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EDUCAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

EDUCAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO

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Na presente comunicação pretende-se contribuir para a discussão do tema deste congresso sobre A Unicidade do Conhecimento a partir de um texto de Roldão (2005), onde refere que a discussão epistemológica que atravessa a Educação enquanto saber merece ser retomada, sendo por nós adoptado o modelo da unidade (pluri e/ou transdisciplinar) do campo epistemológico da Educação, bem como a partir de um livro de Morin (2002), onde apela para a necessidade de promover um conhecimento pertinente capaz de apreender os problemas planetários nos seus contextos, nas suas complexidades e nos seus conjuntos, reconhecendo assim a unidade e a diversidade dos conhecimentos e dos seres humanos.
Na presente comunicação pretende-se contribuir para a discussão do tema deste congresso sobre A Unicidade do Conhecimento a partir de um texto de Roldão (2005), onde refere que a discussão epistemológica que atravessa a Educação enquanto saber merece ser retomada, sendo por nós adoptado o modelo da unidade (pluri e/ou transdisciplinar) do campo epistemológico da Educação, bem como a partir de um livro de Morin (2002), onde apela para a necessidade de promover um conhecimento pertinente capaz de apreender os problemas planetários nos seus contextos, nas suas complexidades e nos seus conjuntos, reconhecendo assim a unidade e a diversidade dos conhecimentos e dos seres humanos.

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ENC CONTRO INT TERNACION NAL A UN NICIDADE D CONHEC DO CIMENTO

CIE EP Centro de Inve estigação em m Edu ucação e Ps sicologia

ED CAÇ O E DUC ÇÃO ORGA IZA O D ANI AÇÃO DO CON ECIM NTO C NHE MEN O
Lurdes Cardo 1  oso

IN NTROD DUÇÃO O
Mayor  (2002),  antigo  director‐ge da  UNESCO,  no  p M eral  prefácio  do livro  de  Edgar  o  E Mori in Os Sete  Saberes pa ara a Educa ação do Fut turo, escrev ve que se q queremos q que a  Terr ra possa satisfazer as  necessidad des dos ser res humanos que a habitam, en ntão a  socie edade  hum mana  dever transform rá  mar‐se  e,  nesta  evolu n ução  para  a modifica as  ações  fund damentais d dos nossos estilos de v vida e dos nossos com mportamen ntos, a Educ cação  – no seu sentido mais amp plo – desem mpenha um m papel preponderant te.  No  seu  livr anteriormente  cit ro,  tado,  Mori (2002)  refere  que  existem  sete  in  eres  fundam mentais  que  a  Educ cação  do  futuro  dev f veria  tratar  em  qual lquer  sabe socie edade e em m qualquer cultura, sem m excepção o nem rejei ição, segun ndo os costu umes  e as regras próp prias de ca ada socieda ade e de cad da cultura, a saber:  I. O CON NHECIMEN NTO DOS CO ONHECIME ENTOS PAR RA AFRONT TAR RISCOS  PERM MANENTES S DE ERRO E DE ILUSÃ ÃO PELA LU UCIDEZ.  II. OS MÉTODOS Q QUE PERMIT TEM APRE EENDER AS S RELAÇÕES MÚTUAS E AS  UÊNCIAS  RECÍPROCA ENTRE PARTES  E  TODO  NUM  MU AS  E  UNDO  INFLU COMP PLEXO. 

1 Instituto Politécnic co de Castelo B Branco. Escola Superior de Ed ducação. lurde es.cardoso@e ese.ipcb.pt 

CARDOSO, L. (2007) Educação e organização do conhecimento.  In, V. Trindade, N. Trindade  & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora 

III.

A  CONDIÇÃO  HUMANA  CUJA  COMPLEXIDADE  E  UNIDADE  DEVEM  SER  ENCONTRADAS  NA  DIVERSIDADE  DOS  CONHECIMENTOS  E  DOS  HUMANOS.  A  IDENTIDADE  TERRENA  FUNDADA  SOBRE  A  HISTÓRIA  DAS  COMUNICAÇÕES E DA COMUNIDADE DE DESTINO PLANETÁRIO DO SER  HUMANO: A MORTE.  A  ARTE  DE  ENFRENTAR  AS  INCERTEZAS,  DE  SABER  ESPERAR  NO  INESPERADO E DE TRABALHAR PARA O IMPROVÁVEL.  A  COMPREENSÃO  QUE  É  SIMULTANEAMENTE  MEIO  E  FIM  DA  COMUNICAÇÃO  HUMANA  E  UMA  DAS  BASES  MAIS  SEGURAS  DA  EDUCAÇÃO PARA A PAZ À QUAL ESTAMOS ASSOCIADOS POR ESSÊNCIA  E POR VOCAÇÃO.  A ÉTICA QUE DEVE COMPLETAR A HUMANIDADE COMO COMUNIDADE  PLANETÁRIA ENRAIZADA NUMA PÁTRIA ‐ A TERRA, E NUMA VONTADE  DE  REALIZAR  A  CIDADANIA  TERRESTRE,  RECONCILIAÇÃO  SOCIAL  DO  INDIVÍDUO E DA ESPÉCIE. 

IV.

V. VI.

VII.

Contudo, o saber científico, no qual se apoia este texto, não é um tratado sobre o  conjunto  de  matérias  a  ensinar:  ‐  pretende‐se  única  e  essencialmente  expor  problemas  centrais  que  permanecem  completamente  ignorados  ou  esquecidos  e  que  são  necessários  para  a  Educação  no  século  XXI,  centrando‐se  a  nossa  breve  análise apenas no segundo item sobre o conhecimento pertinente, onde as partes  são solidárias do todo.  Para Roldão (2005), na conferência Saber Educativo e Culturas Profissionais, a  discussão  epistemológica  que  atravessa  o  campo  da  Educação,  enquanto  saber,  merece ser retomada, organizando‐se essencialmente em torno de duas questões  centrais que certamente irão continuar como eixos do debate futuro:  1) A  subsidiariedade  ou  a  autonomia  da  Educação  enquanto  campo  epistemológico, relativamente a outros campos científicos?  2) A  unidade  (pluri  e/ou  transdisciplinar)  do  campo  epistemológico  da  Educação  ou  das  Ciências  da  Educação  ou  a  segmentação  em  especialidades crescentemente divorciadas entre si?  A ênfase na especificidade de saberes levanta um problema epistemológico, cuja  complexidade está desintegrada nos nossos sistemas de ensino, pelo que considero  que  a  ênfase  na  unidade  (pluri  e/ou  transdisciplinar)  deveria  ser  encontrada  na  diversidade dos conhecimentos e dos seres humanos. 

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CARDOSO, L. (2007) Educação e organização do conhecimento.  In, V. Trindade, N. Trindade  & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora 

DAR A CONHECER O QUE É CONHECER…
CONHECIMENTO  FRAGMENTADO   PERTINENTE  versus  CONHECIMENTO  DISCIPLINAR 

Não  se  trata  de  responder  a  uma  pergunta  mas  sim  de  analisar  esta  problematização, começando por subscrever a seguinte afirmação de Edgar Morin:  «Cada indivíduo contém de forma hologramática o todo do qual faz parte e que  ao mesmo tempo faz parte de si».  Enuncia  Morin  (2002)  os  objectivos  de  um  conhecimento  pertinente,  onde  as  partes são solidárias do todo. Assim, nos nossos sistemas de ensino é necessário:  1) promover um conhecimento capaz de apreender os problemas globais e  fundamentais para aí inscrever os conhecimentos parciais e locais;  2) dar  lugar  a  um  modo  de  conhecimento  capaz  de  apreender  os  objectos  nos seus contextos, nas suas complexidades e nos seus conjuntos;  3) desenvolver  a  aptidão natural  da inteligência humana  para  situar  todas  as suas informações num contexto e num conjunto.  Assim a Educação deve promover um conhecimento pertinente através de uma  inteligência geral, de modo a referir‐se ao complexo, ao contexto, de forma multi‐ dimensional e numa concepção global.  Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os  problemas  do  mundo  é  necessário  uma  reforma  de  pensamento  capaz  de  apreender que:  o conhecimento das informações ou dos dados isolados é insuficiente. Torna‐se  necessário  situar  as  informações  e  os  dados  no  seu  contexto  para  que  façam  sentido.  ‐ Por exemplo, a palavra amor muda de sentido num contexto religioso e num  contexto profano, bem como uma declaração de amor não tem o mesmo sentido de  verdade se for enunciada por um sedutor e por um seduzido;  o  global  é  o  conjunto  que  contém  partes  diversas  ligadas  de  forma  inter‐ retroactiva ou organizacional.  Por exemplo, a sociedade é um todo organizador do qual fazemos parte;  a sociedade enquanto todo está presente no interior de cada indivíduo na  sua linguagem, no seu saber, nas suas obrigações e nas suas normas; 

as  unidades  complexas  como  o  ser  humano  ou  a  sociedade  são  multidimensionais. 

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CARDOSO, L. (2007) Educação e organização do conhecimento.  In, V. Trindade, N. Trindade  & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora 

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Por exemplo, o ser humano é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social,  afectivo,  racional,  e  a  sociedade  contém  as  dimensões  histórica,  económica, sociológica, religiosa, … 

o conhecimento pertinente deve afrontar a complexidade que é a ligação entre a  unidade e a multiplicidade.  Por  exemplo,  existe  complexidade  desde  que  sejam  inseparáveis  os  elementos  diferentes  constituindo  um  todo,  como  o  económico,  o  político, o sociológico, o psicológico, o afectivo, o mitológico, … 

Portanto,  a  Educação  deve  promover  um  conhecimento  pertinente  através  da  inteligência  geral  para  que  os  indivíduos  apreendam  as  inadequações  entre,  por  um lado, os saberes disciplinares compartimentados e, por outro, as realidades ou  os  problemas‐chave  do  mundo  que  são  cada  vez  mais  problemas  globais,  transversais, planetários.  Ao  contrário  da  inteligência  parcelada,  compartimentada,  disjuntiva,  reducionista que destrói as possibilidades de compreensão e de reflexão do género  humano, a inteligência geral conduz a laços de solidariedade planetária e de inter‐ comunicação responsável entre o indivíduo singular e a espécie humana enquanto  todo,  apelando  a  uma  cidadania  terrestre,  já  que  o  contexto  de  hoje,  político,  económico, antropológico ou ecológico, é o próprio mundo. 

REFLEXÕES FINAIS
O  excesso  de  especialização  do  saber  científico,  ao  longo  do  século  XX,  acabou  por  criar  obstáculos  que  impossibilitam  o  exercício  de  um  conhecimento  pertinente  nos  nossos  sistemas  de  ensino,  pois  a  separação  em  disciplinas  concentradas em si mesmas impedem ver tanto o global como o essencial.  Do  ponto  de  vista  epistemológico,  a  cada  período  histórico  corresponde  um  determinado  ideal  com  as  suas  próprias  limitações  metodológicas,  formais  e  processuais. No entanto, neste período pós‐positivista e, como racionalista que me  considero,  sendo  a  Ciência  e  a  Filosofia  as  mais  brilhantes  representantes  da  racionalidade,  vemos  que  a  Biologia  (que  começou  por  ser  a  minha  formação  de  base) e o seu campo de investigação molecular uniu saberes da Química, da Física,  da  Matemática,  …,  levando‐nos  a  ser  optimistas  e  a  pensar  que  a  construção  de  uma  síntese  teorética  unificadora  dos  saberes,  tida  como  condição  necessária  de  progresso e de desenvolvimento global, poderá ser viável.  Em conclusão, dos bifaces/machados dos caçadores‐recolectores do Paleolítico  aos utensílios técnicos da actualidade, com possibilidade de recorrer à Inteligência  Artificial,  a  promoção  de  um  conhecimento  pertinente  torna‐se  necessário  à  apreensão  do  que  significa  ser  humano,  um  ser  simultaneamente  físico,  psíquico,  histórico  e  antropo‐ético,  capaz  de  reconhecer  o  vínculo  indissolúvel  entre  a 

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CARDOSO, L. (2007) Educação e organização do conhecimento.  In, V. Trindade, N. Trindade  & A.A. Candeias (Orgs.). A Unicidade do Conhecimento. Évora: Universidade de Évora 

unidade  e  a  diversidade  do  género  humano.  Diz  Edgar  Morin  que  devemos  inscrever em nós:  a  consciência  antropológica  que  reconhece  a  nossa  unidade  dentro  da  nossa diversidade;  a  consciência  ecológica,  isto  é,  a  consciência  de  habitar,  com  todos  os  seres  mortais,  uma  mesma  esfera  viva  (biosfera);  reconhecer  a  nossa  ligação  consubstancial  com  a  biosfera  conduz‐nos  a  abandonar  o  sonho  prometeico  do  domínio  do  Universo  para  alimentar  a  aspiração  à  convivialidade na Terra;  a  consciência  cívica  terrestre,  isto  é,  a  da  responsabilidade  e  a  da  solidariedade para com as crianças da Terra;  a  consciência  espiritual  da  condição  humana  que  vem  do  exercício  complexo  do  pensamento  e  que  nos  permite,  ao  mesmo  tempo,  entrecriticar, autocriticar e entrecompreender. 

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Nesta breve apresentação pretendeu‐se contribuir para a discussão do tema da  conferência  sobre  A  Unicidade  do  Conhecimento,  partilhando  a  perspectiva  da  unidade  e  da  diversidade  dos  conhecimentos  na  complexidade  de  tudo  o  que  é  humano. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Morin,  E.  (2002).  Os  Sete  Saberes  para  a  Educação  do  Futuro.  Lisboa:  Instituto  Piaget, col. Horizontes Pedagógicos, 87.  Roldão,  M.  C.  (2005).  Saber  Educativo  e  Culturas  Profissionais.  VIII  Congresso  da  Sociedade  Portuguesa  de  Ciências  da  Educação  (SPCE):  Cenários  da  Educação/Formação  –  Novos  Espaços,  Culturas  e  Saberes.  Castelo  Branco:  Escola Superior de Educação, 7‐9 Abril 2005. 

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