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Curso de Etica Juridica - II Parte - Eduardo Bittar.pdf

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Parte II ÉTICA PROFISSIONAL

1. ÉTICA E PROFISSÃO A ética profissional1corresponde a parte da ética aplicada (ética eco­ lógica, ética familiar, ética profissional...), debruçando-se sobre um conjun­ to de atividades humanamente engajadas e socialmente produtivas. A ética aplicada, sem dúvida, surge de uma derivação da ética geral, ao que se dedicou toda a primeira parte desta obra. Por sua vez, a ética profissional se destaca de dentro da ética aplicada como um ramo específico relaciona­ do aos mandamentos basilares das relações laborais. É como especialização de conhecimentos aplicados que a ética profissional se vincula às ideias de utilidade, prestatividade, lucratividade, categoria laborai, engajamento em modos de produção ou prestação de serviços, exercício de atividades regu­ larmente desenvolvidas de acordo com finalidades sociais...2. Então, o que define o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade que dela decorre, pois, quanto maior a sua importância, maior a responsa­ bilidade que dela provém em face dos outros3. Então, a primeira preocupação nesse momento deve ser a de concei­ tuar o que seja profissão, para que, em seguida, se esteja habilitado a pro­ mover essa discussão na seara das profissões jurídicas. Dirigindo e orien­ tando a reflexão nesse sentido é que se percebem as dificuldades prelimi­ nares no tratamento da temática; definir profissão já é por si só algo de grande complexidade. Profissão, então, deve ser entendida como uma prá­ tica reiterada e lucrativa, da qual extrai o homem os meios para a sua sub­ sistência, para sua qualificação e para seu aperfeiçoamento moral, técnico e intelectual, e da qual decorre, pelo simples fato do seu exercício, um be-

1. Verbete: Ética Profissional. “Conjunto de regras morais de conduta que o indivíduo deve observar em sua atividade, no sentido de valorizar a profissão e bem servir aos que dela dependem” (Sidou, Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas, 1997, p. 335). 2. Perceber-se-á, ao longo da exposição, que a primeira característica da profissão, para que seja definida como tal, é estar a serviço do social: “O que é natural, como ético, é que a profissão esteja a serviço do social, quer das células, quer do conjunto indiscrimina­ damente” (Lopes de Sá, Ética profissional, 1998, p. 130). 3. Cf. José Renato Nalini, A ética nas profissões jurídicas, in Elias Farah, Ética do advogado, 2000, p. 27.

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nefício social4. É, sem dúvida nenhuma, além de algo de relevo para o in­ divíduo, algo de relevo para a sociedade, na medida em que o homem que professa uma atividade (professione, professio, lat.) não vive sozinho, mas engajado numa teia de comprometimentos tal que uns dependem dos outros para que se perfaçam objetivos pessoais e coletivos. O tema ainda suscita maiores divergências, sobretudo quando se trata de distinguir profissão dc ofício5 e atividade6. Esse é o lado técnico da definição de profissão. Mas ela ainda pode ser conceituada a partir de uma valoração moral. Nesse caso, ter-se-á em vista, sobretudo, o fato de que, representando um engajamento social, a profissão deverá ser sempre exercida com vistas à proteção da dignidade humana7. A profissão deve permitir a realização das vocações e habilidades humanas. Nesse sentido é que se tem dado grande importância ao fator social do trabalho. O trabalho é mais uma das oportunidades de ação social, para o equilíbrio fino da relação entre virtude e vício. Impondo-se acima do aspecto meramente técnico, tem-se procurado incutir a ideia de que a pro-

4. “À palavra profissão correspondem vários significados. Vejamos os mais comuns: l2) ação de declarar, de ensinar uma profissão, de exercer um ofício; 2a) ocupação ou ofício que requer estudos especiais; 3a) quando deriva do participio passado do verbo latino profiteo, como professus, contém a ideia de declaração pública; 4a) intuo uma certa evolução etimológica partindo da ideia contida no vocábulo grego profaino, usado nos clássicos gre­ gos, que significa expressar, mostrar, fazer aparecer, trazer à luz, revelar e predizer; 5a) do latim temos ainda outras ideias interligadas, a saber: do verbo proficiscor,fectus, sum, ere, com o sentido de pôr-se a caminho, dirigir-se para, começar por; 6a) do verbo profiteor, fessus, sum, ere, que, entre outras, contém as ideias de proclamar, prometer, descobrir, exercer uma profissão” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 151). 5. “Damos alguns exemplos de ofícios, que são identificados pela tradição, usos e costumes: artesãos, construtores, pedreiros, sapateiros, ferreiros, vidreiros, alfaiates, cos­ tureiras, bordadeiras, marceneiros, carpinteiros, mecânicos, torneiros, tolueiros, pintores, cabeleireiros, barbeiros e outros” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 157). 6. “Por atividades entendem-se, dentre outros, os trabalhos desenvolvidos no comér­ cio, na indústria e nas artes. Comerciantes, industriais, agricultores, pecuaristas e artistas exercem atividades produtivas. Têm por característica comum o fato de que seus ganhos não são prefixados” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 158). 7. “Sob enfoque eminentemente moral, conceitua-se profissão como uma atividade pessoal, desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de conformidade com a própria vocação e em relação à dignidade da pessoa huma­ na” (Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 169).

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da criatividade e dos riscos assumidos. em nome do bem comum. 1999. p. 405 . a título ilustrativo: “l 2Aceitamos a existência e o valor transcendente de uma Ética social e empresarial. “3a Julgamos que a empresa é um serviço à comunidade. por meio dela.). com as valiosas contribuições do Padre Fernando Bastos de Ávila e do Professor Alfredo Lamy Filho. além de sua função eco­ nômica de produtora de bens e serviços. pois consideramos obsoleta e anacrônica a concepção puramente individualista da empresa. a formulação de princípios éticos em diversos setores profissionais. econômica e financeiramente sadia e como ajusta remuneração do esforço. por exemplo. a cujos imperativos submetemos nossas motivações. Repudiamos.fissão também pode representar uma atividade moral. devendo estar aberta a todos os que desejam dar às suas capacidades e às suas pou­ panças uma destinação social e criadora. que a ADCE-Rio tinha elaborado. Perseguiu-se reunir os empresá­ rios em tomo do ideal de uma empresa solidária e atuante. Ética no direito e na economia. a conduta e as condições de vida das pessoas que dela dependem. “6a Temos a convicção de que nossa atividade empresarial deve con­ tribuir para a crescente independência tecnológica. No desempenho desta função encontramos o mais nobre estí­ mulo à nossa autorrealização. tem uma função social que se re­ aliza pela promoção dos que nela trabalham e da comunidade na qual deve integrar-se. atividades e a racionalidade de nossas decisões.. Isso justifica.. 8. na medida em que. tomando-a um importante foco de dispersão de preceitos éticos. com base em 10 princípios fun­ damentais: (. “5a Compreendemos como um compromisso ético as exigências que. em nossa gestão na presidência daquela Associação. se pode transformar o ambiente. “4a Consideramos o lucro como o indicador de uma empresa técnica. “22 Estamos convencidos de que a empresa. a ideia do lucro como única razão da atividade empresarial. econômica e financeira do Brasil. especialmente pela le­ gislação fiscal e pelo direito social. “A ADCE— Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil aperfeiçoou e aprovou o Decálogo dos Empresários Cristãos. A ética na vida empresarial.)” (Theophilo Azevedo Santos. são impostas à empresa. 157-158). inclusi­ ve por parte dos empresários que têm se esforçado em direcionar suas atividades para além do lucro. in Martins (coord. pois. Leia-se a seguinte declaração dos empresários cristãos8. interes­ ses.

a saber. Na realidade são 406 . como se uma lei fosse entre partes pertencentes a grupamentos sociais” (Lopes de Sá. neste século os Códigos de ética proliferaram. de segurança pessoal e fami­ liar. na esperança de imedia. a que se costuma chamar códigos de ética9. com o propósito de estabelecer linhas ideais éticas. principalmente no Brasil. Ética profissional. ao se adentrar na temática da ética profissional não se pode. na atualidade. 10. por imperativo e justiça social. Respeitamos em todos. 9. tais que a vida na empresa seja para todos um fator de plena realização como pessoas humanas. a fim de garantir para o Brasil um desenvolvimento justo. de qualificação profissional. a par do que se disse acerca da noção de profissão. a dignidade essencial da pessoa humana. 108). sem discriminação.“7a Consideramos nossos colaboradores todos os que conosco traba­ lham. 2. queremos motivá-los a uma adesão responsável aos objetivos do bem comum. p. cabe aos assalariados. escusar a análise de enfrentar um problema crucial nessa área. elevar constantemente os níveis da produtividade. “8a Consideramos. como importante objetivo da empresa brasileira. desper­ tando suas potencialidades e levando-os a participar cada vez mais da vida da empresa. integral. de forma alguma. jurídicas e sociais. 1998. Todas as principais profissões têm seus Códigos de ética. “Devido a essa realidade. já é uma aplicação desta ciência que se consubstancia em uma peça magna. harmônico e acelerado”. “Tal conjunto racional. em qualquer nível da estrutura empresarial. Isso porque. a ética tem-se reduzido e simplificado de modo extremado a uma tecnologia ética10 Talvez. “As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidas em um instrumento regulador. “9a Comprometemo-nos a dar a todos os nossos colaboradores condi­ ções de trabalho. sempre acompanhada pelo crescimento paralelo da parte que. no sentido de contribuir para o permanente aperfeiçoamento e atualização de nossas instituições econômicas. PROFISSÃO E CÓDIGOS DE ÉTICA Mas. “ 10a Estamos abertos ao diálogo com todos os que comungam de nossos ideais e preocupações. o problema da codificação das regras e dos princípios éticos a um conjunto de prescrições de caráter puramente formal e jurídico.

1998. 10 a 23). c) a compartimentação da ética em tantas partes quantas profissões existentes1 . específicos para cada profissão. 17.tizar o dever ético na consciência do profissional..)1 . advertir que a ética profissional. suspensão. todos ligados à forma como a profissão se desempenha. Em alguns casos são deno­ minados códigos de deveres” (Carlos Brandão. é compor a filosofia que será segui­ da e que forma a base essencial do mesmo. c) censura pública em publicação oficial. de 309-1957). ao ambiente em que é executada etc. apenas atributo pessoal?. Regulamento: Capítulo III — Das Penalidades nos Processos Ético-Profissionais (arts. b) a reificação excessiva dos campos conceituais da ética. desde sua regula­ mentação. até 30 (trinta) dias. b) censura confidencial. de ser normas puramente éticas. deixa de ter seu conteúdo de espontaneidade. na verdade. no entanto. quando se tem em mira objetivar o exercício profissional ou de conduta de um grupo” (Lopes de Sá. Deixam. 12. Ética no direito e na economia. Ora. Deve-se. A ética. de 19-7-1958 (DOU. ao nível de conhecimentos que exige.. 95).268. a consequência direta desse tipo de raciocínio é: a) a transformação das prescrições éticas em manda­ mentos legais. A ética profissional passa a ser. Sejam quais forem as linhas mestras de um có­ digo de ética elas serão sempre linhas de virtude a serem seguidas. as linhas mestras de um código. 1 d) a juridicização dos mandamentos éticos. que é o que caracteriza a ética. das quais. “Isto significa que não pode existir um padrão universal que seja aplicável com eficá­ cia a todos os casos. em aviso reservado. dentro de urna onda positivista. 44.). um conjunto de prescrições de conduta. talvez. perda do cargo. p.045. d) suspensão do exercício profissional. p. existem códigos de ética. portanto. decorrem sanções administrativas (advertência. e e) cassação do exercício profissional". embora as linhas mestras sejam comuns. Ética profissional. tenha-se partido para urna tentativa de tomar concretos os principios e deveres éticos. “Art. pois comuns são as principais virtudes de todas as profissões exigíveis. Aqui está um exemplo concreto de sanções e medidas aplicáveis ao infrator pro­ fissional: Decreto n. 11. quando regulamentada. “Traçar. produzindo-se os códigos de ética ou códigos de dever. na exata significação desta palavra. 3. in Martins (coord. As penas disciplinares aplicáveis aos infratores da ética profissional são as seguintes: a) advertência confidencial. pois. pelo descumprimento de seus mandamentos. 1999. “Logo. “As peculiaridades em um codigo de conduta profissional dependem de diversos fa­ tores. e não apenas um código de ética. 110). Nesse contex2 todos códigos de conduta. em aviso reservado. para ser normas jurídicas de direito administrati­ vo. 407 . 25-7-1958) (Aprova o Regulamento do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina a que se refere a Lei n.

de 28-6-1983 (DOU. Constitui infração disciplinar: I — transgredir preceito do Código de Ética Profissional'. 73). “Puede decirse que la ética de principios. Assim. Sobretudo as influências da bioética e das regras científicas têm favo­ recido esse tipo de redução da ética à tecnologia codificada. as contribuições a que está obrigado. de 3-9-1979. A filosofia: seu tempo.to.017. II — exercer a profissão. em outras palavras. após regularmente notificado. 88. Essa onda se torna cada vez mais per­ niciosa na medida em que. ao Conselho Regional. 7. Parágrafo único. VII — faltar a qualquer dever profissional prescrito neste Regulamento. e de conformidade com alteração estabelecida pela Lei n.439. quando impedido de fazê-lo ou facilitar. em matéria de competência deste. VI — deixar de pagar. Isso significa. convivimos.684. determinação emanada de órgãos ou autoridade do Conselho Regional. 15. Hl — violar sigilo profissional. ou sendo tratadas igualmen­ te. 14. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporânea. no prazo assi­ nalado. e imagina que es posible edificar una teoria ética a partir dei individuo. el de que vivimos juntos. as infrações éticas acabam se equiparando. categorias profissionais ou órgãos públicos1 . de 308-1982): Capítulo VII — Das Infrações (art. 29-6-1983) (Dispõe sobre a Regulamentação do Exercício da Profissão de Biomédico. o seu exercício aos não registrados ou aos leigos. por qualquer meio. “Es una premisa eirónea porque oscurece un hecho real. IV— praticar. que as normas éticas são transformadas em normas jurídicas1 . se passa a reduzir o pensamento ético e a prática ética a um conjunto preceptístico de caráter formular e abstrato. o una abstracción” (Barrera. cada vez mais. Veja-se este exemplo: Decreto n. V — não cumprir. p. 6. 33. sem liame com a práxis efetiva. pontualmente. 4 Principalmente quando se está diante da ética profissional. 1999. cuyo modelo canónico es la bioética. deturpando-se 5 13. de acordo com a Lei n. são inúmeros os fatores que encaminham os mandamentos éticos para o mesmo sentido dos mandamentos jurídicos. ato que a lei defina como crime ou contravenção. “Art. Reduccionismo en la ética: 408 . há que se assinalar que a tecnologização e a pragmatização da ética transformam os mandamentos éticos em cobranças institucionais (normas sancionatórias e normas premiais). VIII — manter conduta incompatível com o exer­ cício da profissão. deve-se inverter essa tendência que afasta o homem dasreflexão ética para fazê-lo um cumpridor de códigos de conduta internos de empresas. o mejor dicho. As faltas serão apuradas levando-se em conta a natureza do ato e as circunstâncias de cada caso”. in Hipnos. está en buena medida inspirada en el derecho o la ciência jurídica” (Barrera. 33). seus lugares. às demais infrações funcionais13. no exercício da atividade profis­ sional. Sob pena de uma profunda per­ versão de valores e de um esvaziamento de uma das principais raízes hu­ manas. a ética. el cual es una invención.

Ética profis­ sional. Quando se utiliza da expressão “mandamentos mínimos” quer-se dizer que a ética profissional é minimalista (em geral. A filosofia: seu tempo. uma vez que se expressa no sentido de coibir condutas futuras e possíveis de determina­ da categoria profissional. quando do exercício profissional. A ética codificada vem a preencher uma ne­ cessidade de se transformar em algo claro e prescritivo. a liberdade ética do profissional vai até onde esbarra nas exigências da corporação ou instituição que controla seus atos. que. Utilidade dos códigos de ética profissional É certo que a vulgarização de códigos de ética encontra motivos subs­ tanciais para seu surgimento. 83). não vale completamente para o âmbito profissional. Quer-se dizer que a liberdade absoluta de escolher esta ou aquela ética. 1998. A filosofia: seu tempo. Dessa forma.1. seus lugares. 17. no exercício profissional. o indivíduo esteja preparado para assumir responsabilidades perante si. 7 la influencia de la bioética en la moral contemporánea. Barrera. a liberdade do profissional vai até onde seu compor­ tamento fere as exigências coletivas que giram em tomo daquele exercício profissional. se o campo da moral é um campo em aberto para as diver­ sas consciências.as essenciais lições da ética que são: a livre-consciência e a autodeter­ minação1 . 16. institucional e social. 69. de acordo com a qual agir e orientar seus atos. Não poderiam as profissões ficar ao alvedrio da livre-consciência dos profissionais agirem de acordo com suas regras éticas subjetivas. para efeitos de controle corporativo. p. a irresponsabilidade para com a qualidade do trabalho” (Lopes de Sá. 6 2. seus lugares. 409 . 1999. o profissional deve adaptar sua ética pessoal aos mandamen­ tos mínimos que circundam o comportamento da categoria à qual adentra. pe­ rante os companheiros de trabalho e perante a coletividade. enunciando-se por discursos proibitivos). Passa-se a deixar de lado o que sempre foi o núcleo de atenções da ética: a felicida­ de e a formação do caráter. 131). o que navega nas incertezas da ética filosófica. uma exigência de responsabili­ dade para com o coletivo imanente1 . em seu foro íntimo e individual. p. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporánea. “A ausência de responsabilidade para com o coletivo gera. De fato. in Hipnos. p. poderia não querer assumir. como consequência natural. Cf. faz-se mister que. Mais ainda. 1999. in Hipnos. há. só diz o que não deve ou que não pode ser feito.

Profissões tradicionais deixam de existir e outras surgem para substituí-las. O primeiro dever ético do profissional é dominar as regras para um desempenho efi­ ciente na atividade que exerce. Existe m m função social a ser desenvolvida em sua profissão. precisará ter sido um aprendiz aplicado. De fato. A primeira tem que ver com 8 18. e de ser declarada como pauta de conduta dos membros da corporação. Ademais. “Mas além da ciência. seu conteúdo. verificar-se-á. “Ciência. oferece a possibilidade de pré-ciência do conjunto de prescrições existentes para os profissionais. malgrado os problemas práticos de exegese e aplicação. É retrocesso que distancia o profissional das conquistas em seu ramo de atuação.É importante a existência dessas normas éticas. p. Os avanços e as novas descobertas influem decisivamente em seu trabalho. de modo que. Para isso. Se essa é a importância dos códigos de ética. e se se for adentrar à análise de seus preceitos. onde a experiência é forma de aprendizado. mas não são toda a luz. a ética filosófica está a indicar a abertura da vontade e da consciência humana para além de preceitos normativos e jurídicos constantes de códigos de comportamento de determinadas cate­ gorias profissionais. 1999. o profissional deverá manter um processo próprio de educação continuada. “Além da formação adequada. O uso dos códigos de ética como modo de incremento do controle sobre o comportamento dos traba­ lhadores desvirtua a ideia de que a ética lida sobretudo com estímulos ¿não somente com punições. exigível a todo profissio­ nal. uma vez que garantem publicidade. os códigos servem como uma bússola. O ser humano precisa estar preparado para novas exigências do mercado. ao escolher e optar pela carreira. seja no processo educacional formal. Além de ser a todos acessível.2. 2. deve-se destacar que a ética não se reduz a esse tipo de preocupação. Estar intelectualmente inativo não representa apenas paralisação. Os deveres ético-proflssionais Ciência e consciência parecem ser as exigências gerais de todos os misteres ético-profissionais. mas reclama-se-lhe empenho em sua concretização” (Nalini. seja mediante inserção direta no mercado de trabalho. Ele não pode estar dela descomprometido. 174). a significar o conhecimento técnico adequado. se se for analisar em abstrato o con­ junto das codificações profissionais. 410 . Ética geral e profissional. Nesse sentido. ele deverá atuar com consciência. em suma. oficialidade e igualdade. já se encontra ciente de quais são seus deveres éticos. que o que se prevê como exigência de regra de conduta pode ser categorizado à conta de dois grandes mandamen­ tos ético-profissionais: ciência e consciência1 .

mas ligadas ao ser profissional. “Sendo o propósito do exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros. E certo que. 19. condições profissionais e não puramente pessoais.o preparo técnico e/ou intelectual do profissional.. seus colegas. manual. p. 411 . um complexo de deveres envolve a vida profissional. a segunda tem que ver com seu compromisso para com os efeitos de seu exercício profissional. nem a ela se associar.). Nesse sentido. seu grupo.. Ética profissional. Assim. “Logo. 136). de quem requer a tarefa. 20. a sociedade. a elevada moralidade do profissional. o Estado e especialmente perante sua própria conformação mental e espiritual” (Lopes de Sá. O dever ético de saber tem que ver com o exato cumprimento de todas as exigências mínimas que dizem respeito ao exercício de um determinado mister social. é necessária também aquela relativa às virtudes do ser. trata-se de um dever de saber19 . se essa profissão demanda capacitação e habilidades técnicas e intelectuais. com o Estado. 1998. da profissão exercida pelo magistrado. serão essas duas pré-requisitos para a admissão ao exercício profissional e requisitos para a continuidade no exercício profis­ sional. extrai das necessidades da própria profis­ são a característica para sua constituição como dever. sob os ângulos da con­ duta a ser seguida para a execução de um trabalho. a higidez e a irreprovabilidade de comportamento. com a sociedade. No caso do juiz. intelectual. mas isso não pode influenciar em sua função judi­ cial. com a pátria” (Lopes de Sá. como é o caso das profissões que pres­ supõem como exigências profissionais a isenção de ânimo. O dever ético. como cidadão. aplicada ao relacionamento com pessoas. “Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desempenho eficaz da profissão são deveres éticos. para o caso.. nesse caso. Estas são. possui o direito de se posicionar. Ética profissional. 1998. “Não bastam as competências científica. com a classe. Existe também o dever de ser. ao juiz é vedada a participação político-ideológica.. passam a ser uma obrigação perante o desempenho. por exemplo. Não são estas exigências ou deveres relacionados ao saber do profissional (capacitação técnica. Assim.141). tecnológica e artística. P. todas as qualidades pertinentes à satisfação da necessidade. o dever ético poderá ser definido como dever ético de saber e dever ético de ser. não bastam a capacitação técnica ou intelectual. pois é mister a virtude do ser20. “Esses deveres impõem-se e passam a governar a ação do indivíduo perante seu clien­ te. sua postura ético-política não poderá ser declarada e ativista.

grupais. salvo em casos de omissão ou de erro médico que tenha resultado em morte ou lesão corporal de natureza grave”. gr. o que se demanda do ser humano é uma especial habilidade em lidar com misteres laborais e lucrativos que resultem em individuais. virtude do sigilo. virtude do classismo.). 22. Eventuais condenações. 11. 23. São virtudes profis­ sionais. “Art.434. Ia a 11). coletivos e/ou sociaisf^or isso. a ética do profissional corresponderá a sua máxima prestatividade e excelência no exercício e desempenho desses misteres. destinada a médicos. sob a forma de cursos de especialização. Por vezes.Por vezes. significa exatamente máximo aperfeiçoamento de uma capa­ cidade ou qualidade. “Exemplifique-se com o disposto no texto de lei que segue: Decreto n. e dá outras providências): Capítulo II —Da Autorização (arts. 6. 8S a 13). que a noção de dever profissional se liga diretamen­ te à noção de virtude. pois. ou. 2. virtude da honestidade. sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional. no exercício profissional. 9-7-1981) (Dispõe sobre as Atividades do Médico Residente. etimo­ lógicamente. virtude do zelo. determinados exercícios profissionais ficam condicionados inclusive à prova de virtuosismo. virtudes complemen­ tares: virtude da orientação. P-7-1997) (Regulamenta o disposto na Lei n. em seu 412 . os médicos deverão instruir o pedido de autorização com: I — certificado de pós-graduação. Veja-se este exemplo da Lei n. ao menos. virtudes indispensáveis: virtude da competência. Além da necessária habilitação profis­ sional. 2 Percebe-se. de 4-2-1997. 9. de residência médica ou título de especialista reconhecido no País. à prova da falta de elemen­ tos que desabonem a conduta do profissional21. se distinguirá exatamente por atribu­ tos éticos diferenciados. em nível. não são indutoras do indeferimento do pedido. no mínimo. I2 A Residência Médica constitui modalidade de ensino de pós-graduação. “Art. 2. o profissional* qualquer que seja o mister que exerce. Ora. Isso porque a virtude (areté. e dá outras providências — arts. funcio­ nando sob a responsabilidade de instituições de saúde. a saber: 1. que dispõe sobre a Remoção de Órgãos. § Ia As instituições de saúde de que trata este artigo somente poderão oferecer programas de Residência Médica depois de credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica. virtude do coleguismo. de 7-7-1981 (DOU. lat. Seção III — Das Equipes Especializadas (arts.932.. virtude da remuneração23. universitárias ou não. Parágrafo único. 10e l l ) . O elenco segue a orientação dada na matéria por Antonio Lopes de Sá. Tecidos e Partes do Corpo Humano para Fins de Transplante e Tratamento. de 306-1997 (DOU. virtus. II — certidão negativa de infração ética. caracterizada por treinamento em serviço. 21.268. de modo que isso passa a ser exigência mínima para o exercício desta ou daquela função dentro de uma determinada profissão2 . § 22 E vedado o uso da expressão residência médica para designar qualquer programa de treinamento médico que não tenha sido aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica”. passada pelo órgão de classe em que forem inscritos. anotadas no documento a que se refere o inciso II deste artigo.

Ética geral e pro­ fissional. “Deontologia é a teoria dos deveres. O próprio direito do trabalho encontra-se atrelado a esse compromisso ético na atualidade. de propos­ tas éticas no Direito que cuidam dos anseios e realizações sociais. regidas por normas e princípios jurídicos e éticos. Deontologia profissional se chama o com­ plexo de princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma determinada profissão. p. a profissão jurídica encontra seus manda­ mentos basilares estruturados em princípios gerais de atuação. in Martins (coord. regula­ mentos e circulares. 25. 1999. 7. profissões regu­ lamentadas.3. ou até mesmo em texto constitucional. a exploração e a impunidade no atual contexto. se não em sua totalidade. p. 55). estreitamente ligada ao Direito do Trabalho” (Cássio Mesquita Barros Júnior. ou em códigos éticos. O que se encon­ tra implícito nos princípios deontológicos é explicitado por meio de coman­ dos prescritivos da conduta profissional jurídica. por vezes. Deontologia Forense designa o conjunto das normas éticas e comportamentais a serem observadas pelo profissional jurídico” (Nalini. A preocupação é hoje na direção de uma sociedade eticamente bem regulada contra as discriminações. de acordo com as especificidades dessa atividade social e de acordo com os efeitos dessa atividade em meio às demais24.210. referenciais para as relações na sociedade. conforme se vê aqui descrito: “Ética e Direito são dimensões recíprocas da vida humana. 1999. O que há de peculiar nesse métier é que as profissões jurídicas são. A ética cristã caminhou pela história. mas sim de exercício vincu­ lado a deveres. Veja-se neste exemplo: Lei n. 24. A ética no direito do trabalho. isso se deve ao fato de todas desempenharem impor- Ética profissional. 1998. p. por envolver questões de alto grau de interesse coletivo. legalizadas. não são profissões de livre exercício. que não se pretende que sejam exaustivas nem taxativas. ou em portarias. as enormes diferenças. Se se pode dizer que existem mandamentos éticos comuns a todas as profissões jurídicas26. onde vêm detalhadas e explicitadas as referidas virtu­ des. a corrupção. É precisamente no contexto atual que Ética e Direito contabilizam a busca de marcos de referência. Ao conjunto de regras e princípios que regem as atividades profissionais do direito se chama deontologia forense25. as violações dos direitos humanos. a própria lei se utilizar da expressão “ética profissional” como um gênero universal a todos comum. Esses comporta­ mentos regrados vêm expressos em legislação que regulamenta a profissão. ao menos em sua quase totalidade. 173). de 11-7-1984 413 .). 161-203. obrigações e comportamentos regrados. Apesar de. 26. de modo que seu exercício. ÉTICA E PROFISSÃO JURÍDICA Assim como toda profissão. ou em regimentos internos. Ética no direito e na economia. De pronto envolvem a nobreza com que conduzimos nossas ações e o respeito com que tratamos o semelhante.

mas. dados e informações a respeito do condenado. in c lu in d o -s e 414 . “A enunciação de princípios éticos gerais. (DOU. e sempre algo de discricionário. Veja-se. os princípios da informação e da solidariedade. mesmo assim. Cada qual possui suas peculiaridades. Porém. 13-7-1984) (Institui a Lei de Execução Penal): Título II — Do Condenado e do Internado (arts. inclusive.159. a título exemplificativo. com base no qual o profis­ sional deve proteger as qualidades profissionais de sua categoria com base nas quais se estabelecem as suas características intrínsecas. de 24-1-1997 (DOU. 5S a 92). o princípio da efetividade. II— requisitar. III — realizar outras diligências e exames necessários”. não existe uma regra que domino o resolva de modo formular todos os problemas éticos dos profissionais das diversas carreiras jurídicas (públicas e privadas). a saber. regramentos específicos que impedem que se fale cm uma ética comum a todas as carreiras jurídicas. É de interesse da coletividade o efetivo controle dos atos dos operadores do direito. 32. 8. no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade. Capítulo I — Da Classificação (arts. o prin­ cípio da defesa das prerrogativas profissionais. segundo o qual se deve con­ ferir a maior proteção possível aos mandamentos constitucionais que cercam e protegem o cidadão brasileiro. “Art. que faz do profissional ser altaneiro e independente em suas convicções pessoais e em seu modo de pensar e refletir os conceitos jurídicos. poderá: I — entrevis­ tar pessoas. no sentido de que surtam os efeitos desejados. observando a ética pro­ fissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo. para que haja clareza. 5S a 60). o que dispõe o seguinte decreto acerca da espe­ cificidade do Código de Ética Profissional: Decreto n.tante função social. entre outros: o princípio da cidadania. Existem. publicidade e cor­ dialidade nas relações entre profissionais do direito e. o princípio da liberdade. outros profissionais28. 27-1-1997) (Regulamenta o art. 9SA Comissão. segundo o qual se deve orientar o profissional pelo zeloso comportamento na administração do que é seu e do que é comum. que dispõe sobre a Categoria dos Do­ cumentos Públicos Sigilosos e o Acesso a Eles. 27. de 8-1-1991. e respeitá-las significa adentrar nas minúcias que delineiam sua identidade27. 28. o princípio da probidade. aplicáveis às profissões forenses.134. 23 da Lei n. Poder-se-ia multiplicar a relação dos princípios. Os agentes públicos responsáveis pela custódia de documentos sigilosos estão sujeitos às regras referentes ao sigilo profissional e ao seu código específico de ética”. segundo O'tfual se deve conferir a maior eficácia possível aos atos profissionais praticados. “Art. de repartições ou estabelecimentos privados. podem-se enunciar alguns princípios gerais e comuns a todas as carreiras jurídicas. 32 a 35). 2. pois. e dá outras providências): Capítulo V I— Das Disposições Finais (arts.

Além de se tomar. 193-194). da solidariedade. a severidade para consi­ go mesmo. com isso. defensores públicos e procuradores do Estado. esse profissional é o único árbitro de sua conduta. Na maior parte das vezes. e dá outras providências): Título II — Da Fiscalização do Exercício das Profissões. “Dentre eles. mais escrupuloso. pureza e persu­ asão na linguagem. O mesmo é válido para outras demais profissões regulamentadas. 5. da cidada­ nia. ad­ vogados. 1999. a recomendação da doutrina e a produção pretoriana dos respectivos tribunais éticos não excluem deveres que resultam de sua consciência e do ide­ al de virtude. como a enge­ nharia: Lei n. a defesa das prerrogativas profissionais. o princípio da clareza. o princípio da probidade profissional. deve ter em mente que os cânones dos códigos éticos. O CONTROLE DA CONDUTA DOS PROFISSIONAIS DO DIREITO Os profissionais do direito. Capítulo IV—Das Câmaras Especializadas. pela importância e pelo caráter social de que se revestem suas profissões. promotores e procuradores de justiça. cien­ tistas do direito e juristas. além de possuírem um regramento espe­ cífico de suas atividades profissionais. da residência. Assim.194. 4. 29. alguns lembrados por autores que também se dedicaram ao estudo da ética. têm também um controle do efetivo cumprimento das normas que regem seus misteres profissionais. Isso quer dizer que existem órgãos censórios revestidos de poder decisório bastante inclusive para a cassação da habilitação profissional. ministros e desembargadores. professores. que pode confundir-se com o princípio da correção. inúmeros outros. Arquiteto e Engenheiro Agrônomo. de 24-12-1966 (DOU. “Todos eles se prestam ao serviço de atilar a postura prudencial dos operadores jurí­ dicos. o princípio da liberdade profissional. o princípio da moderação e o da tolerância. da efetividade e da continuidade da profissão forense.Respeitando-se e obedecendo-se às nuances que caracterizam e dife­ renciam as carreiras jurídicas entre si é que se dedicará espaço somente para a discussão do estatuto ético de cada uma das principais carreiras do direi­ to. Ética geral e profissional. 27-12-1966) (Regula o Exercício das Profissões de Engenheiro. mencione-se os princípios da informação. juizes. p. prevê-se uma discussão específica sobre os principais manda­ mentos e as prescrições fundamentais que estão a reger o comportamento dos seguintes profissionais jurídicos: agentes e funcionários públicos. Seção 415 . do cargo. da localização. da função ou da atividade exercida pelo profissional do direito29. inspiração maior do profissional do direito” (Nalini. favorecendo-os a um exame de consciência para constatar como pode ser aferido eticamente o próprio comportamento. à&função social da profissão.

no fórum de delibe­ ração do conjunto CFESS/CRESS. de 7-6-1993 (DOU.Esses órgãos se constituem normalmente em turmas ou grupos cole­ giados de juizes de ética e disciplina. fixando a respectiva taxa. na qualidade de órgão normativo de grau superior. I\ — zelar pela observância do Código de Ética Profissional. das entidades de classe e das escolas ou faculdades na Região. investidos na função de patrocinarem o zelo e o cumprimento dos deveres profissionais. 46. c) aplicar as penalidade e multas previstas. gravidade do ato. o exercício d. V— funcionar como Tribunal Superior de Ética Profis­ sional'. reincidência.. II — fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respectiva reg ião : III — expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais.) e emanam sentenças. 416 . III — aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. das entidades de direito público. d) apreciar e julgar os pedidos de registro de profissionais. VI — julgar. “Art. fiscalizar e defender o exeicício da profissão de Assistente Social. das firmas. ponderam os elementos em jogo (acusação. das quais invariavelmente cabe recurso a órgãos superiores30. IX — (Vetado)”. e) elaborar as normas para a fiscalização das respectivas especializações profissio­ nais. em matéria ile Serviço Social. Ministério Público. funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional.. VI — fixar. 8. em assembleia da categoria. b) julgar as infrações do Código de Ética'. na qualidade de órgão executivo e de primeira instância. 8-6-1993) (Dispõe sobre a profis­ são de Assistente Social e dá outras providências). normatizar. Ainda: “Art. VIII -prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados. 8e Compete ao Conselho FedemI de Serviço Social — CFESS. em suas respectiva' áreas de jurisdição. 10. no âmbito de sua competência profissional específica. Compete aos CRESS. os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS. f) opinar sobre os assuntos de interesse comum de duas ou mais especializações pro­ fissionais. II — assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário. “Art. Procuradoria. em conjunto com o CRESS. VII — restabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados. São atribuições das Câtí?aras Especializadas: a) julgar os casos de infração da presente lei. em última instância. Esses órgãos são as corregedorias (Tribunais. ou de fins filantrópicos. 30. encaminhando-os ao Conselho Regional”. disciplinar.. (Conselhos Estaduais): Lei n. as comissões I — Da Instituição das Câmaras e suas Atribuições. O mesmo ocorre em outras profissões.iseguintes atribuições: I — organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas. para as quais existe um órgão superioi (Conselho Federal) que funciona como instância revisora das decisões dos órgãos inferior^'.662. o exercício das seguintes atribuições: I — orientar. As decisões exaradas desses órgãos. IV — aprovar o Código dc Ética Profissional das Assistentes Sociais juntamente com os CRESS.. V — aplicar as sanções previstas no Código de Ética Pro­ fissional. VII — elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS”. as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais. normalmente corporativos.). capazes de impedir definitivamente o exercente da função ou cargo ou atividade de continuar no gozo de seus deveres e atribuições profissionais.

LV. devem estar preocupados não somente com o caráter formular das normas jurídicas. refazimento do julgamento. bem como da própria condi­ ção da ciência do direito. culturais.. Sobretudo.. imersa em méio às ciências sociais. o que é principiologicamente engajado com mandamentos éticos. segundo o qual todos os litigantes em processos administrativos ou judiciais terão acesso às alegações da parte contrária e oportunidade para refutar tais alegações (art. no lugar do que é legal. juntamente com fins valorativos. poderá ser in­ vocado. ao interpretá-las.... postula-se que se tenha na justiça o fim de toda atividade jurídica. e/ou aplicá-las.). da Constituição Federal de 1988. em sua consciência ético-profissional. com o seu aspecto formal e estrutural. de­ manda-se do jurista consciência na realização de fins do Direito. 5. CONSCIÊNCIA ÉTICA DO JURISTA O jurista. na acepção mais larga que o termo possa comportar. E isto decorre da própria natureza destas profissões. mas esses amplos poderes de investigação são limitados: 1. 2. deve se orien­ tar para que sua atuação esteja de conformidade com a realidade social na qual se insere.. pela legislação que dispõe a res­ peito das infrações éticas e funcionais e sobre as modalidades de sanções aplicáveis para cada caso. o operador do direito. da CF de 1988). na defesa dos interesses (reintegração no cargo..de ética e disciplina (Advocacia.. o que se cobra do jurista na atualidade é esse tipo de visão que faculta maior penetração dentro das ambições da sociedade à qual se dirigem as normas jurídicas. com base no art. o que é socioculturalmente adequado. mas sobretudo com os desdobramentos práticos de suas prescri­ ções (efeitos sociais. É certo que os órgãos censorios possuem amplos poderes na averigua­ ção de atos incompatíveis com o exercício profissional. 3. XXXV. ambientais. que. o que é atual e necessário. Mais que ter no direito o fim de toda atividade jurídica.) do profissional prejudicado pela sanção que lhe foi imposta. ou seja. Seja o juiz. seja o professor de di­ reito. consa­ grados pela ideia de justiça. consagra­ dos pela ideia de norma jurídica. pelo princípio constitucional da ampla defesa.) etc. 5a. pela inafastabilidade do Poder Judiciário. seja o pensador do direito. reparação civil por danos morais. 5a. políticos. 417 . seja o promotor. Assim. que se incumbem da punição pelo comportamento desviante do funcionário ou profissional.. econômicos. em havendo ilegalidade ou abuso de poder. o que é justo. seja o advogado.

sanitária. Formação jurídica. de que acabamos de falar. 32. de modo que se exige do jurisui uma atuação prática e teórica com vistas aos desdobramentos possíveis da assunção de determinada posição. para uma nova noção de ciência fundada em pressupostos filosóficos da escola neokantianu (Mario Losano. Consciência ética do jurista teórico Se assim se fala a respeito do jurista em geral.. o doutrinador de Direito.. Durante largos anos. sociológico. o que se deve dizer do jurista propriamente dito. de causar a desunião de uma sociedade e a corrosão de um grande foco de empregos e serviços.. com vistas ao ensino do quid iuris. metafísico. p. como movimento antagônico à aceitação de qualquer fundamento naturalista. e o próprio ato jurídico em si possui mais que efeitos puramente jurídicos. as estruturas de significado do ordenamento jurídico.Isso porque a atuação do jurista possui mais que simplesmente efeitos e consequências jurídicas. portanto. antro­ 31. O positivismo jurídico32....).1. o positivismo e o normativismo se mostraram como teorias suficientes e bastantes para a explicação metodológica do direito. os conceitos fundamentais. de desestruturar uma família e a saúde psíquica dos filhos dela oriundos. A cultu­ ra do jurista. É o produtor da Ciência que permite orientar a conformação jurídica dos povos” (Ives Gandra da Silva Martins. na medida em que interfere na conduta eiin comportamento das pessoas e em sua forma de se organizar e distribuir socialmente. uma vez que o jurista teórico lapida a ciência do direito. ambiental. e na unidade sistemática da ciência: volta-se.política. na Introdução em O problema da justiça.. do doutrinador do direito?3 A consciência ética deve ser ainda mais estimulada 1 neste. histórico. O jurista tem de estar consciente de que o instrumental que manipula é aquele capaz de cercear a liberdade. 114). familiar. p. cultural. XIII). 5. A consciência ética e social do jurista c um mister na medida em que o instrumental jurídico também pode ser dilo um instrumental ético e social. “A pureza metodológica perseguida por Kelsen baseia-se na ausência de juízos de valor. então.). de intervir sobre a feli­ cidade e o bem-estar das pessoas. dentro de uma certa tradição filosófico-teórica. do operador do direito. “O jurista é. econômica. financeira. por excelência. 418 . in Nalini (coord. ou seja. Todo operador do direito pratica atos que se projetam por sobre outras áreas (social. 1994. de alterar fatores econômicos e pre­ judicar populações inteiras.

a discussão sobre a justiça. p. porém. sim. trad. José Lamego. a metodologia do direito desapegou-se do modelo positivista com forma de explicação de sua cientificidade. Contestada por muitas correntes de pensamento (a tópica. p. Sua contribuição é notoria no sentido de que fornece uma dimen­ são integrada e científica do direito.pológico. li­ mitado ao que é normativo. retira os fundamentos e as finalidades. 82). que o nosso século veio até hoje — a conhecer” (Larenz. passou a ser a primeira vítima das alterações legislativas. nesse sentido. que é. 34. o culturalismo. daí sua restrição ao que está posto (positum — ius positivum)33 .. é o mais potente elemento para influenciar. para a explicação racional do direito. consulte-se Larenz. 1989. Metodologia da ciência do direito. por excelência3 4. o que significa dizer que dela se fez apenas um conglomerado de preocupações formais e estruturais a respeito das normas. com todas as correntes metodológicas. deixando de ser uma mera espe­ culação superficial sobre formas normativas. a semiótica. Metodologia da ciência do direito. e. consequentemente. Lisboa: Calouste Gulbenkian. e esses limites passaram a ser os horizontes do jurista. o que significa dizer estar cônscio de que o discurso da ciência do direito. a métrica e a exatidão. por 33. a verificabilidade dos resultados e a previsão de efeitos não são características do fenômeno jurídico.). sobretudo com base em Hans Kelsen. ao produzir sentido. em sua miopia intelectual. a retórica. Percebeu-se que ciências humanas e ciências matemáticas jamais poderão se encontrar em suas me­ todologias. social e humano. a metodologia do positivismo jurídico identifica que o que não pode ser provado racionalmente não pode ser conhecido... contentando-se com o que satisfaz às exigências da observação e da expe­ rimentação.. o jurista. a fenomenología. Estar consciente dessa deficiência da estreiteza positivista é estar cônscio do papel hermenêutico das ciências jurídicas (zetéticas ou dogmá­ ticas). adentrou de tal forma nos meandros jurídicos que suas concepções se tomaram estudo indispensável e obrigatório para a melhor compreensão lógico-sistemática do fenômeno jurídico. O jurista passou a ter limites em sua atuação. sem dúvida nenhuma. A respeito dessa reflexão. “A sua teoria pura do direito constitui a mais grandiosa tentativa de fundamentação da ciência do Direito como ciência — mantendo-se embora sob império do conceito positi­ vista desta última e sofrendo das respectivas limitações. 1989. Assim. vem-se aproximando cada vez mais das preocupações com o social. 10-220. fez-se da teoria do direito uma teoria pura do direito. 419 . com a escora desse tipo de doutrina.

como decorrência dessa consciência ética do jurista em geral. pela só faculdade que possui de influenciar a formação de novos sentidos. políticos. Vocação ética das ciências jurídicas É curioso pensar que. no Direito presente.. ganhando dimensão universal. por conseguinte. Deve ser. especialmente. Isso requer do jurista uma formação toda especial nas humanidades33. Formação jurídica. Desse modo. e. sobre o legislador e a autoridade decisoria. Não pode ficar adstrito a uni conhecimento limitado à própria técnica produtora da norma. o Direito Universal e Intertemporal. 115). a ciência jurídica também possui este compromisso social de estar a serviço do aperfeiçoamento dos saberes constituídos em tomo do rico objeto de estudo que é o direito. economista. Ora. e. emenda.. a formulação de interpretações jurídicas. “Por essa razão. 5. 420 . 35... que possam se extrair de lições doutriná­ rias por ele apregoadas. sobre não desco­ nhecer rudimentos das Ciências exatas” (Ives Gandra da Silva Martins. 1994. para se converter na arma do descrédito alheio. p. aperfeiçoamento ou modificação de normas jurídicas vigentes. a ciência jurídica é um saber que sc volta para a compreensão do fenômeno jurídico. pois.1. de novos textos jurídicos. o que se tem presente é que. Por vezes se veem páginas e páginas doutrinárias lançadas em vão para a contestação de pressupostos teóricos alheios. a extração de argumentos que apontem para a correção. o que se destaca é a capacidade que esse discurso possui de gerar influência sobre os demais operadores do direito. para que seu verbo seja a exteriorização consciente dos efeitos sociais. Nesse sentido. sociólogo. mas necessariamente deve ter uma visão mais abrangente da ciência na qual se especializou.1. psicólogo. Deve buscar conhecê-la. e sobretudo do jurista teórico. filósofo. ter uma cultura humanís­ tica que lhe permita ver... A partir do momento em que a doutrina jurídica passa a ser uma ma­ nifestação de afetos pessoais. historiador. Assim. surge a responsabilidade no operar discursos jurídicos. ainda. desabilitação epistemológica deste ou da­ quele teórico e de sua doutrina. é um discurso que demanda uma grande consciência ética. que possui imbricação direta com causas sociais. A cultura do jurista. dis­ criminação de escritos alheios. futurólogo. pois. o jurista é necessariamente um profissional voltado para a Ciên­ cia.. in Nalini (coord. econômicos. Deve. a formação de decisões. É o instrumentalizador dc todas as ciências sociais no plano da Ciência Jurídica. ou. que possivelmente possam se extrair de um simples ato jurí­ dico por ele praticado.). a escolha de valores.meio do saber.

uma vez que a pura dogmática afasta o jurista de outras preocupações. 421 . estas são as preocupações frontais 7 da ciência jurídica e das práticas de discurso científico-jurídico. Deve-se. dogmático ou zetético. cada vez mais engajada. 37. estar consciente de que a zetética não se constitui pura­ mente em saber de contestação do saber dogmático. meios para a realização de fins maiores. e muito menos que o saber dogmático se constitui em um saber obtuso da realidade jurídica. A respeito. deve-se considerar que não se pode mais nomear ju­ rista aquele que dessa forma conduz o saber jurídico. E. cada vez mais sólida para que se des­ faça o colonialismo cultural3 do país. O saber jurídico. O cientista do direito possui as fórmulas para a construção de uma herança intelectual 36. 1999. na proposta de divulgação do trabalho de Theodor Vieweg. Vide a respeito das palavras dogmática e zetética. 1999. Intro­ dução ao estudo do direito. por meio da qual se conferiu amplo uso a elas. conviventes necessárias. outra com vistas à especulação (ênfase na pergunta e no questionamento). portanto. que se aliam no sentido da investigação dos complexos desdobramentos do fenômeno jurídico36. 39-43. cada vez mais aproximada das preocupações da nação para a redução de desigualdades sociais. a obra de Ferraz Júnior. Dogmática e zetética são ferramentas metodológicas de conhecimento. consulte-se a seguinte obra: Montoro.perde sua finalidade e perverte-se em delongas morais e profissionais pes­ soais daquele que dela se vale para qualquer outro tipo de finalidade. dependentes uma com relação à outra. Essa é a preocupação fulcral do pensamento de Franco Montoro. ciência dogmática e zetética precisam se unir no sentido da realização deste objetivo comum. uma com vistas à decisão (ênfase na resposta e no resultado prático). e a pura zetética é incapaz de produzir conhecimentos capazes de articular soluções práticas com vistas à decidibilidade. Brandir para que essa cultura seja cada vez mais politizada.. na medida em que da somatória de suas atuações metodológicas deve resultar um proveito maior. Sua complementaridade faz com que possam ser qualificadas como sendo: indispensáveis para o adequado conhecimento das diversas facetas do mesmo fenômeno.. nesse sentido. Estudos de filosofia do direito. está na base do aperfeiçoa­ mento da cultura jurídica nacional. O que se quer dizer é que são complementares e indispensáveis para a caracterização científica dos diversos enfoques possíveis do fenômeno jurídico. Des­ naturada a atividade. p.

)40. de alia capacidade de influência e determinação cultural. Principalmente pelo fato de que “(. A ciência jurídica é mais que um discurso de juristas para juristas. esta é a sua vocação. é a obra um instrumento incisivo que recorta a realidade condi­ cionando-a a sua entrada no seio da realidade. p.)” (Bittar. como tais. 104. formativo e até paternal. Bittar. Isso ocorre mais com alguns 38. Faz-se como prática social e deve estar voltada para o alcance de fins sociais. estude-se a obra de Ferraz Júnior. Eduardo C.que deve ser perpetuada como atividade em prol do social. 1994. maior sua repercussão. não somente decisorio. esta é a sua natureza. Há que se pensar. muito menos ainda. A respeito do tema enfocado. pessoais e egoístas que eventualmente a ela se quêira dar. aqui reside a ética da ciência do direito. para o profissional do Direito. As atividades do professorado são de formação e. 422 . de princípio. não deve ser considerada uma atividade a latere das demais (advocacia. maior sua importância para uma determinada sociedade.. e não a favor de si ou. não somente autoritário. que as criações intelectuais são especial­ mente objetos sociais38. consultoria. 49).) de regra as obras intelectuais são criadas exatamente para comunicação ao público (. Esta é a sua finalidade. se pode dizer. contra outrem. que é altamente com­ plexo. B. 39. o modelo de relações profissionais implicadas pelo exercício da docência. procuradoria. Cf. magistratura. Ética docente: o professor de direito e os desafios ético-profissionais Profundamente imbricado com a questão do relacionamento humano... Direito de autor. Função social da dogmática jurídica.. mas sobretudo pedagógico.2. portanto. não somente hierárquico. Nes­ se sentido. dom especial de produção de efeitos sobre a realidade com a qual interagem. 9 Os fins sociais e prospectivos da ciência jurídica prevalecem com relação aos fins individuais. É dessa complexidade que emergem os maiores dilemas éticos na atividade do magistério. Quanto maior seu grau de penetração. 2001. 40. Direito e ensino jurídico: legislação educacional. As obras são dotadas de urna peculiar capacidade de penetração social. É nesse espaço do social que se releva o papel da ciência do direito3 .. p. dessa forma.. 5. deve ser encarada como algo mais que seu discurso interno. que.

preparo social. Eduardo C. a altivez e o espírito de colaboração pedagógica devem sempre informar o mister do professor de direito. do INEP (Comissão de Avaliadores das Condições de Ensino). 423 . como se pode ler a seguir: “A questão ética (valor. E este o mote de uma discussão secular. Bittar. ação humana e inter-relação social. é até mesmo um espelho no qual o estudante quer se ver refletir no futuro profissional que o aguarda.. o magister é sempre conside­ rado uma referência importante para o estudante. impossibilidade de flexibilização do modelo de aula. burilamento. São Paulo.) e a questão educacional (formação. Ética. O que se requer não é propriamente o heroísmo do professor. Diante dessa posição. que parece sempre pertinen­ te trazer à tona. p. a ques­ tão educacional do conjunto de atributos éticos que reúne(m). Dentro do espírito do academicismo. mas.. comportamento. Assim é que cria.e com outros menos. são grandes as dificuldades de trabalho no ensino contemporâneo do direito (excessivo número de alunos por sala. aqui­ sição de instrução. queira ou não. deficiências do ensino médio. 82. uma marca indelével (positiva ou negativa) sobre o espírito do estudante. então se deve aceitar que sua própria ética vem condicionada por valores inscritos no processo de ensino/aprendizagem. alegando-se que o primeiro tem sobre o segun­ do um alto poder de influenciação. Sem dúvida. se pode oferecer ao indivíduo e à sociedade através da educação”41. rigidez dos currículos acadêmicos. Revista do Curso de Direito da Universidade São Marcos. mas significa verificar o quanto. É impossível dissociar. n. bem como dos Conselhos Estadual e Federal da OAB 41. Se o processo educativo soma algo e lapida o indivíduo. Por vezes.. 2. não só científica..). a partir da liberdade de escolha. Em outro momento já se pôde dizer sobre o atrelamento existente entre o professor e o aluno. ao final do processo de formação de um indi­ víduo (de um grupo de indivíduos ou mesmo de toda a sociedade).) parecem caminhar imbri­ cadas. B. 2. mas cultural e opinitiva do estudan­ te.. tendo em vista as implicações e os resultados do processo pedagógico de formação de um indivíduo. más condições de trabalho. ele deve mesmo representar o mestre da iniciação. de qualquer forma. consciência.. Isto não significa retomar a espinhosa controvérsia de se saber se a ética é inata ou pode ser ensinada. v. intenção. porém o trabalho que vem sendo exercido pelas comissões de ensino do MEC (Comissão de Es­ pecialistas do Ensino do Direito). educação e cidadania.

E é exatamente das dificuldades desse relacionamento que decorrem desafios éticos de grande monta. pela pesquisa. que se pode encontrar na bibliografia de livro anteriormente publicado. intercâmbio didático-pedagógico. Acima de tudo. an. São Paulo. ou seja. do diverso. Pode-se ainda dizer que os compromissos do professor estendem-se para além da sala de aula. Existe ampla literatura sobre a questão. 5fi. 2001. mas também aos demais colegas de profissão que compartilham de suas atividades (com os quais deve procurar manter ambiente de solida­ riedade.. com a inteira liberdade de coñsciência que possui. bem como tecer considerações críticas ao ordenamento jurídico vigente. Entende-se que a dimensão ético-profissional do professor de direito faz com que se reporte sobretudo ao fim de sua atividade. cumplicidade acadêmica.(Comissões de Ensino Jurídico) vem contribuindo para a modificação des­ se quadro42. Mas a consciência desses problemas não pode obstaculizar o efetivo cumprimento da tarefa magistral delegada ao professor de direito: educar para a cidadania. aliás garantida por fundamento constitucional (CF. IV e IX). Ser capaz de estimular a busca. O que se disse não resume a tarefa de ensinar do professor de direito ao mero cumprimento da burocracia institucional que lhe é imposta. Ter ética com o alunado significa. por 42. democracia. que. participação. capacitar para o exercício ético da profissão. colaboração. que deve ser preparada e projetada com vistas a oferecer matéria atualizada e completa sobre o tema em foco. numa relação com seu alunado. e ao Ministério da Educação. pode criar méto­ dos pedagógicos diferenciados para educar. a quem deve prestar contas em última instância. o seu compromisso primordial é com o alunado. . incutir a chama da busca do justo no espírito do estudante de direito. Atlas. a partir de sua formação e de sua liberdade de ideias. ao ensino. intitulado Direito e ensino jurídico. do novo. cooperação. à instituição de ensino à qual se vincula (com a qual deve procurar cumprir as funções administrati­ vas e participativas..). preparar para os desafios profissionais. Essas tarefas são os efetivos pontos de apoio do professor. Eles fazem com que esteja atrelado não somente aos alunos. no sentido de contribuir para o esforço coletivo empre­ gado na delimitação da linha pedagógica construída e na formação da es­ trutura de ensino condizente com suas ambições e suas normas internas). é ser sobretudo capaz de tomar o ambiente educacional fértil à renovação social. sabendo-se que suas principais atividades antecedem o momento da elocução de sua aula.

43. 4. também. e apenas demonstrativo. e) aprimorar-se em seus conhecimentos com vistas a trazer sempre maior carga de informações e ideias. f) aperfeiçoar suas técnicas didáticas e pedagógicas para o alcance de melhores resultados na transmissão de conhecimentos. rever suas formas de pensar e discutir o direito e. pontuali­ dade e dedicação.871. II . e raciais. III — não sub­ — missão a pressões de ordem ideológica. Dos Princípios Comuns: “A ação da Universidade. g) tratar com urbanidade os alunos e demais colegas de trabalho. rol de compromissos de atuação do professor de direito: a) aplicar-se na transmissão de conhecimentos. d) estabelecer julgamentos e aferições de notas com padrões justos e equitativos. assim como saber posicionar o aluno perante as suas deficiências de formação e as suas dificuldades de aprendi­ zado que o impedem de obter melhores resultados na matéria ensinada. h) despertar o interesse pela matéria e pela pesquisa dos temas de aprendizagem ligados à sua disciplina ou aos seus conhecimentos. inclusive para a satisfação de dúvidas dos alunos. política ou econômica que possam desviar a Uni­ versidade de seus objetivos científicos. culturais e sociais”. 3a do Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Reso­ lução n. re-pensar suas posturas teóricas e ideológicas. pautar-se-á pelos seguintes princípios: I — não adoção de preferências ideológicas. Art. o diálogo e a interação. bem como encaminhar para a autonomia da pesquisa o estudante de direito. institucionais e legais. Com essas advertências preliminares é possível elencar um exíguo. j) permitir o acesso. 425 . de 22-10-2001). aos pedidos de melhoria das notas e médias de exames e provas. b) honrar seus compromissos acadêmicos com assiduidade. bem como quan­ to ao sexo e à origem. religiosas. i) respeitar as diferenças de ideias eventualmente existentes. k) participar e/ou criar projetos de aprimoramento acadêmico. bem como os credos e ideologias de seus alunos43. Título I. com vistas à melhoria das condições de ensino em sua instituição. respeitadas as opções individuais de seus membros.vezes. políticas.não adoção de posições de natureza partidária. c) respeitar os direitos de seus alunos. não ceder aos incessantes convites para a deturpação dos critérios de avaliação.

de forma a atingir o nível desejado de qualidade. V — apontar aos órgãos competentes da instituição em que trabalha. de qualquer forma. 4. Cabe ao docente: I — exercer sua função com autonomia. em seu entender. alguns apontamentos normativos relativos à matéria. lê-se no Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Resolução n. 426 . para as quais não possuam interesse mediato ou imediato. serve de importante e válida referência sobre o compromisso ético-docente. toma-se também enriquecedor aferir no Código de Ética da Universidade de São Paulo. III — zelar pelo desempenho ético e o bom conceito da profissão.871. de 22-10-2001). II — contribuir para melhorar as condições do ensino e os padrões dos serviços educacionais. quan­ do necessário. II — adequar sua forma de ensino às condições do aluno e aos objeti­ vos do curso. mas que. sugerindo formas de aperfeiçoamento. Assim. Dos Servidores Docentes: “Art. consultor ou assessor”. Nesse sentido. 15. VI — atuar com isenção e sem ultrapassar os limites de sua compe­ tência quando servir como perito ou auditor. n) fornecer auxílio pedagógico. IV — empenhar-se na defesa da dignidade da profissão docente e de condições de trabalho e remuneração compatíveis com o exercício e apri­ moramento da profissão. “Deve. sejam inadequados ao exercício da docência. coincidentes j^ i não com aqueles acima elencados. ou encaminhamento adequado. os itens ou falhas em regulamentos e normas que. que se aplica a docentes e não docen­ tes. Título III. não de­ turpando ideias alheias e muito menos ferindo direitos autorais de citação: m) não envolver os alunos em campanhas pessoais ou em questões políticas da instituição.1) respeitar a diversidade de opiniões dos autores que ensina. preservando a liberdade profissional e evitando condições que possam pre­ judicar a eficácia e correção de seu trabalho. assumindo sua parcela de responsabilidade quanto à educação e à legislação aplicável. aos alunos que maiores dificuldades tiverem em seu desem­ penho acadêmico. o docente: I — cumprir pessoalmente sua carga horária. ainda.

II — fornecer documentos em forma não consentânea com a lei e as­ sinar folhas ou laudos em branco. Educadores e educandos não podemos. de sublinhar a nós mesmos. sobre aquilo de que deve se abster o docente: “Deve o docente abster-se de: I — exercer a profissão docente em instituições nas quais as condições de trabalho não sejam dignas ou que possam ser prejudiciais à educação em geral e ao ensino público. pelo contrário. por outro lado. restrita. escapar à rigorosidade ética. itens de regulamento ou normas que possam ser prejudiciais à formação acadêmica e ao desenvolvimento pes­ soal do aluno.III — apontar. desta ética. E. IV —■exercer ó ensino e a avaliação do aluno sem interferência de divergências pessoais ou ideológicas. a contrario sensu. um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa frequência em países do Primeiro Mundo a ideia de que crianças do Terceiro Mundo. não deveriam ser salvas. Em nível internacional começa a aparecer uma tendência em acertar os reflexos cruciais da ‘nova ordem mundial’. da ética universal do ser humano. Num encontro internacional de ONGs. III — fornecer documentos que divirjam de suas convicções ou que discordem do que admite como sendo a verdade”. Este pequeno livro se encontra cor­ tado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da necessária eticidade que conota expressivamente a natureza da prática educativa enquanto prá­ tica formadora. acometidas por doenças como diarreia aguda. como naturais e ine­ vitáveis. que se curva obediente aos interesses do lucro. obviamente. como preleciona Paulo Freire: “Gostaria. V — denunciar o uso de meios e artifícios que possam fraudar a ava­ liação do desempenho discente. Da ética que condena o 427 . Dos Servidores Docentes. VI — respeitar as atividades associativas dos alunos”. na verdade. 17 do Código de Ética da Universida­ de de São Paulo. ainda. a quem de direito. pois tal recurso só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento. professores e professoras. do mercado. Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham em formação para exercê-la. Mas é preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor. Falo. E. Título III. reza o art. Não falo. a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente.

cinismo do discurso citado acima, que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentirosamente, falar mal dos outros pelo gosto de falar mal. A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. E a melhor ma­ neira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática, é testemunhá-la, vivaz, aõs educandos em nossas relações com eles. Na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou com cuja obra concordamos. Não podemos basear nossa crítica a um autor na leitura feita por cima de uma ou outra de suas obras. Pior ainda, tendo lido apenas a crítica de quem só leu a contracapa de um de seus livros. Posso não aceitar a concepção pedagógica deste ou daquela autora e devo expor aos alunos as razões por que me oponho a ela mas, o que não posso, na minha crítica, é mentir. É dizer inverdades em tomo deles. O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética. E uma lástima qualquer descompasso entre aquela e esta. Formação científica, correção ética, respeito aos outros, coerência, capaci­ dade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento devemos humilde mas perseverantemente nos dedicar” (Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 1996, p. 16, 17 e 18). 5.2.1. Da diversidade das atividades docentes no ambiente acadêmico As diversas projeções do docente dentro do ambiente universitário causam uma grande diversificação em suas atividades e tarefas adminis­ trativas. Mas a multiplicação de suas funções académico-administrativas não afasta de si os impositivos éticos elencados, — adaptando-se sim a cada situação, conforme o aumento do grau de responsabilidade que sobre si se depositam. Ao rol básico de seus compromissos, assim, passam a se somar outros tantos, compatíveis e específicos da ética decorrente de sua 428

i função ocupada ou exercida (no dispêndio financeiro da Universidade, na administração dos interesses discentes e docentes, na urbanidade no trato...), seja em coordenação e departamento, em chefia de área, em coordenação de curso, em cargo de parecerista ou consultor, em cargo de gestão finan­ ceira ou acadêmica, em função examinadora, em função avaliadora do ensino e outros44. 5.2.1.1. Dos docentes em bancas examinadoras Uma das diversas funções exercidas pelos docentes é a de examinador em concursos públicos e bancas de graduação ou pós-graduação. Nessas ocasiões ficaram celebrizadas, nas memórias acadêmicas, manifestações as mais diversas de certos docentes que: execraram publicamente o candidato em concurso público; trouxeram à baila fatos vexatórios da vida pessoal de candidato a mestrado; por proferirem ideologia diversa da do candidato, disseram impropérios contra ele e seu trabalho acadêmico; descontentes com a apuração do trabalho acadêmico, deixaram o candidato aguardando por horas a sua chegada no dia da defesa de tese; jogaram a tese do candi­ dato ao solo e sobre ela pisaram, proferindo expressões de descontentamen­ to e desafio, entre outras situações-limite. Essas cenas, que não foram raras no passado, parecem ser altamente difamatórias no presente, e convidam à reflexão... o que se faz, mais uma vez, com base no Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título III, Dos Servidores Docentes, que reza, em seu art. 19, sobre o assunto: “Nas relações dos membros das comissões examinadoras de concursos docentes com os candidatos devem ser observados os seguintes preceitos:

44. Para esses casos, cabem as regras gerais dos códigos de ética universitários, a exemplo do art. 6Sdo Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título I, Dos Princípios Comuns: “Constitui dever funcional e acadêmico dos membros da Universidade: I — agir de forma compatível com a moralidade e a integridade acadêmica; II — aprimorar continu­ amente os seus conhecimentos; III — prevenir e corrigir atos e procedimentos incompatíveis com as normas deste código e demais princípios éticos da instituição, comunicando-os à Comissão de Ética; IV — corrigir erros, omissões, desvios ou abusos na prestação das ati­ vidades voltadas às finalidades da Universidade; V — promover a melhoria das atividades desenvolvidas pela Universidade, garantindo sua qualidade; VT — promover o desenvolvi­ mento e velar pela realização dos fins da Universidade; VII — promover e preservar a pri­ vacidade e o acesso adequado aos recursos computacionais compartilhados; VIII — preser­ var o patrimônio material e imaterial da Universidade e garantir o reconhecimento da auto­ ria de qualquer produto intelectual gerado no âmbito de suas Unidades e órgãos”.

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II — no uso de suas atribuições, os examinadores não poderão suscitar questões atinentes à vida privada, convicção filosófica ou política, crença religiosa, intimidade, honra ou imagem do candidato, ou que de algum modo se liguem a seus direitos fundamentais, ressalvadas aquelas que tiverem relação direta com o exercício do cargo ou função pretendida”. 5.2.1.2. Dos docentes avaliadores de cursos jurídicos (MEC/INEP) Outra atividade de relevo, criada não tão remotamente (década de 90). consiste na avaliação das condições de ensino jurídico, dentro das políticas ministeriais acerca do ensino superior do direito no país. Ora, a finalidade da atividade, não consistindo puramente em procedimento fiscalizatQfii > e/ou punitivo, deve nortear o avaliador para a propulsão da qualidade do ensino no país, sendo que sua atuação e seu parecer devem contribuir para isso. Em recente deliberação acerca dos compromissos éticos dos avaliado­ res de cursos de direito, o INEP (Ministério da Educação — Instituto Na­ cional de Estudos e Pesquisas Educacionais — Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior — Princípios éticos e orientações de con­ duta) deliberou: “Com o objetivo de atender aos princípios preconizados e buscar har­ monia nos procedimentos e conduta compatível na verificação in loco, cada avaliador deverá: 1) Cumprir rigorosamente o cronograma de verificação in loco, não aceitando redução dos dias programados; 2) Estar atento para que as reuniões, conversas informais, visitas e leitura de documentos não sejam superdimensionadas em detrimento de outras atividades previstas no cronograma da avaliação; 3) Evitar ênfase em algum aspecto de interesse específico ou da espe­ cialidade do avaliador; 4) Evitar que conversas particulares com o corpo docente, discente e técnico-administrativo comprometam o andamento da avaliação; 5) Dimensionar o tempo das atividades de modo a não prejudiciar o andamento do trabalho; 6) Evitar entrevistas ou exposição à mídia; 7) Na reunião final, com a coordenação do curso, ater-se somente a discutir aspectos relacionados à avaliação, sem entregar documentos nem manifestar opinião que antecipe o resultado final; 430

aquele que exerce função. que comprometam os princípios da avaliação. no tratamento da matéria.3. para que a IES procure diretamente o setor responsável. não somente o advogado que exerce suas atividades como profissional liberal ou empregado de socieda­ des de advogados. 9) Não ter vínculo com a IES avaliada. 17) Não aceitar solicitação de intercessão. 10) Não indicar nem se comprometer a realizar serviços de assessoria ou de consultoria para o curso e a IES visitados. 21) Não aceitar qualquer tipo de complementação de diárias por parte da IES. até a homologação oficial dos resultados da avaliação. etc. 20) Não aceitar convites da IES para passeios turísticos. 22) As informações coletadas só devem ser utilizadas para a finalida­ de de avaliação do curso”. orientando. 18) Evitar a participação em recepções e em ambientes festivos. 16) Evitar envolver-se em discussões que possam comprometer a credibilidade da avaliação. ou seja. cargo ou emprego junto à Administração Pública Direta ou 431 . cursos. 11) Estar atento para não confundir sua tarefa na IES com a eventual coincidência de ser também dirigente de IES. mas também o advogado público. 13) Não externar opiniões sobre outras IES. quando for o caso. seja administrativo ou técnico. de Conselho Profissional ou de Associação. promoção de livros. de apoio ou de informações com relação a outras áreas do MEC. 5. ou seja.8) Não aceitar oferta de transporte em aviões particulares. 19) Não realizar e nem agendar atividades de caráter pessoal. 12) Estar atento para não emitir opiniões e orientações sobre as ativi­ dades desenvolvidas ou sobre a IES como um todo. 15) Não aceitar ofertas. 14) Não solicitar serviços da IES para qualquer trabalho de caráter pessoal. estarse-á a alcançar. como palestras.. Ética do advogado Ao se deter esta parte da obra na discussão da ética do advogado. hospedagem e presentes. nos deslocamentos somente utilizar passagens aéreas do INEP.

Advocacia: função social e profissão O termo advogado é de origem latina.).. uma vez que é da união entre ad e vocare (falar por) que se originou o termo —. Com isso. p. Regras deontológicas. a presença do advogado em favor de um ausente que tivesse sido furtado (ex lege Hostilia)” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. a advocatio. e confere-se o devido valor a essa classe que muito tem contribuído para o tema45. 2000. A formação do advogado. o advocatus atuava em alguns casos. Ética do advogado. 18). “Em Roma. baixar o primeiro Código de Ética Profissional do continente. entende-se que a ética desses profissionais deve ser tratada de modo unifi­ cado. sendo. fruto da pena preclara de Francisco Morato.. admite-se que diferenças grandes existem entre esses profissionais. probidade. apenas. chamar a si. chamar em auxílio. Porém. Procuradores de Fundações Públicas. Dessa forma. quando houvesse interesse público a defender (pro populo)'.). in Machado Ferraz (org. então Presidente daquela augusta entidade” (Sérgio Ferraz. p. Formação jurídica.1. Nuanças mínimas quanto às funções exercidas por esses diversos pro­ fissionais serão fornecidas como condição para a discussão ética que virá em segundo momento. não foi o único vocábulo utilizado para nomear a atividade.Indireta (Procuradores do Estado. que significa convocar. às funções. p. e essas diferenças serão objeto de atenção especial. Data ele de 1921. “Coube ao Brasil. Procuradores da União. 5. à le­ gislação aplicável. 46. A ética nas profissões jurídicas. era exercida pelo advocatus. fontes históricas indicam 45. às garantias.3. à carreira. advocatus4 — e parece relevan­ 7 te que se atente para o fato de a função social que exerce encontrar-se ple­ namente descrita no símbolo que a representa. Ética na advocacia: estudos diver­ sos. in Nalini (coord. 30-32. 1994. 47. 432 . visa-se a unificar o tratamento do problema ético-advocatício atinente às atividades similares exercidas por todos os profissionais militantes e inscritos como advogados na Ordem dos Advogados do Brasil. ainda. Assim. quando a liberdade fosse o objeto da defesa (pro libertate) ou nas hipóteses de interesse de tutelados (pro tutela). aos direitos e deveres. Deve ser citada. No período do sistema das ações. no entanto. bem como o conjunto de deveres-base comuns: lealdade. tendo-se em vista a estável condição de advogados que mantêm. moderação e dignidade46. Procuradores do Município. palavra de surgimento tardio no vocabulário romano. ligada ao verbo advocare. José Renato Nalini. 8). in Elias Farah. ao estatuto. Cf. mais concretamente ao Instituto dos Advogados de São Paulo. sobretudo quanto ao exercício profissional.). 2000.

Isso ocorreu em 1334. há de se dizer que uma ordem organizada para a classe dos advogados possui raízes muito menos remotas.a seguinte evolução dos termos para a definição da atividade: patronus. p.) o advogado. Formação jurídica. Alguns documentos nos informam sobre a atuação dos chamados vozeiros ou arrazoadores. advocatus. 1992. deste último termo. Em atividade judicial. 20. na defesa judicial dos interesses do cliente. Em razão de sua profissão mesma. no exercício de sua função profissional.. set. os sofrimentos humanos” (Caio Mario da Silva Pereira. mas não se deve desconsi­ derar o fato de que. Em Portugal há notícias da existência da profissão desde o século XIII. socialmen­ te. 51. p. foi na França que a Ordem dos Advogados recebeu uma regula­ mentação legal. incumbe o mis­ ter de ser o atuante sujeito de postulação dos interesses individuais e/ou coletivos consagrados pelos diplomas normativos do país50. 49. É certo que todo advogado atua como um agente parcial..).. v. Ferreira. com a Ordenação de São Luiz. representa. 50. Dinamarco. 4). in Nalini (coord. Cf. age com legítima parcialidade institucional. 11. p. 19). Revista da Ordem dos Advogados do Brasil. p. VII. qual um estuário vivo. Na sua banca vão desaguar. ed. Teoria geral do processo. As Ordenações Afonsinas e as Ordenações Filipinas regulamen­ taram a advocacia. no Baixo Império. acaba por conviver com os mais agudos dramas sociais e engajando-se em demandas sociais e políticas: “O advogado está. Com isso. quando exercente de uma pretensão legítima. ao advogado. definindo-lhe a natureza e atribuições. O encontro de parcialidades institucionais opostas constitui fator de equilíbrio e instrumento da imparcialidade do juiz” (Grinover. 217). 1994. 168. habili­ tado para penetrar na problemática do desenvolvimento social. Cintra. sistematizada. 1976. cognitores. sendo que as últimas trataram dos seus aspectos disciplinares” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. com isso. orator. 433 . que o advogado é mensageiro e representan­ te jurídico da vontade dos cidadãos. “(. togatus e. pois o primeiro órgão de representação somente surgiu na Idade Média49. Não apenas por ser integran­ te da sociedade. Muito mais que isto. procuratores. A formação do advogado. mais que todos os profissionais. Quer-se dizer. funciona como intermediário de uma pretensão diante das instituições às 48. n. enfim. é também um garante da efetividade do sistema jurídico e de seus mandamentos nucleares51. A introdução. ele se sintoniza com o mais agudo senso de percepção para os dramas da vida social./dez. Comentários à Constituição brasileira. “No entanto. Advocacia e desenvolvimento social. Apesar do desprestígio na imagem atual do profissional. consagrou-o de modo a ganhar acento definitivo inclusive no vocabulário moderno48. não obstante. ano VII. Se essa é a historia do termo.

“O cunho social da profissão se manifesta. aconselha e assessora. A inserção da advocacia no contexto constitucional. a Seção III do Capítulo IV do Título IV. é conferir a máxima autoridade normativa a essa ativi­ dade jurídico-postulatória. agentes transmissores da própria dinâmica social e responsáveis pelas transfor­ mações exigidas pela realidade” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. Em verdade. dentro do tônus principiológico e democrático que procurou dar à regulamentação das instituições jurídicas. se engaja na causa à qual se vinculou. velando pelo cumprimento da legalidade e fazendo-se desta fiel servidor. em atividade extrajudicial. A formação do advo­ gado. antés de mera casualidade. de certa forma. 53. por entender-se ser essa a razão pela qual o legislador constitucional estatuiu normas magnas para a consagração da função advocatícia entre aquelas essenciais à presta­ ção jurisdicional. do justo entendimento de que a justiça material não se constrói sem uma plena identidade entre operadores do direito. ao lado da Defensoria Pú­ blica. p. e defini-la como atividade essencial à justiça. que o problema do acesso à justiça é fundamentalmente o problema do advogado. porém age sob o cone de luz da legislação. É esse o ponto que se procura grifar nesta reflexão. é medida proposital e intencional do legislador. De fato. portanto. ele busca na justiça a escora para sua atuação profis­ sional. Alçar à esfera constitucional a advocacia. omissos quanto ao papel do advogado na ministração da justiça. Formação jurídica. como pressuposto processual subjetivo rela­ tivo à parte. se a defesa técnica é imprescindível para a participação no processo. São palavras de Carlos Alberto Carmona. comungando. mesmo enquanto profissional autônomo.). Diante da indefinição dos textos constitucionais anteriores. pois quando esta divide. em palestra proferida no I C o n g re s s o de Iniciação Científica da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (6-5-1996 — 105-1996). somos os arautos das necessidades coletivas. e. pelo exercício da cidadania por profissionais responsáveis pela colocação perante um dos poderes do Estado. toca muito próximo o problema do próprio acesso à justiça5 . 3 52. confunde. dos anseios e aspirações da sociedade. 28). prejudica.quais se dirige ou perante as quais postula. 1994. o ius postulandi. in Nalini (coord. ao advo­ gado incumbe o munus público de conferir à população acesso aos seus próprios direitos. previne52. Isso se dá porque. Mas o advoga­ do não é um ardoroso defensor da letra da lei. 434 . a Constituição Federal de 1988 consagrou-lhe. o advogado presta serviços particulares. ainda.

133. da lega- 54. pretende-se que entre os operadores do direito54. ressalvar que “(. Ao contrário. da forma como se inscre­ ve no plano constitucional. maior é o interesse em que o julgamento se desenvolva sob os cânones da imparcialidade. a função do advo­ gado é definida como “indispensável à administração da justiça” pelo Es­ tatuto da Ordem dos Advogados quando preleciona: “No seu ministério privado.Nesse entendimento. Por se tratar de partes interes­ sadas nos resultados sociais e jurídicos do processo. RT. art.. da mesma forma como a competência e o exercício da jurisdição têm seus princípios inscritos no texto constitucional. deve ser colocado em pé de igualdade com os demais órgãos a serviço da Justiça: o Juiz e o Ministério Público” (Sanches. devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíproco” (EOAB. não obstante posicionarem-se em suas atuações como exercentes de funções processuais juridicamente opostas ou disjuntivas. 648/249). senão aquele exercido diutumamente pelas partes postulan­ tes no exercício de suas funções processuais. A orientação sugere que. 2a. § l s). Na mesma linha do art.906/94. a atividade do advogado se constitui num bastião para o aperfeiçoamento da própria cidadania nacional. o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil dedica ao tema disposição específica assegurando que: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados. mais eficaz que qualquer outro. em tempos em que o controle externo está em pauta. haja igualdade.) o nobilitante mister não pode ser minimizado. 435 . magistrados e membros do Ministério Público. bem como o interes­ se específico das partes envolvidas num determinado envolvimento ou de­ bate jurídico. portanto.. Percebe-se que a gradação entre as diversas carreiras jurídicas inexiste. o advogado presta serviço público e exer­ ce função social” (Lei n. 8. Assim. mas complementares e essenciais. sublinhe-se. Mais ainda. diante dessa orientação proveniente da Carta Magna. 6a). De fato. O advogado e o Poder Judiciário. Assim. art. há que se dizer que não existe maior controle e. acima dos interesses pessoais. Mister. existe o inte­ resse geral da sociedade em tomo da causa da justiça. de alçada constitucional é o tratamento do advogado e de suma importância para a justiça. sendo proibida toda espécie de prevenção que venha a conferir-lhes poderes exorbitantes ou que firam a paridade do relacionamento entre esses mesmos profissionais.

Ainda aqui se pode nobilitar a função advocatícia na proteção dos interesses de seus clientes.. 56. A função do advogado na administração da justiça..lidade e da regularidade formal. daquele que se dispõe no sentido de plefiear o que de direito não só por si.) se o advogado atua no processo no interesse da parte (. no entanto. A formação do advogado. RT. Dito isso. condescendente e complacente” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. Aí a importância. não se deve dizer que “(. Aliás.).) nem por isso pode ele ser confundido com a figura do mandatário de direito privado. Porém. há que se ressaltar que é da própria dialética jurídica que exsurge o provimento judicial. Mercê. 7 55. autos de qualquer processo. É do tempera­ mento de vontades e interesses contrapostos que surge a possibilidade de que se adotem respostas jurisdicionais mais balanceadas na dosimetria dos direitos de cada qual. o advogado apenas um mandatário56. 38 do Código de Processo Civil5 . pode vir com a inicial. sabemos que a verdade não é única. Os poderes do advogado dotado de procuração são os seguintes: “I — examinar. Como lidamos com o homem. 1994. do ad vocatus. mas também e sobretudo em face de outra pretensão por vezes igualmente legítima e justa55. jamais adotamos diante de um conflito de interesses uma postura de de­ tentores da verdade. Seu papel é misto entre uma atividade pública de postulação e uma atividade privada de representação. necessariamente sua função é aquela descrita como a do mandatário. que tem sua responsabilidade delimitada pelo instrumento que lhe autoriza a falar ou a exercer algo em nome de alguém.)”. Formação jurídica. ou seja. a essa categoria profissional cumpre prover necessidades de uma justiça material na produção resultante do exercício do poder jurisdicional. posteriormente modificada pela instrução. em cartório de justiça e secretaria de tribunal. provisoriamente posta na sentença e fixada quando do seu trânsito em julgado. 21). Ainda que se argumente pela excessiva parcialidade que move muitos dos litigantes envolvidos no debate processual. regulada pelo Código Civil. mas aparece antes como autêntico representante necessário.. 57. “(. segundo prescreve o art.. bem como na admi­ nistração da justiça em sua totalidade. que age em nome da parte. com suas misérias e grandezas. 694/46). deve-se reter que a atuação do advogado pode ser judicial e extrajudicial. conhecedores da frágil condição humana. Para atuação no foro requer-se devida habilitação processual do advogado por meio de procuração ad judicia. conceitualmente. no âmbito judicial. Apesar do que se disse.. Se assim é. p.. salvo o disposto 436 . pois. do próprio exercício profissional nossa visão do ser humano e da vida é flexível. in Nalini (coord. “Uma característica marcante do nosso mister é a completa ausência de maniqueísmo. daquele que “fala por”. não há que se admitir ser. após com a contestação. mas no interesse público da realização da justiça” (Comparato.

O entendimento predominante é o de que as ofensas irrogadas à parte e pela par­ te. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. sempre limitadas58. pelos excessos que cometer” (EOAB. ao ponto em que se afeta a própria dignidade da justiça. deve-se perceber que a defesa do exercício e da autonomia desta profissão é a defesa da própria possibilidade da democracia e do Es­ tado Democrático de Direito. a respeito (“sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. portanto. Nesse conceito não se inclui. provocando invasões em escritórios de advocacia. inc. no entanto. em seu art. que lhe conferem maior liberdade de atuação na defesa de legítimos interesses60. como procurador. ou seja. não constituindo injúria. ao longo do ano de 2005. o advogado possui determinadas proteções legais. Admitir ofensas à au­ toridade judiciária seria implantar o desprestígio da própria justiça” (TACRIMSP. no caso de ofensas irrogadas pelo Advogado ao Juiz. Ações da polícia. 58. em defesa dos advogados. que é a autoridade judiciária e representa a própria administração pública. É este o en­ tendimento jurisprudencial acerca da matéria: “Não existe a imunidade prevista no art. aquelas surgidas no calor dos debates judiciais. 12/89). pode-se acompanhar o que dispõe o Estatuto: “O advogado tem imunidade profissional. em sua atuação. mas a consagração de uma prerrogativa funcional. o magistrado. 59. vista dos autos de qualquer processo pelo prazo de 5 dias. não repre­ senta a criação de um privilégio pessoal. porém. 694/47). nos limites da lei”). Ressalve-se. “A imunidade judiciária estabelecida no art. II — requerer. § 2a). 142. 40 do CPC). rei. indispensável à boa e completa realização da justiça” (Comparato. não constituem crime. porque a imunidade judiciá­ ria só prevalece entre as partes litigantes. motivaram à reação da OAB que. RJD. conseguiu garantir “a inviolabilidade no art. como a imunida­ de judicial59. que o desacato é objeto de discussões. III — retirar os autos do cartório ou secretaria. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. requer-se a procuração ad negotia. RT. 437 . não alcançando a ofensa feita a Magistrado. do Código Penal. com ou sem cláusula de poderes especiais. 142. sempre que lhe competir falar neles por determinação do juiz. art. pelo prazo legal. 7a. I. no exercício de sua atividade. não se exime se o crime cometido for o de calúnia — . Ainda. 155. relati­ vamente aos crimes de injúria e difamação — e. veja-se. A função do advogado na administração da justiça. entendendo-se verdadeiramente como limitada a extensão de sua faculdade de manifestação no exercício da litigância judicial. do CP. em juízo ou fora dele.Para atuação em negócios extrajudiciais. E. I. nos casos previstos em lei” (art. 133. Na esteira do que diz a Constituição. Hélio de Freitas. 60. recobre a atuação do advogado de especial proteção.

1° da Lei n. de 18 de novembro de 1930. dotado de personalidade jurídica e forma federativa. para propor a ação direta de inconstitucionalidade in terminis: “Podem propor a ação de inconstitucionalidade: (. bem como de seus instrumentos de trabalho. 438 . com exclusividade. ed.. 62. “O instituto da Ordem dos Advogados do Brasil foi fundado em 1843. que restringiam a participação democrática no controle da constitucionalidade das leis ao representante maior do Ministério Público. de 4 de julho de 1994. da CF de 1988. tendo os seus Estatutos sido aprovados pelo Imperador Pedro II.. o Procurador-Geral da República. in Nalini (coord. por inspi­ ração de Francisco Gê Acaiaba de Montezuma. 4. a Ordem dos Advogados do Brasil6 é órgão público de garantía 1 de uma sociedade democrática. 20). Cintra.). 8. nossa corporação só foi cria-da quase um século após. No entanto. Esse artigo da Cons­ tituição veio a ampliar o restrito polo subjetivo responsável pela propositura da ADIn. conforme determinava o art. Dinamarco.de seu escritorio ou local de trabalho. 2a de seus Estatutos. 103. de 7 de agosto de 2008. Teoria geral do processo. Teve como um de seus objetivos a criação da Ordem dos Advogados. mais que órgão de representação de classe ou que instância institucional para a resolução de questões interna corporis. é hoje serviço público. Em termos de organização federativa. I2.. p. VII. pelo art. a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito. nos termos do art. telefônica e telemática. rompendo com os limites subjetivos anteriormente vigentes no contexto da Lei n. urna vez que nem tudo é lícito quando se trata de realizar a investigação e punição de delitos. prevê alteração do in­ ciso II do art. Essa vitória da advocacia toma ainda mais claros os limites de ação dapersecutio criminis. a justiça social e pugnar pela boa aplicação das leis. 223). regimentais e constitucionais denunciam essa sua tarefa social de grande dimensão63.) VII — O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil”. Diante das incumbências institucionais. Assim: “criada pelo art. 11. de 18 de novembro de 1930” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. é de competência da Ordem dos Advoga­ dos do Brasil a legitimidade.906. A formação do advogado. Formação jurídica. que.337/64. pela rápida adminis­ tração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. 19. 11. tendo por finali­ dade: a) defender a Constituição. em seu art. eletrônica. 19. de sua correspondência escrita. b) promover. Suas missões estatutárias. 17 do Decreto n. coletivos e difusos previstos pela Constituição62. 17 do Decreto n. por exercer um munus 61. 63.408. Do exposto percebe-se que o engajamento político-institucional e social é um mister não somente para o advogado. com a edição da Lei n. p.408. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil” (Grinover. os direitos humanos. possuindo um compromisso com a cidada-~ nia e com a efetivação dos direitos individuais.767. desde que relativas ao exercício da advocacia”. 1994. a defesa.

Também devem-se aqui ter presentes as disposições da 439 . 66. mediante o cumprimento de algumas condicionantes (notório saber jurídico. ed. “Art. introdução na carreira em se­ gunda instância64. Mais que examinando. limitando-se sua extensão normativa. Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. 65. Ia da Lei n. a polêmica se acendeu com o advento da Lei n. 219). se­ gundo o qual pode-se franquear. p. também é outorgado ao advo­ gado acesso direto na composição dos Tribunais Superiores da Justiça fe­ deral e da Justiça estadual.. art. candidatos à Defensoria Pública (LC n. deve o advogado ter defen­ dido a moralidade institucional e administrativa.. c) certidão negativa de sanção disciplinar. e con­ correr à indicação para o Tribunal que comporá. em diversos serviços relativos à justiça. 8. tem-se preocupação em dizer que não se trata de uma atividade que condicione o acesso à justiça66. por ora. 16-7-1996) (Dispõe sobre a indicação. Min. 80/94. art. 64. é conferida efetiva e direta partici­ pação aos advogados. art. 94 da CF de 1988). Provimento CFOAB 80. no que tange aos juizados especiais. se assim exigir a Diretoria que analisar o pedido. Dinamarco. p.) o STF suspendeu liminarmente a eficácia do caput do art. 24). que. 94 da Constituição. em seu art. Procurou-se minimizar a rigidez do preceito. 35/79. assim como comprovar a inexistência de infração ética65. Seç. Brossard. 5a do Regulamento Geral) e bem assim de: a) ‘curriculum vitae’. Lei Complementar n. infine. 133). 11. examinando: candidatos à Magistratura (CF de 1988. Por juizados especiais se deve entender Justiça do Trabalho. de modo que fica mantida.906/94. mediante cópias.127-8-DF-Medida Liminar. 129. candidatos ao Ministério Público (CF de 1988. 8.906/94.publico. 1. 93. integrando-lhes no ecletismo da formação e da experiência jurídica dos mem­ bros de outras categorias (art. Ia. De fato. art. Justiça de Paz e Juizados de Pequenas Causas (ADIn. § 3a). lecionava como privativas da advo­ cacia: “I — a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais”. art. inclusive de prevenção ao nepotismo. Ia. em Lista Sêxtupla. 3-4-1996. Nesse sentido. 5a — O pedido de inscrição será instruído com a comprovação de mais de dez anos de efetiva atividade profissional de advocacia (art. 1. de 10-3-1996 (DJU. art. DJU. Assim. a possibilidade de postu­ lação direta do pequeno litigante” (Grinover. Aliás.. de Advogados que devam integrar os Tribunais Judi­ ciários). ilibada reputação. do Estatuto. exercício efetivo comprovado da profissão durante dez anos). 78). Apesar de se tratar de uma atividade “indispensável à administração da justiça” (CF de 1988. expedida pelo Conselho Seccional da inscrição principal”. art. b) termo de compromisso de defesa da moralidade administrativa. “(. mas também para o órgão de representação da categoria. ret. Visa-se sobretudo mesclar as experiências da advocacia. do Ministério Público e da judicatura. rei. cujos dados deverão ser comprovados. I. Cintra. 27596). 14-10-1994. Teoria geral do processo. através do chamado quinto constitucional. para integrar lista sêxtupla de advogados.

Em essência. apenas ganhou foros de Constituição Federal” (Ferreira Filho. acrescentando. O Poder Executivo. p. dispôs a respeito da matéria. É nesse ponto que cabe seja ressallada a atuação de órgãos públicos que. Advocacia-Geral da União e Procuradoria do Estado: função cons­ titucional e exercício público Se a advocacia é imprescindível para o exercício da jurisdição e para a ministração e efetivação da justiça. 104/109). e essa mesma função é exercida pela Procuradoria-Geral do Estado.099/95. 103). contenciosa ou não. como órgão suplementar e exclusivo. dos assuntos federais. 9. 236). ao lado da Advo cacia. Trata-se. Lei n. Essas carreiras estão estruturadas como forma de manutenção de um grupo de profissionais que venha a defender os interesses do Estado-Administração em juízo ou fora dele.3. analogamente ao disposto na Constituição Federal. elencando também como essenciais o Ministério Público (arts. no âmbito. “Sistema que não difere em nada do anterior.2. no âmbito dos assuntos estaduais68. revogando os antigos Juizados de Pequenas Causas e traçando normas acerca da postulação com ou sem advogado. 1992. A Advocacia-Geral da União tem como atribuição representar judicial e extrajudicialmente a União. 440 . portanto. cada qual dessas instituições socorre interesses que constituem verdadeiro munu\ público. 91/97). a Defensoria Pública do Estado (art. no sentido do cumprimento dos ditames legais e constitucionais. Curso de direito constitucional. 67. de se investigar a importância dos órgãos de advocacia pública no âmbito da Federação e no âmbito estadual. todos previslrfc no Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 198867. para o adequado exercício de suas atividades. Mais que um aparato burocrático a serviço de afazeres administrativos ou formais. são a causa eficiente de todo o processo de concreti­ zação da justiça. por sua essencialidade no que tange à pres­ tação jurisdicional e ao equilíbrio entre os poderes do Estado. da Defensoria Pública e do Ministério Público. O Capítulo V do Título II da Constituição do Estado de São Paulo. 98/102). o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos dn Pessoa Humana (art. o mesmo há que se dizer quanto às carreiras públicas da advocacia. Então. aqui se destaca a Advocacia-Geral da União. a Advocacia (arts. requer uma assessoria jurídica permanente. 110). 68. a Procuradoria-Geral do Estado (arts. devem con­ viver harmônica e conjuntamente para a efetivação do escopo jurídico-democrático.5. nesse sentido. existente em cada unidade da Federação. ain­ da. o que vem a acentuar com maior profundidade o caráter protetivo das normas constitucionais estaduais derivadas da teleologia da Carta Federal. que disciplinou a matéria.

O Poder Executivo, federal e estadual, tem esses órgãos por longa manus de suas atividades, prevalecendo sempre o entendimento de que, por atribuição funcional, se deve seguir uma postura profissional que garanta o melhor resultado técnico favorável ao Estado. O exercente desse tipo de atividade, devidamente concursado, ou provisoriamente investido de cargo em comissão, presta “consultoria e assessoramento jurídico” (CF de 1988, art. 131), de modo a fazer prevalecer não seus entendimentos pessoais, mas a produzir o melhor resultado útil à entidade à qual se vincula69. Se ao Poder Executivo incumbe o cumprimento da lei pelo governo da sociedade, mister, portanto, a existência de instrumentos jurídicos protetivos para a cobertura das estruturas de atuação desse Poder, o que se faz, no âmbito federal, por meio da Advocacia-Geral da União, instituição que tem por diploma essencial de sua estrutura a Lei Complementar n. 73/93, a par o Decreto n. 767/93 e a Lei n. 9.028/95, e, no âmbito estadual, por meio da Procuradoria do Estado. Em meio às atribuições fundamentais, como a de representação do Executivo70, encontra-se a de assistência judiciária aos necessitados. Deve-se verificar que o diploma estadual da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo prevê como uma de suas principais atividades a assistência judi­ ciária, como se lê a seguir: “I. prestar assistência judiciária aos legalmente necessitados nas áreas civil e trabalhista; II. exercer as funções curador especial, salvo quando a lei a atribuir especificamente a outrem; III. promover as medidas judiciais

69. Mas essa vinculação não dispensa senso crítico e conhecimentos amplos: “Valores como o da Justiça, da liberdade, da igualdade e da lealdade, devem ser a utopia de vida do Procurador do Estado. A visão crítica do direito como fonte de vida é indispensável, assim como saber conjugar com desenvoltura suas fontes. Há de ter, para isso, a perspectiva his­ tórica do Direito e das leis que regem o nosso dia-a-dia” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 158). 70. “Essencial à Administração Pública Estadual, a advocacia pública exercida pela Procuradoria-Geral do Estado tem como funções institucionais, além do procuratório judicial e extrajudicial do Estado, a consultoria e assessoria jurídica do Poder Executivo e da Admi­ nistração, a orientação e defesa dos necessitados, em todos os graus, a representação peran­ te o Tribunal de Contas, a consultoria e a fiscalização da Junta Comercia], o assessoramen­ to técnico-legislativo ao Governador, a inscrição, controle e cobrança da dívida ativa esta­ dual, a propositura de ação civil pública, a assistência jurídica aos municípios, procedimen­ tos disciplinares; entre outras próprias da advocacia do Estado e da defesa dos necessitados, a ela vinculando os órgãos jurídicos das autarquias” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 156).

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necessárias para a defesa do consumidor; IV. atuar junto ao Juizado de Pequenas Causas; V. prestar assistência a pessoas necessitadas, vítimas de crime, objetivando a reparação de danos e a solução de problemas jurídicos surgidos ou agravados com o delito; VI. prestar orientação aos legalmente necessitados no âmbito extrajudicial” (LC n. 478/86, art. 28). 5.3.3. Defensoria Pública: função constitucional A Defensoria Pública é instituição essencial à justiça, à atividade de prestação jurisdicional, incumbindo-lhe as tarefas judicial e extrajudicial de assessoria jurídica. Por isso, as mais recentes conquistas do país envolvem nova legislação, ampliação dos concursos públicos e do campo de aleãncc de suas ações. Seja atuando preventivamente na conciliação das parles contendentes, oferecendo informações, distribuindo orientação jurídica, seja atuando contenciosamente, litigando em nome dos interessados, seja repre­ sentando interesses sem titulares determinados, a Defensoria Pública im­ plementa o rol de medidas públicas destinadas à construção do Estado Democrático de Direito. Na topografia do texto constitucional, a disciplina do órgão fundamental vem dada pela Seção III do Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 1988 que, em seu art. 134, reza: “A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 52, LXXIV”. Prevista pela Constituição com esse rigor conceituai e com toda ;i importância por se tratar de uma função essencial à justiça, encontra-se a implementação da Defensoria na dependência de regulamentação específi­ ca. Isso porque o art. 24 da Constituição Federal de 1988 prevê que “Com­ pete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorren temen Io sobre: (...) XIII — assistência jurídica e defensoria pública”. A materia relativa à assistência jurídica e defensoria pública ficou para ser implementada em momento posterior à promulgação do texto constitu­ cional, de modo que, por fim, a Lei Complementar n. 80/94 acabou por disciplinar, no plano federal, a Defensoria Pública da União, dos Territorio1 ' e do Distrito Federal. Essa lei de fato traçou normas gerais para a estrutu­ ração, ou para a reestruturação — esclareça-se que alguns Estados da União já haviam implantado a Defensoria mesmo antes do advento da Lei Com­ plementar, ocorrendo que deverão retraçar seus parâmetros de atuação (I.C n. 80/94, art. 142) nos moldes do supracitado texto normativo —, das De442

fensorias Estaduais71. É esse o texto que rege a constituição genérica das Defensorias do país atualmente. Cumpre, no entanto, no plano estadual, que as Defensorias se adaptem a peculiaridades regionais. A Defensoria ocupa-se da assistência jurídica, que pode ser prestada de diversas maneiras, correspondendo não só àquilo que se entende por direito de demandar em juízo (assistência judiciária), mas também pelo direito de encontrar orientação extrajudicial e encaminhamento jurídico-informativo correto (assistência não judiciária). Assim é que a tarefa de assistência jurídica — expressão que encontra um sentido lato — se disten­ de em dois outros princípios, o da assistência judiciária e o da assistência não judiciária72. Aqui, portanto, o primeiro papel de assistência jurídica, exercido pela instituição da Defensoria em sua atividade própria de defesa dos interesses dos necessitados, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas73. Mas não acaba aí o conjunto de atribuições constitucionais e legais da Defensoria, pois esta ainda encontra função social ao exercer atividade im­ própria74. E isso porque os hipossuficientes são protegidos, além de outros75.

71. Essas normas gerais são decorrência do art. 97 da Lei Complementar n. 80/94. 72. Como decorrência da ampla defesa, e a partir da norma de ordem pública cons­ tante do art. 261 do CPP, que consagra a defesa indisponível em matéria criminal e preceitua que “nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem de­ fensor”, decorre a necessidade de defesa no processo penal. Mister, portanto, a defesa, aqui entendida como defesa técnica, o ius postulandi deve ser exercido pelo órgão da Defensoria competente para atuar no caso concreto em previsão. 73. E fato que, não obstante ser o direito de defesa garantia constitucional, pode ser este direito “(...) frustrado por falta de recursos necessários ao seu exercício” (Ferreira Filho, Curso de direito constitucional, 1992, p. 237). 74. A distinção é feita por Moraes, Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 24, quando reflete sobre o tema, propondo a conceituação nos seguintes termos: “Podemos distinguir as funções da Institui­ ção em típicas e atípicas. Típicas seriam aquelas funções exercidas pela Defensoria Pública na defesa de direitos e interesses de hipossuficientes. E atípicas seriam aquelas outras exer­ cidas pela Defensoria Pública, independentemente da situação econômica daquele ou da­ queles beneficiados da Instituição”. 75. (...) não está condicionada, necessariamente, à miserabilidade do acusado, uma vez que a garantia constitucional da ampla defesa, no processo-crime, assegura a sua inter­ venção, ainda que o acusado tenha boa condição financeira, bastando, para tal, que seja revel ou, simplesmente, não se interesse em indicar advogado, seja no início da ação ou no decor­ rer da mesma em razão da renúncia do advogado inicialmente constituído” (Moraes, Prin­ cípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 27).

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à proteção do meio ambiente etc. O que se vê é que o campo de atuação institucional da Defensoria é amplo. Irrelevante para esses fins que tenha o pleiteante da assistência propriedade imóvel. participando como órgão ativo na dirimição de conflitos e na prepa­ ração jurídica da comunidade para a qual destina os resultados de sua ope­ rosidade social. art. o que se costuma chamar também de hipossuficiência dos necessitados. 141 do ECA (Lei n. até a participação na composição dos conflitos de interes­ ses por meio de conciliação extrajudicial. pois considera-se necessitado “(. 7. 1.060/50. 78. instru­ ção e orientação. por haver expres­ sa atribuição de competência ao MP para a propositura da ação civil pública.. também. Cons. desde a prestação de serviços de informação. sem prejuízo do susten­ to próprio ou da família” (Lei n. isso por força do art. art. o que foi objeto de ação direta de constitucionalidade ao STF.510/8676. tendo sido a questão dirimida a partir da consideração do relator Min. de acordo com o qual poderes de representação lhe são conferidos para a propositura da ação civil pública. 80/94. surgiu desen­ tendimento entre este e a Defensoria. art.-SP. 77.) prestará assis­ tência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos” (CF de 1988. p. anotada. as Pro8. Mais ainda. de 12-1-1994... 8. que à instituição da Defensoria reconheceu a legitimidade para atuar na defesa dos interesses difusos e coletivos (RTJ. 1.7 No aguardo da implementação das atividades da Defensoria. 101/276). nas esferas cível. assim. “No Estado de São Paulo aguarda-se lei complementar implantando a Defensoria Pública como instituição autônoma (v. 146/435). motorias e Procuradorias7 exercem essas atividades8 9 0. “(.. enquanto atribuições institucionais. Essa in­ suficiência de recursos. com redação dada pela Lei n. o que se encontra disciplinado no bojo da Lei n. que. 1995. incumbe-lhe a tutela dos interesses coletivos e difusos. 4a. Narra Silvio Roberto Mello de Moraes (Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80. tem um sentido próprio e legal.069/90). 2fi. 76.060/50. ou mesmo pela participação no contraditório administrativo ou judicial. 5a.) todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado. 26) que. da Lei Complementar n.A atividade típica da Defensoria é decorrência do dever jurídico assu­ mido pelo Estado. de acordo com a Constituição. Sepúlveda Pertence. pois a renda advinda desta pode ser insuficiente para o custeio do processo (RJTJESP. 79. sobre acesso à justiça. LXXIV). parágrafo único)77. Nesse sentido. vide art. uma vez que as funções de as­ 444 . em defesa dos inte­ resses relativos aos direitos do consumidor. 103). V e XI. criminal.

p. aos membros da carreira são dadas as mesmas prerroga­ tivas e garantias ofertadas aos membros das demais carreiras públicas. III — a irredutibilidade de vencimentos. dada a dimensão social e demo­ crática com a qual se inscreve a matéria nos planos constitucional e infraconstitucional. a conduta do advogado no exercício da profissão. Cintra. 218). Processo penal. Porém. “Preceitos codificados que regem. oralmente ou por memorial. Deontologia ética e advocacia: os princípios A classe dos advogados. IV — acompanhar e comparecer aos atos processuais e impulsionar os processos. 18). III — tentar a conciliação das partes. VI — sustentar. 339). Teoria geral do processo. a saber: “I — a independência funcional no desempenho de suas atribuições. VII — defender os acusados em processo disciplinar” (LC n. p. na falta destas. apesar de assolada por tradicional e famigerado conceito social. Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Eis aí uma função essencial à justiça. V — interpor recurso para qualquer grau de jurisdição e promover revisão criminal. art. 445 . “Enquanto não são organizadas no âmbito estadual as Defensorias Públi­ cas. da dignida­ de da magistratura e do aprimoramento da ordem jurídica” (Sidou. Verbete: Ética do advogado. o munus cabe às Procuradorias de Assistência Judiciária ou órgãos similares e. 43). antes de promover a ação cabível.4. Dicionário Jurídico. O próprio Código de Ética prevê que: sistência judiciária pelo Estado vêm sendo exercidas pela Procuradoria-Geral do Estado (PAJ)” (Grinover. deve repre­ sentar a classe que faculta a instrumentalização da justiça. 81. em caráter moral. Dinamarco. 80/94. aos membros da Defensoria se preveem as seguintes atribuições: “I — atender às partes e aos interessados. 1995. Para que isso ocorra é mister que se insculpa na consciência popular e dos próprios inte­ grantes da classe as normas éticas que estão a cercar este munus publico*1 .3. Por outro lado.Por um lado. 5. os recursos interpostos e as razões apresentadas por intermédio da Defensoria Pública da União. p. a qualquer advogado nomeado pelo juiz no caso concreto” (Mirabete. II — a inamovibilidade. Adv. IV — a estabilidade” (LC n. art. 1997. 80/94. exatamente pela importância de sua atividade. quando cabível. II — postular a concessão de gratuidade de justiça para os necessitados. 80. em prestígio da classe. 335).

deve ser definitivamente afastado. do Regula­ mento Geral. p. Francisco Morato. 30). 2000. extremamente individualista. De fato. sobretudo na atualidade. “Após termos elaborado o primeiro esboço do anteprojeto do novo Código de Ética e Disciplina da OAB. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. é dessa forma que dispõe o Estatuto8 sobre o compromisso ético do advogado: 3 Lei n. Parágrafo único.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. social e profissional”. nos dias atuais. deve ser a postura. 1994. outra. mais do que nunca. 33. “Art. assumir a dimensão social da profissão. pois outros são os tempos.). ainda. Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. como também as do Código de Ética. outras são as necessidades. o cliente. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Ie O exercício da advocacia exige con­ duta compatível com os preceitos deste Código. p^ra com o cliente e para com a sociedade. voltada para o contexto social em que se encontram inseridos” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. mas se aperfeiçoam” (Robison Baroni. O Prof. 8. Carvalhosa entende que a regra ética tem como fontes os princípios de conduta que se sedimentam ao longo do tempo e não desaparecem dentro de uma mesma cultura. relatado pelo Prof.906. o outro profissional e. p. do Estatuto. A formação do advogado. 83. por sua vez. pois. concebido na década de 30 pelo Prof. in Machado Ferraz (coord. dos Provimentos e com os demais princípios da moral indivi­ dual. um compromisso para com a classe. pois o raciocínio do advogado deve se medir pelas necessidades sociais e pelas condições do exercício da cidadania no país82. mas cumu­ lativas. O Advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina. 31 a 33). de 4-7-1994 (DOU. I2 a 7fi). Esse é o primeiro compro­ misso ético do profissional que se dedica à advocacia. devem. O nosso Código de ética e disciplina.). que é. “Os advogados. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da advocacia (arts. outro é o país. in Nalini (coord. 194). a publicidade. a um só tempo. a recusa do patro- 82. e que deveriam prevalecer tanto aquelas constantes do novo documento. O seu ranço elitista. Formação jurídica. Ética na advocacia: estudos diversos. para com os demais profissionais. discutimos como rela­ tor adjunto e ao mesmo tempo secretário da comissão revisora a mudança de valores éticos que deveriam ou poderiam ser cobrados dos profissionais da advocacia quase no limiar de um novo século. I2 a 43). “art. Ia a 48). 446 . Modesto Carvalhosa. Não há lugar para individualismos. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a comunida­ de. Concluímos que as regras de conduta ética não são sucessivas.

906. a ponto de comprometer-se a ética profissional. Capítulo IV — Da Sociedade de Advogados (arts. há que se verificar que a ética profissional do advogado. todavia. crença pessoal. § IaA sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. durante o prazo estabelecido em lei. Ia a 43). 8a a 24). com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional.cínio. Nesse sentido. “Art. de 4-7-1994 (DOU. se já em andamento. o dever de assistência jurídica. portamento por parte do advogado perante o cliente. “Art. deverá preponderar a segunda. se a ética pessoal do advogado e a ética profissional do advogado conflitarem. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. no que couber. se a consciência do advogado conflitar de modo insustentável com os interesses envolvidos na causa (consciência religiosa.). Assim. § 32 As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte. não exclui. 15 a 17). então o advogado deverá não aceitar o patrocínio da causa ou renunciar a ele. na forma disciplinada nesta Lei e no Regu­ lamento Geral. § 2a Aplica-se à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina.. ou da sociedade de advogados8 é um modo também de garantia de com­ 4. Lei n. Trata-se do segundo compromisso do profissional que se dedica à advocacia. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. 15. § 4a Nenhum advogado pode integrar mais de uma socie­ dade de advogados. desconfiança. o dever geral de urbanidade e os res­ pectivos procedimentos disciplinares”. 13. moralidade. Isso para que não haja maiores prejuízos ao representado. Porém.. a responsabilidade pelos danos causados dolosa ou culposamente aos clientes ou a terceiros”. 84. Os advogados podem reunir-se em socie­ dade civil de prestação de serviço de advocacia. ficando os sócios obrigados a ins­ crição suplementar. 447 . temor. § 6a Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos”. 8. o dever de fideli­ dade aos interesses que patrocina. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. § 52 O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado junto ao Conselho Seccional onde se instalar. pois específica da profissão e atinente aos interesses de outras pessoas utentes dos serviços advocatícios. Mas há que se observar que: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. A renúncia ao patrocínio implica omissão do motivo e a continuidade da responsabilidade profissional do advogado ou escritório de advocacia. l e a 48).

448 . deve o profissional declinar do mandato recebido na forma exarada no Código de Processo Civil e como preceituado no Código de Ética e Disciplina” (V. U. necessariamente. pois nisso há grande força o princípio da confiança. do dever de lealdade. Robfson Baroni — 27. Sobre essa questão já se manifestou o Tribunal de Ética e Disciplina: E-1. do dever dc diligência. II) Prova Prático-Profissional.). preparando o estu­ dante por meio de matéria específica constante da grade curricular. pois há previsão normativa da qual consta essa exigência. dando continuidade ao patrocínio da causa. p. O vínculo que os une deve ser mais forte que qualquer imperativo ex­ terno ou interno. de caráter eliminatório. 23-4-1996) (Estabelece Normas e Diretrizes do Exame de Ordem). Consulte-se a respeito: Baroni (org. com quatro (4) opções cada. do dever de sigilo (Guido Pinheiro Cortes. 5a O Exame de Ordem abrange duas (2) provas: I) Prova Objetiva. o órgão de classe fica obrigado a examinar o estudante e candida­ to a advogado em seus conhecimentos acerca de ética. a importância: do dever de informai" do dever de prestar contas. como se vê a seguir: Provimento CFOAB 81.O que não se pode admitir é que. 2000.255 — “Ementa — Mandato — Dever ético de renúncia — No caso de desentendimento entre o cliente e seu advogado. Dr.1995) 86. 1997. Mais que isso. Paulo Afonso Lucas — Rev. in M a c h a d o Ferraz (coord. v. 35-63). elaborada e aplicada sem consulta. privativa de advogado (petição ou parecer). em uma das áreas de opção do examinado. venha o profissional a prejudicar seu clien­ te85.7. dos cursos jurídicos já leva em consideração esse fator. de 16-4-1996 (DJU. Relações com o cliente. “Art. Deve-se salientar. descrente de sua atuação. Daniel Schwenck — Presidente Dr. — Rei. Dr. exigindo-se a nota mínima cinco (5) para submeter-se à prova subsequente. dentre as indi­ cadas pela Comissão de Estágio e de Exame de Ordem no edital de convo­ 85. Ética na advocacia: estudos diversos. composta. Julgados do Tribunal de Ética P r o fis s io n a l: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. do cumprimento do mandato. Toda a estrutura. com clara quebra da indispensável relação mútua de confiança.). IV. quando da sua inscrição. na relação com o cliente. inclusne. de duas (2) partes distintas: a) redação de peça profissional. contendo no mínimo cinquenta (50) e no máximo cem (100) questões de múltipla escolha. Por isso se considera essencial a formação da consciência do de\er ético do profissional que se vincula à advocacia. ex­ pressada pela manifestação da vontade de ambos (pacta sunt servanda). 86. acessível apenas aos aprovados na Prova Objetiva.

§ 32 Na Prova Prático-Profissional os examinadores avaliam o raciocínio jurídico. per­ mitidas consultas à legislação. tem a duração determinada pela respectiva banca examinadora no Edital. Até mesmo o estagiário de direito deve estar consciente de seus deveres enquanto exercente em treinamento da atividade advocatícia. § 5S É nula a prova que contenha qualquer forma de identificação do examinando”. Lei n. como também questões sobre o Estatuto da OAB. § 2a A inscrição do estagiário é feita no Conselho Sec­ cional em cujo território se localize seu curso jurídico. Direito Penal. Direito do Trabalho. vedada a utilização de obras que contenham formulários e modelos. o Regulamento Geral e o Código de Ética e Disciplina. para fins de aprendizagem. II — ter sido admitido em estágio profissional de advocacia. pelos Conselhos da OAB. 8a a 14). § 2a A Prova Prático-Profissional. órgãos jurídicos e escritório de advocacia credenciados pela OAB. pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior. Direito Comercial. Ia a 43). 8a. como prevê a legislação a respeito87. sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina. “Art. Assim cobrado. com duração de dois anos. de 4-7-1994 {DOU. dentro da área de opção. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. § l s A Prova Objetiva compreende as disciplinas profissionalizantes obrigatórias e integrantes do currículo míni­ mo de Direito fixadas pelo MEC. a correção gramatical e a técnica profissional demonstrada. III. pela classe e pela sociedade. ou por setores. § Ia O estágio profissional de advocacia. realizado nos últimos anos do curso jurídico. § 4S Cabe à banca examinadora atribuir notas na escala de zero (0) a 10 (dez). vedada a inscrição na 449 . Capítulo III — Da Inscrição (arts.906. sob a forma de situações-problemas. 9a Para inscrição como estagiário é necessário: I — preencher os requisitos mencionados nos incisos I. pela legislação. V. considerando-se aprovado o examinando que obtiver nota igual ou superior a seis (6). a capacidade de interpretação e exposição. em números inteiros. nas provas objetiva e prático-profissional. a fundamentação e sua consistência. VI e VII do art. e isso inclusive por força do princípio geral de direito que reza ignorantia legis neminem escusat. 8.cação retiradas do seguinte elenco: Direito Civil. livros de doutrina e repertórios jurisprudenciais. 87. b) respostas a até cinco (5) questões práticas. elaborada dentre os itens constantes do progra­ ma elaborado pela Comissão de Exame de Ordem do Conselho Federal. § 3a O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com a advocacia pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior. o profis­ sional não poderá alegar em seu favor o desconhecimento de seus deveres éticos. Direito Tributário ou Direito Administra­ tivo.

Esses deveres são atinentes ao seu desempenho como técnico do direito. II— manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta Lei. III — valer-se de agenciador de causas. judicial ou extrajudicialmente. por culpa grave. VIII — estabelecer entendimento com a parte adversa sem autorização do cliente ou ciência do advogado contrário. inclusi­ ve sob pena de o profissional se sujeitar a sanções de cunho administrativo. desnecessária e habitualmente.906.Se existem deveres profissionais. 8. OAB. por qualquer meio. sem justa causa. quando impedido de fazê-lo. conscientemente. proibidos ou impedidos. sigilo profissional. documentos e alegações da parte contrária. mediante participação nos honorários a re­ ceber. § 4a O estágio profissional poderá ser cumprido por bacharel em Direito que queir. para confundir o adver­ sário ou iludir o juiz da causa. com ou sem a intervenção de terceiros. XIV — deturpar o teor de dispositivo de lei. Constitui infração disciplinar: I — exercer a profissão. 450 . 34. o seu exercício aos não inscritos. Lei n. sem autorização escrita deste. VI — advogar contra literal disposição de lei. como agente social e como defensor da moralidade da atividade que exerce.i se inscrever na Ordem”. por ato próprio. X — acarretar. interesse confiado ao seu patrocínio. presumindo-se a boa-fé quando funda­ mentado na inconstitucionalidade. quando nomeadi > em virtude de impossibilidade da Defensoria Pública. XIII — fazer publicar na imprensa. bem como de depoimentos. “Art. V — assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não tenha feito. assistência jurídica. IX — prejudicar. a anulação ou a nulidade do proces­ so em que funcione. imputação a terceiro de fato definido como crime. IV — angariar ou captar causas. de 4-7-1994 (DOU. 88. em nome do constituinte. na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior: VII — violar. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB). ou em que não tenha colaborado. distintos que são dos deveres pre­ vistos no Estatuto e que constituem infração disciplinar88. XI — abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comu­ nicação da renúncia. alegações forenses ou relativas a causas pendentes. uma vez que ser advogado não é somente exercer uma profissão. sem justo motivo. estes têm de ser cumpridos. XV — fazer. ou facilitar. mas re­ presentar a classe onde quer que esteja. XII — recusar-se a prestar. Mas leiam-se os deveres éticos que seguem. de citação doutrinária ou de julgado.

por qualquer forma. II — atuar com destemor. lealdade. a honra. XXI — recusar-se. Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. o estagiário. c) embriaguez ou toxicomania habituais”. decoro. XXIV — incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional. XXII — reter. por si ou interposta pessoa. honestidade. XXV — manter conduta incompatível com a advocacia. Ia a 7a). XX — locupletar-se. b) incontinência pública e escandalosa. subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce. à custa do cliente ou da parte adversa. Parágrafo único. independência. ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança. XIX — receber valores. XVII — prestar concurso a clientes ou a terceiros para realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la. 451 . não autorizado por lei.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. III — velar por sua reputação pessoal e profissional'. relacionados com o objeto do mandato. I2 a 48). dignidade e boa-fé. a nobreza e a dignidade da profissão. abusivamente. “Art. XVI — deixar de cumprir. indispensável à adminis­ tração da Justiça. XXIII deixar de pagar as contribuições. Inclui-se na conduta incompatível: a) prática reiterada de jogo de azar. da moralidade pública. depois de regularmente notificado a fazê-lo. a prestar contas ao cliente de quantias recebi­ das dele ou de terceiros por conta dele. zelando pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade. é defensor do estado democrático de direito. XXVI — fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB. determinação emanada do órgão ou autoridade da Ordem. multas e preços de serviços devidos à OAB. da cidadania. ato excedente de sua habilitação. XXVIII — praticar crime infamante. injustificadamente. XXVII — tomar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia. em matéria da competência desta. depois de regularmente notificado. Parágrafo único. da parte contrária ou de terceiro. XXIX — praticar. no prazo estabelecido. 2a O advogado. em sua conduta. da Justiça e da paz social. XVIII — solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou desonesta. sem expressa autorização do constituinte. la-3-1995): Título I — Da Ética do advogado (arts. São deveres do advogado: I — preservar. vera­ cidade.

b) patrocinar interesses ligados a outras atividades estranhas à advo­ cacia. VIII — abster-se de: a) utilizar de influência indevida. ao cliente. acima de tudo. V — contribuir para o aprimoramento das instituições. indispensável para a construção de um Estado Democrático de Direito. 11-36). Ética na advocacia: es­ tudos diversos. sempre que possível. a ho­ nestidade e a dignidade da pessoa humana. entre regras deontológicas explícitas e implícitas. a moral. pela manutenção da ordem jurí­ dica. js» c) vincular o seu nome a empreendimentos de cunho manifestamente duvidoso. conferir prestígio à carreira. Regras deontológicas. em que também atue. a instauração de litígios. Seus deveres são atinentes à classe. VII — aconselhar o cliente a não ingressar em aventura judicial. do Direito e das leis. e é exatamente por isso que sua prática não deve acobertar ilícitos. à so­ ciedade.. d) emprestar concurso aos que atentem contra a ética. 452 . p. in Machado Ferraz (coord. 89. 2000. prestar assistência jurídica aos necessitados. está enredado numa malha de relações que o faz um agente social. tratar com urbanidade os demais operadores do direito e partes envolvidas em processos ou pendências jurídicas (cf. no âmbito da comu­ nidade”. aos demais profissionais. coletivos e difusos. em seu aperfeiçoamento pes­ soal e profissional. e isso porque se entende que a ética do advogado deve alcançar todos os quadrantes pelos quais se manifesta a atividade89. ter responsabilidade na condu­ ção de seu mister. Então: 1) deve zelar pela imagem da classe.).. agir com independência. em seu benefício ou do cliente. permanentemente. VI — estimular a conciliação entre os litigantes. devem-se citar as seguintes: respeitar e fazer ser respeitada a carreira da advo­ cacia. sem o assentimento deste. mas deve estar protegida contra as invasivas tentativas de quebra de sua autonomia. Sérgio Ferraz.IV — empenhar-se. IX — pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetiva­ ção dos seus direitos individuais. prevenindo. Com base no Estatuto e no Código de Ética. Essa listagem apresenta o grau de compromisso do advogado que. e) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído.

. extrair resultados úteis palpáveis e condizentes com as necessidades do patrocinado. Ia a 48). os momentos sociais de crise financeira. “Art. se o advogado deve possuir urbanidade. o ad­ vogado será solidariamente responsável com seu cliente. sem qualquer aspecto mercantilista. Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. é mister estar aparatado tecnicamente para solucioná-la. não se submetendo a todo e qualquer tipo de procedimento mercantilista de venda e divulgação de produto91. isso não significa que tenha de se submeter aos desmandos das autoridades públicas. a mercantilização das relações humanas. evitar patrocinar lides que saiba conscientemente tratar-se de temerárias. e sim de necessidade de saber para a atuação técnica devida nos casos em que atua. 3 1 a 33). de 4-7-1994 (DOU. Parágrafo único. 4) não obstante as dificuldades econômicas. e isso é condição para que possa. O advogado é responsável pelos atos que. na sede profissional ou na residência do advogado. I2 a 43). o que será apurado em ação própria”. o advogado deve manter a dignidade da profissão. 453 . Capítulo IV — Da Publicidade (arts. pois passa a se responsabilizar solidariamente com o cliente pelos danos provocados: Lei n. deve o advoga­ do manter-se sempre em sintonia com o crescimento e a evolução dos co­ nhecimentos jurídicos. no exercício profissional. 32. 7) mas este é um imperativo que não serve exclusivamente a fins cien­ tíficos ou de deleite intelectual. 5) a incitação à altivez do advogado tem que ver com a necessidade de o direito-dever postulatório se realizar sem obstáculos e barreiras quaisquer. ou seja.906. aos caprichos das deci­ sões arbitrárias e demais atos que importem em desvirtuamento da legisla­ ção nacional. de sua atuação. sobretudo. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. forma e dimensões. ve­ dada a utilização de ‘outdoor’ ou equivalente”. 28 a 34). 3 0 .2) pela honestidade nas relações.0 anúncio sob a forma de placas.. 6) tendo-se em vista a constante modificação das leis. 3) pela diminuição da conflituosidade social através do estímulo à conciliação das partes90. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. “Art. 91. deve observar discrição quanto ao conteúdo. 8. desde que coligado com este para lesar a parte contrária. para patrocinar uma causa. Deve o advogado. Em caso de lide temerária. 90. não se pode conceber advogado que se afaste da leitura e do acompanhamento das modificações legislativas do país. ainda que litigiosas. P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. voltadas exclusivamente para o prejuízo da parte contrária. praticar com dolo ou culpa.

com a devida prudên­ cia e discernimento. Sobrevindo conflitos de interesse entre seus constituintes.Assim.. renunciando aos demais. bem como à própria sociedade. que lhe são confiadas exclusivamente como profissional e para fins do patrocí­ nio da causa do interessado. o sigilo pro­ fissional. ainda: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. em caso de necessidade. 17. seja por parte dos integrantes de uma mesma sociedade de advogados: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU.). constitui infração que importa em grave traição à confiança do interessado e de outras pessoas que possam eventualmente se encontrar envolvidas. Ia -3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Isso porque a segurança das relações jurídicas se vê comprome­ tida pela veiculação desgovernada de informações que só se externam quando. o Código de Ética prevê os seguintes disposi­ tivos sobre a matéria: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Colocar a público. optará o advogado por um dos mandatos. É questão de interesse público. só pode encontrar justificativa para que seja quebrado se houver imi­ nente risco de vida ou à honra. “Art. Por isso. ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca. O advogado frequentemente se vê às voltas com informações de toda natureza (sobre delitos. Também se destaca o sigilo profissional como mandamento de signi­ ficação no exercício da advocacia. O sigilo profissional nem mesmo sob ordem judicial pode ser quebra­ do. resguardado o sigilo profissional”. ou mesmo manipular essas informações. Os advogados integrantes da mesma sociedade profissional. e não estando acordes os interessados. Ia a 48). sobre atos imorais. e não só privado. ou ainda se tiver de se utilizar de informação mantida em segredo para fins de defesa própria perante acusação do clien­ te. sobre escândalos. Capítulo II:— Das Relações com o Clien­ te (arts. E. 8a a 24). são reveladas ao profissional. 18. sobre acontecimentos ocultos. 8a a 24). à classe. Capítulo II — Das Relações com o 454 . Exceto essas ocasiões. Ia a 48). o sigilo profissional deve ser respeitado. não podem representar em juízo clientes com interesses opostos”. Ia a 48). l s-3-1995):TítuloI — Da Ética do Advogado (arts. ainda se destaca o dever de não patrocinar interesses opostos ao mesmo tempo. sob pena de fortes prejuízos ao profissionalismo da atividade. “Art. seja por um único advogado.. sobre corrupções. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. em meio aos grandes mandamentos que regem a profissão.

em juízo ou fora dele. em capítulo próprio: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. salvo grave ameaça ao direito à vida. Parágrafo único. em defesa própria. cabendo. 25 a 27). P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. judicial e extrajudicialmente. E. 25. poderão ser utilizadas por escrito ou oral­ mente. Acerca de depoimento judicial: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. para que se patrocinem os interesses envolvi­ dos. desde que auto­ rizado aquele pelo constituinte. E. Presumem-se confidenciais as comunicações epistolares entre advogado e cliente. 8a a 24). as quais não podem ser reveladas a terceiros”. mesmo que autorizado ou solicitado pelo constituinte”. “Art. ao postular em nome de ter­ ceiros. O sigilo profissional é inerente à profissão. l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. deve resguardar o segredo profissional e as informações reservadas ou pri­ vilegiadas que lhe tenham sido confiadas”. As confidências feitas ao advogado pelo cliente podem ser utilizadas nos limites da necessidade da defesa. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. “Art.Cliente (arts. 26. que se as informações sigilosas forem par­ cialmente necessárias para fins de execução da própria defesa do cliente. à honra. Deve-se dizer. como a intimação judicial para oferecimen­ to de informações sobre o cliente. impon­ do-se o seu respeito. desde que autorizadas por ele. 25 a 27). no entanto. porém sempre restrito ao interesse da causa”. em hipó455 . sobre o que saiba em razão de seu ofício. O advogado deve guardar sigilo. relatos e testemunhos do cliente é ampla na disciplina do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU.lhe recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar. Ia a 48). mais especificamente. “Art. mesmo em depoi­ mento judicial. “Art. O advogado. Ia a 48). 19. ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado. Ia a 48). de modo que a proteção que se confere a papéis. 25 a 27). documentos. Mas no conceito de confidência e sigilo se encontram inclusive as comunicações epistolares em posse do advogado. ou quando o advogado se veja afrontado pelo próprio cliente e. F-3-1995): Títulol — Da Ética do Advogado (arts. não está o advogado obrigado. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. contra ex-cliente ou ex-empregador. 27. diante de situações tais. tenha que revelar segredo.

). O advogado não pode ser visto como um exercente de qualquer outra profissão. marcas ou símbolos incompatíveis com a so­ briedade da advocacia. O que se lhe proíbe é faltar com a verdade” (V. Esta é a preocupação do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. comerciando seus títulos. ou ao seu proceder comportamental. logotipos. M. figuras. Com essa atitude não se afasta da verdade. bem como menção ao tamanho. Ia a 48). cores.tese alguma.0 anúncio não deve conter fotografias. entre outras coisas. termos ou expressões que possam iludir ou confundir o público. É facultado ao advogado ocultar a revelação deste ou de qualquer outro fato. perante as necessidades de mercado.278 — “Ementa — Sigilo profissional — Intimação de autorida­ de ao advogado — Informações do cliente — Não infringe normas éticas o advogado que. não o faz. 1997. Dr. — Rei. intimado a revelar o endereço de seu cliente. sob pena de se converter a profissão. desenhos. 3 1 . em um procedimento mercantilista como qualquer outro. Dr. 2X a 34). Robison Baroni — 19-10-1995)92. a prestar informações que considere sigilosas. mas sobretudo no que pertine à divulgação de seu trabalho. sendo proibido o uso dos símbolos oficiais e dos que sejam utilizados pela Ordem dos Advogados do Brasil. ainda que verdadeiro. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. qualidade e estrutura da sede profissional. informações de serviços jurídicos suscetíveis de implicar. Daniel Schwenck — Rev. suas qualidades. Acima de tudo. Consulte-se a respeito: Baroni (org. na manutenção da dignidade e do decoro profissionais da categoria à qual se liga. e lidar com a justiça demanda a necessária sobriedade e seriedade para o exercício das questões que envol­ ve. mantendo sigilo de infor­ mações. Rubens Cury — Presidente Dr. tabelas. direta ou indire­ tamente. A moderação e a discrição da atuação do advogado não devem se? atinentes somente ao seu proceder profissional. § 2S Considera-se imoderado o 92. § Ia São vedadas referências a valores dos serviços. ilustrações. . F-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. captação de causa ou clientes. IV. “Art. quando sente que a verdade possa oferecer prejuízo real ou potencial a seu cliente. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. gratuidade ou forma de paga­ mento. v. por prejudiciais ao seu cliente: E-1. Inclusive a publicidade do trabalho do advogado deve ser moderada. o objeto de trabalho do advogado é a justiça.

Consulte-se a respeito: Baroni (org.). faça delas parte ou não”. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. liberada que está para a publicização de produtos ou bens de consumo. em clima de competição ou concorrência. Elias Farah — Rev. na busca somen­ te de notoriedade e da aferição de lucros. à informação da sua disponibilidade profissional. 1997. do Estatuto da Advo­ cacia. das ocupações. não impli­ cam diferenciação de tratamento ético na publicidade. O advogado ou a sociedade de advogados não devem se utilizar da propaganda ou publicidade mercantilizada.anúncio profissional do advogado mediante remessa de correspondência a uma coletividade. 2a. o Tribunal de Ética tem dado efetividade a esse preceito. A atual corrida desenvolvimentista e a internacionalização da advo­ cacia não influem no comprometimento dela com os direitos da cidadania. insuscetível de figurar nas urdiduras publicitárias. no espaço e no tempo. 7a e 28 a 34 do Código de Ética e Disciplina. par. que segue abaixo: E-1. para anúncio público dos seus méritos ou habilidades. sobretudo tendo-se em vista as exigências do mercado atual.237 — “Ementa — Publicidade do advogado — Crítica de advo­ gado publicada em jornal de grande circulação — Análise — As normas éticas disciplinares sobre publicidade têm aplicação igualitária a advogado integrante ou não de sociedade de advogados. sem inspiração ou conotação mercadológica. a indicação expressa do seu nome e escritório em partes externas de veículo. salvo para comunicar a clientes e colegas a instalação ou mudança de endereço. U. aludidas no código de defesa do consumidor. José Urbano Prates — Presidente Dr. Limitar-se-ão. Dr. 02/92 deste Tribunal e dos arts. E. 457 . A abusividade e capciosidade na propaganda. das especialidades adotadas ou dos serviços individuais ou coletivamente prestados. não possuem pertinência com os propósitos da ética advocatícia. IV. 93. 15. com discrição e moderação. v. Sociedade de advo­ gados não se assemelha ou se equipara a empresa mercantil. inclusive. Robison Baroni — 22-6-1995)93. ou a inserção de seu nome em anúncio relativo a outras atividades não advocatícias. — Rei. Prevalência da Resolução n. Deve-se consultar a respeito o brilhante acórdão do Tribunal a respeito da maté­ ria. ou intenção de captar clientes ou causas. quantitativa ou qualitativa das atuações. 5a. na prática. A imagem pública da dignidade e confiabilidade da advocacia é das virtudes primordiais ao êxito da sua notável missão social” (V. A diversificação na amplitude. combinado com o art.

da telemática. suposição de nomes e Si­ tuações. O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio.346 — “Ementa — Consulta por telefone — Linha 900 — Infra­ ção ética— Sistema telefónico pré-tarifado. por afron­ tarem valores da classe. par. medido por tempo. deste Tribunal. dá margem ao anoni­ mato. 32. 95. Infringência ao Código de Ética e Disciplina. de reportagem televisiona­ da ou de qualquer outro meio. É o que exige o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU . desprestígio da classe e eventual captação de clientes e causas — Implantação contrária aos princípios éticos e transmissora da ideia de mercantilização. letra c. IV. e Ementa n. Ia. com crédito posterior em favor do advogado consultado. deve visar a 94. 458 .). artigos 31 e 33. e seu parágrafo único — Precedentes processo E-1202. dentre outros meios de comunicação. incisos I e VIII. supressão da necessária confiança que se há de ter no profissional e descompromisso com a responsabilidade na orientação. consulte-se i> estudo de João Paulo Nery dos Passos Martins. v. inconcebível na relação cliente/advogado. 87-107. in Machado Ferraz (coord. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. par. Sobre a questão da publicidade na atividade advocatícia. outrossim. 5a. contribuindo. Consulte-se a respeito: Baroni (org. U. 28 a 34). devem ser coibidos: E-1. Elias Farah — Presidente Dr. a fraudes. A publicidade e a ética profissional do ad­ vogado. constitui prática condenável quando se refere à advocacia — Utilização que. — Rei. Ia a 48). 1997. Mesmo quando o advogado alcança projeção pública. 7a e 31. Dr. Ética na advocacia: estudos diversos. p. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. único. cobrado na conta telefônica do aparelho utilizado pelo consulente. E tem-sc entendido. e ao Estatuto. Robison Baroni — 13-6-1996)95. em seus artigos 2a. Benedito Édison Trama — Rev. seja de empresa de ad­ vogados. pela prática do Tribunal. seu discurso não poderá conter elementos de divulgação dire­ ta de seu trabalho.■ A preocupação com as sofisticações da informática. Dr. do Egrégio Conselho Fe­ deral da OAB” (V. ou se insere em atividades tais que a mídia e os grandes meios de comunicação solicitem sua imagem. Julgados do Tribunal de Ética Profissional ementas e pareceres 1995 e parte 1996. dn comunicação e da interatividade virtual tem gerado ainda maiores problemas no campo da publicidade e do profissionalismo do advogado94. para manifestação profissional. de entrevista na imprensa. que esses comportamentos. seja de profissional liberal. conhecido popularmente como ‘linha 900’.). 2000. “Art. 053/95/SC. seja em meios eletrônicos ou fora deles.

459 . Para averiguar a pro­ priedade da estimativa dos honorários existem alguns parâmetros oferecidos pela lei.objetivos exclusivamente ilustrativos. habitual ou permanente. entendidos assim os honorários fixados abaixo dos parâmetros ditados pela tabela de honorários divulgada pela Ordem dos Advogados do Brasil. 36. por meio de suas secções. IV — o valor da causa. Quando convidado para manifestação pública. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. desde que desproporcio­ nalmente ao merecimento profissional do advogado. E aí. se atrelam dois deveres: o dever de sigilo profissional e o dever de discrição na publicidade. bem como o debate de caráter sensacionalista”. II — o traba­ lho e o tempo necessários. 28 a 34). vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão. deve limitar-se a aspectos que não quebrem ou violem o segredo ou o sigilo profissionaT’. deve o advogado evitar insinuações a promoção pessoal ou profissional. Parágrafo único. “Art. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. 34. l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. 34 prevê explicitamente essa preocupação: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. 35 a 43). a condição econômica do cliente e o pro­ veito para ele resultante do serviço profissional'. a complexidade e a dificuldade das questões versadas. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação. Ia a 48). ou acima dela. VIII — a praxe do foro sobre trabalhos análogos”. pelo advogado. “Art. atendidos os elementos seguintes: I — a relevância. Ia a 48). Assim: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. por qualquer modo e forma. de assuntos técnicos ou jurídicos de que tenha ciência em razão do exercício profissional como advogado constituído. A divulgação pública. fora ou não do domicílio do advo­ gado. visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral. A disposição contida no art. ou de se desavir com outros clientes ou terceiros. VII — a competência e o renome do profissional. em seguida. V — o caráter da interven­ ção. sem pro­ pósito de promoção pessoal ou profissional. assessor jurídico ou parecerista. conforme se trate de serviço a cliente avulso. VI — o lugar da prestação dos serviços. Inclusive a dignidade da profissão e a imagem da classe podem ser atingidas pelo simples fato de se fixarem com habitualidade honorários inadequados. o vulto. educacionais e instrutivos. III — a possibilidade de ficar o advogado impe­ dido de intervir em outros casos. Capítulo V — Dos Honorários Profissio­ nais (arts.

para que não te submetas à força dos poderosos e do poder ou desprezes os fracos e insuficientes. 460 . Nenhum país é livre sem advogados livres. sem tréguas. inserindo-o em responsabilidades sociais e grupais mais amplas que. podem-se repetir as palavras do decálogo de Ives Gandra Martins. “3. esses são os principais elementos que se destacam como im­ perativos para a atuação profissional do advogado. Só assim. nem leviandade. o constituinte espera de seu procurador dedicação sem limites e fronteiras. que suscita. decidi transcrever o decálogo de princípios que preparei para meus alunos da Universidade Mackenzie sempre que. Respeita teus julgadores como desejas que teus julgadores se respeitem. em ambiente nobre e altaneiro. que provoca. de rigor. E os mo­ mentos mais dramáticos de sua realização ocorrem no aconselhamento às dúvidas. ou no litígio dos problemas. pois sem ele não há organização social. pois da ética de sua atuação. Se não considerares a tua como a mais nobre profissão sobre a terra. decidiram optar pela carreira digna do advogado. as suas necessidades imediatas e individuais. O advogado é seu primeiro intérprete. O direito abstrato apenas ganha vida quando praticado. por vezes. Qualquer questão encerra-se apenas quando transitada em julgado e. as disputas revelam. “2. Sê conciliador. de modo a fazer parte de uma categoria que zela pelo adequado cumprimento das leis nacionais e da justiça. e batalhador. em seu instante conflitual. Considera tua liberda­ de de opinião e a independência de julgamento os maiores valores do exer­ cício profissional. quando de seu pronunciamento a univer­ sitários: “Para encerrar este breve estudo e para que o jurista. Como invocação ao cumprimento dos deveres éticos e profissionais do advogado. O advogado é o deflagrador das soluções. O advogado deve ter o espíri­ to do legendário El Cid. abandona-a porque não és advogado. sem transigência de princípios. Há que se ter presente que esse conjunto de preceitos subordina o advogado a uma ordem social. até que isto ocorra. “4. acima de tudo. a grande­ za do Direito. Sem o Poder Judiciário não há Justiça. formados. possa exercê-la em sua exata dimensão. Atrelar-se à profissão de advogado é atrelar-se a esse conjunto de compromissos sociais. depende a excelência da vida dos direitos: “1 . capaz de humilhar reis e dar de beber a leprosos.0 Direito é a mais universal das aspirações humanas. quando exercen­ do a advocacia.Enfim.

“6. Sê justo na determinação do valor de teus serviços. continua a aspirar o retomo à profissão. advogado. Não percas a esperança quando o arbítrio prevalece. eram de tal forma considerados. mas honorários. pois que os pri­ meiros causídicos.906/9496. Formação jurídica. Fui advogado’” (Ives Gandra da Silva Martins. justiça que poderá levar-te a nada pedires. “Não percamos de vista que o novo regramento ético surgiu em decorrência das enormes mudanças introduzidas pela Lei n. Por isto estuda sempre. mesmo que perseguições decorram de tua postura e os pusi­ lânimes te critiquem pela acusação. esquecendo ou estigmatizando os covardes e os carreiristas. 119-120). todos os dias. todavia. cumprirás teu papel e a posteridade será grata à legião de pequenos e grandes heróis. A história da humanidade lembra-se apenas dos corajosos que não tiveram medo de enfrentar os mais fortes.). Que o ideal de Justiça seja a bússola permanen­ te de tua ação. 1994. a fim de que possas distinguir o que é justo do que apenas aparenta ser justo. aprovada em 4 de julho. Só assim poderás dizer. É. E se fizeres. O advogado não recebe salários. se justa a causa. que viveram exclusivamente da profissão. sobretudo dentro da principiologia da Lei n. Coercitividade ética: o processo e as sanções O conjunto de deveres do advogado é um mister para o exercício pro­ fissional. Enquanto fores advogado e lutares para recompor o Direito e a Justiça. que não cederam às tentações do desânimo. 8. Sua vitória é temporária. Há direitos fundamentais inatos ao ser humano que não podem ser desrespeitados sem que sofra toda a sociedade. se legítima a causa e sem recursos o lesado. Tua paixão pela advocacia deve ser tanta que nunca admitas dei­ xar de advogar. à hora da morte: ‘Cumpri minha tarefa na vida. “9. in Nalini (coord. Restei fiel à minha vocação. A cultura do jurista. que o pagamento de seus serviços representava honra admirável. E trata-o com a dignidade que a profissão que exerces merece ser tratada. 8. “8. p. Não há di­ reito formal sem Justiça.5. Considera sempre teu colega adversário imbuído dos mesmos ideais de que te reveste. O ideal da Justiça é a própria razão de ser do Direito. alterando de 461 . Quando os governos violentam o Direito. O rompi­ 96.3. 5. não tenhas receio de denunciá-los. “7.906/94. temporariamente. mas apenas corrupção do Direito. “10. teu direito receberes ajusta paga por teu trabalho.“5.

d) nas poucas hipóteses em que o desvio de conduta tenha inserção unicamente no Código de Ética e Disciplina. outorgou prerrogativas. única. in Machado Ferraz (coord. in Machado Ferraz (coord. 10). p. 2000. o dispositivo sancionatório é variado e escalonado. Trata-se de um órgão de ética e também de disciplina. mas confia no atendimento das exigências éticas. entendeu comn necessário e definiu como de enorme valia o estabelecimento do tripé de sustentação da justiça. ou não. ou seja. é a censura (conversível em advertência reser­ vada). observado o devido procedimento para tanto: forma corajosa e bastante moderna o campo de exercício da advocacia. também estabeleceu uma espécie de avenida de mão dupla. Se o advogado possui prerrogativas o direitos. contribuindo para o prestígio da carreira e para a manutenção dos nobres valores nela depositados.mento com esses deveres cria para o advogado implicações com o órgão censório de suas atividades: o Tribunal de Ética e Disciplina97. independente de se tratar. nem por isso pode acobertar práticas ilícitas ou mafiosas sob o manto da legalidade. de situação de reincidência ou de primariedade. 97. a sanção-tipo. por zelar pelo bom nome dos exercentes da advocacia. certamente comi' resposta e em atendimento ao preceito constitucional que consagrou a profissão de advoga­ do como essencial à aplicação da justiça. 98. já que. Desempe­ nhando função de especial importância para a classe. formado pelo Poder Jurisdicional. inciso II e parágrafo único. a deonto­ logia (i. 462 . “As características do novo sistema podem ser assim esquematizadas: a) há infrações éticas e infrações disciplinares. Cf. 197). p. 2000. Ética na advocacia: estudos diversos. que atua consultiva e repressivamente para dirimir conflitos de comporta­ mento decorrentes do exercício da profissão98. ex vi do artigo 36. c) quando o comando ético tiver capitulado diretamente como infração disciplinar (art. Ética do advogado. a ciência dos deveres profissional foi.e. esse órgão coloca-se à disposição da sociedade para a repressão da conduta desviante dos preceitos éticos cons­ tantes de lei.). globalmente. 34 do Estatuto). js > Há que se dizer que as atribuições do Tribunal de Etica e Disciplina são as de aconselhamento em consulta ética e também as de aplicação de sanções disciplinares. Se a sociedade. p. do Estatuto” (Sérgio Ferraz. alvo de tratamento legal— em sentido estrito). b) ambas constituem violação a dever legal. Ética na advocacia: estudos diversos. Regras deontológicas.). na forma dos artigos 35 e seguintes do Estatuto. Roberto Rosas. O nosso Código de ética e disciplina. in Elias Farah. 42 e 43. com regramentos estabelecidos e cobrados pela própria classe” (Robison Baroni. Tribunais de ética: valorização da advocacia. segundo antes referido. de forma arrojada.. Ministério Público e Ministério Privado. 2000.

F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. em tese.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Capítulo I — Da Competência do Tribunal de Ética e Disciplina (arts. I2 a 48). será dirimida pelo Tribunal de Ética. “Art. processo competente sobre ato ou matéria que considere passível de configurar. “Art. de fato. infração a principio ou norma de ética profissional. que. P-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. Capítulo I — Da Competência do 463 . A falta ou inexistência. 50. atua como consultor também em questões ético-profissionais. b) partilha de honorários contratados em conjunto ou mediante substabelecimento. ou decorrente de sucumbéncia. inclusive junto aos Cursos Jurídicos. 47. enseja consulta e manifestação do Tribunal de Ética e Disciplina ou do Conselho Federal”. Compete também ao Tribunal de Ética e Disciplina: I — instaurar. palestras. Capítulo VII — Das Disposições Gerais (arts. Assim dispõe o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. mas que seja de grande importancia para o exercício da advocacia. incapazes de responder de modo direto e imediato a todas as necessidades surgidas da prática forense: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. seminários e discussões a respeito de ética profissional. As decisões pertinentes a aconselhamentos éticos surgidas por força de consulta serão todas por sessão plenária. de ofício. IV — mediar e conciliar nas questões que envolvam: a) dúvidas e pendências entre advogados. II — organizar. Toda e qualquer questão ética que não encontre previsão explícita no Código de Ética. 49 a 66). neste Código. que seja relevante para o exercício da advocacia ou dele advenha. c) controvérsias surgidas quando da dissolução de sociedade de advo­ gados”. promover e desenvolver cursos. 49 a 66). de definição ou orientação sobre questão de ética profissional. l2-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. 49 e 50). Isso porque o Código não só pode ser omisso no tratamento de diversas questões que apareçam na prática. como também pode regular condutas por meio de palavras vagas e ambíguas. 47 e 48). III — expedir provisões ou resoluções sobre o modo de proceder em casos previstos nos regulamentos e costumes do foro. visando à formação da consciência dos futuros profissionais para os problemas fundamentais da Ética.

§ 2a O mandato dos membros dos Tribunais de Ética c Disciplina tem a duração de 3 (três) anos. II. A esse respeito: E-1. apli­ cando as sanções legais em caso de seu cabimento.288 e 1. 128). Pa­ rágrafo único.262 — “Ementa — Reclamação contra juiz — Comissão de prer­ rogativas — Reclamação contra juiz. 8. 105 a 114). são os próprios membros da classe que se incumbem de dar andamento a denúncias. 1B ferindo eventuais prerrogativas pro­ ). e 31. respondendo às consultas em tese. 06/94. § Ia Os membros dos Tribunais de Ética e Disciplina. Título II — Da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) (arts. e todas as sessões serão plenárias”. Encaminhamento à Comissão de Direitos c Prerrogativas” (V. Carlos Aurélio Mota de Souza — Presi­ dente Dr. No entanto. deste Tribunal. nos termos da Resolução n. O Tribunal de Ética e Disciplina é competente para orientar e aconselhar sobre ética profissional. Dr. se necessário. quanto a exigências processuais con­ trárias ao CPC (art. 44 a 150). ao CC (arts. tentar a conciliação das partes. o membro do Tribunal de Ética e Discipli­ na perde o mandato antes do seu término. não obstante possam os consulentes interpor recursos processuais. quando possível. não há previsão explícita nem possibilidade de ma­ nifestação do Tribunal de Ética e Disciplina.301) e ao Estatuto da Ad? vocacia (arts. 66 do Estatuto. observados os procedimentos do Código de Ética e Disciplina. cabendo ao Conselho Seccional eleger o substituto”. deve-se grifar que quanto ao comportamento de terceiros não advogados ou quanto ao comportamento de juizes em manifestações processuais quaisquer. 49 e 50). Inexistência de condutas ofensivas ao Estatuto ou ao Código de Ética Profissional. — Rei. o modo de eleição e o funcionamento dos Tribunais de Ético e Disciplina.906. Os Conselhos Seccionais definem nos seus Regimentos Internos a composição. Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB (DJU. 114. 7a. dentre os seus integrantes ou advogados de notável reputação ético -profissional. “Art. Ademais.Tribunal de Ética e Disciplina (arts. apreciar as provas e julgar. 49. observados os mesmos requisitos para a eleição do Con­ selho Seccional. U. § 3a Ocorrendo qualquer das hipóteses do art. inclusive seus Presi­ dentes. 1. 6a. instruir as queixas. fissionais dos advogados. O Tribunal reunir-se-á mensalmente ou em menor período. correições administrativas ou socorrerem-se da Subseção da OAB local. Capítulo IV — Do Conselho Seccional (arts. são eleitos na primeira sessão ordinária após a posse dos Conselhos Seccionais. Robison Baroni — 27-7-1995). e julgar os processos disciplinares. 464 . “Art. 16-111994): Dispõe sobre o Regulamento Geral Previsto na Lei n. Não conhecimento do pedido. par. de 4 do julho de 1994. formar os processos.

não podendo ser anônima. en­ volvendo questões de ética profissional. em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia. procederá ao julgamento uma vez não atingida a conciliação”. o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias.O processo administrativo de infração ética inicia-se com a denuncia do cometimento de algum ato capitulado como infração ética na lei respec­ tiva. respeitada a importância dos ditames de ordem pública que estão a cercar a matéria. Se a denúncia parte de advogado contra advogado. dispõe o EOAB a respeito do procedimento: Lei n. 16-7-1996) (Dispõe sobre Processos Éticos de Representação por Advogado contra Advogado). salvo se a falta for cometida perante o Con­ selho Federal. 70. § 3a O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente. de 4-7-1994 (DOU. deve-se ter em conta o seguinte proce­ dimento: Provimento CFOAB 83. do Conselho Seccional competente. “Art. seja por cliente do advogado. De qualquer forma. II — buscará conciliar os litigantes. 465 . de ofício. salvo se não atender à notificação. de advogado contra advogado.906. Assim. 68 a 77). serão encaminhados pelo Conselho Seccional diretamente ao Tribunal de Ética e Disciplina. Neste caso. III — acaso não requerida a produção de provas. julgar os processos disciplinares. “Art. Capítulo II — Do Processo Disciplinar (arts. 8. que: I — notifica­ rá o representado para apresentar defesa prévia. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em cuja base territo­ rial tenha ocorrido a infração. instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio Conselho. de 17-6-1996 (DOU. ou se fundamentadamente considerada esta desnecessária pelo Tribunal. seja por profissional da área. § 2a A decisão condenatoria irrecorrível deve ser imediatamente co­ municada ao Conselho Seccional onde o representado tenha inscrição principal. depois de ouvi-lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer. aplicar-se-á um rito administrativo compatível com a segurança e o decoro do profissional. seja por terceiro interessado. 70 a 74). para constar dos respectivos assentamentos. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título III — Do Processo na OAB (arts. Ia Os processos de representação. § Ia Cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina.

o relator se manifestar pelo indeferimen­ to liminar da representação. para determinar seu arquivamento. Parágrafo único. § Ia O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios de admis­ sibilidade da representação e os procedimentos disciplinares. após a defesa prévia. 71 — A jurisdição disciplinar não exclui a comum e. deve ser comunicado às autoridades competentes. 466 .» tor. seus defensores e a autoridade judiciária competente. só tendo acesso às suas informações as partes. § 2a O processo disciplinar tramita em sigilo. 72 — O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer autoridade ou pessoa interessada. 74 — O Conselho Seccional pode adotar as medidas administra­ tivas e judiciais pertinentes. § 5a É também permitida a revisão do processo disciplinar. por ocasião do julgamento. oferecendo defesa prévia após ser notificado. sendo unânimes. a quem compete a instrução do processo e o oferecimento de parecer preliminar a ser submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina. o Presidente deve designar rela. podendo acompanhar o processo em todos os termos. pessoalmente ou por intermédio de procurador. 73 — Recebida a representação. o Regulamento Geral. o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo”. § 3a O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo rele­ vante.. ajuízo do relator. quando não tenham sido unânimes ou. ainda. por erro de julgamento ou por condenação baseada em falsa prova. § 2a Se. Art. o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. razões finais após a instrução e defesa oral perante o Tribunal de Ética e Disciplina.Art. objetivando a que o profissional suspenso ou excluído devolva os documentos de identificação. quando < ■ fato constituir crime ou contravenção. até o seu término. Art. decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e. Art. Art. o Presidente do Conselho ou da Subseção deve designar-lhe defensor dativo. este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional. 75 — Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional. § Ia Ao representado deve ser assegurado amplo direito de defesa. § 4a Se o representado não for encontrado. Além dos interessados. contrariem esta Lei. ou for revel.

49 a 66). Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. que se aplicam subsidiariamente ao Código de Ética e Disciplina. dentro do 467 . § 3a A defesa oral é produzida na sessão de julgamen­ to perante o Tribunal. “Art. aperfeiçoando-se em seus conhecimentos a respeito da matéria. não podendo ser objeto de publicidade a de censura”. 35. desde que o infrator primário. 59. As sanções devem constar dos assentamentos do inscrito. “Art. no prazo de 15 (quinze) mi­ nutos.A previsão legal de um rito administrativo é de suma importância para que o Tribunal não se converta em instrumento de manipulação política dos profissionais entre si. a intimação dos atos. Do modo que segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. § Ia O processo é inserido automaticamente na pauta da primeira sessão de julga­ mento. 49 a 66). pelo representado ou por seu advogadó”. com 15 (quinze) dias de antecedência. o sigilo procedimental. em determinadas situações. após o voto do relator. As sanções disciplinares consistem em: I — censura. Parágrafo único. 51 a 61). III — exclusão. após o prazo de 20 (vinte) dias de seu recebimento pelo Tribunal.. Considerada a natureza da infração ética cometida. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. Como segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. salvo se o relator determinar diligências.. IV — multa. O Presidente do Tribunal. são as seguintes: Lei n. deve preponderar a ampla defesa. Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. Assim. considerada a natureza da infração ética. Porém. 34 a 43). Ia a 43). as penas de advertência e censura podem ser suspensas. Capítulo IX — Das Infrações e Sanções Discipli­ nares (arts. 53. in­ dispensável para o exercício profissional. de 4-7-1994 (DOU. II — suspensão. após o trânsito em julgado da decisão. § 22 O representado é intimado pela Secretaria do Tribunal para a defesa oral na sessão. 51 a 61).906. com vistas à máxima isenção do julgamento e da confiabilidade dos seus resultados. le-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. “Art. após o recebimento do processo devidamente instruído. a oportuni­ dade de produção de provas. o Tribunal pode suspender temporariamente a aplicação das penas de ad­ vertência e censura impostas. As sanções previstas no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. 8. designa relator para proferir o voto. desde que o infrator primário em cento e vinte dias participe de evento de ética profis­ sional.

sobre Ética Profissional do Advogado. mas nada impede que os elementos colhidos em um possam ser utilizados a favor ou contra o profissional como prova (documental. julgar a conduta e averiguar sua incompatibilidade com a legislação a respeito. Defensoría Pública.4. a aferição do exercício técnico. ao Tribunal de Ética e Disciplina. Quando se tratar das demais carreiras públicas da advocacia. seminário ou atividade equivalente. tendo em vista que o liame com a profissão de advogado é perma­ nente.. de 468 . órgão que desempenha atividade essencial à justiça. no caso a de promotor de jus­ tiça. pois. na definição constitucional. na promoção dentro da carreira. testemunhal. dentro do rito pre­ visto. Quando se trata de discutir sobre ética e profissão. um de natureza ética.. aplica-se. profissional-jurfdico e ético são relevantes. e em infração ética. a sanção é aplicada propriamente pelo Conselho Seccio­ nal da Ordem dos Advogados do Brasil. Porém. Incumbe. para a qual devem ser enviadas cópias dos documentos que comprovam o ilícito.. Em qualquer caso. ou mesmo ao Poder Judiciário para defesa de seus interesses (art. pois na expressão merecimento se en­ contram atributos morais muito claros para a avaliação de um profissional: Lei n. realizado por entidade de notoria idoneidade”. Ética do Promotor A respeito da topografia do Ministério Público. junto ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB.625. 5. da mesma forma. normalmente regulada por normas internas ou regimen­ tais da instituição (Procuradoria do Estado. o Código de Ética e Disciplina. há que se levar em conta que. Mas liá que se dizer que existem situações que se constituem ao mesmo tempo e n /1 infração funcional.. comprovadamente. em meio aos Poderes 99. em momento algum se afasta o inconformismo do lesado por uma decisão administrativa de recor­ rer a instâncias superiores (Conselho Federal da OAB). cuja estrutura fundamental da carreira se encontra bem delineada". passe a frequentar e conclua.). e um de natureza funcional.prazo de 120 dias. 8. Nesses casos. junto ao órgão responsá­ vel pelo controle censorio do comportamento do advogado público (Corregedorias). Ademais. o cometimento de crime fica sujeito a apreciação da autoridade judiciária competente. 52. que pos­ suem estatutos próprios para reger a conduta do praticante da advocacia pública. o cúmulo de infrações gera dois tipos de pro­ cedimentos independentes. curso. O resultado útil de um não influencia necessariamente o resulta­ do do outro. simposio.). XXXV).

III — obrigato­ riedade de promoção do Promotor de Justiça que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento. em caso de empate. 61. da Constituição Federal. parece de todo irrelevante e desmotivado que se discuta. 100. 93. dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Público dos Estados. e dá outras providências): Capítulo IX — Da Carreira (arts. O que se pode afirmar. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. 210). senão à lei” (Caldas. ou parte do Executivo. o disposto no art. de aperfeiçoamento. a antiguidade na entrância ou categoria. pois a sua função é promover a justiça sem nenhuma submissão. IV — a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância ou categoria e integrar o Promotor de Justiça a primeira quinta parte da lista de antiguidade. p. “Art. Justamente 469 .. cit. atrelada a um compromisso profundo com a lei. aplicando-se. Nova Constituição brasileira anotada.do Estado. por antiguidade e merecimento. prevalecendo. 101. ou parte do Legislativo. a escolha recairá no membro do Ministério Público mais votado. incisos III e VI. por assemelhação. a tantas votações quantas necessárias. As indefinições sugerem ser esse órgão parte do Judiciário. o que. procedendo-se para alcançá-la.. salvo se preferir o Conselho Superior delegar a competência ao Procurador-Geral de Justiça”. muito já se debateu. V — a lista de merecimento resultará dos três nomes mais votados... diante da textura que lhe conferiu a Carta Magna de 1988. 12-2-1993 (DOU.. observada a ordem dos escrutínios. o número de vezes que já tenha participado de listas. desde que obtida maioria de votos. com todo respaldo constitucional e legal. Quer-se dizer que o Ministério Público é uma ins­ tituição neutra por excelência1 0 desprovida de qualquer vínculo com as 0. 59 a 68). situação esta incomparável com sua atual destinação constitucional (v. ope­ rosidade e dedicação no exercício do cargo. de uma instituição vinculada ã justiça.) tem natureza neu­ tra e não se vincula a qualquer órgão. dentro do sistema jurídico nacional. de uma para outra entrância ou categoria e da entrância ou categoria mais elevada para o cargo de Procurador de Justiça. levando-se inclusive em conta sua conduta. examinados em primeiro lugar os nomes dos remanescentes de lista anterior. ou reconhecidos. 20). é que se trata. salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago. em síntese. com prevalência de critérios de ordem objetiva. “É preciso romper de vez com o sistema advindo de tempos autoritários. e não com algum dos Poderes do Estado. ou quando o número limitado de membros do Ministério Público invia­ bilizar a formação de lista tríplice. ob­ servados os seguintes princípios: I — promoção voluntária. alternadamente. presteza e segurança nas suas manifestações processuais. 1991. demais autoridades1 1 0. A Lei Orgânica regulamentará o regime de remoção e promoção dos membros do Ministério Público. bem como a frequência e o aproveitamento em cursos oficiais. pode-se dizer que essa instituição “(. II — apurar-se-á a antiguidade na entrân­ cia e o merecimento pela atuação do membro do Ministério Público em toda a carreira. Manual. VI — não sendo caso de promoção obrigatória.. De fato e. p. em que o Ministério Público se notabilizou por servir ao governo e aos governantes.

em meio à estrutu­ ra e à distribuição dos poderes dentro da Federação. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. escalonadas segundo a hierarquia do serviço. 1994. 44 a 135). uma vez que. p.Do para que o Ministério Público possa servir a sociedade e não aos governantes. Formação jurídica. p. Seção I . Visão crítica da formação pro­ fissional e das funções do promotor de justiça. o código de deveres do promotor público. acima de Uido.4. então. garantias da coletividade” (Hugo Nigro Mazzilli. Trata-se de um órgão autônomo. Capí­ tulo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. 102. precisa ser dotado de garantias substanciais que assegurem a independência administrativa e funcional — garantias concretas e não palavras retumbantes na Lei Maior. dever-se-á deter a análi­ se ora encetada na investigação das atribuições do Ministério Público. Ministério Público: órgão essencial à administração da justiça O Ministério Público pode ser definido como “instituição essencia função jurisdicional”.Se há que se invocar o tema da ética dessa carreira. de sua situação e seu tratamento no texto constitucional. abordarem-se as garantias e prerrogativas. 361). e. com a ordem jurí­ dica. Para que se compreenda a latitude desse compromisso.1. mas vazias de maior con­ teúdo prático. in Nalini (coord. deve-se buscar o sempre perene ensinamento de H Lopes Meirelles: “É o agrupamento de classes da mesma profissão ou atividade. dotado de estrutura funcional própria. acompanhando-se os dizeres do art. antes de tudo. 74). de acordo com a prrvisão constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU.). Para que se defina carreira. poderes corroicionais internos e hierarquia administrativa escalonada de acordo com os degraus da carreira pública1 2 0. dotação orçamentária independente. 127 a 135). de sua estrutura de carreira. que lhe traçou os matizes com os quais se encontra esculpido atualmente. para. está-se querendo dizer que está dando continuidade a um compromisso institucional com a lei. “Enfim. 5-10-1988. por Um. 470 . quando se diz que um promotor público desempenha suas funções. as verdadeiras garantias do Ministério Público e de seus agentes são. 127 da Consti­ tuição Federal de 1988. Sua estrutura como órgão é a seguinte. o primeiro aspec­ to a tratar talvez seja esse. 1994. 5.. para acesso privativo dos titulares dos cargos que a integram (Direito administrativo brasileiro. com as instituições democráticas e com a justiça.

relativa­ mente a seus membros: (. 127 a 130). § l 2 O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República. § 3a Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice dentre integrantes da carreira. “Art. estabelecerão a organização. que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo. ainda que em disponibilidade. na forma da lei.) II — as seguintes vedações: a) receber. cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais. deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal. 128. honorários. salvo uma de magistério. qualquer outra função pú­ blica. para mandato de dois anos. b) o Ministério Público do Trabalho.Ministério Público (arts. para escolha de seu Procurador-Geral. II — os Ministérios Públicos dos Estados. as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público.. que compreende: a) o Ministério Público Federal. O Ministério Público abrange: I — o Ministério Público da União. § 2a A destituição do Procurador-Geral da República. na forma da lei complementar respectiva. b) exercer a advocacia. per­ centagens ou custas processuais. por iniciativa do Presidente da República. § 5a Leis complementares da União e dos Estados. c) participar de sociedade comercial. a qualquer título e sob qualquer pretexto. permitida uma recondução. § 42 Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Ter­ ritórios poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo. c) o Ministério Público Militar. após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal. 471 . para mandato de dois anos. na forma da lei respectiva. observadas.. nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira. permitida a recondução. d) exercer. d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. maiores de trinta e cinco anos.

nunca é demais dizer que para que se tenha o iustum. 127 a 130). de primordial para a escorreita atualização do ideário democrático consa­ grado pelos legisladores constitucional e infracon sti tucion al. mas para a realização da justiça1 3 Deve-se mesmo qualificá-la 0. essencial à função jurisdicional do Estado. não somente para a jurisdição. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. “Art. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. é elucidativa: Lei n. 127 a 130). 127. da lei emanam os dizeres dos re­ presentantes do povo em um sistema em que a representação política traça os próprios rumos da ordem jurídica. inclusive. A própria previsão da lei a respeito de sua aplicabilidade a toda a Federação e.e) exercer atividade político-partidária. 169. como já se viu. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica.625/93)1 5 assim como a Lei Complementar que estabe­ 0. arts. Da arquitetônica jurídi­ ca a lei é a pedra fundamental. a política remuneratoria e os planos de carreira. 127 a 135). que é o fulcro de toda a estrutura democrática sobre a qual se assentam as demais premissas de atuação do próprio Estado1 4 0. pro­ vendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos. pois ao Ministério Público incumbe. Daí se dessume a gravidade das atribuições que lhe foram conferidas em seu papel institucional. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 5-10-1988. a lei disporá sobre sua organização e funcionamento (§ 2° com redação dada pela EC n. de 12-2-1993 (DOU. Isso porque sua grande atribuição consiste em zelar pelo cumprimento da lei.625. propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares. 104. lece o Estatuto do Ministério Público da União (LC n. No plano infraconstitucional. 19. Seção I — Do Ministério Público (arts. em vigor desde a publicação). Se entre lex e ius podem-se traçar diferenças essenciais. O Ministério Público é instituição permanente. observado o disposto no art. Enquanto direito positivo. Com essa estrutura é que ao Ministério Público. cumpre o exercício de função mais do que essencial. mister a garantia oferecida pela lex. 5-6-1998. a indivisibilidade e a independência funcional. 8. como parte ou exclusivamente como custus legis. 8. 103. como instituição. § 3a O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias”. 191-A): Tí­ tulo IV — Da Organização dos Poderes (arts. 105. 44 a 135). § l 2 São princípios institucionais do Ministério Público a unidade. dispõe sobre Normas Gerais para 472 . aos Estados-Membros. salvo exceções previstas na lei”. há que se destacar a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. atuar em prol da realização do princípio da legalidade. Capítulo IV — Das Funções Es­ senciais à Justiça (arts. Isso não é de todo irrelevante que se diga. § 2a Ao Ministério Público é as­ segurada autonomia funcional e administrativa. podendo. A organização do Ministério Público decorre diretamente da Consti­ tuição Federal (CF de 1988. 75/93). de 4-6-1998 — (DOU.

“Art. Aplicam-se aos Ministérios Públicos dos Estados. 129. II — zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição. 6) princípio da inde­ pendência. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. 7) princípio da irresponsabilidade. o que acaba por formar um imenso número de atribuições de fundamental importância para a nação: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 106. p. 4) princípio da indisponibilidade. requisitando informações e documentos para instruí-los. 2) princípio da indivisibilidade. 8) princípio da devolução. na forma da lei. “Art. bem como as definições de cada qual dos princípios. Capítu­ lo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. 9) princípio da substituição1 6 0. V — defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas. Esses princípios acabam por se materializar no rol de competências de atuação constitucional previsto para o Ministério Público. 3) princípio da independência funcional. 1995. 69 a 84). São funções institucionais do Ministério Público: I — promover. é feita por Júlio Fabbrini Mirabete (Processo penal.r Como decorrência da orientação fixada pela Constituição. VI — expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. nos casos previstos nesta Cons­ tituição. 127 a 130). 127 a 135). na forma da lei complementar respectiva. a Organização do Ministério Público dos Estados e dá outras providências): Capítulo X ■ — Das Disposições Finais e Transitórias (arts. para a proteção do patrimônio público e social. Seção I — Do Ministério Público (arts. IV — promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados. a ação penal pública. 327). há que se ressaltar que estão a orientar a atuação prática dos membros do Ministério Público os seguintes princípios: 1) princípio da unidade. 473 . A enumeração. 5) princípio da irrecusabilidade. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. 5-10-1988. promo­ vendo as medidas necessárias a sua garantia. 44 a 135). 80. III — promover o inquérito civil e a ação civil pública. privativamente. subsidiariamente. as normas da Lei Orgânica do Ministério Público da União”.

ao Ministério Público: I — propor ação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais. menores. a regên­ cia da matéria é dada pela Lei n. a ação penal pública. na forma da lei: a) para a proteção. privativamente. para assegurar o exercício de suas funções institucionais. desde que compatíveis com sua finalidade. dispõe: Lei n. “Art. e dá outras providências): Ca­ pítulo IV — Das Funções dos Órgãos de Execução (arts. III — promover.VII — exercer o controle externo da atividade policial. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”. coletivos e individuais indisponíveis e homogêneos. turístico e paisagístico. a respeito. na forma da lei. de suas administrações indiretas ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem. na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. que. II — promover a representação de inconstitucionalidade para efei to de intervenção do Estado nos Municípios. 25 a 32). dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. e a outros interesses difusos. não importando a fase ou grau de jurisdição em que se encontrem os processos. indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. no plano infraconstitucional. estético. 8. Não se deve deixar de dizer que. 25 a 28). Seção I — Das Funções Gerais (arts.625/93. sempre que cabível a intervenção. incapazes ou pessoas portadoras de deficiência. incumbe. histórico. IX — exercer outras funções que lhe forem conferidas. na Lei Orgânica e em outras leis. ainda. de 12-2-1993 (DOU. ao consumidor. 8. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual. IV — promover o inquérito civil e a ação civil pública. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânicyr» Nacional do Ministério Público. V — manifestar-se nos processos em que sua presença seja obrigató­ ria por lei e.625. VI — exercer a fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que abriguem idosos. face à Constituição Estadual. 25. 474 . b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patri­ mônio público ou à moralidade administrativa do Estado ou de Município. aos bens e direitos de valor artístico. VIII — requisitar diligências investigatórias e a instauração de inqué­ rito policial. ainda. prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente.

de política penal e penitenciária e outros afetos à sua área de atuação. com maiores especificações e detalhes.). p. vitaliciedade. Tendo-se visto a enormidade da competência institucional do Minis­ tério Público. do Trabalho. outras há que. se as garantias são as mesmas ofertadas aos magistrados. 107. § 3a. quais sejam: a) de recebimento de custas processuais. o que por si só constitui garantia de independência financeira. para responsabilizar os gestores do dinheiro público condenados por tribunais e conselhos de contas. pelas garantias remis­ sivas do art. as garantias à instituição. do Distrito Federal e dos Territórios) como na dos Estados. pois. por sua vez. em seu exercício profissional. as vedações do inciso II do § 5a do art.VII — deliberar sobre a participação em organismos estatais de defe­ sa do meio ambiente. tanto na esfera da União (Federal. da CF de 1988. reforçando-se. 9 5. administrativa e financeira. art. 95. Então. Militar. se prendem mais diretamente aos seus agentes. de ofício. propriamente ditas.1. do consumidor. funções privativas v. ou seja. prevista no art. § 5a. art. IX — interpor recursos ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça”. in Nalini (coord. Mas. I. que por certo reper­ cutem em seus membros (destinação constitucional. administrativa e fun­ cional de toda a estrutura da instituição. 128. a. iniciativa de lei.). a importância da instituição e a autonomia de seus membros que não ficam vinculados a forças e decisões externas para o exercício de suas atividades1 7 0. deve-se dizer que os membros do Ministério Público estão acobertados. 1994. Formação jurídica. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. b e c. autonomia funcional. II e III). 73). deve-se dizer que esse órgão público conta com dotação orçamentária própria. 475 . Mais ainda. 127. as mesmas cabíveis e destinadas aos magistrados (CF de 1988. com isso. neste compreendido o do trabalho. b) de exercício da advocacia. g. “Afora. as ve­ dações acompanham esse grau de responsabilidade que se quer ver deposi­ tar nessas funções públicas. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos)” (Hugo Nigro Mazzilli. beneficiando a instituição de modo reflexo (independên­ cia funcional. 128 da Constituição Federal de 1988 também são comuns às dos magistra­ dos (CF de 1988. parágrafo único). VIII — ingressar em juízo.

nessa matéria.c) de participação em sociedade comercial. in Nalini (coord. 110. 80). exerça qualquer cargo público eletivo. nas mesmas hipóteses. que deverão residir na comarca da respectiva lotação. § 32 O ingresso na carreira far-se-á mediante concurso público de provas e títulos. assim como a Lei Complementar n. d)". salvo uma de magistério (art. A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. mas estipu­ lou: ‘ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei’ (art. II e VI”.625/93. veio a colorir definitivamente o painel estrutural da instituição. 476 . segundo o disposto nesta Constituição e na lei. Cuida-se. salvo uma de magis­ tério (art.625/93) traça as diretrizes da carreira. o impedimento não se encontra apenas no exercício da atividade político-partidária. deve-se grafar neste texto a opinião de Hugo Nigro Mazzilli: “A Lei n. do ADCT). ingressado depois da promulgação da Constituição de 1988. a lei infraconstitucional não poderá permitir. § 2S As funções de Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira. que fixa normas gerais para o Ministério Público nacional. com ou sem afastamento — e para essa vedação não existe exceção alguma (exceto a norma transitória do art. Ainda assim. 75/93. vedação essa que é absoluta para aqueles que ingressaram no Ministério Público depois da promulgação da Constituição de 1988 (não comporta exceção alguma)” (Hugo Nigro Mazzilli. ainda que em disponibilidade. Formação ju ­ rídica. tiva e de se zelar pelo cumprimento integral e imparcial das tarefas públi­ cas1 0 1. a atual vedação ao exercício de outra função pública. 8. § 52. parágrafo único). De outro lado. 109. p. vedou o exercício da atividade político-partidária. da CF). que nenhum membro do Ministério Público. no que couber. de se cercar de cautelas o exercício de tão essencial função pública1 9 como forma de se salvaguardar a probidade administra­ 0. § 5e. 1994. inclui a proibição de exercer cargos adminis­ trativos de qualquer natureza. 29. o disposto no art. e) de exercício de atividade político-partidária1 8 0. Com relação à vedação de engajamento político-partidário. d) de exercício de outra função pública. assegurada participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua reali­ zação. § 42 Aplica-se ao Ministério Público. entre as futuras exceções. e observada. 128. bem como assessorias estranhas à instituição. 44. nas nomeações. II. 129 sobre compro­ missos do promotor público em seu mister constitucional: “§ l 2 A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros. pois. Visão crítica da forma­ ção profissional e das funções do promotor de justiça. delineia os escalões administrativos e descre­ ve a competência institucional de maneira minuciosa. pois. para o Ministério Público da União. 128.). II. d. mas sim na vedação constitucional para que exerça. Ora. 8. Está al­ cançado por essa vedação o exercício de cargos de ministérios federais ou secretarias de Estado. leia-se o que dispõe a CF de 1988 em seu art. 93. qualquer outrafunção pública. § 3fi. 108. a ordem de classificação.

357. III)1 3 1. em face da política de proteção pública dos bens jurídicos tutelados pelo ordenamento ordinário e em especial de normas de caráter penal1 2 1. no domínio dos crimes eleitorais: Lei n. art. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. 234 a 383): Título IV — Disposições Penais (arts. A Lei da Ação Civil Pública (Lei n.5. § l s Se o órgão do Ministério Público. 112. de maneira mais genérica. 129. ou insistirá no pedido de arquivamento. atuando o promotor como dominus litis do processo crimi­ nal. § 5a Qualquer eleitor poderá provocar a representação contra o órgão do Ministério Público se o juiz. 113.1. ao invés de apresentar a denúncia.347/85) é expressa no sentido de atribuir-lhe legitimidade para a propositura de medidas tendentes à salvaguarda dos valores por ela 477 . bem como promover a ação civil pública. 283 a 364). de 15-7-1965 (DOU. 5a da Lei de Ação Civil Pública (Lei n. Mas. a classificação do crime e. sendo-lhe. o juiz. “Art. no mesmo prazo. o rol das testemunhas. nos termos do art.4.099/95).1)1 1 como decorrência do princípio da in1. não agir de ofício”. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. 9. 19-7-1965) (Institui o Código Eleitoral: Parte Quinta — Disposições Várias (arts. quando necessário. fará re­ messa da comunicação ao Procurador Regional. 7. Capítulo III — Do Processo das Infrações (arts. 111. em ato de dispo­ nibilidade legal e regrada. no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. na promoção da ação penal pública. Atribuições do Ministério Público Ao Ministério Público incumbe a promoção privativa da ação penal pública (CF de 1988. disponibilidade. para a proteção do patrimônio público e social dos interesses difusos e coletivos (inc. Na seara criminal. oferecerá a denúncia. o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias. 7. designará outro Promotor para oferecê-la. § 3a Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal. e este oferecerá a denúncia. não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. no entanto. ao órgão do Ministério Público não se defere a possibilidade de dispor da ação.347/85). requerer o arquivamento da comunicação. incumbe ainda ao Ministério Público: a) “zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos” (inc.1. no prazo de 10 (dez) dias. a requerimento do promotor de Justiça. § 42 Ocor­ rendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação de outro Promotor. atualmente facultada a transação penal. § 2a A denúncia conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias. introduzido pela Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (Lei n. Veja-se como isto é importante. II). representará contra ele a autoridade judiciária. sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal. por exemplo. 4. que. 355 a 364). Súmula 524 do Supremo Tribunal Federal — Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz.737. Verificada a infração penal.

101)... pelos Estados e Municípios (. da Constituição do Estado de São Paulo). 101). 5a: “A ação principal e a cautelar poderão ser propostas pelo Minis­ tério Público. d) acessar as informações constantes de órgãos públicos. 5. c) dar efetiva proteção aos direitos das populações indígenas.)”.337/64). V). defendendo consequentemente a ordem penal” (p. 478 . a sexta função de importância do MP re­ laciona-se com o exercício da atividade adjudicia. assim como “deliberar sobre sua participa­ ção em organismos estatais de defesa do meio ambiente. upu-sentando-as judicialmente (inc. embora nao exclu­ sivo. consagrados em seu art. por meio do Procurador-Geral da Repúbli­ ca (Lei n. 115.. 100). ou portadores de deficiências.d ili­ gências em inquéritos. Vide Lei n. 4. pela União. e) exercitar a “fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que P abriguem idosos.778/72 acerca da implementação do disposto na alínea d do ff 3'’ do art.)” (p. e também propor a intervenção d a . “Enfim. p. 114. do consumidor. incapazes. “(. niun e dos Estados nos casos previstos na lei (inc.1 carreira dos membros do Ministério Público podem-se alistar aquelas que seriam as precipuas... além de outras funções compatíveis com a t e l e o l o c i a que lhe foi traçada pelo texto constitucional (incs.1 "A W): segunda função importante é a defesa dos interesses privados indisponíveis. bem (. tomando-o mais próximo de sua vocação social. perante o STF. sem prejuízo da correição judicial”. 97.mim controlar as atividades policiais e o poder de investigação por meio di. “A terceira missão importante do MP c ¡1 < lc velar e fazer velar a observância e o cumprimento da lei” (p. na ‘¡rca do MP federal” (p. 101). 15 da CF de 1988.. 101). Neste ponto seguimos a lição de Pinto Ferreira que discrimina (Comeiihiiios 1) Constituição brasileira. de política penal e penitenciária e outros afetos a sua área de atuação” (ar. IV)1 4 1. I e II. referente à representação federal.b) controlar a inconstitucionalidade das leis pela condução da ação direta de inconstitucionalidade.cons­ titucionais” (p. da ação civil pública (.) a sua atuaçao cm favor do princípio da supremacia da Constituição assumindo a defesa dos postulado'. 99-101): “A atribuição típica do seu mister é a de nticiar em juízo em favor da correta observação da lei e na defesa do interesse público” (p . Dentre as universais e extensas tarefas instituídas como ineivnles .VI a IX). 1992. utilizando-se de critérios que delimitam o campo te­ mático cercado por cada uma das funções por ele exercidas na delesa da cidadania1 5 1. “A quinta função relevante do MP é a de ser titular. menores..

bem como os dos membros do Ministério Público junto à Justiça Militar. Fixa Vencimentos.I E assim é que. o membro do Minis­ tério Público possui uma série de garantias e prerrogativas que salvaguardam 116. 5. 84 do CPC). portanto. o Ministério Público representa a própria demo­ cracia em atuação. pela classe de Procuradores de Justiça e no primeiro grau de jurisdição. § 5fi O vencimento e respectiva representação mensal dos cargos transformados. sendo declarada quando. com os direitos e deveres previstos na Lei Complementar n. rubricando-se que essa nulidade submeter-se-á às regras gerais da teoria das nulidades. em cargos de Promotor de Justiça. de consagração cultural e de reiteração temporal —. de 14 de dezembro de 1981. Prerrogativas e garantias do membro do Ministério Público Para o escorreito desempenho de suas funções. recorre-se necessariamente às ideias de durabilidade. Promotor Público e Promotor Substituto. de 13-31985 (DOU. 40. não sendo de estrita necessidade sua atuação pro­ cessual. pode-se dizer que. Mister. Mais que um órgão a serviço das cláusulas cons­ titucionais democráticas.267. a parte promover-lhe-á a intimação sob pena de nulida­ de do processo” (art. Em síntese. enquanto unitária e homogeneamente atuante nas esferas da União. Ia a 7a). dos Estados. o Procurador-Geral da Justiça designará Promotor de Justiça Subs­ tituto para o seu exercício. § 4SAté que seja criado o Serviço de Assistência Judiciária. § 2a A Procuradoria-Geral da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios promoverá o apostilamento nos assentamentos funcio­ nais dos titulares dos cargos transformados. b) os atuais cargos de Curador.2. em segundo grau de jurisdição. à Justiça do Trabalho e ao Tribunal de Contas da União. nos fragmentária e mais participante se toma a sua intervenção na edificação do princípio democrático. No âmbito do Distrito Federal e dos Territórios: Decreto-Lei n. deve-se ressaltar que “Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público. são os constantes do Anexo a este Decreto-Lei”. em cargos de Procurador de Justiça. 479 . 2. em cargos de Promotor de Justiça Substituto. § 3a A antiguidade dos cargos obedecerá à an­ tiguidade na classe transformada e nas classes entre si. e dá outras Providências — arts. diante deste elenco de atribuições institucionais. em termos de instituição — e quando se procura operar semanticamente o conceito de instituição. § l 2 A transfor­ mação dos cargos far-se-á do seguinte modo: a) os atuais cargos de Subprocurador-Geral. pelas classes de Promotor de Justiça e de Promotor de Justiça Substituto. l e A carreira do Ministério Público do Distrito Federal é integrada. 14-3-1985) (Transforma e Cria Cargos na Carreira do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios. a intervenção do Minis­ tério nas ações em que atuar como parte ou como custos legis. c) os atuais cargos de Defensor Público.4. dos Territórios e do Distrito Federal1 6 me­ 1. “Art. houver prejuízo à parte (pas de nullité sans grief).

72). de um modo ou de outro. o que se oferece à Promotoria de Justiça se devolve. após dois anos de exercício. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Inúmeros desafios se colocam diante do promotor no sentido de obstaculizar sua atuação. a maneira de dedu/ir as pretensões em juízo — tudo isto lhes é similar. 8. quanto à remune­ ração. “No fundo. 38. o disposto na Constituição Federal”. 38 a 42). sob o aspecto do ofício desempenhado.625. não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado. II — inamovibilidade. O Ministério Público nada mais é do que advocacia de partido — o partido dos interesses sociais e individuais indisponíveis. \ i'*10 crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. 480 .a higidez da função constitucional e conferem dignidade e independência ao exercício profissional dos promotores de justiça. C en­ ) tendimento entre esses profissionais deve ser alto e sereno” (Hugo Nigro Mazzilli. observado. certamente é a do advogado. salvo por motivo de interesse público. para debelá-los é que se instituíram determinadas garantias e prer­ rogativas que reforçam a liberdade profissional do promotor público no exercício de seu mister. e que o fazem aproximar-se do juiz. Os membros do Ministério Público sujeitam-se a regime jurídico especial e têm as seguintes garantias: I — vitaliciedade. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. p. in Nalini (coord-*Formação jurídica. em sua atuação prática. a forma dos trabalhos. 117. III — irredutibilidade de vencimentos. a função da qual o Ministério Público mais se aproxima. oferecer garantias ao exercício da imensa latitude 1. São as garantias e prerrogativas do cargo que possibilitam a efetivação dos di­ tames maiores com que se descrevem os princípios da carreira. Ambas as funções constituem munus publi­ co de igual nobreza. tirantes as garantias e procedimentos que aproximam o promotor da Magistratura. “Art. São essas garantias que distinguem o promotor do advogado. à sociedade. A natureza das funções. Lei n. 1994. e dá outras providências): Ca­ pítulo VI — Das Garantias e Prerrogativas dos Membros do Ministério Público (arts. Ora. dada a merecida proteção que requer a carrei-* ra1 7 De qualquer forma. de 12-2-1993 (DOU. se encontrasse atravancado por empecilhos de cunho funcional. de responsabilidades que pendem sobre as costas dos promotores públicos é permitir que esse órgão esteja realmente habilitado a intervir em assuntos de natureza pública e de interesse da coletividade. de nada serviriam as preocupações do constituinte de 1988 se o promotor.

nos seguintes casos: 1 — prática de crime incompatível com o exercício do cargo. após decisão judicial transitada em julgado. somente se expedida pela autoridade judiciária ou por órgão da Adminis­ tração Superior do Ministério Público competente. em continuidade ao disposto acima. quando sujeito a prisão antes do julgamento final. V — ser custodiado ou recolhido à prisão domiciliar ou à sala especial de Estado Maior. 40. após autorização do Colégio de Procuradores. IV — ser processado e julgado originariamente pelo Tribunal de Jus­ tiça de seu Estado. em dia. III — ser preso somente por ordem judicial. a própria lei prevê. a comunicação e a apresentação do mémbro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça. não se pode deixar ao talante do promotor tan­ tas garantias que o permitam revestir-se da condição de autoridade pública intocável para o cometimento de violações à própria lei que deve defender.0 cargo vitalício. inamovível e insuscetível de sofrer redução salarial. ressalvada exceção de ordem constitucional. II — exercício da advocacia. por ordem e à disposição do Tribunal competente. no entanto. acompanhando a disci­ plina e a textura da lei. II — estar sujeito a intimação ou convocação para comparecimento. no prazo máximo de vinte e quatro horas. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — ser ouvido. como testemunha ou ofendido. De fato. Com relação às prerrogativas. Por isso. 481 . a previsão: “§ l 2 O membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado. escrita. salvo em flagran­ te de crime inafiançável. que: “Art. proferida em ação civil própria. hora e local previamente ajustados com o Juiz ou a autoridade competente. ressalvadas as hipóteses constitucionais. fica sujeito a condições que. em qualquer processo ou inquérito. nos crimes comuns e de responsabilidade. caso em que a autoridade fará. III — abandono do cargo por prazo superior a trinta dias corridos. § 2a A ação civil para a decretação da perda do cargo será proposta pelo Procurador-Geral de Justiça perante o Tribunal de Justiça local. na forma da Lei Orgânica”. há que se dizer.

findos ou em andamento. mesmo quando decretada a sua incomunicabilidade. na forma da Lei Orgânica”. 482 . para sustentação oral ou esclarecimento de matéria de fato. no exercício de sua função. IV — receber intimação pessoal em qualquer processo e grau de ju­ risdição. cartórios. podendo copiar peças e tomar apontamentos. VIII — examinar. b) nas salas e dependências de audiências. VI — ingressar e transitar livremente: a) nas salas de sessões de Tribunais. ressalvada a garantia cons­ titucional de inviolabilidade de domicílio. X — usar as vestes talares e as insígnias privativas do Ministério Pú­ blico'. c) em qualquer recinto público ou privado. inclusive dos registros públicos. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — receber o mesmo tratamento jurídico e protocolar dispensado aos membros do Poder Judiciário junto aos quais oficiem. ainda. podendo copiar peças e tomar apontamentos. autos de flagrante ou inquérito. secretarias. delegacias dc polícia e estabelecimento de internação coletiva. em qualquer repartição policial. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. labelionatos. em qualquer Juízo ou Tribunal. V — gozar de inviolabilidade pelas opiniões que externar ou pelo teor de suas manifestações processuais ou procedimentos. autos de processos findos ou em andamento. III — ter vista dos autos após distribuição às Turmas ou Câmaras e intervir nas sessões de julgamento. através da entrega dos autos com vista. IX — ter acesso ao indiciado preso. mesmo além dos limites que se­ param a parte reservada aos Magistrados. II — não ser indiciado em inquérito policial. ainda que conclusos à autoridade. se lê: “Art. nos limites do sua independência funcional. VII — examinar. retificação e complemeritação dos dados e informações relativos à sua pessoa. 41. existentes nos órgãos da instituição. ainda que conclusos à autoridade. ofícios da justiça. a qualquer momento. E. observado o disposin no parágrafo único deste artigo.VI — ter assegurado o direito de acesso.

ou alguma outra razão jurídica ou fática relevante (questões atinentes à saúde. seus vencimentos são pagos pela instituição com base em verbas públicas. o profis­ sional que se dedica à causa da justiça por meio da Promotoria está sempre às voltas com o interesse público1 8 1. na prestação de assistência à população caren­ te. dentro de suas atribuições e de seu alcance funcional. publicidade. legalidade. 483 . consu­ midores).. 5. os respectivos autos ao Procurador-Geral de Justiça. in Nalini (coord. Formação jurídica.3. na defesa do consumidor e do meio ambiente. sob pena de responsabilidade. civil ou militar. Aqui ou ali.. na efetiva prevenção de litígios. zelo de um sistema econômico ou social como na defesa dos investidores lesados no mercado de valores mobiliários etc. “Como vimos. Quando no curso de investigação. sua função é constitucional. no sentido lato. eficiência.4. imediatamente. portadores de deficiência. o interesse público. Daí decorre que deverá auxiliar na presteza do andamento judicial. Seu cargo é público. houver indício da prática de infração penal por parte do membro do Ministério Público. a quem competirá dar prosseguimento à apuração”. acidentados do tra­ balho). e deve cumprir sua tarefa com moralidade.XI — tomar assento à direita dos Juizes de primeira instância ou do Presidente do Tribunal. 1994. suas garantias e prerrogativas fundamentais são constitucionais. “c) grupos de pessoas determinadas ou determináveis (populações indígenas.)” (Hugo Nigro Mazzilli. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. Câmara ou Turma. a autoridade policial. geralmente está ligado à defesa de: “a) pessoas determinadas (incapazes. desde que haja abrangência suficiente do interesse a ser zelado. pelo qual deve zelar o órgão do Ministério Público. acesso à educação. na defesa do meio ambien­ te). Parágrafo único. Os deveres do Promotor de Justiça O Promotor de Justiça possui um compromisso com o público inafastável. remeterá. 87). p. “b) toda a coletividade (nas ações penais. suas principais atribuições legais e cons­ titucionais têm que ver com necessidades públicas. conforme se pode ler na Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (2005). tendendo à supremacia do interesse público. Não há como negar que o primordial dever ético do membro do Ministério Público é manter-se em sintonia com as necessidades sociais e públicas em tomo da justiça. na ação popular. na garantia da probidade 118.).

o consumidor.administrativa. elaborada pela Procuradoria-Geral de Justiça. 0 119. por solicitação do Procurador-Geral de Justiça ou de um quarto de seus integrantes.irma 1 promover a efetivação dos direitos fundamentais. p. não só nos processos. III — aprovar a proposta orçamentária anual do Ministério Público. Formação jurídica. modificações na Lei Orgânica e providências relacionadas ao desempenho das funções institucionais. ! 2. V — eleger o Corregedor-Geral do Ministério Público. 120. na prevenção e repressão ao desfalque do erário público. “Têm os membros do Ministério Público o dever de atender os necessitados: defender a vítima de crimes.1 9 e. conduta incompatível ou grave omissão nos deveres do cargo. conduta incompatível ou grave omissão nos 484 . IV — propor ao Poder Legislativo a destituição do Procurador-Geral de Justiça. 113). Deve ainda dedicar-se com justa prioridade ao comba­ te da criminalidade.). com o atendimento aos populares que procuram o promotor de justiça..625. à defesa do meio ambiente e ao zelo da probidade administrativa” (Hugo Nigro Mazzilli. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os Procuradores de Justiça. competindo-lhe: I — opinar. recomendada pelo Colégio de Procu­ radores de Justiça. e dá outras providências): Capítulo III — Dos Órgãos de Administração (arts. pode acarretar. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público.. bem como sobre outras de interesse institucional. “Art. e realizada pelo Corregedor-Geral de Justiça. em caso de abuso de poder.is penalidades. além de representar uma quebra da ética institucii mal. bem como os projetos de criação de cargos e serviços auxi­ liares. VI — destituir o Corregedor-Geral do Ministério Público. sobre matéria relativa à autonomia do Ministério Público. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. a aplicação. in Nalini (coord. 12 e 13). os acidentados do trabalho. pelo voto de dois terços de seus membros e por iniciativa da maioria absoluta de seus integrantes em caso de abuso de poder. pelo voto de dois terços de seus membros. na recri­ minação dos delitos e crimes que assolam a sociedade. Seção II — Do Colégio de Procuradores de Justiça (arts. Negligenciar no cumprimento desse compromisso social e público. quando grave. II — propor ao Procurador-Geral de Justiça a criação de cargos e serviços auxiliares. Lei n. de scu*i . a criança e o adolescente. como também fora deles. dessa f. 92 a 24). a manutenção da oulein democrática e a sincronia de funcionamento dos institutos jurídicos positi­ vados pelo legislador. inclusive com a possibilidade de suspensão de exercício e perda do cargo12 . assegurada ampla defesa. 8. na repressão ao abuso de poder por parte das autoridades públicas. de 12-2-1993 (DOU. dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Pú­ blico dos Estados. 1994.

a esperança de promoções ou os anseios de tomar-se uma figura pública podem desnortear os horizontes daquele que abraça essa carreira pública. XII — elaborar seu regimento interno. por representação do Procurador-Geral de Justiça ou da maioria de seus integrantes. Parágrafo único. que constituem seus deveres: Lei n. As decisões do Colégio de Procuradores de Justiça serão motivadas e publicadas. b) condenatoria em procedimento administrativo disciplinar. nem mesmo o temor de autoridades. conforme delineados pelo constituinte de 1988. ou não. XIII — desempenhar outras atribuições que lhe forem conferidas por lei. 8. que este ajuíze ação cível de decretação de perda do cargo de membro vitalício do Ministério Público nos casos previstos nesta Lei. e) de recusa prevista no § 32 do art. A sociedade carece de uma instituição ilesa e forte na defesa dos ideais constitucionais. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. decisão de arquivamento de inquérito policial ou peças de informação determinada pelo Procurador-Geral de Justiça. por extrato. e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público deveres do cargo. 485 . dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. IX — decidir sobre pedido de revisão de procedimento administrativo disciplinar. mediante requerimento de legítimo interessado. nos casos de sua atribuição originária. c) proferida em reclamação sobre o quadro geral de antiguidade. por motivo de interesse público. nos termos da Lei Orgâ­ nica.625.A imperativa necessidade social de existência e atuação do Ministério Púbico não faculta ao promotor a interrupção do cumprimento de seus de­ veres por quaisquer outros motivos. o promotor de justiça está adstrito a observar os seguintes ditames de seu estatuto institucional primordial. X — deliberar por iniciativa de um quarto de seus integrantes ou do Procurador-Geral de Justiça. VII — recomendar ao Corregedor-Geral do Ministério Público a instauração de pro­ cedimento administrativo disciplinar contra membro do Ministério Público. Ademais desse compromisso social. assegurada ampla defesa. 15 desta Lei. de membro do Ministério Público. de prestar justiça e contribuir para uma justiça nacional cada vez mais aperfeiçoada e próxima dos anseios populares. VIII — julgar recurso contra decisão: a) de vitaliciamente. X I— rever. de 12-2-1993 {DOU. salvo nas hipóteses legais de sigilo ou por deliberação da maioria de seus integrantes”. d) de disponibilidade e remoção de membro do Ministério Público.

XI — prestar informações solicitadas pelos órgãos da instituição.(arts. nos limites de suas atribuições. quando obrigatória ou convenienle a sua presença. funcionários e auxiliares da Justiça. vedando-se determinadas práticas. IV — obedecer aos prazos processuais. na respectiva Comarca. IX — tratar com urbanidade as partes. nos termos da lei. Assim é que. 43. com vistas ao integral cumprimento do que preceitua a respeito a Constituição Federal. podendo. XIV — acatar no plano administrativo as decisões dos órgãos da Ad­ ministração Superior do Ministério Público No entanto. dedicar-se a atividades de ensino. se não houvesse previsão expressa do legislador sobre o assunto. III — indicar os fundamentos jurídicos de seus pronunciamentos pro­ cessuais. o legislador cuidou de transformar princi486 >• . por suas prerrogativas e pela dig­ nidade de suas funções. em matéria de exercício de atividade pública. nos casos ur­ gentes. com zelo e presteza. considera-se que toda precaução é pouca. as providências cabíveis face à irregularidade de que tenha conhecimento ou que ocorra nos serviços a seu cargo. a qualquer momento. as suas funções. VI — desempenhar. Suas incumbências para com a sociedade são demasiadamente grandes para que se pudesse justificar certas espécies de favoritismos aos membros do Ministério Público dentro dos demais Poderes do Estado. VII — declarar-se suspeito ou impedido. 43 e 44). elaborando relatório em sua manifestação final ou recursal. VIII — adotar. X — residir. É em regime de dedi­ cação integral que deseja o legislador ver o promotor exercendo suas ativi­ dades institucionais. testemunhas. II — zelar pelo prestígio da Justiça. XII — identificar-se em suas manifestações funcionais. São deveres dos membros do Ministério Público. XIII — atender aos interessados. V — assistir aos atos judiciais. além de outros previstos em lei: I — manter ilibada conduta pública e particular. há que se advertir que o zeloso cumprimen­ to da profissão de promotor colidiria com outras incumbências que porven­ tura pudesse acumular. se titular. no entanto. “Art.

§ 5e. in Nalini (coord. vedações e/ou restrições1 1 2. exce­ to como cotista ou acionista. as atividades exercidas em organismos estatais afetos à área de atuação do Ministério Público. ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei. “São todas as pessoas físicas incumbidas. 122. Não constituem acumulação. III — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial. 8. do exercício de alguma função estatal. em Centro de Estudo e Aperfeiçoa­ mento de Ministério Público. para os efeitos do inci­ so IV deste artigo. 44. qualquer outra função pública. em entidades de representação de classe e o exercício de cargos de confiança na sua administração e nos órgãos auxi­ liares”. Ética dos agentes públicos Com a expressão agente público1 2 quer-se dar a maior amplitude 2 conceituai possível à grande diversidade das funções públicas. outras há (recebimento de custas. II.625. “Além dessas vedações.625/83). 44 da Lei n. Formação jurídica. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. IX. 487 . e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público (arts. que se revestem da condição de im­ pedimentos. percentagens ou custas processuais. da CF. 128. 129. art. Parágrafo único. salvo uma de Magistério. Os agentes normalmente desempenham funções do órgão.pios elementares de deontologia do exercente de cargo público em manda­ mentos institucionais típicos e legais. de 12-2-1993 (DOU. advocacia. quer- 121. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. da CF)” (Hugo Nigro Mazzilli. a qualquer título e sob qualquer pretexto. 5. Assim. honorários. V — exercer atividade político-partidária. “Art. art. 8. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes vedações: I — receber. honorários. IV — exercer. participação em sociedade comercial exceto como cotista ou acionista. Lein.5. além do impedimento de que o membro do Ministério Pú­ blico exerça a representação judicial ou a consultoria jurídica de entidades públicas (art. II — exercer advocacia. p. 43 e 44). ainda que em disponibilidade.). dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. definitiva ou transitoriamente. 81). 1994.

1994. Ia a 10). Ministros.. servidores temporários)1 24. mesmo utilizando-se dessa expressão.. Prefeito. 71). e dá outras providências — arts. Secre­ tários. leiloeiros ofi­ ciais. repartem-se inicialmen­ te em quatro espécies ou categorias bem diferençadas. se subdividem em subespécies ou subcategorias (. inclusive daqueles que estiverem incumbidos de de­ veres funcionais correicionais ou em Tribunais de Ética e Disciplina.) ou como agentes delegados (tradutores e intérpretes públicos. como agentes políticos (Presidente.. que. servidores exercentes de cargos em comissão. que exercer funções diretamente relacionadas com a ética funcional e a disciplina dos servidores. 123. nesta investigação. 2.-se abranger aqueles que se encontram ligados ao Estado de alguma forma. a fim de garantir o destemor na atuação: Decreto n.. Promotores. p. Deputados. sobretudo aquelás às quais corresponde o exercício de atividades pelos agentes administrativos (servidores concursados. exaurir e tratar de todas as possibilidades de carrei­ ras públicas ofertadas para a área jurídica.331. membro de comissão de estudo. 124. 2.)” (Meirelles. Direito administrativo brasileiro. por sua vez. ter-se-ão presentes apenas algumas das possíveis carreiras jurídicas estatais.). 1994. Direito administrativo brasileiro. o que se pretende é conferir um tratamento ao candente problema da ética funcional dentro das carreiras funcionais públicas do Governo e da Administração Direta e Indireta. “São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais. gênero que acima conceituamos. a saber: agentes políticos. sujeitos à hierarquia funcional e ao regime jurídi­ co único da entidade estatal a que servem” (Meirelles.. “Art. não se pensa que seja possí­ vel. inclusive investigando-se quais as estratégias atuais do legislador para compelir ao efetivo cumpri­ mento das medidas assumidas no plano constitucional1 5 Nesse sentido. Efetivamente. 1994. mas excepcionalmente podem exercer função sem cargo” (MeireUes. agentes honoríficos e agentes delegados. Senadores. distribuídas entre os cargos de que são titulares. de 12-10-1997 {DOU. Governador.)1 3 2. 71). 125.. agentes administrativos. Direito administrativo brasileiro. Por isso. 5a O servidor da Carreira de Auditoria do Tesouro Na­ cional lotado e em exercício na Corregedoria-Geral e nos seus Escritórios. servidores de cargo em comissão.71).. prestadores de serviços públicos. É de todo interessante pesquisar a esse respeito a importância que o legislador confere aos instrumentos de proteção. Juizes. como agentes admi­ nistrativos (servidores concursados. 2-10-1997) (Dispõe sobre a Corregedoria-Geral da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. mesários. P.. “Os agentes públicos. p. como agentes honoríficos (jurados. E. não 488 . servidores temporários).

deve-se empreender uma investigação que cuide de afirmar os cânones. os princípios e as normas que estão a reger o setor no sentido da garantia de uma melhor administração da justiça social. Dessa forma. ao desenvolvimento e à avaliação de desempenho dos servidores da Administração Federal direta. autárquica e fundacional. de Conta­ bilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. no exercício das atribuições inerentes às atividades de registros contábeis. fiscalização e avalia­ ção de gestão. sejam interesses pessoais do funcionário. II — elaborar. no plano normativo. “Art. 26. voltados para.180. 14-2-2001) (Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério do Planejamento. 25 a 41). E a esse res­ 2 peito não importa se se trata de cargo em comissão ou de cargo de provi­ mento efetivo12 7. propor. de 6-2-2001 (DOU. sua lotação em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal”. À Secretaria de Gestão compete: I — formular e propor políticas e diretrizes de reforma e modernização do Estado. assegurando-se-lhe. a força do princípio da moralidade. bem assim supervisionar a sua aplicação”. Lei n. de Administração Financeira Federal. forte pressão normativa no sentido da formação1 6e da obediência de códigos de ética funcional. 32 a 31). Seção II — Dos Órgãos Específicos Singulares (arts. sejam interesses imediatos de um cidadão. Orçamen­ to e Gestão — arts. 7-2-2001) (Organiza e disciplina os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal. De fato.. § 4a Os integrantes da carreira de Finanças e Controle observarão código de ética profissional específico aprovado pelo Presidente da República”. 3. Nenhum pro­ cesso.. é tão intensamente aclamada pelo texto constitucional que a própria cidadania será removido por um período de dois anos. e dá outras providências — Anexo I — Estrutura Regimental do Ministério do Planejamento. coordenar e apoiar a execução de programas e projetos de re­ forma e modernização do aparelho do Estado. à capacitação. de auditoria. 10. 126.) VI — propor políticas e diretrizes relativas ao recrutamento e seleção. (. após três anos de efetivo exercício. Tem-se exercido. Orçamento e Gestão. 127. Veja-se o seguinte Decreto: Decreto n. l e a 36): Capítulo III — Da Competência dos Órgãos (arts. ademais das pressões da população e da mídia. Entende-se que a moralidade administrativa é a principal responsabi­ lidade ética do agente público na atualidade. sejam interesses imediatos do governante. o que se há de dizer é que o interesse público que contorna o exercício das atividades do funcionalismo público está acima de quaisquer outros tipos de interesse. documento ou informação poderá ser sonegado aos servidores dos Sistemas de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. de 14-2-2001 (DOU.750. 22. 489 . “Art. 10 a 28). e dá outras providências): Título VI — Das Disposições Gerais e Transitórias (arts.

de 6-8-1997 — Anexo — Regulamento do Procedimento Licitatório Sim­ plificado da Petróleo Brasileiro S. e. “Art. a moralidade para o exercício do mandato. 1.1 a 1. vazada por digressões explícitas sobre o princípio da moralidade. 9. e do art.2 A licitação destina-se a selecionar a proposta mais vantajosa para a realização dn obra.478.1 “Este Regulamento.. Capítulo IV — Dos Direitos Políticos (arts. de 13-4-1994. 64. 67 da Lei n. da igualdade. 5-10-1988. 9.. 25-8-1998) (Aprova o Regulamento do Procedimen­ to Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S. de 6 de agosto de 1997. cargo ou emprego na administração direta ou indireta”1 8 2. do 18-5-1990. de 4 de junho de 1998. Vê-se. 173. que alterou Lei Complementar n. 3. 81. Lei Complementar n. com a redação dada pela Emenda n. nos termos da lei. 128. 2. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. da impessoalidade. 19. além de importante foco de dispersão de uma ética administrativa. — PETROBRAS): Capítulo I — Disposições Gerais (Itens 1. 14. bem como da vinculação ao instrumento convocatório.A — PETROBRAS previsto no art. § Ia. a moralidade das atividades públicas é a força centrípeta dos princípios da Administração Pública.. serviço ou fornecimento pretendido pela PETROBRAS e será processada e juli:. para con­ tratação de obras. a fim de proteger a probidade administrativa. com valor igual para todos. licitação.745. sobretudo desde a Constituição de 1988. mediante: § 9a Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. considerada a vida pregressa do candidato.) 490 . do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. serviços. compras e alienações.A. editado nos termos da Lei n. todo tipo de legislação que envolva atos públicos. De fato. (. da publi­ cidade. Inclusive dela tem-se ocupado o legislador diutumamente. da Constituição. 5a a 17). de 24-8-1998 {DOU. define as hipóteses de inelegibilidade por infração ao princípio da moralidade. da e c o n o m ic idade. Tenha-se como exemplo: Decreto n.1): 1. da moralidade. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. 129. disciplina o procedimento licitatório a ser realizado pela PETROBRAS.id:i com observância dos princípios da legalidade. no momento. com vistas à recri­ minação de atentados à cidadania nacional e à criação de uma cultura ético-administrativa1 9 em todas as esferas da União e sob quaisquer condições1 0 2..passiva (direito de ser votado) fica condicionada à ausência de infrações ao referido princípio: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 14 a 16).478.11.

ou. da moralidade. 37 a 43). como se lê a seguir: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. entre outras hipóteses. 191-A): Título III — Da Organização do Estado (arts. 5S. 491 . antes da assinatura do contrato correspondente. 5-6-1998. à moralidade administrativa. 18 a 43).521. da impesso­ alidade. Seção I — Disposições Gerais (arts. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. 15. sempre. a critério exclusivo da PETROBRAS. no texto constitucional. De fato. ao seguinte1 1 3: 1. ainda. bem assim dos que lhe são correlatos”. 131. caput. dos Estados. em contratação anterior.7 O ato de convocação da licitação conterá. um remédio constitucional de peculiar impor­ tância. 6e a 23). mediante permissão e autorização. sem que disso decorra. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. 37 da Constituição Federal de 1988. impessoalidade. 23-3-1998) (Dispõe sobre a exploração.Vincula-se. 37. um dos grandes instrumentos da cidadania. como segue: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. para os participantes. com redação dada pela Emenda Constitucional n. em detrimento da moralidade administrativa. LXXIII — qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de enti­ dade de que o Estado participe. de ser­ viços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros e dá outras pro­ vidências): Capítulo III — Da Delegação (arts. Artigo. A licitação para delegação de permissão será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios da legalidade. 5-10-1988. da probidade administrativa. vê-se o princípio da moralidade esculpido como norma-mandamento no art. Capítulo VII — Da Administração Pública (arts. 19. publicidade e eficiência e. da publicidade. 37 e 38). 191-A): “Art. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. disposição assegurando à PETROBRAS o direito de. da igualdade. administrativa ou financeira. 5-10-1988. de 20-3-1998 (DOU. salvo compro­ vada má-fé. recusar a adjudicação a firma que. Seção II — Da Licitação para Outorga de Serviços (arts. a ação popular como forma de anulação de atos públicos praticados. em vigor desde a publicação). revogar a licita­ ção. tenha revelado incapacidade técnica. Como mais um exemplo dessa preocupação: Decreto n. direito a reclamação ou indenização de qualquer espécie”. por exemplo. 130. “Art. de onde se extra­ em aliás outras grandes armas do cidadão para a defesa da melhoria e da qualidade do serviço público. 15 a 18). 2. ao meio am­ biente e ao patrimônio histórico e cultural. mora­ lidade. “Art. ficando o autor. do jul­ gamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. de 4-6-1998 (DOU. também.

1. de modo a fazer com que o Es­ tado. todo o povo ali presente. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento. suas subsidiárias. as obras. § 42 Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. Ética. pelo poder público. Assim. II — a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. fundações. XVII — a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. quando houver compatibilidade de horários. e. observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: a) a de dois cargos de professor. se consubstan­ cie numa só prática administrativa. na forma da lei. exce­ to. XVI — é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. portanto. direta e indiretamente. c) a de dois cargos pri\ ativos de médico. XXI — ressalvados os casos especificados na legislação. tendo-se em foco o ato e o procedimento. De fato. poder-se-á dimensionar qual a sua importância na vida quo­ 492 . mantidas as condições efetivas da proposta. empregos e funções públicas são acessíveis aos brasi­ leiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei. e sociedades controladas. ato e procedimento administrativo Este tópico possui sua relevância em meio a esta investigação na me­ dida em que o ato administrativo e o procedimento administrativo constituem os principais instrumentos de atuação da Administração Pública e do Esta­ do. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. compras e alienações serão contratados mediante processo de li­ citação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorren­ tes. na forma e gradação previstas em lei. ali representado. de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. técnico ou científico. 5. serviços. nos termos da lei. empresas públicas. a perda da função pública. assim como aos estrangeiros. na forma prevista em lei. sem prejuízo da ação penal cabível”. sociedades de economia mista.5. b) a de um cargo de professor com outro. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário.I — os cargos. o que há que se dizer é que o agente público exterioriza sua atuação por meio desses veículos formais.

p. 37 da Constituição Federal de 1988: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. se está a falar de ética profissional. extinguir e declarar direitos. pelas quais se im­ plementa. e que pode ser distorcido por ele. Direito administrativo brasileiro. 133. qual seja. Não se trata aqui tanto de analisar as condições formais pelas quais se implementa. atos administrativos enunciativos. E esse tipo de comportamento. o ato administrativo (atos administrativos normativos. Está-se. De fato. motivo. do ponto de vista da moralidade administrativa. sua eficácia e sua legalidade (competência. Quando se está a falar de moralidade do ato administrativo. a indisponibilidade dos bens 132. agindo nessa qualidade.. nitidamente lesivo aos interesses pú­ blicos envolvidos em toda prática administrativa. os modos. sobretudo àqueles que possuem vinculação direta e imediata com interesses públicos. Meirelles. Direito administrativo brasileiro. mas sim as condições morais. forjado e tra­ zido à luz pelo agente público. De fato. atos admi­ nistrativos negociais. 133). o respeito ao mandamento consti­ tucional que garante higidez ético-social aos atos jurídicos. atos administrativos ordinatórios. na medida em que se está apelando. ou impor obrigações aos administrados ou a si pró­ pria” (Meirelles. ato que é manipulado. resguardar. “Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que. 1994. a perda da função pública. atos administrativos punitivos)1 3 requer seja apreciado também sob a ótica da pertinência ao 3 princípio da moralidade. forma. 160-161. as características. finali­ dade. deve-se ter presente que. nesse sentido.tidiana do serviço público e qual a sua relevância da vinculação ao princípio da moralidade. mas. o que há é que o ato administrativo pode preencher inúmeros requisitos. fica sujeito à anulação.. a uma qualidade do ato administrativo. tenha por fim imediato adquirir. induz à aplicação do previsto no § 4a do art. 493 . transferir. O ato administrativo1 2possui características formais importantes que 3 garantem sua validade. portanto. 1994. às voltas com uma exigência que qualifica o ato por uma sua qualidade específica. Cf. objeto). as espécies. na atual sistemática legal e constitucional. modificar. se conflitar com o princípio da moralidade. entendendo-se que ato administrati­ vo significa ato de vontade da Administração Pública. p. em conluio ou não com o particular.

1994. Como proce­ dimento. Meirelles. e não pessoas ou empresas. 17. previstas especificamente em lei. tomada de preços. emprego público (Medauar. Cf. entende-se que o ato administrativo praticado em desconformidade com princípios fundamentais do direito. p. cargo. de modo a ser cassado em toda a sua possibilidade e potencialidade lesiva1 5 3. p. concurso) P 134. honradez. mencionar qual o tratamento que se confere a um dos principais procedimentos administrativos. p. que importe em enriquecimento ilícito ou proveito próprio ou de outrem no exercício de mandato. ou a prestação de um serviço (obra. permissão e locação)1 7 o procedimento licitatório. “Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administraçao Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. se encontra o da moralidade dos atos públicos. o faça de modo impessoal. Direito administrativo brasileiro. integridade de caráter. e. Tendo-se em vista que já se tratou do ato administrativo. sem dúvida. A probidade administrativa significa: “A probidade. a saber. 186-187. avaliando propostas. concessão. nesse momento. 137. Cf.666/93). 1996. compra. Uma das práticas administrativas de maior preocupação nesse sentido é o procedimento de licitação13 . entre os quais. o que propicia igual oportunidade a todos os interessados c atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos” (Meirelles. 135. Nessa medida. alienação. Meirelles. p. 1994. 143). 24 e 25 da Lei n. As voltas com a necessidade de contratar 6 a aquisição de material. Direito administrativo moderno. a licitação. As várias modalida­ des licitatórias (concorrência. Na linguagem comum. fica sujeito à anulação pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. probidade equivale a hones­ tidade. é o meio regular para o preenchimento dessa meta jurídico-administrativa. função. A improbidade administrativa tem um sentido forte de conduta que lese o erário público. afora as hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação (arts.e o ressarcimento ao erário. 3. na forma e gradação previstas em lei. serviço. desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a admi­ nistração e para os licitantes. 1994. pode ser taxado de ilegítimo. retidão. que há de caracterizar a conduta e os atos das autoridades e agentes públicos. leilão. 247). impassível de produzir efeitos passados. aparecendo como dever. É de particular importância que o Estado. presentes e futu­ ros. 8. convite. sem pre­ juízo da ação penal cabível”1 4 3. ao contratar. o que se está a dizer é que o ato ilegítimo é nulo. decorro do princípio da moralidade administrativa. 251. 494 . 136. deve-se. como tal. Direito administrativo brasileiro. iguali­ tário. Direi­ to administrativo brasileiro. Além do que ficou dito.

entre outros. Direito administrativo brasileiro. da vinculação ao instrumento convocatório. julgamento objetivo. Por isso. pu­ blicidade de seus atos. da probidade administrativa. Cf. 37. igualdade entre os licitantes. agora.devem prever. dentre os princípios básicos da licitação. Meirelles. 248). da publicidade. Ia a 5a). da moralidade. Ia a 19). Além de outras condições formais e legais. uma adequação. 1994. inclusive aparece no livro de Meirelles como uma atualização de texto: “Os princípios que regem a licitação.666. da igualdade. p. adjudicação compulsória ao vencedor. Um aspecto relevante a ser considerado quando se discute a importân­ cia da licitação é o fato de que esta é um instrumento procedimental para que a Administração Pública e o Governo executem as políticas de inter­ venção na vida das pessoas. 1994. Institui Normas para Licitações e Contratos da Administração Pública e dá outras Providências): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. surge como dever de todo administrador o respeito à probida­ de administrativa na prática de ato administrativo. do julgamento objetivo e dos que lhes são cor­ relatos”. resumem-se nos seguintes preceitos: procedimento formal. 22-6-1993) (Regulamenta o art. ao princípio da moralidade1 38: Lei n. de 21-6-1993 (DOU. no fornecimento de condições técnicas de saneamento. 3S)” (grifo nosso) (Meirelles. o da probidade administrativa (art. 139. na circulação de veículos. deve-se tratar o processo como forma de se revestir uma necessidade públi­ ca com a manta ética da atuação estatal: 138. Então. 250.. Seção I — Dos Princípios (arts. 495 . vinculação ao edital ou convite. da Constituição Federal. XXI. O Estatuto acrescentou. como condição de validade. nos espaços urbanos ou rurais. qualquer que seja a sua modalidade. no património público. Perceba-se que esta é uma preocupação recente. p. 3a A licitação destina-se a garantir a observância do princípio consti­ tucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Admi­ nistração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade. 8. da impessoalidade. “Art. Direito administrativo brasileiro. o que se quer ressaltar é o fato de que a probidade admi­ nistrativa foi incluída como uma condição de suma importância para a execução do ato administrativo1 9 3. o uso adequado da licitação transforma a sua mera utilidade prática para a Administração Pública em cânone do cumprimento dos compromissos constitucionais do Estado com a cidadania. Assim. sigilo na apresentação das propostas..

moralidade. motivação. suficientes para propiciar adequado grau de certeza. vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. 22A Administra­ ção Pública obedecerá. XI — proibição de cobrança de despesas processuais. vedada a renúncia lotai ou parcial de poderes ou competências. 11-3-1999) (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. dentre outros. de ofício. finali­ dade. Nos processos administrativos serão observados.Lei n. XII — impulsão. 496 . à apresentação de alegações finais. VI — adequação entre meios e fins. do processo administrativo. ret. IX — adoção de formas simples. nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Parágrafo único. I2 e 22). V — divulgação oficial dos atos administrativos. aos princípios da legalidade. 9. VII — indicação dos pressupostos de fato e de direito que determina­ rem a decisão. interesse público e eficiência. razoabilidade. decoro e boa-fé. ressalvadas as previstas em lei. III — objetividade no atendimento do interesse público. vedada a imposição de obrigações. VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados. contraditório. os critérios de: I — atuação conforme a lei e o Direito. II — atendimento a fins de interesse geral. “Art.784. sem prejuízo da atuação dos interessados. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. salvo autorização em lei. proporcionalidade. ressalvadas as hipó­ teses de sigilo previstas na Constituição. XIII — interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. entre outros. ampla defesa. segurança e respeito aos direitos dos administrados: X — garantia dos direitos à comunicação. vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades. à produção de provas e à interposição de recursos. segurança jurídica. de 29-1-1999 (DOU. l 2-2-1999. IV — atuação segundo padrões éticos de probidade.

com o que é governamental. que se protege em si e por si. caminha em direção à ideia de políticas públicas. O clamor público é nesse sentido. pois o que é público. com o que é desta geração ou desta sociedade atual. Sabe-se da necessidade de leis para exigirem novas posturas administrativas. inclusive incondicionalmente.. a busca de eficiência e atendimento das necessidades públicas em coopera­ ção com a sociedade civil. seja por meio do Executivo ou do Judiciário. a coisa pública tem de ser respeitada como condição para que se instrumentalizem os interesses individuais. ao sucateamento de determinadas áreas de atuação essencial do Estado. em grande parte. onde está a administração. no sentido da criação única e exclusiva de preceitos legais sobre ética e moralidade administrativa. ao mau uso do aparelhamento estatal. além de respeito à legalidade.. tal ato deve possuir uma pertinên­ cia tal com os interesses socioinstitucionais que não se permita a interfe­ rência de qualquer outra preocupação. mas também se sabe que sua eficácia práti­ ca é ainda insuficiente para deter as avalanches de imoralidades adminis­ trativas. ao desleixo na prática de atos administrativos. se define como algo que se defende. quando e onde for praticado um ato administrativo. A noção de público aqui está a nortear toda a reflexão. o que passa a reclamar do servidor. Assim. também. no entanto. Enfim. e. por natureza. criar uma forte e consistente política de bani­ mento e expurgo das imoralidades administrativas.Desse modo. senão aquelas que ainda mais pro­ fundamente sejam capazes de aperfeiçoar as mesmas instituições. Quer-se dizer que o desprestígio das instituições públicas tem como principal fato gerador o menosprezo da consciência social deferido à coisa pública. além de se trilhar a mesma linha do legislador. onde está o governo. seja por meio do Legislativo. Na medida em que se está a praticar um ato que tem que ver com a administração concreta da justiça social. o descrédito das instituições públicas se deve. enfim. coletivos e difusos por meio de mecanismos comuns a todos. Deve-se. Aquilo que é público não se confunde com aquilo que é definido como coletivo. mais do que centrada na ideia de atos administrativos. portanto. 497 . independentemente de qualquer causa ou razão especial. uma política de moralização dos setores públicos parece se constituir numa reivindicação de primeiro escalão. no atual contexto. A cultura contemporânea. so­ bretudo. à transformação do exercício de função pública como se privada fosse. ali deve estar o com­ promisso com a coisa pública.

II — exercer o controle da legalidade e legitimidade desses bens e rendas. emprego ou função. tudo com vistas à efetiva proteç u> do patrimônio público: Lei n. 498 . 11-11-1993) (Estabelece a Obri­ gatoriedade da Declaração de Bens e Rendas para o Exercício de Cargos. § le A declaração de bens e rendas será transcrita em livro próprio dc cada órgão e assinada pelo declarante. prevê-se toda uma sistemática para que haja controle de bens por parte de alguns agentes públicos.Os tacanhos avanços nessa área são de grande relevo. inexistindo esta. VII — todos quantos exerçam cargos eletivos e cargos. com apoio nos sistemas de controle interno de cada Poder. § 2S O declarante remeterá. com indicação das fontes de renda. se for o caso. III — adotar as providências inerentes às suas atribuições e. por pai to das autoridades e servidores públicos adiante indicados: I — Presidente da República. para o fim de este: I — manter registro próprio dos bens e rendas do património privado de autoridades públicas. renúncia ou afastamento definitivo. ainda que não sejam suficientes para debelar toda uma corrente de efeitos que ainda per­ duram como consequência de uma linha antiética que por longo tempo preponderou na administração da justiça social. no término da gestão ou mandato e nas hipóteses de exoneração. na entrada em exercício de cargo. a título exemplificativo. IV — membros do Congresso Nacional. de 10-11-1993 (DOU. e dá outras providências): “Art. II — Vice-Presidente da República. incontinenti.730. representar ao Poder competente sobre irregularidades o u abusos apurados. no momento da posse ou. ls É obrigatória a apresentação de declaração de bens. Empregos e Funções nos Poderes Executivo. uma cópia da declaração ao Tribunal de Contas da União. 8. Legislativo e Judiciário. V — membros da Magistratura Federal. Inclusive. bem como no final de cada exercício financeiro. empregos ou funções de confiança. VI — membros do Ministério Público da União. III — Ministros de Estado. de qualquer dos Poderes da União. na administração direta. indireta e fundacional.

pelo compromisso com o público. inclusive mediante a Constituição da 140. Ia a 3a): “Art. 5. ret. por extra­ to. ética profissional e compreensão dos deveres e. Código de Ética do servidor público civil federal Os próprios degraus da carreira pública encontram-se vinculados a requisitos impostos pela ética profissional. para definir os parâ­ metros pelos quais serão apreciados os comportamentos dos agentes públi­ cos. 30. 1. as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética. “Art. durante sua permanência na classe. que com este baixa.5. de 22-6-1994 (DOU. Quer-se. de 12-7-1960 (DOU. pela produtividade.IV — publicar. 499 . e dá outras providências): Capítulo VII — Da Promoção (arts.2. E. na forma da lei”. é que se apreciará o Código de Ética a seguir apresentado (Decreto n. pela tempestividade dos atos praticados. 2a Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão. 1. 23-6-1994) (Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (arts. periodicamente. ou às respectivas Comissões. 12-7-1960. Decreto n.780. inclusive. pelo zelo profissional. bem assim. o que há é que a ascensão por mérito em carreiras públicas é sempre avaliada pela suficiência funcio­ nal. para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou à moralidade administrativa. pela urbanidade do agente público. VI — fornecer certidões e informações requeridas por qualquer cida­ dão. Estabelece os Vencimentos Correspondentes. Art. V — prestar a qualquer das Câmaras do Congresso Nacional. espírito de colaboração. restringir. informações solicitadas por escrito.171. Parágrafo único. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. pela ética profissional1 40. de capacidade e eficiência. ainda que formalmente. 20-9-1960) (Dispõe sobre Classificação de Cargos do Serviço Civil do Poder Executivo. os servidores públicos federais. e... estruturado com vistas à repreensão dos atos desviantes dos interesses públicos contidos nas atividades públicas. no Diário Oficial da União. em sessenta dias. dados e elementos constantes da declaração. com isso. em específico. 29 a 33). Assim.171/94). 3. Lei n. de pontualidade e assiduidade. a escalada na carreira pública aos infratores da ética profissional. A promoção obedecerá sempre à ordem de classificação do funcionário na lista de merecimento”. ls Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. de qualificação para o desem­ penho das atribuições de classe superior.

integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. 500 . o decoro. ou fora dele. na seção in­ titulada Das Regras Deontológicas. Art. em fator de legalidade (IV).respectiva Comissão de Ética. dispõe que: •A dignidade. na conduta do ser­ vidor público. o oportuno e o inopor­ tuno. consoante as regras contidas no art. Seus atos. cm seu Anexo ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. o texto do Decreto n. percebe-se a latitude dos compromissos funcionais assumidos por aqueles que estarão a desempenhar atividades junto à Admi­ nistração Pública. mas extremamente extensivo em seu texto Anexo. já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.171. o zelo. 37. como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade. Quando se está à volta com a aná­ lise do texto do decreto. Parágrafo único. e por isso se exige. 32 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação”. • A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. sc|a no exercício do cargo ou função. onde se prevcem os comportamentos éticos segundo os quais se poderão avaliar o desempe­ nho e o zelo dos profissionais públicos. erigindo-se. devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo (III). • A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade. da Constituição Federal (II). não terá de decidir somente entre o legal e o ilegal: o justo e o injusto. que a moralidade administrativa se integre no direito. como contrapartida. o conveniente e o inconveniente. como consequência. até por ele próprio. caput e § 4fl. Assim. • O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. De fato. mas principalmente entre o honesto e o desonesto. 1. em seu Capítulo I. com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. A constituição da Comissão de Ética será comunica­ da à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público. O texto do decreto é sucinto na indicação de suas características nor mativas. I a XV. comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos (I). de 22-6-1994. nos arts.

imputável a quem a negar (VII). ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum. a boa vontade. portanto. a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade. • Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que com­ pete ao setor em que exerça suas funções. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la. os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional (VI). Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. • A cortesia. mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência. por descuido ou má vontade. Da mesma forma. causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público. • Toda pessoa tem direito à verdade. Os repetidos erros. integrante da sociedade. permitindo a formação de longas filas. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro. não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado. às vezes. • Salvo os casos de segurança nacional. seu tempo. a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso. • A função pública deve ser tida como exercício profissional e. evitando a conduta negligente. Assim. se integra na vida particular de cada servidor público. difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo impru­ dência no desempenho da função pública (XI). não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade. o êxito desse trabalho pode ser conside­ rado como seu maior patrimônio (V). e. ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço.• O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar. já que. deteriorando-o. investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública. 501 . suas esperanças e seus esforços para construí-los (IX). • O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus supe­ riores. da opressão ou da mentira. mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos (X). nos termos da lei. o cuidado e o tempo dedicados ao serviço pú­ blico caracterizam o esforço pela disciplina. como cidadão. assim. o descaso e o acúmulo de desvios tomam-se. ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação (VIII). velando atentamente por seu cumprimento.

h) ter respeito à hierarquia. k) ser assíduo e frequente ao serviço. na certeza de que sua ausência provo­ ca danos ao trabalho ordenado. perfeição e rendimento. respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público. o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas (XII). n) participar dos 502 . nacionalidade. i) resistir a todas as pressões de superiores hierár­ quicos. idade. cor. de causar-lhes dano moral. religião. f) ter consciência de que seu tra­ balho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos. condição essencial da gestão dos bens. cunho político e posição social.• Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público. de contratantes. b) exercer suas atribuições com rapidez. prin­ cipalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na pres­ tação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições. dessa forma. as atribuições do cargo. refletindo negativamente em todo o sisiema. a melhor e a mais vantajosa para o bem comum: d) jamais retardar qualquer prestação de contas. pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva. g) ser cortês. pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias. m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho. exigindo as providências cabíveis. aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público. pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação (XIII). sexo. 1) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público. no exercício do direito de greve. e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços. seguindo os méto­ dos mais adequados à sua organização e distribuição. j) zelar. ilegais ou aéticas e denunciá-las. com o fim de evitar dano moral ao usuário. • O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional respeitando seus colegas e cada concidadão. disponibi­ lidade e atenção. direitos e serviços da coletividade a seu cargo. abstendo-se. colabora e de todos pode receber colaboração. escolhendo sempre. a tempo. leal e justo. função ou emprego público de que seja titular. ter urbanidade. reto. sem qualquer espécie de preconcei­ to ou distinção de raça. • São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar. benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais. c) ser probo. quando esti­ ver diante de duas opções. porém sem nenhum temor de represen­ tar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal. demons­ trando toda a integridade do seu caráter. interessados e de outros que visem obter quaisquer favores.

i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos. simpatias. de forma absoluta. segurança e rapidez. • É vedado ao servidor público: a) o uso do cargo ou função. doação ou vantagem de qualquer espécie. s) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas. mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei. j) desviar servidor público para atendimento a interesse particu­ lar. de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores. facilidades. 1) 503 . b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço públi­ co e dos jurisdicionados administrativos. u) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética. antipatías. solicitar. poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público. h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências. f) permitir que perseguições. g) pleitear. comissão. conivente com erro ou infração a esse Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. sem estar legalmente autorizado. caprichos. com critério. provocar. sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira. as tarefas de seu cargo ou função. para si. posição e influências. o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função. t) abster-se. c) ser. livro ou bem pertencente ao patrimônio público. as normas de serviço e a legisla­ ção pertinentes ao órgão onde exerce suas funções. prêmio. tempo. d) usar de arti­ fícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa. familiares ou qualquer pessoa. com os jurisdicionados administrativos ou com os colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. tendo por escopo a realização do bem comum. de exercer sua função. qualquer documento. causando-lhe dano moral ou material. q) cumprir. p) manter-se atualizado com as instruções. amizades. e) deixar de utili­ zar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conheci­ mento para atendimento do seu mister. tanto quanto possível. gratificação. k) retirar da repartição pública. para obter qualquer favorecimento. es­ timulando o seu integral cumprimento (XIV). paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público. r) facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito.movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções. para si ou para outrem. para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim. mantendo tudo sempre em boa ordem. em função de seu espírito de solidariedade.

a honesti­ dade ou a dignidade da pessoa humana. deverá ser criada uma Comissão de Ética. 504 . se for o caso. denúncias ou representações formuladas contra o servidor público. para a apu­ ração de fato ou ato que. poderá instaurar. terão o rito sumário. os registros sobre sua conduta ética. qualquer cidadão que se identifique ou quaisquer entida­ des associativas regularmente constituídas (XVII). desde que formuladas por autoridade. • Cada Comissão de Ética. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. o) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso (XV). e. se apresente contrário à ética. se houver. • À Comissão de Ética incumbe fornecer. poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expe­ diente para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão. integrada por três servidores públicos e respec­ tivos suplentes. a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta. • Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidencia. de ofício. de amigos ou de terceiros. podendo ainda conhecer de consultas. competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura (XVI). se a apuração decorrer de conheci­ mento de ofício. jurisdicionados administrativos. cuja análise e deliberação forem reco­ mendáveis para atender ou resguardar o exercício do cargo ou função pública. à entidade em que. em princípio. • Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta. indireta. em benefício próprio. cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Esta­ do (XIX). encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor. fato ou conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético -profissional. autárquica e fundacional. ou apenas este. ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público. m) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente. em conformidade com este Código. ouvidos apenas o queixoso e o servidor. processo sobre ato. de parentes. n) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral. servidor. para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público (XVIII).fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço. cumulativamente. • Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética. aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores.

por força de lei. Uma cópia completa de todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República (XXI). caben­ do à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente superior o seu conhe­ cimento e providências (XX). aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões (XXIII). perante a respectiva Comissão de Ética. entende-se por servidor público todo aquele que. divulgadas no pró­ prio órgão. Ademais. as fundações públicas. • A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contrata­ do. • Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investido em função pública. para as pro­ vidências disciplinares cabíveis. • A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de cen­ sura e sua fundamentação constará do respectivo parecer. o servidor público esteja inscrito. as entidades paraestatais. um compromisso sole­ ne de acatamento e observância das regras estabelecidas por esse Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradi­ ção e pelos bons costumes (XXV). na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado. temporária ou excepcional. alegando a falta de previsão nesse Código. contrato ou de qualquer ato ju­ rídico. preste serviços de natureza permanente. as empresas públicas e as sociedades de economia mista. criadas com o fito de formação da consciência ética na prestação de serviços públicos. ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado (XXIV). • Para fins de apuração do comprometimento ético. com a omissão dos nomes dos interessados. desde que ligado direta ou indireta­ mente a qualquer órgão do poder estatal.por exercício profissional. O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético da própria Comissão. serão resumidas em ementa e. no plano dos deveres do servidor. assinado por todos os seus integrantes. com ciência do faltoso (XXII). como as autarquias. • As decisões da Comissão de Ética. deverá ser prestado. ainda que sem retribuição financeira. bem como remetidas às demais Comissões de Ética. alistam-se as seguintes exigências que garantem a higidez do serviço e a adequada prestação de atendimento às necessidades públicas e sociais: 505 . cabendo-lhe recorrer à analogia.

18-3-1998) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União.Lei n. Não cumpridos esses deveres. ressalvadas as protegidas por sigilo. V — atender com presteza: a) ao público em geral. b) à expedição dc certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal.112. de 11-12-1990 (DOU. tenha condições técnicas de contribuir para o e\ercício das atividades estatais. “Art. 8. aos moldes da mera omissão dc ile­ galidades. 141. II — ser leal às instituições a que servir. portanto. omissão ou abuso de poder". VII — zelar pela economia do material e a conservação do património público. além da prevenção que sua aplicação enseja” (Lazzarini. das Autarquias e das Fundações Públicas Federais): Título IV — Do Regime Disciplinar (arts. fica o servidor sujei­ to às sanções disciplinares legais1 1 4. Percebe-se. 12-12-1990) (DOU. pois. que os deveres do servidor público não se restringem a ser simplesmente deveres negativos. inclusive. / < ‘tii(loi ik direito administrativo. tendo p fim a correção sua. São deveres do servidor: I — exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo. 116). VIII — guardar sigilo sobre assunto da repartição. exceto quando manifestamente ilegais. XI — tratar com urbanidade as pessoas. “Pena disciplinar é a sanção imposta ao funcionário público faltoso. de contribuir para o combate da ilegalidade e do abuso de poder. VI — levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo. 402). p. Capítulo I — Dos Deveres (art. 16. e.■ mações requeridas. prestando as infor. e. 19-4-1 w iret. IX — manter conduta compatível com a moralidade administrativa: X — ser assíduo e pontual ao serviço. 1995. c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. 506 . IV — cumprir as ordens superiores. São deveres na medida em que este é o conteúdo mínimo de conduta profissional para que o servidor seja considerado um agente público. III — observar as normas legais e regulamentares. 116 a 142). XII — representar contra ilegalidade. atuante. mas avançam no sentido de exigir do servidor uma atitude comissiva.

5-6-1998. direito e responsabilidade de todos. instituída por lei como órgão permanente. II — polícia rodoviária federal. IV — polícias civis. 144. em vigor desde a publicação). “Art.3. orga­ nizado e mantido pela União e estruturado em carreira. em vigor desde a publicação). um dever do Estado: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. de 4-6-1998 (DOU. IV — exercer. Polícias civil e militar: ética e segurança pública É a partir da atribuição constitucional que se pode diferenciar o signi­ ficado das entidades que atuam no desempenho de atividades de segurança pública. aeroportuária e de fron­ teira1 3 4. através dos seguintes órgãos: I — polícia federal.5. 5-6-1998. o contrabando e o descaminho. 19. 144). V — polícias militares e corpos de bombeiros militares. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n.5. 136 a 144). Capítulo III— Da Segurança Pública (art. segundo se dispuser em lei. III — polícia ferroviária federal. 507 . 144 um conjunto de preceitos que destinam recursos e competências para entidades que devem concorrentemente exer­ cer a segurança pública. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. ou seja. de 4-6-1998 (DOU. 142. §1SA polícia federal. 19. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas dè competência. com exclusividade. 143. A segurança pública. III — exercer as funções de polícia marítima. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. dever do Estado. destina-se a1 42: I — apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. § l 2 com redação dada pela Emenda Constitucional n. Pode-se localizar no art. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. II — prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. 5-10-1988. as funções de polícia judiciária da União.

§ 7a A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública. “Essa divisão constitucional. organi/adn e mantido pela União e estruturado em carreira. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. § 5a As polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. 144. órgão permanente. do Território ou do Distrito Fe­ deral. do Distrito Federal e dos Territórios. 2. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. “A polícia federal tem por funções: 1. além das atribuições definidas em lei. aos Governadores dos Estados. juntamente com as polícias civis. § 8a Os Municípios poderão constituir guardas municipais desti nadas à proteção de seus bens. conforme dispuser a lei".§ 2a A polícia rodoviária federal. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. Não se pode confundir. polícia civil e polícia militar. aos corpos de bombeiros militares. § 6a As polícias militares e corpos de bombeiros militares. restando ao Prefeito do Município organizar o policiamento dos monumentos públicos. a polícia militar se incumbe da polícia ostensiva e da salvaguarda da ordem pública. § 3a A polícia ferroviária federal. Ibrças au­ xiliares e reserva do Exército. poderia ser reduzida a uma tríplic categoria: polícia federal. portanto. incumbem. ressalvada a competência da União. dirigidas por delegados de polícia dc carieira. assim como outras infrações cuja prática tenha re p e rc u ss ã o interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. Então. incumbe a execução de atividades de defesa civil. prevenir e reprimir o tráfico 508 . Aml\is> são atribuições do Governador do Estado. inteiramente controladas normativamente pela Constituição. de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. destina-se. órgão permanente. serviços e instalações por meio da guarda metropo­ litana1 4 4. subordinam-se. serviços e instalações. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. destina-se. na verdade. organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. as atividades da polícia civil enni aquelas que são próprias da polícia militar: a polícia civil incumbe-se da polícia judiciária e da apuração de infrações penais. está-se diante de situações típicas. no sentido de se garantir a eficièni ia nu organização dessas instituições importantes para a guarda da lei no corpo social. § 4a Às polícias civis. serviços e interesses da União ou de suas entidade au­ tárquicas e empresas públicas. exceto as militares.

O grande desafio de promover segurança com cidadania. exercer as funções de polícia judiciária da União. p. O agente de segurança. além das atribuições definidas em lei. . incumbe a execução de atividades de defesa civil.De qualquer forma. há em comum com essas atividades de segurança a natureza de serviço a favor da comunidade. sendo estes valores complementares e não opostos. deve ser: aquele que é fiel cumpridor de seus deveres e atribuições. o policiamento comunitário e as diversas formas de aprimoramento da polícia e sua atividade socialmente relevante de defesa da pessoa humana devem estar em discussão para que a polícia não se vulgarize em valores e se equi­ pare à própria atividade violenta que procura combater. mas se subor­ dinam. patrulhar ostensivamente as ferrovias federais (polícia ferroviária federal). 6. 3. aérea e de fronteiras. serviços e instalações” (Nalini. “A comunidade recebe todos os dias carga considerável de queixas e críticas contra a polícia. patrulhar ostensivamente as rodovias federais (polícia rodoviária federal). a quem. Um de seus organismos. exigem propina e participação no produto do crime. destacado pelo constituinte. Ética geral e profissional. 4. em sua investidura pública. Ambos são considerados forças auxiliares e reserva do Exército. p. truculência. aquele que é servidor da ilícito de entorpecentes e drogas afins. utilizam-se de tortura e não respeitam. Ademais. “A polícia militar se encarrega do policiamento ostensivo e da preservação da ordem pública. com exceção das militares. hoje entidade federativa. surgem as arbitrariedades e os ilegalismos aos quais nem mesmo o Estado é capaz de enfrentar. que atiram antes de saber quem são suas vítimas. A Constituição prevê sejam elas dirigidas por delegados de po­ lícia de carreira. é o corpo de bombeiros mili­ tares. fazem surgir drogas nas revistas a que procedem. qualquer direito humano” (Nalini. Ruindo esse conceito. 5. e é esse conceito que se está diluindo dentro de uma cultura do desmando e da corrupção dos poderes1 5 4. exercer as funções de polícia marítima. 1999. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. em síntese. Ética geral e profissional. tendo-se em vista que seus pró­ prios agentes estão envolvidos na corruptela dos sagrados valores sociojurídicos. “É reservado ao município. assim como a polícia civil. é o desenvolvimento de uma cultu­ ra de educação e direitos humanos no interior das corporações. 145. aos governadores. “A polícia civil exerce as funções de polícia judiciária e apuração das infrações penais. o contrabando e o descaminho. 285). 1999. constituir guardas municipais com o único objetivo de proteger seus bens. São policiais arbitrários. discriminação e violência tomam conta da cultura da segurança pública é o próprio Estado de Direito que está ameaçado em sua legitimidade social. 283-284). Quando corrupção.

com certeza. o aumento insuportável das taxas de criminalidade. Eis aí uma deontologia dos agentes públicos de segurança1 6 4. invariavelmente. adoção de critérios objetivos de aferiçao do desempenho.ule. recuperação salarial. A erosão das instituições. 78). 1995. <le\ endo ser fiel cumpridor dos deveres legais. que se incumbem da segurança pública1 8 Premidos 4. Nesse contexto é que não se pode cogitar da existência de diferenças e melindres entre os exercentes das atividades de segurança pública e. Mas toda essa deontologia se toma mero código fraco de obrigações éticas quando se está diante de um grave problema social e político: a falta de valorização da segurança pública. 146. a corrupção dos agentes públicos. cm 1980. entre policiais civis e militares1 9 todos estão investidos 4. aquele que é protetor incondicional das pessoasaquele que é profissional responsável no exercício de suas atividades.. 303). dispersão de esforços. f) o problema do menor” (Lazzarini. “O relatório dos juristas reunidos no Fórum Criminalidade e Violência. dentre os quais avulta a observância eslnta às normas éticas” (Nalini. 1999. servidor de sua comunidade. geraram o sucateamento das instituições. “A sadia convivência entre as polícias. p. por vezes seus agentes se encontram diante de situações que facilitam o descumprimento dos deveres profissionais ineren­ tes ao exercício da função pública. igualmente voltadas à conseci ição do bem comum. primando pela ética profissional em favor dos interesses públicos decorrentes da própria natureza da ativi J. da super­ posição de meios. d) a falta de planejamento familiar. p. entre outros fatores.*47. 148. Uma falsa noção de conflito de atribuições é.comunidade à qual se liga. já apontava como fatores sociais geradores de insegurança os seguintes: a) crescimento populacional acelerado. mais especificamente. deve o profissional que adentra à função capacitar-se para o exercício do mister independente de qualquer condicionamento exterior. Eles ocorrem. reforço dos padrões qualitativos. a falta de investimento no setor. Nas raí/es da 510 . protetor de todas as pessoas e profissional responsável” (Nalini. por necessidades imediatas. p. Ética geral e profissional. 147. submete-se a quatro coordenadas. E as receitas são as já conhecidas de todos: adoção de mecanismos adequados de seleção e de capacitação dos quadros. Ética geral e profissional. busca de notoriedade por policiais. está condicionada ao desenvolvimento da consciência ética de seus integrantes. não raras vezes. a criação de uma cons­ ciência generalizada da impunidade. b) a má distribuição demográfica. 1999. que denominam de atritos entre as polícias. c) a distribuição inndequada de renda. 288). Nessa condição. de reconhe­ cida necessidade social. e) as favelas e conglomerados.. No entanto. 149. noticiam conflitos entre órgãos policiais. a desvalorização do conceiiu do\ agentes públicos. Essa deontologia se extrai das lições de Nalini: “O policial é o servidor encarre­ gado de fazer cumprir a lei. a causa desses melindres: “Os órgãos de comunicação social. Estudos de direito administrativo.

portanto. inevitavelmente. ou re-construção.de poderes. “Art. de 27-9-1966 (DOU. sexo. encontra-se. 511 . ret. o que significa. Seção II — Da Promoção por Merecimento (arts. das forças públicas. sentimentos corporativistas e até classistas. 72 da Lei n. 30 a 102). fatos políticos” (Lazzarini. 4. que não se confundem. de sua própria produtividade. 5a a 192). cor. 43 a 74). 59. Capítulo VI — Da Pro­ moção (arts. Em todos os sentidos. urna vez que seria capaz de reabilitar a integridade desses órgãos socioinstitucionais.878. com todas as letras. de pontualidade e assiduidade. 1995. Ia a 4a). 1973) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Funcionários Policiais Civis do Departamento Federal de Segurança Pública e da Polícia do Distrito Federal. III — erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualda­ des sociais e regionais. raça. como forma de renovação das mentalidades profissional e social em tomo da questão da segurança pública. podemos encontrar objetivamente uma mistura de desconhecimento da lei. nos dizeres constitucionais: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. IV — promover o bem de todos. E nesse sentido que se pode dizer que a ética funciona como instrumento social de alto valor. 3a Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I — construir uma sociedade livre. inclusive. na Forma Prevista no art. 62). 43. mas que se direcionam para a realização de ideais conjuntos do Estado: a construção de um Estado democrático. tendo-se em vista a diferenciação de competências. 191-A): Título I — Dos Principios Fundamentais (arts. Além do mister ético. II — garantir o desenvolvimento nacional. com vistas ao aumento da eficácia de sua atuação. 5-10-1988.310. a ética se constitui um pilar a favor da construção. “Art. ética profissional e compreen- divergência. sem preconceitos de origem. justa e solidária. 5-10-1966. de capa­ cidade e eficiência. de 3 de dezembro de 1965): Título II — Do Provimento e da Vacância (arts. idade e quaisquer outras formas de discriminação”. Estudos de direito administrativo. p. durante sua permanência na classe. previsão de estímulo ao profissional que valoriza a atuação ética: Decreto n. busca de publicidade pessoal e num ano eleitoral. e ao cumprimento das finalidades que deram origem ao seu surgimento corporativo. espírito de colaboração.

com vistas à realização máxima do profissional em serviço e à máxima serventia das instituições ou da organização para a sociedade. VII — praticar a camaradagem e desenvolver. Se­ ção II — Da Ética do Bombeiro Militar (arts.479. 55. Ética profissional é a capacidade de discrição demonstrada pelo funcionário no exercício de sua atividade. no exercício de suas funções: Lei n. O senti­ mento do dever. são exigências do próprio Código de Ética Profissional /dar pelo conceito social da instituição à qual pertence o atuante do órgão de segurança. Art. permanentemente. IX — ser discreto em suas atitudes e maneiras e em sua linguagem escrita e falada. moral. Capítulo I — Das Obrigações dos Bombeiros Militares (arts. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. 512 . tendo em vista o cumprimento da missão comum. 29. 28 a 3 1). 7.479. de qualificação para o desempenho das atribuições de classe superior. Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. 7. II — exercer. “Art. de 2 de junho de 1986): Título II — Das Obrigações e dos Deveres dos Bombeiros Militares (arts. IV — cumprir e fazer cumprir as leis. as instruções e as ordens das autoridades competentes. 4-6-1986) (Aprova o Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. 29 a 31). morais. os regulamentos.são dos deveres e. conduta moral e profis­ sional irrepreensíveis com a observância dos seguintes preceitos da ética do bombeiro militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos da dig­ nidade pessoal. entre outras exigências pessoais. o espírito de cooperação. e dá outras providências. 28 a 50). Anexo à Lei n. de 2-6-1986 (DOU. III — respeitar a dignidade da pessoa humana. o brio do bombeiro militar e o decoro da classe impõe a cada üm dos integrantes do Corpo de Bombeiros. prol insídnais e técnicas. assim como de agir com cortesia e polidez no trato com os colegas e as parles'’. VIII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. V — ser justo e imparcial nos julgamentos dos atos e na apreciaçao do mérito dos subordinados. também. físico e. intelectual. ou em razão dela. psicológicas. pelo dos subordinados. Ademais. com autoridade. bem assim. eficiência e probidade. VI — zelar pelo preparo próprio.

XI — acatar as autoridades civis. à polícia civil.3.1. d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou referentes à Corporação. XVI — observar as normas de boa educação. e e) no exercício de cargo ou função de natureza civil. XIV — garantir a assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar. b) em atividades comerciais. Por lidar diretamen­ te com questões de violência e liberdade. fora do âmbito apropriado. XVIII — abster-se. excetuando-se os de nature­ za exclusivamente técnica. na situação de inatividade. que não se confundem com as exercidas pela polícia militar (polícia ostensiva e preservação da ordem pública). mesmo fora do serviço ou na inatividade. Essas atividades. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular. c) em atividades industriais. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética de bombeiro militar”. que chefiam e coordenam as 513 . serão dirigidas por delegados de polícia de carreira. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. por delegação constitucional. esta profissão tem matiz muito delicado. Delegado de polícia: ética e autoridade As funções de polícia judiciária e de apuração de infrações penais incumbe. mesmo que seja da Administração Pública. XIX — zelar pelo bom nome do Corpo de Bombeiros e de cada um de seus integrantes. XV — conduzir-se. do uso das designações hierárquicas quando: a) em atividades político-partidárias. se devidamente autorizado.X — abster-se de tratar. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. XII — cumprir seus deveres de cidadão. XVII — abster-se de fazer uso do posto ou graduação para obter faci­ lidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios parti­ culares ou de terceiros.5. 5. do respeito e do decoro de bombeiro militar.

assim como da repressão de delitos. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. está investido de instrumentos para o exercício da lei penal e processual penal.. aos Governadores dos Estados. e se a coerção pode chegar ao limite do exercício fático do monopólio da força. como tal. forças au­ xiliares e reserva do Exército. subordinam-se. 144.898. Entre uso de autoridade e abuso de autoridade1 0 existe 5 grande vão. conforme previsão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos. A segurança pública. A Lei de Abuso de Autoridade foi instituída exatamente com o intuito de puim' autoridades que se valem da condição de exercente de um poder do Estado para comeier desmandos. do Distrito Federal e dos Territórios". incumbem. esse exercício deve ser moderado e invocado somente quandi >da ocorrência de necessidades emergenciais e incontomáveis. preenchido por todas as preocupações que se destacam dos direitos humanos. Enfim. exceto as militares. ressalvada a competência da União. 5-10-1988. sua formação deve necessaria­ mente estar muito bem cercada por preocupações vindas da educação em direitos humanos. lê-se na Constituição: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 136 a 144). O delegado de polícia é autoridade pública e. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. direito e responsabilidade de iodos. 5.). de 9-12-19ÍÕ e Lei n. 514 .). juntamente com as polícias civis. dever do Estado.249. § 42 Às polícias civis. dirigidas por delegados de polícia de carreira.. “Ari. É evidente que. De fato... investigadores. Mas esse acúmulo de poder não significa abertura para a arbitrariedade. por isso. § 6SAs polícias militares e corpos de bombeiros militares. Capítulo III — Da Segurança Pública (art. no sentido da prevenção de delitos. A autoridade do delegado de polícia possui limites caracteristicamen­ te constitucionais. de 9-2-1967. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidado das pessoas e do patrimônio. através dos seguintes órgãos: IV — polícias civis (. A respeito. Da redação do atual texto constitucional transparece esse 150. o cidadão não delega ao Estado um poder capaz de oprimi-lo por meio inclusive do uso da força. 144). Se somente ao Estado é deferido o direito de exercer coercitivamente seus mandamen­ tos. 4. a legislação específica na seara penal: Lei n. mas sim um poder capaz de libertá-lo e de favorecer ainda mais o progresso social.principais atribuições legais cominadas aos demais serventuários da polícia civil (cartorários.

podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. “Art. 515 . c) multa. d) prestação social alternativa. à execução penal. c) de trabalhos forçados. III — ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. XLV — nenhuma pena passará da pessoa do condenado. b) perda de bens. à higidez física e moral do preso. por eles respon­ dendo os mandantes. até o li­ mite do valor do patrimônio transferido. a idade e o sexo do apenado. 52). sem distinção de qualquer natureza. nos termos da lei. podendo evitá-los. à culpa durante o processamento penal. se omitirem. b) de caráter perpétuo. ao processo penal. XLVI — a lei regulará a individualização da pena e adotará. e) suspensão ou interdição de di­ reitos. nos termos seguintes: I — homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. XLVII — não haverá penas: a) de morte. 5a Todos são iguais perante a lei. de acordo com a natureza do delito. e) cruéis. L — às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. entre outras. à liberdade. XIX. XLVIII — a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. à segurança e à proprie­ dade. entre outras: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. uma vez que se detecta uma fecunda abundância de artigos voltados para a proteção de direitos relativos ao procedimento penal.tipo de preocupação. salvo em caso de guerra declarada. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. d) de banimento. XLIX — é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. nos termos desta Constituição. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. nos termos do art. às formas e pena. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviola­ bilidade do direito à vida. os executores e os que. 5a a 17). 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. II — ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. 5-10-1988. XLIII — a lei considerará crimes infiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. Capítulo I — Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. à igualdade. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. 84.

com os meios e recursos a ela inerentes. LIV — ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o de­ vido processo legal. LXY — a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária. as provas obtidas por meios ilícitos. e muito menos ainda por agentes do 516 . em primeiro lugar. LY — aos litigantes. criminalizada ou não. por ilegalidade ou abuso de poder”.LUI — ninguém será processado nem sentenciado senão pela autori­ dade competente. salvo nas hipóteses previstas em lei. em processo judicial ou administrativo. quando a lei admitir a liberdade provisória. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa. LXIII — o preso será informado de seus direitos. entre os quais o de permanecer calado. ai otados ou violados por quaisquer pessoas. Não pode. LXVI — ninguém será levado à prisão ou nela mantido. sendo-lhe assegurada a assistência da família e do ad­ vogado.so ou à pessoa por ele indicada. possui direitos fundamentais que não podem ser atingidos. LXIV — o preso tem direito à identificação dos responsáveis por . o delegado agir. no processo.sua prisão ou por seu interrogatório policial. LVI — são inadmissíveis. LXI — ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. LXVIII — conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sol rer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de loco­ moção. em contrarie­ dade com todo um fluxo de princípios e mandamentos constitucionais que se direcionam no sentido de dizer que toda pessoa humana. definidos cm lei: LXII — a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontro serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do pro. portanto. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. com ou sem fiança. LVII — ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatoria. LVIIII — o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal.

Estado1 1 Em segundo lugar. de 21-12-1989. de 5-6-1979. 517 . quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. 1999. ou militar. quer quanto à espécie. Assim. Ética geral e profissional. d) à liberdade de consciência e de crença. “Art. de pena ou de medida de segurança. Alínea i acrescentada pela Lei n. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade1 3 5. 3a Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional1 2 5. b) à inviolabi­ lidade do domicílio. “Em todo o mundo civilizado. mesmo seja ele equivalente ao preço da vida” (Nalini. prevê a Lei de Abuso de Autoridade: Lei n. h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. 301). nos Casos de Abuso de Autoridade). e) levar à prisão e nela deter quem quer se proponha a prestar fiança. sociais em tomo da lei penal e da defesa dos ditames que separam a legali­ dade da arbitrariedade. a polícia vem sofrendo um processo de transfor­ mação. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer­ cício do voto. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. não pode o delegado contrariar os interesses 5. 13-12-1965) (Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. h) ao direito de reunião.898. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. Alínea j acrescentada pela Lei n. f) cobrar o carcereiro ou agente de autori­ dade policial carceragem. emprego ou função pública. emolumentos ou de qualquer outra despesa.657. Art. ainda que transitoriamente e sem remuneração. e) ao livre exercício de culto religioso. 151. Ideais democráticos reclamam uma polícia a serviço do povo e não mantenedora da ordem a qualquer custo. quem exer­ ce cargo. 152. 5a Considera-se autoridade. para os efeitos desta Lei. de natureza civil. 4. quer quanto ao seu valor. 4a Constitui também abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. custas. c) deixar de comunicar. custas. 6. ime­ diatamente. i) prolongar a execução de prisão temporária. de 9-12-1965 (DOU. d) deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. c) ao sigilo da correspondência. Art. 7. p. permitida em lei. 153. emolumentos ou qualquer outra despesa. i) à incolumidade física do indivíduo. f) à liber­ dade de associação.960.

por prazo de 1 (um) a 5 (cinco) anos Quando a lei prevê mandamentos que devem ser respeitados. d) destituição de função. sob pena de se cometer infração passível de sanções de diversas gravidados. Ademais. b) detenção por 10 (dez) dias a 6 (seis) meses.uL' do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. poderá ser cominada a pena autôno­ ma ou acessória. § Ia A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gra\ id. fundamentalmente. § 5a Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial.Art. caso não seja possível fixar o valor do dano. 6a O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção adminis­ trativa civil e penal. a contrario sensu. a bem do serviço público. a ética do delegado deve ser. c) suspensão do cargo. função ou posto por prazo de 5 (cinco) a 180 (cento e oitenta) dias. con­ sistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cru/oitos. quer dizer que são deveres da autoridade pública abster-se desses comportamentos. § 3a A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem cruzeiros a cinco mil cruzeiros. repressiva da criminalidade. uma insistên­ cia sobre sua postura constitucional no exercício da função pública: investigatória de fatos. de não poder o acusado exercer funções de natureza poli­ cial ou militar no município da culpa. sobretudo no sentido da manutenção e recuperação de vestígios criminais e da custódia de presos provisórios. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer ou Ira função pública por prazo até 3 (três) anos. f) demissão. o cumprimento de 518 . como sói ocorrer no texto da Lei de Abuso de Autoridade. executiva de ordens judiciais. b)repreensão. § 2a A sanção civil. § 4a As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. civil ou militar. apuratória de provas no procedimento de sua alçada: preventiva da criminalidade. com perda de vencimentos e vantagens. de qualquer categoria. Então. e) demissão.

cuja reprodução pode colaborar para a sempre necessária reflexão em tomo ao tema: Diz ele: I. Proferindo-a. Não desembainhes tua espada sem motivo. Jamais coloques as conveniências de tua carreira acima da tua trajetória moral. ascendência moral e intelectual. daquele documento que representa a ma­ nifestação unitária das preocupações da entidade que representa a classe. Não a empenhes em vão. ainda que isto te custe os mais pesados sacrifícios. VIII. Quanto à existência de um conjunto de princípios éticos da carreira. quando isso for necessário para evitar mal maior. porém. senão aquilo que tiveres por certo e. cumpre-a. Lembra-te de que teu mérito como delegado não residirá num posto honorífico. nem demitir-te. Se és seu superior. O encaminha­ mento ágil dos expedientes administrativos são parte desta preocupação por realizar justiça pela efetividade do procedimento. Sê um sustentáculo de nossas leis. IV.seus deveres consiste na legal execução dos preceitos que a lei prevê como manifestações típicas da carreira e da profissão. II. Nesse sentido. V. Lembra-te de Deus e da Pátria em todas as tuas ações. a fim de convertê-la em instru­ mento perfeito da tua cooperação na obra de reerguimento da Pátria. Nunca afirmes. 519 . Antes. Reserva o teu rigor para as causas maiores. há que se utilizar. em detrimento de teus colegas. mas na tua integridade. de vigiar aos teus concidadãos. abstendo-se de todo e qual­ quer tipo de infração que caracterize um excedente de poder. de nossas instituições. nem aposentar-te. Aperfeiçoa constantemente tua formação intelectual. da qual ninguém poderá re­ mover-te. de nossas tradições. vigia-te a ti próprio. Tua palavra deve ser considerada dos maiores bens que possas ter. VII. VI. nesse espaço. não a embainhes sem honra. ainda assim. deves manter sobre eles. Em presença de estranhos à classe. José Renato Nalini se preocupa em apontar: “O delegado Manoel Ribeiro da Cruz elaborou um Código de Ética aprovado pela Dire­ toria da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. em hipótese alguma deves ma­ nifestar-te. Procura co­ nhecer a fundo a profissão que abraçaste. Não te consideres chefe de teus subordinados apenas porque tens um título que assim o declara. custe o que custar. III.

IX. Sê firme e coerente em todas as tuas atitudes; X. A autoridade policial não é um carrasco, mas sim um guia. Procu­ ra antes esclarecer do que reprimir; antes persuadir do que castigar"1 1 ' . 5.5.4. Forças Armadas: ética, soberania nacional e cidadania A carreira militar também se estrutura, em seus moldes primordiais, a partir de ditames constitucionais. Assim, Marinha, Exército e Aeronáutica concentram atribuições militares diferenciadas entre si (Capítulo II, Título V) e distintas no que pertine à sua relação com os órgãos destinados íi se­ gurança pública (Capítulo III, Título V). Então: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5 -10-19X .S. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 el43). "Ari. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército c pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organiza­ das com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. I — as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uni Ibrmes das Forças Armadas; II — o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei: III — o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antiguida­ de, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; IV — ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;

154. Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 297-298.

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V — o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; VI — o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; VII — o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena priva­ tiva de liberdade superior a 2 (dois) anos, por sentença transitada em julga­ do, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; VIII —- aplica-se aos militares o disposto no art. 7a, VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV e no art. 37, XI, XIII, XIV e XV; IX — aplica-se aos militares e a seus pensionistas o disposto no art. 40, §§ 7a e 82; X — a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos inter­ nacionais e de guerra”. Assim, a carreira militar possui hierarquia e função próprias, além de previsão orçamentária e finalidades peculiares, e seu estágio inicial se cons­ titui em atividade obrigatória a todos os cidadãos como preparação cívica e formação de contingentes de reserva para eventuais necessidades de mo­ bilização e defesa da soberania nacional. Além do estágio inicial obrigató­ rio, a carreira estrutura-se com vistas à formação de profissionais de alta qualificação e hierarquia militar, à composição dos órgãos de que integram a Justiça Militar etc. No entanto, existem hipóteses que permitem às Forças Armadas desempenharem atuação diversa da defesa nacional, através das chamadas atividades alternativas à execução de tarefas militares. De fato, com permissão constitucional, insere-se em meio às atuais preocupações da instituição a prestação de serviço à comunidade (Portaria n. 2.681 — COSEMI de 28-7-1992: aprova o regulamento da lei de presta­ ção do serviço alternativo ao serviço militar obrigatório)15 . E mais: 5

155. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5-10-1988, 191-A): Tí­ tulo V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 e 143), “Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos

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Lei n. 8.239, de 4-10-1991 (DOU, 7-10-1991; ret. 6-12-1991) (Regu­ lamenta o art. 143, §§ ls e 2a da Constituição Federal, que dispõe sobre a Prestação de Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório (arts. 1“ a 82) (Regulamentada pelo Decreto n. 317, de 30-10-1991), “Art. 3 2 O Ser­ viço Militar é obrigatório a todos os brasileiros, nos termos da lei. § l2Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, na forma da lei e em coordenação com os Ministérios Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consci­ ência decorrente de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2° Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar. § 3a O Serviço Alternativo será prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de formação de reservas das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, mediante convênios entre estes e os Ministérios Militares, desde que haja interesse recíproco e, também, sejam atendidas as aptidões do convocado. Art. 49 Ao final do período de atividades previsto na § 2a do art. 3a desta Lei, será conferido Certificado de Prestação Alternativa ao Serviço Militar Obrigatório, com os mesmos efeitos jurídicos do Certificado de Reservista. § Ia A recusa ou o cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por motivo de responsabilidade pessoal do convoca­ do, implicará o não fornecimento do Certificado correspondente, pelo prazo de dois anos após o vencimento do período estabelecido. § 2 - Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o Certificado só será emitido após a decretação, pela autoridade competente, da suspensão dos direitos políticos do inadimplente, que poderá, a qualquer tempo, regulari­ zar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas”.

termos da lei. § l 2Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo -se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2aAs mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros en­ cargos que a lei lhes atribuir” (Regulamentados os §§ Ia e 2- deste artigo pela Lei n. 8.2/A de 4-10-1991).

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Com essas estruturas. mas órgão ativo na garantia da cidadania nacional. nas organizações militares e nas repartições públicas civis. 11-12-1980) (Dispõe sobre o Estatuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. a preocupação com a ética na corporação deve existir como forma de lapidação dos conceitos-chave do convívio humano. De fato. “Art. Seção II — Da Ética Militar (arts. essas exigências e essa previsão constitucional e legal é que se estima que as Forças Armadas se coloquem a serviço da coletividade. ficam proibidos de tratar. tomando-a não somente órgão passivo na administração da paz. O Estatuto dos Militares acentua e reforça a necessidade da ética como fator determinante na formação e no cumprimento de deveres indelegáveis1 6 5 daqueles que ingressam no Exército. sobretudo quando da ocorrência de comoções públicas. a gestão de seus bens. uma vez que é este o bastião da efetividade e da produtividade das funções do Estado. na Aeronáutica ou na Marinha: 156. de guerra civil ou guerra externa. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de socie­ dade ou dela ser sócio ou participar. Sob sua custódia se encontra aque­ le que estará. de interesse de organizações ou empresas privadas de qualquer natureza. De fato. De fato. expurgando-se qualquer possível tentativa de formação de autoridades de desmando. diretamente. em uma de suas instituições. essa convicção enriquece a tarefa delegada às forças armadas pela Constituição. de atitudes grupais ou individuais caracteri­ zadas pela violência e pela insurreição à ordem democrática instituída. com especial atenção para a importância dos capítulos sobre Direitos Individuais. Coletivos e Sociais. 28 a 30). exceto como acionista ou quotista. O dever ético aí funciona como elemento catalisador das intenções do legislador constitucional. de ideologias contrárias ao sentimento nacional ou mesmo ao sentimento de humanidade na defesa dos valores primordiais que nortearam a promulgação das Declarações Internacionais de Direitos e a própria promulgação da Constituição Federal de 1988. 29. da ordem e da disciplina na defesa dos valores fundamentais da República. ainda que temporariamente. em sociedade anô­ nima ou por quotas de responsabilidade limitada. 27 a 49). § 22 Os mi­ litares da ativa podem exercer. 6. também é cominada às Forças Armadas o dever cívico de educação e formação do jovem alistado. Capítulo I — Das Obri­ gações Militares (arts. se a defesa da soberania nacional é incumbência sua. 27 a 30). de 9-12-1980 (DOU. e esse período deve resultar em um benefício ainda maior para a coletividade com a formação dos conceitos primordiais da cidadania.880. § l 2 Os integrantes da reserva. Existem proibições expressas e vedações que restringem as atividades do militar: Lei n. desde que não infrinjam 523 . servindo o Estado. quando convocados.

11-12-1980) (Dispõe sobre o Esta­ tuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. intelectual e físico e. 28. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. § 3BNo intuito de desenvolver a prática profissional. as instruções e as ordens das autoridades competentes. com a observância dos seguintes preceitos de ética militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de digni­ dade pessoal. XI — acatar as autoridades civis. a cada um dos integrantes das Forças Armadas. os regulamentos. também. “Art. 524 . III — respeitar a dignidade da pessoa humana. desde que tal prática não prejudique o sen iço e não infrinja o disposto neste artigo”. de 9-12-1980 {DOU. 27 a 49). Capítulo I — Das Obrigações Militares (arts. com autoridade. XII — cumprir seus deveres de cidadão. VIII — praticar a camaradagem e desenvolver. o espírito de cooperação. 27 a 30). X — abster-se de tratar. moral. conduta moral e profissional irrepreensíveis.Lei n. IV — cumprir e fazer cumprir as leis. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. fora do âmbito apropriado. V — ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados. VI — zelar pelo preparo próprio. IX — ser discreto em suas atitudes. II — exercer. 6. é permi­ tido aos oficiais titulares dos Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o exercício de atividade técnico -profissional no meio civil. permanentemente. 28 a 30). O sentimento do de\er. pelo dos subordinados.880. tendo em vista o cumprimento da missão comum: VII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. o pundonor militar e o decoro da classe impõem. Seção II — Da Ética Militar (arts. maneiras e em sua linguagem escrita e falada. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular: XIV — observar as normas da boa educação. eficiência e probidade. XV — garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar. o disposto no presente artigo.

só cassável. mesmo fora do serviço ou quando já na inativi­ dade. pelo Plenário da respectiva corporação. cargo em comissão (de confiança). sendo. ou restrito a determinados eleitores. a qualquer tempo” (Meirelles. b) em atividades comerciais. Ministros de Tribunais Superiores. do respeito e do decoro militar. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar”. nos termos da legislação eleitoral. em regra. median­ te sufrágio universal. em princípio. por isso mesmo. 5. Governadores do Distrito Federal e Prefeitos Municipais). p. 525 . distrital ou municipal1 7 Esse apontamento conceituai é fundamental para que se de5. Câma­ ra dos Deputados. 2° e 14). ou ainda a expressão “carreira política”. 157. excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica.6. quer-se significar com isso toda função pública com investidura eletiva (eleição direta ou indireta) diante dos Poderes Públicos. e XIX — zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes. Considera-se. e e) no exer­ cício de cargo ou função de natureza civil. na inatividade. O fundamento dessa investidura é a condição cívi­ ca do cidadão. c) em atividades industriais. d) para discutir ou provocar discussões pela im­ prensa a respeito de assuntos políticos ou militares. XVII — abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros. “Investidura política: realiza-se. do uso das designações hierárqui­ cas: a) em atividades político-partidárias. Procurador-Geral da República e Governadores de Territórios. Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais) ou nas Chefias dos Executivos (Presidente da República. seja em funções legislativas (considerando-se ainda as altas funções judiciárias) em todos os planos. com a diferença de que os eleitos exercem mandato por certo tempo. estadual. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. e os nomeados. se devidamente autorizado. 77). Ética e carreira política Ao se mencionar a palavra “político”. na forma da Constituição da Re­ pública (arts. federal. investidura política a dos altos cargos do Governo. seja em funções executivas. também. razão pela qual não se exigem do candidato requisitos profissionais. Governadores de Estados-Membros. por eleição direta ou indireta.XVI — conduzir-se. mas apenas a plenitude de seus direitos políticos. para mandatos nas Corporações Legislativas (Senado Federal. XVIII — abster-se. 1994. mesmo que seja da Administra­ ção Pública. Direito administrativo brasileiro. como os de Ministros e Secre­ tários de Estados. exoneráveis ad nutum.

1994. do Governo é a sua expressão política de comando. e. necessidade de lhes conferir amplos poderes de gestão. Direito administrativo brasileiro. de iniciativa. Gerir com responsabilidade é um dever jurídico. tendo em vista a 5. p. 60). desprender-se dos interesses de uma categoria e fazer-se longa manus da população na busca da idenli- 158. de seus empreen­ dimentos. Meirelles. Aqueles que exercem cargos ou funções eletivas são agentes políticos do Estado1 9 possuindo maior liberdade para agir e criar. sem dúvida. com vistas ao aten­ dimento dos ideais públicos. de um Estado ou de unia nação é o mesmo que estar a serviço dos interesses coletivos. dos agentes honoríficos. que está profundamente atrelada ao governo1 8 e que define o perfil de atuação do Estado. de fixação de objetivo do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. p. Estar à frente da condução da coisa pública importa em desprender-se de si. “A constante. de suas ideias. é o conjunto de Poderes e órgãos consiitucionais. dos agentes administrativos. pois os efeitos de suas ações. bem como as 5 políticas a serem imprimidas na sociedade. em face dos agentes públicos. é a condução política dos negócios públicos” (Meirelles. 6. decorrente da própria confiabilidade depositada pelo eleitor sobre o eleito. porém. A quebra deste pacto. se fazem sentir e repercutir sobre a população em geral e sobre os negócios do Estado. onde figura a dei inição de agente político. dos agentes credenciados. p. É exatamente por isso que sua responsabilida­ de ética se torna maior. dos agentes delegados. mensalões ou outras formas de vantagens). Cf. em sentido material. 72. 1994. Sobre o governo: “Em sentido formal. mas. de autonomia política na condução dos negócios públicos” (Meirelles. O governo atua mediante atos de soberania ou. desta relação. em que um credita ao outro um conjunto de poderes para agir e gerir em seu lugar. é o complexo de funções estatais básicas. pois quanto maior a liberdade conferida a um agente político1 0 para determinar os destinos e as metas da coisa pública. nesse sen­ tido.termine o estatuto ético dessa categoria. desta aliança. abre a possibilidade de se autorizar o fim da gestão política e a punição dos culpados. um dever ético. desprender-se de seus interesses pessoais. Estar a serviço da cidadania de um país. 526 . 60). Direito administrativo brasileiro. pelo menos. Essa consciência ética deve ser o norte de todo estadista. em sentido opera­ cional. 160. Direito administrativo brasileiro. sobretudo. maior a carga de responsabilidade decorrente da eleição destes e não da­ queles fins. a defesa do interesse público está acima de qualquer outro tipo dc vantagem ou interesse pessoal (mensalinhos. 1994. 159.

p. a outra face da responsabilidade e da ética na política é a importância do eleitor-cidadão no exercício do direito de voto. isso. in Farah. ed. Assim é que se passa a discutir algo de elevado valor para a constituição de camadas eletivas com responsabilidade ética. 2000. mas. 161. A ética na administração pública. de lamentável ocorrência quotidiana. ed. 1999. p. de atri­ buição de deveres sociais. 162. significa que essa atribuição é um ato não de concessão de poderes. para habilitar a corrupção e a ilegalidade. 149). 1999. capacidade crítica. está-se diante do governo da desrazão. para o exercício de seus caprichos pessoais em dissonância com os interesses públicos. Ética do advogado.. esquece inteiramente os propósitos que tinha para administrar o setor. Eleitos e eleitores estão de braços dados no sentido de conduzirem a coisa pública para o cumprimento de suas finalidades institucionais e conceituais1 2 Para 6. quando um agente publico (o eleitor. para administrar a prefeitura. “Os contínuos escândalos. o país. mas sobretudo os eleitos) recebe esse impacto de corrupção do corruptor.ficação de suas necessidades e do suprimento de seus ideais. educação eleitoral. res­ ponsabilidade individual e social. a figura do eleitor é de crucial importância na definição e determinação da higiene política de um Estado. por exemplo. Acima de meros interesses partidários está o interesse da coletividade. Ética geral e profissional. Eleitor ético só vota em político ético” (Nalini. De fato. Interesses fisiológicos ou impulsos devem ser trocados por meditação serena. Se a um ou a alguns é atribuído o mister de executar por muitos e em favor de muitos. esquecendo inteiramente a função pública” (Modesto Carvalhosa. o que só se pode pensar em fazer de modo responsável e ético. entre outras hipóteses. para acobertar desmandos e interesses de determinados grupos. O que é de interesse de todos não pode estar à deriva. está o com­ promisso com a coletividade1 3 6. 2. e muito menos ser conduzido ao sabor da vontade de um. 141). para preparar a sua manutenção sequencial no poder. Gerir a coisa pública é gerir o que pertence a todos. p. altruísmo. acima das promessas de benefícios e cargos. sobretudo. para administrar o Estado. 148). 527 . 2. como o dos anões do orçamento. “A opção do eleitor deverá ser refletida. e se toma apenas um elemento de captação de recursos pessoais para suas vaidades e fantasias próprias e de sua família. 163. participação. reflexão. “Enfim. não deixam esquecidas as exigências éticas postas a quem foi eleito para defender o interesse coletivo” (Nalini. está-se sem sentido ético na condução da coisa pública1 1 6. de aumentar posses financeiras. requer-se consciência. Quando a gestão se transforma em meio de adquirir vantagens pesso­ ais.. Ética geral e profissional. além de desejo de melhoria.

429. designação. 8. mandato. bem móvel ou imóvel. para efeitos de responsabilização. e de seus Ministros. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. nomeação. da CF/88). o que inclui a figura do Presidente da República. 54. 85 e 86 da CF de 1988. função. por eleição. em política: a) as restrições marcam limites entre as fronteiras do público e do privado. cargo. cuja responsabili­ dade vem definida pelos arts. ou mesmo em função do acúmulo de atribuições ou participação em atividades cujo en­ volvimento com o Estado tomem desconfiável sua ligação com o Poder Público e o erário público (art. c) o dever de probidade gera a indiferença da legislação de improbi­ dade administrativa às nuances entre as categorias de exercentes do Poder Público. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patri­ monial indevida em razão do exercício de cargo. que estão listadas no art. a título de comissão. cargo. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decor­ rente das atribuições do agente público. dinheiro. 55 da CF de 1988. diante da necessidade de punição efetiva dos causadores de danos ao erário ou ao patrimônio público. direta ou indireta. o que pode conduzir às hipóteses de perda do cargo. b) a responsabilidade política é o esteio da Constituição Federal de 1988. e notadamente: I — receber. direto ou indireto. 8. emprego ou função (art.1 e II. mandato. empre­ go ou função na Administração Pública direta. gratificação ou presente de quem tenha interesse. 2a da Lei n. que não poderão se isentar sob alegações furtivas. 8. ou se encontram no exercício de função pública. 9a da Lei n. e) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam enriquecimento ilíci­ to em detrimento da coisa pública. d) a amplitude da responsabilização dos agentes públicos. em face da legislação que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. 87 da CF/88). sobretudo para Deputados e Senadores. de 2-6-1992). II — perceber vantagem econômi528 . para si ou para outrem. de acordo com o disposto no art.429 de 2-6-1992). assim definidos aqueles que exer­ cem. dentro do âmbito de seus ministérios e competências (art.429. Ia desta Lei. indireta ou fundacional (Lei n. percentagem. contra­ tação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. ainda que transito­ riamente ou sem remuneração. para quem vige urna serie de restrições para o exercício de outras funções ou cargos. deve estar claro que. ou qualquer outra vantagem econômica.De qualquer forma.

rendas. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. para facilitar a aquisição. malbaratamento ou dilapidação 529 . XI — incorpo­ rar. durante a ativida­ de. medida. IX — perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza.429. providência ou declaração a que esteja obrigado. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço.ca. para omitir ato de ofício. Ia desta Lei. ou sobre quantidade. rendas. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. que ense­ je perda patrimonial. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público. VII — adquirir. direta ou indiretamente. VIII — aceitar emprego. X — receber vantagem econômica de qualquer natureza. desvio. III — perceber vantagem econômica. Ia desta Lei. IV — utilizar. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. bens. de narcotráfico. f) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. ou aceitar promessa de tal van­ tagem. direta ou indireta. Ia desta Lei. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que cau­ sa lesão ao erário. XII — usar. no exercício de mandato. qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no axt. dolosa ou culposa. equipamentos ou material de qualquer natureza. ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. máquinas. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. para si ou para outrem. Ia desta Lei”). em proveito próprio. para facilitar a alienação. direta ou indireta. qualquer ação ou omissão. Ia por preço superior ao valor de mercado. 8. de contrabando. direta ou indireta. peso. VI — receber vantagem econômica de qualquer natureza. 10 da Lei n. por qualquer forma. bem como o trabalho de servidores públicos. cargo. direta ou indireta. para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar. apropriação. V — receber vantagem econômi­ ca de qualquer natureza. de lenocínio. veículos. de acordo com o disposto no art. em obra ou serviço particular. ao seu patrimônio bens. emprego ou função pública.

X — agir negligente­ mente na arrecadação de tributo ou renda. rendas. Ia desta Lei. XIII — permitir que se utilize. permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. de bens. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. IX — ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. de acordo com o disposto no art. 8. V — permitir ou facilitar a aquisição. bens. Ia desta Lei. bem como o trabalho de servidor público. g) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. rendas. e lealdade às instituições. equipamentos ou material de qualquer natureza. Ia desta Lei. ainda que de fins educativos ou assistenciais. VIII — frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente. ver­ bas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. XII —. imparcialidade. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie. de pessoa física ou jurídica. legalidade. XI — liberar verba pública sem a es­ trita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. máquinas. 11 da Lei n. facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente. Ia desta Lei. III — doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado. IV — permitir ou facilitar a alienação. verbas ou valo res do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. Ia desta Lei. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. e notadamente: I — facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimonio particular. rendas. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. empregados ou terceiros contratados por essas entidades”). em obra ou serviço particular. bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que aten­ ta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. por preço inferior ao de mercado.429.permitir. veículos. verbas ou valores integrantes do acer­ vo patrimonial das entidades mencionadas no art.dos bens ou haveres das entidades referidas no art. Ia desta Lei. sem a ob­ servância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. VII — conceder benefício admi­ nistrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regula­ mentares aplicáveis à espécie. II — permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. VI — realizar opera­ ção financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. e notadamente: I — praticar ato visando fim proibido em lei .

. decoro parlamentar e Código de Ética: o caso do Senado Federal É importante frisar que a existência de um severo tratamento às ques­ tões éticas é medida urgente num contexto de derrocada dos valores políti­ cos. 531 . de exagerados benefícios em prol da categoria política e em desfavor do orçamento público. para a reconstrução do conceito de cidadania1 4partiria de uma po­ 6 lítica feroz de averiguação e punição de atentados contra a consciência pública. 5. sobretudo. ca­ rências acumuladas durante séculos de exclusão do povo dos sistemas de adoção das políti­ cas governamentais. indevidamente. antes da respectiva divulgação oficial. Ética política. “A política é a arte que permitirá o resgate das carências da nacionalidade. p. pelas Comissões in­ cumbidas desse tipo de procedimento. ou ainda a legitimidade para discutir todas as questões atinentes à decisão em nome do povo. às casas legislativas. o fato de que as instituições brasileiras perderam credibilidade e. de acomodamento do funcionalismo público.ou regulamento ou diverso daquele previsto. de desvio de verbas públicas. A participação e o exercício da solidariedade constituem a alternativa de redenção que o conduzirá à verdadeira dignidade” (Nalini. judicialmente. III — reve­ lar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. sobre­ tudo. 2. o que só pode ser feito. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. As Comissões de Ética (permanentes ou temporárias). VI — deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo. II — retardar ou deixar de praticar. dentro.6. V — frustrar a licitude de concurso público. de apadrinhamentos políticos. O cidadão eticamente consciente sabe que não pode continuar excluído. são responsáveis não somente por uma função 164. com a devida cele­ ridade e seriedade. e. ato de ofício. administrativamente. de tragédias financeiras estatais. VII — revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro. entre outros. Deve-se acentuar. de crônicas de abusos. aos poucos. na regra de competência. bem ou serviço”). IV — negar publicidade aos atos oficiais. 1999. 151). para a moralização das instituições pú­ blicas. da Casa à qual se vincula o exercente de cargo ou função pública. de desencontro burocrático entre as diversas instâncias do Poder.1. ligadas. de desatino gerencial. a solução para os conflitos surgidos. ed. Em face desta cultura instaurada. estão perdendo até mesmo a legiti­ midade para falar em nome do povo. Ética geral e profissional.

20/93. de conduzir os procedimentos punitivos. mas de modificar os conceitos sociais que se formaram em tomo da imagem do político e da indiscriminada situação de impunidade alastrada e impregna­ da na consciência coletiva. com a imagem do Estado. caso em que serão feitas as necessárias adaptações nos procedimentos e nos pra/os estabelecidos neste Capítulo”. A ética desses órgãos é persecutória. com a imagem e a consciência da po­ lítica em seu estado atual. Nesse sentido. responsabilizalória. avaliativa. atuando no sentido da preservação da dignidade do mandato parlamentar no Senado Federal”). 166. ou ainda sob a provocação de qualquer membro da casa ou cidadão. quando a sua natureza assim o exigir. a exemplo do que reza a Constituição Federal no § le do art. O art.s \ alo­ res públicos. ser solicitadas ao Ministério Público ou às autoridades policiais. do Senado Federal. O zelo com a coisa pública deve envolver também um zelo com a imagem dos órgãos políticos.itos e de responsabilidade previstos neste Código poderão. por qualquer 532 . 17 da Resolução 20/93 do Senado Federal: “Perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. para que seja possível fazer-se sentir essa política de recuperação do. Nessas Comissões. por intermédio da d> < Senado. poderão ser diretamente oferecidas. Sua atuação. bem como dar opera­ cionalidade aos princípios dele destacáveis. não anula nem marginaliza os demais órgãos estatais de apuração de delilos. conscientizadora. 65 165. criando e atribuindo poderes ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para aplicar as normas fixadas pelo texto do Código. 22 (“Compete ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar zelar pela obsen and a dos preceitos deste Código e do Regimento Interno. Esse órgão pode atuar sponteprópria. preventiva.pontual e administrativa. deve-se estudar o modelo instituído pela Resolução n. investigativa. É o que dispõe o art. o que fala mais alto é o interesse político. que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar. pois sabe-se que es­ tará ao sabor dos interesses partidários e promocionais pessoais. formadora de opinião. além dos casos de­ finidos no regimento interno. 55 (“É incompatível com o decoro parlamentar. sendo importante seu estado permanente de advertência e policiamento da conduta dos exercentes de cargos eletivos. segundo reza seu art. punitiva. 19 da Resolução 20/93 do Senado Federal dispõe: “As apurações de l. então sua credibilidade social toma-se nula. mas somente acrescenta e agrega ética ao policiamento das atividades pú­ blicas e políticas. e sobretudo. o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas"). mas também. como aliás prevê a legislação1 5 6. se necessário. desde que a denúncia não seja anônima1*.

promover a apuração. durante os meses de fevereiro e março da primeira e da terceira sessões legis­ lativas de cada legislatura. quanto possível.O Código tenta promover a integração dos diversos órgãos censorios da conduta do parlamentar. certificando a inexistência de quaisquer registros. nos termos deste artigo. o referido Código parlamentar. II — zelar pelo aprimoramento da ordem constitucional e legal do País. nos arquivos e anais do Senado. onde constarão as informações referentes aos seus bens. cada indicação. par­ ticularmente das instituições democráticas e representativas. e pelas prer­ rogativas do Poder Legislativo. bem como sua composição são definidas pelo art. 62. fontes de renda. § 4S Caberá à Mesa providenciar. 533 . sua organização. de acordo com o art. II e III do art. necessárias aos esclarecimentos dos fatos investigados”). § 42 Poderá o Conselho. nos respectivos parágrafos do art. atividades econômicas e profissionais. 82 e 11. independentemente de denúncia ou representação. 2°. IV — apresentar-se ao Senado durante as sessões legislativas ordinárias e extraordinária e participar das sessões do plenário e das reuniões de Comissão de que seja membro. 23 (“O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar será constituído por quinze membros titulares e igual número de suplentes. III — exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular. como se faz notar pelo disposto no art. referentes à prática de quaisquer atos ou irregularidades capitulados nos arts. com direito a voz e voto. de ato ou omissão atribuída a Senador”. além das sessões conjuntas do Congresso Nacional”. Acompanharão. O Código apresenta todas as características atinentes aos deveres fun­ damentais do senador. que. § 3S. competindo-lhe promover as diligên­ cias de sua alçada. observado. ainda. de preceitos contidos no Regimento Interno e neste Código. eleitos para mandato de dois anos. por Sena­ dor. denúncias relativas ao descumprimento. 167. deverá: “I — promover a defesa dos interesses populares e nacionais. a eleição dos membros do Conselho”. de cada Senador indicado. Leia-se. 25 (“O Correge­ dor do Senado participará das deliberações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. independente­ mente da legislatura ou sessão legislativa em que tenham ocorrido. § 2a As indicações re­ feridas no parágrafo anterior serão acompanhadas pelas declarações atualizadas. propugnando a união de forças no sentido do acompanhamento dos procedimentos e na apuração de eventuais infrações ético-disciplinares. o princípio da propor­ cionalidade partidária e o rodízio entre Partidos Políticos ou Blocos Parla­ mentares não representados”)1 7 6. no exercício do mandato. ademais. 23: “§ Ia Os Líderes Parti­ dários submeterão à Mesa os nomes dos Senadores que pretenderem indicar para integrar o Conselho. Sua estrutura. cidadão ou pessoa jurídica. Ademais. uma declaração assinada pelo Presidente da Mesa. nos termos dos incisos I. na medida das vagas que couberem ao respectivo Partido.

que cerceiam a assunção de cargos e funções. incluindo todos os passivos de sua própria responsabilidade. 5a): I — o abuso das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Na­ cional (CF. III — a prática de irregularidades graves no desempenho do manda­ to ou de encargos decorrentes1 8 6. no último ano da legislatura: Declaração de Bens e Fontes de Renda e Passivos. seu cônjuge. 55. ressalvados brindes sem valor econô­ mico. IV — durante o exercício do mandato. com­ panheira ou parente. em Comissão ou em Plenário. a questão das declarações financeiras e patrimoniais. 169. Leiam-se as hipóteses de irregularidades graves previstas no Código de Ética: “Parágrafo único. atuais ou anteriores. os atos contrários à ética e ao decoro parlamentar são (art. inclusive quaisquer pagamentos que continuem a ser efetuados por antigo empregador. a entidades ou instituições das quais participe o Senador. 3S e 4a. grupos econômicos ou autoridades públicas. 9 168. § Ia). tais como doações. e noventa dias antes das eleições. nos termos da Resolução. benefícios ou cortesias de empresas. até o terceiro grau. II — a percepção de vantagens indevidas (CF. O que é importante definir é que. com cuidadosa atenção. Leia-se a extensa digressão do Código a respeito: Art. ainda que delas se encontre transitoriamente afastado. de um ou de outro. bem como pessoa jurídica dire­ ta ou indiretamente por eles controlada. de valor igual ou superior a sua remuneração mensal como Senador. para fins deste artigo: I — a atribuição de dotação orçamentária. II até o trigésimo dia seguinte ao encerramento do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda das pessoas físicas: cópia da Declaração de Imposto de Renda do Senador e do seu cônjuge ou companheira. possam resultar em aplicação indevida de recursos públicos”. o art. através de seus arts. ou ainda. para efeiio de posse. ou a contração com os Poderes Públicos. que aplique os recursos recebidos cm atividades que não correspondam rigorosamente as suas finalidades estatutárias. sejam de encerramento de mandato16 . com a respectiva remuneração ou rendimento. de seu cônjuge ou companheira ou de pessoas jurídicas por eles direta ou indiretamente controladas. dentro dos meios oficiais e autori­ zados. para fins de ampla divulgação e publicidade: I — ao assumir o mandato. III — ao assumir o mandato e ao ser indicado membro de Comissão Permanente ou Temporária da Casa: Declaração de Atividades Econômicas ou Profissionais. 6e “O Senador apresenta­ rá ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar as seguintes declarações obrigatórias perió­ dicas. pelo seu valor ou pelas características da empresa ou entidade beneficiada ou contratada. ao iniciar-se a apreciação de matéria que envolva diretamente seus ínteres- 534 . para tais declarações. art. sob a forma de subvenções sociais. Incluem-se entre as irregularidades graves. no exato cumprimento da lógica constitucional. 55. II — a criação ou autorização de encargos em termos que. 6a menciona. deixando a cargo do Conselho de Ética a tarefa de dar ampla divulgação.alinha as vedações. auxílios ou qualquer outra rubrica. arl. § Ia). Ademais. sejam iniciais.

procedimentalmente. 535 . ou desa­ catar. quaisquer informações que se contenham nas declarações apresentadas pelos Senadores”. quando não for aplicável penalidade mais grave. especialmente quanto à observância do disposto no art. c) perda temporária do exercício do mandato1 d) perda do 71. § 2a Sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior poderá qualquer cidadão solicitar diretamente. do Conselho de Ética e decoro Parlamentar ou de Comissão. quando não couber penalidade mais grave. de expressões atentatórias ao decoro parlamentar. segundo o art. II — praticar ofensas físicas ou morais a qualquer pessoa. dentro da sessão legislativa ordinária ou extraordinária”. 7a: a) advertência (ato de competência dos Presidentes do Senado. entenda como legítima sua participação na discussão e votação. para o tratamento das questões apuradas. Leia-se a dicção do art. § 2a A censura escrita será imposta pelo Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar e homologada pela Mesa. no âmbito do Conselho de Ética. no âmbito desta. sem motivo justificado. 10 define-se a questão da seguinte forma: “Considera-se in­ curso na sanção de perda temporária do exercício do mandato. IV — revelar informações e documentos oficiais de caráter reservado. a Mesa ou Comissão. § Ia Caberá ao Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar diligenciar para a publicação e divulgação das declarações referidas neste artigo. o Senador que: I — reincidir nas hipóteses do artigo antecedente. a seu exclusivo critério.E. II — praticar transgressão grave ou reiterada aos preceitos do Regimento Interno ou deste Código. 8a). em que. Nos termos do art. ou os respectivos Pre­ sidentes”. mandato172. 9a. § Ia “A censura verbal será aplicada pelos Presidentes do Senado. as medidas disciplinares previstas são de­ finidas pelo art. 172. III — no Programa ‘Voz do Brasil/Senado Federal’ — na forma do inciso anterior. ' ses patrimoniais: Declaração de Interesse. em discurso ou proposição. por atos ou palavras. se outra cominação mais grave não couber. salvo motivo justificado. ao Senador que: I — usar. declare-se im­ pedido de participar ou explicite as razões pelas quais. outro parlamentar. de que tenha tido conhecimento na forma regimental. a dez sessões ordi­ nárias consecutivas ou a quarenta e cinco intercaladas. II — praticar atos que infrinjam as regras da boa conduta nas dependências da Casa. 170. V — faltar. mediante requerimento à Mesa do Senado. 6a. segundo o art. III — perturbar a ordem das sessões ou das reuniões. 32 (Constituição Federal. b) censura (a censura será verbal ou escrita. a seu juízo. ao Senador que: I — deixar de observar. os deveres ineren­ tes ao mandato ou os preceitos do Regimento Interno. 171. pelo menos nos seguintes veículos: I — no órgão de publicação oficial • onde será feita — sua publicação integral. III — revelar conteúdo de debates ou deliberações que o Senado ou Comissão haja resolvido devam ficar secretos. do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ou de Comissão. A competência vem definida da seguinte forma no texto da Resolução: Art. no edifício do Senado. II — em um jornal diário de grande circulação no Estado a que pertença o Parlamentar — em forma de aviso resumido da publicação feita no órgão oficial. 9a)170. 11: “Serão punidas com a perda do mandato: I — a in­ fração de qualquer das proibições constitucionais referidas no art.

que não será interrompido nem mesmo pela renuncia do Senador sob investigação. é deferido ao parlamentar o acompanhamento por advogado. apíicar-se-á a lei de modo a obter-se unía situação de igualdade aritmética. nem serão pelas mesmas elidida?. se desigualam. tendo em vista o princípio da verdade processual1 3 durante o qual se apuram acusações. 4S e 52 (Constituição Federal. so­ bretudo. art. de fato. a simbologia fundamental da magistratura reside na balança com o reto {redion) em posição ereta. nesse sentido. 20: “O processo disciplinar regulamentado neste código n. II — a prática de qualquer dos atos contrários à ética e ao decoro parlamenüir ca­ pitulados nos arts. na expectativa de que. que deverá zelar pelo cumprimento da legislação. a este assegurado aluar em todas as fases do processo”). devendo o jui/ decidir de acordo com o convencionado em lei. fatos. Assim. Ao juiz se deve recorrer. art. 6/7. as sanções eventualmente aplicáveis os seus efeitos”. constituir advogado para sua defesa. 55). IV. 55). se colhem depoimentos. 1132 a. se restabeleça a situação de igualdade rompida pelas partes. da Constituição e da ética parlamentar e.7. Por isso. se dá oitiva às testemunhas. E isso. de acordo com dicção do art. No que tange aos detalhes ligados ao procedimento disciplinar. V e VI do art. indiferentemenle se se trata deste ou daquele cidadão. cumpre ao juiz restabelecer a igualdade. 5. 536 . 173. 12 a 15 da Resolução. 16 (“É facultado ao Senador. III — a infração do dispo^ln incisos III.u> ^eiá interrompido pela renúncia do Senador ao seu mandato. sob o império da lei. Ética do juiz de direito: a justiça animada O juiz pode ser identificado como a justiça animada. em qualquer caso. pela ampla defesa daquele que se encontra sob investigação admi­ nistrativa.Durante todo o procedimento. se apresentam provas de toda natureza. 55 da Constituição”. devem-se rastrear os arts. Ethica Nicomachea. 174. Leia-se o art. Isso quer di/or que se a justiça pode se consubstanciar em carne e osso. onde se podem encontrar detalhes a respeito dos órgãos responsáveis pela aplicação de determinadas penas e diligências. aquele que é capaz de recebê-la e exercê-la a contento é chamado de juiz. se investigam 7. do procedimento. Aristóteles. a lei é cega para as dil cren­ ças de qualificação de cada qual. por­ que o juiz é o responsável pela aplicação da justiça corretiva1 4 Se as parios 7.

coletivos. 2a semestre de 1999. 5. Longe e indesejável a pretensão de homoge­ neidade de pensamentos. 537 . 20. Aristóteles. Assim. A magistratura é instituição aberta. sociais e grupais. 175. estes valores se hierarquizam para a realização de fins comunitários. Por outro lado.. a lógica do razoável. 1132 a. in Nalini (coord. 176. A escolha. é a lógica jurídica. caracteres que devem identificar o bom juiz. O humanismo1 6que se 7 requer em sua formação não é algo que se exige desmotivadamente. 2. às vezes. p. está condicionada ao social e ao histórico. 177. suscetível de abrigar plúrimos perfis. imprópria de um estamento de consciências preparadas. para a ele conformarem-se os candi­ datos. pois a lógica da atividade julgadora é uma lógica humanista e do razoável. o melhor perfil de profissional para o exercício dessa lógica1 7 De fato. Revista da AMB. um termo medianeiro entre dois interesses opostos. essa lógica do razoável: 1. formação e aperfei­ çoamento do juiz.. díkaion émpsychon)1 5 É mediador. deve estar consciente de que a sociedade e suas limitações concre­ tamente estabelecem os valores. o que demanda ainda maior prudência por parte da autoridade julgadora. 7. o juiz preparado mnemonicamente para aplicar leis não é. certamente. entretanto. essa 7. E eles podem ser agrupados em pelo menos quatro vertentes: a técnica. 72). n. não aferidos através deste tipo de certame. ano 3. negando a aprovação. a cívico-política e a humanista” (Nalini. mas não afeitas às memorizações técnicas. Formação jurídica. suas limitações. em meio a conflitos sociais interindividuais. 123). difusos. “O traçado de um paradigma se faz com doses altas de subjetivismo. pois representa urna mediedade. estes valores se dão em situações específicas. está impregnada de valores. pois nesse terreno não se pode pleitear juízos de certeza e evidência absolutas. A formação do juiz.). p. impõe-se que o futuro juiz apresente outros atributos pessoais. Talvez nem seja concretizável erigir-se um modelo pronto de juiz.O juiz representa a imparcial e equidistante personificação da justiça (grego. Ethica Nicomachea. Cidadania e Justiça. 1994. além do conhecimento específico. 7. 4. a ético-institucional. o concurso de provas pode privilegiar o candidato dotado de boa memória. 3.. a pessoas vocacionadas e preparadas para a função. Algumas lacunas psicológicas de juizes manifestam-se através do abuso da autoridade. “Na verdade. nutrindo mesmo a crença de que o confronto de ideias e o cotejo de opiniões venham a incrementar o patrimônio intelectual sobre que se assenta. “Alinháveis se mostram. lógica. tantas vezes criticado pela sociedade” (Camolez. hierarquias. com apelo para a prudência e para a capacidade de adequação de plúrimos fato­ res. ou seja.

recorrendo à sua consciência. portanto. Esforçando-se nesse sentido..6. de modo que o preparo exigido do juiz deve ser incomum. onde reside o direi­ to. recorrendo ao caso encontrará o fermento de um litígio perpetuável e abundantes ele­ mentos em meio aos quais encontrará a semente para a decisão. e requer apelo profundo à prudência decisória1 8 7. em última instância. recorrendo à jurispru­ dência. A dinâmica e a criatividade do direito passam por sua responsabilidade profissional. de fato. Recorrendo à lei encontrará o parâmetro democrático do seguro julgamento. todas as mais candentes questões jurídicas desaguam no Judiciário. faz do juiz uma figura social de grande im­ portância. 2. por sentenças. quem restará com a guarda da criança. alterar. à sua capacidade de raciocínio e pon­ deração virtuosa. ao juiz exercitar suas faculdades no sentido de tomar-se digno de representar o que sua função efetivamente lhe exige. deve o juiz encontrar sobre si responsabilidade ética proporcional aos anseios sociais depositados sobre sua função e sua pessoa. uma vez que é esta que faz com que aquela se tome um exercício real e efetivo1 9 7. 1973. qual a solução acertada. qual a medida a ser tomada para a remoção de perigo iminente. encontrará fartas atuações de magistrados no esforço de conferir prudência aos mais diversificados litígios. modificar. Sobretudo quando se trata de uma profissão que existe desde todos os tempos. ique. Nesse sentido. declarar. qual o quantum debeatur. à sua educação. demanda uma ética compatível com a maturidade da função: “A ética do Ju- 538 . preservar. 281-2‘M 179. haverá de recolher dados preciosos na determinação de respostas prudentes e na inovação do direito positivado. Nueva filosofía de la interpretación del Derecho. Concentrando tamanha importância. podendo com isso. além de fazer cumprir direi­ tos. ed. Cumpre. Siches. executar. dos valores demandados às demais carências sociais. ou acórdãos. Ademais. o que se há de dizer é que o iudex possui o papel de dizer o direito. dos valores aos fins. recorrendo à doutrina. O poder de determinar. pois. p. lastreia-se na experiência da vida humana. 7. recorrendo à equidade encontrará uma forma de adaptar as agruras e as estreite/as da lei às necessidades das partes que reclamam justiça. criar. 178. entre outras coisas. extinguir. encontrar-se-á o magistrado na fileira dos que real­ mente desejam personificar a justiça. demanda adequação dos fins e dos meios. aos seus paradigmas. encontrará a sabedoria das lições que ilustram e aclaram as necessidades textuais mais complexas de serem compreendidas.

XXXV).1. sempre seria considerado eticamente irrepreen­ sível.) que devem ser respeitadas. Mas essa ampla liberdade.. os motivos que lhe formaram o convencimento”. 52. A do juiz arrogante. os juizes preservam grande espa­ ço de desempenho para a produção de decisões judiciais. Parte dela mereceu positivação e reside nos textos constitucionais e nos estatutos da carreira. Ética epoder jurisdicional O juiz detém. 539 . da desídia ou do pouco interesse. 180. p. sim. assunção dos de­ veres da carreira. Não é melhor juiz aquele que sabe enunciar suas obrigações legais. mas neles desacredita. Seção I — Dos Poderes. que a incutir noções quase sempre inatas em candidatos à carreira. um comportamento ético. Aquele que encontra dentro de sua consciência o juiz atento de suas responsa­ bilidades e da conduta direcionada a cumpri-las.5. para apontar comportamentos que possam vulnerar a imagem ideal da Justiça. Formação jurídica. A formação pode contribuir. a saber: representar uma ética da pruden- diciário está substancialmente contida no arcabouço de uma função que existe desde os primórdios da civilização. Nem ostenta mais merecimento o juiz que cumpre os seus deveres. “Art. A independência da magistratura. lei. Ia a 565). 1994.869. Lei n. 127). Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. na sentença. que deve ser racional e argumentada. que se consubs­ tancia em ausência de imposições externas e em ampla faculdade de julgar e persuadir-se nas leis e nas provas produzidas em juízo1 0 encontra barrei­ 8. distanciado dos jurisdicionados. dos Deveres e da Respon­ sabilidade do Juiz (arts. ante aquele que reflete sobre a sua razão última e que. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Conhecimento (arts. profissional de qualquer área.7. Se se pode e se se deve exigir do magistrado. mas deverá indicar. 86 a 153). 5.). Isso porque visa-se a máxima proteção do cidadão contra qualquer lesão a direito (CF de 1988. esse comportamento deverá possuir um conjunto de contornos próprios. atenden­ do aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. 125 a 138). Ca­ pítulo IV — Do Juiz (arts.. A formação do juiz. quando tanto espera da Justiça a comunidade” (Nalini. portanto. ainda que não alegados pelas partes. do aplicador da lei e da justiça. ras naturais (decorrentes da divisão de competência. ética judicial. 131. Pouco alcance obter-se-á. in Nalini (coord. grande poder de decisão. prepotente em sua inadequada concepção do papel que o sistema lhe reservou. “No campo da moral. Sobretudo tendo-se em vista a liberdade e a livre convic­ ção. de 11-1-1973 (DOU. O juiz apreciará livremente a prova. 125 a 133). com a recitação mecânica dos deveres. parece ser uma primeira necessidade democrática. art. Ou o desalento da acomodação. a formação especializada mais servirá a detectar o material humano provido de atributos credenciadores. com vistas à efetiva proteção das garantias a todos deferidas. do que aquele que as intui. como decorrência de suas atribuições legais. porém.

ou seja. a sadia aná­ lise dos fatos e seu cotejo com o fluir da história. in Direitos humanos. da vulneração infligida à regra moral interna do governo da coisa pública. para garantir o equilíbrio de oportunidades a cada qual conferidas. p. no processo. Mais ainda: o juiz passa a integrar o circuito da nego­ ciação política” (Campilongo. priorizar uma ética da imparcialidade1 3 Os deveres que estão a premer o 8. a prudência. p. 8. com devotamento. convertem o juiz em eficaz redutor de conflitos” (Nalini. o interesse pelos dramas humanos. “A imparcialidade consiste em postar-se o juiz em situação de equidistáncia das partes. diversas legítimas garantías lhe são deferidas. in Martins (coord. 1998. comportamento do funcionário público são ainda agravados quando se trata da figura do juiz. “Assentado que o referencial da moralidade administrativa é a finalidade públ ica e entendido que esta é um elemento do ato administrativo. 71). Ética e justiça. 271). a irredutibilidade de vencimentos e a vitaliciedade. perante cuja insuficiência o atuar equidis­ tante é sinônimo de injustiça. 183.iiia razão. 1999. empenhar-se na busca da verdade real. 114). 1998. cabe ao Judiciário controlar a constitucionalidade e o caratei democrático das regulações sociais. o juiz deve procurar manter a imparcialidade. Imparcial é o juiz que se sensibiliza com o hipossuficiente. Esses princípios estão elevados ao plano constitucional e se enfileiram como garantias e vedações para o exercício da jurisdição. quais sejam: a ina­ movibilidade. quando ela é evidentemente superior à do mais fraco” (Nalini. direitos sociais e justiça (org. Ética no direito e na economia. Para que a independência do juiz seja garantida. Diogo de Figueiredo. é ele mais que um agente público. José Eduardo Faria). cinge-se o problema da caracteriza­ ção da moralidade administrativa. à tarefa de demonstrar como isso ocorre e como pode ser diagnos­ ticada” (Moreira Neto. 184. “Já se assinalou que. A paciência. Além de suas funções usuais. Imparcial é o juiz que não teme reconhecer ao poderoso a . “A magistratura ocupa uma posição singular nessa nova engenharia institucional. para que se possa exigir do magistrado esse conjunto de 8. “O bem julgar implica em exercício constante de faculdades garantidoras da higidez psíquica. assim como o é do contrato ad­ ministrativo e também do ato administrativo complexo. Mas é mais do que isso. para que se possa alcançar a isenção dos julgamentos e a proteção da convicção racional. Imparcial é o juiz que procura compensar a debilidade de uma das partes. p. deveres. Ética na administração pública (moralidade administrativa: do conceito à efetivação). como formas de manutenção da autonomia judicial. é um agente po­ lítico1 4 Por isso. p. 49). ilustrar urna ética da probidade1 2 8. 182. zelar pelo efetivo cumprimento dos prazos c atuar. Uma e outras destinam- 181. Ética geral e profis­ sional. é mister que existam princípios reguladores e sustentadores da carreira. 540 .). enfim. 1999.i/a1 1 encamar uma ética da equidistáncia. Os desafios do judiciário: um enquadramento teórico.

150. 92 a 100). e 153. a qualquer título ou pretexto. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. Capítu­ lo III — Do Poder Judiciário (arts. 153. 95. 5-10-1988. II. “Art. custas ou participação em processo. 35 a 39). social e profissional do juiz. no primeiro grau. § 42. Nesse particular. 44 a 135). 37. p. decida de acordo com o direito e sua consciência e não sob o impulso de orientação do partido” (Nalini. 35. VIII. só será adquirida após dois anos de exercício. de delibe­ ração do tribunal a que o juiz estiver vinculado. para que o magis­ trado. de 4-6-1998 (DOU. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n. e. digno. III — dedicar-se à atividade político-partidária”1 6 8. X e XI. salvo por motivo de interesse público. III. A importância social de que se reveste a carreira e a profissão de ma­ gistrado demandam cuidados especiais. 5-6-1998. Aos juizes é vedado: I — exercer.-se à saudável existência da magistratura como órgão social autônomo.Disposições Gerais — (arts. 92 a 126). ressalvado o disposto nos arts. salvo uma de magistério. Ética geral e profissional. II — receber. § 2S. longe das pugnas partidárias. É por isso que abundam em legisla­ ção previsões a respeito do comportamento pessoal. 35 a 60). Os juizes gozam das seguintes garantias: I — vitaliciedade. III — irredutibilidade de subsídio. 261). de 14-3-1979 {DOU. 186. dependendo a perda do cargo. outro cargo ou função. na forma do art. 19. nos demais casos. desvinculado de outras instituições e descompromissado com a re­ presentação de quaisquer ideologias. 36. 93. “E o dever da abstenção política. 1999. Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. como a que segue na Lei Orgânica da Magistratura Nacional. que. nesse período. deve-se verificar o que há a respeito no texto constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU. I1 85. II — inamovibilidade. Seção I . que deli­ neia os traços da carreira e explicita as vedações ligadas ao cargo público: Lei Complementar n. corolário da imparcialidade. É vedado ao magistrado: 185. em vigor desde a publicação). 541 . 39. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. de sentença judicial transitada em julgado. ainda que em disponibilidade. Parágrafo único. “Art.

VI — quando for órgão de direção ou de administração de pessoa jurídica. “Art. o envolvimento emocional. 542 . viessem a contaminar a isenção do julgamento. II — em que interveio como mandatário da parte. de 11-1-1973 {DOU. opinião sobre processo pendente de julgamento. III — manifestar. funcionou como órgão do Ministério Público. em linha reta.. parte na causa. ou na linha colateral até o segundo grau. 134. As suspeições e os impedimentos sustentam o magistrado no sentido de esquivar-se dos processos em que o equilíbrio. oficiou como perito. o comprometimento de qualquer natureza externo com as partes. associação ou fundação. tendo-lhe profe­ rido sentença ou decisão. São estes os impedimentos e as suspeições. há que se dizer que a atuação processual do juiz também vem cercada por preceitos de ordem pública e de caráter ético. na colateral. II — exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil. que são instrumentos para que a jurisdição não se converta em um nicho de favoritismos e ilegalidades. 134 a 138). em linha reta ou. votos ou sentenças. É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo contencioso ou voluntário: I — de que for parte. 5.. III — que conheceu em primeiro grau de jurisdição. Ia a 565). consanguíneo ou afim. ou juízo depreciativo sobre despachos. ou prestou depoimento como testemunha. por qualquer meio de comunicação. salvo de associação de classe. como advogado da parte. 125 a 138). exceto como acionista ou quotista. IV — quando nele estiver postulando. de órgãos judiciais. Capítulo IV — Do Juiz (arts. Com vistas à prevenção desses tipos de ocorrências. o legislador se adiantou em dizer: Lei n. de qualquer natureza ou finalidade. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. ressalvada a crí­ tica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”. o seu cônjuge ou qualquer parente seu. até o terceiro grau. Seção II — Dos Impedimentos e daSuspeição (arts. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts.I — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial* inclusi­ ve de economia mista. parente. consanguíneo ou afim.869. e sem remuneração. seu ou de outrem. 86 a 153). Ademais. a serenidade. V — quando cônjuge. de alguma das partes.

“Art. pelo proferimento de despachos de expediente. a fim de criar o impedimento do juiz”. pela conservação do patrimônio público disponibiliza­ do para o serviço judiciário.Parágrafo único.1. Parágrafo único. 5. donatário ou empregador de alguma das partes. Deve-se. no entanto. pela célere. é.1. no exercício do ofício da magistratura. No caso do número IV. quando: I — amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. Desde quando a celeridade pro­ cedimental e a efetividade do processo se tomaram direito fundamental (art. V — interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes. porém. 187. e se as res­ ponsabilidades sociais do magistrado não transcendem as amarras do for­ malismo pseudoneutro. IV — receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo. Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz. III — herdeiro presuntivo.7. o impedimento só se verifica quando o advogado já estava exercendo o patrocínio da causa. de seu cônju­ ge ou de parentes destes. refletir se o dogma da neutralidade não se confunde com frieza legalista. ou subministrar meios para atender às despesas do litígio. de decisões interlocutórias e de decisões defini­ tivas (sentenças). Universidade de São Paulo. Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo”. ou ao menos tempestiva. Ética e atribuições judiciais Em seu mister. pela organização cartorial. consulte-se Jaqueline Santa Brígida Sena. Os horizontes da magistratura e da busca da justiça parecem estar além das simples amarras da aplicação da legislação positiva1 7 8. 2010. A respeito. solução dos litígios. Faculdade de Direito. II — alguma das partes for credora ou devedora do juiz. Dissertação de Mestrado. 543 . O dogma da neutralidade na prestação jurisdicional. o juiz é responsável: pela custódia dos processos. em linha reta ou na colateral até o terceiro grau. aconse­ lhar alguma das partes acerca do objeto da causa. vedado ao advogado pleitear no processo. 135. pela produção das provas orais do processo. pelo comportamento dos funcionários da justiça. entre outras atividades. pela correição dos serviços judiciários. pelo atendimento ao advogado e ao promotor público.

usada principalmente em lugar de conduta (‘conduto’. de 11-1-1973 {DOU. 5. mas cercada de mistério. 125 a 133).5a. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. Capítulo IV — Do Juiz (arts. III — prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da jus­ tiça. di­ reitos às partes. a qualquer tempo. (arts. porque responde por função s<>cial de alta notoriedade pública. da CF/88). impedindo-se o protelamento exagerado dos feitos judiciais. Ia a 565). procedimento moral) ou de comportamento (1. conduta. 86 a 153). O CNJ também tem pressionado os magistrados ao cumprimento de metas. 189. 8. O juiz dirigirá o processo conforme as dispo­ sições deste Código. dos Deveres e da Responsabilidade do .lui/. Mas se pode pedir do juiz que seja homem em sua plenitude. 544 . Conjunto de atitudes e reações do indivíduo cm face do meio social). foi muito grande. entre as quais a de realizar plena devolução dt. O compromisso social do juiz Não se deve exagerar em pedir do homem-juiz que seja mais que ho­ mem. competindo-lhe: I — assegurar às partes igualdade de tratamento. 125 a 138). neste século.869. II — velar pela rápida solução do litígio. e corre o risco de con­ verter sua atividade de julgar em mero ofício técnico1 9 8. de 13-12-1994 (DOU.2. Em meio a tantas atividades. 14-12-1994.952. LXXVIII. conciliar as partes1 8 8. Seção I — Dos Poderes.7. Inciso IV acrescido pela Lei n. 2. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. um juiz acastelado em seu universo não está aberto para as necessidades sociais que o rodeiam. com cerie/a devido à sua beleza fonética. e tem uma explicação: sua simples menção transmite a imagem de cultura. responsabilidades e incumbências não se podem omitir os dizeres do Código de Processo Civil ao prescrever ao juiz as se­ guintes tarefas: Lei n. Pode-se mesmo pedir engajamento e consciência social do juiz. procedimento. Maneira de se comportar. 5. 188. encar­ nando o ideal necessário da virtude e da prudência. “A popularização da palavra ética. “Art. IV — tentar. 125. a presteza tem sido exigida como tarefa jurisdicional primordial. cm vigor 60 dias após a publicação). por ser uma palavra indefinida.

dos estudos dos magistrados. sentenças são documentos repetidos no “windows” e a profissão de juiz em exterminador de processos. e mais no futuro. no município. 190. Uma das inovações mais significativas. portanto. o juiz está sendo arguido pela sociedade. Para tomar o direito algo perceptível. e. XXI. vivido e assimilável pelas pessoas. ligado ao cidadão na co­ marca. teoria geral do direito e da política. 1999. É a pessoa talentosa para resolver problemas alheios. à inadim­ plência. a partir de alicerces em que a formação huma­ nística mais ampla se encontra contemplada. Se não puder exercer a 545 .). filosofia do direito. ao desvio de poder. por exemplo. Hoje. A responsabilidade que decorre desta investidura vai muito além disto. 75. “O magistrado é hoje — e deverá ser chamado a continuar a sê-lo — o adminis­ trador de situações conflituosas. das condições de trabalho. da melhoria da técnica processual.. mas a sociedade exigindo dele atitudes acima da média” (Roberto Rosas. das Escolas de Magistratura. de 12 de maio de 2009. e que revela uma mudança interessante de consciência na área da formação e do preparo de novos magistrados. num atavismo histórico. devendo. do CNJ. pois seus atos e atitudes são muito importantes e decisivos no contexto social. quais sejam: sociologia do direito. De fato. Pede-se consciência do magistrado na medida em que é ele a última palavra acerca da lei. acima do seu mundo. “A preocupação com a Ética é maior com o juiz de direito. ele era o mais importante. proces­ sos são números. “O juiz de ontem mergulhado no seu microcosmo não precisava de grande espaço social. Reconhece-se nessa inovação um esforço de renovação da magistratura. enfim. a Reforma do Judiciário sem aposta e valorização da profissão.Pensar. ética e estatuto jurídico da magistratura nacional. prestar a atividade jurisdicional como sendo o último recurso de que dispõe o cidadão na defesa de seus direitos e garantias. psicologia judiciária. O mundo dele não é somente o processo.. ela inaugura um movimento em que as exigências de formação do novo ingressante na carreira estejam atreladas à necessidade de mais ampla visão do direito. O Judiciário e as funções essenciais à justiça: conduta e ética no séc. p. à ilegalidade e à inconstitucionalidade1 0 9. em que pessoas são autores e réus. Ética no direito e na economia. no combate à arbitrariedade. 100). à deslealdade. in Martins (coord. não serão os autos processuais. não era atacado. é recair num reformismo-produtivista que apenas reforça o estereótipo do “juiz-máquina” da esteira de produção fordista. Não era questionado. desde o Império com o binômio juiz e padre. aí incluídas matérias e conhecimentos que usualmente eram considerados marginais ao processo de ensino-aprendizagem do direito. é aquela revelada pela Resolução n. por isso. nada lhe perguntavam.

exercício profissional. tratar com urbanidade e res­ peito os demais profissionais que militam em tomo de atividades jurisdicionais. ou o que é pior. in Direitos humanos. estar atualizado das carências e necessidades mais prementes da população. “O cumprimento estrito de exigências éticas do dever funcional parece insufi­ ciente para satisfazer as exigências éticas do mister judicial” (Nalini. saiba discernir adequadamente os valores entre si a ponto de: • Consciente da amplitude de seus poderes. não há mais lugar para arcaísmos. revela-se em descompasso com a realida­ de” (Faria (org.). estudar diutumamente para que suas manifestações constituam legítimas intervenções sobre a vida e o patrimônio dos jurisdicionados. • Consciente dos reflexos práticos e sociais de suas decisões. hoje. será substituído. mas que acima da estreita legalidade e procedimentalidade se en­ contrem as necessidades sociais envolvidas nas causas e a urgência de pacificação interindividual e social. manejar mecanicamente a lei. 546 . “No exercício de suas funções judicantes. direitos sociais e justiça. p. a magistratura forjou a partir do Esta­ do Liberal uma cultura técnica própria que. p. cedo ou tarde. 208). 191. As transformações do judiciário em face de suas responsabilidades sociais. convertendo-o de ficção em realidade. subsumindo os casos concre­ tos à sua literalidade1 atualmente. a ponto dc atendê-las por meio do processo e em meio às demandas que sob sua jurisdição e competência se encontrarem. materializando o direito. no 9. 199H. que sua atuação seja reflexo dos poderes da lei. Entende-se que não basta ao juiz simplesmente julgar. 91.O compromisso e o atrelamento do juiz com a causa da justiça social faz com que se devam formular imperativos por meio dos quais se ilustrem os comportamentos desejados e os comportamentos indesejados do magis­ trado pela sociedade. mentalidades retrógradas ou modelos de julgadores desarticulados das ne­ cessidades sociais1 2 O que se pode e o que se deve pedir do juiz é que. Ética e justiça. 1998. 151). • Consciente de sua importância no processo. 1998. p. • Consciente das necessidades coletivas e sociais de justiça. Ética e justiça. • Consciente do mister de julgar. por outro operador” (Nalini. possuir humildade suficiente para se destacar como fiel combatente contra as fileiras do nepotismo e do tráfico de influências. 53). 192.

e se faça sentir como impacto do arbí­ trio do espírito das partes envolvidas. de fato. de ideologias tendenciosas. os argumentos para travestir o desleixo profissional. Numa palavra. • A inércia da jurisdição em motivo para a criação de maiores empecilhos para o acesso à justiça ou em princípio de vida na condução morosa do processo. ou ainda para se esquivar das con­ tendas que moram em sua mesa de trabalho. jurisdição.justiça material da pós-modemidade. Ética e justiça. • A calamitosa situação do Poder Judiciário. “O vínculo entre a aquisição efetiva dos direitos e o funcionamento eficiente da justiça explica a intensidade dos reclamos comunitários por um serviço público menos im­ pregnado de burocracia. na medida em que necessidades sociais pulsam no sentido de destacar determinados membros do corpo social para desempenharem a importante tarefa de resolução de conflito1 3 Enquanto vigorar a lei e a 9. • A adstrição do juiz ao mundo do processo {quod non est in actus non est in mundus) em bastião para a fuga dos problemas sociais e ambientais que cercam o magistrado e que dele exigem posições rápidas e eficazes. p. 1999. • A liberdade de persuasão e convencimento do juiz em canal para a evasão de sentimentos parciais. • A necessidade de transparência e visão arejada do Judiciário em oportu­ nidade para a autopromoção na mídia. bem como o excesso de pro­ cessos. 21). que coloca em crise as estruturas jurídicas e judiciárias. • A obscuridade da lei. ou mesmo a falta da lei. • A necessidade de preservar o vernáculo e de se utilizar de palavras técnico-jurídicas e termos legais em aparato para o magistrado tomar-se inin­ teligível para a sociedade à qual destina seus mandamentos. Assim. Pede-se ainda que não se converta: • A imparcialidade em justificativa para a arrogância perante partes e ope­ radores do direito. menos imprevisível e hermético. em fuga do dever profissional e de afrontar altaneiramente as jornadas de seu mister. há que se dizer que. estar-se-á a afastar os fantasmas da violência e da desordem. da luta e da força física na definição de papéis sociais. o juiz encontra-se investido no poder de julgar. 547 . » 193. mais acessível a qualquer do povo” (Nalini. em motivos para que a decisão peque no aspecto do justo. de idiossincrasias perniciosas à isenção judicial.

O compromisso do julgador. 1997. 124). mais do que pelo desencargo de tarefa rotineira. in Nalini (coord. em caso de lacuna. ou do juizjurisprudencial. haverá de aplicar. grama­ 9. 281).. está apto para ser qualificado de juiz ético196. o processo. ou do juiz doutrinador. Formação jurídica.1 5 atua dessa 9 forma. ou seja. 1999. A noção de que o processo é o instrumento e não o fim de toda a atividade jurisdicional tomaria o juiz menos afeito a tendências burocráticas e mais aberto para reclamos sociais1 7 9. 1994. Avulta ainda mais atualmente que não tenha tanta atenção com a lei formal e mais com as necessidades sociais e o equilíbrio da aplicação da justiça a cada caso. atencioso para com os reflexos de seus atos jurídico-processuais. estudioso das inovações e tendências do direito. Quando possível. “Os aspectos éticos da carreira preordenam todos os demais. analogia. Muito mais do que do juiz legalista. palco em que essas três atividades se desenvolvem. “O juiz há de ter visão de conjunto do sistema. Formação jurídica. Confe­ rirá dimensão de nobreza ao seu mister.). 1994. atualizado com relação às necessidades e carências da so­ ciedade. 197. ele deve estar informado acerca dos con­ teúdos de lei. Ética geral e profissional. histórica. Não hesitará mesmo diante de desafios aparentemente invencíveis. A formação do juiz. “Se a jurisdição é a atividade estatal destinada à atuação da lei.. está atrelado às formas de pro­ ceder da jurisdição. dedica­ do às partes envolvidas. ou seja. se a defesa é pres­ suposto da legitimidade do provimento e imprescindível à correta imposição da norma ao caso concreto. p. na ausência da lei. que represente a correta formulação e imposição da regra concreta” (Bedaque. Em virtude mesmo de seu compromisso com o bem é que o juiz se empenhará no estudo e no autoaperfeiçoamento. razão primeira de sua aventura terrena” (Nalini. preparado para saber manejá-los adequadamente como siste­ ma jurídico1 4 maduro para exercer a interpretação jurídica (literal. sem exceder suas funções. axiológica e sistemática. deve ser considerado o meio através do qual se visa a um provimento justo.). A lei não consegue abarcar toda a justiça” (Nalini. 128). se a ação é o poder de estimular essa atividade e fazer com que ela atinja seu objetivo. p. equidade. Poderes instrutórios do juiz. deve 194. se necessário. p.O juiz é um aplicador da lei. Não desanimará. 196. O juiz que. 195. costumes. lógica. in Nalini (coord. e delas não pode totalmente se libertar. em conjunto) e dirimir antinomias jurídicas aparentes e reais.justo. ademais. não apenas oferecendo a decisão formal” (Nalini. Saber procurar a alternativa mais adequada a uma composição satisfatória do litígio. compromissado com sua atividade. 42 daLINDB). “A reengenharia ética poderia contribuir para que o juiz se aproximasse do ideal do juiz. p. Porém. 548 . princípios gerais de direito e equidade (art. A formação do juiz. Zelará pela consecução da Justiça. 51). tical.

em sintonia com as modificações de seu tempo. 1978. 198. em todas as suas dimensões (documentação. típica do Estado e indelegável. com independência. sob qualquer tipo de ale­ gação. salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado. 35 a 60). os advogados. Como exercente de uma atividade pública. convencimento. a atividade censória é imprescindível para o controle da con­ duta do magistrado. IV — tratar com urbanidade as partes. quando se trate de providência que reclame e possibilite solução de urgência. grupai. 5. as disposições legais e atos de ofício. II — não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar. 35. psicológico. profissional das pessoas.colocá-las. coerção e decisão)1 8 9. 35.3. VI — comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão. a qualquer momento. os membros do Ministério Público. “A jurisdição compreende três poderes: o de decisão. serenidade e exatidão. as testemunhas. 60).7. “Art. os funcionários e auxiliares da justiça. p. Deveres do juiz Apesar da ampla liberdade de atuação. sob pena de comprometer o andamento e o exercício de uma ativi­ dade pública essencial. familiar. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. V — residir na sede da comarca. e não se ausentar injustificadamente antes de seu término. III — determinar as providências necessárias para que os atos proces­ suais se realizem nos prazos legais. O juiz possui deveres fixados em lei e deve cumpri-los de modo escorreito. 549 . o de coerção e o de docu­ mentação” (Santos. na medida em que de sua atuação profissional decorrem influxos decisórios sobre o destino material. 35 a 39). Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. Primeiras linhas de direito processual civil. Então. São deveres do magistrado: I — cumprir e fazer cumprir. não pode o juiz se esquivar de seu compromisso. de 14-3-1979 (DOU. moral. desempenho profissional. e atender aos que o procurarem. seguem-se os deveres do juiz: Lei Complementam.

completa as demais virtudes do homem sábio” (José Renato Nalini. As culturas verdadeiramente sólidas só conseguem saber que nada sabem. o dar o máximo de si na solução dos problemas. o valor do merecimento como um dos pilares da carreira judicial. sendo mais que imerecedor de promoção por mérito1 9 e assumir postura atentatória à 9. Formação jurídica. 200. especial­ mente no que se refere à cobrança de custas e emolumentos. com colheita de provas (escritas e orais) e oportunidade de defesa. Os desvios serão apurados e as sanções serão aplicadas pela Corregedoria-Geral de Justiça. Deve ser diligente ao impulsionar o feito. Ainda. determinar a disponibilidade ou a aposentadoria de uns e outros. 1994. a pontualidade. ao sanear o processo. retardar a outorga da prestação jurisdicional. O juiz não pode. quan­ do as citações são extraídas de obra alheia. não o descompromisso das decisões singelas. p. p. ficará sujeito à aplicação de sanções proporcionais à gravidade do desvio200. mantendo-se sempre a possibilidade de recurso aos órgãos colegiados201. o rigor científico na busca de alternativa adequa­ da à verdadeira solução da causa.VII — exercer assídua fiscalização sobre os subordinados. após amplo procedimento instrutório. 1999. célere. que deixar gritantemente do corporificar os misteres da profissão. o magistrado que se distanciar de suas atribuições legais. E a postura humilde é a coroa que. a dedicação ao trabalho. 130-131). com relação a este tema: Lei Complementar n. 35.). 50. 260). Atraso sistemático e consciência tranquila com essa situação refletem espírito mais vulnerável. rápido. a instruí-lo devidamente e a julgá-lo” (Nalini. com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço”. sobranceia. A indicação das fontes. 14-3-1979). “A humildade é sempre essencial. a transparência em tudo. ladeando a antiguidade. A assiduidade. “Art. VIII — manter conduta irrepreensível na vida pública e particular”. que é uma face de honestidade em sentido compreensivo. A formação do juiz. Ao Conselho Nacional da Magistratura cabe conhecer de reclamações contra membros de tribunais. 201. 199. Assim. de 14-3-1979 (DOU. ao decidir as questões iniciais. em qualquer caso. dignidade e ao profissionalismo da carreira. 550 . O mérito dos juizes será aferido pelos critérios da presteza e segu­ rança no exercício da jurisdição e pelafrequência e aproveitamento em cursos reconhecidos de aperfeiçoamento. o constituinte remeteu aos deveres éticos da presteza qualidade de quem é presto. eticamente. “Ao estabelecer tais critérios. A honestidade intelectual. “O padrão de honestidade pode ser aferido em pequenos detalhes do comporta­ mento do juiz. Ética geral e profissional. “Dentre eles. in Nalini (coorJ. embora não haja reclamação das partes. que recomenda a pesquisa e o estudo intenso. podendo avocar processos disciplinares contra juizes de pri­ meira instância e.

p. e mesmo antes de punir. de 14-3-1979 (DOU. 35 a 60). 42. 202. na medida em que o espírito de equipe e a ética coletiva surgem do emprego desse tipo de administração do comportamento corpo­ rativo2 O caráter excepcional da punição se justifica a partir do tipo de 02. Capítulo II — Das Penalidades (arts. afora as eventuais sanções civis a que fica sujeito em caso de fraude ou dolo. investir a favor da socie­ dade. mediante orientação contínua. ouvindo o interes­ sado e a ele concedendo plenitude de defesa. V — aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. a célere e eficaz punição devem ser políticas efetivas dos órgãos de controle (interno ou externo). A respeito das sanções: Lei Complementar n. na manutenção de uma magistratura ineficiente e imoral. As Corregedorias recebem as denúncias formuladas contra os magistrados e as processam. o ma­ gistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. 40 a 48). Art. 551 . II — censura. na verdade. As penas de advertência e de censura somente são aplicáveis aos juizes de primeira instância”. “O órgão disciplinar encarregado da fiscalização e controle da atividade funcio­ nal e da conduta particular dos juizes é a Corregedoria-Geml da Justiça. Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem. acompanhamento próximo aos juizes ne­ cessitados e disseminação de conhecimentos éticos” (Nalini. III — remoção compulsória. VI — demissão. “Art. Parágrafo único. 35. 41.A atuação da Corregedoria deve centralizar a mentalidade de que in­ vestir contra a magistratura faltosa é. São penas disciplinares: I — advertência. 278). além de punir. Tais organismos hão de contribuir no aprimora­ mento da carreira. IV — disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. Ética geral e profissional. 1999. O corporativismo e o falso coleguismo protecionista só prejudicam o erário público. “Uma nova concepção de Judiciário postula atuação menos punitiva e mais orienta­ dora das Corregedorias-Gerais de Justiça. Mas. orientar é fundamental. desvio de comportamento do magistrado. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts.

incompleto o encaminhamento se não houver ativa partici­ pação do Judiciário. quem ordena o sacrifício da liberdade. para a preservação do equilíbrio. o verdadeiro juiz se forja na prática efetiva da jurisdição e no enfrentamento quotidiano das agruras da função. se se espera do juiz maior proximidade das questões sociais e se se questiona o juiz para que abrace uma ética profis­ sional mais ativa203. cogitando-se da forma­ ção de uma Escola da Magistratura que preparasse o magistrado durante longos períodos antes de judicar204. no processo legislativo. No momento histórico em que se propõe a mudança da forma e do regime de governo. receberiam experiência do trabalho judiciário. até a nível psicológico. Formação jurídica. Conviveriam com juizes mais experientes. com sua opinião abalizada. “Assim também. Mais que isso. ética e humanista do magistrado. in Nalini (coord. O movimento que resultou na utilização de instituto que ninguém acreditava pudesse vir a ser aplicado no Brasil — o impeachment — não por acaso se denominou movimento pela ética na política. na educação residiria a chave para o preparo do jul­ gador ideal. Além da revisão das disciplinas jurídicas essenciais ao exercí­ cio de seu mister. exporiam suas expectativas e receberiam acompanhamento contínuo. ainda. Aquele que tem por dever de ofício aplicar a lei. Muito já se cogitou sobre a formação jurídica. o verdadeiro juiz deve ser experiente e militante advogado.). o verdadeiro juiz é nato.5. para outros. O conjunto de atos preordenado à produção de normas típicas do parlamento não pode prescindir de conduto para que o Judiciário for­ mule suas proposições ou aperfeiçoe aquelas que digam respeito à função para a qual foi criado. para outros. há de conduzir-se limpo e transparente. A formação do juiz. “O ideal seria que todos os candidatos a juiz permanecessem por dois anos em uma Escola da Magistratura.4. para trazer luz aos de­ bates de interesse na vida nacional. Código de Ética da magistratura Um Código de Ética para a Magistratura só pode constituir um parâ­ metro fundamental para a atuação do juiz. 129). não pode ser excluído da elaboração normativa” (Nalini. do patrimônio e da honra. p. Mais até que os demais agentes políticos. Enfim. Nesse sentido. 1994. Sem o qual não pode 552 . Assim. A solução para o impasse às vezes se 203. teriam desenvolvidas suas qualidades inatas mediante processos científicos de polimento da personalidade. E não se exige conduta eticamente irrepreensível apenas aos detentores de cargos no Executivo e no Legislativo. quem condena. “O juiz moderno há de contribuir. um Código de Ética só pode significar uma exaltação das magnas virtudes do julgador e de suas atribuições. para uns. o juiz tem obrigação de atuar sem o arranhão mínimo à moral: pois é quem julga. 204. há que se tomar claras as principais virtudes da função. Para poder fazê-lo sem suscetibilidades de consciência.7. “Toda a atividade pública está sendo hoje questionada em seus aspectos éticos.

“O ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (1977) resumiu os métodos de seleção de juizes assim: 1) do voto popular. ano 3. 206. p. de ser um mau juiz” (Camolez. 6) da escolha por órgão especializado. A verdade é que esta diversidade de critérios tem resultado na existência de bons e de maus juizes em todas as justiças.deposita inclusive na reformulação dos métodos de seleção do juiz205. A respeito da necessidade de desmitificação de uma cultura jurídica utilitarista. 44). e o fortalecimento dos me­ canismos alternativos de resolução de conflitos jurídicos — a ‘desinstitucionalização’ do conflito — não são sinais reveladores da inutilidade da magistratura. p. a ampliação do quadro de magistrados em regiões de grande movimento e expediente fo­ rense. 82-83. a aproximação da justiça das regiões mais carentes e a formação de mecanismos de atendimento de necessidades aos despro­ vidos de condições de acesso à justiça. a reciclagem obrigatória dos juizes. formação e aperfeiçoamento do juiz. p. a celerização dos procedimen­ tos206. Também contribuiria para a arquitetônica da imagem da magistratura: o desentravamento da legislação processual. A formação do juiz. vide Lopes. José Eduardo Faria). a informatização de determinadas formalidades judiciárias. direitos sociais e justiça (org. 1994. Mas são indicadores da urgência: da revisão dos procedimentos. “A variedade dos sistemas de recrutamento e de formação dos magistrados é fruto de inúmeros motivos. Os desafios do judiciário: um enqua­ dramento teórico. José Eduardo Faria). 7. direitos sociais e justiça (org. 4) da nomeação pelo Executivo com proposta de outros poderes. sem dedicação e interesse. “Os descompassos entre o ‘tempo’ do processo judicial e o ‘tempo’ das modernas transações mercantis. a exemplo do peso da tradição e da história das instituições estatais em cada país. 553 . 5) da nomeação pelo Executivo. 207. in Direitos humanos. o inves­ timento em qualificação de pessoal para trabalhar em equipe com o juiz. da mudança na formação. A escolha. 64). até porque a melhor escola judicial não salvará umjuiz. 142-143). o exter­ mínio da impunidade dos juizes infratores. dependendo da aprovação do Legislativo. 3) da livre nome­ ação pelo Judiciário. 2a semestre de 1999. existir prestação jurisdicional eficaz” (Nalini. p.). 205. a quebra do modelo liberal e arcaísta de justiça formal207. Cidadania e justiça. a oferta de melho­ res condições de trabalho em determinadas comarcas. For­ mação jurídica. 7) do concurso. in Nalini (coord. Revista daAMB. 1998. n. os desajustes entre a aplicação judicial de regras jurídicas nacionais e as necessidades da internacionalização do processo produtivo. 2) da livre nomeação pelo Executivo. in Direitos humanos. a quebra de uma hierarquia fechada na ascensão da carreira. 1998. a abertura para a mídia das de­ cisões judiciais e a criação de instrumentos de aproximação da justiça e seus mistérios da população. do incremento da operacionalidade do Poder Judiciário” (Campilongo. individualista e formalista. a ampliação do diálogo com a co­ munidade na formação das decisões políticas e institucionais da justiça pública. Crise da norma jurídica e a reforma do judiciário.

ministrando conhecimentos de ética. 2. aperfeiçoa-se e se impõe aos homens. “O juiz brasileiro não tem um código de ética específico. tem autorida­ de. 7. Professor da Universidade Católica de Assunção. mais que um homem. 209. inspira­ dores de sua conduta. p. mas. “A ética constitui disciplina cujo conhecimento é imprescindível na carreira ju­ dicial. Assim. poderá servir de importante meio de desenvolvimento dos atributos morais exigíveis no comportamento judicial. 3. 554 . Revista daAMB. E enorme o perigo social da existência de um juiz não ético. residem somente na doutrina. Esta é a parte mais sen­ sível e humana de tua missão. dentre os quais a honestidade é o primeiro e essencial ao teu ministério. Nem por isso os mandamentos éticos. o direito existe. uma pessoa humana. pois. inexistente no Brasil209. a partir da Constituição da República. Sê paciente: quem vai aos tribunais em demanda de tua justiça. Cidadania e justiça. leva atribulações e ansiedades que hás de compreender. e. dos quais se pode extrair o lineamento básico de sua conduta ética” (Nalini. a inserção do estudo da ética dentre as disciplinas da escola judicial” (Camolez. O constituinte emitiu comandos destinados ao juiz. mas é um homem. em todas as tuas decisões. mormente no que tange à profissão de julgar2 08. Importante. donde não se pode conceber um ordenamento jurídico que não responda a um princípio ético. A escolha. não se conseguirá lograr êxito na formação dos ma­ gistrados. merecendo menção o decálogo do Juiz Juan Carlos Mendoza. Sê sóbrio: a sobriedade é uma exigência do teu cargo. 22 semestre de 1999. o equilíbrio de tua alma. Por esses valores morais. assim redigido: 1. sem se cogitar de uma profun­ da consciência ética. soma-se à vocação e à personalidade. Educação. com o intento de contribuir na formulação de um Código de Ética.Todas as alternativas são válidas. Ética geral e pro­ fissional. dados fundamentais para esculpir a pessoa humana no desempenho de quaisquer atividades. A codificação das normas éticas ainda sofre algumas objeções. formação e aperfeiçoamento do juiz. p. ela te ajudará a ter presente que o destinatá­ rio de tua sentença não é um ente abstrato ou nominal. Existem normas éticas positivadas. Para que possas aplicá-lo com rigor e cumprir seus pressupostos últimos. devem-se recolher os seguintes ensinos: “Houve quem se preocupou com a enunciação de um Código de Ética Judicial. Sê honesto: O conteúdo necessário do direito são os valores morais. ano 3. 258-259). nesse sentido. deves encarnar em ti esses valo­ res. A escola judicial. 1999. n. 80). Para que sejas um verdadeiro magistrado e alcances o respeito de teus semelhantes. 208. hás de ser necessariamente exemplar em tua vida pública e privada e hás de condensar.

8. nem de soldados. Não te deves levar por tuas simpatias ou antipatías. o modo mais eficaz de proteger o indivíduo contra os abusos do poder. mas porque a experiência da humanidade demonstra que esta é uma garantia essencial da justiça.4. nem riquezas. tanto quanto tu lutas pelo direito. Deves estar consciente da imensa responsabilidade do teu ministério e da enorme força que a lei põe em tuas mãos. que exige para o direito uma devoção maior porque não te dará triunfos. se bem que não deves sacrificar o estudo à celeridade. tu. 6. nem os povos. é mister que tu o levantes como nunca. que não souberam ser justos. nem por temor ou misericórdia. a condição da existência do poder jurisdicional. por 555 . por conveniências ou compaixões. isento de enganos e refúgios. mas também o valor muito maior de decidir contra o fraco. onde está a justiça. 10. sem necessidade de canhões. 9. 5. Isto não deves esquecer nunca. fundamenta-a no Direito. Na medida em que a faças respeitar. Sê independente: tuas normas hão de vir unicamente das normas da lei e de tua consciência. Sê justo: antes de mais nada. nos conflitos. Defende a liberdade: tem presente que o fim lógico para o qual foi criada a ordem jurídica é a justiça e que a justiça é o conteúdo essencial da liberdade. para que seja majestoso e imponente. pois nunca foram livres os homens. Em seguida. Para cumprir com o teu dever. Sê trabalhador: deves esforçar-te para que tenha vigência o ideal de justiça rápida. Todo o direito é dignidade. Do ponto de vista técnico. a magistratura judicial é um apostolado mais nobre ainda. Sê imparcial: o litigante luta pelo seu direito. Sê respeitoso: respeitoso da dignidade alheia e da tua própria dig­ nidade. 7. Defender a liberdade não é fazer política. hás de esforçar-te para que a verdade formal coincida com a verdade real e para que a tua decisão seja a expressão viva de ambas. A imparcialidade implica a coragem de decidir contra os poderosos. que exige um profundo amor ao direito. Tra­ balha no pleito mais insignificante com a mesma dedicação que no pleito mais importante e. senão preservar a saúde da sociedade e o destino das institui­ ções que a justificam. Não é por capricho que se quer que sejas indepen­ dente e que os homens tenham lutado e morrido pela independência. teus companheiros e tua posteridade gozarão de seus benefícios. Ama o direito: se a advocacia é um nobre postulado. verifica. está dirigido à dignificação da pessoa humana e não se pode conceber esvaziado dela. para que esse baluarte seja uma fortaleza. respeitoso nos atos e nas palavras. tem presente que o que está em jogo é a própria justiça. em todos os casos.

conclaves ilícitos. com recursos ilícitos” (Marques. é deferido o devido processo legal (LIV). 211. Instituições de direito processual civil. 89). 210. 1989. a que se pode chamar de leal­ dade processual211. éticos de resolução de conflitos. mas. seja como sujeito ativo. ou por meio do qual se cometem arbitrariedades. Ora. Às partes212. p. onde se digladiam as partes até os limites de suas forças. 111). o direito de petição (XXXIV. 67-68. constituem o sujeito ativo e o sujeito passivo do processo. sem que se tente alterar o desfecho acertado e justo da ação. 1. seja como sujeito passivo. p. a par desta importante discussão. autor e réu. teu alto apostolado jurídico. teu dever de magistrado. 1998. a publicidade dos atos processuais (LX). “As regras que se condensam no princípio da lealdade processual têm por obje­ tivo justamente conter os litigantes e lhes impor uma conduta em juízo que possa levar o processo à consecução de seus fins. Direito processual civil brasileiro. É quem pede e contra quem se pede o provi­ mento jurisdicional” (Greco Filho. o amplo direito de defesa e de contraditório (LV). Ética e justiça. num processo ou procedimento. 5. Adota-se a seguinte conceituação de parte: “As partes. visando à conduta ética. o amplo acesso à justiça em caso de lesão ou ameaça de lesão a direito (XXXV). tem-se por hábito conceber o estudo da ética dos operadores do direito. com grandeza e com suprema energia. A elas também se pode ligar um conjunto de deveres e de prescrições legais. sobretudo.cima das paixões e cumpras. Mas. que o processo não deve se conver­ ter em uma arena oficial. 5a da CF de 1988. 556 . a). deve-se também levar em consideração que a legislação e o dever ético incidem da mesma forma sobre as partes que li­ tigam em processo judicial ou em procedimento administrativo. que não cedas ante a violação de urna única lei e não te embaraces no atentado contra urna única garantía”210. conforme os mais célebres ditames contidos nos incisos do art. 212. com vistas a que o processo judicial e o procedimento administrativo sejam instrumentos públicos não somente eficazes. Ética das partes: lealdade processual e procedimental Quando a temática se detém na ética profissional. com vistas à manutenção da imparcialidade e ao oferecimento de ampla oportunidade de manifestação antes que qualquer decisão (administrativa ou judicial) seja tomada. são essas garantias que constituem a lisura dos instrumentos públicos de aferição de litígios. a oportunidade de se manifestar num procedimento em sua defesa.8. v. no geral. p. 1971. Isso significa. Nalini. em primeiro plano.

214. perde-se o norte da necessidade da intervenção de um terceiro julgador (autoridade decisória) para dar-se vazão a um sem-número de atribulações mesquinhas da alma humana. portanto. a impetuosidade. A afirmação é de José Frederico Marques. 111). a corrupção. a atrocidade. des­ pontam as mais vis paixões da alma humana. em face da animosidade que movimenta as partes que se acostam ao procedimento administrativo e ao processo judicial. pois transformaria ojudicium em tablado de luta desleal. III. O processo não pode servir de instrumento para a reali­ zação de direitos em conflito com o dever moral” (Instituições de direito processual civil. a desconsideração. portanto. em detrimento da moral e da legalidade. da desvairada 213. o jogo de forças. a imper­ meabilidade de comunicação. o que acaba por dar surgimen­ to a um tétrico cenário de relacionamento. não pode se tomar o circo onde tudo é possível e onde se vê acontecerem fatos de toda natureza. Ademais: “Compete ao juiz em especial: (.) IV. Sem essa interação discursiva racional. o processo pátrio. 1971. a vontade de perseguição. Manter a ordem e o decoro na audiência. a mentira. a força policial” (art.. a vingança. a má-fé. quando necessário. se inscreve como instrumento ético de aferição de direitos e de deveres213. 110. desvirtuando-se o compromisso plasmado sobre o processo de transformar a pendência entre as partes em uma decisão racional e imparcial. Requisitar. a rapina. Ao juiz são deferidos poderes de condução do processo exatamente para que não se desvirtue sua natureza de instrumento público214. perde-se de rumo a orientação racional da necessidade do pleito judicial ou administrativo. desvios. competindo-lhe: I. Ora. onde venceria o mais hábil. a ma­ nipulação. ou o procedimento. p. a vontade de aniqui­ lamento do outro. a desonestidade. do mero conclave de ânimos exaltados. 445 do CPC).favorecimentos pessoais. De fato: “O juiz exerce o poder de polícia. em detrimento da justiça e da reta aplicação da lei”215. De fato: “Um pro­ cesso dominado pela chicana ou expedientes condenáveis seria a negação do processo. II. de acentuado sentido ético. 446 do CPC). 557 . O proces­ so. Exortar os advogados e o órgão do MP a que discutam a causa com elevação e urbanidade” (art. É muito comum. imoralidades. O que se quer dizer é que o processo não pode ser a moradia da desor­ dem e do tumulto.. a velhacaria. p. 1971. 215. Lapidar sentença de Frederico Marques: “Impregna-se. em face desses sentimentos. a sórdida perfídia. o devido processo legal avalia meios e fins. Ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente. a irascividade. irregularidades. em que imperam: o ódio. Instituições de direito processual civil. o desprezo. e.

vontade de massacre da parte contrária, da humilhação e da impetuosidade, do arbítrio e da vingança, mas sim da imparcialidade, da justiça, da media­ nia decisória, da autoridade, da racionalidade e do discurso/Quando o processo se converte em mero instrumento de extravasamento das baixas paixões da alma humana, ele já perdeu sua essência ou sua raiz racional, qual seja, a de servir para resolver conflitos de modo racional e imparcial, de modo institucional e equânime, para se converter na forma de prolonga­ mento temporal da desdita humana, da miséria ética da humanidade, da desonra e da tortura sentimental, ou, ainda, numa forma de enlamear e afugentar o sentimento do ético e do justo. É certo que o juiz, ou a autoridade decisória administrativa, possui grande participação nesse cenário, devendo estar consciente dessa proble­ mática para afastar todo e qualquer uso inescrupuloso das vias institucionais para a realização de sentimentos antiéticos. Mas nem sempre se pode im­ putar ao julgador essa responsabilidade, assim como nem mesmo se pode cobrar dele essa percepção, por vezes, velada e mascarada pelas partes, que agem sorrateiramente nos bastidores dos acontecimentos processuais. O julgador não possui amplos poderes instrutórios e probatórios senão para a realização desse seu mister de boa condução do processo216. Isso significa, também, num segundo plano, que se podem cobrar alguns comportamentos específicos das partes, seja por estarem previstos direta­ mente na legislação, seja por estarem subjacentes e implícitos no ordena­ mento ou numa certa ética da litigância, como segue: 1. Movimentar a justiça ou a máquina administrativa para elaborar pedidos levianos ou motivar-se a aventuras jurídicas, sabidamente incapazes de surtirem qualquer fruto real ou qualquer resultado realizável, sobretudo se conhecedor da ilogicidade de seu pleito administrativo ou judicial, em face da necessidade de provar a existência de interesse (art. 32 do CPC). 2. Tratar a parte contrária nos momentos de conclave perante a auto­ ridade decisória sem a mínima urbanidade. É certo que não constitui crime de calúnia, ou crime de difamação punível, a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador (art. 142,1, do CP), o que não significa que haja nessa exceção legal o acobertamento de atitudes antiéticas a serem estimuladas ou louvadas, ex vi do art. 445 do Código de Processo Civil.

216. A respeito, consulte-se a importante obra de José Roberto dos Santos Bedaque, Poderes instrutórios do juiz, 1994.

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3. Conduzir o processo mediante provas ilícitas e/ou obtidas de má-fé, tomando esse instrumento público de aferição de direitos e deveres o covil onde moram a rapina e a deslealdade processual, conforme prescreve a própria Constituição Federal (art. 52, LVI). Não é sem razão que a lei pro­ cessual civil brasileira se utiliza de uma expressão muito significativa quando se refere à produção de provas, como segue: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa” (art. 332 do CPC)217. 4. Converter os meios jurídicos e processuais para obter efeitos con­ denáveis, externos ao processo, para a realização de paixões vis e repug­ nantes. É comum na praxe forense: o pedido de falência de outra empresa somente com vistas ao abalo do crédito e do conceito do concorrente pelo simples não pagamento de uma nota ou documento hábil a instruir pedido de falência; o precipitado pedido de prisão por não pagamento de pensão alimentícia, não por real carência ou necessidade, mas pela sorrateira von­ tade de vingança pelo término da relação conjugal e para destruir a vida profissional do ex-companheiro; promover denúncia à polícia para dar início a inquérito policial de fatos inexistentes, simplesmente para difamar ou prejudicar alguém que sabe ser inocente (art. 339 do CP). 5. Fomentar inverdades, alterando a verdade dos fatos e ostentar ale­ gações inverídicas perante autoridades administrativas ou judiciais, com vistas à constituição de situações irreais ou à obtenção de mais direito do que lhe corresponde (art. 17, II, do CPC). É certo que ninguém é obrigado a produzir prova em desfavor de si mesmo, ou mesmo depor sobre fatos e ocorrências dizendo verdades que o incriminam, mas a lisura do discurso é algo que se afere inclusive por meios probatórios para compor a decisão final do processo ou procedimento. 6. Agir processualmente em má-fé, como prescreve o CPC, com nos­ sos grifos ao texto: “Responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor, réu ou interveniente” (art. 16 do CPC); “Reputa-se liti­ gante de má-fé aquele que: I — deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso', II — alterar a verdade dos fatos', III — usar do processo para conseguir objetivo ilegal', IV — opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V — proceder de modo temerário

217. A jurisprudência repudia veementemente a obtenção de provas ilícitas produzidas ou favorecidas pelas partes, como segue: RTJ, 84/609; RT, 649/665; RT, 654/132.

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em qualquer incidente ou ato do processo; VI — provocar incidentes ma­ nifestamente infundados”; VII — interpuser recurso com intuito manifes­ tamente protelatório (art. 17 do CPC). 7. Falsear a verdade ao profissional que o representa administrativa ou judicialmente, de modo a induzi-lo a erro na representação processual ou procedimental, fazendo-o crer ser inocente quando é, em verdade, culpado consciente, fazendo-o crer que pleiteia justamente como vítima, quando, em verdade, é o autor de dano, deslealdade esta que pode ser motivo sufi­ ciente para a cessação do patrocínio da causa pelo profissional (renúncia ao mandato judicial ou administrativo) que se viu iludido ou persuadido a atuar por algo que não existia ou não correspondia à verdade. 8. Manipular testemunhas, uma vez que, em juízo, estas possuem o dever de dizer a verdade, de não calar sobre a verdade ou de não fazer afir­ mação falsa (art. 342 do CPC), sendo assim instadas pela autoridade judicante (arte. 415 do CPC e 203 do CPP). 9. Subornar funcionários, corromper serventuários da justiça, ou mes­ mo o juiz, com vistas à obtenção dos melhores favores da justiça, a serviço de seus interesses pessoais, ao prejuízo da parte contrária, ao ganho de causa injusto (arts. 316, 317 e 333 do CP). 10. Pressionar extrajudicialmente os envolvidos em processo ou pro­ cedimento por meios ilícitos e se utilizar de violência ou de grave ameaça contra autoridades, partes e quaisquer outras pessoas que funcionam em processo judicial, em juízo arbitrai, em procedimento policial ou adminis­ trativo, para obter efeitos extraprocessuais (art. 344 do CP). 11. Provocar o desaparecimento de documentos (arts. 336, 337 e 356 do CP) ou manipular lugares e condições de prova a ponto de induzir a erro magistrado ou perito em processo civil ou administrativo (art. 347 do CP). 12. Praticar atos atentatórios à dignidade da justiça, tais como: fraudar a execução; opor-se maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos, dissimulados e calculados; resistir injustificadamente às ordens judiciais; desviar ou deixar de indicar bens à execução (art. 600,1 a IV, do CPC). 13. Provocar a perda de prazo ou a má defesa pela parte contrária, manipulando situações, causando impedimentos (físicos, psíquicos, judiciais, legais, materiais...) para a execução de tarefas relacionadas ao processo ou ao procedimento. 14. Outros. 560

561 . na perspectiva de se moldarem novas expectativas para a prática jurídica no século XXI. destacando-se as principais ideias e contribuições já formadas e enunciadas na história do pensamento. com isso. Nestas linhas exordiais sintetizam-se as principais contribuições que encerram esta obra em seu bojo. mas a enunciação das princi­ pais e mais notórias categorias de reflexão lançadas a respeito. desfiladeiros conceituais. Com o escorço histórico. Atravessaram-se. conclamando-se os operadores do direito ao efetivo exercício de seus deveres profissionais e de seu compromisso social. Com acento crítico. Procurou-se enfatizar não a exaustão das correntes de pensamento. procurou-se não enfatizar os pensamentos de interesse somente para a história das ideias éticas. mas sobretudo aqueles que de alguma forma se vinculam às principais problemáticas jurídico-filosóficas. sempre procurando-se proporcionar uma noção ampla da carreira e de seus princípios basilares. restam sejam ditas algumas palavras epilogais.CONCLUSÕES Após o desenvolvimento das linhas que compõem esta obra. tortuosas e traiçoeiras dificuldades teóricas que tomam emblemática e candente as preocupações éticas contextualizadas na pós-modemidade. mas perpassar suas marcas fundamentais e res­ tabelecer o curso linear da estrutura das reflexões empreendidas. procurou-se intro­ duzir o leitor na consciência da importância. procurou-se refletir sobre a ética do ponto de vista filosófico. Estas não procurarão retratar nova­ mente o conteúdo da obra. o texto fiou-se no sentido de proporcionar uma exegese normativa como forma de se trans­ mitir ao leitor as principais preocupações do setor. Com os conceitos fundamentais da primeira parte. Com a discussão sobre ética profissional procurou-se instruir o leitor na imediata compreensão dos deveres práticos avocados pelas diversas profissões jurídicas. das dificuldades e nuances científicas básicas que passam pela temática ética. da atualidade.

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