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A EVOLU
UÇÃO DOO GRAFISMO E A ESCRIT
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ABÉTICA
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E DOIS A SEIS AN

Essse trabalhho é fruto d
das observaações realizzadas em allunos de Ed ducação Infantil 
na  cidade  de  São 
S Paulo  O  O estudo  fo oi  realizado  no  decorrrer  do  ano  escolar  2006. 
2
Foraam selecion nados e coleetados diveersos tipos de desenh ho de aluno os da 1ª sérrie do 
Ensino  Fundam mental,  e  alunos 
a da  faixa 
f etáriaa  entre  2  e 
e 6  anos.  Foram  trabaalhos 
livrees  e  outraas  expresssões  gráficcas  produzidas  pelaas  criançass,  inclusiv ve  as 
prim
meiras  tenttativas  de  produção  da  escritaa  alfabéticaa.  Foram  analisados  116 
trabaalhos. 

O  desenvolv vimento  do
o  grafismo  infantil  nãão  deve  ser  mais  con
nsiderado  como 
c
frutoo  apenas  do 
d treinam mento  espeecífico.  Elee  é  um  proocesso  de  construçãão  do 
sisteema  de  representaçãão  que  cullmina  com m  a  produçção  da  esccrita  comoo  um 
instrrumento dee comunicaação e expreessão. 

 Facu
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uldade de Educcação PUC‐SP. v
vivimart@uoll.com.br 
MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 
De  acordo  com  os  estudos  realizados  pelos  pesquisadores  como  Ferreiro 
(1999),  Mèredieu  (1994),  Derdyk  (1989),  Greig  (2004),  e  outros,  nenhuma  das 
produções  infantis  pode  ser  considerada  uma  atividade  sensório‐motora  apenas, 
descomprometida  e  ininteligível,  pois  todas  elas  desempenham  a  função  de  um 
registro, expressam a necessidade de comunicação dos sujeitos que as realizam. É 
através  dessas  produções  que  a  criança  estabelece  uma  relação  de  intercâmbio 
com o mundo que a cerca. Portanto, tanto o desenho quanto a produção da escrita 
devem  ser  consideradas  atividades  que,  além  de  envolver  uma  operacionalidade 
prática, o manejo dos instrumentos e matérias, envolve o uso de uma simbologia 
complexa  que  se  revela  por  meio  dos  signos  gráficos,  fruto  de  um  complexo 
exercício mental, emocional e intelectual.  

Várias  pesquisas  sugerem  a  existência  de  etapas  na  evolução  do  grafismo 
infantil.  Do  primeiro  encontro  da  criança  com  a  folha  de  papel  surge  garatuja, 
composta de dois componentes típicos: o gesto e o traço. O trabalho gerado dessa 
forma não possui, a princípio, nenhuma preocupação com a figuração, mas mesmo 
assim  podemos  encontrar  nele  a  intencionalidade,  o  conteúdo  e  as  significações 
simbólicas, ou seja, uma tentativa de representação.  

Segundo  Greig  (2004),  o  ato  de  rabiscar  passa  por  um  processo  de 
desenvolvimento  em  que  podemos  destacar  a  fase  dos  rabiscos  de  base:  o 
movimento circular e o movimento de vaivém e a fase de rabiscos compostos que 
darão  origem  ao  traço  circular  e  às  figuras  primarias.  A  passagem  do  gesto  ao 
traçado  se  faz  primeiramente  sem  nenhum  controle  visual,  a  intenção  ainda  não 
está  na  forma  mas  apenas  no  ato.  Durante  esse  período  de  rabiscos  primitivos  a 
produção da criança pode ser denominada como “marca”: marca‐contato e marca‐
penetração.  É  aos  dois  anos  que  começa  o  controle  visual  do  traçado, 
primeiramente o controle do ponto de partida. A integração completa do olhar com 
os  movimentos  da  mão  e  dos  dedos  conduz  “ao  duplo  controle”  que  se  refere  ao 
mesmo tempo a ponto de partida e a ponto de chegada, permitindo a realização do 
círculo  por  volta  de  três  anos  de  vida.  Nessa  etapa,  o  traçado  arremessado 
transforma‐se  em  movimento  circular  caracterizado  pelas  mudanças  bruscas  de 
direção  –  “pontos  de  reversão”.  As  produções  criadas  durante  esse  período 
denunciam  um  evidente  prazer  do  gesto  marcado  pela  auto‐aceleração  e  pela 
necessidade de repetição. Com isso, a repetição dos gestos ocasiona a produção de 
diferentes  resultados  descomprometidos  dos  de  figuração,  no  entanto,  à  medida 
que  a  criança  faz  a  associação  de  gestos  e  traços,  ela  desenvolve  sua  atividade 
mental. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do grrafismo e a escrita alfaabética em  crianças de e dois 
a  seis  anos.  In,,  V.  Trindade,  N.  Trin
ndade  &  A.A.  Candeiaas  (Orgs.).  A  Unicidad
de  do 
Conhhecimento. Évora: Univversidade dee Évora. 

 
Figurra 1. Produçãão gráfica da ccriança de 1 aano e 11 messes – desenho
o livre 

Essse  desenh
ho  (Figura1 1)  caracteriza‐se  por  linhas  irreegulares,  poontilhados,,  mas 
tamb bém  traçaddos  com  angulação 
a d uma  reeversão  que  marca  aa  passagem
de  m  dos 
rabisscos primittivos ao esttabelecimento do vaiv vém em fussos. Segund do Greig (2004), 
por  volta  dos  dois  anos,  há  a  matu uração  parra  os  dois  rabiscos  dde  base:  rabisco 
circu
ular e rabissco de vaiv vém, cuja  distribuição
d o equilibrada reflete u uma associação 
de  seegurança  e de afirma
e ação.  O  gessto  gráfico  é  leve,  em alguns  moomentos,  com  o 
traçoo tremulo ee incerto.  

 
Figura 2 – D
Desenho do m
monstro – criaança de 2 ano
os e 6 meses 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 
Podemos perceber nessa produção (Figura 2) a presença do rabisco em vaivém 
e o surgimento dos traços verticais que anunciam a passagem do rabisco primitivo 
ao  rabisco  composto.  A  criança,  graças  a  uma  melhor  coordenação  viso‐motor, 
exercita  um  maior  controle  sob  seus  movimentos  com  o  lápis,  passando  para  o 
plano vertical. Esse desenho pode ser considerado um exemplo de surgimento da 
representação.  A  criança  é  capaz  de  antecipar  o  que  vai  desenhar  e  mantém  seu 
propósito. Ela é igualmente capaz de explicar, através da oralidade, o que produziu, 
diferenciando esta produção de outras que realizou.  

Essa  e  outras  produções  dessa  criança  ainda  não  chegam  a  ser  caracterizada 
como desenhos, pois não são reconhecíveis por sua forma, ou seja, elas ainda não 
apresentam  traços  ou  características  do  objeto  –  modelo  ao  qual  ela  está  se 
reportando.  

Essa mesma criança, um mês depois, quando solicitada a produzir um desenho 
livre, limita‐se a produzir um mero rabisco circular coberto por um fuso (Figura 3), 
uma  composição  um  pouco  regressiva  com  relação  às  possibilidades  recém 
adquiridas.  Mesmo  assim,  a  criança  é  capaz  de  explicar  o  que  desenhou  (“minha 
mãe  no  jardim”),  ou  seja,  o  seu  rabisco  exprime  uma  realidade,  possui  uma 
intencionalidade. Segundo Greig (2004), essas regressões fazem parte da dinâmica 
da progressão.  

Dois  meses  mais  tarde,  nossa  criança  desenha  uma  série  de  traços  verticais 
(Figura 4) entre os quais podemos perceber as primeiras efetivas figuras fechadas. 
Alguns dos traços verticais possuem um círculo nas suas extremidades – exemplos 
do aperfeiçoamento da motricidade fina. Essas figuras a criança denominou como 
vovô e vovó.  

Kellog (1969), no seu estudo sobre a natureza da garatuja, chegou à conclusão 
que  aquelas  que  parecem  linhas  casuais,  mais  ou  menos  agregadas  e  produzidas 
durante  o  segundo  ano  de  vida,  são  ao  contrário  enquadradas  em  20  tipos  base, 
linha reta, espiral, ponto. Elas constituem um verdadeiro alfabeto gráfico pictórico 
que  servirá  de  base  para  a  representação  de  figuras  mais  complexas,  pessoas, 
edifícios e outros. 

O  próximo  passo  no  desenvolvimento  do  grafismo  é  o  de  transformação  do 


signo  indiferenciado  para  o  signo  diferenciado:  superação  dos  rabiscos  e  linhas 
características desta fase para chegar às figuras e às imagens e posteriormente aos 
signos  formais.  Essa  transformação  exige  um  salto  qualitativo  na  função 
psicológica ou formas de pensamento. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do grrafismo e a escrita alfaabética em  crianças de e dois 
a  seis  anos.  In,,  V.  Trindade,  N.  Trin
ndade  &  A.A.  Candeiaas  (Orgs.).  A  Unicidad
de  do 
Conhhecimento. Évora: Univversidade dee Évora. 

 
Figura 3 

 
Figura 4 

Depois  da  faase  de  garaatuja,  devid


do  à  maturração  globaal  da  estru
utura  motorra  da 
criannça, podem mos observaar o surgim mento de peelo menos  dois tipos  de expresssão: a 
formma e a figuraa. “A primeeira é uma conseqüên ncia direta d da garatujaa livre e perrmite 
à  criiança  a  exp
ploração  mais 
m conscieente  e  maiis  segura  do 
d espaço  ee  do  ambieente.” 
(Marrtins, 2007) Nesse mo omento o co onjunto de figuras fecchadas (Figgura 5) substitui 
os raabiscos circculares e a predominâância do círrculo verdaadeiro conffirma a inteenção 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do grrafismo e a escrita alfaabética em  crianças de e dois 
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Conhhecimento. Évora: Univversidade dee Évora. 
 
 
da crriança e a  progressão o de sua ap prendizagem. Segund do Dedyk (1 1989), o círculo 
elevaado ao estaatuto de forrma fechad da, de corpo
o de objetoo, ganha im mportância. Gera 
a noçção de auto onomia, atrribuindo a ccada signo gráfico um m sentido dee permanência.  

 
Figu
ura 5 – Desen
nho de uma ccriança de 3 aanos. 

A  partir desse momentto, a criançça torna‐se capaz de eestabelecerr semelhan nças e 


diferrenças  entrre  os  elementos  e  dee  verbalizarr  a  sua  pro
odução.  Estta  verbalizzação, 
“vincculada  à  intenção  representa
r ativa  e  ao
o  aperfeiço oamento  d da  forma,  é  o 
verddadeiro passso para um m grafismo o maduro.”  (Martins, 2 2007) É juss lembrar n neste 
mommento  que  o  acesso  à  figuraçãão  e  à  escrita  não  leva  necesssariamentte  ao 
desaaparecimen nto dos rab biscos. Eless podem seer considerrados formaas de “desccarga 
maiss fácil” das emoções e dos pensam mentos.  

O  desenho ((Figura 6) aapresenta  uma volta  às linhas rretas verticcais com allguns 


ponttilhados naas pontas. P Podemos taambém observar as ttentativas  d de “fecham
mento 
do cíírculo”, sem
m eficiênciaa. 

Esssa mesmaa criança, do ois meses m
mais tarde,, desenha sseu auto‐retrato (Figu ura 7) 
em  forma 
f de  clássica 
c figgura‐girino  caracterizada  pelos  aspectos  ““irradiantes”  de 
seus  membros  e  “contineentes”  de  seu 
s rosto.  Podemos 
P o
observar  a  introduçãoo  dos 
detalhes: dois o
olhos, narizz, boca, duaas pernas ee dois braçoos. É a com
mbinação m mental 
desses elementtos e a representação o no papel  dos três grrafemas fun ndamentaiss que 
marccam a entraada na figu uração. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do grrafismo e a escrita alfaabética em  crianças de e dois 
a  seis  anos.  In,,  V.  Trindade,  N.  Trin
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Conhhecimento. Évora: Univversidade dee Évora. 

Figura 6 ‐ Prrodução da m
mesma criança cinco mesees mais tarde..  

Figurra 7 ‐ Auto‐reetrato. 

Allgumas  criianças  consseguem  elaaborar  a  fiigura‐girino o  precocemmente,  antees  de 


atinggir maturid
dade necesssária para  traçar umaa figura fecchada com  um traço ú único. 
Isso  acontece,  segundo  Greig  (20 004),  porqu ue  a  preccisão  e  a  concepção  não 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
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possuem  o  mesmo  ritmo  de  desenvolvimento.  Por  essa  razão,  fazendo  análise  do 
desenho  de  uma  criança  de  2,a11m  (Figura  8),  podemos  facilmente  perceber  a 
existência da figura‐girino com todos os detalhes presentes. A criança em questão 
não  possui  ainda  o  controle  duplo  necessário  para  traçar  um  círculo,  por  essa 
razão a sua criação organiza‐se em forma de um rabisco redondo, mais ou menos 
nítido,  completado  pelos  olhos  e  pelos  elementos  irradiantes  característicos  do 
tema.  

Nesse  caso  bastam  3  semanas  para  o  surgimento  de  outros  detalhes:  nariz, 
sobrancelhas, cabelos, mãos com alguns dedos e pernas com pés. (Figura 9) 

A atenção dedicada à formação da figura‐girino não elimina o desenvolvimento 
de  outras  formas  e  outros  temas.  Este  é  o  momento  do  surgimento  das  cruzes  e 
outras estruturas personalizadas. O domínio do quadrado é aplicado para a criação 
de  uma  casa  com  a  porta  e  as  janelas  representadas  por  pequenos  círculos  e 
cruzes. (Figura 10)  

Por volta dos 4 anos, a figura‐girino não é mais considerada uma representação 
satisfatória  do  corpo  humano.  A  próxima  etapa  caracteriza‐se  pela  introdução  da 
figura  agregada  e  a  verticalização  da  figura  humana.  A  forma  agregada  pode 
também  ser  substituída  pelo  fechamento  do  eixo  vertical,  tomando  então  uma 
forma  mais  ou  menos  retangular  ou  trapezoidal  (Figura  11).  Aparece  a 
representação  do  sexo  visível  na  diferenciação  das  roupas:  vestido  para  as 
meninas  e  a  calça  para  o  menino.  Podemos  também  perceber  que  em  alguns 
momentos os membros tomam a espessura de seu traçado chamado de contorno 
duplo (os braços da primeira figura do desenho 11). 

 
Figura 8 

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Figura 9 

   

Figura 10. 

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Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 

 
Figura 11 

A verticalização da figura humana ocorre por volta dos 4 e 4 anos e meio assim 
podemos falar da figuração da cabeça e do corpo. Todavia, esse processo não pode 
ser  considerado  homogêneo  para  todas  as  crianças,  pois  cada  uma  delas  possui 
características próprias que podem suscitar a precocidade ou atraso gráfico.  

No processo de desenvolvimento do grafismo infantil, de acordo com o avanço 
da  idade,  a  criança  apresenta  uma  linguagem  própria  relacionada  com  a 
construção  do  seu  próprio  eu,  confrontado  com  suas  relações  sociais  e  seu 
cotidiano.  Podemos  perceber  que  as  crianças  da  faixa  etária  entre  4  e  7  anos, 
começam  a  vincular  os  seus  desenhos  com  o  mundo  exterior,  logo  começam  a 
desenhar  pessoas  e  coisas.  A  questão  de  proporção  nessas  produções  está 
relacionada aos significados que a criança atribui à figura representada, ou seja, a 
criança  desenha  de  acordo  com  suas  percepções  e  não  com  o  tamanho  real  dos 
objetos. 

A evolução do desenho do animal acompanha à da personagem. Ela começa com 
os  rabiscos  verbalizados  como  gato,  cachorro,  etc.,  passa  pela  etapa  da  figura  – 
girino,  em  razão  do  antropomorfismo  da  criança,  para  chegar  à  etapa  de 
horizontalização. Nessa etapa, nenhum detalhe pode faltar mais. Da mesma forma 
que  a  personagem  possui  um  rosto  com  olhos,  boca  e  cabelos,  e  todos  os  seus 
membros  representados,  para  o  animal,  o  antropomorfismo  humano  é 
definitivamente superado com o aumento dos elementos inclusos, em particular o 
focinho e as orelhas. (Figura 12) Podemos, igualmente, perceber o surgimento do 
tema da flor, com suas pétalas agregadas ao miolo e as folhas agregadas ao caule, o 
que implica um domínio gestual da forma inclusa.  

O  desenho  da  árvore  feito  por  uma  criança  de  4  anos  e  meio  possui  tronco  e 
copa ‘cheia de frutas e flores’. Ao desenhar o homem amarrado no tronco, a criança 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

nomeia o seu desenho como: ‘a seringueira’ e explica que ‘ele está colhendo o látex 
para  produzir  borracha’.  (Figura  13)  As  características  dessa  produção,  o  traço 
certo  e  seguro,  o  espaço  ocupado,  a  pressão  forte  e  marcante,  podem  sugerir 
liberdade  do  movimento,  necessidade  de  espaço  amplo  para  se  mover,  desejo  de 
desenhar  e  de  crescer.  Nessa  etapa  a  criança  começa  a  compreender  que  quanto 
mais o seu desenho se assemelha à realidade que quer representar, melhor a sua 
tentativa  será  interpretada  pelos  adultos.  Assim  testemunhamos  uma  riqueza  de 
detalhes e características transferidos para a folha. 

 
Figura 12 ‐ Os animais da história 

 
Figura 13 ‐ A Seringueira. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 
A  fase  de  4  a  5  anos  é  uma  fase  de  temas  clássicos  como  paisagens,  casinhas, 
flores, super‐heróis, veículos e animais, em que a criança varia no uso das cores e 
busca um certo realismo. O desenho, nessa época, está também intimamente ligado 
com o desenvolvimento da escrita. Essa parte atraente do universo adulto exerce 
uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder 
traçar  signos  reconhecidos  socialmente.  No  começo  do  processo  de 
desenvolvimento da escrita, a criança encontra ainda dificuldades de diferenciar a 
atividade de escrever e de desenhar. Na Figura 14 podemos perceber de que forma 
as  figuras  desenhadas  e  os  elementos  da  escrita  são  parecidos.  Todavia,  o  autor 
dessa  produção  consegue  identificar  e  explicar  aquilo  que  deve  ‘ser  lido’  como 
“meus  nomes”  e  a  “chuva”.  O  mesmo  acontece  no  desenho  ‘minha  mãe  é  um 
dinossauro feroz’ (Figura 15) em que a figura da mãe é ‘desenhada’ e, portanto, se 
diferencia da escrita dos nomes das personagens.  

Segundo  as  pesquisas  de  Ferreiro  (1985),  essas  crianças  encontram‐se  no 
primeiro  nível  de  desenvolvimento  da  escrita  que  é  o  da  diferenciação  entre  o 
desenho  e  a  escrita.  Elas  já  chegaram  à  conclusão  que  as  formas  das  letras  nada 
têm a ver com a organização das partes do objeto ao qual se referem. Além disso, 
elas  perceberam  também  que  as  letras  ou  ‘aquilo  que  pode  ser  lido’,  deve  ser 
organizado  de  forma  linear.  A  partir  desse  momento,  procurarão  a  melhor 
representação  escrita  do  objeto  (ela  deve  ser  interpretável,  legível  e  deve  servir 
para dizer algo) passando pelo princípio da quantidade mínima e, em seguida, pelo 
princípio das variações qualitativas internas. No primeiro deles constata que para 
que uma escrita seja legível ela deve ser composta de uma quantidade mínima de 
letras  (ao  menos  três).  O  segundo  estabelece  que,  para  se  ter  uma  boa 
representação  de  uma  palavra,  as  letras  utilizadas  na  sua  construção  devem  ser 
diferentes entre si. Na figura 16, o desenho realizado por uma criança de 4 anos e 
10  meses,  representa  outro  nível  do  desenvolvimento  da  escrita  que  é  o  de 
“fonetização”.  Nesse  momento,  pela  primeira  vez,  as  crianças  chegam  a  uma 
solução satisfatória para um dos maiores problemas enfrentados no nível anterior, 
achar um controle objetivo das variações na quantidade de letras necessárias para 
escrever qualquer palavra que desejam escrever. Elas começam a colocar o mesmo 
número  de  letras  que  a  palavra  tem  de  sílabas,  ou  seja,  percebem  que  a 
representação escrita de uma palavra está ligada ao seu padrão sonoro.  

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

 
Figura 14 

 
Figura 15 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 

 
Figura 16 ‐ Árvore de Natal. 

O  desenvolvimento  gráfico,  nesse  período,  passa  por  um  salto  qualitativo.  O 


desenho  da  personagem  ‘ganha’  outros  detalhes  como  pescoço,  rosto  com 
expressão de uma emoção, cabelos curto ou comprido e outros. Aparece também a 
técnica  de  preenchimento  que  dá  mais  consistência  ao  corpo  e  às  pernas,  que 
perdem  seu  aspecto  filiforme  para  tornarem‐se  membros  do  contorno  duplo. 
Assistimos, igualmente, a um esforço interessante para vestir à personagem: uma 
calça  com  duas  pernas  diferentes,  sapatos  com  cadarços  amarrados,  etc.  (Figura 
17.) 

Segundo  as  pesquisas  de  Martins  (2005),  é  a  participação  da  aprendizagem 


fisiológica  que  torna  possível  a  passagem  de  uma  capacidade  a  outra.  Nesta 
aprendizagem estão presentes tanto as organizações das gnoses visioespaciais, que 
tornam  possíveis  a  identificação  da  figura  e  de  seus  traços  constitutivos,  como  a 
organização das praxias manuais que permitam a reprodução propriamente dita e, 
além do mais, a convergência practognósica em cada um dos aspectos envolvidos 
na atividade de passagem de uma capacidade à seguinte. 

O  surgimento  da  escrita  alfabética  nas  crianças  de  6  anos  em  diante  pode  ser 
entendido  como  uma  tentação  de  representar  a  idéia  na  forma  da  linguagem.  Ao 
chegar  a  este  nível,  a  criança  já  ultrapassou  a  ‘barreira  de  código’,  compreendeu 
que cada um dos caracteres corresponde a valores sonoros menores que a sílaba e 
realiza  sistematicamente  uma  análise  sonora  dos  fonemas  das  palavras  que  vai 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

escrever. Isso não quer dizer que todas as dificuldades foram superadas: a partir 
desse momento a criança se defrontará com as dificuldades próprias da ortografia.  

A partir dos trabalhos recolhidos podemos perceber que muitas vezes a escrita 
espontânea  está  acompanhada  por  desenhos  que  complementam  a  idéia 
representada.  O  desenho  enquanto  atividade  simbólica  de  expressão  deve  ser 
considerada  como  precursor  da  escrita  pois  ambos  podem  ser  lidos  e 
interpretados.  É  jus  lembrar  que  o  desenvolvimento  gráfico  da  criança  de 6  anos 
está  acompanhado  por  um  enriquecimento  da  linguagem  oral.  Por  essa  razão  os 
desenhos  produzidos  durante  esse  tempo  apresentam‐se  como  verdadeiras 
histórias de vida cotidiana. (Figura 18) 

 
Figura 17 

Figura 18 ‐ A lenda da Iara. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 
Finalizando  a  nossa  análise  das  produções  gráficas,  gostaríamos  ainda 
consagrar  um  pequeno  espaço  à  questão  de  representação  de  volumes  e  à 
organização  do  espaço.  A  tridimensionalidade,  com  as  múltiplas  faces  do  objeto, 
aparece por volta de 6 anos de idade. Até então a criança se fixava em um ponto de 
vista único: de frente para as personagens e a casa e de perfil para os animais e os 
veículos.  A  fig.  19  representa  uma  primeira  tentativa  de  desenho  de  perfil:  os 
alunos  estão  sentados  do  lado  da  mesa,  com  a  perna  esquerda  “atrás”  da  perna 
direita,  olhando  a  lousa,  de  frente,  sobre  a  parede.  Nesse  mesmo  desenho,  a 
professora aparentemente está de costas para todos, escrevendo a lição na lousa. A 
consecução do tema em sua complexidade exige uma coordenação dos objetos de 
frente,  de  costas,  de  perfil  e  ainda  a  incorporação  da  noção  de  ‘adiante’  e  ‘atrás’ 
(visível  ou  oculto),  o  que  põe  em  jogo  o  princípio  gráfico  de  interrupção‐
continuidade.  O  processo  de  interrupção‐continuidade  está  presente  também  no 
desenho  da  orquestra,  (Fig.  20)  em  que  uma  parte  dos  elementos  desenhados  é 
oculta por outros: os músicos desenhados no primeiro plano estão representados 
com  as  pernas  escondidas  atrás  das  estantes  e  o  regente  está  de  costas  para  o 
público.  Nessa  mesma  produção  podemos  observar  as  primeiras  tentativas  de 
introdução da perspectiva: os músicos da segunda fileira são de tamanho menor e 
foram  desenhados  sem  todos  os  detalhes  do  corpo  humano.  Isso  indica  que  se 
situam  numa  posição  mais  afastada.  Constituição  de  uma  verdadeira  perspectiva 
está  ainda  ausente  e  as  figuras  inscrevem‐se  no  cenário  segundo  uma  lógica  de 
sobreposição.  Segundo  Greig  (2004),  será  preciso  esperar  até  adolescência  para 
assistir à invenção de uma representação diferente.  

 
Figura 19 ‐ Minha 1ª série. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

Figura 20. O final da música. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos estudos realizados acerca do desenvolvimento do grafismo infantil 
entendemos  que  nenhuma  produção  gráfica  da  criança  pode  ser  considerada  um 
conjunto  de  rabiscos,  ou  desenhos  desprovidos  de  significações.  É  a  forma  de 
representação  simbólica  pela  qual  a  criança  manifesta  sua  visão  do  mundo, 
inserida  num  contexto  sócio  cultural  e  dotada  de  um  determinado  nível  de 
desenvolvimento. 

É através do desenho, por meio dos elementos essenciais da linguagem gráfica 
que  a  criança  começa  a  perceber  os  limites  do  papel  e  desenvolver  suas 
potencialidades  iniciais  em  termos  de  reflexão,  abstração  e  conceituação. 
Entendemos  que  o  desenho  na  criança  poderá  ser  considerado  não  apenas  como 
uma  modalidade  de  expressão  ou  de  representação  da  “realidade”,  mas  também 
como  o  resultado  de  atividade  intencional  envolvendo  aspectos  cognitivos  e 
emotivos.  O  desenho,  ao  dar  forma  gráfica  ao  pensamento,  parece  possibilitar  o 
exercício  do  conhecimento,  com  a  progressiva  construção  do  conceito  do  objeto 
focalizado.  Nesse  sentido,  estamos  de  acordo  com  os  resultados  da  pesquisa  da 
Derdyk  (1989)  que  ressalta  a  importância  do  desenho  para  a  elaboração  e 
representação  mental,  formação  de  conceitos,  construção  da  significação  e  o 
desenvolvimento da capacidade semiótica. Justifica‐se o lembrar nesse momento o 
papel  fundamental  da  ação  do  educador  que  dando  apoio  ao  processo,  permite  a 
liberdade de expressão e a sustentação da manifestação individual.  

Ressaltamos a existência de uma seqüência de etapas precursoras da escrita. Ela 
tem  sua  gênese  nos  primeiros  gestos  da  criança,  ainda  na  fase  da  inteligência 
prática e tende a ampliar‐se na medida em que a criança se desenvolve e constrói 
novas  formas  de  representação.  Os  estudos  sobre  a  psicogênese  da  escrita 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 
 
 
realizados  por  Ferreiro  e  Teberosky  (1999)  também  apontam  para  sucessivas 
etapas  no  seu  desenvolvimento.  Todavia,  o  desenvolvimento  do  grafismo  e  da 
escrita  está  sujeito  às  condições  individuais  tanto  no  que  diz  respeito  à  etapa 
evolutiva, como as peculariedades constitucionais individuais. (Martins, 2005) 

È  importante,  promover  uma  mudança  de  olhar  sobre  as  produções  infantis, 
avaliando‐as  segundo  as  suas  possibilidades.  Esse  rico  período  que  precede  a 
aquisição da escrita alfabética era antes considerado quase que exclusivamente em 
termos  de:  falta  de  maturidade,  ainda  não  aprendeu.  Ainda  hoje,  concebe‐se  a 
escrita  como  uma  mera  transcrição  da  fala,  promovendo,  como  conseqüência  as 
estratégias  constituídas  por  atividades  fragmentadas,  impostas  e  carentes  de 
significado.  É  inquietante  o  empobrecimento  da  expressão  gráfica  naquelas 
crianças em processo de alfabetização, quando não houve um respaldo que desse 
garantias  para  a  continuidade  de  experimentação  gráfica.  Os  exercícios  de 
prontidão  impedem  o  aluno  de  assumir  a  responsabilidade  de  seu 
desenvolvimento.  

Muitas  vezes  ainda,  encara‐se  o  desenho  como  um  manual  de  exercícios  que 
exercitam, de maneira impessoal, o desempenho e a eficiência da mão e do olho. As 
estratégias  educacionais  que  visam  apenas  o  adestramento  motor  excluem  o 
entendimento do desenho como uma forma de construção do pensamento através 
dos  signos  gráficos,  maneira  de  apropriar‐se  das  vicissitudes  e  de  si  mesmo.  Por 
essa  razão,  é  essencial  perceber  que  mesmo  as  primeiras  produções  gráficas 
chamadas  de  garatujas  ou  rabiscos  devem  ser  interpretadas  como  manifestações 
de  linguagem  não  verbal.  Uma  das  vantagens  da  garatuja  sobre  outras 
manifestações  é  o  fato  de  que  ela  pode  ser  analisada  também  após  sua  criação, 
demonstrando  uma  quantidade  maior  de  significado  do  que  a  própria  linguagem 
oral.  A  garatuja  poderá  expressar  em  ato  a  comunicação  e  a  construção  do 
processo  de  comunicação.  Ela  desempenha,  também,  papel  fundamental  no 
estabelecimento  das  relações  entre  a  criança  e  o  mundo  que  a  cerca.  O 
desenvolvimento  cognitivo,  sabe‐se,  depende  das  modificações  nos  esquemas 
mentais  que,  por  seu  lado,  não  são  resultado  exclusivo  de  uma  maturação 
endógena, mas também o resultado da interação com o mundo. Finalmente, poder‐
se‐á pelo conhecimento dessa linguagem e interpretando‐a, conhecer os aspectos 
da personalidade da criança. (Martins, 2007) 

Vê‐se, o grafismo partilha da aprendizagem da leitura e da escrita.Ora, qual a co‐
relação possível entre o grafismo e a escrita? Talvez fosse melhor indagarmos: que 
é  uma  letra?  A  letra  na  produção  da  escrita  se  constitui  na  combinação:  de  uma 
atividade motora com a formação de imagens mentais, com a configuração dessas 
imagens,  visual  e  praxicamente;  constitui‐se  igualmente  na  conformidade  da 
identificação de uma contingência espacial e a familiarização com a invariância na 
forma.Na  aprendizagem  da  escrita  estão  presentes  tanto  às  organizações  das 
gnoses visoespaciais que tornam possível a identificação da figura e de seus traços 
constitutivos,  como  a  organização  das  praxias  manuais  que  permitam  a 
reprodução  propriamente  dita  ao  fixar‐se  nas  propriedades  gerais  do  traçado. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois 
a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do 
Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

Escrever  é  também  reprodução/cópia  de  modelos  (o  código  alfabético)  modelos 


esses  aprendidos.  A  passagem  da  atividade  gráfica  espontânea  para  a  cópia  de 
modelos é dependente da aprendizagem practognósica e da entrada do sujeito no 
sistema  de  significação  lingüístico  ou  seja:  a  correspondência  do  significado,  o 
sentido  de  sua  representação  com  a  representação  pelo  traçado  ortográfico 
propriamente.  Entretanto,  se  apesar  de  se  considerar  a  evidência  da  forma 
presente  no  ato  da  escrita,  a  forma  não  precede  o  conteúdo  e  a  ele  se  sobrepõe. 
Forma e conteúdo são os meios para a expressão de um sistema de significação a 
ser representado. Esse processo constitui‐se numa atividade intelectual complexa 
que  exige  um  sujeito  ativo  em  processo  de  desenvolvimento  contínuo.  É 
fundamental, que o educador ao adotar a descrição evolutiva como diagnóstico do 
nível  de  conhecimento  das  crianças  a  adote  como  meio  para  a  justificação  de 
critérios de maturidade e assim guia para a construção da intervenção docente.  

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