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PRINCIPAIS CICLOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

PRINCIPAIS CICLOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

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Rápido histórico dos principais ciclos economicos do Brasil
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CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇAO TECNOLOGICA – CEFET UNIDADE DE ENSINO DESCENTRALIZADA DE IMPERATRIZ - UNEDI

Jhamyson Galvão Cabral Filipe Rhuan Vieira de Sá Cruz

PRINCIPAIS CICLOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

Imperatriz 2007

CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇAO TECNOLOGICA CEFET

Jhamyson Galvão Cabral-Nº16 Filipe Rhuan Vieira de Sá Cruz-Nº 232/I

PRINCIPAIS CICLOS DA ECONOMIA BRASILEIRA
Trabalho apresentado a professora Alencar, da disciplina de Geografia, para obtenção de nota parcial do primeiro semestre do ano corrente.

Imperatriz 2007

INTRODUÇÃO
Na história econômica brasileira, o conceito de ciclos econômicos é utilizado para identificar os movimentos de crescimento e declínio das atividades extrativas ( ciclo do pau-brasil), da produção agrícola ( borracha, cana-de-açúcar, cacau, café) e mineradora ( ouro). A economia brasileira viveu vários ciclos ao longo da História do Brasil. Em cada ciclo, um setor foi privilegiado em detrimento de outros, e provocou sucessivas mudanças sociais, populacionais, políticas e culturais dentro da sociedade brasileira. O primeiro ciclo econômico do Brasil foi a extração do pau-brasil, madeira avermelhada utilizada na tinturaria de tecidos na Europa, e abundante em grande parte do litoral brasileiro na época do descobrimento (do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Norte). Os portugueses instalaram feitorias e sesmarias e contratavam o trabalho de índios para o corte e carregamento da madeira por meio de um sistema de trocas conhecido como escambo. Além do pau-brasil, outras atividades de modelo extrativista predominaram nessa época, como a coleta de drogas do sertão na Amazônia. O segundo ciclo econômico brasileiro foi o plantio de cana-de-açúcar, utilizada na Europa para a manufatura de açúcar em substituição à beterraba. O processo era centrado em torno do engenho, composto por uma moenda de tração animal (bois, jumentos) ou humana. O plantio de cana adotou o latifúndio como estrutura fundiária e a monocultura como método agrícola. A agricultura da cana introduziu o modo de produção escravista, baseado na importação e escravização de africanos. Esta atividade gerou todo um setor paralelo chamado de tráfico negreiro. A pecuária extensiva ajudou a expandir a ocupação do Brasil pelos portugueses, levando o povoamento do litoral para o interior. Durante todo o século XVII, expedições chamadas entradas e bandeiras vasculharam o interior do território em busca de metais valiosos (ouro, prata, cobre) e pedras preciosas (diamantes, esmeraldas). Afinal, já no início do século XVIII (entre 1709 e 1720) estas foram achadas no interior da Capitania de São Paulo (Planato Central e Montanhas Alterosas), nas áreas que depois foram desmembradas como Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, dando início ao ciclo do ouro. Outra importante atividade impulsionada pela mineração foi o comércio interno entre as diferentes vilas e cidades da colônia, propicionada pelos tropeiros. O café foi o produto que impulsionou a economia brasileira desde o início do século XIX até a década de 1930. Concentrado a princípio no Vale do Paraíba (entre Rio de Janeiro e São Paulo) e depois nas zonas de terra roxa do interior de São Paulo e do Paraná, o grão foi o principal produto de exportação do país durante quase 100 anos. Foi introduzida por Francisco de Melo Palheta ainda no século XVIII, a partir de sementes contrabandeadas da Guiana Francesa. Em meados do século XIX, foi descoberta que a seiva da seringueira, uma árvore nativa da Amazônia, servia para a fabricação de borracha, material que começava então a ser utilizado industrialmente na Europa e na América do Norte. Com isto, teve início o ciclo da borracha no Amazonas (então Província do Rio Negro) e na região que viria a ser o Acre brasileiro (então parte da Bolívia e do Peru). chamado desenvolvimentismo (ou nacionaldesenvolvimentismo) foi a corrente econômica que prevaleceu nos anos 1950, do segundo

governo de Getúlio Vargas até o Regime Militar, com especial ênfase na gestão de Juscelino Kubitschek. Valendo-se de políticas econômicas desenvolvimentista desde a Era Vargas, na década de 1930, o Brasil desenvolveu grande parte de sua infra-estrutura em pouco tempo e alcançou elevadas taxas de crescimento econômico. Todavia, o governo muitas vezes manteve suas contas em desequilíbrio, multiplicando a dívida externa e desencadeando uma grande onda inflacionária. O modelo de transporte adotado foi o rodoviário, em detrimento de todos os demais (ferroviário, hidroviário, naval, aéreo). Desde a década de 1970, o novo produto que impulsionou a economia de exportação foi a soja, introduzida a partir de sementes trazidas da Ásia e dos Estados Unidos. O modelo adotado para o plantio de soja foi a monocultura extensiva e mecanizada, provocando desemprego no campo e alta lucratividade para um novo setor chamado de "agro-negócio". O crescimento da cultura da soja se deu às custas da "expansão da fronteira agrícola" na direção da Amazônia, o que por sua vez vem provocando desmatamentos em larga escala. A crise da agricultura familiar e o desalojamento em massa de lavradores e o surgimento dos movimentos de sem-terra (MST, Via Campesina). Entre 1969 e 1973, o Brasil viveu o chamado Milagre Econômico, quando um crescimento acelerado da indústria gerou empregos não-qualificados e ampliou a concentração de renda. Em paralelo, na política, o regime militar endureceu e a repressão à oposição (tanto institucional quanto revolucionária/subversiva) viveu o seu auge. A industrialização, no entanto, continuou concentrada no eixo Rio de Janeiro-São Paulo e atraiu para esta região uma imigração em massa das regiões mais pobres do país, principalmente o Nordeste. Da Crise do Petróleo até o início dos anos 1990, o Brasil viveu um período prolongado de instabilidade monetária e de recessão, com altíssimos índices de inflação (hiperinflação) combinados com arrocho salarial, crescimento da dívida externa e crescimento pífio. Já na década de 80, o governo brasileiro desenvolveu vários planos econômicos que visavam o controle da inflação, sem nenhum sucesso. O resultado foi o não pagamento de dívidas com credores internacionais (moratória), o que resultou em graves problemas econômicos que perdurariam por anos. Não foi por acaso que os anos 80, na economia brasileira, ganharam o apelido de "década perdida". No governo Itamar Franco o cenário começa a mudar. Com um plano que ganhou o nome de Plano Real a economia começa a se recuperar. Pelas mãos do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, que elegeria-se presidente nas eleições seguintes por causa disso, alija o crescimento econômico do país em nome do fortalecimento das instituições nacionais com o propósito de controlar a inflação e atrair investidores internacionais. Reconhecendo os ganhos dessa estratégia, o governo do presidente Lula, que tanto o havia criticado quando na oposição, mantém suas linhas gerais, adaptando apenas alguns conceitos ao raciocínio esquerdista moderado do Partido dos Trabalhadores.

FUMO O fumo teve um importante papel no setor de produção do município de Descalvado. Quem introduziu o fumo em nossas terras foi Tomé Ferreira da Silva, que já o cultivava em sua terra natal Santo Antônio do Machado em Minas Gerais. No ano de 1886, quando o trem chegou a Descalvado trazendo D. Pedro II, produziam-se em nosso município os afamados fumos “Tomé Ferreira” e “Descalvado”, então reputados como os melhores da Província. Mas a cultura do fumo já vinha se desenvolvendo antes deste ano, pois nos anos de 1871 e 1872 já eram encontrados anúncios do fumo de Descalvado, no jornal “Gazeta de Campinas”. Os anúncios das casas comerciais da época, tanto da Capital como da cidade de Campinas, faziam referências as mais elogiosas sobre o fumo de Descalvado, alertando os fregueses com os seguintes dizeres: “Aos amantes do bom fumo, pede-se que não deixem de ver, porque com certeza não encontram igual em qualquer outra parte”. Os dados históricos informam que ao finalizar-se o século XIX, a fumicultura já estava decadente, segundo publicação no “Almanack da Província de São Paulo”, ressaltando-se que naquela altura, a cultura, em grande escala, era do café, calculando-se em 16 milhões o número de cafeeiros e dizendo-se que o fumo era cultivado em pequena escala, estando quase abandonado o seu fabrico, embora em 1924, a publicação “Os Municípios Paulistas” mencionasse entre as culturas de Descalvado, a do fumo, com “275 arrobas de excelente fumo”. Além de Tomé Ferreira, outro famoso produtor de fumo no Município foi Pedro de Alcântara Camargo que tem seu nome perpetuado em uma via pública da cidade. CAFÉ Vamos iniciar com o Parecer da Comissão Central de Estatística de 1886 - “São fertilíssimas as terras de Descalvado, especialmente para o cultivo do café, cuja produção anual é de 400 mil arrobas, devendo dentro de pouco tempo atingir essa produção a 600 mil arrobas, devido a enorme quantidade de novos cafeeiros que existem e que ainda produzem.” Descalvado era uma das maiores fontes produtoras do estado, usufruindo com o dinheiro que a exportação do café trazia para a cidade. Com terras excelentes, obtida imediatamente à derrubada das matas que chegavam a adentrar a cidade. Descalvado era rodeado das melhores fazendas do café. No ano de 1878, Descalvado era o terceiro maior produtor de café, a junto

com outros 17 municípios paulistas, enviaram para a França duas mil sacas de café que foram expostas na Exposição Universal de Paris. Os principais produtores de café eram as fazendas: Palmeiras, de Paulo de Souza Queiroz com 35 mil arrobas; a Tamandaré, de Inácio de Mendonça Uchoa com 22 mil arrobas; a Lagoa Alta, de Elisiário Ferreira de Andrade com 20 mil arrobas; a Monte Alverne, de José Ferreira de Figueiredo com 18 mil arrobas; a Santa Maria, de Rafael de Aguiar com 18 mil arrobas; a São Rafael, do Coronel Tobias com 18 mil arrobas; a Jaguarandi e a Bela Aliança, de Nicolau de Souza Queiroz com 12 mil arrobas cada; a São João da Aliança, de Antonio Alves Aranha com 12 mil arrobas; a São Salvador, de Valentim Tobias de Oliveira com 8 mil arrobas e as menores: Monte Alegre de Penteado e Serra; Sta Rita de Cândido Camargo; Graciosa de Sebastião Penteado; Santa Maria da Baronesa de Limeira; Batalha de José Joaquim de Faria; Bom Retiro de Adolfo Borges; Canadá de Francisco Aranha; São Miguel de Hermínea Whitaker; Lageado de Manoel Oliveira Leme; Monte Olimpo de Jacinto Penteado; Batalha de Rafael Tobias de Oliveira Sobrinho; São Domingos de Antonio Casati e Santa Etelvina de Olímpio Portugal. O café era escoado primeiramente por via fluvial por vapores que percorriam o rio Mogi-Guaçu na época navegável, até o povoado de Porto Ferreira ou subindo desde Araraquara e Rincão. Anos atrás foram encontradas no leito do rio uma âncora e grossas correntes ainda conservadas das amarras dos vapores que singravam o Mogi-Guaçu no trajeto entre Descalvado e Porto Ferreira o que comprova, realmente, a navegação fluvial desenvolvida naquelas épocas neste rio. No livro “Sertão Encantado” de José de Salles Cunha Júnior, são contados fatos interessantes como: “quase todas as filhas de grandes fazendeiros de café, passavam parte do tempo entre as finas residências dos Campos Elíseos em São Paulo e os grandes casarões de Descalvado”; “na época, enquanto São Paulo recebia as grandes orquestras de Paris e Descalvado recebia as de São Paulo, no inverno, as famílias da sociedade paulista, vinham curtir dias mais quentes nos casarões da cidade e das fazendas.” Descalvado entre o final do século XIX e início do século XX, possuía uma média de 400 prédios na cidade, que abrigavam cerca de 2.000 pessoas, sendo que a força maior da população concentrava-se nas fazendas, cerca de 20.000 habitantes, que vinham para a cidade nos finais de semana dando um inusitado movimento. Um dos maiores compradores e exportadores de café neste Descalvado do início do século foi Feliciano de Salles Cunha, estabelecido com seu comércio denominado “Alfândega” e que ficava ao lado da estação da Paulista. Em 1886, com 7 milhões de pés de café atingiu-se uma produção de 6.250.000 quilos, produção esta que se

eleva para doze milhões de quilos em 1896, quando quinze milhões de pés de café estavam em franca produção. Considerando-se que, de acordo com a época, de um cafeeiro a outro mantinha-se uma distância de 15 a 17 palmos (3 a 3,5 metros) nota-se, então que a área coberta pela cultura do café era, aproximadamente de 155 km2. do café, com uma produção de A termo comparativo, no 900 mil quilos. ano de 1966, dados estatísticos provaram que apenas 10,43 km2 eram utilizados para o cultivo

A INDÚSTRIA O Professor Helmut Troppmair escreveu em 1965 sobre nossa indústria: “O início da industrialização no Brasil pode ser considerado o fim do século XIX e começo do século XX. Sem esquecer que antes já havia tentativas isoladas. O dinheiro obtido pelo comércio do café era o capital inicial investido na indústria. Junto com os imigrantes que vieram para a lavoura, havia gente vinda dos centros industriais do norte da Itália, constituindo s primeira mão de obra especializada ou semi-especializada. Assim no período de entre-guerra (1918-1939) desenvolveu-se a indústria leve, produzindo bens de consumo. É a indústria leve cuja instalação não exige capitais imensos e é de amortização rápida. Com a grande crise do café em 1929 este tipo de indústria, recebe um grande impulso e uma diversificação acentuada. Estabelecimento de produtos alimentares, de bebidas, couros vestuários e têxteis surgem em muitas cidades originando pequenos centros industriais. Descalvado faz parte deste ciclo. Em nossa cidade as primeiras indústrias foram fundadas em 1930 por descalvadenses italianos. Na fase áurea da indústria tínhamos, segundo estatísticas do I.B.G.E 70 estabelecimentos que segundo o número de operários apresentam o seguinte quadro: 3 indústrias com mais de 100 operários; 4 indústrias com aproximadamente 50 operários; 5 indústrias com aproximadamente 30 operários; 4 indústrias com aproximadamente 10 operários; 4 indústrias com aproximadamente 5 operários; 6 indústrias com aproximadamente 3 a 5 operários; 44 indústrias com menos de 3 operários. Revelam estes dados que predominam as pequenas ou indústrias domésticas, muitas vezes tocadas para frente somente com a mão de obra familiar. Os grandes estabelecimentos de nossa cidade são as 10 tecelagens. Verificamos que em 4 indústrias (Ind Têxtil Lamano, Sta Lúcia, S. Gabriel, Sta Marta) predomina a mão de obra feminina enquanto nas outras a mão de obra masculina. As fábricas de doces, que gozam de fama em todo estado, são resultado de atividade doméstica, onde no começo somente existia

um fogão à lenha, um tacho e uma excelente doceira. Não devemos esquecer a fábrica de pregos, a fábrica de facas, e as demais fábricas menores onde todos trabalham para engrandecer nossa terra. Hoje todos os estabelecimentos industriais, mas principalmente têxteis, cuja produção em 1965 era de 500.000 metros de brim, atravessam uma das fases mais difíceis. A falta de financiamento, de crédito e empréstimo a longo prazo são responsável pela impossibilidade de uma modernização do maquinário e das demais instalações. Para contornar a situação difícil, as indústrias se vêem forçadas a dispensar grande número de mão de obra.” Segundo o Professor Gérson Álfio De Marco a indústria Têxtil teve início em 1924 quando os Irmãos Gabrielli (Fernando e Orderigo) instalam a Tecelagem “Santa Maria” na rua Barão do Descalvado (hoje Orderigo Gabrielli, justamente em homenagem ao industrial), tornando-se os pioneiros da atividade têxtil. Em 1935 o Sr. Orderigo Gabrielli funda a Tecelagem “São José”, na Rua Bezerra Paes esquina com Conselheiro Antonio Prado que fica sob responsabilidade da firma Orderigo Gabrielli & Cia. Em 1936 que foi um ano fecundo e proveitoso para as atividades industriais de Descalvado, instalam-se mais 3 fábricas de tecido: Tecelagem São Gabriel, da qual participavam os irmãos João e Fernando Gabrielli, depois denominada Fiação e Tecelagem São Gabriel da firma Fernando Gabrielli & Cia. No mesmo ano os senhores Domingos Tallarico, Cármine Paschoal, Felício de Falco, Ernesto Pinca e Vito Gaia Puoli, instalam a Tecelagem Nossa Senhora do Belém, na Rua Bezerra Paes, esquina com rua José Quirino Ribeiro, que alguns anos depois passa para propriedade somente de Domingos Tallarico e Felício de Falco. Finalmente ergue-se neste mesmo ano, a Tecelagem São Lourenço, na rua Bezerra Paes, esquina com Avenida Guerino-Oswaldo que teve como organizadores os senhores Spardaco Gabrielli e Lourenço Gabrielli. Depois já com o nome de Têxtil Clipper Ltda foi transferida para o Senhor Tuffi Buchain. Em 1938 nascem mais duas tecelagens: Tecelagem Santa Delfina, constituída pelos Srs. Nicola Lamano, Ângelo José Mussolini, Dr. José Alvarenga e Rafael Alvarenga, na Rua Padre Jeremias José Nogueira (imediações da Vigor), que depois transformou-se em Indústria de Tecidos Lamano S/A, ficando como único proprietário o Sr. Nicola Lamano. A outra foi a Tecelagem e Fiação São Rafael fundada pelos senhores Sylvio Alves de Oliveira Guimarães, Professor Octaviano Luiz de Camargo Júnior, Alfredo Sabongi, João Sabongi e Inácio Ajam. A partir de 1938, talvez devido à deflagração da Segunda Guerra Mundial, a incrementação da indústria têxtil em Descalvado sofreu sensível desinteresse, quando em 1946, a firma Lourenço Gabrielli & Filhos, deu funcionamento à nova fábrica de tecidos, a Tecelagem “Santa Lúcia”. No ano de

1954, a indústria têxtil toma novo impulso, nasce a Tecelagem São Dimas da sociedade formada pelos senhores Ricardo Garbin, Plínio Dias da Silva e Paulo Casati Filho. Nasceu também neste ano a Têxtil Santa Rosa de propriedade de Cármine Paschoal, Francisco Ravasi, Henrique Ravasi e Antonio de Falco Sobrinho. Finalmente no ano de 1956 são fundadas mais 3 tecelagens: A Tecelagem Santa Catarina da firma Gentil, Sabongi & Cia Ltda, a Tecelagem Santo Antônio e a Têxtil Progresso que depois foi incorporada ao patrimônio da Fábrica de Tecidos Dacoman Ltda. A partir de então começa a entrar em decadência, pela falta de instalação de uma moderna fiação que seria uma grande solução para a matéria prima (fios de algodão); falta de modernização da sua maquinaria para concorrer com outros centros industriais adiantados, e, tendo, ainda, contra si, uma lamentável aventura industrial com as tumultuadas aquisições de fábricas sem o objetivo de melhoria ou de modernização ou expansão. Assim a partir de 1966 foram se fechando aos poucos, e hoje uma única indústria, a Têxtil Descalvado Ltda, ainda produz o brim de algodão, produto que no passado chegou a ser famoso e preferido em vários pontos o Brasil. AVICULTURA A avicultura começou na década de 50, motivado principalmente pelo clima privilegiado, com as iniciativas pioneiras dos Gabrielli, dos Chiarello e dos Fregonezi dentre outros, inicialmente com galinhas poedeiras e depois frango de corte. mas foi na metade dos anos 70 que alcançou sua fase áurea, com um plantel de 1.500.000 aves, com uma produção mensal de 600.000 aves e 600 mil dúzias de ovos, em cerca de 227 granjas. No ano de 1972 somente a Cooperativa Agrícola reunia em seu corpo associativo 380 avicultores. O avicultor descalvadense, inicialmente utilizando técnicas rudimentares, foi adquirindo conhecimentos, aperfeiçoando e assimilando métodos modernos, a ponto de atrair milhares de avicultores de outros centros que nas tradicionais Festas da Avicultura, vinham aprender novas técnicas de manejo. Descalvado experimentou uma fase de muito progresso, com a implantação de muitas industrias e estabelecimentos comerciais, especializados em produtos para a avicultura como ração e pintos de um dia, além de uma grande frota de firmas transportadoras do produto, gerando muitos empregos. Dentre muitos podemos destacar: Fábrica de Ração, Abatedouro Avícola e Incubatório da Cooperativa Agrícola Mista do Vale do Mogi Guaçu; Frigorífico DESCALVE, PROMAVI Comércio e Representações Avícola, SOCIL Pró

Pecuária; Irmãos Cirelli; Rações Anhanguera, PRIMASA Indústria e Comércio de Rações, SOADE Sociedade Avícola Descalvado, RAVI rações e implementos avícolas, NUTRICENTRO distribuidora de rações Purina, etc. PECUÁRIA: Descalvado constitui-se numa das maiores bacias leiteiras do estado. Destacam-se a Fazenda Agrindus, Calumbi e Santa Rosa dentre outras. Na criação de gado recebe destaque a Fazenda São Sebastião do Paraíso. EXTRAÇÃO MINERAL Inicialmente foi a extração de paralelepípedos para calçamento de nossas principais ruas e de outras cidades da região. Com a pavimentação asfáltica, estas pedras foram transformadas em pedrinhas do tipo portuguesa e têm grande consumo na aplicação dos passeios das calçadas sendo que Descalvado as forneceu para várias cidades, inclusive o Rio de Janeiro onde o leito de calçadões que margeiam importantes ruas e avenidas recebiam a aplicação das “pedrinhas de Descalvado”, nos conhecidos desenhos tipo “Copacabana”. Hoje é valiosa a contribuição do reino mineral do Município de Descalvado, principalmente no setor de areia quartzoza, fator preponderante na instalação de indústrias de extração como a Mineração Jundu e a Mineração Descalvado, cujo funcionamento emprega grande número de pessoas, além da movimentação de vários setores.

AGRICULTURA

Principais culturas: Cana de Açúcar.- 11.600 ha plantados Laranja...........- 11.118 ha plantados Milho.............- 5.600 ha plantados Arroz.............- 1.000 ha plantados Café..............- 850 ha plantados Soja..............- 500 ha plantados Amendoim......Algodão 436 ha plantados .........- 200 ha plantados

Feijão............- 100 ha plantados O Professor Helmut Troppmair escreveu no ano de 1965: “Descalvado, fundado em 1832, teve seu grande desenvolvimento na segunda metade do século XIX quando a cultura do café se expandiu rapidamente pelo nosso Estado. Nesta época Descalvado era o terceiro município brasileiro em produção de café. Se percorrermos o município velhos casarões de fazendas testemunham a época passada. Os terreiros onde outrora secava o café, hoje estão abandonados. Era a época em que o Senhor fazendeiro vivia na fazenda, conhecia todos os empregados e seus problemas. Percorria e via diariamente os trabalhos enquanto a patroa comandava o exercito de empregadas em casa. Patrão e patroa eram padrinho e madrinha de toda a criançada da fazenda. Lentamente esta sociedade se desfez quando grande parte dos fazendeiros se mudou para São Paulo e Campinas então capitais do café. Construíram palacetes na Avenida Paulista e de lá vinham de vez em quando para passar as férias na fazenda ou para ver se o administrador cuidava bem do serviço. Porém todo fato humano e dinâmico, modifica-se e evolui. O café com exceção de pequenas áreas, desapareceu dando lugar à cultura da cana de açúcar que exige os mesmos solos férteis e o mesmo clima tropical. Desapareceu a monocultura para aparecer a policultura. As fotografias aéreas existentes na Casa da Lavoura, mostram que, com exceção da cana de açúcar, o cultivo dos demais produtos é feito em pequenas áreas nos 535 estabelecimentos agrícolas do município. Muitas áreas, antes ocupadas pelo café, foram transformadas em pastos, e apesar de se notar uma

redução no número de cabeças, a produção de leite era de 12.000.000 litros em 1965. Se por um lado a pecuária se contrai, nota-se uma expansão de granjas. Existem hoje 79 granjas no município que fornecem 850.000 cabeças ao frigoríficos e 950.000 dúzias de ovos ao mercado consumidor. Junto à cidade nota-se novos loteamentos para instalação de novos estabelecimentos desse gênero. Finalizando e resumindo queremos frisar que podemos distinguir as seguintes épocas na agricultura do município: A - monocultura do café: Segunda metade do século XIX e começo do século XX; B - Policultura: Milho, arroz, feijão, etc. no período de entre guerras; C - Criação de gado. Aproximadamente 1930 a 1950; D - Granjas: 1950/55 para cá. A EVOLUÇÃO DA AGRÍCULTURA, PECUÁRIA E AVICULTURA NO MUNICÍPIO DE DESCALVADO Para podermos compreender os aspectos atuais da paisagem geográfica, devemos mostrar a evolução das diversas fases agrícolas que o município conheceu nos últimos 100 anos. Foi a partir de 1809 que os primeiros povoadores apareceram nas atuais terras do município, estando entre eles Agostinho José Alves de Amorim, Nicolau Antônio Lobo, José Ferreira da Silva e Tomé Ferreira da Silva. Provindos de Minas Gerais penetraram pelo norte, aproveitando a “perceé” do rio Mogi-Guaçu uma vez que era este o caminho que levava aos “Sertões de Araraquara”. Estabeleceram-se no centro e no sul do atual município, aproveitando as áreas de terras melhores, evitando o norte junto ao rio Mogi-Guaçu, onde ocorriam febres intermitentes de dezembro a abril. Os demais fatos cronológicos podem ser resumidos nas seguintes datas: 1832 foi construída a primeira Igreja, dez anos mais tarde (1842) é lavrada a escritura instalando-se o patrimônio religioso. Em 1844 é elevado a distrito e um ano mais tarde incorporado à comarca de Rio Claro, tornando-se município com vida autônoma em 1865. Continuando como vila modesta até 1875/80, quando se transforma em cidade tomando todo o município grande impulso graças à expansão do café que atinge, então, no interior paulista, as áreas de terra roxa. Araújo Filho em seu estudo: “O café, riqueza paulista” diz: “Não só as razões naturais como o tipo de solos melhores, relevo mais suave e mesmo situação geográfica das terras quanto ao clima também “ao espírito esclarecido, à iniciativa pronta, ao impulso generoso e livre de seus habitantes”, concorreriam para que o oeste de São Paulo, como era chamado na época, se tornasse em 1870 a zona privilegiada do café, zona que se ampliaria com o correr dos anos, de maneira que ao findar do Império ela

havia alcançado grandes trechos do planalto ocidental, em áreas cada vez melhores para o café. Na década de 1870-80, os cafezais avançavam pelo que hoje chamamos de tronco da paulista (através dos atuais municípios de São Carlos, Araraquara, Jaboticabal, bem como pelos seus ramais de Pirassununga, Descalvado e de Dois Córregos. Foi ao fim da década de 1880 que Descalvado se tornou o terceiro município produtor de café da Província de São Paulo, sendo então atingido pelos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Com 7 milhões de pé de café em produção em 1886, verificou-se uma safra que atingiu 6.250.000 quilos, produção esta que se eleva para doze milhões de quilos, dez anos mais tarde, quando quinze milhões de pés de café estavam em franca produção. Considerando que de acordo com a época, de um cafeeiro a outro mantinha-se uma distância de 15 a 17 palmos (3 a 3,5 metros) conforme a fertilidade do solo, verificamos que a área coberta por esta cultura foi de aproximadamente 155 km2. Em 1966 apenas 10,43 km2 eram utilizados para o cultivo do café com uma produção de 900 mil quilos anuais. No fim do século XIX, o movimento abolicionista associado à expansão cada vez maior do café, foram os estímulos para a vinda de imigrantes principalmente italianos. O recenseamento de 1886 diz “Neste município vai superando com grande facilidade a transformação do trabalho, pois que aumenta-se extraordinariamente a colocação de imigrantes em estabelecimentos agrícolas. Sendo talvez este, dentro dos municípios da Província, o que maior número de colonos conta. Criou-se ultimamente no município uma associação de fazendeiros e negociantes tendo por promover e facilitar a introdução de imigrantes para hospedagem dos quais está mandando construir um prédio de regulares dimensões. Tem esta associação prestado a esta causa extraordinários e excelentes serviços”. Na época de 1890 a 1910 o município recebeu aproximadamente 3.000 famílias provindas do norte da Itália. A população municipal elevou-se rapidamente com a substituição do braço escravo, os italianos firmavam contratos de trabalho em que se fixava as obrigações do “colono” bem como o salário que recebia, em geral proporcional ao número de pés de café tratados. Às vezes recebiam “pequenas roças, geralmente dois hectares, onde plantavam milho, arroz, feijão, batatas, legumes e às vezes videiras. A grande aspiração destes imigrantes foi a posse de um lote de terra próprio. Procuravam juntar os meios necessários para a compra do mesmo. Aparece, então, o início da pequena propriedade, fato auxiliado quando o governo da Província em 1894, estabelece leis de dar preferência aos contratos para a formação de pequenas propriedades aos particulares ou as sociedades que se dispusessem a vender aos imigrantes lotes próprios para a cultura do café”. Cessa a partir daí a existência

exclusiva da grande propriedade, que cede lugar aos primeiros minifúndios. O município apresenta nessa época características de frente pioneira: população jovem, famílias numerosas pois cada filho representa mão de obra para cuidar de cafeeiros. O registro civil nos anos de 1883 a 1886 acusa 325 nascimentos e 288 óbitos, verificando-se, devido ao alto índice de mortalidade infantil, um crescimento vegetativo muito pequeno, 1,4 por 1000. Apesar das crises de 1906 e 1900 com superprodução de café, das geadas de 1918, e o esgotamento do solo, a população se desloca sempre mais para o interior do Estado a procura de novas terras, acompanhando sempre o avanço do café. Verifica-se, assim, uma diminuição gradativa dos habitantes e em 1950 é atingida a cifra populacional mais baixa do município (14.200) para daí em diante iniciar-se novo acréscimo. Foi a partir de 1896 que se notam os primeiros sinais de desequilíbrio entre produção e consumo do café, fato que acentua cada vez mais na primeira década deste século. O golpe mortal da monocultura cafeeira se verifica em 1929 quando se desfaz todo o complexo sócio-econômico, restando hoje somente as sedes das fazendas, os terreiros e as casas dos colonos, testemunhando a opulência daquela época. Toma impulso uma nova fase na vida econômica do município: a policultura associada à criação de gado. Esta Segunda fase cujo início data do começo deste século foi estimulada pela decadência cada vez mais crescente do café. Em 1886 o município ocupou o sexto lugar na produção provinciana de fumo (15000 kg) e em algumas áreas pequenas desenvolvia-se a cultura da cana de açúcar (50000 kg-1886). A partir de 1929 é que a cultura canavieira se expande. Cafezais velhos e muito novos são arrancados (1900 existiam 15 milhões de pés de café, 1920 10,5 milhões e em 1930, 7 milhões) para ceder lugar à cana. Amplia-se o cultivo de produtos de subsistência, que deixam de visar apenas o auto abastecimento para ter fins comerciais assim o arroz, o feijão, algodão e o milho bem como as hortaliças são cultivadas. Muitos cafezais ao se tornarem antieconômicos passam a ter como cultura associada a banana que, além de exigir menos trabalho, oferece lucros compensadores. Outras vezes verifica-se simplesmente o abandono, ocorrendo nestes casos a invasão de gramíneas e de plantas ruderais, originando desta forma, pastagens de pequeno valor nutritivo para o gado. As estatísticas de 1886 não registram fazendas de criação no município. Em 1920 o rebanho já é da ordem de 15180 bovinos com uma produção de 225.000 litros de leite. Trinta anos mais tarde, há aproximadamente 30.000 animais elevando-se a produção para 8 milhões de litros. Atualmente (1967) verifica-se novo incremento na criação de gado, devido à carência sempre mais acentuada da mão de obra agrícola. Procura-se nos últimos 20 anos em algumas

fazendas, uma criação racional, empregando-se rotação de pastos e seleção do gado. Desta forma, apesar de ter-se mantido constante o número de animais, a produção elevou-se para 12 milhões de litros, o que justificou no fim da década de 40, a instalação de 2 usinas de laticínios no município: Vigor e Nestlé. Em 1955, quando surgem as primeiras granjas, inicia-se a última e atual fase da vida agrícola do município: a avicultura. No começo isolados, aumentaram lentamente até 1960 quando existiam 54. Nos últimos 3 anos, o impulso se tornou mais acelerado somando-se em meados de 1968 – 172 granjas, número que elevouse para 200 no começo de 1969. O lucro obtido pelos primeiros granjeiros, o espírito de imitação, o financiamento facilitado por parte dos bancos são os responsáveis por esta multiplicação que oferece aos proprietários garantias que não podem ser desprezadas. A criação, independente das variações do clima, quando feita em base racional e científica evita o aparecimento de pragas e moléstias garantindo ao criador mensalmente um lucro que em meados de 1968 podia ser fixado em NCr$ 1,00 por cabeça, além de exigir mão de obra reduzidíssima, podendo uma pessoa cuidar de 10.000 cabeças. No momento, os criadores enfrentam séria crise com a queda de preços, causada por motivos vários, porém providências tomadas junto ao governo indicam que a mesma será contornada em breve. Esta nova atividade trouxe consigo o parcelamento de antigas fazendas como a São Miguel e das chácaras Tamanduá e Gruta, estimulando pois, o aumento da pequena propriedade. Localizadas próximas à cidade, permitem aos proprietários gozar as facilidades e o conforto oferecidos por esta. Em 1965 a produção mensal é de 600.000 frangos podendo porém atingir cifras mais elevadas na época de festas como no Natal de 1967, quando a produção se elevou para 400.000 frangos. Outro fator aparentemente sem importância são os solos arenosos. Ocupando grande área no município, imprestáveis para a lavoura são os preferidos pela avicultura, pois além de apresentarem preços baixos são solos quentes e secos graças à rápida infiltração e percolação da água que com a constante renovação do ar do solo, representam os fatores fundamentais para evitar moléstias em granjas. Na fase atual, meados de 1968, o aspecto geral da agricultura pode ser caracterizado pelo seguinte quadro: “Os investimentos agrícolas são limitados, apenas suficientes para manter as áreas em cultivo, não se verificando uma expansão tanto nas culturas anuais como nas permanentes. A falta de mão de obra cada vez mais acentuada contribui para que haja uma leve tendência no aumento do rebanho bovino. A avicultura, apesar da crise atual, é o esteio de toda a vida agrícola do município, destinando-se a este fim mais de 50% do capital empregado na agricultura. Todas estas fases

deixaram marcas na paisagem agrícola atual, umas mais destacadas como as do café, outras já mais apagadas por terem sido menos intensos como a criação de gado. Como se trata de fatos antrópicos sujeitos a dinamismo constante, envolvem processos dinâmicos e evoluídos, o que torna difícil caracterizar ou delimitar exatamente cada período no espaço e no tempo. Tornou-se uma constante na paisagem rural, principalmente próximo a cidade, as edificações alongadas das granjas.

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