Principais Divindades que chegaram ao Brasil - Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-A

Principais Divindades que chegaram ao Brasil

*por Profº Drº Sérgio Paulo Adolfo

Panteão das casas Congo/Angola no Brasil de hoje

Basearemos nossas análises a partir do panteão de uma casa que descende da mais tradicional casa de Angola do Brasil, o Tumbenci, fundado pela matriarca Maria Genoveva do Bonfim, Mameto Tuenda dia N’Zambi, conhecida por Maria Neném, em Salvador-Ba. hoje dirigida por Mameto Lembamuxi, e situada no bairro Tancredo Neves. A casa descendente chama-se Kua Dianda Inzo Ia Tumbansi Tua Nzambi Ngana Kavungu, dirigida por Walmir Damasceno, Tata Takuvanjensi. Esta casa situa-se em Itapecerica da Serra, Sp. e, encontra-se, segundo seu dirigente, num processo de reafricanização ou pelos menos num processo de revisão lingüística e litúrgica, tentando afastar-se do modelo nagô e aproximar-se cada vez mais de suas raízes bantu. O que na verdade, seu dirigente procura é uma identidade própria do povo-de-santo angoleiro. Inzo Ia Tumbansi Tua Nzambi Ngana Kavungu Mpambu Njilla Nkosi Mavambo Mutakalambô Ngunzu Nkongobila Katendê Mpanzo Kingongo Nsumbu Kavungu Hongolô Nzimga Lubondo Nzazi Luango Matamba Uambulu’n’sema Kaiongu Kapanzu

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Principais Divindades que chegaram ao Brasil - Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An

Ndanda Lunda Ndanda Kianda Samba Kalunga Kuku`eto Nzumbarandá Lemba Dilê Lemba Gima Estaremos usando aqui até a exaustão o termo nkisi, mas no universo lingüístico bantu vamos encontrar diversos outros termos para nomear as divindades. Entre os povos da Lunda usa-se Hamba (sing) Mahamba (plural), entre os Tchkowe usa-se akixe (sing.) Mukixi (plural), designando divindades similares ao Minkisse cultuados no Brasil, inclusive alguns deles se confundindo com os daqui. No entanto, usamos o termo Minkisse por se tratar da nomenclatura utilizada pelos povos bakongos e por sua utilização ser ampla entre o povo de santo de congo-angola, no Brasil. Em 1938, Edison Carneiro usa a palavra Inquices – com essa grafia mesmo – para referir-se as divindades bantu, e não usa os termos Mukixi ou Mahamba. Esses dados que foram colhidos por ele em conversas com os bantu da época, é um reforço à nossa idéia de que o culto de congo-angola no Brasil tem um destacado componente congo como tentaremos demonstrar em outra parte deste trabalho. Ora, se houvesse, na época, cultuadores de mahambas ou de mukixis, certamente Carneiro teria feito alguma referência a esse fato e se não o fez é porque não ouviu de nenhum de seus informantes essas referências. Até hoje, mesmo os angoleiros mais milongados usam a terminologia de Nkisi, mas jamais ouvimos alguém falar em Hamba ou Akixi, termos estes introduzidos recentemente pela camada mais letrada do povo de santo angoleiro Esse grupo, geralmente mais escolarizado, tem se dedicado a um resgate e revisão da cultura e religiosidade bantu no Brasil. O que são os Minkissi? O singular de Minkissi é Nkisi e encontraremos nos dicionários e nas etnografias escritas pelos Padres e Missionários católicos o termo traduzido como feitiço, e quase nunca como um deus ou força da natureza. No entanto, na compreensão do Povo-de-Santo de congo/angola, o Nkisi é uma força da natureza, uma energia viva manipulável de acordo com os interesses e necessidades dos homens. O Nkisi, no entendimento dos seus adeptos, é uma força, uma energia (nguzu) que vem das manifestações da natureza, como o raio, o trovão, a água salgada, a água doce, a chuva, e outros fenômenos atmosféricos, assim como plantas, e animais. Tudo que é vivo está interligado ao homem e pode transmitir-lhe nguzu em maior ou menor quantidade de acordo com os ritos propiciatórios. Para o homem do universo bantu todas as realidades, humana, animal, vegetal, mineral é sagrada e faz parte de um mesmo universo, tanto quanto a comunidade tradicional é formada pelos homens vivos, os homens mortos e os que estão para nascer. A energia que perpassa todas estas realidades chama-se nguzu e está sempre à disposição dos homens vivos que poderão manipulá-la para o bem ou para o mal, de acordo com a visão não maniqueísta do homem africano e por extensão a do afro-brasileiro. Segundo a lógica de compreensão africana, Deus ao fazer o mundo, o fez de maneira que, uns seres precisassem dos outros, o que há de sobra em um está faltando no outro, o que é o mal para um é um bem para outro. Nessa lógica, todos os seres estão interligados e por uns necessitarem dos outros pudessem criar um mundo de harmonia e equilíbrio. Nessa

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é uma energia. frutos. a última criação de Deus como podemos vemos em diversas mitologias. talismam. upanji MAIA: 1961. 8e9) O nkisi. que vale a ver na íntegra o que diz a articulista: NGUZO-HAMBA:Essência Divina da Existência “Levando em conta a grande diversidade de povos com idiomas do tronco lingüístico bantu e suas diferentes origens e relações ao longo da historia. animais. E segundo o dicionário de português/kimbundu nguzu é Energia: s. governam o mundo em seu lugar: são principalmente os Bakisi (Nkisi –pl. No Brasil ele é assentado numa vasilha de barro. kibalu. recipiente ou amuleto). plantas. ornamentos e outros objetos. na comunidade Candomblecistas com a palavra. bebidas e outras especiarias. medicamento real ou de ordem mágica. 227 O padre Martins. através do transe mediúnico. elemento indispensável à vivência humana e social. por vontade de Deus. é uma força viva. orações e invocações. Todos os seres vivos.” STARTENBROECKX:s/d p.f. complementares. segundo essas definições. que viveu e trabalhou entre os Cabindas durante muitos anos dá a seguinte definição de Nkisi: “ Há entes sobre-humanos que. Ao mesmo tempo. na direção de completar a criação de Deus. encantamento. manifestar-se junto aos humanos para através da dança sagrada reafirmar o seu poder e sua força entre eles. mal e bem não são realidades excludentes. libação de aguardente – malafu. algumas moedas. o Nkisi pode.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . não se encontra. tanto como na África bantu é apreendido e manipulado pelo sacerdote. através de cantos. que no Brasil. p. nas páginas da internet. cursos d’água e todos os demais elementos da natureza estão a serviço de um bem comum em cujo epicentro está o homem. e no seu conteúdo há folhas. Entretanto. a manter o equilíbrio criado por Nzambi Ampungo. Itana Mutararê. instrumento mágico de sortilégio.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An concepção. recolocando e redistribuindo o nguzu. Segundo o dicionário de kikongo/francês Nikisi é “Nkisi feitiço (estatueta. por cuspição de nós de cola mastigada. observa-se 3 / 26 . ou no próprio barro. 447 – tradução livre do francês. homens. (MUTARARÊ: 2006/07/08) estudiosa de cultura bantu. definindo o termo nguzu. uma uniformidade nos princípios filosóficos que regem a vida dos mesmos. mas. elaborou interessante texto sobre a força vital o Nguzu. Nganga : feiticeiro. kiambe. produto químico ou mágico. tecidos. em absoluto. Bakisi) os gênios no sentido mais amplo da palavra” ( MARTINS: S/D p. o nguzu. KIMB – Nguzu. Sakumuna: avivar a potência de um feitiço (invocação por campainhas ou chocalhos.

é uiala. conhecimento. seja bantu ou yorubá. Nessa perspectiva. visível ou invisível. sempre atento as ações do universo. plantas. e finalmente. Zambi e Nguzo são as causas de tudo. Os humanos são os principais beneficiários desta energia. é mukondo. o "Hantu" : o lugar. concretas ou abstratas. Não se pode defini-lo por atributos e características determinadas. a coisa. essência. que é o uso extensivo de prefixos. em kikongo é nkuma. existia somente uma energia geradora da força vital. é quem ativa o nommo com o som da palavra para que o ser deixe de ser kintu. Este só estará completo quando os que o concebem (seus pais) lhe dão um nome. a vítima da situação. Como estas são “filhas” ou emanações da Divindade. é Nkici. é divindade. causa e efeito. os hindus o chamam de darsan. Então. Nzambi Npungo é eternamente presente e ativo. o assunto. Yin e Yang. É o Alfa e o Omega. existência. savanas. força. um muntu. autoridade. entendido e aplicado em diferentes maneiras e em diferentes momentos. é nfinga. vitalidade. porém é mais poderosa no HOMEM porque além de proporcionar inteligência e capacidade de falar. possuem nguzo. lhe proporciona capacidade de escolher. É uma energia maleável que pode ser reinterpretada e revigorada. o "Kintu": o objeto. é luxiamu.O nguzo não é visível nem se pretende personificá-lo. sua força vital desapareceria e não continuaria existindo no mundo dos mortos. Onisciente e Onipotente. interpretado. a posição do evento. a cada coisa (para o africano tudo tem vida) lhe foi dado ntu. nguzo tem sido aprendido. ambas são produto e condutoras de nguzo. Antes disto é apenas um kintu. através de nguzo. desde que o seu grau de nguzu nunca poderá ser completamente determinado. Acredita-se que quando o universo foi criado. Deste modo. É força. Conforme pode ser observado. Longe de ser um Deus remoto. a forma. a dualidade entre um Ser Supremo Onipotente e Sua antítese é inexistente. o artesão da situação (pessoa viva ou morta). através de nguzo. como amiúde é descrito na literatura. depois. os chineses falam do Ch’i. remédio. em todos os elementos do universo. É a força vital que nasce com O SER HUMANO. animais. seja positivo ou negativo. cursos d’água. é dizonda. Humanos. nguzo deve ser entendido como a presença prolífica da Divindade em tudo o que há no universo. poder. Os bantu o chamam de nguzo ou móio. é lubalu. em todos os lugares e em todas as coisas. como força universal que se manifesta em tudo o que existe.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An no grupo lingüístico bantu uma característica gramatical proeminente. Todo ser vivo a possui. particularmente com aquelas dos seres humanos. desta maneira. força. vigor. rochas. Com o tempo. o "Kuntu": o quando. Desde que estes prosperaram separadamente em seus meios ambientes. esta força assumiu a consciência daquilo que nós angoleiros chamamos de Nzambi Npungo. material ou espiritual: o "Muntu" : o homem. O homem (o pai) é quem dá o nome. a pessoa. poder e mistério que envolve todos os Minkisi. Os adivinhos enfatizam que nada deve ser subestimado. vitalidade. mantém que antes da criação do universo. e kutena. começo e 4 / 26 . Criador do Universo e de tudo que nele tem nascido. Nzambi é Onipresente. Nguzu é Força.O nguzu é ao mesmo tempo universal e imortal. porém não é suficiente para produzir um novo ser humano completo. nguzu. poder de existir. experiência. colocando um “pedaço” de Nzambi e da sua graça em cada elemento do universo. na Polinésia foi conhecido por mana. energia. nguzu é tudo. NOMMO é nguzo(força).Principais Divindades que chegaram ao Brasil . colinas. vida. é kunema. é ngolo ia muanda. uma energia mística da qual dependem as muitas essências de vitalidade e de existência. Está presente em todas as coisas. mas nunca estagnado ou imutável. constantemente evoluindo e crescendo através do tempo. é moio. em vários graus. é lulu-ndu. Intervém na fertilidade e na fertilização. depois. sabedoria. e se morrer. graça. Nzambi impulsiona a vida e a matéria. A tradição oral africana. o inventor. a raiz comum a estes quatro elementos é "ntu". é nguzu ia Zambi. Para os africanos e para os adeptos do Candomblé. é muenhu. tem-se o vocábulo NTU. o autor.

Emmanuel. os seres humanos passam a viver suas vidas produtiva e plenamente. ZAMBI monitora a conduta de um indivíduo. entre os seus feitiços. é um equivoco. cultura e sociedade. não interfere. nem moral nem perverso. Portanto. sem religiosidade.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . símbolos. a que dão o nome de mooio ou nguzu. nos ajudar. através dos DEUSES que mantêm “registros” do comportamento humano. o que determina onde e como NGUZO é usado ou mal empregado. inclusive no som e na fala dos homens. se falar que pessoas amorais. à vontade de quem tem poder sobre ele e sobre a sua atividade. visível e invisível. e não a energia por si mesma. Ed.NGUZO é simplesmente um tipo de energia irrefreável que é geradora por natureza. Chukwudi. cerimônias – um mau espírito para que deixe de atormentar um seu consulente. cerimônias – um determinado poder sobre uma estatueta. símbolos. gestos. tem que haver o mau”.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An fim. desde que o comportamento apropriado na Terra influencia o acesso humano a NGUZO. se a pessoa tem índole digna. dinamizada pelo poder que resolveu conferir-lhe. Pensamento Africano – filosofia Pensamento africano. Bem e/ou mal são resultados de ações humanas e não de uma batalha cosmológica entre duas entidades ou duas forças. se as obrigações estão em dia. e sim. Essa energia. esta fica animada. um poder no bruto que quando acessado pelos seres humanos é direcionado. Daí os cabindas terem certa hierarquia de poder. Os seres humanos podem se encarregar desta energia e usá-la para satisfazer suas necessidades. nas situações adversas ele induz ao certo. segundo o autor. têm nguzo para construir ou doar coisas boas porque o Nkici “não interfere” no livre arbítrio de seus filhos. para o avanço material e espiritual. valor. Bellaterra As idéias de Mutarare apenas reforçam o que dissemos acima e corrobora o pensamento de Nei Lopes. gestos. mas se o mutue é limpo. (2005) que em livro lançado em 2005 sobre as culturas africanas diz textualmente que entre os povos bantu há a crença numa energia que perpassa todo o universo. O Nkici de fato. o que não é interferir. José Martins Vaz (1970) que viveu e trabalhou em Angola dà-nos a seguinte informação sobre o assunto:   “Se o feiticeiro evoca – por palavras. o interpelado só terá de obedecer a palavra. idealmente. e seu propósito é definido de acordo com a situação particular e/ou com a necessidade individual.Um provérbio utilizado na adivinhação nos lembra que: “para que haja o bom. Mais ainda: além dos feitiços têm os contra feitiços para neutralizarem os efeitos nefastos dos primeiros. NGUZO é neutro. viciadas. tanto na vida presente quanto na ulterior. durante a vida deste. algo mais do que energia elétrica ou nuclear”. força. Se outro feiticeiro exorciza – por palavras. O caráter moral é de extrema importância em seu relacionamento com NGUZO. individual e coletivo e para o desenvolvimento do seu caráter moral que ordena respeito e reverência. Ele é “nem bom nem mau. nem puro nem impuro. está presente em todas as coisas. É a ação humana. Também os feiticeiros têm 5 / 26 . Uma vez em harmonia com nguzu.

bosques. José Martins: I vol.Os génios fixam o seu habitat em lugares e árvores especiais. Nzambi acaba sendo deixado de lado. que o Autor ouviu. O filho traz de volta o espírito de seu pai. viagens. e por isso. um determinado chefe bantu tinha o costume de se dirigir a uma montanha e lá fazer suas preces diretamente à Nzambi. Para vários angolanos. A aldeia volta a receber as bênçãos através de suas preces. bem como as atividades humanas nesse meio. só que o filho não sabe como desempenhar as atividades do pai. cada chefe de família passa a se utilizar deste método. temendo estar diretamente em contato com Nzambi. no fundo da terra. não sabe como agir e seu povo precisa de ajuda. uma nos parece mais coerente com o pensamento brasileiro a respeito do assunto.Controlam muitos lugares da natureza. sereias que aparecem na forma de pessoa. p. E daí o preço da consulta ser também diferente de uns para outros. até que gradualmente. e só são invocados os Minkisi. mitos e lendas que explicam o surgimento dos Minkissi. fontes. Ele fica desesperado. neste tipo de culto.24 ) É corrente entre vários povos do universo bantu. ( VAZ. na tormenta. Acontece que este chefe vem a falecer e seu filho o sucede em suas funções. A lenda de Nzambi Mpungu Segundo a história tradicional e oral. estepes e até nas enfermidades misteriosas. na chuva. sendo sempre atendido. e constroem ao pé deles pequenas cubatas-santuários onde lhes oferecem culto. Era frequente dependurar os cadáveres dos feiticeiros dos seus ramos. Podem aparecer em forma de cobra com chifres ou de monstro horrível e encarnar através do pai ou da mãe. como fazia seu pai.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An a sua hierarquização. na caça e pesca. costumam ocasionar deformações físicas. alguns embondeiros gigantes. nas culturas. quando habitam neles. que a princípio eram tratados como simples intercessores perante Nzambi. ficam sacralizados com a presença de génios bons e protetores. que torna a fazer suas preces perante Nzambi. Dessas lendas. os baobás. nas selvas. para que os génios impedissem as suas ações nefastas. vamos transcrevê-la. É aí que lhe ocorre: apenas meu pai tinha coragem de estar diretamente com Nzambi. nas nascentes. 1970. da boca dos mais idosos e 6 / 26 . rochas. Com ele a palavra de testemunha ocular e contemporânea dos fatos narrados. lagos.Há génios no ar. porque então não chamar de volta o espírito de meu pai para que ele possa interceder por mim e meu povo perante Nzambi?E assim foi feito. com ligeiras variações de povo para povo. Também acreditam nas «quiandas». e os ancestrais divinizados. cada família adota seus próprios espíritos ancestrais. na Angola de hoje. Com o correr do tempo. rios. Kimbundu de Luanda Os Quimbundos de Luanda conhecem os «quituta» que vivem nos rios. mas posteriormente passaram a ser o objeto principal de adoração.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . Dizem os antigos que na antiguidade o povo bantu prestava certo culto e que. Vejamos textualmente o que nos informa o jornalista Gil Gonçalves sobre os gênios da natureza cultuados pelo povo kimbundo. Por fim.

que tencionava fazer uma caçada. A partir dessa altura. é necessário. a história da criação do Universo e a ascendência divina destes povos. portanto. chamados de Tata e Mameto respectivamente. porque além do aprendizado de cantigas. sua esposa. além de seu marido. (TEMPELS: 2000. Tutchokwe e todos os povos negros descenderiam dos Bungus e estes directamente do Nzambi (Deus supremo da mitologia tchokwe). p.Esta resolução não agradou à divina esposa que tentou opor-se a que sua filha o acompanhasse. por ele também criados. a qual. ao futuro sacerdote. a fim de que esta povoasse a Terra e dominasse todos os animais selvagens. eles também. para não ir sozinho. depois da morte da mãe passou a chamar-se também Ndala Karitanga e a ser a segunda divindade.assim como às pessoas que os procuram para resolver os mais variados problemas.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An categorizados chefes destas duas tribos. “As forças vitais superiores e inferiores são então consideradas pelos bantos em conjunto com as forças dos homens vivos. E é por elas que eu prefiro nomear as influências do ser para ser das causalidades da vida muito mais que as causalidades do ser.(extraído da Comunidade Candomblecistas com a palavra. Disse a sua esposa que passaria a chamar-se Ná Kalunga. Os velhos sacerdotes têm a clara noção da responsabilidade que o mais-novo assume ao se 7 / 26 . Deus supremo e infinito). durante os três meses da época seca e que. rezas e o manuseio dos objetos sagrados.?) tradução livre do francês Sendo o Nkisi a força viva da natureza é. criou uma mulher para que fosse sua esposa e para que. Lundas. um ser incontrolável como incontroláveis são os elementos naturais. o Nzambi lembrou-lhe que ela tinha sido por ele criada para lhe obedecer. pois.Logo que sua filha atingiu a puberdade.Eis. os inanimados. se perpetua e preserva as tradições de seus antepassados. Esta foi crescendo como qualquer criança normal. daí a longa preparação pela qual passa o postulante a sacerdote uma vez que vai conviver com forças com as quais têm pouca intimidade. o recebimento da força vital (nguzu) passada de iniciador para iniciado. na tchehunda tcha Nzambi (aldeia de Deus). sendo que a tradição mais estrita exige ainda mais tempo de acordo com a idade do candidato.0 Nzambi. se chamar Kalunga. passados nove meses. tal como o Nzambi tinha anunciado. seu pai.Com efeito. depois de ter criado o Mundo e tudo quanto nele existe. pudesse ter descendência humana. visto que. ou como nós diríamos com a força vital dos homens. o Nzambi. as forças humanas vivas. Segundo Placide Tempels. por seu intermédio. elemento sem o qual não poderá exercer seu ofício sacerdotal. Os sacerdotes e as sacerdotisas. informou Ná Kalunga.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . junto de seus divinos pais. em virtude de a filha que iria dar à luz. a quem também chamam Ndala Karitanga (Deus que se criou a si próprio) e Sã Kalunga (Senhor infinitamente grande. São no mínimo sete anos de preparação e estudo dentro do templo para que o indivíduo seja considerado capaz de exercer o sacerdócio e receber o reconhecimento de seus mais-velhos. num ritual chamado de feitura de santo . os minerais são forças que por sua própria natureza estão à disposição e em relação com as forças que são os homens. porque os seres os mais inferiores. Pessoas muito jovens são sempre muito censuradas quando assumem um alto posto na hierarquia sacerdotal. tal como nos foi contada. postagem de Itana Mutararê) Os candomblés de congo-angola têm esta prática e é através dela que ele. levaria sua filha com ele. nasceu sua filha Kalunga. são os detentores do poder e do nguzu junto aos Minkissi e seus filhos-de-santo – pessoas iniciadas por ele. o candomblé bantu. Porém. o Nzambi passou então a viver maritalmente com sua filha Kalunga. era também seu Deus.

devidamente estabelecidos. sacrifica ali uma galinha. Também é comum indivíduos procurarem o Ntoma Nsi para resolverem problemas de ordem familiar ou de saúde na família. ou caso seja numa árvore a morada do novo Nkisi. Descem todos para o local sonhado pelo aldeão. geralmente o que sonhou com o Nkisi é escolhido como o novo Ntoma Nsi da localidade. acompanhados de outros notáveis da aldeia. tais como doenças graves. oferecendo-nos o seguinte relato: Quando um grupo se desloca em busca de um novo lugar para estabelecer sua aldeia. nguzu. noz de cola. levando vinho de palma. mas um corpus mitológico que se assemelhe ao dos iorubás ou dos egípcios e romanos. Na manhã seguinte. Pode acontecer de alguém mais poderoso querer agradar o Nkisi por graças recebidas ou para pedir favores e. Talvez também não possua um conjunto de mitos que lhe dê sustentação. No entanto. ocasião em todos se recolhem durante dois dias. ou como forma de reparação espiritual e de busca de mais energia. Em lá chegando. animais em sacrifício. falta ou excesso de chuvas. De qualquer modo. ou em ocasiões de crise na aldeia. algumas narrativas chegaram ao Brasil. de casais ou de grupos de pessoas. os Minkissi são conhecidos e cultuados pelos afro-bantu apesar dos mesmos não conhecerem suas mitologias e sim suas ações no cotidiano dos templos e seu desenvolvimento e agilidade enquanto divindades. assim como uma galinha branca. o Ntoma Nsi faz libações ao Nkisi pedindo sua ajuda para solucionar a grave crise.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . o novo Ntoma Nsi a quem caberá a guarda e os cuidados com o Nkisi local. alguém desse grupo sonha com o Nkissi do novo lugar. No buraco cavado despeja o conteúdo da garrafa de vinho tinto. separadas por sexos. Lá chegando. há oferendas individuais ou familiares. É também nessas ocasiões que aproveitam para benzer com a lama da cova do Nkisi suas ferramentas agrícolas. e depois lá. Não temos até agora encontrado elementos que nos autorizem a afirmar que ela existe.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An investir desse difícil encargo a frente de um novo templo ou de um templo antigo cujo sacerdote tenha morrido. uma garrafa de mavulo (vinho de palma) assim como nozes de cola (makezu). Em cabanas previamente preparadas. é pelo menos desconhecida dos afro-brasileiros que se reconhecem como bantu. que tenha também possibilidades de ser o novo Ntoma Nsi. há uma cerimônia coletiva da aldeia. Evidentemente que os bantos possuem uma rica mitologia cosmogônica. uma vez por ano. Em alguns casos específicos. o Nkissi não tem uma narrativa que o ampare. O Ntoma Nsi da aldeia antiga passa em frente a sua cabana e joga no colo do homem escolhido uma noz de cola (kezu) e a partir daquele momento esse homem passa a ser um possível Ntoma Nsi. que façam alguns cortes na mesma. de pesca ou suas armas de caça ou de guerra. além do que sonhou com o Nkisi. e. momento em que todos se preparam para oferecer ao Nkisi bebidas. sendo força da natureza. instrumentos para cavar. Por tido tal sonho. e os dois postulantes a Ntoma Nsi devem passar a noite sobre essa esteira nova. a comitiva retorna ao local e um dos homens. ou traições conjugais. nesse caso. Padre Martins nos dá uma descrição muito interessante a respeito do culto aos Minkissi em Cabinda. A partir de então. Esse novo homem não deve saber nada a respeito de que poderá o novo Ntoma Nsi. da qual. ou seja. Por cima de tudo colocam uma esteira nova. ele procura. invasões de insetos ou discórdias muito sérias. Diferentemente de outros deuses africanos cultuados no Brasil. pois. o Ntoma Nsi da aldeia antiga pede que cavem um buraco. se houver gente 8 / 26 . O Ntoma Nsi imediatamente convoca outros notáveis da aldeia e vão até o novo local para consagrar o novo Nkisi assim como o seu sacerdote. acontece uma cerimônia mais prolongada. procura um Ntoma Nsi da aldeia antiga e relata-lhe o que sonhou. por último. anualmente. outro homem. provocando dessa forma a impressão de que os bantos não têm mitologia sustentadora de sua teogonia e prática ritual. não possui trajetória humana.

não possuem assentamentos especiais. segundo a lógica do sistema religioso afro-banto os caboclos vivem livres na natureza e permanecem por aí espalhados pelas árvores e outros pontos da natureza encontrados no espaço da roça de candomblé. ou seja. Ao final desse período. carne de determinadas caças e animais domésticos. tradição essa vinda da África. maior e melhor o culto e a devoção que lhes rendem. Nkisi) e os antepassados. sendo que os gênios da natureza – os Minkissi – são invocados para 9 / 26 . O antepassado em África bantu desempenha um papel fundamental na preservação e conservação da vida comunitária e familiar. Os antepassados podem chegar à categoria de ancestrais desde que suas ações na terra tenham sido valorosas. tutor do bem estar do povo e é homenageado sempre que necessário. Ao contrário dos Minkissi. São chamados de catiços e são os intermediários entre os Minkissi e os homens. com farta descendência e atitudes bravas e reconhecidas por toda a comunidade. faz parte do panteão dos seres divinais. possa interferir na vida da comunidade e proporcionar-lhes vida abundante de saúde. de acordo com Padre Martins é um ser que subsiste ao homem. dão consultas aos filhos-de-santo e clientes ajudando a solucionar problemas de toda ordem e dessa forma. dois dias. têm suas cabeças raspadas. dispõe de um barracão especialmente construído para eles. recebem uma pintura corporal com tacula e lama branca. por expressar as vontades dos deuses e poder falar aos homens de igual para igual é uma figura sagrada muito querida e respeitada nos candomblés bantu e. descem até um rio mais próximo. portanto. nas casas mais bem aparelhadas ou com mais espaço disponível. de muitos filhos. Aprendem a entoar determinados cânticos e rezas nativas. os antepassados são cultuados nos candomblés de Congo–Angola em locais especialmente preparados para tal fim chamados de Casa de Vumbi – Nzo Nvumbi. Nesse sentido.Minkissi (sing. pois. no calendário litúrgico das casas religiosas de origem bantu sendo que. Como é possível observar. da ausência de doenças etc. entre os Cabindas o Nkisi é um gênio da natureza. sendo que o antepassado é um ser familiar. que são considerados os ancestrais brasileiros e. onde se banham em água corrente e também é onde descarregam todos os resíduos das refeições que fizeram assim como o restante das pinturas corporais e outros apetrechos usados durante o recolhimento. ele satisfeito. Em transe nos filhos-de-santo da roça ou no Sacerdote. pré-existente na natureza e basta ao homem cultuá-lo para receber dele as graças e benesses.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . o Nkisi tem uma natureza diferente do antepassado. apesar de estar presente entre eles. os gênios da natureza . alertas e reprimendas quando necessário. O caboclo. Essa cerimônia é repetida de dois em dois anos ou sempre que a situação a exigir. os mesmos. As pessoas são recolhidas no entardecer do dia. é quem melhor perpetua o culto aos antepassados. No Brasil. Para os povos bantu há três classes de espíritos. Deus. trazendo recados. potência universal e inquestionável – Nzambi ou Nzambi ampungo. que quanto mais ilustres e bem sucedidos foram em vida. e durante esses dois dias abstêm-se de aguardente. em nossa opinião.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An dos dois sexos. pertencente à determinada família. de caça. Ou na forma de caboclos. acabam sendo os responsáveis pelo fluxo econômico – representado pelo cliente – mantenedor da casa de culto. Um dos maiores zelos do homem banto em África é zelar e cuidar para que nada falte ao seu ancestral para que. sexo. os caboclos. a saber. merecedores de culto e honrarias diversas. É-lhes reservado um dia especial de festa em sua homenagem. sobretudo os ancestrais clânicos e chefes de linhagem. O Nkisi. Um homem ou mulher que vá entrar numa nova família deverá se submeter a esses atos se quiser ser aceito como parte dessa nova família. pertence à categoria dos homens mortos e.

voltemos à procedência dos Minkissi e para efeito de análise. costumes. pela lembrança perdurável dos vivos. pelos homens mortos e os que estão para nascer. A figura do caboclo no candomblé bantu no Brasil tem exatamente essas atribuições. ele é que proporciona a vinda de consulentes que trarão o dinheiro necessário para a manutenção do templo e ele ainda resolve querelas entre os filhos-de-santo ou entre casas similares. Uma casa de angola-congo é um templo onde se cultuam os gênios da natureza. Tradições. as tradições dos antepassados. é zelar pela própria família e pela comunidade. chifu. diz-se entre os cabindas. peça chave na religiosidade bantu na África e no Brasil. a palavra deixada pelos antepassados. de modo genérico. Novamente nos valemos da palavra da José Martins Vaz para aclarar a questão: “Antepassados em sentido próprio – manes – serão os mortos. origem da divindade. os Minkissi e os Caboclos. Mas. casas que as cultuam no Brasil.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An resolverem problemas mais de ordem geral. Zelar pelo antepassado. e vimos que. um local de culto aos antepassados. o nome do autor. cultua em primeiro lugar Nzambi Mpungu. Querendo designar os costumes deixados pelos antepassados.” VAZ. p. mas é também um templo. ou bifu bi bakulu. que pelo cumprimento de todas as tradições da sua etnia. foram recebidos pelos que os precederam na morte e. Ele é agregador da comunidade-terreiro. assim como o caboclo é elemento indispensável nas casas de candomblé congo-angola.37-38) Como se pode ver por essa citação. JOSÉ MARTINS: 1970. aparece em letras maiúsculas. (LOPES: S/D) só que os nomes alencados pelo autor estão todos aportuguesados e nós tomamos a liberdade de africanizá-los para facilitar a compreensão e a identificação do leitor. Tabela de abreviaturas aparecerão acompanhando o nome das divindades na ordem abaixo: AUTORES NL – Nei Lopes EC – Edison Carneiro OR – Óscar Ribas 10 / 26 . conforme tabela abaixo. ou problemas mais sérios dos quais os antepassados podem não ter a resposta. como já referimos. tal como uma aldeia africana. pelos sacrifícios constantes que os mesmos lhes prestam. dir-se-á mambu ma bika bakulu. pl. Boa parte foi retirada do dicionário de Nei Lopes. agrupamos as divindades por atributos e a seguir aos seus nomes. os Minkissi. Sendo a sociedade bantu estruturada em linhagens familiares é fácil perceber a importância do culto ao ancestral na formação e conservação dessas linhagens. Uma casa de candomblé bantu. Parece-nos que a linhagem familiar que se destroçou com a escravidão tem sido refeita na diáspora através da religiosidade. conseguiram sobreviver depois de terem passado pela morte e sua conseqüente diminuição no ser. refazendo desta forma a estrutura original afro-bantu. a comunidade humana na África bantu é formada pelos homens vivos. bifu. o antepassado é parte integrante do dia-a-dia do homem afro-bantu.Principais Divindades que chegaram ao Brasil .

atributos e de que forma têm sido cultuadas no Brasil. outros autores.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . outras apenas Edison Carneiro (CARNEIRO: 1982) outras ainda Òscar Ribas (RIBAS: 1989) e algumas poucas. Algumas divindades são cultuadas apenas no Nzo Tumbansi . Divindades guardiãs Aluvaiá NL BAK (LU-VUYA)/ EC Mpambu Njilla NL UMB/BAK/T/ EngambeIRO NL/UMB Nkosi Mukumbi NL BAK/ EC/T/ Mavambo T/ Nkondi NL/BAK Nkondi NL/BAK/AMB/T Hoxi Mukumbi NL/KIOKO Divindades caçadoras Mutakalambô NL/UMB/ EC/ OR/T/ Kabila OR/AMB Katendê NL/BAK /EC/T/ Nkongobila NL/AMB /EC/T/ Kaiangô OR/AMB/T/ Mukongo –NL/AMB Ngunzu – T/ Divindades aquáticas Kianda T/ Ndanda Lunga NL /AMB/BAK/T/ Ndanda Lunda NL/AMB/T/ Samba Kalunga NL/AMB/T/ Kissimbe NL/AMB /BAK Matamba NL/BAK/T/ 11 / 26 . Numa primeira classificação agrupamos as divindades por ordem de atributos.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An ORIGEM BAK . apenas Nei Lopes registra. procurando sua origem.bakongo AMB – ambundo Casa consultada Inzo Ia Tumbansi Itapecerica da Serra Algumas divindades. um rastreamento de todas as divindades. não obedecendo a ordem em aparecem na casa consultada. Faremos neste capítulo.

Principais Divindades que chegaram ao Brasil .Tembu NL/BAK/AMB/ EC/T/ NdandaNzumba NL/BAK/T/ Matamba NL/BAK/T/ Bamburucema – NL (origem desconhecida) EC/T/ Divindades da procriação Kassulembá NL/BAK Lemba NL AMB/BAK/ EC/ OR/T/ Gonga OR /AMB Nvunji NL /BAK/AMB/OR Lembarenganga NL Kassubeká – EC Divindades não cultuadas nas casas consultadas Aluvaiá NL/BAK (LU-VUYA)/ EC Nkondi NL/BAK Hoxi Mukumbi NL/ KIOKO Mukongo –NL/AMB Kissimbe NL/BAK/AMB Kubango NL/AMB Kisambu NL/BAK Kituto NL/BAK Burungunço/Kukete – EC 12 / 26 .Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Divindades da terra Kaviungo NL/BAK/T/ Nsumbo NL/BAK /T/ Kingongo T/ Kubango NL/AMB Mpanzu NL /BAK/T/ Kisambu NL/BAK Kituto NL KIK Burungunço/Kukete – EC Kingongo – T/ Kukuete – NL/BAK Divindades dos fenômenos atmosféricos Nzazi NL/ BAK/EC/ T/ Cambaranguanje EC Kibuko EC Hongolô NL/AMB/ EC/ T/ Loango NL/BAK/OR/T/ Nzinga Lumbondo NL/BAK/T/ Kitembo.

registrado por Nei Lopes e por Edison Carneiro é um dos guardiães das casas de culto congo-angola. que é claro. Mpambu Njilla Nei Lopes registra e dá a sua origem como do Kikongo e do Kimbundo com ligeiras variações entre os dois nomes. Normalmente estas cantigas referentes à Aluvaiá são entoadas em português. mpambu tanto em quimbundo quanto em kikongo significa cruzamento. Oscar Ribas não o registra. início dos tempos primordiais onde tudo teve começo. mas já ouvimos em várias casas de angola milongada cantigas referentes a esta divindade durante a cerimônia de despachar as divindades chamadas maléficas. uma espécie de guardião criado a partir de duas nomenclaturas. Nas duas casas utilizadas para nossa pesquisa ele não foi encontrado.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Kukuete – NL/BAK Kambaranguanje EC Kibuko EC Kassulembá NL/BAK Lembarenganga NL Kassubeká – EC Kabila OR/AMB Aluvaiá Aluvaiá cujo nome em kikongo é Alu-vuya. mas em África não encontramos nada similar. ou com acordos em práticas fetichistas. encruzilhada.. No entanto. uma postagem de Tata Tawá (COMUNDADE COBANTU: 2008) sobre a encruzilhada e sua importância na mitologia e na mítica bantu: A encruzilhada para o povo bantu 13 / 26 . Nei Lopes. informa que seu nome. caminho. Também não o temos encontrado em nenhuma bibliografia relativa aos povos Bantu. o que não quer dizer com absoluta certeza que lá ele não existe. local fechado. Vejamos na íntegra. o que acreditamos que no Brasil ele torna-se um agente guardião exatamente pela sua qualidade de fazer acordos e favorecimentos no terreno da magia.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . sinal de que na região de Luanda em Angola ele não é conhecido. Na casa que nos tem servido de referência Mpambu Njilla é cultuado como o guardião por excelência. mas é pelo menos um dado que nos leva a refletir. sendo sua origem congolesa. porque na verdade. Não seria essa divindade uma criação brasileira. pois os atributos de Njila e exatamente o do homem da rua? Edison Carneiro o registra como Bombogira. aluvaiá tem contigüidade com herança espiritual. a não a tradução da palavra Mpambu em Kikongo que significa portão. e Njilla significa rua. baseado em Laman. é uma corruptela do Mpambu Njila. Nzambi criou o mundo a partir de um cruzamento de caminhos e Mapmbu Njilla é o senhor absoluto desses caminhos. Para os bantu a encruzilhada é uma espécie de umbigo do mundo.

Nas regiões de florestas e savanas. As encruzilhadas costumam serem assombradas por gênios ou espíritos geralmente temíveis. NJILA leva a propulsar (impelir para frente). cavidade da boca e estômago (muzumbu e dikutu). vê tudo que vemos.Sem NJILA todos os elementos do sistema e seu dever ficariam imobilizados. Costuma-se batizá-la de encruzilhada do encontro ou da residência. mas também não adianta mais nada sobre o assunto. a verdadeira cruz bantu. umbigo (tumbu). 14 / 26 . porque está dentro de nós. A encruzilhada liga-se à situação de cruzamento de caminhos que a converte numa espécie de centro do mundo. sacrificando uma galinha branca às almas das crianças mortas.Para os bantu.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An “Quem se encontra em uma encruzilhada é. destinadas às almas dos ancestrais.”Matéria do Livro: Costumes e Mistérios do Candomblé Angola / Kongo. que as mulheres BALUBAS e LULUAS (incumbidas do cuidado das plantações) costumam depositar os primeiros frutos da colheita. o primeiro estado da divindade antes da criação. O local torna-se sagrado após um ritual específico. a comunicar. costumam batizá-la encruzilhada do encontro ou da residência.NJILA está relacionado com as cavidades do corpo (mukutu). o verdadeiro centro do mundo. Lugares onde ocorrem aparições. com os quais o homem tem interesse em se reconciliar.NJILA nunca existiria se o mundo não fosse criado em uma encruzilhada. cavidade do útero (kivaji).Nas encruzilhadas. Em um cruzamento de caminhos de caminhos. é a transposição do cruzamento original de caminhos que o criador traçou no começo de todas as coisas com sua própria essência para determinar o espaço e ordenar a criação. mas que até o momento não temos encontrado maiores referências. cabeça (mutue). passagem da vida à morte. ainda. Óscar Ribas não faz nenhuma referência e na Nzo Tumbensi de Itapecerica a casa onde estão depositados os assentamentos dos guardiões tem por nome Nzo Ngambe. Nei Lopes dá a origem como do Kikongo. pois conhece todos os caminhos e faz parte da arte divinatória. termo comumente usado pelo Povo-de-Santo como verbo. Nkosi Mukumbi Nkosi é uma divindade de origem kongo. de uma vida a outra. ajuda as pessoas a se desenvolverem e a adquirirem um bom nome. a população inteira se dirige em procissão às encruzilhadas mais próximas a fim de depositar ali oferendas de víveres ou de velhos utensílios domésticos. Nkossi é em Cabinda uma divindade muito temida junto com Nkondi. NJILA vai conosco aonde vamos. numa clara alusão a esta divindade. quando uma pessoa não sabe qual caminho seguir diz estar em estado de PAMBWA (ENCRUZILHADA). É uma divindade Kikongo. É igualmente um lugar de passagem de um mundo para o outro. pois vê com nossos olhos. e temos uma série de referências a ela principalmente na área cultural Cabinda. sabe o que vai acontecer. está em todos os lugares. na flexão engambelar.NJILA tem a ver com a criação. Fonte dessa pesquisa: Comunidade do orkut COBANTU Engambeiro No dicionário de Nei Lopes aparece o termo engambeiro ou engambelo. a transformar.Principais Divindades que chegaram ao Brasil .Se a cidade estiver ameaçada pela fome. a crescer. ficando assim dispensadas da proibição costumeira de terem relações sexuais durante o período de aleitamento.É nas encruzilhadas. a encruzilhada assume a importância de algo sagrado. neste momento. A encruzilhada encarna o ponto central. é que as mulheres acabam de desmamar um filho.

Nesse ídolo. Na Àfrica. e nunca ao seu pendor como cantor. guardião. perda de bens materiais. segundo os escritos do autor citado é. feito. casado com Kaiangô e que tem 15 / 26 . Martins sobre os povos de Cabinda o que nos possibilita afirmar que Nkondi é uma divindade congolesa. assim como promover a vingança através de seu ídolo. na ocasião. próprio dos velhos. Manvumbi estaria me parece mais ligado a Mvumbi (morto) que ao Mavambo. No entanto. Não encontramos nenhuma outra referência escrita a respeito dessa divindade. morte de familiares ou outras catástrofes similares. No Brasil. sobretudo. normalmente. vingança essa que. enquanto em Kimbundo significa cantor. Mutakalambô Divindade. parafusos e outros objetos cortantes.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . é comum também usarem árvores. segundo Óscar Ribas ligada à caça submarina. Sua atribuição. tivemos a oportunidade conhecer dois Nkondi. Edison Carneiro. no município de Marília e outro no terreiro do Tata Katuvanjesi em Itapacerica da Serra. Assim sendo. que só serão retirados quando o ofensor sentir-se devidamente vingado. etnia angolana da Lunda norte de Angola. vem através de uma doença grave. em 1938. As demais informações foram disponibilizadas através de informações orais colhidas junto ao povo de santo. nem nos dicionários ou no panteão das casas pesquisadas que possa nos autorizar a distender o assunto sobre tal divindade. acreditamos que o Mukumbi utilizado nas casas de candomblé Bantu refira-se ao caráter sério e compenetrado da divindade. pois Mukumbi em kikongo significa velho. registra Nkosi e no Inzo Ia Tumbansi esta divindade guardiã é cultuada. em madeira. Hoxi Mukumbi Nei Lopes registra esta divindade como Roxo mukumbi e dá sua origem como Kioko. e o autor nos informa que o termo significa em língua Kioko o cocar usado pelo chefe local. um no terreiro de Tata Nkassuté. Não há nenhuma outra referência.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An ambos muito utilizados pelos feiticeiros “comedores de alma”. pedidos de justiça e vingança. Quanto a Mukumbi é uma característica de Nkosi. Nkondi Não encontramos nenhum registro a respeito de Nkondi a não ser na monografia do Padre. as pessoas colocam pregos. sobretudo o imbondeiro para a prática da colocação de pregos e outros objetos cortantes formulando ao Nkondi. normalmente. punir os responsáveis por roubos e calúnias. Não sabemos sua origem. Mavambo T/ A respeito de Mavambo não encontramos até o momento nenhuma referência bibliográfica a não ser em Mário Milheiros a respeito dos Maiacas que encontrou entre eles um muxique por nome Manvumbi cujo assentamento se dá em forma de estacas do lado de fora da habitação. segundo o autor citado. nem suas características principais.

Quando os caçadores estão com dificuldades na caça. recorrem aos seus préstimos e ele no intuito de ajudá-los rouba de Mutacalambô algumas caças e permite ao caçador suplicante abatê-las. Na casa utilizada como referência ele é uma entidade cultuada. não paira nenhuma dúvida de que essa divindade veio mesmo do universo kimbundo e que é o Senhor da caça e dos caçadores. Katendê De origem congolesa. a não ser em alguns cantos de louvação. Nei Lopes nos dá sua origem no universo kimbundo o que complementa as informações de Oscar Ribas. seu nome é Ngóbila acrescido de Nkongo. Óscar Ribas por sua vez situa sua origem como sendo da área lingüística do kimbundo.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . portanto uma divindade ligada à caça. De acordo com a mítica bakongo. assim como é uma divindade muito conhecida e respeitada em todo o universo angoleiro no Brasil. Katendê foi o segundo filho de Nzambi Ampungo e foi quem distribuiu as sementes das plantas sobre a terra. É cultuada no Tumbansi. Edison Carneiro também nos informa sobre a divindade e. Edison Carneiro encontrou-a nos candomblés bantu da Bahia de sua época. Não ouvi nenhuma referência a essa divindade. Novamente daremos a voz a Itana Mutararê. Segundo o autor. Kabila Oscar Ribas apresenta essa divindade como o pastor de Mutacalambô. ou do substantivo Nkai que traduzindo seria avó. divindade ligada às folhas e as matas. sendo a palavra derivado de Yangu acrescido de um prefixo diminutivo Ka. Tanto no Nzo Tumbensi quanto no Kupapa Unsaba a divindade é conhecida e cultuada. citada por Edison Carneiro e por Nei Lopes que confirma sua origem como sendo do congo e que seu nome significa título de nobreza na terra de origem. Como paga recebe dos caçadores as caudas dos animais abatidos e depois das peças de caça limpas e esquartejadas exige a distribuição delas entre os presentes. e na casa que estamos seguindo ele é bastante cultuado.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An como cão de guarda um jacaré. Também há referências na literatura angolana moderna sobre o mito de Mutakalambô como o senhor do vento e da flecha. e nos informa que a divindade é esposa de Mutakalambô. Também ele registra a forma Caingo cuja tradução seria velho. Kaiangô Encontramos referências a essa divindade em Nei Lopes que dá como sua origem o Congo. que em interessante postagem nas páginas do 16 / 26 . os luvali e os lucazi como a divindade da adivinhação com a etmologia Kaiangu. No Brasil a divindade é cultuada como caçador e não como caçador marinho. Edison Carneiro também o registra como fazendo parte do panteão dos candomblés baianos da época. portanto angolana. debilitado. portanto. Manuel Laranjeira Rodrigues de Areia registra esse Nkisse entre os Luenas. Nkongobila Popularmente conhecido como Congobira ou Incongobira é um jovem caçador registrado por Nei Lopes como de origem kikongo. atividade ligada à caça de qualquer maneira. Itapecerica da Serra. fraco. doente. Manuel Laranjeira Rodrigues de areia encontra entre os Tckowe a forma Muta como divindade caçadora.

só poderão ser adivinhos aqueles que sofreram de uma determinada doença cuja cura tenha envolvido a possessão dos seus corpos por kayongo. Espírito feminino que constitui uma das mulheres de Mutakalombo. as cavernas. Ouçamo-la: “Kaiongo –s. ocorrem tempestades de ventos impetuosos tão formidáveis que fica tudo em trevas. sem duvida nos reporta a imaginar a forma das almas dos antepassados da humanidade. conforme podem ver. A Natureza Ígnea se transmuta em fumaça primordial e cria novos caminhos sem. EM LAVAS. 140 -. “entre os povos Humbe a ajuda do vento é primordial na operação de separar a palha dos grãos de 17 / 26 .. Fumaça é a representação do ar. um espírito metaforicamente associado ao vento. realizam-se rituais. É A ENERGIA DE KAIANGO SE TRANSMUTANDO. Mais para cima dessas terras profundas. principalmente em seus sonhos. KAIANGO está ligada à criação do mundo. contudo perder a sua ligação com o fogo primordial de centro da Terra.de Oscar Ribas -. desde períodos pré-históricos. Na África. CRIANDO CAMINHOS. nas regiões do Kongo.”Essas duas informações sobre Kayongo.1994 – Editora Contemporânea. FOGO É FOGO. sem ele acreditam que não receberiam a visita dos espíritos.. Termo quimbundo Fonte: -. Matamba e Congo. entre os Luvale. Em nossa casa. o movimento da fumaça. novos caminhos se criam para a existência dos redemoinhos de ar e tempestades. O vento também faz parte do sistema divinatório dos Ngangas. FUMAÇA É FUMAÇA.. principio por onde passam todos os caminhos que têm relação com este elemento primordial. KAIANGO É A GRANDE SENHORA DO FOGO PRIMORDIAL . Todos sabem que os bantu habitam esses 3 reinos. Dessa forma.. FOGO EM BRASA. é bem vinda e festejada. pág. o homem será novamente acometido pela doença. citado acima. seria o espírito da adivinhação e metaforicamente associado ao vento. No momento em que a Terra iniciou o seu resfriamento. Kayongo. em lugares úmidos.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Orkut nos brinda com uma vasta explicação sobre o Nkisi Kaiangô. resultante do processo da criação deste mundo). Mas. surge a FUMAÇA (não uma fumaça qualquer.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . encontrei uma resenha de Ramon Sarró sobre o livro ‘SE ISTO É UMA CESTA” da Etnógrafa Sonia Silva. o espírito da adivinhação. não poderiam ficar dissociadas das informações anteriores que obtive dos meus mais velhos no Candomblé. A possessão e a capacidade divinatória constituem a sua cura — porém. Durante meus primeiros estudos sobre o ngombo.Dicionário de Regionalismos Angolanos. é o fogo da terra. enquanto Nzazi é o grande Senhor do Fogo Cósmico que rasga os céus desde os tempos primordiais.. onde nesses domínios. Para dissipar esse estado atmosférico tão carregado e que traz tantas dificuldades. A nuvem de fumaça. os quais somente ela conhece e a ela pertence. logicamente.. Angola. nos domínios do Nkisi Nsumbu. com quem compartilhou grandes segredos.f. DAS BRASAS DO INTERIOR DA TERRA. no período paleozóico quando a terra ainda esfriava. também tem ligação com Kavungo. do vento na forma mais simples e elementar da Criação. a parte ígnea da Terra.. Entidade espiritual conubiada com essoutra entidade espiritual. visita com suas ventanias.. Descrevendo o que leu diz ele: “Entre os Luvale. em que ela seria a esposa de Mutakalombo e em outra região. Lembram das “pegadas de Zambi na África”??? Assim... (casa de meu pai Passinho) KAIANGO . tendo sua própria natureza associada aos VENTOS e como resultantes de seu movimento. sempre que tente abandonar a adivinhação. é também o espírito que toma posse da nova cesta de adivinhação mediante a transferência das peças da antiga lipele para a nova. O VENTO TRABALHA em favor dos africanos. mas uma fumaça das brasas vulcânicas. todos os mitos devem ser buscados desde essas eras Kaiango Tem ligação com Ntoto uá Zaba (as profundezas da terra que se comunica com o céu). a presença de fumaça em florestas.

No encontro das camadas de ar frio. portanto. pessoa ou coisa. mas apresentam-se com forma humana e farta cabeleira. nos estudos referentes à formação da terra é fácil constatar quer realmente a mitologia “se encaixa” perfeitamente com os relatos histórico/ científicos. na fala da nossa já conhecida Itana Mutararê. página 94. ” Mukongo O único registro encontrado foi em Nei Lopes que dá sua origem como da área lingüística do Kimbundo. Como apenas encontramos registros da Kianda em Óscar Ribas cremos que sua origem seja da área lingüística Kimbundo e.Tata Nkasute. previsíveis no processo de formação da terra. mas. No Brasil. umidade e vento. Kianda Óscar Ribas nos informa que as Quiandas são as sereias. vieram as CHUVAS. Ngunzu A única referência a esta divindade encontrei na casa pesquisada. sob as quais às vezes se escondem. com ar quente as poeiras da atmosfera se condensam e desaparecem. as Quiandas não têm a forma de semi-peixe e semi-pessoa como as européias. Mário Milheiros encontrou esse Mukixe entre os Maiacas e seu registro etnográfico nos informa que ele é assentado sob a forma de um pau que conservam dentro de casa e que tem como função inchar e curar os olhos de pessoas e animais. dos lagos e dos mares. numa linha chamada Povo D’água e no candomblé bantu só encontramos referências a elas no Nzo Tumbensi de Itapecerica. poças.a grande SENHORA DO FENÕMENOS ASSOCIADOS À SOBRECARGA NA ATMOSFERA. A CHUVA vem da evaporação devida ao ar quente sobre as águas dos rios.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . Como conseqüência NOVOS CAMINHOS. Segundo um informante do autor. do país de Angola. sub-titulo 18 / 26 . RAIOS E TROVÕES. pois não nenhum registro bibliográfico a respeito.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An massambala” Estudos da Mitologia bantu --. transcreveremos na íntegra sua postagem por ser muito elucidativa. ocorrendo a precipitação Mais uma vez a Natureza se transmuta e sem perder seu principio original abre caminho para UAMBULU NSEMA (BAMBURUCEMA) . seres espirituais que vivem na água dos rios. dos lagos. Podem tomar vários aspectos e apresentar-se às pessoas em forma de peixe. Nenhuma das duas casas pesquisadas o cultuam e nem Edison Carneiro faz qualquer anotação a respeito. Escreve ela: Texto extraído das conferencias realizadas em Lisboa – 2000. culminando em TEMPESTADES DE CHUVA. Com as mudanças climáticas. Podem pedir aos humanos qualquer coisa e desaparecem sem aviso prévio. acreditamos que sejam mais cultuadas na Umbanda. Nem Nei Lopes e nem Edison Carneiro fazem qualquer referência a este Nkisi. Porém a Natureza não pára de se transmutar para GERAR NOVOS ELEMENTOS. Não encontrei nos livros nada semelhante ao que aprendi pela oralidade dos MEUS mais velhos do TUMBENSI. de calor. Ainda colhidos das páginas da internet.

como sendo “divindades de 2ª.J.. 1930). assim. Ainda de acordo com este mesmo autor. a chuva. etc. Virgilio Coelho”. sub-titulo “ A questão da Terra e Territorialidade no Antigo Reino de Ndòngò. um “deus da água”. Assim. as populações acreditam que “os desastres que acontecem nos rios. me foi presenteado uma encadernação de “Conferências do Sr. lagos. mares. 1885-c. “no dialecto de Mbaka este gênio da água é chamado Kiximbi e tem em todos os vales o nome do rio local. que são seres de “altura incomensurável” e que “gozam de imortalidade”. Pinho não dá quaisquer indicações sobre suas características externas. que ouve e que fala” aos presentes. ao Cuanza. “É o mesmo que Deus no seu império marinho”. 1870:261). a peste. no vale do Cuanza.No último parágrafo do item 2. Daí a sua popularidade (Chatelain. fontes. cuja popularidade era grande no seio das populações que habitavam a cidade de Luanda. “papões que engolem creanças e homens. mas anota. 2. Quando acontece algum desastre. Ademais. A. vista através de um relato do fim do século XIX”. Dr.A divindade em questão denomina-se “Quianda”. outros tocando atabaques. e preside ao mundo dos peixes. que dá ainda mais clareza ao assunto: “Muita gente está em redor. Nela encontrei. a guerra.” tendo fiado igualmente sob a sua responsabilidade e “influencia” “os animais racionaes e irracionaes. Héli Chatelain.J.J.. mas em espírito na cabeça de um homem ou de uma mulher”. Mais adiante apresenta a descrição de outro autor. são de sua inteira responsabilidade. e que “neste estado de crença (tais populações) preferem morrer à fome e á sede. de Pinho. a pasz e finalmente todos os elementos. aqui em Salvador. 1874: 3). em “ACTAS” da III REUNIÃO INTERNACIONAL DE HISTÓRIA DA ÁFRICA. classificando-as.I. neste interessante artigo que vimos citando. Kituta. no titulo “A África e a instalação do Sistema Colonial (c. são habitados por entes com apparencias humanas”. “que vê.. além disso.Vindo em socorro destes dados. precisando. a pescar ou tirar água d´aquelle 19 / 26 .Principais Divindades que chegaram ao Brasil . o “Quianda” “não se apresenta em corpo e alma. recorrendo ao que se poderá considerar como articulação de base de uma narrativa sobre a criação do mundo. que a divindade não está longe” (Nascimento. das fontes. Nascimento dá sustento às informações de Pinho e clarifica “que os rios.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Quando em visita à Casa de Angola.No item seguinte.2 – A Divindade . uma das pesquisas mais elucidativas que já li sobre “Quiandas”. conclui J. que é uma “divindade da mytologia africana” e. de que a população nativa de Luanda depende para seu sustento. estabeleccem e regulam o equilíbrio das águas (e) são engenheiros hydráulicos. alude que “Deus Nosso Senhor dividindo o mundo por todos os espíritos do mar (. autor anteriormente citado. outros cantando. etc.I. dos outeiros. A. Nascimento “Quianda” é. diz textualmente que o “Kianda (é) um dos espíritos mais populares na mitologia de LUANDA/Angola. uns agitando os chocalhos.) coube ao Quianda o império dos mares.Este autor precisa ainda que o “Quiandas” “governam os peixes e os amphibios. . Outro nome de Kianda é Kituta” (ibidem). são preparativos para anunciar. dos lagos. concluindo finalmente que o seu poderio é tal. “Todos estes passos são dados no sentido de comunicação pacifica com a divindade. pois. creditam que o Quianda não quer deixar passar nas suas águas embarcação nenhuma”. ordem”. Vice-Ministro de da Cultura de Angola. O neófito ou chinguilador senta-se n`um mocho.Virgilio Coelho apresenta. das lagoas. É o gênio da água. a fome. porém..1.1. lagos e fontes.Em conclusão: para A. e mettem embarcações no fundo.”.J. Kiximbi. uma de suas conferencias realizada em Lisboa – 2000. não sabemos sob que critérios. isto é. ou 3ª. e como são mitos populares em Luanda:. no vale do Luccala. considerando-os.. que chega a influir nos destinos do homem (Nascimento. etc. ibidem).1 ele relata como a “entidade” se manifesta:“Perante os devotos. as ofertas são feitas ao Lucala. como determinados autores antigos descrevem Kyàndà. dos bosques. dos rios. etc. Kyàndà.

reparem especialmente no que está dito acima: “no dialecto de Mbaka este gênio da água é chamado Kiximbi e tem em todos os vales o nome do rio local. Na casa pesquisada vamos encontrar NdandaLunda e sabemos que esse Nkissi é muito popular entre nós como 20 / 26 . por intermédio do sacerdote (o kilàmbà). Edison Carneiro não faz registro de Ndanda Lunga e sim de Ndanda Lunda. Também já ouvimos referências dos mais antigos que quando foram iniciados fala-se em NdandaLunga e não NdandaLunda. insetos. ao Cuanza. Outro nome de Kianda é Kituta” (ibidem). citando Yeda Pessoa nos informa que o nome possivelmente tem sua origem em Ndanda Kalunga. ovos. mas foi nesse período que Nzambi despediu-se. todos já sorveram o bastante para saber que foi coletada de nativos do nordeste de Lunda por João VicenteMartins. no vale do Luccala. Foi então que dessas uniões nasceram KITEMBU-A-BANGANGA (Tempo) e SAMBA KALUNGA (Mar) e outros. criou o mundo e tudo que nele existe. Quando ele cresceu Nzambi lhe deu o Poder da Adivinhação. A morada de Nzambi fica entre os rios LUEMBE KASAI.Depois dos incestos dos primeiros tempos da criação. ou um ser inteligente) e este passou a ser a 3ª pessoa da Trindade Divina. meus amigos.Martins. as ofertas são feitas ao Lucala. logicamente só poderia caber a esta o beneficio e a honra da regulação e da harmonia de todos os problemas e desregramentos que eventualmente possam vir a ocorrer na natureza. Pois então. Faz parte dos Minkisi da Criação. cita um Nkisse com o nome de Lunga que seria o protetor dos lagos e das águas próximas das florestas. No entanto.Sobre os “retalhos” extraídos da lenda acima. preparado para entrar em seu contato. junto a nascente do MBANZE.Naquele tempo as rochas estavam moles por terem sido feitas recentemente. senão idêntica mas com o mesmo sentido a mesma mensagem. Ndala Karitanga deu a luz a Nkuku-a-lunga (a Inteligência. pássaros. ao passar a viver com Nzambi Apungo (Deus Poderoso) que a criou. Assim.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An rio” (ibidem). Dirigiu-se para SENZALA KASEMBE diá Nzambi (Aldeia Encantada de Deus).Assim cabendo a esta divindade a responsabilidade pelas ocorrências nessas áreas da natureza. segunda divindade. As suas origens reportam-se à pré-história quando as águas dos rios eram “vistas” como grandes “cobras” ou “serpentes” que se espalhavam pela terra a dentro “engravidando-a” e fazendo com que a terra “parisse” frutos.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . enfim tudo que existe sobre ela. inclusive o próprio homem!Isto é lição que me foi ensinada pelos “meus mais velhos” mas que encontro a todo instante em qualquer leitura de autores lusitanos. no vale do Cuanza. animais. chamada depois de NDALA KARITANGA. facto que acontece sempre que estas populações façam recurso à sua benevolência. na mítica de Kalunga. seja do universo kikongo ou kimbundo. No entanto. no dicionário de kikongo-Francês vamos encontrar Lunga com o significado de jóias e riquezas e o PE.” Ndanda Lunga Nei Lopes. Ndanda Lunda Em Nei Lopes vamos encontrar a explicação seguinte para o seu nome: ndanda do kikongo que significa pessoa mais velha e nda do kimbundo que significa mulher nobre. Não há referências a este Nkisse em nenhuma das casas pesquisadas. levando o cão que sempre o acompanhava.Com o tempo. de Cabinda. não há registros de Edison Carneiro e não encontramos nenhuma outra referência a esse nome em outros estudiosos. Zambi ordenou que entre as criaturas existentes os acasalamentos se dessem apenas entre primos.

também conhecido como junça. que é o mar. Sobre Ndanda Lunda ainda a acrescentar o estudo elaborado por Itana Mutararê que transcrevermos como sempre na íntegra. o que vem depois do chefe em dignidade. dama de alta nobreza. como aqui no Brasil um culto intenso e uma festa anual de proporções gigantescas. É um nkisse de natureza marinha.. Samba. propõe a existência de uma reduplicação da expressão nda no termo Ndanda. que mata aquelas que perto nascem. Vejamos: Ao falar de Dandalunda ela diz: “Até aqui consultamos apenas o Dicionário bantu do Brasil de Nei Lopes. depreende-se que estamos certos em dizer:Mam´etu Ndandalunda.. grama.Segundo Olga Caciatore.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An divindade ligada à água doce. Já Câmara Cascudo diz que. Depois de morto na guerra.J. provavelmente é um termo originário do quimbundo.A lenda de Kongolo será analisada em outro momento. DANDALUNGA e NDANDA LUNDA.. da Editora Cventre de etudes ethnologiques . gera a locução Dama do mar ou rainha do mar. DANDALUNDA.. publicado com a chancela do Centro Cultural José Bonifácio. instância da cultura afro-brasileira na Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro 1993-1995Observem a diferença entre as grafias e seus respectivos significados: DANDALUNDA. SambaKalunga Em kimbundo samba significa cortesã. portanto. ou seja. No quimbundo tem-se a palavra “ kianda” = sereia e o sufixo ou prefixo “nda” = Mulher nobre. Esse Nkisi é cultuado na casa pesquisada e em todo o Brasil..Do que vimos até aqui. especificamente Luanda.na divisão administrativa posterior à independência. DANDÁ é um capim odorífero empregado em trabalhos de umbanda e candomblé. que Junça é a erva "estolonífera da família das ciperáceas” (.. pripioca. e sim. O próprio lingüista autor do Dicionário citado. Ndanda= Nobilíssima Senhora. (Cascudo. Segundo Euclides Ferreira. pois possuía o “bulópue”. dama da corte. Bandudu – Repúblique du Zaire. Kissimbe Kissimbe ou na outra forma Quiximbe tem sua origem no universo Ambundo – Kiximbi – 21 / 26 .Quando digo: Quem de fato estuda os mitos angolanos sabe que KONGOLO não é um indivíduo... a quem são dedicados tanto lá em Angola.) de rizoma tuberoso e comestível. em Kicongo é um título que designa os mais velhos.O termo NDANDA. Nda = Senhora.. acrescida de Kalunga. este capim é uma batata de junco.O meu velho pai de santo(77 de idade e 57 de santo) ensinou-me a dizer Ndanda Lunga. 1980:281).De acordo com o dicionário “Dicionaire kikongo et kituba – Français – vocabulaire compare dês langagens kongo traditionels e vehiculares” de Pierre Swartenboechx S. da palavra ndanda.. mulher nobre. hoje duas Lundas . uma qualidade sagrada que havia no sangue dos descendentes dos Grandes Reis Sagrados. dada a seriedade e o caráter de pesquisa que a mesma imprime a seus textos.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . um título honorífico (como o de Ndanda Lunga). mas.. Kongolo se deifica. LUNDA = Província no Leste de Angola. faz-se senhor das chuvas e assume a forma de uma grande cobra vermelha que se manifesta no arco-iris = Hongolo (kimbundo). Princesa.Norte e Sul . É só relembrar as noções básicas de Geografia e refletir um pouco sobre a questão. Rainha. é planta.Sem duvida é o movimento das águas que dá origem ao arco-iris. Ensina Buarque de Holanda. adiantamos que Kongolo era um rei sagrado. tem-se que:Ndanda recompensaLunga jóiasSURGE UMA DUVIDA: qual o nome certo da deusa? Ndanda lunda. DANDALUNGA ou Ndanda Lunga? . Senhora de grande prestigio.

Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Sereia. furúnculos na face etc. Kubango Segundo Nei Lopes. 1952) que anota sua presença entre os Maiacas como um Muquixe que provoca e também cura dores de dente. e no dicionário de português-kimbundo encontramos a forma Kaluvungu que é um substantivo feminino e que significa magia. Vamos também encontrar matamba registrada por Mário Milheiros (MILHEIROS. no Bate-folhas de Manuel Bernardino. Não há registro de Edison Carneiro. Nkisi de origem congolesa. As mesmas características encontramos. É cultuado no Tumbansi. ou seja. mas é com certeza uma das kiandas conforme vimos acima. região metropolitana sul da Grande São Paulo. 22 / 26 . Matamba De origem no universo linguístico kikongo. Apenas o vemos presente na casa pesquisada. Mpanzu De origem no universo linguístico Kikongo. feridas no nariz e outras enfermidades ligadas à boca. Edison Carneiro fala dele como de um espírito inferior. É cultuado na casa pesquisada. registrado por Nei Lopes. ou no universo lingüístico kikongo –simbi – sereia. O autor ainda nos informa que o assentamento desse Nkissi se faz num casca de caracol ou num embrulho de pano.. Cultuado na casa pesquisada. dores de dente. Encontramos este Nkisi na casa pesquisada.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . Não a encontramos com essa nomenclatura em nenhuma das duas casas pesquisadas. Nsumbo De origem kikongo registrado por Nei Lopes sem maiores informações. habitante das árvores. Kaviungo Também chamado de Kavungu. Kisambu É apenas outra grafia de Nsambu ou Nsumbo valendo as mesmas características do primeiro. registrado por Nei Lopes que nos fornece a grafia em Kikongo – Ma-támba. na definição do termo matamba no dicionário de Kikongo-francês que temos consultado. ambos registrados por Nei Lopes. Não encontramos até o momento nenhuma outra referência . terreiro estabelecido no município  de Itapecerica da Serra. em Marília uma senhora iniciada para esse Nkissi. segundo Nei Lopes e significa aquele que provoca úlceras. Kingongo T/ Não encontramos nenhuma referência bibliográfica sobre esse Nkisi. mas conhecemos no Nzo de Tata Nkasuté. esse nkissi tem origem no universo lingüístico kimbundo e significa briga e luta. juntamente com Zacaí.

registrado por Edison Carneiro que também fala numa forma feminina Angoromea. mas na verdade. Kukueto Tem sua origem no universo lingüístico kikongo. Nzazi Nkisi largamente conhecido em todo o universo lingüístico Bantu com alguns nomes diferentes. Kambaranguanje Este Nkissi foi registrado somente por Edison Carneiro.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An Kituto Outro nkisi ligado à doença de pele. Nas duas casas pesquisadas não há referência a esse Nkissi. Nzazi é o raio e por isso é chamado de o Deus da justiça. ou como divindade ou como herói mítico fundador. Também tem sua origem no universo lingüístico kikongo e significa varicela. Na mitologia bakongo ele foi o primeiro ser 23 / 26 . Foi registrado também por Edison Carneiro. segundo Tata Katuvanjesi é um Nkisi ligado à fartura e prosperidade. Este ou aquele estava em falta e o raio Nzazi atuou ali para promovendo a justiça contra o faltoso ou os faltosos. catapora. uma pessoa ou uma aldeia é feito desse fato uma cobrança da justiça divina. em todo o mundo bantu vamos encontrar referência a esse Nkissi. Segundo ele. mas pessoalmente já ouvimos referência a ele em terreiros de angola milongada. foi também anotado por Edison Carneiro nos candomblés bantu da Bahia na época e a casa pesquisada têm por ele grande afeição e apreço.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . É também uma das três partes do Ingorossi. Kibuko Nei Lopes diz que provavelmente seja de origem kikongo derivado do nome de um nkissi Nkiduku ou do kimbundo kibuku que significa sorte. assim está registrado por Nei Lopes. Não é cultuado em nenhuma das casas pesquisadas. ou talvez ainda venha do universo lingüístico kimbundo nguanji que significa antropófago. mas com atribuições semelhantes. etc. No Tombensi ele é cultuado. pode ser a fusão dos termos kikongo kambala que significa grandeza e ngangi cuja designação é para pessoas irascíveis. deriva da palavra kikongo nkwete (feiticeiro) Está presente na casa pesquisada. mas não encontramos nenhuma referência bibliográfica. porque em África quando um raio atinge uma casa. Nei Lopes dá a seguinte explicação para a questão do nome. Burungunço/Kukete Apenas Edison Carneiro registra e não encontramos outras referências a respeito. A origem do nome vem do universo lingüístico Kikongo. canibal. Kingongo Nkisi cultuado na casa pesquisada e. Nei Lopes situa-o na área lingüística do kimbundo. Hongolô Conhecido entre nós por Angorô.

O Pe. Nei Lopes registra a versão Tembo e segundo ele. podemos pensar que a divindade que aqui chegou foi o Témbo (Tembwa) – bakongo . segundo o autor. Nzinga Lumbondo Ney Lopes dá a origem de Lubondo como congolês. Entretanto. proveniente das palavras Lu-bondo. em sua época de pesquisador. numa clara alusão a sua função enquanto divindade ligada ao firmamento e aos trovões. Na casa pesquisada ele é cultuado e louvado. sendo que Nzinga é um termo honorífico e. Por essa razão. Kitembo e Tembu. É cultuada no Tumbensi de Itapecerica. a origem dessa divindade é do universo lingüístico kikongo. com a grafia Tempo. A versão kitembo (Tempo) também conhecida no Brasil é de origem kimbundo e significa também vento. Desfaz-se dessa forma a idéia que Zumba seja um Nkissi velho e alquebrado como se tem visto até então. O Mbumba seria uma divindade para fazer o bem e o mal e o Luango é uma divindade que traz a cintura grãos de cereais e chifres de animais cheios de sangue para espalhar sobre as pessoas. Mpambulussema ou Mpambulussemavula é de origem kikongo e está ligado a chuva e aos 24 / 26 . A tradução de Tembo em português é vento violento. nkissi ligado ao firmamento. e que em Kikongo a grafia é Témbo (Tembwa). pois. Na casa pesquisada Nzinga Lubondo é cultuada. Essa divindade tem sido um dos sinais diacríticos nas casas de Congo-Angola e por muitos é considerado o rei da nação. encontramos no dicionário de Kimbundo o termo Nzumba para designar “ a cor arroxeada da lua durante o eclipse lunar” o que explicaria a cor roxa com que se veste o Nkissi no Brasil e inclusive a cor de suas contas rituais.Principais Divindades que chegaram ao Brasil .e que a palavra Kindembo apareceu recentemente com a efetivação das pesquisas bibliográficas. Kitembo(Tembu) Vamos encontrar duas variações para esse Nkisi. separando Mbumba de Luango. Também deixa claro que o Nkisi Luango é aliado do Nkisi Nzazi. é registrado por Nei Lopes e cultuado pela casa pesquisada. Nzumba significa Moça em língua do Congo. Joaquim Martins (MARTINS: s/d) que escreveu uma monografia sobre o povo de Cabinda tem outras referências sobre o mesmo. Edison Carneiro registra esse Nkissi o que demonstra que o mesmo estava já aparentemente consolidado. portanto. a do Padre Marichelle. O padre apresenta este nkissi com o nome de Mbumba-Luango (o arco-íris). é apenas um título que acompanha a divindade Lubondo emprestando-lhe maior prestígio e conferindo-lhe aspectos de realeza. mas no dicionário de Kikongo-Francês pesquisado. Bamburucema Nei Lopes não situa a origem desse Nkissi. NdandaNzumba Conhecida como Zumbarandá e é assim que Edison Carneiro a apresenta.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An criado por Nzambi Ampungo para separar a terra das águas e ainda trazer a luz e cor ao mundo Luango De origem kikongo proveniente de um Nkissi congolês cujo nome é Lw-ângu. esse sufixo randá em português que acompanha seu nome é uma variação popular de Ndanda é apresentada por Nei Lopes como de origem kikongo. Ndandazumba. mas também dá outra versão.

Padre Martins o registra como o responsável pelo casamento entre os povos de Cabinda. Mas não conseguimos maiores informações bibliográficas a seu respeito. Na casa pesquisada Lemba é cultuado. Entretanto. mas não encontramos outras referências ao mesmo. e tanto Nei Lopes quanto Edison Carneiro o apresenta como o Deus da procriação e dessa forma ele é cultuado nos candomblés bantu. Kassubeká Apenas Edison Carneiro registra esse Nkissi que acreditamos ser uma das variações de Lemba. de língua kikongo. segundo Nei Lopes é umbundo. No Brasil. Edison Carneiro registra a forma Bamburucema e na casa pesquisada ela é cultuada. em torno de uma fogueira dedicada a esta divindade. os Maiacas. vúnji e Mvunji. Não encontramos a terminologia em outro local. Edison Carneiro encontrou Lemba nos candomblés de então. que se segundo Nei Lopes é apenas uma titulação de Lemba. Kassulembá Sua origem é a área lingüística kikongo. Lemba é um Nkissi conhecido talvez em quase todo o mundo bantu. ou seja. Segundo informações de Tatá Katuvanjesi há uma cerimônia dedicada a Gonga que tem lugar no mês de junho. Também não encontramos outros registros a respeito desse Nkisi. no dicionário de kikongo-francês vamos encontrar Mvunji como pastor de ovelhas e como pastor de almas. grupo lingüístico do país de Angola. Lembarenganga Outra forma de Lemba. portanto.Principais Divindades que chegaram ao Brasil . Senhor. quanto entre os Tchowê. e os Ambundos. Na verdade. acrescido do termo honorífico Nganga que significa tanto em Kimbundo como em kikongo. Vúnji é considerado um Nkissi menino e que raramente tem filhos de santo iniciados e não conseguimos informações se seus filhos entram em transe com ele. Lemba tanto se encontra entre os povos de língua kikongo. segundo Nei Lopes. Oscar Ribas informa que o mesmo tem como auxiliar Luango e é especialista em assuntos de justiça e auxiliar nos casos de procriação e partos complicados.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An temporais com raios.   25 / 26 . Nvunji Para esse Nkissi há as seguintes variações de nomenclatura: Nvunji. Gonga Encontramos esse Nkissi registrado por Òscar Ribas que informa ser ele originário do Congo e. Lemba A origem de Lemba.

pesquisador de culturas tradicionais religiosas afro bantu e diretor do Departamento de Estudos.Nzo Tumbansi: Uma Casa de Tradição e Cultura Congo-An *por Profº Drº Sérgio Paulo Adolfo – Tata Kambondu confirmado para o Nkisi Nzazi. Pesquisas e Comunicação Social da Dianda Inzo Ia Tumbansi Tua Nzambi Ngana Kavungu   Joomla SEF URLs by Artio 26 / 26 .Principais Divindades que chegaram ao Brasil . membro do Núcleo de Estudos Afro Asiáticos da Universidade Estadual de Londrina/PR.

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