UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA INSTITUTO DE LETRAS E LINGÜÍSTICA MESTRADO EM LINGÜÍSTICA Disciplina: Gêneros Textuais Docente: Luisa Helena Borges

Finotti Discente: Walleska Bernardino Silva 31/07/2007 Resumo de texto DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros e progressão em expressão oral e escrita – elementos para reflexões sobre uma experiência suíça (francófona). In: SCHNEUWLY, B.; DOLZ, J.; e colaboradores. Gêneros orais e escritos na escola. Tradução e organização de Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro. Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004, p.41-70. Esse texto trata centralmente da proposta de Dolz e Schneuwly quanto à progressão curricular baseada em agrupamentos de gêneros. A justificativa para essa proposta advém da necessidade, no caso da escola Suíça, em dispor de meios de ensino da expressão oral e escrita na escola obrigatória (p.41-42), que, para nós, equivale ao final do ensino fundamental. Assim, o objetivo de Dolz e Schneuwly, nesse texto, é aclarar os esboços iniciais da proposta de agrupamento, tornando-a sistematizável e coerente com os princípios da didática que adotam. Inicialmente, discorrem sobre a diferença entre currículo e programa escolar, optando pelo primeiro termo, já que os conteúdos, no currículo, são definidos em função das capacidades do aprendiz e das experiências a ele necessárias (p.42). O programa escolar, por sua vez, não admite as necessidades externas do aprendiz e, por isso, centra-se sobre a matéria a ensinar. Feita essa opção, os autores nos elucidam as principais funções do currículo, segundo proposta de Coll, e destacam a progressão como um de seus componentes mais complexos, haja vista que a progressão deve levar em conta os objetivos não somente entre os diferentes ciclos (interciclos), mas à seriação temporal dos objetivos e dos conteúdos disciplinares em cada ciclo (intraciclos). Além disso, há o problema da progressão relativo às seqüências concretas de ensino realizadas em sala. Posteriormente à justificativa pela escolha de currículo em oposição a programa escolar, Dolz e Schneuwly nos explicam a opção por trabalhar essa proposta de agrupamento de gêneros pautada nas considerações de Vygotsky sobre aprendizagem. Para este psicólogo, a aprendizagem humana pressupõe uma natureza social específica e um processo por meio do qual as crianças acedem à vida intelectual daqueles que as cercam (p.44). Essa aprendizagem pode ocorrer de modo incidental ou intencional, mas ambas entendidas como construções sociais, sendo a primeira concebida a partir da realização de uma ação em contextos interativos e a segunda concebida a partir da inserção de um indivíduo numa situação que visa a um efeito. Por essa última definição de aprendizagem, é que Dolz e Schneuwly defendem o ensino por meio de agrupamentos, pois para conceber a comunicação tanto oral quanto escrita, eles acreditam que se deve dominar o gênero, e esse domínio ocorre somente a partir da intervenção de um meio institucional, no caso, a escola, cuja cooperação social é o fator determinante das transformações e dos progressos que ocorrem (p.45). Diante dessa idéia de interatividade gerando conhecimento, os estudiosos distinguem o interacionismo intersubjetivo do interacionismo instrumental e acabam

ii) gênero (práticas de linguagem historicamente construídas – p.51). deve esclarecer as finalidades do ensino e.58-59). dominar o gênero implica dominar situações de comunicação que necessariamente englobam as capacidades de linguagem requeridas do aprendiz numa situação de interlocução. para afirmarem que tudo que diz respeito à linguagem deve ser enfocado a partir da noção de gênero. como já mencionado anteriormente.50). deve oferecer os instrumentos necessários para que os alunos desenvolvam-se no tocante à linguagem e isso pode ser feito por meio dos gêneros.48) e por crerem que a melhor maneira de transformar comportamentos é utilizar-se de um instrumento. conforme postulam Dolz e Schneuwly. Dolz e Schneuwly nos apresentam as noções de i) seqüência didática (seqüência de módulos de ensino. discursivas e lingüístico-discursivas. O resultado desse paradigma para uma concepção global de progressão será sintetizado sob cinco considerações. sob o lema “aprender uma língua é aprender a comunicar”. o agrupamento de gêneros deve: a) corresponder às grandes finalidades sociais legadas ao ensino. capacidades de ação. vai priorizar as necessidades e finalidades dos participantes de uma interação e a forma como a transformação de comportamentos se dará nessa interação mediante a utilização de um instrumento associado à intervenção intencional de professores. b) retomar certas distinções tipológicas e c) ser relativamente homogêneo quanto às capacidades de linguagem dominantes (p. a saber: I) o currículo deve fornecer uma visão de conjunto dos objetos de ensino e dos objetivos limitados a atingir em face desses objetos. A partir da premissa de que comunicar-se oralmente ou por escrito pode e deve ser ensinado sistematicamente (p.51) e iii) práticas de linguagem (aquisições acumuladas pelos grupos sociais no curso da história – p. Com isso. por parte dos professores. e como fornecer meios para a aprendizagem desses saberes. destarte. por acharem que esse tipo de interacionismo leva em conta as características do lugar social no qual as aprendizagens se realizam: a escola (p. as estratégias de ensino.51) e levando em consideração a proposta de agrupamento. então. Para eles. o instrumento de mediação da aprendizagem e material de trabalho para a textualidade. o interacionismo instrumental.optando pela segunda vertente. Por essas razões.51). Nesse ínterim. A organização da progressão. Dolz e Schneuwly retomam novamente Vygotsky para falar da tensão entre as exigências externas e possibilidades internas à luz da zona proximal de desenvolvimento. IV) o currículo precisa as situações de colaboração entre alunos do mesmo ciclo e/ou diferentes ciclos e V) o currículo fornece os instrumentos e as estratégias de intervenção para transformar as capacidades inicias apresentadas pelos alunos (p. faz-se necessária a criação de um espaço potencial de desenvolvimento que deve ser encarado no nível local da realização de seqüências didáticas que têm por objeto gêneros (p. organizados conjuntamente para melhorar uma determinada prática de linguagem – p. O gênero constituirá. II) coloca-se para o currículo o problema da progressão de grupos heterogêneos de alunos trabalhando conjuntamente. de acordo com a série do aluno. os professores devem ter claro quais saberes querem construir. reside no fato de esse agrupamento ser trabalhado no nível de gêneros (gêneros como objetos de ensino) . Assim.48-49). III) o currículo deve antecipar os obstáculos típicos da aprendizagem. ou melhor. que se coloca inserido em uma teoria social do ensino-aprendizagem. Nesse momento. o agrupamento de gêneros pode ser entendido como um instrumento para promover a aprendizagem nos intra e interciclos e sua originalidade. nesse sentido. agrupamento de gêneros. Para tanto.

em um enfoque potencialmente espiral. Portanto. expor e descrever ações – que visam à progressão curricular das atividades de linguagem. em tornar o gênero um objeto de ensino. A hipótese para essa proposta parte da premissa de que há uma afinidade suficientemente grande entre os gêneros agrupados. mas sim uma proposta que ainda deve ser testada e cujo critério para a adoção é o da validade didática. Logo. ainda. argumentar. aplaudimos com louvor o trabalho de Dolz e Schneuwly na e para a Lingüística. já que oferecem uma proposta pertinente às reflexões atuais da linguagem que conferem à língua o estatuto primeiro de comunicação. . Cinco são os agrupamentos propostos – narrar. Os autores. para que transferências se operem facilmente de um a outro (p. em seguida. relatar. esse texto deve. didático e psicológico que cada série requer. Dolz e Schneuwly. a idéia de Dolz e Schneuwly é que cada agrupamento seja trabalhado em todos os níveis de escolaridade. consistente e coerente com os postulados que adotam para o uso da linguagem. não há nada terminado. dentro da área da Lingüística Aplicada. À guisa de indicação. ou seja. conferem à sua proposta “provisória” um estatuto “aberto” e “negociado”.e na tentativa de definição das capacidades de linguagem globais em relação às tipologias existentes.62). um exemplo de uma progressão com o agrupamento da ordem do argumentar e. principalmente no que diz respeito à vertente sóciodiscursiva da língua. Dolz e Schneuwly nos elucidam. obedecendo ao grau de complexidade pedagógico. eles se revelam um marco importante para os estudos lingüísticos. ser visitado por aquelas pessoas que se interessam. Dessa forma. necessariamente. conseguem expor sua proposta de ensino visando à progressão curricular de forma gradual. no texto. Apresentada a proposta de agrupamento de gêneros.

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