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PROF. DR. PAULO GOMES LIMA - SOBRE HENRI WALLON - AULA 01

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Psicologia de pessoa completa - Wallon - aspectos afetivos.
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Published by: Paulo Gomes Lima on Feb 25, 2009
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12/20/2012

1. Biografia 2. Ênfase acerca de seu objeto de estudo 3.

Obras

Prof. Dr. Paulo Gomes Lima 2008

Henri Wallon (1879-1962)
Henri Wallon nasceu em 13 de junho de 1879 em Paris, numa família republicana. Cursou a Escola Normal Superior e a posteriori estudou Medicina. Trabalhou como assistente em hospitais, e chegou a ser mobilizado como médico pelo exército francês. No decorrer de sua vida profissional passou a se interessar pela Psicologia e pela Pedagogia.

A Psicologia da criança tornouse o seu principal objeto de estudo. Dentre os cargos que ocupou estão: Presidente da Sociedade Francesa de Psicologia (1927); Presidente da Sociedade Francesa de Pedagogia (1937); professor entre 1937 e 1949 no Collège de France, na disciplina de Psicologia e Educação da Criança. Foi também Secretário-geral do Ministério da Educação Nacional e Deputado. Aposentou-se em 1º de dezembro de 1949 e faleceu em Paris no ano de 1962.

ÊNFASE ACERCA DE SEU OBJETO DE ESTUDO
O francês Henri Wallon no ano de 1925, por meio do seu Laboratório de Psicobiologia da Criança, desenvolve uma das mais relevantes contribuições no campo da psicologia da criança, relaciona o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e também aos hábitos da criança e conclui que o desenvolvimento da personalidade em sua totalidade não é isolado das emoções.

Para Wallon o movimento é a única expressão e o primeiro instrumento do psiquismo. Sua premissa orientadora era a de que existe uma ação recíproca entre funções mentais e funções motoras, assim a vida mental não resulta de reações unilaterais ou de determinismos mecanicistas, mas está sujeita ao determinismo dialético de ambas as funções, isto é, sempre em movimento de superação, conseqüentemente, o esquema corporal não se refere a uma unidade biológica ou psíquica, mas a uma construção, processo primordial para o desenvolvimento da personalidade da criança.

Na França em 1944, introduziu a psicologia escolar (orientação escolar) como área do conhecimento voltada para o desenvolvimento dos alunos e da construção de seus processos cognitivos e biopsíquicos.

Na área pedagógica a educação, a reeducação, a saúde física e mental da criança constituiramse como as principais preocupações de seus estudos. Assim, Wallon vai enfatizar que a psicologia e a pedagogia estabelecem entre si relações recíprocas de comunicação e indissociabilidade.

Como adepto da educação progressista, Wallon admitia a necessidade de uma participação ativa da criança no processo educativo, mas não acreditava que o aumento de sua atividade espontânea fosse suficiente para resolver o problema complexo da formação do homem. Para ele na convergência dos conflitos gerados pela oposição (indivíduosociedade) que se situa a prática educacional, o caminho então é integrar os dois pólos entre os quais a educação a formação da pessoa e sua inserção na coletividade, de maneira a assegurar sua plena realização.

• Comparando semelhanças e diferenças entre o desenvolvimento de crianças normais e patológicas, entre crianças e adultos Wallon foi registrando os princípios reguladores do desenvolvimento do indivíduo e identificando os vários estágios pelos quais o ser humano passa no decorrer de sua vida. • Formulou a sua teoria do desenvolvimento da criança. enfatizando que no estudo do desenvolvimento do ser humano deve ser levada em consideração à totalidade dos fatores orgânicos e sociais em cada uma das fases de seu desenvolvimento, nunca estanque uma da outra, mas sempre em constante correlação, onde uma fase prepara o desenvolvimento da

Wallon, identifica para o seu momento histórico as seguintes fases: • Impulsivo Emocional (0 a 1 ano de idade); • Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos) • Personalismo (3 a 6 anos); • Categorial (6 a 11 anos) • Puberdade e Adolescência (11 anos em diante) • Idade adulta...

FASES DO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA SEGUNDO WALLON

Mahoney (2003, p. 13-14)

• Impulsivo Emocional (0 a 1 ano de idade);

Na primeira fase, impulsiva (0 a 3 meses), predominam atividades que visam à exploração do próprio corpo em relação às suas sensibilidades internas e externas. É uma atividade global ainda não estruturada, com movimentos bruscos, desordenados de enrijecimento e relaxamento da tensão muscular. Desses movimentos são selecionados os que garantem a aproximação do outro para cuidar da satisfação de necessidades e que passam a funcionar como instrumentos expressivos de estados de bem-estar e mal-estar. Na segunda fase, emocional (3 a 12 meses), já é possível reconhecer padrões emocionais diferenciados para medo, alegria, raiva etc. Inicia-se assim o processo de discriminação de formas de comunicar pelo corpo.

• Estágio Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos) As atividades se concentram na exploração concreta do espaço físico pelo agarrar, segurar, manipular, apontar, sentar, andar etc., auxiliadas pela fala que se acompanha por gestos. Inicia-se assim o processo de discriminação entre objetos, separandose entre si. Toda essa atividade motora exuberante do sensório-motor e projetivo prepara não só o afetivo, mas também o cognitivo que vai instrumentalizar a criança para o próximo estágio.

• Estágio do Personalismo (3 a 6 anos); Exploração de si mesmo, como um ser diferente de outros seres, construção da própria subjetividade por meio das atividades de oposição (expulsão do outro) e ao mesmo tempo de sedução (assimilação do outro), de imitação. Inicia-se assim o processo de discriminação entre o eu e o outro, tarefa central do personalismo – separando-se, distinguindo-se do outro – que se revela no uso insistente de expressões como eu, meu, não etc.

• Estágio Categorial (6 a 11 anos) A diferenciação nítida entre o eu e o outro dá condições estáveis para a exploração mental do mundo físico, mediante atividades de agrupamentos, seriação, classificação, categorização em vários níveis de abstração até chegar ao pensamento categorial. A organização do mundo físico em categorias mais bem definidas possibilita também uma compreensão mais nítida de si mesmo.

• Estágio da Puberdade e Adolescência
(11 anos em diante)

Exploração de si mesmo, como uma identidade autônoma, mediante atividades de confronto, autoafirmação, questionamentos, ao mesmo tempo em que se submete e se apóia nos grupos de pares, contrapondo-se aos valores tal como interpretados pelos adultos com quem convive. Domínio de categorias cognitivas de maior nível de abstração, nas quais a dimensão temporal toma relevo, possibilitando uma discriminação mais clara dos limites de sua autonomia e de sua dependência.

• Estágio Adulto Equilíbrio entre o domínio afetivo e o cognitivo; ocorre portanto a definição de valores e os comportamentos se orientam por meio dos valores assumidos. O indivíduo apresenta responsabilidade pelas conseqüências de seus valores e ações. Os preceitos e princípios são interiorizados e fortalecem a convivência com o coletivo.

Estes estágios são regidos por leis reguladoras que descrevem o desenvolvimento no seu todo e movimento, identificadas como Lei de alternância funcional, Lei de predominância funcional e Lei de integração funcional:

Lei de alternância funcional

Alternância de direções opostas em cada estágio: o movimento predominante ou é para dentro, para o conhecimento de si (Impulsivo Emocional, Personalismo, Puberdade e Adolescência), ou é para fora, para o conhecimento do mundo exterior (Sensório-Motor e Projetivo e Categorial). Alternância ou predominância de conjuntos diferentes a cada estágio: a configuração das relações entre eles mostra qual deles fica mais em evidência ou é o motor (Impulsivo Emocional) ou o afetivo (Personalismo, Puberdade e Adolescência) ou o cognitivo (Sensório-Motor e Projetivo, Categorial). Cada um deles predomina em um estágio, e se nutrem mutuamente; o exercício e amadurecimento de um interfere no amadurecimento dos outros. Descreve a relação entre estágios como uma relação entre conjuntos funcionais hierarquizados. Os primeiros estágios são conjuntos mais simples, com atividades mais primitivas que vão sendo dominadas, integradas aos conjuntos mais complexos dos estágios seguintes, conforme as possibilidades dos sistema nervoso e do meio ambiente.

Lei de predominância funcional

Lei de integração funcional

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