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Trabalho Redacao

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06/27/2013

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Jor

O Trabalho na Redação
ERBOLATO, Mário L. Técnicas de codificação em jornalismo. Petrópolis : Vozes, 1978, p. 193-198 Uma empresa jornalística não vende um produto qualquer. Vende um produto bem específico e em que se busca, mais que em qualquer outro, o valor intrínseco. Vendese opinião, vende-se coerência - se é que cabe ainda o uso do verbo vender. Júlio de Mesquita Neto

As NOTÍCIAS CHEGAM ININTERRUPTAMENTE À REDAÇÃO E DEVEM SER TRATADAS - A informação adiantada (sob embargo) e a retardada por motivos de segurança - Os dados sobre o lançamento da primeira bomba atômica em Hiroxima foram fornecidos aos jornalistas 24 horas depois - A barriga constitui a notícia falsa - O recurso do segundo clichê. NA Redação dos jornais, a atividade é sempre das mais intensas, com notícias que chegam ininterruptamente. Os encarregados de recebê-las (Produção ou Recepção) as encaminham aos redatores, para que possam ser tratadas, de acordo com a importância de que se revestem. Cada Editor (responsável por um dos setores ou assuntos) faz a previsão das matérias que deverão ser publicadas no dia seguinte, calculando Inclusive o espaço total de que necessitará. Diariamente, há reunião dos Editores, com o Editor Geral, depois de a Administração informar o número de páginas da edição e o total dos anúncios. Aí, então, é feita a distribuição do número de colunas para as diversas Editorias. De posse de um texto, o encarregado de analisá-lo poderá solicitar, por intermédio da respectiva chefia, informações complementares, que serão pedidas à reportagem local, às sucursais, aos correspondentes, às agências e ao arquivo. Elaborados os textos definitivos, com a colaboração ou não do copydesk e de acordo com o que foi diagramado, as matérias descem para as Oficinas, a fim de serem compostas e paginadas. A notícia adiantada (sob embargo) É comum que os jornais recebam alguma notícia antecipadamente, a qual permanece sob embargo, até determinada hora. Discursos do Presidente da República ou íntegras de acordos internacionais são entregues com antecedência, para facilitar o trabalho das Redações, mas não podem nem mesmo resumidamente, ser divulgados pelo rádio ou televisão. Recomenda-se que, no caso de pronunciamentos oficiais, um repórter seja destacado para acompanhar o discurso, ouvindo-o in loco ou pelo rádio a fim de conferi-lo com o original fornecido antes. Os oradores, em muitas ocasiões, acrescentam frases ou as suprimem. Os Editores devem ainda permanecer atentos aos despachos vindos por telex ou teletipo, pois alguns deles fazem referência aos anteriores, anulando-os ou alterando-os (Ver Capítulo 1O).
Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br) site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/ Página 1 de 5

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Jor R. Fraser Bond afirma que “o jornal tem seus planejadores, seu produto manufaturado 1 de notícias, variedades e anúncios convertidos nos exemplares impressos” . O mesmo autor cita Philip Gibbs, em frase que publicou em Adventures in Journalism: “Um jornal é um organismo vivo, impregnado da vida dos que nele trabalham, inspirados por seu espírito, animados pelos seus ideais e pensamentos, o veículo vivo da sua própria aventura cotidiana”. Júlio de Mesquita Neto, ao falar no encerramento da Semana de Comunicações de 1976, promovida pelo Diretório Acadêmico 5 de maio, do Curso de Comunicações Culturais da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, acentuou: “Uma empresa jornalística não vende um produto qualquer. Vende um produto bem específico e em que se busca, mais que em qualquer outro, o valor intrínseco. Vende-se opinião, vende-se coerência – se é que cabe ainda o uso do verbo vender”. Lembrou ainda que “o público quer um jornal que exprima o que ele apenas consegue pressentir”. A informação retardada As atividades dos jornalistas nem sempre podem ser exercias com rapidez e liberdade. Durante as guerras, há a censura, voluntária ou estabelecida oficialmente, a fim de que a divulgação de determinados fatos não prejudique a segurança. Assim, muitas notícias ou despachos telegráficos são retardados por horas ou dias, para liberação quando já não possam prejudicar o andamento das operações bélicas ou diplomáticas. A assinatura do Acordo de Cooperação Nuclear entre o Brasil e a Alemanha Ocidental foi mantida em sigilo pelos jornais durante a fase de entendimentos. Em sua edição de 27 de junho de 1975, O Estado de S. Paulo publicou a seguinte notícia, procedente de Bonn e transmitida pelo seu enviado especial, Caio Pinheiro: “Quinze dias antes da assinatura do acordo Brasil-Alemanha, o ministro da Pesquisa Hans Matthofer reuniu os editores dos principais jornais alemães e forneceu-lhes todo o back-ground das negociações entre os dois países. Em troca, impôs um rigoroso acordo de silêncio em torno do problema, aconselhando apenas o uso esporádico de algumas das informações, até o dia da formalização oficial do documento”. John Hohenberg conta que os jornalistas sabiam, em confiança, sobre as missões do General Dwight Eisenhower, relacionadas com o Dia D (invasão da França, em 6 de junho de 1944), bem como a respeito da viagem do Presidente Roosevelt, para encontrar-se com os representantes da Inglaterra e da Rússia. O lançamento da bomba atômica pela primeira vez, em Hiroxima, considerado como “a explosão que terminou com a Segunda Guerra Mundial”, somente foi conhecido dois dias depois, quando o Presidente Harry Truman, dos Estados Unidos, convocou os jornalistas para lhes dar a notícia. John Hightower, da Associated Press, divulgou, 3 então, o despacho seguinte que milhares de jornais de vários países publicaram na
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R. Fraser Bond. Introdução ao jornalismo. Rio, Livraria AGIR Editora. John Hohenberg. Manual de Jornalismo. Rio, Editora Fundo de Cultura. 3 Luiz Moreno Gómez e Victor Arroyo. Cinco siglos tras la noticia. 18º Cuaderno, Caracas, Universidad Central de Venezuela
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Professor mestre Artur Araujo (artur.araujo@puc-campinas.edu.br) site: http://docentes.puc-campinas.edu.br/clc/arturaraujo/ ftp: ftp://ftp-acd.puc-campinas.edu.br/pub/professores/clc/artur.araujo/ Página 2 de 5

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Jor primeira página, a 7 de agosto de 1945 (Hiroxima fora destruída no dia 5 daquele mês):
WASHINGTON, agosto, 6, 1945 (AP) - Por John Hightower - A força destruidora mais terrível que já foi dominada pelo homem, a energia atômica, está sendo lançada agora contra as ilhas do Japão, pelos bombardeiros estadunidenses. O Japão enfrenta a ameaça de uma destruição total e completa, ou a sua capitulação, que não pode demorar muito. A existência da nova arma foi anunciada pessoalmente pelo Presidente Truman, em uma declaração divulgada pela Casa Branca, às onze da manhã, hora de guerra do Este. Disse que a primeira bomba atômica, inventada e aperfeiçoada pelos Estados Unidos, havia sido jogada na base do exército japonês em Hiroxima, dezesseis horas antes de sua declaração. Uma só bomba leva mais poder que dois mil aparelhos B-29 em um só ataque contra o Japão. O Secretário da Guerra, Stimson, informou que a explosão havia levantado nuvens de fumaça e poeira tão densas, que se tornou impossível a observação pormenorizada dos efeitos. O poder da bomba, segundo Stimson, era suficiente para fazer superar a imaginação. Assegurou, ainda, que seria uma enorme ajuda para o término da guerra contra o Japão. Stimson relembrou que o Japão poderá ser colocado fora de combate apenas por ataques aéreos, sem necessidade de ser invadido. Truman frisou que os japoneses haviam rechaçado o ultimatum de rendição dos Três Grandes, reunidos em Potsdam, e que tinha por finalidade evitar a “completa destruição dos nipônicos”. Disse ainda que agora, com a nova bomba, os japoneses poderiam esperar “uma chuva de destruição pelo ar, como jamais se viu na Terra”. A informação também proclamava a vitória anglo-americana ao custo de dois milhões de dólares, em uma das mais terríveis batalhas da guerra: a batalha dos laboratórios, com o fim de revelar os segredos do átomo e aplicar a sua energia para fins militares. Os alemães tentaram desesperadamente sair vitoriosos nesta luta, nos últimos meses da guerra. Os cientistas estão de acordo que se aproxima uma nova era para a paz e a guerra. Se bem que há muito para se experimentar a nova energia, indubitavelmente ela poderá ser usada para propulsionar aviões, barcos e trens, para fins tanto construtivos, como de destruição. Truman disse que a nova bomba obtém a sua energia na mesma fonte do sol e que tinha maior poder que vinte mil toneladas de TNT. Como um B-29 pode lançar cerca de dez toneladas de bombas sobre um objetivo, isso significa que dois mil desses aviões serão necessários para conseguir com o TNT a destruição que um só aparelho alcança com uma só das novas bombas. Truman declarou que o novo poder “domina as bases do universo”. Estas palavras parecem ter grandes possibilidades como propaganda contra os japoneses. Agora se pode dizer que o próprio sol contribui para destruí-los. Todavia, o segredo envolve muitas das características da nova bomba atômica, sabendo-se apenas que o tamanho da carga explosiva é pequeno”.

Hightower, correspondente da Associated Press, não se contentou em fornecer pormenores sobre o lançamento da bomba e de seus efeitos imediatos, mas preferiu interpretar o acontecimento, desconhecido para a humanidade, e fazer conjecturas sobre o emprego da energia atômica. Dois dias antes da divulgação desse telegrama, um cidadão, em trajes esportivos, a bordo do Augusta em águas encarpeladas do Atlântico, lia o seguinte despacho: “Grande bomba lançada em Hiroxima 5 agosto 7,45 hora Washington ponto Primeiros informes indicam total exito”. Esse homem, que era Harry Truman, Presidente dos Estados Unidos, saltou da cadeira em que se encontrava e correu à procura do capitão
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Jor do navio, para lhe comunicar a notícia, que iria causar grande alvoroço em todo o mundo. Somente horas depois é que a nota foi fornecida às agências. Na véspera (dia 4), a Casa Branca divulgara o seguinte comunicado: “Durante a Conferência de Potsdam, os chefes dos Estados Maiores da Grã Bretanha e Estados Unidos, celebraram reuniões diárias para aperfeiçoar os detalhes e coordenar as forças anglo-norte-americanas, a fim de ser levada a derrota total às forças navais e terrestres japonesas e provocar a rendição incondicional do Japão o mais rapidamente possível, liberando todos os territórios ocupados pelos nipônicos”. A 10 de agosto, depois de lançada a segunda bomba atômica em Nagasaki, o Japão declarava aceitar os termos de Potsdam e no dia 14 do mesmo mês rendia-se incondicionalmente, sendo a capitulação assinada a 2 de setembro, na Baia de Tóquio, 4 a bordo do couraçado Missouri . É certo que a imprensa não teve conhecimento de vários fatos (ou por medida de segurança deixou de divulgá-los) que iriam terminar com a segunda guerra. Em Alamogordo, a 16 de julho, uma bomba atômica havia explodido, em caráter de experiência, sem que os jornalistas informassem a respeito. A barriga - noticia falsa - pode ocorrer com o melhor dos jornais. A Revista Veja conta como o Popular da Tarde publicou, em 1970, com minúcias, que Tostão (à época famoso jogador) havia chegado ao Rio de Janeiro, depois de ter sido operado da vista, nos Estados Unidos: “De repente, o homem entrou na redação do Popular da Tarde, de S. Paulo, atirou um jornal sobre a mesa de Nino Cecílio, o secretário de redação, e apontou com um dedo acusador: Esta notícia está errada!” Nino nem precisou olhar, para saber a que notícia o leitor se referia. Aborrecido" sacudiu a cabeça: “Eu sei”. Para Nino Cecílio (35 anos, 17 de jornalismo) a quarta-feira da semana passada foi um dos piores dias de sua vida profissional. Nesse dia, o Popular da Tarde (8.000 exemplares diários) publicou em primeira página a notícia da chegada de Tostão ao Brasil. E na última página do caderno de esportes uma reportagem de quase seiscentas palavras contava toda a história - desde a descida no Galeão, “às 7h30 da manhã”, até a posterior viagem para Belo Horizonte “em companhia de seus familiares, num taxi-aéreo”. Um dos parágrafos: “... Estavam esperando Tostão, há mais de duas horas, os seus pais, o tio e muitos funcionários do aeroporto do Galeão, que fizeram questão de ver bem de perto o olho esquerdo do jogador. Dona Osvaldina (mãe de Tostão) ficou muito emocionada quando viu o filho descer do avião que o trouxe de Houston”. A reportagem só tinha uma falha: Tostão ainda está nos Estados Unidos - por determinação dos médicos sua volta foi adiada e ele não estará no Brasil antes de 20 de abril.
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Edgar Mc Innis. História da II Guerra Mundial. Porto Alegre, Livraria do Globo Revista Veja. 18 de fevereiro de 1970.
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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS CENTRO DE LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO Jor A barriga O Popular da Tarde cometeu o que, em linguagem jornalística, chama-se barriga - a publicação de uma noticia que não aconteceu - o mais assustador fantasma das redações. Nino Cecílio queixa-se da fatalidade: “O jornal fechou de madrugada e às 7 horas já estava impresso. A matéria sobre Tostão foi feita com base na programação preparada para sua chegada. A intenção era dar ao leitor um noticiário quente, atualizado. Infelizmente, o primeiro telegrama internacional, falando no adiamento da viagem, chegou às 7h19. Aí não havia mais nada que pudéssemos fazer”. E o jornal foi para as bancas, para desespero de seus editores. Mas para a jovem equipe de repórteres e redatores do Popular da Tarde (idade média de 24 anos) o caso teve sua utilidade: “Foi uma lição”, afirma Nino Cecílio. “Vamos aproveitá-la e não desanimar. Afinal, não fomos os primeiros a cometer uma rata. E, certamente, não seremos os últimos”. Segundo clichê Enquanto o jornal ainda estiver sendo impresso, é possível alterar e substituir qualquer de suas páginas. Caso chegue alguma notícia importante, substitui-se uma delas, da edição normal, pela que acaba de ser conhecido chamado segundo clichê. A edição do jornal sai, dessa forma, Com uma ou várias páginas (primeira, segunda, terceira, última ou qualquer outra) diferentes, no decorrer da tiragem. Às vezes substitui-se apenas uma matéria da edição normal, que tenha o mesmo espaço da que foi recebida à última hora (ainda que devam ser utilizados tipos maiores). Mas pode acontecer que toda a diagramação precise ser alterada e a paginação se apresente diferente.

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