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Noé Bambissa e Fabião Fatissone

TEXTO DE APOIO DA DISCIPLINA DE GESTÃO FINANCEIRA I

DOCENTES: FABIÃO FATISSONE NOÉ BAMBISSA

MAPUTO, FEVEREIRO DE 2013

Noé Bambissa e Fabião Fatissone

CAPITULO I: FUNÇÃO FINANCEIRA

1.1.

Essência

A essência da função financeira são os investimentos, financiamentos e a forma como deve ser consumido os produtos destas actividades (distribuição de dividendos). A gestão financeira numa organização deve ser definida atendendo as funções e as responsabilidades de um gestor financeiro numa organização, ou seja definindo a gestão financeira é preciso ter em conta a função financeira numa organização.

a)

Quais as funções financeiras numa organização?

A função financeira consiste no planeamento sobre a obtenção e utilização dos fundos, zelar pelos investimentos tendo em conta e como é objectivo a maximização do valor da empresa e para o efeito exerce um conjunto de tarefas importantes. Planeamento, para o planeamento tem de estabelecer o intercâmbio com todo o executivo da organização responsável por planos gerais da empresa: Zelar pelos investimentos preocupa-se em preparar as decisões financeiras assim como a sua interacção significa definir forma de investir, definir momentos, áreas da organização onde devem ser alocados esses recursos ou seja esses investimentos num dado momento Coordenar com outros gestores da empresa para ajudar a empresa a operar o mais eficientemente possível.

Objectivos da gestão financeira • Assegurar à empresa uma estrutura financeira equilibrada e que não coloque a organização em risco financeiro nem no curto nem no longo prazo. Este equilíbrio pode ser medido pela comparação entre as aplicações de capital efectuadas e as fontes desses mesmos capitais. • . Assegurar a rendibilidade dos capitais investidos (quer dos capitais próprios, quer dos capitais alheios). Esta rendibilidade pode ser verificada comparando o valor dos resultados obtidos com o valor dos próprios capitais investidos.

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. Garantir a estabilidade das operações da organização assegurando a existência dos capitais financeiros necessários quer à actividade corrente, quer à realização de investimentos em capital fixo.

1.2.

O lugar das finanças na empresa

Não existe nenhuma regra geral que permite definir o lugar da função financeira no seu conteúdo para todas as empresas porque as estruturas de uma empresa dependem da sua dimensão do seu passado e das relações existentes entre os grupos que motivam a organização.

Na organização a função financeira é uma parte da função administrativa no sentido lato isto é a posição da função comercial, industrial e também social. Nalgumas empresas a função financeira ou administrativa inclui a função informática porque a função administrativa é uma função de gestão geral e então precisa de produzir informação. É comum na maior parte das organizações encontrar duas actividades principais da função administrativa nomeadamente, Firmas e tratamento de informação

Nas finanças cabem a análise financeira, plano financeiro, operações financeiras, tesouraria e planificação. No tratamento de informação encontramos a contabilidade analítica, financeira, controle de gestão e informática.

b). Qual é o conteúdo da função financeira? --- Análise financeira que é a aplicação de instrumentos específicos a partir dos documentos contabilísticos e das relações relativas a tesouraria --- Previsões financeiras envolvem o esforço que o gestor financeiro deve despender para verificar quais os eventos que poderão ocorrer com base no registo de uma série de probabilidades isto porque o futuro envolve a incerteza --- Planeamento financeiro é um processo de 1) uma análise das opções financeiras de financiamento e de investimento de que a empresa se dispõe 2) Projecção das implicações futuras das decisões actuais e compreensão das suas ligações 3) Decisões

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sobre quais as alternativas a escolher 4) Avaliação do desempenho posterior em função dos objectivos definidos no plano financeiro. --- Realização das operações financeiras a longo prazo implica relações constantes com os mercados financeiros e como um conjunto de intermediários e organismos financeiros. --- Negociação de créditos principalmente a longo prazo a missão do gestor financeiro contactar permanentemente o sistema bancário e com mercados de credito a curto prazo. --- A gestão de tesouraria e dos activos financeiros o seu objecto são todos os activos circulantes (disponível, realizável), créditos aos clientes envolve também a gestão dos fornecedores porque os fornecedores são os recursos renováveis da exploração, créditos bancários no sentido lato desde que sejam correntes e outros tipos de créditos correntes. --- Politica de resultados, significa que tem a ver com a escolha de sistemas de amortização, a escolha de montante da distribuição dos dividendos e as politicas de contribuição das provisões. --- A informação financeira externa significa que deve haver relações com accionistas, bolsa de valores, a imprensa económica, financeira e as instituições --- A fundamentação das decisões sobre as fusões, aquisições e integrações das empresas não é a fusão no sentido contabilístico mas é no sentido financeiro

1.3-Objectivo da empresa Os principais objectivos da empresa são Maximização do lucro a curto prazo Maximização do valor da empresa a médio e longo prazo

Não se pode cumprir o objectivo de longo prazo sem cumprir com o de curto prazo isto é não se pode maximizar o valor da empresa sem maximizar o lucro. A maximização do valor significa crescimento do valor das acções.

Ao obter lucros a empresa deve ter uma politica para estes lucros. A maximização do valor depende da política de dividendos, depende do lucro da empresa. Se se consomem todos os lucros não se estão a criar condições para a maximização do valor da empresa.

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Objectivo social define a responsabilidade social de uma organização é atingido a medida que a empresa vai maximizando o seu valor. Se a empresa reteve valores conseguiu crescer significa que desenvolveu a tecnologia, introduziu mais produtos o que vai implicar maior emprego de pessoas e crescimento do valor.

A empresa é um agrupamento humano e hierarquizado que mobiliza meios humanos, materiais e financeiros para extrair, transformar, transportar e distribuir produtos ou prestar serviços com motivações do lucro e da utilidade social. Principais funções nas empresas

a) Função administração (direcção) - tarefa relacionadas com a gestão global da empresa; b) Função produção - tarefa relacionadas com a transformação das MP em PA; c) Função aprovisionamento (logística) - tarefa relacionada com as compras, gestão material, administrativa e económica dos stocks; d) Função comercial - relações com os destinatários dos bens e serviços; e) Função pessoal ou Recursos Humanos - gestão e desenvolvimento das capacidades dos RH; f) Função financeira - tarefas ligadas com os meios financeiros, pois as actividades exercidas traduzem-se num fluxo de entrada e saída de fundos que é necessário equilibrar.

As funções da função financeira a) A médio e longo prazo • • Política de investimento - dispêndio de fundos no presente para se obter uma potencial entrada de fundos no futuro; Política de Financiamento - estuda a obtenção dos meios monetários em função da sua política de investimentos e desenvolvimento;

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Política de distribuição de resultados - forma de aplicar os resultados obtidos decidindo sobre a parcela a afectar nas reservas, aos accionistas, tendo em conta a situação da empresa e as condições fiscais.

b) A curto prazo ou gestão de tesouraria • Gestão da activo circulante - compreende a gestão de disponibilidades, gestão e controlo do crédito atribuído aos clientes, controlo financeiro dos stocks e a gestão das aplicações dos excedentes temporários de tesouraria; • Gestão dos débitos a curto prazo - gestão dos créditos obtidos dos fornecedores e credores gerais, gestão dos financiamentos para cobrir as insuficiências temporárias de tesouraria.

II. FUNÇÕES DO GESTOR FINANCEIRO • • • • Planeamento; Zelar pelos investimentos; Decisões financeiras e suas alterações; Coordenar com os outros gestores da empresa com a finalidade da empresa operar o mais eficiente possível.

III. LUGAR DAS FINANÇAS NA EMPRESA Não existe uma regra geral que defina tal lugar, porque a estrutura de uma empresa depende de: • • • • • • Sua dimensão; Tipo de actividade; Sua história; Ambiente envolvente (económico, político, etc.); Razões que ditaram a sua constituição; Influência dos accionistas na empresa.

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IV. O IMPACTO DA INFLAÇÃO NA GESTÃO FINANCEIRA

A inflação é a subida generalizada e persistente do nível geral de preços e que tem como consequências a redução do poder aquisitivo de bens. Os seus efeitos ou seja as suas consequências variam de empresa para empresa. Assim dependem da dimensão da empresa, estrutura e aplicação de fundos e da origem desses mesmos fundos.

Nesta perspectiva há que reter os seguintes aspectos: • A inflação afecta as taxas de juro pois estas irão aumentar • Dificulta o planeamento de negócios, não é possível prever as oscilações exactas dos custos e proveitos • Provoca o aumento da procura de capitais isto e com a inflação a quantidade de moeda para certos fins aumenta pois, o poder de compra da mesma decresceu • Baixa o preço das acções porque as taxas de juro irão aumentar pois o efeito é directo no mercado das acções quanto maior for a taxa de juro menor será o preço das acções • Provoca problemas contabilísticos. Torna difícil auto financiamento, todos os lucros apurados são fictícios, aparentes pois, são o equilíbrio dos custos e proveitos num determinado momento. Os problemas contabilísticos serão ligados os amortizações, o montante da amortização calculado, resulta numa diminuição que não vai permitir o reinvestimento.

Caldeira Menenzes estabelece o impacto nos seguintes termos: efeitos económicos, financeiros e globais.

a). Efeitos Económicas • • Tendência de riscos comerciais resultantes da concessão de créditos a clientes; Tendência de riscos nos créditos concedidos por estrangeiros devido ao câmbio;

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Aumento ou diminuição da rentabilidade em função de custos ou proveitos operativos porque nem sempre são imediatos.

b). Efeitos Financeiros • • • • • Aumento da taxa de juro; Os financiamentos estrangeiros tomam-se mais onerosos; Diminuição das disponibilidade e créditos concedidos à clientes; Aumenta as necessidades financeiras resultantes do aumento de investimentos em activo fixo; Os capitais próprios degradam-se, a não ser que anualmente se criem provisões para a reconstituição do capital.

c). Efeitos Globais • • Diminuição da rentabilidade dos capitais próprios ou financeira; Diminuição do nível do auto - financiamento anual (lucros retidos).

V. A FISCALIDADE NA GESTÃO FINANCEIRA

O Estado ao prosseguir os seus objectivos - necessidades económicas cuja satisfação implica despesas. As necessidades colectivas (saúde, educação, obras públicas, defesa da soberania, etc.) pressupõe a obtenção dos meios indispensáveis para o efeito. Dai que o Estado e as restantes entidades públicas desenvolvem uma actividade que permite: • • • A obtenção dos meios económicos que asseguram a satisfação das necessidades públicas; O correcto emprego dos meios obtidos; A coordenação entre os meios e as necessidades públicas a satisfazer.

A fiscalidade é importante para ser estudada na medida em que influi nos fluxos de caixa da empresa e afecta os resultados líquidos da mesma. Não se pode conceber uma empresa em que os gestores não conheçam o ambiente fiscal. É importante que a empresa saiba das obrigações que tem com o Estado.

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IMPOSTOS E TAXAS

Impostos Os impostos são prestações obrigatórias, avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública, para a prossecução de fins públicos, sem contraprestação individualizada, e cujo facto tributário assenta em manifestações de capacidade contributiva, devendo estar previstos por lei1. Os impostos não têm nenhuma relação directa com a actividade empresarial, mas as empresas funcionam como representantes do Estado na colecta dos impostos.

A fiscalidade não pode ser analisada só do ponto de vista negativo, porque há impostos que não representam custos para a empresa, mas sim para o consumidor final, que é o caso do Imposto Sobre o Valor Acrescentado (IVA). Portanto, o consumidor final é o verdadeiro contribuinte deste imposto.

Taxas As taxas são prestações avaliáveis em dinheiro, exigidas por uma entidade pública, como contrapartida individualizada pela utilização de um bem do domínio público, ou de serviço público, ou pela remoção de um limite jurídico à actividade dos particulares, desde que previstas na lei2.

Classificação dos impostos Os impostos classificam-se em directos (tributação directa dos rendimentos e da riqueza) e indirectos (tributação indirecta da despesa).

Sistema tributário moçambicano O sistema tributário moçambicano é composto por Impostos nacionais e Impostos autárquicos e estes por sua vez classificam-se em directos e indirectos.

1 2

Nº 2 do Art 3 da Lei 2/2006 de 22 de Março. Nº 3 do Art 3 da Lei 2/2006 de 22 de Março.

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SISTEM A TRIBU TÁRIO DE M OÇAM BIQU E

IM POSTOS NACIONAIS

IM POSTOS AUTÁRQUICOS

Tribitação directa

Tributação indirecta

Outros impostos

Imposto pe ssoal autárquico Imposto pre dial autárquico Imposto autárquico de ve ículos Imposto autárquico da SISA Contribuição de m e lhorias Taxas por lice nças e taxas por actividade e conómica Tarifas e taxas pe la pre stação de se rviços

Imposto sobre o Re ndime nto de Pe ssoas Singulare s(IRPS) Imposto sobre o Re ndime nto de Pe ssoas Cole ctivas (IRPC) Imposto Simplificado para Pe que nos Contribuinte s (ISPC)

Imposto sobre o valor acre sce ntado (IVA) Im posto sobre Consum os Espe cíficos (ICE)

Imposto de se lo Im posto sobre suce ssõe s e doaçõe s Imposto da SISA Imposto Espe cial sobre o jogo

Dire itos Aduane iros Im posto sobre Re construção N acional (IRN ) Imposto Sobre V e ículos (ISV ) Outros impostos e tax as e stabe le cidas por Le i

CAPÍTULO 2: OS DOCUMENTOS FINANCEIROS E NOÇÃO DE CASH-FLOW

1. DOCUMENTOS FINANCEIROS

1.1. •

Balanço

O balanço pode ser definido em duas ópticas; contabilística e financeira. Contabilisticamente, balanço é um mapa bipartido que mostra por um lado bens e direitos, e por outro, obrigações que a empresa possui para com terceiros e, evidenciando a situação líquida.

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Financeiramente, balanço é um documento que mostra as origens e aplicações de fundos; por um lado mostra também a área onde foram aplicados os fundos e por outro, o tipo e origens desses fundos, sumarizando a posição duma empresa num determinado momento.

O balanço é um instrumento predominantemente financeiro dada a sua própria definição na óptica financeira, ao mostrar as origens e as aplicações dos recursos financeiros.

O Balanço procura responder a 3 questões principais: • • • Principais recursos financeiros num dado momento Quais as fontes desses recursos Em que elementos activos tais fontes foram investidos.

1.2.

Mapa de resultados

É um documento que mostra a situação económica duma empresa, isto é, a síntese dos efeitos financeiros das operações realizadas pela empresa num específico período contabilístico ou num dado período económico ( em quanto é que contribuíram os financiamentos para o aumento do valor/riqueza da empresa).

Diferença entre balanço e Mapa resultados O balanço responde questões tais como: donde vem os recursos e onde foram usados. O mapa de resultados responde que efeitos produziram as operações realizadas com os recursos financeiros num dado período.

1.3.

Mapa de origem e aplicação de fundos

Este documento ilustra as fontes sobre as quais a empresa recorreu para investir, tipos e áreas em que tais fundos foram investidos. As áreas não são, necessariamente, os activos. Tradicionalmente o termo fundo só tinha sentido para o actual conceito estático de fundo de maneio, ou seja, diferença entre activo circulante e passivo corrente.

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Conceito tradicional FM = AC – PC Onde: FM – Fundo de maneio AC – Activo circulante (todos activos que sofre mutações na empresa, ao longo de determinado exercício, isto é, compõe-se de disponibilidades e de activo realizado). PC – Passivo circulante (é constituído pelas obrigações da empresa a curto prazo).

A definição tradicional hoje está ultrapassada no contexto empresarial tendo-se mudado por duas razões: i. Determinadas fontes de financiamento destinam-se a determinados passivos de acordo com regras de estabilidade financeira. Hoje também utilizam-se créditos de curto prazo para financiar investimentos de longo prazo, enquanto que neste conceito de créditos de curto prazo só eram utilizados para fazer face às necessidades sazonais, como as deficiências de tesouraria, pagamento de despesas correntes. Na prática esta mudança é forçada porque nos dias que correm é difícil obter fundos a médio e longo prazos (mais aconselháveis) para financiar os investimentos de longo prazo no conceito tradicional. ii. A inflação cria problemas de gestão das empresas levando a que estas necessitem de muito dinheiro para a sua actividade;

Fundo de maneio – É a diferença entre os capitais permanentes e imobilizados líquidos (CPm-ILiq.). Mostra o excesso de CPm sobre os ILiq.

Onde: CPm – Capitais permanentes ILiq – Imobilizados líquidos

ORIGEM DOS FUNDOS Os fundos de uma empresa têm origem diversa na óptica. Na óptica financeira devemos ser mais explícitos na determinação da origem dos fundos. O lucro é um resultado de

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contas dada a consideração contabilística de custos. Por isso não se pode considerar o lucro como o único fundo da empresa. Ao se determinar os fundos procura-se saber quais são os gerados pela empresa, daí que:

1. Fundos Gerados pelas Operações (FGO) Esta medida permite-nos corrigir o lucro. Os FGO resultam dos proveitos da empresa (receitas no sentido restrito) provenientes das vendas realizadas. Uma empresa que não vende, não gera fundos, e a venda por sua natureza, é a principal fonte de dinheiro. Então, ao se vender obtém-se lucro e este é definido como a diferença entre os proveitos totais e os custos totais incorridos pela empresa.

Não se deve confundir o lucro contabilisticamente obtido com os FGO. O lucro é afectado pelos custos que não representam desembolsos (pagamento) como são as amortizações e as provisões.

Amortizações – Registo contabilístico da diminuição do valor do imobilizado. Provisões – precaução de risco Para se ter FGO temos que deduzir das rubricas de custos, os custos não desembolsáveis. A venda ou abate dos activos fixos é contabilizada noutras contas e não na conta de vendas, isto é, a venda ou abate dos activos fixos é contabilizada na conta resultados extraordinários.

Assim, para o cálculo dos FGO, é preciso considerar os resultados líquidos (RL), adicionando as amortizações e provisões de custos (provisões contabilizadas em contrapartida de custos) e deduzir as receitas que não constituem entradas de caixa. FGO = RL + Custos não desembolsáveis + Prejuizos inorganicos - lucros inorgânicos FGO = RL + AR + PR ± MV

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Exemplo: Em cts RAARPRI 120 AR PR R. EXPL. MV RAI PISL RL 10 0 110 30 140 40 100

FGO = 100 + 10 + 0 – 30 = 80cts

2. Diminuição do activo circulante não disponível É constituído por créditos (clientes) e existências (mercadorias). A diminuição do activo circulante significa que é a sua transferência de um lugar para o outro, pode ser traduzido no próprio activo circulante, no passivo ou activo fixo. A saída de mercadorias, por exemplo, implica a entrada de dinheiro.

3. Aumento do exigível a curto, médio e longo prazo. Traduz-se no aumento da capacidade de endividamento da empresa, como o aumento de fornecedores. No caso de aumento de créditos dos fornecedores, as mercadorias aumentam por contrapartida do aumento do exigível. O aumento do exigível pode financiar o próprio passivo. 4. Aumento do capital social ou venda das acções stockadas/acções em carteira (origem externa)

5. Valor de venda dos activos fixos

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APLICAÇÃO DE FUNDOS 1. Aumento do activo circulante não disponível Se aumentamos as mercadorias significa que algumas fontes foram mobilizadas quer do activo quer do passivo.

2. Diminuição do exigível a curto, médio e longo prazo Se a dívida reduziu-se significa que um dado montante foi aplicado.

3. Pagamento ou compras do activo fixo Se encontramos a diferença do valor do activo fixo de um ano para o outro AFN+1 - AFN, ela pode não constituir necessariamente uma aplicação de fundos.

Exemplo: A tabela abaixo ilustra o total do activo fixo (AF) em 2010 e 2011 Anos Valor 2010 120 cts 2011 100cts

Nesta situação diríamos que o activo fixo líquido diminuiu em 20cts. A conclusão seria que a empresa so vendeu activo fixo. Mas não é verdade porque, ao longo do ano a empresa pode comprar e vender activo fixo. Por exemplo a venda de 50 cts e a compra de 30 cts, nesta situação teríamos: 120cts +30cts -50cts 2011 100cts

2010

Para resolver este problema existe o modelo:

Determinação da compra C = VRUB + AEB + VCBV - VRBI

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Onde: C – Compra VRUB – Valor da rubrica no último balanço AEB – Amortização do exercício do bem em causa VCBV – Valor contabilístico do bem vendido VRBI – Valor da rubrica no balanço inicial

4. Pagamento de dividendos (regularização de dividendos/resultados)

Determinação dos dividendos D = RBI + RLE - RAUB

Onde: D – Dividendos RBI – Resultado do balanço inicial RLE – Resultados líquidos do exercício RAUB – Resultados acumulados do último balanço

5. Pagamento do stock ou diminuição de capital próprio Reembolso das acções amortizadas ou seja, pagamento das acções cujos accionistas desejam/decidiram abandonar a sociedade/empresa (simples

diminuição do capital social).

NB: A variação do disponível constitui o elemento regularizador no mapa de origem e aplicação de fundos, pode ser tanto a origem como a aplicação.

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2. NOÇÃO DE CASH-FLOW OU FLUXO DE CAIXA

Cash-flow pode ser definido como o resultado de fluxos das entradas e saídas de dinheiro como consequência da actividade da empresa. Numa óptica estrutural o cash-flow se confunde com o lucro no equilíbrio do balanço. O cash-flow é um conceito dinâmico ao ser definido como entrada e saída de dinheiro.

Fluxo de caixa = Entradas - Saídas (não se incluem custos não desembolsáveis: Amortizações e provisões), portanto, o fluxo de caixa é um elemento de natureza financeira. Lucro = Proveitos – Custos (incluem custos não desembolsáveis), portanto, o lucro é um elemento de natureza económica.

Distinção entre lucro e Cash-flow Acabamos de dizer que a perspectiva contabilística dá ênfase aos lucros, enquanto que a óptica financeira dá ênfase ao cash-flow ou fluxo de caixa. Na perspectiva financeira, o valor de qualquer activo numa empresa depende do valor dos fluxos de caixa que ela vai gerar. Não há nenhuma organização que paga suas despesas com lucros – grande particularidade entre cash-flow e lucro. Todos os pagamentos têm que ser feitos em dinheiro (fluxo de caixa), embora para o pagamento de dividendos se recorra ao lucro. Por isso, uma empresa não pode vender muito a crédito impulsionada pelo lucro, porque isso pode levá-la a falência técnica. Logo, começam a surgir dificuldades no pagamento de despesas correntes (salários) e mais tarde as dívidas de maior valor, como os empréstimos (financiamento)

Como o objectivo da empresa é a maximização do seu valor, isso implicará a maximização do valor das acções.

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O cash-flow de qualquer negócio é a diferença entre o cash-flow das vendas e o cashflow dos custos operacionais, dos custos financeiros de financiamento (juros) e dos impostos. CF = CFV - (CFCO + CFJ + CFI) Onde: CF – Cash-flow CFV – Cash-flow das vendas CFCO – Cash-flow dos custos operacionais CFJ – Cash-flow dos juros CFI – Cash-flow dos impostos

Mas, partindo do conceito de lucro e considerando o que foi dito sobre as depreciações (amortizações), o cash-flow pode ser definido, contabilisticamente como a soma do lucro líquido obtido num dado momento e o valor das depreciações e provisões: CF = LL + AR + PR

Exemplo: Assume-se que tudo foi pago e tudo foi recebido

Mapa de resultados 1. 2. Vendas Custos Antes de amort. AR Custos totais 3. 4. 5. 6. 7. Lucro tributável Imposto (40%) Lucro líquido Depreciações Cash-flow líquido 1.050,00 150,00 1.200,00 300,00 120,00 180,00 150,00 330,00 1.500,00

Cash-flow 1.500,00

1.050,00 1.050,00 450,00 120,00 330,00 330,00

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Cash-flow operacional Fluxos de caixa operacionais, são aqueles que resultam das operações principais da empresa (ou actividades operacionais da empresa); isto é, aqueles que resultam da diferença da diferença entre as vendas operacionais e custos operacionais.

São outros fluxos de caixa, aqueles que resultam da venda de outros activos financeiros ou activos fixos da empresa (abate, etc); isto é, resultam do desenvolvimento de outras actividades da empresa, diferentes das actividades normais.

CAPÍTULO 3: MERCADOS FINANCEIROS E TAXAS DE JURO • • • • • •

Conceito Forma de instituições financeiras Mercados financeiros Custo do dinheiro Determinantes das taxas de juro Nível das taxas de juro preço e das acções

3.1. Os mercados financeiros

São as maneiras segundo as quais se faz a transferência dos fundos disponíveis pelos aforradores (poupadores) aos investidores, isto é, são as formas organizadas onde aqueles que oferecem e demandam vários tipos fundos poderão fazer transacções através de uma negociação directa. Portanto, na sociedade financeira/económica existem duas figuras no que se refere a circulação do dinheiro: Aforradores (poupadores) e investidores ou utilizadores (os que precisam desses fundos).

Intermediários financeiros – São instituições que aceitam (captam) poupanças dos aforradores e depois transferem (ou emprestam) aos investidores, isto é, a negociação é feita de forma indirecta.

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3.1.1. Formas de instituições financeiras

Bancos comerciais: São instituições que aceitam depósitos a vista e a prazo e aplicam estes valores de forma directa aos tomadores ou então através dos mercados financeiros e por conseguinte eles tem a autorização para obter depósitos em conta corrente.

Caixas económicas: Com algumas semelhanças com os bancos comerciais, a única diferença principal é que recebem poupanças a prazo e aplicam em empréstimos individuais para construção de habitações próprias. Também podem por este dinheiro a disposição das empresas ou então investir nos mercados financeiros fora dos empréstimos negociados.

Associação de poupanças e empréstimos: Estas instituições de poupança também mantêm depósitos a prazo, vendem títulos nos mercados financeiros. Os fundos daí resultantes adicionados aos depósitos, são dados sob forma de empréstimos à indivíduos que requerem, exigindo-lhes hipotecas das habitações próprias. A parte do dinheiro que sobra é também investida nos mercados financeiros.

Associações de crédito: Como regra, o objectivo principal da sua actividade é a negociação da transferência de fundos entre os consumidores. Regra geral, os membros desta associação tem algum vínculo com a empresa ou porque são empregados duma mesma empresa ou porque professam a mesma religião ou por qualquer outra razão. O excesso das necessidades entre os membros também pode ser aplicado nos mercados financeiros. Em Moçambique existe uma instituição (CREDICOOP) semelhante a este tipo de associação.

Companhia de seguro de vida: São consideradas instituições financeiras porque recebem muito dinheiro sob forma de prémios de seguros, de pessoas que fazem seguro de vida (alguns bancos já se dedicam ao seguro). Para garantir o futuro dos clientes (os

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assegurados), essas companhias investem o dinheiro normalmente no ramo imobiliário ou dando emprestado a bancos, governo ou nos mercados financeiros. Em Moçambique as companhias de seguro integram o ramo de vida mas não há companhias de seguro só no ramo de vida. O seguro de vida pode ser em caso de vida ou em caso de morte.

Fundos de pensão: Instituições que permitem que as pessoas aposentadas recebam rendas depois da aposentadoria. Assim, as contribuições dos trabalhadores e das entidades empregadoras são depositadas nestes fundos. Para que esses fundos cresçam é necessário que sejam investidos nas várias áreas como é o caso do sector imobiliário, podendo também ser nos mercados financeiros. Como se referiu, esses fundos obtêm-se a partir do desconto no rendimento dos empregados e empregadores. Investem e são accionistas de várias empresas, inclusive de bancos. E Moçambique é representado pelo INSS.

3.1.2. Diferenças entre mercados financeiros e intermediários financeiros Os mercados financeiros permitem que os tomadores e fornecedores de empréstimos e investimentos de curto, médio e longo prazos negoceiem directamente, enquanto que os empréstimos e os investimentos dos intermediários financeiros são feitos sem o conhecimento directo do poupador ou seja os fornecedores não conhecem os utilizadores do seu dinheiro.

3.2. Bolsa de valores ou mercado de títulos

São mercados onde se transaccionam títulos. Fazem parte do mercado financeiro, específico, especializado em títulos de capital e da dívida (Acções e Obrigações). Encontramos 2 tipos de bolsas: Bolsa de valores organizadas e mercado de balcão.

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3.2.1. Bolsa de valores organizadas

São entidades físicas tangíveis/corpóreas, ocupando cada uma delas o seu próprio edifício, com membros especificamente designados, em corpo gerencial devidamente eleito e um conselho de administração.

3.2.1. Mercado de balcão

São o inverso das bolsas de valores. São organizações intangíveis que facilitam o negócio entre aqueles que demandam e os que oferecem títulos num período de tempo considerado período de transacção; podem não ter o seu edifício próprio ou um lugar definido como bolsa de valores. Portanto, mercado de balcão constitui um extremo grupo de correctores e agentes, conectados electronicamente por telefones e computadores que conduzem negócios em títulos não registados em bolsa.

3.3. Instituições monetárias e não monetárias

Instituições monetárias: São aquelas instituições que podem captar depósitos, isto é, além de conceder créditos podem captar depósitos.

Instituições não monetárias: São aquelas que não podem captar depósitos, isto é, podem fazer todas as operações que os bancos fazem com excepção da captação de depósitos (exemplo: empresas de leasing).

3.4. Mercados primários e mercados secundários

Mercados primários – São aqueles em que os títulos se comercializam pela primeira vez, isto é, corresponde a compra de títulos acabados de emitir. Normalmente, corresponde a compra feita pelo emitente, independentemente de ser no mercado de balcão ou na bolsa de valores.

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Mercados secundários – São aqueles em que os títulos são transaccionados a partir da segunda vez. Isto significa recompra e revenda até n-ésima vez. As bolsas de valores e os mercados de balcão também são mercados secundários de títulos.

3.4. O custo do dinheiro

Tal como na economia real ou na economia de mercado livre, a compra e a venda de dinheiro, nos mercados financeiros é feita em função de um preço, ou seja, a venda ou alocação do dinheiro depende do preço que por ele é pago, como também a compra ou a obtenção desse dinheiro depende do seu preço.

Todo o dinheiro tem um custo; A taxa de juro é o preço do dinheiro alheio (capital alheio). O dinheiro próprio (capital próprio) é remunerado pelos dividendos, por isso, podemos dizer que os dividendos são o preço do capital próprio.

3.4.1. Principais factores que afectam o custo (ou a procura) do dinheiro

São basicamente quatro, os factores que influenciam o custo do dinheiro: 1. Oportunidade de capital em função das oportunidades de produção, isto é, taxa de retorno que os produtores esperam obter do capital investido; 2. Tempo preferencial de consumo, isto é, preferência dos consumidores para o consumo presente versus futuro; 3. O risco, isto é, risco do empréstimo – maior risco vai implicar maior taxa de retorno esperada; 4. A inflação, isto é, taxa esperada de inflação – inflação mais alta conduz a maiores taxas de juro.

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3.4.2. Factores que influenciam os níveis das taxas de juro

De um modo geral, a taxa de juro nominal (K) é composta pela taxa livre de qualquer risco – taxa pura de inflação (K*), inclui o prémio da inflação (PI), mais o prémio de liquidez (PL) mais o prémio do risco de maturação (PRM). Assim temos:

K = K* + PI + PRI+ PL + PRM

Onde: K = Taxa de juro nominal, de mercado

K* = Taxa de juro livre de risco; real; pura

PI = Prémio de inflação, que é igual a taxa média de inflação no período de vida do activo financeiro.

PRI = Prémio de risco de incumprimento – reflecte a possibilidade de não pagamento de juros ou do capital, nos prazos acordados, na data de vencimento, ou dum pagamento incompleto.

PL = Prémio de liquidez – reflecte o facto de que alguns títulos não são facilmente e a custo baixo convertidos em dinheiro.

PRM = Prémio de risco de maturação – os títulos de longo prazo (superior a 5 anos) são expostos a um risco significante da diminuição do seu preço. O prémio de maturação reflecte esse risco, ou seja, serve para cobrir casos em que o preço de uma obrigação no mercado cai.

A taxa de juro livre de risco (KLR) deve prever a inflação, ou seja, regra geral, quando se fala da taxa de juro livre de risco, já inclui-se o prémio de inflação.

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Assim:

K* + PI = KLR

K = KLR + PRI+ PL + PRM

3.5. Níveis das taxas de juro e preços das acções As taxas de juro têm fundamentalmente dois efeitos nos resultados da empresa: 1. O juro é um custo de financiamento. Quanto mais elevado for, menores serão os lucros ou mais altos serão os prejuízos da empresa, se tudo se mantiver constante. 2. As taxas de juro afectam a rendibilidade das empresas, uma vez que afectam rigorosamente os seus resultados. E porque afectam os resultados, afectam consequentemente o preço das acções. O mais importante é que afecta a competitividade das acções no mercado, porque existe uma competição entre acções e obrigações.

Quanto maior for a taxa de juro, menores são os resultados e menor é o preço das acções. As pessoas não vão querer investir nas acções que não rendem muitos dividendos, já que os resultados da empresa não são altos. Há mais incentivo em investir nas obrigações, uma vez que elas rendem mais juros. Então, as acções perdem competitividade em relação as obrigações.

No mercado de títulos (acções e obrigações), a oscilação das taxas de juro influencia a oscilação da procura de acções uma vez que oscila o preço das acções. Numa situação de subida das taxas de juro as pessoas poderão preferir vender as suas acções e comprar obrigações. O contrario também pode acontecer.

Exemplo: Consideremos o seguinte caso em que a remuneração é: • • Acção = 40% Obrigação = 40%

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Mantendo tudo constante, é indiferente investir numa ou noutra – análise numa perspectiva de custo. Se no ano seguinte a taxa de juro do mercado baixa para 20%; para empréstimos sob forma de obrigações, isto implicaria o aumento do investimento em acções. Mas, os obrigacionistas não ficam preocupados porque continuam a receber 40%, pois estes não sofrem com as flutuações das taxas de juro de mercado.

CAPÍTULO 4: VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO • • • • • • • Importância do seu estudo; Valor futuro; Valor presente; Valor futuro de uma anuidade; Valor actual de uma anuidade; Valor actual e futuro de uma série de recebimentos desiguais; Amortização de empréstimo.

4.1. Importância do estudo do valor do dinheiro no tempo O valor do dinheiro no tempo refere-se ao dinheiro que ele tem hoje podendo não ser o mesmo amanhã. O dinheiro vale mais hoje do que amanhã. A importância do estudo do valor do dinheiro no tempo, é que, os gestores financeiros devem saber que uma unidade monetária hoje, vale mais do que amanhã mesmo não considerando as flutuações que a moeda vai sofrer. Os gestores deverão saber prever o valor do dinheiro no futuro em função dos factores que determinam o valor do dinheiro no tempo, para que o valor presente seja equivalente ao valor futuro. Neste contexto temos que nos recordar dos conceitos de matemática financeira e considerar o que a seguir se aborda.

4.2. Valor futuro (future value – FV) É aquele que permite fazer ideia, segundo a qual, recebido uma dada quantia de dinheiro, qual o valor que irá representar num tempo futuro.

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Tem que se responder a preocupação de saber o quanto deve ser recebido no futuro por um investimento que se faz hoje sob uma dada taxa de juro.

Por exemplo: Se recebermos 100 cts hoje, qual seria o valor a receber depois do dinheiro ser posto a render juros? Passado o 1º ano = 100x1,05 = 105 cts Passado o 2º ano = 105 x1,05 = 110,25 cts Neste caso 100 cts iniciais venceram juros e esses juros produziram novos juros, vejamos. 100x1,05 = 105 cts 5x1,05 = 5.25 cts 110,25 cts Aqui estamos perante uma composição, é o caso do regime composto. A composição é uma função exponencial.

Consideremos: K = taxa de juro ou custo de capital n = tempo que está em análise V0 = Valor actual ou PV (present value) t = período de referência VFn = Valor futuro ou FVn (future value) FVn = PV*(1 + k)n ou FVn = PV*(FVIFk,n) (1 + K)n = FVIFk,n – Factor de capitalização/composição

Consideremos os dados do exemplo anterior: PV = 100 K = 5%

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Se n= 1 FV1 = 100*(1 + 5%)1 = 105 cts Se n = 2 FV2 = 100*(1 + 5%)2 = 100 + 1,1025 = 110,25 cts O factor de capitalização pode crescer com o crescimento da taxa de juro ainda que mantendo constante o tempo e vice-versa, pode crescer com o passar do tempo ainda que mantendo constante a taxa de juro. O factor de capitalização (FVIFk,n) cresce mais rapidamente se o tempo e juros crescerem ao mesmo tempo. O valor futuro (FV) nunca é inferior ao valor presente (PV), ou por outra, o factor de actualização nunca é inferior à unidade. Uma taxa de juro igual a zero significa não haver custo de capital.

4.2.1. Métodos para calcular o valor futuro (FV) • • • O valor futuro (FV) pode ser calculado usando as tradicionais tabelas financeiras onde se encontram os factores de capitalização. O Valor futuro (FV) pode ser calculado com a utilização das calculadoras financeiras. Na última hipótese pode-se usar uma qualquer calculadora científica visto que possui uma função exponencial.

4.3. Valor actual ou valor presente (present value – PV) Aqui o objectivo é inverso. É para orientar alguém a receber hoje um valor que é prometido para o futuro, ou seja, se um dado valor é oferecido no futuro, quanto devíamos receber hoje? Qual é o montante hoje que corresponde a um certo valor futuro? Portanto, o valor actual/valor presente é o valor hoje de um fluxo ou uma série futura de fluxos de caixa.

Assim temos: FVn (1+K)n ;

PV =

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PV = FVn*(1 + K)-n ; 1 (1+K)n

PV =

Se

1 (1+K)n

= PVIFk,n = Present value interest factor (factor de actualização), teremos:

PV = FVn*(PVIFk,n)

Também,

PV =

1 FVIFk,n

Suponhamos que temos que receber uma quantia de 110,25 cts daqui a 2 anos. Quanto receberia hoje se a taxa de juro for de 5%?

Dados: FV2= 110,25 n=2 K = 5% PV = ?

Resolução: PV = FVn*(PVIFk,n) PV = 110,25*(PVIF5%,2) = 100 cts

4.4. Valor futuro de uma anuidade Uma anuidade ou renda é definida como uma série de pagamentos ou recebimentos de um valor fixo durante um número específico de anos. É preciso saber quando o pagamento é feito (no fim ou no início do período).

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Há dois tipos de anuidades: • • Diferidas ou ordinárias ou ainda, posticipadas – no fim do período Antecipadas; dão-se no início do período.

4.4.1. Anuidade diferida ou posticipada n FVAn= PMT * ∑(1 + K)n-1 t=1

FVAn = Valor futuro de uma anuidade PMT = Payment = anuidade = pagamento

Como a anuidade é diferida, significa que a última anuidade não paga juros porque faz-se no fim no ano.

FVAn = PMT*(FVIFAK,n)

Onde:

n FVIFAK,n= ∑(1 + K)n-1 t=1

Por exemplo, recebo agora como pagamento anual, 1000 cts e deposito num banco que paga juros à taxa de 4%. Quanto receberia no final do 4º ano?

PMT = 1000 cts K = 4% n=3 FVA3 = ?

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0

1

2

3

1000

1000

1000

FVA3 = 1000(FVIFA4%,3) 3 FVA3 =1000* ∑ (1+ 4%)3-1 t=1 FVA3 =1000* (1,042 + 1,041 + 1,040) = 1000*3,1216 = 3.121,6 cts (O 1º mil tem juros de 2 anos, o 2º mil tem juros de 1 ano e o 3º mil não tem).

4.4.2. Anuidade antecipada Os depósitos são feitos no início do ano e o juro é vencido no início de cada período. Haverá capitalização de mais um período. n FVAn = PMT* ∑(1 + K)n-1*(1 + K) = PMT* t=1 n ∑(1+K)n t=1

FVAn = PMT*(FVIFAK,n)*(1 + K), onde (1+K) é um factor de correcção.

No nosso exemplo teremos:

0 4%

1 4%

2 4%

3

1000

1000

1000

FV?

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FVA3 = 1000*(3,1216)*(1 + 4%) = 3.246,46 cts Ou FVA3 = 1000(1+4%)3 + 1000(1+4%)2 + 1000(1+4%)1= = 3.246,46 cts

4.5. Valor actual de uma anuidade Ao invés de receber anuidades em cada ano, podemos receber todo o valor hoje. Como já foi dito, podemos ter anuidades posticipadas e anuidades antecipadas. A ideia é que, quanto iria receber hoje no lugar de pagamentos anuais durante (por exemplo) 10 anos.

4.5.1. Anuidades posticipadas n PVAn = PMT* ∑(1 + K)-n t=1 N Sendo, ∑(1+ K)-n = PVIFAK,n t=1

PVAn = PMT*(PVIFAK,n)

Por exemplo: PMT = 1000 cts K = 4% n = 3 anos PVAn = ?

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PVA3 = PMT (PVIFA4%,3) 3 = PVAn = 1000*
-3

∑(1 + K)-n t=1
-2

= 1000(1,04 +1,04 +1,04-1) = 1000*2,77509 =2.775,10 cts 4.5.2. Anuidades antecipadas n PVAn = PMT* ∑(1 +K)-n*(1+K) t=1 Ou PVAn = PMT*(PVIFAK,n)* (1+k) Com base no exemplo anterior, neste caso seria: PVA3 = 1000*(2,7751)*(1+4%) = 2.886,10 cts

4.6. Valor futuro e actual de uma série de recebimentos desiguais Ao invés de receber anuidades em cada ano, podemos receber todo o valor hoje. Como já foi dito, podemos ter anuidades posticipadas e anuidades antecipadas. A ideia é que, quanto iria receber hoje no lugar de pagamentos anuais durante (por exemplo) 10 anos. 4.6.1. Valor futuro de uma série de recebimentos desiguais • Antecipados N FVAn = ∑PMTi*(1+ K)n t=1 Ou

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N FVAn = ∑PMTi*(FVIFAK,n)*(1+K) t=1

Posticipados N FVAn = ∑PMTi*(1+ K)n-1 t=1 Ou N FVAn = ∑PMTi*(FVIFAK,n) t=1

4.6.2. Valor presente de uma série de recebimentos desiguais • Posticipados N PVAn = ∑PMTi*(1+K)-n t=1 Ou N PVAn = ∑PMTi*(PVIFAK,n) t=1

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Antecipados N PVAn = ∑PMTi*(1+K)-n*(1+k) t=1 Ou N PVAn = ∑PMTi*(1+K)1-n t=1

4.7. Determinação da taxa de juro

A taxa de juro é determinada a partir das fórmulas dos casos anteriormente referidos e recorrendo as tabelas financeiras. Se precisarmos de uma exactidão da taxa de juro teremos que fazer a interpolação linear.

4.8. Amortização de empréstimo A amortização de empréstimo, consiste numa tabela construída para efeitos de cumprimento do pagamento de débitos financeiros. Temos que conhecer juros e amortizações dum empréstimo para poder fazer uma análise financeira. O juro é o custo que vai afectar o lucro, os impostos e a própria rendibilidade da empresa.

Sabemos que, PVAn = PMT (PVIFAK,n) Quanto será o pagamento anual, PMT?

PMT =

PVAn PVIFAK,n

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Suponhamos que pedimos um empréstimo de 1000 cts à taxa de juro de 10% e é um empréstimo amortizável em 3 anos. A anuidade é posticipada e é constante. Dados Pv = 1000 cts n=3 K = 10% PMT = ? N PVAn = PMT* ∑(1 + K)-n t=1

PVAn = PMT*(PVIFAK,n)

Portanto: PMT = 1000 1,1-3+1,1-2+1,1-1 1000 PVIFA10%,3

PMT =

PMT = 402 cts Quadro de amortização do empréstimo Ano 0 1 2 3 Capital inicial 1.000 1.000 698 366 302 332 365 100 70 37 402 402 402 Capital Juro; K = 10% PMT Saldo em dívida 1.000 698 366 0

Juro = Capital inicial*K PMT = Capital + Juro; logo, Capital = PMT - Juros Saldo em dívida = Capital inicial – Capital

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CAPÍTULO 5: NOÇÕES SOBRE MODELOS DE VALORAÇÃO DE TÍTULOS • Avaliação das obrigações - Valor das Obrigações em pagamentos semi-anuais; - Taxa de juro de uma obrigação • • • Taxa de resgate Risco de taxas de juro em obrigações Avaliação das acções - valoração das acções preferenciais - valoração e taxas de retorno das acções ordinárias.

5.1. Avaliação das obrigações Obrigações são títulos de crédito representativos de dinheiro proveniente de empréstimo concedido, do ponto de vista do investidor. As obrigações podem vencer juros anualmente ou semi-anualmente (semestralmente). Esse juro quando calculado na data de emissão chama-se juro de cupão ou simplesmente cupão. É o juro que uma obrigação paga durante a sua vida e esse juro é constante. Portanto, o cupão é constante porque foi calculado na base do valor nominal das obrigações.

Modelo Básico M – valor nominal de maturação ao par (transacção à taxa de juro de mercado da data de emissão). Kd – taxa de retorno esperada (exigida ou requerida) numa obrigação; n – número de anos que faltam para a maturação V=Vo – Valor actual da obrigação I – Juro do cupão (taxa de juro de mercado da data de emissão) t – tempo que falta para a maturação

Numa obrigação, até a data do seu vencimento as pessoas recebem juros e no último dia da obrigação recebem o último juro mais valor nominal.

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Valorizar uma obrigação significa determinar o valor actual dessa obrigação; quanto vale uma obrigação no intervalo entre a emissão e a maturação.

Na emissão pagamos o valor nominal da obrigação e na maturação recebemos o último juro e o valor nominal. A vida útil da obrigação é determinada na sua data de emissão.

O valor actual de uma obrigação é a actualização dos valores de cupões a receber mais o valor nominal; ou seja, o somatório dos juros futuros esperados e o valor nominal dessa obrigação. n Vo = ∑ t=1 Como I é constante, teremos: n Vo = I *∑ t=1 Ou 1 (1+Kd)t + M (1+Kd)n I (1+Kd)t + M (1+Kd)n

Vo = I*(PVIFAKd,n) + M*(PVIFAKd,n) Conhecido o I e o valor nominal da obrigação (M) é possível determinar a taxa de juro do cupão. Kd = I M

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Entao;

I = Kd*M Exemplo: Calcular o valor actual duma obrigação no momento da emissão de 80.000 obrigações com o valor nominal de 1000 USD, tendo prometido pagar juros anuais á taxa de 15%. A emissão foi em Janeiro de 2010 devendo vencer em 2025.

M = USD 1000 Kd = 15% n = 15 anos

I = M*Kd = 1000x15% = USD 150 Antes de tudo, o valor da obrigação na data da sua emissão é sempre o seu valor nominal. Portanto, para o nosso exemplo, o valor na data de emissão é USD 1000.

Agora, podemos verificar usando a fórmula: Vo = I*(PVIFAKd,n) + M*(PVIF15%,15) = 150x5,8474 + 1000x0,1229 Vo = USD 1000

5.1.1. Valor das Obrigações em pagamentos semi-anuais

As obrigações são, normalmente, pagas semi-anualmente ou semestralmente. Se a taxa de juro nominal declarada é referente a um período maior ao período de capitalização/actualização, a taxa para esse período é calculada pelo critério de proporcionalidade de taxas. in = 15% = i(2) = 7,5%

Partindo do modelo básico, podemos construir a fórmula calculando a taxa de juro proporcionalmente:

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2n Vo = I/2 *∑ t=1 Onde; I 2 n Kd 2 Ou (
1 1+Kd/2

)t + M(

1 1+Kd/2

)2n

- Cupão semestral

- número de semestres - Taxa semestral

Vo = I/2 (PVFIAKd/2,2n) + M(PVIFKd/2,2n) 6.1.2. Cálculo da taxa de juro de uma obrigação ou taxa interna de rendibilidade das obrigações – Yield to Maturity (YTM)

Yield to Maturity (YTM) – é a taxa interna de rendibilidade de uma obrigação. Se comprarmos hoje uma obrigação por certo preço (diferente do valor nominal) qual seria a taxa de juro (Kd) que ganharíamos até atingir o seu vencimento? a) Ensaio de taxas Para se fazer o ensaio de taxas, tem que se ter o valor presente, de modo a se calcular a taxa de actualização. O pressuposto da determinação de YTM é que conhece-se o preço da obrigação. Conhecido o preço, comparamos com o seu valor nominal e vemos se a obrigação vende acima ou abaixo do par.

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b) Fórmula aproximada de cálculo da YTM I+ (M - V)/n (M + 2V)/3

Kd = aprox YTM =

5.1.2.1Problemas com a YTM

1. A ideia da YTM é que todos os fluxos de caixa (todos os recebimentos) são reinvestidos à mesma taxa, o que pode não ser verdade, porque o investidor poderia fazer investimento diferente, a uma taxa diferente. 2. Não podemos determinar YTM sem conhecer o preço. YTM não permite chegar ao preço. É a procura e a oferta de capitais no mercado que determina o preço das obrigações. 3. YTM dá-nos uma média aproximada da rendibilidade da aplicação nas obrigações.

5.2.

Taxa de resgate

É a taxa com a qual se podem resgatar (pagar) as obrigações. Resgatar as obrigações significa retirá-las do mercado (pagá-las) antes da data de maturação. Isto acontece como consequência da baixa da taxa de juro no mercado. Este fenómeno dá-se quando o emitente da obrigação retira os direitos aos detentores de mantê-las até a data de maturação, resgatando-as.

Acontece as vezes que, se a taxa de juro cair, a empresa que já tinha contraído um empréstimo a uma taxa de juro maior vê-se a necessidade de substituir as antigas obrigações (mais caras) pelas novas (mais baratas). Assim, a pessoa que detém a obrigação já não vai ter a possibilidade de ganhar YTM, porque as obrigações vão ser retiradas. É claro que para os detentores isto não é benéfico. Se por exemplo a taxa de juro cair de 15% para 10% significa que a empresa poderia retirar as obrigações que custam 15% e substituí-las por obrigações que custam 10%. O detentor da obrigação assim pode avaliar a taxa de rendibilidade da sua obrigação, mas não até a data de maturidade mas somente até a data de resgate.

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O preço de resgate é o preço que a empresa deve pagar para retirar as obrigações. Normalmente este preço é nominal mais o juro de um ano.

V – Preço da obrigação hoje N – Número de anos que faltam até a data de resgate CP – Call price (preço de resgate)

A incógnita é Kd = YTC N V= ∑ t=1 V = I (PVIFAKd,N) + CP (PVIFKd,N) Exemplo: Admitamos que 1.368,31 USD é o preço da obrigação a prémio e é resgatável daqui a 4 anos ao preço de 1.150 USD. Qual é a YTM ou taxa de resgate? I (1+Kd)t + CP (1+Kd)N

4 1.368,31 = ∑ t=1 150 (1+Kd)4 + 1.150 (1+Kd)4

Kd = YTC = 7,39%

5.3.

Risco de taxas de juro em obrigações

É o risco a que os investidores se expõem devido às mudanças das taxas de juro de mercado, levando a que os investidores realizem perdas ou ganhos financeiros.

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Esta variação da taxa de juro refere-se ao período de tempo a que a pessoa se encontra adstrita a um investimento numa obrigação. Por causa desta oscilação das taxas de juro, o investidor pode incorrer em perdas ou ganhos extraordinários do capital.

O risco é tanto maior quanto maior for o período que falta para a maturação das obrigações. No caso em que a taxa de juro baixa, o obrigacionista tem um ganho implícito (de oportunidade) porque recebe de juros mais do que poderia receber se tivesse comprado agora.

O emissor das obrigações por outro lado tem perdas implícitas porque agora poderia pedir empréstimo a custos mais baixos.

Exemplo: A Sra Joana comprou uma obrigação com valor nominal de USD 1000, pagando USD 150 de cupão ao ano. Suponhamos que acaba de ser emitida uma obrigação com menos riscos (ou de características idênticas) e paga 20% de juros. E que o emissor da obrigação da Sra Joana não está com planos de resgatar. A Sra Joana estará a realizar perdas ou ganhos de capital por 14 anos que os emissores não estão interessados em resgatar essa obrigação.

Resposta: A Sra Joana estará a realizar perdas de capital por 14 anos que os emissores não estão interessados em resgatar essa obrigação. Isto porque se fosse feito o resgate da obrigação, ela subscreverá nova obrigação a taxa de 20% ganhando USD 200 do cupão; portanto USD 50 é a perda que a Sra Joana está a realizar por ano.

5.4.

Avaliação das acções

Acção é um título é um título nominativo que representa, uma fracção do capital social de uma empresa e o seu detentor tem direito a receber a sua quota-parte nos lucros distribuídos anualmente. As acções podem ser ordinárias ou preferenciais.

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Acções ordinárias – São aquelas acções normais cujos detententores mantêm direitos de controlo da sociedade (a propriedade da empresa) além de outros direitos associados ao facto de ser detententor de uma fracção do capital social da empresa. Conferem os direitos de gestão da empresa, votar sobre os destinos da sociedade e usufruir de todos os restantes direitos particulares. O dividendo para estas acções dependerá das políticas da empresa sobre os dividendos e a existência de lucros.

Acções preferenciais – São acções que se caracterizam por proporcionar direitos especiais aos seus possuidores; pagam dividendo fixo previamente acordado, ao longo da sua existência. O principal direito que as diferencia das acções ordinárias é o facto de incorporar dividendo fixo a ser pago sempre que a empresa realize lucros, independentemente das políticas de dividendos. Ao avaliarmos as acções temos que saber se elas são ordinárias ou preferenciais.

5.4.1. Avaliação das acções preferenciais

Vp = Valor actual da acção preferencial Dp = Dividendo de uma acção preferencial Kp = Taxa de retorno requerida para um investimento em acções preferenciais Dp Kp

Vp =

Esta fórmula é válida para o nr de anos não definido. Os pagamentos dos dividendos são perpétuos (perpetuidade). Diz-se que são acções preferenciais perpétuas.

Exemplo: Seja uma acção preferencial perpétua pagando de dividendos 8,125 USD por ano. A taxa de retorno requerida é de 10%. Qual é o valor actual da acção preferencial (valor da Vp).

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Dp = 8,125 USD Kp = 10%

Então o valor da acção em qualquer momento do tempo será: Vp = 8,125/0,1 Vp = 81,25 USD

Conhecido Vp e Dp podemos calcular a taxa de retorno. Dp Vp - Taxa de retorno requerida duma acção preferencial

Kp =

Neste caso, Kp = 8,125/81,25 Kp = 10%

5.4.2. Valoração e taxas de retorno das acções ordinárias.

Definições dos termos básicos usados na avaliação das acções ordinárias: Dt = dividendo que o accionista espera receber no fim do ano t Do = Dividendo mais recente já pago D1 = Dividendo a ser pago no fim do corrente ano D2 = Dividendo esperado no fim do segundo ano

A estimativa do Dt pode ser diferente entre os investidores, porque o único valor certo é o Do que já foi pago.

Dn = dividendo esperado no fim de n-ésimo ano

po = preço actual do mercado duma acção

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^ pt ^ po

= preço esperado das acções no ano t

= preço esperado das acções hoje

^ p1

= preço esperado das acções no final do 1º ano ^ pt

O investidor comprará uma acção só se

po (preço actual da acção)

g = taxa esperada de crescimento dos dividendos. Se os dividendos são esperados a crescer a uma taxa constante, então g também é igual a taxa de crescimento esperada do preço da acção.

Ks = taxa de retorno mínima aceitável, requerida ou exigida duma acção, considerando seu risco e retornos disponíveis noutros investimentos. ^ Ks = taxa de retorno esperada pelo investidor. O investidor só vai comprar uma acção se K^s ≥ Ks.

Ks D1 = rendibilidade ou rendimento esperado dos dividendos no próximo ano. po Se esperamos que uma acção paga o dividendo de 1$ durante os próximos 12 meses e o seu preço corrente é $10, então o rendimento esperado é de 10%. ^ p1 - p0 p0 = g → taxa de rendibilidade esperada ou rendimento esperado dos ganhos de = taxa de retorno actual ou realizada.

capital, no próximo ano.

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Se o preço de uma acção hoje é $10 e espera-se uma subida no fim do primeiro ano para $10,5, então o ganho esperado do capital é 10,5 - 10 = 0,5 e o rendimento esperado dos ganhos de capital é 0,5/10 = 5%.

^ D1 p0 p1 - p0 p0

^ → taxa de retorno total esperada dos = Ks dividendos e dos ganhos de capital Neste caso seria 10% + 5% = 15%

5.4.2.1.

Valoração

Os dividendos esperados são a base para o cálculo do valor de uma acção. O valor de uma acção depende dos dividendos futuros esperados. E como o dividendo esperado é um valor futuro, então, podemos dizer que o valor de uma acção é o valor actualizado decorrente dos dividendos futuros esperados. Ou seja, o preço de uma acção é determinado como o valor actualizado dos fluxos de caixa gerados pelas acções.

Em obrigações: I (1+Kd)1 I (1+Kd)2 I (1+Kd)n M (1+Kd)n

V0 =

+

+.....+

+

Quem compra uma obrigação toma o conhecimento do período de maturação. Mas quem compra uma acção não toma o conhecimento sobre o período de vida dessa acção. O valor da acção hoje é determinado como o valor actualizado do fluxo infinito de dividendos. Na acção temos um fluxo de caixa ou dividendos infinitos porque as acções são transmissíveis de geração para geração. Uma acção é uma perpetuidade, logo, os seus dividendos são perpétuos. Os dividendos podem ser de valores fixos ou não.

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^ Em acções: V0 = P0 = Pv = Present (Pv) ou Valor actual (VA) Fórmula para cálculo do valor de uma acção: D1 (1+Ks)
1

VA=

+

D2 (1+Ks)
2

+.....+

D∞ (1+Ks) ∞

∞ VA=∑ t=1 Suponhamos que daqui a 2 anos vamos vender a acção que temos hoje, t=2. Esperamos agora receber por ela os dividendos dos dois anos e o preço P0 daqui a 2 anos. Reescrevendo a fórmula anterior (modelo base) teremos: ^ 1. VA = P0 = D1 (1+Ks)1 + D2 (1+Ks)2 + ^ P2 Dt (1+Ks)t - Modelo generalizado de valoração das acções

^ 2. P2 = D1 (1+Ks)
1

+

D2 (1+Ks)
2

+.....+

D∞ (1+Ks)∞

Se substituímos (2) em (1) voltaremos para o modelo base.

Há 3 hipóteses a considerar na avaliação das acções: a) Os dividendos são os mesmos em cada ano/dividendos

constantes/dividendos com crescimento nulo. b) c) Dividendos com crescimento normal ou constante. Dividendos com crescimento anormal.

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5.4.2.2. Avaliação das acções com crescimento nulo de dividendos

O crescimento nulo significa que os dividendos são constantes durante o tempo todo, isto é, g=0. D1 = D2 = D3 = …. = D∞

Assim podemos escrever: ^ P0 = D1 (1+Ks)1 + D2 (1+Ks)2 +.....+ Dn (1+Ks)n +....+ D∞ (1+Ks)∞

Logo, uma acção com crescimento nulo de dividendos, é uma perpetuidade. Apesar da acção com crescimento nulo de dividendos fornecer um fluxo constante de dividendos, cada dividendo seguinte tem um valor presente menor, a medida que n cresce. Quando os valores de n ficam muito grandes, o valor presente do dividendo aproxima-se a zero. Isto porque os efeitos dos juros futuros duma renda perpétua acabam distorcendo o valor da acção. O risco é tanto maior quanto maior for o tempo.

Exemplo: Vamos supor que uma certa acção paga dividendos USD 1,82 durante a sua vida e que a sua taxa de retorno necessária é de 16%.

D = USD 1,82 Ks = 16%

^ p0 = 1,82 (1,161)1 + 1,82 (1,16)2 + 1,82 (1,16)3 + .....+ 1,82 (1,16)50 + 1,82 (1,16)100 ........

= 1,57 + 1,35 + 1,17 + ......+0,001 + 0,000001

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A conclusão é que o preço de uma acção com crescimento nulo é igual a razão entre o dividendo e a taxa de retorno.

Isto pode ser reduzido à fórmula para uma perpetuidade: ^ P0 = D Ks

Assim sendo: ^ P0 = 1,82 0,16 = 11,38 USD

Podemos também determinar a taxa de retorno esperada como sendo: ^ Ks = D P0 = 1,82/11,38 = 16%

Se nós compramos uma acção ao preço de USD 11,38 hoje, e esperamos dela dividendos constantes, a taxa de retorno esperada é K^s.

5.4.2.3. Valor da acção com crescimento constante ou normal dos dividendos É preciso primeiro determinar os dividendos. g = Taxa constante de crescimento (esperada) D1 = D0 + D0*g D1 = D0*(1+g) D2 = D1 + D1*g = D0*(1+g) + D0*(1+g)*g = D0*(1+g)2 Dt = D0(1+g)t O valor intrínseco da acção é igual ao valor presente do fluxo dos dividendos futuros. Se g é constante, então:

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^ P0 = ^ D = Ks*p0 Mas, Ks é constituído pelos dividendos e ganhos de capital, quando há crescimento. Como podemos ver, a equação (1) é a soma de uma progressão geométrica cujo resultado final é: D0(1+g)1 (1+Ks)1 + D0(1+g)2 (1+Ks)2 +.....+ D0(1+g)∞ (1+Ks)∞ (1)

^ (Ks - g)*p0 = D0 (1+g) = D1

^ p0 = D0(1+g) Ks - g = D1 Ks - g (2)

Condição de validade: Ks > g. Este modelo (2) chama-se Modelo de Gordon. ^ Se g = 0 →p0 = ^ p1 = D2 Ks - g D1 Ks e, significa o valor duma acção quando o crescimento é nulo.

Taxa de retorno esperada com crescimento constante de dividendos

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Podemos resolver a equação (2) para Ks fazendo K^s, para mostrarmos que trabalhamos com a taxa esperada de retorno. ^ Ks = D1 p0 +g

Ou seja: ^ Ks = D1 p0 + ^ p1 - p0 p0

^ Ks D1 p0 g

- Taxa de retorno esperada

- Rendibilidade esperada de dividendos

- taxa esperada de crescimento ou rendibilidade esperada dos ganhos de capital

Exemplo: Se hoje compramos uma acção que custa p0 = USD 23 e esperamos que D1 = 1,242 e que vai crescer a uma taxa constante de 8% no futuro, então a taxa de retorno esperada será:

Ks = 1,242/23 + 8% = 13,4%

5.4.2.4. Avaliação das acções com crescimento anormal dos lucros e dos dividendos Nesta hipótese de avaliação das acções, os dividendos verificam duas etapas de crescimento; uma etapa anormal que se segue depois por uma etapa normal. Aqui não há fórmulas novas para determinar o valor das acções, daí que o mais importante é o raciocínio.

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Para calcular o valor da acção com crescimento anormal dos lucros e dos dividendos, tem que obedecer certos procedimentos:

1º - Calcular os dividendos dos períodos ou anos de crescimento anormal. Significa isto que, se no 1º ano o crescimento é de 10%, no 2º ano é de 12% e no 3º ano, 20%, o crescimento não é constante. Isto é: D1 = D0(1+10%)1 D2 = D1(1+12%) ou D2 = D0(1+10%)(1+12%) D3 = D2(1+20%) ou D3 = D0(1+10%)(1+12%)(1+20%) 2º - Actualizar esses dividendos à taxa de retorno mínima necessária. 3º - Calcular o preço da acção (p^t) no final do período de crescimento anormal ou no início do período de crescimento normal. 4º - Actualizar o preço 5º - Somar tanto o valor dos dividendos actualizados como o preço da acção actualizado.

Em suma:

^

n

^

P0 = ∑
t=1

Dt (1+Ks)
t

+

pn (1+Ks)n

Exemplo:

A Zeo Computadores está a atravessar um rápido crescimento. Espera-se que os lucros e os dividendos cresçam a uma taxa de 18% durante os próximos 2 anos, a 15% no terceiro ano e depois a uma taxa constante de 6%. O último dividendo foi 1.150 Mt por acção, e a sua taxa de retorno necessária é de 12%.

a)

Calcule o valor da acção hoje e demonstre os ganhos totais, de dividendos e de capitais.

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CAPITULO 6: RISCO E TAXA DE RETORMO

Risco é a probabilidade de ocorrência de um acontecimento futuro desfavorável. Do ponto de vista financeiro é a variação provável de retornos futuros de um activo, avaliação provável de fluxos de tesouraria esperados, resultantes de um investimento.

Numa obrigação a curto prazo emitida pelo Estado, pressupõe retornos livres de risco (a taxa livre de risco considera somente o ganho de inflação). Mas se em contrapartida essa mesma taxa é oferecida para investir em acções duma nova empresa que vai abrir já estaríamos perante o investimento de maior risco.

Distribuição de probabilidades e Taxa de Retorno Esperado

Distribuição de probabilidades é a estimativa da probabilidade associada com cada resultado possível, ela consiste em poucos resultados potenciais. Exemplo quando o prevemos os fluxos de caixa, regra geral faz-se as estimativas seguintes:

Estimativa pessimista – associada ao estado da recessão económica, tem a ver com a possibilidade de factores que condicionam o fracasso da procura;

Estimativa normal – associada ao estado estacionário da economia, os retornos terão o mesmo valor que tem hoje;

Estimativa optimista – associada ao crescimento económico do país é possível que os resultados no futuro sejam maiores.

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Comparação de riscos

Estado da economia

Probabilidade (P)

Projecto A

Projecto B

Valor esperado do projecto A P*A 80 300 120 500

Valor esperado do projecto A P*B 0 300 200 500

Recessão Normal Boom (pico) TOTAL

0,2 0,6 0,2 1

400 500 600 1.500

0 500 100 1500

Taxa de Retorno Esperada
Estado da economia Projecto A Recessão Normal Boom Projecto B Recessão Normal Boom (pico) 0,2 0,6 0,2 0 0,5 1,0 0 0,3 0,2 0,2 0,6 0,2 0,4 0,5 0,6 0,08 0,03 0,12 Probabilidade ocorrência (P) de Resultados ocorrência de Taxa de retorno esperado

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Modelo de cálculo de valor e taxa de retorno esperado

K - Resultado médio ou valor esperado;
Pi – probabilidade de ocorrência de uma situação económica; K^ – taxa de retorno esperada; Ki – resultado esperado ou percentual para cada situação I – Investimento

Valor esperado do retorno ( K ): é o retorno mais provável de um determinado activo K^= ∑ K × Pr isto é k1*p1+k2*p2+….+kn*pn
i i

Sendo que para resultados conhecidos e probabilidades iguais, K =

∑ Ki n

Mediçãodo risco A conclusão que tivemos é quanto mais concentrados são os retornos futuros esperados menor é o risco Desvio padrão O desviopadrão eo coeficiente da variação são as medidas do risco, medidas de concentração distribuição de probabilidades de retornos dos projectos.

? = Σ ( Ki− K ) x Pr i e para resultados conhecidos e probabilidades iguais: ? =
2

Σ ( Ki − K ) n −1

2

Quanto maior é o desvio padrãomaior será o risco do projecto, se σ é maior quer dizer que a dispersão é maior.Conformemostra a tabela seguinte.

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Coeficiente de variação

Há vezes em que o desvio padrão se mostra inadequado para medir o risco. Consideremos dois projectos C e D Projecto C Retorno esperado 1000 USD Projecto D Retorno esperado 4000 USD

σC = 300 USD

σD=300 USD

CV =

σ
K

→ Projecto C , CV = 300/1000 = 0.3

Projecto D = 300/4000 = 0,075 Como podemos

constatar o coeficiente de variação do C é maior do que do D, isto implica que o projecto C é de maior risco é sempre aconselhável utilizar o coeficiente de variação se os fluxos de caixa em analise são dados em unidades monetárias enquanto que o desvio padrão é de maior utilidade se os retornos que temos são medidos percentualmente

Risco de uma carteira de títulos (Portfólio) e o modelo CAPM

Podem existir varias oportunidades de investir sempre que fazem previsões de negócios para o futuro, pesquisar a possibilidade de investir devemos comparar os riscos de um investimento em particular com o risco combinado como consequência de se considerar a combinação de vários projectos cada um com o seu risco.

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Uma empresa siderúrgica pode num período de recessão conseguir um risco menor se combinar a sua actividade com uma outra actividade de produção de material de construção (porque no período de recessão regra geral os investimentos são de imobiliário).

Pode apenas investir num negócio combinado do que num único negocio. A combinação de projectos chama-se portefólio significa investimentos em vários projectos.

O desvio padrão combinado situa-se entre os desvios padrões dos 2 projectos. O desvio padrão 2 do projecto sobre portefólio de activos pode ser menor que a soma dos desvios dos retornos dos activos individuais.

Se dois conjuntos de dados tendem se mover junto diz-se que são positivamente correlacionados, se eles tendem a se mover em direcções contrárias diz-se que estes
dados são negativamente correlacionados.

Modelo de CAPM

A redução de risco implica a minimização da taxa de retorno esperada e a redução da taxa de retorno esperada tem implicações para a redução da taxa de retorno necessária. O modelo CAPM desenvolveu –se para analisar as relações existentes entre o risco e as taxas de retorno existentes quando agrupados num portfolio bem diversificado e a taxa de retorno requerida

Pressupostos básicos do modelo

Os investidores todos tem o mesmo período de maximização ou o mesmo período esperado quando escolhem o portfolio com alternativa ao investimento individualizado; Todos os investidores podem vender ou comprar o numero ilimitado de activo e a uma dada taxa livre de risco não há restrições no mercado; KRF = KRisk free = taxa de juro livre de risco

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As expectativas dos investidores são homogéneas significa que qualquer um deles tem a mesma estimativa de retorno esperado, variância e co-variância de retorno Todos os activos são perfeitamente divisíveis e perfeitamente líquidos por conseguinte não há custos na sua transacção; Não há impostos; Os investidores assumem que a compra e venda não afectará o preço dos títulos; Toda a informação é disponível relativamente aos elementos da transacção. Toda a quantidade do activo é dada e é fixa

SML – Security Market Line ou Linha do mercado de activos

Esta linha mostra com síntese as conclusões das nossas aulas a um risco maior deve compreender maior taxa de retorno; A SML mostra o comportamento dos investidores mediante a combinação risco-taxa de retorno, dai que também se chama curva ou função dos dilemas risco-retorno;A medida que o risco aumenta são exigidos maiores retornos sobre os investimentos;

B – Beta = risco específico de cada acção, o beta constitui o elemento integrante do modelo CAPM

SML = Ki = krf + (Km-Krf)B

Onde km = taxa de retorno do mercado. Krf = taxa de retorno livre risco A medição do comportamento do investidor é em função da taxa de retorno e do risco. Ki = taxa de retorno requerida.

Neste caso é a taxa de retorno do equilíbrio, significa que a taxa de retorno esperada devera ser igual a esta taxa de retorno requerida. Ki

Km = também é dita a taxa de retorno requerida do portfolio se esse portfolio consiste em todas acções do mercado.

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PRm = km-krf = prémio de risco do mercado. Se o beta (B), é o risco especifico, então premio do risco da acção especifica é PRi = (Km-Krf)B

Exemplo Krf = 9%, Km = 13% B = 0,5 calcular a taxa de retorno do equilíbrio, isto é a taxa de retorno requerida das acções se o mercado estiver em equilíbrio. Ki = 9%+(13%-9%)*0,5 = 11% O risco relevante é todo o risco que pode ser medido através do beta (B)

CAPITULO 7. CUSTO DE CAPITAL

O custo de capital é a taxa de retorno que uma empresa precisa de obter sobre os seus investimentos de forma a manter inalterado o valor da empresa, no mercado. O valor da empresa pode ser definido como o somatório dos lucros futuros esperados, actualizados a uma dada taxa de retorno necessária – que representa o custo de capital. A taxa de retorno necessária é aquela taxa mínima para que a empresa não se desvalorize. Se o custo de capital é a taxa de retorno necessária para que a empresa não de desvalorize, então, tendo no futuro lucros que permitam somente a manutenção do seu valor presente, a actualização desses lucros a essa taxa será igual a zero. Neste caso significaria que a empresa está a operar sobre o seu ponto morto, porque vai manter no futuro o seu valor actual. Neste capítulo, quando se fala de investidor tem-se em conta o poupador, o obrigacionista que fornece os fundos; o empresário é quem utiliza os fundos. Desta forma, se para quem fornece os fundos é a taxa de retorno, para quem utiliza é um custo. A aceitação de projectos que envolvem taxas de retorno abaixo do custo de capital, diminuirá o valor da empresa e se for superior garantirão o aumento do valor da empresa. A empresa deve ser visualizada como um problema actual e o seu custo de capital deve ser calculado como uma média ponderada, composta dos vários tipos de recursos que ela utiliza; não se pode analisar cada tipo de capital utilizado por uma empresa separadamente.

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Neste capítulo serão abordadas questões como: componentes e custo de capital, custo de capitais próprios, custo dos capitais alheios, custo dos lucros retidos (abordagem CAPM e DCF) e por fim a lógica da média ponderada do custo de capital.

7.1. Componentes e custo de capital

Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000:619), componente de capital é cada um dos tipos de capital empregados pelas empresas para levantar dinheiro. Os componentes de capital são os seguintes: • • • • • • • • • Capital alheio Acções preferenciais Lucros retidos Acções ordinárias

Cada um destes tem um custo próprio, assim: K – Taxa de juro dos capitais alheios Kd – Custo da dívida (CA) após o imposto Kp – Custo das acções preferenciais Kr – Custo dos lucros retidos Ks – Custo de novas emissões das acções ordinárias

7.2. Custo dos capitais alheios (antes do imposto)

O custo do capital alheio da empresa por ano é igual a taxa de retorno dos investimentos, isto é, a taxa de juro sobre o preço do capital alheio (CA).
K = J/M*100%

Onde
J – Juro pago M – Montante principal obtido K – Custo da dívida

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7.2.1. Considerando o custo de emissão

O custo da divida será:
Kd = K = (Jt + (M-P) /n)/ (M + P)/2 Jt – Pagamento de juro periódico M – Valor ao par P – Preço de venda (que pode ser diferente de M) n – Vida útil da obrigação (M – P) – Amortização anual de premio (P> M) ou desconto (P <M) (M + P)/2 – Montante médio emprestado

Considera-se que nem todo o valor de emissão vai para a empresa, mas uma parte fica com a pessoa que faz a emissão. O custo da emissão compreende a comissão que se deve pagar às pessoas que fazem com que a dívida, obrigações cheguem às outras pessoas. Hoje em dia as obrigações das empresas são emissões particulares, então, o custo de emissão é menor.

8.2.2. Acções preferenciais

Outra fonte dentro dos capitais próprios é uma fonte híbrida: Acções preferenciais. Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000: 622), o custo das acções preferenciais (Kp), é a taxa de retorno que os investidores exigem sobre a acção preferencial da empresa.
Kp é calculado como dividendo preferencial (Dp), e dividido pelo preço de emissão

líquido (Pn).

As acções preferenciais são uma fonte híbrida de financiamento pois situam-se entre o capital alheio e as acções ordinárias (capital próprio). O capital alheio (obrigações) envolve um compromisso fixo de se desembolsar valores nos períodos estabelecidos.

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As acções preferenciais também envolvem um compromisso fixo de fazer desembolsos, simplesmente esses desembolsos dependem dos lucros. No caso de liquidação da empresa as exigências do accionista preferencial gozam de primazia relativa à do accionista ordinário. Mas o não pagamento do dividendo preferencial não resulta em falência da empresa, enquanto que o não pagamento da divida do capital alheio pode levar a falência da empresa. As acções preferenciais são mais arriscadas para a empresa do que as acções ordinárias, mas o contrário é valido para o subscritor, por isso as acções preferenciais exigem maior taxa de retorno por parte da empresa. Todavia, as acções preferenciais são menos arriscadas do que as obrigações; esta é uma análise do ponto de visa do utilizador de fundos. Em relação ao investidor, se um investidor desejar comprar obrigações de uma empresa pode aceitar uma taxa de juro menor do que aquela que aceitaria se tivesse de comprar uma acção preferencial e, para esta exigirá uma taxa de retorno menor do que se quisesse comprar uma acção ordinária; é o problema de aversão ao risco.

O custo das acções preferenciais é uma rendibilidade preferencial Kp.
Kp = (Dividendo preferencial (Dp) /Preço da acção preferência (Pp)) *100%

Mas as acções têm um custo de emissão; considerando a existência de custo de emissão, temos de determinar o custo das acções preferenciais deduzido do custo de emissão.

Pn = Ppn = Pp-Custo de emissão Pn – preço liquido

Assim Kp = Dp/Pn Portanto, o custo de emissão aumenta o custo de dinheiro.
Dividendo – grandeza económica Juro – grandeza económico – financeira

A fiscalidade trata de duas formas diferentes, essas duas grandezas no aspecto de tributação.

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O dividendo resulta da distribuição do lucro líquido, enquanto que o juro é um custo fiscalmente aceite, por isso é utilizado na obtenção de lucro líquido.

7.2.3. Ajuste fiscal do custo da divida

Na primeira abordagem, sobre o custo da dívida assumiu-se que não haviam impostos. Na abordagem sobre acções preferenciais considerou-se implicitamente, que elas são remuneradas pelos lucros líquidos; então, existe uma incompatibilidade entre as duas abordagens pelo seguinte: • • Os juros são livres de impostos Os dividendos não são custos fiscais

A decisão de investir em acções preferenciais não depende dos impostos. O que maximiza o valor de uma empresa é o lucro retido. O custo da divida terá que ser corrigido porque a dívida beneficia do desconto fiscal.

Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000: 620), o custo da dívida pósimpostos, Kd* (1-T), é o custo relevante da nova dívida, levando em conta a dedutibilidade fiscal dos juros. Este custo é empregado para calcular o custo médio ponderado de capital e é a taxa de juros sobre a divida, Kd, menos a economia fiscal resultante porque os juros são dedutíveis, isto é Kd multiplicado por (1-T), em que T representa a aliquota marginal do imposto sobre o rendimento da empresa.

Investir em capitais alheios é garantir a participação do estado no pagamento do custo desse investimento; mas investir em acções preferenciais não permite a redistribuição do custo via fiscal. A economia do imposto no caso do capital alheio é igual a Ei = taxa de juro. O custo do capital alheio após imposto (Kd) é:
Kd = K* (1 - T)

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7.3. Custo dos lucros retidos

O capital próprio, de modo geral, pode ser aumentado por via externa (através da emissão de acções) ou por retenção de lucros produzidos e retidos pela empresa. Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000: 622), os custos de endividamento e as acções preferenciais são baseados nos retornos que os investidores exigem sobre esses títulos. Da mesma forma, o custo dos lucros retidos, Ks, constitui a taxa de retorno que os accionistas exigem sobre o capital social que a empresa obtém retendo os lucros. Em suma, o custo dos lucros retidos (Ks), é a taxa de retorno exigida pelos accionistas sobre as acções ordinárias de uma empresa.

Kr – Taxa de retorno exigida pelos accionistas ordinários da empresa, Ks – é a taxa de

retorno necessária em acções (modelo de valoração), isto leva a concluir que Ks = Kr. A razão desta separação decorre das formas de obtenção dos capitais (emissão das acções ou retenção de lucros).

7.3.1. Abordagem DCF (discounted cash flow)

Este é o modelo utilizado na avaliação das acções ordinárias e do custo dos lucros retidos, dado que Kr = Ks. No modelo de crescimento de dividendos, do modelo de Gornon temos que:
P0 = D1/(Kr - g), onde Kr = (D1/P0) + g

Como se referiu acima, Kr é a taxa de equilíbrio ou taxa de retorno exigida ou necessária; importa salientar ainda que, o custo dos lucros retidos depende do preço das acções e da taxa de crescimento dessas mesmas acções.

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7.3.2. Abordagem CAPM

Este modelo serve ara analisar as relações existentes entre o risco e a taxa de retorno de activos quando estão agrupados num portifólio bem diversificado, fazendo comparação entre o risco global do mercado e a taxa de retorno exigida ou requerida.

Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000: 624), para se usar o modelo de Precificação de Activos de Capital (CAPM), procede-se da seguinte forma: • • • • Estimamos a taxa livre de risco (KRF). Estimamos o coeficiente beta da acção (βi), e o usamos como índice do risco da acção; o i dignifica o i-ésimo beta da i-ésima empresa. Estimamos a taxa de retorno esperada no mercado ou de uma acção “média”,
KM.

Substituímos os valores precedentes na equação CAPM para estimar a taxa de retorno exigida sobre a acção em questão.

7.3.3. Custo das acções ordinárias

Também designado por custo de capital próprio externo, isto é, o custo de emissão de novas acções.

Segundo J. Fred Weston e Eugene F. Brigham (2000: 627), o custo das novas acções ordinárias (Ke), ou capital accionário externo, é mais elevado do que o custo dos lucros retidos (Ks), devido aos custos de lançamento envolvidos na venda de novas acções ordinárias; o custo capital accionário externo, é baseado no custo dos lucros retidos, mas aumentado devido aos custos de lançamento no mercado.

O custo de novas emissões dada a existência de custos de emissão, que se pode denominar de Ks ou Ke.
Ks = [( D1/P0 (1 – F)] + g, onde F = Custo de emissão/Preço da acção

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Custo de lançamento no mercado (F), é o custo percentual da emissão de novas acções ordinárias. Seja Pn = (D1/Pn) + g
Pn = preço corrigido dos custos de emissão, assim, Ks = (D1/Pn) + g

Para se conseguir que o dividendo Dt das novas emissões seja igual ao dividendo antigo, deve-se conseguir uma taxa de retorno maior para cobrir os custos de emissão. Muitas vezes para salvaguardar os ganhos dos accionistas antigos os novos accionistas entram com o prémio de emissão (mais valia).
1. Pn = ∑D1/ (1 + Ke) t , onde Ke é o custo das novas emissões. Dt – Fluxo dos dividendos para os novos accionistas

A que taxa será reinvestido esse aumento? Na hipótese de que o crescimento é constante temos:
2. Pn = P0 (1 – F) = D1/(Ke – g) Ke = [(D1/P0 (1 – F)] + g.

7.4. Combinação do capital alheio e capital próprio

A opção em investir só em capitais alheios ou só nos capitais próprios pode não ser a melhor decisão no conjunto dos capitais possíveis da empresa. A melhor decisão será aquela que resulta do custo combinado desses tipos de capitais, porque ela pode inclusive reduzir o custo médio do capital mas importa salientar ainda que nem sempre a combinação leva a uma redução dos custos.

Quando comparamos combinações normalmente existem duas alternativas: • • • ou • Capital alheio Capital alheio Acções preferenciais
Acções ordinárias

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• •

Acções preferenciais
Lucros retidos

Portanto, nunca é possível combinar entre as retenções de lucros e a emissão de novas acções, porque ambas são opções alternativas e é preciso escolher uma entre elas.
MPCC = média ponderada dos custos de capital (ou o custo de equilíbrio, custo

composto ou ainda custo marginal de capital).

MPCC = Wd*Kd + Wp*Kp + Ws*Ks Wp, Wd, Ws, são proporções de cada tipo de capital sobre os capitais totais K – custo do empréstimo ou da dívida Kd = (1-T) *K – Custo da divida corrigida do imposto Kp – Custo das acções preferenciais Ks – Custo das novas acções ou dos lucros retidos

Portanto, MPCC = Wd*K*(1-T) + Wp*Kp + Ws*Ks
WsKs – é substituído por WsKr, quando ao invés de acções ordinárias temos lucros

retidos. As proporções podem ser históricas ou marginais. O peso diz-se histórico porque se considera óptima a estrutura de capital existente até esse momento na empresa. Se o peso é marginal quer dizer que baseia-se nas proporções efectivas de cada tipo de financiamento que a empresa usar no financiamento de um dado projecto.
Peso histórico é o método que geralmente é mais adoptado por ser barato, mas so se

pode usar no pressuposto de que a estrutura que a empresa tem naquele momento é óptima. Há dois tipos de peso histórico que podem ser usados: •
Baseado no valor dos livros (contabilístico) – o financiamento a ser levado a

cabo usa exactamente a mesma proporção de cada tipo de capital da actual estrutura de capital da empresa. •
Baseado no valor do mercado – considera-se as proporções doa capitais a obter

em função do seu preço no mercado naquele momento; é o método mais eficaz e

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mais preferível na medida em que se aproxima melhor àquilo que são os preços de capital no momento da decisão. A sua não adopção deve-se a dificuldade na determinação do preço do mercado dos capitais próprios (acções ordinárias e lucros retidos). A MPCC vai ser maior (considerando os valores do mercado) do que no método baseado no valor do lucro, devido ao aumento dos custos de mercado dos diferentes tipos de capital à medida que o tempo vai passando.

7.5. Alteração da MPCC

Não se pode esperar que os custos de capital se mantenham constantes etereamente. Os custos de capital não se mantêm constante eternamente porque os custos individuais dificilmente se mantêm, a MPCC também sofrerá alterações futuras com o aumento de capital no futuro. Por exemplo, os capitais alheios ficam mais caros se uma empresa aumentar o grau de endividamento, porque os credores podem exigir maiores taxas de juro na medida em que perdem a confiança pela empresa, que tem o grau de dependência muito alto. A medida que uma empresa vai-se endividando, o seu custo individual específico do capital alheio vai aumentando e isso provoca também o aumento dos custos dos capitais próprios porque os accionistas também vão exigir taxas de rendibilidade necessária cada vez maiores (redução dos lucros retidos).
Resultados retidos (R) = (1 – POR) *Lucro

onde
POR – Payout rate (rácio de dividendos)

Temos um limite dos lucros a reter e a partir desse limite ser’a determinado quanto utilizar das outras fontes de capital.
Lucro retido = Taxa de retenção * Lucro total Taxa de retenção = 1 – Taxa de dividendo

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8.5. Ponto crítico de capitais

O ponto crítico dos capitais, é o volume máximo de uma fonte específica de capital que pode ser suportado por uma fonte específica de capital. O ponto crítico dos capitais representa o financiamento total que a empresa terá que aceitar, se tiver que emitir forçosamente novas acções, querendo manter a mesma estrutura de capital.
PCLR = (1 – POR)*Lucro/Ws PCLR = LR/Ws

onde
PCLR – Ponto crítico dos lucros retidos POR – Payout rate (rácio de dividendos) LR – Lucros retidos Ws – Proporção dos lucros retidos

CAPITULO 8: ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS 1. Demostrações e relatórios financeiros 1.2. A demonstração de resultados do exercício 1.3. Balanço patrimonial 1.4. Demonstração de lucros retidos 2. Análise dos índices económico-financeiros 2.1. Índices de liquidez 2.2. Índices de administração de activos (ou índices de actividade) 2.3. 2.4. 2.5. 2.6. 2.7. 2.8. Índice de endividamento Índices de lucratividade Índices de valor de mercado Análise de tendências Resumo da análise de índice: o quadro du pont Análise comparativa de índices

Este capítulo deveria constituir, maioritariamente, uma revisão do que já se aprendeu em contabilidade. No entanto, a contabilidade focaliza como as demonstrações financeiras

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são feitas, ao passo que em nosso caso analisamos como elas são empregadas pela administração, para melhorar o desempenho da empresa, e pelos investidores, para atribuir um valor às acções da empresa.

1. DEMOSTRAÇÕES E RELATÓRIOS FINANCEIROS

Dos vários relatórios que as empresas enviam a seus accionistas, o relatório anual é provavelmente o mais importante. Este, é um relatório publicado anualmente por uma empresa para os seus accionistas. Ele contém demonstrações financeiras básicas, bem como a posição da administração sobre as operações do respectivo ano e as perspectivas da empresa.

O relatório anual apresenta quatro demonstrações financeiras básicas: a demonstração de resultados, o balanço patrimonial, a demonstração dos lucros retidos e a demonstração dos fluxos de caixa. Consideradas em conjunto, essas demonstrações apresentam um resumo das operações da empresa e sua situação financeira. A informação contida em relatório anual é utilizada pelos investidores para criar expectativas sobre os lucros e dividendos futuros. Assim, o relatório anual é evidentemente de grande interesse para os investidores.

1.2. A demonstração de resultados do exercício

A demonstração de resultados do exercício é uma demostração que resume as receitas e despesas da companhia durante um determinado período contábil, geralmente um ano (Brigham, 2000:34). Assim, pode-se afirmar que a demonstração de resultados do exercício é um documento que mostra a situação económica duma empresa, isto é, a síntese dos efeitos financeiros das operações realizadas pela empresa num específico período contabilístico ou num dado período económico (em quanto é que contribuíram os financiamentos para o aumento do valor/riqueza da empresa).

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Na demonstração dos resultados do exercício, as vendas líquidas são mostradas no topo de cada demonstração. Em finanças o lucro por acção (LPA) é chamado última linha, indicando que, todos os itens na demonstração de resultados do exercício, o LPA é o mais importante.

LPA = Lucro líquido/Acções ordinárias

DPA = Dividendos pagos a detentores de acções ordinárias/Acções ordinárias a pagar

Onde:
LPA – Lucro por Acção DPA – Dividendo por Acção

1.3. Balanço patrimonial

O balanço pode ser definido em duas ópticas; contabilística e financeira. •

Contabilisticamente, balanço é um mapa bipartido que mostra por um lado bens

e direitos, e por outro, obrigações que a empresa possui para com terceiros e, evidenciando a situação líquida. •
Financeiramente, balanço é um documento que mostra as origens e aplicações de

fundos; por um lado mostra também a área onde foram aplicados os fundos e por outro, o tipo e origens desses fundos, sumarizando a posição duma empresa num determinado momento.

O balanço é um instrumento predominantemente financeiro dada a sua própria definição na óptica financeira, ao mostrar as origens e as aplicações dos recursos financeiros. Assim, o balanço é a demonstração da situação financeira da empresa em um ponto específico de tempo (Brigham, 2000:35).

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Notas adicionais sobre o balanço patrimonial3:

1) Caixa versus Outros activos

Embora os activos sejam todos declarados em moeda, apenas dinheiro em espécie representa dinheiro vivo. As contas a pagar são títulos que outros devem à empresa; os stocksmostram os recursos que a empresa investiu em matérias-primas, nos produtos em vias de fabrico e nos produtos acabados; e os activos permanentes reflectem a quantia de dinheiro que a empresa pagou por sua fábrica e equipamento quando adquiriu esses activos em um momento passado. Os activos não-monetários deverão produzir dinheiro vivo com o passar do tempo, mas não representam dinheiro em mãos, e a quantia de caixa que produziriam se fossem vendidos hoje poderia ser mais alta ou mais baixa do que os valores com que são representados nos livros.

2) Passivo versus Acções ordinárias

As obrigações contra os activos são de dois tipos: passivos (ou dinheiro devido pela empresa) e a posição proprietária dos accionistas. Os passivos podem ser divididos em: (1) dívidas contraídas junto a terceiros; e (2) outros itens, como impostos e reservas diferidas, etc. Já que não fizemos essa distinção, os termos dívida e passivos são usados como sinónimos. Deve ser notado que as empresas ocasionalmente formam reservas para certas emergências, como os custos em potencial envolvidos em um processo actualmente em julgamento. Essas reservas representam uma transferência dos lucros retidos para a conta reservas. Se uma empresa ganha o processo, os lucros retidos serão creditados e a reserva eliminada. Se perde, a perda éregistada, o caixa será reduzido e a reserva será eliminada. As acções ordináriasdos accionistas ou património líquido, são residuais:

Activo – Passivo – Acções preferenciais = Património líquido dos accionistas

3

Brigham (2000:36-38)

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Acções ordinárias dos accionistas (património líquido) constituem o capital

fornecido pelos detentores de acções ordinárias – capital subscrito, capital realizado, lucros retidos e, ocasionalmente, algumas reservas. O património líquido ou total é formado pelas acções ordinárias e as acções preferenciais.

3) Acções preferenciais versus acções ordinárias

As acções preferenciais são um híbrido, um cruzamento entre as acções ordinárias e a dívida. No caso de falência, as acções preferenciais classificam-se abaixo da dívida, mas acima das acções ordinárias. Da mesma forma, os dividendos preferenciais são fixos, de maneira que os detentores de acções preferenciais não se beneficiam se os lucros das empresam aumentam.

4) Acções ordinárias

As acções ordinárias são aquelas acções normais cujos detententores mantêm direitos de controlo da sociedade (a propriedade da empresa) além de outros direitos associados ao facto de ser detententor de uma fracção do capital social da empresa. Conferem os direitos de gestão da empresa, votar sobre os destinos da sociedade e usufruir de todos os restantes direitos particulares. O dividendo para estas acções dependerá das políticas da empresa sobre os dividendos e a existência de lucros.

1.4. Demonstração de Lucros Retidos

Segundo Brigham (2000:37), os lucros retidos são a parte dos lucros da empresa que foi poupada em vez de paga como dividendos, portanto, pode-se afirmar que a demonstração de lucros retidos, uma demonstração informando quanto dos lucros da empresa não foram pagos como dividendos.

2. ANÁLISE DOS ÍNDICES ECONÓMICO-FINANCEIROS

As demonstrações financeiras divulgam tanto a posição de uma empresa em um ponto do tempo quanto suas operações no decorrer de algum período passado. No entanto, o valor real das demonstrações financeiras está no facto de que elas podem ser usadas para ajudar a prever os lucros e dividendos futuros da empresa. Do ponto de vista de um investidor, a

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previsão do futuro é a base da análise da demonstração financeira, ao passo que, do ponto de vista da administração, a análise da demonstração financeira é útil como meio de antecipar as condições futuras e, mais importante, como ponto de partida para o planeamento de medidas que influenciarão o curso dos eventos futuros. Uma análise de índices económico-financeiros da empresa é geralmente o primeiro passo de uma análise financeira. Os índices destinam-se a mostrar as relações entre as contas da demonstração financeira.

2.1. ÍNDICES DE LIQUIDEZ

Um activo líquido é aquele que pode ser facilmente convertido em caixa a um “justo valor de mercado”, e a “posição de liquidez” de uma empresa lida com esta questão: a empresa será capaz de atender às suas obrigações actuais? No que diz respeito aos índices de liquidez, importa salientar que, estes são índices que mostram a relação entre o caixa e outros activos circulantes em comparação com seus passivos circulantes.

2.1.1. Índice de liquidez corrente

Este índice é calculado dividindo-se o activo circulante pelo passivo circulante. Ele indica a extensão pela qual os passivos circulantes são cobertos pelos activos que se esperam converter em caixa no próximo exercício.

Índice de liquidez corrente = Activo circulante / Passivo circulante

2.1.2. Índice de liquidez seco

Este índice é calculado deduzindo-se os stocks dos activos circulantes e dividindo-se o restante pelos passivos circulantes.

Índice de liquidez seco = (Activo circulante – Stocks) / Passivo circulante
2.2. ÍNDICES DE ADMINISTRAÇÃO DE ACTIVOS (OU ÍNDICES DE

ACTIVIDADE)

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Este segundo grupo de índices (os índices de administração de activos), avalia a eficiência com que a empresa está a administrar seus activos, isto é, os índices de administração de activos são uma série de índices que avaliam a eficiência com que uma empresa administra seus activos.

2.2.1. Giro de Stock ou rotação de stock

O índice de giro ou índice de rotação de stock é definido como as vendas divididas pelo stock:
Índice de rotação de stock ou giro de stock = Vendas / Stocks

2.2.2. Prazo médio de Recebimento

O Prazo Médio de Recebimento (PMR), também chamado de “prazo médio de
cobrança” (PMC), é usado para avaliar as contas a receber e é calculado dividindo-se as

vendas médias diárias em contas a receber para descobrir o número de dias de vendas que estão vinculados às contas a receber. Assim o PMR representa a extensão média de tempo entre uma venda e o recebimento do pagamento, o qual constitui o prazo médio de cobrança. Em suma, o PMR constitui o índice calculado ao dividir as contas a receber pelas vendas médias diárias; indica a extensão média de tempo entre a realização de uma venda e o recebimento do pagamento.

PMR = Prazo Médio de Recebimento = Contas a receber / Vendas médias diárias = Contas a receber / (Vendas anuais/360)

2.2.3. Giro do activo imobilizado

O índice de giro do activo imobilizado mede a eficiência com que uma empresa utiliza suas fábricas e seus equipamentos. Trata-se do índice de vendas em relação aos activos imobilizados líquidos, portanto, é o índice de vendas em relação aos activos fixos líquidos.

Índice de giro do activo imobilizado = Vendas / Activo imobilizado líquido

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2.2.4. Giro dos activos totais

Índice final da administração de activos, o índice de giro dos activos totais mede a rotação de todos os activos da empresa; ele é calculado dividindo-se as vendas pelos activos totais:

Giro de activos totais = Vendas / Activos totais

2.3. ÍNDICE DE ENDIVIDAMENTO

A extensão pela qual uma empresa utiliza o capital de terceiros, ou alavancagem
financeira, conta com três importantes implicações:

1) Ao aumentar recursos por meio da dívida, os accionistas podem manter o controle de uma empresa com investimento limitado. 2) Os credores esperam que o capital próprio, ou seja, os recursos fornecidos pelo proprietário, proporcione uma margem de segurança; se os accionistas tivessem fornecido apenas uma pequena proporção do financiamento total, os riscos da empresa seriam assumidos principalmente por seus credores. 3) Se a companhia ganha mais em investimentos financiados com recursos tomados de empréstimo de que paga em juros, o retorno do capital dos proprietários é expandido, ou “alavancado”.

2.3.1. Índice de endividamento

O índice de endividamento, avalia a percentagem dos recursos fornecidos pelos credores. O índice de endividamento é o índice da dívida total em relação aos activos totais. O índice de endividamento é o índice da dívida total em relação aos activos totais.

Índice de endividamento = Dívida Total / Activos totais

2.3.2. Índice de cobertura de juros (ICJ)

Este índice é determinado dividindo-se os lucros antes dos juros e impostos (LAJIR) pelos juros. Pode-se ainda afirmar que, o índice de cobertura de juros (ICJ) é o índice do

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lucro antes do imposto (LAJIR) em relação aos encargos de juros; mede a capacidade da empresa de atender aos seus pagamentos de juros anuais.

Índice de cobertura de juros (ICJ) = LAJIR / Encargos de juros 2.3.3. Índice de cobertura do encargo fixo

Este índice é semelhante ao índice de cobertura de juros, mas é mais abrangente porque reconhece que muitas empresas arrendam activos e também devem realizar amortizações. O arrendamento (leasing) tem-se tornado generalizado em certos sectores nos últimos anos, fazendo este índice preferível ao índice de cobertura de juros para muitos fins. Importa realçar ainda que este índice vai para além do índice índice de cobertura de juros (ICJ) por incluir as obrigações anuais de longo prazo e do fundo de amortização da empresa.

Índice de cobertura = (LAJIR + Pagamento de leasing) / [(Encargos de juros + Pagamentos de leasing + Amortização/(1 – Taxa fiscal)]

2.4. ÍNDICES DE LUCRATIVIDADE

Os índices de lucratividade constituem uma série de índices que mostram os efeitos combinados da liquidez, da administração de activos e da administração da dívida sobre os resultados operacionais.

2.4.1. Margem líquida

Este índice mede a renda por unidade monetária de vendas; ele é calculado dividindo-se a renda líquida pelas vendas.

Margem líquida = LL / Vendas

2.4.2. Índice do poder de ganho básico (PGB)

Este índice indica a capacidade dos activos da empresa de gerarem renda operacional; ele é calculado dividindo-se os LAJIR pelos activos totais.

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Índice do poder de ganho básico = LAJIR / Activos totais

2.4.3. Retorno sobre os activos totais (ROA-return on total assets)

É o índice da renda líquida para com os activos totais.

Retorno sobre os activos totais (ROA) = Lucro líquido disponível para detentores de acções ordinárias / Activos totais

2.4.4. Retorno sobre o património (ROE-return on common equity)

É o índice do lucro líquido para com o património líquido; mede a taxa de retorno sobre o investimento dos detentores de acções ordinárias.

Retorno sobre o património = Lucro líquido disponível para os detentores de acções ordinárias / Património líquido

2.5. ÍNDICES DE VALOR DE MERCADO

É uma série de índices que relacionam o preço das acções da empresa com seus lucros e com o valor contábil por acção. Esses índices dão à administração um indício do que os investidores pensam sobre o desempenho histórico da companhia e suas perspectivas. Se a liquidez, a administração de activos e da dívida e os índices de lucratividade da companhia são bons, então os índices de valor de mercado são altos e os preços de suas accoes provavelmente serão tão altos quanto esperado.

2.5.1. Índice de preço/lucro (P/L)

Este índice demonstra quanto os investidores estão dispostos a pagar por unidade de lucro divulgado, isto é, é o índice do preço por acção para com o lucro por acção; ele demonstra o valor em unidade monetária que os investidores terão de pagar por 1 dólar de lucro corrente.

Índice de preço / lucro (P/L) = Preço por acção / Lucro por acção

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2.5.2. Índice de mercado/valor patrimonial (M/VP)

O índice do preço de mercado de uma acção para com o seu valor contábil fornece outro indício de como os investidores vêm a empresa. Empresas com taxas relativamente altas de retorno sobre o património geralmente vendem a múltiplos mais altos do valor contábil do que as com baixos retornos. O Índice de mercado/valor patrimonial (M/VP), é o índice do preço de mercado de uma acção para com o seu valor patrimonial.

Valor patrimonial por acção = Capital (acções ordinárias) / Número de acções

2.5.2.1.

Índice de mercado /valor patrimonial

É o índice do preço de mercado por acção pelo valor patrimonial.

Índice de mercado/valor patrimonial = Preço do mercado por acção / Valor patrimonial por acção

2.6. ANÁLISE DE TENDÊNCIAS

Trata-se de uma análise dos índices financeiros de uma empresa com o passar do tempo; ela é utilizada para determinar a melhoria ou agravamento da situação financeira.

2.7. RESUMO DA ANÁLISE DE ÍNDICE: O QUADRO DU PONT

É um gráfico destinado a mostrar as relações entre o retorno sobre o investimento, a rotação dos activos, a margem de lucro e a alavancagem.

A equação Du Pont é uma fórmula que fornece a taxa de retorno sobre os activos, multiplicando-se a margem de lucro pelo giro total dos activos, isto é, a margem de lucros vezes o giro dos activos totais é chamada equação Du Pont. Isso fornece a taxa de retorno sobre os activos (ROA):

ROA = MARGEM DE LUCRO X GIRO DOS ACTIVOS TOTAIS = (LUCRO LÍQUIDO / VENDAS) X (VENDAS / ACTIVOS TOTAIS)

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2.8. ANÁLISE COMPARATIVA DE ÍNDICES

É uma análise baseada na comparação de índices de uma empresa com os de outras empresas no mesmo sector.

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