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Livro Gestão finaceira de

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Introdução ao e-learning

Ficha Técnica
Título: Autor: Editor: Finanças Empresariais Paulo Correia Companhia Própria – Formação e Consultoria, Lda. Edifício World Trade Center, Avenida do Brasil, n.º 1 - 2.º, 1749 – 008 LISBOA Tel: 217 923 811; Fax: 217 923 812/ 3701 www.companhiapropria.pt info@companhiapropria.pt rdidacticos@companhiapropria.pt Entidades Promotoras e Apoios:

Companhia Própria – Formação e Consultoria Lda e Programa Operacional Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS), co-financiado pelo Estado Português e pela União Europeia, através do Fundo Social Europeu. Ministério da Segurança Social e do Trabalho. Ana Pinheiro e Luís Ferreira SBI Consulting – Consultoria de Gestão, SA Avenida 5 de Outubro, n.º 10 – 8.º andar, 1050 – 056 LISBOA Tel: 213 505 128; Fax: 213 143 492 www.sbi-consulting.com geral@ sbi-consulting.com

Coordenador: Equipa Técnica:

Revisão, Projecto Gráfico, Design e Paginação: e-Ventos CDACE Pólo Tecnológico de Lisboa, Lote 1 – Edifício CID Estradado Paço do Lumiar, 1600 – 546 LISBOA Tel: 217 101 141; Fax: 217 101 103 info@e-Ventos.pt © Companhia Própria – Formação & Consultoria, Lda, 2004, 1.ª edição

GOVERNO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Manual subsidiado pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português

Todas as marcas ou nomes de empresa referidos neste manual servem única e exclusivamente propósitos pedagógicos e nunca devem ser considerados infracção à propriedade intelectual de qualquer dos proprietários.

Lda 2 .Finanças Empresariais Índice ÍNDICE ENQUADRAMENTO ÁREA PROFISSIONAL CURSO / SAÍDA PROFISSIONAL NÍVEL DE FORMAÇÃO / QUALIFICAÇÃO COMPONENTE DE FORMAÇÃO UNIDADES DE FORMAÇÃO E DURAÇÃO CONTEÚDOS TEMÁTICOS OBJECTIVOS GLOBAIS CONJUNTO DE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS CONTEXTUALIZAÇÃO DA SAÍDA PROFISSIONAL 1 FUNÇÃO FINANCEIRA 2 FONTES DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA 3 PREPARAÇÃO PARA ANÁLISE 4 MÉTODO DOS RÁCIOS 5 RENDIBILIDADE E RISCO 6 EQUILÍBRIO FINANCEIRO 7 FUSÕES E AQUISIÇÕES 8 AVALIAÇÃO DE EMPRESAS 2 4 4 4 5 5 6 6 8 9 9 10 11 23 37 44 54 78 92 100 Companhia Própria – Formação & Consultoria.

Lda 3 .Finanças Empresariais 9 EXERCÍCIOS 10 BIBLIOGRAFIA 110 123 Companhia Própria – Formação & Consultoria.

104 Introdução ao e-learning .

Assim. Este manual foi especialmente concebido para todos os executivos. É particularmente atraente para todos os profissionais que têm um forte relacionamento com a gestão. embora aborde algumas matérias básicas e outras de forma superficial. para facilitar o uso dos instrumentos e técnicas. o manual de Técnicos Financeiros. permite uma introdução simples aos conceitos e técnicas fundamentais para o exercício de funções financeiras e de gestão. um guia fiável e de acesso célere a um conjunto de metodologias a considerar na gestão financeira de um negócio ou actividade. e visa familiarizar os alunos com os conceitos e técnicas de gestão financeira. que desenvolvem a sua actividade nas diversas áreas funcionais da empresa e de qualquer sector de actividade. quadros dirigentes. empresários. CURSO / SAÍDA PROFISSIONAL O objectivo deste curso consiste em proporcionar aos participantes conhecimentos e ferramentas de gestão financeira que lhes permita garantir a fiabilidade e no futuro a prática de funções de natureza financeira nas empresa e organizações. ÁREA PROFISSIONAL Este manual enquadra-se na área profissional de Organização e Gestão de Empresas. Lda 4 . seja ela corrente. um desafio que se coloca em crescendo a todos os profissionais directamente envolvidos em funções financeiras e aos empresários. pretende propiciar a mais ampla compreensão dos fenómenos. permite a qualquer interessado nos conceitos e técnicas relacionados com a gestão financeira das empresas e organizações em geral. gestores funcionais e técnicos. sendo de primordial importância na gestão empresarial moderna. no seu sentido amplo.Finanças Empresariais Enquadramento O presente manual tem como propósito primeiro o acompanhamento do curso de formação profissional em Técnicos Financeiros. financeira ou estratégica. Em síntese. sensibilizando-os para a importância e o papel das funções desta natureza nas empresas e organizações. Por outro lado. Companhia Própria – Formação & Consultoria.

No que respeita à empregabilidade. Controller. Deve ser colocado como pré-requisito o domínio dos conceitos básicos de Finanças Empresariais. Apesar de o curso incidir no domínio financeiro. NÍVEL DE FORMAÇÃO / QUALIFICAÇÃO Poderão frequentar as acções de formação apoiadas neste manual. ou para qualquer empresário. independentemente da área vocacional. Lda 5 . Técnico de Tesouraria. e algumas noções de informática ao nível do utilizador de ferramentas do Microsoft Office. poderá constituir um interessante complemento para outros campos da gestão. o formando do curso poderá desempenhar funções de gestão financeira em empresas e organizações ou desenvolver a actividade de consultoria financeira em qualquer organização. A sua natureza fortemente prática complementa a formação de recém licenciados em outras áreas científicas. indivíduos com qualificações de nível IV e V.Finanças Empresariais Este curso destina-se essencialmente a profissionais especialistas nas áreas de Contabilidade e Finanças. curso superior de qualquer área. que desenvolvem ou venham a desenvolver a sua actividade em áreas financeiras das empresas. entre outras. Todos os participantes poderão reunir competências no âmbito desta área e obter saídas profissionais a desempenhar funções de Gestor Financeiro. COMPONENTE DE FORMAÇÃO Através deste manual poderão ser leccionados cursos como: Técnicos Financeiros Gestão Financeira Finanças para não Financeiros Análise Financeira Gestão de Tesouraria Companhia Própria – Formação & Consultoria. Consultor Financeiro. O curso está orientado em conteúdos e metodologia especialmente para Gestores e Quadros de Pequenas e Médias Empresas bem como para Profissionais Liberais. cumprindo no entanto um conjunto de pré-requisitos em termos de conhecimentos de gestão de empresas.

UNIDADES DE FORMAÇÃO E DURAÇÃO Função Financeira (2 horas). Fontes de informação para decisão financeira (5 horas) . Fusões e Aquisições (2 horas) . O balanço. Objectivos da função financeira. Fluxos e ciclos da empresa. Rendibilidade e Risco (20 horas) . CONTEÚDOS TEMÁTICOS Função Financeira As tarefas da função financeira. Limites da função financeira. pretende criar competências ao nível da percepção do conjunto de instrumentos básicos para o controlo e domínio da função financeira nas empresas e organizações. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Fontes de informação financeira Princípios contabilísticos geralmente aceites.Finanças Empresariais Avaliação de Empresas A Formação a decorrer. A demonstração dos fluxos de caixa. Método dos rácios (5 horas) . A demonstração dos resultados líquidos. Avaliação de Empresas (5 horas) . Equilíbrio Financeiro (5 horas) . tendo este manual como auxiliar. Lda 6 .

Custo – volume – resultado. Método dos rácios Rácios de alavanca financeira e risco. Risco económico. Fundo de maneio necessário . Equilíbrio financeiro Equilíbrio financeiro mínimo. O risco global da empresa. Lda 7 . Rácios de liquidez. Limitações dos rácios .Finanças Empresariais Preparação para análise Balanço funcional. Rendibilidade e risco Os principais indicadores económicos. O risco financeiro. Rácios de funcionamento. Tesouraria líquida. Interligação entre as rendibilidades económica e financeira. Fusões e aquisições Criação de valor. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Fundo de maneio. Rácios de rendibilidade. A demonstração de resultados funcional. Meios libertos.

seleccionar os instrumentos à sua disposição e aplicando os métodos e técnicas melhor adequados. Aplicar métricas de rendibilidade e de risco. Utilizar dados contabilísticos na preparação da informação para análise financeira. Estimativa do custo de capital.Finanças Empresariais Tipos de aquisição e sinergia. Avaliar e interpretar a situação económico-financeira da empresa. OBJECTIVOS GLOBAIS No final da formação. Apurar a análise financeira da empresa. O justo valor de mercado. Valor residual. Avaliação de empresas O processo de avaliação. Dominar os seus conceitos e técnicas básicos. Identificar e interpretar as principais fontes de informação de apoio à análise e decisão financeira. Limitações. Due diligence. Avaliação por comparação com o mercado. Avaliação patrimonial. Abordagem e negociação inicial. Avaliação pelos fluxos de caixa actualizados. Lda 8 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. reconhecer as condições de equilíbrio financeiro. Fornecer instrumentos de análise financeira. o formando deve estar apto a: Compreender a importância da função financeira.

Respostas (Método Interrogativo). Esta ilação poderá ser: . Interesse demonstrado. Participação. Companhia Própria – Formação & Consultoria.Qualitativa. Assertividade. Conhecimentos Adquiridos.Finanças Empresariais Desenvolver o espírito crítico na utilização dos instrumentos de análise financeira. Aplicar os principais métodos de avaliação de empresas. no âmbito de processos de Fusões e Aquisições. de forma a envolver todos os participantes na formação. nomeadamente. efectuada através de: Testes. Trabalhos práticos individuais. Conhecimentos integrados no seu desempenho profissional. Resolução da Totalidade de Actividades / Exercícios.Quantitativa. ORIENTAÇÕES METODOLÓGICAS Propõe-se que seja sempre privilegiado o método interrogativo ao método expositivo. efectuada através de: Trabalhos de Grupo. CONJUNTO DE INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Os critérios de avaliação mais significativos para esta formação são: Assiduidade e Pontualidade. Lda 9 . .

A natureza do trabalho dos técnicos financeiros. qualquer empresa ou organismo. deverão complementar os seus conhecimentos sobre finanças empresariais. desenvolve operações de natureza financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria. As principais entidades empregadoras dos técnicos financeiros serão todas as empresas e Instituições públicas e privadas. por exemplo. pelo que será potencialmente empregadora de técnicos financeiros. os conceitos e metodologias cobertos pelo manual são intrínsecos ao desempenho de funções de gestão. banca. extravasa o campo específico da contabilidade e gestão de tesouraria. nacionais e internacionais. ou a actividade independente. quer escritos. funcionalismo público nacional e comunitário. seguros. Lda 10 . com o domínio de pelo menos uma língua estrangeira (inglês. . com relevo para as folhas de cálculo e internet. autarquias. CONTEXTUALIZAÇÃO DA SAÍDA PROFISSIONAL A competitividade e os desafios da modernidade exigem quadros bem preparados. exercícios. sobretudo de gestão financeira e estratégica. São recomendados. Na realidade. preferencialmente) e informática na óptica do utilizador.As empresas de consultoria. as valias associadas à análise. quer recorrendo a ao uso de folhas de cálculo. com ou sem fins lucrativos. etc. Os técnicos financeiros. Por esta razão. também implicam o domínio das matérias versadas neste manual. sempre que possível. Em última instância. a título de consultor ou técnico oficial de contas.Finanças Empresariais Entendemos o método expositivo como aquele em que a comunicação é unidireccional e não se motiva a participação dos estudantes Entendemos o método interrogativo como aquele em que existe uma troca de perguntas e respostas entre a audiência e o formador. designadamente para a revitalização do tecido empresarial. O Manual de Técnicos Financeiros tem um perfil conducente ao desenvolvimento de competências nas áreas específicas da Gestão e Análise Financeira. instituições internacionais. gestão e avaliação financeira de empresas serão sempre um precioso complemento no desempenho de funções mais genéricas e abrangentes. Gestão Empresarial e Contabilidade. com as quais normalmente está conotada. mais vastas.

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têm ocasionado novas e crescentes exigências. obrigando a maiores cuidados para a sustentação das performances económicas. Tornou-se. à medida que melhora o acesso aos mercados e que se vão multiplicando os instrumentos e produtos financeiros colocados à disposição da empresa na sua busca pelos recursos necessários. assim. um papel de enorme relevância. sendo a sua importância e implicações crescentes. Também a concorrência. casos da função financeira. donde resulta o desenvolvimento da função financeira. iremos percorrer as principais políticas de gestão da empresa. Após evidenciar os principais objectivos e limitações da função financeira. análise financeira e gestão financeira. ainda que em diferentes graus de sofisticação. Começa por esclarecer alguns conceitos correntes. Por fim. INTRODUÇÃO A função financeira das empresas assume. Lda 11 .Finanças Empresariais 1 Função Financeira Noções fundamentais ENQUADRAMENTO Este capítulo inicial aborda a Função Financeira. nos dias de hoje. olhando aos seus efeitos e consequências. cuja compreensão e distinção é vital para o entendimento da importância e enquadramento das matérias que lhes estão subjacentes. sua importância e impacto nas necessidades financeiras das empresas e enquadramento nos ciclos económicos e financeiros. serão apresentados os fluxos e ciclos económicos e financeiros da empresa e sua distinção. Companhia Própria – Formação & Consultoria. os processos de mudança económica e social e os sistemas de informação. imperativo o estudo e análise aturados como suporte à tomada de decisões económicas e financeiras.

e porque a empresa é vista como uma contínua corrente de fluxos monetários.Finanças Empresariais Por este motivo. toda e qualquer actividade levada a cabo numa organização é originadora de fluxos de entradas e saídas de fundos. Entradas previstas ≥ Saídas previstas AS TAREFAS DA FUNÇÃO FINANCEIRA A função financeira comporta todas as acções de análise. a preocupação é que em qualquer momento se verifique a seguinte condição: Saldo inicial + Entradas previstas ≥ Saídas previstas + Saldo final desejado Esta simples regra de equilíbrio conduz a uma outra. em concordância com os objectivos das empresas respectivas. Lda 12 . e à noção clara dos efeitos e consequências das medidas e atitudes com incidência sobre as disponibilidades da empresa. Dispor de situação de tesouraria. no médio prazo. pois os atributos e operações associadas à função financeira têm evoluído no sentido desta assumir uma maior relevância no seio de todas as funções empresariais. a sua principal motivação passa por assegurar o permanente equilíbrio entre aqueles fluxos ao longo da actividade da empresa. garantindo a rendibilidade da empresa. Sendo esta a visão do financeiro. nem sempre foi assim. gerir os fluxos financeiros. No entanto. planeamento. ou assegurar liquidez são tarefas que obrigam a grandes tensões devido ao intenso envolvimento e conhecimento das dificuldades. adequada para a tomada de decisões de gestão. começaremos por abordar os principais conceitos que lhes estão associados. Procura dotar os responsáveis das organizações de informação económica e financeira. Neste sentido. as entradas acumuladas excedam as saídas acumuladas. gestão e controlo dos recursos e fluxos económicos e financeiros. que importa garantir. que determina que. FUNÇÃO FINANCEIRA Na perspectiva financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria. fundamental.

passando a ser sua responsabilidade a análise e o controlo da rendibilidade actual e previsional de todas as aplicações de fundos. Esta perspectiva elementar da função financeira foi. a gestão dos recebimentos e pagamentos decorrentes das demais actividades da empresa. Lda 13 . a ser mais activo em termos da gestão. a função financeira passou a ser responsável pela obtenção atempada e ao menor custo possível dos fundos necessários ao funcionamento e desenvolvimento da empresa. a função financeira evoluiu para a gestão financeira moderna. procurando cobrar com rapidez e graduando os pagamentos aos fornecedores e outros credores. ampliada com a necessidade de optimização das decisões de financiamento. e fruto da crescente complexidade dos contextos em que as empresas operam. mas também de rendibilidade e equilíbrio financeiro. A manutenção do equilíbrio financeiro da empresa. A gestão dos fluxos financeiros. A aplicação optimizada dos excedentes financeiros. no âmbito da qual a função financeira é envolvida nas decisões de investimento e na elaboração do plano de médio prazo da empresa. bem como pela adequada aplicação de excedentes de fundos. cabe destacar: A preparação e execução das decisões financeiras. operacionais. Neste enquadramento. Extravasando o campo das decisões operacionais. As suas preocupações incidiam então na manutenção de um nível de disponibilidades tal que garantisse o normal funcionamento da empresa. as tarefas de uma moderna gestão financeira podem ser esquematizadas da seguinte forma: Companhia Própria – Formação & Consultoria. O papel financeiro passou assim. ou o que hoje se designa de gestão de tesouraria. A adequação dos recursos financeiros. a função financeira identificava-se com a tesouraria. Das diversas operações que comporta. envolvendo não só objectivos de tesouraria.Finanças Empresariais Inicialmente. de forma a garantir a melhor rendibilidade possível dos mesmos. entretanto. Tratava-se de efectuar uma gestão de disponibilidades. Por fim. A análise do risco e da rendibilidade da empresa. A obtenção de fundos ao menor custo. ou seja.

o equilíbrio financeiro previsional. compreende também a gestão de políticas da empresa com impacto no crédito concedido a clientes. centrada sobre o financiamento estrutural da empresa. que visa assegurar a disponibilidade dos fundos necessários à empresa. Lda 14 . A política de distribuição de resultados. nível de existências e aplicação de excedentes de tesouraria. representa cada uma destas tarefas: Estratégia financeira. que envolve a análise de rendibilidade e risco num horizonte temporal alargado. e desenvolvida sobre o plano financeiro. Decisões operacionais. em fluxos de entradas e saídas de fundos. o plano da empresa a médio e longo prazo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. baseia-se no orçamento de tesouraria. documento que representa em recebimentos e pagamentos previsionais o orçamento global da empresa. Testando-se assim. procurando o seu equilíbrio numa perspectiva de curto prazo. para além da cobertura de défices de tesouraria. que procura garantir retorno aos detentores do capital. em consonância com a sua política de investimentos e desenvolvimento futuro. na prática. Estas tarefas incidem sobre: A gestão do activo circulante. A política de financiamento. bem como o enquadramento legal e fiscal de ambos.Finanças Empresariais ESTRATÉGIA FINANCEIRA (a médio e longo prazo) -Política de investimentos -Política de financiamento -Política de distribuição de resultados GESTÃO FINANCEIRA DECISÕES OPERACIONAIS (a curto prazo ou gestão de tesouraria) -Gestão do activo circulante -Gestão dos débitos de curto prazo Vejamos agora o que. Estas tarefas incidem sobre: A política de investimentos. documento base no qual é traduzido. que para além da referida gestão de disponibilidades. créditos de fornecedores e demais credores correntes. ponderando a constituição das reservas necessárias ao desenvolvimento da empresa. ou gestão de tesouraria. A gestão de débitos de curto prazo.

O risco reflecte a variabilidade desses lucros ou fluxos. No âmbito da função financeira. A prossecução deste objectivo. A rendibilidade traduz a capacidade de uma empresa para gerar lucros. Salvaguardar a adequação das fontes de financiamento minimizando os riscos. face à necessidade em obter as mais diversas e variadas informações económicas e financeiras credíveis sobre a situação da empresa para os gestores. ou fluxos positivos. Providenciar informação para possibilitar o alerta aos responsáveis dos diversos níveis. levam à consideração de áreas autónomas dentro da função financeira dada a sua especialidade. accionistas. credores ou outras entidades. Elaborar estudos consequentes ao conhecimento atempado da situação económica e financeira da empresa. e em termos mais práticos. Lda 15 . Garantir e gerir os recursos nas melhores condições. Estabelecer as condições com vista à optimização e rendibilização dos excedentes. evidenciam-se como objectivos os seguintes: Assegurar o equilíbrio dos fluxos económicos e financeiros. prevalece o objectivo global de maximização do valor da empresa. obriga ao estudo aturado da repercussão das decisões financeiras na empresa em duas vertentes distintas e complementares – a rendibilidade e o risco.Finanças Empresariais OBJECTIVOS DA FUNÇÃO FINANCEIRA Os objectivos das empresas face à crescente complexidade das funções e decisões financeiras. Este conceito não é mais do que o valor actual dos fluxos que futuramente a empresa poderá vir a conferir aos seus titulares. No entanto. e pese embora a necessidade de maior especialização técnica. Companhia Própria – Formação & Consultoria. e face às acções e decisões de investimento ou de gestão corrente.

Os recursos humanos. descodificando a sua estrutura de custos na busca de base de diferenciação. verdadeiros imperativos. Isto implica o estudo de todas as variáveis. numa organização. ou mesmo sobrevivência. relevantes para a definição estratégica: O sector em que a empresa se encontra inserida. externas e internas. Ainda que estas últimas detenham um peso relevante na realidade da empresa a curto e médio prazo. A empresa. A posição concorrencial da empresa. quando mal geridas. as finanças de uma empresa serão seguramente causa de insucesso. a sua estrutura e atractividade. Companhia Própria – Formação & Consultoria. A cadeia de valor. A análise da carteira de negócios. para que possa ser transformada em vantagem competitiva. Por outro lado. Sem esquecer. enquanto condições indispensáveis. A sua vantagem competitiva. garante de desenvolvimento. per si. as decisões de gestão são mais abrangentes e latas que as simples decisões de natureza financeira. Assim sendo. verdadeira fonte de criação de valor da empresa. contudo. Como a natureza dos desafios e dificuldades com que as empresas se deparam não é exclusivamente financeira. devemos encarar os aspectos fundamentais da função financeira. de uma empresa. Lda 16 . a sua tecnologia e o seu mercado. uma boa gestão financeira não é.Finanças Empresariais LIMITES DA FUNÇÃO FINANCEIRA Estando as empresas em permanente interacção com o meio que as envolve. é um todo em que cada actividade é interdependente das restantes e que obriga a um esforço global e objectivo e um posicionamento estratégico. combinando o seu produto. como a rendibilidade e equilíbrio financeiro. é certo que. qualquer que seja a sua dimensão. que efectuar uma correcta análise financeira e gerir uma empresa em termos financeiros implica ver e analisar para além dos meros fluxos desta natureza.

Lda 17 . que decorrem da tesouraria de exploração e aqueles relacionados com as demais operações.OPER. o financiamento extra-exploração. FLUXOS FINANCEIROS .Finanças Empresariais FLUXOS E CICLOS DA EMPRESA É possível identificar. atesta a seguinte representação gráfica dos fluxos económicos e financeiros: Equilíbrio Financeiro a Curto Prazo Fluxos Reais ou económicos EMPRESA Fluxos Financeiros Equilíbrio Financeiro a Médio e Longo Prazos ou Equilíbrio Financeiro Estrutural Os fluxos financeiros podem ser classificados enquanto fluxos de exploração ou fluxos autónomos. E os fluxos financeiros. no seio da empresa distintas categorias de fluxos: Os fluxos reais ou económicos. ou de extra-exploração.P. EXTRA-EXPLORAÇÂO Desinvestimentos Empréstimos obtidos Curto Prazo Suprimentos Aumento Capital (-) Pagamentos diversos Pagamentos prestação capital Empréstimos concedidos Investimentos Companhia Própria – Formação & Consultoria. Proveitos Recebimentos Créditos Recebimentos Antecipados (-) Pagamentos Créditos Pagamentos antecipados Reembolso de empréstimos C. de resto. Como. que estão associados aos bens produzidos e comercializados.OPERAÇÔES DE EXPLORAÇÂO TESOURARIA DA EMPRESA (DISPONIBILIDADES) FLUXOS FINANCEIROS . Explor. aos serviços prestados e aos investimentos realizados. nomeadamente.

Lda 18 . o equilíbrio a curto e a médio e longo prazos.Finanças Empresariais Um dos objectivos fundamentais da função financeira tem que ver. Os fluxos cíclicos poderão ser esquematizados da seguinte forma: FORNECEDORES Reembolsos e juros PAGAMENTOS EXISTÊNCIAS BANCOS ESTADO PRODUÇÃO TESOURARIA EMPRÉSTIMOS RECEBIMENTOS Fluxos Financeiros Fluxos Económicos CLIENTES Companhia Própria – Formação & Consultoria. que podem ser directos ou indirectos. Visando. são os fluxos económicos e financeiros ligados ao ciclo de exploração. que compreendem aqueles derivados dos fluxos económicos. como as opções de investimento. Uma outra forma corrente de classificação dos fluxos reparte-os entre fluxos cíclicos e fluxos acíclicos: Cíclicos. Acíclicos. com o ajustamento dos fluxos financeiros. precisamente. de curto médio e longo prazos. sempre. imediatos ou diferidos e os fluxos resultantes das operações financeiras. o recurso às fontes de financiamento. são os fluxos derivados de decisões estratégicas relacionadas com o equilíbrio estrutural da empresa.

como o operacional. económicos e financeiros estão directamente relacionados com os ciclos das operações da empresa. Sejam eles. Ciclo das operações financeiras. em participações financeiras ou em fundo de maneio necessário. Companhia Própria – Formação & Consultoria. novos investimentos em capital fixo. Ciclo de exploração ou operacional. CICLOS DAS OPERAÇÕES DA EMPRESA Os ciclos da empresa podem classificar-se em: Ciclo de investimento. de investimento ou financeiro. os fluxos acíclicos podem ser representados da seguinte forma: Reembolsos e juros ACCIONISTAS BANCOS / ESTADO FORNECEDORES IMOBILIZADO CAPITAL DIVIDENDOS EMPRÉSTIMOS SUBSÍDIOS PAGAMENTOS TESOURARIA Proveitos e cedências de activos Participações financeiras Desinvestimentos ACTIVOS IMOBILIZADOS OUTRAS EMPRESAS Tomadas de participação Fluxos Financeiros Fluxos Económicos Estes fluxos. Lda 19 . CICLO DAS OPERAÇÕES DE INVESTIMENTO O ciclo das operações de investimento engloba todas as decisões e actividades referentes à análise e selecção de investimentos e desinvestimentos.Finanças Empresariais Por outro lado. que não são mais do que a resultante financeira das decisões tomadas na empresa a diferentes níveis.

Lda 20 . DESIN VEST IM EN TO O PERAÇÃO FINA NCEIRA EM PRÉSTIM O S E REEM BO LSO S OPERA ÇÃ O FIN ANCEIRA REA LIZA ÇÃO D O CA PITAL. As implicações da forma em como a empresa é financiada são diversas. simplesmente. Ciclo das operações de tesouraria. cuja principal preocupação passa por garantir a cobertura financeira a curto prazo. a sobrevivência da empresa. bem como às resultantes das necessidades de financiamento do ciclo de exploração. ou por intermédio da provocação de desequilíbrios financeiros. quer seja através dos custos financeiros associados às fontes seleccionadas. Podem assim ser repartidas em: Ciclo de decisões de operações de capital.Finanças Empresariais CICLO DAS OPERAÇÕES FINANCEIRAS O ciclo das operações financeiras corresponde às decisões financeiras tomadas em função das opções económicas (ciclo de investimento). reflectindo uma composição e níveis inadequados dos capitais permanentes. Graficamente. podendo afectar o desempenho da empresa. visando o equilíbrio estrutural da tesouraria. podem ser representados da seguinte forma: O PERAÇÃO DE INVESTIM EN TO REALIZAÇÃO D O CAPITA L. ou seja. EN TRA GA S EM NU M ERÁRIO Companhia Própria – Formação & Consultoria. por forma a salvaguardar a independência ou. a selecção das fontes de financiamento mais adequadas. recorrendo aos sócios ou accionistas ou a entidades de crédito. EN TREGA S EM ESPÉCIE BALAN ÇO ACTIVO IM OBILIZA DO CAPITA IS PRÓPRIOS CAPITA IS ALHEIOS ESTÁ VEIS DISPONIBILID ADES O PERAÇÃO DE INVESTIM EN TO OU LIQU IDA ÇÃ O.

provocando. passando pela formação dos proveitos (vendas). por outro lado. obtém normalmente um recurso por via do crédito concedido por fornecedores. Lda 21 . a necessidade de financiar o crédito concedido a clientes e o nível de existências.) C iclo • A rm azenagem dos m ateriais • Início do ciclo fabril (ciclo de produção ou ciclo de transform ação das m atérias-prim as) • D uração do ciclo de produção (produtos em vias de fabrico e produtos sem i-acabados) De • Term o do ciclo de transform ação 8obtenção dos produtos acabados) • A rm azenagem dos produtos acabados • V enda dos produtos acabados E xploração • C rédito concedido aos clientes ou crédito com ercial (em conta corrente ou titulados através de letras a receber) • R ecebim entos (efectivo) dos créditos com erciais C iclo E conóm ico Financeiro De E xploração Companhia Própria – Formação & Consultoria. Assim. só terminando com os recebimentos efectivos das vendas dos produtos acabados. •A quisição dos m ateriais (m atérias-prim as. subsidiárias. etc.Finanças Empresariais CICLO DAS OPERAÇÕES DE EXPLORAÇÃO O ciclo das operações de exploração estende-se desde a aquisição dos materiais destinados ao ciclo de produção. É por esta razão que o ciclo económico de exploração não coincide com o ciclo das operações financeiras de exploração. sobretudo pelo efeito do crédito concedido a clientes e obtido dos fornecedores.

2 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira. EXERCÍCIO 1. Lda 22 .Finanças Empresariais EXERCÍCIO 1. numa perspectiva de curto prazo? Companhia Própria – Formação & Consultoria. numa perspectiva de médio e longo prazo? EXERCÍCIO 1.3 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira.1 Comente a seguinte afirmação: “ A função financeira é a mais importante das áreas de uma empresa organização”.

Este facto condiciona o gestor no sentido em que deve gerir esta realidade. como fornecedores. tendo em conta o nome da empresa e os diferentes interesses e perspectivas de análise de cada agente.Finanças Empresariais 2 Fontes de Informação Financeira Instrumentos base da análise financeira ENQUADRAMENTO A fundamentação das decisões financeiras obriga à avaliação e interpretação da situação económica e financeira da empresa. a Demonstração de Resultados e a Demonstração de Fluxos de Caixa. posteriormente. Lda 23 . serem analisadas à luz de instrumentos e técnicas comuns. credores. investidores. Estando os gestores obrigados a acompanhar e a controlar a evolução da empresa e dos seus planos. Muitos outros agentes. mostram um interesse crescente na situação da empresa. a saber: o Balanço. conhecer em pormenor as informações constantes destes documentos para. sendo que todas elas incidem sobre um reduzido número de documentos base. o certo é que não são os únicos a manifestar preocupações desta índole. trabalhadores. Que. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Importa pois. incide sobre aspectos como o equilíbrio financeiro. como já vimos. Estado e clientes. a rendibilidade dos capitais. pois só assim poderão tomar conhecimento da situação actual e tentar antecipar o futuro. a capacidade de crescimento e o risco.

Da continuidade A empresa é uma entidade que desenvolve a sua actividade de modo contínuo. Não tem como objectivos a respectiva liquidação ou a redução significativa do volume das suas operações. mediante a adopção de procedimentos de contabilização consistentes. terá de ser referida em anexo. os princípios contabilísticos adoptados em Portugal e o conteúdo do Balanço. enriquecer a análise ou sustentar a avaliação. por via da aplicação dos princípios de normalização contabilística. CARACTERÍSTICAS DA INFORMAÇÃO FINANCEIRA As demonstrações financeiras devem evidenciar uma imagem verdadeira da posição financeira e do resultado da empresa. devem permitir a identificação da eficiência da gestão de recursos económicos a todos quantos os interessados nesta informação. Companhia Própria – Formação & Consultoria. entendida como a capacidade de influenciar a tomada de decisão. Se houver alguma alteração materialmente relevante. ou seja. resultantes da aplicação de princípios contabilísticos adequados: Relevância. Sendo a sua preparação da responsabilidade dos gestores. A sua principal qualidade é que seja compreensível aos utilizadores. devendo igualmente satisfazer as seguintes características. Fiabilidade.Finanças Empresariais Este capítulo tem por objectivo apresentar as características que a informação financeira deve ter para efeitos de análise financeira. tendo uma duração ilimitada. liberta de erros materiais e assente na substância e realidade financeira. entre diferentes empresas. Demonstração de Resultados e Demonstração de Fluxos de Caixa. Lda 24 . e ao longo da vida da empresa. Comparabilidade. PRINCÍPIOS CONTABILÍSTICOS GERALMENTE ACEITES 1. O timing de relato é de enorme importância. 2. Da consistência As políticas contabilísticas de uma empresa perpetuam-se de um exercício para o outro.

5. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 25 .Finanças Empresariais 3. independentemente do seu recebimento ou pagamento. não as subjugando à sua forma legal. no entanto. Da prudência Possibilidade de integração nas contas dum grau de precaução mediante a realização de estimativas exigidas em condições de incerteza sem. 7. Da substância sobre a forma Contabilização das operações de acordo com a substância e a realidade financeira. 4. Da não compensação Separação dos elementos das rubricas do activo e do passivo (balanço). Do custo histórico Os registos contabilísticos devem basear-se em custos de aquisição ou de produção. 8. em valores nominais ou constantes. dos custos e perdas e de proveitos e ganhos (demonstração de resultados). Devem ser incluídos nas demonstrações financeiras dos períodos a que respeitam. Da materialidade As demonstrações financeiras devem evidenciar todos os elementos que sejam relevantes e que possam afectar avaliações ou decisões pelos utentes interessados. 6. permitir a criação de reservas ocultas ou provisões excessivas ou a deliberada quantificação de activos e proveitos por defeito ou de passivos e custos por excesso. Da especialização (ou do acréscimo) Reconhecimento dos proveitos e dos custos quando obtidos ou incorridos. não havendo lugar a encontro de saldos.

dos fluxos financeiros de exploração e dos fluxos financeiros autónomos. Da correspondência de Balanços Sucessivos O balanço de abertura de exercício tem de apresentar os mesmos saldos que o balanço de encerramento do exercício anterior. Os Capitais Próprios. as participações e as reservas constituídas. e o passivo ou capital alheio e que corresponde ao conjunto de obrigações. o capital próprio. constituídos pelo conjunto dos bens e direitos. No Activo surgem todos os bens e direitos da empresa. O Balanço integra os activos. É um elemento de visualização estático. O BALANÇO O Balanço contabilístico expressa a situação patrimonial da empresa – económica e financeira. os resultados acumulados (lucros e prejuízos). numa determinada data.Finanças Empresariais 9. internos ou externos à empresa (dívidas). Lda 26 . denominados activo total. dividido em três grandes naturezas: O Activo. assim. deriva dos fluxos reais. constituído pelas entradas dos sócios ou accionistas e pelos resultados obtidos. Nos Capitais Próprios. Da Recuperação do Custo das Existências As existências finais não devem apresentar-se no Balanço por um valor que não possa ser recuperado com a sua alienação. O Passivo. o capital social. as obrigações assumidas para com terceiros. Tem por base critérios de legalidade. No Passivo. 10. Está. Companhia Própria – Formação & Consultoria.

numa óptica financeira. Estes bens e direitos são financiados por Capitais Próprios (capital social. como origens de fundos. que o activo total ou o total das aplicações de fundos iguala a soma do capital próprio com o capital alheio ou o total das origens de fundos. reservas e resultados) e Capitais Alheios.Finanças Empresariais Representação gráfica do balanço contabilístico: CAPITAL PRÓPRIO ou ACTIVO SITUAÇÃO LÍQUIDA CAPITAL ALHEIO OU PASSIVO O balanço financeiro considera o activo total como aplicações de fundos ou investimentos. Assim. conjuntamente com o capital alheio ou passivo. em cada momento. recursos ou financiamentos. Representação gráfica do balanço financeiro: APLICAÇÕES DE FUNDOS OU INVESTIMENTOS ORIGENS DE FUNDOS OU FINANCIAMENTO A equação fundamental do balanço determina. Esta é a equação fundamental da contabilidade: Activo Total = Capital Próprio + Capital Alheio Aplicações de Fundos = Origens de Fundos Companhia Própria – Formação & Consultoria. cuja obrigatoriedade de pagamento aparece inscrita no Passivo. Lda 27 . o Activo corresponde às Aplicações de Fundos ou ao investimento feito na empresa. e o capital próprio.

de liquidez reduzida. etc. Companhia Própria – Formação & Consultoria.). equipamento). A ordem por que se inscrevem as diferentes rubricas homogéneas é pré-determinada pelo POC e resulta para o escalonamento do activo do grau crescente de liquidez das aplicações de fundos. desta vez. correspondendo ao activo total. empréstimos concedidos a empresas de grupo ou a terceiros). Se tal não se verificar. apenas se consideram aqui os valores cuja liquidação não se perspective no período de um ano (carácter permanente!). licenças. repartem-se por duas grandes categorias: Activo Fixo. Imobilizações Corpóreas – são igualmente aplicações com carácter permanente mas. O Activo Fixo compreende: Imobilizado Imobilizações Incorpóreas – aplicações de carácter permanente. A sua liquidez não é imediata. edifícios. isto é os capitais próprios investidos assumem valor negativo. Investimentos Financeiros – são aplicações em activos de carácter permanente e de natureza financeira (acções. por um período superior a um ano. sendo o activo inferior ao passivo. a empresa está tecnicamente falida ou insolvente. títulos diversos. Activo Circulante. Lda 28 . Detendo um grau de liquidez notoriamente superior aos dos grupos anteriores. O 1º MEMBRO DO BALANÇO O 1º membro do Balanço corresponde ao Activo. obrigações. Os investimentos ou aplicações de fundos. de maior liquidez. Grau de Liquidez é a aptidão reconhecida a um activo para se transformar em meios monetários – dinheiro ou equivalente. num período. trespasses. em activos tangíveis.Finanças Empresariais Dado que as empresas tendem a financiar-se com capitais próprios e alheios é normal que o activo exceda os capitais alheios. em activos intangíveis. São activos que a empresa não pretende transformar em liquidez mas que utiliza para o exercício da sua actividade (terrenos. sendo inclusivamente algo duvidosa (despesas de constituição.

sempre que o preço esteja previamente fixado. São deduzidas. O 2º MEMBRO DO BALANÇO É constituído pelo financiamento. de fundos ou recursos. subsidiárias e de consumo. desperdícios. origens correspondendo ao capital próprio e passivo. deduzidas igualmente das respectivas provisões. Títulos Negociáveis – aplicações financeiras de curto prazo. segundo os mesmos princípios de clareza e homogeneidade. Lda 29 .Finanças Empresariais Amortizações e reintegrações – quantificação da perda observada pelas imobilizações por via da respectiva utilização e/ou desvalorização. Devem encontrar-se deduzidos das respectivas provisões para depreciação. resíduos e refugos. matériasprimas. deduzidas das respectivas provisões. subprodutos. Depósitos Bancários e Caixa – é o dinheiro em caixa ou à ordem em instituições de crédito. Dívidas de Terceiros a Curto Prazo – dívidas com liquidação a menos de um ano. Dívidas de Terceiros a Médio e Longo Prazo – dívidas com liquidação a mais de um ano da data do balanço. Estado ou subscritores de capital. empresas do grupo. produtos acabados e intermédios. As contas são apresentadas por ordem crescente de exigibilidade. e respeitantes às entidades anteriormente referidas. bem como os meios quase líquidos (depósitos a prazo). Acréscimos e Diferimentos – despesas com custo diferido (feitas no exercício mas que correspondem a custos dos exercícios seguintes) e acréscimos de proveitos (antecipação de receitas a ocorrer em períodos posteriores. Respeitam a clientes. produtos e trabalhos em curso.são todos os bens armazenáveis: mercadorias. mas que são proveitos do exercício). bem como contemplar regularizações e adiantamentos por conta de compras. Companhia Própria – Formação & Consultoria. ou tesouraria. O Activo Circulante é decomposto em: Existências . adiantamentos a fornecedores de imobilizado.

certas ou incertas. Prémios de emissão de acções. Acréscimos e diferimentos – despesas diferidas (custos do exercício com realização de despesa em exercícios seguintes) e receitas com proveito diferido (receitas do exercício cujo proveito respeita a exercícios posteriores). Prestações suplementares – reforços ao capital inicial. num período. o 2º membro é composto por: Capitais Próprios Capital social – é o capital disponibilizado pelos sócios ou accionistas. Dívidas a terceiros de médio e longo prazo – com liquidação a mais de 1 ano. Passivo Provisões para Riscos e Encargos – integram custos que correspondem a despesas potenciais de exercícios posteriores. a partir da data do balanço. maior a exigibilidade. São despesas futuras. os capitais próprios surgirem em primeiro lugar. Resultados transitados de exercícios anteriores. Reservas.Finanças Empresariais O Grau de Exigibilidade baseia-se nos diferentes prazos de vencimento dos créditos obtidos e informa da sua crescente exigibilidade. de montante incerto. Dívidas a terceiros de curto prazo – com liquidação a menos de 1 ano da data do balanço. Assim. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Quanto menor o prazo. Dividendos antecipados. Lda 30 . daí. Resultados líquidos do exercício. Refira-se por exemplo os impostos sobre o rendimento.

Ao fazer a síntese dos custos e dos proveitos.Finanças Empresariais A DEMONSTRAÇÃO DOS RESULTADOS LÍQUIDOS Se nos referimos ao Balanço como sendo o documento que apresenta a situação financeira da empresa numa determinada data. complementa esta perspectiva. Por funções. Deste modo são apurados os seguintes valores em função das principais naturezas de resultados: O Resultado Operacional é o que advém da diferença entre proveitos e custos operacionais: Resultados Operacionais Operacionais = Proveitos Operacionais – Custos O Resultado Financeiro obtém-se pela subtracção dos custos aos proveitos financeiros: Resultados Financeiros = Proveitos Financeiros – Custos Financeiros Companhia Própria – Formação & Consultoria. a rendibilidade das vendas. A demonstração de resultados permite avaliar o desempenho económico. homogeneamente agrupados. a demonstração de resultados. dá-nos indicação da proveniência e composição do resultado apurado em cada exercício. dos capitais investidos. por seu lado. São duas as formas consagradas no POC: Por natureza. evidenciando a formação dos resultados num determinado período. usualmente entre dois balanços. Lda 31 . de elaboração da Demonstração de Resultados A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR NATUREZA A demonstração de resultados por natureza agrega os proveitos e custos em grupos de idêntica natureza. ou seja. e a eficiência económica.

O Resultado Antes de imposto resulta da adição dos resultados extraordinários aos resultados correntes: Resultado Antes de Imposto = Resultados Correntes + Resultados Extr. como dívidas incobráveis ou perdas com alienação de imobilizações. corresponde ao Resultado Extraordinário: Resultados Extraordinários = Proveitos e Ganhos Ext. e custos extraordinários.Finanças Empresariais O Resultado Corrente é a adição do resultado operacional com o financeiro: Resultados Financeiros Correntes = Resultados Operacionais + Resultados A diferença entre proveitos e ganhos em alienação de imobilizações.Custos e Perdas Extr. diferenças de câmbio extraordinárias e outras. . O Resultado Líquido do exercício é sempre considerado após a aplicação do imposto sobre o rendimento. Resultado Líquido do Exercício = Resultado Antes de Impostos Imposto Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 32 .

pelo que. os custos e os proveitos são agrupados por funções. não é possível a utilização da demonstração de resultados por funções na análise e gestão financeira.Finanças Empresariais Exemplo de demonstração financeira por natureza: A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS POR FUNÇÕES Neste caso. a mais utilizada. por isto. de acordo com a estrutura clássica das funções da empresa – produção. Lda 33 . A demonstração por natureza é. os esquemas de contabilidade preconizados no POC não possibilitam a obtenção deste documento. No entanto. distribuição administrativa e financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria. na ausência de contabilidade analítica. etc.

de publicação obrigatória para algumas empresas desde 2003. Os fluxos de caixa são classificados.Finanças Empresariais Exemplo de demonstração financeira por funções: A DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Este documento. permite-nos tomar conhecimento do modo como as empresas geram e utilizam o dinheiro num determinado período. Ciclo de Investimento. Lda 34 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. de acordo com os três ciclos de actividades da empresa: Ciclo Operacional. Ciclo de Financiamento. como vimos no capítulo anterior.

Sendo. não facultando o conhecimento e verificação das condições de equilíbrio e normal funcionamento da empresa. Porquanto. Estas diferenças conceptuais advêm do facto de a contabilidade ter por objectivo apurar e demonstrar o crescimento do capital da empresa – resultado líquido – em termos históricos. porque o princípio adoptado é. Qualquer dos métodos pretende demonstrar a forma como a empresa gerou os valores em Caixa e equivalentes. podemos referir algumas das principais limitações dos documentos contabilísticos e que são: Apesar de o registo da desvalorização do imobilizado ser uma prática contabilística corrente. EQUILÍBRIO E LIMITAÇÕES DOS DOCUMENTOS DE CONTABILIDADE Já concluímos que toda e qualquer análise ou controlo de natureza financeira tem de recorrer a um conjunto de documentos concebidos numa óptica distinta. fontes limitadas para um correcto conhecimento da realidade e uma gestão eficaz da empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. em cada momento. Para desenvolver o fluxo de caixa pelo método directo. já a sua revalorização tende a ser ignorada. medindo o património líquido. Lda 35 . O método indirecto pode ser efectuado a partir das informações contabilísticas tradicionais – balanço e demonstração de resultados. Método Indirecto. Nem sempre reflectem valores actuais. ignora o modo de ajustamento dos principais fluxos financeiros. isto é manifestamente insuficiente. de modo a que todos os movimentos por “caixa e equivalentes tenham uma classificação própria de identificação. na perspectiva duma análise e gestão financeira. a partir dos resultados líquidos da empresa são efectuados os ajustamentos necessários aos resultados. será necessária uma organização contabilística própria. por regra. o do registo pelo custo histórico. de modo a que do conjunto resulte o fluxo das actividades operacionais. avaliando activos e contrapondo-lhe dívidas e compromissos. A título indicativo. portanto. no âmbito do qual. a óptica contabilística. pois. sendo revelados os principais componentes dos recebimentos e pagamentos.Finanças Empresariais A Demonstração de Fluxos de Caixa pode ser elaborada através de duas metodologias: Método Directo.

o activo humano. a carteira de clientes fidelizados.3 Qual a contribuição da contabilidade analítica para a análise da demonstração de resultados? Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais Algumas das contas contabilizam estimativas. São omitidas muitas rubricas devido à sua difícil valorização. O significado económico e financeiro das peças contabilísticas é muitas vezes mitigado por imperativos de outra ordem. A título de exemplo. normalmente fiscais. EXERCÍCIO 2. assentes em A adopção de diferentes critérios valorimétricos provoca normalmente diferenciações entre empresas. pressupostos.1 O que entende por grau de exigibilidade? De que forma afecta o balanço. EXERCÍCIO 2.2 Os acréscimos e diferimentos são uma conta do Activo ou do Passivo? Justifique. cujo caso mais evidente são as amortizações. sempre dúbios (caso das provisões). o valor da imagem. Lda 36 . etc… EXERCÍCIO 2. Os resultados englobam certas componentes que não correspondem a fluxos financeiros.

recorrendo a técnicas apropriadas. passando-os de uma perspectiva contabilística formal para uma perspectiva puramente financeira. os mesmos deverão ser alvo duma preparação específica para uma análise financeira mais adequada. a análise financeira. Assim. extrair informações relevantes sobre a situação financeira da empresa. a tarefa de preparação dos elementos para análise financeira evolve a transformação dos documentos de síntese obtidos. No entanto. verdadeiramente. torna-se necessário efectuar a sua preparação numa perspectiva essencialmente financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria. e dadas as suas conhecidas limitações. no capítulo anterior.Finanças Empresariais 3 Preparação para Análise Arrumação e ajustamento das peças contabilísticas ENQUADRAMENTO Vimos. Neste capítulo serão tratadas as técnicas de ajustamento das peças contabilísticas e os procedimentos para transformar o balanço contabilístico no balanço funcional. que os balanços e demonstrações de resultados são os documentos contabilísticos de base para a análise financeira. de forma a destacar os elementos que permitam. Lda 37 . Só então poderá iniciar-se. Efectivamente. com vista à melhor e mais adequada interpretação da situação das empresas.

Como vimos. para os membros do activo. que foi apresentado no capítulo anterior. este mapa está estruturado do seguinte modo: ACTIVO Direitos de Propriedade e de Crédito sobre Terceiros CAPITAIS PRÓPRIOS Património Líquido CAPITAIS ALHEIOS Obrigações e Deveres para com Terceiros APLICAÇÕES ORIGENS Activo Fixo Imobilizações CAPITAIS PRÓPRIOS DÍVIDAS A MÉDIO E LONGO PRAZO (+ 1 ano) ACTIVO CIRCULANTE Existências Dívidas de Terceiros Disponibilidades DÍVIDAS A CURTO PRAZO ( .Finanças Empresariais BALANÇO FUNCIONAL O Balanço contabilístico e fiscal.1 ano) Esta última representação passa pela organização da suas rubricas numa óptica de liquidez. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 38 . e numa óptica de exigibilidade para o capital próprio e passivo. é também denominado por patrimonial e assenta na óptica jurídica da contabilidade.

ou balanço financeiro ajustado. independentemente sua natureza jurídica. teremos: Companhia Própria – Formação & Consultoria. O Balanço Funcional. partindo do balanço contabilístico e considerando o ciclo financeiro da empresa introduzido no primeiro capítulo. tem por objectivo reproduzir. mercadorias ou serviços. e o ciclo das operações de tesouraria. Ciclo das Operações Financeiras Neste ciclo são consideradas todas as decisões e actividades relacionadas com a obtenção dos fundos necessários para a realização dos investimentos (ciclo de investimento) e garantia das necessidades de financiamento do ciclo de exploração. Recapitulemos o significado dos três ciclos: Ciclo de Investimento Engloba todas as decisões e actividades relacionadas com a análise e selecção de investimentos e desinvestimentos a efectuar. é. as aplicações e recursos relacionados com os ciclos financeiros da empresa. Daqui se infere que serão as operações deste ciclo a determinar o volume das imobilizações existentes. Como já vimos. que visa a cobertura financeira de curto prazo através da gestão optimizada das disponibilidades. nos permite aferir da condição de equilíbrio funcional das origens e aplicações da empresa. considerada limitada. a perspectiva da análise patrimonial tradicional. actualmente. Do aprovisionamento de matérias. ou seja. Ciclo de Exploração Corresponde a todas as decisões e actividades correntes da empresa que estão na base do valor gerado pela mesma. que.Finanças Empresariais Dada a necessidade de se conhecer o equilíbrio funcional das origens e aplicações da empresa. operacional e estratégico. que incide sobre a análise comparativa de períodos sequenciais. passando pela produção. financeiro. o ciclo financeiro corresponde ao resultado financeiro das políticas da empresa adoptadas aos diferentes níveis. mercadorias e produtos. Transpondo a associação dos ciclos da empresa ao balanço contabilístico de uma forma gráfica. Lda 39 . a imagem da empresa em determinada data. para terminarem na comercialização de produtos. o ciclo das operações de capital. que envolve a obtenção de fundos estáveis para o financiamento dos activos permanentes. Pode ser dividido em dois sub-ciclos. Surge assim o conceito de Balanço Funcional.

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Ciclo

Aplicações

Recursos Recursos próprios ou recursos alheios estáveis Recursos cíclicos Tesouraria passiva

Ciclo

Investimento

Aplicações de investimento ou Activo Fixo Necessidades cíclicas Tesouraria activa

Operações de capital

Exploração
Operações de tesouraria

Exploração Operações de tesouraria

Em termos práticos, a apresentação mais comum do balanço funcional é a seguinte:
Balanço Funcional
Descrição Capital Próprio Passivo médio/longo prazo CAPITAIS PERMANENTES Activo Fixo FUNDO DE MANEIO Clientes Existências Outros Devedores de Exploração APLICAÇÕES CÍCLICAS Fornecedores EOEP Outros Credores de Exploração ORIGENS CÍCLICAS FUNDO DE MANEIO NECESSÁRIO TESOURARIA LÍQUIDA 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

DO BALANÇO CONTABILÍSTICO AO FUNCIONAL
Partindo da contabilidade e para efeito de análise mais dinâmica, o nosso novo balanço funcional sintético deve enquadrar as rubricas, que a seguir se descriminam, para melhor compreensão.

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Activo fixo O activo fixo compreende, como já foi referido, os activos com permanência superior a um ano, como as imobilizações corpóreas e incorpóreas, os investimentos financeiros e as dívidas de médio e longo prazo. Sempre que se perspectivar uma permanência superior a um ano para as contas de empréstimos a outras empresas do mesmo grupo ou a accionistas e sócios, estas devem ser consideradas neste agrupamento. Também as dívidas de terceiros não resultantes da exploração devem ser consideradas no activo fixo, pressupondo-se a sua origem em decisões de carácter estratégico ou estritamente financeiro. Uma prática comum, é a de abater aos capitais próprios o valor das imobilizações incorpóreas, uma vez que é geralmente difícil transformá-las em liquidez imediata, sobretudo quando resultam de custos capitalizados.

Necessidades cíclicas As necessidades ou aplicações cíclicas englobam as contas que resultam das decisões do ciclo de exploração e que implicam necessidades de financiamento. Decompõem-se do seguinte modo: Relativamente às Existências deve-se começar por garantir sua a comparabilidade ao longo do horizonte temporal da análise, verificando a consistência dos critérios de valorização aplicados. Todo o stock existente deve ser considerado, se possível por via da verificação física. No caso de serem identificados aprovisionamentos estratégicos, ou os chamados monos, ambos devem ser expurgados e levados a Activo Fixo. A sua apresentação deve ser feita de acordo com a decomposição preconizada pelo POC. No seguimento do ajustamento dos aprovisionamentos estratégicos, também os Adiantamentos por conta de compras respectivos devem ser considerados no Activo Fixo, sendo deduzidos às existências. O tratamento das contas de Clientes para análise financeira implica, para além da sua subdivisão em conformidade com o POC, a consideração das letras descontadas não vencidas, pois continuam a dizer respeito a necessidades de financiamento de exploração, sendo relevantes para o apuramento do verdadeiro valor de crédito concedido a clientes.

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Tesouraria activa Na tesouraria activa devem ser considerados todos os activos líquidos ou quase líquidos, nomeadamente, os Depósitos Bancários, Caixa, Títulos Negociáveis, Despesas de Custo Diferido, Diferimento de Receitas e Outros Devedores. No que aos ajustamentos diz respeito, sobressai a consideração neste agrupamento da conta de Subscritores de Capital, que se pressupõe relativa a capital subscrito realizável a curto prazo. No entanto, dado que não representa uma origem real de fundos, aquando da análise de rendibilidade o seu valor deverá ser deduzido aos capitais próprios. Capitais Permanentes São constituídos pelos capitais próprios e pelo capital alheio estável. Capitais próprios Os capitais próprios a considerar no balanço funcional devem reportar-se aos fundos colocados à disposição da empresa, pelo que devem ser expurgados de contas que não constituam uma origem real de fundos, como por exemplo as Partes de capital por realizar e os Resultados a ser distribuídos. Capital alheio estável As dívidas de médio e longo prazo fazem parte dos capitais que estão permanentemente à disposição da empresa. Por vezes também existem dívidas de curto prazo com carácter de estabilidade, no sentido em que se renovam, que também devem ser consideradas enquanto capital alheio estável, é o caso de alguns empréstimos bancários ou empréstimos obrigacionistas. Claro está que não nos referimos às resultantes do ciclo de exploração, essas são recursos cíclicos, como veremos de seguida. Recursos cíclicos Os Recursos cíclicos, ou Origens cíclicas, agrupam as contas referentes as recursos financeiros gerados por decisões relacionadas com o ciclo de exploração da empresa. Como por exemplo: Adiantamentos por conta de vendas; Fornecedores, nas suas várias subrubricas: fornecedores c/c, facturas em recepção e conferência e títulos a pagar;

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Esta classificação será. 200. que constituem efectivas fontes de financiamento da actividade da empresa. e nem sempre fácil de obter: classificação dos custos em variáveis e fixos.. a mesma deve ser classificada como Tesouraria Passiva. Daí que muitas vezes se trabalhe com um nível de detalhe mais reduzido. resultantes de impostos que não o IRC. será particularmente difícil apurar os custos directos e indirectos de cada actividade a partir da tradicional imputação contabilística. quanto maior for o nível de detalhe obtido mais facilitado resultará o controlo de gestão. resultante de decisões de financiamento extra-exploração. A Tesouraria passiva representa o passivo imediato ou quase imediato.. Tesouraria passiva É o Passivo Imediato ou quase resultante de decisões de financiamento. particularmente útil no estudo da rendibilidade de exploração. Procura-se então trabalhar com uma demonstração de estrutura semelhante à exposta: Rubricas + = = + = + = = Vendas Custos Variáveis Margem de Contribuição Custos Fixos Resultados Operacionais Resultados Financeiros Resultados Correntes Resultados Extraordinários Resultados Antes de Im postos Impostos sobre o Rendimento Resultado Líquido 200. Esta conta constitui um recurso em função dos prazos de pagamento legalmente fixados. 200. No caso da inexistência de contabilidade analítica. sendo crucial o conhecimento das suas origens e evolução... Neste sentido. Sempre que se verificar a existência de qualquer dívida em atraso ou mora. É o caso das rendas de locação financeira (as imediatas) e as letras descontadas não vencidas.Finanças Empresariais Estado e outros entes públicos. Companhia Própria – Formação & Consultoria. A DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS FUNCIONAL O acompanhamento dos custos é um dos aspectos fundamentais da gestão da empresa. onde figuram as dívidas ao Estado. plena de subjectividade.. como veremos mais adiante. Lda 43 ..

104 Introdução ao e-learning .

etc. sociedades financeiras entre outros. a informação disponível. que estabelecem relações entre contas e agrupamentos de contas do Balanço e da Demonstração dos Resultados. ponderando o seu conhecimento sobre o sector e a empresa em causa. TIPOS DE RÁCIOS São inúmeras as relações que se podem construir. ajudam-nos a questionar diversos aspectos e realidades da empresa. Lda 44 . serão aqueles que foram definidos pelos interessados. As realidades e os fenómenos a acompanhar e estudar podem ser de natureza diversa – financeira. na medida em que permitem sintetizar volumes abundantes de informação e estabelecer uma base de comparação do seu desempenho económico e financeiro das empresas e a sua evolução no tempo. os rácios ideais. pois estas extravasam o campo quantitativo de análise para a perspectiva qualitativa da gestão. bancos. Companhia Própria – Formação & Consultoria. muito embora não encerrem em si as respostas que procuramos. económica.. em função do seu objectivo e campo de análise. etc. Constituem um importante instrumento de apoio à análise e gestão de empresas. analistas financeiros. obtendo-se por esta via maior eficiência para a realização de comparações entre períodos diferentes e/ou diferentes empresas. económico-financeira. responsáveis pela gestão. técnica. Sendo utilizados pelos diversos agentes.Finanças Empresariais 4 Método dos Rácios Uma técnica base ENQUADRAMENTO Os rácios são medidas relativas. Por isso.

Lda 45 . é usual classificar os rácios de acordo com a natureza dos fenómenos que estes pretendem revelar: Rácios financeiros. Rácios de funcionamento. na próxima secção. capacidade de endividamento e solvabilidade da empresa. que apreciam aspectos como a estrutura financeira. RÁCIOS DE ALAVANCA FINANCEIRA E RISCO Identificam o risco em que se incorre caso se conceda crédito à empresa. Vamos. a rotação do activo e a rotação das vendas. como a estrutura de custos e de proveitos. No fundo. Assim. incidem sobre as dívidas que a empresa contraiu e o seu impacto na sua actividade.Finanças Empresariais Ainda assim. As centrais de balanços e outras bases de dados existentes permitem-nos apurar rácios sectoriais. as margens e a capacidade de autofinanciamento. que evidenciam aspectos relacionados com a situação da empresa. Rácios económico-financeiros. o prazo médio de pagamentos ou a duração média de existências. como a rendibilidade de capitais. que agregam fenómenos mistos. tidos como os mais comuns. Os determinados a partir de orçamentos ou previsões são orçamentais. que traduzem a gestão do ciclo de exploração em termos financeiros. os resultantes de documentos contabilísticos históricos são designados de rácios efectivos ou reais. sendo por isso muito utilizados no âmbito da análise de crédito. Companhia Própria – Formação & Consultoria. dos quais podemos mencionar o prazo médio de recebimentos. Rácios económicos. Rácios técnicos. Outra classificação comum dos rácios prende-se com as fontes de informação nas quais se baseiam. normalmente expressos em unidades físicas. que abordam áreas como a produção e a actividade da empresa. são exemplos o rendimento do equipamento e a produtividade da mão-deobra. e que abordam aspectos centrais em termos de análise e gestão. debruçar-nos sobre alguns rácios.

Para valores elevados poder-se-á afirmar que a empresa tem uma boa solvabilidade. Tal como os rácios anteriores revela o grau de independência da empresa em relação aos seus credores. Os dois rácios apresentados são complementares. Solvabilidade = Activo Passivo Outra métrica muito comum do endividamento é o rácio Debt to Equity. que pondera os capitais alheios pelos capitais próprios: Debt to equity = Passivo Capital Próprio Um procedimento usual é considerar apenas as responsabilidades a médio e longo prazo. Autonomia Financeira = Capitais Próprios Activo Solvabilidade Traduz a capacidade da empresa em fazer face aos compromissos a médio e longo prazo. Rácio de Endividamento = Passivo Activo Autonomia Financeira Mostra em que proporção a empresa utiliza os meios próprios que estão á sua disposição. revelando autonomia para com os seus credores.Finanças Empresariais Endividamento Determina o nível da utilização de capital alheio por parte da empresa no financiamento da sua actividade. Para valores inferiores a um. apurando-se o nível endividamento estrutural: Companhia Própria – Formação & Consultoria. o activo não tem capacidade para responder pelas dívidas a pagar. O grau de autonomia varia em consequência da variação do Capital Alheio e/ou do Capital Próprio. Lda 46 .

Oper. mas da sua forma. por exemplo. por isso. podemos verificar se. Assim. mas também as Amortizações e Provisões. Cobertura do Serv. = Resultados Operacionais Encargos Financeiros Numa perspectiva ligeiramente diferente surge o rácio de Cobertura do Serviço da Dívida que considera para além dos encargos financeiros o próprio reembolso do financiamento. aproximando-se assim dos fluxos libertos pela exploração. essencialmente um elemento de antevisão. Serviço da Dívida Período de Recuperação da dívida Este indicador constitui uma estimativa do número de anos que a empresa levará para poder liquidar as suas dívidas. + Amort. estes rácios são bastante utilizados pelos analistas de crédito. não do nível de endividamento. + Prov. Estrutura de Endividamento = Capitais Alheios MLP Capitais Alheios Cobertura dos Encargos Financeiros São métricas do grau com que as operações da empresa conseguem cobrir os encargos associados ao seu financiamento. Período de Recuperação da Dívida = Empréstimos em Dívida Autofinanciamento Companhia Própria – Formação & Consultoria. sendo. Cobertura dos Encargos Fin. Lda 47 . Mais uma vez.Finanças Empresariais Rácio de Endividamento a MLP = Passivo Médio e Longo Prazo Activo Para podermos aferir. da Dívida = Res. a tesouraria da empresa sofre maior ou menor pressão causada por um peso elevado de endividamento de curto prazo. recorre-se ao rácio de Estrutura do Endividamento. Este rácio também pode ser calculado considerando não só os Resultados Operacionais.

Oper. (n) – R. Companhia Própria – Formação & Consultoria. daí que se recorram aos seguintes rácios para avaliar a liquidez duma empresa. o risco será tanto maior quanto maior for a variabilidade dos resultados. Operacionais = R. Conceitos como o Fundo de Maneio Necessário e Tesouraria Líquida apresentam uma limitação básica. Lda 48 .Finanças Empresariais O autofinanciamento corresponde à soma dos Resultados Líquidos com as Amortizações e reforço de Provisões do exercício. normalmente elevado. Operacionais RÁCIOS DE LIQUIDEZ A liquidez da empresa depende não só da relação entre os montantes dos capitais circulantes e do exigível a curto prazo. existências) pelas responsabilidades que a empresa terá de assumir nesse mesmo período. e que expurga o peso. que pondera aquilo que a empresa transforma em dinheiro no prazo de 1 ano (disponibilidades. Variabilidade dos R. Rácio de Liquidez Geral = Activo de Curto Prazo Passivo de Curto Prazo Liquidez Reduzida A Liquidez Reduzida é um rácio complementar do anterior. medidas muito pouco efectivas para comparações entre vários períodos ou empresas. (n-1) Média R. títulos. Oper. dívidas de curto prazo. Liquidez Geral A Liquidez Geral é a designação de um rácio muito utilizado. sendo. pois sempre que aqueles se mostrem bastante reduzidos. pelo facto de corresponderem a diferenças. mas também dos prazos de disponibilização dos primeiros e de exigibilidade dos segundos. também frequentemente designado de Rácio de Tesouraria. das existências nos capitais circulantes. Um indicador complementar aos rácios de cobertura da dívida e serviço da dívida é o rácio da Variabilidade dos Resultados Operacionais. portanto.

De realçar que um valor muito elevado deste rácio não se coaduna com uma gestão financeira eficiente. Rácio de Liquidez Imediata = Disponibilidades Passivo de Curto Prazo RÁCIOS DE RENDIBILIDADE São vários os indicadores que estabelecem relações entre os resultados e as vendas ou os capitais próprios.Finanças Empresariais Rácio de Liquidez Reduzida= Activo Circulante . claro que quanto mais elevado é o valor do rácio maior é a contribuição de cada unidade vendida para a formação do resultado. RENDIBILIDADE DAS VENDAS A análise deste primeiro rácio permite-nos conhecer a margem que as vendas estão a produzir e como tem evoluído essa margem. Lda 49 . Operacional das Vendas = Resultado Operacional Vendas Companhia Própria – Formação & Consultoria. Liquidez Imediata Por fim. Vendas = Margem de Contribuição Vendas Rendibilidade Operacional das Vendas Rend. Em função de diferentes numeradores.Existências Passivo de Curto Prazo A comparação destes dois rácios permite ponderar a influência da política de stocks na liquidez da empresa. obtemos diferentes noções de rendibilidade das vendas: Margem de Contribuição das Vendas Margem de Contrib. a Liquidez Imediata dá-nos a cobertura do passivo circulante pelas Disponibilidades.

Rendibilidade do Activo A Rendibilidade do Activo é utilizada quando se pretende isolar a noção de eficiência das políticas financeiras adoptadas pela empresa e que estão presentes no rácio de Rendibilidade dos Capitais Próprios. dos Capitais Próprios = Resultado Líquido Capital Próprio Quanto mais elevado o valor deste rácio. Lda 50 . sócios e accionistas. maior é a capacidade de autofinanciamento e portanto mais forte e rapidamente pode melhorar a solvabilidade da empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. uma vez que o valor do indicador é independente da estrutura de financiamento. por excelência. Rend. O seu valor é directamente comparável às taxas de rendimento de outras oportunidades de investimento.Finanças Empresariais Rendibilidade Líquida das Vendas Rend. que considera os resultados operacionais depois de impostos. Assim. independentemente da sua origem. Rendibilidade do Activo = Resultado Operacional Activo Uma ligeira variação deste rácio. permite-nos obter um melhor termo de comparação entre empresas e relativamente às técnicas de análise de projecto de investimentos. quando comparado com o custo do capital alheio verificar-se-á de que forma o endividamento influência a rendibilidade dos capitais próprios. o indicador de eficiência privilegiado por investidores. Líquida das Vendas = Resultado Líquido Vendas RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS PRÓPRIOS Este rácio é. Avalia a totalidade dos capitais afectos à empresa. bem como face ao custo normalmente associado às fontes de financiamento.

São. ou de rotação. essencialmente. o deficiente aproveitamento da mesma. Podendo indiciar. neste caso. pois valores elevados podem estar relacionados com correntes rupturas de stocks. analisar a eficiência da gestão quanto às decisões sobre os recursos aplicados. das políticas de gestão de stocks. se muito elevado.Finanças Empresariais Rendibilidade do Activo * = Resultado Operacional x (1 – t) Activo RÁCIOS DE FUNCIONAMENTO São indicadores que permitem. e quando de valor reduzido. a comparabilidade destes indicadores é limitada. pelo que deveremos considerar sempre que possível valores médios. Por outro lado. obriga a cuidados redobrados. e porque os modelos de negócio e seu funcionamento variam de forma significativa consoante o seu sector específico. só fazendo sentido dentro do mesmo modelo de negócio ou sector. o funcionamento no limiar da capacidade instalada. Rotação do Activo Indica o grau de utilização dos activos. de forma integrada. rácios expressos em dias. Lda 51 . Rotação das Existências = Vendas Existências Médias Duração Média das Existências Companhia Própria – Formação & Consultoria. No entanto. Rotação do Activo = Vendas Activo Rotação das Existências É mais um indicador de eficiência da gestão. no sentido de não desvirtuar a análise pela existência de valores anormais ou de intempestivas decisões de curto prazo.

para grandes superfícies.) * (1+IVA) X 365 Prazo Médio de Pagamentos Por contrapondo com o rácio anterior.Finanças Empresariais Outra forma de avaliar esta perspectiva. estes resultam de práticas instaladas no sector. não só no contexto da análise financeira. Lda 52 . Antes de se conceder maior nível de crédito aos clientes é necessário analisar as consequências dessas acções sobre a liquidez da empresa. Veja-se. passa pelo rácio de Duração Média das Existências: Duração média das Existências = Existências médias Custo dos Stocks X 365 Ainda no âmbito da análise do ciclo de exploração da empresa. bem como a eficiência nas cobranças ou a celeridade com que estes regularizam as suas contas. bem como as dificuldades de pagamento da empresa e/ou poder negocial dos fornecedores. o Prazo Médio de Pagamentos (PMP) traduz o grau de financiamento dos fornecedores. são utilizados outros dois indicadores. a título de exemplo. as empresas que vendem. não em termos de rotação. Este conjunto de indicadores é de extrema importância. daí a importância do enquadramento da empresa no seu contexto específico. naturalmente. Serv. mas em dias do ciclo de exploração. Prazo Médio de Pagamentos = Saldo médio Fornecedores Compras * (1+IVA) X 365 Companhia Própria – Formação & Consultoria. No entanto. Valores elevados são. maioritariamente. Pelo peso significativo que detêm sobre a liquidez da empresa. mas também na elaboração de projecções financeiras. é conveniente seguir o seu comportamento através da análise periódica da sua variação. o Prazo Médio de Recebimento e o Prazo Médio de Pagamentos. não nos podemos esquecer que em muitos casos. pois será natural que não exista capacidade financeira para suportar o respectivo impacto. Prazo Médio de Recebimentos = Saldo médio Clientes (Vendas + Prest. Prazo Médio de Recebimentos Este rácio traduz o poder negocial da empresa junto dos seus clientes. desfavoráveis para a empresa.

Se não formos prudentes. baseando-se em aspectos meramente quantitativos. A comparação entre diferentes períodos é penalizada pelo facto de a contabilidade privilegiar os custos históricos. pois estes não encerram em si as respostas que procuramos. Qualquer rácio deve ser interpretado no contexto em que se insere o fenómeno em causa. Lda 53 . não sustentadas e de pouco significado para a análise e gestão. nomeadamente ao nível das políticas de valorização. merecem destaque os seguintes aspectos: Os rácios descuram os factores qualitativos. corremos o risco de chegar a conclusões erróneas ou. Os documentos contabilísticos a partir dos quais se determinam muitos dos rácios centrais. As diferentes práticas contabilísticas entre empresas. não reflectindo a inflação. Neste sentido. a sua leitura individualizada. pelo menos. podem ser significativamente “viciados” pela gestão de curto prazo. sendo comuns as situações em que diferentes indivíduos chegam a valores distintos de um mesmo rácios para uma única realidade.Finanças Empresariais LIMITAÇÕES DO RÁCIOS Já alertámos para o facto de ser obrigatório efectuar uma utilização cuidada dos rácios e sua interpretação. por si só. de amortização. como a qualidade dos técnicos. a capacidade e motivação dos gestores. de provisão e de capitalização de custos. dificultam a comparação de diferentes entidades ou a consideração de indicadores sectoriais. nada nos permite concluir. Companhia Própria – Formação & Consultoria. A própria forma de cálculo dos rácios não está harmonizada.

de acordo com os princípios de preparação das peças contabilísticas estudadas nos capítulos anteriores. Veremos também como a rendibilidade da empresa é afectada pelos mecanismos de alavanca e. e a forma como se relacionam. Tanto na análise económica como na financeira. os elementos de base são constituídos pelas demonstrações financeiras. de que forma o risco global da empresa pode ser quantificado em níveis de risco económico e risco financeiro. No entanto a análise financeira é baseada. A SITUAÇÃO ECONÓMICA E A RENDIBILIDADE DE EXPLORAÇÃO O estudo da situação económica tem como objectivo fornecer conceitos e técnicas que permitam a análise económica da empresa através do estudo da sua rendibilidade. Neste capítulo teremos a oportunidade de analisar detalhadamente a rendibilidade de exploração e a rendibilidade dos capitais investidos. Lda 54 .Finanças Empresariais 5 Rendibilidade e Risco Perspectivas operacional e financeira ENQUADRAMENTO A análise da situação económica e financeira da empresa pressupõe que os documentos contabilísticos se encontrem certificados e arrumados. procurando assim determinar em que medida os recursos Companhia Própria – Formação & Consultoria. no Balanço e a análise económica principalmente na Demonstração de Resultados. essencialmente.

Assim. a análise da rendibilidade de exploração não tem em consideração a situação financeira da empresa e. Assim. Os objectivos da empresa podem ser resumidos à sobrevivência. Lda 55 . RE = Proveitos de exploração . por esta ordem de prioridade. o respectivo nível de endividamento.Custos de exploração Quando este resultado é positivo diz-se que.Finanças Empresariais postos à disposição da empresa são (ou não) eficientemente utilizados de forma a atingir os seus objectivos. Assim. obriga à agregação dos resultados consoante o objectivo a atingir. não se considerando os resultados de outras actividades nem os montantes dos capitais investidos. ou da sua actividade normal. através da agregação de rubricas da Demonstração de Resultados podemos obter um conjunto variado de indicadores: RESULTADOS DE EXPLORAÇÃO (RE) Este indicador serve o objectivo de medir a capacidade da empresa para gerar resultados provenientes da exploração. em termos de exploração. o nível de rendibilidade da empresa deve ser o suficiente para. Surge assim o estudo da rendibilidade dos capitais investidos e o estudo da rendibilidade de exploração. Companhia Própria – Formação & Consultoria. O estudo da rendibilidade (económica) de exploração atende aos factores que intervêm na sua actividade normal. pelo menos. OS PRINCIPAIS INDICADORES ECONÓMICOS O estudo da situação económica e a necessidade de medir a eficiência da empresa a diferentes níveis. a empresa tem viabilidade. consequentemente. Ao analisar-se a rendibilidade da empresa. pretende-se medir a eficiência da utilização quer dos meios financeiros postos à disposição quer dos recursos económicas utilizados na sua exploração. crescimento e satisfação dos interesses das pessoas e entidades com que se relaciona ou que nela participam. assegurar a manutenção do capital e o reembolso e remuneração dos capitais alheios utilizados.

RAJI = RE + Outros proveitos – Outros custos RESULTADO ANTES DE IMPOSTOS (RAI) O RAI permite determinar os efeitos da situação financeira da empresa sobre os resultados das suas actividades. Esta medida determina a capacidade da empresa. RLR = RL – Dividendos MEIOS LIBERTOS Como no apuramento dos resultados são considerados custos que não correspondem a pagamentos. caso das amortizações e das provisões. Determinam-se então os Meios Libertos. chegamos aos resultados líquidos da empresa. Lda 56 . que nos permitem aferir da sua capacidade para remunerar o capital próprio investido e garantir o seu desenvolvimento. surge a necessidade de agregar de forma diferente as rubricas da demonstração de resultados. RAI = RAJI + Proveitos financeiros – Custos financeiros RESULTADO LÍQUIDO (RL) Ao considerarmos os efeitos da fiscalidade. após ter remunerado os seus sócios ou accionistas. em reter resultados que contribuam para o seu autofinanciamento. através do autofinanciamento. RL = RAI – Imposto sobre o rendimento RESULTADOS LÍQUIDOS RETIDOS (RLR) Os Resultados Líquidos Retidos serão equivalentes ao Resultado Líquido sempre que a empresa decidir não distribuir dividendos pelos seus sócios ou accionistas. Companhia Própria – Formação & Consultoria.RAJI – obtém-se adicionando ao Resultado de Exploração os resultados obtidos nas restantes actividades. excluindo os efeitos da situação financeira e fiscal.Finanças Empresariais RESULTADO ECONÓMICO (RAJI) O Resultado Económico ou Resultado Antes de Juros e Impostos . sempre que o objectivo for o de medir a capacidade da empresa em gerar meios.

o crescimento da empresa e a amortização do capital alheio e de dívidas ao Estado. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 57 . Por esta razão. MLLR = MLL . constituem a fonte de financiamento privilegiada pelas empresas no seu crescimento. MLB = RE + Amortizações + Provisões A dimensão dos MLB permite avaliar a capacidade da empresa para assegurar a manutenção do capital. MLL = RL + Amortizações + Provisões Consideram. bem como a devida remuneração dos capitais investidos (dividendos – capitais próprios. MEIOS LIBERTOS LÍQUIDOS RETIDOS (MLLR) Por fim. este conceito de meios libertos afere a capacidade da empresa em se autofinanciar. os resultados financeiros e o imposto sobre o rendimento.Dividendos Os MLLR permitem o crescimento das aplicações de fundos sem que a empresa tenha de recorrer a capitais alheios ou pressionar a tesouraria. MEIOS LIBERTOS LÍQUIDOS (MLL) Correspondem ao nível dos meios libertos para manter a integridade do seu capital e de remunerar os capitais próprios. relativamente aos MLB. custos financeiros – capitais alheios). sendo por isso usualmente designado de AUTOFINANCIAMENTO.Finanças Empresariais São vários os conceitos de meios libertos: MEIOS LIBERTOS BRUTOS (MLB) Correspondem aos resultados económicos gerados na empresa adicionados dos custos suportados no exercício mas que não originaram pagamentos (custos não desembolsáveis).

pelo que as demonstrações de resultados.Finanças Empresariais COMPARAÇÃO DA DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS O estudo da formação de resultados e dos seus factores principais incide. políticas financeiras e de distribuição de resultados e de diferentes incidências fiscais. Para comparar a rendibilidade: MLB / Proveitos de exploração Para comparar o efeito das políticas adoptadas: MLL / Proveitos de exploração Para comparar o autofinanciamento gerado: MLL / Proveitos de exploração Companhia Própria – Formação & Consultoria. deverão ser complementadas com informação mais detalhada sobre a estrutura e evolução dos custos. como já vimos. por natureza e por funções. mas a sua interpretação deverá ser complementada com outros indicadores relativos – os rácios. os indicadores até agora referidos são importantes. comparando-se as diversas rubricas de custos com os proveitos de exploração – corresponde à determinação do peso de cada rubrica relativamente aos proveitos de exploração da empresa. Caso se pretenda analisar a evolução histórica e/ou previsional da empresa. No entanto. Todos os indicadores anteriormente apresentados assumem valores absolutos. como a existência de diferentes políticas de constituição de amortizações e provisões. estudados no capítulo anterior. No entanto. Com esta medida procura-se determinar o peso relativo de cada rubrica ao longo de vários exercícios. tendo em vista a explicação das variações detectadas no período em análise e medir a sua contribuição para a formação de resultados. antes devemos proceder à análise comparativa de exercícios sucessivos. utilizamos os conceitos de meios libertos relacionados com os proveitos de exploração. existe um primeiro conjunto de rácios que se podem obter directamente da demonstração de resultados por natureza. Neste sentido. Para se comparar a rendibilidade conseguida por várias empresas. essencialmente sobre a Demonstração de Resultados. não podemos basear a análise da situação económica da empresa numa só demonstração de resultados. é conveniente que a análise não seja influenciada por factores extra-exploração. Por exemplo. Lda 58 .

Assim. é-nos possível analisar os resultados da empresa com base em simples relações entre reduzido número de variáveis. traduzindo o custo suportado pela utilização da capacidade instalada. a aplicação prática da teoria CVR implica a assumpção de pressupostos com pouca aderência à realidade. Q – nível de actividade expresso em quantidade. Os primeiros são directamente proporcionais ao nível de actividade. Lda 59 .Finanças Empresariais CUSTO – VOLUME – RESULTADO (CVR) A teoria do Custo-Volume-Resultado (CVR) analisa a rendibilidade da empresa numa óptica distinta da dos indicadores anteriormente apresentados. cv – custo variável unitário. Os segundos assumem-se constantes durante o período em análise. ou seja. até porque estes podem ser de natureza mista. Assume a inexistência de stocks. No contexto da teoria CVR a rendibilidade da empresa. CF – custos fixos de exploração totais. São dois os pressupostos principais da teoria CVR: Classificação de todos os custos de exploração em custos variáveis ou fixos. ou MB = xV Companhia Própria – Formação & Consultoria. p – preço de venda unitário. admite-se que todas as mercadorias adquiridas ou produtos fabricados são vendidos. e representam o custo suportado pela empresa para dispor de uma determinada capacidade instalada. e sua evolução. com base nestas assunções. são explicadas pela natureza dos seus custos e pelas alterações do nível de actividade. Apesar de ser conceptualmente simples e intuitiva. para além da resistência oferecida pela dificuldade classificação dos custos em variáveis e fixos. Donde: CV – custo variável total = Q x cv C – custo total = Q x p + CF V – volume de vendas = Q x p – coeficiente de absorção de custos fixos = MB / V MB – margem bruta = (p – cv) x Q.

a saber: o ponto crítico. No nível de actividade correspondente ao ponto crítico o resultado de exploração de uma empresa é nulo. é o ponto a partir do qual a empresa começa a ter resultados de exploração positivos. em princípio. assegurar senão o cumprimento do seu objectivo de sobrevivência ou de manutenção da integridade do seu capital. PONTO CRÍTICO O Ponto Crítico ou break even point. Lda 60 . Neste ponto. a margem de segurança e o grau económico de alavanca. Companhia Própria – Formação & Consultoria. também designado de ponto morto ou limiar de rendibilidade. não poderá. mais facilmente o mesmo se torna alcançável. A determinação do ponto crítico pode ser efectuada em termos de quantidades ou em termos de volume: Ponto crítico em quantidades: Q0 = CF p − cv Ponto crítico em volume: V0 = CF p − cv p Em que: cv . pelo que será menor o seu risco económico. sendo os seus meios libertos brutos equivalentes ao valor das amortizações e provisões do exercício. Quanto mais reduzido for o ponto crítico de uma empresa. o ponto crítico pode ser definido como o montante de vendas que gera uma margem de contribuição igual ao montante dos encargos fixos. CF . De outra forma. e como o lucro é função não só do preço mas também das quantidades vendidas.custo variável unitário. ou de estrutura.Finanças Empresariais RE – resultado de exploração = (p – cv) x Q – V Vejamos agora as principais aplicações da teoria do CVR.custos fixos totais. e dado a empresa não apresenta lucros nem prejuízos económicos de exploração. É uma importante medida de risco económico.

p . Lda 61 . V . Vo – Vendas totais.preço de venda unitário. possibilita a determinação de um valor que evidencia o nível de segurança da empresa para trabalhar acima de uma rendibilidade de exploração nula. no ponto crítico Qo – Quantidades totais.Vendas totais. e exprime o distanciamento do nível de actividade alcançado pela empresa relativamente a este.custos variáveis totais. no ponto crítico Representação gráfica do ponto crítico: Vendas / Custos Anuais Zona de Lucro Vendas Totais Custos Totais Zona de Prejuízo Ponto Crítico Custos Variáveis Custos Fixos Nível de actividade MARGEM DE SEGURANÇA (MS) A Margem de Segurança (MS) decorre do conceito de ponto crítico. A margem de segurança exprime-se em valor e em quantidade: ⎛ Vendas ⎞ MS = ⎜ − 1⎟ ⎜ V ⎟ 0 ⎝ ⎠ ⎞ ⎛Q MS = ⎜ ⎟ ⎜ Q − 1⎟ ⎠ ⎝ 0 Companhia Própria – Formação & Consultoria. Desta forma.Finanças Empresariais CV .

COEFICIENTE DE NÃO ABSORÇÃO DOS CUSTOS VARÁVEIS Relacionado com o quociente de margem bruta surge o coeficiente de não absorção dos custos variáveis ( ) que corresponde à proporção das vendas disponível para cobrir os custos fixos. O Grau Económico de Alavanca pode ser definido como a variação percentual ocorrida no Resultado de Exploração. ∆RE ∆ % Re sultados GEA= RE = ∆Q ∆ %Quantidade s Q Companhia Própria – Formação & Consultoria. ou “leverage económico”.Finanças Empresariais A sua interpretação deve ser efectuada da seguinte forma: se a margem de segurança for igual a 30%. Este efeito resulta do facto de os custos fixos permanecerem inalteráveis. pelo o custo total unitário resulta menor. uma vez cobertos – quando a empresa alcança o ponto crítico. a contribuição marginal para o lucro de cada venda adicional é superior. que resulta de uma variação percentual das quantidades vendidas. pois situar-se-ia no ponto crítico. Sendo a margem de segurança a métrica de afastamento do ponto crítico. que nos dá a medida em que um dada variação das quantidades vendidas afecta os resultados de exploração. corresponde ao fenómeno traduzido por variações mais que proporcionais do lucro relativamente a variações das vendas. pelo que. quanto maior for o seu valor menor será o risco económico. o volume de custos fixos é repartido por um maior número de unidades vendidas. α= MB Vendas EFEITO E GRAU ECONÓMICO DE ALAVANCA (GEA) O efeito económico de alavanca. Isto é. significa que a empresa poderá reduzir o seu volume de vendas em 30% sem apresentar prejuízo. Este efeito é quantificável através do Grau Económico de Alavanca. Lda 62 . depois de suportados os custos variáveis.

Lda 63 . desenvolvendo a expressão chegamos a: GEA= Q × ( p − cv ) RE Assim. produtiva tecnológica ou e estratégia) ou a factores exógenos. nomeadamente de ordem sectorial. O risco económico de uma empresa pode ser avaliado de uma forma concreta recorrendo. a leitura do GEA traduz o impacto que uma variação de 100% nas quantidades vendidas provocará na variação do resultado de exploração. ou de outra forma. e determinados os valores assumidos pelo grau económico de alavanca. a empresa situarse num nível de actividade inferior ao ponto crítico. o GEA depende também do nível de custos fixos e do coeficiente de não absorção dos custos variáveis. RISCO ECONÓMICO Na análise financeira deverá existir preocupação pela análise do risco quer económico quer financeiro. Assim. os proveitos de exploração não serem suficientes para cobrirem os custos de exploração (fixos e variáveis). consideremos que o GEA de uma empresa é de 3 – uma variação de 100% nas quantidades terá uma amplitude de 300% no resultado de exploração. O facto de uma empresa apresentar um Resultado de Exploração insuficiente pode ser devido a factores de ordem interna (de natureza comercial. isto é. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Como exemplo. nomeadamente. mais elevado será o risco económico. visto que os resultados da empresa serão mais sensíveis a pequenas descidas do volume de vendas. ponto crítico e margem de segurança em cada um dos anos do período em analisem poder-se-á afirmar que: Quanto maior for o grau económico de alavanca. a algumas aplicações da teoria do CVR. Porém. social ou política. O conceito de risco económico traduz a probabilidade de o Resultado de Exploração ser inadequado aos objectivos da empresa ou até mesmo negativo. O GEA será tanto mais elevado quanto mais próximo do ponto crítico se situar o nível de actividade da empresa.Finanças Empresariais Pelo que.

pode ser um método para averiguar o risco económico. a probabilização de algum ou alguns elementos da expressão. Assim. que poderão ser encontradas em decisões e acções internas à empresa ou em imposições directas ou indirectas de factores externos. Interessa agora proceder ao estudo da rendibilidade dos capitais investidos. que o montante global dos capitais utilizados e respectiva origem (Capitais Alheios / Capitais Próprios). em que se terá em consideração que o Resultado Económico (RAJI) obtido em todas as actividades/operações desenvolvidas. A RENDIBILIDADE DOS CAPITAIS INVESTIDOS Nos pontos anteriores.Finanças Empresariais Quanto mais elevado for o ponto crítico. isolada ou simultânea (previamente fixada). Para a avaliação do risco económico são utilizadas muitas estatísticas. pois a empresa terá de desenvolver um maior esforço para o conseguir alcançar. podendo a qualquer momento entrar na zona de prejuízos. a análise de sensibilidade é igualmente um método que permite avaliar o risco económico. que possibilitam a construção de cenários essenciais às tomadas de decisão na gestão da empresa. caso se pretenda averiguar qual a influência de uma variação percentual. nas quantidades vendidas e nos custos sobre o Resultado de Exploração. Quanto mais baixa for a Margem de Segurança. o que em períodos de recessão poderá ser muito difícil ou mesmo improvável. visto a empresa funcionar muito próximo do ponto crítico. como o preço unitário. pelo que se deverá atender a eventuais alterações verificadas nestes elementos e respectivas razões justificativas. custo variável unitário e custos fixos. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Também quaisquer variações significativas ao nível dos diversos parâmetros do CVR. maior será o seu risco económico. comportam níveis mais elevados ou mais reduzidos de risco económico. procedemos ao estudo da rendibilidade de exploração em que apenas atendíamos aos factores que intervêm na actividade normal de exploração. maior será o risco económico. pois permite quantificar a probabilidade de o resultado de exploração atingir determinado nível se algum termo do segundo membro da expressão variar. Lda 64 . RE = Q x (p – cv) – CF. nos preços de venda. Por outro lado.

Poderá fazer sentido determinar também o seguinte rácio. Mede a eficácia com que a empresa utiliza os capitais dos sócios ou accionistas. permitindo assim definirem-se outros conceitos como o de risco global da empresa. com o estudo da Rendibilidade dos Capitais investidos é possível analisar as relações que se estabelecem entre esta e a Rendibilidade de Exploração. a rendibilidade dos capitais investidos (ALT) determinase comparando o lucro gerado pela empresa durante o período e o capital utilizado. como é do nosso conhecimento. uma variante do anterior que corrige a apreciação de algumas políticas empresariais: RCP ' = MLL CP Por outro lado convirá desagregar o rácio de rendibilidade financeira com vista a avaliar os principais factores influentes na rendibilidade. da mesma forma que maior será a capacidade da empresa para sustentar o seu desenvolvimento através do autofinanciamento. É uma taxa directamente comparável com o rendimento proporcionado por investimentos alternativos. e Rendibilidade Económica – directamente relacionada com a totalidade dos meios utilizados pela empresa. De uma forma geral. RENDIBILIDADE FINANCEIRA É normalmente designada de Rendibilidade dos Capitais Próprios (RCP). Este conjunto de meios identifica-se com as origens de fundos que. É assim possível subdividir a rendibilidade dos capitais investidos em rendibilidade Financeira – ligada aos capitais próprios investidos.Finanças Empresariais Finalmente. RCP = RL CP O valor de rendibilidade financeira representa a taxa máxima de remuneração obtida pelos capitais próprios aplicados na empresa. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pelo que. quanto maior for o seu valor. podem ser de dois tipos: próprias ou alheias. mais apetecível será a empresa para novos investidores. entendendo-se este como o conjunto de meios utilizados pela empresa no desenvolvimento da sua actividade. Lda 65 .

Companhia Própria – Formação & Consultoria. Para além da rendibilidade dos capitais próprios. RL V ALT RL V CP × × = × × CP V ALT V ALT ALT O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é condicionada pela: margem de lucro. Lda 66 . RENDIBILIDADE ECONÓMICA Com o cálculo da rendibilidade económica procura medir-se o rendimento do conjunto de meios utilizados pela empresa para a prossecução da sua actividade. RL V V ALT pela rotação do activo total. e pelo nível de financiamento do total das aplicações pelos capitais próprios. para aumentar a rendibilidade dos capitais próprios.Finanças Empresariais Assim se multiplicarmos o numerador e o denominador do rácio de rendibilidade dos capitais próprios pelo volume de vendas e aplicações totais. poderá actuar-se sobre cada um. sobre os rácios considerados. termos. CP ALT Deste modo. podemos também calcular a rendibilidade dos capitais permanentes através do cálculo do rácio: RCPermanen tes = RL + Cfinanceir os CPermanent es que comparada com a rendibilidade dos capitais próprios permite avaliar a importância dos capitais alheios de médio e longo prazo na formação da rendibilidade da empresa. ou simultaneamente.

sendo a sua maximização um dos objectivos da gestão financeira. representa a remuneração dos capitais investidos independentemente da sua proveniência (capitais próprios ou alheios). margem bruta e resultado de exploração. margem económica.Retum on Investiment). poderemos isolar para além da rotação dos capitais Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais A Rendibilidade Económica do Activo (ROI . multiplicarmos o numerador e o denominador deste rácio pelo volume de vendas. se multiplicarmos o numerador e o denominador do rácio de rendibilidade económica pelos proveitos de exploração. sobre as quais será possível vir a actuar com vista a melhorar a sua rendibilidade: Fórmula decomposta: ROI = RE RAJI V RAJI V × × = × ALT ALT V RE V O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto da margem económica (ou margem líquida corrigida) pela rotação das aplicações totais. teremos: A rendibilidade económica do activo pode-se decompor de forma a termos várias informações acerca da performance da empresa. Obtém-se através do seguinte rácio: ROI = RAJI ALT Se à semelhança do que se fez no desenvolvimento da rendibilidade financeira. Este desenvolvimento poderá igualmente ser efectuado tendo em consideração os conceitos base já definidos da teoria do CVR. RAJI V V ALT pela rotação do activo total. permitindo-nos assim uma outra perspectiva da análise de rendibilidade económica. Lda 67 . Assim.

ou margem de contribuição. Deste modo teremos: ROI = RAJI PE MB RE MB RE RAJI PE × × × = × × × ALT PE MB RE ALT MB RE ALT O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto de: Margem Bruta. já evidenciada em desenvolvimento anterior. o efeito dos custos fixos. sobre os quais será possível vir a actuar com vista a melhorar a sua rendibilidade. MB PE Rotação do activo líquido total. RE MB RAJI RE Efeitos dos resultados extraordinários. INTERLIGAÇÃO ENTRE AS RENDIBILIDADES ECONÓMICA E FINANCEIRA O EFEITO FINANCEIRO DE ALAVANCA Finalmente convirá evidenciar a relação existente entre a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira. PE ALT Efeito dos custos fixos. possibilitando a identificação de um conjunto de indicadores da performance da empresa.Finanças Empresariais totais. se multiplicarmos a rendibilidade económica pelos capitais próprios e pelo resultado líquido. Lda 68 . o que passa pela análise do chamado “efeito financeiro de alavanca” ou “leverage financeiro”. teremos: ROI = RL CP RAJI × × CP ALT RL O que demonstra que a rendibilidade económica é igual ao produto de: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Assim.

Modelo Aditivo de alavanca financeira O efeito financeiro de alavanca ou “leverage financeiro” pode também ser apresentado de outra forma.Finanças Empresariais Rendibilidade financeira. o que significa que a rendibilidade dos capitais próprio diminuirá. CP RAJI × ALT RL Esta relação permite-nos avaliar as possibilidades de melhorar a rendibilidade dos capitais próprios. como a seguir se mostra. Lda 69 . No entanto. chegaremos a RCP = ROI × CP + CA RL × CP RAJI Uma melhoria da rendibilidade financeira poderá pois ser conseguida através de uma utilização mais adequada dos capitais alheios. Nestas circunstâncias é possível afirmar que a rendibilidade financeira só aumentará enquanto a rendibilidade económica for superior ao custo dos capitais alheios. o que pode ser conseguido actuando sobre o coeficiente de alavanca. RL CP Coeficiente de alavanca. o efeito de alavanca continua a funcionar mas em sentido inverso. para um dado nível de rendibilidade económica. Quando a rendibilidade económica é inferior ao custo dos capitais emprestados. Assim teremos que: RCP = ROI Alavanca pelo que desenvolvendo. nomeadamente dos empréstimos de médio e longo prazo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. com o aumento do recurso aos capitais alheios. diminui a autonomia financeira da empresa e aumentará necessariamente o peso dos encargos financeiros. o que conduz à diminuição do segundo termo do factor de alavanca.

que representa a remuneração dos capitais investidos independentemente da sua proveniência (capitais próprios ou alheios). P CP Spread entre o ROI e o custo dos capitais alheios .i. Obtém-se através do seguinte rácio: ROI = RAJI ALT donde ROI x ALT = RAJI Sendo a maximização da rendibilidade dos capitais próprios um dos objectivos fundamentais da gestão financeira. ROI Composição das origens de fundos. (ROI − i ) Companhia Própria – Formação & Consultoria. vamos então determinar qual a composição óptima das origens de fundos. em termos de capitais próprios e capitais alheios. Relacionando a rendibilidade dos capitais investidos (ROI) com a rendibilidade dos capitais próprios (RCP). interessa pois verificar qual a melhor composição das origens de fundos que financiam as aplicações. A rendibilidade económica das aplicações toma a designação de ROI (return on investment).Finanças Empresariais A rendibilidade económica das aplicações é dada pelo quociente entre o RAJI e o valor das aplicações totais (ALT). Lda 70 . CP – Capitais próprios RCP – Rendibilidade dos capitais próprios RL – Resultados líquidos P – Passivo P ⎡ ⎤ × (ROI − i )⎥ × (1 − t ) RCP = ⎢ ROI + CP ⎣ ⎦ O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é influenciada pela: Rendibilidade económica das aplicações.

Nesta análise não se entra em linha de conta com o risco financeiro que é directamente influenciado pelo peso dos capitais alheios no conjunto das origens de fundos.Finanças Empresariais Nível de incidência fiscal. A interligação entre a rendibilidade financeira e económica poderá ser igualmente analisada à luz dos pressupostos da teoria do CVR. 2. assumindo os resultados líquidos um valor negativo tanto maior. obtendo a seguinte expressão: RCP = MB PE RE RAJI ALT RAI RL × × × × × × PE ALT MB RE CP RAJI RAJI Rendibilidade económica Efeito alavanca O que demonstra que a rendibilidade dos capitais próprios é influenciada pela: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Maior peso do passivo determina um maior valor de encargos financeiros. então quanto maior for o peso relativo do passivo (P) face aos capitais próprios (CP). a rendibilidade dos capitais investidos é igual à rendibilidade dos capitais próprios deduzida de efeito fiscal. Quando o valor do ROI for inferior ao custo médio dos capitais alheios. Assim. quanto maior o valor do passivo. 3. Lda 71 . Se a rendibilidade económica (ROI) for superior ao custo médio dos capitais alheios (i). maior a rendibilidade do activo líquido total. Quanto o valor do ROI iguala o custo médio dos capitais alheios. pode concluir-se o seguinte: 1. sabendo que: RCP = ROI × CP + CA RL × CP RAJI Podemos multiplicar o numerador e denominador pelo RAI. (1 − t ) Assim.

Efeito dos resultados extra-exploração. PE ALT RE MB RAJI RE Efeito dos custos fixos. RL RAI GRAU FINANCEIRO DE ALAVANCA Observámos no ponto anterior a existência do efeito financeiro de alavanca. Estrutura financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 72 . Esse efeito financeiro de alavanca pode ser quantificado através do cálculo do grau financeiro de alavanca (GFA) ou grau de “leverage” financeiro (GLF) e que se define como: ∆RL ∆RAI (1 − t ) ∆RAI RE RAI = RAI = * = GFA= RL = ∆RE ∆RE ∆RE RAI RE RE RE assume-se a não relevância dos outros custos e outros proveitos. MB PE Rotação do activo. ALT CP Efeito financeiro. ou efeito dos custos variáveis. RAI RAJI Efeito fiscal.Finanças Empresariais Margem Bruta.

o efeito financeiro de alavanca verificar-se-á sempre que os resultados financeiros sejam negativos. Desse modo. os Meios Libertos Brutos deverão não só permitir a cobertura dos resultados financeiros. de remunerar os sócios ou accionistas pelos seus capitais investidos. o risco financeiro pode ser entendido como a probabilidade da empresa não conseguir cobrir todos os seus resultados financeiros através do Resultado Económico (RAJI) apurado. Companhia Própria – Formação & Consultoria. pois poderá suceder que não consigam recuperar os seus créditos devido ao facto de os Meios Libertos Brutos serem demasiado fracos para que isso se possa verificar. ver-se-ia na impossibilidade também. Lda 73 . a análise deste indicador e o estudo da evolução dos meios libertos são elementos importantes para a determinação do risco financeiro. sobre o risco que os credores correm em financiar a empresa. O risco financeiro será tanto mais elevado quanto maiores forem o efeito e o grau de “leverage” financeiro. Assim. Nesta situação a empresa para além de não conseguir remunerar os Capitais Alheios ao valor contratado. Podendo apresentar mesmo um valor absoluto negativo. Por outro lado. o que conduziria a um RAI e Resultados Líquidos negativos. O grau financeiro de alavanca será igual a 1 quando não existirem resultados financeiros e tanto mais elevado quanto mais negativos estes forem. quando o resultado financeiros negativo superar o valor do resultado de exploração. Assim.Finanças Empresariais GFA= RE RAI Visto que RE – RAI = Resultados financeiros. O RISCO FINANCEIRO O conceito de risco financeiro assume vários significados que de qualquer modo se encontram relacionados. como também assegurar o reembolso dos empréstimos e a remuneração do capital próprio. o conceito de risco financeiro poderá ser interpretado no sentido da empresa demonstrar solvabilidade. isto é.

permitindo relacionar as variações do nível de actividade e dos custos com as variações do resultado de exploração. Estão em causa. Assim sendo. o efeito e o grau de alavanca financeiro relacionam o resultado de exploração com os resultados antes de impostos. que se define como: GCA= GEA × GFA = V − CV MB = RAI RAI Tal permite-nos relacionar directamente as variações do nível de actividade da empresa com as variações dos resultados líquidos. O RISCO GLOBAL DA EMPRESA O conceito de risco global traduz a probabilidade de os resultados da empresa se situarem a um nível inadequado ao cumprimento dos seus objectivos essenciais. por outro lado. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 74 .Finanças Empresariais EFEITO E GRAU COMBINADO DE ALAVANCA O efeito e o grau económico de alavanca fazem-se sentir ao nível de exploração normal da empresa. pode analisar-se em que medida uma dada variação das quantidades vendidas afecta os resultados líquidos. Por outro lado. porventura. desde que os resultados financeiros se mantenham inalterados e as rubricas outros custos e outros proveitos se anulem entre si. Deste modo. tendo pois como factor essencial a existência e o nível dos resultados financeiros que dependem da estrutura financeira da empresa. devido à interdependência entre a situação económica e a situação financeira. Este indicador permite-nos verificar até que ponto a estrutura financeira da empresa se encontra dependente da situação económica e. ocasionando. resultados líquidos inadequados face a um bom resultado económico. os graus financeiro e económico de alavanca estão interligados podendo essa relação ser expressa através do Grau Combinado de Alavanca (GCA). apenas factores de natureza económica. portanto. como a situação financeira de pode contrapor à rendibilidade de exploração.

sendo este tanto maior. ainda. Companhia Própria – Formação & Consultoria. dos níveis de risco económico e do risco financeiro. O autofinanciamento não tem uma contrapartida imediata no nível das disponibilidades da empresa. com base na redução do endividamento e no aumento dos capitais próprios. a liquidez e a rendibilidade da empresa. Outros métodos poderão utilizados para a definição quantificada do risco global. A RENDIBILIDADE . A utilização do Grau Combinado de alavanca auxiliará nesta avaliação. no pagamento de empréstimos e de outros passivos ou. Para melhor aferir de como a empresa gera e utiliza a sua liquidez. Como exemplo. A rendibilidade de exploração constitui a essência do autofinanciamento. O risco global será tanto mais elevado quanto maiores forem os seus custos fixos. na aquisição de imobilizado.Finanças Empresariais O risco global de uma empresa pode ser avaliado perla consideração. através da realização de investimentos em capital fixo e em capital circulante e a reforçar a autonomia financeira. em simultâneo. quanto maior for o nível de rendibilidade. os encargos financeiros. pois pode ser utilizado no aumento do crédito a clientes. elemento informativo importante para a compreensão das relações entre o autofinanciamento. refira-se a probabilização da expressão dos resultados líquidos e suas componentes. o grau financeiro de alavanca e o nível de incidência fiscal. O AUTOFINANCIAMENTO E A LIQUIDEZ Os Meios Libertos Líquidos Retidos (MLLR) constituem o autofinanciamento da empresa e destinam-se a assegurar o seu crescimento. A rendibilidade é um factor que determina o autofinanciamento da empresa. deve-se analisar a Demonstração de Fluxos de Caixa. o ponto crítico. Lda 75 . na distribuição de dividendos. o grau económico de alavanca. no reforço de stocks.

Determine a quantidade correspondente ao ponto crítico de vendas. 1. e a BBB.000 200.8€.000 25.. respectivamente. 25.250€ para a AAA. Determine o resultado de exploração de cada empresa no ano corrente.000 40% Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda.000 350.250€. Comente os resultados obtidos por cada empresa. 3. Os custos variáveis foram de 6. A empresa seria rentável se vendesse 20. Lda.1 Considere duas empresas.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 5.3 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 150.000€ e 2.000 100. justificando o desempenho das mesmas à luz da teoria CVR. com um preço de venda unitário de 5€ e um custo variável unitário de 3. Lda.000€. Ambas apresentaram no último ano o mesmo volume de negócios e o mesmo resultado de exploração. e de 18.2 Suponha uma empresa com custos fixos totais no valor de 50. Represente graficamente o ponto crítico de vendas da empresa. respectivamente.750€ para a BBB. considerando que as vendas crescerão cerca de 20% e 40%. EXERCÍCIO 5. no valor de. 2.. Lda 76 .000€? EXERCÍCIO 5.000 unidades? 4. a AAA. A empresa seria rentável se vendesse 250. Lda. 2. 1.

667 26.000€.000 E considerando que a empresa pretende distribuir os resultados transitados pelos seus sócios.Determine a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira da empresa.000€.000 25. a uma taxa de juro de 22% para libertar capitais próprios para os accionista no montante de 60. Lda 77 .4 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 120.667 40. recorrendo a um financiamento bancário.667 2. comentando o sentido e razões da sua variação. EXERCÍCIO 5. Sabendo que a composição do capital próprio da empresa é a seguinte: Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total 10.000 50.Determine a rendibilidade financeira da empresa 2. Considere agora que foi decidido recorrer a um financiamento bancário.000 40% 1. 2.000 160.000 40.Finanças Empresariais 1. Concorda com o financiamento desta operação? Companhia Própria – Formação & Consultoria. a uma taxa de juro de 25% para suportar a operação. no valor de 50. Especifique os factores que contribuem para a variação da rendibilidade da empresa. Calcule de novo as duas medidas de rendibilidade. calcule a rendibilidade esperada para a empresa.

Companhia Própria – Formação & Consultoria. no entanto existem outras perspectivas a considerar: Análise do endividamento e da estrutura financeira. o que apontaria para o financiamento preferencial via capitais alheios. quanto mais capital alheio de médio e longo prazo maior será o equilíbrio. Análise da rendibilidade e do efeito alavanca. A estabilidade da empresa é assegurada por uma estrutura financeira equilibrada e por uma rendibilidade do investimento maior que o custo do capital alheio.Finanças Empresariais 6 Equilíbrio Financeiro Abordagens Tradicional e Renovada ENQUADRAMENTO Para além das decisões sobre a actividade corrente da empresa que afectam os resultados operacionais. quanto maior a rendibilidade do activo face ao custo do capital alheio melhor será o equilíbrio a prazo. assente na preocupação em manter o equilíbrio funcional entre os recursos e as aplicações nos ciclos financeiros da empresa. normalmente. relacionada com a solvabilidade da empresa é complementada por uma segunda. associado um custo inferior ao dos capitais próprios. Lda 78 . Aos capitais alheios está. Esta primeira noção de equilíbrio financeiro. o gestor tem que decidir sobre o financiamento dos activos e determinar a estrutura financeira. não fosse o acréscimo do risco financeiro associado a um maior grau de endividamento. É do entendimento geral que quanto maior o capital próprio face ao capital alheio maior será o equilíbrio. ou seja a ponderação de capitais próprios e capitais alheios no financiamento da actividade.

Finanças Empresariais Nesta perspectiva é efectuada a análise do fundo de maneio e da liquidez. os capitais utilizados por uma empresa para financiar uma imobilização. o qual proporciona uma representação estática da situação patrimonial da empresa num determinando momento. não devem ser financiadas por origens com um grau de exigibilidade mais forte. igual ao grau de exigibilidade das origens. Assim. Lda 79 . EQUILÍBRIO FINANCEIRO MÍNIMO O equilíbrio financeiro define-se pela compatibilização entre o grau de liquidez das aplicações e o grau de exigibilidade das origens. porquanto o equilíbrio de curto prazo é determinado por um activo circulante superior ao passivo circulante. Esta análise assume a designação de análise estática porque tem por base o estudo do balanço. A ABORDAGEM TRADICIONAL DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO A abordagem tradicional do equilíbrio financeiro tem por objectivo avaliar as condições de solvabilidade e estrutura financeira da empresa. consiste no estudo da capacidade da empresa para satisfazer as suas obrigações quando estas atingirem a sua maturidade. e por conseguinte. Na prática. É analisada a liquidez da empresa. O conceito de equilíbrio financeiro tem evoluído desde a tradicional abordagem do Fundo de Maneio. sendo que quanto maior os capitais permanentes face ao activo fixo maior será o equilíbrio. significa que não se deve financiar a aquisição de imobilizado. devem permanecer à sua disposição durante um tempo que corresponda pelo menos à duração dessa aplicação. uma existência ou outro activo. Quer isto dizer que as aplicações com um grau de liquidez mais fraco. Será esta a temática a desenvolver no presente capítulo. pelo menos. porque o nível do Fundo de Maneio está dependente da natureza e do volume da actividade. Em termos práticos. para princípios de equilíbrio assentes em conceitos mais recentes como as Necessidades de Fundo de Maneio e a Tesouraria. Veremos que a análise estática é contrária ao princípio da continuidade da empresa. A regra do “Equilíbrio Financeiro Mínimo” é verificada quando o grau de liquidez das aplicações é. das necessidades de fundo de maneio. Companhia Própria – Formação & Consultoria. com um financiamento exigível a curto prazo. ou a capacidade de obter dinheiro a fim de satisfazer os compromissos de curto prazo. No mesmo sentido.

em cada momento. FUNDO DE MANEIO O Fundo de Maneio está intimamente ligado à solvabilidade da empresa. pelo que se diz que uma empresa está em equilíbrio financeiro quando o valor dos capitais permanentes é igual ou superior ao valor do activo fixo. Assim. o equilíbrio financeiro mínimo traduz-se pela igualdade entre o activo circulante e os débitos de curto prazo. existam meios financeiros disponíveis para liquidar as responsabilidades que se vão vencendo. poderá fazer-se com recurso a financiamentos de curto prazo. correspondente ao excedente de capitais permanentes sobre o activo fixo. e segundo o princípio tradicional do equilíbrio financeiro. Representa uma margem de segurança. Companhia Própria – Formação & Consultoria. esta terá de liquidar as origens de fundos que se vão tornando exigíveis com as aplicações de fundos que se tornam disponíveis. Lda 80 . A representação desta regra em termos gráficos virá como na figura seguinte: Activo Fixo Financiamento a médio e longo prazo Financiamento de curto prazo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Deste modo. uma empresa encontra-se em equilíbrio financeiro quando há adequação entre o nível de exigibilidade das origens e o grau de liquidez das aplicações. e tem como objectivo evitar a existência de rupturas de tesouraria. pode-se afirmar que a estrutura financeira da empresa está equilibrada quando a calendarização das origens e das aplicações de fundos permite que.Finanças Empresariais a aquisição de bens e serviços destinados a ser incorporados no processo de produção da empresa. ou entre o activo fixo e os capitais permanentes. Esta margem é a garantia de equilíbrio financeiro. Em jeito de conclusão. e considerando que ao longo da vida da empresa. designadamente a médio e longo prazo.

cujo grau de exigibilidade é fraco. estável. Só as decisões de investimento e respectivo financiamento poderão afectar o valor do Fundo de Maneio. Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Já a empresa representada na figura seguinte encontra-se em desequilíbrio financeiro por o valor dos capitais permanentes é inferior ao valor do activo fixo. Lda 81 . Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Companhia Própria – Formação & Consultoria. que é. as variações de Fundo de Maneio são explicadas por decisões que afectam quer o activo fixo quer os capitais permanentes. que está a financiar aplicações cujo grau de liquidez é elevado. A existência de fundo de maneio não decorre da existência de activos circulantes. O balanço seguinte apresenta uma empresa em equilíbrio financeiro porque o valor dos capitais permanentes é superior ao valor do activo fixo. mas apenas do modo de financiamento desse activo circulante. O fundo de maneio exprime a parcela das origens. Assim. por natureza.Finanças Empresariais O Fundo de Maneio pode ser definido de duas formas: A parte dos capitais permanentes que não é absorvida no financiamento do activo fixo e que consequentemente está aplicada na cobertura das necessidades de financiamento do ciclo de exploração.

donde resulta que: “Uma empresa está em equilíbrio quando o seu Fundo de Maneio é positivo”. Equilíbrio financeiro .FM positivo Desequilíbrio financeiro . tal como descreve a figura seguinte: Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo de Maneio Fundo de Maneio Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Posto isto.Finanças Empresariais Assim. a determinação do Fundo de Maneio pode ser efectuada por duas vias. e dada a igualdade entre o activo total e a soma dos capitais permanentes e passivo de curto prazo. estamos em condições de enunciar o princípio de equilíbrio financeiro tradicional com base no conceito de Fundo de Maneio. Lda 82 .FM negativo Activo Fixo Capitais Permanentes Activo Fixo Capitais Permanentes FM > 0 FM < 0 Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Activo Circulante Passivo de Curto Prazo Companhia Própria – Formação & Consultoria.

Fundo de Maneio = Capitais Permanente – Activo Fixo = 13.000 21. uma vez que os seus Capitais Permanentes são superiores ao Activo Fixo. o empréstimo de curto prazo contraído terá de ser reembolsado. Próprio + Passivo 13. já de si precária. Ao não ter em conta a velocidade de rotação do activo circulante. estas igualdades não garantem a inexistência de rupturas de tesouraria durante a exploração da empresa.000 6. sendo o balanço da empresa no momento imediatamente anterior ao vencimento.000 5.000 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo de curto prazo Empréstimo bancário Fornecedores Total Cap.000 => FM>0 No entanto. Isto é. o seu Fundo de Maneio é positivo. passados doze meses. resulta manifestamente insuficiente.000 3. uma vez que qualquer perturbação no normal funcionamento da empresa poderia comprometer a igualdade/equilíbrio entre o activo circulante e os débitos de curto prazo. Vejamos um exemplo que retrata o facto da abordagem tradicional do princípio financeiro ignorar o carácter cíclico ou renovável de alguns activos circulantes e passivos de curto prazo. Lda 83 . a empresa encontra-se em equilíbrio financeiro.Finanças Empresariais LIMITAÇÃO DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO TRADICIONAL A regra do equilíbrio financeiro mínimo não permite assegurar o equilíbrio financeiro da empresa. De facto. isto sucede porque existem elementos circulantes cuja rotação de transformação em disponibilidades é mais lenta que a exigibilidade (vencimento) das dívidas a curto prazo. e de acordo com a abordagem tradicional. a regra de equilíbrio financeiro mínimo. Consideremos o seguinte balanço: Balanço Activo Activo Fixo Activo Circulante Clientes Disponibilidades Activo total 12. o seguinte: Companhia Própria – Formação & Consultoria.000 – 12.000 3.000 = 1.000 21. se assumirmos que.000 Neste caso.

Lda 84 .Finanças Empresariais Balanço Activo Activo Fixo Activo Circulante Clientes Disponibilidades Activo total 12. condição tradicional do equilíbrio financeiro. Corresponde ao nível de fundos necessário para financiar o excedente das aplicações relativas às origens associadas à actividade comercial e produtiva. apesar da grande importância que continua a ter a comparação entre liquidez das aplicações e exigibilidade das origens de fundos. Isto.000 5. Próprio + Passivo 14. sobretudo na parte que respeita à exploração.000 Verificamos que a empresa não dispõe de fundos suficientes para liquidar o empréstimo bancário. assente em conceitos como o Fundo de Maneio Necessário e a Tesouraria Líquida.000 3.000 6.000 22.000 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo de curto prazo Empréstimo bancário Fornecedores Total Cap. uma vez que os disponíveis são insuficientes para fazer face ao vencimento do empréstimo de curto prazo. Isto resulta do facto da abordagem tradicional do equilíbrio financeiro ignorar o carácter renovável e alguns activos circulantes – como o saldo de clientes – os quais são equiparáveis a aplicações permanentes de fundos. Será também um conceito conjuntural. foi desenvolvida uma nova perspectiva de análise do equilíbrio financeiro.000 4. Esta empresa que aparentava uma situação de equilíbrio. dificilmente influenciáveis pelos seus gestores. FUNDO DE MANEIO NECESSÁRIO O Fundo de Maneio Necessário é um conceito dinâmico e próprio de uma certa e determinada empresa (não é comparável). Companhia Própria – Formação & Consultoria. uma vez que se verificava a adequação entre o nível de exigibilidade das origens e o grau de liquidez das aplicações. pois os activos e os passivos normais dependem em muito de factores externos à empresa. cuja constante rotação lhes confere um carácter estável e conduz à sua permanência. na análise financeira.000 22. acabaria por se deparar com um problema de insolvência. A ABORDAGEM RENOVADA DO FUNDO DE MANEIO Em virtude das limitações da abordagem tradicional de equilíbrio financeiro.

Adiantamentos a fornecedores.Finanças Empresariais O Fundo de Maneio Necessário pode ser estimado com base na seguinte fórmula: FMN = Aplicações Cíclicas de Exploração – Origens Cíclicas de Exploração Sendo as parcelas correspondentes a. Crédito concedido a clientes. o nível médio de stocks. o Fundo de Maneio Necessário é também uma necessidade permanente de fundos. Origens Cíclicas de Exploração Crédito obtido de fornecedores. explicado pelo poder negocial de cada agente ou por outros factores de carácter temporário ou extraordinário. Consideremos uma empresa em comercialização de um produto único. Aplicações Cíclicas de Exploração Existências. o crédito obtido de fornecedores. EOEP e acréscimos e diferimentos de exploração. sendo o diferencial entre as Necessidades de Fundo de Maneio normais e as reais. Existirá um nível normal. início de actividade. Estes desvios constituem também uma forma de avaliar a gestão da empresa. resultante das políticas praticadas a níveis diversos como o crédito concedido a clientes. dedicada à Os prazos associados ao seu ciclo de exploração são os seguintes. EOEP e acréscimos e diferimentos de exploração. líquido de provisões. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Tal como o activo fixo. Lda 85 . Adiantamentos de clientes. crítica para o desempenho da actividade da empresa.

obteve um financiamento por parte dos seus fornecedores de 15 dias. Em determinadas actividades. Só a partir do dia 25 haverá lugar ao primeiro recebimento. Existências: 10 dias * 1. Crédito a clientes: 15 dias * 1.000. o caso dos hipermercados. Crédito de Fornecedores: 15 dias * 1.000 = 15. conclui-se que até então a empresa esteve a investir em existências e em crédito concedido aos clientes.500. o Fundo de Maneio Necessário normal é negativo. sendo o exemplo mais comum para ilustrar estas situações. sendo os pagamentos efectuados de acordo com prazos alargados. Lda 86 . Com o início da sua actividade a empresa começa por constituir stocks.000 = 17.Finanças Empresariais 0 Armazenagem 10 Crédito a Clientes 25 Crédito de Fornecedores 15 dias O preço de venda da empresa é de 1.000. TESOURARIA LÍQUIDA A Tesouraria Líquida corresponde ao valor das aplicações circulantes de carácter não cíclico líquido do valor das origens de curto prazo com carácter não cíclico. Tal.500-15. Estas situações são claramente favoráveis para a empresa. período após o qual efectuará o primeiro pagamento.500 = 22. e não uma aplicação permanente como temos vindo a assumir. significa que o Fundo de Maneio Necessário representa uma origem permanente de fundos.000. O Fundo de Maneio Necessário corresponde assim à diferença entre as necessidades e as origens permanentes resultantes do ciclo de exploração.500. Por outro lado. efectuando a sua primeira venda no dia 10.000 = 10. Assim sendo.500. no valor de 32. A Tesouraria Líquida pode ser calculada com base na seguinte fórmula: Tesouraria Líquida = Tesouraria Activa – Tesouraria Passiva Os elementos que integram a Tesouraria Líquida são: Companhia Própria – Formação & Consultoria. cujos recebimentos são efectuados a pronto. sendo o custo do produto de 1.

que inclui os empréstimos bancários de curto prazo. Lda 87 . que inclui as disponibilidades.Fundo de Maneio Necessário Tesouraria Activa Tesouraria Passiva = Tesouraria Líquida Companhia Própria – Formação & Consultoria. RELAÇÃO FUNDAMENTAL DE TESOURARIA A relação fundamental de tesouraria assenta no princípio de que a tesouraria líquida é igual à diferença entre os capitais empregues para financiar a actividade e as necessidades resultantes dessa actividade. e os créditos de terceiros sem carácter cíclico ou renovável. e os créditos a terceiros sem carácter cíclico ou renovável. passa pela noção de Fundo de Maneio. a relação fundamental de tesouraria também resulta da igualdade dos dois membros do balanço. Tesouraria Passiva. os títulos negociáveis.Finanças Empresariais Tesouraria Activa. vindo a relação fundamental de tesouraria expressa da seguinte forma: Tesouraria Líquida = Fundo de Maneio – Fundo de Maneio Necessário Tal como o Fundo de Maneio. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo de Maneio Aplicações Cíclicas Origens Cíclicas . Tesouraria Líquida = Capitais Permanentes – (Activo Fixo + Fundo de Maneio Necessário) Um método de cálculo alternativo.

Representação gráfica do equilíbrio financeiro renovado: Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais PRINCIPIO DO EQUILÍBRIO FINANCEIRO – ABORDAGEM RENOVADA Com base neste novo conceito. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Tesouraria Líquida > 0 O balanço funcional abaixo representa uma empresa em desequilíbrio financeiro porque a Tesouraria Líquida é negativa. sendo estas compostas pelo activo fixo e o fundo de maneio necessário. O balanço funcional abaixo representa uma empresa em equilíbrio financeiro porque a Tesouraria Líquida é positiva. Lda 88 . Tesouraria Líquida. uma empresa encontra-se em equilíbrio financeiro quando os capitais permanentes são suficientes para financiar as necessidades permanentes resultantes da actividade. Activo Fixo Capitais Permanentes Fundo Maneio Necessário Tesouraria Líquida < 0 O princípio do equilíbrio financeiro renovado estipula que. podemos enunciar o princípio de equilíbrio financeiro renovado da seguinte forma “Uma empresa está em equilíbrio financeiro quando a Tesouraria Líquida é positiva”.

Finanças Empresariais ESTRUTURAS FINANCEIRAS Em função da conjugação dos diferentes sinais do Fundo de Maneio. como retrata a figura seguinte: NECESSIDADES EM FUNDO DE MANEIO (+) (+) FUNDO DE MANEIO (a) TL < 0 (b) TL < 0 (c) TL > 0 (-) (e) TL > 0 (d) TL > 0 (f) TL < 0 (a) TL < 0. se conseguiria concluir sobre um efectivo desequilíbrio financeiro. Só através de uma análise estática comparativa. com FM > 0 e NFM > 0 Nesta situação a empresa financia parte das suas necessidades cíclicas de exploração de cariz permanente com operações de tesouraria. (b) TL < 0. com FM < 0 e NFM > 0 Denota uma deficiente estruturação ao nível dos capitais estáveis. podem ser tipificadas seis 6 estruturas financeiras. agravada por uma acrescida dependência de operações financeiras de tesouraria. Lda (-) 89 . das Necessidades de Fundo de Maneio e da Tesouraria Líquida. sobressai a dependência da empresa face ao sistema bancário e o risco de taxa de juro a que está sujeita. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Não se tratando de um verdadeiro problema de solvabilidade. aferindo a evolução temporal desta situação.

pois um rápido vencimento das NFM obrigaria à libertação de aplicações de tesouraria antes do previsto. como é o caso da grande distribuição. esta situação financeira poderá. Neste caso. (f) TL < 0. Companhia Própria – Formação & Consultoria. mas sim a optimização dos seus recursos. todavia. Lda 90 .Finanças Empresariais (c) TL > 0. garante de inexistência de dificuldades financeiras. Não é. significar um maior risco financeiro. (e) TL > 0. com FM < 0 e NFM < 0 Esta é uma situação financeira à qual está associado um nível de risco elevado. dado que FM < 0. com FM < 0 e NFM < 0 Semelhante à situação anterior. com FM > 0 e NFM < 0 Esta será a situação financeira mais favorável. face ao desequilíbrio financeiro que traduz. embora possa significar um de excesso de FM. o que está em causa não é a solvabilidade da empresa. As NFM<0 podem resultar de ciclos de exploração curtos. com margem de segurança. face às NFM negativas. É o quadro típico de actividades com ciclos de exploração curtos. no entanto. com FM > 0 e NFM > 0 É uma situação indicadora de equilíbrio financeiro. o que indiciaria um nível de actividade excessivo face à capacidade financeira da empresa. (d) TL > 0.

000 vencem-se.000 EXERCÍCIO 6. por outro lado.000 Todos os créditos se vencem a 45 dias e que as existências são as suficientes para garantir as vendas pelo mesmo período.2 Considere o seguinte balanço. EXERCÍCIO 6.250 3. por si só.1 Considere que o activo circulante de uma empresa é constituído pelas seguintes rubricas: Existências Créditos de curto prazo Disponibilidades 20.000 10.500 2. que os débitos a curto prazo no valor de 38.750 750 750 30.750 9.750 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo médio/longo prazo 4. Companhia Própria – Formação & Consultoria.250 3.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 6.3 Comente a seguinte afirmação: “O sinal do Fundo de Maneio é.000 Passivo de curto prazo Fornecedores Empréstimos bancários EOEP Acréscimos e Diferimentos Total Cap. Sabendo.750 450 300 30. Activo Activo Fixo Activo Circulante Existências Clientes Outros devedores Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos Activo total 18. suficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro”. na totalidade.000 8. Calcule o fundo de Maneio e comente os resultados à luz do princípio tradicional de equilíbrio financeiro. analise o equilíbrio financeiro da empresa. a 30 dias.750 3. Próprio + Passivo 11. Lda 91 .

através da transferência global do património da sociedade B. CARVALHO DAS NEVES & ASSOCIADOS. Lisboa. ou mais sociedades.Finanças Empresariais 7 Fusões e Aquisições Principais conceitos1 ENQUADRAMENTO Estes dois conceitos. Fusão e Aquisição. A AQUISIÇÃO de uma empresa pode respeitar à aquisição de capital. Uma FUSÃO consiste na reunião de duas ou mais sociedades numa só. surgem normalmente associados. Lda 92 . 1999 Companhia Própria – Formação & Consultoria. podendo assumir duas modalidades distintas: Fusão por incorporação . 1 Texto elaborado com base no livro “ABC das Fusões e Aquisições”. apesar de distintos do ponto de vista jurídico e de gestão. Fusão por concentração – É constituída uma nova sociedade C. atribuindo-se aos sócios e accionistas da sociedade C as respectivas partes de capital em função do valor negociado para cada uma das empresas fundidas (A + B = C). que se designa sociedade incorporante. IAPMEI. para a sociedade A. Não há lugar à constituição de nenhuma nova sociedade (A + B) = A. Esta operação pode incidir sobre a totalidade (de controlo) ou apenas parte (minoritária) do capital de uma empresa. para são transferidos os patrimónios das empresas A e B.

que vêm nesta via o meio indicado para prosseguir os seus objectivos de crescimento. Gestão ineficiente – apesar de o adquirente se julgar detentor da capacidade e know-how necessários para a gerir de forma eficiente. deve estimar com ponderação os custos de reestruturação. de uma forma ou de outra a criação de valor. por hipótese). ao fim de algum tempo (2 anos. Fase 6 – Auditoria da pós-aquisição – Análise e reavaliação do processo de aquisição. levantando-se a questão sobre o nível de conhecimento sobre a real situação da empresa.Finanças Empresariais Esta associação entre fusões e aquisições resulta da noção de controlo da empresa que. Fase 3 – Abordagem inicial – Tenta-se aferir da receptividade dos sócios ou accionistas da empresa alvo à operação. está subjacente a estas operações (trata-se de uma generalização). Tal verifica-se quando: Subavaliação – algo que poderá suscitar muitas dúvidas. O PROCESSO DE AQUISIÇÃO São várias as fases a que está sujeito o processo de aquisição de uma empresa: Fase 1 – Estratégia empresarial – As F&A são determinadas pelas decisões estratégicas das empresas adquirentes. Fase 4 – Avaliação da empresa alvo – Envolver o diagnóstico. Fase 2 – Pesquisa e selecção – Identificação de empresas em conformidade com o perfil delineado. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 93 . Fase 5 – Integração da empresa adquirida – A empresa alvo passa a ser gerida pelos novos detentores de capital. normalmente. É definido o perfil da empresa alvo. a avaliação propriamente dita e a negociação do preço da empresa alvo. CRIAÇÃO DE VALOR A decisão estratégica de adquirir uma empresa visa. Os riscos destas operações de turnaround são muito elevados. actual e perspectivas futuras. passada. É concretizada a oferta de compra.

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Sinergias potenciais – estas sinergias podem resultar de economias de escala a diferentes níveis, produção, distribuição, marketing e financeira. Por exemplo, a marca de uma empresa pode ser usada para lançar produtos da outra empresa.

TIPOS DE AQUISIÇÃO E SINERGIA As estratégias de aquisição de empresas são classificadas da seguinte forma: Aquisições horizontais: são as aquisições de empresas concorrentes, ao nível do mercado, do produto ou da tecnologia. Entre as principais vantagens destacam-se o reforço do poder negocial, as economias de escala, a economia de custos, o alargamento da oferta e do mercado potencial. Aquisições verticais: A montante ou a jusante. São operações que envolvem empresas situadas em diferentes níveis da cadeia de valor do negócio da empresa adquirente. Visam sobretudo a economia de custos, a garantia de qualidade dos produtos ou dos fornecimentos de matériaprima. Aquisição de diversificação: Podem ser de dois tipos: Diversificação pura – a empresa alvo não tem qualquer espécie de ligação com a empresa adquirente. Diversificação concêntrica – existem elos de ligação, sobretudo ao nível do marketing ou tecnologia;

Formas de sinergia: Sinergia por transferência – Os recursos e competências da sociedade adquirente são transferidos para a sociedade adquirida, melhorando o desempenho desta. Sinergia por partilha – Desenvolve-se um processo interacção e aprendizagem mútua, com benefícios de parte a parte. É o caso das economias de escala. Sinergia por conluio – Sinergias resultantes do reforço do poder negocial perante o mercado. É caso da compra de quota de mercado, através de aquisições horizontais. São múltiplos os exemplos passíveis de serem mencionados, as concentrações verificadas nos últimos tempos na indústria farmacêutica serão um deles.

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ABORDAGEM E NEGOCIAÇÃO INICIAL Não sendo uma fase do processo de aquisição mais importante do que as restantes, porque todas elas são relevantes, a abordagem e negociação inicial será certamente aquela que mais dúvidas e incertezas colocará aos potenciais envolvidos. É suposto que a sociedade adquirente chegue a esta fase certa daquilo que quer, e que isso corresponde ao que efectivamente necessita. As duas fases anteriores de Planeamento Estratégico e Pesquisa e Selecção têm esse objectivo. Devem agora procurar conhecer melhor o seu alvo potencial. Para tal terão de recolher o máximo de elementos sobre a empresa alvo, sobre os seus gestores e sócios ou accionistas. As questões que não devem ficar sem resposta são as seguintes: O que é que se pretende obter da empresa alvo? Quais as alternativas à compra desta empresa alvo? Qual o valor da empresa? Tem dados suficientes para fazer uma oferta de valor? Existem potenciais concorrentes à aquisição? Qual o preço que estão dispostos a suportar pela empresa alvo? Quais as alternativas do vendedor? Coloque-se na sua posição. Durante todo o processo de negociação decorre o estudo mútuo continuado do comportamento, atitude psicológica e identidade de cada parte, assim como dos seus objectivos, de modo a orientar a negociação para a satisfação conjunta dos objectivos. ATITUDE “JU-JITSU” NA NEGOCIAÇÃO A negociação não deve ser encarada como uma arena de conflito! Não se trata de ver quem fica com a fatia maior do bolo. A negociação de aquisição de uma empresa não deve ser reduzida a esta dimensão. Deve aproveitar-se o processo de negociação para criar relações e procurar fontes de criação de sinergia entre as duas empresas. Há que estimular a reflexão sobre o processo de criação de valor, conduzindo a negociação para uma plataforma de parceria em vez de rivalidade.

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A utilização de interrogações, dúvidas que levem o seu interlocutor a encontrar soluções, criar-lhe-á flexibilidade na negociação e maior facilidade de movimentação sobre possíveis soluções futuras. Lembre-se que o preço não será o único alvo da negociação. Este processo é habitualmente ilustrado, de forma muito feliz, pelo caso das duas irmãs que disputam a última laranja que tinham em casa. Há falta de consenso, a mãe acaba por dividir a laranja ao meio! Assunto resolvido. Talvez não da melhor forma! Caso se tivesse verificado uma atitude “JUJITSU” na negociação, rapidamente teriam, as irmãs, concluído que partilhavam de interesses distintos, mas compatíveis, sobre a mesma laranja. Enquanto uma queria a laranja para sumo, a outra pretendia aproveitar a casca para fazer um bolo… SITUAÇÕES DE IMPASSE Ocorrem quando se torna impossível reconciliar as diferenças de perspectiva sobre o preço ou sobre qualquer outro aspecto considerado fundamental pelas partes. Prosseguindo uma estratégia de negociação integrativa devem partilhar-se as bases e os pressupostos das avaliações. Muitas vezes as diferenças residem na valorização de activos passíveis de serem excluídos do negócio. PREÇOS COM EARN-OUT O earn-out é um método de compensação do vendedor pelo valor da empresa observável no futuro. Pode ser utilizado na resolução de situações de impasse. Esta abordagem será eficiente se houver entendimento e confiança mútuas. É uma relação win-win. UMA NEGOCIAÇÃO EFICAZ Para desenvolver uma negociação integrativa sugere-se as seguintes áreas de reflexão comum: Identificar os interesses comuns - ambas as empresas podem chegar à conclusão que querem a mesma solução para vários problemas e que estão em condições de trabalhar em conjunto para criar valor; Reconhecer as diferenças de interesse - as diferenças de interesse podem ser uma forma de realizar valor com facilidade; Redefinir da situação - A negociação cooperante permite que as partes reformulem os conflitos aparentes e inventem novas formas de actuação que satisfaçam os interesses de ambas as partes.

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Necessidade de exigir maior empenho e informação antes de prosseguir com as negociações – falta de cooperação. Atrasos nas respostas. O due diligence tem uma contribuição elementar para o processo de avaliação e. presente e futuro da empresa alvo. associados ao passado. Auditoria legal. Limitação no acesso a pessoas.Finanças Empresariais SINAIS DE PERIGO NA NEGOCIAÇÃO Omissão de questões chave ou análise de áreas chave. Respostas vagas e pouco claras. Lda 97 . procura verificar se estes reflectem de forma verdadeira e apropriada o valor contabilístico. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Informação incompleta e incorrecta.” Este processo abrangente passa por: Diagnóstico externo – análise das oportunidades e ameaças. documentos e locais ou activos. e analisa as oportunidades e riscos potenciais de qualquer outra natureza. para a laboração do plano de integração da empresa. Não utilização de especialistas em áreas cruciais. DUE DILIGENCE “É o processo de pesquisa informação relevante sobre todos os activos e passivos da empresa alvo. Diagnóstico interno – análise dos seus pontos fortes e fracos. posteriormente. Auditoria financeira e fiscal.

não aplicando os princípios contabilísticos normalmente aceites. Não regularização das existências obsoletas. Sobrevalorização de imobilizado e capital próprio (reavaliações livres). Não existe o “gestor” (acumulação dos poderes de propriedade e de gestão). A política de remuneração não se rege pelo mercado. despesas de manutenção). Falta de informação e estatísticas sobre os negócios e mercados. nomeadamente: Capitalização de custos do exercício (investigação e desenvolvimento. Desrespeito do princípio da especialização do exercício.Finanças Empresariais PARTICULARIDADES DAS PME Demonstrações financeiras de menor credibilidade (não certificadas e visando a minimização da carga fiscal). Não utilização do princípio da especialização dos exercícios (evitando reflectir custos do próprio ano). Ao contabilizar o custo pelo pagamento e deixando de pagar custos financeiros. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Excesso de valor nas contas de clientes (não efectuam provisões para cobrança duvidosa). os resultados líquidos aparecem sobreavaliados e o passivo subavaliado. Dificuldade em estabelecer comparações com transacções equiparáveis. PARTICULARIDADES DAS EMPRESAS EM SITUAÇÃO DIFÍCIL Tendem a procurar encobrir a sua verdadeira situação financeira. Lda 98 . Forma jurídica (mistura entre actividades da empresa e do empresário em nome pessoal). Sobrevalorização de existências (produtos em curso e acabados para minimizar os custos das vendas.

4 Que indícios poderão sinalizar o perigo das negociações em curso no âmbito duma operação de aquisição? EXERCÍCIO 7. EXERCÍCIO 7. EXERCÍCIO 7. identifique exemplos de sinergias potenciais em operações de fusão ou aquisição de empresas.3 O que entende por due diligence? Que trabalhos implica? EXERCÍCIO 7.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 7.6 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma empresa alvo em situação financeira duvidosa.5 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma PME alvo. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lda 99 .1 Em grupos de três elementos.2 O que entende por “Aquisição horizontal”? EXERCÍCIO 7.

Tanto o comprador como o vendedor deverão efectuar a sua própria avaliação do negócio. dentre os quais o principal é a estimativa do custo médio ponderado do capital. Companhia Própria – Formação & Consultoria.Finanças Empresariais 8 Avaliação de Empresas Principais modelos ENQUADRAMENTO A avaliação da uma empresa permite definir intervalos de negociação. O modelo propõe uma metodologia de estimação do valor de uma empresa. mas sim numa estimativa de base. Contudo. e sem empresas de capital aberto comparáveis. As técnicas estabelecidas. O PROCESSO DE AVALIAÇÃO O Valor de uma empresa é muito subjectivo. dentro dos quais se situam diversos valores aceitáveis. em redor do qual actuarão as forças do mercado. um intervalo. o método do fluxo de caixa descontado será um dos mais utilizados por profissionais do mercado e académicos. ao contrário do que possa parecer. cada qual com as suas percepções sobre o potencial do mesmo. o processo pode apresentar desafios adicionais. não resultam na fixação de um preço ou valor específico para a empresa. no caso de empresas com capital fechado. Lda 100 . De entre os vários métodos que irão ser abordados. exequível no caso de empresas com capital aberto com acções negociadas em bolsa e amplo volume de informação disponível.

é natural que a cada avaliador corresponda um valor diferente. Todo o activo. pelo que será função de factores internos e externos à empresa (factores externos como a concorrência. variáveis que. Lda 101 . etc. a regulamentação e as tendências da indústria. impedem uma fiável quantificação e avaliação económica. O JUSTO VALOR DE MERCADO O valor de mercado só existe depois de efectuada a transacção. relativa a utilidade do bem em si mesmo. É comum a utilização de outras noções de valor. Ajustamento ao comprador potencial. por isso. à semelhança de qualquer empresa. pelo menos para empresas em actividade. adquirentes para desvalorizar a empresa alvo. possui dois tipos de utilidade. As técnicas de avaliação são apenas uma forma de estimar o valor de mercado da empresa. o valor para fusão será diferente de o valor para partilha de quotas ou acções. As divergências nos resultados da avaliação podem. Assimetria de informação. assim.). Tendência dos subavaliando-a. que decorre dos desejos e interesses. Os gestores da empresa alvo têm tendência a atribuir mais valor à empresa do que ela realmente vale (sobretudo nas PME). em função do comprador. é perfeitamente quantificável e passível de avaliação desde que definidas correctamente as técnicas apropriadas e as informações relevantes. a utilidade intrínseca. a imagem da empresa. estas não serão tão relevantes quanto o valor de mercado. Tendência da empresa alvo para ajustar a estimativa do valor casuisticamente. no entanto. Afectividade. Por valor de mercado entende-se o valor mais provável por que uma empresa seria transaccionada num mercado competitivo e aberto. decorrer dos seguintes aspectos: Diferentes objectivos de avaliação. não apenas económicos das pessoas. e internos a qualidade dos produtos. os recursos humanos. Este aspecto é menos bem compreendido pelos empresários.Finanças Empresariais Assim. E a utilidade subjectiva. considerado justo entre as partes. ou continuidade: Companhia Própria – Formação & Consultoria. Por exemplo. A empresa pode ser sobreavaliada por falta de informação adequada (importância da due diligence).

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O valor contabilístico da empresa é o valor do capital próprio. O valor de reposição da empresa considera os activos e passivos avaliados ao preço de substituição, sendo o valor do capital próprio apurado pela diferença. O valor de liquidação traduz o preço de venda dos activos em leilão deduzido da dívida. Apresentam-se, de seguida, as técnicas mais utilizadas na prática, com particular atenção para o modelo de fluxos de caixa descontados.

AVALIAÇÃO PATRIMONIAL
O valor patrimonial (ou contabilístico) é a metodologia mais expedita de valorização de uma empresa. Incide sobre a reformulação do balanço, no qual os activos e passivos da empresa, incluindo os não contabilizados, são avaliados individualmente, em função dos critérios mais adequados, em conformidade com a “Directriz Contabilística nº 13 - Conceito de justo valor”. A contabilização dos activos e passivos a valores históricos, não tendo em linha de conta factores como a inflação e a obsolescência, e a existência de activos intangíveis valiosos como, por exemplo, o valor das marcas, os relacionamentos, os recursos humanos, a reputação, etc., constituem factores que limitam a aplicabilidade deste modelo. A diferença entre o preço de transacção e o valor dos activos e passivos avaliados, quando o primeiro é superior, é designada por goodwill ou trespasse - representa o excedente de preço relativamente ao justo valor dos activos e passivos. O valor da empresa nesta abordagem pode ser feito de duas maneiras: • • Somando-se o valor do capital próprio (o valor patrimonial líquido); Somando-se os activos totais e subtraindo-se os passivos circulantes mais o exigível a longo prazo.

Funciona como um ponto de partida a avaliação da empresa.

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AVALIAÇÃO POR COMPARAÇÃO COM O MERCADO
Esta metodologia assume que a activos semelhantes devem correspondem preços semelhantes. Assim, o método de avaliação por comparação com o mercado estima o valor da empresa recorrendo à comparação com transacções efectuadas no mercado de empresas comparáveis ou com empresas similares cotadas em bolsa. Como a principal dificuldade passa pela definição do que será comparável, é comum recorrer-se a rácios sobre empresas concorrentes ou médias de empresas com um conjunto de características semelhantes às da empresa que está a ser avaliada. O uso de indicadores ajusta diferenças de escala entre as empresas. De entre os rácios mais utilizados, destacam-se os seguintes:

PRICE EARNINGS RATIO (PER)

PER =
em que:

P VM = RPA RL

PER – Price Earnings Ratio (rácio do preço lucro); P – Preço de cotação ou valor da transacção por acção; RPA – Resultados líquidos por acção. Pode calcular-se na base da totalidade do capital: VM – valor da transacção efectuada no mercado ou, no caso de empresa cotada, capitalização bolsista; RL – Resultados líquidos.
PRICE BOOK VALUE (PBV)

PBV =

P VM = CPu CP

em que: CPu é o valor contabilístico do capital próprio a dividir pelo número de acções.

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Caso se pretenda calcular o rácio pela totalidade em vez de ser por acção usa-se o valor da transacção (VM) e o valor do capital próprio contabilístico (CP).
PRICE SALES RATIO (PS)

PS =

P VM = VNu VN

em que: VN é o valor das vendas e prestação de serviços; VNu é o volume de negócios por acção.
Na prática não existem duas empresas perfeitamente comparáveis, pelo que os comparativos de mercado devem ser utilizados com prudência e por especialistas.

AVALIAÇÃO PELOS FLUXOS DE CAIXA ACTUALIZADOS
São vários os métodos de avaliação pelos fluxos de caixa. Todos eles assentes no pressuposto de que o valor de um negócio depende dos benefícios futuros que irá produzir, descontados para um valor presente, a uma determinada taxa de desconto que, se pretende, reflicta os riscos inerentes aos fluxos estimados. Assim, a empresa é avaliada não em função da sua situação actual ou passada mas, fundamentalmente, em função da sua capacidade para gerar fluxos monetários no futuro. O que diferencia cada um dos métodos de avaliação pelos fluxos de caixa actualizados é precisamente o tipo de fluxo de caixa utilizado e a respectiva taxa de custo de capital. O método mais utilizado na prática ainda é o método do custo médio. No entanto, a utilização do Valor Actual Líquido Ajustado tem vindo a generalizarse. O VALA utiliza o princípio da separação das decisões de investimento e financiamento, sendo os fluxos de caixa actualizados ao custo de capital da empresa não endividada (kunlevered). No âmbito do presente manual iremos desenvolver apenas o método do custo médio, dada a preferência que recolhe dos profissionais e académicos.

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Representa. VALOR DO NEGÓCIO A actualização dos fluxos de caixa operacionais à taxa de desconto apropriada é equivalente ao valor do negócio. iremos abordar os mais correntes . Dos vários modelos existentes para o cálculo do custo do capital próprio. próprio e alheio. ∆NFM . os meios gerados pelas operações durante o ano. ou em fundo de maneio. I – Investimento em capital fixo.Investimento em capital circulante. portanto. ou Free Cash Flow to the Firm (FCFF).Índice de risco do investimento a ser avaliado Companhia Própria – Formação & Consultoria. O modelo do CAPM: Ke = Rf + β(Rm − Rf ) em que: Rm – Rendibilidade de mercado Rf – Rendibilidade do activo sem risco β . t – taxa de imposto sobre os lucros. líquidos de impostos e ignorando o modo como a empresa está a ser financiada: FCFF = RO × (1 − t ) + A − ∆NFM − I em que: RO – resultados operacionais. traduz os fundos disponíveis para remunerar a totalidade do capital investido na empresa. A – amortizações. A este valor serão posteriormente acrescidos os activos extra-exploração para obtermos o valor da empresa. Lda 105 .CAPM) e o modelo de Gordon.Finanças Empresariais FLUXO DE CAIXA OPERACIONAL O Fluxo de Caixa Operacional (FCO).o modelo dos activos financeiros em equilíbrio (Capital Asset Pricing Model . ESTIMATIVA DO CUSTO DE CAPITAL Custo de capital próprio O custo de capital próprio representa a rendibilidade exigida pelos accionistas de modo a compensar o risco económico e financeiro.

Lda 106 . que pode ser obtido pela sua actualização a uma taxa de risco adequada ou pelo seu preço de mercado. Esta classe de activos engloba normalmente disponibilidades e aplicações financeiras de curto prazo. resultados Companhia Própria – Formação & Consultoria. ou seja o total dos capitais próprios (CP) e capitais alheios (CA). t designa a taxa marginal de imposto sobre lucros. e porque nem sempre se obtém esta informação. ou weighted average cost of capital (WACC). No entanto. são utilizadas aproximações com base em taxas históricas ou médias. ACTIVOS EXTRA-EXPLORAÇÃO Os activos extra-exploração devem ser considerados ao seu valor de mercado. Ke designa o custo de capital próprio. pode calcular-se do seguinte modo: k CA CP =k × + k × (1 − t )× d m e CT CT em que: CT representa o capital total da empresa.Finanças Empresariais (Rm – Rf) – Prémio de risco de mercado O modelo de Gordon: ke = D1 +g P0 em que: D1 – dividendo por acção estimado para o primeiro ano P0 – o preço ou valor de cada acção no momento da avaliação g – a taxa de crescimento dos dividendos e lucros Custo de capital alheio O custo de capital alheio equivale à taxa de juro que a empresa estaria em condições de negociar no mercado. kd designa o custo da dívida financeira antes e impostos. Custo médio de capital O custo médio ponderado do capital (Km).

na hipótese de vida infinita e taxa de crescimento constante dos fluxos de caixa. também frequentemente designado de valor residual. Deverá corresponder a um período de crescimento. assumindo tratar-se de uma fase de relativa estabilidade. Neste caso os fluxos de caixa não são explicitamente determinados. podendo influir significativamente no resultado da avaliação. assumindo que as variáveis determinantes do valor estabilizam ou evoluem de acordo com uma determinada taxa de crescimento (g). normalmente.Finanças Empresariais extraordinários actividades. correspondente ao período para o qual são estimados os fluxos de caixa em cada momento. A fórmula de cálculo do valor residual. é determinado como uma perpetuidade do fluxo de caixa a partir do horizonte temporal (FCFFt+1 ou FCOt+1). Lda 107 . sendo usual assumir a perpetuidade do negócio. é a seguinte: VCT = VALOR DA EMPRESA FCFFT +1 km − g O valor dos activos na posse da empresa alvo é então determinado da seguinte forma: Companhia Própria – Formação & Consultoria. A distribuição dos fluxos é normalmente considerada em dois períodos distintos: O horizonte previsional. pois. ou fluxos provenientes de investimentos em outras HORIZONTE TEMPORAL A definição do horizonte temporal da avaliação é de extrema importância. Pelo que a sua determinação reveste-se de grande importância. O período de continuidade. a parcela do valor de continuidade corresponde. O valor de continuidade. VALOR DE CONTINUIDADE Assumindo-se a perpetuidade da empresa. é estimado um valor de continuidade. à maior parte do valor estimado para a empresa.

VC representa o valor de continuidade. resultaria na inadequação deste método. Para chegarmos ao valor do capital próprio basta subtrair o valor de mercado da dívida financeira ao valor da empresa. Por exemplo. empresas com activos não-utilizados. Este fluxo deve ser líquido de impostos e outros custos específicos. Nesta situação seria recomendável a avaliação pelo valor de liquidação ou o recurso a modelos de avaliação de opções. empresas com patentes.Valor de mercado da dívida financeira = Valor dos capitais próprios LIMITAÇÕES O método do fluxo de caixa descontado apresenta limitações em algumas situações: pequenas e médias empresas. empresas em processo de reestruturação e empresas envolvidas em aquisições.Finanças Empresariais VE = ∑ i =1 n (1 + k m ) FCFFi i +∑ i =1 n (1 + k m ) CFEE i i + (1 + k m )i VC i Em que: FCFF representa o fluxo de caixa operacional. é expectável que uma empresa em dificuldades financeiras tenha fluxos de caixa negativos. que se pressupõe financiada por capitais próprios e dívida. empresas cíclicas. o que. a manter-se esta tendência para o futuro. Km representa o custo médio ponderado do capital. Assim sendo: + Valor do Negócio + Valor de mercado dos activos extra-exploração = Valor da Empresa . CFEE representa o fluxo de caixa obtido pelos activos não afectos à exploração em consequência da alienação ou fruição dos mesmos. Lda 108 . Companhia Própria – Formação & Consultoria. empresas em dificuldades financeiras. VALOR DOS CAPITAIS PRÓPRIOS Até aqui vimos como obter a valorização da empresa.

Lda 109 .767 88 730 Ano 3 10.256 1.993 642 3. S.168 3.1 Considere os seguintes elementos previsionais relativos à empresa XPTO.738 58 876 Ano 5 9.600 Prevendo-se que a partir do ano 5 a empresa entre numa fase de maturidade (de crescimento nulo).220 5. dispondo de históricos reduzidos e menos fiáveis. a compra e venda de pequenas empresas é frequentemente determinada por outras razões que não as estritamente financeiras. Os pequenos negócios têm normalmente dados contabilísticos não auditados ou revistos.0% 7. pretende-se que: a) b) Determine o custo médio ponderado do capital da empresa.A. expressos em milhares de euros. Por outro lado.256 934 3.432 4. Ano 1 Vendas CMVMC Amortizações RAJI Investimento em Fundo de Maneio Investimento em Capital Fixo 10. nem sempre as motivações que movem os empresários são as mais racionais. Têm.300 13. geralmente..220 5.140 14.416 117 876 Ano 4 9.796 0 642 Custo do capital próprio: Custo médio da dívida: Taxa de imposto sobre lucros: Autonomia financeira objectivo: Valor de mercado dos activos extra-exploração: Capital investido na exploração no início do ano 1: Valor de mercado da dívida financeira: 15.0% 9.0% 60.Finanças Empresariais Também no caso das pequenas e médias empresas a aplicação deste método deve ser feita de forma cuidada.227 1.796 58 876 Ano 2 10. Companhia Própria – Formação & Consultoria. dadas as particularidades inerentes a empresas desta natureza.548 1. uma estrutura de capital mais simples.424 5. EXERCÍCIO 8. Determine o valor da empresa e o valor dos capitais próprios.0% 30.460 3.928 5.226 3.

Sendo certo que. EXERCÍCIO 1. Política de distribuição de resultados. numa perspectiva de médio e longo prazo? Apresente as suas conclusões numa folha A4. em separado.Finanças Empresariais 9 Exercícios EXERCÍCIO 1. Companhia Própria – Formação & Consultoria. quando mal geridas.2 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira. Tópico de resposta: Política de investimento. Política de financiamento.1 Comente a seguinte afirmação: “ A função financeira é a mais importante das áreas de uma empresa organização”. Lda 110 . Tópico de resposta: É apenas mais uma. as finanças de uma empresa serão seguramente causa de insucesso. condição necessária mas não suficiente.

As da situação líquida e passivo. Lda 111 .3 Quais as principais políticas da empresa que se enquadram no âmbito da função financeira.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 1. Quanto menor o prazo. EXERCÍCIO 2. são apresentadas por ordem crescente de exigibilidade. maior a exigibilidade. Política de gestão dos débitos de curto prazo. Tópico de resposta: O Grau de Exigibilidade baseia-se nos diferentes prazos de vencimento dos créditos obtidos e informa da sua crescente exigibilidade. numa perspectiva de curto prazo? Tópico de resposta: Política de gestão do activo circulante. EXERCÍCIO 2.1 O que entende por grau de exigibilidade? De que forma afecta o balanço. daí os capitais próprios surgirem em primeiro lugar. em função da natureza dos seus valores. Tópico de resposta: Os acréscimos e diferimentos são uma conta de saldo credor e/ou devedor. num período. Companhia Própria – Formação & Consultoria. podendo estar representadas no activo ou no passivo.2 Os acréscimos e diferimentos são uma conta do Activo ou do Passivo? Justifique.

dos custos e proveitos a cada função da empresa. são contas do Activo. 4..000€. inviabilizando a utilização da demonstração de resultados por funções na análise e gestão financeira.250€ para a AAA. 25. Ambas apresentaram no último ano o mesmo volume de negócios e o mesmo resultado de exploração. no valor de. e a BBB. A sua inexistência impossibilita a identificação dos custos directos e indirectos de cada função. EXERCÍCIO 2. a AAA. considerando que as vendas crescerão cerca de 20% e 40%.3 Qual a contribuição da contabilidade analítica para a análise da demonstração de resultados? Tópico de resposta: A existência de contabilidade analítica permite a imputação.Finanças Empresariais As despesas com custo diferido (feitas no exercício mas que correspondem a custos dos exercícios seguintes) e acréscimos de proveitos (antecipação de receitas a ocorrer em períodos posteriores. Lda. Lda 112 .000€.. mas que são proveitos do exercício). são contas do passivo.750€ vendendo 35. Determine o resultado de exploração de cada empresa no ano corrente.250€. fidedigna. RESOLUÇÃO 1) A empresa AAA com um volume de vendas de 30. justificando o desempenho das mesmas à luz da teoria CVR. respectivamente. 3.1 Considere duas empresas. As despesas diferidas (custos do exercício com realização de despesa em exercícios seguintes) e receitas com proveito diferido (receitas do exercício cujo proveito respeita a exercícios posteriores). Lda. Companhia Própria – Formação & Consultoria. Os custos variáveis foram de 6. enquanto a BBB só consegue 4. Lda. EXERCÍCIO 5.750€ para a BBB. respectivamente. e de 18. Comente os resultados obtidos por cada empresa. Lda.000€ consegue resultados de 6.000€ e 2.

2 Suponha uma empresa com custos fixos totais no valor de 50.000 266.000 50. Companhia Própria – Formação & Consultoria.000 164.000 CT 88.000 RE -38.000€? Resolução: Custos fixos totais Preço de venda unitário Custo variável unitário 50.000 34.000 152. 5.000 200.8€.000 CV 38. Determine a quantidade correspondente ao ponto crítico de vendas.000 CF 50. mas para a empresa BBB realizar o mesmo lucro que AAA terá que vender muito mais. o que implica que idênticos crescimentos das vendas originam aumentos nos resultados de exploração mais elevados no empresa AAA do que na BBB.000 208.000 20.000 3) Não.000 70.000 350.000 -26. A empresa BBB adoptou uma estratégia de perdas mais reduzidas e de ganhos reduzidos.000 5.000 41.000€.000 30. neste caso em valor (208.Finanças Empresariais 2) A explicação desta situação resulta do facto de o coeficiente de não absorção dos custos variáveis de AAA ser muito superior ao de BBB.333 250.000 278.000 0 10.000 50.000 126.000 150. A empresa seria rentável se vendesse 250.000 -2. A empresa seria rentável se vendesse 20.333 190.333€).000 40. com um preço de venda unitário de 5€ e um custo variável unitário de 3.667 50.000 50.000 60. Lda 113 .000 114. está assegurada uma rendibilidade de exploração positiva.000 50.000 22.000 202. 7.000 50. Represente graficamente o ponto crítico de vendas da empresa.8 Q 10.000 unidades? 8.000 100.333 240.0 3. na zona abaixo do ponto crítico a actividade não é rentável.000 228.000 -14. 6.000 50. que sendo mais arriscada. EXERCÍCIO 5.000 316. é vantajosa em situações de conjuntura económica desfavorável.000 76. 4) Sim.000 208. acima do ponto crítico.000 158.000 300.000 V 50. A empresa AAA adoptou uma estrutura de exploração com maiores riscos que é vantajosa em períodos de crescimento económico.000 50.

000€.000 29% 23% 2.000 100. Lda 114 .000 25. a uma taxa de juro de 22% para libertar capitais próprios para os accionistas no montante de 60. Considere agora que foi decidido recorrer a um financiamento bancário. 2.Determine a rendibilidade económica e a rendibilidade financeira da empresa.000 40% 1.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 5.400 29% 27% Companhia Própria – Formação & Consultoria.3 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 150. Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total Custos financeiros RL Rendibilidade económica Rendibilidade financeira 200.000€. Resolução: 1.000 36.000 340.000 200. no valor de 50. Calcule de novo as duas medidas de rendibilidade.000 140.000 350.000 38. RL Rendibilidade económica Rendibilidade financeira 45. comentando o sentido e razões da sua variação.

4 Admita uma empresa com os seguintes elementos: Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total RAJI Custos financeiros ISR 120.000 25.667 26.Determine a rendibilidade financeira da empresa 2.000 50. calcule a rendibilidade esperada para a empresa. recorrendo a um financiamento bancário.667 2.000 40.000 40% 1.667 40. Sabendo que a composição do capital próprio da empresa é a seguinte: Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total 10. EXERCÍCIO 5. permitem melhorar a rendibilidade financeira. Companhia Própria – Formação & Consultoria.000 E considerando que a empresa pretende distribuir os resultados transitados pelos seus sócios. Especifique os factores que contribuem para a variação da rendibilidade da empresa. Concorda com o financiamento desta operação? Resolução: 1. Lda 115 . a uma taxa de juro de 25% para suportar a operação.Finanças Empresariais A rendibilidade económica é superior ao custo médio dos capitais alheios e o crescimento do passivo no conjunto das origens de fundos.000 160.

000 31.i Ef fiscal 146.00 10% 60% 2.667 Origens de fundos Passivo Capitais próprios Total Custos financeiros tot RL Rendibilidade económic Rendibilidade financeira Decomposta ROI P/CP ROI .000 31% 83% 83% 31% 11. Lda 116 .667 13.333 160.00 10% 60% Como se verifica a rendibilidade dos capitais próprios aumentou significativamente.000 26. Capitais próprios Capital social Reservas Resultados transitados Total Financiamento Financiamento Custo financiamento Diminuição CP 10.667 2.000 31% 38% P ⎤ ⎡ RCP = ⎢ ROI + × (ROI − i )⎥ × (1 − t ) CP ⎦ ⎣ Rendibilidade financeira ROI P/CP ROI .667 40.667 26.667 11. havendo duas razões combinadas para justificar tal desempenho: por um lado o spread (ROI-i) aumentou. o que foi potenciado Companhia Própria – Formação & Consultoria.i Ef fiscal 38% 31% 3.Finanças Empresariais RL Rendibilidade económic Rendibilidade financeira 15.667 25% 26.

Calcule o fundo de Maneio e comente os resultados à luz do princípio tradicional de equilíbrio financeiro. EXERCÍCIO 6. Resolução: Activo Circulante: 38.000 8. analise o equilíbrio financeiro da empresa.1 Considere que o activo circulante de uma empresa é constituído pelas seguintes rubricas: Existências Créditos de curto prazo Disponibilidades 20. uma vez que não conseguirá solver as suas responsabilidades dentro do prazo de exigibilidade das mesmas.000 10. a empresa será confrontada com uma situação de ruptura da tesouraria.2 Considere o seguinte balanço. Lda 117 .Finanças Empresariais pelo crescimento do peso do passivo relativamente aos capitais próprios. a 30 dias. perante uma diferença positiva entre o ROI e o i.000 Todos os créditos se vencem a 45 dias e que as existências são as suficientes para garantir as vendas pelo mesmo período. EXERCÍCIO 6.000 vencem-se. Tal como se justificava. por outro lado. os aumentos das aplicações devem ser financiados com capitais alheios. neste caso em 15 dias. Sabendo.000 – 45 dias Passivo Circulante: 38. na totalidade.000 – 30 dias Apesar de o activo circulante igualar o passivo circulante. Companhia Própria – Formação & Consultoria. que os débitos a curto prazo no valor de 38. já que o prazo de disponibilidade das aplicações é superior.

suficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro”.750 750 750 30. por si só.000 Resolução: Fundo de Maneio Capital Próprio Passivo médio/longo prazo CAPITAIS PERMANENTES Activo Fixo FUNDO DE MANEIO 11. é insuficiente para caracterizar a situação de equilíbrio financeiro. visto que tem que ser conjugado com as condições de gestão dos activos circulantes e dos passivos de curto prazo. Lda 118 . EXERCÍCIO 6.750 -3. equiparando-se como tal a necessidades e origens permanentes de fundos.750 15.750 Segundo o seu fundo de maneio a empresa encontra-se em desequilíbrio financeiro porque o seu Fundo de Maneio é negativo. este resultado deve ser interpretado à luz das limitações da abordagem tradicional do equilíbrio financeiro.3 Comente a seguinte afirmação: “O sinal do Fundo de Maneio é.750 3.250 3.750 Capital Próprio e Passivo Capital Próprio Passivo médio/longo prazo 4.750 450 300 30.000 18. por si só.750 9. Tópico de Resposta O sinal do Fundo de Maneio.250 3.250 3.000 Passivo de curto prazo Fornecedores Empréstimos bancários EOEP Acréscimos e Diferimentos Total Cap.500 2. Próprio + Passivo 11. Contudo.Finanças Empresariais Activo Activo Fixo Activo Circulante Existências Clientes Outros devedores Disponibilidades Acréscimos e Diferimentos Activo total 18. Companhia Própria – Formação & Consultoria. designadamente o facto de ignorar que alguns activos circulantes e alguns passivos de curto prazo têm um carácter cíclico ou renovável.

1 Em grupos de três elementos. as economias de escala. um diagnóstico interno. Tópico para resposta: Por exemplo. a economia de custos.3 O que entende por due diligence? Que trabalhos implica? Tópico para resposta: Processo de pesquisa informação relevante sobre todos os activos e passivos da empresa alvo. etc. EXERCÍCIO 7.4 Que indícios poderão sinalizar o perigo das negociações em curso no âmbito duma operação de aquisição? Tópico para resposta: Companhia Própria – Formação & Consultoria. do produto ou da tecnologia. a gestão financeira comum pode gerar menos custos financeiros por redução do risco e por aumento de poder negocial com a banca.2 O que entende por “Aquisição horizontal”? Tópico para resposta: São as aquisições de empresas concorrentes. o alargamento da oferta e do mercado potencial. EXERCÍCIO 7. identifique exemplos de sinergias potenciais em operações de fusão ou aquisição de empresas. ao nível do mercado. a centralização de compras pode aumentar o poder de negociação com os fornecedores. a marca de uma empresa pode ser usada para lançar produtos da outra empresa. Lda 119 . EXERCÍCIO 7. Passa pela realização de: um diagnóstico externo.Finanças Empresariais EXERCÍCIO 7. uma auditoria financeira e fiscal e uma auditoria legal. Entre as principais vantagens destacam-se o reforço do poder negocial.

despesas de manutenção). Informação incompleta e incorrecta. Desrespeito do princípio da especialização do exercício. Não utilização de especialistas em áreas cruciais. Atrasos nas respostas. documentos e locais ou activos. Respostas vagas e pouco claras. EXERCÍCIO 7. Tópico para resposta: Demonstrações financeiras de menor credibilidade (não certificadas e visando a minimização da carga fiscal). Lda 120 .Finanças Empresariais Omissão de questões chave ou análise de áreas chave. Necessidade de exigir maior empenho e informação antes de prosseguir com as negociações – falta de cooperação.6 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma empresa alvo em situação financeira duvidosa. não aplicando os princípios contabilísticos normalmente aceites. Falta de informação e estatísticas sobre os negócios e mercados. EXERCÍCIO 7. Tópico para resposta: Tendem a procurar encobrir a sua verdadeira situação financeira. nomeadamente: Capitalização de custos do exercício (investigação e desenvolvimento.1 Companhia Própria – Formação & Consultoria. EXERCÍCIO 8. Limitação no acesso a pessoas. Não utilização do princípio da especialização dos exercícios (evitando reflectir custos do próprio ano). Dificuldade em estabelecer comparações com transacções equiparáveis. A política de remuneração não se rege pelo mercado.5 Indique três aspectos particulares a serem ressalvados numa due diligence sobre uma PME alvo. Sobrevalorização de imobilizado e capital próprio (reavaliações livres). Excesso de valor nas contas de clientes (não efectuam provisões para cobrança duvidosa). Não regularização das existências obsoletas. Sobrevalorização de existências (produtos em curso e acabados para minimizar os custos das vendas. Não existe o “gestor” (acumulação dos poderes de propriedade e de gestão). Forma jurídica (mistura entre actividades da empresa e do empresário em nome pessoal).

220 5.227 1.Finanças Empresariais Considere os seguintes elementos previsionais relativos à empresa XPTO. Determine o valor da empresa e o valor dos capitais próprios.256 934 3.796 58 876 Ano 2 10.738 58 876 Ano 5 9.928 5.432 4.460 3. S.220 5.0% 30.226 3..416 117 876 Ano 4 9.0% 9.256 1. Ano 1 Vendas CMVMC Amortizações RAJI Investimento em Fundo de Maneio Investimento em Capital Fixo 10.796 0 642 Custo do capital próprio: Custo médio da dívida: Taxa de imposto sobre lucros: Autonomia financeira objectivo: Valor de mercado dos activos extra-exploração: Capital investido na exploração no início do ano 1: Valor de mercado da dívida financeira: 15.140 14.600 Prevendo-se que a partir do ano 5 a empresa entre numa fase de maturidade (de crescimento nulo). Resolução: a) WACC= 11.767 88 730 Ano 3 10. Lda 121 .A.424 5.300 13.5% b) Companhia Própria – Formação & Consultoria.168 3.993 642 3. expressos em milhares de euros. pretende-se que: a) b) Determine o custo médio ponderado do capital da empresa.548 1.0% 7.0% 60.

046 Ano 3 2. Fixo + F.372 0.Maneio) FCFF Valor de continuidade (FCFF n=5 / WACC) Factor de desconto Valor do FCFF descontado Valor de continuidade descontado Valor do Negócio Valor de mercado dos activos extra-exploração Valor da Empresa Valor de Mercado da dívida financeira Valor dos Capitais Ano 1 2.657 23.891 Ano 2 2.066 0.616 Ano 5 2.692 23. Lda 122 .300 31.6465 1.5797 1.637 1.8967 2.600 16.168 934 2.226 818 3.Finanças Empresariais Discounted Cash Flow RAJI (1-t) Amortizações Investimento (Cap.616 934 934 2.8041 2.061 0.391 1.449 0.657 642 642 2.407 Companhia Própria – Formação & Consultoria.460 993 2.657 1.7210 2.592 0.859 Ano 4 2.707 7.007 14.540 13.

104 Introdução ao e-learning .

Lisboa. LUÍS. J.Finanças Empresariais 10 Bibliografia APCRI. e outros. J. Lisboa. 2002 BREALEY. 1995 BORGES. IAPMEI. António Gomes. 1999 ESTEVES. J. Lisboa. 1996 MOTA. 2002 SAIAS. ANTÓNIO. António Rosa. NUNES. 5ª edição. Miguel Almeida. et al. Princípios de finanças empresariais. C. Lda 123 . 1998 Companhia Própria – Formação & Consultoria. Lisboa. IAPMEI. 2004. 1998 CARVALHO DAS NEVES & ASSOCIADOS. Texto Editora. Instrumentos Fundamentais de Gestão Financeira. 1996 MENEZES.. Princípios de gestão financeira. C. Editorial Presença. IAPMEI. Lisboa. 2004 NEVES. 3ª Ed. FERREIRA. 1999 BASTARDO. e FELÍCIO. S. Análise Financeira – Métodos e Técnicas. João Pedro. 6ª edição. 6ª ed. Caldeira. Publisher Team. Editorial Verbo. Lisboa. ABC do Capital de Risco. McGraw-Hill. Gestão Financeira – Dominar a Tesouraria. NEVES.. Mcgraw-Hill Portugal. O Financiamento e as Aplicações Financeiras das Empresas. H. R. Finanças Empresariais – Teoria e Prática. J. Texto Editora. Lisboa. ABC de Fusões e Aquisições. 15ª Edição. Elementos de Contabilidade Geral. e MEYERS. Carlos e GOMES..... Avaliação de Empresas e Negócios.

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