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CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE PROPRIEDADES E PROPORCIONAMENTO DE BLOCOS DE CONCRETO – APLICAÇÃO AO USO DE ENTULHO COMO AGREGADO RECICLADO ENGO

JOSÉ GETULIO GOMES DE SOUSA

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

“CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE PROPRIEDADES E PROPORCIONAMENTO DE BLOCOS DE CONCRETO – APLICAÇÃO AO USO DE ENTULHO COMO AGREGADO RECICLADO”

ENGO JOSÉ GETULIO GOMES DE SOUSA

Orientador: Elton Bauer Co-Orientadora: Rosa Maria Sposto

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO EM ESTRUTURAS E CONSTRUÇÃO CIVIL

BRASÍLIA/DF, JULHO DE 2001.

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA FACULDADE DE TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL

“CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DA RELAÇÃO ENTRE PROPRIEDADES E PROPORCIONAMENTO DE BLOCOS DE CONCRETO – APLICAÇÃO AO USO DE ENTULHO COMO AGREGADO RECICLADO”

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO SUBMETIDA AO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL E AMBIENTAL DA FACULDADE DE TECNOLOGIA DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA, COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE.

APROVADA POR:

BRASÍLIA/DF, 13 de JULHO DE 2001
ii

FICHA CATALOGRÁFICA
SOUSA, JOSÉ GETULIO GOMES

Contribuição ao estudo da relação entre propriedades e proporcionamento de blocos de concreto – Aplicação ao uso de entulho como agregado reciclado [Distrito Federal, 1999].
xxi, 120p., 297 mm (ENC/FT/UnB, Mestre, Estruturas, 2001). Dissertação de Mestrado – Universidade de Brasília. Faculdade de Tecnologia. Departamento de Engenharia Civil e Ambiental. 1. Blocos de concreto 3. Parâmetros de mistura I. ENC/FT/UnB 2. Concreto para blocos 4. Reciclagem de entulho II. Título (série)

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
SOUSA, J. G. G. (2001). Contribuição ao estudo da relação entre propriedades e proporcionamento de blocos de concreto – Aplicação ao uso de entulho como agregado reciclado. Dissertação de Mestrado, Publicação E.D.M 009A/2001, Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 124p.

CESSÃO DE DIREITOS
NOME DO AUTOR: José Getulio Gomes de Sousa TÍTULO DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO: Contribuição ao estudo da relação entre propriedades e proporcionamento de blocos de concreto – Aplicação ao uso de entulho como agregado reciclado. GRAU/ANO: Mestre/2001 É concedida à Universidade de Brasília permissão para reproduzir cópias desta dissertação de mestrado e para emprestar ou vender tais cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta dissertação de mestrado pode ser reproduzida sem a autorização por escrito do autor.

iii

DEDICATÓRIA

A Deus por tudo. A minha mãe, Fátima e meu irmão, Tadeu, meus exemplos de vida, amor e ensinamento, e minha esposa, Magna pelo incentivo na conquista dessa etapa da minha vida. A minha eterna gratidão.
iv

AGRADECIMENTOS

Ao se concluir um trabalho como este, tão importante como realizações pessoal e profissional, é necessário agradecer àquelas pessoas que, direta ou indiretamente, contribuíram, participaram ou incentivaram o desenvolvimento e a elaboração dele. Desta forma, expresso aqui os meus sinceros agradecimentos: Aos professores e orientadores Elton Bauer e Rosa Maria Sposto, pela confiança e reconhecimento do meu trabalho desde o início, através de uma orientação competente e provedora de conhecimentos, durante toda a sua realização. Aos professores Abdias Magalhães Gomes e Antônio Alberto Nepomuceno, por aceitarem o convite para participar da banca examinadora da defesa desta dissertação. Aos professores do Mestrado em Estruturas da UnB pelos ensinamentos transmitidos ao longo do curso e pela amizade. À Universidade de Brasília por subsidiar, física e financeiramente também, a realização deste trabalho.

Aos Laboratórios de Ensaio de Materiais, Geotecnia e Estruturas da UnB, nas pessoas dos professores Elton Bauer, José Henrique Feitosa e Eliane Kraus de Castro, pela disponibilidade na realização dos ensaios, através do uso de instalações e equipamentos, além da utilização de materiais, de extrema importância para o desenvolvimento deste trabalho. Aos técnicos dos laboratórios deste departamento: Severino, Xavier (Laboratório de Ensaio de Materiais), Leonardo (Laboratório de Estruturas), Alessandro, Ricardo (Laboratório de Geotecnia) pelo auxílio na confecção dos componentes estudados e na execução dos ensaios.

v

Ao Laboratório de Mecânica do Departamento de Engenharia Mecânica da UnB pela confecção de peças para a execução de alguns ensaios. E aos técnicos CME pelas manutenções nos equipamentos utilizados, e pelo apoio na solução de problemas relacionados. Aos amigos do mestrado pela amizade, companheirismo, ajuda e incentivo em tantas conversas, trabalhos em conjunto e momentos de saudade da família; àqueles que já cumpriram o seu objetivo e permaneceram em Brasília, ou àqueles que voltaram as suas cidades, como também àqueles que prosseguem ou dão início aos seus trabalhos.

A todos os amigos Engenheiros Civis formados pela Universidade Federal da Paraíba no segundo semestre de 1998, principalmente àqueles que vieram para Brasília, continuar os estudos no mestrado: Andrea, Edith, Glauceny, Gustavo, Luciano, Marculino, Silvrano pela amizade e companheirismo.

A

todos

os

fornecedores

que

gentilmente

me

cederam

os

materiais

para

o

desenvolvimento desta pesquisa: A CAENGE Engenharia (Eng. Marco Aurélio) que forneceu o entulho e a Sakis Mix (Eng. Alberico) que forneceu os agregados para produção dos blocos.

Ao Engenheiro, Marcos Aurélio, pelas inúmeras oportunidades de discussão sobre as questões referentes à reciclagem do entulho e pelo apoio ao longo da pesquisa.

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq pelo suporte financeiro. Aos professores do Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), especialmente àqueles que tiveram considerável influência na minha formação científica. Ao professor Marcos César Santos Oriá do Departamento de Física pela orientação durante o projeto de iniciação científica.

vi

A minha mãe, Maria de Fátima, pela dedicação e incentivo intensos a minha formação pessoal, acadêmica e profissional, com valorosos conselhos, que me levaram sempre a decisões coerentes e corretas. A meu pai, Francisco Rodrigues, pelos poucos, mais saudosos, momentos que passamos juntos. A meu irmão, Judas Tadeu, pelos incentivos a minha formação. A minha esposa, Magna, pelo apoio e incentivo durante o mestrado.

A todos os meus familiares que de certa forma contribuíram com a minha formação, sempre presentes em todos os momentos. Aos meus avós: Genival Goems e Maria de Lourdes, aos meus tios: Antônio, Marluce, Graça, Genivalter, Gorete, Socorro, Geane, Ananias, Luciane, e em especial minha tia, Edjane, e meu primo, Murilo, que me acolheram carinhosamente em Brasília como membro de sua família.

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RESUMO

O processo de produção de componentes pré-moldados, em particular os blocos de concreto, é caracterizado por ser extremamente artesanal com métodos empírico de proporcionamento. Neste sentido este trabalho surge com a proposta de contribuir com estudo dos parâmetros que influenciam nas propriedades e no proporcionamento do concreto utilizado na produção dos blocos. Outro assunto abordado, diz respeito às possibilidades de utilização de agregados de entulho de construção civil, reciclado, em substituição aos agregados convencionais geralmente empregados na produção dos blocos. Essa proposta contribui com os estudo sobre a reciclagem do entulho, uma vez que a produção de pré-moldados de concreto, com esse tipo de agregado, vem se evidenciando nas cidades que têm uma proposta de reciclagem do entulho. No geral foram estudados os parâmetros: tempo de adensamento, consistência de moldagem, composição granulométrica dos agregados e proporção cimento:agregado. Esses parâmetros foram avaliados quanto as grandezas: umidade de moldagem, massa específica, no estado fresco e endurecido, absorção de água por imersão e resistência à compressão. O estudo foi desenvolvido em corpos-de-prova cilíndricos (20x10) cm e em blocos de concreto (10x19x39) cm. As composições estudadas com entulho reciclado foram estabelecidas a partir das curvas granulométricas, das composições de melhor desempenho, estudas com os materiais convencionais. Os resultados obtidos indicaram uma considerável influência da composição granulométrica nas grandezas avaliadas, além de denunciar um elevado grau de dependência entre tais grandezas. Para os agregados convencionais, os resultados foram satisfatórios em relação à metodologia utilizada e às propriedades avaliadas. Para o entulho reciclado, utilizado na pesquisa, suas características foram determinantes nas propriedades dos blocos de concreto. Observando-se redução na resistência e aumentado na absorção, em relação aos materiais convencionais. Pode-se dizer que os resultados se mostraram favoráveis a utilização do entulho reciclado na produção dos blocos, entretanto recomenda-se um maior controle nas características do entulho, evitando-se sobretudo a parcela inferior a 2,4 mm. Tais partículas, se mostraram com grande influência na deficiência das propriedades dos blocos de concreto. Recomenda-se ainda que outros estudos complementares devam ser feitos para avaliar o desempenho desses blocos ao longo do tempo, frente a sua utilização como elemento de vedação.

viii

ABSTRACT The process of production of premolded components, in specific the concrete blocks, it is characterized by being extremely empiric with methods empiric of mix design. In this sense this work appears with the proposal of contributing with study of the parameters that influence in the properties and in the mix design of the concrete used in the production of the blocks. Another approached subject, concerns the possibilities of use of aggregates of building site dump, recycled, in substitution to the conventional aggregates usually employees m the production of the blocks. That proposal contributed with the study them on the recycling of the dump, once the production of concrete prefabricated concrete blocks, with that aggregate type, comes if evidencing m the cities that have a proposal of recycling of the dump. In the general was studied the parameters: time of molding, molding consistence, particles size distribution and proportion cement:aggregate. Those parameters were appraised as the variables: molding humidity, specific mass, in the fresh state and hardened, absorption of water for immersion and resistance to the compression. The study was developed in cylindrical specimens (20x10) cm and in concrete blocks (10xl9x39) cm. The compositions study with recycled dump were established starting from particles size distribution, of the compositions of better performance, studied with the conventional materials. The obtained results indicated a considerable influence of the particles size distribution in the appraised variables, besides denouncing a high dependence degree among such variables. For the conventional aggregates, the results were satisfactory in relation to the used methodology and to the appraised properties. For the recycled dump, used in the research, their characteristics were decisive in the properties of the concrete blocks. Being observed reduction in the resistance and increased in the absorption, in relation to the conventional materials. It can be said that the results were shown favorable the use of the dump recycled in the production of the blocks, however a larger control is recommended in the characteristics of the dump, being avoided the inferior portion above all to 2,4 mm. Such particles, they were shown with great influence in the deficiency of the properties of the concrete blocks. It is recommended although other complemental studies should be made to evaluate the acting of those blocks along the time as luting element.

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ÍNDICE

Capítulos 1 - INTRODUÇÃO 1.1 - ASPECTOS GERAIS PERTINENTES AO TEMA 1.2 - OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS 1.3 - ESTRUTURA DO TRABALHO 2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Páginas 1 1 4 4 6 6 6 7 7 9 9 10 13 13 14 16 17 17 19 24 24 26 28 30 32 33 36 36 37 37 39 40 40 40

2.1 - BLOCOS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO 2.1.1 - Materiais empregados na produção dos blocos 2.1.1.1 - Aglomerante 2.1.1.2 - Agregados 2.1.1.3 - Aditivos 2.1.2 - Equipamentos utilizados na produção dos blocos de concreto 2.1.2.1 - Mecanismo de vibração das vibro-prensas: parâmetros que influenciam 2.1.3 - Etapas do processo de produção 2.1.3.1 - Mensuração dos materiais constituintes 2.1.3.2 - Mistura e moldagem 2.1.3.3 -Cura 2.1.4 - Parâmetros de mistura 2.1.4.1 - Propriedades do concreto para blocos 2.1.4.2 - Diretrizes básicas para o proporcionamento do concreto para blocos 2.2 - A RECICLAGEM E A UTILIZAÇÃO DO ENTULHO COMO AGREGADO 2.2.1 - O entulho como resíduo sólido 2.2.2 - A reciclagem na industria da construção civil 2.2.3 - Agregados de entulho reciclado 2.2.3.1 - Argamassas produzidas com entulho reciclado 2.2.3.2 - Concreto produzido com entulho reciclado 2.2.3.3 - Blocos de concreto produzidos com entulho 3 - PROGRAMA EXPERIMENTAL 3.1 - ASPECTOS GERAIS 3.2 - PROJETO EXPERIMENTAL 3.2.1 - Variáveis de estudo 3.2.2 - Etapas do programa experimental 3.3 - OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS 3.3.1 - Coleta dos agregados 3.3.1.1 - Agregados convencionais
x

3.3.1.2 - Entulho reciclado 3.3.2 - Caracterização dos materiais 3.3.2.1 - Cimento 3.3.2.2 - Agregados convencionais 3.3.2.3 - Entulho reciclado 3.4 - ENSAIOS E PROCEDIMENTOS EMPREGADOS 3.4.1 - Ensaio de determinação da consistência do concreto 3.4.2 - Ensaio de determinação da massa específica do concreto no estado fresco 3.4.3 - Moldagem dos corpos-de-prova 3.4.4 - Moldagem dos blocos de concreto 3.4.5 - Cura 3.4.6 - Ensaio de resistência à compressão 3.4.7 - Ensaio de absorção por imersão 3.5 - PROGRAMA PILOTO 3.5.1 - Massa específica no estado fresco 3.5.2 - Determinação da consistência de moldagem 3.5.3 - Determinação do tempo de adensamento 3.5.4 - Massa específica e resistência em função da umidade de moldagem 3.6 - SÉRIES DE ENSAIOS 4 - RESULTADOS E DISCUSSÕES

41 42 42 43 44 45 46 47 47 49 50 51 51 52 52 54 55 57 59 62

4.1 - RESULTADOS DAS SÉRIES DE ENSAIOS 62 4.1.1 - Corpos-de-prova cilíndricos: Agregados convencionais 62 4.1.1.1 - Umidade de moldagem dos corpos-de-prova 62 4.1.1.2 - Massa específica dos corpos-de-prova no estado endurecido 65 4.1.1.3 - Absorção de água por imersão 69 4.1.1.4 - Resistência à compressão 73 4.1.2 - Corpos-de-prova cilíndricos: Entulho reciclado 78 4.1.2.1 - Composição granulométrica do entulho 78 4.1.2.2 - Considerações sobre a mistura no estado fresco 81 4.1.2.3 - Umidade da mistura durante a moldagem 81 4.1.2.4 - Massa específica no estado endurecido 82 4.1.2.5 - Absorção por imersão 84 4.1.2.6 - Resistência à compressão 85 4.2 - BLOCOS DE CONCRETO 87 4.2.1 - Blocos de concreto: Agregados convencionais 88 4.2.2 - Blocos de concreto: Entulho reciclado 92 5 - CONCLUSÕES 5.1 – CONCLUSÕES DO ESTUDO 5.2 - SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
xi

96 96 101 102

APÊNDICES APÊNDICE A - COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA DOS AGREGADOS APÊNDICE B - ESTUDO PILOTO APÊNDICE C - RESULTADOS DAS SÉRIES DE ESTUDOS EM CORPOSDE-PROVA - AGREGADOS CONVENCIONAIS APÊNDICE D - RESULTADOS DAS SÉRIES DE ESTUDOS EM CORPOS DE PROVA - ENTULHO RECICLADO

107 108 110 112 118

xii

LISTA DE FIGURAS Figuras Figura 2.1 – Figura 2.2 – Figura 2.3 – Figura 2.4 – Classificação das vibro-prensas quanto à direção (BRESSON, 1981 ) Páginas 11

Evolução do adensamento em função do tempo e do tipo de vibração (BRESSON, 1981) 11 Sequência básica de funcionamento de uma vibro-prensa automática (SOUZA et al, 1990 apud MEDEIROS, 1993) 15 Curvas granulométricas consideradas ideais para diferentes tipos de blocos (modificado – PFEIFFENBERGER, 1985 apud MEDEIROS, 1993) 20 Variação da resistência em função da relação água/cimento do concreto (TANGO, 1984) 21 Variáveis de estudo Fluxograma do programa experimental Curvas granulométricas: areia fina, pedrisco e entulho reciclado Mesa vibratória utilizada no ensaio Ensaio de massa específica da mistura no estado fresco Moldagem dos corpos-de-prova cilíndricos Vibro-prensa utilizada na moldagem dos blocos de concreto 38 40 45 46 47 48 49

Figura 2.5 – Figura 3.1 – Figura 3.2 – Figura 3.3 – Figura 3.4 – Figura 3.5 – Figura 3.6 – Figura 3.7 – Figura 3.8 – Figura 3.9 – Figura 3.10 – Figura 3.11 – Figura 3.12 –

Massa específica da mistura no estado fresco em função da umidade para diferentes percentagens de agregado A 53 Determinação da umidade de moldagem 55

Ilustração da determinação do tempo de adensamento para corposde-prova cilíndricos adensados na mesa vibratória 56 Comportamento da massa específica no estado endurecido em função do tempo de adensamento – Corpos-de-prova cilíndricos 57 Influência da umidade de moldagem na massa específica no estado endurecido e na resistência à compressão – Traço com 20% agregado A 58
xiii

Figura 4.1 – Figura 4.2 – Figura 4.3 – Figura 4.4 – Figura 4.5 – Figura 4.6 – Figura 4.7 – Figura 4.8 –

Umidade de moldagem dos corpos-de-prova, em função da % de agregado A – Agregados convencionais 63 Umidade de moldagem dos corpos-de-prova, em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais 65 Massa específica dos corpos-de-prova em função da % de agregado A – Agregados convencionais 66 Massa específica dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais 68 Comportamento da massa específica em função da umidade de moldagem – Agregados convencionais 69 Absorção de água por imersão dos corpos-de-prova em função da % do agregado A – Agregados convencionais 70 Absorção de água por imersão dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais 71 Comportamento da massa específica em função do índice de absorção - Agregados convencionais 72 Comportamento da absorção de água por imersão em função da umidade de moldagem – Agregados convencionais 72 Resistência à compressão dos corpos-de-prova em função da proporção da % de agregado A – Agregados convencionais 73 Resistência à compressão dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais 75 Comportamento da resistência em função da massa específica e da absorção por imersão – Agregados convencionais 76 Comportamento da resistência em função da umidade de moldagem – Agregados convencionais 76 Resultados relativos das séries de ensaios 77

Figura 4.9 – Figura 4.10 –

Figura 4.11 – Figura 4.12 – Figura 4.13 – Figura 4.14 – Figura 4.15 –

Curva granulométrica: entulho reciclado e composições com 10% e 20% do agregado A 79 Granulometria: composições com 10% e composições com 70%, 60% e 50% de entulho 20% de areia e 79

Figura 4.16 –

xiv

Figura 4.17 – Figura 4.18 – Figura 4.19 – Figura 4.20 – Figura 4.21 – Figura 4.22 – Figura 4.23 –

Granulometria: composições com 10% e 20% do agregado A

80

Umidade da mistura durante a moldagem dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10 82 Massa específica dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10 83 Comportamento da massa específica em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado 83 Absorção por imersão dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10 84 Comportamento da massa específica em função da absorção por imersão – Entulho reciclado 85 Comportamento da absorção por imersão em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado 85 Resistência à compressão dos corpos -de-prova em função da % de entulho – Traços 1:6, 1:8, 1:10 86

Figura 4.24 – Figura 4.25 –

Comportamento da resistência em função da massa específica e da absorção por imersão - Entulho reciclado 86 Comportamento da resistência à compressão em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado 87 Valores de Absorção e resistência em função da massa específica para os blocos com materiais convencionais 90 Comparação entre os resultados das séries em corpos-de-prova cilíndricos e em blocos de concreto – Materiais convencionais 91 Valores de Absorção e resistência em função da massa específica para os blocos com entulho reciclado 94 Comparação entre os resultados das séries em corpos-de-prova cilíndricos e em blocos de concreto – Entulho reciclado 95

Figura 4.26 – Figura 4.27 – Figura 4.28 – Figura 4.29 – Figura 4.30 –

xv

LISTA DE TABELAS Tabelas Tabela 2.1 – Páginas Características recomendadas para agregados destinados à produção de blocos de concreto (MEDEIROS, 1993) 8 Comportamento do concreto (BRESSON, 1981) 12

Tabela 2.2 – Tabela 2.3 –

Propriedades do concreto para blocos no estado endurecido (modificado - TANGO (1984)) 19 Recomendações de traços para blocos de concreto para alvenaria sem função estrutural (ABCP, 1978)

Tabela 2.4 – Tabela 2.5 – Tabela 2.6 – Tabela 2.7 –

22

Relação cimento/agregado em função da resistência à compressão média (MEDEIROS, 1993) 23 Classificação dos resíduos sólidos segundo a NBR 10004/87 25

Classificação dos agregados graúdos reciclados para concreto (RILEM, 1994) 30 Resultados de resistência das séries de ensaio (modificado – DE PAUW, 1980) 34 Propriedades físicas do cimento (Fornecidas pelo fabricante) Propriedades químicas do cimento (Fornecidas pelo fabricante) Ensaios de caracterização do agregado A Ensaios de caracterização do agregado B Ensaios de caracterização do entulho reciclado 43 43 44 44 44

Tabela 2.8 – Tabela 3.1 – Tabela 3.2 – Tabela 3.3 – Tabela 3.4 – Tabela 3.5 – Tabela 3.6 – Tabela 3.7 – Tabela 3.8 – Tabela 3.9 –

Caracterização da composição com 20 % de agregado A em função da umidade 58 Séries de ensaios em corpos-de-prova cilíndricos (10x20) cm Agregados Convencionais 60 Séries de ensaios em corpos-de-prova cilíndricos (10x20) cm Entulho reciclado 60 Série de ensaios em blocos de concreto
61

xvi

Tabela 4.1 – Tabela 4.2 – Tabela 4.3 – Tabela 4.4 – Tabela 4.5 – Tabela 4.6 – Tabela A1 – Tabela A2 – Tabela A3 – Tabela B1 – Tabela B2 –

Resultados individuais para a série BAP6-20 (traço 1:6 com 20% de areia) 89 Resultados individuais para a série BAP8-20 (traço 1:8 com 20% de areia) 89 Resultados individuais para a série BAP10-20 (traço 1:10 com 20% de areia) 90 Resultados individuais para a série BEP10-30 (traço 1:10 com 30% de entulho) 92 Resultados individuais para a série BEP10-50 (traço 1:10 com 50% de entulho) 93 Resultados individuais para a série BEP10-20/40 (traço 1:10 com 20% de areia agregado A e 40% de entulho) 94 Composição granulométrica do agregado A Composição granulométrica do agregado B Composição granulométrica do Entulho reciclado 109 109 109

Resultados de massa específica para a mistura no estado fresco – Traço 1:10 111 Resultados de massa específica dos blocos de concreto utilizado para determinar o tempo de adensamento dos corpos de prova – Traço 1:10 111 Resultados de massa específica e resistência à compressão para diferentes tempos de adensamento – Traço 1:10 (Estudo em corposde-prova cilíndricos) 111 Resultados de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para misturas no estado endurecido com diferentes teores de umidade – Traço 1:10 (estudo em corpos-de-prova cilíndricos) 111 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-0 – H% = 5,45 % 113 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção porimersão para a série CAP10-10 – H% = 5,45 % 113 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-20 – H% = 6,36 % 113 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-30 – H% = 7,72 % 114
xvii

Tabela B3 –

Tabela B4 –

Tabela C1 – Tabela C2 – Tabela C3 – Tabela C4 –

Tabela C5 – Tabela C6 – Tabela C7 – Tabela C8 – Tabela C9 – Tabela C10 – Tabela C11 – Tabela C12 – Tabela C13 – Tabela C14 – Tabela D1 – Tabela D2 – Tabela D3 – Tabela D4 – Tabela D5 –

Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-40 – H% = 8,18 % 114 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-50 – H% = 9,08 % 114 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-10 – H% = 6,11 % 115 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-20 – H% = 6,67 % 115 Resultados individuais de massa específica, resistência à comp ressão e absorção por imersão para a série CAP8-30 – H% = 6,67 % 115 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-30 – H% = 7,22 % 116 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-0 – H% = 5,71 % 116 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-10 – H% = 6,14 % 116 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-20 – H% = 6,57 % 117 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-30 – H% = 7,00 % 117 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-70 – H% = 10,91% 119 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-60 – H% = 10 % 119 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-50 – H% = 9,09 % 119 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-40 – H% = 8,18 % 120 Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-30 – H% = 7,27 % 120 LISTA DE SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES

xviii

Símbolo ou abreviação a/c ABCP ACI ASTM BAP10-20

Significado Relação água cimento Associação Brasileira de Cimento Portland American Concrete Institute American Society for Test Materials Série em blocos de concreto, traço 1:10 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em blocos de concreto, traço 1:8 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em blocos de concreto, traço 1:6 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em blocos de concreto, traço 1:10 (cimento:agregado), com 30% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em blocos de concreto, traço 1:10 (cimento:agregado), com 30% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em blocos de concreto, traço 1:10 (ciment o:agregado), com 30% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 0% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 10% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 30% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais
xix

BAP8-20

BAP6-20

BEP10-30

BEP10-50

BAEP10-20

CAP10-0

CAP10-10

CAP10-20

CAP10-30

CAP10-40

Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 40% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 50% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:8 (cimento:agregado), com 10% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:8 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:8 (cimento:agregado), com 30% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:8 (cimento:agregado), com 40% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:6 (cimento:agregado), com 0% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:6 (cimento:agregado), com 10% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:6 (cimento:agregado), com 20% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:6 (cimento:agregado), com 30% de agregado A na composição do agregado total – Agregados convencionais Compromisso Empresarial para Reciclar Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 70% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 60% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado
xx

CAP10-50

CAP8-10

CAP8-20

CAP8-30

CAP8-40

CAP6-0

CAP6-10

CAP6-20

CAP6-30

CEMPRE CEP10-70

CEP10-60

CEP10-50

Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 50% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 40% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Série em corpos-de-prova cilíndricos, traço 1:10 (cimento:agregado), com 30% de entulho na composição do agregado total – Entulho reciclado Cimento Portland Diâmetro Teor de umidade da mistura Instituto de Pesquisas Tecnológicas Laboratório de Ensaios e Materiais da Universidade de Brasília Norma Brasileira Registrada Réunion International Materiaux des Laboratories d’Essais et

CEP10-40

CEP10-30

CP φ H% IPT LEM NBR RILEM UFPB UnB

Universidade Federal da Paraíba Universidade de Brasília

xxi

1 - INTRODUÇÃO

1.1 - ASPECTOS GERAIS PERTINENTES AO TEMA

Os blocos de concreto para alvenaria podem ser definidos, de uma forma geral, como elementos pré-moldados de concreto, a partir da mistura adequada entre agregados graúdos e miúdos, cimento e água. Atribui-se o surgimento destes elementos, nos Estados Unidos, por volta de 1882 (PORTLAND CEMENT ASSOCIATION, 1988 apud MEDEIROS, 1993). Desde a época, o mercado consumidor de blocos de concreto já se mostrou extremamente promissor. Em todo o país, o processo de produção dos blocos de concreto foi ligeiramente disseminado, principalmente por apresentarem, enormes vantagens construtivas (MEDEIROS, 1993).

No Brasil, existem registros da utilização de blocos de concreto por volta de 1940. Na época foram construídas cerca de 2400 casas no conjunto habitacional de Realengo na cidade do Rio de Janeiro (ABCP, 1978). MEDEIROS (1993), registra ainda outro fato importante, ocorrido também na mesma época, que foi a utilização de blocos de concreto na construção de núcleos habitacionais próximos às grandes hidrelétricas, sendo utilizados como matéria prima, o resíduo originado na britagem dos agregados que eram utilizados nas construções das barragens.

Atualmente é possível encontrar, em quase todas as grandes cidades brasileiras, fábricas de blocos de concreto produzindo em sua maioria, componentes destinados ao emprego em alvenaria de vedação. Apesar desse avanço, é de certa forma notória o baixo grau de disseminação da utilização dos blocos de concreto em várias regiões do país. Pode-se dizer que dentre os fatores atribuídos a esse aspecto, destaca-se a falta de conhecimento técnico sobre o assunto, desde a fabricação dos blocos nas centrais de produção, até o desenvolvimento das potencialidades atribuídas à utilização dos

blocos, não só como elemento de vedação (TANGO, 1984). Este fato se agrava com o grande número de fabricantes de blocos de concreto, os quais na sua maioria, possuem

1

pouca ou nenhuma informação e infra-estrutura adequada à produção de componentes, com características de acordo com as especificações de norma.

Quanto às pesquisas relacionadas à reciclagem do entulho, estas se evidenciaram a partir de 1968, em simpósios realizados sobre o tema, principalmente com a criação de comitês de entidades normalizadoras, como (CINCOTTO, 1983): • Comitê E-38 da ASTM (American Society for Testing and Materials), com objetivos relacionados ao desenvolvimento de métodos de recuperação de materiais e energia; • Comitê 37 DRC da RILEM (Réunion International des Laboratories d’Essais et Materiaux), voltado para os resíduos de demolição; • Comitê de OECD (Organization for Economic Cooperation and Development), com o objetivo de promover o uso mais econômico dos materiais na construção de rodovias e examinar a pesquisa e a exigência dos países membros.

Entretanto, pode-se dizer que as pesquisas ganharam força e se consolidaram com os três simpósios internacionais de demolição e reaproveitamento de concreto e alvenaria realizados pela RILEM, nos anos de 1985, 1988 e 1993 na Holanda, Japão e Dinamarca, respectivamente.

No Brasil, os temas relacionados à reciclagem de entulho começaram a ser explorados por CINCOTTO (1983) e PINTO (1986), com uma avaliação do uso como agregados, seguindos por SILVEIRA (1993), com uma proposta de metodologia para

caracterização do entulho como resíduo sólido, e também LEVY e HELENE (1995 e 1996), HAMASSAKI et al. (1996), LEVY (1997) e ZORDAN (1997), avaliando a utilização tanto em argamassas como em concreto. Finalizando este ciclo, PINTO (1999), um dos precursores do estudo no Brasil, abordou com grande clareza as questões relacionadas à gestão dos resíduos de construção e demolição, contribuindo com uma avaliação geral das questões pertinentes ao tema. Pode-se dizer que a partir desses estudos, as pesquisas sobre a reciclagem vêm crescendo e atraindo cada vez
2

mais pesquisadores nas diversas áreas afins, em várias universidades e centros de pesquisa. Os estudos abordam desde o gerenciamento, a caracterização e possíveis aplicações, onde se tem verificado que, em vários casos, os agregados reciclados apresentam desempenho similar aos convencionais.

O presente estudo surge com a necessidade de contribuir com as poucas referências bibliográficas que abordam onde se o tema, procurou e no apresentado investigar uma fundamentação os de base que na

científico-tecnológica, influenciam nas

detalhadamente do

fatores utilizado

propriedades

proporcionamento

concreto

produção dos blocos. Esse assunto, na maioria das vezes é abordado por metodologias, de certa forma, empíricas e não sistêmicas, baseadas em experiências de operários e profissionais da área. As possibilidades de utilização do entulho, como agregado reciclado, em substituição aos agregados convencionais, geralmente empregados na produção dos blocos, também é analisada. Esta proposta vem contribuir com os estudos sobre a reciclagem do entulho, uma vez que a produção de blocos de concreto e pré-moldados em geral, com este tipo de agregados, vem se evidenciando com certa rotina nas grades cidades que têm um projeto de reciclagem de entulho bastante desenvolvido, como é o caso de Belo Horizonte, São Paulo, entre outras (PINTO, 1997; COELHO, 1998).

A

Universidade

de

Brasília,

através

do

Departamento

de

Engenharia

Civil

e

Ambiental, também vem a vários anos desenvolvendo trabalhos que abordam a questão da reciclagem do entulho e suas possíveis utilizações (GONÇALVES et al., 1997; CANEDO et al., 1999; MENDONÇA et al., 1999; LIPARIZI et al., 1999 e LAYSER et al., 1999). Esta dissertação é a primeira a ser apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Estruturas e Construção Civil a abordar o tema. Neste programa, esta dissertação esta inserida na linha de pesquisa de sistemas construtivos e desempenho de materiais e componentes. Indiretamente, uma das pretensões deste estudo é desenvolver a conscientização e despertar o interesse para a questão, entre os profissionais da área na região do Distrito Federal.

3

1.2 - OBJETIVO GERAL E ESPECÍFICOS

O objetivo geral do presente estudo consiste na avaliação da relação entre propriedades de interesse e parâmetros de mistura determinantes do desempenho dos blocos de concreto. Concomitantemente, busca-se avaliar a possibilidade de substituição parcial dos agregados por entulho reciclado.

Como objetivos específicos pode-se citar: • estudar as propriedades e os parâmetros de mistura dos blocos pré-moldados de concreto; • avaliar a influência da granulometria e do consumo de cimento nas propriedades; • desenvolver metodologias capazes de orientar o proporcionamento; • avaliar a substituição do agregado por entulho reciclado. 1.3 - ESTRUTURA DO TRABALHO

Este trabalho encontra-se estruturado em cinco capítulos, sendo este a Introdução que tem um caráter geral de apresentação do tema, onde estão inseridos os objetivos da pesquisa.

O Capítulo 2, compreende a revisão bibliográfica sobre o tema, destacando-se os fatores considerados importantes no processo de produção dos blocos de concreto e alguns aspectos relativos a utilização do entulho como agregado.

O programa experimental é abordado no Capítulo 3, onde se apresentam as variáveis de estudo, os ensaios de caracterização dos materiais e os procedimentos de ensaios empregados na avaliação das propriedades do concreto para blocos e na avaliação dos blocos no estado endurecido.

4

O Capítulo 4, apresenta os resultados obtidos no programa experimental e suas discussões, considerando os diferentes agregados utilizados no estudo: agregados

convencionais e entulho reciclado.

Finalizando, tem-se as Considerações Finais onde são apresentadas as conclusões do presente estudo, sendo sugeridos alguns temas para estudos futuros.

Nos Anexos são apresentados os resultados de caracterização dos materiais utilizados e os resultados individuais das séries de estudo avaliadas na pesquisa.

5

2 - REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 - BLOCOS PRÉ-MOLDADOS EM CONCRETO

Neste item serão apresentados alguns dos fatores mais importantes relativos ao processo de produção de blocos de concreto, que foram extraídos da literatura sobre o assunto. Aborda-se também, dentre outras coisas, os materiais, as máquinas, as etapas do processo de produção e os parâmetros de mistura. A partir desta revisão foi possível definir quais os procedimentos a serem utilizados para o desenvolvimento da pesquisa experimental.

2.1.1 - Materiais empregados na produção dos blocos

Os materiais utilizados na produção dos blocos de concreto, resumem-se em: • aglomerante; • agregados graúdos; • agregado miúdo; • adições; • água. Nesta lista podem ser incluídos os aditivos redutores de água e plastificantes, bem como corantes orgânicos, quando se deseja produzir componentes decorativos.

Como regra geral, a maioria dos pesquisadores indica que os materiais adequados para a produção de concreto convencional são também adequados para produção de blocos de concreto, embora, considerando as peculiaridades intrínsecas de cada processo. (ABCP, 1978; MEDEIROS, 1993; FERREIRA; 1995).

6

2.1.1.1 - Aglomerante

Praticamente todos os tipos de cimento podem ser utilizados na produção de blocos de concreto. Entretanto a NBR 7173 (1982) – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria sem função estrutural, recomenda que se obedeçam as especificações das normas para o uso em concreto e argamassas.

Outro

ponto

importante,

relativo

ao

processo,

diz

respeito

a

observação

da

compatibilidade entre o tipo de cimento e os demais materiais (agregados e aditivos principalmente), e entre o processo de cura utilizado, onde, dependendo das

especificações, pode haver alterações nas propriedades dos blocos.

2.1.1.2 - Agregados

As características dos agregados são fundamentais para a obtenção das propriedades desejadas para os blocos de concreto. As características destes materiais podem interferir na aderência com a pasta de cimento, alterando a homogeneidade e a resistência do concreto constituinte (MEDEIROS, 1993).

Os agregados podem ser areia e pedra britada, de acordo com a NBR 7211 (1983), ou agregados leves como escória de alto forno, cinzas volantes, argila expandida ou outros agregados, que satisfaçam as especificações próprias a cada um desses materiais (NBR 7173, 1982).

A Tabela 2.1 - apresenta uma síntese das recomendações das principais características para os agregados destinados à produção de blocos de concreto.

7

Tabela 2.1 – Características recomendadas para agregados destinados à produção de blocos de concreto (MEDEIROS, 1993)
Características Tolerâncias Agregado miúdo Agregado graúdo Atender uma das faixas granulométricas Atender à faixa granulométrica da da NBR 7217 NBR 7217, indicada para brita zero Módulo de finura variar mais que 0,2 Dimensão máxima característica menor para materiais de mesma origem ou igual à metade da espessura do molde da prensa1 1,5 % 1,0 % 300 ppm --5,0 % 1,0 %

Granulometria

Torrões de argila NBR 7218 Impurezas orgânicas 7220 Material pulverulento 7219

Contrariando as especificações relatadas na Tabela 2.1, observa-se normalmente, que a busca em se reduzir o custo de produção dos blocos de concreto para alvenaria de vedação, tem levado alguns produtores a optar por materiais alternativos. Estes materiais, as vezes de desempenho diferenciado em relação aos recomendados, podem resultar em produtos competitivos em relação as propriedades desejadas para os blocos de concreto.

Na região do Distrito Federal evidencia-se a grande utilização de agregados como as seguintes características: • brita com graduação zero segundo a NBR 7211 (1983), dimensão máxima característica igual a 9,5 mm, com elevada percentagem de pó de pedra e, em conjunto na composição, areia muito fina de cava (dimensão máxima característica igual a 2,4 – Zona 1 da NBR 7211 (1983)). • areia grossa natural (dimensão máxima característica igual a 6,3 mm – Zona 4 da NBR 7211 (1983)) ou artificial, com as mesmas especificações.

A

prática

de

utilização

de

agregados

alternativos,

em

muitos

casos,

não

é

acompanhada de uma avaliação experimental, principalmente no que se refere ao

1

Para a dimensão máxima característica do agregado graúdo, verifica-se na literatura várias definições: • ABCP (1978) – 1/3 da espessura da parede dos blocos; • NBR 8186 (1980) – 1/4 da espessura da parede dos blocos. • MEDEIROS (1993) – 1/2 da espessura da parede dos blocos; • FERREIRA JUNIOR (1995) – especifica como recomendado a Brita 0, conforme NBR 7217 (1987);

8

proporcionamento entre os materiais constituintes e ao desempenho dos componentes ao longo do tempo.

2.1.1.3 - Aditivos

Conforme a NBR 7173 (1982), permite-se o uso de aditivos, desde que não acarretem efeitos prejudiciais devidamente comprovados por ensaios. Os aditivos mais utilizados na fabricação dos blocos de concreto são os redutores de água. Estes aditivos têm como função reduzir a quantidade de água de amassamento do concreto para uma dada trabalhabilidade. Como resultado, tem-se uma redução no consumo de cimento do concreto onde a relação água/cimento é constante (MEDEIROS,1993).

No Brasil, não existe tradição de emprego de aditivos para produção de blocos de concreto. A maioria dos fabricantes, se preocupa com a importância de

trabalhabilidade da mistura, como forma de otimizar a moldagem das unidades, emprega produtos químicos de efeitos ainda desconhecidos em relação às

características do concreto. Grande parte destes produtos é utilizada como detergentes de emprego industrial (MEDEIROS, 1993).

2.1.2 - Equipamentos utilizados na produção dos blocos de concreto

Os equipamentos utilizados na produção dos blocos de concreto são denominados de vibro-prensas. Elas recebem esta denominação devido ao mecanismo de

funcionamento empregado durante o processo de moldagem dos blocos: vibração associada à prensagem. A primeira função é responsável pelo preenchimento e

adensamento da mistura nos moldes, e a segunda, influencia o adensamento e o controle da altura dos blocos (acabamento).

A tecnologia dessas vibro-prensas está cada vez mais se desenvolvendo. Atualmente existe no mercado uma grande diversidade de equipamentos (desde totalmente

automatizados a manuais), com elevada produção e custos relativamente baixos. Este
9

desenvolvimento tem permitido um maior grau de competição entre os diferentes produtos para alvenaria, existentes no mercado.

Neste trabalho não nos aprofundaremos no processo de funcionamento das vibroprensas, sendo apenas apresentado uma síntese das características mais importantes.

2.1.2.1 - Mecanismo de vibração das vibro-prensas: parâmetros que influenciam

O mecanismo de vibração das vibro-prensas é responsável direto pelas características dos componentes moldados. Esta vibração é responsável, sobre tudo, pelas operações de moldagem dos blocos.

Os principais parâmetros que caracterizam a vibração, com influência no processo se resumem em: • direção • amplitude • velocidade • aceleração • tempo de adensamento I - Direção

Quanto

à

direção

as

vibro-prensas

podem

ser

classificadas

em

(Figura

3.1)

(BRESSON, 1981): • unidirecional vertical; • unidirecional horizontal; • circulares no plano horizontal; • circulares no plano vertical.

10

(a) - Unidirecional vertical

(b) - Unidirecional horizontal

(c) - Circulares no plano horizontal

(d) - Circulares no plano vertical

Figura 2.1 – Classificação das vibro-prensas quanto à direção (BRESSON, 1981)

A direção em que ocorre a vibração influencia a capacidade de transmissão de vibração do molde para o concreto.

Para a produção de blocos de concreto, ensaios experimentais realizados em concreto para blocos, sobre mesmas condições, para diferentes tipos de vibrações, verticais e horizontais, mostraram que a vibração horizontal é mais eficiente (Figura 2.2).

2300 2200 Massa unitária (Kg/m3) 2100 2000 1900 1800 1700 1600 1500 0 2 4 Tempo (s) 6 8 10 Direção vertical Direção horizontal

Figura 2.2 – Evolução do adensamento em função do tempo e do tipo de vibração (BRESSON, 1981)

11

Esses ensaios foram realizados em moldes cilíndricos com uma massa sobre o concreto para comprimí-lo de modo a se ter ao mesmo tempo os efeitos da transmissão da vibração da fôrma para o concreto e também a transmissão no interior do concreto.

II - Frequência, amplitude, velocidade e aceleração

Estes parâmetros, intimamente relacionados, exercem influencia significativa em todo o processo de produção dos blocos de concreto.

ALEXANDER (1977) apud BRESSON (1981) definiu, em diferentes fases de vibração, o comportamento do concreto quando compactado por este tipo de energia. A Tabela 2.2 ilustra esse comportamento.

Tabela 2.2 – Comportamento do concreto (BRESSON, 1981)
Fases Descrição Há uma agitação dos grãos maiores do concreto Comportamento do concreto Mola Parâmetro essencial Amplitude Justificativa Força necessária para comprimir uma mola é proporcional amplitude Força necessária para comprimir um amortecedor é proporcional à velocidade Para colocar uma massa em movimento a força é proporcional à aceleração

Inicial

Intermediária

Há um escoamento viscoso

Amortecedor

Velocidade

Final

Há uma liquefação do concreto

Massa

Aceleração

A

frequência

de

vibração

considerada

ideal,

situa-se

em

torno

de

50

Hz

(BRESSON,1981). Com relação à amplitude, na prática, é recomendado fixar um limite em função de razões relacionadas à durabilidade do equipamento e precisão das dimensões dos blocos, principalmente a altura (MEDEIROS, 1993).

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III - Tempo de adensamento

O tempo de adensamento (vibração) é um dos parâmetros considerados essenciais, isto porque é bastante visível a influência deste parâmetro nas características dos blocos, principalmente no adensamento (Figura 2.2).

Na prática o tempo de adensamento é definido em função de critérios relacionados às características do bloco após a desforma. Este tempo é o mínimo necessário para que se obtenha:
• • • • total preenchimento e adensamento da mistura nos moldes da prensa; adequada aparência dos blocos após a desforma, relativa ao uso que se destina; resistência dos blocos ao manuseio logo após a desforma; e a produtividade das operações, dentro dos critérios estabelecidos acima.

2.1.3 - Etapas do processo de produção

2.1.3.1 - Mensuração dos materiais constituintes

Trata-se de se efetuar a medida da quantidade de cada material que compõe o traço, já previamente estabelecido pela dosagem do concreto dos blocos. Este procedimento pode ser em massa ou em volume. Entretanto deve-se ressaltar que para obtermos blocos com características pouco variáveis é preferível que os materiais sejam proporcionados em massa.

As principais fontes de variabilidade no ato do proporcionamento são resumidas em (TANGO, 1984): • erros durante a determinação da água de amassamento que são provocados pela não consideração da umidade dos agregados; • erros devido ao inchamento da areia que provoca variações no volume, quando o proporcionamento é em volume; e • erros causados por variações na quantidade de cimento, principalmente quando o proporcionamento é em relação ao saco de cimento.
13

Dentre essas três fontes de erros a mais comum é relacionada a umidade da mistura. Nas usinas, em muitos casos, a água é acrescentada em função da experiência dos operários, o que leva a grandes variações nas características dos blocos,

principalmente devido às variações no grau de compactação durante a moldagem (MEDEIROS, 1993).

2.1.3.2 - Mistura e moldagem

A mistura dos materiais básicos para produção de blocos de concreto, sendo uma etapa fundamental, muitas vezes não tem merecido os cuidados adequados. A mesma é de grande importância para a uniformidade da produção.

A sequência de colocação dos materiais e o tempo adequado de mistura devem ser definidos em função do tipo de equipamento utilizado no processo, não sendo considerados válidos os procedimentos gerais recomendados.

Durante a moldagem na vibro-prensa, o material destinado a moldagem dos blocos sofre compactação através de vibração e prensagem. Para garantir que os blocos de concreto obtenham o grau de compactação previsto e atendam às características de projeto, deve-se respeitar os tempos de alimentação e vibração do equipamento. A maioria das máquinas vibro-prensas, com exceção das manuais de pequeno porte, possuem sistemas de alimentação totalmente automatizados. Estes sistemas controlam desde o preenchimento da mistura nos moldes até o tempo necessário para adensar e liberar os blocos.

A sequência básica de funcionamento das vibro-prensas durante a moldagem dos blocos, resume-se nas etapas apresentadas a seguir e ilustradas na Figura 2.3 (MEDEIROS, 1993).

14

a – preenchimento da gaveta alimentadora com a mistura destinada a moldagem dos blocos; b – preenchimento do molde metálico onde os blocos são moldados. Esta fase é acompanhada por vibração do molde; c – compactação dos blocos através dos extratores. Esta fase também é acompanhada de nova vibração do molde finalizando quando a altura desejada para os blocos é atingida; d – desforma dos blocos logo após o término da operação anterior. Nesta fase os extratores permanecem imóveis, enquanto o molde ascende, permitindo que os blocos permaneçam sobre o “palet” onde foram moldados; e - o “palet” com os blocos recém-moldados avançam para a frente da máquina, enquanto um novo “palet” vazio ocupa seu lugar sob o molde; f – o molde metálico desce então para sua posição original, enquanto os extratores ascendem, preparando-se para um novo ciclo.

Concreto Extratores Gaveta alimentadora Palet (a) Molde vibratório (b)

(c)

(d)

(e)

(f)

Blocos de concreto

Figura 2.3 – Sequência básica de funcionamento de uma vibro-prensa automática (SOUZA et al, 1990 apud MEDEIROS, 1993)

15

2.1.3.3 - Cura

O processo de cura corresponde a um conjunto de operações que visa proporcionar aos blocos, durante um certo tempo, condições de umidade, temperatura e pressão, necessários a uma adequada reação de hidratação do cimento. Qualquer alteração nessas condições pode refletir diretamente nas características finais dos blocos de concreto (TANGO, 1984).

A cura é outra importante etapa no processo de produção dos blocos de concreto. A escolha de um processo de cura adequado pode ter como resultado, dentre outras fatores, redução no consumo de cimento e no tempo necessário de cura, o que implica em um tempo menor de permanência dos blocos na fábrica (TANGO, 1984).

Basicamente existem três tipos de cura, que geralmente são utilizadas na produção dos blocos de concreto: • cura através de autoclaves • cura natural ou ao ar livre • cura em câmara a vapor A cura através de autoclaves utiliza temperatura entre 150 e 205 oC e pressão de aproximadamente 1 MPa. Este método é pouco utilizado devido aos altos custos de implantação e consumo que representa (MEDEIROS, 1993).

A cura

natural é ainda bastante utilizada, principalmente em situações onde as

exigências de desempenho para os blocos são menores e as condições climáticas favorecem o rápido endurecimento do concreto. Neste tipo de cura, recomenda-se que os blocos permaneçam úmidos e protegidos do vento e da insolação direta, pelo menos durante os sete primeiros dias, para evitar a evaporação excessiva de água

(MEDEIROS, 1993; TANGO, 1984).

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A cura a vapor é o sistema de cura mais empregado na indústria de blocos de concreto. Este sistema é normalmente empregado pelos produtores de blocos que exigem de seus componentes melhor desempenho a curtas idades. O ciclo de cura a vapor é variável podendo chegar a 24 horas (MEDEIROS, 1994).

2.1.4 - Parâmetros de mistura

O concreto utilizado na produção dos blocos de concreto possui várias particularidades que o difere, em muito, do concreto plástico de uso consagrado na construção civil. Possivelmente essas diferenças de comportamento são responsáveis pelo empirismo que se vem observando no estabelecimento de traços de concreto para blocos, por parte de um número considerável de produtores de blocos (TANGO, 1994).

No Brasil, grande parte dos fabricantes de blocos não dispõe de um método racional para a dosagem dos blocos de concreto, sendo esta industria caracterizada por processos extremamente artesanais, baseadas em grande parte na experiência dos funcionários e em uma série de erros e tentativas. Esta prática, associada a meios inadequados de proporcionamento dos materiais, contribui para a adoção de elevados consumos de cimento gerando perdas desnecessárias de recursos e de produtividade (MEDEIROS, 1993; TANGO, 1984).

2.1.4.1 - Propriedades do concreto para blocos De forma clássica, as propriedades do concreto podem ser agrupadas em propriedades no estado fresco e endurecido. I - Propriedades no estado fresco As propriedades do concreto requeridas para blocos no estado fresco estão

relacionadas ao manuseio durante a produção a trabalhabilidade da mistura. Neste sentindo têm-se importância, dentre outros fatores: • as características do molde (dimensões, geometria, dentre outros);
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• a energia de adensamento; • o processo de desmoldagem e manuseio. A consistência necessária ao concreto para blocos está relacionada ao fato de que a desmoldagem se faz com os blocos ainda no estado fresco. É necessário, que o concreto, sob estas condições, apresente características que determinem a facilidade de moldagem no equipamento e o manuseio após desforma. A consistência requerida ou consistência de moldagem varia em função do equipamento utilizado (TANGO, 1984).

II - Propriedades no estado endurecido

O objetivo mais amplo da dosagem do concreto para blocos é a escolha do traço de concreto que, com o equipamento e o processo de produção empregado, resulte na confecção de blocos cujas propriedades no estado endurecido satisfaçam às exigências de uso predeterminadas, com um custo mínimo (TANGO, 1984).

Algumas dessas exigências estão estabelecidas a partir das propriedades enumeradas na Tabela 2.3.

Normalmente, as exigências têm-se referido à resistência à compressão e à absorção d’água (NBR 7173, 1982). Em geral fixa-se o traço tendo em vista a resistência à compressão, e simplesmente verifica-se a absorção d’água (TANGO, 1984). Este fato, de certa forma é válido, uma vez que tais grandezas estão intimamente relacionadas. A busca por maior resistência, em termos gerais, implica na redução dos valores de absorção de água. Com relação às demais propriedades devem-se avaliar isoladamente as especificações requeridas a cada aplicação.

18

Tabela 2.3 – Propriedades do concreto para blocos no estado endurecido (modificado - TANGO (1984))
Propriedades Resistência à compressão Método de ensaio NBR 7184 Importância Relação íntima com a capacidade estrutural da parede; Ligada a quebras no transporte e manuseio. Relacionada com a permeabilidade da parede à água de chuva e à durabilidade dos blocos. Relacionada à capacidade de aderência dos blocos à argamassa de revestimento no estado fresco Relacionada com a infiltração de água por ascensão capilar Relacionada à possibilidade de fissuração em paredes, quando do uso de traços ricos em cimento ou água, estando o concreto com idade relativamente baixa

Absorção d’água

NBR 12118

Umidade Capilaridade

NBR 12118 RILEM (Adaptação)

Retração por secagem

NBR 12117

2.1.4.2 - Dire trizes básicas para o proporcionamento do concreto para blocos

MEDEIROS (1993), apresenta as seguintes diretrizes para o proporcionamento do concreto a ser utilizado na produção dos blocos: • determinar a melhor composição granulométrica para a mistura dos agregados e suas proporções ideais. Tal determinação tem em vista condições máximas de compacidade e empacotamento durante o adensamento; • determinar a quantidade de água a ser empregada na mistura. Esta relacionada a critérios que dependem, dentre outros fatores, da funcionalidade do equipamento, da composição e características individuais dos constituintes da mistura; • determinar a quantidade adequada de cimento. Está relacionada às especificações de resistência, absorção, dentre outros.

I - Composição granulométrica

Além da energia de adensamento, que é característica do equipamento, a compacidade que se pode obter depende muito da composição granulométrica dos agregados.

19

MEDEIROS (1993), indica que, para se obter uma melhor compactação, deve-se combinar os agregados em proporções adequadas para se obter uma granulometria desejada para a mistura. Como proposta, PFEIFFENBERGER, (1985) apud

MEDEIROS (1993), apresenta curvas granulométricas consideradas ótimas, em função do tipo do bloco que se deseja produzir (Figura 2.4).

0 10 20 % Retida acumulada 30 40 50 60 70 80 90 100 Fundo 0,15 0,3 0,6 1,18 2,36 4,75 9,5 Abertura de peneiras (mm) Blocos de densidade normal Blocos leves Blocos de densidade mediana

Figura 2.4 – Curvas granulométricas consideradas ótimas para diferentes tipos de blocos (modificado - PFEIFFENBERGER, 1985 apud MEDEIROS, 1993)

Na maioria das vezes, não é possível com relação a produção, escolher agregados cuja curva granulométrica esteja dentro de determinados padrões. Geralmente, é necessário adaptar a produção aos materiais disponíveis. Para tanto, têm-se conseguido bons resultados efetuando-se experiências onde se varia à proporção entre o agregado graúdo e o miúdo, procurando a máxima compacidade possível de se obter com o próprio equipamento utilizado (no caso as Vibro-prensas) (TANGO, 1984).

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II - Umidade da mistura O teor de umidade2 do concreto dos blocos relaciona-se com a resistência à compressão convencional3. de maneira diferente das observadas com o concreto plástico

A Figura 2.5 ilustra o comportamento do concreto, quanto à resistência, em diferentes fases para diferentes teores de umidade, mantendo-se constante a proporção

cimento:agregado e a energia de adensamento.

Energia de adensamento constante para um mesmo traço seco

R

IV

III

II

I

Relação água/cimento I - Concreto plástico II - Concreto seco, mas muito mole para se fazer blocos III - Concreto para blocos IV - Concreto muito seco, sem coesão

Figura 2.5 – Variação da resistência em função da relação água/cimento do concreto
s

e

(TANGO, 1984)
i

Para um traço fixo, a quantidade de água será aquela que proporciona aos blocos a maior compacidade durante a moldagem. Normalmente a máxima compacidade é obtida com a maior quantidade de água possível, até o limite em que os blocos começam a perder coesão e a aderir nas paredes dos moldes (FERREIRA, 1995). Este comportamento pode ser identificado no gráfico pela Zona II (Figura 2.5). O concreto
t
2

O teor de umidade neste caso pode ser referenciado como a relação água/cimento, comumente utilizada pela literatura, uma vez que estas grandezas estão relacionadas k1 3 Lei de Abrams relaciona resistência e relação água/cimento conforme equação f cj = (MEHTA, 1994). k 2a/c
n

ê

s

21
c

para blocos deve apresentar um teor de umidade (relação água/cimento), que enquadre o concreto dentro dos limites exemplificados pela zona III (Figura 2.5).

III – Proporção cimento:agregado

É possível fabricar blocos de concreto com boas características, com diversos consumos de cimento, desde traços ricos, como por exemplo 1:6 (cimento:agregado em massa), até traços mais pobres como: 1:10, 1:15 ou mais (FERREIRA, 1995). A escolha do traço é função principalmente da resistência desejada, variando com o tipo de equipamento empregado na moldagem e principalmente com a granulometria dos agregados (MEDEIROS, 1993).

ABCP (1978) apresenta indicações para traços normalmente empregados na fabricação de blocos de concreto sem função estrutural. Alguns desses traços estão indicados na Tabela 2.4. De certa forma, essa indicação, traduz o empirismo que é atribuído ao proporcionamento dos materiais, na produção de blocos de concreto.

Tabela 2.4 – Recomendações de traços para blocos de concreto para alvenaria sem função estrutural (ABCP, 1978)
MATERIAIS Cimento:agregado Relação água/cimento Cimento (Kg) Agregado total (Kg) Areia considerando 4 % umidade (Kg) Pedrisco com pó de pedra (Kg) Água (l) TRAÇOS (massa por m3 de concreto) 1:10 1:12 1:5:5 1:6:4 1:6:6 1:6,5:5,5 1 1 1 1 197 197 171 171 1970 1970 2052 2052 985 1182 1026 1110 985 788 1026 942 158 150 130 127 1:13 1:6,5:6,5 1 160,5 2086 1043 1043 119

Em outra indicação, MEDEIROS (1993), apresenta resultados de alguns traços, frutos de estudos desenvolvidos para blocos de alvenaria estrutural. Tais traços, indicados na Tabela 2.5, podem servir como um primeiro indicativo para adoção da relação cimento/agregados para a produção de blocos de estruturais.

22

Tabela 2.5 – Relação cimento/agregado em função da resistência à compressão média (MEDEIROS, 1993) Resistência à compressão média aos 28 dias (MPa) Relação cimento/agregados (em massa) 4,5 1:9 a 1:12 6,0 1:8 a 1:10 8,0 1:7 a 1:9 9,0 1:6 a 1:8

Neste estudo foram utilizados blocos de concreto com dimensões: (145x190x295) mm, rompidos aos 28 dias de idade. Segundo o autor, estes resultados estão sujeitos à influência dos seguintes fatores: • tipo de cura empregado (no caso foi empregado cura a vapor); • o ensaio de blocos com capeamento de enxofre conforme NBR 7186; • moldagem em vibro-prensa Montana MBX 975; e • características próprias dos materiais empregados na mistura.

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2.2 - A RECICLAGEM E A UTILIZAÇÃO DO ENTULHO COMO AGREGADO

Nos próximos itens desse capítulo serão apresentados alguns aspectos referentes à utilização de entulho como agregado reciclado. Estes aspectos são frutos da revisão bibliográfica sobre o assunto, destacando-se, dentre outros abordagens, a reciclagem do entulho e as potencialidades de utilização destes agregados em argamassas, em concreto e, particularmente, em blocos de concreto para alvenaria de vedação.

2.2.1 - O entulho como resíduo sólido

A NBR 10004 (1987) define os resíduos sólidos como sendo os resíduos no estado sólido e semi-sólido, que resultem de atividades da comunidade de origem: industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como

determinados líquidos cujas particularidades tornem inviáveis o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. Esta mesma norma classifica tais resíduos como apresentado na Tabela 2.6 a seguir.

A partir dessa classificação, observa-se que uma grande parte dos resíduos de construção civil pertencem aos Resíduos classe III – inertes. Entretanto em muitos casos dependendo da origem, da composição ou do acondicionamento destes resíduos, eles podem apresentar níveis elevados de contaminantes que os classificam em uma das outras classes. Como exemplo dessa situação, pode-se citar o caso do entulho gerado a partir de uma reforma de uma determinada fábrica de solventes, ou contaminações que surgem com as deposições nos aterros sanitários ou irregulares.

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Tabela 2.6 – Classificação dos resíduos sólidos segundo a NBR 10004/87
Classificação Resíduos classe I perigosos Resíduos classe II não-inertes Definição São aqueles que apresentam periculosidade ou uma das inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade. características:

São aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I ou classe III, nos termos desta norma. Os resíduos classe II, podem ter propriedades, tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. Quaisquer resíduos que, quando amostrados de forma representativa, segundo NBR 10007 – Amostragem de resíduos, e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, à temperatura ambiente, conforme teste de solubilização, segundo NBR 10006 – solubilização de resíduos, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se os padrões de aspectos, cor, turbidez e sabor. Como exemplos destes materiais tem-se: rochas, tijolos, vidros e certos plásticos e borrachas que não são decompostos prontamente.

Resíduos classe III inertes

Para os resíduos oriundos da indústria da construção civil, ou simplesmente entulhos, existem várias definições que são defendidas por alguns pesquisadores que estudam o tema. Entretanto a proposta de resolução do CONAMA (2001)4 sobre Resíduos de Construção Civil, apresenta uma definição bastante abrangente se mostrando,

aparentemente, como a mais adequada para o processo de geração dos resíduos atualmente no Brasil. Para tal resolução, os resíduos da construção civil conhecidos, são definidos como os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, como tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solo, rocha, madeira, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação

elétrica, dentre outros. Estes podem ser ainda classificados em três grandes grupos: Classe A – resíduos recicláveis como agregados; Classe B – resíduos recicláveis com outras destinações, tais como: plásticos, papel, metais, vidros, madeiras, gesso e outros. Classe C – resíduos para os quais, ainda, não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem ou recuperação.

4

O Mistério do Meio Ambiente-(MMA) através do Conselho Nacional do Meio Ambiente-(CONAMA), atualmente discute através de um grupo de trabalho uma proposta de resolução sobre Resíduos de Construção Civil. Esta resolução pretende, dentre outras coisas, definir responsabilidade, exemplo do que já vem ocorrendo com o pneu e a bateria de celular. 25

2.2.2 - A reciclagem na industria da construção civil

O processo de reciclagem é o resultado de uma série de atividades da qual materiais que se tornam resíduos, são destinados, sendo coletados, separados e processados para serem usados como matéria-prima na manufatura de bens, feitos anteriormente apenas com matéria-prima virgem (JARDIM (1995)). Com relação à reciclagem do entulho, tal processo pode ser entendido como um conjunto de operações de processamento que incluem: seleção, britagem ou moagem, peneiramento, dentre outros, que permitam obter um material cuja granulometria esteja dentro de limites específicos que

possibilitem seu uso como agregado em argamassa, concreto ou atividade correlata (LEVY (1997)).

O processo de reciclagem pode ser classificado em dois tipos: reciclagem primária e reciclagem secundária. Reciclagem primária, é definida como a reciclagem do resíduo dentro do próprio processo que o originou, como por exemplo, a reciclagem do vidro, do aço, as latas de alumínio. A reciclagem secundária, é definida como a reciclagem de um resíduo em um outro processo, diverso daquele que o originou. Este último tipo, é bastante verificado na indústria de produção do cimento que utiliza uma gama considerável de resíduos gerados em outras atividades. (JOHN, 2001)

As vantagens decorrentes do processo de reciclagem são extremamente visíveis, principalmente nos dias atuais. No Brasil, este processo cresce no momento em que as legislações sobre as questões ambientais ficam cada vez mais rigorosas, e aumenta o nível de conscientização das camadas mais consumidoras de bens. Outro fato importante, diz respeito a simples disposição dos resíduos em aterros sanitários, que vêm se tornando em alguns casos inviáveis. Isso porque, dentre outras questões, na maioria das vezes tais aterros estão sujeitos ao esgotamento. Situação como essa foi verificada na cidade de Belo Horizonte, que como outras grandes cidades brasileiras, vinham perdendo gradativamente seus aterros sanitários, por simples esgotamento. Eram doze em 1993 e reduziu-se a sete 1995 (CAMARGO, 1995). Muito

possivelmente este foi um dos fatores, que fizeram com que o atual sistema de
26

gerenciamento dos resíduos sólidos desenvolvido na cidade, se tornasse modelo para todo o Brasil. A reciclagem de resíduos, é uma oportunidade de transformação de uma fonte importante de despesa em uma fonte de faturamento ou, pelo menos, de redução das despesas de deposição. Uma grande siderúrgica, por exemplo, produz mais de 1 milhão de toneladas de escória de alto forno por ano. A reciclagem desse material na indústria cimenteira, é um excelente negócio, pois elimina as despesas com o gerenciamento e deposição do resíduo (JOHN, 2001). A reciclagem, entretanto não é um processo simples onde qualquer tipo de resíduo apresenta condições de reciclagem ou reaproveitamento. Na construção civil, e em qualquer outra atividade, esse processo deve ser acompanhado e avaliado sobre todos os critérios de desempenho necessários à funcionalidade dos produtos. Uma proposta de metodologia para pesquisa e desenvolvimento da reciclagem de resíduos como materiais de construção civil, é discutida por JOHN (2000). Esta proposta aborda, dentre outras coisas, aspectos que envolvem: • a caracterização física e química e da micro-estrutura do resíduo, incluindo o seu risco ambiental; • a busca de possíveis aplicações dentro da construção civil, considerando as características do resíduo; • o desenvolvimento de diferentes aplicações, incluindo seu processo de produção, com base em ciência dos materiais; • análise de desempenho frente às diferentes necessidades dos usuários para cada aplicação específica; • a análise do risco ambiental do novo produto, incluindo contaminação do lençol freático, do ar interno e dos trabalhadores; • a análise do impacto ambiental do novo produto, numa abordagem que deve envolver a avaliação de risco à saúde dos trabalhadores e dos usuários;

27

• a análise da viabilidade econômica, fundamental em todas as etapas, devendo ser avaliada em função do valor de mercado do produto, dos custos do processo de reciclagem e do custo da disposição em aterro; • a transferência da tecnologia.

Finalizando, o autor salienta ainda, a necessidade do envolvimento de profissionais das mais diversificadas e áreas do de conhecimento Materiais, como parte Medicina, essencial Biologia, no Química, de

Marketing

Engenharia

como

processo

desenvolvimento da cadeia.

2.2.3 - Agregados de entulho reciclado

Diversas pesquisas no Brasil e no mundo apontam as potencialidades do uso de agregados reciclados na produção de concretos, argamassas e pavimentos. Entretanto a variabilidade na composição desses agregados é um fator limitador da utilização desses resíduos (ANGULO, 2000). Em várias situações, não são recomendados para a produção de elementos que exijam grandes esforços ou onde sejam extremamente desfavoráveis às condições ambientais.

Entulho de construções de concreto demolidas fornecem fragmentos nos quais o agregado está contaminado por pasta de cimento, gipsita e outras substâncias em menor quantidade. A fração que corresponde ao agregado miúdo contém,

principalmente, pasta de cimento e gipsita, sendo inadequada para a produção de concreto. Entretanto, a fração que corresponde ao agregado graúdo, embora coberta de pasta de cimento, tem sido usada com sucesso em vários estudos de laboratório e de campo (MEHTA & MONTEIRO (1994)). Segundo os mesmos autores, o maior obstáculo no uso do entulho é o custo de britagem, graduação, controle de pó e separação dos constituintes indesejáveis. Elementos como vidro, papel, metais, gipsita e matéria orgânica, geralmente presentes no entulho, podem influenciar negativamente nas propriedades de trabalhabilidade, pega e endurecimento, resistência e durabilidade dos concretos. Entretanto, concreto reciclado ou concreto com entulho britado podem
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ser uma fonte economicamente viável de agregados, em locais onde agregados de boa qualidade são escassos e quando o custo de disposição do entulho é incluído na análise econômica. A RILEM (1994), uma das mais importantes publicações sobre o assunto, apontado em diferentes pesquisas, apresenta algumas recomendações para a utilização de

agregados graúdos reciclados. O documento classifica os agregados em três tipos: Tipo I – agregados provenientes de entulho de alvenaria; Tipo II – agregados proveniente de entulho de concreto; Tipo III – agregados provenientes da mistura de agregados reciclados e agregados naturais; As composições do tipo III devem atender às exigências adicionais: • quantidade mínima de agregados naturais deve ser 80% em massa; • quantidade máxima de agregados Tipo I 10% em massa. As especificações técnicas exigidas para a utilização desses agregados na produção de concretos são apresentadas na Tabela 2.7 O documento sugere os testes apenas para os resíduos graúdos5, porque segundo a RILEM (1994), a utilização da fração fina do entulho, deve ser evitada devido aos aspectos: • a fração fina do entulho geralmente contém muitos contaminantes, e pouco se sabe sobre sua ação no concreto; • impacto do uso de agregados miúdo reciclado na durabilidade e resistência do concreto não está documentado suficientemente; • um método relevante para a determinação da resistência de agregados finos reciclados não está disponível; • não há um método confiável para a determinação da reatividade residual do álcali.

29

Tabela 2.7 – Classificação dos agregados graúdos reciclados para concreto (RILEM, 1994)
Especificações Massa específica mínima material seco (kg/m3) Absorção de água máxima (%) Quantidade máxima de material SSS < 2200 Kg/m (%) Quantidade máxima de material SSS < 1800 Kg/m3 (%) Quantidade máxima de material SSS < 1000 Kg/m3 (%) Quantidade máxima de impurezas (vidro, betume, plásticos) (%) Quantidade máxima de metais (%) Quantidade máxima de matéria orgânica (%) Quantidade máxima de finos < 0,063 mm (%) Quantidade máxima de areia < 4 mm (%) b Quantidade máxima de sulfatos (%) c
a b 3 a

Concreto com agregado graúdo reciclado Tipo I Tipo II Tipo III 1500 20 10 1 5 1 1 3 5 1 2000 10 10 1 0,5 1 1 0,5 2 5 1 2400 3 10 1 0,5 1 1 0,5 2 5 1

Método de ensaio ISO 6783 & 7033 ISO 6783 & 7033 ASTM C123 ASTM C123 ASTM C123 Visual Visual NEN 5933 PrEN 933-1 PrEN 933-1 BS 812, part 118

Condição saturada superfície seca Se for considerado o limite de fração areia, esta parte deverá ser considerada como parte da areia total a ser utilizada c Quantidade de sulfato deve ser calculada como SO 3 As percentagens constantes na tabela referem-se à massa/massa SSS corresponde ao agrega do na condição saturado superfície seca

A seguir serão apresentadas resumidamente algumas pesquisas sobre a reciclagem do entulho.

2.2.3.1 - Argamassas produzidas com entulho reciclado

LEVY (1997), avaliou o desempenho de revestimentos à base de cimento, entulhos de construção civil finamente moído e areia média, comparando o comportamento dessas argamassas com os resultados apresentados nas bibliografias para as argamassas mistas, à base de cimento, cal e areia. Dentre as conclusões do trabalho destacam-se os seguintes aspectos: • a presença dos materiais cerâmicos na mistura resultou em aumento na resistência à compressão e a tração; • a quantidade de água requerida para se manter a consistência das argamassas cresce proporcionalmente com o aumento do teor de material cerâmico, fato explicado em função do elevado percentual de finos presentes na composição, da ordem de 30 %;

5

Para o documento o limite inferior de definição do agregado graúdo é considerado como sendo 4 mm. 30

• as argamassas produzidas com adição de entulho reciclado apresentaram em média uma redução de 30 % no consumo de cimento em relação aos resultados existentes na literatura para argamassas mistas equivalentes.

De uma forma geral, segundo o autor da pesquisa, os revestimentos avaliados se mostram tecnicamente apropriados para a produção de argamassas para fins de utilização em revestimentos internos ou externos. Entretanto, o autor salienta que devam ser feitos estudos complementares para se avaliar o comportamento ao longo do tempo, principalmente quanto à durabilidade desses revestimentos.

HAMASSAKI et. al. (1997), avaliou a utilização do entulho como agregado miúdo na produção de argamassas, simulando uma situação de uso do entulho no próprio local gerado, ou seja reciclagem no próprio canteiro de obras.

De uma forma geral, o autor conclui que os resultados foram favoráveis ao uso do entulho, como agregado na produção de argamassas, entretanto aponta a

heterogeneidade do entulho e a retração por secagem como um dos pontos críticos relativos a utilização do entulho como agregado, considerando adequado o uso dessas argamassas apenas para assentamento ou revestimento interno.

MIRANDA (2000), também estudou a influência do entulho nas argamassas para revestimento, principalmente no que diz respeito a influência na elevada incidência de fissuração, segundo ele, característico nos revestimentos que utilizam entulho como agregado.

Os resultados obtidos indicaram que o entulho de construção reciclado pode ser utilizado para a produção de revestimentos, em argamassas simples de cimento Portland, obtendo-se bom acabamento superficial e boa resistência de aderência à tração.

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Dentre as recomendações feitas pelo autor destacam-se: • a necessidade do controle do teor total de finos nas argamassas; • o controle granulométrico entre as faixas de 2,4 mm e 0,15 mm, descartando, o material passante; • reduzir a exposição desse tipo de revestimento a ciclos de umedecimento e secagem.

2.2.3.2 - Concreto produzido com entulho reciclado

ZORDAN (1997) realizou estudos com o objetivo de avaliar o comportamento de concretos produzidos com a utilização de agregados reciclados, tendo como uma possível aplicação na produção de componentes voltada para obras de infra-estrutura urbana. O resíduo utilizado foi proveniente da usina de reciclagem de entulho instalada em Ribeirão Preto-SP.

Como conclusão da pesquisa, o autor analisa alguns aspectos importantes verificados a partir dos resultados, dos quais, cabe destacar: • a parte graúda do entulho como agregado, revelou aspectos negativos para a resistência do concreto, relacionados à presença de materiais cerâmicos polidos, que induziram à ocorrência de superfícies de ruptura nas suas faces lisas, devido à insuficiente aderência entre essas faces e a pasta de cimento; • o entulho usado como agregado apresentou absorção bem superior à do agregado tradicional, devido tanto à sua grande porosidade bem como a maior quantidade de finos existentes neste resíduo; • a resistência à compressão simples aos 28 dias, obtida pelos concretos produzidos, representou em média 49 %, 62 %, e 93 % da resistência do concreto de referência; • os resultados de ensaios de resistência à compressão, abrasão e permeabilidade, realizados no concreto com entulho, permitiram concluir que este tipo de concreto atende perfeitamente as exigências de fabricação dos elementos, a que se dispõe o objetivo da pesquisa: concreto não estrutural, passíveis de serem utilizados em
32

obras de infra-estrutura urbana como guias, lajotas para pavimentação, mourões, etc.

Finalizando, o autor salienta que, embora se tratando de um material extremamente heterogêneo, proveniente das mais diversas atividades da construção civil,

apresentando elementos que não têm um bom desempenho como agregado para concreto, as propriedades mecânicas aferidas na pesquisa, apresentaram valores muito significativos. Este fato leva a supor que, com um controle mais criterioso do entulho, de forma que os materiais de qualidades distintas não sejam misturados durante a produção, pode-se obter agregados com qualidades superiores às oferecidas pelo resíduo analisado na pesquisa.

LEVY & HELENE (2000) apresentaram estudos sobre a durabilidade de concretos produzidos com resíduos minerais provenientes de concretos e alvenarias. Os

resultados obtidos indicaram não haver diferença na resistência mecânica quando os agregados naturais foram substituídos por reciclados de concreto e uma redução de 20 a 30 % quando foram utilizados agregados de alvenaria. Quanto a absorção por imersão e o índice de vazios, as mesmas tiveram grande influência do agregado utilizado, principalmente para os agregados de alvenaria. Para os demais resultados avaliados no estudo: carbonatação e resistividade, não foram verificadas grandes influências do tipo de agregado utilizado

Como conclusão os autores salientam que, nas condições do experimento, os agregados reciclados de concreto não apresentaram restrições em termos de resistência mecânica nem da durabilidade, fato que não foi verificado quando se utilizou agregado reciclado de alvenaria.

2.2.3.3 - Blocos de concreto produzidos com entulho

DE PAUW (1980) avaliou a substituição de agregados naturais, convencionalmente utilizados na produção dos blocos de concreto, por agregados reciclados de entulho.
33

Para todas as composições foi mantida uma certa percentagem de areia natural. A quantidade de água utilizada na mistura foi definida visualmente, pela mão-de-obra local, em função da facilidade de moldagem dos blocos. Os blocos produzidos foram ensaiados apenas à compressão aos 28 dias. A Tabela 2.8 apresenta uma síntese dos resultados obtidos para cada composição avaliada

Tabela 2.8 - Resultados de resistência das séries de ensaio (modificado – DE PAUW, 1980)
Cimento (Kg)
P15 - 302

Séries

Traços utilizados em massa Areia natural Agregado (Kg) graúdo natural (Kg)
0 – 2 (mm) 3 – 8 (mm)

Agregados reciclados
0 – 25 (mm) 3 – 12 (mm)

Resistência à compressão (MPa) 3,7 2,2 3,3 2,9 4,1 7,0 2,1

Referência 1 2 3 4 5 6

50 50 50 50 50 50 50

100 150 100 200 150 150 200

300 -

250 200 200 -

-

300 250 200

Segundo o autor, em relação à composição de referência, observa-se que na média os resultados obtidos são satisfatórios. Para as composições com certa percentagem de agregados reciclados, na faixa entre 0 e 25 mm, verifica-se uma queda na resistência. Ao contrário, nas composições onde se utiliza agregados reciclados nas faixas entre 3 e 12 mm, verifica-se um certo aumento da resistência para as percentagens mais elevadas.

POLLET (1997), também avaliou a substituição de agregados convencionais por agregados reciclados para diferentes faixas granulométricas, e dois diferentes tempos de adensamento, sendo um maior tempo utilizado para simular a produção de componentes decorativos (uma vez que possibilita um melhor acabamento da

superfície dos blocos). Os blocos produzidos foram avaliados, dentre outras coisas, quanto a massa específica, resistência à compressão e à absorção de água. Nesta última avaliação os blocos com agregados reciclados se mostraram mais deficientes em

34

relação aos resultados obtidos com os blocos com materiais convencionais, e os limites especificados por norma, que fixa em 8 %6 o índice de absorção de água.

Segundo o autor os resultados obtidos se mostrou favorável a utilização dos agregados reciclados na produção de blocos de concreto. Entretanto ele salienta que algumas precauções devem ser tomadas principalmente quanto ao uso desses blocos em paredes externas ou subsolos.

6

Limite especificado pela NBN B21-001 35

3 - PROGRAMA EXPERIMENTAL 3.1 - ASPECTOS GERAIS O programa experimental desta pesquisa tem como objetivo principal determinar quais os parâmetros de mistura que são básicos na definição das propriedades dos blocos de concreto, com o intuito de utilizar o entulho reciclado, como um agregado alternativo. Esta investigação fundamenta-se na análise comparativa entre os resultados de

umidade de moldagem, massa específica, absorção por imersão e resistência à compressão. Estas variáveis são relevantes na produção e nas propriedades finais dos blocos de concreto. No desenvolvimento do programa experimental, foram definidos os materiais, os procedimentos de caracterização e os parâmetros de produção e de mistura a serem utilizados. Estas definições foram baseadas em estudos já apresentados na revisão bibliográfica, sendo complementados no decorrer da pesquisa de acordo com as necessidades intrínsecas do processo. Num estudo piloto, os parâmetros de produção, como tempo de adensamento e consistência de moldagem, foram estabelecidos, sendo os mesmos, adotados como referência em todas as etapas de moldagem, tanto dos corpos-de-prova cilíndricos como dos blocos de concreto. Os estudos foram realizados a partir de variações nas faixas granulométricas dos agregados para diferentes proporções entre aglomerante e agregados, utilizando-se agregados convencionais7 e entulho reciclado8. Dentre as contribuições deste trabalho, destacam-se os estudos experimentais de definição dos parâmetros de mistura e de produção dos blocos. Enfatiza-se neste sentido a utilização de corpos-de-prova cilíndricos de (10x20) cm, moldados com a utilização de uma mesa vibratória, em condições similares a de produção dos blocos de
7

Para esta pesquisa os agregados convencionais foram definidos como os agregados convencionalmente utilizados pelos fabricantes da região do Distrito Federal. As características desses agregados estão apresentadas no item 4.3. 8 Para esta pesquisa os agregados provenientes da reciclagem do entulho foram denominados de entulho reciclado, suas características também estão apresentadas no item 4.3. 36

concreto. Tal procedimento, permitiu uma discussão mais criteriosa dos resultados, reduzindo a grande variabilidade que caracteriza o processo de produção e ensaio dos blocos de concreto. A parte experimental desta pesquisa, tendo início na caracterização dos materiais e finalizando com a produção dos blocos de concreto, foi desenvolvida no Laboratório de Ensaios de Materiais-LEM da Universidade de Brasília-UnB. 3.2 - PROJETO EXPERIMENTAL 3.2.1 - Variáveis de estudo A elaboração do projeto experimental fundamentou-se na necessidade de investigar quais os materiais e composições a serem utilizados no estudo9. Deste modo a proporção aglomerante:agregado, bem como as composições granulométricas consideradas ótimas10, foram objetos de definição. Além disso foi ponderada a análise comparativa do entulho nestas faixas ótimas.

Para este estudo, estabeleceram-se algumas variáveis do processo de produção dos blocos consideradas essenciais ao desenvolvimento da pesquisa no laboratório. Uma síntese destas variáveis é apresentada na Figura 3.1.

9

Variações na composição granulométrica e na relação aglomerante/agregado, são rotineiramente empregadas na definição e estudo de proporções e propriedades dos blocos de concreto conforme observado na revisão da literatura (MEDEIROS, 1993). 10 As faixas granulométricas foram definidas a partir de critérios relacionados ao grau de empacotamento da composição. 37

Variáveis independentes

Variáveis dependentes

Umidade de moldagem Composição granulométrica Proporção aglomerante agregado

Massa específica

Absorção por imersão

Resistência à compressão

Figura 3.1 – Variáveis de estudo

Para a proporção aglomerante:agregados, os estudos tiveram o objetivo de investigar o comportamento da mistura em relação aos resultados de umidade de moldagem, massa específica, índice de absorção e resistência à compressão. Neste estudo adotou-se

como referência os traços 1:6, 1:8 e 1:10 (ABCP, 1978; MEDEIROS, 1993).

Os estudos com base na composição granulométrica tiveram fundamentação similar aos adotados para a proporção aglomerante:agregados. Pretendeu-se, através destes, investigar dentre os materiais disponíveis, as relações entre a composição

granulométrica, e as propriedades tanto no estado fresco como no estado endurecido .

Outro aspecto importante, verificado no estabelecimento das variáveis de estudo, diz respeito a inter-relação entre as variáveis dependentes. Especificando, observa-se por exemplo a influencia da umidade de moldagem nas demais variáveis de estudo.

38

3.2.2 - Etapas do programa experimental

As etapas para desenvolvimento da pesquisa constituíram em:

Etapa I – Coleta, processamento e caracterização

Esta etapa teve início com a coleta, processamento e caracterização dos materiais utilizados em toda a pesquisa: cimento, agregados convencionais e entulho reciclado. No que se refere ao entulho, houve certa dificuldade na aquisição deste material, pois na região não se dispõe de usinas de reciclagem, nem programas que promovam a reciclagem deste tipo de resíduo. Ressaltam-se algumas iniciativas isoladas por parte de empresas coletoras de entulho e empresas que atuam na área de limpeza pública.

Etapa II – Parâmetros de mistura

Nesta etapa, foram feitos estudos referentes aos parâmetros de mistura utilizados na produção dos blocos. Estes estudos foram subdivididos em: umidade de moldagem, tempo de adensamento e proporcionamento entre os materiais. A maior parte destes estudos foi feita em corpos-de-prova cilíndricos de (10x20) cm adensados em uma mesa vibratória, em condições de adensamento similares a de produção dos blocos de concreto.

Etapa III – Moldagem e estudo dos blocos de concreto

Na terceira e última etapa, a partir dos valores ótimos obtidos na etapa anterior, moldaram-se os blocos de concreto para os diferentes tipos de agregados considerados (convencionais e entulho reciclado), prosseguindo-se com a avaliação dos mesmos.

Uma análise esquemática do programa experimental pode ser feita a partir da Figura 3.2.

39

Coleta dos materiais Obtenção dos materiais Processamento Caracterização ETAPA I

Umidade de moldagem Tempo de adensamento Parâmetros Granulometria Aglomerante/Agregados ETAPA II

Blocos de concreto Moldagem dos blocos Blocos com entulho ETAPA III

Figura 3.2 – Fluxograma do programa experimental

3.3 - OBTENÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DOS MATERIAIS

3.3.1 - Coleta dos agregados

3.3.1.1 - Agregados convencionais

Os agregados, utilizados ao longo da pesquisa, foram fornecidos por uma empresa produtora de blocos na região do Distrito Federal. A coleta desses materiais seguiu as recomendações da NBR 7216 (1987) – Amostragem de agregados. Foi feita apenas uma coleta onde o volume cedido foi cerca de 4 m3 para cada agregado, suficiente para as necessidades do presente estudo.

Após a coleta, os materiais seguiram para o local de armazenamento no LEM, não passando por nenhum processamento específico.

40

3.3.1.2 - Entulho reciclado

Um dos principais problemas, no que se refere à reciclagem de entulho, é a variabilidade na sua composição (ANGULO, 2000). Estes resíduos encontra-se na maioria das vezes misturados a outros materiais como plástico, papel, vidro, gesso, dentre outros, materiais esses que inviabilizam a reciclagem, pois requerem altos custos para seleção durante o processamento (ZORDAN, 1997).

A primeira etapa desse estudo consistiu em desenvolver procedimentos, junto a algumas empresas construtoras, que possibilitassem a separação dos resíduos

indesejáveis na própria obra, ou seja, segregação e coleta seletiva nos próprios canteiros de obras. Pretendeu-se, como isso, além de estimular a conscientização das

empresas de construção civil, desenvolver procedimentos internos que viabilizassem o desenvolvimento desta pesquisa.

As amostras de entulho utilizadas foram colhidas em um canteiro de obras de um edifício de multipavimentos localizado no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília-DF. A obra apresenta estrutura em concreto armado, fechamento externo em alvenaria de blocos cerâmicos e de concreto e divisórias internas em dry wall. As coletas foram feitas na fase da obra correspondente à execução das alvenarias e revestimentos. Esta fase foi escolhida devido ao volume de resíduos gerados ser bastante considerável, bem como, pelo fato de não estarem presentes nesta etapa elementos como massa acrílica, solventes e gesso em pó, materiais estes que dificultam a reciclagem.

No total foram feitas duas coletas, na fase acima descrita. O volume de resíduo em estado solto, estipulado em função do volume das caçambas, foi de aproximadamente 10 m3.

O armazenamento no local foi feito em caçambas tipo Brooks, comumente utilizadas para coleta e transporte de entulho. Ao término da etapa de coleta as amostras foram transportadas até o local de processamento. As amostras de entulho das duas caçambas
41

foram misturadas e processadas com a utilização de um britador de mandíbula. Este tipo de equipamento é geralmente utilizado nas usinas de processamento de entulho. Sendo recomendado para execução do processamento primário, ou seja,

destorroamento ou quebra dos elementos maiores, como por exemplo peças de concreto armado, blocos, etc.

Após a britagem, o entulho foi transportado para o LEM, onde inicialmente passou por um processo de peneiramento para obtenção dos agregados com granulometria

equivalente a do agregado convencional utilizado na pesquisa, com dimensão máxima de 9,6 mm. Em seguida, o material selecionado foi homogeneizado e armazenado em baias internas.

3.3.2 - Caracterização dos materiais

A seguir serão descritos os materiais e os ensaios de caracterização realizados durante a pesquisa.

3.3.2.1 - Cimento

Durante toda a pesquisa utilizou-se o cimento CP II F-32, por tratar-se do cimento geralmente utilizado na produção dos blocos na região. O cimento em questão foi produzido pela empresa Tocantins, localizada no Distrito Federal, tendo sido fornecido em sacos de 50 Kg, de um mesmo lote.

As Tabelas 3.1 e 3.2, respectivamente, apresentam os resultados dos ensaios de caracterização química e física do cimento utilizado na pesquisa.

42

Tabela 3.1 – Propriedades físicas do cimento (Fornecidas pelo fabricante)
Propriedades Massa específica (g/cm3) Resíduo na peneira ABNT 200 (%) Finura Área específica Blaine (m2/Kg) Tempo de pega Início de pega (min) Fim de pega Expansibilidade em Le Chatelier a frio (mm) Água de consistência – pasta (%) 03 dias Resistência (MPa) 07 dias 28 dias Resultados 3,1 2,6 3402 170 229 0,9 26,6 24,4 28,5 35,3 Método de ensaio NBR 6474 (1984) NBR 11579 (1991) NBR 7224 (1984) NBR 11581 (1991) NBR 11581 (1991) NBR 11582 (1991) NBR 11580 (1991) NBR 7215 (1991) NBR 7215 (1991) NBR 7215 (1991)

Tabela 3.2 – Propriedades químicas do cimento (Fornecidas pelo fabricante)
Componentes químicos Perda ao fogo Resíduo insolúvel Trióxido de enxofre (SO 3) Óxido de magnésio (MgO) Dióxido de silício (SiO2) Óxido de ferro (Fe2O3) Óxido de alumínio (Al2O3) Óxido de cálcio (CaO) Óxido de cálcio livre (CaO) Óxido de sódio (Na 2O) Álcalis totais Óxido de potássio (K2O) Equivalente alcalino em Na2O Método de Bogue Sulfato de cálcio (CaSO4) Teores (%) 1,80 0,71 3,20 4,20 17,41 2,85 4,38 59,34 1,54 0,21 0,87 0,78 4,32 Método de ensaio NBR 5743 (1989) NBR 5744 (1989) NBR 5745 (1989) NBR 5742 (1977) NBR 5742 (1977) NBR 5742 (1977) NBR 5742 (1977) NBR 5742 (1977) NBR 5748 (1977) NBR 5747 (1989) NBR 5747 (1989) -----

3.3.2.2 - Agregados convencionais Os agregados utilizados na pesquisa foram visualmente observados e definidos pelos funcionários da empresa fornecedora do material, como11: • Agregado A: composição entre areia fina lavada e areia rosa • Agregado B: Brita 0 com pó de pedra Estes tipos de agregados, são tradicionalmente utilizados na região para a produção de blocos de concreto. Os ensaios de caracterização física dos agregados, estão apresentados nas Tabelas e 3.4.
11

3.3

Optou-se por denominar os agregados como agregado A e agregado B, para facilitar a identificação dos tipos de agregados convencionais utilizados na pesquisa. 43

Tabela 3.3 – Ensaios de caracterização do agregado A
Característica Módulo de finura Dimensão máxima característica Teor de materiais pulverulentos Absorção de água Massa específica unitária Massa específica real Resultados 1,64 2,4 mm 2,40 % 5.9 % 1108 g/dm 3 2614 g/dm 3 Método de ensaio NBR 7217 (1987) NBR 7217 (1987) NBR 7219 (1987) NBR 9777 (1987) NBR 7810 (1983) NBR 9776 (1987)

Tabela 3.4 – Ensaios de caracterização do agregado B
Característica Módulo de finura Dimensão máxima característica Teor de materiais pulverulentos Absorção de água12 – granulometria < 2,4 mm Absorção de água – granulometria > 2,4 e < 9,6 mm Massa específica unitária Massa específica real Resultados 4,25 9,5 mm 6,72 % 1,3 % 2,5 % 1614 g/dm 3 2770 g/dm 3 Método de ensaio NBR 7217 (1987) NBR 7217 (1987) NBR 7219 (1987) NBR 9777 (1987) NBR 9937 (1987) NBR 7810 (1983) NBR 9776 (1987)

A caracterização granulométrica dos agregados está apresentada na Figura 3.3. Para este ensaio utilizou-se como referência à norma NBR 7217 (1987) – Agregados Determinação da composição granulométrica.

3.3.2.3 - Entulho reciclado
No estudo foram utilizadas amostras de entulho reciclado com dimensões inferiores a 9,6 mm, conforme já especificado anteriormente. Para caracterizar este agregado, foram utilizados os

ensaios físicos listados na Tabela 3.5.
Tabela 3.5 – Ensaios de caracterização do entulho reciclado
Característica Módulo de finura Dimensão máxima característica Teor de materiais pulverulentos Absorção de água – granulometria < 2,4 mm Absorção de água – granulometria > 2,4 e < 9,6 mm Massa específica unitária Massa específica real Resultados 3,47 9,5 mm 14,23 % 9,9 % 16,5 % 1272 g/dm 3 2481 g/dm 3 Método de ensaio NBR 7217 (1987) NBR 7217 (1987) NBR 7219 (1987) NBR 9777 (1987) NBR 9937 (1987) NBR 7810 (1983) NBR 9776 (1987)

12

Optou-se por executar o ensaio de absorção para as duas faixas granulométricas apresentadas na Tabela 4.3 (faixa < 2,4 mm e 2,4 mm < faixa < 9,6 mm), para avaliar os agregados sob mesmos limites de dimensão. O limite de 2,4 mm foi escolhido em função da dimensão máxima característica do agregado A (Tabela 4.3). Este procedimento também foi adotado para o entulho reciclado. 44

O ensaio de caracterização granulométrica do entulho seguiu as recomendações da NBR 7217 (1983). A curva granulométrica para este agregado está apresentada na Figura 3.3.

0 10 20 30 % Acumulada 40 50 60 70 80 90 100 Fundo 0,075 0,15 0,3 0,6 1,2 2,4 4,8 6,3 9,5 12,5 Abertura das peneiras (mm) Agregado A Agregado B Entulho reciclado

Figura 3.3 – Curvas granulométricas: agregado A, agregado B entulho reciclado

Não foi possível determinar o índice de forma para os agregados utilizados na pesquisa, porque a dimensão máxima dos agregados é inferior ao limite recomendado pela norma NBR 7809 (1983) para execução do ensaio. 3.4 - ENSAIOS E PROCEDIMENTOS EMPREGADOS

3.4.1 - Ensaio de determinação da consistência do concreto

Para a determinação da consistência da mistura, seguiu-se como orientação os procedimentos descritos na norma ASTM C1170 (1991) – Standard Test Methods for Determining Consistency and Density of Roller-Compacted Concrete Using a

Vibrating Table. Esta norma define os procedimento de ensaio e as configurações da mesa vibratória, recomendadas para a determinação da consistência e da massa específica de concreto compactado a rolo. Esta norma foi utilizada como referência, em função do concreto utilizado na produção dos blocos apresentar características de
45

consistência semelhantes às preconizadas pelo documento. Segundo este ensaio, a consistência é estabelecida em função do tempo que uma determinada amostra de concreto leva para adensar sob determinada energia de adensamento, em uma mesa vibratória. O tempo medido expresso em segundos, é definido como tempo Vebe. A configuração básica da mesa vibratória utilizada no ensaio está indicada na Figura 4.4. Quanto à vibração e a amplitude, a mesa vibratória utilizada, apresenta, respectivamente, os valores de 57,5 Hz e aproximadamente 1,5 mm.

Quanto a massa a ser utilizada no ensaio, a norma estabelece dois procedimentos:

Método de teste A – Utiliza uma massa de 22,7 Kg – recomendado para concreto muito rijo à extremamente seco. Método de teste B – Não utiliza nenhuma massa – recomendado muito rijo ou quando o tempo de Vebe for inferior a 5 s. para concreto rijo a

Neste estudo, por questões de adequação do equipamento e de facilidade de identificação do tempo Vebe durante o ensaio, optou-se por utilizar uma sobrecarga de aproximadamente 10,0 Kg (disco metálico indicado na Figura 3.4).

Guia Disco metálico com Ø = 230 mm e massa = 10 Kg

Parafuso de fixação Recipiente cilíndrico com Ø = 240 mm e h = 200 mm Mesa vibratória

Motor

Figura 3.4 – Mesa vibratória utilizada no ensaio

46

3.4.2 - Ensaio de determinação da massa específica do concreto no estado fresco Para o ensaio de determinação da massa específica do concreto no estado fresco, foi adotado um procedimento diferenciado do recomendado pela norma ASTM C1170 (1991). A massa específica no estado fresco foi determinada, a partir da introdução de uma cápsula de volume conhecido, no interior do molde cilíndrico (antes de se preencher o molde com a amostra13), conforme ilustra a Figura 3.5. Após o adensamento da mistura, retirava-se a capsula, pesava-se o conjunto, capsula mais amostra, e determinava-se a massa específica no estado fresco.

Disco com massa = 10 Kg Amostra ensaiada

Cápsula utilizada no ensaio V = 0,50 dm3

Figura 3.5 – Ensaio de massa específica da mistura no estado fresco

3.4.3 - Moldagem dos corpos-de-prova

Grande parte dos estudos de definição dos parâmetros de mistura, foi desenvolvida com a utilização de corpos-de-prova cilíndricos (10 x 20) cm, moldados na mesma mesa vibratória utilizada nos ensaios descritos anteriormente. O objetivo desta

metodologia foi reduzir as variações típicas tanto no processo de produção como também nos ensaios. Além do mais o estudo em corpos-de-prova cilíndricos possibilita uma análise mais criteriosa dos resultados obtidos. Durante a moldagem, seguiu-se como orientação os procedimentos descritos na norma NBR 5738 (1994) – Moldagem e cura de corpos-de-prova de concreto, cilíndricos ou prismáticos. A Figura 3.6 ilustra

47

as

configurações

utilizadas

durante

a

moldagem

dos

corpos-de-prova

na

mesa

vibratória. Inicialmente as moldagens eram feitas, em duas camadas: uma primeira antes do adensamento, onde era preenchido todo o molde, e a outra ao longo do adensamento, preenchendo-se o espaço surgido com o adensamento. Entretanto observou-se que este procedimento estava causando uma diferença de adensamento entre as camadas inferiores e superiores. Este comportamento foi indicado em função do tipo de ruptura dos corpos-de-prova que eram sempre na parte superior, onde o adensamento era mais deficiente. Este problema foi solucionado com a introdução de um prolongamento de PVC na parte superior do molde14, preenchendo-se o conjunto prolongamento e molde em uma única camada (Figura 3.6). Com o adensamento, o volume correspondente ao molde era preenchido sob as mesmas condições.

Mistura Prolongamento de PVC Ø = 100 mm e h = 150 mm Molde cilíndrico Ø = 100 mm e h = 200 mm

Parafuso de fixação

Barra de fixação

Figura 3.6 – Moldagem dos corpos-de-prova cilíndricos

13 14

Durante o preenchimento da mistura no molde, deve-se ter o cuidado de não compactar a mostra. A altura desse prolongamento foi definida em função do deslocamento médio da mistura, observado durante a moldagem dos corpos-de-prova. 48

Para o processo de moldagem e estudo em corpos-de-prova, adotou-se uma rotina única, a saber: • aproximadamente 24 h após a moldagem os corpos-de-prova foram desmoldados, identificados e pesados; • em seguida foram submetidos à cura por um período de 7 dias (item 3.4.5); • após este período os corpos-de-prova foram ensaiados a compressão e a absorção por imersão (itens 3.4.6 e 3.4.7, respectivamente).

Esta mesma rotina foi utilizada no processo com os blocos de concreto.

3.4.4 - Moldagem dos blocos de concreto

Os blocos de concreto utilizados durante o estudo foram moldados em uma máquina vibro-prensa manual, pertencente ao LEM. As configurações desta vibro-prensa

podem ser identificadas na Figura 3.7, destacando ainda a direção da vibração, classificada como unidirecional vertical (Figura 2.1-(a)) e frequência de vibração da mesma em torno de 60 Hz.

Extratores

Alavanca utilizada na compactação e desforma

Abertura do molde Recipiente dosador

Motor

Molde vibratório

Figura 3.7 – Vibro-prensa utilizada na moldagem dos blocos de concreto

49

A sequência de funcionamento da prensa durante a moldagem dos blocos pode ser resumida nas etapas: • inicialmente preenche-se o recipiente dosador com a mistura destinada à moldagem dos blocos; • em seguida, com a máquina em funcionamento, desloca-se este recipiente para frente de modo a permitir o preenchimento do molde dos blocos; • depois de verificado todo o preenchimento do molde, retorna-se o recipiente para posição de origem e inicia-se a descida dos extratores permitindo a compactação dos blocos dentro do molde. Esta compactação é feita com a máquina em funcionamento, até os blocos atingirem a altura necessária; • após a compactação e segundos antes de finalizar a vibração, os blocos são desmoldados.

Após o processo de moldagem dos blocos no laboratório, adotou-se a mesma rotina utilizada na moldagem dos corpos-de-prova.

3.4.5 - Cura

A cura na produção de qualquer componente pré-moldado, como já visto na revisão bibliográfica, é uma das etapas mais importantes. O processo mais utilizado na região pelos grandes produtores de blocos é a cura a vapor. Este procedimento oferecer bons resultados com custos relativamente baixos, se comparados aos outros processos menos eficientes ou mais dispendiosos. Nesta pesquisa optou-se por um processo de cura em câmara úmida, por ser um procedimento corriqueiro na avaliação

experimental dos concretos. A idade de 7 dias foi definida por ser uma idade característica na produção de blocos (MEDEIROS, 1993).

Para todos os corpos-de-prova cilíndricos e blocos de concreto produzidos ao longo da pesquisa, adotou-se o mesmo procedimento de cura, sendo 24 horas após a moldagem submetidos à câmara úmida permanecendo lá por um período de 7 dias. Ao término deste período, foram ensaiados a compressão e a absorção.
50

Nesta fase, seguiu-se como orientação, os procedimentos descritos pela norma NBR 5738 (1994).

3.4.6 - Ensaio de resistência à compressão

Os ensaios de resistência à compressão dos corpos-de-prova e dos blocos de concreto seguiram, respectivamente, as recomendações das normas: • NBR 5739 (1994) – Ensaio à compressão de corpos-de-prova cilíndricos de concreto; • NBR 7184 (1991) – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria -

Determinação da resistência a compressão.

Estes ensaios tiveram o objetivo de avaliar o comportamento dos corpos-de-prova e dos blocos de concreto, para diferentes composições, frente aos resultados de resistência.

3.4.7 - Ensaio de absorção por imersão

Na mesma maneira que na resistência à compressão, o ensaio de absorção teve como objetivo avaliar os corpos-de-prova e os blocos de concreto quanto à absorção por imersão. Para este ensaio foram seguidas as recomendações das normas: • NBR 9778 (1987) – Argamassa e concreto endurecido determinação da absorção de água por imersão, índice de vazios e massa específica. • NBR 13118 (1991) – Blocos vazados de concreto simples para alvenaria Determinação da absorção de água, do teor de umidade e da área líquida.

51

3.5 - PROGRAMA PILOTO

No presente item deste capítulo, serão descritos os procedimentos iniciais referentes ao estudo dos parâmetros de mistura. Estes estudos se resumem em: avaliação da massa específica da mistura no estado fresco e endurecido (para diferentes composições granulométricas), consistência de moldagem da mistura e tempo de adensamento. Para início dos trabalhos estabeleceu-se o traço 1:10 (1:m - cimento e agregado em massa), como traço piloto, definido com base na literatura referente à produção de blocos de concreto (ABCP, 1978). A partir dos estudos desenvolvidos com este traço foi possível avaliar novas composições e definir quais os procedimentos a serem adotados com o entulho reciclado.

3.5.1 - Massa específica no estado fresco Os estudos referentes à avaliação da massa específica do concreto no estado fresco, tiveram como objetivo investigar o comportamento dos materiais para diversos valores de umidade e de composições granulométrica. No geral, a massa específica traduz de forma tecnológica o grau de compacidade e empacotamento dos materiais. Estes estudos foram desenvolvidos com a utilização da mesa vibratória, conforme o ensaio descrito no item 3.4.2. As diferentes composições granulométricas dos agregados foram obtidas variando-se as percentagens entre os agregados A e B na composição do agregado total, sendo estas variações identificadas em função da percentagem do agregado A. O ensaio foi executado para um tempo fixo de adensamento na mesa vibratória de 20 segundos. Optou-se por fixar o tempo, uma vez que, um dos objetivos de se realizar este ensaio, era avaliar as diferentes composições, sob uma mesma energia de adensamento. Este tempo foi definido em função de vários testes preliminares, para diferentes teores de umidade, onde se constatou que as misturas apresentavam um adensamento

satisfatório nesta condição. Os resultados deste estudo estão apresentados na Figura 3.8.
52

2500 Massa específica no esatdo fresco (g/dm3) 2400 2300 2200 2100 2000 1900 1800 1700 1600 1500 6,36

7,27

8,18

9,09

10,00 H (%)

10,91

11,82

12,73

13,64

Agregado A em % ==>

20%

30%

40%

50%

60%

70%

Figura 3.8 – Massa específica da mistura no estado fresco em função da umidade para diferentes percentagens de agregado A

Apesar das curvas não indicarem valores de umidade que caracterizam um valor máximo de massa específica, observa-se uma íntima relação entre estas grandezas. Sabe-se ainda que, em muitas situações, o teor de umidade que determina um máximo valor de massa específica, não oferece condições de moldagem nas vibro-prensas, utilizadas na produção dos blocos de concreto (TANGO, 1984). A partir deste estudo, cabe analisar, dentre os resultados encontrados, qual o teor de umidade que fornece uma máxima massa específica, para os critérios de operacionalidade do equipamento utilizado.

Quanto

a

granulometria,

identifica-se

que

os

valores

de

massa

específica

são

relativamente maiores à medida que a percentagem do agregado A, tende a diminuir na mistura. Para as composições analisadas a que apresentou maio valor de massa específica foi a composição com 20% do agregado A. Este comportamento pode ser justificado em função de um melhor grau de empacotamento obtido entre as partículas (para as condições de adensamento e umidade utilizadas). Em função dos resultados obtidos, esta composição foi considerada como referência para os novos estudos no programa piloto.

53

3.5.2 - Determinação da consistência de moldagem

A aplicação deste procedimento teve como objetivo mensurar o grau de consistência da mistura para as condições de moldagem dos blocos na vibro-prensa, a ser utilizada na pesquisa. Para o estudo, esta consistência foi denominada de “consistência de moldagem” e a umidade correspondente, foi denominada de “umidade de moldagem”. Este parâmetro foi empregado como referência na definição dos estudos subsequentes. O ensaio utilizado está descrito no item 3.4.1.

Inicialmente para o traço 1:2:8 (cimento, agregado A (20 %), agregado B (80 %)), variou-se o teor de umidade até atingir condições de moldagem dos blocos de concreto na vibro-prensa (conforme item 3.4.4). Como critério, analisou-se para qual teor de umidade máximo a prensa oferecia condições de moldagem com um rendimento satisfatório. Após esta análise, reproduziu-se o traço escolhido e mensurou-se, a partir do ensaio de consistência, o tempo Vebe em segundos. A Figura 3.9 ilustra como foi fixado este parâmetro. Deste estudo estabeleceu-se o tempo de 10 s como determinante da consistência de moldagem dos blocos na vibro-prensa.

Este parâmetro foi utilizado, para todas as composições, na moldagem dos corpos-deprova cilíndricos e dos blocos de concreto, ou seja, todas as composições estudadas devem ter um teor de umidade que permita um tempo Vebe de 10 s (nas condições do ensaio adaptado conforme item 3.4.1).

54

A Adensamento A

Adensamento
H%1 H%2 H%3 H%4 = umidade de moldagem 10 T3 T2 T (s)

Adensamento

Amostra ensaiada

Figura 3.9 – Determinação da umidade de moldagem

3.5.3 - Determinação do tempo de adensamento

Este estudo teve como objetivo investigar, em função do tempo de adensamento, qual a energia de compactação necessária para moldar os blocos de concreto, respeitando-se determinados critérios que serão discutidos a seguir. Outro ponto necessário, foi a compatibilização desta energia para a mesa vibratória, possibilitando a moldagem dos corpos-de-prova cilíndricos com características de massa específica similares a obtida nos blocos de concreto moldados na vibro-prensa.

Para moldagem dos blocos de concreto, o tempo de adensamento na vibro-prensa foi definido empiricamente a partir da análise de vários testes de moldagem. Este tempo variou entre 10 e 15 s.

Para o estabelecimento deste tempo os parâmetros considerados foram: • adensamento e preenchimento do molde pela mistura; • aparência dos blocos após a desforma; • resistência dos blocos ao manuseio após a desforma; e • a produtividade das operações.

55

Na

moldagem

dos

corpos-de-prova

cilíndricos,

o

tempo

de

adensamento

foi

estabelecido em função da equivalência entre as massas específicas dos blocos de concreto e dos corpos-de-prova (massa específica no estado endurecido). Para isso foi necessário estudar qual o tempo de adensamento demandado pela mesa vibratória. Os procedimentos utilizados foram: • para o traço 1:2:8 (1:10 - cimento, 20 % agregado A e 80 % agregado B no agregado total), o tempo de adensamento e a consistência de moldagem,

previamente estabelecido, moldou-se quatro blocos de concreto; • após 24 h, mediu-se as dimensões dos blocos e as massas, determinando-se a massa específica no estado endurecido; • com o mesmo traço e a mesma consistência de moldagem, moldou-se corpos-deprova cilíndricos na mesa vibratória para diferentes tempos de adensamento, variando-se de 5 em 5 s (item 3.4.3); • após 24 h, mediu-se as dimensões e as massas dos corpos-de-prova e determinouse a massa específica no estado endurecido;

De posse dos resultados, determinou-se qual o tempo de adensamento na mesa vibratória que fornecia valores de massa específica no estado endurecido (para os corpos-de-prova cilíndricos), equivalente à massa específica dos blocos de concreto (Figura 3.10).

Massa específica dos CP’s

Massa específica dos blocos

Tempo de moldagem dos CP’s

Tempo de adensamento dos CP’s (s)

Figura 3.10 – Ilustração da determinação do tempo de adensamento para corpos-de-prova cilíndricos adensados na mesa vibratória
56

Para os blocos de concreto a massa especifica média obtida foi de aproximadamente 2355 g/dm3. Os resultados de massa específica no estado endurecido, em função do tempo de adensamento, para os corpos-de-prova estão apresentados na Figura 3.11.

2450

2400 Massa específica (g/dm3)

2350

2300

2250

2200 0 5 10 15 20 25 30 35 40 Tempo de adensamento (s)

Figura 3.11 – Comportamento da massa específica no estado endurecido em função do tempo de adensamento – Corpos-de-prova cilíndricos

De acordo com estes critérios, verifica-se que um tempo de adensamento, na mesa vibratória, em torno de 25 s fornecia uma energia de compactação equivalente a desenvolvida pela vibro-prensa durante a moldagem dos blocos de concreto. Este tempo foi utilizado como parâmetro para a moldagem de todos os corpos-de-prova cilíndricos utilizados nas etapas de estudo dos parâmetros de mistura.

3.5.4 - Massa específica e resistência em função da umidade de moldagem

Na sequência, os estudos prosseguiram para uma análise da influência da umidade da mistura, nos resultados de massa específica e resistência à compressão, para concretos no estado endurecido. Este estudo foi realizado, em corpos de prova cilíndricos (moldados conforme item 3.4.3), com o tempo de adensamento de 25 s (estabelecido no estudo anterior), para a composição com 20% do agregado A (traço 1:2:8). Os valores de umidade considerados variaram entre 4,5% e 8,2%, aproximadamente. Quanto à consistência, as misturas analisadas estão caracterizadas na Tabela 3.6. Os resultados desse estudo estão apresentados na Figura 3.12.
57

Tabela 3.6 – Caracterização da composição com 20 % de agregado A em função da umidade
Descrição Extremamente seco Muito rijo Rijo Plástico Umidade da mistura (%) 4,5 – 5,0 5,0 – 6,5 6,5 – 7,5 7,5 – 8,2

2500 Resistência à compressão (Mpa) 4 5 6 H% 7 8 9 2450 Massa específica (g/dm3) 2400 2350 2300 2250 2200 2150 2100 2050

20,00 18,00 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 4 5 6 H% 7 8 9

(a) Massa específica no estado endurecido

(b) Resistência à compressão

Figura 3.12 – Influência da umidade de moldagem na massa específica no estado endurecido e na resistência à compressão – Traço com 20% agregado A

Como era de se esperar, os resultados apresentados indicam uma nítida relação entre as variações de umidade e os resultados obtidos, sendo estes, influenciados pelas condições de arranjo entre as partículas, que são provocadas pala umidade da mistura. Comportamento semelhante foi ilustrado na revisão da literatura, onde dentro de certos limites que caracterizam o concreto seco, os valores de massa específica e resistência, tendem a aumentar (TANGO, 1984). Na Figura 3.12 para a umidade da mistura entre 4,5% a 6,5%, variando de extremamente seco a muito rijo, não caracteriza uma condição ótima de acomodação, já para valores entre 6,5% e 7,5%, essas condições são mais favorecidas. Para valores de umidade acima de 7,5 %, a mistura entra na região, onde o concreto é considerado plástico. Pela Figura 3.12, observa-se que a

umidade de moldagem dos blocos de concreto, para a composição analisada (traço 1:2:8), encontra-se próxima de 6,5%, ou seja, o limite entre o concreto rijo e muito rígido. Esta estimativa não deve ser aceita como parâmetro para os estudos subsequentes, uma vez que, cada composição apresenta características diferenciadas, o que influencia consideravelmente nos valores de umidade de moldagem (conforme ilustra a Figura 3.8).
58

3.6 - SÉRIES DE ENSAIOS Uma vez concluído os estudos preliminares, onde se definiram todos os procedimentos e parâmetros a serem adotados para a produção dos corpos-de-prova cilíndricos e dos blocos de concreto, foram definidas as séries de ensaio, a serem utilizadas no estudo dos parâmetros de mistura. A maior parte desse estudo foi feita em corpos-de-prova cilíndricos (10x20) cm moldados segundo os procedimentos descritos no item 4.4.3, considerando ainda, os critérios de consistência de moldagem (tempo Vebe de 10 s), e o tempo de adensamento de 25 s. A partir da analise dos resultados obtidos, com as composições consideradas ótimas15, moldou-se blocos de concreto com dimensões (10x19x39) cm. Durante esta etapa, os procedimentos adotados estão descritos no item 4.4.4, devendo-se destacar que, para os blocos de concreto, também foram adotados os critérios de consistência de moldagem previamente estabelecidos no estudo com os corpos-de-prova cilíndricos. Para os corpos-de-prova com materiais convencionais, a proporção

aglomerante:agregado foi avaliada em 3 traços: 1:6, 1:8, 1:10 (cimento e agregados em massa). Com relação ao entulho reciclado, a proporção avaliada foi apenas no traço 1:10. Optou-se por este procedimento, em função do traço 1:10 ser o mais analisado ao longo da pesquisa, sendo parte dos objetivos desse estudo apenas avaliar o comportamento do entulho como agregado na composição, frente às propriedades antes avaliadas com os materiais convencionais. Para os agregados convencionais, as composições granulométricas foram analisadas a partir da variação percentual entre o agregado A e B, na composição da parcela total de agregados, conforme indica a Tabela 3.7.

15

Composições que apresentaram melhor desempenho para as propriedades avaliadas no estudo 59

Tabela 3.7 - Séries de ensaios em corpos-de-prova cilíndricos (10x20) cm – Agregados convencionais
Materiais Séries %A % Agregados %E %B
0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 100 90 80 70 60 50 90 80 70 60 100 90 80 70

Traço: Agregados Ae B

CAP10-0 0 CAP10-10 10 CAP10-20 20 CAP10-30 30 CAP10-40 40 CAP10-50 50 CAP8-10 10 CAP8-20 20 CAP8-30 30 CAP8-40 40 CAP6-0 0 CAP6-10 10 CAP6-20 20 CAP6-30 30 Total de corpos-de-prova analisados

Quantidade por ensaio Massa Resistência Absorção specífica 6 4 2
6 6 6 6 6 8 8 8 8 8 8 8 8 100 4 4 4 4 4 5 5 5 5 5 5 5 5 64 2 2 2 2 2 3 3 3 3 3 3 3 3 36

Legenda: CAP10-10 – Corpos-de-prova cilíndricos com Agregado convencionais, traço 1:10, com 10% de agregado A

Para o entulho reciclado foram previstas variações apenas de ajuste na curva granulométrica, a partir das composições ótimas determinadas com o agregados convencionais para o traço 1:10. Estas composições estão indicadas na Tabela 3.8.
Tabela 3.8 - Séries de ensaios em corpos-de-prova cilíndricos (10x20) cm – Entulho reciclado
% Agregados Quantidade por ensaio %A %E %B Massa Resistência Absorção específica CEP10-70 0 70 30 8 5 3 CEP10-60 0 60 40 8 5 3 Traço: Entulho e CEP10-50 0 50 50 8 5 3 Agregado B CEP10-40 0 40 60 8 5 3 CEP10-30 0 30 70 8 5 3 Total de corpos-de-prova analisados 40 25 15 Legenda: CEP10-70 – Corpos-de-prova cilíndricos com Entulho reciclado, traço 1:10, com 10% de agregado A Materiais Séries

As séries de blocos de concreto, avaliadas durante a pesquisa, para os agregados convencionais e o entulho reciclado, estão apresentadas na Tabela 3.9. Para os materiais convencionais, foram moldados blocos de concreto para as composições, que apresentaram melhor desempenho, para os traços 1:6, 1:8 e 1:10. Para o entulho reciclado, foram moldados blocos de concreto para 2 composições com melhores resultados, para as propriedades avaliadas. Finalizando o estudo com o entulho, foi moldada uma série de blocos de concreto, sem considerar as faixas granulométricas do

60

entulho

inferior

a

2,4

mm,

procurando-se

avaliar

a

influência

dos

finos

nas

propriedades dos blocos.
Tabela 3.9 - Série de ensaios em blocos de concreto (10x19x39) cm
Materiais Traço: Agregados Ae B Traço: Entulho e Agregado B %A BAP10-20 20 BAP8-20 20 BAP6-20 20 BEP10-30 0 BEP10-50 0 BAEP10-20 20 Total de blocos analisados Séries % Agregados %E %B 0 80 0 80 0 80 30 70 50 50 40 40 Quantidade por ensaio Massa Resistência Absorção específica 12 8 4 12 8 4 12 8 4 12 8 4 12 8 4 12 8 4 72 48 24

Legenda: BAP10-20 – Blocos de concreto com Agregados convencionais, traço 1:10, com 20% de agregado A BEP10-70 – Blocos de concreto com Entulho reciclado, traço 1:10, com 30% de agregado A

Conforme identificado nas Tabelas 3.7, 3.8 e 3.9 todas as séries (em corpos-de-prova e em blocos de concreto) foram avaliadas quanto à umidade de moldagem, massa específica no estado endurecido, resistência à compressão e à absorção de água por imersão. Maiores detalhes sobre o estudo estão apresentados no Capítulo 4.

61

4 - RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.1 - RESULTADOS DAS SÉRIES DE ENSAIOS Neste capítulo serão apresentados e discutidos, para as séries de ensaios definidas, os resultados referentes e ao estudo cimento das variáveis frente independentes: às grandezas: composição umidade de

granulométrica

proporção

agregado,

moldagem, massa específica no estado endurecido, absorção por imersão e resistência à compressão, definida anteriormente como variáveis dependentes do estudo (Figura 3.1).

Inicialmente serão apresentados os resultados obtidos em corpos-de-prova cilíndricos e em seguida os resultados obtidos em blocos de concreto, considerando, em ambos os casos, composições com materiais convencionais e composições com entulho

reciclado.

4.1.1 - Corpos-de-prova cilíndricos: Agregados convencionais

A seguir serão apresentados os resultados das séries de ensaios desenvolvidas em corpos-de-prova cilíndricos, para as composições com agregados convencionais. Este estudo foi feito considerando variações nas proporções entre os agregados A e B, na composição do agregado total, e variações na proporção cimento:agregado. Os resultados apresentados, se referem a média dos valores individualmente obtidos em cada série.

4.1.1.1 - Umidade de moldagem dos corpos-de-prova

Como primeiro resultado, as Figuras 4.1 e 4.2, apresentam o estudo referente a umidade de moldagem dos corpos-de-prova. Cabe lembrar que os valores de umidade foram determinados para cada composição na condição de consistência de moldagem, conforme procedimento descrito no item 3.5.2 do programa piloto.

62

Na Figura 4.1-(a), observa-se que, com o aumento da percentagem de agregado A na composição dos agregados, a umidade de moldagem dos corpos-de-prova., também aumenta.

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 H% 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP10-0 CAP10-10 CAP10-20 CAP10-30 CAP10-40 CAP10-50 Séries analisadas H%

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP8-10 CAP8-20 CAP8-30 CAP8-40 Séries analisadas

(a) Traço 1:10 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% de agregado A

(b) Traço 1:8 com 10%, 20%, 30% e 40% de areia de agregado A

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 H% 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-0 CAP6-10 CAP6-20 CAP6-30 Séries analisadas

(c) Traço 1:6 com 0%, 10%, 20% e 30% de agregado A

Figura 4.1 – Umidade de moldagem dos corpos-de-prova, em função da % de agregado A – Agregados convencionais

Para os demais casos, Figura 4.1-(b) e (c) (Traços 1:8 e 1:6), considerando os mesmos parâmetros de consistência de moldagem, este comportamento ainda persiste

(aumenta), apesar de ser menos significativo que no caso anterior (Traço 1:10).

63

O aumento nos valores de umidade de moldagem, com o aumento da percentagem do agregado A na mistura, pode ser explicado, por fatores que influenciam diretamente nessa grandeza, destacando-se: • pelo aumento da superfície de molhagem, uma vez que o agregado A, apresenta uma dimensão máxima característica igual a 2,4 mm (Tabela 3.3); • pelo grau de absorção de água do agregado A, relativamente superior a do agregado B (Tabela 4.1), resultando em um teor de umidade mais elevado para corrigir tal característica do agregado; • pelas condições de arranjo entre as partículas (incluindo o cimento) alteradas pelo aumento da percentagem do agregado A na mistura, tendo-se que aumentar o teor de umidade para as mesmas características de consistência de moldagem.

Quando a análise dos resultados de umidade de moldagem é feita com relação a variação na proporção cimento:agregado, para uma mesma composição

granulométrica (Figuras 4.2-(a), (b), (c)), observa-se que houve pouca influência dessa variável, nos teores de umidade.

Os resultados apresentados indicam que a umidade da mistura, necessária para obter uma dada consistência de moldagem (definida em função dos equipamentos utilizados na produção dos blocos de concreto), sofre grande influência da composição

granulométrica dos agregados, bem como da característica dos mesmos (dimensão, forma, absorção, dentre outros). Estes aspectos reforçam as idéias contrárias às especificações de faixas granulométricas ideais para a produção dos blocos de concreto apontadas por alguns autores (PFEIFFENBERGER, 1985 apud MEDEIROS, 1993).

64

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 H% 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-10 CAP8-10 Séries analisadas CAP10-10 H%

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-20 CAP8-20 Séries analisadas CAP10-20

(a) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 10% do agregado A

(b) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 20% do agregado A

10,00 9,00 8,00 7,00 6,00 H% 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-30 CAP8-30 Séries analisadas CAP10-30

(c) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 30% do agregado A

Figura 4.2 – Umidade de moldagem dos corpos-de-prova, em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais

4.1.1.2 - Massa específica dos corpos-de-prova no estado endurecido

As Figuras 4.3 e 4.4, apresentam os resultados de massa específica no estado endurecido, obtidos em corpos-de-prova. Para o traço 1:10, Figura 4.3-(a), identificase comportamentos distintos para as diferentes composições granulométricas

analisadas. Inicialmente para percentagens baixas do agregado A os corpos-de-prova apresentaram valores de massas específicas baixos. Com o aumento da percentagem do agregado A, os valores de massas específicas tendem a um valor maior, decaindo a medida que essa percentagem aumenta.

Esta configuração se repete com grande semelhança para os demais casos, Figuras 4.3(b) e (c) (Taços 1:8 e 1:6), embora o maior valor tenha sido superior ao apresentado para o traço 1:10 (Figura 4.3-(a)).
65

2500,0 Massa específica (g/dm3) Massa específica (g/dm3) CAP10-0 CAP10-10 CAP10-20 CAP10-30 CAP10-40 CAP10-50 Séries analisadas 2450,0 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0

2500,0 2450,0 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0 CAP8-10 CAP8-20 CAP8-30 CAP8-40 Séries analisadas

(a) Traço 1:10 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% do agregado A

(b) Traço 1:8 com 10%, 20%, 30% e 40% do agregado A

2500,0 Massa específica (g/dm3) 2450,0 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0 CAP6-0 CAP6-10 CAP6-20 CAP6-30 Séries analisadas

(c) Traço 1:6 com 0%, 10%, 20% e 30% do agregado A

Figura 4.3 – Massa específica dos corpos-de-prova em função da % de agregado A – Agregados convencionais

Este comportamento pode ser explicado devido aos seguintes fatores: • no trecho ascendente, a percentagem do agregado A e o teor de cimento não são suficientes para preencher os vazios existentes entre os grãos do agregado B (dimensão máxima característica igual a 9,5 mm); • à medida que a percentagem do agregado A aumenta, os vazios são preenchidos, caracterizando uma acomodação ideal entre as partículas, indicando valores máximos de massa específica (condição de máximo empacotamento entre as partículas); • quando a percentagem do agregado A aumenta, a partir do ponto máximo de massa específica, o mesmo começa a substituir os grão do agregado B contribuindo com dois fatores: em primeiro lugar, reduzindo a massa específica dos corpos-de-prova, já que a massa específica do agregado A é menor que a do agregado B e, em
66

segundo lugar, o aumento na percentagem do agregado A, traz como consequência um aumento no volume de vazios (na forma de vazios menores), reduzindo o empacotamento.

Na

média,

os

resultados

apresentados

no

estudo

da

variação

da

composição

granulométrica, indicam valores máximos de massa específica, para as faixas entre 10% de 20% do agregado A.

Variado-se a proporção cimento:agregado, na Figuras 4.4-(a), observa-se uma grande influencia nos valores de massa específica (diminui com aumento da proporção cimento agregado para o mesmo teor de areia). Neste caso, os grãos de cimento, além de possuírem maior massa específica, as dimensões de seus grãos são

significativamente inferiores as do agregado A e B, preenchendo os vazios ainda existentes nas composições analisadas aumentando o empacotamento.

Nas Figuras 4.4-(b) e (c), à medida que a percentagem de areia aumenta e a acomodação entre as partículas tende a um valor máximo, a influência da proporção cimento:agregado é diminuída.

67

2500,0 2450,0 Massa específica 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0 CAP6-10 CAP8-10 Séries analisadas CAP10-10 Massa específica (g/dm3)

2500,0 2450,0 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0 CAP6-20 CAP8-20 Séries analisadas CAP10-20

(a) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 10% do agregado A

(b) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 20% do agregado A

2500,0 2450,0 Massa específica (g/dm3) 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 2100,0 CAP6-30 CAP8-30 Séries analisadas CAP10-30

(c) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 30% do agregado A

Figura 4.4 – Massa específica dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais

Deve-se ressaltar ainda que a massa específica dos corpos-de-prova está intimamente relacionada com a umidade de moldagem, nesse caso, decorrente da consistência de moldagem. Este fato pode ser constatado a partir da Figura 4.5, onde está apresentado o comportamento da massa específica frente aos valores de umidade de moldagem.

Os teores de umidade apresentados para as séries, provavelmente não são os que indicam um valor máximo de massa específica para cada mistura estudada, mas sim as decorrentes da umidade necessária para se atingir a consistência de moldagem. Deste modo, evidencia-se que as proporções entre os materiais exercem influência muito significativa na definição do teor de umidade, necessário para as operações de moldagem.

68

2500,0 2450,0 Massa específica (g/dm3) 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 4,00

Série CAP10 Série CAP8 Série CAP 6

5,00

6,00

7,00 H (%)

8,00

9,00

10,00

Figura 4.5 – Comportamento da massa específica em função da umidade de moldagem – Agregados convencionais

4.1.1.3 - Absorção de água por imersão

Para os resultados de absorção por imersão (Figura 4.6), observa-se comportamento inverso aos de massa específica. As faixas granulométricas com maiores massas específicas apresentaram menores valores de absorção.

Este comportamento pode ser explicado a partir de um raciocínio análogo ao descrito para os resultados de massa específica, uma vez que a absorção de água por imersão esta relacionada com o índice de vazios (compacidade). Para as faixas granulométricas caracterizadas por valores menores de massa específica, resultantes de uma

distribuição granulométrica que induz um maior índice de vazios, implica em valores maiores de absorção. Quando a distribuição granulométrica tende a proporções ideais, tendo como resultados valores máximos de massa específica e menor índice de vazios, a absorção de água por imersão, tende a diminuir.

69

8,00 7,00 6,00 Absorção (%)
Absorção (%)

8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00

5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP10-0 CAP10-10 CAP10-20 CAP10-30 CAP10-40 CAP10-50 Séries analisadas

CAP8-10

CAP8-20

CAP8-30

CAP8-40

Séries analisadas

(a) Traço 1:10 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% do agregado A

(b) Traço 1:8 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% do agregado A

8,00 7,00 6,00 Absorção (%) 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-0 CAP6-10 CAP6-20 CAP6-30 Séries analisadas - Traço 1:6

(c) Traço 1:6 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% do agregado A

Figura 4.6 – Absorção de água por imersão dos corpos-de-prova em função da % do agregado A – Agregados convencionais

Quando a análise é feita a partir da proporção cimento:agregado, Figura 4.7, observase que, para percentagens menores de areia na composição (Figura 4.7-(a)), a influencia da proporção cimento:agregado é extremamente visível. Nos demais casos (Figura 4.7-(b) e (c)), apesar das variações persistirem, não são tão significativas como no caso anterior. Este comportamento está em consonância com os resultados de massa específica já apresentados anteriormente.

70

8,00 7,00 6,00 Absorção (%) Absorção (%) 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-10 CAP8-10 Séries analisadas CAP10-10

8,00 7,00 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-20 CAP8-20 Séries analisadas CAP10-20

(a) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 10% do agregado A

(b) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 20% do agregado A

8,00 7,00 6,00 Absorção (%) 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP6-30 CAP8-30 Séries analisadas CAP10-30

(c) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 30% do agregado A

Figura 4.7 – Absorção de água por imersão dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais

Os resultados apresentados até o momento indicam uma íntima relação entre os valores de massa específica e absorção. As hipóteses levantadas para explicação dos resultados de massa específica são corroboradas pelos resultados de absorção por imersão. Este comportamento é fortemente evidenciado quando se analisa os

resultados de massa específica em função dos resultados de absorção (Figura 4.8), onde para diferentes percentagens que a do massa agregado específica A e e a diferentes absorção proporções apresentam

cimento:agregado,

observa-se

comportamentos inversos.

71

2500,0 2450,0 Massa específica (g/dm3) 2400,0 2350,0 2300,0 2250,0 2200,0 2150,0 4,00

4,50

5,00

5,50

6,00

6,50

7,00

7,50

Absorção (%)

Figura 4.8 – Comportamento da massa específica em função da absorção por imersão – Agregados convencionais

Como era de se esperar, também é possível identificar certa relação entre os valores de absorção de água por imersão e umidade de moldagem (Figura 4.9). Este fato, contribui com as hipóteses da inter-relação entre variáveis, abordado durante a elaboração do programa experimental.

8,00 7,00 Absorção por imersão (%) 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 4,00 Série CAP10 Série CAP8 Série CAP 6

5,00

6,00

7,00 H (%)

8,00

9,00

10,00

Figura 4.9 – Comportamento da absorção por imersão em função da umidade de moldagem – Agregados convencionais

72

4.1.1.4 - Resistência à compressão Neste item, são apresentados os resultados de resistência à compressão, dos corpos-deprova, para as séries analisadas. A Figura 4.10, apresenta comportamento similar aos resultados de massa específica já discutidos. Os máximos valores obtidos foram nas composições com 20% (traços 1:10 e 1:8) e 10% (traço 1:6) de areia o que indica um certo deslocamento da curva para a esquerda, a medida que o teor de cimento aumenta na composição.

40,0 35,0 30,0 Resistência (MPa) 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP10-0 CAP10-10 CAP10-20 CAP10-30 CAP10-40 CAP10-50 Séries analisadas
Resistência (MPa)

40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP8-10 CAP8-20 CAP8-30 CAP8-40

Séries analisadas

(a) Traço 1:10 com 0%, 10%, 20%, 30%, 40% e 50% do agregado A

(b) Traço 1:8 com 10%, 20%, 30% e 40% do agregado A

40,0 35,0 30,0 25,0 Resistência 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP6-0 CAP6-10 CAP6-20 CAP6-30

Séries analisadas - Traço 1:6

(c) Traço 1:6 com 0%, 10%, 20% e 30% do agregado A

Figura 4.10 – Resistência à compressão dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais

Estas faixas granulométricas coincidem com as faixas de máxima massa específica e mínima absorção, já discutida anteriormente.

Os resultados indicam, a influência da composição granulométrica na resistência à compressão dos corpos-de-prova. Para um mesmo teor de cimento, observa-se que a
73

diferença entre os máximos e os mínimos valores de resistência, que chegam à 8,3MPa, 8,4MPa, 9,6MPa (Figuras 4.10 - (a), (b) e (c) respectivamente), são bastante consideráveis. Este comportamento indica ainda que essas diferenças tendem a

aumentar com o aumento do teor de cimento na composição. Portanto, deve-se destacar que a busca por uma composição granulométrica considerada ideal (para certos critérios de desempenho), entre as partículas constituintes (incluindo o cimento), pode ter como resultado reduções bastante significativas no consumo de cimento, para uma mesma resistência desejada, ou seja, significativa redução de custo.

Quando se analisa a proporção cimento:agregado em diferentes traços (Figura 4.11), para uma mesma composição granulométrica (mesma percentagem de agregado A), observa-se à influência direta do consumo de cimento na resistência. Exemplificando, na Figura 4.11-(a) ao se reduzir o consumo de cimento (aumentando a proporção cimento:agregado), para a mesma % de areia observa-se redução na resistência de 35,0 MPa para 14,5 e 10,0 MPa. Como era de se esperar, traços com teores maiores de cimento apresentam maiores resistências.

A analise da Figura 4.11 indica ainda outro aspecto de elevada importância. Ao aumentar a percentagem do agregado A de 10 % para 20 % (Figuras 4.11-(a) e (b) respectivamente), o traço 1:6 (Série CAP6) apresenta uma pequena redução de resistência, entretanto para os traços 1:8 e 1:10, observa-se um aumento significativo de resistência. Tal fato pode ser justificado em função do melhor arranjo obtido para a composição com 20 % de agregado A (Figura 4.11-(b)). Ao passar de 20 % para 30 % do agregado A na composição, observa-se uma certa redução dos valores de resistência para todas as composições (1:6, 1:8, 1:10). Um comportamento semelhante a este, foi identificado nos resultados de massa específica no estado endurecido, para as mesmas séries analisadas (Figura 4.4).

74

40,0 35,0 30,0 Resistência (MPa) 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP6-10 CAP8-10 Séries analisadas CAP10-10 Resistência (MPa)

40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP6-20 CAP8-20 Séries analisadas CAP10-20

(a) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 10% do agregado A

(b) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 20% do agregado A

40,0 35,0 30,0 Resistência (MPa) 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 CAP6-30 CAP8-30 Séries analisadas CAP10-30

(c) Traços 1:6, 1:8 e 1:10, com 30% do agregado A

Figura 4.11 – Resistência à compressão dos corpos-de-prova em função da proporção cimento:agregado – Agregados convencionais

Os resultados de resistência à compressão apresentados, indicam a grande influência das variáveis independentes: ambas com composição granulométrica influência. e Entretanto, proporção deve-se

cimento:agregado,

significativo

grau de

destacar novamente a importância dos estudos em busca da relação entre composições granulométricas e propriedades que permitam desempenho satisfatório.

Quanto à inter-relação observada entre os resultados de massa específica e de absorção por imersão, evidencia-se o mesmo comportamento com os resultados de resistência (Figura 4.12). Quando se analisa a resistência em função da massa específica (Figura 4.12-(a)) e em função da absorção de água por imersão (Figura 4.12-(b)), constata-se que os resultados apresentam elevado grau de relacionamento. De uma forma geral, esse aspecto tem como resultado, composições com valores relativamente maiores de

75

massa específica, caracterizados por valores relativamente menores de absorção de água por imersão, apresentando maiores valores de resistência à compressão.
40,0 35,0 30,0 Resistência (MPa) 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 2150,0 2200,0 2250,0 2300,0 2350,0 2400,0 2450,0 2500,0 Resistência (MPa) 40,0 35,0 30,0 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 4,00 4,50 5,00 5,50 6,00 6,50 7,00 7,50

Massa específica (g/dm3)

Agsorção (%)

(a) Resistência à compressão x massa específica

(b) Resistência à compressão x absorção por imersão

Figura 4.12 – Comportamento da resistência em função da massa específica e da absorção por imersão – Agregados convencionais

Esta inter-relação, como não seria diferente dos demais casos já analisados, também é identificada entre os resultados de resistência à compressão e umidade de moldagem (Figura 4.13).
40,0 35,0 30,0 Resistência (MPa) 25,0 20,0 15,0 10,0 5,0 0,0 4,00 Série CAP10 Série CAP8 Série CAP 6

5,00

6,00

7,00 H (%)

8,00

9,00

10,00

Figura 4.13 – Comportamento da resistência em função da umidade de moldagem – agregados convencionais

A partir dos resultados apresentados resta perguntar – O que é decisivo para aumentar a resistência de um concreto com essas características? Aumentar o teor de cimento? Os resultados indicam que, para um mesmo consumo de cimento (proporção

cimento:agregado) o ideal é otimizar a umidade de moldagem, em função de critérios relacionados a um melhor arranjo entre as partículas da composição (cimento e
76

agregado), para valores máximos de massa específica e mínimos de absorção de água por imersão.

Para melhor ilustrarmos o comportamento dos diferentes resultados obtidos elaborouse um gráfico evidenciando as variações e a distribuição ao longo das séries de ensaio (Figura 4.14). No eixo das abcissas estão indicadas as séries de estudo, enquanto nas ordenadas, procurou-se expressar cada valor obtido com relação à média dos valores.

2,00

1,80

1,60

1,40

Resultados relativos

1,20

1,00

0,80

0,60

0,40

Traço: 1:10
0,20

Traço: 1:8

Traço: 1:6

0,00 CAP10-0 CAP10-10 CAP10-20 CAP10-30 CAP10-40 CAP10-50 CAP8-10 CAP8-20 CAP8-30 CAP8-40 CAP6-0 CAP6-10 CAP6-20 CAP6-30

Séries analisadas Massa específica Resistência Absorção Umidade

Figura 4.14 – Resultados relativos das séries de ensaios

A Figura 4.14 indica, no geral, vários aspectos, muitos já discutidos nos itens anteriores. Entretanto cabe destacar: • a umidade, como já indicado anteriormente, sofre influência mais significativa da distribuição dos agregados, sendo as variações observadas em cada traço; • para os resultados de massa específica no estado endurecido, as variações em torno da média são relativamente pequenas, se comparadas aos demais resultados, entretanto para cada traço observam-se pontos de máximo e mínimo;

77

• os valores de absorção e de resistência à compressão sofrem grandes variações em torno da média, sendo evidente a influência da granulometria e da proporção cimento:agregado; • com o aumento do teor de cimento, a absorção tende a decair para valores inferiores à média. Comportamento inverso é observado para a resistência, pois seus valores aumentam consideravelmente em relação à média; • para cada traço analisado os valores máximos de massa específica, absorção e resistência coincidem nas mesmas faixas granulométricas, como indicado

anteriormente na análise individual dos resultados.

4.1.2 - Corpos-de-prova cilíndricos: Entulho reciclado

A seguir serão apresentados os estudos referentes às composições com entulho reciclado. Este estudo teve como parâmetros de referência as curvar granulométricas que obtiveram melhores resultados nos estudos anteriores com materiais

convencionais.

4.1.2.1 - Composição granulométrica do entulho

Na média, as faixas com melhores resultados de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão, estão compreendidas entre 10% e 20% do agregado A na composição. Sendo assim, procurou-se ajustar a granulometria do entulho a este intervalo, Figura 4.15.

78

0 10 20 30 % Acumulada 40 50 60 70 80 90 100 Fundo 0,075 0,15 0,3 0,6 1,2 2,4 4,8 6,3 9,5 12,5 Abertura das peneiras (mm) Agregado B Entulho 10% de Areia 20% de Areia

Figura 4.15 – Curva granulométrica: entulho reciclado e composições com 10% e 20% do agregado A

Como

o

entulho

apresentou

uma

faixa

granulométrica

inferior

às

faixas

granulométricas de melhores resultados (Figura 4.14), a idéia foi adicionar o agregado na composição, ajustando a curva ao intervalo desejado. Neste estudo as composições que se enquadraram dentro destes limites foram definidas em: 70%, 60%, 50%, 40%, 30% de entulho, conforme Figura 4.16 e 4.17.

0 10 20 30 % Acumulada 40 50 60 70 80 90 100 Fundo 0,075 0,15 0,3 0,6 1,2 2,4 4,8 6,3 9,5 12,5 Abertura das peneiras (mm)

10% agregado A 20% agregado A 70% de Entulho 60% de Entulho 50% de Entulho

Figura 4.16 – Granulometria: composições com 10% e 20% de areia e composições com 70%, 60% e 50% de entulho
79

0 10 20 30 % Acumulada 40 50 60 70 80 90 100 Fundo 0,075 0,15 0,3 0,6 1,2 2,4 4,8 6,3 9,5 12,5 Abertura das peneiras (mm) 10% agregado A 20% agregado A 40% de Entulho 30% de Entulho

Figura 4.17 – Granulometria: composições com 10% e 20% do agregado A e composições com 40% e 30% de entulho

Após as definições das composições a serem estudadas, o passo seguinte foi moldar os corpos-de-prova cilíndricos e submete-los aos ensaios. Nesta fase adotou-se os mesmos procedimentos aplicados na moldagem e nos estudos dos corpos-de-prova com materiais convencionais. A proporção cimento:agregado utilizado foi traço 1:10, conforme já indicado na apresentação das séries de estudo (item 3.6). No estudo das composições com entulho reciclado, pretende-se investigar se as tendências

identificadas com os materiais convencionais se repetem além de tentar mensurar a influência do entulho nas propriedades. Os resultados apresentados correspondem à

média dos valores obtidos para cada série de estudo analisada.

Para facilitar a apresentação e a análise dos resultados, em cada estudo, foram dispostos os resultados das séries correspondentes as faixas granulométricas adotadas como referência (composições com 10% e 20% do agregado A). Deve-se salientar que 70% de entulho (na composição do agregado total), possui equivalência

granulométrica próxima de 20% do agregado A, nas composições com materiais convencionais e, no outro extremo, 30% de entulho aproxima-se das composições com 10% do agregado A.

80

4.1.2.2 - Considerações sobre a mistura no estado fresco Durante o processo de moldagem dos corpos-de-prova identificou-se visualmente que a mistura no estado fresco apresentava comportamento diferente do observado com os materiais convencionais. Basicamente as alterações se resumem em um grau de coesão entre as partículas, maior do que o observado nos materiais convencionais, e uma certa dificuldade de adensamento da mistura durante a moldagem dos corpos-de-prova. Estes comportamentos podem ser justificados através de considerações relativas a natureza da composição do entulho, onde se destacam: • a presença de considerável parcela de materiais argilosos como solos, identificados visualmente; • o alto índice de materiais pulverulentos que foram comprovados através de ensaio (Tabela 3.5); • a estrutura de grande parte dos agregados, extremamente porosa, composta por argamassas endurecidas e cacos cerâmicos, com influência direta no valor de absorção de água dos agregados (Tabela 3.5). 4.1.2.3 - Umidade da mistura durante a moldagem Numa primeira análise em função da percentagem de entulho na composição (Figura 4.18), observa-se que a umidade necessária para obter uma dada consistência aumenta consideravelmente, à medida que a percentagem desse material também aumenta. Este comportamento é evidenciado nas composições com 70% de entulho (CEP10-70), onde o teor de umidade é próximo do dobro para a composição de referência (materiais convencionais). Esta diferença tende a diminuir, à medida que certa

percentagem de entulho reciclado é reduzida na composição.

81

12,00 11,00 10,00 9,00 8,00 7,00 H% 6,00 5,00 4,00 3,00 2,00 1,00 0,00 CAP10-20 CEP10-70 CEP10-60 CEP10-50 CEP10-40 CEP10-30 CAP10-10

Entulho Convencionais

Séries analisadas

Figura 4.18 – Umidade da mistura durante a moldagem dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10

Um desempenho similar, mas em menor escala, foi observado no estudo dos materiais convencionais, no caso, influenciado pela percentagem do agregado A na composição. Nas composições com entulho, este comportamento pode ser influenciado diretamente pela natureza das partículas constituintes, já comentadas anteriormente.

4.1.2.4 - Massa específica no estado endurecido

A partir da Figura 4.19, observa-se que a massa específica, para 70% de entulho na composição (CEP10-70), é extremamente baixa se comparada aos resultados com materiais convencionais. Quando a percentagem é em torno de 50% a 30% (CEP10-50 e CEP10-30), a massa específica tende a aproximar dos valores obtidos com materiais convencionais, para uma mesma equivalência granulométrica (composição com 10% do agregado A).

Este comportamento pode ser justificado pelos seguintes fatores: • a massa específica do entulho é relativamente menor que a do agregado B, sendo assim, ao substituir o agregado B por entulho, a massa específica tende a diminuir; • as dificuldades de adensamento da mistura observadas durante a moldagem, influenciadas pelas maiores percentagens desse material na composição, têm como resultado direto o aumento no volume de vazios e, consequentemente, redução na massa específica.
82

2500,0 2400,0 Massa específica (g/dm3) 2300,0 2200,0 2100,0 2000,0 1900,0 1800,0 1700,0 CAP10-20 CEP10-70 CEP10-60 CEP10-50 CEP10-40 CEP10-30 CAP10-10 Séries analisadas

Entulho Convencionais

Figura 4.19 – Massa específica dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10

Quanto à análise da inter-relação entre resultados de massa específica no estado endurecido e umidade de moldagem (Figura 4.20), apesar da curva não apresentar a mesma configuração, observa-se um elevado grau de dependência entre as grandezas. Para este caso, os resultados se mostraram influenciados pelas características

individuais do entulho reciclado. Tal fato indica, mais uma vez, a necessidade de se avaliar todas as variáveis envolvidas no processo.

2500,0

2000,0 Massa específica (g/dm3)

1500,0

1000,0

500,0

0,0 6,00 7,00 8,00 9,00 H (%) 10,00 11,00 12,00

Figura 4.20 – Comportamento da massa específica em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado

83

4.1.2.5 - Absorção por imersão

Os

resultados

de

absorção

indicam

um

comportamento

esperado

para

as

composições com grande percentagem de entulho, o alto índice de absorção. Na Figura 4.21, os valores para as composições com 70% e 60% (CEP10-70 e CEP10-60), em alguns casos são maiores que o dobro dos valores de referência (materiais

convencionais). Esta influência é diminuída à medida que se reduz a percentagem desse material na composição. Para este caso, a absorção por imersão se aproxima de valores próximos dos obtidos com materiais convencionais.

Acredita-se que os fatores contribuintes para este comportamento são idênticos aos descritos para os resultados de massa específica, sendo agravados mais ainda pela natureza das partículas constituintes do entulho.

20,00 18,00 16,00 Absorção (%) 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 CAP10-20 CEP10-70 CEP10-60 CEP10-50 CEP10-40 CEP10-30 CAP10-10 Séries analisadas

Entulho Convencionais

Figura 4.21 – Absorção por imersão dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:10

Para os resultados de massa específica e absorção, observa-se o mesmo grau de relacionamento constatado nas composições com materiais convencionais. Constata-se novamente que ambos os resultados são influenciados diretamente pelos mesmos fatores. Este relacionamento é caracterizado por um comportamento inverso como já indicado na Figura 4.6, para os materiais convencionais, e evidenciado na Figura 4.22, para as composições com entulho. Como não deveria ser diferente, os resultados de absorção por imersão também apresentam elevado grau de relação com os valores de
84

umidade de moldagem (Figura 4.23), relação esta compatível com os resultados de massa específica (Figura 4.20).

2300,0

2200,0 Massa específica (g/dm3)

2100,0

2000,0

1900,0

1800,0

1700,0 4,00 6,00 8,00 10,00 12,00 14,00 16,00 18,00

Absorção por imersão (%)

Figura 4.22 – Comportamento da massa específica em função da absorção por imersão- Entulho reciclado

20,00 18,00 16,00 Absorção por imersão (%) 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 6,00 7,00 8,00 9,00 H (%) 10,00 11,00 12,00

Figura 4.23 – Comportamento da absorção por imersão em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado

4.1.2.6 - Resistência à compressão Para os valores de resistência (Figura 4.24), observa-se um comportamento similar ao obtido com os resultados de massa específica. A percentagem de entulho influencia consideravelmente nos resultados, quando comparados aos materiais convencionais.

Para as composições entre 70% e 60% (CEP10-70 e CEP10-60) os valores de resistência são menores que a metade dos valores de referência (CAP10-10 e CAP1020).
85

Na Figura 4.24, as composições no intervalo entre 30 % e 50 % (CEP10-30 e CEP1050), apresentaram valores de resistência pouco acima dos valores obtidos para materiais convencionais com 10% do agregado de agregado A (CAP10-10). Isso pode ser esperado, uma vez que, ao reduzir a percentagem de entulho, a composição apresenta características próximas das obtidas com os materiais convencionais.

40 35 30 Resistência (MPa) 25 20 15 10 5 0 CAP10-20 CEP10-70 CEP10-60 CEP10-50 CEP10-40 CEP10-30 CAP10-10 Séries analisadas

Entulho Convencionais

Figura 4.24 – Resistência à compressão dos corpos-de-prova em função da % de entulho – Traços 1:6, 1:8, 1:10

Para as relações entre os resultados de resistência à compressão, massa específica e absorção por imersão (observados nos materiais convencionais), são novamente

evidenciadas as mesmas tendências nas composições com entulho (Figura 4.25). O mesmo acontece em relação aos resultados de resistência à compressão em função dos valores de umidade de moldagem (Figura 4.26).
14,0 Resistência à compressão (Mpa) Resistência à compressão (Mpa) 1800,0 1900,0 2000,0 2100,0 2200,0 2300,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 1700,0 16,0 14,0 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 4,00

6,00

8,00

10,00

12,00

14,00

16,00

18,00

Massa específica (g/dm3)

Índice de absorção (%)

(a) Resistência à compressão x massa específica

(b) Resistência à compressão x absorção por imersão

Figura 4.25 – Comportamento da resistência em função da massa específica e da absorção por imersão – Entulho reciclado

86

16,0 14,0 Resistência à compressão (Mpa) 12,0 10,0 8,0 6,0 4,0 2,0 0,0 6,00 7,00 8,00 9,00 Massa específica (g/dm3) 10,00 11,00 12,00

Figura 4.26 – Comportamento da resistência à compressão em função da umidade de moldagem – Entulho reciclado

Os resultados apresentados para os corpos-de-prova cilíndricos, moldados com entulho reciclado, para diversas percentagens, indicam a existência da mesma inter-relação entre as variáveis dependentes, já identificada com os materiais convencionais. A utilização do entulho nesta análise, um material com características de composição bem diferenciada das características dos agregados convencionais utilizados, vêm

contemplar todas as hipóteses abordadas durante a análise dos resultados com os materiais convencionais.

4.2 - BLOCOS DE CONCRETO

Os valores apresentados neste item são resultados da avaliação do comportamento dos blocos de concreto moldados a partir das composições que apresentaram melhores resultados nos estudos em corpos de prova cilíndricos.

No total foram moldados 12 blocos de concreto por série sendo todos utilizados na determinação da massa específica, 8 ensaiados à resistência à compressão e 4 ensaiados à absorção por imersão.

Para

os

materiais

convencionais

os

traços

estudados

foram:

1:6,

1:8,

1:10,

considerando as composições com 20 % do agregado A e 80 % do agregado B (BAP687

20,

BAP8-20

e

BAP10-20).

Esta

composição,

na

média

apresentou

melhores

resultados.

Para o entulho reciclado, o estudo foi desenvolvido apenas para o traço 1:10, considerando as composições com 30% e 50% de entulho (BEP10-30 e BEP10-50). No final do estudo, a partir da análise dos resultados obtidos, moldou-se uma nova série de blocos sem considerar a parcela fina do entulho (partículas inferiores a 2,4 mm), sendo esta substituída por areia fina. Para a definição das proporções utilizou-se a mesma metodologia empregada na definição das composições com entulho, ou seja, procurou-se as composições entre o agregado A, entulho reciclado e agregado B, equivalentes às curvas granulométricas de melhores resultados obtidos com os

materiais convencionais. O traço adotado foi estabelecido em 1:10 com 20% de areia fina, 40% de entulho e 40% de pedrisco (percentagens referentes ao agregado total). Os resultados desta série estão indicados juntamente com os demais resultados das séries de ensaios.

4.2.1 - Blocos de concreto: Agregados convencionais

A seguir, as Tabelas 4.1, 4.2 e 4.3 apresentam, para os materiais convencionais, os resultados individuais obtidos para cada série de ensaio desenvolvidas em blocos de concreto.

Através

destes

resultados,

pode-se

constatar

que

individualmente

os

valores

de

resistência à compressão e absorção por imersão são extremamente satisfatório. Com relação à norma NBR 7173/82, que especifica os limites de resistência e absorção para blocos de concreto simples sem função estrutural (Resistência igual ou superior a 2 MPa individual e 2,5 MPa média, absorção igual ou inferior a 10 % média e 15 % individual), todos valores estão de acordo com o recomendado.

Na série BAP8-20, apesar da proporção cimento:agregados ser menor e os valores de massa específica e de absorção serem relativamente maiores que os obtidos com a
88

série BAP10-20, o que poderia indicar um valor maior de resistência à compressão, observa-se que, na média, estes valores são equivalentes. Este fato pode ser

identificado isoladamente nas demais séries, sendo justificado, dentre outros fatores, em função do elevado grau de dispersão que caracteriza o processo.
Tabela 4.1 – Resultados individuais para a série BAP6-20 (traço 1:6 com 20% de areia)
BAP6-20 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 2135,5 2139,2 2026,6 2255,7 2485,5 2464,3 2493,7 2193,5 2317,4 2393,9 2051,3 2169,0 2260,5 167,69 7,42 Resistência à compressão (MPa) 5,0 4,4 3,1 5,9 5,4 7,1 8,3 4,6 Absorção por imersão (%)

5,5 1,62 29,54

6,72 5,85 7,86 8,21 7,2 1,08 15,12

Tabela 4.2 – Resultados individuais para a série BAP8-20 (traço 1:8 com 20% de areia)
BAP8-20 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 2168,6 2221,9 2397,8 2334,4 2345,2 2051,8 2173,0 2159,7 2176,9 2075,3 2189,6 2222,0 2209,7 104,26 4,72 Resistência à compressão (MPa) 2,1 3,8 4,0 3,5 4,4 4,5 3,3 3,1 Absorção por imersão (%)

3,6 0,77 21,45

6,17 7,81 6,96 7,01 7,0 0,67 9,56

89

Tabela 4.3 – Resultados individuais para a série BAP10-20 (traço 1:10 com 20% de areia)
BAP10-20 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 2083,9 2196,3 2189,5 2191,9 1984,2 2097,0 2088,7 2111,5 2000,6 2093,0 2071,8 2075,8 2098,7 68,06 3,24 Resistência à compressão (MPa) 3,0 3,4 2,5 4,9 3,5 4,0 3,1 2,8 Absorção por imersão (%)

3,4 0,76 22,33

9,65 9,31 8,83 7,90 8,9 0,76 8,56

Os resultados individuais das séries apresentados na Figura 4.27, indicam a mesma dependência entre os diferentes resultados de massa específica, resistência e absorção, já identificada no estudo dos corpos-de-prova cilíndricos.
12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 1900,0 Resistência (MPa) 2000,0 2100,0 2200,0 2300,0 2400,0 2500,0 Absorção (%) 9,0 8,0 7,0 6,0 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 1900,0 2000,0 2100,0 2200,0 2300,0 2400,0 2500,0 2600,0

Massa específica (g/dm3)

Massa específica (g/dm3)

(a) Absorção x Massa específica

(b) Resistência x Massa específica

Figura 4.27 – Valores de Absorção e resistência em função da massa específica para os blocos com materiais convencionais

A Figura 4.28 apresenta a comparação entre a média dos resultados obtidos em corposde-prova cilíndricos e em blocos de concreto para as séries analisadas. Os valores estão indicados com relação à média de cada resultado. Esta representação foi adotada para facilitar a análise dos resultados sobre a mesma ordem de grandeza.

90

1,60 1,40 Massa específica relativa 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-20 - CAP10-20 BEP8-20 - CAP8-20 Séries analisadas BEP6-20 - CAP6-20

1,60

Absorção relativa

Blocos de concreto Corpos-de-prova

1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-20 - CAP10-20

Blocos de concreto Corpos-de-prova

BEP8-20 - CAP8-20 Séries analisadas

BEP6-20 - CAP6-20

(a) Massa específica relativa

(b) absorção por imersão relativa

1,60 1,40 1,20 Resistência relativa 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-20 - CAP10-20 BEP8-20 - CAP8-20 Séries analisadas BEP6-20 - CAP6-20

Blocos de concreto Corpos-de-prova

(c) Resistência à compressão relativa

Figura 4.28 – Comparação entre os resultados das séries em corpos-de-prova cilíndricos e em blocos de concreto – Materiais convencionais

Para os resultados de massa específica, observa-se que, em ambos os casos, os comportamentos apresentados são praticamente idênticos com pequenas diferenças

entre os valores. Para a absorção por imersão, os comportamentos são equivalentes, entretanto as diferenças são maiores que as apresentadas nos resultados de massa específica. Com na relação série à onde resistência, a relação estas diferenças são é mais menor. consideráveis, Quanto ao

principalmente comportamento,

cimento:agregado

observa-se neste caso que, apesar das variações, os resultados

apresentam a mesma tendência. Os valores de mesma ordem, obtidos com os blocos de concreto e com os corpos-de-prova (Figura 4.28), indica que o parâmetro de moldagem, consistência de moldagem, foi definido adequadamente. A Figura 4.28 indica ainda que, com relação à média, as variações relativamente maiores são observadas nos valores de resistência, podendo ser justificado em função da dispersão

91

dos resultados individuais dos blocos de concreto já identificado anteriormente, sendo esta propriedade a mais influenciada.

4.2.2 - Blocos de concreto: Entulho reciclado

A seguir, as Tabelas 4.4, 4.5 apresentam, para os blocos produzidos com entulho reciclado, os resultados individuais obtidos em cada série de ensaio. Através destes resultados, propriedade pode-se avaliada observar são que individualmente inferiores os aos valores obtidos obtidos com para os cada

relativamente

materiais

convencionais. Este comportamento também é identificado nos resultados da série BEP10-20/40, apresentada na Tabela 4.6, série onde se substituiu por agregado A, a parcela do entulho inferior a 2,4 mm.

Com relação a NBR 7173/82, estes resultados não foram satisfatórios. Para a série BEP10-30 (Tabela 4.4), a maior parte dos valores individuais estão abaixo dos recomendados o mesmo acontecendo com o valor médio. Para a absorção por imersão, apesar dos valores individuais estarem de acordo com o recomendado, o valor médio estar bem acima do recomendado.
Tabela 4.4 – Resultados individuais para a série BEP10-30 (traço 1:10 com 30% de entulho)
BEP10-30 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 1887,5 2020,5 1943,4 1928,0 1872,8 1961,0 1935,1 1953,0 1964,9 1861,7 1948,8 1905,0 1931,8 44,49 2,30 Resistência à compressão (MPa) 1,9 2,4 2,1 1,8 1,5 1,8 2,1 1,9 12,48 13,53 12,87 13,59 13,1 0,53 4,07 Absorção por imersão (%)

1,9 0,27 14,31

Na série BEP10-50 (Tabela 4.5), série com 50% de entulho reciclado na composição, observa-se pequenas alterações em relação aos resultados da série anterior com uma
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percentagem menor de entulho, 30%. Os valores individuais de resistência na maioria são superiores aos recomendados, entretanto na média, o valor ainda é inferior ao recomendado. Para a absorção por imersão, observa-se um aumento nos valores obtidos, em alguns casos estes valores superam aos recomendados pela norma.
Tabela 4.5 – Resultados individuais para a série BEP10-50 (traço 1:10 com 50% de entulho)
BEP10-50 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 1845,1 1806,5 1888,7 1914,9 2027,2 1957,1 1953,7 1801,5 1842,1 1943,5 1896,4 1799,6 1889,7 72,74 3,85 Resistência à compressão. (MPa) 1,6 1,5 3,3 2,0 2,3 2,1 2,5 Absorção por imersão (%)

(1)

2,2 0,59 26,88

13,96 14,14 13,61 16,37 14,5 1,25 8,61

Os resultados das duas séries analisadas denunciam a influência do entulho nas propriedades avaliadas, seja reduzindo a resistência ou aumentando a absorção dos blocos consideravelmente. Este comportamento pode ser justificado a partir dos mesmos fatores, relativos ao comportamento da mistura com entulho reciclado, já descrito no estudo em corpos de prova cilíndricos, sendo agravado mais ainda pelos fatores que caracterizam o processo de produção dos blocos com a prensa (espessura da forma, energia de compactação, dentre outros).

Para a série BEP10-20/40, observa-se alguma melhora nos resultados em relação às séries anteriores. Quanto às recomendações da NBR 7173/82, na grande maioria, os valores estão de acordo com os valores indicados para a resistência e a absorção. Para esta série pode-se comprovar a influência das partículas de entulho reciclado nas propriedades da mistura, sendo evidenciada principalmente na absorção por imersão, onde a redução em relação às séries anteriores é bastante considerável, cerca de 5%.

93

Tabela 4.6 – Resultados individuais para a série BEP10-20/40 (traço 1:10 com 20% de agregado A e 40% de entulho)
BEP10-20/40 R1 R2 R3 R4 R5 R6 R7 R8 A1 A2 A3 A4 Média Desv. Pad. CV Massa específica (g/dm3) 2058,8 1970,1 2062,5 2114,5 1999,9 1922,3 1994,6 1917,2 2068,2 1941,0 2038,7 2014,4 2008,5 62,71 3,12 Resistência à compressão (MPa) 2,1 3,8 2,9 2,8 2,3 2,6 2,3 1,9 Absorção por imersão (%)

2,6 0,58 22,60

8,88 11,86 9,65 10,75 10,3 1,30 12,67

Para

os

resultados

individuais

das

séries

(Figura

4.29),

evidencia-se

a

mesma

dependência entre os resultados de massa específica, resistência e absorção, já identificada no estudo dos corpos-de-prova cilíndricos e nos blocos com materiais convencionais.

18,00 16,00

6,0

5,0 14,00 Resistência (MPa) 1800,0 1850,0 1900,0 1950,0 2000,0 2050,0 2100,0 12,00 Absorção (%) 10,00 8,00 6,00 4,00 1,0 2,00 0,00 1750,0 0,0 1750,0 4,0

3,0

2,0

1800,0

1850,0

1900,0

1950,0

2000,0

2050,0

2100,0

2150,0

Massa específica (g/dm3)

Massa específica (g/dm3)

(a) Absorção x Massa específica

(b) Resistência x Massa específica

Figura 4.29 – Valores de Absorção e resistência em função da massa específica para os blocos com entulho reciclado

Comparando os resultados obtidos em corpos-de-prova com os obtidos nos blocos com entulho reciclado (Figura 4.30), observa-se que no geral, para as séries BEP10-50 e BEP10-30, as diferentes propriedades avaliadas, apresentam relativamente o mesmo comportamento. Este estudo foi realizado apenas para estas duas séries devido à existência de séries em corpos-de-prova com a mesma equivalência granulométrica

94

(CEP10-50 e CEP10-30). Para a série BEP10-20/40, os resultados são apresentados apenas para ilustrar o comportamento e as variações em relação aos demais resultados.

Para a massa específica os resultados apresentados são praticamente equivalentes com pequenas variações com relação à média. Para a absorção por imersão, apenas para a série BEP10-50, observa-se, na média, um resultado relativamente maior que o apresentado para a série em corpos-de-prova (CEP10-50). Este comportamento afastase da tendência identificada nos demais resultados e do grau de dependência observado entre as propriedades avaliadas nos diferentes estudos.
2,00 1,80 1,60 Massa específica relativa 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-50 - CEP10-50 BEP10-30 - CEP10-30 Séries analisadas BEP10-20/40 Absorção relativa 2,00

Blocos de concreto Corpos-de-prova

1,80 1,60 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-50 - CEP10-50 BEP10-30 - CEP10-30 Séries analisadas

Blocos de concreto Corpos de prova

BEP10-20/40

(a) Massa específica
2,00 1,80 1,60 Resistência relativa 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 0,00 BEP10-50 - CEP10-50 BEP10-30 - CEP10-30 Séries analisadas

(b) absorção por imersão

Blocos de concreto Corpos-de-prova

BEP10-20/40

(c) Resistência à compressão

Figura 4.30 – Comparação entre os resultados das séries em corpos-de-prova cilíndricos e em blocos de concreto – Entulho reciclado

Com relação aos resultados de resistência, a comparação entre as séries indica comportamentos similares aos identificados nas séries com materiais convencionais, não indicando grande diferenças entre os resultados das séries em blocos e em corposde-prova cilíndricos.
95

5 - CONCLUSÕES

5.1 - CONCLUSÕES DO ESTUDO

Do estudo apresentado e discutido no Capítulo 4, dessa dissertação, cabe enumerar as seguintes conclusões principais:

I - Em relação ao estudo piloto • na análise preliminar da massa específica no estado fresco, em função do teor de umidade, identifica-se claramente a influência da composição granulométrica nas tendências observadas. Os maiores valores de massa específica (20 % do agregado A) coincidem com as composições que fornecem um maior grau de empacotamento dos materiais. Quanto ao teor de umidade, em cada composição tem-se faixas de valores que indicam valores maiores de massa específica no estado fresco; • a metodologia que levou à definição da consistência de moldagem, bem como o emprego deste parâmetro ao longo do estudo se mostrou de grande relevância. Isso fica evidenciado ao se comparar os resultados de massa específica no estado endurecido, entre corpos-de-prova cilíndricos e blocos de concreto, apresentados no item 4.2.

II - Em relação aos corpos-de-prova cilíndricos com agregados convencionais • a granulometria e a proporção cimento:agregado exercem influência direta na umidade de moldagem. Essa influência pode ser atribuída principalmente às

características dos agregados, bem como a proporção entre eles (no caso as percentagens entre agregado A e B). Tais fatos têm como parâmetro resultante a alterações no grau de empacotamento e na compacidade da mistura; • a umidade de moldagem pode não ser a umidade na qual se conseguiria um valor máximo de massa específica para cada composição. Isso porque a consistência de moldagem é fator restritivo imposto pelo equipamento utilizado (vibro prensa);
96

• a massa específica (apresentando significativo grau de inter-relação com a umidade de moldagem), sofre influência similar do arranjo granulométrica e da proporção cimento:agregado. Identificando-se os melhores arranjos nas séries com 20% do agregado A para todas as proporções cimento:agregado estudadas; • a absorção de água por imersão se relaciona fortemente como a massa específica e com a umidade de moldagem, apresentando tendência inversa de comportamento com a massa específica. As composições com maiores valores de massa específica (20 % do agregado A e 80% do agregado B) apresentaram menores valores de absorção por imersão. • os resultados de se resistência mostraram à compressão, relativamente e não contrariando as pelas tendências variáveis Desse

identificadas, independentes

influenciados proporção

(composição

granulometria

cimento:agregado).

estudo destaca-se a busca por uma composição granulométrica considerada ideal (para certos critérios de desempenho), como forma de se reduzir o consumo de cimento para um mesmo valor de resistência. No geral as composições com maiores valores de resistência foram as séries com 20 % do agregado A e 80 % do agregado B. Composição com melhores resultados de massa específica e absorção por imersão; • conforme a hipótese abordada no programa experimental, todas as variáveis dependentes: umidade de moldagem, massa específica, absorção de água por imersão e resistência à compressão, se mostram com significativo grau de interrelação. Tal fato está evidenciado nas inúmeras relações entre os diferentes resultados, que foram apresentadas no Capítulo 4.

III - Em relação aos corpos-de-prova cilíndricos com agregados de entulho reciclado • a

mistura

se

mostrou

significativamente

influenciada

pelas

características

dos

agregados que compõem o entulho utiliza. Dentre essas características,

destaca-se

a presença de materiais argilosos, o alto índice de material pulverulento e a elevada absorção de água dos agregados. Como resultado imediato, identificado

visualmente durante a moldagem dos corpos-de-prova e dos blocos de concreto,
97

observou-se certa dificuldade de adensamento (considerando a mesma energia de adensamento utilizada nas séries com agregados convencionais). As características dos agregados, associadas a este fato, exerceram considerável influência nas variáveis dependentes, consideradas durante o estudo; • quanto à umidade de moldagem, o entulho reciclado exerceu uma influencia extremamente significativa nos resultados. Em alguns casos (composição 70 % e 60 % de entulho), os teores de umidade foram superiores ao dobro dos resultados obtidos com os materiais convencionais (série de referência CAP10-10 e CAP1020); • os agregados de entulho reciclado também exerceram consideráveis influencias na massa específica no estado endurecido. Novamente as composições com 70 % e 60 % de apresentara diferenças mais significativas em relação aos agregados

convencionais. Para as composições com 50 %, 40 % e 30 % (CEP10-50, CEP1040 e CEP10-30, respectivamente), a influencia do entulho foi significativamente reduzida, obtendo-se valores de massa específica próximos aos obtidos com a série de referência, com 10 % do agregado A (CAP10-10); • nos resultados de absorção de água por imersão, é considerável a influencia das características dos agregados reciclados (principalmente o elevado valor de absorção de água obtido para esses agregados). Apenas as séries com 30 % de entulho na composição (CEP10-30), apresentam valores próximos aos obtidos com as séries de referência; • a resistência à compressão também é influenciada pela maior percentagem de entulho reciclado na composição. Entretanto esse fato foi marcante, apenas nas composições com 70 % e 60 % de entulho (CEP10-70 e CEP10-60). Para as demais composições (CEP10-50, CEP10-40 e CEP10-30), os resultados foram equivalentes convencionais; • em todos os casos, a inter-relação entre as variáveis dependentes, observadas no estudo com agregados convencionais, também foi evidenciada no estudo com o entulho reciclado. aos obtidos com as séries de referência para os agregados

98

IV - Em relação aos blocos de concreto com agregados convencionais • todos os resultados de resistência à compressão e absorção de água por imersão (individuais e médios), mostraram-se satisfatórios quanto às especificações da norma NBR 7173 (1982), que especifica os limites recomendados para alvenaria de vedação; • no estudo em blocos de concreto, para as grandezas avaliadas (resistência à compressão, absorção por imersão e massa específica), também se identificou a mesma inter-relação observada no estudo em corpos-de-prova cilíndricos; • todos resultados obtidos em blocos de concreto se mostram equivalentes aos obtidos em corpos-de-prova cilíndricos. Este fato foi evidenciado na comparação entre os resultados relativos, obtidos no estudo em corpos-de-prova e em blocos de concreto. Para os resultados de massa específica, os valores médios são

praticamente idênticos. Com relação aos resultados de resistência a compressão e absorção por imersão, as diferenças observadas podem ser justificadas, dentre outros fatores, pelas características intrínsecas de cada elemento e pela dispersão dos resultados individuais (identificadas no estudo dos blocos de concreto).

V - Em relação aos blocos de concreto com entulho reciclado • nas séries em blocos com entulho reciclado, é extremamente considerável a influência do entulho nas propriedades avaliadas (massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão). Para as séries BEP10-30 (30 % de entulho), a média e a maior parte dos resultados individuais de resistência e absorção não estão de acordo com as especificações da norma para alvenaria de vedação (NBR 7173, 1982). Para as séries BEP10-50 (50 % de entulho), apesar da maior parte dos resultados individuais de resistência estarem de acordo com os limites

especificados, a média desses resultados é ligeiramente inferior ao recomendado. Quanto à absorção por imersão, todos os resultados não estão de acordo com as especificações da norma.

99

• para a série BEP10-20/40 (20 % do agregado A e 40 % de entulho reciclado), sem considerar a parcela do entulho inferior a 2,4 mm, observa-se uma considerável melhora nos resultados de resistência e de absorção. Tanto a média como todos os valores individuais estão de acordo com as especificações da referida norma para alvenaria de vedação. Os resultados demonstram de certa forma, a influencia das partículas do entulho inferior 2,4 mm, nas propriedades avaliadas (redução da resistência e aumento da absorção); • no estudo em blocos de concreto com entulho reciclado, para as grandezas avaliadas (resistência à compressão, absorção por imersão e massa específica), também se identificou a mesma inter-relação observada no estudo com os materiais convencionais; • semelhante ao comportamento observado com os blocos com agregados

convencionais, todos resultados obtidos em blocos, se mostram equivalentes aos obtidos em corpos-de-prova cilíndricos. Este fato foi evidenciado na comparação entre os resultados relativos, obtidos no estudo em corpos-de-prova e em blocos de concreto. Para os resultados de massa específica, os valores médios são

praticamente idênticos. Com relação aos resultados de resistência a compressão e absorção por imersão, as diferenças observadas podem ser justificadas, dentre outros fatores, pelas características intrínsecas de cada elemento e pela dispersão dos resultados individuais, no caso do entulho, influenciado ainda pela

variabilidade de suas características; • no geral, os resultados apontam as potencialidades de utilização do entulho reciclado na produção dos blocos de concreto. Entretanto, deve-se ressaltar a necessidade de estudos complementares que avaliem o desempenho, de tais blocos, ao longo do tempo. Recomenda-se ainda, evitar situações de utilização sob condições de exposição excessiva à umidade.

100

5.2 - SUGESTÕES PARA ESTUDOS FUTUROS

Este estudo permite apresentar os seguintes temas para objeto de futuras pesquisas: • estudo da composição granulométrica e a influência nas propriedades do concreto seco; • influencia do teor de finos nas propriedades do concreto para blocos; • estudo da umidade de moldagem como parâmetro na produção de blocos de concreto; • definição de uma metodologia de dosagem para blocos de concreto; • influencia das características do agregado, de entulho reciclado, nas propriedades do concreto para blocos; • definição de uma metodologia para controle e caracterização do entulho, para utilização como agregado na produção de blocos de concreto; • estudo da durabilidade de blocos de concreto com entulho reciclado.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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____. Agregado em estado solto – Determinação da massa unitária – NBR 7251. Rio de Janeiro, 1982. ____. Agregado graúdo - Determinação do índice de forma pelo método do paquímetro – NBR 7809. Rio de Janeiro, 1983. ____. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria estrutural – NBR 8186. Rio de Janeiro, 1980. ____. Agregados – Determinação da absorção e da massa específica de agregado graúdo – NBR 9937. Rio de Janeiro, 1987. ____. Agregados – Determinação da absorção de água em agregados miúdos – NBR 9777. Rio de Janeiro, 1987. ____. Redução de amostras de campo de agregados para ensaio de laboratório – NBR 9941. Rio de Janeiro, 1987. ____. Resíduos sólidos – NBR 10004. Rio de Janeiro, 1987. ____. Amostragem de resíduos – NBR 10007. Rio de Janeiro, 1987. ____. Blocos vazados de concreto para alvenaria – Retração por secagem – NBR 12117, Rio de Janeiro, 1991. ____. Blocos vazados de concreto simples para alvenaria – Determinação da absorção de água, do teor de umidade e da área líquida – NBR 13118. Rio de Janeiro, 1991. AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard test methods for determining consistency and density of roller-compacted concrete using a vibrating table – ASTM C1170. Philadelphia, 1991. BRESSON, J. La vibration dans les machines a blocs. CERIB (Centre d’Etudes et de Recherche de l’Industrie du Béton Manufacturé). Publication Techinique n. 58, 35p. 1981. BRITO FILHO, J.A. Cidade versos entulho. In: Seminário Desenvolvimento Sustentável e a Reciclagem na Construção Civil, 2., São Paulo, 1999. Anais. São Paulo, IBRACON, 1999. p.56-67. CAMARGO, A. Reciclagem: minas de entulho. Téchne. São Paulo, Pini. n.15, p.1518, mar./abr., 1995. CANEDO, V.S. et al. Estudo do concreto constituído por agregado miúdo proveniente da reciclagem do entulho de concreto. Brasília, 1999. 59p. Projeto final de curso – Engenharia Civil, Universidade de Brasília.
103

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106

APÊNDICES

107

APÊNDICE A COMPOSIÇÃO GRANULOMÉTRICA DOS AGREGADOS

108

Tabela A1 – Composição granulométrica do agregado A
Abertura (mm) 12,5 9,5 6,3 4,8 2,4 1,2 0,6 0,3 0,15 0,075 Fundo Totais Mat. Retido (g) % Retida % Acumulada

11,57 1,16 9,58 0,96 25,94 2,59 37,31 3,73 35,91 3,59 328,28 32,83 466,73 46,67 70,02 7,00 14,66 1,47 1000,00 100,00 Módulo de Finura = 1,64 D. máx = 2,4

1 2 5 8 12 45 92 99 100

Tabela A2 – Composição granulométrica do agregado B
Abertura (mm) 12,5 9,5 6,3 4,8 2,4 1,2 0,6 0,3 0,15 0,075 Fundo Totais Mat. Retido (g) % Retida % Acumulada

300,39 10,01 467,16 15,57 996,21 33,21 524,01 17,47 219,57 7,32 140,88 4,70 132,12 4,40 52,32 1,74 167,34 5,58 3000,00 100,00 Módulo de Finura = 4,25 D. máx = 9,5

10 26 59 76 84 88 93 94 100

Tabela A3 – Composição granulométrica do Entulho reciclado Abertura (mm)
12,5 9,5 6,3 4,8 2,4 1,2 0,6 0,3 0,15 0,075 Fundo Totais Mat. Retido (g) % Retida % Acumulada

387,36 12,91 249,42 8,31 470,30 15,68 577,28 19,24 304,72 10,16 329,96 11,00 367,83 12,26 147,85 4,93 165,28 5,51 3000,00 100,00 Módulo de Finura = 3,47 D. máx = 9,5

13 21 37 56 66 77 90 94 100

109

APÊNDICE B ESTUDO PILOTO

110

Tabela B1 – Resultados de massa específica para a mistura no estado fresco – Traço 1:10

H%
6,36 7,27 8,18 9,09 10,00 10,91 11,82 12,73 13,64 1:2:8 2119,35 2340,89 2345,15 2404,23 2435,72 --1:3:7 1981,69 2075,25 2292,76 2327,16 2358,75 1:4:6 1949,90 2008,65 2176,86 2314,49 2280,48 2351,11 2397,38

Traços 1:5:5 1625,96 1663,58 1726,16 1826,96 1981,69 2242,05 2215,90 2227,36 1:6:4 1632,19 1768,61 1783,10 1788,33 1937,83 2116,30 2145,88 2163,98 1:7:3 1705,63 1770,42 1779,48 1790,54 1860,97 1936,82 1961,77 2017,30

Tabela B2– Resultados de massa específica dos blocos de concreto utilizado para determinar o tempo de adensamento dos corpos de prova – Traço 1:10
Bloco de concreto B1 B2 B3 B4 Média Densidade (g/dm3) 2380 2332 2393 2327 2358

Tabela B3 – Resultados de massa específica e resistência à compressão para diferentes tempos de adensamento – Traço 1:10 (Estudo em corpos-de-prova cilíndricos)

Corpo-de-prova
CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7

Tempo de adensamento (s) 5 10 15 20 25 30 35

Massa específica (g/dm3) 2225 2315 2325 2332 2359 2403 2419

Resist. Compressão (MPa) 11,5 15,3 14,6 16,2 17,5 20,4 21,0

Tabela B4 – Resultados de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para misturas no estado endurecido com diferentes teores de umidade – Traço 1:10 (estudo em corpos-de-prova cilíndricos)
H% 4,55 5,45 6,36 7,27 8,18 Massa específica (g/dm3) 2108,2 2187,1 2372,3 2435,2 2403,4 Resist. Compressão (MPa) 6,4 7,6 15,9 17,2 13,7

111

APÊNDICE C RESULTADOS DAS SÉRIES DE ESTUDOS EM CORPOS-DE-PROVA – AGREGADOS CONVENCIONAIS

112

Tabela C1 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-0 – H% = 5,45 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Massa específica (g/dm3) 2209,1 2200,2 2179,1 2155,0 2207,8 2200,2 2191,9 21,0 1,0 Resist. Compressão (MPa) 10,2 12,7 11,8 10,2 6,60 6,88 11,2 1,3 11,2 6,7 0,2 2,9 Absorção por imersão (%)

Média
Desv. CV

Tabela C2 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção porimersão para a série CAP10-10 – H% = 5,45 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2231,4 2213,5 2223,7 2200,2 2270,8 2185,5 2220,8 29,5 1,3 Resist. compressão (MPa) 12,1 8,3 8,9 10,8 5,85 7,43 6,6 1,1 16,8 Absorção por imersão (%)

10,0 1,8 17,5

Tabela C3 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-20 – H% = 6,36 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2428,1 2402,0 2406,4 2374,6 2394,3 2334,5 2390,0 32,2 1,3 Resist. compressão (MPa) 13,37 12,10 16,55 18,46 4,98 5,40 5,19 0,30 5,76 Absorção por imersão (%)

15,1 2,9 19,3

113

Tabela C4 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-30 – H% = 7,72 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2357,4 2345,9 2341,5 2363,8 2358,7 2358,0 2354,2 8,6 0,4 Resist. compressão (MPa) 13,4 12,7 15,3 14,3 5,98 6,15 6,07 0,12 2,03 Absorção por imersão (%)

13,9 1,1 8,0

Tabela C5 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-40 – H% = 8,18 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2300,7 2301,4 2287,4 2298,2 2293,1 2313,5 2299,0 8,8 0,4 Resist. Compressão (MPa) 10,8 10,8 10,2 10,2 6,53 6,53 10,5 0,4 3,5 6,53 0,00 0,00 Absorção por imersão (%)

Tabela C6 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP10-50 – H% = 9,08 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2182,3 2218,6 2223,1 2231,4 2231,4 2212,9 2216,6 18,3 0,8 Resist. Compressão (MPa) 5,7 7,6 7,0 7,0 7,34 7,28 7,31 0,05 0,65 Absorção por imersão (%)

6,8 0,8 11,7

114

Tabela C7 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-10 – H% = 6,11 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2433,2 2321,4 2407,5 2359,3 2428,0 2265,5 2388,3 2389,7 2374,1 57,0 2,4 Resist. Compressão (MPa) 13,4 13,4 15,3 12,1 14,6 10,51 4,58 3,29 13,8 1,2 9,0 6,13 3,85 62,85 Absorção por imersão (%)

Tabela C8 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-20 – H% = 6,67 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2460,1 2420,2 2413,4 2465,9 2445,3 2448,1 2459,9 2437,9 2443,8 19,1 0,8 Resist. Compressão (MPa) 25,5 27,4 19,7 19,1 19,1 4,70 4,62 4,71 22,2 4,0 17,9 4,68 0,05 1,05 Absorção por imersão (%)

Tabela C9 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-30 – H% = 6,67 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2345,3 2341,3 2334,3 2320,3 2335,8 2294,8 2346,9 2363,8 2335,3 20,5 0,9 Resist. Compressão (MPa) 17,8 15,9 15,3 15,3 16,6 5,67 5,45 5,24 16,2 1,1 6,6 5,45 0,21 3,92 Absorção por imersão (%)

115

Tabela C10 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP8-30 – H% = 7,22 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2266,3 2295,3 2321,5 2201,1 2309,3 2260,1 2256,8 2233,4 2268,0 40,0 1,8 Resist. Compressão (MPa) 19,1 16,6 21,0 19,7 14,6 6,09 6,37 5,99 18,2 2,6 14,1 6,15 0,20 3,17 Absorção por imersão (%)

Tabela C11 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-0 – H% = 5,71 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2286,1 2272,4 2353,8 2260,6 2341,8 2328,2 2244,8 2206,0 2286,7 51,3 2,2 Resist. Compressão (MPa) 25,8 24,5 28,0 23,6 27,4 5,33 5,96 6,06 25,9 1,9 7,2 5,78 0,40 6,86 Absorção por imersão (%)

Tabela C12 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-10 – H% = 6,14 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2427,4 2472,4 2445,5 2467,0 2451,1 2447,7 2431,4 2448,6 2448,9 15,4 0,6 Resist. Compressão (MPa) 27,4 40,1 34,4 40,1 35,4 4,72 4,73 4,65 4,70 0,04 0,93 Absorção por imersão (%)

35,5 5,2 14,8

116

Tabela C13 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-20 – H% = 6,57 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2460,5 2431,7 2465,4 2444,6 2451,1 2447,4 2442,1 2446,5 2448,7 10,6 0,4 Resist. Compressão (MPa) 37,6 35,7 33,7 26,1 4,92 4,92 4,87 33,3 5,0 15,1 4,90 0,03 0,58 Absorção por imersão (%)

Tabela C14 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CAP6-30 – H% = 7,00 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2401,6 2402,7 2408,5 2386,8 2370,6 2399,1 2391,5 2376,4 2392,2 13,4 0,6 Resist. Compressão (MPa) 27,4 22,9 34,4 34,4 29,6 5,31 5,25 5,23 5,26 0,04 0,83 Absorção por imersão (%)

29,7 4,9 16,4

117

APÊNDICE D RESULTADOS DAS SÉRIES DE ESTUDOS EM CORPOS-DE-PROVA – ENTULHO RECICLADO

118

Tabela D1 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-70 – H% = 10,91%
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 1828,6 1789,3 1819,7 1737,0 1816,0 1814,7 1833,6 1773,2 1801,5 32,9 1,8 Resist. Compressão (MPa) 3,2 3,2 3,2 2,5 2,5 17,41 17,19 17,30 2,9 0,3 11,9 17,3 0,1 0,6 Absorção por imersão (%)

Tabela D2 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-60 – H% = 10 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 1875,3 2088,4 1932,0 1999,9 1913,5 1998,3 1917,4 2011,6 1967,1 69,5 3,5 Resist. Compressão (MPa) 5,1 6,4 5,7 5,7 5,7 13,12 14,51 12,47 5,7 0,5 7,9 13,4 1,0 7,8 Absorção por imersão (%)

Tabela D3 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-50 – H% = 9,09 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2125,2 2144,5 2202,3 2192,8 2167,7 2124,5 2224,2 2154,9 2167,0 36,6 1,7 Resist. Compressão (MPa) 10,82 10,82 12,73 12,73 12,10 10,94 12,18 12,71 11,9 0,9 7,6 Absorção por imersão (%)

11,8 1,0 8,2

119

Tabela D4 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-40 – H% = 8,18 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2189,0 2137,5 2125,3 2209,9 2129,6 2115,2 2077,2 2049,4 2129,1 52,7 2,5 Resist. Compressão (MPa) 13,4 11,5 11,5 14,0 12,1 11,63 9,99 10,79 12,5 1,2 9,3 10,8 0,8 7,6 Absorção por imersão (%)

Tabela D5 – Resultados individuais de massa específica, resistência à compressão e absorção por imersão para a série CEP10-30 – H% = 7,27 %
Corpo -de-prova cilíndrico (10x20)cm CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 CP7 CP8 Média Desv. CV Massa específica (g/dm3) 2215,6 2214,5 2205,5 2196,7 2206,1 2240,1 2150,2 2215,6 2205,5 25,7 1,2 Resist. Compressão (MPa) 13,4 13,4 12,7 12,7 13,4 8,10 7,23 3,14 13,1 0,3 2,7 6,2 2,6 43,0 Absorção por imersão (%)

120

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