ARTIGO II

INTERMEDIÁRIOS PARA

IMPLANTES CONE MORSE:
SELEÇÃO E UTILIZAÇÃO
Ivete Mattias Sartori* Sérgio Rocha Bernardes** Alexandre Molinari*** Caio Hermann**** Geninho Thomé*****

Os trabalhos iniciados por Brånemark possibilitaram a substituição de elementos dentais perdidos por fixações de titânio inseridas em tecido ósseo, utilizadas como suportes de próteses para a reabilitação de pacientes totalmente desdentados1. A técnica tem uso bem documentado e a margem de sucesso encontrada para os implantes e para as próteses tem sido satisfatória2,3. Pacientes parcialmente desdentados também são reabilitados com próteses parciais fixas suportadas por implantes osseointegrados. A margem de sucesso para o procedimento também é alta, sendo considerado um tipo de procedimento clínico viável4,5,6,7. No entanto, assim como relatos de acompanhamentos clínicos validaram a utilização dos implantes como importante opção de tratamento, alguns dados mostrando problemas mecânicos do tipo desapertos e fraturas de parafusos levaram à busca de novos desenhos para a interface protética. Dentre os desenvolvimentos, pode-se destacar as junções internas ao implante8,9. Os exemplos mais utilizados seriam o hexágono interno e o cone Morse. Cone Morse foi um termo originado da indústria de ferramentas mecânicas, que designa um mecanismo de encaixe, na qual dois elementos desenvolvem uma ação resultante em contato íntimo com fricção, quando um elemento “macho” cônico é instalado numa “fêmea” também cônica (Figura 1). Este tipo de encaixe foi inventado por Stephen A. Morse e era amplamente utilizado para apertar uma broca ou mandril de máquinas de corte como, por exemplo, furadeiras. O ângulo cone Morse é determinado de acordo com as propriedades mecânicas de cada material, nesse existe uma relação entre os valores do ângulo e o atrito entre as peças. Esse é um mecanismo de encaixe bicônico. Em que a efetividade é significantemente aumentada devido à pré-carga gerada pelas superfícies de contato, do cone interno ao implante e do parafuso do intermediário, resultando no controle, manutenção e estabilidade do torque10,11. Testes mecânicos em ambiente laboratorial de implantes com junções cônicas internas
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ou “cone Morse” têm resultado em excelente estabilidade do componente protético12,13,14,15,16,17,18,19,20,21,10,22,23,24,25,26. Cálculos analíticos sobre diferentes parâmetros de implantes com junção interna cone Morse mostram que este tipo de interface, teoricamente, poderia resultar em grande retenção e estabilidade da prótese20,10,27,11,24,29,30,31,32,33. Para que a vantagem biológica desse tipo de interface possa ser manifestada, é necessário que a instalação do implante respeite algumas características. A instalação dos implantes cone Morse deve ser, pelo menos, 1 à 2 mm infra-ósseo, especialmente nas regiões estéticas. Tal manobra visa otimizar e facilitar a manutenção dos tecidos que circundam o terço cervical do implante dentário. Essas considerações trazem como conseqüência pequenas modificações do protocolo original ad modum Brånemark. No caso de regiões onde a estética não seria o foco principal e não há muita altura óssea disponível, poderá ocorrer instalações de implante ao nível da crista óssea. Nesses casos, se a quantidade de tecido gengival não for suficiente, o profissional poderá enfrentar situações de exposição de metal do sistema de retenção, exigindo componentes especiais para possibilitar reabilitações que não interfiram com a estética. Um detalhe interessante que foi acrescentado ao implante cone Morse é a presença de roscas (Figura 1) até a região próxima ao topo do implante. Estudos mostram que a perda óssea periimplantar ou saucerização se estabiliza e para, normalmente, nas primeiras roscas dos implantes osseointegrados rosqueados34. Além disso, como essa modificação incorporada ao desenho tornou o diâmetro do corpo do implante igual em todo o comprimento, não há a necessidade do uso das brocas “counter sink” para acomodar a cabeça do implante. O preparo só precisa permitir a acomodação da porção cervical que é de 1mm. Isso é feito com uma broca piloto (do mesmo diâmetro do implante) (Figura 2).

Apesar disso. esses são sempre juntos. do ponto de vista protético. FIGURA 4: Desenhos esquemáticos dos componentes protéticos nas linhas peça única e parafuso passante (reto e angulado). O componente protético entra em contato com o implante através de sua interface. Intermediários angulados e personalizáveis sempre terão parafusos passantes.75. Intermediários dos implantes cone Morse não apresentam o parafuso e o componente em duas peças separadas. como mostra a figura 1. chamando a atenção para detalhes importantes em relação a sua aplicação e uso. Note que o implante apresenta roscas até o topo da parte superior. compatíveis para todos os implantes cone Morse. Os implantes WS e Zigomáticos usam intermediários diferentes pelo fato de possuírem orifício interno diferente (figura 3).0. o implante cone Morse (Neodent®. foram idealizadas diferentes propostas de pilares. independente de suas características dimensionais. Brasil). Curitiba. 4. 4. é necessário que as condições locais sejam avaliadas e que a escolha seja feita explorando as indicações. Por isso. A figura 4 apresenta exemplos de componentes em peça única e parafuso passante. Para que a indicação correta possa ser feita. MUNHÃO UNIVERSAL ANGULADO MUNHÃO UNIVERSAL PARAFUSO PASSANTE Como aspectos clínicos interferem nas necessidades reabilitadoras.0m m Diâmetros disponíveis e as respectivas brocas perfis FIGURA 2: FIGURA 3: Desenho esquemático dos implantes WS e Zigomáticos.3 ou 5. Este fato possibilitou a idealização de componentes protéticos de mesmo desenho para todos os diâmetros de implante. facilitando na logística do estoque do consultório dentário. CARACTERÍSTICAS GERAIS De acordo com seu projeto mecânico. Brasil) tem uma característica peculiar: não apresenta “plataforma protética”. o parafuso da linha parafuso passante fica preso no componente. o objetivo do presente artigo é apresentar e esclarecer ao leitor seqüências clínicas. Medidas da área interna. porém podem ser vistos em duas linhas: intermediário de peça única ou com parafuso passante. com detalhe na relação do parafuso com o intermediário. sem existir a possibilidade do dentista tirar o parafuso que fica alojado transpassando o intermediário. O orifício central é o mesmo em todos os diâmetros de implante da linha regular (Figura 1).5. 3. já que são MUNHÃO ANATÔMICO PILAR CONE MORSE Na idealização dos componentes foram considerados fatores que respeitassem a escolha entre próteses cimentadas ou parafusadas e unitárias ou múltiplas e ainda as características dos tecidos circunjacentes tendo o cuidado de oferecer conceitos que já eram utilizados na empresa e opções fáceis de serem compreendidas. o profissional não precisa se preocupar em identificar o diâmetro do implante na hora da seleção do intermediário protético. Os intermediários serão específicos para esses dois modelos. não existindo uma área de assentamento protética sobre a parte superior da região cervical do implante. As diferentes opções de componentes protéticos para esse tipo de implante serão abordadas. implantes ws implantes zigomáticos Ø3 . detalhe da relação do parafuso com o intermediário. objetivando facilitar e melhorar as resoluções clínicas. Na utilização dos implantes de diâmetro 3.FIGURA 1: Detalhe do encaixe “macho/fêmea” cônico empregado num implante com interface protética tipo cone Morse. MINI PILAR CÔNICO ANGULADO MINI PILAR CÔNICO 17º 30º MUNHÃO UNIVERSAL Jornal do ILAPEO -97 ARTIGO II . em que se empregam implantes com interface cone Morse Neodent® (Curitiba.0.

A decisão deverá ser baseada na análise das vantagens e desvantagens que as duas opções representam35. instalar o intermediário e aguardar a acomodação tecidual para aplicar o torque. O profissional deverá escolher a altura da cinta. a primeira decisão a ser tomada será em relação ao tipo de prótese. no entanto.3 e 4. 2.3 e 4.8 à 6. O formato do cicatrizador permite a cicatrização do tecido gengival.5 mm de altura SELEÇÃO DO CICATRIZADOR FIGURAS 6A e B: Simulação esquemática de uma escolha de intermediário com altura de cinta menor do que a cinta do cicatrizador. o tamanho e diâmetro da porção . é importante que esse seja selecionado de acordo com a altura do tecido gengival e também com o mesmo diâmetro do intermediário que será posteriormente utilizado. Como os implantes cone Morse apresentam a característica de estabilidade de parafusos.9mm diferença de 98 .4. Assim sendo.Jornal do ILAPEO ARTIGO II Na seleção dos cicatrizadores estuda-se o espaço protético tridimensional e a espessura da mucosa. Poderão ser cimentadas ou parafusadas.9mm. dor e edema cicatrizador de 3. o intermediário poderá ser escolhido com cinta mais baixa.A interface do implante cone Morse Neodent® não apresenta nenhum tipo de sistema anti-rotacional. A escolha da altura do intermediário deverá ser compatível (Figura7).3 e 4. A maioria dos componentes protéticos cone Morse são oferecidos em duas opções de angulação: 17º ou 30º.5mm e os diâmetros disponíveis são 3. 1. As alturas de cinta disponíveis são: 0. As alturas dos intermediários retos variam de 0. com três opções de transmucoso: 1. Todo componente angulado possui um parafuso transpassando sua estrutura. Do ponto de vista restaurador. em próteses parciais ou de arco total) as próteses parafusadas serão de eleição. Se a escolha da cinta do intermediário não for compatível (for mais baixa). A convexidade do componente exercerá pressão no tecido mole.5mm. facilitando o cirurgião no momento da instalação cirúrgica. Deve ser indicado em situações de implantes bem posicionados. A diferença na altura final será de 0.3 e 2. Como o formato interno é o mesmo.5 mm e deverão ser escolhidas de acordo com a altura gengival presente. Quando escolhido na mesma altura. se a altura do transmucoso do cicatrizador tiver sido escolhida muito alta.5 e 3. A área côncava oferecerá condições para crescimento tecidual e a escolha do intermediário deverá respeitar o contorno formado pelo cicatrizador (figura 5). recomenda-se a escolha dos cicatrizadores no mesmo diâmetro do intermediário e na altura do tecido gengival. MUNHÃO UNIVERSAL São apresentados em duas versões: sólido e com parafuso passante.5. compondo a linha “parafuso passante” assim como também todos os personalizáveis. FIGURAS 5A e B: Aspecto do desenho de um cicatrizador escolhido na altura do tecido gengival e o efeito do mesmo na conformação tecidual.5mm de altura FIGURAS 7A e B: Simulação esquemática de uma situação de escolha do intermediário na mesma altura do cicatrizador.5 mm de altura intermediário de 3. TIPOS DE INTERMEDIÁRIOS PARA IMPLANTES CONE MORSE Nos casos de reabilitações. o intermediário exercerá muita pressão nos tecidos e o paciente relatará dor por compressão (Figura 6). é possível escolher próteses cimentadas sempre que as características clínicas sinalizarem para essa opção. deve-se proceder a anestesia prévia. esse detalhe permite com instalação do componente protético em 360 posições diferentes. Como o cicatrizador possui o mesmo desenho dos intermediários na porção subgengival. altura 0. resultará em altura mais baixa em 0. o tecido gengival formado vai respeitar aquele desenho.5 mm de altura intermediário de 3.9mm. pois o profissional nunca precisa se preocupar em onde o implante deve estabilizar e sim quando ele vai alcançar uma estabilidade primária favorável para longevidade de sua fixação. onde não haverá necessidade de adaptações no componente.8 a 6. PARA PRÓTESE CIMENTADA Os tipos de intermediários para próteses cimentadas são: munhão universal e munhão universal de parafuso passante.5mm. O munhão universal sólido é um componente de peça única.3 . facilitando nos casos de implantes angulados. cicatrizador de 3. Se a região exigir mais segurança em relação ao espaço subgengival. Apenas nos casos em que o fator reversibilidade for importante (como por exemplo.

045 Análogo intermediários cód. F A e B . Jornal do ILAPEO -99 ARTIGO II .coronária e a angulação do implante. também são disponíveis as duas opções citadas anteriormente (17o e 30o). L A e B . resultando em estética e adaptação do componente de moldagem.181 à 118. independente da altura de sulco. N A e B . esse cilindro pode ser utilizado também para registro interoclusal. quando necessário. Eles se adaptam ligeiramente abaixo do término do componente através de “garras”que ultrapassam o desenho cervical do componente por isso. como todo componente da linha “intermediário usinado” pré-fabricado.042 à 108. especialmente nos casos em que a da escolha da cinta do intermediário estiver mais de 1mm subgengival. Esses são: componentes de moldagem. H . onde se deseja personalizações de áreas proximais. 118.195 N-A N-B FIGURA 8: Acessórios da linha munhão Universal. possui acessórios disponíveis. se com parafuso passante ou não. 118. Na situação de implantes angulados. E F-A F-B G H I J-A J-B L -A L-B M -A M-B Alumina Calcinável Acrílico Transfer intermediários munhão universal cód. análogos.189 Calcinável: fundição cód.186 à 118. Todos esses acessórios são compatíveis aos munhões universais.Registros que foram obtidos em boca (fig 7) posicionados no modelo permitindo a montagem em articulador. este componente é oferecido em duas opções de diâmetro (3.3 e 4. O de parafuso passante apresenta a opção de preparos em todo o contorno podendo ser adaptado em casos de inclinações de implantes ou em relação ao contorno cervical.Componentes de moldagem dos munhões universais em posição.registros interoclusais sendo obtidos. adaptando o caso clínico a cada situação particular. copings para coroas provisórias. 101. A B C D FIGURA 9: Seqüência clínica munhão universal A e B . J A e B . Build-up da Allceram. a mesma utilizadas sobre copings metal-free reforçados. 108. E . 118. deve-se esculpir o tecido gengival com provisórios. Já para os cilindros de Alumina-Zircônia o técnico só precisa aplicar cerâmica. O cilindro calcinável é manipulado pelo técnico de laboratório para enceramento e posterior fundição no metal de preferência para aplicação de cerâmica. I .modelo de gesso obtido. M A e B . O término da parte coronária tem forma de chanfro e as paredes tem inclinações para otimizar o escoamento do cimento. angulação. A seleção será baseada no espaço interoclusal oferecido e área de cimentação que se deseja. O munhão Universal.Prova das coroas em boca.041 Cilíndro munhão universal Acrílico: prótese provisória cód.escolha da altura com o medidor de altura CM. O coping para provisório é feito em resina acrílica e o cirurgião só precisa das facetas pré-fabricadas para executar sua restauração.Molde obtido: posicionar os análogos do munhão universal nos componentes de moldagem.Coroas obtidas por aplicação de cerâmica em cilindros de alumina. Os componentes para moldagem são para a técnica de moldeira fechada. C e D . Os copings “metal-free” possibilitam o acréscimo de material restaurados cerâmico reforçado (cerâmica aluminizada.vista oclusal dos provisórios. Além das opções de altura de transmucoso comentadas anteriormente.Radiografias obtidas no momento da prova.184 Alumina: prótese “metal free” cód. Os componentes de moldagem são plásticos e de uso único.5mm) e duas opções de comprimento da parte coronária (4 ou 6mm). copings calcináveis ou copings em Alumina-Zircônia (figura 8). Dentsply).038 à 101. 192 à 118. sem o risco de fratura da cerâmica feldspática por falta de apoio cerâmico.munhões universais instalados. disponíveis para todas opções de altura e diâmetro. G .

cm. moldando o tecido periimplantar circundante com a ajuda de um componente para moldeira fechada. o uso de componente de seleção com cinta 2. o profissional fará a transferência da posição do implante para o modelo de trabalho. nos casos em que a altura do tecido gengival na face vestibular exige um tamanho de cinta que não mostra uma boa opção de altura em relação ao nível ósseo interproximal (por resultar em adaptação infra óssea). A figura 10G mostra o exemplo de um guia pronto para uso. F . I . a seqüência do trabalho utiliza os componentes pré-fabricados. A idealização da infra-estrutura protética no laboratório também significa uma facilidade técnica para a correta adaptação no intermediário. Depois do preparo. onde a prótese é cimentada.conjunto transfer + análogo (reposicionamento). diferente do Munhão Universal reto. Esse componente permite preparo e poderá oferecer o controle da área do término no laboratório.preparo do munhão no modelo. A A B B C D C-A C-B .5mm mostrava uma seleção cervical boa com o tecido gengival e com o nível ósseo interproximal. em resina acrílica. Assim sendo. No entanto. como ilustrado na figura 11. E . o técnico deverá fazer. o componente pode ser usado direto em boca. O protético idealizará no componente todo o preparo cervical e coronário indicado. Fato que dispensava a necessidade de preparo cervical. H .situação clínica inicial. para resolver algum problema de limitação do espaço interoclusal. o munhão universal angulado pode ser escolhido e instalado diretamente em boca. uma vez que é idealizada sobre o próprio intermediário preparado.rx do munhão. um “guia de transferência” adaptado em todo o preparo e nas faces oclusais dos dentes vizinhos. o implante estava instalado em posição inclinada. que se adapta direto na interface Cone Morse do implante. G .transfer do implante. o melhor seria indicar o uso do munhão de parafuso passante. Esta característica é que permite o preparo do mesmo.munhão instalado. Nesta situação.cm). havendo uma boa quantidade de metal que admite a redução. Nesse caso.reabilitação concluída. os acessórios não podem mais ser utilizados pelo técnico e o preparo deve ser feito e depois se aplica o torque.escolha do munhão com o kit de seleção. se pequenos preparos se mostrarem necessários na parte ativa. a infra-estrutura da coroa definitiva já esteja preparada para prova e remontagem assim como a coroa provisória que será instalada. É importante salientar que o parafuso desse componente possui uma área de união da haste do parafuso com a rosca feita através de soldagem. Note na figura 4 que a porção inferior do Munhão Universal Parafuso Passante apresenta uma forma convexa. o que exigia angulação do intermediário. O torque recomendado é de 10 a 15N. eles poderiam ser realizados diretamente em boca. Nas situações em que o tecido mole da área a ser reabilitada apresenta diferentes alturas de papila. B . Primeiro. D . Suficiente para dar excelente embricamento26 e não oferecer risco à integridade da união soldada. Assim sendo.Nos casos em que preparos se mostrem necessários. A parte superior deve ser aberta possibilitando a entrada da chave para remoção e instalação do pilar. uma vez que não é aconselhável que o intermediário seja removido após a prova.Jornal do ILAPEO ARTIGO II FIGURA 10: Seqüência clínica munhão universal parafuso passante A . Esse componente permite preparo em ambiente laboratorial. No entanto. Para facilidade da técnica. sem a necessidade de modificação no término. Como não foi feito preparo. I C . Com este modelo pronto em mãos. tanto o dentista quanto o protético deverão tomar cuidados no trabalho com o mesmo. Este passo é importante.instalação do munhão + guia de posicionamento (15N. ou. o ideal seria que o munhão utilizado fosse o de parafuso passante. E F G H 100 . pois com isso o dentista terá uma referência que vai permitir a instalação do munhão preparado sobre o implante do paciente na mesma posição em que o mesmo foi preparado no modelo. é interessante que no uso desta idéia. Nos casos em que há necessidade de angulação do componente mas não há necessidade de preparo cervical. o técnico deve instalar um munhão Universal Parafuso Passante e prepara-lo em ambiente laboratorial.

E . fará os preparos que se mostrarem necessários. ou. As coroas poderão ter seu término posicionado na porção cervical do implante. B . que ficaria aparente. deve instalar um análogo do mesmo diâmetro do implante que está no local (porque. a adaptação da coroa envolverá a porção cervical do implante) e enviar para o laboratório.D D E FIGURA 11: Seqüência clínica munhão universal parafuso passante A .aspecto radiográfico do componente de seleção em posição. cervical e de contorno interno.aspecto oclusal do implante instalado. Nesse caso. a indicação de escolha do pilar seria o Munhão personalizável de 0. em casos mais extremos. O ideal é que seja escolhido possuindo altura da cinta cervical compatível com a exigência das áreas proximais do local em questão. O protético posicionará o componente no modelo. O seu uso exige do profissional os mesmos passos descritos para a linha do munhão universal de parafuso passante: o implante deve ser moldado. Após a obtenção do molde. Há também a possibilidade de uso clínico para esse componente. D . O resultado de uma cirurgia em que o implante foi instalado acima da crista óssea pode ser exposição do implante na cavidade oral. porém com quantidade maior de metal para idealização do preparo. O topo do implante a nível supra-gengival.coroa cerâmica instalada. o enceramento poderá envolver até a altura demarcada no análogo terminando em lâmina de faca.imagem radiográfica da coroa provisória instalada. Há ainda as vantagens de permitir adaptações da porção coronária. C . pode ser completamente adaptado ao local da indicação (figura 12).instalação do munhão universal angulado 17º. impede a instalação de qualquer um desses intermediários comentados devido a porção metálica. da mesma forma descrita para os munhões de parafuso passante. MUNHÃO ANATÔMICO ovo N E F FIGURA 12: Seqüência clínica do uso de munhão anatômico. B . apesar desse componente oferecer resolução para casos complexos. Está sendo idealizado um pilar na mesma linha do munhão universal com parafuso passante. As áreas expostas nas faces livres serão então preparadas em laboratório. as infra estruturas das coroas definitivas e um guia de transferência que permita o posicionamento do componente em boca na mesma posição do modelo. É como se ele estendesse a área cervical para o perfil de emergência poder ser facilitado. algumas vezes isso não acontece. A principal característica em relação à posição do implante que levará à escolha do mesmo será para casos em que se deseja a vestibularização da emergência da coroa.componente de seleção em posição (cinta 2. idealizará as coroas provisórias. Notem que.coroa provisória instalada.componente de seleção em posição. Permite avaliação da cinta com o nível ósseo inter proximal. F . Esse componente está em período de desenvolvimento e em breve estará disponível no catálogo.2. E . nos casos em que os implantes aparecem em boca. C A e B . A .5mm angulado 17º). Esse é um componente que oferece mais massa de titânio para o preparo. o ideal seria Jornal do ILAPEO -101 ARTIGO II . Assim sendo. MUNHÃO PERSONALIZÁVEL cial Espe A B C Apesar de já estar bem estabelecida a necessidade da instalação a nível infra-ósseo do implante cone Morse.aspecto radiográfico final.imagem radiográfica do componente de seleção. podendo ser a mesma 1 a 2mm subgengival.

Além disso. No entanto. C . o pilar cone Morse é um componente que facilita os passos para confecção da prótese. 102 . D . Também porque em segmentos anteriores a melhor indicação seria a prótese cimentada por permitir a obtenção de anatomias mais próximas dos elementos naturais que foram perdidos. Curitiba. Como o conceito Cone Morse é confiável em relação à estabilidade dos parafusos. não se deseje I . não teria porque não indicar a prótese cimentada em área estética.Jornal do ILAPEO ARTIGO II A B C D FIGURA 14: Desenho esquemático do Pilar cone Morse E FIGURA 13: Seqüência clínica do uso de munhão personalizável de 0. PARA PRÓTESE PARAFUSADA: Os intermediários para próteses parafusadas com interface cone Morse podem ser divididos em dois grupos: para próteses unitárias ou múltiplas.guia de transferência posicionado permitindo a transferência dos intermediários. colocando em risco a estabilidade de prótese unitária cimentada. o profissional utilizará o Pilar cone Morse (Neodent®. Deve ser entendido como um componente que tira o benefício biológico do conceito cone Morse. B . o que lhe confere maior resistência. por algum motivo. A . Contudo. Ele é como o pilar GT adaptado ao implante cone Morse. o anti rotacional está no desenho interno do cilindro.2mm. Esse é motivo pelo qual esse componente não está colocado no catálogo: para que os profissionais não se acostumem com a indicação e seu uso não seja muito grande. E-A E-B F PILAR CONE MORSE G-A G-B H Para reabilitações unitárias parafusadas. Não é um pilar com boa indicação em dentes anteriores devido ao volume do componente. uma prótese cimentada. Como é um pilar de maior diâmetro.aspecto radiográfico. Brasil) sobre o implante dentário instalando-o diretamente em boca. F A B C D 2.implantes Cone Morse com problemas no posicionamento. esse pilar não apresenta opções anguladas.modelo obtido com os intermediários já preparados e guia de transferência em resina posicionado.componentes de moldagem instalados diretamente nos implantes. A figura 13 apresenta esse componente.coroas cimentadas. E . O parafuso protético também tem diâmetro maior. Ele deve ser indicado em caso de prótese unitária posterior onde. em áreas posteriores pode haver pouca altura inter oclusal ou distância mesio distal grande.que os mesmos não ocorressem. F .

permitindo a avaliação do nível gengival.aspecto radiográfico do componente de altura 4. H . Devem-se estudar as seguintes características: A. Brasil). inserção do material de moldagem e molde obtido. Curitiba.aspecto radiográfico inicial. Mesmo nos casos de próteses de arco total inferiores é melhor que a escolha não seja feita para que os intermediários fiquem supra gengivais (figura 16).J-A J-B J-C FIGURA 16: Escolha da altura dos mini pilares cônicos em caso de carga imediata: Aproximar o tecido gengival e calcular o nível gengival que se estabelecerá após a sutura. E. J . F.Medidor de altura CM posicionado permitindo a avaliação da altura do tecido gengival.B . I . .coroa metalo-cerâmica . Deve-se estar atento. Para as próteses múltiplas. Lembrar que a área côncava do intermediário cone Morse tem o papel de permitir o preenchimento da área com fibras e que as mesmas terão um papel na manutenção da altura do tecido gengival (Figura 17) FIGURA 18: Medidor de altura cone Morse. O kit oferecido pela empresa foi fabricado em titânio. em virtude de respeitar o espaço biológico periimplantar. B.vista oclusal mostrando o aspecto do tecido gengival condicionado pelo cicatrizador. Prótese unitária ou múltipla. com a característica “F”.vista vestibular. Houve o cuidado em não modificar o desenho do pilar para que não ocorresse modificação no conceito que já era utilizado nos implantes de hexágono externo ou hexágono interno e nem nas opções para confecção das próteses. D.técnica de transferência: aspecto radiográfico do componente de moldagem instalado. Durante a seleção do componente protético. da relação da altura escolhida com o osso proximal e da posição axial do implante. Jornal do ILAPEO -103 ARTIGO II FIGURA 17: Altura gengival mantida após o período de osseointegração. N . em especial nos casos de envolvimento estético. deve-se realizar uma radiografia para avaliar a relação do término da prótese com a crista óssea.5mm já instalado. A Figura 19 exemplifica um caso clínico em que essa seleção foi empregada.coroa metalo-cerâmica no modelo.C . D . nos casos de carga imediata e 1 a 2mm subgengival nos casos de implantes já osseointegrados em áreas estéticas.aspecto radiográfico do Pilar cone Morse 4. B . L M N FIGURA 14: Seqüência clínica do Pilar cone Morse. porém valores de 2 a 3mm são preferíveis quando existe essa possibilidade. A . F . E . Prótese aparafusada ou cimentada.5mm em posição.aspecto oclusal do cicatrizador em posição. Este é oferecido de acordo com as opções de cinta e angulações já comentadas. note a relação da cinta com o nível ósseo. Necessidade de correção de angulação ou paralelismo entre os componentes. possibilitando esterilização e imagem radiológica. MINI PILAR CONE MORSE C.A . a opção de intermediário é bem conhecida: o minipilar cônico (Neodent®. Quantidade (altura) e qualidade do tecido transmucoso. Em relação à escolha da altura de cinta do pilar. Espaço protético inter-oclusal (altura e largura). RECURSOS AUXILIARES PARA A SELEÇÃO DOS INTERMEDIÁRIOS Para auxiliar na seleção dos intermediários existe o medidor de altura cone Morse (Figura18) e o kit de seleção protética (figura 19). Permite a análise da altura do tecido gengival. é recomendado que a mesma seja feita ao nível gengival. L . esta distância deve ser de no mínimo 1mm. M . Distância do término da prótese (linha de cimento) a crista óssea periimplantar. G . Esta manobra visa manutenção do tecido ósseo.Pilar cone Morse de 4.cm. Após a instalação do pilar a seqüência para obtenção da prótese será a mesma que já era utilizada.utilização de um componente do kit de seleção de pilares CM. C .5mm instalado.aplicação do torque recomendado: 32N.aspecto radiográfico após a instalação da coroa.

An in vitro evaluation of the strength of a 1-piece and 2-piece conical abutment joint in implant design.Jornal do ILAPEO ARTIGO II FIGURA 20: A posição da linha de cimentação do munhão universal deve ser no mínimo 1. Osseointegrated implants in the treatment of the edentulous jaw. Mechanics of the tapered interface fit in dental implants.201:501507. 1993. J Dent 2002. 2007. The applicability of osseointegrated oral implants in the rehabilitation of partial edentulism. 11. 1990. 23. Yalcin E. Naert I.11:458-64. et al. Stegaroiu R. Bozkaya D. Tese. 1990.ªahin S.a prospective multicenter study on 558 fixture. Biomechanical analysis on platform switching: is there any biomechanical rationale? Clin Oral Implants Res.ZARB. v.M.International.30:271-282. J Prosthet Dent 2000a. Annual review of selected dental literature: Report of the Committee on Scientific Investigation of the American Academy of Restorative Dentistry.15(4):459-65.14(1):77-81. p. 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Experience from a 10-year period. é necessário que os profissionais estudem e conheçam as corretas indicações de cada um dos componentes.Çehreli MC.. J Prosthet Dent 1999. Costa E. 10.JENDRESSEN. 7. 2007. Implant Dent. & Schimitt. Journal of Biomechanics 2005. 2005 Mar. 20. Weber HP Sorensen J. Assim. Fatigue resistance of two implant/abutment joint designs. A 15-year study of osseointegrated implants in the treatment of the edentulous jaw. Hansson BO. J. D. An in vitro evaluation of the strength of the conical implant-to-abutment joint in two commercially available implant systems. Taki I. Perriard J. Cehreli MC. Single molar replacement with a progressive thread design implant system: a retrospective clinical report Int J Oral Maxillofac Implants 2000. J Prosthet Dent 2002. Quality of dental implants.Maeda Y.A. Adell R. The longitudinal clinical effectiveness of osseointegrated dental implants in anterior partially edentulous patients. 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APLICAÇÃO DOS TORQUES Os componentes de peça única deverão ser apertados com torque de 32 Ncm. Clin Oral Implants Res.Chun HJ.21:733-737. 1996 Jun. Akça K.CONCLUSÃO Os implantes cone Morse apresentam opções de componentes protéticos para reabilitação dos espaços edentulos com sucesso. The role of screw in implant systems. et ai. 25. Mechanics of the implant-abutment connection: an 8-degree taper compared to a butt joint connection. No entanto.D.83:567-71.et al. utiliza-se 10N.Khraisat A.4:617-20.38:87-89. 15. 14. Finite element analyses of two antirotational designs of implant fixtures.5.Norton MR. No caso das próteses parafusadas sobre mini pilar cônico. Avaliação do grau de sucesso de sucesso de implantes Neodent nos cursos de Implantodontia da Unesa/RJ – um retrospectivo de cinco anos. Belser U. 32. 3. 27. Bozkaya D.Norton MR. Hermans M. engeenering. Mellal A. Ödman P Örtengren U. 74(1): 60-83.Coppedê A. também é útil que a correta posição do implante seja obtida com base em um correto planejamento. An in vitro load evaluation of a conical implant system with 2 . G. restoration. A.

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