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Teoria Geral dos Sistemas: Teoria e Aplicações

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08/19/2013

Teoria Geral dos Sistemas: Teoria e Aplicações

Michele da Silva Rodrigues Bacharel em Ciências da Computação - UFSC
micheledasilva.rodrigues@hotmail.com

Renata de Jesus Silva Bacharel em Sistemas de Informação - UFSC
renatadej.silva@hotmail.com

Resumo: Com o crescente e definitivo fenômeno da globalização não é mais possível tratas as áreas do conhecimento de forma isolada. Elas interagem entre si e com seus próprios elementos de forma tão intensa que não há mais como estudá-las separadamente. A Teoria Geral dos Sistemas tem, justamente, o propósito de criar teorias conceituais que possam viabilizar estas relações na prática. O presente artigo tem como finalidade apresentar os conceitos que definem a Teoria Geral dos Sistemas e algumas de suas aplicações. Abstract: With the growing and final phenomenon of globalization is no longer possible to handle the areas of knowledge in isolation. They interact with each other and with their own elements so intense that there is more ways to study them separately. The Theory of General Systems has, rightly, the purpose of creating conceptual theories that can enable these relations in practice. This article aims to present the concepts that define the General Theory of Systems and some of its applications. Palavras-chave: Teoria Geral dos Sistemas, Sistemas de Informação, Administração, Educação, Geografia, Inteligência Artificial.

1. Teoria Geral dos Sistemas
Apesar das diferentes áreas do conhecimento serem divididas e estudadas separadamente, há algum tempo observa-se um certo padrão em atividades de ramos diferentes. Baseado nisso, o biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy começa seus estudos sobre a Teoria Geral dos Sistemas (TGS) na década de 30, mas só os publica em 1948, quando o clima intelectual era mais receptivo. Bertalanffy descreve sistema como sendo uma “totalidade que se baseia na competição entre os seus elementos e pressupõe a luta entre as suas partes” (BERTALANFFY, 1968, p.66). A TGS pressupõe que eventos de natureza completamente diferentes podem se relacionar se forem analisados com uma abordagem global. Esses eventos tendem a uma integração direcionada a teoria dos sistemas. O seu objetivo é identificar as propriedades, princípios e leis característicos dos sistemas, independentemente da sua natureza. Essa teoria foi reforçada e bastante utilizada na II Guerra Mundial, quando era necessário que as equipes trabalhassem com assuntos diversos e problemas complexos,

com profissionais de diversas áreas do conhecimento. Nesse contexto, a TGS emergiu como uma ferramenta propícia à gestão das grandes dificuldades da época e das alternativas de resolução comuns em diferentes ramos. A TGS trabalha seguindo dois modelos: o reducionismo e o holismo ou sistêmico. O modelo reducionista procura identificar cada peça isolada em um sistema e sua respectiva função. A soma desses elementos posteriormente desempenhará um resultado no sistema maior. Já no modelo sistêmico não existem elementos isolados, mas sim subsistemas inter-relacionados, fazendo com que o sistema em si não consiga ser explicado de forma fragmentada, somente de maneira globalizada. A visão holística é caracterizada pela frase “O todo é maior que a soma das partes”. 1.1. Características dos sistemas Todo sistema possui três características básicas: elementos, relações entre estes elementos, objetivo e um meio ambiente onde está inserido. Os elementos são subsistemas de um sistema maior e interagem entre si para atingir o objetivo comum. O meio ambiente é o que não pode ser controlado pelo sistema. Porém, o sistema pode permutar elementos com o meio, havendo influência mútua entre estes. Essa interação pode ser tão grande que torna-se difícil distinguir o que é elemento do meio e o que elemento do sistema. Uma forma de diferenciá-los é verificando se o sistema pode controlar este elemento. Se sim, ele será um elemento do sistema, caso contrário será do meio ambiente. Quanto maior a fragmentação, ou seja, o número de subsistemas, maior será a necessidade de coordenar as partes. É mais fácil visualizar menos sistemas e entender sua integração, por esta razão as pessoas procuram agrupar os elementos em subsistemas. Há constante sinergia nos sistemas, isto é, as partes de um sistema podem interagir para gerar algo maior ou para atingir a homeostase, ou seja, o equilíbrio. Assim como na visão holística, tal princípio pode ser entendido através da frase: “O todo não é a mera soma das partes”. 1.2. Tipos de sistemas Existem várias classificações para os sistemas. Algumas delas são: a. Concretos ou abstratos: Sistemas concretos são aqueles que existem fisicamente, através de equipamentos, maquinaria, objetos e coisas reais. Abstratos são modelos, conceitos, representações do mundo real, por exemplo planos, idéias, softwares. Há uma complementariedade entre esses sistemas, já que os sistemas físicos precisam de um sistema abstrato para funcionar e os abstratos somente se realizam quando aplicados a algum sistema concreto. b. Naturais ou artificiais: Os sistemas naturais são aqueles que existem na natureza, já os artificiais foram criados ou inventados pelo homem. c. Abertos ou fechados: Sistemas abertos apresentam relações de intercâmbio com o meio ambiente por meio de entradas e saídas, trocam matéria e energia

regularmente e para sobreviver devem ajustar-se as condições do meio. Sistemas fechados não recebem nem fornecem influência sobre o meio. 1.3. Abordagem sistêmica A abordagem sistêmica tem sua origem na Teoria Geral dos Sistemas. Muitas soluções surgem quando observamos um problema como um sistema, sendo formado por elementos, relações, objetivos e um meio ambiente. Este tipo de enfoque propõe que é necessário dividir o problema em partes menores, assim a solução de uma pequena parte pode mostrar o caminho para a dos maiores; utilizar modelagens simples, o modelo deve conduzir os dados, não o contrário; identificar tudo o que faz parte do sistema, pois algumas partes podem possuir detalhes que fazem a diferença; atentar para estes detalhes, os analistas geralmente se preocupam só com as coisas grandes; fazer analogias, saber adaptar soluções que foram eficazes em problemas anteriores e a abordagem holística, que concebe o sistema como um todo integrado e não como uma coleção de partes dissociadas. Uma das ferramentas que procuram fornecer a visão de conjunto dos fatores críticos de sucesso chama-se balanced scorecard, ou balanced business scorecard. Sem tradução em português, o significado é painel ou placar que mostra resultados balanceados ou combinados. (KAPLAN,R., NORTON,D. 1992) Esta técnica focaliza quatro dimensões (chamadas perspectivas) importantes do desempenho da empresa, cada uma das quais desdobra-se em medidas específicas, que podem dividir-se em indicadores. Dentre as abordagens da teoria administrativa, o pensamento sistêmico coloca que a empresa deve ser entendida e tratada como um sistema aberto, que permite interações com o meio, com isto a previsibilidade fica cada vez mais fraca. Sendo assim, para se conseguir efetiva eficácia nas tomadas de decisão deve-se ter uma visão transdisciplinar, que transcenda as barreiras de seus subsistemas, suas áreas do conhecimento, assim como a própria fronteira da empresa com o ambiente externo. Uma das formas de fazer isto, é aplicando conceitos da Teoria do Caos na administração. Um dos conceitos mais utilizados para modelar os mercado de capitais é o da Teoria do Caos (LORENZ, 1963a). De forma sintética, segundo Gleick (1991), o Caos nada mais é do que estabelecer um padrão organizado para a desordem aparente. As equações que caracterizam estas teorias são conhecidas como equações não lineares, onde uma leve alteração nas condições iniciais do sistema poderá levar a um estado final completamente diferente daquele previsto por equações lineares. 1.4. Parâmetros dos sistemas Os parâmetros de um sistema são entrada, saída, controle por feedback e uma restrição. Eles serão caracterizados por sua funcionalidade na operação do sistema, quais entidades, operações, relações e sua descrição objetiva esclarecer o que seja um sistema, como operam estes sistemas dentro das limitações funcionais que tenham sido estabelecidas.

A função de entrada é a primeira informação a ser processada, o ponto de partida do sistema. Os resultados de um processo são as saídas. Estas podem ser definidas como a finalidade para a qual se uniram objetos, atributos e relações do sistema. A eficácia de qualquer sistema de controle também depende da maneira como o feedback é fornecido. Feedback é o processo de avaliar, informar e reforçar ou corrigir o desempenho. Para ser eficaz, o feedback precisa ser rápido. O intervalo entre a observação do desempenho e a aplicação do reforço ou correção deve ser o menor possível. Um comportamento avaliado muito tempo depois do ocorrido já terá sido esquecido, neste caso a correção será ineficaz. Entre as parâmetros de entrada e saída, estão os estados do sistema. Estado é definido com uma ou mais variáveis que estão entre os momentos t inicial e tfinal. Em um determinado instante, existe apenas um estado. Cada vez que há mudança em alguma variável o estado também se altera, quando um sistema possui mais de uma variável, elas podem ou não estar relacionadas umas com as outras. Ao chegar a uma determinada posição, esta não será necessariamente seu estado final, pois a estabilidade de um estado está associada a fatores externos, por exemplo: um corpo permanecerá estático quando a resultante das forças que atuam nele se igualar a zero, então o estado do sistema estará em equilíbrio. 2. TGS em diferentes ramos de atuação 2.1. Sistemas de Informação Para Alter(1996, p.61) “Um Sistema de Informação é um sistema que usa a Tecnologia da Informação para capturar, transmitir, armazenar, recuperar, manipular ou expor informações usadas em um ou mais processos de negócios”. Para Campbell (1997, p.47) “o propósito de um SI é a coleta e interpretação de dados para o tomador de decisão”. Fica claro, então, que os Sistemas de Informação são subsistemas de um sistema maior que é a empresa. Esta, por sua vez, é um subsistema de seu ambiente. Geralmente, um SI é composto de um subsistema social e um automatizado. O primeiro inclui as pessoas, processos, informações e documentos. O segundo abrange os meios automatizados, como máquinas, computadores e redes de comunicação que interligam os elementos do subsistema social. O SI é algo maior que um software, pois além de incluir o hardware e o software, também inclui os processos que são executados fora das máquinas. Uma empresa é um sistema organizacional no qual os recursos são transformados por vários processos organizacionais em bens e serviços. Os SIs fornecem para o administrador informações (feedback) sobre as operações do sistema para sua direção e manutenção, enquanto ele interage com o seu ambiente. Porém, para que o uso da TI apresente efetivo resultado, deve haver constante sinergia entre essa ferramenta e o as pessoas que a utilizam. De nada adiantam novos recursos tecnológicos se as pessoas dos diversos níveis gerenciais não estiverem comprometidos com os resultados almejados, familiarizados com o processo de mudança proposto e motivados para o uso da nova tecnologia. É responsabilidade do analista de sistemas definir os objetivos do sistema que está desenvolvendo, isto inclui quais tipos de informação o sistema manipulará, os

processos, pessoas e máquinas que serão utilizados, além de como será feita a interação entre o SI em desenvolvimento e os já existentes no meio. 2.2. Administração Uma empresa precisa de informações para executar suas atividades como, por exemplo, vendas, compras, produção. Assim como também precisa de informações para elaborar planos, avaliar resultados. À medida que as empresas crescem, elas têm necessidade de estruturar sistemas para produzir as informações requeridas de forma adequada, para fins operacionais e gerenciais. Os sistemas de informações permitem a coleta dos dados, o armazenamento, o processamento e a disseminação das informações. Eles utilizam um banco de dados que deve agrupar os dados e informações, permitindo o atendimento das necessidades da empresa. Estes sistemas apóiam as funções operacionais, gerenciais e de tomada de decisão existentes na empresa. De acordo com Furlan (1991, p. 4), “os Sistemas de Informação podem auxiliar as empresas a aperfeiçoar os seus serviços e operações, a aumentar os seus lucros e crescimento e a melhorar a sua atuação no mercado”. É, também, “um conjunto de elementos interdependentes (subsistemas), logicamente associados, para que de sua interação sejam geradas informações necessárias à tomada de decisões.” (CAUTELA, POLLONI, 1991, p. 23) Estes sistemas processam informações, produzindo também informações as quais abrangem desde os sistemas de informações operacionais, voltados para o processamento de transações, até sistemas de suporte a decisões, inclusive com recursos de inteligência artificial e tem como objetivo gerar informações para tomadas de decisão. Um sistema de informações eficaz deve satisfazer os seguintes requisitos, conforme Vidal (1995): • Produzir informações necessárias, confiáveis, em tempo hábil, atendendo aos requisitos operacionais e gerenciais de tomada de decisões. • Assegurar o atendimento dos objetivos de maneira direta e eficiente. • Integrar-se à estrutura da organização. • Ter um fluxo de procedimentos (internos e externos ao processamento) integrado e rápido. • Ter dispositivos de controle interno que garantam a confiabilidade das informações de saída e adequada proteção aos dados controlados pelo sistema. • Ser simples, seguro e rápido em sua operação. 2.3. Educação O sistema educacional atual é baseado na faixa etária e nas necessidades de desenvolvimento pessoal e social do aluno. Segundo Ribeiro (1990), a sistema escolar é dividido nos seguintes subsistemas: a. curricular e pedagógico: referente a planos de estudos, programa de ensino, métodos, organização pedagógica e avaliação do ensino-aprendizagem. b. recursos humanos: designadamente pessoas e demais agentes educativos c. recursos físicos: referentes à rede, instalações e equipamentos escolares

d. de administração, organização e gestão escolares e. de apoio e complemento educativo: orientação educacional, saúde, apoios sócioeducativos e serviços complementares. 2.4. Geografia No início do século XX, com o avanço do conhecimento científico, a geografia é fragmentada em duas: a Geografia Física e a Humana. Caberia à Geografia Física o estudo da natureza, porém sem influências sócio-econômicas. Entretanto, principalmente após à Segunda Guerra Mundial, o desenvolvimento tecnológico, político e econômico tornou impossível não haver interações entre as duas partes. A organização do espaço é o objeto de estudo da geografia. Este espaço é constituído da união do geossistema natural com o sistema antrópico e as suas relações. Nessa perspectiva a TGS, através do modelo de análise sistêmico, propicia ao geógrafo apreender seu objeto de estudo. A análise dos diversos fenômenos da natureza de ordem econômica, ambiental, cultural, social e política deve estar focada nas suas inter-relações para o conhecimento da realidade de uma sociedade, pois os conhecimentos globais e históricos são importantes para a análise local de um local específico. Para a perspectiva ambiental, os conceitos de ecossistema, da Ecologia, e geossistema, da Geografia, constituem derivações da influência da TGS, além de constituírem uma sólida estrutura conceitual para os estudos e modelos ambientais em geral. 2.5. Inteligência Artificial Tem como objetivo projetar computadores com comportamentos humanos, isso se torna bastante complexo porque não podemos definir nossa própria inteligência ao ponto de construir uma máquina que faça algo similar. Algumas vantagens do computador são: capacidade de armazenar muita informação; fazer cálculos complexos e resolvê-los com rapidez e precisão. Existem diferentes tipos de Inteligência Artificial: a. Sistemas especialistas: são como os conceitos de heurística, que usamos quando temos que tomar decisões em situações que contêm várias saídas. Escolhemos a melhor solução para aquele momento, o que não significa que foi tomada a melhor decisão. O especialista deve ter como atributos: conhecimento do problema em questão, ter um caminho que seja capaz de chegar a uma solução, ter a teoria do assunto, relacionar o contexto com fatos passados e estabelecer prioridades. b. Robótica: são máquinas que possuem os sentidos de visão e tato, essas máquinas tendem a imitar nossa vida. Envolve mecânica, eletricidade, eletrônica e computação, totalizando um robô. A idéia de robótica teve início no século XX que se deu como objetivo principal o aumento da produtividade, em contrapartida a robótica acabou criando o desemprego estrutural que tem como conseqüência a troca do trabalho humano por máquinas. c. Linguagem natural: é algo que está sendo estudado ainda. Consiste em fazer o computador interagir com a nossa linguagem, fazer com que a máquina consiga analisar

textos e formar frases escritas em algum idioma. d. Rede neural: trabalha semelhante ao nosso cérebro, inclusive no seu comportamento. As redes neurais possuem nós e múltiplos caminhos, cada unidade recebe e envia sinais simulando os neurônios humanos (recebendo e transmitindo informações). e. Realidade virtual: é a tentativa de aproximar o usuário e máquina e fazer com que esses cheguem mais perto possível da nossa realidade. São usados sensores para colocar o usuário em um ambiente virtual e de três dimensões realizados pelo computador, essa interação é feita em tempo real.

3. Conclusões O uso da Teoria Geral dos Sistemas aplicada às áreas administrativas surge, principalmente, pela falta de integração das teorias clássicas até então utilizadas e pela inserção da Tecnologia da Informação nas empresas. Estamos vivenciando a era da tecnologia, onde o sucesso é alcançado pela rapidez com que as informações são assimiladas. Os Sistemas de Informação devem atender todas as áreas da empresa, pois os históricos gerados pelos dados processados serão de vital importância para a tomada de decisão. É notório que as informações compõem um dos maiores e mais valiosos bens das empresas. Podemos afirmar que uma empresa será mais dinâmica, agressiva e atuante do que outras na medida em que possua melhores sistemas de informações e, evidentemente, pessoal capacitado e motivado a utilizar estas informações para suas tomadas de decisão. As organizações administrativas são os exemplos mais claros de sistemas, mas não os únicos. Quaisquer fenômenos que tenham um objetivo comum são designados sistemas e podem fazer uso das diretrizes estabelecidas pela TGS. Na geografia o principal foco são as interações entre o homem e o meio ambiente. Em uma época onde os problemas ambientais não mais podem ser descartados, encontrar maneiras de diminuir o impacto das grandes cidades meio à natureza é essencial para a manutenção do ecossistema. Quanto à educação ainda há de se encontrar uma nova maneira de avaliar o sistema ensino-aprendizagem dos alunos e formas mais eficazes de se repassar o conhecimento pelos professores. No Brasil, as crianças passam doze anos na escola e muito pouco apreendem neste tempo, não é a toa que temos um índice tão vergonhoso no ranking mundial de aprendizagem.

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ALTER, S. Information Systems: a Management Perspective. Menlo Park, California: Benjamin Cummings, 2. ed., 1998.

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