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FENOMENOLOGIA, PSICODINÂMICA E COMPORTAMENTOS PATERNOS

FENOMENOLOGIA, PSICODINÂMICA E COMPORTAMENTOS PATERNOS

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A família nuclear mudou. Os processos de subjectivação feminina e masculina não atribuem mais á mulher a obrigação de ser mãe e, para o homem, também tem diminuído a pressão social para que se torne pai (Pontes et al, 2005).
O papel tradicional de provedor foi desvinculado exclusivamente do homem abrindo espaço para a mulher transitar mais livremente no espaço público, através do trabalho, ao mesmo tempo que convoca o pai para um conjunto de outras acções e responsabilidades no contexto intrafamilar, numa possibilidade de divisão equitativa, entre o casal, das responsabilidades de sustentar a casa e cuidar dos filhos.
As funções educativas da família e da escola foram igualmente alteradas e, por vezes, entram em disputa ou deslocam-se mutuamente nalgumas das suas atribuições, como sejam as de oferecer às crianças e aos adolescentes suporte para a aprendizagem do respeito, ética, valores e identidade-cidadã.
Sobre a função paterna, Nolasco (1993) sublinha que os homens procuram novos modelos para a construção da identidade, não mais orientados pela virilidade e poder. Ball (2005: 51), por seu turno, refere que “a descoberta do pai genitor, a emergência da noção de paternidade, é um acontecimento histórico considerável, fundamento de um núcleo trinitário pai-mãe-filho, fator de ordem e de estabilidade, base da idéia de família, estrutura biológica forte que se tornará estrutura social forte, tendo a propriedade de educar sua descendência, de se perpetuar”
No presente estudo, procura-se reflectir sobre: as funções contemporâneas do pai, tendo em conta a sua auto-percepção da paternidade, a forma como os pais assumem responsabilidades no âmbito das tarefas que se relacionam com o cuidado e desenvolvimento das crianças e, ainda, os ideais e valores que procuram veicular através da sua acção educativa paternal.

A família nuclear mudou. Os processos de subjectivação feminina e masculina não atribuem mais á mulher a obrigação de ser mãe e, para o homem, também tem diminuído a pressão social para que se torne pai (Pontes et al, 2005).
O papel tradicional de provedor foi desvinculado exclusivamente do homem abrindo espaço para a mulher transitar mais livremente no espaço público, através do trabalho, ao mesmo tempo que convoca o pai para um conjunto de outras acções e responsabilidades no contexto intrafamilar, numa possibilidade de divisão equitativa, entre o casal, das responsabilidades de sustentar a casa e cuidar dos filhos.
As funções educativas da família e da escola foram igualmente alteradas e, por vezes, entram em disputa ou deslocam-se mutuamente nalgumas das suas atribuições, como sejam as de oferecer às crianças e aos adolescentes suporte para a aprendizagem do respeito, ética, valores e identidade-cidadã.
Sobre a função paterna, Nolasco (1993) sublinha que os homens procuram novos modelos para a construção da identidade, não mais orientados pela virilidade e poder. Ball (2005: 51), por seu turno, refere que “a descoberta do pai genitor, a emergência da noção de paternidade, é um acontecimento histórico considerável, fundamento de um núcleo trinitário pai-mãe-filho, fator de ordem e de estabilidade, base da idéia de família, estrutura biológica forte que se tornará estrutura social forte, tendo a propriedade de educar sua descendência, de se perpetuar”
No presente estudo, procura-se reflectir sobre: as funções contemporâneas do pai, tendo em conta a sua auto-percepção da paternidade, a forma como os pais assumem responsabilidades no âmbito das tarefas que se relacionam com o cuidado e desenvolvimento das crianças e, ainda, os ideais e valores que procuram veicular através da sua acção educativa paternal.

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05/09/2012

ENC CONTRO INT TERNACION NAL A UN NICIDADE D CONHEC DO CIMENTO

CIE EP Centro de Inve estigação em m Edu ucação e Ps sicologia

FE OME OLO A, ENO ENO OGI PS ODINÂ ICA E SIC ÂMI CO POR AME TOS OMP RTA ENT PAT P TERNOS
Ade elma Pimen 1  ntel Ed dson Frazã 2  ão Vítor Franco3  V o

  As psicologi nas  Uni s  ias  iversidades e  Faculda s  ades  públic e  priva cas  adas  contin nuam  send do transmit tidas pelos  docentes c como um c corpo poliss sêmico de  conhecime entos.  Os  p problemas  d investig de  gação  adqu uiriram  org ganização  s sofisticada  e exigência as de  resultados  com merciais,  e face  a  gestão  da instituiç em  as  ções  de  en nsino  supe erior,  atualmente, se  orientarem m pela lógi ica do capit tal e pela c criação de  regulamen ntos e  determinações do que pes squisar.  Ta diretriz  está  alinh al  hada  a  rev volução/exp pansão  do  capital  fin nanceiro.  Deste  D mod a  ciência  em  g do,  geral  e  a  psicológic no  qu se  refe ca,  ue  ere  ao  qu uesito  finan nciamentos s, são norm malizadas pelas prescr rições de pr roduzir con nhecimento o que  seja  transforma ado em ma ais valia. Pa ara realizar r tais imposições dois s parâmetro os de  valor desigual são  indic r  l  cados:  no  campo  acadêmico,  a  formaç ção  de  equ uipes  inter rdisciplinar res;  no  c campo  dos resultad s  dos  comerciais,  fom mentar  diál logos 
1 Dr.ª Psicologia clin nica, adjunto III I na Universida ade Federal do o Pará. Docente e e pesquisado ora da graduaç ção e 

mestrado em psicolo ogia clinica e social.  apimen ntel@uevora.p pt 
2 MS e em Biologia, As ssistente IV na Universidade Federal do Par rá. Docente e p pesquisador da a graduação em m 

psicologia.  3 Profe essor Auxiliar na Universidade de Évora. D Docente e pesqu uisador em psicologia. vfran nco@uevora.p pt 

PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora.   
 

internacionais, nacionais e locais dos pesquisadores de modo que as limitações de  um país, região ou estado seja suprida através de trocas.  Os  produtores  do  conhecimento  psicológico  seguem  tentando  pós‐modernizar  as  suas  concepções  de  ciência  refletindo  epistemologicamente  os  seus  objetos  e  metodologias.  Procuram  efetivar  investigações  orientadas  pelos  princípios  de  desconstrução  das  metateorias  e  da  inclusão  do  sujeito  informante  no  delineamento e realização da pesquisa.  Porém uma situação que tem mantido a sua feição polêmica é a do objeto da(s)  psicologia(s).    Para  as  fenomenologias  é  a  consciência  intencional  voltada  para  diversos  fins,  por  exemplo,  a  transcendência;  a  elucidação  de  si  mesmo,  das  relações e do mundo. Para os behaviorismos, é o comportamento observável direta  e/ou  indiretamente;  e  para  as  psicanálises,  o  inconsciente  e  suas  pulsões,  porém   considerando‐o de vários modos. Por exemplo, Lacan o concebe estruturado como  linguagem.    Os trabalhos orientados pela psicologia filosófica se valem da:   1) fenomenologia  husserliana,  a  qual,  embora  possua  inspiração  distinta,  não  consente aos  psicólogos  saírem  do  campo  metodológico  da  clássica  trincheira positivista, na medida que se mantém recorrendo à descrição  das  coisas  mesmas.    Nesta  vertente  o  objeto  é  a  essência,  definida  em  Dartigues  (1999)  como  o  imutável,  o  que  não  varia.  Tal  determinação  esbarra  na  impossibilidade  em  criar  estabilidade  para  a  condição  humana e sua teia de relações (Arendt, 1992).   2) fenomenologia existencial teísta ou ateísta, cuja proposição (em ambas) é  recolocar  a  problemática  do  cotidiano  humano  como  pergunta  central,  preocupada metodologicamente com o esclarecimento  da existência. Em  seu  bojo  a  corrente  institui  dois  saltos  epistemológicos  no  fazer  da  psicologia:  a) compreende  que  a  verdade  apoditica  é  o  objeto  da  filosofia  de  Husserl;  b) toma a consciência intencional e relacional como objeto.  3) fenomenologia  existencial  hermenêutica  que  confirma  a  ruptura  do  modelo  anterior  e  a  expande  quando  se  prende  radicalmente  a  investigação dos atos intencionais de consciência expressos em diversas  linguagens.  4) Acerca  das  “ciências  psicológicas”,  Frazão  (2006)  afiança  que  em  conjunto não alcançaram o estatuto epistemológico de ciência, devido às  seguintes ocorrências:  a) falta de coerência interna; 

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PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora. 

b) indefinição do objeto de estudo, de modo que não desenvolveram  unicidade  epistemológica  (idéias,  temas  e  problemas  ‐  condições  necessárias para alcançar os princípios de cientificidade) que lhe  garanta  eficiência  técnica,  unidade  e  eficácia  metodológica  de  intervenção e tratamento.  Descrevendo  seu  modelo  de  trabalho,  Pimentel  (2005)  recorre  a  análise  fenomenológica do discurso proposta por Ricoeur (1979). Algumas orientações da  mesma integram a metodologia base que a autora se vale para ponderar os dados  empíricos. Os estudos de casos e multicasos integram o delineamento da pesquisa  qualitativa. Deste modo a psicologia fenomenológica existencial hermenêutica vai  sendo  configurada  não  afeita  as  generalizações.  Quanto  à  dimensão  teórico‐ epistemologica,  os  resultados  encontrados  no  campo  investigativo  são  compreendidos recorrendo às chaves conceituais oferecidas pela Gestalt‐terapia.  Franco  (2006)  preocupa‐se  com  os  limites  e  as  possibilidades  dos  modelos  de  investigação psicológica em psicanálise. Argumenta que a formação, a inserção nos  serviços  de  saúde,  a  pratica  da  transdiciplinaridade  como  alguns  dos  dilemas  da  produção do conhecimento.  Elenca  o  que  considera  desafios  da  investigação  e  da  produção  de  saber:  ao  longo  da  minha  prática  profissional  como  psicólogo  e  professor  tenho  aprendido  sobre as virtudes da pluralidade em Psicologia, acreditando que a unidade possível  da Psicologia está na aceitação de um modelo de compreensão da vida mental que  seja  sólido,  coerente  e  útil,  mas  assumindo  que  os  grandes  contributos  da  investigação  psicológica  para  a  vida  dos  nossos  dias  vêm  da  sua  riqueza  e  diversidade teórica e metodológica.  Diz  o  autor:  escrevi  há  uns  anos:  “As  tradicionais  fronteiras  delimitadoras  dos  diferentes domínios do saber, do conhecimento e da investigação, vão‐se tornando  cada  vez  menos  estanques.  Deixam  de  ser  espaços  de  separação  e,  estando  cada  vez  mais  diluídas,  tornam‐se  zonas  de  proximidade  enriquecedora  e  de  sobreposição estimulante, espaços para um trabalho desafiante e fecundo.  No  âmbito  da  Psicologia  o  contínuo  alargamento  dos  seus  domínios  de  intervenção e investigação tem permitido uma compreensão da realidade humana  progressivamente  mais  abrangente,  que  ultrapassa  os  limites  das  suas  diferentes  especialidades e se projeta para além das dimensões das várias disciplinas.   Este  movimento  tem  conduzido,  por  um  lado,  à  especialização,  com  o  surgimento  contínuo  de  novas  áreas  dentro  da  Psicologia  e,  por  outro,  a  novas  articulações e interligações, com a permuta salutar e criativa de novas perspectivas  dentro  dos  domínios  mais  clássicos  (Franco,  2004).  É  desafiante,  mas  recompensador,  tanto  do  ponto  de  vista  profissional  como  acadêmico,  trabalhar  nessa zona de charneira onde frutifica a investigação. 

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PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora.   
 

Se esta é uma oportunidade e um repto, há, no entanto, alguns perigos: Vivemos  uma  época  em  que  as grandes  teorias  do  desenvolvimento  e  os  grandes  modelos  explicativos  foram  colocados  de  lado,  em  detrimento  de  micro‐teorias.  Isso  tem  repercussões no modo de encarar e operacionalizar a investigação podendo levar a  investigação  a  ser  puramente  descritiva,  socialmente  inútil  (se  bem  que  nunca  neutra  nem  descomprometida)  ou  então  excessivamente  pastosa,  isto  é,  investigação  apenas  teórica  e  em  que  não  se  dão  novos  passos  mas  se  fazem  apenas reorganizações do já dito.  Outro desafio neste campo situa‐se ao nível da produção do saber resultante da  clínica.  A  partir  da  clínica  produz‐se  também  conhecimento  científico  (veja‐se  Freud). No entanto, esse conhecimento ao transformar‐se em teoria submete‐se ao  veredicto  da  investigação,  isto  é,  da  sua  falsificabilidade  e  dos  seus  próprios  limites. É por isso extremamente interessante e útil um modelo como o proposto  por  Harris  e  Meltzer  (1990)  em  que  se  pode  fazer  o  enquadramento  da  investigação.  A  questão  do  uso  de  métodos  qualitativos  versus  quantitativos  é  assim de importância menor.   Frazão (2006) observa que em um primeiro estágio de seu trabalho alinhou‐se à  lógica  behaviorista  cujo  desenho  experimental  da  pesquisa  baseava‐se  na  perspectiva  manipulativa  funcional,  sinonímia  da  Análise  experimental  do  comportamento.  Neste  modelo  o  plano  de  pesquisa  se  dá  com  o  sujeito  único.  Quantifica‐se  o  comportamento  antes  e  depois  da  introdução  da  variável  independente  e  posteriormente  busca  comprovar  se  há  uma  relação  condicional  entre a variável dependente e independente.  Atualmente,  amplia  seu  horizonte  de  compreensão  e  de  análise.  Aprofunda  os  estudos  da  ecologia  comportamental  e  psicologia  evolutiva.  Recorre  a  uma  metodologia  que  se  vale  da  estatística  inferencial.  Tal  atualização  se  deu  pelas  avaliações  críticas  que  tem  feito  aos  problemas  epistemológicos  da  psicologia,  especialmente  ao  behaviorismo  e  a  psicanálise;  e  pela  verificação  informal  da  limitada  relevância  dada  aos  fatores  biológicos,  um  dos  eixos  do  tripé  bio‐psico‐ social de constituição do homem. Propõe que os profissionais que militam nestas  vertentes se organizem de modo a produzir conhecimento que as constituam como  ciências independentes.  Sobre  a  unicidade  epistemológica,  pensa  que  a  Análise  Experimental  do  Comportamento é vanguardista, pois atende aos critérios acima descritos, além de  realizar investigações interdisciplinares, em que as neurociências são importantes  interlocutores  que  contribuem  na  elaboração  da  resposta  para  a  questão  que,  talvez, seja a última fronteira do conhecimento: o que faz fazermos o que fazemos?  Como  explicar  a  origem  e  o  desenvolvimento  dos  comportamentos  em  homens  e  animais?  Após desenvolver estas questões, passemos ao campo de aplicação. 

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PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora. 

CONCEPÇÕES DE PATERNIDADE
Pontes  e  Cols  (2005),  afirmam  que  o  padrão  ideal  passa  a  ser  um  pai  mais  envolvido  e  ativo  com  seus  filhos,  que  brinca  e  instrui,  que  leva  os  filhos  para  passear  e  acampar...Mais  educador  na  vida  das  crianças  (p.201).  Rohde  (1991)  aponta  que  a  vinda  de  um  filho  pode  provocar  no  pai,  sentimentos  opostos  de  satisfação e alegria e exclusão, quando o bebê é percebido como rival ou centro das  atenções  maternas.  Quanto  à  interação  precoce  pai‐bebê,  os  efeitos  do  contato,  longo ou restrito, podem diferir consideravelmente entre populações de diferentes  culturas  e  países,  dependendo  das  normas  e  atitudes  das  pessoas  sobre  o  envolvimento paterno (p.128)  Wiliams & Aiello (2005) revisando a literatura sobre as influências paternas no  desenvolvimento  infantil  identificaram  que  as  funções  do  pai  eram  praticadas  de  acordo com o contexto socioeconômico, por exemplo, nos séculos XVI e XVII eram  de  provedor  financeiro  e  promover  o  desenvolvimento  moral  e  religioso;  no  XIX,  devido  à  industrialização,  estas  foram  reduzidas.  Asseguram  que  são  três  as  perspectivas em relação à paternidade: 1. Tradicional, caracterizada pela função  de  provedor;  2.  Moderna,  em  que  as  principais  atribuições  são  promover  o  desenvolvimento moral, escolar e emocional dos filhos; 3. Emergente, sugerindo a  participação ativa nos cuidados e criação dos filhos.  Zoja  (2005:152)  relembra‐nos  o  sentido  da  palavra  pai,  derivado  de  pater,  o  nutritor. Diferencia o pai do genitor, figura formal, criada, a partir do século II dC,  Roma para introduzir a obrigação de dar alimento a quem é colocado no mundo. O  que  dá  inicio  a  toda  paternidade  singular...é  o  ato  de  vontade  que  não  é  apenas  físico.  É  a  intenção  masculina  de  conceber  o  filho  e  formar  com  ele  um  vínculo  estável   Cada  vez  mais  ausente  do  mundo  interno  que  remete  ao  desenvolvimento  emocional e social dos filhos, a paternidade reflete as diversas crises que a cultura  ocidental  engendra:  família,  subjetividades,  representações  políticas  em  todas  as  esferas do poder, etc.   Entender  a  crise  da  paternidade  requer  focalizar  alguns  pontos  que  a  configuram.  Por  exemplo:  autoridade,  reduzida  pela  inserção  de  novas  figuras  masculinas  no  universo  psicológico  das  identificações  que  os  filhos  necessitam  para  subjetivação  masculina;  instabilidade  do  papel,  instituída  pelos  novos  provedores  de  recursos:  mãe,  filhos,  e  pela  rapidez  com  que  novas  profissões  surgem.  Zoja  (op.cit:169)  assegura  que  o  pai  é  –  hoje  –  estavelmente  deprimido.  Perdeu  o  interesse  pelo  trabalho  e  também  uma  grande  parte  da  sua  relação  concreta com a família.   Para  Zoja,  a  decadência  caracteriza  a  paternidade  no  âmbito  das  funções  e  da  imagem. Sobre esta última, afirma que o estereotipo é a marca da feição construída  mercadologicamente, os pais são todos jovens, todos belos e seminus. Todos eles  surgem  vestidos  em  jeans  e  de  torso  nu,  como  se  as  agências  de  publicidade  de  ______________________________________________________________________
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PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora.   
 

todo  o  mundo  tivessem  assinado  uma  espécie  de  acordo  secreto.  Com  imagens  mais ou menos tediosas, o pai foi reduzido a um corpo. (op.cit. p:229)  O  mercado  cunhou  a  figura  do  cuidador  para  substituir  a  do  patriarca,  entretanto,  O  cuidado  primário  do  pai  em  relação  ao  filho  permanece  um  ideal  nobre ou uma fantasia pouco sincera, na prática, esse fato constitui uma realidade  absolutamente  minoritária...O  pai  certamente  sabe  ajudar  sua  companheira.  Mas,  de fato, ele se apresenta como novo companheiro, não como novo pai... Falta‐lhe,  por  exemplo,  uma  relação  especifica  com  o  ato  de  nutrir  (op.cit.p:  230).  Pela  velocidade  com  que  os  comportamentos  masculinos  reais  se  modificam  atualmente  é  difícil  prever  quando  esses  padrões  viriam  a  se  tornar  realidade,  tampouco  quais  seriam  as  funções  especificas  que  os  distinguiriam  da  mãe.  Por  enquanto,  o  pai  primário,  dedicado  aos  cuidados  naturais,  é  essencialmente  uma  fantasia cultural. (op.cit.p:231)  Em nossa pesquisa o problema central é examinar as funções que o pai de carne  e  osso  considera  pertencer  a  sua  responsabilidade  com  o  desenvolvimento  dos  filhos,  para  identificar  quais  atos  contribuem  para  a  elaboração  de  um  projeto  humano  orientado  pela  ética  do  cuidado  e  amorosidade.  O  pai  não  pode  ser  necessariamente  o  sujeito  agressivo  que  assusta  a  criança  e  rompe  sua  simbiose  com a mãe...Mas a simbiose não pode ocupar o lugar de ideal, nem a mãe nem ao  pai indistintamente.  As  funções  biológica  e  afetiva  do  pai  são  proferidas  pelo  homem  que  conscientemente eleva4 o filho gerado e assumido. Para ser pai não basta saber o  que é o pai: é necessário conhecer o filho e a relação com ele...Heitor retira o elmo.  Formulando  um  augúrio  para  o  futuro,  ergue  o  filho  com  os  braços  e  com  o  pensamento. Esse gesto será por todos os tempos a marca do pai (Zoja, 2005:84)  Descrever,  compreender  e  explicar  são  os  três  horizontes  da  produção  do  conhecimento  epistemologias  que  focalizamos  sucintamente  neste  texto.  Os  modelos  teóricos  que  cada  um  de  nós  se  vale  são  de  base  biológica  e  filosófica.  Acreditamos que o limite de um abre a fronteira para a intervenção do outro, e que  todos  colaboram  para  responder  aspectos  da  problemática  psicológica  da  humanidade em seus aspectos intra‐subjetivos e intersubjetivos.  Um  desses  problemas  é  o  exercício  da  paternidade  em  uma  época  de  grande  individualismo.  Sabemos  que  os  benefícios  para  a  saúde  psíquica  e  social  da  criança  que  vive  com  um  pai  são  mais  amplos.  Por  exemplo,  a  aprendizagem  das  partilhas, dos valores etc. De que modo alguns homens eborenses estão exercendo  sua paternidade? Há modelos orientadores? Quais as funções que realizam e quais  valores  ensinam  aos  seus  filhos?  Compreendem  e  praticam  o  amor,  através  de  quais  atos?  São  alguns  dos  objetivos  da  investigação  qualitativa  e  quantitativa 
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Suscipere: elevar. Verbo. O ato de elevar fisicamente uma criança no ar por um instante significava transferi-la social e moralmente para um plano mais alto para toda a sua vida. Esta era a escolha do ai: um dom de vida social e moral para o filho. Zoja, 2005:153

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PIMENTEL, A.; Frazão, E. & Franco, F. (2007) Fenomenologia, psicodinâmica e comportamentos  paternos. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento.  Évora: Universidade de Évora. 

realizada  em  Évora.  As  respostas  serão  cotejadas  às  teses  dos  sistemas  teóricos  que fundamentam este texto.  As inúmeras mudanças que tem ocorrido na organização da família, nos papéis  feminino  e  masculino  nos  motivam  a  questionar  o  aporte  do  pai  para  o  desenvolvimento infantil e cuidados primários. Além disso, variações nos vínculos  familiares,  a  convivência  com  vários  agentes  de  paternidade  (pai  biológico,  padrasto,  avô  etc),  promove  a  coexistência  da  criança  com  várias  figuras  masculinas  que  podem  assumir  ou  não  as  funções  de  um  pai.  A  investigação  da  paternidade  levará  em  conta  variáveis  psicológicas,  educacionais,  sociais,  histórico‐culturais e ecológicas.    Esta investigação tem um caráter intercultural. Faremos em Évora e em Belém,  no Brasil, para identificar semelhanças e diferenças no exercício da paternidade de  homens que são pais biológicos de crianças entre zero e seis anos. Levaremos em  conta  um  delineamento  qualitativo  e  quantitativo  com  focalização  de  variáveis  psicológicas, educacionais, sociais, histórico‐culturais e ecológicas.   

BIBLIOGRAFIA
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