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A inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho

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A inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho

Resumo:Desde as mais remotas civilizações, os deficientes físicos são postos a margem da sociedade, sendo recente leis que protegessem esse segmento social e permitissem sua inclusão no mercado de trabalho. A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente, em 2009, 288,6 mil vínculos empregatícios criados naquele ano foram declarados como para pessoas com deficiência; em 2010, 306,0 mil vínculos foram declarados como pessoas com deficiência, sendo este aumento da magnitude de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. As leis que tratam de inclusão social dos deficientes remetem ao início da década de 1990, tendo desdobramentos importantes posteriores, sendo a lei de cotas a mais utilizada para garantir esse direito fundamental do portador de deficiência – direito ao trabalho digno e aplicação do principio da isonomia – esses, tão caro a Constituição Federal de 1998. Embora tenha havido avanços na legislação brasileira para com o portador de deficiência, ainda precisa avançar em campos tais como fiscalização do cumprimento dessas leis
Sumário: Introdução. 1. O deficiente físico. 1.1. Evolução histórica e social da população deficiente. 1.2. Conceito de inclusão. 1.3. Conceito de pessoa com necessidade especial (NPE.) 1.4. Conceito de pessoa com deficiência. 1.5. Tipos de deficiência. 1.5.1. Deficiência Física. 1.5.2. Deficiência Auditiva. 1.5.3. Deficiência Visual. 1.5.4. Deficiência Mental. 1.5.5. Deficiência Multipla. 1.6. A comprovação da deficiência. 1.7. Dignidade da pessoa humana. 2. O deficiente físico e o mercado de trabalho. 2.1. O mercado de trabalho. 2.2. A situação do deficiente físico inserido no mercado de trabalho. 3. O deficiente físico e a legislação brasileira. 3.1. Motivos para a proteção social dos deficientes. 3.2. Legislação brasileira para o deficiente. 3.2.1 Constituição Federal de 1988. 3.2.2 A Lei 7.853/1989. 3.2.3 A Lei de Cotas (Lei 8.213/1991). 3.2.4 Outras Leis e Decretos. 3.3. Caso especial: vigilância a saúde dos trabalhadores com deficiência. 3.4. O Brasil e a legislação internacional. Conclusão. Bibliografia. INTRODUÇÃO A Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes preparada pela Assembléia Geral das Nações Unidas no ano de 1975[2] define o deficiente físico como uma pessoa incapaz de assegurar, por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência, congênita ou não, em suas capacidades físicas. De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) existem cerca de 610 milhões de pessoa portadoras de algum tipo de deficiência no mundo hoje, dos quais cerca de 390 milhões (63,3%) fazem parte da população economicamente ativa[3]. No Brasil, por sua vez, segundo dados do Censo de 2000, há por volta de 24,6 milhões de pessoas com deficiência (visual, auditiva, física ou múltipla), o que representa cerca de 15% da população brasileira. Por ser um número representativo da população em geral, motivou o presente trabalho de conclusão, o qual visa apresentar um panorama da inserção do portador de deficiência física no mercado de trabalho no Brasil. Para realizar o trabalho aqui apresentado, fez-se uma extensa e exaustiva revisão da literatura por meio de pesquisa documental bibliográfica. Neste trabalho de revisão da literatura buscaram-se os principais e mais destacados artigos, livros, papers e leis disponíveis. Tendo como resultado o presente estudo sobre a inserção do deficiente físico no mercado de trabalho brasileiro. No primeiro capítulo, denominado O Deficiente Físico, inicialmente define-se o conceito de deficiente físico conforme resolução n° 2.542/75 da ONU, e a partir da definição da população em estudo, traça-se uma evolução histórica do tratamento social dado a essa população, visando ter uma perspectiva temporal. A seguir, trabalha-se o conceito de inclusão o qual sugere uma ação que combate a exclusão social, isto é, uma situação bem comum entre os deficientes físicos, em função de inúmeros problemas, tais como acessibilidade, transporte público, entre outras dificuldades diárias. Na sequência se discute a relação entre os conceitos de Deficiente Físico, Pessoa com necessidade Especial e Pessoa com Deficiência.

Dá-se destaque para a maneira como esses três conceitos são utilizados para caracterizar a população em estudo. Também se conceitua os tipos de deficiência admitidos na legislação brasileira, por meio do Decreto n° 3.298, de 20 de dezembro de 1999, as quais são: (1) deficiência física, (2) deficiência auditiva, (3) deficiência visual, (4) deficiência mental e (5) deficiência múltipla. A seguir, se analisa a forma que se dá a comprovação da deficiência de acordo com o Ministério do Trabalho e do Emprego. E por fim, destaca-se a importância da dignidade da pessoa humana para a compreensão da inclusão do portador de deficiência física no mercado de trabalho. O próximo capítulo - O Deficiente Físico e o Mercado de Trabalho - traça um perfil da situação do deficiente inserido no mercado de trabalho. Para tanto, inicia-se descrevendo o funcionamento das relações sociais dentro de um sistema de mercado. Partindo dessas relações, começa-se a analisar como elas se dão dentro de um mercado de trabalho, onde o bem transacionado é a mão-de-obra. Para avançar um pouco mais nessa discussão, se trabalha o tema do modo de produção capitalista no qual a sociedade atual vive. A seguir, se examina o Estado de Direito Democrático e sua relação com a inclusão social de deficientes físicos, e como a evolução do primeiro conceito se relacionou e influenciou de maneira positiva a inclusão de portadores de deficiência. Por fim, traça-se, conforme o Relatório Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego, o perfil dos deficientes brasileiros já inseridos no mercado de trabalho, a composição dos trabalhadores com necessidades especiais por tipo de deficiência, a remuneração média dos trabalhadores deficientes e a diferença salarial entre os sexos. No último capítulo se analisa o deficiente físico e a legislação brasileira. O processo de exclusão, historicamente infligido às pessoas com deficiência, pode ser amenizado através da execução de políticas afirmativas e, especialmente, pela conscientização acerca das potencialidades desses indivíduos. Para tanto, várias leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência. Para se ter um conhecimento mais abrangente em relação às leis trabalhistas direcionadas à população em estudo, selecionou-se, neste capítulo as leis mais significativas para a inclusão do deficiente na sociedade brasileira. Primeiramente, se destaca a relação da Constituição federal de 1988 e sua relação com os fundamentos da cidadania e da dignidade humana (art. 1°, II e III) e, por conseguinte, seus desdobramentos para cidadãos com deficiência. Destaca-se também, a responsabilidade, inscrita na CF/88, da União, dos Estados e Distrito Federal para com a proteção e integração das pessoas com deficiência e a questão da Acessibilidade contemplada na Carta Magna brasileira. Ainda no capítulo final, se examina a Lei 7.853/1989, a qual estabelece normas gerais dos direitos das pessoas com deficiência; as competências dos órgãos da administração pública em relação às pessoas com deficiência; as normas de funcionalidade das edificações e vias públicas; as competências da CORDE; entre outros assuntos de especial interessa para os portadores de deficiência física. A lei de cotas (Lei 8.213/1991) é objeto de especial interesse neste estudo, recebendo a devida atenção uma vez que é a principal lei de ação afirmativa do estado de inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho. Destaca-se os principais artigos da lei, as discussões em torno deles e as posteriores leis que vieram a regulá-la. Ainda, se destaca outras leis de interesse da população deficiente e a legislação internacional ratificada pelo Brasil. Este trabalho de conclusão visa expor o estado atual do deficiente físico brasileiro e sua relação com o mercado de trabalho. Para alcançar esse objetivo, fez-se uso da legislação vigente e dos estudos de especialistas na área de deficiência física. Não se teve o intuito de exaurir a discussão em relação ao deficiente e o mercado de trabalho, mas sim levantar novas questões e trazer essa fatia importante da população brasileira (cerca de 15%, segundo dados do IBGE) para o centro do debate acadêmico. Apesar de ser recente a legislação sobre os deficientes físicos, percebe-se que a inclusão se materializou por meio dessa legislação afirmativa – aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego entre os anos de 2009 e 2010. Esse avanço é pequeno em magnitude, porém de grande importância social e que abre perspectivas de maiores melhorias, como se verá a seguir. 1 O DEFICIENTE FÍSICO Segundo a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes elaborada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1975[4], o deficiente físico é caracterizado como uma pessoa incapaz de assegurar, por si

primeiramente precisam-se entender sua evolução histórica e social. por exemplo. Na antiguidade remota e entre os povos primitivos. bengalas. já dados do Censo de 2000 afirmam que no Brasil há cerca de 24. o trato dos portadores de deficiência teve dois aspectos: 1) ou. a sobreviver. em que todos contribuíam para a manutenção dos heróis de guerra e de suas famílias. ora como desígnios divinos. tipos de deficiência. as pessoas com deficiência. Pessoa com Necessidade Especial (PNE) e Pessoa com Deficiência (PCD) para ter-se uma melhor compreensão da população em estudo 1. eram.mesma. além de definir alguns conceitos essenciais. dos quais cerca de 390 milhões (63. protegiam seus doentes e deficientes em sistema parecido com a Previdência Social dos dias de hoje. já sob a influência do Cristianismo. no mundo hoje. gregos e romanos .[6] A Bíblia contém registros de tratamento discriminatório às pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência. em decorrência de uma deficiência. no Oriente. ela trouxe as ideias de capitalismo mercantil e de divisão social do trabalho e seus posteriores desdobramentos – como a Revolução Industrial .6 milhões de pessoas com deficiência (visual. direcionando os portadores de deficiência a viver em conventos e hospícios ou até mesmo o ensino especial (criou-se nesse momento histórico o modelo do paradigma da institucionalização do indivíduo. Nas civilizações clássicas . Já os escolhidos. bastões. receberam dois tipos de tratamento quando se observa a História Antiga e Medieval: a rejeição e eliminação sumária.surgindo assim o modelo de caracterização da deficiência como questão médica e educacional. via de regra. O povo guerreiro espartano via as crianças como propriedade do Estado. completamente sozinhos. e a proteção assistencialista e piedosa. muletas. os que preenchiam os pré-requisitos estabelecidos pelo Estado. Após a Revolução Francesa e até o Século XIX foi um período de inovações para a inclusão do deficiente físico. auditiva. ou (2) os protegiam e sustentavam para buscar a simpatia dos deuses. e ao conselho de Anciãos da cidade-Estado cabia a função examinar as crianças após o nascer. macas. camas. Na cidade grega de Esparta a orientação era no sentido da exterminar as crianças “mal-constituídas”.tais como os hebreus. a partir dos doze anos de idade. os exterminavam por considerá-los grave empecilho à sobrevivência do grupo. total ou parcialmente. No entanto. em suas capacidades físicas. . criação do Código Braille por Louis Braille para deficientes visuais. tais como deficiente físico. Por fim. Os hindus. veículos adaptados. abismo de dois mil e quatrocentos metros de altitude. as necessidades de uma vida individual ou social normal. faz-se necessário o estudo dos deficientes. próteses. física ou múltipla). tais como a cadeira de rodas. Vários inventos se forjaram com o intuito de propiciar meios de trabalho e locomoção aos portadores de deficiência.povos com uma vida em sociedade regrada por ampla legislação. alterna-se a concepção de deficiência ora como noções teológicas de possessão pelo demônio. inclusão. enviados para o campo. móveis. Durante o período conhecido como Idade Média. os atenienses. Se fossem consideradas “fracas” ou “disformes” eram jogadas do alto do Taigeto (Taygetos).1 EVOLUÇÃO HISTÓRICA E SOCIAL DA POPULAÇÃO DEFICIENTE Para melhor entender a condição atual de exclusão em que se encontra a pessoa portadora de deficiência é importante atentar para a sua progressão histórica e social ao longo do tempo. Por constituírem importante fração da população mundial e brasileira. coletes. por forte influência de Aristóteles. com base na Lei de Moisés. estimulavam o ingresso dos deficientes visuais nas funções religiosas. Conforme estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) há. Já. encontrase várias referências acerca das pessoas portadoras de deficiência. 610 milhões de indivíduos com deficiência. os Hebreus. mantido segregado e com vínculo permanente com a instituição). de um lado.3%) fazem parte da população economicamente ativa[5]. onde deveriam aprender. congênita ou não. cerca de 15% da população brasileira. de outro.

[10] Mesmo que já tivesse ratificado a Convenção 159 da OIT em 1991[11]. na acessibilidade (logradouros públicos e privados. o verbo incluir apresenta vários significados. não só pela carência de mão-de-obra surgida no período pós guerra. lazer e cultura. 93.853/89[13] e a instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e o Decreto 3. mas também pela necessidade de propiciar uma atividade remunerada e uma vida social digna aos soldados mutilados. não tinham direitos. visando dar apoio e suporte ao portador de deficiência para a vida em comunidade. pois é constituída de indivíduos diferentes entre si. A Constituição de 1988 rompeu com o modelo assistencialista. em nosso ordenamento jurídico.[9] Após enpreenderem uma longa batalha. independente de sua origem. da Lei nº 8. de realizar semelhante processo inclusivo. em face de ser o capitalismo incapaz. 5º da Constituição Federal de 1988.2 CONCEITO DE INCLUSÃO De acordo com o Novo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio. Porém. que é o da igualdade entre os homens. o que Otto Marques da Silva chamou de nascimento da defesa dos direitos das minorias: “Na década de 60. aproximando-o em condições e padrões na vida das demais pessoas”[8]. todos eles com o sentido de algo ou alguém inserido entre outras coisas ou pessoas[15]. deve-se igualar os desiguais levando em conta suas diferenças. E a partir de então. No livro Dignidade Humana e Inclusão Social. à estrutura e à dinâmica do sistema político.298/99[14].. não só naquele país. Sena e Delgado relacionam o conceito de democracia contemporânea e inclusão social: “A sociedade democrática é – e tem de ser – uma sociedade includente. Assim. na década de 60. inúmeras leis vieram estimular sua inclusão. e cultural. A incorporação de todas as pessoas. é nuclear à ideia e à prática da Democracia. foi somente com a regulamentação da Lei 7. econômico. essa incorporação tem de se materializar por meio de políticas públicas e normas jurídicas. baseados em conceitos amplos de inclusão social. então. a Carta Magna de 1824 considerava as pessoas com deficiência como incapazes.No Século XX. os deficientes conseguiram conquistar um espaço na Constituição de 1988. Surgindo. 1. social. Na lei brasileira. baseada na educação inclusiva. o Brasil ainda não havia elaborado uma normativa hábil a preparar o portador de deficiência para a inclusão. pelo exercício e dinâmica de suas meras forças de mercado. A lei passou a ser o arranjo ideal para inserir o portador de deficiência na sociedade. até então em vigor. logo. que se concretizaram. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades. A égide do princípio é que "todos são iguais perante a lei. O primeiro passo dado nesta direção foi o estabelecimento da reserva de vagas no art. Reconheceu-se que a sociedade é caracterizada pela diversidade. esporte. inscrito no art. mas também nos EUA. Surgem então os movimentos de defesa dos direitos das minorias. de avanços e recuos. poder e riqueza. transportes adaptados). O legislador visou assegurar um direito fundamental ao indivíduo. a Guerra do Vietnã foi responsável por um número crescente de deficientes físicos. na saúde e assistência social adequadas. no trabalho produtivo. em nenhum momento essa definição pressupõe que o ser incluído precisa ser igual ou semelhante aos demais aos quais se agregou. No plano da vida econômica e da vida social. . as duas Guerras Mundiais impulsionaram o desenvolvimento que se chamou de reabilitação científica[7]. Entretanto. sem distinção de qualquer natureza".213/91[12]. assegurando-se a igualdade de oportunidades baseada no princípio de isonomia. dez anos depois. ainda que desempenhando papéis distintos.

2%. saúde e segurança. se bem estruturada. Já a incapacidade. em boa medida. De acordo com a Lei n.[18] Um dos objetivos fundamentais da República Federativa é construir uma sociedade livre. seu objetivo de permanente inclusão das correspondentes populações. estabelece cotas compulsórias de vagas a serem respeitadas pelas empresas do setor privado com mais de cem empregados. O artigo 4º do referido decreto enumera as categorias em que se enquadram os portadores de deficiência física. idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. sendo esta manifestação presente desde antes dos dezoito anos de idade e associada a limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas (comunicação. Em relação à questão trabalhista. (2) o deficiente auditivo. 4%. Em outras palavras. 8. (4) o deficiente mental. utilização da comunidade. III – de 501 a 1000. redução do campo visual ou ambas as situações. Negar a alguém emprego ou trabalho. o deficiente se sente valorizado e aceito na sociedade em que vive. Esta última geralmente associada a pessoas de classe social mais baixa. (5) a deficiência múltipla. mental ou sensorial – teve diversas formas ao longo dos anos. habilidades sociais. justa e solidária. (1) o portador de alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano.[23] 1. punível com reclusão de um a quatro anos e multa (art. constitui crime. cuidado pessoal. idosos ou minorias raciais entre outras que não têm acesso a várias oportunidades. sexo.[19] 1. IV da CF). a lei exige a inclusão de deficientes no mercado de trabalho. 8º. conforme estabelece o artigo III do Decreto nº 3. quando ocorrem associações de duas ou mais deficiências. considera-se deficiência a perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica. é redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social.298/99[22]. II – de 201 a 500. bem como promover o bem estar de todos. aquele cujo funcionamento intelectual é significativamente inferior à média. por já ter corrido tempo suficiente para a sua consolidação. Acrescente-se que a dispensa do empregado deficiente ou reabilitado. conforme afirma Sassaki: . 5%. sem justa causa e por motivo derivado de sua deficiência. cor.Na sociedade contemporânea a vasta maioria das pessoas vive de rendimentos propiciados por seu trabalho.4 CONCEITO DE PESSOA COM DEFICIÊNCIA (PCD) Por que se adota o termo pessoa portadora de deficiência ou pessoa com deficiência? O nome usado para se referir às pessoas que tem algum tipo de limitação – física.213/91. meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida. Nessa medida. acometido de perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras. o qual regulamenta a lei 7853/1989[21]. fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano. sem preconceitos de origem. a ordem jurídica trabalhista de cada sociedade e de cada Estado pode cumprir.”[16] A Inclusão social sugere uma ação que combate a exclusão social. IV – 1001 ou mais. acarretando o comprometimento da função física. portadoras de deficiência física e mental. concretizando. em seu artigo 93. a função decisiva de realizar social e economicamente a democracia. a inclusão social visa oferecer aos mais necessitados oportunidades de participarem da distribuição de renda do País. 3%. habilidades acadêmicas. raça. nível educacional mínimo. com necessidade de equipamentos. 3. (3) o deficiente visual. somente pode ocorrer após a contratação de substituto de condição semelhante. adaptações. A deficiência permanente é aquela que não permite recuperação ou alteração apesar do aparecimento de novos tratamentos. Dessa forma. observando proporção: I – de 100 a 200 empregados. II).3 CONCEITO DE PESSOA COM NECESSIDADE ESPECIAL (PNE) Segundo o artigo 3º do Decreto 3298 de dezembro de 1999[20]. também dependendo do grau de deficiência. lazer e trabalho). Trata-se de uma garantia no emprego e não uma forma de estabilidade. aquele que possui diminuição da acuidade visual. dentro de um sistema que beneficie a todos e não somente uma camada da sociedade[17].

. Para melhor entendimento. ostio) na parede abdominal para adaptação de bolsa de fezes e/ou urina.. hemiplegia.[.] Igualmente se abandona a expressão “pessoa portadora de deficiência” com uma concordância em nível internacional. estão com a pessoa ou na pessoa. em razão dessa incapacitação. Triplegia – perda total das funções motoras em três membros. triplegia. até que a Constituição de 1988. monoparesia. incorporou a expressão “pessoa portadora de deficiência”. Hemiparesia – perda parcial das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). de 8 de outubro de 2001. Ambas conceituam deficiência. (2) deficiência auditiva. hemiparesia. (3) deficiência visual. hoje. tetraplegia. “excepcionais” e “pessoas deficientes”. mais recentemente. sensorial ou múltipla. exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções[27]. paraparesia. tetraparesia. de 20 de dezembro de 1999. que foi promulgada pelo Decreto nº 3. mental. Adotase.5 TIPOS DE DEFICIÊNCIA De acordo como o Artigo 4º do Decreto nº 3. Hemiplegia – perda total das funções motoras de um hemisfério do corpo (direito ou esquerdo). monoplegia. Paraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores. Deficiência Física A deficiência física caracteriza-se pela alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano.“Utilizavam-se expressões como “inválidos”. Tetraparesia – perda parcial das funções motoras dos membros inferiores e superiores. também. como uma limitação física. Todas elas demonstram uma transformação de tratamento que vai da invalidez e incapacidade à tentativa de nominar a característica peculiar da pessoa. Triparesia – perda parcial das funções motoras em três membros. Paraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores. visto que as deficiências não se portam. Monoplegia – perda total das funções motoras de um só membro (inferior ou superior). apresentando-se sob a forma de paraplegia. (4) deficiência mental e (5) deficiência múltipla. 1.1.. acarretando o comprometimento da função física. para fins de proteção legal. .[26] é considerada pessoa com deficiência a que se enquadra nas seguintes categorias: (1) deficiência física. Monoparesia . o que lhes confere status de leis nacionais. também conhecida como Convenção da Guatemala. o que tem sido motivo para que se use. paralisia cerebral. que se aplica na legislação ordinária. membros com deformidade congênita ou adquirida.perda parcial das funções motoras de um só membro (inferior ou superior)..298. a expressão “pessoas com necessidades especiais” ou “pessoa especial”. sem estigmatizá-la.[25] 1. seguem-se algumas definições: Amputação – perda total ou parcial de um determinado membro ou segmento de membro. triparesia.956. que incapacite a pessoa para o exercício de atividades normais da vida e que. que são a Convenção nº 159/83 da OIT e a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Pessoas Portadoras de Deficiência.]. por influência do Movimento Internacional de Pessoas com Deficiência. a forma “pessoa com deficiência”[24] No Brasil há duas normas internacionais devidamente ratificadas.5. “incapazes”. [. Ostomia – intervenção cirúrgica que cria um ostoma (abertura. amputação ou ausência de membro. a pessoa tenha dificuldades de inserção social. Tetraplegia – perda total das funções motoras dos membros inferiores e superiores.

1.05 no melhor olho. (3) surdez acentuada . ou ocorrência simultânea de ambas as situações[29]. 1. As pessoas com baixa visão são aquelas que. d) utilização dos recursos da comunidade.6 A COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA . As pessoas com baixa visão podem ter sensibilidade ao contraste.5. a inclusão das pessoas com baixa visão a partir da edição do Decreto nº 5. ou implantes de lentes intra-oculares.de 25 a 40 decibéis (db). dependendo da patologia causadora da perda visual. percepção das cores e intolerância à luminosidade.4 Deficiência Mental De acordo com o Decreto nº 3. anacusia – ausência de audição[28]. lentes de contato.296/04[31]. (2) surdez moderada . por último. Ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores. por sua vez. após a melhor correção. com a melhor correção óptica. e h) trabalho.Paralisia Cerebral – lesão de uma ou mais áreas do sistema nervoso central. Baixa Visão – significa acuidade visual entre 0. variando de graus e níveis na seguinte forma: (1) surdez leve . e.5. é caracterizada pela associação de duas ou mais deficiências.5. Nanismo – deficiência acentuada no crescimento. (4) surdez severa .5. b) cuidado pessoal.298/99. g) lazer. mesmo usando óculos comuns. podendo ou não causar deficiência mental.de 71 a 90 db.de 56 a 70 db. Podendo ainda ser distinguida como: 1. alterado pelo Decreto nº 5. com a melhor correção óptica. 1.05 no melhor olho.acima de 91 db. conceitua-se como deficiência mental o funcionamento intelectual significativamente inferior à média. não conseguem ter uma visão nítida. Ressalta-se.de 41 a 55 db.296/04[30]. com manifestação antes dos 18 anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas. Cegueira – na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0.5 Deficiência Múltipla A deficiencia multipla.3 e 0.2 Deficiência Auditiva É caracterizada pela perda parcial ou total das possibilidades auditivas sonoras. ainda. Os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60°. f) habilidades acadêmicas.3 Deficiência Visual É definida pela acuidade visual igual ou menor que 20/200 no melhor olho. tendo como conseqüência alterações psicomotoras. e) saúde e segurança. 2. ou campo visual inferior a 20º (tabela de Snellen). tais como: a) comunicação. 1. c) habilidades sociais. (5) surdez profunda . 1.

7 DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA Ingo Wolfgang Sarlet define dignidade da pessoa humana como: “a qualidade intrínseca e distintiva reconhecida em cada ser humano que o faz merecedor do mesmo respeito e consideração por parte do Estado e da comunidade.6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. é um atributo apenas encontrado nos seres racionais. Em 2010. quebra de preconceitos. 1. um complexo de direitos e deveres fundamentais que assegurem a pessoa tanto contra todo e qualquer ato de cunho degradante e desumano. Parte I. representando 0. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. dos 44. compreendida como a capacidade de determinar a si mesmo e agir em conformidade com a representação de certas leis. deverá especificar o tipo de deficiência e ter autorização expressa do empregado para utilização do mesmo pela empresa.7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. constituem uma das principais exigências da dignidade da pessoa humana. . depois de concluído o processo de reabilitação profissional. ela tem dignidade. 288. implicando. representando 0. 1. um limite inclusive para os atores estatais. como o da baixa produtividade do trabalho deste tipo de profissional. mediante o devido respeito aos demais seres que integram a rede da vida.1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano. art.[35] Ainda segundo Kant.298/99. em 2009. 306. constituindo-se no fundamento da dignidade da natureza humana. arts. como venham a lhe garantir as condições existenciais mínimas para uma vida saudável. por exemplo. ainda é preciso progredir ainda mais em aspectos tais como da cultura corporativa[39]. Quando uma coisa tem preço. o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) emite este certificado indicando a atividade para qual o trabalhador foi capacitado profissionalmente[33]. afirmando a qualidade peculiar e insubstituível da pessoa humana.296/04. por meio de laudo médico ou por meio Certificado de Reabilitação Profissional.Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego[32] a condição de pessoa com deficiência pode ser comprovada de duas formas. a dignidade da pessoa humana constitui uma barreira absoluta e instransponível.”[36].e dos direitos fundamentais de um modo geral . com as alterações dadas pelo art. a individualidade e autonomia da pessoa contra qualquer tipo de interferência por parte do Estado e de terceiros. Decreto nº 3. 70 do Decreto nº 5. segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego[38] (MTE). por sua vez. 3º e 4º. além de propiciar e promover sua participação ativa e co-responsável nos destinos da própria existência e da vida em comunhão com os demais seres humanos. tornando pública a sua condição. Portanto. de acordo com as definições estabelecidas na Convenção nº 159 da OIT. Protegendo. e portanto não permite equivalente.”[34] Sarlet nos afirma que Kant constrói sua concepção de dignidade da pessoa humana a partir da natureza racional do ser humano. Este laudo. de tal sorte a assegurar o papel do ser humano como sujeito de direitos[37]. mas quando uma coisa está acima de todo o preço. assim. pode pôr-se em vez dela qualquer outra como equivalente. O autor sinaliza que a autonomia da vontade. do total de 41. “no reino dos fins tudo tem ou um preço ou uma dignidade. O Certificado de Reabilitação Profissional. atestando enquadramento legal do empregado para integrar a cota. O laudo médico pode ser emitido por médico do trabalho da empresa ou outro médico. O reconhecimento e a garantia de direitos de liberdade .0 mil foram declarados como pessoas com deficiência. 2 O DEFICIENTE FÍSICO E O MERCADO DE TRABALHO A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente. isto é. por sua vez. neste sentido. Porém.7% do total de vínculos empregatícios.2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro.

Todavia. onde se negocia para determinar os preços e quantidades de um bem. basicamente. Outro desequilíbrio entre oferta e procura no mercado de trabalho é quando a oferta de postos de trabalho é maior do que a procura por trabalho por parte dos trabalhadores. O modo de produção vigente recebe o nome de capitalismo. com a máxima vantagem. qualquer diferença peculiar em aptidões e recursos. Podendo ser definido como um sistema econômico e social baseado na propriedade privada dos meios de produção. uma vez que no . o perfil dos trabalhadores portadores de deficiência. Esta é uma situação que ocorre quando. menor será o preço desse bem ou serviço. além de se basear nas diferenças individuais de aptidões.e falta de procura desses profissionais – demanda por trabalhadores -. o trabalho. por sua vez. região ou cidade.sendo caracterizada pelo seguinte mecanismo: quanto maior a oferta de um bem ou serviço. pela lei da oferta e a lei da procura. Conforme Paulani[46]. inclusive na linguagem comum é entendido como certa soma de dinheiro. o qual pode ser caracterizado por um sistema de organização econômica baseado na propriedade privada dos meios de produção. porque esse capital é essencialmente propriedade privada de alguém: o capitalista. O termo capital geralmente tem diferentes significados. estes recebem um salário em troca de sua força de trabalho[45]. a indústria progride e inova rapidamente e o mercado de trabalho não consegue suprir as novas vagas geradas. Situação na qual existem insuficientes postos de trabalho para absorver os profissionais. O mercado de trabalho. se a procura se mantiver a mesma. terras. como demonstra Marx. sobre as quais se baseiam os padrões modernos de vida. o conceito de capital aqui utilizado é o conjunto (estoque) de bens econômicos heterogêneos.1 O MERCADO DE TRABALHO As relações econômicas do sistema de mercado capitalista são regidas. instrumentos.lei da oferta . Pois a especialização. os bens de produção ou de capital. que podem substituir a mão de obra[43]. O mecanismo de ajuste dos preços em função da oferta e da demanda se dá no mercado[40]. no plano das relações materiais essas diferenças parecem inexistir. No entanto. É pela propriedade dos meios de produção que o capitalista se apropria de parte da renda gerada nas atividades econômicas. As economias de produção em massa. à especialização de funções que permite a cada pessoa usar. A diminuição da procura por profissionais com dada qualificação que estão sendo substituídos pela demanda de outra profissão ou qualificação em que ainda não há oferta suficiente acaba também gerando desemprego. tais como máquinas. já a segunda – a lei da oferta . no caso. ou seja. relaciona aqueles que procuram emprego e aqueles que oferecem emprego num sistema típico de mercado como visto acima. isto é.entre outros. a dificuldades práticas das firmas na contratação e as questões relativas ao setor de recursos humanos. o qual pode estar associado ao aumento no número de máquinas. Pode-se dizer que quando existe a formação de excesso de profissionais – oferta de trabalhadores . maior será o preço do bem ou serviço. não há um equilíbrio entre a oferta e a procura – a oferta é maior do que a procura ocorre o que se chama. capaz de reproduzir bens e serviços. fábricas. matérias-primas. por exemplo.[41] Em relação ao mercado de trabalho. A produção massificada deve-se principalmente a divisão do trabalho. segundo Blanchard[42] (2006). como mercado de trabalho e sua dinâmica. para avançar nesta discussão é necessário definir alguns conceitos. O seu estudo procura perceber e prever os fenômenos de interação entre estes dois grupos tendo em conta a situação econômica e social do país. do qual os trabalhadores não participam. A primeira . também há os desajustes entre a oferta e a quantidade que caracterizam todos os tipos mercados. mantida a oferta constante. O uso do capital na produção introduz a divisão do trabalho. O modo de produção que caracteriza a sociedade atual é o modo de produção capitalista[44]. não seriam exeqüíveis se a produção ainda se processasse individualmente ou por núcleos familiares. que tem em vista o lucro. a igualdade e liberdade afiguram-se como efetivamente existentes. cria e acentua essas diferenças.diz que: quanto maior for à procura por determinado bem ou serviço. além de contribuir para aumentar a produtividade do trabalho. de saturação de mercado. 2.

6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. no Brasil há cerca de 24. O personagem principal dessa sociedade é evidentemente o indivíduo. mas não se sente organicamente a ela ligado. baseados em conceitos amplos de inclusão social e. a prática da inclusão social[50] teve seu início tardiamente no Brasil. cerca de 15% da população brasileira.853/89.1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano. Sua participação na sociedade é apenas formal: ele faz parte dela. Analisando o preâmbulo do texto constitucional brasileiro.298/99 e a Lei de Cotas que se concretizaram. e seu funcionamento dentro da nova engrenagem é caracterizado por um duplo posicionamento. de necessidade e repulsa. a seguir analisam-se as relações de trabalho dando ênfase no deficiente.2 A SITUAÇÃO DO DEFICIENTE FÍSICO INSERIDO NO MERCADO DE TRABALHO A inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho vem crescendo constantemente.0 mil foram declarados como pessoas com deficiência.2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro. muitas empresas ainda encontram dificuldades na sua implantação. Em 2010. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) há. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades. Em 2009. mesmo que este algo seja uma mercadoria que. todos possuem algo de seu para vender. Dada as relações sociais que se dão no mercado de trabalho. no ordenamento jurídico. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. dos 44. por isso. no mundo hoje.6 milhões de pessoas com deficiência (visual. faz-se necessário o estudo dos diversos segmentos de indivíduos que o compõe. mas não pode abrir mão de seu autocentramento. 610 milhões de indivíduos com deficiência. física ou múltipla).mundo das trocas e do mercado. De um lado. em determinadas circunstancias. todos são igualmente donos de mercadorias e livres para efetuar ou não as trocas possíveis. que é a sociedade. Foi somente com a regulamentação da Lei 7. a liberdade. em princípio. podemos depreender. que o “Estado democrático” é proposto para "assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais. É determinado por ela. pela própria complexidade da nova ordem social que ele protagoniza sua relação com seu outro. conforme dados do Ministério do Trabalho e do Emprego[48] (MTE).7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. 288. auditiva. a . Conforme dados do Censo de 2000. 306. dos quais cerca de 390 milhões (63. 2. é uma relação contraditória. pode não ser desejada por ninguém. representando 0. mas a forma dessa determinação o faz cultivar a sensação contrária da pura e total autodeterminação[47]. a propriedade se mostra uma instituição efetivamente universal.3%) fazem parte da população economicamente ativa[49]. A despeito destes números e estatísticas. de necessidade e indiferença. como força de trabalho. de atração e repulsa. Da mesma forma. do total de 41. visto que. Ele precisa dela para seus fins particulares.7% do total de vínculos empregatícios. da instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – Decreto 3. representando 0.

o texto preambular representa um robusto conteúdo determinador da interpretação constitucional. L. como um conjunto de estratégias políticas. mediante tratamento preferencial daqueles que historicamente têm sido os perdedores da disputa pelos bens escassos de nossa sociedade.782. A igualdade material postulada pelo princípio da igualdade é também a igualdade real veiculada pelo princípio da democracia econômica e social. por exemplo. L. característica da doutrina liberal dos séculos XVII e XVIII. assim. Entendo a ação afirmativa conforme SELL[59] a caracteriza. B. o seu teor vai além do seu aspecto material de concretização de uma dignidade do homem e começa a atuar simbolicamente como incentivo a participação pública quando o democrático adjetiva o Estado. em 2005 esse indicador aumentou para 35. Segundo esse estudo.2 mil trabalhadores portadores de necessidades especiais estão ativos no mercado de trabalho no Brasil. E mais. que o liberalismo e a democracia se misturam. principalmente.]. Por fim. o bem-estar. a idéia de democracia contém e implica. a uma adaptação melhorada das condições sociais de existência”[55]. L. A lei de cotas[58]. Os percentuais estabelecidos pelo Decreto 3298[60] possibilitaram e ainda hoje possibilita a transformação do panorama da inclusão econômica das pessoas com deficiência física. L. pluralista e sem preconceitos"[51]. a doutrina moderna afirma que o Estado não pode mais tomar para si a mesma postura neutra. grupos sociais excluídos. da justiça e da solidariedade. Como indicam os dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)[61] extraídos da Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo. todavia. e MORAIS. Portanto. a aparente redução das disparidades econômicas e sociais à unidade formal do sistema legal. Segundo Canotillo[53] o postulado substancial da igualdade é um dos elementos fundamentais para a realização plena da democracia econômica e social. e também por intermédio do respeito a dignidade da pessoa humana. garante um sistema de direitos fundamentais individuais e coletivos. empenhando-se na defesa e garantia da liberdade. possibilitando. o mesmo aconteceu com as empresas. por conseguinte. L. B. Por tipo de deficiência. é com ideia de Estado de Direito. indiferente à eliminação das desigualdades. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. o Estado Democrático de Direito possuiria a qualidade fundamental de extrapolar “não só a formulação do estado Liberal de Direito.239 deficientes empregados. Assim. em última análise. J. L. garante a justiça social como um mecanismo corretor das desigualdades – possibilitando aos indivíduos o direito da igualdade não apenas como possibilidade formal. a sua aplicação torna-se essencial e determinante uma vez que “Não se pode interpretar o princípio da igualdade como um princípio estático. o . pode representar uma ação afirmativa assumida pelo poder público e pela sociedade civil. J.. como também a do Estado Social de Direito”[57]. um acréscimo equivalente a 150%. devido ao preconceito que sofrem. Sem discutir sua força normativa. também como articulação de uma sociedade justa. encontram-se em posição de desvantagem na disputa pelas oportunidades sociais. promover a igualdade de oportunidades sociais. assegurando ao homem uma autonomia face aos poderes públicos. 323.965 empresas cumpriam a cota. como é postulado como um princípio do Estado Democrático de Direito por STRECK. Ou por outro prisma. tem um conteúdo transformador da realidade. Conforme a Relação Anual de Informações Sociais[62] de 2008. em 2004 1. o desenvolvimento. A organização Democrática da Sociedade. onde deve predominar o interesse da maioria. isto é. a questão da solução do problema das condições materiais de existência beneficiando. o que estende os valores democráticos sobre todos os seus elementos constitutivos do Estado e. e o princípio da democracia econômica como um princípio dinâmico. que permeava o discurso dos textos constitucionais anteriores[52]. de[56]. principalmente através de Constituição. em 2004 havia 14. são políticas de discriminação positiva dispensada aos segmentos populacionais que.”[54] Segundo STRECK. em 2005 eram 4. por meio dos direitos fundamentais. como o Estado Social de Direito. necessariamente. Sendo assim. também sobre a ordem jurídica. cuja finalidade é. impositivo de uma igualdade material [. um aumento de cerca de 100%.. por conseguinte.segurança. de “o Estado Democrático de Direito. e MORAIS. Ao possuir a prerrogativa de assegurar um rol de direitos fundamentais. não se restringindo.004 corporações.

com participação de cerca de 65%.48%).78. o primeiro que advoga que o tratamento jurídico é suficiente para sanar esta questão.29%). decorrente dos rendimentos de R$ 2. como: camelôs distribuidores de propaganda nos semáforos etc.61% visuais. 1.. mas sim de remoção das barreiras que impedem a sua inserção no mercado de trabalho. e os visuais. expressa pelos rendimentos de R$ 1. e um segundo grupo que defendem o tratamento econômico. comparativamente aos outros trabalhadores"[64]. para as mulheres.78% dos deficientes com vínculo trabalhista.88% mentais e 70.717. único valor acima da média de rendimentos entre todos os tipos de deficiência.507. habitação e reabilitação.48 pelas mulheres.[65] .47 para os homens e de R$ 994. seguida dos deficientes múltiplos (40.via de regra.476. Segundo a Relação Anual de Informações sociais de 2008 do Ministério do Trabalho e Emprego.64 recebidos pelos homens. superior à média dos rendimentos do total de vínculos formais (R$1. 73. Esse comportamento pode ser devido à forte influência da remuneração dos deficientes auditivos. 24.37% e os portadores de deficiências múltiplas.66).33%. uma grande parte dos portadores de deficiência são pedintes de rua e trabalham na economia informal.494.] a verdade parece estar na combinação dos dois argumentos. 66. Vencer as barreiras físicas e o preconceito são condições prévias e indispensáveis para fazer com que os profissionais portadores de deficiência física possam exercer suas funções com equiparação de oportunidades. com 3.162.397. os homens têm a maior incidência em todos os tipos de trabalhadores com deficiência.levantamento da RAIS 2008 demonstra que os deficientes físicos representam 55. Os deficientes mentais representam 3. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego (TEM) "Esse rendimento mais alto dos deficientes se dá por conta de remunerações mais elevadas em todos os graus de escolaridade. A seguir estão os deficientes auditivos. estando. fora do mercado formal de trabalho e sem a proteção do sistema de seguridade social”.. Ministério do Trabalho e Emprego[63]. estímulos financeiros) no Brasil.65%. Os dados do Relatório do Ministério do Trabalho e Emprego de 2008 mostram ainda que a remuneração média dos trabalhadores deficientes é de R$ 1. com 67.65% auditivos.24% dos trabalhadores com deficiência. Fonte: Relação Anual de Informações Sociais de 2008. Na situação de Reabilitados foram declarados 11. Os portadores de deficiência não necessitam de medidas preferenciais. Percebe-se que a maior diferença entre os rendimentos recebidos por homens e por mulheres ocorreu nos vínculos declarados como portadores de deficiência auditiva (64. No emprego de medidas que tenham como objetivo incluir os portadores de deficiência pode-se identificar dois grupos. o percentual médio de participação masculina é de 61. e de R$ 1. Entre os deficientes físicos.. cuja média é de R$ 2.09%.46% múltiplos. Para Romita: “[. mas por não haver uma integração eficiente desses três pontos (qualificação profissional.86%.

d) e a proteção dos seus interesses coletivos ou difusos. deve ser minimizado por meio da execução de políticas afirmativas e. assim como proporcionar ao portador de deficiência qualificação e incorporação no mercado de trabalho"[68]. por associações constituídas há mais de um ano. A pessoa nessa condição é normalmente classificada em uma das seguintes categorias de deficiências reconhecidas pela legislação[72]: física. tem como uma de suas diretrizes (art. 2º. Esse dado é grave e ajuda a dificultar. por autarquia. Municípios e Distrito Federal. Por conseguinte. I. 8. 3. fundação ou sociedade de economia mista que inclua. de modo a assegurar a plena integração da pessoa portadora de deficiência no contexto socioeconômico e cultural. resumidamente. sobretudo. Lei n. fisiológica ou anatômica. De acordo com levantamento realizado pela Febraban. 3 O DEFICIENTE FÍSICO E A LEGISLAÇÃO BRASILEIRA O conceito de pessoa portadora de deficiência que guiou a escolha das normas aqui presentes é o mesmo adotado pela própria legislação. sem privilégios ou paternalismos (art. a inclusão deste grupo social no mercado de trabalho que atualmente preceitua um alto nível de exigência no que diz respeito à qualificação profissional. 5º. o qual instituiu a Política Nacional para a Integração da Pessoa portadora de Deficiência. Este decreto compreende o conjunto de orientações normativas que objetivam assegurar o pleno exercício dos direitos individuais e sociais das pessoas portadoras de deficiência (art. a proteção de pessoa portadora de deficiência (art. II. A Lei nº 7. aproximadamente 80% da população com deficiência possui até 7 anos de estudos[66]. decorrentes da Constituição e das leis. Entre esses fatores. a política Nacional para integração de pessoas portadoras de deficiência no mercado de trabalho e na sociedade em geral é disciplinada pelo Decreto n. 5º. 1º).853/89[67] prevê a adoção de legislação específica que discipline reserva de mercado de trabalho aos portadores de deficiência física (art. ainda mais. Estados. perda ou anormalidade de sua estrutura ou função psicológica.1 MOTIVOS PARA A PROTEÇÃO SOCIAL DOS DEFICIENTES . empresa pública. para ter um conhecimento mais abrangente em relação às leis trabalhistas direcionadas à população em estudo. propiciam o seu bem-estar pessoal. No âmbito da União. É considerada. observando os seguintes princípios: a) desenvolvimento de ação conjunta do Estado e da sociedade civil. múltipla.298/99 do Poder Executivo Federal[69]. selecionou-se as leis mais significativas para a inclusão do deficiente na sociedade brasileira. que gere incapacidade para o desempenho de atividades dentro do padrão considerado normal para o ser humano[71]. Estas se dão por meio de ações civis públicas que poderão ser propostas pelo Ministério Público. que devem receber igualdade de oportunidades na sociedade por reconhecimento dos direitos que lhes são assegurados. portadora de deficiência a pessoa que apresenta.112/90)[70]. social e econômico. em caráter permanente. c) respeito às pessoas portadoras de deficiência. O Decreto nº 914/93. 3º). União. 3. o principal é a educação. mental.Além de uma legislação específica que incentive a inclusão desse estrato social. entre suas finalidades institucionais. "promover medidas que visem à criação de empregos que privilegiem atividades econômicas de absorção de mão-de-obra de pessoas portadoras de deficiência. Como foi dito anteriormente. auditiva. historicamente imposto às pessoas com deficiência. visual. II e III). para as instituições e empresas com vistas a contratar tal público é necessário investir em programas de capacitação e/ou tornar-se menos rígidas em relação ao grau de instrução destes. é assegurado o direito da pessoa portadora de deficiência se inscrever em concurso público para provimento de cargos cujas atribuições lhe sejam compatíveis e reservado até 20% das vagas oferecidas no concurso (art. é importante destacar outros fatores importantes para que a inclusão do deficiente físico no mercado de trabalho efetivamente ocorra. b) estabelecimento de mecanismos e instrumentos legais e operacionais que assegurem às pessoas portadoras de deficiência o pleno exercício de seus direitos básicos que. pela conscientização acerca das potencialidades desses indivíduos. O processo de exclusão. § 2º. várias leis foram criadas visando à inclusão dos cidadãos com deficiência. 5º). Atualmente.

§ 2º.a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão” (art. justa e solidária ( conf. Quanto às pessoas com deficiência. no entanto. uma vez que se constatou que a simples declaração formal das liberdades nos documentos e nas legislações era pouco eficiente face à grande exclusão econômica da maioria da população. Os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais estão assegurados no art. define a competência da União.37. a ponto de conduzir legitimamente ao poder o nazismo ou fascismo. percebeu-se a necessidade de valorizar a vontade da maioria. e. do Distrito Federal e dos Municípios. A acessibilidade está contemplada na Constituição Federal em dois artigos: .” 3. 244. inserido no contexto de ação afirmativa que busca a igualdade ou equiparação de oportunidades para um grupo em relação ao contexto social mais amplo. idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. XXXI.853/1989. “A administração pública direta. 3º.853/1989 . devem primar pelo respeito ao princípio constitucional do valor social do trabalho e da livre iniciativa.art. Segundo o Ministério do Trabalho: “A obrigação.2 LEGISLAÇÃO BRASILEIRA PARA O DEFICIENTE A reserva de cargos para pessoas com deficiência aparece em vários dispositivos legais. a Instrução Normativa nº 20/2001 do Ministério do Trabalho e Emprego. as minorias. a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. art.Ainda que as conquistas. foi apenas após a Segunda Guerra Mundial que a afirmação da cidadania se completou. para que se implementem a cidadania. Constituição Federal). por sua vez. VIII). para que se efetive em face das pessoas com deficiência..”[76] 3.1º.” . XIV. indireta ou fundacional. sobretudo. suas necessidades e peculiaridades. o direito de ir e vir. “A lei disporá sobre a adaptação dos logradouros. considerando um de seus objetivos primordiais a promoção do bem de todos. raça. obedecerá aos princípios de legalidade. cor. 5º que “todos são iguais perante a lei. Estados e Distrito Federal para legislar concorrentemente.2.213/1991 da Previdência Social (Lei de Cotas) e disciplinada pelo Decreto nº 3. a partir da Revolução Francesa de 1789. O art. dos edifícios de uso público e dos veículos de transporte coletivo atualmente existentes. II e III). E.. em complementação quanto aos procedimentos sobre a fiscalização do trabalho. impessoalidade. 7º. o fundamento primeiro das políticas em favor de quaisquer minorias[74]. Lei nº 7. também. respeitando-se. sem distinção de qualquer natureza” e garante o direito de ir e vir dos cidadãos (inciso XV). IV). dos Estados. Em outras palavras.art. Lei nº 8. As empresas. Esse artigo traduz um mecanismo compensatório. No entanto. sexo.1 Constituição Federal de 1988 A Constituição Federal de 1988 acolheu como fundamentos da República brasileira a cidadania e a dignidade da pessoa humana (art. 24.2 A Lei 7. conforme o Ministério do Trabalho. elas não foram suficientes[73]. Todos são igualitariamente responsáveis pela efetiva compensação de que se cuida. há que se exigir do Estado a construção de uma sociedade livre. de trabalhar e de estudar é o ponto de partida da inclusão de qualquer cidadão. sobre a proteção e integração das pessoas com deficiência. “A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de transporte coletivo. tenham possibilitado a consolidação do conceito de cidadania. ao seguinte: . 3º. verificou-se nitidamente que a maioria pode ser opressiva. tais como Constituição Federal de 1988. Dispõe no art. Sendo este. que proíbe qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador com deficiência. a fim de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiência. conforme disposto no artigo 227. publicidade e. 3. § 2º. moralidade. não se esgota nas ações do Estado. sem preconceitos de origem. de qualquer dos poderes da União.298/1999. através de políticas públicas compensatórias e eficazes[75].2.227.

853/89. uma lei que define o que empresas privadas e públicas devem fazer em relação ao espaço que se deve reservar aos deficientes. Por outro lado. 31). adequação de mobiliários. 4% de 501 a 1000 e a partir daí 5%. dentre outros. adquira nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso e reingresso no mercado de trabalho e participe da vida comunitária (art. Traz a conceituação de deficiência e fixa os parâmetros de avaliação de todos os tipos de deficiência. De fundamental importância para os trabalhadores reabilitados e pessoas com deficiência. De 1991 para cá. São exemplos das disposições da NBR 9050/2004: a vaga reservada com o símbolo internacional de acessibilidade na entrada das empresas. a partir da identificação de suas potencialidades laborativas. visual e auditiva.298. edifícios até o detalhamento de como deve ser o ambiente de trabalho para acolher todos os trabalhadores com deficiência ou não. Esta lei foi criada com o objetivo de fomentar a oportunidade de trabalho para os deficientes. dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social. sinalização tátil. 3. encontramse normatizados. essa lei é considerada o principal mecanismo de inserção no mercado de trabalho.3 A Lei de Cotas (Lei 8. 3º traz os conceitos de deficiência.853/1989[77] estabelece normas gerais dos direitos das pessoas com deficiência. às competências dos órgãos da administração pública em relação às pessoas com deficiência. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou em 2004 a segunda edição da Norma Brasileira NBR 9050. há regras. competências e habilidades. deficiência permanente e incapacidade. Por tratar dos benefícios da Previdência Social. vestiários e bebedouros. ou seja.213/91 define as regras das cotas para deficientes no mercado de trabalho. 3% de 201 a 500. espaços e equipamentos urbanos. mobiliário. tipos de piso. desde a entrada nas empresas.A primeira é a necessidade de se fazer uma lei para que pessoas com necessidades especiais possam mostrar suas capacidades. além disso. em nível nacional. algumas questões se destacam: .213/1991) Em 24 de julho de 1991 entrou em vigor.00 para cada funcionário não contratado. muito se avançou e isso é inegável. Assim. as competências da CORDE. as normas de funcionalidade das edificações e vias públicas. A Lei nº 8. aliás. porém. disciplina a atuação do Ministério Público e define crimes cometidos contra as pessoas com deficiência.105. que versa sobre: Acessibilidade a edificações. a Lei 8. ela obriga toda empresa a ter em seu quadro de funcionários 2% portadores de necessidades especiais quando atingir o número de 100 empregados. Em seu art.A Lei 7. Na área da formação profissional e do trabalho. No caso de descumprimento.2.213[79]. . Esta lei estabelece cotas de contratação para empresas privadas com mais de cem funcionários. O Decreto 3298 de 20 de dezembro de1999 regulamenta a lei 7. O Decreto dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e consolida normas de proteção. a empresa será multada em R$ 1. sem especificar o percentual de vagas. esta lei propõe a adoção de legislação específica que discipline a reserva de mercado de trabalho para as pessoas com deficiência nas entidades da administração pública e do setor privado. houve questionamentos sobre a quem caberia a competência da fiscalização do seu cumprimento. sanitários. Assim. dispõe sobre a Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência na sociedade. Também conhecida como Lei de Cotas. largura das portas e áreas de circulação adequadas para cadeiras de rodas. a NBR 9050[78]. institui a tutela jurisdicional de interesses coletivos ou difusos dessas pessoas e. por meio da Secretaria Especial de Direitos Humanos – Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE)–. A habilitação e a reabilitação profissionais são consideradas enquanto processo orientado a possibilitar que a pessoa com deficiência. e. sendo que a questão só foi disciplinada com a edição do Decreto nº 3. pela primeira vez. as rampas de acesso com até 8% de inclinação.

será reduzida em 30% (trinta por cento).470[81]. que exerça atividade remunerada. limitado a dois anos o recebimento concomitante da remuneração e do benefício. sem necessidade de realização de perícia médica ou reavaliação da deficiência e do grau de incapacidade para esse fim. quando for o caso. aos idosos com idade igual ou superior a 60 anos. de 26 de janeiro de 2001[83] determina que o auditor fiscal do trabalho verificará. Em resumo. especificamente aqueles com bastante mobilidade. assim declarado judicialmente. Um novo momento da Lei de Cotas se inaugurou. da acessibilidade nos meios de transporte. Essa Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. encerrado o prazo de pagamento do seguro desemprego. a Lei 12. -A terceira é o fato concreto de que as empresas contratam deficientes. A referida Lei traz alterações substanciais nas regras do Benefício da Prestação Continuada e da Pensão para as pessoas com deficiência. a partir da identificação de suas potencialidades laborativas. adquira nível suficiente de desenvolvimento profissional para ingresso e reingresso no mercado de trabalho e participe da vida comunitária (art. 35 como sendo a colocação competitiva. a qual contempla demandas antigas do movimento das pessoas com deficiência. aos meios de transporte.2.A segunda é que as empresas preferem contratar deficientes físicos. a Presidenta Dilma sancionou a Lei 12. até então excluídas do mercado de trabalho em razão de medo de perda de benefício assistencial ou de pensão previdenciária. 31). e não tendo o beneficiário adquirido direito a qualquer benefício previdenciário.470. para justamente fazerem poucas adaptações no local de trabalho. mediante fiscalização direta ou indireta. A contratação de pessoa com deficiência como aprendiz não acarreta a suspensão do benefício de prestação continuada. às gestantes. lactantes e pessoas acompanhadas por crianças de colo e. que disciplina a Lei nº 8. poderá ser requerida a continuidade do pagamento do benefício suspenso.”[80] As três modalidades de inserção laboral estão definidas no art. O benefício de prestação continuada será suspenso quando a pessoa com deficiência exercer atividade remunerada. apenas e tão somente para o cumprimento das cotas e não porque são pessoas com capacidades e habilidades como outro ser humano qualquer. 36. O art. Em 31 de agosto de 2011. se as empresas estão cumprindo a cota.098 de 19 de dezembro de 2000 estabelece as normas de supressão de barreiras e obstáculos às pessoas com deficiência em espaços públicos. a lei prevê que a parte individual da pensão do dependente com deficiência intelectual ou mental que o torne absoluta ou relativamente incapaz. também. meios de transporte e comunicação. Extinta a relação trabalhista e. Todos os países conscientes e civilizados se preocupam com a situação das pessoas com deficiência. 3.048 de 08 de novembro de 2000[82] dá prioridade de atendimento às pessoas com deficiência em repartições públicas e bancos. e trata da acessibilidade ao meio físico. Com essas mudanças passa-se a haver de fato incentivo ao trabalho das pessoas. devendo ser integralmente restabelecida em face da extinção da relação de trabalho ou da atividade. edifícios. avaliar e controlar as empresas no que diz respeito à inserção das pessoas com deficiência no mercado de trabalho.. Esta lei trata do atendimento prioritário às pessoas portadoras de deficiência. 93. determina que a empresa com 100 ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% a 5% de seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoa portadora de deficiência habilitada. abaixo transcrito: “A habilitação e a reabilitação profissionais são consideradas enquanto processo orientado a possibilitar que a pessoa com deficiência. colocação seletiva e o trabalho por conta própria. bem como estabelece a competência do MTE para fiscalizar. . à comunicação e informação e ajudas técnicas Já a Lei 10. A Lei é conhecida como a Lei de Cotas em decorrência do seu art.4 Outras Leis e Decretos A Lei 10.213/1991. A Instrução Normativa n° 20.

constatando a irregularidade. de suas dificuldades naturais.048. mediante ofício. É importante atentar. A OIT também determina que “pessoas com deficiência desfrutem com eqüidade das oportunidades de acesso. que tratam de atendimento e acessibilidade para pessoas com deficiência. 3. 1º: “a pessoa com deficiência visual usuária de cão-guia tem o direito de ingressar e permanecer com o animal em todos os locais públicos ou privados de uso coletivo. no sentido de adotar medidas positivas que visam a superação. ao estipulado na Lei de Cotas. sempre que possível. tendo em vista que o ambiente de trabalho deve ser seguro. observando que o total de trabalhadores daquela empresa no Brasil inclui matriz e filiais.3 CASO ESPECIAL: VIGILÂNCIA A SAÚDE DOS TRABALHADORES COM DEFICIÊNCIA Quando os profissionais dos serviços de saúde. saúde. O Decreto nº 5.” 3. deve corresponder à sua própria escolha e trazer qualidade de vida sustentável”. se não houver acordo. o profissional deverá informar o fato. habilitação e reabilitação. quando for o caso. Os profissionais das vigilâncias sanitárias estaduais. ao emprego e às diferentes profissões.150[87].4 O BRASIL E A LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL Em 1968 o Brasil ratificou. em seu art. trabalho e emprego. e facilitar sua inserção ou sua reinserção na sociedade”. Trata-se de um instrumento de extrema importância e que foi ratificado pelo Brasil como Decreto Legislativo nº 186. firma Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa. ou outras legislações pertinentes à saúde do trabalhador nos níveis federal. e monitoramento da implementação dessa Convenção. por meio do Decreto nº 62. na qual. E. A Convenção Internacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência de 2006[88]. publicado no Diário Oficial da União em 20 de agosto de 2008. as palavras "emprego" e "profissão" incluem o acesso à formação profissional.904/2006[85] regulamenta a Lei nº 11.126/2005 e assegura em seu art. que. municipais e dos Centros de Referência em Saúde do Trabalhador deverão verificar nas empresas que tenham trabalhadores com deficiência como é a qualidade dessa inserção laboral. em seus diversos artigos. CONCLUSÃO . inicia um processo judicial. Caso isso não ocorra. bem como às condições de emprego. que é permitir que pessoas portadoras de deficiência consigam e mantenham um emprego conveniente e progridam profissionalmente.098 e 10.Já o Decreto 5296 de 04 de dezembro de 2004[84] regulamenta as Leis 10. se estão sendo cumpridas as disposições contidas no Código Sanitário Estadual e as Normas de Saúde e Segurança no Trabalho da Portaria nº 3214/1978 do MTE. educação. saudável e adequado para todos os trabalhadores. indistintamente. ainda. o qual. bem como outras legislações referenciadas neste estudo.Também deve ser avaliado o cumprimento da NBR 9050 da ABNT sobre acessibilidade. por parte dos deficientes. O Brasil assumiu compromisso internacional com a OIT. constatarem que o número de funcionários da empresa é de 100 ou mais trabalhadores. Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho: a OIT recomenda aos países membros que considerem o “objetivo da readaptação profissional. visual e auditiva – o que vale para a cota. estadual e municipal. deverão perguntar se a mesma emprega pessoas com deficiência. à Delegacia Regional do Trabalho (DRT) – atualmente Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) – ou às suas Gerências Regionais. a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) – órgão ligado à ONU – sobre a discriminação em matéria de emprego e profissão. Redefine as deficiências físicas. estabelece direitos quanto à acessibilidade. Um outro canal que pode ser acionado para relatar que uma empresa não está cumprindo a Lei de Cotas é o Ministério Público do Trabalho. 1º. conquistem e desenvolvam o seu trabalho. relatando a situação para fins de fiscalização[86]. durante inspeção nos ambientes de trabalho. entre outros.

213/91 . historicamente foi colocada à margem da sociedade. O primeiro passo dado nesta direção foi o estabelecimento da reserva de vagas no art. representando 0. esporte. em complementação quanto aos procedimentos sobre a fiscalização do trabalho. transportes adaptados). Para tanto. Quando se atenta para a inclusão do portador de deficiência no mercado de trabalho com dados factuais. isto é. Em 2010. assegurando-se a igualdade de oportunidades baseada no princípio da isonomia.298/99. a primeira lei que produz efeitos jurídicos e prepara o portador de deficiência para a inclusão. por sim mesma. em 2005 eram 4. Entretanto. representando um aumento de 6% no número de deficientes físicos com empregos formais. Lei nº 7. Os percentuais estabelecidos pelo Decreto 3298[91] possibilitaram e ainda hoje possibilita a transformação do panorama da inclusão econômica das pessoas com deficiência física. quebra de preconceitos.213/1991 – Lei de Cotas -. na acessibilidade (logradouros públicos e privados. começou os avanços dos direitos sociais dessa parcela da população. as necessidades de uma vida individual ou social normal. 288.853/1989. em 2009. e. entre . lazer e cultura.7% do total de vínculos empregatícios. o qual vê a lei como um arranjo ideal para inserir o portador de deficiência na sociedade. Como indicam os dados da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN)[92] extraídos da Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo. havia 14. ressalta-se que de uma perspectiva histórica. baseados em conceitos amplos de inclusão social.0 mil foram declarados como pessoas com deficiência. aproximando-o em condições e padrões de vida das demais pessoas. visando dar apoio e suporte ao portador de deficiência para a vida em comunidade. do total de 41. Sendo a Lei n° 8. Embora já tivesse ratificado a Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1991[90]. o Brasil ainda não havia elaborado uma normativa hábil a preparar o portador de deficiência para a inclusão. da Lei nº 8. Desde as mais remotas civilizações até a Revolução Francesa. porém mesmo assim vêem-se importantes avanços nessa legislação.2 milhões de vínculos de emprego ativos em 31 de dezembro. o mesmo aconteceu com as empresas. segundo Otto Marques da Silva. via de regra.um acréscimo equivalente a 150%. a Instrução Normativa nº 20/2001 do Ministério do Trabalho e Emprego. representando 0. percebe-se que ela vem crescendo constantemente.Lei de Cotas. somente nos anos 60. além disso. em decorrência de uma deficiência. um aumento de cerca de 100%. em nosso ordenamento jurídico. dos 44. a Constituição Federal de 1988 rompeu com o modelo assistencialista até então vigente. Políticas afirmativas direcionadas às pessoas portadoras de deficiência aparece em vários dispositivos legais. total ou parcialmente. tais como Constituição Federal de 1988.213/1991 da Previdência Social (Lei de Cotas) e disciplinada pelo Decreto nº 3. 93. dez anos depois.239 deficientes empregados em 2004.7% do total de vínculos empregatícios – percebe-se que foi mantido esse peso relativo de trabalhadores com deficiência. utilizou-se o conceito de deficiente físico definido pela Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes elaborada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 1975[89]. A partir da Revolução Francesa e da Revolução Industrial do século XIX. já em 2005. dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social. A população alvo do presente estudo. Antes de mais nada. esta norma deveria estar baseada na educação inclusiva. surge o movimento de defesa dos direitos das minorias. deficiente físico é uma pessoa incapaz de assegurar. No entanto. como o da baixa produtividade do trabalho deste tipo de profissional. foi somente com a regulamentação da Lei 7. em suas capacidades físicas. Lei nº 8. Porém. congênita ou não. ainda é preciso avançar mais em aspectos tais como da cultura corporativa.1 milhões de vínculos ativos em 31 de dezembro desse ano.965 empresas cumpriam a cota.004 corporações. e.6 mil foram declarados como pessoas com deficiência. na saúde e assistência social adequadas.Este trabalho de conclusão de curso versou sobre a inserção do deficiente físico no mercado de trabalho no Brasil. No Brasil.782 . 306. Segundo dados do Ministério do Trabalho e do Emprego (MTE).298/1999. ao estabelecer cotas de contratação de deficientes físicos para empresas privadas com mais de cem funcionários. a conquista de direitos por parte da população deficiente física é recente. esse indicador aumentou para 35. os princípios de não discriminação e igualdade de oportunidades. Segundo esse estudo. em 2004 1. que se concretizaram. os deficientes tiveram dois tipos de tratamento: a rejeição e a eliminação sumária ou a proteção assistencialista e piedosa. no trabalho produtivo.853/89 e a instituição da Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência e o Decreto 3.

16. 22 set 2006. e dá outras providências. Ministério do Trabalho e do Emprego. BRASIL.OIT. 2001.853. Regulamenta a lei nº. v. para estabelecer alíquota diferenciada de contribuição para o microempreendedor individual e do segurado facultativo sem renda própria que se dedique exclusivamente ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência. que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica. Macroeconomia: Teoria e política econômica. 3ª ed. 3 dez.htm Acesso em: 11 jun.213.br/legislacao/113889/decreto-129-91 Acesso em: 11 jun. jan.048. de 30 de junho de 2004.904.45. 2002. 20 jan 1968 Acesso em: 02 nov. Curitiba: CAOPDI.2008. Reabilitação Profissional. Luiz Alberto David. de 19 de dezembro de 2000. Disponível em: http://www. BRASIL. Diário Oficial da União. de 27 de junho de 2005. para incluir o filho ou o irmão que tenha . de 2000. p.br/ccivil/decreto/2001/D3956. Maria Magdala Sette de. e dá outras providências.br/ccivil_03/decreto/d3298.126.jusbrasil. Luiz Alberto David (org. Além de uma melhor definição de aspectos fiscalizadores do Estado em relação ao cumprimento das leis direcionadas aos portadores de deficiência física. 2011.com.098. 2011. 2005. Acessibilidade a edificações.direitoshumanos. que dispõe sobre o Plano de Custeio da Previdência Social. 2006. de 31 de agosto de 2011. ARAUJO. São Paulo: Prentice Hall Brasil. de 09 de julho de 2008. Promulga a Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência.br.br/rais/> Acesso em: 21 set. São Paulo: SENAI.gov. NBR 9050. Decreto nº. Disponível em: http://www. Defesa dos Direitos das Pessoas Portadoras de Deficiência. Constituição (1988). de 24 de julho de 1991. BEVERVANÇO. Acesso em: 02 nov de 2011. desde que pertencente a família de baixa renda. Brasília: CORDE. 72 e 77 da Lei no 8. de 20 de dezembro de 1999. espaços e equipamentos urbanos. Bibliografia ABNT .212. de 8 de outubro de 2001. de 8 de novembro de 2000.470. 4. de 22 de maio de 1991.br/pessoas-com-deficiencia-1/normas-da-abnt.presidencia. dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência. Constituição da República Federativa do Brasil. BRASIL. Portadores de deficiência e o concurso público. mobiliário.htm Acesso em: 11 jun. 11.planalto. 2011. 21 e 24 da Lei no 8. em 20. 5. Disponível em: http://www.planalto. BARROS. Diário Oficial da União de 10. 2011.4. Promulga a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre discriminação em matéria de emprego e profissão.gov. 2011. Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência: da Exclusão à Igualdade. 62. Disponível em: <http://www. BRASIL. Disponível em: http:// www. Regulamenta a Lei no 7. Diário Oficial da União. 2011. que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. Decreto nº 5. BRASIL. Promulga a Convenção nº 159.Regulamenta as Leis nos 10. Boletim dos procuradores da república. BRASIL. assinados em Nova Iorque. ed. Oliver.150. e 10. Disponível em: http://www1. Decreto nº 3. de 24 de julho de 1991.956.br/85anos/docs/reabilitacao%20profissional. consolida as normas de proteção. Lígia Assumpção.gov. AMARAL. Decreto nº. 2003.08.previdencia. BRASIL.298. de 24 de outubro de 1989. Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo.296 de 2 de dezembro de 2004.07. Altera os arts. da Organização Internacional do Trabalho . de 21 de setembro de 2006. Rosana Beraldi. BRASIL. sobre Reabilitação Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes. Diário Oficial da União. ARAUJO. republicado. Decreto nº 129.gov. 1992. Acesso em: 02 nov. Decreto Legislativo nº 186. Relação Anual de Informações Sociais – RAIS. e dá outras providências.mte. que dispõe sobre o direito da pessoa com deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhada de cão-guia. n. em 30 de março de 2007. BRASIL. Lei n °. São Paulo: Saraiva.2008 BRASIL. Decreto N° 3. BLANCHARD.outros.). que dispõe sobre o Plano de Benefícios da Previdência Social.Associação Brasileira de Normas Técnicas.pdf. Disponível em: http://www. BRASIL.22-24. 12. Proteção Constitucional das Pessoas Portadoras de Deficiência.gov. 35 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. Mercado de trabalho e deficiência. altera os arts. de 19 de janeiro de 1968. Ministério do Trabalho e do Emprego.gov. 2005.

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