a re­ presentação de quaisquer ideologias. digno. Aos juizes é vedado: I — exercer. A importância social de que se reveste a carreira e a profissão de ma­ gistrado demandam cuidados especiais. que. de delibe­ ração do tribunal a que o juiz estiver vinculado. 5-10-1988. 186. e 153. 261). 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. “E o dever da abstenção política. Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. deve-se verificar o que há a respeito no texto constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU. outro cargo ou função. 5-6-1998. 19. custas ou participação em processo. 36. que deli­ neia os traços da carreira e explicita as vedações ligadas ao cargo público: Lei Complementar n. 35 a 39). dependendo a perda do cargo. 37. ressalvado o disposto nos arts. 153. Parágrafo único. de 4-6-1998 (DOU. “Art. só será adquirida após dois anos de exercício. X e XI. no primeiro grau. II — receber.

17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. oficiou como perito. São estes os impedimentos e as suspeições. 134. ou na linha colateral até o segundo grau. até o terceiro grau.I — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial* inclusi­ ve de economia mista. em linha reta. II — em que interveio como mandatário da parte. há que se dizer que a atuação processual do juiz também vem cercada por preceitos de ordem pública e de caráter ético. consanguíneo ou afim. o legislador se adiantou em dizer: Lei n. como advogado da parte. parte na causa. 86 a 153).869. de órgãos judiciais. votos ou sentenças. IV — quando nele estiver postulando. Seção II — Dos Impedimentos e daSuspeição (arts. parente. 134 a 138). viessem a contaminar a isenção do julgamento. seu ou de outrem. consanguíneo ou afim. V — quando cônjuge. e sem remuneração. ou juízo depreciativo sobre despachos. III — manifestar. Com vistas à prevenção desses tipos de ocorrências. de qualquer natureza ou finalidade. tendo-lhe profe­ rido sentença ou decisão. de 11-1-1973 {DOU. por qualquer meio de comunicação. 542 . ressalvada a crí­ tica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”. Capítulo IV — Do Juiz (arts. a serenidade. de alguma das partes. 125 a 138). salvo de associação de classe. associação ou fundação. As suspeições e os impedimentos sustentam o magistrado no sentido de esquivar-se dos processos em que o equilíbrio. É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo contencioso ou voluntário: I — de que for parte. o comprometimento de qualquer natureza externo com as partes. exceto como acionista ou quotista. opinião sobre processo pendente de julgamento. Ademais. funcionou como órgão do Ministério Público. o seu cônjuge ou qualquer parente seu.. VI — quando for órgão de direção ou de administração de pessoa jurídica. III — que conheceu em primeiro grau de jurisdição. II — exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil. em linha reta ou. que são instrumentos para que a jurisdição não se converta em um nicho de favoritismos e ilegalidades. ou prestou depoimento como testemunha. Ia a 565). o envolvimento emocional. 5. na colateral.. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. “Art.

o juiz é responsável: pela custódia dos processos. 543 . II — alguma das partes for credora ou devedora do juiz. consulte-se Jaqueline Santa Brígida Sena. Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo”. refletir se o dogma da neutralidade não se confunde com frieza legalista. Parágrafo único. 135. Universidade de São Paulo. pelo proferimento de despachos de expediente. porém. ou ao menos tempestiva. de seu cônju­ ge ou de parentes destes. ou subministrar meios para atender às despesas do litígio. de decisões interlocutórias e de decisões defini­ tivas (sentenças). pela célere. Faculdade de Direito. III — herdeiro presuntivo. 2010. aconse­ lhar alguma das partes acerca do objeto da causa. IV — receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo. A respeito. em linha reta ou na colateral até o terceiro grau. V — interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes. Os horizontes da magistratura e da busca da justiça parecem estar além das simples amarras da aplicação da legislação positiva1 7 8. pelo atendimento ao advogado e ao promotor público. pela conservação do patrimônio público disponibiliza­ do para o serviço judiciário. “Art. Dissertação de Mestrado. vedado ao advogado pleitear no processo.7. No caso do número IV. Deve-se. Desde quando a celeridade pro­ cedimental e a efetividade do processo se tomaram direito fundamental (art. 187. e se as res­ ponsabilidades sociais do magistrado não transcendem as amarras do for­ malismo pseudoneutro. é. no entanto. no exercício do ofício da magistratura. donatário ou empregador de alguma das partes. entre outras atividades.1. quando: I — amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes.1. Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz. pela correição dos serviços judiciários. 5. pela organização cartorial. Ética e atribuições judiciais Em seu mister. pelo comportamento dos funcionários da justiça. pela produção das provas orais do processo. a fim de criar o impedimento do juiz”. o impedimento só se verifica quando o advogado já estava exercendo o patrocínio da causa.Parágrafo único. solução dos litígios. O dogma da neutralidade na prestação jurisdicional.

5. “A popularização da palavra ética. com cerie/a devido à sua beleza fonética. foi muito grande. mas cercada de mistério. O compromisso social do juiz Não se deve exagerar em pedir do homem-juiz que seja mais que ho­ mem.869. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. impedindo-se o protelamento exagerado dos feitos judiciais. cm vigor 60 dias após a publicação). Pode-se mesmo pedir engajamento e consciência social do juiz. 86 a 153). Maneira de se comportar. 125 a 133). 125. 125 a 138). 544 . Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. 5. O CNJ também tem pressionado os magistrados ao cumprimento de metas. LXXVIII. neste século.952. IV — tentar. Inciso IV acrescido pela Lei n. porque responde por função s<>cial de alta notoriedade pública. usada principalmente em lugar de conduta (‘conduto’. entre as quais a de realizar plena devolução dt. da CF/88).5a. 2. Capítulo IV — Do Juiz (arts.2. Mas se pode pedir do juiz que seja homem em sua plenitude. de 13-12-1994 (DOU. procedimento. Seção I — Dos Poderes. conduta. 189. encar­ nando o ideal necessário da virtude e da prudência. 14-12-1994.lui/. dos Deveres e da Responsabilidade do . e corre o risco de con­ verter sua atividade de julgar em mero ofício técnico1 9 8. a presteza tem sido exigida como tarefa jurisdicional primordial. Conjunto de atitudes e reações do indivíduo cm face do meio social). competindo-lhe: I — assegurar às partes igualdade de tratamento. III — prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da jus­ tiça. por ser uma palavra indefinida. “Art. (arts. de 11-1-1973 {DOU. O juiz dirigirá o processo conforme as dispo­ sições deste Código. di­ reitos às partes. Ia a 565). conciliar as partes1 8 8. 8. um juiz acastelado em seu universo não está aberto para as necessidades sociais que o rodeiam.7. II — velar pela rápida solução do litígio. a qualquer tempo. procedimento moral) ou de comportamento (1. 188. e tem uma explicação: sua simples menção transmite a imagem de cultura. Em meio a tantas atividades. responsabilidades e incumbências não se podem omitir os dizeres do Código de Processo Civil ao prescrever ao juiz as se­ guintes tarefas: Lei n.

psicologia judiciária. aí incluídas matérias e conhecimentos que usualmente eram considerados marginais ao processo de ensino-aprendizagem do direito. vivido e assimilável pelas pessoas. do CNJ. ligado ao cidadão na co­ marca. das Escolas de Magistratura. “A preocupação com a Ética é maior com o juiz de direito. enfim. proces­ sos são números. em que pessoas são autores e réus. ética e estatuto jurídico da magistratura nacional. XXI. ao desvio de poder. no município. De fato. Uma das inovações mais significativas. A responsabilidade que decorre desta investidura vai muito além disto. Hoje. desde o Império com o binômio juiz e padre. 1999. à deslealdade.. 190. O mundo dele não é somente o processo. no combate à arbitrariedade. por exemplo. acima do seu mundo. filosofia do direito. num atavismo histórico. devendo. mas a sociedade exigindo dele atitudes acima da média” (Roberto Rosas. Se não puder exercer a 545 . 75. de 12 de maio de 2009. não serão os autos processuais. é aquela revelada pela Resolução n. 100). da melhoria da técnica processual. p. e. à inadim­ plência. quais sejam: sociologia do direito. sentenças são documentos repetidos no “windows” e a profissão de juiz em exterminador de processos. prestar a atividade jurisdicional como sendo o último recurso de que dispõe o cidadão na defesa de seus direitos e garantias. “O magistrado é hoje — e deverá ser chamado a continuar a sê-lo — o adminis­ trador de situações conflituosas. Ética no direito e na economia. a Reforma do Judiciário sem aposta e valorização da profissão. O Judiciário e as funções essenciais à justiça: conduta e ética no séc. ela inaugura um movimento em que as exigências de formação do novo ingressante na carreira estejam atreladas à necessidade de mais ampla visão do direito.Pensar. Para tomar o direito algo perceptível. pois seus atos e atitudes são muito importantes e decisivos no contexto social. dos estudos dos magistrados. in Martins (coord. nada lhe perguntavam. à ilegalidade e à inconstitucionalidade1 0 9. o juiz está sendo arguido pela sociedade. e que revela uma mudança interessante de consciência na área da formação e do preparo de novos magistrados. das condições de trabalho. Reconhece-se nessa inovação um esforço de renovação da magistratura. não era atacado. Pede-se consciência do magistrado na medida em que é ele a última palavra acerca da lei. teoria geral do direito e da política. por isso. Não era questionado. É a pessoa talentosa para resolver problemas alheios.).. é recair num reformismo-produtivista que apenas reforça o estereótipo do “juiz-máquina” da esteira de produção fordista. ele era o mais importante. e mais no futuro. portanto. “O juiz de ontem mergulhado no seu microcosmo não precisava de grande espaço social. a partir de alicerces em que a formação huma­ nística mais ampla se encontra contemplada.

por outro operador” (Nalini. revela-se em descompasso com a realida­ de” (Faria (org. 192. • Consciente das necessidades coletivas e sociais de justiça. hoje. convertendo-o de ficção em realidade. saiba discernir adequadamente os valores entre si a ponto de: • Consciente da amplitude de seus poderes. mas que acima da estreita legalidade e procedimentalidade se en­ contrem as necessidades sociais envolvidas nas causas e a urgência de pacificação interindividual e social. Ética e justiça. 208). • Consciente dos reflexos práticos e sociais de suas decisões. Entende-se que não basta ao juiz simplesmente julgar. “O cumprimento estrito de exigências éticas do dever funcional parece insufi­ ciente para satisfazer as exigências éticas do mister judicial” (Nalini. tratar com urbanidade e res­ peito os demais profissionais que militam em tomo de atividades jurisdicionais. será substituído. 191. 91. 546 . Ética e justiça. não há mais lugar para arcaísmos. materializando o direito. cedo ou tarde. in Direitos humanos. p. mentalidades retrógradas ou modelos de julgadores desarticulados das ne­ cessidades sociais1 2 O que se pode e o que se deve pedir do juiz é que. “No exercício de suas funções judicantes. 151). possuir humildade suficiente para se destacar como fiel combatente contra as fileiras do nepotismo e do tráfico de influências. exercício profissional. a magistratura forjou a partir do Esta­ do Liberal uma cultura técnica própria que. ou o que é pior. direitos sociais e justiça. • Consciente do mister de julgar. As transformações do judiciário em face de suas responsabilidades sociais. manejar mecanicamente a lei. que sua atuação seja reflexo dos poderes da lei. estar atualizado das carências e necessidades mais prementes da população. • Consciente de sua importância no processo. no 9. p. p. 1998. 53). subsumindo os casos concre­ tos à sua literalidade1 atualmente. 199H. a ponto dc atendê-las por meio do processo e em meio às demandas que sob sua jurisdição e competência se encontrarem. estudar diutumamente para que suas manifestações constituam legítimas intervenções sobre a vida e o patrimônio dos jurisdicionados. 1998.O compromisso e o atrelamento do juiz com a causa da justiça social faz com que se devam formular imperativos por meio dos quais se ilustrem os comportamentos desejados e os comportamentos indesejados do magis­ trado pela sociedade.).

em fuga do dever profissional e de afrontar altaneiramente as jornadas de seu mister. de fato. e se faça sentir como impacto do arbí­ trio do espírito das partes envolvidas. estar-se-á a afastar os fantasmas da violência e da desordem. ou mesmo a falta da lei. • A inércia da jurisdição em motivo para a criação de maiores empecilhos para o acesso à justiça ou em princípio de vida na condução morosa do processo. » 193. • A adstrição do juiz ao mundo do processo {quod non est in actus non est in mundus) em bastião para a fuga dos problemas sociais e ambientais que cercam o magistrado e que dele exigem posições rápidas e eficazes. 1999. Pede-se ainda que não se converta: • A imparcialidade em justificativa para a arrogância perante partes e ope­ radores do direito. de idiossincrasias perniciosas à isenção judicial. 547 . jurisdição. ou ainda para se esquivar das con­ tendas que moram em sua mesa de trabalho. 21). Numa palavra. p. em motivos para que a decisão peque no aspecto do justo. o juiz encontra-se investido no poder de julgar. Ética e justiça. • A necessidade de preservar o vernáculo e de se utilizar de palavras técnico-jurídicas e termos legais em aparato para o magistrado tomar-se inin­ teligível para a sociedade à qual destina seus mandamentos. que coloca em crise as estruturas jurídicas e judiciárias. Assim. • A obscuridade da lei. na medida em que necessidades sociais pulsam no sentido de destacar determinados membros do corpo social para desempenharem a importante tarefa de resolução de conflito1 3 Enquanto vigorar a lei e a 9. há que se dizer que. de ideologias tendenciosas. bem como o excesso de pro­ cessos. menos imprevisível e hermético. • A calamitosa situação do Poder Judiciário. os argumentos para travestir o desleixo profissional. da luta e da força física na definição de papéis sociais. • A necessidade de transparência e visão arejada do Judiciário em oportu­ nidade para a autopromoção na mídia. mais acessível a qualquer do povo” (Nalini. “O vínculo entre a aquisição efetiva dos direitos e o funcionamento eficiente da justiça explica a intensidade dos reclamos comunitários por um serviço público menos im­ pregnado de burocracia.justiça material da pós-modemidade. • A liberdade de persuasão e convencimento do juiz em canal para a evasão de sentimentos parciais.

281). preparado para saber manejá-los adequadamente como siste­ ma jurídico1 4 maduro para exercer a interpretação jurídica (literal. sem exceder suas funções. ou do juizjurisprudencial. princípios gerais de direito e equidade (art. 197. razão primeira de sua aventura terrena” (Nalini. p. Formação jurídica. atualizado com relação às necessidades e carências da so­ ciedade. em caso de lacuna. in Nalini (coord. não apenas oferecendo a decisão formal” (Nalini. 1994. deve ser considerado o meio através do qual se visa a um provimento justo. tical. Ética geral e profissional. palco em que essas três atividades se desenvolvem.1 5 atua dessa 9 forma. Muito mais do que do juiz legalista. está apto para ser qualificado de juiz ético196. 196. e delas não pode totalmente se libertar. Em virtude mesmo de seu compromisso com o bem é que o juiz se empenhará no estudo e no autoaperfeiçoamento. “Se a jurisdição é a atividade estatal destinada à atuação da lei. na ausência da lei. grama­ 9.justo. dedica­ do às partes envolvidas. deve 194. o processo. atencioso para com os reflexos de seus atos jurídico-processuais.). Não desanimará. 548 . mais do que pelo desencargo de tarefa rotineira. compromissado com sua atividade. 1994. se a defesa é pres­ suposto da legitimidade do provimento e imprescindível à correta imposição da norma ao caso concreto. histórica.). 124). Porém. “O juiz há de ter visão de conjunto do sistema. 128). Quando possível. Poderes instrutórios do juiz. estudioso das inovações e tendências do direito. p. analogia.. 1999. 195. equidade. ele deve estar informado acerca dos con­ teúdos de lei.. Confe­ rirá dimensão de nobreza ao seu mister. O compromisso do julgador. Zelará pela consecução da Justiça. A lei não consegue abarcar toda a justiça” (Nalini. ou seja. que represente a correta formulação e imposição da regra concreta” (Bedaque. costumes. ou seja. in Nalini (coord. Não hesitará mesmo diante de desafios aparentemente invencíveis. Avulta ainda mais atualmente que não tenha tanta atenção com a lei formal e mais com as necessidades sociais e o equilíbrio da aplicação da justiça a cada caso. A noção de que o processo é o instrumento e não o fim de toda a atividade jurisdicional tomaria o juiz menos afeito a tendências burocráticas e mais aberto para reclamos sociais1 7 9. 51). ou do juiz doutrinador. Formação jurídica. 42 daLINDB). lógica. haverá de aplicar. A formação do juiz. O juiz que. A formação do juiz. “Os aspectos éticos da carreira preordenam todos os demais. axiológica e sistemática. 1997. “A reengenharia ética poderia contribuir para que o juiz se aproximasse do ideal do juiz.O juiz é um aplicador da lei. p. ademais. em conjunto) e dirimir antinomias jurídicas aparentes e reais. Saber procurar a alternativa mais adequada a uma composição satisfatória do litígio. se necessário. está atrelado às formas de pro­ ceder da jurisdição. se a ação é o poder de estimular essa atividade e fazer com que ela atinja seu objetivo. p.

5. salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado. familiar. VI — comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão. Então. III — determinar as providências necessárias para que os atos proces­ suais se realizem nos prazos legais. O juiz possui deveres fixados em lei e deve cumpri-los de modo escorreito. sob qualquer tipo de ale­ gação. o de coerção e o de docu­ mentação” (Santos. 1978. Primeiras linhas de direito processual civil.colocá-las. seguem-se os deveres do juiz: Lei Complementam. Deveres do juiz Apesar da ampla liberdade de atuação. IV — tratar com urbanidade as partes. p. II — não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar. “Art. 35. em sintonia com as modificações de seu tempo. serenidade e exatidão. Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. a qualquer momento. Como exercente de uma atividade pública. grupai. as testemunhas.7. e atender aos que o procurarem. as disposições legais e atos de ofício. na medida em que de sua atuação profissional decorrem influxos decisórios sobre o destino material. não pode o juiz se esquivar de seu compromisso. V — residir na sede da comarca. psicológico. com independência. os advogados. os membros do Ministério Público. quando se trate de providência que reclame e possibilite solução de urgência. de 14-3-1979 (DOU. profissional das pessoas. sob pena de comprometer o andamento e o exercício de uma ativi­ dade pública essencial. típica do Estado e indelegável. coerção e decisão)1 8 9. 35 a 60). “A jurisdição compreende três poderes: o de decisão. 35 a 39). desempenho profissional. moral. 549 . e não se ausentar injustificadamente antes de seu término. os funcionários e auxiliares da justiça. 198.3. 60). convencimento. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. a atividade censória é imprescindível para o controle da con­ duta do magistrado. 35. São deveres do magistrado: I — cumprir e fazer cumprir. em todas as suas dimensões (documentação.

201. sendo mais que imerecedor de promoção por mérito1 9 e assumir postura atentatória à 9. 199. não o descompromisso das decisões singelas. o dar o máximo de si na solução dos problemas. “Art. podendo avocar processos disciplinares contra juizes de pri­ meira instância e.). A assiduidade. em qualquer caso. A formação do juiz. quan­ do as citações são extraídas de obra alheia. o constituinte remeteu aos deveres éticos da presteza qualidade de quem é presto. As culturas verdadeiramente sólidas só conseguem saber que nada sabem. embora não haja reclamação das partes. com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço”. eticamente. o rigor científico na busca de alternativa adequa­ da à verdadeira solução da causa. p. “A humildade é sempre essencial. Os desvios serão apurados e as sanções serão aplicadas pela Corregedoria-Geral de Justiça. completa as demais virtudes do homem sábio” (José Renato Nalini. ao sanear o processo. rápido. A indicação das fontes. a transparência em tudo. A honestidade intelectual. retardar a outorga da prestação jurisdicional.VII — exercer assídua fiscalização sobre os subordinados. in Nalini (coorJ. Assim. o valor do merecimento como um dos pilares da carreira judicial. 1999. o magistrado que se distanciar de suas atribuições legais. Ainda. O mérito dos juizes será aferido pelos critérios da presteza e segu­ rança no exercício da jurisdição e pelafrequência e aproveitamento em cursos reconhecidos de aperfeiçoamento. dignidade e ao profissionalismo da carreira. ficará sujeito à aplicação de sanções proporcionais à gravidade do desvio200. que é uma face de honestidade em sentido compreensivo. após amplo procedimento instrutório. a pontualidade. “Dentre eles. “O padrão de honestidade pode ser aferido em pequenos detalhes do comporta­ mento do juiz. que deixar gritantemente do corporificar os misteres da profissão. p. Ética geral e profissional. 14-3-1979). 550 . O juiz não pode. 130-131). 35. 1994. com colheita de provas (escritas e orais) e oportunidade de defesa. ladeando a antiguidade. “Ao estabelecer tais critérios. célere. Formação jurídica. a instruí-lo devidamente e a julgá-lo” (Nalini. a dedicação ao trabalho. com relação a este tema: Lei Complementar n. 50. determinar a disponibilidade ou a aposentadoria de uns e outros. Ao Conselho Nacional da Magistratura cabe conhecer de reclamações contra membros de tribunais. E a postura humilde é a coroa que. 260). sobranceia. especial­ mente no que se refere à cobrança de custas e emolumentos. Atraso sistemático e consciência tranquila com essa situação refletem espírito mais vulnerável. de 14-3-1979 (DOU. ao decidir as questões iniciais. Deve ser diligente ao impulsionar o feito. mantendo-se sempre a possibilidade de recurso aos órgãos colegiados201. VIII — manter conduta irrepreensível na vida pública e particular”. 200. que recomenda a pesquisa e o estudo intenso.

de 14-3-1979 (DOU. Mas. desvio de comportamento do magistrado.A atuação da Corregedoria deve centralizar a mentalidade de que in­ vestir contra a magistratura faltosa é. 1999. IV — disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. 35 a 60). 40 a 48). acompanhamento próximo aos juizes ne­ cessitados e disseminação de conhecimentos éticos” (Nalini. 202. Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem. ouvindo o interes­ sado e a ele concedendo plenitude de defesa. “Uma nova concepção de Judiciário postula atuação menos punitiva e mais orienta­ dora das Corregedorias-Gerais de Justiça. A respeito das sanções: Lei Complementar n. Parágrafo único. V — aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. orientar é fundamental. e mesmo antes de punir. Capítulo II — Das Penalidades (arts. além de punir. As penas de advertência e de censura somente são aplicáveis aos juizes de primeira instância”. São penas disciplinares: I — advertência. a célere e eficaz punição devem ser políticas efetivas dos órgãos de controle (interno ou externo). afora as eventuais sanções civis a que fica sujeito em caso de fraude ou dolo. III — remoção compulsória. investir a favor da socie­ dade. As Corregedorias recebem as denúncias formuladas contra os magistrados e as processam. na manutenção de uma magistratura ineficiente e imoral. 42. II — censura. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. mediante orientação contínua. Tais organismos hão de contribuir no aprimora­ mento da carreira. o ma­ gistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. “Art. O corporativismo e o falso coleguismo protecionista só prejudicam o erário público. p. Ética geral e profissional. 41. 278). 551 . “O órgão disciplinar encarregado da fiscalização e controle da atividade funcio­ nal e da conduta particular dos juizes é a Corregedoria-Geml da Justiça. Art. na medida em que o espírito de equipe e a ética coletiva surgem do emprego desse tipo de administração do comportamento corpo­ rativo2 O caráter excepcional da punição se justifica a partir do tipo de 02. na verdade. VI — demissão. 35.

se se espera do juiz maior proximidade das questões sociais e se se questiona o juiz para que abrace uma ética profis­ sional mais ativa203. o verdadeiro juiz se forja na prática efetiva da jurisdição e no enfrentamento quotidiano das agruras da função. ética e humanista do magistrado. teriam desenvolvidas suas qualidades inatas mediante processos científicos de polimento da personalidade. “O ideal seria que todos os candidatos a juiz permanecessem por dois anos em uma Escola da Magistratura. Mais que isso. no processo legislativo. Além da revisão das disciplinas jurídicas essenciais ao exercí­ cio de seu mister. Assim. Muito já se cogitou sobre a formação jurídica. receberiam experiência do trabalho judiciário. “Assim também.5. na educação residiria a chave para o preparo do jul­ gador ideal. o verdadeiro juiz deve ser experiente e militante advogado. ainda. Mais até que os demais agentes políticos. para outros. há de conduzir-se limpo e transparente. para a preservação do equilíbrio. não pode ser excluído da elaboração normativa” (Nalini. para outros. Formação jurídica. um Código de Ética só pode significar uma exaltação das magnas virtudes do julgador e de suas atribuições. do patrimônio e da honra. para uns. cogitando-se da forma­ ção de uma Escola da Magistratura que preparasse o magistrado durante longos períodos antes de judicar204. O movimento que resultou na utilização de instituto que ninguém acreditava pudesse vir a ser aplicado no Brasil — o impeachment — não por acaso se denominou movimento pela ética na política. E não se exige conduta eticamente irrepreensível apenas aos detentores de cargos no Executivo e no Legislativo. Conviveriam com juizes mais experientes. No momento histórico em que se propõe a mudança da forma e do regime de governo. A formação do juiz. 1994. 129). para trazer luz aos de­ bates de interesse na vida nacional.4. Aquele que tem por dever de ofício aplicar a lei. p.7. O conjunto de atos preordenado à produção de normas típicas do parlamento não pode prescindir de conduto para que o Judiciário for­ mule suas proposições ou aperfeiçoe aquelas que digam respeito à função para a qual foi criado. quem condena. o verdadeiro juiz é nato. Sem o qual não pode 552 .). Código de Ética da magistratura Um Código de Ética para a Magistratura só pode constituir um parâ­ metro fundamental para a atuação do juiz. “Toda a atividade pública está sendo hoje questionada em seus aspectos éticos. in Nalini (coord. exporiam suas expectativas e receberiam acompanhamento contínuo. incompleto o encaminhamento se não houver ativa partici­ pação do Judiciário. há que se tomar claras as principais virtudes da função. o juiz tem obrigação de atuar sem o arranhão mínimo à moral: pois é quem julga. Para poder fazê-lo sem suscetibilidades de consciência. Enfim. A solução para o impasse às vezes se 203. “O juiz moderno há de contribuir. quem ordena o sacrifício da liberdade. até a nível psicológico. com sua opinião abalizada. 204. Nesse sentido.

in Direitos humanos. 6) da escolha por órgão especializado. o inves­ timento em qualificação de pessoal para trabalhar em equipe com o juiz. existir prestação jurisdicional eficaz” (Nalini. “A variedade dos sistemas de recrutamento e de formação dos magistrados é fruto de inúmeros motivos.deposita inclusive na reformulação dos métodos de seleção do juiz205. a reciclagem obrigatória dos juizes. 206. A verdade é que esta diversidade de critérios tem resultado na existência de bons e de maus juizes em todas as justiças. a aproximação da justiça das regiões mais carentes e a formação de mecanismos de atendimento de necessidades aos despro­ vidos de condições de acesso à justiça. 1998. 1998. a informatização de determinadas formalidades judiciárias. a oferta de melho­ res condições de trabalho em determinadas comarcas. José Eduardo Faria).). a celerização dos procedimen­ tos206. A escolha. n. 4) da nomeação pelo Executivo com proposta de outros poderes. p. in Nalini (coord. p. “O ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (1977) resumiu os métodos de seleção de juizes assim: 1) do voto popular. in Direitos humanos. p. For­ mação jurídica. 1994. 7) do concurso. individualista e formalista. e o fortalecimento dos me­ canismos alternativos de resolução de conflitos jurídicos — a ‘desinstitucionalização’ do conflito — não são sinais reveladores da inutilidade da magistratura. Crise da norma jurídica e a reforma do judiciário. 2a semestre de 1999. os desajustes entre a aplicação judicial de regras jurídicas nacionais e as necessidades da internacionalização do processo produtivo. “Os descompassos entre o ‘tempo’ do processo judicial e o ‘tempo’ das modernas transações mercantis. p. a quebra do modelo liberal e arcaísta de justiça formal207. Os desafios do judiciário: um enqua­ dramento teórico. a ampliação do quadro de magistrados em regiões de grande movimento e expediente fo­ rense. ano 3. Revista daAMB. a abertura para a mídia das de­ cisões judiciais e a criação de instrumentos de aproximação da justiça e seus mistérios da população. a exemplo do peso da tradição e da história das instituições estatais em cada país. a quebra de uma hierarquia fechada na ascensão da carreira. Cidadania e justiça. 142-143). dependendo da aprovação do Legislativo. 5) da nomeação pelo Executivo. 3) da livre nome­ ação pelo Judiciário. Também contribuiria para a arquitetônica da imagem da magistratura: o desentravamento da legislação processual. formação e aperfeiçoamento do juiz. 82-83. José Eduardo Faria). da mudança na formação. 207. do incremento da operacionalidade do Poder Judiciário” (Campilongo. 2) da livre nomeação pelo Executivo. A respeito da necessidade de desmitificação de uma cultura jurídica utilitarista. a ampliação do diálogo com a co­ munidade na formação das decisões políticas e institucionais da justiça pública. direitos sociais e justiça (org. 64). 553 . vide Lopes. 44). A formação do juiz. Mas são indicadores da urgência: da revisão dos procedimentos. de ser um mau juiz” (Camolez. o exter­ mínio da impunidade dos juizes infratores. 7. 205. direitos sociais e justiça (org. sem dedicação e interesse. até porque a melhor escola judicial não salvará umjuiz.

devem-se recolher os seguintes ensinos: “Houve quem se preocupou com a enunciação de um Código de Ética Judicial. Cidadania e justiça. inexistente no Brasil209. 554 . ela te ajudará a ter presente que o destinatá­ rio de tua sentença não é um ente abstrato ou nominal. Sê sóbrio: a sobriedade é uma exigência do teu cargo. inspira­ dores de sua conduta. 258-259). Existem normas éticas positivadas. mas é um homem. soma-se à vocação e à personalidade. E enorme o perigo social da existência de um juiz não ético. n. Sê honesto: O conteúdo necessário do direito são os valores morais. 3. 208. deves encarnar em ti esses valo­ res. uma pessoa humana. mais que um homem. poderá servir de importante meio de desenvolvimento dos atributos morais exigíveis no comportamento judicial. Por esses valores morais. a inserção do estudo da ética dentre as disciplinas da escola judicial” (Camolez. 80). o equilíbrio de tua alma. formação e aperfeiçoamento do juiz. o direito existe. mas. p. Professor da Universidade Católica de Assunção. Ética geral e pro­ fissional. 7. Para que possas aplicá-lo com rigor e cumprir seus pressupostos últimos. p. donde não se pode conceber um ordenamento jurídico que não responda a um princípio ético. ano 3. em todas as tuas decisões. pois. não se conseguirá lograr êxito na formação dos ma­ gistrados. Importante. Sê paciente: quem vai aos tribunais em demanda de tua justiça. Assim. mormente no que tange à profissão de julgar2 08. nesse sentido. “O juiz brasileiro não tem um código de ética específico. dentre os quais a honestidade é o primeiro e essencial ao teu ministério. e. A codificação das normas éticas ainda sofre algumas objeções. 2. Educação. “A ética constitui disciplina cujo conhecimento é imprescindível na carreira ju­ dicial. dados fundamentais para esculpir a pessoa humana no desempenho de quaisquer atividades. sem se cogitar de uma profun­ da consciência ética. 22 semestre de 1999. Revista daAMB. A escolha. tem autorida­ de. Nem por isso os mandamentos éticos. Esta é a parte mais sen­ sível e humana de tua missão. ministrando conhecimentos de ética. a partir da Constituição da República. merecendo menção o decálogo do Juiz Juan Carlos Mendoza. 209. A escola judicial. hás de ser necessariamente exemplar em tua vida pública e privada e hás de condensar. 1999. aperfeiçoa-se e se impõe aos homens. com o intento de contribuir na formulação de um Código de Ética. Para que sejas um verdadeiro magistrado e alcances o respeito de teus semelhantes.Todas as alternativas são válidas. residem somente na doutrina. assim redigido: 1. dos quais se pode extrair o lineamento básico de sua conduta ética” (Nalini. leva atribulações e ansiedades que hás de compreender. O constituinte emitiu comandos destinados ao juiz.

que exige para o direito uma devoção maior porque não te dará triunfos. para que esse baluarte seja uma fortaleza. Para cumprir com o teu dever. Sê justo: antes de mais nada. A imparcialidade implica a coragem de decidir contra os poderosos. pois nunca foram livres os homens. senão preservar a saúde da sociedade e o destino das institui­ ções que a justificam. isento de enganos e refúgios. tanto quanto tu lutas pelo direito. verifica. nem os povos. mas porque a experiência da humanidade demonstra que esta é uma garantia essencial da justiça. Todo o direito é dignidade. a condição da existência do poder jurisdicional. fundamenta-a no Direito. nem por temor ou misericórdia. sem necessidade de canhões. Ama o direito: se a advocacia é um nobre postulado. 8. Na medida em que a faças respeitar. Não te deves levar por tuas simpatias ou antipatías. Sê imparcial: o litigante luta pelo seu direito. a magistratura judicial é um apostolado mais nobre ainda. tem presente que o que está em jogo é a própria justiça. 10. se bem que não deves sacrificar o estudo à celeridade. Em seguida. Deves estar consciente da imensa responsabilidade do teu ministério e da enorme força que a lei põe em tuas mãos. em todos os casos. nos conflitos. teus companheiros e tua posteridade gozarão de seus benefícios. nem de soldados. para que seja majestoso e imponente. 7. onde está a justiça. Do ponto de vista técnico. nem riquezas. por 555 . Não é por capricho que se quer que sejas indepen­ dente e que os homens tenham lutado e morrido pela independência. Sê independente: tuas normas hão de vir unicamente das normas da lei e de tua consciência.4. está dirigido à dignificação da pessoa humana e não se pode conceber esvaziado dela. Tra­ balha no pleito mais insignificante com a mesma dedicação que no pleito mais importante e. respeitoso nos atos e nas palavras. Defender a liberdade não é fazer política. por conveniências ou compaixões. é mister que tu o levantes como nunca. o modo mais eficaz de proteger o indivíduo contra os abusos do poder. 9. Defende a liberdade: tem presente que o fim lógico para o qual foi criada a ordem jurídica é a justiça e que a justiça é o conteúdo essencial da liberdade. hás de esforçar-te para que a verdade formal coincida com a verdade real e para que a tua decisão seja a expressão viva de ambas. 6. que não souberam ser justos. Sê respeitoso: respeitoso da dignidade alheia e da tua própria dig­ nidade. 5. Isto não deves esquecer nunca. Sê trabalhador: deves esforçar-te para que tenha vigência o ideal de justiça rápida. mas também o valor muito maior de decidir contra o fraco. tu. que exige um profundo amor ao direito.

autor e réu. Ética e justiça. constituem o sujeito ativo e o sujeito passivo do processo. tem-se por hábito conceber o estudo da ética dos operadores do direito. v.cima das paixões e cumpras. no geral. com grandeza e com suprema energia. o direito de petição (XXXIV. Instituições de direito processual civil. sobretudo. mas. 89). p. 5a da CF de 1988. 1971. a publicidade dos atos processuais (LX). A elas também se pode ligar um conjunto de deveres e de prescrições legais. p. “As regras que se condensam no princípio da lealdade processual têm por obje­ tivo justamente conter os litigantes e lhes impor uma conduta em juízo que possa levar o processo à consecução de seus fins. teu dever de magistrado. Isso significa. onde se digladiam as partes até os limites de suas forças. 1989. 5. 210. Direito processual civil brasileiro. a par desta importante discussão. Nalini. teu alto apostolado jurídico. Ora. a oportunidade de se manifestar num procedimento em sua defesa. Adota-se a seguinte conceituação de parte: “As partes. sem que se tente alterar o desfecho acertado e justo da ação. conclaves ilícitos. 111). 211. Mas. 556 . Ética das partes: lealdade processual e procedimental Quando a temática se detém na ética profissional. com vistas a que o processo judicial e o procedimento administrativo sejam instrumentos públicos não somente eficazes. seja como sujeito ativo. num processo ou procedimento. 1. em primeiro plano. são essas garantias que constituem a lisura dos instrumentos públicos de aferição de litígios. deve-se também levar em consideração que a legislação e o dever ético incidem da mesma forma sobre as partes que li­ tigam em processo judicial ou em procedimento administrativo. p. a). é deferido o devido processo legal (LIV). É quem pede e contra quem se pede o provi­ mento jurisdicional” (Greco Filho. que não cedas ante a violação de urna única lei e não te embaraces no atentado contra urna única garantía”210. visando à conduta ética. éticos de resolução de conflitos.8. 1998. Às partes212. o amplo direito de defesa e de contraditório (LV). que o processo não deve se conver­ ter em uma arena oficial. seja como sujeito passivo. ou por meio do qual se cometem arbitrariedades. 67-68. com vistas à manutenção da imparcialidade e ao oferecimento de ampla oportunidade de manifestação antes que qualquer decisão (administrativa ou judicial) seja tomada. com recursos ilícitos” (Marques. conforme os mais célebres ditames contidos nos incisos do art. o amplo acesso à justiça em caso de lesão ou ameaça de lesão a direito (XXXV). 212. a que se pode chamar de leal­ dade processual211.

onde venceria o mais hábil. a imper­ meabilidade de comunicação. Requisitar. Manter a ordem e o decoro na audiência. da desvairada 213. a ma­ nipulação. a irascividade. 446 do CPC). a desonestidade. O processo não pode servir de instrumento para a reali­ zação de direitos em conflito com o dever moral” (Instituições de direito processual civil. Sem essa interação discursiva racional. a vontade de aniqui­ lamento do outro. É muito comum. do mero conclave de ânimos exaltados. a vontade de perseguição. a desconsideração. perde-se o norte da necessidade da intervenção de um terceiro julgador (autoridade decisória) para dar-se vazão a um sem-número de atribulações mesquinhas da alma humana. imoralidades.favorecimentos pessoais. a má-fé. De fato: “Um pro­ cesso dominado pela chicana ou expedientes condenáveis seria a negação do processo. a velhacaria. irregularidades. p. quando necessário. De fato: “O juiz exerce o poder de polícia. A afirmação é de José Frederico Marques. em que imperam: o ódio. o processo pátrio. O que se quer dizer é que o processo não pode ser a moradia da desor­ dem e do tumulto. o jogo de forças. O proces­ so. o devido processo legal avalia meios e fins.. portanto. a força policial” (art. p. Instituições de direito processual civil. em face desses sentimentos. 111). a impetuosidade. a atrocidade.) IV. perde-se de rumo a orientação racional da necessidade do pleito judicial ou administrativo. competindo-lhe: I. a vingança. e. em face da animosidade que movimenta as partes que se acostam ao procedimento administrativo e ao processo judicial. 1971. 557 . o desprezo. 1971. 110. a mentira. 214. des­ pontam as mais vis paixões da alma humana. Lapidar sentença de Frederico Marques: “Impregna-se.. a sórdida perfídia. em detrimento da moral e da legalidade. 215. a rapina. de acentuado sentido ético. III. se inscreve como instrumento ético de aferição de direitos e de deveres213. pois transformaria ojudicium em tablado de luta desleal. o que acaba por dar surgimen­ to a um tétrico cenário de relacionamento. II. em detrimento da justiça e da reta aplicação da lei”215. Ademais: “Compete ao juiz em especial: (. 445 do CPC). Ora. a corrupção. Exortar os advogados e o órgão do MP a que discutam a causa com elevação e urbanidade” (art. Ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente. ou o procedimento. não pode se tomar o circo onde tudo é possível e onde se vê acontecerem fatos de toda natureza. desvios. Ao juiz são deferidos poderes de condução do processo exatamente para que não se desvirtue sua natureza de instrumento público214. desvirtuando-se o compromisso plasmado sobre o processo de transformar a pendência entre as partes em uma decisão racional e imparcial. portanto.

vontade de massacre da parte contrária, da humilhação e da impetuosidade, do arbítrio e da vingança, mas sim da imparcialidade, da justiça, da media­ nia decisória, da autoridade, da racionalidade e do discurso/Quando o processo se converte em mero instrumento de extravasamento das baixas paixões da alma humana, ele já perdeu sua essência ou sua raiz racional, qual seja, a de servir para resolver conflitos de modo racional e imparcial, de modo institucional e equânime, para se converter na forma de prolonga­ mento temporal da desdita humana, da miséria ética da humanidade, da desonra e da tortura sentimental, ou, ainda, numa forma de enlamear e afugentar o sentimento do ético e do justo. É certo que o juiz, ou a autoridade decisória administrativa, possui grande participação nesse cenário, devendo estar consciente dessa proble­ mática para afastar todo e qualquer uso inescrupuloso das vias institucionais para a realização de sentimentos antiéticos. Mas nem sempre se pode im­ putar ao julgador essa responsabilidade, assim como nem mesmo se pode cobrar dele essa percepção, por vezes, velada e mascarada pelas partes, que agem sorrateiramente nos bastidores dos acontecimentos processuais. O julgador não possui amplos poderes instrutórios e probatórios senão para a realização desse seu mister de boa condução do processo216. Isso significa, também, num segundo plano, que se podem cobrar alguns comportamentos específicos das partes, seja por estarem previstos direta­ mente na legislação, seja por estarem subjacentes e implícitos no ordena­ mento ou numa certa ética da litigância, como segue: 1. Movimentar a justiça ou a máquina administrativa para elaborar pedidos levianos ou motivar-se a aventuras jurídicas, sabidamente incapazes de surtirem qualquer fruto real ou qualquer resultado realizável, sobretudo se conhecedor da ilogicidade de seu pleito administrativo ou judicial, em face da necessidade de provar a existência de interesse (art. 32 do CPC). 2. Tratar a parte contrária nos momentos de conclave perante a auto­ ridade decisória sem a mínima urbanidade. É certo que não constitui crime de calúnia, ou crime de difamação punível, a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador (art. 142,1, do CP), o que não significa que haja nessa exceção legal o acobertamento de atitudes antiéticas a serem estimuladas ou louvadas, ex vi do art. 445 do Código de Processo Civil.

216. A respeito, consulte-se a importante obra de José Roberto dos Santos Bedaque, Poderes instrutórios do juiz, 1994.

558

3. Conduzir o processo mediante provas ilícitas e/ou obtidas de má-fé, tomando esse instrumento público de aferição de direitos e deveres o covil onde moram a rapina e a deslealdade processual, conforme prescreve a própria Constituição Federal (art. 52, LVI). Não é sem razão que a lei pro­ cessual civil brasileira se utiliza de uma expressão muito significativa quando se refere à produção de provas, como segue: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa” (art. 332 do CPC)217. 4. Converter os meios jurídicos e processuais para obter efeitos con­ denáveis, externos ao processo, para a realização de paixões vis e repug­ nantes. É comum na praxe forense: o pedido de falência de outra empresa somente com vistas ao abalo do crédito e do conceito do concorrente pelo simples não pagamento de uma nota ou documento hábil a instruir pedido de falência; o precipitado pedido de prisão por não pagamento de pensão alimentícia, não por real carência ou necessidade, mas pela sorrateira von­ tade de vingança pelo término da relação conjugal e para destruir a vida profissional do ex-companheiro; promover denúncia à polícia para dar início a inquérito policial de fatos inexistentes, simplesmente para difamar ou prejudicar alguém que sabe ser inocente (art. 339 do CP). 5. Fomentar inverdades, alterando a verdade dos fatos e ostentar ale­ gações inverídicas perante autoridades administrativas ou judiciais, com vistas à constituição de situações irreais ou à obtenção de mais direito do que lhe corresponde (art. 17, II, do CPC). É certo que ninguém é obrigado a produzir prova em desfavor de si mesmo, ou mesmo depor sobre fatos e ocorrências dizendo verdades que o incriminam, mas a lisura do discurso é algo que se afere inclusive por meios probatórios para compor a decisão final do processo ou procedimento. 6. Agir processualmente em má-fé, como prescreve o CPC, com nos­ sos grifos ao texto: “Responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor, réu ou interveniente” (art. 16 do CPC); “Reputa-se liti­ gante de má-fé aquele que: I — deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso', II — alterar a verdade dos fatos', III — usar do processo para conseguir objetivo ilegal', IV — opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V — proceder de modo temerário

217. A jurisprudência repudia veementemente a obtenção de provas ilícitas produzidas ou favorecidas pelas partes, como segue: RTJ, 84/609; RT, 649/665; RT, 654/132.

559

em qualquer incidente ou ato do processo; VI — provocar incidentes ma­ nifestamente infundados”; VII — interpuser recurso com intuito manifes­ tamente protelatório (art. 17 do CPC). 7. Falsear a verdade ao profissional que o representa administrativa ou judicialmente, de modo a induzi-lo a erro na representação processual ou procedimental, fazendo-o crer ser inocente quando é, em verdade, culpado consciente, fazendo-o crer que pleiteia justamente como vítima, quando, em verdade, é o autor de dano, deslealdade esta que pode ser motivo sufi­ ciente para a cessação do patrocínio da causa pelo profissional (renúncia ao mandato judicial ou administrativo) que se viu iludido ou persuadido a atuar por algo que não existia ou não correspondia à verdade. 8. Manipular testemunhas, uma vez que, em juízo, estas possuem o dever de dizer a verdade, de não calar sobre a verdade ou de não fazer afir­ mação falsa (art. 342 do CPC), sendo assim instadas pela autoridade judicante (arte. 415 do CPC e 203 do CPP). 9. Subornar funcionários, corromper serventuários da justiça, ou mes­ mo o juiz, com vistas à obtenção dos melhores favores da justiça, a serviço de seus interesses pessoais, ao prejuízo da parte contrária, ao ganho de causa injusto (arts. 316, 317 e 333 do CP). 10. Pressionar extrajudicialmente os envolvidos em processo ou pro­ cedimento por meios ilícitos e se utilizar de violência ou de grave ameaça contra autoridades, partes e quaisquer outras pessoas que funcionam em processo judicial, em juízo arbitrai, em procedimento policial ou adminis­ trativo, para obter efeitos extraprocessuais (art. 344 do CP). 11. Provocar o desaparecimento de documentos (arts. 336, 337 e 356 do CP) ou manipular lugares e condições de prova a ponto de induzir a erro magistrado ou perito em processo civil ou administrativo (art. 347 do CP). 12. Praticar atos atentatórios à dignidade da justiça, tais como: fraudar a execução; opor-se maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos, dissimulados e calculados; resistir injustificadamente às ordens judiciais; desviar ou deixar de indicar bens à execução (art. 600,1 a IV, do CPC). 13. Provocar a perda de prazo ou a má defesa pela parte contrária, manipulando situações, causando impedimentos (físicos, psíquicos, judiciais, legais, materiais...) para a execução de tarefas relacionadas ao processo ou ao procedimento. 14. Outros. 560

Com a discussão sobre ética profissional procurou-se instruir o leitor na imediata compreensão dos deveres práticos avocados pelas diversas profissões jurídicas. Nestas linhas exordiais sintetizam-se as principais contribuições que encerram esta obra em seu bojo. mas perpassar suas marcas fundamentais e res­ tabelecer o curso linear da estrutura das reflexões empreendidas. Com acento crítico. desfiladeiros conceituais. com isso. tortuosas e traiçoeiras dificuldades teóricas que tomam emblemática e candente as preocupações éticas contextualizadas na pós-modemidade. Atravessaram-se. Com os conceitos fundamentais da primeira parte. Procurou-se enfatizar não a exaustão das correntes de pensamento. o texto fiou-se no sentido de proporcionar uma exegese normativa como forma de se trans­ mitir ao leitor as principais preocupações do setor. procurou-se intro­ duzir o leitor na consciência da importância. das dificuldades e nuances científicas básicas que passam pela temática ética. mas sobretudo aqueles que de alguma forma se vinculam às principais problemáticas jurídico-filosóficas. mas a enunciação das princi­ pais e mais notórias categorias de reflexão lançadas a respeito. procurou-se não enfatizar os pensamentos de interesse somente para a história das ideias éticas.CONCLUSÕES Após o desenvolvimento das linhas que compõem esta obra. Estas não procurarão retratar nova­ mente o conteúdo da obra. procurou-se refletir sobre a ética do ponto de vista filosófico. restam sejam ditas algumas palavras epilogais. da atualidade. 561 . conclamando-se os operadores do direito ao efetivo exercício de seus deveres profissionais e de seu compromisso social. na perspectiva de se moldarem novas expectativas para a prática jurídica no século XXI. Com o escorço histórico. destacando-se as principais ideias e contribuições já formadas e enunciadas na história do pensamento. sempre procurando-se proporcionar uma noção ampla da carreira e de seus princípios basilares.

.

Guilherme Assis de. ALMEIDA. 1993. Ana Valderez Ayres Neves de. Porto: Livraria Tavares Martins. 2000. O que é a filosofia do direito? São Paulo: Manole. 2004. ANDRADE. Rachel Gazolla de. 2002. Ética do discurso como ética da responsabilidade. São Paulo: Saraiva. Robert. Trad. Ética e retórica: para uma teoria da dogmá­ tica jurídica. ADEODATO. o homem e a cidade. ACQUAVIVA. 3. Alfredo Bosi. Sérgio. CHRISTMANN. João Maurício. ALENCAR. 2. Guilherme Assis de. 2001. 2000. Maria Nazaré de Camargo Pacheco 563 . 1977. La pretensión de corrección dei derecho: la polémica sobre la relación entre derecho y moral. São Paulo: Atlas. 1988. Martha Ochsenhofer. Colombia: Universidad Externado de Colombia. O poder legislativo e a criação dos cursos jurídicos. ALMEIDA. que criou os cursos de ciências jurídicas e sociais de São Paulq e Olinda. APEL. 2002. ALEXY. Alaôr Caffé et al. ADORNO. Um estudo sobre a alma. São Paulo: Atlas. ALVES. BULYGIN. Petrópolis: Vozes. Ca­ dernos de Tradução. Os aprendizes do poder: o bacharelismo liberal na po­ lítica brasileira. João. Rio de Janeiro: Paz e Terra. São Paulo: Martins Fontes. Eugênio. São Tomás deAquino. Dicionário de filosofia. AMEAL. Karl-Otto. Ética e direito: uma perspectiva integrada. Trad. ed. Ética do advogado. São Paulo: Jurídica Brasileira. Obra comemorativa do Sesquicentenário da Lei de 11 de agosto de 1827.BIBLIOGRAFIA ABBAGNANO. Platão: o cosmo. 2001. Marcus Cláudio. Nicola. Brasília: Secretaria de Edições Técnicas do Senado Federal. Direitos humanos e não violência. 1941. n.

AQUINO. 1936. 2. ed. 2000. da justiça e de suas partes integran­ tes (IP parte da Ia parte — Q. Suma Contra os Gentios. veram. Quinta edición. Traducción y estúdio introductivo por Carlos Ignacio González. Cláudio. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Cadernos Nietzsche. do direito. o querer. Trad. Clássicos do pensamento polí­ tico. v. Suma Teológica'. Rio Grande do Sul: Livraria Sulina Editora e Grafosul Indústria Gráfica Editora. Suma Teológica. Taurini (Itália): Ex Officina Domus Editorialis Marietti. o julgar. Roberto Raposo. A condição humana. Diferenças e preconceito na escola: alter­ nativas teóricas e práticas. ------------. 10. 1990. Roma: Abete. Antonio Abranches. São Paulo: Grupo de Estudos Nietzsche. 135-166. 1946. I. Cláudio Vouga. 75-94. de Almeida. v. Rio Grande do Sul: Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes/ Universidade Caxias do Sul/Livraria Sulina Editora. AQUINO. Discurso. São Paulo: Summus. Tratado de la ley. La justicia: comentários a el libro quinto de la Ética a Nicomaco. 1980. Gildo Brando (orgs. ------------. 1971. Trad. Cesar Augusto R. Cursus philosophicus thomisticus: Naturalis philosophiae (Secundum exactam. 1998. ARAÚJO. A vida do espírito: o pensar. 5.Amaral. LVII-LXXIX). B. S. São Paulo: EDUSP/FAPESP. genuinam Aristotelis et Doctoris Angelici mentem). ------------. Julio Groppa (org. Para uma caracterização do niilismo na obra tardia de Nietzsche. Clademir Luís. Hume e o direito natural. III e IV. São Tomás de. 1998. Trad. Odilão Moura O. II. Livros I e II. 1993. 1998. 564 . Tratado de la justicia. ed. São Paulo: Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. ------------. Alexandre Correia. In: Cláudia Galvão Quirino. Alexandre Correia. ------------. ------------.).). Trad. Traduzione. ARALDI. p. 2. AQUINO. Rio de Janeiro: Forense Universitária. 1996. Benito R. ARENDT. Helena Martins. Commentario al De anima. 1998. Caparello. studi introduttivi e note di A. v. Hannah. Nova editio. ed. São Paulo: Livraria Editora Odeon. Gobierno de los prín­ cipes. Tommaso d’. 1937. Trad. Trad. p. Raffo Magnasco. Buenos Aires. México: Porrúa.

Fragmenta successorum Chrysippi. XXXIII. Bibliote­ ca Clássica. Trad. 1923. São Paulo: Revista dos Tribunais. José Roberto dos Santos. seus lugares (Hipnos. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. Ioannes Ab (collegit). Trad. Etica Nicomachea. BEDAQUE. ed.------------. 1961. André Duarte. 1993. ------------. A Ética de Nicômaco./dez. Georges. In: A filosofia: seu tempo. I a VI. Comércio eletrônico: uma visão do direito brasi­ leiro. ------------. ARISTOTELE. Fonseca. v. Chrysippi fragmenta moralia. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. 1999. 1997. Reduccionismo en la ética. São Paulo: Ordem dos Advo­ gados do Brasil. Barbosa de Almeida. 2.. 83-100. Zygmunt. ano 4. Cássio M. Nietzsche e a dissolução da moral. BAUMAN. São Paulo: EDTJC. III. ed. El concepto de técnica. 1999. Milano: Rizzoli. Luiz Olavo. São Paulo: Discurso Editorial/Editora UNIJUÍ. Trad. Traité de l ’action morale. seus lugares (Hipnos. AZEREDO. ago. BASTIDE. Entre o passado e ofuturo. v. 2. 1993. 1940. 1999. Poderes instrutórios do juiz. BARRERA. 2 v. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporânea. 69-90. Ética Nicomáquea. Ética pós-moderna. 1997. Virginia Aspe. arte y producción en lafilosofia de Aristóteles. Palas Athena. Mauro W. 2001. Robison (org. Paris: PUF. n. João Rezende Costa. v. São Paulo: Paulus. 565 . 2000. ed. G. 1997. Lipsiae et Berolini in Aedibus B. Vânia Dutra de. v. ARMELLA. Jorge Martínez. México: Fondo de Cultura Económica. 1979. BARONI. ARNIN. Trad. ARISTÓTELES. Secção São Paulo. Stoicorum veterum fragmenta. v. São Paulo: Perspectiva. BAPTISTA. p. 5. In: A filosofia: seu tempo. Marcelo Zanatta. 94. p. Departamento Editorial. Trad. 5).). 3. Teubneri. Ética Eudemia. São Paulo: Athena Editora. Madrid: Editorial Gredos: 1993. p. v. 2. ARISTÓTELES. v. 69-90. Sobre a violência. La influencia de la bioética en la moral contemporânea. 5). São Paulo. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

Clonagem: fenômeno e disciplina jurídica. Bittar.Linguagem jurídica. 3. BENTHAM. Os direitos da personalidade. 566 . Trad. ------------. Direito e justiça em São Tomás de Aquino. 1985. 1999. Uma introdução aos princípios da moral e da legis­ lação. Educação em direitos humanos: fundamentos teórico-metodológicos. atual. ed. Revista da Faculda­ de de Direito da Universidade de São Paulo. 1997. v. rev. por Eduardo C. 1999. 1994. In: Rosa Maria Godoy Silvei­ ra. ------------. São Paulo: Revista dos Tribunais. Teorias sobre a justiça: apontamentos para a história da Filoso­ fia do Direito. B. Eduardo C. A teoria aristotélica da justiça. São Paulo: Atlas. p. e aum. 2000. 2a quinzena de junho. Maria de Nazaré Tavares Zenaide (orgs. por Eduardo C. B. B. 1998. João Pessoa: Editora da UFPB. 1999. São Paulo: Revista dos Tribunais. O direito do autor nos meios modernos de comu­ nicação. 2000. Jeremy. 2007. 1989. São Paulo: Saraiva. Bittar. ---------. ------------.. 53-73. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Educação e metodologia para os direitos humanos: cultura de­ mocrática. Repertório IOB de Jurisprudência. 1998. n. São Paulo: Juarez de Oliveira. São Paulo. autonomia e ensino jurídico. São Paulo: Revista dos Tribunais. Luiz João Baraúna. Lúcia de Fátima Guerra Ferreira. 339360. 92. Rio de Janeiro: Forense Universitária. ------------. Carlos Alberto. ------------. São Paulo: Abril Cultural. rev.). Adelaide Alves Dias. Responsabilidade civil nas atividades nucleares. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.BELO. Direito e ensino jurídico: legislação educacional. ------------. texto 3/14482. 3. Rio de Janeiro: Forense Universitária. ------------. p. 93. Fernando. ed. 2. São Paulo. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian. A justiça em Aristóteles. Reparação civil por danos morais. ------------.) BITTAR. e atual. 2001. Leituras de Aristóteles e de Nietzsche: a poética sobre a verdade e a mentira. ------------. ------------. ed. 2001. 1979. v. Responsabilidade civil: teoria e prática. 4. (Os pensadores. Maria Luiza Pereira de Alencar Mayer Feitosa. 12. BITTAR.

A nervura do real: imanência e liberdade em Espinosa. Brasília: Editora Universidade de Brasília. 567 . 1999. BRENTANO. ------------. B. 2a semestre. formação e aperfeiçoamento do juiz. Lacerda Orlandi. Rio de Janeiro: Paz e Terra. El origen del conocimiento moral. privado e despotismo. Guilherme de Oliveira (orgs.). ed. Guilherme Assis de. O cuidado como valor jurídico. ------------. 94. 1994. Alfredo Veiga-Neto (orgs. 1927. p. São Paulo: Brasiliense. Paris: Gallimard. Luiz B. Trad. São Paulo: Ática. ALMEIDA.). BREHIER. Rio de Janei­ ro: Campus. Marilena. CASTELO BRANCO. São Pau­ lo: Ediprax Jurídica. Justiça e cuidado: opostos ou complementares? In: Tania da Silva Pereira. v. Francisco. Rio de Janeiro: DP&A. BOBBIO. A era dos direitos. 2008. Trad. ------------. O futuro da democracia. São Paulo: Companhia das Letras. Trad. 2. 2002. ------------. Marco Aurélio Nogueira. 12. 1997. CHAUÍ. 1999. 345-390. As lutas pela autonomia em Michel Foucault. A escolha. Émile. B.. 1986. n. 2001. Carlos Nelson Coutinho. Manuel G. Eduardo C. Direito e estado no pensamento de Emmanuel Kant. I. 1999. São Paulo: Atlas. Denise. ed. ed. Liberdade e ação na teoria política de Hannah Arendt.. Les stoïciens: textes tradutis par Émile Bréhier. CAMOLEZ.). 4. Trad. ------------. BITTAR. ed. São Paulo: Companhia das Letras/Secretaria Municipal de Cultura. ano 3. BARBOSA. Curso de filoso­ fia do direito. ed. v. Guilherme. 7. Revista da Associação dos Magistrados Brasileiros. Nova Constituição brasileira anotada. Samuel Rodrigues. 59-83. 1999. Leonardo. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóte­ les. Revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Eduardo C. 339-346. p. Alfredo Fait. Ci­ dadania ejustiça. 1992. 3. In: Margareth Rago. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Madrid: Revista de Occidente. édités sous la direction de Pierre Maxime Schuhl. Convite à filosofia. Público. Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. BOFF. Gilberto. In: Ética (Adauto Novaes org. 1992. 5.BITTAR. Norberto. 1997. CALDAS. Morente. p. 1991.

Revista Brasileira de Filosofia. ------------. A Constituição de 1988: contribuição crítica. 1996. edição 792. XXXIX. São Paulo: Companhia das Letras. v. M. ano 37. ------------. 1968. CORREIA. II). COHEN. 1 e2. Amador Cisneiros. Paris: Flammarion. São Paulo: Convívio/ EDUSP. In: The pre-socratics: a collection of criticai essays. F. n. v. Jackson Editores. José. Paris: Les Belles Lettres. Trad. Curso de filosofia do direito. Trad. 1991. CICCO. COPLESTON. Mysticism and science in the pythagorean tradition. Milano: Biblioteca Universale Rizzoli. Oscar Dias. Paris: Flammarion. CICÉRON. Des termes extrêmes des biens et des maux. CÍCERO. México — Buenos Aires: Fondo de Cultura Económica. Budé). RT. Jacques. 162. COMPARATO. CRETELLA JR. Cláudio de. ------------. 694/43-49. 1928. 4. CORRÊA. 10. abr. Paris: Martha. 1928. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo.. . Histoire de la pensée: la pensée antique. 1974. El pensamiento de Santo Tomás. Da república. De finibus bonorum et malorum (Collection des Univ. Traité des lois. 135-160. Das leis. Orações (Clássicos Jackson. Paris: Société d’Édition Les Belles Lettres. Trad. v. M. São Paulo: Cultrix. Ética: direito. 1991. ------------. 2. Padre Antônio Joaquim. Alexandre. 568 . de Fran­ ce.CHEVALIER. 1952. Ensaios políticos efilosóficos. Otávio T. de Brito. p. David. ed. Fábio Konder. Georges de Plinval. moral e religião no mundo moderno. Revista Exame. p. A função do advogado na administração da justiça. Anna Resta Barrile. C. Garden City — New York: Anchor Press/Doubleday. Jules Martha. 2006. Trad. I doveri. Trad. 1955. ------------. ed. 1960. ------------. 1993. 1984. São Paulo: Edipro. CORNFORD. São Paulo: W. Os dilemas da ética./maio/jun. 1967. CICERONE. 14-5-2003. São Paulo: Forense Universitária. 1989. Histoire de la pensée. São Paulo: Abril Cultural. 1955. F. A justiça e o direito moderno. Trad.

1986. Introduction à la science normative. 1990. André.CROISSANT. La moralité comme trait distinctif de l ’homme dans un texte de Cicéron. Rio de Janeiro: Paz e Terra. Umberto. DUBY. política e bom-senso. Lições de filosofia do direito. 1983. São Paulo: Editora da Unicamp. Trad. Francisco Antonio. 1993. DEBRUN. Rio de Janeiro: Edi­ tora UFRJ. Trad. Plínio Dentzein. Trad. O estado atual do biodireito. 1993. 5. ed. DUARTE. 283-296. Domenico. ed. Maria Helena. Antonangelo Liori. Poder e violência no pensamento político de Hannah Arendt. Rio de Janeiro: Relume-Dumará. p. Coleção Direito e Cultura. História da vida privada: do Império Romano ao ano mil. Trad. ed. 2001 . 1979. Les normes de l’action: Droit et morale. Marcuse. Milano: Bompiani. 2001. 1990.. Trad. Léa Manzi. DEL VECCHIO. Baron. História da vida privada. Bruxelles: Ousia. DURING. 3. Trad. São Paulo: Saraiva. Paul. Aristóteles: exposición e interpretación de su pensamiento. 2004. DE MASI. 3. Paul Veine (org. Direção de Miguel Reale. 1990. México: Universidad Nacional Autô­ noma de México. Jeanne. In: Sobre a violência. ARIÈS. n. Bemabé Navarro. 4). DINIZ. A justiça. Giorgio. 2001. ------------. ------------. 1990. EPICURO. Philippe. 1960. ECO. Études de philosophie ancienne (Cahiers de phi­ losophie ancienne. Massime e aforismi. Coimbra: Armênio Amado Ed. Antônio Pinto de Carvalho. Roma: Newton. 2000. Hildegard Feis. ISHERWOOD. DORIA. ed. Hildegard Feis. O ócio criativo. Michel. Trad. Ingemar. São Paulo: Companhia das Letras. DOUGLAS. São Paulo: Companhia das Letras.). O mundo dos bens: para uma antropologia do consumo. Paris: L’Hermès. Apocalittici e integrati: comunicazione di massa e teorie delia cultura di massa. Rio de Ja­ neiro: Sextante. Antonio José Brandão. Trad. Gramsci: filosofia. Georges. 3. São Paulo: Saraiva. DUBOUCHET. 569 . Mary.

Versión española de Jesús Díaz. Ética na advocada: estudos diversos. Comentários à Constituição brasileira. Michel. v. La transcendencia de la caverna. FERREIRA FILHO. Manoel Gonçalves. ÉTICA: a bandeira do advogado. 1 videocassete (92’). 1993. CAMPILONGO. Rio de Janeiro: Forense Universitária. José Eduardo. G. FOUCAULT. 5. NTSC. 570 ./abr. La noción aristotélica de justicia. São Paulo: Saraiva. 1991. 166-194. son. Conselho Federal da Ordem dos Advoga­ dos do Brasil. 2000. 1969. color. Paulo Morelli. Isolde. FARIA. José Eduardo (org. 2000. VHS. Escritos de filosofia do direito. TV Cultura. p. ------------. F. Rio de Janeiro: Forense. 1991. Adauto Novaes. ÉTICA 1 (A arte do viver. Ma­ noel Barros da Motta. VHS. Madrid: Alianza. TV Cultura. 1969. FARAH. São Paulo: Malheiros. 169-184. poder-saber. Dario Vizeu. Você quer o que deseja? São Paulo: Best Seller. 1 videocassete (20’).. 02 Filmes. direitos sociais e justiça. Ditos e escritos: estratégia. 1991.).. FERREIRA. A sociologia jurídica no Brasil. Elias. 1 videocassete (97’). v. Pinto. Pau­ lo Morelli. Jorge. Ética demostrada según el orden geométrico. Moral fecundity: a discussion of A. A ética das aparências).. Dario Vizeu. FORBES. FARIA. Love and friendship in Plato and Aristotle. color. São Paulo: Atlas. IX. Brasilia. A culpa dos reis). FERRARI. Porto Alegre: Livraria Editora Académica. NTSC. ed. FINDLAY. Adauto Novaes. Porto Alegre: Sérgio A. v. 1996. color. FERRAZ JÚNIOR. Comportamento processual das partes como meio de prova. Curso de direito constitucional. son. III. 2001. Sérgio. IV. 2001. 2003. São Paulo: Saraiva. Atlántica. Ética do advogado: I e II Seminários de Ética Profissional da OAB/SP. 2002. son. Tércio Sampaio. Oxford: Clarendon Press. R. MACHADO. Direitos humanos.). mar. FAVARETO. 2003. 2000. Oxford Studies inAncient Philosophy. 1992. Bento de. Alberto de Paula (org. ÉTICA 2 (O drama burgués. J. Fabris Editor. FERRAZ. Madrid: Gredos. 1998. Price. 02 Filmes. VHS. Celso Fernandes. 19. Madrid.ESPINOSA. Trad. W. São Paulo: LTr. p. v. N.

GEHLEN. GILISSEN. Trad. Teoria geral do processo. Paris: J. 1984. FREIRE. La revolución de la esperanza. Vrin. v. ------------. Trad. Rodrigo da Cunha (coords. 1989. GOMES. 1965. ------------. Trad. M. 2006. Rio de Janeiro: Agir. M. ------------. Vicente. ed. ed. 1993. 1987. A. Eric. Cândido Rangel. São Paulo: Saraiva. CINTRA. Moral e hipermoral: uma ética pluralista.FRANCA. Trad. 1. Hespanha e L. Méxi­ co: Fondo de Cultura Económica. 1988. Macaísta Malheiros. Gisele Câmara. 1987. São Paulo: Revista dos Tribunais. A arte de amar. Maço Aurélio de Moura Matos. 25. Le thomisme: introduction à la philosophie de Saint Thomas d’Aquin. Rio de Janeiro: Imago. A questão do controle externo do Poder Judiciário: natureza e limites da independência judicial no Estado Democrático de Direito. 2003. 1992. Leonel. A crise do mundo moderno. Moralidade pública e moralidade privada. Eduardo Brandão. GIANOTTI. Daniel Jiménez Catillejo. Sigmund. Trad.). São Paulo: Papiras. José Arthur. Introdução histórica ao direito. GROENINGA. 2. Adauto Novaes). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 571 . In: Ética (org. São Paulo: Paz e Terra. São Paulo: Martins Fontes. ed. Itinerários de Antígona: a questão da moralidade. Direito processual civil brasileiro. John. DINAMARCO. Paulo. Rio de Janeiro: Imago. Trad. 3. 1955. Margit Martincic. Lisboa: Calouste Gulbenkian. São Paulo: Martins Fontes. p. GRECO FILHO. 239-245. FROMM. Arnold. 2002. Ada Pellegrini. FREITAG. O mal-estar na civilização. GRINOVER. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1997. Étienne. 1998. Eduardo Brandão. 2003. José Octávio de Aguiar Abreu. Bárbara. Anatomia da destrutividade humana. Direito de família e psicanálise: rumo a uma nova epistemologia. PEREIRA. 2002. ed. FREUD. GILSON. 6. Antônio Carlos de Araújo. Rio de Janeiro: Guanabara. 6. São Paulo: Companhia das Letras/Secre­ taria Municipal de Cultura. ed. A filosofia na Idade Média. Luiz Flávio.

1974. HABERMAS. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. GUTHRIE. Denis. ed. 1995. HAMESSE. 1989. Trad. HUMBERT. Os sofistas. GUISAN. São Paulo: EDUSC. ------------. W. D. In: N. Paideia: los ideales de la cultura griega. Rawls and liberty and its priority. La filosofia moral contemporánea. Trad. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. Histoire illustré de la littérature latine. JAEGER. A. Lisboa: Calouste Gulbenkian. Madrid: Cátedra. H. José Oscar de Almeida Marques. Direito e democracia. Étude historique et édition critique. Wemer. Flávio Beño Siebneichler. Oxford: Basil Blackwell. Trad. 2003. Ribeiro Mendes. México: Fondo de Cultura Económica. HUDSON. HOMO. Tomer. p. ed. O conceito de direito. Trad. Paris: Payot. Consciência moral e agir comunicativo. Uma investigação sobre os princípios da moral. III versión española de Wenceslao Roces. Jacqueline. Daniels. Pescador. Les auctoritates aristotelis: un florilége médiéval. 1949. Critical studies o f a theory o f justice. HEINEMANN. Direito natural: visão metafísica e antropológica.d. Trad. Historia do existencialismo. Eliane Cazenave Tapie Isoard. Pierre. 1986. Jürgen. Lisboa: Calouste Gulbenkian. C. Alexandre F. 1930. F. A filosofia no século XX. 572 . Ylves José de Miranda. 2. ¿ Qué es lafilosofía antigua? Trad. Guido de Almei­ da. Madrid: Alianza. L. 230253. Léon. ------------. Reading Rawls. ed. ------------. Rio de Janeiro: Forense Universitária. s. 4. W. José Hierro S. 1932. João Rezende Costa. ------------. México: Fondo de Cultura Económica. São Paulo: Editora da Unicamp. HADOT. Introducción a la ética. 1998. 1991. 1992. 1967. Esperanza.GUIMARÃES. José Gaos. HUISMAN. Morujão. México — Buenos Aires: Fondo de Cultura Econó­ mica. Trad. 2001. 4. Maria Leonor Lou­ reiro. HUME. 1995. 1993. HART. David. Trad. La civilisation romaine. México: Fondo de Cultura Económica. Trad. São Paulo: Paulus. K. Jules. Los filósofos griegos: de Tales a Aristóteles. Aristóteles: bases para la historia de su desarrollo inte­ lectual. Florentino M. A. Paris/Toulouse: Henri Didier/Edouard Privat. Louvain — Paris: Publications Universitaires/Béatrice-Nauwelaerts. 1995. Trad. Trad.

Chandran. 1995. Archives de Philosophie du Droit. Rio de Janeiro: Vecchi. México: Fondo de Cultura Económica. ------------. História das grandes filosofias. Trad. 225-237. In: Ética (org. 573 . 2001. 1994. Adauto Novaes). Alexan­ dre Fradique Morujão. Trad. Trad. t. Uma ética mundial e responsabilidades globais. LARENZ. ------------. Curso de filosofia. Hans. 1990. Maria Carvalho. Trad. Iniciação à ética.d. KORTE. Artur Morão. 1995. Paideia: los ideales de la cultura griega. Karl. Régis. Trad. 1999. A paz perpétua e outros opúsculos. Manuela Pinto dos Santos. São Paulo: Loyola. Sócrates. 1998. p. Lisboa: Edições 70. Trad. 1949. Sérgio Tellaroli. Paris: Minuit. São Paulo: Martins Fontes. KELSEN. Fundamentos da metafísica dos costumes. Metodologia da ciência do direito. Luís Edu­ ardo de Lima Brandão. Immanuel. Trad. Joaquín Xirau. Trad. Crítica da razão prática. LAFER. Trad. Karl. ed. 1989. Marina Guaspari. 1960. Trad. SCHMIDT. Eduardo Prado de Mendonça. São Paulo: Companhia das Letras/ Secretaria Municipal de Cultura. Celso. Lisboa: Calouste Gulbenkian. A ilusão da justiça. 1992. O que é justiça?: a justiça. Paris: Sirey. 187-208. KRAUS. Helmut. Gustavo. ------------. 2. São Paulo: Martins Fontes. Rawls: uma teoria da justiça e os seus críticos. ------------.------------. Crítica da razão pura. o direito e a política no espelho da ciência. Michel. JASPERS. São Paulo: Juarez de Oliveira. René. São Paulo: Martins Fontes. VILLEY. 1992. A mentira: um capítulo das relações entre a ética e a polí­ tica. KUNG. Lucien. p. 1995. PETTIT. KANT. São Paulo: Ediouro. JERPHAGNON. Lisboa: Edições 70. 1946. s. Nietzsche et le christianisme. Luís Carlos Borges. KUHATAS. 1995. Trad. 29. 1984. Artur Morão. Hans. JOLIVET. São Paulo: Gradiva. ed. Georges. Philip. Trad. 18. KALINOWSKI. Lisboa: Calouste Gul­ benkian. La mobilité du droit naturel chez Aristote et Thomas d’Aquin. Rio de Janeiro: Agir. ed. Jeanne Hersch. 3. Lourival de Queiroz Henkel.

seus lugares (Hipnos. MATHEUS. 8. 1996. ed. MARCUSE. Alasdair. Rio de Janeiro: LTc. 1993. 1998. n. 1971. Jacques. MARTÍNEZ. Depois da virtude. São Paulo: Pioneira. José Frederico. Trad. G. Rio de Janeiro: Agir. Almedina. 4. São Paulo: EPU. Lucien. LEPARGNEUR. In: A filosofia: seu tempo. Hubert. Dennis. ed. Textos de filosofia do direito. São Paulo: Sonora. 1999. jan. D.).LAZZARINI. ago. Lisboa: Calouste Gulbenkian. 1998. Alvaro. Trad. LOPES DE SÁ. MARTINS. Montréal/ Paris: Institut d’études médiévales/J. Brasília. Ética no direito e na economia. 5. RT. 1999. São Paulo: EDUC. História da filosofia ocidental. 1949. v. Rio de Janeiro: Forense. Trad. 1999. Instituições de direito processual civil. 1963. 1984. 1964. MACHADO. MARITAIN. A literatura de Roma: esboço histórico da cultura latina. A ideia de lei./jun. p. Cláudia Lima. São Paulo: Atlas. 710/224. Soares Pedro. Antonio. Nietzsche: a transvaloração dos valores. MACYNTIRE. 1995. 4. ed. Alceu Amoroso Lima. Palas Athenas. Álvaro Cabral. 1998. Carlos. São Paulo: Revis­ ta dos Tribunais. Bioética. São Paulo: Moderna. 50 (189):49-64. Coimbra: Livr. Thomas d ’ Aquin et l ’analyse linguistique. Herbert. Vicente. Jussara Simões. Scarlett. Vasco de. MARTINELLI./dez. Eros e civilização: uma interpretação filosófica do pensamento de Freud. novo conceito: a caminho do consenso. O advogado e o relator nos Tribunais. Estudos de direito administrativo. A crise científica do direito na pós-modemidade e seus reflexos na pesquisa. São Paulo: Loyola. Álvaro Cabral. LEONI. MARQUES. 1997. 59-67. Indivíduo e globalização. Agapito. LLOYD. MARQUES. 5). Ética profissional. São Paulo: EDUSC. Trad. 2001. MARTON. MASIP. MAGALHÃES-VILHENA.. Arquivos do Ministério da Justiça. O problema de Sócrates: o Sócrates histórico e o Sócrates de Platão. Vrin. São Paulo: Martins Fontes. . 2001. Ives Gandra (coord. ano 4. A filosofia moral: exame histórico e crítico dos gran­ des sistemas.

d. 1996. 1975. ed. NALIN1. Manuel Sacristán. MORENTE. Instituições de direito público e privado. anotada. ------------. MONTORO. Henzel. Mareio Pugliese. Milano: Newton. 575 . 1995. 8. Silvio Roberto Mello. F. MORAES. ------------. São Paulo: Oliveira Mendes. 1973. São Pau­ lo: WVC. Manuel Garcia. Trad. Wilhelm. MEIRELLES. s. Paris: Mercure de France. Lourival de Q. 1987. São Paulo: Atlas. Histoire romaine. 4. Ética e justiça. Processo penal. 1980. Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80. Flammarion. 6. ed. Amauri Mascaro. Julio Fabbrini. NESTLE. Direito administrativo moderno. Odete. Miguel de la Cruz Coronado. 1998. 1994. Henri Albert. São Pau­ lo: Saraiva. 1912. 19. Aurore: réflexion sur les préjugés moraux. de 12-1-1994. 3. NIETZSCHE. Marpon et E. Trad. Fundamentos de filosofia: lições preliminares. Paris: C. 1999. ed. Além do bem e do mal. São Paulo: Atlas. ------------. Trad. MOORE. São Paulo: Brasil. De Guerle. 7. Assimfalava Zaratustra. MOMMSEN. 1995. Ética ambiental. 1991. A genealogia da moral.d. Ecce homo: como cheguei a ser o que sou. Direito administrativo brasileiro. Historia dei espíritu griego. São Paulo: Moraes. São Paulo: Millenium. Armando Amado Júnior. 1998. ed. 4. Alfredo Margarido. ------------. Trad. Hely Lopes. ------------. José Renato. Trad. ed. Estudos de filosofia do direito. 2001. Trad. São Paulo: ícone. NASCIMENTO. São Paulo: Revista dos Tribunais. Opere 1870/1881. ed. 1999. Paulo. Rio de Janeiro: Forense. George Edward. MIRABETE.MEDAUAR. Principia ethica. 3. ed. Theodor Emst. Trad. 2001. 2. 1999. São Paulo: Revista dos Tribunais. 4. s. ed. São Paulo: Mestre Jou. Trad. NADER. André Franco. Ruy Rebello. ed. ed. 1993. Divaldo Roque de Meira. São Paulo: Revista dos Tribunais. Barcelona: Ariel. Ética geral e profissional. Lisboa: Gui­ marães. ------------. Filosofia do direito. ------------. PINHO. São Paulo: Malheiros.

2. 1993. 2. Petrópolis: Vozes. São Paulo: Loyola. Aloysio Ferraz. ed. Roberto Cardoso de. Trad. OLIVEIRA. 1997. NOHL.------------. Mariana Frenk. Translated by R. PÉREZ. 2006. Luís Roberto Cardoso de. Reviravolta linguístico-pragmática na filo­ sofia contemporânea. ed. São Paulo: Nova Cultural. ed. VII. 1976. Opere 1882/1895. Maria Helena da Rocha. Herman. 20. Lisboa: Calouste Gulbenkian. 1996. ano VII. OLIVEIRA. In: Sócrates. 1983. Textos de filosofia geral e de filosofia do direi­ to. 1994. OLIVEIRA. São Paulo: Revista dos Tribunais. 1980. Enrico Corvisieri. In: Sócrates. n. 419-428. Trad. PEGORARO. I (Cultura Grega). PEREIRA. OLIVEIRA. David J. (org. Estudos de história da cultura clássica. Bury. Trad. I-VI. Ética é justiça. In: Platão. G. Trad. Princípios fundamentais norteadores do direito de família. (Os pensadores. F. Lourdes. São Paulo: Nova Cultural. 1993. 1993. Apologia de Sócrates. Belo Horizonte: Del Rey. Manfredo Araújo. Caio Mário da Silva.). PEREIRA. Críton. Unesco.) ------------. A questão étnica: qual a possibilidade de uma ética global? In: ARIZPE. (Os pensadores. PEREIRA. (Os pensadores. Termosfilosóficos gregos: um léxico histórico. Enrico Corvisieri. Rodrigo da Cunha. Laws. México: Fondo de Cultura Económica. 1999. Moralistas espanhóis. Advocacia e desenvolvimento social. 2001. São Paulo: Nova Cultural. Beatriz Rodrigues Barbosa. História da filosofia do direito: das origens a Aristóteles. ------------. Lisboa: Calouste Gulbenkian. Cambridge/London: Harvard University Press. Enrico Corvisieri.) ------------. Acácio França. 1980. PEREIRA. v. set/dez. Roberto Cardoso de. 1999. 576 . 1952. p. Trad. 7.) PLATO. São Paulo: Jackson. Re­ vista da Ordem dos Advogados do Brasil. E. As dimensões culturais da transformação global. 1996. PLATÃO. Milano: Newton. v. PETERS. Ensaios antropológicos sobre moral e ética. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro. 1999. Olinto A. Introducción a la ética: las experiencias éticas fundamentales. Fédon. Trad. São Paulo: Revista dos Tribunais.

Filosofia do direito. p. ------------. Miguel. 1999. Edson Bini. Trad. 1993. 1989. Renato Janine. 1985. Hamilton. The priority of right and ideas of the good. F. 2003. Princípio da moralidade institucional: conceito. L. 1967. 1992. São Paulo: Companhia das Letras/Secretaria Municipal de Cultura. 577 . 223-251. A cura di Giuseppe Lozza. Paris: Édition Esprit. As grandes correntes do pensamento antigo.. Filosofia do direito. ed. 101-111. Vicente Muniz. Trad. Coimbra: Arménio Amado Ed.PLATON. Carlos Pinto Correia. 3. Lições preliminares de direito. 14. México: Fondo de Cultura Económica. 1990. 24. México: Fondo de Cultura Económica. A. Philosophy and Pu­ blic Affairs. ed. Platón. 2. 1974. ROSA. 19. Le juste. John. São Paulo: Edipro. ------------. ROSS. 1940. Menexène. Ménon. p. Introduction a la filosofia del derecho. Paul. Gorgias. Trad. Trad. ROBLEDO. 2000. aplicabilidade e controle na Constituição de 1988. ed. ed. O retomo do bom governo. RAWLS. Wenceslao Roces. 6. São Paulo: Saraiva. 1993. Milano: Amoldo Modadori Editore. São Paulo: Saraiva. PLATONE. Protagoras. São Pau­ lo: Juarez de Oliveira. Traduction. Paris: Gamier/Flammarion. Cabral de Moncada. RICOEUR. los seis grandes temas de su filosofia. Rio de Janeiro: Zahar. 2001. RANGEL JÚNIOR. Lidia Reis de Almeida. Cratyle. 251-276. ------------. Direito e justiça. Justice as fairness: political not metaphysical. ------------. Ojuiz e a emoção: aspecto da lógica da decisão judicial. An­ tonio Pinto de Carvalho. Adauto Novaes). Barcelona: Anthropos. REALE. PRADO. Campinas: Millenium. Introduction a la filosofia dei lenguaje: problemas ontológicos. 1988. 1999. Lisboa: Pre­ sença. Euthydème. RADBRUCH. Alf. La repubblica. p. Philosophy and Public Affairs. de Miranda. Antonio Gómez. Trad. Sociologia do direito: o fenômeno jurídico como fato social. 1995. In: Ética (org. RIBEIRO. Alberto. notices et notes par Émile Chambry. ed. RIVAUD. 1993. RODRÍGUEZ. Uma teoria da justiça. 1997. 17. Gustav. São Paulo: Saraiva.

2. SANTOS. A. Amador Cisnerios. ed. Contornos atuais da eutanásia e da ortotanásia: bioética e biodireito. 1998. p. A captação da realidade segundo São Tomás deAquino. Trad. 1999. 1998. Luis Felipe Bragança S. Teixeira. 1988. David. 2001. 6. São Paulo: Geração. Nietzsche: biografia de uma tragédia. SÊNECA. Consolação a minha mãe Hélvia. São Paulo: Nova Cultural. Sidney. Mario Scaffidi Abbate. Pierre Maxime (org. História da filosofia ocidental. Primeiras linhas de direito processual civil. ed. 1999. 1997. Dissertação de Mestrado. São Paulo: Saraiva. 1989. 3. S. 1987. São Paulo: ícone. SCHUHL. RUSSEL. 94. La felicità. 1969. SAFRANSKI. Univer­ sidade de São Paulo. Ernesto. Antonio Lopes de. Ética profissional. Les stoïciens. São Paulo: Codil/Companhia Editora Nacional. 578 . ed. Da tranquilidade da alma. Héctor L. 1974. RUPPEL. Bertrand. Émile Bréhier.ROSS. 1978. 1993. ed.) ------------. Brenno Silveira. --------— . Trad. 2010. O dogma da neutralidade na prestação jurisdicional. Apocoloquintose do divino Cláudio. Trad. 1994. (Os pensadores. Max Weber: entre a razão e a paixão. Roma: Newton. Agostinho da Silva. Roma: Newton.). Giulio Davide Leoni. A necessidade social de controle das técnicas médicas. 648/240-249. Revista da Faculdade de Direito da Universida­ de de São Paulo. ed. Lisboa: Dom Quixote. Rio de Janeiro: Graal. ------------. O advogado e o Poder Judiciário. Aristóteles. Medeia. São Paulo. SANTOS. São Pau­ lo: Unicamp. Trad. Maria Celeste Cordeiro Leite. Trad. Mario Scaffidi Abbate. Moacir Amaral. SAINT-PIERRE. 4. 265-278. Lya Luft. São Paulo: Atlas. Paris: Gallimard. Introdução a uma ciência pós-moderna. Braga: Livraria Cruz. 2. L ’ozio e la serenità. Trad. O equilíbrio do pêndulo. SENA. Jaqueline Santa Brígida. L. SANTOS. Trad. SANCHES. SÁ. Faculdade de Direito. RT. v. Boaventura de Souza. Rüdiger. A bioética e a lei: implicações médico-legais.

Solange. 2002. Nouvelle édition. 40-50. Madrid: Revista de Occidente. ed. Paris: Aubier. Yan. Lisboa: Instituto de Novas Profissões./mar. In: Santo Tomás de Aquino. fase. Othon (org. p. ------------. Ética e direito. Trad. 1990. Lisboa: Gradiva. O tomismo. 169. VERNIÈRES. Academia Brasileira de Letras Jurídicas. 1990. Paris: PUF. 5. O estoicismo ético de Marco Aurélio. M. SERTILLANGES. História da filosofia do direito e do estado. Vida de Sócrates. M. 1953. Henrique C. XLI. Escritos de filosofia II: ética e cultura. La philosophie de S. 1972. VAZ. Nueva filosofia de la interpretación dei Derecho. Vida ética: os melhores ensaios do mais polêmico filósofo da atualidade. Sobre a firmeza do homem sábio. Loyola. Rio de Janeiro: Ediouro. Emst. 1973. Trad. São Paulo: Instituto Brasileiro de Filoso­ fia. Paulo Henriques Brito. ed. A. jan. São Paulo: Difusão Europeia do Livro. 3. 1993.-D. As origens do pensamento grego. J. 1993. v. Escritos de filosofia IV e V: introdução à ética filosófica 1 e 2. 2000. Trad. ísis Lana Borges.). Trad. Róbson Ramos dos Reis et al. Reinholdo Aloysio. Éthique et politique chez Aristote: physis. 1995. hoy.. Dicionário jurídico'. Lições sobre ética. SINGER. noviembre de 1974. Alice Xavier. 2003. TUGENDHAT. México: Porrúa. Trad. São Paulo: Ed. 579 . Truyol. São Paulo: Nova Alexandria. STONE. STEENBERGHEN. 1988. Madrid: Alianza Editorial. VÁRIOS AUTORES. VERNANT. Thomas d ’ Aquin. F. Madrid: Residencia dei Pilar/Editora Spliro. Luis Recaséns. Hen­ rique Barrilaro Ruas. Jean-Pierre. SICHES. ------------. v.—--------. SERRA. Ricardo da Cunha Lima. São Paulo: Landy/Loyola. ed. Peter. Sobre a providência divina. I. ULLMAN. 1940. Re­ vista Brasileira de Filosofia. 4. 2. 1988. São Paulo: Companhia das Letras. SIDOU. F. Trad. 2002. J. 1997. A. Petrópolis: Vozes. António. Actas de la XIII reunión de amigos de la Ciudad Católica. de Lima. Trad. O julgamento de Sócrates. São Paulo: Loyola. TOVAR. éthos. revue et augmentée. 1999. nomos. 2. Rio de Janeiro: Forense Universitária. da Cruz Pontes. ed.

. Florianópolis: Fundação Boiteux. WEBER. 1999.l. XENOFONTE. Territórios desconhecidos: a procura surrealista pelos lugares do abandono do sentido e da reconstrução da subjetivi­ dade. São Paulo: Martin Claret. (Os pensadores. 2001. In: Sócrates. A ética protestante e o espírito do capitalismo. Mirtes Coscodai.Trad. Luis Alberto. In: Sócrates. Apologia de Sócrates. Trad. v. São Paulo: Nova Cultural. Max. Mirtes Coscodai. Ditos e feitos memoráveis de Sócrates. 1999.WARAT.) ---------. Trad. Pietro Nassetti. São Paulo: Nova Cultural. (Os pensadores.) & 580 . 2004.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful