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Parábolas para a Vida

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PARÁBOLAS PARA A VIDA

De Hugo Lapa

Parábolas
O Fazendeiro Rico Críticas e Elogios Decepção com as Pessoas Subindo a Montanha A Caridade e o Salvador O Mestre e o Cajado O Líder Religioso e o Velho O Plano das Trevas Medo de Fantasmas O Outro Lado da Vida Perder a Pessoa que Amo Provações da Vida Revolta com a Pobreza O Remédio Amargo A Chama Sagrada O Poder de Unir O Apego as Posses Reflexo de si Mesmo

O FAZENDEIRO RICO Havia um fazendeiro muito rico, dono de muitas terras, plantações e gado. Era um homem muito respeitado e prestigiado em sua comunidade. Organizava grandes festas, em que compareciam centenas de pessoas. Muitas mulheres o elogiavam, dizendo ser ele um homem adorável, inteligente e refinado. Apesar de suas posses, ainda era muito jovem. Estava perto de chegar à casa dos trinta, e decidiu que havia chegado a hora de encontrar uma mulher e casar-se. No entanto, havia muitas pretendentes e o fazendeiro não conseguia escolher a mulher ideal. Queria muito fazer a escolha acertada, mas não sabia quais seriam os melhores requisitos de uma verdadeira esposa. Optou então em visitar um sábio da região e pedir conselhos sobre a escolha da mulher correta e que reunisse as melhores qualidades; a mulher ideal para se viver bem o restante de sua vida. Encontrou-se, então, com o sábio, que lhe deu um conselho sobre o que fazer. O homem julgou o conselho muito complicado de ser realizado. Mas o sábio insistiu, afirmando: - Se queres saber qual a mulher ideal para ti, faça isso que te digo. O homem agradeceu ao sábio e despediu-se, ainda em dúvida se deveria ou não seguir seu conselho. Passados alguns meses, o fazendeiro se viu diante de uma das piores secas das últimas décadas. Havia feito um grande investimento na colheita desse ano, e acabou por perder tudo o que tinha investido. Rapidamente viu sua fortuna sendo desfeita e virou pobre. Foi então que, para a sua surpresa, todas as mulheres que então o cortejavam, assim como todos os seus amigos, afastaram-se dele. Viu-se num estado de pobreza, sem amigos e mulheres. Foi procurar ajuda de seus antigos amigos, mas sempre davam as mais variadas desculpas para não terem que encontralo. Diziam também que nada podia fazer para ajuda-lo. Foi então para frente de sua casa. O único bem que lhe restou e sentou-se na escada de acesso, ainda muito abalado com tudo. Nesse momento, uma de suas antigas pretendentes apareceu onde ele estava. Aproximou-se dele e disse que não se preocupasse, pois iria ajuda-lo a sair dessa e soerguer-se novamente. O ex-fazendeiro ficou atônito, pois essa mulher era a que ele sempre havia esnobado, e menos dava valor de tantas outras que o elogiavam. Mesmo assim, era a pessoa que estava ali, lhe oferecendo ajuda, mesmo diante da maior tormenta. O homem então começou a chorar copiosamente. A mulher lhe deu um abraço e disse: - Mas o que houve? Não gostou de eu vir até aqui? Eu sempre te amei, mas nunca consegui verbalizar isso.

O homem respondeu: - Ao contrário. Estou agora me lembrando das palavras de um grande sábio que visitei há alguns meses. Ele havia me dito que, com o estilo de vida que eu levava, eu jamais iria descobrir quem eram as pessoas verdadeiras e quem só estava comigo por interesse. Ele afirmou que apenas quando eu perdesse tudo, e só sobrasse a mim mesmo, uma pessoa iria me procurar… e esta seria a mulher da minha vida. Esta mulher não desejaria minhas posses ou meu dinheiro, e estaria comigo pelo que eu realmente sou. Ele afirmou que apenas nos momentos de maior desespero é que surge uma luz, e essa luz é a luz do real, que aparece rompendo a escuridão de uma longa vida de ilusão, e nos mostra a verdade sobre nós mesmos, o meio que nos circunda e as pessoas que estão conosco. Ele completou dizendo que, no momento que isso ocorresse, eu iria nascer novamente e começar uma vida muito mais real, sem ilusões. É precisamente assim que me sinto agora. Tive que me desnudar de tudo, para descobrir quem sou, e descobrir quem realmente me ama. Até pouco tempo atrás, eu estava sozinho, mas não sabia. Agora sinto-se mais eu mesmo e consegui descobrir a mulher da minha vida. No dia de hoje comecei a viver…

CRÍTICAS E ELOGIOS Havia um homem muito bondoso, um verdadeiro cristão, que se sentia muito feliz fazendo caridade e ajudando outras pessoas. Na região em que morava, muitas pessoas não tinham uma casa, e algumas viviam nas ruas mendigando. Os valores dos materiais de construção eram excessivamente caros, e mesmo as pessoas que trabalhavam, quase não tinham dinheiro para comprar tijolo, cimento e outros materiais. Então, o cristão resolveu ensinar as pessoas de que forma poderia construir suas casas com um material encontrado na própria região onde eles viviam, um tipo especial de pedra e bambu. O cristão organizou um mutirão de obras e muitas pessoas da comunidade iniciaram a construção de suas casas. Obviamente isso deixou os donos das lojas de materiais de construção irritados, pois sentiram que perderiam muito dinheiro. Um povo autossuficiente, que consegue gerir seus próprios recursos, é sempre uma ameaça ao sistema cruel vigente. Eles então decidiram espalhar boatos e calúnias sobre o cristão, e muitas pessoas ficaram receosas com a possibilidade das calúnias serem reais. Algumas se afastaram do cristão e seu projeto, mas outras permaneceram com ele tocando o empreendimento. Estes homens destilavam críticas diretas e pessoais ao cristão, ataques grosseiros e até desumanos. Um dos amigos do cristão, percebendo toda a situação, veio falar com ele a esse respeito. Disse seu amigo. - Você não acha que deveria fazer alguma coisa para se defender destas acusações injustas? Afinal, é óbvio que estes homens estão voluntariamente te atacando e querem te destruir, ponderou o amigo. O cristão respondeu: - Não me importo com isso, pelo contrário. Os ataques que vem desses homens interesseiros é um elogio ao meu trabalho, e só mostra o desespero daqueles que desejam manter um estado de coisas injusto. Os ataques, neste caso, podem ser considerados elogios; quanto mais ataques, mais estou sendo “elogiado” por quem me ataca. Isso significa que eu estou incomodando um sistema desumano. Ao contrário de estarem me acusando, estão na verdade me elogiando. Essa atitude só me demonstra que estou no caminho certo, e que, se recebo um “elogio” destes, preciso continuar este trabalho.

DECEPÇÃO COM AS PESSOAS Há muito tempo, havia um monge diferente dos demais. Ele não permanecia trancado no mosteiro apenas fazendo orações. Sempre que suas obrigações lhe permitiam, ele fazia longos discursos sobre a importância de que diminuírem as injustiças sociais entre as pessoas. “Não há justificativas nas escrituras para a existência de homens ricos e homens pobres”, dizia ele. Após algum tempo de pregação, multidões compareciam aos seus discursos, e isso começou a preocupar os poderosos da região. Os ricos temiam uma revolta popular e a perda de seus bens. Resolveram então que seria melhor calar o monge. Um grupo de comerciantes muito ricos ofereceram propina ao líder do mosteiro onde o monge vivia, e pediram que o expulsasse de lá. O líder se deixou levar pela cobiça e pediu ao monge que se retirasse. Mas o monge não desistiu, reuniu um grupo de ajudantes, que também eram monges, e começou a construir um outro mosteiro. Os comerciantes então ofereceram rios de dinheiro aos monges, que se vergaram ao poder material e largaram suas tarefas, abandonando o monge. O monge então resolveu tocar sozinho a construção do novo mosteiro e continuou suas pregações por justiça social. Certo dia foi cercado por um grupo de brutamontes que o espancaram até deixá-lo prostrado no chão, desacordado. O religioso precisou de alguns dias para se recuperar, mas logo que o fez continuou a construção do mosteiro e voltou a fazer suas pregações. Quando o mosteiro estava quase pronto, os comerciantes contrataram pessoas da região para tocar fogo na construção, e assim ocorreu. O monge viu, com lágrimas nos olhos, seu mosteiro ser queimado, fruto de tanto trabalho. Decidiu, no entanto, que iria construir outro mosteiro, e começou colocando a primeira pedra. Um homem, que já acompanhava o monge desde o início, ficara espantado com sua persistência. Resolveu então falar com o monge. - O senhor foi expulso do seu mosteiro e traído pelo seu líder, seus pares também o traíram e abandonaram, o senhor foi agredido e teve seu novo mosteiro queimado por pessoas da região que deveriam apoia-lo… e no entanto, continua firme em seu propósito de ajudar. Após tantas traições o senhor não se decepciona com as pessoas? O monge respondeu: - Não… Eu não me decepciono, por que eu não espero nada das pessoas. Eu não guardo nenhuma expectativa em relação a elas. Se eu esperasse algo das pessoas, sem dúvida já teria me frustrado muito, e não poderia continuar este trabalho. Mas como nada espero dos outros, jamais me frustro. Quanto mais

uma pessoa cria expectativas de qualquer tipo, maior é a sua frustração. Não esperar nada de outrem é condição essencial para se viver e fazer o bem.

SUBINDO A MONTANHA Certo dia, um homem decidiu viajar uma grande distância na busca de um homem sábio. O povo local dizia que este homem era considerado um dos mais sábios de seu país. Finalmente saiu de sua casa, percorreu longas distâncias, até que finalmente chegou ao local indicado como a morada do sábio. Tratava-se de uma região de florestas, onde existia uma grande e bela montanha bem no centro. Assim que chegou, observou uma casinha simples de pedras. Numa cadeira estava sentado um homem que aparentava mais idade. O viajante resolveu abordar o homem, apresentando-se, e explicou o motivo de sua visita. - Grande sábio… Viajei uma semana somente para falar contigo. Preciso de teu conselho. Tenho um objetivo em minha vida, desejo ser um comerciante muito bem sucedido, o melhor da região. Sei que, assim que conseguir cumprir este que considero a grande finalidade de minha existência, sentir-me-ei completo. Queria algumas palavras suas sobre o caminho que devo percorrer. O sábio olhou fixamente para o homem e disse: - Estou observando você e sinto que terás bastante sucesso em tua empreitada. O homem ficou felicíssimo após ouvir isso essas palavras do sábio. Havia muitas histórias do sábio como um homem que nunca havia errado uma previsão sequer. O homem regozijou-se da notícia e já estava pensando em se despedir, quando o sábio interveio. - No entanto, antes de voltar, gostaria que fizesse uma coisa… - O que pedir, assim o farei mestre! Respondeu o homem. - Então faça o seguinte, disse o sábio, peço que suba esta montanha até chegar ao ponto máximo que conseguir. Quando chegar lá em cima, terá uma excelente visão de perspectiva, e aguarde… pois um grande axioma lhe será revelado. O homem não titubeou. Subiu rapidamente a montanha, passando por uma mata densa, animais peçonhentos e vários bloqueios no caminho. Assim que chegou ao ponto mais alto, estava bem cansado. Olhou tudo o que existia a sua volta… florestas, árvores, rios, nuvens, o sol começando a se pôr, aguardou um tempo, mas nada veio à sua mente sobre a grande verdade que o sábio havia lhe prometido. Esperou mais uma hora, pensando, meditando, mas nenhum insight parecia surgir. Então pensou consigo mesmo: “Estou aqui no ponto mais alto da montanha, onde o sábio me disse que eu perceberia uma grande verdade, mas até agora nada ocorreu. Talvez aquele homem não fosse o sábio que todos mencionam, eu posso ter errado de lugar. Vou descer lá agora e ensinar-lhe uma lição caso ele não seja mesmo o sábio”.

Começou então a descer toda a montanha até chegar ao local exato em que o sábio se encontrava, e disse: - Fiz o que me disseste e nada aconteceu. O que querias me ensinar? O sábio respondeu: - Chegaste aqui me pedindo um conselho a respeito do seu grande objetivo de vida. Revelaste que assim que atingisse tal meta, sentir-se-ia completo. Pois bem, o que fizeste assim que atingiste o topo da montanha? -Fiquei um tempo lá em cima contemplando a bela paisagem e depois resolvi descer. O sábio respondeu: - Precisamente. Este é o axioma, uma profunda verdade da existência. Quando atingimos o cume de uma montanha, o único caminho possível é o da descida. O mesmo ocorre com aqueles que desejam chegar ao topo, serem os melhores, e se sentirem realizados com uma posição de superioridade, seja social ou qualquer outra. Chegarás ao ponto mais alto, mas não estarás satisfeito. Assim que atingires o pico do sucesso, o único caminho possível é o da descida. Por isso, jamais deves estabelecer um objetivo máximo para a tua existência, pois sempre há algo a se ascender. Aprende esta importante lição em tua vida.

A CARIDADE E O SALVADOR Num vilarejo antigo, havia um homem rico, mas muito caridoso. Esse homem saía todos os dias para visitar pessoas carentes, e quase sempre lhes oferecia comida, assistência ou qualquer outra coisa que alguém necessitasse. Ao longo de sua vida, ganhara muito dinheiro da herança de seus familiares, o que lhe proporcionava uma vida material muito confortável. Sempre que visitava as pessoas, apressava-se em tentar resolver tudo para elas. Se alguém lhe pedisse pão, ele mandava buscar o pão; se lhe pedisse um cobertor, prontamente ordenava que lhe trouxessem um cobertor; se alguém pedisse um abrigo, logo conduzia a pessoa a um local coberto, protegido e quente. Tudo que alguém lhe solicitasse, ele não descansava até resolver o problema da pessoa. As pessoas que viam o esforço do homem ficavam admiradas com sua dedicação. Pensavam que um homem rico como ele geralmente não se importa com os pobres, deseja apenas usufruir de sua fortuna e se tranca apenas em suas necessidades imediatas. Em seu vilarejo, todos contavam aos viajantes a história do rico bondoso, bem distante do famoso conto bíblico do rico avarento. Certo dia, o homem contraiu uma grave doença e faleceu. Assim que chegou ao céu, foi recebido por um anjo, que o observava com um certo ar de preocupação. O homem rico estava contente, pois acreditava que seu destino seria a morada celeste. Então interpelou o anjo: - Saudações! Você deve ser um dos anjos do senhor. Gostaria muito de poder entrar no céu, junto a Jesus e outros santos. O anjo, com tristeza nos olhos, disse: - Sim, você praticou o bem durante boa parte de sua vida, e sem dúvida acumulou muitos méritos, mas ainda não poderá ingressar no céu. Terá ainda de ficar um tempo mais ou menos longo no purgatório. O homem ficou atordoado. Jamais imaginara que após tantas práticas benemerentes ainda teria que expiar no purgatório. Nada daquilo fazia sentido a ele. Então resolveu perguntar ao anjo: - Mas como isso é possível? Durante a minha vida eu assisti os necessitados, aqueles que sofrem e que estavam numa condição precária de vida. Por que não posso ingressar direto no céu? O anjo respondeu: - No teu íntimo tu já sabes a resposta, mas para que fique claro a ti: sempre que tu fazias o bem, tratavas as pessoas como “coitadinhas”, queria dar-lhes tudo; fazer tudo por elas, e não acreditavas no potencial que cada uma delas

tinha de se virar sozinha. No fundo, tu se achavas melhor do que elas, e por crer-se superior, enxergava-as como inferiores, e como dignas de pena e de serem assistidas; desejavas que elas sempre necessitassem de um “salvador” como ti. Mas cada pessoa é plenamente capaz de transformar sua vida, algumas só precisam de um empurrão, e não que carreguemos sua cruz. Apesar das boas ações exteriores, em teu coração tu te julgavas mais do que os outros, e isso alimentava um complexo de superioridade: te nivelavas por cima e as pessoas por baixo. Tu não te colocavas no mesmo nível que elas, mas acreditavas que tua bondade o fazia melhor. Portanto, até dirimir esta soberba, deves permanecer um tempo no purgatório.

O MESTRE E O CAJADO Certa vez, um mestre sentiu que estava bem próximo de morrer. Mandou então convocar todos os seus discípulos a uma importante reunião. Quando todos estavam presentes, ele disse: Pedi para todos comparecem hoje a este encontro, pois temo que meus dias estão chegando ao fim. Preciso escolher dentre vós aquele que será meu sucessor. Então resolvi propor uma tarefa a todos vocês. Escondi o meu cajado em algum lugar da floresta. O cajado, como todos sabem, simboliza a sabedoria e a benção que será passada a um de vocês. Aquele que primeiro me trouxer o cajado será agraciado com a minha sucessão e herança. A inteligência da vida mostrará quem é o escolhido. Podem ir agora. Os discípulos saíram então do local de reunião bastante abalados, por saber que o mestre estava prestes a morrer, mas ao mesmo tempo ávidos por encontrar o cajado e dar seguimento à obra do mestre. Todos então se embrenharam na floresta, procuraram, procuraram, mas nada encontraram. Vasculharam a floresta inteira e nada. Muitos desistiram e foram retornando aos poucos, acreditando que não havia nenhum cajado na floresta e que o mestre havia lhes pregado uma peça. Todos os discípulos então retornaram e foram ter com o mestre. O mestre então percebeu que ainda faltava um discípulo, que não havia retornado da busca. Passados dois dias, o último discípulo chega, sujo, suado e com aspecto de cansaço. Estava ofegante e malcheiroso, mas também não encontrara nenhum cajado. Assim que chegou, os discípulos riram dele por conta de sua condição. O Mestre então chamou todos e disse: Pedi que todos fossem a floresta e procurassem um cajado,o que houve? Um deles respondeu: Senhor, parece que não havia nenhum cajado na floresta. O Mestre respondeu: Sim, havia um cajado, e um de vocês o encontrou. Os discípulos então ficaram confusos, pois nenhum deles encontrara qualquer coisa. O mestre então explicou: Não havia nenhum cajado físico. Não se esqueçam que o cajado é apenas um símbolo da sabedoria e não a sabedoria em si mesma. E para se adquirir a verdadeira sabedoria é necessário se ter uma virtude básica: o esforço pessoal. Sem o verdadeiro esforço, que tudo supera a ponto de nos fazer esquecer de nós mesmos, e transcender até mesmo as barreiras físicas, não se conquista a sabedoria. Todos vocês voltaram limpos e cheirosos, sem suor e sem sujar as mãos. O único que se esforçou, sujou as mãos e deu tudo de si, foi aquele que chegou dois dias depois e ainda foi objeto de chacota. O desfrute do objetivo não está necessariamente na conquista final, mas principalmente no esforço em se atingir o objetivo e no quanto superamos nossos limites durante o caminho. Aquele que rompe seus limites e dá tudo de

si em busca da sabedoria, sempre a encontra. A este dou minha sucessão e meu verdadeiro cajado.

O LÍDER RELIGIOSO E O VELHO Um grande líder religioso teve uma longa de vida de pregação. Era muito aclamado por seus discursos de sabedoria. Palestrava para multidões e encantava seus ouvintes, pois tinha uma oratória impecável. Havia um homem mais velho, de aparência humilde, que sempre estava presente em todas as suas apresentações. Sempre que o palestrante se pronunciava, ele cuidava de anotar tudo, e sublinhava o mais importante. O líder religioso observava o homem, sempre nas primeiras fileiras, e pensava “Puxa, espero que eu possa passar algum ensinamento útil a esse velho homem. Ele parece precisar muito”. Certo dia, estava atravessando a rua e foi atropelado por um carro. Não resistiu aos ferimentos e morreu. Chegando ao plano espiritual, observou que a atmosfera estava muito pesada, densa. Tudo parecia meio escuro, trevoso. Ouviu gritos de desespero e pessoas gemendo. Estava realmente amedrontado com aquele lugar pérfido e sombrio. Ele resolve orar e pedir ajuda. Neste momento, dois homens se aproximaram dele. Ambos possuem um halo luminoso esbranquiçado em volta de si, o que, no plano espiritual, demonstra certa elevação moral, bom caráter e intenção pura. Um dos homens, com um aspecto angelical, vai se aproximando, e outro vem logo atrás.. Então o homem pergunta: - Onde eu estou afinal? - Você veio para uma zona inferior, respondeu o ser luminoso. Após essa resposta, o líder religioso olha para o segundo homem e percebe que se trata do homem velho que sempre esteve presente em suas palestras. Então o líder religioso pergunta: - Você também morreu? Sim, algumas semanas antes de você, respondeu. Então pelo jeito você também veio para essa zona inferior, exclamou o líder. - Não… respondeu o velho – Eu fui direto a um plano superior, mais sutil, onde existe amor, bondade e sabedoria. O líder religioso ficou pasmo. Virou-se então ao ser de aspecto angelical ao lado do velho, e disse: - Espere um momento. Deve haver algum engano aqui. Este senhor estava sempre em minhas palestras, aprendendo comigo. Como ele pode estar numa região celeste, e eu aqui nesta zona infernal?

O ser angelical respondeu: - É simples. Sempre que você proferia um ensinamento, ele anotava tudo e se esforçava por praticar aquilo. Aos poucos ele foi refinando seu caráter e suas virtudes, tudo graças ao seu ensinamento. Mas você não. Tinha belos ensinamentos, mas não praticava.

O PLANO DAS TREVAS Certa vez, o senhor das trevas chamou toda a hierarquia infernal a fim de traçar os planos para implantar o mal em toda a humanidade. Outras reuniões como essa já haviam ocorrido em tempos passados, mas agora, com o advento de novos tempos, há necessidade de uma nova organização das trevas para atualizar seus planos contra a humanidade. Então, os demônios de alta patente se reuniram e, atentamente, ouviram as instruções de seu chefe. “Invoquei a presença de todos aqui com o objetivo de transmitir as diretrizes gerais para os novos tempos, a fim de se fazer do planeta Terra, na atualidade, um mundo cada vez mais sofrido, onde o mal predomine finalmente.” Cada um de vocês deve ouvir atentamente as instruções que serão passadas agora, pois delas depende todo o sucesso de nosso trabalho. “Para subjugar os seres humanos e fazer delas verdadeiros escravos, os principais pontos que todos devem se esforçar para implementar no mundo são os seguintes: Em primeiro lugar, vamos estimular ao máximo nos seres humanos o orgulho e o egoísmo. Esses dois pilares devem ser a chave da submissão da humanidade. O orgulho, a soberba, a arrogância e a prepotência são os principais ingredientes de nossas realizações, pois farão com que cada ser humano se sinta melhor do que os outros; quanto mais existirem pessoas que se acreditam superiores, mais essa falsa percepção terá o poder de gerar divisões, disputas e conflitos. A soberba e a arrogância fomentarão o preconceito, a discriminação e a luta pelos direitos de uns se sobressaindo diante dos direitos de outros. Do orgulho brotará o sentimento de egoísmo, que fará com que os seres humanos busquem as coisas apenas para si mesmos, esquecendo que fazem parte de uma coletividade e dela dependem. Estimulando o individualismo ao invés do coletivismo; a competição ao invés da cooperação. Vamos influenciá-los a acreditar que podem levar uma vida totalmente isolada do restante, e mesmo assim serem felizes. Faremos com que a busca de benefícios apenas em proveito próprio seja o pivô de todas as relações humanas, e como consequência, os seres humanos estarão sempre brigando entre si por pequenas migalhas e farão de tudo para passar por cima uns dos outros. Dessa forma, estabeleceremos a competitividade, a violência, as distinções de classe social, dentre outras mazelas. Isso promoverá uma grande distância entre as pessoas e produzirá indivíduos solitários e carentes.” “Muito bom senhor” respondeu um dos demônios. “Esse é sempre um bom plano”. “Sim, mas não é só isso” – respondeu o Senhor do Submundo – “Há ainda mais ações a serem implantadas para nosso sucesso total.” “Em segundo lugar, vamos implantar nas mentes humanas o pecado da vaidade. Vocês devem fazer com as pessoas sejam vaidosas a todo custo.

Façam com que elas dêem mais atenção ao exterior do que ao interior. Se conseguirem isso, elas verão apenas a imagem que se encontra na superfície e serão cada vez menos capazes de enxergar além e ver aquilo que jaz oculto no interior de cada um. Isso contribuirá para a criação de pessoas mais voltadas às aparências do mundo e menos capazes de enxergar as coisas como elas realmente são. Vamos também confundir as pessoas e fazê-las acreditar que vaidade e autoestima são a mesma coisa; assim uma pessoa que cuida excessivamente de sua aparência terá a impressão que gosta de si mesma, que se ama, quando a verdade é o contrário disso. Quanto mais uma pessoa é exageradamente ligada a sua aparência, mais defeitos ela vê em si mesma, menos ela se aceita e consequentemente, menos ela se ama. Vamos promover a indústria da moda, dos cosméticos e das revistas de beleza para que as mulheres se sintam cada vez mais desajustadas e se voltem menos para as coisas que interessam – como o amor, o conhecimento, a paz, a sabedoria – e se voltem mais para o supérfluo e aquilo que é passageiro.” Os demônios ouviam com atenção e curiosos sobre as próximas instruções do mestre das trevas. “Em terceiro lugar, vamos promover ações principalmente no plano monetário, no mundo do dinheiro. Vamos estimular a cobiça, o sentimento de posse, e divulgar a ideia de que o ser humano mais realizado é aquele que possui mais sucesso profissional, mais bens, mais dinheiro guardado. Vamos confundir a mente das pessoas e fazê-las acreditar que o dinheiro é tudo na vida, e que todo o resto é secundário. Levando uma vida toda voltada à sobrevivência e à aquisição de bens materiais, não sobrará tempo para a família, para o encontro consigo mesmo, para leituras e para o conhecimento, para a reflexão, a oração e a meditação. Vamos fazer do dinheiro o píncaro da realização pessoal, assim não sobrará tempo para o que realmente é importante. O dinheiro não deve ser apenas um instrumento do viver, deve ser, isso sim, o fim da vida, seu objetivo primordial, a meta derradeira de todos os seres humanos. Quanto mais os seres humanos buscarem no dinheiro a realização, mais eles ficarão frustrados por não a encontrarem; ficarão tristes, deprimidos, solitários, carentes e vulneráveis. Fecharão os olhos para tudo e todos e se dedicarão, quase com exclusividade, ao sucesso do mundo da acumulação de capital. Eles ganharão mais e mais dinheiro, mas ainda assim não estarão satisfeitos, e vão buscar mais e mais, e nem vão desconfiar que o dinheiro nunca poderá preencher o espaço interior vazio do seu coração. Por outro lado, vamos fazer as pessoas serem consumidoras por excelência: toda a vida humana deve estar voltada ao consumo, mesmo que os bens consumidos sejam desnecessários. Faremos da compra algo ritualizado, que gera prazer e contentamento pessoal, assim as pessoas vão buscar fora de si algo que só poderia ser conquistado dentro. Vamos enganá-los com a ideia de que o dinheiro pode comprar tudo. Precisamos agir no mundo de tal modo que, aqueles que não têm dinheiro, vão sofrer pela sua ausência; e aqueles que têm dinheiro, vão sofrer pela possibilidade de perdê-lo. Tanto um como outro serão nossos escravos e não encontrarão a verdadeira realização: a realização espiritual”. Os demônios apreciaram muito a explanação, e estavam sedentos de novas instruções.

“Além desses três aspectos” – continuou o senhor da escuridão – “há outros dois que devemos investir com todas as nossas forças, a ciência e a religião: “Com relação à ciência, devemos tomar todas as medidas para que ela se torne materialista, tecnicista e voltada apenas aos interesses econômicos. A ciência precisa ser apenas técnica, sem alma, e tudo que se faça nela deve responder a interesses de grandes empresas; os cientistas devem estar sempre subjugados a grupos econômicos, para que suas ações não sejam livres e independentes. Isso ajudará a fazer com que a pesquisa científica seja controlada por grupos pequenos, que serão os detentores do direcionamento que será dado a trajetória da ciência. Expurguem completamente do campo científico qualquer debate sobre os limites éticos do conhecimento e disseminem a ideia de que, para o conhecimento humano, não há barreiras éticas e humanas. Faremos as pessoas dependerem completamente da tecnologia, a ponto de fazer com que uma ruptura no sistema seja a causa de um colapso geral. Assim, cada vez mais as pessoas vão acreditar que dependem da tecnologia e estão subordinadas a ela. Por outro lado, façam de tudo para que a ciência se torne dogmática, assim como a religião, e que haja uma constante disputa entre ambas, mesmo que em essência tanto a ciência como a religião seja duas faces de uma mesma moeda. Vamos estimular nos cientistas a preservação conservadora dos conhecimentos: fazer ela mais dogmática e menos investigativa, um verdadeiro depósito de certezas. Façam com que os cientistas não percebam que o conhecimento científico sempre possui um prazo de validade. É preciso traçar com firmeza e de forma bastante definida os limites que separam a ciência da religião, e que essa linha limítrofe se torne praticamente intransponível, pois com essas barreiras, os conflitos entre ambas vão desgastar, minar e atrasar o desenvolvimento de uma e outra, fazendo com que o ser humano precise escolher entre uma das duas e que sua consciência fique dicotomizada, totalmente dividida e em permanente conflito. De toda forma, é importante também descartar completamente qualquer intercâmbio entre essas duas formas de conhecimento, e rechaçar com veemência as novas pesquisas que ajudem a aproximar uma da outra. Os cientistas só devem acreditar naquilo que veem e acreditar que nada exista fora da ciência. Além disso, façam de tudo para deixar a consciência totalmente de fora da pesquisa científica, e estimulem ao máximo os cientistas a buscarem reduzir a realidade a um mero aglomerado de átomos inertes e sem vida. Façamos principalmente a ciência acreditar no acaso; acreditar que tudo surgiu do nada e para o nada retornará; façamos os cientistas acreditarem que a vida não tem um significado e que cada modelo científico é definitivo, e que deve resistir ao máximo à prova do tempo, mesmo que existam muitas evidências em contrário.” “O segundo aspecto é a religião. Desde o primórdio dos tempos nós atuamos nas religiões, mas agora precisamos nos manter firmes nessa empreitada, pois a religião, caso seja transformada, tem o poder de mudar muitas coisas. A primeira e principal ação a ser reforçada nas religiões é, como vocês já sabem, estimular o fundamentalismo, o fanatismo e o dogmatismo. Os fiéis de um credo, qualquer que seja ele, devem acreditar piamente que apenas a sua religião é verdadeira e que todas as outras são falsas. Façam com que eles leiam os livros sagrados e os interpretem sempre ao pé da letra; façam com

que eles não percebam a sabedoria oculta por detrás dos símbolos; deixe que eles acreditem que não há um significado simbólico nos ensinamentos, e que há apenas uma verdade literal, que deve ser conservada imutável a todo custo. Tornem todos eles submetidos sempre a uma hierarquia sacerdotal, que deverá lançar as bases do que se deve acreditar e do que não se deve acreditar. Assim, ninguém poderá promover mudança numa religião, pois tudo emanará da cúpula sacerdotal.” “Façam também com que eles pensem que apenas alguns líderes têm o contato com Deus e que apenas eles podem servir de intermediários. Não permitam, em hipótese alguma, que os seres humanos descubram que eles não precisam de um intermediário entre o ser e o divino, e que a verdade pode ser alcançada pelo amor, pela sabedoria, pela compaixão e pela caridade. Procurem extirpar completamente dos cultos o silêncio, a oração e a meditação. Façam os rituais e as reuniões religiosas parecerem cada vez mais um show, com gritarias, barulho, orações repetidas e sem alma. Cuidem para que os líderes religiosos sejam adorados, que seu ego seja cultuado e que eles sejam encarados como semi-deuses na Terra. A personalidade dos líderes deve prevalecer sobre o conhecimento que eles propagam. Algo muito importante, e que não pode faltar nas religiões: a ideia do medo e do pecado. Façam com que as religiões amedrontem as pessoas, com noções de céu e inferno, e influenciem-nas a acreditarem que, uma vez no erro, não há redenção possível nem possibilidade de corrigir suas faltas. Não permitam, de modo algum, que surjam aqui e ali ideias de universalismo religioso, de ecumenismo e integração entre as várias crenças: as religiões devem competir umas com as outras pelos seus fiéis, e estes devem ser coagidos psicologicamente a permanecer toda a vida pertencentes a uma mesma denominação, sem nenhum questionamento. Façam com que o amor pareça uma coisa piegas, sentimentalista e sonhadora; façam com que a compaixão seja confundida com fraqueza; que a humildade seja considerada submissão; estimulem os adeptos a julgarem outras pessoas em nome da fé, e a separarem totalmente a teoria da prática, ou seja, a não incorporarem em suas vidas os mais elevados princípios morais de sua religião. Além de todas estas, há algumas ações menores, porém não menos importantes: façam os fiéis acomodados e anestesiados diante do mundo; façam os líderes religiosos controlar a vida dos membros; façam os fiéis debaterem sempre os mesmos temas e ficarem girando em círculos, sem saírem do lugar; estimulem ideias do tipo: „nós‟ contra „eles‟; façam com que eles se sintam pequenos e fracos diante do líder e da grandeza da religião; façam com que os membros se fechem mais dentro de si mesmos e se alienem do meio; promovam uma adoração desmedida da figura do mestre em detrimento do estudo e da prática dos seus ensinamentos originais. Com essas medidas, as religiões continuarão servindo aos nossos propósitos.” Os demônios, muito interessados, anotavam tudo e procuravam assimilar cada aspecto citado, para que seu trabalho junto à humanidade fosse mais eficiente. “Há agora alguns outros elementos em que devemos investir…” – disse o príncipe das sombras – “e eles são de extrema importância na modernidade”.

“Quanto à televisão, vamos fazer com que ela sirva aos nossos propósitos. Ao invés de ser um veículo de educação e civilidade, faremos com que se torne um amontoado de propagandas bastante sedutoras. Mesmo que as pessoas não precisem dos produtos anunciados, vamos criar nelas a necessidade de obtê-los, para pensarem que necessitam de muitas coisas para serem felizes. Faremos com que seja promovida a vaidade, a sexualidade desregrada, a cobiça, a alienação, a soberba e a arrogância. Vamos promover uma inversão de valores, e fazer com que as pessoas se atenham ao superficial. Quanto mais elas se detiverem nas imagens sedutoras da telinha, mais elas esquecerão de encontrar a sabedoria dentro de si mesmas. Valorizem o mundo do entretenimento; coloquem homens e mulheres sem roupa e sensuais, para despertar os instintos mais primitivos; tratem as mulheres como objetos na TV e nas revistas, e mostrem-nas apenas como um corpo bonito, porém sem essência, vazio por dentro. Façam uma imprensa tendenciosa, que não represente as diferentes forças sociais, mas que apenas preservem os interesses dos poderosos do mundo. Usem a arma da informação para manipularem a vontade as mentes das pessoas, e o melhor de tudo, façam com que elas pensem que as opiniões são delas mesmas, que as ideias apresentadas nasceram de seu pensamento, assim elas dificilmente perceberão que estão sendo manipuladas. Elas irão acreditar firmemente que as ideias surgiram em suas mentes, e assim jamais vão questionar algo que, segundo creem, teria sido gerido e processado pelo seu pensamento (mas que em realidade não foi). Os homens jamais podem se defender de algo que não conhecem e não percebem. Se eles não perceberem que estão sendo manipulados, não serão capazes de resistir à nossa dominação. E não se esqueçam: veiculem na TV a todo momento cenas de violência, para que os atos criminosos fiquem bem assentados no inconsciente coletivo, pois dessa forma, a violência se tornará corriqueira, comum e natural, pois, assim sendo, quase não será questionada seriamente com ações concretas. Só mostrem o negativo pela TV, ocultem ações positivas e humanistas, para que as pessoas acreditem que o mundo é essencialmente mau e que não há esperança de ser diferente.” “Quanto à música, vamos retirar seu caráter de elevação da consciência humana, de contato com as emoções, do dinamismo imaginativo e criativo e de conscientização social. As músicas devem, assim como a TV, estimular a alienação e a degradação sexual. Em vez de conservar viva a tradição de um povo, com sua identidade, ela deve, ao contrário, fazer o ser humano esquecer suas origens. Um povo sem memória é muito mais propenso a repetir os erros do passado, reeditando antigas mazelas, sem aprender com elas. A música atual deve ser cada vez mais barulhenta, pois assim o ser humano se tornará incapaz de ouvir a natureza e a si mesmo.” “Quanto ao meio ambiente, façamos com que eles destruam a natureza, para que, dessa forma, eles destruam a si mesmos. Vamos nos empenhar para que o ser humano acredite ser o senhor da natureza; vamos estimular ações de conquista, e não de integração com o meio natural. O homem deve se impor no meio ambiente, as ruas, as calçadas, o lixo, as casas, todas devem ser construídas de modo que representem a sobreposição do homem diante da natureza, como se ele fosse seu domador. Não deixem que eles percebam que

são parte da natureza, que são filhos da terra, e que a ela devem a sua sobrevivência. Não permitam, em hipótese alguma, que o ser humano encontre o elo que o une, de forma indissociável, ao seu lar natural, pois se assim o fizer, ele terá mais força, vitalidade e saúde. Estimulem ações do homem contra seus irmãos menores, os animais, e façam-nos acreditar que os animais só existem para servi-lo, e não para conviver com ele. Façamos também com que os homens se tornem cada vez mais intoxicados. Ao invés de usarem produtos naturais, que eles usem apenas produtos industrializados, modificados quimicamente, pois um homem intoxicado é muito mais vulnerável a nossa dominação do que um homem de vida natural e sadio. Estimulem a procura de remédios alopáticos que visem apenas abafar os sintomas de uma doença, para que sua causa permaneça desconhecida e não seja tratada. Tirem os medicamentos naturais de seu alcance, para que eles vivam menos de ações preventivas, e cada vez mais intoxicados com químicas que acomodem sua consciência. Estimulem o uso do álcool e das drogas, lícitas ou ilícitas: criem o hábito de se recorrer aos entorpecentes ao menor sinal de sofrimento, pois assim eles estarão mais distantes da resolução de seus conflitos internos. Façam com que os seres humanos vivam uma verdadeira era da intoxicação, pois assim eles estarão muito mais propensos a doenças, a transtornos mentais e menos dedicados a causas humanitárias e de transformação social e espiritual.” “Para finalizar, devemos combater com força dois sentimentos humanos: a fé e a esperança.” “Para desmerecer a fé, devemos sempre associá-la as religiões. Mesmo sendo a fé uma convicção íntima de uma realidade transcendente, precisamos influenciar as pessoas de que a fé é sinônimo de crença cega, de fanatismo e de conformismo com dogmas religiosos. Neguem a todo custo que a fé seja o sentimento íntimo de uma realidade divina, um farol que guia a um porto seguro, e preguem com toda a ênfase que todas as formas de fé são idênticas, assim as pessoas não poderão distinguir a fé genuína, que nasce de uma aproximação do ser com o cosmos, e a fé fundamentalista, que está subordinada a um conjunto de credos.” “E finalmente, a esperança. Temos que trabalhar ao máximo para apagar a palavra esperança dos corações humanos. As pessoas precisam acreditar que não existe esperança de um futuro melhor, que nada vai mudar, que tudo sempre foi do jeito que é, e que qualquer coisa que se faça para transformar a realidade atual é pura perda de tempo, pois não trará nenhum resultado.” Quando os demônios já começavam a deixar o local de reunião, o chefe das trevas gritou-lhes: “Não se esqueçam: tirem a esperança deles… e façam com que acreditem que não são capazes de transformar o mundo através da transformação íntima. Isso é muito importante: não permitam, em hipótese alguma, que eles percebam que são capazes de transformar a realidade atual.”

MEDO DE FANTASMAS Era uma vez um menino que morava sozinho com sua mãe. Nessa casa havia um quarto que vivia trancado e ninguém jamais entrara ali. Certo dia, temendo que seu filho entrasse no aposento e fizesse alguma travessura, a mãe resolveu contar-lhe uma história inusitada: - “Filho, você jamais deve entrar naquele quarto.” - “Por que mãe?” Retrucou o filho. - “Por que há um fantasma trancado lá dentro. Se você abrir a porta e entrar, o fantasma vai aparecer para você e te perseguir.” O menino ficou aterrorizado com o alerta feito pela mãe. Confiou nela e não se atreveu a abrir aquela porta. Conforme o tempo ia passando, a imagem do fantasma preso no quarto não saia da cabeça do menino. Passava noites acordado com receio de que o fantasma escapasse e fosse assustá-lo à noite. O menino estava cada vez mais amedrontado. Dormia e tinha pesadelos sendo perseguido pelo fantasma. Chegou a passar noites em claro cogitando um possível ataque. Isso foi se repetindo durante os meses e anos seguintes. Mesmo sem adentrar no quarto desconhecido, era como se o fantasma já o estivesse perseguindo. Um dia, já tendo atingido uma idade um pouco mais avançada, cansou de ficar naquela situação incômoda. Reuniu toda sua coragem e decidiu que iria ver o fantasma no quarto. – “É melhor ver logo como é esse fantasma, assim eu sei com quem estou lidando.” Pensou. Abriu a porta de seu quarto, caminhou pelo corredor e sentiu um medo indescritível nesse momento. Finalmente, postou-se diante do temido aposento. Colocou a mão na maçaneta e abriu a porta. Não estava trancada! Quando a porta se abriu, observou o quarto vazio, procurou tudo e não encontrou nenhum sinal do fantasma que há tanto tempo o assustava. A partir desse dia, nunca mais teve pesadelos ou medo do fantasma. Moral da Estória: Encare seu medo de frente, pois quando você fizer isto, o “fantasma” deixará de te perseguir.

O OUTRO LADO DA VIDA Um discípulo procurou seu mestre e perguntou: - Mestre, como posso saber se existe mesmo vida após a morte? O Mestre olhou para ele e respondeu: - Encontre-me novamente após o sol se pôr. O discípulo, meio contrariado, esperou algumas horas, ansioso pela resposta. Logo que o sol se pôs, o discípulo voltou à presença do mestre. Assim que o discípulo apareceu, o mestre afirmou: - Você percebeu o que houve? O sol morreu… O discípulo ficou sem entender nada. Julgou que se tratava de uma brincadeira do mestre. - Como assim mestre? Perguntou o discípulo. O sol não morreu, ele apenas se pôs no horizonte. O mestre disse: - Exatamente. O mesmo ocorre com todos nós após a morte. Se confiássemos apenas em nossa visão física, nos pareceria que o sol deixou de existir atrás da montanha. Mas no instante em que ele “morreu” no horizonte para nós, ele nasceu do outro lado do mundo, e se tornou visível para outras pessoas. O mesmo princípio rege a nossa alma. Após a morte do corpo, ela parece desaparecer aos nossos olhos, mas nasce no plano espiritual. A chama do espírito não se apaga, ela apenas passa a brilhar no outro lado da vida.

PERDER A PESSOA QUE AMO O discípulo de um grande sábio oriental viajou durante um dia inteiro para visitar sua família. Havia um ano que não via seus entes queridos. Assim que chegou a residência de sua família, percebeu seu pai com um semblante de desânimo. Dirigiu-se ao pai, o abraçou e indagou qual seria o motivo da tristeza. O pai olhou para o filho com lágrimas nos olhos e disse que sua mãe e sua irmã haviam morrido há duas semanas atrás de um doença. O discípulo ficou estarrecido com a péssima notícia. Não se conteve e chorou abundantemente. Sua mãe ainda era jovem e sua irmã era mais nova que ele, sequer podia acreditar que isso havia ocorrido. Resolveu então ficar uns dias com seu pai, lhe dando todo o suporte, e logo depois retornou ao mosteiro. O discípulo veio refletindo no caminho “Por que Deus iria querer isso? Perdi duas pessoas que eu mais amava na vida. Por que preciso passar por isso?” Após sua chegada, foi falar a sós com o mestre e perguntou: - Mestre, minha mãe e minha irmã morreram. Me diga por favor, por que Deus nos tira as pessoas que mais amamos? O Mestre respondeu: - Deus nos tira as pessoas que amamos para que possamos aprender a amar todas as pessoas, e não apenas uma ou outra. Quando começamos a amar a todos, não mais sofremos com a perda de uma pessoa.

PROVAÇÕES DA VIDA Na Índia antiga, há muitos séculos, havia um mestre que coordenava um Ashram. Um Ashram é um eremitério onde os sábios vivem em paz e tranquilidade, e comumente cuidam do treinamento de discípulos que estão no rumo do despertar espiritual. Este mestre tinha poucos discípulos, mas o suficiente para trabalhar no ashram e suprirem as necessidades basicas de todos. Havia, no entanto, um discípulo que sempre era enviado para fora do ashram a fim de solucionar conflitos e assuntos muito complicados. A última vez foi, a mando do mestre, tentar apaziguar uma briga entre comerciantes num vilarejo próximo. O discípulo, porém, estava começando a ficar incomodado com essa situação. Não entendia por que o mestre sempre passava a ele as tarefas mais difíceis e pesadas, que quase sempre o expunham a algum tipo de risco. Enquanto isso, outros discípulos faziam trabalhos de rotina no ashram, algumas tarefas bem mais leves e com risco praticamente nulo. Certo dia, cansado de tantos trabalhos pesados, foi falar com o mestre sobre essa situação, e disse: - Mestre, eu respeito suas decisões, mas parece que você tem alguma rixa pessoal comigo. Por que sempre me coloca para desempenhar estes trabalhos mais difíceis e arriscados? O senhor tem algo contra mim? O mestre respondeu: - Pelo contrário. Se te passo estes trabalhos mais difíceis, significa que só você pode realiza-los, e nenhum outro discípulo teria essa mesma habilidade. Toda vez que eu te propor uma tarefa mais difícil, considere isto como um reconhecimento de sua capacidade. Da mesma forma, Deus jamais nos dá uma cruz mais pesada do que podemos carregar. Se você está passando pelas mais penosas e intrincadas provações, isso significa que Deus te julga capaz de atravessar os mais tortuosos caminhos. Aproveite, então, esta oportunidade de superação e crescimento.

REVOLTA COM A POBREZA Há muito tempo, havia um homem pobre, que morava num vilarejo antigo e bem simples. Esse homem tinha um irmão que vez por outra vinha visita-lo. Mas ao contrário dele, seu irmão não era pobre, mas um homem muito rico, com algumas posses, terras e joias. Sempre que seu irmão iria visita-lo, ele sentia uma pontinha de inveja do irmão e desejava ser tão rico quanto ele. O irmão conseguiu parte sua fortuna num jogo de cartas, e depois fez os investimentos corretos, ficando rico e comprando várias propriedades. Certo dia, estava sentado na beira de um rio e sentiu uma grande revolta. “Por que eu preciso ficar aqui sofrendo enquanto meu irmão, que nasceu no mesmo berço que eu, tem uma vida boa e confortável?” pensou ele. Decidiu então que iria visitar um sábio que morava nas montanhas há alguns quilômetros do vilarejo. Precisava entender por que existem essas injustiças na vida e por que ele tinha que sofrer dessa forma. O homem viajou e chegou à residência do sábio. Conversou com ele e explicou toda a situação. Finalmente fez o questionamento que estava corroendo sua alma. - Senhor, não entendo essa injustiça da vida. Por que eu levo uma vida de pobreza enquanto meu irmão conseguiu toda essa riqueza? Por que eu tenho que sofrer assim e ele não? O sábio respondeu: - A única diferença entre o seu sofrimento e o sofrimento dele está na forma de se sofrer, mas ambos sofrem na mesma medida. Você sofre por desejar ter algo que não tem, e ele sofre pelo medo de perder o que já possui. Ambos sofrem igualmente: um pelo desejo de ter, e o outro pelo medo de perder. Assim ocorre, boa parte das vezes, com o pobre e o rico.

O REMÉDIO AMARGO Uma mulher estava passando por grandes sofrimentos em sua vida. Estava cheia de dívidas, seu marido a abandonou, seus filhos brigaram com ela, e havia o risco de perder a sua casa. Já não agüentava mais aquela situação, e começou a se questionar o motivo de tamanho sofrimento. Pensou em desistir de tudo e tirar sua própria vida. A noite, em meio a muitas lágrimas derramadas, orou a Deus pedindo que interrompesse tanto sofrimento, pois ela não queria passar por tudo isso. Orou declarando “Deus, por favor, Não consigo agüentar tanto sofrimento, tantas dificuldades em minha vida. O Senhor é todo poderoso. Suplico que retire este peso dos meus ombros”. Após a oração, a mulher deitou-se e adormeceu. Começo a sonhar que um anjo vinha em sua presença e lhe dizia as seguintes palavras: “Sou o anjo que Deus enviou para te acudir nesse momento. Por favor venha comigo”. No sonho, a mulher foi seguindo o anjo e percebeu que ambos iam regressando ao seu próprio passado. Começou a rever várias fases de sua vida, e finalmente parou numa cena em que ela obrigava seu filho a tomar um remédio. O anjo aproximou-se e disse: “A resposta as tuas angústias está dentro de ti. Tu mesmo usou este método ajudar teus filhos”. A mulher olhou a cena e viu que, num passado não muito distante, quando seus dois filhos ainda eram crianças, ela os obrigou a tomar um remédio bastante amargo. O filho estava doente, e o médico havia receitado aquele medicamento afirmando que, caso o menino não tomasse poderia ficar ainda mais doente. Mas que, ao contrário, se ele tomasse a medicação, iria melhorar. A mãe levou o remédio para o filho. Ele recusou-se a tomar a medicação, dizendo que o gosto era muito amargo, e que ele não queria sentir tudo aquilo. A mãe então disse que ele deveria tomar de qualquer forma, caso contrário iria castigá-lo severamente. O filho chorou, esperneou, gritou, fez muitas cenas, mas finalmente tomou o medicamento. Alguns dias depois estava curado de sua enfermidade. O anjo, que acompanhava tudo, perguntou: - Você deixaria de dar este medicamento a seu filho por que ele pediu, alegando que não queria sentir o gosto ruim do remédio? - De jeito nenhum! Respondeu a mãe. Se o medicamento é necessário, e se vai cura-lo, ele precisa tomar, não importa a sua vontade. Pois naquele momento ele era uma criança, e não podia entender o que se passava e o valor da medicação. O anjo respondeu: - O mesmo ocorre entre você e Deus. Deus é seu pai ou mãe, e a humanidade inteira são Seus filhos. Os seres humanos são como crianças que não

compreendem ainda os benefícios do remédio amargo dos sofrimentos e provações da vida. Da mesma forma que tu obrigas teu filho a tomar uma medicação que é para seu bem, Deus também nos coloca em circunstâncias que nos são indesejadas, mas que são imprescindíveis para a cura do nosso espírito. Para ti, os sofrimentos são remédios muito amargos, e te revoltas e recusas sentir tamanho dissabor. Procure compreender que, da mesma forma que teu filho precisou do medicamento para se curar, teu espírito precisa atravessar estas tribulações para se purificar.

A CHAMA SAGRADA Os anjos, arcanjos e querubins mais elevados na escala angélica estavam começando a ficar preocupados com a situação trágica do nosso mundo. A humanidade passava por muitas guerras, fome, doenças, sofrimento, desespero e vazio espiritual. Foi então que decidiram recrutar anjos iniciantes para dar conta de realizar todo o trabalho do plano divino na Terra. Mas antes de estrear suas tarefas nas plêiades angélicas do bem, os anjos nascentes deveriam passar por uma prova a fim de demonstrarem suas capacidades. Analogamente aos estudos humanos, uma espécie de prova final para poder cursar a série seguinte. Um dos anjos iniciantes deveria então atravessar uma provação, uma iniciação ao reino angélico, que o faria galgar ao status de Anjo do Senhor. Ele estava ansioso por se tornar logo um anjo e começar sua jornada no bem, mas antes precisava provar a sua glória e sabedoria. Após o início da provação, vários arcanjos, serafins e querubins se reuniram e invocaram o gênio do fogo, que trazia a chama sagrada para o aspirante a anjo. Os anjos pediram ao aspirante que colocasse suas mãos em forma de concha e estivesse pronto para receber o fogo divino. Nesse momento, o Gênio do fogo concedeu uma parcela do fogo sagrado ao aspirante, sem que a chama do gênio se apagasse. O gênio foi embora e os anjos disseram: “Esta chama representa a luz da sabedoria, que ilumina as trevas e dá alento a vida espiritual das almas. Agora vá seguindo o teu caminho e faça o uso desta chama sagrada, desta luz divina como você achar melhor”. O aspirante a anjo viu uma estrada se abrindo a sua frente e foi seguindo por um caminho bastante escuro. Esse caminho representava boa parte da atmosfera espiritual do nosso mundo; um clima escuro, pesado e hostil. Mesmo percorrendo esse caminho de trevas, ele sentia-se bem e orientado, pois enxergava tudo a sua volta com clareza e lucidez. Foi então percorrendo por estradas e vales, e no caminho começaram a aparecer várias pessoas necessitadas, carentes e em sofrimento, lhe pedindo um pouco da luz que ele carregava em suas mãos. Conforme as pessoas iam passando e pedindo luz, ele ia dando um pouquinho da chama sagrada a cada alma carente. Conforme ia prosseguindo, mais e mais pessoas vinham a ele e pediam um pouco da chama em suas mãos. No entanto, o anjo observou que, após algum tempo,quanto mais dava o fogo sagrado que iluminava seu caminho, mais a chama ia diminuindo de tamanho. O anjo aspirante deu mais algumas porções de luz e agora caminhava com uma pequena faísca, e quase não podia ver o caminho. As trevas começavam a tomar conta de tudo, e ele sentiu um certo temor. Então iniciou-se um diálogo interno “Devo dar a última faísca de luz que ainda possuo? Não seria melhor guardar essa porção luminosa para que eu também não mergulhe nessa escuridão aterradora?”. Com a possibilidade de perder sua última partícula do fogo, que o aquecia e iluminava nas densas trevas que percorria, ele começou a cogitar ficar com a faísca, mas ainda estava em dúvida.

Este dilema foi sufocando o aspirante conforme ele seguia sua jornada. De repente, surgiu uma velha senhora a sua frente, e lhe pediu a luz que sobrara. O anjo titubeou, refletiu, lembrou-se dos ensinamentos espirituais, e num ato de sacrifício, deu sua última parcela do fogo, o último ponto luminoso que restara. Ficou então em escuridão total. Eis que, dentro de si mesmo, começou a brilhar uma chama, a mesma chama sagrada que havia recebido do gênio do fogo na presença dos anjos. Sentiu uma espécie de calor sutil em seu peito, e notou que o fogo, que antes estava em sua mão, começara a nascer de dentro dele; seu próprio interior era a fonte da chama sagrada. Nesse momento, tudo a sua volta começou a ficar maravilhosamente iluminado e aquecido. Percebeu então que, ao seu redor, estava rodeado de um coro repleto de centenas de anjos que acompanhavam todos os seus passos, do início ao fim desta jornada. O aspirante entendeu que os anjos jamais o abandonaram, mas estiveram ali o tempo todo, zelando por ele e observando suas reações diante do desafio imposto. O Anjo do Senhor proferiu as seguintes palavras: - Venceste a prova do egoísmo e entregaste tudo o que lhe restava da chama sagrada da sabedoria para quem lhe pediu, mesmo tendo a impressão que ficaria sem ela. Se o egoísmo tivesse vencido, cairias neste vale escuro e ficarias sem luz, tal é o estado de boa parte da humanidade. Confiaste em Deus e provaste a ti mesmo que se entrega completamente no caminho do bem, jamais fica desassistido e sem luz. A chama sagrada que antes era exterior a ti, agora arde em teu próprio interior, pois demonstraste a superação diante do egoísmo que impera em quase toda a humanidade. Observe que todos nós, anjos, arcanjos e todas as hostes celestiais, possuímos uma chama sagrada em nosso coração. Da mesma forma que uma vela, ao acender outra vela, não perde a sua chama, também os seres humanos e os anjos, quando transmitimos nossa luz, não a perdemos, ao contrário – a luz só se expande. Vamos acendendo a luz de cada pessoa com eles. Quanto mais damos sabedoria e amor, mais eles se intensificam. A sabedoria e o amor são diferentes das coisas materiais. Quando damos um objeto a alguém, ficamos sem ele. Mas quando doamos amor e sabedoria, não os perdemos. Agora possuis algo que nenhum ladrão pode roubar; que ninguém pode destruir; que as correntezas do tempo não degradam. Podem levar tudo de ti, até mesmo tua vida física, mas a sabedoria e o amor, jamais pode ser perdida. Cuida apenas, como disse Jesus, em não dar pérolas aos porcos. Mas distribua tua luz entre todos, sempre dentro de capacidade individual de cada pessoa em acolhê-la. Agora finalmente és um anjo na Terra.

O PODER DE UNIR Um rei muito poderoso havia acabado de vencer uma batalha muito importante, e havia expandido muito seu reino. Ele era agora, provavelmente, o monarca com o maior exército do mundo. Seu poder era vasto e bem difícil de ser derrotado. Crendo que seu poder havia atingido o auge, resolveu procurar um sábio que, diziam, era um homem inigualável. Viajou alguns dias com a guarda real, chegando finalmente a um pequeno vilarejo onde o sábio morava. O rei desceu do seu cavalo, foi falar diretamente com este homem que muitos consideravam um santo. Assim que encontrou o sábio, disse: - Você deve ser o sábio homem que mora nestas paragens. Sou o rei de todas estas terras, e acabei de conquistar muitos outros reinos. Meu exército é o maior do mundo e nunca foi derrotado. Tenho o poder total sobre qualquer pessoa, e bastando apenas uma ordem minha, posso tudo destruir. Gostaria de saber de tu, ó venerável, se há algo que não esteja dentro do meu poder. Quero saber a verdade que tens a me dizer, seja ela qual for. O sábio olhou para o rei e falou: - Está bem. Observe aquelas duas pessoas próximas ao estábulo, uma a direita e outra a esquerda. São duas pessoas que se amam, mas que tiveram uma briga muito grave recentemente. Vá até eles, sem mencionar que é o rei, e tente conciliar ambos. O rei foi conversar com eles, falou, argumentou, insistiu bastante, mas não obteve qualquer tipo de resposta positiva. Voltou ao sábio e confessou que não conseguira conciliar o antigo casal. - Espero um pouco, disse o sábio. O sábio dirigiu-se até eles, conversou tranquilamente com ambos, e pouco mais de meia hora depois, o homem e a mulher se abraçaram e se perdoaram das brigas que os mantinha separados. O sábio voltou e disse ao rei: - O verdadeiro poder de um homem não está em destruir, em separar, mas em conseguir unir as pessoas em torno de algo em comum. E o que mais nos une são o amor e a sabedoria. Este é o maior poder que alguém pode alcançar em relação a outras pessoas.

O APEGO AS POSSES Há alguns séculos, havia um homem rico que não estava satisfeito com sua vida, e sentia um certo vazio existencial. Foi então em busca de um sábio, pois desejava iniciar uma jornada espiritual. O homem, no entanto, queria manter todos os seus bens, pois era muito apegado a eles. Possuía várias residências em locais diferentes de seu país, e julgou que não havia necessidade de desfazer-se dele. Possuía também colares, algumas pedras preciosas e ouro em seu pescoço. Foi então conversar com o sábio, para ver qual seria a melhor forma de se unir a vida espiritual com a vida material, sem precisar abrir mão de suas propriedades. Ao se encontrar com o sábio, saudou-o, proferiu algumas palavras sobre seu estado emocional, e revelou suas expectativas, a saber, de seguir uma jornada interior, mas sem no entanto ter que largar sua vida material, cheia de riquezas. O sábio então pediu a ele que o acompanhasse até uma estrada de terra da região. Após a chegada, pediu ao homem que andasse pelo caminho. Aquela estrada era muito acidentada, cheia de buracos, pedras e animais que, vez por outra, a cruzavam. O homem foi trilhando o caminho, observando tudo que aparecia, pulando buracos, desviando de pedras e afastando-se de certos animais que poderiam oferecer perigo. O homem então deu meia volta e retornou ao ponto inicial, onde estava o sábio. - Agora peço que faça percorra novamente a estrada, disse o sábio. Porém, desta vez, você caminhará olhando fixamente para os colares em volta do seu pescoço e das pedras preciosas que nele estão contidas, e aproxime seus olhos deles o máximo que puder. Aconteça o que acontecer, não tire os olhos das suas jóias. O homem olhava fixamente para seus apetrechos quando iniciou uma nova caminhada. Dessa vez, após alguns passos topou numa das pedras e quase caiu no chão. Andou um pouco mais e não percebeu uma cobra que saia do mato, e quase foi picado. Continuou caminhando e não percebeu o buraco que estava a sua frente, caindo dentro dele, torcendo fortemente o tornozelo e gritando de dor. O sábio foi ao seu encontro e ajudou-o a sentar-se num local. E logo depois proferiu as seguintes palavras: - Esta estrada representa teu caminho espiritual e seu olhar fixado em tuas posses representa o apego que têm as suas coisas. Se desejares seguir seriamente um caminho espiritual deves eliminar teu apego as tuas coisas, pois o apego nos cega e impede que trilhemos nosso caminho com clareza de visão. Aqueles que se fixam em seus bens e apegos ficam cegos da realidade do mundo. A tendência é passar a vida tropeçando, caindo e se ferindo durante a jornada. Quanto mais aproximas um objeto de tua vista, por conta do apego,

mais cego ficas. Liberta-te, pois, do apego, para que tua visão não fique bloqueada e possa enxergar a vida e a si mesmo com mais nitidez.

O REFLEXO DE SI MESMO Uma mãe e um filho adolescente moravam juntos, mas não se davam bem. Viviam brigando pelos menores motivos. A mãe dizia que o filho era preguiçoso, não queria estudar, e não fazia nada direito. O filho acusava a mãe de ser ausente e de várias outras coisas. Com o tempo as brigas foram se intensificando cada vez mais, até que estava se tornando quase insuportável a convivência de ambos. O filho ofendia a mãe, e a mãe, nervosa, acabava também por ofende-lo, e ambos chegavam a ficar dias sem se falar. A mãe começou a sentir-se cada vez pior. Sentia uma angústia imensa tomando conta de si. Cogitou enviar o filho para ser criado com a irmã, mas sentiu que isso não daria certo. Após uma semana de longas e profundas brigas, a mãe fez uma fervorosa oração pedindo a Deus que lhe desse uma explicação sobre a razão de tantas brigas. “Senhor, me diga, por que não consigo conviver bem com meu filho?” falou em oração. Era noite, a mãe resolveu deitar-se, pois teria um dia de trabalho bastante árduo assim que acordasse. Quando o sol estava começando a nascer, meia hora antes de acordar para ir ao trabalho, sentiu-se leve e começou a sonhar. Estava no meio de um campo de trigo imenso, e subitamente apareceu um anjo luminoso que se aproximava dela. - Por favor, venha comigo. Quero mostrar-lhe algo relacionado ao seu filho, disse o anjo. A mãe, entendendo que Deus havia captado suas súplicas, não pensou duas vezes e foi junto com o anjo. Chegaram num local meio escuro e pesado. Havia um espelho bem bonito e grande no centro. - Veja sua imagem neste espelho, disse o anjo. A mulher aproximou-se do espelho, esperando ver sua própria imagem refletida, mas viu a imagem de seu filho no lugar. Tomou um grande susto e derramou muitas lágrimas. Então perguntou ao anjo: - Mas o que isso significa? Por que estou vendo a imagem do meu filho refletida neste espelho, ao invés de minha própria imagem? Perguntou. O anjo respondeu: - Essa é a resposta para as brigas e confusões entre você e seu filho. Vocês são muito parecidos em tendências e comportamentos, e seus defeitos são quase os mesmos. Quando você briga com seu filho, está vendo nele o próprio reflexo de todos os defeitos que você procura ocultar de si mesma. O mesmo ocorre com ele. Um é o reflexo do outro, vocês compartilham de quase os mesmos defeitos e os dois atacam-se pelo defeito que ambos possuem. Mas Deus, em sua infinita sabedoria, colocou duas pessoas tão semelhantes juntas,

para que pudessem, em parceira, ver a si mesmas uma na outra, e dessa forma, reconhecerem seus defeitos e ajudarem-se mutuamente a resolver suas principais imperfeições. Não brigue com seu filho pelas mesmas deficiências e falhas que guardas em teu interior. Resolva tuas más inclinações, as brigas cessarão e vocês poderão voltar a viver em paz.

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