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TELHADOS

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TELHADOS

1.INTRODUÇÃO 2.ESTRUTURA 3.TELHAMENTO 4.PROJETO 5.CARACTERÍSTICAS 6.BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

1.INTRODUÇÃO

Telhado é definido como sendo um revestimento descontínuo constituído de materiais capazes de proteger o edifício contra a ação das intempéries, bem como impedir a penetração de poeiras e ruídos no seu interior. A palavra TELHADO tem sua origem no uso das telhas, porém nem todo sistema de proteção do edifício constitui-se, obrigatoriamente, num telhado. Podem-se ter lajes com espelho de água, terraços e jardins suspensos. Três partes principais compõem o telhado, que são: • ARMAÇÃO OU ESTRUTURA – corresponde ao conjunto de elementos estruturais para sustentação da cobertura, podendo ser dividido em trama e estruturas de apoio. Estes elementos podem ser executados, totalmente ou parcialmente, em madeira ou metálica (aço ou alumínio). • COBERTURA OU TELHAMENTO – que pode ser feita de materiais diversos, desde que estes sejam impermeáveis às águas das chuvas e resistentes a ação do vento e das intempéries. Ela pode ser de telhas cerâmicas, telhas de concreto (planas ou capa e canal) ou de chapas onduladas de cimento-amianto, aço zincado, madeira aluminizada, PVC e FIBER-GASS • SISTEMA DE CAPTAÇÃO DE ÁGUAS PLUVIAIS– constituído, em geral, por rufos, calhas, condutores verticais e acessórios, cuja função é a drenagem das águas pluviais. Dentro do INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito

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projeto do telhado, este sistema constitui um projeto de drenagem à parte, que será visto mais adiante no curso. O telhado é caracterizado por superfícies planas, que são também denominadas de águas da cobertura. Na maior parte das vezes, estas superfícies têm inclinações iguais e, portanto, declividades iguais. Esta inclinação deve ter um valor mínimo que permita o escoamento das águas das chuvas, as quais são direcionadas segundo um projeto de captação dessas águas. 1.1. TIPOS DE TELHADOS A superfície do telhado pode ser formada por um ou mais planos, ou por uma ou mais superfícies curvas, denominadas arcos e cúpulas. Estas últimas não serão vistas neste curso. • UMA ÁGUA (MEIO ÁGUA Figura 1) – caracterizada por um só plano, com declividade, cobrindo uma área edificada pequena ou estendendo-se para proteger entradas (alpendre).

• DUAS ÁGUAS (Figura 2) – caracterizada por dois planos, com declividades iguais ou diferentes, unidas por uma linha central, denominada cumeeira, ou distanciadas por uma elevação (tipo americano). O fechamento da frente e do fundo é feito com empenas ou oitões.

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• QUATRO ÁGUAS (Figura 4) – caracterizada por quatro planos. onde os planos maiores recebem o nome de águas mestras. Este tipo de telhado possui além das características do telhado de duas águas. recebendo o nome de tacaniça. mais um plano em forma de triângulo. de formas regulares e irregulares. A concordância dos três planos se dá segundo os espigões. onde se tem 2 águas mestras. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 3 . na face oposta ao oitão.• TRÊS ÁGUAS (Figura 3) – caracterizada por três planos. 2 tacaniças e 4 espigões.

• MÚLTIPLAS ÁGUAS – este tipo de telhado é caracterizado por uma superfície poligonal. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. garantindo assim a estabilidade do telhado. plásticas e de fibrocimento). onde o número de águas é igual ao número de lados do polígono. caibros e ripas de madeira (Figura 5). Para telhas de dimensões maiores (telhas metálicas. Neste caso. Dorival Rosa Brito 4 . A TRAMA é a estrutura que serve de lastro (sustenta e fixa) ao material da cobertura. é possível eliminar os caibros e as ripas. 2. Como já foi dito. a estrutura do telhado pode ser dividida em trama e estrutura de apoio.ESTRUTURA As funções principais da estrutura dos telhados são sustentar e fixar as telhas e transmitir ose sforços solicitantes para os elementos estruturais do edifício. as águas serão todas tacaniças e as concordâncias serão todas em espigões. Para telhas de pequenas dimensões (telhas cerâmicas e de concreto) a trama é constituída por terças.

por tesouras. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. tornando o sistema estrutural indeslocável. A Figura 7 mostra os diversos tipos de tesouras que podem ser utilizadas. em geral. cuja concepção estrutural é definida pelas necessidades de projeto e das dimensões da estrutura. A TESOURA é uma viga em treliça plana vertical. composta por barras dispostas em forma de rede de triângulos. Dorival Rosa Brito 5 . pontaletes ou vigas.O sistema de apoio (Figura 6) é constituído. oitões.

as designações das diversas peças foram divididas em duas classes principais. A fim de evitar confusão de nomes. a herança dos primeiros carpinteiros oriundos de várias partes de Portugal e outros países da Europa Central.NOMENCLATURA A denominação das peças que compõem os elementos estruturais de um telhado é muito diversa nas várias regiões do Brasil. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. serve de apoio para as terças. acima da linha de forro (pé-direito) que. Os PONTALETES podem ser feitos em madeira ou alvenaria.O OITÃO é uma elevação externa em alvenaria de vedação. Dorival Rosa Brito 6 . que serão discutidas a seguir. provavelmente. muitas vezes.1. Isto se deve. deixando espaço para abrir a tampa da caixa. Sua altura depende da altura da caixa de água que ficará debaixo do telhado. 2.

TERMINOLOGIA DOS CONSTRUTORES Esta terminologia serve de comunicação entre o pessoal nas obras. CUMEEIRA– terça da parte mais alta do telhado. Neste caso.1.2. 2. pregadas sobre os caibros.1. CAIBRO . RIPAS – peças de madeira. Dorival Rosa Brito 7 . para sustentação das ripas. para sustentação das telhas. apoiadas sobre as terças. a nomenclatura das peças que compõem um telhado (Figura 8) é a seguinte: 1. 3.peças de madeira. de pequena esquadria. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. de pequena esquadria.

2. 5. fora do alinhamento da parede. 4.TERMINOLOGIA ESTRUTURAL Esta terminologia serve de comunicação entre os engenheiros. que serve para transferir o carregamento do telhado aos pilares ou paredes da edificação. PENDURAL OU PENDURAL CENTRAL 11. LINHA. pontaletes. 2. 6. FERRAGEM 14. banzo inferior (I). barras verticais ou simplesmente verticais (V). que sustenta ou apóia a terça. 13. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 8 . PONTALETE. CHAPUZ– pedaço de madeira.1. Define-se BEIRAL como sendo o prolongamento da cobertura. ESCORA 12. TESTEIRA OU ABA 16. respectivamente: 1.2. MÃO FRANCESA O espaçamento entre duas ripas depende das dimensões das telhas utilizadas. para um telhado de duas águas e quatro águas. nó ou junta (N) – 3. MÃO FRANCESA– escora empregada para aliviar a flexão das terças. TERÇAS – vigas apoiadas sobre as tesouras. oitões. TESOURA – viga principal em treliça ou viga-mestra. Os elementos da tesoura são: banzo superior (S). ou paredes intermediárias. 8. FERRAGEM MONTANTE OU PENDURAL OU ESTRIBO OU COBRE JUNTA 15. A sustentação da cobertura depende dos seguintes elementos estruturais. barras diagonais ou simplesmente diagonais (D). PERNA OU EMPENA 9. FRECHAL– viga de madeira colocada em todo o perímetro superior da parede de alvenaria. os quais são exemplificados na Figura 10 e na Figura 11. TENSOR OU TIRANTE 10. pregado na asna da tesoura. CONTRAFRECHAL– terça da parte inferior do telhado. sendo que a distância entre dois caibros e entre duas terças depende do peso da telha e das dimensões da seção e do tipo de material com que são fabricados. 7. Os vários tipos de beirais possíveis são mostrados na Figura 9. servindo também como elemento de travejamento dos nós inferiores da tesoura. com a função de sustentar os caibros.TERÇAS– peças horizontais de madeira colocadas na direção perpendicular à estrutura de apoio. em geral de forma triangular. Elas apóiam-se geralmente sobre tesouras. para amarração e distribuição da carga concentrada da tesoura.

inclinação da tesoura (α). dispostas perpendicularmente ao plano das tesouras. CONTRA VENTAMENTO VERTICAL – é uma estrutura plana vertical formada por barras cruzadas. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 9 . painel – distância entre dois nós (ρ). Além disso. deslocamentos.ponto de interseção de barras. servindo de sustentação para a ação das forças que atuam no plano das barras e impedindo que as tesouras sofram rotações e 4. serve de elemento de vinculação do banzo inferior contra a flambagem lateral. altura da tesoura (h). vão da tesoura (L) – distância entre dois apoios extremos.

Dorival Rosa Brito 10 .INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof.

que atua na direção esconsa ao edifício. servindo de amarração do conjunto formado pelas tesouras e as terças.CONTRAVENTAMENTO HORIZONTAL – é uma estrutura formada por barras tracionadas. 5. Dorival Rosa Brito 11 . para as tesouras e ao contraventamento vertical. colocadas no plano abaixo da cobertura. Essas barras servem para transferir a ação do vento. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof.

a peroba é utilizada como madeira padrão. vigas ou paredes da construção. braçadeiras. 2. Os ELEMENTOS DE AMARRAÇÃO são constituídos por barras.2. função. suportando os possíveis esforços médios de arrancamento ou movimentação do telhado (vento. por ser mais resistente ao apodrecimento e por não ser tão dura quanto o ipê e a cabriúva. Os elementos de ANCORAGEM são necessários quando os esforços de arrancamento da estrutura do telhado são maiores. 2. chuva.6.1. custo. Dorival Rosa Brito 12 . dilatação térmica). quando horizontal chama-se cumeeira. cantoneiras ou chapas de aço (Tabela 1). vão de sustentação. em especial em telhados de habitações residenciais. MEIA TESOURA 7. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof.2. ESTRUTURA DE MADEIRA A madeira é o material mais comumente usado em estruturas convencionais de telhado. ESPIGÃO – CANTO aresta saliente inclinada do telhado. TESOURA DE 8. etc. Eles são colocados de tal maneira que fixam as tesouras firmemente nas lajes. MATERIAIS A escolha e definição do material do telhado são determinadas pelas exigências técnicas de projeto. Na Figura 12 são mostrados sete tipos de ancoragem mais comuns e seus respectivos desempenhos (carga média de ruptura). Em geral. A ligação entre estrutura do telhado e o edifício pode ser feita por elementos de amarração e de ancoragem. exigindo a execução de dispositivos de fixação das tesouras mais criteriosa. como estilo.

Dorival Rosa Brito 13 . INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof.São mostrados na Figura 13 detalhes de ligações dos elementos estruturais de madeira – sambladuras e entalhes.

Dorival Rosa Brito 14 .INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof.

telhas onduladas de fibrocimento. 3.ESTRUTURA DE AÇO O uso do aço tem sido bastante comum em estruturas de telhado. em especial em telhados de edifícios industriais e galpões. b.2. Deve ser leve. sob a forma espacial (Figura 14). Estas treliças são constituídas por elementos tubulares. dos quais pode-se citar: telhas cerâmicas. Deve proporcionar um bom isolamento térmico e acústico. Ser durável e devem manter-se inalteradas suas características mais importantes.TELHAMENTO São diversos os tipos de materiais utilizados na confecção de telhas para coberturas. Deve ser impermeável. sob a forma de treliças planas e terças. com peso próprio e dimensões que exijam menos densidade das estruturas de apoio. c. 3. d. telhas de concreto e telhas metálicas. A escolha entre estes tipos depende de diversos fatores. f. Dorival Rosa Brito 15 . Deve possuir articulação para permitir pequenos movimentos. Resistente o suficiente para suportar as solicitações e impactos. sendo que o custo irá determinar o patamar de exigência com relação à qualidade do conjunto. sendo esta a condição fundamental mais relevante.2.1. devendo-se levar em consideração as seguintes condições mínimas: a.TELHAS CERÂMICAS INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. e.

Dorival Rosa Brito 16 . para permitir um bom escoamento da água. que delimitam as superposições das peças. É do tipo capa (convexa) e canal (côncava). varia entre 32 a 40%. pois podem ser usadas indistintamente. havendo necessidade de cortá-las nas extremidades. um canal como capa e vice-versa (Figura 19). sobretudo em construções de residências unifamiliares. ou seja. sendo diferenciados entre si por ressaltos e reentrâncias (Figura 21). Para inclinações acima de 40%. A TELHA PAULISTA (Figura 20) tem seção circular que vai afunilando em direção a uma das extremidades. espessura – 55 a 75 mm. paulistinha e tipo plan. comprimento – 46 cm. Os tipos principais destas telhas são: francesas ou Marselha. Suas dimensões têm as seguintes variações: largura – 14 a 18 cm. onde o canal é por onde correm as águas e a capa é a peça de remate entre dois canais. aproximadamente. A principal característica da telha francesa é que as juntas são desencontradas. recomenda-se o uso de telhas furadas para fixação das telhas. por isso designadas por este nome. medido em plano horizontal. Suas dimensões têm as seguintes variações: INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. produzido peça por peça. ou seja.6 kg. respectivamente. o que exige um acabamento mais sofisticado. É composta de capa e canal. Exigem ainda peças especiais para formar as cumeeiras (Figura 16). um processo artesanal. A inclinação ideal a ser adotada no telhado. sendo necessários 3 metros linear de cumeeira. necessitando de 17 telhas por metro quadrado. colonial. 25 cm de largura. Este acabamento pode ser feito colocando-se uma tábua testeira nas extremidades das terças e recobrindo parte dela com uma telha paulista (Figura 17). 40 cm de comprimento e 14 mm de espessura.As telhas cerâmicas são as mais tradicionalmente usadas na construção civil no Brasil. com encaixes laterais e nas extremidades. Suas dimensões são. com agarração para fixação às ripas. sendo necessárias 15 peças por metro quadrado de cobertura. paulista. as quais estão normalizadas pela ABNT. pesando em torno de 2. A inclinação mínima é 30%. garantindo a estanqueidade da cobertura e a imobilidade das telhas. As TELHAS FRANCESAS (Figura 15) são planas. sendo que sua fabricação é. A TELHA COLONIAL (Figura 18) foi uma das primeiras a ser usada no Brasil. não havendo distinção entre uma e outra. ainda hoje.

Suas juntas longitudinais são paralelas. espessura do canal – 55 a 70 mm. 2. São telhas muito pouco empregadas. A inclinação mínima varia entre 25 a 40%. Prof. porém com dimensões menores. podendo. necessitando de 17 telhas por metro quadrado. e exigindo um perfeito alinhamento das capas e canais. usar uma inclinação menor (27 a 40%). Deslocamentos dos componentes devido aos fortes ventos (declividades e assentamentos inadequados). dando maior vazão. O canal é de seção retangular e mais ampla. aumentando assim o número de peças por metro quadrado de superfície e empregando um caimento menor. A TELHA PAULISTINHA é a mesma telha paulista. os quais são feitos por meio de réguas ou linhas. espessura da capa – 70 mm. requerendo por isso uma mão-de-obra mais apurada do que a telha francesa. sendo que suas dimensões se aproximam das da telha paulista.comprimento – 46 cm. Seu consumo também é menor. portanto. Grande número de juntas. Dorival Rosa Brito 17 INFRA E SUPRA ESTRUTURA . sendo 27 telhas por metro quadrado de telhado. As principais causas de falhas de um telhado com telhas cerâmicas são: 1. A TELHA TIPO PLAN (Figura 22) é constituída de canal e capa em uma única peça. largura do canal – 14 a 18 cm. largura da capa – 12 a 16 cm. pois são difíceis de cortar bem como encontrar peças no mercado para substituição.

A seqüência de colocação das telhas de encaixe em cada fiada varia de acordo com o desenho da telha. observando-se o recobrimento longitudinal mínimo. As da fiada seguinte devem ser colocadas de tal forma que se encaixam perfeitamente nas da fiada inferior. de algas. • COLOCAÇÃO DAS TELHAS A colocação das telhas deve ser feita por fiadas. as telhas devem ser estocadas na posição vertical. Transbordamento 3. desvios geométricos em geral e não uniformidade de cor. de cada lote. empenamentos. Projeto das telhas decorrentes de deformações excessivas das estruturas de sustentação. A espessura e as demais propriedades das telhas devem ser inspecionadas para cada caminhão entregue na obra (lote). para as outras propriedades.EXECUÇÃO Estas telhas devem ser recebidas no canteiro sem qualquer tipo de defeitos como quebras. trincas. As telhas francesas são colocadas da direita para a esquerda e de baixo para cima. extravasores de água. de calhas e rufos (sistema de captação de águas pluviais). Dorival Rosa Brito 18 .1. em até três fiadas sobrepostas (Figura 23). aleatoriamente. são retiradas 13 peças. retiram-se amostras de 20 peças. Em cada fiada. etc. Deslocamentos 4. No canteiro. 5. rebarbas. com a parte mais larga para baixo. Acúmulo 6. ou vice-versa. as telhas são colocadas da direita para a esquerda. As capas e os canais apóiam-se nas fiadas inferiores. a capacidade de resistência desta deve ser verificada para evitar sobrecarga. Se o armazenamento for em laje. iniciando-se pelo beiral e prosseguindo em direção a cumeeira. inadequado de arremates (encontro de telhados e paredes). líquens e musgos nos encaixes provocam refluxo das águas e obstruções das calhas. Para a espessura. As capas são colocadas sobre os canais. Telhas de capa e canal são aplicadas iniciando-se pela colocação dos canais. com sua parte mais larga posicionada para cima.3. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. esfoliações.

caso haja platibanda (prolongamento do alinhamento da parede externa. de forma a compensar a espessura da telha e garantir o plano do telhado. as telhas de capa e canal devem ter as capas emboçadas e os canais fixados às ripas. No espigão.44. devendo-se observar ainda um recobrimento longitudinal mínimo entre as peças subseqüentes. No caso de beirais laterais. ou caso seja empregado forro do beiral. Em beirais desprotegidos.22.53. são utilizadas em edifícios populares. observando-se o recobrimento longitudinal mínimo. ainda. deve ser de traço.Durante a colocação das telhas. 3. espigão. as peças são colocadas do beiral em direção à cumeeira.66. fixadas com inclinação descendente (parte mais alta junto à cumeeira e a parte mais baixa junto ao canal). com espessuras de 6 e 8 mm e comprimentos de 1. arremates).05. para que o peso seja distribuído igualmente sobre a estrutura de madeira. · ESPIGÃO O espigão (encontro inclinado de duas águas) pode ser executado com peças de cumeeiras ou capas das telhas de capa e canal. Recomenda-se que as telhas sejam colocadas simultaneamente em todas as águas do telhado. TELHAS ONDULADAS DE FIBROCIMENTO As telhas de fibrocimento (Figura 24) são fabricadas com cimento portland e fibras de amianto. preso com o emboçamento da cumeeira. para camuflagem do telhado). · CUMEEIRA A cumeeira deve ser executada com peças cerâmicas específicas. São de baixo custo e.83. 2. 1. Não se deve executar o telhado em dias de vento muito forte. No uso das telhas paulistas. a superposição da telha de cumeeira (ou espigão) sobre a capa deixa um orifício relativamente grande. devem-se fixar as telhas à estrutura de madeira: as telhas de encaixe devem ser amarradas às ripas. 3. 3. Dorival Rosa Brito 19 . · ARREMATES Os encontros do telhado com paredes paralelas ou transversais ao comprimento das telhas devem ser executados empregando-se rufos metálicos ou componentes cerâmicos. a proteção pode ser feita mediante o emboçamento de peças cerâmicas apropriadas (cumeeiras ou capas de telhas do tipo capa e canal). obedecendo-se um sentido de colocação contrário ao dos ventos dominantes. · BEIRAL O primeiro apoio da primeira fiada de telhas deve ser constituído por duas ripas sobrepostas ou por testeiras (tabeiras). 1:2:9 (cimento:cal:areia). 2. o qual é obstruído com pequenas calhas de telhas na forma trapezoidal. sob pressão. embora não apresentem conforto térmico. acima dos frechais. Vence grandes áreas de telhado com rapidez de montagem e fixação. exigindo. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. em volume.2. · ARGAMASSA DE EMBOÇAMENTO A argamassa a ser empregada no emboçamento das telhas e das peças complementares (cumeeiras. cujas dimensões são padronizadas. deve-se ter bastante cuidado para evitar a quebra das telhas e evitar acidentes. 1. As peças devem ser emboçadas com argamassa. que devem ser cuidadosamente encaixadas e emboçadas com argamassa. como as do tipo colonial. de forma a garantir a estanqueidade do telhado. As telhas não necessitarão serem fixadas à estrutura de madeira. estrutura de apoio simplificada. por isso.13.

remendos e deformações. O transporte pode ser feito manualmente por um ou dois homens. superfícies das faces irregulares.O melhor aproveitamento das telhas se dá com a inclinação de 15° (27%) e procurar utilizar esta inclinação sempre que possível. Dorival Rosa Brito 20 . deve ser observado se as telhas apresentam trincas. bem como obedecer às especificações de norma. caroços. quebras. O armazenamento das telhas é feito em pilhas de até 100 peças. resistência à flexão. dependendo do comprimento da telha. 3. Nestas inspeções. apoiadas em três pontaletes paralelos.2. tais como dimensões. sendo um no centro e os outros a cada 10 cm de cada borda (Figura 28).EXECUÇÃO No recebimento. bem como pode ser içada.1. elas devem apresentar a superfície das faces regular e uniforme. de cada lote (caminhão entregue na obra com no máximo 500 telhas). Inspeções visuais devem ser feitas em amostras de 13 peças retiradas. aleatoriamente. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. impermeabilidade e absorção de água.

A cumeeira é fixada por meio de um parafuso em cada aba. respectivamente. sendo que a última fiada é fixada com dois parafusos colocados na crista das segundas e quintas ondas. na crista da segunda e quinta onda. A primeira fiada é montada fixando as chapas com um parafuso colocado na crista da segunda onda. A montagem das telhas deve ser iniciada sempre a partir do beiral para a cumeeira. respectivamente. seguindo as seguintes recomendações: INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 21 . enquanto os beirais com calha têm de 10 cm e 25 cm.Os beirais sem calha têm comprimentos mínimo e máximo de 25 cm e 40 cm.

INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 22 .

Caso a construção esteja fora do esquadro. em edifícios de médio e alto padrão. São montadas da direita para a esquerda e de baixo para cima. amarrar as tábuas para evitar deslizamento.5 telhas por metro quadrado. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. proporcionando 10. No emboçamento das peças complementares. As demais telhas são montadas normalmente. São comumente conhecidas como tipo tégula. h) Procurar sempre realizar o trabalho ao ar livre. f) As terças devem ser paralelas entre si. c) Não assentar em aresta viva. b) Não apoiar as telhas em arestas (quinas) ou faces arredondadas.3. colocar a primeira telha perpendicularmente as terças acertando o beiral lateral com o corte diagonal das telhas da primeira faixa. Se houver necessidade de utilização de serras elétricas.a) As faces das terças em contato com as telhas devem situar-se em um mesmo plano. recomendam-se as de baixa rotação para evitar a dispersão do pó de amianto. Dorival Rosa Brito 23 . sobretudo.TELHAS DE CONCRETO As telhas de concreto (Figura 29) são produzidas com traço especial de concreto leve. A sobreposição de uma cumeeira sobre a outra é de 7 cm. é importante que a argamassa utilizada não deve ficar exposta às intempéries (protegida pela cumeeira). com absorção de água entre 7 a 10% e resistência mínima de 300 kg/m2. Usar a cumeeira como gabarito para manter o alinhamento das ondas. sendo empregadas. Segundo este fornecedor. d) Águas opostas do telhado devem ser cobertas simultaneamente. Seu uso é limitado no Brasil. Em telhados muito inclinados. g) Utilizar ferramentas manuais. i) Umedecer as peças de fibrocimento antes de cortá-las ou perfurá-las. 3. devido ao seu fabricante. a espessura média da telha é de 12 mm. e) Não pisar diretamente sobre as telhas: usar tábuas apoiadas em três terças.

Estas telhas são fornecidas em caminhões. Devem ser armazenados no canteiro com uma leve inclinação na direção INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. é de custo elevado. etc. têm preço elevado. Estas telhas tornam a cobertura leve e com pequenos caimentos. condensa o ar provocando goteiras. como ilustrado na Figura 32. aquecendo o ambiente interno. têm os seguintes inconvenientes: são boas condutoras de calor. Recomenda-se que altura da pilha seja no máximo de três na vertical (Figura 30). podem apresentar seções diversas. dando um perfeito escoamento.TELHA METÁLICAS As telhas metálicas são divididas. de acordo com o material da qual é constituída. evitando que as telhas estocadas se sujem em contato com a terra ou barro. sendo que as mais comuns são as telhas de alumínio e de aço. sendo que o material básico para sua fabricação é a chapa de aço. Têm baixa resistência mecânica.No caso de armazenamento das peças. No entanto. As TELHAS DE ALUMÍNIO (Figura 31) podem ser do tipo ondulado ou Marselha. ótima resistência à corrosão. Isto se deve à perfeita superposição das peças e por não ter porosidade e rugosidade.4. As TELHAS DE AÇO são usadas predominantemente em edifícios comerciais e industriais. sendo esta última usada em fiadas fixadas em duas ripas pregadas nos caibros. em pacotes paletizado (ver exemplo com telha cerâmica na Figura 33) com peso máximo de 3 toneladas. Dorival Rosa Brito 24 . Ao serem configuradas. moldada a frio. amplia o barulho das chuvas. zincado ou pintada com material sintético. 3. variando em função do dólar e da cotação internacional alumínio. maior durabilidade. podem ser de alumínio pintado. providenciar um local plano para a descarga das telhas e prepará-lo com uma camada fina de areia.

são indicadas as águas e o sentido da descida. Ela serve para mostrar a cobertura e a sua localização em relação às paredes da casa. indicação do tipo de telha sugerida. Os perfis são fixados a estrutura. Note que o contorno das paredes é representado sempre por linhas tracejadas. Dorival Rosa Brito 25 .longitudinal. PROJETO A PLANTA DE COBERTURA (Figura 35) representa a parte superior do edifício. para que a água. bem como a locação de cumeeira. se a cobertura é um telhado. que porventura venha a cair sobre elas. 4. como mostra a Figura 34. e outros detalhes específicos que sejam necessários ressaltar em cada projeto. ou a outra telha. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. As embalagens feitas na fábrica devem ser abertas nas extremidades. rebites ou parafusos. Além disso. por meio de chumbadores. quando a cobertura as encobre. Pode ser elaborada nas escalas 1:100. para evitar a formação de condensação de água. largura de beirais. possa escoar livremente. quando olhado de cima. 1:200 ou 1:500.

cuja nomenclatura usada é a seguinte: 1:2 – ponto meio. indo até 1:8 – ponto oitavo. é a relação entre a altura máxima da cobertura e o vão. seguirá sempre as seguintes regras: INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. 1:4 – ponto quarto. ou ponto.A altura do telhado. O projeto de um telhado. 1:3 – ponto terço. por mais complicado que seja. A relação entre o ponto. em percentagem. o ângulo de inclinação do telhado e a declividade é dada na Tabela 3. Dorival Rosa Brito 26 . A declividade d é a tangente trigonométrica da inclinação do telhado.

Dividir a planta em retângulos quadriláteros ou triângulos. menos suscetível às movimentações do edifício. Traçar as bissetrizes dos ângulos reentrantes e salientes. maior durabilidade. d. Dorival Rosa Brito 27 . Em relação às bissetrizes (Figura 37): a. serão rincão ou água furtada. tendo o cuidado de manter sempre a seqüência das combinações numéricas dos lados que as definem. quando comparadas às lajes de concreto impermeabilizadas. melhor estanqueidade. 2. INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. menor participação estrutural. b. As águas terão sempre a mesma inclinação. Subdivisão da planta em figuras mais simples (Figura 36): a. c. e. d. os maiores que 90º.1. A Tabela 4 apresenta um comparativo entre estes dois tipos de cobertura. possuem as seguintes características: menor peso. c. necessidade de forro. Traçar todas as bissetrizes dos ângulos. 5. dois lados paralelos terão uma bissetriz eqüidistante a essas duas retas. ou seja. Seguem-se sempre as ordens numéricas das bissetrizes. Numerar todos os lados da planta em ordem crescente. Procurar as concordâncias (cumeeiras). As bissetrizes dos ângulos ≤ 90º serão cumeeiras ou espigões.CARACTERÍSTICAS As coberturas em telhado. Numerar as bissetrizes de acordo com os lados que formam o ângulo. mesmo que seja necessário fazer o prolongamento dos lados para obter os ângulos e traçar sua respectiva bissetriz. b.

INFRA E SUPRA ESTRUTURA Prof. Dorival Rosa Brito 28 .

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