PORTUGUÊS INSTRUMENTAL – LEITURA E PRODUÇÃO TEXTUAL

PROFA. AURENÍVIA FERREIRA DA SILVA
(APOSTILA ELABORADA PELO PROF. MS. ANTONIO NUNES PEREIRA – COM ADAPTAÇÕES FEITAS PELA PROFESSORA DA DISCIPLINA)

IGUATU - CEARÁ

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UNIDADE I LEITURA E ESCRITA: CONSIDERAÇÕES INICIAIS Costumamos dizer que não sabemos português ou que nossa língua é muito difícil. Em contrapartida, frequentemente ouvimos falar – e também falamos – sobre a importância da leitura na nossa vida, sobre a necessidade de se cultivar o hábito de ler e sobre o papel da instituição escolar na formação de leitores competentes. No entanto, poucas vezes levantamos questões que favoreçam o interesse pela leitura e, em seguida, pela própria produção de textos. O que é ler, afinal? Como e para que ler? Essas perguntas poderão ter diferentes respostas, que revelarão uma concepção de leitura decorrente das concepções de sujeito, de língua, de texto e de sentido que se adote. A concepção mais atual, chamada de interacional ou dialógica, tem como foco a interação autor-leitor-texto, onde os sujeitos são vistos como seres ativos, que constroem socialmente os sentidos dos textos através de diferentes tipos de estratégias. O que importa ressaltar é que ler e escrever são atos indissociáveis, inseparáveis. Quem lê muito tem pouca dificuldade em compreender textos e as ideias que lhes subjazem (independentemente de dominar regras gramaticais) e em manifestar, seja pela fala, seja pela escrita, sua própria opinião sobre o assunto lido. Trabalhar a leitura, a interpretação e a produção de textos é dar ao aluno o instrumento-chave para participar ativa e significativamente da vida social. Ler não é apenas decodificar sinais gráficos, mas sim colocar-se diante do texto, acionando capacidades cognitivas e emocionais, para interagir com os sentidos dali emergentes. E mais: o material escrito é um esquema de pistas, indicações e vazios que podem ser preenchidos e combinados de inúmeras maneiras, segundo as condições do leitor. À semelhança da leitura, pode-se dizer também que escrever não é apenas codificar sinais gráficos, mas comunicar-se com o interlocutor: apresentar, aceitar ou discordar de ideias, expressar e provocar sentimentos, instigar perguntas e respostas, etc. Podemos dizer, portanto, que escrever é um ato processual, que se constrói por ensaio e erro, não devendo ser privilégio de poucos, mas direito de todos. Ou seja, o texto não nasce pronto; ele é planejado, trabalhado, lido, relido, revisado, corrigido, até que se possa chegar ao produto acabado. E, seja na leitura, seja na produção de textos, importa considerar e compreender o uso dos aspectos linguísticos e sua relação com os aspectos situacionais (contextuais). Assim, nosso estudo do português – de forma instrumental, neste curso – estará mais voltado para as especificidades dos textos (forma, propósito comunicativo, vocabulário, etc.) e para os meios de reconhecermos e utilizarmos as principais estratégias de sua construção. PADRÕES DE TEXTUALIDADE EM LÍNGUA PORTUGUESA O texto (do latim textum: “tecido, entrelaçamento”) é a unidade básica de organização e transmissão de ideias, conceitos e informações de modo geral. Em sentido amplo, uma escultura, um quadro, um símbolo, um sinal de trânsito, uma foto, um filme, uma novela de televisão são formas textuais. Tal como o texto escrito, todos esses objetos geram um todo de sentido, propriedade a partir da qual iniciaremos nossa reflexão e estudo. Para tanto, será necessário definir algumas características do objeto – o texto –, salientando as implicações de cada uma delas, a fim de delimitar o ponto de partida e aprofundar a análise. A primeira dessas características é a do texto como um todo gerador de sentido, uma totalidade contextual e não um fragmento aleatório. A segunda é a visão de mundo que o autor constrói e é revelada em um texto, por mais neutro que se pretenda (como nas instruções de um equipamento ou numa notícia de jornal); todo texto é dotado de certo grau de intencionalidade – fenômeno mais notável em textos argumentativos. A terceira é a questão ideológica, através da qual ocorre o processo de produção de significados, signos e valores da vida social, que se identificam normalmente com determinada cultura e/ou

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formação histórica e social. A quarta característica liga-se significativamente à terceira: pelo fato de serem produtos de uma época e de um lugar específicos, os textos carregam marcas desse tempo e desse espaço; o que explica que não são totalmente autônomos, mas sim um diálogo estabelecido com outros textos e com o contexto. TEXTO E PROPRIEDADES DA TEXTUALIDADE 1. CONCEITO DE TEXTO Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do contexto em que são produzidas. As manifestações naturais da linguagem humana são configurações de uma língua natural qualquer, dotadas de sentido, e visando um dado objetivo comunicativo. A tais configurações chamamos de textos ou discursos. Portanto, texto (ou discurso) é uma unidade linguística concreta, dotada de sentido, que é tomada pelos usuários da língua (falante/escritor, ouvinte/leitor), visando a um dado objetivo comunicativo (função). Um texto, porém, deve possuir um conjunto de propriedades para que seja realmente um texto. A esse conjunto de propriedades chamamos textualidade. 2. PROPRIEDADES DA TEXTUALIDADE As propriedades da textualidade, isto é, os aspectos que fazem com que um texto seja realmente um texto, são: a) conectividade (sequencial=coesão; conceptual=coerência); b) intencionalidade; c) aceitabilidade; d) situacionalidade; e) informatividade; f) intertextualidade. a) CONECTIVIDADE Trata-se da relação lógico-semântica existente entre as ocorrências textuais, de modo que só haverá conectividade entre tais ocorrências se as interpretações de ambas forem semanticamente interdependentes. Ex.: “Alinhei com a esperança de vencer, mas só se vence quando se corta a linha de chegada.” Observe que a ocorrência textual em negrito inclui uma relação semântica de contraste em relação à que não está em negrito. A conectividade pode se manifestar tanto pela coesão entre os elementos gramaticais do texto – que chamamos de conectividade sequencial – quanto pela coerência que tal ligação constrói – chamada de conectividade conceptual. 1) Conectividade Sequencial (Coesão) Nesse caso, a interdependência semântica das ocorrências textuais resulta de processos linguísticos de sequenciação, isto é, abrange todo e qualquer mecanismo em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elemento(s) do universo textual. Tem-se, assim, uma forma referencial remissa (que aponta para outro termo) e um referente (termo para o qual a referência é feita). Algumas formas remissas remetem “para trás”, ou seja, para termos anteriores (ANÁFORA) e outras remetem “para frente” (CATÁFORA), para termos posteriores, sendo necessário dar continuidade para descobrir os referentes. Ex.: João bateu em Antônio e este ficou ferido (anáfora; este faz referência a Antônio, termo citado anteriormente) / Ao pé dela, a moça loura viu o homem que a perseguia (catáfora; dela refere-se à moça, citada posteriormente). 2) Conectividade Conceptual (Coerência) É um fator que resulta da interação entre os elementos cognitivos apresentados pelas ocorrências textuais e nosso conhecimento de mundo. A coerência está diretamente ligada à possibilidade de se estabelecer um sentido para o texto, ou seja, ela é o que faz com que o texto tenha sentido para os usuários, devendo, portanto, ser entendida como um princípio de interpretabilidade, ligada à inteligibilidade do texto numa situação de comunicação e à capacidade que o receptor tem para calcular o sentido desse texto. Esse sentido, evidentemente, deve ser do todo, pois a coerência é global. É por isso que uma sequência como “Maria tinha lavado a roupa quando chegamos, mas ainda estava lavando a roupa” é vista como incoerente, pois, apesar de cada uma de suas

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partes ter sentido, parece difícil ou impossível estabelecer um sentido unitário para o todo da sequência. Portanto, para haver coerência, é preciso que haja possibilidade de estabelecer no texto alguma forma de unidade ou relação entre seus elementos. Outro aspecto a ser observado quanto à coerência é que a relação a ser estabelecida entre os elementos linguísticos não é apenas semântica, mas também pragmática, ou seja, a relação tem a ver com os nossos atos de fala. Ex.: A: É telefone. B: Estou no banho. A: Tudo bem. Como é que interpretamos o texto acima? Bem, nesse caso, devemos imaginar uma situação na qual: a) a enunciação da primeira frase (o primeiro comentário de A) será interpretada como pedido, uma vez que é uma frase declarativa; b) o comentário de B é uma resposta a A e tem a força comunicativa de desculpas por não poder atender ao seu pedido; c) a segunda intervenção de A é reconhecida como aceitação das desculpas de B e como um oferecimento pessoal para fazer o que A havia solicitado que B fizesse. Podemos considerar, então, que esses discursos estão coerentemente constituídos, uma vez que podemos recuperar os laços proposicionais ausentes e produzir uma versão com coesão: A: É telefone. (Você pode atender pra mim, por favor?) B: (Não vou poder atender porque) Estou no banho. A: Tudo bem. (Eu atendo). Portanto, se há uma unidade de sentido no todo do texto quando este é coerente, a base da coerência é a continuidade de sentidos entre os conhecimentos ativados pelas expressões do texto. Por outras palavras, quer-se dizer que é através da coerência que percebemos a continuidade de sentido e o encadeamento entre os componentes de um texto. b) INTENCIONALIDADE Refere-se ao modo como os emissores usam o texto para realizar suas intenções, produzindo, para tanto, formas verbais adequadas à obtenção dos efeitos desejados. É por essa razão que o emissor procura, de maneira geral, construir seu texto de modo coerente e dar pistas ao receptor que lhe permitam construir o sentido desejado. (Koch, 1990: 79). Esse fator de textualidade diz respeito também às informações implícitas e explícitas. Quase sempre somos muito diretos em nossa intenção de dizer, até por economia. Contudo, em alguns casos, preferimos não deixar clara a nossa intenção. Ex: Fiz um curso de informática e aprendi algumas coisas interessantes (informação cuja intenção está explícita) / Fiz um curso de informática, mas aprendi algumas coisas interessantes (informação cuja intenção está implícita). Se observarmos melhor, veremos que o uso da conjunção “mas” empresta ao texto outros sentidos: “apesar do curso em si ser desinteressante (ou deficiente), aprendi algumas coisas interessantes” ou “aprendi coisas interessantes, apesar de se tratar apenas de um curso de informática”, etc. c) ACEITABILIDADE Constitui a contraparte da intencionalidade. Focada no receptor, esse fator está relacionado à sua compreensão quanto à mensagem enunciada. Ainda que um dos postulados básicos que regem a comunicação humana seja o da cooperação (isto é, sempre que ouvimos ou lemos, procuramos compreender para interagir completamente com nossos interlocutores), é bom entendermos que a compreensão adequada não depende apenas do leitor. Um texto precisa ser – antes de tudo – uma unidade de sentido, em que todas as suas partes sejam coesas e coerentes. Por exemplo: Digamos que a frase “Fiz o curso de informática, mas aprendi algumas coisas interessantes” tenha sido dirigida ao dono ou responsável pelo curso. O receptor da mensagem poderia chegar à aceitabilidade (compreendendo que o curso por algum motivo

A intertextualidade pode ocorrer quanto à forma ou ao conteúdo. é inodora. no oral. nem analisadas. Isso ocorre com frequência em textos poéticos. sermos claros e objetivos em nossas mensagens. a coerência depende muito mais do contexto situacional do que do escrito. Uma evidência dessa dependência é a dificuldade que se encontra para interpretar a fala gravada. sobretudo por haver muitos aspectos evocados situacionalmente e por ser decisiva a influência da situação no cálculo do sentido. insípida e incolor”. porque o cálculo de seu sentido se torna difícil ou impossível. Ex. é preciso entender as relações estabelecidas entre sociedade. Quando pura. e sempre. Devemos perceber por esse fator o quanto é importante apresentarmos nossas informações num grau satisfatório de aceitabilidade. ocorre quando o produtor de um texto repete expressões. Para entendermos as relações sociais. É o fator de intertextualidade que permite ao falante/ouvinte recuperar as marcas textuais que assinalam as relações que um texto estabelece com outros.: “Este líquido é água. época e cultura. quando mais tarde me procure/ Quem sabe a morte. e com tal zelo. Seria redundante continuar comentando. históricas e culturais existentes no texto. contém também marcas históricas deixadas no segmento textual. f) INTERTEXTUALIDADE Além de o texto conter marcas da individualidade do falante/escritor. No texto oral. sem que estabeleçamos uma relação com a sua época de produção. cor e sabor. Vinicius de Morais) Trata-se de um texto que se ocupa em informar? e) SITUACIONALIDADE Refere-se ao conjunto de fatores que tornam um texto relevante para dada situação de comunicação. enunciados ou trechos de outros textos. o texto tende a parecer incoerente. posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure. Todavia.04 não foi interessante para o emissor) ou de não aceitabilidade (não percebendo na mensagem a intenção não declarada do falante). d) INFORMATIVIDADE Diz respeito ao grau em que as informações são esperadas/conhecidas ou não. por exemplo. e tanto Que mesmo em face do maior encanto/ Dele se encante mais meu pensamento. Se a condição de situacionalidade não ocorre. Quero vivê-lo em cada vão momento/ E em seu louvor hei de espalhar meu canto E rir meu riso e derramar meu pranto/ Ao seu pesar ou seu contentamento E assim. jornalísticos e também em textos publicitários. há casos de textos escritos muito dependentes da situação. porque. Há casos em que a informatividade é aparentemente nula. etc. ou seja. Esses textos foram chamados pela teoria linguística tradicional de frases de situação. pois as ideias expressas não podem ser compreendidas. angústia de quem vive Quem sabe a solidão. Quanto à forma. Trata-se de unir quantidade e qualidade nas informações dadas. Exemplo: De tudo ao meu amor serei atento/ Antes. ou então o estilo de determinado autor ou de determinados tipos de discurso. quando a água não é pura. Exemplos: . é preciso compreender as relações de um texto com outros textos. (Soneto de fidelidade. que. de pedido de silêncio em hospitais. de seções em instituições diversas. ela pode apresentar características de cheiro. evitando repetições e redundâncias. os elementos da situação cooperam no estabelecimento das relações entre os elementos do texto em mais alto grau do que no escrito. fim de quem ama/ Eu possa me dizer do amor (que tive): Que não seja imortal. como placas indicativas de direção e de salas.

por fatores culturais. Ele adora cidades pequenas.” (Hino Nacional – Osório D. b) A praça era enorme. O frio bom do longo rio. por exemplo. c) Pedro: João. Discuta os fatores da textualidade (conectividade.] “Do que a terra mais garrida Teus risonhos lindos campos têm mais flores Nossos bosques têm mais vida. Identifique quais ocorrências abaixo são textos ou não. Justifique sua resposta. você me empresta seu carro amanhã? João: Se o homem foi à Lua há trinta anos. a) Som frio. Nossa vida mais amores. No meio havia uma coluna: à volta..” O que podemos dizer das figuras acima quanto à textualidade? Exercícios de aplicação 1. intencionalidade. árvores e canteiros com flores. “um subtipo de intertextualidade formal é a intertextualidade tipológica.. de área de conhecimento. tão bom tão frio o claro som Do rio sombrio. aceitabilidade. como vou te emprestar meu carro? 2. .: Segundo Koch (1990). etc. O longo som do rio frio. intertextualidade) em cada trecho abaixo: a) O rapaz correu até o final da rua. informatividade. Nossa vida em teu seio mais amores. Estrada) “Nosso céu tem mais estrelas Nossas várzeas têm mais flores Nossos bosques têm mais vida. por isso escolheu São Paulo. Rio Sombrio.05 [. Lá ele parou e caiu. de época. pois gostava do Paraná.. Ex.” (Canção do Exílio – Gonçalves Dias) A intertextualidade de conteúdo diz respeito às relações determinadas.. b) José viajou para São Paulo. situacionalidade. Tão longe.

não havia dado sinal de vida. Os poetas da minha terra são pretos que vivem em torres de [ametista. os filósofos são polacos vendendo a [prestações. que aqui gorjeiam. viu um cavalo que descia para sua casa. Poesias: Canção do Exílio) Exercícios de aplicação 1) Leia atentamente o que segue: João Carlos vivia em uma pequena casa construída no alto de uma colina árida. Ao olhar de mais perto verificou que o visitante era seu filho Guilherme. Não gorjeiam como lá Nosso céu tem mais estrelas. (Murilo Mendes. Nossa vida mais amores.06 c) Minha terra tem macieiras da Califórnia onde cantam gaturamos de Veneza. apresenta coesão e coerência? Se não. em todo esse tempo. Guilherme. João. As aves. ao ver seu pai. Poesias: Canção do Exílio) Minha terra tem palmeiras. entretanto observou que o cavalo era manco. que há 20 anos havia partido para listar-se no exército e. Faça uma análise e responda: a) É um texto de fato? Ou seja. . As árvores e as folhagens não permitiam ver distintamente. colocada à frente de sua casa olhava o sol poente e observava como a sua sombra ia diminuindo no caminho coberto de grama. Nossos bosques têm mais vida. desmontou imediatamente correu até ele e lançou-se no seu braço e começou a chorar. até o horizonte. sentado nos degraus da escada. De repente. (Gonçalves Dias. reescreva-o. uma planície coberta de areia. Desde o pé da colina se espalhava em todas as direções. Onde canta o Sabiá. fazendo os ajustes necessários. Na noite em que contemplava 30 anos. cuja frente dava para leste. Os sargentos do exército são monistas [cubistas. Nossas várzeas têm mais flores.

há inúmeros recursos que garantem o mecanismo de coesão. Como podemos ver. ademais. não há um texto. porquanto. como. as escolas particulares ainda vêm apresentando melhor qualidade de ensino. já que. que. Assim. Embora haja empenho das autoridades médicas em erradicar as doenças tropicais. bate-me o coração mais forte. então. b) Estabelecem relação de CONCESSÃO. verbo = comeu. todavia. foi reprovado. mal. dessa forma. f) Servem para ligar ideias que decorrem ao mesmo tempo. mas o nível semântico apresenta problemas. Veja que. contudo. contudo. há somente um grupo de palavras dispostas em uma ordem qualquer. visto que. entretanto. de resignação: embora. pelo menos nesse contexto. antes que. deixando-o inteligível. até que. portanto. por mais que. Veja: O lanche comeu o menino ontem. a menos que. se bem que. A COESÃO TEXTUAL “A metáfora da tessitura dos textos” Os conectivos estabelecem diversos tipos de relação entre as partes do discurso e são usados como recursos coesivos que contribuem para estabelecer coerência entre termos ou segmentos na construção de um texto. mesmo que.07 OS MECANISMOS DE COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS O texto não é simplesmente um conjunto de palavras. d) Servem para COMPLEMENTAR e CONCLUIR ideias: assim. Algumas de suas características: a) Servem para ACRESCENTAR ideias. O menino comeu o lanche ontem. desde que. estas continuam a fazer vítimas. pois não é possível que o lanche coma o menino. e) Estabelecem relação de JUSTIFICAÇÃO. o que significa que problemas no seu emprego podem dificultar a compreensão da ideia que se deseja expressar. depois que. ainda. bastaria que as agrupássemos de qualquer forma. O ideal para o caso anterior seria. Não crie caso. na forma (sintaxe) e no significado (semântica). não obstante. e. que pode ocorrer: . Além de sofrer com os constantes choques econômicos a que vem sendo submetida. pois nem sequer havíamos estudado. nesse caso. salvo se. contanto que. os conectivos conferem unidade ao texto. As injustiças sociais são apontadas como a principal causa da violência. Portanto. Como não estudou. O passeio será realizado. enquanto. À medida que o professor falava. parecia que “o lanche tinha comido o menino”. isto seria possível. por menos que. argumentos: além de. caso não chova. como em: O ontem lanche menino comeu. O exame era difícil. estabelecendo relação de PROPORÇÃO: à medida que. porque. Quando a vejo. de EXPLICAÇÃO entre as ideias: pois. h) Expressam circunstância de TEMPORALIDADE entre as ideias: quando. a classe média vê-se forçada a expandir suas atividades para poder sobreviver. porém. garante ao texto uma unidade de significados encadeados. Caso a frase estivesse empregada num sentido figurado e em outro contexto. porquanto. logo. apenas. apesar de. por consequência. se fosse. à proporção que. os alunos iam dormindo. sem que. além disso. que estamos aqui para ouvi-lo. Essa ordenação correta. O ensino público vem apresentando gradativas melhoras. Mesmo que colocássemos essas palavras em uma ordem gramatical correta (sujeito-verbocomplemento). complementos = o menino ontem). conquanto. que. Pedrinho saiu da lanchonete todo lambuzado de maionese. i) Estabelecem relação de CAUSA entre as ideias: porque. mostarda e catchup. c) Estabelecem OPOSIÇÃO entre ideias: mas. ainda que. caso. por conseguinte. logo que. O nível sintático está perfeito (sujeito = o lanche. para combatê-la é preciso buscar a igualdade social. g) Estabelecem relação de CONDIÇÃO entre ideias: se. o lanche era enorme. precisaríamos ainda organizar o nível semântico do texto.

Pena que o cineasta mais famoso do cinema brasileiro tenha morrido tão cedo. O presidente foi a Portugal. O ministro foi o primeiro a chegar. (Sinonímia entre menininha e garota) O presidente foi a Portugal. A COERÊNCIA TEXTUAL A coerência (do latim cohaerentia. Observe a atuação do advérbio e do pronome no processo de elaboração do texto: O presidente foi a Portugal. o nome do cineasta foi substituído por uma expressão que costumava ser atribuída a ele. Lá. Os termos “Lá” e “ele” referem-se a Portugal e a presidente. *por uso lexical (quando usamos palavras ou expressões sinônimas de algum termo para substituílo por um termo subsequente) ou por epítetos (quando usamos palavras ou frases que qualificam pessoas ou coisas): Uma menininha correu ao meu encontro. No segundo exemplo. todas facilmente subentendidas no contexto. *por associação: quando usamos uma palavra que retoma a outra porque mantém com ela. O país é cheio de entraves burocráticos. “Estava andando sozinho na rua. *por elipse: quando omitimos um termo a fim de evitar sua repetição e essa supressão da palavra é facilmente depreendida. foi homenageado por intelectuais e escritores. Peixoto disse que ia gastar todo o dinheiro na compra de uma fazenda e em viagens ao exterior. 08 fazendo referência a termos que foram ou serão citados textualmente. em determinado contexto. Manuel da Silva Peixoto foi um dos ganhadores do maior prêmio da Loto. São Paulo é sempre vítima das enchentes de verão. O presidente foi a Portugal em visita. O presidente viajou para Portugal nesta semana e o ministro dos Esportes o fez também. Na Terra de Camões. Esse exemplo apresenta repetições que podem ser evitadas. Em Portugal o presidente recebeu várias homenagens. Nos exemplos acima. normalmente. “o que está junto ou ligado por nexo ou harmonia”) está relacionada à inteligibilidade (compreensão do sentido) do texto. advérbios e artigos para construir a unidade do texto. *por nominalização: quando empregamos um substantivo que remete a um verbo enunciado anteriormente. A palavra limitações sintetiza o que foi dito antes. provocando engarrafamentos de até 200 quilômetros. e a palavra “horas”. omitiram-se as palavras “presidente” e “ministro” ou o pronome equivalente “ele”. ele foi homenageado. O termo “alagamentos” relaciona-se semanticamente a “enchentes”. É preciso preencher um sem-número de papéis. Veja que “Portugal” foi substituído por “Terra de Camões” para evitar repetição e dar um efeito mais significativo ao texto. A garota parecia assustada. e foram usados a fim de tornar o texto coeso. Os alagamentos prejudicam o trânsito. substituindo-as por uma expressão com significado equivalente. *por repetição do nome próprio ou parte dele: usamos quando queremos enfatizar a pessoa. Veja que o texto ganhou agilidade e estilo. . (o presidente/ele) foi homenageado. a repetição deva ser evitada. embora. vínculos precisos de significação. *por termo-síntese: quando usamos uma expressão para resumir/abranger algo dito. mas o juiz disse que tal testemunho não era válido. Lá.*por referência: quando usamos pronomes. pagar uma infinidade de taxas. Eles testemunharam sobre o caso. Depois. Glauber Rocha fez filmes memoráveis. Todas essas limitações acabam prejudicando o importador. (O ministro/Ele) Abriu a sessão às oito (horas) em ponto e fez então seu discurso. A expressão “o fez também” retoma a sentença “viajou para Portugal”. pois há uma ligação semântica entre “Terra de Camões” e intelectuais e escritores. *por substituição: quando abreviamos sentenças inteiras.

ouvi passos atrás de mim. saí correndo. nem olhei..... estranho. Assustado.” Se o narrador não olhou. que tinha em suas mãos uma arma. pois me perseguia um homem alto. como soube descrever a personagem que o seguia? .

[.] Na realidade.. algumas diretrizes que norteiam a atividade de leitura analítica. mais agradável e. portanto. sempre um trecho com um pensamento completo). mesmo em se tratando de assuntos abstratos. devidamente iniciado. mas. nem por isso. a ideia central e as ideias secundárias da unidade. relatórios. etc. uma seção. é possível acompanhar o raciocínio.. apesar de não substituírem a capacidade de intuição do leitor na apreensão da forma lógica dos raciocínios em jogo. • levantar esclarecimentos relativos ao autor. Análise Temática (compreensão do texto): • determinar o tema-problema. • evidenciar a estrutura lógica do texto. análise. ajudam muito na análise e interpretação dos textos. insuperáveis. mais proveitosa. o mesmo não acontece com textos filosóficos e científicos. sobretudo. • esquematizar o texto. Por isso é preciso criar condições de abordagem e de inteligibilidade do texto. os textos de ciência e de filosofia requerem abordagens específicas. interpretação e produção de textos. bem como no contexto cultural de sua especialidade. Se. Na verdade. Os dados e fatos levantados pela pesquisa e organizados conforme técnicas específicas às várias ciências permitem ao leitor. INTERPRETAÇÃO E PRODUÇÃO DE TEXTOS No que diz respeito à leitura. evidenciando sua estrutura redacional. que sejam importantes para a compreensão da mensagem. Assim. • refazer/reconstruir a linha de raciocínio do autor. uma parte. • • treinar para o desenvolvimento do raciocínio lógico. cujos processos básicos são: Delimitação da Unidade de Leitura: A primeira medida a ser tomada pelo leitor é o estabelecimento de uma unidade de leitura. aplicando alguns recursos que. etc. uma parte do texto que constitua a totalização de sentido. Análise Interpretativa (interpretação do texto): • situar o texto no contexto da vida e da obra do autor. ou seja. e. . no estudo pessoal e em grupos. já mais rigoroso. uma seção ou qualquer outra subdivisão. determinando-se os limites nos quais se processará o trabalho de leitura e de estudo em busca da compreensão da mensagem. Há. ao vocabulário específico. A leitura analítica é um método de estudo que tem como objetivos: • fornecer uma compreensão global do significado do texto. resenhas.09 UNIDADE II DIRETRIZES PARA LEITURA. na confecção de resumos. por exemplo. ANÁLISE. • explicitar os pressupostos do autor que justifiquem suas posturas teóricas. esquematizando a sequência das ideias. aos fatos. Problematização (discussão do texto): • levantar e debater questões explícitas ou implícitas no texto. tanto do ponto de vista histórico como do ponto de vista teórico. ainda hoje os alunos demonstram inúmeras dificuldades. fornecer instrumentos para o trabalho intelectual desenvolvido nos seminários. • debater questões afins surgidas a partir da interpretação do leitor. • treinar para a compreensão e a interpretação crítica dos textos. o estudo de textos literários parece menos rigoroso em sua abordagem. de um “setor”. seguindo a apresentação dos dados objetivos sobre os quais tais textos estão fundados. • fazer uma leitura rápida e atenta da unidade para se adquirir uma visão de conjunto da mesma. a leitura torna-se mais fácil. pode-se considerar um capítulo. no estudo dirigido. No caso de textos de pesquisa positiva. desde que o leitor esteja em condições de “seguir o fio da meada”. Análise textual (preparação do texto): • trabalhar sobre as unidades delimitadas (um capítulo. doutrinas e autores citados.. acompanhar o encadeamento lógico desses fatos no raciocínio científico.

que o estar só é muito importante para nosso equilíbrio emocional. para todos nós. Um exemplo disso é exatamente o da solidão. Antônio Joaquim.] O antagonismo. de maneira que é crescente o número de pessoas que. com redação própria. [.. estamos valorizando mais os momentos individuais. o que determina imediatas repercussões sobre a vida íntima. (Texto adaptado.. ficaram sozinhas porque tiveram o curso de seus relacionamentos afetivos interrompido contra sua vontade venham a desenvolver tão grande prazer nesse novo estado que dificilmente voltarão a se interessar. o apreciação e juízo pessoal das ideias defendidas. 2002. Acontece que as possibilidades objetivas para podermos viver sozinhos têm se tornado muito atraentes de uns poucos anos pra cá.. O PRAZER DE FICAR SÓ FOI DESCOBERTO POR ACASO [. por novas relações muito íntimas e fundamentalmente repressoras. Metodologia do trabalho científico.. Sempre existiram pessoas que viveram de forma solitária e. Homens e mulheres já conseguem ficar em paz quando estão sozinhos tanto em casa como em um quarto de hotel. No entanto. etc. de Flávio Gikovate.] Torna-se cada vez mais claro. Façamos agora uma leitura do texto que segue. a nós que crescemos há algumas décadas.) ..] O que acabou acontecendo. como é o caso do uso do computador. Muitas das pessoas que inicialmente se sentiram rejeitadas e abandonadas acabaram por conhecer uma nova dimensão de si mesmas. aqueles nos quais podemos pensar sobre nossos projetos pessoais. o originalidade do tratamento dado ao problema. • elaborar um novo texto. Isso nem sempre foi assim. para um programa descontraído e ingênuo. quase como fósseis ao contrário... [. uma vez que propicia o encontro com nossa subjetividade – e como isso nos ajuda no caminho do autoconhecimento! É possível mesmo que muitas das pessoas que.. São Paulo: Cortez. ainda na era do elogio da vida familiar e grupal. aos poucos. Isso sempre nos causou estranheza. entre amor e individualidade parece que vai caminhando na direção da resolução. [. À medida que nos tornamos mais competentes para ficar com nós mesmos.. o alcance de suas conclusões e consequências. ler nossos poemas prediletos. e que agora podem se expressar. [. Isso abre novas perspectivas para seu modo de viver. 47-61). em um primeiro momento. (Texto extraído e adaptado do livro Ensaios sobre o amor e a solidão.. e experimentaram importante crescimento pessoal. já conseguem ficar em casa dedicando longas horas a afazeres solitários.. o validade dos argumentos empregados. sem o cônjuge..] A maior parte das pessoas ainda se ressente muito de não ter um parceiro romântico. Surgem facetas de nossa subjetividade que estavam enterradas. exercer uma atitude crítica frente às posições do autor em termos de: o coerência interna da argumentação. O avanço assim obtido jamais teria acontecido se não ocorresse a ruptura do elo amoroso. por vontade própria. p. tendemos a precisar menos do outro para atenuar a dor do desamparo.. o profundidade de análise do tema.] Não deixamos de gostar de sentir o aconchego e o prazer da companhia de alguém com quem nos sentimos bem e protegidos.] O que isso significa? O ser humano mudou sua essência? Não creio. com discussões e reflexão pessoais. mas já são muitas as que preferem estar sós a mal acompanhadas. Síntese Pessoal (reelaboração pessoal da mensagem): • desenvolver a mensagem mediante uma retomada pessoal e um raciocínio personalizado. sempre por vontade própria. [. Significa que nossa subjetividade é uma caixa de surpresas para nós mesmos. modificou de forma muito intensa seu hábitat. decidem viver sós.10 • • aproximar e associar ideias do autor expressas na unidade com outras ideias relacionadas à mesma temática. não raramente.. SEVERINO. mesmo sem que nos déssemos conta? Fomos nos tornando. de verdade e ao menos por um bom tempo.. aparentemente inconciliável.. analisando sua estrutura conforme os processos acima descritos. mais competentes para o estar só. ouvir nossas músicas favoritas. [. tiveram acesso a suas forças.] O homem. graças à inquietação íntima que deriva tanto de sua consciência dual como da consciência de sua condição cósmica. já são capazes de sair com amigos. até então adormecidas.

c) Os fatos: análise da condição de “estar só” vivida pelo homem contemporâneo.3. d) Doutrina: bases teóricas da Psiquiatria e conceitos associados à Psicologia e à Filosofia. Análise Textual (delimitação da leitura): Trata-se de um capítulo do livro Ensaios sobre o amor e a solidão. Atitude Crítica: . etc.3. autoconhecimento. como: consciência dual e cósmica.1. Reconstruindo o Raciocínio Lógico do Autor (resumo de suas ideias): 2. Justificar ou criticar: 3. Análise Interpretativa 3. Análise Temática 2. conferencista e autor de inúmeros livros na área da psicoterapia. 2.5. Ideia Central: A possibilidade de sentir prazer em estar sozinho.11 Leitura Analítica do Texto 1. esclarecimentos): a) O autor: Flávio Gikovate é psiquiatra. 2. Interpretação: 3.2.2.. b) Vocabulário específico: termos da área da psicologia e da psiquiatria. Ideia Secundária: Os conceitos culturais relacionados ao “estar só”.4.1. (leitura rápida. Esquema das Ideias do Autor: 3. de Flávio Gikovate. 2. Tema/Problema: O “estar só” 2.

um avanço em termos legais. Edição 04 a 18 de fevereiro de 2005. de proteção aos idosos fragilizados. na informação junto à família. as escolas para idosos. em instituições asilares. a seguir. que contemplem as demandas dos idosos. ultrapassam a mera execução das políticas sociais e aliam-se aos movimentos sociais dos usuários na construção de um projeto que lhes garanta o usufruto da cidadania. previdência e assistência social. as associações de aposentados e pensionistas. no acompanhamento domiciliar. orientando e viabilizando o usufruto dos direitos previdenciários. como as Universidades para a Terceira Idade. as associações de moradores de bairros e das comunidades. mas para todas as gerações. as entidades de cultura e lazer. assessoria e consultoria dos movimentos dos usuários de saúde. assessoria e consultoria dos movimentos dos aposentados e pensionistas e outras atividades. não só para os idosos. além das voltadas para as barreiras arquitetônicas. Disponível em: http://:www.com. nos postos de saúde. na orientação. Sara Nigri. quer seja por questões socioeconômicas. sem serem os protagonistas das lutas dos idosos. da rede pública e privada.assistentesocial. nas campanhas comunitárias de vacinação.pdf Os dados demográficos do IBGE mostram que o segmento de pessoas com sessenta anos e mais tem crescido de forma extraordinária no Brasil. não de forma exclusiva e outras atividades. além de outras atividades. esclarecendo direitos e informando aos usuários quanto aos benefícios da Previdência. para os transportes. deixando claro que há áreas e sub-áreas que emergem de acordo com a realidade social e histórica. para que aprendam a conhecer e a respeitar os idosos. quer seja por abandono dos familiares. médio e longo prazos. O atendimento à população idosa teve relevância desde os primórdios do Serviço Social. Campanhas educativas em todas as áreas da seguridade social. também ações profissionais na esfera da educação. sempre que possível. se assumem como agentes políticos de transformação social. O assistente social deve atuar. dos Conselhos da Assistência em todos os âmbitos. Na área da Saúde: em hospitais. para compartilhar das equipes interprofissionais de experiências de educação social e política. Os assistentes sociais comprometidos com as causas sociais. de prevenção de doenças. prestação de serviços e. algumas possibilidades no campo do Serviço Social. A participação de assistentes sociais foi efetiva nos espaços de luta pela cidadania dos idosos e pela aprovação do Estatuto do Idoso. Na área da Assistência Social: Nas repartições públicas de todos as esferas. Sinalizaremos algumas. os grupos de convivência. Na área da Previdência Social: Nos postos da Previdência Social. O Serviço Social e a questão do envelhecimento. que envolvam e preparem os idosos para o exercício pleno da cidadania enquanto sujeitos. para a inserção nos . lembrando que as demandas são historicamente determinadas e requerem respostas de políticas sociais adequadas. da assessoria. nas comunidades. a título de exemplo. devido ao aumento demográfico e às demandas crescentes de produtos e de serviços. os centrosdia. no decorrer de sua história. O campo profissional de atendimento à população idosa é bastante amplo com tendências de ascensão a curto. O caráter caritativo e assistencialista. São importantes. destacamos. Na área da Educação: Atuar nos espaços educativos destinados aos idosos. principalmente os da seguridade social: saúde. nas instituições estatais.12 APLICAÇÃO DA LEITURA ANALÍTICA Texto ENVELHECIMENTO E AÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL Texto extraído de: GOLDMAN. evitando a tutela e a ocupação do espaço político dos sujeitos idosos. nas campanhas comunitárias de esclarecimento. em todas os locais de atendimento aos idosos. na orientação. numa ação interdisciplinar que congregue esforços no seu fazer cotidiano e na aliança de parceiros para a consolidação dos direitos dos idosos. na prevenção de quedas.br/novosite/cadernos/cadespecial8. nas organizações sociais privadas. especificamente sobre o Benefício da Prestação Continuada. consultoria e orientação aos movimentos dos usuários da Assistência Social. Caderno Especial nº 8. para que estabeleçam laços sociais de intercâmbio intergeracionais e para que se preparem para a velhice. Na medida em que tal população requer atenção nas inúmeras áreas de atuação profissional. na formulação da política previdenciária. mas ainda distante de ser implementado. na formulação de políticas de saúde. Cabe registrar que os assistentes sociais devem ser solidários na luta. Participar da formulação de políticas da área. em todos os espaços que congregam idosos e seus familiares para orientação. com os demais profissionais. foi se modificando.

com certa função comunicativa em esferas de atuação humana. que evitará a presença de itens desnecessários ou incoerentes e assegurará aqueles realmente exigidos pelo objetivo do texto. passa-se para a busca (geração) de ideias. propósito comunicativo. Doutora em Serviço Social e Políticas Sociais pela PUC/SP. bem como para clarear as ideias e identificar as características do texto a ser escrito. E se as informações sobre dado tema forem insuficientes. mas para toda a sociedade brasileira. é aconselhável a criação de um roteiro do texto. Depois de geradas as ideias. predominantes em dado gênero. OS PROCEDIMENTOS DE ESCRITA: FASES DA PRODUÇÃO TEXTUAL Antes de falarmos das fases do processo de produção textual. Nesse momento. etc. como os fóruns. é normal que as ideias que nos vêm à mente sejam pouco ligadas entre si. os gêneros são uma forma específica de combinar. certamente. “fiz o resumo do livro”. frases ou . argumentativo. também. indissoluvelmente: conteúdo. etc. A partir dessa organização. é a definição da ordem ou sequência em que serão apresentados os aspectos ou detalhes que irão estruturar o texto. os termos grifados são exemplares de gêneros textuais.. Mas certamente. • Destinatário. Em outras palavras. por meio de uma linguagem que tanto pode ser conotativa quanto denotativa. vai-se anotando livremente tudo que vier à mente. práticas sociocomunicativas que convencionamos e utilizamos constantemente. é preciso selecioná-las. será necessário ler e pesquisar mais sobre o assunto. A fase de planejamento serve para “economizar” e distribuir o tempo disponível. injuntivo (instrucional). “o poema de Vinícius é lindo”. Há que se pensar. Numa bula. recuperando-as em subconjuntos. Então. conselhos e associações de idosos. revisão e redação final. A educação para a cidadania amplia a ação do Serviço Social em programas dirigidos aos idosos. aposentados e pensionistas. descritivo. Em enunciados como “recebi seu e-mail hoje”. Feita então essa reflexão. “achei aquele anúncio muito interessante”. por exemplo.13 espaços sócio-políticos. O roteiro é o plano de desenvolvimento das ideias. produção. principalmente. • Tipo e gênero textual. ideia “puxando” ideia. *Professora Adjunta da ESS/UFRJ. constituídos de determinado modo (plano composicional). definidos como tipos relativamente estáveis de enunciados. Seus componentes são palavras-chave. de forma que todas as informações tenham algo em comum (seleção e organização). é um instrumento de controle de desenvolvimento. palavra “puxando” palavra. Há que se atentar para as demandas que emergirão. É mais fácil escrever um texto quando se determina exatamente o que fazer e. como numa tempestade de ideias. num artigo de opinião. “terminei o relatório”. Os tipos mais conhecidos são: narrativo. e distinguíveis pelo conteúdo temático e pelo estilo que apresentam. composição e. criação do texto ou desenvolvimento. conforme o objetivo do texto. estilo. • Propósito ou função comunicativa do texto. rumo a um mundo em que a Justiça Social se faça presente não só para os idosos. informativo-explicativo. a argumentação. Quando encaramos um assunto pela primeira vez. seja competente e crítica. e organizá-las. e assim por diante. é relevante explicar que os textos se realizam concretamente através de gêneros textuais. O ato de escrever exige operações elementares como: organização e seleção de ideias. para isso. revisão do texto (com o objetivo de torná-lo cada vez mais inteligível) e reescrita. elas devem ser selecionadas. no transcorrer da história. Já os tipos textuais são formas de organização textual. o Serviço Social terá espaço de participação em todas elas e nossa expectativa é de que sua atuação seja comprometida com a cidadania dos idosos. o primeiro passo para aprender a produzir um texto é distinguir as várias fases de sua realização: planejamento (seleção e organização das ideias). Diretora Técnico-Científica da ANG/RJ. em programas educativos intergeracionais que possibilitem a construção de uma sociedade pautada na solidariedade entre as gerações para diminuir o preconceito que os jovens têm dos idosos e vice-versa. alguns pontos precisam ser esclarecidos e definidos antes do início do trabalho: • Objeto da redação: assunto e delimitação (tema). predomina a injunção. Nesse sentido.

.será uma decisão equivocada e pouco racional . as concordâncias. deve-se verificar – antes de tudo – se o texto está bem estruturado. Após a seleção das ideias e a sua organização no roteiro. Roteiro 1. em vez de fazerem uma revisão minuciosa. a ortografia.. em geral. vem a fase de revisão. um passo fundamental para a sua produção final. não revisam seus textos. através de conjunções ou frases de ligações. as regências. ao passar de uma ideia a outra. A revisão da forma consiste em efetuar transformações locais nos textos: cortar e simplificar frases longas demais. Os estudantes. porque. especialmente quanto à ordem e à organização dos parágrafos. apenas releem de forma rápida e pouco crítica. Identificação das características da redação Assunto: Drogas Delimitação do tema: Drogas: liberar ou não liberar? Tipo: Argumentativo Gênero (formato): Artigo de opinião Destinatário: Público em geral Propósito: Argumentar a favor ou contra a liberação das drogas II. . Durante a revisão de conteúdo. Depois da revisão e da correção. passagens que devem ser postas em outra ordem no texto ou integradas com o que segue ou antecede.. passagens que não apresentam nenhuma relação com o restante ou que constituem divagações muito distantes das partes precedentes e seguintes. Não liberar. Geração de ideias (elenco desordenado e casual de ideias para o tema)  vulgarização e descontrole geral  países com estados onde há liberação estão revendo a situação  quem sairia ganhando?  a posição do governo diante da paralisação da sociedade  nenhum benefício poderia amenizar os males causados  o governo seria o “traficante oficial” da nação  sensação de poder X disposição para trabalhar  liberar é desistir do combate e juntar-se ao inimigo  a liberdade é o bem maior que possuímos. Uma boa apresentação serve tanto para satisfazer o senso estético como para facilitar a leitura e apreciação do texto. não devemos abrir mão desse bem  o futuro das crianças  decisão equivocada e pouco racional III. No primeiro caso. Trabalhando as fases do processo de produção textual Exemplo 01 I. às vezes. corrigir as quebras de paralelismos. ligado devidamente. desenvolvidas e exemplificadas. Pode-se falar de dois tipos principais de revisão: a revisão de conteúdo e a revisão de forma. As primeiras versões dos textos contêm. Seleção e organização das ideias (que configuram um roteiro como o expresso abaixo) IV. chega o momento de começar a escrever o texto: a fase de desenvolvimento ou criação.haverá vulgarização e descontrole geral . Portanto. Depois de escrito o texto. As revisões de conteúdo e de forma são separadas por comodidade de exposição. suprimir palavras supérfluas. já que o texto é um continuum em que as partes se inter-relacionam. deve-se estar atento para usar elementos de ligação que ajudam a criar o fio condutor do raciocínio. e assim por diante.. trata-se de trechos que devem ser cancelados. a redação deve ser finalmente “passada a limpo” – fase da redação final. os dois tipos de revisão são realizados ao mesmo tempo. colocar frases na voz ativa. e a sequência dos parágrafos deve ir construindo progressivamente a tese que se quer desenvolver. no segundo. Nela. Cada parágrafo deve desenvolver uma ideia relacionada com a tese do texto. Durante a sua criação... na realidade.14 períodos. as ideias do roteiro devem ser definidas. tudo o que foi colocado em tópicos no roteiro deverá ser articulado.

exatamente porque a situação estava ficando caótica. Identificação das características da redação Assunto: Delimitação do tema: Tipo: Gênero (formato): Destinatário: Propósito: II. Além disso.15 .. devemos refletir em torno da nossa liberdade. Seleção e organização das ideias (que configuram um roteiro como o expresso abaixo) IV. Sejamos mais racionais e não troquemos a beleza do nosso mundo pela obscura trilha que tem a morte como ponto final.. por conta da sensação de poder que as drogas proporcionariam e a consequente falta de disposição para o trabalho.. uma decisão equivocada e pouco racional..a sensação de poder implicará em indisposição para trabalhar . Conclusão  Liberar é desistir do combate e juntar-se ao inimigo  Qual será o futuro das crianças? Versão final do texto A liberação oficial das drogas é. Devemos questionar. Além desses questionamentos..bem maior .. É tolher o futuro brilhante de uma criança.quem sairia ganhando? . qual seria a função do governo nesse caso? Seria o “traficante oficial” da nação? Países que as liberaram estão revendo suas posições.. . A liberdade .. Ademais..países onde há liberação estão revendo a situação 2. no caso de uma provável liberação para essas substâncias: quem sairia ganhando com isso? A sociedade... uma vez que as tornariam vulgares e ocasionaria um descontrole geral no aumento do consumo. sem dúvidas. desistir do combate e juntar-se ao inimigo. Ao liberar. Conclusão  . certamente. nada ganharia. Que liberdade tem uma pessoa que vive presa à sensação de uma substância? Não abramos mão do nosso bem maior! Liberar as drogas é..qual seria a posição do governo diante da paralisação da sociedade? de “traficante oficial”? 3.. os prejuízos causados com essa liberação seriam incalculáveis. portanto. Geração de ideias (elenco desordenado e casual de ideias para o tema)          III.. Roteiro V.nenhum benefício aliviaria os males causados .jamais abrir mão dela V.. Atividade I..

 .

vamos nos deter na produção desse último tipo: o dissertativo. dentre as quais. tema. procurando persuadi-lo de que a razão está conosco. tentamos. ou dissertativamente. genérico. neste curso. o enredo. formar a opinião do leitor ou ouvinte. As outras partes são: desenvolvimento. pessoa. os dados estatísticos e o testemunho. análise e argumentos.16 A COMPOSIÇÃO DOS TEXTOS Comecemos com a definição de parágrafo dada por Othon Garcia: “O parágrafo-padrão é uma unidade de composição constituída por um ou mais de um período. os personagens. expondo uma opinião. O raciocínio consistente é aquele que se apoia nos princípios da lógica. questionar um tema. intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente decorrentes dela”. As provas. não se dirige a um interlocutor definido e se constitui de provas as mais impessoais possíveis. recorte. descritivamente. conforme o tipo de redação. a que se agregam outras. 1. com base em observação. os exemplos. desenvolver argumentos. servem para reforçar os argumentos. com todos os elementos que lhe são peculiares (como o foco narrativo. injuntivamente. e conclusão. analisar e interpretar ideias e pode ser identificado como demonstrativo.1 Assunto. os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. é necessário relembrar alguns pontos fundamentais que favorecem a organização daquilo que se pretende comunicar. que deve conter as frases que irão expressar o pensamento do autor sobre a ideia anunciada. no “bate-boca” estéril. secundárias. que não se perde em especulações vãs. . fazendo referência ao tema abordado. podendo ser aumentados ou diminuídos de tamanho. O PROCESSO DE PRODUÇÃO DE TEXTOS DISSERTATIVOS 1 O TEXTO DISSERTATIVO Dissertar é exercer nossa consciência crítica. o leitor e o veículo de comunicação onde o texto vai ser divulgado. ou nuclear. O primeiro tem como objetivo primordial expor uma tese. Nós. por sua vez. Observe: Assunto é algo amplo. a intriga. em que se desenvolve determinada ideia central. a mais importante é o tópico frasal. Formalmente. Existem dois tipos de dissertação: o dissertativo expositivo e o dissertativo argumentativo. Os tipos mais comuns de provas são: os fatos. permitindo ao leitor acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios. Para a argumentação ser eficaz. Um texto pode apresentar-se narrativamente. desenvolvimento e conclusão. título Para alcançar um bom texto. A devida articulação entre parágrafos torna o texto coeso e coerente. Na dissertação argumentativa – texto argumentativo. que arremata essa ideia. explicitamente. a relação entre tipos e gêneros textuais é essencial para a produção escrita. Recorte é o que interessa ao autor discutir no texto. que consiste na sua ideia principal. o parágrafo é indicado por um afastamento da margem esquerda da folha e facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar convenientemente as ideias principais de sua composição. Os parágrafos são moldáveis quanto à extensão. enumerando detalhes concretos de um objeto. Tese é o ponto de vista a ser defendido sobre um determinado tema. tese. o clímax. situação ou lugar. A estrutura dos dois tipos de composição é a mesma: introdução. Tema é o assunto já delimitado. Título é o nome dado ao texto. O parágrafo apresenta algumas partes distintas. oferecendo instruções a serem seguidas. além do interlocutor não definido e da utilização de provas impessoais. debater um ponto de vista. UNIDADE III Como vimos. que visa atrair o leitor para a leitura do texto. o desfecho).

temos assistido. envolvendo as grandes potências internacionais. Recorte: Os meios de comunicação e as relações sociais. que promovem desmatamentos e poluem as águas dos rios. aos inúmeros conflitos internacionais que se sucedem.2 Técnicas de planejamento de um texto Vimos que criar uma espécie de roteiro de nossas ideias nos auxilia na construção de um texto. Recorte: A violência em São Paulo. São Paulo: Scipione. Quer pelos acidentes que já ocorreram e podem acontecer novamente nas usinas nucleares. 2007). além do mais. com certa preocupação. em virtude de tantas agressões. Assunto: Tecnologia. será mais facilmente habitado pelas gerações futuras. Além disso.17 Exemplos: 1. Em virtude dos fatos mencionados. São Paulo: Universidade Nove de Julho. Título: O desenvolvimento urbano e a violência). Branca. para podermos sobreviver às adversidades e construir um mundo que. Nestas últimas décadas. o homem contemporâneo encontra-se cada vez mais sozinho. Em nossos dias. Tese: O mundo caminha para a própria destruição Pergunta-se: Por que O MUNDO CAMINHA PARA A PRÓPRIA DESTRUIÇÃO? Responde-se: (argumento 1) tem havido inúmeros conflitos internacionais... dificilmente poderíamos sobreviver diante do poder avassalador desses sofisticados armamentos. (argumento 2) o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico. 2. Luciana Scognamiglio de. acabe por se transformar em um local inabitável. Vejamos esse esquema sendo utilizado no texto: DESTRUIÇÃO: A AMEAÇA CONSTANTE O mundo caminha atualmente para a sua própria destruição. os passos desse tipo de planejamento textual. Assunto: Centros urbanos. Tese: Na era da comunicação. Muitos trazem na memória a triste lembrança das guerras do Vietnã e da Coreia que provocaram grande extermínio. Tese: A cidade de São Paulo enfrenta sérios problemas em relação à segurança da população. provocado pela ambição desmedida de alguns. pois tem havido inúmeros conflitos internacionais.1988) . (Texto adaptado de GRANATIC. quer por um eventual confronto em uma guerra mundial. testemunhamos conflitos que. (Tema: O avanço tecnológico no século 21. somos levados a acreditar na possibilidade de estarmos a caminho do nosso próprio extermínio. (Tema: O desenvolvimento dos grandes centros urbanos. Outra possibilidade de planejamento de texto é a utilização da técnica do “POR QUÊ?” Considere a seguinte estrutura textual: INTRODUÇÃO: Tese + argumento 1 + argumento 2 + argumento 3 DESENVOLVIMENTO: argumento 1 argumento 2 argumento 3 CONCLUSÃO: Expressão inicial + reafirmação do tema + observação final (Adaptado de: OLIVEIRA. (argumento 3) permanece o perigo de uma catástrofe nuclear. Conclui-se: Expressão inicial + retomada do tema + sugestão ou possibilidade (previsão) de solução do problema. o meio ambiente encontra-se ameaçado por sério desequilíbrio ecológico e. Outra ameaça constante é o desequilíbrio ecológico. Título: O paradoxo da era da comunicação) 1. Material de apoio e produção textual II. Técnicas básicas de redação. Tais atitudes contribuem para que o meio ambiente. enfrentamos sério perigo relativo à utilização da energia atômica. Vejamos. É desejo de todos nós que algo possa ser feito no sentido de conter essas diversas forças destrutivas. por ser pacífico. agora. permanece o perigo de uma catástrofe nuclear. poderiam conduzir-nos a um confronto mundial de proporções incalculáveis.

pode ver minha casa da janela da cadeia municipal. o pugilista ficava perto da janela e. o texto atém-se a explicar situações relativas às personagens enunciadas no primeiro parágrafo. jornais. revistas. quando a articulação de ideias busca convencer e persuadir o leitor) • Estabeleça a que deseja chegar com a exposição que fará em seu texto. soltava uma risada rouca que espantava até os gerânios. evangelista. que procurava as sombras. Quanto mais contato tiver com os meios de informação (TV. de vez em quando. seu texto também o será! 1. 4) Ao final. 3) Do princípio ao fim. para que possamos elaborar um fluxograma. • Estabeleça a tese que será apresentada. prejuízos. e me olhavam gravemente por cima de mesas marrons. se ficar na ponta dos pés. • Organize esse raciocínio por meio do gráfico. dei tarefas a. o autor acrescenta um recuso novo: a ironia. O assassino espera a morte na penitenciária do Estado. PROPOSTA DE ATIVIDADE – alimentação temática: Durante a semana. No decorrer desse tempo. • Selecione o caminho que o levará à comprovação de sua ideia. o evangelista era o menino mais popular da escola. a seguir. usando para isso a técnica do “Por quê?” (aqui se define a proposta argumentativa. o pugilista perdeu um olho numa briga em Hong Kong. utilizando-se do paralelismo. ou um mapeamento de ideias sobre o assunto e desenvolver um texto organizado. • Delimite o tema. Observações: 1) O texto é construído com as palavras-chave: assassino. b) no segundo parágrafo: diz-se de cada palavra-chave algo relacionado com o passado.4 Proposta de produção de textos • Reflita sobre as leituras que fez. ladrão e imbecil. de olhos mansos de outrora. e como diagramar uma sentença complexa. Eu devo ter sido muito útil para esses alunos – ensinei-lhes o plano rítmico do soneto elisabetano. na mesma ordem. provavelmente com o objetivo de possibilitar uma reflexão. Por isso é muito importante ler constantemente. adaptação dos profissionais. o evangelista há um ano jaz sepultado no cemitério da aldeia. As palavras-chave aparecem na mesma ordem em que foram enunciadas no primeiro parágrafo. o ladrão era um jovem alegre com uma canção nos lábios. escreva seu texto.).18 Analisemos agora o processo de construção do texto abaixo. claro e coeso. contribuições para a medicina. a fim de que seu “arquivo” de conhecimentos esteja sempre cheio e atualizado. 2) O texto foi desenvolvido da seguinte forma: a) no primeiro parágrafo: são colocadas as palavras-chave. para a educação etc. bate a cabeça contra a parede acolchoada do asilo estadual. . O importante para a existência desse texto são essas cinco palavras. Se suas idéias forem limitadas. procure ler textos que tratem do desenvolvimento tecnológico (benefícios. implicação em relação ao desemprego. liderava as brincadeiras dos jovens. um animalzinho de olhos mansos. O assassino era um menino tranquilo que se sentava no banco da frente e me olhava com seus olhos azuis-claros. o ladrão. Todos esses alunos outrora se sentaram em minha sala. um pugilista. e o imbecil. um evangelista. maior será seu conhecimento sobre os assuntos. entre outros. um ladrão e um imbecil. • Articule as ideias que organizou no gráfico e. são explicadas em relação ao que aconteceu depois. c) no terceiro parágrafo: as mesmas palavras. um assassino. pugilista. e o pequeno imbecil. Eu ensinei a todos eles Lecionei no ginásio durante dez anos. rádio. livros).

"Nesse momento.. "Em vista disso.... "Em suma. Os argumentos são..." "Em primeiro lugar. provando...19 1...". é falar à razão do outro. o enunciador precisa escolher os argumentos. "Com esses dados.. dados.".. demonstrando."..." "Com este trabalho objetiva-se. Ateliê. Como diz Aristóteles.. pressupondo a existência de um “auditório” definido.. por outro.... Persuadir é saber gerenciar a relação....". ...5 Expressões que ajudam a construir sua redação "É possível que...." "Nesse sentido...".....) É comum utilizarem-se indistintamente os termos "convencer" e "persuadir" como sinônimos.. no entanto.". associando-se o primeiro conceito mais à razão. "Ao contrário do que se pensa.. Nesse tipo de discurso... uma argumentação pode fracassar..." 2 O TEXTO ARGUMENTATIVO O texto argumentativo tem como meta principal a defesa de uma tese...".. de tal forma que passe a aceitá-lo como verdadeiro). é falar à emoção do outro"...... por último. "Tudo isso é.."." "A fim de comprovar o que foi dito... conclui-se que. procura atingir a vontade. Em outras palavras.". O argumento pode...". "Para isso. porém." "Segundo.".. "Pretende-se demonstrar. (ABREU. significa 'vencer junto com o outro' (com + vencer) e não contra o outro.". "Mediante os fatos expostos.". deve ter consciência da pertinência e da força desses argumentos.". temporal".. Ao elaborar um texto argumentativo visando conseguir a adesão de determinado(s) interlocutor(es). pode-se concluir que..... "Conforme. "Em ambos os casos. persuadi-lo (levá-lo a crer no ponto de vista defendido... O objetivo da argumentação não é demonstrar a verdade de um fato. Suponhamos. "Para exemplificar. os argumentos servem quando se tem de escolher entre duas ou mais coisas.". e tem caráter ideológico.... A arte de argumentar ..".. é sensibilizar o outro para agir.. precisamos argumentar sobre qual das duas é mais desejável.." "Compreende-se então que.." "Resumindo. que tenhamos de escolher entre duas coisas igualmente vantajosas...".. por sua vez.".. como a saúde e a doença... esse alguém passa a pensar como nós.". conhecer a dimensão deles e estabelecer uma ordem de apresentação dos mesmos... entretanto.". entretanto... através de um raciocínio estritamente lógico e por meio de provas objetivas (. Sem esse conhecimento prévio. "É interessante reiterar.. ser definido como qualquer recurso que torna uma coisa mais vantajosa que a outra... e a 'Suada'. um interlocutor específico. "Finalmente..... eles adquirem sentidos específicos...".. "Primeiramente.. "É certo que. "Se é assim. "Argumentar é a arte de convencer e persuadir.". "Assim.. "Em contrapartida.. A origem dessa palavra está ligada à preposição ‘per. mas levar o ouvinte a admitir como verdadeiro o que o enunciador está propondo. Koch (1984) adota essa distinção: "Enquanto o ato de convencer se dirige unicamente à razão... Quando persuadimos alguém.".". subjetivo.."." "Para tanto. então.. as “provas” (raciocínio.... finalmente...." "De toda forma.. à emoção."..gerenciando razão e emoção. em segundo. isto é. 1999.. o ato de persuadir... Persuadir é construir no terreno das emoções.. Quando convencemos alguém.". "É provável que.. "Dessa forma. Etimologicamente.".. (. Antônio Suarez. "Diante do que foi dito. "Também não devemos esquecer estes elementos essenciais:.)... esse alguém realiza algo que desejamos que ele realize". Na teoria da argumentação. "Não podemos deixar de lembrar que. em seguida... "Na verdade. a riqueza e a saúde.. e o segundo.... por meio de argumentos plausíveis ou verossímeis." "Por outro lado. o enunciador almeja a adesão total do interlocutor.." "Por um lado. "Além disso.. no entanto.".". "É bom acrescentar ainda que. "É preciso considerar que os seguintes aspectos... "O presente trabalho objetiva..."."... Se tivermos de escolher entre uma coisa vantajosa e uma desvantajosa. 'por meio de. "De tal forma que..) Mas em que 'convencer' se diferencia de ‘persuadir'? Convencer é construir algo no campo das ideias.....". não precisamos argumentar. Convencer é saber gerenciar informação..... "Portanto... "Em compensação. o sentimento do(s) interlocutor(es). deusa romana da persuasão. fatos) apresentadas para demonstrar que a ideia que você pretende defender é correta. "De acordo com o que afirma..".. Nesse caso.. São Paulo. portanto.. adequando-se a ele com a intenção de convencê-lo." "É fundamental que. "Exemplo disso é....

em 2011. Um outro impacto potencial é o aumento dos custos de abastecimento energético. se levarmos em conta a dependência hídrica do sistema elétrico brasileiro. só a usina de Candiota 3 é contemplada. é fundamental melhorar as condições de financiamento de projetos e propiciar um ambiente regulatório claro e estável. vale ressaltar. Fora da agenda energética do Brasil há muitos anos. grandes projetos hídricos.5% ao ano. o que diminui o potencial para futuras economias. as medidas de produtividade adotadas por ocasião do racionamento de 2001 já foram incorporadas aos processos industriais. No entanto. É imprescindível tratar com prioridade as soluções eficazes para simplificar os processos de concessão de licenciamento ambiental. Tal cenário apresenta sérios riscos de abastecimento energético. representando um crescimento médio de 6. Caso contrário. o país terá que buscar fontes alternativas para suprir a demanda energética. A necessidade de um eventual novo racionamento colocaria em risco a recuperação em curso da economia brasileira e inviabilizaria o desejado ciclo de desenvolvimento sustentado. quatro gigawatts (GW) ao ano em geração hidráulica. recentemente divulgado pelo governo. Para atingir os objetivos de crescimento sustentado do PIB a taxas superiores a 4. O risco de um novo racionamento pode afetar negativamente as decisões de novos investimentos por parte das empresas.6% para 1. Mais intenso ainda foi o impacto na redução do ritmo de crescimento da produção industrial. Segundo o primeiro balanço do PAC. de forma a expandir a capacidade instalada. Não podemos deixar que o Brasil seja preterido de um futuro próspero por falta das ações necessárias e dos investimentos em infra-estrutura.20 Textos para análise e discussão Folha ONLINE A OFERTA DE ENERGIA ELÉTRICA VAI AFETAR O CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO? (Argumentação 01: SIM) PARA FUGIR DE UM NOVO RACIONAMENTO Newton Duarte A CARÊNCIA de oferta de energia pode afetar negativamente o crescimento econômico. O ritmo de crescimento do PIB se contraiu de 4. térmica e demais fontes renováveis. o Brasil teve déficit de 30 milhões de m3/dia. Enfrentar o problema da oferta de energia é urgente. essa alternativa implicaria um aumento relevante do custo da energia. devem ser priorizados. Para progredir. A desoneração dos investimentos em infra-estrutura é um elemento incentivador das decisões. Em suma. Levando em conta as premissas do Plano Decenal de Energia Elétrica da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).3% em 2001. Esse déficit se intensificaria para cerca de 66 milhões de m 3/dia em 2015 e só seria minimizado. (Newton Duarte. que caiu de 6. Vale destacar.5% ao ano e evitar um déficit entre a oferta e a demanda de energia no médio e longo prazos. Outra grande preocupação é o déficit na oferta de gás natural. com todos os reflexos negativos decorrentes. engenheiro elétrico. A malfadada experiência do racionamento de energia elétrica de 2001 representou impactos significativos para a economia brasileira.5 no mesmo período. 52. pelo menos. a geração de energia a carvão permanece tímida. o país precisa reconhecer os desafios presentes e atacá-los na raiz. A longa maturação dos investimentos exige rapidez nas decisões para ampliar a oferta de energia e mantê-la sempre à frente da demanda. 61 GW médios. com o incremento significativo da oferta de gás natural liquefeito (GNL).9% ao ano no período. Da mesma forma. É preciso garantir a efetiva realização dos investimentos previstos. é diretor do Departamento de Infra-Estrutura do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e diretor de Energia e Transporte da Siemens)). Embora as questões ambientais e os custos representem barreiras para essa fonte. superando assim a previsão de órgãos governamentais quanto ao acréscimo de geração de apenas 2. como Madeira e Belo Monte. dos atuais 47. atingiremos. Tendo em vista esse cenário.3% em 2000 para apenas 1. gerando perda da competitividade da indústria. o que não exclui as iniciativas de melhoria da eficiência. mas não totalmente solucionado. o racionamento representaria não só um freio no crescimento econômico mas também um aumento dos custos da produção industrial. Em 2006. . o Brasil precisa gerar. o carvão merece atenção especial pelo potencial que significa para a aceleração da expansão de oferta energética e a redução da dependência de fontes hidrelétricas.5 GW médios de demanda.

3. mas o ônus da obtenção das licenças era exclusivo dos empresários. Agora. Hoje. agora. ao endividamento e à perda de capacidade de investimento dessas empresas. em boa medida. com preços fortemente subsidiados. criando um conflito entre empreendedores e órgãos licenciadores. entre esse valor e US$ 25/MWh. sinto-me muito à vontade para me contrapor ao "efeito manada" que atinge o conjunto de especialistas e comentaristas do setor energético e afirmar que o nível de risco de déficit para os próximos anos está dentro do nível aceitável. que visou à redução dos riscos para os investidores e das tarifas para os consumidores. Foi secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (2003-2005) e coordenou o grupo de trabalho que elaborou o novo modelo do setor elétrico).21 (Argumentação 02: NÃO) A OFERTA (E O PREÇO JUSTO) DA ENERGIA Mauricio Tolmasquim EM 1999 e 2000. A oferta de energia para os próximos anos é suficiente para atender ao crescimento econômico esperado. o que. quando essas indústrias tiveram que negociar novos contratos de fornecimento. Isso reduziu drasticamente o valor estratosférico do UBP que os investidores se viam obrigados a pagar . vale lembrar outro ditado: "não existe almoço grátis". como diz o ditado popular. Sem dúvida. No entanto. doutor em socioeconomia do desenvolvimento. Sofre-se atualmente no Brasil de uma espécie de "trauma pós-racionamento". a situação hoje é muito diferente da que existia em 2001. as usinas eram concedidas para os investidores que aceitassem pagar o maior ágio pelo uso do bem público (UBP). contratos de longo prazo. Essa situação mudou em 2004.667 MW por ano de nova capacidade de geração no Brasil. A energia barata. que constituem recebíveis aceitos pelo BNDES para a concessão de financiamentos. Para o período de 2007 a 2010. O Brasil tem. desde 2004. fui dos poucos a alertar para o alto risco de falta de energia no país. afinal. Mas preços artificialmente baixos significam um grande custo para todo o setor energético. O setor elétrico está cada vez mais atrativo para os investidores. os novos aproveitamentos hidrelétricos são concedidos aos investidores que aceitam construir e operar as plantas pela menor tarifa. sendo igualmente necessário que ela se expanda de forma contínua. (Mauricio Tolmasquim. de cerca de US$ 60/MWh.discordam apenas quanto à data em que essa fatalidade atingirá o país. é presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética). O novo modelo implantado em 2004 tem os mecanismos necessários para assegurar que isso ocorra. Os vencedores das licitações têm. em média. Entre 2003 e 2006. O aumento dos preços da energia elétrica é em geral apontado por grandes consumidores como um gargalo para o desenvolvimento. Afinal. essas indústrias compravam energia por cerca de US$ 10/MWh e suas tarifas permaneceram. Por duas décadas. é compreensível a apreensão dos menos informados. se concretizou em forma do racionamento de 2001. já existem 11. um novo modelo para o setor elétrico. Antes. Consumidores residenciais chegaram a pagar entre quatro e cinco vezes mais pela mesma energia. algumas dessas indústrias tiveram acesso a energia muito barata. seria ótimo se todos pudessem ter energia barata. Em parte. Outras usinas licitadas eram passíveis de ser viabilizadas. Porém. A exigência de licença ambiental prévia para um empreendimento ser colocado em licitação é outro fator que reduziu o risco para o investidor e deu um fim ao faz-de-conta de antes. mas perverso para o consumidor e para o investidor. . foram instalados. Especialistas e empresários em uníssono veem a falta de energia como uma questão inexorável . A energia elétrica era vendida a tarifas muito inferiores ao custo da geração de usinas hidrelétricas.078 MW com plenas condições de entrar em operação e uma quantidade maior será viabilizada com os dois leilões marcados para 18 e 26 próximos. Em 1985. 48. em grande parte do período. período que antecedeu o racionamento. Um bom exemplo é o segmento dos eletrointensivos. vendida no passado aos grandes consumidores pelas geradoras estatais. “gato escaldado tem medo de água fria”. quando o governo concedia usinas que simplesmente não tinham viabilidade ambiental. levou.interessante para o Tesouro Nacional. o que é cerca de 40% superior à média entre 1995 e 2000.

pois o ancora no depoimento de um especialista. Os argumentos mais utilizados são: a) Argumento de autoridade É a citação. uma vez que se acredita que as considerações de um expert são verdadeiras. De certa maneira. É preciso cautela no uso desse recurso argumentativo. para servir de apoio àquilo que o enunciador está propondo. Observe. o discurso como um todo. a água será a moeda do futuro. os índices da FGV (Faculdade Getúlio Vargas) etc. temos o papel do "Gestor Administrativo" que com sua capacidade de gestão com as pessoas. consegue obter os resultados esperados. uma ameaça crescente ao desenvolvimento das nações e à proteção ao meio ambiente. Para o auditório. A partir desse raciocínio de Lacombe. A luta pela água poderá levar o mundo a outra grande guerra. o desenvolvimento sustentável e os ecossistemas estão em perigo. só se argumenta para chegar a um consenso. Alguns economistas preveem que. o efeito é positivo. são obtidos de levantamentos estatísticos. o seguinte argumento em se tratando da questão da escassez de água: A escassez e o uso abusivo da água doce constituem. em geral divulgados por fontes consideradas "fidedignas". b) Argumento baseado no consenso É aquele que corresponde a valores em circulação na sociedade sobre os quais não pairam dúvidas: trata-se de ideias aceitas como verdadeiras por determinado grupo social. Se considerarmos que. uma vez que o consenso é o que todos sabem. tantas são as formas de que nos valemos para fazer as pessoas preferirem uma coisa à outra. por exemplo. 06/08/2007) c) Argumento baseado em provas concretas Trata-se da apresentação de dados que servem para comprovar a nossa tese. no texto. de afirmações de pessoas reconhecidas pelo auditório como autoridades em certos domínios do saber. Esses dados concretos.uniagua. e o texto que fala só do que todos já sabem torna-se desnecessário. Observe: Administrar é dirigir uma organização. a um ponto comum (na verdade. os números do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). que gozam de credibilidade . Qualquer recurso linguístico destinado a fazer o interlocutor dar preferência à tese do enunciador é um argumento. podemos dizer que a autoridade auxilia-nos a construir esse objeto. diante de dados consensuais como a ideia de que o homem é mortal. por exemplo. uma vez que cria a impressão de realidade. fazendo valer sua tese com o peso da consideração de que goza a autoridade citada. Mais do que o petróleo e o ouro. extraídos da experiência "real".org. isto é. ela é valiosa para a humanidade. Sem ouro ou sem petróleo o homem vive.br. os dados consensuais produzem efeito semelhante ao que chamamos anteriormente de "evidência" (no discurso científico): criam a impressão de que não há o que argumentar. perde sua razão de ser. por meio da argumentação. o ponto de vista do enunciador). ou seja. A estratégia é adquirir respeitabilidade. Não há o que argumentar. (adaptado de http://www. hoje. eficaz e com responsabilidade social e ambiental. de realidade.. Enumerar todos os tipos de argumentos é uma tarefa quase impossível. pesquisas etc. criando também efeito de sentido de evidência. sem água não.22 Formas de argumentação Os argumentos são recursos linguísticos que utilizamos para tornar nosso discurso mais persuasivo e conquistar a adesão do auditório. A saúde e o bem estar de milhões de pessoas. utilizando técnicas de gestão para que alcance seus objetivos de forma eficiente. a AIDS é uma doença contagiosa. a alimentação. esse é um tipo de argumento forte. o efeito de verdade (embora se saiba que números podem ser desmentidos por números). . p.4) diz que a essência do trabalho do administrador é obter resultados por meio das pessoas que ele coordena. homens não podem engravidar etc. relatórios. Do ponto de vista do poder persuasivo. por sua importância estratégica.por exemplo. Isso confere ao texto maior credibilidade. De fato. se constrói um determinado objeto de saber. Lacombe (2003. razão pela qual o consenso dispensa a demonstração (o que é considerado óbvio não precisa ser comprovado para ser aceito).

etc. congelados.. ovos. É importante dizer que se trata de uma estratégia: o discurso não diz a verdade (o que é a verdade?).o que pressupõe que nele exista uma progressão lógica das ideias. Outros recursos linguísticos que merecem igual atenção são as conjunções que estabelecem relações temporais (marcando “anterioridade" e "posterioridade" entre os fatos apresentados) e as conjunções que estabelecem noções de causa e consequência.. Para ser coerente. [.que são exemplos de "articuladores lógicos do discurso" -. adequado. "dessa forma". associarem ideias. entre outras coisas. pontuação. afetando a imagem do enunciador. organizado. a forma como são expostos pode pôr tudo a perder. 3 milhões de hectares [.. Já desapropriamos. a partir das realizações "demonstradas" por meio das provas concretas. respeitando. significa estabelecer relações adequadas entre as passagens do texto... Paulo. regência. pode-se pensar que a competência linguística está mais ligada à forma do que ao conteúdo. relacionarem proposições. iogurte e macarrão instantâneo. então. isto é.. o seu poder persuasivo). tem força persuasiva. respectivamente. produtos eletrônicos e eletrodomésticos [. e as classes A e B cresceram 21 %. Expressões tais como "por exemplo". condição. do então presidente Fernando Henrique Cardoso: [. ortografia. iogurte e conservas passaram a frequentar mais a mesa dos brasileiros. de maneira sensível.]..]. Quer dizer que não pode afirmar "A" e o contrário de "A": suas passagens têm de ser compatíveis entre si.. As classes D e E diminuíram 17%. recuperar a "forma" em questão (o que se falou antes) e apresentar um outro aspecto do tema tratado. Como se vê. e) Argumento de competência linguística O que interessa.] Carne bovina. TV em cores. afeta a lógica. ou seja. Em matéria de problemas envolvendo o raciocínio lógico. oposição. coerente . por exemplo. Produz.] Nestes dois anos de governo. o manejo linguístico hábil. Utilizar satisfatoriamente esse recurso argumentativo. respeitar princípios lógicos fundamentais. "por outro lado" .. como ocorre via de regra.] Treze milhões de brasileiros já deixaram a linha de pobreza. Aumentou também o número de residências com geladeira. As vendas de cimento cresceram 12% em 1995 e 21.. são comprometedores na medida em que desautorizam o enunciador. 100 mil novas famílias tiveram acesso à terra. por outro lado. O texto abaixo ilustra exemplarmente o quanto à competência linguística interfere na persuasão. d) Argumento baseado no raciocínio lógico O texto é um todo coeso. As classes D e E são responsáveis por 30% de produtos como biscoitos. [. neste período. como o "princípio da não-contradição". assim. aqui. é importante também ficarmos atentos às formas de ligar orações nas composições dos períodos e aos mecanismos de relação entre eles. não é tanto "o que dizer".]. etc. criando já de início uma boa ou uma má impressão no auditório. o enunciador constrói uma imagem positiva de si. o aumento real médio dos benefícios foi de 39% entre 94 e 96 [. prejudica a argumentatividade do texto. faz o auditório crer que aquilo que parece verdadeiro de fato é verdadeiro. Na Previdência Social.23 Vejamos um exemplo de uso desse recurso argumentativo extraído do texto "Uma revolução silenciosa" (Folha de S. a competência linguística..5% no primeiro semestre deste ano. Por melhores que sejam os argumentos do ponto de vista do conteúdo.. cria efeitos de verdade. só servem à coerência se usadas. crase. Problemas de concordância.. Conseguimos reduzir. 29/12/1996).]. a impressão de comprometimento com os rumos da nação... O rendimento dos 10% mais pobres da população dobrou. freezer.. os índices de mortalidade infantil [. Se considerarmos que a linguagem utilizada é o "cartão de apresentação" do texto. logo prejudica o sentido (e. como o "salvador da pátria" que resgatou o país da situação caótica em que se encontrava (antes do Plano Real). de seriedade no exercício da função presidencial. por exemplo. Tudo aquilo que afeta a maneira habitual de as pessoas raciocinarem. [.]. enquanto uma dissertação produzida em obediência aos padrões linguísticos formais colabora para que dele se construa uma imagem positiva. mas "como dizer": grosso modo.. as relações de causa e consequência (entre o que provoca dado evento e o resultado produzido). devolvendo ao povo a esperança de transformações. o texto precisa. Vejamos um trecho: . para explicar o que foi dito anteriormente.

2. na porta do colégio. O que doeu mesmo no leitor foi aquele jota de jato. continuei fumando. 3/10/2001) De forma bem-humorada. Esses cientistas de aluguei negavam até que a nicotina provocasse dependência química. Apesar do conhecimento teórico e da convivência diária com os doentes. A droga quebra o caráter do dependente. apresenta a defesa do ponto de vista do médico a respeito da polêmica que foi gerada por um projeto de lei que proíbe a propaganda de cigarros no país. Então. Aqui eu poderia mentir e dizer que foi de propósito. uma vez estimulados.24 "Tropecei num jota muçulmano na semana passada. vou logo confessando que escrevi 'atinjiu' com jota e não com ge de jeito (esta dói mais). Já se sabia até que. de cada três casos de câncer. E vicia depressa: de cada dez adolescentes que experimentam o cigarro quatro vezes. Pra quem não leu a crônica da semana passada. começavam a aparecer os primeiros estudos sobre os efeitos do cigarro no organismo. Nesse tempo. Mas eu explico. Só que esse dia nunca chegava. Comecei ainda adolescente. a literatura científica já havia deixado clara a relação entre o fumo e diversos tipos de câncer: de pulmão. um amigo me ensinou a tragar. estômago. Aliás. no lugar de muçulmano. O Estado de S. Como professor de cursinho durante quase 20 anos. mas saí de lá e comprei um maço na padaria. porque não sabia o que fazer com as mãos quando chegava às festas. ) ". outdoors e com os amigos.. mas a indústria tinha equipes de médicos encarregados de contestar sistematicamente qualquer pesquisa que ousasse demonstrar a ação prejudicial do fumo. que teria escrito errado para facilitar a rima com humano. Paulo. Vicia mais do que álcool. seis se tornam dependentes para o resto da vida. com as bocas pintadas assoprando a fumaça para o alto. escrevi mulçumano. Devo ter esquecido o dedo na tecla. bexiga e os tumores de cabeça e pescoço. (O jota muçulmano. Era início dos anos 60. chamando a atenção para o fato curioso de que os erros ganharam destaque sobre o próprio assunto de que ele falava. o enunciador confessa que cometeu deslizes de ortografia na crônica anterior. vai para o coração e através do sangue arterial se espalha pelo corpo todo e atinge o cérebro. fui trabalhar no Hospital do Câncer de São Paulo. esôfago. A nicotina é um alcaloide. pois não queria atingir os muçulmanos que não tinham nada com o atingido. desqualificando o sofrimento da legião de fumantes que tentam largar e não conseguem. Talvez por nunca ter visto um 'muçulmano’ pela frente. como o Bush anda vendo ( . é absorvida rapidamente nos pulmões. As cartas dos leitores são uma prova disso: enquanto Mário Prata tratava do atentado terrorista. cocaína e morfina. eu ficava sem graça e dizia que ia parar. Caí na mão do fornecedor por duas décadas. Lembro que fiquei meio tonto. A quantidade de cartas foi assustadora. de minissaia. Caí de cara no chão. Como se não bastasse o jota. de autoria de Dráuzio Varella. Na irresponsabilidade que a dependência química traz. comunicam-se com os circuitos de neurônios responsáveis pelo comportamento associado à busca do prazer. teria inventado a palavra 'mulçumano’.. as cartas acusavam-no de "atentados à língua". Um dia. Leia-o e responda às questões propostas. Quando me perguntavam: “Mas você é cancerologista e fuma?”. mulheres grávidas e crianças pequenas. 20 cigarros por dia. fumei nas salas de aula. Jato com jota. induzindo muitos jovens a adquirir o vício. Bem nos alvos. Nos anos 1970. O estudo desse texto nos levará a perceber outras formas de argumentação. fumei na frente dos doentes a quem recomendava abandonar o cigarro. nem por trás. Tudo mentira. Esses. age em receptores ligados às sensações de prazer. . pelo menos um era provocado pelo cigarro. às vezes mais.4 Texto para análise e discussão O texto abaixo. rim. cinema. O jovem que não fumasse estava por fora. Ninguém comentou nada sobre as torres atingidas. Apesar do tom de brincadeira do texto. Naquela época. e o cigarro estava em toda parte: televisão. Errei mesmo. DROGA PESADA Fui dependente de nicotina durante 20 anos. As meninas começavam a fumar em público. Fiz o curso de Medicina fumando. E mais. é a que mais dependência química provoca. O que eu estava dizendo que atingiu foi jato. Fumada. trata-se de uma questão tão importante que sua discussão mereceu uma crônica inteira. Mário Prata. De todas as drogas conhecidas. Fumei em ambientes fechados diante de pessoas de idade. No sistema nervoso central.

esportes radicais e a ânsia de liberdade. Sem fumar. O doente perde os dedos do pé. O fumo é o mais grave problema de saúde pública no Brasil. a perna. Enquanto as demais drogas dão trégua de dias. assim. 20 maio 2000. . o fumante precisa ter o maço ao alcance da mão. compulsivamente. • fundamentar as ideias pela argumentação. Mais de 95% dos usuários de nicotina começaram a fumar antes dos 25 anos. todas as formas de publicidade do cigarro deveriam ser proibidas terminantemente. quando o fumante bebe. chamada tromboangeíte obliterante. Dráuzio. que só passa com uma tragada.) Qual é o ponto de vista defendido por Dráuzio Varella a respeito da proibição da propaganda de cigarros? Quais são os argumentos utilizados por ele para defender seu ponto de vista e como se classificam? Ele inicia o seu texto se apresentando como um “ex-dependente da nicotina”. pedindo um cigarrinho pelo amor de Deus. Existe uma doença. as crises de abstinência se repetem em intervalos tão curtos que ele mal acaba de fumar um. depois a outra. Como o álcool dissolve a nicotina e favorece sua excreção por aumentar a diurese. Assim como não admitimos que os comerciantes de maconha. os fabricantes de cigarro investem fortunas na promoção do fumo para os jovens: imagens de homens de sucesso. Na vizinhança do Hospital do Câncer. Depois. Esse texto deve: • ter um efeito de objetividade. aquele toco de gente. sai pela rua de bengala arrastando a perna paralisada. mas com o cigarro na boca. Em 30 anos de profissão. mesmo que as pessoas mais queridas implorem. a faixa etária mais vulnerável às adições. o dependente entra num quadro de ansiedade crescente. valorizando-se. Sofre um derrame cerebral. exclusiva de fumantes.Paulo. O doente tem um infarto do miocárdio. vêm a público de terno e gravata dizer que não têm culpa se tantos adolescentes decidem fumar. passa três dias na UTI entre a vida e a morte e não para de fumar. mulheres maravilhosas. a 3ª. cadeia. uma coxa. com ar de deboche. Por que ele faz isso? Qual é a sua intenção com essa apresentação inicial? O fato de Dráuzio Varella se apresentar como médico apenas depois de ter se apresentado como ex-fumante é importante para a argumentação que ele constrói em seu texto? Por quê? Qual é a relação que o médico estabelece. aumentando o poder de persuasão. assisti às mais humilhantes demonstrações do domínio que a nicotina exerce sobre o usuário. • não conter expressões valorativas. ou pelo menos de muitas horas. A imensa maioria comprará um maço por dia pelo resto de suas vidas. e fica ali na cama. principalmente adjetivos. já acende outro. entre a propaganda tabagista e a juventude? Você considera o texto convincente e persuasivo? Por quê? O TEXTO DISSERTATIVO DE CARÁTER CIENTÍFICO O texto dissertativo de caráter científico é aquele que aparentemente desconsidera o emissor e o receptor e valoriza a informação veiculada. (VARELLA. parece que está faltando uma parte do corpo. cansei de ver doentes que perderam a laringe por câncer. Atrás desse lucro cativo. ao usuário.25 A droga provoca crise de abstinência insuportável. aspirarem e soltarem a fumaça por ali. Para evitá-las. em seu texto. sem ele. ln: Folha de S. crack ou heroína façam propaganda para os nossos filhos na TV. levantarem a toalhinha que cobre o orifício respiratório aberto no pescoço. • não possuir pronomes e formas verbais que pressuponham a 1ª ou a 2ª pessoa. as crises de abstinência da nicotina se sucedem em intervalos de minutos. que obstrui as artérias das extremidades e provoca necrose dos tecidos. Para os desobedientes.

1.3. o título específico. precisa ser funcional. não consegue mais o original de volta para copiar a fonte. o específico e o número indicativo da sequência das fichas. de maneira a justificar e concluir a ideia apresentada. As fichas compreendem cabeçalho. depois da devolução. Os procedimentos usados na metodologia desse gênero textual causam estranhamento a princípio. como também proporciona ao autor enriquecimento cultural. Isso vem ocorrendo. se for utilizada mais de uma. para uso no trabalho. 1.. UNIDADE IV PRODUÇÃO DE GÊNEROS ACADÊMICOS 1 FICHAMENTO 1. quando precisar escrever sobre determinado assunto. devido .. O fichamento constitui um valioso recurso de estudo de que se valem os pesquisadores para a realização de uma obra científica.  reter elementos que permitam sua seleção posterior e fácil localização no momento de necessidade. 1.” b) Desenvolva o parágrafo iniciado abaixo. O tamanho das fichas varia de acordo com as exigências do professor. Um fichário do conteúdo escolhido possibilita não só a prática de uma redação eficaz. evita problemas futuros como: não saber mais de que livro foi retirada uma passagem. Não raro o aluno destaca ideias importantes de um livro emprestado e. o número da classificação e a referência bibliográfica.2 Importância do fichamento O fichamento é importante porque nos permite:  registrar as ideias principais do autor que está sendo estudado. no entanto. principalmente. As Tecnologias de Informação e Comunicação estão ganhando espaço nos diferentes setores da nossa sociedade.3 A ficha Muitos alunos consideram desnecessária a produção de fichas para a seleção do material que foi considerado fundamental por ocasião da leitura. livros. As anotações que ocupam mais de uma ficha têm o cabeçalho da primeira repetido com exceção da numeração. professores. em que você possa discutir as competências e habilidades no profissional de sua área. Conhecer sua área. editora. “As competências e as habilidades técnicas são o mínimo exigido e não chegam a diferenciar os profissionais de forma mais acintosa. revistas e experiências. Material destacado sem a anotação da referência bibliográfica é material que não poderá ser usado. referências bibliográficas e corpo.1 Conceituação e finalidade Trata-se de um registro sintético e documental em fichas.  anotar ideias que ocorram durante a leitura. fazendo-o perceber que o pequeno trabalho inicial reverte-se em ganho de tempo futuro. é o mínimo que cada um pode fazer por si. principalmente no que se refere às citações textuais. O cabeçalho engloba o título genérico.1 Elementos básicos da ficha  Cabeçalho que contempla o título genérico da ficha. mas a prática contínua pelo estudante poderá levá-lo a alterar o ponto de vista e julgamento. antes de tudo. invadindo nossas vidas tanto no âmbito profissional quanto no âmbito pessoal. Esses problemas são muito comuns na hora da elaboração do texto. . O fichamento. garantindo integridade e correção da referência. qual o ano da edição. através da ajuda de colegas. entre outros. além de didática.26 Atividade de produção a) Reflita acerca do trecho apresentado a seguir e elabore um texto dissertativo em um parágrafo. a ficha.

e) nos casos de acréscimos ou comentários. 3. três pontos. mas completo. disseminadas em muitas páginas. entre colchetes [. b) após a citação. colocar dentro de colchetes [ ]. Ago/Dez.. d) a supressão de uma ou mais palavras deve ser indicada. In: Revista Acadêmica da Faceca.27  O corpo ou texto da ficha no qual se desenvolve o conteúdo propriamente dito. do qual falaremos em seguida. “ [.. utilizando-se no local da omissão..  Local onde se encontra a obra.[. A numeração da(s) página(s) é indicada à esquerda da ficha..5. 1 RICHARTZ.]”.4 Fichamento de citação O fichamento de citação aplica-se para partes de obras ou capítulos. Varginha. c) a transcrição tem que ser textual.. n... 1. 10 p. .) Local onde a obra se encontra O mais utilizado nas avaliações na Academia é o fichamento tipo citação.]. Esta ficha é importante porque permite ao leitor extrair ideias relevantes. de modo sintético. num texto pequeno.] na produção de um texto científico. Exemplo de fichamento tipo citação Metodologia Científica Fichamento e seu uso nos Trabalhos Acadêmicos. mas detalhado.. 2002. Fichamento e seu uso nos Trabalhos Acadêmicos. Fichamento tipo esboço ou sumário Apresenta as ideias principais de parte de uma obra ou de uma obra toda. Consiste na transcrição fiel de trechos fundamentais da obra estudada e segue algumas normas: a) toda citação deve vir entre aspas. encontrada pelo pesquisador em algum documento lido ou consultado durante o desenvolvimento da pesquisa. denomina-se citação a toda ideia de outra pessoa. Título Geral Título Específico N° da ficha Referência Bibliográfica de acordo com a ABNT Cabeçalho Corpo ou texto da Ficha (Biblioteca. deve constar entre parênteses o número da página de onde foi extraída a citação. (2-3) (Biblioteca da Faceca) 1. Terezinha.

10 p. o comentário já pode ser direcionado especificamente para o trabalho em questão. Por outro lado. ressaltando a progressão e a articulação entre elas" (MEDEIROS. 2000. Quando o leitor está lendo com objetivo determinado. Esta dificuldade é proveniente da pouca leitura acumulada pelos alunos de muitos cursos de graduação. Os resumos são classificados em três tipos: a) Resumo indicativo: mais breve. 3. (Biblioteca particular) 2 RESUMO Resumir é apresentar. copiar e fazer os recortes devidos. não é substituição de um termo ou outro. análises. justificativas. comparações e críticas são muito maiores do que dias depois. aos poucos. nem deve apresentar crítica. Terezinha. é utilizado em notas e comunicações (50 a 100 palavras). Varginha. 2002. Este fichamento é de grande valia quando feito logo após o término da leitura da obra. tornar-se-ia uma resenha ou recensão. quantitativos. Fichamento e seu uso nos Trabalhos Acadêmicos. 10 p. Ago/Dez. compõe-se apenas da ideia principal. sobretudo quando o aluno tem facilidade de identificar conceitos importantes. quando necessário. ou sumário. etc. exige capacidade de síntese. p.28 Metodologia Científica Fichamento e seu uso Trabalhos Acadêmicos. Terezinha. como fazer um trabalho acadêmico (monografia). Ago/Dez. críticas. Assim. interpretações e comparações. 2002. O resumo é "uma apresentação sintética e seletiva das ideias de um texto. n. é importante a utilização do fichamento tipo citação. 3. pois. o trabalho científico vai sendo construído. Saber fazer um bom resumo é fundamental no percurso acadêmico de um estudante por lhe permitir recuperar rapidamente ideias. Normalmente ele fica preso ao texto que está usando como base e não consegue extrapolar os limites desse texto. nos 1 RICHARTZ. No final cabe organizar as ideias nas subdivisões previstas nos trabalhos científicos. de forma objetiva. "orelhas" de livros. 123). Revista Acadêmica da Faceca. ideias fundamentais. Varginha. Metodologia científica Fichamento e seu uso nos Trabalhos Acadêmicos 1 RICHARTZ. discussão e análise do texto). conceitos e informações com as quais ele terá de lidar ao longo de seu curso. 2/3 O fichamento é importante para a armazenagem de informações retiradas do texto. não é inversão da ordem da frase. O aluno de graduação apresenta dificuldade na hora de elaborar a análise ou o comentário de um texto.6 Fichamento de comentário ou analítico Comentários. 6/8 Os principais tipos de fichamento são: tipo citação (cópia fiel da parte do texto). Quando terminamos de ler um texto. as possibilidades de traçar análises. Estes dados poderão ser utilizados posteriormente nos trabalhos científicos. Revista Acadêmica da Faceca. nesse caso. Resumo não é cópia. concisa e seletiva. não apresentando dados qualitativos. n. determinado conteúdo. o esboço. esboço ou sumário (resumo das principais ideias) e comentário ou analítico (crítica. Por isso. Isso significa reduzir a termos breves e precisos a parte essencial de um tema. artigos de periódicos e trabalhos de conclusão de curso (100 a 250 . Digitado em bloco único. Fichamento e seu uso nos Trabalhos Acadêmicos. (Biblioteca particular) 1.

108): a) Leitura total do texto. 2000). atentando-se para o vocabulário e ideias-chave. a seleção e o rascunho (1ª redação). por suas características especiais. b) Segunda leitura. p. Desenvolvimento: assunto do texto. podendo chegar a cerca de 20% do texto completo. ao final. 2) a elaboração de um texto pessoal. em linhas gerais. e) Compara-se o resumo (rascunho) com o original e redige-se a versão final. p. (Exemplo: "O brasileiro costuma comprar TVs. 2000).: "O problema. 2000.29 palavras). c) Aplicação de quatro passos básicos: • supressão: eliminam-se palavras secundárias (advérbios. adjetivos. metodologia. para evitar o risco de copiá-lo. b) Resumo informativo: expõe finalidades. mas como realizá-las" (GENRO. Comentando: As reformas certamente devem ser realizadas. mas fiel às ideias do autor. Por isso. • seleção: selecionam-se as informações principais. para que o sentido do texto não seja . etc.. 50). 50). a questão que se coloca é como.  Fazendo-se um comentário explicativo: desenvolve-se de maneira pessoal. Obs. 2000. a generalização. É também chamado de resenha ou recensão. relatórios técnico-científicos.: "O problema. que não permite autonomia pessoal frente ao texto (MEDEIROS. • reconstrução: elabora-se um texto pessoal. não é realizar ou não as reformas. desprezando-se as secundárias. critérios utilizados e a articulação das ideias."). Ex. nos EUA. mas como realizá-las" (GENRO. Suas fases são (MEDEIROS. deve ser. é o mais extenso dos resumos. Substituindo ou invertendo: O problema é como realizarem-se as reformas. podendo substituir a consulta ao texto original (MEDEIROS. utilizando-se a supressão. Ex. 2000. não estão sujeitos a limite de palavras (MEDEIROS. quando visita os paraísos de compras como Miami. 2000). Os resumos críticos. c) Resumo crítico: consiste na análise crítica de um texto. a ideia do autor do texto original surge reelaborada. as ideias e argumentos principais do texto. coloca-se a referência completa. sem alterá-las ou criticá-las. d) Primeira redação do resumo (rascunho): redige-se o rascunho sem recorrer ao original. o texto deve ser redigido como um todo. Para que seja inteligível. mas a construção de um texto pessoal que reorganiza as ideias originais de um livro ou obra. e. um artigo. dissertações e teses (150 a 500 palavras). com as próprias palavras de quem está resumindo. expressões e ideias repetidas. das ideias mais importantes e da estrutura do livro ou obra). o resumo deve conter (MEDEIROS. Pode-se parafrasear:  Substituindo-se vocábulos: as palavras são substituídas por termos equivalentes. não é realizar ou não as reformas. É apenas um indicativo do que trata o texto. não saber se vão ou não ser realizadas. 151). pode ser) e termos como "somente" e "quase". resultados e conclusões. com poucas divisões internas e sem se imitarem as divisões de capítulos/itens do livro ou do artigo que estão sendo resumidos. Resumir comporta duas partes: 1) a compreensão do texto original." Generalizando-se: "O brasileiro costuma comprar produtos eletrônicos. • generalização: trocam-se elementos específicos por termos genéricos. Na construção da redação final do resumo. que consiste em se traduzirem "as palavras de um texto por outras de sentido equivalente. formação e atuação) e do livro  (exposição. não substituindo a consulta ao original. p. portanto. Cuidado com conjunções ou verbos que indiquem circunstância (a menos que. 2000. p. e o principal instrumento disso é a paráfrase. p. metodologia. 108-128):  Introdução: apresentação do autor (suas credenciais. som e computadores. Ao se resumir um livro (ou partes dele). portanto. um resumo NÃO É um ajuntamento de frases desconexas entre si ou uma colcha de retalhos de frases e recortes de trechos do livro ou texto. objetivo. ou invertese a ordem da frase. conjunções – desde que não sejam fundamentais na compreensão do texto –. mantendo as ideias originais" (MEDEIROS. 2000. ao visitar 'paraísos de compras' nos EUA. preposições. (adaptado) Por isso.: deve-se evitar esse tipo de paráfrase.

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) recomenda. o resumo vem precedido da referência do texto a ser analisado ou. Conclusão Exemplo Título: Uma abordagem conceitual-reflexiva sobre a relação da comunicação com o turismo.) e evitar adjetivos. Brasil no limiar do século XXI.) Modelo de Resumo de Artigo científico: (aspectos gerais) • Título. com a inclusão de palavras-chave. cada vez mais aguda. Deve-se privilegiar a voz ativa e a 3ª pessoa.. etc. permitindo uma reflexão melhor.. Palavras-chave: comunicação. corresponde a uma representação gráfica e sintética do texto. etc. Ele facilita a compreensão do texto. Palavras-chave (aspectos específicos) • Objetivo. além de possibilitar a rápida recordação da leitura no caso de consultas futuras. Quanto à extensão. Essa indeterminação já é visível a partir de alguns fenômenos: explosão das fronteiras nacionais. no caso de monografias.. . desenvolvimento teórico-científico. por outro lado. entre outros. In: RATTNER. Dicas: Qual poderia ser o estilo de redação do resumo? o Usar linguagem pessoal ("busco apresentar neste trabalho. São Paulo: EDUSP/Fapesp. na divulgação dos destinos turísticos e nas experiências de viagens. H. por exemplo. Resumo. Deve-se estar atento para não se assumirem as ideias do autor como se fossem próprias. Em trabalhos acadêmicos. o texto acima poderia ser resumido assim: Reflete-se sobre a humanidade e o seu futuro incerto. Considere o texto: "A humanidade encontra-se hoje perante um elevado grau de indeterminação quanto ao seu futuro. c) de 50 a 100 palavras os destinados a indicações breves. 2000). p.). mediante divisões e subdivisões. 3 RESUMO ESQUEMÁTICO OU ESQUEMA Esquematizar é topicalizar o que se leu."). o desmoronamento das fronteiras nacionais. a partir da contextualização do desenvolvimento teórico-científico da comunicação turística. Autor. vir num único parágrafo. deve ter: a) de 150 a 500 palavras os trabalhos acadêmicos (teses. imagem. porque a principal característica do resumo é justamente a de se reelaborarem as ideias do autor. Conclusão: síntese dos principais argumentos do autor. Busca também compreender a influência dos recursos comunicacionais na construção da imagem. o Deve ser composto de uma sequência de frases coerentes e concisas. dissertações e outros) e relatórios técnicocientíficos. evitando-se parágrafos longos e tópicos. p. T. identificável em alguns sintomas: depredação da natureza e dos recursos energéticos.. o método. Estado. 57-69.. Metodologia.]" (GENRO.. b) de 100 a 250 palavras os artigos de periódicos. Na realidade. 2000. tendo. crescimento da pobreza e exclusão [. que apresenta as principais partes do conteúdo do texto. O esquema é montado em uma sequência lógica. "de acordo com o texto". os resultados e as conclusões do estudo realizado.. ao patrimônio natural e depredação do estoque energético tradicional.30  prejudicado (MEDEIROS. desde que ela seja uniforme ao longo de todo o resumo. aumento da miséria e da exclusão. sendo-se fiel ao sentido original. (Org. mercado e democracia no "olho da crise". que se evitem expressões como "segundo o autor". 57) Exemplificando o resumo.") ou impessoal ("busca-se apresentar neste trabalho. ressaltando o objetivo. o Usar particípio ou gerúndio (usado. (GENRO. agressão. turismo. Autora: Rosana Eduardo Leal. Resumo: O presente artigo busca realizar um estudo preliminar sobre a relação da comunicação com o turismo. 2000.

9-10 apud LEAL. como normalmente feito nos cursos superiores. de um filme. Objetivo da resenha Divulgar objetos de consumo cultural: livros. por chaves ou por caixas. faz uma avaliação sobre ele. Fortaleza: UECE. além de resumir o objeto. imaterial. pois "envelhece" rapidamente. portanto.) O esquema é uma forma de resumo muito empregada na elaboração de roteiros de estudos. onde se identificam. planos de aula e/ou apresentações diversas. não se trata de um texto longo. sem qualquer crítica ou julgamento de valor. pois o objetivo principal é informar o leitor. Trata-se de um texto informativo. Trata-se. Em geral. filmes peças de teatro. s. Português instrumental II. É uma atividade que exige do produtor conhecimento sobre o assunto (para estabelecer comparações) e maturidade intelectual do produtor (para fazer avaliações e emitir juízo de valor). de um capítulo. também denominado de recensão crítica. Por isso a resenha é um texto de caráter efêmero. de uma peça de teatro ou de um espetáculo. 1994.31 Os resumos esquemáticos ou esquemas são constituídos de tópicos. entre os elementos ou unidades. muito mais que outros textos de natureza opinativa. respeitando-se sempre uma mesma estrutura – nominal ou verbal – para os tópicos que se coordenam ou se subordinam (Renira. Vejamos um exemplo: Por chaves: Platão Arte é pura imitação de algo que é imitação do Mundo das Ideias Arte A imitação na arte é pretexto para a atividade artística Plotino O objeto artístico é transitivo. de um texto de informação e de opinião. Resenha-crítica (Resenha Avaliativa): É um texto que. pois amplia o simples resumo. etc. pode ser vista como um texto que dá crédito ao trabalho desenvolvido pelos produtores de textos e de obras de uma determinada área. p. • Tipos de resenha Resenha-resumo (Resenha Descritiva): É um texto que se limita a resumir o conteúdo de um livro. Pode vir por enumeração. Maria da Conceição. • • . inesgotável Finalidade da arte Acesso à beleza Conhecimento intuitivo Contemplação do absoluto 4 RESENHA A resenha é um gênero textual que desempenha um importante papel na divulgação de trabalhos entre a comunidade acadêmica e de obras em diferentes veículos. Abniza Pontes Barros e FREIRE. Extensão da resenha A extensão da resenha depende do espaço que o veículo reserva para esse tipo de texto. relações de coordenação (ideias independentes de um mesmo nível hierárquico) apresentadas sempre pelo mesmo símbolo – numérico ou alfabético –. apontando os aspectos positivos e negativos. uma crítica. Além disso.d.

a seguir: Título da resenha: Astro e vilão Subtítulo: Perfil com toda a loucura de Michael Jackson Livro: Michael Jackson: uma Bibliografia não Autorizada (Christopher Andersen) . Os dados da referência bibliográfica podem constar destacados do texto. crepe de laranja e peras ao vinho tinto são algumas das iguarias". torta de ricota. 1995 Título da resenha: Estadista de mitra Livro: João Paulo II . na resenha intitulada "Um gramático contra a gramática". dos linguistas. com o apoio da Beal. Lugar da publicação. Título da obra. uma avaliação ou crítica. gramática tradicional e linguística. 1995). suflê de queijo. Pode-se resumir agrupando em um ou vários blocos os fatos ou as ideias do objeto resenhado. As receitas de Cozinha do Coração Saudável vêm distribuídas em desjejum e lanches. o gramático bate. é um romance metafórico (.Veja. o saber dos falantes e o saber dos gramáticos. alcatra ao molho frio. 13 de março. . A postura crítica deve estar presente desde a primeira linha. Veja o exemplo da resenha "Receitas para manter o coração em forma" (Zero Hora. 310 páginas.32 • O que deve constar numa resenha · O título O texto-resenha. escrita por Gilberto Scarton. o essencial. acompanhamentos. Nome da editora.) (Veja. a visão distorcida de que se ensinar a língua é se ensinar a escrever certo. respeitoso ou até agressivo. pratos principais. num "box" ou caixa. Receitas para manter o coração em forma "Na apresentação. Na introdução os médicos explicam numa linguagem perfeitamente compreensível o que é preciso fazer (e evitar) para manter o coração saudável. das partes e dos capítulos. saladas e sopas. resultando num texto em que o resumo e a voz crítica do resenhista se interpenetram. O velho pesquisador apaixonado pelos problemas de língua. a obsessão gramaticalista. 1995 Título da resenha: Com os olhos abertos Livro: Ensaio sobre a Cegueira (José Saramago) . 1996). o número de páginas e/ou o preço. do irrelevante". · O resumo ou síntese do conteúdo O resumo que consta numa resenha apresenta os pontos essenciais do texto e seu plano geral. 20 reais). 1996 · A referência bibliográfica da obra e alguns dados bibliográficos do autor da obra resenhada Constam da referência bibliográfica: Nome do autor. o novo livro do escritor português José Saramago (Companhia das Letras. intencionalmente.: Às vezes não consta o lugar da publicação.. Pode-se também resumir de acordo com a ordem dos fatos. Data da publicação. o relativismo e o absolutismo gramatical. ao final. sempre na mesma tecla uma variação sobre o mesmo tema: a maneira tradicional e errada de ensinar a língua materna. Preço Obs. o esquecimento a que se relega a prática linguística. do ensino inútil. salpicão de frango.tão comum nas "aulas de português". empadinhas de queijo.Bibliografia (Tad Szulc) . conforme os exemplos. 25 de outubro. Veja exemplo do resumo feito de "Língua e liberdade: uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (Celso Luft). torta fria de frango. teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística e professor de longa experiência leva o leitor a discernir com rigor gramática e comunicação: gramática natural e gramática artificial. 25 de outubro. produzido pela LDA Editora. a inutilidade do ensino da teoria gramatical.. molhos e sobremesas.Veja. risoto com açafrão. "Nos 6 pequenos capítulos que integram a obra. tem título e pode ter subtítulo. entradas. bolo de batata. Bolinhos de aveia e passas. as noções falsas de língua e gramática. a postura prescritiva. 4 de outubro. sobre o livro "Cozinha do Coração Saudável". o ensino útil. Número de páginas. 26 de agosto. purê de mandioquinha. Exemplo: Ensaio sobre a cegueira. dos professores. como todo texto. purista e alienada . · A avaliação crítica A resenha avaliativa não deve ser vista ou elaborada mediante um resumo a que se acrescenta. textos curtos definem os diferentes tipos de gordura e suas formas de atuação no organismo. sopa fria de cenoura e laranja.Veja. O tom da crítica poderá ser moderado.

Nessas notas. Suas explanações são bem pertinentes: elas mostram. uma organização responsável por ajudar cerca de um quarto de milhão de crianças a cada ano. ou dar-lhes apenas o papel de vilões. que no mundo dos bruxos existia um preconceito contra os não-bruxos (os “trouxas”). o Bardo (Rio de Janeiro: Rocco). não conseguem resolver seus problemas somente com magia. que procuram (juntas) a solução para seus próprios problemas. ao se confrontar com a Morte “em pessoa” não tenta trapaceá-la nem fazer mal a alguém. ou seja. então. Exemplo de resenha crítica Recentemente. pois “acolheu. com as notas explicativas da autora. traduzidos por Hermione Granger das runas. lançou Os Contos de Beedle. e também alertam para o fato de que alguns dos contos foram censurados ao longo da história e adaptados para que se tornassem “adequados para as crianças”. Altheda e Amata. Um exemplo é “O conto dos três irmãos”. Aliás. “inferi”. seus contos tiveram o mesmo destino dos nossos contos de fadas. Sabe-se que a mágica não é capaz de restituir o bem mais precioso: a vida. Beedle nos leva de volta ao mundo dos bruxos. o sétimo livro da série. partiram desta vida”. Isso porque as histórias mostram como a magia não pode resolver tudo e o quão inútil é lutar contra a morte. quem as assina é a própria J. As histórias mostram. A propósito. elas enfrentam o próprio destino. Nos contos de Beedle. no entanto. Para aqueles que sentiam falta de Dumbledore. Entretanto. caíram no gosto das crianças e. mas sim aqueles que demonstram bom senso e que agem com gentileza. uma história contada para Harry. que revidam os ataques qualificando os "detratores da obra" de "ignorantes" (não compreenderam a obra) e de "impulsionados pela má-fé". sentimentos e. muito mais por méritos próprios do que pela magia das águas da fonte que. Beedle. Quanto às heroínas do livro. por exemplo. a magia nem sempre é tão poderosa quanto se pensa: seus personagens. ou seja. que. Ademais. elas são em geral bem diferentes daquelas dos contos de fada “tradicionais”. como nós).K. O livro de Rowling traz cinco “histórias populares para jovens bruxos e bruxas”. apesar de serem dotados de poderes mágicos. assim como costuma acontecer nos contos de fadas. o poderoso mago Diretor de Hogwarts. No mundo dos bruxos. Ao final da estória. poder-se-ia dizer. J. os quais sofreram mudanças no enredo para que pudessem se adequar melhor à escola e ao mundo da criança. seus contos. De fato. neste livro não sabemos nada mais de Harry. Rowling mata um pouco da saudade: no final de cada conto. são as três bruxas. quando será lançada a primeira parte do sexto filme baseado na saga de Harry Potter. que ao contrário do que se pensa. Rony e Hermione no sétimo livro da série de aventuras de Harry Potter (no capítulo 21. Elas buscam amor. Desse modo. com exceção de “O conto dos três irmãos”. há explicações e comentários do bruxo. que leva o mesmo título do conto). como lemos no prefácio do livro. sem adaptações.K. ao invés de esperarem por um príncipe que as venham salvar. como se viu. a criadora de Harry Potter. o Bardo para o “Children’s High Level Group”. No conto “A Fonte da Sorte”. tem a importância do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen e suas histórias se assemelham em muitos aspectos aos nossos contos de fada. Em Os Contos de Beedle. nesses contos. que tem papel crucial no fim da saga do jovem bruxo. por exemplo. segundo Dumbledore. iguais. os quais foram encontrados após sua morte. até mesmo a morte. o Bardo. podem ser perfeitamente lidas pelos “trouxas” (como Rowling se refere às pessoas sem poderes mágicos. foram citados e lidos por seus colegas de escola. encerraria a saga do bruxo. como afirma Rowling. etc.33 Deve-se lembrar que os resenhistas – como os críticos em geral – também se tornam objetos de críticas por parte dos "criticados" (diretores de cinema. tolerância. Pena que as 103 páginas do livro acabem tão rápido: para o leitor entusiasta do mago inglês e acostumado com as suas aventuras narradas ao longo de mais de 700 páginas fica um gostinho de “quero mais”. a amiga sabida de Harry Potter. desse modo. a mágica pode tanto resolver quanto causar problemas ou pode também não ter efeito nenhum. os heróis dos contos não são aqueles com maiores poderes mágicos. segundo Rowling. mesmo sem saberem. ao universo de Harry Potter. além disso. resta aos fãs da magia de Rowling esperar até julho de 2009. mesmo após ter declarado que “Harry Potter e as Relíquias da Morte”. Quanto às ilustrações do livro. Depois de Beedle. Outras questões são trazidas à tona nos contos: amor. há ponto de excluí-los dos contos. ao contrário dos seus irmãos.K. como se sabe. mas que. No entanto. .). “não possuíam encanto algum”. sentimo-nos de volta ao “mundo mágico de Harry Potter”. os contos que nos são apresentados no livro são. ou seja. o que a levou a publicar essa coletânea de histórias (já foram publicados “Animais fantásticos e onde habitam” e “Quadribol através dos séculos”) foi uma “novíssima tradução dos contos feita por Hermione Granger”. Isso se assemelha muito àquilo que aconteceu com os contos de fada de um modo geral. os originais. Rowling esclarece alguns termos próprios do mundo dos bruxos como. esperança e a cura para uma doença na chamada “fonte da sorte”. Rowling. e. são usualmente contadas antes de dormir. J. “Harry Potter e o Príncipe Mestiço”. a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado. ele tem um final feliz. por exemplo. “são cadáveres reanimados por magia”. que doou parte do lucro obtido com a venda de Os Contos de Beedle. “a virtude é normalmente premiada e o vício castigado”. Rowling. Os contos. escritores. elas alcançam aquilo que desejam. já que nem mesmo ele é citado na obra. Na verdade. são os contos escritos por Beedle há muito tempo. Asha. são inéditos. onde o irmão mais novo.

1996). se historicizadas. Observe o exemplo da resenha sobre o livro "História dos Jovens" (Giovanni Levi e Jean-Claude Schmitt). A argumentação do magistrado. processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento. foi que "hoje em dia não há menina de 12 anos. Veja os exemplos: "Língua e liberdade: por uma nova concepção da língua materna e seu ensino" (L&PM. 112 páginas). Outra parcela da sociedade.org/resenha-contos-beedle-bardo/) E como se inicia uma resenha? Pode-se começar uma resenha citando-se imediatamente a obra a ser resenhada. − Resumo na língua do texto. por combater. − Nome(s) do(s) autor(es). veementemente. para outros um fato normal em certos quadros socioeconômicos e culturais. relativizadas. que chega às livrarias nesta semana. Para alguns isso é uma violência. 2. apoiada por parte da opinião pública. − Palavras-chave na língua do texto.traz elementos interessantes. que apresenta e discute idéias. Alguns dias depois. traz um conjunto de ideias que subvertem a ordem estabelecida no ensino da língua materna. Retirado do endereço: http://www. numerosas outras maneiras de se iniciar um texto-resenha. considerou tal veredicto como a aceitação de "novidades imorais de nossa época".lendo.”1 5. Mais um exemplo: "Michael Jackson: uma Bibliografia Não Autorizada (Record: tradução de Alves Calado. Há. no entanto. Enfim. por sua vez. FREQUÊNCIA Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório 35 1 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. O que é ser jovem Hilário Franco Júnior Há poucas semanas. Será? (Leonardo da Silva é graduando do curso de Letras da UFSC. métodos. do gramático Celso Pedro Luft. mas mulher de 12 anos". e o medievalista francês Jean-Claude Schmitt. o ensino da gramática em sala de aula. 12 de julho.1 Estrutura O artigo científico possui a mesma estrutura dos demais trabalhos científicos: ELEMENTOS Pré-textuais ITENS − Título.organizada por dois importantes historiadores. 29. da Universidade de Veneza. . artigo científico é “parte de uma publicação com autoria declarada. 5 O ARTIGO CIENTÍFICO De acordo com NBR 6022. a saga de Potter ganhou seu ponto final. as opiniões foram novamente divididas diante da estatística publicada pela Organização Mundial do Trabalho. técnicas. da École des Hautes Études em Sciences Sociales . escrita por Hilário Franco Júnior (Folha de São Paulo. 1995. é o melhor perfil de astro mais popular do mundo". (Veja. E para isso a "História dos Jovens" .34 No mundo dos livros. gerou polêmica a decisão do Supremo Tribunal Federal que inocentava um acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos. 1995). parece que finalmente (e infelizmente). 2002. e subtítulo (se houver). − Resumo em língua estrangeira. evidentemente. − Introdução. 4 de outubro. A leitura (inteligente) desse tipo de texto poderá aumentar o “leque” de opções para iniciar uma recensão crítica de maneira criativa e cativante.90 reais). p. 540 páginas. Essas e outras discussões muito atuais sobre a população jovem só podem pretender orientar comportamentos e transformar a legislação se contextualizadas. Outra maneira bastante frequente de iniciar uma resenha é escrever um ou dois parágrafos relacionados com o conteúdo da obra. − Palavras-chave em língua estrangeira. NBR 6022: Informação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa – apresentação. Rio de Janeiro: mai. segundo a qual 73 milhões de menores entre 10 e 14 anos de idade trabalham em todo o mundo. o modernista italiano Giovanno Levi.

. tabelas. 4). destacando conceitos. problemas motivadores do estudo. recomendações e sugestões para pesquisas futuras. os objetivos da pesquisa e outros elementos necessários para situar o tema do artigo”.3 Elementos pós-textuais São os elementos que compreendem as informações que irão complementar o artigo científico:  Título e subtítulo (se houver) em língua estrangeira.Textuais Pós-textuais − Desenvolvimento. de forma precisa e clara. 5. divide-se em seções e subseções. conforme segue: a) A revisão da literatura tem um papel fundamental no artigo científico. figuras etc. − Glossário. e c) resultados e discussão. c) Já na etapa de resultados e discussão. − Conclusão. ressaltando os aspectos que confirmem ou refutem as teorias estabelecidas. e subtítulo (se houver) em língua estrangeira. na qual se deve apresentar a fundamentação teórica.). − Referências. uma vez que é por meio dela que o trabalho é situado dentro de uma grande área de pesquisa. devendo responder às hipóteses enunciadas e aos objetivos do estudo. a forma de utilização adequada desses elementos. p. mostrando novas perspectivas e/ou limitações para a continuidade da pesquisa. os resultados e a discussão. ao final da apostila. Dessa forma.1. que variam em função da abordagem do tema e do método.2 Desenvolvimento Parte principal e mais extensa do trabalho. Veja na ilustração. apontando críticas. de tal forma que possa permitir a repetição do experimento ou estudo com a mesma exatidão por outros pesquisadores. b) A etapa de material e métodos compreende a exposição do(s) material(is) empregado(s) e a descrição das técnicas adotadas durante o desenvolvimento do trabalho. − Nota(s) explicativa(s).2.2. procurando esclarecer as teorias e os princípios. que foram apresentados na introdução. De acordo com a NBR 6024 (2003). introdução é a “parte inicial do artigo. hipóteses levantadas e principais resultados – aspectos esses que permitem ao leitor ter uma visão geral do artigo.3 Conclusão É a parte do artigo em que o autor irá destacar os resultados obtidos. 5. discussões e conclusões relevantes para o trabalho.1. onde devem constar a delimitação do assunto tratado. resultados. Tais elementos são: trabalhos anteriores sobre o tema. − Apêndice(s).1. Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Obrigatório Opcional Opcional Opcional 5. analisando e apresentando os dados nas diversas formas (valores estatísticos. − Título.1.2. b) material e métodos.1. procedimentos. − Anexo(s). justificativas para a escolha do assunto e dos métodos adotados. o autor deve apresentar e discutir resultados obtidos em sua pesquisa.1 Elementos pré-textuais São as partes preliminares que apresentam informações necessárias para melhor caracterização e reconhecimento da origem e autoria do trabalho.1 Introdução Segundo a NBR 6022 (2003. a metodologia.1. o desenvolvimento pode ser subdividido em três etapas: a) revisão da literatura. como também relacionando causas e efeitos. 5. É um fechamento do trabalho estudado.2 Elementos textuais 5.  Resumo em língua estrangeira da versão na língua do texto. Também é por intermédio dela que se reporta e avalia o conhecimento produzido em pesquisas prévias. 5.

justificado. assim como constitui uma das atividades mais praticadas nos cursos de graduação e pós-graduação. Petrópolis: Vozes. Ainda conforme essa autora. as legendas de ilustrações e tabelas. b) estudo de um tema num autor. no todo ou em parte. mas é contada. As referências listadas no final do trabalho devem ser digitadas em espaço simples e separadas entre si por um espaço duplo. 5. notas de rodapé.  Glossário: relação em ordem alfabética de palavras pouco conhecidas. p. titulação do(s) autor(es). 2005.2. formato e impressão O texto deve ser digitado no anverso da folha. (210 x 297 mm). encontros e simpósios.1 Papel.45). da ciência e da pesquisa. a 2 cm da borda do papel com algarismos arábicos e tamanho da fonte menor (10). De acordo com Souza (apud TEIXEIRA.5 cm.  Anexos: material complementar ao texto para servir de fundamentação. são enumeradas com algarismos arábicos. porque estimula a pesquisa e a discussão. as citações textuais de mais de três linhas devem ser digitadas em espaço simples.3 Paginação A numeração deve ser colocada no canto superior direito. palavras-chave. paginação. 7 SEMINÁRIO É uma das técnicas de dinâmica de grupo mais eficientes para a aprendizagem. (apud TEIXEIRA. que permite a identificação. dentro dos limites padronizados com as seguintes medidas: Superior e esquerda: 3.2. Devem possuir a mesma estrutura formal de um artigo”. comprovação ou exemplificação que não seja elaborado pelo autor. 2005. o texto (introdução. 5. as características desse trabalho acadêmico “podem convencionalmente consistir em atividade acadêmica.0 cm. 45). ou termos e expressões técnicas com seus respectivos significados. legendas das ilustrações e das tabelas. de documentos impressos ou registrados em diferentes tipos de materiais. servindo usualmente como um trabalho escrito para a avaliação do desempenho em seminários. 5. key-words.2 Apresentação gráfica do artigo científico 5. O tamanho da fonte deve ser 10 para nome(s) do(s) autor(es). resumo. e d) estudo de um tema/ questão/ problema em diversos autores”. citações diretas longas. e impresso na cor preta. Inferior e direita: 2. sem iniciar a cada página. A primeira página não leva número. cursos e disciplinas. As Três Metodologias: acadêmica.2. desenvolvimento e conclusão) e as referências. com exceção das ilustrações. Elizabeth. segundo a NBR 6023 (2003).4 Espaçamento O espaçamento entre as linhas é de 1.0 cm. O seminário pode ser apresentado em eventos científicos.  Referências: consistem. As notas de rodapé. de uma lista ordenada dos documentos efetivamente citados no texto.36  Notas explicativas: usadas para fazer certas considerações que não caberiam no texto sem quebrar a sequência lógica. ou estrangeiras. abstract. numa ordenação única e consecutiva para cada artigo. p. as principais características do paper são: “a) estudo sobre um autor.2 Margens As margens são formadas pela distribuição do próprio texto no papel. 5. c) estudo de uma obra de um autor. um pequeno artigo. 6 PAPER O paper é um artigo menos abrangente. utilizando-se papel no formato A4.  Apêndices: material elaborado pelo autor que se junta ao texto para complementar sua argumentação. Segundo a NBR 6022 (2003).2. O tipo de fonte a ser utilizada é TIMES NEW ROMAN e o tamanho da fonte deve ser 12 para o título do artigo (em letras maiúsculas). como congressos. o resumo. .

• Sequência no discurso explanado e encadeamento das partes. requisito indispensável. 2. 3. pode haver a necessidade de um organizador. fomentando o debate. A conclusão traz a síntese do seminário e a bibliografia relaciona todos os documentos científicos que foram utilizados e citados. colocando objeções. responsável pela distribuição das tarefas. • Os debatedores correspondem a todos os alunos da classe. Pode ser um só elemento. cada um apresentando um aspecto do conteúdo. Os seminários possuem etapas quanto à sua expressão escrita e uma estrutura específica de apresentação oral. Não é apenas um resumo ou síntese de estudo. pesquisa e debate. fomentando a reflexão através do debate. vamos saber quem são os participantes da apresentação: • O coordenador é o professor que orienta a pesquisa. Vejamos: A introdução é uma breve exposição do tema central selecionado para a pesquisa. Os seminários aprofundam o estudo e o conhecimento sobre determinado assunto. antes de iniciar o debate. os debatedores devem participar fazendo perguntas. desenvolvem a capacidade de pesquisa e análise. Existem algumas normas que devem pautar as apresentações (oral e escrita) de um seminário.3) destaca que alguns elementos devem ser respeitados pelos participantes do seminário: • Domínio do assunto por todos os componentes do grupo. • O relator (ou relatores) expõe(m) os resultados obtidos. tornando claros os objetivos do seminário. vários ou todos do grupo. mas um momento de divulgação e partilha da investigação realizada. Ana Paula Amorim (2005. Quanto à apresentação oral. define os critérios e os objetivos que os participantes devem alcançar. A pesquisa conduz à discussão do material coletado. mas também pode ser feito individualmente. a todos os ouvintes do seminário. • O comentador pode ser um estudante de outro grupo ou um grupo diferente do responsável pelo seminário. . A figura do comentador só aparece quando o coordenador deseja um aprofundamento crítico dos trabalhos. baseando-se nos conteúdos da disciplina. p.37 Pode ocorrer pautado na discussão de textos ou de temas pesquisados. Nos seminários realizados em grupo. O primeiro passo é a pesquisa bibliográfica. • Adequação da extensão do relato ao tempo disponível. O comentador se compromete em estudar com antecedência o tema para fazer críticas e questionamentos adequados à exposição. 4. Depois da exposição e da crítica do comentador (se houver). Integra ensino. e fortalece o sentimento de comunidade intelectual. preparando para a elaboração clara e objetiva dos trabalhos científicos. • Exposição clara dos conceitos. Inclui pesquisa e discussão (debate). Quanto à estrutura. Quanto à sua apresentação escrita. enfim. É uma forma de comunicação mais restrita. Dentre as suas principais características. o seminário segue normas gerais de elaboração dos trabalhos acadêmicos. O conteúdo corresponde ao desenvolvimento e deve ser apresentado seguindo uma sequência organizada. • Seleção qualitativa e quantitativa do material coletado. reforçando argumentos ou dando alguma contribuição. Mas esse trabalho de pesquisa deve ser planejado e orientado pelo professor que. Assemelha-se a um grupo de estudo. pedindo esclarecimentos. destacamos que o seminário: 1. 5.

Ana Paula. Como destaca Elisabete de Pádua. escrito e distribuído com antecedência (aproximadamente uma semana antes) aos participantes.  Seminário de leitura e estudo de textos: escolhem-se diversos textos por tema. • A equipe deve reunir-se algumas vezes antes da apresentação. Amorim (2005. ou o coordenador do seminário. símbolos. ou texto-roteiro.  Seminário temático: os participantes apresentam trabalhos. tais como cartazes ou projeções de slides. Debatem-se os textos sob diversos ângulos de análise. Isso ajudará na efetiva participação de todos. breve visão de conjunto.ead. para melhor preparar o seminário. é o debate que “caracteriza o seminário como uma técnica geradora de novas ideias. Esse texto deve conter os principais aspectos do assunto a ser abordado no seminário com a seguinte estrutura: apresentação geral da temática. por exemplo.). artigo. entre eles:  Seminário de pesquisa: são apresentados. levando a novas indagações sobre o assunto [. entre outras). 2006. Metodologia do Trabalho Científico. mas convergentes na temática. • O tempo deve ser dividido de forma a se contemplarem os seguintes momentos: breve apresentação inicial do tema.” Com base em: AMORIM. . Segundo Severino (2001. • A arrumação do local deve permitir o diálogo coletivo (disposição circular é uma alternativa. os critérios de tamanho e legibilidade das ilustrações devem ser igualmente observados. diversificados quanto à maneira de abordagem do tema. p. murais. • O professor. discutam a forma de apresentação. visa a aprofundar a reflexão sobre determinado problema a partir da utilização de textos/equipes.]. Quando se tratar de imagens ou desenhos. etc. levando a um aprofundamento do conteúdo e à construção da aprendizagem. É um “círculo de debates” para o qual todos devem estar suficientemente preparados. Disponível em: OUTRAS OBSERVAÇÕES SOBRE SEMINÁRIOS O seminário é um procedimento que usa dinâmica de grupo para aprofundamento. depois. Pode incluir o uso de recursos visuais na apresentação inicial. esquema (pontos que compõem o tema). discutidos e avaliados os resultados e/ou estágios de pesquisas. etc. podem ser utilizados materiais de ilustração. <http://ilearn.38 Para a apresentação oral. Procedimentos importantes para a boa realização de um seminário: • Recomenda-se que cada equipe responsável pelo seminário tenha no máximo quatro ou cinco integrantes. análise e interpretação de textos acerca de um determinado tema. estudo e pesquisa. apresentação das questões norteadoras. • É necessário um relatório. mas seu objetivo é leitura. proporciona o confronto de opiniões e fomenta a crítica. pode apresentar e discutir visões diferentes acerca do tema.br/> Acesso em: 09 ago. que sirvam de base às discussões). para que ocorra um debate profícuo. O debate é o momento mais importante do seminário! Conduz à reflexão.ftc.. 03) adverte que as informações e legendas devem aparecer em contraste com a cor do papel (ou slide) utilizado.. nesse caso. Isso dificulta a visão do todo. amplo debate acerca do tema e breve conclusão. despertando a curiosidade dos participantes. questões e texto-base (trecho de um livro. Existem diversos tipos. distribui o tempo das etapas e realiza intervenções oportunas.. A lista das fontes precisa ser bem selecionada. Apesar de ser um expediente muito utilizado. observando o tamanho da fonte para que a leitura não seja comprometida pelos alunos mais afastados da exposição. 63-69). O ideal é que todos leiam integralmente o texto e. pode-se lançar mão de outros recursos (vídeo. os quais todos os participantes devem ler. Um seminário sobre violência. não é recomendável a divisão de páginas de leitura ou capítulos de uma mesma obra entre os membros do grupo. por demandar menor tempo. No entanto.

que poderá concedê-la à plateia. conhecem previamente o texto dos outros expositores e podem apresentar questionamentos aos membros da mesa. ed.  Os participantes conhecem previamente o texto do expositor. OS PAINÉIS PODEM SER: De interrogação: Os participantes responderão questões básicas indicadas pelo professor. organizando a discussão. Possui. a montagem do texto-roteiro a ser entregue aos participantes. 9 MESA REDONDA A mesa-redonda apresenta pontos de vista variados acerca de um mesmo tema. esclarecer e divulgar um tema relacionado ao seu trabalho e desenvolver uma apresentação metódica e estruturada. É comum que se posicione diante de uma plateia. por ser temática. realizada por um especialista na área. Pode ou não permitir a participação da plateia. simpósios e encontros científicos. Consiste na reunião de vários interessados que expõem suas ideias sobre determinado assunto. em alguns casos. a preocupação maior deve estar voltada para a eficiência da comunicação. através da qual um profissional ou acadêmico faz o relato de sua própria atividade ou da de um grupo ao qual pertence.  A palavra retorna ao expositor. pode ser apresentada no contexto de eventos mais abrangentes como congressos. apresentar o tema e os debatedores aos ouvintes. Em geral. Domingos. SANTOS. 11 CONFERÊNCIA Modalidade de comunicação oral que ocorre na comunidade científica.  Após a exposição. o painel é uma atividade de divulgação científica que não necessariamente precisa apresentar cartazes. . – cujo objetivo maior é a exposição de determinado conhecimento e a troca de experiências a ele relacionadas. São Paulo: Futura. Adaptado de: PARRA FILHO. Além disso. cujos ouvintes têm interesse no assunto a ser abordado. religiosa ou política. De debate: Além de expressar ideias. 10 PALESTRA A palestra é uma exposição oral sobre um tema – de natureza científica. manifestar-se também.39 O seminário precisa ser planejado com antecedência. qualquer que seja seu tipo. os demais participantes apresentam os seus comentários críticos. e sua montagem deve contemplar o tema. Dessa forma. é seguida de uma sessão de perguntas e debates. Os participantes. o que possibilita uma troca de ideias e conduz ao conhecimento aprofundado do tema. as fontes de pesquisa. em média. podendo.  Apresentação de um tema sob pontos de vista diferentes e até mesmo divergentes. ele deve coordenar a apresentação de cada um. de forma objetiva e clara. na elaboração de um relatório. É uma exposição científica sobre um tema. etc. A participação é espontânea. literária. as tarefas dos membros do grupo responsável. os participantes também questionam as ideias dos demais. no máximo seis. Metodologia Científica. que lança questionamentos ao conferencista para que ele possa esclarecer pontos que não ficaram claros. A função do moderador é inaugurar os trabalhos. de maneira informal e dialogada. 1998. participam da exposição de três a cinco especialistas em um determinado assunto. O palestrante deve informar. cultural. A palestra. O objetivo é comunicar ao leitor a experiência acumulada pelo autor (ou pelo grupo) na realização do trabalho e os resultados obtidos. o tempo para a exposição inicial e para o debate e os recursos didáticos que serão utilizados. que realizam o debate sob a coordenação de um moderador. 8 PAINEL Ao contrário do que imaginamos. a duração de uma hora. 12 RELATÓRIO Podemos dizer que relatório é uma exposição detalhada de um evento qualquer (que ocorreu e foi observado). João Almeida. Trata-se de apresentação mais curta que as palestras. 6. Fundamentada sobre um tema específico.

criar o modelo de relatório que melhor contemple as necessidades de formação do seu aluno. nível de complexidade e aprofundamento do conteúdo. pela observância das regras gramaticais. local e data) B) Sinopse (Abstract) C) Sumário D) Introdução a) Objetivo (tema. são úteis três perguntas: .para quem deve ser relatado? – essa pergunta pode ajudar a decidir quanto ao tipo de relatório (formal. Procedimentos A estrutura e a organização de um relatório serão variáveis conforme seus objetivos e destinação.quando e onde: identificam o local e a data em que a atividade relatada foi realizada.o quê: identifica a atividade realizada.40 O relatório é incluído entre os tipos de trabalhos acadêmico-científicos por ser uma modalidade escrita solicitada com alguma regularidade ao aluno de graduação. equipe técnica. etc. para isso. título e subtítulo. . preciso e objetivo. observação de eventos. Descrição da atividade 4. Conclusões/recomendações 5. em diversas disciplinas. dentre as quais: a) o relato complementar posterior (analítico e conclusivo) de atividades práticas – visitas. Os roteiros apresentados acima são sugestões para que o professor possa. A melhor maneira de relatar a sequência de desenvolvimento de uma atividade é cuidar para que a exposição seja clara e o estilo seja simples. delimitação. objetivo geral. marcado pelo uso de termos técnicos adequados. tabulação. informal ou semiformal).O que deve ser relatado? – da resposta a esta pergunta resulta um roteiro ou esquema do conteúdo do relatório. . se houver. se houver. Dados de identificação . com vistas a um conjunto bastante variado de propósitos pedagógicos. etc. aplicação de uma determinada técnica.. detalhes desnecessários ou adjetivação excessiva. A elaboração de um relatório se inicia por uma reflexão sobre sua finalidade.quem: identifica o(s) autor(es) do relatório.por que deve ser relatado? – essa pergunta auxilia a decidir se o relatório será informativo ou analítico e a esclarecer aspectos relativos à abordagem e tratamento das informações e/ou conclusões e recomendações a serem apresentadas. Assinatura do(s) autor(es) – Elementos pós-textuais: – Referências (caso existam) – Anexos / apêndices É importante lembrar que o roteiro do relatório deve ser adaptado às necessidades da disciplina ou aos propósitos da atividade realizada. viagens de estudo. 2. pela ausência de períodos longos. local e data) b) Página de Rosto (entidade. coordenador(es). – desenvolvidas pelos alunos. Finalidade da atividade 3. Podemos apontar diferentes modalidades de relatório. codificação. análise. CORPO DO RELATÓRIO DE PESQUISA CIENTÍFICA Partes A) Apresentação a) Capa (entidade. tratamento estatístico e interpretação de dados pesquisados. a partir dessas ideias. b) o relato dos resultados de uma pesquisa. coordenador(es). . experimentos ou testes de laboratório. objetivos específicos) . estilo da redação. título e subtítulo. realização de uma intervenção ou procedimento especializado. baseado na coleta. . CORPO DO RELATÓRIO DO TIPO COMPLEMENTAR DE ATIVIDADES PRÁTICAS Sugestão de roteiro – Elementos textuais: 1.

hipóteses. métodos de procedimento. (MEDEIROS. bem como o orçamento dos possíveis gastos à sua realização. que são o instrumental necessário a uma ciência para alcançar metas estabelecidas. Em seguida. exceto nos casos de originalidade do tema. Outra etapa importante refere-se à definição dos termos. estruturado o projeto. E. o tipo de amostragem. realizado a apresentação. formulários. b) Definição de termos c) Conceitos operacionais e Indicadores H) Apresentação dos dados e sua análise (dividido em capítulos) I) Interpretação dos resultados (dividido em capítulos) J) Conclusões K) Recomendações e Sugestões L) Apêndices a) Tabelas b) Quadros c) Gráficos d) Outras ilustrações e) Instrumentos de pesquisa M) Anexos N) Bibliografia (LAKATOS e MARCONI. os métodos de abordagem (indutivo. das palavras utilizadas. comparativo. o tratamento dos dados estatísticos. Tendo projetado a pesquisa. o problema que se quer resolver. É hora de estabelecer as hipóteses básicas. Além disso. delimitação do universo. Não se admite pesquisa que parta do nada. Ainda no início do relatório.215) . delimitado o tema. O relatório deve responder às seguintes perguntas: O quê? Por quê? Para quê? Para quem? Onde? Como? Com quê? Quanto? Quando? Quem? Com quanto? O pesquisador se utilizará de técnicas para a elaboração da pesquisa. Convém ainda esclarecer os instrumentos a serem usados: questionários. Essa revisão permite novos pontos de vista. variáveis) E) Revisão bibliográfica F) Metodologia (método de abordagem. 2009. passa-se a comentar a metodologia de pesquisa utilizada. estabelecido o objetivo. apresenta-se um elenco bibliográfico da pesquisa. passa-se a abordar o objeto da pesquisa. o autor exporá a revisão bibliográfica. sem revisão da literatura.41 b) Justificativa c) Objeto (problema. dialético). etc. tipo de amostragem. reformulação de conclusões e ainda apresentação da contribuição da pesquisa. dedutivo. A metodologia da pesquisa implica a delimitação do universo que será investigado (corpus). o pesquisador faz análise deles para chegar a conclusões ou tomar decisões. as secundárias. 2011. os métodos de procedimento (histórico. páginas 134 a 138) O relatório de pesquisa é uma descrição objetiva dos fatos que ocorreram na pesquisa. confirmação de resultados obtidos por outrem. início e fim. finalmente. técnicas. Faz-se em seguida o cronograma da pesquisa. p. testes. apresentado as justificativas. tratamento estatístico) G) Embasamento teórico a) Teoria de base. as variáveis (e a relação entre elas). estudo de caso).

tamanho 12). alinhados à direita e com números arábicos indicando nota de rodapé.br 2 Breve currículo do (s) autor (s).].5 entre o título e Autor(s).edu.Instituto Federal de Educação. Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Iguatu. Deve-se usar maiúsculo somente na primeira letra e separá-las com ponto [. Sssssssss. E-mail: rejane@ifce. Também são digitadas em fonte 10. em notas de rodapé. São palavras representativas do Texto. Ciência e Tecnologia do Ceará – Campus Iguatu. Graduado em letras – Universidade Estadual do Ceará. separado deste por dois pontos. o resumo é uma descrição sumária da totalidade do artigo entre 100 a 250 palavras. sem negrito. colocadas abaixo do Resumo. Palavras-chave: Xxxxxxx.br Bibliotecaria . → 3 cm ______________________ 1 ← 2 cm Professor – Instituto Federal de Educação. 3 cm ↓ O ARTIGO CIENTÍFICO: COMO ESTRUTURÁ-LO Antonio Nunes Pereira1 Rejane Tavares2 Dois espaços de 1. espaçamento simples em um único parágrafo. Resumo: Segundo a NBR 6028 (2003). Zzzzzzzz. Key-words (em inglês) ou Palabras clave (em espanhol) ou Motsclés (em francês): aqui as palavraschave são traduzidas para a mesma língua estrangeira do resumo. o método. E-mail: nunespereira@ifce. Aaaaaaa. Deve ser descrito com fonte 10. os resultados e conclusões mais importantes. em negrito e com fonte Times New Roman. Graduado em biblioteconomia– Universidade Estadual do Ceará. Nome completo do(s) autor(s) na forma direta. em que são destacados os objetivos. onde será colocado breve currículo do (s) autor (s).edu. ↑2 cm . SUBTÍTULO (se houver) segue o mesmo formato do título. em fonte 10. de forma discursiva afirmativa e não apenas uma lista dos tópicos.MODELO DE USO DOS ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS TÍTULO do artigo (Centralizado.

São Paulo: Contexto. 2009. M. São Paulo: Parábola. RAMPAZZO. MEDEIROS. KOCH.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANTUNES. 2009. Ler e escrever: estratégias de produção textual. João Bosco. 2006. São Paulo: Contexto. resumos. S. Metodologia científica. O texto e a construção dos sentidos. 1996. 11ª ed. São Paulo: Contexto. 1999. 7ed. 2008. KOCH. PAVANI. KOCH. V. BOFF. Petrópolis. ______. 11ed. 4ed. São Paulo: Contexto. Ingedore Villaça. Luiz Carlos. Lino. COSTA VAL. Redação e textualidade. 2002. . ______. Prática textual: atividades de leitura e escrita. São Paulo: Contexto. 2005. São Paulo: Contexto. Desvendando os segredos do texto. São Paulo: Cortez. Martins Fontes. Metodologia do trabalho científico. V. Ingedore Villaça. Eva Maria. ELIAS. M. Cinara. S. KÖCHE. KOCH. São Paulo: Atlas. MARCONI. Argumentação e Linguagem. 2012. Irandé. Odete. A coerência textual. Ingedore Villaça. ELIAS. RJ: Vozes. Lutar com palavras: coesão e coerência. Marina de Andrade. LAKATOS. 2011. Redação científica: a prática de fichamentos. 2006. ______. São Paulo: Edições Loyola. São Paulo: Atlas. Ingedore Villaça. Ler e compreender: os sentidos do texto. 1990. Vanilda. 1990. Maria da Graça. resenhas. A coesão textual. TRAVAGLIA.

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