Parte II ÉTICA PROFISSIONAL

1. ÉTICA E PROFISSÃO A ética profissional1corresponde a parte da ética aplicada (ética eco­ lógica, ética familiar, ética profissional...), debruçando-se sobre um conjun­ to de atividades humanamente engajadas e socialmente produtivas. A ética aplicada, sem dúvida, surge de uma derivação da ética geral, ao que se dedicou toda a primeira parte desta obra. Por sua vez, a ética profissional se destaca de dentro da ética aplicada como um ramo específico relaciona­ do aos mandamentos basilares das relações laborais. É como especialização de conhecimentos aplicados que a ética profissional se vincula às ideias de utilidade, prestatividade, lucratividade, categoria laborai, engajamento em modos de produção ou prestação de serviços, exercício de atividades regu­ larmente desenvolvidas de acordo com finalidades sociais...2. Então, o que define o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade que dela decorre, pois, quanto maior a sua importância, maior a responsa­ bilidade que dela provém em face dos outros3. Então, a primeira preocupação nesse momento deve ser a de concei­ tuar o que seja profissão, para que, em seguida, se esteja habilitado a pro­ mover essa discussão na seara das profissões jurídicas. Dirigindo e orien­ tando a reflexão nesse sentido é que se percebem as dificuldades prelimi­ nares no tratamento da temática; definir profissão já é por si só algo de grande complexidade. Profissão, então, deve ser entendida como uma prá­ tica reiterada e lucrativa, da qual extrai o homem os meios para a sua sub­ sistência, para sua qualificação e para seu aperfeiçoamento moral, técnico e intelectual, e da qual decorre, pelo simples fato do seu exercício, um be-

1. Verbete: Ética Profissional. “Conjunto de regras morais de conduta que o indivíduo deve observar em sua atividade, no sentido de valorizar a profissão e bem servir aos que dela dependem” (Sidou, Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas, 1997, p. 335). 2. Perceber-se-á, ao longo da exposição, que a primeira característica da profissão, para que seja definida como tal, é estar a serviço do social: “O que é natural, como ético, é que a profissão esteja a serviço do social, quer das células, quer do conjunto indiscrimina­ damente” (Lopes de Sá, Ética profissional, 1998, p. 130). 3. Cf. José Renato Nalini, A ética nas profissões jurídicas, in Elias Farah, Ética do advogado, 2000, p. 27.

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nefício social4. É, sem dúvida nenhuma, além de algo de relevo para o in­ divíduo, algo de relevo para a sociedade, na medida em que o homem que professa uma atividade (professione, professio, lat.) não vive sozinho, mas engajado numa teia de comprometimentos tal que uns dependem dos outros para que se perfaçam objetivos pessoais e coletivos. O tema ainda suscita maiores divergências, sobretudo quando se trata de distinguir profissão dc ofício5 e atividade6. Esse é o lado técnico da definição de profissão. Mas ela ainda pode ser conceituada a partir de uma valoração moral. Nesse caso, ter-se-á em vista, sobretudo, o fato de que, representando um engajamento social, a profissão deverá ser sempre exercida com vistas à proteção da dignidade humana7. A profissão deve permitir a realização das vocações e habilidades humanas. Nesse sentido é que se tem dado grande importância ao fator social do trabalho. O trabalho é mais uma das oportunidades de ação social, para o equilíbrio fino da relação entre virtude e vício. Impondo-se acima do aspecto meramente técnico, tem-se procurado incutir a ideia de que a pro-

4. “À palavra profissão correspondem vários significados. Vejamos os mais comuns: l2) ação de declarar, de ensinar uma profissão, de exercer um ofício; 2a) ocupação ou ofício que requer estudos especiais; 3a) quando deriva do participio passado do verbo latino profiteo, como professus, contém a ideia de declaração pública; 4a) intuo uma certa evolução etimológica partindo da ideia contida no vocábulo grego profaino, usado nos clássicos gre­ gos, que significa expressar, mostrar, fazer aparecer, trazer à luz, revelar e predizer; 5a) do latim temos ainda outras ideias interligadas, a saber: do verbo proficiscor,fectus, sum, ere, com o sentido de pôr-se a caminho, dirigir-se para, começar por; 6a) do verbo profiteor, fessus, sum, ere, que, entre outras, contém as ideias de proclamar, prometer, descobrir, exercer uma profissão” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 151). 5. “Damos alguns exemplos de ofícios, que são identificados pela tradição, usos e costumes: artesãos, construtores, pedreiros, sapateiros, ferreiros, vidreiros, alfaiates, cos­ tureiras, bordadeiras, marceneiros, carpinteiros, mecânicos, torneiros, tolueiros, pintores, cabeleireiros, barbeiros e outros” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 157). 6. “Por atividades entendem-se, dentre outros, os trabalhos desenvolvidos no comér­ cio, na indústria e nas artes. Comerciantes, industriais, agricultores, pecuaristas e artistas exercem atividades produtivas. Têm por característica comum o fato de que seus ganhos não são prefixados” (Korte, Iniciação à ética, 1999, p. 158). 7. “Sob enfoque eminentemente moral, conceitua-se profissão como uma atividade pessoal, desenvolvida de maneira estável e honrada, ao serviço dos outros e a benefício próprio, de conformidade com a própria vocação e em relação à dignidade da pessoa huma­ na” (Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 169).

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em nome do bem comum. da criatividade e dos riscos assumidos. a ideia do lucro como única razão da atividade empresarial. interes­ ses.)” (Theophilo Azevedo Santos. in Martins (coord. se pode transformar o ambiente. por meio dela. atividades e a racionalidade de nossas decisões. Perseguiu-se reunir os empresá­ rios em tomo do ideal de uma empresa solidária e atuante. a título ilustrativo: “l 2Aceitamos a existência e o valor transcendente de uma Ética social e empresarial. “5a Compreendemos como um compromisso ético as exigências que. com as valiosas contribuições do Padre Fernando Bastos de Ávila e do Professor Alfredo Lamy Filho. 405 . 1999. econômica e financeira do Brasil. “6a Temos a convicção de que nossa atividade empresarial deve con­ tribuir para a crescente independência tecnológica.. econômica e financeiramente sadia e como ajusta remuneração do esforço.. a cujos imperativos submetemos nossas motivações. Ética no direito e na economia. pois consideramos obsoleta e anacrônica a concepção puramente individualista da empresa. “3a Julgamos que a empresa é um serviço à comunidade. devendo estar aberta a todos os que desejam dar às suas capacidades e às suas pou­ panças uma destinação social e criadora. além de sua função eco­ nômica de produtora de bens e serviços. inclusi­ ve por parte dos empresários que têm se esforçado em direcionar suas atividades para além do lucro. p. 8. a conduta e as condições de vida das pessoas que dela dependem. especialmente pela le­ gislação fiscal e pelo direito social. com base em 10 princípios fun­ damentais: (. A ética na vida empresarial. a formulação de princípios éticos em diversos setores profissionais. tomando-a um importante foco de dispersão de preceitos éticos. 157-158). “4a Consideramos o lucro como o indicador de uma empresa técnica. tem uma função social que se re­ aliza pela promoção dos que nela trabalham e da comunidade na qual deve integrar-se. que a ADCE-Rio tinha elaborado. pois. “A ADCE— Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas do Brasil aperfeiçoou e aprovou o Decálogo dos Empresários Cristãos.fissão também pode representar uma atividade moral. por exemplo.). Repudiamos. No desempenho desta função encontramos o mais nobre estí­ mulo à nossa autorrealização. “22 Estamos convencidos de que a empresa. em nossa gestão na presidência daquela Associação. na medida em que. Leia-se a seguinte declaração dos empresários cristãos8. são impostas à empresa. Isso justifica.

já é uma aplicação desta ciência que se consubstancia em uma peça magna. a dignidade essencial da pessoa humana. de segurança pessoal e fami­ liar. escusar a análise de enfrentar um problema crucial nessa área. o problema da codificação das regras e dos princípios éticos a um conjunto de prescrições de caráter puramente formal e jurídico. cabe aos assalariados. “Tal conjunto racional. ao se adentrar na temática da ética profissional não se pode. “ 10a Estamos abertos ao diálogo com todos os que comungam de nossos ideais e preocupações. desper­ tando suas potencialidades e levando-os a participar cada vez mais da vida da empresa. harmônico e acelerado”. com o propósito de estabelecer linhas ideais éticas. “Devido a essa realidade. sempre acompanhada pelo crescimento paralelo da parte que. no sentido de contribuir para o permanente aperfeiçoamento e atualização de nossas instituições econômicas. Todas as principais profissões têm seus Códigos de ética. 1998. sem discriminação. queremos motivá-los a uma adesão responsável aos objetivos do bem comum. elevar constantemente os níveis da produtividade. “8a Consideramos. Respeitamos em todos. principalmente no Brasil.“7a Consideramos nossos colaboradores todos os que conosco traba­ lham. “As relações de valor que existem entre o ideal moral traçado e os diversos campos da conduta humana podem ser reunidas em um instrumento regulador. de forma alguma. a saber. 9. Ética profissional. “9a Comprometemo-nos a dar a todos os nossos colaboradores condi­ ções de trabalho. tais que a vida na empresa seja para todos um fator de plena realização como pessoas humanas. como importante objetivo da empresa brasileira. Na realidade são 406 . jurídicas e sociais. 2. de qualificação profissional. na esperança de imedia. a fim de garantir para o Brasil um desenvolvimento justo. por imperativo e justiça social. PROFISSÃO E CÓDIGOS DE ÉTICA Mas. integral. 108). neste século os Códigos de ética proliferaram. Isso porque. em qualquer nível da estrutura empresarial. 10. na atualidade. p. como se uma lei fosse entre partes pertencentes a grupamentos sociais” (Lopes de Sá. a par do que se disse acerca da noção de profissão. a ética tem-se reduzido e simplificado de modo extremado a uma tecnologia ética10 Talvez. a que se costuma chamar códigos de ética9.

embora as linhas mestras sejam comuns.. em aviso reservado. e não apenas um código de ética. “As peculiaridades em um codigo de conduta profissional dependem de diversos fa­ tores.)1 . e e) cassação do exercício profissional". portanto. é compor a filosofia que será segui­ da e que forma a base essencial do mesmo. um conjunto de prescrições de conduta. que é o que caracteriza a ética. até 30 (trinta) dias. Deixam. talvez. 12. Nesse contex2 todos códigos de conduta. em aviso reservado. de 19-7-1958 (DOU. pois comuns são as principais virtudes de todas as profissões exigíveis. das quais. ao nível de conhecimentos que exige. p. no entanto. para ser normas jurídicas de direito administrati­ vo. 1 d) a juridicização dos mandamentos éticos.. dentro de urna onda positivista. na verdade. A ética. “Traçar. produzindo-se os códigos de ética ou códigos de dever. c) a compartimentação da ética em tantas partes quantas profissões existentes1 . 3. a consequência direta desse tipo de raciocínio é: a) a transformação das prescrições éticas em manda­ mentos legais. p. 25-7-1958) (Aprova o Regulamento do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Medicina a que se refere a Lei n. “Isto significa que não pode existir um padrão universal que seja aplicável com eficá­ cia a todos os casos. 110). apenas atributo pessoal?. de 309-1957). d) suspensão do exercício profissional. Sejam quais forem as linhas mestras de um có­ digo de ética elas serão sempre linhas de virtude a serem seguidas. decorrem sanções administrativas (advertência. Em alguns casos são deno­ minados códigos de deveres” (Carlos Brandão.tizar o dever ético na consciência do profissional. A ética profissional passa a ser. Ora. tenha-se partido para urna tentativa de tomar concretos os principios e deveres éticos. deixa de ter seu conteúdo de espontaneidade. “Logo. in Martins (coord. 44. b) censura confidencial. 17. 407 . existem códigos de ética. ao ambiente em que é executada etc. todos ligados à forma como a profissão se desempenha.). 1999. perda do cargo. Ética no direito e na economia. Ética profissional. desde sua regula­ mentação. “Art. quando se tem em mira objetivar o exercício profissional ou de conduta de um grupo” (Lopes de Sá. específicos para cada profissão. c) censura pública em publicação oficial. As penas disciplinares aplicáveis aos infratores da ética profissional são as seguintes: a) advertência confidencial. 1998. advertir que a ética profissional. 10 a 23).268. Deve-se. b) a reificação excessiva dos campos conceituais da ética. de ser normas puramente éticas.045. as linhas mestras de um código. quando regulamentada. pelo descumprimento de seus mandamentos. na exata significação desta palavra. 11. Aqui está um exemplo concreto de sanções e medidas aplicáveis ao infrator pro­ fissional: Decreto n. suspensão. 95). pois. Regulamento: Capítulo III — Das Penalidades nos Processos Ético-Profissionais (arts.

determinação emanada de órgãos ou autoridade do Conselho Regional. p. sem liame com a práxis efetiva. Assim. que as normas éticas são transformadas em normas jurídicas1 . “Es una premisa eirónea porque oscurece un hecho real. de acordo com a Lei n. as infrações éticas acabam se equiparando. VIII — manter conduta incompatível com o exer­ cício da profissão. 33). são inúmeros os fatores que encaminham os mandamentos éticos para o mesmo sentido dos mandamentos jurídicos. 29-6-1983) (Dispõe sobre a Regulamentação do Exercício da Profissão de Biomédico. convivimos. “Art. 4 Principalmente quando se está diante da ética profissional. in Hipnos. Sobretudo as influências da bioética e das regras científicas têm favo­ recido esse tipo de redução da ética à tecnologia codificada. no exercício da atividade profis­ sional. está en buena medida inspirada en el derecho o la ciência jurídica” (Barrera. de 28-6-1983 (DOU. 73). o seu exercício aos não registrados ou aos leigos. em matéria de competência deste. de 308-1982): Capítulo VII — Das Infrações (art. Veja-se este exemplo: Decreto n. deturpando-se 5 13. As faltas serão apuradas levando-se em conta a natureza do ato e as circunstâncias de cada caso”. 15. deve-se inverter essa tendência que afasta o homem dasreflexão ética para fazê-lo um cumpridor de códigos de conduta internos de empresas.017. categorias profissionais ou órgãos públicos1 . el de que vivimos juntos. II — exercer a profissão. o una abstracción” (Barrera. IV— praticar. 33.439.684. 1999. Isso significa. Sob pena de uma profunda per­ versão de valores e de um esvaziamento de uma das principais raízes hu­ manas. as contribuições a que está obrigado. a ética. 88. Constitui infração disciplinar: I — transgredir preceito do Código de Ética Profissional'. el cual es una invención. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporânea. e imagina que es posible edificar una teoria ética a partir dei individuo.to. Hl — violar sigilo profissional. após regularmente notificado. ato que a lei defina como crime ou contravenção. de 3-9-1979. 14. ou sendo tratadas igualmen­ te. V — não cumprir. A filosofia: seu tempo. por qualquer meio. e de conformidade com alteração estabelecida pela Lei n. VI — deixar de pagar. o mejor dicho. 6. Reduccionismo en la ética: 408 . “Puede decirse que la ética de principios. às demais infrações funcionais13. cuyo modelo canónico es la bioética. seus lugares. em outras palavras. ao Conselho Regional. pontualmente. 7. quando impedido de fazê-lo ou facilitar. se passa a reduzir o pensamento ético e a prática ética a um conjunto preceptístico de caráter formular e abstrato. Essa onda se torna cada vez mais per­ niciosa na medida em que. no prazo assi­ nalado. há que se assinalar que a tecnologização e a pragmatização da ética transformam os mandamentos éticos em cobranças institucionais (normas sancionatórias e normas premiais). VII — faltar a qualquer dever profissional prescrito neste Regulamento. Parágrafo único. cada vez mais.

seus lugares. p. o indivíduo esteja preparado para assumir responsabilidades perante si. em seu foro íntimo e individual. 131). quando do exercício profissional. seus lugares. poderia não querer assumir. De fato. o profissional deve adaptar sua ética pessoal aos mandamen­ tos mínimos que circundam o comportamento da categoria à qual adentra. a liberdade ética do profissional vai até onde esbarra nas exigências da corporação ou instituição que controla seus atos. pe­ rante os companheiros de trabalho e perante a coletividade. 83). como consequência natural. Dessa forma. Ética profis­ sional. se o campo da moral é um campo em aberto para as diver­ sas consciências. a liberdade do profissional vai até onde seu compor­ tamento fere as exigências coletivas que giram em tomo daquele exercício profissional.as essenciais lições da ética que são: a livre-consciência e a autodeter­ minação1 .1. há. institucional e social. Cf. Quando se utiliza da expressão “mandamentos mínimos” quer-se dizer que a ética profissional é minimalista (em geral. Barrera. Reduccionismo en la ética: la influencia de la bioética en la moral contemporánea. 16. in Hipnos. Quer-se dizer que a liberdade absoluta de escolher esta ou aquela ética. 409 . que. Passa-se a deixar de lado o que sempre foi o núcleo de atenções da ética: a felicida­ de e a formação do caráter. Mais ainda. só diz o que não deve ou que não pode ser feito. não vale completamente para o âmbito profissional. p. A filosofia: seu tempo. p. uma exigência de responsabili­ dade para com o coletivo imanente1 . 6 2. 1999. in Hipnos. 1999. 1998. faz-se mister que. de acordo com a qual agir e orientar seus atos. a irresponsabilidade para com a qualidade do trabalho” (Lopes de Sá. Utilidade dos códigos de ética profissional É certo que a vulgarização de códigos de ética encontra motivos subs­ tanciais para seu surgimento. A filosofia: seu tempo. no exercício profissional. “A ausência de responsabilidade para com o coletivo gera. o que navega nas incertezas da ética filosófica. 69. uma vez que se expressa no sentido de coibir condutas futuras e possíveis de determina­ da categoria profissional. para efeitos de controle corporativo. enunciando-se por discursos proibitivos). Não poderiam as profissões ficar ao alvedrio da livre-consciência dos profissionais agirem de acordo com suas regras éticas subjetivas. A ética codificada vem a preencher uma ne­ cessidade de se transformar em algo claro e prescritivo. 17. 7 la influencia de la bioética en la moral contemporánea.

De fato. p. seu conteúdo. a significar o conhecimento técnico adequado. exigível a todo profissio­ nal. O uso dos códigos de ética como modo de incremento do controle sobre o comportamento dos traba­ lhadores desvirtua a ideia de que a ética lida sobretudo com estímulos ¿não somente com punições. Existe m m função social a ser desenvolvida em sua profissão. verificar-se-á. Ética geral e profissional. “Mas além da ciência. O ser humano precisa estar preparado para novas exigências do mercado. os códigos servem como uma bússola. se se for analisar em abstrato o con­ junto das codificações profissionais. já se encontra ciente de quais são seus deveres éticos. Ele não pode estar dela descomprometido. mas reclama-se-lhe empenho em sua concretização” (Nalini. 2. seja mediante inserção direta no mercado de trabalho. que o que se prevê como exigência de regra de conduta pode ser categorizado à conta de dois grandes mandamen­ tos ético-profissionais: ciência e consciência1 . deve-se destacar que a ética não se reduz a esse tipo de preocupação. em suma. ele deverá atuar com consciência. o profissional deverá manter um processo próprio de educação continuada. 174). Os avanços e as novas descobertas influem decisivamente em seu trabalho. Profissões tradicionais deixam de existir e outras surgem para substituí-las. O primeiro dever ético do profissional é dominar as regras para um desempenho efi­ ciente na atividade que exerce. 410 . Para isso. malgrado os problemas práticos de exegese e aplicação.2. oficialidade e igualdade. Nesse sentido. oferece a possibilidade de pré-ciência do conjunto de prescrições existentes para os profissionais. Além de ser a todos acessível. precisará ter sido um aprendiz aplicado. onde a experiência é forma de aprendizado. “Além da formação adequada. É retrocesso que distancia o profissional das conquistas em seu ramo de atuação. A primeira tem que ver com 8 18. mas não são toda a luz. de modo que. ao escolher e optar pela carreira. seja no processo educacional formal. Se essa é a importância dos códigos de ética. uma vez que garantem publicidade. “Ciência. Os deveres ético-proflssionais Ciência e consciência parecem ser as exigências gerais de todos os misteres ético-profissionais. e se se for adentrar à análise de seus preceitos. 1999. a ética filosófica está a indicar a abertura da vontade e da consciência humana para além de preceitos normativos e jurídicos constantes de códigos de comportamento de determinadas cate­ gorias profissionais.É importante a existência dessas normas éticas. Ademais. e de ser declarada como pauta de conduta dos membros da corporação. Estar intelectualmente inativo não representa apenas paralisação.

Assim. “Todas as capacidades necessárias ou exigíveis para o desempenho eficaz da profissão são deveres éticos. 136). não bastam a capacitação técnica ou intelectual.. No caso do juiz. com a sociedade. com a classe. 1998. para o caso.). manual. nem a ela se associar. da profissão exercida pelo magistrado. por exemplo. de quem requer a tarefa. Não são estas exigências ou deveres relacionados ao saber do profissional (capacitação técnica. Ética profissional. a segunda tem que ver com seu compromisso para com os efeitos de seu exercício profissional. ao juiz é vedada a participação político-ideológica. a elevada moralidade do profissional. mas ligadas ao ser profissional. Assim. serão essas duas pré-requisitos para a admissão ao exercício profissional e requisitos para a continuidade no exercício profis­ sional. 1998. tecnológica e artística. o dever ético poderá ser definido como dever ético de saber e dever ético de ser. com a pátria” (Lopes de Sá. se essa profissão demanda capacitação e habilidades técnicas e intelectuais. Nesse sentido. “Não bastam as competências científica. um complexo de deveres envolve a vida profissional. Existe também o dever de ser. todas as qualidades pertinentes à satisfação da necessidade.. com o Estado. possui o direito de se posicionar.141). a sociedade. “Logo. mas isso não pode influenciar em sua função judi­ cial. O dever ético de saber tem que ver com o exato cumprimento de todas as exigências mínimas que dizem respeito ao exercício de um determinado mister social. condições profissionais e não puramente pessoais. Estas são. trata-se de um dever de saber19 . P. 411 . seus colegas. aplicada ao relacionamento com pessoas. sob os ângulos da con­ duta a ser seguida para a execução de um trabalho. E certo que. “Esses deveres impõem-se e passam a governar a ação do indivíduo perante seu clien­ te. intelectual. extrai das necessidades da própria profis­ são a característica para sua constituição como dever. “Sendo o propósito do exercício profissional a prestação de uma utilidade a terceiros.. p. como cidadão. como é o caso das profissões que pres­ supõem como exigências profissionais a isenção de ânimo. 19. o Estado e especialmente perante sua própria conformação mental e espiritual” (Lopes de Sá. a higidez e a irreprovabilidade de comportamento. é necessária também aquela relativa às virtudes do ser. pois é mister a virtude do ser20.o preparo técnico e/ou intelectual do profissional. passam a ser uma obrigação perante o desempenho. seu grupo. O dever ético. Ética profissional. 20. sua postura ético-política não poderá ser declarada e ativista.. nesse caso.

Eventuais condenações. de modo que isso passa a ser exigência mínima para o exercício desta ou daquela função dentro de uma determinada profissão2 . lat. § 22 E vedado o uso da expressão residência médica para designar qualquer programa de treinamento médico que não tenha sido aprovado pela Comissão Nacional de Residência Médica”. “Art. a saber: 1. de 4-2-1997. destinada a médicos. “Exemplifique-se com o disposto no texto de lei que segue: Decreto n. virtude da honestidade. 21. grupais.). e dá outras providências): Capítulo II —Da Autorização (arts. virtudes complemen­ tares: virtude da orientação. 2. o que se demanda do ser humano é uma especial habilidade em lidar com misteres laborais e lucrativos que resultem em individuais. 9-7-1981) (Dispõe sobre as Atividades do Médico Residente. Tecidos e Partes do Corpo Humano para Fins de Transplante e Tratamento. se distinguirá exatamente por atribu­ tos éticos diferenciados. sob a forma de cursos de especialização. a ética do profissional corresponderá a sua máxima prestatividade e excelência no exercício e desempenho desses misteres. São virtudes profis­ sionais. I2 A Residência Médica constitui modalidade de ensino de pós-graduação. de 7-7-1981 (DOU. 11. virtudes indispensáveis: virtude da competência. que dispõe sobre a Remoção de Órgãos. gr. de residência médica ou título de especialista reconhecido no País. Seção III — Das Equipes Especializadas (arts.. etimo­ lógicamente. caracterizada por treinamento em serviço. salvo em casos de omissão ou de erro médico que tenha resultado em morte ou lesão corporal de natureza grave”. 8S a 13). que a noção de dever profissional se liga diretamen­ te à noção de virtude. Parágrafo único. virtude do coleguismo. Ora. Veja-se este exemplo da Lei n. passada pelo órgão de classe em que forem inscritos. 2. significa exatamente máximo aperfeiçoamento de uma capa­ cidade ou qualidade. funcio­ nando sob a responsabilidade de instituições de saúde. P-7-1997) (Regulamenta o disposto na Lei n. § Ia As instituições de saúde de que trata este artigo somente poderão oferecer programas de Residência Médica depois de credenciadas pela Comissão Nacional de Residência Médica.932. sob a orientação de profissionais médicos de elevada qualificação ética e profissional.Por vezes.268. em seu 412 . virtus. virtude da remuneração23. 2 Percebe-se. o profissional* qualquer que seja o mister que exerce. virtude do zelo. os médicos deverão instruir o pedido de autorização com: I — certificado de pós-graduação. Por vezes. virtude do sigilo. Ia a 11). 6. ou. “Art. 22. coletivos e/ou sociaisf^or isso. no mínimo. 23. de 306-1997 (DOU. pois. universitárias ou não. O elenco segue a orientação dada na matéria por Antonio Lopes de Sá. anotadas no documento a que se refere o inciso II deste artigo. em nível. determinados exercícios profissionais ficam condicionados inclusive à prova de virtuosismo. 10e l l ) . II — certidão negativa de infração ética. à prova da falta de elemen­ tos que desabonem a conduta do profissional21. Além da necessária habilitação profis­ sional. e dá outras providências — arts. Isso porque a virtude (areté. ao menos. não são indutoras do indeferimento do pedido. virtude do classismo.434. 9. no exercício profissional.

por envolver questões de alto grau de interesse coletivo. 1998. conforme se vê aqui descrito: “Ética e Direito são dimensões recíprocas da vida humana. se não em sua totalidade. O que há de peculiar nesse métier é que as profissões jurídicas são.). a profissão jurídica encontra seus manda­ mentos basilares estruturados em princípios gerais de atuação. legalizadas. regidas por normas e princípios jurídicos e éticos. Deontologia Forense designa o conjunto das normas éticas e comportamentais a serem observadas pelo profissional jurídico” (Nalini. ao menos em sua quase totalidade. Deontologia profissional se chama o com­ plexo de princípios e regras que disciplinam particulares comportamentos do integrante de uma determinada profissão. ou em regimentos internos. de 11-7-1984 413 . ou até mesmo em texto constitucional. de propos­ tas éticas no Direito que cuidam dos anseios e realizações sociais. referenciais para as relações na sociedade. 26. De pronto envolvem a nobreza com que conduzimos nossas ações e o respeito com que tratamos o semelhante. A ética cristã caminhou pela história.210. 1999. as enormes diferenças. 7. Ao conjunto de regras e princípios que regem as atividades profissionais do direito se chama deontologia forense25. Veja-se neste exemplo: Lei n. mas sim de exercício vincu­ lado a deveres. que não se pretende que sejam exaustivas nem taxativas. obrigações e comportamentos regrados. Ética no direito e na economia. 24. estreitamente ligada ao Direito do Trabalho” (Cássio Mesquita Barros Júnior. A preocupação é hoje na direção de uma sociedade eticamente bem regulada contra as discriminações. ou em portarias. 173). 161-203. 55). O próprio direito do trabalho encontra-se atrelado a esse compromisso ético na atualidade. “Deontologia é a teoria dos deveres. É precisamente no contexto atual que Ética e Direito contabilizam a busca de marcos de referência.3. 1999. p. não são profissões de livre exercício. p. de modo que seu exercício. profissões regu­ lamentadas. p. a corrupção. por vezes. a exploração e a impunidade no atual contexto. Ética geral e pro­ fissional. ÉTICA E PROFISSÃO JURÍDICA Assim como toda profissão. in Martins (coord. de acordo com as especificidades dessa atividade social e de acordo com os efeitos dessa atividade em meio às demais24. Esses comporta­ mentos regrados vêm expressos em legislação que regulamenta a profissão. Se se pode dizer que existem mandamentos éticos comuns a todas as profissões jurídicas26. A ética no direito do trabalho. 25. Apesar de. O que se encon­ tra implícito nos princípios deontológicos é explicitado por meio de coman­ dos prescritivos da conduta profissional jurídica. onde vêm detalhadas e explicitadas as referidas virtu­ des. isso se deve ao fato de todas desempenharem impor- Ética profissional. regula­ mentos e circulares. ou em códigos éticos. a própria lei se utilizar da expressão “ética profissional” como um gênero universal a todos comum. as violações dos direitos humanos.

in c lu in d o -s e 414 . 23 da Lei n.159. (DOU. Existem. não existe uma regra que domino o resolva de modo formular todos os problemas éticos dos profissionais das diversas carreiras jurídicas (públicas e privadas).tante função social. no sentido de que surtam os efeitos desejados. os princípios da informação e da solidariedade. observando a ética pro­ fissional e tendo sempre presentes peças ou informações do processo. para que haja clareza. a título exemplificativo. segundo O'tfual se deve conferir a maior eficácia possível aos atos profissionais praticados. 5S a 92). “Art. que faz do profissional ser altaneiro e independente em suas convicções pessoais e em seu modo de pensar e refletir os conceitos jurídicos.134. “Art. É de interesse da coletividade o efetivo controle dos atos dos operadores do direito. 13-7-1984) (Institui a Lei de Execução Penal): Título II — Do Condenado e do Internado (arts. o princípio da liberdade. de 8-1-1991. que dispõe sobre a Categoria dos Do­ cumentos Públicos Sigilosos e o Acesso a Eles. com base no qual o profis­ sional deve proteger as qualidades profissionais de sua categoria com base nas quais se estabelecem as suas características intrínsecas. a saber. II— requisitar. entre outros: o princípio da cidadania. o prin­ cípio da defesa das prerrogativas profissionais. regramentos específicos que impedem que se fale cm uma ética comum a todas as carreiras jurídicas. o princípio da probidade. 32 a 35). Os agentes públicos responsáveis pela custódia de documentos sigilosos estão sujeitos às regras referentes ao sigilo profissional e ao seu código específico de ética”. inclusive. o que dispõe o seguinte decreto acerca da espe­ cificidade do Código de Ética Profissional: Decreto n. 8. e sempre algo de discricionário. e respeitá-las significa adentrar nas minúcias que delineiam sua identidade27. 2. mas. publicidade e cor­ dialidade nas relações entre profissionais do direito e. o princípio da efetividade. Poder-se-ia multiplicar a relação dos princípios. segundo o qual se deve orientar o profissional pelo zeloso comportamento na administração do que é seu e do que é comum. Veja-se. outros profissionais28. mesmo assim. poderá: I — entrevis­ tar pessoas. 28. podem-se enunciar alguns princípios gerais e comuns a todas as carreiras jurídicas. aplicáveis às profissões forenses. Capítulo I — Da Classificação (arts. Cada qual possui suas peculiaridades. de repartições ou estabelecimentos privados. e dá outras providências): Capítulo V I— Das Disposições Finais (arts. segundo o qual se deve con­ ferir a maior proteção possível aos mandamentos constitucionais que cercam e protegem o cidadão brasileiro. 32. “A enunciação de princípios éticos gerais. 9SA Comissão. 5S a 60). Porém. 27. III — realizar outras diligências e exames necessários”. dados e informações a respeito do condenado. de 24-1-1997 (DOU. pois. 27-1-1997) (Regulamenta o art. no exame para a obtenção de dados reveladores da personalidade.

pureza e persu­ asão na linguagem. além de possuírem um regramento espe­ cífico de suas atividades profissionais. “Dentre eles. pela importância e pelo caráter social de que se revestem suas profissões. alguns lembrados por autores que também se dedicaram ao estudo da ética. 193-194). da função ou da atividade exercida pelo profissional do direito29.Respeitando-se e obedecendo-se às nuances que caracterizam e dife­ renciam as carreiras jurídicas entre si é que se dedicará espaço somente para a discussão do estatuto ético de cada uma das principais carreiras do direi­ to. Seção 415 . inspiração maior do profissional do direito” (Nalini. professores. p. ministros e desembargadores. à&função social da profissão. a severidade para consi­ go mesmo. 27-12-1966) (Regula o Exercício das Profissões de Engenheiro. com isso. 29. Além de se tomar. mais escrupuloso. “Todos eles se prestam ao serviço de atilar a postura prudencial dos operadores jurí­ dicos. têm também um controle do efetivo cumprimento das normas que regem seus misteres profissionais. promotores e procuradores de justiça. prevê-se uma discussão específica sobre os principais manda­ mentos e as prescrições fundamentais que estão a reger o comportamento dos seguintes profissionais jurídicos: agentes e funcionários públicos. que pode confundir-se com o princípio da correção. o princípio da liberdade profissional. da cidada­ nia. cien­ tistas do direito e juristas. e dá outras providências): Título II — Da Fiscalização do Exercício das Profissões. a recomendação da doutrina e a produção pretoriana dos respectivos tribunais éticos não excluem deveres que resultam de sua consciência e do ide­ al de virtude. da efetividade e da continuidade da profissão forense. a defesa das prerrogativas profissionais. juizes. Ética geral e profissional. o princípio da clareza. esse profissional é o único árbitro de sua conduta. 5. o princípio da moderação e o da tolerância. o princípio da probidade profissional. Na maior parte das vezes. como a enge­ nharia: Lei n. Arquiteto e Engenheiro Agrônomo. da localização. favorecendo-os a um exame de consciência para constatar como pode ser aferido eticamente o próprio comportamento. inúmeros outros. ad­ vogados. Assim. O CONTROLE DA CONDUTA DOS PROFISSIONAIS DO DIREITO Os profissionais do direito.194. da residência. Capítulo IV—Das Câmaras Especializadas. mencione-se os princípios da informação. deve ter em mente que os cânones dos códigos éticos. 4. da solidariedade. do cargo. 1999. O mesmo é válido para outras demais profissões regulamentadas. Isso quer dizer que existem órgãos censórios revestidos de poder decisório bastante inclusive para a cassação da habilitação profissional. de 24-12-1966 (DOU. defensores públicos e procuradores do Estado.

II — fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de Assistente Social na respectiva reg ião : III — expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais. III — aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS. reincidência. As decisões exaradas desses órgãos. 8.. f) opinar sobre os assuntos de interesse comum de duas ou mais especializações pro­ fissionais. “Art. funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional. d) apreciar e julgar os pedidos de registro de profissionais. o exercício d. em assembleia da categoria. VII — restabelecer os sistemas de registro dos profissionais habilitados.) e emanam sentenças. encaminhando-os ao Conselho Regional”. Esses órgãos são as corregedorias (Tribunais. São atribuições das Câtí?aras Especializadas: a) julgar os casos de infração da presente lei. fiscalizar e defender o exeicício da profissão de Assistente Social. de 7-6-1993 (DOU.662.. “Art. IV — aprovar o Código dc Ética Profissional das Assistentes Sociais juntamente com os CRESS. na qualidade de órgão executivo e de primeira instância. disciplinar. O mesmo ocorre em outras profissões. 8e Compete ao Conselho FedemI de Serviço Social — CFESS. c) aplicar as penalidade e multas previstas. V— funcionar como Tribunal Superior de Ética Profis­ sional'. para as quais existe um órgão superioi (Conselho Federal) que funciona como instância revisora das decisões dos órgãos inferior^'. em última instância. normatizar. capazes de impedir definitivamente o exercente da função ou cargo ou atividade de continuar no gozo de seus deveres e atribuições profissionais. VI — julgar. em matéria ile Serviço Social.). Ministério Público. 46. gravidade do ato. IX — (Vetado)”. normalmente corporativos. as anuidades que devem ser pagas pelos Assistentes Sociais. VI — fixar. os recursos contra as sanções impostas pelos CRESS. II — assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário. 30. investidos na função de patrocinarem o zelo e o cumprimento dos deveres profissionais. o exercício das seguintes atribuições: I — orientar. Procuradoria. 416 . e) elaborar as normas para a fiscalização das respectivas especializações profissio­ nais. fixando a respectiva taxa. as comissões I — Da Instituição das Câmaras e suas Atribuições. em conjunto com o CRESS. das entidades de classe e das escolas ou faculdades na Região.Esses órgãos se constituem normalmente em turmas ou grupos cole­ giados de juizes de ética e disciplina.. b) julgar as infrações do Código de Ética'. das quais invariavelmente cabe recurso a órgãos superiores30. no fórum de delibe­ ração do conjunto CFESS/CRESS. Ainda: “Art. V — aplicar as sanções previstas no Código de Ética Pro­ fissional. na qualidade de órgão normativo de grau superior. VIII -prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos públicos ou privados.iseguintes atribuições: I — organizar e manter o registro profissional dos Assistentes Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas e privadas. em suas respectiva' áreas de jurisdição. ou de fins filantrópicos. I\ — zelar pela observância do Código de Ética Profissional. (Conselhos Estaduais): Lei n. 8-6-1993) (Dispõe sobre a profis­ são de Assistente Social e dá outras providências). Compete aos CRESS. 10. das entidades de direito público. VII — elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS”. das firmas.. ponderam os elementos em jogo (acusação. no âmbito de sua competência profissional específica.

seja o pensador do direito. 5a. da Constituição Federal de 1988. XXXV. 5. LV. seja o professor de di­ reito. em sua consciência ético-profissional. o que é socioculturalmente adequado. com o seu aspecto formal e estrutural. refazimento do julgamento. políticos. segundo o qual todos os litigantes em processos administrativos ou judiciais terão acesso às alegações da parte contrária e oportunidade para refutar tais alegações (art.. em havendo ilegalidade ou abuso de poder.) etc. ou seja. o que é principiologicamente engajado com mandamentos éticos.. CONSCIÊNCIA ÉTICA DO JURISTA O jurista. pela legislação que dispõe a res­ peito das infrações éticas e funcionais e sobre as modalidades de sanções aplicáveis para cada caso.. pela inafastabilidade do Poder Judiciário. Seja o juiz. Mais que ter no direito o fim de toda atividade jurídica. Sobretudo.. e/ou aplicá-las. no lugar do que é legal. mas sobretudo com os desdobramentos práticos de suas prescri­ ções (efeitos sociais. o operador do direito. econômicos. É certo que os órgãos censorios possuem amplos poderes na averigua­ ção de atos incompatíveis com o exercício profissional.). consa­ grados pela ideia de justiça. pelo princípio constitucional da ampla defesa. reparação civil por danos morais. que se incumbem da punição pelo comportamento desviante do funcionário ou profissional. ao interpretá-las. postula-se que se tenha na justiça o fim de toda atividade jurídica. imersa em méio às ciências sociais.) do profissional prejudicado pela sanção que lhe foi imposta. na defesa dos interesses (reintegração no cargo. 5a. o que se cobra do jurista na atualidade é esse tipo de visão que faculta maior penetração dentro das ambições da sociedade à qual se dirigem as normas jurídicas. Assim. ambientais. consagra­ dos pela ideia de norma jurídica. devem estar preocupados não somente com o caráter formular das normas jurídicas. o que é atual e necessário.de ética e disciplina (Advocacia. E isto decorre da própria natureza destas profissões. seja o promotor. 417 . poderá ser in­ vocado... bem como da própria condi­ ção da ciência do direito... 3. culturais. deve se orien­ tar para que sua atuação esteja de conformidade com a realidade social na qual se insere. 2. da CF de 1988). mas esses amplos poderes de investigação são limitados: 1. com base no art.. juntamente com fins valorativos. que. seja o advogado. o que é justo. na acepção mais larga que o termo possa comportar. de­ manda-se do jurista consciência na realização de fins do Direito.

cultural.). na medida em que interfere na conduta eiin comportamento das pessoas e em sua forma de se organizar e distribuir socialmente. 32. de modo que se exige do jurisui uma atuação prática e teórica com vistas aos desdobramentos possíveis da assunção de determinada posição. as estruturas de significado do ordenamento jurídico. ou seja.Isso porque a atuação do jurista possui mais que simplesmente efeitos e consequências jurídicas. de que acabamos de falar. o positivismo e o normativismo se mostraram como teorias suficientes e bastantes para a explicação metodológica do direito. sociológico. 1994.. 418 . de alterar fatores econômicos e pre­ judicar populações inteiras. A cultu­ ra do jurista. uma vez que o jurista teórico lapida a ciência do direito. familiar. Formação jurídica. então. 114).1. e na unidade sistemática da ciência: volta-se. e o próprio ato jurídico em si possui mais que efeitos puramente jurídicos. “O jurista é. de desestruturar uma família e a saúde psíquica dos filhos dela oriundos. do doutrinador do direito?3 A consciência ética deve ser ainda mais estimulada 1 neste. como movimento antagônico à aceitação de qualquer fundamento naturalista. de intervir sobre a feli­ cidade e o bem-estar das pessoas. 5... por excelência. portanto. antro­ 31. p. sanitária.política. XIII). do operador do direito. o que se deve dizer do jurista propriamente dito. histórico. O jurista tem de estar consciente de que o instrumental que manipula é aquele capaz de cercear a liberdade.). Todo operador do direito pratica atos que se projetam por sobre outras áreas (social. na Introdução em O problema da justiça.. dentro de uma certa tradição filosófico-teórica.. os conceitos fundamentais. p.. É o produtor da Ciência que permite orientar a conformação jurídica dos povos” (Ives Gandra da Silva Martins. in Nalini (coord. com vistas ao ensino do quid iuris. A consciência ética e social do jurista c um mister na medida em que o instrumental jurídico também pode ser dilo um instrumental ético e social. o doutrinador de Direito. financeira. para uma nova noção de ciência fundada em pressupostos filosóficos da escola neokantianu (Mario Losano. Durante largos anos. “A pureza metodológica perseguida por Kelsen baseia-se na ausência de juízos de valor. econômica. ambiental.. metafísico. Consciência ética do jurista teórico Se assim se fala a respeito do jurista em geral. O positivismo jurídico32. de causar a desunião de uma sociedade e a corrosão de um grande foco de empregos e serviços.

a verificabilidade dos resultados e a previsão de efeitos não são características do fenômeno jurídico.. que é. Assim. e esses limites passaram a ser os horizontes do jurista. a fenomenología. a metodologia do direito desapegou-se do modelo positivista com forma de explicação de sua cientificidade. o que significa dizer estar cônscio de que o discurso da ciência do direito. 82). Metodologia da ciência do direito. O jurista passou a ter limites em sua atuação. a retórica. contentando-se com o que satisfaz às exigências da observação e da expe­ rimentação. fez-se da teoria do direito uma teoria pura do direito. Sua contribuição é notoria no sentido de que fornece uma dimen­ são integrada e científica do direito. Metodologia da ciência do direito. 1989. sem dúvida nenhuma. A respeito dessa reflexão. a metodologia do positivismo jurídico identifica que o que não pode ser provado racionalmente não pode ser conhecido. por 33. ao produzir sentido. é o mais potente elemento para influenciar. sim. José Lamego. adentrou de tal forma nos meandros jurídicos que suas concepções se tomaram estudo indispensável e obrigatório para a melhor compreensão lógico-sistemática do fenômeno jurídico. Percebeu-se que ciências humanas e ciências matemáticas jamais poderão se encontrar em suas me­ todologias. nesse sentido. sobretudo com base em Hans Kelsen. 1989. trad. a discussão sobre a justiça. retira os fundamentos e as finalidades. consulte-se Larenz. “A sua teoria pura do direito constitui a mais grandiosa tentativa de fundamentação da ciência do Direito como ciência — mantendo-se embora sob império do conceito positi­ vista desta última e sofrendo das respectivas limitações.). passou a ser a primeira vítima das alterações legislativas. o que significa dizer que dela se fez apenas um conglomerado de preocupações formais e estruturais a respeito das normas.. Estar consciente dessa deficiência da estreiteza positivista é estar cônscio do papel hermenêutico das ciências jurídicas (zetéticas ou dogmá­ ticas). por excelência3 4. 419 . para a explicação racional do direito. vem-se aproximando cada vez mais das preocupações com o social. que o nosso século veio até hoje — a conhecer” (Larenz. consequentemente.pológico. 10-220. a semiótica. deixando de ser uma mera espe­ culação superficial sobre formas normativas. com todas as correntes metodológicas. em sua miopia intelectual. p... Contestada por muitas correntes de pensamento (a tópica. porém. daí sua restrição ao que está posto (positum — ius positivum)33 . a métrica e a exatidão. li­ mitado ao que é normativo. com a escora desse tipo de doutrina. e. 34. social e humano. o culturalismo. o jurista. Lisboa: Calouste Gulbenkian. p.

e. 35. que possam se extrair de lições doutriná­ rias por ele apregoadas. mas necessariamente deve ter uma visão mais abrangente da ciência na qual se especializou. de novos textos jurídicos. sobre não desco­ nhecer rudimentos das Ciências exatas” (Ives Gandra da Silva Martins. no Direito presente.1.. a ciência jurídica é um saber que sc volta para a compreensão do fenômeno jurídico. que possivelmente possam se extrair de um simples ato jurí­ dico por ele praticado. para se converter na arma do descrédito alheio.). ter uma cultura humanís­ tica que lhe permita ver. especialmente. ou. e sobretudo do jurista teórico. é um discurso que demanda uma grande consciência ética. Ora. A cultura do jurista. Isso requer do jurista uma formação toda especial nas humanidades33. Não pode ficar adstrito a uni conhecimento limitado à própria técnica produtora da norma. o que se destaca é a capacidade que esse discurso possui de gerar influência sobre os demais operadores do direito. desabilitação epistemológica deste ou da­ quele teórico e de sua doutrina. surge a responsabilidade no operar discursos jurídicos. aperfeiçoamento ou modificação de normas jurídicas vigentes. como decorrência dessa consciência ética do jurista em geral. políticos.. o jurista é necessariamente um profissional voltado para a Ciên­ cia. o Direito Universal e Intertemporal. Deve ser.. in Nalini (coord. Deve buscar conhecê-la. ainda. sociólogo. futurólogo. A partir do momento em que a doutrina jurídica passa a ser uma ma­ nifestação de afetos pessoais. Assim. economista. a formulação de interpretações jurídicas. a formação de decisões. por conseguinte.. econômicos. 1994. “Por essa razão. Nesse sentido. filósofo. emenda.. a ciência jurídica também possui este compromisso social de estar a serviço do aperfeiçoamento dos saberes constituídos em tomo do rico objeto de estudo que é o direito. É o instrumentalizador dc todas as ciências sociais no plano da Ciência Jurídica. psicólogo.1. ganhando dimensão universal. Formação jurídica. que possui imbricação direta com causas sociais. Desse modo.meio do saber. Vocação ética das ciências jurídicas É curioso pensar que. 5. a extração de argumentos que apontem para a correção. pois. para que seu verbo seja a exteriorização consciente dos efeitos sociais. p. Deve. historiador.. Por vezes se veem páginas e páginas doutrinárias lançadas em vão para a contestação de pressupostos teóricos alheios. 420 . 115). e.. a escolha de valores. o que se tem presente é que. dis­ criminação de escritos alheios. pela só faculdade que possui de influenciar a formação de novos sentidos. pois. sobre o legislador e a autoridade decisoria.

Des­ naturada a atividade. dependentes uma com relação à outra. Brandir para que essa cultura seja cada vez mais politizada. Dogmática e zetética são ferramentas metodológicas de conhecimento. portanto. Sua complementaridade faz com que possam ser qualificadas como sendo: indispensáveis para o adequado conhecimento das diversas facetas do mesmo fenômeno. 421 . E.. A respeito. Estudos de filosofia do direito. 37. estas são as preocupações frontais 7 da ciência jurídica e das práticas de discurso científico-jurídico. deve-se considerar que não se pode mais nomear ju­ rista aquele que dessa forma conduz o saber jurídico. consulte-se a seguinte obra: Montoro. na proposta de divulgação do trabalho de Theodor Vieweg. cada vez mais aproximada das preocupações da nação para a redução de desigualdades sociais. Intro­ dução ao estudo do direito. ciência dogmática e zetética precisam se unir no sentido da realização deste objetivo comum. e a pura zetética é incapaz de produzir conhecimentos capazes de articular soluções práticas com vistas à decidibilidade. cada vez mais engajada. estar consciente de que a zetética não se constitui pura­ mente em saber de contestação do saber dogmático. que se aliam no sentido da investigação dos complexos desdobramentos do fenômeno jurídico36. uma vez que a pura dogmática afasta o jurista de outras preocupações. conviventes necessárias. O saber jurídico. 1999. uma com vistas à decisão (ênfase na resposta e no resultado prático). 39-43. cada vez mais sólida para que se des­ faça o colonialismo cultural3 do país. Essa é a preocupação fulcral do pensamento de Franco Montoro. dogmático ou zetético. p. Vide a respeito das palavras dogmática e zetética. na medida em que da somatória de suas atuações metodológicas deve resultar um proveito maior. O que se quer dizer é que são complementares e indispensáveis para a caracterização científica dos diversos enfoques possíveis do fenômeno jurídico. está na base do aperfeiçoa­ mento da cultura jurídica nacional.perde sua finalidade e perverte-se em delongas morais e profissionais pes­ soais daquele que dela se vale para qualquer outro tipo de finalidade. O cientista do direito possui as fórmulas para a construção de uma herança intelectual 36. a obra de Ferraz Júnior. e muito menos que o saber dogmático se constitui em um saber obtuso da realidade jurídica. por meio da qual se conferiu amplo uso a elas. meios para a realização de fins maiores. outra com vistas à especulação (ênfase na pergunta e no questionamento). 1999.. Deve-se. nesse sentido.

p. esta é a sua natureza. Nes­ se sentido. Há que se pensar. formativo e até paternal. 9 Os fins sociais e prospectivos da ciência jurídica prevalecem com relação aos fins individuais. Faz-se como prática social e deve estar voltada para o alcance de fins sociais. magistratura. As atividades do professorado são de formação e. Ética docente: o professor de direito e os desafios ético-profissionais Profundamente imbricado com a questão do relacionamento humano. 5. Função social da dogmática jurídica.)” (Bittar. muito menos ainda.)40. dessa forma. consultoria... contra outrem. de alia capacidade de influência e determinação cultural. A respeito do tema enfocado. portanto. aqui reside a ética da ciência do direito. Isso ocorre mais com alguns 38.. É dessa complexidade que emergem os maiores dilemas éticos na atividade do magistério. 39. Quanto maior seu grau de penetração. estude-se a obra de Ferraz Júnior. Esta é a sua finalidade.) de regra as obras intelectuais são criadas exatamente para comunicação ao público (. Direito de autor. mas sobretudo pedagógico. É nesse espaço do social que se releva o papel da ciência do direito3 . 40. 422 .que deve ser perpetuada como atividade em prol do social. dom especial de produção de efeitos sobre a realidade com a qual interagem. e não a favor de si ou. 49). deve ser encarada como algo mais que seu discurso interno. procuradoria. Cf. Bittar. que. para o profissional do Direito. se pode dizer. A ciência jurídica é mais que um discurso de juristas para juristas. de princípio..2. que é altamente com­ plexo. é a obra um instrumento incisivo que recorta a realidade condi­ cionando-a a sua entrada no seio da realidade. o modelo de relações profissionais implicadas pelo exercício da docência. não deve ser considerada uma atividade a latere das demais (advocacia. que as criações intelectuais são especial­ mente objetos sociais38. Direito e ensino jurídico: legislação educacional. maior sua importância para uma determinada sociedade. B. Principalmente pelo fato de que “(. não somente decisorio... p. esta é a sua vocação. não somente hierárquico. como tais. 104. 2001. não somente autoritário. As obras são dotadas de urna peculiar capacidade de penetração social. maior sua repercussão. 1994. pessoais e egoístas que eventualmente a ela se quêira dar. Eduardo C.

Dentro do espírito do academicismo. do INEP (Comissão de Avaliadores das Condições de Ensino). tendo em vista as implicações e os resultados do processo pedagógico de formação de um indivíduo. a altivez e o espírito de colaboração pedagógica devem sempre informar o mister do professor de direito.. como se pode ler a seguir: “A questão ética (valor. bem como dos Conselhos Estadual e Federal da OAB 41. ao final do processo de formação de um indi­ víduo (de um grupo de indivíduos ou mesmo de toda a sociedade). consciência.. a partir da liberdade de escolha. São Paulo.. é até mesmo um espelho no qual o estudante quer se ver refletir no futuro profissional que o aguarda. que parece sempre pertinen­ te trazer à tona. então se deve aceitar que sua própria ética vem condicionada por valores inscritos no processo de ensino/aprendizagem. Assim é que cria. p. não só científica. v. são grandes as dificuldades de trabalho no ensino contemporâneo do direito (excessivo número de alunos por sala. mas significa verificar o quanto. preparo social. Se o processo educativo soma algo e lapida o indivíduo. 423 . 82. de qualquer forma. se pode oferecer ao indivíduo e à sociedade através da educação”41. n. uma marca indelével (positiva ou negativa) sobre o espírito do estudante. Sem dúvida. aqui­ sição de instrução. educação e cidadania. queira ou não. 2. intenção. alegando-se que o primeiro tem sobre o segun­ do um alto poder de influenciação. mas. Bittar. Em outro momento já se pôde dizer sobre o atrelamento existente entre o professor e o aluno. É impossível dissociar. Revista do Curso de Direito da Universidade São Marcos.. ação humana e inter-relação social. Ética. mas cultural e opinitiva do estudan­ te.e com outros menos. o magister é sempre conside­ rado uma referência importante para o estudante. E este o mote de uma discussão secular.. B. porém o trabalho que vem sendo exercido pelas comissões de ensino do MEC (Comissão de Es­ pecialistas do Ensino do Direito). Diante dessa posição. burilamento. ele deve mesmo representar o mestre da iniciação. a ques­ tão educacional do conjunto de atributos éticos que reúne(m).) e a questão educacional (formação. impossibilidade de flexibilização do modelo de aula.. rigidez dos currículos acadêmicos. Eduardo C. deficiências do ensino médio. Isto não significa retomar a espinhosa controvérsia de se saber se a ética é inata ou pode ser ensinada. O que se requer não é propriamente o heroísmo do professor. 2. comportamento.). más condições de trabalho.) parecem caminhar imbri­ cadas. Por vezes.

no sentido de contribuir para o esforço coletivo empre­ gado na delimitação da linha pedagógica construída e na formação da es­ trutura de ensino condizente com suas ambições e suas normas internas). com a inteira liberdade de coñsciência que possui. pela pesquisa. an. E é exatamente das dificuldades desse relacionamento que decorrem desafios éticos de grande monta. intitulado Direito e ensino jurídico. Eles fazem com que esteja atrelado não somente aos alunos. Mas a consciência desses problemas não pode obstaculizar o efetivo cumprimento da tarefa magistral delegada ao professor de direito: educar para a cidadania. ... que se pode encontrar na bibliografia de livro anteriormente publicado. Acima de tudo. Ter ética com o alunado significa. participação. cumplicidade acadêmica. Existe ampla literatura sobre a questão. à instituição de ensino à qual se vincula (com a qual deve procurar cumprir as funções administrati­ vas e participativas. do novo. ao ensino. a partir de sua formação e de sua liberdade de ideias.). aliás garantida por fundamento constitucional (CF. capacitar para o exercício ético da profissão. que. numa relação com seu alunado. São Paulo. Ser capaz de estimular a busca. que deve ser preparada e projetada com vistas a oferecer matéria atualizada e completa sobre o tema em foco.(Comissões de Ensino Jurídico) vem contribuindo para a modificação des­ se quadro42. é ser sobretudo capaz de tomar o ambiente educacional fértil à renovação social. IV e IX). por 42. mas também aos demais colegas de profissão que compartilham de suas atividades (com os quais deve procurar manter ambiente de solida­ riedade. Essas tarefas são os efetivos pontos de apoio do professor. o seu compromisso primordial é com o alunado. democracia. intercâmbio didático-pedagógico. incutir a chama da busca do justo no espírito do estudante de direito. pode criar méto­ dos pedagógicos diferenciados para educar. do diverso. a quem deve prestar contas em última instância. Entende-se que a dimensão ético-profissional do professor de direito faz com que se reporte sobretudo ao fim de sua atividade. bem como tecer considerações críticas ao ordenamento jurídico vigente. preparar para os desafios profissionais. colaboração. 2001. Pode-se ainda dizer que os compromissos do professor estendem-se para além da sala de aula. 5fi. sabendo-se que suas principais atividades antecedem o momento da elocução de sua aula. Atlas. O que se disse não resume a tarefa de ensinar do professor de direito ao mero cumprimento da burocracia institucional que lhe é imposta. ou seja. e ao Ministério da Educação. cooperação.

re-pensar suas posturas teóricas e ideológicas. institucionais e legais. e apenas demonstrativo.não adoção de posições de natureza partidária. rever suas formas de pensar e discutir o direito e. j) permitir o acesso. e) aprimorar-se em seus conhecimentos com vistas a trazer sempre maior carga de informações e ideias. f) aperfeiçoar suas técnicas didáticas e pedagógicas para o alcance de melhores resultados na transmissão de conhecimentos. rol de compromissos de atuação do professor de direito: a) aplicar-se na transmissão de conhecimentos. h) despertar o interesse pela matéria e pela pesquisa dos temas de aprendizagem ligados à sua disciplina ou aos seus conhecimentos. e raciais.vezes. assim como saber posicionar o aluno perante as suas deficiências de formação e as suas dificuldades de aprendi­ zado que o impedem de obter melhores resultados na matéria ensinada. política ou econômica que possam desviar a Uni­ versidade de seus objetivos científicos. religiosas. não ceder aos incessantes convites para a deturpação dos critérios de avaliação. 4. respeitadas as opções individuais de seus membros. III — não sub­ — missão a pressões de ordem ideológica. o diálogo e a interação. Título I. c) respeitar os direitos de seus alunos. inclusive para a satisfação de dúvidas dos alunos. pontuali­ dade e dedicação. Dos Princípios Comuns: “A ação da Universidade. k) participar e/ou criar projetos de aprimoramento acadêmico. Art. Com essas advertências preliminares é possível elencar um exíguo. aos pedidos de melhoria das notas e médias de exames e provas. II . i) respeitar as diferenças de ideias eventualmente existentes. b) honrar seus compromissos acadêmicos com assiduidade. 3a do Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Reso­ lução n. pautar-se-á pelos seguintes princípios: I — não adoção de preferências ideológicas. bem como encaminhar para a autonomia da pesquisa o estudante de direito. 43. com vistas à melhoria das condições de ensino em sua instituição. bem como os credos e ideologias de seus alunos43. culturais e sociais”.871. políticas. também. de 22-10-2001). 425 . bem como quan­ to ao sexo e à origem. d) estabelecer julgamentos e aferições de notas com padrões justos e equitativos. g) tratar com urbanidade os alunos e demais colegas de trabalho.

mas que. lê-se no Código de Ética da Universidade de São Paulo (Aprovado pela Resolução n. V — apontar aos órgãos competentes da instituição em que trabalha. assumindo sua parcela de responsabilidade quanto à educação e à legislação aplicável. de forma a atingir o nível desejado de qualidade. sugerindo formas de aperfeiçoamento. 426 . os itens ou falhas em regulamentos e normas que. preservando a liberdade profissional e evitando condições que possam pre­ judicar a eficácia e correção de seu trabalho. “Deve. ou encaminhamento adequado. Cabe ao docente: I — exercer sua função com autonomia. o docente: I — cumprir pessoalmente sua carga horária. alguns apontamentos normativos relativos à matéria. coincidentes j^ i não com aqueles acima elencados. sejam inadequados ao exercício da docência. aos alunos que maiores dificuldades tiverem em seu desem­ penho acadêmico. 15. IV — empenhar-se na defesa da dignidade da profissão docente e de condições de trabalho e remuneração compatíveis com o exercício e apri­ moramento da profissão. Título III.871. II — adequar sua forma de ensino às condições do aluno e aos objeti­ vos do curso. de 22-10-2001). ainda. II — contribuir para melhorar as condições do ensino e os padrões dos serviços educacionais. serve de importante e válida referência sobre o compromisso ético-docente. em seu entender. quan­ do necessário. de qualquer forma. que se aplica a docentes e não docen­ tes. VI — atuar com isenção e sem ultrapassar os limites de sua compe­ tência quando servir como perito ou auditor. Dos Servidores Docentes: “Art. n) fornecer auxílio pedagógico. consultor ou assessor”. toma-se também enriquecedor aferir no Código de Ética da Universidade de São Paulo. III — zelar pelo desempenho ético e o bom conceito da profissão. para as quais não possuam interesse mediato ou imediato. Nesse sentido. não de­ turpando ideias alheias e muito menos ferindo direitos autorais de citação: m) não envolver os alunos em campanhas pessoais ou em questões políticas da instituição.1) respeitar a diversidade de opiniões dos autores que ensina. Assim. 4.

restrita. E. sobre aquilo de que deve se abster o docente: “Deve o docente abster-se de: I — exercer a profissão docente em instituições nas quais as condições de trabalho não sejam dignas ou que possam ser prejudiciais à educação em geral e ao ensino público. na verdade. obviamente. Dos Servidores Docentes. III — fornecer documentos que divirjam de suas convicções ou que discordem do que admite como sendo a verdade”. Não falo. V — denunciar o uso de meios e artifícios que possam fraudar a ava­ liação do desempenho discente. VI — respeitar as atividades associativas dos alunos”. da ética universal do ser humano. do mercado. E. a quem de direito. professores e professoras. escapar à rigorosidade ética. a contrario sensu. um dos expositores afirmou estar ouvindo com certa frequência em países do Primeiro Mundo a ideia de que crianças do Terceiro Mundo. II — fornecer documentos em forma não consentânea com a lei e as­ sinar folhas ou laudos em branco. Num encontro internacional de ONGs. Sublinhar esta responsabilidade igualmente àquelas e àqueles que se acham em formação para exercê-la. desta ética. como preleciona Paulo Freire: “Gostaria. não deveriam ser salvas. Mas é preciso deixar claro que a ética de que falo não é a ética menor. Falo. Em nível internacional começa a aparecer uma tendência em acertar os reflexos cruciais da ‘nova ordem mundial’. Educadores e educandos não podemos. que se curva obediente aos interesses do lucro. ainda. itens de regulamento ou normas que possam ser prejudiciais à formação acadêmica e ao desenvolvimento pes­ soal do aluno. Da ética que condena o 427 . acometidas por doenças como diarreia aguda. de sublinhar a nós mesmos. Título III. reza o art. a nossa responsabilidade ética no exercício de nossa tarefa docente. Este pequeno livro se encontra cor­ tado ou permeado em sua totalidade pelo sentido da necessária eticidade que conota expressivamente a natureza da prática educativa enquanto prá­ tica formadora. por outro lado. como naturais e ine­ vitáveis.III — apontar. IV —■exercer ó ensino e a avaliação do aluno sem interferência de divergências pessoais ou ideológicas. pelo contrário. pois tal recurso só prolongaria uma vida já destinada à miséria e ao sofrimento. 17 do Código de Ética da Universida­ de de São Paulo.

cinismo do discurso citado acima, que condena a exploração da força de trabalho do ser humano, que condena acusar por ouvir dizer, afirmar que alguém falou A sabendo que foi dito B, falsear a verdade, iludir o incauto, golpear o fraco e indefeso, soterrar o sonho e a utopia, prometer sabendo que não cumprirá a promessa, testemunhar mentirosamente, falar mal dos outros pelo gosto de falar mal. A ética de que falo é a que se sabe traída e negada nos comportamentos grosseiramente imorais como na perversão hipócrita da pureza em puritanismo. A ética de que falo é a que se sabe afrontada na manifestação discriminatória de raça, de gênero, de classe. É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar. E a melhor ma­ neira de por ela lutar é vivê-la em nossa prática, é testemunhá-la, vivaz, aõs educandos em nossas relações com eles. Na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou com cuja obra concordamos. Não podemos basear nossa crítica a um autor na leitura feita por cima de uma ou outra de suas obras. Pior ainda, tendo lido apenas a crítica de quem só leu a contracapa de um de seus livros. Posso não aceitar a concepção pedagógica deste ou daquela autora e devo expor aos alunos as razões por que me oponho a ela mas, o que não posso, na minha crítica, é mentir. É dizer inverdades em tomo deles. O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética. E uma lástima qualquer descompasso entre aquela e esta. Formação científica, correção ética, respeito aos outros, coerência, capaci­ dade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que o nosso mal-estar pessoal ou a nossa antipatia com relação ao outro nos façam acusá-lo do que não fez são obrigações a cujo cumprimento devemos humilde mas perseverantemente nos dedicar” (Freire, Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, 1996, p. 16, 17 e 18). 5.2.1. Da diversidade das atividades docentes no ambiente acadêmico As diversas projeções do docente dentro do ambiente universitário causam uma grande diversificação em suas atividades e tarefas adminis­ trativas. Mas a multiplicação de suas funções académico-administrativas não afasta de si os impositivos éticos elencados, — adaptando-se sim a cada situação, conforme o aumento do grau de responsabilidade que sobre si se depositam. Ao rol básico de seus compromissos, assim, passam a se somar outros tantos, compatíveis e específicos da ética decorrente de sua 428

i função ocupada ou exercida (no dispêndio financeiro da Universidade, na administração dos interesses discentes e docentes, na urbanidade no trato...), seja em coordenação e departamento, em chefia de área, em coordenação de curso, em cargo de parecerista ou consultor, em cargo de gestão finan­ ceira ou acadêmica, em função examinadora, em função avaliadora do ensino e outros44. 5.2.1.1. Dos docentes em bancas examinadoras Uma das diversas funções exercidas pelos docentes é a de examinador em concursos públicos e bancas de graduação ou pós-graduação. Nessas ocasiões ficaram celebrizadas, nas memórias acadêmicas, manifestações as mais diversas de certos docentes que: execraram publicamente o candidato em concurso público; trouxeram à baila fatos vexatórios da vida pessoal de candidato a mestrado; por proferirem ideologia diversa da do candidato, disseram impropérios contra ele e seu trabalho acadêmico; descontentes com a apuração do trabalho acadêmico, deixaram o candidato aguardando por horas a sua chegada no dia da defesa de tese; jogaram a tese do candi­ dato ao solo e sobre ela pisaram, proferindo expressões de descontentamen­ to e desafio, entre outras situações-limite. Essas cenas, que não foram raras no passado, parecem ser altamente difamatórias no presente, e convidam à reflexão... o que se faz, mais uma vez, com base no Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título III, Dos Servidores Docentes, que reza, em seu art. 19, sobre o assunto: “Nas relações dos membros das comissões examinadoras de concursos docentes com os candidatos devem ser observados os seguintes preceitos:

44. Para esses casos, cabem as regras gerais dos códigos de ética universitários, a exemplo do art. 6Sdo Código de Ética da Universidade de São Paulo, Título I, Dos Princípios Comuns: “Constitui dever funcional e acadêmico dos membros da Universidade: I — agir de forma compatível com a moralidade e a integridade acadêmica; II — aprimorar continu­ amente os seus conhecimentos; III — prevenir e corrigir atos e procedimentos incompatíveis com as normas deste código e demais princípios éticos da instituição, comunicando-os à Comissão de Ética; IV — corrigir erros, omissões, desvios ou abusos na prestação das ati­ vidades voltadas às finalidades da Universidade; V — promover a melhoria das atividades desenvolvidas pela Universidade, garantindo sua qualidade; VT — promover o desenvolvi­ mento e velar pela realização dos fins da Universidade; VII — promover e preservar a pri­ vacidade e o acesso adequado aos recursos computacionais compartilhados; VIII — preser­ var o patrimônio material e imaterial da Universidade e garantir o reconhecimento da auto­ ria de qualquer produto intelectual gerado no âmbito de suas Unidades e órgãos”.

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II — no uso de suas atribuições, os examinadores não poderão suscitar questões atinentes à vida privada, convicção filosófica ou política, crença religiosa, intimidade, honra ou imagem do candidato, ou que de algum modo se liguem a seus direitos fundamentais, ressalvadas aquelas que tiverem relação direta com o exercício do cargo ou função pretendida”. 5.2.1.2. Dos docentes avaliadores de cursos jurídicos (MEC/INEP) Outra atividade de relevo, criada não tão remotamente (década de 90). consiste na avaliação das condições de ensino jurídico, dentro das políticas ministeriais acerca do ensino superior do direito no país. Ora, a finalidade da atividade, não consistindo puramente em procedimento fiscalizatQfii > e/ou punitivo, deve nortear o avaliador para a propulsão da qualidade do ensino no país, sendo que sua atuação e seu parecer devem contribuir para isso. Em recente deliberação acerca dos compromissos éticos dos avaliado­ res de cursos de direito, o INEP (Ministério da Educação — Instituto Na­ cional de Estudos e Pesquisas Educacionais — Diretoria de Estatísticas e Avaliação da Educação Superior — Princípios éticos e orientações de con­ duta) deliberou: “Com o objetivo de atender aos princípios preconizados e buscar har­ monia nos procedimentos e conduta compatível na verificação in loco, cada avaliador deverá: 1) Cumprir rigorosamente o cronograma de verificação in loco, não aceitando redução dos dias programados; 2) Estar atento para que as reuniões, conversas informais, visitas e leitura de documentos não sejam superdimensionadas em detrimento de outras atividades previstas no cronograma da avaliação; 3) Evitar ênfase em algum aspecto de interesse específico ou da espe­ cialidade do avaliador; 4) Evitar que conversas particulares com o corpo docente, discente e técnico-administrativo comprometam o andamento da avaliação; 5) Dimensionar o tempo das atividades de modo a não prejudiciar o andamento do trabalho; 6) Evitar entrevistas ou exposição à mídia; 7) Na reunião final, com a coordenação do curso, ater-se somente a discutir aspectos relacionados à avaliação, sem entregar documentos nem manifestar opinião que antecipe o resultado final; 430

que comprometam os princípios da avaliação. 13) Não externar opiniões sobre outras IES. 11) Estar atento para não confundir sua tarefa na IES com a eventual coincidência de ser também dirigente de IES. quando for o caso. orientando.. etc. para que a IES procure diretamente o setor responsável.8) Não aceitar oferta de transporte em aviões particulares. cursos. 5. promoção de livros. cargo ou emprego junto à Administração Pública Direta ou 431 . nos deslocamentos somente utilizar passagens aéreas do INEP. no tratamento da matéria.3. 9) Não ter vínculo com a IES avaliada. 21) Não aceitar qualquer tipo de complementação de diárias por parte da IES. hospedagem e presentes. ou seja. seja administrativo ou técnico. 20) Não aceitar convites da IES para passeios turísticos. como palestras. 19) Não realizar e nem agendar atividades de caráter pessoal. 14) Não solicitar serviços da IES para qualquer trabalho de caráter pessoal. até a homologação oficial dos resultados da avaliação. Ética do advogado Ao se deter esta parte da obra na discussão da ética do advogado. ou seja. estarse-á a alcançar. mas também o advogado público. 18) Evitar a participação em recepções e em ambientes festivos. de apoio ou de informações com relação a outras áreas do MEC. 16) Evitar envolver-se em discussões que possam comprometer a credibilidade da avaliação. aquele que exerce função. 12) Estar atento para não emitir opiniões e orientações sobre as ativi­ dades desenvolvidas ou sobre a IES como um todo. 22) As informações coletadas só devem ser utilizadas para a finalida­ de de avaliação do curso”. não somente o advogado que exerce suas atividades como profissional liberal ou empregado de socieda­ des de advogados. 10) Não indicar nem se comprometer a realizar serviços de assessoria ou de consultoria para o curso e a IES visitados. 15) Não aceitar ofertas. de Conselho Profissional ou de Associação. 17) Não aceitar solicitação de intercessão.

fruto da pena preclara de Francisco Morato. o advocatus atuava em alguns casos. admite-se que diferenças grandes existem entre esses profissionais.Indireta (Procuradores do Estado. Nuanças mínimas quanto às funções exercidas por esses diversos pro­ fissionais serão fornecidas como condição para a discussão ética que virá em segundo momento. quando a liberdade fosse o objeto da defesa (pro libertate) ou nas hipóteses de interesse de tutelados (pro tutela).). advocatus4 — e parece relevan­ 7 te que se atente para o fato de a função social que exerce encontrar-se ple­ namente descrita no símbolo que a representa. uma vez que é da união entre ad e vocare (falar por) que se originou o termo —. moderação e dignidade46. tendo-se em vista a estável condição de advogados que mantêm. Formação jurídica. às funções.1. Ética do advogado. a presença do advogado em favor de um ausente que tivesse sido furtado (ex lege Hostilia)” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. baixar o primeiro Código de Ética Profissional do continente.. fontes históricas indicam 45. 5. Deve ser citada. 1994. ligada ao verbo advocare. 2000. que significa convocar. a advocatio. e confere-se o devido valor a essa classe que muito tem contribuído para o tema45. 18). Ética na advocacia: estudos diver­ sos. apenas. in Machado Ferraz (org. chamar em auxílio. Cf.3. 8). 46. no entanto. in Nalini (coord. às garantias. 2000. 30-32. entende-se que a ética desses profissionais deve ser tratada de modo unifi­ cado. “Em Roma. 432 . No período do sistema das ações. então Presidente daquela augusta entidade” (Sérgio Ferraz. sendo. ao estatuto. Dessa forma. visa-se a unificar o tratamento do problema ético-advocatício atinente às atividades similares exercidas por todos os profissionais militantes e inscritos como advogados na Ordem dos Advogados do Brasil. 47. p. Procuradores do Município. Procuradores da União. chamar a si. aos direitos e deveres. à le­ gislação aplicável. Data ele de 1921. p.. in Elias Farah. A ética nas profissões jurídicas. Com isso.). era exercida pelo advocatus. sobretudo quanto ao exercício profissional. ainda. “Coube ao Brasil. e essas diferenças serão objeto de atenção especial. bem como o conjunto de deveres-base comuns: lealdade. palavra de surgimento tardio no vocabulário romano.). não foi o único vocábulo utilizado para nomear a atividade. Regras deontológicas. à carreira. p. quando houvesse interesse público a defender (pro populo)'. Advocacia: função social e profissão O termo advogado é de origem latina. Porém. Assim. mais concretamente ao Instituto dos Advogados de São Paulo. José Renato Nalini. probidade. A formação do advogado. Procuradores de Fundações Públicas.

é também um garante da efetividade do sistema jurídico e de seus mandamentos nucleares51. Formação jurídica. Se essa é a historia do termo. 50. Com isso. 1994. sendo que as últimas trataram dos seus aspectos disciplinares” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. ano VII. 4). 433 . Na sua banca vão desaguar. togatus e. ele se sintoniza com o mais agudo senso de percepção para os dramas da vida social. quando exercente de uma pretensão legítima. Advocacia e desenvolvimento social. 1976. representa. VII. pois o primeiro órgão de representação somente surgiu na Idade Média49. As Ordenações Afonsinas e as Ordenações Filipinas regulamen­ taram a advocacia. cognitores. no exercício de sua função profissional. não obstante. Cf. sistematizada. Apesar do desprestígio na imagem atual do profissional. mas não se deve desconsi­ derar o fato de que.). p. Dinamarco. age com legítima parcialidade institucional. A formação do advogado. set. foi na França que a Ordem dos Advogados recebeu uma regula­ mentação legal.. 11. Teoria geral do processo. acaba por conviver com os mais agudos dramas sociais e engajando-se em demandas sociais e políticas: “O advogado está. na defesa judicial dos interesses do cliente. n. Revista da Ordem dos Advogados do Brasil. p. in Nalini (coord. “No entanto. advocatus. que o advogado é mensageiro e representan­ te jurídico da vontade dos cidadãos. deste último termo. qual um estuário vivo. Muito mais que isto. funciona como intermediário de uma pretensão diante das instituições às 48. Em Portugal há notícias da existência da profissão desde o século XIII. habili­ tado para penetrar na problemática do desenvolvimento social. os sofrimentos humanos” (Caio Mario da Silva Pereira./dez. Comentários à Constituição brasileira. Ferreira. Quer-se dizer. ed. Cintra. procuratores. orator.. há de se dizer que uma ordem organizada para a classe dos advogados possui raízes muito menos remotas. Em atividade judicial. Em razão de sua profissão mesma. 168. socialmen­ te.a seguinte evolução dos termos para a definição da atividade: patronus. enfim. 51.) o advogado. incumbe o mis­ ter de ser o atuante sujeito de postulação dos interesses individuais e/ou coletivos consagrados pelos diplomas normativos do país50. no Baixo Império. p. ao advogado. Alguns documentos nos informam sobre a atuação dos chamados vozeiros ou arrazoadores. Isso ocorreu em 1334. v. “(. 49. com isso. 217). O encontro de parcialidades institucionais opostas constitui fator de equilíbrio e instrumento da imparcialidade do juiz” (Grinover. p. 20. Não apenas por ser integran­ te da sociedade. É certo que todo advogado atua como um agente parcial. mais que todos os profissionais. com a Ordenação de São Luiz. A introdução.. 19). 1992. consagrou-o de modo a ganhar acento definitivo inclusive no vocabulário moderno48. definindo-lhe a natureza e atribuições.

e. antés de mera casualidade. ele busca na justiça a escora para sua atuação profis­ sional. somos os arautos das necessidades coletivas. previne52. A inserção da advocacia no contexto constitucional. agentes transmissores da própria dinâmica social e responsáveis pelas transfor­ mações exigidas pela realidade” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. a Constituição Federal de 1988 consagrou-lhe. p. 434 . do justo entendimento de que a justiça material não se constrói sem uma plena identidade entre operadores do direito. por entender-se ser essa a razão pela qual o legislador constitucional estatuiu normas magnas para a consagração da função advocatícia entre aquelas essenciais à presta­ ção jurisdicional. se a defesa técnica é imprescindível para a participação no processo. o advogado presta serviços particulares. ao lado da Defensoria Pú­ blica. porém age sob o cone de luz da legislação. de certa forma. velando pelo cumprimento da legalidade e fazendo-se desta fiel servidor. toca muito próximo o problema do próprio acesso à justiça5 . e defini-la como atividade essencial à justiça. Diante da indefinição dos textos constitucionais anteriores. É esse o ponto que se procura grifar nesta reflexão. in Nalini (coord. é medida proposital e intencional do legislador. em atividade extrajudicial. que o problema do acesso à justiça é fundamentalmente o problema do advogado. pois quando esta divide. dentro do tônus principiológico e democrático que procurou dar à regulamentação das instituições jurídicas. 53. pelo exercício da cidadania por profissionais responsáveis pela colocação perante um dos poderes do Estado. se engaja na causa à qual se vinculou. 1994. A formação do advo­ gado. em palestra proferida no I C o n g re s s o de Iniciação Científica da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (6-5-1996 — 105-1996).quais se dirige ou perante as quais postula. como pressuposto processual subjetivo rela­ tivo à parte. Formação jurídica. Isso se dá porque. comungando. Em verdade. De fato. o ius postulandi. ao advo­ gado incumbe o munus público de conferir à população acesso aos seus próprios direitos. é conferir a máxima autoridade normativa a essa ativi­ dade jurídico-postulatória. dos anseios e aspirações da sociedade. São palavras de Carlos Alberto Carmona. 3 52.). confunde. “O cunho social da profissão se manifesta. ainda. 28). Mas o advoga­ do não é um ardoroso defensor da letra da lei. Alçar à esfera constitucional a advocacia. prejudica. mesmo enquanto profissional autônomo. a Seção III do Capítulo IV do Título IV. omissos quanto ao papel do advogado na ministração da justiça. portanto. aconselha e assessora.

. sublinhe-se. há que se dizer que não existe maior controle e. 8. em tempos em que o controle externo está em pauta. A orientação sugere que. Mister. sendo proibida toda espécie de prevenção que venha a conferir-lhes poderes exorbitantes ou que firam a paridade do relacionamento entre esses mesmos profissionais. art. não obstante posicionarem-se em suas atuações como exercentes de funções processuais juridicamente opostas ou disjuntivas. o advogado presta serviço público e exer­ ce função social” (Lei n. 133. 6a). a função do advo­ gado é definida como “indispensável à administração da justiça” pelo Es­ tatuto da Ordem dos Advogados quando preleciona: “No seu ministério privado. existe o inte­ resse geral da sociedade em tomo da causa da justiça. de alçada constitucional é o tratamento do advogado e de suma importância para a justiça. Percebe-se que a gradação entre as diversas carreiras jurídicas inexiste. da mesma forma como a competência e o exercício da jurisdição têm seus princípios inscritos no texto constitucional.) o nobilitante mister não pode ser minimizado. da lega- 54. da forma como se inscre­ ve no plano constitucional. Por se tratar de partes interes­ sadas nos resultados sociais e jurídicos do processo. 435 . o Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil dedica ao tema disposição específica assegurando que: “Não há hierarquia nem subordinação entre advogados. § l s). devendo todos tratar-se com consideração e respeito recíproco” (EOAB.Nesse entendimento. deve ser colocado em pé de igualdade com os demais órgãos a serviço da Justiça: o Juiz e o Ministério Público” (Sanches.. maior é o interesse em que o julgamento se desenvolva sob os cânones da imparcialidade. ressalvar que “(. art. Mais ainda. a atividade do advogado se constitui num bastião para o aperfeiçoamento da própria cidadania nacional. mas complementares e essenciais. Assim. bem como o interes­ se específico das partes envolvidas num determinado envolvimento ou de­ bate jurídico. O advogado e o Poder Judiciário. haja igualdade. Assim. RT. Ao contrário. acima dos interesses pessoais. portanto. 2a. diante dessa orientação proveniente da Carta Magna.906/94. mais eficaz que qualquer outro. senão aquele exercido diutumamente pelas partes postulan­ tes no exercício de suas funções processuais. De fato. 648/249). pretende-se que entre os operadores do direito54. magistrados e membros do Ministério Público. Na mesma linha do art.

. jamais adotamos diante de um conflito de interesses uma postura de de­ tentores da verdade.) nem por isso pode ele ser confundido com a figura do mandatário de direito privado.. necessariamente sua função é aquela descrita como a do mandatário. “(. Porém. sabemos que a verdade não é única. Aí a importância. A formação do advogado. mas aparece antes como autêntico representante necessário. conceitualmente. que age em nome da parte. 7 55. 1994. do próprio exercício profissional nossa visão do ser humano e da vida é flexível. 694/46). provisoriamente posta na sentença e fixada quando do seu trânsito em julgado. É do tempera­ mento de vontades e interesses contrapostos que surge a possibilidade de que se adotem respostas jurisdicionais mais balanceadas na dosimetria dos direitos de cada qual. Mercê. Formação jurídica. Ainda aqui se pode nobilitar a função advocatícia na proteção dos interesses de seus clientes. in Nalini (coord. segundo prescreve o art. o advogado apenas um mandatário56. no âmbito judicial. não se deve dizer que “(. “Uma característica marcante do nosso mister é a completa ausência de maniqueísmo.)”.) se o advogado atua no processo no interesse da parte (. Apesar do que se disse. Os poderes do advogado dotado de procuração são os seguintes: “I — examinar. Ainda que se argumente pela excessiva parcialidade que move muitos dos litigantes envolvidos no debate processual. após com a contestação. condescendente e complacente” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. p. daquele que se dispõe no sentido de plefiear o que de direito não só por si. salvo o disposto 436 . Como lidamos com o homem. Se assim é.). com suas misérias e grandezas. pois. há que se ressaltar que é da própria dialética jurídica que exsurge o provimento judicial. Aliás. Dito isso. Para atuação no foro requer-se devida habilitação processual do advogado por meio de procuração ad judicia. A função do advogado na administração da justiça. mas também e sobretudo em face de outra pretensão por vezes igualmente legítima e justa55. não há que se admitir ser. que tem sua responsabilidade delimitada pelo instrumento que lhe autoriza a falar ou a exercer algo em nome de alguém. deve-se reter que a atuação do advogado pode ser judicial e extrajudicial.. 21). a essa categoria profissional cumpre prover necessidades de uma justiça material na produção resultante do exercício do poder jurisdicional. conhecedores da frágil condição humana. do ad vocatus. daquele que “fala por”. 56. mas no interesse público da realização da justiça” (Comparato. autos de qualquer processo. pode vir com a inicial. no entanto. 38 do Código de Processo Civil5 . regulada pelo Código Civil. RT.... bem como na admi­ nistração da justiça em sua totalidade. 57.lidade e da regularidade formal. posteriormente modificada pela instrução. ou seja. Seu papel é misto entre uma atividade pública de postulação e uma atividade privada de representação. em cartório de justiça e secretaria de tribunal.

I. 7a. como procurador. 155. ou seja. 59. requer-se a procuração ad negotia. ao longo do ano de 2005. motivaram à reação da OAB que. 58. Na esteira do que diz a Constituição. 142. sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB. deve-se perceber que a defesa do exercício e da autonomia desta profissão é a defesa da própria possibilidade da democracia e do Es­ tado Democrático de Direito. em defesa dos advogados. portanto. O entendimento predominante é o de que as ofensas irrogadas à parte e pela par­ te. ao ponto em que se afeta a própria dignidade da justiça. porém. não repre­ senta a criação de um privilégio pessoal. nos casos previstos em lei” (art. porque a imunidade judiciá­ ria só prevalece entre as partes litigantes. RT. sempre limitadas58. inc. que lhe conferem maior liberdade de atuação na defesa de legítimos interesses60. pode-se acompanhar o que dispõe o Estatuto: “O advogado tem imunidade profissional. do Código Penal. que é a autoridade judiciária e representa a própria administração pública. E. com ou sem cláusula de poderes especiais. Ações da polícia. não constituindo injúria. pelos excessos que cometer” (EOAB. a respeito (“sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão. 12/89). em seu art. indispensável à boa e completa realização da justiça” (Comparato. como a imunida­ de judicial59. 60. É este o en­ tendimento jurisprudencial acerca da matéria: “Não existe a imunidade prevista no art. relati­ vamente aos crimes de injúria e difamação — e. sempre que lhe competir falar neles por determinação do juiz. Ainda. 142. pelo prazo legal. Admitir ofensas à au­ toridade judiciária seria implantar o desprestígio da própria justiça” (TACRIMSP. 437 . RJD. do CP. Hélio de Freitas. art. A função do advogado na administração da justiça. 40 do CPC). em sua atuação. vista dos autos de qualquer processo pelo prazo de 5 dias. não constituem crime. rei. em juízo ou fora dele. veja-se. no entanto. § 2a). 694/47). III — retirar os autos do cartório ou secretaria. o advogado possui determinadas proteções legais. II — requerer. difamação ou desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte. não se exime se o crime cometido for o de calúnia — . o magistrado. que o desacato é objeto de discussões. “A imunidade judiciária estabelecida no art. 133. no caso de ofensas irrogadas pelo Advogado ao Juiz. recobre a atuação do advogado de especial proteção. no exercício de sua atividade.Para atuação em negócios extrajudiciais. aquelas surgidas no calor dos debates judiciais. I. entendendo-se verdadeiramente como limitada a extensão de sua faculdade de manifestação no exercício da litigância judicial. provocando invasões em escritórios de advocacia. Nesse conceito não se inclui. nos limites da lei”). não alcançando a ofensa feita a Magistrado. conseguiu garantir “a inviolabilidade no art. Ressalve-se. mas a consagração de uma prerrogativa funcional.

tendo os seus Estatutos sido aprovados pelo Imperador Pedro II. por inspi­ ração de Francisco Gê Acaiaba de Montezuma. p. Em termos de organização federativa. a ordem jurídica do Estado Democrático de Direito. eletrônica.) VII — O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil”. No entanto.767. 1994. desde que relativas ao exercício da advocacia”. de 18 de novembro de 1930. regimentais e constitucionais denunciam essa sua tarefa social de grande dimensão63. 11. os direitos humanos. 19. da CF de 1988. a Ordem dos Advogados do Brasil6 é órgão público de garantía 1 de uma sociedade democrática. de 18 de novembro de 1930” (Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. é hoje serviço público. de sua correspondência escrita. b) promover.. 17 do Decreto n. a defesa. coletivos e difusos previstos pela Constituição62. telefônica e telemática.337/64. Diante das incumbências institucionais. VII.906. a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil” (Grinover. é de competência da Ordem dos Advoga­ dos do Brasil a legitimidade. Teve como um de seus objetivos a criação da Ordem dos Advogados. possuindo um compromisso com a cidada-~ nia e com a efetivação dos direitos individuais. urna vez que nem tudo é lícito quando se trata de realizar a investigação e punição de delitos.). de 7 de agosto de 2008. para propor a ação direta de inconstitucionalidade in terminis: “Podem propor a ação de inconstitucionalidade: (.408. rompendo com os limites subjetivos anteriormente vigentes no contexto da Lei n. tendo por finali­ dade: a) defender a Constituição. 223). Esse artigo da Cons­ tituição veio a ampliar o restrito polo subjetivo responsável pela propositura da ADIn. com exclusividade. que.. 8. de 4 de julho de 1994. 11. nos termos do art. 62. 1° da Lei n. Essa vitória da advocacia toma ainda mais claros os limites de ação dapersecutio criminis.408. I2. dotado de personalidade jurídica e forma federativa. Teoria geral do processo. 19. pelo art. 2a de seus Estatutos. a justiça social e pugnar pela boa aplicação das leis. 17 do Decreto n. pela rápida adminis­ tração da justiça e pelo aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas. com a edição da Lei n. “O instituto da Ordem dos Advogados do Brasil foi fundado em 1843. por exercer um munus 61. conforme determinava o art. 103. Formação jurídica. Dinamarco. nossa corporação só foi cria-da quase um século após. 63. em seu art. ed. Cintra. Suas missões estatutárias. mais que órgão de representação de classe ou que instância institucional para a resolução de questões interna corporis. Do exposto percebe-se que o engajamento político-institucional e social é um mister não somente para o advogado. 20). in Nalini (coord. p. A formação do advogado.de seu escritorio ou local de trabalho. 4.. que restringiam a participação democrática no controle da constitucionalidade das leis ao representante maior do Ministério Público. 438 . bem como de seus instrumentos de trabalho. o Procurador-Geral da República. prevê alteração do in­ ciso II do art. Assim: “criada pelo art.

também é outorgado ao advo­ gado acesso direto na composição dos Tribunais Superiores da Justiça fe­ deral e da Justiça estadual. exercício efetivo comprovado da profissão durante dez anos). Procurou-se minimizar a rigidez do preceito. “(. c) certidão negativa de sanção disciplinar. 5a — O pedido de inscrição será instruído com a comprovação de mais de dez anos de efetiva atividade profissional de advocacia (art. 8. 94 da Constituição. 94 da CF de 1988). lecionava como privativas da advo­ cacia: “I — a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais”. Apesar de se tratar de uma atividade “indispensável à administração da justiça” (CF de 1988. é conferida efetiva e direta partici­ pação aos advogados. 24). art. De fato. expedida pelo Conselho Seccional da inscrição principal”. Nesse sentido. Provimento CFOAB 80. b) termo de compromisso de defesa da moralidade administrativa. art.. se­ gundo o qual pode-se franquear.) o STF suspendeu liminarmente a eficácia do caput do art.906/94. e con­ correr à indicação para o Tribunal que comporá. Visa-se sobretudo mesclar as experiências da advocacia. Min. limitando-se sua extensão normativa. Ia. em seu art.publico. Cintra. Mais que examinando. cujos dados deverão ser comprovados. ilibada reputação. ed. em diversos serviços relativos à justiça. 133). Lei Complementar n. de modo que fica mantida.906/94. 219). 1. 80/94. Também devem-se aqui ter presentes as disposições da 439 . Teoria geral do processo.. 35/79. Por juizados especiais se deve entender Justiça do Trabalho. mas também para o órgão de representação da categoria. Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. 129. a polêmica se acendeu com o advento da Lei n. “Art. art. para integrar lista sêxtupla de advogados. 64. 5a do Regulamento Geral) e bem assim de: a) ‘curriculum vitae’. infine. 65.127-8-DF-Medida Liminar.. p. 78). do Ministério Público e da judicatura. DJU. rei. examinando: candidatos à Magistratura (CF de 1988. Ia da Lei n. por ora. de Advogados que devam integrar os Tribunais Judi­ ciários). introdução na carreira em se­ gunda instância64. art. I. 8. 66. integrando-lhes no ecletismo da formação e da experiência jurídica dos mem­ bros de outras categorias (art. candidatos à Defensoria Pública (LC n. do Estatuto. em Lista Sêxtupla. art. de 10-3-1996 (DJU. p. Seç. que. art. Justiça de Paz e Juizados de Pequenas Causas (ADIn. no que tange aos juizados especiais. deve o advogado ter defen­ dido a moralidade institucional e administrativa. 93. a possibilidade de postu­ lação direta do pequeno litigante” (Grinover. assim como comprovar a inexistência de infração ética65. § 3a). 14-10-1994. mediante o cumprimento de algumas condicionantes (notório saber jurídico. art. Brossard. mediante cópias. ret. 27596). Assim. Ia. Dinamarco. 16-7-1996) (Dispõe sobre a indicação. tem-se preocupação em dizer que não se trata de uma atividade que condicione o acesso à justiça66. através do chamado quinto constitucional. inclusive de prevenção ao nepotismo. 11. se assim exigir a Diretoria que analisar o pedido. candidatos ao Ministério Público (CF de 1988. 1. Aliás. 3-4-1996.

1992. O Poder Executivo. de se investigar a importância dos órgãos de advocacia pública no âmbito da Federação e no âmbito estadual. ao lado da Advo cacia. analogamente ao disposto na Constituição Federal. no âmbito dos assuntos estaduais68. no sentido do cumprimento dos ditames legais e constitucionais. Essas carreiras estão estruturadas como forma de manutenção de um grupo de profissionais que venha a defender os interesses do Estado-Administração em juízo ou fora dele. como órgão suplementar e exclusivo. revogando os antigos Juizados de Pequenas Causas e traçando normas acerca da postulação com ou sem advogado. Então. para o adequado exercício de suas atividades. p.099/95. dos assuntos federais.2. cada qual dessas instituições socorre interesses que constituem verdadeiro munu\ público. ain­ da. Curso de direito constitucional. a Advocacia (arts. a Defensoria Pública do Estado (art.5. 104/109). que disciplinou a matéria.3. “Sistema que não difere em nada do anterior. 68. elencando também como essenciais o Ministério Público (arts. a Procuradoria-Geral do Estado (arts. Trata-se. aqui se destaca a Advocacia-Geral da União. portanto. o Conselho Estadual de Defesa dos Direitos dn Pessoa Humana (art. Em essência. Lei n. nesse sentido. todos previslrfc no Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 198867. contenciosa ou não. existente em cada unidade da Federação. dispôs a respeito da matéria. 67. 103). 91/97). por sua essencialidade no que tange à pres­ tação jurisdicional e ao equilíbrio entre os poderes do Estado. 9. no âmbito. 98/102). apenas ganhou foros de Constituição Federal” (Ferreira Filho. 236). e essa mesma função é exercida pela Procuradoria-Geral do Estado. são a causa eficiente de todo o processo de concreti­ zação da justiça. 110). o mesmo há que se dizer quanto às carreiras públicas da advocacia. acrescentando. O Capítulo V do Título II da Constituição do Estado de São Paulo. É nesse ponto que cabe seja ressallada a atuação de órgãos públicos que. 440 . o que vem a acentuar com maior profundidade o caráter protetivo das normas constitucionais estaduais derivadas da teleologia da Carta Federal. devem con­ viver harmônica e conjuntamente para a efetivação do escopo jurídico-democrático. requer uma assessoria jurídica permanente. Advocacia-Geral da União e Procuradoria do Estado: função cons­ titucional e exercício público Se a advocacia é imprescindível para o exercício da jurisdição e para a ministração e efetivação da justiça. A Advocacia-Geral da União tem como atribuição representar judicial e extrajudicialmente a União. da Defensoria Pública e do Ministério Público. Mais que um aparato burocrático a serviço de afazeres administrativos ou formais.

O Poder Executivo, federal e estadual, tem esses órgãos por longa manus de suas atividades, prevalecendo sempre o entendimento de que, por atribuição funcional, se deve seguir uma postura profissional que garanta o melhor resultado técnico favorável ao Estado. O exercente desse tipo de atividade, devidamente concursado, ou provisoriamente investido de cargo em comissão, presta “consultoria e assessoramento jurídico” (CF de 1988, art. 131), de modo a fazer prevalecer não seus entendimentos pessoais, mas a produzir o melhor resultado útil à entidade à qual se vincula69. Se ao Poder Executivo incumbe o cumprimento da lei pelo governo da sociedade, mister, portanto, a existência de instrumentos jurídicos protetivos para a cobertura das estruturas de atuação desse Poder, o que se faz, no âmbito federal, por meio da Advocacia-Geral da União, instituição que tem por diploma essencial de sua estrutura a Lei Complementar n. 73/93, a par o Decreto n. 767/93 e a Lei n. 9.028/95, e, no âmbito estadual, por meio da Procuradoria do Estado. Em meio às atribuições fundamentais, como a de representação do Executivo70, encontra-se a de assistência judiciária aos necessitados. Deve-se verificar que o diploma estadual da Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo prevê como uma de suas principais atividades a assistência judi­ ciária, como se lê a seguir: “I. prestar assistência judiciária aos legalmente necessitados nas áreas civil e trabalhista; II. exercer as funções curador especial, salvo quando a lei a atribuir especificamente a outrem; III. promover as medidas judiciais

69. Mas essa vinculação não dispensa senso crítico e conhecimentos amplos: “Valores como o da Justiça, da liberdade, da igualdade e da lealdade, devem ser a utopia de vida do Procurador do Estado. A visão crítica do direito como fonte de vida é indispensável, assim como saber conjugar com desenvoltura suas fontes. Há de ter, para isso, a perspectiva his­ tórica do Direito e das leis que regem o nosso dia-a-dia” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 158). 70. “Essencial à Administração Pública Estadual, a advocacia pública exercida pela Procuradoria-Geral do Estado tem como funções institucionais, além do procuratório judicial e extrajudicial do Estado, a consultoria e assessoria jurídica do Poder Executivo e da Admi­ nistração, a orientação e defesa dos necessitados, em todos os graus, a representação peran­ te o Tribunal de Contas, a consultoria e a fiscalização da Junta Comercia], o assessoramen­ to técnico-legislativo ao Governador, a inscrição, controle e cobrança da dívida ativa esta­ dual, a propositura de ação civil pública, a assistência jurídica aos municípios, procedimen­ tos disciplinares; entre outras próprias da advocacia do Estado e da defesa dos necessitados, a ela vinculando os órgãos jurídicos das autarquias” (Norma Kyriakos, Procuradores do Estado: função essencial à justiça, in Nalini (coord.), Formação jurídica, 1994, p. 156).

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necessárias para a defesa do consumidor; IV. atuar junto ao Juizado de Pequenas Causas; V. prestar assistência a pessoas necessitadas, vítimas de crime, objetivando a reparação de danos e a solução de problemas jurídicos surgidos ou agravados com o delito; VI. prestar orientação aos legalmente necessitados no âmbito extrajudicial” (LC n. 478/86, art. 28). 5.3.3. Defensoria Pública: função constitucional A Defensoria Pública é instituição essencial à justiça, à atividade de prestação jurisdicional, incumbindo-lhe as tarefas judicial e extrajudicial de assessoria jurídica. Por isso, as mais recentes conquistas do país envolvem nova legislação, ampliação dos concursos públicos e do campo de aleãncc de suas ações. Seja atuando preventivamente na conciliação das parles contendentes, oferecendo informações, distribuindo orientação jurídica, seja atuando contenciosamente, litigando em nome dos interessados, seja repre­ sentando interesses sem titulares determinados, a Defensoria Pública im­ plementa o rol de medidas públicas destinadas à construção do Estado Democrático de Direito. Na topografia do texto constitucional, a disciplina do órgão fundamental vem dada pela Seção III do Capítulo IV do Título IV da Constituição Federal de 1988 que, em seu art. 134, reza: “A Defensoria Pública é instituição essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a orientação jurídica e a defesa, em todos os graus, dos necessitados, na forma do art. 52, LXXIV”. Prevista pela Constituição com esse rigor conceituai e com toda ;i importância por se tratar de uma função essencial à justiça, encontra-se a implementação da Defensoria na dependência de regulamentação específi­ ca. Isso porque o art. 24 da Constituição Federal de 1988 prevê que “Com­ pete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorren temen Io sobre: (...) XIII — assistência jurídica e defensoria pública”. A materia relativa à assistência jurídica e defensoria pública ficou para ser implementada em momento posterior à promulgação do texto constitu­ cional, de modo que, por fim, a Lei Complementar n. 80/94 acabou por disciplinar, no plano federal, a Defensoria Pública da União, dos Territorio1 ' e do Distrito Federal. Essa lei de fato traçou normas gerais para a estrutu­ ração, ou para a reestruturação — esclareça-se que alguns Estados da União já haviam implantado a Defensoria mesmo antes do advento da Lei Com­ plementar, ocorrendo que deverão retraçar seus parâmetros de atuação (I.C n. 80/94, art. 142) nos moldes do supracitado texto normativo —, das De442

fensorias Estaduais71. É esse o texto que rege a constituição genérica das Defensorias do país atualmente. Cumpre, no entanto, no plano estadual, que as Defensorias se adaptem a peculiaridades regionais. A Defensoria ocupa-se da assistência jurídica, que pode ser prestada de diversas maneiras, correspondendo não só àquilo que se entende por direito de demandar em juízo (assistência judiciária), mas também pelo direito de encontrar orientação extrajudicial e encaminhamento jurídico-informativo correto (assistência não judiciária). Assim é que a tarefa de assistência jurídica — expressão que encontra um sentido lato — se disten­ de em dois outros princípios, o da assistência judiciária e o da assistência não judiciária72. Aqui, portanto, o primeiro papel de assistência jurídica, exercido pela instituição da Defensoria em sua atividade própria de defesa dos interesses dos necessitados, sejam estes pessoas físicas ou jurídicas73. Mas não acaba aí o conjunto de atribuições constitucionais e legais da Defensoria, pois esta ainda encontra função social ao exercer atividade im­ própria74. E isso porque os hipossuficientes são protegidos, além de outros75.

71. Essas normas gerais são decorrência do art. 97 da Lei Complementar n. 80/94. 72. Como decorrência da ampla defesa, e a partir da norma de ordem pública cons­ tante do art. 261 do CPP, que consagra a defesa indisponível em matéria criminal e preceitua que “nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou julgado sem de­ fensor”, decorre a necessidade de defesa no processo penal. Mister, portanto, a defesa, aqui entendida como defesa técnica, o ius postulandi deve ser exercido pelo órgão da Defensoria competente para atuar no caso concreto em previsão. 73. E fato que, não obstante ser o direito de defesa garantia constitucional, pode ser este direito “(...) frustrado por falta de recursos necessários ao seu exercício” (Ferreira Filho, Curso de direito constitucional, 1992, p. 237). 74. A distinção é feita por Moraes, Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 24, quando reflete sobre o tema, propondo a conceituação nos seguintes termos: “Podemos distinguir as funções da Institui­ ção em típicas e atípicas. Típicas seriam aquelas funções exercidas pela Defensoria Pública na defesa de direitos e interesses de hipossuficientes. E atípicas seriam aquelas outras exer­ cidas pela Defensoria Pública, independentemente da situação econômica daquele ou da­ queles beneficiados da Instituição”. 75. (...) não está condicionada, necessariamente, à miserabilidade do acusado, uma vez que a garantia constitucional da ampla defesa, no processo-crime, assegura a sua inter­ venção, ainda que o acusado tenha boa condição financeira, bastando, para tal, que seja revel ou, simplesmente, não se interesse em indicar advogado, seja no início da ação ou no decor­ rer da mesma em razão da renúncia do advogado inicialmente constituído” (Moraes, Prin­ cípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80, de 12-1-1994, anotada, 1995, p. 27).

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vide art. Essa in­ suficiência de recursos. “(. art. desde a prestação de serviços de informação. O que se vê é que o campo de atuação institucional da Defensoria é amplo. pois a renda advinda desta pode ser insuficiente para o custeio do processo (RJTJESP.A atividade típica da Defensoria é decorrência do dever jurídico assu­ mido pelo Estado. o que foi objeto de ação direta de constitucionalidade ao STF. participando como órgão ativo na dirimição de conflitos e na prepa­ ração jurídica da comunidade para a qual destina os resultados de sua ope­ rosidade social. 26) que. enquanto atribuições institucionais.510/8676. art. que à instituição da Defensoria reconheceu a legitimidade para atuar na defesa dos interesses difusos e coletivos (RTJ. p. criminal. por haver expres­ sa atribuição de competência ao MP para a propositura da ação civil pública.-SP. as Pro8.7 No aguardo da implementação das atividades da Defensoria. 77. Sepúlveda Pertence. de acordo com o qual poderes de representação lhe são conferidos para a propositura da ação civil pública. assim. 4a. em defesa dos inte­ resses relativos aos direitos do consumidor. 101/276).060/50.) todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado. Cons. o que se costuma chamar também de hipossuficiência dos necessitados. incumbe-lhe a tutela dos interesses coletivos e difusos. 5a. 7. à proteção do meio ambiente etc. tem um sentido próprio e legal. art. sem prejuízo do susten­ to próprio ou da família” (Lei n. 2fi. 76. 1. 1995. de 12-1-1994. LXXIV). 103). que.) prestará assis­ tência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos” (CF de 1988. tendo sido a questão dirimida a partir da consideração do relator Min. Narra Silvio Roberto Mello de Moraes (Princípios institucionais da Defensoria Pública: Lei Complementar 80. 78. 146/435). sobre acesso à justiça. 79. Nesse sentido. “No Estado de São Paulo aguarda-se lei complementar implantando a Defensoria Pública como instituição autônoma (v. com redação dada pela Lei n. 141 do ECA (Lei n. Irrelevante para esses fins que tenha o pleiteante da assistência propriedade imóvel. de acordo com a Constituição. uma vez que as funções de as­ 444 . também.. surgiu desen­ tendimento entre este e a Defensoria.. motorias e Procuradorias7 exercem essas atividades8 9 0. V e XI.. até a participação na composição dos conflitos de interes­ ses por meio de conciliação extrajudicial. da Lei Complementar n. 8.. instru­ ção e orientação. anotada. isso por força do art.060/50. 1.069/90). pois considera-se necessitado “(. ou mesmo pela participação no contraditório administrativo ou judicial. parágrafo único)77. Mais ainda. nas esferas cível. 80/94. o que se encontra disciplinado no bojo da Lei n.

V — interpor recurso para qualquer grau de jurisdição e promover revisão criminal. VII — defender os acusados em processo disciplinar” (LC n.3. III — a irredutibilidade de vencimentos. VI — sustentar. os recursos interpostos e as razões apresentadas por intermédio da Defensoria Pública da União. apesar de assolada por tradicional e famigerado conceito social. a saber: “I — a independência funcional no desempenho de suas atribuições. 80/94. aos membros da carreira são dadas as mesmas prerroga­ tivas e garantias ofertadas aos membros das demais carreiras públicas. Porém. Por outro lado. 80. 18). 445 . p. Dicionário Jurídico. antes de promover a ação cabível. art. 218). 1995.4. 81. III — tentar a conciliação das partes. Cintra. Teoria geral do processo. II — a inamovibilidade. 80/94. 43). aos membros da Defensoria se preveem as seguintes atribuições: “I — atender às partes e aos interessados. 5. O próprio Código de Ética prevê que: sistência judiciária pelo Estado vêm sendo exercidas pela Procuradoria-Geral do Estado (PAJ)” (Grinover. “Enquanto não são organizadas no âmbito estadual as Defensorias Públi­ cas. a conduta do advogado no exercício da profissão. Adv. Para que isso ocorra é mister que se insculpa na consciência popular e dos próprios inte­ grantes da classe as normas éticas que estão a cercar este munus publico*1 . o munus cabe às Procuradorias de Assistência Judiciária ou órgãos similares e. p. p. oralmente ou por memorial. a qualquer advogado nomeado pelo juiz no caso concreto” (Mirabete. Processo penal. na falta destas. deve repre­ sentar a classe que faculta a instrumentalização da justiça. em prestígio da classe. art. Academia Brasileira de Letras Jurídicas. dada a dimensão social e demo­ crática com a qual se inscreve a matéria nos planos constitucional e infraconstitucional. Dinamarco. Eis aí uma função essencial à justiça. exatamente pela importância de sua atividade. 1997. IV — acompanhar e comparecer aos atos processuais e impulsionar os processos. IV — a estabilidade” (LC n. 339).Por um lado. em caráter moral. Verbete: Ética do advogado. quando cabível. II — postular a concessão de gratuidade de justiça para os necessitados. Deontologia ética e advocacia: os princípios A classe dos advogados. “Preceitos codificados que regem. da dignida­ de da magistratura e do aprimoramento da ordem jurídica” (Sidou. 335).

31 a 33). devem. dos Provimentos e com os demais princípios da moral indivi­ dual. “art. A formação do advogado. “Após termos elaborado o primeiro esboço do anteprojeto do novo Código de Ética e Disciplina da OAB. o outro profissional e. Modesto Carvalhosa. concebido na década de 30 pelo Prof. p^ra com o cliente e para com a sociedade. extremamente individualista. pois outros são os tempos. I2 a 43). mas cumu­ lativas. voltada para o contexto social em que se encontram inseridos” (Antonio Claudio Mariz de Oliveira. outras são as necessidades. Ética na advocacia: estudos diversos.). 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da advocacia (arts. outro é o país. “Os advogados. a recusa do patro- 82. Não há lugar para individualismos. Ia a 48). do Estatuto. e que deveriam prevalecer tanto aquelas constantes do novo documento. 2000. Parágrafo único. outra. Concluímos que as regras de conduta ética não são sucessivas. 30). ainda. 8.). um compromisso para com a classe. O Advogado obriga-se a cumprir rigorosamente os deveres consignados no Código de Ética e Disciplina. é dessa forma que dispõe o Estatuto8 sobre o compromisso ético do advogado: 3 Lei n. mais do que nunca. 1994. a publicidade. pois. 33. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. O nosso Código de ética e disciplina.906. assumir a dimensão social da profissão. Francisco Morato. relatado pelo Prof. por sua vez. Carvalhosa entende que a regra ética tem como fontes os princípios de conduta que se sedimentam ao longo do tempo e não desaparecem dentro de uma mesma cultura. do Regula­ mento Geral. sobretudo na atualidade. de 4-7-1994 (DOU. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. “Art. p. 83. a um só tempo. De fato. 194). o cliente. I2 a 7fi). O seu ranço elitista. p. social e profissional”. discutimos como rela­ tor adjunto e ao mesmo tempo secretário da comissão revisora a mudança de valores éticos que deveriam ou poderiam ser cobrados dos profissionais da advocacia quase no limiar de um novo século. O Prof. que é. deve ser definitivamente afastado. in Nalini (coord. in Machado Ferraz (coord. nos dias atuais. mas se aperfeiçoam” (Robison Baroni. 446 . Esse é o primeiro compro­ misso ético do profissional que se dedica à advocacia. para com os demais profissionais. deve ser a postura. Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. como também as do Código de Ética.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Formação jurídica. Ie O exercício da advocacia exige con­ duta compatível com os preceitos deste Código. O Código de Ética e Disciplina regula os deveres do advogado para com a comunida­ de. pois o raciocínio do advogado deve se medir pelas necessidades sociais e pelas condições do exercício da cidadania no país82.

8a a 24). § 2a Aplica-se à sociedade de advogados o Código de Ética e Disciplina. então o advogado deverá não aceitar o patrocínio da causa ou renunciar a ele. 15 a 17). no que couber. § 52 O ato de constituição de filial deve ser averbado no registro da sociedade e arquivado junto ao Conselho Seccional onde se instalar. desconfiança. o dever geral de urbanidade e os res­ pectivos procedimentos disciplinares”. há que se verificar que a ética profissional do advogado. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. Lei n. se a ética pessoal do advogado e a ética profissional do advogado conflitarem. temor. Porém. na forma disciplinada nesta Lei e no Regu­ lamento Geral. todavia. “Art. a responsabilidade pelos danos causados dolosa ou culposamente aos clientes ou a terceiros”. Isso para que não haja maiores prejuízos ao representado. A renúncia ao patrocínio implica omissão do motivo e a continuidade da responsabilidade profissional do advogado ou escritório de advocacia. “Art. não exclui. § IaA sociedade de advogados adquire personalidade jurídica com o registro aprovado dos seus atos constitutivos no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede. ou da sociedade de advogados8 é um modo também de garantia de com­ 4. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. de 4-7-1994 (DOU. a ponto de comprometer-se a ética profissional. Os advogados podem reunir-se em socie­ dade civil de prestação de serviço de advocacia. crença pessoal. deverá preponderar a segunda. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. § 4a Nenhum advogado pode integrar mais de uma socie­ dade de advogados. se já em andamento. portamento por parte do advogado perante o cliente.).. o dever de assistência jurídica. 13. durante o prazo estabelecido em lei. 447 . Assim. Trata-se do segundo compromisso do profissional que se dedica à advocacia. Nesse sentido. com sede ou filial na mesma área territorial do respectivo Conselho Seccional.906. pois específica da profissão e atinente aos interesses de outras pessoas utentes dos serviços advocatícios. o dever de fideli­ dade aos interesses que patrocina. l e a 48). se a consciência do advogado conflitar de modo insustentável com os interesses envolvidos na causa (consciência religiosa. 15. moralidade. ficando os sócios obrigados a ins­ crição suplementar. Mas há que se observar que: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. § 6a Os advogados sócios de uma mesma sociedade profissional não podem representar em juízo clientes de interesses opostos”.cínio. 84. Capítulo IV — Da Sociedade de Advogados (arts. § 32 As procurações devem ser outorgadas individualmente aos advogados e indicar a sociedade de que façam parte. Ia a 43).. 8.

em uma das áreas de opção do examinado. do dever dc diligência. como se vê a seguir: Provimento CFOAB 81. in M a c h a d o Ferraz (coord. “Art. Mais que isso. 23-4-1996) (Estabelece Normas e Diretrizes do Exame de Ordem). elaborada e aplicada sem consulta. com quatro (4) opções cada. preparando o estu­ dante por meio de matéria específica constante da grade curricular. com clara quebra da indispensável relação mútua de confiança. do cumprimento do mandato.). 35-63). a importância: do dever de informai" do dever de prestar contas. Por isso se considera essencial a formação da consciência do de\er ético do profissional que se vincula à advocacia. 86. U.255 — “Ementa — Mandato — Dever ético de renúncia — No caso de desentendimento entre o cliente e seu advogado. p. Sobre essa questão já se manifestou o Tribunal de Ética e Disciplina: E-1. contendo no mínimo cinquenta (50) e no máximo cem (100) questões de múltipla escolha. descrente de sua atuação. na relação com o cliente. venha o profissional a prejudicar seu clien­ te85. quando da sua inscrição. Consulte-se a respeito: Baroni (org. ex­ pressada pela manifestação da vontade de ambos (pacta sunt servanda). composta. Relações com o cliente. Toda a estrutura. — Rei. IV. Ética na advocacia: estudos diversos.).1995) 86. pois nisso há grande força o princípio da confiança. Paulo Afonso Lucas — Rev. privativa de advogado (petição ou parecer). de 16-4-1996 (DJU. de duas (2) partes distintas: a) redação de peça profissional. 5a O Exame de Ordem abrange duas (2) provas: I) Prova Objetiva. dando continuidade ao patrocínio da causa. do dever de sigilo (Guido Pinheiro Cortes. Deve-se salientar.7. dos cursos jurídicos já leva em consideração esse fator. exigindo-se a nota mínima cinco (5) para submeter-se à prova subsequente. v.O que não se pode admitir é que. Dr. o órgão de classe fica obrigado a examinar o estudante e candida­ to a advogado em seus conhecimentos acerca de ética. inclusne. O vínculo que os une deve ser mais forte que qualquer imperativo ex­ terno ou interno. Robfson Baroni — 27. do dever de lealdade. dentre as indi­ cadas pela Comissão de Estágio e de Exame de Ordem no edital de convo­ 85. de caráter eliminatório. Julgados do Tribunal de Ética P r o fis s io n a l: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. 1997. 448 . 2000. acessível apenas aos aprovados na Prova Objetiva. Dr. deve o profissional declinar do mandato recebido na forma exarada no Código de Processo Civil e como preceituado no Código de Ética e Disciplina” (V. Daniel Schwenck — Presidente Dr. pois há previsão normativa da qual consta essa exigência. II) Prova Prático-Profissional. necessariamente.

§ 2a A inscrição do estagiário é feita no Conselho Sec­ cional em cujo território se localize seu curso jurídico.906. “Art. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. per­ mitidas consultas à legislação. para fins de aprendizagem. Até mesmo o estagiário de direito deve estar consciente de seus deveres enquanto exercente em treinamento da atividade advocatícia. elaborada dentre os itens constantes do progra­ ma elaborado pela Comissão de Exame de Ordem do Conselho Federal. pelos Conselhos da OAB. livros de doutrina e repertórios jurisprudenciais. sendo obrigatório o estudo deste Estatuto e do Código de Ética e Disciplina. § 32 Na Prova Prático-Profissional os examinadores avaliam o raciocínio jurídico. Direito Penal. sob a forma de situações-problemas. Direito do Trabalho. e isso inclusive por força do princípio geral de direito que reza ignorantia legis neminem escusat. considerando-se aprovado o examinando que obtiver nota igual ou superior a seis (6). pela classe e pela sociedade. II — ter sido admitido em estágio profissional de advocacia. Assim cobrado. realizado nos últimos anos do curso jurídico. com duração de dois anos. como também questões sobre o Estatuto da OAB. Direito Comercial. 8a a 14). a fundamentação e sua consistência. vedada a utilização de obras que contenham formulários e modelos. § 2a A Prova Prático-Profissional. tem a duração determinada pela respectiva banca examinadora no Edital. de 4-7-1994 {DOU. § l s A Prova Objetiva compreende as disciplinas profissionalizantes obrigatórias e integrantes do currículo míni­ mo de Direito fixadas pelo MEC. VI e VII do art. Capítulo III — Da Inscrição (arts. § 3a O aluno de curso jurídico que exerça atividade incompatível com a advocacia pode frequentar o estágio ministrado pela respectiva instituição de ensino superior. Ia a 43). órgãos jurídicos e escritório de advocacia credenciados pela OAB. III. o Regulamento Geral e o Código de Ética e Disciplina. § 5S É nula a prova que contenha qualquer forma de identificação do examinando”. Lei n. § Ia O estágio profissional de advocacia. a correção gramatical e a técnica profissional demonstrada. o profis­ sional não poderá alegar em seu favor o desconhecimento de seus deveres éticos. pode ser mantido pelas respectivas instituições de ensino superior. ou por setores. vedada a inscrição na 449 . V. a capacidade de interpretação e exposição. como prevê a legislação a respeito87. § 4S Cabe à banca examinadora atribuir notas na escala de zero (0) a 10 (dez). 9a Para inscrição como estagiário é necessário: I — preencher os requisitos mencionados nos incisos I.cação retiradas do seguinte elenco: Direito Civil. Direito Tributário ou Direito Administra­ tivo. b) respostas a até cinco (5) questões práticas. nas provas objetiva e prático-profissional. 87. dentro da área de opção. 8. em números inteiros. 8a. pela legislação.

Lei n. sem justa causa. IX — prejudicar. sigilo profissional.Se existem deveres profissionais. II— manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta Lei. 88. VIII — estabelecer entendimento com a parte adversa sem autorização do cliente ou ciência do advogado contrário. assistência jurídica. de 4-7-1994 (DOU. com ou sem a intervenção de terceiros. para confundir o adver­ sário ou iludir o juiz da causa. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB). o seu exercício aos não inscritos. distintos que são dos deveres pre­ vistos no Estatuto e que constituem infração disciplinar88.i se inscrever na Ordem”. “Art. Mas leiam-se os deveres éticos que seguem. proibidos ou impedidos. XIII — fazer publicar na imprensa. X — acarretar. quando nomeadi > em virtude de impossibilidade da Defensoria Pública. XI — abandonar a causa sem justo motivo ou antes de decorridos dez dias da comu­ nicação da renúncia. IV — angariar ou captar causas. XIV — deturpar o teor de dispositivo de lei. alegações forenses ou relativas a causas pendentes.906. VI — advogar contra literal disposição de lei. § 4a O estágio profissional poderá ser cumprido por bacharel em Direito que queir. Constitui infração disciplinar: I — exercer a profissão. ou facilitar. quando impedido de fazê-lo. presumindo-se a boa-fé quando funda­ mentado na inconstitucionalidade. a anulação ou a nulidade do proces­ so em que funcione. por culpa grave. por ato próprio. XII — recusar-se a prestar. na injustiça da lei ou em pronunciamento judicial anterior: VII — violar. por qualquer meio. estes têm de ser cumpridos. V — assinar qualquer escrito destinado a processo judicial ou para fim extrajudicial que não tenha feito. Esses deveres são atinentes ao seu desempenho como técnico do direito. interesse confiado ao seu patrocínio. 450 . desnecessária e habitualmente. sem autorização escrita deste. imputação a terceiro de fato definido como crime. ou em que não tenha colaborado. de citação doutrinária ou de julgado. mediante participação nos honorários a re­ ceber. 34. inclusi­ ve sob pena de o profissional se sujeitar a sanções de cunho administrativo. sem justo motivo. documentos e alegações da parte contrária. uma vez que ser advogado não é somente exercer uma profissão. OAB. III — valer-se de agenciador de causas. mas re­ presentar a classe onde quer que esteja. XV — fazer. 8. como agente social e como defensor da moralidade da atividade que exerce. conscientemente. em nome do constituinte. judicial ou extrajudicialmente. bem como de depoimentos.

Ia a 7a). depois de regularmente notificado. da moralidade pública. da parte contrária ou de terceiro. la-3-1995): Título I — Da Ética do advogado (arts. zelando pelo seu caráter de essencialidade e indispensabilidade. “Art. abusivamente. por si ou interposta pessoa. XVII — prestar concurso a clientes ou a terceiros para realização de ato contrário à lei ou destinado a fraudá-la. ato excedente de sua habilitação. III — velar por sua reputação pessoal e profissional'. 451 . II — atuar com destemor. relacionados com o objeto do mandato. XXVIII — praticar crime infamante. a honra. o estagiário. injustificadamente. XXVI — fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB. sem expressa autorização do constituinte. XXIII deixar de pagar as contribuições. XIX — receber valores. XX — locupletar-se. a prestar contas ao cliente de quantias recebi­ das dele ou de terceiros por conta dele. XXII — reter. depois de regularmente notificado a fazê-lo. à custa do cliente ou da parte adversa. XXIV — incidir em erros reiterados que evidenciem inépcia profissional.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. São deveres do advogado: I — preservar. Parágrafo único. em matéria da competência desta. multas e preços de serviços devidos à OAB. XXVII — tomar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia. Parágrafo único. Capítulo I — Das Regras Deontológicas Fundamentais (arts. c) embriaguez ou toxicomania habituais”. XVIII — solicitar ou receber de constituinte qualquer importância para aplicação ilícita ou desonesta. XXV — manter conduta incompatível com a advocacia. da Justiça e da paz social. lealdade. em sua conduta. b) incontinência pública e escandalosa. no prazo estabelecido. determinação emanada do órgão ou autoridade da Ordem. honestidade. XXI — recusar-se. é defensor do estado democrático de direito. dignidade e boa-fé. I2 a 48). por qualquer forma. não autorizado por lei. decoro. XVI — deixar de cumprir. da cidadania. subordinando a atividade do seu Ministério Privado à elevada função pública que exerce. ou extraviar autos recebidos com vista ou em confiança. Inclui-se na conduta incompatível: a) prática reiterada de jogo de azar. XXIX — praticar. vera­ cidade. a nobreza e a dignidade da profissão. indispensável à adminis­ tração da Justiça. independência. 2a O advogado.

entre regras deontológicas explícitas e implícitas. ter responsabilidade na condu­ ção de seu mister. permanentemente. Então: 1) deve zelar pela imagem da classe. d) emprestar concurso aos que atentem contra a ética. devem-se citar as seguintes: respeitar e fazer ser respeitada a carreira da advo­ cacia. no âmbito da comu­ nidade”. 89. indispensável para a construção de um Estado Democrático de Direito. aos demais profissionais.IV — empenhar-se. acima de tudo. em seu benefício ou do cliente. tratar com urbanidade os demais operadores do direito e partes envolvidas em processos ou pendências jurídicas (cf. 2000. e é exatamente por isso que sua prática não deve acobertar ilícitos. b) patrocinar interesses ligados a outras atividades estranhas à advo­ cacia. 452 . sem o assentimento deste. conferir prestígio à carreira. Sérgio Ferraz. em seu aperfeiçoamento pes­ soal e profissional. sempre que possível. V — contribuir para o aprimoramento das instituições. IX — pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetiva­ ção dos seus direitos individuais. VII — aconselhar o cliente a não ingressar em aventura judicial. 11-36). VI — estimular a conciliação entre os litigantes. prestar assistência jurídica aos necessitados. em que também atue. js» c) vincular o seu nome a empreendimentos de cunho manifestamente duvidoso. in Machado Ferraz (coord. e isso porque se entende que a ética do advogado deve alcançar todos os quadrantes pelos quais se manifesta a atividade89. Seus deveres são atinentes à classe.). Essa listagem apresenta o grau de compromisso do advogado que. Com base no Estatuto e no Código de Ética. Ética na advocacia: es­ tudos diversos.. ao cliente. Regras deontológicas. está enredado numa malha de relações que o faz um agente social. a ho­ nestidade e a dignidade da pessoa humana. agir com independência. pela manutenção da ordem jurí­ dica. e) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído. à so­ ciedade. a instauração de litígios. do Direito e das leis. mas deve estar protegida contra as invasivas tentativas de quebra de sua autonomia. prevenindo. p. a moral. VIII — abster-se de: a) utilizar de influência indevida.. coletivos e difusos.

os momentos sociais de crise financeira.. 5) a incitação à altivez do advogado tem que ver com a necessidade de o direito-dever postulatório se realizar sem obstáculos e barreiras quaisquer. desde que coligado com este para lesar a parte contrária.. Capítulo VIII — Da Ética do Advogado (arts. aos caprichos das deci­ sões arbitrárias e demais atos que importem em desvirtuamento da legisla­ ção nacional. sem qualquer aspecto mercantilista. 6) tendo-se em vista a constante modificação das leis. 32. o que será apurado em ação própria”. pois passa a se responsabilizar solidariamente com o cliente pelos danos provocados: Lei n. deve o advoga­ do manter-se sempre em sintonia com o crescimento e a evolução dos co­ nhecimentos jurídicos. 3 1 a 33). e isso é condição para que possa. para patrocinar uma causa. 90. na sede profissional ou na residência do advogado. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. ou seja. no exercício profissional. Parágrafo único. praticar com dolo ou culpa. 91.0 anúncio sob a forma de placas. Deve o advogado. 4) não obstante as dificuldades econômicas. “Art. o advogado deve manter a dignidade da profissão. 28 a 34). I2 a 43). forma e dimensões. Em caso de lide temerária.906. 453 . se o advogado deve possuir urbanidade. 7) mas este é um imperativo que não serve exclusivamente a fins cien­ tíficos ou de deleite intelectual. extrair resultados úteis palpáveis e condizentes com as necessidades do patrocinado. de 4-7-1994 (DOU. voltadas exclusivamente para o prejuízo da parte contrária. não se pode conceber advogado que se afaste da leitura e do acompanhamento das modificações legislativas do país. Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. não se submetendo a todo e qualquer tipo de procedimento mercantilista de venda e divulgação de produto91. a mercantilização das relações humanas. é mister estar aparatado tecnicamente para solucioná-la. ainda que litigiosas. 8. 3 0 . O advogado é responsável pelos atos que. evitar patrocinar lides que saiba conscientemente tratar-se de temerárias. “Art. sobretudo. 3) pela diminuição da conflituosidade social através do estímulo à conciliação das partes90. P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts.2) pela honestidade nas relações. ve­ dada a utilização de ‘outdoor’ ou equivalente”. de sua atuação. isso não significa que tenha de se submeter aos desmandos das autoridades públicas. o ad­ vogado será solidariamente responsável com seu cliente. Ia a 48). deve observar discrição quanto ao conteúdo. e sim de necessidade de saber para a atuação técnica devida nos casos em que atua. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts.

resguardado o sigilo profissional”. Ia a 48).. 18. o Código de Ética prevê os seguintes disposi­ tivos sobre a matéria: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Ia -3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. 8a a 24). sobre acontecimentos ocultos. que lhe são confiadas exclusivamente como profissional e para fins do patrocí­ nio da causa do interessado. o sigilo pro­ fissional. É questão de interesse público. “Art. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. só pode encontrar justificativa para que seja quebrado se houver imi­ nente risco de vida ou à honra. ou mesmo manipular essas informações. e não estando acordes os interessados. constitui infração que importa em grave traição à confiança do interessado e de outras pessoas que possam eventualmente se encontrar envolvidas. ainda se destaca o dever de não patrocinar interesses opostos ao mesmo tempo. ou ainda se tiver de se utilizar de informação mantida em segredo para fins de defesa própria perante acusação do clien­ te. Exceto essas ocasiões. Capítulo II — Das Relações com o Clien­ te (arts. seja por um único advogado. sobre atos imorais. O sigilo profissional nem mesmo sob ordem judicial pode ser quebra­ do. bem como à própria sociedade. 8a a 24). E. ou reunidos em caráter permanente para cooperação recíproca. O advogado frequentemente se vê às voltas com informações de toda natureza (sobre delitos. sob pena de fortes prejuízos ao profissionalismo da atividade. Isso porque a segurança das relações jurídicas se vê comprome­ tida pela veiculação desgovernada de informações que só se externam quando. em meio aos grandes mandamentos que regem a profissão. não podem representar em juízo clientes com interesses opostos”. à classe. Capítulo II:— Das Relações com o Clien­ te (arts.. em caso de necessidade. são reveladas ao profissional. Capítulo II — Das Relações com o 454 . sobre corrupções. Por isso. Ia a 48). com a devida prudên­ cia e discernimento.). “Art. renunciando aos demais. l s-3-1995):TítuloI — Da Ética do Advogado (arts. Também se destaca o sigilo profissional como mandamento de signi­ ficação no exercício da advocacia.Assim. seja por parte dos integrantes de uma mesma sociedade de advogados: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Colocar a público. e não só privado. Os advogados integrantes da mesma sociedade profissional. 17. ainda: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. o sigilo profissional deve ser respeitado. sobre escândalos. optará o advogado por um dos mandatos. Ia a 48). Sobrevindo conflitos de interesse entre seus constituintes.

Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. E. impon­ do-se o seu respeito. P-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. O advogado deve guardar sigilo. F-3-1995): Títulol — Da Ética do Advogado (arts. desde que auto­ rizado aquele pelo constituinte. “Art. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. E. para que se patrocinem os interesses envolvi­ dos. 25 a 27). no entanto. as quais não podem ser reveladas a terceiros”. em hipó455 . Ia a 48).lhe recusar-se a depor como testemunha em processo no qual funcionou ou deva funcionar. tenha que revelar segredo. 25 a 27). porém sempre restrito ao interesse da causa”. Deve-se dizer. não está o advogado obrigado. 8a a 24). 26. de modo que a proteção que se confere a papéis. ao postular em nome de ter­ ceiros. sobre o que saiba em razão de seu ofício. relatos e testemunhos do cliente é ampla na disciplina do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. “Art. ou quando o advogado se veja afrontado pelo próprio cliente e. O advogado. 25. 25 a 27). salvo grave ameaça ao direito à vida. cabendo. documentos. Mas no conceito de confidência e sigilo se encontram inclusive as comunicações epistolares em posse do advogado. Presumem-se confidenciais as comunicações epistolares entre advogado e cliente. 27. judicial e extrajudicialmente. “Art. contra ex-cliente ou ex-empregador. poderão ser utilizadas por escrito ou oral­ mente. diante de situações tais. que se as informações sigilosas forem par­ cialmente necessárias para fins de execução da própria defesa do cliente. à honra. As confidências feitas ao advogado pelo cliente podem ser utilizadas nos limites da necessidade da defesa.Cliente (arts. desde que autorizadas por ele. mais especificamente. mesmo que autorizado ou solicitado pelo constituinte”. O sigilo profissional é inerente à profissão. “Art. em capítulo próprio: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. Ia a 48). em defesa própria. Capítulo III — Do Sigilo Profissional (arts. l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Ia a 48). 19. como a intimação judicial para oferecimen­ to de informações sobre o cliente. Parágrafo único. em juízo ou fora dele. deve resguardar o segredo profissional e as informações reservadas ou pri­ vilegiadas que lhe tenham sido confiadas”. Acerca de depoimento judicial: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. ou sobre fato relacionado com pessoa de quem seja ou tenha sido advogado. mesmo em depoi­ mento judicial.

A moderação e a discrição da atuação do advogado não devem se? atinentes somente ao seu proceder profissional.tese alguma. cores. Robison Baroni — 19-10-1995)92. intimado a revelar o endereço de seu cliente.). sendo proibido o uso dos símbolos oficiais e dos que sejam utilizados pela Ordem dos Advogados do Brasil. § Ia São vedadas referências a valores dos serviços. § 2S Considera-se imoderado o 92. Daniel Schwenck — Rev. Acima de tudo. sob pena de se converter a profissão. logotipos. gratuidade ou forma de paga­ mento. Inclusive a publicidade do trabalho do advogado deve ser moderada. Ia a 48). qualidade e estrutura da sede profissional. 3 1 . e lidar com a justiça demanda a necessária sobriedade e seriedade para o exercício das questões que envol­ ve. Dr. v. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. desenhos. suas qualidades. 2X a 34). Dr. tabelas. a prestar informações que considere sigilosas. entre outras coisas. bem como menção ao tamanho. quando sente que a verdade possa oferecer prejuízo real ou potencial a seu cliente. IV. — Rei. O que se lhe proíbe é faltar com a verdade” (V. O advogado não pode ser visto como um exercente de qualquer outra profissão. “Art. M. direta ou indire­ tamente. mas sobretudo no que pertine à divulgação de seu trabalho. o objeto de trabalho do advogado é a justiça. não o faz. informações de serviços jurídicos suscetíveis de implicar. comerciando seus títulos. É facultado ao advogado ocultar a revelação deste ou de qualquer outro fato. .0 anúncio não deve conter fotografias. Esta é a preocupação do Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. F-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. por prejudiciais ao seu cliente: E-1. ou ao seu proceder comportamental. figuras. termos ou expressões que possam iludir ou confundir o público. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. ainda que verdadeiro. mantendo sigilo de infor­ mações. Rubens Cury — Presidente Dr. captação de causa ou clientes. 1997. ilustrações. Com essa atitude não se afasta da verdade. Consulte-se a respeito: Baroni (org. em um procedimento mercantilista como qualquer outro. marcas ou símbolos incompatíveis com a so­ briedade da advocacia. na manutenção da dignidade e do decoro profissionais da categoria à qual se liga. perante as necessidades de mercado.278 — “Ementa — Sigilo profissional — Intimação de autorida­ de ao advogado — Informações do cliente — Não infringe normas éticas o advogado que.

1997. A abusividade e capciosidade na propaganda. faça delas parte ou não”. Deve-se consultar a respeito o brilhante acórdão do Tribunal a respeito da maté­ ria. A diversificação na amplitude. Consulte-se a respeito: Baroni (org. ou a inserção de seu nome em anúncio relativo a outras atividades não advocatícias. 93. A atual corrida desenvolvimentista e a internacionalização da advo­ cacia não influem no comprometimento dela com os direitos da cidadania. do Estatuto da Advo­ cacia. Dr. salvo para comunicar a clientes e colegas a instalação ou mudança de endereço. Robison Baroni — 22-6-1995)93. inclusive. na prática. 7a e 28 a 34 do Código de Ética e Disciplina. das ocupações. ou intenção de captar clientes ou causas. Elias Farah — Rev. liberada que está para a publicização de produtos ou bens de consumo.237 — “Ementa — Publicidade do advogado — Crítica de advo­ gado publicada em jornal de grande circulação — Análise — As normas éticas disciplinares sobre publicidade têm aplicação igualitária a advogado integrante ou não de sociedade de advogados. sem inspiração ou conotação mercadológica. 457 .). — Rei. 15. O advogado ou a sociedade de advogados não devem se utilizar da propaganda ou publicidade mercantilizada. IV. o Tribunal de Ética tem dado efetividade a esse preceito. A imagem pública da dignidade e confiabilidade da advocacia é das virtudes primordiais ao êxito da sua notável missão social” (V. das especialidades adotadas ou dos serviços individuais ou coletivamente prestados. não possuem pertinência com os propósitos da ética advocatícia. aludidas no código de defesa do consumidor.anúncio profissional do advogado mediante remessa de correspondência a uma coletividade. a indicação expressa do seu nome e escritório em partes externas de veículo. U. 02/92 deste Tribunal e dos arts. que segue abaixo: E-1. sobretudo tendo-se em vista as exigências do mercado atual. E. com discrição e moderação. Prevalência da Resolução n. 2a. à informação da sua disponibilidade profissional. 5a. José Urbano Prates — Presidente Dr. Sociedade de advo­ gados não se assemelha ou se equipara a empresa mercantil. Julgados do Tribunal de Ética Profissional: ementas e pareceres 1995 e parte 1996. no espaço e no tempo. combinado com o art. não impli­ cam diferenciação de tratamento ético na publicidade. na busca somen­ te de notoriedade e da aferição de lucros. Limitar-se-ão. quantitativa ou qualitativa das atuações. em clima de competição ou concorrência. insuscetível de figurar nas urdiduras publicitárias. para anúncio público dos seus méritos ou habilidades. par. v.

Dr.). Ia a 48). Consulte-se a respeito: Baroni (org. dá margem ao anoni­ mato. incisos I e VIII. 7a e 31. artigos 31 e 33. O advogado que eventualmente participar de programa de televisão ou de rádio. 5a. seja de profissional liberal. 95. a fraudes. É o que exige o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU .346 — “Ementa — Consulta por telefone — Linha 900 — Infra­ ção ética— Sistema telefónico pré-tarifado. letra c. A publicidade e a ética profissional do ad­ vogado. Ética na advocacia: estudos diversos. — Rei. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. da telemática. IV. 28 a 34). E tem-sc entendido. de reportagem televisiona­ da ou de qualquer outro meio. 87-107. 32. e ao Estatuto. constitui prática condenável quando se refere à advocacia — Utilização que. e seu parágrafo único — Precedentes processo E-1202. dentre outros meios de comunicação. U.■ A preocupação com as sofisticações da informática. contribuindo. e Ementa n. medido por tempo. cobrado na conta telefônica do aparelho utilizado pelo consulente. seu discurso não poderá conter elementos de divulgação dire­ ta de seu trabalho. Robison Baroni — 13-6-1996)95. seja em meios eletrônicos ou fora deles. la-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. p. único. deve visar a 94. suposição de nomes e Si­ tuações. com crédito posterior em favor do advogado consultado. que esses comportamentos. em seus artigos 2a. Sobre a questão da publicidade na atividade advocatícia. conhecido popularmente como ‘linha 900’. Benedito Édison Trama — Rev. Infringência ao Código de Ética e Disciplina. devem ser coibidos: E-1. 1997. seja de empresa de ad­ vogados. Elias Farah — Presidente Dr. Julgados do Tribunal de Ética Profissional ementas e pareceres 1995 e parte 1996. par.). por afron­ tarem valores da classe. Mesmo quando o advogado alcança projeção pública. deste Tribunal. para manifestação profissional. consulte-se i> estudo de João Paulo Nery dos Passos Martins. outrossim. de entrevista na imprensa. v. par. in Machado Ferraz (coord. ou se insere em atividades tais que a mídia e os grandes meios de comunicação solicitem sua imagem. “Art. inconcebível na relação cliente/advogado. pela prática do Tribunal. Dr. 458 . desprestígio da classe e eventual captação de clientes e causas — Implantação contrária aos princípios éticos e transmissora da ideia de mercantilização. do Egrégio Conselho Fe­ deral da OAB” (V. dn comunicação e da interatividade virtual tem gerado ainda maiores problemas no campo da publicidade e do profissionalismo do advogado94. Ia. 2000. 053/95/SC. supressão da necessária confiança que se há de ter no profissional e descompromisso com a responsabilidade na orientação.

35 a 43). a complexidade e a dificuldade das questões versadas. se atrelam dois deveres: o dever de sigilo profissional e o dever de discrição na publicidade. ou acima dela. deve limitar-se a aspectos que não quebrem ou violem o segredo ou o sigilo profissionaT’. por qualquer modo e forma. entendidos assim os honorários fixados abaixo dos parâmetros ditados pela tabela de honorários divulgada pela Ordem dos Advogados do Brasil. atendidos os elementos seguintes: I — a relevância. Inclusive a dignidade da profissão e a imagem da classe podem ser atingidas pelo simples fato de se fixarem com habitualidade honorários inadequados. o vulto. sem pro­ pósito de promoção pessoal ou profissional. Parágrafo único. deve o advogado evitar insinuações a promoção pessoal ou profissional. Assim: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. por meio de suas secções. Quando convidado para manifestação pública. II — o traba­ lho e o tempo necessários. visando ao esclarecimento de tema jurídico de interesse geral. Capítulo V — Dos Honorários Profissio­ nais (arts. Ia a 48). conforme se trate de serviço a cliente avulso. em seguida. desde que desproporcio­ nalmente ao merecimento profissional do advogado. V — o caráter da interven­ ção. assessor jurídico ou parecerista. “Art. A disposição contida no art. bem como o debate de caráter sensacionalista”. a condição econômica do cliente e o pro­ veito para ele resultante do serviço profissional'. ls-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. Ia a 48). III — a possibilidade de ficar o advogado impe­ dido de intervir em outros casos.objetivos exclusivamente ilustrativos. VI — o lugar da prestação dos serviços. 34. ou de se desavir com outros clientes ou terceiros. Os honorários profissionais devem ser fixados com moderação. l a-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts. IV — o valor da causa. VII — a competência e o renome do profissional. 34 prevê explicitamente essa preocupação: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. E aí. educacionais e instrutivos. Capítulo IV — Da Publicidade (arts. 28 a 34). 36. pelo advogado. fora ou não do domicílio do advo­ gado. habitual ou permanente. 459 . Para averiguar a pro­ priedade da estimativa dos honorários existem alguns parâmetros oferecidos pela lei. VIII — a praxe do foro sobre trabalhos análogos”. de assuntos técnicos ou jurídicos de que tenha ciência em razão do exercício profissional como advogado constituído. A divulgação pública. “Art. vedados pronunciamentos sobre métodos de trabalho usados por seus colegas de profissão.

O direito abstrato apenas ganha vida quando praticado. inserindo-o em responsabilidades sociais e grupais mais amplas que. Considera tua liberda­ de de opinião e a independência de julgamento os maiores valores do exer­ cício profissional.Enfim. por vezes. O advogado deve ter o espíri­ to do legendário El Cid. quando de seu pronunciamento a univer­ sitários: “Para encerrar este breve estudo e para que o jurista. E os mo­ mentos mais dramáticos de sua realização ocorrem no aconselhamento às dúvidas. O advogado é seu primeiro intérprete. “2. 460 . Nenhum país é livre sem advogados livres. decidiram optar pela carreira digna do advogado. podem-se repetir as palavras do decálogo de Ives Gandra Martins. Como invocação ao cumprimento dos deveres éticos e profissionais do advogado. em seu instante conflitual. possa exercê-la em sua exata dimensão. sem tréguas. nem leviandade. que provoca. “3. ou no litígio dos problemas. Só assim. quando exercen­ do a advocacia. O advogado é o deflagrador das soluções. esses são os principais elementos que se destacam como im­ perativos para a atuação profissional do advogado. depende a excelência da vida dos direitos: “1 . a grande­ za do Direito. pois da ética de sua atuação. que suscita. formados. em ambiente nobre e altaneiro. as suas necessidades imediatas e individuais. acima de tudo. até que isto ocorra. de rigor. de modo a fazer parte de uma categoria que zela pelo adequado cumprimento das leis nacionais e da justiça. capaz de humilhar reis e dar de beber a leprosos. Se não considerares a tua como a mais nobre profissão sobre a terra. Qualquer questão encerra-se apenas quando transitada em julgado e. Atrelar-se à profissão de advogado é atrelar-se a esse conjunto de compromissos sociais. Sem o Poder Judiciário não há Justiça. Há que se ter presente que esse conjunto de preceitos subordina o advogado a uma ordem social. sem transigência de princípios. decidi transcrever o decálogo de princípios que preparei para meus alunos da Universidade Mackenzie sempre que. “4. pois sem ele não há organização social. Respeita teus julgadores como desejas que teus julgadores se respeitem. Sê conciliador. o constituinte espera de seu procurador dedicação sem limites e fronteiras. as disputas revelam. para que não te submetas à força dos poderosos e do poder ou desprezes os fracos e insuficientes. abandona-a porque não és advogado. e batalhador.0 Direito é a mais universal das aspirações humanas.

mas apenas corrupção do Direito. 8. A história da humanidade lembra-se apenas dos corajosos que não tiveram medo de enfrentar os mais fortes. Considera sempre teu colega adversário imbuído dos mesmos ideais de que te reveste.“5. E trata-o com a dignidade que a profissão que exerces merece ser tratada. justiça que poderá levar-te a nada pedires. pois que os pri­ meiros causídicos. Por isto estuda sempre. 119-120). não tenhas receio de denunciá-los. “9. mas honorários. p. aprovada em 4 de julho. Restei fiel à minha vocação. Fui advogado’” (Ives Gandra da Silva Martins.). alterando de 461 . Não percas a esperança quando o arbítrio prevalece. 5. E se fizeres.3. Sê justo na determinação do valor de teus serviços. mesmo que perseguições decorram de tua postura e os pusi­ lânimes te critiquem pela acusação. Há direitos fundamentais inatos ao ser humano que não podem ser desrespeitados sem que sofra toda a sociedade. O rompi­ 96. que não cederam às tentações do desânimo. advogado. “6.906/94. Não há di­ reito formal sem Justiça. Sua vitória é temporária. O ideal da Justiça é a própria razão de ser do Direito.5. 8. cumprirás teu papel e a posteridade será grata à legião de pequenos e grandes heróis.906/9496. à hora da morte: ‘Cumpri minha tarefa na vida. se legítima a causa e sem recursos o lesado. todos os dias. teu direito receberes ajusta paga por teu trabalho. “7. sobretudo dentro da principiologia da Lei n. que o pagamento de seus serviços representava honra admirável. esquecendo ou estigmatizando os covardes e os carreiristas. Enquanto fores advogado e lutares para recompor o Direito e a Justiça. É. Só assim poderás dizer. “8. Quando os governos violentam o Direito. “Não percamos de vista que o novo regramento ético surgiu em decorrência das enormes mudanças introduzidas pela Lei n. todavia. eram de tal forma considerados. Coercitividade ética: o processo e as sanções O conjunto de deveres do advogado é um mister para o exercício pro­ fissional. Tua paixão pela advocacia deve ser tanta que nunca admitas dei­ xar de advogar. in Nalini (coord. se justa a causa. continua a aspirar o retomo à profissão. que viveram exclusivamente da profissão. O advogado não recebe salários. 1994. Formação jurídica. A cultura do jurista. temporariamente. Que o ideal de Justiça seja a bússola permanen­ te de tua ação. “10. a fim de que possas distinguir o que é justo do que apenas aparenta ser justo.

Roberto Rosas. in Elias Farah. ou não.. Ética na advocacia: estudos diversos. única. “As características do novo sistema podem ser assim esquematizadas: a) há infrações éticas e infrações disciplinares. do Estatuto” (Sérgio Ferraz. que atua consultiva e repressivamente para dirimir conflitos de comporta­ mento decorrentes do exercício da profissão98. de situação de reincidência ou de primariedade. a deonto­ logia (i. mas confia no atendimento das exigências éticas. p. o dispositivo sancionatório é variado e escalonado. 98. 34 do Estatuto). já que. p. 10). na forma dos artigos 35 e seguintes do Estatuto. globalmente. 2000.). d) nas poucas hipóteses em que o desvio de conduta tenha inserção unicamente no Código de Ética e Disciplina. certamente comi' resposta e em atendimento ao preceito constitucional que consagrou a profissão de advoga­ do como essencial à aplicação da justiça. formado pelo Poder Jurisdicional. 42 e 43. in Machado Ferraz (coord. Regras deontológicas. outorgou prerrogativas. Tribunais de ética: valorização da advocacia. p. ex vi do artigo 36. contribuindo para o prestígio da carreira e para a manutenção dos nobres valores nela depositados. Cf. a ciência dos deveres profissional foi. segundo antes referido. Ética do advogado. alvo de tratamento legal— em sentido estrito).e. Desempe­ nhando função de especial importância para a classe. nem por isso pode acobertar práticas ilícitas ou mafiosas sob o manto da legalidade. O nosso Código de ética e disciplina. 2000. 97. Ética na advocacia: estudos diversos. 2000. Se o advogado possui prerrogativas o direitos. independente de se tratar. 462 . b) ambas constituem violação a dever legal. de forma arrojada. também estabeleceu uma espécie de avenida de mão dupla. in Machado Ferraz (coord. c) quando o comando ético tiver capitulado diretamente como infração disciplinar (art. Trata-se de um órgão de ética e também de disciplina. por zelar pelo bom nome dos exercentes da advocacia. esse órgão coloca-se à disposição da sociedade para a repressão da conduta desviante dos preceitos éticos cons­ tantes de lei. observado o devido procedimento para tanto: forma corajosa e bastante moderna o campo de exercício da advocacia. entendeu comn necessário e definiu como de enorme valia o estabelecimento do tripé de sustentação da justiça. js > Há que se dizer que as atribuições do Tribunal de Etica e Disciplina são as de aconselhamento em consulta ética e também as de aplicação de sanções disciplinares. 197). com regramentos estabelecidos e cobrados pela própria classe” (Robison Baroni. Se a sociedade. ou seja.).mento com esses deveres cria para o advogado implicações com o órgão censório de suas atividades: o Tribunal de Ética e Disciplina97. é a censura (conversível em advertência reser­ vada). a sanção-tipo. inciso II e parágrafo único. Ministério Público e Ministério Privado.

de ofício.Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. que. Capítulo I — Da Competência do 463 . atua como consultor também em questões ético-profissionais. 50. palestras. c) controvérsias surgidas quando da dissolução de sociedade de advo­ gados”. enseja consulta e manifestação do Tribunal de Ética e Disciplina ou do Conselho Federal”. processo competente sobre ato ou matéria que considere passível de configurar. IV — mediar e conciliar nas questões que envolvam: a) dúvidas e pendências entre advogados. mas que seja de grande importancia para o exercício da advocacia. ou decorrente de sucumbéncia. será dirimida pelo Tribunal de Ética. Capítulo I — Da Competência do Tribunal de Ética e Disciplina (arts. “Art. As decisões pertinentes a aconselhamentos éticos surgidas por força de consulta serão todas por sessão plenária. Compete também ao Tribunal de Ética e Disciplina: I — instaurar. de fato. seminários e discussões a respeito de ética profissional. 49 a 66). inclusive junto aos Cursos Jurídicos. 49 a 66). como também pode regular condutas por meio de palavras vagas e ambíguas. 47 e 48). F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. b) partilha de honorários contratados em conjunto ou mediante substabelecimento. II — organizar. 47. 49 e 50). infração a principio ou norma de ética profissional. I2 a 48). que seja relevante para o exercício da advocacia ou dele advenha. Toda e qualquer questão ética que não encontre previsão explícita no Código de Ética. visando à formação da consciência dos futuros profissionais para os problemas fundamentais da Ética. Capítulo VII — Das Disposições Gerais (arts. neste Código. III — expedir provisões ou resoluções sobre o modo de proceder em casos previstos nos regulamentos e costumes do foro. A falta ou inexistência. promover e desenvolver cursos. Assim dispõe o Código: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. em tese. de definição ou orientação sobre questão de ética profissional. incapazes de responder de modo direto e imediato a todas as necessidades surgidas da prática forense: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. “Art. P-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. Isso porque o Código não só pode ser omisso no tratamento de diversas questões que apareçam na prática. l2-3-1995): Título I — Da Ética do Advogado (arts.

301) e ao Estatuto da Ad? vocacia (arts. 49 e 50). 49. nos termos da Resolução n. deste Tribunal. o modo de eleição e o funcionamento dos Tribunais de Ético e Disciplina. Robison Baroni — 27-7-1995). 1. são os próprios membros da classe que se incumbem de dar andamento a denúncias. Dr. Carlos Aurélio Mota de Souza — Presi­ dente Dr. No entanto. formar os processos. O Tribunal reunir-se-á mensalmente ou em menor período. 128). inclusive seus Presi­ dentes. observados os procedimentos do Código de Ética e Disciplina. se necessário. 16-111994): Dispõe sobre o Regulamento Geral Previsto na Lei n. A esse respeito: E-1. Ademais. o membro do Tribunal de Ética e Discipli­ na perde o mandato antes do seu término. e julgar os processos disciplinares. II.Tribunal de Ética e Disciplina (arts. 44 a 150). são eleitos na primeira sessão ordinária após a posse dos Conselhos Seccionais. e 31. O Tribunal de Ética e Disciplina é competente para orientar e aconselhar sobre ética profissional. de 4 do julho de 1994. instruir as queixas. respondendo às consultas em tese. Encaminhamento à Comissão de Direitos c Prerrogativas” (V. Não conhecimento do pedido. fissionais dos advogados. quando possível. não obstante possam os consulentes interpor recursos processuais. ao CC (arts. 1B ferindo eventuais prerrogativas pro­ ). Inexistência de condutas ofensivas ao Estatuto ou ao Código de Ética Profissional. “Art. 464 . correições administrativas ou socorrerem-se da Subseção da OAB local. 66 do Estatuto. tentar a conciliação das partes. 06/94. 8. Os Conselhos Seccionais definem nos seus Regimentos Internos a composição. § Ia Os membros dos Tribunais de Ética e Disciplina.262 — “Ementa — Reclamação contra juiz — Comissão de prer­ rogativas — Reclamação contra juiz. apli­ cando as sanções legais em caso de seu cabimento. 105 a 114). par. dentre os seus integrantes ou advogados de notável reputação ético -profissional. não há previsão explícita nem possibilidade de ma­ nifestação do Tribunal de Ética e Disciplina. quanto a exigências processuais con­ trárias ao CPC (art. 6a. 7a. apreciar as provas e julgar.906. Capítulo IV — Do Conselho Seccional (arts. observados os mesmos requisitos para a eleição do Con­ selho Seccional. Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB (DJU. § 3a Ocorrendo qualquer das hipóteses do art. deve-se grifar que quanto ao comportamento de terceiros não advogados ou quanto ao comportamento de juizes em manifestações processuais quaisquer. e todas as sessões serão plenárias”.288 e 1. “Art. Pa­ rágrafo único. § 2a O mandato dos membros dos Tribunais de Ética c Disciplina tem a duração de 3 (três) anos. Título II — Da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) (arts. cabendo ao Conselho Seccional eleger o substituto”. — Rei. U. 114.

julgar os processos disciplinares. 16-7-1996) (Dispõe sobre Processos Éticos de Representação por Advogado contra Advogado). II — buscará conciliar os litigantes. ou se fundamentadamente considerada esta desnecessária pelo Tribunal. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título III — Do Processo na OAB (arts. o processo disciplinar deve ser concluído no prazo máximo de noventa dias. dispõe o EOAB a respeito do procedimento: Lei n. § Ia Cabe ao Tribunal de Ética e Disciplina. respeitada a importância dos ditames de ordem pública que estão a cercar a matéria. salvo se não atender à notificação. § 2a A decisão condenatoria irrecorrível deve ser imediatamente co­ municada ao Conselho Seccional onde o representado tenha inscrição principal. 8. en­ volvendo questões de ética profissional. de advogado contra advogado. Assim. De qualquer forma. seja por terceiro interessado. que: I — notifica­ rá o representado para apresentar defesa prévia. de ofício. 70. “Art. em caso de repercussão prejudicial à dignidade da advocacia. deve-se ter em conta o seguinte proce­ dimento: Provimento CFOAB 83. Capítulo II — Do Processo Disciplinar (arts. aplicar-se-á um rito administrativo compatível com a segurança e o decoro do profissional. § 3a O Tribunal de Ética e Disciplina do Conselho onde o acusado tenha inscrição principal pode suspendê-lo preventivamente. de 4-7-1994 (DOU. de 17-6-1996 (DOU. não podendo ser anônima. O poder de punir disciplinarmente os inscritos na OAB compete exclusivamente ao Conselho Seccional em cuja base territo­ rial tenha ocorrido a infração. procederá ao julgamento uma vez não atingida a conciliação”. 68 a 77). serão encaminhados pelo Conselho Seccional diretamente ao Tribunal de Ética e Disciplina. para constar dos respectivos assentamentos. “Art. Se a denúncia parte de advogado contra advogado. depois de ouvi-lo em sessão especial para a qual deve ser notificado a comparecer. Ia Os processos de representação. 465 . seja por profissional da área. instruídos pelas Subseções ou por relatores do próprio Conselho. III — acaso não requerida a produção de provas. do Conselho Seccional competente. 70 a 74). seja por cliente do advogado. salvo se a falta for cometida perante o Con­ selho Federal.O processo administrativo de infração ética inicia-se com a denuncia do cometimento de algum ato capitulado como infração ética na lei respec­ tiva.906. Neste caso.

§ Ia O Código de Ética e Disciplina estabelece os critérios de admis­ sibilidade da representação e os procedimentos disciplinares.. só tendo acesso às suas informações as partes. o Presidente do Conselho ou da Subseção deve designar-lhe defensor dativo. 73 — Recebida a representação. por ocasião do julgamento. podendo acompanhar o processo em todos os termos. contrariem esta Lei. Art. ajuízo do relator. 74 — O Conselho Seccional pode adotar as medidas administra­ tivas e judiciais pertinentes. § 5a É também permitida a revisão do processo disciplinar. razões finais após a instrução e defesa oral perante o Tribunal de Ética e Disciplina. § 2a Se. o Presidente deve designar rela.» tor. quando não tenham sido unânimes ou. o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo”. pessoalmente ou por intermédio de procurador. o relator se manifestar pelo indeferimen­ to liminar da representação. 75 — Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional. após a defesa prévia. § 4a Se o representado não for encontrado. por erro de julgamento ou por condenação baseada em falsa prova. quando < ■ fato constituir crime ou contravenção. para determinar seu arquivamento. Além dos interessados. sendo unânimes. a quem compete a instrução do processo e o oferecimento de parecer preliminar a ser submetido ao Tribunal de Ética e Disciplina. ou for revel. até o seu término. deve ser comunicado às autoridades competentes. § 3a O prazo para defesa prévia pode ser prorrogado por motivo rele­ vante. Parágrafo único. ainda. Art.Art. 72 — O processo disciplinar instaura-se de ofício ou mediante representação de qualquer autoridade ou pessoa interessada. Art. oferecendo defesa prévia após ser notificado. decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e. o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. objetivando a que o profissional suspenso ou excluído devolva os documentos de identificação. seus defensores e a autoridade judiciária competente. Art. 466 . 71 — A jurisdição disciplinar não exclui a comum e. § 2a O processo disciplinar tramita em sigilo. o Regulamento Geral. § Ia Ao representado deve ser assegurado amplo direito de defesa. este deve ser decidido pelo Presidente do Conselho Seccional.

49 a 66). aperfeiçoando-se em seus conhecimentos a respeito da matéria. no prazo de 15 (quinze) mi­ nutos. após o trânsito em julgado da decisão. 8.906. O Presidente do Tribunal. 53. Parágrafo único. salvo se o relator determinar diligências. 35. Do modo que segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU.. F-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. 5-7-1994) — Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB (Dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil — OAB): Título I — Da Advocacia (arts. “Art. o Tribunal pode suspender temporariamente a aplicação das penas de ad­ vertência e censura impostas. Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. § 22 O representado é intimado pela Secretaria do Tribunal para a defesa oral na sessão.A previsão legal de um rito administrativo é de suma importância para que o Tribunal não se converta em instrumento de manipulação política dos profissionais entre si. após o voto do relator.. 34 a 43). designa relator para proferir o voto. com vistas à máxima isenção do julgamento e da confiabilidade dos seus resultados. 51 a 61). As sanções devem constar dos assentamentos do inscrito. le-3-1995): Título II — Do Processo Disciplinar (arts. “Art. considerada a natureza da infração ética. após o prazo de 20 (vinte) dias de seu recebimento pelo Tribunal. IV — multa. in­ dispensável para o exercício profissional. II — suspensão. “Art. § Ia O processo é inserido automaticamente na pauta da primeira sessão de julga­ mento. de 4-7-1994 (DOU. desde que o infrator primário. que se aplicam subsidiariamente ao Código de Ética e Disciplina. 49 a 66). dentro do 467 . Capítulo IX — Das Infrações e Sanções Discipli­ nares (arts. § 3a A defesa oral é produzida na sessão de julgamen­ to perante o Tribunal. 51 a 61). em determinadas situações. Assim. a oportuni­ dade de produção de provas. o sigilo procedimental. As sanções disciplinares consistem em: I — censura. a intimação dos atos. Porém. não podendo ser objeto de publicidade a de censura”. Considerada a natureza da infração ética cometida. pelo representado ou por seu advogadó”. são as seguintes: Lei n. Como segue: Código de Ética e Disciplina da OAB (DJU. com 15 (quinze) dias de antecedência. Capítulo II — Dos Procedimentos (arts. as penas de advertência e censura podem ser suspensas. após o recebimento do processo devidamente instruído. deve preponderar a ampla defesa. desde que o infrator primário em cento e vinte dias participe de evento de ética profis­ sional. As sanções previstas no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil. 59. Ia a 43). III — exclusão.

Em qualquer caso. dentro do rito pre­ visto. tendo em vista que o liame com a profissão de advogado é perma­ nente. Incumbe. O resultado útil de um não influencia necessariamente o resulta­ do do outro. julgar a conduta e averiguar sua incompatibilidade com a legislação a respeito.4. Porém.. normalmente regulada por normas internas ou regimen­ tais da instituição (Procuradoria do Estado. em momento algum se afasta o inconformismo do lesado por uma decisão administrativa de recor­ rer a instâncias superiores (Conselho Federal da OAB). pois. Ademais. em meio aos Poderes 99. e em infração ética. pois na expressão merecimento se en­ contram atributos morais muito claros para a avaliação de um profissional: Lei n. Nesses casos. de 468 . comprovadamente. a sanção é aplicada propriamente pelo Conselho Seccio­ nal da Ordem dos Advogados do Brasil. ao Tribunal de Ética e Disciplina. realizado por entidade de notoria idoneidade”. para a qual devem ser enviadas cópias dos documentos que comprovam o ilícito.prazo de 120 dias. junto ao órgão responsá­ vel pelo controle censorio do comportamento do advogado público (Corregedorias). ou mesmo ao Poder Judiciário para defesa de seus interesses (art. profissional-jurfdico e ético são relevantes. junto ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB. e um de natureza funcional. órgão que desempenha atividade essencial à justiça. o Código de Ética e Disciplina. Mas liá que se dizer que existem situações que se constituem ao mesmo tempo e n /1 infração funcional. no caso a de promotor de jus­ tiça.625. curso. na definição constitucional. que pos­ suem estatutos próprios para reger a conduta do praticante da advocacia pública. seminário ou atividade equivalente. sobre Ética Profissional do Advogado.). aplica-se. na promoção dentro da carreira. mas nada impede que os elementos colhidos em um possam ser utilizados a favor ou contra o profissional como prova (documental. o cúmulo de infrações gera dois tipos de pro­ cedimentos independentes... o cometimento de crime fica sujeito a apreciação da autoridade judiciária competente. um de natureza ética. simposio. Defensoría Pública. Ética do Promotor A respeito da topografia do Ministério Público. Quando se trata de discutir sobre ética e profissão. XXXV). da mesma forma. passe a frequentar e conclua. 5. Quando se tratar das demais carreiras públicas da advocacia. a aferição do exercício técnico. há que se levar em conta que..). testemunhal. 52. cuja estrutura fundamental da carreira se encontra bem delineada". 8.

. II — apurar-se-á a antiguidade na entrân­ cia e o merecimento pela atuação do membro do Ministério Público em toda a carreira. cit. a escolha recairá no membro do Ministério Público mais votado. examinados em primeiro lugar os nomes dos remanescentes de lista anterior. diante da textura que lhe conferiu a Carta Magna de 1988. da Constituição Federal. ou parte do Legislativo. aplicando-se. Justamente 469 . prevalecendo. De fato e. O que se pode afirmar. de uma para outra entrância ou categoria e da entrância ou categoria mais elevada para o cargo de Procurador de Justiça. procedendo-se para alcançá-la. de uma instituição vinculada ã justiça. ob­ servados os seguintes princípios: I — promoção voluntária. atrelada a um compromisso profundo com a lei. 12-2-1993 (DOU. em caso de empate. V — a lista de merecimento resultará dos três nomes mais votados. por assemelhação.. “É preciso romper de vez com o sistema advindo de tempos autoritários.do Estado. III — obrigato­ riedade de promoção do Promotor de Justiça que figure por três vezes consecutivas ou cinco alternadas em lista de merecimento. 20). 1991. e não com algum dos Poderes do Estado. Quer-se dizer que o Ministério Público é uma ins­ tituição neutra por excelência1 0 desprovida de qualquer vínculo com as 0. demais autoridades1 1 0. A Lei Orgânica regulamentará o regime de remoção e promoção dos membros do Ministério Público. salvo se preferir o Conselho Superior delegar a competência ao Procurador-Geral de Justiça”. 210).. com todo respaldo constitucional e legal. de aperfeiçoamento. IV — a promoção por merecimento pressupõe dois anos de exercício na respectiva entrância ou categoria e integrar o Promotor de Justiça a primeira quinta parte da lista de antiguidade. a tantas votações quantas necessárias. Nova Constituição brasileira anotada.) tem natureza neu­ tra e não se vincula a qualquer órgão. em que o Ministério Público se notabilizou por servir ao governo e aos governantes. o que. é que se trata. 100. 101. 93. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. ope­ rosidade e dedicação no exercício do cargo.. 59 a 68). dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Público dos Estados. muito já se debateu. Manual. senão à lei” (Caldas. bem como a frequência e o aproveitamento em cursos oficiais. salvo se não houver com tais requisitos quem aceite o lugar vago. presteza e segurança nas suas manifestações processuais. dentro do sistema jurídico nacional. ou quando o número limitado de membros do Ministério Público invia­ bilizar a formação de lista tríplice. por antiguidade e merecimento. pode-se dizer que essa instituição “(. a antiguidade na entrância ou categoria. pois a sua função é promover a justiça sem nenhuma submissão. levando-se inclusive em conta sua conduta. ou reconhecidos. com prevalência de critérios de ordem objetiva. VI — não sendo caso de promoção obrigatória. As indefinições sugerem ser esse órgão parte do Judiciário. o disposto no art. ou parte do Executivo. observada a ordem dos escrutínios. e dá outras providências): Capítulo IX — Da Carreira (arts. p. p... situação esta incomparável com sua atual destinação constitucional (v. alternadamente. “Art. o número de vezes que já tenha participado de listas. 61. incisos III e VI. em síntese. desde que obtida maioria de votos. parece de todo irrelevante e desmotivado que se discuta.

quando se diz que um promotor público desempenha suas funções. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. Trata-se de um órgão autônomo. garantias da coletividade” (Hugo Nigro Mazzilli. Capí­ tulo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. “Enfim. 5-10-1988. com a ordem jurí­ dica. 361). está-se querendo dizer que está dando continuidade a um compromisso institucional com a lei. Para que se compreenda a latitude desse compromisso. 127 da Consti­ tuição Federal de 1988. que lhe traçou os matizes com os quais se encontra esculpido atualmente. dotação orçamentária independente. as verdadeiras garantias do Ministério Público e de seus agentes são. acima de Uido. 44 a 135).Se há que se invocar o tema da ética dessa carreira. p.4. Para que se defina carreira. para. dever-se-á deter a análi­ se ora encetada na investigação das atribuições do Ministério Público. então. 5. Formação jurídica. de acordo com a prrvisão constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU. para acesso privativo dos titulares dos cargos que a integram (Direito administrativo brasileiro. de sua situação e seu tratamento no texto constitucional. e. por Um. 102. precisa ser dotado de garantias substanciais que assegurem a independência administrativa e funcional — garantias concretas e não palavras retumbantes na Lei Maior. 1994. abordarem-se as garantias e prerrogativas. com as instituições democráticas e com a justiça. 127 a 135). o código de deveres do promotor público. Ministério Público: órgão essencial à administração da justiça O Ministério Público pode ser definido como “instituição essencia função jurisdicional”. dotado de estrutura funcional própria. 74). deve-se buscar o sempre perene ensinamento de H Lopes Meirelles: “É o agrupamento de classes da mesma profissão ou atividade. Seção I . escalonadas segundo a hierarquia do serviço. Visão crítica da formação pro­ fissional e das funções do promotor de justiça. 1994. em meio à estrutu­ ra e à distribuição dos poderes dentro da Federação. poderes corroicionais internos e hierarquia administrativa escalonada de acordo com os degraus da carreira pública1 2 0.. in Nalini (coord. acompanhando-se os dizeres do art. uma vez que. mas vazias de maior con­ teúdo prático. de sua estrutura de carreira. o primeiro aspec­ to a tratar talvez seja esse.Do para que o Ministério Público possa servir a sociedade e não aos governantes.). Sua estrutura como órgão é a seguinte. 470 .1. p. antes de tudo.

c) o Ministério Público Militar. O Ministério Público abrange: I — o Ministério Público da União. b) exercer a advocacia. a qualquer título e sob qualquer pretexto. b) o Ministério Público do Trabalho. para mandato de dois anos. estabelecerão a organização. § l 2 O Ministério Público da União tem por chefe o Procurador-Geral da República. na forma da lei respectiva. c) participar de sociedade comercial. nomeado pelo Presidente da República dentre integrantes da carreira. para escolha de seu Procurador-Geral. na forma da lei. 127 a 130).) II — as seguintes vedações: a) receber. maiores de trinta e cinco anos. após a aprovação de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Senado Federal. salvo uma de magistério. que será nomeado pelo Chefe do Poder Executivo. para mandato de dois anos. per­ centagens ou custas processuais. d) exercer.Ministério Público (arts. que compreende: a) o Ministério Público Federal. observadas. deverá ser precedida de autorização da maioria absoluta do Senado Federal. II — os Ministérios Públicos dos Estados.. d) o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios. 128. § 5a Leis complementares da União e dos Estados. § 42 Os Procuradores-Gerais nos Estados e no Distrito Federal e Ter­ ritórios poderão ser destituídos por deliberação da maioria absoluta do Poder Legislativo. qualquer outra função pú­ blica. § 3a Os Ministérios Públicos dos Estados e o do Distrito Federal e Territórios formarão lista tríplice dentre integrantes da carreira. permitida uma recondução. por iniciativa do Presidente da República. na forma da lei complementar respectiva. relativa­ mente a seus membros: (.. cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais. as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público. 471 . “Art. ainda que em disponibilidade. permitida a recondução. honorários. § 2a A destituição do Procurador-Geral da República.

como já se viu. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. Seção I — Do Ministério Público (arts. 5-10-1988. A própria previsão da lei a respeito de sua aplicabilidade a toda a Federação e. Isso porque sua grande atribuição consiste em zelar pelo cumprimento da lei. 127 a 135). 127 a 130). há que se destacar a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. Capítulo IV — Das Funções Es­ senciais à Justiça (arts. mister a garantia oferecida pela lex. a indivisibilidade e a independência funcional. “Art. podendo. de 4-6-1998 — (DOU. lece o Estatuto do Ministério Público da União (LC n. inclusive. O Ministério Público é instituição permanente. 75/93). de primordial para a escorreita atualização do ideário democrático consa­ grado pelos legisladores constitucional e infracon sti tucion al. do regime democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. 8. de 12-2-1993 (DOU. Enquanto direito positivo. Se entre lex e ius podem-se traçar diferenças essenciais. 19.625. como instituição. 127. a lei disporá sobre sua organização e funcionamento (§ 2° com redação dada pela EC n. é elucidativa: Lei n. Com essa estrutura é que ao Ministério Público. cumpre o exercício de função mais do que essencial. a política remuneratoria e os planos de carreira. observado o disposto no art. incumbindo-lhe a defesa da ordem jurídica. como parte ou exclusivamente como custus legis. 105. No plano infraconstitucional. propor ao Poder Legislativo a criação e extinção de seus cargos e serviços auxiliares. 5-6-1998. mas para a realização da justiça1 3 Deve-se mesmo qualificá-la 0. 103. salvo exceções previstas na lei”. § 2a Ao Ministério Público é as­ segurada autonomia funcional e administrativa. em vigor desde a publicação). pois ao Ministério Público incumbe. 104. da lei emanam os dizeres dos re­ presentantes do povo em um sistema em que a representação política traça os próprios rumos da ordem jurídica. atuar em prol da realização do princípio da legalidade. Isso não é de todo irrelevante que se diga. 8. que é o fulcro de toda a estrutura democrática sobre a qual se assentam as demais premissas de atuação do próprio Estado1 4 0. essencial à função jurisdicional do Estado. 127 a 130). nunca é demais dizer que para que se tenha o iustum. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. arts. dispõe sobre Normas Gerais para 472 . A organização do Ministério Público decorre diretamente da Consti­ tuição Federal (CF de 1988. 191-A): Tí­ tulo IV — Da Organização dos Poderes (arts. aos Estados-Membros.625/93)1 5 assim como a Lei Complementar que estabe­ 0. § 3a O Ministério Público elaborará sua proposta orçamentária dentro dos limites estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias”. 44 a 135). § l 2 São princípios institucionais do Ministério Público a unidade. 169. pro­ vendo-os por concurso público de provas ou de provas e títulos. não somente para a jurisdição.e) exercer atividade político-partidária. Daí se dessume a gravidade das atribuições que lhe foram conferidas em seu papel institucional. Da arquitetônica jurídi­ ca a lei é a pedra fundamental.

327). 8) princípio da devolução. 9) princípio da substituição1 6 0. V — defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas. promo­ vendo as medidas necessárias a sua garantia. privativamente. Esses princípios acabam por se materializar no rol de competências de atuação constitucional previsto para o Ministério Público. Aplicam-se aos Ministérios Públicos dos Estados. é feita por Júlio Fabbrini Mirabete (Processo penal.r Como decorrência da orientação fixada pela Constituição. 69 a 84). IV — promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados. “Art. 2) princípio da indivisibilidade. nos casos previstos nesta Cons­ tituição. 80. Seção I — Do Ministério Público (arts. bem como as definições de cada qual dos princípios. São funções institucionais do Ministério Público: I — promover. “Art. 5-10-1988. 106. as normas da Lei Orgânica do Ministério Público da União”. na forma da lei complementar respectiva. 3) princípio da independência funcional. A enumeração. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. 473 . 7) princípio da irresponsabilidade. subsidiariamente. para a proteção do patrimônio público e social. há que se ressaltar que estão a orientar a atuação prática dos membros do Ministério Público os seguintes princípios: 1) princípio da unidade. na forma da lei. 6) princípio da inde­ pendência. 5) princípio da irrecusabilidade. 1995. requisitando informações e documentos para instruí-los. 44 a 135). 129. III — promover o inquérito civil e a ação civil pública. a ação penal pública. 127 a 130). p. Capítu­ lo IV — Das Funções Essenciais à Justiça (arts. 4) princípio da indisponibilidade. do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos. a Organização do Ministério Público dos Estados e dá outras providências): Capítulo X ■ — Das Disposições Finais e Transitórias (arts. 127 a 135). II — zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição. VI — expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência. o que acaba por formar um imenso número de atribuições de fundamental importância para a nação: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU.

ao consumidor. no plano infraconstitucional. que. face à Constituição Estadual. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. 25. a ação penal pública.625/93.625. de 12-2-1993 (DOU. dispõe: Lei n. desde que compatíveis com sua finalidade. b) para a anulação ou declaração de nulidade de atos lesivos ao patri­ mônio público ou à moralidade administrativa do Estado ou de Município. incumbe. 25 a 28). indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais. de suas administrações indiretas ou fundacionais ou de entidades privadas de que participem. e a outros interesses difusos. incapazes ou pessoas portadoras de deficiência. 8. ainda. na forma da lei: a) para a proteção. V — manifestar-se nos processos em que sua presença seja obrigató­ ria por lei e. VIII — requisitar diligências investigatórias e a instauração de inqué­ rito policial. III — promover. Seção I — Das Funções Gerais (arts. Além das funções previstas nas Constituições Federal e Estadual. II — promover a representação de inconstitucionalidade para efei to de intervenção do Estado nos Municípios. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânicyr» Nacional do Ministério Público. sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas”. “Art. a respeito. prevenção e reparação dos danos causados ao meio ambiente. na forma da lei. para assegurar o exercício de suas funções institucionais.VII — exercer o controle externo da atividade policial. VI — exercer a fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que abriguem idosos. ainda. 8. a regên­ cia da matéria é dada pela Lei n. IX — exercer outras funções que lhe forem conferidas. histórico. aos bens e direitos de valor artístico. privativamente. turístico e paisagístico. na Lei Orgânica e em outras leis. ao Ministério Público: I — propor ação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais. não importando a fase ou grau de jurisdição em que se encontrem os processos. Não se deve deixar de dizer que. 474 . estético. e dá outras providências): Ca­ pítulo IV — Das Funções dos Órgãos de Execução (arts. na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior. coletivos e individuais indisponíveis e homogêneos. sempre que cabível a intervenção. menores. IV — promover o inquérito civil e a ação civil pública. 25 a 32).

a importância da instituição e a autonomia de seus membros que não ficam vinculados a forças e decisões externas para o exercício de suas atividades1 7 0. tanto na esfera da União (Federal. que por certo reper­ cutem em seus membros (destinação constitucional.). § 3a. autonomia funcional.). b) de exercício da advocacia. vitaliciedade. 128 da Constituição Federal de 1988 também são comuns às dos magistra­ dos (CF de 1988. as garantias à instituição. a. propriamente ditas. “Afora. Tendo-se visto a enormidade da competência institucional do Minis­ tério Público. VIII — ingressar em juízo. b e c.1. o que por si só constitui garantia de independência financeira. reforçando-se. 1994. as ve­ dações acompanham esse grau de responsabilidade que se quer ver deposi­ tar nessas funções públicas. pelas garantias remis­ sivas do art. Mas. iniciativa de lei. do Distrito Federal e dos Territórios) como na dos Estados. as mesmas cabíveis e destinadas aos magistrados (CF de 1988. se as garantias são as mesmas ofertadas aos magistrados. inamovibilidade e irredutibilidade de vencimentos)” (Hugo Nigro Mazzilli. neste compreendido o do trabalho. administrativa e financeira. art. Mais ainda. § 5a. de política penal e penitenciária e outros afetos à sua área de atuação. IX — interpor recursos ao Supremo Tribunal Federal e ao Superior Tribunal de Justiça”. Militar. da CF de 1988. in Nalini (coord. com isso.VII — deliberar sobre a participação em organismos estatais de defe­ sa do meio ambiente. para responsabilizar os gestores do dinheiro público condenados por tribunais e conselhos de contas. 95. ou seja. beneficiando a instituição de modo reflexo (independên­ cia funcional. quais sejam: a) de recebimento de custas processuais. p. g. prevista no art. pois. do Trabalho. 73). se prendem mais diretamente aos seus agentes. 9 5. 127. com maiores especificações e detalhes. em seu exercício profissional. por sua vez. 475 . funções privativas v. as vedações do inciso II do § 5a do art. I. 128. Formação jurídica. deve-se dizer que os membros do Ministério Público estão acobertados. parágrafo único). de ofício. art. outras há que. II e III). Então. deve-se dizer que esse órgão público conta com dotação orçamentária própria. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. administrativa e fun­ cional de toda a estrutura da instituição. 107. do consumidor.

com ou sem afastamento — e para essa vedação não existe exceção alguma (exceto a norma transitória do art. vedou o exercício da atividade político-partidária. bem como assessorias estranhas à instituição. Formação ju ­ rídica. que nenhum membro do Ministério Público. Está al­ cançado por essa vedação o exercício de cargos de ministérios federais ou secretarias de Estado. parágrafo único). segundo o disposto nesta Constituição e na lei. ainda que em disponibilidade. in Nalini (coord. § 52. § 32 O ingresso na carreira far-se-á mediante concurso público de provas e títulos. a ordem de classificação. d)". nessa matéria. A Lei Orgânica Nacional do Ministério Público (Lei n. no que couber. nas mesmas hipóteses. o impedimento não se encontra apenas no exercício da atividade político-partidária. Cuida-se. 8. 1994. mas estipu­ lou: ‘ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei’ (art. 93. do ADCT). 129 sobre compro­ missos do promotor público em seu mister constitucional: “§ l 2 A legitimação do Ministério Público para as ações civis previstas neste artigo não impede a de terceiros. a lei infraconstitucional não poderá permitir. d. 8. tiva e de se zelar pelo cumprimento integral e imparcial das tarefas públi­ cas1 0 1. e) de exercício de atividade político-partidária1 8 0. salvo uma de magistério (art. Ainda assim. exerça qualquer cargo público eletivo. § 3fi. ingressado depois da promulgação da Constituição de 1988. deve-se grafar neste texto a opinião de Hugo Nigro Mazzilli: “A Lei n. 75/93. qualquer outrafunção pública.c) de participação em sociedade comercial. 128. assegurada participação da Ordem dos Advogados do Brasil em sua reali­ zação. veio a colorir definitivamente o painel estrutural da instituição. d) de exercício de outra função pública. mas sim na vedação constitucional para que exerça. § 5e. 110. 109. 476 . § 2S As funções de Ministério Público só podem ser exercidas por integrantes da carreira. 29. vedação essa que é absoluta para aqueles que ingressaram no Ministério Público depois da promulgação da Constituição de 1988 (não comporta exceção alguma)” (Hugo Nigro Mazzilli. 128. 108. para o Ministério Público da União. 44. o disposto no art. a atual vedação ao exercício de outra função pública. 80). pois.625/93. Ora. p. inclui a proibição de exercer cargos adminis­ trativos de qualquer natureza. Com relação à vedação de engajamento político-partidário. II. que deverão residir na comarca da respectiva lotação. II. entre as futuras exceções. II e VI”. pois. delineia os escalões administrativos e descre­ ve a competência institucional de maneira minuciosa. assim como a Lei Complementar n. nas nomeações.). De outro lado. salvo uma de magis­ tério (art. da CF). de se cercar de cautelas o exercício de tão essencial função pública1 9 como forma de se salvaguardar a probidade administra­ 0. § 42 Aplica-se ao Ministério Público. e observada. que fixa normas gerais para o Ministério Público nacional.625/93) traça as diretrizes da carreira. leia-se o que dispõe a CF de 1988 em seu art. Visão crítica da forma­ ção profissional e das funções do promotor de justiça.

o rol das testemunhas. nos termos do art. de maneira mais genérica. para a proteção do patrimônio público e social dos interesses difusos e coletivos (inc. III)1 3 1.099/95). 111. introduzido pela Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (Lei n. Veja-se como isto é importante. § 42 Ocor­ rendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação de outro Promotor. que. Mas.347/85). no domínio dos crimes eleitorais: Lei n. representará contra ele a autoridade judiciária. atuando o promotor como dominus litis do processo crimi­ nal.1)1 1 como decorrência do princípio da in1.347/85) é expressa no sentido de atribuir-lhe legitimidade para a propositura de medidas tendentes à salvaguarda dos valores por ela 477 . no caso de considerar improcedentes as razões invocadas. 113. sem prejuízo da apuração da responsabilidade penal. Súmula 524 do Supremo Tribunal Federal — Arquivado o inquérito policial por despacho do juiz. na promoção da ação penal pública. 355 a 364). incumbe ainda ao Ministério Público: a) “zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos” (inc. art. 112. a requerimento do promotor de Justiça. bem como promover a ação civil pública. de 15-7-1965 (DOU. fará re­ messa da comunicação ao Procurador Regional. no prazo de 10 (dez) dias. Na seara criminal. não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas. não agir de ofício”. Verificada a infração penal. sendo-lhe. disponibilidade. “Art. II). o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias. a classificação do crime e. 129.1. o juiz.737. a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá-lo. em face da política de proteção pública dos bens jurídicos tutelados pelo ordenamento ordinário e em especial de normas de caráter penal1 2 1. § 3a Se o órgão do Ministério Público não oferecer a denúncia no prazo legal. ou insistirá no pedido de arquivamento. 5a da Lei de Ação Civil Pública (Lei n. no mesmo prazo.1.5. A Lei da Ação Civil Pública (Lei n. designará outro Promotor para oferecê-la. 7. 19-7-1965) (Institui o Código Eleitoral: Parte Quinta — Disposições Várias (arts. no entanto. § l s Se o órgão do Ministério Público. ao órgão do Ministério Público não se defere a possibilidade de dispor da ação. 7. quando necessário. Atribuições do Ministério Público Ao Ministério Público incumbe a promoção privativa da ação penal pública (CF de 1988. e este oferecerá a denúncia. 283 a 364). por exemplo. 9. 357. atualmente facultada a transação penal. ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. 234 a 383): Título IV — Disposições Penais (arts. § 5a Qualquer eleitor poderá provocar a representação contra o órgão do Ministério Público se o juiz.4. § 2a A denúncia conterá a exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias. oferecerá a denúncia. ao invés de apresentar a denúncia. em ato de dispo­ nibilidade legal e regrada. Capítulo III — Do Processo das Infrações (arts. requerer o arquivamento da comunicação. 4.

Neste ponto seguimos a lição de Pinto Ferreira que discrimina (Comeiihiiios 1) Constituição brasileira. assim como “deliberar sobre sua participa­ ção em organismos estatais de defesa do meio ambiente. da Constituição do Estado de São Paulo). consagrados em seu art. Vide Lei n.. IV)1 4 1.. 101). bem (. perante o STF. sem prejuízo da correição judicial”.1 carreira dos membros do Ministério Público podem-se alistar aquelas que seriam as precipuas. a sexta função de importância do MP re­ laciona-se com o exercício da atividade adjudicia. d) acessar as informações constantes de órgãos públicos. além de outras funções compatíveis com a t e l e o l o c i a que lhe foi traçada pelo texto constitucional (incs.. tomando-o mais próximo de sua vocação social. referente à representação federal.. “A terceira missão importante do MP c ¡1 < lc velar e fazer velar a observância e o cumprimento da lei” (p. 101). e também propor a intervenção d a . 114. “Enfim. menores. de política penal e penitenciária e outros afetos a sua área de atuação” (ar. 101). upu-sentando-as judicialmente (inc. ou portadores de deficiências. 478 .d ili­ gências em inquéritos. V).337/64). da ação civil pública (. do consumidor. 15 da CF de 1988. 99-101): “A atribuição típica do seu mister é a de nticiar em juízo em favor da correta observação da lei e na defesa do interesse público” (p . c) dar efetiva proteção aos direitos das populações indígenas. por meio do Procurador-Geral da Repúbli­ ca (Lei n.)”. 1992. na ‘¡rca do MP federal” (p.mim controlar as atividades policiais e o poder de investigação por meio di.)” (p. e) exercitar a “fiscalização dos estabelecimentos prisionais e dos que P abriguem idosos. pelos Estados e Municípios (. incapazes. I e II. 97.) a sua atuaçao cm favor do princípio da supremacia da Constituição assumindo a defesa dos postulado'..778/72 acerca da implementação do disposto na alínea d do ff 3'’ do art.VI a IX).b) controlar a inconstitucionalidade das leis pela condução da ação direta de inconstitucionalidade. utilizando-se de critérios que delimitam o campo te­ mático cercado por cada uma das funções por ele exercidas na delesa da cidadania1 5 1. 5a: “A ação principal e a cautelar poderão ser propostas pelo Minis­ tério Público.. embora nao exclu­ sivo. pela União. 101). 4. Dentre as universais e extensas tarefas instituídas como ineivnles . 100). 5. “(.cons­ titucionais” (p.1 "A W): segunda função importante é a defesa dos interesses privados indisponíveis.. 115. “A quinta função relevante do MP é a de ser titular. defendendo consequentemente a ordem penal” (p. p. niun e dos Estados nos casos previstos na lei (inc.

de 13-31985 (DOU. em cargos de Promotor de Justiça. Prerrogativas e garantias do membro do Ministério Público Para o escorreito desempenho de suas funções. enquanto unitária e homogeneamente atuante nas esferas da União. b) os atuais cargos de Curador. § l 2 A transfor­ mação dos cargos far-se-á do seguinte modo: a) os atuais cargos de Subprocurador-Geral. Mister. Fixa Vencimentos. de consagração cultural e de reiteração temporal —. 40. § 2a A Procuradoria-Geral da Justiça do Distrito Federal e dos Territórios promoverá o apostilamento nos assentamentos funcio­ nais dos titulares dos cargos transformados. a intervenção do Minis­ tério nas ações em que atuar como parte ou como custos legis. l e A carreira do Ministério Público do Distrito Federal é integrada. pela classe de Procuradores de Justiça e no primeiro grau de jurisdição. em cargos de Procurador de Justiça. o Procurador-Geral da Justiça designará Promotor de Justiça Subs­ tituto para o seu exercício. “Art. com os direitos e deveres previstos na Lei Complementar n. e dá outras Providências — arts. 2. à Justiça do Trabalho e ao Tribunal de Contas da União. diante deste elenco de atribuições institucionais.267. dos Territórios e do Distrito Federal1 6 me­ 1. rubricando-se que essa nulidade submeter-se-á às regras gerais da teoria das nulidades. pode-se dizer que. Em síntese. deve-se ressaltar que “Quando a lei considerar obrigatória a intervenção do Ministério Público. Mais que um órgão a serviço das cláusulas cons­ titucionais democráticas. em segundo grau de jurisdição. portanto. § 4SAté que seja criado o Serviço de Assistência Judiciária. em termos de instituição — e quando se procura operar semanticamente o conceito de instituição. bem como os dos membros do Ministério Público junto à Justiça Militar. não sendo de estrita necessidade sua atuação pro­ cessual. c) os atuais cargos de Defensor Público. dos Estados. o membro do Minis­ tério Público possui uma série de garantias e prerrogativas que salvaguardam 116. o Ministério Público representa a própria demo­ cracia em atuação. Ia a 7a). Promotor Público e Promotor Substituto.I E assim é que. 5. No âmbito do Distrito Federal e dos Territórios: Decreto-Lei n. são os constantes do Anexo a este Decreto-Lei”. 479 . § 5fi O vencimento e respectiva representação mensal dos cargos transformados. sendo declarada quando. 84 do CPC). 14-3-1985) (Transforma e Cria Cargos na Carreira do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios.4. nos fragmentária e mais participante se toma a sua intervenção na edificação do princípio democrático. em cargos de Promotor de Justiça Substituto. recorre-se necessariamente às ideias de durabilidade. pelas classes de Promotor de Justiça e de Promotor de Justiça Substituto. § 3a A antiguidade dos cargos obedecerá à an­ tiguidade na classe transformada e nas classes entre si.2. a parte promover-lhe-á a intimação sob pena de nulida­ de do processo” (art. de 14 de dezembro de 1981. houver prejuízo à parte (pas de nullité sans grief).

São essas garantias que distinguem o promotor do advogado. e dá outras providências): Ca­ pítulo VI — Das Garantias e Prerrogativas dos Membros do Ministério Público (arts. 117. “Art. Ambas as funções constituem munus publi­ co de igual nobreza. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. de 12-2-1993 (DOU. quanto à remune­ ração. São as garantias e prerrogativas do cargo que possibilitam a efetivação dos di­ tames maiores com que se descrevem os princípios da carreira. O Ministério Público nada mais é do que advocacia de partido — o partido dos interesses sociais e individuais indisponíveis. Os membros do Ministério Público sujeitam-se a regime jurídico especial e têm as seguintes garantias: I — vitaliciedade. “No fundo. de nada serviriam as preocupações do constituinte de 1988 se o promotor. \ i'*10 crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. a forma dos trabalhos. a maneira de dedu/ir as pretensões em juízo — tudo isto lhes é similar. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. Inúmeros desafios se colocam diante do promotor no sentido de obstaculizar sua atuação. o disposto na Constituição Federal”. oferecer garantias ao exercício da imensa latitude 1. o que se oferece à Promotoria de Justiça se devolve. III — irredutibilidade de vencimentos. se encontrasse atravancado por empecilhos de cunho funcional. salvo por motivo de interesse público. 38 a 42). p. II — inamovibilidade. a função da qual o Ministério Público mais se aproxima. Ora. dada a merecida proteção que requer a carrei-* ra1 7 De qualquer forma.625. C en­ ) tendimento entre esses profissionais deve ser alto e sereno” (Hugo Nigro Mazzilli. não podendo perder o cargo senão por sentença judicial transitada em julgado. certamente é a do advogado. 8. 72). à sociedade. 38. em sua atuação prática. 1994. de um modo ou de outro. Lei n. tirantes as garantias e procedimentos que aproximam o promotor da Magistratura.a higidez da função constitucional e conferem dignidade e independência ao exercício profissional dos promotores de justiça. in Nalini (coord-*Formação jurídica. sob o aspecto do ofício desempenhado. de responsabilidades que pendem sobre as costas dos promotores públicos é permitir que esse órgão esteja realmente habilitado a intervir em assuntos de natureza pública e de interesse da coletividade. observado. para debelá-los é que se instituíram determinadas garantias e prer­ rogativas que reforçam a liberdade profissional do promotor público no exercício de seu mister. após dois anos de exercício. e que o fazem aproximar-se do juiz. 480 . A natureza das funções.

que: “Art. na forma da Lei Orgânica”. II — exercício da advocacia. escrita. fica sujeito a condições que. no prazo máximo de vinte e quatro horas. acompanhando a disci­ plina e a textura da lei. a previsão: “§ l 2 O membro vitalício do Ministério Público somente perderá o cargo por sentença judicial transitada em julgado. a própria lei prevê. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. a comunicação e a apresentação do mémbro do Ministério Público ao Procurador-Geral de Justiça. § 2a A ação civil para a decretação da perda do cargo será proposta pelo Procurador-Geral de Justiça perante o Tribunal de Justiça local. III — ser preso somente por ordem judicial. IV — ser processado e julgado originariamente pelo Tribunal de Jus­ tiça de seu Estado. Com relação às prerrogativas. em continuidade ao disposto acima. após autorização do Colégio de Procuradores. hora e local previamente ajustados com o Juiz ou a autoridade competente. ressalvadas as hipóteses constitucionais. não se pode deixar ao talante do promotor tan­ tas garantias que o permitam revestir-se da condição de autoridade pública intocável para o cometimento de violações à própria lei que deve defender. salvo em flagran­ te de crime inafiançável. quando sujeito a prisão antes do julgamento final. II — estar sujeito a intimação ou convocação para comparecimento. em dia. V — ser custodiado ou recolhido à prisão domiciliar ou à sala especial de Estado Maior. ressalvada exceção de ordem constitucional. há que se dizer. após decisão judicial transitada em julgado. III — abandono do cargo por prazo superior a trinta dias corridos. De fato. por ordem e à disposição do Tribunal competente. proferida em ação civil própria. Por isso. nos crimes comuns e de responsabilidade. no entanto. nos seguintes casos: 1 — prática de crime incompatível com o exercício do cargo. somente se expedida pela autoridade judiciária ou por órgão da Adminis­ tração Superior do Ministério Público competente.0 cargo vitalício. em qualquer processo ou inquérito. 481 . caso em que a autoridade fará. inamovível e insuscetível de sofrer redução salarial. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — ser ouvido. como testemunha ou ofendido. 40.

ressalvada a garantia cons­ titucional de inviolabilidade de domicílio. IV — receber intimação pessoal em qualquer processo e grau de ju­ risdição. IX — ter acesso ao indiciado preso. retificação e complemeritação dos dados e informações relativos à sua pessoa. nos limites do sua independência funcional. V — gozar de inviolabilidade pelas opiniões que externar ou pelo teor de suas manifestações processuais ou procedimentos. ainda. autos de processos findos ou em andamento. c) em qualquer recinto público ou privado. VIII — examinar. existentes nos órgãos da instituição. b) nas salas e dependências de audiências. na forma da Lei Orgânica”. cartórios. 41. se lê: “Art. podendo copiar peças e tomar apontamentos. em qualquer Juízo ou Tribunal. secretarias. no exercício de sua função. III — ter vista dos autos após distribuição às Turmas ou Câmaras e intervir nas sessões de julgamento. ainda que conclusos à autoridade. podendo copiar peças e tomar apontamentos. para sustentação oral ou esclarecimento de matéria de fato.VI — ter assegurado o direito de acesso. labelionatos. delegacias dc polícia e estabelecimento de internação coletiva. além de outras previstas na Lei Orgânica: I — receber o mesmo tratamento jurídico e protocolar dispensado aos membros do Poder Judiciário junto aos quais oficiem. E. VI — ingressar e transitar livremente: a) nas salas de sessões de Tribunais. VII — examinar. através da entrega dos autos com vista. findos ou em andamento. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Públi­ co. mesmo quando decretada a sua incomunicabilidade. X — usar as vestes talares e as insígnias privativas do Ministério Pú­ blico'. 482 . II — não ser indiciado em inquérito policial. autos de flagrante ou inquérito. mesmo além dos limites que se­ param a parte reservada aos Magistrados. observado o disposin no parágrafo único deste artigo. inclusive dos registros públicos. a qualquer momento. ofícios da justiça. em qualquer repartição policial. ainda que conclusos à autoridade.

sua função é constitucional. houver indício da prática de infração penal por parte do membro do Ministério Público. a quem competirá dar prosseguimento à apuração”.3. seus vencimentos são pagos pela instituição com base em verbas públicas. ou alguma outra razão jurídica ou fática relevante (questões atinentes à saúde. portadores de deficiência. conforme se pode ler na Resolução do Conselho Nacional do Ministério Público (2005).. acesso à educação. Parágrafo único.). suas principais atribuições legais e cons­ titucionais têm que ver com necessidades públicas. p. na defesa do consumidor e do meio ambiente. o profis­ sional que se dedica à causa da justiça por meio da Promotoria está sempre às voltas com o interesse público1 8 1. Daí decorre que deverá auxiliar na presteza do andamento judicial. eficiência. in Nalini (coord. os respectivos autos ao Procurador-Geral de Justiça. a autoridade policial. “c) grupos de pessoas determinadas ou determináveis (populações indígenas. civil ou militar. na prestação de assistência à população caren­ te. 5. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. na efetiva prevenção de litígios. Formação jurídica. pelo qual deve zelar o órgão do Ministério Público. dentro de suas atribuições e de seu alcance funcional. Não há como negar que o primordial dever ético do membro do Ministério Público é manter-se em sintonia com as necessidades sociais e públicas em tomo da justiça. 1994. Aqui ou ali. e deve cumprir sua tarefa com moralidade. geralmente está ligado à defesa de: “a) pessoas determinadas (incapazes. imediatamente. publicidade. Câmara ou Turma. tendendo à supremacia do interesse público. o interesse público. desde que haja abrangência suficiente do interesse a ser zelado. suas garantias e prerrogativas fundamentais são constitucionais.XI — tomar assento à direita dos Juizes de primeira instância ou do Presidente do Tribunal. 87). Quando no curso de investigação. zelo de um sistema econômico ou social como na defesa dos investidores lesados no mercado de valores mobiliários etc.)” (Hugo Nigro Mazzilli. acidentados do tra­ balho).4. 483 . consu­ midores). “b) toda a coletividade (nas ações penais. remeterá. Os deveres do Promotor de Justiça O Promotor de Justiça possui um compromisso com o público inafastável. na ação popular. “Como vimos. na defesa do meio ambien­ te).. Seu cargo é público. sob pena de responsabilidade. legalidade. na garantia da probidade 118. no sentido lato.

Lei n.). p.administrativa. 113). conduta incompatível ou grave omissão nos deveres do cargo. pelo voto de dois terços de seus membros. os acidentados do trabalho. modificações na Lei Orgânica e providências relacionadas ao desempenho das funções institucionais. 12 e 13). com o atendimento aos populares que procuram o promotor de justiça. assegurada ampla defesa. inclusive com a possibilidade de suspensão de exercício e perda do cargo12 . além de representar uma quebra da ética institucii mal. 92 a 24). 120. sobre matéria relativa à autonomia do Ministério Público. Seção II — Do Colégio de Procuradores de Justiça (arts. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público.. “Têm os membros do Ministério Público o dever de atender os necessitados: defender a vítima de crimes. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. IV — propor ao Poder Legislativo a destituição do Procurador-Geral de Justiça. a aplicação. conduta incompatível ou grave omissão nos 484 . Negligenciar no cumprimento desse compromisso social e público. bem como sobre outras de interesse institucional. não só nos processos. II — propor ao Procurador-Geral de Justiça a criação de cargos e serviços auxiliares. dispõe sobre Normas Gerais para a Organização do Ministério Pú­ blico dos Estados. de 12-2-1993 (DOU. dessa f. III — aprovar a proposta orçamentária anual do Ministério Público. 1994. à defesa do meio ambiente e ao zelo da probidade administrativa” (Hugo Nigro Mazzilli. em caso de abuso de poder. na repressão ao abuso de poder por parte das autoridades públicas. O Colégio de Procuradores de Justiça é composto por todos os Procuradores de Justiça. in Nalini (coord. competindo-lhe: I — opinar. VI — destituir o Corregedor-Geral do Ministério Público. por solicitação do Procurador-Geral de Justiça ou de um quarto de seus integrantes. Deve ainda dedicar-se com justa prioridade ao comba­ te da criminalidade. Formação jurídica. bem como os projetos de criação de cargos e serviços auxi­ liares. na prevenção e repressão ao desfalque do erário público. recomendada pelo Colégio de Procu­ radores de Justiça. 8. e dá outras providências): Capítulo III — Dos Órgãos de Administração (arts.is penalidades. quando grave. elaborada pela Procuradoria-Geral de Justiça. ! 2. pode acarretar.irma 1 promover a efetivação dos direitos fundamentais. a criança e o adolescente. a manutenção da oulein democrática e a sincronia de funcionamento dos institutos jurídicos positi­ vados pelo legislador. o consumidor. V — eleger o Corregedor-Geral do Ministério Público. e realizada pelo Corregedor-Geral de Justiça.. de scu*i . “Art.1 9 e.625. pelo voto de dois terços de seus membros e por iniciativa da maioria absoluta de seus integrantes em caso de abuso de poder. na recri­ minação dos delitos e crimes que assolam a sociedade. 0 119. como também fora deles.

VIII — julgar recurso contra decisão: a) de vitaliciamente. 485 . X I— rever. d) de disponibilidade e remoção de membro do Ministério Público. a esperança de promoções ou os anseios de tomar-se uma figura pública podem desnortear os horizontes daquele que abraça essa carreira pública. b) condenatoria em procedimento administrativo disciplinar. A sociedade carece de uma instituição ilesa e forte na defesa dos ideais constitucionais. XIII — desempenhar outras atribuições que lhe forem conferidas por lei. de 12-2-1993 {DOU. o promotor de justiça está adstrito a observar os seguintes ditames de seu estatuto institucional primordial. que este ajuíze ação cível de decretação de perda do cargo de membro vitalício do Ministério Público nos casos previstos nesta Lei. nem mesmo o temor de autoridades. de prestar justiça e contribuir para uma justiça nacional cada vez mais aperfeiçoada e próxima dos anseios populares. As decisões do Colégio de Procuradores de Justiça serão motivadas e publicadas. salvo nas hipóteses legais de sigilo ou por deliberação da maioria de seus integrantes”. e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público deveres do cargo. que constituem seus deveres: Lei n. X — deliberar por iniciativa de um quarto de seus integrantes ou do Procurador-Geral de Justiça. mediante requerimento de legítimo interessado. por extrato. 8. assegurada ampla defesa. ou não. Ademais desse compromisso social. 15 desta Lei. XII — elaborar seu regimento interno. nos termos da Lei Orgâ­ nica. nos casos de sua atribuição originária. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público.625. de membro do Ministério Público. e) de recusa prevista no § 32 do art. conforme delineados pelo constituinte de 1988.A imperativa necessidade social de existência e atuação do Ministério Púbico não faculta ao promotor a interrupção do cumprimento de seus de­ veres por quaisquer outros motivos. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. decisão de arquivamento de inquérito policial ou peças de informação determinada pelo Procurador-Geral de Justiça. por representação do Procurador-Geral de Justiça ou da maioria de seus integrantes. c) proferida em reclamação sobre o quadro geral de antiguidade. Parágrafo único. por motivo de interesse público. VII — recomendar ao Corregedor-Geral do Ministério Público a instauração de pro­ cedimento administrativo disciplinar contra membro do Ministério Público. IX — decidir sobre pedido de revisão de procedimento administrativo disciplinar.

XIII — atender aos interessados. com vistas ao integral cumprimento do que preceitua a respeito a Constituição Federal. Assim é que. “Art. se titular. X — residir. com zelo e presteza. XII — identificar-se em suas manifestações funcionais. XI — prestar informações solicitadas pelos órgãos da instituição. 43 e 44). nos casos ur­ gentes. IV — obedecer aos prazos processuais. nos termos da lei. nos limites de suas atribuições.(arts. VII — declarar-se suspeito ou impedido. além de outros previstos em lei: I — manter ilibada conduta pública e particular. dedicar-se a atividades de ensino. podendo. funcionários e auxiliares da Justiça. as suas funções. vedando-se determinadas práticas. É em regime de dedi­ cação integral que deseja o legislador ver o promotor exercendo suas ativi­ dades institucionais. III — indicar os fundamentos jurídicos de seus pronunciamentos pro­ cessuais. XIV — acatar no plano administrativo as decisões dos órgãos da Ad­ ministração Superior do Ministério Público No entanto. testemunhas. por suas prerrogativas e pela dig­ nidade de suas funções. IX — tratar com urbanidade as partes. II — zelar pelo prestígio da Justiça. Suas incumbências para com a sociedade são demasiadamente grandes para que se pudesse justificar certas espécies de favoritismos aos membros do Ministério Público dentro dos demais Poderes do Estado. considera-se que toda precaução é pouca. a qualquer momento. as providências cabíveis face à irregularidade de que tenha conhecimento ou que ocorra nos serviços a seu cargo. no entanto. São deveres dos membros do Ministério Público. V — assistir aos atos judiciais. em matéria de exercício de atividade pública. se não houvesse previsão expressa do legislador sobre o assunto. quando obrigatória ou convenienle a sua presença. na respectiva Comarca. há que se advertir que o zeloso cumprimen­ to da profissão de promotor colidiria com outras incumbências que porven­ tura pudesse acumular. o legislador cuidou de transformar princi486 >• . 43. elaborando relatório em sua manifestação final ou recursal. VIII — adotar. VI — desempenhar.

pios elementares de deontologia do exercente de cargo público em manda­ mentos institucionais típicos e legais. 81). Ética dos agentes públicos Com a expressão agente público1 2 quer-se dar a maior amplitude 2 conceituai possível à grande diversidade das funções públicas. V — exercer atividade político-partidária. qualquer outra função pública. em Centro de Estudo e Aperfeiçoa­ mento de Ministério Público. “Além dessas vedações. que se revestem da condição de im­ pedimentos. Não constituem acumulação. II. advocacia. “São todas as pessoas físicas incumbidas. Os agentes normalmente desempenham funções do órgão. em entidades de representação de classe e o exercício de cargos de confiança na sua administração e nos órgãos auxi­ liares”. 5. 44 da Lei n. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes vedações: I — receber. 43 e 44). 487 . ressalvada a filiação e as exceções previstas em lei. dispõe sobre Normas Gerais para a Orga­ nização do Ministério Público dos Estados. percentagens ou custas processuais. salvo uma de Magistério. 15-2-1993) (Institui a Lei Orgânica Nacional do Ministério Público. 8. 1994. IV — exercer. p. in Nalini (coord. de 12-2-1993 (DOU. a qualquer título e sob qualquer pretexto. honorários. outras há (recebimento de custas. além do impedimento de que o membro do Ministério Pú­ blico exerça a representação judicial ou a consultoria jurídica de entidades públicas (art. art. Formação jurídica. II — exercer advocacia. 128. vedações e/ou restrições1 1 2. as atividades exercidas em organismos estatais afetos à área de atuação do Ministério Público.625. Lein. 8. do exercício de alguma função estatal. honorários. da CF)” (Hugo Nigro Mazzilli. 129. quer- 121. art. ainda que em disponibilidade. III — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial. definitiva ou transitoriamente. participação em sociedade comercial exceto como cotista ou acionista.). IX. Assim. Visão crítica da formação profissional e das funções do promotor de justiça. e dá outras providências): Ca­ pítulo VII — Dos Deveres e Vedações dos Membros do Ministério Público (arts. “Art. para os efeitos do inci­ so IV deste artigo. 122. Parágrafo único.625/83). 44. § 5e. da CF.5. exce­ to como cotista ou acionista.

. sujeitos à hierarquia funcional e ao regime jurídi­ co único da entidade estatal a que servem” (Meirelles. Senadores. 71). mesários. como agentes admi­ nistrativos (servidores concursados. p.)1 3 2. “Os agentes públicos. Deputados. inclusive investigando-se quais as estratégias atuais do legislador para compelir ao efetivo cumpri­ mento das medidas assumidas no plano constitucional1 5 Nesse sentido. como agentes políticos (Presidente. sobretudo aquelás às quais corresponde o exercício de atividades pelos agentes administrativos (servidores concursados. Ia a 10).331. repartem-se inicialmen­ te em quatro espécies ou categorias bem diferençadas. distribuídas entre os cargos de que são titulares. não 488 . a saber: agentes políticos.71).. servidores exercentes de cargos em comissão. agentes honoríficos e agentes delegados. Governador. servidores temporários). como agentes honoríficos (jurados. se subdividem em subespécies ou subcategorias (. Prefeito. servidores de cargo em comissão. P. nesta investigação. 123. Promotores. leiloeiros ofi­ ciais. agentes administrativos. não se pensa que seja possí­ vel.). exaurir e tratar de todas as possibilidades de carrei­ ras públicas ofertadas para a área jurídica. que exercer funções diretamente relacionadas com a ética funcional e a disciplina dos servidores. 1994. 2-10-1997) (Dispõe sobre a Corregedoria-Geral da Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. “São todos aqueles que se vinculam ao Estado ou às suas entidades autárquicas e fundacionais por relações profissionais. Direito administrativo brasileiro. de 12-10-1997 {DOU. gênero que acima conceituamos. que. o que se pretende é conferir um tratamento ao candente problema da ética funcional dentro das carreiras funcionais públicas do Governo e da Administração Direta e Indireta.. Ministros. 125. 124. p.. 1994. 2.. mesmo utilizando-se dessa expressão. prestadores de serviços públicos.. Por isso. Juizes. Direito administrativo brasileiro. 5a O servidor da Carreira de Auditoria do Tesouro Na­ cional lotado e em exercício na Corregedoria-Geral e nos seus Escritórios.. 71). E.) ou como agentes delegados (tradutores e intérpretes públicos.)” (Meirelles. por sua vez. Direito administrativo brasileiro. 2. ter-se-ão presentes apenas algumas das possíveis carreiras jurídicas estatais. a fim de garantir o destemor na atuação: Decreto n. servidores temporários)1 24. “Art. e dá outras providências — arts.. Secre­ tários.-se abranger aqueles que se encontram ligados ao Estado de alguma forma. É de todo interessante pesquisar a esse respeito a importância que o legislador confere aos instrumentos de proteção. membro de comissão de estudo. 1994. Efetivamente. inclusive daqueles que estiverem incumbidos de de­ veres funcionais correicionais ou em Tribunais de Ética e Disciplina. mas excepcionalmente podem exercer função sem cargo” (MeireUes.

26. no plano normativo. E a esse res­ 2 peito não importa se se trata de cargo em comissão ou de cargo de provi­ mento efetivo12 7. 3. de 6-2-2001 (DOU. à capacitação. de auditoria.deve-se empreender uma investigação que cuide de afirmar os cânones. de Administração Financeira Federal.. II — elaborar. Orçamen­ to e Gestão — arts.. l e a 36): Capítulo III — Da Competência dos Órgãos (arts. sejam interesses imediatos de um cidadão. de Conta­ bilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. 7-2-2001) (Organiza e disciplina os Sistemas de Planejamento e de Orçamento Federal. 10 a 28).750. Entende-se que a moralidade administrativa é a principal responsabi­ lidade ética do agente público na atualidade. Tem-se exercido. De fato. forte pressão normativa no sentido da formação1 6e da obediência de códigos de ética funcional. documento ou informação poderá ser sonegado aos servidores dos Sistemas de Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal. sua lotação em qualquer unidade da Secretaria da Receita Federal”. 22. Dessa forma. 14-2-2001) (Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério do Planejamento. À Secretaria de Gestão compete: I — formular e propor políticas e diretrizes de reforma e modernização do Estado. 489 . 25 a 41). no exercício das atribuições inerentes às atividades de registros contábeis. coordenar e apoiar a execução de programas e projetos de re­ forma e modernização do aparelho do Estado. ao desenvolvimento e à avaliação de desempenho dos servidores da Administração Federal direta. Nenhum pro­ cesso. fiscalização e avalia­ ção de gestão. após três anos de efetivo exercício. ademais das pressões da população e da mídia. e dá outras providências): Título VI — Das Disposições Gerais e Transitórias (arts. Orçamento e Gestão. propor. o que se há de dizer é que o interesse público que contorna o exercício das atividades do funcionalismo público está acima de quaisquer outros tipos de interesse. (. bem assim supervisionar a sua aplicação”. “Art. § 4a Os integrantes da carreira de Finanças e Controle observarão código de ética profissional específico aprovado pelo Presidente da República”.) VI — propor políticas e diretrizes relativas ao recrutamento e seleção. 10. “Art. Lei n. a força do princípio da moralidade. é tão intensamente aclamada pelo texto constitucional que a própria cidadania será removido por um período de dois anos. Veja-se o seguinte Decreto: Decreto n. 127. os princípios e as normas que estão a reger o setor no sentido da garantia de uma melhor administração da justiça social. 126. e dá outras providências — Anexo I — Estrutura Regimental do Ministério do Planejamento. autárquica e fundacional. 32 a 31). assegurando-se-lhe. voltados para. sejam interesses imediatos do governante. de 14-2-2001 (DOU. Seção II — Dos Órgãos Específicos Singulares (arts.180. sejam interesses pessoais do funcionário.

cargo ou emprego na administração direta ou indireta”1 8 2. 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função. de 6 de agosto de 1997. a moralidade para o exercício do mandato. § Ia.. de 6-8-1997 — Anexo — Regulamento do Procedimento Licitatório Sim­ plificado da Petróleo Brasileiro S.passiva (direito de ser votado) fica condicionada à ausência de infrações ao referido princípio: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. nos termos da lei. 3. da Constituição. 1. 9. para con­ tratação de obras. serviços.) 490 . com valor igual para todos.1): 1. Lei Complementar n.id:i com observância dos princípios da legalidade. da publi­ cidade. licitação. disciplina o procedimento licitatório a ser realizado pela PETROBRAS. Vê-se.1 a 1. mediante: § 9a Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação. da impessoalidade. com a redação dada pela Emenda n. de 4 de junho de 1998. (. 2. de 13-4-1994. 129. a moralidade das atividades públicas é a força centrípeta dos princípios da Administração Pública. 25-8-1998) (Aprova o Regulamento do Procedimen­ to Licitatório Simplificado da Petróleo Brasileiro S. considerada a vida pregressa do candidato. 5-10-1988. 14 a 16).A — PETROBRAS previsto no art. De fato. de 24-8-1998 {DOU.. que alterou Lei Complementar n.1 “Este Regulamento. serviço ou fornecimento pretendido pela PETROBRAS e será processada e juli:. a fim de proteger a probidade administrativa. — PETROBRAS): Capítulo I — Disposições Gerais (Itens 1. 9. vazada por digressões explícitas sobre o princípio da moralidade. além de importante foco de dispersão de uma ética administrativa. 67 da Lei n.A. 5a a 17). sobretudo desde a Constituição de 1988. Inclusive dela tem-se ocupado o legislador diutumamente.478.. 19.2 A licitação destina-se a selecionar a proposta mais vantajosa para a realização dn obra. da igualdade. da e c o n o m ic idade. do 18-5-1990. com vistas à recri­ minação de atentados à cidadania nacional e à criação de uma cultura ético-administrativa1 9 em todas as esferas da União e sob quaisquer condições1 0 2. 173. e do art. 14. todo tipo de legislação que envolva atos públicos. 128. compras e alienações..11. Capítulo IV — Dos Direitos Políticos (arts. bem como da vinculação ao instrumento convocatório. 81. 64. da moralidade. define as hipóteses de inelegibilidade por infração ao princípio da moralidade. no momento.478.745. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto. do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos. Tenha-se como exemplo: Decreto n. “Art. editado nos termos da Lei n. e.

15 a 18). com redação dada pela Emenda Constitucional n. em contratação anterior. isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência”. de onde se extra­ em aliás outras grandes armas do cidadão para a defesa da melhoria e da qualidade do serviço público. de ser­ viços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros e dá outras pro­ vidências): Capítulo III — Da Delegação (arts. em detrimento da moralidade administrativa. entre outras hipóteses. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União. mora­ lidade. vê-se o princípio da moralidade esculpido como norma-mandamento no art. para os participantes. impessoalidade. “Art. por exemplo. da igualdade. 37 a 43). em vigor desde a publicação). 191-A): “Art. recusar a adjudicação a firma que. 19. no texto constitucional. antes da assinatura do contrato correspondente. ficando o autor. 6e a 23). à moralidade administrativa. revogar a licita­ ção. disposição assegurando à PETROBRAS o direito de. um dos grandes instrumentos da cidadania. a critério exclusivo da PETROBRAS. também.7 O ato de convocação da licitação conterá. publicidade e eficiência e. ainda. 37 e 38). do jul­ gamento por critérios objetivos e da vinculação ao instrumento convocatório. Artigo. 2. administrativa ou financeira. ao seguinte1 1 3: 1. 23-3-1998) (Dispõe sobre a exploração. ou. “Art. 18 a 43). 5-6-1998. direito a reclamação ou indenização de qualquer espécie”. da publicidade. como segue: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. sempre. 191-A): Título III — Da Organização do Estado (arts. 130. da impesso­ alidade. Capítulo VII — Da Administração Pública (arts. 131. sem que disso decorra. 15. 491 . salvo compro­ vada má-fé. a ação popular como forma de anulação de atos públicos praticados. De fato. caput. 5S. 37.Vincula-se.521. um remédio constitucional de peculiar impor­ tância. mediante permissão e autorização. tenha revelado incapacidade técnica. dos Estados. 37 da Constituição Federal de 1988. Como mais um exemplo dessa preocupação: Decreto n. como se lê a seguir: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 5-10-1988. LXXIII — qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de enti­ dade de que o Estado participe. A licitação para delegação de permissão será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios da legalidade. Seção II — Da Licitação para Outorga de Serviços (arts. da probidade administrativa. da moralidade. ao meio am­ biente e ao patrimônio histórico e cultural. Seção I — Disposições Gerais (arts. do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade. bem assim dos que lhe são correlatos”. de 4-6-1998 (DOU. 5-10-1988. de 20-3-1998 (DOU.

de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego. pelo poder público. XVII — a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias. serviços. suas subsidiárias. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações. se consubstan­ cie numa só prática administrativa. b) a de um cargo de professor com outro. nos termos da lei. 5. c) a de dois cargos pri\ ativos de médico.I — os cargos. observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: a) a de dois cargos de professor. empregos e funções públicas são acessíveis aos brasi­ leiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei. compras e alienações serão contratados mediante processo de li­ citação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorren­ tes. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. portanto. o que há que se dizer é que o agente público exterioriza sua atuação por meio desses veículos formais. as obras. na forma da lei. técnico ou científico. mantidas as condições efetivas da proposta. exce­ to. poder-se-á dimensionar qual a sua importância na vida quo­ 492 . na forma prevista em lei. fundações. de modo a fazer com que o Es­ tado. ali representado. na forma e gradação previstas em lei. e sociedades controladas. assim como aos estrangeiros. quando houver compatibilidade de horários. II — a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. com cláusulas que estabeleçam obrigações de pagamento. De fato. empresas públicas. § 42 Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. a perda da função pública. XXI — ressalvados os casos especificados na legislação. e. direta e indiretamente. Assim. sociedades de economia mista. XVI — é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos.1. todo o povo ali presente. tendo-se em foco o ato e o procedimento.5. sem prejuízo da ação penal cabível”. Ética. ato e procedimento administrativo Este tópico possui sua relevância em meio a esta investigação na me­ dida em que o ato administrativo e o procedimento administrativo constituem os principais instrumentos de atuação da Administração Pública e do Esta­ do.

em conluio ou não com o particular. Direito administrativo brasileiro. as espécies. Está-se. na medida em que se está apelando. E esse tipo de comportamento. Não se trata aqui tanto de analisar as condições formais pelas quais se implementa. a perda da função pública. nesse sentido. O ato administrativo1 2possui características formais importantes que 3 garantem sua validade. “Ato administrativo é toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública que. Meirelles. objeto). mas. qual seja. se está a falar de ética profissional. p. p. os modos.tidiana do serviço público e qual a sua relevância da vinculação ao princípio da moralidade. se conflitar com o princípio da moralidade. forma. portanto. modificar. De fato. Cf. ou impor obrigações aos administrados ou a si pró­ pria” (Meirelles. deve-se ter presente que. do ponto de vista da moralidade administrativa. e que pode ser distorcido por ele. 1994. tenha por fim imediato adquirir. a indisponibilidade dos bens 132. pelas quais se im­ plementa. 37 da Constituição Federal de 1988: “Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos. agindo nessa qualidade. atos admi­ nistrativos negociais. o respeito ao mandamento consti­ tucional que garante higidez ético-social aos atos jurídicos. às voltas com uma exigência que qualifica o ato por uma sua qualidade específica.. atos administrativos enunciativos. transferir. sobretudo àqueles que possuem vinculação direta e imediata com interesses públicos. induz à aplicação do previsto no § 4a do art. atos administrativos ordinatórios. Quando se está a falar de moralidade do ato administrativo. sua eficácia e sua legalidade (competência. a uma qualidade do ato administrativo. ato que é manipulado. o ato administrativo (atos administrativos normativos. mas sim as condições morais. nitidamente lesivo aos interesses pú­ blicos envolvidos em toda prática administrativa. motivo. forjado e tra­ zido à luz pelo agente público. finali­ dade. resguardar. entendendo-se que ato administrati­ vo significa ato de vontade da Administração Pública. fica sujeito à anulação. 133). 160-161. o que há é que o ato administrativo pode preencher inúmeros requisitos. atos administrativos punitivos)1 3 requer seja apreciado também sob a ótica da pertinência ao 3 princípio da moralidade. as características. De fato. 1994.. Direito administrativo brasileiro. 133. 493 . extinguir e declarar direitos. na atual sistemática legal e constitucional.

1994. “Licitação é o procedimento administrativo mediante o qual a Administraçao Pública seleciona a proposta mais vantajosa para o contrato de seu interesse. Como proce­ dimento. 8. na forma e gradação previstas em lei. função. p. Direito administrativo brasileiro. 143). serviço. p. 136. As voltas com a necessidade de contratar 6 a aquisição de material. 494 . A probidade administrativa significa: “A probidade. honradez. Cf. ou a prestação de um serviço (obra. 1994. Direi­ to administrativo brasileiro. a saber. concessão. p. 3. 24 e 25 da Lei n. cargo. integridade de caráter. Uma das práticas administrativas de maior preocupação nesse sentido é o procedimento de licitação13 . Direito administrativo moderno. Tendo-se em vista que já se tratou do ato administrativo. decorro do princípio da moralidade administrativa. 1996. As várias modalida­ des licitatórias (concorrência. Meirelles. é o meio regular para o preenchimento dessa meta jurídico-administrativa. pode ser taxado de ilegítimo. Direito administrativo brasileiro. 251. previstas especificamente em lei. Na linguagem comum. nesse momento. Além do que ficou dito. 17. e não pessoas ou empresas. se encontra o da moralidade dos atos públicos. retidão. 137. a licitação. alienação. que importe em enriquecimento ilícito ou proveito próprio ou de outrem no exercício de mandato. desenvolve-se através de uma sucessão ordenada de atos vinculantes para a admi­ nistração e para os licitantes. entre os quais. emprego público (Medauar.666/93). permissão e locação)1 7 o procedimento licitatório. o que propicia igual oportunidade a todos os interessados c atua como fator de eficiência e moralidade nos negócios administrativos” (Meirelles. 135. 186-187.e o ressarcimento ao erário. presentes e futu­ ros. 247). 1994. É de particular importância que o Estado. de modo a ser cassado em toda a sua possibilidade e potencialidade lesiva1 5 3. tomada de preços. iguali­ tário. fica sujeito à anulação pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário. como tal. deve-se. ao contratar. e. Nessa medida. afora as hipóteses de dispensa e inexigibilidade de licitação (arts. convite. A improbidade administrativa tem um sentido forte de conduta que lese o erário público. leilão. avaliando propostas. p. concurso) P 134. Cf. o faça de modo impessoal. entende-se que o ato administrativo praticado em desconformidade com princípios fundamentais do direito. que há de caracterizar a conduta e os atos das autoridades e agentes públicos. compra. sem pre­ juízo da ação penal cabível”1 4 3. aparecendo como dever. mencionar qual o tratamento que se confere a um dos principais procedimentos administrativos. sem dúvida. Meirelles. o que se está a dizer é que o ato ilegítimo é nulo. probidade equivale a hones­ tidade. impassível de produzir efeitos passados.

surge como dever de todo administrador o respeito à probida­ de administrativa na prática de ato administrativo. Seção I — Dos Princípios (arts. p. Perceba-se que esta é uma preocupação recente. adjudicação compulsória ao vencedor. vinculação ao edital ou convite. no património público. do julgamento objetivo e dos que lhes são cor­ relatos”. resumem-se nos seguintes preceitos: procedimento formal. agora. XXI. o uso adequado da licitação transforma a sua mera utilidade prática para a Administração Pública em cânone do cumprimento dos compromissos constitucionais do Estado com a cidadania. Além de outras condições formais e legais. “Art. uma adequação. julgamento objetivo. Então. da Constituição Federal. 248). Direito administrativo brasileiro. da probidade administrativa. 8. sigilo na apresentação das propostas. dentre os princípios básicos da licitação. da publicidade. 250. 495 . da igualdade. 3S)” (grifo nosso) (Meirelles. 1994.. Meirelles. 3a A licitação destina-se a garantir a observância do princípio consti­ tucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a Admi­ nistração e será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade. Institui Normas para Licitações e Contratos da Administração Pública e dá outras Providências): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. qualquer que seja a sua modalidade. o que se quer ressaltar é o fato de que a probidade admi­ nistrativa foi incluída como uma condição de suma importância para a execução do ato administrativo1 9 3. o da probidade administrativa (art. 22-6-1993) (Regulamenta o art. como condição de validade. O Estatuto acrescentou. nos espaços urbanos ou rurais. Direito administrativo brasileiro. igualdade entre os licitantes. 1994. inclusive aparece no livro de Meirelles como uma atualização de texto: “Os princípios que regem a licitação. Ia a 5a). deve-se tratar o processo como forma de se revestir uma necessidade públi­ ca com a manta ética da atuação estatal: 138. da vinculação ao instrumento convocatório. Um aspecto relevante a ser considerado quando se discute a importân­ cia da licitação é o fato de que esta é um instrumento procedimental para que a Administração Pública e o Governo executem as políticas de inter­ venção na vida das pessoas.. pu­ blicidade de seus atos. entre outros.devem prever. de 21-6-1993 (DOU. Assim. 139. no fornecimento de condições técnicas de saneamento. da moralidade. p.666. Por isso. ao princípio da moralidade1 38: Lei n. 37. da impessoalidade. na circulação de veículos. Cf. Ia a 19).

vedada a renúncia lotai ou parcial de poderes ou competências. decoro e boa-fé. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público. contraditório. aos princípios da legalidade. ret. l 2-2-1999. 9. 11-3-1999) (Regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Capítulo I — Das Disposições Gerais (arts. à produção de provas e à interposição de recursos. segurança e respeito aos direitos dos administrados: X — garantia dos direitos à comunicação. entre outros. IX — adoção de formas simples. I2 e 22). Nos processos administrativos serão observados. XIII — interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige. de ofício. proporcionalidade. razoabilidade. III — objetividade no atendimento do interesse público. V — divulgação oficial dos atos administrativos. XI — proibição de cobrança de despesas processuais. vedada aplicação retroativa de nova interpretação”. VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados.784. suficientes para propiciar adequado grau de certeza. interesse público e eficiência. segurança jurídica. vedada a imposição de obrigações. VII — indicação dos pressupostos de fato e de direito que determina­ rem a decisão. 22A Administra­ ção Pública obedecerá. sem prejuízo da atuação dos interessados. 496 . do processo administrativo. nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. os critérios de: I — atuação conforme a lei e o Direito. ressalvadas as previstas em lei. “Art. II — atendimento a fins de interesse geral. IV — atuação segundo padrões éticos de probidade. dentre outros. vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades. moralidade. de 29-1-1999 (DOU. Parágrafo único. VI — adequação entre meios e fins. ampla defesa. XII — impulsão. salvo autorização em lei. à apresentação de alegações finais. motivação.Lei n. ressalvadas as hipó­ teses de sigilo previstas na Constituição. finali­ dade.

ao desleixo na prática de atos administrativos. criar uma forte e consistente política de bani­ mento e expurgo das imoralidades administrativas. uma política de moralização dos setores públicos parece se constituir numa reivindicação de primeiro escalão.. no sentido da criação única e exclusiva de preceitos legais sobre ética e moralidade administrativa. seja por meio do Executivo ou do Judiciário.Desse modo. Enfim. Deve-se. tal ato deve possuir uma pertinên­ cia tal com os interesses socioinstitucionais que não se permita a interfe­ rência de qualquer outra preocupação. mas também se sabe que sua eficácia práti­ ca é ainda insuficiente para deter as avalanches de imoralidades adminis­ trativas. onde está a administração. com o que é governamental. independentemente de qualquer causa ou razão especial. A noção de público aqui está a nortear toda a reflexão. seja por meio do Legislativo. onde está o governo. no atual contexto. Assim. pois o que é público. coletivos e difusos por meio de mecanismos comuns a todos. O clamor público é nesse sentido. além de respeito à legalidade. A cultura contemporânea. so­ bretudo. e. Quer-se dizer que o desprestígio das instituições públicas tem como principal fato gerador o menosprezo da consciência social deferido à coisa pública. ao sucateamento de determinadas áreas de atuação essencial do Estado. Aquilo que é público não se confunde com aquilo que é definido como coletivo. se define como algo que se defende. que se protege em si e por si. por natureza. caminha em direção à ideia de políticas públicas. o descrédito das instituições públicas se deve. ao mau uso do aparelhamento estatal. mais do que centrada na ideia de atos administrativos. Na medida em que se está a praticar um ato que tem que ver com a administração concreta da justiça social.. Sabe-se da necessidade de leis para exigirem novas posturas administrativas. portanto. o que passa a reclamar do servidor. inclusive incondicionalmente. também. 497 . no entanto. a coisa pública tem de ser respeitada como condição para que se instrumentalizem os interesses individuais. a busca de eficiência e atendimento das necessidades públicas em coopera­ ção com a sociedade civil. à transformação do exercício de função pública como se privada fosse. com o que é desta geração ou desta sociedade atual. além de se trilhar a mesma linha do legislador. senão aquelas que ainda mais pro­ fundamente sejam capazes de aperfeiçoar as mesmas instituições. enfim. em grande parte. ali deve estar o com­ promisso com a coisa pública. quando e onde for praticado um ato administrativo.

com indicação das fontes de renda. uma cópia da declaração ao Tribunal de Contas da União. emprego ou função. V — membros da Magistratura Federal. incontinenti. 498 . Inclusive. II — Vice-Presidente da República. de qualquer dos Poderes da União. se for o caso. Empregos e Funções nos Poderes Executivo. por pai to das autoridades e servidores públicos adiante indicados: I — Presidente da República. 11-11-1993) (Estabelece a Obri­ gatoriedade da Declaração de Bens e Rendas para o Exercício de Cargos. 8. para o fim de este: I — manter registro próprio dos bens e rendas do património privado de autoridades públicas. a título exemplificativo. na entrada em exercício de cargo. ls É obrigatória a apresentação de declaração de bens. com apoio nos sistemas de controle interno de cada Poder. no momento da posse ou. IV — membros do Congresso Nacional. e dá outras providências): “Art. ainda que não sejam suficientes para debelar toda uma corrente de efeitos que ainda per­ duram como consequência de uma linha antiética que por longo tempo preponderou na administração da justiça social. renúncia ou afastamento definitivo. inexistindo esta. II — exercer o controle da legalidade e legitimidade desses bens e rendas. de 10-11-1993 (DOU. VII — todos quantos exerçam cargos eletivos e cargos. indireta e fundacional.730. III — adotar as providências inerentes às suas atribuições e. bem como no final de cada exercício financeiro. Legislativo e Judiciário. § le A declaração de bens e rendas será transcrita em livro próprio dc cada órgão e assinada pelo declarante. tudo com vistas à efetiva proteç u> do patrimônio público: Lei n.Os tacanhos avanços nessa área são de grande relevo. prevê-se toda uma sistemática para que haja controle de bens por parte de alguns agentes públicos. VI — membros do Ministério Público da União. empregos ou funções de confiança. no término da gestão ou mandato e nas hipóteses de exoneração. § 2S O declarante remeterá. representar ao Poder competente sobre irregularidades o u abusos apurados. na administração direta. III — Ministros de Estado.

“Art. pela ética profissional1 40. bem assim. V — prestar a qualquer das Câmaras do Congresso Nacional. 1. de pontualidade e assiduidade. na forma da lei”.780. pelo zelo profissional. em sessenta dias. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. com isso. ls Fica aprovado o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 30. Assim. Art. o que há é que a ascensão por mérito em carreiras públicas é sempre avaliada pela suficiência funcio­ nal. E. inclusive mediante a Constituição da 140. para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou à moralidade administrativa. de 22-6-1994 (DOU. Ia a 3a): “Art. durante sua permanência na classe. 20-9-1960) (Dispõe sobre Classificação de Cargos do Serviço Civil do Poder Executivo. os servidores públicos federais. ainda que formalmente.171.2. a escalada na carreira pública aos infratores da ética profissional. periodicamente. Decreto n. para definir os parâ­ metros pelos quais serão apreciados os comportamentos dos agentes públi­ cos.. 1. ou às respectivas Comissões. de capacidade e eficiência. 23-6-1994) (Aprova o Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal (arts. Quer-se. e. 29 a 33). 5. estruturado com vistas à repreensão dos atos desviantes dos interesses públicos contidos nas atividades públicas. ret. pela produtividade. VI — fornecer certidões e informações requeridas por qualquer cida­ dão. pela urbanidade do agente público.5. de qualificação para o desem­ penho das atribuições de classe superior.. 499 . informações solicitadas por escrito. inclusive. 12-7-1960. de 12-7-1960 (DOU. 3. Código de Ética do servidor público civil federal Os próprios degraus da carreira pública encontram-se vinculados a requisitos impostos pela ética profissional. por extra­ to. 2a Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta e indireta implementarão. e dá outras providências): Capítulo VII — Da Promoção (arts.171/94). dados e elementos constantes da declaração. restringir. em específico. no Diário Oficial da União. ética profissional e compreensão dos deveres e. pela tempestividade dos atos praticados.IV — publicar. que com este baixa. Lei n. é que se apreciará o Código de Ética a seguir apresentado (Decreto n. pelo compromisso com o público. espírito de colaboração. A promoção obedecerá sempre à ordem de classificação do funcionário na lista de merecimento”. Parágrafo único. Estabelece os Vencimentos Correspondentes. as providências necessárias à plena vigência do Código de Ética.

o oportuno e o inopor­ tuno. dispõe que: •A dignidade. como contrapartida.171. onde se prevcem os comportamentos éticos segundo os quais se poderão avaliar o desempe­ nho e o zelo dos profissionais públicos. • A moralidade da Administração Pública não se limita à distinção entre o bem e o mal. O texto do decreto é sucinto na indicação de suas características nor mativas. Parágrafo único. como consequência. 32 Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação”. 37. o texto do Decreto n. cm seu Anexo ao Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal. 1. 500 . na conduta do ser­ vidor público. até por ele próprio. • O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento ético de sua conduta. como elemento indissociável de sua aplicação e de sua finalidade. que a moralidade administrativa se integre no direito. mas extremamente extensivo em seu texto Anexo. O equilíbrio entre a legalidade e a finalidade. consoante as regras contidas no art. já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal.respectiva Comissão de Ética. devendo ser acrescida da ideia de que o fim é sempre o bem comum. da Constituição Federal (II). • A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos pagos direta ou indiretamente por todos. I a XV. mas principalmente entre o honesto e o desonesto. em seu Capítulo I. caput e § 4fl. nos arts. o conveniente e o inconveniente. percebe-se a latitude dos compromissos funcionais assumidos por aqueles que estarão a desempenhar atividades junto à Admi­ nistração Pública. integrada por três servidores ou empregados titulares de cargo efetivo ou emprego permanente. é que poderá consolidar a moralidade do ato administrativo (III). a eficácia e a consciência dos princípios morais são primados maiores que devem nortear o servidor público. o zelo. Quando se está à volta com a aná­ lise do texto do decreto. com a indicação dos respectivos membros titulares e suplentes. não terá de decidir somente entre o legal e o ilegal: o justo e o injusto. na seção in­ titulada Das Regras Deontológicas. erigindo-se. sc|a no exercício do cargo ou função. e por isso se exige. Art. A constituição da Comissão de Ética será comunica­ da à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República. De fato. em fator de legalidade (IV). o decoro. ou fora dele. comportamentos e atitudes serão direcionados para a preservação da honra e da tradição dos serviços públicos (I). Seus atos. de 22-6-1994. Assim.

mas principalmente grave dano moral aos usuários dos serviços públicos (X). • Deixar o servidor público qualquer pessoa à espera de solução que com­ pete ao setor em que exerça suas funções. Tratar mal uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa causar-lhe dano moral. difíceis de corrigir e caracterizam até mesmo impru­ dência no desempenho da função pública (XI). da opressão ou da mentira. Assim. não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e às instalações ou ao Estado. assim. • Salvo os casos de segurança nacional. portanto. ainda que contrária aos interesses da própria pessoa interessada ou da Administração Pública. velando atentamente por seu cumprimento. às vezes. investigações policiais ou interesse superior do Estado e da Administração Pública.• O trabalho desenvolvido pelo servidor público perante a comunidade deve ser entendido como acréscimo ao seu próprio bem-estar. se integra na vida particular de cada servidor público. já que. o cuidado e o tempo dedicados ao serviço pú­ blico caracterizam o esforço pela disciplina. permitindo a formação de longas filas. o êxito desse trabalho pode ser conside­ rado como seu maior patrimônio (V). imputável a quem a negar (VII). a publicidade de qualquer ato administrativo constitui requisito de eficácia e moralidade. como cidadão. não caracteriza apenas atitude contra a ética ou ato de desumanidade. ensejando sua omissão comprometimento ético contra o bem comum. Da mesma forma. deteriorando-o. por descuido ou má vontade. O servidor não pode omiti-la ou falseá-la. suas esperanças e seus esforços para construí-los (IX). • O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens legais de seus supe­ riores. nos termos da lei. mas a todos os homens de boa vontade que dedicaram sua inteligência. causar dano a qualquer bem pertencente ao patrimônio público. • A cortesia. seu tempo. • Toda pessoa tem direito à verdade. que sempre aniquilam até mesmo a dignidade humana quanto mais a de uma Nação (VIII). ou qualquer outra espécie de atraso na prestação do serviço. Os repetidos erros. Nenhum Estado pode crescer ou estabilizar-se sobre o poder corruptivo do hábito do erro. a serem preservados em processo previamente declarado sigiloso. o descaso e o acúmulo de desvios tomam-se. • A função pública deve ser tida como exercício profissional e. evitando a conduta negligente. e. integrante da sociedade. os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia em sua vida privada poderão acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional (VI). 501 . a boa vontade.

direitos e serviços da coletividade a seu cargo.• Toda ausência injustificada do servidor de seu local de trabalho é fator de desmoralização do serviço público. as atribuições do cargo. abstendo-se. c) ser probo. cunho político e posição social. quando esti­ ver diante de duas opções. respeitando a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do serviço público. porém sem nenhum temor de represen­ tar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura em que se funda o Poder Estatal. na certeza de que sua ausência provo­ ca danos ao trabalho ordenado. a melhor e a mais vantajosa para o bem comum: d) jamais retardar qualquer prestação de contas. função ou emprego público de que seja titular. pois sua atividade pública é a grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da Nação (XIII). j) zelar. i) resistir a todas as pressões de superiores hierár­ quicos. e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços. leal e justo. g) ser cortês. dessa forma. disponibi­ lidade e atenção. religião. de contratantes. k) ser assíduo e frequente ao serviço. o que quase sempre conduz à desordem nas relações humanas (XII). sexo. benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais. escolhendo sempre. condição essencial da gestão dos bens. reto. a tempo. refletindo negativamente em todo o sisiema. pondo fim ou procurando prioritariamente resolver situações procrastinatórias. ilegais ou aéticas e denunciá-las. seguindo os méto­ dos mais adequados à sua organização e distribuição. • São deveres fundamentais do servidor público: a) desempenhar. m) manter limpo e em perfeita ordem o local de trabalho. exigindo as providências cabíveis. cor. no exercício do direito de greve. n) participar dos 502 . f) ter consciência de que seu tra­ balho é regido por princípios éticos que se materializam na adequada prestação dos serviços públicos. demons­ trando toda a integridade do seu caráter. pelas exigências específicas da defesa da vida e da segurança coletiva. com o fim de evitar dano moral ao usuário. nacionalidade. b) exercer suas atribuições com rapidez. colabora e de todos pode receber colaboração. 1) comunicar imediatamente a seus superiores todo e qualquer ato ou fato contrário ao interesse público. perfeição e rendimento. prin­ cipalmente diante de filas ou de qualquer outra espécie de atraso na pres­ tação dos serviços pelo setor em que exerça suas atribuições. de causar-lhes dano moral. sem qualquer espécie de preconcei­ to ou distinção de raça. aperfeiçoando o processo de comunicação e contato com o público. ter urbanidade. idade. interessados e de outros que visem obter quaisquer favores. • O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura organizacional respeitando seus colegas e cada concidadão. h) ter respeito à hierarquia.

segurança e rapidez. mesmo que observando as formalidades legais e não cometendo qualquer violação expressa à lei. em função de seu espírito de solidariedade. mantendo tudo sempre em boa ordem. sem estar legalmente autorizado. posição e influências. i) iludir ou tentar iludir qualquer pessoa que necessite do atendimento em serviços públicos. d) usar de arti­ fícios para procrastinar ou dificultar o exercício regular de direito por qualquer pessoa. provocar. 1) 503 . com critério. as normas de serviço e a legisla­ ção pertinentes ao órgão onde exerce suas funções. solicitar. de acordo com as normas do serviço e as instruções superiores. prêmio. causando-lhe dano moral ou material. para si. doação ou vantagem de qualquer espécie. b) prejudicar deliberadamente a reputação de outros servidores ou de cidadãos que deles dependam. r) facilitar a fiscalização de todos os atos ou serviços por quem de direito. f) permitir que perseguições.movimentos e estudos que se relacionem com a melhoria do exercício de suas funções. para si ou para outrem. com os jurisdicionados administrativos ou com os colegas hierarquicamente superiores ou inferiores. antipatías. simpatias. as tarefas de seu cargo ou função. gratificação. p) manter-se atualizado com as instruções. h) alterar ou deturpar o teor de documentos que deva encaminhar para providências. e) deixar de utili­ zar os avanços técnicos e científicos ao seu alcance ou do seu conheci­ mento para atendimento do seu mister. amizades. j) desviar servidor público para atendimento a interesse particu­ lar. tempo. livro ou bem pertencente ao patrimônio público. t) abster-se. comissão. abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos legítimos interesses dos usuários do serviço públi­ co e dos jurisdicionados administrativos. para obter qualquer favorecimento. s) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais que lhe sejam atribuídas. g) pleitear. tendo por escopo a realização do bem comum. u) divulgar e informar a todos os integrantes da sua classe sobre a existência deste Código de Ética. para o cumprimento da sua missão ou para influenciar outro servidor para o mesmo fim. paixões ou interesses de ordem pessoal interfiram no trato com o público. q) cumprir. c) ser. k) retirar da repartição pública. conivente com erro ou infração a esse Código de Ética ou ao Código de Ética de sua profissão. facilidades. caprichos. poder ou autoridade com finalidade estranha ao interesse público. es­ timulando o seu integral cumprimento (XIV). de exercer sua função. de forma absoluta. • É vedado ao servidor público: a) o uso do cargo ou função. familiares ou qualquer pessoa. o) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao exercício da função. qualquer documento. tanto quanto possível. sugerir ou receber qualquer tipo de ajuda financeira.

o) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a empreendimentos de cunho duvidoso (XV). • Cada Comissão de Ética. e. servidor. deverá ser criada uma Comissão de Ética. n) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra a moral. fato ou conduta que considerar passível de infringência a princípio ou norma ético -profissional. aos organismos encarregados da execução do quadro de carreira dos servidores. em benefício próprio. de parentes. • À Comissão de Ética incumbe fornecer. integrada por três servidores públicos e respec­ tivos suplentes. cabendo sempre recurso ao respectivo Ministro de Esta­ do (XIX). de ofício. se for o caso. competindo-lhe conhecer concretamente de imputação ou de procedimento susceptível de censura (XVI). desde que formuladas por autoridade. cumulativamente. terão o rito sumário. no tratamento com as pessoas e com o patrimônio público. • Em todos os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta. poderá instaurar. m) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele habitualmente. jurisdicionados administrativos. se apresente contrário à ética. se houver. a repartição ou o setor em que haja ocorrido a falta. processo sobre ato. autárquica e fundacional. para o efeito de instruir e fundamentar promoções e para todos os demais procedimentos próprios da carreira do servidor público (XVIII). podendo ainda conhecer de consultas. indireta. de amigos ou de terceiros. em princípio. ou apenas este. em conformidade com este Código. a honesti­ dade ou a dignidade da pessoa humana. ouvidos apenas o queixoso e o servidor. para a apu­ ração de fato ou ato que.fazer uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço. 504 . • Dada a eventual gravidade da conduta do servidor ou sua reincidencia. cuja análise e deliberação forem reco­ mendáveis para atender ou resguardar o exercício do cargo ou função pública. qualquer cidadão que se identifique ou quaisquer entida­ des associativas regularmente constituídas (XVII). se a apuração decorrer de conheci­ mento de ofício. à entidade em que. • Os procedimentos a serem adotados pela Comissão de Ética. encarregada de orientar e aconselhar sobre a ética profissional do servidor. denúncias ou representações formuladas contra o servidor público. poderá a Comissão de Ética encaminhar a sua decisão e respectivo expe­ diente para a Comissão Permanente de Processo Disciplinar do respectivo órgão. os registros sobre sua conduta ética. ou em qualquer órgão ou entidade que exerça atribuições delegadas pelo poder público.

temporária ou excepcional. o servidor público esteja inscrito. Ademais. no plano dos deveres do servidor. desde que ligado direta ou indireta­ mente a qualquer órgão do poder estatal. contrato ou de qualquer ato ju­ rídico. divulgadas no pró­ prio órgão. serão resumidas em ementa e. • Para fins de apuração do comprometimento ético. entende-se por servidor público todo aquele que. com ciência do faltoso (XXII). preste serviços de natureza permanente. as fundações públicas. aos costumes e aos princípios éticos e morais conhecidos em outras profissões (XXIII). alistam-se as seguintes exigências que garantem a higidez do serviço e a adequada prestação de atendimento às necessidades públicas e sociais: 505 . as empresas públicas e as sociedades de economia mista. • A pena aplicável ao servidor público pela Comissão de Ética é a de cen­ sura e sua fundamentação constará do respectivo parecer. um compromisso sole­ ne de acatamento e observância das regras estabelecidas por esse Código de Ética e de todos os princípios éticos e morais estabelecidos pela tradi­ ção e pelos bons costumes (XXV). O retardamento dos procedimentos aqui prescritos implicará comprometimento ético da própria Comissão. • As decisões da Comissão de Ética. com a omissão dos nomes dos interessados. caben­ do à Comissão de Ética do órgão hierarquicamente superior o seu conhe­ cimento e providências (XX). deverá ser prestado. por força de lei.por exercício profissional. as entidades paraestatais. perante a respectiva Comissão de Ética. criadas com o fito de formação da consciência ética na prestação de serviços públicos. Uma cópia completa de todo o expediente deverá ser remetida à Secretaria da Administração Federal da Presidência da República (XXI). bem como remetidas às demais Comissões de Ética. alegando a falta de previsão nesse Código. assinado por todos os seus integrantes. para as pro­ vidências disciplinares cabíveis. ou em qualquer setor onde prevaleça o interesse do Estado (XXIV). na análise de qualquer fato ou ato submetido à sua apreciação ou por ela levantado. ainda que sem retribuição financeira. • Em cada órgão do Poder Executivo Federal em que qualquer cidadão houver de tomar posse ou ser investido em função pública. cabendo-lhe recorrer à analogia. como as autarquias. • A Comissão de Ética não poderá se eximir de fundamentar o julgamento da falta de ética do servidor público ou do prestador de serviços contrata­ do.

São deveres do servidor: I — exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo. 506 . IV — cumprir as ordens superiores. XII — representar contra ilegalidade. VII — zelar pela economia do material e a conservação do património público. inclusive.■ mações requeridas. 18-3-1998) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União. 402). / < ‘tii(loi ik direito administrativo. 116). ressalvadas as protegidas por sigilo. III — observar as normas legais e regulamentares. “Pena disciplinar é a sanção imposta ao funcionário público faltoso. IX — manter conduta compatível com a moralidade administrativa: X — ser assíduo e pontual ao serviço. portanto. 8. tenha condições técnicas de contribuir para o e\ercício das atividades estatais. 12-12-1990) (DOU. XI — tratar com urbanidade as pessoas. 141. omissão ou abuso de poder". aos moldes da mera omissão dc ile­ galidades. de contribuir para o combate da ilegalidade e do abuso de poder. c) às requisições para a defesa da Fazenda Pública. Não cumpridos esses deveres. mas avançam no sentido de exigir do servidor uma atitude comissiva. pois. prestando as infor. VIII — guardar sigilo sobre assunto da repartição. VI — levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo. Capítulo I — Dos Deveres (art. b) à expedição dc certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situações de interesse pessoal.112. exceto quando manifestamente ilegais. 16. tendo p fim a correção sua. p. 1995. V — atender com presteza: a) ao público em geral. e. que os deveres do servidor público não se restringem a ser simplesmente deveres negativos. fica o servidor sujei­ to às sanções disciplinares legais1 1 4. das Autarquias e das Fundações Públicas Federais): Título IV — Do Regime Disciplinar (arts. São deveres na medida em que este é o conteúdo mínimo de conduta profissional para que o servidor seja considerado um agente público. Percebe-se. 116 a 142). 19-4-1 w iret. de 11-12-1990 (DOU. e. II — ser leal às instituições a que servir. “Art. além da prevenção que sua aplicação enseja” (Lazzarini.Lei n. atuante.

191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas dè competência. §1SA polícia federal. 144. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. V — polícias militares e corpos de bombeiros militares. IV — polícias civis. “Art. III — polícia ferroviária federal. aeroportuária e de fron­ teira1 3 4. 5-10-1988. assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacional e exija repressão uniforme. 143. § l 2 com redação dada pela Emenda Constitucional n. através dos seguintes órgãos: I — polícia federal. em vigor desde a publicação). III — exercer as funções de polícia marítima. o contrabando e o descaminho. instituída por lei como órgão permanente. 142.3. orga­ nizado e mantido pela União e estruturado em carreira. dever do Estado.5. II — polícia rodoviária federal. as funções de polícia judiciária da União. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n. direito e responsabilidade de todos. IV — exercer. 5-6-1998. 5-6-1998. Pode-se localizar no art. de 4-6-1998 (DOU. um dever do Estado: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas. 144 um conjunto de preceitos que destinam recursos e competências para entidades que devem concorrentemente exer­ cer a segurança pública. de 4-6-1998 (DOU.5. ou seja. Polícias civil e militar: ética e segurança pública É a partir da atribuição constitucional que se pode diferenciar o signi­ ficado das entidades que atuam no desempenho de atividades de segurança pública. com exclusividade. II — prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. segundo se dispuser em lei. 19. destina-se a1 42: I — apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. 136 a 144). 144). em vigor desde a publicação). A segurança pública. 19. 507 . Capítulo III— Da Segurança Pública (art.

as atividades da polícia civil enni aquelas que são próprias da polícia militar: a polícia civil incumbe-se da polícia judiciária e da apuração de infrações penais. incumbem. serviços e instalações por meio da guarda metropo­ litana1 4 4. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais. § 4a Às polícias civis. está-se diante de situações típicas. de maneira a garantir a eficiência de suas atividades. Não se pode confundir. do Território ou do Distrito Fe­ deral. restando ao Prefeito do Município organizar o policiamento dos monumentos públicos. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. subordinam-se. polícia civil e polícia militar. dirigidas por delegados de polícia dc carieira. serviços e interesses da União ou de suas entidade au­ tárquicas e empresas públicas. a polícia militar se incumbe da polícia ostensiva e da salvaguarda da ordem pública. conforme dispuser a lei". organizado e mantido pela União e estruturado em carreira. “Essa divisão constitucional. destina-se. ressalvada a competência da União. aos corpos de bombeiros militares. § 5a As polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública. Então. portanto. na verdade. § 8a Os Municípios poderão constituir guardas municipais desti nadas à proteção de seus bens. poderia ser reduzida a uma tríplic categoria: polícia federal. § 6a As polícias militares e corpos de bombeiros militares. destina-se. exceto as militares. Aml\is> são atribuições do Governador do Estado. do Distrito Federal e dos Territórios. 144. 2. § 3a A polícia ferroviária federal. incumbe a execução de atividades de defesa civil. órgão permanente. Ibrças au­ xiliares e reserva do Exército. serviços e instalações. prevenir e reprimir o tráfico 508 . aos Governadores dos Estados. órgão permanente. “A polícia federal tem por funções: 1. assim como outras infrações cuja prática tenha re p e rc u ss ã o interestadual ou internacional e exija repressão uniforme.§ 2a A polícia rodoviária federal. § 7a A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública. no sentido de se garantir a eficièni ia nu organização dessas instituições importantes para a guarda da lei no corpo social. inteiramente controladas normativamente pela Constituição. na forma da lei ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens. organi/adn e mantido pela União e estruturado em carreira. juntamente com as polícias civis. além das atribuições definidas em lei.

aquele que é servidor da ilícito de entorpecentes e drogas afins. 5. 6. O agente de segurança. truculência. exigem propina e participação no produto do crime. deve ser: aquele que é fiel cumpridor de seus deveres e atribuições. 283-284). “A polícia militar se encarrega do policiamento ostensivo e da preservação da ordem pública. o contrabando e o descaminho. e é esse conceito que se está diluindo dentro de uma cultura do desmando e da corrupção dos poderes1 5 4. fazem surgir drogas nas revistas a que procedem. tendo-se em vista que seus pró­ prios agentes estão envolvidos na corruptela dos sagrados valores sociojurídicos. sendo estes valores complementares e não opostos. 3. além das atribuições definidas em lei. utilizam-se de tortura e não respeitam. hoje entidade federativa. “É reservado ao município. Ruindo esse conceito. constituir guardas municipais com o único objetivo de proteger seus bens. é o corpo de bombeiros mili­ tares. patrulhar ostensivamente as ferrovias federais (polícia ferroviária federal). 4. mas se subor­ dinam. . A Constituição prevê sejam elas dirigidas por delegados de po­ lícia de carreira. há em comum com essas atividades de segurança a natureza de serviço a favor da comunidade. p. Ética geral e profissional. sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência. o policiamento comunitário e as diversas formas de aprimoramento da polícia e sua atividade socialmente relevante de defesa da pessoa humana devem estar em discussão para que a polícia não se vulgarize em valores e se equi­ pare à própria atividade violenta que procura combater. serviços e instalações” (Nalini. incumbe a execução de atividades de defesa civil. com exceção das militares. patrulhar ostensivamente as rodovias federais (polícia rodoviária federal). em sua investidura pública. que atiram antes de saber quem são suas vítimas. Um de seus organismos. São policiais arbitrários. Ética geral e profissional. O grande desafio de promover segurança com cidadania. Ademais. em síntese. 145. qualquer direito humano” (Nalini. “A polícia civil exerce as funções de polícia judiciária e apuração das infrações penais. aos governadores. aérea e de fronteiras. “A comunidade recebe todos os dias carga considerável de queixas e críticas contra a polícia. assim como a polícia civil. é o desenvolvimento de uma cultu­ ra de educação e direitos humanos no interior das corporações. Ambos são considerados forças auxiliares e reserva do Exército. surgem as arbitrariedades e os ilegalismos aos quais nem mesmo o Estado é capaz de enfrentar. exercer as funções de polícia marítima. discriminação e violência tomam conta da cultura da segurança pública é o próprio Estado de Direito que está ameaçado em sua legitimidade social. Quando corrupção. p. 1999. 285). destacado pelo constituinte. exercer as funções de polícia judiciária da União. 1999. a quem.De qualquer forma.

a falta de investimento no setor. mais especificamente. A erosão das instituições. Uma falsa noção de conflito de atribuições é. protetor de todas as pessoas e profissional responsável” (Nalini. primando pela ética profissional em favor dos interesses públicos decorrentes da própria natureza da ativi J. deve o profissional que adentra à função capacitar-se para o exercício do mister independente de qualquer condicionamento exterior. 149. que denominam de atritos entre as polícias. 147. por vezes seus agentes se encontram diante de situações que facilitam o descumprimento dos deveres profissionais ineren­ tes ao exercício da função pública. “O relatório dos juristas reunidos no Fórum Criminalidade e Violência. 148. <le\ endo ser fiel cumpridor dos deveres legais. Nesse contexto é que não se pode cogitar da existência de diferenças e melindres entre os exercentes das atividades de segurança pública e. já apontava como fatores sociais geradores de insegurança os seguintes: a) crescimento populacional acelerado. invariavelmente. a causa desses melindres: “Os órgãos de comunicação social. noticiam conflitos entre órgãos policiais.. p. entre outros fatores. o aumento insuportável das taxas de criminalidade. f) o problema do menor” (Lazzarini. 78). 303). 288). d) a falta de planejamento familiar. dispersão de esforços. dentre os quais avulta a observância eslnta às normas éticas” (Nalini. c) a distribuição inndequada de renda. a desvalorização do conceiiu do\ agentes públicos. adoção de critérios objetivos de aferiçao do desempenho. a criação de uma cons­ ciência generalizada da impunidade. Estudos de direito administrativo. está condicionada ao desenvolvimento da consciência ética de seus integrantes. cm 1980.. Ética geral e profissional. Eles ocorrem. p. por necessidades imediatas. a corrupção dos agentes públicos. 1999. que se incumbem da segurança pública1 8 Premidos 4. E as receitas são as já conhecidas de todos: adoção de mecanismos adequados de seleção e de capacitação dos quadros. 1999. aquele que é protetor incondicional das pessoasaquele que é profissional responsável no exercício de suas atividades. da super­ posição de meios. 146. recuperação salarial. de reconhe­ cida necessidade social. Essa deontologia se extrai das lições de Nalini: “O policial é o servidor encarre­ gado de fazer cumprir a lei. reforço dos padrões qualitativos. busca de notoriedade por policiais. Mas toda essa deontologia se toma mero código fraco de obrigações éticas quando se está diante de um grave problema social e político: a falta de valorização da segurança pública. p. Eis aí uma deontologia dos agentes públicos de segurança1 6 4.comunidade à qual se liga. geraram o sucateamento das instituições. com certeza. servidor de sua comunidade. entre policiais civis e militares1 9 todos estão investidos 4. igualmente voltadas à conseci ição do bem comum. Ética geral e profissional. b) a má distribuição demográfica. Nas raí/es da 510 . No entanto. Nessa condição.ule. 1995. não raras vezes. e) as favelas e conglomerados. submete-se a quatro coordenadas. “A sadia convivência entre as polícias.*47.

5a a 192). portanto. durante sua permanência na classe. 3a Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil: I — construir uma sociedade livre. raça. de pontualidade e assiduidade. Ia a 4a). na Forma Prevista no art. a ética se constitui um pilar a favor da construção. ética profissional e compreen- divergência. III — erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualda­ des sociais e regionais. p. o que significa. 1973) (Dispõe sobre o Regime Jurídico dos Funcionários Policiais Civis do Departamento Federal de Segurança Pública e da Polícia do Distrito Federal. tendo-se em vista a diferenciação de competências. 72 da Lei n. e ao cumprimento das finalidades que deram origem ao seu surgimento corporativo. urna vez que seria capaz de reabilitar a integridade desses órgãos socioinstitucionais.878. Além do mister ético. de sua própria produtividade. sem preconceitos de origem. encontra-se. Seção II — Da Promoção por Merecimento (arts. nos dizeres constitucionais: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. 30 a 102). 5-10-1988. idade e quaisquer outras formas de discriminação”. que não se confundem. ou re-construção. com todas as letras. 1995. sexo. Em todos os sentidos. justa e solidária. espírito de colaboração.310. Merecimento é a demonstração positiva pelo funcionário. mas que se direcionam para a realização de ideais conjuntos do Estado: a construção de um Estado democrático. das forças públicas. inclusive. de 27-9-1966 (DOU. IV — promover o bem de todos. cor. inevitavelmente. podemos encontrar objetivamente uma mistura de desconhecimento da lei.de poderes. Estudos de direito administrativo. 191-A): Título I — Dos Principios Fundamentais (arts. 4. fatos políticos” (Lazzarini. de capa­ cidade e eficiência. “Art. previsão de estímulo ao profissional que valoriza a atuação ética: Decreto n. II — garantir o desenvolvimento nacional. 43 a 74). Capítulo VI — Da Pro­ moção (arts. 62). ret. com vistas ao aumento da eficácia de sua atuação. 5-10-1966. busca de publicidade pessoal e num ano eleitoral. “Art. sentimentos corporativistas e até classistas. 59. 43. como forma de renovação das mentalidades profissional e social em tomo da questão da segurança pública. de 3 de dezembro de 1965): Título II — Do Provimento e da Vacância (arts. E nesse sentido que se pode dizer que a ética funciona como instrumento social de alto valor. 511 .

são dos deveres e. ou em razão dela. III — respeitar a dignidade da pessoa humana. são exigências do próprio Código de Ética Profissional /dar pelo conceito social da instituição à qual pertence o atuante do órgão de segurança. VII — praticar a camaradagem e desenvolver. pelo dos subordinados. físico e. IX — ser discreto em suas atitudes e maneiras e em sua linguagem escrita e falada. 28 a 3 1). VI — zelar pelo preparo próprio. 7. permanentemente. O senti­ mento do dever. Art. 28 a 50). o espírito de cooperação. no exercício de suas funções: Lei n. prol insídnais e técnicas. também. 4-6-1986) (Aprova o Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. com vistas à realização máxima do profissional em serviço e à máxima serventia das instituições ou da organização para a sociedade. II — exercer. Anexo à Lei n. conduta moral e profis­ sional irrepreensíveis com a observância dos seguintes preceitos da ética do bombeiro militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamentos da dig­ nidade pessoal. de 2 de junho de 1986): Título II — Das Obrigações e dos Deveres dos Bombeiros Militares (arts.479. de qualificação para o desempenho das atribuições de classe superior. V — ser justo e imparcial nos julgamentos dos atos e na apreciaçao do mérito dos subordinados. “Art. eficiência e probidade. bem assim. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. Se­ ção II — Da Ética do Bombeiro Militar (arts. entre outras exigências pessoais. 7. 55. assim como de agir com cortesia e polidez no trato com os colegas e as parles'’. com autoridade. as instruções e as ordens das autoridades competentes. Ademais.479. de 2-6-1986 (DOU. 29. e dá outras providências. tendo em vista o cumprimento da missão comum. IV — cumprir e fazer cumprir as leis. o brio do bombeiro militar e o decoro da classe impõe a cada üm dos integrantes do Corpo de Bombeiros. 512 . psicológicas. moral. 29 a 31). Ética profissional é a capacidade de discrição demonstrada pelo funcionário no exercício de sua atividade. morais. VIII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. os regulamentos. Capítulo I — Das Obrigações dos Bombeiros Militares (arts. Estatuto dos Bombeiros Militares do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal. intelectual.

XI — acatar as autoridades civis. Essas atividades.1. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética de bombeiro militar”. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. XVIII — abster-se. se devidamente autorizado.X — abster-se de tratar. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. d) para discutir ou provocar discussões pela imprensa a respeito de assuntos políticos ou referentes à Corporação.3. XIX — zelar pelo bom nome do Corpo de Bombeiros e de cada um de seus integrantes. c) em atividades industriais. esta profissão tem matiz muito delicado. Por lidar diretamen­ te com questões de violência e liberdade. XVI — observar as normas de boa educação. do uso das designações hierárquicas quando: a) em atividades político-partidárias. à polícia civil. b) em atividades comerciais.5. mesmo fora do serviço ou na inatividade. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular. por delegação constitucional. na situação de inatividade. XV — conduzir-se. 5. excetuando-se os de nature­ za exclusivamente técnica. XII — cumprir seus deveres de cidadão. XVII — abster-se de fazer uso do posto ou graduação para obter faci­ lidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios parti­ culares ou de terceiros. e e) no exercício de cargo ou função de natureza civil. serão dirigidas por delegados de polícia de carreira. fora do âmbito apropriado. que chefiam e coordenam as 513 . Delegado de polícia: ética e autoridade As funções de polícia judiciária e de apuração de infrações penais incumbe. mesmo que seja da Administração Pública. do respeito e do decoro de bombeiro militar. XIV — garantir a assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar. que não se confundem com as exercidas pela polícia militar (polícia ostensiva e preservação da ordem pública).

investigadores.898. incumbem.). direito e responsabilidade de iodos. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. o cidadão não delega ao Estado um poder capaz de oprimi-lo por meio inclusive do uso da força. A Lei de Abuso de Autoridade foi instituída exatamente com o intuito de puim' autoridades que se valem da condição de exercente de um poder do Estado para comeier desmandos. § 42 Às polícias civis. “Ari.249. A autoridade do delegado de polícia possui limites caracteristicamen­ te constitucionais. 5. dever do Estado. É evidente que. 144. preenchido por todas as preocupações que se destacam dos direitos humanos. e se a coerção pode chegar ao limite do exercício fático do monopólio da força.. aos Governadores dos Estados. mas sim um poder capaz de libertá-lo e de favorecer ainda mais o progresso social. Enfim. A segurança pública.). juntamente com as polícias civis. Se somente ao Estado é deferido o direito de exercer coercitivamente seus mandamen­ tos. A respeito. as funções de polícia judi­ ciária e a apuração de infrações penais. Mas esse acúmulo de poder não significa abertura para a arbitrariedade. § 6SAs polícias militares e corpos de bombeiros militares.principais atribuições legais cominadas aos demais serventuários da polícia civil (cartorários. de 9-2-1967. esse exercício deve ser moderado e invocado somente quandi >da ocorrência de necessidades emergenciais e incontomáveis. 4. sua formação deve necessaria­ mente estar muito bem cercada por preocupações vindas da educação em direitos humanos.. através dos seguintes órgãos: IV — polícias civis (. a legislação específica na seara penal: Lei n. Capítulo III — Da Segurança Pública (art.. Da redação do atual texto constitucional transparece esse 150. de 9-12-19ÍÕ e Lei n. ressalvada a competência da União. 5-10-1988. 136 a 144). está investido de instrumentos para o exercício da lei penal e processual penal. 144). por isso. do Distrito Federal e dos Territórios". no sentido da prevenção de delitos. dirigidas por delegados de polícia de carreira. assim como da repressão de delitos. como tal. forças au­ xiliares e reserva do Exército. 514 . subordinam-se. Entre uso de autoridade e abuso de autoridade1 0 existe 5 grande vão. exceto as militares. lê-se na Constituição: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. conforme previsão do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos.. De fato. é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidado das pessoas e do patrimônio. O delegado de polícia é autoridade pública e.

se omitirem. à culpa durante o processamento penal. b) perda de bens. até o li­ mite do valor do patrimônio transferido. nos termos desta Constituição. nos termos da lei. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser. 5a Todos são iguais perante a lei. à execução penal. d) prestação social alternativa. L — às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. podendo evitá-los. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. 84. nos termos do art. XLVI — a lei regulará a individualização da pena e adotará. XIX. salvo em caso de guerra declarada. e) cruéis. XLIII — a lei considerará crimes infiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. 5-10-1988. sem distinção de qualquer natureza. “Art. 515 . c) multa. e) suspensão ou interdição de di­ reitos. c) de trabalhos forçados.tipo de preocupação. d) de banimento. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviola­ bilidade do direito à vida. a idade e o sexo do apenado. II — ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. b) de caráter perpétuo. Capítulo I — Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. XLIX — é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. à liberdade. XLVII — não haverá penas: a) de morte. às formas e pena. III — ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. ao processo penal. à segurança e à proprie­ dade. entre outras. 191-A): Título II — Dos Direitos e Garantias Fundamentais (arts. 5a a 17). por eles respon­ dendo os mandantes. de acordo com a natureza do delito. à higidez física e moral do preso. uma vez que se detecta uma fecunda abundância de artigos voltados para a proteção de direitos relativos ao procedimento penal. XLV — nenhuma pena passará da pessoa do condenado. XLVIII — a pena será cumprida em estabelecimentos distintos. 52). nos termos seguintes: I — homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. os executores e os que. entre outras: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. à igualdade.

LXI — ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. e muito menos ainda por agentes do 516 . definidos cm lei: LXII — a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontro serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do pro. entre os quais o de permanecer calado. por ilegalidade ou abuso de poder”. as provas obtidas por meios ilícitos. em processo judicial ou administrativo. LXVI — ninguém será levado à prisão ou nela mantido. com ou sem fiança. salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar. Não pode. LVIIII — o civilmente identificado não será submetido a identificação criminal. sendo-lhe assegurada a assistência da família e do ad­ vogado. LXVIII — conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sol rer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de loco­ moção. em contrarie­ dade com todo um fluxo de princípios e mandamentos constitucionais que se direcionam no sentido de dizer que toda pessoa humana. criminalizada ou não. LVII — ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatoria. e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa.sua prisão ou por seu interrogatório policial. possui direitos fundamentais que não podem ser atingidos.LUI — ninguém será processado nem sentenciado senão pela autori­ dade competente. salvo nas hipóteses previstas em lei. ai otados ou violados por quaisquer pessoas. LXIV — o preso tem direito à identificação dos responsáveis por . portanto. LXIII — o preso será informado de seus direitos. o delegado agir. LIV — ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o de­ vido processo legal. LY — aos litigantes. quando a lei admitir a liberdade provisória. com os meios e recursos a ela inerentes. no processo.so ou à pessoa por ele indicada. LVI — são inadmissíveis. em primeiro lugar. LXY — a prisão ilegal será imediatamente relaxada pela autoridade judiciária.

emolumentos ou de qualquer outra despesa. ime­ diatamente. sociais em tomo da lei penal e da defesa dos ditames que separam a legali­ dade da arbitrariedade. Ética geral e profissional. Alínea i acrescentada pela Lei n. “Art.898. i) à incolumidade física do indivíduo. para os efeitos desta Lei. quando praticado com abuso ou desvio de poder ou sem competência legal. ao juiz competente a prisão ou detenção de qualquer pessoa. não pode o delegado contrariar os interesses 5. de pena ou de medida de segurança. ainda que transitoriamente e sem remuneração. h) o ato lesivo da honra ou do patrimônio de pessoa natural ou jurídica. “Em todo o mundo civilizado. de 21-12-1989. d) à liberdade de consciência e de crença. 6. emolumentos ou qualquer outra despesa. nos Casos de Abuso de Autoridade). 5a Considera-se autoridade. j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional1 2 5. 1999. 153. p. i) prolongar a execução de prisão temporária. f) cobrar o carcereiro ou agente de autori­ dade policial carceragem. e) ao livre exercício de culto religioso. 301). custas. Alínea j acrescentada pela Lei n. 152. g) aos direitos e garantias legais assegurados ao exer­ cício do voto. b) à inviolabi­ lidade do domicílio. desde que a cobrança não tenha apoio em lei. 517 . mesmo seja ele equivalente ao preço da vida” (Nalini. d) deixar o juiz de ordenar o relaxamento de prisão ou detenção ilegal que lhe seja comunicada. deixando de expedir em tempo oportuno ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade1 3 5.960. quem exer­ ce cargo. g) recusar o carcereiro ou agente de autoridade policial recibo de importância recebida a título de carceragem. permitida em lei. Ideais democráticos reclamam uma polícia a serviço do povo e não mantenedora da ordem a qualquer custo. e) levar à prisão e nela deter quem quer se proponha a prestar fiança. Art.657. 3a Constitui abuso de autoridade qualquer atentado: a) à liberdade de locomoção. 4. 13-12-1965) (Regula o Direito de Representação e o Processo de Responsabilidade Administrativa Civil e Penal. emprego ou função pública. a polícia vem sofrendo um processo de transfor­ mação. quer quanto ao seu valor. prevê a Lei de Abuso de Autoridade: Lei n. de 9-12-1965 (DOU. 7.Estado1 1 Em segundo lugar. c) deixar de comunicar. de 5-6-1979. 151. c) ao sigilo da correspondência. f) à liber­ dade de associação. h) ao direito de reunião. sem as formalidades legais ou com abuso de poder. Assim. 4a Constitui também abuso de autoridade: a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual. de natureza civil. b) submeter pessoa sob sua guarda ou custódia a vexame ou a constrangimento não autorizado em lei. quer quanto à espécie. Art. ou militar. custas.

o cumprimento de 518 . por prazo de 1 (um) a 5 (cinco) anos Quando a lei prevê mandamentos que devem ser respeitados. d) destituição de função. b) detenção por 10 (dez) dias a 6 (seis) meses. como sói ocorrer no texto da Lei de Abuso de Autoridade. fundamentalmente. a ética do delegado deve ser. f) demissão. caso não seja possível fixar o valor do dano.Art. de não poder o acusado exercer funções de natureza poli­ cial ou militar no município da culpa. repressiva da criminalidade. de qualquer categoria. Ademais. a bem do serviço público. c) suspensão do cargo. § 4a As penas previstas no parágrafo anterior poderão ser aplicadas autônoma ou cumulativamente. com perda de vencimentos e vantagens. sobretudo no sentido da manutenção e recuperação de vestígios criminais e da custódia de presos provisórios. quer dizer que são deveres da autoridade pública abster-se desses comportamentos. sob pena de se cometer infração passível de sanções de diversas gravidados. apuratória de provas no procedimento de sua alçada: preventiva da criminalidade. c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer ou Ira função pública por prazo até 3 (três) anos. b)repreensão. 6a O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção adminis­ trativa civil e penal. con­ sistirá no pagamento de uma indenização de quinhentos a dez mil cru/oitos. § 3a A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código Penal e consistirá em: a) multa de cem cruzeiros a cinco mil cruzeiros. uma insistên­ cia sobre sua postura constitucional no exercício da função pública: investigatória de fatos. poderá ser cominada a pena autôno­ ma ou acessória. a contrario sensu. § 5a Quando o abuso for cometido por agente de autoridade policial. executiva de ordens judiciais. Então. § 2a A sanção civil. § Ia A sanção administrativa será aplicada de acordo com a gra\ id. civil ou militar.uL' do abuso cometido e consistirá em: a) advertência. função ou posto por prazo de 5 (cinco) a 180 (cento e oitenta) dias. e) demissão.

Não desembainhes tua espada sem motivo. cuja reprodução pode colaborar para a sempre necessária reflexão em tomo ao tema: Diz ele: I. Proferindo-a. em hipótese alguma deves ma­ nifestar-te. de vigiar aos teus concidadãos. nem demitir-te. Quanto à existência de um conjunto de princípios éticos da carreira. custe o que custar. não a embainhes sem honra. Lembra-te de que teu mérito como delegado não residirá num posto honorífico. III. ainda que isto te custe os mais pesados sacrifícios. daquele documento que representa a ma­ nifestação unitária das preocupações da entidade que representa a classe. II. Tua palavra deve ser considerada dos maiores bens que possas ter. Lembra-te de Deus e da Pátria em todas as tuas ações. IV. mas na tua integridade. Sê um sustentáculo de nossas leis. porém.seus deveres consiste na legal execução dos preceitos que a lei prevê como manifestações típicas da carreira e da profissão. Não a empenhes em vão. VII. nem aposentar-te. nesse espaço. deves manter sobre eles. ascendência moral e intelectual. Jamais coloques as conveniências de tua carreira acima da tua trajetória moral. V. Se és seu superior. Não te consideres chefe de teus subordinados apenas porque tens um título que assim o declara. em detrimento de teus colegas. Reserva o teu rigor para as causas maiores. da qual ninguém poderá re­ mover-te. abstendo-se de todo e qual­ quer tipo de infração que caracterize um excedente de poder. O encaminha­ mento ágil dos expedientes administrativos são parte desta preocupação por realizar justiça pela efetividade do procedimento. de nossas tradições. ainda assim. vigia-te a ti próprio. 519 . Antes. VIII. Procura co­ nhecer a fundo a profissão que abraçaste. de nossas instituições. quando isso for necessário para evitar mal maior. cumpre-a. José Renato Nalini se preocupa em apontar: “O delegado Manoel Ribeiro da Cruz elaborou um Código de Ética aprovado pela Dire­ toria da Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. VI. a fim de convertê-la em instru­ mento perfeito da tua cooperação na obra de reerguimento da Pátria. Nunca afirmes. Em presença de estranhos à classe. Aperfeiçoa constantemente tua formação intelectual. Nesse sentido. senão aquilo que tiveres por certo e. há que se utilizar.

IX. Sê firme e coerente em todas as tuas atitudes; X. A autoridade policial não é um carrasco, mas sim um guia. Procu­ ra antes esclarecer do que reprimir; antes persuadir do que castigar"1 1 ' . 5.5.4. Forças Armadas: ética, soberania nacional e cidadania A carreira militar também se estrutura, em seus moldes primordiais, a partir de ditames constitucionais. Assim, Marinha, Exército e Aeronáutica concentram atribuições militares diferenciadas entre si (Capítulo II, Título V) e distintas no que pertine à sua relação com os órgãos destinados íi se­ gurança pública (Capítulo III, Título V). Então: Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5 -10-19X .S. 191-A): Título V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 el43). "Ari. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército c pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organiza­ das com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. I — as patentes, com prerrogativas, direitos e deveres a elas inerentes, são conferidas pelo Presidente da República e asseguradas em plenitude aos oficiais da ativa, da reserva ou reformados, sendo-lhes privativos os títulos e postos militares e, juntamente com os demais membros, o uso dos uni Ibrmes das Forças Armadas; II — o militar em atividade que tomar posse em cargo ou emprego público civil permanente será transferido para a reserva, nos termos da lei: III — o militar da ativa que, de acordo com a lei, tomar posse em cargo, emprego ou função pública civil temporária, não eletiva, ainda que da administração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e somente poderá, enquanto permanecer nessa situação, ser promovido por antiguida­ de, contando-se-lhe o tempo de serviço apenas para aquela promoção e transferência para a reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contínuos ou não, transferido para a reserva, nos termos da lei; IV — ao militar são proibidas a sindicalização e a greve;

154. Nalini, Ética geral e profissional, 1999, p. 297-298.

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V — o militar, enquanto em serviço ativo, não pode estar filiado a partidos políticos; VI — o oficial só perderá o posto e a patente se for julgado indigno do oficialato ou com ele incompatível, por decisão de tribunal militar de caráter permanente, em tempo de paz, ou de tribunal especial, em tempo de guerra; VII — o oficial condenado na justiça comum ou militar a pena priva­ tiva de liberdade superior a 2 (dois) anos, por sentença transitada em julga­ do, será submetido ao julgamento previsto no inciso anterior; VIII —- aplica-se aos militares o disposto no art. 7a, VIII, XII, XVII, XVIII, XIX e XXV e no art. 37, XI, XIII, XIV e XV; IX — aplica-se aos militares e a seus pensionistas o disposto no art. 40, §§ 7a e 82; X — a lei disporá sobre o ingresso nas Forças Armadas, os limites de idade, a estabilidade e outras condições de transferência do militar para a inatividade, os direitos, os deveres, a remuneração, as prerrogativas e outras situações especiais dos militares, consideradas as peculiaridades de suas atividades, inclusive aquelas cumpridas por força de compromissos inter­ nacionais e de guerra”. Assim, a carreira militar possui hierarquia e função próprias, além de previsão orçamentária e finalidades peculiares, e seu estágio inicial se cons­ titui em atividade obrigatória a todos os cidadãos como preparação cívica e formação de contingentes de reserva para eventuais necessidades de mo­ bilização e defesa da soberania nacional. Além do estágio inicial obrigató­ rio, a carreira estrutura-se com vistas à formação de profissionais de alta qualificação e hierarquia militar, à composição dos órgãos de que integram a Justiça Militar etc. No entanto, existem hipóteses que permitem às Forças Armadas desempenharem atuação diversa da defesa nacional, através das chamadas atividades alternativas à execução de tarefas militares. De fato, com permissão constitucional, insere-se em meio às atuais preocupações da instituição a prestação de serviço à comunidade (Portaria n. 2.681 — COSEMI de 28-7-1992: aprova o regulamento da lei de presta­ ção do serviço alternativo ao serviço militar obrigatório)15 . E mais: 5

155. Constituição da República Federativa do Brasil (DOU, 5-10-1988, 191-A): Tí­ tulo V — Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas (arts. 136 a 144), Capítulo II — Das Forças Armadas (arts. 142 e 143), “Art. 143. O serviço militar é obrigatório nos

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Lei n. 8.239, de 4-10-1991 (DOU, 7-10-1991; ret. 6-12-1991) (Regu­ lamenta o art. 143, §§ ls e 2a da Constituição Federal, que dispõe sobre a Prestação de Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório (arts. 1“ a 82) (Regulamentada pelo Decreto n. 317, de 30-10-1991), “Art. 3 2 O Ser­ viço Militar é obrigatório a todos os brasileiros, nos termos da lei. § l2Ao Estado-Maior das Forças Armadas compete, na forma da lei e em coordenação com os Ministérios Militares, atribuir Serviço Alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consci­ ência decorrente de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2° Entende-se por Serviço Alternativo o exercício de atividades de caráter administrativo, assistencial, filantrópico ou mesmo produtivo, em substituição às atividades de caráter essencialmente militar. § 3a O Serviço Alternativo será prestado em organizações militares da ativa e em órgãos de formação de reservas das Forças Armadas ou em órgãos subordinados aos Ministérios Civis, mediante convênios entre estes e os Ministérios Militares, desde que haja interesse recíproco e, também, sejam atendidas as aptidões do convocado. Art. 49 Ao final do período de atividades previsto na § 2a do art. 3a desta Lei, será conferido Certificado de Prestação Alternativa ao Serviço Militar Obrigatório, com os mesmos efeitos jurídicos do Certificado de Reservista. § Ia A recusa ou o cumprimento incompleto do Serviço Alternativo, sob qualquer pretexto, por motivo de responsabilidade pessoal do convoca­ do, implicará o não fornecimento do Certificado correspondente, pelo prazo de dois anos após o vencimento do período estabelecido. § 2 - Findo o prazo previsto no parágrafo anterior, o Certificado só será emitido após a decretação, pela autoridade competente, da suspensão dos direitos políticos do inadimplente, que poderá, a qualquer tempo, regulari­ zar sua situação mediante cumprimento das obrigações devidas”.

termos da lei. § l 2Às Forças Armadas compete, na forma da lei, atribuir serviço alternativo aos que, em tempo de paz, após alistados, alegarem imperativo de consciência, entendendo -se como tal o decorrente de crença religiosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de atividades de caráter essencialmente militar. § 2aAs mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros en­ cargos que a lei lhes atribuir” (Regulamentados os §§ Ia e 2- deste artigo pela Lei n. 8.2/A de 4-10-1991).

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ainda que temporariamente. § 22 Os mi­ litares da ativa podem exercer. Coletivos e Sociais. Sob sua custódia se encontra aque­ le que estará. mas órgão ativo na garantia da cidadania nacional. também é cominada às Forças Armadas o dever cívico de educação e formação do jovem alistado. de atitudes grupais ou individuais caracteri­ zadas pela violência e pela insurreição à ordem democrática instituída. quando convocados. da ordem e da disciplina na defesa dos valores fundamentais da República. 11-12-1980) (Dispõe sobre o Estatuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. sobretudo quando da ocorrência de comoções públicas. 28 a 30). De fato. Seção II — Da Ética Militar (arts. expurgando-se qualquer possível tentativa de formação de autoridades de desmando. nas organizações militares e nas repartições públicas civis. servindo o Estado. O Estatuto dos Militares acentua e reforça a necessidade da ética como fator determinante na formação e no cumprimento de deveres indelegáveis1 6 5 daqueles que ingressam no Exército.Com essas estruturas. essa convicção enriquece a tarefa delegada às forças armadas pela Constituição. tomando-a não somente órgão passivo na administração da paz. De fato. desde que não infrinjam 523 . De fato. de ideologias contrárias ao sentimento nacional ou mesmo ao sentimento de humanidade na defesa dos valores primordiais que nortearam a promulgação das Declarações Internacionais de Direitos e a própria promulgação da Constituição Federal de 1988. a preocupação com a ética na corporação deve existir como forma de lapidação dos conceitos-chave do convívio humano. O dever ético aí funciona como elemento catalisador das intenções do legislador constitucional. na Aeronáutica ou na Marinha: 156. de interesse de organizações ou empresas privadas de qualquer natureza.880. Capítulo I — Das Obri­ gações Militares (arts. ficam proibidos de tratar. § l 2 Os integrantes da reserva. essas exigências e essa previsão constitucional e legal é que se estima que as Forças Armadas se coloquem a serviço da coletividade. diretamente. com especial atenção para a importância dos capítulos sobre Direitos Individuais. em sociedade anô­ nima ou por quotas de responsabilidade limitada. 27 a 49). em uma de suas instituições. “Art. Existem proibições expressas e vedações que restringem as atividades do militar: Lei n. de 9-12-1980 (DOU. se a defesa da soberania nacional é incumbência sua. Ao militar da ativa é vedado comerciar ou tomar parte na administração ou gerência de socie­ dade ou dela ser sócio ou participar. 6. de guerra civil ou guerra externa. e esse período deve resultar em um benefício ainda maior para a coletividade com a formação dos conceitos primordiais da cidadania. uma vez que é este o bastião da efetividade e da produtividade das funções do Estado. 27 a 30). exceto como acionista ou quotista. 29. a gestão de seus bens.

o espírito de cooperação. “Art. 27 a 30). IV — cumprir e fazer cumprir as leis. o pundonor militar e o decoro da classe impõem. III — respeitar a dignidade da pessoa humana. tendo em vista o cumprimento da missão comum: VII — empregar todas as suas energias em benefício do serviço. maneiras e em sua linguagem escrita e falada. de matéria sigilo­ sa de qualquer natureza. 27 a 49). também. II — exercer. XIII — proceder de maneira ilibada na vida pública e na particular: XIV — observar as normas da boa educação. fora do âmbito apropriado. os regulamentos. intelectual e físico e. Capítulo I — Das Obrigações Militares (arts. 524 . eficiência e probidade. o disposto no presente artigo. VI — zelar pelo preparo próprio. é permi­ tido aos oficiais titulares dos Quadros ou Serviços de Saúde e de Veterinária o exercício de atividade técnico -profissional no meio civil. de 9-12-1980 {DOU. VIII — praticar a camaradagem e desenvolver. 6. O sentimento do de\er. 28. pelo dos subordinados. 28 a 30). XII — cumprir seus deveres de cidadão. § 3BNo intuito de desenvolver a prática profissional. XI — acatar as autoridades civis. com a observância dos seguintes preceitos de ética militar: I — amar a verdade e a responsabilidade como fundamento de digni­ dade pessoal. permanentemente. 11-12-1980) (Dispõe sobre o Esta­ tuto dos Militares): Título II — Das Obrigações e dos Deveres Militares (arts. X — abster-se de tratar. as instruções e as ordens das autoridades competentes.Lei n.880. V — ser justo e imparcial no julgamento dos atos e na apreciação do mérito dos subordinados. as funções que lhe couberem em decorrência do cargo. a cada um dos integrantes das Forças Armadas. IX — ser discreto em suas atitudes. moral. desde que tal prática não prejudique o sen iço e não infrinja o disposto neste artigo”. com autoridade. conduta moral e profissional irrepreensíveis. Seção II — Da Ética Militar (arts. XV — garantir assistência moral e material ao seu lar e conduzir-se como chefe de família modelar.

b) em atividades comerciais. com a diferença de que os eleitos exercem mandato por certo tempo. e e) no exer­ cício de cargo ou função de natureza civil. e os nomeados. para mandatos nas Corporações Legislativas (Senado Federal. XVII — abster-se de fazer uso do posto ou da graduação para obter facilidades pessoais de qualquer natureza ou para encaminhar negócios particulares ou de terceiros. 1994. 77). O fundamento dessa investidura é a condição cívi­ ca do cidadão. do uso das designações hierárqui­ cas: a) em atividades político-partidárias. Governadores de Estados-Membros.6. 2° e 14). como os de Ministros e Secre­ tários de Estados. 5. e XIX — zelar pelo bom nome das Forças Armadas e de cada um de seus integrantes. d) para discutir ou provocar discussões pela im­ prensa a respeito de assuntos políticos ou militares. se devidamente autorizado. sendo. distrital ou municipal1 7 Esse apontamento conceituai é fundamental para que se de5. de modo que não sejam prejudicados os princípios da disciplina. também. Direito administrativo brasileiro. XVIII — abster-se. c) em atividades industriais. mesmo fora do serviço ou quando já na inativi­ dade. ou ainda a expressão “carreira política”. por eleição direta ou indireta. Ética e carreira política Ao se mencionar a palavra “político”. na inatividade. 525 . Considera-se. Procurador-Geral da República e Governadores de Territórios. por isso mesmo. Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais) ou nas Chefias dos Executivos (Presidente da República. a qualquer tempo” (Meirelles. nos termos da legislação eleitoral. em princípio. Câma­ ra dos Deputados. estadual. do respeito e do decoro militar. median­ te sufrágio universal. cargo em comissão (de confiança). federal. p. obedecendo e fazendo obedecer aos preceitos da ética militar”. razão pela qual não se exigem do candidato requisitos profissionais. mas apenas a plenitude de seus direitos políticos. Ministros de Tribunais Superiores. 157. investidura política a dos altos cargos do Governo.XVI — conduzir-se. em regra. “Investidura política: realiza-se. ou restrito a determinados eleitores. Governadores do Distrito Federal e Prefeitos Municipais). seja em funções executivas. exoneráveis ad nutum. na forma da Constituição da Re­ pública (arts. mesmo que seja da Administra­ ção Pública. pelo Plenário da respectiva corporação. excetuando-se os de natureza exclusivamente técnica. seja em funções legislativas (considerando-se ainda as altas funções judiciárias) em todos os planos. só cassável. quer-se significar com isso toda função pública com investidura eletiva (eleição direta ou indireta) diante dos Poderes Públicos.

é a condução política dos negócios públicos” (Meirelles.termine o estatuto ético dessa categoria. 60). 1994. Essa consciência ética deve ser o norte de todo estadista. pelo menos. que está profundamente atrelada ao governo1 8 e que define o perfil de atuação do Estado. Gerir com responsabilidade é um dever jurídico. desta relação. de seus empreen­ dimentos. pois quanto maior a liberdade conferida a um agente político1 0 para determinar os destinos e as metas da coisa pública. Direito administrativo brasileiro. tendo em vista a 5. 526 . a defesa do interesse público está acima de qualquer outro tipo dc vantagem ou interesse pessoal (mensalinhos. dos agentes credenciados. se fazem sentir e repercutir sobre a população em geral e sobre os negócios do Estado. 1994. necessidade de lhes conferir amplos poderes de gestão. e. decorrente da própria confiabilidade depositada pelo eleitor sobre o eleito. em que um credita ao outro um conjunto de poderes para agir e gerir em seu lugar. p. Aqueles que exercem cargos ou funções eletivas são agentes políticos do Estado1 9 possuindo maior liberdade para agir e criar. de fixação de objetivo do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. É exatamente por isso que sua responsabilida­ de ética se torna maior. dos agentes administrativos. 6. em sentido material. 160. do Governo é a sua expressão política de comando. mas. Meirelles. p. abre a possibilidade de se autorizar o fim da gestão política e a punição dos culpados. um dever ético. desta aliança. maior a carga de responsabilidade decorrente da eleição destes e não da­ queles fins. desprender-se de seus interesses pessoais. de autonomia política na condução dos negócios públicos” (Meirelles. p. dos agentes delegados. Direito administrativo brasileiro. 1994. é o complexo de funções estatais básicas. Estar a serviço da cidadania de um país. Estar à frente da condução da coisa pública importa em desprender-se de si. 159. com vistas ao aten­ dimento dos ideais públicos. “A constante. Cf. em sentido opera­ cional. Sobre o governo: “Em sentido formal. é o conjunto de Poderes e órgãos consiitucionais. O governo atua mediante atos de soberania ou. onde figura a dei inição de agente político. 60). de suas ideias. dos agentes honoríficos. mensalões ou outras formas de vantagens). em face dos agentes públicos. A quebra deste pacto. Direito administrativo brasileiro. de um Estado ou de unia nação é o mesmo que estar a serviço dos interesses coletivos. pois os efeitos de suas ações. 72. bem como as 5 políticas a serem imprimidas na sociedade. sem dúvida. nesse sen­ tido. porém. desprender-se dos interesses de uma categoria e fazer-se longa manus da população na busca da idenli- 158. sobretudo. de iniciativa.

2000. O que é de interesse de todos não pode estar à deriva.. Ética geral e profissional. de lamentável ocorrência quotidiana. Acima de meros interesses partidários está o interesse da coletividade. acima das promessas de benefícios e cargos. como o dos anões do orçamento. o que só se pode pensar em fazer de modo responsável e ético. p. Interesses fisiológicos ou impulsos devem ser trocados por meditação serena. Eleitor ético só vota em político ético” (Nalini. esquecendo inteiramente a função pública” (Modesto Carvalhosa. mas sobretudo os eleitos) recebe esse impacto de corrupção do corruptor. não deixam esquecidas as exigências éticas postas a quem foi eleito para defender o interesse coletivo” (Nalini. Quando a gestão se transforma em meio de adquirir vantagens pesso­ ais. p. quando um agente publico (o eleitor. 149). mas. para administrar o Estado. 141). educação eleitoral. res­ ponsabilidade individual e social. 2. 161. por exemplo. e muito menos ser conduzido ao sabor da vontade de um. 148). altruísmo. de atri­ buição de deveres sociais. para o exercício de seus caprichos pessoais em dissonância com os interesses públicos. p. está o com­ promisso com a coletividade1 3 6. 1999. para acobertar desmandos e interesses de determinados grupos. além de desejo de melhoria. 1999. capacidade crítica. e se toma apenas um elemento de captação de recursos pessoais para suas vaidades e fantasias próprias e de sua família. está-se diante do governo da desrazão. 163. Gerir a coisa pública é gerir o que pertence a todos. De fato. para habilitar a corrupção e a ilegalidade. Se a um ou a alguns é atribuído o mister de executar por muitos e em favor de muitos. entre outras hipóteses. a outra face da responsabilidade e da ética na política é a importância do eleitor-cidadão no exercício do direito de voto. para preparar a sua manutenção sequencial no poder. “A opção do eleitor deverá ser refletida. Ética geral e profissional. o país. significa que essa atribuição é um ato não de concessão de poderes. de aumentar posses financeiras. participação. esquece inteiramente os propósitos que tinha para administrar o setor. 162. 2. está-se sem sentido ético na condução da coisa pública1 1 6. sobretudo. para administrar a prefeitura. A ética na administração pública. 527 . ed.. Assim é que se passa a discutir algo de elevado valor para a constituição de camadas eletivas com responsabilidade ética. Ética do advogado.ficação de suas necessidades e do suprimento de seus ideais. “Os contínuos escândalos. “Enfim. reflexão. ed. in Farah. requer-se consciência. isso. Eleitos e eleitores estão de braços dados no sentido de conduzirem a coisa pública para o cumprimento de suas finalidades institucionais e conceituais1 2 Para 6. a figura do eleitor é de crucial importância na definição e determinação da higiene política de um Estado.

de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patri­ monial indevida em razão do exercício de cargo. o que pode conduzir às hipóteses de perda do cargo. Ia desta Lei. de acordo com o disposto no art. que estão listadas no art. dinheiro. empre­ go ou função na Administração Pública direta. ou se encontram no exercício de função pública. ou mesmo em função do acúmulo de atribuições ou participação em atividades cujo en­ volvimento com o Estado tomem desconfiável sua ligação com o Poder Público e o erário público (art.429. mandato. direto ou indireto. gratificação ou presente de quem tenha interesse. e de seus Ministros. 8. direta ou indireta. emprego ou função (art. ou qualquer outra vantagem econômica. o que inclui a figura do Presidente da República. 55 da CF de 1988. diante da necessidade de punição efetiva dos causadores de danos ao erário ou ao patrimônio público. de 2-6-1992). 8.429 de 2-6-1992). mandato. cuja responsabili­ dade vem definida pelos arts. para si ou para outrem. função. 8. em face da legislação que dispõe sobre as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato. cargo.429. 54. d) a amplitude da responsabilização dos agentes públicos. que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decor­ rente das atribuições do agente público. por eleição. da CF/88). 87 da CF/88). para quem vige urna serie de restrições para o exercício de outras funções ou cargos. indireta ou fundacional (Lei n. que não poderão se isentar sob alegações furtivas. e) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam enriquecimento ilíci­ to em detrimento da coisa pública. 85 e 86 da CF de 1988. bem móvel ou imóvel. 9a da Lei n. contra­ tação ou qualquer outra forma de investidura ou vínculo. deve estar claro que. a título de comissão. sobretudo para Deputados e Senadores. dentro do âmbito de seus ministérios e competências (art. 2a da Lei n. em política: a) as restrições marcam limites entre as fronteiras do público e do privado. ainda que transito­ riamente ou sem remuneração. cargo.De qualquer forma. nomeação.1 e II. assim definidos aqueles que exer­ cem. designação. II — perceber vantagem econômi528 . c) o dever de probidade gera a indiferença da legislação de improbi­ dade administrativa às nuances entre as categorias de exercentes do Poder Público. percentagem. b) a responsabilidade política é o esteio da Constituição Federal de 1988. para efeitos de responsabilização. emprego ou atividade nas entidades mencionadas no art. e notadamente: I — receber.

Ia desta Lei. que ense­ je perda patrimonial. no exercício de mandato. emprego ou função pública. comissão ou exercer atividade de consultoria ou assessoramento para pessoa física ou jurídica que tenha interesse suscetível de ser atingido. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. desvio. ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público. IX — perceber vantagem econômica para intermediar a liberação ou aplicação de verba pública de qualquer natureza. X — receber vantagem econômica de qualquer natureza. em proveito próprio. equipamentos ou material de qualquer natureza. peso. direta ou indireta. 10 da Lei n. direta ou indireta. para facilitar a alienação. para tolerar a exploração ou a prática de jogos de azar. medida. permuta ou locação de bem público ou o fornecimento de serviço por ente estatal por preço inferior ao valor de mercado. Ia desta Lei. f) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. ou aceitar promessa de tal van­ tagem. rendas. VI — receber vantagem econômica de qualquer natureza. VII — adquirir. verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. dolosa ou culposa. Ia desta Lei”). durante a ativida­ de. Ia desta Lei. em obra ou serviço particular. direta ou indireta. ou sobre quantidade. de acordo com o disposto no art. V — receber vantagem econômi­ ca de qualquer natureza. XI — incorpo­ rar. máquinas. bens de qualquer natureza cujo valor seja desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda do agente público. empregados ou terceiros contratados por essas entidades. de lenocínio. direta ou indireta.ca. providência ou declaração a que esteja obrigado. VIII — aceitar emprego. ou a contratação de serviços pelas entidades referidas no art. apropriação. de usura ou de qualquer outra atividade ilícita. para facilitar a aquisição. cargo. para si ou para outrem. por qualquer forma. malbaratamento ou dilapidação 529 . bens. permuta ou locação de bem móvel ou imóvel. XII — usar. 8. rendas. ao seu patrimônio bens. de narcotráfico. qualquer ação ou omissão. III — perceber vantagem econômica. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que cau­ sa lesão ao erário. qualidade ou característica de mercadorias ou bens fornecidos a qualquer das entidades mencionadas no axt.429. bem como o trabalho de servidores públicos. de contrabando. para omitir ato de ofício. Ia por preço superior ao valor de mercado. IV — utilizar. veículos. direta ou indiretamente. para fazer declaração falsa sobre medição ou avaliação em obras públicas ou qualquer outro serviço.

ainda que de fins educativos ou assistenciais. bem como no que diz respeito à conservação do patrimônio público. VIII — frustrar a licitude de processo licitatório ou dispensá-lo indevidamente. V — permitir ou facilitar a aquisição.dos bens ou haveres das entidades referidas no art. Ia desta Lei. permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. g) a amplitude das hipóteses legais de previsão e definição dos modos de praticar a improbidade administrativa que causam lesão ao erário em detrimento da coisa pública. verbas ou valores integrantes do acer­ vo patrimonial das entidades mencionadas no art.permitir. e lealdade às instituições. III — doar à pessoa física ou jurídica bem como ao ente despersonalizado.429. ou ainda a prestação de serviço por parte delas. Ia desta Lei. Ia desta Lei. X — agir negligente­ mente na arrecadação de tributo ou renda. XIII — permitir que se utilize. Ia desta Lei. legalidade. veículos. sem a ob­ servância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie. rendas. bens. rendas. em obra ou serviço particular. VI — realizar opera­ ção financeira sem observância das normas legais e regulamentares ou aceitar garantia insuficiente ou inidônea. de bens. equipamentos ou material de qualquer natureza. facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente. IV — permitir ou facilitar a alienação. bem como o trabalho de servidor público. Ia desta Lei. empregados ou terceiros contratados por essas entidades”). de acordo com o disposto no art. e notadamente: I — facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimonio particular. ver­ bas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. XII —. e notadamente: I — praticar ato visando fim proibido em lei . permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado. imparcialidade. por preço inferior ao de mercado. máquinas. rendas. de 2-6-1992 (“Constitui ato de improbidade administrativa que aten­ ta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade. de propriedade ou à disposição de qualquer das entidades mencionadas no art. sem observância das formalidades legais e regulamentares aplicáveis à espécie. II — permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens. IX — ordenar ou permitir a realização de despesas não autorizadas em lei ou regulamento. VII — conceder benefício admi­ nistrativo ou fiscal sem a observância das formalidades legais ou regula­ mentares aplicáveis à espécie. verbas ou valo res do patrimônio de qualquer das entidades mencionadas no art. de pessoa física ou jurídica. XI — liberar verba pública sem a es­ trita observância das normas pertinentes ou influir de qualquer forma para a sua aplicação irregular. 8. 11 da Lei n. Ia desta Lei.

2. a solução para os conflitos surgidos. antes da respectiva divulgação oficial. às casas legislativas. na regra de competência. de acomodamento do funcionalismo público.ou regulamento ou diverso daquele previsto.6. com a devida cele­ ridade e seriedade. Deve-se acentuar. “A política é a arte que permitirá o resgate das carências da nacionalidade. judicialmente. estão perdendo até mesmo a legiti­ midade para falar em nome do povo. sobre­ tudo. ed. pelas Comissões in­ cumbidas desse tipo de procedimento. VII — revelar ou permitir que chegue ao conhecimento de terceiro.. aos poucos. 5. para a moralização das instituições pú­ blicas. administrativamente. Ética política. ca­ rências acumuladas durante séculos de exclusão do povo dos sistemas de adoção das políti­ cas governamentais. o fato de que as instituições brasileiras perderam credibilidade e. A participação e o exercício da solidariedade constituem a alternativa de redenção que o conduzirá à verdadeira dignidade” (Nalini. Ética geral e profissional. de tragédias financeiras estatais. ato de ofício. de desatino gerencial. dentro. decoro parlamentar e Código de Ética: o caso do Senado Federal É importante frisar que a existência de um severo tratamento às ques­ tões éticas é medida urgente num contexto de derrocada dos valores políti­ cos. V — frustrar a licitude de concurso público. entre outros. III — reve­ lar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo. de desvio de verbas públicas. 1999. para a reconstrução do conceito de cidadania1 4partiria de uma po­ 6 lítica feroz de averiguação e punição de atentados contra a consciência pública. sobretudo. teor de medida política ou econômica capaz de afetar o preço de mercadoria. ligadas. e. de apadrinhamentos políticos. IV — negar publicidade aos atos oficiais. da Casa à qual se vincula o exercente de cargo ou função pública. indevidamente. 151). Em face desta cultura instaurada. O cidadão eticamente consciente sabe que não pode continuar excluído. são responsáveis não somente por uma função 164. II — retardar ou deixar de praticar.1. 531 . o que só pode ser feito. bem ou serviço”). de exagerados benefícios em prol da categoria política e em desfavor do orçamento público. p. de crônicas de abusos. VI — deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazê-lo. As Comissões de Ética (permanentes ou temporárias). de desencontro burocrático entre as diversas instâncias do Poder. ou ainda a legitimidade para discutir todas as questões atinentes à decisão em nome do povo.

bem como dar opera­ cionalidade aos princípios dele destacáveis. a exemplo do que reza a Constituição Federal no § le do art. além dos casos de­ finidos no regimento interno. mas também. Esse órgão pode atuar sponteprópria. com a imagem e a consciência da po­ lítica em seu estado atual. de conduzir os procedimentos punitivos. 166. então sua credibilidade social toma-se nula. pois sabe-se que es­ tará ao sabor dos interesses partidários e promocionais pessoais. A ética desses órgãos é persecutória. 19 da Resolução 20/93 do Senado Federal dispõe: “As apurações de l. punitiva. O zelo com a coisa pública deve envolver também um zelo com a imagem dos órgãos políticos. preventiva. mas de modificar os conceitos sociais que se formaram em tomo da imagem do político e da indiscriminada situação de impunidade alastrada e impregna­ da na consciência coletiva. conscientizadora. que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar. por intermédio da d> < Senado. 17 da Resolução 20/93 do Senado Federal: “Perante o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Nessas Comissões. formadora de opinião. 65 165. deve-se estudar o modelo instituído pela Resolução n. o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas"). com a imagem do Estado. desde que a denúncia não seja anônima1*.pontual e administrativa. poderão ser diretamente oferecidas. atuando no sentido da preservação da dignidade do mandato parlamentar no Senado Federal”).itos e de responsabilidade previstos neste Código poderão. responsabilizalória. Sua atuação. O art. o que fala mais alto é o interesse político. avaliativa. se necessário. 55 (“É incompatível com o decoro parlamentar. Nesse sentido. caso em que serão feitas as necessárias adaptações nos procedimentos e nos pra/os estabelecidos neste Capítulo”. 20/93. quando a sua natureza assim o exigir. segundo reza seu art. para que seja possível fazer-se sentir essa política de recuperação do. e sobretudo. como aliás prevê a legislação1 5 6. por qualquer 532 . ou ainda sob a provocação de qualquer membro da casa ou cidadão. criando e atribuindo poderes ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar para aplicar as normas fixadas pelo texto do Código. mas somente acrescenta e agrega ética ao policiamento das atividades pú­ blicas e políticas. É o que dispõe o art. não anula nem marginaliza os demais órgãos estatais de apuração de delilos. 22 (“Compete ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar zelar pela obsen and a dos preceitos deste Código e do Regimento Interno. ser solicitadas ao Ministério Público ou às autoridades policiais. do Senado Federal. investigativa.s \ alo­ res públicos. sendo importante seu estado permanente de advertência e policiamento da conduta dos exercentes de cargos eletivos.

25 (“O Correge­ dor do Senado participará das deliberações do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. 2°. denúncias relativas ao descumprimento. de cada Senador indicado. competindo-lhe promover as diligên­ cias de sua alçada. certificando a inexistência de quaisquer registros. o princípio da propor­ cionalidade partidária e o rodízio entre Partidos Políticos ou Blocos Parla­ mentares não representados”)1 7 6. § 2a As indicações re­ feridas no parágrafo anterior serão acompanhadas pelas declarações atualizadas. § 3S. independentemente de denúncia ou representação. Ademais. nos respectivos parágrafos do art. uma declaração assinada pelo Presidente da Mesa. como se faz notar pelo disposto no art. o referido Código parlamentar. nos arquivos e anais do Senado. 23 (“O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar será constituído por quinze membros titulares e igual número de suplentes. necessárias aos esclarecimentos dos fatos investigados”). cidadão ou pessoa jurídica. onde constarão as informações referentes aos seus bens. 533 . de preceitos contidos no Regimento Interno e neste Código. § 4S Caberá à Mesa providenciar. ainda. nos termos deste artigo. nos termos dos incisos I. durante os meses de fevereiro e março da primeira e da terceira sessões legis­ lativas de cada legislatura. a eleição dos membros do Conselho”. de acordo com o art. par­ ticularmente das instituições democráticas e representativas. Sua estrutura. no exercício do mandato. eleitos para mandato de dois anos. propugnando a união de forças no sentido do acompanhamento dos procedimentos e na apuração de eventuais infrações ético-disciplinares. promover a apuração. quanto possível. na medida das vagas que couberem ao respectivo Partido. fontes de renda. II e III do art. 82 e 11. cada indicação. independente­ mente da legislatura ou sessão legislativa em que tenham ocorrido. além das sessões conjuntas do Congresso Nacional”. deverá: “I — promover a defesa dos interesses populares e nacionais. § 42 Poderá o Conselho. II — zelar pelo aprimoramento da ordem constitucional e legal do País. 23: “§ Ia Os Líderes Parti­ dários submeterão à Mesa os nomes dos Senadores que pretenderem indicar para integrar o Conselho. bem como sua composição são definidas pelo art. de ato ou omissão atribuída a Senador”.O Código tenta promover a integração dos diversos órgãos censorios da conduta do parlamentar. ademais. com direito a voz e voto. e pelas prer­ rogativas do Poder Legislativo. O Código apresenta todas as características atinentes aos deveres fun­ damentais do senador. que. III — exercer o mandato com dignidade e respeito à coisa pública e à vontade popular. atividades econômicas e profissionais. Acompanharão. referentes à prática de quaisquer atos ou irregularidades capitulados nos arts. sua organização. por Sena­ dor. 62. Leia-se. observado. IV — apresentar-se ao Senado durante as sessões legislativas ordinárias e extraordinária e participar das sessões do plenário e das reuniões de Comissão de que seja membro. 167.

O que é importante definir é que. sejam iniciais. com a respectiva remuneração ou rendimento. IV — durante o exercício do mandato. de um ou de outro. II — a percepção de vantagens indevidas (CF. 169. ainda que delas se encontre transitoriamente afastado. Ademais. art. arl. 3S e 4a. 6a menciona. § Ia). com­ panheira ou parente. III — ao assumir o mandato e ao ser indicado membro de Comissão Permanente ou Temporária da Casa: Declaração de Atividades Econômicas ou Profissionais. até o terceiro grau. para efeiio de posse. 55. no exato cumprimento da lógica constitucional. os atos contrários à ética e ao decoro parlamentar são (art. II até o trigésimo dia seguinte ao encerramento do prazo para entrega da Declaração do Imposto de Renda das pessoas físicas: cópia da Declaração de Imposto de Renda do Senador e do seu cônjuge ou companheira. 55. com cuidadosa atenção. sejam de encerramento de mandato16 . no último ano da legislatura: Declaração de Bens e Fontes de Renda e Passivos. atuais ou anteriores. de valor igual ou superior a sua remuneração mensal como Senador. a entidades ou instituições das quais participe o Senador. ou ainda. 9 168. que cerceiam a assunção de cargos e funções. sob a forma de subvenções sociais. em Comissão ou em Plenário. III — a prática de irregularidades graves no desempenho do manda­ to ou de encargos decorrentes1 8 6. possam resultar em aplicação indevida de recursos públicos”. inclusive quaisquer pagamentos que continuem a ser efetuados por antigo empregador. auxílios ou qualquer outra rubrica. de seu cônjuge ou companheira ou de pessoas jurídicas por eles direta ou indiretamente controladas. e noventa dias antes das eleições. ou a contração com os Poderes Públicos. II — a criação ou autorização de encargos em termos que. 6e “O Senador apresenta­ rá ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar as seguintes declarações obrigatórias perió­ dicas. através de seus arts. o art. para fins deste artigo: I — a atribuição de dotação orçamentária. para tais declarações. § Ia). nos termos da Resolução. ressalvados brindes sem valor econô­ mico. Incluem-se entre as irregularidades graves. benefícios ou cortesias de empresas. para fins de ampla divulgação e publicidade: I — ao assumir o mandato. 5a): I — o abuso das prerrogativas constitucionais asseguradas aos membros do Congresso Na­ cional (CF. bem como pessoa jurídica dire­ ta ou indiretamente por eles controlada. incluindo todos os passivos de sua própria responsabilidade. Leiam-se as hipóteses de irregularidades graves previstas no Código de Ética: “Parágrafo único. seu cônjuge. tais como doações. ao iniciar-se a apreciação de matéria que envolva diretamente seus ínteres- 534 . a questão das declarações financeiras e patrimoniais. Leia-se a extensa digressão do Código a respeito: Art. deixando a cargo do Conselho de Ética a tarefa de dar ampla divulgação. que aplique os recursos recebidos cm atividades que não correspondam rigorosamente as suas finalidades estatutárias. pelo seu valor ou pelas características da empresa ou entidade beneficiada ou contratada. grupos econômicos ou autoridades públicas. dentro dos meios oficiais e autori­ zados.alinha as vedações.

em que. segundo o art. 9a. a seu exclusivo critério. 6a. por atos ou palavras. 10 define-se a questão da seguinte forma: “Considera-se in­ curso na sanção de perda temporária do exercício do mandato. 7a: a) advertência (ato de competência dos Presidentes do Senado. em discurso ou proposição. sem motivo justificado. no âmbito do Conselho de Ética. Leia-se a dicção do art. segundo o art. procedimentalmente. se outra cominação mais grave não couber. II — praticar ofensas físicas ou morais a qualquer pessoa. 170. especialmente quanto à observância do disposto no art. III — perturbar a ordem das sessões ou das reuniões. 172. no âmbito desta. quando não couber penalidade mais grave. entenda como legítima sua participação na discussão e votação. A competência vem definida da seguinte forma no texto da Resolução: Art. declare-se im­ pedido de participar ou explicite as razões pelas quais. ' ses patrimoniais: Declaração de Interesse. ao Senador que: I — deixar de observar. os deveres ineren­ tes ao mandato ou os preceitos do Regimento Interno. de que tenha tido conhecimento na forma regimental. b) censura (a censura será verbal ou escrita. a seu juízo. de expressões atentatórias ao decoro parlamentar. salvo motivo justificado. II — em um jornal diário de grande circulação no Estado a que pertença o Parlamentar — em forma de aviso resumido da publicação feita no órgão oficial. no edifício do Senado. V — faltar. 8a). III — revelar conteúdo de debates ou deliberações que o Senado ou Comissão haja resolvido devam ficar secretos. Nos termos do art. § 2a Sem prejuízo do disposto no parágrafo anterior poderá qualquer cidadão solicitar diretamente. dentro da sessão legislativa ordinária ou extraordinária”. § Ia Caberá ao Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar diligenciar para a publicação e divulgação das declarações referidas neste artigo. 11: “Serão punidas com a perda do mandato: I — a in­ fração de qualquer das proibições constitucionais referidas no art. II — praticar atos que infrinjam as regras da boa conduta nas dependências da Casa.E. pelo menos nos seguintes veículos: I — no órgão de publicação oficial • onde será feita — sua publicação integral. IV — revelar informações e documentos oficiais de caráter reservado. a dez sessões ordi­ nárias consecutivas ou a quarenta e cinco intercaladas. III — no Programa ‘Voz do Brasil/Senado Federal’ — na forma do inciso anterior. outro parlamentar. o Senador que: I — reincidir nas hipóteses do artigo antecedente. mandato172. do Conselho de Ética e decoro Parlamentar ou de Comissão. a Mesa ou Comissão. 171. 32 (Constituição Federal. para o tratamento das questões apuradas. ao Senador que: I — usar. 9a)170. ou os respectivos Pre­ sidentes”. ou desa­ catar. § Ia “A censura verbal será aplicada pelos Presidentes do Senado. as medidas disciplinares previstas são de­ finidas pelo art. quaisquer informações que se contenham nas declarações apresentadas pelos Senadores”. 535 . § 2a A censura escrita será imposta pelo Conselho de Ética e Decoro Parla­ mentar e homologada pela Mesa. quando não for aplicável penalidade mais grave. do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar ou de Comissão. c) perda temporária do exercício do mandato1 d) perda do 71. mediante requerimento à Mesa do Senado. II — praticar transgressão grave ou reiterada aos preceitos do Regimento Interno ou deste Código.

7. 55). 1132 a. 16 (“É facultado ao Senador. Ética do juiz de direito: a justiça animada O juiz pode ser identificado como a justiça animada. cumpre ao juiz restabelecer a igualdade. onde se podem encontrar detalhes a respeito dos órgãos responsáveis pela aplicação de determinadas penas e diligências. Ethica Nicomachea. aquele que é capaz de recebê-la e exercê-la a contento é chamado de juiz. nem serão pelas mesmas elidida?. 6/7. art. 536 . se dá oitiva às testemunhas. de fato. Ao juiz se deve recorrer. 174. No que tange aos detalhes ligados ao procedimento disciplinar. 4S e 52 (Constituição Federal. tendo em vista o princípio da verdade processual1 3 durante o qual se apuram acusações. II — a prática de qualquer dos atos contrários à ética e ao decoro parlamenüir ca­ pitulados nos arts. III — a infração do dispo^ln incisos III. pela ampla defesa daquele que se encontra sob investigação admi­ nistrativa. 55 da Constituição”. Aristóteles. que deverá zelar pelo cumprimento da legislação. devendo o jui/ decidir de acordo com o convencionado em lei. nesse sentido. IV. de acordo com dicção do art. fatos. a este assegurado aluar em todas as fases do processo”). 5. devem-se rastrear os arts. é deferido ao parlamentar o acompanhamento por advogado. na expectativa de que.Durante todo o procedimento. apíicar-se-á a lei de modo a obter-se unía situação de igualdade aritmética. 20: “O processo disciplinar regulamentado neste código n. constituir advogado para sua defesa. 55). V e VI do art.u> ^eiá interrompido pela renúncia do Senador ao seu mandato. E isso. se desigualam. Isso quer di/or que se a justiça pode se consubstanciar em carne e osso. da Constituição e da ética parlamentar e. se restabeleça a situação de igualdade rompida pelas partes. do procedimento. indiferentemenle se se trata deste ou daquele cidadão. se colhem depoimentos. as sanções eventualmente aplicáveis os seus efeitos”. a simbologia fundamental da magistratura reside na balança com o reto {redion) em posição ereta. Assim. se apresentam provas de toda natureza. art. 12 a 15 da Resolução. em qualquer caso. a lei é cega para as dil cren­ ças de qualificação de cada qual. Por isso. sob o império da lei. Leia-se o art. 173. so­ bretudo. por­ que o juiz é o responsável pela aplicação da justiça corretiva1 4 Se as parios 7. se investigam 7. que não será interrompido nem mesmo pela renuncia do Senador sob investigação.

72). A formação do juiz. 177. pois a lógica da atividade julgadora é uma lógica humanista e do razoável. um termo medianeiro entre dois interesses opostos. “Na verdade. Cidadania e Justiça. essa 7. 4. difusos. o que demanda ainda maior prudência por parte da autoridade julgadora. nutrindo mesmo a crença de que o confronto de ideias e o cotejo de opiniões venham a incrementar o patrimônio intelectual sobre que se assenta. 1132 a. 3. a ético-institucional. p. deve estar consciente de que a sociedade e suas limitações concre­ tamente estabelecem os valores. a lógica do razoável. E eles podem ser agrupados em pelo menos quatro vertentes: a técnica. certamente. para a ele conformarem-se os candi­ datos. coletivos. negando a aprovação. entretanto. 7. o juiz preparado mnemonicamente para aplicar leis não é. às vezes. A escolha. 5.. 1994. pois representa urna mediedade. em meio a conflitos sociais interindividuais. com apelo para a prudência e para a capacidade de adequação de plúrimos fato­ res. a pessoas vocacionadas e preparadas para a função.O juiz representa a imparcial e equidistante personificação da justiça (grego. está impregnada de valores. estes valores se hierarquizam para a realização de fins comunitários. p. tantas vezes criticado pela sociedade” (Camolez. não aferidos através deste tipo de certame.. Por outro lado. in Nalini (coord. está condicionada ao social e ao histórico.). díkaion émpsychon)1 5 É mediador. Ethica Nicomachea. 176. caracteres que devem identificar o bom juiz. A magistratura é instituição aberta.. 7. o melhor perfil de profissional para o exercício dessa lógica1 7 De fato. n. hierarquias. “Alinháveis se mostram. suas limitações. Longe e indesejável a pretensão de homoge­ neidade de pensamentos. Aristóteles. essa lógica do razoável: 1. 537 . pois nesse terreno não se pode pleitear juízos de certeza e evidência absolutas. é a lógica jurídica. lógica. Algumas lacunas psicológicas de juizes manifestam-se através do abuso da autoridade. 20. além do conhecimento específico. Formação jurídica. estes valores se dão em situações específicas. Revista da AMB. 123). ou seja. formação e aperfei­ çoamento do juiz. sociais e grupais. impõe-se que o futuro juiz apresente outros atributos pessoais. 2a semestre de 1999. o concurso de provas pode privilegiar o candidato dotado de boa memória. ano 3. “O traçado de um paradigma se faz com doses altas de subjetivismo. Talvez nem seja concretizável erigir-se um modelo pronto de juiz. mas não afeitas às memorizações técnicas. O humanismo1 6que se 7 requer em sua formação não é algo que se exige desmotivadamente. a cívico-política e a humanista” (Nalini. 2. imprópria de um estamento de consciências preparadas. Assim. suscetível de abrigar plúrimos perfis. 175.

dos valores aos fins. além de fazer cumprir direi­ tos. qual a solução acertada. 1973. lastreia-se na experiência da vida humana. todas as mais candentes questões jurídicas desaguam no Judiciário. aos seus paradigmas. podendo com isso. entre outras coisas. Sobretudo quando se trata de uma profissão que existe desde todos os tempos.. portanto. ao juiz exercitar suas faculdades no sentido de tomar-se digno de representar o que sua função efetivamente lhe exige. uma vez que é esta que faz com que aquela se tome um exercício real e efetivo1 9 7. p. 7. recorrendo ao caso encontrará o fermento de um litígio perpetuável e abundantes ele­ mentos em meio aos quais encontrará a semente para a decisão. extinguir. deve o juiz encontrar sobre si responsabilidade ética proporcional aos anseios sociais depositados sobre sua função e sua pessoa. Nesse sentido. recorrendo à equidade encontrará uma forma de adaptar as agruras e as estreite/as da lei às necessidades das partes que reclamam justiça. encontrar-se-á o magistrado na fileira dos que real­ mente desejam personificar a justiça. em última instância. encontrará fartas atuações de magistrados no esforço de conferir prudência aos mais diversificados litígios. modificar. à sua educação. faz do juiz uma figura social de grande im­ portância. Cumpre. dos valores demandados às demais carências sociais. ou acórdãos. por sentenças. qual o quantum debeatur. alterar. Esforçando-se nesse sentido. o que se há de dizer é que o iudex possui o papel de dizer o direito. recorrendo à sua consciência. Ademais. e requer apelo profundo à prudência decisória1 8 7. 2. encontrará a sabedoria das lições que ilustram e aclaram as necessidades textuais mais complexas de serem compreendidas. recorrendo à jurispru­ dência. preservar. A dinâmica e a criatividade do direito passam por sua responsabilidade profissional. à sua capacidade de raciocínio e pon­ deração virtuosa. de fato. criar. 178. recorrendo à doutrina. declarar. qual a medida a ser tomada para a remoção de perigo iminente. demanda uma ética compatível com a maturidade da função: “A ética do Ju- 538 . Nueva filosofía de la interpretación del Derecho. pois. 281-2‘M 179. executar. quem restará com a guarda da criança. Concentrando tamanha importância. de modo que o preparo exigido do juiz deve ser incomum. Siches.6. ique. O poder de determinar. Recorrendo à lei encontrará o parâmetro democrático do seguro julgamento. ed. onde reside o direi­ to. demanda adequação dos fins e dos meios. haverá de recolher dados preciosos na determinação de respostas prudentes e na inovação do direito positivado.

Formação jurídica. “Art. de 11-1-1973 (DOU. profissional de qualquer área.). 86 a 153). in Nalini (coord. Sobretudo tendo-se em vista a liberdade e a livre convic­ ção. que se consubs­ tancia em ausência de imposições externas e em ampla faculdade de julgar e persuadir-se nas leis e nas provas produzidas em juízo1 0 encontra barrei­ 8. 180. 125 a 133). com a recitação mecânica dos deveres. assunção dos de­ veres da carreira. portanto. Mas essa ampla liberdade. Ca­ pítulo IV — Do Juiz (arts. esse comportamento deverá possuir um conjunto de contornos próprios. Aquele que encontra dentro de sua consciência o juiz atento de suas responsa­ bilidades e da conduta direcionada a cumpri-las. ante aquele que reflete sobre a sua razão última e que. Nem ostenta mais merecimento o juiz que cumpre os seus deveres. 131. Pouco alcance obter-se-á. distanciado dos jurisdicionados. os motivos que lhe formaram o convencimento”. mas deverá indicar. Ia a 565). A do juiz arrogante. do que aquele que as intui. 1994. sempre seria considerado eticamente irrepreen­ sível.) que devem ser respeitadas. Se se pode e se se deve exigir do magistrado. 52.7. a formação especializada mais servirá a detectar o material humano provido de atributos credenciadores. A independência da magistratura. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Conhecimento (arts. atenden­ do aos fatos e circunstâncias constantes dos autos. para apontar comportamentos que possam vulnerar a imagem ideal da Justiça. ras naturais (decorrentes da divisão de competência.869. art. Não é melhor juiz aquele que sabe enunciar suas obrigações legais. Seção I — Dos Poderes. os juizes preservam grande espa­ ço de desempenho para a produção de decisões judiciais. sim. Parte dela mereceu positivação e reside nos textos constitucionais e nos estatutos da carreira. Ética epoder jurisdicional O juiz detém.1. Lei n. porém. como decorrência de suas atribuições legais. ainda que não alegados pelas partes. quando tanto espera da Justiça a comunidade” (Nalini. que deve ser racional e argumentada. 127). Isso porque visa-se a máxima proteção do cidadão contra qualquer lesão a direito (CF de 1988.5. 5. A formação pode contribuir. parece ser uma primeira necessidade democrática. que a incutir noções quase sempre inatas em candidatos à carreira. do aplicador da lei e da justiça. lei. p. mas neles desacredita. um comportamento ético. 125 a 138). A formação do juiz. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. dos Deveres e da Respon­ sabilidade do Juiz (arts. prepotente em sua inadequada concepção do papel que o sistema lhe reservou. com vistas à efetiva proteção das garantias a todos deferidas. XXXV). da desídia ou do pouco interesse. O juiz apreciará livremente a prova. a saber: representar uma ética da pruden- diciário está substancialmente contida no arcabouço de uma função que existe desde os primórdios da civilização. na sentença. “No campo da moral.. Ou o desalento da acomodação. ética judicial.. grande poder de decisão. 539 .

enfim. p. com devotamento. cabe ao Judiciário controlar a constitucionalidade e o caratei democrático das regulações sociais. é um agente po­ lítico1 4 Por isso. Imparcial é o juiz que não teme reconhecer ao poderoso a . 540 . para garantir o equilíbrio de oportunidades a cada qual conferidas. Ética geral e profis­ sional. 114). Ética na administração pública (moralidade administrativa: do conceito à efetivação). ilustrar urna ética da probidade1 2 8. o interesse pelos dramas humanos. Além de suas funções usuais. in Direitos humanos. A paciência.). à tarefa de demonstrar como isso ocorre e como pode ser diagnos­ ticada” (Moreira Neto. zelar pelo efetivo cumprimento dos prazos c atuar. Para que a independência do juiz seja garantida. convertem o juiz em eficaz redutor de conflitos” (Nalini. assim como o é do contrato ad­ ministrativo e também do ato administrativo complexo. Diogo de Figueiredo. Imparcial é o juiz que procura compensar a debilidade de uma das partes. Mais ainda: o juiz passa a integrar o circuito da nego­ ciação política” (Campilongo. Os desafios do judiciário: um enquadramento teórico. p. Mas é mais do que isso. deveres. a sadia aná­ lise dos fatos e seu cotejo com o fluir da história. p. é ele mais que um agente público. direitos sociais e justiça (org. “Já se assinalou que. Ética no direito e na economia. 49). 1999. o juiz deve procurar manter a imparcialidade. diversas legítimas garantías lhe são deferidas. “O bem julgar implica em exercício constante de faculdades garantidoras da higidez psíquica. como formas de manutenção da autonomia judicial. 1999. quais sejam: a ina­ movibilidade. “A imparcialidade consiste em postar-se o juiz em situação de equidistáncia das partes. “A magistratura ocupa uma posição singular nessa nova engenharia institucional. da vulneração infligida à regra moral interna do governo da coisa pública. 1998. 1998. Esses princípios estão elevados ao plano constitucional e se enfileiram como garantias e vedações para o exercício da jurisdição. é mister que existam princípios reguladores e sustentadores da carreira. a prudência. 182. Imparcial é o juiz que se sensibiliza com o hipossuficiente. priorizar uma ética da imparcialidade1 3 Os deveres que estão a premer o 8. quando ela é evidentemente superior à do mais fraco” (Nalini. ou seja. para que se possa exigir do magistrado esse conjunto de 8. José Eduardo Faria). empenhar-se na busca da verdade real. 184. “Assentado que o referencial da moralidade administrativa é a finalidade públ ica e entendido que esta é um elemento do ato administrativo. 271). comportamento do funcionário público são ainda agravados quando se trata da figura do juiz. a irredutibilidade de vencimentos e a vitaliciedade. 183. 71). Uma e outras destinam- 181. p. para que se possa alcançar a isenção dos julgamentos e a proteção da convicção racional.i/a1 1 encamar uma ética da equidistáncia. Ética e justiça. in Martins (coord. no processo. cinge-se o problema da caracteriza­ ção da moralidade administrativa. 8.iiia razão. perante cuja insuficiência o atuar equidis­ tante é sinônimo de injustiça.

35 a 39). 36. nos demais casos. X e XI. Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. custas ou participação em processo. I1 85. longe das pugnas partidárias. deve-se verificar o que há a respeito no texto constitucional: Constituição da República Federativa do Brasil {DOU. de sentença judicial transitada em julgado. Seção I . III — irredutibilidade de subsídio. salvo por motivo de interesse público. salvo uma de magistério. 153. “Art. na forma do art. de 4-6-1998 (DOU. III — dedicar-se à atividade político-partidária”1 6 8. 150. 39. nesse período. 44 a 135). 95. Capítu­ lo III — Do Poder Judiciário (arts. É por isso que abundam em legisla­ ção previsões a respeito do comportamento pessoal. que. 191-A): Título IV — Da Organização dos Poderes (arts. 541 . só será adquirida após dois anos de exercício. no primeiro grau. “Art. de delibe­ ração do tribunal a que o juiz estiver vinculado. II. dependendo a perda do cargo. Inciso III com redação dada pela Emenda Constitucional n. social e profissional do juiz. “E o dever da abstenção política. § 2S. III.Disposições Gerais — (arts. § 42. em vigor desde a publicação). 35 a 60). II — receber. Ética geral e profissional. 92 a 126). É vedado ao magistrado: 185. outro cargo ou função. 5-10-1988. que deli­ neia os traços da carreira e explicita as vedações ligadas ao cargo público: Lei Complementar n. 186. 1999. 261). corolário da imparcialidade. decida de acordo com o direito e sua consciência e não sob o impulso de orientação do partido” (Nalini. VIII. para que o magis­ trado. 35. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. 92 a 100). de 14-3-1979 {DOU. ainda que em disponibilidade. desvinculado de outras instituições e descompromissado com a re­ presentação de quaisquer ideologias. Aos juizes é vedado: I — exercer. 93. p. ressalvado o disposto nos arts. e. 37. Nesse particular. II — inamovibilidade. como a que segue na Lei Orgânica da Magistratura Nacional.-se à saudável existência da magistratura como órgão social autônomo. A importância social de que se reveste a carreira e a profissão de ma­ gistrado demandam cuidados especiais. Os juizes gozam das seguintes garantias: I — vitaliciedade. 5-6-1998. 19. Parágrafo único. digno. a qualquer título ou pretexto. e 153.

parte na causa. há que se dizer que a atuação processual do juiz também vem cercada por preceitos de ordem pública e de caráter ético. 134. o seu cônjuge ou qualquer parente seu. Ademais. exceto como acionista ou quotista. votos ou sentenças. até o terceiro grau. II — exercer cargo de direção ou técnico de sociedade civil. 5.869. VI — quando for órgão de direção ou de administração de pessoa jurídica.. salvo de associação de classe. É defeso ao juiz exercer as suas funções no processo contencioso ou voluntário: I — de que for parte. II — em que interveio como mandatário da parte. em linha reta.. V — quando cônjuge. ou na linha colateral até o segundo grau. e sem remuneração. IV — quando nele estiver postulando. a serenidade. de órgãos judiciais. o comprometimento de qualquer natureza externo com as partes. 86 a 153). de qualquer natureza ou finalidade. tendo-lhe profe­ rido sentença ou decisão. 125 a 138). funcionou como órgão do Ministério Público. na colateral. Seção II — Dos Impedimentos e daSuspeição (arts. Ia a 565). São estes os impedimentos e as suspeições. III — que conheceu em primeiro grau de jurisdição. ressalvada a crí­ tica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério”. de alguma das partes. por qualquer meio de comunicação. parente. 134 a 138). consanguíneo ou afim. ou prestou depoimento como testemunha. o legislador se adiantou em dizer: Lei n. III — manifestar. “Art. Com vistas à prevenção desses tipos de ocorrências. o envolvimento emocional. consanguíneo ou afim. viessem a contaminar a isenção do julgamento. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. seu ou de outrem. em linha reta ou. oficiou como perito. que são instrumentos para que a jurisdição não se converta em um nicho de favoritismos e ilegalidades. 542 . de 11-1-1973 {DOU. associação ou fundação. como advogado da parte. As suspeições e os impedimentos sustentam o magistrado no sentido de esquivar-se dos processos em que o equilíbrio. opinião sobre processo pendente de julgamento. ou juízo depreciativo sobre despachos. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. Capítulo IV — Do Juiz (arts.I — exercer o comércio ou participar de sociedade comercial* inclusi­ ve de economia mista.

II — alguma das partes for credora ou devedora do juiz. o juiz é responsável: pela custódia dos processos. IV — receber dádivas antes ou depois de iniciado o processo. quando: I — amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das partes. No caso do número IV. 2010. 135. 5. pelo proferimento de despachos de expediente. de decisões interlocutórias e de decisões defini­ tivas (sentenças). “Art. Desde quando a celeridade pro­ cedimental e a efetividade do processo se tomaram direito fundamental (art. em linha reta ou na colateral até o terceiro grau. Universidade de São Paulo. de seu cônju­ ge ou de parentes destes. pela conservação do patrimônio público disponibiliza­ do para o serviço judiciário. pela produção das provas orais do processo.1. Deve-se. pelo atendimento ao advogado e ao promotor público. pela correição dos serviços judiciários. aconse­ lhar alguma das partes acerca do objeto da causa. e se as res­ ponsabilidades sociais do magistrado não transcendem as amarras do for­ malismo pseudoneutro. Ética e atribuições judiciais Em seu mister. refletir se o dogma da neutralidade não se confunde com frieza legalista. a fim de criar o impedimento do juiz”.1. Parágrafo único. O dogma da neutralidade na prestação jurisdicional. pela célere. consulte-se Jaqueline Santa Brígida Sena. entre outras atividades. A respeito. solução dos litígios. Faculdade de Direito. pela organização cartorial. ou subministrar meios para atender às despesas do litígio. 543 . vedado ao advogado pleitear no processo. Dissertação de Mestrado. Reputa-se fundada a suspeição de parcialidade do juiz. pelo comportamento dos funcionários da justiça. no entanto. V — interessado no julgamento da causa em favor de uma das partes. 187.Parágrafo único. porém. donatário ou empregador de alguma das partes. III — herdeiro presuntivo. Os horizontes da magistratura e da busca da justiça parecem estar além das simples amarras da aplicação da legislação positiva1 7 8. ou ao menos tempestiva. Poderá ainda o juiz declarar-se suspeito por motivo íntimo”.7. é. no exercício do ofício da magistratura. o impedimento só se verifica quando o advogado já estava exercendo o patrocínio da causa.

544 . dos Deveres e da Responsabilidade do . neste século. Ia a 565). 86 a 153).952. II — velar pela rápida solução do litígio. impedindo-se o protelamento exagerado dos feitos judiciais. conciliar as partes1 8 8. responsabilidades e incumbências não se podem omitir os dizeres do Código de Processo Civil ao prescrever ao juiz as se­ guintes tarefas: Lei n. Conjunto de atitudes e reações do indivíduo cm face do meio social).2. 125 a 133). “A popularização da palavra ética. e tem uma explicação: sua simples menção transmite a imagem de cultura. 8. encar­ nando o ideal necessário da virtude e da prudência. um juiz acastelado em seu universo não está aberto para as necessidades sociais que o rodeiam.869. 5. 14-12-1994. Seção I — Dos Poderes. com cerie/a devido à sua beleza fonética. por ser uma palavra indefinida. IV — tentar. “Art. Inciso IV acrescido pela Lei n. LXXVIII. conduta. procedimento. III — prevenir ou reprimir qualquer ato contrário à dignidade da jus­ tiça. usada principalmente em lugar de conduta (‘conduto’. procedimento moral) ou de comportamento (1. a qualquer tempo. a presteza tem sido exigida como tarefa jurisdicional primordial. 5. O juiz dirigirá o processo conforme as dispo­ sições deste Código. e corre o risco de con­ verter sua atividade de julgar em mero ofício técnico1 9 8. competindo-lhe: I — assegurar às partes igualdade de tratamento. 125 a 138). entre as quais a de realizar plena devolução dt. 17-1-1973) — Código de Processo Civil (Institui o Código de Processo Civil): Livro I — Do Processo de Co­ nhecimento (arts. mas cercada de mistério. cm vigor 60 dias após a publicação).7. 125. (arts. Em meio a tantas atividades. foi muito grande.lui/. 189. O compromisso social do juiz Não se deve exagerar em pedir do homem-juiz que seja mais que ho­ mem. de 11-1-1973 {DOU.5a. porque responde por função s<>cial de alta notoriedade pública. 188. de 13-12-1994 (DOU. 2. Mas se pode pedir do juiz que seja homem em sua plenitude. da CF/88). O CNJ também tem pressionado os magistrados ao cumprimento de metas. Pode-se mesmo pedir engajamento e consciência social do juiz. Título IV — Dos Órgãos Judiciários e dos Auxiliares da Justiça (arts. Maneira de se comportar. di­ reitos às partes. Capítulo IV — Do Juiz (arts.

Para tomar o direito algo perceptível. aí incluídas matérias e conhecimentos que usualmente eram considerados marginais ao processo de ensino-aprendizagem do direito. O Judiciário e as funções essenciais à justiça: conduta e ética no séc. “O juiz de ontem mergulhado no seu microcosmo não precisava de grande espaço social. teoria geral do direito e da política. 100). desde o Império com o binômio juiz e padre. prestar a atividade jurisdicional como sendo o último recurso de que dispõe o cidadão na defesa de seus direitos e garantias. nada lhe perguntavam. devendo. Uma das inovações mais significativas. no combate à arbitrariedade. é recair num reformismo-produtivista que apenas reforça o estereótipo do “juiz-máquina” da esteira de produção fordista. mas a sociedade exigindo dele atitudes acima da média” (Roberto Rosas. portanto. 190. ao desvio de poder. Hoje. psicologia judiciária. O mundo dele não é somente o processo. A responsabilidade que decorre desta investidura vai muito além disto. é aquela revelada pela Resolução n. não serão os autos processuais. da melhoria da técnica processual. e.Pensar. num atavismo histórico. 1999. a partir de alicerces em que a formação huma­ nística mais ampla se encontra contemplada. das condições de trabalho. Ética no direito e na economia. Reconhece-se nessa inovação um esforço de renovação da magistratura. “A preocupação com a Ética é maior com o juiz de direito. por isso. filosofia do direito. “O magistrado é hoje — e deverá ser chamado a continuar a sê-lo — o adminis­ trador de situações conflituosas. Se não puder exercer a 545 . o juiz está sendo arguido pela sociedade. ligado ao cidadão na co­ marca. 75. pois seus atos e atitudes são muito importantes e decisivos no contexto social. vivido e assimilável pelas pessoas.. enfim. de 12 de maio de 2009. quais sejam: sociologia do direito. e mais no futuro. Pede-se consciência do magistrado na medida em que é ele a última palavra acerca da lei.. não era atacado. em que pessoas são autores e réus. É a pessoa talentosa para resolver problemas alheios. De fato. proces­ sos são números. por exemplo. das Escolas de Magistratura. no município. à inadim­ plência. Não era questionado. à deslealdade. ela inaugura um movimento em que as exigências de formação do novo ingressante na carreira estejam atreladas à necessidade de mais ampla visão do direito. p. do CNJ. à ilegalidade e à inconstitucionalidade1 0 9. e que revela uma mudança interessante de consciência na área da formação e do preparo de novos magistrados. in Martins (coord. dos estudos dos magistrados. XXI.). a Reforma do Judiciário sem aposta e valorização da profissão. acima do seu mundo. ética e estatuto jurídico da magistratura nacional. sentenças são documentos repetidos no “windows” e a profissão de juiz em exterminador de processos. ele era o mais importante.

possuir humildade suficiente para se destacar como fiel combatente contra as fileiras do nepotismo e do tráfico de influências. • Consciente do mister de julgar. • Consciente das necessidades coletivas e sociais de justiça. manejar mecanicamente a lei. cedo ou tarde. Ética e justiça. • Consciente de sua importância no processo.O compromisso e o atrelamento do juiz com a causa da justiça social faz com que se devam formular imperativos por meio dos quais se ilustrem os comportamentos desejados e os comportamentos indesejados do magis­ trado pela sociedade. estar atualizado das carências e necessidades mais prementes da população. • Consciente dos reflexos práticos e sociais de suas decisões. 191. não há mais lugar para arcaísmos. convertendo-o de ficção em realidade. materializando o direito. 192. 151). hoje. a ponto dc atendê-las por meio do processo e em meio às demandas que sob sua jurisdição e competência se encontrarem. p. Entende-se que não basta ao juiz simplesmente julgar. será substituído. subsumindo os casos concre­ tos à sua literalidade1 atualmente. estudar diutumamente para que suas manifestações constituam legítimas intervenções sobre a vida e o patrimônio dos jurisdicionados. mentalidades retrógradas ou modelos de julgadores desarticulados das ne­ cessidades sociais1 2 O que se pode e o que se deve pedir do juiz é que. exercício profissional. ou o que é pior. “O cumprimento estrito de exigências éticas do dever funcional parece insufi­ ciente para satisfazer as exigências éticas do mister judicial” (Nalini. 1998. “No exercício de suas funções judicantes. in Direitos humanos.). direitos sociais e justiça. por outro operador” (Nalini. revela-se em descompasso com a realida­ de” (Faria (org. 199H. 91. Ética e justiça. a magistratura forjou a partir do Esta­ do Liberal uma cultura técnica própria que. no 9. 208). 1998. 53). 546 . As transformações do judiciário em face de suas responsabilidades sociais. p. p. tratar com urbanidade e res­ peito os demais profissionais que militam em tomo de atividades jurisdicionais. que sua atuação seja reflexo dos poderes da lei. mas que acima da estreita legalidade e procedimentalidade se en­ contrem as necessidades sociais envolvidas nas causas e a urgência de pacificação interindividual e social. saiba discernir adequadamente os valores entre si a ponto de: • Consciente da amplitude de seus poderes.

• A liberdade de persuasão e convencimento do juiz em canal para a evasão de sentimentos parciais. jurisdição. • A necessidade de preservar o vernáculo e de se utilizar de palavras técnico-jurídicas e termos legais em aparato para o magistrado tomar-se inin­ teligível para a sociedade à qual destina seus mandamentos. há que se dizer que. em fuga do dever profissional e de afrontar altaneiramente as jornadas de seu mister. • A adstrição do juiz ao mundo do processo {quod non est in actus non est in mundus) em bastião para a fuga dos problemas sociais e ambientais que cercam o magistrado e que dele exigem posições rápidas e eficazes. Assim. bem como o excesso de pro­ cessos. o juiz encontra-se investido no poder de julgar. 1999. • A obscuridade da lei. Numa palavra. • A inércia da jurisdição em motivo para a criação de maiores empecilhos para o acesso à justiça ou em princípio de vida na condução morosa do processo. que coloca em crise as estruturas jurídicas e judiciárias. ou mesmo a falta da lei. de fato. menos imprevisível e hermético. “O vínculo entre a aquisição efetiva dos direitos e o funcionamento eficiente da justiça explica a intensidade dos reclamos comunitários por um serviço público menos im­ pregnado de burocracia. mais acessível a qualquer do povo” (Nalini. ou ainda para se esquivar das con­ tendas que moram em sua mesa de trabalho. de idiossincrasias perniciosas à isenção judicial. na medida em que necessidades sociais pulsam no sentido de destacar determinados membros do corpo social para desempenharem a importante tarefa de resolução de conflito1 3 Enquanto vigorar a lei e a 9. Ética e justiça. da luta e da força física na definição de papéis sociais. » 193. • A necessidade de transparência e visão arejada do Judiciário em oportu­ nidade para a autopromoção na mídia.justiça material da pós-modemidade. de ideologias tendenciosas. os argumentos para travestir o desleixo profissional. 21). • A calamitosa situação do Poder Judiciário. em motivos para que a decisão peque no aspecto do justo. Pede-se ainda que não se converta: • A imparcialidade em justificativa para a arrogância perante partes e ope­ radores do direito. p. e se faça sentir como impacto do arbí­ trio do espírito das partes envolvidas. 547 . estar-se-á a afastar os fantasmas da violência e da desordem.

1997. o processo. “Se a jurisdição é a atividade estatal destinada à atuação da lei.).O juiz é um aplicador da lei. e delas não pode totalmente se libertar. que represente a correta formulação e imposição da regra concreta” (Bedaque. p. atualizado com relação às necessidades e carências da so­ ciedade. Porém. 51). Zelará pela consecução da Justiça. analogia. haverá de aplicar. se a ação é o poder de estimular essa atividade e fazer com que ela atinja seu objetivo. 1999. deve ser considerado o meio através do qual se visa a um provimento justo. dedica­ do às partes envolvidas. não apenas oferecendo a decisão formal” (Nalini.). Saber procurar a alternativa mais adequada a uma composição satisfatória do litígio. O juiz que. 195. grama­ 9. histórica.. Formação jurídica. 124). princípios gerais de direito e equidade (art. ou seja. equidade. 281). in Nalini (coord. costumes. ademais. está apto para ser qualificado de juiz ético196. Avulta ainda mais atualmente que não tenha tanta atenção com a lei formal e mais com as necessidades sociais e o equilíbrio da aplicação da justiça a cada caso.justo. ou seja. mais do que pelo desencargo de tarefa rotineira. atencioso para com os reflexos de seus atos jurídico-processuais. “O juiz há de ter visão de conjunto do sistema. na ausência da lei. Confe­ rirá dimensão de nobreza ao seu mister. em caso de lacuna. 42 daLINDB). se a defesa é pres­ suposto da legitimidade do provimento e imprescindível à correta imposição da norma ao caso concreto. razão primeira de sua aventura terrena” (Nalini. 1994.1 5 atua dessa 9 forma. Quando possível. 197. 128). estudioso das inovações e tendências do direito. Formação jurídica. A formação do juiz. ele deve estar informado acerca dos con­ teúdos de lei. Em virtude mesmo de seu compromisso com o bem é que o juiz se empenhará no estudo e no autoaperfeiçoamento. 196. A lei não consegue abarcar toda a justiça” (Nalini. em conjunto) e dirimir antinomias jurídicas aparentes e reais. O compromisso do julgador. A noção de que o processo é o instrumento e não o fim de toda a atividade jurisdicional tomaria o juiz menos afeito a tendências burocráticas e mais aberto para reclamos sociais1 7 9. Ética geral e profissional. Não hesitará mesmo diante de desafios aparentemente invencíveis. p. deve 194. “A reengenharia ética poderia contribuir para que o juiz se aproximasse do ideal do juiz. Muito mais do que do juiz legalista. está atrelado às formas de pro­ ceder da jurisdição. Poderes instrutórios do juiz. p.. p. tical. lógica. se necessário. Não desanimará. in Nalini (coord. “Os aspectos éticos da carreira preordenam todos os demais. axiológica e sistemática. ou do juiz doutrinador. ou do juizjurisprudencial. preparado para saber manejá-los adequadamente como siste­ ma jurídico1 4 maduro para exercer a interpretação jurídica (literal. A formação do juiz. compromissado com sua atividade. sem exceder suas funções. 548 . 1994. palco em que essas três atividades se desenvolvem.

35 a 39). em sintonia com as modificações de seu tempo.3. a qualquer momento. psicológico. não pode o juiz se esquivar de seu compromisso. VI — comparecer pontualmente à hora de iniciar-se o expediente ou a sessão. 1978. a atividade censória é imprescindível para o controle da con­ duta do magistrado. profissional das pessoas. grupai. o de coerção e o de docu­ mentação” (Santos. Como exercente de uma atividade pública. com independência. São deveres do magistrado: I — cumprir e fazer cumprir. familiar. salvo autorização do órgão disciplinar a que estiver subordinado. V — residir na sede da comarca. coerção e decisão)1 8 9. 35. desempenho profissional. Deveres do juiz Apesar da ampla liberdade de atuação. 549 . sob qualquer tipo de ale­ gação. em todas as suas dimensões (documentação. e atender aos que o procurarem. as disposições legais e atos de ofício. Então. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. serenidade e exatidão. III — determinar as providências necessárias para que os atos proces­ suais se realizem nos prazos legais. O juiz possui deveres fixados em lei e deve cumpri-los de modo escorreito. II — não exceder injustificadamente os prazos para sentenciar ou despachar. 35. moral.colocá-las.7. convencimento. 35 a 60). “Art. p. seguem-se os deveres do juiz: Lei Complementam. de 14-3-1979 (DOU. os funcionários e auxiliares da justiça. 5. e não se ausentar injustificadamente antes de seu término. IV — tratar com urbanidade as partes. “A jurisdição compreende três poderes: o de decisão. sob pena de comprometer o andamento e o exercício de uma ativi­ dade pública essencial. Primeiras linhas de direito processual civil. na medida em que de sua atuação profissional decorrem influxos decisórios sobre o destino material. Capítulo I — Dos Deveres do Magistrado (arts. os membros do Ministério Público. as testemunhas. 60). típica do Estado e indelegável. os advogados. 198. quando se trate de providência que reclame e possibilite solução de urgência.

35. “Art. O juiz não pode. in Nalini (coorJ. a transparência em tudo. não o descompromisso das decisões singelas. A assiduidade. 550 . embora não haja reclamação das partes. o magistrado que se distanciar de suas atribuições legais. o valor do merecimento como um dos pilares da carreira judicial. com relação a este tema: Lei Complementar n.VII — exercer assídua fiscalização sobre os subordinados. sendo mais que imerecedor de promoção por mérito1 9 e assumir postura atentatória à 9. 50. VIII — manter conduta irrepreensível na vida pública e particular”. p. O mérito dos juizes será aferido pelos critérios da presteza e segu­ rança no exercício da jurisdição e pelafrequência e aproveitamento em cursos reconhecidos de aperfeiçoamento. a dedicação ao trabalho. eticamente. com colheita de provas (escritas e orais) e oportunidade de defesa. 201. que deixar gritantemente do corporificar os misteres da profissão. Ao Conselho Nacional da Magistratura cabe conhecer de reclamações contra membros de tribunais. que é uma face de honestidade em sentido compreensivo. podendo avocar processos disciplinares contra juizes de pri­ meira instância e. 260). Os desvios serão apurados e as sanções serão aplicadas pela Corregedoria-Geral de Justiça. 199. 1999. mantendo-se sempre a possibilidade de recurso aos órgãos colegiados201. A formação do juiz. As culturas verdadeiramente sólidas só conseguem saber que nada sabem. o dar o máximo de si na solução dos problemas. Atraso sistemático e consciência tranquila com essa situação refletem espírito mais vulnerável. ladeando a antiguidade. determinar a disponibilidade ou a aposentadoria de uns e outros. A indicação das fontes. 1994. sobranceia. a pontualidade. Assim. E a postura humilde é a coroa que. “A humildade é sempre essencial. quan­ do as citações são extraídas de obra alheia. rápido. especial­ mente no que se refere à cobrança de custas e emolumentos. o rigor científico na busca de alternativa adequa­ da à verdadeira solução da causa. “Dentre eles. dignidade e ao profissionalismo da carreira. Formação jurídica. que recomenda a pesquisa e o estudo intenso. 200. “O padrão de honestidade pode ser aferido em pequenos detalhes do comporta­ mento do juiz. o constituinte remeteu aos deveres éticos da presteza qualidade de quem é presto. completa as demais virtudes do homem sábio” (José Renato Nalini. após amplo procedimento instrutório. com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço”. 130-131). ao sanear o processo. ao decidir as questões iniciais. em qualquer caso.). Ainda. 14-3-1979). célere. de 14-3-1979 (DOU. Ética geral e profissional. a instruí-lo devidamente e a julgá-lo” (Nalini. retardar a outorga da prestação jurisdicional. “Ao estabelecer tais critérios. A honestidade intelectual. p. ficará sujeito à aplicação de sanções proporcionais à gravidade do desvio200. Deve ser diligente ao impulsionar o feito.

V — aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. As penas de advertência e de censura somente são aplicáveis aos juizes de primeira instância”. Mas.A atuação da Corregedoria deve centralizar a mentalidade de que in­ vestir contra a magistratura faltosa é. 40 a 48). de 14-3-1979 (DOU. 42. Parágrafo único. 202. acompanhamento próximo aos juizes ne­ cessitados e disseminação de conhecimentos éticos” (Nalini. e mesmo antes de punir. ouvindo o interes­ sado e a ele concedendo plenitude de defesa. 35 a 60). 41. desvio de comportamento do magistrado. “O órgão disciplinar encarregado da fiscalização e controle da atividade funcio­ nal e da conduta particular dos juizes é a Corregedoria-Geml da Justiça. Art. “Art. na verdade. mediante orientação contínua. As Corregedorias recebem as denúncias formuladas contra os magistrados e as processam. além de punir. 14-3-1979) (Dispõe sobre a Lei Orgânica da Magistratura Nacional): Título III — Da Discipli­ na Judiciária (arts. III — remoção compulsória. O corporativismo e o falso coleguismo protecionista só prejudicam o erário público. afora as eventuais sanções civis a que fica sujeito em caso de fraude ou dolo. Ética geral e profissional. investir a favor da socie­ dade. Salvo os casos de impropriedade ou excesso de linguagem. Capítulo II — Das Penalidades (arts. 35. o ma­ gistrado não pode ser punido ou prejudicado pelas opiniões que manifestar ou pelo teor das decisões que proferir. II — censura. a célere e eficaz punição devem ser políticas efetivas dos órgãos de controle (interno ou externo). A respeito das sanções: Lei Complementar n. na medida em que o espírito de equipe e a ética coletiva surgem do emprego desse tipo de administração do comportamento corpo­ rativo2 O caráter excepcional da punição se justifica a partir do tipo de 02. 551 . p. “Uma nova concepção de Judiciário postula atuação menos punitiva e mais orienta­ dora das Corregedorias-Gerais de Justiça. São penas disciplinares: I — advertência. VI — demissão. IV — disponibilidade com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. na manutenção de uma magistratura ineficiente e imoral. 278). 1999. Tais organismos hão de contribuir no aprimora­ mento da carreira. orientar é fundamental.

Além da revisão das disciplinas jurídicas essenciais ao exercí­ cio de seu mister. A solução para o impasse às vezes se 203. E não se exige conduta eticamente irrepreensível apenas aos detentores de cargos no Executivo e no Legislativo. ainda. “O juiz moderno há de contribuir. o verdadeiro juiz se forja na prática efetiva da jurisdição e no enfrentamento quotidiano das agruras da função. até a nível psicológico. A formação do juiz.4. cogitando-se da forma­ ção de uma Escola da Magistratura que preparasse o magistrado durante longos períodos antes de judicar204. Aquele que tem por dever de ofício aplicar a lei. Formação jurídica. o juiz tem obrigação de atuar sem o arranhão mínimo à moral: pois é quem julga. Código de Ética da magistratura Um Código de Ética para a Magistratura só pode constituir um parâ­ metro fundamental para a atuação do juiz.7. do patrimônio e da honra. Para poder fazê-lo sem suscetibilidades de consciência. com sua opinião abalizada. não pode ser excluído da elaboração normativa” (Nalini. o verdadeiro juiz deve ser experiente e militante advogado. “Assim também. para outros. 129). se se espera do juiz maior proximidade das questões sociais e se se questiona o juiz para que abrace uma ética profis­ sional mais ativa203. no processo legislativo. 204. um Código de Ética só pode significar uma exaltação das magnas virtudes do julgador e de suas atribuições. para outros. exporiam suas expectativas e receberiam acompanhamento contínuo. há de conduzir-se limpo e transparente. incompleto o encaminhamento se não houver ativa partici­ pação do Judiciário. “Toda a atividade pública está sendo hoje questionada em seus aspectos éticos. Muito já se cogitou sobre a formação jurídica. para a preservação do equilíbrio. Sem o qual não pode 552 . para trazer luz aos de­ bates de interesse na vida nacional.). o verdadeiro juiz é nato. quem condena. receberiam experiência do trabalho judiciário. na educação residiria a chave para o preparo do jul­ gador ideal. No momento histórico em que se propõe a mudança da forma e do regime de governo. Conviveriam com juizes mais experientes. O movimento que resultou na utilização de instituto que ninguém acreditava pudesse vir a ser aplicado no Brasil — o impeachment — não por acaso se denominou movimento pela ética na política. Nesse sentido. in Nalini (coord. teriam desenvolvidas suas qualidades inatas mediante processos científicos de polimento da personalidade. para uns. Mais até que os demais agentes políticos. “O ideal seria que todos os candidatos a juiz permanecessem por dois anos em uma Escola da Magistratura. Enfim. Mais que isso. ética e humanista do magistrado. p. O conjunto de atos preordenado à produção de normas típicas do parlamento não pode prescindir de conduto para que o Judiciário for­ mule suas proposições ou aperfeiçoe aquelas que digam respeito à função para a qual foi criado. Assim. 1994. quem ordena o sacrifício da liberdade. há que se tomar claras as principais virtudes da função.5.

Mas são indicadores da urgência: da revisão dos procedimentos. de ser um mau juiz” (Camolez. A verdade é que esta diversidade de critérios tem resultado na existência de bons e de maus juizes em todas as justiças. o exter­ mínio da impunidade dos juizes infratores. A formação do juiz. 1994. p. Os desafios do judiciário: um enqua­ dramento teórico. 553 . 206. Crise da norma jurídica e a reforma do judiciário. a reciclagem obrigatória dos juizes. 4) da nomeação pelo Executivo com proposta de outros poderes. a ampliação do quadro de magistrados em regiões de grande movimento e expediente fo­ rense. formação e aperfeiçoamento do juiz. 6) da escolha por órgão especializado. 2) da livre nomeação pelo Executivo. 64). Também contribuiria para a arquitetônica da imagem da magistratura: o desentravamento da legislação processual. a celerização dos procedimen­ tos206. p. a quebra de uma hierarquia fechada na ascensão da carreira. 1998. 1998. ano 3. in Direitos humanos. direitos sociais e justiça (org. 3) da livre nome­ ação pelo Judiciário. p. e o fortalecimento dos me­ canismos alternativos de resolução de conflitos jurídicos — a ‘desinstitucionalização’ do conflito — não são sinais reveladores da inutilidade da magistratura. a abertura para a mídia das de­ cisões judiciais e a criação de instrumentos de aproximação da justiça e seus mistérios da população. 7. a quebra do modelo liberal e arcaísta de justiça formal207. Cidadania e justiça. For­ mação jurídica. José Eduardo Faria). a ampliação do diálogo com a co­ munidade na formação das decisões políticas e institucionais da justiça pública. “A variedade dos sistemas de recrutamento e de formação dos magistrados é fruto de inúmeros motivos. n. direitos sociais e justiça (org. sem dedicação e interesse. a informatização de determinadas formalidades judiciárias. os desajustes entre a aplicação judicial de regras jurídicas nacionais e as necessidades da internacionalização do processo produtivo. A escolha. “O ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (1977) resumiu os métodos de seleção de juizes assim: 1) do voto popular. a oferta de melho­ res condições de trabalho em determinadas comarcas. 207. 7) do concurso. in Nalini (coord.deposita inclusive na reformulação dos métodos de seleção do juiz205. existir prestação jurisdicional eficaz” (Nalini. p. A respeito da necessidade de desmitificação de uma cultura jurídica utilitarista.). da mudança na formação. 205. individualista e formalista. a exemplo do peso da tradição e da história das instituições estatais em cada país. a aproximação da justiça das regiões mais carentes e a formação de mecanismos de atendimento de necessidades aos despro­ vidos de condições de acesso à justiça. 2a semestre de 1999. in Direitos humanos. Revista daAMB. do incremento da operacionalidade do Poder Judiciário” (Campilongo. 5) da nomeação pelo Executivo. vide Lopes. José Eduardo Faria). o inves­ timento em qualificação de pessoal para trabalhar em equipe com o juiz. até porque a melhor escola judicial não salvará umjuiz. 82-83. 142-143). 44). dependendo da aprovação do Legislativo. “Os descompassos entre o ‘tempo’ do processo judicial e o ‘tempo’ das modernas transações mercantis.

a partir da Constituição da República. donde não se pode conceber um ordenamento jurídico que não responda a um princípio ético. o direito existe. o equilíbrio de tua alma. Esta é a parte mais sen­ sível e humana de tua missão. deves encarnar em ti esses valo­ res. não se conseguirá lograr êxito na formação dos ma­ gistrados. leva atribulações e ansiedades que hás de compreender. ministrando conhecimentos de ética. 554 . Existem normas éticas positivadas. Assim. e. assim redigido: 1. inexistente no Brasil209. 3. Por esses valores morais. aperfeiçoa-se e se impõe aos homens. dados fundamentais para esculpir a pessoa humana no desempenho de quaisquer atividades. com o intento de contribuir na formulação de um Código de Ética. 208. Sê sóbrio: a sobriedade é uma exigência do teu cargo. “A ética constitui disciplina cujo conhecimento é imprescindível na carreira ju­ dicial. Para que possas aplicá-lo com rigor e cumprir seus pressupostos últimos. nesse sentido. Para que sejas um verdadeiro magistrado e alcances o respeito de teus semelhantes. “O juiz brasileiro não tem um código de ética específico. soma-se à vocação e à personalidade. Nem por isso os mandamentos éticos. O constituinte emitiu comandos destinados ao juiz. Cidadania e justiça.Todas as alternativas são válidas. pois. Ética geral e pro­ fissional. Importante. 1999. inspira­ dores de sua conduta. 209. Sê paciente: quem vai aos tribunais em demanda de tua justiça. uma pessoa humana. p. mormente no que tange à profissão de julgar2 08. p. formação e aperfeiçoamento do juiz. mas. dos quais se pode extrair o lineamento básico de sua conduta ética” (Nalini. Educação. dentre os quais a honestidade é o primeiro e essencial ao teu ministério. E enorme o perigo social da existência de um juiz não ético. 7. Sê honesto: O conteúdo necessário do direito são os valores morais. ano 3. em todas as tuas decisões. mais que um homem. devem-se recolher os seguintes ensinos: “Houve quem se preocupou com a enunciação de um Código de Ética Judicial. A escola judicial. 80). ela te ajudará a ter presente que o destinatá­ rio de tua sentença não é um ente abstrato ou nominal. residem somente na doutrina. n. a inserção do estudo da ética dentre as disciplinas da escola judicial” (Camolez. Professor da Universidade Católica de Assunção. mas é um homem. hás de ser necessariamente exemplar em tua vida pública e privada e hás de condensar. 2. 22 semestre de 1999. merecendo menção o decálogo do Juiz Juan Carlos Mendoza. A codificação das normas éticas ainda sofre algumas objeções. poderá servir de importante meio de desenvolvimento dos atributos morais exigíveis no comportamento judicial. Revista daAMB. A escolha. tem autorida­ de. 258-259). sem se cogitar de uma profun­ da consciência ética.

tem presente que o que está em jogo é a própria justiça. para que esse baluarte seja uma fortaleza. Não é por capricho que se quer que sejas indepen­ dente e que os homens tenham lutado e morrido pela independência. mas porque a experiência da humanidade demonstra que esta é uma garantia essencial da justiça. Deves estar consciente da imensa responsabilidade do teu ministério e da enorme força que a lei põe em tuas mãos. Isto não deves esquecer nunca. nem de soldados. a magistratura judicial é um apostolado mais nobre ainda. Defende a liberdade: tem presente que o fim lógico para o qual foi criada a ordem jurídica é a justiça e que a justiça é o conteúdo essencial da liberdade. em todos os casos. que exige para o direito uma devoção maior porque não te dará triunfos. A imparcialidade implica a coragem de decidir contra os poderosos. tanto quanto tu lutas pelo direito. se bem que não deves sacrificar o estudo à celeridade. Sê justo: antes de mais nada. Sê respeitoso: respeitoso da dignidade alheia e da tua própria dig­ nidade. 6. para que seja majestoso e imponente. 8. isento de enganos e refúgios. nem os povos. fundamenta-a no Direito. teus companheiros e tua posteridade gozarão de seus benefícios. hás de esforçar-te para que a verdade formal coincida com a verdade real e para que a tua decisão seja a expressão viva de ambas. Em seguida. está dirigido à dignificação da pessoa humana e não se pode conceber esvaziado dela. nem riquezas. que exige um profundo amor ao direito. Sê trabalhador: deves esforçar-te para que tenha vigência o ideal de justiça rápida. por conveniências ou compaixões. que não souberam ser justos. por 555 . pois nunca foram livres os homens. sem necessidade de canhões. tu. 5. Tra­ balha no pleito mais insignificante com a mesma dedicação que no pleito mais importante e. o modo mais eficaz de proteger o indivíduo contra os abusos do poder. Do ponto de vista técnico. onde está a justiça. senão preservar a saúde da sociedade e o destino das institui­ ções que a justificam. nos conflitos. é mister que tu o levantes como nunca. mas também o valor muito maior de decidir contra o fraco. Ama o direito: se a advocacia é um nobre postulado. Sê imparcial: o litigante luta pelo seu direito. respeitoso nos atos e nas palavras. Para cumprir com o teu dever. verifica. nem por temor ou misericórdia. 10. Defender a liberdade não é fazer política. Sê independente: tuas normas hão de vir unicamente das normas da lei e de tua consciência. a condição da existência do poder jurisdicional.4. Na medida em que a faças respeitar. 7. Não te deves levar por tuas simpatias ou antipatías. 9. Todo o direito é dignidade.

com vistas à manutenção da imparcialidade e ao oferecimento de ampla oportunidade de manifestação antes que qualquer decisão (administrativa ou judicial) seja tomada. a que se pode chamar de leal­ dade processual211. mas. em primeiro plano. visando à conduta ética. 5a da CF de 1988. 210. 1998. seja como sujeito ativo. sobretudo. 5. éticos de resolução de conflitos. a publicidade dos atos processuais (LX). 67-68. Isso significa. conforme os mais célebres ditames contidos nos incisos do art.cima das paixões e cumpras. Instituições de direito processual civil. no geral. com vistas a que o processo judicial e o procedimento administrativo sejam instrumentos públicos não somente eficazes. num processo ou procedimento. 556 . a oportunidade de se manifestar num procedimento em sua defesa. A elas também se pode ligar um conjunto de deveres e de prescrições legais. a). a par desta importante discussão. com recursos ilícitos” (Marques. v. teu dever de magistrado. é deferido o devido processo legal (LIV). o amplo acesso à justiça em caso de lesão ou ameaça de lesão a direito (XXXV). autor e réu. 211. 1971. É quem pede e contra quem se pede o provi­ mento jurisdicional” (Greco Filho. sem que se tente alterar o desfecho acertado e justo da ação. tem-se por hábito conceber o estudo da ética dos operadores do direito. são essas garantias que constituem a lisura dos instrumentos públicos de aferição de litígios. Nalini. que o processo não deve se conver­ ter em uma arena oficial. p. Mas. o direito de petição (XXXIV. Ora. ou por meio do qual se cometem arbitrariedades. “As regras que se condensam no princípio da lealdade processual têm por obje­ tivo justamente conter os litigantes e lhes impor uma conduta em juízo que possa levar o processo à consecução de seus fins. deve-se também levar em consideração que a legislação e o dever ético incidem da mesma forma sobre as partes que li­ tigam em processo judicial ou em procedimento administrativo. o amplo direito de defesa e de contraditório (LV). seja como sujeito passivo. Direito processual civil brasileiro. conclaves ilícitos.8. p. 1. Ética e justiça. Ética das partes: lealdade processual e procedimental Quando a temática se detém na ética profissional. com grandeza e com suprema energia. Às partes212. 1989. teu alto apostolado jurídico. 89). p. constituem o sujeito ativo e o sujeito passivo do processo. 212. Adota-se a seguinte conceituação de parte: “As partes. que não cedas ante a violação de urna única lei e não te embaraces no atentado contra urna única garantía”210. 111). onde se digladiam as partes até os limites de suas forças.

Instituições de direito processual civil. em detrimento da justiça e da reta aplicação da lei”215. em que imperam: o ódio. o desprezo. A afirmação é de José Frederico Marques. III. em face da animosidade que movimenta as partes que se acostam ao procedimento administrativo e ao processo judicial. É muito comum. Requisitar. II. o processo pátrio. a mentira. 1971.favorecimentos pessoais. pois transformaria ojudicium em tablado de luta desleal. 1971. a desonestidade. 215. O proces­ so. 445 do CPC). Ordenar que se retirem da sala de audiência os que se comportarem inconvenientemente. a vontade de perseguição. a má-fé. onde venceria o mais hábil. Exortar os advogados e o órgão do MP a que discutam a causa com elevação e urbanidade” (art. 214. De fato: “Um pro­ cesso dominado pela chicana ou expedientes condenáveis seria a negação do processo. desvios. o devido processo legal avalia meios e fins. O processo não pode servir de instrumento para a reali­ zação de direitos em conflito com o dever moral” (Instituições de direito processual civil. competindo-lhe: I. des­ pontam as mais vis paixões da alma humana. quando necessário. a atrocidade. p. a ma­ nipulação. O que se quer dizer é que o processo não pode ser a moradia da desor­ dem e do tumulto.. em face desses sentimentos. a velhacaria. perde-se o norte da necessidade da intervenção de um terceiro julgador (autoridade decisória) para dar-se vazão a um sem-número de atribulações mesquinhas da alma humana. a vontade de aniqui­ lamento do outro. Sem essa interação discursiva racional. desvirtuando-se o compromisso plasmado sobre o processo de transformar a pendência entre as partes em uma decisão racional e imparcial. o jogo de forças. Ao juiz são deferidos poderes de condução do processo exatamente para que não se desvirtue sua natureza de instrumento público214. se inscreve como instrumento ético de aferição de direitos e de deveres213. não pode se tomar o circo onde tudo é possível e onde se vê acontecerem fatos de toda natureza. a irascividade. Manter a ordem e o decoro na audiência. a imper­ meabilidade de comunicação. a força policial” (art. de acentuado sentido ético. da desvairada 213.. a desconsideração. irregularidades. imoralidades. perde-se de rumo a orientação racional da necessidade do pleito judicial ou administrativo. Ademais: “Compete ao juiz em especial: (. portanto. a impetuosidade. a vingança.) IV. o que acaba por dar surgimen­ to a um tétrico cenário de relacionamento. e. portanto. Lapidar sentença de Frederico Marques: “Impregna-se. ou o procedimento. 110. De fato: “O juiz exerce o poder de polícia. Ora. 111). a corrupção. a sórdida perfídia. a rapina. p. 446 do CPC). do mero conclave de ânimos exaltados. 557 . em detrimento da moral e da legalidade.

vontade de massacre da parte contrária, da humilhação e da impetuosidade, do arbítrio e da vingança, mas sim da imparcialidade, da justiça, da media­ nia decisória, da autoridade, da racionalidade e do discurso/Quando o processo se converte em mero instrumento de extravasamento das baixas paixões da alma humana, ele já perdeu sua essência ou sua raiz racional, qual seja, a de servir para resolver conflitos de modo racional e imparcial, de modo institucional e equânime, para se converter na forma de prolonga­ mento temporal da desdita humana, da miséria ética da humanidade, da desonra e da tortura sentimental, ou, ainda, numa forma de enlamear e afugentar o sentimento do ético e do justo. É certo que o juiz, ou a autoridade decisória administrativa, possui grande participação nesse cenário, devendo estar consciente dessa proble­ mática para afastar todo e qualquer uso inescrupuloso das vias institucionais para a realização de sentimentos antiéticos. Mas nem sempre se pode im­ putar ao julgador essa responsabilidade, assim como nem mesmo se pode cobrar dele essa percepção, por vezes, velada e mascarada pelas partes, que agem sorrateiramente nos bastidores dos acontecimentos processuais. O julgador não possui amplos poderes instrutórios e probatórios senão para a realização desse seu mister de boa condução do processo216. Isso significa, também, num segundo plano, que se podem cobrar alguns comportamentos específicos das partes, seja por estarem previstos direta­ mente na legislação, seja por estarem subjacentes e implícitos no ordena­ mento ou numa certa ética da litigância, como segue: 1. Movimentar a justiça ou a máquina administrativa para elaborar pedidos levianos ou motivar-se a aventuras jurídicas, sabidamente incapazes de surtirem qualquer fruto real ou qualquer resultado realizável, sobretudo se conhecedor da ilogicidade de seu pleito administrativo ou judicial, em face da necessidade de provar a existência de interesse (art. 32 do CPC). 2. Tratar a parte contrária nos momentos de conclave perante a auto­ ridade decisória sem a mínima urbanidade. É certo que não constitui crime de calúnia, ou crime de difamação punível, a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador (art. 142,1, do CP), o que não significa que haja nessa exceção legal o acobertamento de atitudes antiéticas a serem estimuladas ou louvadas, ex vi do art. 445 do Código de Processo Civil.

216. A respeito, consulte-se a importante obra de José Roberto dos Santos Bedaque, Poderes instrutórios do juiz, 1994.

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3. Conduzir o processo mediante provas ilícitas e/ou obtidas de má-fé, tomando esse instrumento público de aferição de direitos e deveres o covil onde moram a rapina e a deslealdade processual, conforme prescreve a própria Constituição Federal (art. 52, LVI). Não é sem razão que a lei pro­ cessual civil brasileira se utiliza de uma expressão muito significativa quando se refere à produção de provas, como segue: “Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa” (art. 332 do CPC)217. 4. Converter os meios jurídicos e processuais para obter efeitos con­ denáveis, externos ao processo, para a realização de paixões vis e repug­ nantes. É comum na praxe forense: o pedido de falência de outra empresa somente com vistas ao abalo do crédito e do conceito do concorrente pelo simples não pagamento de uma nota ou documento hábil a instruir pedido de falência; o precipitado pedido de prisão por não pagamento de pensão alimentícia, não por real carência ou necessidade, mas pela sorrateira von­ tade de vingança pelo término da relação conjugal e para destruir a vida profissional do ex-companheiro; promover denúncia à polícia para dar início a inquérito policial de fatos inexistentes, simplesmente para difamar ou prejudicar alguém que sabe ser inocente (art. 339 do CP). 5. Fomentar inverdades, alterando a verdade dos fatos e ostentar ale­ gações inverídicas perante autoridades administrativas ou judiciais, com vistas à constituição de situações irreais ou à obtenção de mais direito do que lhe corresponde (art. 17, II, do CPC). É certo que ninguém é obrigado a produzir prova em desfavor de si mesmo, ou mesmo depor sobre fatos e ocorrências dizendo verdades que o incriminam, mas a lisura do discurso é algo que se afere inclusive por meios probatórios para compor a decisão final do processo ou procedimento. 6. Agir processualmente em má-fé, como prescreve o CPC, com nos­ sos grifos ao texto: “Responde por perdas e danos aquele que pleitear de má-fé como autor, réu ou interveniente” (art. 16 do CPC); “Reputa-se liti­ gante de má-fé aquele que: I — deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso', II — alterar a verdade dos fatos', III — usar do processo para conseguir objetivo ilegal', IV — opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V — proceder de modo temerário

217. A jurisprudência repudia veementemente a obtenção de provas ilícitas produzidas ou favorecidas pelas partes, como segue: RTJ, 84/609; RT, 649/665; RT, 654/132.

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em qualquer incidente ou ato do processo; VI — provocar incidentes ma­ nifestamente infundados”; VII — interpuser recurso com intuito manifes­ tamente protelatório (art. 17 do CPC). 7. Falsear a verdade ao profissional que o representa administrativa ou judicialmente, de modo a induzi-lo a erro na representação processual ou procedimental, fazendo-o crer ser inocente quando é, em verdade, culpado consciente, fazendo-o crer que pleiteia justamente como vítima, quando, em verdade, é o autor de dano, deslealdade esta que pode ser motivo sufi­ ciente para a cessação do patrocínio da causa pelo profissional (renúncia ao mandato judicial ou administrativo) que se viu iludido ou persuadido a atuar por algo que não existia ou não correspondia à verdade. 8. Manipular testemunhas, uma vez que, em juízo, estas possuem o dever de dizer a verdade, de não calar sobre a verdade ou de não fazer afir­ mação falsa (art. 342 do CPC), sendo assim instadas pela autoridade judicante (arte. 415 do CPC e 203 do CPP). 9. Subornar funcionários, corromper serventuários da justiça, ou mes­ mo o juiz, com vistas à obtenção dos melhores favores da justiça, a serviço de seus interesses pessoais, ao prejuízo da parte contrária, ao ganho de causa injusto (arts. 316, 317 e 333 do CP). 10. Pressionar extrajudicialmente os envolvidos em processo ou pro­ cedimento por meios ilícitos e se utilizar de violência ou de grave ameaça contra autoridades, partes e quaisquer outras pessoas que funcionam em processo judicial, em juízo arbitrai, em procedimento policial ou adminis­ trativo, para obter efeitos extraprocessuais (art. 344 do CP). 11. Provocar o desaparecimento de documentos (arts. 336, 337 e 356 do CP) ou manipular lugares e condições de prova a ponto de induzir a erro magistrado ou perito em processo civil ou administrativo (art. 347 do CP). 12. Praticar atos atentatórios à dignidade da justiça, tais como: fraudar a execução; opor-se maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos, dissimulados e calculados; resistir injustificadamente às ordens judiciais; desviar ou deixar de indicar bens à execução (art. 600,1 a IV, do CPC). 13. Provocar a perda de prazo ou a má defesa pela parte contrária, manipulando situações, causando impedimentos (físicos, psíquicos, judiciais, legais, materiais...) para a execução de tarefas relacionadas ao processo ou ao procedimento. 14. Outros. 560

conclamando-se os operadores do direito ao efetivo exercício de seus deveres profissionais e de seu compromisso social. da atualidade. Procurou-se enfatizar não a exaustão das correntes de pensamento. 561 . Nestas linhas exordiais sintetizam-se as principais contribuições que encerram esta obra em seu bojo. Com o escorço histórico. procurou-se refletir sobre a ética do ponto de vista filosófico.CONCLUSÕES Após o desenvolvimento das linhas que compõem esta obra. na perspectiva de se moldarem novas expectativas para a prática jurídica no século XXI. Com os conceitos fundamentais da primeira parte. mas sobretudo aqueles que de alguma forma se vinculam às principais problemáticas jurídico-filosóficas. mas perpassar suas marcas fundamentais e res­ tabelecer o curso linear da estrutura das reflexões empreendidas. Estas não procurarão retratar nova­ mente o conteúdo da obra. Com acento crítico. restam sejam ditas algumas palavras epilogais. desfiladeiros conceituais. procurou-se intro­ duzir o leitor na consciência da importância. das dificuldades e nuances científicas básicas que passam pela temática ética. Atravessaram-se. procurou-se não enfatizar os pensamentos de interesse somente para a história das ideias éticas. sempre procurando-se proporcionar uma noção ampla da carreira e de seus princípios basilares. com isso. o texto fiou-se no sentido de proporcionar uma exegese normativa como forma de se trans­ mitir ao leitor as principais preocupações do setor. mas a enunciação das princi­ pais e mais notórias categorias de reflexão lançadas a respeito. Com a discussão sobre ética profissional procurou-se instruir o leitor na imediata compreensão dos deveres práticos avocados pelas diversas profissões jurídicas. tortuosas e traiçoeiras dificuldades teóricas que tomam emblemática e candente as preocupações éticas contextualizadas na pós-modemidade. destacando-se as principais ideias e contribuições já formadas e enunciadas na história do pensamento.

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