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ZEZINHO O DONO DA PORQUINHA PRETA - JAIR VITÓRIA

ZEZINHO O DONO DA PORQUINHA PRETA - JAIR VITÓRIA

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JAIR· VITÓRIA

ZEZINHO,° DONQ DA PORQUINHAP~EJA

01, TURMA! ESTOU AQUI PARA TRAZER MAIS UMA HISTÓRIA INCRlvEL PARA VOCt=S: A HISTÓRIA DE DOIS AMIGOS INSEPARAvEIS, ZEZINHO E SUA PORQUINHA, MANINHA.

JairVitória

ZEZINHO. O DONO D\ PORQUINHA PRETA

o
O O O O O O

A Ilha Perdida Cabra das Rocas Cotação de Onça Éramos seis O caso da borboleta Atíria O escaravelho do diabo O gigante de botas
de Asas

o
O O O O O O D O O O O O O O

O rapto do Garoto de Ouro Aventuras deXisto Xisto e o pássaro cósmico
XistO no espaço

Pega ladrão O Açúcar amargo

o

O Menino O TonicO OSpharion

O A Serra dos Dois Meninos O O mistério do cinco estrelas O Zezinho, o dono da porquinha preta [J Um cadáver ouve rádio n O feijão é o sonho

Tonico e Carniça A primeira reportagem Sozinha no mundo Os pequenos jangadeiros Os barcos de papel Deus me livre! O mistério dos morros dourados Dinheiro do céu A grande fuga Perigos no mar Bem~vindos ao Rio

O O outro lado da ilha O Enigma na televisão O Os passageiros do futuro O Meninos sem pátria O A montanha das Duas Cabeças O O Ninho dos Gaviões O Garra de campeão O A vida secreta de Jonas O Aventura no Império do Sol O Quem manda já morreu O A turma da Rua Quinze DNa barreira do inferno O Um leão em família

Coordenação da Série: Fernando Paixão Capa e ilustrações: Cirton Genaro Projeto gráfico: Ary Normanha Suplemento de Trabalho: Maria Aparecida Spirandelli e Marina Appenzeller

Jair Vitória nasceu numa fazenda do Triângulo Mineiro. Seu pai era lavrador e vaqueiro, realizando qualquer tipo de trabalho nas fazendas da região. Aos sete anos, começou o curso primano, quando mudou-se para uma cidadezinha no interior de São Paulo. Como seu pai não se adaptasse à vida de comerciante, a família voltou para o campo. Jair Vitória passou a freqüentar escolinhas de roça. Apesar de já gostar muito de ler, não tinha muitas oportunidades de fazê-Io, pois não havia livros, revistas ou jornais na fazenda. Como seu pai tinha por filosofia que seus filhos devessem continuar a estudar, Jair Vitória voltou à escola na cidade de Cardoso, no interior de São Paulo, onde concluiu o curso primário aos dezesseis anos. Voltando novamente à roça, começou a sentir necessidade de prosseguir seus estudos. Iniciou um curso por correspondência e assim que fundaram o ginásio em Cardoso, voltou para lá a fim de completar o 1.0 grau. Nessa época lia sem parar. A literatura foi se transformando numa necessidade: datam desse período seus primeiros romances. Ao terminar o ginásio, partiu para São Paulo, onde trabalhou em escritórios para completar o curso colegial. Em seguida entrou na Universidade de São Paulo onde se formou em Letras. Todos os direitos reservados pela Editora Ática S.A. R. Barão de Iguape, 110 - Tel.: PABX 278-9322 C. Postal 8656 - End. Telegráfico "Bomlivro" - S. Paulo Atualmente, Jair Vitória é professor da Fundação Educacional de Brasília, onde reside.

mínha filha. .Para Lucilene. com um ano e seís meses quando este livro foi escrito.

Fechava os olhos de feliz que ficava. .coçava a papadinha dela.Eu mato essa leitoinha. olhando para o pai. Valtério falou isso com alegria nos olhos. esfregava a cabeça ou o lombo nas pernas dele e ficava roncando. Zezinho.Maninha. É preciso soltar isso pra larga. . vem cá. Fazendo travessuras. Chegava perto do menino. Vivia se enrolando nas pernas das pessoas e a mãe do menino chegava a fazer ameaças sérias. Tinha então se tornado mansinha feito uma cadelinha. Maninha. a barriga e roncando a porquinha deitava e se esticava. Assim foi que a Mariinha cresceu dando trabalho dentro de casa. . Zezinho gritava: . dentro de casa. a barriga e roncando a porquinha deitava e se esticava.Seu pai vai vender a Maninha pro papai.Z Zezinho . Maninha era a porquinha preta que o Zezinho tinha criado desde leitoinha. Tinha acabado de receber uma notícia desagradável quando chutava uma bolinha de borracha com os colegas da fazenda onde moravam. as orelhas. EZINHO chegou em casa com os olhos anegalados. A porquinha levantava roncando e corria para o menino. Vou fazer um chiqueirinho pra ela. Zezinho coçava a papadinha dela. Zezinho. as orelhas. Nem no quintal. A porquinha órfã tinha sido criada no quintal. Foi sendo ensinada assim desde pequenininha. Foi crescendo e ficando cada vez mais mansa. Dentro de casa não é lugar de criar porco.

principalmente a Ondina e a Olívia. Quero esse quintal limpo logo. pai?! É. Que aquela porquinha era dele. Os olhos arregalados. O assunto importante para ele era a Maninha. . Ia vender a porquinha de estima dele e pronto. Depois os irmãos e as irmãs passaram a ajudá-Io de vez em quando. Agora ia dar cria. Ficava era ali isolado. Ele que estava doidinho para ver a cria da porquinha. amamentou-a na mamadeira e agora não podia ser o dono dela? Arregalou os olhos para o pai novamente. Ora. E o pai ia vender a Maninha mesmo? Isso era uma coisa que não podia acontecer. Ficou olhando para a figura poderosa do pai. Nem pensava em discutir." Então ele não podia discutir com o pai. Foi parar debaixo da figueirinha que dava sombra ao chiqueiro e ficou pensando. mas até para isso faltava a inspiração. Sentia até vontade de brigar com o Valtério." O sol ia serenando os ânimos do dia. o Martinho tá intei(~ssado. triste da vida. Que ele é quem tinha criado aquela porquinha com todo o dengo. E ele nem tinha coragem de perguntar se o pai ia mesmo vender a Maninha para o pai do Valtério. . Começou a suar diferente de quando estava jogando futebol. Costumava até dizer: "Menino não tem querer. Menino não tem nada aqui em casa. Os porcos deitam em cima dela e ela morre macetada.Será quantos leitão a Maninha vai dar. Então a gente aproveita e tira um bom dinheiro dele. Zezinho achava que sim. Nunca discutia. Orlando estava de pé no terreiro da cozinha. Ih. O pai sentado ali num banco de madeira. Nem podia expor seu sentimento. Primeiro foi só o Zezinho a cuidar dela. Rangeu os dentes e prometeu quase falando sozinho. O pai nem parecia se importar com a figurinha dele. mãe. Ora. Estava todo oprimido. Zezinho afastou-se dali decepcionado. mas o pai nem ligava para o fato. via-se destruído no seu sonho. o peito. o pai ia mesmo vender a porquinha antes de ela dar a primeira cria.. Chegava a desmoronar-s'e. o Valtério já tinha falado que gostaria de possuir uma porquinha mansinha daquele jeito. que gostaria de possuir a Maninha.Ma-mas vender a Maninha. eu quero é passar ela nos cobres. No mesmo instante o pai chamou o Orlando. E tinha falado isso mais de uma vez. deu-lhe comida. Tinha certeza que o Valtério é que tinha pedido ao pai para comprar a Maninha.Ela tá pequenininha. pai? . Queria chamar a Maninha. cuidar da ninhada com carinho. A barriga dela estava quase arrastando no chão. Zezinho coçou o pescoço. tinham deixado a leitoinha ao abandono do frio de julho e então ele a recolheu. "Quebro o nariz dele até sair sangue. Ele era um dos lavradores mais bem situados ali na fazenda Ipê Branco. Precisava dar um jeito de evitar que o pai vendesse a porquinha preta.Uma meia dúzia. Era o pai falar e todo mundo calar. o irmão mais velho e falou autoritariamente.O quintal tá aí no mato e você mais o Zezinho só correndo atrás de bola depois do estudo. A Maninha não era do pai! Mas o pai era durão e fazia o que bem entendesse. Mas precisava abordar o assunto: . O pai do Valtério tinha condições de comprar a Maninha até por mais do que ela valia. Queria chorar e gritar que ele não deixava ninguém vender a Mani- nha. Entretanto arrancou a voz lá do fundo da alma: . Isso doeu por dentro parecendo até que ele estivesse respirando um outro ar. Zezinho todo encabulado ali perto. Zezinho não serenava com o acalmar da tarde. Só tem a roupa que veste e a comida que come. Maninha foi ficando bonita. Mas antes de ela dar cria. Maninha mamou numa mamadeira.

Com aquela cara lambida e aquela bocona. Se o pai soubesse que aquele menino estava tramando alguma coisa contra o negócio." Os passarinhos se agitavam no costumeiro alvoroço do entardecer. Eu brigo assim mesmo.sem o pai saber.Isso não tem importância. o papai vem vindo ali. Tava era abusando de mim. do do sentimento dele? Se estava.Vai ajudar o Orlando debulhar milho pros capados. apanhou meio jacá de milho com palha e tudo e sem dizer nada foi jogar para os porcos magros que viviam soltos. hein. pigarreando. . O pai soltou uns gritos fortes chamando os porcos magros para o chiqueiro e os animais correram grunhindo. Dá vontade de esbagaçar o nariz dele. Era a Olívia. O pai berrou nessa hora: . Zezinho! . Uma hora eu pego esse estilingue e te prego no lombo.e estremeceu por dentro. Zezinho!? Arregalou os olhos para o Orlando e respirou profundamente. Tinha que arranjar um -jeito para evitar a venda da Maninha. Chegou lá no campo e foi falando pra mim: "O papai vai comprar a Maninha do seu pai". O milho debulhado ficava uma noite ou mais de molho na água para os porcos de engorda. Zezinho não levantava a cabeça. roncando."Quebro o nariz do Valtério.Viu só!? O papai vai vender a Maninha! . Sujeitinho ladrão. Ouviram o pai batendo eSp'igasnas lascas da cerca e lançando no chiqueiro. Zezinho saiu apressadamente. Zezinho achava que aquilo era somente para dar trabalho aos filhos. Mas ele é mais grande que você. a irmãzinha de cinco anos. Entrou no paiol. Ele me paga.Zezinho. Estava com um nó na garganta. O pai dizia que aquele milho engordava mais depressa. Não tenho medo de ninguém.Foi ele!? . Aquele implicante. Estava amuado. Não era brincadeira. Orlando soltava aquelas risadinhas debochadas olhando para a cara do irmão. Correu e foi ajudar o irmão no paiol. Ela continuou.Foi aquele Valtério bocudo que pediu pro pai dele comprar ela. enfezado.Agora eu quero ver você dizer que a Maninha é só sua. Nem era bom pensar em contrariá-Io. Orlando. A cara dele. . ia ser uma surra para deixar saudade sangrando de dor. Só quer viver atrás de passarinho. Apanhou uma espiga de milho e começou a debulhar sem dizer nada. . Ordem do pai era ORDEM de verdade. mas apenas engoliu o amargo da situação. .Ih. Isso é roubo. Tá até com o nariz vermelho. . . Quis xingar e chorar. . o nariz até meio vermelho. Ele vai ver. Vou pregar um soco no nariz dele pra botar sangue. O pai vinha chegando. A voz do pai era um trovão abalando o sentimento do menino. .Zezinho! -'Senhor .Eu te taco uma espiga dessa na cara. Continuou trabalhando e rangendo os dentes.Andava com muita coisa com a Maninha e agora o papai vai vender ela. Silenciaram e ficaram bonzinhos. 2 estava com zombeteira desO RLANDO as espigas deuma caraEstava debochancascando milho. Zezinho nem se lembrava do estilingue para atirar pedras nos pássaros-pretos. O irmão continuava azucrinando a sensibilidade dele. . Algumas galinhas ainda correram e foram bicar grãos.Foi sim. Ele virou depressa.

É preciso tratar desses porcos mais tarde por causa das galinhas. Bicho praguejado. Ouviram o pai ralhando. Orlando azucrinava o irmão. - Então o Valtério tá te tomando a Maninha, Zezinho!? - Vai amolar os porcos - Zezinho quase gritou. - Cuidado que o papai tá ali. Se ele escutar, te pega e dá uma surra. Zezinho continuou o trabalho. Tinha que dar um jeito de evitar a venda da Maninha. Ia dar um jeito. Levasse ou não uma sova ou até mais, mas a porquinha preta não seria vendida com facilidade. Senhor Martinho era um homem bom e tinha certeza que se pedisse ao pai do Valtério para não comprar a Maninha,. ele ia atender. Mas tinha de pedir também que ele não contasse nada ao pai. Era isso mesmo. - Já chega, Zezinho. Levantou dali e foi olhar os porcos. Era a boquinha da noite. Viu a Maninha surgir dos matos, amojada, arrastando as tetas no chão. O pai estava olhando os cinco porcos de engorda, um pouco para cima. - Maninha, Maninha. A porquinha correu para o menino, roncando. Zezinho abaixou e afagou as orelhas dela. A porquinha foi se esticando. O menino coçou a papada dela e depois a barriga. Maninha deitou beirando a cerca e deixou ser afagada. Fechou os olhos e ficou toda feliz. - O papai tá querendo te vender pro seo Martinho, Maninha. "Ronc- ronc- ronc." - Mas eu não vou deixar. Vou dar um jeito de esconder você no mato. Acho que vou fazer um chiqueirinho pra você lá no meio do mato bem longe e ninguém vai achar. "Ronc-ronc- ronc."

- Não vai ter perigo de bicho não. Você vai dar cria lá. Todo dia eu vou lá escondido do papai pra levar comida pra você. Zezinho. O que foi, Olívia? Vai pra lá. Tá conversando com a Maninha? Tá falando Não é do seu nariz. Eu quero é te ajudar, Zezinho. Eu não quero que vende a Maninha de jeito nenhum. Vou falar pro papai não vender. E você tem coragem? -- Eu falo que foi você que mandou. - Fala isso pra você ver! E depois, quem vai apanhar? Olivinha coçou o braço esquerdo. Depois abaixou-se e começou a coçar a barriga da porca. Ela vai dar cria logo, né Zezinho? Vai. Por que você não põe ela no quintal? O papai não quer deixar. Por quê? Disse que vai fuçar nas mandiocas e vai querer só ficar dentro de casa que nem quando era leitoinha. - E no mato o guará não come os leitãozinho, se achar? - E não é só o guará não. É cachorro-do-mato, cachorro de casa. Mas a Maninha não vai deixar. - Será que o papai vai vender ela antes de ela dar cria? É ... Acho que sim. Maninha ficou sozinha no escuro. Tinha a cor da noite e às vezes roncava pertinho e não era vista no escuro. Zezinho foi para dentro um tanto amolado da vida. Nada havia que o fizesse rir naquela hora. Ser

menino era dolorido e triste. Por que já não era homem? Demorava tanto a crescer! Onde já se viu não ter o direito de defender um animal criado por ele! A mãe notou a tristeza desenhada no rosto dele. Sabia que estava sofrendo, pois tinha umsenti~ento de se ligar muito às coisas e depois não saber se hvrar delas. Olivinha, na sua inocência de criança, falou ali na cozinha quando o pai acabava de pegar um prato. de esmalte e caminhava para o fogão a fim de jantar: - Pai, o Zezinho falou que não vai deixar o senhor vender a Maninha. - O Zezinho!? O Zezinho não manda nem na comida que ele come. Então agora é que eu vou vender aquela porca mais depressa. Menino não é dono de nada. Não tem querer. Se o Zezinho pegar com muita coisa, ainda leva uma coça. Zezinho se defendeu: - Eh, Olivinha que inventa as coisas! Não falei nada disso. - Falou e falou sim. A mãe entrou no assunto: - Pra que vender a Maninha, Odilo? - Pra quê, Leonor? Pra fazer negócio. Uma porquinha à-toa. Pequena demais. E o Martinho parece que vai dar um bom dinheiro por ela. Daí eu compro duas do tamanho dela. - Mas é a porquinha de estima dos meninos. Que estima!? A gente estima coisa boa. - Ela é mansinha. - E isto é qualidade?! Mansinha eu só gosto de vaca. Porca é pra encher o terreiro e dar bom peso. Zezinho torcia para a mãe conseguir convencer o pai de não vender a Maninha. Viu que a mãe estava perdendo, mas pelo menos acabava de descobrir que

a mãe estava do lado dele e poderia ajudá-Io. Ah, ia pedir a ela que tentasse de todo jeito evitar que o pai vendesse a Maninha. Sabia que o pai sempre gostava de contrariar a mãe, mostrando que não aceitava opinião de ninguém em casa, mas talvez ela conseguisse alguma coisa agora.

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noite desenhou-se inteirinha empencada Acolchão Zezinho foi milho. oOuviu o vento de estrelas. para quarto e se aninhou no de palha de da noite assobiando nos beirais da casa de barrote, trazendo o cheiro dos matos. Era naquela hora que ele mais pensava na perda da porquinha de estima. Chegou a balançar a cabeça sobre o travesseiro. "Não pode. . ." Chiquinho, o irmão abaixo dele, entrou no quarto arrastando uns chinelões feitos de botinas velhas. - Zezinho. - Hun! - Então o papai vai vender a sua porquinha mesmo? - Eu não tenho nada. Não tenho porquinha e nem nada. - Mas a Maninha não é sua? - Menino não tem nada no mundo. Nem adianta criar nada. Nada, nada. Na hora de criar e tratar todo dia é da gente, mas depois a gente não tem mais direito. É mesmo. Até o papai mesmo já falou que a Maninha era sua. Eu já escutei. Zezinho não respondeu. Estava molhando o travesseiro com umas lágrimas que vinham da fonte da sensibilidade.

- Mas isso não pode, Zezinho. Ouviu os soluços do irmão. - Fica aí chorando não. Quem sabe ele não vende nada. Pode ser só prosa. E o Valtério não falou pra mim não!? - Aquele Valtério é um velhaco. - Foi ele. Eu vou dar uma pedrada de estilingue nele sem ele ver. - Logo agora que a Maninha vai dar cria, hein! Decerto vai ser uma ninhada bonita. Tudo pretinho. Será que não? Será que vai nascer algum piauzinho? Acho que não. Vai ser tudo da cor dela. O cachaço é preto. Zezinho sentiu o nariz entupido. Parou de verter lágrimas e se pôs a trabalhar com o pensamento. Chiquinho que continuasse falando sozinho. Ele não queria ouvir ninguém e nem conversar. Queria somente pensar como arranjar uma saída para evitar a venda da Maninha. "Vou conversar com o seo Martinho amanhã. Não. Acho que não. Acho que vou é fazer um chiqueiro pra Maninha no mato. Mas não tenho tempo. De manhã é o tempo inteiro na escola. De tarde é pra capinar o quintal." - Zezinho! Já dormiu? - Ah, Chiquinho, vai amolar os cachorros. Chiquinho silenciou e o Zezinho dormiu, embora insistisse em continuar pensando numa solução para evitar que a porquinha fosse vendida. E sonhou que ia tocando a porquinha por uma estrada que parecia não ter fim. Ia conversando com a Maninha e ela roncando na frente dele: "Caminha, Maninha. Pra bem longe. Vou te esconder do papai. Vira pra trás não, sôo Anda, caminha."

Depois a estrada se perdia num. nevoeiro e o dia virava noite e a Maninha sumia no escuro. Tudo parecia se desfazer em nada mesmo. Menino não era dono de nada. Estava tudo confirmado. Acordou de madrugadinha, antes que o pai levantasse. De imediato sentiu-se às voltas com o problema. Era preciso começar a urdir alguma coisa muito séria. Será que o pai ia logo para a roça ou ia à casa do seo Martinho concluir o negócio? Logo o pai pulou da cama e pigarreou. Aquele homem nunca levantava com o dia já claro. Nem aos domingos. E punha todo mundo de pé. Ali ninguém podia ficar na cama até o sol sair. Zezinho pulou da cama logo também e descalço foi para o terreiro. - Vai pôr milho pros capados, Zezinho. Cadê o Orlando? Já levantou? - Não senhor. - Orlando! Orlando ouviu o estrondo da voz do pai e já sabia que devia pular logo da cama. Saiu apressado. do quarto. - Senhor! - Depois da escola você vai pra roça me aj~dar. Deixa só o Zezinho e o Chiquinho capinando o qumtal. - Sei. Zezinho arregalou os olhos contra a figura poderosa do pai. Queria saber é se naquel~ manhã o p_ai iria terminar o negócio com o seo Martmho. Mas nao ousava perguntar. Sentiu que se toc~s.se no as~unto, o pai seria capaz de ir terminar o negOCIO logo so para mostrar que fazia o que bem entendesse. Seo Odilo saiu logo de casa e realmente se encaminhou para a casa do seo Martinbo. Ia tentar· concluir o negócio.

Zezinho e Chiquinho saíram logo para a escola. -.Vim aqui depressa pra conversar com a senhora sem ninguém perto. Mãe. Ondina. .Martinho. É pra senhora dar um jeito de fazer o papai não vender a Maninha. . . Quando voltasse da escola. se depois o papai pega e vende? Essa vida de menino não presta mesmo não. é capaz que ele não vende. podia ser que até já tivessem levado a Maninha e então é que ia ser triste.Vai logo pra escola. . seo Odilo.. e pousou por lá.Mas amansar pra ficar gostando dela pra quê. Carregando os cadernos nunsembornais de alças longas. É pra quê? É sobre o negócio de uma porca que ele quer me comprar.Então depois eu falo pra ele ir lá. Zezinho? . Descalços. .Foi pescar. Zezinho.Ainda tá aqui. -. Faz negócio errado só pra contrariar a minha opinião. Sabe que ele é cabeçudo. Estudavam todos de manhã pois a escolinha da roça funcionava somente naquele período. Você cria outra leitoa e amansa que nem ela. Caminhou um pouco e ficou para trás.De tardinha ou de noite. Se a senhora pedir de todo jeito. Zezinho carregava seu descontentamento e sua preocupação.. mãe. Vai pra escola e deixa de encabular com a Maninha. Daí sim é que ele vende. Seo Odilo foi para a roça e os filhos Orlando. A mulher do homem respondeu: . Ia voltar correndo para pedir à mãe que desse um jeito de convencer o pai de não vender a Maninha.

POUSOU na beira do rio. Queria mesmo era levar a Maninha para bem longe. SSIM que saiu para o recrelO. Esse cara é um mentiroso malandro. OUViU o Valtério dizendo: . . Mas eu acho que hoje de tarde ele vai lá na sua casa comprar a Maninha. Estava todo sentido por dentro.Não é nada não.Ele tá brabo porque seo Odilo tá vendendo a porquinha de estima dele pro meu pai. nervoso que até respirava com dificuldade. É um invejoso. Não pode ver nada que os outros têm. Zezinho! Não escreveu nem um número!? Você é tão inteligente e esperto! O que foi? Valtério interveio: . Somava os números e o resultado era a porquinha preta. 4 Zezinho tremeu de novo. Zezinho voltou-se para as continhas. A vontade dele era dar um murro no nariz do outro. A . Orlando.Ainda não fez nada. dona Vanda.Ah. mas não conseguia se concentrar direito. Tentava. Não era mais que uma criaturinha borbulhante de queixumes. vamos deixar esse caso de porquinha de lado e vamos estudar.Uma porquinha!? . . Isso vocês vão discutir depois da aula. Atravessar o rio com ela e soltá-Ia do outro lado e que ninguém desse mais notÍcias dela.O papai foi pescar ontem. Rangia os dentes. Todo mundo trabalhando. Mordeu no pé do lápis e ficou pensando na porquinha preta. que qu~r tomar. Finalmente conseguiu fazer as continhas. Resmungava baixinho.tujou os exercícios e ficou sem disposição para resolver. .

Tá não. Maninhaestava deitada debaixo da figueirinha. quando o pai voltasse da roça. Mas a Maninha não merecia morrer.Pegou jaú nenhum não. Foi pra cidade.. Dona Odete. Estava pensando mesmo em fugir da escola a fim de ir encontrar com o seo Martinho e pedir-lhe até pelo amor de Deus que não comprasse a Maninha. E o papai tá querendo comprar duas ou três do tamanho dela ou maior.E por que o seu pai vai vender? .Levanta não. Mas não se conformava. Não podia mais fugir.Zezinho fungou.Maninha! Maninha! A porquinha roncou e levantou a cabeça. deu logo um jeito de desaparecer.Ah. Zezinho? . Tinha que trabalhar no quintal." Costumava levar o estilingue para a escola no embornal dos cadernos. Dormindo e soltando um ronquinho de criatura gordinha.era deixar a arma escondida no mato e depois da saída. O menino pôs a . ir atirando pedras nos passarinhos. O jeito . Não tinha conseguido encontrar o seo Martinho e à tarde.. SÔo Zezinho andou depressa na direção da porquinha que se pôs de pé e ficou roncando. . Quando deixou a escolinha. Fugiu de todo mundo e se pôs a correr. . durante o caminho de volta. sei. Tinha que fazer alguma coisa. mas a dona Vanda tinha visto e não tinha gostado. Certamente o Orlando ia contar em casa e depois ele iria tomar uma surra.Porque o pai dele tá dando muito dinheiro. . Seo Martinho tinha ido pescar e já podia ter voltado. Mas se fosse encontrar: com o homem. Olhou para o menino e fez algum esforço para se levantar. Dona Vanda estava ali chamando os alunos para o segundo tempo da aula. o seo Martinho tá aí? _. Chegou ao córrego e viu alguns porcos rolando na lama. . Falaram que ele pegou um jaú do tamanho de um homem e eu queria ver. mas imaginava arranjar um jeito de esconder a porquinha preta. Agora o Zezinho queria saber se o pai do Valtério estava em casa. certamente iria passar pela casa do homem e concluir o negócio e adeus porquinha. Fica aí mesmo. Só de inveja. pensando na porquinha. . piscou miudinhamente e entrou nos matos. "Será que ela já deu cria. Ficou com inveja porque não conseguiu amansar uma porquinha que nem eu amansei e deu em cima do pai dele pra comprar a minha. Por quê? . Ia à casa do Valtério conversar com o pai dele antes que os meninos chegassem. gente? Acho que não. Talvez fosse o melhor momento. Maninha. . " E ele até gostava de estudar. Zezinho afastou-se às pressas e foi pelo trilho.Eu só queria saber se ele pegou muito peixe.Então seu pai tá vendendo a sua porquinha de estima. Valtério tinha mais um irmão e uma irmã que não estavam na escola ainda. Atravessou o córrego por uma pinguela e correu atrás de uma saracura magra. Ficou aborrecido até terminar a aula. Tinha que lutar. Zezinho. Chegou até a inventar maldade para acabar com a porquinha de estima.Maninha! Maninha! A porquinha não deu sinal que estava por ali. "O Zezinho tinha fugido da escola . Quem falou isso mentiu. "Ah. Pegou só piracanjuba e foi vender na cidade.Aquele Valtério que pediu pro pai dele comprar ela. se eu estivesse com o meu estilingue." Agora se embaraçava em outros pensamentos. Um colega se aproximou dele: . que desculpa iria dar depois para tentar entrar atrasado na escola? Dona Vanda não iria permitir isso. encoberto pelos matos.

Ele não dava conta de cortar madeira dura com o machado. Se juntasse alguns paus ali. ferramentas no chão e descansava. Pegou o enxadão e desceu num lugar mais fácil. É um panelão. Sabe que o pai bate à toa e fica facilitando. ciscos de enchentes." Mas o tempo já tinha corrido um bom pedaço da tarde. Chiquinho foi para o quintal. "Será que a Maninha pára lá dentro? Ah. Praticamente encostou os paus ali. " Trabalhou com oenxadão e limpou uma passagem. ." Tirou do bolso o embornal de carregar pedras de estilingue. fundas. mas ficou desanimado diante de tanto serviço.O Zezinho não toma jeito mesmo. O melhor era procurar paus caídos e moles. lagartos e antigas locas de paca.. . A grota era feia. Não era um lugar agradável. Chiquinho. Havia lugares onde ele precisava apenas fazer a cerca de um lado. E agora para continuar subindo dentro da grota. Desço com ela aqui e fecho lá. Em casa a mãe perguntou por ele. Saiu procurando troncos curtos. Buracos de cobras. Zezinho caminhou grota acima. Encostou a enxada num pé de mandioca e foi chupar cana e brincar. um pouco entupida por gravetos e folhas. A cerquinha dele era também muito fácil. Olhou para o fundo da grota novamente e achou que ninguém iria encontrar a porquinha dele escondida lá no fundo." Foi parar na grota que. O pai mandou ele capinar o quintal e ele foi caçar passarinho. nos cipós. Zezinho parou. 6 chiqueirinho estava pronto. Ela é mansinha e vai me obedecer. De vez em quando colocava as. falo que estava com dor de cabeça. "Faço o chiqueirinhoe ainda vou capinar um pouco. estava cercado o chiqueirinho. Chiqueirinho ou imitação? Lá do alto do barranco da grota Zezinho olhou para a geringonça que tinha feito. Conseguiu juntar alguns. "Eu podia ter chamado os cachorros . Se o papai falar que a gente fez muito pouco serviço. Faço a cerca só do lado de baixo. não cavando quase nada na areia. Pegou um trilho no capoeirão e foi se embaraçando nas ramagens.Ele sumiu e eu não capinei também não.Nossa Senhora! Foi uma cobra rajada que deslizou grota acima e sumiu. Havia trechos arenosos. Era O . Saiu e caminhou beirando grota abaixo. Pra cima ela não sobe. Ondina respondeu: Foi caçar passarinho." Escolheu o lugar para fazer o chiqueirinho e decidiu cortar os paus. Decidiu apanhar algumas pedras ali perto.Carregar as duas ferramentas estava pesado e incômodo para ele. Havia pirambeiras.· Estava na idade de brincar.Faz a sua parte. procurando um lugar melhor para fazer o chiqueirinho? Aquela cobra rajada devia ter parado logo ali na frente. "Tá pronto. Conhecia bem os matos por ali.. Vou trazer a Maninha pra cá é hoje mesmo. Preciso trazer ela antes do papai voltar da roça e passar lá no seo Martinho pra vender ela. . acho que sim. Havia lodo amarelo e seco nos barrancos. "Ali é bom. Chiquinho falou se desculpando. tinha val~s . Descansou ali beirando e acabou por decIdIr que o melhor lugar para esconder a Maninha era num chiqueirinho no fundo da grota. Ninguém iria ter a idéia de olhar lá. em certos trechos. Fincou duas forquilhas finas nos extremos e colocou uma vara. Lugar feio! O jeito era sair e procurar um outro trecho menos esquisito. . Isso mesmo.

Puxou o espinho seco às pressas e continuou a perseguição. Às vezes o inhambu ~e distanciava. A segunda pedra passou de raspão nas penas da ave que voou uns dez metros e o menino disparou atrás dela. Estava com a asa qu~brada. Queria matar aquele inhambu e mostrar ao Augusto. "Só espero que ela não faça barulho e nem ronque quando gente de casa passar aqui perto. . Zezinho se alertou e se preparou para atirar a primeira pedra. Houve um bom trecho de terreno em que o menino apenas perseguiu a ave sem conseguir disparar uma pedra sequer. Seria a sua glória de caçador. A ave não voava e o menino ficava até admirado. Isso era uma das coisas que ele mais gostava de fazer. O inhambu deixou o trilho e entrou no mato. ' O inhambu fugia mais ou menos beirando a grota. A ave rabicó procurando se esconder na invernada e o menino atrás. . Soltava disparos adoidados. Viu o bico roxo dele. mas con~eguia correr muito. O Orlando sim. ao Antônio Roxo.queria mostrar para os colegas. E menino que ainda não tinha conseguido matar inhambu com pedrada de estilingue. Valtério que era mais velho que ele também não tinha matado um inhambu com o estilingue. A pedra furou folhas e acertou na asa direita. Tinha pego na 28 arapuca. Consertava a asa camdo e corna. Quando estava pega-não-pega. fazia barulho nos matos e o inhambu continuava correndo. mas sempre vendo a caça ao longe. mas nao consegUia. os olhos arregalados. Ficou de cócoras e foi selecionando as melhores pedras. "É agora. Apontou na cabeça. Um inhambu gordo correu pelo trilho. VIU a cabecmha e os olhos arregalados. Precisava matar e era agora. Ali havia fartura de pedras para o estilingue. Olhou para as pedras espalhadas e veio a inspiração para caçar passarinho. mas o menino ouvia o barulho da carreIra dele nos gravetinhos e folhas secas. . Havia algumas ramagens cobrindo o panelão e ninguém iria pensar que a Maninha pudesse estar lá no fundo.um lugar bem escondido. E tinha mesmo. ao Zé Preto. ainda não era considerado um caçador feito. Zezinho andava tentando. levantou e foi beber água suja nuns poços ainda mais para baixo. Agora o inhambu corria um pouco e parava. Se matasse aquele. Agora era caprichar nas pedradas. Escondeu-se numa espessa moita enfeitada por cipó-prata e se aninhou. Nunca tinha conseguido matar um inhambu. ainda não. Zezinho ro~eou a m~ita negaceando. O inhambu deu um pulo e não conseguiu voar. Atirava de qualquer jeito. Zezinho ficou todo afobado. O menino foi com passos de gato. O menino chegou a se lançar sobre a ave que fugiu batendo a asa perfeita e arrastando a quebrada. Zezinho estava afobado. ele esquecia que estava com sede e nem percebia o sol quente.Ai. mas com pedra de estilingue ainda não tinha feito a proeza. Tinha depenado e quebrado as pernas com pedradas. Zezinho deixou o estilingue no chão e partIU para pegar a ave que não conseguia vo~r." A pedra passou pertinho da cabeça da ave que encolheu ainda mais. ao Cabinho" ao Zequito e o Valtério devia ficar sabe~do tambe~n. N aqueles momentos de perseguição mais af~ita." Caminhou beirando a grota e um pouco para baixo deu com a pedreira já conhecida dele. Então era mesmo aquele inhambu que devia morrer com uma pedrada atirada por ele. Um espinho de veludeiro entrou no pé descalço dele. E nisso foi mais um naco de tempo. mas matar mesmo. Precisava matar um inhambu. Quando achou que já tinha apanhado o suficiente. esperando que a ave tivesse deitado ali perto. já tinha matado um. o inhambu entrou numa larga .

Zé Crioulo e o Valteno. parando de vez em quando para observar." Voltou depressa e conseguiu achar o estilingue e o embornal com algumas pedras. Zezmho chegou todo orgulhoso. Havia uma turmmha:. Bateu o pedaço de pau no chão. Deixou o machado e o enxadão lá perto do chiqueirinho e correu para mostrar a ave que tinha matado. mas não havia de ser nada. achou que o inhambu estava aninhado lá no meio. Zezinho se entusiasmou. Parecia que a ave estava quase desmaiada. Zezinho parou.Você!? . Esse inhambu não vai sair daqui agora tão cedo. Falou alto e começou a examinar as possibilidades de entrar na moita. 7 O UVIU gritos de meninos toman?o banho n~ poço do córrego. O pé espinhado estava doendo. espantou as formigas e depois achou que já podia trabalhar. os olhos meio fechados. Começou a procurar um pau. . o Cabinho. Começou a macetar as folhas do gravatá. a cabeça um pouco virada para baixo. A alegria dele era a morte do outro. O jeito era arranjar um pedaço de pau e ir macetando as folhas para fazer um caminho sem se ferir muito nos espinhos. fujão. vou buscar meu estilingue. O inhambu rolou. Encontrou um cerne de aro eira um pouco estragado por incêndio e habitado por algumas formigas cabeçudas. Agora só precisava mostrar para os colegas. . . o Augusto. Ora.moita de gravatá com longas folhas duras armadas de espinhos. "Ah. mas não era bom confiar. ? FehcI?. FehclO! . . Andou ao redor da moita de gravatá e conforme sua experiência. O inhambu se aninhou lá no meio. Tinha perdido muito sangue e estava alquebrado. Apanhou a ave e saiu afoitamente. Descobriu o inhambu aninhado. Era a glória. Atirou uma pedra bem de pertinho e acertou no pescoço dela. A casa mais próxima era do Zé Preto.Mas eu te pego. _ Olha o inhambuzão que eu mateI. já estava bastante machucado de tanto correr e se arranhar nos matos.

.Vamos. . . sôo Valtério também chegou perto para ver a caça. Esqueceu de pensar no machado e no enxadão. pessoal. E o enxadão e o machado? Nossa! Tinha saído tão afoitamente com o inhambu caçado que tinha esquecido as ferramentas lá beirando a grota. Falou alto.Então vem logo.Você dá conta de matar pomba do ar nada. Era bom no nado. Nadou um pouco. . Tinha que ter trabalhado um pouco no quintal. passava a ser o bicho. Zezinho! Que mentira que o quê. Tenho que capinar o quintal. Dá cada surra que fica vergão. também virava o jacaré. . .Cabinho falou. lh! Só amanhã.Eu mesmo.Eu fico escondido debaixo de uma árvore e ela assenta pertinho. Zezinho. Zezinho vestiu a roupa apressadamente e naquele instante achou que a vida era uma coisa muito séria.Agora eu vou embora. Esqueceu que o Valtério estava se tornando seu inimigo e dentro do córrego teve que persegui-lo ou ser perseguido por ele. Zezinho olhou para o sol e estremeceu. Zezinho observava o jeito do outro que nada dizia. Gritavam. Tirou a roupa e se lançou de prancha no poço.-.. moleque. Quem fosse pego no poço.Agora eu quero matar uma juriti e uma pomba do ar. Vai mentir pra lá.O pai dele é brabo demais. da rixa com o Valtério e do medo do pai. . corriam dentro d'água que era uma festa. Nisso os colegas começaram a brincar de jacaré. mas mostrava estar com inveja. Deixa isso pra amanhã. Vestiu a camisa e apanhou o inhambu. Zezinho se entusiasmou. A brincadeira estava gostosa demais. Mergulhou feliz da vida e saiu lá na frente. Tirou a roupa depressa e foi correr do jacaré. Pomba do ar não vai deixar você chegar perto dela nunca e de longe você não tem força pra dar uma pedrada pra derrubar uma pomba. Agora eu vou é dar um mergulho também. Olha como eu tou com as pernas cheias de espinhos de correr atrás dele! Quebrei a asa dele e depois tive de correr atrás dele quase uma légua! Quase uma légua?! Foi. Não brinco mais. Zezinho vestiu a calça curta com o corpo molhado. soltando o fôlego borbulhante. nem que fosse um pouquinho para tentar enganar. Hora dessa o sol já adormecia no entardecer. Os colegas insistiam para que ele brincasse de jacaré. _ Vou brincar também. Aquele que saísse fora d'água correndo do jacaré. Hoje não dava mais tempo. Na invernada inteira. nadavam. A brincadeira era tão boa que momentaneamente ele esquecia da porquinha preta.Vamos brincar de jacaré. E não queria levar a porquinha ainda naquele dia para o chiqueirinho do esconderijo? Será que ainda dava tempo? Olhou para o sol novamente. pegar a enxada e capinar um pouco. Então deixa ele ir embora . O sol já estava baixo e era preciso ir para casa depressa. engrossando a voz. O inhambu em cima da roupa no barranco. O Zezinho esperneava que dava até medo na gente. O jacaré tinha que pegar os outros. Lembrou-se do pai. No Zezinho mesmo. mas pensou que devia ter levado a Maninha para o chiqueirinho-esconderijo na grota. . Mergulhou de novo. Mas só um pouquinho. Tinha que correr para casa. . Eu já vi ele batendo I\os meninos. O papai mandou hoje.

A segunda guascada atingiu as mãos dele e para aliviar a dor.Zezinho! A voz do pai o atingiu feito um raio. não me bate não! . Viu aquele homem bufando de raiva ali na frente dele.Tá lá no mato.Você não vai mais fazer o que eu mando. Zezinho. os olhos até chamejando. Falaram que o Zezinho tinha sumido com as ferramentas. Eu já vou buscar. Fez o serviço que eu mandei.Não. O pai não perdoava. E já foi tirando o cinturão. ou então tinha ido procurar mel com o machado. paizinho. . né? Eu vou te ensinar como é que anda à toa por aí. a surra não era brincadeira. A dor andava das costas às pernas. caçando e pescando. . Tava andando com molecada.Não. A primeira lambada estalou nas pernas. tremendo de raiva. pai. . Mas o pai não dava tempo de ele acudir a dor. Tinha procurado o machado e o enxadãó. As lambadas eram rápidas e terríveis. Quando via o pai puxando o correião daquele jeito. Cadê o enxadão e o machado? . Fugir era uma coisa que não devia nem pensar. . Achavam que ele tinha ido pescar e levado o enxadão para arrancar minhoca. . pai. nadando. levou as mãos à boca. Só se fosse para nunca mais voltar em casa.Agora você vai é entrar no couro. papaizinho do céu! Papaizinho do céu.Aqui o seu capinar. O grito do pai estrondou de tal forma que o menino soltou o inhambu. As lambadas eram rápidas e terríveis. Zezinho? Mas o pai não dava tempo de ele açudir a dor. Zezinho?! Não senhor. O pai e o Orlando tinham voltado mais cedo da roça. Ia ser fogo. Zezinho pulou e acudiu com as mãos.Correu para casa. Tremeu dos pés à cabeça. O homem queria consertar a cerca de um chiqueiro e andava que era um bicho feroz de enfezado. . A dor andava das costas às pernas. vou capinar agora.

Zezinho sentiu que estava com fome. Deixou o inhambu caído no meio dos matos rasteiros onde estava e saiu adoidadamente. Os olhos arregalados. gritou: . Ser homem é que era bom. Escurecia. Se ele vender. Aproximou-se de casa um tanto assustado." Apanhou as ferramentas e começou a voltar para casa. pois não apanhava de ninguém e nem era mandado pelos outros.Eu faço sim.Eu vou sim. Isso é pra você lembrar de fazer o que eu mando. Passou a mão direita nas pernas. Estava era com pena.Ele te bateu muito. Parou. eu mato ela. Aqui. O menino andou depressa. vai ser outra surra . Ora. Queria mesmo é ser homem para poder viver sem ser mandado por ninguém . Ondina apareceu com uma lamparina acesa. _ E amanhã eu vou deixar uma tarefa pra você no quintal. Não estava gostando do mundo naquele momento. Ficou trêmulo. _ Agora você vai debulhar milho sozinho pros capados. Ainda estava claro quando chegou onde estavam as ferramentas. Ali estavam os rastros doloridos do cinturão. A solidão saía de entre os ramos. Ele quase caiu sentado de susto. papaizinho. Sentiu as ferramentas pesando nos ombros.inhambu correu pelo trilho. Mas Olivinha não estava debochando dele. O pai estava tão enfezado que podia até dar outra surra nele. Já estava escuro. papaizinho. mandada pela mãe. sumir. pra você fazer o que eu mando. Na hora da surra tinha deixado tudo no chão. O homem avisava e guascava o correião. Quando soltou o menino. Sentiu revolta contra o pai. apanhou uma espiga e começou a debulhar. "Quando eu crescer. passava a estar contra tudo.Vou sim. todo mundo tinha visto que ele tinha levado uma surra dos diabos. estilinguee embornal de pedras. ó. Ele tinha se molhado todo. . .. inhambu caçado. Toda vez que apanhava. Que pergunta mais debochada era aquela. O coração zabumbando no peito. Espiou com uns olhinhos fraternos. Papaizinho do céu! O senhor me mata. Zezinho? Não respondeu. Foi soluçando pelo trilho. Pensou em seguir por aquele trilho e ir embora. entretanto o melhor era trabalhar. . vou paizinho. Continuou debulhando o milho. Olivinha apareceu. "Mas a Maninha ele não vende. As pernas. Se eu chegar da roça sem você ter terminado. Zezinho ainda se lembrou do estilingue. Pôs as ferramentas no paiol e de repente o pai trovejou ali pertinho de novo. mas não podia demorar. Felizmente o pai se afastou com passos fortes. A capoeira começava a adormecer. Zezinho e a natureza.. Ramagens batiam nas suas pernas doloridas. enxugando as últimas lágrimas na camisa. Havia uma tristeza revoltada trabalhando no coraçãozinho dele de modo que achava a vida uma coisa ruim. Vou sim. Os inhambus trilavam se aninhando nos pousos ou ainda procurando um lugar onde pudessem passar a noite. Vou pegar aquele - Valtérioe dar um murro no nariz dele pra tirar sangue. Dou veneno pra ela.Vai buscar o enxadão e o machado onde você deixou e depressa. Não era mesmo bom ser menino. ." Sentia o corpinho dolorido. vou embora de casa. Entrou no paiol. Um . O sol já tinha se escondido. Começou a descascar as espigas de milho. macetado. o traseiro e as costas ardiam de dor.

o estilingue e o embornal com algumas pedras. Bem podia levantar à noite e levar a porquinha para o chiqueirinho da grota. O homem não tinha cumprido o trato. Vou ver. mas não ia comer. . Os irmãos sabiam que agora ele era realmente um menino caçador. tinha certeza. Estava danado de fome. A gente já tinha praticamente fechado o negócio. poderia pagar mais do que ela valia realmente.serviço sem responder nada. Ainda naquela tarde não tinha encontrado o comprador da Maninha.Vai tomar banho pra jantar. Mas era bem possível que o pai até vendesse a Maninha por um preço baixo agora. em casa com aquele jeitinho taciturno. Principalmente quando pega uns peixes. Matou aonde. Principalmente . Es!av~ gostando de ter despertado comentários entre os lrmaos sobre o inhambu caçado por ele. Talvez ele tivesse comido alguma coisa na casa dos outros. Os irmãos depenaram o inhambu. Zezinho . Ainda bem.a Olivinha falou. Imaginou tal coisa e rolou na cama. . Havia uma compensação em tudo aquilo. . Ondma pICOUa ave e pôs os pedaços num prato. O Zezinho matou um inhambu. Ora. Zezínho? Não respondeu. ou contra o mundo ou mesmo contra todos. Não queria conversa com ninguém. por capricho. estava conversando com um vizinho na sala. O Chiquinho ficou entusiasmado. Podia ser. Será que o pai tinha vendido a Maninha? Agora o pensamento dele se enrlfScava nisso. A mãe entrou no quarto.Matou um inhambu. mãe! Vou fritar ele . Ele estava meio decepcionado com o Martinho.E hoje ele foi vender peixe na cidade e não tinha voltado até agora de tarde. Tomara que o Daniel não quisesse comprá-Ia e que ninguém por ali se interessasse pela porquinha. Passei lá pra ver se a gente terminava o negócio e nada do homem. Zezínho? Não respondeu.fome. Zezinho estava gostando porque o pai do Valtério parecia não estar mais querendo comprar a Maninha e de repente o pai oferecia a porquinha a outro vizinho. Tratou certeza de me comprar uma porquinha preta chegadinha a dar cria e nada. Não quer me comprar a porquinha não. Não vai jantar não. Agora não. foi apanhar o mhambu. entretanto queria vingar alguma coisa no próprio íntimo. Certamente o Daniel iria achar o preço muito alto. .. Zezinho? Ãhãh.a mãe deu ordem. só por implicância. A voz grossa do pai estremecia a casa. Lavou os pés numa bacia com fundo de pau e fOI ~ara ? quarto. o seu Martinho queria comprar a porquinha preta para dar de presente ao Valtério e portanto. Zezinho? Nem olhou para a Ondina e nem respondeu. Comeu o quê? Quero não. O Orlando correu para examinar a caça.u O paI 8 A mãe deixou o filho de lado.Por que você sumiu o dia inteiro.Acho que não. . E NTR0.De vez em quando o Martinho gosta é de gastar dinheiro à toa na cidade. Daniel? . Ele entrou pela porta da cozinha carregando o inhambu já duro. . Estava revoltado. Ondina foi quem viu a ave.Eu não sabia que o Martinho era tratante assim não. Depois de ~olocar o mIlho de molho no cocho. Fez todo o . Daniel !lão iria se interessar por ela. Sei não. Zezinho estava com.

o pai iria à casa do seo Martinho . _ E a cria dela não vale nada não? _ O papai quer é porco grande agora pra engordar. Vai dar pro papai comprar três do tamanho dela. . Só havia um consolo: a Maninha era ainda dele e no dia seguinte iria escondê-Ia no chiqueirinho no fundo da grota. E daqui até na cerca. Chego da escola e levo ela bem depressa e venho capinar isso. Os pássaros dormiram. Será que ela já não deu cria! 1" Caminhou depressa no meio das mandioqueiras e foi parar no chiqueiro. . Zezinho lavou o rosto. ?rIand. esfregou os olhos e tentou livrar-se da sonolência. . . O pai foi ordenhar a vaca. e como tinha andado fazendo algumas travessuras e deixado de obedecer ao pai. _ Vou buscar milho pra você. ele pulou a cerca do qumtal e chamou a porquinha em voz baixa. Tomara que dissessem mesmo. podia perder a porquinha por isso. Mesmo que tomasse outra surra.Vamos lá ver a tarefa. O pai deixou o balde de leite sobre a mesa da cozinha e convidou o menino para acompanhá-Ia. Só não acabou o negócio ontem porque o seo Martinho não tinha chegado da cidade. A porquinha estava com fome e queria morder nas mãos dele. triste.Escutei.Senhor. Viu a figura poderosa do pai no terreiro. Os porcos roncaram dormindo. __ Já tá dando milho demais pra essa porquinha. Escutou? . O dia foi clareando aos poucos. A porquinha roncou e caminhou para ele. Enquanto o lrma~ maiS velho entrou no paiol.o já vinha tratar dos porcos.Vem cá. Agora. né seo Zezinhol O papai vai passar lá no seo Martinho agora e acabar de vender ela. Os passarinhos começaram a agitação da aurora. Ele vai pagar é muito dinheiro por essa Maninha. .Hoje você vai càpinar daquela laranjeira até aqui nesse pé de mandioca.Maninha.porque ele costumava dizer que era o dono da porquinha preta e que ninguém mandava nela. . A noite debulhou seus grãos de estrelas e tagarelando o córrego não parou de correr. E depois você não vai sumir não que mais tarde eu vou te levar prum chiqueirinho que eu fiz lá na grota. Trinados aconteciam nas frondes das árvores que despertavam também. "Isso eu capino e é logo. ZeZinho ficou olhando para o talhão que tinha que capinar naquela tarde. o pai falou isso e foi saindo. Vem. . Iriam dizer que ela tinha morrido. . OrIando implicou com ele. Zezinho ficou preocupado de novo. Zezinho só acordou com o pai chamando. Zezinho.Levanta depressa que eu quero mostrar a sua tarefapra hoje.Se não tirar essa tarefa. Tinham só uma vaca. O corpinho dolorido. Vou até quebrar a rama. .Zezinho. iria levar a porquinha para aquele esconderijo e passar a tratar dela sem que ninguém percebesse. nega. Rolou da cama apressadamente.Quem falou? _ Ele falou lá na cozinha agora. Dá tempo pra levar a Maninha no chiqueirinho da grota com sobra. antes de ir para a roça. Ainda estava escurinho. Dormiu desconsolado. vai entrar no couro de novo. Buscou três espigas de milho e tratou da porquinha separadamente. A Maninha estava de pé ali perto da figueirinha com uma cara de fom~. .

Ainda chegava a achar que o Valtério já tinha levado seu animal de estimação. Foi ele que deu em cima do pai dele pra comprar a minha porquinha. Se não melhorar.O pai dele deu uma surra doída nele e ele tá com dor de cabeça agora.Dor de cabeça." Não podia chegar em casa correndo. . . Certamente o pai do Valtério tinha voltado d~ cIdade com muito dinheiro e iria levar a sua porqumha preta. Tem de morar lá em casa. . A mãe estava rebentando pipoca na cozinha.Toma um melhoral e vai.Então é melhor você voltar pra casa. Zezinho? -. Zezinho? . Eu gosto dela mas ela tem de ser só minha. Se ele levar a minha porquinha pra casa dele. . Achou que não devia perguntar nada à mãe sobre a porquinha. Bebeu leite.a professora perguntou. Entrou com cara de choro.do seo Martinho. .Não melhorou.Dormi.Sei não.. No rosto havia se~pre aquela desolação de quem vai perder alguma COIsaamada. 42 P ELOS arredores da escolinhaainda mais. os olhos lacrimeJando. vou lá e ponho veneno pra ela comer e morrer. Foi com receio que caminhou para os chiqueiros. A mãe ficou um pouco preocupada. A angustIa aumentou ainda mais. É isso. . pede pra dona Vanda pra voltar pra casa. O menino não obedeceu. É o Zezinho que tá doente.. Ze~mho entrou com urna cara triste. O filho estava com o rosto em total desolação. que aquilo era só fingimento. Não agüenta ir pra escola não? . teza 9ue o pai tinha terminado o negócio com o seo ~artmho e o Valtério nem tinha ido para a escola. Não queria que ninguém falasse que ele tinha levado urna surra do pai no dia anterior e ali estava o Cabinho fuxicando as coisas. Dormiu sem jantar ontem? . Era certeza que iria fechar o neg~clO. Foi para o terreiro da cozinha e olhou para os lados dos chiqueiros. - . Realmente o pai pegou o trilho que passava na fr:nte da cas~ .Então vai deitar um pouco.o Valtério.Não senhora .O que foi. Não disse nada e foi se afastando. Pensei que tinha comido na casa dos outros. HavIa uma rodmha de meninos ali perto dele. Zezinho. Zezinho. Ele olhou para a dona Vanda com os olhos marejando pranto. Se chegasse em casa e encontrasse o Valtério amarrando a Maninha para tocá-Ia para a casa dele. nem sabia o que ia fazer. . Dona Vanda vinha chegando. Felizmente o pai tinha saído cedo e ele pensQu logo em arranjar uma saída para resolver seu caso. dona Vanda Cabinho falou. não viu A preocupação aumentou Era cer- 9 Que é isso aí? . E se o seo Martinho e o pai estivessem perto? Aí é que ia ser amargoso. senão iriam dizer que ele não estava nada doente. Encobriu-se nos matos e começou a correr. comeu pipoca e saiu. Não viu a Maninha por ali. mãe.. De repente estava chorando.A dona Vanda falou pra mim vir embora. Ih. sImples~~nte porque tinha que ir buscar a Maninha. debruçou-se na parede da esco~mha e c~orou. Caminhou para os lados do córrego. precisava agir ImedIatamente. . Zezinho tremeu de raiva.~ova~ente para terminar o negócio. "Pego aquele Valtério e enforco. Encostou o rosto na c?rva do braço direito.

No espírito uma decisão forte. Limpou todo aquele barro e a porqumha fIcou bnlhando feito asfalto molhado. _ Vem. Não tinha levado nem uma espiga de milho e talve~ a porqui." Uns grãozinhos de milho aqui.es de ch~garem no terreno limpo ali perto dos chiliUClroS. O dia já começava quente e os porcos já podiam estar nos lameiros ou arando a terra mole à ca~a de minhoca. _ Come uns grãos de milho. Mas o menino empurrou-a para os rumos· de casa e ela foi indo um pouco contra a vontade. . Vem. Quena ~oltar e perguntar à mãe se o pai tinha vendido a porqumha e se o Valtério já tinha levado seu animal de es!im~ pa:a a casa dele. A porquinha não respondeu com aqueles roncos costu~elros. A mae Ia dIzer que a doença dele era preocupação com a porquinha simplesmente. . . pois era mansa com todo mundo. Passou o corpo barrento nas pernas do menino que não se importou. Pensava com altivez. quem o faria? Achava que cada um tinha que defender o que lhe pertencia.amarrou a corda no pé direito dela. Chamou a porquinha e beirou o côrrego para baixo. a Maninha era dele e pronto. Jogou uns grãos de milho no chão e enquanto a porquinha comia. danada! . Por direito e por amor de estimação. estralejou nos dentes e o menino caminhou e a Maninha o acompanhou arrastando a cordinha. Até lá perto do chiqueiro. Vem.nha não ~uisesse deixar a gostosura do lameIro ou da agua do corrego. outros mais na frente e a porquinha foi acompanhando o menino para o esconderijo. A porquinha levantou a cabeça. _ Agora vamos pro seu chiqueirinho no escondido. Ant. Ia levando o estilingue e o embornal com algumas pedras. Maninha. a porquinha talvez nem ficasse quase nada sentida com a nova situação. Maninha. Vem aqui perto do poço.. roncando. Maninha. Vou te levar agóra pro seu chiqueirinho escondido lá na grota.Pensei que já tinham levado você. deitada num lameIro. com um jeito feliz da vida. Zezinho carregava alegria no rosto. . vem. Mas isso não podia fazer. Primeiro eu vou te dar um banho com água limpa. sabia que se o Valtério passasse a ser o dono dela. Entrou escondido no paiol.Maninha . Foi parar no côrrego. . E pelo trilho ia a porquinha preta roncando. dando-lhe trabalho e cuidado e ao mesmo tempo gerando um relacionamento de estima muito grande entre eles.ogar ~gua ne~a. carregando toda aquela pança. Jogou três grãos de milho ali na frente da porquinha que se moveu. A porquinha acompanhou o menino que começou a j. Ou somente por parte dele? Ah. Quem fora o criador dela? Aquela porquinha tinha crescido sem mãe.Zezmho deixou a porquinha e correu para 44 apanhar uma cordinha. Entretanto a porquinha respondeu.Maninha.Você tá aí. mas ela devia saber quem era o seu verdadeiro dono. toda cheia de barro. ele . "Quem sabe ela vai atrás de mim e não é preciso nem tocar ela segurando a cordinha. catou os grãos. Maninha.havia um tom de choro na voz dele. Viu alguns porcos. O menino chegou pertmho dela e ela se pôs de pé roncando. Se ele não fosse defender o que era seu. A preocupação aumentou ainda mais. arrastando os biquinhos das tetas pelo chão.. apanhou a cordinha e três espigas de milho. Ele era o dono daquela porquinha e pronto. mas nada da Manmha. Realmente não queria.Agora vem comigo.

mas não fugiu. Chegaram beirando a grota e agora o menino tinha que achar um lugar mais fácil para descer com a porquinha. .Um inhambu correu pejo trilho. O le. Eu tou te fazendo um bem. Zezinho afagou a cabeça dela e por fim grudou nas orelhas. Parecia não querer descer. . Cerca de quinze metros para . Maninha. embora o lugar fosse fácil.Espantou o inhambu que eu ia matar. mas não quis descer. debulhou mais uns grãos de milho e lá se foram os dois. chamou a porquinha. .cima estava o chiqueirinho. Maninha. Viu que para pegar a ave em boa pontaria.Aí. . Pegou na corda e conversou com ela. Zezinho colocou uma pedra no jeito e caminhou depressa. . Maninha. Zezinho parou. Vamos. A porquinha também andou depressa. Escorregou e os dois rolaram e só pararam no leito da grata. sôo A porquinha roncou. Puxou a porquinha.Desce. O menino jogou uns grãos de milho no leito da grata procurando atrair o animal. Saiu no trilho novamente. não falei pra você descer!? Até esfolei o joelho. a porquinha entrou sem cisma. O menino afastou os paus e após jogar milho lá dentro. O inhambu entrou no mato e deitou ali perto. Andou um pouquinho para frente e foi entrando. Maninha também entrou no mato ali no rumo da ave que assustada voou. • A porquinha parou.O seu lugar agora é ali mais pra cima. Cerca de quinze metros para cima estava o chiqueirinho. mas a porquinha parecia já estar enfarada de milho. precisava entrar no mato e chegar mais perto pelo outro lado. Um pouco para baixo havia um trecho de barranco fácil. o leito da grata estava seca e fácil de andar. É ali mais embaixo que a gente vai descer. Maninha levantou assustada.ito da grota estava seco e fácil de andar.

Tou quase nada mais não . Pegou a e~xada e foi para o quintal. Doente não precisa de trabalhar. Você vai dar cria aqui e vai morar aqui agora. Tirou o chapéu de palha da cabeça e foi .Eu quero é água. Acho que você falou que ficou doente pra nao estudar.Vou capinar. De uma coisa ele tinha certeza e estava satIsfeIto: tmha terminado a tarefa e estava livre para ir levar água e mais milho para a Maninha..Cadê o Zezinho. só porque levou uma surra ontem.Virou capinador de verdade agora. o menino foi se afastando. mãe? . Sara. Mas estava achando bom. e assim. . mas ele não respondeu. Zezinho? . Ninguém vai ter a idéia de olhar aqui pra baixo. Parou para beber água e voltou logo. mas não parou.Ninguém vai te achar aqui. O que tinha de fazer. só mesmo se alguém passasse olhando com muito cuidado. Voltou para casa depressa. berduega. estava pronto. Até o papai não querer te vender mais.Não vai ficar andando por aí não e nem vai tomar banho no córrego. talvez tomasse uma surra com ela. -. ..Tá doente mais não. Eu falo pra ele que você tá doente. . Quando a mãe o chamou para almoçar. nadar e ir jogar futebol com os colegas. Podia caçar. A porquinha ficou estralejando milho sobre a areia e após encostar os paus da cerquinha bem juntos. Trabal~av~ até meio revoltado. . Que doença que nada! Enfiou a enxada nos matos moles: capim-colchão. Pôs a cordinha no paiol sem que ninguém visse e entrou em casa. . Se esquecesse aquela cordinha ali na grata.al~oçar . estava livre. pOIS tmha somente aquela tarefa para fazer depois da escola. Parou lá no alto do barranco e percebeu que para descobrir a porquinha lá no fundo. apareceu onde ele estava trabalhando.Melhorou e foi capinar.. mãe . Vai buscar água pra mim. Vou trazer uma latinha pra pôr água pra você. .Agora ele capina até doente. Tou pensando em te dar um purgante. - . Era meio-dia e meia quando os irmãos chegaram da escola. Sara buscou um copo com água para ele que parou apenas para beber. Felício tinha uma bola de borracha e sempre formavam um quebra-dedo no campo dos homens quando marcavam dois gols lá no meio com botinas ou tocos. ouviu? Não tem perigo de onça não e nem guará. todo mundo Ja tmha almoçado.Tá capinando. E a dor de cabeça? Já sumiu um pouco. e no meio das mandioqueiras logo sentiu o suor pingando do rosto. Zezinho? . Zezinho. somente quando os irmãos chegassem da escola. Resolveu que ia almoçar soment. ele disse que ia almoçar.U ai. E quando terminou a tarefa. molhando a camisa. Acho que já dou conta. quando terminasse. Agora eu vou embora e vou capinar aquela tarefa que o papai me deu e logo depois venho aqui de novo trazer mais milho e água.e quando ter?:in~sse. Até não sei quando. não tá doente? . Zezinho viu os irmãos chegando. levando a cordinha que o pai usava para amarrar o bezerro.Dor de barriga. Faltava apenas um pedacinho para ele terminar a tarefa. Estava disposto a terminar logo a tarefa. hein Zezinho? Orlando fez galhofa dele.. . Já passou. . E enfIou a enxada nos matos. Fica aí quietinha.. a irmãzinha. a papai vai me bater se eu não tirar a tarefa.. Foi andar pra onde.

Vai amolar os cachorros. Zezinho? O teu pai vai te dar outra surra. Ninguém sabia qual era o talhão da tarefa. Zezinho? .Eu já acabei a tarefa que ele me deu.Pode ficar sossegada.Quem é que apanhou do pai ontem até mijar na roupa? . . Viu a Maninha dormindo na areia. Correu afobadamente e viu a turminha conhecida.o Felício gritou. Dep?is deitou se espojando na areia. estavam chutando a bolinha de borracha. procurando matar outro )nhambu e foi parar no poço onde os meninos mais livres estavam sempre nadando. . Acho que acabou de chegar aqui.. Eu te dou uma pedrada de estilingue é agora.Eu não fui. .Parece que o Zezinho já sumiu de novo. A porquinha bebeu água e comeu mais milho. Vão falar que você sumiu. Orlando acreditou nisso.ela gostou do chiqueírinho. Mas o Orlando não devia saber do seu segredo." . Orlando. Já tinha terminado a tarefa. ou não vai. mesmo porque o irmão era até estudioso. Entretanto ouviu gritos conhecidos no campo de futebol. No poço onde nadavam.Vai acabar a tarefa que o papai te deu. Brincou com a porquinha bastante tempo e depois achou que devia ir embora. Zezinho estr·emeceu e chegou a inchar de raiva. Não vai querer ficar fora de casa o dia inteiro outra vez não. .Mais milho e água pr'ocê. Augusto? Ah. Nem gostava de faltar às aulas.Chegou mais um jogador . Vai dar cria ali. .Quem foi que levou uma pisa do pai ontem? Eu não levei pisa do meu pai. Zezinho foi parar no chiqueirinho da grota novamente.. Aquele homem era muito exigente e os filhos dele tinham que trabalhar desde muito cedo. _. DEPOIS do almoço estava com uma latinhaAgora queria sair às escondidas onde pudesse pôr água e com umas quatro espigas de milho. .Seo bocudo sem-vergonha. Foi você. Caminhon pelos matos atirando pedras nos passarinhos. . Ele deve aparecer logo. Arranjou uma lata enferrujada e apanhou quatro espigas de milho. afagada pelo menmo.falou e olhou para o Zezinho. Os outros meninos não tinham assim tanta responsabilidade com serviços como os filhos do seo Odilo. Se o papai te vender. Apanhou água suja nos poços um pouco para baixo e levou para a porquinha. Maninha. cachorro do inferno. não havia ninguém. . . ninguém vai te achar aqui.Se não acabar..Acho que vou . hein? . para a Maninha. Zezinho rangeu os dentes e xingou: . 10 recompensado. Orlando falou: . é outra sova. . . "Ah.Fugiu de casa de novo. Valtério olhou para ele com olhos -zombadores e começou a fazer micagens debochando dele. A ponta do nariz começou a avermelhar. Foi você. Mas não para casa. A mamãe me deu um melhoral e a dor de cabeça passou. da sua travessura. Eu sei. Olhou para o Valtério com uns olhinhos de fera. Maninha. Ah. Ninguém devia saber. mãe. Uma partida de futebol era um ótimo programa. viu. Felício? Foi não. Esperou o momento exato e pelos fundos fugiu sem ser visto.Cabinho falou. o Augusto não foi também. Nem falou que já tinha terminado a tarefa que o pai tinha lhe dado.

Não havia mais ambiente para ele jogar futebol naquela tarde. Quando o sol ensaiou seu pouso na lombada do horizonte. Alguns trovões falaram com voz grossa. O homem tinha praticamente fechado o negócio com ele. Mas enquanto o Valtério cuidava do nariz sangrando.Ai meu nariz. 11 noite começou a esfumaçar os matos com seu . Aliás. podia até perder. Sabe é gastar o dinheiro na farra . pagando um bom dinheiro pela Maninha e agora acabava de saber que o pai do Valtério não tinha dinheiro nenhum. Caminhou para o menor a fim de tomar a arma do outro. desgraçado! Valtério acudiu o nariz. Valtério estava pertinho . Zezinho . mas não tinha medo. Agarrou a capanga de pedras. . bafo negro. Zezinho armou-se com as pernas e.Eu vou esborrachar o seu nariz também. um trovão roncou e a terra estremeceu. Não sabia que o Martinho era um homem sém palavra assim não..Augusto falou. tinha até gastado tudo na cidade.Machucou ele. Não tinha jeito de forçar o irmão a trabalhar.Eu te pego com estilinguee tudo. A ... E onde era essa tarefa? Esse pedaço que eu capinei. estava tudo bem. seo cachorro. porcaria. Zezinho encobriu-se· nos matos e pegou o trilho de casa. . .. Orlando rangeu os dentes.Orlando estava ameaçador. Zezinho já estava chupando cana no fundo do quintal. Seo üdilo estava decepcionado com seo Martinho.. Muito mais cedo que o normal. O pai saiu pigarreando e perguntou num tom austero: Já debulhou o milho. Zezinho chegou beirando a casa e 04viu o pai falando sobre o seo Martinho: .Eu falei que era pra gente jogar bola e não caçar encrenca .Em vez de estar capinando. Zezinho arregalou os olhos. estar dormindo hora daquela. cachorro. Então o que é que tá fazendo? Já vou .. Zezinho deu um murro com a mão segurando a forquilha do estio lingue e acertou o nariz do outro. Se o filho tinha terminado a tarefa. Disse até que queria dar a porquinha preta de' presente pro filho no aniversário dele e é tudo baleIa. tá é andando à toa. . Se ferrasse luta com o Valtério . Valtério ainda gritou: .E enfiou a mão direita no embornal para pegar a arma. Mas parecía tão distante o trovão.. Estava com medo é que o outro fosse mesmo contar ao pai dele. O pai chegou logo da roça. Zezinho? Não senhor. O passarinho fugiu e ele foi para a casa.Vou contar pro seu pai e você vai levar outra surra. Cargueiros de nuvens arrebanharam-se para os lados da grota onde a Maninha de.Felício falou. começou a correr. Zezinho!? Vou contar tudo pro papai. Passou os olhos no trecho da tarefa que tinha dado para o Zezinho e não disse nada. Zezinho esboçou um sorriso de alegria. Já acabei a tarefa que ele me deu. . . Ainda pelo trilho rosnava para si mesmo: "Não falei que eu esborrachava o nariz dele?" Parou beirando o córrego e foi dar estilingadas num bem-te-vi que cantava nas varas do assa-peixe. O sangue já brotando.

Mas Deus vai ajudar que não. Graças a Deus! Um trovão mais forte estalou. . quem sabe fugir. O coraçãozinho estava ali se triturando. Que coisa mais errada. e agora estava mais atrapalhado que nunca.Será que vai chover muito grosso. varar todo aquele trecho sem caminho. Não tá escutando pingos graúdos caindo no telhado não? . Tou pedindo. lh. a gente consegue.Por causa do jeito do tempo. O sentimento todo se encolhendo. mas e a miuçalha? O vento já vinha bafejando com suas asas ocultas.Zezinho. . o tempo carrancudo. O pai do Valtério não ia mais comprar sua: porquinha preta. Fazia base que a Maninha iria dar leitõezinhos naquela noite. Zezinho ouviu o pai falando. gente! Nada estava mesmo dando certo." . parece que vai chover e atrapalhar a colheita do feijão. mas muita coisa tinha dado certo. quanto o filho com a situação da porquinha preta. Deus vai me ajudar. . Coitada da porquinha que devia estarencolhidinha no fundo da grota. Uma travessura que era um segredo e agora tinha que agüentar a mão. mãe. dolorido qúe só vendo. Falaram que quando a gente pede uma coisa pra Deus com devoção.Por quê. sem ter para onde fugir. Tinha feito uma coisa errada. Zezinho teve a impressão que o raio tinha caído lá na grota. Quem iria se atrever a entrar nos matos com aquela escuridão.Mas pode ser chuva passageira . Os matos dançavam e as estrelas pareciam se esconder nas cavernas da imensidão. mãe? . Hora dessa a Maninha podia até ter dado cria já. lh! E os leitõezinhos! Coitadinhos! Mordeu o lábio inferior.Vai ver que lascou uma aroeira . O menino coçou a cabeça. Era certeza? Então a cria iria morrer afogada? A porquinha podia nadar. Entrou em casa com os olhos arregalados. E se desse uma enchente muito grande e matasse a porquinha afogada? Meu Deus do céu! Saiu para o terreiro e foi estudar a carranca da noite. Mas que Deus ajudasse que a chuva não provocasse enchente. era tomar outra surra. Contar ao pai que a Maninha estava correndo perigo. De vez em quando riscos luminosos de relâmpagos acontecendo. chegar à grota funda e tirar a Maninha de lá? Ele é que não podia fazer isso. parecendo rachar as nuvens. Quem sabe? Foi para o quarto numa aflição danada. O pai não estava tão preocupado com a colheita do feijão. Tinha feito tanto esforço para conservar a Maninha no seu poder. Zezinho sentiu-se diminuído. pequenininho. Ah. "A Maninha vai morrer afogada.. Caminhou de um lado para o outro todo aflito. Pensou na Maninha com mais seriedade. .Aquele raio lascou algum pau . Então eu vou pedir pra Deus não deixar a . .. O vento com cheiro de chuva trazia desespero. Estava tudo escuro.Orlando falou.Eh.Pelo jeito vai.. E era uma chuva de vento em derramados relâmpagos e tambores de trovões tocando sua fanfarra barulhenta. Zezinho tremeu. Os primeiros pingos começaram a sapatear no telhado e a sambar ameaçadoramente na alma dele também. ruflando feito um monstro feroz. .Pode.Já vou.Chiquinho disse. o que tá fazendo no terreiro? Será que vai querer tomar a chuva no lombo? . aquela grota descia de algumas cabeceiras e bebia água de outras grotas menores e então enchia adoidadamente e descia aos borbotões. A porquinha estava no fundo da grota.Maninha morrer afogada. mãe? .

chuva caindo no quarto.Abriu um pouquinho a janela para estudar o temporal.Hora dessa a grota já tá bebendo é muita água . amarga. Rolou cheio de aflição. afogando os matos. . o focinho dela procurando ar. e presa lá.Mas. Daquele chiqueirinho ela não ia conseguir fugir. Será que não tinha sido a maldade dele contra o Valtério? Tinha tirado sangue do outro e a tempestade podia até estar deitando vingança contra ele. que molhava os matos e que doía no segredo dele. O menino acudiu apressadamente. amarga. molhando o rosto dele. afogando os matos. Ai chuva que chovia no telhado. Será que essa chuva enche o corgo? Já tá enchendo . E a grota também? É claro que vai encher a grota também Orlando falou. .Chiquinho falou. De vez em quando um relãmpago clareando repentina e rapidamente os Zezinho engoliu saliva seca. Chuva demorada! Todo mundo foi dormir cedo e ele também.' Hora daquela imaginava a porquinha preta recebendo golfadas de águas fortes aos tombos grota abaixo. Ora. Estava com os olhos arregalados no escuro. e se a chuva parar agora? Será que já dá praencher a grota? . Achou que nem fosse dormir direito naquela noite. Achou que nem fosse dormir direito naquela noite. Chuva que estirava ao longo do tempo: Nunca uma chuva parecia derramar tanta maldade que nem aquela. Zezinho engoliu saliva seca. sendo arrastada pela enchente. Era um toró colosso caindo. Estirou-se nervoso na cama de tábuas e colchão de palha de milho. Um empurrão mais forte do vento abriu a janela de uma vez. Certamente afogando a Maninha.Chiquinho respondeu. Nem uma lamparina acesa mais em casa. Fechou a janela e viu que a chuva estava realmente caindo pra valer. ia morrer mesmo. a Maninha ia mesmo morrer afogada. Era um toró colosso caindo.

pai. a cria? Imaginava que a porqumha tmha dado cna.:o dia. Imaginou que o mundo sabIa enganar as pessoas. Já tava na hora. Orlando apareceu pouco depois.p~rece que o Orla?do_ falou de propósito para que o paI danasse com o umao.É bem capaz. A preocupação acordou com ele feito um est. Queria ver o fim da chuva mas o sono foi . Orlando falou: _ A Maninha deve ter dado cria no mato. Ah. procurando . _ Vai tratar dos porcos. Era uma crianç~ e acabou dormmdo antes que a chuva terminasse. Não esperou~ Pulou no chão descalço e foi para o terreiro. isso pode ser depois da escola. Deixe eu saber que ele faltou na escola pra ficar zanzando por aí feito bicho perdido. Tem tanto tempo pra campear porca parida. um jeito para ir até a grota ver o que era feito da porquinha. _ E com essa chuvada que deu. Que mania é essa? 58 . Era uma fantasia que ele acreditava ser verdade.reI~o.. . A Maninha sim . O dia crescia em claridade. os galos desfIavam seus rosanos de cantIgas e não havia mais chuva caindo. fazer maldade. O pai apareceu beirando o chiqueiro. _ A Maninha não apareceu não. Eu queria vender ela antes dela dar cria. né Zezinho? Será que ela deu cria e tá no mato? . agora valorizou mais. Chorar feito a chuva que d~rramava seu pranto intenso nos matos. Queria que alguém ava~ lIasse a mtensldade da enchente. Quando a~o:dou pela ~adrugadinha. Será que.sar com alguém.Será? Zezinho ardeu no seu segredo. Enquanto ele não saísse. Será que os irmãos já estavam dormindo? 9ueria ~onver. Então era melhor que ela tivesse morrido plesmo. Agora queria chorar. A chuva tinha salpicado os matos.alo. iluminando a casa de barrote deles. Muita chuva já tinha caído. enchldo os carregos e as grotas mas já tinha dado no pé. Enquanto o pai foi ordenhar a vaca. Ele abriu a janela e olhou para os pnmelros smaI~ do no. Zezinho sentiu seu vulcão de revolta pegando fogo. tinha sido uma chuva que nem uma chICo~adaque ~elxa muito estrago? Será que a Maninh~ tmh~ morndo? E. Mas ISSO não era de muita importância para ele. _ Ah. Que tivesse sido carregada pela enchente da grata com a cria e tudo. Deitou-se novamente. Que tal se fosse para a escol~ e do . Acho um preço melhor." Será que havia jeito e tempo? O pai estava ali. pai pul?u da cama cedo como sempre e foi para ter.tomando conta dele. _ Vou pedir à mamãe pra mim não ir ria escola hoje pra ir campear ela. ele foi tratar dos porcos. . _ O Zezinho tá até falando em faltar na escola pra ir campear ela . Ti~ha molha?o o feijã6 seco na roça no ponto de ser batIdo. Não queria dormir.meio do caminho fugisse e fosse ver se a porqumha tmha morrido? Olhando pela janela se embebia em pensamentos.0 o 12 Não apareceu. Zezinho. A mãe se levantou também. _ Faltar na escola um couro no lombo dele. é perigoso até leitãozinho morrer encarangado. O pai já estava para gritar que os filhos levantassem. . "Preciso dar um jeito de ir ~er a Maninha agora..ermos.. que enchia os c?rregos e as gratas secas. não podia fazer nada. _ É mesmo. Sentou-se na cama.

com os olhos arregalados e apalpou o embornal maIOr onde levava os cadernos e onde tinha col?~ado a capanga pequena com algumas pedras e o estümgue. E perto do Orlando ele ~ao Ia apanhar.Por que.Vou esperar esquentar um pouco pra ir pra roça. _ . . Carregava também o embornalzinho de caçada com algumas pedras e o estilingue. Apenas olhou. _ Quero dar um murro no nariz dele com maiS força. Zezm o. "Ah. Zezinho. Ele vai cair. Nem mesmo podia fingir que estava doente. Se o sol sair quente. mas sempre o defendia de outros moleques. o papai vai logo pra roça.Zezinho sofreu um meio terremoto por dentro. Meu estilingue tá aqui. Apanhava. _ __ O Valtério não vai bater nele nao. A bnga e com o Zezinho. alguns rastros azulados. eXIbindo uma carranca de porco selvagem encantoado. e tudo indicava que a claridade do céu azul fosse tomar conta do dia. Era dose pra elefante. Agora havia dois grupinhos. Alguns colegas pararam e ficaram esperando no caminho. todo poderoso. Ficavam certos vergões. ~ampo esse moleque deu um murro no nariz do Valteno que arrancou sangue. Cabinho gritou quando ele e os irmãos se aproximavam. _ Manda ele vir então. Quando saíram de casa. d _ Ele é do meu tamanho. Valtério tinha um POUc? de me o o arlando. Ele que vem. afinal de contas. h a Valtério vai te quebrar o nariz. mas. um murro do Valtério. O arlando não pode entrar. ." Pensou assim pelo caminho e foi arquitetando uma nova travessura. . mas sua briga era com o Zezmh~. Zezinho estava muito mais preocupado com a Maninha que com a possibilidade de le~ar.Bater nele por quê? -. _ Ele não te contou não? Ontem lá no. Não é do tamanh~ hO Zezínho. Ele falando num tom de valentia. Na mm a frente ele não bate. lh. o pai ia ficar em casa até depois que eles fossem para a escola. Porque o Valtério tava abusando dele porque ele apanhou do seu pai. a irmão o provocava. Acho que foi uma chuva passageira. . Um rodeando o yaltério rosnando sua valentia e outro rodeando o z~m~o e os irmãos. azucrinava sua vI~a.' a Valtério já estava no terreiro da escolmha. No meu irmão ele não vai bater.Orlando se doeu. Agora é que não podia fugir da escola. Irmao era sempre irmão. . A? . dá pra virar aquele feijão e bater de tarde.O Valtério falou que vai te pegar hoje e te dar uma surra. A única saída era apanhar o embornal de algodão com os cadernos e marchar para a escola com os irmãos. Zezínho não respondeu. mas depois passava. quanto valia a sua porquinha preta no meio de tudo isso? O pai estava ali com aquela figura imponente. _ Disse que bate até em você. Entretanto estava no ponto de arriscar uma nova surra. Pouco depois ouviu o pai falando para a mãe. Orlando. doía muito no instante. Percebia que o pai estava armado com um pulo de gato para o lado dele. Enfrentar o pai num jogo perigoso era fogo. Ia fugir da escola e de lá mesmo ia ver o que tinha virado sua porquinha de estimação. O sol já abria vãos entre as nuvens e lambia os matos com sua língua tímida. . o tempo já começava a melhorar. agora sim. . Alguns colegas ali perto dele. Não havia tapeação.

Sua preocupação era saber se a M~ninha tinha. Sabia que porc? ~ ?icho bom no nado. Entrou no mato. e foi escapulindo às ocultas. Aquele clima de provocação para a briga preocupava o Zezinho agora. Batia com a régua de caligrafia ou com uma vara. Não podia mais tardar. Os alunos um pouco agitados. . com toda aquela pança. Certamente iria ser com o Orlando também. Quando toda a molecada se reuniu novamente no terreiro da escola. O dedo indicador estalando. mas num lugar onde nem havIa JeIto para nadar. E se não tivesse morrido. Deixava o embornal dos cadernos e levava somente o embornalzinho de caçador e o estilingue.. aquela guerrinha fria. Agora o Valtério não debochava do Zezinho. Mas o Zezinho nem esperou tais provocações. Deixo minha capanga aqui e os meninos levam pra mim. E a Maninha? Precisava ir atrás dela. Decidiu-se: "Vou fugir na hora do recreio. Estava toda a molecada esperando a briga do Valtério com o Zezinho depois da aula. a professora punha de castigo. não havIa smal. O sol foi corno que secando as . Zezinho.se. mas ele não deixava de pensar na grota. O máximo que podia acontecer era aquele jogúinho de insultos. Quando marcavam uma briga para depOIsda aula. No interior da escolinha reinava aquele clima de briga. o azul do céu se engalanando. Ela chamou os alunos para dentro. os matos se lIvrando do apipocamento do orvalho da chuva e pelas cercanias da escolinha a festança de gorjeios dos pássaros. Não era momento para deboche. Havia uma briga marcada ~ara a saída. pois era no mato que faziam as necessidades fisiológicas. .Valtério· ameaçou. Falou que se você for homem. costumavam se retirar bastante da escolinha por um caminho oposto ao da professora. Até esquecia que fugir significava estar correndo de medo do Valtério.Eu pego ele na saída . não tivesse conseguido se salvar.e começou a aula. Não queria saber disso.Deixa ele vir que eu vou quebrar os dentes dele . Fez planos que ia fugir da escola no recr~io. Levo só o estilingue e o embornalzinho com as pedras. no chiqueirinho que tinha feito para a porquinhae no sumiço da porquinha que podia ter acontecido. ele não estava por ali. O caso era sério. O Orlando e o Valtério sim eram iguais no tamanho e estavam dentro das regras para a medição de forças. talvez a porquinha preta.Zezinho cantou de galo. Punha de joelhos lá na frente. Dona Vanda foi chegando e o estopim da briga apa?ou-." 13 hora do recreio briga. prometendo surra.Ele vai te pegar na saída.nuvens. estava com a cria protegida. As duas janelas abertas da escolinha mostravam o dia no seu embelezamento ensolarado. Dois trocando tapas e os ou- tros ali aplaudindo. Se tmha consegUIdofugir ou não. gritando quem tinha apanhado do pai e coisa e tal. Mãos fechadas à mostra. . Deve ter fugido da escola de medo do Valtério.. NA Haveria somentenão ia mesmo acontecer a Se alguém cruzasse nos tapas com alguém. A professora vinha chegando. sido ou não levada pela enchente. Aí então· ferravam a briga. Zezinho julgava que o pai já devia ter ido para a roça virar as bandeiras de feijão para que secassem mais depressa. Cadê o Zezinho? Hora dessa deve de estar escondido. é pra esperar ele.

Ele me pegou de traição e me deu um murro no nariz. . Escutou só.Alguns meninos comentavam tais coisas.Cadê o Zezinho. . . . o Valtério falou que o Orlando é um porco sujo de barro. dona Vanda. quase resmungando. Foi ele que me bateu ontem lá no campo e agora inventaram que eu vou bater nele. . E as provocações continuaram assim com mensagens levadas por terceiros.Escutou só.Nãó foi porque você abusou dele por causa da surra que ele tomou do pai dele não.O Orlando que falou.Sei lá.. dona Vanda. Não podia ser verdade que o Zezinhotinha fugido da escola com medo do Valtério. Os dois não se encaravam frente a frente. Até mesmo o Orlando e o Chiquinho estavam preocupados. . Chiquinho? . . . esperando a chegada do Zezinho.Falou não. .Falou que você é um cachorro bernento e rabugento. A professora não notou a ausênci~ do Zezinho. será cadê o Zezinho? Não te falou nada não.Você virou chupança. Deixou até a capanga dele aqui. Valtério? O cachorro vai te morder. A molecada é que tá falando isso.Valtério falou com uma vozinha abafada.O quê? Vai bater no Zezinho? O Valtério? É mentira.Eu não vi nada disso. Meu pai ainda vai\ comprar ela . Orlando? . o Valtério era sozinho e o irmão contava com o Orlando e o Chiquinho e até ela própria que podia entrar na briga e dar umas cacetadas na cabeça do inimigo. Valtério? .Dona Vanda. Orlando.Ele é que vem no cachorro pra ver se o cachorro não estraçalha a cara dele.Frango molhado é ele que é um ·porco sujo de barro .O pessoal tá falando por aí que ele fugiu de medo do Valtério. Procuraram o Zezinho pelos arredores e nada do menino.Ah. Orlando e o Chiquinho falaram baixinho: . Aqui no meu bolso é que ele não tá.Ele que é um cachorro bernento e rabugento. mas o Cabinho foi falando logo: . Ondina olhava com os olhos arregalados. .Porco sujo de barro é ele que carrega veneno de chupão no corpo. .O Orlando falou que o Valtério é um frango molhado. Zezinho não aparecia.. . A professora chamou os alunos para o segundo tempo da aula e nada do Zezinho. piscando e rangendo os dentes.Você desse tamanho apanhou do Zezinho!? A turma soltou umas gargalhadas fortes. Ora. Orlando? . .Meu pai ia comprar a porquinha mansinha dele pra mim e por isso ele virou meu inimigo. Será que o Zezinho era capaz de fugir de um mole-molão que nem o Valtério? . . Ele já anda mex:endo comigo faz tempo. . instigando o fogo fumegante da briga e o Valtério somente ouvia.E ele precisa ter medo dum frango molhado daquele? Vm dos meninos que estava perto gritou: . menos o Orlando. Chiquinho soltou um risinho irônico. Orlando? .Vai. Ondina também. o Zezinho foi embora da escola com medo do Valtério que falou que ia bater nele na saída.Isso é verdade. Valtério? .Não. . .

Descalço foi pelo trilheiro ainda meio molhado. Pensou que a pomba tinha fugido para longe. O coraçãozinho dele se afligia mais e mais à medida que ele se aproximava de onde tinha feito o chiqueirinho. Parou de estalo. arrastada pela enchente. Agora podia apanhar que não tinha importância. Uma juriti voou sibilando as asas. Ele atirou uma pedra que passou rente ao pescoço dela. morta decerto. Que desculpa iria dar em casa? Não poderia ainda voltar para a escola depois que investigasse o acontecido com a porquinha? Ia dizer o quê à professora? Que tinha sofrido uma dor de barriga muito grande e tinha ficado no mato todo aquele tempo? A turma ia rir dele. De repente as coisas pareciam muito confusas. Zezinho apanhou mais pedras numa pedreira e foi pelos trilhos dos bois na invernada cheia de"rnatos. Foi subindo ali beirando. O embornal dele tá aqui. "Cadê o chiqueirinho?" Não havia mais nada. Ele espalhou o pranto do rosto. A respiração carregadinha de emoção. Certamente a Maninha tinha sido levada e hora daquela já estava rodando longe no rio Paranaíba. Não havia um pau sequer da cerquinha que ele tinha feito. ia abusar da carinha dele. Ele tinha entrado no ·mato e desaparecido. Precisava agir apressadamente. Se tivesse matado a pomba. _ Desatou uma corrida. Era até perigoso encontrar o pai em casa. Ele não falou que ia embora não? Falou nàda não. Devia pensar somente na Maninha. Por ali a Maninha devia ter passado.Ninguém viu o Zezinho fugindo não? Ninguém tinha visto. Estava fazendo o que queria. Agachou. As flores enfeitiçando a natureza ainda verde também não valiam coisa alguma. Sentia que era uma travessura grave e sabia que o pai era durão demais para aceitar qualquer desculpa que ele arranjasse. mas a todo instante o pensamento se embaralhava em coisas diversas e se atrapalhava todo. A professora estava preocupada. cheio de rastros dos bois. _Era uma força enérgica empurrando-o para aquele recanto de mundo. .E cadê o Zezinho? Eu não sei. "Vão dizer que eu fugi de medo do Valtério . Estava tão sem. Enquanto não investigasse o que tinha acontecido com sua porquinha preta de estimação. Notava que a enchente tinha sido arrasadora. seria outra glória de caçador. Ela morreu na enchente. O azul do céu não valia nada. Pouco depois quase tropeçou na ave novamente. "Também não conto pra ninguém. Pousou num galho um pouco à frente. Lá no fundo só havia um poço com água suja. " Não tinha muito tempo a perder atirando pedras nos passarinhos ou mesmo pensando em outras coisas. O sol tinha se tornado quente. não estaria satisfeito. Estava suado. Os olhos dele começaram a marejar água de choro. l3-lenão viu. Não é minha mais. mas também não vai ser de ninguém. Chegou.. mas no momento só sentia estar sendo arrastado por aquele impulso.Fiz coisa errada. Sentou no capim. Ir para casa não podia. mas não tinha importância. Então ela voou para longe. Agora não sabia o que fazer. Os irmãos também. Os olhos ainda borbulhando lágrimas. Saiu na grota. Nunca mais. . Era bem capaz que fosse tomar mais uma surra. Os olhos arregalados. Era uma tristeza muito grande invadindo a natureza dele. A voz saiu com lágrimas. Entusiasmou-se. Falou alto. Levantou-se. A ilusãozinha dele naquela época da vida era sua porquinha de estimação. Havia ainda água suja correndo.. \-. Eu não sei de nada." Estava desolado. A enchente tinha levado tudo. A juriti voou do galho e assentou no trilho mais na frente.

minha nega! A princípio a porquinha parecia estar enraivecida.sorte! O jeito era voltar para a escola. Esqueceu de tudo. Caminhou beirando moitas bastas de capim jaraguá.Maninha. Os olhos ainda lagrimando." Levantou a·· cabeça. Maninha!? A enchente não te levou.Maninha. Decidiu apanhar algumas pedras na pedreira não longe da grota.Maninha!? Maninha!? A porquinha parecia estar brava. Não tinha que brigar com ninguém e tomar mais uma surra do pai não tinha importância. . danadinha! ? 14 EZINHO estremeceu sob o domínio da emoção. Roncou com ternura. tocada de ciúme por causa da cria. Mas não devia entrar. mas era ela sim. "Foi o Valtério! Ele é que me fez esconder a Maninha nessa grota pra ela morrer na enchente. . Decidiu que ia descer beirando a grota. protegendo os leitõezinhos. Nem parecia o ronco da Maninha.Deu cria. Zezinho viu uns Z Zeúnho estremeceu sob o domínio da emoção. . mas repentinamente ficou branda. O Orlando não vai deixar ele me bater. "Arruf -ruf -ruf. Estavaenciumada. curtindo aquela tristeza enorme. Zezinho tinha quase pisado na cria. " Uma porca roncou valentemente numa espessa moita ali perto. Talvez a porquinha estivesse presa nalguma forquilha. nalguma galhada ou até mesmo nalgum buraco no barranco. . Bateu queixo. minha nega! . Não. Vou voltar lá na escola e dar outro murro no nariz dele. Decidiu que não ia mesmo entrar na escola e portanto tinha tempo para ficar bestando por ali.

três. A porquinha levantou-se e roncou mais agitada. Maninha? Tá querendo comer a minha mão. . Devia esquecer o resto. Ficou ainda por algum tempo contemplando a cria. Agora ela já sabia que era o seu . Começou a estralejar os grãos com apetite exagerado. encheu-se de desconfiança e passou a caminhar devagar. . _ Tuiquinho! Tuiquinho! Corre de mim rião. Seis porqu~nhos.Tá aqui o seu almoço. Apanhou quatro espigas afobadamente e foi fugindo novamente. Entrou nos matos fechados. _ Você tá sonhando! O Zezinho tá na escola hora dessa. Maninha. mas nada de jeito do pai. . olha o Zezinho carregando milho! Olivinha gritou. Estava lutando por aquilo que lhe pertencia. Passou num vão entre duas lascas ali perto da figueirinha e agachadinho entrou no paiol. Ficou ouvindo. Agora sim é que o menino sentia estar embaraçado numa armadilha.Zezinho! Zezinho! Ele ouviu. Os olhos arregalados. pois precisava vigiar os leitõezinhos. "Vou levar uma surra.Mamnha! Tudo pretinho que nem você.Um. onde não havia trilhos e foi parar no fundo do quintal. Maninha? Coçou a porquinha. Dona Leonor ficou confusa. Eu vou buscar milho pra você. sondando bem a situação. apanhar umas três ou quatro espigas de milho e levar para a porquinha. Os leitõezinhos foram se desamoitando.Quantos filhotinhos. "Ele já foi pra roça e faz e é tempo . cinco. Os leitõezinhos correram grunhindo. . Mas não tem importância. Zezinho pulou a cerca e sumiu. Se encontrasse com o pai. Maninha devia estar com fome e não tinha tempo de vir em casa comer. Nem era bom pensar em dar de testa com o pai e ouvir o trovão da voz dele. De vez em quando parava e ficava escutando. hem!? Ta com fome.leitõezinhos pretinhos correndo no meio do capim.. era certeza que ia levar uma surra e ser mandado para a escola. ~ois. Zezinho farfalhou as palhas das espigas. entrar no paiol. Ao se aproximar. gentinha boba.Maninha! A porquinha respondeu com seus roncos costumeiros. quatro. . Ouviu as irmãzinhas gritando. " Subiu beirando a cerca do quintal pelo lado de fora. Ia chegar de mansinho.Pulou a cerca e sumiu. é porque ele tinha ido para a roça. mas não respondeu. Correu para casa numa afoiteza de passarinho fugindo de uma gaiola.a Sara confirmou. Se não ouvisse a voz do pai. . . Olivinha? . Precisava buscar milho para a porca~ E se encontrasse com o pai? Isso é que era duro. Descascou uma espiga apressadamente e jogou perto da porquinha que abocanhou vorazmente. pois tinha que produzir leite para sua meia dúzia de crias. Daí era só esperar o momento certo. Pretinhos que até brilhavam. O seu dono de estima. Zezinho sentou ali perto e descascou as outras três . Ia abrindo matos no peito. . Saindo debaixo do monte de capim que a mãe tinha feito para protegê-Ios contra a chuva.. Ergueu a cabeça e farejou. _ O Zezinho correu.bom companheiro. seis.. . mãe . O Zezinho!? . A mãe também falou alto. Cadê o Zezinho. .Mãe." O importante agora era tratar da porquinha preta que precisava comer muito. Estava lutando pelos seus direitos. A porquinha deitou.

an a nao d' " que arranjar uma mentira I po Ia V~-lo. ~epoIs a porquinha . . . o seI que vou trazer mais No céu azul o sol andava d .Eu quero saber depois. . veItou para afagar os leitõe .~~~o. enmo aprotamente. e osse para a escola. ~cando. Dona Vanda soltou os alunos e foi para a porta. na VIda por um trilho de b' I 01 pensando saída da escola Dona V °dl. artaram e escapuliram Agora eu preciso ir embora M . .. mais uma não havia de ser nada. A porquinha comia ro . danadinhos!? epoIs os leItoezinhos se f para o esconderijo. . zm os que mamavam farP~guei o~ _não peguei.. Ninguém vai brigar . e além disso nos matos beirando o caminho de casa. ~ esperar os irmãos na . h onde eu vo P . . Apontou nh porqum a._ .um menino falou. Chiquinho e Ondina iam lá na frente em companhia de mais alguns meninos. mas tinha sido visto pela Olivinha! Certas coisas assim nem era bom pensar. estava lhe dizendo que eI f que a porqumha tou-se com pesar. h a r~ves de gestos.avisou com severidade. h . ue voce ta milho. stava ah e nao devia haver .espigas.Tchau. Agarrou um deles O b' h' h longo. a contar que tmha ficado . Valtério resmungava um pouco para trás no meio de outros colegas.- no mato com dor de barriga.Eu quero saber depois se vocês brigaram aqui perto da escola.O Zezinho já correu de medo.Ah. Foi caminhando pensativo. A mãe e no o!am ~hegando cada perigo. Ih. Quando se lembrava das lambadas doloridas.Parou. Levan. fogueira intensa de após h to o lummoso numa .Mas o Valtério e o Orlando vão. c uva. Já medou . . OlhaNA vam pelas janelas e pelaestavamaberta procurando porta o Zezinho. Zezinho f . eu volto aqui de tarde Lo . a Maninha com meia dúzia de leitõezinhos. mas estava angustiado por outro lado.Felipe falou. ora. Sei pra " u nao. Orlando. Maninha ronc~ I~ m o soltou um gritinho pensou que ela fosse a u encmmada e o menino até mostrou seu ciúme ape::~ça~ ne~e. Tinha . Eh. . cna mteIra O m . Os leItoezmhos com desconfiança.Cabinho falou alto. o corpo tremia. Maninha Já vo o indicador direito para ~ ~'h. foram saindo do escond . . Ele teve o cuidado de ficar um pouco longe. tuiquinho. tá coisa. o corpo estremecia como se preparando para levar mais uma surra. Eu s'. g? depOIs do almoço. Parece que as lambadas cortavam a carne.Vem cá. pois tinha feito mais uma travessura e ia sofrer as conseqüências. pra escola!? Então eu vou p 1 Achou que estava entendendo ra esco ~.O Zezinho foi embora. . 15 escolinha os alunos inquietos. a. anm a. n ar pra nmguem q '" aqUI. Valtério. pois não estava achando saída para o caso. ' allIMas eu não queria co t . Mas a porquinha logo para o milho Z . Voltou porquinha termina~ deez~~o fIcou se~tado ali até a deitou e foi amamentar a ~e~. Já tinha levado tantas surras. QuandQ pensava no pai. Talvez o Zezinho surgisse dos matos. Estava contente e positivo porque tinha achado.Sabe M . . Ent. . ~haram para o menino t vez mais perto. ra casa ou praescola? Ronc-ronc. " . dona Vanda. Até logo. Vem cá.

VaI tomar banho na soda Cab' nh . quer pegar o Zezinho longe Va1tério não aumentava ma. Orlando e os outros ia o meu. A molecada aplaudiu a coragem dos rivais.Zezinhol F . Orlando chamou o Zezinho na fala dura: . . Cabinho era um galhofeiro. Daí então foi deixando de ser chamado Valdemar e passou a ser conhecido por Cabinho. .Cabinho gritou aOlheaedsperando no mato. .s caminhavam le t os passos. deixa. Ondina?! Vai matar o Valtério com isso. esco ar do Irmão Zezmho saiu dos matos d .d f' e e e agora Não . Cabinho fez um risco no chão e desafiou.. O pessoal é que falou °A' . Dor de barriga.Tá com o estilingue no jeito pra te tacar uma pedra já.Não é você que 1 Zezinho. As duas turE b' n amente retirand nco nram-se nos matos Ch" o-se da escola._ me }mportava vmgar. Eu espero ele aqui se ele quiser vir me bater. -.O Zezinho tav t ' I o. Mas não se atracaram ainda. Zezmho estava mescom oestilingue. ele que vem. Quem bater nele é meu amigo. Correndo . Quanto mais menino com estilingue. e repente. capangumha de pedras e armado 74 . Acho que ele e e quer nao. ~o e Icar de castigo ama h _ .Eu não. Valtério e a turminha continuaram caminhando. Eu queria pegar I ' q eu Ia macetar o nariz n . tamanho.Pra que esse pedaço de pau desse tamanho. mexeu comigo. mo lá na frente com a ?s. Vou dar uma pedrada na costela dele. Valtério já estava pertinho do risco e para se avantajar. Mexia com todo mundo e não era inimigo de ninguém. . até a Ondina vai entrar na briga. . precisa de saber. . uai. com medo do Valt" A que VOcefugIU da escola eno.Deixe ele vir.Se ele quiser me dele eu não tou. pegar.O Valtério falou que pega é homem com espingarda e tudo.Mexeu com o Zezinho. Ia na frente. m cammhando sem pressa . O principal deles era o Cabinho. Zezinho foi e pisou também. tério . medo dele Ele é d ta pensando que eu tenho · o meu tamanho me d o de moleque nenhum d eeu nao tenho . Va1tério. . pisou logo. mexeu comigo. . Pararam.Mexeu com o Valtério. Eu so queria é < • Quem corre de medo " Aquele Orlando ' }aamare10u. Quem bater nele é meu amigo.Correu porque sabia ue dele. Valn o para trás . d tério?! ..Quem for homem pisa aqui.. Tinha recebido esse apelido porque vivia cortando forquilhas para estilingue e chamava as tais forquilhas de cabinhos. Ondina apanhou um pedaço de pau de aroeira. UgIU a escola de medo do Va1Que medo de Valtério!? Por que então? - Ah. na1 com o material l' Iq~mho levava o embor. .Olha o Zezinho! .lh. Uma vez ele estava com mais de cem cabinhos em casa e mostrou para os colegas. n a nao. dona Va d f 1 contar pro seu pai. Valtéfio arregalou os ~lh no . Cabinh . Havia aqueles que procuravam de todo jeito fazer a briga acontecer. .Fugiu de medo do Valtério.? -.Olhe o Zezinho lá Valté' . f: o de você. n a a ou que vai Ah . Zezinho?! . . Orlando. Gritavam coisas provocantes assim. Até a professora o chamava pelo apelido. . Orlando espiava ali de lado. .

que deu um passo para trás e soltou uma pedrada nas costelas do inimigo. Zezinho estava ali feito um galo índio pronto para enfrentar um carijozão. Ele e o Zezinho estavam frente a frente.Tou pensando. desgraçado! Valtério rolou acudindo a dor que lavrava nas costelas. " que você tá pensando. Valtério falava e olhava para o Orlando. Estava resolvido a brigar mesmo. A estilingada líquida acertou o rosto do Zezinho. Cabinho colocou a mão direita entre os rostos dos dois e falou: . Zezinho confiava na ajuda do irmão e por isso mostrava mais valentia. Queria enfrentar todo aquele pessoal. . .No Zezinho ele não bate . Zezinho deu um passo para trá~ ~ S?ltou uma pedrada nas costelas do inImIgo. .Quem for mais homem. Valtério desafiou: . esse desgraçado! Chorava e esperneava. Valtério cuspiu primeiro. no exato momento que o Cabinho abaixou a mão depressa.Você não vai entrar não.Quebrou minha costela. .No meu irmão ele não bate.Ai-ai-ai-ai.Tou pensando que você tá pensando?! .. cospe aqui. Orlando também olhava com os olhos arregalados. mamão.ela resmungou. molequinho?! Tou pensando que eu tou pensando. MaMacarrão você. O estilingue armado com uma pedra. . Zezinho arregalou os olhos. Valtério olhava para o Orlandoe para o resto e dava uma de corajoso. Orlando.Tá pensando que eu tenho medo de estilingue? Tá pensando? . O nariz estava ainda meio dolorido e a vingança era a sua honra. Doía pra cachorro.

Ondina intl'mou 00· Enquanto o Valtéri~ x~ngava e praguejava o quanto podia. Era outro lance negativo da sorte.Explica isso.dona Leonor ralhou. Pelo menos uma coisa ele esperava: que o pai não estivesse lá. Não tenho nada com guém. Depois do recreio. ' Você que provocou. Havia uma tagarelice dentro de casa de passarinhada festiva numa fronde de árvore num pomar. Tinha planejado almoçar e voltar ao ninho da porquinha. Ah. Os filhos estavam inquietos. Meninos! . d Z ~a~ o V~ltério não tinha coragem de correr atrás o eZIn o a ~Im de vingar a se~unda derrota.Orlando perguntou. Mas eu ainda pego ele. E onde tá o ninho dela. Agora até eu vou falar pro Odilo vender essa porquinha. Levou milho pra ela .Quebrou uma costela dele seo uma mancha rosada.Na hora de te defender do Valtério. con ar ao se~ Odllo. A uele pessoal er~ dOIdo mesmo. Zezinho? . Desafiar o pai e não ir para a roça carregar feixes de feijão era uma doidura.Ele ficou no mato com dor de barriga.. Queria levar mais comida para ela. eu sou bom. Pra carregar feijão se tivesse muito sol. Ze- 16 mãe olhou espantada. u El' Ul. o seu pai precisa mesmo vender essa porquinha pra parar de confusão. como é que você explica isso? Pegou ml~hono paIOl e saiu correndo na hora do estudo e agora ta chegando da escola com os irmãos?! Virou fantasma? me?ino jogou um olhar assustado sobre a mãe engolIU salIva amarga e não disse nada.Vê. Zezinho coçou a cabeça. Eu não. Achou sim. E o seu pai falou que é pra todo mundo ir pra roça. . ' Agora o Zezinho tinha que enfrentar o pessoal de casa. Sabia lá se até a Ondi~a ia mesmo atIrar aquele cacete de aroeira na cabeça dele enquanto ele fosse. . Já tá brigando com o Valtério de novo. É pra almoçar e ir depressa. Zezin. _- Vamo'bora ' menInos . né? Na hora de me contar uma coisa. Achei não . Zezinho? . Ficou para trás resmungando prometendo vIngança.~~.E achou a Maninha.. t .Vai caçar. you . Cabinho gritou. Os três. vira meu inimigo. Cabinho. seguro pelos irnla-os? O jel't o era . e VaItomar maIS uma surra. O Zezinho tá ficando bobo e doido por causa dela..Dor de barriga. os quatro Irmaos foram se retirando. . I. O Zezinho estava chegando da escola com os irmãos!? -. . Orlando. menino: .Sara Achei o seu ninho lá no mato. Ondina?! Daqui de casa eu já desconfiei de tudo. ate começou a marejar sangue. lá na casa dele contar pro pai dele Vo mostrar ISSOaq' A' . Os homens. . Ele foi é camp~ar a Maninha.. mãe. ' A ? .ho.. Deve ter achado ela e veio buscar milho. .

Zezinho.dele. Atravessaram o saíram nas roças. OlIvmha gntou logo. ...Vai ver que tem algum piauzinho . Bem podia ter contiassim o pai não podia bater o feijão. Aposto que quase tudo é pretinho . ia ser fogo. Os irmãos não largavam .-. Orlando. Passaram a. Agora a gente vai lá no ninh~ da. Quando ele soubesse da sua nova travessura. _ Eu acho. _ O jeito é parar.. Os três pararam e ficaram conversando. ..Vai ser o dono direitinho quando o papai vender ela . Eu já tratei dela .Aí. . meninos?! Eu Ja vou aí com uma vara que vocês aprendem a trabalhar depressa. Logo ela . tudo pretinho. de terra e suor. Não tá dando pra bater dIreIto não. Ando lá beirando a grata e acho. . . Cada um para .um lado juntando seu feixe e carregando para o terrelr. O pai saiu na frente e os três ficaram convers~nd~. Chiquinho ajudou na ameaça.. Pronto.~~ _ Pouco mais tarde o pai percebeu que o feIJao nao estava seco o suficiente para ser batido.Chiquinho falou. .Mas também ele levou a dele. Zezinho? a mãe falou. um pouco longo. Lá beirando a grata. sujo Zezinho estremeceu ao olhar para o pai. - . _ Tão enrolando o tempo.Vocês vão carregar dali daquele eito primeiro.Se você não me contar onde a Maninha deu cri~. . O pai olhou de longe e tacou um grito. Mamnha. Zezinho arregalou os olhos para o pai. . aparece aqui atrás de ração. Zezinho.Que não vai achar o quê.. Zezinho ia nuado a chover.Não levo ninguém lá.Orlando disse.Orlando falou num tom de Iroma. trabalhar carregando feIxes de feIjão sem nada de prosinha. Mais tarde eu vou campear ela Ninguém vai achar ela . mãe. Zezinho . . 81 . E eu ajudo o Orlando a contar. Tudo. ele achou o ninho dela e não quer contar pra ninguém. Almoçaram nos. O menino parou e olhou para o irmão mais velho com uma carranca que exprimia revolta.Acha que só ele é que é o dono dela. Até parecia estar ouvindo os gritos e sentindo as lambadas. e O pai estava trabalhando muito. . fica pior amanhã. Afastaram-se os três.. Vai caçar. Os três menidanado da vida. camInharam depressa para casa . . trecho de mato. Ondina. Onde tá o ninho da Maninha.. eu V?u contar pro papai que você fugiu da escola hOJe pra Ir campear ela. O pai pegou outro caminho e os meni~os. e saíram para a roça. É só eu que sou o dono dela mesmo. .E quantos leitãozinhos? . Zezinho planejava correr. . Chega~~m os t~es Juntos: O sol já tinha baixado mUlto. E se a gente juntar num grande monte e chover de noite. dos lelto~zinhos. _ Acabou o assunto da porquinha preta e. Orlando ameaçou o irmão. passar na frente do pai e Ir depressa ver a Maninha.o Valtério que queria bater nele mãe Ondina falou.. bobinho. Ondina falou.Seis.

Enquanto os outros festejavam debruçados na cerca do chiqueiro.Ele queria me bater. Tinham violado alguma coisa que por direito deveria pertencer somente a ele e )l1ais ninguém.Cambada .Olivinha falou. .Agora decerto o papai não vai vender ela mais não. _ Cadê o Zezinho? . Do pai. Leonor! Eu vi. Se a mãe queria bater nele.Um leitãozinho é meu . Andou pela cozinha. . já ali na porta do quarto: .a mãe respondeu. né Zezinho? . ele corria. de jeito nenhum... Estava com o semblante da nOIte que vaI engolindo o dia e se vestindo de luto. Os irmãos correram alvoroçadamente para o chiqueiro. mãe. Da mãe. O pai trovejou novamente. Algum vazamento querendo escapar-se da bexiga. Parecia até que tinham descoberto o mistério do seu segredo que representava a felicidade. . E depois brigou com o Valtério e deu uma pedrada de estilingue no menino que machucou de fato.A mamãe levou um jacá e pegou os leitãozinho e tá tudo lá no chiqueiro já.Sei lá disso não. . Vida besta! Ilusãozinha de menino é não ter direito . pigarreou e chamou alto: . - 17 mara que o da noite C pelo menos elepai chegasse mesmo tarde apanhar: que passava mais tempo se~ OMEÇOU a escurecer e o pai não chegava. Pode levar até pro inferno . Acabou de deitar e o pai chegou. _ É agora que eu vou vender' essa porquinha mais depressa. . Tá roxo e meio azulado no lugar. A professora me contou que ele fugiu da escola hoje na hora do recreio. não é? E agora? . Será por onde estava andando o pai? Por onde ele passasse. viu Zezinho.Você deu uma estilingada no Valtério hoje depois da escola. ToEstava triste..Chiquinho falou num desabafo.. O jeito era pôr a carne de molho para tomar mais uma surra.O menino ouviu o rompante do pai perguntando por ele e estremeceu. Tomou banho e foi logo para a cama. Parece que havia severidade também na voz dela.. ele chegoue se apoiou sobre a cerca muito sério. .A Maninha veio aqui em casa pra comer e "nóis foi" atrás dela e "achou" o ninho dela. mas de que 'valia tudo aquilo? Até a mãe ia pedir ao pai que vendesse a porca e tudo. viu . Será que ia apanhar na cama ou ia ser levantado para levar uma pisa? _ Já tá dormindo . A mãe caminhou para o chiqueiro e admoestou: .Zezinho! O menino estremeceu dos pés à cabeça. _ Fugiu da escola pra ir campea~ a Maninha. Uma dor fina no estômago. né Zezinho? Fugiu da escola e voltou só pra brigar. Ele foi com passos lentos. Decidiu não responder. Não havia nenhum sabor de encantamento na alma dele.Olivinha falou atentando o Zezinho. Zezinho desconfiou que a mãe queria bater nele. .Eu tou sabendo de tudo. Zezinho ficou triste e revoltado. ... talvez chegasse sabendo de tudo já.. A Maninha estava em casa com os 1eitõezinhos. _ Eu precisava acordar esse menino pra dar uma coça nele. que dirá o pai.Zezinho. Pulou a cerca e foi ficar debaixo da figueirinha.

. A calça também. ..Apanhou anteontem e já quer apanhar hoje de novo? Não respondeu. Cadê o seu· estilingue? Tá ali . E como não senhor? A professora não me Você tá mentindo.a voz do pai estrondou estremecendo a casa. O pai trovejou: Rein. E aquela vara de goiabeira alI encostada na parede? -Você deu pra fugir da escola agora? Não senhor . Eu já cortei uma vara d~ gOIabeIra e ela tá aqui comigo pra te ensinar como e que foge da escola e como é que dá pedrada nos outros. . trêmulo.foi outro estrondo. o pai costumava mesmo fazer aquele sermão como se fosse um preparo para a surra. Menino era bicho sem direito. eu te fiz uma pergunta! . Parecia até uma covardia o pai. Tá pensando que menmo e passannho? Pegou o cani~etão e cortou a forquilha. Zezinho? .Não senhor .Rein. contou! dar? Tava andando atrás de porca em vez deestuAndou fazendo o que fora da escola? Resp. Zezinho? Soluçava num chuá-chuá de juriti arrulhando em afagos. oprimindo o filho. moleque. Procurou no chão os chinelões feitos de botinas velhas que usava após o banho.ondeu com uma enxameação de soluços. O paI VIU a figurinha do menino aparecer arrastando aqueles chinelões toscos. Zezinho sentou-se na cama choramingando.. Cabisbaixo. O pai trovejou um rompante outra vez: . Pega lá pra mim. O pai e.. . ia ser a mesma coisa. Zezinho achava que a~U1lo era so o começo. uma calça cheia de rasgados.com do do seu corpinho.- Senhor. Tanto fazIa responder como não. " Meio magro.Não senhor . . você c~m um estilingue. moleque!? Quer apanhar até ficar comendo galinha na cama? Rein. O pai ali com a vara na mão.Você vai fugir da escola mais uma vez pra ficar andando nos matos atrás de passarinho e atrás de porco. Assim era a sina de menino. O estilingue todo ~icado. ...e o choro aumentou. Não é? Não respondeu. Anda depressa.Cala a boca . Zezinho? .. menino. Zezinho ali todo encolhidinho. Então que batesse logo . Parece que o pai tinha cortado uma parte do sentimento do filho ao cortar o estilingue dele. cortou as bor~achase ? counnho da pedra. . Zezinho fIC?U . Zezinho resolveu que não ia responder mais nada. Pegou oestilingue . O menino engoliu o choro alto num soluço.Tá caçando jeito de cair no couro até ficar na cama comendo galinha? Até ficar com o lombo macio. A camisinha de dormir toda rasgada. Aqueles chinelões rudes nos pés.. . Tá mentindo pro seu pai? Não senhor . .Você não vai usar mais estilingue.respondeu chorando. Tomara eu p~gar. e entregou ao pai. aquele homem forte.stava mesm? com uma vara de goiabeira. .Rein.Eu vou te dar uma surra pra você aprender a não fazer isso mais.Não senhor. Estava tremendo. Pôs-se a chorar mais desatinadamente.L~van~a pra você apanhar.

.. As águas lisas do córrego escorregando sobre o lombo das pedras. Vaga-lumes enxameando as várzeas. E depois a Maninha aparecia nas suas ilusões de criança. As estrelas estrelando o céu em cardumes de constelações. Chiquinho? . Z~zinho ouviu aquilo e já ficou sabendo que a tarde tena que trabalhar. meninos. Zezinho. Ché-toc-ché-toc . _ Acho que apanhou. Ele apanhou. Era certeza que a porquinha preta da sua estima iria embora para outra casa. Os três. _ Então apanhou de novo. A vara não cantou canções dolorosas contra a carne infantil dele. E a vida começando a viver simplesmente. Cabinho se aproximou: _ O Valtério falou que contou pro seu pai ontem. pensou ao ver o pai carregando o balde de leite. O corpinho dele estava se sentindo bem por nao ter levado a surra que estivera para acontecer. Zezinho tentou manter-se um pouco afastado.O menino encolheu-se mais. dona Vanda chamou o Zezinho às falas: _ Por que você fugiu da escola ontem. _ Depois da escola vocês vão me ajudar termmar de bater o feijão. Agora vinham as terríveis varadas. Quando chegaram. Zezinho? _ . Cabinho. Depois· que a turma entrou. Disse que mostrou o machucado e o seu pai falou que ia te bater. Esperou o zuim-zumbido da vara.Tá mentindo. Mas essa vara vai ficar encostada aqui na parede pra me contar quando você fizer outra arte. A fanfarra da farra dos pássaros parecia estar mais enfeitiçada. Te bateu? _ Vai pro inferno.. o pai já estava ordenhando ~a vaca. Era um sábado.Não senhor. Ela seria mesmo vendida? 18 menino dormiu o sono de quem fez uma travessura e não apanhou. Estava livre da surra. o Valtério já estava por ali.Não. . você ia apanhar. . Noite bonita aquela de repente para ele. _ Encontrei com o seu pai ontem e contei pra ele. A verdura da manhã afagando a esperança de todos. _ Como é que o Valtério tá falando pra todo mundo que ele apanhou? . Mas o pai ia vender a Maninha.foi arrastando os chinelões. O Quando levantou. Zezinho pensava em tais coisas. Talvez enchesse outro terreiro de porcos.Dessa vez passa. . O Valteno caIU gntando e esperneando feito cachorro quando leva urna paulada pra morrer. "Não vou faCilitar mais não . . Iam para a escola também no ~ábado. ". Fechou os olhos. Ele disse que ia ver o que tinha acontecido e conforme o caso. Zezinho? . O pai encostou a vara na parede e prometeu: .. dona Vanda. Alegrou-se feito um passarinho canoro em manhãs de sol.meio doente. A beleza da manhã se abrindo num leque de ouro. Acordou com o tropel gostoso dos gorjeios dos pássaros acalentando a energia do dia.Você vai fazer isso de novo. Ele abriú os olhos. Beberam leite fervido com biscoito e foram para a escola.Vai dormir. Isso é que era ruim. Talvez desse muitas crias por lá. Ele deu uma pedrada no Valtério o~t~m que quase matou o coitado do moleque.

_ Quero não. Tá bom.Orlando falou. Orlando e o Chiquinho estavam contentes. Zezinho':. A leitoinha do Zezinho: "Vai cuidar da sua leitoinha. Zezinho não tinha mais estilingue. _ Mas eu não quero. Zezinho. . Zezinho. O estilingue já tinha ido para o beleléu e decerto logo ia a Maninha. Um levou uma pedrada e o outro apanhou do pai. _ Você pode pegar o meu estilingue e dar pelotada nos inhambus. . o paI era o dono dela. Não valia nada se apegar de amor 89 .Quer dar uma estilingada com o meu estilingue. Então vai embora sozinho. O pai já tinha ido em?ora. Ficar sem o estilingue era ficar sem a aventura de caçar. ~e~ sa~to fort'e. _ Ali naquela baixada tem muito inhambu. . Tinha sido uma perda irreparável. E depois ele tinha decidido que enfrentar aquela turminha do seo Odilo era dose pra leão. mas tinha certeza que o pai iria vendê-Ia para outro. Agora que a porquinha valIa dmheIro.Cabinho insistia em dizer bobeiras. Também de agora em diante naod ma. . O pai do Valtério não parecia ter dinheiro nenhum para comprá-Ia. Então se contentava com isso. Ia perder a porquinha mesmo. Zezinho estava embirrado. Pelas quatro horas da tarde acabaram o serviço. Não queria sorrir. atirando pedras nos passarinhos. Vidinha besta a de crianç~. _ _ Já falei que não vou e não vou. Sentia que a p~rqum~a Ia ?eIxa?do ~e ser dele.Não. _ O papai não tá vendo. Vamos caçar lá? . Quando era leltomha órfã que necessitava muito seus cuidados. Eu o Chiquinho e vamos caçar. Não queria caçar com os irmãos. cnar f animal nenhum só para não pegar estima e epOIs Icar sofrendo feito tonto. .' . Parece que havia um tom de deboche na voz do irmão. depois que tinha matado o inhambu. Ele corria e ia cuidar dela. pensando COIsasde cna~1Ça. Você já matou um e pode matar outro. Carrancudamente Zezinho seguiu a viage~ d~ volta para casa. Orlando. Sua vingança já estava realizada. mas a professora mostrou severidade e ele calou-se. Já receberam o castigo. Lembrava-se que naquela manhã tinha visto os pedaços picadinhos da arma no terreiro. Toda a molecada já sabia que ele tinha matado um inhambu. era dele. Tinha sido criada por ele. Que tristeza não ter mais o estilingue. Agora que ele tinha se tornado um caçador completo no conceito da meninada. _ É bobo mesmo. Valtério acreditava que o Zezinho tinha mesmo levado outra surra do pai. era dele. Então era um caçador de verdade. já encontraram o pai com o serviço quase terminado. Quando chegaram..ver ~ Marimha no chiqueiro. e foi . Depois da escola foram para a roça ajudar o pai na colheita do feijão. O assunto tá acabado. Zezinho? . não podia mais caçar. Ora.Vou não. a porqum~a. Achou que não devia maIS sentir e~tImaçao por ela.Eu devia é pôr os dois briguentos de castigo.- Chiquinho ofereceu. Uma prosinha curta. . cost~mavam dizer. Queria voltar para casa sozinho. Chegou em casa. Uma gente doida! Zezinhoestava taciturno. _ Pega o meu então. Fo~ SOZInho pela estrada solitária. . mas coisas sérias. Ia ficar sem as duas coisas que ele mais prezava. mas não era possível. E ISSO um fOI tempão.

. _ Né não. Depois levantou-se e foi olhar para a porquinha novamente. Os homens ainda conversaram por um bom naco de tempo. Escutou direitinho quando o pai falou: . Agora a gente vai ficar sem ela. Quero comprar. amarrado ali no terreiro da sala. mas nao vou por defeito. Será que e mesmo. éééé . .O papai tá vendendo ela. Pro seo Anacleto. O menino engoliu saliva sem gosto. fim de saber se ele tinha c01~prado a porquinha do pai. Zezinho sentou-se atrás da cerca de modo a não ser visto. Desconsolado o menino olhou para o cavalo ~o seo Anac1eto. Olivinha chegou a se encostar nele e ele não respondeu. Depois o menino ouviu os catatapos dos cascos do cavalo castanho no chão. Podia arranjar veneno e dar para ela. Ficou lá macambúzio no cantinho dele. Decidiu que ia se afastar e esperar o homem no caminho a. Nem notou a tristeza decorada no rosto ào irmão. Tou cansado de saber. Será que já tinham fechado o negocIo entao. Andou depressa para a estrada. Vou pensar. Zezinho se afastou e foi tentar ouvir a negociação do pai.Mas não tem jeito de pôr defeito. Acho que vou acabar comprando.o homem freou o cavalo. Zezmho. Olha bem a tralha e vamos pra dentro beber um café. Não percebia direito que tudo vaI passando. o seo Martinho. O menino continuava debruçado sobre a cerca. Olivinha se aproximou. Olivinha ali toda tagarela. Zezinho não foi visto. O. Zezinho. Zezinho. _ O senhor comprou a porquinha? _ Ainda não. . mastlgando o freio. Anadeto. A leitoadinha tá ?1Uito bonita mesmo. Ali debaixo da figueirinha. Lá a gente combina sem pressa.O papai tá lá dentro vendendo a Maninha com leitãozinho e tudo pro seo Anacleto. seo Odilo. Eu não queria que o papai vendesse ela não. mas depois o homem não tinha dinheiro nenhum. Viu o pai se aproximar do chiqueiro em companhIa do seo Anac1eto. Zezinho. do lado d~ fora. mas estava desencantado. o~tras ~01. O pai estava negociando a porquinha preta dele com o senhor Anac1eto. Eu gost? tanto dela. Foi falando sem papas na língua. _ Oi .papai falou ~ue t~ precIsando de dinheiro.de~ais por uma coisa.o menino chamou com uma voz chorosa e espontaneamente deu com a mão. Pensou em dar um jeito de matar a Maninha. Zezinho ficou meio escondIdo no mato. . sentmdo-se um tanto sem valor na vida. Tomara que o s~o A~acleto não compra ela não. _ Seo Anacleto . sas.Ela tava praticamente vendida para. Eu gosto tanto dela que nem voce gosta. _ Eu já sei disso. Ficou ouvindo. _ Fiquei ainda de resolver se compr~ ou nã~. sarna de cachorro. Os homens foram para ~entro da casa e ele ficou lá todo àcachapadinho. _ Não amola não. Era só conversa. . Zezinho.começou a gagueJar. _ Só tou falando que o papai tá vendendo ela agora. Eu já tratei dela tanto. Vou dar· a resposta pro seu paI amanha. Agachou-se atrás da cerca. Achou que se a porquinha não podia mais ser dele. não devia ser de mais ninguém. O pai e o homem foram olhar a porquinha preta. Ficou beirando a parede da sala. . sem responder nada. Por quê? Tá interessado em vender ela depressa? . Zezinho. _ Acho que hora dessa o papai já vendeu ela. Os homens estavam proseando sobre. sozinho. Anacleto soltou um risinho e falou: É capaz que "nóis combina".

boquiaberto. nervoso. né? É. .. o coração num toc-toc de galope.Então eu não vou comprar a sua porquinha.inha e nem vou contar pra ninguém. ele vai te bater. - _ Pode acreditar em mim. Assim que nem cachorra. Estava suando. Zezinho..levantou os olhos assustados para o cavaleiro e ficou boquiaberto. O senhor não fala não? Não falo não.. Sentia-se meio suspenso.. O seu paI tem cada mama . Não vou com?rara sua porqu. Criei ela desde de leitoinha magrinha. O homem sentiu uma lamentação profunda na voz do menino. . e você não queria que o seu pai vendesse a sua porquinha? É . Parou de falar. E ela ficou mansinha. Sabia que o seo Odiloera um homem durão . meio descontrolado. . Precisa ficar triste não que eu não vou comprar ela. Foi um pouco até na mamadeira. -.coçou a cabeça. Zezinho. seo Anac1eto. Pode ficar sossegado. Sabe. . A mãe dela morreu e eu criei ela.Hã.. Havia no rosto dele sinais de desolação.Ah. Não fala pra ninguém? É que se ele souber.Até logo..levou a mão direita na cabeça. Até logo. desespero. Sabe.. . . O homem percebeu que o menino estava suplicando alguma coisa usando toda a força do seu sentimento sincero. . seo Anacleto. Não vou comprar a sua porquinha e nem vou contar pra ninguém. O seu pai tem cada mania.. A porquinha vai continuar sendo sua.. É que eu queria pedir pro senhor. Só se outro comprar. enrolou o cabelo castanho.Mas o senhor não pode falar pro papai que eu pedi isso pro senhor. Pode acreditar em mim. De estimação. . hein? É que aquela porquinha é minha.

Às vezes o Orlando parecia estar contra o Zezinho e _então queria ver a Maninha ser vendida. .es gostavam dela. iam ~scondidos. Sempre que iam pescar n~ Par~~aíba. Vai o Cabinho. . bonitos. Or.Mas o Valtério vai também .Vai eu. _ A gente vai começar logo alI no fundo.Sei lá disso não. Voce podia ter matado um tambén~: Hoje .Não é no rio não. É mesmo? . ele também não queria que a porquinha fosse vendida.eu tava sem sorte. Vamos. olha só que mhambuzao eu mateI. 19 irmãos chegaram em casa OS lando exibia um inhambu.A gente pesca e caça.Vocês não vão pescar no no nao. Todos el. É capaz que eu vou também.Ficou ouvindo os tatacapos do cavalo do homem.Sei lá. Tão logo o pai saiu a cavalo para .Então eu não vou . Acreditou que o seo Anacleto era um homem generoso.. . . Tinha certeza que o homem tinha ~m~en~ado a palavra com honra. . É capaz que eu já vou pegar um dmhemnho dele hoje. . Zezinho. .A Ondina falou que o papai vendeu a Maninha com a leitoadinha pro seo Anacleto. Chiquinho. A gente tem que falar que vai pescar só no corgo. grunhindo festivamente. aos poucos iam criando coragem e nadavam cada vez mais longe do barranco. Principalmente agora com aquela nmhada de seis leitõezinhos pretinhos. o Felício e o Cabinho. na realidade. Chiquinho. Depois silêncio.E eu também -' Chiquinho falou alto. Chiquinho falou.Chiquinho falou.~ cidade.Eu quebrei a perna de um também -. . . _ Tá falando alto. . .Vamos pescar no rio amanhã? O papai vai pra cidade. Zezinho . . o Augusto.l~ na cidade. . mãe. .acabassem nadando no rio e era pengoso.Zezinho falou decididamente.Vamos subir ou descer? . Naquele dia o pai nao Ia dar golpe nenhum contra ele . h'? em. Nenhum dos meninos queria que a porquinha preta passasse para outro dono. Sabe que a mamãe não gosta que a gente vai pescar no rio. Assim mesmo a mãe falou: . . mas os pais dos meninos temiam que . Tirei pena de mais dois e nao mateI. Lá você pode dar muita estI1mgada com o meu estilingue. . Domingo cedo Zezinho ouviu o pai dizendo à ~ãe: _ Vou terminar o negócio com o Ana~leto. Pro lado da cab eceIra da' maI's peixe quando chove..Orlando falou. Do lugar raso. Vai o Augusto. pelo escurecer. às vezes nao. . Orlando.Subir. eles . O rio ficava a apenas tres qUllometros dalI. E mudou de assunto i~ediatamente. Zezinho acreditou na promessa do seo Anacleto.indo pescar.O Valtério não vai nada. .~í. O Felício me chamou hoje. Zezinho? você "não quis ficar. Zezinho? . os três irmãos apanharam as varas de anzOlS e co?"~er·· saram alto para que a mãe pensasse que eles mam pescar somente ali no córrego. Entretanto. É.

Ela é muito maneira e se provocar muita gangorra dentro dela. E a sua por.Barba-Preta já foi beber pinga.. Encostaram no outro barranco. Zezinho? Cabinho já parecia olhou com azedume. .Entretanto já se considera~am homens. Quando passaram pelo rancho do pescador. Quando nã~ bebia muita pinga. Entraram na canoinha do pescador. . Do outro lado do córrego encontraram o Felício com uma latinha de minhocas.A gente quer passear de canoa. O fio corria com a sua serenidade. hão . Estava com inveja do colega possuidor de uma arma tão boa daquele jeito. . Lá no rio eu quero pegar é pomba do ar no jeito.Pois eu vou te dar um estilingue de presente. Desceram.. O que foi. Zezinho olhou para o galhofeiro Cabinho com uns olhos mais amenos. Ele morava sozmho. É só deixar e não caçar perto começou a matar com~go não ia ter comIgo. ele já não estava. Esse é o melhor que eu já fiz. Meu pai não pode durmo no mato. . Quero acertar uma pedra no papo ou no pescoço duma e derrubar ela da gameleira lá do porto. E ele proibido de usar estilingue. . Agora que o Zezinho já inhambu. Augusto estava esperando mais na frente. Zezinho. Zezinho resolveu experimentar a arma do Cabinho. vai bater. Zezinho bebia a felicidade das águas. O senhor leva a gente lá em Goiás? . estar atazanando. Se um de nós correr do papai. Mas será que era verdade? Será que aquele homem iria levar em consideração o pedido dele? Parou de repente. _ Vai caçando com ele até chegar no rio.é que nem o papai. - .Então o seu pai cortou o seuestilingue canivete. Depois voltaram e pescaram alguns peixinhos. era um companheirão. Eu corro. ~ez~nho não quis discutir o assunto. quinha. Desceram beirando o córrego e encontraram o Cabinho sentado na ponte velha de madeira.Experimenta meu estilingue.Chiquinho falou. Havia dois remos.Oi seo João-Pescador. O estilingue era mesmo bom. . não quero falar nisso. . do azul do céu bebendo as águas lá longe. Zezinho? Ele vendeu? Chiquinho respondeu primeiro: . o negócio hoje na cidade. o estilingue escondido no mato de casa.Cabinho foi falando logo.Se pegar ele com estilingue. . .O papai não quer ver ele com estilingue de JeIto nenhum mais .Só se vocês ficarem quietinhos dentro dela. Zezinho? Nada . É porque o seu pai não . . o conh~cido Barba-Preta estava no ranchb. Não vai dar uma volta no rio com ~ sua canoinha não? . O homem deixou os próprios meninos irem remando. duvidando da promessa do seo Anacleto. É que no momento ele tinha ficado meio pessimista. Comeram frutas. Vai terminar . ela vira e depois quem vai pra cadeia vai ser eu. Tinha lido no rosto e ouvido na voz do seo Anacleto que ele não ia comprar a porquinha dele.Tá vendendo pro seo Anacleto. não vai caçar?! Se fosse barriga-me-dói. João~Pescador.Levo. com o Zezinho i Ah. " .A gente promete que fica quietinho.Seu pai é brabo demais mesmo. depois ele pega e mata de bater. Não era muito largo naquele trecho. Mas o negóCIO nao Ia ser fechado.

-. Nao gostava que ninguém visse ou ouv~sse-o conversando com o animal. Zezinho já ~inha termmado o assunto mais importante e agora se divertia coçando a porquinha. o .. estava toda a meninada da vizinhança.Maninha. O menino foi logo para casa. Deixou os irmãos e os colegas no campo e foi tentar saber das novidades. SeI que lá. bobo.. É mentira. . então o seo Anaclcto tinha cumprido a palavra. e quando a gente viu. Estava se esbaldando de satisfação porque tinha provocado a perda do estilingue do Zezinho e a proibição de uso por parte do pai. O sol boiava por cima dos matos marcando cinco horas da tarde quando o pai do Zezinho passou ali beirando o campo a cavalo vindo de volta da cidade.E ela entendeu? .Descemos o corgo." . Vocês saíram daqui já com idéia ~e Ir p~scar lá. . .l. se você contar pros outros. vai é apanhar ./ . Ja tmha chegado no rio. . . né? Nenhum dos três respondeu. Zezinho imaginava coisas sobre o neg~clO do paI com o seo Anacleto. mas 'eu acho q~e ele nao vendeu não.do melO-?Ia. Cai um menino dentro daquele rio e pronto.. . Viu o pai subir do chiqueiro paFa o terreiro da cozinha com duas espigas de milho para o cavalo. Ele falou que não ia S' quero ver se ele é homem de palavra mesmo . . . vai. minha nega. Quanta gente já morreu Ia.. Em casa a mãe já estava um pOUCO ansiosa. ora.Só um pouquinho. EZINHO almo~ou e foi conversar com a porquinha preta. 10 . .Ãh. Zezinho? -. você não escutou? .Então aquele pescador não falou por aí não! . Ele tinha .Pergunta pra ela.Vocês foram pescar no rio. Ficava me' tolhIdo. _ Eta menina besta! Vai brincar de boneca.. Eu pedi pro seo Anacleto nao comprar você. Z 20 _. Sentia algum receIO. Tentou ler no rosto dele que ele não tinha conseguido 'vender a Maninha.. Tá falando b quê com ela. é perigoso.Agora acabou o caçador de inhambti. eu te esganico . "Ronc-ronc-ronc.. Zezinho viu o pai de longe.. Tinha que ficar negaceando para ouvir alguma coisa.Mas logo o pai esquece disso. Eu não gosto que vocês vão naquele r~~. E até perigoso nem ser encontrado mais nunca. _ Aquele homem é brabo que nem cobra caninana quando corre atrás da gente pra morder.Uai.lh. Sabia de tudo. . Se o pai dele pegar ele com um estilingue agora...O que você falou com ela. Olivinha chegou pé-por-pé. eu escutei tudo o que você falou com ela . Olha o papal fOI pra c~"dadefalando que ia te vender. Zezinho? . Valtério. O pai parecia meio aborrecido.. O sol já tinha virado os pon~ teIr~s . . Estftva~ C?~ fome.Tá aí beirando a cerca. Olharam entre si. Tava batendo papo que ia ser o maior matador de inhambu daqui. Mais tarde no campo de futebol. Valtério com uns olhos sem chamas de vingança.Que você tem cara de cavalo. enquanto os leitõezinhos chafurdavam as tetas da mãe.. mãe. Tem s~curl.

a Sara . Ouviram as novas ~~. Zezinho ficou por ali b VIstO. Quer me vender mais algum? _ Não. em vista. aqu!. M as o seo Ezequiel vai comÉ!? O no. Nao queria ser foi para o quarto . casa. Vai pra escola cedo. antes que o homem fosse para a roça. o ~utro comprador uma olhadinha nela F' I zeqUIel fICOUde vir dar e quer comprar po~co. .am?oh de futebol já esxinho: . Vendo logo' O ~a en. Os olhos esbugalhados olhando para o homem magro. alI. nha. leite. Quando percebeu ~~~ ea~~o. tenho uma magreladinha aí pra dar despesa. seo Ezequiel. já não tá na hora!? _ Não precisa ir cedo assim não. seo Ezequiel. hein? _ É. Zezinho planejou que precisava conversar com ele naquela segunda-feira de manhã. Tá cedo demais. _ Ah.. O UVIUo pa' f' ~ pai mentrar em casa ' e beber. É por causa do pito que levou do papai. _ Espera os outros. Ainda não . m a consegUIdo com o Os irmãos chegaram d curo. hein Zezinho!? _ a mãe falou. _ Dia. Uai. né? _ É. Mas quando vende. Que~ mais vai ge~sOtaar I~lhazva~ crescer aqui em N-' e o ezmho ao. I Irar agua do pote . Viu a casa de tábuas do seo Ezequiel.O_senhor vendeu a Maninha '? _ Nao A' d _ ' paI.Tou danado de fome N. o m elfo Ia fazer falta entao a I 't d' . ogo. . come outra gente pra almoçar e pro Pt a e nmguem convida a pai foi almoçar na hor d . . __ Bom dia. d' h ?ac. zeqmel conseguir com ele o que J' ~.a mae perguntou. com a esposa ainda. que podia á seo Anac1eto. Nem bebeu Descuidaram um pouco e o menino fugiu. rapazinho. conversando com o esso I a. ao almoceI o ho- Ezequiel morava perto da escola. Até falei pra ele que tou vendendo um cavalo e se tudo der certo. . Foi chegando com ares de investigador. a Maninha que você sempre fala nela? _ É _ o menino ficou meio nervoso. homem sentou-se no ban t a a Janta.acabado de soltar o animal e . gente come uma coisinh .a ou que tá vendendo um cavalo No quarto Zezinho ficou f r seo Anac1eto e já com a e IZ ~om a palavra do relação ao seo Ezequiel . O homem já estava tratando das poucas cabeças de porcos que possuía. Zezinho. nem tmha conversado . m a nao O A I sultou o bolso e viu q . Quando o tacou uma pergunta: co osco da cozinha. Aprontou-se depressa e foi saindo para a escola. vaI nada Eu" t h . A porcadinha do senhor tá bonita. é bem capaz que compre. né? Uns cobrinhos de nada. O senhor quer comprar mais porco? Por quê? Você tem porco pra me vender? O seu pai é que me ofereceu uma porca com meia dúzia de leitão ontem na cidade. Foi correndo pelo caminho estreito coberto de matos pelas laterais. dá dinheiro. mãe . A . era um magricela bom e o . É que a porquinha que ele quer vender pro senhor é minha. TPuhlga atras da orelha com m a de agir I E . mem reclamou.eto disse que con_ Ih _ ue. Iqum o perguntou baiEntão .conseguIU vender a Maniao prarela. _ E você não tá querendo vender a sua porquinha? Mas por quê? .e~no achou. Zezinho? o papai n. _ Tá com pressa de ir pra escola.

. tinha certeza que o seo Ezequiel também ia que ele cumprir a dele. qum a nao. ç . Se não conseguisse. u com uma _ _ Mas e se eu vozinha trA 1a. Ao ouvir esta frase da mãe. _ Mas pra porco não falta comprador.Ica só entre nós. Ele quer. Percebeu que tinha que lutar até o fim. nzum das abelhas zumbind ncapoelrados. _ Eu pensei que pudesse até trocar a porquinha naquele cavalo. obrigado.mprar a sua porquinha? _ O senhor fIca o dono dela Falo . os moradores da fazenda PE . porca. emu nao comprar? . Os passaros peraltavam Zezinho sentia mais um . O sol nas povoações de matos. Aquela é da sua . Odilo. . O homem não podia vender o cavalo pois era a única condução que tinha. O soltava sua primeira sauda ãoo zoan~o. menmo fOI o primeiro ' estava a casa de t'b ~ chegar a escola.FICOUolhando para o ho adlvmhasse o resto. O cavalo dele é muito bom. choramingante. Zezinho. Zezinho percebeu que a mãe já não importava mais com a venda da Maninha ..o compraMesmo que fosse preciso edir' ua porqu~nha preta. o e· deIxar c0migo I f' . O largo. . seo Ezequiel.. Cada um tinha que lutar muito para conseguir o que queria.Gostar mais de mi~'.. sso . esperando E o seu pai quer vender? É.spn:ocupado que eu não O .E se eu co.· 21 N AQUELE anoitecer. Estava sentindo a vida sob o ângulo da luta. . E assim mesmo com a cabeça erguida. Zezinho ouviu o pai dizendo que o Ezequiel não podia comprar a porquinha preta também. Eu não queria nã. A porquinha' e sua Eu pe . seu sentimento e era ta 'd tnunfo borbulhando no Ag ora p l'aneJava que iria o por uma emoçao posItiva ngI . A vida não era moleza. . Estava envolvido por esses enlevos quando o segundo aluno chegou. De tudo. Valtério ficou do outro lado. Lá uas Pelos arredores mato~ e ~unclOnando como escola zu maIS matos e . ue o pai arranjasse para a s o . . a mesma COIsa a todos eles iriam atender ao . Daí chegou a professora.-.Eu vou gostar mais . mas também só devia ser dureza para os moles. "Tá dando estilingada pra mostrar que tem estilingue e que o papai cortou o meu e me proibiu de andar com estilingue por causa dele. haveria de sair perdendo só depois de muita luta. . É. dando pedradas de estilingue nuns periquitos fuleiros que se misturavam com a verdura das folhas. . É um bobo mesmo.o. dor q conversar com t d . dOIS. mem. f nseI que fosse outra falando isso. . zoando. _ Então o eu não vou comprar Mas senhor _ eu pedi isso pro senhor pode_ falar pro papai que _ P d' " senao ele me bate . da escolinha foi ganhando vida. É. Pode Ir pra escola d vou comprar a sua por . es Ima.. Era justamente o Valtério. Zezinho se afastou mais para um canto. tI~ha esperança que todos seu pedIdo. confiado no seo Anacleto e o homem tinha cumprido a palavra. Assim como tinha - n:~o a sua porquinha. ." Logo os outros meninos foram chegando. Já ouvi muita gente Então.

Zezinho. _ Vender a Maninha agora é bom pra todo mundo. quando depois de três meses que a Maninha tinha dado cria. nao aver comnheiro e todos eles ti v~a ores andavam meio sem diacreditou que o paI' _n fam seus porquinhos. _ Morreu foi de fome. certamente seria morta. E se não fosse vendida.e pe~o jeito até queria mesmo u . Dessa vez a Maninha iria embora mesmo.enhum Esse povo aqui da fazenda não tem dinheiro não Acabo . vendIda. Debocharam dele. . Cad~ u~ t~rmlUha. O prillleiro porco a morrer foi no chiqueiro do Ezequiel. comprador de porco da cidade. A peste suína estava abocanhando porcos e mais porcos. Odilo falou alto: _ Vou . Sabe nada. Zezinho chos e três fêmeas. nervoso. meu filho. Tição. pela peste. Deita T" ammalzinhos foram f d ' Içao. Zezinho ficou triste duplamente naquele dia. Certamente q e a porqumha fosse suras. né? O dia foi assim. . comprasse a sua porquinha PTat a m~g~em que não nhão passar apanhando' vez ate VIsseum camicom a. Depois que a peste passar. ma logo fazer de E acreditava que ia cOnSegUi. a. cidade ele não podia ir ed' o e . Zezinho nao osse mais ve d ntretantd um dia ouviu: n er a porquinha. Nem queria ver a Maninha ser levada para longe. a mae.Tiquim ' vem ca. Estava emocionado naqueles instantes que deveriam preceder a chegada do caminhão. . seu pai compra mais porco e você amansa outra leitoinha pra você. alerta. tanto brincár com a leit~ad~hulU a e Pulguinha: De que eram uma graça. _ Pra ele vender depois. E . a peste suína chegou à fazenda matando porcos. . F'Ica so a leltoadinha o mes que .aceto e com o Ezequiel.preclsava apenas ficar dando a porquinha com r~I Izendo qu. Chiquinho veio gritando lá do chiqueiro. o. Falaram que essa peste não perdoa porco nenhum. mãe.Vou vender a Maninha d uns dez porcos . O pai deveria chegar logo com um caminhão. a porqumha pra À 22 vida ia assim nesse passo lento. n. f h e Icanam sem lU a amansado toda a uel . Estourou o alarma. A gente não sabe nada dessas coisas. a gostava muito daquela cria. cria. a tal Montou no cavalo e saiu às pressas para a cidade. Menininha TtlUh~ ~eu nome: Cascudo.e. tudo agora. Os leitõezinhos estavam com . Deita . Já amanheceu um porco morto hoje. a causa estava nas suas travesO menino resolveu .os A meninad Ican o mansos que nem a mãe. Se ficar aqui no terreiro é bem capaz de morrer. O dia reinava de arrastO.. Mas a Maninha ela não vai matar. Quem falou que não? Eu que sei. É A Aí o Zezinho ficou aborrecid . 'Quando ouvisse o q~ed. f" dOIS meses agora. Os Ia d . Senam desmamados. Eram três ma· Tiquim. A' ven do tudo J'unt o for "quan N vender I vem eu vendo tud o. Estava perd~~~~~ ~u~:~ando a Maninha FICOUalerta~ Passaram-se uns d' falou em vender a M anm h a Parecia iaS e ho pai não . estavam mansmhos ' . peste. Outros porcos começaram a morrer noutros terreiros. .Ezequiel falou entre os conhecidos. O sol foi abaixando o vôo do entardecer e nada do pai chegar.estava negoo que já tinha feito com ouAano1 tal. _ Um porco morreu de peste lá em casa .vender meus porcos magros e capados. ven dendo ess . Ezequiel.meI~ pessimista. prador por ali.

Um capado já morreu. u ela Se morrer tudo.. .Olivinha perguntou quando o homem desarreava o cavalo. o nome do outro. . ho marcou um gol e mão dele parabemzando. Até o governo proibiu venda de porco. Zezinho gostou porque a Maninha e os leitões iriam continuar no terreiro. Z . pai? .. m. e Valtério gritou o nome dele e ele gritou mesmo t 1m . ha beirando o córrego e Enterraram a Memnm hia do Valtério. Urubu não vai comer ele.Vendi nada. urubuzada que trouxe essa f tudo.Então eu vou.Aí. . . Dona Leonor já estava na porta da sala. . Andavam aos trotes pelos pastos e pelas cercanias das casas. no paiol :~~~ni~ha :~abou de morrer. quando seu pai chegar. Essa peste estourou por aí feito um inferno. .. me dá uma o· = surra. marca. . . Bandos de urubus empretejavam os ares. mãe! Foram ver. Iam aos trotes de uma carniça para outra. d pelo outro tambem. a m . . . . . . Todo mundo fala que a porcada tá toda doente. As folhas amªrelavam. pegar ele já. d a no papo de um urubu _ Vou tacar uma pe r V lt'rio Vou com aquele estilingue que '!ocê me deu. ho apertou a arcou um gol e o ezm 1 ' . já vai sofrer mais. 1 ' scondido. Os limpadores dos terreiros estavam até enfarados. Zezmho. eu enterro ter o gosto de come. a e . Zezinho! Eu r babar e morrer. ezm. e saiu com um F·01. . Zezinho acreditava que o pai não tinha vendido os porcos. dendo o estilingue F~ram. Urubu tinha carniça demais para comer. _ Só mostro se você for Ia. Depois foram chupar cana em compan saíram.Zezinho! O Tiquim morreu! Foi o primeiro que morreu da Maninha! . . Pra te dar.Espera um pouquinho. _ Vamos lá pra casa. _ Passa a bola. É ' ê A{r s~c papai me pegar com ele. secavam e caíam. Os matos já estavam enferrujados e feios. O porco gordo estava deitado beirando o cocho. Era no tempo do frio. Zezinho estava escon Ch' uinho chegou afobadamente. O homem chegou quando o sol se despedia. Odilo? . Agora não sei o que vai ser de nós.Olivinha deu a notícia. Estava taciturno. foi para b emza o. Era carne demais.Não achou comprador. Elé e o Valtério já andavam querendo voltar às boas novamente. Va terIO Z .Ninguém compra porco de jeito nenhum. Nem precisavam voar longe. . Valtério.r . atada No final do jogo estavam com a amIzade novamente. Va~tério ~alou: a eu tenho um presente _ Se voce for Ia em cas .Eu vou enterrar ele. mas também não achou bom porque o pai podia levar muito prejuízo.Vendeu os porcos. Jogaram bola no . murchavam. Os passarinhos derramavam suas canções plangentes·. Empelotavam de negrume as frondes das árvores. . É só ir caçar _ Anda com e e soe longe e nao chegar com ele ?em casa. Zezinho enterrou o Tiquim e resolveu ir jogar bola com os colegas. fiquei vendo ela espernea'l t bém Urubu não vai E vou enterrar e a am .Ih. Valtério entrou no quarto estilingue de lá. _ Essa dupla ta danada. C b' ho falou. "? _ O que. Zezinho. . . Acho que 01 essa peste do inferno.

Não ouviu a dona Vanda falando que essa ave é útil. ver! Zezinho foi. Zezinho. Foi essa urubuzada mesmo que trouxe essa Foi não. Tirou a calça curta e mergulhou no poço. Valtério? É. I? Suspeitava que SIm. Era carne Porcos secavam sem uru us demais. Zezinho tomou a golfada da lavagem nos ombros. . Marimbondo te ferroou. . Vou ver ISSOnao. Quando o sol p~ntava o~e~r~~os nos galhos. Faz bem pra gente.Bicho fedorento do inferno! . . Zezinho saiu correndo para o córrego. seo mentiroso! Não é. Zezinho não deu importância ao falatório do irmão mais novo. A gente não agüenta esse cheiro de carniça.Eu tou é com raiva desse bicho que tá feito macumbeiro por aí. do dia despertando. Falta1 terrar o terceIro eI . .Ih. O bicho cambaleou no galho e vomitou coisas devoradas num banquete. . depOIS e a. Iam sair os dois quando o Chiquinho apareceu. . ba do d e en . _ Quero ver ele morrer não. O leitão es ava mando a boca. Aquele feiticeiro! Não vem aqui perto de nós não. esput escoiceando.Mas ele não pode pegar estilingue de ninguém. os leitões pnmeIro e vam três . vam no chão e Iam banq~e ear~omerem.Foi mexer com o bicho que tava quietinho na árvore... Caminhou para uma árvore empretejada de urubus e atirou uma pedra no papo de um deles. . Pulaos urubus estava~ Ia emp t O festim era fácil. d 1t Zezinho tinha acaA noite vinha da c~r 0 't~a~'da Maninha. . . Enquanto o urubu meio tontoJOdespencou do galho até uma certa altura.Esse estilingue é do Valtério. Tá aí pra limpar a carniça do terreiro. Zezinho. . Chiquinho. 23 O Tição tá morrendo. Será que Iam mo:rer . h ' Corre aqui! Vem Zezm o. Eu que emprestei pra ele um pouquinho só.Vou contar pro papai que você arranjou um estilingue e tá andando com ele. Zezinho? O urubu me vomitou.Zezinho saiu apressadamente enquanto o outro ficou esperando ali na beira do córrego.Você tá brabo à toa. credo! Zezinho tirou a camisa às pressas e jogou no córrego. .

_ Será que o Cascudo vai morrer logo. . E outra vez lá estavam os urubus espiando com aqueles olhos que o menino julgava agourentos. a Toquinha morreu! Não vai enterrar ela não? .. abusan. Maninha? Rein? O resto tudo já morreu e você não chorou. Os porcos se amontoavam uns sobre os outros e os mais magros e fracos até morriam macetados por baixo. Foi um esvoaçar assustado. A porquinha foi roncando. foi ficar debaixo da figueirinha. safadaiada do inferno?! Euensmo voces já. Zezinho afagou as orelhas dela. né? A porquinha foi se esticando e deitou-se. _ Vai fazer muito frio essa noite.. Pulou no chiqueiro e antes de tocar a leitoinha chamou alto: ' .ra . Soprava um ventinho frio. mas de vez em quando faZIam galhofas uns dos outros. E você? Vai morrer também? Sua bestinha safadinha.fazendo macumba pra Maninha morrer. O menino brincou com as papadas dela. Ele era o último da cria. A porquinha enfiou a cabeça entre as pernas dele e parou roncando. Nos olhos. chorou sim." . Caboclos pobres acendiam fogueiras e passavam a noite inteira ao redor delas. Você não vai morrer não. reclamando da vida. agora um tanto emagrecidas." Viu a porquinha pastando grama ali perto. Nas camas não havia agasalho suficiente para evitar o frio. Tem jeito de choro no seu rosto. parecendo vidrado.r'a. Cascudo veio logo também. Ela amanheceu dura e ele até chorou ' ra'. hein? Ou chorou? Deixe eu ver. Reinava um céu profundo. Não tem jeito. Ah. Pegou o estilingue e atirou pedras no bando." . ainda ali bulindo nas tetas da mãe. E vou fincar uma cruz na cova dela Ou. Coçava a cabeça: "Seja tudo pelo amor de Deus!" . .Pulguinha! Pulguinha! Empurrou-a com o pé direito.Tao. raça praguejada?! Atirava mais pedras e as aves fugiam em sibilantes revoadas. M·aIs uma I' .Zezinho. minha nega. Ela estava tesa.do de mim. . Os urubus pousavam encolhidos nos galhos. A revolta dele explodia contra aquelas aves. '. .. O pai andava triste. Falei pra mamãe que ela não ia morrer. _. É preciso esquentar o Cascudo senão ele morre de frio. "Vou enterrar ela. · f est avam dISarçando a dor? Seo Odilo olhava para os porcos morrendo. Eram noites frias e tristes. Todo n:undo estava reclamando. Vinha chegando a noite. Depois dele decerto vai a Maninha. Apanhou a leitoinha e saiu pesaroso.Zezinho caminhou para o chiquel'ro.tra vez ia o menino enterrar mais uma fil~~ da Mamnha.Vou. h' eltom a da porqumha preta parecia estar morta. Depois de enterrar a Toquinha. Olhava para os matos amarelados e pensava: "Só falta o Cascudo agora. A árvore ficou balançando Escondeu o estilingue novamente e foi para casa. _ O Ezequiel tinha uma porquinha piau de estimaçao. O menino estava sentado num tronco estendido no chão. O menino tornava a esconder o estilingue e voltava para casa. Maninha. "Será que a Pulguinha já morreu meu Deus!? Ela tá ali esticadinha que nem morta . mas acho que vai surr.Tão aí . Os urubus estIcavam ~s pescoços e ficavam espiando ali perto. Maninha! Maninha! Vem cá.

e lá se já não tava morto quando o bando deItou em CIma dele? . O menino ficou triste igual a noite com aquele ventinho frio soprando. Acho q~e morreu macetado pelo bando que dormiu em CIma dele. Todo macetadmho daquele jeito. Queria fugir e ficar sozinho. . Ela estava roncando bem vivinha. Tá com jeito de peste não." . A porquinha não deu sinal de muita alegria . Vai ser ali na beira do corrego. A peste ~ntrava no or~anismo ?e ~m porco e o matava logo. aquele jeito triste de quem está ficando doente. Ia anoitecendo. Maninha!? Você tá doente. _ Sabe de uma coisa... .. _ Come mais senão você vai morrer.. Maninha. A peste estava invadindo o organismo dela. "Mas ela vai morrer aqui em casa sendo minha ~mguém conseguiu comprar ela. "Tá boa mesmo. Hora daquela do amanhecer a porquinhà não queria saber de tais brincadeiras. Deixou a Maninha no chiqueiro e foi para dentro.. Zezinho estremeceu. A porquinha comeu um pouco do milho e se mostrou enjoada. . Pulava da cama e saía afoitamente para ir ver a porquinha. . Se ela mostrasse. Parecia uma plaqumha de porco no chão. Vinha outro escurecer. Maninha." Mas assim mesmo ficava apreensivo no decorrer da noite. Zezinho jogava milho para a porquinha preta e ficava observando o jeito dela comer. lameando nos barreirose dormindo noS chiqueiros desolados. Ag?ra da família só faltava ela. A peste estava por. _ Come.dando suas tetas. O menino engoliu saliva amargosa. vai morrer nessa noite. "Ela tá perrengando!" Ficou boquiaberto! Os olhos arregalados! _ Maninha. Queria chorar. Apanhou uma espIga de milho e foi tratar dela. _ Bom dia. ela tá com um jeito sadio. "Ah. Zezinho suspeitava que aquela era a última noite da Maninha. MUltos porcos já tinham morrido. soprando . come.escutou? Zezinho estava penando. Vai amanhecer morta não.Sab. Chiquinho. no dia seguinte já podia ter certeza que ela amanhecerIa morta.. Maninha não tinha mais filho roncando ao redor d~la. Noutro entardecer a porquinha preta estava com um jeito triste. Um medo no seu sentimento dizia que a porquinha . Queria saber somente do milho. Garanto que ela não vai te matar. Mas pode ser que ela não vai morrer Deus ajuda." Passava mais um dia e a porquinha continuava passeando no meio dos companheiros mortos. Zezm~o pressentia que a hora da sua porquiriha preta de estIma estava chegando.Vou enterrar ele assim mesmo. alI feIto um monstro invisível matando os porcos. Vai morrer .. O Cascudo morreu.Mas eu 'acho que não foi de peste não. Pelo anoitecer Zezinho ia examinar a Maninha. E se não comer. A peste não tem força pra te matar. O último filho da Maninha acabava de ir para a cova. Falei que ele ia morrer logo e você disse que não. chafur. Cascudo amanheceu macetado. A porquinha parecia estar enjoada. Maninha. A peste podia ter dado uma violenta cutelada e matado a Maninha. . As vezes o ammal anOIteCIamacambúzio e amanhecia morto. Só restava um consolo: . viu. Vou' enterrar ela ~ fI?Car uma cruz na cova dela. Os chiqueiros estavam tnstes.

Foi aí que o Zezmho OuVIUuma frase violenta do pai: _ Vou matar essa porquinha pra tirar um pouco de gordura e carne. . danadinha! ° ° 24 mais porcos foMANINHA foi ficando.° . pode mesmo.Maninha! A voz dele saiu numa tremura de emoção. Mais porcos morreram. Pela madrugada aconteceu o esfarinhamento da geada. Estavam esperando que o tempo se fin~asse a fIm de se convencerem que a peste tinha mesmo Ido embora de uma vez.Você tá aí de pé e forte. E a Maninha não morreu. Porcos eonde não sobrou ram morrendo. pois agora o pai nem andava mais 'ligando para a Maninha. Depois todo mundo perde tudo o que tem. Mat~r a Maninha depois que ele tinha lutado tant~ e ela t~nha sobrevivido ao cutelo da peste?! Isso era mconcebIvel. Zezinho se pôs a tratar da Manin~a com de~Icação exclusiva. . impiedosos. o papai falou que vai te matar pra comer a tua carne. Eu não falei pra senhora que ela não ia morrer?! Aconteceu. Caminhou com um receio tremendo. menino estremeceu mais' uma vez. único ponto de consolo era saber que a porquinha estava morrendo ali sob os cuidados dele e sendo ele ainda o dono dela.. Pode ser até pro outro lado do rio. Ele estava bastante feliz. Deitou e ficou pensando na porquinha. No terreiro do seo üdilo ficaram cinco. Zezinho pulou cedo e foi ver a Maninha. E alé. do sopro deixa estragos e mais estragos. r: . É. mãe. Você vai? Zezinho jurava que ia dar um sumiço na porquinha. A peste passou feito um vendaval que ?epois. Tinha valIdo a pena lutar e esperar que a porquinh~ ão morresse atacada pela peste.. a peste estava ali para matar o seu animal de estimação. A Maninha e mais quatro porcos. Tinha lutado tanto para conservá-Ia no terreiro e após tanta luta. Houve casa nem um para continuar a raça.Acho que a peste já passou e foi embora dona Leonor falou. _ Agora ela pode criar e encher o terreiro. Os urubus arrepiados. '?I Mas o senhor tem coragem de matar eIa. Talvez fosse pior. A gente tem é que vacinar. .m dISSO. Ia morrer mesmo . paI nao falava em o vendê-Ia. Odilo falou alto: _ Vendo milho e compro mais porco.preta iria morrer naquela noite. Percebeu que na vida tudo tem seu tempo de duração. menino achou que não devia falar sobre aquilo com ninguém. Talvez matasse a porquinha mais depressa. Tudo faz parte da ilusão de uma época. Foi uma noite de ventos frios. Também ninguem quena comprar porco ~or ali. dura de frio. Um céu empedrado de estrelas. Ela devia estar esticada. estava de pé. A porquinha respondeu com aqueles roncos conhecidos. Eu vou te levar pra bem longe. Afastou-se de perto do pai e foi conversar com a porquinha preta. inclusive um gordo. Maninha engordou um pouquinh~. HaVIa mUltas caveiras de porcos por todos os lados. Estav~ sendo muito bem tratada. _ Maninha. Mas não. As aves encolhidas. Havia muito milho no paIOl e man~lOca no quintal. . Naquele entardecer a .. PaI .Olivinha ainda puxou assunto com o pai sobre a Mamnha: .

Mas atravessar como? Se pedisse a d ra mas.:~<t. A velha. pois parecia que ninguém tinha visto a sua fuga. u 116 aI a era atravessar o rio e ir pa G' . Porco já Essa Maninha na-o~ d' aO tem pengo de morrer. Vou te levar até lá no fio e depois você nada pro outro lado. No domingo o pai foi cedo para a cidade. um embornal onde pôs quatro espigas de milho e foí para o fundo do quintal.' .. "Vou pegar a estrada velha .Fica mais fácil pra gente matar Ela deita e a gente enfia a faca no coração dela. Ainda tinha que lutar para salvar a vida da porquinha preta. e e raça b oa. Por isso é que e vou matar a Maninha segunda ou terça que vem.Não tenho dó de porco T porcadinha piau que é . ° . Zezinho. ~~~~:n~~~[S:Í:~. .~esca or Barbad~s coisas direitinho ~a~sre~er~~~eq~~r~a_ ~ qUfer~rsaber VIÇO Ah . era quan o o paI Ia matar a . " Estava com sorte.Não gosto de porco t Falam que o bicho t pre o no meu terreiro. ou comprando uma vacinado contra a este u~~ raça col~sso. ° _° -=- A - ~:~v~~~~:o ~e:~~n::s::'.ega[ a canoinha dele. Viu um cavaleiro.as depois o pai chegou com' oito porcos I i P us. Havia duas estradas para o rio. -Preta que o atraves o . __ Então não come. Estav~ . Olivinha. A gente coça ela e 25 Z EZINHO ficou de prontidão. . Levava também o estilingue que tinha ganhado do Valtério e um embornalzinho com pedras.E o senhor não tem dó? . .ir~hachata. e a nova. menino amarrou a cordinha na perna direita dela e tocou-a.. alou que não vai não. _ Eu também acho que não vou comer não. paI'. Maninha. Vai amolar os porcos. A porquinha estava deitada e deitada ficou. pai tinha inventado que não gostava de porco preto e que o bicho trazia praga somente para matar·a Maninha. por onde as pessoas passavam. ' e e. ao ana o ser.A Maninha é de todo mundo.Z~~h~d~uv~u ~quela dconvers. papai vai matar a Maninha segunda-feira. A Ma.O~~~t:h= ~Oda~~:mj~~~:~ i~e. Zezinho comeu biscoito e não saiu com os irmãos. Alcançou a estrada. .Por que não? da dcita~la é mansinha demais. e ogIando muito aquela raça. Deixou a porquinha e entrou no mato. mnh a e dOIZezinho é que não vai gostar '. Só sabia que queria chegar ao rio e fazer a porquinha nadar para o outro lado.Mas eu acho que ele na-o vaI' comer a carne F deIa nao. Não jogava milho para a porquinha. . É de quem comer a carne dela. ~. precIsava enganar o Barba-Preta. Ia descalço. abandonada. Zezinho! Você não vai mesmo comer carne dela? _ Vou não. raz praga.. Sobra mais carne' dana~. Talvez pedisse ao Barba~Preta que pusesse a porquinha na canoa e a soltasse do 'outro . . . Tocou o animal por um trilho. Ia Dois d.É melhor pra voce entao. Do Zezinho é o pedaço que ele comer.Ee:~E:~~d:~anl~~~e ~:e~~~~. . Não podia ser visto. Apanhou uma cordinha. _ Vou te levar pra longe. Cada vez mais ele se envolvia naquele caso e ficava cada vez mais impressionado. Bom mesmo era se d colocar a Maninha dent!'ouee~se p.

. Sabia também onde o pescador escondia o remo. o papai vai te matar. vazio. A canoinha dele é maneitinha. Chegou ao rancho do pescador sem encontrar com ninguém pelo caminho. A canoinha dele e manemnha . Ninguém respondeu.ou~. O menino estava tão inspirado que nem olhou para o rio direito. viajado na canoinha. Talvez ele até estivesse nela. Remar ele sabia. () rio não era corrente naquele trecho.lado. Empurrou a embarcação leve c a canoa se pôs ao largo e começou a rodar. Amarrou a porquinha ali perto do rancho e foi ver se a canoinha do homem estava por ali. Já sei remar.Entra. Enfiou o remo no volume das águas e foi se distanciando do barranco. Já sei remar.Seo Barba-Preta. Se ficar desse lado. Você não vai ser minha mais. A canoinha estava escondida onde ele sabia. Uma inspiração de homem que ele sentiu. O rio parecia grande demais. Será que não era uma sucuri tentando jogar uma laçada nele? Agora o jeito era enfrentar a travessura maior. Vou te levar e deixar do outro lado." Foi uma inspiração forte. Até julgava que sabia remar muito bem. Buscou o animal para perto da canoa. Maninha estralejava grãos "Vou pôr a Maninha na canoa e leva~ ela p~o. ficou com medo. Quando percebeu direito o que estava fazendo. Se o pescador estivesse no rancho. . "Vou pôr a Maninha na canoa e levar ela pro outro lado. Maninha. tinha certeza que ia conseguir isso. A porquinha pulou dentro da canoa para comer o milho. Tinha ido algumas vezes ali. O rancho estava solitário. . Jogou milho dentro dela e chamou a porquinha. Um peixe deu uma lambada na flor das águas.o lado. mas o papai não vai te matar. mas a canoa foi rodando e ele remando.

Tinha tomado um banho mas estava tudo bem para ela. Quando estava no meio do rio Ju menos. Maninha já esperava por ele. VIU uma aguada de bois.{) nos dentes. Mas a tarefa estava quase cumprida. A porquinha ali perto. saltar. menino branco?! No rio . Zezinho grudou num galho tentando parar a embarcação. Sentiu um pouco de fome apesar de ter comido muita fruta. comeu e deu à porquinha. Foi puxando-se pelos galhos e molhadinho alcançou o barranco com um medo danado de sucuri e jacaré.parou a mão de pilão. . A porquinha ameaçou pular no rio. Se ao menos pudesse voltar agora e fazer de conta que nem sabia da Maninha. Pisou de lado. Não sobrava mais milho para a porquinha. .odando muito. Pelo entardecer ele viu um rancho de capim soltando fumaça. "É ali!" Tentou encostar a canoinha. Maninha escorregou. o menino arregalou os olhos.Do rio!? Três negrinhos surgiram dos arredores com o cabelinho meio marrom. Então é gente de peixe.. A embarcação do pescador Barba-Preta certamente iria embora . Viu uma preta socando arroz num pilão.. Vou te dar mais milho. Havia um menino do tamanho dele. Com muito custo chegou do outro lado. 'E. Não conseguiu. E o pai? E o seu pessoal? Maninha parecia satisfeita.Pára aí. Tinha certeza que ia tomar a maior surra da vida. Parece que agora queria encontrar uma casa. rodando sem parar.. Mora aonde. Seu paI anda . A preta arregalou uns olhos esquisitos para ele. Zezinho sentiu medo da travessura que estava realizando.Dadonde você é. Tinha saído uns cinco quilômetros para baixo de onde sempre saíam. Havia matos e mais matos. pois aquela era a sua maior travessura. Maninha! A canoa ia se distanciando do barranco. assustando até uns bois ali perto. .. A porquinha deitou e viajou deitada. O barranco era alto e havia matos. A porca se entretinha com o milho e ele continuava remando. .Tenho que pegar a canoa. .Vou te levar por aí. Entretanto não queria deixar a porquinha sozinha naquele mundo.. . Zezinho? O menino ficou meio desesperado. Ficaram olhando para o estranho com curiosidade. Nem sabia onde ia sair. A canoa . Maninha? Apanhou frutas em abundância beirando o rio. Aproximou-se. Zezinho ficou pendurado com os embornais. E nem sabia se ia voltar também..Vamos comer goiaba e jenipapo. agora. A canoa foi rodando e o menino procurando ~m jeito de encostá-Ia num lugar onde pudesse . Zezinho viu jeito de bondade no rosto daquela mulher. A roupa secou logo. Depois foi tentar ver a canoa do Barba-Preta. A inspiração o levava em retirada e ele nem sabia para onde. Nem sinal. A canoinha deslizou para baixo. Descansou perto de uns bois. pulou no rio e nadou para o barranco. menino? . Maninha. Maninha! Fica quieta senão você tomba a canoa.Um menino!? 0. Mas não havia jeito de encostar a canoa. A canoa se enroscou nuns galhos um pouco para baixo da aguada. O sol quente ia secando a roupa dele no corpo. Tocou a porquinha por um trilho de gado.

Ia entardecendo. Até chegar gente do seu povo.Sei não senhor. ... _ Te conheço não. A preta fritou carne de aves do mato. Quase não existia porco por ali... Zezinho foi dormir sobre um couro de cabrito. .. E o seu pai? Anda muito longe. O João foi caçar e vai trazer passarinho.O menino mora aonde? .Saí.Vai querer morar aqui? Zezinho olhou para o homem. Aqui onça pega porco.... aonde? Bem longe mesmo. De vez em quando a mulher olhava para ele com os olhos estatalados.Bem longe . Aqui perto não tem casa. Quer comer aqui em casa? Quero. . Ali estava a Maninha. Ficou por ali. Daqui mais um pouco. Onça pegava porco. Fome acha bom o que tem. A negra falou sobre o menino e o' homem olhou para ele com desconfiança. Você não quer falar. . .. Carrego uma porquinha comigo. Ele inspirava um pouco de medo. Os pretinhos soltaram umas gargalhadas. Fazendo o que pr'essas bandas? Andando com fome.Saiu do rio com a porca? . Eu queria ficar aqui .. Felizmente o frio já não bafejava mais por ali. Ali naquele pedaço de cafundó era triste. Agora o menino estava danado de fome. Tá com medo de alguma coisa. Um menino do seu tàmanho sozinho por aqui. . Foi anoitecendo.Mas é esquisito. Os negrinhos foram se aproximando dele como se ele fosse um bicho raro. Veio aqui em casa mode comer? -É. O sol estava entrando quando o homem chegou com dois jaós e um mutum.. O menino tacou uma pergunta: . Não conta nada .. Isso não tá me cheirando coisa direita.Quero ficar aqui. . meAndo com ela . Fica . Será que o menino vai gostar da sua janta. Aqueles pretos tinham umas cabecinhas que pernoitavam no chiqueiro.. Você entende com o João quando ele chegar. O senhor deixa? .. Vai entender com o João. A preta chamou o Zezinho e deu-lhe um pedaço de rapadura bem preta com requeijão amarelado. Sozinho? É. Menino esquisito.Longe. Coisa esquisita.Longe . . Vai pra onde? . E o seu pai? Sua mãe? Tudo mora longe . Zezinho teve permissão para pôr a porquinha num chiqueiro velho que havia. Eu ando é com fome... Posso pôr ela no chiqueiro? Porquinha sua?! Onde arranjou porco.Menino branco ficar aqui? -É.

beirando o caminho. É porque você falou que ia matar a porquinha dele. . Alguém deu notícia: . Os meninos dormiram. Mas o pai estava diferente. Todo o pessoal da fazenda foi ajudar a procurar o Zezinho.. Zezinho devia ter caído no rio e morrido. .E ele tinha coragem pra isso? . Quando o dia foi clareando. . Barba-Preta não estava no rancho. As meninas também. Foi o quê. todo dolorido por dentro. A mãe começou a chorar. O pai estava com uma voz medrosa. Ninguém sabia do menino.Vi um menino tocando urna porquinha preta para o lado do rio.O menino saiu de casa com urna porquinha e parece que veio pra cá. seo Odilo? O senhor tá esquisito! . Odilo! É. Arranjaram outra canoa e foram investigar. Tem rasto de porco aqui. . Nalgum vizinho.Vou conversar com o Barba-Preta .Os meninos já procuraram por aí em tudo quanto é casa e ninguém deu notícia. O pai ficou perturbado." O pai esbravejou seu poder: .A gente acha ele. Barba-Preta?! Vi não.. Barba-Preta levantou do seu pouso e foi caminhando para o rancho. Zezinho estremeceu quando viu o pai. Deve tar por aí. Deve ter ido esconder ela bem longe. .o pai falou. é coisa perigosa. mas os pais não dormiram nada. Nem num barranco e nem no outro. Foi anoitecendo e nada do Zezinho. Estava muito escuro e somente grilos e aves noctâmbulas davam sinais de vida beirando o rio. Ontem não fiquei aqui. O menino só podia ter rodado com canoa e tudo e hora dessa já estava morto. A escuridão declarou perigo.Eu vou achar ele com urna correia. O menino devia estar perdido nos matos e o pai ficou preocupado.parece que até havia jeito de choro na voz do pai. Agora a apreensão tomava conta dele. o alarma já tinha estourado. Tinha bebido muito e estava dormindo no mato. Leonor . O pai estava deveras preocupado. Foram investigar.A gente vai ver.Pego ele e dou uma surra pra ele não esquecer mais nunca.. O menino só foi descoberto peloentardecer. Deu de cara com o pai desolado. eu não devia ter falado. meu Deus do céu! . Leonor! Não fala isso não.26 UANDO o seo Odilo chegou da cidade. . A canoinha do Barba-Preta não estava por ali. _ Minha canoinha foi levada do lugar dela.Será que ele não pegou sua canoinha e foi embora nela não? . Todo mundo procurando. mulher! Foi urna noite de inquietações. . Parece até que entrou no rio e foi embora. A noite se encorpou de estrelas e nada. .Aquele menino é .. .. seo Odilo. _ Você não viu o Zezinho meu menino. na casa dos pretos. Tou chegando agora. A mãe chorou alto a princípio e depois ficou chorando baixinho. "O Zezinho fugiu de casa com a Maninha. O pai estava arrependido de ter planejado matar a porquinha preta do menino.o Zezinho morreu afogado no rio! Coitadi- Q nho dele! _ Acho que não.Se foi. A gente acha .

de sair O pranto. não foi nela que a porquinha preta atravessou o rio de volta. Mas. A mãe viu o Zezinho de volta com a porquinha preta: Abraçou e beijou o filho num choro darido. comia milho no chiqueiro dela e o menino sentia que a vida tinha um outro efeito. meu filho?! Tá ali no chiqueiro. Quinze quilômetros mais abaixo a canoinha do Barba-Preta tinha sido pega por uns pescadores. Sentiu um abraço diferente daquele homem. A gente vai levar ela pr~ casa. Ela vai ficar no terreiro pra dar cria. da cor da noite. marejando pranto. Zezinho. Será que ele já estava se tornando homem ou simplesmente a grande travessura tinha sido um triunfo nas suas lutas? o meninp viu o pai com os olhos. meu filho! Que isso!? Ficou doido de casa assim?! menino viu o pai com os olhos marejando Sentiu um abraço diferente daquele homem. Maninha. . O papai não vai matar ela não. Cadê a Maninha. Foi numa canoa maior.

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