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PORTFÓLIO DE ZOOLOGIA SISTEMÁTICA E FILOGENÉTICA - Montepuez 2011

PORTFÓLIO DE ZOOLOGIA SISTEMÁTICA E FILOGENÉTICA - Montepuez 2011

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  • Introdução ao estudo da Zoologia Sistemática e filogenética
  • Metazoários
  • Filo dos Radiatas (Cnidaria e Ctenophora)
  • Filo Hemichordata
  • Filo Echinodermata
  • Estudo do filo chordata e Subfilo Urochordata
  • Classe mammalia
  • Conclusão
  • Bibliografia

I. Apresentação

2

Abdul Gafar Daúdo

Este portfólio apresenta um conteúdo diversificado da Zoologia Sistemática e Filogenética, em que foi usada a metodologia baseada na comunicação directa, através das aulas dadas pelo docente, que cujo estas foram leccionadas com uma linguagem acessível e objectiva. Além disso, os temas aqui tratados e as necessidades de desenvolver as informações ou temas, usou-se algumas obras. A cerca de mim Nome do estudante: Abdul Gafar Daúdo Idade: 32 anos, Sexo: Masculino Local de estudo: Universidade Pedagógica – Delegação de Montepuez. Curso: Biologia, 1º ano. Sou uma pessoa que apesar de viver em um mundo conturbado, acredita em dias melhores. Alguém autêntico que luta pelos seus objectivos e não desiste dos seus sonhos. Objectivos relacionados a esta cadeira Obter o suficiente de conhecimentos sobre: • • • O reino animal e seu desenvolvimento, facilitando na organização desses animais usando o sistema natural de classificação; Fases da evolução da taxonomia, facilitando a percepção do grau parentesco dos animais. O desenvolvimento evolutivo dos animais ao passar dos tempos e o desenvolvimento dos diferentes órgãos durante essa evolução; Objectivos do portfólio académico  Aprender a aprender, fazendo;  Levar o aluno ao universo da pesquisa, desenvolvendo o gosto pela leitura;

 Propiciar o registo, análise e acompanhamento das acções quotidianas no
diário de aprendizagem.

―Abrir um portfolio bem feito é como abrir uma arca do tesouro.‖
(Shores e Grace, 2001)

Portfólio de Zoologia S&F

Curso de Biologia

1º ano

UP-Montepuez - 2011

I. Índice

3

Abdul Gafar Daúdo

Introdução ao estudo ds Zoologia Sistemática e Filogenetica ……………………………... 1 Diversidade de sistemas de classificação …………………………………………..…….. 10 Protozoários ……………………………………………………………………….…….... 21 Metazoários ……………………………………………………………………………......39 Filo dos Radiatas (Cnidários e Ctenophora) ………………………………………….…...52 Classe Cubozoa e Classe Sciphozoa ………………………………………………….…...59 Filo Platyhelminthes – Classe tubellaria …………………………………………….…….73 Filogenia dos Protostômios – Filo Molusca ………………………………………….…...79 Classe Gastrópode e Classe Cephalopode ………………………………………….….… .84 Filogenia e História natural dos protostômios …………………………………….……... 88 Filo Annelida – Classe Polichaeta, Oligochaeta e Hirundinea …………………….…….. 90 Filo Artrópoda ou articulata – Subfilo Quelicerata ………………………………….……95 Classe Crustácea e Classe dos Insectos …………………………………………….……105 Filo hemichordata ………………………………………………………………….….... 117 Filo Echinodermata ………………………………………………………………….…..124 Estudo do Filo Chordata e Subfilo Urochordata ………………………………….…….132 Subfilo Cefalochordata ……………………………………………………………….…138 Superfamilia Tetrapoda ……………………………………………………………....….152 Classe Mammalia ………………………………………………….…………………….166 Conclusão …………………………………………………………………………... …..170 Auto-avaliação …………………………………………………………………………..171 Bibliografia ……………………………………………………………………………...172

Portfólio de Zoologia S&F

Curso de Biologia

1º ano

UP-Montepuez - 2011

possibilitando um equilíbrio dinâmico do ecossistema.Dia: 27. e ordenar as espécies. entre outros).  A nomenclatura zoológica ―é a aplicação de nomes distintos a cada uma das classes reconhecidos numa dada classificação zoológica‖ (SIMPSON.2011 Introdução ao estudo da Zoologia Sistemática e filogenética 1 Abdul Gafar Daúdo A zoologia é parte da biologia que estuda os animais sob todos os aspectos. caracterização e denominação dos grupos de animais. 1962:13). agrupando-os de acordo com o seu grau de semelhança. Tem dois objectivos principais: considerar organismos estruturalmente relacionados e separá-los pelas respectivas espécies.Julho . encarrega-se em procurar os diferentes seres vivos existentes. por categorias taxonómicas do género ao reino.2011 . evolução. estruturas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Aplica-se em vários momentos desde a existência do homem. (sua origem. definição e ordenação de grupos de animais‖ (MATEUS. usamos ela na medida em que tentamos descobrir o animal. A zoologia sistemática sub divide-se em (2) dois grupos:  Taxonomia ―é o capítulo da sistemática que tem por fim. a organização. Nesse contexto. suas diversas formas. Assim pode-se dizer que a Taxonomia é o ramo da ciência que trata da ordenação (classificação) e denominação (nomenclatura) dos seres vivos. descobrir e dar o seu respectivo nome. órgãos e sistemas com características que permitem a adaptação dos grupos de animais nos diversos meios. sua manutenção e as relações que ocorrem entre eles e o ambiente. pois apresenta um enfoque evolutivo – ecológico que destina-se a analisar a história zoológica das espécies focalizando os animais. alimentação. esta disciplina é adequada. Zoologia Sistemática e Filogenética. descrevendo as características que distinguem uma espécie da outra. e aqueles que não existiam. habitat. 1986:43). possibilitando o entendimento de como os seres vivos estão classificados. dar nome. entre outros. Zoologia Sistemática é o ramo da zoologia que se ocupa na organização.

subarbustos e ervas. O sistema natural actual de classificação emprega todos os dados disponíveis: estrutura.322 a. Sistema de Classificação e sua Evolução A Zoologia Sistemática começa com a origem do homem. perigosos ou não. Teofrasto. arbustos. Nomenclatura é uma parte da zoologia sistemática que se ocupa nas regras da nomenclatura dos diferentes animais segundo as regras taxonómicas. Foram elaborados alguns sistemas de classificação mas com pouco sucesso. um dos critérios utilizados foi o tamanho. entre outros. fisiologia. Os primeiros homens classificavam os seres vivos segundo as suas necessidades. essas classificações. este usou o meio como características de classificação. ele as dividia em árvores.2011 . terrestres e aquáticos. Os critérios eram arbitrários. o tipo de critérios que em forma os chamados sistemas de classificação práticos. Com a evolução do tempo Aristóteles trabalhou principalmente com animais e classificou várias centenas de espécies. Assim. Descreveu todas as plantas conhecidas no seu tempo: ao classificar as plantas. distribuição. alguns Biólogos classificavam os animais de acordo com seu modo de locomoção. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .2 Abdul Gafar Daúdo Assim. Mais tarde. chamadas práticas. O mais importante para os nossos antepassados era organizar as plantas e os outros animais em comestíveis ou não.C. veio classificar as plantas bem como os animais em aéreos. outros conforme o ambiente em que ele vivia. embriologia. por motivos óbvios. De Aristóteles até o começo do século XVIII houve pouco progresso.). esse tipo de classificação é conhecida como classificação empírica ou prática. um discípulo de Aristóteles (372 à 287 a. úteis ou sem interesse. e outros. pois o homem ia lidar-se directamente com o objecto ou com o animal (semelhanças morfológicas). foram abandonadas.). Ele dividia os animais em dois grandes grupos: os com sangue e os sem sangue.C. A primeira tentativa conhecida de classificação foi feita pelo filósofo grego Aristóteles (384.

2011 . as espécies deixaram de ser vistas como grupos estáticos de seres vivos. é usada hoje.3 Abdul Gafar Daúdo Classificação Artificial As primeiras classificações eram consideradas artificiais. Esse princípio da imutabilidade. Considerando-se o imenso número de idiomas e dialectos espalhados pelo mundo. pois utilizavam critérios que não reflectiam as possíveis relações de parentesco entre os seres vivos. pois as espécies eram consideradas tipos padrões e imutáveis. Classificação Natural Hoje em dia classificações são naturais. Assim. era crença generalizada entre os naturalistas da época de Linnaeus. Com a aceitação da teoria evolutiva. ele não levou em conta as relações de parentesco evolutivo entre seres vivos. desde o instante da criação até então. o sueco Karl Von Linné. pois acreditava que as espécies existentes na Terra tinham sido criadas uma a uma por Deus e que. torna-se absurdo o número de nomes diferentes pelos quais são chamados os animais. No entanto. elas teriam permanecido sem qualquer alteração. O critério básico da classificação de Lineu era a semelhança anatómica entre os organismos. hoje universalmente aceita. As classificações naturais assim como as artificiais são racionais. No sistema proposto por Linnaeus a espécie é a unidade de classificação e pode ser definida como sendo ―um grupo de organismos que se acasalam na Natureza e cujos descendentes são férteis‖. Ainda não havia surgido a teoria da evolução biológica. pois procuram agrupar os seres vivos de acordo com o maior número possível de semelhanças. conceito este chamado de fixismo. denominado fixismo. tentando estabelecer relações de parentesco evolutivo entre os mesmos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . desenvolveu um sistema de categorias hierárquicas que. em 1735. com algumas modificações. pois são sistemas de ordenação e classificação dos seres vivos segundo as suas características. pelo menos no mundo científico.

Para além dessas classificações.Ordem . Actualmente são sete categorias hierárquicas obrigatórias constantes de espécies semelhantes. não cumpre com algumas regras do processo evolutivo. foram ampliadas. em que esta não segue os princípios evolutivos. tais como subfilo. superordem.Género . Actualmente as categorias reconhecidas no ICZN (Código Internacional da Nomenclatura Zoológica). classes semelhantes são agrupadas em um filo ou divisão. e filos ou divisões semelhantes são agrupadas em um reino. subespécie.Classe . subgénero. infraclasse. chamadas de categorias taxonómicas. pois na altura ou no momento da construção da arvore filogenética ou genética. da mais ampla para a mais restrita. Classificação Vertical ou Filogenética ou ainda Felética Aquela classificação dos seres vivos que aceita os processos evolutivos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . famílias semelhantes são reunidas numa ordem. As categorias podem ser representadas. Classificação horizontal É aquela cuja classificação dos seres vivos é feita em critérios não evolutivos. superfamília. As diferentes categorias de classificação. acrescentadas algumas categorias são: Reino  Filo  Superclasse  Classe  Subclasse  Coorte  Superordem  Ordem  Subordem  Superfamília  Familia  Subfamília  Tribo  Genero  Subgenero  Especie  Subespecie.Espécie (unidade de classificação).4 Abdul Gafar Daúdo O actual sistema de classificação dos organismos também considera a espécie como unidade de classificação. que eram agrupadas em um mesmo género. ordens semelhantes são agrupadas em uma classe. os géneros semelhantes são agrupados numa mesma família. da seguinte maneira: Reino Filo Classe Ordem Família Género Espécie Além dessas categorias. muitas vezes são utilizadas categorias intermediárias.2011 . Linnaeus elaborou um sistema de classificação onde havia 5 categorias: Reino (mais geral) . existe a chamada Fenética.

como também possam ser cruzadas livremente na natureza e produzir descendentes férteis‖ (SAMPAIO e MACHADO. além das características genéricas. 1. Espécie é “A unidade de classificação usada pelos biólogos é chamada espécie. s/d : 14). têm em comum outras características pelos quais se assemelham entre si. Assim. Vertical/Filogenética/Cladis tica (previlegia as relações de parentesco entre os seres vivos e tem em conta o factor tempo) Conceitos Para o padre John Ray. fisiológicas. Espécie são indivíduos que. que tem em comum muitas características anatómicas. espécie do latim Specie é um grupo de indivíduos que possuem algumas características comuns.5 Abdul Gafar Daúdo Fig.2011 . Sistemas de classificação dos seres vivos Sistema de classificação dos seres vivos Classificação prática (baseada no interesse humano) Classificação racional (baseada nos caracteres dos seres vivos) Natural (considera maior número de caracteristicas possiveis) Artificial (considera poucas características) Horizontal ou fenética (previlegia as características estruturais dos organismos e não têm em conta o factor tempo) Fonte: Adaptado pelo autor 2011. cujas essas devem ser dos seus ancestrais. bioquímicas e comportamentais. Lineu veio a definir como sendo: Um conjunto de indivíduos activos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . são capazes de cruzar entre si e dar descendentes férteis e se distinguem dos das demais espécies. com a capacidade de cruzar entre si e dar descendentes férteis. porém a palavra é usada para animais e vegetais tão semelhante que não só tenha as mesmas características estruturais.

Cada filo representa o agrupamento mais alargado geralmente aceite de seres vivos que partilham certas características evolutivas comuns. 1962:10). e que é a principal subdivisão das classes. Ordem é a categoria taxonómica que agrupa famílias relacionadas filogeneticamente. distinguíveis das outras por diferenças marcantes. Filo . Taxon ―é um grupo de organismos reais reconhecido como uma unidade formal a qualquer nível de uma classificação hierárquica‖ (SIMPSON.é agrupamento mais elevado geralmente aceites em cada um dos Reinos em que os seres vivos foram divididos tendo em conta os seus traços evolutivos e a sua estrutura e ancestralidade. O seu objectivo é procurar as relações evolutivas entre os organismos e expressar essas relações em sistemas taxonómicos. 1962:22). Família . que signifiquem relações genéticas.2011 . por semelhanças ou por ambas‖ (SIMPSON.6 Abdul Gafar Daúdo Sistemática: Utiliza os dados de diversos ramos do conhecimento para agrupar os seres vivos de acordo com o seu grau de parentesco e a sua história evolutiva.Reúne géneros semelhantes e estas estão reunidas em classes e as classes em Divisão. 1986:43). Categoria taxonómica ―é uma classe cujos membros são todos os taxons colocados a um determinado nível numa classificação hierárquica‖ (SIMPSON. Em outras palavras. 1962:22). Classificação zoológica ―é a ordenação dos animais em classes (ou conjuntos) na base dos seus parentescos. de associação por contiguidade. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . ou seja. Género ―é uma categoria sistemática que contém uma ou mais espécies de presumível origem filogenética comum que se separa de outras unidades similares por limites marcados‖ (MATEUS apud MAYR. género é o agrupamento de espécies semelhantes ou parecidas entre si.

a qual é ainda hoje utilizada. botânico e médico.org) Classe . que ele sugeriu uma nomenclatura mais simples. sendo o primeiro termo para designar o seu género e o segundo. O primeiro é do gênero e o segundo á da espécie (Binominal). classes e outras categorias não o são. os nomes genéricos e específicos são latinizados. em 1898. Ex. ―Nomes científicos são latinizados.7 Abdul Gafar Daúdo Reino ―é a categoria superior da classificação científica dos organismos introduzida por Lineu no século XVIII‖ (http://pt. embora tenham letra inicial maiúscula. lançou seu livro Systema Naturae. Por convenção. Considera-se Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . as quais são esboçadas no Código Internacional de Nomenclatura Zoológica. o sueco Carl von Linné. 2006:05). a sua espécie. distinguíveis das outras por diferenças marcantes.é a categoria taxonómica que agrupa ordens relacionadas filogeneticamente. enquanto o nome das famílias. no qual propôs regras para classificar e denominar animais e plantas. onde cada organismo seria conhecido por dois nomes apenas. conhecido simplesmente por Lineu.: Felis catus. As principais regras da nomenclatura científica estão resumidas a seguir: ― O nome dos animais deve ser escrito em latim de origem ou. mas podem ser derivados de qualquer outra língua ou de nomes de pessoas ou lugares. então. As regras para a denominação científica dos seres vivos foram firmadas posteriormente. foi somente na 10ª edição do seu livro.wikipedia. e que é a principal subdivisão dos filos. A denominação científica dos animais segue certas regras definidas. latinizados. Porém. em 1758. no I Congresso Internacional de Nomenclatura Científica. ordens. Regras básicas de nomenclatura Zoológica Em 1735. Surgiu assim a nomenclatura binomial. a maioria dos nomes é derivada de palavras latinas ou gregas e geralmente refere-se a alguma característica do animal ou do grupo denominado‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Sendo obrigatório dois nomes no mínimo.2011 . ― Cada organismo deve ser reconhecido por uma designação binomial. seguidos e inseparáveis.

― Em trabalhos científicos. Ancilóstoma: Ancylostoma duodenale Creplin ou C. já convencionada. ― A substituição de nomes científicos é permitida somente em casos excepcionais. Por exemplo no Brasil. seguindo-se depois uma vírgula e data da primeira publicação. sem ser antecedido pelo género. Por exemplo: Mycobacterium tuberculosis tuberculosis bovis hominis (tuberculose bovina). o seu nome deve ser colocado depois do nome do gênero. Para subfamília. ― Lei da prioridade. adotando para esses casos uma notação especial. por extenso ou abreviadamente. uma homenagem a esse grande sanitarista brasileiro. se for impresso.. o radical adotado é inae. mas para subespécies é trinomial. ou sublinhado se for em trabalhos manuscritos. já que o termo Cruzi é a transliteração latina do nome de Oswaldo Cruz. desde que tenha sido publicado e acompanhado por uma indicação. que indica tratar-se de espécime reclassificado. Ex. ― Em zoologia. se a posição sistemática de um organismo é modificada.: Anopheles (Nyssurhynchus) darling.gênero: Felis. ― Quando existe subgênero. subfamília: Felinae. humana). e o autor tenha aplicado os princípios da nomenclatura binária. Exemplos: Gato . ― O nome relativo à espécie deve ser um adjectivo escrito com inicial minúscula. ― A designação para espécies é binomial. ― Todo nome científico deve estar destacado no texto.8 Abdul Gafar Daúdo um erro grave usar o nome da espécie isoladamente. há quem escreva: Trypanosoma Cruzi. a família é denominada pela adição do sufixo idae ao radical correspondente ao nome do género-tipo (género mais característico da família). Adopta-se sempre o nome primeiramente usado para descrever a espécie. 1845.. sem qualquer pontuação intermediária. o nome científico deve assumir a seguinte forma: Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . salvo raríssimas excepções: nos casos de denominação específica em homenagem a pessoa célebre. Desta forma. Mycobacterium (tuberculose Mycobacterium tuberculosis avis (tuberculose aviária).2011 . entre parênteses e deve ser sempre escrito com inicial maiúscula. ― O nome do gênero deve ser escrito sempre com a inicial maiúscula. o nome do autor que primeiro descreveu e denominou. Pode ser escrito em itálico. Exemplos: Cachorro: Canis familiaris Lineu ou L. 1758. definição e descrição. família: Felidae. após o nome do organismo é colocado.

Assim. indica que Fabricius mudou de género o animal inicialmente descrito e "batizado" por Lineu. descrevê-lo e indicar em que colecção foi colocada. só então. é prática comum designar um espécime-tipo.2011 . coloca-se o nome do segundo autor e a data em que reclassificou o espécime. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . o nome do primeiro autor e a data em que a denominou. 1758) Fabricius. 1804. a seguir. entre parênteses.9 Abdul Gafar Daúdo menciona-se o nome do organismo já no novo género e. a denominação da formiga saúva Atta sexdans (Lineu. fora dos parênteses. ― Ao publicar a descrição de uma nova espécie.

Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . naturalista foi o primeiro a propor (1866) uma divisão para os ―micróbios‖. A locomoção (as plantas são fixas e os animais  Os constituintes das células (as plantas têm parede celular celulósica e os animais têm outros constituintes no interior das células). Aristóteles Até ao séc. Diversidade em Sistema de Classificação Podemos distinguir seis sistemas de classificação diferentes: classificação em dois reinos. e a sua entrega será no dia 15-08-11. separava os seres em dois reinos distintos: as plantas e os animais. classificação em cinco reinos. Haeckel Ernst Heinrich Philipp August Haeckel (1834 – 1919). de Aristóteles e Lineu. classificação em seis reinos e classificação em três domínios. XIX dizia-se que os seres vivos se dividiam em plantas e animais. tendo em conta:   Fig.Agosto .Dia: 01.2011 . embora tivesse uma limitação perante a classificação dos fungos. que não se encaixavam no reino das plantas. 2 – Os dois reinos. segundo critérios naturais. O sistema de classificação em dois reinos. A morfologia (sem forma – plantas e com forma – animais). O tipo de nutrição (autotrófica – plantas e heterotrófica – animais).2011 10 Abdul Gafar Daúdo Marcação de um trabalho com o tema Classificação científica de vinte animais Diferentes. A vantagem deste sistema de classificação é a sua simplicidade que tornava a classificação óbvia e bem definida para os seres macroscópicos. classificação em quatro reinos.  não). classificação em três reinos.

Ele retira ao reino dos protistas designado por Haeckel as bactérias e as cianobactérias (algas azuis) criando um reino novo para elas. heterotróficos (ingestão e absorção). o próprio Haeckel estava relutante em quebrar a antiga tradição dos dois reinos.2011 . propõe 4 reinos: Monera. 4 – Os quatro reinos de Copeland. Este sistema de classificação não foi aceite de forma geral. Fig. Plantae e Animalia. devido às bactérias terem umas estrutura celular diferente propôs a divisão em dois domínios: Procariota e Eucariota. o reino Monera. Protista e Monera. 3 – Os três reinos. em 1937.11 Abdul Gafar Daúdo Haeckel separou as formas de vida em três reinos Plantae. Whittaker A classificação feita por Whittaker em 1969.e representou-os como uma árvore (Fig. fotossintetizantes. Protista. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Basicamente afirmou que os seres vivos se dividiam em plantas. Whittaker propõe inicialmente. Protista e Animalia .Seriam eucariontes. Fig. Copeland (1902–1968).  Modo de nutrição: Autotróficos (fotossíntese). Fungi. autotróficos. Copeland Herbert F. dois critérios de classificação:  Organização celular: unicelulares ou multicelulares. Nesta classificação os procariotas não têm núcleo organizado enquanto as células dos eucariotas têm o núcleo individualizado por uma membrana. uma vez que. pluricelulares (pinheiro. entre outros). samambaia. Chatton Edouard Chatton . 3). em 1956. nutrição por absorção. reconhece cinco reinos: Plantae. animais e seres microscópicos a que deu o nome de protista. Animalia. Plantae .

Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Fungi . pluricelulares. nutrição por absorção. unicelulares e pluricelulares. bolores de pau). macroconsumidores e microconsumidores. tornando a sua classificação mais simples e objectiva. Assim o sistema passou a ter os seguintes critérios:     Organização celular: unicelulares ou multicelulares.12 Abdul Gafar Daúdo Animalia . autotróficos. Tipo de células: Procarióticas e eucarióticas. leveduras. autotróficos e heterotróficos (bactérias e cianobacterias). (cogumelos. nutrição por ingestão. nutrição por ingestão ou absorção.Seriam eucariontes.2011 . procariotas. heterótrofos (minhoca.Seriam eucariotas. homem). nutrição por absorção e ingestão. por absorção. consumidores. heterotróficos alguns fotossintéticos. Interacção nos ecossistemas: Produtores.Unicelulares. Modo de nutrição: Autotróficos (fotossíntese e quimiossíntese). Protistas . heterotróficos (ingestão e absorção). que fizeram constituir a classificação de Whittaker (modificada). Depois destes dois critérios foram acrescentados mais dois. (algas e protozoários). Monera . sapo. Fig. pluricelulares e unicelulares. ocasionalmente alguns parasitas.Seriam eucariotas. (heterótrofos). Whittaker substituiu as relações filogenéticas (evolutivas) por uma classificação ecológica. 5 – Os cinco reinos de Wittaker (1969).

esta classificação é mais rigorosa. Carl Woese procedeu a esta divisão por comparação genética. é uma classificação mais abrangente uma vez que divide todos os seres em três grandes domínios.2011 . Os seres considerados no grupo Archaebacteria teriam adquirido características de seres eucariontes enquanto os seres incluídos no grupo Eubacteria eram apenas procariontes. a partir do qual surgem os restantes por evolução. por outro lado. propõe 3 domínios: Bactéria. por comparação do Rna ribossómico. por outro lado. em 1990. a divisão do reino Monera em dois novos reinos: Eubacteria e Archaebacteria. De realçar que existe uma base comum. Fig. Archaea e Eucarya. construído por Woese em 1977 teve como principal mudança. Woese e os seus colegas usaram as investigações realizadas a nível do genoma e concluíram que o grupo dos seres procariontes se pode dividir em dois. Assim. nomeadamente. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Este sistema de classificação é mais complexo do que os anteriores mas. em relação ao sistema de cinco reinos. Tiveram grande aceitação.13 Abdul Gafar Daúdo Carl Woese O sistema de classificação em seis reinos. Archaea e Eukarya. uma vez que considera as relações filogenéticas dos seres. obtemos três grandes domínios: Bactéria. 6 – Os seis reinos que Carl Woese propôs (1977). Carl Woese e colaboradores. Carl Woese utilizou a comparação genética. o que a torna mais complexa. Como critérios para esta classificação. Esta classificação tem em vista apenas as relações filogenéticas entre os seres.

wikipedia. Fonte: http://pt. Reino Animal O Reino Animal foi definido segundo características comuns a todos os animais: organismos eucariotos.org/wiki/Bact%C3%A9ria Tabela 1. Mesmo dentro de critérios tão amplos.14 Abdul Gafar Daúdo Fig. heterotróficos e que obtém seus alimentos por ingestão de nutrientes do meio. Essas características. Portfólio de Zoologia S&F frequentemente encontradas durante o Curso de Biologia 1º ano desenvolvimento UP-Montepuez . os filos.2011 . como a adaptação de organismos a meios de vida especiais. em função de factores diversos. multicelulares. Algumas características gerais dos grupos (táxons) situados logo abaixo do reino. são muito utilizadas na tentativa de se entender a filogenia do Reino Animal. passando a obtê-los por absorção directa. É o que ocorre por exemplo com certos endoparasitas que perderam a capacidade de ingestão de nutrientes. Diversidade dos Sistemas de Classificação Lineu (1758) Dois reinos Haeckel (1894) Três reinos Copeland (1956) Quatro reinos Monera Protista Plantae Plantae Animalia Animalia Protista Plantae Plantae Animalia Animalia Plantae Animalia Protista Fungi Whittaker (1959) Cinco reinos Monera Archaebacteria Protista Fungi Eukarya Archaea Woese (1977) Seis reinos Eubacteria Woese (1990) Três domínios Bactéria Fonte: Adaptado pelo autor 2011. 7 – Os três Domínios que Carl Woese propôs em 1990. podemos encontrar excepções.

― Rotífera. o Protozoa. ― Nematomorphas. e nos bilatérios encontramos todos os demais animais. Nos pseudocelomados encontramos os filos: ― Gastrostricha. simetria. Brachiophoda. ― Kinorihincha. Nos Celomados temos dois grandes grupos: ― Protóstomios. artrópodes e Onicophora.15 Abdul Gafar Daúdo embrionário e não apenas no organismo adulto são: níveis de organização do corpo. e Metazoa. especificamente agrupados em: acelomados. O sub-reino Eumetazoa é representado por todos animais com simetrias radiais e bilaterais (Radiatas e Bilaterios). No reino animal. ― Nemeltina e ― Quinathostomida. No sub-reino Protozoa podemos encontrar os protistas e no subreino Metazoa encontramos subdivididos em dois reinos: Filo Parozoa e Filo Porífera ou Esponjas. ― Acantocephala. Nos acelomados encontram-se os filos: ― Mesozoa. Phoronida.2011 . que engloba os filos: Bryozoa. disposição das estruturas relacionadas com a digestão. encontra-se alguns sub-reinos. Anelida. e ― Entapoeta. ― Nemátodos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Molusca. poríferos e cnetophora. Nos radiatas encontramos os filos cnidários. número de folhetos germinativos e presença de celoma. pseudocelomados e celomados. ― Platelmintos ou platyhelminthes.

Era Arqueozóica Período Pré-cambriana (4. São protostômios os nemátodas. Siluriano. encontramos os filos: Echinodermata. por sua vez. nos deuterostômios. a história da Terra divide-se em várias etapas.16 Abdul Gafar Daúdo ― Deuterostómios. Carbonífero e Permiano.6 bilhões a 570 milhões de anos atrás). calculada a partir do estudo de meteoritos. são deuterostômios os equinodermos e cordados. Mioceno e Plioceno) e Quaternário (época – Pleistoceno e Recente). podem ser subdivididas em etapas menores denominadas períodos.2011 . Jurássico e o Cretáceo. Portanto. em épocas. Eoceno. Era de Surgimento de Animais Desde a origem da terra. e Caetagnata. ― Cenozóica → com 2 períodos: Terciário (épocas – Paleoceno. em ânus. Oligoceno. com relação ao desenvolvimento do tubo digestivo: protostômios e deuterostômios. Hemichordata. Mesozóica e a Cenozóica. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . O marco divisor entre a Paleozóica e a Mesozóica representa a extinção de muitos grupos de animais e vegetais. Da mais antiga a mais recente são: Pré-cambriana. as Eras se subdividem em: ― Arqueozóica → com apenas um período: Pré-cambriano. Cordados. e esses. diferencia-se em boca e. Nos protostômios. a mesma do sistema solar. passaram-se quatro Eras. que correspondem às principais fases de seu desenvolvimento. idade estimada em cerca de 4. a primeira abertura do tubo digestivo.6 bilhões de anos. moluscos e artrópodes. Na passagem da Era Pré-Cambriana para a Paleozóica ocorreu uma súbita expansão e diversificação dos animais. E a transição da Mesozóica para a Cenozóica caracterizase pelo desaparecimento de grandes répteis e de vários animais marinhos. Devoniano. anelídeos. ― Mesozóica → com 3 períodos: Triássico. Podemos distinguir dois grandes grupos entre os eumetazoários. Dessa forma. As eras. ― Paleozóica → com 6 períodos: Cambriano. Paleozóica. surgida durante o desenvolvimento embrionário. Ordoviciano.

Estas eras. um grande número de fósseis com partes duras e já com certo grau de evolução. reciclagem da maior parte da crosta pré-cambrianas. o Câmbrico apresenta. planta. por sua vez. Era Paleozóica Intervalo de tempo que se estende de 570 a 245 milhões de anos atrás. uma delas. São várias as ideias que sustentam a explosão cambriana. Caracterizou-se por uma explosão evolutiva da vida marinha. intenso metamorfismo de suas rochas. ou simplesmente primário. Entre eles os principais foram: a impossibilidade de datação absoluta. A mais longa dessas divisões temporais foi a era Pré-cambriana. O pré-cambriano não era bem conhecido e sua duração foi subestimada por muito tempo por vários motivos que dificultaram seu estudo. mais tarde.  A Terra é constantemente atingida por meteoros. Começam a aparecer as primeiras células (organismos unicelulares). o planeta Terra era até 3 vezes mais quente do que hoje. Período Câmbrico: (há cerca de 500 à 570 milhões de anos) e durou cerca de 70 milhões de anos. É nela que aparecem os primeiros vertebrados. de um modo geral. denominada Pré-cambriano. Estes últimos passam da água para a terra e. 1997:301). nas suas rochas mais antigas. cerca de 4. os quais se dividem em épocas. Surgem os peixes e anfíbios. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . As ideias que sustentam são:  No começo desta era. originam os répteis‖ (SOARES.6 bilhões de anos. animais terrestres e anfíbios. ―Esta Era é chamada também de Era primária. quando surgiram na Terra os primeiros peixes. Sem grandes perturbações tectónicas. até aproximadamente 570 milhões de anos atrás. são divididas em períodos.2011 . Ela se estendeu desde o início da Terra. Os cientistas criaram uma escala de tempo que divide a história da Terra em eras. falta de fosseis.17 Abdul Gafar Daúdo De acordo com as datações humanas quanto a terra ela teria 4. dizia:  Existiu uma descontinuidade dos segmentos da terra existentes. A primeira parte de sua história é.6 bilhões de anos.  Milhares de vulcões estavam em actividade.

A evolução dos animais aquáticos no período valeu-lhe também o nome de idade dos peixes. apareceram massivamente os peixes e alguns anfíbios.  Os trilobitas foram os animais típicos desta era. moluscos. surgirem os primeiros animais anfíbios. que se encontram com o carbonato de cálcio.  No final desta fase começam a surgir diversas espécies de répteis que deram origem aos dinossauros. A vegetação. teriam emigrado para a água salgada. cnidários. autotróficos que evoluíram e passaram a ser herbívoros. As únicas plantas conhecidas do Ordovícico são as algas marinhas.  Milhares de espécies de insectos surgem nesta era.  O surgimento dos primeiros anfíbios a partir da saída dos peixes da água.2011 . Uma glaciação matou 55% das espécies há 450 milhões de anos.  A outra sustenta que existiu uma mortalidade massiva dos animais que na altura existiam. E ainda nesse período os primeiros répteis. primeiro ocorreu a evolução dos animais eucariontes. durante um longo processo. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .18 Abdul Gafar Daúdo  Provavelmente os animais que surgiram na água doce. pois o sal permite a conservação ou manter a forma do animal assim como dos fosseis. que permitiu a precipitação dos esqueletos. desenvolveu-se gradualmente e foram aparecendo no final do Devoniano. grande número de invertebrados marinhos que desapareceu sem que se conheça o motivo. são peixes bem primitivos. Período Ordovícico: (há cerca de 350-450 milhões de anos) A vida era essencialmente marinha: nessa época surgiram os peixes. desta forma. trapodermes. a Era Paleozóica caracteriza-se por:  Início do surgimento dos primeiros animais vertebrados nos mares. modesta no início do período. Assim. Período Devoniano: (há 250 à 300 milhões de anos).  Sustenta também que existiu uma mudança na composição química dos oceanos. Começou.

1997:301). Presentes na Terra desde o período Carbónico. Período Jurássico: iniciado há cerca de 180 milhões de anos. Havia na Terra imensas regiões pantanosas e outras desérticas. O fim do Cretáceo marcou uma época de crise para a vida. de início pequenos e bípedes. Ocorrida cerca de 200 a 65 milhões de anos atrás. os répteis só dominaram os continentes a partir do Triásico. levando a um aquecimento global.6 milhões de anos caracteriza-se pela fauna de dinossauros bizarros. tal como no fim da era Paleozóica.6 milhões de anos a Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . estende-se até a actualidade (SOARES. répteis voadores. devido ao impacto do asteróide na península do Yucatán. abrangeu os períodos Triásico. quando a falta de competição provocou uma evolução explosiva da classe. durou cerca de 77. quando então uma grande calamidade astronómica. tartarugas e crocodilos. Nela. Os dinossauros diminuíram em 90%. Entre 200 e 65 milhões de anos atrás. os crocodilos e os mamíferos. Período Permiano / Triásico: iniciou-se há cerca de 200 milhões de anos e durou quase 40 milhões de anos. Um intenso vulcanismo iniciou-se. sobrando apenas as tartarugas. Outros grupos de animais decresceram gradualmente e os dinossauros e os répteis voadores extinguiram-se abruptamente no fim do período. Jurássico e Cretácico. mamíferos como os marsupiais e primatas e os insectívoros. no Golfo do México. entre os quais a espécie mais numerosa era a dos dinossauros.2011 . Na fauna. a fauna e a flora adquiriram suas formas actuais. reinaram na Terra os dinossauros. Mas as tartarugas. Essa extinção em massa atingiu também os mamíferos triconodontes e as aves com dentes. crocodilos e até sapos e salamandras sobreviveram ao impacto. Há cerca de 3. Iniciada há aproximadamente 50 milhões de anos. os triconodontes e os multituberculados. matou-os de uma vez.19 Abdul Gafar Daúdo Era Mesozóica Segunda das três principais eras geológicas da Terra. predominavam os répteis. Período Cretáceo: iniciado há cerca de 150 milhões de anos. no Golfo do México. Era Cenozóica Era geológica que compreende os períodos Terciário e Quaternário. No período surgiram os primeiros dinossauros.

a tabela deve ser lida de baixo para cima).  Surgimento do homo sapiens por volta de 130 mil a 200 mil anos atrás. fazendo surgir o género Homo adaptado a caminhar nos campos.2011 . Aparecimento das aves Aparecimento dos Dinossauros. PERÍODOS ÉPOCAS REGISTO DE VIDA ERA CENOZÓICA Recente Quaternário Pleistoceno Plioceno Mioceno Terciário Oligoceno Eoceno Paleoceno Precursores do homem Carnívoros e macacos antropóides Baleias. que se tornam maiores. ocorre a extinção dos dinossauros. o Australopithecus (espécie de hominídeo já extinta). no continente africano. A Era Cenozóica caracteriza-se por:  No começo desta era. Mamíferos primitivos. Tabela 2. Surgem os primeiros mamíferos ERA PALEOZÓICA 135 000 190 000 225 000 1 000 10 000 25 000 40 000 55 000 65 000 Homem moderno 30 INÍCIO (x1000 ANOS) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .9 milhões de anos atrás surge. mais complexos e diversificados  Por volta de 3. flora com aspecto moderno Domínio dos Dinossauros. há aproximadamente 65 milhões de anos.  Grande desenvolvimento das espécies de animais mamíferos. Quadro resumo das Eras de Surgimento dos Animais (para se observar a ordem cronológica dos factos. Época Pleistocenos foi o período em que exclusivamente surgiu o homem. macacos pequenos Grandes mamíferos herbívoros Aparecimento de plantas com flores Primeiros mamíferos com placenta compácta ERA MESOZÓICA Cretáceo Jurássico Triássico Extinção dos dinossauros.20 Abdul Gafar Daúdo África secou desaparecendo assim as matas onde viviam os hominídeos.

htm). consagrado até hoje. ERA ARQUEOZÓICA INÍCIO (x1000 ANOS) 280 000 345 000 345 000 440 000 500 000 570 000 Aparecimento da vida.com/biologia/protozoarios. Organismos primitivos. fig. Primeiros peixes primitivos Fauna de invertebrados marinhos.21 Abdul Gafar Daúdo PERÍODOS Permiano Carbonífero Devoniano Siluriano Ordoviciano Cambriano ÉPOCAS - REGISTO DE VIDA Florestas de coníferas (pinheiros) Primeiros répteis. Aparecem os anfíbios. que significam. alguns são de vida livre e outros são parasitas. Assim. "primeiro" e "animal". 1997:300. Os protozoários. sendo a maioria heterotrófica. alguns podem formar Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Apresentam dimensões predominantemente microscópicas.517. Poucos fósseis. não consegue converter (sintetizar) matéria orgânica a partir da inorgânica. Florestas primitivas de grandes pteridófitas Peixes numerosos. e são inferiores em relação a sua estrutura. Predomínio de unicelulares. ou seja. (http://www. em que uma única célula desempenha todas funções vitais. Sua denominação deriva do grego protos e zoon. foi criado para agrupar organismos eucariotos unicelulares com características próprias dos animais.2011 . podemos dizer que os protozoários são animais unicelulares. vivem em todos ambientes. Esse termo. Pré-cambriano - 1 000 000 Protózoarios Protozoários são seres unicelulares. Primeiras plantas e invertebrados terrestres. Fonte: SOARES.brasilescola. seres cujo tamanho pode variar entre 2 e 1000 μm. necessitando absorver os nutrientes do meio externo. são organismos exclusivamente unicelulares. respectivamente. na maioria heterotróficas. mas com formas autotróficas e com mobilidade especializada que ocorrem como células isoladas ou em colónias de células. tais como a capacidade de deslocamento e heterotrofia. Portanto. formados por uma única estrutura celular. facto pelo qual os protozoários são mais complexos funcionalmente.

 Saprozóicos: "absorvem". ― Algumas espécies com envoltórios protectores ou tecas. ou outra. Características Gerais dos Protozoários ― Pequenos geralmente unicelulares. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .22 Abdul Gafar Daúdo colónias. oval. ― Modo de vida: Livres. a partir de grãos ou pigmentos citoplasmáticos (cromatóforos). único ou múltiplo. substancias inorganicas.  Mixotróficos: quando são capazes de se alimentar por mais de um dos métodos acima descritos. radial ou esférica. Estruturalmente e funcionalmente a única célula de um protozoário é mais complexa que a célula de animal (metazoário) e por este motivo estes organismos estão classificados no reino protista.2011 . ―Nutrição e Digestão dos Protozoários Nutrição variada:  Holofíticos ou autotróficos: são os que. (www. comensais.pt/bilene/5547/biologia/Celula/Protoz23.terravista. naturalísticas ou parasitas.  Holozóicos ou heterotróficos: ingerem partículas organicas. ― Forma de célula geralmente constante. já decompostas e dissolvidas em meio líquido. sem órgãos ou tecidos ― Locomoção por flagelos. alguns em colónias de poucos a muitos indivíduos semelhantes.htm). variada em algumas espécies e mudando com o ambiente ou com a idade em muitos. simetria ausente. expulsam os metabólitos. muitas espécies produzem cistos ou esporos resistentes para sobreviver a condições desfavoráveis e para dispersão. outras partes estruturais como organelas. ― Núcleo distinto. conseguem sintetizar energia a partir da luz solar (fotossíntese). alongada. digerem-nas (enzimas) e. esférica. posteriormente. pseudópodes ou movimentos da própria célula. bilateral. cílios. Essa ingestão se dá por fagocitose (ingestão de partículas sólidas) ou pinocitose (ingestão de partículas líquidas).

por diferentes processos. A célula desses micro-organismos unicelulares é muito especializada. outro são heterótrofos e se alimentam comendo diversos alimentos principalmente matéria orgânica em decomposição. na qual ele se alimenta e se reproduz. e cada organela tem uma função vital. e os resíduos sólidos não digeridos são expelidos em qualquer ponto da periferia graças ao vacúolo contráctil. O protozoário secreta uma parede resistente (parede cística) que o protegerá quando estiver em meio impróprio ou em fase de latência. que aparece em algumas espécies. fezes etc. temos: ― Trofozoíto: É a forma activa do protozoário. Sua forma de nutrição é muito diferenciada. por meio de vacúolos digestivos. As partículas alimentares penetram por uma abertura pré-existente na membrana. que permite eliminação dos alimentos desnecessários ao organismo do próprio animal.pt/bilene/5547/biologia/Celula/Protoz23. Assim. O gâmeta masculino é o microgameta. ― Cisto/Quisto: É a forma de resistência ou inactiva. Dependendo da sua actividade fisiológica. animais mortos. herbívoros ou carnívoros. Já no interior da célula ocorre digestão graças ao vacúolos digestivo que possuem enzimas.2011 . algumas espécies possuem fases bem definidas. Frequentemente há divisão nuclear interna durante a formação do cisto. ― Gâmeta: É a forma sexuada. A digestão é intracelular. (www. Nas espécies de vida livre há formação de vacúolos digestivos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .terravista. folhas mortas. e o feminino é o macrogameta. o citóstoma com ajuda dos pseudópodes.htm) Respiração Podemos encontrar dois tipos fundamentais: ― Aeróbicos: são os protozoários que vivem em meio rico em oxigênio. a principal forma de alimentação deles é a nutrição saprófita. o citóstoma. sendo que o alimento é ingerido ou entra na célula por meio de uma "boca". pois podem ser predadores ou filtradores. parasitas ou mutualistas mas.23 Abdul Gafar Daúdo Os autótrofos fazem fotossíntese e se alimentam como se fossem plantas.

Após a formação de vários núcleos. assim como em associações simbióticas com animais. onde existe água livre. de vários níveis de organização. Importância Os protistas em geral ocupam um importante papel nas cadeias alimentares das comunidades naturais. com troca mútua de materiais nucleares. Brotamento ou gemulação.  Singamia ou fecundação: união de microgameta e macrogameta formando o ovo ou zigoto.2011 . (www. Sexuada Existem dois tipos de reprodução sexuada:  Conjugação: união temporária de dois indivíduos. (www. o núcleo se divide múltiplas vezes antes da célula se dividir. Os autótrofos (algas) são abundantes nas águas salgadas e doces. o qual pode dividir-se para fornecer um certo número de esporozoítos.htm).htm).24 Abdul Gafar Daúdo ― Anaeróbicos: quando vivem em ambientes pobres em oxigênio. Reprodução dos Protozoários Os protozoários possuem reprodução assexuada e a reprodução sexual ou mini-sexual.pt/bilene/5547/biologia/Celula/Protoz23. Alguns grupos em particular formam uma parte importante na dieta de numerosos animais.terravista. O processo de formação de gametes recebe o nome de gametogonia e o processo de formação dos esporozoítos recebe o nome de esporogonia (TORTORA. uma única célula se separa em células-filhas. 2000). Esquizogonia: é uma fissão múltipla.pt/bilene/5547/biologia/Celula/Protoz23. e protozoários.terravista. Há protozoários saprófiticas e também que Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . uma pequena porção do citoplasma se concentra ao redor de cada núcleo e então. Assexuada    Divisão binária ou cissiparidade.

Fonte: http://www. como ocorre nos esporozoários. Classificação dos Protozoários Os protozoários encontram-se no reino Protista (organismos unicelulares eucariotos. A classificação dos protozoários leva em conta o tipo de estrutura locomotora presente na célula (pseudópodos. Sporozoa causador da malária). Naturalmente. também chamado Sarcodina. coloniais ou não).Representantes dos quatro filos de protozoários (em diferentes graus de ampliação. Tabela 3. compreende os protozoários que se locomovem por meio de expansões citoplasmáticas. e assim. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . purificam o ambiente como decompositores (esgotos). mas também muito especializados. os pseudópodos (do grego pseudos. Protozoários que se locomovem utilizando cílios (Paramécium) Ciliophora Protozoários que não possuem estrutura locomotora (Plasmodium vivax. fazendo uso de substâncias e organismos envolvidos na decomposição final das cadeias alimentares. Protozoários que se locomovem através de flagelos (Trypanosoma cruzi e Mastigophora Trichonympha). 8 . 2006:08 Sarcodina Fig. Fonte: adaptado a partir de ARAUJO e BOSSOLAN. Os Mastigophora são provavelmente os mais primitivos.brasilescola. os Ciliata os mais avançados estruturalmente e os Sporozoa são provavelmente morfologicamente simplificados. como um resultado do seu modo de vida estritamente parasitário.2011 .htm Filo Rhizopoda ou Sarcodina O filo Rhizopoda. existem alguns protozoários que podem provocar doenças no homem. Principais grupos dos protozoários Protozoários que se locomovem através de projecções celulares denominadas pseudópodos (Entamoeba histolítica).com/biologia/protozoarios. flagelos ou cílios) ou sua ausência.25 Abdul Gafar Daúdo ingerem bactérias. fazendo recircular a matéria orgânica.

Já o termo "rizópodo" (do grego rhiza. formada por diversas câmaras e com inúmeras perfurações.jhtm). realiza todas as actividades fisiológicas e vitais sem ter muitas partes estruturalmente diferenciadas para faze-lo. digerir e assimilar alimento complexo. carne) refere-se ao aspecto "carnudo".2011 .geocities. eliminar resíduos não digeridos. Os radiolários são exclusivamente marinhos. clara.br/biologia/ult1698u93. Eles possuem uma estrutura de sustentação interna. produzir secreções e excreções. são de vida livre e se reproduzem por divisão binária. composta por inúmeras placas e espículas de sílica. ela pode mover-se. Os radiolários e os heliozoários apresentam pseudópodes extremamente finos e projetados. Os sarcodíneos são protozoários que se locomovem através de pseudópodes. O termo "sarcodíneo" (do grego sarkos. raiz) refere-se ao aspecto.ws/pri_biologiaonline/filo_rhizopoda. incolor. pé).br/biologia/ult1698u93. ao redor da célula. respirar. este grupo é dividido em: amebas. Por cada um desses orifícios são emitidos os pseudópodes. uma célula independente com núcleo e citoplasmas. (http://educacao. A ameba apesar de ser constituída por uma única célula. capturar. radiolários e heliozoários. Apesar de sua aparente simplicidade. foraminíferos. porque a amiba é constituída por uma massa carnosa do protoplasma. já os heliozoários podem ser encontrados tanto na água doce como na salgada. Assim. responder a mudanças (estímulos) de vários tipos e reproduzir-se. (http://educacao. flexível de forma irregular e passa por frequentes mudanças de forma. dos pseudópodos de certas amebas. os foraminíferos são protozoários que apresentam uma carapaça calcária externa. (http://www. O representante deste filo é a Amoeba Proteus (Ameba comum) de água doce limpa que contenha uma vegetação verde.uol. também utilizados na captura de alimento.html). consistente.com. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .jhtm) A Ameba parece ser a de vida mais simples do reino protista.com. às vezes ramificado. mas com poucas organelas permanentes. e podos. Muitas espécies fósseis são utilizadas como indicadores na busca por poços petrolíferos.26 Abdul Gafar Daúdo falso. como raios.uol. gelatinosa.

mas que seja diferente nos vários organismos que o utilizam.  Tecamebas: água doce (dulcícolas). Mas afirma que os movimentos da ameba são o resultado de mudanças no protoplasma coloidal.  Foraminíferos: marinhos. na mesma proporção em que os pseudópodos variam. Simetria. Locomoção A Ameba move-se formando e estendendo projecções temporárias digitiformes ou pseudópodes (gr. parasitas em peixes. É provável que o movimento ameboide não seja só de um tipo. Plasmalema. Forma variável. Com isso o movimento ameboide é mais parecido com a contracção muscular.27 Abdul Gafar Daúdo Características ecológicas  Hábitos bentônicos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . artrópodos. A este movimento chama-se por movimento Ameboide. de ― sol ― fluido à condição de ― Gel‖ mais sólida e vice-versa.2011 . podem ser simétricas. substratos úmidos. mas esta não é a principal função deste tipo de pseudópodes. ocorre em muitos protozoários e também nos amebócitos de esponjas e os glóbulos broncos do sangue dos vertebrados. ectocomensais em animais aquáticos. ecto e endoplasma. moluscos. As amebas e tecamebas podem usar os pseudópodos (lobo ou filópodos). vários são planctônicos. humanos (Entamoeba histolytica). celularidade 1. Pseudos = falso + podes =pé ) em qualquer lugar do seu corpo.  Amebas: habitat aquático. rolamento ou ambulatório são várias formas de locomoção dos sarcondíneos. Trabalhos recentes sugerem que as conduções de sol e gel são devidas ao relaxamento e a contracção de proteínas de cadeias longas. Movimento amebóide. os foraminíferos podem usar os reticulópodos. 2. mamíferos. com raras excepções. rastejamento. Assimétricos. forma.

Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . diatomáceas e rotíferos pode se dar por fagocitose (engolfamento. Esta reprodução é muito simples.  Transformação do plasmagel em plasmassol na extremidade posterior e o processo oposto na extremidade anterior do protozoário. A dejeção se dá por um citoprocto que não tem posição fixa. A digestão se dá em vacúolos e pode se iniciar extra-celularmente. O vacúolo contráctil serve em parte para a excreção. Este oxigénio difunde-se através da membrana celular.  Um aumento na força elástica do plasmagel à medida que ela passa para atrás. outros protozoários.2011 . originando duas amebas-filhas. e esta eliminação ocorre através da membrana celular a este processo chama-se excreção. quando se divide ao meio. Uma Ameba cresce até atingir determinado tamanho. Nutrição É holozóica.28 Abdul Gafar Daúdo Aspectos Importantes de Locomoção  Fixação ao substrato. no caso dos foraminíferos. possivelmente põe uma secreção. A fixição faz-se melhor em superfícies ásperas mas depende da natureza do líquido que circunda o protozoário e de suas condições fisiológicas. raramente saprozóica. O metabolismo resultante na produção de produtos de excreção tais como dióxido de carbono e ureia que são eliminados para o bem estar do organismo. A superfície da célula vai sofrendo uma constrição mediana enquanto que seu núcleo se divide por mitose. mas a sua principal função é regular o conteúdo de água no corpo celular do animal. armadilha mucosa em reticulópodos ou raramente pinocitose). por divisão binária. A ingestão de bactérias.  Construção da membrana plasmática e do Gel pode ser parte da locomoção. Respiração e Excreção A água na qual a Ameba vive contém oxigénio dissolvido. Reprodução Os sarcodíneos apresentam reprodução assexuada.

 A ordem Radiolária. Sexual com singamia (foraminíferos) ou hologamia (amebas). E. em lugares húmidos na terra. Filo Mastigophora ou flagelados ―Os flagelados são também chamados de Mastigóforos (mastix = flagelo.  A ordem Foramnírera tem habitado nos mares à vários séculos e as suas carapaças têm-se acumulado como depósitos de fundo que se tornaram estratos rochosos. E. phoros = portar. Diversidade dos sarcodíneos No género amoeba existem muitas espécies que diferem da Ameba proteus em tamanho. salobras e salgada.  A ordem Mycetozoa (Myxomycetes dos Botânicos) vivem em Madeira ou outros vegetais em decomposição. Arcella ) que secreta uma teca espessa temos o caso da Diffugia que constrói uma taca de grãos de areia ou outras partículas estranhas cimentadas entre si. coli vive intestino.29 Abdul Gafar Daúdo Assim que a divisão do núcleo se processa. Seis tipos de Amebas podem ocorrer no homem: Entamoeba gingivalis vive na boca. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . são esféricos. ocorre o estrangulamento do citoplasma. mas o citoplasma é dividido em porções externa e interna por uma cápsula central e o esqueleto é de Sílica ou de sulfato de estrôncio.   Assexual por divisão binária ou múltipla (no caso dos foraminíferos). Esses e membros de outros género de protozoários amebóides habitam em águas doce. forma dos pseudópodes e outros aspectos. resultando dois indivíduos.  A ordem Amoerida inclui algumas amebas comensais ou parasitas espécies do género Entamoeba habitam o intestino de baratas e Cupins e as do género Entamoeba vivem principalmente no trato digestivo de vertebrados terrestres.2011 .  A ordem Heliozoa. ter) e têm estrutura interna semelhante a dos flagelos das células dos demais eucariontes. histilytica esta é patogénica e pode produzir a moléstica conhecida como disenteria amebiana. o corpo celular pode ser nu ou envolvido por uma matriz gelatinosa ou por uma carapaça perfurada. assemelham-se de certa forma aos helizoários. Ainda outros produzem uma carapaça ou teca para encerrar o corpo celular (ex.

Todos os componentes da classe apresentam um ou mais flagelos. Alguns sarcodinas possuem flagelos e as vezes alguns Mastigophora tem estágios ameboides. longa ou esférica. e os zooflagelados que não possuem clorofila e realizam sua nutrição de modo heterotrófico. O corpo celular é usualmente de forma definida oval. Os protozoários flagelados são divididos em dois grupos: os fitoflagelados. de vida livre. Ela é de Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . que são formados só por proteínas‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. A sua reprodução é mais frequente a divisão binária. Os flagelos servem para a locomoção e captura de alimento e podem ser receptores sensitivos. Muitas espécies contêm plastídeos com pigmento coloridos e alguns com clorofila podem sintetizar alimento com o auxílio da luz solar e são frequentemente classificados como plantas. assim estas duas classes são bem proximamente relacionadas e por isso colocadas no subfilo sarcomastigophora.30 Abdul Gafar Daúdo Eles correspondem a centríolos modificados e alongados. outros são sésseis e alguns formam colónias de poucos até milhares de indivíduos abundam em água doce e salgada onde com as diatomáceas fornecem grande parte do suprimento de alimento para os animais aquáticos diminutos. coberto por uma película firme e com armadura em certos grupos de flagelados. 2006:13). normalmente são estudados juntamente com as algas. solitário. Muitos flagelos são de vida livre e solitários. que geralmente contém clorofila e são fotossintéticos e que. e diferem dos flagelos dos procariontes. outras por divisão múltipla ainda há reprodução sexual em pelo menos dois grupos.2011 . um flagelado comum. O representante comum desta classe é a Euglena. que contém clorofila e pode ser cultivada facilmente no laboratório. Os flagelados de vida livre podem enquistar para evitar condições desfavoráveis. Os flagelados são caracterizados por apresentar um ou mais flagelos longos e delicados em alguns ou em todos os estágios do ciclo vital. diversas espécies habitam o solo e muitos outros são parasitas do homem e de todos os tipos de animais e alguns causam molestias de grande importância.

Reprodução Em culturas vivas a Euglena reproduz-se frequentemente por fissão binária longitudinal. nadando na direcção de uma fonte de intensidade favorável. a película marcada por espaçamentos paralelos espirais.31 Abdul Gafar Daúdo forma constante com uma extremidade anterior arredondada que habitualmente se desloca dirigida para frente. A forma do corpo é mantida por uma membrana de revestimento fina e flexível. A Euglena utiliza a nutrição holozóica pela qual alimentos são sintetizados dentro do corpo por fotossíntese através da acção da clorofila na presença da luz. com uma rotação em espiral. por expansões e contracções locais.2011 . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . citofaringe. bleferoplasto. Nutrição Alguns flagelados de vida livre. A Euglena também pode perder o flagelo. Locomoção O flagelo bate para trás e para frente para arrastar a Euglena através da água. A Euglena pode também rastejar por movimentos espirais do corpo. enquistar e depois dividir-se por divisão longitudinal. as vezes realiza ―movimentos Euslenóides‖ vermiformes. A Euglena reage positivamente á luz. quando se torna imóvel e enquista-se. capturam pequenos organismos. os quais são tomados dentro da citofaringe e digeridos e vacúolos digestivos no citoplasma. onde o núcleo divide-se em dois por mitose então as organelas anteriores (flagelo. O enquistamento é estimulado por falta de alimento ou pela presença de clorofila. A Euglena subsiste também por nutrição saprofitica absorvendo materiais dissolvidos na água onde ela vive. reservatório e estigma) são duplicadas e o organismo fende-se em dois longitudinalmente. seguindo ela um caminho recto. mas tal nutrição holozóica é rara ou ausente na Euglena. A Euglena também possui estágios inactivos. A Euglena gracilis em água quente pode enquistar-se temporariamente como uma medida de protecção sem passar por nenhuma mudança. possui a extremidade posterior ou oposta é pontiaguda.

Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Espécies de ordem Dinoflagelata são principalmente marinhas e geralmente possuem dois flagelos. volvo. é um exemplo de ciliado bastante comum que aparece em lagos de água doce.32 Abdul Gafar Daúdo Outros Mastigophoras Muitos membros da subclasse phytomastigophora. o antílope. coloridos por cromatóforos e de nutrição holofitica. O T. Paramecium caudatum. pleudorina. à qual o género Euglena pertence são de vida livre. Eliminando estes do intestino do seu hospedeiro. o hospedeiro morrerá em 10 ou mais dias mesmo comendo Madeira. Filo ciliaphora Os ciliados são protozoários que possuem cílios. entre outros) que formam colónias flutuantes. T. gambiense directamente de homem para homem. estruturas utilizadas na locomoção e captura de alimento. digerem a Madeira da qual o seu hospedeiro se alimenta para estes e para si mesma. vivax ocorrem em antílopes e outros mamiferos de caça da África e são transportados por moscas tsé-tsé. as células somáticas podem sintetizar alimento e cooperar na natação mas não podem reproduzir-se e eventualmente morrem como faz o corpo do animal superior. têm a mesma estrutura interna dos flagelos. Os cílios. rhodesiense por via de um terceiro hospedeiro. ― A ordem Hypermastigida compreende espécies com muitos flagelos e vivem no intestino da barata (Cryptocercus) e é exemplo de mutualismo. número e batimento. uma armadura de substâncias semelhante à celulose. com duas ou mais placas. ambos são transportados por mosca tsé-tsé. um protozoário de vida livre. T. rhodesiense são os agentes causadores de dois tipos da doença do sono humana.2011 . O Trypanosoma brucei. T. ― A ordem volvocida inclui vários flagelados de água doce (paleodorina. O Volvox globator produz macrogâmeta (células sexuais femininas) e microgâmeta (células sexuais masculinas). congolense e T. a primeira resulta numa morte lenta. gambiense e T. que também ocorrem em algumas células eucariotas multicelulares. enquanto que a Segunda mata em poucas semanas. diferindo destes com relação ao comprimento (os cílios são bem mais curtos).

para deslocar o paramecium para frente. constringe-se e começa a circular no endoplasma como um vacúolo digestivo. o batimento ciliar inverte-se.2011 . Este Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . alguns são comensais ou parasitas em outros animais. alguns são sésseis. Locomoção Os cílios batem para trás. vai para frente ate encontrar um caminho livre. o animal move-se para trás numa curta distância. universalmente presente para o funcionamento dos cílios da superfície. O alimento é reunido na extremidade posterior da citofaringe em um vacúolo aquoso. relacionado com as funções vegetais ou de rotina e um ou mais micronúcleo pequenos importantes na reprodução. Quando nadando para frente o paramecium encontra um estimulo Químico desfavorável ele executa uma reacção de repulsa. Em baixo da película externa existe um sistema completo de grânulos basais e de fibrilas. Alimentação e Digestão O Paramecium alimenta-se de bactérias. gira. e a maioria delas têm um macronúcleo ou mais. Os conteúdos dos vacúolos são ácidos inicialmente e depois tornam-se alcalinos. A reacção é semelhante ao encontrar um objecto sólido: inverte. Isto resulta em divisão de trabalho entre as partes do organismo. os quais servem para locomoção e captura de alimento. O vacúolo atinge um determinado tamanho. e os cílios do sulco oral trazem amostras de água e quando esta não conter mais estímolos indesejadas o animal move-se novamente para frente. inpulciona uma corrente contendo alimentos na direcção do citoestoma. Cada espécie possui forma constante e característica. como na amiba o alimento é digerido pela acção das enzimas secretadas pelo endoplasma. um outro começa a se formar no seu lugar. pequenos protozoários e algas. No total os ciliados são os protozoários mais carecidos com os animais de vida livre. Os ciliados são os protozoários mais especializados por terem várias organelas para realizar processos vitais particulares.33 Abdul Gafar Daúdo Os ciliados (em Latim cilium = cilios) possuem cílios durante toda a vida. O batimento constante dos cílios no Sulco oral.

conjugação e outras formas. Reprodução O paramecium reproduz-se por divisão e também por vários tipos de reorganização nuclear. uma Segunda faringe forma-se dois vacúolos contrácteis. cada um contendo um conjunto de organelos celulares. aparece então um sulco transversal que divide o citoplasma. Crescem até tamanho completo antes que outra divisão ocorra. O dióxido de carbono e restos orgânicos resultantes do metabolismo são provavelmente excretados por difusão na direcção oposta. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Respiração e excreção O oxigénio dissolvido na água circundante difunde-se através da película e dai por todo o organismo. e é mais rápido em água com escasso suprimento de sais dissolvido do que com concentração mais fortes.2011 . Os dois Paramecium resultantes são de tamanho igual. com a sua clorofila sintetizarem materiais orgânicos e produzem oxigénio necessário ao paramecium. O dióxido de carbono produzido pelos protozoários na respiração serve para as algas. O rítimo de descarga do vacúolo varia com a temperatura e é mais rápido no animal inactivo do que no que este nadando. Quando cada vacúolo atinge um certo tamanho. Os vacúolos contráctil regulam o conteúdo da água do corpo e podem servir na excreção de restos nitrogenados como ureia e amónia. ele contrai-se e descarrega para o exterior provavelmente através de um poro. A película funciona como uma membrana semipermeável. Divisão binária Na divisão binária o micronúcleo divide-se por mitoses em dois micronúcleos que se movem para extremidades opostas da célula e o macronúcleo divide-se transversalmente por amitose.34 Abdul Gafar Daúdo processo continua até que o material digerido seja absolvido pelo protoplasma circundante e/ou armazenado ou usado para actividades vitais de crescimento.

depois da conjugação cada individuo continua.2011 . …2n indivíduo. O rítimo de multiplicação depende de condições externas e de alimento. verifica-se em determinadas condições do meio. 4. Os parceiros de conjugação são hermafroditas. o macronúcleo ou núcleo vegetativo e o micronúcleo ou núcleo germinativo responsável pela conjugação. e ai se forma uma ponte citoplasmática. de modo que depois de realizada a separação. 8. Conjugação Conjugação ou seja união parcial transitória de dois indivíduos na qual se trocam mutuamente núcleos. isto diz respeito as qualidades bioquímicas dos cílios. idade de cultura e densidade da população. Em algumas espécies de Paramecium. os núcleos dos exconjugantes possuam uma nova guarnição cromossómica combinada. reprodução uniparental de um único indivíduo são conhecidos como um clone. e fornecem núcleos gaméticos de duas espécies que se comportam diferentemente. também de factores internos de hereditariedade e fisiologia. Os Paramecium só se conjugam quando pertencem a diferentes tipos de emparelhamento. semelhante a conjugação mas sem troca mutual de pronúcleos. Dois animais na maior parte das vezes com a mesma forma. A conjugação difere da união sexual pois a progénese (filho) não é produto directo da fusão. A conjugação é um processo que possibilita transferência hereditária pois os dois ex-conjugantes são simetricamente modificados pela troca de materiais nuclear (cromossomas). na qual apenas o macronúcleo se divide e citogamia. A conjugação encontra-se apenas nos ciliados. encontram-se um a outro. 16. Todos aqueles que resultam da divisão.35 Abdul Gafar Daúdo Um único Paramecium da origem assim a 2. uma característica própria dos ciliados é a presença de dois núcleos. autogamia-autofecundação. pela região oral. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . divisão assexual. Outros tipos de reorganização nuclear são hemixia.

Cílios adorais. O Balantidium coli é um ciliado parasita.org/wiki/Ciliophora).2011 . Algumas espécies são coloniais e outras secretam uma carapaça ou lórica. porém não tem nem cílios nem citóstoma. como Paramecium. com poucos ou sem cilios em outros lugares. ― Subclasse Peritrichia distingue-se por uma região oral disciforme conspicuamente ciliada.wikipedia. sendo a presença de cílios simples o que os identifica. (http://pt. Possui na extremidade oposta da célula uma estrutura para fixação temporária ou permanente a objectos na água. Contém além de muitas espécies de vida livre. desenvolvimento e a reprodução no homem é provocada provavelmente por cistos levados a boca pelas mão e com alimentos. apresentam notáveis cílios adorais e formam muitas membranelas começando à direita e passando para a esquerda em torno do peristômio. ― Subclasse Spirotrichia “são protozoários que apresentam cílios esparsos e compostos. ―São protozoários que possuem cílios simples por toda a superfície do microorganismo ou ás vezes apenas em algumas partes dele. ― Caracteriza-se pela presença de cílios altamente desenvolvidos em redor da boca. são geralmente ausentes‖. Esta é a maior subclasse. (http://pt. Este è o único ciliado patogénico ao homem. invadem de algumas vezes a parede intestinal e produz úlceras. mais complexos. dentro da qual o organismo pode retrair-se.wikipedia.Ex: o género vortícella comum em água doce. em geral enquistam-se. ― Subclasse suctória: Os adultos desta subclasse são protozoários sésseis que tem ―tentáculos‖ protoplasmático delicados. ― Subclasse Holotrichia. O filo ciliophora é dividida em 4 subclasses conhecidas com base da estrutura ciliar e distribuições dos cílios no corpo. As espécies são diversas em formas e vivem em vários tipos de água ou são parasitas.36 Abdul Gafar Daúdo Outros Paramecium As espécies de natação livre são em geral de forma elipsoidal a esférica. são uniformemente ciliados e não têm membranelas adorais. enquanto formas rastejadoras são frequentemente achatados. algumas de estrutura peculiar que Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . O alojamento.org/wiki/Ciliophora). comum no intestino dos porcos que ocorre raramente no homem.

Apicomplexa (do latim apex. a não ser em certos gâmetas.2011 . equinodermos. ponta ou topo + complex. são provavelmente apenas comensais. com algumas fases se desenvolvendo num hospedeiro e outras em hospedeiros diferentes.37 Abdul Gafar Daúdo habitam partes do trato digestivo de mamíferos e herbívoros. são protozoários parasitas caracterizados pela ausência de estruturas empregadas na locomoção nas formas adultas. Quando as divisões nucleares cessam. 2005). Esporozoários ou apicomplexa Os representantes deste filo são parasitas comuns de animais. 2006:19). São exclusivamente parasíticos e não apresentam flagelos nem pseudópodes. Pode ocorrer uma fase reprodutiva sexuada durante o ciclo vital (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Podem ser parasitas intra ou extracelular (ou ambos). isso dependerá da espécie em questão. sufixo) é um grande grupo taxonómico de protozoários. então. tais como vermes. várias células-filhas com um só núcleo de pequeno tamanho que são. Os representantes do filo apicomplexa são responsáveis pela malária. caracterizados pela presença de um complexo apical em algum dos estágios do seu ciclo de vida. São geralmente identificados com os esporozoários (filo Sporozoa. insectos e vertebrados. trançado + a. Também são chamados de Esporozoários (RUPPERT.org/wiki/Apicomplexa). Formam-se assim. liberadas. uma membrana plasmática circunda cada núcleo juntamente com parte do protoplasma da célula inicial. reino Protoctista). sem benefício ou prejuízo para seus hospedeiros. que é uma doença parasitária. Estes. Muitas espécies são nocivas ao homem causando doenças como a malária causada pelo Plasmodium que é introduzido no homem por meio de esporozoítos através da picada do mosquito do gênero Anopheles. Estes animais digerem amidos. eleita a nº 1 da humanidade. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .wikipedia. Obtém alimento por absorção direta dos nutrientes dos organismos que parasitam. Possui duas formas de reprodução assexuada: a divisão múltipla e a esporogonia. a divisão múltipla é aquela onde a célula inicial sofre várias divisões mitóticas sem que o citoplasma se divida. gorduras e proteínas do alimento do hospedeiro. Muitas espécies têm ciclos vitais complicados. (http://pt. Para lembrar.

que são finalmente liberados do quisto. originando quatro esporozoítos com metade do número cromossómico do zigoto.2011 . por isso denominadas esporozoítos. durante o ciclo reprodutivo dos esporozoários. tendo sido responsável pelo nome do grupo. O zigoto geralmente sofre um encistamento e. Por mitoses sucessivas. característica dos esporozoários. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Na esporogonia formam-se várias células que lembram esporos. Esse tipo de reprodução ocorre logo após a formação do zigoto. essas células multiplicam-se originando muitos outros esporozoítos.38 Abdul Gafar Daúdo A esporogonia é um tipo de reprodução. invariavelmente. uma divisão meiótica.

ou ser e ou polifilético.com/2010/05/teoria-da-endosimbiose. fisiologia e ecologia. Teoria da Endosimbiose A Teoria da Endosimbiose. morfologia. propõe que organelas ou organóides. nome vulgar.Dia: 03. ou seja ter origem a partir de um único ancestral.Agosto . obtendo assim protecção e fornecendo ao hospedeiro a energia fornecida pela fotossíntese. Mais especificamente. criada por Lynn Margulis. esta teoria diz que os cloroplastos e as mitocôndrias (organelas celulares) dos organismos eucariontes (com um verdadeiro núcleo celular) têm origem num procarionte autotrófico – provavelmente um antepassado das cianobactéria actuais . O sistema nervoso deles é em muitos grupos ainda com características primitivas mas na forma mais evoluída já temos um sistema nervoso desenvolvido com localização dorsal.são aqueles em que o blastóporo ou seja a boca primitiva se transforma em ânus e a boca abre-se num outro lugar.que viveu em simbiose dentro de outro organismo. dentre estas características vale ressaltar o modo de vida.2011 Metazoários 39 Abdul Gafar Daúdo Reconhece-se que o ramo da Biologia que estuda os seres vivos pertence ao Reino Animalia ou Metazoa e estes apresentam características comuns e divergentes. que compõem as células eucariontes tenham surgido como consequência de uma associação simbiótica estável entre organismos.2011 . Teoria que Sustenta a Origem e Evolução dos Metazoários Todas as teorias expostas são úteis e intelectualmente estimuladoras. mas entretanto são especulativas.blogspot. (http://mundosatuais. Animais Deuterostómios . também unicelular. O reino Metazoa pode ser monofilético.html) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . mas provavelmente de maiores dimensões. O celoma está sempre presente. a diversidade. encontramos também neles um esqueleto mesodérmico e também uma simetria bilateral. pois não existe evidência fóssil necessária para a construção da origem dos Metazoários que ocorreu a mais de um bilião de anos.

Células somáticas monociliadas / ou flageladas são comuns aos metazoários busais.2011 . A teoria sincicial é suportada devido a similaridade existente entre ciliados e acelomadoss tais como: pequeno tamanho. presença de muitos cilios em uma mesma célula. esta nova camada epidérmica envolveria uma massa interna (endoderme) resultando um organismo semelhante a um platelminto acelomado (sem celoma). semelhança no hábito alimentar. Surgiu pela indução de células em tecidos. Esta teoria ostenta uma origem difilética para metazoários. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . entre outros. com simetria bilateral e com uma vida no fundo de água. bilateralidade. Os poríferos teriam sua origem em um grupo de protistas e todos os outros metazoários teriam se originado de platelmintos acelomados. Teorias Coanoflagelados (coloniais) ou teoria de planuloide Esta teoria defende que os animais evoluíram de colónias de protistas flagelados primitivos nos quais a condição de metazoários. rastejando com a sua cavidade oral. começando com as células reprodutivas. sugerem que animais multicelulares teriam se originado a partir de um grupo de protistas ciliados. semelhança na localização. especialmente em esponjas e alguns cnidários. As evidências que sustentam esta teoria sugerem:   Os espermatozóides flagelados ocorrem em todos os metazoários.40 Abdul Gafar Daúdo Teoria Sincial/ Teoria da celularizacao Hadzi e Hanson. Teoria das Plantas É uma teoria que leva em consideração as plantas ostentando que os protozoários surgiram das plantas que mudaram a sua forma de nutrição (fotossíntese) para a ingestão. isto é. voltada para o substrato e mais tarde teria ocorrido uma formação de uma semi-menbrana interna dos núcleos recém formados na superfície.

sendo fixos na fase adulta. seu nome nos revela que as paredes do corpo são perfuradas por inúmeros poros. Várias são as hipóteses sobre a origem dos animais. embora existam espécies que vivem sobre areia ou lodo. necessário à fixação. dando origem primeiramente à linhagem dos parazoários (sub-reino Parazoa). (http://www. com a extremidade fechada presa ao substrato. são desprovidos de gónadas. as esponjas são animais marinhos.41 Abdul Gafar Daúdo Filo Porífera Acredita-se que os primeiros animais que surgiram na face da Terra tenham sido os poríferos. são assimétricos. porém alguns grupos vivem em águas profundas‖. embora alguns já tenham simetria radial. conchas. Vivem isolados ou em colónias.sobiologia. devido a simbiose com algumas algas obrigando a viver em águas limpas para permitir a penetração dos raios solares usadas na fotossíntese das algas (AMARAL e MENDES. isto é. Uma das mais aceitas propõe que eles teriam derivado de protistas flagelados coloniais. portanto. são diblásticos. muitas vezes ramificado. madeira submersa ou coral para fornecer um substrato. Existem mais de 15. ―Excepto 150 espécies são de água doce. sem sistemas nervoso e muscular. Elas abundam em todos os mares sempre que houver rochas. Características Gerais As esponjas são os primeiros animais pluricelulares da escala zoológica. consequentemente não apresentando órgãos. são fluorescentes.000 espécies modernas de esponjas conhecidas.php).2011 . A maioria prefere águas relativamente rasas. s/d : 28) Segundo DE ARAUJO e BOSSOLAN (2006:27). e muitas outras são descobertas a cada dia. O registo fóssil data as esponjas desde a era précambriana‖ (SAMPAIO e MACHADO. por onde penetra a água conduzindo nutrientes. e aneuromiários. pois cada célula alimenta-se por si própria.br/conteudos/Reinos2/bioporifero. A extremidade aberta é Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . no entanto. e depois à linhagem dos eumetazoários. Embriologicamente falando.com. Estrutura A estrutura de uma esponja é simples: tem a forma de um tubo ou saco. representada pelos poríferos. os poríferos. apresentam gâmetas. ―Eles são muito próximos a uma colónia celular. os metazoários mais atrasados. s/d: 133). acelomados. gases e gâmetas.

Assim. Junto ao ósculo. ―A parede do esponjocele é forrada por células flageladas (os coanócitos) que.com. as esponjas alimentam-se e respiram por filtração: a água entra no esponjocélio através de orifícios na parede do corpo (os hóstia) e sai pelo ósculo. Fig. por onde a água penetra. A cavidade interior é a esponjocele‖ (SAMPAIO e MACHADO. sustentadas por elementos esqueléticos de vários tipos: Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . encontramos o disco pedal para a fixação (AMARAL e MENDES. chamados óstios. neste grupo.as esponjas). Como uma estrutura muito simples.php A parede do corpo das esponjas é formada por diversos tipos de células. (à abertura principal do esponjocélio.42 Abdul Gafar Daúdo chamada ósculo. se denomina mesênquima.br/conteudos/Reinos2/bio porifero. para permitir que a água flua para dentro da espongiocele trazendo oxigénio e alimento. na extremidade livre do corpo dos animais do filo Porífera . As paredes são perfuradas por buracos microscópicos. encontramos as espículas para a sustentação e. o fluxo de água é portanto o seguinte: Meio externo → poro inalante → átrio → ósculo → meio → externo.2011 . 9 – Estrutura dos poríferos Fonte:http://www. juntamente com as contracções da parede. a espongiocela é um canal simples ou múltiplo que se presta à circulação da água e o ósculo é a abertura superior através da qual saem a água e os produtos nitrogenados. as esponjas apresentam inúmeros poros. s/d: 131). por tanto.sobiologia. A parede das esponjas é formada por duas camadas de células. óstios ou ostíolos. s/d : 29) . criam a corrente de renovação da água. com o interior formado pela matriz extracelular que. como a amónia. na extremidade oposta.

que não é uma estrutura sólida. formando uma espécie de epiderme designada pinacoderme (embora não seja um verdadeiro tecido).2011 que revestem o . em vacúolos digestivos.php) ― Coanócitos – localiza-se do lado do meso-hilo. responsáveis pela formação dos gâmetas. Qualquer partícula orgânica ou microrganismo plantônico aprisionado no colarinho é encaminhado para baixo. espongiocélio e outras câmaras vibráteis internas das esponjas.com.com. pois podem originar todos os restantes tipos de célula (excepto os coanócitos) e produzir as espículas do esqueleto. transferir os nutrientes presentes na mesogleia para as restantes células e retirar os produtos de excreção para o espongiocélio. ― Porócitos – células dotadas de um poro central. São células responsáveis pelo movimento de água através da esponja e pela obtenção de alimento. mas antes um conjunto de pequenos bastonetes erectos e separados por espaços. (http://www. em direcção ao corpo celular e endocitado.sobiologia.43 Abdul Gafar Daúdo Pinacócitos – células achatadas de revestimento da parte externa. São. Localizam-se a espaços regulares na parede do corpo da esponja.sobiologia. designado poro inalante. coriáceas e estreitamente ligadas.php) O movimento dos seus flagelos cria a corrente de água que traz nutrientes e gases. com uma extremidade adjacente ao meso-hilo e a extremidade oposta projectada para dentro do átrio. ocorrendo uma digestão intracelular. que as atravessa de lado a lado. ainda. sendo através delas que a água penetra no espongiocélio. células flageladas (ou do colarinho) com uma expansão membranosa em forma de colarinho.br/conteudos/Reinos2/bioporifero. são finas. encontra-se a camada dos coanócitos. revestindo o átrio. Estas células podem. (http://www. Posteriormente os nutrientes são difundidos para a mesogleia ou célula a célula. apresentando esta um colarinho contráctil. ainda. Estas Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .br/conteudos/Reinos2/bioporifero. presentes no mesênquima ou mesogleia (substância gelatinosa localizada entre as camadas de pinacócitos e coanócitos) e que são responsáveis pelo crescimento e capacidade de regeneração. ― Amebócitos– células livres de vários tipos que se deslocam por movimentos amebóides. Os nutrientes são filtrados pelo ―colarinho‖ da célula. os quais tem uma estrutura muito similar à dos protozoários coanoflagelados. O coanócito é uma célula ovóide.

importantes para a identificação e classificação das espécies. com capacidades fagocitárias que participam na digestão. formando uma espécie de tecido muscular (SAMPAIO e MACHADO.br/alfa/filo-porifera/filoporifera-1. fornece a estrutura de sustentação para as células vivas do animal. silicosas.php). As esponjas de banho possuem apenas espongina no esqueleto (http://www.44 Abdul Gafar Daúdo microscópicas aberturas podem ser reguladas pelo animal contraindo-se. A cavidade do tubo forma os poros inalantes. O meso-hilo contém também fibras colagéneas dispersas. ou óstios. na qual tem a forma de um tubo que se estende desde a superfície externa até o átrio. pode ser composto por espículas calcáreas.são células grandes com núcleo também grandes. células que possuem movimentos amebóide e são capazes de se diferenciarem em outros tipos de células. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . os poros são formados por porócitos. o esqueleto para todo o filo das esponjas. com extremidade afiladas ou ainda em forma de gancho. Assim.2011 .com. que é relativamente complexo. Vários tipos de células amebóides estão presentes no meso-hilo:  Arqueócitos . O esqueleto. ou seja. s/d : 29). mas algumas esponjas podem ter fibras grossas de colágeneo chamadas esponginas (proteína fibrosa). Apesar das espículas frequentemente se projectarem através da pinacoderme. Algumas esponjas são muito resistentes e têm uma consistência semelhante à borracha devido a quantidade de espongina presente no esqueleto. que podem se abrir ou fechar por contracção. Também são capazes de se diferenciarem em outros tipos de células (células totipotentes). As espículas podem ser de várias formas. fibras protéicas de espongina ou então por uma combinação das duas últimas. Nesta ordem de ideia.portalsaofrancisco. o esqueleto se localiza primariamente no meso-hilo. O porócito é derivado de um pinacócito através do surgimento de uma perfuração intracelular. Abaixo da pinacoderme encontra-se uma camada chamada meso-hilo (ou mesênquima) que é constituída por uma matriz protéica gelatinosa contendo material esquelético e células amebóides. Espículas monoáxonas têm o formato de agulhas ou bastonetes podendo ser rectas ou curvas.

Miócitos e Amebócitos.secretam o esqueleto de espongina. e a mais interna. numa forma que se relaciona com o caráter séssil (fixo) do grupo. Este tipo de desenvolvimento produz bolsas externas estendendo-se para dentro a partir do exterior e evaginações que se estendem para fora a partir do átrio. mas. Porócitos. Existem três tipos estruturais: Tipo asconóide ou Áscon – A forma primitiva dos espongiários é a de um tubo ou vaso. de origem ectodérmica. ficam ancoradas por fibras citoplasmáticas e que secretam as fibras de colagéneo dispersas. fixado no substrato. Neste tipo os coanócitos ficam restritos as evaginações as quais são (http://www. Nos áscon. Na estrutura siconóide. incluem o conhecido gênero Sycon. encontramos os seguintes tipos celulares: Pinacócito. s/d: 132). a parede do corpo torna-se dobrada horizontalmente formando protuberâncias digitiformes‖ (AMARAL e MENDES.  Lofócitos . 4.br/alfa/filo-porifera/filo-porifera- Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A parede do corpo é formada por duas camadas celulares. Anatomia das esponjas A estrutura morfológica dos poríferos é bem peculiar. A cavidade central do corpo é chamada átrio ou espongiocele. não existem órgãos diferenciados. tem origem endodérmica.45 Abdul Gafar Daúdo  Colêncitos . distinguem-se diversos tipos celulares adaptados a determinadas funções. A parede do corpo é provida de um grande número de poros (daí o nome de porífera). Nas duas camadas celulares e no mesênquima.  Esclerócitos . denominada gastral. Coanócitos.com. bem como nos outros dois tipos. bem caracterizada por sistemas de canais para a circulação de água. através dos quais penetram água e partículas alimentares.2011 .são móveis e que também secretam tais fibras de colagéneo. no qual distinguimos dois tipos de canais: inalantes e exalantes. Entre as duas camadas celulares. Na extremidade apical aparece uma grande abertura (o ósculo) que serve para a saída da água que continuamente atravessa o corpo da esponja. há um mesênquima gelatinoso. A camada mais externa é dermal.secretam as espículas.php).células fixas. ―Apresentam os primeiros estágios de dobramento da parede do corpo. Tipo siconóide ou Sícon: é o tipo intermediário.  Espongiócitos .portalsaofrancisco.

Entre os canais inalante e exalante encontramos a câmara vibrátil que se comunica com outras câmaras e desemboca no átrio‖ (AMARAL e MENDES. ficando a espongiocele reduzida. Na estrutura siconóide a água flui através dos canais aferentes.html Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Esponjas leuconóides possuem câmaras vibráteis. Em leuconóides. todos os canais.46 Abdul Gafar Daúdo chamadas canais radiais ou flagelados. ―É o tipo mais complexo. fato que põe em evidência a eficácia desse tipo de estrutura. átrio e ósculo. Devido ao sistema de canais mais desenvolvido.blogspot. s/d: 132). canais flagelados. As esponjas leuconóides são compostas por uma massa de câmaras flageladas e canais hídricos e podem atingir um tamanho considerável. 10 – Tipos morfológicos das esponjas Fonte: http://lifebiologia. a espongiocela e a camada externa do corpo do animal são revestidos por pinacócitos. Tipo lêucon ou Leuconáide: também chamado de rágon. em lêucon. Fig. Os canais que ligam o exterior às câmaras vibráteis são denominados inalantes ou aferentes. Estes são os únicos locais onde os coanócitos estão presentes. As envaginaçãos da pinacoderme chamam-se canais aferentes. Muitas esponjas (a maioria) são constituídas segundo a arquitetura leuconóides.com/ 2010/10/filo-porifera. As câmaras vibráteis são assim denominadas devido à vibração produzida pelo batimento dos flagelos das células com colarinho.2011 . prosópilas. sendo estes revestidos por pinacócitos. Já os canais que promovem a comunicação destas câmaras com a espongiocela são chamados de exalantes ou eferentes. formadas por coanócitos. o mesênquima toma quase todo o espaço do corpo. Os dois canais se comunicam através de aberturas chamadas prosópilas – equivalentes aos poros do tipo asconóide.

A captação de partículas resulta provavelmente do fluxo de água através das microvilosidades que compõem o colarinho (http://lifebiologia. que representam o endoesqueleto mineral (calcário ou silicoso). Aparentemente. com colarinho e flagelo. dianoflagelados e outros pequenos seres planctônicos. 2006:32).blogspot. A posição de ambas depende do tipo de esponja‖. ―A pele das esponjas apresenta dois tipos de células: o pinacócito. Estudos efectuados em três espécies de esponjas jamaicanas mostraram que 80% da matéria orgânica filtrável consumida por estas esponjas tem um tamanho inferior àquele que pode ser resolvido pela microscopia comum.com/2010/10/filo-porifera.2011 . sendo retiradas no curso de sua passagem pelas câmaras flageladas. Os outros 20% constituem bactérias. s/d: 133). essas são partículas finalmente filtradas pelos coanócitos. que são células achatadas.47 Abdul Gafar Daúdo Nutrição As esponjas se alimentam de material em partículas extremamente fino. Apenas partículas menores que um certo tamanho podem entrar nos poros dérmicos. que fabricam uma proteína chamada espongina. Quimicamente é uma escleroproteína como a do cabelo. Partículas com dimensões bacterianas ou ainda menores (menor que 1 µm) são removidas e engolfadas pelos coanócitos‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. ―Partículas grandes (5 a 50 µm) são fagocitadas por células que revestem os canais inalantes. da unha ou do chifre. os escleroblastos ou esclerócitos‖ (AMARAL e MENDES. as partículas de alimento são selecionadas principalmente com base em seu tamanho. Revestimento Segundo AMARAL e MENDES (s/d: 132).html). Sustentação ―A sustentação é realizada pelas espículas. Há também o endoesqueleto orgânico formado por células denominadas espongioblastos ou espongiócitos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . originado a partir de células especiais da mesogléia. e o coanócito.

circulatório. ―A esponja não possui boca nem cavidade digestiva. que o distribuem a outras células. Dos coanócitos. o alimento passa para os amebócitos. numa forma que se relaciona com o caráter séssil (fixo) do grupo. Excreção ―As trocas gasosas ocorrem por simples difusão entre a água que entra e as células do animal.blogspot. formando vacúolos digestivos. isto é. Nutrição A esponja nutre-se de partículas de matéria orgânica e de plâncton. diminutos organismos existentes na água. especialmente ao redor do ósculo.html). portanto a digestão é exclusivamente intracelular como nos protozoários. As excretas nitrogenadas (particularmente amónia) saem do organismo junto com a corrente de água. Não há. Nas esponjas (Poríferos) não há células sensitivas ou nervosas definidas mas as esponjas reagem ao toque. portanto. s/d: 133).2011 . ou seja. bem caracterizada por sistemas de canais para a circulação de água. As reacções são localizadas e a coordenação é em função da transmissão de substâncias mensageiras por difusão no meso-hilo ou por células amebóides se locomovendo. Sistema nervoso Não existe sistema nervoso ou são difusos.com/2010/10/filo-porifera. excretor e reprodutivo. s/d: 133).48 Abdul Gafar Daúdo Morfologia dos poríferos A estrutura morfológica dos poríferos é bem simples. só há dois sistemas nas esponjas: o tegumentário e o Esquelético. além do nervoso e muscular‖ (AMARAL e MENDES. sistema circulatório‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Pode também ocorrer entre células fixas que estejam em contacto (http://lifebiologia. ―Não há nos poríferos: sistemas digestivo. respiratório. e os estímulos são conduzidos lentamente de célula a célula. Os coanócitos capturam o alimento por fagocitose. 2006:32). logo é um animal filtrador‖ (AMARAL e MENDES. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

Respiração O oxigénio e o gás carbónico entram e saem por difusão das células (respiração cutânea) e são levados pela corrente de água. Assexuada  Brotamento: surge um broto no corpo da esponja formados por amebócitos (estatócitos). que pode se soltar e dar origem à um novo indivíduo. estruturas de resistência que se formam no interior do corpo da esponja. Os gâmetas são formados em células chamadas gonócitos. Os espermatozóides saem da esponja pelo ósculo e penetram em outra esponja pelos poros. São compostas por células indiferenciadas e protegidas por um envoltório rígido. junto com a corrente de água. Reprodução As esponjas apresentam reprodução sexuada e assexuada. onde a água circula graças aos batimentos flagelares dos coanócitos e as partículas alimentares se movimentam de célula para célula. Na época das chuvas.  Fragmentação: pequenos fragmentos de uma esponja podem dar origem a novos indivíduos. Formam-se gêmulas. Circulação ―Esta ocorre no interior do átrio. desenvolvem-se e originam novos indivíduos. s/d: 133). perdurando após a morte da esponjamãe. As gêmulas resistem à época de seca dos rios. pois as esponjas possuem um grande poder de regeneração.  Gemulação: ocorre na família Espongilidae espécies de água doce. que são derivadas dos amebócitos. Também pode ocorrer pela pele (excreção cutânea).49 Abdul Gafar Daúdo A excreção é feita pelo ósculo em forma de amónia. Sexuada A maior parte das esponjas é hermafrodita. principalmente devido aos amebócitos‖ (AMARAL e MENDES.2011 . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

de vida livre.2011 . As maiores esponjas conhecidas pertencem a essa classe.slideshare. Espículas mono. (http://www. ―Todas as Demospongiae são leuconóides. fundamentalmente. que é portanto. e promovem a fecundação. normalmente. tetraxónicas (dêsmas) ou poliaxónicas. Organismos marinhos. a larva sofre uma reorganização interna comparável à gastrulação de outros animais‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Exemplo: Spheciospongia com mais de 1 m de diâmetro e altura. 2006:32). Quando o esqueleto é silicioso e se encontra fundido em rede litistida ou pétrea é frequente originarem fósseis bem preservados. Logo. interna (na mesogléia).50 Abdul Gafar Daúdo São capturados pelos coanócitos e transferidos até os óvulos presentes no meso-hilo onde ocorre a fecundação. também. 2006:33). na forma das espículas e no tipo de rede esquelética por elas gerado. No estado fóssil apenas se conserva o esqueleto mineralizado. Há representantes de água doce‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. O nome Hexactinellida vem do fato que as espículas são do tipo com seis pontas ou hexáctinas. pois poderiam ter origem independente dos protozoários flagelados. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Do ovo surgirá uma larva ciliada. nos seus tecidos moles e. Classificação A classificação das esponjas actuais baseia-se. Classe Hyalospongea (= Hexatinellida) ―Os representantes dessa classe são conhecidos como esponjas-de-vidro. salobros e dulcícolas. daí que a sua classificação se baseie na composição do esqueleto. de duas dimensões (micro e macroscleras). que abandona a esponja e nada até se fixar em um substrato e dar origem a um novo indivíduo. no esqueleto mineralizado. silicioso ou misto. ―Depois de se fixar através da extremidade anterior. Classe Demospongea Esponjas com esqueleto de esponjina.net/andreapoca/porferos-449596). conclui-se que as esponjas provavelmente constituem um ramo evolutivo precoce que não deu origem a outros grupos. mas nunca triaxónicas.

distinguem-se por possuírem espículas compostas de CaCO . 2006:33). Espículas. Classe Calcispongea (= Calcária) ―Os membros dessa classe. Em muitas destas esponjas existem sistemas de canais dendríticos que confluem em elevações à superfície da colónia. Por isso elas são então chamadas de esponjas-de-vidro. normalmente separadas. normalmente formado por espículas triaxónicas.2011 . Espículas tipicamente monoaxónicas e/ou tetraxónicas. conhecidos como esponjas calcáreas. É frequente originarem fósseis bem preservados. Tipicamente. frequentemente fundidas em rede. Classe Sclerospongea Esponjas coloniais com esqueleto basal calcário laminar coberto por tecido vivo que segrega microscleras siliciosas e fibras de espongina.51 Abdul Gafar Daúdo Além disso. hexarradiadas. Estas esponjas marinhas de profundidade apresentam esqueleto silícico. 2006:33). de duas dimensões (micro e macroscleras). não originando redes. Sycon e Leucon) são encontrados. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . normalmente. A forma siconóide é dominante‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. pois o esqueleto é silícios e pode encontrar-se fundido em rede. Nas outras classes as espículas são 3 invariavelmente silicosas. Os três graus de estruturas (Ascon. Esponjas marinhas com esqueleto calcário. calcítico. apresentam espículas de uma única dimensão. A maioria das espécies tem menos de 10 cm de altura‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. constituído por longas fibras silicosas. frequentemente algumas espículas estão fundidas formando um esqueleto que pode ser reticulado.

Esses dois filos que compartilham de certos aspectos fundamentais comuns. de compartilharem de algumas semelhanças morfológicas fundamentais. o único aspecto interno. (http://www. com uma variação na sua espessura. Principais diferenças entre os cnidários e ctenóphora são:  Os cnidários tem nematocitos enquanto que os ctenoforos não os apresentam (excepto uma espécie).com.2011 Filo dos Radiatas (Cnidaria e Ctenophora) 52 Abdul Gafar Daúdo Os filos cnidaria e ctenophora. de terem sido agrupados anteriormente em um único filo. existem diferenças suficientes entre eles para colocalos em filos separados.php). As duas camadas de tecidos são separadas por uma mesogleia (camada não-viva) semelhante a uma gelatina.  Os ctenóforos tem um desenvolvimento especiais do embrião que cujo estas não são encontrados nos cnidários.  Os ctenoforos tem fileiras de placas ciliadas. sem órgãos ou sistemas de órgãos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . ambos têm camadas de tecidos verdadeiros consequentemente. estes são os primeiros metazoa como também sua cavidade interna principal é uma cavidade digestiva. Estes dois filos destinguem-se das esponjas porque.  Os cnidários são polimorficos com diversos estágios de polipo e medosa enquanto os ctenoforos são exclusivamente monomorficos.portalsaofrancisco. poros anais e um complexo de órgão dos sentidos.Dia: 11. os cnidários não apresentam. Nenhum outro filo invertebrado apresenta esta combinação de aspectos. o dos coelenterata. não encontrados em outros filos. Outro aspecto semelhante e a cavidade gastrovascular central. Apesar dos dois filos serem superficialmente semelhantes.2011 . Ambos os filos compreendem animais diploblásticos de organização do grau de tecidos. são muito relacionados e já foram considerados um único filo. com um padrão de simetria radial ou biradial.br/alfa/filo-cnidaria/filo-cnidaria-1.Agosto .

protostômios e neuromiários (com sistemas nervoso e muscular) e são exclusivamente aquáticos. Os cnidários também são de pequena actividade económica. O antigo nome celenterados provém de cele. composto por animais também gelatinosos como as medusas. com pouca ou muita mesogleia intercalada. que. os corais e anémonas-domar. para defesa e captura de alimentos e também o surgimento de uma cavidade gástrica ou entérica.53 Abdul Gafar Daúdo Filo Cnidários ou Coelenterata O filo Cuidaria inclui as hidras. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . e uma cavidade digestiva. Características gerais  Simetria radial ao redor de um eixo oral-aboral. actualmente considerado um filo separado. chamadas cnidócitos‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. em termos embriológicos eles são diblásticos. chamada cavidade gastrovascular. nematocitos em uma das duas ou em ambas as camadas (diblásticos).2011 . sugere a existência de células urticantes chamadas cnidoblastos. Existe uma boca. s/d: 134). O nome de cnidários provém do grego Knide. que significa ―urtiga‖. que significa cavidade e entero que quer dizer intestino. ―A importância médica dos celenterados está relacionada com a hipnotoxina. incluía os pentes do mar. principalmente marinhos. sem cabeça ou segmentação.  Corpo com 2 camadas de células. mas com algumas características próprias. originalmente. ―Nos cnidários nota-se o início de uma organização tecidual. proteína de natureza cáustica que pode matar um indivíduo por choque anafilático‖ (AMARAL e MENDES. s/d: 134). circundada por tentáculos. Já a denominação Cnidaria provém de estruturas (células) de defesa características do filo. (AMARAL e MENDES. o mesmo que cela = espaço vazio e enteros = intestino). uma epiderme externa e uma gastroderme interna. os nematocistos de certas citomedusas e sifonóforos ocasionalmente queimam banhistas e alguns são altamente perigosos. acelomados. as medusas ou águas-vivas. 2006:34). O filo era também chamado Coelenterata (das palavras gregas ―coela‖. alguns corais são usados em joalharia e arte decorativa.

cnidária e ctenophora. conchas). se deslocar através de movimentos tipo “mede-palmos” e por cambalhotas (por exemplo. sem ânus. fibras musculares nos epitélios. mas sem ductos genitais. Lineu e outros classificaram-nos com os equinodermos como radiata devido a sua simetria. As qualidades urticantes dos cnidários eram conhecidas por Aristóteles.2011 . alguns com manchas ocelares ou estatocistos. uma larva ciliada. em certas circunstâncias.  Reprodução especialmente com brotamento (assexuada) no estágio fixo (polipo) e com reprodução sexuada por gâmetas no estágio de medusa. que pode ser ramificada ou dividida por septos. que vive fixo em substratos (rochas.  Boca circundada por tentáculos moles e ligada a uma cavidade digestiva (gastrovascular) em forma de saco. córneo ou ausente. que considerava estes organismos como intermediários entre plantas e animais. cnidarios e ctenoforos como os coeleterata e somente em 1888 Hatsechek separou-os como filos distintos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  Cnidocitos contendo nematocistos (organelas urticantes) presentes em todos e empregados na captura de alimento e na defesa. porífera.  Sem órgão circulatórios. Morfologia ―Os membros deste filo podem apresentar-se em duas formas estruturais distintas: medusa. O pólipo pode. as hidras)‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. são minóicos ou dióicos.animais-plantas) juntamente com formas variadas desde esponjas até ascidias. a boca forma-se do blastóporo. Quando a sua natureza animal foi estabelecida no SEC XVIII.  Uma rede difusa de células nervosas não polimerizadas na parede do corpo e sem sistema nervoso central. alguns com gônadas simples. Leuckart em 1847 reuniu as esponjas. respiratórios ou excretores. Durante muito tempo foram incluídos nos zoophyta (gr. a planula. a qual é de vida livre e pólipo.  Clivagem holoblástica. 2006:34).54 Abdul Gafar Daúdo  Esqueleto calcário.

em principio. entre outras). Na porção inferior há um disco basal para fixação. A cavidade interna tem função digestiva e recebe várias designações: cavidade gástrica. Uma característica que distingue os cnidários dos outros animais é sua estrutura simples.55 Abdul Gafar Daúdo Assim. dactilozooides para defesa. não tendo ramificações. tomando a forma de sino. entérica ou gastrovascular. conferindo-lhe a forma coluna ou cilíndrica. é rodeada por tentáculos. reprodução. Nas medusas. o eixo oral-aboral é curto e o corpo alarga-se. denominada cavidade gastrovascular ou celêntero. que. As medusas são geralmente de vida livre (exceção das estauromedusas) podendo ser planctônicas ou excelentes nadadoras pelágicas. desprovidos de esqueleto e com pouca mesogléia. sustentada pelo hipóstoma e rodeada por um conjunto de tentáculos. o plano corporal dos cnidários apresenta dois padrões básicos. A cavidade digestiva. isto se denomina polimorfismo (gastrozooides com função alimentícia. Descrição de um pólipo ―Na forma jovem. O eixo antero-posterior da larva se torna o eixo oral-aboral do adulto. defesa. um saco simples ou dividido em câmaras. única abertura corporal. que podem ser ocos ou maciços‖ (AMARAL e MENDES. etc) ou pode haver vários tipos diferentes de pólipos em uma mesma colônia com funções especificas. gonozooides para reprodução. se diferencia pouco após da fase de gástrula. Os pólipos são geralmente fixos. são de habito sedentário e se encontram fixos ao substrato através de um disco aboral adesivo. A forma pólipo tem o eixo de simetria oral-aboral alongado.2011 . Os pólipos podem ser de um único tipo que desenvolve todas a funções vitais (alimentação. apresentando uma alternância de gerações (metagenesis). s/d: 135). e a boca. o pólipo e a medusa. é uma novidade evolutiva dos eumetazoários já presente nos cnidários. enquanto que na extremidade oposta localizase a boca. ausente nos poríferos. São animais basicamente diploblásticos que apresentam simetria radial primaria e externa retida na forma adulta. bolsas ou canais. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . o animal ostenta um aspecto tubular ou de cilindro. Os pólipos podem ser solitários ou formar extensa colônias. Estes não possuem verso. campânula ou cubo. Muitas espécies de cnidários podem apresentar as duas formas em seu ciclo de vida.

formando o sistema nervoso do tipo difuso. que serve como porta de entrada dos alimentos e também de saída de catabólitos. Reprodução . Há ainda arco reflexo simples‖ (AMARAL e MENDES. isto é. as células nervosas estão localizadas na mesogléia.Geralmente ocorre por metagênese (alternâncias de gerações) na qual a fase assexuada é representada pelo pólipo e a fase sexuada é representada pela medusa (SOARES. Na extremidade livre fica a boca. como se fosse o ânus. Embora não haja sistema nervoso central (SNC). Não possuem cérebro. 1997:367). funcionando. Sistema Respiratório . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . s/d: 135). simples ou dividida por septos. falta o ânus. há uma rede de protoneurônios na mesogléia. Sendo assim. Umbrela . Sistema nervoso ―Surge pela primeira vez na escala zoológica. Descrição de uma medusa Na fase adulta o animal ostenta forma de guarda-chuva ou cogumelo. que corresponde ao pano do guardachuva. A digestão é primeiro extracelular e depois intracelular‖ (AMARAL e MENDES. É rodeada por tentáculos e está ligada a uma extensa cavidade digestória.É a parte tubulosa da medusa. porém o tubo digestivo é incompleto. O sistema nervoso dos celenterados é do tipo difuso ou reticular. s/d: 135). portanto. que corresponde ao cabo do guardachuva.56 Abdul Gafar Daúdo Sistema digestivo ―Surge pela primeira vez na escala evolutiva. Manúbrio ou cabo . saculiforme.Não possuem órgãos especializados para a respiração.É a parte mais volumosa da medusa. constituído por células nervosas que estão interligadas umas as outras formando uma rede nervosa.2011 . A respiração é aeróbia. a digestão é extra e intracelular. O corpo dos celenterados possui uma abertura que tem a função de boca.

os volventes e glutinantes. planctônicas e sempre solidárias. Quando ocorre algum tipo de estímulo mecânico ou químico. Modos de vida As medusas são móveis. ― Hydrozoa . mas é particularmente abundante nos tentáculos. os cnidócitos descarregam os nematocistos que podem prender. entre eles os penetrantes. Localiza-se por toda a epiderme. como as da classe Scyphozoa.2011 . A célula característica do filo é chamada cnidócito.Estrutura de um pólipo e da medusa. Existem vários tipos de nematocistos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .as hidras. Esta tem a função de defesa e captura de alimento. Fig.É um órgão que favorece a locomoção. como as da classe Hydrozoa. a garrafa-azul e os corais-de-fogo. Classificação científica O filo Cnidária está dividido em quatro classes de organismos: ― Cubozoa . paralisar ou inocular substâncias tóxicas na presa.São formações alongadas que se prendem na umbrela e que se localizam geralmente ao redor da boca.as medusas em forma de cubo. 11.57 Abdul Gafar Daúdo Véu ou craspedon . e as que não o possuem são chamadas acraspédotas. algumas medusas. Tentáculos ou braços orais . Os cnidócitos são células ovóides que contêm no seu interior uma cápsula com um tubo enrolado chamada nematocisto. As medusas que o possuem são ditas craspédotas.

2011 .58 Abdul Gafar Daúdo ― Scyphozoa. ― Anthozoa . Os cnidários alimentam-se de crustáceos.as anêmonas-do-mar e corais verdadeiros. larvas de insectos. Uma característica marcante desse grupo é a presença de células modificadas que promovem a defesa do animal e constituem a captura de alimentos. peixes. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A estrutura está muito relacionada com a forma e o modo de vida desse grupo de animais.as verdadeiras água-vivas.

com face aboral e arestas levemente arredondada. Os cubopólipos das espécies com ciclos habitam em estuários e mangais. Abundam em mares tropicais e subtropicais. Também existem quatro pares de projecções cónicas mesogleais de função desconhecida.  O manúbrio no centro da cavidade subumbrelar não se estende em braços orais. Morfologia Interna  A boca na extremidade do manúbrio contornada por quatro lábios triangulares.  No interior do pedálio existe um canal gastrovascular que se ramifica para cada lobo e tentáculos.  Quatro pedálios (expansões de mesogléia rígida próximos à margem umbrelar). Morfologia Externa  Medusa é cubóide. As sinapomorfias da classe são: forma cubóide da medusa.  No lado interno da margem umbrelar. observa-se o velário com canais do sistema gastrovascular conectados com as bolsas gástricas. são tóxicos. um par de océlos simples ou olhos complexos (cristalino.2011 . com um anel nervoso marginal. presença de velário (dobra da subumbrela.  Quatro ropálios com estatocisto. separadas por septos onde se inserem as gônadas. mas posicionado mais internamente e apresenta canais gastrovasculares). Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . nervos radiais e um plexo subumbrelar com oito gânglios (provável centro nervoso).  Em cada pedálio insere-se um ou vários tentáculos com anéis de nematocistos.Agosto . córnea e retina). a cubomedusa mais perigosa aos seres humanos é encontrada na Austrália.Dia: 15. semelhante ao véu da hidromesas.2011 Classe Cubozoa (cubomedusas ou vespas-do-mar) 59 Abdul Gafar Daúdo A maioria dos animais desta classe.  O sistema nervoso é bem definido.  O estômago abre-se em quatro bolsas gástricas.

(DE ARAUJO e BOSSOLAN. os óvulos e espermatozóides são emitidos directamente para o exterior e não para dentro da cavidade gastrovascular. 2006:35).2011 . Se alarga em disco pedal adesivo e a parte superior em cone elevado. 12 – Chiropsalmus quadrumanus. B – Corte longitudinal Classe Hydrozoa Nesta classe encontram-se um grande número de cnidários. Entretanto eles são animais isolados ou coloniais. são destacados a Hydra. ou então as duas durante o ciclo de vida. O corpo dos hidrozoários é como se fosse um saco alongado com parede espessa. se gastrodérmicas. em torno da qual há Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Nos hidrozoários a mesogleia jamais é celular. nada mais é do que uma colónia natante com uma estrutura flutuante .60 Abdul Gafar Daúdo Fig. (AMARAL e MENDES. Os hidrozoários podem apresentar tanto a forma polipóide como medusóide. Esta última.o flutuador cheio de gás. Dentre os membros mais estudados. a parte inferior a princípio estreitada. na qual desapareceu o estágio medusóides. A – Vista lateral. que é de água doce. muito pequenos e pouco conhecidos que apresentam duas formas: Hidopolipos e hidromeduzas. Obelia que apresenta os dois estágios (pólipo e medusa) durante o seu ciclo de vida e a caravela portuguesa (Physalia). s/d: 136). a boca. a gastroderme não apresenta nematocistos e as gônadas são epidérmicas ou. Estas características servem como união de todos os membros desta classe. apresentando na extremidade um orifício.

Estrutura celular e função A parede do corpo e dos tentáculos consiste de apenas duas camadas de células. fria. de medusa ou ambas durante o seu cicio de vida. cnidocitica e sensitivo.61 Abdul Gafar Daúdo uma coroa de seis a dez tentáculos mais longos que o corpo.2011 . limpa e geralmente permanentes de lagos e tanques. fixando-se a pedras. Modo de vida As hydras vivem em água doce. que são: epitélio muscular. Nutrem-se de pequenos animais que passam ao alcance de seus tentáculos muito distensíveis e retrácteis.  A mesogleia nunca é celular. com os quais elas paralisam esses animais. gravetos ou vegetação aquática.  Podem ser solitários ou coloniais. ou. intersticial. e os prendem para transporta-los a boca. uma epiderme externa fina de células cúbicas de função principalmente protectora e sensitiva e internamente uma gastroderme mais espessa de células altas servindo principalmente à digestão. O número de tentáculos difere entre as espécies e aumenta com a idade e tamanho do indivíduo.Células epitélio musculares . A hydra geralmente é fixa mas pode deslocar-se por deslizamento graças ao seu pé.  A gastroderme não possui nematocistos. Entre as duas células há uma fina mesogleia acelular que fornece apoio elástico para o corpo e os tentáculos. 1. através do veneno cnidocistos.  As gônadas são epidérmicas. glandular ou digestivas. Ambas as camadas são compostas de vários tipos de células. As células epitélio digestivas da gastroderme são a principal parte do revestimento do intestino e Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .funcionam como músculos longitudinais que contraem para encurtar o pedúnculo do corpo e os testículos.  Podem ter a forma de pólipo. fixando-se pela boca e deslocando o disco basal de seu suporte. então executando cambalhotas. Os óvulos e espermatozóides são liberados no exterior e nunca na cavidade gastrovascular.

Elas têm o potencial de produzir todos os outros tipos celulares. O tubo filiforme quando descarregado.  Os glutinantes estreptolineos ovais. Os primeiros dois tipos são de particular valor na captura de presas. essas partes voltam para o intestino e são digeridas sendo substituídas por novas células e cápsulas que se formam. na descarga. muitas vezes provocam descarga nesses animais. Segundo DE ARAUJO e BOSSOLAN (2006:35) “Os cnidocitos.62 Abdul Gafar Daúdo funcionam activamente na digestão do alimento. os outros produzem uma secreção pegajosa possivelmente usada na locomoção. estas células podem também produzir uma bolha de gás. 2. este enrola-se fortemente em tomo das cerdas da presa. tais como cnidocitos e gâmetas.  Os pequenos glutinantes estereolineos descarregam um fio recto não armado. elas estão espalhadas na gastroderme onde secretam as enzimas que digerem o alimento. Fibrilas contrateis ao redor da boca e da base dos tentáculos funcionam como esfíncteres para fechar estas aberturas.são células pequenas arredondadas. a hidra possui quarto tipos de nematocistos que são:  Os penetrantes têm um longo tubo filiforme enrolado que contém na base três espinhos.2011 . com um núcleo grande encontradas entre as bases das células epidérmicas. quando descarregado o tubo filiforme explode para fora para perfurar a pele de pequenos animais e injectar um líquido (hipnotoxina) que paralisa a presa. o cnidocito não pode formar outro nematocisto.Células intersticiais . bem como na apreensão do alimento. são células especializadas que contém o aparelho urticante único dos cnidários o nematocisto‖. indiferenciadas. difundidas na água. tem um longo fio que contém espinhos diminutos e pode-se enrolar após a descarga. 3. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . vermes e larvas das quais a hidra se alimenta. Portanto são básicas para a regeneração e substituição de todas as partes do corpo.Células glandulares . Em alguns casos apresentam um fio que é causado pelo aumento da pressão osmótica dentro da cápsula. Substâncias de pequenos crustáceos.  Os volventes contém um fio curto e espesso em uma só volta.secretam um muco pegajoso com a qual a hidra se fixa a objectos na água.

Resíduos indigeriveis saem pela boca que funciona também como ânus. enquanto que porções mais duras (como quitina) não são afectadas. Frequentemente dobra-se fixando os tentáculos ao substrato pelo uso de nematocistos glutinantes. liberta os tentáculos e novamente assume uma posição vertical. partes moles destes tornam-se separadas e liquefeitas. Não há gânglio central ou cerebelo como ocorre nos platelmintes e outros metazoarios superiores. Pode-se mover de várias formas. são mais numerosas nos tentáculos. usando tentáculos como pernas. Expansões. Algumas vezes ela caminha invertida. Ocasionalmente usa uma bolha de gás secretada em muco para flutuar na superfície. pode ainda deslizar ao longo do substrato por uma acção semelhantes a pseudópodes.2011 . que envolvem e paralisam a presa levando-a até a boca.Células sensitivas nervosas . um pequeno número ocorre na gastroderme. e move o disco basal para um novo local. contracções da parede do corpo e movimentos vibráteis dos flagelos das células digestivas põem estas secreções em contacto com todas as partes do alimento. mas é capaz de dobrar-se para realizar movimentos para captura de presas e para mudar a sua localização. A base das células sensitivas liga-se às células nervosas que formam uma rede na epiderme. alimentando-se principalmente de pequenos crustáceos. O alimento absorvido principalmente o glicogénio é armazenado localmente em células da Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A hidra vive fixa pelo seu disco basal a objectos na água. Digestão Parte da digestão é completada na cavidade gastrovascular e os materiais parcialmente digeridos são absorvidos pelas células da gastroderme onde a digestão é intracelular.63 Abdul Gafar Daúdo 4. Locomoção O líquido de cavidade gastrovascular funciona como esqueleto Hidraulico.espalhadas pela epiderme. perto da boca e ao redor do disco basal. adjacente a mesogleia. O contacto da presa com os tentáculos provoca a descarga dos nematocistos. Alimentação As hydras são carnívoras.

abaixo da epiderme e principalmente ao redor da boca. que se agrupam para formar ovários e testículos. um único fecunda o óvulo. Após a fecundação o ovo forma uma casca e se desprende da mãe.Sexuada: quase todas as hidras são dióicas. o embrião encapsulado destaca-se do corpo parental e permanece em sua cápsula protetora durante todo o inverno. há alternância de gerações entre pólipos e medusas. Em Hydra a maioria é dióica e a reprodução ocorre principalmente no outono. Em Obelia existem as formas polipóides e medusóides. Reprodução 1. Apresentam grande capacidade de regeneração. Cada ovário produz apenas um óvulo que fica exposto. expondo-o ao meio exterior. dando origem a uma nova hidra. após seu aumento de tamanho. ou seja.2011 . Existem células especiais na epiderme do pólipo que dão origem aos óvulos e espermatozóides. de onde as necessidades de epiderme são provavelmente supridas por difusão. há ruptura da epiderme. Somente na primavera a cápsula amolece e a hidra jovem emerge. As células nervosas estão dispostas em uma rede. Após a fecundação o ovo é recoberto por uma capa quitinosa. Sistema nervoso . Neste género ocorre metagênese. 2. O pólipo produz assexuadamente medusas livre-natantes.Assexuada: por gemação (brotamento).Muito primitivo. Dentre muitos espermatozóides liberados na água. Respiração e excreção . onde há brotos ou gônadas em formação. Após a fecundação forma-se uma larva ciliada plânula que se fixa a um substrato e desenvolve novamente um pólipo adulto.64 Abdul Gafar Daúdo gastroderme. As células reprodutivas se originam de células intersticiais. Quando completase esse processo. No caso do óvulo. Estas se reproduzem sexuadamente através da liberação de espermatozóides e óvulos na água. normalmente dióicas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Materiais armazenados tendem a concentrar-se onde o metabolismo é activo.Estes animais não têm órgãos respiratórios nem excretores – acontece a difusão pela parede de corpo.

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Forma de pólipo  Hydra- género solitário de água doce.  Nas colónias: epiderme, mesogleia, gastroderme e cavidades gastrovasculares continua a todos os membros. Fixação por estolo ou hidroliza.  Crescimento - monopodial e simpodial.  Hidroides com cobertura quitinosa de sustentação (perisarco).  Polimosfismo: gastrozooide — alimentação; dactilozooides — defesa; gonozooides — reprodutores. Forma de medusa  Pequenas, formadas por uma umbrella com véu (hydromedusas)  Na boca possui cnidocitos e se abre no manubrio.  Do estômago saem 4 canais radiais que se unem a um canal circular, que se situa na margem da umbrella.  Seu sistema muscular, é mais especializado e restrito a epiderme que tem como função a natação.  Sistema nervoso: dois anéis próximo a umbrella (ocelos e estatocistos). Classe Scyphozoa Segundo AMARAL e MENDES (s/d:136) Nesta classe ―compreende animais isolados, que apresentam duas formas: cifopolipos e cifomedusas sendo a forma predominante a meduza‖. Neste contexto, o representante mais conhecido é a Aurélia aurita (medusa), esta encontra-se numa forma côncava, possui tentáculos e encontram-se separados por oito tentáculos, no manubrio encontram-se estruturas de sustentação do animal, que podem ser chamados de braços. Na boca encontramos a faringe que se liga com a cavidade gastrovasular. Certamente na superfície oral côncava está a boca, em um curto manubrio, entre quatro braços orais ponteagudos, os quais são sulcados e possuem nematocistos ao longo dos seus bordos. Uma curta faringe através do manubrio liga-se a cavidades gastrovascular.

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Saindo da ultima há 4 bolsas gástricas contendo filamentos gástricos tentaculiformes delicados com nematocistos. As células que fazem parte da rede nervosa, da Aurélia são chamadas manchas ocelares (captar luz), apresentam um estatocisto (pigmentos), que captam a luz. Apresenta ainda as facetas que fazem uma recepção química do próprio impulso e participam na alimentação. Muitos canais radiais estendem-se das bolsas através da mesogleia até um canal anelar na margem do sino. Há 4 gônadas em forma de U, uma no assoalho de cada bolsa gástrica. A rede nervosa é melhor desenvolvida na margem do sino. Cada órgão sensitivo compreende:  Uma mancha ocelar pigmentada sensível à luz.  Um estatocisto oco, externo ao canal circular, que contem grânulos calcários diminutos e da direcção dos movimentos natatórios.  Duas facetas sensitivas, uma lateral e outra mediana, provavelmente quimioreceptores relacionados com o reconhecimento do alimento.  A superfície externa é coberta pela epiderme, o revestimento do sistema digestivo e canais da boca para dentro, os tentáculos gástricos e as gônadas são de gastroderme. Historia Natural O representante desta classe é a Aurelia que pode ocorrer isoladamente ou em grandes grupos. Flutua calmamente e pode nadar fracamente por contracções rítmicas do sino, mas esta depende muito das correntes e ondas. São animais que se movimentam livremente em água, graças aos músculos que passam nas bermas do próprio animal. O alimento começa dos invertebrados, peixes, crustáceos e dos seus próprios inimigos, todo alimento entra pela boca e segue a cavidade gastrovascular, a digestão é intracelular, a captura do alimento é auxiliada pelos nematocistos, a entrada e retirada dos alimentos é feita pela boca. (DE ARAUJO e BOSSOLAN, 2006:37)
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A respiração e a excreção são presumivelmente realizadas pela totalidade da superfície do corpo. A rede nervosa serve para coordenar as contracções propulsoras dos sinos e acção dos lobos orais. Reprodução e Ciclo de vida Nos scyphozoarios, os sexos são iguais mas separados. Os espermatozóides das gônadas (testículos) de um macho são lançados na água saindo pela boca e graças a essa água são levados ao interior do animal e entram na cavidade gastrovascular de uma fêmea para fecundar os óvulos produzidos em suas gônadas (ovários). Os zigotos emergem para alojar-se nos braços orais, onde cada um se desenvolve, em uma larva plânula ciliada. Este escapa para nadar durante um certo tempo, então instalase e fixa-se no fundo do mar, onde perde dois cílios transformando-se em um pólipo diminuto em forma de trombeta (cifistoma) com disco basal, boca e tentáculos. Do brotamento origina-se uma medusa e um pólipo, que passa a ser chamado de estrobilação, que é por divisão transversal, e a outra por fissão transversal que dão origem a uma medusa chamada efira, essas após originarem medusas, começam a se reproduzir assexuadamente. Classe Anthozoa Nestes organismos o estágio medusóide está completamente ausente. São as anêmonasdo-mar, os corais escleratínios (produtores de esqueletos externos de CaCO3) e octocorais característicos com oito tentáculos. É a maior classe dos cnidários. Apresentam cavidade gastrovascular mais especializada que as outras classes, com várias divisões de um mesentério longitudinal, fixados na parede do corpo, o que aparentemente auxilia na circulação de água e na digestão de presas maiores. (DE ARAUJO e BOSSOLAN, 2006:38)

Fig. 12. Estrutura de uma anêmona-do-mar. A) Corte longitudinal. B) Corte transversal.
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e uma corrente que sai sobe por qualquer lugar da faringe. O zigoto desenvolve-se em uma blástula sólida e depois em uma típica larva plânula.68 Abdul Gafar Daúdo O pólipo dos antozoários é mais especializado e a presença de mesogléia celular. por sua vez os anthozoários protegem as algas dos seus inimigos. cnidócitos nos filamentos gástricos e gônodas gastrodérmicas. A digestão é intra e exra-celular e os alimentos não digeridos são lançados pela boca ao exterior. nitrogénio e dióxido de carbono. As gónadas localizam-se na camada gastrodermica dos septos. a fecundação pode ocorrer na cavidade gastrovascular ou externamente na água do mar. Elas praticamente vivem presas a substratos duros na região litoral. cavidade gastrovascular septada. após a fixação a larva forma tentáculos e torna se uma anémona em miniatura. O alimento consiste de moluscos crustáceos e outros invertebrados e peixes. vivem em simbiose com as algas.2011 . Anémonas podem ter sexos separados ou ser hermafroditas. Uma corrente de água desce pela sifonoglife para circular na cavidade gastrovascular com finalidades respiratórias e para conservar o corpo turgido. passa para a cavidade gastrovascular e é dirigido por enzimas secretadas pelos filamentos e é absorvido pela gastroderme. Esta simbiose obrigou os anthozoários a viverem em ambientes limpos e não profundos. visto que as algas precisam dos raios solares para a fotossíntese. estas fornecem matéria orgânica (carbono orgânico) aos anthozoários. determinadas anémonas (Epiactis) incubam seus jovens em bolsas externas na coluna. Anêmonas-do-mar são antozoários solitários familiares e ocorrem em todo o mundo em águas costeiras. Os antozoários formadores de corais são constituídos de colónias de pólipos. História Natural As anémonas-do-mar vivem fixas alguma superfície firme mas podem rastejar lentamente com seu disco pedal. paralisados pelos nematocistos e levados pelos tentáculos até a boca. indicam que eles estão filogeneticamente relacionados mais intimamente com os Scyphozoa que os Hydrozoa. Os cílios dos tentáculos e disco também batem para conservar as superfícies livres de detritos. Restos não digeridos são eliminados pela boca. fornecem-lhes potássio. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

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Anémonas também se reproduzem assexuadamente: Por fissão longitudinal ou transversal e por laceração de pedal (partes do disco pedal) são deixadas à medida que a anémona se move, estas crescem formando novas anémonas. A maioria dos tipos de anémonas é fixa em rochas, conchas ou outras superfícies, mas a também podem movimentar-se se necessário; algumas formas infimas (Booceroides) podem nadar, batendo seus tentáculos e alguns tipos delgados (Edwardza, Cerianthus) cavam no fundo, deixando apenas os tentáculos e o disco oral expostos. A classe anthozoários apresenta algumas subclasses: ― Zoonthidae - constituída por anémonas solidárias e são cesseis. São os que possuem doze ou mais que doze septos e doze ou mais que doze tentáculos, é nessa subclasse a que pertencem a maioria dos recifes, e apresenta as ordens:  Ceriantharia – Compostas por anémonas solitárias, adaptadas ao substrato móvel;  Zooanthidea – Não é um coral, a maioria é colonial apresentando zooxantelas comensais (Palythoa).  Machephoraria – Os membros desta ordem são os principais construtores de recifes, crescendo como massas rígidas capazes de resistir ao constante embate das ondas e a maior ordem da classe Anthozoa. Produzem um esqueleto de carbonato de cálcio; alguns são solitários mas a maioria é colonial. ― Octocorallia - são animais com oito septos e oito tentáculos.  Geogonacea - o corpo contem um eixo central composto por uma substancia orgânica.  Pennatulacea - colónia cujo esqueleto possui espiculas calcarias (Renilla). Os Recifes de Coral ―Os recifes de coral são formações rochosas calcárias que dão suporte a um amplo conjunto de plantas e animais marinhos, e alguns destes organismos de recife secretam carbonato de cálcio que forma a maior parte do recife‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN, 2006:39).

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De todos os organismos secretores de CaCO3, os corais escleratínios são os mais importantes. As exigências ambientais desses animais também descrevem os limites de distribuição do recife. Corais formadores de recifes contém algas simbióticas que necessitam de luz para a fotossíntese. Consequentemente, a distribuição vertical dos recifes é restringida pela profundidade de penetração de luz. Assim, os recifes são encontrados apenas em lugares onde a água circulante contenha pequenas quantidades de material em suspensão, ou seja, águas de baixa turgidez e baixa produtividade. Os tipos principais de recifes de coral são:  Recifes em franja: projectam-se directamente em direcção ao mar, a partir da praia.  Recifes em barreira: são separados da massa terrestre por uma laguna.  Atóis ou circular: repousam sobre ápices ovais de vulcões submersos. Usualmente circulares ou ovais com uma laguna central e partes da plataforma do recife podem emergir como uma ou mais ilhas. O recife mais grande ou mais conhecido é o recife de barreira Great Barrier Reef (grande barreira de recifes) localizado na Austrália que chega a atingir os 2000km de comprimento. Filo Ctenophora Do Grego Ktenos = pente + phoros = portador, compreende espécies de animais marinhas de natação livre com corpo gelatinoso transparente. São chamados ctenoforos devido as placas ciliadas do corpo. Eles mostram alguma semelhança com medusas dos cnidários e antigamente foram classificados com eles, mas são distintos em estrutura e em biologia. Características gerais Simetria birradial (radial + bilateral) em torno de um eixo oral-arboral, 3 folhetos germinativos com muita mesogleia, sem segmentação.

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 Corpo mais ou menos esférico (chato em algumas), geralmente com oito series externas de placas ciliadas, sem nematocistos (excepto em Euchlora), tentáculos com células adesivas (coloblastos).  Epidemie e gastroderme celulares, mesogleia com amebocitos e células musculares (pode ser considerada celular, quando o animal for triploblastico).  Sistema digestivo com boca, feringe de Epidemie invaginada e estomago com ramificações para um elaborado sistema de canais.  Sistema nervoso difuso, com um órgão sensitivo arboral (estatocisto).  São hermafroditos, células reprodutoras formadas do endoderme dos canais digestivos, desenvolvimento com um distinto tipo larval, o cidipidio, sem desenvolvimento sexual.  Poros anais terminam o trato digestivo. Principais semelhanças com os cnidários:  Simetria radial básica;  Partes dispostas ao redor de um eixo oral-aboral;  Uma cavidade gastrovascular com ramos;  Sem espaços internos excepto o sistema de órgão; Principais diferenças com os Ctenophoras Os Ctenophoras possuem:  Oito series de placas ciliadas;  Músculos mesenquimáticos ou mesodermicos;  Organização mais alta do sistema digestivo com poros anais.  Nematocistos ausentes (excepto em Euchlora);  Desenvolvimento em mosaico;  Uma região sensitiva aboral. História natural A grande parte dos ctenoforos são animais planctonicos que passam sua vida livremente nas águas abertas dos oceanos.

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Tem uma boca enorme e ligeramente engole presas como se fosse uma baleia ao capturar suas presas. Os óvulos são eliminadas através da boca e a fecundação ocorre na água.  Em muitas vezes as larvas que resultam do desenvolvimento se reproduzem como larvas. e único é chamado de padrão birradial. reproduzindose novamente como adultos fenómenos chamados dissogenia. alguns em regiões temperados ou árcticas. Alimentam-se de animais platónicos pequenos.72 Abdul Gafar Daúdo O Género Cestum (cinto-de-venus) é um dos ctenoforos com um metro de comprimento e nada graças às ondulações. Broe é um representante de um grupo diferente de ctenoforos. ovos de peixes e pequenos peixes. larvas de moluscos e de crustáceos. A digestão é rápida iniciando-se extracelularmente na faringe e completando-se intracelularmente nas células que revestem os canais digestivos. depois regridem e tornam-se sexualmente maduras. Ctenoforos abundam nos mares quentes. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Todos os ctenoforos passam por um estágio larval denominado cidipidio. sendo o seu desenvolvimento em dois aspectos:  O padrão de clivagem. Os ctenoforos são minóicos. daqueles sem tentáculos. alguns vivem em profundidades variadas.2011 . sendo óvulos e espermatozóides. após as duas clivagens iniciais. produzidos pelo revestimento endodérmico dos canais digestivos em baixo das placas ciliadas. desenvolvendo-se o embrião como uma estrutura em forma de prato. No escuro emitem luminescência de baixo das placas ciliadas. com metamoforse ou então desenvolvem-se directamente no adulto. encontram-se em águas superficiais.

faringe e intestino ramificado que termina em fundo cego. Sistema nervoso . Características Gerais  São vermes achatados dorso-ventralmente. devido à ausência de sistema digestivo/circulatório. Se constitui de boca. ligados a cordões longitudinais ou por um par de gânglios cerebróides e encontram-se na parte anterior dos platelmintos. São considerados vermes. Sistema digestivo . as ramificações do sistema digestivo auxiliam a distribuição do alimento. s/d:137). helminthes = verme) ―são animais do filo Platyhelminthes. sendo hermafroditas em geral. pertencente ao reino Animalia.2011 Filo platyhelminthes 73 Abdul Gafar Daúdo Platelmintos (do grego platys = chato.2011 .São os primeiros animais com um sistema nervoso central que é formado por um anel nervoso.  São triblásticos e acelomados. isto é. Os cestóides não possuem sistema digestivo. com a forma de uma folha. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Já nos parasitas a respiração é anaeróbia.Dia: 17. Sistema respiratório e circulatório . portanto é incompleto.  Têm como habitat ambientes muito húmidos.São privados de sistema respiratório e circulatório. em águas doce e no mar. a boca é derivada do blastóporo da gástrula.  São neuromiários do tipo hiponeuros. como também parasitam alguns animais. tais como o são considerados os dos filos Nematelmintes e Anelidea‖ (SAMPAIO e MACHADO.Agosto . ou seja.  Apresentam simetria bilateral. A digestão é extra e intracelular. Nas espécies de vida livre a respiração é aeróbia.  Ausência de ânus. Pela ausência do sistema circulatório.Não apresenta abertura na ingestão.  A presença de protonefrídeos (um conjunto de células-flamas) com função de excreção. o sistema nervoso localiza-se abaixo do tubo digestivo e são protostômios. com vida livre ou parasitas. sendo que as trocas são feitas por difusão através do epitélio permeável. segmentado ou não.

que são as ramificações onde passa o sémen.  Tubo digestivo ramificado para diferentes partes do corpo. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . uma digestão intra-celular.A excreção é feita por células-flama (ou solenócitos ou protonefrídios). ―A porção do corpo que primeiro entra em contacto com o meio é onde se localizam boa parte dos órgãos sensoriais é chamada região anterior.74 Abdul Gafar Daúdo Sistema excretor . Reprodução . conferindo-lhe resistência à acção dos sucos digestivos. Tal tubo actua na protecção. Características que leva os platelmintos serem inferiores aos bilatérios  Ausência de celoma. ― Presença da mesoderme que produz a musculatura. sendo que alguns se reproduzem por partenogênese. Já nos parasitas. as células-flamas eliminam os excretos para a superfície corpórea. há a cutícula envolvendo o tubo músculo-dermático. a epiderme apresenta cílios. Abaixo desta. há duas camadas musculares. ventral‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Estruturas típicas dos platelmintos. locomoção e como esqueleto.Geralmente são hermafroditas outros são monóicos. Nos platelmintos de vida livre. A esse conjunto dá-se o nome de tubo músculo-dermático. há a epiderme uniestractificada. O corpo desses animais é constituído por três camadas: Primeiramente. ― Presença de gônadas que possuem condutos. 2006:39). A extremidade oposta é denominada região posterior.  Ausência de ânus  O facto de serem hermafloditas. Características Evolutivos ― Presença do sistema bilateral.2011 . sendo a primeira composta por músculos circulares e a segunda por músculos longitudinais. apresentando assim. ― Sistema nervoso formado por gânglios. relacionados com a locomoção. A parte superior do corpo chama-se dorsal e a inferior.

 Faringe Protáctil: É uma estrutura tubular e alongada.  Aurículas: São duas projecções laterais quimiorreceptoras (percebem a presença de substâncias químicas na água). para tacto e quimiorrecepção‖. de vida livre. poucas vezes dependem do sol. por baixo das folhas. s/d : 137).2011 . contracções musculares e mucosidade produzida por células especiais‖ (SAMPAIO e MACHADO.75 Abdul Gafar Daúdo Classificação Este filo encontra-se distribuído em quatro classes. o representante mais comum é a planaria. E).Vermes parasitas com epiderme não-ciliada e uma ou mais ventosas (Ex: Schistosoma mansoni). Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . apenas captam luminosidade. Morfologia do género euplanária Segundo SAMPAIO e MACHADO (s/d:137) As planárias ―possuem uma cabeça triangular devido às expansões laterais. são aquáticos (dulcícolas). ― Trematoda (Trematódios) .Platelmintos de vida livre.  Boca: É uma abertura que funciona também como ânus. é inactiva durante o dia devido a luz solar e activa durante a noite.  Ocelos (olhos): São estruturas fotorreceptoras (promovem a percepção da luz). a saber: ― Turbellaria (Turbelários) . movem-se por meio de cílios. ― Cestoda (Cestódios) . ditas aurículas. locomovendo-se graças aos cílios epidérmicos. são de vida livre. que serve para capturar alimentos.Formas parasitas com corpo dividido em anéis ou proglotes (Ex: Taenia solium. vivem nas pedras. São de água doce e salgada. porém não formam imagens.). as vezes enterrados ao solo. ― Monogénea Classe turbellaria ―Os turbelários apresentam a forma de uma folha. com epitélio ciliado (Ex: a planária (Digesia tigrina e Geoplana sp.

além de células especiais no tegumento. na parte anterior e posterior. na locomoção por deslizamento. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Estrutura de uma Planária. As ramificações presentes no intestino (divertículos laterais) aumentam a superfície para a digestão e distribuição dos alimentos. que se encontra em forma de estilete (músculos). 13. a ramificação do tubo digestivo em três. A digestão é portanto inicialmente extracelular e posteriormente intracelular e os alimentos não digeridos são lançados pela boca por ausência de ânus. na cabeça encontram-se as manchas pocelares. possuem órgãos copuladores localizados depois da boca. outros órgãos dos sentidos. com função defensiva. Assim. a captura de alimentos em algumas espécies como mesostoma pelo processo de apunhalamento do seu próprio pénis. ―Há pigmentação dorsal e cílios ventralmente. possuem uma faringe móvel que ajuda na captura dos alimentos. 2006:44). denominado rabdites. no centro da cauda encontra-se a boca na parte posterior. capturados pela boca.2011 . estes alimentam-se de peixes. s/d:137). Isto compensa a ausência de um sistema interno de circulação‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. podem atingir 5-25cm de comprimento. possuem a forma triangular. e Fig. crustáceos. deu origem a ordem triclatida. que contribuem juntamente com o muco secretado por glândulas. Historia Natural das Planarias ―As planárias são predominantemente carnívoras. São vermes pouco planos com um corpo pouco mole.  Poro Genital: É o orifício por onde ocorre a troca de espermatozóides durante a fecundação cruzada. moluscos vivos ou mortos. encontra-se uma região cefálica. A Planária apresenta a região dorsal bastante pigmentada e a região ventral mais clara. O intestino é em fundo cego. com a boca servindo tanto para a ingestão quanto para a egestão. intervindo na captura de presas (pequenos “vermes” e moscas aquáticas)‖ (SAMPAIO e MACHADO.76 Abdul Gafar Daúdo  Cílios: São filamentos localizados na epiderme da região ventral.

Poro excretor 2. O sistema de órgão do macho é formado por vários testículos.Canal excretor 3. O sistema da fêmea é composto por dois ovários onde se produzem gâmetas femininas. com respiração por difusão cutânea directa (através da epiderme) nos de vida livre e anaeróbia nos parasitas. São animais Amoniotélicos (excretam amônia). 1. apresentam uma vesícula seminal (bolsa de espermatozóides). possuem um pénis musculoso (em forma de estilete).Sistema reprodutor da Planária Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .14 .16 .Sistema nervoso da Planária Reprodução São hermafroditas e outras são dióicas. portanto. sendo a distribuição dos alimentos feita por difusão pelo intestino ramificado. glândulas vitelinas. transportar dois ovidutos duas que vão óvulos.15 . não há larvas. são ovíparas e o desenvolvimento é directo.2011 . porém realizam fecundação recíproca. Sistema Excretor: Presente. uma vagina que se abre após o poro genital e uma bolsa de cópula ou receptáculo seminal. Sistema Circulatório: Ausente.Células flama Fig. Fig. Fig. com dois cordões nervosos longitudinais comunicados por comissuras transversais. sendo feita pelas células-flama ou solenócitos ou protonefrídios.Sistema excretor da Planária Sistema Nervoso: Presente do tipo ganglionar.77 Abdul Gafar Daúdo Sistema Respiratório: Ausente. sendo constituído por um par de gânglios cerebrais.

pode ocorrer a reprodução assexuada por constrição do corpo: laceração ou esquizogênese.78 Abdul Gafar Daúdo Em algumas espécies das planárias apresentam grande capacidade regenerativa. Fig. se cortadas no sentido transversal ou longitudinal. tanto que.2011 . cada uma das partes gera novas planarias. 18 .Fecundação interna cruzada Fig. isto é.Reprodução assexuada por constrição Regeneração Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . 17 .

região onde se localizam a boca e os órgãos sensoriais (olhos e tentáculos). se a larva possuir uma cinta é chamada procófora. possuem um manto. escavação e natação). situam-se as brânquias. área onde encontram-se os órgãos de digestão. não segmentado. Características gerais Os moluscos de maneira geral apresentam o corpo constituído das seguintes partes: cabeça. é muito reduzida. também conhecido por massa visceral dorsal (protege as vísceras). massa visceral dorsal. stoma = boca. excreção e reprodução. triblásticos. celomados. Entre o corpo e o manto há um espaço denominado cavidade do manto ou cavidade palial. com simetria bilateral. órgão musculoso relacionado com a locomoção (que pode ser por deslizamento. com características de uma folha. Protostómios. em alguns animais essa concha encontra-se internamente (DE ARAUJO e BOSSOLAN. como os mexilhões. 1997:206). com presença de sistema respiratório. possui um pé ventral. excretor e nervoso‖. em algumas espécies na camada externa encontramos uma camada calcária ou concha calcária.Agosto . esta região é bem desenvolvida e em outros.Dia: 22. São todos os animais que durante o seu desenvolvimento embrionário. excretor e reprodutor. como polvo. no seu ciclo de vida possuem uma larva designada tricófora. 2006:61). pois os blastóporos são responsáveis pela forma. Segundo DE ARAUJO e BOSSOLAN (2006:61) ―As características básicas dos representantes do filo podem ser resumidas em animais de corpo mole. sistema circulatório aberto. em algumas formas. do grego protos = primitivo. possuem cílios em forma de cintas. Filo Molusca Do latim molis = mole (animais de corpo mole).2011 . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Nesse espaço. não são segmentados. trato digestivo completo.2011 Filogenia dos Protostómios 79 Abdul Gafar Daúdo Etimologicamente. pé ventral. o blastóporo permanece com função de boca (SOARES. Recobrindo a massa visceral existe o manto (dobra carnosa da epiderme) que geralmente é responsável pela formação da concha. formados por uma cabeça anterior. tem um tubo completo. Na cavidade abrem-se ainda os sistemas digestivo. duas ou três metacófora. acima de três policófora.

exclusiva dos moluscos. enterrados na areia. principalmente na parte da cabeça. vivem no mar.são achatados dorsoventralmente. a concha pode ser interna. fixação ou escavação.  São invertebrados triblásticos de corpo mole.  Muitos possuem os órgãos de tacto e olfacto. como os dentálios. que é uma língua provida de dentículos para a trituração. externa ou ausente. fixos sobre as rochas. a massa Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  A região cefálica é desenvolvida.  Possui estatocistos com função de equilíbrio.são animais com corpo vermiforme achatados. excepto nos bivalves e escapophora. que são órgãos de locomoção. não possuem conchas nem pé ventral. neuromiários do tipo hiponeuros e protostômios.80 Abdul Gafar Daúdo Os moluscos vivem no meio aquático. Essa classificação tem a ver com o número de placas que compõem a própria concha e posição do pé ventral. em algumas classes corpo enrolado. ou ainda.  São em geral móveis (ostras e mariscos são fixos) e apresentam rádula. ― Polyplacophora . possuem oito placas. Classificação Este filo apresenta sete classes que têm a morfologia. ― Gastopodes são moluscos que apresentam os primeiros manifestos de desenvolvimento da cefalização. como os polvos e as lulas. isto é.  São de simetria bilateral. como as ostras e os mariscos.2011 .  Alguns são hermafroditas e pouco são protambricos. ― Monoplacophora são achatados.  Possuem uma vida livre e. possuem uma única concha. apresenta três folhetos germinativos (endoderme.  Não possuem a segmentação. terrestre e orgânico. uns com conchas outros sem conchas. possuem olhos que desempenham uma função complexa que se assemelha com uma máquina fotográfica. hábitos e costumes diferentes que varia de classe para classe. celomados do tipo esquizocélicos. excepto os pelecípodos. raramente. o seu corpo encontra-se retorcido. ou nadando activamente. ― Aplacophora . mesoderme e ectoderme). Em sua maioria. parasitária (larva gloquídia).

são ditos bivalvos. formando uma pena transparente (gládio. que é a rádula. ― Scaphopoda são moluscos com o hábito de escavarem a terra. Se ela for externa.2011 . como uma dobradiça. porque encontram-se cerca de 35mil fosseis. diz-se que eles encontram-se distribuídos no tempo e no espaço. chama-se exoconcha. pena ou siba). como na lula. o seu pé encontra-se dividido em braços. chamada cavidade palial ou cavidade do manto. Este contém glândulas que secretam a concha. o pneumóstoma. onde encontramos o ânus. quando há apenas uma concha.81 Abdul Gafar Daúdo visceral encontra-se enrolada. Neste caso. Na região posterior do animal. possuem fendas que ajudam na escavação. ― Bivalva são todos moluscos que possuem duas conchas.O tubo digestivo é completo e a maioria apresenta na boca uma estrutura característica do grupo. os poros de excreção e a abertura genital. ou seja. as brânquias e. num sentido anti-orario. Encontram-se cerca de 35mil. chama-se endoconcha. o manto ou pálio. o manto faz uma dobra que delimita uma cavidade entre ele e a massa visceral. possuem um pé na posição da cabeça. e em alguns casos não existe (lula. se for interna. Revestimento A epiderme é simples. s/d:155). Às vezes. Com essa língua munida de dentículos Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A massa visceral é revestida por uma dobra da pele. e no espaço é que eles vivem desde a praia até as grandes profundidades. o seu corpo é um pouco mole e um dos representantes é a amêijoa. (SAMPAIO e MACHADO. a sua concha é muito reduzida. nas rochas. Alguns vivem na areia. possui uma única camada de células rica em glândulas de muco e ciliada em geral. o seu corpo encontra-se em forma de tubos. com a capacidade de fechar e abrir. polvo). por baixo das folhas e alguns são pelágicos. podem apresentar duas conchas. No tempo. A concha corresponde a um exoesqueleto e os moluscos podem ser univalvos. Digestão . às vezes. como na maioria. o seu pé é rastejante e largo (Ex: lesmas). o género mais conhecido é o dentallium. ― Cephalopoda são moluscos com um sistema cefalizado.

extracelular. – Gânglios cerebróides: localizam-se na cabeça e são centros sensoriais. Pelo conduto do nefrídio as excreções são eliminadas do corpo do animal. – Gânglios pleurais: enervam o manto. s/d:155). Esta funciona como um pulmão primitivo. possui um pulmão que se encontra na cavidade do manto ou palial (SAMPAIO e MACHADO. nas quais estão mergulhados os órgãos‖ (SAMPAIO e MACHADO. muito desenvolvido. realizada pela própria cavidade palial. o animal raspa algas e outros alimentos. que retira as excreções da cavidade pericárdica e dos vasos sanguíneos que circulam em sua proximidade‖ (SAMPAIO e MACHADO. a respiração é cutânea ou tegumentar.É graças aos nefrídeos ou rins que se encontram em número de um. Os moluscos primitivos não têm sistema respiratório. longo e dobrado. O sistema circulatório . portanto. um cerebral. A rádula não aparece nos bivalvos filtradores como a ostra e o mexilhão. Mas segundo SAMPAIO e MACHADO (s/d:155). s/d:155).É do tipo ganglionar ventral descentralizado.82 Abdul Gafar Daúdo quitinosos.Na maioria dos moluscos. estes apresentam mais um par de gânglios. Em alguns moluscos terrestres (lesma) e nos transmissores da esquistossomose e fasciolose (Biomphalaria e Lymnea) a respiração é pulmonar. a circulação é aberta (também chamada lacunar) ou hemocélica. tendo um orifício para a entrada de oxigénio e saída de gás carbónico. como nos artrópodos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . dois ou três pares ou órgãos de Bojanus.2011 . A digestão é. via de regra. A excreção . situados na câmara pericárdica. mostrando vários pares de gânglios unidos por cordões nervosos. ―O coração tricavitário (duas aurículas e um ventrículo) é um órgão musculoso dorsal que recebe o sangue oxigenado proveniente das brânquias e o impulsiona por um sistema ramificado de vasos e de lacunas (hemoceles). – Gânglios pedais ou pediosos: localizam-se nos pés e comandam a locomoção. O sistema nervoso . s/d:155). Os Gânglios viscerais: enervam os órgãos internos e têm função vegetativa. A respiração – É graças a várias brânquias (ctenídeos). possui três pares de gânglios. o pneumóstoma. ―Cada nefrídio é uma espécie de funil. isto é. um pedal (na parte do pé) e outro ao nível do manto.

embora os caracóis terrestres sejam monóicos. A fecundação é recíproca. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . cruzam interna ou externamente. portanto.83 Abdul Gafar Daúdo A reprodução . sendo.Os moluscos em geral são dióicos (sexos separados).2011 . ovíparos ou ovulíparos.

de água doce e terrestres. ― De alongamento do corpo.Agosto . A classe Gastropoda subdivide-se em três subclasses com hábitos diferentes: ― Prosobranquias. O pé é grande. Compreende formas marinhas. o manto é vascularizado e funciona como um verdadeiro ―pulmão‖. um deles provido de olhos nas extremidades. 2006:66). Nestas espécies. junta-se a fase de espiralização para dar forma do corpo. é tipicamente uma espiral cônica compostas de voltas tubulares que contém a massa visceral do animal. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . aqui eles começaram a reunir os primeiros órgãos dos sentidos. sendo este um facto importante na resistência do animal. são de todos caracóis que tem a forma de respiração por brânquias. A cabeça é bem desenvolvida. também há distorção do corpo é presente em 180º (caso de lesmas). ― Pulmonata. e lesmas. ― Espiralização da concha. sendo representada pelos caracóis. A evolução dos gastrópodes envolveu principalmente quatro fases: ― Fase da cefalização. são de todos caracóis que a sua respiração é levada a cabo graças aos pulmões. a concha é ausente e em outros é reduzida. e ― Torção do corpo. As voltas se dão em torno de um eixo central denominado columela. esta é muito importante pois.Dia: 24.2011 . Nas formas terrestres. Podemos observar ainda o ânus e o poro excretor. ― Opistobranquias. A última volta termina numa abertura. musculoso e serve para locomoção. da qual projetam-se a cabeça e o pé do animal vivo‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. são de todos caracóis que mostram a distorção do corpo (em 90o). quando presente. enquanto que a massa visceral fica encerrada dentro da concha.2011 Gastropodes 84 Abdul Gafar Daúdo A classe Gastropoda é a maior classe de moluscos. junto à abertura da concha há um orifício que comunica o meio externo com a cavidade do manto denominado poro respiratório ou pneumostoma. num sentido dorsoventralmente. ―A concha. com dois pares de tentáculos sensoriais.

das diferentes partes do corpo ao coração. apresenta ainda um grupo de gânglios. com dois tentáculos onde encontramos um par de olhos. Historia Natural Os caracóis terrestres. Vivem por baixo das folhas. pedras entre outros objectos. levam o sangue do coração as diferentes partes do corpo. purificação do sangue. em alguns momentos eles fecham a sua concha (por epifragma) ficando nos buracos para evitar a perda de água no interior do Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . duas glândulas salivares. emulcionados antes de ingeridos. sendo esses. apresenta uma faringe muscular que participa no processo digestivo. a destacar: Cerebral (encontramos no cérebro). um pulmão que participa no processo respiratório que se encontra circundado por vários vasos que desempenham várias funções. 19 – Estrutura do caracol do jardim Existe um epitélio mucoso que permite a segregação do muco que garante o movimento do corpo. possui um poro genital próximo da cabeça do lado direito. pé e tentáculos) podem entrar no interior da concha através do músculo columilar. Estes deslocam lentamente graças a um músculo que se encontra no pé (columear) que cujo esta é caracterizado como distorção lenta. passando pelos pulmões. um intestino dobrado. Oral (encontramos na boca). O caracol apresenta uma aurícula e um ventrículo. Fig. Visceral (nas vísceras) e Pedal (no pé). O sistema digestivo é completo (uma boca e um ânus). possui uma rádula. como. um estoma.2011 . e no tempo húmido. são mais activos durante a noite. segrega também uma substância que permite uma cobertura ao animal evitando a dissecação. Alimentam-se de pequenos insectos à sua volta (vivos ou mortos).85 Abdul Gafar Daúdo Morfologia do Caracol do Jardim Possui uma cabeça carnosa. todos estes elementos (cabeça. a sua cabeça une-se directamente ao pé (ventral). troncos.

é indirecto nos: – Gastrópodes aquáticos . uma gônada comum nos dois designada ovotestis. Importância São largamente utilizados na culinária. em alguns momentos o desenvolvimento é directo (logo sai o caracol).2011 . Em algumas espécies. mexilhões.86 Abdul Gafar Daúdo animal. sendo mais comum a fecundação recíproca. o macho usa um dos tentáculos para transferir uma bolsa de espermatozóide para a fêmea . a reprodução do caracol é mista (são hermafroditas). permitindo o aparecimento de uma larva designada procófora em que se desenvolve passando para a segunda fase designada larva veligera (é a fase intermédia entre larva pocófora e trocofora). um pénis muscular e uma vagina que se encontra em comunicação com a cavidade interna do manto. entretanto. e em outra é indirecta. produz gâmetas femininos. conhecidos como frutos-do-mar (ostras. Alguns caramujos Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . a vagina também está directamente ligada a massa visceral. que até então não se conhece a sua função. funcionando como fêmea. Assim. funcionando como macho. A cópula é recíproca. Essa gônada denomina-se ovotestis. o mesmo animal possui dois sexos (masculino e feminino). mas acredita-se que seja um acumulador do sémen masculino.Larvas gloquídia e véliger. inicialmente. – Pelecípodes . polvo e lulas) ao lado dos crustáceos (camarões e siris). esta fechadura é chamada epifragma (separa o meio ambiente do interno evitando a dissecação do animal).Larvas véliger e trocófora. o indivíduo produz. Reprodução De acordo com DE ARAUJO e BOSSOLAN (2006:64). a seguir. a mais conhecida é semelhante a uma vela. com varias características. existe um flagelo. só gâmetas masculinos. Nos hermafroditas é rara a auto-fecundação.o espermatóforo.Larva trocófora. – Anfineuros e escafópodes . Nos polvos e lulas. O desenvolvimento é directo nos cefalópodes e caracóis terrestres.

e. o animal expele a água presente na cavidade do manto por contracções musculares através de um sifão exalante. consequentemente. s/d:153-154). colares e outros adornos. todos são marinhos.2011 . até mesmo. A locomoção rápida neste grupo é feita por jato-propulsão. nas lulas e sépias ela é interna e transparente. 20 – Estrutura do polvo transforma-se em oito tentáculos no polvo e dez na lula. 2006:67). Nos náutilos é externa. espiralada e dividida em câmaras por septos. apresentam um cérebro desenvolvido devido o seu tipo de locomoção. que são transformadas em botões. O nome cefalópodos origina-se do fato de os tentáculos com ventosas saírem diretamente da cabeça (SAMPAIO e MACHADO. náutilos. lulas. Todos os animais desta classe. O tamanho destes varia de 6-70cm de comprimento e até alguns atingem o comprimento de 16-20m. A maioria apresenta adaptações para um modo de vida mais activo. A classe é representada pelos polvos. Os polvos e as lulas são os mais evoluídos dos moluscos. entre outros. são predadores e nadam com relativa rapidez‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. denominada pena. o pé Fig. impulsionando o corpo do animal. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . em cabos de guarda-chuva ou de revólver. argonautas. a profundidade do animal. os moluscos fornecem pérolas. para a fabricação de jóias. Além disso. que junto com os tentáculos representam uma modificação do pé. isto é. como é o caso do escargot. Classe cephalopoda ―Os cefalópodes formam um grupo muito especializado dentro dos moluscos. e conchas. A massa visceral é globosa no polvo e alongada na lula. inclusive mostrando vestígio de cérebro e olhos semelhantes aos dos vertebrados. A primeira câmara contém o animal e as outras apresentam um gás cuja quantidade regula a flutuabilidade e. A concha é muito reduzida ou ausente.87 Abdul Gafar Daúdo terrestres também são comestíveis. que são usados na locomoção e captura de presas.

denominado tecido adiposo que está em forma de um saco com água. formando uma cortina que encobre a visão do atacante o que lhe possibilita a fuga. ―Na pele das lulas existem estruturas denominadas cromatóforos que têm como função permitir ao animal mudar de cor e. 2002:130). representados por dois tentáculos e oito braços com ventosas em cada uma. Os tentáculos tem como função. a captura dos alimentos. este tem a função de dar equilíbrio ao animal.2011 Morfologia e História natural 88 Abdul Gafar Daúdo As manchas que encontramos por cima da lula são chamadas de manto. pois essa secreção confunde o inimigo. facilitando a sua fuga. As lulas podem ser luminescentes graças a algumas células chamadas fotóforos. o animal. e os braços ajudam na locomoção e alimentação. os polvos bem como as lulas possuem uma bolsa de tinta. Na parte interna.2011 . encontramos uma estrutura de cor esbranquiçada. cujos cromóforos são responsáveis pela coloração dos mesmos. O sifão representa o pé ventral desses animais. por eliminação de tinta. apresenta uma bolsa de tinta que tem a função de protecção contra inimigos. eles secretam na água um líquido de cor preto. Os tentáculos encontram-se na parte da cabeça. ainda na parte interna. Como mecanismo de defesa. Quando em perigo. encontramos a rádula que ajuda na trituração e digestão dos alimentos. No polvo esta característica é ausente o que lhe dá maior flexibilidade. Mas no interior. Os cefalópodos locomovem-se por jato-propulsão. Na boca. é desse colar que a água penetra no interior do animal transportando o O 2 para a respiração e essa água é responsável pela locomoção do animal. ainda. Eles defendem-se por camuflagem e. isto é.Dia: 31. Na estrutura da lula encontramos o colar que divide a cabeça e o manto. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . que encontramos distribuídos no manto. a saída de água dá-se através de um sifão. confundindo-se com o ambiente tornando-se pouco visíveis aos seus predadores e as suas presas‖ (JONASSE e XAVIER.Agosto . apresenta uma concha interna que tem a função de dar forma e proteger os órgãos internos do animal.

21 – Estrutura da lula – (A) Face dorsal (B) Face ventral e (C) Dissecação da lula Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .2011 .89 Abdul Gafar Daúdo Fig.

internamente. Na extremidade anterior do corpo.2011 Filo annelida 90 Abdul Gafar Daúdo ―Os anelídeos são animais de corpo alongado. ou seja. ou seja. triploblásticos. formado por anéis ou segmentos (metâmeros). desliga-se do clitelo e desloca-se para a extremidade anterior da Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Cada segmento está dividido externamente em um ou mais anéis. então. antes dos verdadeiros segmentos . Sanguessuga. nas sanguessugas. um par de sedas. Principais estruturas dos Anelídeos: Clitelo: Órgão que produz um casulo. mas. onde está a boca. Nereis. Tem como principais representantes a Minhoca. Os oligoquetas e os poliquetas possuem celomas grandes. Em geral. O casulo. se o novo sedimento que surge é designado acron. dentro do qual serão eliminados óvulos maduros. é coberto por uma cutícula segregada pela epiderme e. com a cavidade do corpo cheia de um fluido onde o intestino e os outros órgãos se encontram suspensos‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. A extremidade posterior do corpo é o pigídio ou telson.2011 . possui um fino sistema de músculos longitudinais (DE ARAUJO e BOSSOLAN. permitindo-lhes funcionar com relativa independência. Eunice.a cabeça -.Dia: 19 . protostômios e celomados. Por baixo. 2006:72). A maioria dos anelídeos possui. 2006:72). Podemos dizer ainda que anelídeos são de todos os invertebrados que se caracterizam por apresentarem o corpo metamerizado. cada compartimento corresponde a um segmento e inclui uma porção dos sistemas nervoso e circulatório. o celoma está preenchido por tecidos e reduzido a um sistema de estreitos canais. encontra-se o peristômio. em alguns arquianelídeos o celoma está completamente ausente. mas os Polychaeta (as minhocas marinhas) possuem ainda um par de apêndices denominados parápodes (ou ―falsos pés‖).Setembro . segmentado. onde está localizado o ânus e os tecidos que dão origem a novos sedimentos durante o crescimento. encontra-se o protostômio onde se encontram os olhos e outros órgãos dos sentidos. O celoma pode estar dividido numa série de compartimentos por septos. em cada segmento.

Assim. o casulo separa-se do corpo. possuem um intestino muscular com boca e ânus (completo). Em geral e a musculatura é dupla. apesar de hermafrodita.2011 . São animais triblásticos (possuem ectoderme. são expansões laterais do corpo. Os anelídeos são de vida livre. esquizocelomados e protostômios (blastoporo evolui originando a boca). O tamanho varia de milímetros (tubifex sp. celomados (a cavidade do corpo é totalmente revestida pelo celoma). a minhoca realiza fecundação cruzada. A parede do corpo muscular.91 Abdul Gafar Daúdo minhoca. Parapódios: Também chamados de pés laterais. Apresentam um prostômio (lobo carnoso recobrindo a boca) pré-segmentar. Possuem também simetria bilateral. Esses animais têm um sistema circulatório fechado composto por um vaso sanguíneo Fig. comensais.) Até 3 metros de comprimento. ocorre a fecundação dos óvulos. Tiflosole: Dobras da parede intestinal que servem para aumentar a superfície de absorção dos alimentos. 22 – Sistema circulatório dos anelídeos Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . os óvulos fecundados se desenvolvem e originam minhocas jovens. mesoderme e endoderme). ali recebendo espermatozóides de outra. Ectoparasitas ou endoparasitas. frequentemente com camada muscular completa e quatro blocos de músculos longitudinais. sendo monóicos. uma longitudinal e outra Circular. relacionadas com a locomoção. Em seu interior. Características gerais Os anelídeos apresentam o corpo cilíndrico e Metamerizado. contendo um gânglio nervoso. Então. O celoma funciona como se fosse um esqueleto Hidrostático. e um pigídio (região posterior não segmentada). Após a fecundação. Ocorrem na água doce ou Salgada e em solos húmidos. Cerdas: São estruturas filamentosas que auxiliam na locomoção e na fixação do animal.

Fig. Apresentam papo. por com reprodução fecundação A externa ou interna. 23 – Sistema digestivo dos anelídeos O sistema nervoso é presente. Sistema Reprodutor: sexuada Presente. finalmente. moela. Sistema Excretor é presente. Esta é especializado. 25 – (A) troca de espermatozóides nos anelídeos e (B) a larva tricófora B Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . que é um tipo de reprodução assexuada.92 Abdul Gafar Daúdo dorsal que leva o sangue no sentido da cauda e outro ventral. por sucção. uma vez que muitas espécies são predadoras. clorocruorina (verde) e hemoeritrina (marron). Fig. O sangue apresenta os pigmentos hemoglobina (vermelho). devido à variedade das dietas. São animais Amoniotélicos (excretam amônia). do tipo completo. O tubo digestivo é presente. outras alimentam-se por filtração. Para os poliquetas realizam a esquizogênese. retiram as excretas do celoma e as lançam na superfície do corpo do animal). do tipo ganglionar ventral.2011 . outras ainda ingerem sedimentos. Apresenta os gânglios cerebróides. as sanguessugas alimentam-se de sangue de outros animais. 24 – Sistema excretor dos anelídeos Fig. sendo feita por nefrídios (um par em cada segmento do corpo. dos quais o intestino tem de separar a parte nutritiva. A minhoca apresenta dez corações laterais. A excreção é levada a cabo graças aos metanefrídeos e protonefrideos. sub-faringeanos e uma cadeia nervosa ganglionar ventral. São monóicos ou dióicos. É formado por um cordão ventral. hemocianina (azul). O desenvolvimento pode ser directo ou indirecto. a partir do qual saem nervos laterais em cada segmento. que o traz na direcção oposta. havendo a formação da larva trocófora. com digestão extracelular. tiflosole e dois cecos gástricos.

Outros ainda pastam em corais e algas. Algumas espécies são sedentárias (fixas). Classe Oligochaeta São anelídeos que apresentam poucas cerdas. entretanto. móveis que capturam o corpo morto de animais nas maxilas unidas a suas faringes. órgãos e dos sentidos bem desenvolvidos. dióicos. São de fecundação externa. A maioria é marinha. São animais marinhos. Oligochaeta (gr. sendo que as brânquias localizamse nos parapódios. Outros são predadores activos. Apresentam clitelo. nereis). Polys = muito + chaíte = cerdas). em que as gônadas aparecem como um inchaço durante a estação de reprodução. cerdas numerosas (geralmente no parapódio).: Eunice. e o alimento fica preso no muco ou pela acção ciliar. Os gâmetas são descarregados no celoma e postos fora do corpo com o nefrídeo ou em consequência da parede do corpo que se rompe.2011 . desenvolvimento indirecto. têm os papéis ecológicos essenciais. mas muitos autores consideram-nos classes distintas. Apresentam respiração Fig. não possuem clitelo. Oligo = poucos + chaíte = cerda) e Hirudinea (Lt. São animais Fig. porém. Hirudo = sanguessuga) ou Achaeta (sem cerdas) e dois grupos menores. apresentando a larva trocófora. (Ex. Esses. Classe Polychaeta São anelídeos que apresentam muitas cerdas e parapódios. vivem nos tubos enterrados na areia ou na lama. não apresentam parapódios nem cabeça diferenciada do restante do corpo. 26 – Estrutura de um polichaeta branquial. 27 – A Minhoca Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Os Oligochaeta e os Hirudinea pertencem à actual Classe Clitellata.93 Abdul Gafar Daúdo Classificação O Filo Annelida apresenta 3 grandes classes: Polychaeta (gr. servindo em um lado como predadores em invertebrados pequenos. e na outra como alimento para peixes e invertebrados maiores.

nenhum parapódio. São animais hermafroditos. A maioria das sanguessugas é encontrada em habitats de água doce. 28 – Sanguessuga Têm um número fixo dos segmentos (geralmente 34). actua como arado. um corpo dorso-ventralmente aplainado. húmidos). As sanguessugas podem ser predadoras ou parasitas. alguns são terrestres de solo húmido.94 Abdul Gafar Daúdo aquáticos. Tabela: 4 . ―raspam‖ a pele da vítima. Fig. por meio de pequenos dentes. monóicos. (Ex. que é fundamental para a respiração cutânea. Ela tem a pele coberta por uma fina película e produz uma substância viscosa.2011 . substâncias nutritivas que se misturam com a terra e agem como adubo. aumentando a aeração e a circulação da água. provocando hemorragia e sugando o sangue libertado. Então. 2002:114). A minhoca desempenha um papel importante na fertilidade do solo. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Classe Achaeta ou Hirudinea São anelídeos que caracterizam-se por não apresentarem cerdas nem parapódios. possuem clitelo. As espécies parasitas fixam-se no hospedeiro através de ventosas. protege a pele do contacto com possíveis substâncias tóxicas e mantém a humidade. e geralmente nenhuma cerda. Além disso. as suas fezes contêm. uma ventosa anterior e posterior (geralmente). monóicos. 2011. de fecundação externa e cruzada e desenvolvimento directo. de fecundação interna e cruzada e desenvolvimento directo (sem larva). esse muco diminui o atrito com o solo. Ela cava "túneis".Principais Diferenças entre as Classes de Anelídeos: Características Parapódios Clitelo Respiração Número de sexos Exemplos Poliquetos Presente Ausente Branquial Dióicos Nereis Oligoquetos Ausente Presente Cutânea Monóicos Minhoca Hirudíneos Ausente Presente Cutânea Monóicos Sanguessuga Fonte: Adaptado pelo autor. O principal representante desse grupo é a minhoca. fertilizando o solo (JONASSE e XAVIER. O celoma não é subdividido por septos na maioria das espécies e é preenchido com o músculo e tecido conjuntivo. mas algumas são marinhas e algumas são terrestres (mas elas requerem ambientes mornos. porém.: Sanguessuga).

nos quilópodes e nos diplópodes. Fazem parte deste filo. também observado nos poliquetos (os parapódios) (DE ARAUJO e BOSSOLAN. na terra. e com simetria bilateral.  Sistema nervoso ganglionar. pode ser evidenciado pela presença de metameria. nas aranhas. Pode ocorrer fusão da cabeça com o tórax.2011 . a respiração acontece através de brânquias.  Sistema digestivo completo. traquéias ou pulmotraquéias. e os insectos são os únicos invertebrados voadores. celomados. É o único filo de invertebrados com numerosos membros adaptados a vida terrestre. os escorpiões. pela presença de um par de apêndices por segmento.    Membros locomotores articulados.500. o camarão. Características Gerais dos Artrópodes. cordões nervosos ventrais com gânglios concentrados em cada segmento. nos insectos.000 espécies. mas não se sabe se os artrópodes surgiram dos anelídeos ou se ambos surgiram de um ancestral comum e acredita-se que essa ultima hipótese seja mais aceite.  Sistema respiratório completo. e muitos deles com inúmeros indivíduos. no solo. pela mesma organização do sistema nervoso e. na água doce. Origem e Evolução Os artrópodes são protostómios (blastóporo contribui para a formação da boca) e relacionam-se claramente com os anelídeos. primitivamente. mil pés e outras formas menos familiares e fosseis.Dia: 21 . centopeias. São triblásicos. a excreção ocorre através de estruturas especiais: túbulos de Malpighi. As diferentes espécies estão adaptadas a viver no ar. mais de 1. glândulas coxais. pulgas.2011 Filo Artrópoda /Articulata 95 Abdul Gafar Daúdo O Phylum Arthropoda (grego arthros = articulação + podes= pés) contém parte dos animais conhecidos. salubre ou salgada. 2006:80).Setembro . Com gânglios pares. Outros são parasitas de plantas ou de animais. as aranhas. glândulas verdes. nesse caso o corpo apresenta-se dividido em duas partes: cefalotórax e abdómen. Entretanto. os insectos. nos crustáceos. Têm o corpo segmentado e dividido em três partes: cabeça. os caranguejos. tórax e abdome. os órgãos de Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . bem desenvolvido.

O sangue tem características mistas de sangue e linfa. olhos e antenas). órgãos auditivos (insectos) e estatocistos órgãos de equilíbrio (crustáceos). o sangue circula primeiramente por vasos e. Nos crustáceos é comum o exoesqueleto apresentar-se impregnado de sais de cálcio. a seguir. portanto. Enchendo o corpo de ar ou água para o expandir ao máximo. Devido ao peso limitante do exoesqueleto. que contém quitina (polissacarídeo). isto é.   Alguns sofrem metamorfose durante o seu desenvolvimento.96 Abdul Gafar Daúdo sentido constituído por antenas e pêlos sensitivos (tácteis e receptores químicos). é projectado para lacunas no meio dos tecidos. por isso ocorrem mudas ou ecdises. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  Órgão dos sentidos muito especializado situados na cabeça (órgãos auditivos. O exoesqueleto é produzido pela epiderme e limita o crescimento do animal. A fecundação é interna. A excreção se faz por meio dos tubos de Malpighi (na maioria deles). estruturas mais evoluídas que as nefrídias de uma minhoca. o animal espera que o novo exoesqueleto seque e endureça. O sistema nervoso. com metamorfose ou não.  São organismos geralmente dióicos (com sexos separados). os olhos e outros órgãos de sentidos por serem relativamente grandes e bem desenvolvidos. olhos simples e compostos.2011 . As mudas provocam. o velho é ―solto‖ por enzimas especializadas e um novo é formado por baixo dele. de onde volta depois para os vasos. respondem rapidamente aos estímulos. que lhe conferem maior resistência. período em que está muito vulnerável.  A circulação é aberta. São dotados de um exoesqueleto. Antes da nova muda se formar.   Apresentam órgãos dos sentidos bem aperfeiçoados e situados na cabeça. um crescimento descontínuo. daí preferivelmente ser chamado de hemolinfa. o desenvolvimento pode ser directo ou indirecto. o exoesqueleto velho abre-se dorsalmente em locais predeterminados e o animal sai lentamente. Quando o novo está formado. A pele abandonada recebe o nome de exúvia. A maioria dos artrópodes passa por 4 a 7 mudas até atingir o estágio adulto. embora permanecendo mole. A nova cobertura se endurece por transformações químicas e não unicamente pela exposição ao ar ou a água. não existem artrópodes de grande tamanho (nenhum insecto ultrapassa os 27cm de comprimento).

coberta por uma cutícula transparente.97 Abdul Gafar Daúdo Os artrópodes têm capacidade de autotomia e também são capazes de regenerar partes perdidas. podem ser divididos em cinco classes principais: os insetos. 6) células pigmentárias basais a volta da retina. Esta capacidade de regeneração é maior em animais jovens.2011 . os quilópodos e diplópodos. conforme a divisão do corpo. A faceta é o extremo externo de uma unidade visual de forma cónica. Autotomia é a capacidade de auto amputação voluntária das patas toráxicas. devido a luz das diferentes partes do objecto é registada em omatídeos diferentes. Este olho forma imagem em mosaico ou por oposição. Classificação dos Artrópodes Os artrópodos. os crustáceos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . a qual está dividida numas 2500 facetas microscópicas. são essenciais para a polinização de muitas plantas e são também utilizados como alimento e para a produção de produtos como a seda. Assim. Trabalho independente (Procurar saber mais sobre as relações dos artrópodes com o homem). o mel e a cera. apêndices e olhos podem ser regenerados em menor proporção que outros animais inferiores (como os cnidários e lombrizes de terra). 3) córnea cristalina formada por quatro células córneas. número de patas. Estrutura e funcionamento dos olhos facetados ou composto Possui uma superfície externa redonda. Cada um destes consiste em: 1) faceta de córnea ou lente. Apesar dos artrópodes competirem com o Homem por alimento e provocarem doenças. Segundo AMARAL e MENDES (s/d:157). a córnea. o omatídeo. e 7) uma célula de tapete. antenas e aparelho bucal. os aracnídeos. 4) células pigmentarias distais a volta do cone 5) uma reticula cónica grande formada por 8 células que formam um rabdoma. no caso de aprisionamento o animal auto-amputa o membro preso através de um plano de rotura definido. Regeneração ―é a capacidade dos seres vivos de recuperar partes perdidas‖. 2) duas células corneogenas que segregam a lente.

Características Gerais  Corpo geralmente formado por cefalotórax e um abdómen diferentes (excepto em Acarina).98 Abdul Gafar Daúdo Subfilo Chelicerata /Quelicerada (aranhas e formas afins) Os Cheliceratas (gr. ―Nenhum quelicerado possui antenas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . São animais terrestres de vida livre e de pequeno tamanho. Fecundação interna. Chele=pinça+keros=corno) compõem um grupo variado de aranhas.  Geralmente terrestres e solitários de vida livre de predadores ou parasitas.  Geralmente os sexos são separados.  Sistema nervoso com gânglios dorsais (cérebro) e cordão nervoso ventral formado por gânglios pares ou bem concentrado parte anterior. na maior parte ovíparos com desenvolvimento directo ou com fases larvais. etc. pelos tácteis no corpo. O segundo par são os pedipalpos e encontram-se modificados para realizar diferentes funções nas diversas classes. 2006:85-86). Quelíceros. caraças. tipicamente com seis pares de apêndices articulados. escorpiões.  Respiração através de tubos de malpighi que são pares por glândulas coxais ou por ambos. traqueias e sacos brânquias. sendo o único subfilo dos artrópodes no qual elas se encontram ausentes. Os membros deste grupo diferem na forma do corpo e a natureza dos seus apêndices. sendo duas delas pequenas (Merostomata e Pycnogonida) com espécies marinhas.  Respiração por sacos pulmonares. chamadas quelíceras. pedipalpos e quatro pares de patas todas no cefalotórax. mas a maioria dos quelicerados é terrestre e pertence à classe Arachnida. olhos normalmente simples e pares. O primeiro par de apêndices são estruturas alimentares. Existem 3 classes de quelicerados. uma única abertura sexual na parte anterior do abdómen. Os pedipalpos são geralmente seguidos de 4 pares de patas‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN.2011 . sem antenas ou mandíbulas.  Peças orais e tubo digestivo especialmente adaptados para chupar e em alguns casos com glândulas venenosas.

um apêndice espinhoso que se projecta na zona posterior e lembra uma cauda. sendo a última representada pelos límulos. um segundo par de pedipalpos e télson.2011 . com outros artrópodes. sendo considerados por muitos zoólogos como não relacionados com os demais quelicerados e. o segundo (o palpo) pode ser homólogo ao pedipalpo. O grupo é dividido em duas classes: Eurypterida (extintos) e Xiphosura.org/wiki/Merostomata). O primeiro apêndice (o quelíforo) é quelado de modo semelhante à quelícera ou pinça. Este grupo ―caracteriza-se por ter uma carapaça que protege o cefalotórax do animal. Muitas possuem glândulas e unhas venenosas. A classe constitui-se de pequenos artrópodes bentônicos marinhos (menores que 6cm de comprimento).99 Abdul Gafar Daúdo Classe Merostomata São quelicerados aquáticos. Os merostomados são artrópodes exclusivamente aquáticos‖ (http://pt. há aquelas com 5 ou 6 pares. cnidários e briozoários. até mesmo. caraças e outros. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Classe Pycnogonida (aranhas-do-mar) Já foram descritas mais de 1000 espécies. Entretanto. cujos líquidos e tecidos servem de alimento. As pernas são bem desenvolvidas e podem ser longas. O abdómen não é segmentado e é desprovido de apêndices.wikipedia. ácaros. Os adultos alimentam-se principalmente de esponjas. todas incluídas numa única ordem. A maioria das espécies possui 4 pares de patas locomotoras. São terrestres geralmente com dois pares de peças bucais (queliceros e pedipalpos) e quatro pares de patas. Não há órgãos excretores ou para trocas gasosas. através das quais matam insectos e outros pequenos animais. Classe Arachnida /aracnideos Fazem parte desta classe as aranhas. O cefalotórax não tem carapaça e apresenta dois olhos simples. os escorpiões. Abundam mais em zonas quentes e secas. caracterizados por cinco ou seis pares de apêndices abdominais modificados como brânquias e por um télson em forma de esporão na extremidade do corpo.

Morfologia externa da aranha. actualmente. Ordem Aranae: onde estão incluídas as aranhas. como: aumento e impermeabilidade da cutícula. perto do extremo. E nos machos o extremo de pedipalpo converte-se em Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . redondeados e não segmentados e unidos através de uma cintura delgada ou pedúnculo. 29 – Estrutura externa da aranha possui um segmento basal e uma unha terminal. Corpo formado por cefalotórax e abdómen. Esta ordem é constituída por mais de 20.000 sp. entre outras.100 Abdul Gafar Daúdo As aranhas e alguns outros aracnídeos possuem também outras glândulas especiais que segregam finos filamentos de seda. desde o nível do mar as montanhas mais altas. 2006:88). etc. Oito olhos simples situados anteriormente e com seis pares de apêndices na parte ventral do cefalotórax. junto as cascas. com um conduto. Provavelmente os primeiros aracnídeos eram aquáticos. Esta migração de um ambiente aquático para o terrestre exigiu algumas modificações fundamentais. Habitam em varios lugares. desertos. que se comunica com uma glândula venenosa situada dentro do cefalotórax. as brânquias foliáceas modificaram-se em pulmões foliáceos e traqueias. 2011. Esta é usada na construção de ninhos (teias) e caixas para ovos ou para outros fins. florestas. O pedipalpo é usado para mastigar o alimento. entre rochas. os viventes são terrestres. mas.2011 . abdome e pós-abdômen Cefalotórax fundido com abdômen Exemplos Aranhas Escorpiões Carrapato Fonte: Adaptado pelo autor. Cada uma das quelíceras Fig. (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Tabela: 5 – Ordens dos aracnideos: Ordem Araneídeos Escorpinídeos Acarinos Divisão do Corpo Cefalotórax e abdômen Cefalotórax. desenvolvimento de apêndices especializados à locomoção terrestre.

contém corpúsculos incolores e hemocianina dissolvida com pigmento respiratório.2011 . para trás e uma aorta anterior envia artérias pares ao esófago. Ela não devora a presa. olhos e glândulas do veneno. onde seus sucos digestivos são injetados no corpo das presas (local onde é feita a digestão do animal). estômago principal com pares de bolsa. 4 entradas aos sacos pulmonares e cada lado da abertura genital um espiráculo diante do ânus que se comunica com a traqueia. patas. O coração bombeia o sangue através da aorta e aos seios que existem entre os tecidos. muscular e contráctil. esófago. rodeado por um pericárdio tubular. bolsa estercoral e ânus. Injeta-lhe saliva e depois aspira o líquido resultante da digestão dos órgãos da presa. Do coração sai uma aorta caudal. situado dorsalmente dentro do abdómen. Há quatro pares de patas locomotoras formadas cada uma por sete peças e que terminam em duas ou três unhas dentadas. Todas as partes externas estão cobertas por uma cutícula com numerosos pêlos. É do tipo completo e a digestão é extra-celular e extra-intestinal. O sangue que é incolor. o coração é um tubo comprido e estreito. apenas pode absorver líquidos. 2-3 pares de fileiras as vezes unidas cada uma com tubos numerosos donde sai a seda segregada por glândulas localizadas no abdómen. dentro do abdómen. alguns de natureza sensorial. o ânus que é terminal. Fig. sendo uma dorsal e uma cada pata. com três pares de aberturas ou ostíolos. Daqui passa Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . estômago chupador. abertura por uma placa. abertura genital antero-ventral do abdómen. glândula digestiva multiramificada (fígado) recto. nas aranhas. o intestino recto. As aberturas externas são: boca situada entre os maxilares e ventralmente no cefalotórax. 30 – Estrutura interna da aranha (vista lateral) Sistema circulatório: parecido ao dos insectos.101 Abdul Gafar Daúdo recipiente para transferir esperma. Organização interna Sistema digestivo: boca.

entrando de novo no coração através dos ostíolos. tecem uma pequena teia na qual depositam uma gotícula de esperma que logo recolhem na cavidade dos seus pedipalpos. debaixo do intestino. única. O ar que entra pela abertura externa do abdómen. Bom sentido para o olfacto. A respiração se verifica através de sacos pulmonares peculiares dos aracnídeos. Ela pode ou não matar e comer o macho depois do acasalamento.2011 . circula entre as lâminas. Reprodução da aranha O palpo no macho consiste de um reservatório bulboso do qual se estende um ducto ejaculatório. Com os palpos cheios. mas só se encontram no abdómen. que se comunica posteriormente com intestino e um a dois pares de glândulas coxais situadas na base do cefalotórax. Reprodução: os sexos são separados e frequentemente desiguais em tamanho. Os olhos são simples. A excreção se realiza através de tubos de malpighi. onde ocorre o intercâmbio entre o oxigénio e o dióxido de carbono. Constituem 15 a 20 lâminas horizontais foliáceas que contém finos vasos sanguíneos. o macho procura uma fêmea para acasalar. que descarregam o seu produto entre as patas. bastões ópticos e células retinais. mas a corte não depende só disso. que se comunica com uma grande massa nervosa central. As traqueias são parecidas as dos insectos. sendo as fêmeas maiores. Podem realizar uma dança nupcial antes de transferir o esperma. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Os pedipalpos são sensitivos (para o facto). introduzindo os seus pedipalpos na abertura vaginal da fêmea. O sistema nervoso é concentrado e está formado por um gânglio bilobulado sobre o esófago. de onde irradiam nervos a todos os órgãos. uma capa epitelial. reunidos pelos vasos eferentes enrolados a uma vesícula seminal única que conduz a abertura genital. 2006:92). Dois receptáculos seminais estão em comunicação com a vagina. Na fêmea os dois ovários são grandes e ocos.102 Abdul Gafar Daúdo aos pulmonares para a aereação ou oxigenação e volta pelas veias pulmonares à cavidade pericárdica. (DE ARAUJO e BOSSOLAN. com uma lente quitinosa. Os machos têm dois grandes testículos ventrais de cada lado do abdómen. cada um com um oviduto sai á vagina. Os machos quando alcançam a maturidade sexual.

ainda após a primeira muda. com a cabeça. o tórax e o abdómen completamente fusionados e sem segmentação.2011 . as aranhas mudam de forma. aranhas e outros escorpiões que empregam como alimento. Outros aracnideos. isto é. e as fêmeas 7 a 8. O acasalamento é procedido por uma dança nupcial e a fêmea produz descendência viva. porém com desenvolvimento indireto. ―são animais dióicos com fecundação cruzada e interna. tamanho e cor. portanto sujeitos a metamorfoses. Dos ovos nascem indivíduos aos 10 a 14 dias. As oito patas estão colocadas lateralmente ao corpo e geralmente tem cerdas. O tegumento é membranoso ou coriáceo. contém as peças orais. Uma região anterior comprida e estreita. Nas sucessivas mudas. algumas vezes com placas duras. com pedipalpos grandes. s/d:159). Os machos passam por até 5 mudas antes da maturidade. as vezes articuladas com o corpo. Os escorpiões são compridos. aos animais maiores os paralisam picando-lhes. O corpo é indivisível.103 Abdul Gafar Daúdo Mais tarde esta constrói um saco almofadado onde guarda os ovos. 31 – Estrutura dum escorpião (vista externa ventral) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Outras espécies transportam a prole dentro do abdómen. como todos os aracnídeos. A larva é hexápode‖ (AMARAL e MENDES. Pegam o alimento com os pedipalpos. e formado por 12 segmentos. Habitam em regiões quentes e secas. terminados em pinça e um abdómen comprido terminado numa unha venenosa. escondem-se debaixo de pedras ou em orifícios pouco profundos durante o dia e durante a noite correm livremente para capturar insectos. Estes indivíduos permanecem no saco durante 2 a 6 semanas. Fig. Os ácaros e carrapatos (Ordem Acarina).

Os ácaros abundam no solo. e faringe chupadora engole sangue que se conserva liquido pela acção de um anticoagulante salivar. nas plantas em decomposição.  Os ácaros são aracnídeos de importância médica. Os carrapatos se alimentam do sangue dos répteis. alergias e outros. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . águas salgadas. asma. Produzem larva eclodidas de ovos escondidos no solo. são transmissores de algumas doenças como a sarna e outras doenças da pele no homem. Depois que acham um alimento. pois. Os carrapatos podem ficar até um ano sem comer se não encontram hospedeiro.2011 . alimentam-se deixam-se cair e mudam. as peças orais perfuram a pele. Na maior parte das espécies nasce do ovo uma larva hexapoda que se alimenta e muda. é venenosa). Quando encontram um hospedeiro. como os carrapatos. Algumas relações dos aracnídeos com o homem:  A viúva negra (provoca doenças ao homem quando picado.104 Abdul Gafar Daúdo Os sexos estão separados. os alimentos armazenados. pois alguns são causadores de doenças como a sarna. aves e mamíferos. o húmus. sangue ou outros tecidos dos vertebrados terrestres. As larvas eclodidas trepam arbustos a espera de hospedeiros apropriados. outros chupam sangue ou vivem na pele.  Ácaros provocam doenças em plantas. Seu estômago dilata-se até encher. doces.

isto é. ou seja. com fecundação cruzada e externa. olhos compostos. sendo tetráceros. indirecto (AMARAL e MENDES. na maioria dos casos. ambos com funções sensoriais de tacto e olfacto. A maioria. portadores de quatro antenas.Setembro . estatocisto. Estes artrópodes apresentam grande diversidade de formas e tamanhos. embora os mais conhecidos branquiados sejam decápodos.Dia: 28 . Quanto ao sexo. camarão. Os crustáceos com exoesqueleto em forma de concha dura incluem as pulgas de água. raramente terrestres.2011 . poucos são terrestres de lugares húmidos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .   Divisão do corpo em dois segmentos: o cefalotórax (cabeça e tórax) e o abdómen.2011 Classe Crustácea Carcinologia: É a ciência que estuda os crustáceos. a qual ainda é frequentemente impregnada de sais calcários (casca de siri). Características principais  Corpo revestido por uma crosta quitinosa frequentemente impregnada de sais calcários. 105 Abdul Gafar Daúdo Os crustáceos são animais principalmente aquáticos. possuam dez patas.   Olhos pedunculados ou sésseis. Alguns carecem de exoesqueleto no abdómen (Pagums sp) e servem-se de conchas abandonadas de caracóis. notando-se. Presença de dois pares de antenas (são tetráceros). de respiração branquial. contudo. apresentam-se desprotegidos. ostocisto e um número variável de patas. que excretam através das glândulas verdes. ‗crosta‘) são artrópodes caracterizados principalmente pelo corpo protegido por uma crosta formada pelo espesso exoesqueleto quitinoso (casca de camarão). ocelos. sendo um par de antenas e um par de antênulas. Os crustáceos (do latim crusta. etc. são marinhos (costeiros). caranguejos. durante um certo período. s/d:158). Em geral. o corpo divide-se em cefalotórax e abdómen. são dióicos. muito raramente interna (craca) e o desenvolvimento directo ou. os crustáceos largam a sua crosta e. Número de patas variável de acordo com as espécies. a distinção entre patas ambulacrárias ou andadoras (grandes e situadas no cefalotórax) e patas natatórias (pequenas e situadas nos anéis do abdómen). Durante a muda para o crescimento.

abrindo-se para o exterior na base de uma saliência rígida e pontiaguda chamada rostro. Morfologia externa Para estudar a morfologia externa dos crustáceos vamo-nos servir do camarão como exemplo. que é coberto pela carapaça e que tem muita importância na classificação do camarão e o abdómen (cauda). localizadas na parte anterior do corpo (região da cabeção). Em geral o corpo do camarão está dividido em duas partes: O cefalotórax (cabeça). 1 par de mandíbulas e 2 pares de maxilas. cada um deles com 1 par de apêndices bifurcados. um apêndice torácico.   Reprodução sexuada e evolução por etapas com mudas periódicas. Fig.106 Abdul Gafar Daúdo  Respiração branquial realizada por brânquias situadas na base das patas ambulacrárias.  Circulação aberta (lacunosa) e sangue com hemocianina (pigmento respiratório de cor azul contendo cobre) dissolvida no plasma.  Excreção feita por glândulas verdes ou antenais. 32 – A.2011 . A Cabeça é formada pela fusão de 5 segmentos. Subdivisão em duas subclasses: Entomostraca (microcrustáceos ou espécies minúsculas) e Malacostraca (crustáceos mais desenvolvidos). Há 2 pares de antenas (tetráceros). Morfologia externa do camarão (malacostraco). cujo este pertence na ordem decápoda. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . B.

O último segmento é o Telson. que nas fêmeas. 2002:119). nos machos. podendo estar fundidos ou não. a pinça ou quela. onde penetra por fendas nele presentes. o sangue é levado às brânquias onde ocorre a oxigenação do sangue e libertação do CO2. formados por lâminas alargadas. No Abdômen. Sistema Digestivo . A morfologia externa das lagostas é muito semelhante a do camarão.2011 . Maxilípedes e pereópodes. lançado no sangue e distribuído por todo o corpo. quimioreceptores e respiratórios. ou patas locomotoras. usada para ataque ou defesa. Das lacunas dos órgãos. formam nos primeiros segmentos. protegem os ovos. os Urópodes são chamados também natatórios. ficando o sangue carregado de CO2 e resíduos tóxicos. (JONASSE e XAVIER. Os Pleiópodes são natatórios e. Ao chegar nos diversos órgãos. Sistema circulatório . os segmentos não são fundidos e seus apêndices são: Pleiópodes e Urópodes. O sangue oxigenado segue por lacunas até o coração. o primeiro par é transformado em órgão copulador. 33 – Morfologia interna do lagostim macho. Os pereópodes. o não digerido é eliminado pelo ânus‖ Fig.―O sistema digestivo composto dos por crustáceos boca é ventral situada entre as mandíbulas onde e triturado e ingerido. onde ocorrem trocas gasosas. O alimento digerido no estômago e absorvido no intestino. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .O aparelho circulatório é dotado de um coração dorsal que leva o sangue para todos os órgãos.107 Abdul Gafar Daúdo O Tórax apresenta segmentos com número variável. sendo bombeado e redistribuído ao corpo. o sangue abandona os vasos e cai em lacunas. Seus apêndices são divididos em dois grupos. Os Maxilípedes servem para a apresentação de alimento e ainda funcionam como elementos tácteis.

Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Dos ovos podem surgir seres jovens semelhantes aos adultos. Após a cópula os parceiros separam-se e os ovos são fecundados externamente ficando apegados por uma matriz mucosa ao seu abdómen. Nas fêmeas esta formação exterior encontra-se na região ventral do cefalotórax entre o último par de pereópodes tem o nome de télico. apresentam sexos separados.Alguns branquiopodes são partenogenéticos. Os olhos compostos são formados por muitas unidades. (JONASSE e XAVIER. Nos machos. desta segue a zoéia depois a larva mísis que já é semelhante ao adulto que sofre uma última metamorfose transformando-se no camarão. É um desenvolvimento indirecto. na base das antenas e órgão tácteis e olfactivos. os omatídeos. Os olhos podem ser simples ou compostos. nas formas larvais fala-se de desenvolvimento indirecto dependendo da espécie. femininas e masculinas que se chamam ovários e testículos. os ovários são constituídos por 3 partes: lobo anterior. sésseis ou pedunculados. com um pouco de dificuldade.Os órgão sensoriais são bem desenvolvidos. com apenas 3 pares de patas. porém. como nos outros amimais iremos estudar apenas as gônadas femininas que são as mais visíveis e sobre as quais se baseia o estudo da reprodução. lobo mediano ou médio e o lobo posterior. caso em que se dirá que é um desenvolvimento directo. os estatocistos. 2002:120). existe o petasma. Assim o camarão apresenta órgãos sexuais externo masculino e feminino. Há muitas larvas e a mais simples é nauplio. especialmente na região da cabeça. que se distinguem muito bem nos adultos e. A maioria das espécies.2011 . sendo normal a cópula entre um macho e fêmea sexualmente maduros.108 Abdul Gafar Daúdo Sistema Sensorial . No camarão. Reprodução . Os crustáceos possuem glândulas sexuais ou gônadas. Há órgãos de equilíbrio. Os ovários situam-se dorsalmente nas cavidades cefalotoráxicas e abdominal. também nos jovens. situado no primeiro segmento abdominal no meio do primeiro par de pleópodes. respectivamente.

lagosta. caranguejo. os sexos também se diferenciam externamente. Ordem Lipostraca 8. ex. Ordem Palaeostomatopoda. mas apenas pela existência de orifícios sexuais nos pereópodes. o abdómen e estreito e alguns dos seus segmentos encontram-se fundidos (unidos). das quais se destacam: Decapoda . camarão. Tabela: 6 – Classe dos artrópodes Nª de patas 6 8 10 1 par / segmento 2 par / segmento Classe Insectos Aracnídeos Crustáceos Quilópodes Diplópodes Exemplos Barata. siri Lacraia Piolho de cobra Existem mais de 25 ordens. mosquito Aranha. As fêmeas possuem um abdómen largo que e utilizado para o transporte de ovos Nos machos. Ordem Notostraca 10. Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .(camarão. Ordem Spinicaudata 4. etc) Isopoda . Ordem Haplopoda 9. Ordem Laevicaudata 5. Ordem Kazacharthra 11. No caso dos caranguejos.109 Abdul Gafar Daúdo Nas lagostas e lagostins.(com dez patas locomotoras. Ordem Ctenopoda 6. Os grupos indicados por um punhal ( ) são extintos e conhecido apenas a partir de fósseis. Ordem Anomopoda 7. escorpião Camarão. Ordem Hoplostraca. Ligia sp) Stomatopoda . louva-a-deus) Classificação anotada. Ordem Onychopoda Portfólio de Zoologia S&F nadadores lado) 12. Os femininos encontram-se na base do terceiro par de pereópodes e os masculinos na base do quinto par. Classificação Os artrópodes podem ser classificados em cinco classes principais.2011 .(cochinilhas de humidade. usando como critério o número de patas. 1. Ordem Anostraca 3. Ordem Amphipoda (Scuds ou 2. o sexo e determinado pela forma do abdómen. 13.

28. Ordem Beyrichicopida. Ordem Phosphatocopida. 25. persegue. São terrestres. Ordem Bradoriida. mosquitos etc.mz/translate?hl=ptPT&langpair=en|pt&u=http://www. Ordem Archaeostraca. Ordem Mormonilloida. respiram por traqueias e excretam por túbulos de Malpighi‖ (AMARAL e MENDES.es/EBRIT/macro/macro_5001_59_5. 18.co. Ordem Misophrioida. Ordem Poecilostomatoida. 32. Ordem Podocopida. 23. 22. fonte de alimento e equilíbrio biológico em ecossistemas aquáticos. Ordem: Ostracoda (seedshrimps) Fonte: (http://translate. Ordem Rhizocephala. 29. incomoda´) ―são os mais numerosos animais da escala zoológica. Ordem Cladocopida. Ordem Halocyprida. Classe dos insectos (Entomologia . tórax e abdómen. já catalogadas. piolhos. 31. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . 15.google. 36. Ordem Calanoida. 34. borboletas. Apresentam o corpo dividido em cabeça.110 Abdul Gafar Daúdo 14. Ordem Monstrilloida. abelhas.2011 . 16. não habitam no mar.000 spp. Ordem Harpacticoida. s/d:157). são os mais abundantes e estão amplamente distribuídos. Insecto. moscas.html) Importância dos crustáceos Dois aspectos de importância básica. 27. Fazem parte desta classe os gafanhotos. Ordem Arguloida (piolhos de peixes).uv. Ordem Ascothoracica. somam mais de 850.ciência que estuda os insectos). `o que tormenta. 24. Ordem Cyclopoida. 19. Os insectos (do lat. 30. 33. Ordem Leperditicopida. 20. Ordem Siphonostomatoida. Ordem: Branchiopoda (cladóceros [pulgas de água]). Ordem Platycopida. são de habitat principalmente terrestre. 17. Ordem Myodocopida. 35. são os únicos invertebrados com a capacidade de voo. 26. 21.

possui dois pares de asas (tetrápteros). médio e posterior. chupadoras ou lambedoras. 1. A cabeça tem sempre um par de antenas (animais díceros). agarrar e imobilizar vítimas (louva-a-deus). como as pulgas. Embora existam espécies ápteras (sem asas. Respiração através de traqueias ramificadas que levam o oxigénio dos espiráculos pares (furos) situados ao lado do tórax e do abdómen. Com função táctil e olfactiva. piolhos e as formigas. nadar (besouros-de-água). Características gerais. 7.2011 . 3. As patas são estruturas especializadas com determinadas funções. contribui para aumentar sua adaptação à vida terrestre. como as formigas. 5. tetrápteros) embora algumas e poucas espécies sejam ápteros. Olhos prestando-se para a orientação do voo (abelhas). traqueias ou sanguíneas. o tórax possui 3 pares de patas articuladas — os insectos são hexápodos (possuem seis patas) e normalmente dois. a traça) e dípteras (como as moscas e mosquitos. A cabeça possui um par de antenas e peças orais mastigadoras.111 Abdul Gafar Daúdo Neste contexto. Corpo revestido por um envoltório proteico contendo quitina que constitui o exoesqueleto desses animais. 6. como correr (formigas). 4. O corpo é dividida em cabeça. entretanto. o piolho. a maioria. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . directamente aos tecidos. tórax e abdómen. 8. a maioria é dotada de asas (alguns dípteros ou. para a localização de presas (libélulas). a pulga. boca e glândulas salivares. As asas nesses animais. O tubo digestivo e formado por um intestino anterior. O abdómen é constituído por 11 segmentos com as patas terminais modificadas em órgãos genitais. um ou nenhum par de asas. saltar (pulgas). 2. outros são díceros e hexápodos. que apresentam apenas um par de asas). a grande maioria. alguns com brânquias.

substituição daquela espécie de "armadura" por outra maior. Esse fenómeno é chamado muda ou ecdise e tem o seu mecanismo controlado pelas glândulas protorácicas. para sugar (borboletas). depois. cavidade corporal em forma de hemocele (celoma reduzido). Sangue sem pigmento respiratório. se difunde para lacunas nos tecidos (hemocelos). Alguns possuem órgãos para a emissão de sons e de recepção dos mesmos. O sistema circulatório compõe-se de vasos finos e um grande vaso dorsal com diversas câmaras contrácteis. Posteriormente. 11. canalículos que retiram os produtos finais do metabolismo diretamente de celoma (que nestes animais é representado por cavidades no meio dos tecidos — hemocelos — por onde circula a hemolinfa) e os derramam na porção posterior do intestino. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . 34 – Morfologia externa da abelha. já largado no ambiente. oferece uma razoável protecção ao animal contra predadores e perda excessiva de água. Pela sua natureza rígida. para picar (pernilongos). sem capilares. nem veias. periodicamente. reinicia a actual dimensão. expande-se aumentando o seu volume e. 10. 13. Assim. para lamber (abelhas). Coração grande. com aorta inferior. recebe o nome de exúvia). A hemolinfa é projectada em direcção à cabeça e.2011 . o sangue retorna ao vaso dorsal. Sistema nervoso constituído por gânglios supra e infra-esofagicos.112 Abdul Gafar Daúdo 9. Apresentam peças bucais preparadas para mastigar (baratas e gafanhotos). Os órgãos de sentido são olhos simples e compostos. O animal se despe do seu exoesqueleto (que. quimioreceptores para o olfacto nas antenas e para o sabor por volta de boca e pêlos tácteis. Produzem ácido úrico como principal excreta nitrogenado. há necessidade de Fig. Excreção por tubos de Malpighi. Morfologia externa O exoesqueleto protéico contendo quitina é formado pela camada mais externa da epiderme. que correspondem à cavidade celomática desses animais. imediatamente. 12. que funcionam como se fossem vários corações em série.

113 Abdul Gafar Daúdo A cabeça é o centro sensorial do animal. existe um aguilhão ou ferrão injector de substância irritante. flexíveis e coloridas (barata). É formado por três segmentos: protórax. que se dispõem radiadamente formando um globo grande) estes formam imagens. denominadas espiráculos ou estigmas. com um par de patas por segmento. ― Hemiélitros: são sem nervura e consistência na base e membranosas na ponta. porém não formam imagens) ou olhos compostos ou facetados (formados por pequenas unidades chamadas omatídeos.2011 (estomodeu) de origem ectodérmica. médio Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia . localizadas lateralmente. 58:1988). Nela estão localizados seus principais órgãos dos sentidos: as antenas e os olhos. 35 – Morfologia interna da abelha. As antenas são órgãos quimioreceptores. Morfologia interna Sistema Digestivo . Os tipos de asa são: ― Membranosas: finas e transparentes (moscas). Cada pata é constituída pelos seguintes artículos: coxa. fémur. ― Pergamináceas: finas. mas não são membros verdadeiros e sim uma expansão lateral do tegumento. mesotórax e metatórax. revelando adaptações para a copulação e a postura de ovos. Em suas nervuras passam vasos. O abdómen é o centro de nutrição dos insectos. 1º ano UP-Montepuez . desprovido de apêndices e com uma segmentação nítida. Os olhos podem ser ocelos (distinguem a luz e a sombra. trocanter.é do tipo completo e divide-se em três partes: anterior Fig. traqueias e lacunas sanguíneas. O tórax é o centro locomotor dos insectos. As asas são estruturas vivas ligadas ao tórax (meso e metatórax). opacas. de efeito muito doloroso ou mesmo paralisante sobre pequenos animais. ― Élitros: espessas e opacas (besouro). que apresentam também as funções olfactivas e tácteis (BARROS. tíbia e tarso. Os últimos segmentos são transformados. com eles os insectos conseguem ver com nitidez (BARROS. Existem abertura das traqueias. Em alguns. 58:1988).

representado pela medula raqueana. os insectos são dióicos (unissexuados). Sistema nervoso . Por isso. Há dupla rede de gânglios que se dispõem ventralmente ao longo do corpo. e como órgãos anexos. Reprodução . besouro. Sistema Sensorial . não havendo. cujo sistema nervoso tem um cordão longitudinal dorsal. O Estomodeu e o Proctodeu têm revestimento quitinoso. Ex: o gafanhoto. classificam-se em:  Ametábolos (do grego a = não. Quanto ao desenvolvimento. Ex: a traça. dizemos que o sistema nervoso dos insectos é ventral.Quanto à reprodução. podendo ser triturador (gafanhoto. metamorfose. Certas moscas e os pulgões são vivíparos. em contraste com os animais superiores (vertebrados). sugador. Possui boca. a sensibilidade olfactiva situa-se nas antenas. papo. que é destituída da asas e órgãos sexuais desenvolvidos. as glândulas salivares. à medida que as mudas ou ecdises se processam. a sensibilidade gustativa está nos palpos bucais e a sensibilidade táctil em cerdas de apêndices. em forma de tromba ou probóscida (borboletas).114 Abdul Gafar Daúdo (mesodeu) de origem mesodérmica e posterior (proctodeu) de origem ectodérmica. pulgas) e sugador-lambedor (moscas). picador (cigarra e piolho) (BARROS. metabolos = mudança). barata). picador-sugador (mosquitos. 58:1988). A fecundação é interna. estômago. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . a sensibilidade auditiva é percebida pelos pêlos e órgão cordotonais das patas. faringe.  Hemimetábolos (do grego hemi = metade).compõe-se de gânglios. ânus. portanto. moela. O ovo eclode e libera um indivíduo jovem com forma semelhante ao adulto. intestino. O aparelho bucal é adaptado ao tipo de alimentação do animal. sendo que os localizados na cabeça se fundem para formar uma espécie de cérebro. São os insectos com metamorfose incompleta: o ovo eclode e libera uma ninfa.2011 . São quase todos ovíparos. a ninfa transforma-se na forma adulta. denominada imago.A visão dos insectos (olhos simples e compostos) distingue cores até ultravioleta. podendo ou não ocorrer dimorfismo sexual (macho diferente da fêmea). esófago.

Caso contrário. nos insectos. Pupa é a forma intermediária entre larva e o imago nos holometábolos (do grego holo. ‗tudo‘. entretanto. de procurar alimento. A larva ingere grande quantidade de alimento e realiza mudas até originar a pupa ou casulo ou crisálida: Estes nascem com as mesmas características que terão quando adultos. A ninfa é a forma jovem dos insectos hemimetábolos (um pouco parecida com imago). Outros insectos Sistema nervoso formado por um par de gânglios por segmento. algumas borboletas nocturnas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . é desencadeada pelo harmónio ecdisona. cuja produção é estimulada pelos harmónios cerebrais. A muda. etc. as aves e os morcegos são os únicas animais com a capacidade de realizar o verdadeiro voo. 1997:369). dispersar-se e colonizar novos territórios. Insetos. com metamorfose completa: o ovo eclode e libera uma larva. borboleta. e metabole. As asas dos insectos são órgãos únicas formados como expansões do tegumento e são amplamente diferentes das asas formadas a partir das extremidades dos vertebrados. como abelha.2011 . A forma adulta dos insectos recebe o nome de imago. mas em algumas moscas adultas e noutros casos os gânglios são concentrados na parte anterior do corpo. faltando-lhes apenas o crescimento. O voo dos insectos lhes permite. Chama-se larva a forma jovem muito diferente do imago. ‗mudança‘). Muitos ortopteros podem produzir sons.Os insectos. alguns mosquitos e moscas. estender a área.115 Abdul Gafar Daúdo  Holometábolos (do grego holo = total). Para que a metamorfose ocorra é necessário que a taxa de harmónio juvenil na hemolinfa seja muito pequena ou nula. fugir de inimigos. etc. ou desta em imago. um outro harmónio — harmónio juvenil — que impede a transformação da larva em pupa. e mesmo alguns hemipteros. Existe. o caso das traças (SOARES. o animal realiza a muda. ‗todo‘. mosca e besouro. mas passa apenas de uma fase da larva para outra fase de larva. Voo . O mecanismo de produção de sons e em alguns casos o produzem ao voar (batimento das asas) A produção da luz e uma particularidade dos pirilampos e outras formas.

2011 . bichascadelas) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . lacrainhas. cigarras. põe-mesas. pulgões. borrachudos. cigarrinhas. etc). abelhas. bichos-do-pé. mosquitos. sialídeos) Ordem Ephemeroptera (ephemeras) Ordem Plecoptera (perlópteros ou perlários) Ordem Odonata (libélula) Ordem Orthoptera (gafanhotos. Ordem Siphonaptera (pulgas.) Ordem Megaloptera (formigas-leão. friganas) Ordem Lepidoptera (mariposas e borboletas) Ordem Coleoptera (besouros) Ordem Strepsiptera (estrepsípteros. psilídeos). mutucas. moscasbrancas. crisopas) Ordem Mecoptera (panorpatos. limpeza (necrófagos) de sujidade. podem constituir pragas.Ordens dos insetos Ordem Archaeognatha ou Microcoryphia (traças saltadeiras ) Ordem Thysanura (traças dos livros ) Ordem Thysanopter (tripes) Ordem Hemiptera (percevejos. grilos. ripípteros) Ordem Díptera (moscas. benditos) Ordem Dermaptera (tesourinhas. crisopídeos. mosquitos.) Ordem Neuroptera (formigas-leão. esperanças) Ordem Embioptera (oligoneuros ou néticos) Ordem Grylloblattodea (insectos pequenos das regiões frias do hemisfério norte) Ordem Phasmatodea (bichos-pau) Ordem Mantodea (louva-a-deus. transmitem doenças ao homem e alguns animais domésticos. Tabela 7 . se distribuem em mais de 26 ordens: Trabalho independente (investigar sobre as restantes ordens dos insectos). pernilongos. cochonilhas.116 Abdul Gafar Daúdo Relação com o homem Servem de alimento para o homem. moscas-escorpião) Ordem Trichoptera (friganeídeos. mel por exemplo. picadas (vespas. Classificação dos insectos A classe dos insectos. Vestuário através da lã.

Tabela: 8 . Filo Hemichordata O filo Hemichordata é composto por espécies exclusivamente marinhas. moscasde-serra. 2011 – a partir de SOARES. Trabalho independente (falar de todos aspectos relacionados com o filo Hemichordatos). tórax e abdómen Muitas: dois pares em cada anel Um par Traqueal Embuá ou piolhode-cobra Fonte: Adaptado pelo autor. o que acarreta ampla distribuição geográfica. cupim Crustacea Água salgada ou doce Ausentes Cefalotórax e abdómen Variável Dois pares Branquial Caranguejo.) Adaptado pelo autor. pulga. A classe Pterobranchia compreende colónias de pequenos zoóides tubícolas. vespas.2011 . A importância ecológica dos hemicordados é desconhecida e a possibilidade de descobrir-se novas espécies parece remota.117 Abdul Gafar Daúdo Ordem Blattodea (barrata) Ordem Isoptera (cupins) Ordem Zoraptera (zorápteros) Ordem Psocoptera (piolhos-dos-livros ou psócidos ) Ordem Phthyraptera (piolhos mastigadores (detritívoros) ou sugadores (hematófagos)). formigas-feiticeiras. com segmentação radial. que habitam preferencialmente águas profundas e algumas espécies ocorrerem em águas rasas. carrapatos Chilopoda Terrestre Ausentes Cabeça e tronco Muitas: um par em cada anel Um par Traqueal Centopéias ou lacraias Diplopoda Terrestre Ausentes Cabeça. craca. tórax e abdómen Seis Um par Traqueal Barata. Apresentam características morfológicas que os assemelham remotamente aos cordados. 2011. Ordem Hymenoptera (abelhas. Apresentam características tanto de equinodermes como de Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . um par e dois pares Cabeça. 1997:373. pois as larvas platónicas possuem vida muito longa. Os Hemicordados pertencem ao grupo dos deuterostómios e são enterocélios.Principais Diferenças entre as Classes dos Artropodes: Insecta Habitat principal Asas Divisão do corpo Número de patas Antenas Respiração Exemplos Terrestre Ausentes. de corpo mole e cilíndrico. camarão Arachnida Terrestre Ausentes Cefalotórax e abdómen Oito Ausentes Pulmotraqueal Aranhas. formigas.

assim. sendo comparável aos protocordados.118 Abdul Gafar Daúdo cordados. com um pedúnculo de fixação. de 5 a 14 mm. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  Alguns são coloniais e vivem em tubos secretados por eles mesmos.  Os representantes da classe Pterobranchia são de menor tamanho. Estrutura  Os hemicordados são animais marinhos.  Os hemicordados são vermiformes bentónicos. FOX.―Os representantes da classe Enteropneuta apresentam umas dimensões entre 10 e 45cm de comprimento‖.blogspot. Actualmente aceita-se que a chamada notocórdia dos hemicordados é realmente um divertículo bocal (denominado de estomacorda.  Conhecem-se 70 espécies de Enteropneustos e 3 pequenos géneros de Pterobranchios  Os hemicordados têm a estrutura tricelómica típica dos deuterostómios Características gerais  ―A classe Enteropneusta engloba espécies solitárias. utilizaram-se inicialmente para filtrar a comida e secundariamente para a respiração. de águas pouco profundas. frágeis. As semelhanças com equinodermes observam-se nas características larvais. significando cordaboca) sem homologia com a notocorda dos cordados. o modelo estrutural de cordados é sugerido por terem armaduras branquiais e um cordão nervoso dorsal tubular e curto. dando-se-lhe então a categoria de um separado filo. vermiforme. comumente alcançando mais de 1 metro de comprimento‖ (http://biolegal.com). de corpo vermiforme. até há pouco tempo considerado um subfilo dos cordados.  Para RUPPERT.(ibdem). compácto. em função da posse das armaduras branquiais e uma notocorda rudimentar.  Corpo mole. As armaduras branquiais faringeas. & BARNES (2005:1002).2011 . também características dos cordados. sem incluir o pedúnculo.

com um anel conectivo no colar. com gónadas projectadas dentro da cavidade corporal.119 Abdul Gafar Daúdo  Corpo dividido em probóscide. São animais marinhos. maioritariamente coloniais. engrossado para formar dois cordões nervosos. dorsal e ventral. de vida livre. Classe Enteropneusta Enteropneusta é uma classe de animais hemicordados. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . corda nervosa dorsal de oco anel em alguns (RUPPERT.  Notocorda presente no período de larva. 2005:1002). e vivem em tubos que eles segregam.  Os enteropneustos são de vida livre. desaparecendo na fase adulta. & BARNES. colar e tronco.  Sistema circulatório com vasos dorsal e ventral e um coração dorsal. que vivem enterrados no lodo ou na areia normalmente próximos a maré. poucos ou nenhuns em Pterobranchios. mas dividido em dois. nos Pterobranchios pode dar-se reprodução sexual ou assexual (em alguns) por gemulação. Medem poucos centímetros de comprimento (~ 10 cm) mas podem atingir tamanhos maiores. que comunicam a faringe com o exterior. hábitos escavadores. FOX. que inclui cerca de 70 espécies. numerosas em enteropneustos. Características anatómicas   Duas aberturas de saídas (uma de expulsão e outra para filtração) Probóscide e colar coberto por epitélio ciliado que conduz a água e os nutrientes para a boca. uma cavidade celómica na probóscide. divertículo bucal na parte posterior da probóscide.  Sem nefrídeos. um glomérulo único conectado com os vasos sanguíneos que podem ter funções excretoras  Nervo plexo subepidérmico. larva em alguns enteropneusta.2011 .  Sistema respiratório mediante armaduras branquiais. os pterobranchios são sésseis. igual ao que ocorre nos cordados.  Sexos separados nos enteropneustos.

120 Abdul Gafar Daúdo Fig. FOX. mais ou menos cónico prende-se dorsalmente ao colarinho por um pedúnculo delgado. 2005:1004). Da anterior a posterior.2011 . mesosoma e metassoma) Probóscide – costuma ser curto. acumulando-se nuns moldes espirais muito peculiares que nos permitem uma rápida localização das galerias. Os resto de alimento são expulsos pela abertura posterior do tubo. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . & BARNES. Este alimento é transportado por correntes ciliares a um sulco na extremidade anterior do colar e dirigido para a boca. Envolve e sobrepõe o pedúnculo e a extremidade posterior da preboiscinde‖. porém vigoroso. 36 – Hemichordato de vida livre. recolhendo alimento por meio de muco que mantém constantemente na sua superfície. Podem tirar a probóscis pela abertura do tubo para se alimentarem. Forma e função O corpo dos enteropneusta divide-se numa probóscide. facilitando assim a acção de escavação de galerias. tomando água por estes poros dos sacos celómicos da probóscide e do colar. Tronco – constitui a maior parte do corpo. suas três secções são denominadas branquiogenital. Esta é a parte mais activa do animal. estes podem tornar-se turgentes. num colar curto e um tronco largo (protosoma. Colarinho – ―é um cilindro curto que se abre anteriormente para formar a grande boca. cobrindo a boca com a extremidade do colar. 2005:1002) O par de cavidades celómicas do colar comunica também mediante por com o exterior. (RUPPERT. FOX.As contracções da musculatura corporal permitem expulsar o excesso de água através das armaduras branquiais. hepática e intestinal. & BARNES. Partículas de grande tamanho podem ser destruídas. Projecta-se sobre a lama e analisa o meio que o rodeia. donde é ingerido. reduzindo assim a pressão hidrostática e permitindo o avanço do animal. na zona ventral. (RUPPERT. Locomoção .

As partículas alimentares expelidas no muco e levadas até à boca pela acção dos cílios da probóscide e o colar separam-se da água branquial que sai através das armaduras branquiais.Um vaso mediodorsal sobre o digestivo conduz o sangue. no colar das veias.121 Abdul Gafar Daúdo Sistema branquial . se mantém um transporte constante de água. através do esófago passar ao intestino. Intestino: formação de fezes. Por detrás da cavidade bucal há uma grande faringe donde. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . saindo pelas armaduras. eliminação de água e alimentação). Cecos hepáticos: digestão extracelular. para. Tubo digestivo e alimentação .2011 . O sangue entra numa rede de cavidades sanguíneas que constituem o glomérulo que rodeia parcialmente estas estruturas.Os hemicordados alimentam-se principalmente pelas correntes ciliares e pelo muco que produzem. Ânus: eliminação de fezes. disposto por baixo do digestivo. Abrem as câmaras branquiais. passando por extensas veias ao digestivo. dividida em canal branquial e alimentar. Abrem as câmaras branquiais. e as câmaras branquiais para o exterior. em forma de U. Acredita-se que o glomérulo realiza as funções de excreção. através da faringe. situada sobre o divertículo bocal.     Esôfago: fendas esofágicas (eliminação de água). assim.A Respiração é através de fendas faríngicas. expandem-se até à cavidade e à vesícula cardíaca. donde tem lugar a digestão e a absorção. em frente para baixo da garganta. O sangue é conduzido à região caudal pelo vaso ventral. O sangue é incolor. a função respiratória do aparelho branquial da faringe parece ser expelir o alimento. por trás do colar. desde a boca. Ao não serem verdadeiras brânquias.  Faringe: fendas faríngicas (respiração. Aparelho circulatório e excretor . assim como na superfície corporal. digestão intracelular e armazenagem. mas acredita-se que há algum intercâmbio gasoso no epitélio muscular branquial. e são dirigidas posteriormente à zona ventral da faringe. Mediante correntes ciliares. dorsalmente se dispõem as armaduras branquiais em forma de U. mas acredita-se que há algum intercâmbio gasoso. uma fila de poros branquiais dispõem-se dorsoventralmente a cada lado do tronco. por trás do colar.

Classe Pterobranchia A classe Pterobranchia compreende colónias de pequenos zoóides tubícolas.2011 . formam os cordões nervosos dorsal e ventral. pelo. que se juntam na parte posterior do colar mediante anel conectivo. A fecundação é externa. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . emitindo fibras à rede da probóscide.  Este complexo nervoso primitivo faz lembrar o sistema nervoso dos equinodermes e dos cnidários  Os receptores sensoriais incluem células neurosensoriais em toda a epiderme (especialmente na probóscide. um órgão ciliado preoral com funções quimioreceptoras) e células fotoreceptoras. Vinte e duas espécies encontram-se descritas. 37 – Hemichordato de vida séssil.  Os engrossamentos deste complexo.  O cordão do colar é oco. e em algumas espécies.  O cordão dorsal continua e prolonga-se pelo colar. As gônadas dispõem-se em filas dosolaterais e ambos os lados na parte anterior do tronco. Habitam. Machos com gônadas laranjas e fêmeas com gônadas cinza ou verde. que um certos estádios lembra a larva bipinaria dos equinodermes. que lembram superficialmente briozoários. preferencialmente. Fig. águas profundas e parecem ser mais abundantes em águas circum-antárticas. e em algumas espécies desenvolve-se uma larva tornaria ciliada. contém células nervosas gigantes que emitem fibras que se põem em contacto com nervos do tronco. Reprodução e desenvolvimento Os sexos estão separados. que no princípio se considerou larva de equinoderme.122 Abdul Gafar Daúdo Sistema nervoso e sensorial  O sistema nervoso está constituído parcialmente por um complexo subepitelial de células nervosas e fibras que estão em contacto com células epiteliais.

htm). mas há certas diferenças estruturais em relação com o modo de vida sedentária dos Pterobranchios. geralmente não excedem os 5mm de comprimento. cordão nervoso ventral e cordão nervoso dorsal oco na região do colarinho. os novos indivíduo reproduzem-se por gemulação a partir de um estolho rastejante basal. Sistema Respiratório: é graças a Fendas Faringeanas. Sulcos ciliados dos braços e dos tentáculos recolhem alimento.net/db/biologia/estudos/biologia/biologiag/hemichordata . Vaso dorsal (que conduz o fluxo sanguíneo para a região anterior) e Vaso ventral (que conduz o fluxo sanguíneo para a região posterior). Sistema Digestivo composto por: Cílios e muco na região bucal. que se ramifica pelo substrato. Características  Os pterobranchios são animais pequenos.  A probóscide tem forma de escudo e a sua base tem cinco a nove pares de braços com tentáculos que contém um prolongamento da cavidade celómica do mesossoma.2011 Portfólio de Zoologia S&F . Intestino e Ânus. Sistema Nervoso apresenta:é caracterizado pela presença de cordão nervoso dorsal. normalmente formando grandes colonias e vivendo em tubos secretados por eles.ebrasil. Esôfago.php. assim teremos:  Sexuada com fecundação externa. como no lofóforo. Sistema Circulatório é representado por: Coração dorsal. Sistema Reprodutor: Aqui. Algumas espécies são dióicas e outras monóicas. mas pode também dar-se reprodução assexual por gemação (gemulação).123 Abdul Gafar Daúdo (http://www. O modelo básico da classe é muito semelhante ao dos Enteropneustos. Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  Assexuada através de brotamento. Sistema Excretor: não apresenta nefrídios e apresenta um glomérulo único ligado aos vasos sanguíneos.sabedoria. ainda que o pedúnculo possa ser mais largo. Faringe grande (apresenta as fendas faringeanas em forma de ―U‖).  São sésseis.

ou seja permitem ver a saúde em que se encontra um ecossistema. torna os termos dorsal e ventral. ouriços e dólares do mar (echinoideos). exclusivo desse filo. além de lhes proporcionar protecção. não existindo as espécies dulcícolas nem terrestres‖ (SOARES. tais como: Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Na sua maioria são de vida livre e de movimentos lentos.2011 Introdução a Echinodermata Filo Echinodermata 124 Abdul Gafar Daúdo ―Os equiodermes (gr. sem dimorfismo sexual‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. Os ouriços. e a maior parte possuem um endoesqueleto duro com espinhas externas. com simetria bilateral na fase embrionária e pentaradial na fase adulta. Possuem um sistema ambulacral. pele). os ofiuros (ofiuroideos). terem um esqueleto interno. as estrelas-do-mar (classe asteroideos). uns poucos são pelágicos. compreende exclusivamente marinhos. 2006:112). finalmente. lírios do mar (crinoideos) e pepinos do mar (holoturoidea) além de várias classes extintas. No corpo dos equinodermas mais comuns. Assim. Os espinhos são móveis e podem auxiliar o movi-mento. suas larvas apresentarem simetria bilateral e sofrerem metamorfose para gerar animais adultos de simetria radial e. lado direito e esquerdo completamente impróprios. são usados como indicadores ecológicos. São animais de sexos separados (dióicos).2011 . As estrelas-do-mar podem prejudicar os criadores de amêijoas e ostras. mas nenhum é parasitário ou colonial. ouriço/espinho + derma. 2006:112). 1997:375). Todos são celomados. dependendo da sua abundância. há algumas projecções externas. anterior e posterior. designa-se em face oral (onde situa-se a boca) e aboral (face oposta à boca) (DE ARAUJO e BOSSOLAN. A inexistência de cabeça ou plano bilateral de simetria nesses animais. Alguns equinodermes são empregues como alimento e seus ovos foram empregues em varies experimentos. ―São destacáveis entre os animais por não apresentarem cabeça.Dia: 03 . Echinos. por terem uma subdivisão interna do celoma que é usada na locomoção e na captura de alimento.Outubro . fazem parte deste filo.

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Espinhos: projecções do endoesqueleto; longos ou curtos, móveis (como os ouriços) ou não (como nas estrelas-do-mar); Pés ambulacrais (do latim, ambulare - caminhar): projecção de um sistema interno de canais no qual circula a água do mar filtrada por uma placa porosa, o madrepórito. Esses pés atravessam pequenos orifícios do endoesqueleto para poderem se projectar externamente, e ajudam o animal a se locomover com flexibilidade; Pedicelários - projecções da pele que terminam em pinças. Servem para protecção e defesa; podem ser venenosas (ouriços) ou não (estrelas); mantém o corpo do animal. Papilas - elevações muito pequenas da pele fina; realizam trocas gasosas. Características gerais Uma das características mais marcantes é a presença de um complexo sistema de lâminas, canais e válvulas, denominado sistema aquífero. Este sistema relaciona-se com a locomoção, secreção, respiração, circulação e até mesmo com a percepção do animal.  São animais de vida livre,  Simetria bilateral enquanto larva e formato pentarradial nos adultos.  São triblásticos e celomados.  Corpo sem cabeça nem segmentação.  Possuem endoesqueleto calcário.  Dotados de sistema aquífero.  Animais dióicos, com fecundação externa e desenvolvimento indirecto; produzem larvas ciliadas.  Não possuem sistema excretor especializado.  Têm sistema digestivo completo. Anatomia e fisiologia O corpo não revela segmentação. Desprovidos de cabeça, eles têm um sistema nervoso elementar, com um anel nervoso ao redor esófago, do qual partem nervos radiais que se dirigem os braços ou para os lados (nos que não têm braços).
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A superfície do corpo dos equinodermos é recoberta por uma epiderme ciliada, sob a qual encontramos o endoesqueleto, formado por placas calcárias soldadas ou articuladas, geralmente repletas de espinhos. Possuem também células tácteis e olfactivas espalhadas por toda a superfície do corpo dos equinodermos. Nas estrelas-domar, encontram-se grupos de células fotorreceptoras que actuam como minúsculos olhos nas extremidades dos braços. Nos ouriços e estrelas, podemos encontrar pequenas pinças, as pedicelárias, que se prestam à defesa contra os inimigos, captura de alimentos ou para limpeza. Ainda encontramos as brânquias e os pódios para respiração e locomoção. ―O tubo digestivo é completo, excepto nos ofiúros, onde falta o ânus. Cumpre ressaltar que, nos equinóides, a boca é provida de um forte aparelho mastigador, a lanterna-dearistóteles (devido à sua semelhança com uma antiga lanterna grega), formada por cinco longos dentes acoplados numa estrutura calcária fortes e afiados. Nos crinóides, o tubo digestivo curva-se em U, em suma: boca e ânus estão lado a lado‖ (AMARAL e MENDES, s/d:160). Assim, o tubo digestivo desses animais é simples, normalmente completo (alguns sem ânus) e não apresenta um sistema excretor especializados. Os catabólitos são eliminados pelos pódios, hidropulmões ou ânus. Nos equinodermos, a respiração é feita, com frequência, no sistema ambulacrário, ainda que nos asteróides e equinóidos existam pápulas, enquanto nos holoturóides, a respiração é realizada na árvore respiratória ou hidropulmão, onde a água é constantemente renovada. Os equinodermos apresentam um sistema nervoso pouco desenvolvido, que acompanha anatomicamente o sistema ambulacrário, podendo ser dorsal e ventral. O sistema circulatório é ausente ou reduzido ao fluido celômico; celoma recoberto por um peritoneo ciliado, geralmente grande, com amebócitos livres no seu líquido; parte do celoma larvário se converte num sistema vascular hídrico que costuma a ter vários pés tubulares para a locomoção, a captura do alimento e para a respiração.

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Sexos separados (dióicos) (com raras excepções); iguais externamente; gônadas grandes com condutos simples; ovos abundantes, normalmente fecundados no mar; larvas microscópicas, ciliadas, transparentes e normalmente nadadoras com notáveis metamorfoses. São poucas as espécies vivíparas, algumas também reproduzem-se assexuadamente por divisão e muitas espécies realizam a regeneração com muita facilidade. Entre as estrelas, até mesmo o fragmento de um braço pode reconstituir um animal inteiro. Origem e evolução Os equinodermes e os celenterados tenham sido anteriormente colocados no grupo radiados na classificação, é lógico que teria sido classificado dessa maneira, estes são superiores e que constituem um grupo isolado, pois são de organização mais complexa entre os animais de simetria radial. Razões exclusivas, como o sistema vascular hídrico, o endoesqueleto calcário e os pedicelários (pinças na superfície corporal para captura de alimento e limpeza do corpo), provavelmente provam a sua antiga origem, por estes já terem se diferenciado no cambriano, levando a estes a serem os mais primitivos e superiores em relação aos celenterados. Alguns biólogos consideram que os equinodermes são uma forma regressiva, originada de um tipo que teria sido mais avançado e activo devido ao facto de as larvas terem simetria bilateral e são de vida livre, enquanto que os adultos são de simetria radial e a ausência de cabeça, estas são adaptações que permitem aos animais sedentários achar o alimento em todos os lados. Os equinodermes têm muitas Características dos cordados: ex: a boca forma-se de uma evaginação ectodérmica; o mesoderme forma-se a partir de evaginações do intestino primitivo (e não a partir de células neoplásticas especiais como nos anelídeos e moluscos).

Fig.37 – Alguns representantes do filo equinodermata. (1) Estrela-do-mar, (2) holoturia (pepino do mar), (3) ouriço-do-mar, (4) asteróide, (5) crinóides ou lírios-do-mar.

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possuem corpo alongado. portanto o tubo digestivo é incompleto. com espinhos curtos e fixos. com espinhos longos e móveis. unidos a um disco central. Classe Ophiuroidea (Ofiuóidea) Os ofiúros também apresentam o corpo em forma de estrela. Com pedicelárias. isto é. Dez tentáculos ramificados que lhes dão aspecto de flor. que servem para fixação nas rochas. fechada por cinco dentes. com mentos semelhantes a rizóides. A boca está rodeada por tentáculos. s/d:160). desprovido de braços ou tentáculos.128 Abdul Gafar Daúdo As classes dos equinodermos Classe Crinoidea (Crinóidea) Animais fixos. corpo achatado em forma de moeda com cinco tentáculos serpentiformes muito móveis. todavia. ou achatado e discoidal. com certa capacidade para nadar. não há mais a continuação do celoma do disco central para os braços. A boca é ventral. A boca é inferior e não há ânus. Ainda possuem nos braços espinhos curtos ou longos. dotados de um pedúnculo. mas recoberto de espinhos grandes e numerosos com certa mobilidade.2011 . Alguns são flutuantes. mole. É a única classe que apresenta as placas calcárias fusionadas e fixas. para a mastigação e o ânus é dorsal. no ouriço. que são os pés Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Conhecidos como serpentes-do-mar (Ophiura cinerea) ou estrela-serpente. que constituem a lanterna-dearistóteles. na bolacha-domar‖ (AMARAL e MENDES. com alguns pequenos tentáculos — brânquias — ramificados ao redor da boca. desprovido de espinhos. articulados. s/d:160). isto é. Sem pedicelárias. São livres. que aqui são móveis. (AMARAL e MENDES. Classe Echinoidea (Equinóidea) Os equinóideos ―possuem o corpo meio esférico. mais ou menos cilíndrico. Conhecidos vulgarmente como lírios-do-mar (Antedon meridionalis). sem braços. braços e pedecelas. nos ouriços-do-mar apresentam o corpo semi-esférico ou globoso. Assim. Classe Holothuroidea (Holoturóidea) As holotúrias.

Os eixos dos braços são denominados raios e os espaços entre os braços. são os pepinos-do-mar. A boca está no centro da superfície oral ou Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . na extremidade posterior. lesmas. corais. sobre a areia e o lado. que vivem no meio das rochas ou sobre a areia no fundo do mar. Morfologia da estrela-do-mar O corpo está formado por um disco central e cinco braços triangulares. às vezes. ―As estrelas são carnívoras. Na superfície superior possui várias espinhas calcárias que formam parte do esqueleto. encontramos as pápulas. está o ânus. que se prestam à defesa. que formam fileiras. Possuem manchas ocelares (órgãos visuais) nas extremidades dos braços e abaixo desses. mas não muito longe da costa.38 – Estrutura externa da estrela-do-mar. Vulgarmente. e. obrigando a ostra a relaxar o músculo. apenas com expansões e retracções dos pés ambulacrários. ingerem ostras. e as pedícelas. aos pares. à locomoção e à escavação. (1) Face aboral. encontramos o sulco ambulacrário de onde saem os pés ambulacrários.‖ (AMARAL e MENDES. na face inferior de cada braço. realizando uma digestão exógena‖ (AMARAL e MENDES. especialmente nas rochosas e nos canais. (2) Face oral ―O corpo é coberto por espinhos fixos. em pequenas profundidades. que são estruturas de defesa e captura de alimentos. que são as brânquias moles para respiração. inter-raios. Elas são capazes de usar a pressão de sucção por longo tempo. Elas apresentam movimentos discretos dos braços ou deslocando-se mesmo sem mexê-los. Fig. Classe Asteroidea (estrelas-do-mar) As estrelas-do-mar abundam na maioria das costas. Aí elas injectam o estômago no interior das conchas. O ânus é um pequeno orifício localizado próximo ao centro da superfície superior e perto dele está o madrepórito. redondo. O pepino-do-mar tem hidropulmões para respiração e excreção.2011 . peixes. abrindo as duas valvas.129 Abdul Gafar Daúdo ambulacrários modificados e. s/d:160). s/d:160). Entre os espinhos. As diferentes espécies vivem entre a linha das marés ate profundidades consideráveis.

2) o conduto pétreo (por onde circula a água do mar que entra pela placa madrepórica) que se comunica com 3) o conduto anelar ou anel periesofagiano (conduto circular que dá prosseguimento ao canal pétreo) situado a volta da boca. das quais partem os pés embulacrários na qual se dirigem um a cada braço. Está cheio de liquido. do qual 4) saem cinco condutos radiais que cada canal radial emite numerosas ampolas. um intestino delgado curto que conduz ao ânus (a excreção é assegurada pelo intestino delgado e a boca). rodeada por uma membrana peristomática branda. que produzem os amebócitos livres existentes no líquido que enche o sistema. Todo corpo está coberto por uma epiderme ciliada. O sistema vascular hídrico / ambulacrário É parte do celoma especializado constituído por 1) madreporito (pequena lâmina circular com numerosos orifícios). Debaixo está a mesoderme. Este líquido e músculos nas paredes do corpo permitem a flexibilidade do corpo. dele sobressaem vários pés tubulares ou ambulacrários dispostos em 4 (ou duas) series.130 Abdul Gafar Daúdo inferior. estômago em forma de saco formado por duas partes. Existem os corpos de Tiedemann. A superfície oral de cada braço está recorrida por um sulco ambulacrário médio rodeado de grandes espinhas. Fig. localizada na face aboral junto ao orifício retal. uma armadura de vários ossiculos calcários de várias formas definidas e dispostos segundo uma estrutura regular. respiração e excreção. Estes ossiculos estão unidos entre si por um tecido conjuntivo e fibras musculares.2011 . Dentro de esqueleto encontra-se o grande celoma delimitado por um epitélio ciliado que contém os órgãos internos. O sistema digestivo é composto pela boca. um a cada 6) pé ambulacrário. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Deste último conduto saem 5) numerosos condutos laterais.39 – Estrutura interna da estrela-do-mar. que forma e contém o endoesqueleto. de aspecto de coador pelo qual pode entrar água do mar. No extremo de cada braço há um pequeno tentáculo mole (táctil) e uma mancha ocelar sensível a luz. semelhante a linfa que cujo esta contém amebócitos livres e contribui na circulação.

2006:116). E varies nervos que enervam a epiderme. vivendo junto às rochas no fundo da água Exemplos Lírios-do-mar Ophiuroidea Asteroidea Echinoidea Holothuroidea Ofiuróides Asteróides Equinóides Holoturóides Serpentes-do-mar Estrelas-do-mar Ouriços-do-mar. longos e muito móveis Livres. mas nenhuma parte é eliminada. Reprodução: As estrelas-do-mar são dióicas. O sistema nervoso compreende um nervo circum-oral com cordões nervosos radiais nos braços.131 Abdul Gafar Daúdo O sistema circulatório sanguíneo está reduzido e é difícil de vê-lo. Em algumas estrelas-do-mar os estágios larvais são abreviados e os jovens emergem como adultos em miniatura. ou uma auto-mutilação usada como meio de defesa. depois de algumas semanas a larva se fixa a extremidade. são carnívoros. corpo em forma de medalha com 5 braços finos. assim sendo. cada uma das quais possui um pequeno conduto que se abre na parte superior do disco central. crustáceos. No celoma de cada braço há um par de gônadas. situados debaixo do conduto radial do sistema vascular hídrico. e outros invertebrados. peritónio órgãos internos e pés ambulacrário. Os peixes podem ser capturados. um em cada braço. (DE ARAUJO e BOSSOLAN. outros. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A princípios do verão os óvulos e os espermatozóides são expulsos no mar onde ocorre a fecundação. Os seus braços regeneram-se rapidamente. tornando-se um pendúculo. As classes dos equinodermatas e características das mesmas. podendo essas partes regenerar-se ou não após um período de tempo. bolachas-do-mar Pepinos-do-mar Fonte: (SOARES. A clivagem é rápida e total. com formato de estrela (número de braços variável) Livres. semi-esféricos e alguns cobertos de espinhos grandes Poucos movimentos. Livres. As estrelas-do-mar são capazes de autotomia. Classe Crinoidea Em português Crinóides Características Alguns. Compreende vasos que rodeiam a boca e 5 vasos radiais. a invaginação produz uma gástrula que mais tarde vem a ser a larva bilateralmente simétrica. Autotomia é a capacidade que alguns animais possuem de liberar partes do corpo. Logo após ocorre uma metamorfose. 1997:375). fixos no fundo do mar (com tentáculos móveis). Alimentação: as estrelas-do-mar alimentam-se de moluscos.2011 . flutuantes ou natantes. Tabela 8.

A presença de uma corda dorsal é a principal característica do filo.Árvore filogenética dos chordatas Características gerais dos Chordata As principais características dos cordados são:   Presença de notocordio ou notocorda (cordão dorsal) durante o desenvolvimento embrionário. Filogenia dos chordatas Fig. de água doce e terrestre.2011 Estudo do filo chordata e Subfilo Urochordata Filo chordata 132 Abdul Gafar Daúdo Os cordados ―são os mais evoluídos de todos os animais da escala zoológica. a notocorda. vivem nos mais diferentes hábitats e são providos de corpo segmentado. marinho. apresentam simetria bilateral. Compreende alguns grupos invertebrados. 40 . presença obrigatória no período embrionário ao lado da faringotremia e do tubo nervoso dorsal. Cordão nervoso único e também dorsal (lembre-se de que os invertebrados tem uma dupla cadeia ganglionar nervosa ventral). s/d:160). Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Ocorre em todos os habitats. (DE ARAUJO e BOSSOLAN. anfíbios. aves e mamíferos. O filo chordata (gr. são dióicos. bem como todos os animais vertebrados. neuromiários epineuros e deuterostômios‖ (AMARAL e MENDES. 2006:119).Dia: 05 . Chorda = cordão) é o maior filo e ecologicamente mais significante da linha de evolução dos deuterostomia. Todos os cordados são vertebrados e compreendem os peixes.2011 . situado na região dorsal. celomados enterocélicos. O nome é proveniente de um delgado bastonete de células. Os animais pertencentes a este filo. répteis.Outubro . Algumas espécies o conservam por toda a vida. Embriologicamente estes são triblásticos. fibroso e flexível.

 Um tubo nervoso dorsal oco.  Sexos geralmente separados (alguns hermafroditos ou protândricos). que definem os cordados.  Esqueleto interno ósseo ou cartilaginoso.  Sistema circulatório fechado com um coração ventral (excepto em Urochordata).  Celoma desenvolvido. quando presente. As quatro características (a negrito) formam-se no embrião jovem de todos os cordados. ou uma estrutura dela derivada. eles também apresentam algumas características comuns com outros seres.o cóccix. persistente ou não no adulto.  Fendas faríngeas durante algum estágio do ciclo vital. Em determinados momentos do ciclo vital.  Cauda pós-anal.  Todos triploblasticos com celoma bem desenvolvido. Alguns as conservam por toda a vida. ovíparos.133 Abdul Gafar Daúdo  Fendas branquiais na faringe durante o desenvolvimento embrionário. tais como:  Simetria do corpo bilateral (animais filactérios ou artiozoários). primariamente importante para a propulsão no meio aquático. os cordados apresentam:  Uma notocorda dorsal. A corda é a estrutura de suporte do esqueleto axial. é elástica. é um endoesqueleto formado no mesoderma.2011 . Elas persistem. a coluna vertebral.  Presença de fendas na faringe. A corda assemelha-se a um bastonete. vivíparos ou ovovivíparos. formado de um conjunto de vértebras pequenas no fim da coluna vertebral .restou nos seres humanos. podem ser alterados ou podem desaparecer no adulto.  Tubo digestivo completo. Além dessas particularidades.  Coração ventral com presença de vasos sanguíneos.  Circulação fechada e sangue com hemoglobina em quase todas as espécies. ímpar e percorre dorsalmente todo o corpo.  O esqueleto. Dela resta apenas um vestígio . Cauda projectando-se atrás do ânus. com glândulas anexas . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

as características morfológicas sempre foram definidas a partir do estudo de animais adultos. CEPHALOCHORDATA ou ACRANIA Notocorda e tubo nervoso ao longo de todo o corpo e persistentes. tubo nervoso dorsal. Pele sem escamas. 4 pares de brânquias em uma cavidade comum coberta por opérculo. que passa por uma grande expansão. 5 a 16 pares de brânquias PLACODERMI (extinto): Peixes primitivos. a caracterização do grupo deve ser procurada na fase embrionária. Na fase adulta dos vertebrados são mais complexos. arcos viscerais e encéfalo. muitas fendas branquiais.2011 . brânquias. no entanto. OSTRACODERMI (extinto): Peixes primitivos ANFIOXOS: Delgados semelhante a peixes. sem escamas. Tabela 9: Divisões do Filo Chordata e suas particularidades Subfilos Classes e suas principais características APENDICULARIA: diminutos. Pele com escamas ciclóides ou ctenóides. fendas branquiais (faríngeas) e cauda pós-anal (endoesqueleto). esqueleto cartilaginoso. Túnica com faixas musculares circulares. levando à diferenciação do encéfalo e da medula espinhal. como é o caso do tubo nervoso. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . temporária. túnica UROCHORDATA ou TUNICATA Notocorda e tubo nervoso apenas na larva. Pele com escamas placóides. 2 fendas branquiais ASCIDIACEA: Ascídias. segmentados. Nos cordados. fendas branquiais persistentes. como é o caso da notocorda e das fendas na faringe. ou sofrem consideráveis modificação. É nessa fase que todo o cordado apresenta as quatro características típicas do grupo: notocorda dorsal. 5 a 7 pares de brânquias em fendas separadas OSTEICHTHYES: Peixes ósseos. semelhantes a girinos. encouraçados. Túnica com músculos dispersos. fendas branquiais completas na frente do hióide CHONDRICHTHYES: Tubarões e raias. essas estruturas ou desaparecem. epiderme uniestratificada. muitas fendas branquiais THALIACEA: Salpas. Superclasse PISCES Nadadeiras pares.134 Abdul Gafar Daúdo Nos grupos de invertebrados. pele com escamas sugadora. Mandíbulas primitivas. boca VERTEBRATA ou CRANIOTA Com crânio. Escamas grandes. frequentemente fundidas formando escudo cefalotorácico CYCLOSTOMATA: Ciclóstomos.

sem escamas externas. coloniais ou formar extensos grupos debaixo da mesma túnica. Fig. caracterizados pela presença de uma túnica (Tunicata. Pele seca. MAMMALIA: Mamíferos.2011 . Appendicularia e Thaliacea. 2006:121). 41 – Estrutura de uma ascídia (estágio larval e adulta) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . pulmões. O subfilo dos Urocordados ou Tunicados é constituído pelas classes Ascídia. São todos marinhos. Fonte: (DE ARAUJO e BOSSOLAN. tunicados). e após um estudo cuidadoso do seu desenvolvimento larvar. após um curto período larvar de vida livre. esqueleto ósseo. com escamas ou escudos AVES: Aves. Subfilo Urochordata Muito tempo foi necessário para classificar correctamente estes animais estranhos. Comporta aproximadamente 1250 espécies de indivíduos solitários ou coloniais. apenas em 1866. Pele com penas. Os urocordados (gr. uns de vida livre e outros. (DE ARAUJO e BOSSOLAN. extremidades anteriores transformadas em asas. homeotermos. por vezes espessa. oura = cauda + chorda = cordão).135 Abdul Gafar Daúdo Superclasse TETRAPODA Extremidades pares. foi estabelecida a sua posição correcta dentro dos cordados. Mas foi Aristóteles quem os descreveu primeiro como animais. Embora conhecidos desde o tempo de Aristóteles. vivem fixos. AMPHIBIA: Anfíbios. mole. amamentam os filhotes. Pele húmida. REPTILIA: Répteis. Pele com pêlos. Podem ser solitários. A túnica é composta por uma substância denominada tunicina. pele cornificada. Variam desde formas microscópicas a outras com 30 cm de diâmetro. homeotermos. de uma substância quimicamente semelhante à celulose. 2006:120).

Os cílios batem formando uma corrente de água que entra na faringe e as partículas microscópicas são capturadas em uma secreção mucosa. é composto por fibras nervosas dorsais e um cordão nervoso. Nos tunicados existe um cérebro. um olho mediano e vários otólitos. onde ocorre digestão química. 2006:116). a larva perde a notocorda e o tubo nervoso dorsal. Sistema nervoso e sensitivo . onde ocorre absorção de nutrientes. Uma vez fixada a um suporte. A cauda contém uma notocorda de sustentação.Os tunicados constituem um subfilo dos cordados. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Sistema vascular e sanguíneo: Há um aparelho circulatório com vasos sanguíneos. gânglios. no estágio larval. isto é. daqui. as fezes são eliminadas pelo ânus (DE ARAUJO e BOSSOLAN. As larvas de tunicados apresentam com todas as características básicas dos cordados. que na maioria dos casos fica na cauda do animal. onde ocorre a retenção de partículas alimentares. por fim. por exemplo. um tubo nervoso dorsal e pares seriados de músculos segmentados laterais. A extremidade anterior apresenta três glândulas mucosas ou adesivas.2011 . endóstilo. seguida das fendas faríngeas (ou fendas branquiais) perfuradas abrindo-se num átrio. cujo sistema nervoso. Sifão inalante → fendas faríngeas (digestão física) → estômago (digestão química) → intestino (maior absorção para as células) → abrema → cifão exalante (exclusão do material desnecessário). O trato digestivo é completo. o que se perpetua na fase adulta. Tegumento: o corpo é coberto por um manto cuticular celulósico segregado pelo epitélio. a água entra pelo sifão Inalante e cai nas fendas branquiais. uma rocha. intestino e ânus. As larvas são transparentes e livre-natantes.136 Abdul Gafar Daúdo Características morfológicas e fisiológicas Os tunicados obtém o alimento pela acção dos cílios que se encontram em fileiras nas suas faringes. com boca. saindo pelo sifão exalante e das fendas branquiais as partículas alimentares passam para a faringe e desta para o estômago. e. as partículas passam para o intestino.

Os indivíduos são hermafroditas sexuadamente. onde permanece a vida inteira. Ecologia . passando por metamorfoses. São filtradores. mas algumas formas encontram-se em águas profundas. Em alguns adultos desenvolveu-se a vida colonial.2011 . o desenvolvimento é indirecto. Tunicados são habitantes de águas razas. Fig. reproduzir-se e reproduzem-se podem por também assexuadamente gemiparidade. Reprodução . depois.Todos urocordados são marinhos. Após o nascimento. A fecundação acontece na água.137 Abdul Gafar Daúdo Os gânglios controla as contracções musculares e o movimento dos cílios da faringe. Depois de umas horas ou dias de vida livre a larva prende-se verticalmente por suas glândulas adesivas a uma rocha ou superfície dura. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . ocorre o desenvolvimento metamorfósico. mas não controlam os batimentos cardíacos. A larva primária fixa-se ao substrato e. 42 – Desenvolvimento metamorfósico de um tunicado e esquema de organização interna de um adulto. A sua fecundação é externa e a possibilidade de ser cruzada é grande em colónias.

na extremidade anterior. Possui uma nadadeira dorsal mediana ao longo de quase todo o corpo e a nadadeira pré-anal do atrióporo ao ânus.2011 Cephalochordata 138 Abdul Gafar Daúdo ―Os cefalocordados são cordados que possuem corda dorsal que se estende de um extremo para o outro e que persiste no estado adulto. apresentando na região dorsal e ventral uma expansão em forma de barbatana‖ (JONASSE e XAVIER. afilado nas duas extremidades e não tem cabeça distinta. O subfilo dos Cefalocordados (Cephalochordata ou Acrania) é constituído basicamente pelo género Branchiostoma. tem o corpo achatado lateralmente. a qual se abre ao meio externo por um orifício .Dia: 10 . mantendo somente a parte anterior do corpo para fora. ao passar pelas fendas. cujo corpo é delgado. Este grupo já foi chamado de Anfioxos.Outubro . 43 – Morfologia externa do Branchiostoma lanceolatum. o alimento segue para o tubo digestivo. A água com partículas alimentares penetra pela boca. A cauda tem uma nadadeira membranosa. o ânus fica perto da base da nadadeira caudal e o atrióporo é uma abertura adicional na frente do ânus. As fendas branquiais são desenvolvidas e abrem-se na cavidade denominada átrio.o atrióporo. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . A pouca actividade natatória que apresentam é dividida à contração de blocos musculares denominados miótomos. sendo os restos alimentares eliminados pelo ânus. Estima-se em cerca de 20 à 30 o número de espécies que o compõem este filo de dimensões não superiores a 10cm.2011 . sendo constituídas por câmaras contendo curtos raios de tecido conjuntivo. Nas fendas. São livres e apresentam formações para a locomoção. comprimido lateralmente. 2002:137). nome já em desuso. cai no átrio e sai pelo atrióporo. A boca é ventral. Fig. O corpo é muito parecido ao de um peixe e vive na areia. Estes animais possuem todas as características de base dos cordados. O anfioxo apresenta sexos separados e desenvolvimento externo. A água. longo.

A respiração é graças a passagem de água. Ao contrário dos urocordados. sendo constituídas por câmaras contendo curtos raios de tecido conjuntivo. através das fendas faríngeas em cada lado. 44 – Morfologia interna do Branchiostoma lanceolatum. forma uma vesícula cerebral mediana. com notocorda dorsal estendendo-se até a ponta da cauda. O cordão nervoso acompanha dorsalmente a notocorda e a faringe é ampla e com inúmeras fendas branquiais diagonais. O tegumento é uma epiderme mole. ligeiramente maior. Sistema vascular e sanguíneo: aproxima-se ao dos cordados superiores. Além dos vasos sanguíneos definitivos. de pigmento ainda Fig.139 Abdul Gafar Daúdo Possuem uma nadadeira dorsal e uma nadadeira pré-anal do atrióporo ao ânus. os cefalocordados conservam no adulto as características típicas dos cordados. A boca. que se encontra na parte posterior do vestíbulo. O trato digestivo é simples. da faringe. A parte anterior. uma pequena mancha ocelar não-sensitiva preto. mas falta-lhe o coração. Na região caudal nota-se uma nadadeira membranosa. O aparelho excretor compreende aproximadamente 100 pares de pequenos nefrídios ciliados nos vestígios dorsais do celoma acima da faringe. para dentro do átrio. O sistema nervoso situa-se acima da notocorda que consiste de um tubo nervoso simples com um pequeno canal central. com uma fosseta olfactiva.2011 . com muitas fendas faríngeas diagonais nos lados. Encontramos dois pares de nervos centrais. contendo oxigénio. sendo a fecundação externa. começa com o capuz oral (vestíbulo) que apresenta cirros bucais. Atrás da boca fica a grande faringe comprimida. Seguese o intestino reto que termina no ânus. as fendas situam-se entre as traves branquiais que contêm vasos sanguíneos. Reprodução: possuem sexos separados. há espaços abertos de onde o sangue incolor escapa para os tecidos. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

Um coração com posição ventral. dando lugar/então. 1997:377). Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . enterram-se na areia a pouca profundidade da superfície das águas nas costas marinhas sobretudo tropicais. Tem sangue com um aristrócito que esta associado a hemoglobina. cujo este não se forma a partir do notocórdio. Sistema hormonal complexo. Subphylum Vertebrata (Animais com coluna vertebral) ―Os vertebrados compreendemos cordados que desenvolvem coluna vertebral. portanto. A presença de brânquias e as repetitivas fendas branquiais. a fonação das vértebras. Os vertebrados têm um endoesqueleto de cartilagem ou de osso. Animais com crânio ossificado e outro com crânio cartilagíneo. Locomovem-se por movimentos típicos de virar várias vezes o corpo auxiliado pelas nadadeiras. 45 – Exemplo de animais com coluna vertebral         A presença de tecido ósseo.2011 . E o fígado caracteriza-se por ser complexo. com vértebras rodeando o cordão nervoso dorsal. de todos os vertebrados é a presença de coluna vertebral no individuo adulto‖ (SOARES. A principal característica.140 Abdul Gafar Daúdo Ecologia e modo de vida Demonstram uma vida semi-séssil. A presença de um fígado como um acessório do aparelho digestivo. pelo que as células embrionárias do notocórdio degeneram e são progressivamente substituídas por células de tecido ósseo provenientes do mesoderma. aves e mamíferos). Coluna vertebral. Este subfilo encontra-se subdividido em sete classes (três classes são de peixes e as outras são anfíbios. Algumas características comuns dos vertebrados Fig. répteis.

Tem um cérebro grande dividido em várias regiões. também tem um coração de duas câmaras. Classificação Dividimos os vertebrados em dois grandes grupos: o grupo dos peixes e o grupo dos tetrápodes. A reprodução é sexual. O notocorda do embrião é substituído pela coluna vertebral no adulto. pode se assemelhar aos primeiros vertebrados: ela tem as três características dos Cordados (como a larva dos tunicados). Aves e Repteis. subdivide-se em duas classes: Classe Ostracodermi e Classe Cyclostomata O grupo do Gnatostomata que significa com maxila podemos encontrar para além dos peixes. Origem e evolução dos Vertebrata. todavia existem alguns peixes hermafroditas. Os vertebrados mostram todas as 3 características dos Cordados em algum momento das suas vidas. O cordão nervoso é a única característica exclusiva dos Cordados que persiste ao longo de toda vida de todos Cordados. A forma larval da lampraia mais recente. A coluna vertebral é constituída por segmentos rígidos individuais (vértebras) que circundam um cordão nervoso dorsal oco.141 Abdul Gafar Daúdo    Tem um tegumento (pele) com várias camadas. Coluna vertebral. que é parte de um endoesqueleto flexível mas forte. Os primeiros vertebrados eram semelhantes a peixes. e outros órgãos internos semelhantes a aqueles dos vertebrados. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . O esqueleto dos vertebrados é tecido vivo (cartilagem ou osso) e cresce junto com o animal. Tem barbatanas e a pele encontra-se coberta por escamas.2011 . Os peixes são aquáticos e por isso respiram por brânquias. Agnata que significa sem maxila esta é um grupo primitivo e muito activo. um cérebro com três lobos. os mamíferos. Os peixes podem ser divididos em dois grupo (superclasses): Superclasse Agnata e Superclasse Gnatostomata Esta divisão dos peixes em dois grupos vai nos conduzir a outra subdivisao. que se parece a uma lança. é evidência de que os vertebrados são segmentados.

Tabela 10: Principais características. As Lampraias têm uma boca redonda chupadora que não possui mandíbulas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Aberturas branquiais Notocorda persistente Fonte: Adaptado pelo autor. Diferenças com outros Vertebrados  Cabeça pouco diferenciada  Sem mandíbulas verdadeiras  Extremidades pares. Características principais        Semelhanças com outros Vertebrados Presença de encéfalo Nervos cranianos pares Olhos Ouvidos internos Vértebras segmentadas Sistemas de órgãos Células sanguíneas vermelhas e brancas. Não possuem mandíbulas. Presença de apêndices pares. cinturas. Olho pineal. mas devem regressar a água doce dos rios para reproduzir. Estrutura da boca da lampraia.142 Abdul Gafar Daúdo Classe Lampraias (Cyclostomata) (gr. A B Fig. que nadam livremente. 2011. costelas ou ductos genitais ligados à gônadas. As Lampraias desovam na água doce e muitos vivem inteiramente na água doce. semelhanças e diferenças com outros vertebrados. O seu esqueleto é cartilaginoso. Cyclos = circular. tem um crâneo parcial mas não possuem vértebras. semelhante a enguias.2011 . Classe Myxini (feiticeira) Os membros da classe Myxini.       Ausência de mandíbulas. Morfologia externa da lampraia truta lacustre. Uma narina. sem mandíbulas. 46 – A. B. stoma = boca) São peixes com corpo alongado. Algumas Lampraias migram para o mar. predadores de outros peixes. e por essa razão eram classificados junto com as Lampraias nos Agnatha (sem mandíbulas) ou Cyclostomata (boca redonda).

 Boca mordedora com duas fileiras de dentículos eversíveis. olfato . 2011. (b).143 Abdul Gafar Daúdo Caracteristicas principais  Pele com glândulas de muco.  Dióicos – apresentam as duas gônadas no mesmo indivíduo.  Sem nadadeira dorsal. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Feiticeiras Sem nadadeiras Boca mordedora Sem cerebelo Olhos degenerados Duas gônadas (1 funcional) Sem estágio larval Fonte: Adaptado pelo autor.  Olhos degenerados.  Sem cerebelo. 47 – (a). audição.2011 Lampraias Nadadeiras medianas Disco oral (ventosa) Com pequeno cerebelo Olhos desenvolvidos Gônada ímpar Estágio larval longo (larva amocete) .  Sem fase larval Fig.  Órgãos sensoriais: paladar. Estrutura da feiticeira. Morfologia interna da feiticeira. Diferenças entre Feiticeiras e Lampraias Tabela 11: Principais semelhanças e diferenças entre Feiticeiras e Lampraias.

permitiu aos peixes primitivos arrancar grandes pedaços de algas e animais maiores. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . e a parte inferior originou a mandíbula. Os arcos branquiais restantes continuaram com sua função original de sustentação das brânquias. denominado arco hióide. derivado do surgimento das mandíbulas. A região das fendas branquiais tem como elementos esqueléticos de sustentação os arcos branquiais.  Uma peculiar morfologia craniana. que fica em contacto como crânio. já que actuam como estabilizadores. veio associado a muitas modificações no corpo desses animais. A mandíbula originou-se de uma modificação no primeiro arco branquial. passou a sustentar a mandíbula e mantê-la unida ao crânio. O segundo arco branquial. constituído por dezenas ou centenas de vértebras fusionadas à coluna vertebral. A maior vantagem competitiva sobre os agnatas levou esses últimos quase à extinção. Entre as principais características dessa superclasse Ganthostomata. à sucção do alimento ou a captura de pequenos invertebrados. porque proporcionaram aos vertebrados a uma natação direccionada. destacam-se:  Um desenvolvido endoesqueleto axial e apendicular. aplicando forças sobre a coluna. precisa e controlada. O hábito predador. os cordados estavam restritos à filtração. peixes. Sem as mandíbulas. sendo que a parte superior do arco deu origem à maxila. répteis.144 Abdul Gafar Daúdo Estudo do Subfilo Gnatosthomata Esta linha evolutiva engloba os cordados mais conhecidos popularmente: anfíbios. O surgimento das nadadeiras pares As nadadeiras pares foram a segunda importante inovação.2011 . A característica principal que partilham entre si é a presença de mandíbulas na boca. aves e mamíferos. tornando-os activos e ágeis nadadores. explorando novas fontes de alimentos. Talvez a maior de todas as inovações surgidas durante a história evolutiva dos vertebrados tenha sido o desenvolvimento da mandíbula que. manipulada por músculos e associada a dentes. Desenvolveram um arco maxilar no esqueleto visceral.

 Sistema excretor diferenciando. ovoviviparidade ou viviparidade. estriado cardíaco e liso). Anfíbios → dois átrios e um ventrículo. foi o desenvolvimento de mandíbulas.  Sistema tegumentar corpóreo formado por duas camadas coesas (a epiderme externa e a derme interna). Aves e mamíferos → dois átrios e dois ventrículos completamente separados. Grupo dos Peixes (Pisces) Classe Placoderme Tipos de peixes extintos (fósseis) do Silúrico e Devónico.  Reprodução sexuada por oviparidade. sendo as trocas gasosas mediadas por estruturas cutâneas. dependendo das condições do meio onde vivem. Répteis → dois átrios e dois ventrículos que não são totalmente separados.  Um sistema circulatório fechado.  Um sistema nervoso central (encéfalo e a medula espinhal) e um sistema nervoso periférico (nervos e gânglios nervosos). A maioria vivia primariamente na água doce e. organismo uricotélicos (eliminam ácido úrico). Peixes → um átrio e um ventrículo. podendo o desenvolvimento ser direto ou indireto (formas larvais). talvez mais tarde nos mares. conforme o grupo. quando comparados com os Ostracodermi. onde o sangue circula necessariamente no interior de vasos sanguíneos. O passo mais importante na sua evolução. O seu corpo era também coberto por uma placa córnea endurecida. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . dependendo da classe taxonômica. branquiais ou pulmonares. ureotélicos (eliminam ureia) e os amonioltélicos (eliminam amônia). três ou quatro cavidades.2011 .145 Abdul Gafar Daúdo  Um sistema muscular composto por três tipos de tecidos (estriado esquelético. podendo o coração ser formado por duas.  Sistema respiratório diversificado.

A maioria dos representantes é marinha. Período Devoniano. Secção mediana de uma escama. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . os peixes cartilagíneos mantêm restos da placa externa da cobertura do corpo. quase exclusivamente marinhos. possuem mandíbula. B. arco branquial. O esqueleto cartilaginoso desses animais é composto por uma cápsula craniana portadora de mandíbulas. mas apenas sob forma de escamas placóides. Bothriolepis canadensis (a esquerda) e Dunkleosteus armour (a direita). Não possuem beixiganatatória. Como aquisição em relação aos ciclóstomos. peixe) reflete a característica distintiva mais marcante desses animais: o esqueleto formado por tecido cartilaginoso. existentes. e não por tecido ósseo. nadadeiras pares e mais desenvolvidas e um esqueleto melhor estruturado. Chondrichthyes e Osteichthyes. cerca de 408 milhões de anos atrás. 1997:378). 49 – Escamas placóides ampliadas. embora haja alguns de água doce. coluna vertebral com grandes restos da corda e as cinturas dos pares de barbatanas. vista superficial. e ichthyos. Classe Chondrichthyes Acredita-se que os dois grupos atuais mais importantes. O corpo é recoberto por escamas. A. cartilagem. as quimeras e as raias. Sendo assim. Em relação aos seus ancestrais. boca ventral e fendas branquiais descobertos‖ (SOARES. Fig. apresentam nadadeiras pares e impares. O nome Chondrychthyes (do grego chondros.146 Abdul Gafar Daúdo Fig. Os Condricties ―São peixes de esqueleto cartilaginoso. Os representantes dessa classe são os tubarões.2011 . surgiram no final do Devoniano e final do Siluriano respectivamente. os tubarões e formas similares apareceram no planeta Terra na Era Paleozóica. 48 –Alguns representantes dos placodermis do devoniano.

Fig.5 e 18 metros). A nadadeira caudal é heterocerca (lobo superior é maior que o inferior).  Boca ventral. muitas vértebras. 50 – Estrutura interna de Cacção.  Nadadeiras peitorais e pélvicas em pares.  Endoesqueleto cartilaginoso (notocorda persistente mas reduzida)  Crânios sem suturas.  Nadadeiras pélvicas transformadas em Clásperes. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .  Corpo fusiforme ou deprimido dorsoventralmente. tubarões (entre 2.  2 Nadadeiras dorsais medianas. cinturas peitoral e pélvica presentes. completas e separadas.  Nadadeira caudal heterocerca (dificerça em quimeras). o que torna as 5 fendas branquiais visíveis por fora. Fisiologia  Notocorda persistente. com dentes de esmalte. até 90cm).147 Abdul Gafar Daúdo Os peixes cartilagíneos não dispõem de uma cobertura (opercular) das brânquias.  Para natação possuem diferentes tipos de nadadeiras.2011 .  A pele (tegumento) é rija com escamas placóides ou nuas em elasmobrânquios e nua em quimeras. Principais características dos Peixes cartilagíneos  Grandes (entre 90cm a 12 metros) existindo diferenças notáveis entre cações (Squalus. 2 bolsas olfatórias. sustentadas por raios.

A maioria das raias habitam o fundo e seus dentes geralmente são pequenos. Os peixes mais típicos ou peixes ósseos têm esqueleto ósseo. As raias vivem no fundo do mar junto ao chão.  Temperatura do corpo é variável. podendo ser quanto ao nascimento ovíparos ou ovovivíparos. as suas barbatanas peitorais estão expandidas assemelhando-se a asas. sem metamorfoses. Ecologia e hábitos alimentares Os dentes dos elasmobrânquios refletem seus hábitos alimentares.  Sexos são separados e a fecundação é interna. As grandes nadadeiras peitorais são usadas para a natação. o nome comum peixe deriva do latim.2011 .  Respiração por brânquias presas às paredes opostas de cinco a sete pares de bolsas branquiais. com seio venoso e cone arterial. contém apenas sangue venoso.  Exibem dez pares de nervos cranianos. obtusos e em forma de um ladrilho. nadam por meio das nadadeiras e respiram por Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Os tubarões-serra tem uma serra comprida na parte anterior que é usada para abrir caminho entre cardumes de outros peixes. Classe Osteichthyes Os gregos antigos conheciam os peixes como ichthyes. são usados para quebrar e triturar. Algumas raias posuem espinhos venenosos. eles nadam lentamente.148 Abdul Gafar Daúdo  Coração apresenta 2 câmaras (1 aurícula e 1 ventrículo). invertebrados e peixes.  Excreção dá-se por meio de um tipo de rins mesonéfricos e o principal produto de excreção (nitrogenada) das larvas é a amônia. rasgar ou talhar. sem bexiga natatória. Alimentam-se de algas marinhas.  Glóbulos vermelhos são nucleados e ovais. da maioria dos adultos é a uréia. tendo cada bolsa uma abertura independente em forma de fenda. sendo ictioologia o estudo científico dos peixes. pisces. As raias eléctricas alimetam-se de peixes que já foram estonteados pelo choque eléctrico de mais de 300v. são cobertos com escamas dérmicas. Os dos tubarões são triangulares e com bordas serrilhadas usadas para cortar. geralmente têm corpo fusiforme.

constituído por cabeça.wordpress. Fig. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .com/2009/07/26/classe-osteichthyes/) Trata-se. eles herdaram dos ancestrais Placodermes e Ostracodermes. encontramos na superfície as nadadeiras.2011 . As nadadeiras. tronco e cauda. O corpo dos peixes ósseos é geralmente fusiforme. Os esturjões preservaram a cartilagem. (http://probiokelinton. Várias espécies habitam todos os tipos de água. Principais características dos Peixes ósseos Tamanho do corpo: Nos peixes ósseos assiste-se praticamente a ocorrência de todos os tamanhos imaginários. aqui. O esqueleto ósseo não constitui nova conquista do grupo. salobra. Tipos de Escamas Os peixes apresentam quatro tipos básicos de escamas. podem variar. órgãos de natação. doce.149 Abdul Gafar Daúdo brânquias. quanto ao tipo (ósseo ou cartilagíneo) e forma. 51 – Extrutura externa do peixe. está coberto de escamas ósseas dérmicas. dos peixes ósseos que congregam a maior parte das espécies de peixes. Os peixes têm sido um armazém de alimento protéico para a humanidade desde a antiguidade e muitas espécies fornecem recreação agradável para pescadores amadores. Estas possibilitam ocupar e explorar a água na sua total dimensão vertical e horizontal. A pele dos peixes ósseos possui muitas glândulas mucosas. pois. A cauda é geralmente hocerca (lobos simétricos). Para além das escamas. quente ou fria. salgada. O seu corpo.

53 – Estruturas branquiais de um peixe ósseo. com apar ência de uma lixa. possuem pequenas projeções formando uma coroa de minúsculos espinhos. D.2011 .150 Abdul Gafar Daúdo Tabela 12: Principais tipos de escamas. partes de um filamento. Fonte: Adaptado pelo autor. coberta por uma Fig. glóbulos vermelhos nucleados. contendo só o sangue venoso. 52 – Sistema circulatório do peixe. são lisas. o que deixa sua pele áspera. brânquias na câmara branquial com o opérculo cortado. A. esmaltadas e brilhantes. 4 pares de arcos aórticos. Placóides : Encontradas em tubarões e arraias. Ganóides : Não ocorrem em peixes brasileiros. filamentos branquiais com a direcção do sangue. 2011. Ciclóides : típica de peixes ósseos. são finas e crescem por toda vida. possuem pequenos dentículos dérmicos voltados para trás. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Ctenóides: Típica dos peixes ósseos. são rômbicas. A boca é terminal e a localização varia de espécie por espécie acompanhando os hábitos alimentares. não possuindo projeções. Os restos da notocorda persistem em muitos casos Fisiologia dos peixes ósseos Sistema sanguineo e vascular: possuem um coração com 2 câmaras (ventrículo e aurícula) com seio venoso e cone arterial. Os olhos são grandes e desprovidos de pálpebras. Respiração: na maioria Fig. das espécies é branquial (pares de brânquias em arcos implantadas branquiais ósseos). crescem por toda vida do peixe. Os dentes e as mandíbulas estão presentes e também variam no seu desenvolvimento de acordo com a alimentação. C. que conferem aos peixes uma aparência áspera. posição dos filamentos branquiais durante a respiração. B. dentro de uma câmara que disposta em cada lado da cabeça.

151 Abdul Gafar Daúdo estrutura óssea chamada opérculo. estômago e intestino. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . geralmente está presente uma bexiga natatória. Sistemática São divididos em: Sarcopterygii (peixes com nadadeiras carnosas. etc. Fig. de fecundação externa. estatolitos para orientação e equilíbrio. lobadas) e Actinopterygii (peixes com nadadeiras raiadas). O alimento que é mastigado vai para a faringe. Excreção: rins mesonéfricos para excreção de amônia e ureia. algumas vezes com incorporação de larvas bem distintas dos adultos. Reprodução: dióicos. 54 – Meia secção ilustrando as principais estruturas internas do peixe. Sistema nervoso e sensorial: com lobos ópticos e um cerebelo muito desenvolvido. os órgãos sensoriais equiparáveis aos cartilagíneos. geralmente ovíparos (ou ovovivíparos). pequenos e cônicos. Não há glândulas salivares. Digestão: Possuem mandíbulas e maxilares com muitos dentes.2011 . O que não foi absorvido é eliminado pelo ânus. Em outras formas ocorreram modificação para se formar uma espécie de pulmão (nos Dipnoi). com linha lateral. esôfago.

Em alguns pode não haver nenhum dente. ricamente vascularizada. independentemente das transformações que estas tenham sofrido em adaptação ao tipo de locomoção nos diferentes meios. são Ápodes). isto é o embrião não apresenta âmnio. as coanas se abrem na região anterior do tecto da boca.ambos. a pele é lisa. Classe Amphibia Herpetologia é o ramo da biologia que estuda répteis e anfíbios. O número de vértebras é bastante variável (10 à 200). (Os Gimnofionos. 2006:136). como a Cecília ou Cobra-cega. Pele húmida e glandular.Outubro . todos outros Tetrápodes são amniados.Dia: 17 . Principais características dos Anfíbios A maioria é dotada de quatro membros tetradáctilos para a locomoção em terra. dos dois modos e bios . Os Anfíbios que são os únicos Tetrápodes anamniotas ou anamniados (Anamniota). Anfíbios (do grego amphi . com quatro patas e respiração pulmonar na fase adulta‖ (AMARAL e MENDES. Eles dominam a vida nos ambientes de terra seca e aquática. fina. sem escamas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Esqueleto: os anfíbios têm o crânio largo e achatado. foram descritas mais de 4000 espécies‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN. São os Tetrápodes mais antigos aparecidos na Terra. Este grupo dos vertebrados compreende animais com 4 extremidades (patas) locomotoras. placas ou qualquer outro anexo. se comparado a maioria dos peixes. apta para a respiração cutânea. sem escamas externa.2011 . Como não existe palato secundário. s/d:165). coberta de muco. ―Nos anfíbios.vida) ―são animais poiquilotérmicos. 2006:136).2011 Superfamilia Tetrapopda (Tetrapodes) 152 Abdul Gafar Daúdo Esta superclasse ―Reúne vertebrados terrestres. enquanto em outros podem estar ausentes apenas na mandíbula. eu nesses animais chega a ser mais importante que a respiração pulmonar‖ (DE ARAUJO e BOSSOLAN.

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Fisiologia dos anfíbios Respiração: para a vida anfíbia desenvolveram brânquias e respiração cutânea. Há diferenças entre as três ordens. Sistema sanguineo e vascular: Coração com três cavidades: duas aurículas e um ventrículo. O sangue arterial, que entra na aurícula ou átrio esquerdo, e o sangue venoso, que chega à aurícula ou átrio direito, vão se juntar no nível do ventrículo único. Por isso, diz-se que a circulação desses animais é fechada, dupla, porém incompleta (há mistura de sangue arterial com sangue venoso); Sistema nervoso e sensorial: A maioria dos Anfíbios desenvolveu um ouvido médio e membrana timpânica. Actividades estacionais: Anfíbios precisam evitar temperaturas extremas e a seca porque não têm regulação da temperatura do corpo. Durante o inverno rãs e salamandras aquáticas hibernam no fundo de lagos e rios que não congelam; sapos e salamandras terrestres enterram-se ou vão até abaixo da linha de congelamento. Durante a hibernação todos os processos vitais são reduzidos. Reprodução: é a variedade de modos de reprodução e de cuidado parental exibida. A maioria das espécies de anfíbios deposita ovos: na água, na terra ou podem eclodir em larvas aquáticas ou em miniaturas dos adultos terrestres. Desenvolvimento por metamorfoses: larva chama-se girino, com brânquias (inicialmente externas e depois internas) e com nadadeira caudal. Adultos com pernas e pulmões. A fecundação é externa, na água, onde se dá a fertilização. Não há cópula verdadeira. Possuem capacidade de regeneração.

Fig. 55 – Desenvolvimento embrionário da salamandra.

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Sistemática dos Amphibia Derivam de um ancestral semelhante a um peixe. Estão descritas três ordens: Anura (sem cauda) Exs.: sapo, rã e perereca. Ordens Urodela (com cauda) Exs.: salamandra, proteus e tritão. Apoda (sem patas) Ex.: cobracega (Caecilia). Ordem Urodela ou Caudata: são as salamandras; com cauda bem desenvolvida; mebros sempre presentes, mas podem estar reduzidos; corpo é alongado; quase todas elas são aquáticas; cerca de 350 espécies,

praticamente do Hemisfério Norte. As salamandas são conhecidas por manterem as características larvares no adulto (pedomorfose): linha lateral funcional, ausência de pálpebras e presença de brânquias externas.
Fig. 56 – Representante da Ordem Caudata (salamandra).

Ordem

Anura: os Anuros compreendem os sapos, as rãs e as pererecas. Uma

característica principal é a locomoção por salto. A outra é o desaparecimento da cauda larval no adulto, daí o nome anura, sem causa. Anuros são cosmopolitas (estão praticamente em todo globo terrestre), com cerca de 3500 espécie. Muitas espécies de anuros são comestíveis e entram na gastronomia internacional (Rana esculenta).
Fig. 57 – Representante da Anura (Rana esculenta). Ordem

Ordem Gymnophiona ou Apoda: parecidos com as cobras, sem patas locomotoras (apoda significa desprovido de pernas, patas). Fazem parte as cobras-cegas ou cecílias.
Fig. 58 – Representante da Ordem Apoda (cecilias)

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Classe Reptilia (Sauropsida) Os Répteis têm sua origem nos Anfíbios labiritodontes e vêm desde o Carbónico. Com os Répteis começa a evolução dos Amniota totalmente relacionados com a vida na terra seca. O seu nome relacionase com o modo de locomoção, rastejante, embora não se possa generalizar. Além do âmnio, eles possuem o corion (protege o amnio) e o alantóide (trocas gasosas e excreção de excretas embrionárias). O desenvolvimento ocorre sem estágios larvares. Principais características O Tegumento: Os répteis são vertebrados que apresentam a pele seca e recoberta por escamas, uma vez que os pulmões são mais eficientes, dispensando, portanto, a respiração cutânea. Ela protege contra a perda de água e facilita a vida na terra firme. Esqueleto: bem desenvolvido, com extremidades igualmente bem desenvolvidas exceptuando alguns taxa. Geralmente têm 5 dígitos (lagartos, crocodilos, quelónios) ou são ápodos (serpentes). Exceptuando os quelónios com boca parecida com o das aves, a cabeça e a boca dos restantes membros estão bem desenvolvidas. Completamente ossificado; crânio com um côndilo. Os rins metanefros eliminam ácido úrico (uricotélicos), substância praticamente insolúvel em água, que confere às fezes uma tonalidade esbranquiçada. Sistema sangíneo e vascular: A circulação é fechada, dupla e incompleta, fazendo transição de três para quatro câmaras: duas aurículas e um ventrículo parcialmente dividido; com glóbulos vermelhos nucleados. A maioria possui dois átrios e um ventrículo (com o septo de Sebatier quase separandoo em dois); os crocodilianos já possuem quatro cavidades, mas, mesmo assim, o sangue venoso e arterial se misturam através de um orifício - Forâmen de Panizza.
Fig. 59 – Tipos de répteis vivos. A, Crocodylia. B e D, Lepidosauromorpha. C, Chelonia.

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isto é. algumas serpentes podem permanecer algumas horas de baixo da água. Quanto à sua ecologia. Respiração: pulmonar. mas podendo ser ovovivíparos (cobras venenosas) e até vivíparos (sucuri). com as seguintes características: Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Não há uma explicação plausível acerca da sua extinção. prendendo a respiração. Podem correr. Outros répteis do préhistórico são Pterosauria. desenvolvimento direto e principalmente ovíparos (os ovos apresentam casca calcária). tártarugas. 60 – Algumas formas de Répteis extintos do Mesozóico. Ordem Chelonia ou Testudines: Na classificação zoológica. com fecundação cruzada e interna. Lepidosauromorpha. um fenómeno chamado bradicardia. mas tartarugas. Plesiosauria e Elchthyosauria.2011 . Reprodução: geralmente com órgãos copuladores bem desenvolvidos e praticam a cópula. Sistemática dos Répteis A sistemática actual não inclui formas extintas. os répteis encontram-se em todos ecossistema e desenvolveram vários hábitos alimentares. cágados e jabutis estão reunidos na ordem Chelonia. C. Fig. Existem em registos fósseis os Dinossauros e os Pterodáctilos. rastejar. de acordo com o ambiente. trepar e nadar. são dióicos. Chelonia. Durante o Mesozóico foram os vertebrados mais dominantes e ocuparam a maioria dos habitats. A temperatura corporal: é variável (poiquilotérmico. Presentemente temos: 1. crocodilos.156 Abdul Gafar Daúdo Locomoção: possuem dois pares de extremidades providas de 5 dedos com garras córneas. B e D. ou pecilotérmico).

Além disso eles desenvolveram as maxilas fortes. Ordem Crocodilia – que contém jacarés. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . que se origina da base da língua. um Crocodilo pode respirar somente com as narinas expostas. Animais excelentemente predadores. como o jabuti. Uma aba de tecido.157 Abdul Gafar Daúdo Corpo grande. unidas pelos lados e cobertas por placas poligonais ou pele coriácia. o sexo em algumas espécies é determinado pela temperatura a que este é exposto no ninho. salgada ou na terra. os Crocodilos são animais terrestres adaptados à viver na água. Eles são animais semi-aquáticos. são vértebras torácicas e costelas usualmente fundidas com a carapaça. Desse modo. Fig. crocodilos. possuem no entanto maxilar e mandibula com bainhas córneas. Crocodilos possuem tipicamente uma armadura corporal dérmica e a cauda. pois ou são terrestres. vivem em água doce. ou aquáticos na maior parte da tempo. pode formar um selo à prova da água entre a boca e a garganta. aliada a da massa da água. São ovíparos (ovos postos pela fêmea em buracos que elas escavam e depois cobrem) que durante a embriogénese. 61 – Tartaruga. encaixado em uma "concha" firme de carapaça dorsal (arredondada) e outra ventral (plana. Apresentam quatro patas. caimões e gaviais. terminadas em dedos. A força muscular da cauda. tornaram num mecanismo eficaz de captura de presa. embora existam três espécies que penetram na zona temperada. chamada plastrão). apenas 21 espécies sobreviveram até à actualidade. 2. pesada e lateralmente achatada. Possuem narinas na extremidade do focinho e desenvolveram um palato secundário que desloca as passagens de ar para a porção posterior da boca. s/d:166). nos quais se acham ancorados poderosos dentes e apresentam igualmente patas bem desenvolvidas. garras ou nadadeiras. sem inalar água.2011 . ausência de dentes. (AMARAL e MENDES. ocupando sobretudo águas doces. como as tartarugas e os cágados. A maioria é encontrada em regiões tropicais e subtropicais. enquanto as patas são mantidas contra suas laterais. impulsiona seu corpo na água.

62 – Ilustração das principais diferenças entre os Crocodilia: (a) crocodilo cubano. Fig. são formas de água doce. jacaré e caimão (Caiman crocodilus). Quanto à sua estrutura externa e hábitos. os Crocodilos depositam os ovos na zona da praia (rios e costas marinhas). 65 – Gavialidae. ocorrem na América Central.A maior variação entre os Crocodilia actuais reside no formato da cabeça. Crocodylidae: crocodilo de água salgada (dos estuários. Sistemática actual dos Crocodilia A ordem Crocodilia compreende as seguintes famílias: Alligatoridae: Aligator (Alligator mississippiensis). mas também existem os ovovivíparos (raramente vivíparos). Fig. 64 – Crocodilus niloticus sp. americano e o gavial. 63 – Caiman crocodilus. também come aves e peixes. são ovíparos. Crocodilus niloticus. atingem mais de 7 metros. crocodilo crocodilo Fig. China. Os crocodilos incluem uma variedade de larguras de focinho. pântanos de mangais. É um predador excelente.158 Abdul Gafar Daúdo Tal como as tartarugas. América do Sul. muito jacaré estreitos: chinês. (c) crocodilo americano. baixas de rios). O Aligator é o maior em comprimento de todos os Crocodilia e dentro dos Reptilia é superado pelo Pitão e Anaconda.2011 . Gavialidae: com o gavial dos rios do Norte da Índia. (d) gavial. Fig. (b) jacaré chinês. no Mexico. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Jacarés e os caimães são formas de focinho largo. O seu desenvolvimento é directo. os Crocodilidae diferem pouco entre si. Há ainda crocodilos que possuem focinhos cubano. Esbeira-se nos rios a espera de suas presas. constituidas por todo tipo de mamíferos.

Todo o grupo realiza espiração pulmonar. o taxon Lepidosauria pode ser considerado como superordem. ao qual se subordinam as ordens:  Sphenodontia (com a tuatara. como fígado e pâncreas. Nos lagartos desenvolveu-se bastante um ouvido médio. o ouvido médio e a trompa de Eustáquio. O seu sistema digestivo é completo. que ocorre em ilhas da Nova Zelândia) e Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . O órgão de Jacobson tem seu ápice de desenvolvimento em serpentes e lagartos e é ligado ao tecto da boca e não ao canal nasal. Ordem Lepidosauria . as cobras dispensaram por completo os membros e rastejam com ajuda da contracção muscular. Em alguns casos as pernas assemelham-se a remos (tartarugas marinhas). rastejar ou trepar.tuatara. com glândulas bem desenvolvidas. 2 pares de membros locomotores situam-se no mesmo plano do corpo (ventral). o que justifica a locomoção por rastejamento do ventre no solo. ficaram reduzidos (alguns lagartos). único vivente.2011 . A pele é tipicamente seca e frequentemente encoberta ou por escamas (cobras e lagartos). mas respiração cloacal em tartarugas marinhas. Sistemática dos Lepidosaurira Na classificação actual. Os membros estão providos de 5 dedos terminando em garras córneas e adaptadas para correr. O seu esqueleto está muito modificado. camaleões e gecos. Varanos.159 Abdul Gafar Daúdo 3. exibem pálpebras mais moveis que as dos anfíbios. lagartos. Nas serpentes desaparecem o tímpano. terminando em cloaca. placas dérmicas e carapaças (tartarugas). Trata-se de um grupo bem distinguível das outras duas ordens já estudadas. Não só. excepto os organismos cavadores. a sua anatomia de partes moles é igualmente diferente. O Tecto do crânio é arqueado e não mais achatado como nos anfíbios. serpentes. O crescimento é feito através de mudas periódicas sob a indução hormonal. As vibrações recebidas são transmitidas por meio do quadrado à columela e então ao ouvido interno. ou como se disse estão ausentes (alguns lagartos e todas as serpentes). Características gerais O ouvido do grupo sofre consideráveis alterações. cobras-de-duas-cabeças. iguanas.

Venenos desta e de outras serpentes matam a presa de 40 kg de massa em apenas 10 minutos. A Naja mossambica é sem dúvida uma das serpentes mais venenosas em Moçambique. ao calor irradiado pelo corpo da vítima. Perdem a cauda com facilidade. a flexibilidade do crânio foi aumentada ainda mais. Subordem Ophidia: cobras ou serpentes. s/d:167). interessam-nos os Squamata. Ordem Squamata iguanas. serpentes. Essa modificação faz parte de uma série de mudanças estruturais do crânio. e fossetas loreais . Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . através da perda da segunda barra temporal. que formava parte dessa barra. em consequência. na forma de acção. Mas. Mostram numerosos caracteres derivados no crânio. Para sua defesa e predação muitas espécies desenvolveram venenos que variam na sua constituição química e. a cobra-de-duascabeças. Com órgão de Jacobson . Grande capacidade para abrir a boca. ou seja. Vivem no meio terrestre e alimentam-se de insetos.2011 . Aqui. Esses animais em alguns tempos podem trocar de escamas. Nas serpentes. Apresentam o corpo revestido por escamas que são trocadas de tempos em tempos.sem o osso externo (podem engolir grandes presas). O mais evidente destes é a perda da barra temporal inferior e do osso quadrado-jugal .sensíveis às radiações infravermelhas. Costelas flutuantes . camaleões e gecos). portanto são insectívoros. os venenos são também muito úteis na indústria farmacêutica. (AMARAL e MENDES. a iguana.160 Abdul Gafar Daúdo  Squamata (lagartos. que contribuem para o desenvolvimento de uma complexidade de movimentos.olfacto. O órgão de Jacobson tem seu ápice de desenvolvimento nas serpentes e nos lagartos e é ligado ao tecto da boca e não ao canal nasal. Sistemática da ordem Squamata Tradicionalmente reconhecem-se as seguintes subordens: Subordem Lacertilia (Sauria): lagartos como a cobra-de-vidro. cobra-de-duas-cabeças. varanos. porém regeneram-se com maior facilidade ainda. A lingua é bifurcada. a lagartixa. o camaleão. esqueleto pós-craniano e tecidos moles.

agâmidas  Família Chamaeleonidae . mas também há lagartos omnívoros ou herbívoros.161 Abdul Gafar Daúdo Diferenças com as serpentes: Salvo excepções. pálpebras nos olhos. alimentando-se de insetos ou pequenos mamíferos. Algumas formas são venenosas. desde alguns centímetros. Sistemática da subordem Lacertilia: A lista de famílias dos lagartos é enorme. e ouvidos externos. São geralmente carnívoros.geckos ou lagartixas  Família Varanidae . ex.lagartos varanos e monitores  Família Helodermatidae . até 3 metros. Com mais de 5000 espécies conhecidas actualmente.iguanas  Família Agamidae . eis algumas delas. CROCODILO         Escamas do ventre com poros glandulares Dentes superiores alinhados com os inferiores Cabeça afilada Os dentes têm todos o mesmo tamanho e nenhum deles aparece com a boca fechada JACARÉ Cabeça larga e arredondada Dentes superiores desalinhados com os inferiores O quarto dente de cada lado do maxilar inferior é bem maior que os outros e aparece mesmo com a boca fechada Escamas do ventre sem poros glandulares Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . como o dragão-de-komodo.Monstro-de-gila Diferenças entre Crocodilo e Jacaré Parecidos.camaleões  Família Gekkonidae .2011 . Aqui.Os crocodilos pertencem a familia Crocodilidae e os jacarés a Alligatoridae. o monstro-de-gila. mas nem tanto Quatro diferenças anatômicas distinguem os dois maiores répteis do planeta – o Crocodilo e o Jacaré.  Família Corytophanidae . como alguns geckos. como as iguanas. exibem quatro patas.basiliscos  Família Iguanidae . excepto na Antártida e existem em diversos tamanhos. Os crocodilos e os jacarés pertencem a mesma classe de répteis a classe Crocodiliana porem são de familias diferentes. os lagartos ocorrem em todos os continentes.

66 – Quatro tipos de penas (a esquerda). Fig. Elas ocuparam. por assim dizer. entre as quais há espaços vazios. morcegos). Plumas: penas macias de isolamento. isolamento. Mas o grande distintivo deste grupo é a capacidade primária de voo.2011 Classe das Aves 162 Abdul Gafar Daúdo Aves ―são vertebrados amniotas. As Aves ocupam todos os continentes. a terra e as águas salgadas e doces. Existem outros animais com a capacidade de voo (ex. caracterizados principalmente pelo corpo coberto de penas.Outubro . A capacidade de voar possibilita às aves a ocupação de muitos habitats jamais ocupados por outros animais. alantoidianos e homeotérmicos. protecção do corpo. por terem os maxilares transformados em bico e desprovidos de dentes e pela presença de ossos pneumáticos. na galinha doméstica (a direita). insectos.1997:381). regulação térmica. graças à existência de penas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Tipo de penas: Penas de contorno: revestimento externo e contorno do corpo da ave.2011 . isto é.Dia: 24 . também o ar. áreas providas de penas. Nenhuma outra classe animal possui penas. formações epidérmicas queratinosas que desempenham várias funções: voo. aptérios. Características gerais das aves  Corpo coberto de penas: só crescem em certas áreas da pele chamadas ptérilas. ossos longos parcialmente ocos em contacto com os sacos aéreos dos pulmões‖ (SOARES. entre outras.

eles desempenham várias outras tarefas.  Excreção por meio de rins metanéfricos e o ácido úrico é o principal produto. glóbulos vermelhos nucleados. Com a sua respiração evoluiu uma caixa vocal na base da traquéia. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Plumas pulverulentas: que impermeabilizam as penas (em garças. o arco aórtico (sistémico) direito persistente. 67 – Esqueleto de um galo doméstico.  Presença de dois pares de extremidades. gaviões. Fig.  Esqueleto especializado para o voo: forte e totalmente ossificado. perto das narinas e em torno da boca.  A respiração é por pulmões compactos. Fig. ovais e biconvexos. Cerdas: penas modificadas em forma de pêlo. dando rigidez. 68 – Diferentes tipos de bicos nas aves.  Temperatura do corpo essencialmente constante (homeotermia). o primeiro transformado em asas e o segundo em patas para locomoção terrestre. 2 ventrículos separados). Os bicos estão adaptados a diferentes hábitos de alimentação. ossos porosos ou pneumáticos (facilitam a aerodinâmica).  A boca é um bico prognato (que se projeta) rodeado de uma bainha córnea e desprovida de dentes (pelo menos nas aves viventes).  O coração das aves possui 4 câmaras (2 aurículas. muitos ossos fundidos. Os pés possuem geralmente 4 dedos.2011 . presos às costelas e ligados a sacos aéreos de paredes finas. ou mesmo para preensão de objectos. muito eficientes.163 Abdul Gafar Daúdo Filoplumas: minúsculas penas filiformes com poucas barbas e bárbulas. não só. papagaios).

É o contrário das aves que precisam de ser alimentadas e receberem cuidados no ninho (nidícolas). Fig. 2.2011 Portfólio de Zoologia S&F . Algumas ordens de aves de Moçambique • • • • • Struitiformes: Procellariiformes: Sphenisciformes: Pelecaniformes: Ciconiiformes: Avestruzes. No sistema actual das aves reconhecem-se duas subclasses: 1. codornizes. aves litorâneas e outras são nidífugos. Evolução e sistemática das Aves As aves originaram-se de répteis. Neornihes: todas aves actuais agrupadas nas seguintes superordens: a. Impennes: Pinguins. Os filhotes de galinhas. graças ao seu sistema de orientação bastante desenvolvido. i.  O habitat primário das aves foi a terra. Archaeornithes: fósseis com características de répteis. na ordem Sphenisciformes c. 69 – Morfologia interna do periquito. envolvidos por uma casca calcária dura e depositados externamente para a incubação. Archaeopteryx. com os quais formam o grupo Sauropsida. patos. Pinguins). Estes animais provavelmente corriam rapidamente com suas pernas posteriores. Albatrozes Pinguins Pelicanos Cegonhas Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .e.164 Abdul Gafar Daúdo  Fecundação interna. que os ajuda a encontrarem os locais onde passam os períodos adversos e regressarem à origem sem erros. Odontognathae: aves dentadas com o género Herperornis b. Muitas aves realizam migrações até intercontinentais. desenvolvimento directo com cuidados-com-a-prôle por um ou por ambos os progenitores. mas conquistaram mais tarde a água (ex. ovos com muito vitelo. Elas encontram-se espalhadas por todos os continentes. Neognathae: aves típicas agrupadas em perto de 30 ordens. aptos para abandorarem o ninho logo após a eclosão.

Struthioniformes) Spheniscus demersus Diomedea exulans Pinguim do cabo (Spheniscidae.2011 . faisões. Strigiformes) Numida meleagris Galinha-do-mato (Numididae. corujas Pássaros (maior grupo de aves actuais) Struthio camelus Avestruz (Struthionidae. Ciconiiforme) Asio capensis Coruja-dos-pântanos (Strigidae. Albatroz-viageiro Diomedeidae. Galliformes) Sagittarius serpentarius Secretário (Sagittariidae. Passeriformes). Apodiformes) Nectarinia kilimensis Beija-flor (Nectariniidae. Pombos e rolas Papagaios Mochos. etc. Sphenisciformes) Procellariiformes) Apus horus Andorinha-das-barreiras (Apodidae. Coraciiformes) Ciconia nigra Cegonha-preta (Ciconiidae.165 Abdul Gafar Daúdo • • • • • • • Anseriformes: Falconiformes: Galliformes: Columbiformes: Psittaciformes: Strigiformes: Passeriformes: Patos Falcões e outras aves de rapina Galinhas. Bycanistes brevis (Bucerotidae. Falconiformes) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .

explorando amplamente os recursos da Terra. Características gerais De um modo geral. um anexo que permite as trocas respiratórias e nutritivas entre o feto e a mãe. os quais podem ser reduzidos ou completamente ausentes em alguns mamíferos adultos. de glândulas mamárias como características básicas do seu corpo.Dia: 26 . existem 3 características principais em todos os mamíferos:  A presença de 3 ossos/ossículos no ouvido médio.  Presença de pêlos. os mares e mesmo no ar. as principais características dos mamíferos são:  Presença de mamas em número par.Outubro . bigorna e martelo. os quais contribuem para a manutenção da temperatura corpórea e sensorial. que deu origem ao nome da classe. abundam por quase todo o globo terrestre. Neste contexto. tendo como função.5000 espécies actuais.500 . para além dessas exite outra particularidade desses animais. contribuindo para que Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez .portador).  Presença de pêlos em algum estágio da vida. a produção de leite para amamentação dos seus filhotes. o desenvolvimento do útero nas fêmeas.2011 Classe mammalia 166 Abdul Gafar Daúdo Os mamíferos (do latim mamma . nos primeiros dias das suas vidas. sendo este.2011 . a presença.  Presença de glândulas cutâneas (sebáceas e sudoríparas) em certas regiões do corpo. durante o desenvolvimento embrionário. o estribo.  São endotérmicos.  Além da formação do âmnio e do alantóide.  A presença de glândulas mamálrias em número par. 1997:381). que tem a função de melhorar a audição. com localização variável.mama e feros . Os pêlos podem ser reduzidos ou completamente ausentes em alguns mamíferos adultos. também ocorre a formação da placenta. Mamíferos são de todos os animais vertevrados que o seu corpo é revestido por pêlos e. com cerca de 4. que torna possível abrigar a sua cria durante toda a formação embrionária (SOARES. nas fêmeas.

 Defesa contra estranhos (os pêlos que se encontram em forma de espinhos).  Circulação dupla e completa. língua usualmente móvel. já não existia o grupo de seres que os dominava (os dinossauros). assim.  Maior capacidade de locomoção rápida. Evolução Os mamíferos surgiram na Terra no mesmo período que evoluíram os répteis Synapsida no período de triassico. os mamíferos abundaram na terra.  Crânio com dois côndilos occipitais.  Camuflagem para a defesa ou atracção deoutros animais.  Boca com dentes nas mandíbulas e maxilas. olhos com pálpebras móveis. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Depois da estinção dos répteis maiores.  Encéfalo altamente desenvolvido. Evolução provável dos mamíferos Aves Peixes →Anfíbios →Répteis Mamíferos Caracteristicas que demonstram a evolução dos mamíferos  Possuíam dentes cobertos por esmalte.167 Abdul Gafar Daúdo aquele passe todo o seu período de desenvolvimento no interior do útero materno. que excreta um líquido fluído (urina).  Respiração pulmonar. Funções dos pêlos  Isolamento térmico do corpo.. ouvidos com pavilhões externos carnosos.  Função sensorial (tacto).  Cuidado pariental.  Uma bexiga urinária. pois. garantindo que seja livre dos perigos do meio exterior. o que não permite uma rotação tão ampla da cabeça sobre o pescoço. presença de diafragma separando a cavidade torácica da cavidade abdominal. foi quando esses desenvolveram. Coração com quatro cavidades distintas.2011 .

intestinos. que regulam processos do corpo.  Maior capacidade de regulação da temperatura do corpo. A excressão (eliminação de resíduos) é graças a transpiração.  Os lábios dos mamíferos possuem capacidade de um fecho hermeneultico. Nos vertebrados. fecundacao é interna.2011 . mas. nos ruminantes. O aparelho urinário é formado pelos rins e vias urinárias. etc. esófago. faringe. pela aprendizagem e pela memória retentiva (sua inteligência)).  A presença de glândulas mamárias. hipófise.168 Abdul Gafar Daúdo  O cérebro que se encontra mais desenvolvido e grande (a qual deriva o alto grau de coordenação em todas as atividades. órgãos anexos (fígado e pâncreas). Os sexos são separados e cada um tem um par de gônadas que descarregam as células sexuais através de ductos que se abrem perto do ânus ou cloaca (AMABIS e MARTHO. depois a fêmea retira os Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . devido aos pêlos e pelo facto de possuir maior metabolismo e a divisão do coração em quatro cavidades (a separação completa dos sangues venoso e arterial no coração tornando possível a temperatura regulada do corpo). A circulação do sangue transporta o oxigénio e o alimento para as células e carrega o gás carbónico e os resíduos que serão eliminados. uma série de glândulas endócrinas (tireóide. o estômago tem quatro cavidades: pança. 2006). estômago. fezes e urina. O aparelho respiratório é formado por pulmões e vias respiratórias. Classificação Existem três subclasses dos mamíferos: Prototheria género Monotremata representada por aqueles que apresentam algumas caracteristias remotas aos répteis como. olhoso e coagulador. Fisiologia O aparelho digestivo dos mamíferos é formado por: boca. barrete. crescimento e reprodução.) produz secreções internas ou hormônios transportados pelo sangue. O sistema circulatório é formado de vasos sanguíneos (veias e artérias) e coração com quatro cavidades (duas aurículas e dois ventrículos). Para estes animais o sangue venoso não se mistura com o arterial.

cuícas Baleia. SUBCLASSE Prototheria Metatheria EXEMPLOS Ornitorrinco e équidnas Gambá. lebre Gato. capivara. Metatheria muito conhecida.: Nos Eutheria não estão colocadas todas as ordens. preguissa Obs. mas apenas as mais popularmente conhecidas. so encontram-se na Australia pois não existem animais desnvolvidos. cangurus. Alguns géneros A tabela a seguir mostra alguns representantes das subclasses de Mammalia. com 272 especies (gambá. antas Morcegos Rato. focas. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Tabela 13: Principais representantes das subclasses de Mammalia. mas está em extinção com o género Marsupialia. esquilo. golfinho Porco.169 Abdul Gafar Daúdo ovos e os filhotes podem receber leite da mãe assim como dos machos pois os machos também possuem mamas desenvolvidas. Eutheria com serca de 4000 especies. cangurus. a característica principal é a presença de uma bolsa na parte ventral com funcao de completar completar o desenvolvimento do indivíduo. girafas Cavalos. a principal característica é a presença da placenta que garante o cuidado parental o filhote desenvolve-se no interor e a placenta é responsável pelas trocas gasosas e de substancias entre mãe e meio ambiente e a sua permanência do varia de espécie para espécie. ORDENS Monotremata Marsupialia Cetacea Artiodactyla Perissodactyla Chiroptera Rodentia Lagomorfa Eutheria Carnivora Prossimia Simia Hominia Proboscidia Pinnipedia Fonte: Adaptado a partir do SOARES (1997:332). (Ornitorrinco e équidnas). cuícas). coalas. castor Coelho.2011 . coalas. cão. leão Lêmures Macaco Homem Elefantes Leões-marinhos. boi.

se nem sempre o planejado sai como esperado. não só acerca das questões da aprendizagem. neste caso o professor Zacarias Rosalina João da Silva. mas sei que ele é tão pequeno em relação ao caminho que ainda terei que percorrer. desde a sua origem e evolução. Nada é pra sempre e muito menos por acaso. 2011) Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . a partir dos poríferos até aos mamíferos. que me despertou curiosidade. e forneceu-nos inúmeros conhecimentos que estão patentes neste portfólio. me trouxe um novo olhar e uma transformação na minha forma de pensar. essa foi uma experiência enriquecedora. que nos motivou bastante. não é o fim do mundo. em constante contacto com um professor.2011 . pude perceber sobre a enorme diversidade dos seres vivos.170 Abdul Gafar Daúdo Conclusão Chegar até aqui foi uma longa caminhada. pois. Estar nesses últimos meses estudando sobre a Zoologia Sistemática e Filogenética. É só uma chance pra melhorar as próximas!” (Adaptado pelo autor. foi uma experiência única. foi óptimo o facto de estar em conjunto com os meus colegas. Por isso. a minha jornada não terminou. Este processo tão rico que é a aprendizagem. Realmente. inquietações e desejos de continuar. e espero que este trabalho também não pare por aqui! “Olha para o futuro. mas muito além dos conceitos e teorias. Dizer que.

É só com a persistência que com o tempo. aprendemos a ser responsáveis. Fiz alguns trabalhos e provas. Procurei muito ajuda de colegas e de pessoas de fora pra conseguir entender. mas me dedico e vou me dedicar cada vez mais. Nesse semestre. Agradeço aos meus colegas que estão do meu lado sempre e você dr. cumprindo com um dos objectivos de estudante.2011 . Obrigado! Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . Zacarias. consequentemente fazendo o meu máximo para que melhore minhas notas. demorei um pouco a entender a matéria. fui aprendendo. pela explicação excelente que nos proporcionou durante as aulas desta cadeira.171 Abdul Gafar Daúdo Auto avaliação Vejo que com o tempo. dos quais fui bem e outros mal.

1986.. Fundamento da Biologia Moderna.D. São Paulo. Scipione ltda. Fisiologia Animal Comparada. José Luis. s/ed. 2007. E. DOS SANTOS. 2a ed. 2000. Zoologia Geral e Comparada. Gilberto Rodrigues. São Paulo. Nelma Regina Segnini. 2006. Princípios da Taxonomia Animal. Biologia 11ª Classe. Portfólio de Zoologia S&F Curso de Biologia 1º ano UP-Montepuez . FTC EaD. SANTO Maristela do Espirito. 2006. R. Moderna. 2005. 1988. & BARNES. J. Letícia. 6ª ed.S. RUPPERT. BARROS. São Paulo. 2002. FOX.Introdução à Zoologia. Lisboa. Porto Alegre. São Carlos. AMARAL. São Paulo. Roca. De ARAUJO. 1997. Sp-Brasil. ICONE Ltda. SAMPAIO.. MATEUS. Cecília Helena Vechiatto. Biologia. 7ª ed. et al. Biologia II – Noções de Taxonomia e Classificação . Denise Estorilho Baganha. George Gaylord. José Mariano e MARTHO.2011 . Amilcar. R. Maria Isabel e MACHADO. Carlos. TORTORA. Brasil. Ática S. 1962. G. Ícone Audiovisual Ltda. JONASSE. Biologia. José Luís. Zoologia dos Invertebrados – Uma abordagem funcional-evolutiva. Fundação Calouste Gulbenkian. s/ed. 1ª Ed. Fernando. s/ed. 2005. s/d. 9ªed. Ana Paula Ulian e BOSSOLAN. Fundação Calouste Gulbenkian. Brasil-SP. SOARES. Moçambique. 33aed. Escola e Autores. São Paulo. SIMPSON. 4ªed. Biologia Ensino Médio. Florência Celeste e XAVIER. Artemed.A. Lisboa. 2ª ed. Os Seres Vivos. Fundamentos da zoologia sistemática. Microbiologia. Luis e MENDES. 1a ed. 2007.172 Abdul Gafar Daúdo Bibliografia AMABIS.. et al.

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