P. 1
O CONHECIMENTO BIOLÓGICO E AS CONSTRUÇÕES SOCIAIS DO “SER HUMANO”

O CONHECIMENTO BIOLÓGICO E AS CONSTRUÇÕES SOCIAIS DO “SER HUMANO”

4.67

|Views: 3.290|Likes:
A Teoria das Representações Sociais de Moscovici e colaboradores tem defendido que o conhecimento repousa em um conjunto de símbolos possibilitadores do pensamento e da comunicação social. Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processo coletivo que o estabelece, pois resulta de um conflito de interesses; opiniões, atitudes e ações de um grupo. Assim, atualiza e defende uma identidade social, promove a dupla construção da ipseidade/alteridade deste conjunto frente a outros. Busca-se discutir se a constituição do conceito “ser humano”, para a sociedade contemporânea, segue padrões análogos frente a fenômenos e organismos não-humanos. Para isto, pretende-se apresentar argumentos que fundamentam esta questão, bem como a possibilidade do uso da Teoria das Representações Sociais em trabalhos empíricos que identifiquem e investiguem essa possível relação. Primeiramente, pretende-se entender este processo na formação de professores de Biologia, pois os currículos dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas apresentam possibilidades intensas de reflexão sobre tal questão, principalmente pelo confronto entre teorias evolucionistas e saberes cotidianos acerca das origens, identidade e futuro dos grupos humanos. Acredita-se que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos tenham participado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa como identidade humana, seja pela naturalização do artificial, por exemplo à manipulação da vida, ou pelo confronto entre o que se sabe sobre o homem e os demais organismos vivos. Esta discussão pode ser frutífera no sentido de evidenciar relações dinâmicas entre os pensamentos biológico e cotidiano, bem como pensar o ensino de ciências sob um enfoque multicultural que valorize e promova o diálogo entre ambos.
A Teoria das Representações Sociais de Moscovici e colaboradores tem defendido que o conhecimento repousa em um conjunto de símbolos possibilitadores do pensamento e da comunicação social. Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processo coletivo que o estabelece, pois resulta de um conflito de interesses; opiniões, atitudes e ações de um grupo. Assim, atualiza e defende uma identidade social, promove a dupla construção da ipseidade/alteridade deste conjunto frente a outros. Busca-se discutir se a constituição do conceito “ser humano”, para a sociedade contemporânea, segue padrões análogos frente a fenômenos e organismos não-humanos. Para isto, pretende-se apresentar argumentos que fundamentam esta questão, bem como a possibilidade do uso da Teoria das Representações Sociais em trabalhos empíricos que identifiquem e investiguem essa possível relação. Primeiramente, pretende-se entender este processo na formação de professores de Biologia, pois os currículos dos cursos de licenciatura em Ciências Biológicas apresentam possibilidades intensas de reflexão sobre tal questão, principalmente pelo confronto entre teorias evolucionistas e saberes cotidianos acerca das origens, identidade e futuro dos grupos humanos. Acredita-se que o conhecimento científico e os produtos tecnológicos tenham participado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa como identidade humana, seja pela naturalização do artificial, por exemplo à manipulação da vida, ou pelo confronto entre o que se sabe sobre o homem e os demais organismos vivos. Esta discussão pode ser frutífera no sentido de evidenciar relações dinâmicas entre os pensamentos biológico e cotidiano, bem como pensar o ensino de ciências sob um enfoque multicultural que valorize e promova o diálogo entre ambos.

More info:

Published by: Unicidade do Conhecimento on Feb 20, 2009
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF or read online from Scribd
See more
See less

09/08/2012

ENC CONTRO INT TERNACION NAL A UN NICIDADE D CONHEC DO CIMENTO

EP CIE Centro de Inve estigação em m Edu ucação e Ps sicologia

O CONH IMEN O HECI NTO OLÓ CO BIO ÓGIC E AS CON RUÇÕ SOC S DO NSTR ÕES CIAIS O “SER HUM NO” MAN
Acácio Pagan1  A o  Nelio Bizzo Cha arbel El‐Ha  2  ani

REPRESE ENTAÇÕ E IDE ÕES ENTIDA ADES SOC CIAIS
A  construçã de  uma  identidade social  pr ão  e  revê,  em  síntese,  a  d demarcação das  o  qualidades  com muns  a  um determina conjun de  ator sociais. Estabelecer  os  m  ado  nto  res  .  limit tes de um g grupo prop porciona, ao o mesmo te empo, a de efinição do  que ele “nã ão é”,  ou  d “outro”.  É  possív do  vel,  nesta  ação,  iden ntificar  doi tipos  de alteridad A  is  e  de.  alter ridade  de  dentro,  qu se  organ ue  niza  em  to orno  de  um “nós”,  e  estabelece um  m  e  “próximo”;  e  a alteridad de  fora, que  dista a  de  ,  ancia  o  est tranho  par o  camp do  ra  po  desv valor. Nas p palavras de Jodelet,  O mesmo ‘ego’ e o outro ‘a alter’ só podem se opo or no quadr ro de um ‘nós’. O  outr como  ‘nã eu’,  ‘não nós’,  deve ser  afasta ou  tor ro  ão  o  e  ado  rnar­se  estr ranho  pela caracterí as  ísticas  opos stas  àquela que  expr as  rimem  o  qu é  própr da  ue  rio  iden ntidade.  O  trabalho  d elaboraç da  dife de  ção  erença  é  or rientado  pa o  ara  interior do gru upo em term mos de pro oteção; para a o exterior, em termos de 
 Univ versidade de Sã ão Paulo, Brasi il (USP) – Programa de Pós‐G Graduação em E Educação, Facu uldade de Educação.  apaga an@usp.br  2  Univ versidade Federal da Bahia, B Brasil (UFBA) – – Programa de Pós‐Graduaçã ão em História Filosofia e Ens sino de  Ciênci ias, Instituto de Biologia; *Bo olsa de doutora amento: FAPEM MAT 
1

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.   
 

tipificação desvalorizante e estereotipada do diferente (JODELET, 1998, p.  50 – 51).  Tal  discussão  sobre  o  duplo  processo  de  definição  dos  espaços  da  alteridade/ipseidade,  pouco  interessou  à  psicologia  social,  que  tratava  principalmente  das  formas  concretas  de  sua  exposição,  como  as  relações  raciais.  Esta  postura  foi  insuficiente  para  compreender  a  alteridade  como  produto  e  processo  psicossocial.  Contudo,  a  abordagem  empregada  pela  Teoria  das  Representações Sociais permitiu um melhor entendimento da influência simbólica  sobre a construção/exclusão social que é subjacente à esta noção (JODELET, 1998).  A  Teoria  das  Representações  Sociais,  inaugurada  por  Moscovici,  mostra  que  a  construção  simbólica  coletiva  propicia  a  manutenção  de  uma  identidade  social,  consequentemente, de critérios para definição de um outro.   Moscovici  (1978,  p.  41),  percebeu  que  as  pessoas  organizam  suas  ações  cotidianas partindo de opiniões elaboradas segundo experiências empíricas suas e  dos que estão diretamente relacionados consigo. Estas experiências são difundidas  pela  comunicação  intersubjetiva  ou  por  mecanismos  de  comunicação  em  massa,  tais  como,  a  tv,  o  rádio,  os  livros,  as  revistas,  e  atuam  na  formação  de  “entidades  quase  tangíveis  que  [...]  cruzam‐se  e  se  cristalizam  incessantemente  através  de  uma fala, um gesto, um encontro em nosso universo cotidiano” – As representações  sociais.  Segundo  ele,  o  conhecimento  é  constituído  pelo  pensamento  simbólico,  que  significa a possibilidade de representar um objeto através de outro, bem como um  objeto significar vários outros.  Este  pensamento  teria  sua  gênese  na  comunicação  social.  Os  símbolos  recém  introduzidos,  ou  edificados  no  grupo,  são  agrupados  a  outros,  que  os  contextualizam,  que  explicitam  seus  sentidos.  Uns,  mais  arraigados  a  valores  do  grupo, servem de base para ancoragem dos novos. Este esquema de concatenação  de símbolos define um grupo de conceitos.  A fixação de um conceito é reflexo de um conflito de interesses que se estabelece  no  interior  do  grupo.  Promove  o  debate  e  a  demarcação  das  prioridades  do  conjunto, do que há em comum aos seus membros. No processo de comunicação e  construção simbólica, os grupos afirmam ou re‐elaboram os próprios contornos. E  o processo de pensamento reflete, portanto, uma organização social.  Moscovici  (1978,  p.  41)  afirma  que  “as  representações  sociais  correspondem,  por um lado, à substância simbólica que entra na elaboração e, por outro, à prática  que produz a dita substância, tal como a ciência ou os mitos correspondem a uma  prática científica ou mítica”.    ______________________________________________________________________
2

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  Deste modo,  uma  representação  fala  tanto  quanto  mostra,  comunica  tanto  quanto  exprime. No final das contas, ela produz e determina os comportamentos,  pois define  simultaneamente a natureza dos estímulos que nos cercam e  nos  provocam,  e  o  significado  das  respostas  a  dar­lhes.  Em  poucas  palavras,  a  representação  social  é  uma  modalidade  de  conhecimento  particular  que  tem  por  função  a  elaboração  de  comportamentos  e  a  comunicação entre indivíduos (MOSCOVICI, 1978, p. 26).  Este saber prático explicita, nos sentidos e significados que carrega, o processo  coletivo  que  o  estabelece,  pois  resulta  de  um  conflito  de  interesses;  opiniões,  atitudes  e  ações  de  um  grupo.  Assim,  atualiza  e  defende  uma  identidade  social,  promove  a  dupla  construção  da  ipseidade/alteridade  deste  conjunto  frente  a  outros.  Neste  sentido,  constituição  do  conceito  “ser  humano”,  para  a  sociedade  contemporânea  ocidental,  seguiria  padrões  análogos  frente  a  fenômenos  e  organismos não‐humanos?  Acredita‐se  que  o  conhecimento  científico  e  os  produtos  tecnológicos  tenham  participado de boa parte da constante (re)formulação do que se representa como  identidade  humana,  seja  pela  naturalização  do  artificial,  por  exemplo  à  manipulação  da  vida,  ou  pelo  confronto  entre  o  que  se  sabe  sobre  o  homem  e os  demais  organismos  vivos.  Esta  discussão  pode  ser  frutífera  no  sentido  de  evidenciar  relações  dinâmicas  entre  os  pensamentos  biológico  e  cotidiano,  bem  como  pensar  o  ensino  de  ciências  sob  um  enfoque  multicultural  que  valorize  e  promova o diálogo entre ambos. 

O CONHECIMENTO BIOLÓGICO E O “SER – HUMANO”
Ainda  na  pré‐história,  o  homem  conhecia  inúmeros  organismos  vivos,  imortalizados na arte rupestre, usados na obtenção de instrumentos de exploração,  ou  alimento.  Desde  as  primeiras  incursões  no  entendimento  do  meio  ambiente,  com  a  tomada  de  consciência  da  própria  identidade,  ele  começa  a  traçar  os  seus  primeiros passos como naturalista. Principia‐se uma cisão. Ao tornar‐se naturalista  o humano, passo a passo, distancia‐se da sua condição natural.  Paulatinamente,  a  sociedade,  sob  o  argumento,  dentre  outros,  dos  “bons  modos”, parte de uma ruptura entre o animal e o humano. Este, que se distancia da  desordem,  do  invariável,  torna‐se  imperfeito,  ao  contrário  dos  animais,  tão  bem  adaptados  ao  seu  meio.  Por  outro  lado,  o  homem  se  aperfeiçoa,  se  desenvolve  usando de próteses sociais, em busca da sua perfeição. “Aperfeiçoar o homem, eis a  missão da sociedade e do conhecimento” (MOSCOVICI, 1974).  Há  uma  luta  da  sociedade  contra  a  natureza.  Um  inimigo,  ligado  ao  ambiente  externo  e  outro  ao  interno  ao  humano,  que  deve  ser  analisado,  compreendido  e 

______________________________________________________________________
3

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.   
 

controlado.  Conhecer  e  dominar  o  selvagem  é  questão  de  sobrevivência  (MOSCOVICI, 1974; 1975).  A relação proposta entre os homens, os animais, e os demais organismos vivos,  apresentada  pelas  teorias  evolucionistas,  ou  mesmo  pelos  primeiros  estudos  anatômicos,  que  datam  de  muito  antes,  implicaram  na  produção  de  argumentos  para pensar esta dupla oposição selvagem/doméstico.  Hoje em dia, coloca‐se como possibilidade, por exemplo, pensar a vida humana  intra‐uterina  ainda  no  zigoto.  Também,  a  própria  manipulação  da  vida  que  tem  levantado  controvérsias,  começa  a  naturalizar‐se.  Fertilização  in­vitro  é  um  conceito  bastante  popular,  em  breve,  provavelmente  também,  o  serão  os  transgênicos e a clonagem.  O artificial é incorporado à construção do que se diz condição humana. Parece  possível  pensar,  nesta  perspectiva,  a  construção  de  um  humano  artificializado,  a  exemplo  do  produto  cibernético  apresentado  na  ficção  em  analogia  à  imagem  ecográfica de um feto.  Estes  instrumentos  e  conceitos  artificiais  que  têm  sido  ajuntados  à  noção  contemporânea de humano, sejam fornecidos pelos conhecimentos biológicos, ou  pela  tecnologia  que  os  suporta,  parecem  há  muitos  anos,  fazerem  parte  do  processo  de  construção  do  conceito  de  organismo  domesticado,  que  incorpora  objetos artificiais.  As teorias evolutivas colocam este processo em questão quando apresentam o  homem no mesmo patamar biológico que os demais organismos vivos, entretanto,  tal representação parece esquecida ou desestimulada por um processo social mais  amplo,  sobre  a  própria  essência  do  humano  frente  à  sociedade  que  se  coloca  em  luta contra a natureza selvagem do ser.  O  que  faz  com  que  o  humano  seja  humano?  Perguntou  Moscovici  (1974).  Esta  questão está na base dos questionamentos de diversas culturas. O homem ‐ cultura  e/ou  natureza,  é  uma  questão  universal,  um  temata  que  embasa  boa  parte  das  construções simbólicas emergentes.  Segundo Moscovici, os novos símbolos são alicerçados em outros pré‐existentes,  formando  conceitos.  Alguns  destes,  de  proporção  maior,  presentes  em  diferentes  grupos  culturais,  tendem  a  permanecer,  são  pouco  mutáveis,  e  estão  na  base  da  própria  idéia  de  vida  coletiva,  estes  conceitos  são  definidos  como  tematas.  Um  deles, refere‐se à relação entre natureza e cultura na base da construção social do  “ser humano”.  Além  da  cisão,  que  se  fundamenta  neste  temata,  foi  construída  uma  gradação  entre o homem selvagem e o domesticado. Cada época cria aquele que melhor se  enquadra no papel do selvagem.  ______________________________________________________________________
4

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  A  causa  que  desencadeou  a  erupção  do  gênero  humano  separando­o  do  mundo animal e material e a diferença que permite ao homem erguer­se  acima  das  outras  espécies  –  ou  de  outras  frações  da  humanidade,  primitivos,  mulheres,  crianças,  etc.,  consideradas  mais  próximas  da  animalidade – são as facetas deste problema. A emergência da natureza,  a  formação  de  uma  ordem  à  parte,  artificial,  representa  agora  a  substância  de  sua  solução,  que  se  procura  demonstrar  de  mil  formas  (MOSCOVICI, 1975).  Uma grande oposição se coloca, atualmente, na relação entre o saber científico,  “domesticado”, e o saber popular, cotidianamente construído (MOSCOVICI, 1974).  Esta  dissensão,  que  aposta  em  um  conhecimento  científico  neutro  e  analítico,  permeia ainda hoje a produção científica e tecnológica, principalmente dos países  ocidentais,  e  se  mostra  como  construtora  e  definidora  do  que  se  entende  por  conhecimento.  O  ser  humano,  neste  movimento,  experimenta  algo  que  Moscovici  chama  de  pensar  por  procuração.  O  especialista  é  quem  atesta  sobre  coisas  e  questões  intrínsecas  da  pessoa  comum.  Por  exemplo,  o  médico  é  quem  está  habilitado  a  dizer  se  alguém  sente‐se  bem  ou  mal.  Independente,  do  estado  manifestado  pelo  próprio ator social.  As  ciências  inventam  e  propõe  a  maior  parte  dos  objetos,  conceitos,  analogias  e  formas  lógicas  a  que  recorremos  para  fazer  face  às  nossas  tarefas  econômicas,  políticas  ou  intelectuais.  O  que  se  impõe,  a  longo  prazo, como dado imediato de nossos sentidos, de nosso entendimento, é,  na  verdade,  um  produto  secundário,  reelaborado,  das  pesquisas  científicas.  Esse  estado  de  coisas  é  irreversível.  Corresponde  a  um  imperativo  prático.  Por  que?  Porque,  deixamos  de  esperar  exercer  domínio sobre a maioria dos conhecimentos que nos afetam. Pressupõe­se  que grupos ou indivíduos competentes devam obtê­los e fornecê­los para  nós.  [...]  Nessas  condições,  pensamos  e  vemos  por  procuração,  interpretamos  fenômenos  sociais  e  naturais  que  não  observamos  e  observamos  fenômenos  que  nos  dizem  poder  ser  interpretados  [...]  por  outros, entenda­se. (MOSCOVICI, 1978, p. 21)  As  especialidades,  entretanto,  aparecem  de  modo  geral  vinculadas  à  idéia  mecanicista  de  mundo  e  de  ciência  que  fundamenta‐se  na  posição  analítica,  de  modo que o conhecimento é produzido quando se decompõe determinados objetos  em pormenores profundamente estudados e explicitados. Infelizmente, por vezes  perde‐se a noção do todo decomposto. Essa postura tem sido questionada e novos  paradigmas emergem neste contexto.  A realidade é dinâmica, o pensar é intrínseco ao homem comum, que apresenta  suas lógicas próprias, diferentes do pensamento científico positivista, mas que são  tidos em mesmo grau de importância. Não são melhores ou piores, mas diferentes. 

______________________________________________________________________
5

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.   
 

A  Teoria  das  Representações  Sociais,  de  Moscovici,  aparece  em  sintonia  com  este  movimento.  Propõe  a  valorização  do  conhecimento  cotidiano,  e  preocupa‐se  por entender como o conhecimento é transferido de um contexto social para outro,  bem como sua difusão dentro de determinado grupo.  Neste  caso,  um  primeiro  passo  rumo  ao  entendimento  das  construções  sociais  do  “ser  humano”  e  as  influências  dos  conhecimentos  biológicos  nesta  questão,  busca‐se descrever uma proposta de pesquisa empírica que tem sido desenvolvida  no contexto brasileiro. 

FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE BIOLOGIA E A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO SER HUMANO: UMA PROPOSTA
DE PESQUISA EMPÍRICA
A  origem  do  universo,  da  vida,  do  homem;  a  relação  ser  humano  cultural  e  natural;  as  concepções  de  vivo,  não‐vivo  e  morto;  e  assuntos  pertinentes  à  evolução dos seres vivos, são enfaticamente debatidos nos cursos de formação de  biólogos  e  professores  de  biologia.  Parece  comum  que  tais  discussões  tragam  implícitas algumas questões existenciais. O que, muitas vezes, contribui para que o  aluno  sinta‐se  aflito  e  busque  conciliar  a  nova  informação  ao  seu  mundo  conceitual.  Identidades  culturais  são  frequentemente  revistas  e  comportamentos  alterados.  Os conteúdos sobre origem da vida e do universo, apresentam constantemente a  questão  de  onde  viemos.  Na  temática  ambiental,  ecológica,  da  relação  homem  e  natureza; homem e cultura, quem somos. Por fim, na discussão sobre a vida (vivo,  não  vivo  e  morto),  fluxo  de  energia  e  ciclagem  de  nutrientes,  parecem  emergir  reflexões sobre para onde vamos.  Conflitos  de  ordem  cognitiva  e  afetiva  apresentavam‐se  com  maior  vigor  ao  serem  confrontados  conteúdos  sobre  os  antepassados  humanos,  a  valores  culturais.  As  questões,  de  onde  viemos,  quem  somos  e  para  onde  vamos,  por  fim,  emergem de um sistema complexo de interação entre as diferentes disciplinas de  cunho evolucionista, cuja confluência incitaria um possível entendimento sobre o  humano e o desumano.  Esta  relação,  entre  o  processo  evolutivo  e  a  história  da  humanidade,  volta‐se,  portanto  a  conceitos  tangentes  à  teoria  da  descendência  comum  (Meyer;  El‐Hani,  2001). É estabelecida uma relação de alteridade na construção do “eu” humano e o  alter,  vivo  e  não‐humano.  Trata‐se  de  um  contexto  educacional,  no  qual  os  discentes refletem sobre suas incompletudes. As características dos demais seres  vivos  são  discutidas  e  comparadas  com  as  próprias  condições  biopsicossociais  humanas.   ______________________________________________________________________
6

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  Portanto,  busca‐se  neste  trabalho  compreender  como  as  questões  existenciais  “quem  somos,  de  onde  viemos  e  para  onde  vamos”  se  colocam  no  senso  comum,  sob  o  ponto  de  vista  de  um  grupo  de  discentes  universitários  do  Programa  de  Ciências  Agro‐ambientais  (Biologia)  da  Universidade  do  Estado  de  Mato  Grosso  (UNEMAT),  campus  de  Tangará  da  Serra.  Especificamente,  os  possíveis  enlaces  entre  saberes  religiosos  e  científicos,  manifestados  por  tais  discentes  ao  constituírem  uma  representação  social  emergente  à  estas  questões,  a  noção  de  humano.  A  contribuição  da  educação  científica  e  religiosa  na  formação  do  conceito  de  humano  relaciona‐se  à  construção  dos  limites  do  que  se  entende  por  cultura  e  natureza.  A  estrutura  desta  noção  possivelmente  produz  implicações  para  as  discussões, dentre outras, sobre ética, quando são colocados em pauta argumentos  sobre pesquisas com seres vivos; meio ambiente, na adoção de atitudes de respeito  ou desrespeito ao meio natural e, cidadania, na construção de normas e regimentos  de proteção da vida e da promoção da qualidade de vida. A opção por imprimir um  enfoque educacional a este trabalho vincula‐se ao fato de que nestes três campos a  educação tem sido fecunda na formação da consciência crítica dos cidadãos.  O ensino de evolução tem sido reconhecido, tanto como parte relevante para a  compreensão da biologia moderna, quanto da própria ciência. Nos últimos 2 anos  diferentes  publicações  de  alguns  periódicos  especializados  retratam  pesquisas  sobre concepções de estudantes, imprecisões conceituais e influências ideológicas  em  livros  didáticos.  Muitos  artigos  partem  da  preocupação  com  relações  entre  evolucionismo e criacionismo, dentre eles Tidon e Lewontin (2004); Brem; Ben‐Ari  (2004); Hofman; Weber (2003); Ranney e Schindel (2003).  Nesta  pesquisa,  propõe‐se  a  descrição  de  determinado  objeto  sob  o  ponto  de  vista de um grupo social dinâmico envolvido pelas questões globais da sociedade,  levando‐se em conta suas histórias pessoais e grupais. Sá (1998), considerando tal  perspectiva,  destacou  que  a  delimitação  do  objeto  de  estudos  em  representações  sociais leva em conta o elemento representado e os sujeitos que o representam.  A  abordagem  da  noção  “humano”,  neste  caso,  enquadra‐se  na  análise  de  conexões  psicossociais  estabelecidas  entre  os  saberes  científicos  e  religiosos  dentro de um curso da área biológica.  A teoria das representações sociais proposta por Serge Moscovici em 1961, que  tem proporcionado uma visão holística da vinculação entre os processos cognitivos  e  as  interações  sociais,  manifesta‐se  como  um  referencial  adequado  para  nortear  esta  pesquisa.  Segundo  seus  princípios,  ao  analisar  o  conteúdo  do  objeto  representado  é  possível  verificar  nele,  as  características  identitárias  dos  sujeitos  que  representam.  E  permite  uma  abordagem  do  conhecimento  do  senso  comum,  levando‐se  em  conta  as  suas  informações,  crenças,  atitudes,  ideologias,  sentimentos e imagens. 

______________________________________________________________________
7

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.   
 

As tradições religiosas preponderantes neste grupo reúnem elementos de cunho  cristão,  basicamente,  católicos  e  protestantes. Ao  tratar  deste  tema,  destaca‐se  o  trabalho  de  Sepúlveda  (2003),  que  identificou,  em  um  estudo  desenvolvido  com  alunos  protestantes  do  curso  de  Ciências  Biológicas  da  Universidade  Estadual  de  Feira  de  Santana,  na  Bahia,  possíveis  conflitos  entre  valores  religiosos,  apresentados  por  tais  estudantes,  e  conceitos  fundamentais  à  noção  de  evolucionismo.  Ao  definir  que  um  saber  prático  elaborado  no  contexto  cotidiano  de  grupos  humanos se constitui em uma representação social, Denise Jodelet apresentou três  perguntas e  respectivas  problemáticas  que  “são  interdependentes  e  abrangem  os  temas dos trabalhos teóricos e empíricos”, no campo da teoria de Moscovici: Quem  sabe  e  de  onde  sabe,  referindo‐se  às  condições  de  produção  e  de  circulação  das  representações sociais; o que sabe e como sabe, a propósito dos processos e estados  destas  noções;  e  sobre  o  que  sabe  e  com  que  efeitos,  referente  ao  estatuto  epistemológico das representações sociais (JODELET, 2001, p. 28).  Ao indagar quem sabe e de onde sabe, referindo‐se às condições de produção e  circulação das representações sociais  [...]  identificam­se  três  conjuntos,  designados  pelos  rótulos  genéricos  de  ‘cultura’,  ‘linguagem  e  comunicação’  e  ‘sociedade’.  Pesquisam­se  as  relações  que  a  emergência  e  a  difusão  das  representações  sociais  guardam com fatores tais como: valores, modelos e invariantes culturais;  comunicação  interindividual,  institucional  e  de  massa;  contexto  ideológico  e  histórico;  inserção  social  dos  sujeitos,  em  termos  de  sua  posição  e  filiação  grupal;  dinâmica  das  instituições  e  dos  grupos  pertinentes (SÁ, 1998, p. 32).  Neste  caso,  alunos  universitários,  vinculados  ao  curso  de  Ciências  Agro‐ ambientais, que serão formados em Biologia ou em Agronomia, pela Universidade  do Estado de Mato Grosso (UNEMAT) do campus de Tangará da Serra, Mato Grosso  (MT).  Esses  discentes  desenvolvem  suas  atividades  acadêmicas  em  um  Estado  Federativo  que,  em  regra,  é  potencialmente  agrário.  Especificamente,  interatuam  em  uma  região  latifundiária,  de  monoculturas  como  a  soja  e  a  cana‐de‐açúcar,  entremeadas  por  algumas  pequenas  propriedades  rurais  de  economia  familiar,  resultantes do processo de reforma agrária.  Espera‐se com a aplicação do questionário a todos os alunos do referido curso,  estabelecer  um  senso,  dos  subgrupos  de  estudantes  entendidos  dentro  de  um  gradiente  que  vai  de  crenças  totalmente  religiosas  com  pouca  influência  evolucionista,  até  o  pólo  oposto/complementar  de  concepções  evolucionistas  e  ateísmo.  Buscando‐se  analisar  variáveis  vinculadas  à  atividades  acadêmicas,  bem  como culturais que contribuem para tais posicionamentos. 

______________________________________________________________________
8

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  Ao  referir‐se  aos  processos  e  estados  das  representações  sociais,  Sá  (1998,  p.  32), explicou que devemos nos ocupar  [...]  dos  suportes  da  representação  (o  discurso  ou  o  comportamento  dos  sujeitos,  documentos,  práticas,  etc.),  para  daí  inferir  seu  conteúdo  e  sua  estrutura,  assim  como da análise  dos  processos de sua formação,  de  sua  lógica própria e de sua eventual transformação.  Deste  modo  as  representações  sociais  destes  sujeitos,  enquanto  produto  e  processo,  acerca  do  conceito  de  humano,  colocadas  nos  tempos  ou  questões  existenciais de onde viemos, quem somos e para onde vamos, serão os elementos de  representação  abordados  na  tentativa  de  responder  ao  que  sabem  e  como  sabem.  Para  isto,  não  apenas  o  questionário,  como  também  e  principalmente,  as  entrevistas em grupo parecem fecundas.  As  questões  referentes  ao  estatuto  epistemológico  das  representações  sociais,  sobre o que sabe e com que efeito, referem‐se às  [...]  relações  que  a  representação  guarda  com  a  ciência  e  com  o  real,  remetendo para a pesquisa das relações entre o pensamento natural e o  pensamento científico, da difusão dos conhecimentos e da transformação  de  um  tipo  de  saber  em  outro,  bem  como  das  decalagens  entre  a  representação  e  o  objeto  representado,  em  termos  de  distorções,  supressões e suplementações (SÁ, 1998, p. 32).  As decalagens, traduzidas do francês como defasagens, referem‐se às influências  da comunicação na emergência de representações sociais. Segundo Jodelet (2001),  o  fato  das  representações  sociais  serem  reconstruções  do  objeto,  expressões  dos  sujeitos podem ocasionar defasagens no conteúdo expresso, devido à influência de  valores  e  códigos  coletivos,  das  implicações  pessoais  e  dos  engajamentos  sociais  dos  indivíduos.  Isto  produz  três  tipos  de  efeitos  ao  nível  de  conteúdos  representativos: distorções, suplementações e subtrações.  No  caso  das  distorções,  o  objeto  é  apresentado  em  todos  os  seus  aspectos,  entretanto alguns são acentuados e outros atenuados. A suplementação define‐se  pelo  acréscimo  de  atributos,  que  não  lhe  são  próprios,  ao  objeto  representado  (JODELET,  2001).  A  subtração  corresponderia  à  supressão  dos  atributos  apresentados pelo objeto.  Portanto, as questões sobre o que sabe e com que efeitos, tratarão das possíveis  defasagens sofridas pela passagem do conhecimento sobre o conceito de humano,  do  contexto  científico,  para  o  universo  consensual  das  representações  sociais,  analisando‐se, neste caso, também o papel da mediação didática.  Nesta análise todos os dados coletados serão imprescindíveis para a elaboração  da  relação  entre  ciência  e  religião  nas  concepções  dos  universitários.  E  principalmente,  as  informações  levantadas  em  suas  histórias  pessoais,  que  ______________________________________________________________________
9

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.   
 

contribuirão para elucidação de hipóteses relacionadas à variáveis externas à vida  universitária. 

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES
Uma  abordagem  empírica  para  o  entendimento  do  conceito  de  ser  humano,  construído por possíveis professores de biologia, apresenta‐se como fecunda para  o  (re)pensar  sobre  o  papel  do  biólogo  na  construção  e  no  debate  deste  conceito  junto aos ao corpo social. Esta possibilidade pode levar à edificação de um ensino  de  ciências  que  respeite  as  idéias  cotidianas  apresentadas  pelos  discentes.  Além  disso, busca‐se compreender este processo em uma perspectiva multicultural, que  coloca  a  ciência  como uma  cultura,  e  o  ensino/aprendizagem  de  ciência,  torna‐se  um  processo  de  enculturação  que  prevê  a  aproximação  e  o  diálogo  com  uma  cultura  cotidiana,  previamente  construída  pelo  ator  social,  participante  do  processo de ensino/aprendizagem. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALTERS,  B.  &  Alters,  S.  (2001).  Defending  Evolution:  a  guide  to  the  creation/evolution controversy. Jones and Bartlett Publishers, MA.  BREM, S.; Ranney, M. & Schindel, J. (2003). Perceived Consequences of Evolution:  College  Students  Perceive  Negative  Personal  and  Social  Impact  in  Evolutionary Theory. Science Education, 87: 181 – 206.  EL‐HANI, C.; Videira, A. (2001).O que é vida? Para entender a Biologia do século XXI.  2.ª ed. Rio de Janeiro: Relume Dumará.  HOFFMANN, J. & Weber, B. (2003) The Fact of Evolution: Implications for Science  Education. Science & Education 12: 729 – 760.  HOLBROOK,  J.  (2003).  Increasing  the  relevance  of  science  education:  the  way  forward. Science Education International, 14 (1), 5‐13.   JODELET,  D.  (2001)  As  representações  sociais.  Tradução  de  Lilian  Ulup.  Rio  de  Janeiro: EdUERJ.  JODELET,  D.  (1998)  A  alteridade  como  um  produto  e  processo  psicossocial.  In:  ARRUDA, A (org.) Representando a alteridade. Petrópolis: Vozes.  JODELET,  D.  (1985)  La  representación  social:  fenómenos,  concepto  y  teoría.  In:  MOSCOVICI, S. (Org.). Psicología Social. Barcelona: Paidós, (p. 469 ‐ 494.). 

______________________________________________________________________
10

PAGAN, A.; Bizzo, N. & El‐hani, C. (2007) O conhecimento biológico e as construções  sociais do “ser humano”. In, V. Trindade, N. Trindade & A.A. Candeias (Orgs.). A  Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora.  MOSCOVICI,  S.  (2001).  Social  representations:  explorations  in  Social  Psychology.  Tradução de Gerard Duveen. New York University Press.  MOSCOVICI, S. (1978). A representação social da Psicanálise. Rio de Janeiro: Zahar  Editores.  MOSCOVICI,  S.  (1974).  Homens  domésticos,  homens  selvagens.  Trad.  Elisabeth  Neves Cabral. Amadora: Bertrand.  MOSCOVICI,  S.  (1975).  Sociedade  contra  natureza.  Trad.  Ephraim  Ferreira  Alves.  Petrópolis: Vozes.  SÁ, C. P. (1998). A construção do objeto pesquisa em representações sociais. Rio de  Janeiro: EdUERJ.  SEPÚLVEDA,  C.  de  A.  S.    (2003)  A  relação  entre  religião  e  ciência  na  trajetória  profissional  de  alunos  protestantes  da  Licenciatura  em  Ciências  Biológicas.  Dissertação  (Mestrado  em  Ensino,  Filosofia  e  História  das  Ciências).  Universidade Federal da Bahia e Universidade Estadual de Feira de Santana.  TIDON, R. e Lewontin, R. C. (2004). Teaching evolutionary biology. In: Genetics and  Molecular Biology, v 27, n 1 (p. 124‐131). 

______________________________________________________________________
11

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->