P. 1
Familia Brasileira No Contexto Historico e Cultural

Familia Brasileira No Contexto Historico e Cultural

|Views: 1.309|Likes:
Publicado porelisaaaaliiiii

More info:

Published by: elisaaaaliiiii on Feb 26, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/22/2014

pdf

text

original

Família Brasileira no contexto histórico e cultural
Elizabeth carvalho dias cayres

Para se refletir sobre a formação da família brasileira hoje, faz-se necessário entender os aspectos históricos e culturais que têm marcado a sua formação social. O aspecto mais importante a destacar é sua formação multiétnica e pluricultural. A imensa extensão territorial brasileira, colonizada por povos de diferentes etnias, determinou o aparecimento de uma grande diversidade de culturas, e conseqüentemente de famílias, em nosso território. Contudo, a cada período da história, ocorre um modelo hegemônico de família sobre as outras como veremos a seguir. Segundo Bruschini (2000), nos primeiros séculos de colonização temos como modelo dominante de organização a família tradicional, patriarcal, extensa, rural que resultou da adaptação do modelo de família trazido pelos portugueses ao modelo sócio-econômico em vigor no país. Este estilo de família impôs seu domínio na Colônia, subjugando os indígenas e, mais tarde, com a importação dos escravos negros, os portugueses foram destruindo formas familiares próprias desses grupos que aqui chegavam. O “pater famílias”, chefe da família, concentrava as funções militantes, empresariais e afetivas. Com uma distribuição extremamente rígida e hierárquica de papéis, a família patriarcal caracteriza-se também pelo controle da sexualidade feminina e regulamentação da procriação, para fins de herança e sucessão. A sexualidade masculina se exercia, no entanto, livremente. Os casamentos eram realizados por conveniência, entre parentes ou entre membros de grupos econômicos que desejavam estabelecer alianças. Como a atração sexual ou outras razões de ordem afetiva estivessem alheias a esse contrato, considerava-se legítimo que os homens buscassem satisfação sexual e emocional fora da órbita legal do matrimônio, mantendo concubinas, com as quais tinham filhos ilegítimos.

A família patriarcal era um extenso grupo composto pelo núcleo conjugal e sua prole legítima, ao qual se incorporavam parentes, afilhados, agregados, escravos e até mesmo concubinas e bastardos, todos abrigados sob o mesmo teto, na casa grande ou na senzala. Essa característica senhorial foi observada também pelas famílias não proprietárias, das camadas intermediárias – comerciantes, funcionários públicos, militares e profissionais liberais (Ibidem, 2000). A família patriarcal era uma forma dominante de constituição social e política e tinha no seu poder, o controle dos recursos da sociedade. A partir da segunda metade do século XIX, com o início do processo de industrialização, opera-se uma mudança na família e o modelo patriarcal, vigente até então, passa a ser questionado. Começa a se desenvolver a família conjugal moderna, na qual o casamento se dá por escolha dos parceiros, com base no amor romântico, tendo como perspectiva a superação da dicotomia entre amor e sexo e novas atribuições para os papéis do homem e da mulher no casamento. Modernizaram-se as concepções sobre o lugar da mulher nos alicerces da moral familiar e social. A nova mulher, “moderna”, deveria ser educada para desempenhar o papel de mãe, educadora – dos filhos, e de suporte do homem para que este pudesse enfrentar a labuta do trabalho fora de casa. A “boa esposa” e “boa mãe” deveria ser prendada e deveria ir à escola, aprender a ler e escrever para bem desempenhar sua missão como educadora. Essa família apresentava-se como uma família nuclear, reduzida ao pai, mãe e filhos, organizada hierarquicamente em torno de uma rígida divisão sexual de papéis, onde o homem era responsável pelo sustento da família e a esposa pela educação dos filhos e cuidados do lar. Esse novo modelo de família institui novos padrões de educação dos filhos, e atribui alto valor à privacidade e intimidade nas relações entre pais e filhos. A domesticidade, o amor romântico e o amor materno tornaram-se suas pedras angulares. A existência de traços da família patriarcal na família conjugal moderna persistem até o século XX, fundamentada inclusive na legislação, pois, no Brasil, somente na Constituição de 1988 a mulher e o homem são assumidos com igualdade no que diz respeito aos direitos e deveres na sociedade conjugal. Esse processo de modernização se realiza de forma não-linear, não existindo propriamente a superação de um “modelo” pelo outro. Alguns pesquisadores do campo da família, entre eles

mãe. a família dos anos 90 tem uma configuração marcada pelas seguintes características populacionais: 1) Número reduzido de filhos. entendem que os “modelos” patriarcal e conjugal permanecem existindo como tais até os dias atuais. É a partir dos anos 90 que a família brasileira apresenta mudanças significativas em todos os seguimentos da população. houve um avanço da união legal (aumento do número de casamentos civis) em contraposição à união religiosa (queda do número de casamentos religiosos). Isto significa que as mulheres passam menos tempo de sua vida em função da reprodução e têm mais tempo para se dedicar a outras atividades (trabalho. a família. relação conjugal).3 filhos. 5) Predomínio das famílias nucleares (pai. em contraposição aos anos 60. a ser concebidos como parte de um projeto em que a individualidade conta decisivamente e adquire cada vez mais importância social. Segundo Mioto (1997). filhos). passam. Vivemos numa sociedade onde a tradição vem sendo abandonada como em nenhuma outra época da história. Este dado indica queda acentuada da taxa de fecundidade das mulheres brasileiras. dependendo da camada social a que pertence a família. 2) Concentração da vida reprodutiva das mulheres nas idades mais jovens (até trinta anos). 4) Aumento da co-habitação e da união consensual. Este aspecto tem como conseqüência o fato de a co-habitação não ser mais considerado como sinal de pobreza. Na contemporaneidade. com base na análise da Pesquisa Nacional por Amostras de DomicílioIBGE (PNAD). E. cuja média era de 6. Embora se registre uma . as mudanças ocorridas na família relacionam-se com a perda do sentido da tradição. paralelamente ao aumento das uniões consensuais. havendo a predominância de um ou de outro. a sexualidade e o trabalho. Isto implica o aumento da gravidez entre adolescentes. Assim. A família brasileira entra nos anos 90 com uma média de 2. o amor.podem ser citados Sarti (2003) e Mioto (1997). o casamento. antes vividos a partir de papéis preestabelecidos.5 filhos. 3) Aumento da concepção em idade precoce.

A saída da mulher do mundo privado para o público através do trabalho remunerado. aliado a essa expansão. ampliou as possibilidades de atuação da mulher no mundo social. (Strathern. Sarti (2007).8 anos e apenas 4. 6) Aumento significado das famílias monoparentais. a partir dos anos 80. O crescimento da população idosa está condicionada ao aumento da expectativa de vida média da população. 1955 apud Sarti. Isso provoca “mudanças substantivas”.queda desse tipo de organização familiar (em 1981. em 1989 essa porcentagem caiu para 79. 81% das famílias eram nucleares. referencia a pílula anticoncepcional. recriou o mundo subjetivo feminino e.5%). Este fato é conseqüência do aumento das separações e dos divórcios nos últimos anos.8%. Outro fator importante foi o modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Estado .8%. que foi difundida a partir da década de 1960.2% tinham mais de sessenta anos. 8) População proporcionalmente mais velha. Em 1991 a idade média ficou em 24. com predominância das mulheres como chefes da casa. Isto significa um aumento de encargos da família relacionado ao cuidado com idosos. que fundamenta a idéia de família e parentesco do mundo ocidental judaicocristão. em 1981 registrou-se 16. seja fertilizações in vitro – dissociaram a gravidez da relação sexual entre homem e mulher. Em termos de dados. Essas mudanças têm sido compreendidas como decorrentes de uma multiplicidade de aspectos. as novas tecnologias reprodutivas – seja inseminações artificiais. pois até pouco tempo atrás o homem era o provedor e à mulher cabia quase que exclusivamente o cuidado dos filhos e da casa. 9) Aumento de pessoas que vivem sós (1977: 118-119). Mais tarde. A média de identidade da população brasileira em 1950 era de 18. como aquela que separou a sexualidade da reprodução e interferiu decisivamente na sexualidade feminina. 7) Aumento das famílias recompostas. as famílias nucleares ainda são predominantes ao contexto brasileiro. as quais novamente afetaram a identificação da família com o mundo natural. Esse fato criou condições para que a mulher deixasse de ter sua vida e sua sexualidade atadas à maternidade como um “destino” e com isso. também abalou os alicerces familiares. e a população acima de sessenta anos passou a ser de 7.8 anos. 2007).

A vida familiar faz parte do mundo real ou simbólico de todas as pessoas e esta é marcada fortemente por valores morais. destaca Kaslow (2001) por citar nove tipos de composição familiar que podem ser consideradas “família”: 1) família nuclear. sem laços legais. não existe a família regular. nos seus vários arranjos familiares. Por esta razão é que se faz necessário entender a família através do seu conceito. 7) casais homossexuais com ou sem crianças. 9) várias pessoas vivendo juntas.brasileiro. torna-se impossível formular uma conceituação única sobre família por ser esta uma instituição cultural e historicamente condicionada. que podem ser bi-raciais ou multiculturais. 5) casais. 2) famílias extensas. mas com forte compromisso mútuo (2002: 10). chefiadas por pai ou mãe. precisamos do auxílio de outras ciências. um modelo padrão de organização familiar e por isso. religiosos e ideológicos. não existe historicamente e culturalmente. Por isso. incluindo duas gerações. que teve como conseqüência o empobrecimento acelerado das famílias na década de 80. 6) famílias monoparentais. 4) famílias adotivas. 3) famílias adotivas temporárias (Foster). a migração agravada do campo para a cidade e a entrada de um contingente muito grande de mulheres e crianças no mercado de trabalho. incluindo três ou quadro gerações. 8) famílias reconstituídas depois do divórcio. dentre vários autores que estudaram sobre os grupos familiares. função e estrutura para que a nossa intervenção com a família não seja analisada a partir do nosso conceito próprio de família e de enfatizar as relações parentais a partir da consangüinidade como veremos a seguir. Essas mudanças. Como vimos. ocorridas com a família na contemporaneidade tiveram profundas implicações na configuração familiar originando vários modelos de família. a fim de . como se pode observar. Portanto. Szymanski (2002). Precisamos pensar as famílias hoje de forma plural. com filhos biológicos. na breve contextualização histórica e cultural da família brasileira.

Esse novo organismo caracterizava-se pela presença de um chefe que mantinha sob seu poder a mulher. a relação de descendência entre pai e filho e mãe e filho. e pais e filhos. A proibição do incesto está diretamente ligada a origem das regras do casamento que está calcado num sistema geral de trocas ao qual se denomina exogamia. os filhos e um certo número de escravos. Pois para ele. as famílias se constituem . ao serem introduzidas à agricultura e também escravidão legalizada. foi através de Lévi-Strauss “com as estruturas elementares do parentesco. Desde então. entre si. Essa tese permitiu afirmar a supremacia da regra cultural da afinidade sobre a regra natural da consangüinidade. o termo família tem designado instituições e agrupamentos sociais bastantes diferentes. No direito romano clássico a “família natural” é baseada no casamento e no vínculo de sangue e o seu agrupamento constituído apenas dos cônjuges e de seus filhos. do ponto de vista de suas funções e estrutura. no direito brasileiro.obtermos uma leitura mais enriquecedora. pois não existem conceituações certas ou erradas se considerarmos que a família é o “lócus” da subjetividade. que se deu o passo decisivo para a desnaturalização da família ao retirar da família biológica o foco principal e voltar sua atenção para o sistema de parentesco como um todo”. que significa “escravo doméstico”. Este termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo organismo social que surgiu entre as tribos latinas. o fundamento da família não está na natureza biológica do homem. mas na sua natureza social. A partir desse estudo. com poder de vida e morte sobre todos eles. O termo “família” é derivado do latim “famulus”. Sua conseqüência é garantir a vitalidade dos grupos humanos. Segundo Sarti (2003:41). até bem pouco tempo. Essa família tem como base o casamento e as relações jurídicas dele resultantes. Esse conceito teve bastante influência da Igreja Católica através do direito canônico. 1997) chegou à tese de que a família surgiu no imbricamento entre a natureza e a cultura. entre os cônjuges. com a invenção do tabu do incesto. O parentesco é uma estrutura formal que resulta da combinação de três tipos de relações básicas: a relação de consangüinidade entre irmãos. excluindo a possibilidade de ser a família biológica um sistema fechado de relações. Foi por meio do estudo das estruturas elementares do parentesco que Lévy-Strauss (1976 apud Mioto. o laço de parentesco foi instituído como um fato social e não natural e com isso a família entra definitivamente no terreno da cultura. e a relação de afinidade que se dá através do casamento.

e se encontra dialeticamente articulada com a estrutura social na qual está inserida. ao longo dos tempos. na aristocracia dos séculos XVI e XVII não havia separação rigorosa entre . vai nos mostrar que. sendo um de nível interno. Esses estudos surgem com base nas estratégias de sobrevivência das camadas populares e na reprodução do trabalhador. a diversidade de arranjos familiares existentes hoje na sociedade brasileira nos leva a definir a família como um núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar. Segundo Ariès (1981). casamento. Para Draibe (2005 apud Carvalho. como a proteção psicossocial dos membros. As famílias como agregações sociais. surgiu na segunda metade da década de 70 quando começaram a se preocupar com a inexistência de uma teoria da população. em geral. Ela é considerada uma unidade social básica e universal por ser encontrada em todas as sociedades humanas. a família é uma instituição social que. a família é um grupo aparentado. assumem ou renunciam funções de proteção e socialização dos seus membros. Mas a família é também o núcleo dentro do qual as pessoas obtêm seu prazer. responsável. e o outro de nível externo. vivendo juntas. O interesse pela família pelas correntes marxistas. para a sociologia. Bruschini (2000). sexualidade e lazer. 2005). principalmente. independente das variantes de desenhos e formatações da atualidade. em uma mesma casa por um período de tempo indefinido. como resposta às necessidades da sociedade pertencente. como a acomodação a uma cultura e sua transmissão. mesmo porque as necessidades e aspirações devem ser consideradas com rendimentos precários. Ela é percebida por esta corrente como um centro de vida coletivo e de liberdade. se constitui num canal de iniciação e aprendizado dos fatos e das relações sociais. as funções da família regem-se por dois objetivos. ainda que dentro de poucos recursos. As tensões e os conflitos são enormes dentro do grupo. durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se acham unidas (ou não) por laços consangüíneos. Ela tem como tarefa primordial o cuidado e a proteção de seus membros. Ela consiste em um aglomerado de pessoas relacionadas entre si pelo sangue. Segundo Mioto (1997). A família passa a ser definida como a unidade social na qual se realiza a reprodução do trabalhador. Nesta perspectiva. via alimentação.como aliança entre grupos. aliança ou adoção. bem como em uma unidade de renda e consumo. de uma forma ou de outra. pela socialização de suas crianças e pela satisfação de necessidades básicas.

mas era constituída visando apenas à transmissão da vida. Segundo Bruschini (2000). os avós. exercida pelos grupos de parentes. Uma das funções importantes dessa família extensa é o auxílio aos seus membros para a solução de seus problemas. não podem permanecer durante toda a vida morando próximo a seus parentes. os netos etc. À mulher coube a reprodução da força de trabalho na esfera privada do lar e sem remuneração. mulheres e crianças trabalhavam juntos tanto na casa quanto no campo e a unidade familiar era antes de tudo uma unidade com uma função econômica que consistia na produção de bens e serviços necessários para o seu sustento. Os membros das famílias tinham deveres claramente definidos. pelo qual passou a receber uma remuneração. não se isolavam. nas fábricas. pois as famílias viviam nas ruas. Com a revolução industrial do século XIX e a industrialização. A família não tinha a função afetiva e socializadora. ocorre uma mudança na função econômica da família que provocou o surgimento de duas esferas distintas: de um lado a unidade doméstica. Nesses locais. à conservação dos bens. atendem os doentes e fornecem todo tipo de assistência. homens. Esses parentes habitam o mesmo teto ou ficam bastante próximos uns dos outros de um modo geral. No período pré-industrial. Com a urbanização. já que a produção de bens propriamente dita passa a ser feita no mercado. essa ruptura entre local de produção e local de reprodução trazida pelo capitalismo reduz a função econômica da família à produção de valores de uso ou prestação de serviços domésticos. a prática de um ofício. enquanto ao homem coube o trabalho produtivo extralar. as mulheres. essa função. Nas sociedades urbanas. de saúde ou de amparo psicológico. É necessário um grande número de filhos e outros parentes disponíveis para trabalhar na produção de bens e consumos.o público e o privado. . alguns membros da família. estabelecem novos laços sociais e constituem uma nova família que terá menos influência do grupo consangüíneo. quer sejam financeiro. através do trabalho doméstico. nas festas. foi substituída pelas organizações formais que realizam empréstimos. a ajuda mútua e a proteção da honra e da vida em caso de crise. sua localização dependerá em grande medida de onde estudará e onde trabalhará. nas empresas. de outro a unidade de produção. determinados em função de sua idade e posição no grupo familiar e de seu sexo. os filhos.

Duas famílias com a mesma composição podem apresentar modos de relacionamento completamente diferentes. é de uma unidade de renda e de consumo. O que conta. idéias. Szymanski (2000). A função socializadora (educativa) dentro da família é a mais importante porque prepara a criança para o seu ingresso na sociedade com a transmissão da herança social e cultural por intermédio da educação dos filhos. podemos entender a família como espaço privilegiado de socialização através da tolerância. Diz respeito. Uma outra função da família que vem sendo contextualizada é a que diz respeito a assistência aos seus membros. na sociedade capitalista. da busca coletiva de meios para sobrevivência. Nesse sentido. mas compra no mercado o necessário para cada um dos seus membros. a família é basicamente responsável pela proteção física. a cultura familiar e sua organização significativa do mundo (Ibidem: 17). ou do modo das pessoas cuidarem de sua relação numa família. da divisão de responsabilidades entre seus membros. também. E este cuidado se processa num continum que vai da infância até a velhice. da afetividade e de um lugar de igualdade onde todos buscam o bem comum. a classe social de pertencimento. Portanto. valores. Independentemente do arranjo familiar ou da forma como vem sendo estruturada é na família que ocorre a proteção integral dos filhos e demais membros garantindo-lhes a . a família atua também como agência de transmissão da ideologia através de hábitos.). do respeito mútuo. aos cuidados que a família dispensa aos seus membros tanto nas situações do dia-a-dia quanto nas situações que exigem um maior cuidado (doenças. Ao exercer ação socializadora. econômica e psicológica de seus membros. com entradas em dinheiro e saídas em gastos. ressalta: A estrutura familiar não é um determinante da forma como se dá a solicitude. são suas histórias. padrões de comportamento dependendo do status social da família. Em todas as sociedades. A família passa então a ser um grupo que compartilha um orçamento. nesse caso. a família é também uma soma de rendimentos. Ela não produz mais o que o grupo precisa para sobreviver. costumes.A função da família hoje. por ex.

se dava um enfoque de famílias irregulares porque não conseguiam dar conta das suas crianças que ficavam perambulando pelas ruas pedindo esmolas. descuidadas. ou até mesmo roubando. Havia uma clara divisão entre vadios (pobres) e trabalhadores. Segundo Neder (2005). Esse discurso da classe dominante estava imbuído de um racismo que apostava no branqueamento da sociedade brasileira com a entrada dos imigrantes no Brasil para trabalhar nas plantações no lugar dos escravos. A pobreza era de responsabilidade individual. pois se argumentava sobre a impossibilidade de se fazer reforma agrária sem que a “massa” estivesse preparada. 1998). Nessa época. o país passava pela transição de uma sociedade escravista para uma ordem capitalista em decorrência da constituição do mercado de trabalho industrial e urbano. início do século XX. nos anos 90. que vai da condição de vadio. estudou três momentos dessa trajetória. pois se acreditava que este não teria condições humanas tais como inteligência. associada à idéia de ociosidade. a essa massa de ex-escravos foi vedada à propriedade da terra. no Brasil. que pariam muitos filhos e os largavam no mundo sem o devido cuidado. para o de excluído. foram reconstruir suas vidas nos Quilombos. pois não estava preparado para tal. Antes de conhecermos como se organizam e se estruturam as famílias pobres no seu cotidiano. recém libertos. de forte conotação moral. Isto é. Essa preparação deveria vir do senhor do ex-escravo. precisamos contextualizar a trajetória da terminologia da pobreza que vem se modificando ao longo dos tempos. vagabundagem atribuindo-o a condição de “classes perigosas” e se localizava no cortiço. como vadio. muitos ex-escravos. mas outros ficaram nos centros urbanos perambulando pelas ruas sem nenhuma ocupação. Valladares (1995 apud Germano. as mulheres eram rotuladas de relaxadas. No primeiro momento. nos anos 50 e 60 quando o processo de urbanização do desenvolvimento . o pobre era identificado em finais do século XIX. No século XX. Á essas famílias pobres de origem africana. ao negro só cabia o trabalho escravo e na condição de proprietário da terra este não saberia lidar com ela.sobrevivência e o desenvolvimento. Com o fim da escravidão. Segundo Neder (2005). na virada do século. como alguém que se recusava a vender a sua força de trabalho no mercado capitalista. aptidão etc para cultivar sozinho a terra.

ocorre a ascensão de movimentos sociais das “periferias urbanas” que demandavam ao Estado: saúde. o discurso sobre a pobreza passa a ser qualificado de “exclusão social”. uma nova territorialidade da pobreza. 80 e 90 com a crise do modelo de desenvolvimento adotado. Nesse contexto. observa-se uma outra mudança. o discurso econômico sobre a pobreza ganha novas configurações. Com a crise do regime militar. Sob a influência de organismos internacionais. até mesmo trabalhador pobre. Muitos trabalhadores regularmente empregados acabaram se tornando e se identificando como pobres devido à crise econômica. A partir dos anos 70. Já na década de 90. como sinônimo de “carência”. Nos anos 80. conforme a ideologia dominante atribuía no princípio do século. que se abateu no muno inteiro reduzindo o poder aquisitivo do trabalhador. sobretudo em face da intensa imigração. habitação. creches. a expansão do emprego se mostrava insuficiente para absorver essa mão-de-obra. dos fins dos anos 70. legalização de terrenos. mas sim de determinantes externos do indivíduo que apesar do crescimento urbano. saneamento. um novo termo é introduzido para caracterizar os pobres. Nesse contexto. uma vez que o trabalhador e o pobre já não se encontravam mais tão distantes e opostos. considera-se pobre todos os que não apresentam condições de suprir necessidades básicas de cunho biológico e social.capitalista ampliou o mercado de trabalho marginalizando amplos segmentos da população. a “periferia”. favelado era sinônimo de pobre. O terceiro momento da periodização de Valladares diz respeito às décadas de 70. uma “população marginal” ou subempregado cuja localização na cidade era a favela. pois o sistema produtivo é que era incapaz de absorver a população formando assim. uma massa de marginalizados. a pobreza não mais resultaria da recusa do trabalhador ao mercado de trabalho. por tanto. Todos os tipos de inserção no trabalho passam a ser considerados como uma forma de trabalho tais como: trabalhador do setor informal. A “exclusão” é. a condição social da pobreza em tempos de globalização mundial e do . pobre passa a ser sinônimo de “morador de periferia”. trabalhador por conta própria. qual seja: população de baixa renda. Eles passam a figurar na cena urbana como novos atores sociais que se incorporam às lutas pela redemocratização do país e pela conquista da cidadania e dos direitos sociais. entre outros. Ninguém mais deixava de trabalhar por vontade própria. A pobreza é identificada com insuficiência de renda. trabalhador assalariado. isto é. a partir dos anos 60.

mas também é associada à sujeira. a responsabilidade que lhe é de dever à sociedade civil através das Organizações NãoGovernamentais (ONGs) e da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) que passam a interceder em favor dos pobres. a grosseria. Esse imaginário tem uma relação de causa e efeito entre pobreza e violência.Vemos constantemente esse fato na mídia com as chacinas e execuções. 1998). a negligência. Essa exclusão social teria duas faces: a do fundamento sócio-econômico e a da representação que se faz sobre o excluído nas camadas socais mais favorecidas. a incultura. julgamos oportuno apresentar as contribuições de Kallas (1997) e Sarti (2007) que nos ajudam a melhor compreender a organização e a estrutura das famílias pobres. A partir dos “excluídos”. como a pobreza vem sendo concebida pela classe dominante sem levar em consideração o mundo de significação do sujeito. o qual passa a ser mínimo distanciando-se das questões sociais. comenta que a discussão sobre a exclusão faz surgir algo de novo no que tange à reflexão sobre a cidadania. a feiúra. Neste sentido. isto é. (negrito nossos).) e a morte (Ibidem: 52). Valladares (1995 apud Germano. (. as ONGS e OSCIPS têm acesso às agências de financiamento de projetos sociais. a fedor. sejam elas internacionais ou governamentais... A segregação se dá pela separação de tarefas. Nesse contexto. complementar e segregada. com o tratamento que a sociedade dá aos pobres das comunidades bem como a população de rua. os “excluídos” aparecem como não-atores devido ao enfraquecimento dos movimentos sociais e do Estado ser mínimo para as questões sociais delegando assim. Outro referencial que Germano (1998) destaca é o de Takeuti (1993). Kallas (1997) através de sua pesquisa. pela . sua realidade.sistema neoliberal que influencia a oferta de políticas sociais de caráter universais pelo Estado. um espaço de solidariedade e de luta em comum. vai caracterizar a situação de nãocidadania em que se encontram milhares de brasileiros desde a República e o Estado Novo. Percebemos assim. sua potencialidade. A sua relação familiar é predominantemente hierárquica. que descreve a pobreza como aquela que suscita compaixão e complacência. pobre e bandido produzindo um novo excluído passível de eliminação física pelo perigo social que representa. com um grupo de famílias de baixa renda na favela de Vigário Geral. observou que a família pobre se concebe como uma unidade de sobrevivência. a violência.

Eles têm um acesso bastante restrito ao lazer e à cultura. Em relação aos filhos. diversidade da pobreza referindo-se aquele que tem ou não comida em casa. • A força das representações associadas aos papéis de pai e mãe. às vezes. muitos chefes de família não têm carteira assinada. Outra característica importante dessas famílias. monoparentais (mulheres chefes de família). pois à figura do pai é investida de autoridade e respeito por terem um modelo tradicional de família. o espaço da rua e a mulher as tarefas domésticas. papelão etc para poderem sobreviver. distante de suas habilidades. autoritarismo ou. o adolescente e até mesmo crianças abandonarem a escola para entrarem no mercado de trabalho como complementação do orçamento doméstico. A dinâmica hierárquica se dá principalmente entre marido e mulher e tende a se desfazer na relação com os filhos quando estes crescem e participam da renda familiar. É muito comum nestas famílias. a indiferença e raiva pelos maridos contra as mulheres. 5 e até mais filhos). os valores estruturantes da família são: • Presença de afetividade. segundo a referida autora. que ali residem. Com certa freqüência ocorre a violência. A escola pública por sua vez é pouco sensível a realidade dessas crianças e adolescentes. Para Kallas (1997). são biscateiros. o forte senso de ajuda mútua. linguagem e interesses. de tábua ou de alvenaria. às vezes. vivem de catar latas. ampliadas (que incluem netos e avós). admitem punição física e castigo como forma de educá-los. extensas (prole com 3. administração da casa e o cuidado com os filhos. casa sobre palafitas. espaços. O perfil das famílias é de pouca escolaridade que oscila entre o analfabetismo e uma alfabetização precária. famílias nucleares (pai.rígida divisão de atividades onde ao homem cabe o papel de provedor. a crença na possibilidade de uma ação conjunta. insuficiente para o número de pessoas dentro da casa. • O sentimento de solidariedade e de união. . O homem tem pouca participação na educação dos filhos. é a rede de solidariedade entre a vizinhança e os parentes. mãe e filhos). opressão. em becos.

sem distinção entre mercado formal e informal. Elas passaram a identificar qualquer atividade econômica como trabalho. • Valores altruístas (expressos pelos jovens). dá ênfase a discussão do pobre através de dois paradigmas: o da produção e o da cultura. os pobres foram identificados como aqueles destituídos de meios materiais. Sarti comentar que: os pobres foram pensados como se sua identidade social fosse ou devesse ser constituída exclusivamente a partir de sua determinação de classe. as ciências sociais brasileira focalizaram os pobres a partir de seu lugar na produção. a fé religiosa. mostrando as diferentes formas de inserção de todos os seus membros no mercado de trabalho. uma vez que eles foram definidos por essa carência básica (2007: 39). conformistas. a esperança de ganhar na loto e no jogo do bicho (1997: 92). dentro da análise da força de trabalho feminina. Segundo a autora.• O valor do trabalho como fonte de superioridade moral – a ética de provedor. Dentro de uma perspectiva sociológica de inspiração marxista. contribuíram ao mesmo tempo para ampliar a noção de trabalhador. desta monografia. Foi nesse contexto que as ciências sociais refletiram sobre a família entre os pobres. e da mulher. foram olhados apenas em sua condição de dominados. vendedores da força de trabalho. • A prevalência de valores mais coletivos do que individuais. ambos considerados como parte da divisão social do trabalho. Conforme abordamos em outro momento. Os pobres que antes eram vistos pela classe dominante como “classe perigosa” passam a ser definidos e identificados como os “trabalhadores”. como unidade de reprodução da força de trabalho. os estudos sobre família. a família tornou-se objeto de estudo a partir da análise de sua funcionalidade para o capital. ou. Sarti (2007). Segundo Sarti. de um outro ponto de vista. como se suas ações fossem ou devessem ser motivadas pelo interesse em satisfazer suas necessidades materiais. . isto é.

porque ela possui também uma dimensão social e simbólica. Ela é quem cuida de todos e zela para que tudo esteja em seu lugar. entre os adultos e as crianças. através dos estudos de comunidade. responsável pela respeitabilidade familiar. Para eles. Cabe à mulher manter a unidade do grupo. em seu desempenho como boa dona-de-casa. À mulher é identificada a casa. Sarti observou em sua pesquisa. e os homens. a mulher. a fome significa não apenas a brutal privação material. a idéia de autoridade se dá como mediador da família com o mundo externo. trabalhadores/provedores. Para o homem. A divisão complementar de autoridade corresponde à diferenciação entre casa e família. tomados como totalidades isoladas. lugar este que ele não ocuparia no mundo da rua ante suas condições de vida e trabalho. num bairro da periferia de São Paulo. espera-se que controle o pouco dinheiro recebido pelos que trabalham na família. É a patroa da casa. que analisavam pequenos núcleos de população. suas formas de organização social e seus valores. Em contrapartida. É sobre o homem que recai mais fortemente o peso do fracasso de provedor por este se sentir responsável pelos rendimentos familiares.A ótica da produção também se faz presente nas pesquisas sobre a família trabalhadora não apenas como reprodução da força de trabalho. Ele é a autoridade moral. Oferecer comida é um valor fundamental para os pobres na medida em que a alimentação é a prioridade dos gastos familiares. comem mais que as mulheres. As crianças. Os que trabalham devem comer mais do que os outros adultos. conferindo ao homem um lugar de autoridade. é a chefe da casa e o homem a família. mas também a partir de suas estratégias de sobrevivência concebendo a família como uma unidade de consumo. Não podemos classificar a pobreza a partir de um único eixo. que a família pobre possui uma estrutura patriarcal dentro de uma hierarquia entre o homem e a mulher. é considerado o chefe da família. como veremos a seguir dentro do paradigma da cultura. . desde muito cedo têm atribuições dentro de casa. dentro das famílias pobres. priorizando os gastos com a alimentação e driblando as despesas. o da lógica da economia. mas a privação da satisfação de dar de comer a alguém. Foi nos anos 50 e 60 que se acumulou bastante informação etnográfica sobre os pobres. não ter o que comer.

envolvendo um sistema de obrigações morais que por vezes dificulta a individualização e por outra viabiliza condições básicas para sua existência. Segundo Carvalho (2005). porteiros de prédios. estabelecida em torno de famílias em situações de discriminação e pobreza. diferente da classe média que se organiza em núcleo. cuidando de crianças menores que elas e fora. Um ou mais membros da família do trabalhador mantém laços mais próximos com as classes média e alta. Uma outra característica dessas famílias seria sua configuração como rede. nas ruas. seja como empregados domésticos. geralmente. em famílias nas quais dar. A Rede de Solidariedade Apadrinhada é uma forma de estabelecer o consumo e usufruto de determinados utensílios e materiais para as famílias pobres. receber e retribuir constituem as regras básicas de suas relações (Sarti. A rua apesar de ser um espaço da desordem.ajudando nas tarefas domésticas. se torna um espaço de trabalho para as crianças vendendo doces. a sobrevivência cotidiana das famílias empobrecidas apresenta três tipos de solidariedade: A Rede de Solidariedade Conterrânea e Parental é. agregados de parentes e conterrâneos. ou a pequena comunidade rural cria vínculos e sistemas próprios que garantem os padrões de reprodução social (2005: 97). o trabalho dos filhos – crianças e jovens – faz parte do próprio processo de sua socialização como pobres urbanos...) o grupo extenso. que não teriam condições de possuir e utilizar-se destes recursos. 2007: 106). . É expressa cotidianamente através dos empréstimos para pagar conta de luz ou água (. O valor do trabalho referido à família para os pobres. O trabalho do jovem é diferenciado em relação ao da criança porque as suas obrigações estão mais próximas as dos adultos e faz parte fundamental das obrigações familiares.

dentro das comunidades. É através dela que flui a sociedade-providência organizada. no mero recebimento dos benefícios. eletrodomésticos (2005: 97). remédios. É no mínimo hipócrita atribuir a essas famílias uma função de proteção às crianças e adolescentes sem lhes oferecer meios para isso.jardineiros. O direito à privacidade não é sequer sonhado pelos grupos familiares empobrecidos. mas sim na forma participante da responsabilidade partilhada. Estas solidariedades e processos são vividos. pelas igrejas católicas. buscando a cooperação de diversos serviços. com condições mínimas de sobrevivência numa situação de maior vulnerabilidade e que precisam ser protegidas pelo Estado através de políticas públicas. etc. A Igreja se faz presente no cotidiano da vida das famílias e comunidades. educação e formação profissional. em especial às empobrecidas. torna-se necessário refletir sobre os padrões de assistência e proteção que o Estado tem proporcionado às suas famílias. trabalho.). . Vimos através da história que o atendimento às famílias pobres por parte do governo. Se pensarmos que a conceituação de negligência traz implícita a noção de fracasso no provimento de necessidades básicas. Esse quadro se completa pela ausência de usufruto de bens e serviços mínimos à sobrevivência material (saneamento básico. Este vínculo assegura um canal de doações de roupas. com contradições e conflitos próprios ao confinamento a que estão submetidos.. que exercem atividades das mais variadas de proteção social. no entanto. que cria serviços assistenciais e de defesa para a imensa demanda de justiça que esta população expressa (Ibidem: 98). habitação. Hoje encontramos famílias. A forma de envolvimento dessas famílias nesses programas não deve ser passiva. A Rede de Solidariedade Missionária é estabelecida. normalmente.. coleta de lixo. protestantes. transporte. É preciso ter programas que atendam a família e que combinem políticas de emprego. sempre foi marcado pela repressão e violência através da retirada de seus filhos do convívio familiar. É a instituição com maior credibilidade para esta população. espíritas ou pelas seitas afro-brasileiras.

e até hoje. Não seria mais com esmola. como modelo a ser seguido não só pela caridade. “indigência” e “má conduta” dos pais. mas sim a reintegração social daqueles que seriam os eternos clientes da caridade: os desajustados. promovida pela igreja. Suas finalidades são de cunho político.I. hábitos de “economia. levando aos seus membros além da pregação religiosa. 1903-1913. conforme já sinalizamos. p.Durante muito tempo. Essas famílias pobres não tinham acesso ao agente que transmitia os novos valores morais que . a caridade pretendia “reconciliar o pobre com o rico” através das Senhoras da Caridade que iam visitar as famílias. os modelos assistenciais predominantes no Brasil até o final da década de 1930 foram o da caridade e o da filantropia. roupas. Nessa mesma década. procurando concentrar neste sentido os esforços de outras associações de caridade religiosas” (Estatutos do I. Rizzini (1993) comenta que a família e o menor tornaram-se objeto de investigação e intervenção da assistência filantrópica muito antes do que da assistência estatal. de ordem e de asseio”.1 apud Rizzini). instrução etc. fundada em 1901 pelo médico Moncorvo Filho. era realizada através das Casas de Expostos criadas e mantidas pela Santa Casa de Misericórdia que pretendia proteger a mãe da desonra. educação. o que nas famílias não seria possível devido à “devassidão”.A. econômico e moral e se aproxima com as ciências médicas e jurídicas. Os defensores dessa assistência acreditavam ser mais econômico socorrer às crianças nos asilos do que fazê-lo nas famílias. A assistência caritativa. Segundo Rizzini (1993). A filantropia surge para dar continuidade à obra da caridade. As crianças atendidas nas casas eram submetidas à educação moral.P. era justamente o de investigar as condições em que vivem as crianças pobres. “Uma das finalidades do Instituto de Proteção e Assistência à Infância. mas também pelo Estado. especialmente a alimentação. mas sob uma nova concepção de assistência.. essas famílias foram vistas como desestruturadas e incapazes de criar seus filhos.. além de salvaguardar a moral pública. com o fim de proporcionar-lhes o devido amparo. habitação. de 30.

Rizzini (1993). e a distribuição de alimentos. tais como: nutrição da criança. através de “inquéritos”. A Política Nacional de Bem-Estar do Menor (PNBEM) teve suas diretrizes fixadas pelo governo . A Liga Brasileira de Higiene Mental.era o médico de família. a assistência médica. essencialmente preventiva. 1993). tinha como objetivo restringir as investigações da situação médica e social das famílias. a educação. higiene domiciliária. educação infantil e medicina popular e doméstica. Havia também serviços que serviam como instrumentos de propaganda sobre a higiene infantil. fundações estaduais e órgãos nacionais. a higiene estabelecia regras do modo de viver com cuidados imprescindíveis sobre a habitação. doenças infantis. roupas e brinquedos e o atendimento em creches. O período republicano passou a concentrar-se na identificação e no estudo das categorias necessitadas de proteção e reforma. Essa assistência. mas também às famílias que levavam para casa receitas médicas através dos conselhos e ensinamentos sobre puericultura. numa realização da filantropia médica. treinando-as no cuidado à criança em relação à boa saúde física e moral. Para Moncorvo Filho (1907 apud Rizzini. Eram palestras sobre a higiene infantil com grande variedade de temas. como juizados de menores. alcoolismo. como o Serviço de Assistência a Menores (SAM) e a Fundação Nacional de Bem-estar do Menor (FUNABEM). alegando que estas são as mais necessitadas dos conselhos médicos. espiritual e material. o vestir. alimentação. o dormir. Por isso. A mulher sempre foi alvo importante da filantropia pelo seu papel de mulher-mãe como sustentáculo moral da família. Foram criadas clínicas e hospitais destinados às crianças e mulheres pobres. Esses estudos foram realizados pelos órgãos estaduais e municipais. atingia não só às crianças pobres. a estratégia que se utilizou foi através de palestras médicas para mães pobres. fundada em 1923. A família é percebida como foco de doenças e como origem de um grande contingente de improdutivos do país. secretarias de promoção do menor. A assistência social por parte do Estado surge com a mudança do regime político do país. A medicina justifica o seu interesse pelas famílias pobres. destaca O Instituto de Proteção e Assistência à Infância que associava os objetivos da caridade aos da ciência ao levar na visita às casas dos doentes.

atendia às famílias dos soldados que foram convocados para a Segunda Guerra Mundial. 2004: 148). mas. A primeira tende a olhar a família numa perspectiva de perda de funções. Em contrapartida vê um Estado cada vez mais intrusivo. ao lado da vizinhança e dos grupos de amigos próximos. cada vez mais regulador da vida privada. Da assistência às famílias dos convocados. de perda de autonomia e da própria capacidade de ação. eram programas voltados para as crianças. Esses programas de atendimento a família sempre foram focados nos seus membros. A idéia de proteção à infância era antes de tudo proteção que não privilegiava a família. principalmente nas experiências de insegurança. . progressiva e rapidamente a LBA começa a atuar em praticamente todas as áreas de assistência social com todas as famílias.Castelo Branco cuja tônica era a da valorização da vida familiar e da integração do menor na comunidade. de uma sobrecarga de funções (2004: 48). a Legião Brasileira de Assistência (LBA). A segunda tem indicado que a invasão do Estado na família tem se realizado através não de uma redução de funções. a família vem sendo pensada pelos gestores das políticas públicas contemporâneas como um dos recursos privilegiados. Wanderley (1997 apud Mioto. fins dos anos 70. de pertencimento na sociedade e de construção de identidade. apesar da sua pouca visibilidade como tal. 2004) destaca a “importância da família como lugar de busca de condições materiais de vida. ao contrário. de perda de lugar na sociedade e de ameaça de pauperização trazidas pelo desemprego” (Mioto. gestantes etc e não de atendimento de proteção da família. idosos. Mioto (2004) argumenta. a família vem sendo redescoberta como um importante agente privado de proteção social. Desde a crise econômica mundial. A culpabilização da família pelo estado de abandono do menor não foi uma criação dessa política e sim da construção da assistência à infância no Brasil. por isso. que existem duas linhas de intervenção da relação entre Estado e família no debate da contemporaneidade. A primeira grande instituição nacional de assistência social. Identificada como um dos mais antigos e autônomos provedores informais de bem-estar.

habitação. seus membros e dos indivíduos. Por isso. violência doméstica. continuamente os deslocamentos entre o público e o privado. 1993) tem como objetivo a proteção à família e esta é determinada como um dos focos de atenção da política de assistência social. Aos poucos esses programas têm se voltado para as dificuldades cotidianas das famílias na perspectiva de dar-lhes sustentabilidade. independente dos formatos ou modelos que assume. atenção à família a partir da ótica da incapacidade e da falência. fundamentalmente. bem como geradora de modalidades comunitárias de vida”. “Família. com cunho universalista através de redes socioassistenciais que suportem as tarefas cotidianas de cuidado e que valorizem a convivência familiar e comunitária. Os programas de apoio sociofamiliar visam atender às faces mais cruéis dos problemas relacionados à infância e à juventude (trabalho infantil. cultura.A atuação na família está voltada para a centralização de ações em situações limite ao invés das situações cotidianas. na última década. a política de Assistência Social é pautada nas necessidades das famílias. entre outras para que as ações não sejam fragmentadas e o acesso e à qualidade dos serviços sejam para todos os membros da família e indivíduos. que traduz a família como sendo o núcleo natural e fundamental da sociedade e com direito à proteção da sociedade e do Estado e nas legislações específicas – Estatuto da Criança e do Adolescente. é mediadora das relações entre os sujeitos e a coletividade. A família. A Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS. tornou-se o elemento central da intervenção das políticas de assistência social. Essa centralidade da família pressupõe que para a família prevenir. A Política Nacional de Assistência Social (PNAS) deve estar. tem especial proteção do Estado”. educação. esporte. Estatuto do Idoso e na Lei Orgânica da Assistência Social. delimitando. A Política Nacional de Assistência Social (2004) descreve que “a família. inserida na articulação com outras políticas sociais como: de saúde. . base da sociedade. no artigo 16 da Declaração dos Direitos Humanos. promover e incluir seus membros é necessário garantir condições de sustentabilidade para tal. emprego. proteger. isto é. prostituição). A importância da família no contexto da vida social está explícito no artigo 226 da Constituição Federal do Brasil (1988).

2004:27). entre outras (Ibidem: 31). precária ou nulo acesso aos serviços públicos. • Centros de informação e de educação para o trabalho. Destina-se à população que vive em situação de vulnerabilidade social decorrente da pobreza. voltado para jovens e adultos. dentre outros) e.Essa política possui três níveis de proteção à família: Proteção Social Básica tem como objetivo prevenir situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições. adolescentes e jovens. étnicas. fragilização de vínculos afetivos – relacionais e de pertencimento social (discriminações etárias. Centros de Convivência para Idosos. uso de substância psicoativas. ou. e o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários. dentre outras) (PNAS. Programas de incentivo ao protagonismo juvenil e de fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. de gênero ou por deficiências. Nesse equipamento são executados os seguintes programas: • • • • • Programa de Atenção Integral às Famílias. Proteção Social Especial é a modalidade de atendimento assistencial destinada a famílias e indivíduos que se encontram em situação de risco pessoal e social. Esses serviços têm estreita interface com o sistema de garantia de direito exigindo uma gestão . Programa de inclusão produtiva e projetos de enfrentamento da pobreza. ou. privação (ausência de renda. abuso sexual. Serviços socioeducativos para crianças. por ocorrência de abandono. situação de rua. cumprimento de medidas sócio-educativas. maus tratos físicos e. situação de trabalho infantil. Os serviços dessa proteção são executados de forma direta nos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) cujos serviços são de fortalecimento dos vínculos internos e externos de solidariedade. psíquicos.

A Proteção Social Especial pode ser de Média e Alta Complexidade. Abordagem de Rua. Ministério Público e outros órgãos e ações do Executivo. Proteção Social Especial de Média Complexidade oferece atendimento às famílias e indivíduos com seus direitos violados. alimentação. Plantão Social. higienização e trabalho protegido para famílias e indivíduos que se encontram sem referência e. Casa Lar. Proteção Social Especial de Alta Complexidade os serviços de proteção social são aqueles que garantem proteção integral – moradia.mais complexa e compartilhada com o Poder Judiciário. Programa de Combate à exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. ou. ou. necessitando ser retirados de seu núcleo familiar e. Medidas socioeducativas em meio-aberto (Prestação de Serviços à Comunidade – PSC e Liberdade Assistida – LA). mas cujos vínculos família e comunitário não foram rompidos e é também dividida em Alta Complexidade. São executados os seguintes programas: • • Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PET). Serviço de habilitação e Reabilitação na comunidade das pessoas com deficiência. Cuidado no Domicílio. em situação de ameaça. • • • • • • Tais como: Atendimento Integral Institucional. • • • • . Seus serviços são: Serviço de orientação e apoio sociofamiliar. comunitário (Ibidem: 32). República. Casa de Passagem.

temos o Programa de Atenção Integral à Família (PAIF) que é um serviço dirigido para toda família: crianças. do Plano de Convivência Familiar e Comunitária que prevê um conjunto de ações a serem desenvolvidas na esfera dos três governos. • O atendimento desses programas e serviços de média complexidade e alta são efetivados no Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS) que visam a orientação e o convívio sociofamiliar e comunitário. Ele apresenta recomendações de ampliação de política de apoio à família e o aprimoramento de medidas de proteção e de adoção. jovens.C. Os CRAS são conhecidos como as Casas das Famílias que oferecem apoio pedagógico e psicológico para superação dos problemas familiares.A. Dentro da proteção básica de prevenção. Família Acolhedora. Trabalho protegido. Viver em família e na comunidade é um direito assegurado pela Constituição brasileira e pelo E. internação provisória e sentenciada).. Esse plano de convivência familiar e comunitária possibilita criança em permanecer no meio a que pertence. idoso e deficientes vulneráveis em função de pobreza e de outros fatores de risco e/ou exclusão social. adultos. Há que se ressaltar a aprovação em dezembro de 2006. Família Substituta.• • • • Albergue. um grande avanço nas políticas públicas de enfrentamento da violação dos direitos tanto da criança e do adolescente quanto da família. Podemos perceber dentro do contexto histórico da criança e do adolescente em relação à proteção a família ao longo dos tempos. para que as famílias não cheguem até outro nível de proteção. criando espaços de qualificação profissional e humana e também desenvolvem projetos de criação de trabalho e renda articulados com o Bolsa Família. adolescentes. tanto na família de origem como na sua comunidade ou em família substituta em caso de violação dos direitos das crianças e do adolescente quando já se esgotou todos os recursos para o não abrigamento. Mas . Medidas socioeducativas restritivas e privativas de liberdade (semiliberdade.

AZEVEDO. – São Paulo: EDUC /Cortez. ed. In: CARVALHO. Mione A. GUERRA. Mônica M. – 7. ARIÈS. 1981. Referências ALENCAR. de . 2000. P. BARROS. dificultando uma real apreciação quanto a estas famílias serem realmente negligentes com suas crianças ou serem negligenciadas pelos órgãos públicos. Nívia V. – 3. Infância e violência: fronteiras do conhecimento. família e juventude: uma questão de direitos. a retirada dos filhos dessa convivência colocando-os em abrigos só por serem pobres. muitas também não o são. a inexistência de recursos. de. Embora muitas famílias sejam atendidas por essas políticas e programas. 61–78. a falta de informação. São Paulo: Cortez.29-38. (orgs. Rio de Janeiro: PUC – Rio. O desconhecimento. – São Paulo: Cortez.). Famílias: algumas inquietações. de (org. 2003.). 2004. práticas e proteção social. B. T. Violência intrafamiliar contra criança e adolescente: trajetória histórica. Rio de Janeiro: LTC. principalmente no que diz respeito à convivência familiar.). Faz-se necessário. Departamento de Psicologia. Philippe. . 2005.precisamos cada vez mais garantir esses direitos. MATOS. Viviane N. Transformações econômicas e sociais no Brasil dos anos 1990 e seu impacto no âmbito da família. políticas sociais. A Família contemporânea em debate. contribuem para que situações consideradas como negligente rondem estas famílias. Política social. (orgs. In: SALES. Elisabete D. pois ainda é comum nos dia de hoje. de A. p. Maria A. Maria do C. Tese de doutorado. . História social da criança e da família. Maurílio C. etc. Maria C. ed. BILAC. uma análise mais aprofundada por parte dos profissionais para que estas não sejem punidas duas vezes. LEAL.

Brasília. Maria do C. . – 18. a base de tudo. CONVENÇÂO DOS DIREITOS DA CRIANÇA (1990 – Brasil). 1992. 50-79. A era dos direitos.gov. Teoria crítica da família. Maria do C.). _______. Silvio M. 9-45. DF: UNICEF. Maria do C. – 7. p. 2003. 2005. BRUSCHINI. 1997. p. Constituição da República Federativa do Brasil. B. In: Revista Serviço Social & Sociedade. ed. – São Paulo: Cortez. . GUERRA. In: KALOUSTIAN. Infância e violência doméstica: fronteiras do conhecimento.943 A de 12 de outubro de 1927. CÓDIGO DE MENORES – Decreto nº 17. BRASIL.htm – 61k> Acesso em 14 Jul. 2005. Maria A. p. Família brasileira. – São Paulo: EDUC /Cortez. 2000. Rio de Janeiro: Editora Campos. p. – 3. São Paulo: Cortez. _______. A priorização da família na agenda da política social. ed. Viviane N. – Rio de Janeiro: DP&A.mre. 2008. A Família contemporânea em debate. de A. B. LEI 8072/90 – Lei de crimes hediondos. BUSSINGER. Vanda V. CARVALHO. In: AZEVEDO. 93-108. _______. Cristina.BOBBIO. de (org. Disponível em <www2.). de. O lugar da família na política social. – 7.15-22. ed.Br/daí/criança. – São Paulo: Cortez. ed. de. Fundamentos dos direitos humanos. In: CARVALHO. nº 53. B.). (org. Nobert. CARVALHO. Ministério do Desenvolvimento Social de Combate a Fome. (orgs.

2005. 2008. (org.org. 1994. p. 109130. DF: UNICEF. 2008.fia. São Paulo: Brasiliense. Disponível em <www. 2005. Brasília.069 de 13 de julho de 1990.pdf> Acesso em 14 Jul. da. João R. 179-190. 2006 – Coleção primeiros passo. DRAIBE. ed. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – Lei nº 8. a base de tudo.br/publicacoes/copy_of_pdf/decunivdireitoshumanos.unesco. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS. Eunice T. DORNELLES. ed. Sonia M.gov. Prevenir a violência: um desafio para profissionais de saúde. Suely F. Antonio C. FÁVERO.COSTA. O que é o Plano Nacional de Promoção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC).rj. O que são direitos humanos. (org. DESLANDES. – São Paulo: Cortez. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. 2007.pdf> Acesso em 14 de Jul. São Paulo: Cortez. Família brasileira. Brasília. – 7. In: KALOUSTIAN. – 7.br/downloads/declaração_dos_direitos_da_criança.). In: Revista Serviço Social & Sociedade. p. Disponível em <www. DF: UNICEF. a base de tudo. DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA. Família brasileira. In: KALOUSTIAN. G. Silvio M. 19-25.). . A família como questão social no Brasil. W. – São Paulo: Cortez. Por um reforço da proteção à família: contribuições à reforma dos programas de assistência social no Brasil. nº 91. Silvio M. p.

São Paulo: Cortez. – 3. GENOFRE. 2003. – 7. GUERRA. B. da S. José R. LOBO. Marlis L. Abuso e negligência na infância: prevenção e direitos. 97-103. Nossas crianças maltratadas e tão espancadas. 27-30. p. 28-51. Roberto M. . Ministério da Justiça. – Rio de Janeiro: Fiocruz. In: CARVALHO. LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social – Lei nº 8. nº 57. ed. 2005. Guia de Atuação Frente a Maus-Tratos na Infância e na Adolescência – Orientações para pediatras e demais profissionais que trabalham com crianças e adolescentes. KALLAS. Rio de Janeiro: Editora Científica Nacional. p. Maria do C. Hebe S. José W. p. ed. Rio de Janeiro. Do outro lado do muro: da instituição à comunidade – um estudo de família de baixa renda.742 de 7 de dezembro de 1993. Pobreza e educação: o avesso da cidadania. Violência de pais contra filhos: a trajetória revisitada – 5. 2005. ed. nº 71. Luiz. 1997. p. GONÇALVES. In: Família ontem hoje e amanhã. Viviane N. In: Revista Serviço Social & Sociedade. Debates Sociais nº 50/51. 2002. Infância e violência no Brasil. (org). 1990. GERMANO. Família: uma leitura jurídica. 2003. de (org. CBCISS. São Paulo: Cortez. Família e proteção social: questões atuais e limites da solidariedade familiar.FIOCRUZ. A Família contemporânea em debate. Secretaria Estado dos Direitos Humanos. GUEIROS. 1998. In: Revista Serviço Social & Sociedade. de A.). p. Dalva A. Rio de Janeiro: FAPERJ/NAU. 102121. In: LIPPI. – São Paulo: Cortez. – São Paulo: EDUC /Cortez. 81-93.

ed.). Relatório Mundial sobre violência e saúde. MATOS. MIOTO. (Suplem. p. 1977. Maurílio C. (orgs. São Paulo: Cortez. In: SALES. DF: UNICEF.). Regina C. NEDER. – São Paulo: Contexto. Organização Mundial de Saúde. Política social. nº 55. Maria C. Sylvia L. OMS. Brasília. Família e Serviço Social: contribuições para o debate. política social e papel da família: crítica ao pluralismo de bem – estar. A Família contemporânea em debate. família e juventude: uma questão de direitos. LEAL. História das crianças no Brasil. Família: perspectiva teórica e observação factual. In: Revista Serviço Social & Sociedade. P. – São Paulo: Cortez. de S. PEREIRA. – 3. 25-42. – São Paulo: EDUC /Cortez. de . Maurílio C. p. In: SALES. ed. Gizlene. (org. In: Cadernos de Saúde Pública. A violência social sob a perspectiva de saúde pública. 2003. 2004. Silvio M. 347-375. Família brasileira. Política social. Novas propostas e velhos princípios: a assistência às famílias no contexto de programas de orientação e apoio sócio-familiar.). Potyara A. In: KALOUSTIAN. Mione A. 1): 7-18. Edson. 1994. __________________. T. ed. nº 10. In: PRIORE. LEAL. Mione A. (orgs. Crianças carentes e políticas públicas.). Ajustando o foco das lentes: um novo olhar sobre a organização das famílias no Brasil. 2004. B. a base de tudo. Maria C. p. de (org. 51-60. Mudanças estruturais. família e juventude: uma questão de direitos. (org. 114-130. de .MELLO. Maria do C. 43-59. p. . Maria C. [SciELO]. 2002. In: CARVALHO. Mary D. 2005. São Paulo: Cortez. p. PASSETTI.). p. MATOS. São Paulo: Cortez. – 7. – 7. 26-46. 2002. OMS. MINAYO.

_____________. Raquel Baptista (coordenação). _____________. Vannúzia L. RJ: PUC-Rio. A. 73-94. RIZZINI. Desenho de família. 1997. 1997. Universitária: Amais. Universitária. – 4. DF: UNICEF. Irma. Rio de Janeiro: Ed. Luciene Naiff. Irene. RIZZINI. A família como espelho: um estudo sobre a moral dos pobres. Rio de Janeiro: Petrobrás – BR: Ministério da Cultura: USU Ed. Irmã Rizzini – Rio de Janeiro: Ed. – São Paulo: Cortez. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. Olhares sobre a criança no Brasil – Século XIX e XX. 1993. Irene (coord. Goiânia: Cânone. PUC – rio.). Universitária: Amais. A criança e a lei no Brasil: revisando a história (1822 – 2000). Cynthia A. Universitária Santa Úrsula. 2000. Brasília. A institucionalização de crianças no Brasil: percurso histórico e desafios do presente / Irene Rizzini. 2001. Rio de Janeiro: Petrobrás – BR: Ministério da Cultura: USU Ed.PERES. Sonia M. DF: UNICEF. Política Nacional de Assistência Social. ed. Brasília. Acolhendo crianças e adolescentes: experiências de promoção do direito à convivência familiar e comunitária no Brasil / Irene Rizzini. Criando os filhos: a família goianiense e os elos parentais. CIESPI. . Rio de Janeiro. Desenhos de família. RIZZINI. SARTI. Assistência à infância no Brasil: uma análise de sua construção. 2004. Secretaria Nacional de Assistência Social. 2004. – . Rio de Janeiro: USU Ed. São Paulo: Loyola. In: SOUSA. _____________. _____________. G. p. Brasília. 2006. Irma Rizzini.

In: KALOUSTIAN. B. (org. In: ACOSTA. ed. Família: redes. Maria A. laços e políticas públicas. a base de tudo. p. Silvio M. DF: UNICEF. . 2005. Família brasileira. In: CARVALHO. Cynthia A. 9-25. – 7. In: CARVALHO. 2007. PUC / SP.).). ed. – São Paulo: Cortez. Viver em família como experiência de cuidado mútuo: desafios de um mundo em mudança. SARTI. ___________________. . p.). VITALE. O direito à convivência familiar e comunitária: uma política de manutenção do vínculo. Brasília. p. – 7. 2007. – São Paulo: EDUC /Cortez. Maria do C. In: KALOUSTIAN. 77-92. – São Paulo: Cortez: Instituto de Estudos Especiais. Ana R. SZYMANSKI. – São Paulo: Cortez. 2003. 21-36. B. F. TAKASHIMA. ed. A Família contemporânea em debate. K. 2002. 39-49. Famílias enredadas. Heloisa. (org. Maria do C. Brasília. – 3. VICENTE. Teorias e “teorias” de famílias. _______________ A família e individualidade: um problema moderno. 2005. de (org. ed. A Família contemporânea em debate.23-27. – 7. ed. Família brasileira. a base de tudo. p. In: Revista Serviço Social & Sociedade.). 2003. São Paulo: Cortez. (orgs. p. Cenise M. – São Paulo: EDUC /Cortez. de (org. 47-76.). Geney M.São Paulo: Cortez. Silvio M. p. O desafio da política de atendimento à família: dar vida às leis – uma questão de postura. nº 71. DF: UNICEF. – 7.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->