Você está na página 1de 1

Schulz, Bruno. Fico Completa. Traduo e posfcio Henryk Siewierski. So Paulo: Cosac Naify, 2012.

(Coleo Prosa do Mundo; 26). Gombrowicz, Witold. Cosmos. Traduo Tomasz Barcinski e Carlos Alexandre S. So Paulo: Companhia das Letras, 2007.

A Polnia produziu boa literatura ao longo de seus mil anos de histria. No sculo XX, dois escritores se destacam: os amigos Bruno Schulz e Witold Gombrowicz. O primeiro escreveu Lojas de Canela, Sanatrio, e quatro contos publicados em revistas. O segundo autor de Ferdydurke, Pornografia, Cosmos, um livro de contos e alguns dramas. As histrias de Bruno Schulz se passam em uma cidade de provncia, sob a tica de um narrador menino, e depois adolescente, que muitas vezes o personagem principal. Trata de acontecimentos banais e comuns em temticas diversas como a origem da vida e da morte, a metafsica, o erotismo, a vida social, a famlia, o comrcio. A escrita de Schulz parece pintura, a linguagem produz sensaes dspares, e no h como no sucumbir na escrita deste que foi, por diversas vezes, comparado a Kafka. Duas palavrinhas podem ser atribudas a seus contos: delicadeza e vitalidade. O livro de Gombrowicz apresenta uma narrativa de crime e mistrio, atravessada de nonsense e lirismo. Sartre o qualificou de mquina infernal. Os lugares, cenas e personagens, deslocam-se de maneira abrupta; dois adolescentes fogem incessantemente, um da famlia outro do trabalho. Eles alugam um quarto em casa de outra famlia, uma penso absurda e improvvel. Um pardal morto e depois um graveto pendurado, assim como as relaes ilgicas entre os personagens, desenham esse romance prximo do sonho e da loucura. O autor de Cosmos afirmou que o livro era uma investigao metafsica sobre as origens da realidade. Duas outras palavrinhas lhe podem ser atribudas: fantstico e absurdo. A edio brasileira de Schulz acompanhada de alguns de seus desenhos, prefcio de Czeslaw Milosz e notas do dirio de Gombrowicz onde se encontram referncias ao amigo. Bruno Schulz foi assassinado por um agente da Gestapo em 1942. Gombrowicz escreveu um dirio ao longo de treze anos, viveu como emigrado na Argentina e na Frana e morreu em 1969.