METODOLOGIA CIENTÍFICA EM CIÊNCIAS SOCIAIS

PEDRO DEMO

4. NEUTRALIDADE CIENTÍFICA Do ponto de vista formal, a objetividade poderia ser aceita como a utopia da ciência: conhecer a realidade assim como ela é. A objetividade, como problema colocado a partir do objeto, encontra correspondente a partir do sujeito, que é a neutralidade, ou a insenção axiológica. Os neutros acham que os engajados acabam envolvendo-se em ideologias escusas, colocando a ciência a ser serviço. Já os engajados encaram os neutros como engajados, porém de forma absenteísta (ausente, espécie de "quem cala consente").

4.1 - PROBLEMAS GERAIS Na concepção de Weber, na ciência, qualquer colocação fundada em juízo de valor seria rejeitável. Porém, é perceptível que juízos de valor podem podem sim tocar a ciência de algumas maneiras (ainda que não penetre nela). • Separação dualista entre meio e fim: somente o problema dos meios faz parte da pesquisa científica. •Tomando-se um fim como um dado, sem discuti-lo, é possível investigar cientificamente as consequências que dele resultariam. • Deve ser levado em conta o conhecimento da significação do que se quer, fazendo que se conheçam os fins de acordo com o contexto. • É possível estudar os próprios juízos de valor como objeto científico. Uma ciência empírica não pode ensinar a ninguém o que se deve, mas somente o que pode e - sob condições - o que se quer. Um juízo de valor pode resultar de uma argumentação, mas não é possível vender fraudulentamente ao leitor um juízo de valor como se fosse um argumento. Fala-se em verificação da verdade dos fatos como dever científico.

Para chamar a atenção do cientista. • Até que ponto as ciências podem assumir valores como objeto de estudo sem participar deles? Sistematização de Dahrendorf .Momentos em que há o contato entre a atividade científica e o juízo de valor: A) Escolha do tema: subjetivismo necessário. formando um todo circunstancial histórico.2.1 . separar fatos de juízos de valor. Weber afirma que uma ciência isenta atingiria melhor os fatos. é preciso ultrapassar o mero fato e torná-lo um valor. impossível de se deduzir um através do outro.É necessário que haja. para o leitor. Desse modo. porém. o dado científico é um construto.Fato e valor Em termos formais. opiniões próprias). 4. Problemáticas dessa ideia: • Não existe o "ver" pura e simplesmente. uma clara diferenciação entre o investigador pensante(razão) e o homem volitivo (sentimentos.2 . é bastante prejudicial aos trabalhos da nossa disciplina. fato e valor aparecem mesclados. permanecer responsável para se proteger das consequências imprevistas de suas ações. Na prática. selecionados não só por razões lógicas como por razões históricas. portanto. B) Seletividade da abordagem* C) Valores como objeto: pode-se estudar o valores sem se apresentar como partidário ou adversário a eles.ALGUMAS DISTINÇÕES 4. A mistura entre a discussão científica dos fatos e os arrazoados valorativos. . D) Desfiguração ideológica: tentativa de fazer passar posições valorativas por colocações científicas. Fazer ciência seria. mas apenas o ver a partir de um ponto de vista. E) Aplicação da ciência à prática F) Função social do sociólogo: este deve ser sempre moralista. apesar de ainda defendida. A ciência só se interessa por fatos interessantes socialmente. são claramente distintos.

3 . • negar distinções lógicas.2. não teóricas. Não existe objetividade. Se o objetivo do conhecimento é descobrir e mudar a realidade. Nas ciências sociais. é um discurso cujas propriedades básicas são lógicas. já que nem o sujeito nem a realidade social são neutros. A presença de juízos de valor não traz. a distinção cabe quando é dito que os fins não justificam os meios. posando de neutro e evidente. que é o esforço de conhecer a realidade naquilo que ela é. O problema metodológico é: • dogmatizar o ponto de vista.Neutralidade esperta ou ingênua A neutralidade é a perspectiva do sujeito. A ciência é tida como construção instrumental de estilo teórico.3 . A neutralidade poderia existir apenas nos meios se estes fossem entidades isentas. para fins estratégicos de método de análise. É conveniente separar.2 . a emoção dos fatos.1 .4.Meio e fim No plano logo. O direito que o sujeito tem de valorar segundo seus interesses equivale na exata proporção do direito que um outro sujeito tem de contravalorar.ALGUMAS POSIÇÕES 4. • eliminar a objetivação. A ideologia não pode ser o fim da ciência. tornando a realidade subserviente à ideologia. é fundamental captá-la da maneira mais objetivada possível. . • negar seus pressuposto. entretanto. negando aos outros o direito ao argumento. essa neutralidade é forjada. enquanto a objetividade é a do objeto. meramente instrumentais. Nada é mais importante do que a racionalidade dos fins. O fato de as ciências sociais até hoje usarem juízos de valor é visto como imaturidade histórica que seria superada um dia. 4.3.Realidade e ideologia Ideologia é a posição a serviço de algum interesse. mas sim objetivação. problema metodológico. já que é componente integrante do diálogo com a realidade social.2. em si. 4.

ficando excluída a natureza como tal.CATEGORIAS BÁSICAS 5.PROCESSUALIDADE DE ESTRUTURAS HISTÓRICAS Considera-se a dialética como a metodologia mais conveniente para a realidade social.1. não cabe tal pressuposto na natureza. Não se supera o conflito social como tal. Formação social: realidade que se forma processualmente na história.3. 4.1 .A neutralidade é uma postura farsante por ingenuidade ou por esperteza. o que supõe uma visão dinâmica da realidade social. A dinâmica provém dos antagonismos. as ciências sociais produzem tendencialmente instrumentos de controle social. A historicidade é o locus próprio da dialética Só é tratável dialeticamente o fenômeno tipicamente histórico. a criação.1 . O que acontece na história é historicamente condicionado. 5. no sentido da produtividade histórica. DIALÉTICA . para ser historicamente superável. O conflito social é tomado como estrutura da história.Pressuposto do conflito social Toda formação social é suficientemente contraditória.ABORDAGENS RELEVANTES 5. PARTE II . . Não basta conhecer os problemas sociais metodicamente.3 . A dialética só pode encontar seu pleno sentido na histórica concreta do ser humano.Posição histórico-estrutural A realidade social em parte é dada. em parte é feita. é necessário enfrentá-los. por isso não se produz o totalmente novo. Por neutralidade. Toda formação histórica está sempre em transição.

1. por isso é a alma da dialética.3 .1. apresenta núcleos estruturais invariantes que cabem sob o mesmo conceito. são invariantes. O movimento antitético está no signo da mudança. por mais dinâmica que seja. Sugere a ideia de totalidade histórica. porque é um dado histórico. realidade historicamente contextuada. A radicalidade da antítese condiciona a radicalidade da mudança.A totalidade dialética A alma da dialética é o conceito de antítese. Tese: toda formação social. a capacidade de construir a história em parte. ou dadas SEM sua opção própria. institucionalizada. A realidade concreta é sempre uma totalidade dinâmica de múltiplos condicionamentos. Síntese: superação por elevação. como a polarização. Condições objetivas se aproximam das estruturas formais da natureza e do homem. 5. Toda revolução. resultado histórico construído. A dialética corresponde também a fenômenos centrais da realidade. mas sim condicionada. por dinâmica interna própria. sobretudo se fizermos coincidir com o processo participativo. Toda realidade social gera. antítese. Condições objetivas: aquelas dadas externamente ao homem.Condições objetivas e subjetivas A realidade social não é determinada. no contexto das condições objtivas. é um movimento de superação da fase. que sempre se dá entre dois polos. A dimensão qualitativa é algo objetivo. onde a polarização dentro do todo lhe é constitutiva: o todo é maior que a soma das partes. seu contrário. A antítese se alimenta da estrutura do conflito social. mas é o reino mais próprio da conquista humana. síntese. . A distinção entre condições objetivas e subjetivas alcança aproximar-se da dimensão quantitativa e qualitativa da realidade social.5.2 . Esquema básico: tese. Toda tese envolve dentro de si a dinâmica contrária. Condições subjetivas: aquelas dependentes da opção humana. Antítese: não é uma fase.

de tal forma que o controle cabal de cada uma fosse realizável.Processo histórico de mudança: de um lado. A dialética somente se aplica a realidades que são unidade de contrários.1. A sabedoria popular pode cometer erros científicos graves. Para as ciências sociais. mas sabe mais que a ciência que a felicidade humana é totalidade conflitiva. é triste.1. Termos contráditórios. uma teoria desligada da prática não chega a ser teoria. não permitindo a polarização política. a capacidade política de agir. mas igualmente de influenciar o quadro objetivo. Na história. A mudança é endógena.Unidade de contrários Em termos formais. Nem por isso uma é inferior à outra. O domínio de uma situação histórica nunca é completo. Diálogo autêntico é uma fala contrária. pois não diz respeito à realidade histórica. porquanto unidade seria de iguais. O conflito vem de dentro. troca de lideranças etc.5 Teoria e prática Prática é condição de historicidade. unidade de contrários pelo menos esdrúxula. diferente dos termos contrários. Entendimento e desentendimento são partes integrantes da totalidade comunicativa. há monólogo. como objetivo de partida. monótono. de outro. Teoria é maneira e ver. não de ser. 5. não são dialéticos porque apenas se excluem. a realidade dada. para torná-lo favorável. pois é marca essencial da realidade social. de si. não só no sentido de se organizar de modo competente. . Entre partes idênticas não há comunicação. pois falta nela mobilização autêntica. pois duas coisas idênticas são uma só. Para haver diálogo é necessária a polarização de interesses contrários (contrariados). É mais fácil controlar o grupo humano repetitivo e imitativo. As realidades sociais não são apenas complexas. pois o cotidiano. Não é possível a dissecação de todas as variáveis componentes . Não é viva a comunidade que manifestar consenso excessivo.4 . 5. são sobretudo complexidades polarizadas. as faces sempre dialogam dialeticamente.

não aceitando a disjunção entre estudar problemas sociais e enfrentar problemas sociais. ao lado da teoria. Não haveria como imaginar a nova ciência. pois. outra são os ditos “socialismos reais”. até mesmo contraditórias. e com eles a pré-história. que muitas vezes são tidos com traições e mesmo deturpações desprezíveis da concepção originária. porque se realiza dentro de uma opção política. que são essenciais para sua construção: a) Obriga à revisão teórica b) Pode colaborar no controle ideológico c) Torna a teoria muito mais produtiva. mas é o possível concretamente. Fanatismo e dogamatismo são precisamente isso: só pode existir interpretação única. A prática traz novas dimensões ao conhecimento cientifico social. da mesma teoria. até onde possível. Na prática. e) Repõe a importância do componente político da realidade social. Toda prática é inevitavelmente ideológica. uma ciência totalmente nova. 5. por definição. . e o salto qualitativo torna-se salto mortal.A teoria social necessita de prática. o que a teoria constrói. a teoria é outra. mas prática não a faz necessariamente verdadeira. d) Leva ao questionamento constante da formação acadêmica. Para uma historia totalmente nova. Uma historia totalmente nova nega sua historicidade. Ora. da qual se deriva prática única e fora dela não há salvação.1 Da dialética total à dialética não antagônica Dialética seria método de captação específico de um tipo de história. Embora Marx não formule explicitamente a dialética não antagônica. o que sucede na historia é historicamente explicável. nossa própria historia. centrada em superficialidades e irrelevâncias. porquanto estamos limitados a paradigmas da história atual. A historia concreta nunca é o que a utopia sonha. com base na indigitação de que com o capitalismo terminam os modos contraditórios de produção. pode-se chegar a varias prática. porque gerado no movimento da própria história. a maneira de acontecer. porque a obriga a adequar-se a uma realidade conflituosa. Prática é condição de historicidade. Uma das marcas mais centrais da dialética é reconhecer a essencialidade da prática histórica.2. na prática está a chance de construirmos. A prática sempre trai a teoria. Uma coisa é a teoria socialista de Marx.2 DIALÉTICA E ESTRUTURA – UMA DIÁLOGO COM MARX 5. Aparece a noção de dialética não antagônica. abre-lhe espaço com esta visão de superação tão radical do capitalismo.

resumidos no ideológico. II. bem como historia sem conflitos radicais é historia sem forma. político. restando apenas antagonismos menores. Na infraestrutura encontra-se a produção econômica material.Existe a expectativa de poder tratar a historia como ciência exata. político e intelectual. oriundo da dinâmica da mais valia. que Marx descreve em três momentos: ● jurídico e político.A transição do capitalismo para o socialismo é qualitativamente diferente. IVVVIA dinâmica contraditória do desenvolvimento histórico material gera a necessidade de transformação.2 Dialética marxista ortodoxa Alguns pontos essenciais da Contribuição para a crítica da economia política escrita por Marx em 1859 são: I. não é a consciência que determina seu ser. algo que já não caiba mais na unidade dos contrários? Chegaríamos a uma fase final. Como explicar que uma historia intrinsecamente conflituosa. por lei interna objetiva: a transformação da base econômica altera a superestrutura. que se recolhe a níveis não radicais. III. mítica em sentido negativo. artístico. não justifica coloca-lo como resumo de todos os males. milenarista. superando-o. 5. ● social. Ou seja. de tal sorte que. Somente as transformações econômicas podem ser tratadas de maneira cientifica rigorosa. O conflito de classes é o conflito histórico especifico do modo capitalista de produção. dialeticamente essa transição muda igualmente a antítese. A ideia fundamental é: também o comportamento humano em sociedade é cientificamente tratável. Por mais dura que seja a exploração capitalista e mesmo tomando-se o capitalismo como a fase mais “perversa” que a historia já produziu. de repente. no fundo voluntarista. que é dinâmica porque é contraditória. que já não seria fase. que não se esgota na versão capitalista e reaparece no socialismo com outros conteúdos. superam-se os males da historia. algo semelhante a um paraíso perdido.A infraestrutura determina a superestrutura. religioso. produza. a consciência é explicada pelas condições da vida material. Assim. a uma utopia no sentido negativo de fuga da realidade. tanto na interpretação da dialética total quanto na da dialética total quanto na da dialética antagônica aparece uma visão “hegeliana” que primazia em excesso conteúdos históricos sobre formas. A revolução social é resultado da dinâmica das condições objetivas. porque cabe em leis. Historia com conteúdo totalmente novo. ou seja.2.Acentua-se que o desenvolvimento da dinâmica social é independente da vontade humana e que o modo de produção determina a formação da consciência histórica: o modo de produção determina o desenvolvimento da vida social. o que funda dois . filosófico. revolução se dá propriamente no modo de produção. eliminando os antagonismos radicais da historia. ● jurídico. Conflito social é forma estrutural histórica. política e intelectual. Na superestrutura temos uma dimensão mais difusa.

● estrutura jurídico-política. Engels. Isso pode embasar erros comprovados de perspectivas. VII.3 Dialética e história I.Revolução significa mudança de modo de produção. ainda que seja de subordinação determinada objetivamente. expressões religiosas etc. porque se confunde historia com estrutura. ou seja.2.). . mas aparece a valorização incisiva do fator humano.Não á razão para ver relação mecânica/automática entre infra e superestrutura. Reconhecendo sem mais a imensa virada metodológica que o materialismo dialético significou. em seu “socialismo científico” insinua a libertação dos determinismos objetivos. formada de três estruturas regionais: ● estrutura econômica. no sentido da historia estrutural objetiva. podemos aduzir os seguintes reparos: a) Marx confunde necessidades humanas mais imediatas. que são geralmente materiais. b) Não é correto visualizar mudanças sociais ditas superestruturais como decorrentes das ditas infraestruturais.horizontes centrais: a historia é estrutural e objetiva.O que caracteriza todo modo de produção é sua dinâmica. XAproxima-se da concepção estruturalista da historia. com necessidades humanas mais relevantes. III. mas a própria logica objetiva do processo material. Há evidente incongruência lógica. e ● estrutura ideológica II. a estrutura econômica é sempre determinante em ultima instância. 5. cultura africana. tais como: ● há traços culturais que sobrevivem facilmente a mudanças de modo de produção (cultura judaica. não de forma. Aparece uma historia historicamente explicável. após estas terem esgotado suas potencialidades. no sentido do surgimento da possibilidade de construir historia verdadeiramente humana. Cada fase istorica se supera necessariamente por meio de impacto de suas contradições materiais. c) O conflito de classes é resultado da carestia material – resolvida esta. se aceitarmos que a historia explica transformações de conteúdo. VIII.Esta estrutura global tem como característica o fato de que uma estrutura regional domina a outra. a) As estruturas materiais dadas determinam a consciência.Nesta estrutura global. e o fator humano é secundário: uma organização social não desaparece antes de desenvolver todas as forças produtivas que contém – não é o homem que comanda o processo de transformação. IXAcaba-se a antítese antagônica. b) O papel do homem é subserviente.Todo modo de produção é constituído por uma estrutura global. resolvese o conflito de classe necessariamente. a contínua reprodução de suas condições de existência. IV.

Somente o segundo é dialético. ● as teses do “comunismo científico” e da “dialética não antagônica” chegam a ser ridículas no contexto da prática histórica. Dialética não combina com fanatismo. Dialética de verdade é aquela que a habita a “verdade” do cotidiano. e) Acontecimentos recentes contradizem frontalmente a expectativa desse tipo de materialismo dialético: ● os socialismos reais não apresentam sequer soluções adequadas no plano econômico. buscar entender a questão social da mulher como problema exclusivo da luta de classes do capitalismo. Da abundância material não segue necessariamente a felicidade. A dialética histórico-estrutural se propõe precisamente esta visão: considera a historia movida por formas – necessárias. A estratégia essencial de mudança é conservar unidas. no plano político o impasse é ainda maior. messianismo. c) Fica a impressão de simplificação excessiva. restritas ao mundo intelectual superdotado. 5. d) Soluções econômicas não são necessariamente soluções políticas. O primeiro termo não é dialético. por exemplo. O desafio da dialética está em equilibrar os fatores fundamentais da relação teórica e prática. nem a liberdade. esoterismo.1 Banalizações Os maiores adversários da dialética são os dialéticos banais. 5. 5. a . Procuramos levantar caminhos de construção e conservar a discussão aberta em torno do assunto. É impossível ser dialético em teoria apenas.3. porque perfaz a unidade dos contrários.● nas práticas históricas a importância das lutas políticas não é menor. praticamente monocausal. embora não haja nenhum sentido em desvinculá-las da infraestrutura.2 Problemas da contradição dialética Contraditório e contrário não são a mesma coisa. A postura ortodoxa de Marx é excessivamente rígida. Dialética é sobretudo respeito a uma realidade complexa. quando os problemas da sociedade referem-se necessariamente à infra-estrutura. Certamente. e vice-versa. É relevante chamar atenção para verbalizações excessivamente sofisticadas da dialética. o que permite dizer que o histórico é estrutural. numa totalidade só. porque liga em excesso vida intelectual às determinações econômicas. economia e política. mas a problemática é muito mais complexa que isso.3 PROBLEMAS E PERGUNTAS É ocioso lembrar que essa construção dialética é uma proposta discutível. É forçado. nem maior que o desenvolvimento das forças produtivas. independentes da vontade humana – mas formas que fundam as transformações. para simplificar. não há emancipação feminina sem emancipação econômica. Se assim é. fatores objetivos e subjetivos.3. profunda e dinâmica.

Uma critica radical sem prática coerente produz dois ardis: ● não muda nada. A dialética afirma relações contrárias. não fundamentalmente importante. ● atribui ao sistema criticado a aura de democrático. Precisão conceitual e prática coerente. 5. acerbamente crítica. como se fosse o único lugar possível da crítica. A coerência da crítica está na autocrítica. são exigências também para o dialético. como se fosse possível existir e não existir ao mesmo tempo. que. destrutiva. 5. virulenta. Seu lugar sempre foi de critica inteligente à sociedade capitalista. abusa-se do termo revolução. não pode haver resultados revolucionários na economia sem repercussão política.3 Crítica sem prática A dialética formou a imagem de método típico de gente progressista. sem compromisso com alguma construção concreta. tanto quanto possível. Na prática. É tão brilhante para pensar criticamente a sociedade quando inútil para transformá-la. A Escola sofreu processo relativo de esvaziamento. apesar de questionável. Questiona-se a adequação entre crítica e prática. aplica-se a todo fenômeno que se queira prestigiar na historia. Concede Popper que “a dialética é maneira de descrever desenvolvimento. . Não é sustentável a mera crítica. entre outras. A Escola de Frankfurt foi o berço da teoria crítica. Popper julga que o sentido da contradição vem exagerado pelos dialéticos. com exceção do marxismo ortodoxo. Rejeita que o princípio da contradição leve ao abandono da lógica formal. conviventes em polarização. ou tenha sido propriamente inútil. maneira. em favor da reclusão na prática teoria crítica. possui delimitação clara do conceito: revolução é mudança de modo de produção. no que tange seu potencial esperado de prática alternativa. revolução política sem resultados econômicos.3.4 O que é revolução Revolução é tipicamente um conceito vago. Para o marxismo ortodoxo.3. Não é que a Escola tenha passado em branco.dialética não agride o princípio de identidade. revolucionária. A dialética para o marxismo é o símbolo do método dogmático. Mas nem todos aceitam isso. mas às vezes muito adequada”. Não afirma a existência simultânea de contradições excludentes. tampouco.

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