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A EVOLUÇÃO DO GRAFISMO E A ESCRITA ALFABÉTICA EM CRIANÇAS DE DOIS A SEIS ANOS

A EVOLUÇÃO DO GRAFISMO E A ESCRITA ALFABÉTICA EM CRIANÇAS DE DOIS A SEIS ANOS

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Esse trabalho é fruto das observações realizadas em alunos de Educação Infantil na cidade de São Paulo O estudo foi realizado no decorrer do ano escolar 2006. Foram selecionados e coletados diversos tipos de desenho de alunos da 1ª série do Ensino Fundamental, e alunos da faixa etária entre 2 e 6 anos. Foram trabalhos livres e outras expressões gráficas produzidas pelas crianças, inclusive as primeiras tentativas de produção da escrita alfabética. Foram analisados 116 trabalhos.
Esse trabalho é fruto das observações realizadas em alunos de Educação Infantil na cidade de São Paulo O estudo foi realizado no decorrer do ano escolar 2006. Foram selecionados e coletados diversos tipos de desenho de alunos da 1ª série do Ensino Fundamental, e alunos da faixa etária entre 2 e 6 anos. Foram trabalhos livres e outras expressões gráficas produzidas pelas crianças, inclusive as primeiras tentativas de produção da escrita alfabética. Foram analisados 116 trabalhos.

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05/19/2014

CON NGRESSO IN NTERNACIO ONAL A UN NICIDADE D CONHEC DO CIMENTO

EP CIE Centro de Inve estigação em m Edu ucação e Ps sicologia

A EV LUÇ O DO VOL ÇÃO O GRA SMO G AFIS O E A ESCR A RITA ALF A FABÉTI A EM ICA M CR NÇA DE D S A RIAN AS D DOIS SEIS NOS S S AN S
Maria An nita Viviani i Martins1

A EVOLU UÇÃO DO GRAFISMO E A ESCRIT ALFA O TA ABÉTICA A EM E CRIAN NÇAS DE DOIS A SEIS AN . E NOS
Es sse trabalh ho é fruto d das observa ações realiz zadas em al lunos de Ed ducação Infantil  na  cidade  de  S Paulo  O estudo  fo realizado  no  decor São  O  oi  rrer  do  ano  escolar  2006.  2 am selecion nados e cole etados dive ersos tipos de desenh ho de aluno os da 1ª sér rie do  Fora Ensino  Fundam mental,  e  a alunos  da  f faixa  etária entre  2  e 6  anos.  Foram  traba a  e  alhos  livre e  outra express es  as  sões  gráfic cas  produzidas  pela crianças inclusiv as  as  s,  ve  prim meiras  tent tativas  de  produção  da  escrita alfabética Foram  analisados  116  a  a.  traba alhos.  O  desenvolv vimento  do grafismo  infantil  nã deve  ser  mais  con o  ão  nsiderado  como  c fruto apenas  d treinam o  do  mento  espe ecífico.  Ele é  um  pro e  ocesso  de  construçã do  ão  siste ema  de  representaçã que  cul ão  lmina  com a  produç m  ção  da  esc crita  como um  o  instr rumento de e comunica ação e expre essão. 

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 Facu uldade de Educ cação PUC‐SP. v vivimart@uol l.com.br 

MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      De  acordo  com  os  estudos  realizados  pelos  pesquisadores  como  Ferreiro  (1999),  Mèredieu  (1994),  Derdyk  (1989),  Greig  (2004),  e  outros,  nenhuma  das  produções  infantis  pode  ser  considerada  uma  atividade  sensório‐motora  apenas,  descomprometida  e  ininteligível,  pois  todas  elas  desempenham  a  função  de  um  registro, expressam a necessidade de comunicação dos sujeitos que as realizam. É  através  dessas  produções  que  a  criança  estabelece  uma  relação  de  intercâmbio  com o mundo que a cerca. Portanto, tanto o desenho quanto a produção da escrita  devem  ser  consideradas  atividades  que,  além  de  envolver  uma  operacionalidade  prática, o manejo dos instrumentos e matérias, envolve o uso de uma simbologia  complexa  que  se  revela  por  meio  dos  signos  gráficos,  fruto  de  um  complexo  exercício mental, emocional e intelectual.   Várias  pesquisas  sugerem  a  existência  de  etapas  na  evolução  do  grafismo  infantil.  Do  primeiro  encontro  da  criança  com  a  folha  de  papel  surge  garatuja,  composta de dois componentes típicos: o gesto e o traço. O trabalho gerado dessa  forma não possui, a princípio, nenhuma preocupação com a figuração, mas mesmo  assim  podemos  encontrar  nele  a  intencionalidade,  o  conteúdo  e  as  significações  simbólicas, ou seja, uma tentativa de representação.   Segundo  Greig  (2004),  o  ato  de  rabiscar  passa  por  um  processo  de  desenvolvimento  em  que  podemos  destacar  a  fase  dos  rabiscos  de  base:  o  movimento circular e o movimento de vaivém e a fase de rabiscos compostos que  darão  origem  ao  traço  circular  e  às  figuras  primarias.  A  passagem  do  gesto  ao  traçado  se  faz  primeiramente  sem  nenhum  controle  visual,  a  intenção  ainda  não  está  na  forma  mas  apenas  no  ato.  Durante  esse  período  de  rabiscos  primitivos  a  produção da criança pode ser denominada como “marca”: marca‐contato e marca‐ penetração.  É  aos  dois  anos  que  começa  o  controle  visual  do  traçado,  primeiramente o controle do ponto de partida. A integração completa do olhar com  os  movimentos  da  mão  e  dos  dedos  conduz  “ao  duplo  controle”  que  se  refere  ao  mesmo tempo a ponto de partida e a ponto de chegada, permitindo a realização do  círculo  por  volta  de  três  anos  de  vida.  Nessa  etapa,  o  traçado  arremessado  transforma‐se  em  movimento  circular  caracterizado  pelas  mudanças  bruscas  de  direção  –  “pontos  de  reversão”.  As  produções  criadas  durante  esse  período  denunciam  um  evidente  prazer  do  gesto  marcado  pela  auto‐aceleração  e  pela  necessidade de repetição. Com isso, a repetição dos gestos ocasiona a produção de  diferentes  resultados  descomprometidos  dos  de  figuração,  no  entanto,  à  medida  que  a  criança  faz  a  associação  de  gestos  e  traços,  ela  desenvolve  sua  atividade  mental. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do gr rafismo e a escrita alfa abética em  crianças de e dois  a  seis  anos.  In, V.  Trindade,  N.  Trin ,  ndade  &  A.A.  Candeia (Orgs.).  A  Unicidad do  as  de  Conh hecimento. Évora: Univ versidade de e Évora. 

 
Figur ra 1. Produçã ão gráfica da c criança de 1 a ano e 11 mes ses – desenho o livre 

Es desenh (Figura1 caracteriza‐se  por  linhas  irre sse  ho  1)  egulares,  po ontilhados, mas  ,  tamb bém  traçad com  a dos  angulação  d uma  re de  eversão  que  marca  a passagem dos  a  m  rabis scos primit tivos ao est tabelecimento do vaiv vém em fus sos. Segund do Greig (2004),  por  volta  dos  dois  anos,  há  a  matu uração  par os  dois  rabiscos  d base:  rabisco  ra  de  circu ular e rabis sco de vaiv vém, cuja  d distribuição o equilibrada reflete u uma associação  de  se egurança  e e de afirma ação.  O  ges gráfico  é  leve,  em alguns  mo sto  omentos,  com  o  traço o tremulo e e incerto.  

 
Figura 2 – D Desenho do m monstro – cria ança de 2 ano os e 6 meses 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      Podemos perceber nessa produção (Figura 2) a presença do rabisco em vaivém  e o surgimento dos traços verticais que anunciam a passagem do rabisco primitivo  ao  rabisco  composto.  A  criança,  graças  a  uma  melhor  coordenação  viso‐motor,  exercita  um  maior  controle  sob  seus  movimentos  com  o  lápis,  passando  para  o  plano vertical. Esse desenho pode ser considerado um exemplo de surgimento da  representação.  A  criança  é  capaz  de  antecipar  o  que  vai  desenhar  e  mantém  seu  propósito. Ela é igualmente capaz de explicar, através da oralidade, o que produziu,  diferenciando esta produção de outras que realizou.   Essa  e  outras  produções  dessa  criança  ainda  não  chegam  a  ser  caracterizada  como desenhos, pois não são reconhecíveis por sua forma, ou seja, elas ainda não  apresentam  traços  ou  características  do  objeto  –  modelo  ao  qual  ela  está  se  reportando.   Essa mesma criança, um mês depois, quando solicitada a produzir um desenho  livre, limita‐se a produzir um mero rabisco circular coberto por um fuso (Figura 3),  uma  composição  um  pouco  regressiva  com  relação  às  possibilidades  recém  adquiridas.  Mesmo  assim,  a  criança  é  capaz  de  explicar  o  que  desenhou  (“minha  mãe  no  jardim”),  ou  seja,  o  seu  rabisco  exprime  uma  realidade,  possui  uma  intencionalidade. Segundo Greig (2004), essas regressões fazem parte da dinâmica  da progressão.   Dois  meses  mais  tarde,  nossa  criança  desenha  uma  série  de  traços  verticais  (Figura 4) entre os quais podemos perceber as primeiras efetivas figuras fechadas.  Alguns dos traços verticais possuem um círculo nas suas extremidades – exemplos  do aperfeiçoamento da motricidade fina. Essas figuras a criança denominou como  vovô e vovó.   Kellog (1969), no seu estudo sobre a natureza da garatuja, chegou à conclusão  que  aquelas  que  parecem  linhas  casuais,  mais  ou  menos  agregadas  e  produzidas  durante  o  segundo  ano  de  vida,  são  ao  contrário  enquadradas  em  20  tipos  base,  linha reta, espiral, ponto. Elas constituem um verdadeiro alfabeto gráfico pictórico  que  servirá  de  base  para  a  representação  de  figuras  mais  complexas,  pessoas,  edifícios e outros.  O  próximo  passo  no  desenvolvimento  do  grafismo  é  o  de  transformação  do  signo  indiferenciado  para  o  signo  diferenciado:  superação  dos  rabiscos  e  linhas  características desta fase para chegar às figuras e às imagens e posteriormente aos  signos  formais.  Essa  transformação  exige  um  salto  qualitativo  na  função  psicológica ou formas de pensamento. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do gr rafismo e a escrita alfa abética em  crianças de e dois  a  seis  anos.  In, V.  Trindade,  N.  Trin ,  ndade  &  A.A.  Candeia (Orgs.).  A  Unicidad do  as  de  Conh hecimento. Évora: Univ versidade de e Évora. 

 
Figura 3   

 
Figura 4 

Depois  da  fa de  gara ase  atuja,  devid à  matur do  ração  globa da  estru al  utura  motor da  ra  crian nça, podem mos observa ar o surgim mento de pe elo menos  dois tipos  de express são: a  form ma e a figura a. “A prime eira é uma conseqüên ncia direta d da garatuja a livre e per rmite  à  cri iança  a  exp ploração  m mais  conscie ente  e  mai segura  d espaço  e do  ambie is  do  e  ente.”  (Mar rtins, 2007) Nesse mo omento o co onjunto de figuras fec chadas (Fig gura 5) substitui  os ra abiscos circ culares e a predominâ ância do cír rculo verda adeiro conf firma a inte enção  ____ __________ __________ __________ __________ __________ __________ __________ ____
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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do gr rafismo e a escrita alfa abética em  crianças de e dois  a  seis  anos.  In, V.  Trindade,  N.  Trin ,  ndade  &  A.A.  Candeia (Orgs.).  A  Unicidad do  as  de  Conh hecimento. Évora: Univ versidade de e Évora.      da cr riança e a  progressão o de sua ap prendizagem. Segund do Dedyk (1 1989), o círculo  eleva ado ao esta atuto de for rma fechad da, de corpo o de objeto o, ganha im mportância. Gera  a noç ção de auto onomia, atr ribuindo a c cada signo gráfico um m sentido de e permanência.  

 
Figu ura 5 – Desen nho de uma c criança de 3 a anos. 

A  partir desse moment to, a crianç ça torna‐se capaz de e estabelecer r semelhan nças e  renças  entr os  elementos  e  de verbalizar a  sua  pro re  e  r  odução.  Est verbaliz ta  zação,  difer “vinc culada  à  intenção  r representa ativa  e  ao aperfeiço o  oamento  d forma,  é  o  da  verd dadeiro pas sso para um m grafismo o maduro.”  (Martins, 2 2007) É jus s lembrar n neste  mom mento  que  o  acesso  à  figuraçã e  à  escrita  não  leva  neces ão  ssariament ao  te  desa aparecimen nto dos rab biscos. Eles s podem se er consider rados forma as de “desc carga  mais s fácil” das emoções e dos pensam mentos.   O  desenho ( (Figura 6) a apresenta  uma volta  às linhas r retas vertic cais com al lguns  pont tilhados na as pontas. P Podemos ta ambém observar as t tentativas  d de “fecham mento  do cí írculo”, sem m eficiência a.  Es ssa mesma a criança, do ois meses m mais tarde, , desenha s seu auto‐retrato (Figu ura 7)  em  f forma  de  c clássica  fig gura‐girino  caracterizada  pelos  aspectos  “ “irradiantes”  de  seus  membros  e  “contine entes”  de  s rosto.  Podemos  o seu  P observar  a  introdução dos  o  detalhes: dois o olhos, nariz z, boca, dua as pernas e e dois braço os. É a com mbinação m mental  desses element tos e a representação o no papel  dos três gr rafemas fun ndamentais s que  marc cam a entra ada na figu uração. 

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MAR RTINS, M. (2 2007) A evo olução do gr rafismo e a escrita alfa abética em  crianças de e dois  a  seis  anos.  In, V.  Trindade,  N.  Trin ,  ndade  &  A.A.  Candeia (Orgs.).  A  Unicidad do  as  de  Conh hecimento. Évora: Univ versidade de e Évora. 

   
Figura 6 ‐ Pr rodução da m mesma criança cinco mese es mais tarde..  

                 
Figur ra 7 ‐ Auto‐re etrato. 

Al lgumas  cri ianças  cons seguem  ela aborar  a  fi igura‐girino precocem o  mente,  ante de  es  ating gir maturid dade necess sária para  traçar uma a figura fec chada com  um traço ú único.  Isso  acontece,  segundo  Greig  (20 004),  porqu a  prec ue  cisão  e  a  concepção  não  ____ __________ __________ __________ __________ __________ __________ __________ ____
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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      possuem  o  mesmo  ritmo  de  desenvolvimento.  Por  essa  razão,  fazendo  análise  do  desenho  de  uma  criança  de  2,a11m  (Figura  8),  podemos  facilmente  perceber  a  existência da figura‐girino com todos os detalhes presentes. A criança em questão  não  possui  ainda  o  controle  duplo  necessário  para  traçar  um  círculo,  por  essa  razão a sua criação organiza‐se em forma de um rabisco redondo, mais ou menos  nítido,  completado  pelos  olhos  e  pelos  elementos  irradiantes  característicos  do  tema.   Nesse  caso  bastam  3  semanas  para  o  surgimento  de  outros  detalhes:  nariz,  sobrancelhas, cabelos, mãos com alguns dedos e pernas com pés. (Figura 9)  A atenção dedicada à formação da figura‐girino não elimina o desenvolvimento  de  outras  formas  e  outros  temas.  Este  é  o  momento  do  surgimento  das  cruzes  e  outras estruturas personalizadas. O domínio do quadrado é aplicado para a criação  de  uma  casa  com  a  porta  e  as  janelas  representadas  por  pequenos  círculos  e  cruzes. (Figura 10)   Por volta dos 4 anos, a figura‐girino não é mais considerada uma representação  satisfatória  do  corpo  humano.  A  próxima  etapa  caracteriza‐se  pela  introdução  da  figura  agregada  e  a  verticalização  da  figura  humana.  A  forma  agregada  pode  também  ser  substituída  pelo  fechamento  do  eixo  vertical,  tomando  então  uma  forma  mais  ou  menos  retangular  ou  trapezoidal  (Figura  11).  Aparece  a  representação  do  sexo  visível  na  diferenciação  das  roupas:  vestido  para  as  meninas  e  a  calça  para  o  menino.  Podemos  também  perceber  que  em  alguns  momentos os membros tomam a espessura de seu traçado chamado de contorno  duplo (os braços da primeira figura do desenho 11). 

 
Figura 8 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

 
Figura 9 

 

    Figura 10. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.     

 
Figura 11 

A verticalização da figura humana ocorre por volta dos 4 e 4 anos e meio assim  podemos falar da figuração da cabeça e do corpo. Todavia, esse processo não pode  ser  considerado  homogêneo  para  todas  as  crianças,  pois  cada  uma  delas  possui  características próprias que podem suscitar a precocidade ou atraso gráfico.   No processo de desenvolvimento do grafismo infantil, de acordo com o avanço  da  idade,  a  criança  apresenta  uma  linguagem  própria  relacionada  com  a  construção  do  seu  próprio  eu,  confrontado  com  suas  relações  sociais  e  seu  cotidiano.  Podemos  perceber  que  as  crianças  da  faixa  etária  entre  4  e  7  anos,  começam  a  vincular  os  seus  desenhos  com  o  mundo  exterior,  logo  começam  a  desenhar  pessoas  e  coisas.  A  questão  de  proporção  nessas  produções  está  relacionada aos significados que a criança atribui à figura representada, ou seja, a  criança  desenha  de  acordo  com  suas  percepções  e  não  com  o  tamanho  real  dos  objetos.  A evolução do desenho do animal acompanha à da personagem. Ela começa com  os  rabiscos  verbalizados  como  gato,  cachorro,  etc.,  passa  pela  etapa  da  figura  –  girino,  em  razão  do  antropomorfismo  da  criança,  para  chegar  à  etapa  de  horizontalização. Nessa etapa, nenhum detalhe pode faltar mais. Da mesma forma  que  a  personagem  possui  um  rosto  com  olhos,  boca  e  cabelos,  e  todos  os  seus  membros  representados,  para  o  animal,  o  antropomorfismo  humano  é  definitivamente superado com o aumento dos elementos inclusos, em particular o  focinho e as orelhas. (Figura 12) Podemos, igualmente, perceber o surgimento do  tema da flor, com suas pétalas agregadas ao miolo e as folhas agregadas ao caule, o  que implica um domínio gestual da forma inclusa.   O  desenho  da  árvore  feito  por  uma  criança  de  4  anos  e  meio  possui  tronco  e  copa ‘cheia de frutas e flores’. Ao desenhar o homem amarrado no tronco, a criança  ______________________________________________________________________
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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  nomeia o seu desenho como: ‘a seringueira’ e explica que ‘ele está colhendo o látex  para  produzir  borracha’.  (Figura  13)  As  características  dessa  produção,  o  traço  certo  e  seguro,  o  espaço  ocupado,  a  pressão  forte  e  marcante,  podem  sugerir  liberdade  do  movimento,  necessidade  de  espaço  amplo  para  se  mover,  desejo  de  desenhar  e  de  crescer.  Nessa  etapa  a  criança  começa  a  compreender  que  quanto  mais o seu desenho se assemelha à realidade que quer representar, melhor a sua  tentativa  será  interpretada  pelos  adultos.  Assim  testemunhamos  uma  riqueza  de  detalhes e características transferidos para a folha. 

 
Figura 12 ‐ Os animais da história 

 
Figura 13 ‐ A Seringueira. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      A  fase  de  4  a  5  anos  é  uma  fase  de  temas  clássicos  como  paisagens,  casinhas,  flores, super‐heróis, veículos e animais, em que a criança varia no uso das cores e  busca um certo realismo. O desenho, nessa época, está também intimamente ligado  com o desenvolvimento da escrita. Essa parte atraente do universo adulto exerce  uma verdadeira fascinação sobre a criança, e isso bem antes de ela própria poder  traçar  signos  reconhecidos  socialmente.  No  começo  do  processo  de  desenvolvimento da escrita, a criança encontra ainda dificuldades de diferenciar a  atividade de escrever e de desenhar. Na Figura 14 podemos perceber de que forma  as  figuras  desenhadas  e  os  elementos  da  escrita  são  parecidos.  Todavia,  o  autor  dessa  produção  consegue  identificar  e  explicar  aquilo  que  deve  ‘ser  lido’  como  “meus  nomes”  e  a  “chuva”.  O  mesmo  acontece  no  desenho  ‘minha  mãe  é  um  dinossauro feroz’ (Figura 15) em que a figura da mãe é ‘desenhada’ e, portanto, se  diferencia da escrita dos nomes das personagens.   Segundo  as  pesquisas  de  Ferreiro  (1985),  essas  crianças  encontram‐se  no  primeiro  nível  de  desenvolvimento  da  escrita  que  é  o  da  diferenciação  entre  o  desenho  e  a  escrita.  Elas  já  chegaram  à  conclusão  que  as  formas  das  letras  nada  têm a ver com a organização das partes do objeto ao qual se referem. Além disso,  elas  perceberam  também  que  as  letras  ou  ‘aquilo  que  pode  ser  lido’,  deve  ser  organizado  de  forma  linear.  A  partir  desse  momento,  procurarão  a  melhor  representação  escrita  do  objeto  (ela  deve  ser  interpretável,  legível  e  deve  servir  para dizer algo) passando pelo princípio da quantidade mínima e, em seguida, pelo  princípio das variações qualitativas internas. No primeiro deles constata que para  que uma escrita seja legível ela deve ser composta de uma quantidade mínima de  letras  (ao  menos  três).  O  segundo  estabelece  que,  para  se  ter  uma  boa  representação  de  uma  palavra,  as  letras  utilizadas  na  sua  construção  devem  ser  diferentes entre si. Na figura 16, o desenho realizado por uma criança de 4 anos e  10  meses,  representa  outro  nível  do  desenvolvimento  da  escrita  que  é  o  de  “fonetização”.  Nesse  momento,  pela  primeira  vez,  as  crianças  chegam  a  uma  solução satisfatória para um dos maiores problemas enfrentados no nível anterior,  achar um controle objetivo das variações na quantidade de letras necessárias para  escrever qualquer palavra que desejam escrever. Elas começam a colocar o mesmo  número  de  letras  que  a  palavra  tem  de  sílabas,  ou  seja,  percebem  que  a  representação escrita de uma palavra está ligada ao seu padrão sonoro.  

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

 
Figura 14 

 

 
Figura 15 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.     

 
Figura 16 ‐ Árvore de Natal. 

O  desenvolvimento  gráfico,  nesse  período,  passa  por  um  salto  qualitativo.  O  desenho  da  personagem  ‘ganha’  outros  detalhes  como  pescoço,  rosto  com  expressão de uma emoção, cabelos curto ou comprido e outros. Aparece também a  técnica  de  preenchimento  que  dá  mais  consistência  ao  corpo  e  às  pernas,  que  perdem  seu  aspecto  filiforme  para  tornarem‐se  membros  do  contorno  duplo.  Assistimos, igualmente, a um esforço interessante para vestir à personagem: uma  calça  com  duas  pernas  diferentes,  sapatos  com  cadarços  amarrados,  etc.  (Figura  17.)  Segundo  as  pesquisas  de  Martins  (2005),  é  a  participação  da  aprendizagem  fisiológica  que  torna  possível  a  passagem  de  uma  capacidade  a  outra.  Nesta  aprendizagem estão presentes tanto as organizações das gnoses visioespaciais, que  tornam  possíveis  a  identificação  da  figura  e  de  seus  traços  constitutivos,  como  a  organização das praxias manuais que permitam a reprodução propriamente dita e,  além do mais, a convergência practognósica em cada um dos aspectos envolvidos  na atividade de passagem de uma capacidade à seguinte.  O  surgimento  da  escrita  alfabética  nas  crianças  de  6  anos  em  diante  pode  ser  entendido  como  uma  tentação  de  representar  a  idéia  na  forma  da  linguagem.  Ao  chegar  a  este  nível,  a  criança  já  ultrapassou  a  ‘barreira  de  código’,  compreendeu  que cada um dos caracteres corresponde a valores sonoros menores que a sílaba e  realiza  sistematicamente  uma  análise  sonora  dos  fonemas  das  palavras  que  vai 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  escrever. Isso não quer dizer que todas as dificuldades foram superadas: a partir  desse momento a criança se defrontará com as dificuldades próprias da ortografia.   A partir dos trabalhos recolhidos podemos perceber que muitas vezes a escrita  espontânea  está  acompanhada  por  desenhos  que  complementam  a  idéia  representada.  O  desenho  enquanto  atividade  simbólica  de  expressão  deve  ser  considerada  como  precursor  da  escrita  pois  ambos  podem  ser  lidos  e  interpretados.  É  jus  lembrar  que  o  desenvolvimento  gráfico  da  criança  de 6  anos  está  acompanhado  por  um  enriquecimento  da  linguagem  oral.  Por  essa  razão  os  desenhos  produzidos  durante  esse  tempo  apresentam‐se  como  verdadeiras  histórias de vida cotidiana. (Figura 18)   

 
Figura 17 

               
Figura 18 ‐ A lenda da Iara. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      Finalizando  a  nossa  análise  das  produções  gráficas,  gostaríamos  ainda  consagrar  um  pequeno  espaço  à  questão  de  representação  de  volumes  e  à  organização  do  espaço.  A  tridimensionalidade,  com  as  múltiplas  faces  do  objeto,  aparece por volta de 6 anos de idade. Até então a criança se fixava em um ponto de  vista único: de frente para as personagens e a casa e de perfil para os animais e os  veículos.  A  fig.  19  representa  uma  primeira  tentativa  de  desenho  de  perfil:  os  alunos  estão  sentados  do  lado  da  mesa,  com  a  perna  esquerda  “atrás”  da  perna  direita,  olhando  a  lousa,  de  frente,  sobre  a  parede.  Nesse  mesmo  desenho,  a  professora aparentemente está de costas para todos, escrevendo a lição na lousa. A  consecução do tema em sua complexidade exige uma coordenação dos objetos de  frente,  de  costas,  de  perfil  e  ainda  a  incorporação  da  noção  de  ‘adiante’  e  ‘atrás’  (visível  ou  oculto),  o  que  põe  em  jogo  o  princípio  gráfico  de  interrupção‐ continuidade.  O  processo  de  interrupção‐continuidade  está  presente  também  no  desenho  da  orquestra,  (Fig.  20)  em  que  uma  parte  dos  elementos  desenhados  é  oculta por outros: os músicos desenhados no primeiro plano estão representados  com  as  pernas  escondidas  atrás  das  estantes  e  o  regente  está  de  costas  para  o  público.  Nessa  mesma  produção  podemos  observar  as  primeiras  tentativas  de  introdução da perspectiva: os músicos da segunda fileira são de tamanho menor e  foram  desenhados  sem  todos  os  detalhes  do  corpo  humano.  Isso  indica  que  se  situam  numa  posição  mais  afastada.  Constituição  de  uma  verdadeira  perspectiva  está  ainda  ausente  e  as  figuras  inscrevem‐se  no  cenário  segundo  uma  lógica  de  sobreposição.  Segundo  Greig  (2004),  será  preciso  esperar  até  adolescência  para  assistir à invenção de uma representação diferente.  

 
Figura 19 ‐ Minha 1ª série. 

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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora. 

  Figura 20. O final da música. 

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir dos estudos realizados acerca do desenvolvimento do grafismo infantil  entendemos  que  nenhuma  produção  gráfica  da  criança  pode  ser  considerada  um  conjunto  de  rabiscos,  ou  desenhos  desprovidos  de  significações.  É  a  forma  de  representação  simbólica  pela  qual  a  criança  manifesta  sua  visão  do  mundo,  inserida  num  contexto  sócio  cultural  e  dotada  de  um  determinado  nível  de  desenvolvimento.  É através do desenho, por meio dos elementos essenciais da linguagem gráfica  que  a  criança  começa  a  perceber  os  limites  do  papel  e  desenvolver  suas  potencialidades  iniciais  em  termos  de  reflexão,  abstração  e  conceituação.  Entendemos  que  o  desenho  na  criança  poderá  ser  considerado  não  apenas  como  uma  modalidade  de  expressão  ou  de  representação  da  “realidade”,  mas  também  como  o  resultado  de  atividade  intencional  envolvendo  aspectos  cognitivos  e  emotivos.  O  desenho,  ao  dar  forma  gráfica  ao  pensamento,  parece  possibilitar  o  exercício  do  conhecimento,  com  a  progressiva  construção  do  conceito  do  objeto  focalizado.  Nesse  sentido,  estamos  de  acordo  com  os  resultados  da  pesquisa  da  Derdyk  (1989)  que  ressalta  a  importância  do  desenho  para  a  elaboração  e  representação  mental,  formação  de  conceitos,  construção  da  significação  e  o  desenvolvimento da capacidade semiótica. Justifica‐se o lembrar nesse momento o  papel  fundamental  da  ação  do  educador  que  dando  apoio  ao  processo,  permite  a  liberdade de expressão e a sustentação da manifestação individual.   Ressaltamos a existência de uma seqüência de etapas precursoras da escrita. Ela  tem  sua  gênese  nos  primeiros  gestos  da  criança,  ainda  na  fase  da  inteligência  prática e tende a ampliar‐se na medida em que a criança se desenvolve e constrói  novas  formas  de  representação.  Os  estudos  sobre  a  psicogênese  da  escrita  ______________________________________________________________________
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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.      realizados  por  Ferreiro  e  Teberosky  (1999)  também  apontam  para  sucessivas  etapas  no  seu  desenvolvimento.  Todavia,  o  desenvolvimento  do  grafismo  e  da  escrita  está  sujeito  às  condições  individuais  tanto  no  que  diz  respeito  à  etapa  evolutiva, como as peculariedades constitucionais individuais. (Martins, 2005)  È  importante,  promover  uma  mudança  de  olhar  sobre  as  produções  infantis,  avaliando‐as  segundo  as  suas  possibilidades.  Esse  rico  período  que  precede  a  aquisição da escrita alfabética era antes considerado quase que exclusivamente em  termos  de:  falta  de  maturidade,  ainda  não  aprendeu.  Ainda  hoje,  concebe‐se  a  escrita  como  uma  mera  transcrição  da  fala,  promovendo,  como  conseqüência  as  estratégias  constituídas  por  atividades  fragmentadas,  impostas  e  carentes  de  significado.  É  inquietante  o  empobrecimento  da  expressão  gráfica  naquelas  crianças em processo de alfabetização, quando não houve um respaldo que desse  garantias  para  a  continuidade  de  experimentação  gráfica.  Os  exercícios  de  prontidão  impedem  o  aluno  de  assumir  a  responsabilidade  de  seu  desenvolvimento.   Muitas  vezes  ainda,  encara‐se  o  desenho  como  um  manual  de  exercícios  que  exercitam, de maneira impessoal, o desempenho e a eficiência da mão e do olho. As  estratégias  educacionais  que  visam  apenas  o  adestramento  motor  excluem  o  entendimento do desenho como uma forma de construção do pensamento através  dos  signos  gráficos,  maneira  de  apropriar‐se  das  vicissitudes  e  de  si  mesmo.  Por  essa  razão,  é  essencial  perceber  que  mesmo  as  primeiras  produções  gráficas  chamadas  de  garatujas  ou  rabiscos  devem  ser  interpretadas  como  manifestações  de  linguagem  não  verbal.  Uma  das  vantagens  da  garatuja  sobre  outras  manifestações  é  o  fato  de  que  ela  pode  ser  analisada  também  após  sua  criação,  demonstrando  uma  quantidade  maior  de  significado  do  que  a  própria  linguagem  oral.  A  garatuja  poderá  expressar  em  ato  a  comunicação  e  a  construção  do  processo  de  comunicação.  Ela  desempenha,  também,  papel  fundamental  no  estabelecimento  das  relações  entre  a  criança  e  o  mundo  que  a  cerca.  O  desenvolvimento  cognitivo,  sabe‐se,  depende  das  modificações  nos  esquemas  mentais  que,  por  seu  lado,  não  são  resultado  exclusivo  de  uma  maturação  endógena, mas também o resultado da interação com o mundo. Finalmente, poder‐ se‐á pelo conhecimento dessa linguagem e interpretando‐a, conhecer os aspectos  da personalidade da criança. (Martins, 2007)  Vê‐se, o grafismo partilha da aprendizagem da leitura e da escrita.Ora, qual a co‐ relação possível entre o grafismo e a escrita? Talvez fosse melhor indagarmos: que  é  uma  letra?  A  letra  na  produção  da  escrita  se  constitui  na  combinação:  de  uma  atividade motora com a formação de imagens mentais, com a configuração dessas  imagens,  visual  e  praxicamente;  constitui‐se  igualmente  na  conformidade  da  identificação de uma contingência espacial e a familiarização com a invariância na  forma.Na  aprendizagem  da  escrita  estão  presentes  tanto  às  organizações  das  gnoses visoespaciais que tornam possível a identificação da figura e de seus traços  constitutivos,  como  a  organização  das  praxias  manuais  que  permitam  a  reprodução  propriamente  dita  ao  fixar‐se  nas  propriedades  gerais  do  traçado.  ______________________________________________________________________
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MARTINS, M. (2007) A evolução do grafismo e a escrita alfabética em crianças de dois  a  seis  anos.  In,  V.  Trindade,  N.  Trindade  &  A.A.  Candeias  (Orgs.).  A  Unicidade  do  Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  Escrever  é  também  reprodução/cópia  de  modelos  (o  código  alfabético)  modelos  esses  aprendidos.  A  passagem  da  atividade  gráfica  espontânea  para  a  cópia  de  modelos é dependente da aprendizagem practognósica e da entrada do sujeito no  sistema  de  significação  lingüístico  ou  seja:  a  correspondência  do  significado,  o  sentido  de  sua  representação  com  a  representação  pelo  traçado  ortográfico  propriamente.  Entretanto,  se  apesar  de  se  considerar  a  evidência  da  forma  presente  no  ato  da  escrita,  a  forma  não  precede  o  conteúdo  e  a  ele  se  sobrepõe.  Forma e conteúdo são os meios para a expressão de um sistema de significação a  ser representado. Esse processo constitui‐se numa atividade intelectual complexa  que  exige  um  sujeito  ativo  em  processo  de  desenvolvimento  contínuo.  É  fundamental, que o educador ao adotar a descrição evolutiva como diagnóstico do  nível  de  conhecimento  das  crianças  a  adote  como  meio  para  a  justificação  de  critérios de maturidade e assim guia para a construção da intervenção docente.  

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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